UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - UFRGS
CURSO DE PS-GRADUAO EM ENGENHARIA CIVIL - CPGEC
ESTUDO DO COMPORTAMENTO DE FUNDAES
SUPERFICIAIS ASSENTES EM SOLOS TRATADOS
LUS FERNANDO PEDROSO SALES
Dissertao apresentada ao corpo docente do Curso de Ps-Graduao em
Engenharia Civil da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
como parte dos requisitos para a obteno do ttulo de MESTRE EM ENGENHARIA.
Porto Alegre
1998
Esta dissertao foi julgada adequada para a obteno do titulo de MESTRE EM
ENGENHARIA e aprovada em sua forma finai pelos orientadores e pelo Curso de Ps-
Graduao em Engenharia Civil - CPGEC.
-3
Prof Fernando Schnaid (Ph. D. ord University, UK)
Prof. Nilo Cesar Consoli (Ph. D. Concordia University, Canada)
Orientador
Coordenadora
BANCA EXAMINADORA:
Prof. Maurcio Ehrlich
D. Sc. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil
Prof. Ronaldo da Silva Ferreira
Ph. D. University of Alberta, Canada
Prof. Adriano Virgho Damiani Bica
Ph. D. University of Surrey, UK
ESCOLA DE ENGENHARIA
BIBLIO1 ELA
Aos meus pais
Pedro Amrico
e Iracema
e aos meus irmos
Srso e Mrio
AGRADECIMENTOS
Ao concluir esta dissertao de mestrado, desejo expressar meus agradecimentos a
muitas pessoas e instituies que contribuiram para que este trabalho se realizasse.
Ao Curso de Ps-Graduao em Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, por aceitar-me em sua fiente de pesquisa.
Aos Professores Fernando Schnaid e Nilo Cesar Consoli, mais do que orientadores,
verdadeiros amigos, pela instrutiva orientao e constante estmulo, fundamentais ao
desenvolvimento deste trabalho e de minha formao profissional.
A todos os professores do Curso de Ps-Graduao em EngenhaIia Civil da UFRGS da
rea de Geotecnia, pelos conhecimentos transmitidos e presteza no dever de ensinar e
desenvolver pesquisas.
Ao Professor Ronaldo da Silva Ferreira, pela colaborao, estmulo e amizade,
fundamentais na escolha de minha carreira como Engenheiro Geotcnico.
Aos meus colegas e amigos do Curso de Ps-Graduao Alvaro E. Rostan, Andr
Luiz Hebmiier, Geovana Farias da Silva, Isatir A. Bottin Filho, Joo Antnio Harb
Carraro, Luciane Ulbrich, Luis Otvio Bettiol P. da Cunha, Mrcia R de Rodrigues e
Paulo M. Ruwer, pelo companherismo, amizade e pelas muitas horas de estudo
compartilhadas.
A "equipe de campo" Alvaro Rostan, Andr L. Hebmuiier, Luis Otvio Bettiol P.
da Cunha e Mrcio A. Vendruscoio, pelo apoio logstico e humano, fundamentais para a
execuo dos trabalhos experimentais de campo.
Ao auxiliar de pesquisa Marcos Cerutti, pela colaborao e presteza na realizao dos
ensaios de campo e laboratrio.
Aos amigos Femando Mntaras, Antnio Thom e Ana Paula Martins, pela
sincera amizade, auxlio e companherismo durante minha permanncia em Porto Alegre.
A Tia Carmen, pelo carinho e apreo transmitidos a minha pessoa. Extendo o mais
profundo agradecimento a toda famlia Carraro, em especial ao amigo Joo, suas irms Anelise
e Liseane e a todas as "tias".
Ao casal Luis Otvio e Bibiana, meus atilhados, pela amizade sincera e carinho
transmitidos a mim durante minha permanncia em Porto Alegre.
Aos hspedes do Hotel Ritz, em especial a Guido Lenz, Patricia, Tnia, Luis Angel
e Oscar, pela mais profunda amizade e companherismo, fundamentais nos momentos em que
encontrvamos longe de nossos familiares.
A CEEE, por ceder o local para a realizao dos ensaios experimentais de campo.
A Secretaria Municipal de Obras e Viaes (SMOW da Prefeitura Municipal de Porto
Alegre, pelo emprstimo do Caminho Munck.
Ao CNPq, pelo apoio financeiro.
Um agradecimento especial aos meus pais, PEDRO AMRICO e IRACE&%4,
simplesmente por tudo.
LISTA DE FIGURAS
...
vlll
LISTA DE TABELAS xii
LISTA DE SMBOLOS ...
xlu
RESUMO XV
ABSTRACT xvi
CAP I INTRODUO
i.i COMENTRIOS INICIAIS
1.2 O PROBLEMA DA PESQUISA E SUA JUSTIFICATNA
1.3 OBJETIVOS DA PESQUISA
1.3.1 OBJETIVOGERAL
1.3.2 OBJETIVOS E S P E C ~ C O S
1.4 HIPTESES DA PESQUISA
1.4.1 HLF>TEsE PRINCIPAL
1.4.2 &TESES SECUNDRIA!~
1.5 &TODO DE DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA
1.6 ESTRUTURA DO TRABALHO
CAP 2 REVISO BIBLIOGRFICA
2.1 ESTABILIZAO DE SOLOS
2. i . i COMPACTAO
2.1.2 ESTABILIZAO COM CIMENTO
DO MATERIAL
[Link] INFLUNCIADA MISTURA SOLOCiMEhTO NAS PROPRIEDADES ~ S I C A S
2.2 CAPACIDADE DE SUPORTE DE FUNDAES SUPERFICIAIS
2.2.1 CAPACIDADE DE SUPORTE PARA SOLOS ESTRATIFiCADOS
[Link] MODELOS DE RUPTLTRA
[Link] &TODOS ANALTICOS DE DETERMINAO DA CAPACIDADE DE SWORTE
2.3 PREVISO DE RECALQUES
2.3.1 CLCULO DE RECALQUES PELA TEORLA DA ELASTICIDADE
CAP 3 CARACTERIZAO DO LOCAL DE ESTUDO
3.i LOCALIZAO
3.2 CARACTERTZAO GEOL~GICAE PEDOL~GICA
3.3 ENSAIOS DE CARACTERIZAO DO SOLO NATURAL
3.3.1 ENSAIOS DE CAMPO
3.;.2 ENSAIOS DE LABORAT~RIO
[Link] NDICES FSICOS
[Link] ANLISE GIWWLOMTRICA
[Link] LIMITES DE ATTEMBERG E ATIVIDADE COLOIDAL
[Link] MEDIDAS DE SUCAO
[Link] ENSAIOS TRiAXDUS
[Link] ENSAIOS DE RESISTNCIA A COMPRESSO SIMPLES
3.4 ENSAIOS NA CAMADA DE SOLO MELHORADO
3.4.1 ENSAIOS DE CAMPO
3.4.2 ENSAIOS DE LABORATRJO
[Link] ENSAIOS DE COMPACTAO
[Link] ENSAIOS TRIAXWS
[Link] ENSAIOS DE RESISTNCIA A COMPRESSO SIMPLES
[Link] ENSAIOS DE REsIsTNCIA A COMPRESSO DhME?IUL
CAP 4 DESCRIO DO PROGRAMA EXPERIMENTAL
4.i INTRODUO
4.2 ENSAIOS DE CAMPO
4.2.1 DOSAGEM DA MISTURA SOLO-CIMENTO
4.2.2 PREPARAO DA CAMADA DE SOLO MELHORADO
4.2.3 ENSAIO DE PLACA
[Link] CONSIDERA~ESINICIAIS
[Link] EQUIPAMENTOS DE ENSAIO
[Link] MToDO DE ENSAIO
CAP 5 ENSAIOS DE PLACA - RESULTADOS E INTERPRETAO
5.1 CONSIDERAES GERAIS
5.2 IDENTIFICAO DA CARGA DE RUP?ZTRA
5.3 ASPECTOS DE COMPORTAMENTO
5.3.1 NORMALIZAO DOS RESULTADOS
5.4 ESTUDO DA INFLUNCIA DA RELAO H/D
5.5 ESTUDO DE CASO
CAP 6 ESTUDO ANAL~TICO
6.1 INTRODUO
6.2 PREVISO DA CAPACIDADE DE SUPORTE
6.3 ANLISE DE DEFORMABILLDADE
CAP 7 CONCLUS~ESFINAIS E SUGEST~ES
7. i CONCLUS~ES
FINAIS
- -
1 ENSAIOS DE PLACA ADEQUABILIDADE E COMPORTAMENTO
-
2 - ENSAIOS DE CONE ADEQUABILIDADE E COMPORTAMENTO
3 - AVALLAODA CARGA DE RUPTURA EM ENSAIOS DE PLACA
4 - NORMALIZAO DOS RESULTADOS
5 - DETERMJNAO DA CAPACIDADE DE SUPORTE EM PLACAS
-
6 ANLISE DE RECALQUES EM PLACAS
7.2 SUGESTES PARA FUTUROS TRABALHOS
vii
LISTA DE FIGURAS
CAPITULO 2
Figura 2.1 Relao tenso x deformao para um solo real e ideal (Costa, 1981) 15
Figura 2.2 Sistemas de carregamentos aplicados nos ensaios (Tejcman, 1977) 18
Figura 2.3 condies dos perfis estudados (Tejcman, 1977) 18
Figura 2.4 Relao entre a carga ltima e a) condio do solo; b) sistema de
carregamento (Tejcrnan, 1977) 19
Figura 2.5 Perfis tpicos de solos no homogneos de dupla camada (Vesic, 1975) 20
Figura 2.6 Mecanismos de rupturas em solos estratificados (Tejcman, 1977) 21
Figura 2.7 Mecanismo de ruptura assumido para perfil de solo de duas camadas
(Purushothamaraj, Ramiah e Rao, 1974) 23
Figura 2.8 Detalhes da superfcie de ruptura para o caso 1
(Purushothamaraj et al., 1974) 24
Figura 2.9 Valores de Nc para diferentes ngulos de atrito interno do solo
(Purushothamaraj et al., 1974) 25
Figura 2.10 Detalhes da superfcie de ruptura para o caso 2
(Purushothamaraj et al., 1974) 25
Figura 2.11 Superficies verticais de deslizamento (Vesic, 1975) 27
Figura 2.12 Superficie de ruptura do solo abaixo da sapata devido a um carregamento
inclinado (Meyerhof e Hanna, 1978) 29
Figura 2.13 Fatores de inclinao para a resistncia ao cisalhamento por puncionamento
(Meyerhof e Hanna, 1978) 31
Figura 2.14 Parmetros do cisalhamento por puncionamento atravs de um
carregamento vertical (Meyerhof e Hanna, 1 978) 31
Figura 2.15 Coeficientes de resistncia ao cisalhamento por puncionamento
atravs de um carregamento vertical (Meyerhof e Hanna, 1978) 32
Figura 2.16 Resultados tpicos da capacidade de suporte para perfis de solos
estratificados (Meyerhof e Hanna, 1978) 32
Figura 2.17 Superficie de ruptura do solo abaixo da sapata devido a um carregamento
inclinado (Meyerhof e Hanna, 1978) 33
Figura 2.18 Sapata corrida em um perfil de solo de duas camadas (Florkiewicz, 1989) - 35
Figura 2.19 Mecanismo de ruptura da sapatas conidas (Florkiewicz, 1989) 36
Figura 2.20 Resultados experimentais e tericos para urna camada de solo no-coesivo
sobreposta a uma camada de solo mole (Florkiewicz, 1989) 37
Figura 2.21 Mecanismos de ruptura para perfs de solos de duas camadas
(Michalowski e Shi, 1995) 38
Figura 2.22 Tenso limite mdia em solos estratScados - q/yB = O
(Michalowski e Shi, 1995) 39
Figura 2.23 Comparao entre resultados calculados e experimentais em sapatas de
B = 0,05 m e q = O (Michalowski e Shi, 1995) 40
Figura 2.24 Relao carga-recalque x tempo para uma estrutura (Tornlinson, 1996) -41
Figura 2.25 Carregamento vertical uniformemente distribudo em uma rea circular
(Poulos e Davis, 1974) 44
Figura 2.26 Fatores F1 e Fz para a soluo elstica proposta por Steinbremer
(Poulos e Davis, 1974) 45
Figura 2.27 Recalques obtidos no centro de uma rea circular carregada u l = u2 = 0,35
(Poulos e Davis, 1974) 47
Figura 2.28 Relao terica entre coeficiente de mdulo equivalente e fator de espessura
para um sistema de duas camadas (Ueshita e Meyerhofl 1967) 49
Figura 3.1 Localizao do campo experimentai 51
Figura 3.2 Localizao dos ensaios no campo experimental 52
Figura 3.3 Perfil estratigrfico do solo natural (Averbeck, 1996) -54
Figura 3.4 ndices fisicos versus profundidade 57
Figura 3.5 Curva caracterstica do horizonte B (Nakahara, 1995) 58
Figura 3.6 Curvas tenso-deformao axial-variao volumtrica (RohKes Jr., 1996) - 59
Figura 3.7 Perfil estratigrfico do solo natural e da camada de solo melhorado
com cimento 60
Figura 3.8 Curvas tenso x deformao para o solo melhorado com cimento 62
Figura 3.9 Curvas variao volumtrica x deformao axial para o solo melhorado
com cimento 62
Figura 3.10 Valores da resistncia a compresso simples 63
Figura 3.1 1 Resistncia a compresso simples x teor de cimento 64
Figura 4.1 Curvas de compactao da mistura solo-c-imemo (Vendruscolo, 1996) 68
Figura 4.2 Compactador tipo Sapo marca W-acker 0-endniscolo, 1996) 69
Figura 4.3 Desenhos esquemticos do assentamemo das placas na camada de solo
melhorado com cimento 70
Figura 4.4 Sistemas de reao do equipamento de ensaio de placa 73
Figura 4.5 Desenho esquemtico dos sistemas ae ansmisso de carga e medio dos
deslocamentos (Cudmani, 1994) 74
Figura 5.1 Curvas carga x recalque com placa ae O,3m de cEmetro 77
Figura 5.2 Curvas carga x recalque com placa de 016m de diimetro 77
Figura 5.3 Aplicao do critrio no. 1 nos ensaios com placas de 0,3m de dimetro 81
Figura 5.4 Aplicao do critrio no. 1 nos ensaios com placas de 0,6m de dimetro 81
Figura 5.5 Aplicao do critrio no. 2 nos ensaios com placas de 0,3m de dimetro 82
Figura 5.6 Aplicao do critrio no. 2 nos ensaios com placas de 0,6m de dimetro 82
Figura 5.7 Curvas carga x recalque de placas com 0,3m de dimetro em escala
logartmica 83
Figura 5.8 Curvas carga x recalque de placas com 13.6m de dimetro em escala
logartmica 83
Figura 5.9 Grfico log (tempo) x recalque para o &o PLTD30H60(1, 84
Figura 5.10 Grfico carga x a para o ensaio PLTD30H60(i, - 84
Figura 5.1 1 Determinao da carga de ruptura par2 o ensaio PLTD60H60 85
Figura 5.12 Variao do valor da carga de ruptura pelos distintos critrios estudados - 85
Figura 5.13 Curvas tenso x recaique relativo para 6 0 s realizados no solo natural e
sobre camadas de solo melhorado 89
Figura 5.14 Curvas mdias dos ensaios de placa rezzados sobre o solo natural e sobre
a camada de solo melhorado 89
Figura 5.15 Tenso normalizada x recalque relam-0 (tenso n o r r n h d a pela tenso de
ruptura ventcada para a curva rn& ao solo natural - Figura 5.14) 91
Figura 5.16 Tenso normalizada x recalque re&o (tenso normalizada pela resistncia a
penetraao, medida no ensaio de cone realizado no solo natural) 93
Figura 5.17 Curvas tenso x recalque relativo (escala ampliada) 96
Figura 5.18 Curva tenso x HD @ara recalque relativo de 1%) 97
Figura 5.19 Curvas tenso x relao WD 97
Figura 5.20 Curvas tenso x recalque (Ueshita e Meyerhoc 1967) 99
Figura 5.21 Curvas tenso x recalque relativo para diferentes relaes H/D 100
Figura 5.22 Curvas tenso x relao H/D 1O0
cAPTULO 6
Figura 6.1 Relao entre a tenso de ruptura (qdt) e a relao HD 103
Figura 6.2 Valores da relao entre tenso de ruptura calculada 1 experimental 104
Figura 6.3 Forma da superficie de ruptura idealizada para as condies de campo 105
Figura 6.4 Variao do comportamento qd, x WD para diferentes valores do ngulo 8 - 106
Figura 6.5 Variao do comportamento tenso de ruptura (qdt) x razo WD para diferentes
valores de coeso (c) e ngulo de atrito interno ($), atravs do mtodo analtico
proposto por Purushothamaraj et al. (1974) 107
Figura 6.6 Hiptese adotada para geometria da superficie de ruptura, no clculo da
capacidade de suporte, atravs do mtodo proposto por
Purushothamaraj et al. (1974) 107
Figura 6.7 Curvas tenso x recalque utilizando parmetros do solo obtidos a partir de
ensaios triaxiais (El = 160 MPa e E2 = 45 MPa) 110
Figura 6.8 Influncia da variao do mdulo elstico da camada de solo melhorado com
cimento no comportamento tenso x recalque a 112
Figura 6.9 Curvas tenso x recalque utilizando parmetros de deformabilidade do solo
El = 300 MPa e E2= 45 MPa 113
Figura 6.10 Variao do valor do mdulo elstico equivalente (E,) com a relao WD - 115
LISTA DE TABELAS
CAPITULO2
Tabela 2.1 Parrnetros intervenientes na retrao do solo-cimento 12
CAPITULO 3
Tabela 3.1 Valores de ndices fisicos para o solo natural (Nakahara, 1995) 55
Tabela 3.2 Anlise granulomtrica do solo natural (Vendruscolo, 1996) 56
Tabela 3.3 ndice de atividade coloidal x profundidade (Nakahara, 1995) 57
Tabela 3.4 Caractersticas da compactao (Vendruscolo, 1996) 61
Tabela 3.5 Parmetros de resistncia obtidos a partir dos ensaios triaxiais 62
Tabela 3.6 Valores de resistncia a compresso diametral e da razo &/q, para amostras
de campo e laboratrio 65
Tabela 5.1 Valores da carga de ruptura)P
,( 80
Tabela 5.2 Valores dos recalques correspondentes a carga de ruptura 80
Tabela 5.3 Valores absolutos e relativos da tenso para um recalque relativo de 1% -96
cAPTULO 6
Tabela 6.1 Valores dos parmetros de resistncia das camadas de solo estudadas 102
Tabela 6.2 Valores da tenso ltima de ruptura 102
Tabela 6.3 Valores da tenso ltima de ruptura calculada / experimental 103
Tabela 6.4 Valores dos mdulos de elasticidade e coeficientes de Poisson 109
Tabela 6.5 Valores de mdulos elsticos equivalentes obtidos experimentalmente e
atravs do uso de solues elsticas 114
coeso
ngulo de atrito interno
peso especiico natural do solo
peso especfico aparente seco
teor de umidade do solo natural
peso do solo da camada superior
peso do solo da camada inferior
ndice de vazios
grau de saturao
ndice de atividade coloidal
ndice de plasticidade
limite de liquidez
limite de plasticidade
coeficiente de Poisson
mdulo de elasticidade
mdulo de elasticidade equivalente
mdulo de elasticidade secante
deformao axial
recalque da placa ou sapata
carga externa aplicada
carga de ruptura
tenso medida nos ensaios de placa
resistncia de ponta (ensaio de cone)
cl4llatUrd) resistncia mdia de ponta do solo natural (ensaio de cone)
N-SPT resistncia a penetrao (ensaio de SPT)
resistncia a compresso simples
resistncia a compresso diametral
tenso de ruptura
tenso de ruptura obtida experimentalmente atravs dos ensaios de placa
tenso de ruptura (Meyerhof e Hanna, 1978)
componentes verticais da capacidade de suporte do solo (Meyerhof e
Hanna, 1978)
tenso mdia de ruptura do solo natural
fator de adeso (Meyerhof e Hanna, 1978)
empuxo passivo (Meyerhof e Hanna, 1978)
inclinao da carga (Meyerhof e Hanna, 1978)
fatores de correo quanto a forma da sapata (Meyerhof e Hanna, 1978)
capacidade de suporte da camada inferior de solo (Vesic, 1975)
ngulo de inclinao da superficie de ruptura com a vemcal (Vesic, 1975)
fatores de correo quanto a forma da sapata (Vesic, 1975)
fatores de correo quanto a inclinao da carga
parmetros geomtricos da superfcie de ruptura (Purushotharnaraj
et al., 1974)
fator de capacidade de suporte
fator de capacidade da suporte
fator de capacidade de suporte
fator de infiuncia do deslocamento vertical
fator de forma e rigidez da fundao
coeficiente de deformao
lado menor da fundao
lado maior da fundao
dimetros da placa e da fndao
espessura da camada de solo melhorado
cota de assentamento da placa ou sapata
raio da placa ou sapata (Poulos e Davis, 1974)
espessura da camada superior de solo (Poulos e Davis, 1974)
fatores de Steinbrenner - consideram a geometria do problema
fator de deflexo no centro da rea carregada (Ueshita e Meyerhoc 1967)
deflexo no centro da rea carregada (Ueshita e Meyerhoc 1967)
RESUMO
Este trabalho parte integrante de uma linha de pesquisa destinada ao estudo de
viabilidade tcnica de melhoramento artificial de camadas de solo. Objetiva-se com este
trabalho contribuir para a viabilizao de uso de solos melhorados para suporte de fundaes
superficiais. O estudo baseou-se em resultados experimentais de provas de carga em placas
circulares de 0,30m e 0,60m de dimetro sobre camadas de solo melhorado com cimento (teor
de 5%) de 0,15m, 0,30111
e 0,60m de espessura. Os dimetros das placas @) e as espessuras
das camadas de solo melhorado com cimento (H) foram fkados de forma a obter-se trs
valores distintos da relao H/D, correspondendo a 0,5, 1 e 2. Os resultados, representados
adimensionalmente atravs de relaes entre a tenso normalizada e o recalque relativo,
demonstram a influncia da espessura da camada de solo melhorado no comportamento de
fbndaes superficiais submetidas a carregamento vertical. Uma correlao de natureza semi-
empirica desenvolvida de forma a permitir a previso da magnitude de recalques e tenses de
ruptura de sapatas a partir de resultados de ensaios de placa. Foram tambm avaliados a
aplicabiidade de modelos analticos para fundaes superficiais assentes em perfis de solos no
homegneos com caractersticas coesivo-fnccionais. Neste sentido, apresenta-se urna
comparao quantitativa e qualitativa entre os diversos mtodos de previso da capacidade de
suporte e recalques, bem como uma validao das proposies atravs de comparaes entre
resultados calculados e medidos experimentalmente em campo. Os principais resultados
obtidos na pesquisa so: [a] melhora de desempenho das fundaes quando apoiadas em solos
tratados, [b] dificuldade de previso das cargas de ruptura e nveis de recalques em fundaes
apoiadas em solos estratifcados atravs de mtodos analticos, refletindo a complexidade deste
problema de interao solo-estrutura e [c] desenvolvimento de uma metodologia semi-emprica
para estimativa do comportamento de fndaes supericiais com base em resultados de
ensaios de placa.
The study of the technical viability of soil improvement with cement and its application to
support shallow foundations are the aims of the present research. Data are presented
comparing the load-settlement behaviour of circular steel plate loading tests 0,30m and 0,60m
diameter resting on improved layers (5% degree of cementation) 0,15m, 0,30111 and 0,60m
thick. The diameter of the plates @) and the thickness of the cemented layers (H) have been
selected in order to produce ratios of D/H of 0,5, 1 and 2. The results are expressed in t e m of
dimensionless variables in a plot of norrnalised applied pressures versus relative settiements.
The infiuence of sol cemented layers on the load-settlement response of shallow foundations is
clearly demonstrated. A semi-empirical correlation is developed in an attempt to assess the
magnitude of settlements and to estimate bearing capacity of the plate loadig test results.
Additionally, the existing analytical formulations for predicting the behaviour of shaiiow
foundations on stratified soil profiles of cohesive-fnctional nature have been revised. A
comparison of the analytical predictions and experimental measurements was produced and
some parametrical study of the influente of the various pararneters used in the analysis is
presented. The main conclusions of the work are summarised as follows: [a] the benefits of
having an improved soil layer irnmediate below the foundation element was clearly
demonstrated by observing the overd behaviour of the load tests, [b] the existing closed form
solutions can not rnodel precisely the load-settlement behaviour of such a complex soil-
suucture interaction problem and [c] the semi-empirical proposition developed to predict the
behaviour of the load tests can be useful to estimate settlements and bearing capacity of
foundations on cohesive-fiictional soil layers.
As obras de engenharia so constitudas de duas partes: a superestmtura e o elemento
de fundao. A primeira responsvel pela sustentao das cargas oriundas do meio externo e
do peso prprio, e a segunda responsvel pela transferncia das cargas sustentadas pela
superestmtura para o terreno de fundao ao qual est assentado.
A fundao de uma obra de engenharia pode ser dividida em dois grandes grupos:
fundao superficial e fundao profunda. O primeiro consiste em transmitir as cargas ao
terreno, apenas pelas tenses distribudas sob a base da fundao. Neste caso a profundidade
de assentamento em relao ao terreno adjacente geralmente inferior a duas vezes a menor
dimenso do elemento de fundao. O segundo grupo aquele em que o elemento de fundao
transmite as cargas ao terreno, pela supeficie lateral ou por urna combinao das duas, e est
assente em profundidades, em relao ao terreno adjacente, superiores ao dobro de sua menor
dimenso. Em geral as fundaes superficiais tm um custo menor que as fundaes
profundas.
Os projetos de fundaes so condicionados por critrios de ruptura e de
deslocamentos. No caso de fundaes superficiais, abordagens de natureza serni-emprica so
frequentemente utilizadas devido a ausncia de modelos constitutivos apropriados a descrio
do comportamento do solo, a falta de dados experimentais para estabelecer correlaes entre
deformabilidade e grau de cimentao e a dificuldade de interpretao de resultados de ensaios
de campo (e-g. Maccarini, 1987; Bressani e Vaughan, 1989; Leroueil e Vaughan, 1990; Lunne
et al., 1995).
Solos cimentados exibem comportamento distinto de solos sedimentares e os mtodos
de interpretao aplicados a areias em condies drenadas e a argiias em condies no-
drenadas no so necessariamente vlidos para estes materiais. Projetos de fundaes parecem
exigir abordagens especfcas para considerar os efeitos de quebra de estrutura, ruptura por
puncionamento, expanso ou colapso em ciclos de umidecimento, entre outros fatores.
Para a compreenso dos problemas geotcnicos dos solos cimentados necessrio
desenvolver estudos de investigao do subsolo, que podem ser realizados por meio de ensaios
de laboratrio e/ou ensaios de campo. Atravs desses ensaios obtm-se os parmetros de
projeto do solo a fim de propiciar, com auxlio de modelos constitutivos e tcnicas analticas,
uma quantificao e quaMcao dos problemas envolvidos.
1.2 O PROBLEMA DE PESQUISA E SUA JUSTIFICATIVA
Segundo Ingles e Metcalf (1972) a utilizao do solo em projetos de engenharia pode
ocorrer em trs situaes distintas:
- aceitao do material encontrado in situ, para o projeto proposto;
- remoo do material do local e reposio por um outro com caractersticas adequadas
ao projeto em questo;
- alterar as propriedades existentes no solo, criando um novo material capaz de
atingir as exigncias de projeto.
Neste trabalho, estuda-se a viabilidade da terceira alternativa. O solo in situ, no
apresentando as caractersticas adequadas ao projeto proposto, pode sofrer alteraes, tais
que, lhe confira as propriedades satisfatrias para o seu uso. Estas alteraes podem se dar por
diversas maneiras, dentre as quais incluem-se processos qumicos, que modificam as
propriedades do solo por meio de adio de materiais slidos ou lquidos que reagem
quimicamente com as partculas do solo; fisicos, que alteram as propriedades devido a
incidncia ao solo de calor, eletricidade, entre outros; e mecnicos, que buscam melhorar o
solo pelo uso de outros materiais que no afetam quaisquer propriedades do solo. Devido ao
elevado grau de variabilidade dos solos, os mtodos de alterao de propriedades so limitados
entre si ao tipo de solo encontrado. Assim, comum na prtica de engenharia a adoo de
diferentes mtodos para melhorar as propriedades de um solo, utilizando-se muitas vezes
diferentes mtodos em conjunto para um mesmo solo.
Neste trabalho optou-se por adotar a adio de cimento Portland ao solo estudado
(processo qumico) com controle de compactao em campo (processo mecnico).
1.3 OBJETIVOS DA PESQUISA
1.3.1 OBJETIVO GERAL
O objetivo geral desta pesquisa verificar o comportamento de fundaes superficiais
assentes em peris de solos no homogneos. Descreve-se a condio na qual a camada
a superior exibe parmetros de resistncia maiores que a camada subjacente, objetivando avaliar
a melhora de desempenho de fundaes quando da colocao de uma camada de solo
melhorado com cimento.
1.3.2 OBJETIVOS ESPEC@ICOS
- determinao do perfil estratigrfco do subsolo, incluindo a camada meihorada,
atravs de ensaios de campo;
- validao do ensaio de placa na previso do comportamento carga-recalque de
fundaes superficiais assentes em solos estratificados;
- determinao da influncia da relao entre a espessura da camada meihorada (H) e o
dimetro da placa @) no comportamento carga x recalque de fundaes superficiais;
- estudo analtico dos mtodos mais usuais de determinao da capacidade de suporte
e recalques para solos estratifcados;
- comprovao do aumento de rigidez e capacidade de suporte do terreno de fundao
atravs da tcnica de melhoramento de uma camada superficial de solo.
i .4.i HIPTESE PRINCIPAL
As caractersticas de um solo podem ser melhoradas, em termos de resistncia e
defomabilidade, atravs de processos como compactao de urna mistura solo-cimento para o
uso em fundaes superficiais.
1.4.2 ~ T E S E SSECUNDRIAS
- o ensaio CPT fornece a estratigrafia do subsolo, p e r m i ~ d oa identificao das
diferentes camadas;
- o ensaio de placa fornece uma avaliao confivel do comportamento carga-recalque
de fundaes superficiais;
1.5 MTODODE DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA
O estudo consiste em duas etapas, sendo a primeira experimental, realizada no Campo
Experimental de solo residual da UFRGS, localizado na Subestao da Companhia Estadual de
Energia Eltrica, no municpio de Cachoeirinha, RS, e a segunda em um estudo analtico Na
etapa experimental so executados ensaios de placa e ensaios de penetrao de cone in siru,
bem como ensaios triaxiais, ensaios de compresso simples e compresso diametral. Os ensaios
de campo servem para verificar o comportamento das camadas de solo tratado, em conjunto
com o perfil de solo natural, no que refere-se a valores de resistncia e deformabilidade. Os
ensaios de laboratrio so fundamentais a determinao de parmetros geotcnicos dos
materiais, permitindo um estudo mais apurado do comportamento verificado em campo,
atravs de mtodos analticos. Consequentemente, a etapa analtica destina-se a aplicao dos
mtodos de previso de capacidade de carga e recalques em fundaes superficiais assentes
sobre solos estratiticados, com o objetivo de avaliar quantitativamente e qualitativamente os
mtodos analticos com as condies verificadas em campo.
O ensaio de penetrao de cone tem um papel fundamental na anlise estratigrica do
perfil do terreno. Com seus dados, pode-se constatar o real aumento de resistncia da camada
superficial de solo melhorado, alm de verificar possveis alteraes no solo natural subjacente
a camada, devido ao processo de compactao da camada tratada.
Os ensaios de placa, consistem em submeter o solo a condies de carregamento
similares as reais, verificando o seu comportamento carga-recalque. So utilizadas placas
circulares rgidas, de ao, com 0,30m e 0,60m de dimetro em camadas de solo melhorado de
diferentes espessuras 0,15m, 0,30m e 0,60m.
1.6 ESTRUTURA DO TRABALHO
A dissertao est dividida em 7 captulos. A seguir apresentada uma descrio dos
assuntos abordados em cada captulo.
No captulo 1 mostrado um apanhado geral sobre a rea mais ampla onde est
inserido o tema da dissertao. Neste captulo apresentado o tema especfico da dissertao,
sua relevncia e listados os objetivos que se pretende atingir, bem como o mtodo de
desenvolvimento da pesquisa.
No captulo 2 apresentada uma reviso bibliogrfica dos principais tpicos abordados
nesta dissertao. Dar-se- importncia maior ao entendimento de princpios e
comportamentos de solos estratificados, bem como de formulaes tericas de determinao
da capacidade de suporte e recalques de fundaes superficiais assentes nesses perfis de solos
no homogneos.
No captulo 3 apresentada uma descrio e localizao do local de estudo, bem como
alguns resultados de investigaes geotcnicas j realizadas no local.
No captulo 4 descrito o programa experimental em detalhe, com todos os
equipamentos e procedimentos adotados.
No captulo 5 so apresentados e analisados os resultados experimentais. dada nfase
a interpretao dos resultados dos ensaios de placa realizados no campo experimental da
UFRGS, bem como apresentada uma discusso sobre o comportamento verificado em campo.
O captulo 6 destina-se a aplicao dos mtodos de previso de capacidade de carga e
recalques em fundaes superficiais assentes sobre solos estratificados. Descreve-se a condio
na qual a camada superior exibe parrnetros de resistncia maiores que a camada subjacente,
objetivando avaliar a melhora de desempenho de fundaes quando da colocao de uma
camada de solo tratado.
No captulo 7 so apresentadas as concluses e sugestes para futuras pesquisas.
Neste captulo apresentada urna reviso sucinta do estado do conhecimento
envolvendo aspectos relacionados a estabilizao e melhoramento de solos, bem como a
determinao da capacidade de suporte e previso de recalques de fundaes supedciais
assentes em perfis de solos no homogneos. nfase dada aos mtodos analticos de
determinao da capacidade de suporte e recalque, analisando as caractersticas, formulaes e
aplicaes.
Entende-se por melhoria ou reforo de solos a utilizao de processos fisicos e/ou
qumicos visando melhorar as propriedades mecnicas dos solos. Basicamente procura-se,
atravs de algum procedimento, o aumento da resistncia do solo tratado e a diminuio de sua
compressibilidade e de sua permeabilidade. Em geral, associa-se o termo "melhoria" de solos a
um tratamento de um macio natural, enquanto que, o termo ccreforo"est mais associado a
utilizao de incluses em aterros ou taludes (ex: geossintticos e grampos respectivamente).
Ingles e Metcalf (1972) definiram estabilizao de solos como a aplicao de processos
e tcnicas que visam a alterao das propriedades mecnicas desses materiais, como o aumento
de resistncia, rigidez e durabilidade, alm da reduo da condutividade hidrulica.
Vargas (1977) deine como estabilizao de solos o processo pelo qual se confere ao
solo uma maior resistncia a cargas ou a eroso, por meio de compactao, correo
granulomtrica e da sua plasticidade ou de adio de substncias que ihe confiram uma coeso
proveniente da cimentao ou aglutinao de suas partculas.
O resultado da estabilizao, portanto, um novo material geotcnico, com
propriedades prprias, capaz de preencher de maneira adequada as exigncias para sua
utilizao.
A melhoria das propriedades fisicas do solo podem ser obtidas de vrias formas, como
por exemplo, por compactao, drenagem, estabilizao granulomtrica, estabilizao por
processos fisico-qumicos, estabilizao trmica, injees de materiais estabiantes, entre
outras (Vendruscolo, 1996).
Vrios autores distinguem os temos solo estabilizado, solo melhorado, solo
rnodflcado e solo tratado, em funo do grau de alterao nas propriedades do material.
Nez (1991) utilizou os termos solo estabilizado e solo melhorado respectivamente para
designar: (1) misturas de solo e aditivo com caractersticas de durabilidade e resistncia que
pexmitarn o seu emprego como base de pavimento rodovirio, e (2) misturas que, embora
experimentem alteraes em suas propriedades mecnicas, no apresentam, devido ao baixo
teor de aditivo, caractersticas suficientes para uso como base.
Segundo Ingles e Metcalf (1972), a adio de pequenas quantidades de cimento, de at
2%, ira modiicar as propriedades dos solos, enquanto que quantidades maiores alteraro
radicalmente as suas propriedades.
Segundo Hilf (1975), compactao o processo pelo qual uma massa de solo,
constituda de partculas slidas, ar e gua, reduzida em volume pela aplicao de carga, tal
como rolamento, socamento, ou vibrao. A compactao envolve expulso de ar do sistema
sem significativa mudana na quantidade de gua da massa de solo. Consequentemente, o teor
de umidade do solo, que definido como a razo do peso de gua pelo peso das partculas
secas, normalmente o mesmo para um solo no estado fofo e, aps a compactao, no estado
denso.
Cada solo possui uma curva caracterstica prpria de peso especfico aparente seco
mximo x teor de umidade para uma detenninada energia de compactao. H uma umidade
tima para a qual resulta um valor de densidade mxima, o que propicia uma menor variao
da resistncia a penetrao, obtida atravs da realizao do ensaio CBR.
Segundo Lambe e Whitman (1979), para uma mesma energia de compactao e um
mesmo peso especfico seco, o solo tende a estar mais floculado quando a compactao se d
no ramo seco (umidade inferior a tima) do que no ramo mido (umidade superior a tima).
Vendruscolo (1996) veriicou que o aumento da energia de compactao causa um
aumento do peso especifico aparente seco mximo e reduz a umidade tima do solo residual
de argiiito e da mistura solo-cimento. O mesmo autor tambm veriicou que no h um padro
definido quanto ao peso especfico mximo seco e umidade tima para os ensaios de
compactao da mistura solo-cimento, para diferentes energias, quando comparadas as curvas
de compactao do solo residual.
Pitta (1985) definiu solo-cimento como a mistura compactada e endurecida composta
de solo, cimento e gua, em propores tais que confiram ao produto caractersticas de
durabilidade e resistncia mecnica.
Segundo Adaska (1991), solo-cimento definido pela ACI SP-19, Cement and
Concrete Tenninology, como uma mistura de solo, com certa quantidade de cimento Portland
e gua, compactada a uma determinada densidade. Pode tambm ser definido como o material
produzido pela combinao, compactao, e cura da mistura solo-agregado, cimento Portland,
e gua na forma de um material denso com propriedades geotcnicas especficas.
As reaes que ocorrem no sistema solo-cimento podem ser divididas em reaes
primrias e reaes secundrias. Em solos muito granulares e sem argila, a ao cimentante se
d atravs dos produtos das reaes primrias, j em solos predominantemente argilosos, a
ao cimentante se d atravs das reaes secundrias (':endruscolo, 1996).
Herzog e Mitchell(1963) sugeriram que o processo de endurecimento do solo-cimento
devido a cimentao de partculas de solo pelos produtos da hidratao do cimento e pelos
produtos de reaes secundrias. A rigidez e a resistncia do solo-cimento so atribudas a
formao de um esqueleto composto desses materiais atravs da massa de solo.
A partcula de cimento Portland e uma substncia heterognea contendo fases
silicatadas (C& C2S) e fases aluminosas (CsA, C*), onde C = xido de clcio, S = slica, A
= xido de alumnio e H = gua. Conforme descrito por Moh (1965), as reaes solo-cimento
podem ser representadas como:
Reaes primrias
(hidratao) cimento + H20 -+ CSH + Ca (OH);!
(hidrlise) Ca(0H)z + C a + 2(OH)'
Reaes secu&ias
Ca4 - 2(OH)- + Si02 (slica do solo) + CSH
Ca4 - 2(OH)- + A1203 (aluminado solo) + CAH
Pode-se observar que na fase de hidratao, nas reaes primrias, produzida a cal.
Nas reaes secundrias, as substncias cirnentantes so formadas sobre a supeficie das
partculas de argila ou em sua vizinhana, causando a floculao dos gros de a r d a
cimentados nos pontos de contato.
Segundo Ingles e Metcalf (1972), as propriedades de solos estabilizados com cimento
dependem primeiro do cimento e segundo da compactao. Vale ressaltar que a compactao
realizada aps a hidratao do cimento toma-se praticamente ineficaz.
Segundo Vendmscolo (1996), com o aumento do teor de cimento, a resistncia a
compresso e a capacidade de suporte aumentam, a durabilidade a ciclos umedecidos e
secagem aumenta e a condutividade hidrulica em geral diminui. A tendncia a contrao pode
aumentar em solos granulares e a tendncia a expanso de solos argdosos diminui.
Nuiez (1991) observou uma relao linear entre a resistncia a compresso simples e o
teor de cimento, salientando que, quanto mais cimento disponvel houver, maior ser a
quantidade de produtos cimentantes primrios de hidratao e tambm maior a quantidade de
cal liberada para a formao dos produtos cimentantes secundrios.
Vendruscolo (1996) verifcou que o aumento da energia de compactao causou o
aumento do peso especfico aparente seco mximo e reduziu a umidade tima do solo residual
e da mistura solo-cimento. Todavia, o autor observou que no h um padro defkido quanto a
densidade e umidade tima para os ensaios de compactao da mistura solo-cimento, nas
diferentes energias, quando comparadas s curvas de compactao do solo residual.
[Link] Influncia de mistura solo-cimento nas propriedades fisicas do material
Com base nos estudos realizados pelo Departamento de Solo-Cimento (DESOL) da
Associao Brasileira de Cimento Portland, a adio de cimento ao solo natural provoca certas
alteraes as propriedades fisicas desse material. A seguir tem-se algumas concluses obtidas
neste estudo:
'b a adio de pequenos teores de cimento no modifica sensivelmente a granulometria
dos materiais granulares, porm tem forte influncia nos materiais finos;
b tanto a quantidade de aglomerante, quanto o tempo de cura, tem grande importncia
na variao dos limites de Atterberg dos solos melhorados com cimento. Os solos finos
demonstram grande sensibilidade tanto ao aumento do teor de cimento, quanto do tempo de
mistura solta, enquanto que, para solos arenosos, as primeiras horas j so suficientes para
fixar os valores deinitivos dos limites fisicos, no ocorrendo grandes mudanas em relao a
estes ndices quando se eleva a participao do cimento na mistura;
b ocorre a reduo de plasticidade, ocasionada, provavelmente, pela liberao de ons
de clcio ( C a 3 durante as primeiras reaes de hidratao. As partculas se tomam mais
eletricamente atrativas umas pelas outras e forma, por floculao ou agregao, novas
partculas de dimetros superiores aos das partculas originais. Assim, a partcula agregada
passa a comportar-se como silte ou areia, no plsticos pelo dimetro e pela foma dos gros;
% a adio de cimento Portland aos solos, independente da quantidade e do tempo de
cura, confere a mistura uma grande estabilidade volumtrica;
B o aumento do valor de ISC (ndice de Suporte Califmia) proporcional ao teor de
aglomerante, sendo mais notvel em solos k o s . O acrscimo indiscrirninado do teor de
cimento traz aspectos de ruptura frgil ao corpo de prova de solo melhorado, qualquer que
seja o material natural ensaiado;
O maior ou menor grau e a velocidade de modScao das propriedades do solo
depender das caractersticas especficas do solo, do teor de aditivo, da quantidade de gua, do
tipo e do grau de compactao, do tipo e do tempo de cura, do grau de pulverizao, no caso
de solos argilosos, e da eficincia da mistura.
S e m d o Saxena e Lastrico (1978), a resistncia ao cisalhamento dos solos
compreendida em trs componentes: coeso, dilatncia e fico. A coeso inclui qualquer
cimentao natural ou artiiicial ou ligaes entre partculas. A fico e a dilatncia so diiceis
de separar, mas ambas so hno direta da presso efetiva normal atuante no plano de
cisalhamento. No caso de solos cimentados, a parcela da coeso predominante para pequena
deformaes. Aps certo nvel de deformao, h uma gradual quebra das cimentaes e a
resistncia fnccional comea a predominar. Aps a ruptura, com a quebra total da matriz de
cimentao, a resistncia ao cisalhamento de natureza inteiramente ficcional.
Segundo Pitta (1985), a retrao dos solos argilosos tratados com cimento muito
mais lenta do que nos solos granulares, ou seja, estes atingem a estabilidade de volume logo
nas primeiras idades. Quanto maior a fiao argdosa de um solo, tanto maior ser a sua
tendncia a retrao. O autor concluiu que um dos fatores mais influentes na retrao do solo-
cimento o contedo de gua no momento da compactao. Segundo ele, para obteno da
menor retrao total, a compactao deve ser efetuada levemente abaixo da umidade tima.
Outro fator que interfere na retrao do solo-cimento o aumento do grau da [Link]
compactao, que provoca a reduo da retraqo.
Na Tabela 2.1 so apresentados os pesos relativos dos diferentes parmetros
intervenientes na retrao do solo-cimento, segundo estudos realizados pelo DESOL. Os pesos
relativos indicam a influncia do parmetro relacionado a capacidade de aumentar (para os
valores positivos) ou reduzir (para os valores negativos) o efeito da retrao na mistura solo-
cimento, quando comparada com a retrao observada em uma mistura solo-cimento
considerada padro pelo DESOL. Assim, quando ut3za.m-se solos argdosos, com grande
quantidade de caulinita, a retrao da mistura solo-cimento toma-se cinco vezes maior quando
comparada a mistura solo-cimento padro.
Tabela 2.1: FYtrhetros intervenientes na remo do solocimento @na, 1985).
Parmetro Peso relativo
1. Tipo de solo:
-h 0 +5
- granular +2
2. Tipo de argila:
-i b +2
- caulinita +5
- b&& -5
3. Porcentagem menor do que 2 p :
-entre5%e10% +3
- entre 11% e 20% +10
- entre 21% e 30% +15
- entre 31% e 50% +20
- acima de 50% +25
4. Cura:
- normal +3
- superfcie satuada +1
5. Umidade de cornpactao:
- qguai a umidade tima I +2
- maior do que a umidade tima I +5
- menor do que a umidade tima +1
6. Massa especfica aparente mxima seca:
- igual a massa especfica aparente mxima seca +2
- maior do que a massa especfca aparente mxima seca +1
- menor do que a massa especfica aparente mxima seca +3
7. Teor de cimento:
- igual ao indicado pela norma de dosagem +2
- maior do que o indicado pela norma de dosagem +1
- menor do que o indicado pela norma de dosagem +3
8. Fmura do cimento:
- igual a da NBR 5732 +1
- at 3400 cm21g +2
- maior do que 3400 dg +4
Define-se capacidade de suporte de uma fundao a tenso de cisalhamento que iguala
!a resistncia ao cisalhamento do solo, em todos os pontos vizinhos ao elemento de fundao
i(Vargas, 1977). Ela pode ser avaliada atravs de diversos mtodos, dos quais destaca-se o
Mtodo do Equiii'brio Limite por ser o procedimento mais difundido na prtica de Engenharia
de Fundaes. Outras abordagens, como o Mtodo das Linhas de Escoamento, Anlise Limite,
Expanso de Cavidade e Elementos Finitos so tambm utilizadas na anlise da capacidade de
suporte de fundaes superficiais. A seguir, ser apresentado um breve resumo sobre as
principais caractersticas de cada um dos mtodos de anlise da capacidade de suporte da
fiindao:
% Mtodo de Equilbrio Limite:baseia-se no estabelecimento prvio da superfcie de
ruptura (plana, circular ou espiral logaritmica), e o equilibno do meio passa a ser estudado
como um problema de isosttica. A exatido dos resultados obtidos depende de quanto a
superficie adotada se aproxima da supeficie real de ruptura. O mtodo de equilrio lnite no
considera a relao tenso x deformao do solo, idealizando o mesmo como um material
rgido-perfeitamente plstico. A grande dificuldade na aplicao deste mtodo consiste em
estimar o estado de tenso ao longo da supeficie de ruptura, principalmente sabendo que este
varia consideravelmente ao longo da superfcie de ruptura. A teoria de capacidade de suporte
desenvolvida pelo mtodo de equilbrio limite parte de hipteses que:
a) a fundao de largura finita e comprimento infinito (estado plana de deformao);
b) as cargas so aplicadas axialrnente e verticalmente;
c) o solo considerado um material homogneo, rgido-plstico e isotrpico;
d) a base da fundao e a superfcie do terreno so horizontais;
e) a tenso cisalhante inicial no solo zero;
e) a fundao est totalmente submersa, ou o nvel do lenol fketico est abaixo da
zona de plastificao.
A partir da soluo bsica obtida atravs dessas hipteses simplificadoras foram
introduzidos parmetros corretivos de natureza emprica ou semi-emprica com a halidade de
incluir na anlise a influncia dos diversos fatores como: embutimento, forma, nvel d'gua
inclinao da carga, no homogeneidade do solo, entre outros.
tb Mtodo de Linhas de Escoamento: combina o critrio de ruptura de Mohr-Coulomb
com as equaes de equilrio. Com um resultado obtm-se uma f a m a de equaes
diferenciais no lineares hiperblicas, que so usadas para determinar as tenses no solo abaixo
da rea carregada. Este mtodo considera o material como rgido plstico. Segundo Costa
(198 l), uma critica voltada a esta teoria devido a negligncia da relao tenso x deformao
do solo, somente as condies de equilbrio so consideradas. Outra crtica apontada pelo
autor, refere-se a no garantia que este campo de tenses que est em condies de equilbrio
e escoamento em todos os pontos do lado interno da supeficie de ruptura se estenda
satisfatoriamente para o lado de fora desta superfcie. O mtodo de linhas de escoamento
requer urna soluo individual para cada combinao de c, 4, q e y tomando-o extremamente
trabalhoso. Diante disso, vrios autores apresentaram bacos para casos especicos facilitando
enormemente a determinao da capacidade de suporte.
tb Mtodo de Anlise Limite: baseado em dois teoremas que definem os limites
Kiferior e superior do valor da carga de ruptura, que consideram um material elstico
perfeitamente plstico. Os teoremas da anlise limite podem ser estabelecidos para um corpo
qualquer se o mesmo possui as seguintes propriedades:
a) o material exibe uma perfeita plasticidade, isto , a perda de resistncia no ocorre;
b) as variaes na geometria do corpo que ocorrem devido a carga limite so
insigdicantes, assim as equaes de trabalho virtual podem ser aplicadas.
Uma grande dificuidade apresentada por este mtodo consiste na discrepncia entre as
propriedades de deformao plstica de um material ideal comparada a um material real, o qual
exibe frequentemente uma perda ou ganho de resistncia. Esta discrepncia pode ser melhor
observada na Figura 2.1, onde apresentada uma comparao de comportamento tenso x
deformao entre o material hipottico, que exibe a propriedade de um escoamento
perfeitamente plstico, e um material real.
O mtodo da anlise limite permite que, atravs de simpficaes introduzidas, se
obtenham limites inferior e supeiior para as cargas de ruptura. Contrariamente ao mtodo das
linhas de escoamento, este mtodo pressupe uma relao tenso-deformao para o material
caracterizada pela condio de normalidade ou lei do escoamento associada.
P-Ww~AAMCIDAE
RESiDUAL
I PERDA DE RESIS-IA
Ddormaio
Figura 2.1: Relao tenso x deformao para um solo real e ideal (Costa, 198 1)
b Mtodo de Expanso de Cavidade: este mtodo foi inicialmente desenvolvido com
o intuito de determinar a tenso necessria para produzir um puncionamento profundo em um
meio elasto-plstico. Ao contrrio dos estudos de Prandtl, que levavam em considerao
somente as caractersticas de ruptura do material, o mtodo de expanso de cavidade considera
com facilidade o comportamento tenso x deformao, como tambm pode ter como variveis
dependentes, fatores como tempo e temperatura. O mtodo estabelece certas simplificaes
como o material ser homogneo, isotrpico, comportamento como perfeitamente plstico em
urna regio em tomo da cavidade e como linear elstico fora desta regio. O efeito da variao
de volume na regio plstica tem sido considerado nas formulaes analticas devido ao
embasamento em dados experimentais da relao tenso x deformao e deformao x
variao volumetrica.
Costa (1981) apresentou um estudo comparativo entre os diversos mtodos de
determinao da capacidade de suporte de solos. Segundo o autor, uma das diferenas
fundamentais entre os mtodos de linhas de escoamento e equilbrio limite comparados com o
mtodo de anlise limite que este ltimo considera a relao tenso x deformao do solo de
uma maneira idealizada. Outra caractenstica, apontada pelo autor, que o mtodo de
equilrio limite geralmente utiliza a forma de ruptura determinada pelo mtodo de linhas de
escoamento e generaliza para qualquer condio de contomo. Assim, um estudo de capicidade
de suporte atravs do mtodo de equilbrio Iimite passa a ser apenas um estudo de equilrio
atravs da isosttica, das cunhas separadas por superfcies de ruptura.
Uma breve reviso da literatura foi realizada nesta pesquisa, no sentido de escolher a
metodologia mais adequada a previso de capacidade de suporte de fundaes em solos
estratscados. Uma discusso especfica apresentada no Captulo 6.
2.2.1 CAPACIDADE DE SUPORTE PARA SOLOS ESTRATIFICADOS
A capacidade de suporte de fundaes superficiais, carregadas verticalmente, assentes
em solos homogneos pode ser facilmente estimada utilizando a teoria equili%rio limite,
adotando valores apropriados dos fatores de capacidade de suporte e dos parmetros
geotcnicos do solo. Este tipo de clculo baseado na hiptese implcita que o solo rgido-
perfeitamente plstico com caractersticas de resistncia devidas a coeso e ngulo de atrito.
Segundo Burd e Frydman (1995), para solos homogneos, esta aproximao bem sucedida,
porm, em geral, no pode ser usada para os casos onde o solo varia suas propnedades com a
profundidade.
Burd e Frydman (1995) estudaram a capacidade de suporte de fundaes supedciais
planas em solos estratificados, onde camadas de areia so sobrepostas a perfis de solos
argilosos. A espessura da camada de areia comparvel a largura da fundao rgida apoiada
em sua superiicie. Segundo os autores quando a espessura da camada superior maior que a
largura da sapata, estimativas realsticas da capacidade de suporte podem ser obtidas utilizando
a teoria da capacidade de suporte convencional com base nas propnedades da camada
superior. Se a espessura da camada superior for similar a largura da sapata, ento, esta
aproximao no apropriada.
A no homogeneidade de uma massa de solo pode ser dar por diferentes aspectos: o
primeiro consiste na no homogeneidade propriamente dita da massa de solo, ou seja um solo
composto de uma granulometria totalmente variada, com a presena de lentes e camadas
irregulares de pequena extenso. Uma massa de solo com estas caractersticas requer um
estudo mais aprofundado para obteno de parrnerros e verificao do comportamento real
atravs de ensaios de campo. O segundo aspecto seria a no homogeneidade de um solo com a
mesma caracterstica, mas com a resistncia ao cisalhamento varkarido com a profiindidade.
Neste caso, a capacidade de suporte calculada atravs de uma resistncia ao cisalhamento
mdia existente a uma profundidade de 2/3 da menor dimenso da fundao, desde que a
resistncia dentro desta profundidade no varie mais que 50% da resistncia mdia. O terceiro
aspecto trata-se de um caso muito comum de no homogeneidade, que seria o caso da
camadas superpostas com caractersticas diferentes. Neste caso, a capacidade de suporte deve
ser calculada utilizando os parmetros de resistncia de cada camada, considerando as
condies de geometria verificadas no sistema.
Muitos autores (Button, 1953; Reddy e Srinivasan, 1967; Brown e Meyerhof, 1969;
Purushothamaraj e outros, 1974; Vesic, 1975; Meyerhof e Hanna, 1978; Hanna, 1981;
Florkiewicz, 1989; Michalowski e Shi, 1995; e outros) tm estudado teoricamente e
experimentalmente o problema da capacidade de suporte de sapatas assentes em solos
estratificados. A maioria dos estudos de determinao da capacidade de suporte de hdaes
superficiais assentes em solos estratificados baseia-se no mtodo de equilirio limite. Como
descrito anteriormente, estes mtodos partem de uma soluo bsica obtida atravs das
hipteses simplifcadoras e so introduzidos alguns parmetros corretivos de natureza emprica
ou semi-emprica de forma a incluir na anlise a infiuncia dos diversos fatores como: no
homogeneidade do solo, embutimento, forma, presena do nvel d'gua, inclinao e
excentricidade da carga, entre outros.
Os mtodos de previso da capacidade de suporte de fundaes superficiais no
consideram necessariamente a natureza coesivo-friccional da camadas de solo. Normalmente
feita referncia apenas a sistemas de dupla camada de argiias ou areias, considerando cada
camada como perfeitamente no-drenada (Sul e S U ~ OU
) totalmente drenada (41 e h)
respectivamente.
Tejchrnan (1977) estudou a capacidade de suporte de sapatas corridas assentadas em
solos estratificados. Em seu estudo, o autor procurou investigar trs problemas principais: o
efeito do subsolo por meio de uma camada de solo mole na capacidade de suporte da
fundao; o efeito da excentricidade e inclinao das cargas na capacidade de suporte da
fundao; e o efeito da heterogeneidade do subsolo no recalque das fundaes. Para tal,
aplicou cargas de compresso centradas e excntricas, com inclinaes de 0 e 30" com a
vertical, conforme mostrado na Figura 2.2. Dois tipos de solos foram utilizados neste
programa: um perfY homogneo de solo no coesivo e um perfil estratifcado com uma camada
mole introduzida ao perfil homogneo. A camada de solo mole, com espessura igual a 0,5B,
foi colocada em diferentes profundidades z = 0,5B; 1B; 1,5B e 2B, onde B o lado do modelo
da sapata e z a profundidade da parte superior da camada mole. O modelo de sapata comida
consistia em uma placa metlica rgida, de 0,2m de lado e lm de comprimento, de forma que a
razo do comprimento com o lado (LB)seja igual a 5. Na Figura 2.3 so apresentadas as
condies dos solos estudadas por Tejchman, esquematizando as composies de peAs de
solo estudados pelo autor.
111
B = largura da placa; e = a&&&& da carga; a = inchao da carga;
Figuxa 2.2: Sistemas de carregamentos aplicados nos ensaios (Tejchman, 1977)
z/B=2
h = 0,5 B
S = areia ; C = argila mole
z = profinididade & asemramato da ornada &argila mole: h = espssura da camada & argila mole
Figura 2.3: Condies dos peris de solo estudados (Tejchman, 1977).
Na Figura 2.4 so apresentados os resultados da carga ltima relacionados com a
condio de solo ensaiada e com o sistema de carregamento. Nota-se, pela Figura 2.4 a), que o
valor da carga ltima decresce, com a reduo da espessura da camada mais resistente
sobreposta a camada mole, para qualquer tipo de carregamento. Quanto a anlise da Figura 2.4
b), percebe-se um decrscimo do valor da carga ltima em funo da excentricidade e
inclinao da carga aplicada, para uma mesma condio de solo.
a)
Carga Itima 0
hdio
do Solo
5
Figura 2.3: Relao entre carga UItima e a) condio do solo, ou b) sistema de carregamento
(Tejchman, 1977).
As concluses do autor foram que a excentricidade e inclinao das cargas causam uma
reduo de 50 % da capacidade de suporte em perfis de solos homogneos, em comparao
com a carga axialmente aplicada. Uma outra constatao do autor foi que o efeito essencial da
capacidade de suporte de perfis estratificados funo da profundidade de assentamento da
camada mole. Observou-se uma reduo de 50% do valor da resistncia do perfil de solo para
os casos onde a camada de argila mole encontrava-se a uma profundidade z = 2B. Quando z =
B, a capacidade de suporte pode ser algumas vezes menor que a capacidade de suporte de
perfis homogneos e um considervel crescimento nos recalques foi verificado. Quando z 5
0,5B,em princpio a resistncia da camada mole controla a capacidade de suporte do perfii de
solo. A mxima reduo nos valores dr, capacidade de suporte devida a estratificao do solo
onde se tem a carga axiaimente aplicada; a excentricidade e a inclinao das cargas provocam
pequena reduo.
[Link] Modelos de Ruptura
Ao contrrio dos perfis de solos homogneos, onde a forma da supexfcie de ruptura
geralmente bem definida e segue basicamente um dos trs modelos clssicos (ruptura
generalizada, localizada ou por puncionamento), os perfis de solos no homogneos podem
apresentam distintas formas para a supericie de ruptura. As propriedades geotcnicas de cada
camada, suas dimenses e as condies de carregamento, so algumas das variveis que
ificultam a identificao e previso da supericie de ruptura em perfis de solos estratificados.
Para os casos de perfis de solos no homogneos, constitudos de camadas de solo de
diferentes caractersticas, geralmente faz-se uma anlise de comportamento distinta quando
tem-se uma camada de menor resistncia sobreposta a um estrato de resistncia maior (Figura
2.5 a) e quando esta camada de menor resistncia est subjacente ao estrato mais resistente
(Figura 2.5 b). A primeira situao ocorre quando a sapata rgida ou flexvel assentada sobre
uma camada de a r d a mole sobreposta a um estrato de argila rija ou rocha. A segunda situao
fiequentemente encontrada quando, por exemplo, uma sapata assentada sobre urna camada
de argila rija ou areia sobreposta a um depsito de solo mole. Vesic (1975) verificou a forma
de ruptura para ambos os casos. Segundo o autor, a forma de ruptura para a primeira situao
ocorre, pelo menos em parte, por um fluxo plstico lateral similar ao que ocorre em um slido
exprimido entre duas placas rugosas paralelas. Na segunda situao basicamente urna ruptura
por puncionamento, com superficies de deslizamento verticais.
a> b)
Figura 2.5: PerJis tpicos de solos no homogneos de dupla camada (Vesic, 1975)
Dembicki e Odrobinski, 1973 (Apud Tejchman, 1977) apresentaram anlise qualitativa
das deformaes e modelos de rupturas em perfis de solos estratifcados. Os estudos
basearam-se a partir da interpretao de dados quantitativos provenientes de resultados de
ensaios de carregamentos em modelos reduzidos. Foram montados diferentes perfis de solos,
onde uma camada de solo mole, de espessura h = 0,5B, sendo B o lado menor da placa
carregada, foi colocada a diferentes nveis de profundidade z. Sobreposta a esta camada de
solo mole, foi assentado uma camada de areia, com caractersticas mais resistentes que a
camada mole. Uma placa metlica de lado B, simulando uma sapata corrida, foi carregada
axialmente por uma carga Q. As linhas de deslizamento, tambm conhecidas como superfcies
de rupturas formadas em cada condio foram fotografadas e so apresentadas de forma
esquemtica na Figura 2.6. Quando a profundidade da camada de solo mole igual a 2B (Fig.
2.6 a), para o caso estudado, as tenses transmitidas ao solo de fundao ficam concentradas
basicamente na primeira camada, constituda de um solo mais resistente. Neste caso, o modelo
de ruptura ventcado generalizado. Quando a camada de solo mole encontra-se a uma
profundidade 0,5B z < 2B (Fig. 2.6 b e c), o cisalhamento vertical ocorre na camada superior
de solo, causando na camada de solo mole uma ruptura por puncionamento e considerveis
deformaes. Quando a camada de solo mole encontra-se a uma profundidade z 5 0,5B (Fig.
2.6 d), ento ocorre uma deformao simultnea no corpo das camadas, de forma a causar
suas rupturas.
Figura 2.6: Mecanismos de rupturas em solos estratificados (Tejchman, 1977).
[Link] Mtodos Analticos de Determinao da Capacidade de Suporte em Solos
Estratificados
Como descrito anteriormente, vrios autores estudaram a capacidade de suporte de
perfis de solos estratificados. A seguir sero apresentados alguns mtodos analticos de
cicuio, que representam o avano do conhecimento ao longo do tempo nesta rea,
fundamentais para o entendimento atual do comportamento deste tipo de material.
Vrios mtodos foram analisados e sua aplicabiidade verificada para as condies de
contorno desta pesquisa. O primeiro mtodo de anlise atribudo a Button (1953), cujo valor
histrico deve ser destacado.
A seguir, Reddy e Srinivasan (1967) estenderam a soluo de Button (1953) para solos
anisotrpicos, definidos pelo coeficiente de anisotropia do solo imediatamente abaixo do
elemento de fundao. Segundo os autores, muitos solos apresentam anisotropia com respeito
a certas propriedades, como resistncia ao cisalhamento, permeabilidade, compressibiidade,
etc. Quanto a anisotropia referente a resistncia ao cisalhamento, norrnamente amostras
retiradas do solo so ensaiadas com a tenso principal maior aplicada na direo vertical e
considera-se o valor da resistncia como sendo igual para todas as outras direes. Isto pode
no ser verdadeiro quando o solo possui caractersticas anisotrpicas em relao a sua
resistncia e, exatamente neste ponto que este mtodo avalia a condio de capacidade de
suporte de perfis de solos estratificados.
Brown e Meyerhof (1969) apresentaram os resultados de uma srie de modelos de
ensaios de placas em perfs de duas camadas de solos argiiosos. Eles estudaram o
comportamento de uma camada rgida sobreposta a uma camada espessa de solo mole, bem
como o comportamento de uma camada mole sobreposta a urna camada rgida. Atravs da
anlise dos resultados dos ensaios de carregamento em placas, onde os autores observaram a
forma da superfcie de ruptura, o formato da cunra tenso-deformao, alm de outros
aspectos relevantes ao entendimento do comportamento da fundao em peris de solos
estratijicados, propuseram equaes que interpretassem, em termos de comportamento fisico,
a capacidade de suporte ltima da fiindao.
Daqueles encontrados na bibliografia, apenas trs mtodos foram utilizados no estudo
analtico de previso da capacidade de suporte de fundaes superfkiais assentes em solos
estratificados de caractensticas coesivos-fnccionais. So eles: os mtodos propostos por
Purushothamaraj, Ramiah e Rao (1974), por Vesic (1975) e por Meyerhof e Hanna (1978).
Por fazerem parte da etapa analtica do referente trabalho, apresentado a seguir o
desenvolvimento analtico de cada uma destas trs metodologias:
Mtodo de Purushothamaraj; Ramiah e Rao:
Purushothamaraj, Rarniah e Rao (1974) investigaram solues para o problema de
sapatas corridas assentes em perfis de solos de duas camadas de caractersticas coesivo-
fiiccionais, atravs do segundo teorema de Drucker e Prager (kinematic comideration). O
teorema de Drucker e Prager baseia-se no mtodo de anlise limite, determinando os limites
superior e inferior da carga ltima ou carga de colapso. Para o desenvolvimento analtico da
soluo, os autores assumiram as seguintes hipteses:
a) o mecanismo de Prandtl - Terzagh para uma sapata corrida de base rugosa vlida;
b) o solo em cada camada homogneo e isotrpico;
c) o segundo teorema de Drucker e Prager e verdadeiro para perfis de solos
estratificados;
O mecanismo de ruptura consiste em uma cunha central com ngulo ct, uma zona de
cisalharnento radial, no formato de uma espiral logartmica, e uma cunha lateral com ngulo B,
conforme pode ser visto na Figura 2.7.
Camada 1
ci; 01; y1
Camada 2
C; 4% Y2
Figura 2.7: Mecanismo de ruptura assumido para perfil de solo de duas camadas (Purushothamaraj,
Ramiah e Rao. 1974).
Caso I: Formao da cunha central somente na camada superior (d > b/2 . tana):
Camada 1
c]; h;YI
Camada 2
c2; h;72
Figura 2.8: Detaihes da superfcie de ruptura para o caso 1 (Punishothamarajet al.. 1974)
A energia necessria envolvida na movimentao da massa total de solo, capaz de
provocar a superficie de ruptura idealizada na Figura 2.8, obtida atravs da soma dos
trabalhos realizados para a movimentao de cada bloco rgido devido ao efeito do peso
prprio do solo e da sobrecarga atuante. Atravs do uso da equao geral da capacidade de
suporte de fundaes superficiais em solos homogneos (ver Equao 2. I), pode-se estimar o
valor da tenso ltima de para o caso em questo, onde a cunha central encontra-se totalmente
na camada de solo superior.
onde,
Nc, N, e N, so fatores adimensionais em funo de $I/&, c1/c2,y1/y2, dh,a e P. A
Figura 2.9, apresenta um exemplo de grfico que correlaciona Nc para diferentes valores de
ngulo de atrito interno do solo.
Purushothamaraj, Ramiah e Rao (1974) apresentam diversos grficos, semelhantes ao
apresentado na Figura 2.9, que exprimem o comportamento e valores dos fatores de
capacidade de suporte (Nc)para diferentes valores do ngulo de atrito, da relao entre as
coeses das camadas e da relao entre a espessura da camada superior de solo e o dimetro
ou lado da sapata.
Figura 2.9: Valores de N. para diferentes ngulos de atrito interno do solo (Purushothamaraj,
Ramiah e Rao, 1974).
Caso 2: Formao da cunha central estendida at a camada inferior (d < bi2 . tana)
A cunha central penetra na segunda camada de solo quando toma-se igual a zero
(ver Figura 2.10).
Camada 1
CI; 61;yi d
v
/E
Camada 2
cz; 4% 72
Figura 2.10: Detaihes da superfcie de ruptura para o caso 2 (Pumhothamamj et al., 1974).
A energia dissipada ao longo da superficie AC mod5cda em relao ao caso 1, e
deve ser expressa em funo do:
Trabalho realizado ao longo da superficie AC =
Trabalho realizado devido ao peso do solo em ABC =
= -[w, '.V, d a - +,)+ W, 'V,
. seda -+,)I Eq. 12.31
onde, W1' e W2' so os pesos das cunhas de solo da camada superior e inferior,
respectivamente.
Trabalho externo realizado = 0,s q b - V,
onde,
Aformulao da capacidade de suporte ltima idntica ao do caso 1, porm as
modificaes referentes a condio 81= O devem ser satisfeitas.
Mtodo de Vsic:
Vesic (1975) apresentou um estudo sobre a capacidade de suporte de fundaes
supeficiais. Neste trabalho, Vesic relatou o comportamento carga-recalque, os modelos de
ruptura, os critrios para detenninao da carga ltimq os fatores que iduenciarn o
comportamento das sapatas durante um carregamento (iclinao da carga, excentricidade,
presena de gua, heterogeneidade do perfl de solo, etc.), entre outros. No que se refere a
heterogeneidade do solo, Vesic apresentou uma resumo histrico das pesquisas desenvolvidas
neste campo, apontando as linhas gerais dos trabalhos e avanos alcanados por estes.
No ano de 1970, Vesic estudou a capacidade de suporte de fmdaes superficiais em
solos estratificados, onde, baseado em anlises experimentais, formulou e equacionou o
26
problema, identificando suas variveis e utilizando os parmetros que ihe eram pertinentes.
Segundo suas concluses, de um modo geral, sapatas apoiadas no topo de uma camada de solo
'resistente, com parmetros c1 e 41, sobreposta a uma camada de solo de menor resistncia,
com parmetros c2 e 42, considera-se a formao de superficies verticais de deslizarnentos,
localizadas abaixo da sapata carregada, semelhante a ruptura tpica por puncionamento,
conforme apresentado na Figura 2.1 1.
Figura 2.1 1: Supericies verticais de deslizamento - ruptura por puncionamento (Vesic, 1975).
De forma geral, a capacidade de suporte de fundaes superficiais, segundo Vesic
(1979, pode ser expressa da seguinte maneira:
onde,
e,
q0y7 = capacidade de suporte da fundao, devido a ao de uma sapata fictcia, de
mesmo tamanho da sapata atual, apoiada no topo da camada inferior de solo. Neste caso, para
o clculo de q,; deve-se utilizar a equao geral da capacidade de suporte para solos
homogneos (ver Equao 2.8) com os parmetros referentes ao solo da camada inferior.
Caso a camada superior seja composta por material com propriedades no coesivas
(c, = 0) com 25 I 41 I 50" ento, a Equao 2.6 pode ser reduzida a:
i [ [:)1*(:)1
q,, = q," exp 0,67- 1 i- Eq.[2.9]
Segundo Vesic (1975), esta expresso pode ser usada para encontrar a profundidade
crtica da camada superior, onde a capacidade de suporte ser ligeiramente afetada pela
presena da camada inferior, conforme v-se na Equao 2.10.
Eq. [2.10]
onde,
qo7 a capacidade de suporte da camada superior em urna massa infinita de solo. Para
determin-la, usa-se a Equao 2.10 com os parmetros do solo da camada superior.
Mtodo de Meyerhof e Hanna:
A capacidade de suporte de fndaes usualmente estimada sob hipteses de
homogeneidade do solo e zonas de deformao situadas sob a fundao. Quando a fiindao
sujeita a cargas inclinadas, a influncia da no-uniformidade, incluindo anisotropia do solo,
toma-se mais evidente sobre a carga vertical. Meyerhof e Hanna (1978), analisaram diferentes
modelos de ruptura do solo atravs da comparao de modelos de ensaios de carregamento em
sapatas circulares e corridas, utilizando perl3s de solos estratificados de duas camadas (uma
camada densa ou rgida sobreposta a uma camada fofa ou mole, e vice-versa), conforme
slpresentado a seguir:
Caso I: Camada rgida sobreposta a uma camada mole (Figura 2.12):
Camada mole (q2) \
,
\
'
.'. V
/
C2> 4% Y2 \
- - - - - M /
Figura 2.12: Superficiede rupturado solo abaixo da sapata devido a um carregamento inclinado
Observando a Figura 2.12, verifica-se uma ruptura por puncionamento na camada
superior do solo, onde as foras atuantes equivalem a adeso total C. e ao empuxo passivo P,
atuando com uma inclinao 6 ao eixo perpendicular a superfcie de ruptura. Considerando que
a carga apiicada com uma inclinao a com a vertical, a componente vertical da capacidade
de suporte ltima ,q dada por:
q, = qu c o s a Eq.[2.11]
cosa
q, =qbu+ 2 -(C, + P ~
-sen6)--- Y, . H 5 q, Eq.[2.12]
B
onde,
qbv e qw so as componentes verticais da capacidade de suporte ltima da fundao,
devido a ao das cargas inclinadas atuantes no topo das camadas superior e inferior de solo,
respectivamente. Para ambos os casos, considera-se o perfil homogneo de solo.
sendo,
H
C, =c, .- Eq.[2.13]
cosa
Eq. 12.141
onde,
c, a adeso unitria e K, o coeficiente de empuxo passivo. Segundo os autores, na
prtica conveniente utilizar fatores de inclinao i, e i, obtidos a partir do grfico
apresentado na Figura 2.13, em conjunto com a adeso c, e o coeficiente de cisalhamento por
puncionamento &, obtidos, respectivamente, pelas curvas apresentadas nas Figuras 2.14 e
2.15, de forma que, a capacidade de suporte ltima possa ser determinada atravs da seguinte
expresso:
A anlise para sapatas corridas pode ser estendida a sapatas circulares:
onde,
s, e s, so os fatores de forma para a resistncia ao cisaihamento por puncionamento
numa superficie cilindrica.
As capacidades de suportes ltimas q b e q, podem ser representadas pelas seguintes
equaes:
q, =cl~Nc,-ic,-sc,+y,~D,-Nq,~iq,-sq,+0,~~y,-B~Ny,-i,
~ q [2.18]
.
onde,
Nc, N, e N, so os fatores de capacidade de suporte para sapatas corridas submetidas a
um carregamento vertical, i e s so os fatores de inclinao e forma da capacidade de suporte,
respectivamente, e o nibscrito 1 e 2 indica a camada superior e inferior do solo,
respectivamente.
INCLINAO DA CARGA a
Figura 2.13: Fatores de inchao pam a resistncia ao cisalhamento por puncionamento
(Meyerhof e Hanna, 1978).
Figura 2.14: Parmetros do nsalbamento por puncionamento atravs de um carregamentoverticai
(Meyerhof e Hanna, 1978).
NGULO DE ATRITO INTERNO 4,
Figura 2.15: Coelicientes de resistncia ao cisakmento por puncionamento atravs de um
carregamento vertical (Meyerhof e Hanna, 1978).
Na Figura 2.16, so apresentadas as curvas de capacidade de suporte ltima (qb) pela
razo entre espessura da camada inferior e a largura da sapata (H/B) obtidas pelo mtodo de
Meyerhof e Hanna. Observa-se que o valor da capacidade de suporte diretamente
proporcional ao valor da razo H5 e da profundidade de assentamento da sapata. Em
contrapartida, inversamente proporcional a inclinao da carga aplicada.
Figura 2.16: Resultados tpicos da capacidade de suwrte para peris de solos emaicados
(M-erhof e Hanna, 1978).
Caso 2: Camada mole sobreposta a uma camada ngida (Figura 2.17):
Figura 2.17: Superfcie de ruptura do solo abaixo da sapata devido a um mgamento inciinado
(Meyerhof e Hanna, 1978).
Neste segundo caso, onde qzlql >> 1, a superficie de ruptura forma-se em sua
totalidade dentro da massa de solo que compe a camada superior. Esta camada, por estar
confinada entre uma camada de solo de maior capacidade de suporte e a sapata carregada,
concentra em sua massa as tenses transferidas pelo carregamento, provocando um
deslocamento lateral da massa de solo e, por conseqncia, a formao da superficie de
ruptura conforme apresentada, qualitativamente, na Figura 2.17.
A capacidade de suporte ltima pode ser estimada atravs de uma aproximao da
seguinte relao semi-emprica:
Eq.[2.19]
onde,
Hf a profundidade da superfcie de ruptura na camada superior de solo, em um ponto
abaixo da sapata, e as capacidades de suportes qb e q, so determinadas atravs das Equaes
2.17 e 2.18, respectivamente. A razo H B , para sapatas corridas, sob um carregamento
vertical, [Link] 1, para solos argilosos e areias fofas, a 2, para areias densas. Entretanto, para
sapatas circulares, pode-se adotar o valor igual a 1 para todos os tipos de solos. O valor desta
razo decresce com o aumento da inclinao da carga e pode ser zero quando a ruptura se d
por puncionamento puro.
Hanna e Meyerhof (1979), estenderam o mtodo de determinao da capacidade de
suporte de fundaes sobre solos de duas camadas para solos com trs camadas. Neste estudo,
o solo estrat%cado era composto por trs camadas de areias com compacidades diferentes.
Segundo os autores, se duas camadas de solos rgidos so sobrepostos a um depsito de solo
mole, a capacidade de suporte ultima do sistema para uma ruptura por puncionamento pode
ser estimada atravs da extenso da teoria estabelecida para rupturas por puncionamento em
peris de duas camadas. A teoria e alguns ensaios em sistemas de trs camadas mostraram que
a capacidade de suporte ltima da fundao cresce rapidamente com o aumento das espessuras
das camadas rgidas superior e mdia, atingindo um valor mximo, quando tem-se uma camada
superior rgida de grande espessura.
Destacam-se ainda duas outras metodologias de anlise disponveis para solos
coesivos-fiiccionais, cujo desenvolvimento discutido a seguir. Entretanto, no foi possvel
sua utilizao devido a impossibilidade de determinao de alguns dos parmetros
constitutivos necessrios a anlise.
Mrodo de FIorkiewiict=
Florkiewicz (1989), desenvolveu um estudo sobre a capacidade de suporte de peris de
solos estratificados baseado no mtodo de aproximao cinemtica de anlise limite
(kinematical approach of limit anaiysis). Este mtodo consiste na determinao da carga
limite superior para os casos de deformao plana (capacidade de suporte de sapatas corridas)
em perfis de solos estratificados, conforme observa-se na Figura 2.18. O mtodo
fundamentado pelo teorema de anlise limite, desenvolvido por Drucker e outros, em 1952.
que adota a lei de escoamento associado e um comportamento perfeitamente plstico dc
material:
Eq. [2.20]
onde,
si e o, so os tensores de deformao e tenso, respectivamente, e h um
multiplicador escalar no negativo.
B
I
v0 4
Camada1
I
Camada I1 I
(72; e;$2) 1
I
Figura 2.18: Sapata corrida em um perfil de solo de duas camadas (Florkiewia, 1989).
Em seu estudo, Florkiewicz utilizou somente o teorema da anlise limite superior. A
aplicao deste teorema requer a elaborao de um mecanismo de ruptura para o sistema, tal
que, o limite superior seja obtido atravs do equilbrio de foras de trabaiho externo e
dissipao de energia. O autor aponta como grande dificuldade para a aplicao deste mtodo,
a elaborao de um mecanismo de ruptura admissvel ao teorerna (krnematicalyadmissible).
Considera-se somente o mecanismo de movimento rgido dos blocos, a interface
deslizante entre os blocos pode ser considerada como uma camada delgada de material Mohr-
Cbulomb. A velocidade de dissipao de energia D por unidade de rea desta interface pode
ser expressa como:
Eq.[2.21]
onde,
c a coeso do material, 4 o ngulo de atrito interno, e [Vj representa a diferena de
velocidade entre dois blocos separados pela interface.
s,= s,' +s
n,
Camada I1
( ~ 2 rOL, h)
Figura 2.19: Mecanismo de ruptura de sapatas corridas (Fiorkiewia, 1989).
O mecanismo de ruptura, estabelecido pelo autor, para sapatas corridas apresentado
na Figura 2.19. Usando a equao de equilirio de energia com o trabalho de dissipao ao
longo da descontinuidade descrito pela Equao 2.21, a expresso especfica para a carga
limite Pk pode ser escrita como:
Eq. [2.22]
onde,
a;, bi, hi e ri so os comprimentos das descontinuidades, conforme v-se na Figura
2.19, Si e si*so as reas dos blocos e Vi e V: so suas velocidades. As velocidades de saltos
entre dois blocos so denotadas como [vi1], [V?] e [V;'], ao longo das descontinuidades bi ou
(bi - hi) na camada I, h; na camada II e r; na camada II,respectivamente. Os comprimentos
das descontinuidades a;, b;, h; e ri podem ser expressos em funo da largura B da sapata e dos
ngulos ai e Pi.
Na Figura 2.20, apresentado uma comparao de resultados experimentais com os
valores encontrados por Florkiewicz, utilizando o mtodo terico. Analisando a figura,
percebe-se uma excelente aproximao entre os resultados experimentais tericos,
comprovando a eficincia deste mtodo para as condies verificadas.
Figura 2.20: Resultados experimentais e tericos para uma camada de solo no-mesivo sobreposta a
uma camada de solo mole (Florkiewicz, 1989).
Mrodo de Michalowski e Shi:
Michalowski e Shi (1995) estudaram o comportamento de fundaes superficiais
assentes em perfis de solos estratificados de duas camadas. Assim como Florkiewicz, os
autores tambm fundamentaram seus estudos na teoria da anlise limite, utilizando os
princpios da krnematic approach of limit anaiysis.
Os autores estabeleceram dois mecanismos distintos de ruptura do solo. O primeiro
mecanismo, apresentado na Figura 2.21a), consiste no deslocamento de blocos rgidos, tal que
a velocidade de trabalho devido a um esforo desconhecido de trao abaixo da metade da
sapata igual a [Link].B/2 onde V0 representa a magnitude da velocidade vertical da sapata. O
teorema do limite superior usado para calcular a presso limite mdia p ao longo da
superficie 0 4 com ao do esforo de trao q ao longo de AF. A trao mdia pode ser
escrita como:
Eq. [2.23]
onde,
eij e Vi so, respectivamente, o tensor de velocidade de deformao e o vetor de
velocidade no mecanismo de ruptura cinematicamente admissivel; cri o tensor de tenso; qf
o vetor de trao na superficie S (representada por AF); o vetor do peso especfico do
solo; u o volume de massa envolvida no colapso.
O segundo mecanismo de ruptura, apresentado na Figura 2.21b), consiste no
movimento dos blocos AGDOA e AGEJA como corpos rgidos, e a regio GDE deformando
de forma continuamente.
a) Mecanismo de ruptura por movimento b) Mecanismo de niptura com deformao
de blocos rgidos contnua na camada de argila
Figura 2.21: Mecanismos de ruptura para perfis de solos de duas camadas (Michalowski e Sbi, 1995).
Michalowski e Shi (1995) apresentaram, em forma de bacos, correlaes entre a
capacidade de suporte da fundao com os parmetros de resistncia do solo (C, = resistncia
no drenada da camada de argila; 4 = ngulo de atrito interno da camada de areia) e com as
condies de contorno estabelecidas pelos autores (B = larar- da sapata; t = espessura da
camada superior) e a presena ou no da ao de sobrecarga (q). Os resultados so
apresentados na forma adimensional, utilizando-se como divisor o termo yB (y = peso
especico do solo). O coeficiente adimensional p/yB, que representa a tenso limite mdia
atuante debaixo da sapata, e, por conseqncia, a capacidade de suporte da fundao, pode ser
determinado atravs do uso de bacos semelhantes ao apresentado na Figura 2.22.
Na Figura 2.23, apresentado um e c o comp&o entre os valores obtidos por
Michalowski e Shi (1995) com os resultados experimentais encontrados por Meyerhof e Hanna
(1978) e valores obtidos com o uso dos bacos propostos por Hanna e Meyerhof (1980).
Observa-se um comportamento semelhante entre os trs merodos, com valores da tenso limite
mdia bem prximos.
L C,
uB $3
Figura .22: Tenso limite mdia em solos estratificados - qlyB = O (Michalowski e Shi 1995).
Figura 2.23: Comparao entre resultados calculados e experimentais em sapatas de
B = 0,05 m e q = O (Michalowski e Shi, 1995).
Mtodo de Burd e Frydman:
Burd e Frydman (1995) apresentaram um estudo sobre a capacidade de suporte de
fundaes comdas em perfis de solos estratifcados. Neste estudo, os autores analisaram e
discutiram alguns mtodos analticos de clculo da capacidade de suporte, alm de modelos
numricos. Os autores apontaram como relevante a u ~ ode coeficientes de
puncionamento, proposto por Meyerhof e Hanna (1978), e os mtodos baseados no teorerna
da anlise limite, estudados por Florkiewicz (1989) e por Michalowski e Shi (1995). Todavia,
seus estudos concentraram-se principalmente nos modelos numricos, que permitem um maior
compreenso do comportamento da fundao, alm de permitir s i i a e s para diferentes
condies. Para tal, deve-se logicamente ter parrnetros confiveis do solo e um modelo
constitutivo compatvel com o comportamento verificado em campo.
2.3 PREVISO DE RECALQUES
O recalque de uma fundao consiste basicamente de trs partes: recalque imediato,
recalque por adensamento e recalque secundrio ou creep. O recalque imediato ocorre durante
a aplicao da carga, como resultante das deformaes elsticas do solo com variao do
volume de gua contida. O recalque por ademamento resultante da reduo de volume do
solo devido a dissipao do excesso de poro-presso. Por ltimo, o recaique sem&o ou
creep ocorre por um longo perodo de anos, depois de ocorrida toda a dissipao do excesso
.de poro-presso no solo e, causado pela resistncia de contato entre as partculas do solo
submetidas a um esforo de compresso. O recalque ina a soma das trs parcelas. Na Figura
2.24, apresentado um diagrama ilustrando os vrios estgios de movimentao e recalques
do solo durante o processo de execuo de uma obra.
I I I
A I 1 I
I
Expanso I I
I
I
I
b
I
I
Recalque I Tempo
'
I I
I I I
I I 1
Figura 2.24: Reiao carga-recaique x tempo para uma estrutura (Tomhson, 1996).
No caso de undaes em areias medianamente densas a densas, os recalques imediatos
e por adensamento so relativamente de pequena ordem. Uma proporo elevada do recalque
total ocorre com o tempo, aps a completa transferncia de carga. Simiiarmente, urna elevada
proporo dos recalques em uma fundao, assentada em areias fofas, ocorre no momento
seguinte a aplicao da carga.
Um grande nmero de procedimentos empricos tem sido utilizado por diferentes
autores para estimar o recaque de fundaes superficiais. As equaes matemticas propostas
foram derivadas de anises estatsticas de provas de carga executadas em campo e em
laboratrio (modelos reduzidos) e a partir de um grande nmero de casos histricos estudados.
Basicamente, os mtodos consideram que, para um mesmo nvel de tenses, a relao entre o
recalque de modelo e do prottipo uma funo da relao entre a largura B do prottipo e
do modelo:
E S C O ~DE ENGENHARIA
BIBLIOT~CA
Eq. 12.241
A expresso mais ditndida para estimar o recalque de fundaes superficiais a partir
de provas de carga em placa foi introduzida por Terzaghi e Peck (1967) e tem a seguinte
forma:
Eq.[2.25]
Bjemm e Eggestad (1963), baseados em um estudo estatstico de casos histricos e
provas de carga, verificaram que a correlao entre o recalque e a dimenso da rea carregada
apresenta uma aprecivel disperso. Os autores propem envoltna de valores mximos,
miimos e mdios da relao B/bo x plpo, que correspondem a areias de densidade alta, baixa e
mdia, respectivamente.
Barata (1966) em seus trabalhos experimentais contoma o problema da opo e
definio sobre o tipo de mdulo mais conveniente para aplicao nas frmulas. O autor
desenvolveu um mtodo de deteminao indireta e in situ do mdulo E, que se baseia, em
primeiro lugar, na existncia de uma correlao entre o rndulo de elasticidade (E) e a
resistncia de ponta (qc) do ensaio de cone, representada atravs da Equao 2.26.
onde,
a = Coeficiente de correo (Coeficiente de Buisman), b o do tipo de solo,
conforme apresentado na Tabela 2.2:
Tabeia 2.2: Valores do coeficiente de Buisman (Barata, 1966).
Tipo de Solo Coeficiente de Buisman
Silte Arenoso pouco Argdoso 1.15
Areia Siltosa 1.20
S2te Argdoso 2.40
Aterro Argdoso Compactado 1 3.40
Shultze e Sherif (1973) estabeleceram uma relao emprica entre o valor N-SPT, a
dimenso da fundao e o fator de embutimento, para determinar os recalques de uma
fundao superincial apoiada em areias.
Burland e Burbidge (1985) estabeleceram outra correlao emprica, baseada no ensaio
de penetrao a percurso (SPT), para o clculo dos recalques em fundaes superficiais
assentes em solos arenosos e pedregulhosos. Quando o valor de N-SPT cresce linearmente
com a profundidade, como no caso de areias normalmente adensadas, o mtodo proposto por
Burland e Burbidge (1985) tende a dar valores elevados de redques para solos moles com N-
SPT < 10 comparado aos valores obtidos pelo mtodo proposto por Shuitze e Sherif (1973).
Isto ocorre devido ao mtodo ser baseado no valor de N-SPT encontrado na profundidade de
assentamento da fundao. Convencionalmente, o mtodo proposto por Burland e Burbidge ,
(1985) apresenta valores menores de recalques para solos com N-SPT > 30.
Schmertrnann, Hartman e Brown (1978) estabeleceram uma correlao entre a
resistncia de cone (qc) e o mdulo elstico do solo (E), de forma a permitir a determinao
dos nveis de recalques em fundaes superficiais. Segundo os autores, para uma relao entre
as dimenses do elemento de fundao &/B) igual a 1, adota-se E, = 2,5q, e, para a relao
(LB)maior que 10, adota-se E, = 3,5qc. Lunne e Christoffersen (apud Tomlinson, 1996)
estabeleceram, para areias normalmente adensadas, outras correlaes entre o mdulo de
elasticidade do solo e a resistncia de cone:
E = 4qc @IWm2) para q, 10 MN/m2
E = (2qc+ 20) ( M N / ~ ~para
) 10 < qc < 50 M N / ~ ~
E = 120 ( M N / ~ ~ ) para qc> 50 IN31/rn2
Para areias pr-adensadas com OCR > 2, Lunne e Christoffersen estabelecem que:
E = 5qc para q, <50MNlm2
E = 250 (MN/m2) para q, > 50 m i m 2
2.3.1 CLCULODE RECALQUES PELA TEORIA DA ELASTICIDADE
Apesar do comportamento dos solos no ser perfeitamente elstico Linear, a utilizao
da Teoria da Elasticidade e amplamente difundida na prtica de Engenhaia. Isto se deve,
principalmente a existncia de solues fechadas que contemplam as condies de contorno
usuais na prtica de Engenharia.
Correlaes serni-empricas, obtidas atravs de resultados de ensaios de placa e anlise
de diversos casos histricos, alm do uso de modelos numricos, foram desenvolvidas para as
mais diversas condies de carregamento e contorno (ex: relao entre mduios de
elasticidade das camadas de solo, geometria do problema). Elas so frequentemente utilizadas
na determinao dos valores de recalques elsticos em bdaes superficiais. Steinbrenner
(1934), Pamer e Barber (1940), Odemark (1949), Ueshita e Meyerhof (1968), Vesic (1963),
Them de Barros (1966) so exemplos de solues elsticas apresentadas por Poulos e Davis
(1974), para a determinao de recalques elsticos em sistemas de mtiplas camadas.
Na Figura 2.25 apresentado um desenho esquemtico que ilustra as condies
supostas nas solues elsticas, descritas por Poulos e Davis (1974), que sero a seguir
apresentadas. Algumas destas solues serviro como ferramenta para a anlise da
defonnabilidade do solo estudado desenvolvido neste trabalho e apresentado no Captulo 6 .
Camada 2:
E2;vz
Figura 2.25: Carregamentovertical uniformemente distribuido em uma rea circuiar
(Pouios e Davis, 1971).
Mtodo & Steinbrenner
Steinbrenner (1943) [Apud Podos e Davis, 19741 sugere uma distribuio de tenses
ao longo da massa de solo idntica a distribuio de Boussinesq em perfis de solos
homogneos e semi-infinitos. Para um pernl de camada simples, o recalque dado pela
seguinte equao:
onde,
Eq.r2.281
B = lado menor do retngulo
F1 e F2 = fatores propostos por Steinbrenner consideram a geometria do problema
(Figura 2.26).
A Equao [2.27] pode ser estendida para perfis de mltiplas camadas (n), conforme
apresentado na Equao [2.29]:
Eq. [2.29]
onde,
E,, ui so os parmetros elsticos da camada de solo i;
1, o fator de iduncia do deslocamento vertical, obtido atravs da Figura 2.26.
VALORES DE Fi e F1
Figura 2.26: Fatores Fl e F2 propostos por Steinbrenner (Pouict .Davis? 1971).
Mtodo & Palmer e Barbm
Para um sistema de duas camadas de solo, Palmer e Barer (1940) [Apud Poulos e
Davis, 19743 supem que a camada superior, de espessura h, mdulo de elasticidade E l e
u = ui, deve ser substituda por uma camada de espessura equivalente h, com o material da
camada inferior de solo (mdulo = E2 e u = u2):
O recaique obtido atravs da soma do deslocamento vertical da camada de solo
equivalente entre as profndidades z = O e z = h,, sendo para o deslocamento vertical at a
profundidade he como uma massa semi-infinita. Por exemplo, para o caso de uma sapata
circular (raio = a) apoiada em um sistema de duas camadas, tendo ui = uz = 0,5, o recalque pl
na profundidade h, :
Eq. [2.31]
O recaique dentro da camada superior, pz :
O recalque total determinado a partir de p = pl + p2:
Eq. [2.33]
Este mtodo foi desenvolvido para determinar o recalque em sistemas de trs camadas.
Sendo as duas camadas superiores substitudas por uma camada de espessura h* + h2, o
mdulo equivalente determinado atravs da seguinte expresso:
Eq.[2.34]
O recalque elstico determinado atravs do uso da seguinte expresso:
onde,
I, = fator de deflexo, determinado atravs da Figura 2.27, onde o mdulo El= E,,
obtido atravs da Equao 12.343, e o mdulo E2= mdulo elstico da terceira
camada.
Para perfis de duas camada, adota-se E1 = mdulo elstico da camada superior de solo
e EZ= mdulo elstico da camada inferior de solo, no sendo necessrio o ciculo do mdulo
equivalente apresentado na Equao [2.34].
Figura 2.27: Recalques obtidos no centro de uma rea circular carregada. u l = u2 = 0,35
pouios e Davis, 1974).
Mtodo de U&i& e Meyerhofi
Ueshita e Meyerhof (1967) estudaram de forma terica e experimental as deformaes
em sistemas de solos estratificados carregados por uma rea circular. Eles verificaram a
validade da teoria da elasticidade aplicada nos problemas de deformaes de sistemas de solos
estratiicados. Na analise dos dados experimentais, foi suposto que a deformao abaixo da
placa circular rgida igual a deflexo mdia de uma rea circular flexvel uniformemente
carregada, como aproximadamente o caso para uma camada elstica semi-infinita. O
equipamento utilizado foi um modelo reduzido de ensaio de carregamento em placas, e os
materiais utilizados foram arda, areia e solo-cimento. Os autores apresentaram diversas
curvas carga x recalques de perfis de solos com duas e trs camadas, tendo como variveis os
seguintes fatores: ElE2 = 2, 10 e 100; &/E3= 2, 10 e 100; U I = ~2 = U; = 0,5; T/a = 0,5, 1,
2 e 4; tllT = 0, 0,2, 0,4, 0,6, 0,8 e 1. Sendo, El, E2 e E; o mdulo de elasticidade
correspondente a primeira, segunda e terceira camadas, respectivamente; ul, u2 e u; o
coeficiente de Poisson correspondente a primeira, segunda e terceira camadas,
respectivamente; T = espessura total da primeira e segunda camadas; tl = espessura da
primeira camada.
A Figura 2.28, apresentada por Ueshita e Meyerhof (1967), mostra um gr.6~0entre o
coeficiente de mdulo equivalente (lff,) e o fator de espessura (TJa), para um perfil de solo
de duas camadas. Percebe-se, que para um mesmo fator de espessura e maior relao entre os
mdulos de elasticidade (E&), maior ser o valor coeficiente de mdulo equivalente. Este
coeficiente posteriormente utilizado para o clculo do mdulo equivalente E, (ver Equao
2.37), que nada mais o mdulo de elasticidade representativo da unio das duas camadas.
Eq. 12.361
Eq. 12.371
onde, F,, = fator de deflexo no centro da gea carregada
w, = defiexo no centro da rea carregada
E, e u, = mdulo de elasticidade e coef. de Poisson da camada de solo inferior
Figura 2.28: Relao tecrica entre o coeficiente de mduio equivalente e o Enor de espessura para um
sistema & duas camadas (Ueshita e Meyerhof, 1967).
CAPTULO3
CARACTERIZAODO LOCAL DE ESTUDO
A Universidade Federal do Rio Grande do S 4 em parceria com a Companhia Estadual
de Energia Eltrica (CEEE), mantm no Municpio de Cachoeirinha, RS, um campo
experimental onde vem sendo desenvolvido um amplo programa de pesquisas que abrange as
mais diversas questes e problemas geotcnicos. Tal programa envolve o estudo de
caracterizao e comportamento de solos latenticos, a determinao de parrnetros
geotcnicos in situ viabilizando possveis estudos analticos e numricos, a anlise do
comportamento de torres para linhas de transmisso, o estudo do comportamento de solos
melhorados para o uso em projetos geotcnicos, alem de estudos relacionados ao
comportamento de estacas e micro-estacas, aniilise de integridade e mecanismos de interao
solo-estrutura.
Seguindo a linha de pesquisa que estuda o comportamento de solos melhorados para o
uso em fundaes superficiais e em pavimentao, este trabalho busca contribuir para o
desenvolvimento do conhecimento atravs da realizao de ensaios de placa apoiadas em solos
tratados.
O local de estudo situa-se no Campo Experimental da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, localizado no municpio de Cachoeirinha, RS, junto a subestao da
Companhia Estadual de Energia Eltrica (CEEE), prximo a rodovia estadual RS 020,
conforme mostrado na Figura 3.1 (Cudmani, 1994).
apresentado na Figura 3.2 o levantamento topogrfico do Campo Experimental da
UFlRGS, onde tem-se uma viso da disposio dos ensaios de campo j realizados no local e
dos ensaios realizados neste trabalho.
SE-GRAVATA( 2 '
CAMPO DE P R W A
-
E WHOERINHA
VILA N.S. DE
PORlD ALEGRE
ALVORADA
VILA SAFRA
CACHEIRINHA
Figura 3. I.: Localizoco do campo expaimental
CCEE
W A S DE W\AW EM PLACA ( CUMANI 11993))
PRWAS DE CARGA EM SAPATAS DE CONCRETO I U n Z A R O / (19941)
SPT (UnZARDI 11994 JJ
-"-* N-8-q-Y W K A K * K r * * * * * * ,? . .
..H .( *" ., q *,".',,V,," y r<
BXXj iN~MAWS(NEKSRAITISI
( i9).MAlOS (1989) BUA41Ta
il POSTE DE ILUMPJACO 00 wnm>a
6LCYXl IM)EFORMAW lMANTARASli994))
a TRAMGEM IMRVECK E SCANES i 1993)
O ENSAIOS DE aw IAVERVECK(IW)
f3LOa) INCEfWhiAW ENVIADO
L-?L_l iI N c L A n m
0 ARVORE.
ACESSO AO CAM
-------
% ARBUSTO
o ESUCAS ENSAiAWS
M K S W T I S (1988)
MAlS 11989)
RAMIRES 19933
SPT MATOS(1989)
@ SPT RAMIRE$993)
PROVAS M C A R M EM PLACA
-_-C-- _-___C
EM SOU) COMPACTADO(~~J+JSCOU)
(1996))
_.----. -.------
a PRWE~ DE CARGA EM PLACA WTLAMENTO'ITTm
_C_C
-ic-------CI
EM sa.D MELHORADO COM a M N T O
~V~DrnscOLO~l996Jl /
* PROVAS DE CARGA EM PLACAS
EM SOLO MELHORADOCOM CIMENTO
(SALES 1808)
I LEVANTAMENm TOPOGRAFICO DO
FIG. ~ . ~ . - L D U I U Z A C O DOS ENSAIOS NO CAMPO EXPERIMENTAL
CAMQ DE PRWA DA UFRGS
cn Roe$RRl C W N I . F E W A N X ~NTRRAS
3 A3 RS OE -AM WKWUuXO
&
8 ESC. 1/500 1 996 -
A regio apresenta uma formao geolgica constituda pelas Formaes Rosrio do
Sul e Rio do Rastro (Prezzi, 1990). A Rosrio do Sul apresenta arenitos mdios a h o s , siltitos
argdosos e lamitos de cores vemelha a cinza-amarela e branca. A formao Rio do Rastro,
estratigraficamente rferior a da Rosrio do Sul, e formada por uma dternncia de S'ititos,
siltitos arenosos, arenitos de colorao vermelha a roxa, lamitos e siltitos vermelhos com
intercalaes de arenitos finos, micceos, calderos, de cor vermeiha a amarelo-claro.
Pedologicarnente, o solo e classdicado como Podzlico Vermelho Amarelo (PV)
pertencente a Unidade de Mapeamento Gravata (Lemos, 1973). Estes solos so
caracterizados por no apresentarem minerais expansivos nem lenol fketico nos horizontes A
e B e, devido ao processo de iluviao de argda do horizonte A para o horizonte B. O
horizonte A mais arenoso e o horizonte B mais argdoso. So solos profundos e bem
drenados, pobres em matria orgnica.
O horizonte A (O - 0,8m) formado por solos areno siltosos, ligeiramente plsticos e
pegajosos. poroso, fiivel e de transio gradual e plana para o horizonte B, com presena
abundante de razes. Sua colorao predominante bruno-escura.
O horizonte B (0,8 - 3,Om) formado por solos argilosos de colorao bruno
avemelhado escura a vermelho escura, fianco argiloso ou argiloso, com aspecto de macio
poroso, ligeiramente duro, fiiavel ligeiramente plstico e pegajoso.
O horizonte C formado zn situ por solos o r h d o s de argilito e siltito. argiloso de
colorao vermelho-amarela, com mosqueados grandes acinzentados, sendo que o lenol
fketico ocorre neste horizonte.
O levantamento pedolgico da regio foi descrito minuciosamente por Dias (1987).
A seguir so apresentados alguns resultados de ensaios de campo e de laboratrio
obtidos por diversos pesquisadores, em trabalhos anteriormente realizados nesta Universidade.
3 -3.1 ENSAIOS DE CAMPO
Meksraitis (1988), Matos (1989) e Ramires (1993) realizaram provas de carga em
estacas escavadas e Luzzardi (1987) realizou provas de carga em sapatas quadradas. Cudmani
(1994) e Vendruscolo (1996) realizaram ensaios de placa em solo natural e solo melhorado
respectivamente. Mntaras (1995) e Nakahara (1995) realizaram ensaios pressiomtricos,
utilizando o pressimetro de Mnard, e Prezzi (1990) e Averbeck (1 996) realizaram ensaios de
cone mecnico e eltrico respectivamente.
Na Figura 3.3 so apresentados virios perfis de resistncia do solo natural do Campo
Experimental, obtidos atravs de resultados de ensaios de cone eltrico e mecnico, penetrao
a percusso (SPT) e o pressimetro de Mnard. possvel observar que os diferentes tipos de
ensaios apresentaram resultados semelhantes em termos de variao de resistncia com a
profundidade. Observa-se ainda uma clara variao nos valores da resistncia a penetrao nos
trechos de transio entre os horizontes B e C.
Figura 3.3: Perii de resistkncia do solo
natural (Averbeck, 1996).
O Campo Experimental serviu como local de ensaios para diversas teses desenvolvidas
na UFRGS, logo um grande nmero de ensaios de caracterizao e determinao de
propriedades foi realizado para o solo natural da regio. Sero apresentados a seguir alguns
resultados considerados importantes para o conhecimento do material testado neste trabalho.
[Link] ndices Fsicos
Nakahara (1995) determinou valores dos ndices fisicos do solo natural que so
apresentados na Tabela 3.1, onde tem-se os valores mdios da umidade in situ, do peso
especfico natural, do peso especfico aparente seco e do ndice de vazios, nas profundidades
de 0,s a 4,Om. Nota-se que o lenol fktico foi encontrado a 3,5m de profundidade. Outros
autores, como Matos (1989) e Mntaras (1995), realizaram ensaios de SPT, pressimetro e
cross-hole aos quais verifica-se que o nvel do lenol fretico varia de acordo com o local do
ensaio e a poca do ano em que o ensaio foi executado. Como uma cota mdia do nvel do
lenol fietico, pode-se admitir como sendo 4,Om.
Tabela 3.1: Valores & ndices fisicos para o solo natural (Nahhara, 1995).
Profund. (m) Hok anatuni
(%) ymt (kN/m3) yd (kN/m3) e Sr (%)
03 A 17,l 17,5 15,O 0,77 59,l
1,O A-B 21,l 17,7 14,3 0,85 74,9
13 B 25,4 17,7 14,3 0,86 75,5
2,O B 25,9 18,2 14,s 0,79 77,3 ,
25 B 27,2 18,3 14,4 034 85,6
38 B 26,7 18,7 14,7 0,80 883
35 C 23,5 20,4 16,7 0,58 100,O
44 C 23,3 20,4 16,8 0,58 100,O
[Link] Anlise Granulomtrica
Vendruscolo (1996) apresentou um quadro resumo com as anlises granulomtricas
realizadas por Meksraitis (1988), Nakahara (1995) e RoNfes Jr. (1996) onde observa-se os
teores de argila, silte e areia ao longo da profundidade do perfil do solo natural. Os ensaios
foram realizados com a adio de defloculante. Analisando os teores determinados, pode
concluir-se que o horizonte A sofreu processo de eluviao (Averbeck, 1995), o que ihe
55
confere uma porcentagem maior de areia. O horizonte AI3 sofreu processo de iluviao,
conferindo-lhe uma estrutura menos porosa e uma porcentagem de a r d a maior do que a do
horizonte A. O horizonte B apresentou-se como o mais argjioso. No horizonte C, a
porcentagem de argiia aliada as caractersticas visuais observadas em campo, sugerem que este
formado a partir do intemperismo da rocha de argdito subjacente. Na Tabela 3.2 so
apresentados resultados de anlises granulomtricas realizadas no solo natural estudado.
Tabeia 3.2: Anlise granulomtrica do solo natural (Vendnicolo,19%)
Meksraitis (1988) Nakahara (1995) Rohlfes Jr. (1996)
Prof. Arg Silte Areia (%) Arg Silte Areia (%) Ped. Arg Sdte Areia
(m) (%) (%) F M G (%) (%) F M G (%) (%) (%) (To)
03 15 30 50 5 O 20 22 40 15 3 - 23 15 62
1,O 24 32 38 6 O 40 17 30 11 2 - - - -
192 - - - - - - - - - - - 45 12 43
13 - - - - - 41 17 31 9 2 - - - -
14 - - - - - - - - - - - 42 13 44
2,O 30 28 38 4 O 36 18 35 9 2 - - -
2J - - - - - 32 17 38 11 2 - -
3,O 22 28 45 5 O 20 22 44 11 2 - - - -
32 25 30 40 5 O - - - - - - - - -
3,7 20 30 44 6 O - - - - - - - -
[Link] Limites de Atterberg e Atividade Coloidal
A Figura 3.4 apresenta os valores dos ndices plotados em relao a profundidade. Nela
verifica-se que os valores de IP decrescem com a profiindidade, o que resulta em uma reduo
nos valores da atividade coloidal do solo. Segundo Skempton (1953), a medida da atividade da
fiao argilosa no solo definida pela Equao 3.1.
Este ndice indica a maior ou menor influncia das propriedades mineralgicas e
qumico-coloidal da frao a r d a nas propriedades geotcnicas de um solo argiloso. Na Tabela
3.3 tem-se os valores do ndice de atividade coloidal determinados para o solo natural. Como
pode-se observar, os valores so baixos. Segundo Vargas (1978), para valores de Ia entre 0,75
e 1,25 o solo apresenta atividade normal e valores acima de 1,25 o solo considerado ativo,
indicando que este solo apresenta uma baixa capacidade de atividade coloidal. Alm disso, os
56
valores baixos confirmam a presena dominante de argilas do tipo caolinita. Rohlfes Jr. (1996)
realizou ensaios de D i a o de Raios-X em amostras de solo naturai., glicolada e calcinada e
observou a predominncia dos ardo-minerais caolinita e clorita.
Tabela 3.3: ndice de atividade coloidal v e m profuadidade (Nakahara, 1995)
Profund. (m) Ia
170 0,9
hdices Fsicos (%)
a ,
v--
-Ii
1-
g 2.0 A- - - - - - - - - - - -
c
2 I
/ o LL Nakahara (1995) 1
2 2,s -
I
a - - - - - - -A - - - - - - 4 ,
LP Mkahan (1995) I
6- --------- ' n i P Nakahara (1995) 1
+I
i
1
LL Rohifes Jr. (1996)l
I r LP RohKes Jr. (1996)/I
4,O 1
i
" A
i iP Rohifes h. (1996)
--
1
Figura 3.4: ndices isicos v e m profundidade
[Link] Medidas de Suco
Os solos laterticos apresentam considervel variao de porosidade e elevados valores
de ndices de vazios, conferindo-lhes um alto ndice de condutividade hidrulica. Associado s
condies ciimticas, so fiequentemente no saturados, apresentando uma poro presso
negativa denominada suco. Esta suco pode ser dividida em duas parcelas: uma decorrente
das foras capilares e de absoro ocorrentes na gua do solo, denominada de suco matricial
e a segunda parcela referente as foras osmticas que ocorrem na gua, denominada de
suco osmtica. A importncia que cada parcela da suco tem na anlise de comportamento
e determinao de propriedades dos solos latenticos tem sido estudada por diversos autores. A
anlise em tenses efetivas e no em tenses totais vem sendo uma prtica cada vez mais
comum no meio tcnico-cientfico da Mecanica dos Solos para resolver problemas prticos de
geotecnia.
Nakahara (1995) mediu valores de suco para o solo natural atravs de urna clula de
presso. Os ensaios foram realizados sobre amostras moldadas em anis cortantes, mantendo-
se sua estrutura natural e condies iniciais. Na Figura 3.5 tem-se a curva caracterstica do
solo natural obtida por Nakahara.
Para os valores de umidade in situ, entre 23% e 26% os valores de suco so
pequenos, variando entre 50 e 10 kPa e, no foram considerados em anlises posteriores. Esta
simplificao, traz como consequncia a hiptese de que o comportamento do solo
condicionado pelas ligaes fisico-qumicas devido a cimentao.
900.0
800.0
700.0
600.0
-
5 m.0
i
a
400.0
. .
300.0-----
200.0
100.0---- ;
0.0
16.0 16.0 20.0 &.C 24.0 26.0 2i.0 3tj.0 &.O 34.0
T e a do umidade (%)
Figura 3.5: Curva caracterstica do horizonte B (Nakahara, 1995)
3.3-2.5 Ensaios Triaxiais
Foram realizados ensaios triaxiais consolidados drenados do tipo CID em amostras
saturadas por aplicao de contra-presso nas tenses de confinamento de 20, 60 e 100 kPa
(Rohlfes ~ r . ,1996). Os ensaios triaxiais foram realizados com medio interna de deformao
"al, utilizando instrumentao interna, a base de sensores de efdo Hd.A aplicao da
presso confiante e da contra-presso feita atravs de um sistema de potes de leo. A partir
desses ensaios, obteve-se os valores dos parmetros de resistncia do material como sendo:
coeso de 18,7 kPa e ngulo de atrito interno de 24,2 graus. Esses ensaios so mostrados na
Figura 3.6, onde observa-se tambm as curvas de variao volumtrica em relao a
deformao axial. Nota-se que para as trs tenses de confinamento o solo no apresenta
tenses de pico; a rigidez inicial varia com o nvel das tenses de confnamento. Sugere-se que,
para tenses de confinamento de 60 e 100 kPa,houve quebra de estrutura cimentame gerando
incertezas quanto a medio da rigidez para as condies in situ.
o I
O 2
I
4
I
6 8 10 12 14 16 18 20 P
I
DeforrnaZo Axial (%)
I ' '
O 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22
Defonnaio Axial (%)
Figura 3.6: Curvas tenso - deformao axial - variao volumetrica (Rohlfa Jr., 1996).
3.3-2.6 Ensaios de Resistncia a Compresso Simples
Rohlfes Jr. (1996) realou ensaios de compresso simples em amostras retiradas do
campo. O valor mdio determkado da resistncia a compresso simples de 50,2 kPa.
3.4 ENSAIOS NA CAMADA DE SOLO MELHORADO
Com a halidade de entender o comportamento mecnico e dehir as propriedades da
m a d a de solo mehorao com cimento, foram realizados diversos ensaios de campo e
laboratrio. A seguir, so apresentados alguns redtados desses ensaios neste trabaho e por
outros pesquisadores, em dissertaes de Mestrado e Doutorado desta Universidade.
3.4.1 ENSAIOS DE CAMPO
Na Figura 3.3 foram apresentados pers de cone mecnico e eltrico, alm de
resultados de ensaios pressiomtricos e SPT realizados no solo natural. Na Figura 3.7 so
novamente apresentados os perfis da Figura 3.3, com a incluso do perii de cone eltico
realizado sobre a camada de solo melhorado com cimento. Atravs de uma simples anlise do
perfil, percebe-se a infiuncia da presena da camada de solo melhorado no valor da resistncia
medida no ensaio. Entre 1,2 a 1,9m aproximadamente, onde localiza-se a camada tratada,
verifica-se um aumento significativo do valor da resistncia de ponta, quando comparam-se os
ensaios realizados antes e depois da construo da camada (qHul = 1,5 MPa e q , ~ =)
10,O m a ) .
qt ( ~ ~ 1 r - n ' )
Figura 3.7: Resultados dos ensaios CPT do solo natural e da camada & solo melhorado com cimento.
[Link] Ensaios de compactao
Vendruscolo (1996) realizou ensaios de compactao em laboratrio no solo natural e
no solo melhorado com cimento nas energias Proctor Nem Intermedirio e Moacado.
Seus resultados so mostrados na Tabela 3.4, onde pode-se constatar que, com o aumento da
energia de compactao, h um aumento da densidade e uma reduo da umidade tima, tanto
para o solo natural como para o solo melhorado com cimento. Rohlfes Jr. (1996) realizou
ensaios de compactao neste solo e determinou um peso especfico aparente seco mximo de
16,2 kN/m3 e uma umidade tima de 19% na energia Proctor Normai.
Tabela 3.4: Caractensticas& compactao (Vendniscolo, 1996)
Teor Proctor Normal Proctor Intermedirio Procior Modificado
de Yd Qa Yd 0 ot Td a~t
Cimento (KN/m3) (?h) wjrn3) (%) (KN/m3) (%)
0% 16,s 19,4 18,4 14,2 19,O 13,2
5% 16.8 18,4 17,9 14,O 18.6 13.0
[Link] Ensaios triaxiais
Vendruscolo (1996) realizou ensaios triaxiais saturados drenados (0)
em amostras
retiradas de campo nas tenses de confinamento de 20, 40 e 60 kPa. Semelhante ao ensaios
triaxiais realizados com amostras do solo natural, os ensaios triaxiais com amostras do solo
melhorado foram realizados com medio interna de deformao axial, utilizando
instnimentao interna, a base de sensores de efeito Hall. A aplicao da presso confhante e
da contra-presso feita atravs de um sistema de potes de leo. Os resultados dos ensaios
triaxiais so apresentados em forma de curvas tenso x deformao axial, conforme Figura 3.8.
Neste caso, observa-se que as curvas apresentaram um comportamento de pico bem definido,
com o acrscimo da tenso desvio mxima e da rigidez com o aumento da tenso c o h a n t e .
A Tabela 3.5 mostra um resumo dos parrnetros de resistncia para o solo natural e o
solo melhorado com cimento e, na Figura 3.9, so apresentadas as trajetrias de tenses dos
ensaios triaxiais realizados com o solo melhorado c o r cimento.
W O L A DE ENGERHARIA
BIBLIOTECA
~ & l a3.5: Parmetros de resistncia obtidos a partir dos ensaios iriaxiais.
Tipo I C Qr
de (KN/m2) (graus)
Solo Pico Residual Pico Residual
Solo natural 18.7 12,4 24.2 26.0
Solo melhorado 27.0 14,s 47.9 42.6
D e f o ~ a aiai(%)
o
Figura 3.8: Curvas tenso x deformao para o solo melhorado com cimento.
Figura 3.9: Curvas variao volumeuica x deformao &ai para o solo melhorado com cimento.
[Link] Ensaios de resistncia a compresso simples
Os ensaios de resistncia a compresso simples semiram para verificar a eficincia do
processo de mistura da camada de solo melhorado com cimento reaiizado em campo,
comparando os resultados de resistncia obtidos das amostras indefonnadas retiradas de
campo com as amostras confeccionadas em laboratrio realizados por Rohlfes Jr. (1996).
A Figura 3.10 apresenta os resultados plotados de q, para os cinco ensaios de
resistncia a compresso simples realizados no laboratrio de Mecnica dos Solos da UFRGS.
A partir destes resultados, adotou-se o valor mdio de 230 kNlm2como o valor representativo
da resistncia a compresso simples para a camada de solo melhorado com cimento.
Figura 3.10: Vaiores da resistncia a compresso simples
Na Figura 3.1 1 apresentado a variao da resistncia a compresso simples com o
teor de cimento e, pode-se verificar tambm, a variao da resistncia no mesmo teor de
cimento (5%) para processos de mistura de campo e laboratrio.
Ao analisar a Figura 3.11, verifica-se que a resistncia menor para amostras
misturadas em campo comparadas com as amostras moldadas em laboratrio. Isto pode ser
explicado pelo fato de que, em campo, o volume de solo e o volume de cimento envolvidos no
processo de mistura so muito maiores do que os volumes misturados em laboratrio, o que
dificulta a garantia de pleno espalhamento do cimento na massa de solo envolvida. Alm disso,
o mecanismo utilizado para realizar a mistura em campo, o uso de ps manuais, no garante a
mesma eficincia que obtm-se em misturas de manuais, com esptulas ou colheres, em
pequenos volumes. Um outro fator relevante para esta anlise, o fato de no conseguir em
campo a mesma densidade obtida nos corpos de prova moldados em laboratrio. O peso
especfico do material cimentado em campo de 16,2 w m 3 , enquanto que os corpos de
prova moldados em laboratrios varia entre 16 e 18,5 kN/m3. Apresentando um peso
especfico inferior, as amostras de campo tomam-se mais compressveis e, portanto, menos
resistentes.
3000
230 -
iaboiatrio: q. = 450 kN/tn2
I
campo: q, = PO wh2
2000 -1
-
2a
mo L
1
I I
I
3
I
CT I
000 -. i
I
, o Fbhifes Jr. (labor) 1 i
I 1
io Saks (campo) /
I
I
o 1
O 2 4 6 8 D t2 14 73 ?3
Teor de cimento (%)
Figura 3.1 1: Resistncia a compresso simples x teor de cimento
[Link] Ensaios de resistncia a compresso diametral:
Foram determinadas as resistncias a compresso diametral de amostras indeformadas,
retiradas de campo, com o objetivo de comparar os resultados com os encontrados em
amostras moldadas em laboratrio. Na Tabela 3.6, so apresentados os valores mdios da
resistncia a compresso diametral, alm da razo entre as duas resistncias (ILdq.), para
amostras de campo e laboratrio. Percebe-se, uma diferena significativa entre os valores da
razo &/qu para os dois casos. Fato este, possivelmente explicado pela eficincia dos
processos de compactao (campo e laboratrio) e grau de homogeneidade deferida pelo
processo de mistura. A eficincia dos processos de compactao est ligada a capacidade do
compactador de gerar energia suficiente, capaz de atingir valores desejveis de densidade e
umidade ao material, o que dificilmente e vedicado em amostras compactadas em laboratrio.
Tabela 3.6: Valores de resistncia a compresso diametrai e da razo RJq, para amostras de campo e
laboratrio.
Amostra q. (kN/m2) ILd (kN/m2) Rcd /qu (%)
Laboratrio " 450 40 8,89
Campo I 230 I 55 23.91
"Rohlfs L. (19%)
CAPTULO 4
DESCRIO DO PROGRAMA EXPERIMENTAL
Neste captulo, so apresentadas as etapas que compem a etapa experimental do
presente trabalho, descrevendo os ensaios, equipamento e mtodos adotados em sua execuo.
nfase maior dada ao ensaio de placa, onde descreve-se o equipamento utilizado, o mtodo
de ensaio e o processo de construo da camada de solo melhorado com cimento.
Este trabaiho composto de duas etapas diferenciadas: uma experimental e outra
analtica. A etapa experimental, que compreende os ensaios de campo e laboratrio, objetivou
a determinao do comportamento da camada de solo melhorado condicionado a critrios de
carregamento, bem como a determinao de parrnetros geotcnicos do perfil de solo
estudado. A etapa analtica visou determinar o mecanismo de interao entre a camada de solo
solo melhorado e o solo natural, na condio de ruptura. Entendidos os aspectos bsicos de
comportamento, foram avaliados os mtodos de previso da capacidade de suporte que melhor
satisfkessem as condies veriflcadas em campo. Um estudo semelhante foi desenvolvido para
avaliar a deformabiidade das camadas, incluindo o uso de solues elsticas aos resultados
encontrados experimentalmente.
A seguir apresentada uma descrio detalhada do programa experimental
desenvolvido neste trabalho.
4.2 ENSAIOS DE CAMPO
O uso de solo meihorado com cimento, como material de suporte, foi validado atravs
de provas de carga estticas, considerada tcnica insubstituvel a determinao do
comportamento carga x recalque de elementos de fimdaes.
O processo de dosagem e preparao da mistura solo-cimento em campo foi
detalhadamente descrito por Vendruscolo (1996). A seguir e apresentado um resumo dos
principais tpicos envolvendo este procedimento, uma vez que, neste trabalho, utilizou-se o
mesmo material.
4.2.1 DOSAGEM DA MISTURA SOLO-CIMENTO
A determinao do teor de cimento a ser misturado ao solo foi definido atravs do
mtodo fisico-qumico descrito por Ceratti e Casanova (1988). Estudos realizados por Rohlfes
Jr. (1996) comprovaram que, para o solo natural de CachoeinnfUl,um teor de cimento de 7%
o ideal sob o ponto de vista fisico-qumico e, qualquer adio de cimento acima deste teor
pode aumentar a resistncia da mistura, mas o aditivo no reagir fisico-quimicamente com as
partcuias do solo.
Rohlfes Jr. (1996) realizou tambm ensaios de compresso simples em amostras
moldadas em laboratrio com diferentes teores de cimento (I%, 3%, 5%, 7%, 9%, 11%, 13%,
15% e 17%). Na Figura 3.1 1, foram apresentados os valores obtidos de resistncia a
compresso simples, para 7 dias de cura, em fiino do teor de cimento. Nota-se, que o
aumento dos valores de resistncia mais sigmficativo para teores de cimento acima de 3%,
tomando-se consideravelmente elevados para teores acima de 5%.
Com base nestes resultados, Vendruscolo (1996) adotou um teor de cimento de 5%
para a execuo da camada de solo melhorado. O autor salienta que o objetivo no
estabilizar o solo, e sim, apenas melhorar suas caractersticas quanto a resistncia e
deformabilidade.
4.2.2 PREPARAODA CAMADA DE SOLO MELHORADO
Foi escavada uma vala de 5.0 m de comprimento por 1.5 m de largura e 1.8 m de
profundidade. O objetivo da escavao foi a retirada da camada superficial de solo,
correspondente ao horizonte A, que apresenta alteraes em suas propriedades devido a ao
de intempries. Dessa forma, somente o solo do horizonte B seria mobilizado durante o
processo de carregamento. Esta camada apresenta uma estratigraia homognea, livre dos
efeitos de intemperismo e mantm as propriedades do solo provenientes de sua formao
geolgica e pedolgica. As caractersticas do solo foram descritas no captuio 3.
O cimento utilizado foi o Cimento Portland CP-IV, classe 32, de marca comercial
Cimbag, produzido na cidade de Bag, RS (Vendruscolo, 1996).
Na Figura 4.1 so apresentadas as curvas de compactao da mistura solo-cimento
realizadas por Vendruscolo (1996), onde verifica-se os vaiores timos de densidade e umidade
para trs energias distintas de compactao. tambm apresentada a densidade e umidade
mdias obtidas em campo, que correspondem a 16.0 kN/m3 e 22.6% respectivamente.
Segundo o autor, devido ao intenso perodo de chuvas na poca da realizao da compactao
da mistura ,no foi possvel atingir a umidade [Link] era esperado, pois com a adio de
cimento h um aumento do peso seco do solo, consequentemente, h um decrscimo no teor
de umidade, alm de perdas de gua devido hidratao do cimento.
5.00 10.00 15.00 20.00 25.00
Umidade (%)
Figura 4.1: Curvas de compaciao da mistura solo-cimento (Veridniscolo. 1996).
primeiramente o solo e o cimento foram misturados manualmente at atingir-se uma
colorao uniforme em toda a massa. Posteriormente, acrescentou-se gua em pequenas
quantidades, a fim de garantir a homogeneidade da mistura. Cabe salientar que a proporo de
cimento (5%) foi relacionada ao peso de solo seco e a proporo de gua em relao ao peso
da mistura solo-cimento. A seguir, a mistura foi colocada no fundo da vala em camadas de 0.2
m de espessura e aplicada uma pre-compactao com soquetes manuais, a fim de obter uma
base mais h e para a posterior passagem do compactador a percusso do tipo "Sapo",
mostrado na Figura 4.2. Foram realizadas 3 passagens com o Sapo, perfazendo uma camada
de solo melhorado com cimento de 0.6 m de espessura.
Ensaios realizados em camadas de 0,15 e 0,30 m de espessura exigiram a escavao
cuidadosa da camada original, de forma a evitar possveis danos as propriedades do material. O
volume de material escavado era o suiciente para o assentamento da placa na cota desejada,
com espaamentos laterais ao permetro da placa de aproximadamente O, lm. Na Figura 4.3 so
apresentados desenhos esquemticos do assentamento das placas nas camadas de solo
melhorado, bem como a camada original preparada por Vendruscolo (1996).
Figura 4.2: Cornpctador tipo Sapo da marca Wacker (Vendniscolo, 1996)
Figura 4.3: Desenhos esque&cos do assentamentodas placas na camada de solo melhorado
4.2.3 ENSAIO DE PLACA
[Link] Consideraes inicias
O ensaio de placa reconhecido pelo meio tcnico de Engenharia Civil como a
ferramenta mais eficaz e confivel para auxiliar o engenheiro na tomada de deciso sobre a
escolha de fundaes superficiais para uma obra civil. O ensaio nomatizado pela ABNT -
Associao Brasileira de Normas Tcnicas atravs da NBR - 6489184 'Trova de Carga Direta
Sobre Terreno de Fundao". Os ensaios de placa realizados neste trabalho seguem em geral
estas recomendaes; no que se refere a metodologia do ensaio e anise e interpretao dos
resultados, segue-se as recomendaes descritas na Norma Brasileira. Quanto ao tamanho da
-
placa, definida pela NBR 6489/84 como no inferior a 0,5 m2 de rea, Kogler (1933) [Apud,
Ferreira (1996)l sugere que em solos arenosos e com placas circulares que o menor dimetro
aceitvel seria de 0,30111, valor este adotado como mnimo is placas utilizadas neste trabalho.
Ferreira (1996) apresenta uma anlise crtica da Norma NBR 6489184, onde so
discutidos os pontos mais relevantes a serem considerados na execuo e interpretao de
ensaios de placa que seguem a Norma Brasileira, tais como: a) profundidade de execuo do
ensaio; b) tamanho e forma da placa; c) estgios de carregamento e descarregamento;
d) presso limite ou deformao limite a ser atingida; e) esquema de reao a carga aplicada,
f) curva presso x recalque; g) interpretao dos resultados e sua aplicao.
4.2.3 -2 Equipamento de ensaio
e 0,60m de dimetro sobre
Foram realizados ensaios em placas circulares de 0,30111
camadas de solo meihorado com cimento de 0,15m, 0,301n e 0,60m de espessura. Os
dimetros das placas (D) e a espessura da camada de solo melhorado (H) foram fixados de
forma a obter-se trs valores distintos da relao HD, correspondendo a 0,5, 1 e 2.
O equipamento utilizado nos ensaios de placa constitudo basicamente por trs
sistemas: sistema de reao; sistema de transmissc de cargas e sistema de leitura e aquisio
de dados. A seguir apresentada uma descrio dos trs sistemas que compe o equipamento
da UFRGS.
'b Sistema de Reaqo: consiste de duas sapatas de concreto armado na qual se
engasta uma coluna formada por dois perfis U, perfazendo um peso de 20 kN para cada
sapata; uma viga metlica de perfil H, fabricada com chapa de ao de 24mm com peso de 20
kN; e como sobrecarga 14 blocos de concreto com um peso aproximacio de 10 kN cada.
Somando todos os pesos, tem-se uma reao mxima de 200 kN. Detalhes deste sistema
mostrado na Figura 4.4.
B Sistema e transmisso de cargas: consiste de um macaco hidrulico, da marca
ENERPAC, com capacidade de 300 kN; uma clula de carga, da marca KRATOS, com
capacidade de 200 kN; elementos de tubos metlicos que transmitem as cargas da estrutura de
reao a placa; e duas placas metlicas de dimetros 0,3m e 0,6 m e, ambas de espessura de
24mm.
B Sistema de leitura: as medidas de deslocamentos da placa so executadas em dois
pontos diametralmente opostos. Uma estrutura de referncia, composta de duas vigas de
madeira apoiadas em sapatas de madeiras ancoradas ao solo em pontos onde no sofkem
influncia da ao da estrutura de reao, serve como ponto de apoio para fixao dos
dispositivos que permitem ler os deslocamentos ocomdos na placa. Estes dispositivos
possibilitam que o recalque ocorrido na placa provoque um ascenso de pesos sobre os quais
so colocados os defletmetros. Dois fios de ao so conectados a placa, passam pelas polias e
so presos ao peso. O defletmetro fixado na barra rosqueada e conectado ao peso de modo
que, com o recalque da placa, o peso sobe e causa um movimento do cursor do defletmetro.
Os defletmetros usados so da marca MITUTOYO, com preciso de 0.01 mm e 50 rnm de
curso. Na Figura 4.5 apresentado um desenho esquerntico do sistema de transmisso de
cargas e medio dos deslocamentos.
Maiores detalhes do equipamento do ensaio de placa da UFRGS pode ser encontrado
em Cudmani (1994) e Vendmscolo (1996).
[Link] Mtodo de ensaio
Inicialmente, para a realizao de cada ensaio necessrio instalar o sistema de reao.
Para tai, utiliza-se um caminho Munck que transporta o sistema de um ponto a outro da cava.
Aps isso, regulariza-se o solo no local onde a placa ser assentada e montam-se os sistemas
de aplicao de carga e medio dos deslocamentos. Por m, instalam-se os equipamentos
eletrnicos (fonte e multmetro) que efetuam as leituras das cargas aplicadas. Este
procedimento leva em mdia trs a quatro dias, sendo necessirio mais um dia para a execuo
do ensaio propriamente dito.
O ensaio realizado em estgios sucessivos de carregamentos. Os valores das tenses
nos estgios de carregamentos seguiram as recomendaes da NBR 6489/84, que lirmta o
carreugamento a tenses de no mximo 20% da tenso admissvel prevista para o solo
estudado. Para a camada de 0,6m de espessura do solo melhorado com cimento adotou-se a
tenso admissivel similar a de solos concrecionados, que de 1,5 MPa. Nos ensaios realizados
com placa de 0,3m de dimetro, adotou-se um estgio de carregamento de 20 kN, o que
equivale a uma tenso de 283 kPa. Nos ensaios realizados nas camadas de 0,3m e 0,15m de
espessura, adotou-se estgio de carregamento de 10 kN, para ambas as placas.
Figura 4.4: Sistema de reao do equipamento de ensaio de placa
Figura 4.5: Desenho esquematico dos sistemas de transmisso & carga e medio & deslocamentos
(Cudmam, 1994)
As leituras dos defletmetrosforam feitas em intervalos de tempo de 1,2,4, 8, 15, 30 e
60 minutos aps a aplicao da carga. A aplicao do novo estgio de carregamento s era
realizada aps ser verificado o critrio de estabilizao dos recalques dado pela MB-3472191
ou aps a leitura dos 60 minutos. A MB-3472191 estabelece que:
Eq.[4.1]
onde: L,= leitura do instante "n" qualquer
L(,I, = leitura imediatamente anterior a leitura L,
L1 = primeira leitura aps a aplicao do estgio de carregamento
ENSAIOS DE PLACA - RESULTADOS EXPERIMENTAIS
E INTERPRETAO
Neste captulo, so apresentados os resultados dos ensaios de placa realizados nesta
pesquisa, alm dos resultados de ensaios de outros autores, que complementam o banco de
dados experimentais para a elaborao da anlise desenvolvida neste trabalho. Os resultados,
representados adimensionalmente atravs de relaes entre a tenso normalizada e o recalque
relativo, demonstram a influncia da espessura da camada de solo melhorado com cimento no
comportamento de fundaes superficiais submetidas a carregamento vertical. Uma correlao
de natureza semi-emprica desenvolvida de forma a permitir a previso da magnitude de
recalques e tenses de ruptura de sapatas a partir de resultados de ensaios de placa e ensaios
de cone.
Os resultados experimentais so inicialmente apresentados na forma de grilcos carga x
recalque. Os grficos correspondentes aos ensaios de placa de dimetro 0,30 m so
apresentados na Figura 5.1, enquanto que aqueles referentes s placas de dimetro 0,60 m so
apresentados na Figura 5.2. Nestas figuras so tambm apresentados resultados de ensaios de
placa realizados por Cudmani (1994) e Vendruscolo (1996), que faro parte da anlise
desenvolvida neste trabalho.
A nomenclatura adotada pennite identificar as condies de contorno que envolvem os
ensaios realizados neste trabalho. Para os ensaios realizados sobre a camada de solo melhorado
utiliza-se PLTDxHy,onde 'TLT" s i d c a Plate Load Test, 'V'
refere-se ao dimetro da placa
e 'k"indica dimetro nominal da placa em centmetros e 'TI" refere-se a espessura da camada
melhorada, sendo "f' o valor desta espessura em centmetros. Para os ensaios realizados no
solo natural utiliza-se a nomenclatura PLTDxnat, onde "nat" indica solo natural (sem a
presena da camada de solo melhorado).
75
Nota-se, nas Figuras 5.1 e 5.2 que o comportamento carga x recalque varia conforme
.previsto: a carga de ruptura cresce com o aumento do dimetro da placa dou com a espessura
da camada tratada, enquanto a magnitude dos recalques associada as cargas mximas reduz
sigmficativamente com o aumento da espessura da camada tratada. O beneficio de utilizar
solo-cimento, mesmo em camadas de pequena espessura, fica claramente ilustrado atravs da
simples observao do comportamento carga x recalque apresentado. Por exemplo, para
recalques da ordem de 10 mm em placas de 0,30 m de dimetro, a relao entre carga(-
da ordem de 2,8,4,2 e 7,s para camadas de espessura de 0,15m, 0,30m e
tratada)/carga(soiod,
0,60 m,respectivamente.
O aumento de capacidade de carga parcialmente explicado pelo mecanismo de
interao solo-estrutura verificado durante o carregamento. Em geral, fundaes assentes em
material natural, fracamente estniturados, rompem por puncionarnento, enquanto que assentes
em solos fortemente cimentados ocome ruptura generazada. Este no foi, no entanto, o
mecanismo mobilizado nos ensaios de placa realizados no Campo Experimental da UFRGS.
Durante os ensaios, foi verificado que, em placas assentes sobre a camada de solo melhorado
com cimento, a forma de ruptura se deu tambm por puncionamento. Este mecanismo de
ruptura foi caracterizado pela formao de um volume tronco-conico seccionado do restante
da placa, fissurao intensa e desplacamento superficial do solo. Isto foi observado em quase
todas as provas de carga, com exceo dos ensaios PLTD30H60 e PLTD60H60 que no
foram levados a ruptura devido a limitaes no sistema de reao. O aumento da capacidade
de carga deve ser explicado de maneira distinta do modelo elaborado para ruptura por
puncionamento e generalizada. Quando se tem a composio de um perfil de solo em duas
camadas, a camada superior atua como uma placa que recebe e redistribui as cargas
provenientes da fundao ao solo subjacente (Burd e Frydman, 1995). Estes mecanismos de
recebimento e redistribuio das cargas so dependentes da relao entre a rigidez das duas
camadas (E1/E2)e da relao entre a largura ou dimetro do elemento de fimdao e a
espessura da camada superior @/H) [Bunnister (1945); Ueshita e Meyerhof (1967); Poulos e
Davis (1974); Tejchman (1976)l.
Carga (kN)
12
-
h '
E
E 16
a
3
-u 20
a
E PLTD30H60
24
" PLTD30H60(7
O PLTD3OH30
28
- PLT30H15
32 -i I
I C) Vendnisa>b (1996)
26
x \ Cudmani (1994) J
Figura 5.1: Curvas carga x recalque com placa & 0130m & dimetro
Carga (H)
52 , (7 Cudmani (1994)
u
'.
32
Figura 5.2: Curvas carga x recalque com placa de 0,60 m de dimetro
A definio da carga de ruptura para fundaes superficiais poderia ser idealizada para
uma condio na qual, para qualquer incremento de carga aplicado, os recalques gerados
aumentam de forma indefnida. Se a relao carga-recalque de urna fundao superficial
representada em um grfico, tal que, as cargas (P) representam o eixo das abscissas e os
deslocamentos (S) o eixo das ordenadas, a carga de ruptura sena a carga (P) correspondente a
(@/AS) = O. Esta definio valida para os casos onde a ruptura se d na fonna generalizada,
condio esta raramente atingida, sendo necessrio definir a carga a partir de algum mtodo de
extrapolao.
Nos ensaios realizados, a forma de ruptura observada apresentou um comportamento ,
caracterstico de ruptura por puncionamento, observando-se valores initos de (AP/AS),
mesmo para grandes deslocamentos. Dessa forma, a ruptura do solo no fica perfeitamente
definida pela simples observao das curvas carga-recalque.
Distintos critrios de definio da carga de ruptura foram estudados por vrios autores
[Jimnez Salas (1981); Gutirrez et al (1993); Cudmani (1994)l. A maioria dos mtodos
apresentados foram desenvolvidos para fundaes profundas, onde a determinao da carga de
ruptura a condicionante principal no dimensionamento de projetos de fndao. Ao contrrio
das fundaes profundas, as fundaes superficiais tem como condicionante principal a
verificao dos recalques mximos ocorridos. Diante desta diferena de anlise de
comportamento, Cudmani (1994), sugere que deve ser estudada a adequabilidade destes
critrios quando aplicados a fundaes superficiais.
Outro cuidado que se deve ter na anlise da carga de ruptura de fundaes supericiais,
a partir de resultados de ensaios de placa, que, em geral, as velocidades de carregamento
nestes ensaios so maiores do que verificado na situao real de uma sapata. Isto conduz a
uma menor dissipao das presses neutras desenvolvidas durante o carregamento da placa,
em solos de matriz argilosa. Assim, a tendncia geral de que sejam obtidos limites inferiores
tanto para os deslocamentos quanto para a carga de ruptura (Milititslq, 1991).
como diferentes critrios resultam em valores distintos da carga de rupnira, optou-se
por fazer um estudo comparativo entre alguns mtodos, permitindo assim, obter uma faixa de
variao dos valores experimentais.
A seguir so listados os critrios utilizados neste trabalho:
'b Critrio N". 1: mtodo proposto pela Norma Brasileira NBR 6489/84, onde se limita
o recalque mximo ao valor igual a D/30. A carga correspondente a este recalque a carga de
ruptura;
% Critno W. 2: a carga de ruptura obtida pelo ponto de interseo das tangentes
dos trechos inicial e final da curva carga-recalque;
'b critrio N". 3: a carga de ruptura obtida pelo ponto de inexo da curva log(P) x
log (P);
'b Critrio W. 4: critrio que considera o fator tempo. Proposto pelo Laboratoire
Central des Ponts et Chausses, este mtodo requer que, cada incremento de carga deve ser
mantido durante um certo tempo, monitorando-se os recalques ocorridos durante este penodo.
Para cada incremento de carga, os valores de recaique x tempo so plotados num grfico log
simples (tempo), onde observa-se um comportamento linear e determina-se a inclinao (a)
dessa linha. A inclinao (a) posteriormente plotada com a correspondente carga, onde os
valores resultam em duas linhas aproximadamente retas, e a interseo entre elas define a carga
de ruptura.
A aplicao dos quatro critrios para definir a carga de ruptura dos ensaios de placa
so ilustrados nas Figuras 5.3, 5.4, 5.5, 5.6, 5.7, 5.8, 5.9 e 5.10. As Tabelas 5.1 e 5.2
apresentam os valores das cargas e recalques na ruptura, para cada ensaio, obtidos segundo os
critrios utilizados.
Nos ensaios PLTD30H60, PLTD30H60(*) e PLTD60H60, onde no foram alcanadas
as cargas de ruptura, estas foram determinadas atravs da extrapolao grfica das c w a s
carga-recalque. A extrapolao da curva carga-recalque, embora aceito e requentemente
utilizado na prtica, pode gerar margens de erro no valor da carga prevista. Para em&
arnbiguidades nos critrios de extrapolao, as curvas carga-recalque apresentadas neste
trabalho foram caracterizadas como Polinomial de ordem 3 e 4, com exceo do ensaio
PLTD60H60, no qual, adotou-se uma linha dc tendncia do tipo exponencial.
Tabela 5.1 : Valores da carga de nrptura (Pw) em H.
Ensaios Critrio W. 1 Critrio N". 2 Critrio NO. 3 Critrio NO. 4
PLTD30nat(c-~ 20 20 18 23
PLTD30H15 56 56 60 49
PLTD30H30 84 85 75 72
PLTD30H60 172 159 105 116
PLTD30H6OW-) 142 135 100 -
PLTD60nat (cb7 76 61 45 76
PLTD60H30 171 140 110 106
PLTD6OHO - - - -
Procurando adotar um critrio nico para a determinao da carga de ruptura em todos
os ensaios de placa realizados neste trabalho, o critrio N". 2 foi o que apresentou, em geral,
valores menos dispersos para a carga de ruptura, situando-se quase sempre num valor mdio
(ver Figura 5.12). Assim, sempre que houver referncia a carga de ruptura, sabe-se o valor
apresentado foi obtido atravs da interseo das tangentes dos trechos inicial e final da curva
carga-recalque.
Tabela 5.2: Valores dos d q u e s (xIIm) c0mnde- a Carga de ruptura
Ensaios Critrio NO. 1 Critrio W. 2 Critrio W. 3 Critrio N". 4
PLTD30nat (-o 10.0 10.0 5.0 13.0
PLTD3OH15 10.0 10.0 12.0 6.9
PLTD30H30 10.0 12.0 5.5 4.8
PLTD30H60 10.0 7.5 1.9 2.4
PLTD30H60 (v-) 10.0 8.5 3.0 -
PL'l'IhYht (codii.~? 20.0 5.7 5.0 20.0
PLTD6OH30 20.0 8.9 4.0 3-6
PLTD60H60 20.0 - - -
Em nenhum dos critrios adotados foi possvel identificar a carga de ruptura para o
ensaio PLTD60H60. Este ensaio, devido a limitao do sistema de reao, atingiu pequenas
deformaes plsticas, situando-se basicamente no trecho elstico da curva carga-recalque. No
entanto, para o desenvolvimento da anlise, foi adotado como carga de ruptura, o valor de
350W, obtido pela extrapolao da curva de tendncia apresentada na Figura 5.1 1.
Carga (kN)
Figura 5.3: Aplicam do Critrio N". 1 nos ensaios com placas de 0.3m de dimetro
Figura 5.4: Aplicao do Critrio N". 1 nos ensaios com placas de 0.6m de dimetro
Carga (kN)
Legenda:
= RTWOHGO
9 PLTD30H60(
0 PLTD30H30
- PLTD30H15
RTWOnat ("
O-v (la86)
O idanl(10sO
Figura 5.5: Aplicao do Critrio NO 2 nos ensaios com placas de 0.3m de dimetro
Carga (kN)
Legenda: II
Figura 5.6: Aplicao Qo Cririo N". 2 nos ensaios com placas de 0.6m de dimetro
Figura 5.7: Curvas carga x recaique de placas com O.3m e dimetro
em escaia Iogartmica (Critrio NO. 3)
Figura 5.8: Curvas carga x recaique de placas com 0.6m de dimetro
em escaia logartmica (Critrio NO. 3)
v
0.0
O DO DO0 no00
Tempo (seg)
Figura 5.9: Grfm log (tempo)x recaique para o ensaio PLTD3OHM).
Figura 5.10:Grnco carga x a para o ensaio PLTD30H60 (CritrioN9 4)
Figura5.11: D c ~ o d a c a r g a &ruptura para o ensaioPLTDMIH60
Criteno No
Figura 512: Variao do valor da carga de xuphua pelos distintos critrios emdados
Para a anlise de comportamento de fundaes superficiais atravs de ensaios de placa
deve-se considerar
. .
os efeitos da fonna da fundao, histria de tenses do solo de fundao,
da influncia da compressibilidade do solo e efeito de escala, da rigidez da base da fundao,
influncia do nvel de tenses atuantes na base da fndao, do nvel do lenol eetico, da
velocidade de carregamento, entre outros, no clculo da carga admissvel do solo [e.g.
Terza* e Peck (1948), Vsic (1973), Ramiah e Chickanagappa(l990)l. Modelos tericos
clssicos, desenvolvidos para a interpretaHo da carga de ruptura de fundaes superficiais
demonstram ainda a necessidade de considerar fatores de forma da sapata e inclinao da
sapata e/ou carregamento [e-g. Terzagh (1943); Meyerhof (1951); Skempton (1951); Vsic
(1973)l. A frmula geral para previso da carga de ruptura considera diversos fatores que
influem no problema de carga limite do solo, como por exemplo: fatores de forma, fatores de
inclinao do carregamento, fatores de prohdidade da tndao, fatores de inclinao da
fundao e fatores de inclinao do terreno superficial (Hansen, 1968).
Para eliminar parte das dificuldades associadas a previso de comportamento de
fundaes superficiais, pode-se adotar como procedimento de projeto a realizao de ensaios
de placa. Neste caso, as condies de ensaio so semelhantes ao caso reai, no que se refere aos
fatores que S u e m na carga limite do solo. Os ensaios de placa reproduzem com grande
confiabilidade o comportamento de fundaes superficiais, devendo-se apenas considerar o
efeito de escala envolvido, sendo necessrio garantir que os nveis de tenses transferidos ao
solo atinjam os mesmos estratos que a fundao futura. Para perfis de solos homogneos e
isotrpicos, onde o mdulo elstico no varia com a profundidade, o efeito de escala entre a
placa e a fimdao no evidenciado [Consoli e Schnaid (1997)l. Porm, para perfis
heterogneos (por exemplo, mdulo crescente com a profundidade caracterizado pelos estudos
de Gibson (1974)) este efeito claramente evidenciado durante a anlise dos resultados.
O uso de placas de dimetros reduzidos para prever o comportamento de f'undaes de
grandes dimenses em um perfil de solo estratificado, o objetivo principal da presente
pesquisa. A interpretao dos resultados experimentais realizada utilizando mtodos semi-
empricos, analisando-se propostas existentes na literatura e propondo-se correlaes com base
nos resultados obtidos. O uso do mtodo de elementos fitos poderia tambm ser empregado
na anlise, porm esta abordagem est fora do escopo do presente trabalho.
Tentativas de interpretao de resultados de ensaios de placa em solos homogneos
empregam a normakao dos resultados atravs d a relao: razo entre tenso aplicada e
nvel de tenses geostticas versus recalque relativo, sendo este definido como a razo entre o
recalque e o dimetro da sapata. O emprego desta n o ~ pode
o ser explicada, de foma
simples, atravs da teoria da elasticidade. Neste caso, a distribuio de tenses abaixo do
elemento de fundao ocorre em um solo de comportamento uniforme e homogneo, cujos
recalques elsticos podem ser expressos como:
onde:
p = recalque vertical imediato
Cd = fator de forma e rigidez (tambm denominado de fator de iduncia)
q = tenso vertical atuante
D = dimetro ou largura da fundao
p = coeficiente de Poisson
E = mdulo de elasticidade do solo
sendo, C, = coeficiente de deformao
pode-se re-escrever a equao [5.1] na forma:
Sendo Cd = funo da (forma; rigidez) e C, = funo do (modulo de elasticidade;
coeficiente de Poisson), pode-se estabelecer uma relao entre nvel de tenses (q) e recalques
relativos (p/D) e a distribuio de tenses ao longo do peril. Evidentemente, a equao 15.31
s pode ser aplicada a perfis homogneos, no sendo possvel justicar teoricamente seu uso
generalizado a macios estratiflcados.
Conhecidas as liitaes desta abordagem, buscou-se na normalizao proposta
(tenso x recalque relativo) uma forma de investigar possveis padres de comportamento aos
resultados de ensaios realizados. O comportamento medido est apresentado na Figura 5.13,
onde possvel verificar que resultados de ensaios de igual relao WD apresentam
comportamento semelhante tanto para a rigidez inicial como para as tenses de ruptura. A
disperso observada fno da variabiiidade nas propriedades dos terrenos natural e tratado,
bem como da iduncia dos fatores inerentes a ensaios de placa decorrentes de pequenas
excentricidades, inclinao, amolgamento do solo imediatamente abaixo da placa, entre outros.
As evidncias experimentais observadas na Figura 5.13, parecem indicar que no h
influncia signijicativa do efeito de escala sobre o comportamento de uma fundao assente em
uma camada de solo fortemente cimentado d o c a d a na supdcie de um material de natureza
coesivo-fiiccional, para relaes H/D entre 0,5 e 2,O. O aumento da relao WD
acompanhada por um aumento siguficativo da capacidade de carga das sapatas e uma reduo
dos recalques para um dado nvel de tenses.
Na Figura 5.14, so apresentadas as curvas mdias que refletem o comportamento q x
p/D dos ensaios que guardam a mesma relao entre espessura da camada de solo melhorado e
o dimetro da placa. Nota-se, claramente, a melhora de desempenho da fndao pela presena
de urna camada cirnentante superfcial e pelo aumento da espessura desta camada.
Figura 5.13: Cuivas Tenso x Recaique Reiativo para ensaios reaikdos no solo namral e sobre
camadas de solo meihorado.
Figura 5.14: Cunas mdias dos ensaios de piaca rcaluados sobre o solo naaual e
sobre a camada de solo meihorado.
Uma vez identificada a potencialidade do uso de uma camada de solo melhorado,
procurou-se estabelecer formas de normaiizao ou adimensionalizao dos resultados. Busca-
se, com isto, investigar a possibilidade de obteno de tendncias definidas entre resuitados de
ensaios com placas de diferentes dimetros, na tentativa de estabelecer diretrizes de projeto de
fundaes superficiais assentes em solos cimentados.
O principal mtodo da abordagem adotada consiste em normalizar os resultados atravs
do recalque relativo, plD. Desta forma, foi possvel observar a melhora no comportamento da
fundao para diferentes valores de HEI. Fica portanto, estabelecido um padro de
comportamento, independente do dimetro da placa e da espessura da camada de solo
melhorado, i-e. o aumento de capacidade de carga identificado atravs da razo H/D.
A principal [Link], em contrapartida, reside na possvel forma de normaiizar as
medidas de tenses (q). Visando determinar a influncia do aumento da espessura da camada
de solo melhorado a parti. de diferentes propriedades do solo natural, utilizaram-se 2 formas
distintas para a normazao das tenses: a primeira consiste no uso da tenso de ruptura do
solo natural obtida a partir da Figura 5.14; e a segunda forma de normalizar as tenses foi
atravs do valor da resistncia de ponta obtida no ensaio de cone eltrico realizado no solo
natural. A seguir so apresentados os mtodos de normaijzao adotados nesta pesquisa:
a) TENSO DE RUPTURA (q-):
Consiste em normaiizar as tenses atravs dos valores das tenses de ruptura de
ensaios de placa realizados em solo natural. Este valor pode ser definido atravs do
procedimento discutido no Item 5.2. Desta forma, as tenses de ruptura das placas em solo
natural, expressas em um grfico q / q * d ) x plD, tendem a unidade. Os valores obtidos para
diferentes relaes de W D so maiores que 1 e permitem uma avaliao imediata do percentual
de aumento da capacidade de carga em relao ao ensaio realizado no solo natural. Como
verificou-se na Figura 5.14, quando plotarn-se curvas de ensaios de placas na forma tenso
versus recalque relativo, o comportamento dos ensaios que guardam a mesma relao WD so
bem aproximados, permitindo cl adoo de curvas mdias para cada relao WD. Procurando
estabelecer este mesmo comportamento para as curvas de tenso nonnalizada versus recalque
relativo, adotou-se como tenso de ruptura do solo natural o valor extrado da Figura 5.14,
onde os ensaios com placas de 0,3 e 0,6m de dimetros so representados por uma curva
mdia, refletindo um nico valor para a tenso de ruptura. Este procedimento permite prever o
aumento de resistncia para diferentes valores de WD, possibiitando anlises para outras
placas de diferentes dimetros assentadas sobre camadas de solo melhorado de diferentes
espessuras, alm daquelas estudadas neste trabalho. Na Figura 5.15 so apresentadas as curvas
q / q w m , x p/D, onde se pode veriicar o comportamento descrito anteriormente, isto , o
acrscimo significativo da resistncia para valores maiores da relao WD.
Figura 5.15: Tenso Normalizada x Recaique Relativo (tenso normalizada pela da tenso de ruptura
verificada para a curva mdia do solo natural, apresentada na Figura 5.14)
b) RESISTNCIADE PONTA A PENETRAO(q,):
O ensaio de cone uma ferramenta de grande poder que permite a obteno de
parmetros geotcnicos do solo, alem de possveis correlaes diretas com o comportamento
de estacas. Um terceiro objetivo, a classificao e estratigrafia de um perfii de solo. A
resistncia de ponta (q,), determinada atravs do ensaio de cone, representa um parmetro de
resistncia gerado pelo solo, durante a cravao de uma ponteira cnica, em velocidade
constante. Por tratar-se de um ensaio relativamente barato e de Gcil execuo e interpretao,
optou-se por normaizar as tenses medidas nos ensaios de placa pelo valor da resistncia de
ponta obtida pelo ensaio de cone, realizado no solo natural. Espera-se, com esta metodologia,
determinar a influncia da espessura da camada de solo melhorado no valor de q,, alm de
permitir a deteminao dos nveis de tenses gerados nos ensaios de placa, a partir de um
perfil de ensaio de cone. Como discutido no Captulo 3, onde foram apresentados perfis de
ensaios de cone realizados no solo natural e na camada de solo melhorado, o aumento do valor
de q,, verificado pela presena da camada de solo melhorado, signiicativo e claramente
evidenciado na simples observao da Figura 3.7.
Na Figura 5.16 so apresentadas curvas q/qE(-) x p/D, onde as tenses medidas nos
ensaios de placa foram nomahadas pela resistncia de ponta (q,), determinada pelo ensaio de
cone realizado no solo natural. Este procedimento de adimensionalizao das tenses contribui
no sentido de permitir uma comparao imediata do comportamento de placas assentes em
perfis de solos naturais e em camadas de solos melhorados de diferentes espessuras. Esta
comparao se d a partir de resultados de ensaios de cone realizados no local onde se
pretende apoiar o elemento de fundao.
PLX130rn
0 P L m m
* PLTWOHlS
- PLTD60rn
_-----_
Vabr mdao no sob mbinl.
Figura 5.16: Curvas Tenso Normsli;rinn x Recaque R e e ' o (Tenso normalizada pela resistncia a
penetrao, medida no ensaio de cone realizado no solo natinal)
A possibilidade de apresentar resultados de ensaios de placa na forma de tenso
normalizada versus recalque relativo permite uma avaliao crtica e qualitativa do
comportamento de fndaes superficiais assentes sobre perfis de solos naturais, neste
trabalho, com caractersticas coesivo-iiccionais, e sobre camadas de solos melhorados de
diferentes espessuras. A utilizao de parrnetros de resistncia do solo natural (por exemplo,
tenso geosttica, tenso de ruptura e resistncia de ponta), para a normalizao das tenses
medidas nos ensaios de placa, mostrou-se o meio mais dcaz para descrever o comportamento
de camadas de solos melhorados sobrepostas a este ma~erialencontrado in situ. Outros
parmetros de resistncia podem ser utilizados para normalizar as tenses, corno por exemplo,
a presso limite determinada em ensaios pressiomtricos, ou mesmo, o nmero de golpes de
um ensaio de SPT,entre outros.
Como discutido antenomente, a relao entre a espessura da camada tratada (H) e o
dimetro do elemento de fundao @) tem infiuncia decisiva no comportamento tenso-
deformao de fiindaes superficiais assentes em solos estratificados. No item anterior foram
apresentados mtodos de normalizao de resultados de ensaios de placa, que Msavam reduzir
a influncia da relao H D no comportamentos das placas, quando submetidas a um
carregamento vertical de compresso. Procura-se, neste item, estabelecer correlaes entre o
nvel de tenso e a relao entre a espessura da camada e o dimetro da placa, que permitam
determinar essa influncia da relao WD, para diversos nveis de recalques relativos, e propor
um estudo paramtrico envolvendo essas trs variveis (relao WD, recalques relativos (p/D)
e nveis de tenses (q)).
A partir da Figura 5.13, na qual apresenta-se curvas tenso x recalque relativo para
ensaios realizados sobre a camada de solo melhorado com cimento e no solo natura,
defbkam-se quatro nveis de recalques relativos (0,5%, 1%, 1,5% e 2%) para os quais este
estudo se concentrar. Segundo Berardi e Lanceliota (1991), como projetos de fundaes
superficiais so dimensionados com fatores de segurana no inferiores a 2, as deformaes
relativas so normaimente prximas a 1%. Motivo pelo qual adotaram-se os valores de
recalque relativo anteriormente citados.
Para um melhor entendimento, na Figura 5.17 so apresentadas as curvas da Figura
5.13 em escala ampliada, facilitando a anlise de obteno dos valores da tenso para a
realizao do estudo paramtrico. Fixando-se um valor de referncia para o nvel de recalque
relativo (por exemplo: I%), obtm-se os valores correspondentes de tenses em cada um dos
ensaios. Em seguida, os valores das tenses so plotados contra o valor da relao WD,
correspondente. O resultado desta abordagem apresentada na Figura 5.18, no qual observa-
se que h uma relao aproximadamente linear crescente entre a tenso medida e a razo WD,
para um recalque relativo p/D = 1%. Esta mesma metodologia aplicada para os outros nveis
de recalques relativos, sendo que o resultado h a l e apresentado na Figura 5.19. Na Tabela 5.3
so apresentados os valores absolutos e relativos da tenso, para um recalque relativo de 1%,
extrados das curvas mdias de H/D, apresentadas na Figura 5.18. Os valores relativos,
referem-se ao aumento do valor da tenso, nos ensaios realizados sobre a camada tratada,
quando comparada com resultados medidos sobre o solo natural.
A tendncia observada para p/D = 1% fica igualmente caracterizada para diferentes
valores de recalques relativos. Embora a relao q x WD seja linear para qualquer valor de
p/D, o gradiente que define a reta aumenta com a diminuio de p/D. As equaes das retas
representam a tendncia de comportamento, sendo representada de forma generalizada como:
onde, A e B so constantes, e seus valores so determinados experimentalmente pelas curvas
dos ensaios.
A adoo de correlaes empricas aplicadas a previso de recalques de fundaes
superficiais pratica corrente na engenharia de fundaes. Correlaes estabelecidas para
areias so correntemente utiiizadas em solos cimentados, possivelmente no entendimento de
que, em ambos os solos, os recalques ocorrem imediatamente aps a aplicao das cargas. Na
ausncia de estudos especficos e sistemticos a solos cimentados, espera-se que a equao
[5.6] possa ser uuizada na extrapolao de ensaios de placa aplicados a previso da
capacidade de carga e recalques de fundaqes submetidas a carregamento vertical.
evidente que, com os limites de recalques relativos estudados, no se pode garantir
que este comportamento seja o mesmo para casos onde a relao entre a espessura da camada
e o dimetro da placa atinge valores elevados, na ordem de 10 a 20. Sugere-se aqui-queesta
relao s vlida para os casos em que o mecanismo de ruptura ocorre por puncionamento.
Casos nos quais H > D , a ruptura ser generalizada, ocorrendo inteiramente dentro da camada
tratada (ver Capitulo 6). improvvel que, nestes casos, a equao [5.6] possa ser utiljzada.
Observa-se ainda na Figura 5.19, pontos plotados de tenso (q) x relao (H/D)
retirados das curvas de ensaios realizados no solo natural. Para critrio de coordenadas, o
valor da relao H/D para estes casos foi dado como igual a zero, denotando a ausncia da
camada tratada.
interessante notar-se que, uma vez realizado um ensaio de placa em um solo natural
de natureza coesivo-fnccional possvel, atravs da equao [5.6], estimar o valor da carga, a
diferentes nveis de recalques relativos, para fundao assentes sobre uma camada de solo
melhorado. Esta abordagem, de considervel interesse a prtica de engenharia, deve ser testada
a outros programas experimentais, a fim de ser vaiidada.
Figura 5.17: Cuvas Tenso x Recalque Relativo (escala ampliada)
Tabela 5.3: Valores absolutos e relativos da Tenso (q) para um recalque reiativo & 1% verincado
nas curvas mdias para caa relao HD.
Tenso Solo Natural H/D = OS H/D = 1,O H/D = 2,O
Absoluto (kNlm2) 175 460 900 1500
Relativo 2.63 5,14 8,57
0.5 -
1.0 -
Recalque Relativo (WD) = 1%
0
x
1.5 -
2.0 -
2.5
Figura 5.18: Curva Tenso x W D (para recalgue relativo de 1%)
o
0.0 '
\
r
500
.
\ Solo natural
I .
1000
I , , , ,l?, , , 2000 2
I \
\
\
Equaes das retas experimentais:
2.5
Figura 5.19: Curvas Tenso xReiao W D
5.5 ESTUDO DE CASO
A seguir ser apresentado um estudo de caso desenvolvido a partir de dados obtidos
nos estudos de Ueshita e Meyerhof (1967). Neste estudo de caso, aplicar-se- a metodologia
de normalizao das curvas carga-recalques para comprovao da mesma em outros resultados
experimentais.
Ueshita e Meyerhof (1967), estudaram deflexes de sistemas mltiplos de camadas de
solos sob uma rea circular carregada. Os estudos foram realizados atravs de cmaras de
calibrao, em perfis estratificados de trs e duas camadas. Um dos perfis executados pelos
autores, consistia num sistema de dupla camada, sendo que a camada superior de solo-cimento
(teor de cimento = 10%). Foram estudados dois peris, com diferentes espessuras para a
camada de solo-cimento, um deles com 1,O in. (25,4 mrn) e outro de 1,5 in. (38,l rnm). Em
ambos os casos, tinha-se um material argdoso subjacente. Os resultados dos ensaios de
carregamento so apresentados na Figura 5.20.
Na Figura 5.21, tem-se as curvas plotadas no grfico tenso (q) x recalque relativo
(p/D). Percebe-se que h uma clara tendncia de reduo das tenses aplicadas com a
diminuio da razo H/D para um mesmo nvel de recaique relativo. As curvas com relao
H/D x 1 indicam claramente a ausncia de efeito de escala para resultados plotados no espao
~xPD.
Visando determinar a influncia da relao H/D no comportamento dos ensaios
realizados pelos autores, so apresentadas na Figura 5.22 as curvas tenso (q) x relao WD.
Nota-se um comportamento linear, crescente da tenso com a relao WD para cada nvel de
recalque relativo. Este comportamento, novamente vem comprovar a possibilidade do uso da
equao [5.6] na extrapolao de resultados de ensaios de placa quando submetidos a um
carregamento vertical.
Os comportamentos verificados neste estudo de caso vm contribuir para a abordagem
desenvolvida neste trabalho. Apesar dos dados terem sido obtidos de ensaios que guardam
diferentes caractersticas, um de campo e o outro de laboratrio, um conjunto de ensaios tendo
arda como solo de base e outro solo de natureza coesivo-fnccional, e relaes W D
diferentes, contatou-se uma semelhana muito grande no comportamemo geral dos ensaios. As
tcnicas de normaiizao mostraram-se eficientes e confiveis para a detexminao de
comportamentos de ensaios de placa e, por conseguinte, de fundaes superficiais, de
diferentes dimetros assentes em solos estratiicados. Estas evidncias parecem ser vlidas para
condies de contorno nas quais uma camada mais rgida sobreposta a um p d semi-&to
de solo homogneo menos rgido.
800 900 1000 1
o .o0 . , , < < . , , , o . ,
0.01
D = 4 in (10.18.m)
D=lin(Z54an)
D = 2 in (5.08 an)
E
-a
3
O."
X D = 4 in (10.113 em)
-mw \
\
\
O
g O."
\
Y
\
0.04
\
\
- H = 1.5 in (3.81 an) \
\
- - - H = 1 in (2.54 an)
0.05 X o i
Figura 5.20: Curvas Tenso x Recalque (LJeshita and Meyerhof, 1967)
Tenso (kN/m2)
D = 2 in (5.08 cm)
3 D = 4 in (10.16cm)
D=lin(254cm)
X D = 4 in (10.18 cm)
- H=l.5in(3.8lan)
--- H = 1 in (2.54 an)
Figura 5.21: Curvas Tenso x Recaique Relativo para diferentes relaes WD.
Tenso (kN,lrn2)
Figura 5.22: Curvas Tenso x Relao H/D
Este captulo destina-se a aplicao dos mtodos de previso de capacidade de carga e
recalques em fundaes superficiais assentes sobre solos estratiflcados. Descreve-se a condio
na qual a camada superior exibe parmetros de resistncia e rigidez maiores que a camada
subjacente, objetivando avaliar a melhora de desempenho de fundaes quando da colocao
de uma camada de solo tratado.
Busca-se aqui, avaliar a aplicabiidade dos modelos analticos para fundaes
superficiais assentes em solos coesivo-fiiccionais. Neste sentido, apresenta-se uma comparao
quantitativa e qualitativa entre os diversos mtodos de previso de capacidade de suporte e
determinao de recalques, bem como uma validao das proposies atravs de comparaes
entre resultados tericos e experimentais.
6.2 PREVISODA CAPACIDADE DE SUPORTE
Como o solo estudado apresenta caractersticas coesivo-fnccionais, procurou-se ento,
adotar os mtodos que utilizavam as parcelas de resistncia devido a coeso e ao atrito interno
do solo. Dentre os vrios mtodos encontrados (ver Captulo 2), os mtodos propostos por
hshothamaraj et al. (1974), Vesic (1975) e Meyerhof e Hanna (1978) foram os que mais
aproximavam-se as condies verificadas em campo.
Definidos os mtodos a serem aplicados, procurou-se ento identificar suas variveis e,
baseado nas hipteses apresentadas, utilizar de forma coerente os parmetros do solo
estudado. Buscou-se manter a forma origuial de cada mtodo, sem propor modificaes.
Assim, os resultados calculados da tenso de ruptura reproduzem os conceitos definidos em
cada mtodo sem alteraes ou simplificaes. Detalhes sobre os usos dos mtodos so
descritos adiante, em forma de comentrios sobre o uso e resultados dos mtodos referidos.
Os parmetros de resistncia adotados nos clculos da capacidade de suporte atravs
dos mtodos tericos so mostrados na Tabela 6.1. Maiores detalhes sobre as caractersticas e
propriedades do solo estudado podem ser encontrados no Captulo 3 deste trabalho.
Na Tabela 6.2 so apresentados os valores da tenso de ruptura (qd), deinida a partir
de resultados experimentais atravs da aplicao do critrio de definio da carga de ruptura
escolhido no Captulo 5 (Critrio N" 2), bem como os valores calculados a partir dos mtodos
tericos. Na Tabela 6.3 so apresentados os valores da relao entre a tenso ltima de ruptura
calculada, atravs do uso dos modelos tericos, e os valores encontrados experimentalmente.
No grfico apresentado na Figura 6.1 so plotadas curvas qdt x Razo WD, obtidas
atravs dos ensaios experimentais e aquelas determinadas pelo uso dos mtodos tericos. Na
Figura 6.2 so apresentados os resultados das previses realizadas atravs de trs formulaes
anteriormente referidas. Nas ordenadas apresentada a relao entre o valor calculado e o
valor medido da tenso ltima de ruptura (qdlq-); nas abcissas a razo entre a espessura da
camada de solo melhorado (H) e o dimetro da fundao @).
Tabela 6.1 : Valores dos parmetros reais de resistncia das ramnrinn de solo estudadas.
Camadas Valores reais Valores reduzidos 7 (kN/m3)
4 e) C ~trn2) 4, 0 C' ( I ~ N I ~ ~ )
Solo melhorado 47,9 27,O 36,4 18,O 19,6 1
Solo n-1 24,2 18,7 16,7 12,5 17,50
Tabela 6.2: Valores & tenso itima de ruptura.
Tenso de ruptura (qd) - kN/m2
Denominao Experimental Meyerhof e Hanna Vesic Pumshothamaraj et al.
(1978) (1975) (1974)
PLTD30H60 1909,86 1304,95 4777,15 1205,15
PLTD30H30 1202,50 1107,70 1176,42 874,59
PLTD3OH15 792,24 942,251 528,ll 83 1,39
PLTD3Onat 282,94 213,W 213,90 252,91
PLTD6OH60 1237,87 1028,02 1315,52 898,31
PLTD6OH30 495,15 875,23 584,12 841,98
PLTDOnat 215.74 219,21 192.90 268,22
102
Tabela 6.3: Valores da tenso ltima de ruptura calculada / experimental.
Relao qdq, ,
Denominao Meyerhof e Hmuina Vesic Pmshothamaraj et al.
(1978) (1975) (1974)
PLTD3OH60 0,68 2,50 0,63
PLTD30H30 0,92 0,98 0,73
PLTD3OH15 1,19 0,67 1,05
PLTD30nat 0,76 0,76 0,89
PLTD6OH60 0,83 1,o6 0,73
PLTD6OH30 1,77 1,18 1,70
PLTDOnat 1,02 0,89 1.24
2.5
Figura 6.1 : Relao entre a tenso de ruptura (QJ e a r e w o entre a espessura da
camada superior e o dimetro da placa (D).
1'
Legenda:
I
I
C Vesic (1975) I
- 06
, et al. (1974)
Punishdhamara~
i Meyerhof eHanna (1978) ,
--
Figura 6.2: Valores da relao entre tenso de nipnira cai&& / experimental
A partir da observao dos resultados apresentados nas Tabelas 6.2 e 6.3 e dos
comportamentos verificados nas Figuras 6.1 e 6.2, fazem-se os seguintes comentrios:
O mtodo proposto por Vesic (1975) apresentou, para relaes Hn> I 1, resultados
da tenso de ruptura prximos aos valores experimentais medidos. Porm, para valores de
relao W D > 1, o mtodo resulta em valores extremamente elevados da tenso de ruptura,
uma vez que o mtodo adota uma formulao bsica exponencial. Este comportamento foi
tambm observado por Vesic (1975) e relatado em seu trabaho.
Vesic (1975) adotou como hiptese em seu mtodo, a forma de ruptura como sendo
por puncionamento, com a formao de linhas verticais de ruptura ao longo da c a d a inferior
de solo (Figura 2.11). Para a determinao da parcela de resistncia devido a capacidade de
suporte da camada inferior de solo, supe-se a ao de uma sapata fictcia, de mesma forma e
tamanho que a originai, apoiada sobre a camada inferior de solo, adotando os parmetros desta
camada no clculo da capacidade de suporte. Entretanto, nos ensaios experimentais que foram
conduzidos a ruptura, constatou-se a formao de superficies de ruptura inclinadas ao longo da
camada de solo melhorado com cimento, conforme demonstrado na Figura 6.3. Fez-se uma
medio aproximada do ngulo de inclinao da superficie de ruptura (8) verificado em campo,
104
chegando a valores prximos a 45". Uma tentativa de aplicao do mtodo de Vesic, utilizando
diferentes valores de 8 entre 0" e 60, apresentada na Figura 6.4. Objetiva-se neste exerccio,
veficar a influncia do nguio 8 na estimativa mais realista dos valores da capacidade de
suporte medidos em campo. Previses de qdt para 8 = 45" so aceitveis para razes WD
menores que a unidade. Para valores de WD superiores a unidade o mtodo de Vesic no
produz resultados compatveis com os medidos experimentalmente.
A reduo dos parmetros geotcnicos proposta por Terzaghi para levar em
considerao a ruptura por puncionamento, conduz a melhores previses dos valores
experimentais utilizando o mtodo proposto por Vesic (1975). Esta observao tambm
verdadeira para o mtodo proposto por hinishothamaraj, Ramiah e Rao (1974) que, embora
no citem em seu trabalho a reduo dos parmetros, a aplicao deste artifcio reduz os
valores da tenso itirna de ruptura, aproximando-os aos valores experimentais medidos. Para
o mtodo proposto por Meyerhof e Hanna (1978), e aplicado um coeficiente de
puncionarnento &), de forma a ajustar os parmetros a forma de ruptura idealizada no
mtodo. Assim, a reduo dos parmetros geotcnicos conduz a valores inferiores da tenso
de ruptura, no sendo, portanto, recomendada para este mtodo.
Sapata origmal
/
I 1
Cmudr de solo
.t:
rt:
.. .__.
t t r t---..
. ...
L---
A
arm cimcmo
m~rhondo .:' e : 'I1 : e *.
[Link] rolo qo"
IUtnnI
Figura 6.3: Forma da superficie de ruptura iealizada para as condies de campo.
2100,
1800 -
1500 - I
I
1m - I
I
900-
I
, I
9 1600 I
600- 9145.
e=300
8-00 Mtodo d e Ves ic (1975)
I
Obs: c e 4 reduzidos
I
Figura 6.4: Variao do comportamento Q,x WD para diferentes valores do nguio 8.
O mtodo proposto por Purushothamaraj, Ramiah e Rao (1974), conforme descrito
no Captulo 2, baseado na teoria da anlise limite, utilizando o teorema do limite superior.
Utilizando os parmetros geotcnicos reduzidos, os valores calculados da tenso de ruptura
foram prximos aos valores experimentais medidos, alm do comportamento qdt x Razo WD
ser semelhante ao verificado em campo. Para valores reais dos parmetros 4 e c, de ambas as
camadas, os resultados da tenso de ruptura tomam-se elevados, fato este esperado, uma vez
que o mtodo baseado ao teorema do limite supenor. Na Figura 6.5, so apresentadas curvas
tenso x razo H/Dutilizando os parmetros reais e reduzidos do solo, em conjunto com a
curva experimental.
A defmio da geometria da supedcie de ruptura, para o mtodo proposto por
Purushothamaraj, Rarniah e Rao (1974), de vital importncia a determinao da capacidade
de suporte da fundao. Quaisquer alteraes nos valores dos ngulos que formam os blocos
rgidos ei, 02, 83, a e P, resultam em modificaes significativas no valor da tenso de ruptura
e incertezas na aplicabilidade do mtodo. Na Figura 6.6, apresentado um desenho
esquemtico da fonna da supericie de ruptura adotada, indicando os valores dos ngulos
referidos. A foxma da superficie de ruptura origuial apresentada pelos autores, pode ser
observada na Figura 2.7.
s i t (WJm7
O 1000 1500 2000 2500 800
--
--
-- Cuwa experimental 1
Parimetros reduzidos
--
2.5
Figura6.5: Variaodo~rtamentotenso deruptura(q.&xrazaHIDparacaferentes
i
valores de coeso (c) e nguio de atrito interno (+), atravs do mtodo anaitico
proposto por Pumhothamiuaj, Ramiah e Rao (1974).
Figura 6.6: Hiptese adotada para geometria da superficie de ruptuq no d a d o da capacidade
de suporte da fundao, atravs do mtodo proposto por Punishothamaraj, Ramiah
e Rao (1974).
O mtodo proposto por Meyerhof e Hanna (1978) foi o que melhor representou o
comportamento veriticado experimentalmente. No somente os valores da tenso de ruptura
so realistas, como tambm a tendncia de comportamento qdt x HD aproxima-se dos
resultados dos ensaios de placa.
Atravs da anlise da Figura 6.1, pode-se confmnar a observao anteriormente
descrita, de que os mtodos propostos por Meyerhof e Hanna (1978) e por Purushotharnaraj,
Ramiah e Rao (1974) foram os que apresentaram valores de tenso de ruptura mais prximos
aos valores experimentais medidos. O mtodo proposto por Vesic (1975) apresentou para
relaes H/D5 1,O valores inferiores de tenso de ruptura. Diferentemente o que foi
determinado para relaes H/D > 1,O onde os valores da tenso de ruptura tomaram-se
elevados, de forma a inviabilizar o uso deste mtodo para estes casos.
A previso dos recalques foi realizada atravs de mtodos semi-empricos baseados na
Teoria da Elasticidade. Para a previso de recalques de fundaes superficiais atravs da
Teoria da Elasticidade suiiciente conhecer-se o mdulo de elasticidade, o coeficiente de
Poisson do solo e as caractersticas geomtricas do problema. Na prtica, a geometria
conhecida e o coeficiente de Poisson pode ser estimado, sendo, portanto, o mdulo de
elasticidade a incgnita principal do problema. Assim, a previso de recalques da fundao est
associado obteno do mdulo de elasticidade do solo. Para o caso de perfis de solos
heterogneos, o mdulo que se procpra, refere-se a um Mdulo de Elasticidade Equivalente,
que reflete o comportamento em conjunto de todas as camadas de solo submetidas ao esforo
aplicado. Este mdulo equivalente basicamente determinado em funo da relao entre os
mdulos das camadas envolvidas no problema.
Visando reproduzir o comportamento dos ensaios experimentais, procurou-se
determinar, atravs de solues elsticas, os valores dos mdulos de elasticidade equivalentes.
Para tal, estudou-se a influncia do valor do mdulo de elasticidade da camada de solo
melhorado no comportamento tenso x recaique e comparou-se os resultados calculados com
os resultados verificados em campo.
Os mdulos de elasticidade foram inicialmente determinados a partir de resultados de
ensaios triaxiais do tipo CID, com tenso de coniinamento de 20 kPa. Na Tabela 6.4 so
apresentados valores de mdulos de elasticidade para trs nveis de deformao. Adotou-se o
mdulo a 0,1% de deformao com base nos estudos desenvolvidos por Burland (1989), para
a r d a s pr-adensadas, e por Berardi e LanceUotta (1991), para solos granulares, onde, para
ambos os casos, o nvel de deformao de 0,1% representa um limite mximo permitido para
se evitar danos estruturais s obras de engenharia. Logicamente, este limite est diretamente
ligado ao tipo de solo e is caractersticas do projeto em questo. Quanto aos valores dos
coeficientes de Poisson, foi adotado o valor de 0,2 para ambas as camadas. Para os ensaios
triaxiais realizados com amostras do solo natural, no foram medidas as deformaes radiais e,
portanto adotou-se o coeficiente de Poisson obtido por Mntaras (1995), atravs de ensaios
pressiomtricos. Para o solo melhorado com cimento, o coeficiente de Poisson foi obtido
atravs dos resultados dos ensaios triaxiais, com tenso confhante de 20 kPa.
Tabela 6.4: Valores dos mdulos de elasticidade e coeficiente & Poisson.
Camadas E, (o,m%) E, (o,i%) E, (0~15%) Coef. de Poisson
WaI (Mp.) Wa)
Solo natural 53 45 36 02
Solo melhorado com cimento 23 1 160 131 02
Na Figura 6.7 so apresentados vrios grficos de curvas tenso x recalque, obtidos a
partir de solues elsticas desenvolvidas para as mais variadas situaes de carregamento e
condies de contorno, como o dimetro da placa, a espessura das camadas, a relao entre
mduios de elasticidade, entre outras. Em conjunto, so apresentados os pontos experimentais
determinados em campo, permitindo assim, uma anlise comparativa entre os valores de
recalques medidos e os calculados, alm da comparao entre as diversas solues elsticas
adotadas.
Com base nos resultados apresentados na Figura 6.7, faz-se os seguintes comentrios:
Os mtodos de previso utilizados apresentam urna pequena faixa de disperso para
valores de H/D = 2. A disperso entre os mtodos aumenta significativamente com a reduo
da razo HiD.
Em geral, os mtodos propostos por Palmer e Barber (1934) [Apud Pouios e Davis
91974)l e por Ueshita e Meyerhof (1967) apresentaram valores de recalques elsticos
relativamente prximos entre si, com uma razovel aproximao aos nveis de recalques
verificados em campo. Ambos os mtodos foram desenvolvidos para a determinao de
recalques elsticos em sistemas de duas camadas, utilizando os parmetros de deformao (E e
u) da cada camada e adotando uma rea circular carregada, condies estas, semelhantes as
venficadas em campo.
O mtodo proposto por Steinbrenner (1934) [Apud Poulos e Davis (1974)l
apresentou, em alguns casos, valores de recalques consideravelmente inferiores aos medidos
nos ensaios de placa (ex.: ensaios com razo H/D = 0,5).
Comprovadamente, o mtodo proposto por Thenn de Barros (1966) [Apud Poulos e
Davis (1974)l foi o que apresentou valores de recalques elsticos mais elevados. Como o
mtodo foi desenvolvido para estimar recalques em sistemas de trs camadas, a aproximao
para um sistema de duas camadas resultou, neste caso, em uma superestimao dos valores
dos recalques. Assim, este mtodo no ser utilizado em futuras anlises deste trabalho.
Dando continuidade ao estudo de determinao do mdulo elstico equivalente a partir
do uso das solues elsticas, repetiu-se o estudo anterior, porm aumentando a magnitude do
mdulo de elasticidade da camada de solo melhorado com cimento, para verificar sua
influncia. Na Figura 6.8 apresentado um grafico comparativo entre o comportamento
verificado experimentalmente em campo, representado pelo ensaio PLTD30H60, e os
resultados de recalques determinados a partir do mtodo proposto por Palmer e Barber (1934)
[Apud Poulos e Davis (1974)], para diversos valores do mdulo de elasticidade da camada de
solo melhorado.
Tenso (kPa)
O 500 1
m 1500 2000 2
m
Metodo pmposto por P a h r
-. . .-.
Figura 6.8: Influncia da variao do mdulo elstico da camada de solo melhorado com cimento no
comportamentotenso x recalque.
Percebe-se, atravs da anlise na Figura 6.8, que o valor de 300 MPa para o mdulo de
elasticidade da camada de solo melhorado, resulta em uma melhor previso do mdulo elstico
inicial obtido experimentalmente. Neste caso, a relao entre mdulos (E&) a ser adotada
nos mtodos de clculo prxima de 6,7,valor superior ao medido em ensaios triaxiais para
confinante de 20 kPa e deformao axial de 0,1% (Ei/E2= 3,6).
Expandindo a anlise anterior para os demais ensaios de placa, so apresentadas na
Figura 6.9 as curvas tenso x recalque obtidas com o uso das demais solues elsticas
estudadas, conjuntamente com os pontos experimentais medidos, adotando os valores de
mdulos iguais a 300 MPa e 45 MPa para as camadas de solo melhorado com cimento e solo
natural, respectivamente.
Com base nos resultados apresentados na Figura 6.9, pode-se fazer alguns comentrios:
Em geral, os valores dos recalques elsticos calculados com base na relao entre
mdulos (E1/E2)k: 6,7 foram melhores que aqueles determinados a partir dos mdulos obtidos
atravs dos ensaios triaxiais, onde a relao entre mdulos (E1/E2)= 3,6.
A disperso nos resultados evidencia as dificuldades em prever, de forma reaistica,
os valores medidos experimentalmente. O alcance desta solues elsticas na prtica de
engenharia deve ser avaliada cnteriosamente, caso a caso, sendo as estimativas apenas um
indicativo da magnitude mdia dos recalques.
So apresentados na Tabela 6.5 os valores dos mdulos elsticos equivalentes obtidos a
partir dos ensaios experimentais e os mdulos determinados atravs das solues elsticas
propostas por Palmer e Barber (1934) [Apud Poulos e Davis (1974)l e por Ueshita e Meyerhof
(1967). Devido ao comportamento no linear verificados as curvas dos ensaios experimentais,
inclusive para nveis baixos de tenso, e aos problemas de acomodamento da placa no incio do
ensaio, que afetam os deslocamentos nos estgios de carregamento iniciais, o valor do mdulo
tangente inicial pode no ser muito representativo para fins da previso de recalques. Por isso,
foram comparados valores de mdulo secante para dois nveis de deformao: 0,5 e 1,0%.
Tabela 6.5: Valores de mdulos elsticos equivalentes obtidos experimentalmentee atravs do
uso de solues elsticas.
E, (MN/m2)
Ensaios Experimental Palmer e Ueshita e
03 14 Barber Meyerhof
(Vo ) (To) (1934) (1967)
PLTD3OH60 185 131 110 125
PLTD3OH30 1O0 69 110 90
PLTD3OH15 61 40 1O 68
PLTD6OH60 110 78 95 90
PLTD6OH30 53 34 95 68
Na Figura 6.10 so plotados os valores dos mdulos elsticos equivalentes obtidos
experimentalmente, em dois nveis de deformao (0,5 e I%), alm de linhas de tendncia
referentes a duas solues elsticas distintas rCJeshita e Meyerhof (1967) e Palmer e Barber
(1934)l. O comportamento verificado indica um acrscimo no valor do mdulo elstico com o
aumento da relao H/D. Isto perfeitamente esperado, pois para maiores valores da relao
WD, maior ser a influncia da camada melhorada com cimento no comportamento geral do
sistema.
M d u b 6quivaknte (5)
[Wa]
hntos experimentais:
A deform 0,5%
Figura 6.10: Variao do valor do m W o elstico equivalente (E,) com a relao entre a
espessura da camada de solo melhorado (H)e o dimetro & placa 0).
Entre as solues elsticas aplicadas, a proposta por Ueshita e Meyerhof (1967) foi a
que apresentou um comportamento mais prximo aquele veficado experimentalmente, com
valores de mdulos prximos aos medidos em campo e crescentes com o aumento da relao
HD. Em geral, a adoo do conceito de mdulo equivalente de recalques pode ser til a
estimativas de recalques de fundaes apoiadas em solos estratificados.
CAPITULO 7
CONCLUSES FINAIS E SUGESTES
Neste capitulo so apresentadas as concluses gerais deste trabalho. Essas concluses
refletem o entendimento conceitual do problema de interao solo-estrutura e os objetivos
atingidos na pesquisa, baseados no mtodo aplicado e nos resultados das anlises efetuada.
So tambm apresentadas algumas sugestes para futuros trabalhos, que objetivam aprofundar
os estudos nesta mesma linha de pesquisa.
As principais concluses desta pesquisa, algumas das quais j citadas no decorrer do
trabalho, so apresentadas resumidamente a seguir:
1. Ensaios de placa: adequabilidade e comportamento observado.
a) O ensaio de placa, como ferramenta para o estudo do comportamento carga x
recalque de fundaes superfkiais assentes em perfis de solos estratificados, demonstrou ser
adequado e codivel. Os resultados obtidos permitem a determinao dos nveis de recalques
e da capacidade de suporte da fundao, alm da identificao da forma de ruptura.
b) A Norma Brasileira NBR-6489184, que normatiza o ensaio de placa, apresenta
determinados itens relacionados ao tamanho da placa e profndidade de execuo do ensaio.
Estas recomendaes da Norma Brasileira geram iiculdades na execuo do ensaio e
montagem do equipamento, principalmente no que se refere a estrutura de reao.
Recomenda-se que a Norma Brasileira seja revista e que modificaes sejam impiementadas no
sentido de tomar o ensaio de placa um ensaio de Gcil execuo e mais popular no meio tcnico
de Engenharia.
c) Comparando as curvas tenso x recalque do solo melhorado com cimento com as
curvas do solo natural, verifica-se que a adio de cimento resulta em um acrscimo
sipficativo da capacidade de carga e uma reduo considervel dos recalques, fato este
tambm verificado por Vendruscolo (1996).
d) Os ensaios de placa pemitem a observao do comportamento do sistema solo-
estrutura zn situ, com base neste comportamento possvel desenvolver um procedimento
analtico para a interpretao dos resultados e para a previso do comportamento de fundaes
reais.
2. Ensaios de cone (CPT): adequabilidade e comportamento observado
a) O ensaio conepenetromtrico (CPT) permite identilicar o pertii estratigiico de
forma precisa e contnua, com valores de resistncia de ponta e atrito desenvolvidos ao longo
do processo de cravao. A identiiicao da camada de solo melhorado com cimento, bem
como suas caractersticas de resistncia e homogeneidade, podem ser obtidos atravs da
anlise dos resultados do ensaio de cone.
3. Avaliao da carga de ruptura em ensaios de placa
a) necessano definir um critrio objetivo para estimar a carga de ruptura de ensaias
de placa a partir da observao do comportamento carga x recalque. O critrio proposto pela
Norma Brasileira, que limita a carga de ruptura a um nvel de recalque de Dl30,apresentou,
em geral, valores mais elevados para a carga de ruptura quando comparados com outros
critrios utilizados internacionalmente.
b) As curvas carga x recalque, plotadas em escala logartrnica, apresentaram valores
baixos para a carga de ruptura, fato este tambm observado por De Beer (1967) e por
Cudmani (1994). Assim, na prtica, a adoo deste critrio conduz a valores conservadores da
tenso de ruptura, garantindo recalques de pequena magnitude.
c) O critrio que considera o fator tempo, proposto pelo Laboratoire Central des Ponts
et Chausses, apresentou uma variabilidade acentuada dos resultados, atingindo valores
mximos e mnimos quando comparado com outros critrios.
d) O mtodo que considera a carga de ruptura como sendo o ponto de interseo das
tangentes dos trechos inicial e h a l das curvas carga x recalque foi o que apresentou valores
menos dispersas, situando-se prximo a valores mdios, quando comparados com outros
critrios. Por este motivo, este critrio adotado neste trabalho para defhr a carga de ruptura
experimental, cuja magnitude comparada com estimativas obtidas atravs de mtodos
analticos.
4. Normalizao dos resultados
a) As curvas carga x recalque obtidas experimentalmente, atravs de ensaios de placa,
quando plotadas na forma tenso x recalque relativo (p/D) para ensaios que guardam a mesma
relao WD, apresentam um comportamento similar entre si, fato este tambm observado por
Briaud e Jeanjean (1994).
b) Neste trabalho, procura-se normalizar as tenses medidas, atravs da tenso de
ruptura (qdt) e da resistncia de ponta (q,), arnbas obtidas do solo natural, apresentadas na
forma de curvas tenso normalizada x recalque relativo (p/D). Este procedimento permite
avaliar a iduncia da camada de solo melhorado com cimento no comportamento geral do
sistema. Percebe-se que h uma clara evidncia de aumento nos valores das tenses
normalizadas com o acrscimo da razo WD, para um mesmo nvel de recalque relativo. Este
incremento no valor da tenso normalizada indica o ganho de capacidade de carga da fundao
quando da ocorrncia de uma camada de solo melhorado com cimento sobreposta ao perfd de
solo natural.
c) A forma adimensional de apresentar resultados de ensaios de placa ou provas de
carga, atravs das curvas tenso normalizada x relao WD de grande valia a prtica de
engenharia. Desta forma possvel prever o comportamento de fundaes reais atravs de
modelos de dimenses inferiores, porm guardando o mesmo valor da razo WD, sendo a
camada de sub-base serni-infinita e homognea.
5. Determinao da capacidade de suporte em placas
a) A forma de ruptura verificada em campo, atravs dos ensaios de placa,, foi por
puncionamento. Foi tambm observado a formao de superficies de ruptura inclinadas ao
longo da camada de solo melhorado com cimento que, segundo medies aproximadas
efetuadas em campo, mede 45". A formao de possveis trincas de trao, ao longo da
espessura da camada de solo melhorado, foram desconsideradas nas anlises deste trabalho,
uma vez que so de difcil medio em campo e requerem um estudo mais cuidadoso para
avaliar seus efeitos e quanac-10s.
b) Vrios so os mtodos anaticos de clculo da capacidade de suporte de fiindaes
superficiais assentes em peris de solos estratificados encontrados na bibliografia. Todavia, a
escolha do mtodo a ser aplicado requer a adoo de critrios especficos. O tipo de material
(ex.: areia, arda), as condies de geomtricas (ex.: dimenso da fundao, espessura das
camadas), tipo de carregamento, efeito de embutirnento, forma de ruptura, so algumas das
variveis envolvidas no problema, e devem ser consideradas na escolha do mtodo a ser
aplicado.
c) O mtodo proposto por Meyerhof e Hanna (1978) foi o que melhor representou os
resultados experimentais. No somente os valores da tenso de mptura so realistas, como
tambm a tendncia de comportamento q* x WD aproxima-se dos resultados medidos
experimentalmente.
d) O mtodo analtico de ciculo da capacidade de suporte proposto por Vesic (1975)
apresenta resultados confiveis da tenso de ruptura para sapatas que apresentam a razo WD
5 1. Para sapatas que apresentam razo H/D > 1, o mtodo resulta em valores extremamente
elevados da tenso de ruptura, uma vez que este adota uma formulao bsica exponenciai,
incompatvel com as medidas obtidas in situ.
e) Purushothamaraj, Ramiah e Rao (1974), propuseram um mtodo de determinao
da capacidade de suporte baseado na teoria da anlise limite, utilizando o teorema do limite
superior. Para valores reais dos parmeii-QSc e 4, de ambas as camadas, os resultados da
tenso de ruptura so elevados, fato este j esperado. Ao adotar-se a reduo dos parmetros
-~eotcnicos,proposto por Temq&, para considerar o efeito de puncionamento na ruptura do
solo, os valores da tenso de ruptura so reduzidos, aproximando-os aos valores medidos
experimentalmente. Este mtodo de difcil aplicao, pois alteraes na geometria da
superfcie de ruptura, pode implicar em alteraes significativas no vaior h a l do clculo,
causando incertezas na aplicabilidade do mtodo.
6. Aniise de recaique de placas
a) As solues elsticas propostas por Palmer e Barber (1934) [Apud Poulos e Davis
91974)] e por Ueshita e Meyerhof (1967) apresentaram valores de recalques elsticos
relativamente prximos aos medidos em campo, atravs dos ensaios de placa. Deve-se
salientar, porm, que a variabilidade do mdulo de elasticidade em funo do nvel de
deformaes c i s a h t e s limita a aplicabilidade de modelos elsticos-lineares.
b) Os valores dos mdulos de elasticidade obtidos atravs de ensaios triaxiais, a 0,196
de deformao, utilizando modelos elsticos-lineares, nem sempre conduzem a valores realistas
de recalques.
c) A disperso nos resultados evidencia as dificuldades em prever, de forma realstica,
os valores medidos experimentalmente. O alcance das solues elsticas lineares na prtica de
engenharia deve ser avaliado cnteriosamente, caso a caso, sendo as estimativas apenas um
indicativo da magnitude mdia dos recalques.
d) A variao do mdulo elstico equivalente (E,), medido experimentalmente, atravs
dos ensaios de placa, indica um comportamento linear crescente com o incremento da razo
W D . Assim, quanto maior for a espessura da camada de solo melhorado com cimento, mais
rgido o comportamento do sistema, e menores sero os recalques verificados para uma
futura fundao.
Procurando desenvolver e ampliar os conhecimentos referentes ao comportamento de
fundaes superficiais assentes em perfis de solos estratificados, so apresentadas as seguintes
sugestes:
a) Realizaqo de provas de carga em placas de diferentes dimetros, com camadas de
solo melhorado com espessuras variadas, ampliando o intervalo de estudo da razo WD;
b) Realizao de provas de carga em verdadeira grandeza (sapatas de concreto) para
corroborar a metodologia proposta;
c) Realizao de ensaios de placa em laboratrio com modelos reduzidos, a fim de
veriicar o comportamento das camadas de solo situados abaixo da rea carregada.
Identificao da forma de ruptura, trincas de trao, interao placa-solo e entre camadas;
d) Aprimorar o processo de mistura de solo e cimento em campo com a utiizao de
equipamentos mais adequados, de modo a obter uma melhor homogeneizao da mistura;
e) Com base nos ensaios realizados e em extrapolaes efetuadas com simulaes
numricas, confeccionar bacos para o dimensionarnento de fundaes superficiais assentes em
perfis de solos estratificados;
f) Estudo de camadas tratadas com diferentes teores de cimento, alm da uuizao de
outros aditivos.
g) Medir suco em camadas de solo melhorado, aps a compactao em campo.
ESCOLA DE EF.!5??(ni\glA
B I B L l O i -,A
ADASKA, W. S. (1991) "Soil cement - A material with man? appiications", CONCRETE
INTERNATIONAL, January, pp. 49 - 52.
AL-SANAD, H. A.; ISMAEL, N. F. and BRENNER, R P. (1993) "Settlement of circular
and ring plates in very dense calcareous sands", JOLXNAL OF GEOTECHNICAL
ENGINEERING, vol. 119, No. 4, pp. 622 - 638.
AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERTALS (1990) - D2937-83 -
"Standard test method for density of soil in place by the drBre-cylinder method",
Philadelphia.
ASSOCIAO BRASILEIRA DE NORMAS TCNICAS (1991) - MB 3472/91 - "Estaca -
Prova de Carga Esttica", Norma Brasiieira.
ASSOCIAO BRASILEIRA DE NORMAS TCNICAS (1984) - NBR 6489 - "Prova de
Carga Direta Sobre Terreno de Fundao", Nonna Brasileira.
ASSOCIAO BRASILEIRA DE NORMAS TCMCAS (1986) - NBR 7182 - "Solo -
Ensaio de Compactao", Norma Brasileira.
ASSOCIAO BRASILEIRA DE NORMAS TCNICAS (1986) - Normas de Dosagem e
-
Mtodos de Ensaios "Dosagem de Misturas de Sol+cimento", So Paulo.
AVERBECK, J. H. C. (1996) "O cone eltrico e sua aplicao no estudo de fundaes em
solos coesiv~friccionais", Porto Alegre, 150 p., Dissertao de Mestrado - Curso de
Ps-Graduao em Engenharia Civil da UFRGS.
BARATA, F. E. (1966) "Ensaios de Placa para Fixao de Taxa Admissivel de Fundaes
Diretas", Anais IJl Congresso Brasileiro de Mecoica dos Solos e Engenharia de
Fundaes, Belo Horizonte, Brasil, vol. 1, pp. III-1 a m-37.
BERARDI, R and LANCELLOTTA, R. (1991) "Stiffness of granular soiis from field
performance", GOTECHNIQUE, vol. 41, no 1, pp. 149-157.
BJERRUM, L. and EGGESTAD, A (1963) "Interpretation of loading tests ou sandn, Proc.
3rd. EURO. CONF. ON SOIL MECH. AND FOUND. ENGRG., Wiesbaden, Germany,
1, pp. 199-209.
BRESSANi, L. A and VAUGHAN, P. R (1989) "Damage to soil during triaxial testing",
In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON SOIL MECHANICS AND
FOUNDATION ENGINEERZNG, Rio de Janeiro. Proc... Rotterdam: A A Baikerna, vol.
1, PP. 17-20.
BRIAUD, J and JEANJEAN, P. (1994) "Load settlement curve method for spread footings
on sand", Vertical and Horizontal Deformations of Foundations and Embarkrnents,
Proceedings of Settlement'94, AmeIican Society of Civil Engineers (ASCE),
Geotechnical Special Pub. 40, College Station, Texas, pp. 1774 - 1804.
BROWN, J. D. and MEYERHOF, G. G. (1969) "Experimental study of bearing capacity
in layered clays", Proceedings 7th INTERNATIONAL CONFERENCE ON SOE
MECHANICS AND FOUNDATION ENGINEERING, Mxico, vol. 2, pp. 45 - 51.
BURD, H. J. and FRYDMAN, S. (1995) "Bearing capacity of plane strain footings on
layered soil", OUEL REPORT, No. 2072195, Oxford University.
BURD, H. J. and FRYDMAN, S. (1996) "Bearing capacity of footings over two layer
foundations soils", Discusion Paper. JOURNAL OF GEOTECHNICAL
ENGINEERTNG, vol. 122, pp. 699 - 700.
BURLAND, J. B. (1989) "Small is beautiful - the stiffness of soils at smail strainsn,
CANADIAN GEOTECHNICAL JOURNAL, vol. 26, no 4, pp. 499-519.
BURLAND, J. B. and BURBIDGE, M. C. (1985) "Seitiements of foundations on sand and
gravei", In: CENTENARY CELEBRATION OF GLASGOW AND WEST OF
SCOTLAND, ASSOCIATION OF INSTITUTION OF CIVIL ENGINEERS,
Proceedings... Invited paper.
BUTTON, S. J. (1953) "The bearing capacity of footings on a two-layer cohesive
subsoil", Proceedings 3rd INTERNATIONAL CONFERENCE ON SOIL
MECHANICS AND FOUNDATION ENGINEERING, vol. 1, pp. 332 - 335.
CARRER, W. D. and CHRISTIAN, J. T. (1973) "Rigid circular plate resting on non-
homogeneus elastic half-space", GOTECHNIQUE, London, vol. 23, No. 1, pp. 67 -
84.
CERATTI, J. A. P.; CASANOVA, F. J. (1988) "Um mtodo fsico-qumico para dosagem
de solo-cimento", In: SIMPSIO SOBRE NOVOS CONCEITOS EM ENSAIOS DE
CAMPO E LABORATRIO EM GEOTECNLtl, Rio de Janeiro. Anais... Rio de
Janeiro: COPPEIABMSIABGE, 2v., v. 1, pp. 191-200.
CONSOLI, N. C.; SCHNAID, F.; ROHLFES Jr, J. A. (1995) "Mtodos especiais de
projetos de fundaes superficiais aplicados a solos estruturados no saturados",
In: JORNADAS SUDAMERICANAS DE INGENIERIA ESTRUCTURAL, Tucumn,
-
Memorias.. . Tucumn: ASAIE, v. 6, pp. 1 11.
CONSOLI, N. C.; SCHNAID, F.; PRIETTO, P. D. M.; ROHLFES Jr, J. A (1996)
"Engineering properties of residual soil-cement mixtures", In: INTERNATIONAL
CONFERENCE ON GROUND IMPROVEMENT GEOSYSTEMS, Tokyo, pp. 25-30.
CONSOLI, N. C.; SCHNAID, F.; MILITITSKY, J. and VENDRUSCOLO, M. A. (1997)
"Design of shaliow foundations on structured and compacted soils based on plate
loading tests and finite element analysis", In: INTERNATIONAL CONFERENCE
ON SOIL MECHANICS AND FOUNDATION ENGINEERING, 14, Hanburgo.
'CONSOLI, N. C. e SCHNAID, F. (1997) "Interpretao de provas de carga de fundaes
superficiais em solos cimentados", SOLOS E ROCHAS, vol. 20 (2).
COSTA, W. L (1981) "Reviso e a n h e critica comparativa entre os diversos mtodos de
determinao da capacidade de suporte", Rio de Janeiro, 276 p., Dissertao de
Mestrado - Departamento de Engenharia Civil da PontScia Universidade Catlica do
Rio de Janeiro.
CUDMANI, R 0 . (1994) "Estudo do comportamento de sapatas assentes em solos
residuais parcialmente saturados atravs de ensaios de placa", Porto Alegre, 150p.
Dissertao de mestrado - Curso de Ps-Graduao em Engenharia Civil da UFRGS.
DE BEER, E. E. (1967) "Bearing capacity and settlement of shailow foundations on
sandn, In: SYMPOSTUM ON BEARLNG CAPACITY AND SETTLEMENT OF
FOUNDATIONS, Duke, Proceedings... ,pp. 15 34. -
' DE BEER, E. E. (1970) "Experimental determination of the shape factors and the
bearing capacity factors of sand", GOTECHNIQUE, London, vol. 20, No. 4, pp.
387 - 411.
DESAI, C. S. and REESE, L. C. (1979) "Analysis of circular footings on layered soiin,
JOURNAL SOIL MECHANICS AND FOUNDATION ENGINEERING, American
Society of Civil Engineers (ASCE), New York, vol. 96, No. 2, pp. 523 - 545.
DIAS, R. D. (1987) bcAplicaoda pedologia e geotecnia no projeto de fundaes de
linhas de transmisson, Rio de Janeiro, 349p. Tese de doutorado - C0PPEUFR.T.
FERREIRA, R. S. (1996) "Anlise Crtica da NBR489184 - Prova de Carga Direta
Sobre Terreno de Fundaon, CONGRESSO TCNICO-CENT~CO DE
ENGENHARIA CML, Florianpolis, Brasil, vol. 5, pp. 93 1 - 940.
FLORKIEWICZ, A. (1989) "Upper bound to bearing capacity of layered soiis",
CANADIAN GEOTECHNICAL JOURNAL, vol. 26, pp. 730 - 736.
FRANK, R (1991) "Some recent developments on the behavior of shallow foundation",
In: EUROPEAN CONFERENCE ON S O E MECHANTCS AND FOLTNDATION
ENGINEERING, 10, Florence, vol. 1, pp. 1 - 28.
GEORGIADIS, M. and MICHALOPOULOS, A. P. (1985) "Bearing capacity of gravity
bases on layered soiln, JOURNAL OF GEOTECHNICAL ENGINEElUNG, Amencan
Society of Civil Engineers (ASCE), vol. 111, No. 6, pp. 7 12 - 729.
GIBSON, R. E. (1974) "The analytical method in soil mechanics", GOTECHNIQUE,
London, vol. 24, no 2, pp. 115- 140.
GUTIRREZ, A. et al. (1993) "Sobre e1 ensayo de un grupo de pilotes sometidos a carga
vertical e su interpretacion. E1 caso de las merinas de Punta de1 Este", In:
JORNADAS SUDAMENCANAS DE INGENIERIA ESTRUCTURAL, 26,
Montevideo, Memorias... Associao Sudamercana de Engenharia Estniturai, vol. 4, pp.
125 - 136.
HANNA, A. M. and MEYERHOF, G. G. (1980) "Design charts for ultimate bearing
capacity of foundations on sand overiying soft clayn, CANADIAN
GEOTECHNICAL JOURNAL, vol. 15, No. 2, pp. 300 - 303.
HANNA, A M. (1981a) "Foundations on strong sand overlying weak sandn, JOURNAL
OF THE GEOTECHNICAL ENGINEERING DMSION, Amencan Society of Civil
Engineers (ASCE), vol. 107, No. GT7, pp. 915 - 927.
HANNA, A M. (198 1b) "Experimental study on footing in layered soiin, JOURNAL OF
lTE GEOTECHNICAL ENGINEERING DMSION, American Society of Civil
Engineers (ASCE), vol. 107, No. GT7, pp. 1113 - 1127.
HERZOG, A and MlTCHELL, J. K. (1963) "Reactions accompanying stabiiization of
clay with cement", HIGHWAY RESEARCH RECORD, Washington, vol. 36, pp. 146 -
171.
MLF, J. W. (1975) "Compacted fill", h: WINTERKORN, H. F.; FANG, H. (Eds)
FOUNDATION ENGINEERING HANDBOOK, New York: Van Nostrand Reinhold,
pp. 244-311.
INGLES, O. G. and METCALF, J. B. (1972) "Soii stabiiization: principies and practice",
Melbourne: Butterworths Pty, 372 p.
ISMAEL, N. F. (1993) 'Influence of cementation ou the properties and bearing capacity
of arid climate soils", In: GEOTECHNICAL ENGINEERTNG OF HARD SOILS-
SOFT ROCKS, Proceedings... Rotterda.: A. A. Balkema, v. 2, pp. 953-959.
d ~ N. F. (1996)
~ ~
"Loading ~ on Circular
Tests ~ and~ Ring Piates
, in Very Dense
Cemented Sands", JOURNAL OF GEOTECHNICAL ENGINEERING, voi. 122, no4,
pp. 281-287.
JIMNEZ SALAS, J. A. (1981) <<Geotecniay cimientos 11. Mecnica de1 sue10 e de Ias
rocas", Madrid: Ed. Rueda, 1174p.
LAMBE, T. W. and WHZTMAN, R. V. (1979) "Soii mechanics", New York: John Wiley,
553 p.
LEMOS, R. C. (1973) "Levantamento de reconhecimento dos solos do Estado do Rio
Grande do Sul", Recife: Departamento Nacional de Pesquisa Agropecuria Diviso de
Pesquisa Pedolgica (Boletim Tcnico).
LEROUEZL, S. and VAUGHAN, P. R. (1990) "The general and congruent effects of
structure in natural soils and weak rocks", GOTECHNIQUE, London, vol. 40, no 3,
pp. 467-488.
LUNNE, T. and CHRISTOFFERSEN, H. P. (1983) "Interpretatiou of cone penetrometer
data for offshore sands", Norwegian Geotechnical Institute, Oslo, Report S o . 52108-
15.
LUNNE, T.; POWELL, J.; ROBERTSON, P. (1995) "Use of piezocone tests in non-
textbook materiais", Advances in site Lnvestigation Practice. Thomas Telford, London,
pp. 438-451.
MACCAlUNI, M. (1987) "Laboratory studies of a bonded artificial soii", London:
University of London. [Link].
MNTARAs, F. M. (1995) "Anlise numrica do ensaio pressiomtrico aplicada
previso do comportamento de fundaes superficiais em solos no saturados",
Porto Alegre, Dissertao de Mestrado, Curso de Ps-Graduao em Engenharia Civil
da UFRGS, 129 p.
MATOS, L. F. S. (1989) "Pesquisa experimental da resistncia ao arrancamento de
estacas escavadas de pequeno dimetro num solo parcialmente saturado", Porto
Alegre, Dissertao de Mestrado, Curso de Ps-Graduao em Engenharia Civil da
UFRGS, 150 p.
MESKRAITIS, P. R C. (1988) bbComportamento de microestacas", Pono Alegre,
Dissertao de Mestrado, Curso de Ps-Graduao em Engenharia Civil da CrFRGS.
MEYERHOF, G. G. and HANNA, A. M. (1978) "Ultimate bearing capacity of foundations
on layered soils under inclined loadn, CANADIAN GEOTECHNICAL JOURNAL,
n. 15, pp. 565 - 572.
MICHALOWSKI, R. and SHI, L. (1995) "Bearing capacity of footings over two-layer
foundation soils", JOURNAL OF GEOTECHNICAL ENGINEERING, vol. 121, No.
5, pp. 421 - 428.
MILITITSKY, J. (1991), bbProvas de Carga Estticas", II SEMINRIO DE
ENGENHARIA DE FUNDAES ESPECIAIS, So Paulo.
NAKAHARA, S. M. (1995) bbDeterminaode propriedades de um solo no saturado
atravs de ensaios pressiomtricos e de laboratrios", Porto Alegre, 143p.
Dissertao de Mestrado - Curso de Ps-Graduao em Engenharia Civil da LFRGS.
NNEz, W. P. (1991) "Estabilizao fsico-qumica de um solo residual de arenito
Botucatu visando seu emprego na pavimentao", Porto Alegre, 145p. Dissertao
-
de mestrado Curso de Ps-Graduao em Engenharia Civil da UFRGS.
OSTERBERG, J. O (1948) "Discussionn, h: SYMPOSWM ON LOAD TEST OF
BEARING CAPACITY OF SOILS, Philadelphia: ASTM, pp. 128-139.
PELLS, P. J. N. (1983) "Plate loading tests on soil and rock", IN-SITU TESTING FOR
GEOTECHNICAL INVESTIGATIONS, Proceedings of an Extension Course on In-situ
Testing for Geotechnical Investigations, Sydney, pp. 73 - 86.
PITTA, M. R. (1985) bbDimensionamentode pavimentos com camadas estabilizadas com
cimento", So Paulo, ABCP, 84p.
POULOS, H. G. and DAVIS, E. H. (1974) "Elastic solutions for soil and rock mechanicsn,
John Wiley & Sons, New York.
PREZZI, M. (1990) "Ensaio de penetrao tipo cone (CPT) na regio metropolitana de
Porto Alegre", Porto Alegre, Dissertao de Mestrado - Curso de Ps-Graduao em
Engenharia Civil da UFRGS.
PRIETTO, P. D. M. (1996) "Estudo do comportamento mecnico de um solo
artificialmente cimentado", Porto Alegre, Dissertao de Mestrado - Curso de Ps-
Graduao em Engenharia Civil da UFRGS.
PURUSHOTHAMAWU, P.; RAMIAH, B. K. and RAO, K. N. V. (1974) "Bearing capacity
of strip footings in two layered cohesive-friction soiis"? CXNADIAN
GEOTECHNICAL JOURNAL, 11(I), pp. 32 - 45.
A
REDDY, A S. and S W A S A N , R. J. (1967) "Bearing capacity of footings on layered
clays", JOURNAL OF THE S O E MECHANICS AND FOUNDATIONS DMSION,
Proceedings of the Arnencan Society of Civil Engineers (ASCE), vol. 93, No. SM2, pp.
83 - 99.
REDDY, K. R and SAXEN4 S. K. (1992) "Constitutive modeling of cemented sand",
MECHANICS OF MATERIALS 14, No. 2, pp. 155 - 178, Elsevier Science Publishers.
ROHLFES Jr., J. A. (1996) "Comportamento de um solo cimentado e suas aplicaes em
engenharia de fundaes", Porto Alegre, Dissertao de Mestrado - Curso de Ps-
Graduao em Engenharia Civil da UFRGS.
SALES, L. F. P.; VENDRUSCOLO, M. A.; CONSOLI, N. C. e SCHNAID, F. (1996)
"Comportamento carga-recalque de fundaes superficias assentes sobre camadas
de solo-cimento", So Paulo, S E ~ R I ODE FUNDAES ESPECIAIS E
GEOTECNIA - SEFE m.
SAXENA, S. K. and LASTRICO, R. M. (1978) "Static properties of lightly cemented
sand", JOURNAL GEOTECHMCAL ENGINEERING DMSION, 104, pp. 1449 -
1465.
SCHNAID, F.; CONSOLI, N. C.; CUDMANI, R. O.; MILITITSKY, J. (1995) "Load-
sefflement response of shailow foundations in stnictural unsatured soils", h:
INTERNATION CONFERENCE ON SATURATED SOILS, 1., [Link]...
Rotterdam: A. A Balkema, v. 2, pp. 999-1004.
SHULTZE, F. and SHERIF, G. (1973) "Prediction of settlements from evaluated
sefflement observations for sand", In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON S O E
MECHANICS AND FOUNDATION ENGINEERTNG, 8, Moscow, Proceedings... vol.
3, pp. 225 - 230.
TEJCHMAN, A. (1977) "Bearing capacity model test of stratified subsoii loaded by strip
foundation", CANADIAN GEOTECHNICAL JOURNAL, vol. 14, pp. 138 - 143.
TERZAGHI., K. (1943) "Theoretical Soii Mechanics", John Wiley and Sons, Inc., New
York.
TERZAGHI., K. and PECK, R. B. (1948) "Soii mechanics in engineering practice", John
Wiley and Sons, hc., New York, N. Y.
TOMLINSON, M. J. and BOORMAN, R. (1996) "Foundation Design and Construction",
Addison Wesley Lon-gman Limited, 6th Edition, 536p.
UESHtTA, K. and MEYERHOF, G. G. (1967) "Deflection of multilayer soil systemsn,
JOURNAL OF THE SOIL MECHANZCS AND FOUNDATIONS DMSION,
Proceedings of the American Society of Civil Engineers (ASCE), vol. 93, No. SM5, pp.
257 - 282.
VARGAS, M. (1977) "Introduo mecnica dos soios", So Paulo, Ed. McGraw-Hiil do
Brasil, 509 p.
VENDRUSCOLO, M. A. (1996) "Anlise numrica e experimental do comportamento de
fundaes superficiais assentes em solo melhorado", Porto Alegre, 141p., Dissertao
de mestrado - Curso de Ps-Graduao em Engenharia Civil da UFRGS.
VESIC, A. S. (1973) "Analysis of ultimate loads of shailow foundations", JOC'RNAL OF
THE SOIL MECHANICS AND FOUNDATIONS DMSION, Proceedings American
Society of Civil Engineers (ASCE), vol. 99, No. SM1, pp. 45 - 73.
VESIC, A S. (1975) "Bearing capacity of shaiiow foundations", In: WINTERKORN, H.
F. ;FANG, H. (Eds) FOUNDATION ENGINEERING HANDBOOK, New York: Van
Nostrand Reinhold, pp. 121 - 147.
- -
WLLLIAMS, R. I. T. (1986) "Cement treated pavements materiais, design and
construction*, Elsevier Applied Science Publishers, London.