2.
EXTRAO DE DNA
Joo Jos de Simoni Gouveia
Luciana Correia de Almeida Regitano
A extrao dos cidos nuclicos (DNA e RNA) o primeiro passo para a
realizao da maioria das metodologias de biologia molecular. Pode-se obter DNA a
partir de inmeros tipos de tecidos e clulas, e existe uma infinidade de protocolos
para realizao de tal procedimento. A escolha do protocolo de extrao de DNA
depender de diversos fatores como: tipo de tecido a ser utilizado, grau de pureza e
de integridade necessria para a aplicao em que o DNA ser utilizado (PCR,
seqenciamento, clonagem gnica, etc.) (Bartlett, 2003).
O primeiro relato sobre isolamento de DNA data de 1869 e foi realizado por
Friedrich Miescher, a partir de leuccitos presentes em pus. Miescher lisou estas
clulas com uma soluo alcalina e precipitou o material nuclear com soluo salina.
Este material nuclear que posteriormente seria conhecido como DNA, foi chamado
de nuclena (http://www.dbbm.fiocruz.br/helpdesk/mbiology/historico2004.pdf, http://www.dnai.org ).
Basicamente, o processo de extrao de DNA consiste em duas etapas. A
primeira etapa a extrao propriamente dita e consiste no rompimento das
membranas celulares (e conseqente exteriorizao do DNA). A segunda fase
consiste na purificao do DNA em soluo, ou seja, retirada dos outros
componentes celulares da soluo (restos de membrana, protenas, RNA) (Romano,
1999).
O rompimento das membranas celulares geralmente feito com detergentes
(SDS ou CTAB). A utilizao de agentes caotrpicos como o tiocianato de guanidina
impede o DNA de se ligar nas outras molculas, facilitando sua separao na
segunda fase do processo. Aps esta fase, deve-se separar o DNA dos outros
componentes celulares. Isto feito por meio da adio de substncias que faam
com que a soluo torne-se heterognea e que o DNA fique dissolvido em apenas
uma das fases, como por exemplo, quando se utiliza fenol para desnaturar as
protenas, ficando o DNA na fase aquosa e as protenas na interface entre as fases
orgnica e aquosa. Uma alternativa utilizao dos solventes orgnicos como o
fenol fazer a separao das protenas utilizando altas concentraes de sal
(salting-out). Aps separar o DNA dos outros componentes celulares, pode-se
proceder uma precipitao do DNA para garantir a mxima pureza do material, esta
precipitao geralmente faz-se utilizando lcool (etanol ou isopropanol) que, em
presena de ctions monovalentes, promove uma transio estrutural na molcula
de cido nuclico, resultando em agregao e precipitao (Regitano, 2001;
Azevedo, 2003; http://www.etall.hpg.ig.com.br/cursopcr.html).
Os protocolos abordados neste captulo so utilizados na rotina do laboratrio
de Biotecnologia Animal do Centro de Pesquisa de Pecuria do Sudeste e so
adaptaes dos protocolos descritos em Regitano (2001).
O objetivo deste captulo fazer com que o aluno entenda os princpios deste
processo, a finalidade de cada reagente em um protocolo de extrao de DNA e, a
partir da, possa utilizar e adaptar os protocolos j existentes de acordo com sua
necessidade e disponibilidade de reagentes.
2.1. Extrao de DNA de Leuccitos
A) Obteno de Leuccitos
1. Coletar 5mL de sangue em tubos contendo EDTA potssico [50 L de
EDTA(K3) a 15%]
O EDTA uma substncia anticoagulante. Existem outras substncias com
esta finalidade (citrato e heparina), porm se o DNA for utilizado para PCR no se
deve utilizar heparina, pois esta substncia interfere na atividade da enzima Taq
DNA polimerase.
2. Transferir 2,5 mL do sangue para um tubo Falcon de 15mL
3. Adicionar 10mL de Soluo A e vortexar at homogeneizar
4. Centrifugar por 10 min a 700 xg
5. Dispensar o sobrenadante
6. Ressuspender o pellet em 5mL de Soluo A
7. Vortexar at dissolver completamente o pellet
8. Centrifugar por 10 min a 700 xg
9. Repetir os passos 4 9 at obter somente as clulas brancas (o pellet
deve estar branco cremoso).
Resduos de hemoglobina inibem a reao de PCR
10. Ressupender o pellet em 500 L de Soluo A e transferir para microtubos
de 1,5mL
11. Centrifugar 5 min a 16.000 xg e descartar o sobrenadante.
As clulas brancas assim preparadas podem ser armazenadas entre -20C e -
80C
B) Extrao e purificao do DNA
1. Ressuspender o pellet em 500 L de Soluo B
2. Vortexar at o pellet desprender do fundo do tubo
3. Incubar a 55C por 4-6 horas (ou overnight). Vortexar periodicamente
durante a incubao para que a dissoluo do pellet seja completa
A Soluo B contm Tris HCl (pH 8,0) que uma soluo tampo, cuja
finalidade manter o pH constante. Como o pH timo para a ao de DNases
endgenas por volta de 7,0, este reagente ajuda a evitar a ao destas nucleases.
O SDS um detergente inico forte, cuja funo romper as membranas celulares,
o EDTA age quelando ons Mg2+ e Ca2+ (que so co-fatores de diversas enzimas
nucleares como as DNases) e a proteinase K hidrolisa as protenas.
Se houver disponibilidade de um bloco aquecido com agitador (termomixer),
deve-se deixar as amostras agitando durante a incubao.
4. Adicionar 210 L de TE (pH 7,6) e 240 L de NaCl 5M
O NaCl far com que as protenas precipitem por excesso de ons. O TE um
tampo.
5. Agitar os tubos por inverso at formar pequenos cogulos
6. Incubar em gelo por 10 min
7. Centrifugar por 15 min a 16.000xg
8. Recolher o sobrenadante dividindo-o em dois microtubos de 1,5mL
limpos (mximo de 500 L de sobrenadante por tubo)
9. Adicionar 1mL de etanol 100% (absoluto) gelado em cada tubo e
misturar por inverso
fundamental que o volume de etanol corresponda , no mnimo, 02 vezes
o volume da soluo para que a precipitao do DNA seja eficiente.
Alternativamente, pode-se utilizar 01 volume de isopropanol temperatura
ambiente.
O lcool torna o meio muito hidrofbico para o DNA, fazendo com que ele
precipite sobre sua prpria estrutura.
10. Centrifugar por 15 min a 16.000xg
11. Descartar o sobrenadante
12. Secar em papel
13. Adicionar 500 L de etanol 70% gelado
O lcool 100% faz com que precipitem muitos sais juntamente com o DNA,
alm de dificultar a ressuspenso do DNA, por isso utiliza-se uma lavagem com
lcool 70%.
14. Centrifugar por 5 min a 16.000xg
15. Descartar o etanol e secar o pellet
16. Adicionar 250 L de TE+RNase (10 g de RNase por mL de amostra) e
incubar por 1h a 37C
Este protocolo isola juntamente com o DNA uma quantidade considervel de
RNA, por isso o tratamento com RNase se faz necessrio para remover este
contaminante.
2.2. EXTRAO DE DNA DE SANGUE UTILIZANDO O KIT GFX
Mrcia Cristina de Sena Oliveira
1. Colocar 300 L de sangue e 900 L de soluo de lise em microtubo de 1,5
mL
2. Homogeneizar, centrifugar a 21.000 xg por 5 minutos e descartar o
sobrenadante
3. Homogeneizar e adicionar 500 L de soluo de extrao
4. Incubar por 5 minutos temperatura ambiente e transferir o contedo do
tubo para a coluna de extrao acoplada a um tubo coletor
5. Centrifugar a 5.000 xg por 1 minuto
6. Adicionar coluna 500 L de soluo de extrao e centrifugar a 5.000 xg
por 1 minuto
7. Adicionar coluna 500 L de soluo de lavagem e centrifugar a 21.000 xg
por 3 minutos
8. Transferir a coluna para um microtubo de 1,5 mL, limpo e livre de DNAses
9. Adicionar 100 L de gua bidestilada, autoclavada e aquecida a 70C.
Incubar por 1 minuto temperatura ambiente. Centrifugar a 5.000 xg por 1
minuto