NO PANORAMA CONCEITUAL DA HOSPITALIDADE, A
PRESENA DE NOVOS APORTES TERICOS
1
Ana Carolina Oliveira
Universidade de Caxias do Sul
2
Marcia M. Cappellano dos Santos
Universidade de Caxias do Sul
RESUMO: A hospitalidade est no cerne das relaes humanas. A interao ent
re
sujeitos, o contato humano, o acolher e o sentir-se acolhido alimentam essas relaes e
as potencializam. Por isso, esse fenmeno social est intimamente ligado ao turismo,
uma vez que este, sem desconsiderar dimenses de cunho mais pragmtico, es
t
assentado principalmente em sua dimenso humana. Nessa perspectiva, o present
e
trabalho pretende sinalizar como a produo cientfica acerca da relao
de
hospitalidade entre anfitrio e hspede vem sendo abordada no Brasil e em outr
os
pases. Nessa sistematizao, tece um panorama conceitual sobre a hospitalidade e nele,
focaliza, particularmente, uma abordagem construda com aportes da psicologia social e
da psicanlise. Este estudo parte integrante de pesquisa bibliogrfica inicial realizada
para desenvolvimentode uma dissertao no mbito do Mestrado em Turismo
da
Universidade de Caxias do Sul.
Palavras-chave: Dimenso relacional da hospitalidade; Hospitalidade e Turismo;
Dimenso psico-antropolgica da hospitalidade.
1. INTRODUO
O estudo da hospitalidade vem se aprofundando e expandindo, mesmo que aos
poucos, nos diversos pases do mundo e, ultimamente, no se restringindo somente aos
aspectos das relaes comerciais e de consumo. O tema vem sendo pesquisado a partir
Doutora
de umaemperspectiva
Educao pelamais
Universidade
ampla,Federal
que de So Carlos/SP;
abrange docente edepesquisadora
o conjunto valores, do Programa edeae
modelos Ps-
s
presentes em todas as circunstncias do fazer humano relacionado ao ato de acolhe
r
1
Mestranda do Programa de Ps-graduao em Turismo - Mestrado da Universidade de Caxias do Sul, Especialista
em Educao e Desenvolvimento Sustentvel pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. Bacharel em Turismo
pela Universidade Federal de Juiz de Fora. E-mail: [email protected]
2
Graduao em Turismo Mestrado da Universidade de Caxias do Sul. E-mail: [email protected]
pessoas. No Brasil, a hospitalidade vem sendo abordada sob essa perspectiva, p
or
autores como Luiz Octvio de Lima Camargo (2003, 2004, 2005, 2007), Ada de Freitas
Maneti Dencker (2004, 2005), Celia Maria de Moraes Dias (2002), Lucio Grinove
r
(2007, 2008), entre outros.
Nessa direo, o presente artigo busca apresentar como a relao
de
hospitalidade entre anfitrio e hspede vem sendo discutida por autores brasileiros e
internacionais da rea do turismo e de reas afins. Para isso, o trabalho sistemati
za
aportes tericos de Camargo autor reconhecido por suas obras e, ainda, por ser um dos
primeiros estudiosos da rea no Brasil , alguns estudos desenvolvidos no exterior e,
por ltimo, focaliza alguns contributos trazidos da psicologia social e da psicanlise na
tentativa de ampliar a compreenso do fenmeno da hospitalidade e de sua relao com
o turismo.
2. DIMENSO RELACIONAL DA HOSPITALIDADE: ENCONTROS
ENTRE ANFITRIO E HSPEDE
Neste percurso conceitual, que ser balizado pelas pesquisas de Camargo que
parte de estudiosos brasileiros e se estende a autores estrangeiros , a hospitalidade
focalizada no mbito da troca, sob duas lentes analticas principais: ora a troca com
o
comrcio, ora, como ddiva.
De acordo com Camargo (2007), ao serem focalizadas as relaes ent
re
visitantes e visitados nos estudos do turismo, a hospitalidade como ddiva poderi
a
ampliar e aprofundar as pesquisas que atualmente se desenvolvem, no Brasil, dentro do
turismo e das Cincias Humanas e Sociais.
A partir dessa perspectiva, o autor assinala que a hospitalidade no u
m
negcio. Segundo ele, quando se fala em troca entre pessoas, geralmente se pensa n
o
comrcio, no mercado. Porm, esse modelo econmico precedeu outro modelo d
e
trocas, centrado na ddiva, que mesmo hoje, ainda est presente. O dever triplo de dar,
receber e retribuir a base da ddiva, que encontra suas origens na obra de Marc
el
Mauss, Sociologia e Antropologia, cuja primeira edio data de 1950.
Mauss (2003), por meio de uma srie de pesquisas e estudos, analisou
as
formas de contrato e o sistema de trocas e de prestaes econmicas de sociedades da
Polinsia, Melansia, do Noroeste americano, e alguns modelos primordiais de Direito,
como o romano, o hindu e o germnico.
Conforme Mauss (2003), as trocas de ddiva tm grande importncia para a
comunidade e para as famlias e no tm a mesma finalidade que o comrcio e as trocas
nas sociedades mais desenvolvidas, j que a finalidade antes de tudo moral, se
u
objetivo produzir um sentimento de amizade entre as duas pessoas envolvidas, e, se a
operao no tivesse esse efeito, faltaria tudo... (p.211). O compromisso moral e tico
fundamental nesse processo de receber o presente e retribuir, e nenhuma pessoa o
u
famlia livre para no aceitar um presente, pois essa troca tem o sentido
da
reciprocidade e expressa sentimento de gratido e respeito para com o outro. Dess
e
modo, existe, ao mesmo tempo, uma liberdade e uma obrigao de dar e receber, assim
como uma liberdade e uma obrigao de retribuir. Essas obrigaes se exprimem de
maneira mtica, imaginria ou, se quiserem, simblica e coletiva: estas jamais
se
separam completamente de quem as troca; a comunho e a aliana que elas estabelecem
so relativamente indissolveis (p.232). O principal no sistema de ddivas
estabelecer relaes, o vnculo social, a sociabilidade.
Mais do que isso, dentro desse processo de dar-receber-retribuir, os membros
das comunidades buscam ir alm do que foi recebido, dando algo ainda melhor para o
outro. Porm, as trocas no so s materiais, o processo envolve trocas espirituais, de
afeto, de amizade, ou, para o autor, envolve misturas. Misturam-se as almas na
s
coisas, misturam-se as coisas nas almas. Misturam-se as vidas, e assim as pessoas e as
coisas misturadas saem cada qual de sua esfera e se misturam: o que precisamente o
contrato e a troca (MAUSS, 2003, p.212).
O autor acrescenta que, em todo esse processo de trocas, h uma multiplicidade
de direitos e deveres de consumir e retribuir, relacionados a direitos e deveres de dar e
receber. Mas essa mistura ntima de direitos e deveres simtricos e contrrios deixa de
parecer contraditria se pensarmos que h, antes de tudo, mistura de vnculo
s
espirituais entre as coisas (2003, p.202) [grifo do autor]. Essas coisas so almas, tm
alma, e so os indivduos e grupos que as tratam como coisas. Assim, reitera que
os
ritos, alimentos, servios, mulheres, filhos, bens, solo, ofcios sacerdotais e funes so
objeto de troca e prestao de contas. Tudo vai e vem como se houvesse tr
oca
constante de uma matria espiritual que compreendesse coisas e homens, entre os cls e
os indivduos, repartidos entre funes, os sexos e as geraes (p.203).
Do sistema de ddivas, paradoxalmente voluntrio e obrigatrio nas sociedades
analisadas por Mauss, a troca de almas, so os vnculos espirituais que
se
aproximam dos sentimentos como gratido, reciprocidade, cordialidade, solidariedade,
hospitalidade, no sentido da solidificao de uma tica e moral prprias do ser
es
humanos, mesmo no mbito das trocas comerciais.
Diferentes estudiosos da hospitalidade buscaram inspirao direta
ou
indiretamente na teoria da ddiva de Mauss, compartilhando com este o entendimento
da dimenso humana da hospitalidade e a ideia de um ritual que pressupe u
ma
continuidade. O hspede numa cena converte-se em anfitrio numa segunda cena, e
essa inverso de papis prossegue sem fim. Nesse sentido, a hospitalidade o ritu
al
bsico do vnculo humano, aquele que o perpetua nessa alternncia de pap
is
(CAMARGO, 2007, p.7). Camargo (2003, 2004, 2005, 2007), Dencker (2004, 2005),
Grinover (2007, 2008), Gidra e Dias (2004) situam-se entre esses estudiosos.
Camargo (2005, p.717) destaca ainda que, mais que o dom, a ddiva, o qu
e
importa o vnculo social (a ser) criado. Dar sacrificar algo que se tem em nome de
algo, notadamente no plano tico. O sacrifcio , pois, um componente essencial d
a
hospitalidade. Nesse sentido, o autor ressalta que a hospitalidade adquire sua expresso
mais sublime na moral humana, a de suturar, sedimentar, e vivificar o tecido social
.
Cabe lembrar aqui o pesquisador francs Alain Montandon (2003, p.132), que, de modo
aproximado, enfatiza que a hospitalidade uma das formas mais essenciais
da
socializao:
[...] uma maneira de se viver em conjunto regida por regras, ritos e leis.
Homero havia estabelecido regras fixas da hospitalidade e o
seu
desenvolvimento, desde o instante em que um visitante chega casa do
anfitrio at o momento de sua partida. Tal cena se decompunha em uma
srie de microcenas, incluindo, entre outras: a chegada, a recepo, o ato de
se acomodar, festejar, dizer seu nome e sua ptria, se deitar, se banhar, a
entrega dos presentes, as despedidas. Tudo isso sendo altamente significativo
em termos de um ritual bem-estabelecido, de acordo com as frmulas e em
uma ordem bem-determinada.
Dencker (2004, p.189), nessa mesma direo, acrescenta:
A hospitalidade manifesta-se nas relaes que envolvem as aes d
e
convidar, receber e retribuir visitas ou presentes entre indivduos qu
e
constituem uma sociedade, bem como formas de visitar, receber e conviver
com indivduos que pertencem a outras sociedades e culturas; desse modo,
pode ser considerada com a dinmica do dom. Todas as sociedades tm
normas que regulam essas relaes de troca entre as pessoas, o que parece
demonstrar que, de alguma maneira, elas atendem a uma ou m
ais
necessidades humanas bsicas.
De um modo mais abrangente, o conceito de hospitalidade, segundo Camargo
(2003) estende-se a qualquer forma de encontro entre algum que recebe e algum que
recebido entendimento prximo ao de Gidra e Dias (2004), que a definem como um
evento marcado pela relao especializada entre dois protagonistas.
Para discutir a hospitalidade como forma de encontro, o autor prope doi
s
eixos de tempo/espao: um eixo cultural, baseado nas aes envolvidas
na
hospitalidade, como receber pessoas, hospedar, alimentar e entreter; e um eixo social,
em que a hospitalidade, vista como instncia social, dividida em trs categoria
s:
domstica, comercial e pblica. Posteriormente (2007), agrega a estas a categoria virtual
e denomina de urbana a hospitalidade pblica.
A hospitalidade domstica representada pelas relaes que se estabelecem na
casa, no lar. E definida como a matriz e o espao de preservao dos rituais legados
pela tradio, tanto na forma de recepcionar como de hospedar, alimentar e entreter
(CAMARGO, 2007, p.718).
A hospitalidade comercial refere-se s relaes mercantis, tal como ocorre na
compra de um pacote de viagem, em uma reserva em um hotel, nos servios de u
m
restaurante. No entanto, Camargo (2005) aponta para o fato de que o que existe um
contrato, no qual ambas as partes retribuem o que devem, findando a a relao. Desse
modo, acresce que no h sacrifcio e, sendo assim, no haveria hospitalidade. E, a
o
mesmo tempo, salienta que na hospitalidade comercial, a hospitalidade propriamente
dita acontece aps o contrato, e esse aps deve ser entendido como para alm do ou
tudo que se faz alm do... contrato (p.718).
Em consonncia com essa ideia, Dencker (2004) afirma que, nas relaes de
hospitalidade comercial receber deixa de ser uma atribuio da esfera domstica e passa
a ser realizado com equipamentos gerenciados por empresas e sujeitas, portanto,
s
normas que regulam o mercado (p.189). Assim sendo, depois da troca no haveri
a
relaes de obrigao de uns com os outros, e a dvida seria paga em dinheiro pe
la
hospedagem recebida ou pela compra do pacote de viagem.
A hospitalidade pblica, ou urbana, refere-se aos espaos da cidade, formados
por instncias geridas pela ddiva e pelo negcio. A cidade necessita de melhorias nos
acessos, nas reas de lazer e na infra-estrutura como um todo, como forma de ddiv
a
para o morador ou visitante, j que a hospitalidade um processo que envolve pessoas
e espao. A cidade se torna um espao hospitaleiro para ver-e-ser-visto das pessoas
(2007, p.6). Relativamente ao negcio, refere a hospitalidade comercial, a qual s
e
efetiva em contratos firmados nas diversas empresas e instituies que fazem parte da
cidade e do turismo. Grinover (2008, p.2), nessa mesma direo, salienta que:
O entorno urbano vivido o lugar de trocas e a matriz de um processo d
e
hospitalidade, pois esta hospitalidade da e na cidade, definida esta como um
sistema de atividades, coloca-se ao longo de uma cadeia que vai
do
construdo aos espaos pblicos e s redes de infra-estruturas,
compartilhando a noo de atividade com a de experincia.
Ainda sobre o domnio pblico, Grinover (2008, p.1) acredita que O encontro
face-a-face, a experincia ao vivo, a repartio das emoes coletivas (por ocasio de
festas, de eventos esportivos), so cada vez mais valorizados, tanto na vida fora d
o
trabalho, quanto na vida profissional.
Finalmente, a hospitalidade virtual, quase sempre ligada s trs categorias
anteriores, possui algumas caractersticas especficas das quais a principal
a
ubiquidade, em que [...] emissor e receptor da mensagem so respectivamente anfitrio
e visitado, com todas as conseqncias que essa relao implica (CAMARGO, 2003,
p.17).
A apresentao da categoria virtual da hospitalidade considerada uma
proposta de investigao das relaes de consumo atravs da comunicao
social no mundo contemporneo. O uso do tempo livre para estabelecer
meios de interao virtual com a populao em geral atravs dos sites de
relacionamentos na internet, rgos pblicos, governos, cidades e indivduos
caracterstico do consumidor contemporneo. difcil imaginar
a
comunicao no espao virtual sem a hospitalidade como pano de fundo, no
sentido de dar, receber e retribuir mensagens (NEVES, 2009, p. 8).
Em sntese, o autor ressalta a importncia de entender as trocas entre anfitrio e
turista, partindo de duas situaes: uma, concernente s operaes comerciais, na qual
quem viaja realiza contratos de prestaes de servios com os residentes, a respeito da
alimentao, hospedagem e demais servios; outra, relativamente aos encontros entre
anfitrio e hspede, em que a ddiva, por meio dos processos de dar-receber-retribuir,
faz-se presente.
Como referido no incio deste item, o autor realiza um percurso na literatura
estrangeira apresentando um panorama sobre estudos voltados hospitalidade e
m
diferentes reas do conhecimento. Assim sendo, faz referncia a duas escolas co
m
posies bem opostas, a americana e a francesa, e ainda faz meno a grupos
de
estudiosos na Inglaterra e no Brasil.
Nos pases de lngua inglesa, a hospitalidade tem sido focalizada, pela maioria
dos autores, numa abordagem restrita aos servios referentes aos meios de hospedagem,
a alimentos e bebidas, administrao etc. Especificamente no caso dos estudioso
s
americanos, o termo hospitalidade remete hotelaria. A perspectiva americana da
hospitality management, a que se referem Chon e Sparrowe (2003), designa uma ampla
indstria de servios, calcada no contrato e na troca estabelecida por agncias, hotis,
transportadoras, hotis, que oferecem pernoite e/ou bebida e/ou alimento e/ou transporte
numa base comercial.
Sob o mesmo ngulo, Mullins (2004), autor da obra Gesto da Hospitalidade e
Comportamento Organizacional, ressalta que a indstria da hospitalidade passou a
abrigar diversas organizaes, podendo ser dividida em servios comerci
ais
(acomodao, trade, refeies, turismo e viagens) e servios industriais e pblico
s
(penses e hospitais). Em sua abordagem de cunho administrativo, reflete sobre anlise
de operaes e aplicaes na indstria da hospitalidade, aplicaes gesto, teoria
da administrao, ao ambiente organizacional das empresas, ao setor de servios, aos
recursos humanos, garantia da qualidade, lucros, metas, etc.
Os tericos ingleses Lashley e Morrison (2004), organizadores da obra Em
busca da hospitalidade: perspectivas para um mundo globalizado, reforam a ideia de
que, tradicional e proeminentemente, a definio de hospitalidade est associada
atividade econmica. Porm, na mesma obra, os organizadores renem pesquisadores e
estudiosos de diferentes reas, os quais, de forma mais ampla, fazem inseres
da
hospitalidade em contextos como o social, o antropolgico e o filosfico.
No captulo Para um entendimento terico, Lashley refora a ideia de que h
necessidade de uma definio mais abrangente de hospitalidade. Nesse sentid
o,
apresenta trs grandes domnios em que ela se realiza: o social, o privado
e o
3
comercial . Para o autor, a hospitalidade, sendo a base da sociedade, tem como funo
estabelecer relacionamentos ou promover um relacionamento j estabelecido.
a
possibilidade de encontros que pode levar a relacionamentos, propiciando a troca e o
benefcio mtuo para o anfitrio e o hspede.
3
Na obra de Camargo (2003, 2004, 2005, 2007), esses domnios correspondem, respectivamente
hospitalidade pblica, domstica e comercial.
Tom Selwyn, por sua vez, no captulo Antropologia da hospitalidade adverte
que, mesmo nas sociedades de caadores e coletores, h rituais e valores associados
recepo de forasteiros no grupo, refletindo um pequeno mas significativo ato d
e
hospitalidade, significando a aceitao pelo grupo de um novo membro (p.8). Segundo
o autor, os atos relacionados com a hospitalidade consolidam estruturas de relaes ou
as transformam, mediante um processo de troca de produtos e servios, tanto materiais
quanto simblicos, entre aqueles que do hospitalidade (os anfitries) e aqueles que a
recebem (os hspedes). Nesse sentido, no se pode afirmar que a hospitalidade sej
a
voluntria, ou altrusta, mas, talvez que seja tanto necessria quanto compulsria. Ela se
configura como meio privilegiado de criar ou consolidar relacionamentos co
m
estranhos.
tambm Selwin que afirma que a funo bsica da hospitalidade mais do
que estabelecer um relacionamento; promover relacionamentos j existentes. Os atos
relacionados com a hospitalidade, desse modo, consolidam estruturas de relaes
,
afirmando-as simbolicamente ou, transformando-as, no caso do estabelecimento de uma
nova estrutura de relaes. Nesta ltima situao, os que do e/ou os que recebe
m
hospitalidade no so mais os mesmos, depois do evento, como eram antes (aos olhos
de ambos, pelo menos). A hospitalidade transforma: estranhos em conhecidos, inimigos
em amigos, amigos em melhores amigos, forasteiros em pessoas ntimas, no-parentes
em parentes.
Na concluso, Lashley, sem desconsiderar, a hospitalidade em mbit
o
comercial, confirma que o cenrio social auxilia a situar o estudo da hospitalidade num
contexto mais abrangente, e que o domnio privado da hospitalidade permanece como
um importante foro para o estabelecimento de predicados comuns, mutualidade
e
reciprocidade entre anfitrio e hspede, j que o relacionamento entre anfitrio
e
hspede tambm acontece em ambientes privados. Esses ambientes podem s
er
reveladores, pois muitas das operaes comerciais nasceram de ambientes domsticos
antigos (2004, p.22).
Camargo (2007) salienta a importncia desse estudo dentro do universo da
hospitalidade e do turismo pela busca da interdisciplinaridade. Destaca trechos do livro
em que um dos autores salientam a importncia de ampliao do tema ao fazer um
a
crtica aos estudos anglo-saxes atuais que abordam, fundamentalmente, a gesto da
hospitalidade comercial. Porm, acaba por concluir sobre a obra que:
Na verdade, ainda que como hiptese, mas com a qual nossos colega
s
franceses certamente estaro de acordo, pode-se dizer que a hospitalidade e o
dom no so objetos facilmente observveis pelas cincias aplicadas gesto.
Estas cincias aplicadas produziram um conhecimento inteiramente
estruturado sobre as categorias de troca que emergiram do sistema comercial,
a partir da modernidade e da revoluo industrial, contra o sistema da ddiva,
inadequado aos modelos de troca capitalistas. Com isso mostra sofisticao
terica no plano da administrao logstica e maqunica, bem maior que na
administrao de recursos humanos, plano no qual o antigo sistema da ddiva
ainda est presente. O grupo de Lashley & Morrison, em que pesem a
s
lacunas tericas a hospitalidade mantm-se como um diferenci
al
competitivo a ser buscado pelas empresas de hospedagem e restaurao
representa um avano inegvel na reflexo e pesquisa tursticas
(CAMARGO, 2007, p.11).
Em oposio escola americana, j referida, a escola francesa vincula
a
hospitalidade perspectiva maussiana do dar-receber-retribuir, buscando o
entendimento da ddiva e no priorizando as operaes mercantis da hospitalidad
e
comercial para abordar a hospitalidade na perspectiva do humano, como o fazem o
s
filsofos Emmanuel Lvinas, Jacques Derrida, Anne Dufourmantelle e Michel Serres,
ao lado dos socilogos Anne Gotman e Alain Caill, do antroplogo Alain Montandon,
e dos autores Jean-Luc Giannelloni e Vronique Cova, entre outros.
O filsofo frances Emmanuel Lvinas centra suas reflexes nas relaes com o
Outro, conforme destaca a pensadora portuguesa, Isabel Baptista (2002, p.157), ao citar
a obra de referncia do filsofo, Totalidade e Infinito. No livro, segundo a autora, a
hospitalidade vista como um dos traos fundamentais da subjetividade humana na
medida em que representa a disponibilidade da conscincia para acolher a realidade fora
de si. Alm disso, ela ressalta que, na presena do Outro, o ser humano fica face a um
outro mundo interior, cheio de segredos, medos, memrias e sonhos.
O mistrio que prprio da subjetividade nunca poder ser possudo
como coisa ou alimento, o que no significa que no se pode, (o
u
deve) tentar a relao com esse mistrio, procurando criar lugares de
comunicao. De contato e de proximidade. Pelo contrrio, s com
uma relao de proximidade possvel abraar verdadeiramente a
aventura da descoberta, da realizao e da superao de ns mesmos.
A hospitalidade ento apresenta-se como experincia fundamental,
constitutiva da prpria subjetividade, devendo como tal ser potenciada
em todas as suas modalidades e em todos os contextos de vi
da
(BATISTA, 2002, p.157-8).
Outro estudioso que reafirma as ideias de Lvinas o filsofo brasileiro Rafael
Haddock Lobo (2005), autor do livro Da existncia ao infinito: ensaios so
bre
Emmanuel Lvinas e tambm da tese Sobre a Hospitalidade: Derrida leitor
de
Lvinas. O fundamento do pensamento do filsofo, segundo ele, a relao com
o
outro, em como devemos aprender a destituir-nos de nossa subjetividade autocentrada
para uma convivncia devotada e sempre acolhedora do outro (p. 52).
Ainda no universo conceitual levinasiano sobre hospitalidade, Lobo (2005) traz
reflexo o filsofo Derrida, o qual, em seu livro Adeus a Emmanuel Lvinas afirma
que Totalidade e Infinito (de Lvinas) pode ser considerado o maior tratado sobre a
hospitalidade da histria da filosofia. Derrida, na esteira de Lvinas, observa o autor,
acredita que a relao com o outro acontece sempre sob o aspecto da hospitalidad
e:
devo ser sempre acolhedor a este outro que se apresenta a mim. Minha casa deve estar
sempre aberta a qualquer outro que me bata porta (p. 53). Mais ainda, Derri
da
enfatiza que hospitalidade se faz de forma integral, sem obrigaes, sem deveres e
regras.
Derrida e Lvinas afiguram-se, pois, como referencial obrigatrio par
a
estudiosos da hospitalidade nessa perspectiva. Camargo (2007) lembra que a reflexo
filosfica desses autores centraliza-se na dimenso tica, na abertura para o outro e nas
migraes contemporneas de pessoas que buscam melhores condies de vida e
m
pases ricos. Gidra e Dias (2004, 132) chamam a ateno para a tendncia em ampliar a
noo de hospitalidade pela viso dialtica da potencialidade transformadora da
s
relaes: o encontro interpessoal marcado pelo acolhimento pode possibilitar
a
humanizao at mesmo em no-lugares, ou, como quer Derrida, a hospitalidade pode
ser a bandeira de uma cruzada contra a intolerncia e o racismo, e a base do que e
le
chama de democracia total.
Ainda nessa perspectiva, comenta Alos Hahn, no captulo A hospitalidade e o
estrangeiro, um dos estudos que compem a obra Hospitalit: signes et rites, de Alain
Montandon (2001, p.9) que a hospitalidade entendida como conceito ou como atividade
em que o conceito se atualiza (em relaes diretas entre anfitrio e turista ou por meio
de servios/espaos de acolhimento), efetiva-se na presena do estrangeiro, do outro, do
estranho.
Igualmente ressalta Montandon (2003) que a hospitalidade vai alm de uma
forma de interao, podendo-se dizer que ela uma das formas essenciais
de
humanizao e de socializao e, por isso tambm, neste caso, compreendendo regras e
at mesmo ritos.
Ela traduz um dever ser, que, simbolicamente, pode ser remetido
mitologia, mas que, cotidianamente, aponta para a abertura ao outro no
sentido do acolher e de ser acolhido. No plano individual ou coletivo, pblico
ou privado, dos negcios ou da educao, ela revigora o saber ver e ser visto,
o saber falar e ouvir como portas de entrada e, ao mesmo tempo, com
o
ancoradouro da vida em conjunto. Assim, quando transformada, ela prpria,
em tema nas relaes pessoais ou profissionais, com intuito de dela s
e
apropriar o interlocutor, o carter informativo ou prescritivo do discurso deve
ceder lugar interao pelo acolhimento. Seria incuo apenas dizer a algum
seja hospitaleiro, ou ingnuo crer que a simples oferta de um mimo ou a
colocao de uma placa assegurem a experincia da hospitalidade (SANTOS,
OLIVEIRA e MARINHO, 2009, p. 18).
Como refere Isabel Baptista (2002, p.157-8), hospitalidade um mod
o
privilegiado de encontro interpessoal marcado pela atitude de acolhimento em relao
ao outro. Acredita em uma hospitalidade que aproxima as pessoas, de modo que suas
prticas sejam vivenciadas em todas as situaes da vida. Ela no aposta nu
ma
hospitalidade artificial, reduzida a um ritual de comrcio, de gestos e cortesia falsa, mas
numa hospitalidade mais humana baseada no acolhimento, na solidariedade,
na
sensibilidade que s o outro pode dar.
3. DIMENSO PSICANALTICO-ANTROPOLGICADA HOSPITALIDADE
Um outro aporte terico ao estudo da hospitalidade focada na dimenso d
o
humano trazido por Perazzolo, Pereira e Santos (2010, s.p.), as quais buscam, sob as
lentes da psicologia, ampliar o espectro conceitual do turismo e da hospitalidad
e,
4
estando esta intrinsecamente vinculada ao universo estrutural e funcional daquele .
No mbito do turismo, a hospitalidade mostra-se como um dos ei
xos
principais, visto que, sem desprezar dimenses econmicas e de cunho
mais
pragmtico, o fenmeno assenta-se especialmente em sua dimenso humana, cujo cerne
est nas relaes e experincias vividas pelo sujeito turstico. Este se desloca em busca
de conhecer o outro lugar, o novo, mas por meio da hospitalidade, pelo processo de
interao social, pelas trocas realizadas entre anfitrio e hspede, que a prtica turstica
se efetiva e se potencializa. O fenmeno relacional da hospitalidade se inscreve, n
a
medida em que:
4
No contexto das reflexes, os termos hospitalidade e acolhimento so tratados como sinni
mos,
independentemente de outras definies conceituais em que essa relao sinonmica no acontece. o caso d
e
autores como Avena (2006), para quem o conceito de acolhimento abrange uma variedade de elementos entre o
s
quais o reconhecimento, a hospitalidade e o cuidado.
Do ponto de vista do processo, o turista deslocar-se-ia para saber/ter o que
no sabe/tem, mas a dinmica do acolhimento resultante da tessitura
relacional que rompe as fronteiras dos territrios do acolhedor e d
o
acolhido, inaugurando novos espaos, nicos, transformados, com dimenses
objetivas e subjetivas (SANTOS, et al., 2010, p.6).
Sob esse ngulo, a hospitalidade no repousa somente no acolhimento d
o
desejo de um ou de outro sujeito (acolhedor e acolhido) situado em algum dos polos da
interao; ela no consiste tambm apenas no produto da relao direta que os sujeitos
estabelecem. Hospitalidade (ou acolhimento) corresponde ao
[...] fenmeno que se instala no espao constitudo entre o sujeito (na sua
forma singular e coletiva) que deseja acolher e o sujeito que deseja se
r
acolhido. E mais, no espao onde o acolhedor se transforma em acolhido e o
acolhido em acolhedor, num movimento alternado e necessrio para que a
hospitalidade ocorra (PERAZZOLO, PEREIRA e SANTOS, 2010, s.p.).
Em um dos plos da interao, est o sujeito que deseja acolher, que busc
a
eftivar esse processo por meio de relaes interpessoais diretas, como, por exemplo,
atravs da recepo em nvel profissional ou pblico/comunitrio, ou do atendimento
em servios; ou por meio das condies e caractersticas dos produtos que disponibiliza,
como, por exemplo, observando detalhes de conforto na hospedagem, assegurando
qualidade e esmeros na ambientao, elaborando e mantendo aspectos arquitetnicos
diferenciados, oferecendo servios satisfatrios.
No outro plo est o sujeito que demanda o acolhimento, que est em busca do
novo como alternativa para o prazer impossvel de ser tomado/conhecido na sua origem,
O sujeito que deseja ser acolhido pode ser um turista, um cliente, um aluno ou a
t
mesmo um estrangeiro, que precisa/quer estar em outro lugar que no o se
u
(PERAZZOLO, PEREIRA e SANTOS, 2010, s.p.).
Nesse sentido, as autoras entendem a hospitalidade como uma rea constituda
na interseco resultante do encontro dinmico de demandas distintas, com origem,
necessariamente, numa perspectiva subjetiva do desejo, orbitado por eventos do acaso
(s.p.). Sendo assim, para que ocorra a hospitalidade,
[...] os sujeitos tm que se ajustar dinamicamente na interao de sua
s
necessidades, o que determina, de cada um, o olhar do olhar do outro,
a
abdicao da tranquila certeza do saber prvio, o exerccio emptico da
compreenso, ainda que no necessariamente de forma sincrnica no tempo e
no espao. Trata-se, portanto, de um terceiro vrtice, desenhado a partir de
uma certa dialtica do desejo (PERAZZOLO, PEREIRA e SANTOS, 2010,
s.p.).
No momento em que se efetiva o acolhimento assim compreendido, as relaes
entre acolhedor e acolhido distanciam-se de demandas autocentradas de parte de um ou
de outro.
Dito de outra forma, distanciam-se de disposies primrias para acolher nas
quais a relao se d de modo circular, visando ao retorno direto para
o
prprio sujeito. Relativamente ao sujeito que acolhe quando prevalece a
demanda autocentrada, a sntese discursiva na relao de acolhimento poderia
ser assim expressa: Desejo que veja/sinta o que tenho/sou (disposio
inicial para a relao sem considerar a demanda do outro). J num nvel mais
avanado da disposio para o acolhimento, o discurso assumiria a forma de
um convite: Desejo conhecer voc; desejo que voc me conhea, desejo
que possamos negociar demandas at que um encontro autntico e
genuno nos transforme em acolhedores e acolhidos concomitantemente
(SANTOS, et al., 2009, p.12) [grifo do autor].
De modo semelhante, numa perspectiva primria de acolhimento, o discurso
do sujeito que demanda ser acolhido, seria assim expresso: Desejo ver/viver o novo - o
prazer (discurso revelador de expectativa especfica e pessoal, envolvendo os mais
diferentes elementos circunstanciais) (SANTOS, et al., 2009, p.13). No entanto, assim
como no primeiro caso, esse discurso poder dar lugar ao outro que sinaliz
a a
disposio para a aproximao e a transformao da relao, com o desejo se fazendo,
simultaneamente, expresso e escuta. Visto discursivamente, o desejo se situa no plano
do futuro; quando h o encontro e o ajuste das demandas, o acolhimento ocorre, e
o
discurso passa a ser pretrito (SANTOS, et al., 2009, p.13).
Em assim sendo, conforme assinalam Santos, Oliveira e Marinho (2009, p.17),
no turismo, a hospitalidade vista como conceito centrado em relae
s,
manifesto em trocas materiais ou simblicas, em experincias individuais de
anfitrio e hspede (acolhedor e acolhido), em atualizaes efetivadas em
estruturas e servios, ser sempre impregnada e impregnante de interaes
epistmico-psquicas de acolhimento.
4. CONCLUSO
Quando se pensa em relaes humanas, no mbito pessoal, social, profissional,
pensa-se em hospitalidade. Seja qual for a situao em que sujeitos interagem, o acolher
e o sentir-se acolhido, ainda quando no se compartilham idias, pontos de vist
a,
repertrios de vida, eles alimentam e potencializam positivamente as trocas relacionais.
Nessa perspectiva, entende-se como importante salientar que tanto a troca pela
ddiva quanto aquela realizada pelo comrcio podem possibilitar relaes
de
hospitalidade. Assim, mais uma vez, vale aqui recorrer a Camargo (2007, p. 17
),
quando acrescenta que:
A hospitalidade, repita-se, um assunto entre pessoas e deve estar presente
tambm no momento em que se passa do distanciamento da etiqueta para a
intimidade do calor humano, no qual residem as experincias ma
is
gratificantes que resultam na amizade e (por que no?) mesmo no encontro
amoroso tomado em sua acepo a mais ampla possvel. O chamad
o
transbordamento do negcio, quando a ddiva solicitada pode ocorrer a
qualquer momento, em qualquer situao no prevista pela encenao,
sobretudo quando o hspede enfrenta qualquer dificuldade face a imprevistos
variados.
V-se ento que a hospitalidade aproxima as pessoas, concorrendo para
a
humanizao e a socializao dos indivduos. Nessa sentido, ela emerge como u
m
amplo e dinmico fenmeno social, cuja compreenso, por si s, requer estudos so
b
ngulos diversos, luz da especialidade e da complementaridade de diferentes reas do
conhecimento.
Dentro desse contexto, ganham relevncia particularmente os contributos das
abordagens da hospitalidade nas reas humana e social. Em sendo assim, recorrer
psicologia social e psicanlise para melhor compreend-la na sua relao com
o
fenmeno turstico, mostra-se como um caminho pertinente e vivel, o qual, nest
e
trabalho, se buscou percorrer e cujo traado aqui foi sinteticamente mapeado.
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