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Wisc III Mário Simões

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‘n Gonsalves, MM, Sines, MR, Almeida, LS. & Machado, C. (Cords) (2003). Avatiagss Pskoligics inctumento: Velidedes pars 0 populasio portuguese (Vol.l). Coimbras Quartet. Cartruto 13 Escara pe lyr para Carancas— Terra Epicio (Wisc a Ze icéncia pe Wecest Mario R. Simées, M. Jodo Seabra Santos, Cristina P, Albuquerque e Marcelino M. Pereira Faculdade de Psicologia e de Ciéncias da Educacio, Universidade de Coimbra Leandro S. Almeida Departamento de Psicologia, Universidade do Minho Carla Ferreira Cegoc Ana F, Lopes, Ana A. Gomes, Rosa E. Xavier, Fatima Rodrigues, Carla Langa “ao & Investigagdo - FCT/FPCE-UC Joana Barros, Lucitia San Juan Faculdade de Psicologia e de Ciéneias da Fducagio, Universidade de Coimbra Ema Oliveira Departamento de Psicologia, Universidade do Minho f Bolseiras de inicia * Este trabalho insere-se no contexto de dois projectos de investigacio financiados pela Fundacio para a Cigncia c a Tecnologia (FCT) cujo objectivo é a “Afericio acional das escalas de Inteligéncia de Wechsler (WPPSLR e WISC-IIN) para a popu- lagGo portuguesa” (PRAXIS/PCSHIPSYCI91/96) e a “‘Aferigio de testes neuropsi- ccol6gicos para a populaciio portuguesa” (POCTIPSI354 10/99). A redacgZo deste texto beneficiou igualmente do apoio do Centro de Psicopedagogia da Universidade de ‘Coimbra (Cnidade financiada pela FCT, Linha de Acco n.° 2: “Adaptagiio e aferigdo de testes psicol6gicos ¢ pedagSgicos para a populacio poruguesa”) e da CEGOC. 2s1| Escala de Inteligencia de Wechsler para Criangas ~ Terceirm Edigto (WISC-I) Trotsieme Edition. Manuel. Paris: Les Editions du Centre de Psychologie Appliquée. Wechsler, D. (1997). Wechsler Adult Intelligence Scale — Third Edition (WAIS-IN), San Antonio, TX: The Psychological Corporation, Wechsler, D. (2003, sob publieaglo). Escala de Inteligencia de Wechsler para Criangas ~ Terceiva Edicdo (WISC-II1): Manual. Lisboa: Cegoe 8. Material Manual; Cademo de registo das respostas (com a Folha de Respostas para o Cédigo, Partes A e B); Caderno de Respostas dos Labirintos: Caderno de Respostas para a Pesquisa de Simbolos (Partes A ¢ B); Bloco de Estimulos (Itens para Completamento de Grayuras, Aritmética e Cubos); Cari branco (Aritmética); Cartes Estimulo (Axitmética); Colecgiio de 15 conjuntos de cart6es acondicionados na eaixa “Disposigio de Gravuras”; Conjunto de 9 Cubos arrumados na caixa “Cubos”: Seis caixas com os Puzzles para a Composigdio de Objectos; Cartéo da Composicio de Objectos que mostra a disposicio inicial das pegas e que funciona como biombo ou écran; Grelhas de comecgao: para © Cédigo & Pesquisa de Simbolos. 9. Edicdo e distribui o A WISC-DI € um produto registado da Psychological Corporation. O manual da versio portuguesa da WISC-II ser4 editado pela CEGOC, que também detém os direitos de autor para Portugal e procederd igualmente & comercializagiio dos respectivos materiais, CEGOC, Avenida Anténio Augusto Aguiar, 21, 2, 1050-012 Lisboa (Tel.: 213191960; Fax: 213191999; [Link]; e-mail: cegoc- ders@[Link]) ) 250 | Avaliagio Psicol6gica - Instrumentos Validados para a Populago Portuguesa Saklofske, D. (2002). Symposium: “Introducing the WISC-IV: Assessing child intelli- gence in the 21° Century”. Division of Clinical Neuropsychology (40), American Psychological Association. Annual Meeting, August, 25. Shaw, S. R., Swerdlik, M. E, & Laurent, J. (1993). Review of the WISC-IUL. Journal of Psychoeducational Assessment [WISC-III Monograph], 151-160. Sim@es, M. R. & Albuquerque, C. P. (2002). Estudos de validade com a WISC-III: Relagdes com os resultados escolares. Psychologica, 29, 153-168. Sim@es, M. R. (2002a). Utilizacdes da WISC-III na avaliago neuropsicok angas ¢ adolescentes. Paidéia, 12 (23), 113-132. Sim@es, M. R. (2002b). ImplicagGes de natureza ética e deontolégica resultantes da adaptacao ¢ aferigao nacional da Escala de Inteligéncia de Wechsler para Criancas ~ Terceira Edigtio (WISC-Ill). Psychologica, 30, 387-406. Simées, M. R. (2002c). Estudos de validade com a WISC-III: Relagdes com o teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven. Psychologica, 29, 123-142. Stemberg, R. J. (1993). Rocky’s back again: A review of the WISC-IH. Journal of Psychoeducational Assessment {WISC-IM Monograph}, 161-164. Sullivan, P. M. & Montoya, L. A. (1997). Factor analysis of the WISC-III with deaf and hard-hearing children. Psychological Assessment, 9, 317-321. Truch, 8. (1993). The WISC-III companion: A guide to interpretation and educational intervention. Austin, TX: Pro-Ed. ‘Tupa, D. J., Wright, M. O. & Fristad, M. A. (1997). 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WISC-III: Echelle d’ Imelligence de Wechsler por Enfants, a de cri- | 249) Escala de Intecligéncia de Wechsler para Criangas — Terceira Edigdo (WISC-IH) i & ment in clinical practice: A guide 10 test interpretation and integration (pp. 129-194). New York: Wiley. 7 Hu, L. & Bentler, P. M. (1999). Cut off criteria for fit indexes in covariance structure analysis: Conventional criteria versus new alternatives. Seructural Equation Modeling, 6, 1-55. Kaplan, E., Fein, D., Kramer, J. & Delis, D. (1999), WISC-III Pl: Manual. San Antonio, ‘TX: The Psychological Corporation. Kaufman, A. S. & Lichtenberger, E. O. (1999). Essentials of WISC-II and WPPSI-R assessment. New York: Wiley. Kaufman, A. $. (1990). Assessing adolescent and adult intelligence. Boston: Allyn & Bacon. Kaufman, A. 8, (1994). Intelligence testing with the WISC-III, New York: Wiley. Konold, 7. R., Kush, J. C. & Canivez, G. L. (1997). 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Lisboa: Instituio de Alta Cultura. Maruyama, G. M, (1998). Basics of structural equation modeling. Thousands Oaks, CA: Sage, Nicholson, C. L. & Aleorn, C. L, (1994), Educational applications of the WISC-III: A handbook of interpretative strategies and remedial recommendations. Los Angeles, CA: Wester Psychological Services. Prifitera, A. & Saklofske, D, (Eds.). (1998). WISC-III: Clinical use and interpretation. San Diego, CA: Academie Press. Reckase, M.D. (1979). Unifactor latent trait models applied to multifactor tests: Results and implications, Journal of Educational Statisties, 4, 207-230. 248 | | Avaliagdo Psicolégica - Instrumentos Validados para a Populaco Portuguesa 7. Bibliografia fundamental Albuquerque, C. P. & Simes, M. R. (2001). Anitise do desempenho de criangas e Jjovens com deticiéncia mental na WISC-III. In B. D. Silva & L. S. Almeida (Eds.), Actas do VI Congreso Galaico-Portugués de Psicopedagogia (Volume I, pp. 553-564). Braga: Universidade do Minho, Centro de Estudos em Educagio ¢ Psicologia. Blumberg, T. A. (1995). A practioner’s view of the WISC-Il. Journal of School Psychology, 33, 95-97. Bracken, B. A. & McCallum, R. S, (Bds.). (1993). Wechsler Intelligence Scale for Children: Third Edition (Journal of Psychoeducational Assessment, Monograph Series}. Brandon, VT: Clinical Psychology Publishing Cooper, S. (1995). The clinical use and interpretation of the Wechsler Inelligen- ce Scale for Children - Third Edition. Springfield, IL: Charles C. Thomas. Cramer, K. M. (1998). Analysis and comparison of WISC-III weighted sum score fac- tor models using two independent samples. Educational and Psychological Measurement, 58, 154-767. Cronbach, L. J. (1988). Five perspectives on validity arguments. In H. Wainer & H. I. Braun (Eds.), Test validity (pp. 3-17). Hillsdale, NJ: Erlbaum. Dougherty, E. H. (1992). Report Writer: WISC-III WISC-R/WPPSI-R. Odessa, FL: Psychological Assessment Resources. Glutting, J. & Oakland, T. (1993). Guide to the Assessment of Test Session Behaviors for the WISC-IIT and WIAT. San Antonio, TX: The Psychological Corporation. Glutting, J. J., Youngstrom, E. A., Ward, T., Ward, S. & Hale, R. L. (1997). Incremental efficacy of WISC-III factor scores in predicting achievement: What do they tell us? Psychological Assessment, 9, 295-301 Golombok. S. & Rust, J. (1992). Wechsler Intelligence Scale for Children—Third Edition UK, London: The Psychological Corporation Gorsuch, R. L. (1983). Factor analysis (2" ed.). Hillsdale, NJ: Erlbaum. Grégoire, J. (2000). L’évaluation clinique de U'inielligence de l'enfant : Théorie et pra- tique du WISC-II. Litge: Pierre Mardaga. Grégoire, J. (2001). Factor structure of the French adaptation of the WISC-III: Three or four factors? International Journal of Testing, 1, 271-281. Groth-Mamat, G., Gallagher, R. E., Hale, J. B. & Kaplan, E. (2000). The Wechsler Intelligence Scales. In G. Groth-Marnat (Bd.), Newropsychological assess- 247 Escala de Inteligéncia de Wechsler para Criangas ~ Tereeira Biigo (WISC-II1) intervalos de aplicacao entre 6 meses e 3 anos (perfodos de tempo comuns nas sittag6es de re-avaliagdio em contextos clinicos ou educativos). fi também que reconhecer que existem muitas dreas e comportamen- tos relacionados com a inteligéncia ¢ relevantes para o funcionamento da Pessoa — que no so adequadamente avaliados pelas Escalas de Inteligéncia Wechsler. Groth-Mamat, Gallagher, Hale e Kaplan (2000) incluem aqui a criatividade, o senso comum, competéncias usadas na vida quotidiana, aptidio musical, aptidao cinestésica, planificagZo e meméria a fongo prazo para material recentemente aprendido. Apesar dos varios tipos de limitagées, Sternberg (1993) reconhece a auséncia de alternativas sdli- das vidveis do ponto de vista psicométrico, concluindo ser a WISC-III uma excelente medida da inteligéncia, capaz de prognosticar razoavelmente 0 desempenho escolar. 6.3 Desenvolvimentos e estudos futuros A tarefa de validacao de provas de avaliagdo psicolégica corresponde & “um proceso interminavel” (Cronbach, 1988), insepardvel de aspectos relatives & teoria, evolugao da ideia de medida e avaliagio, significado consequéncias dos resultados. Também por isso, 0 vasto e dispendioso pro grama de investigagio realizado no Ambito da adaptagio € aferigio nacio- nal da WISC-IT nao esti coneluido, constituindo antes um ponto de parti- da indispensdvel para novas investigacdes. Neste sentido, e a titulo de exempio, parece-nos essencial explorar a utilidade de varias formas reduzi- das ¢, sobretudo, proceder 4 replicagio de alguns dos estudos psicométri- Cos ~ relativos a preciso (incluindo a estabilidade a longo prazo dos resul- tados através da realizacao de estudos longitudinais) e & validade ~ noutras amosiras clinicas e com necessidades educativas especiais, A este respeito, encontra-se presentemente em desenvolvimento 0 projecto de utilizagio conjunta da WISC-III com outras provas neuropsicoldgicas. O crescente interesse na utilizacdo da WISC-III para a avaliagio neuropsicoldgica nao deve ignorar que esta Escala tem como objectivo principal a avaliagio da aptidao mental global e agregada. Avaliacdo Psicoldgica - Instrumentos Validados para a Populacio Portuguesa teorias cognitivas da inteligéncia. Dai que, nalgumas leituras, a WISC-IEL possa representar, sobretudo no contexto americano, apenas uma actualiza- go de normas da WISC-R (com 20 anos de idade) e, para Shaw e colabo- radores, essa €, simultaneamente, a sua principal vantagem e a sua limi- tagiio fundamental. Sternberg (1993) acrescenta que a simples actualizagao das normas nao pode ser confundida com um processo de verdadeira reviso: as novas normas, escreve Sternberg, asseguram apenas a actuali- dade dos resultados. No entanto, é preciso sublinhar que a aferi¢io por- tuguesa da Terceira Edicdo da WISC tem um significado bem mais impor- i tualizada de uma escala de inteligéncia, cuja versio disponivel em Portugal, a primeira edigiio da WISC, dispde de normas com mais de 30 anos (cf. Marques, 1970). As investigagGes relativas 4 estrutura factorial da WISC-IE tém identi- ficado solugdes de natureza diversa. Os terceiro e quarto factores, assina- lados no manual americano, estfio longe de serem observados em todas as investigacdes. Por exemplo, o quarto factor identificado na aferigio ame- ricana (Velocidade de Processamento) corresponde ao terceiro factor das afericdes portuguesa e francesa/belga. Nestas tltimas pesquisas, a solugio factorial mais estavel e interpretdvel é a de trés factores (Compreensao Verbal, Organizagiio Perceptiva e Velocidade de Processamento). Recorde- sé que foram em parte os problemas relativos 4 estrutura factorial da WISC-R, € em particular a natureza do terceiro factor, que suscitaram a construgaio da WISC-III. Significativamente, é ainda a tentativa de reso- lugio deste mesmo tipo de problemas que est também na origem dos estu- dos conducentes 4 construgdo da WISC-IV, cuja comercializagaio nos Estados-Unidos est prevista para 2003 (cf. Saklofske, 2002). Algumas das investigacdes realizadas no ambito da presente aferic¢iio portuguesa mostrar que os resultados relativos a fiabilidade sio pontwal- mente menos satisfatérios no que diz respeito a consisténcia intema e esta- bilidade teste-reteste de alguns subtestes, sobretudo da subescala de rea- lizag&o. No teste-reteste, de assinalar os efeitos da pratica particular- mente acentuados para o QIR (ganhos de 10 a 14 pontos) e para o QIEC (ganhos de 10 pontos) da primeira para a segunda aplicacdo da Escala (note-se que estes valores sto idénticos aos encontrados nas afericdes inglesa e francesa/belga). Quer isto dizer que, por causa dos efeitos da pratica, devem ser evitadas aplicagdes repetidas com intervalos de tempo reduzidos e, concomitantemente, € necessdrio investigar os resultados para 245 Escala de Inteligéncia de Wechsler para Criangas — Terceira Edigao (WISC-III) tadores da transigZo no uso dos respectivos materiais. A manutengdo, no essencial, da mesma estrunira das edicdes anteriores significa que muita da informacdo disponivel pode ser transposta, com cuidado, para a nova ver- sto. Do ponto de vista psicométrico, os resultados relativos & fiabilidade e & yalidade da versio portuguesa da WISC-III sio, de um modo geral, bas- tante satisfat6rios, em termos relativos (comparactio com os dados prove- hientes de outras aferigdes) e absolutos. O ntimero e a diversidade das investigagGes realizadas neste Ambito é muito significativo. Além disso, a WISC-III constitui um novo instrumento de avaliacio na drea do funciona- mento cognitive que € colocado & disposi¢fo dos psicdlogos e, convém insistir, vem resolver, entre nds, 0 problema grave resultante do cardcter extremamente datado das normas da primeira edigiio da WISC (Marques, 1970) ¢ a falta de instrumentos alternativos. 6.2 Limitagaes As objecoGes mais pertinentes referem uma relativa falta de fundamen- tagao tedrica da WISC-INL Shaw, Swerdlick ¢ Laurent (1993) consideram as versdes iniciais das Escalas de Inteligéncia de Wechsler (Wechsler- Bellevue/WAIS, WISC © WPPSI) um avanco considerdvel para a medida da inteligéncia, mas advertem que a WISC-III (publicada 42 anos depois do aparecimento da WISC) no tem hoje esse mesmo significado de progres- So acentuado no exame da inteligéncia, taduzindo apenas um pequeno Passo nessa direcgdo. Aqueles investigadores acrescentam que, por detrs das alteragdes minimas na WISC-IH (relativamente 2 WISC-R), se encon- tram “razGes de estratégia comercial” e nio preocupagées de natureza cien- lffica. A estratégia adoptada, defendem Shaw e colaboradores, teria sido fazer poucas alteragées relativamente 4 WISC-R, para niio perder no mer- cado de utilizadores. Ha um novo subteste que € a Pesquisa de Simbolos. Mas, no dizer de Shaw, Swerdlick ¢ Laurent (1993), o factor Velocidade de Processamento (Que inclui os subtestes de Pesquisa de Simbolos e Cédigo) é talvez. a prin- cipal contribuigdo da WISC-III para a “ciéncia da avaliagdo”. Mais critica- mente, Sternberg (1993) diz, que o subteste de Pesquisa de Simbolos ¢ apa- Tentemente uma concessao dos editores do teste aos desenvolvimentos nas 244 Ayaliagdo Psicolégica - Instrumentos Validados para a Populagdo Portuguesa tantes do ponto de vista da interpretagio: QIEC, QIV, QIR, ICV, IOP, IVP, subtestes, : Uma outra vantagem decorre da exist€ncia recente de varios tipos de maieriais complementares que reforgam 0 uso ¢ a interpretagéo dos resul- tados com a WISC-III. Um exemplo destes materiais refere-se ao esquema de elaboragdo de relatérios psicoldgicos (cf. Dougherty, 1992). Outro tipo de materais remete para formas de utilizacao alternativas adaptadas para a aplicagiio no ambito da avaliacdo neuropsicoldégica. Neste contexto, a WISC-III PI (“WISC-IIL como Instrumento de Avaliagiio de Processos”, Kaplan, Fein, Morris, Kramer & Dellis, 1999) corresponde a um conjunto de procedimentos desenvolvidos com o objectivo de assegurar uma com- preensdo mais completa acerca das razGes (ou processos subjacentes) a um resultado particular. Finalmente, o “Guia para a Avaliagao dos Comportamentos na Sesso de Teste” (GATSB, Glutting & Oakland, 1993) é um instrumento estandardizado que viabiliza a observagdo formal dos comportamentos na situacdo de resposta & WISC-III. A observacaio formal do comportamento do sujeito aquando da sua resposta A tarefa de teste constitui um elemento de informagao adicional, facilita uma melhor com- preensao dos “pontos fracos e fortes” do funcionamento cognitivo e con- tribui para uma interpretagdéo mais rigorosa dos resultados ou desempe- nhos. A WISC-III dispde ainda de um conjunto muito amplo de publi- cacées, que incluem, nomeadamente: revisGes criticas, centenas de artigos s livros (p. ex., Bracken & McCallum, 1993; Cooper, 1995; Grégoire, 2000; Kaufman, 1994; Nicholson & Alcorn, 1994; Prifitera & Saklofske, 1998; Truch, 1993). A WISC-III é, relativamente &s edicdes anteriores, uma escala aper- feigoada, compreendendo modificages ao nivel do material ¢ dos proce- dimentos de administragio e cotagdo. Estas alteragdes foram introduzidas com 0 objective de tornar a administracio mais atraente. Por exemplo, muitos estimulos visuais est4o agora impressos a cores, e a ordem de administragdo dos subtestes foi modificada com 0 objectivo de facilitar a adaptagio do sujeito a situagdo de teste. Existe um novo posicionamento do subteste de Cédigo, de modo a nio afectar o desempenho de criangas esquerdinas e uma clarificagdo (ainda que relativamente incipiente) dos critérios de cotagao do subteste dos Labirintos. Os utilizadores das edigdes anteriores tém acolhido muito favoravelmente a WISC-III, que apresenta, alias, numerosos pontos de continuidade com as versées anteriores, facili- 243 Escala de Inteligencia de Wechsler para Criangas ~ Terceira Edigdo (WISC-III) lagGes e uma tabela com os EPmed das notas padronizadas nos QIs, indices factoriais e subtestes. Os resultados empiricas na amostra de aferi¢dio portuguesa seguem uma distribuigio muito préxima da curva normal teorica. Os Qs na WISC-III podem ser definidos de acordo com o seguinte quadro ciassificativo: “Muito Superior” (QU 130), “Superior” (QI=120- 129), “Médio Superior” (QI=110-119), “Médio” (QI=90-109), “Médio Inferior” (QI=80-89), “Inferior” (QI=70-79) e “Muito Inferior” (QI 69). A interpretagdo dos resultados na WISC-III pode ser complementada com © recurso a outras provas de avaliagdo da inteligéncia disponiveis como a Nova Esciila Métrica da Inteligéncia (NEMD), a Escala Colectiva do Nivel Intelectual (ECNI), as Mattizes Progressivas Coloridas de Raven (MPCR). E muito importante sublinhar que os resultados nos testes de inteligéncia representam apenas uma parte, ainda que importante, de uma ayaliagdo mais completa (que deve incluir também a histéria pessoal. o exame da personalidade, observagdes do comportamento, o rendimento escolar ¢ informagdes de pessoas significativas).. 6. Avaliacio critica 6.1 Vaniagens e potencialidades As Escalas de Inteligéncia de Wechsler (WISC-III, WAIS-III e WPPSIR) so, actualmente, ¢ em termes absolutos, os instrumentos mais usados no ambito da avaliaciio psicolégica e com maior nimero de inves- tigagdes em todo o mundo. Neste contexto, vale a pena lembrar que a ‘WISC-III é considerada um instrumento valido para a classificagao, diag- néstico e tomada de decisio em varios contextos de exercicio profissional da psicologia. Blumberg (1995) refere mesmo que apresentam “caracteris- ticas diagnésticas excelentes”. De modo particular, hé a sugestio, ou mesmo um forte apoio, para 0 uso diagnéstico da WISC-III junto de popu- laces ou grupos especiais, como 6 0 caso da deficiéncia mental e da sobre- dotagio (e, um pouco menos, nas dificuldades de aprendizagem). A reputaciio da WISC-UI resulta, igualmenie, da possibilidade deste género de escala facultar varios tipos de resultados potencialmente impor- | 242 Avaliagdo Psicoldgica - Instrumentos Validados para a Populacdo Portuguesa 5.2 Normas, critérios ou paréimetros Os Qls sio resultados estandardizados que t8m a mesma distribuigio em todas as idades. O resultado em cada subteste contribuf da mesma maneira para o célculo dos QIs em qualquer idade. As normas foram derivadas em intervalos de 6 meses em cada um dos onze grupos de idade (6-16 anos). As distribuicdes das notas nos Qls Verbal, Realizacio e Escala Completa, e dos resultados dos trés indices factoriais (ICV. IOP, IVP), tém uma média de 100, um desvio-padrio de 15 e uma amplitude de 40 a 160. Isto é, os Qis e os indices factoriais sio resultados padronizados que podem ser comparados a normas com média 100 ¢ desvio-padrao 15. Um QI de 100, na escala completa e em qualquer das sub-escalas (Verbal e Realizacdo), representa entdo 0 desempenho médio ou tipico de um sujeito de uma determinada idade. Os QI de 85 e 115 correspondem a | desvio- padrio abaixo e acima da média, respectivamente. Os QI de 70 ¢ 130 si- tuam-se 2 desvios-padriio abaixo e acima da média, respectivamente. Cerca de dois tercos dos sujeitos obtém QIs compreendidos entre 85 ¢ 115, apro- ximadamente 95%, pontuam dentro do limite 70 — 130, e 99% obtém resul- tados entre 55 145 (3 desvios-padrdio em relagdo média). A claboragao das tabelas para os trés Indices factoriais respeita os mesmos procedimen- tos gerais da composicio para as tabelas dos Qs. Os Qls so determinados a partir dos resultados padronizados nos sub- testes obrigatérios, excluindo assim os subtestes suplementares (Mem6ria de Digitos, Pesquisa de Sfmbolos ¢ Labirintos). Para cada um dos 13 sub- testes, a distribuicio das notas brutas para cada grupo etario foi convertida numa escala com média 10 e desvio-padrio 3. Este tipo de padronizagao dos Qis, indices factoriais e subtestes para cada um dos grupos etarios, via- piliza a comparagio dos resultados de cada sujeito com os seus pares da mesma idade cronolégica. Existem tabelas de conversio dos resultados brutos em resultados padronizados; tabelas de determinagao dos QIs ¢ dos resultados nos Indices factoriais; tabelas para interpretagiio das diferengas significativas entre QIs e Indices factoriais por idade, entre nota estandardizada num subteste e a média das notas nos subtestes, diferengas significativas entre as notas padronizadas nos subtestes (limiar de .15 e .05); tabelas frequéncia dos scatters entre subtestes nas diferentes subescalas; tabelas de intercorre- 241 Escala de Inteligéncia de Wechsler para Criangas — Terceira Edicao (WISC-IU1) Em comparagao com as versdes estrangeiras e com 0 objectivo de faci- litar a cotacio, foi inclufdo no Manual portugués (cf. Wechsler, 2003) um maior nlimero de exemplos de respostas dadas nos subtestes Verbais (sobretudo no Vocabulario e Compreensio), que fazem maior apelo ao jufzo pessoal do examinador. 5, Interpretacio dos resultados 5.1 Dimensdes € sua interpretagao As pontuacées do sujeito nos diferentes subtestes permitem calcular varios resultados compésitos a que correspondem diferentes niveis de inter- pretacdo. O primeira nivel de interpretagdo corresponde a0 QYEC (Quociente Intelectual Escala Completa), determinado pela soma dos resul- tados padronizados nos subtestes Verbais e de Realizacio. O segundo nivel de interpretagdo remete para 0 QLV (Quociente Intelectual Verbal) e para o QIR (Quociente Intelectual de Realizacio) definidos, respectivamente, a partir dos somat6rivs dos resultados padronizados nos subtestes Verbais © de Realizacdo obrigatérios. A comparagao dos resultados entre QLV e QIR Constitui, neste contexto, um elemento frequentemente valorizado. Podem ainda ser calculados trés Indices identificados a partir de andlises facto- Tiais, que constituem o terceiro nivel de interpretacdo e englobam os seguintes subtestes: ICV (Indice Compreensao Verbal, formado pelos sub- testes de Informacao, Semelhancas, Vocabulario, Compreensio); IOP (indice Organizacio Perceptiva, que envolve os subtestes de Comple- tamento de Gravuras, Disposigtio de Gravuras, Cubos e Composi¢do de Objectos), ¢ IVP (indice Velocidade de Processamento, composto pelos subtestes de Cédigo e Pesquisa de Simbolos). Os fndices factoriais poten- cializam um maior detalhe na anéliise de Areas fortes e fracas do funciona- mento cognitivo do sujeito. O resultado em cada subteste proporciona o quarto nével de interpretagio. | 240 | Avaliaciio Psicolégica - Instrumentos Validados para a Populagiio Portuguesa aplicados nas avaliagSes anteriores (nomeadamente a NEMI, a WISC ea Griffiths). 4.6 Procedimentos de aplicagdo e correcgdo Apesar do formato global da WISC-III nao ter sido alterado em relagio ao da WISC-R (e ao da WISC), os procedimentos de administragao especi- ficos de varios subtestes foram significativamente modificados. Por isso, os examinadores que tém utilizado a WISC (ou a WISC-R) necessitam de se familiarizar com estas alteragdes antes de administrarem a WISC-III. Esta Escala inclui numerosos parametros de estandardizagao, comprovados pela presenga de subtestes que contemplam o uso de reforcos verbais, itens de exemplo (que permitem algumas formas de aprendizagem), itens com um segundo ensaio, repeticdo de itens e aprofundamento de respostas (com questionamento adicional), cotagiio de respostas miiltiplas ou “deterio- radas”, diferentes pontos de inicio e regras de interrupgao (em fungio da idade ou competéncia do sujeito, de modo a evitar 0 aborrecimento ou a frustragiio com a administracio de itens demasiado faceis ou excessiva- mente dificeis e, em consequéncia, a permitir que 0 sujeito tente todos os itens em que sc possa esperar que obtenha éxito), subtestes cronometrados e com bonificagées distintas em func&io da qualidade e rapidez das respostas. Um “ap amento” nos procedimentos de administragiio relativa- mente a anterior edig&o portuguesa (WISC) inclui a modificagio da ordem. de apresentagio dos subtestes: a aplicacio da WISC-III comega com um subteste de Realizagao, o Completamento de Gravuras, com 0 objectivo de ajudar 0 examinador a estabelecer um bom contacto com 0 sujeito (através de uma tarefa atractiva, ao passo que uma prova verbal teria a desvantagem de se aproximar excessivamente de uma tarefa escolar). A aplicagao da bateria usual de dez subtestes obrigatérios necessita de um tempo aproximado de 60 a 90 minutos, e os trés subtestes suple- mentares exigem um tempo adicional de 10 a 15 minutos. Tendo em conta a complexidade da administragio e, sobretudo, da interpretagao, os psicdlogos que utilizam a WISC-III deyem possuir co- nhecimentos e experiéncia aprofundada ao nivel do exame psicolégico da erianga e do adolescente. fei scala de Inteligéncia de Wechsler para Criangas ~ Terceira Edigo (WISC-IN) cia poderé encontrar explicactio a dois niveis: (i) cardcter obsoleto das normas dos instrumentos psicométricos que presidiram a identificago destas criangas, nos casos em que se procedeu a uma avaliagio psicolégica anterior; (ii) fragilidade dos ctitérios de sinalizagdo/diagnéstico, na maior parte das vezes realizado exclusivamente pelos professores. Ou seja, a ele- yada incidéneia de criancas com QIEC inferior a 80 (63%), que alids, em- bora de forma menos pronunciada, também se verifica nos estudos da afe- rigdo inglesa, testemunha, sobretudo, os graves problemas na identificagéio das criangas com “dificuldades de aprendizagem”, proporcionando um némero elevado de falsos positives. No que se reporta a dispersio dos resultados, apesar de no plano individual observarmos uma grande diversi- dade nos Qs, que oscilam entre 54 e 103, constatamos, mesmo assim, uma variabilidade mais reduzida no desempenho do grupo, pois 0 desvio-padrio de 12.5 fica aquém do valor encontrado na populacio (dp=15). A dis- tribuicao dos resultados pelas duas escalas e treze subtestes reforga a fraca diversidade no desempenho do grupo; assim, observamos: (i) uma dife- renga de apenas 2 pontos entre QIR=82 versus QIV=80; (ii) os resultados nos diferentes subtestes centram-se em torno de um valor médio de 7.6, ndo se registando desvios superiores ou inferiores a 1.5 (metade de um desvio- padrdo). No grupo de 20 sujeitos com QIEC>80, constatamos um QIEC médio de 90 (dp=7). Um grupo de controlo — constituide com 0 mesmo niimero de sujeitos, sem dificuldades de aprendizagem, seleccionados a partir da amostra normativa da aferigdo portuguesa da WISC-III, recorren- do & metodologia dos “(pares idénticos” — apresentou desempenhos médios: 97 (QIEC; dp=14), 99 (QIV), ¢ 98 (QIR) “hueligéncia superior”, A WISC-III foi ainda aplicada a 44 criangas com “inteligéncia superior”, com idades compreendidas entre os 6 € II anos (média=7A;10M) que ingressaram antecipadamente no 1.° Ciclo do Ensino Basico, nos anos lectivos de 94/95 a 99/2000, por deferimento da Direcgiio Regional da Educagio do Centro. O valor médio do QIEC é de 126 (dp=16, amplitude 91-155), estando dentro da faixa esperada para uma amosira de criangas com inteligéncia superior. Outros resultados observados: 130 (QIV), 114 (QIR), 127 (ICV), 114 (OP) e 113 (IVP). Todavia, registe-se que 15 das 44 criancas (34.1%) alcangaram um QIEC inferior a 120 (valor minimo conseguido na avaliagao anterior e que thes tinha permitido a entrada antecipada na escola). Tal ocorréncia podera encontrar explicagie no cardcter obsoleto das normas dos instrumentos 238 Avaliagdio Psicolégica - Instrumentos Validados para a Populagdo Portuguesa depois da administrag4o da escala, tendo sido observadas correlagdes mais elevadas: .60 (QIV), .41 (QIR), .58 (QUEC), .57 (ICV), .42 (IOP), .11 (IVP) (cf. Simées & Albuquerque, 2002, para uma explicitagfo mais por- menorizada dos dados de um estudo preliminar). Os valores encontrados sio idénticos aos de investigagdes congéneres e mostram, de acordo com 0 esperado, uma relacio mais acentuada entre classificagdes escolares e QIEC, QIV ou subtestes verbais. Estudos com grupos especiais: Deficiéncia mental. A WISC-III foi aplicada a um grupo de 41 criangas € jovens com idades compreendidas entre os 7 e os 16 anos de idade (média=14A 03m), apresentando uma deficiéncia mental ligeira ou mode- rada (cf. Albuquerque & Simdes, 2001). Os resultados observados na WISC-III foram os seguintes: QIV (m=48; dp=3), QIR (m=S1; di QUEC (m=45: dp=5), ICV (m=50; dp=4), IOP (m=54; dp=5), IVP (m= dp=4). Trinta e um dos sujeitos (71%) obtiveram um QIEC inferior a 50, e doze (28%) alcangaram um QIEC>S0, pelo que se pode afirmar que, do ponto de vista do funcionamento intelectual, o grupo € constituido pre- dominantemente por deficientes mentais de gran moderado. De acordo com o esperado, verificou-se uma reduzida variabilidade no desempenho deste grupo, tal como 0 evidencia o facto de os desvios-padrao obtidos (3 a 6 pontos) serem consideravelmente mais baixos do que os registados na amosira de aferigéo (15 pontos). Dificuldades escolares. A WISC-III foi igualmente administrada a 54 criangas, com idades compreendidas entre 8 e 11 anos (média=8A,11M), que os professores sinalizaram como tendo “dificuldades de aprendiza- gem” (D.A.) “ligeiras” ou “moderadas” e que, por isso, beneficiavam de um regime educativo especial, nomeadamente apoio pedagégico acrescido e/ou adequagdo na organizagdo de classes ou turmas, recorrendo a uma redugiio do numero efectivo de alunos (critério de “diagnéstico” adminis- trativo e nao clinico). O QIEC (média=77, dp=13) encontra-se muito afas- tado do intervalo esperado para as criangas com D.A. que, de acorde com os critérios de diagndstico mais consensuais, deveriam apresentar um QIEC, pelo menos, médio (a variar entre 90 e 109). Apenas 20 criangas (37%) apresentam um QI na Escala Completa igual ou superior a 80, valor que, mais recentemente, e de forma gradual, tem vindo a ser proposto como limiar de QI para formular um diagnostico clinico de D.A.. Esta ocorrén- 237 Escala de Inteligéncia de Wechsler para Criangas ~ Terceira Edigato (WISC-III) ordem alternada a uma amosira de 60 criangas com idades compreendidas entre os 6 anos ¢ os 6 meses. As correlagdes entre os QIs so igualmente clevadas (.77, 82 e .87, respectivamente entre os Qls de Realizagio, Verbais ¢ da Escala Completa), o que indica que os instrumentos avaliam constructos idénticos. A comparagao entre os Qs médios obtidos para ambas as Escalas mostra resultados mais elevados na WPPSL-R do que na WISC-IIL Ao nivel do QUEC, essa diferenca € de 9 pontos, enquanto as diferengas entre os Qls de Realizagao e Verbais sto, respectivamente, iguais a 9 ¢ a 5 pontos. Por conseguinte, verificamos que nas idades de sobreposigao entre as duas Escalas (6 anos a 6 anos e meio) a WISC-III constitui um instramento mais exigente do que a WPPSL-R. Matrizes Progressivas Coloridas de Raven (MPCR). As relacdes entre a WISC-IIT e as MPCR foram examinadas em dois grupos. Num deles, retirado da amosira de aterigtio, e constituide por 86 sujeitos, foram observados os seguintes resultados: correlagdes de .45 (QIV), .61 (QIR), 60 (QIEC), .41 (ICV), .59 (IOP), e .15 (IVP). No grupo considerado como tendo “dificuldades escolares”, integrado por 54 sujeitos, foram identifica- dos os seguintes valores: .38 (QUV), .64 (QIR), .53 (QIEC), .40 (ICV), .61 (OP), ¢ .34 (IVP). De acordo com o esperado, os resultados nas MPCR, reconhecidamente dependentes das capacidades viso-perceptivo-espaciais, esto mais fortemente correlacionados com os subtestes da subescala de Realizagdo, Observa-se igualmente uma diminuigdo progressiva da magni- ude das correlagdes com a idade, em criangas sem problemas ¢ o aumento jo valor das correlagdes com a idade em criangas com “difieuldades esco- ares” (cf. SimGes, 2002c, para uma andlise mais desenvolvida dos resulta- Jos de um estudo preliminar). Classificacées escolares atribuidas pelos professores. As relacées wntre os desempenhos na WISC-III e as classificacdes escolares foram tnalisadas em dois estudos. A primeica pesquisa (validade concorrente) ‘ompreendeu uma amostra de 154 criangas e adolescentes (do 2.°, 4.°, 6.° e 1° anos) ¢ as classificagdes escolares foram recolhidas na altura da apli- ‘ago da Escala. As correlagdes entre os resultados nos Qls e indices fac- oriais da WISC-III e as classificagdes escolares atribuidas pelos profes- ores (média dos resultados escolares em diferentes disciplinas) foram: 40 QIV), .33 (QIR), 39 (QIEC), .35 (ICV), 29 (IOP), 25 (IVP). O segundo studo (validade preditiva) incluiu um subgrupo de 93 sujeitos, presentes ‘© grupo anterior, cujas classificagdes escolares foram registadas 18 meses | Avaliagio Psicolégica - Instrumentos Validados para a Populagio Portuguesa | torais sejam avaliadas nao apenas com base em critérios empiricos, mas tendo em conta, igualmente, a sua significagdo psicolégica. Em conse- quéncia, os resultados apresentados nesta seccao foram interpretados a luz dos conhecimentos actuais disponiveis. Os resultados das diferentes anali- ses convergem na sugestio de uma solugao de trés factores para a-versdo portuguesa da WISC-III: 0 factor CompreensGo Verbal, que inclui os sub- testes Informagio, Semelhangas, Vocabulério e Compreensio; o factor Organizagao Perceptiva, que contém os subtestes Completamento de Gravuras, Disposigdio de Gravuras, Cubos e Composig&o de Objectos; e um terceiro factor, no qual saturam o subteste Cédigo e o novo subteste Pesquisa de Simbolos. Este terceiro factor pode ser considerado como um indice de Velocidade de Processamento (note-se que este factor € distinto do terceiro factor identificado quer na WISC-R, quer em muitos estudos com a WISC-III e que abrange os subtestes Aritmética, Memoria de Digitos e Cédigo), Esta solucdo de trés factores surge com alguma consisténcia na literatura (cf. por exemplo, Grégoire, 2001; Watkins & Kush, 2002; Wechsler, 1996). CorrelagGo com outros instrumentos: Escala de Inteligéncia de Wechsler para Criangas (WISC). As relagdes entre a unica verstio da WISC disponivel para a populagdo por- tuguesa (Marques, 1970) e a actual verso da WISC-III foram estudadas numa amostra de 70 criancas e adolescentes com problemas de comporta- mento e/ou dificuldades de aprendizagem (6-16 anos). De acordo com o esperado, e em funcdo dos 35 anos de diferenca entre as datas das duas afericdes, os resultados sao sistematica e substancialmente mais reduzidos na WISC-III e as diferencas WISC/WISC-III sao muito robustas: 19 (QTV), 31 (QIR), 29 (QIEC) [resultados na WISC: QIV (m=101; dp=13), QIR (m=117; dp=12), QIEC (m=110; dp=13); resultados na WISC-III: QTV (m=83; dp=15), QIR (m=86; dp=16), QIEC (m=81; dp=16)]. Estas dife- rencas evidenciam a presenga do denominado efeito de Flynn, na sua amplitude mais acentuada (cf. Kaufman, 1990). No entanto, as correlagdes entre estas duas versdes sao elevadas e sugerem que os dois instrumentos examinam constructos idénticos: .77 (QIV), .73 (QIR), .63 (QIEC). Escala de Inteligéncia de Wechsler para a Idade Pré-Escolar e Primaria — Revista (WPPSI-R). As vers6es portuguesas da WISC-III e da WPPSI-R (cf. Seabra-Santos ef al., neste volume) foram administradas em 235 Escala de Inteligéncia de Wechsler para Criangas ~ Tetceira Edigdo (WISC-IUI) mento; valores superiores a .80 so considerados como indicativos de bom ajustamento); o RMSRS (Root Mean Squared Residual Standardized, wm valor reduzido, muito proximo de 0, sugere um bom ajustamento ao mo- delo); 0 GEI (Goodness-of-Fit Index, cujo valor oscila entre 0 € 1: este tlti- mo valor indica um ajustamento perfeito); o indice RMSEA (Root Mean Squared Error of Approximation, valores <.05 indicam um ajustamento muito bom e valores até .08 podem ser razoavelmente aceites); o indice CFI (Comparative Fit Index, varia de 0 a 1, um valor superior a .90 & indicati- vo de um bom ajustamento). E consensual que um valor para AGET igual a 1 e um resultado para RMSR igual a 0 significam que 0 modelo testado teproduz os dados de modo exacto (Tupa, Wright & Fristad, 1997); os indices AGFI, GFI, CFI e NNFI inferiores a 0.9 sugerem necessidade de aperfeigoamento do modelo (Cramer, 1998); valores elevados no CFI (préximos de 1.0) e valores reduzidos de RMSEA (préximos de 0) indicam igualmente um bom ajustamento ao modelo (Maruyama, 1998}. Outros investigadores sio mais incisivos na operacionalizagio do critério e tecomendam uma regra combinatéria que requer um valor de CFI muito préximo de .95 ¢ um valor de RMSEA contigno a .06 para minimizar a probabilidade de erros de Tipo Ie Tipo II (cf. p. ex., Hu é& Bentler, 1999), Os resultados com 0 Modelo de 1 factor so 0s seguintes: 1499.4 (72), 0.760 (AGFI), 0.045 (RMRSS), 0.128 (RMSEA), 0.918 (CED, 0.901 (NNF)), 0.829 (GFI). Os resultados com 0 Modelo de 2 factores apresen- tam os seguintes valores: 860.7 (3C), 0.870 (AGFI), 0.034 (RMRSS), 0.096 (RMSEA), 0.954 (CFD, 0.944 (NNFD, 0.908 (GED). Os resultados para 0 Modelo de 3 factores sido: X* (469.3), AGEI (0.919), RMRSS (0.023), RMSEA (0.070), CFI (0.977), NNFI (0,971), GFI (0.945). Os resultados Observados com 0 Modelo de 4 factores registam os valores: 1572.8 (12), 0.813 (AGED, 0.190 (RMRSS), 0.134 (RMSEA), 0.913 (CFD, 0.893 (NNFD, 0.871 (GFI). Do ponto de vista das implicagdes priticas, os resultados obtidos no Conjunto das andlises factoriais exploratérias e confirmatérias realizadas leva-nos a propor 0 calculo de trés fndices factoriais. Os subtestes foram selecctonados em fungao de critérios de natureza empirica e tedrica, incluindo, ainda, critérios como o seu grau de saturaciio factorial ou a sua utilizagio para o cdlculo dos mesmos Indices factoriais nas versdes ameri- cana, inglesa e francesa/belga tendo em vista assegurar a sua comparabilli- dade. Gorsuch (1983) ¢ outros autores tém sugerido que as solugdes fac- Avaliacdo Psicolégica - Instrumentos Validados para a Populagiio Portuguesa na interpretacao dos resultados no teste. As solucdes de dois e trés factores parecem ser as mais robustas e significativas. A solugiio de dois factores suporta a dicotomia QIV-QIR ¢ tem sido identificada na literatura (Konoild, Kush & Canivez. 1997; Kush, 1996; Sullivan & Montoya, 1997). A solugdo que parece mais aceitdvel aponta para trés factores: Compreensio Verbal, Organizagao Perceptiva e Velocidade de Processamento. A Gnica inconsisténcia apresentada pela solugdo de trés factores surge na sub- amostra 11-13 anos (0 te? ‘o factor é aqui formado pelos subtestes Aritmética ¢ Memoria de Digitos). Os resultados das andlises exploratérias (bem como das andlises confirmatérias, a seguir apresentadas) corroboram a presenga de trés factores: dois factores dominantes (Compreensio Verbal e Organizagao Perceptiva que determinam aproximadamente 43,2% da variancia dos resultados) e um terceiro factor menos sdélido (Velocidade de Processamento que explica 8.7% da variancia). Uma solugao de quatro fac- tores parece-nos menos aceitdvel, ou seja, as saturacGes dos subtestes por um quarto factor (que seria constituido pela Memoria de Digitos e Aritmética) variam de uma sub-amosira para outra, que dificulta a questdo da significagdo psicolégica a atribuir a este factor. No ambito da andlise factorial confirmatédria, foram examinados varios modelos factoriais através do recurso a diferentes indices de ajustamento: Modelo 1 (um factor) inclui os treze subtestes que assim formam um fac- tor geral; Modelo 2 (dois factores) que abrange os seis subtestes Verbais e os sete subtestes de Realizacio; Modelo 3 (trés factores) englobando os seis subtestes Verbais, os cinco subtesies de Realizacao e os dois subtestes de Velocidade de Processamento; Modelo 4 (quatro factores) integrando os quatro factores evidenciados nas investigagdes americanas, a saber, Compreensao Verbal (Informagiio, Semelhangas, Vocabulario e Compreen- sao), Organizagio Perceptiva (Completamento de Gravuras, Disposicio de Gravuras, Cubos, Composigio de Objectos e Labirintos), Atencdio/Concen- tragio (Aritmética e Meméria de Digitos) e Velocidade de Processamento (Cédigo e Pesquisa de Simbolos). Foram investigados varios indices de ajustamento dos dados aos dife- rentes modelos com 0 objectivo de minimizar os enviesamentos inerentes acada um deles (Macmann & Barnett, 1994): 0 %¢ (permite testar 0 ajus- tamento entre 0 modelo e a matriz de covariancias observadas; quanto menor é 0 valor do X?, melhor € 0 ajustamento); o indice AGFI (adjusted goodness-of-fit index, quanto mais elevado € 0 valor, melhor é o ajusta- Escala de Inteligencia de Wechsler para Criangas ~ Terceira E 4.5 Resultados relativos & validade Varios indicadores da objectividade e utilidade dos resultados na WISC-I foram evidenciados a partir dos estudos de validade: (i) validade de constructo (recurso } andlise factorial exploratoria ¢ confirmatoria) (ii) validade concorrente (velco com os resultados obtides na WISC, WPPSI- R, no teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven e classificacdes escolares atribufdas pelos professores); (iii) validade preditiva (corres- pondéncia com os resultados escolares); (iv) validade discriminante (observacio dos desempenhos obtidos por sujeitos provenientes de grupos com diagnéstico de deficiéncia mental, dificuldades escolares e classifica- dos como “intelectualmente superiores”). Andlises factoriais As andliises factoriais exploratérias © confirmatérias incidiram quer na amosira total (N=1351), quer em quatro sub-amostras constitufdas com pase na idade dos sujeitos: 6-7 anos (N=254), 8-10 anos (N=347), 11-13 anos (N=373) e 14-16 anos (N= 77). Um modelo em factores comuns tem sido tradicionalmente usado para analisar a estrutura factorial da WISC-IIT andlise factorial exploratéria). Foram comparados os resultados de varios nétodos de extracgiio e de rotagdo e utilizada uma diversidade de indices zara determinar o mimero de factores com significado presentes nos dados. Je acordo com a sugestio da maior parte dos peritos em anélise factorial, ‘oram usados varios critérios, e © exame do cardcter significative das ‘otagdes examinado com um ndmero varidvel de factores. Na definigZio do utimero de factores, usou-se o critério cléssico de Kaiser-Guttman (que pre- voniza a extracedo de tantos factores quantos os valores préprios superiores ‘1 © 0 seree test de Cattell. Uma andlise em factores principais segundo o nétodo da maxima verosimithanca foi igualmente efectuada e a progressio los testes de 9 foi examinada para dois, irés, quatro e cinco factores. A mogressio dos valores préprios (eigenvalues) das matrizes de intercorre- agbes foi examinada para cada sub-amostra e para a amostra total. Na versio portuguesa da WISC-III, foram observados um primeiro alot proprio relativamente importante (mediana=4,0) e um segundo valor ‘rOprio bastante mais reduzido (mediana=1,6). Um tal contraste presente uer na amostra total quer nas diferentes sub-amostras sugere a presenca de m factor global dominante (Reckase, 1979), justificando 0 uso do QIEC 232 Avaliagdo Psicolégica - Instrumentos Validados para a Populac&o Portuguesa amostras de reteste (6-7 anos; 10-11 anos e 14-15 anos). O intervalo entre as duas aplicacgdes da Escala oscilou entre 15 e 60 dias (mediana=26 dias). Os coeticientes teste-reteste foram corrigidos, tendo em conta a variabili- dade das notas na primeira aplicacdo, de modo a obter estimativas precisas da estabilidade das notas na populagiio. Os resultados observados demons- tram uma estabilidade temporal adequada, considerando os varios grupos etdrios, individualmente ou de forma agrupada, bem como um aumento de 10 pontos para o QIEC no reteste, apds um intervalo de tempo reduzido. Os desvios das notas devidos aos efeitos de aprendizagem s&o mais reduzi- dos para o QIV (3.5 a 6 pontos) do que para o QIR (10 a 14 pontos). Os valores da estabilidade teste-reteste, referentes a cada um dos niveis etarios e a totalidade da amostra, oscilam entre .49 (Cédigo) a .89 (Informaciic) ao nivel dos subtestes; .84 a .94 (QIV), .82 a .89 (QIR) e .86 a .95 (QIEC) nos Quocientes Intelectuais. Nos Indices Factoriais, observam-se variacdes entre 85 a 94 (ICV), 83 a .85 (IOP) e .55 a .83 (IVP). O acordo entre cotadores foi investigado nos quatro subtestes (Vocabulario, Compreensao, Semelhangas e Labirintos) onde sao mais fre- quentes eros de cotag&o. Neste ambito, foram analisados 80 protocolos, seleccionados ao acaso, a partir da amostra de afericaio. Duas psicdlogas cotaram, de maneira independente, os quatro subtestes daqueles protoco- los. Para controlar os efeitos da idade, as andlises foram conduzidas, sepa- radamente, para cada grupo etario, A média dos resultados dos diferentes grupos etarios foi seguidamente calculada através de uma transformagio z de Fisher. Os coeficientes de fiabilidade entre cotadores foram os seguintes: .96 (Semelhangas), .94 (Vocabulario), .96 (Compreensiio), e .99 (Labirintos). Quando foi considerado o conjunto dos sujcitos, nado separa- dos por grupos etarios, os coeficientes de fiabilidade foram os seguintes: .99 (Semelhangas); .99 (Vocabulario); .95 (Compreensio), e .97 (Labirin- tos). Estes resultados sugerem que os subtestes mais exigentes e dificeis do ponto de vista da cotagio podem ser cotados de modo muito fidvel e objec- tivo, sempre que so respeitadas as regras formuladas no Manual. Estes dados parecem também corroborar a ideia segundo a qual uma das vanta- gens da WISC-III é, justamente, a introdugdo de aperfeigoamentos no sis- tema de cotacZo, nomeadamente nas testes de Vocabulario, Compreensiio ¢ Semelhangas (cf. Kaufman & Lichtenberger, 2000). No seu conjunto, os valores relativos 4 precisiio sfio idénticos aos observados nas aferigdes inglesa (Wechsler, 1992) e francesa/belga (Wechsler, 1996) da WISC-III. 231 | Escala de Intelig@ncia de Wechsler para Criangas — Terceira Edicdo (WISC-ID) acordo com 0 esperado, os itens demonstram sensibilidade genética, uma yez que o nfvel de sucesso nos itens progride regularmente com a idade dos sujeitos avaliados, 4.4 Resultados no ambito da precisdo Varios {ndices expressam a precisiio da WISC-III, como € 0 caso dos coeficientes de consisténcia interna, erros-padrio da medida, estabilidade teste-reteste ou acordo entre cotadores. Os coeficientes de consisténcia interna para os Qls ¢ Indices Factoriais so compreensivelmente superiores aos obtidos individualmente nos subtestes, pois estamos perante valores sompésitos, que abrangem uma amostra de comportamentos mais qumerosa. A amplitude dos valores da consisténcia interna, relativos a cada 1m dos niveis etérios e A totalidade da amostra, situa-se entre .66 ‘Composigio de Objectos) e .84 (Aritmética e Cubos) a0 nivel dos sub- estes; 93 (QV, Quociente Intelectual Verbal), 88 (QIR, Quociente ‘atelectual de Realizactio) e .89 (QIBC, Quociente Intelectual da Escala Sompleta) nos Quocientes Intelectuais; ¢ .91 (ICV, indice Compreensiio Verbal), 87 (IOP, Indice Organizacdo Perceptiva) e .79 (IVP. indice Velocidade de Processamento) nos indices factoriais. 0 Erro-Padrao da medida (EPm) proporciona uma estimativa do erro, issociado 4 nota obtida por um sujeito em cada subteste, QIs ou Indices “uctoriais. Quanto mais clevada é a fiabilidade, mais reduzido é 0 EPm e naior é o grau de confianga atribuido & nota do sujeito num daqueles indi- ‘adores, O intervalo de confianca assim obtido 6 itil na interpretagdo, uma @z que determina as notas limites no interior das quais se situa a nota ver- ladeira de um sujeito. O EPm das notas nos subiestes é menor do que os los Qs ¢ indices Factoriais, o que nio significa que os subtesies facultem 'ma medida mais precisa. A amplitude dos valores do EPm situa-se entre 2 (Aritmética) ¢ 1.8 (Composigao de Objectos) ao nivel dos subtestes: 4.1 GIV), 5.2 (QIR) e 4.9 (QUEC) nos Quocientes Intelectuais; e 4.6 (ICV), 5.5 TOP) ¢ 6.9 (IVP) nos Indices Factoriais. A estabilidade temporal dos resultados da WISC-III foi examinada uma amostra de 195 sujeitos testados em dois momentos distintos. A mostra foi constitufda por seis grupos et4rios provenientes da amostra de ferig#io em que foram reagrupados, com o objectivo de instituir tr@s sub- 230 Avaliagdo Psicoldgica - Instrumentos Validados para a Populagio Portuguesa Regionais de Educaciio, Apenas em trés das escolas seleccionadas do meio urbano nao foi possivel proceder & aplicagdo da prova (tendo sido substi- tufdas pelas escolas mais préximas do mesmo tipo). Os protocolos das criangas que fizeram parte dos estudos exploratorios nao foram obviamente inseridos neste estudo de normalizagao dos resultados de Ambito nacional. No conjunto dos varios estudos — que incluem igualmente os dois estudos exploratérios, as investigagdes no dominio da validade concorrente (relagdes com as Matrizes Coloridas de Raven e com a WISC), validade discriminativa relativamente a grupos especiais (dificuldades escolares, deficiéncia mental e sobredotagao) ~ foram examinadas aproximadamente 2000 criangas e adolescentes. O projecto de adaptagiio e aferigdo da WISC-III para a populace por- tuguesa implicou a redacgao de trés versGes do manual: duas experimen- tais, usadas nos estudos exploratérios; ¢ uma terceira, ¢ tiltima, que corres- ponde 4 Versio final’. 4.3 Dados qualitativos e quantitativos dos itens Os resultados obtidos nos dois estudos exploratérios conduziram a selecgdo dos itens que apresentavam qualidades métricas adequadas. Para cada item foram examinadas as seguintes caracteristicas: (i) 0 indice de dificuldade (que permitiu fixar a ordem de apresentagiio dos itens em cada subteste; a maioria dos itens situa-se na faixa metrologicamente desejavel -80 - .20; 0 valor médio do indice de dificuldade em cada subteste é de aproximadamente .50); (ii) 0 pardmetro de dificuldade segundo 0 modelo de Rasch (o modelo de Rasch € 0 mais popular dos modelos da Teoria de Resposta ao Item e produziu resultados idénticos aos cbtidos de acordo com a Teoria Classica dos Testes); (iii) 0 indice de discriminagGo (os itens retidos em cada subteste apresentam correlagées bisseriais corrigidas > .20, estatisticamente significativas (p<.01), com as notas totais em cada sub- teste). Procedeu-se, igualmente, & andlise do fincionamento diferencial dos itens, tendo-se eliminado os itens dos subtestes Verbais cujos conteidos demonstravam enviesamentos em relag&o ao género (cf. Maller, 2001). De Para uma descricdo mais pormenorizada dos cuidados metodoldgicos e éticos tides na adaptago portuguesa da WISC-III, veja-se Simées (2002). ol Escala de Inteligéncia de Wechsler para Ctiangas — Terceira Edigfo (WISC-1D) | idéntico de rapazes e raparigas, em todas as categorias decorrentes das va- fdveis consideradas; (iii) Meio de residéncia — A Tipologia de Areas Urbanas utilizada foi a aprovada pela 158* Deliberagio do Conselho Superior de Estatfstica em Jutho de 1998. Conciliando critérios estatisticos com critérios de ordenamento e planeamento do territério, estes tiltimos com carieter marcadamente qualitativo, a Tipologia compreende ués niveis, dos quais dois sio urbanos: Areas Urbanas; Areas Predominan- femente Urbanas; Areas Predominantemente Rurais; (iv) Zona geogrdfica ~ Procurou-se que a amostra de afericdo tivesse uma ampla tepresentativi- dade em termos geogrificos abrangendo, nomeadamente, regiées quer Iitorais quer interiores, em niimero proporcional aos valores nacionais definidos a partir dos NUTS MI para Portugal Continental (INE, Estatisticas Demograficas de 1997). Neste sentido, foram consideradas as seguintes éreas geognificas: Norte (Litoral e Interior); Centro (Litoral ¢ Interion; Lisboa e Vale do Tejo (Litoral e Interior); Alentejo (Litoral ¢ Interior); Algarve; e Agores. A variivel estatuto socioecondmico foi co- dificada de acordo com a versio portuguesa da Classificagdo Nacional de Profissdes, adoptada nos Censos 91 (INE, 1996), em fungiio da qual sao Aefinidos os varios grupos profissionais (as percentagens dos grupos na amostra siio pr6ximas as dos mesmos grupos na populaco). O nivel esco- ‘ar dos sujeitos que compSem a amostra de afericdo situa-se entre 0 1.°¢ 0 U1? anos de escolaridade. Os 1351 exames foram levados a cabo por 30 psic6logos, agrupados em 8s equipas de coordenacao regional: Norte (litoral), Centro (litoral e inte- ior, norte interior) ¢ Sul (Lisboa e Vale do Tejo litoral e interior, Alentejo itoral ¢ interior, Algarve, Acores). Por razes de natureza logistica, os pro- ccolos do norte interior foram recolhidos no centro interior norte. Os Ujeitos foram sempre examinados por psicslogos(as) que, para o efeito, iveram um treino espeeifico prévio. A cotacio dos protocolos foi abjecto 'c revisio por parte da equipa dos investigadores responsdveis por este pro- ecto. Nenhuma das criancas examinadas havia anteriormente respondido & VISC. Todos os estudos foram realizados apés consentimento informado oneedido pelas escolas, pais, criancas ou adolescentes, ¢ salvaguardando empre a confidencialidade dos resultados. Os directores ou conselhos Xecutivos das escolas seleccionadas foram directamente informados das ‘aracteristicas ¢ objectivos desta investigaglo, Além disso, foram também ontactados através de uma carta enviada pelas diferentes Direcgdes 228 Avaliacdo Psicoldgica - nstrumentos Validados para a Populagiio Portuguesa instrugdes de aplicagio e cotagao. Para o efeito, foram utilizadas varias fontes de informacado, como comentarios solicitados aos psicélogos que aplicaram a WISC-III, sugestdes provenientes de varios consultores € pe- ritos, reviséo da literatura (incluindo os manuais das versdes inglesa e francesa/belga) e andlise sistematica dos resultados obtidos. 4.2 Amostra e metodologia No ambito da adaptagio e aferig&o nacional da versio portuguesa da WISC-III foram realizados diversos estudos. O primeiro estudo expio- ratério envolveu 66 criancas e adolescentes com idades compreendidas entre os 6 e os 16 anos, e um ntimero idéntico de rapazes e raparigas para cada um dos 11 niveis etarios, residentes no distrito de Coimbra. O segun- do estudo exploratério, com a segunda versio proviséria da WISC-III, incluiu uma amostra de 287 criancas e adolescentes. Com 0 objectivo de assegurar a necessdria heterogeneidade desta amosira foram controladas as seguintes varidveis: idade (dos 6 aos 16 anos), género (a amosira inclui um ndmero idéntico de rapazes e raparigas em cada grupo etdrio), a regifio geografica (interior e litoral, do centro do Pajs) e area de residéncia (urbana e rural). A investigagdo de ambito nacional, tendo em vista a elaboragiio de dados de natureza normativa, envolveu uma amostra de 1351 criancas e adolescentes com idades compreendidas entre os 6 € os 16 anos (note-s que o tamanho da amostra utilizada na aferi¢o é superior quer ao da con- génere inglesa (N=824), quer ao da versdo andloga francesa/belga (N=1120) e compreensivelmente inferior ao da aferigéo americana W A seleccao desta amostra foi baseada num plano de amostragem estra- lificado, a partir de dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatistica, tendo como objectivo assegurar a sua representatividade. A idade, o género, 0 meio de residéncia ¢ a regiaio geografica foram as principais va- tidveis consideradas na estratificagzio da amostra, de acordo com os para- metros que a seguir se indicam: (i) Jdade — Foram constituidos onze gru- pos etdrios dos 6 aos 16 anos, cada um dos quais com um ntimero de sujeitos que oscilou entre 111 e 137; a mediana da idade para cada grupo situou-se em toro dos 6 meses, mais ou menos 5 semanas: 6 anos c 6 meses, 7 anos e 6 meses, 8 anos € 6 meses, etc.; (ii) Género — Um nimero Escala de Inteligéncia de Wechsler para Criancas ~ Terceira Edigao (WISC-II1) ens presentes na Versio final): Informacio (41, 35, 30), Semelhancas (26, 2, 19), Aritmética (27, 28, 24), Vocabulario (44, 35, 30), Compreenstio 24, 22, 18). A subescala de Realizacio € constitufda pelos seguintes sub- 2stes (€ nimero de itens da versio original e final): Completamento de iravuras (30), Cédigo A (59), Cédigo B (119), Disposico de Gravuras '4), Cubos (12), Composigiio de Objectos (5), Pesquisa de Simbolos A 45), Pesquisa de Simbolos B (45), Labirintos (10) A semelhanga do que acontece nas aferigdes estrangeiras anteriormente ssinaladas, ha um nimero importante de itens na versio portuguesa da JISC-II que se encontravam jé nas edigdes anteriores (WISC, WISC-R), nda que alguns desses itens tenham sido objecto de ligeiras modificacdes. Foram também acrescentados mais pontos de inicio na Escala que per- titem diminuir o tempo de administragao. Além disso, na parte Verbal da scala, foi aumentado o ntimero de exemplos de respostas a fim de facili- Fa cotagio. Existem itens de exemplo com o objectivo de ajudar o sujeito familiarizar-se com a tarefa e foram introduzidas alteragdes na regra de terrupedo (em funcao do mimero de insucessos consecutivos). Foi revista estrutura dos pontos de bonificagio em caso de éxito répido. Com as seepgGes dos subtestes de Informagio, Semelhancas e Vocabulério, hé um tmento do ntimero de itens em relaedo As versées anteriores. No Cédigo, da simbolo foi ligeiramente aumentado ¢ acrescentou-se uma fila de ans. Na DisposicZio de Gravuras, os itens sio agora numerados. A ordem uecta € verificada através de uma simples sequéncia numérica (1, 2, 3), m qualquer utilizacdo de palavras em inglés. A Pesquisa de Simbolos 6 0 vo subteste, opcional, e compreende dois niveis de dificuldade: Partes A 8. As duas partes so apresentadas autonomamente num tinico caderno. wa questo mais especifica da versio portuguesa foi a preocupagiio de equar 0 contetide dos problemas do subteste de Aritmética, que volvem dinheiro, a transigo do escudo para 0 euro. O estudo de afericao nacional, mais estritamente orientado para a ela- tagio de normas, decorreu entre Fevereiro e Dezembro de 2000 (a esma- dora maioria dos protocolos foi recolhida entre Fevereiro e Junho de 00). Os estudos de preciso (acordo entre cotadores) ¢ de validade (con- mente, preditiva e constructo) foram realizados entre Fevereiro de 2001 unho de 2002, A elaboragao da versio portuguesa da WISC-III foi orientada, ainda, las seguintes metas: aperfeigoamento do contetido dos subtestes ¢ das | 226 Avaliaciio Psicoldgica - Instrumentos Validados para a Populagao Portuguesa 4, Estudos realizados em Portugal 4.1 Data e objectives A versio final portuguesa da WISC-IH, utilizada na aferigio nacional, corresponde a um trabalho de aperfeigoamento progressivo e que implicou a realizagiio de dois estudos exploratérios conduzidos entre Fevereiro e Junho de 1999. As versdes inglesa (Wechsler, 1992) © francesa/belga (Wechsler, 1996) constitufram o principal ponto de partida para a elabo- racio da primeira versio experimental portuguesa da WISC-III. Tendo em vista a adaptaciio portuguesa da WISC-III procedeu-se, em dois momentos distintos, a uma selecgao dos itens presentes na primeira e segunda versdes experimentais. Esta selecgao de itens baseou-se nos seguintes objectivos (i) 0 nivel de dificuldade dos itens da versiio portuguesa deveria ser equi- valente ao dos itens das verses inglesa (Wechsler, 1992) e francesa/belga (Wechsler, 1996) da WISC-III; (ii) a cotag%o das respostas a estes itens, bem como as instrugées de administragao dos subtestes deveriam ser sim- ples e evidentes a tim de assegurar a fiabilidade da medida (e a similitude do processo de avaliagio); Gii) para algumas provas, a qualidade das respostas deveria apresentar uma gradagio a fim de permitir uma cotagao do tipo 0, 1 ou 2 pontos. Convém salientar que nao se tratou de uma simples tradugio literal, mas de um exercicio complexo de adaptacdo, nomeadamente no que diz respeito 4 parte Verbal da Escala, na qual se introduziram diversas alte- ragdes tendo em vista a sua adequagdo a realidade portuguesa. A seme- Thanca do que aconteceu com a yersdo francesa/belga da WISC-III, as provas da subescala de Realizago nao foram objecto de qualquer miodifi- caciio relativamente a verso inglesa. Todavia, foram aplicados os subtestes de Realizacdo nos estudes exploratérios a fim de verificar a pertinéncia da ordem de dificuldade dos itens. A amplitude das modificagdes na versdo portuguesa da WISC-III € idéntica ) extensio das alteragdes introduzidas na versio francesa/belga (Wechsler, 1996) relativamente 4 versio americana (Wechsler, 1991). A subescala Verbal € constituida pelos seguintes subtestes (entre par6nteses indica-se pela ordem que se segue o numero de itens investigados nas duas versdes experimentais usadas nos estudos exploratérios ¢, finalmente, os 225 Escala de Inteligéncia de Wechsler para Criangas ~ Terceira Edigao (WISC-IID) CWATS-III, Wechsler, 1997, ainda nao aferida mas em fase de adaptacdo para a populagao portuguesa), De referir que Portugal dispde apenas, até ao momento, de uma versio da WISC (Marques, 1969, 1970), adaptada e aferida a partir da sua primeira edicao (Wechsler, 1949), 3. Fundamentacio teérica David Wechsler concebe a inteligéncia como uma totalidade integrada endo como uma aptido particular. A inteligéncia é “o agregado ou capaci- dade global do individuo para actuar finalizadamente, pensar racional- mente ¢ proceder com eficiéncia em relagiio ao meio” (Wechsler, 1974). Manifestar comportamentos inteligentes significa mobilizar diversos Processos como a percepelio, a meméria e o raciocinio. Por isso, a inteligéncia pode ¢ deve ser inferida a partir do desempenho observado em diferentes séries de tarefas. No entanto, enquanto capacidade global, a inte- ligéncia ndo é a mera soma dos seus elementos ou aptidées, qualitativa~ mente diferencidveis. Qualquer conduta inteligente depende da confign- ragdo desses componentes ¢, até da intervencio de factores nao intele- uais. Neste contexto, os subtestes da WISC-III (¢ das outcas Escalas de Inteligéncia de Wechsler) foram seleccionados de modo a colocar em jogo aptidées mentais diversas que, reunidas, reflectem o funcionamento in- electual giobal do sujeito, Assim, os seus subtestes fazem apelo ao racio- 4nio abstracto, & meméria, & compreensio verbal, a resolucZo de proble- vas ou a capacidades perceptivas, entre outras. Todas estas aptiddes sfio salorizadas em diferentes graus pela nossa cultura, todas esto associadas } comportamentos gerais ¢ consensualmente designados, em sentido am- 210, como “inteligentes”. Nenhum subtesie reflecte, isoladamente, 0 con- unto dos comportamentos inteligentes. Outros factores nao intelectuais tragos ¢ atitudes) influenciam 0 sucesso do sujeito neste tipo de medidas, tevendo 0 psicdlogo estar atento a tais factores no momento de aplicagiio interpretagdo dos resultados, o que alii justifiea a aplicagdo individual da scala. 224 Ayaliagio Psicoldgica - Instrumentos Validados para a Populacio Portuguesa 1.2 Populagées-alvo Enquanto medida do funcionamento intelectual, a WISC-III pode ser utilizada em criangas e adolescentes dos 6 aos 16 anos, normais ou com diferentes tipos de problemas. A utilizagio da WISC-III ocorre interna- cionalmente, em diferentes cendrios de investigagao e de intervencdo psi- colégica. A drea educativa e desenvolvimental é uma daquelas em que o recurso A WISC-III mais ocorre. Nestes contextos, a WISC-III desempe- nha um pape! importante, mas niio exclusivo, na identificagdo de divers condigGes — dificuldades de aprendizagem, sobredotacio, deficiéncia men- tal ou atraso do desenvolvimento, por exemplo —, nz avaliagdes psico- pedagégicas e na orientagio escolar. Em contextos clinicos e de reabili- tagiio, mais especificamente ma caracterizagio cognitiva de sujeitos com perturbagées neurolégicas como a afasia, traumatismos cranianos, paralisia cerebral, epilepsia, etc. ou com deficiéncias sensoriais (auditivas ¢ visuais), esta escala de inteligéncia ocupa igualmente um lugar relevante (cf. Grégoire, 2000; Kaufman, 1994; Kaufman & Lichtenberger, 2000; Prifitera & Saklofske, 1998; Simdes, 2002a). 2. Histéria Retomando as caracterfsticas basicas da WISC (Wechsler, 1949) e da WISC-R (Wechsler, 1974), a WISC-III — originalmente publicada nos Estados-Unidos da América (Wechsler, 1991) proporciona material, con- teido e procedimentos de administragdo reactualizados e, logicamente, novas normas e formas de interpretagao dos resultados. Mais remotamente, a historia da WISC-III comeca, de algum modo, com a publicagiio, em 1939, nos Estados-Unidos da América, da Escala Wechsler-Bellevue de Inteligéncia para Adultos. A Forma Il da Wechsler- Bellevue foi o antecessor imediato da WISC, fomecendo a maior parte dos seus subtestes ¢ itens. A WISC-III faz parte de uma familia de escalas de inteligéncia que apresentam uma acentuada similitude e continuidade estrutural e concep- tual, e cujas vers6es mais recentes sio administradas a criangas dos 3 aos 6 anos e 6 meses (WPPSLR, Wechsler, 1989, em fase de aferigio para a populagaio portuguesa) e a adolescentes e adultos dos 16 aos 89 anos 1. Indicacées 1.1 Composiedo e dimensées avaliadas A Wechsler Intelligence Scale for Children ~ Third Edition, ou WISC- DI, (Escala de Intcligéncia de Wechsler para Criangas — Terceira Edigiio) € um instrumento de avaliagio cognitiva de administeacio individual. Trata- se de uma escala que assume 0 exercicio e a avaliagio da inteligéncia na sua natureza compésita, ou seja, pressupondo a capactdade intelectual dos individuos como um potencial decorrente da integragio ¢ ponderagio de diversas habilidades e fungdes cognitivas, Nesta linha, a escala permite cal- cular uma medida de inteligéncia geral (Queciente Intelectual da Escala Completa, QUEC), dois quocientes parcelares segundo a natureza verbal (Quociente Intelectual Verbal, QIV) e nio verbal (Quociente Intelectual de Realizagaio, QIR) das suas provas, ou ainda outros indicadores decorrentes de novos agrupamentos dos seus subtestes (indices factoriais) A WISC-III inclui treze subtestes, distribuidos por duas subescalas, Verbal ¢ Realizacio (0 nimero indicado antes de cada subteste corresponds a0 da respectiva ordem de administragio): 1. Completamento de Gravuras; 2, Informacio; 3. Cédigo; 4. Semelhangas; 5. Disposigio de Gravuras; 6. Aritmética; 7. Cubos; 8. Vocabulario; 9. Composigio de Objectos; 10. Compreensio; 11. Pesquisa de Simbolos*; 12. Meméria de Digitos*; 13. Labitintos* (*subtestes suplementares).

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