*Alimentao Escolar e das cantinas. Rev.
Segurana Alimentar e
Nutricional,Campinas, v. 13, n. 1, p. 85-94, 2006.
*DARTORA, N., VALDUGA, A.T., VENQUIARUTO, L. Alimentos e sade: uma
questo de educao. Vivncias, Erechim. V. 01, ano 2, n. 3 p.201-212 Outubro
de 2006. Disponvel no site www.reitoria.uni.br. Acesso em 04/11/2013.
*GOUVA, E.L.C. Nutrio, sade e comunidade. Rio de Janeiro, Revinter, 1999.
HALPERN, Z. Frum nacional sobre promoo da alimentao saudvel e
prevenoda obesidade na idade escolar. 2003. Disponvel em:
<http://www.abeso.org.br/revista/ revista15/forum.htm>. Acesso em: 20 jul. 2013.
OBSIDADE INFANTIL/
Os hbitos alimentares de um indivduo refletem sua imagem, no s o corpo,
mas tambm a mente que se desenvolve de acordo com a sua alimentao, por esse
motivo de extrema importncia ter uma alimentao saudvel e adequada com cada
fase do desenvolvimento humano, para cada fase da vida, a alimentao tem uma
importncia diferente, mas essencial em todas elas.
Desde a infncia cada indivduo j tem suas preferncias alimentares, cabendo
famlia e escola incentivarem que estes sejam os mais saudveis possveis, pois
fatores genticos e hereditrios interferem e muito nesses hbitos.
Quando a criana sai do seu lar e comea a frequentar ambientes diferentes
como escola, creches, ela sofre uma intensa influncia de diversas formas, pois o
contato com tantas pessoas diferentes tende a levar os pequeninos a imitarem os
comportamentos dos outros, tanto na questo social como na alimentar, e isto pode
trazer consequncias tanto positivas como negativas.
Embora a alimentao e nutrio adequadas se configurem como direitos
fundamentais da pessoa humana e requisitos bsicos para a promoo e proteo da
sade, infelizmente ainda so pouco garantidos em nosso pas. Embora muitas pessoas se
julguem habituadas ao consumismo e s
constantes mudanas da sociedade, as crianas e os jovens, ainda em
desenvolvimento, necessitam de orientao especial e cuidados para que possam
cultivar hbitos saudveis. A presso
causada pela mobilidade do mercado e o dispndio da constante busca por
aquisies, muitas vezes, gera desequilbrio, no s individual, mas tambm na
rbita familiar. Nesse contexto, E. Lisle, em A Sociedade de Consumo, assevera:
Os pais, na correria do dia-a-dia, atarefados em seus celulares e
computadores, por vezes, no tm muito tempo para dialogar ou partilhar tempo de
qualidade com seus filhos. E, por outro lado, tambm no sentem segurana em
deix-los se divertir em ambientes externos. Apesar disso, crianas de baixa renda
tendem a brincar mais nas ruas do que crianas de classes mais altas, j que,
muitas vezes, suas residncias no constituem espao ou estrutura para as
brincadeiras. (PINTO; BICHARA, 2014). Porm, na inteno de evitar a violncia e
insegurana das ruas, muitos pais acabam optando por entreter suas crianas em
casa, na frente das telas de televises, computadores e tablets.
Deste modo, pais e educadores sentem-se inseguros, no somente pela
questo da violncia, mas principalmente, pela dvida sobre qual a forma mais
eficaz de preparar suas crianas para uma sociedade que, muitas vezes, sobrepe
valores consumistas em detrimento de morais.
Obesidade infantil: Um problema social
De acordo com Angelis (2003), a obesidade pode ser definida como uma
sndrome multifatorial que abrange alteraes fisiolgicas, bioqumicas, metablicas,
anatmicas, psicolgicas e sociais, advinda do acmulo de gordura e peso corporal.
Desta forma, a obesidade uma doena crnica com crescimento vertiginoso
no mundo inteiro, e j considerada um dos problemas de sade mais graves. Muitas
vezes, as pessoas no enxergam a importncia que tem o combate dessa doena,
esquecendo que cada vez mais precocemente, crianas so diagnosticadas como
obesas ou acima do peso, correndo riscos gravssimos de sade. Sobre isso
comenta Angelis (2003, p.38):
A presena de obesidade em crianas est associada a muitos problemas
de sade e relacionados com alteraes fisiolgicas, metablicas e
estruturais. Entre estas, esto includas as doenas coronrias, diabetes
melito, aumento do colesterol plasmtico e de triglicerdeos, doenas da
vescula biliar e muitas outras.
Alm de trazer diversos prejuzos sade fsica, a obesidade tambm pode
relacionar-se a problemas no emocional da criana. Fatores emocionais tm papel
decisivo na instalao e na manuteno da obesidade (SILVEIRA, 20015, p. 63).
Embora no constitua objeto deste estudo, convm ressaltar que muitas crianas
sofrem por transtornos na estrutura familiar ou na escola e acabam usando o
alimento como uma forma de compensao para seus problemas.
A obesidade pode comear desde muito cedo, nos primeiros anos de vida.
Como exemplo, tem-se o aleitamento materno, de extrema importncia para o
crescimento saudvel da criana. A substituio deste, por leite artificial (em p,
farinha lctea, etc.) pode acarretar no s a obesidade como tambm, alergias e
infeces, porm muitas propagandas televisivas enaltecem um suposto contedo
altamente nutritivo do leite em p, deixando de mencionar a grande quantidade de
acar que o mesmo contm (RENNER, 2012).
No documentrio Muito Alm do Peso, que trata da obesidade infantil no
Brasil, Estela Renner (2012), aponta que 33,5% das crianas sofrem de obesidade
no pas, e afirma que de cada 5 crianas obesas, 4 permanecem nessa condio
quando adultas. Dessa forma, incontestvel notar que a situao da obesidade
extremamente grave e que deve ser combatida com urgncia.
No h dvidas que a obesidade infantil causada, em sua maioria, pelos
altos ndices no consumo de produtos industrializados, principalmente aqueles que
contm grande concentrao de gordura e acares. Esses produtos so cada vez
mais comuns em nossa sociedade, e consequentemente, afetam na alimentao
das crianas. Sobre isso, fala Silveira (2015, p.46):
Diante desse cenrio, as crianas sofrem as consequncias: trocam uma
alimentao saudvel por guloseimas, lanches, frituras e alimentos
fabricados em srie, que no contm os nutrientes necessrios a um
crescimento saudvel. E isso, dia aps dia, acaba por converter-se num mau hbito, que
compromete a sade infantil.
1.4 Fatores que influenciam no Comportamento Alimentar
Entre eles fatores externos (unidade familiar e suas caractersticas, atitudes
de pais e amigos, valores sociais e culturais, mdia, alimentos rpidos (fastfoods),
conhecimentos de nutrio e manias alimentares) e fatores internos (necessidades e
caractersticas psicolgicas, imagem corporal, valores e experincias pessoais,
autoestima, preferncias alimentares, sade e desenvolvimento psicolgico).
Muitos estudos demonstram que o sedentarismo outro fator que est
estritamente ligado obesidade. As crianas sedentrias costumam passar muito
tempo em frente s telas da televiso e do computador e raramente reservam algum
horrio para a realizao de atividades fsicas. Segundo Renner (2012) no Brasil, a
mdia de tempo gasta por crianas em frente TV cerca de 5 (cinco) horas por
dia, mais tempo do que o perodo gasto pelas mesmas na escola.
Alm da televiso e do computador, novos aparelhos eletrnicos esto
sendo, prematuramente, apresentados e introduzidos na vida de bebs e crianas,
como celulares e tablets, contribuindo, ainda mais, para o sedentarismo, e
possivelmente, para a obesidade. O ideal que o tempo utilizado com atividades
sedentrias em frente mdia eletrnica seja, no mximo, de duas horas por dia.
(SILVEIRA, 2015, p.47).
Controlar o tempo que as crianas dispensam em frente aos aparelhos
eletrnicos muitas vezes um grande problema, pois em vrias situaes trata-se
de herana advinda dos prprios pais. Da mesma maneira, pode-se falar da forma
de alimentao em uma casa. Os baixos preos das comidas enlatadas e a
praticidade das lojas de fast-food muitas vezes embalam as rotinas de muitas
famlias. Sobre esses estabelecimentos, Varella (2015) comenta:
A responsabilidade no s deles, nossa. Assumi-la o primeiro passo
para enfrentar a obesidade. A nica exceo a das crianas, que ainda
no amadureceram o suficiente para resistir tentao dos comerciais de
TV e das ofertas das cantinas escolares, muito menos orgia de balas,
bombons e biscoitos recheados que guardamos no armrio de casa.
O problema que alguns pais no conseguem enxergar a gravidade da
situao de sade dos filhos, muitas vezes, ignorando uma doena que pode se
tornar fatal. Nesse sentido, comenta Oliveto (2015):
Depois de analisar dados epidemiolgicos dos institutos de sade e nutrio
dos Estados Unidos coletados de 1988 a 1994 e 2007 a 2012, a equipe de
Dustin T. Duncan, do Departamento de Sade Populacional da
Universidade de Nova York, constatou que, atualmente, 94,9% das famlias
avaliam erroneamente o status corporal das crianas em idade pr-escolar
(2 a 5 anos), afirmando que esto no peso normal quando, na verdade, se
encaixam nos padres de sobrepeso/obesidade.
Por mais difcil que seja reverter a obesidade, necessrio chamar a ateno
para a sade alimentar de crianas desde tenra a idade, visando impedir logo cedo
as terrveis consequncias desta doena. A Pesquisa Nacional de Sade, realizada
entre agosto de 2013 e fevereiro de 2014, apontou que 32,3% das meninas e
meninos brasileiros menores de 2 anos tomam refrigerante e sucos artificiais e
60,8% deles comem bolacha, biscoitos e bolos. (BRASIL, 2015)
Os dados alarmantes demonstram que as crianas esto se alimentando de
forma cada vez pior, e reforam o quanto a obesidade infantil realmente um
problema de sade pblica que deve ser combatido com urgncia no Brasil e no
mundo. possvel inferir que o excesso de peso, e a consequente obesidade, uma realidade
que acontece a crianas muito novas, e
tende somente a agravar, caso no haja mudanas. Tambm possvel notar que no Brasil, o
sobrepeso em crianas de at cinco anos de idade chega a atingir quase 10% no total. O
sedentarismo apontado como um dos principais fatores para a causa
da obesidade, o que torna necessria a implementao de programas que
incentivem a mudana em um estilo de vida mais ativo, considerando assim um fator
fundamental sade (NAHAS, 2003; FLORIANI; KENNEDY, 2007; PATE et
al.,2011).
H evidncias significativas que correlacionam uma vida saudvel na
infncia uma vida igualmente ativa e mais saudvel na fase adulta (ALVES, et al,
2005).
Outro dado que merece destaque o fato de que a obesidade nos jovens
responsvel por um risco maior sade do que quando desenvolvida na idade
adulta. O que significa que o sobrepeso em crianas e adolescentes eleva o risco de
doenas relacionadas, independentemente do peso final quando adultos
(MCARDLE, et al.,2011). INTRODUO
De acordo com a Organizao Mundial de
Sade (OMS), em 1998, a obesidade definida
como uma doena, pois o seu acmulo de
gordura corporal em excesso aumenta o nvel
de tecido adiposo causando alteraes
fisiolgicas, alm de causar fatores de risco,
seja ela em criana, adolescente ou em
qualquer fase ao longo da vida. A obesidade
consiste no resultado de um desequilbrio entre
a ingesto calrica e os gastos energticos,
utilizados para a manuteno das diversas
atividades orgnicas e outras atividades
adicionais (MCARDLE, 2002 in CELESTRINO
et al, 2006). A obesidade, seja ela em crianas
ou adolescentes, bastante discutida e
preocupante, tendo em vista que essa doena
pode ser agravada e estendida por muito tempo
ao longo da vida, de modo a causar outras
doenas que a ela esto relacionadas.
A obesidade pode ser agravada e estendida por
muito tempo ao longo da vida, de modo a causar
outras doenas que a ela esto relacionadas.
Uma possvel predisposio gentica, hbitos
alimentares inadequados e um estilo de vida
sedentrio so alguns dos fatores relacionados
ao desenvolvimento da obesidade infantil
(POETA et al, 2010).
De acordo com relatos da Organizao Mundial
da Sade, a prevalncia de obesidade infantil
tem crescido em torno de 10 a 40% na maioria
dos pases europeus nos ltimos 10 anos. A
obesidade ocorre mais frequentemente no
primeiro ano de vida, entre 5 e 6 anos e na
adolescncia (MELLO et al, 2004).
A obesidade e o sobrepeso vm apresentando,
nas ltimas dcadas, um importante aumento
da prevalncia em todo o mundo,
especialmente nos pases em desenvolvimento
que vivenciam uma transio epidemiolgica
com o melhor controle das doenas infecciosas
(ALVES et al, 2009).
Um fator que tem uma boa parcela diante da
obesidade o consumo alimentar, o qual tem
sido relacionado obesidade no somente
quanto ao volume da ingesto alimentar, mas tambm composio e
qualidade da dieta.
Alm disso, os padres alimentares tambm
mudaram, explicando em parte o contnuo
aumento da adiposidade nas crianas, como o
pouco consumo de frutas, hortalias e leite, o
aumento no consumo de guloseimas (bolachas
recheadas, salgadinhos, doces) e refrigerantes,
bem como a omisso do caf da manh
(TRICHES e GIUGLIANI, 2005).
A obesidade pode ser agravada e estendida por
muito tempo ao longo da vida, de modo a causar
outras doenas que a ela esto relacionadas.
Uma possvel predisposio gentica, hbitos
alimentares inadequados e um estilo de vida
sedentrio so alguns dos fatores relacionados
ao desenvolvimento da obesidade infantil
(POETA et al, 2010).
De acordo com relatos da Organizao Mundial
da Sade, a prevalncia de obesidade infantil
tem crescido em torno de 10 a 40% na maioria
dos pases europeus nos ltimos 10 anos. A
obesidade ocorre mais frequentemente no
primeiro ano de vida, entre 5 e 6 anos e na
adolescncia (MELLO et al, 2004).
A obesidade e o sobrepeso vm apresentando,
nas ltimas dcadas, um importante aumento
da prevalncia em todo o mundo,
especialmente nos pases em desenvolvimento
que vivenciam uma transio epidemiolgica
com o melhor controle das doenas infecciosas
(ALVES et al, 2009).
Um fator que tem uma boa parcela diante da
obesidade o consumo alimentar, o qual tem
sido relacionado obesidade no somente
quanto ao volume da ingesto alimentar, mas tambm composio e
qualidade da dieta.
Alm disso, os padres alimentares tambm
mudaram, explicando em parte o contnuo
aumento da adiposidade nas crianas, como o
pouco consumo de frutas, hortalias e leite, o
aumento no consumo de guloseimas (bolachas
recheadas, salgadinhos, doces) e refrigerantes,
bem como a omisso do caf da manh
(TRICHES e GIUGLIANI, 2005).
A Educao Fsica contribui com grande
importncia na vida de crianas que sofrem
com esse tipo de transtorno. A prtica de
esporte e atividades fsicas dentro da escola
traz alguns benefcios como incluso e
socializao entre os alunos. O presente
trabalho trata de um tema bastante discutido
na sociedade, em especial por conta da sua
gravidade, por se tratar de uma doena que
vem preocupando pessoas da rea da sade,
bem como famlias e crianas que sofrem com
esse transtorno.
Portanto, o artigo em apreo tem como objetivo
entender relaes existentes entre o contexto
da Educao Fsica dentro da escola e a
importncia desta como combatente da
obesidade e do sedentarismo, possivelmente
identificando os agravos que interferem
prejudicialmente na qualidade de vida das
crianas e adolescentes.