APRESENTAGAO
O Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade
Federal da Bahia, uma instituigdo que tem entre suas missées a
pesquisa, producto e divulgacio do conhecimento sobre o
patriménio para a construgéo de uma sociedade voltada para
causas sociais relevantes, disponibiliza mais uma publicactio em
favor da preservagiio do patriménio cultural: Conhecendo a Arte
Rupestre.
A arte rupestre é um dos mais importante testemunhos do
passado pré-colonial. Chama atencdo por ser encoritrada e
reconhecida em abrigos, grutas e lajedos rochosos em vérias
partes do pais, o que a torna suscetivel a depredacdo, O Estado
da Bahia é detentor de um dos maiores acervos de arte rupestre
do Brasil, sobretudo na drea da Chapada Diamantina, Esta
cartilha constitui um importante instrumento de divulgacdo,
valorizagéio e preservactio desse vasto acervo.
Escrita de maneira diddtica e amplamente ilustrada com
desenhos e fotos de sitios arqueoldgicos do Estado da Bahia, seu
objetivo é oferecer ao leitor um panorama sobre a arte rupestre,
demonstrando seu sentido para 0 estudo e entendimento dos
grupos pré-coloniais. Constitui um esforco da equipe do
MAE/UFBA para conscientizar a populacdo em geral sobre a
importéincia e a necessidade de preservagiio destes vestigios
culturais para o estudo do pasado.
Convidamos todos a conhecer um pouco mais sobre a arte
rupestre, e engajar-se no esforco de promover sua protect e
preservactio para as geracées futures.
Carlos Caroso
Diretr do MAE/UFBAJ
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SUMARIO
O que é arte rupestre?
03
Como era feita a arte rupestre?...... once
Quando foram feitas?........ eee os agp ree 09
Como a arqueologia estuda a arte rupestre?............ 10
TradigSes de pinturas no Nordeste do Brasil... 13
Agentes destrutivos e medidas de preservacao. 14
O que fazer se... 16
Cuidados para a visitacdo ; 17
Para saber mais..... ; 18
Refer€ncias das ilustragdes sss eeeees 19sm
Rita cried
Em linhas gerais, a denominac@o arte rupestre (do latim
rupes, rochedo) define qualquer conjunto de elementos gréficos
pintados ou gravados sobre suportes rochosos fixos - em geral
abrigos, grutas, lajedos, paredées e afloramentos - deixados por
populagées pretéritas, constituidas de grupos de cagadores-
coletores, horticultores, agricultores ou pastores.
Considera-se que as representacées gréficas rupestres
constituem uma utilizagéo particular do
f y 1 ambiente, por parte de um indivieuo ou
Tt grupo, jd que elas expressam diferentes
rT aspectos das representacdes mentais de
certas sociedades, no passado. Assim<=,
sendo, os grafismos (conjuntos de signos
visuais) testemunham sobre um modo singular
de perceber e apreender a natureza,
0 territério e os préprios grupos
humanos.
Embora no se possa conhecer 0
verdadeiro contetido significativo
desses signos, nem sequer as
motivagées e circunstdncias reais em
que eles foram realizades, 0 fato de
serem expostos ao olhar e de terem a
condigio de permanentes, levaa
pensar que se trata de um tipo de expresstio
grdfica de idéias que deveriam ser
transmitidas e interpretadas por alguns grupos
ou por alguns individuos. Neste sentido, a arte rupestre
opresenta a intencionalidade como traco diferenciador, em
relacdio aos outros vestigios arqueolégicos. Fica claro 0 propésito
deliberado de deixar mensagens, por parte de um individuo ou
grupo, para que outros as pudessem decodificar.
Bret Ceo oath_
Através desta ética, a arte rupestre
passaa ser analisada como se fosse uma \\ i
gramética, composta por imagens, cuja » {
sintaxe deve ser descoberta pelo \
pesquisador. Paradoxalmente, o fato de
poder ler essa linguagem ndio implica que
possa ser compreendido o contetido
significative do que esté representado.
Este significado desapareceu com os
préprios grupos que o produziu, ficando
perdido para sempre. Porém, existe um outro tipo de leitura que
considera a relacao estruturante das representacées: a
articulagdo de cada elemento pintado com os demais na
constituigdo de composi¢ées grdficas.
Te ae EM ub LrOCL NELCOMO ERA FEITA
A ARTE RUPESTRE?
Dect
Para a pintura dos paingis de arte rupestre eram utilizados
dedos, pincéis feitos com madeira, chumacos de pélo ou penas
gravetos. A tinta era feita basicamente de produtos de origem
mineral (6xido de ferro, manganés, cobre ou argilas), sendo a
gua o veiculo para sua aplicagiio. As cores mais comuns stio, por
ordem de freqiiéncia, vermelho, amarelo, preto e branco. AS
pinturas podem ser monocrométicas (uma cor), bicrométicas
(duas cores) ou policrométicas (trés ou mais cores). Os motives
dividem-se, conforme 0 que representam, em geométricos
figurativos (humanos, animais plantas).\
Dede Pincel Graveto
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Por sua vez, as gravuras eram feitas a partir de desenhos
efetuados nas rochas, com o uso de de técnicas como:
picoteamento (a partir de batidas na rocha); incistio fina ou
filiforme (sulcos finos, resultados da friccdo Unica de um
instrumento sobre o suporte rochoso): polimento e raspagem
(FricgBes repetidas de uma instrumento sobre o painel). Estas
+técnicas produzem sulcos em forma de “U" e de "V"
Associada as formas que as figuras pintadas ou gravadas
adquirem (os motivos representados), a técnica de confecctio €
um importante elemento para o estudo da arte rupestre.
“BRE
Picoteado Polimento Raspagem Incistio fina
(eetidena sche) “suleo'em U'‘sulco em Vien mounanto dein)
(rovnenee deine)
poe=
QUANDO oll FEITAS?
FED E
Sitio Toca do Tapuia, Morro do Chapéeu
As possibilidades de estabelecer datacBes em arte rupestre
‘sdo, em muitos casos, limitadas. Isto se deve ao fato desta ser
feita com material mineral, impossivel de datar com as técnicas
disponiveis. Ademais, a maior parte dos paineis de arte rupestre
se encontra sem vinculagéo com a estratigrafia do sitio e,
conseqiientemente, sem
possibilidade de associagéo com
Wh material datdvel (ceramica ou
‘LEE matéria orgénica). Quando as
figuras sao feitas em carvéio
existe a possibilidade deretirar alguns gramas g
desse material e
daté-lo por
carbono 14. Houve
casos em que se
conseguiu datar
pela recuperactio de pigmentos
em camadas estratigréficas.
Também é possivel uma cronologia relativa confrontando
motivos. A superposicio das figuras indica qual foi feita primeiro
e qual depois, Outra forma de dataciio relativa se aplica no caso
das figuras desenhadas sobre rocha calcéria, em cuja superficie
tenha ocorrido a precipitacio de calcita, Quando conseguimos
determinar o momento de formacio dessa pelicula mineral sobre
‘© pigmento das pinturas, podemos interpretar que as figuras sdo
anteriores a essa. Por ditimo, outra forma de datacio relativa éa
da comparagdo com grafismos datados em outros sitios,-
COMO A ARQUEOLOGIA
ESTUDA A ARTE RUPESTRE?
Sitie|Lajedo| Bordado, Meuroldelchapeu
Excluida a tentativa de decifrar o significado, as
representacdes rupestres podem ser estudadas,
como uma gramdtica. Ou seja, pode-se saber como
se escrevia, mas ndo se pode saber o que esté
escrito, A andlise ocorre, entdo, pela
identificado das caracteristicas fisicas,
concretas, objetivas, que partem dos aspectos
gerais como ambiente natural de insercio do sitio,
topografia, atuacdo do intemperismo, tipo de
suporte rochoso, morfologia do espaco habitdvel by
Zsdo “grafitavel",
tecnologia dos grafismos a 4
(pintura, gravura e alto- +t
relevo); classes de motivos
segundo os elementos representados
(figuras humanas ou antropomorfas,
animais ou zoomorfas e geométricas): grau de identificagdo com
0s modelos reais (naturalisticos ou estilizados); posicionamento
dos elementos presentes nos painéis, proporcées, associacées,
repeticées e superposicées.
Aspectos considerados no estudo da arte rupestre
© Localizacdio: corresponde ao lugar geogréfico onde se
encontra o sitio. Por exemplo, fundo de vale, cume de serra, pé
de serra, beira mar, margem de rio e outros. Também pode ser
incluida, aqui, a orientacdo com relactio aos pontos cardeais
exposicdio aos ventos, chuvas, radiacdio solar etc.
‘© Tipo de suporte: refere-se ds caracteristicas do sitio. Deve-PaaS
se reconhecer: a) natureza da rocha
(arenitica, caledria, metarenitica etc.); b)
a morfologia do sitio (abrigo, gruta,
caverna, boqueirdo, pared@o, afloramento
isolado, lajedo etc.).
Tecnologia dos grafismos: classificados
em pinturas e gravuras. Nas pinturas observa-se como
foram aplicados os pigmentos na superficie da rocha. Nas
gravuras, como foram feitas as incisées (sulcos) no suporte
rochoso.
Classificacdo dos grafismos: a) sequndo os motivos,
antropomorfos (humanos), zoomorfos (animais) ou
geométricos (circulos, linhas etc.); b) segundo 0 grau de
identificagéio com os modelos reais, se naturalisticos ou
estilizados.
Posigtio dos motivos nos painéis: classificagdo feita segundo a
colocagdo dos motives em relaco 4 altura no suporte rochoso,
com referéncia ao teto ou as paredes e com a localizagdio
préxima d entrada (se for abrigo) ou ao fundo.
Pelas suas propor¢des: mensura-se o tamanho médio de cada
motivo, em relacdo aos outros, dentro de um mesmo grupo ou
cena e dentro do conjunto de motivos do sitio.<<
TRADICOES DE PINTURAS NA
REGIAO NORDESTE DO BRASIL
ze As formas de
~. representacio foram
classificadas no Brasil a partir
dos motivos. Na regidio Nordeste
podem ser encontradas
modalidades pictéricas que se
estendem por um vasto territério
e perduraram muito no tempo,
sendo assim denominadas de
tradicées, que sdo:
® Tradigdéo Nordests
predominam os motivos
antropomorfos, isolados ou
compondo cenas de pequenas dimensées e pinturas
monocrémicas.
= Tradigto Sto Francisco: sobressaem os motivos geométricos,
compondo conjuntos complexos e pinturas policrémicas.
= Tradigtio Agreste: corresponde a motives antropomorfos
esquematizados, toscos e grandes, com desenhos cheios.
= Tradigtio Geométrica: predominio de elementos
geométricos isolados e monocrométicos.
© Tradigtio Astronémica: ainda pouco definida,
consistiria em motivos que representariam
elementos césmicos como sol, estrela, cometa,
trajetérias venusianas, lunares, solares e outros.
Sem ORE Tee
Cegeoe eke ed<
a
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAWTA
Neomar de Almeida Filko
Lina Maria Branddo e Aras
DINETORA DA FACULDADE DE
FRLocorta € NAS PUNANAS
Carles Alberto Caraso Soares
[aRETOR 00 MUSEY 9
QUEDLeeLA G EROLOEEA
Carlos Alberto Etchevarne
coonpenacio cENTiFICa
terursa © abquecuaere
Carlos Alberto Etchevarne
Carlos Alberto Santos Costa
Fabiara Comerlato
Henry Luydy Abrcham Fernandes
‘Maria da Conceigdo Santos Soares
Carles Alberto Santos Costa
Fabiana Comerlato
REPRCOUOES,SESENHOS « EOITORACTO
Carles Alberto Etchevarne
Carles Alberto Santas Costa
Fabiana Comerlato
Tilo César Mello de Oliveira
PaTROCINIO:
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Calbasal
Guise
Banco do
Nordeste
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REALIZAGAO,
“Todos 08 draos reservatis.
‘A reproduc nfo-autorizada desta publcacso, no todo
coum parte, constitu volagge de dretos suoras (La 9. 810:98)
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