PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE
DE ACORDO COM A NORMA ISO/IEC 15504
MARCELO NORTE DE OLIVEIRA 1
[Link]@[Link]
IREMAR NUNES DE LIMA 2
[Link]@[Link]
RESUMO: Este artigo trata da norma ISO IEC 15504, especificamente da seo que trata da engenharia de software. So discutidos os motivos do surgimento
das normas de qualidade e como elas podem contribuir para a organizao atingir os seus objetivos. So identificados tambm, diversos parmetros que
podem nortear as organizaes de Tecnologia da Informao que desejam otimizar seus processos de desenvolvimento software baseados na norma ISSO IEC
15504.
PALAVRAS-CHAVE: Norma ISO/IEC 15504, Desenvolvimento de Software, Spice, Qualidade de Software.
INTRODUO
eficientes para construo de softwares, como linguagens de
A ISO/IEC 15504, tambm conhecida como Spice, um
programao, ambientes integrados de desenvolvimento, entre
modelo que possui como foco a melhoria dos processos de de-
outros, mas o software construdo, apesar da qualidade da fer-
senvolvimento de software e a determinao da capacidade de
ramenta, ainda apresenta srios problemas.
processos de uma organizao (FELIPE, 2006). A sua existncia se justificou em funo de estudos que comprovaram que
NORMAS E METODOLOGIAS PARA A QUALIDADE DE SOFTWARE
a grande maioria dos projetos de software no atendem aos
del Integration em 2002 e a ISO/IEC International Organization
Rezende, em sua obra Engenharia de Software e Sistemas de Informao, cita que a expresso crise do software comeou a ser utilizada na dcada de 60, e referese a um conjunto de problemas recorrentes enfrentados
no processo de desenvolvimento de software. Coloca
ainda que uma enorme variedade de problemas que
caracterizam esse perodo. Vasconcelos, Rouiller, Machado e Medeiros caracterizam os problemas tpicos da
crise do software da como sendo previso pobre, baixa
qualidade, alto custo de manuteno e duplicao de esforos. Rincon acrescenta ainda o fato de os softwares
no atenderem aos objetivos colimados. Ainda segundo
esses autores, reconhecida a crise do software, foi pro-
for Standardization / International Electrotechnical Commission
posto que o seu desenvolvimento deixasse de ser puramente
(ISO, 2009) que publicou as normas ISO/IEC 15504 e ISO/IEC
artesanal e passasse a ser baseado em princpios de Engenha-
12207 nos anos 90.
ria, seguindo um enfoque estruturado e metdico. O termo En-
objetivos traados (RINCON, 2009). Em contrapartida grande
importncia que o software tem tido no cenrio mundial, Rincon
afirma que, de acordo com esses estudos, isso decorrente da
falta de processos adequados nas organizaes em que eles
so desenvolvidos.
Ainda segundo Rincon, desde o final das dcadas de 80,
modelos de maturidade de software esto sendo criados ou
vem evoluindo em todo mundo justamente para mudar essa realidade. Da surgiram modelos como o do SEI Software Engineering Institute que publicou o SW-CMM Capability Maturity
Model for Software em 1987 e o CMMI Capability Maturity Mo-
Nosso foco de interesse a norma ISO/IEC 15504 que foi
genharia de Software se refere ao desenvolvimento de software
desenvolvida para ser utilizada por organizaes envolvidas em
usando princpios de engenharia de modo a produzir software
planejar, gerenciar, monitorar, controlar e melhorar a aquisio,
de qualidade, de forma eficaz e dentro de custos aceitveis
fornecimento, desenvolvimento, operao, evoluo e suporte
(VASCONCELOS, ROUILLER, MACHADO, MEDEIROS, 2006).
de software (MAIARA, 2009).
Diante do exposto, a demanda por qualidade de software
O estudo do tema justifica-se pela crescente importncia
tem motivado o desenvolvimento de modelos para a qualidade
do software para a economia mundial. A cincia da computa-
deste produto que largamente determinada pela qualidade
o levou tempo para desenvolver ferramentas extremamente
dos processos utilizados para o desenvolvimento (IAHN, 1999).
PS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITRIO NEWTON PAIVA 1/2012 - EDIO 5 - ISSN 2176 7785 l 125
Sabendo-se que grande parte do problema dos softwares no
da Software Engineering Institute (SEI), em cooperao com
atenderem efetivamente ao objetivo a que se proponham foi
a indstria e governo americanos. Sua arquitetura composta
atribudo ao processo de desenvolvimento de software catico,
basicamente pela definio de um conjunto de reas de pro-
sendo assim identificou-se uma clara necessidade de estudar e
cesso, organizadas em duas representaes diferentes: uma
aplicar processos de qualidade de software para que os projetos
como um modelo por estgio, semelhante ao SW-CMM, e outra
tenham mais chances de sucesso (RINCON, 2009).
como um modelo contnuo semelhante ISO/IEC 15504 (VAS-
Hoje no mercado existem diversas normas em voga, entre
CONCELOS, ROUILLER, MACHADO, MEDEIROS, 2006).
elas se destacam, por exemplo as normas ISO 9000 para su-
A norma ISO/IEC 15504 surgiu em 1993 atravs do proje-
porte ao desenvolvimento de software, que retiramos da obra
to SPICE que foi um trabalho conjunto da ISO/IEC-International
Introduo engenharia de software e qualidade de software
Organization for Standardization/International Electrotechnical
de Vasconcelos, Rouiller, Machado e Medeiros:
Commission (VASCONCELOS, ROUILLER, MACHADO, MEDEI-
- Norma ISO/IEC 9126 (NBR 13596): Define as caractersticas de qualidade de software que devem estar presentes em
todos os produtos (Funcionalidade, Confiabilidade, Eficincia,
Usabilidade, Manutenibilidade e Portabilidade).
- Norma ISO/IEC 12119: Estabelece os requisitos de qualidade para pacotes de software.
- Norma ISO/IEC 14598-5: Define um processo de avaliao da qualidade de produto de software.
- Norma ISO/IEC 12207: Define um processo de ciclo de
vida de software.
- Norma ISO/IEC 9000-3: Apresenta diretrizes para a aplica-
ROS, 2006). Objetivo era obter um consenso atravs da anlise
dos diversos mtodos de avaliao do processo de software.
A norma ISO15504, cuja verso completa foi publicada
entre 2003 e 2006, atualmente representa um padro internacional que estabelece um framework para construo de processos de avaliao e melhoria do processo de software (VASCONCELOS, ROUILLER, MACHADO, MEDEIROS, 2006). Nove
documentos, alguns de carter informativo, outros normativo,
compem a ISO15504, so eles: ISO15504-2, ISO15504-3, ISO
15504-9, ISO15504-1, ISO15504-4, ISO15504-5, ISO15504-6,
ISO15504-7 e ISO15504-8.
o da ISO 9001 por organizaes que desenvolvem software
ao desenvolvimento, fornecimento e manuteno de software.
- Norma ISO15504: Aprovada como norma em 2003 focada na avaliao de processos organizacionais.
3 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE
A ISO15504-2 define um modelo de referncia de processo
e um modelo de capacitao do processo que pode compor a
Um outro modelo de qualidade, retirado da mesma obra,
base para a definio e avaliao de um processo de software
o CMMI, cuja sigla representa as iniciais de Capability Ma-
(VASCONCELOS, ROUILLER, MACHADO, MEDEIROS, 2006).
turity Model Integration e nomeia tanto um projeto, quanto os
Este modelo de referncia possui uma abordagem bidimensio-
modelos resultantes deste projeto. O CMMI uma iniciativa
nal, conforme pode ser vista abaixo:
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Vasconcelos, Rouiller, Machado e Medeiros distinguem
a primeira dimenso como auxiliar para que os engenheiros defi-
que gerencia algum tipo de projeto ou processo dentro do ciclo de
vida do software;
nam os processos necessrios em uma ODS (Organizao de De-
5. Organizao (ORG-Organization): so processos que esta-
senvolvimento de Software), e sua adequao ISO15504. A se-
belecem as finalidades dos processos de desenvolvimento e da
gunda dimenso, similar ao CMM, e segundo os mesmos autores,
organizao, do produto, e dos recursos, que, quando utilizados
tem por objetivo determinar a capacidade do processo da ODS,
por projetos na organizao, realizaro as metas do negcio.
avaliando-o atravs de um conjunto de atributos pr-estabelecidos.
O processo que ser abordado a engenharia, mas a ttulo de
De acordo com o Technical Report ISO/IEC TR 15504-2, so
esclarecimento as ISO15504-3 e ISO15504-4 servem como guias
cinco grupos de processos definidos pela ISO 15504-2:
para avaliao de processo. Determinam procedimentos para: a
1. Fornecedor-Cliente (CUS-Custormer-Supplier): so os pro-
definio das entradas da avaliao, a determinao das respon-
cessos que de alguma forma impactam diretamente o cliente: den-
sabilidades, a especificao do processo propriamente dito da
tre eles o suporte para desenvolvimento e transaes de software
avaliao e os resultados que devem ser guardados (VASCONCE-
para o cliente, fornecimento de operaes corretas e uso do produ-
LOS, ROUILLER, MACHADO, MEDEIROS, 2006).
Do artigo Introduo engenharia de software e qualidade
to de software ou servio;
2. Engenharia (ENG-Engineering): esta categoria agrupa os
de software de Vasconcelos, Rouiller, Machado e Medeiros retira-
processos que especificam, implementam e mantm o produto de
mos a figura abaixo que apresenta a estrutura bsica do modelo de
software, sua relao com o sistema e a documentao do cliente;
avaliao da ISO15504-5 e seu relacionamento com a ISO15504-2.
3. Suporte (SUP-Support): So processos que podem ser em-
Este modelo de avaliao expande o modelo de referncia adicio-
pregados em algum dos outros processos e em vrios pontos no
nando a definio e uso de indicadores de avaliao. Os indica-
ciclo de vida do software objetivando dar suporte a eles;
dores de avaliao so definidos para que os assessores possam
4. Gerenciamento (MAN-Management): so processos que
contm prticas gerenciais que podem ser utilizadas por algum
julgar o desempenho e capacidade de um processo implementado
(VASCONCELOS, ROUILLER, MACHADO, MEDEIROS, 2006).
PS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITRIO NEWTON PAIVA 1/2012 - EDIO 5 - ISSN 2176 7785 l 127
A ISO15504-5 detalha os processos (primeira dimenso do
planejada e rastreada. H elementos na organizao que reco-
modelo de referncia da ISO15504-2) associando a eles algumas
nhecem que uma ao deveria ter sido realizada, e consenso
prticas bsicas. Artefatos e atributos so sugeridos e associados
geral que esta ao realizada quando exigida. possvel iden-
s prticas bsicas com o intuito de estabelecer sua realizao
tificar produtos do trabalho realizado atravs do processo, e isto
(VASCONCELOS, ROUILLER, MACHADO, MEDEIROS, 2006).
comprova que o propsito foi alcanado.
A parte do documento ISO/IEC TR 15504 que trata dos pro-
- Nvel 2 Gerenciado. O processo planejado e rastreado
cessos de engenharia de software traz um conjunto de processos
entrega produtos que atendem a padres e exigncias, de acor-
universais que so fundamentais para uma boa engenharia de sof-
do com procedimentos especificados. A primeira distino do
tware e abrange as melhores prticas, ela prov um modelo de refe-
nvel realizado que a realizao do um processo agora entrega
rencia que pode ser usado em outras partes da ISO/IEC TR 15504.
produtos que atendem exigncias de qualidade dentro de pra-
A seo da ISO/IEC 15504 que traz um modelo de referncia
zos e necessidades de recursos definidos.
para processos e capacidade de processos define um modelo
- Nvel 3 Estabelecido. O processo realizado e geren-
de referencia de processos de software e capacidade de pro-
ciado usando um processo definido baseado nos bons princ-
cessos que fornece a base do processo de avaliao de softwa-
pios da engenharia de software. Implementaes individuais do
re. Esse modelo de referncia define em alto nvel os objetivos
processo so de uso aprovado, verses adaptadas de um pa-
que so fundamentais para uma boa engenharia de software.
dro, processos documentados para alcanar os resultados. Os
De acordo com a ISO/IEC 15504, as definies de alto n-
recursos necessrios para estabelecer a definio de processo
vel descrevem os objetivos que devem ser alcanados e como
tambm so colocados. A primeira distino do nvel gerenciado
alcan-los. Este modelo de referencia pode ser aplicado a
que o processo do nvel estabelecido usa um processo defini-
qualquer empresa desenvolvedora de software que deseja es-
do que capaz de obter o resultado pretendido.
tabelecer uma melhoria em seus processos de aquisio, for-
- Nvel 4 Previsvel. O processo definido colocado em
necimento, desenvolvimento, operao, evoluo e suporte de
prtica consistentemente dentro de limites de controle defini-
software. O modelo concebido no presume uma organizao
dos para alcanar os objetivos colimados. Medies detalha-
com caractersticas estruturais particulares, filosofia gerencial,
das da execuo so coletadas e analisadas. Isto conduz a um
modelo de ciclo de vida de software, tecnologia ou metodologia
entendimento quantitativo da capacidade do processo e uma
de desenvolvimento de software. A arquitetura deste modelo de
melhoria da habilidade de predizer e gerenciar a execuo que
referencia organiza os processos para auxiliar a organizao a
quantitativamente gerenciada. A qualidade dos produtos
entend-los e utiliz-los para uma melhoria continua do geren-
quantitativamente conhecida. A primeira distino entre o pro-
ciamento dos processos de software. Por processo de avalia-
cesso estabelecido que o processo definido agora executa-
o de software, um assessor utiliza um modelo mais detalhado
do consistentemente dentro de limites definidos para alcanar o
compatvel com este modelo de referencia da ISO/IEC, conten-
resultado pretendido.
do um conjunto abrangente de indicadores de performance e
- Nvel 5: Otimizado. A realizao de um processo otimiza-
capacidade de processos para fazer juzo das condies dos
da para encontrar atuais e futuras necessidades do negcio, e o
processos da organizao.
resultado do processo repetitivamente voltado para os objeti-
O documento da ISO/IEC TR 15504 define que um nvel de
vos do negcio. A eficcia do processo e eficincia do objetivo
capacidade caracterizado por um conjunto de atributos que
so quantitativamente estabelecidas, baseadas nos objetivos da
trabalham juntos para prover um maior aprimoramento da ca-
organizao. Monitoramento continuo de processos contra es-
pacidade de realizar um processo. Cada nvel prove um maior
ses objetivos obtido atravs de um feedback quantitativo e o
aprimoramento de capacidade de realizao de um processo.
melhoramento alando atravs da anlise dos resultados. Oti-
Os nveis constituem um meio racional de progredir atravs da
mizar um processo envolve a conduo de idias e tecnologias
melhoria da capacidade de execuo de qualquer processo.
inovadoras e tornar processos no efetivos em produtores de
So seis os nveis de capacidade no modelo de referencia:
resultados alcanando seus objetivos. A primeira distino entre
- Nivel 0: Incompleto. H falha geral no atendimento do pro-
o nvel otimizado e o previsvel a definio e padronizao de
psito do processo. H poucos ou nenhum produto de trabalho
processos agora dinamicamente modificados e adaptados para
facilmente identificvel ou sadas do processo.
encontrar os objetivos atuais e futuros do negcio.
- Nivel 1: Realizado. O propsito do processo geralmente
O item 5.1.2 da ISO/IEC TR 15504-2 tem como ttulo Engi-
alcanado, ainda que a sua realizao no seja rigorosamente
neering process category (ENG), que podemos traduzir como
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Categoria de processo de software (ENG).
ser desenvolvida para atender a prioridade de implementao
De acordo com esse documento, a categoria de processo
nos requisitos do sistema que sero aprovados e atualizados
de software consistem em processos que especificam direta-
quando necessrio. A soluo proposta e seus relacionamentos
mente, implementa ou mantm o produto de software, sua re-
sero comunicados a todas as partes afetadas.
lao com o sistema e documentao do cliente. Em circunstncias onde o sistema composto totalmente de software, a
ENG 1.2 PROCESSO DE ANLISE DE REQUERIMENTOS DE SOFTWARE
engenharia de processos conforma somente com a construo
um componente do processo ENG 1, seu propsito es-
e manuteno de tal software. Os processos e suas respectivas
tabelecer os requisitos dos componentes de um sistema. Como
descries retirados do item 5.1.2 da ISO/IEC TR 15504-2 que
resultado de uma implementao de sucesso, os requisitos alo-
pertencem a categoria de engenharia de software so:
cados para os componentes do sistema e suas interfaces sero
- ENG.1 Processo de desenvolvimento
definidos de forma a atender as necessidades dos clientes, eles
- ENG.1.1 Anlise de requerimentos de sistema e de-
sero analisados e corrigidos, os que forem passveis de tes-
senho de processo
tes sero desenvolvidos. O impacto dos requisitos de software
- ENG.1.2 Processo de anlise de requerimentos de
no ambiente operacional sero estudados. Uma estratgia de
software
lanamento de verses ser desenvolvida observando-se uma
- ENG.1.3 Processo de projeto de software
prioridade de implementao dos requisitos de software que se-
- ENG.1.4 Processo de construo de software
ro atualizados se necessrio. Ser estabelecida uma coerncia
- ENG.1.5 Processo de integrao de software
entre os requisitos de sistema e o desenho dos requisitos de
- ENG.1.6 Processo de teste de software
software que sero comunicados s partes afetadas.
- ENG.1.7 Processo de Integrao de sistema e testes
- ENG.2 Processo de manuteno de sistema e sof-
ENG 1.3 PROCESSO DE DESENHO DE SOFTWARE
Componente do processo ENG 1, seu propsito definir
tware [Link]
um desenho de software que implementa os requisitos e possa
A
seguir,
ser
analisado
brevemente,cada
um
ser testado. Como resultado de implementao de sucesso, um
destes processos.
desenho da arquitetura ser desenvolvido, ele descreve a maior
ENG.1 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO (PROCESSO BSICO)
parte dos componentes de software que sero implementados.
O propsito do processo de desenvolvimento transformar
Uma interface interna e externa de cada componente de softwa-
um conjunto de requerimentos em um produto de software fun-
re ser definida, e um desenho detalhado que descreve as uni-
cional ou sistema baseado em software que vai de encontro s
dades que podem ser construdas e testadas do software ser
necessidades dos clientes como resultado da implementao
criado. Ser estabelecida uma coerncia entre os requisitos e os
de sucesso de um processo. Um produto intermedirio de tra-
projetos de software.
balho ser desenvolvido, e ao final do processo deve ficar comprovado de que os requisitos foram atendidos. Para isso, uma
ENG 1.4 PROCESSO DE CONSTRUO DE SOFTWARE
consistncia ser estabelecida entre os requisitos e o projeto,
Componente do processo ENG 1, seu propsito produzir
o que evidenciar que o produto final atendeu os requisitos. O
as unidade de software executvel e verificar se elas refletem
produto final ser instalado no ambiente operacional do cliente
corretamente o projeto do software. Como resultado de uma
e aceito por ele.
implementao de sucesso, um critrio de verificao ser definido para todas unidades confrontando com seus requisitos.
ENG 1.1 Anlise de requerimento de sistemas e desenho de
Uma coerncia ser estabelecida entre o projeto de software e
processo so componentes do processo ENG 1 (Processo de
os componentes produzidos. Ser realizado o confrontamento
desenvolvimento), seu propsito estabelecer os requerimentos
das unidades de software sero com seus projetos.
funcionais e no funcionais do sistema e sua arquitetura identificando quais requerimentos precisam ser alocados para quais
ENG 1.5 PROCESSO DE INTEGRAO DE SOFTWARE
elementos do sistema e quais verses. Como resultado de uma
parte do processo ENG 1, seu objetivo combinar as uni-
implementao de sucesso, a soluo ser proposta para aten-
dade de software, produzindo integrao dos itens de software
der as necessidades dos clientes e ir identificar os principais
e verificar se as unidades de software integradas refletem corre-
elementos do sistema. A estratgia de lanamento de verso
tamente o projeto de software. Uma integrao de sucesso pro-
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duz uma estratgia de integrao que ser desenvolvida para
o. O objetivo modificar e/ou retirar sistemas e/ou software
as unidades de software de forma coerente com o plano de ver-
preservando a integridade das operaes da organizao. Uma
ses. Critrios de verificao dos itens de software que assegura
implementao de sucesso deste processo resulta na criao
a observncia dos requisitos de software sero desenvolvidos e
de uma estratgia de administrao da modificao, migrao
o resultado dos testes de integrao sero armazenados. Uma
e retirada de componentes do sistema de acordo com o plano
coerncia deve estar estabelecida entre os requisitos e os itens
de verses. O impacto nas interfaces e operaes nos sistemas
de software. Uma estratgia de regresso ser desenvolvida para
existentes ser definido. Especificaes, design de documentos
reverificao dos itens de software que devero ser modificados.
e estratgias de teste sero atualizados. Os componentes modificados do sistema sero desenvolvidos associados aos testes
ENG 1.6 PROCESSO DE TESTE DE SOFTWARE
que demonstram que requisitos de sistema no foram compro-
Componente do processo ENG 1, tem o propsito de testar
metidos. Os sistemas e softwares do cliente sero atualizados
o software integrado produzindo um produto que ir satisfazer
no ambiente do cliente. E a pedido deste, softwares e sistemas
os requisitos de software. Uma implementao de sucesso des-
sero retirados de uso de maneira controlada que minimize os
te processo gera um critrio de aceitao para o software inte-
distrbios causados aos clientes.
grado que ser desenvolvido de forma que se verifique a observncia dos requisitos de software. Os resultados de testes sero
CONCLUSO
armazenados e uma estratgia de regresso ser desenvolvida
A ISO/IEC 15504 veio contribuir para o melhoramento dos
para retestar, de acordo com as demandas, os itens de software
processos de desenvolvimento de software que sofria pela fal-
que forem refeitos.
ta de padres de controle que proporcionasse um produto final
que atendesse com xito as expectativas dos clientes. Como
ENG 1.7 PROCESSO DE INTEGRAO DE SOFTWARE E TESTES
vimos, a ISO IEC 15504 no a nica metodologia disponvel
Componente do processo ENG 1, seu propsito integrar
no mercado, cabe ento a organizao interessada em otimizar
os componentes de software com outros componentes, como
seus processos a escolha da norma que melhor atende as suas
operaes manuais ou hardware, produzindo um sistema com-
aspiraes. interessante notar a abrangncia dos grupos de
pleto que vai satisfazer as expectativas dos clientes expressas
processos da ISO IEC 15504 que trazem opes que vo desde
em requisitos de sistema. Os recursos alocados para a integra-
a engenharia de software propriamente dita e seus processos
o de sistema inclui algum familiar com o componente de
de gerenciamento at orientao ao cliente e gesto dos produ-
software. Uma implementao de sucesso deste processo pro-
tos instalados no cliente na forma de alteraes e incluses de
duz uma estratgia de integrao que ser desenvolvida para
programas e operaes, passando pelo suporte ao cliente e ge-
construir as unidades agregadas de acordo com a estratgia de
renciamento de projetos de software e ciclo de vida de software.
liberao de verso. Ser criado um critrio de aceitao para
A possibilidade de a empresa adotar a uma parte especfica da
cada agregao para verificar a conformidade com os requisitos
ISO IEC 15504 a torna bastante dinmica. Por exemplo, a seo
de sistema (funcionais, no funcionais, operaes e manuten-
que trata da Engenharia de Software pode ser aplicada espe-
o) alocados para as unidades e uma validao que completa
cificamente na padronizao e otimizao de seus processos
o conjunto de componentes entregveis. O resultado dos testes
correlatos. Uma outra vantagem a integrao dos grupos de
sero armazenados e uma estratgia de regresso ser criada
processos, pois a engenharia de software integra-se ao suporte
para retestar as agregaes no sistema integrado para as mu-
que est alinhado ao gerenciamento de processos organizacio-
danas em componentes que forem realizadas. Os testes de
nais que visam o incremento do resultado dos clientes. Dessa
regresso sero realizados sempre que necessrio.
forma, a ISO IEC 15504 abrangente, e cabe a cada organizao avaliar seu procedimentos internos e definir onde aplic-la.
ENG 2 PROCESSO DE MANUTENO DE SISTEMA
E SOFTWARE (PROCESSO BSICO)
Seu propsito administrar a modificao, migrao e retirada de componentes do sistema (como software, hardware,
operaes manuais e rede se existir) em resposta a pedidos
do cliente. A origem dos pedidos poderia ser a descoberta de
um problema ou a necessidade de uma melhoria ou adapta-
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NOTAS DE RODAP
1 Graduando do curso de Sistemas de Informao do Centro Universitrio Newton Paiva.
2 Professor do Centro Universitrio Newton Paiva.
PS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITRIO NEWTON PAIVA 1/2012 - EDIO 5 - ISSN 2176 7785 l 131