FILOSOFIA NORMATIVA
(LGICA)
. Noes Rudimentares sobre Lgica
Um pensamento lgico ou racional aquele que exprime uma realidade que
foi apreendida com certeza demonstrvel.
Lgico o conhecimentos demonstrvel pela palavra ou discurso, e que convence pela razo ou pensamento crtico, chamado BOM SENSO.
O OBJETIVO da Lgica pensamento enquanto busca a demonstrao da verdadeira natureza dos objetos, das leis que os regem e das aes humanas. pela conscincia que chega o homem a conhecer e a conhecer-se atravs de operaes mentais
que se resumem em ser a NOO (conceito), o JUZO (proposio) e o RACIOCNIO
(concluso lgica).
A Lgica um GUIA inimitvel na busca e encontro da verdade e na eliminao do erro ou do que falso. Isso porque a sua importncia est no fato de ocupar-se
do conceito do pensamento. A Lgica leva ao convencimento porque capaz de demonstrar por meio da crtica do conhecimento.
Pelo Lgica possvel criar as relaes entre os fatos, sendo possvel apontar
qual o fenmeno, quando, onde, por que e como ele se manifesta e qual a sua origem.
A Lgica no uma cincia normativa, porque as suas leis esto voltadas para
os juzos crticos e especulativos, e no para a previsibilidade dos fenmenos.
Por outro lado, no deixa de ser a Lgica uma espcie de Conhecimento Cientfico, porque busca demonstrar a verdade com exatido.
Assemelha-se a uma Arte, pois uma forma de criao do homem, eis que
ela um processo eminentemente criativo. A Lgica a ARTE DE PENSAR BEM porque, pela inteligncia, ela leva a distinguir o falso do verdadeiro.
A Lgica se divide em MATERIAL, ou aplicada, ou maior, e FORMAL, ou
menor.
A Lgica Material trata da conformidade da ideia em face dos fenmenos ou
coisas que constituem a matria do conhecimento. Para isso, ele estabelece das condies, a certeza e a metodologia geral para atingi-las atravs de processos demonstrativos
advindos da anlise e sntese.
A lgica Formal preocupa-se em estabelecer a forma correta das operaes do
intelecto, de tal modo que os princpios por si descobertos e as regras tambm por si formuladas so aplicveis generalizadamente a todos os objetos do pensamento. Forma a
procura do conhecimento e estabelecimento de regras genricas (leis).
EMMANOEL KANT divide a Lgica em PURA, ou Terica, e PRTICA, ou
Aplicada.
A Lgica Pura se ocupa do conhecimento dos objetos em si, como uma ideia.
eminentemente especulativa, sem preocupaes com a comprovao dos fenmenos,
pois apenas os observa.
A Lgica Aplicada se ocupa em criticar os processos gerais do pensamento,
verificando erros e correes pelo processo de pesquisa. uma Lgica com metodologia crtica que pretende encontrar uma comprovao para os fenmenos.
2. O Conhecimento Sensvel
Conhecer , singelamente falando, apresentar um objeto qualquer imaginao ou inteligncia; ou ainda sentir, perceber, imaginar o pensar um objeto qualquer.
Obviamente que ao se apresentar um objeto qualquer Inteligncia, ou ao
senti-lo, percebe-lo, imagina-lo ou pensa-lo, h de se chegar, necessariamente, a um resultado, que passar a ser denominado CONHECIMENTO.
O Conhecimento a realidade em que se converteu o objeto dentro do sujeito
atravs de processos mentais conscientes.
Inteligncia a faculdade mental capaz de selecionar informaes recebidas
atravs dos sentidos, de perceber a relao entre esses novos dados e a informao j armazenada na memria e, como resultado desses processos, tomar decises rpidas e
adequadas.
O Conhecimento se d de duas formas: atravs dos cincos sentidos; ou atravs
da inteligncia. Por isso a classificao do conhecimento em SENSVEL e INTELECTUAL. O primeiro produzido pela pelas sensaes, percepes e imagens. O segundo
pelas ideias e juzos.
A ligao entre os dos conhecimentos (sensvel e intelectual) se d pela ao
de RACIOCINAR, quando ento se chega a uma concluso.
Os sentidos so os mecanismos de que se socorre o crebro humano para que
possa o homem, como animal superior que , estar em contato com o mundo exterior.
So janelas celulares que ligam o crebro ao corpo num complexo sistema de percepo e deteco do que ocorre no meio ambiente. So CINCO os sentidos humanos: viso, audio, olfato, paladar e tato.
Parece elementar tal informao, mas no fundo os cinco sentidos formam um
complexo sistema ligao do mundo exterior com o crebro humano, atravs do corpo.
Normalmente, o primeiro sentido a detectar alteraes e sensaes a VISO.
As informaes bsicas passadas pela viso ao sistema cerebral sero completadas pelos
demais sentidos.
Por isso se diz que a mente deve estar sempre treinada para aprender a ver e a
bem julgar o que v, pois desse treinamento constante que vai se desenvolvendo a capacidade para deduzir, pois essa a capacidade que deixa o indivduo municiados para a
percepo e a compreenso das situaes e objetos que observa.
Pode-se dizer que bem conhece quem bem percebe e bem compreende;
bem percebe e bem compreende quem bem deduz; e bem deduz quem bem
aprendeu a ver e a bem julgar o que viu.
Por isso a Viso o sentido mais importante.
Porm, a percepo sensorial pode no ser completada sem a adio de um ou
outro sentido, pois essa percepo, trazida pelos cinco sentidos, que leva o homem a
estabelecer o contato primrio com o seu meio ambiente e conhecer a realidade dele.
Percepo , portanto, um todo organizado pelas sensaes, que so as partes
que compe esse mesmo todo.
Ocorre que os objetos possuem um detalhe que se costuma chamar de QUALIDADE e que suficientemente capaz de causar impresso aos sentidos.
Dependendo da qualidade do objeto, o crebro produz sensaes diferentes.
Um mesmo objeto pode ter qualidade distintas em determinados momentos.
Por exemplo, um copo dgua pura pode ser qualificado como cristalino e
inodoro, mas ao adicionar-se essncia, a qualidade muda para colorida e perfumada.
Isso o que se chama de CONHECIMENTO DE QUALIDADES SENSVEIS, ou seja, conhecimento sensvel que pode proporcional ao sujeito esteados afetivos, agradveis ou desagradveis.
uma intuio que decorre de apreenso imediata da qualidade concreta do
objeto. um conhecimento livre de inferncias, sem induo, o que torna todo sensao
nem falsa nem verdadeira, apenas um fato natural tal como ele . Eventual erro que possa existir no ser da sensao, mas sim do juzo que sobre ela emitiu o sujeito pensante.
A apreenso de um objeto como um todo o que se d o nome de percepo,
que poder ser sensvel ou intelectual.
Sensvel a percepo provocada pelos sentidos e intelectual a provocada
pela inteligncia.
Um objeto colocado em frente a um sujeito causa uma percepo, que gera
uma imagem, ou seja, mesmo depois de retirado o objeto essa imagem permanece no
consciente, mesmo que de aparncia empobrecida.
A imagem no uma cpia fiel do objeto, ou do fato, mas sim uma reproduo
similar, motivo pelo qual essa imagem consciente no pode ser tida como conhecimento, mas mera lembrana.
Combinar as imagens e altera-las mentalmente a faculdade que se denomina
IMAGINAO, que pode ser meramente reprodutora quando se limita a conservar e
reproduzir imagens, ou criadora quando as combina para formar outras novas.
A imaginao reprodutora difere da memria, pois esta est ligada ao passado
e aquela independe do fator tempo, pois reproduz a imagem desvinculada do fato ou
momento em que ocorreu.
3. O Conhecimento Intelectual
O conhecimento intelectual , basicamente, o que chamamos de IDEA.
Quando observamos algo nossos sentidos transmitem ao crebro as informaes e apreendemos sua imagem, isto , a mente concebe uma IDEA, sem afirmar ou
negar caractersticas ou pormenorizar detalhes.
Um homem que nunca tenha visto um chimpanz, quando posto diante de um,
ira saber que aquele ser um macaco. No sabe a espcie, as caractersticas que o diferenciam de outros macacos, mas sabe adequar a nova imagem a uma ideia conceitual
genrica.
Uma ideia, no sentido de conhecimento intelectual, deve sempre ser resultado
de um exerccio de abstrao, ou seja, se faz necessrio que alguma qualidade do objeto
seja separada, abstrada. Esse ato intelectual, ou seja, se processa na inteligncia e no
unicamente nos sentidos.
aparar, pr margem de considerao tudo aquilo que torna singular, que
particulariza, que individualiza o objeto, ficando apenas com o que h de comum a todos os outros objetos similares.
Toda ideia no seno o prprio objeto considerado intelectualmente na sua
essncia, ou seja, o que existe na ideia o que a prpria coisa , despida de tudo quanto
no seja a sua essncia.
Assim, para chegar-se ideia de homem preciso abstrair as particularidades quanto ao gnero, tamanho, peso, cor e todos os outros caracteres tipolgicos, ficando apenas com os atributos comuns a todo e qualquer homem, o que forma a ideia de
gnero humano.
4. O Juzo e o Raciocnio
O conhecimento intelectual no fica reduzido simplicidade da ideia.
Quando o sujeito chega ideia, essncia do objeto, teve de apreend-lo atravs de seus rgos sensoriais (conhecimento sensvel) ou atravs da inteligncia (conhecimento intelectual). Portanto, para essa apreenso o sujeito no teve necessidade de
reunir, selecionar e compor, que so aes destinadas a conduzir aos julgamentos e juzos.
Emitir um juzo a respeito de algo leva pressuposio de que esse algo foi
antecedentemente julgado, julgamento esse que resultado da ideia e identificado
como primeiro movimento da inteligncia.
No universo da coisas, fatos e seres existentes no se emite apenas um juzo a
respeito desses objetos, mas sim vrios outros que, uma vez combinados, fazem chegar
a outro juzo final e que deles necessariamente decorre.
A essa operao mental de combinar juzos e deles extrair um outro conclusivo
que se d o nome de RACIOCNIO, havido como segundo movimento da inteligncia.
O raciocnio o juzo conclusivo, o juzo final ou consequente.
No uma forma de conhecimento, pois apenas um meio alcanar o fim, que
o juzo conclusivo.
Deve-se alertar, porm, que nem todos os juzos devem ser caracterizados
como concluses derivadas do raciocnio. H juzos espontneos e juzos imediatos, que
independem de premissas ou ideias sobre algo.
Assim, pode concluir que todo raciocnio meio que leva a um juzo, mas nem
todo juzo concluso de um raciocnio.
O argumento a concluso lgica de duas ou mais premissas, ou verdades.
H verdades universais e verdades menos universais (premissa maior e premissa menor).
Da aplicao das premissas temos o raciocnio dedutivo e o indutivo. No primeiro parte-se de uma verdade maior para uma menor at a concluso. Por exemplo:
todo ser vivo mortal (premissa maior). Ora, o homem um ser vivo. Logo, todo homem mortal.
O raciocnio indutivo parte de premissas menos universais para outras mais
universais. Por exemplo: A gasolina um combustvel. Ora, a gasolina inflamvel.
Logo, todo combustvel inflamvel.
A essa ao de argumentao envolvendo premissas maiores e menores se d o
nome de Silogismo.
O Silogismo deve seguir regras rgidas, das quais trs so fundamentais: a) o
silogismo no deve ter mais do que trs termos a premissa maior, a premissa menor e
o termo mdio, ou concluso; b) de duas premissas negativas nada se pode concluir; e c)
de duas premissas particulares, nada se pode concluir.
5. O Conhecimento Intuitivo
H situao em que a inteligncia no realiza qualquer operao para consumar o conhecimento intelectual. Nesses casos, tudo se resume uma percepo imediata
do objeto, numa espcie de revelao ou viso antecipada dele.
Se d o conhecimento intuitivo, ou intuio, quando direto, sem necessidade
de argumentao discursiva. O intelecto reconhece de pronto o conceito e este irrefutvel.
6. A Verdade e o Erro
Sempre que entre duas ideias se forma um juzo, este haver de denunciar uma
relao de convenincia ou de no-convenincia entre elas.
Verdade quando o raciocnio lgico. Quando converge para uma conformao com a realidade.
O erro consiste em no saber, mas afirmar que sabe, ou, em saber, afirmando
que no sabe.
No se pode confundir com ignorncia, que um nada saber sem tentativa de
raciocnio lgico.
7. A Certeza, a Dvida e a Opinio
Certeza quando o intelecto adere incondicionalmente a uma verdade conhecida, despida completamente da mnima possibilidade de engano ou de erro.
Consiste na clareza irrefutvel com que a verdade imposta inteligncia.
A dvida, por seu turno, um estado intermedirio entre o que se pode afirmar
e o que se pode negar. Gera uma condio de incerteza sobre a realidade de um fato ou
verdade de uma assero.
Pode se dar de forma espontnea, quando por carncia de exame favorvel da
situao a inteligncia se abstm de emitir juzo.
Pode ser refletida, quando a inteligncia pondera as razes favorveis e desfavorveis, mas no chega a um juzo de valor.
Tudo quanto a cincia revela fruto da inteligncia no desempenho do ate de
raciocinar, de onde nascem os juzos ou proposies, que, sua vez, seriam positivos ou
negativos, porm fiam em compasso de espera, numa espcie de quarentena para essa
mesma inteligncia, pela reflexo mais ponderada, possa investir-se do grau de certeza
plena sobre a evidncia do que verdadeiro. A esse estgio de suspenso do juzo conclusivo que se d o nome de dvida metdica.
Porm, existem determinadas certezas cujas evidncias so to flagrantes, to
irrefutveis, to induvidosas que a inteligncia no pode deixar de admiti-las de imediato. Essas verdades so evidentes por si mesmas.
Opinio quando uma afirmao feita e o sujeito pensante no exclui a possiblidade de que existam outras razes para negar o que foi afirmado e no podem tais
razes serem eliminadas por certeza absoluta.
Toda opinio fruto de um estado de probabilidade. A opinio to ou mais
valiosa quanto maior seja a probabilidade de estarem certas as razes ou fundamentos
que do estrutura a afirmao.
9. O SOFISMA
Sofisma um raciocnio errado, resultante de m-f, que se apresentar com as
aparncias da verdade.
Se vale da retrica empregada com segunda inteno, isto , com a de levar o
interlocutor, trapaceiramente, a um convencimento falso, sem importar qual seja o seu
posicionamento a respeito do assunto.
10. Deduo e Induo
Raciocnios dedutivos e indutivos divergem quanto concluso.
Na deduo o raciocnio leva necessariamente a uma verdade, pois todo as premissas so verdadeiras, portanto a concluso deve ser verdadeira. Todas as informaes
j se encontravam, de uma outra forma, nas premissas.
Na induo a concluso provavelmente uma verdade, mas no necessariamente uma verdade. A concluso encerra informao que no est na premissa, mas da
qual se pode concluir.
Exemplo de argumentao dedutiva: Todo mamfero tem um corao. Ora,
todos os cavalos so mamferos. Logo, todos os cavalos tm um corao.
Exemplo de argumentao indutiva: os cavalos que foram observados tinham
correo. Logo, todos os cavalos tm corao.
a induo instrumento indispensvel fundamentao dos conhecimentos,
pois prope-se a ir mais alm do que simplesmente extrair a verdade de premissas bvias. Suas concluses ampliam o significado das premissas (ou verdades universais).
No raciocnio indutivo no se tem certeza se a concluso ser ou no verdadeira, pois h uma probabilidade de ser.
A induo um raciocnio atravs do qual a inteligncia, partindo de dados
singulares suficientes, infere uma verdade universal.
Manejada com critrio e cautela, a induo tem grande utilidade para a vida
prtica, como por exemplo para as relaes sociais cotidianas, para a aprendizagem de
l[nguas. imprescindvel jurisprudncia, na interpretao de leis e casos omissos.
11. Anlise e Sntese
Anlise a operao mental que separa dos objetos seus elementos essenciais
dos que so apenas acidentais. Sntese a verificao desse resultado.
O silogismo se baseia na essncia dos objetos, na universalidade, isto , no que
eles tm de elementos necessrios, a fim de que possa apresentar uma explicao ou razo de ser autntica. Enfim, para que se possa DEMONSTRAR.
Anlise implica uma diviso do todo em duas partes componentes, enquanto
que Sntese faz operao inversa: rene, compe as partes para reintegrar o todo.
Podem ser experimentais ou racionais. A primeira quando aplicada s cincias,
aos testes. A segunda, voltada para o raciocnio intelectual, pois est ligada s ideias e
juzos.
Quem INDUZ no deixa de estar processando uma espcie de anlise racional pois precisa decompor um objeto composto de diversas premissas para captar a essncia.
Por outro lado, aquele de DEDUZ est exercendo uma espcie de sntese racional, isto porque est fazendo uma composio, uma progresso que vai dos princpios
s consequncias. Na verdade, est juntando as partes simples para chegar ao todo complexo.
12. Concluso
De tudo aqui estudado sobre esse Fascculo Isolado dedicado Lgica, podese dizer que o ser humano tem, naturalmente, a capacidade de raciocinar analtica e sinteticamente. Porm, importante se faz o conhecimento das diversas particularidades que
envolvem o raciocnio lgico, em especial aquele que se dedica induo e deduo,
pois no dia-a-dia e, especialmente, nos estudos manicos, somos levados ao raciocnio
que se revela, por vezes, improdutivo.
O raciocnio que leva verdade deve ser organizado. Para isso os conceitos
aqui postos devem ser estudados e colocados em prtica, a fim de se evitar o erro e o
achismo.
O mais importante, porm, aprender que o raciocnio lgico, seja dedutivo ou
indutivo, analtico ou sinttico, serve aos mais elevados propsitos, em especial o de
no aceitar conceitos prontos, formulados por terceiros, sem o devido senso crtico.