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O Poder Constituinte

Este documento discute o poder constituinte em Angola. Aborda conceitos como poder constituinte originário versus derivado, e analisa se em Angola houve manifestação do poder originário em 1975 e 1991-1992. Também discute a natureza e características do poder constituinte, sua história, e qualifica o poder que criou a constituição angolana atualmente em vigor.

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O Poder Constituinte

Este documento discute o poder constituinte em Angola. Aborda conceitos como poder constituinte originário versus derivado, e analisa se em Angola houve manifestação do poder originário em 1975 e 1991-1992. Também discute a natureza e características do poder constituinte, sua história, e qualifica o poder que criou a constituição angolana atualmente em vigor.

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O Poder Constituinte

[O Poder Constituinte em Angola]

Armindo Moiss Kasesa Chimuco


[09 de Outubro de 2009]

CAPTULO I - INTRODUO
1.1. INTRODUO
O poder constituinte o poder de um povo em dado momento, criar, modificar
ou elaborar ou eliminar uma constituio. Na modernidade o poder constituinte
tem como titular e povo e exercido com base nas formas de exerccio
democrticas.
O este trabalho contm trs pargrafos nos quais tratou-se o seguinte:
1.O primeiro pargrafo o captulo introdutrio no qual se fez uma breve
introduo fez-se aluso aos mtodos usados, aos objectivos do trabalho, a
formulao do problema e as referidas hipteses;
2. O segundo captulo integrado por doutrina ou melhor fez-se uma abordagem
sobre o conceito, caractersticas, evoluo histrica, titularidade, tipologias,
formas de exerccio e limites do poder constituinte.
3. No terceiro e ltimo captulo fez uma caracterizao e evoluo do poder
constituinte em Angola.

1.2. DO PROBLEMA
1.Ser que em Angola houve uma manifestao do poder constituinte originrio?
2.Como Qualificas poder constituinte criador da Lei Constitucional actualmente
em vigor, e qual a sua fonte de legitimidade?

1.3. HIPTESES
1.
Em Angola houve uma manifestao do poder constituinte originrio em
1975 uma vez que se estava a criar um estado novo no havia uma constituio
que o vincularia o poder constituinte a exercer de criar uma ordem constitucional
sem vinculaes. Em 1991 e 1992 tambm se estava diante do poder
constituinte originrio, porque no existe uma identidade entre o procedimento
constituinte de 1975 e o de 1991|92 e porque no existe uma descontinuidade
entre os dois textos constitucionais.
1.1. Estava-se diante de um poder constituinte derivado em 1975, porque no
houve uma participao do povo na elaborao do texto Constitucional. E o
poder constituinte o poder que um povo tem de em determinada altura
elaborar uma constituio. E o poder que elaborou a lei constitucional de 1975
foi deixado pelos portugueses atravs dos acordos de Alvor. Em 1991|92
estvamos diante do poder constituinte derivado porque j havia uma Lei
Constitucional a de 1975 facto que pressupe o exerccio do poder constituinte
originrio j exercido por um rgo (Comit Central do MPLA) e que o rgo que
fez a reviso em 1991|92 a Assembleia do povo cujos deputados foram eleitos
de forma restrita no Comit Central do MPLA.
2. O poder criador do texto constitucional de 1991|92 um poder constituinte
derivado porque foi aprovado pelo mesmo rgo que criou a constituio de

1975. Estvamos diante do poder constituinte derivado porque houve uma


descontinuidade entre os dois textos constitucionais e por o procedimento que o
aprovou no ser igual ao de 1975, uma vez que em 1975 o MPLA aprovou
unilateralmente a constituio, mas em 1992 a Assembleia do Povo, tem uma
funo apenas de formalizao ao que j estava decidido em negociao entre
os representantes das maiores foras polticas do pas naquele momento.

1.4.

OBJECTIVOS

Objectivos Gerais
Os objectivos gerais deste trabalho de investigao so os seguintes:

O melhoramento da minha capacidade de lidar com fontes de


informaes, de argumentao e de gesto da vida acadmica;
Melhorar o meu aproveitamento na cadeira de Cincia Poltica e Direito
Constitucional;
Deixar o meu legado no estudo do poder constituinte;

Objectivos especficos:

1.5.

Os objectivos especficos deste trabalho so responder a necessidade de


se justificar a classificao obtida na prova de exame de poca normal na
cadeira de Cincia Politica e Direito Constitucional; e
Melhorar a classificao obtida.

LIMITAES E DELIMITAES

Para concluir este trabalho, consultei livros ab-numerados na parte referente a


bibliografia. Contei tambm com o apoio acadmico de certos intelectuais que
no acompanharam o trabalho de investigao, mas ajudaram a organizar as
ideias.

1.6.

METODOLOGIA

Durante a execuo do trabalho, para a recolha de informaes usei o mtodo


de observao analtica de documentos (livros) e de entrevista.

CAPTULO II - O PODER CONSTITUINTE


2.1.

CONCEITO

Existem diversas definies para o poder constituinte:


o poder de elaborar as normas constitucionais, a faculdade de um povo definir
as grandes linhas do seu futuro colectivo atravs da feitura da constituio.
<Marcelo Rebelo de Sousa>
Dora Resende Alves e Maria M. Magalhes definem o poder constituinte:

Em sentido amplo como sendo a produo de todas as normas


constitucionais, incluindo as de origem consuetudinria;
E em sentido restrito como sendo a elaborao de normas constitucionais
escritas que so a trave mestra do ordenamento jurdico.

Parece-nos uma definio pouco acadmica porque um doutrinador de um


sistema constitucional consuetudinrio tomaria uma posio diferente, definindo:

Em sentido amplo o poder de produo de normas constitucionais


incluindo as escritas.
E em sentido restrito como o poder de produo de uma constitucionais
no escritas.

Assim relativo o sentido amplo ou restrito do conceito - poder constituinte.


O poder constituinte o poder ou a faculdade de elaborar uma constituio.
Jorge Miranda.
Apesar da diversidade de conceitos e definies para o poder constituinte, no
fundo, segundo Jos Joaquim Gomes Canotilho, revela sempre poder, autoridade
politica que est em condies de numa determinada situao concreta criar,
garantir ou eliminar uma constituio entendida como lei fundamental da
comunidade politica e este poder ou autoridade , de acordo a Sieys, tem como
titular o povo, nao.

2.2.
PODER CONSTITUINTE ORIGINRIO E PODER CONSTITUINTE
DERIVADO
Tem sido um problema a diviso do poder em originrio e derivado:

O poder constituinte originrio - poder de elaborar uma constituio


para um estado que nunca a teve ou j no a tem em virtude de uma
desagregao social.
O poder constituinte derivado o poder de rever a constituio
existente para corrigir imperfeies e colmatar lacunas adoptando-a a
evoluo da sociedade.

Emmanuel Joseph Sieys, o primeiro doutrinador do poder constituinte francs


no entende o poder de reviso constitucional como um poder constituinte o
professor Jorge Miranda partilha desta opinio, j o professor Gomes
Canotilho segundo as professoras Dora R. Alves e Maria M. Magalhes, afirma

que s em sentido imprprio o poder de reviso constitucional se chamar poder


constituinte.
Parece-nos que o poder de reviso constitucional tomar a forma de poder
constituinte se for exercido pelo povo, nico titular do poder constituinte e incidir
sobre os limites materiais. E no ser quando for exercido pelo representante do
povo ou directamente pelo povo incidindo sobre matria referente que no seja
limite ao poder de reviso. A reviso dos limites s ser aceite se for feita pelo
povo e se os limites previstos constituem elementos impeditivos para a evoluo
da comunidade politica.
O poder de reviso constitucional um poder constitudo porque conformado e
regulado pela constituio criada pelo poder constituinte.
O poder de reviso constitucional previsto na Lei Constitucional angolana (Lei n
23/92 nos artigos 158 a 160), no um poder constituinte, mas um poder
constitudo. Nestes mesmos artigos da Lei Constitucional de Angola encontramos
a previso da aprovao da constituio que marcar o exerccio de um poder
constituinte

2.3. NATUREZA E CARACTERSTICAS DO PODER CONSTITUINTE


Aqui neste tema falaremos dos elementos que traduzem o ser do poder
constituinte.
A presena do fenmeno constituinte resultado de momentos constitucionais
extraordinrios - revoluo que pode ser violenta ou pacifica e pode manifestarse de diferentes formas: secesso, golpe de estado, transies constitucionais,
descolonizao, manifestaes pblicas, etc.
Embora os positivistas pensavam que a revoluo um facto contra -jurdico,
nos entendemos que a revoluo s obedece ou melhor se adequa a teoria
de Sieys que desconstituinte derruba uma ordem e reconstituinte - cria
geralmente uma nova ordem. Assim temos que o poder constituinte um poder
jurdico e poltico.
As caractersticas do poder constituinte so:

Inicial por no existir antes dele qualquer poder que lhe sirva de
fundamento:
Autnomo por ser independente: decide como e quando elaborar a
constituio; e
Omnipotente Sieys entendia o poder constituinte como um poder
ilimitado, livre e autnomo. Mas a experincia tem dado aos doutrinadores
uma viso diferente sobre a limitao do poder constituinte.

Gomes Canotilho defende que o poder constituinte limitado pelos princpios


fundamentais ou direitos humanos (dignidade da pessoa, justia, liberdade, e
igualdade) e pela vontade geral dos cidados, isto , estado poltico, social,
cultural e econmico do povo.

Parece nos que a aceitao de princpios fundamentais subjectiva, sendo


assim s os pases vinculados a uma organizao internacional, a ONU
principalmente faz com que o que esta decidir se sobreponha aos seus membros.
Gomes Canotilho entende como limites ao poder constituinte as objectivaes
histricas que o processo histrico introduziu na conscincia jurdica geral. A
matria dos limites ao poder constituinte est melhor tratada em rea prpria.

2.4. HISTRIA DO PODER CONSTITUINTE


O poder constituinte comeou a se manifestar no sculo XIII no Reino Unido. Com
a criao da Magna Charta e surgiu como o processo histrico de revelao da
constituio da Inglaterra.
Evoluiu com os Americanos que entendiam o poder constituinte como o poder
de dizer num texto escrito a lei fundamental (Paramount Law) da nao.
E os franceses entenderam o poder constituinte como o poder de criar uma
ordem jurdica atravs da destruio do antigo e da construo do novo,
traando a arquitectura da nova cidade poltica num texto escrito a que se
denomina constituio:
Revelar, dizer e criar representam a forma de funcionamento das trs mais
importantes experincias constitucionais para o estudo do poder constituinte
ocidental. (Dora Resende Alves e Maria M. Magalhes).
A maioria dos doutrinadores aponta Sieys como o primeiro teorizador do poder
constituinte, mas o professor Gomes Canotilho destaca o contributo de John
Locke com suas teses sobre o direito de resistncia e direito a revoluo que
para ele, pressupunha um esforo analtico no sentido de contornos precisos ao
corpo do povo identificado com pessoas sem propriedade - sugerindo a
distino, ainda de forma tcita, do poder constituinte do povo poder de o povo
alcanar uma nova forma de governo, e o poder ordinrio do governo e do
legislativo encarregados de prover a feitura e aplicao das leis.
Reconhece-se quase que universalmente que foi Sieys o primeiro a falar do
poder constituinte moderno, na sua luta contra a monarquia absoluta,
declarando:
O poder constituinte da nao visto como originrio e soberano;
Plena liberdade da nao para criar uma constituio.
Enfim foi em Frana que se estudou e se manifestou pela primeira vez o poder
constituinte e tem vindo a evoluir com o tempo.

2.5. O TITULAR DO PODER CONSTITUINTE


A titularidade do poder constituinte e indissocivel do titular da soberania,
porque o soberano que cria o direito.
Antes da idade mdia nada se dizia a respeito do titular da soberania mas em
muitas monarquias teocrticas se fazia aluso a origem divina do poder.

Com a idade mdia as ideias da origem divina do poder por no serem crists
chocavam com o cristianismo que era na poca a ideologia dominante. Tinha-se
Deus como a origem do poder e o papa como seu representante na terra, dai
surgiram as teorias divinas:
1. Teoria divina sobre natural que dizia que os governantes eram
directamente escolhidos por Deus e governavam pela Sua graa.
2. Teoria do direito divino providencial que rezava que Deus criou o
mundo com as leis que o governam e s excepcionalmente intervm para alterar
essas leis.
No fim da idade mdia a igreja perdeu influncias sobre a vida poltica da Europa
passando o povo a ser a fonte da legitimidade do poder, surgiram assim as
teorias contratualistas:
1. Teoria do poder alienvel - o povo tem o poder constituinte e por um
pacto transfere-o ao monarca atravs de um pacto de sujeio tornando o
monarca de forma definitiva e irrevogvel a entidade que exerce o poder em
nome prprio.
2. Teoria do poder popular inalienvel - o povo permanece com o seu poder
constituinte, e concede ao monarca apenas o exerccio, podendo dep-lo se este
no cumprir com o pacto.
No sculo XVIII vingaram as teorias do despotismo iluminado, pelo avano
da cincia as massas populares passaram a ser vistas como incultas, ignorantes
e vivendo no obscurantismo no podendo assim participar do governo porque a
sua aco seria nefasta para os seus interesses ficando o poder com uma elite
poltica formada por um grupo de indivduos mais iluminados.
Com as influncias dos filsofos liberais I e Rosseau surgem as teorias
democrticas:
1. Teoria da Soberania Nacional a soberania pertence a nao, uma
entidade abstracta distinta do conjunto de cidados.
2. Teoria da soberania popular todos os cidados so iguais, cada um
aliena os seus direitos a favor da sociedade e participam assim igualmente na
vontade geral e os que no participam devem submeter-se e porque s por
engano estaro contra.
3. Teoria da Soberania do estado - Tem como veiculadores autores alems
do sculo XIX e defendia que por o povo ser um elemento do estado, o estado e
o titular do poder constituinte.
Teoria Popular Marxista insere-se nas teorias de governo minoritrio - o
titular do poder constituinte so os detentores dos meios de produo que
formam a classe dominante do ponto de vista econmico.
Para Gomes Canotilho o problema do titular do poder constituinte, na
modernidade, s tem resposta democrtica - o povo povo poltico povo
concebido como grupos de pessoas que agem segundo ideais, interesses e
representaes de natureza poltica.

2.6. PROCESSO CONSTITUINTE E FORMAS DE EXERCICIO DO PODER


CONSTITUINTE
A. Decises Pr-Constituintes
O desencadeamento do exerccio do poder constituinte ou procedimento
constituinte, anda associado a momentos constitucionais extraordinrios em
tempo de viragem histrica, de crises, em ocasies privilegiadas e irrepetveis revoluo: golpes de estados, descolonizao, quedam de muro, recuperao da
soberania internacional, transies constitucionais, etc. Factores
desconstituintes, possvel ou imperativo um novo destino uma comunidade
poltica adopta um novo destino que atravs de um processo variavelmente
complexo e longo, que tem como fim a elaborao da nova constituio factor
constituinte. Entendemos que os momentos constitucionais so sempre fruto de
uma necessidade de mudana do sistema jurdico e \ ou dos actores polticos,
assim afirmamos que momentos constituintes extraordinrios ou factores
desconstituintes tm sempre em vista uma revoluo. Estes factores geram a
necessidade de se criar uma nova constituio e de regular a comunidade
poltica durante a redaco discusso e aprovao da constituio desta
constituio, obrigando assim o governo revolucionrio a tomar as decises prconstituintes.
Gomes Canotilho diz que as decises pr-constituintes ou formais se
reconduzem-se geralmente a dois tipos:
1.Decio poltica de elaborar uma lei constitucional vontade poltica de criar
uma nova constituio;
2.Edio de normas constitucionais provisrias (lei constitucional provisria, prconstituio ou ainda constituio revolucionria) destinada a dar uma primeira
forma ao novo estado de coisas e a definir as linhas orientadoras do
procedimento constituinte deciso de regular o procedimento constituinte
adequado a criao da constituio.
Segundo Jorge Miranda, constituio provisria o conjunto de normas com a
dupla finalidade de definio do regime da elaborao e aprovao da
constituio formal e de estruturao do poder poltico no interregno
constitucional a que acrescenta a funo de eliminao ou erradicao de
resqucios do antigo regime.
Enfim, as decises pr-constituintes tendem a criao de condies mnimas e as
regras indispensveis para a feitura de uma constituio legtima.

B. Decises Constituintes
Ao falarmos das decises constituintes ou decises materiais implicar falarmos
do procedimento constituinte ou das formas de exerccio do poder constituinte
iniciativa, discusso, votao, promulgao, publicao, conducentes a adopo
de uma nova constituio.
As formas de exerccio do poder constituinte ou o procedimento constituinte
dependem das estruturas polticas, econmicas, e sociais dominantes em cada
comunidade poltica e em cada momento histrico.

Os critrios de classificao do procedimento constituinte ou da forma de


exerccio do poder constituinte so:
Entidade competente; e
Da existncia ou no de expresso popular do poder constituinte.
As trs principais formas de exerccio do poder constituinte sinnimo de
procedimento constituinte so:
1. Forma Democrtica - o povo exerce o poder intervindo directa ou
indirectamente na feitura da constituio. Pode ser:
1.1. Representativa o poder constituinte cabe ao povo que elege os seus
representantes que reunidos em assembleia constituinte vo elaborar a
constituio Assembleia Constituinte Soberana;
1.2. Directa - o texto constitucional elaborada por uma assembleia formada
por todos cidados eleitores ou pelo povo sem mediao de representantes;
1.3. Semi-directa ou referendria - o texto constitucional elaborada por um
grupo de indivduos ou por um determinado rgo poltico (parlamento ou
Governo) e em seguida submetido a aprovao ou sano popular, atravs de
referendos constituintes.

2. Ditatorial ou Autocrtica - o poder exercido por um indivduo ou por um


grupo de indivduos. Pode ser:
2.1. Monocrtica o poder constituinte exercido por um s indivduo:
2.1.1. Monrquica o poder constituinte exercido pelo monarca que outorga
uma constituio a nao.
2.1.2. Bonapartista o poder constituinte exercido por ditador que o exerce
em nome do povo.

3. Autocrtica o poder constituinte exercido por um grupo de indivduos, um


governo de facto ou revolucionrio e que o fazem a ttulo prprio ou em nome do
povo, invocando o princpio democrtico.
3. A Forma Mista a constituio resulta de uma coabitao de procedimentos
Democrticos e ditatoriais a constituio elaborada por um procedimento
Bonapartista seguido de uma consulta popular plebiscito constitucional:
Constituio provisria de 1933; ou aprovada por um pacto entre o parlamento
eleito pelo povo Assembleia Constituinte Soberana e o monarca ou ainda a
constituio elaborada por uma assembleia constituinte soberana e
submetida a aprovao do monarca.
Enfim, a forma de exerccio do poder constituinte democrtica representativa,
identifica-se com a teoria da soberania nacional; ao passo que a teoria da
soberania popular se identifica com os procedimentos constituintes directo e
semi-directo.

2.7.

LIMITES AO PODER CONSTITUINTE

A teoria clssica Sieys - do poder constituinte caracterizava-o como poder


omnipotente (autnomo, ilimitado, incondicionado e livre): Potestas Constituens
poder de constituir; Norma Normans poder de editar normas e Creatio exnihilo poder de criar do nada.
Actualmente a doutrina nega esta omnipotncia do poder constituinte.
Gomes Canotilho entende que o poder constituinte deve obedecer ou respeitar:
_ Aos modelos e padres de conduta espirituais, culturais, ticos e sociais
radicados na conscincia geral da comunidade poltica;
_Princpios fundamentais de justia ou de Direito;
_ Os princpios do Direito Internacional; e
_A ideia que norteou o surgimento do poder constituinte.

Para Marcelo Rebelo De Sousa o poder constituinte limitado pelas estruturas


econmicas, polticas e sociais dominantes na sociedade e pelos valores que ela
prossegue.
Jorge Miranda destaca trs tipos de limites materiais:
Os transcendentes - provm do direito natural de valores ticos superiores, de
uma conscincia colectiva e se impem a vontade do povo: direitos
fundamentais;
Os imanentes limites - se reportam a soberania do estado; e
Os heterogneos - provm da conjugao com outros ordenamentos jurdicos
podem referir-se a normas do direito internacional (e interno).
Ao analisarmos comparativamente os diferentes autores aqui citados veremos
que para alm da terminologia usada existem poucas diferenas os autores
citados, ambos levam-nos a entender que o poder constituinte respeita os
valores ticos que norteiam a vida social e os direitos fundamentais
universalmente aceites.
Importa porm lembrar que estes limites aqui enunciados limitam o poder
constituinte no momento pr-constituinte, uma vez que as decises prconstituintes incluem a criao de um conjunto de normas que poder regular o
procedimento constituinte, o exerccio do poder constituinte fica limitado pelas
formalidades que vierem previstas nesta constituio provisria, no implicando
que o procedimento constituinte se desvincule dos limites supracitados.

CAPTULO III - O PODER CONSTITUINTE EM ANGOLA


3.1.

INTRODUO

Angola um estado que viveu cinco sculos sobre o poder colonial portugus e
por isso durante este tempo foi regulada por dispositivos normativos
portugueses viveu sob uma hetero-constituio elaborada pelos portugueses. Em
1974, com a evoluo da guerra pala libertao em Angola e pela queda do
fascismo salazariano portugus, comeam a surgir luzes para o alcance da
independncia nacional de Angola (descolonizao).
Em 1975, a 11de Novembro foi proclamada a independncia de Angola. Foi
assim exercido pela primeira vez o poder constituinte em Angola com
consagrao de um estado socialista monocrtico tendo o MPLA exercido o
poder constituinte e se consagrado partido-estado tendo preterido assim os
outros movimentos de libertao que ao seu lado lutaram pela independncia
(FNLA e UNITA). Este exerccio do poder constituinte a princpio estava e foi
superado pelas diferentes revises feitas a constituio tendentes a reforar os
poderes do presidente da repblica e do MPLA como partido dirigente da vida
poltica Nacional sendo uma bastante interessante que definiu o princpio da
reserva legislativa, acabando com a partilha indiscriminada do poder legislativo
entre o conselho da revoluo e o governo passando o poder de reviso
constitucional a constar das matrias de reserva da constituio.
Em 1980 foi instituda a Assembleia do povo e as Assembleias populares locais,
que substituram o conselho de revoluo. Em 1991 comeou-se um novo
procedimento constituinte desta vez mais aberto para as outras foras polticas e
no ainda ao povo, mas com contedo preparatrio da participao do povo.
Este Processo comeou com a reviso constitucional 1991,lei n12/91 que
alterava o cerne da constituio, dando numa descontinuidade entre o texto de
1975 e o de 1991,descontinuidade esta agravada pela Lei N 23/92 de 16 de
Setembro, leis estas que visaram a criao de condies para a implantao da
democracia pluripartidria, a ampliao do reconhecimento e garantia dos
direito e liberdades do cidado e a criao de condies para a implementao
de uma de economia de mercado, contrariando completamente o esprito da Lei
constitucional de 1975 e as suas revises. Compreendemos que as Lei12/91 e
depois a Lei 23/92 de 16 de Setembro uma lei provisria que apesar de marcar
uma transio constitucional material pela descontinuidade entre os dois textos
constitucionais e se chamar Lei de reviso constitucional uma lei nova de
carcter provisrio cuja discusso e aprovao obedeceu a procedimentos de
criao de normas constituintes provisrias (Discusso pelas maiores foras
polticas do estado e formalizao de aprovao pela Assembleia do Povo rgo
at ento competente para reviso constitucional). De 1992 at agora no
conclumos o processo de transio por motivos difceis de racionalizar.

3.2.

A TITULARIDADE DO PODER CONSTITUINTE

De 1961 a 1974 - 1975, Angola vivia num clima de guerra contra colonialismo e
de guerra fria entre os movimentos de libertao. Assim, a 11 de Novembro de
1975 altura prevista em Alvor para a proclamao da independncia os

movimentos estavam to divididos que cada um proclamou independncia numa


das regies estratgicas do pas: MPLA em Luanda (Regio Centro Norte), UNITA
no Huambo (Regio Centro Sul) e a FNLA no Zaire (Regio Norte). Por estes
diferendos e por falta de vontade poltica para se dialogar e assim criar-se
condies para um procedimento constituinte justo para todos evitando assim os
rios de sangue que o povo angolano com seus irmos criou, mas preferiram ser
conduzidos pelo instinto animal e por isso no foi possvel a participao do povo
no processo constituinte.
A titularidade do poder constituinte do poder constituinte pertencia a cada um
dos movimentos que participaram na luta contra o colonialismo por terem
conseguido acabar com o colonialismo (legitimidade revolucionrio), porm com
os problemas que viviam e pela iluminao psquica que vigorava era impossvel
se unirem e criarem juntos uma constituio.
O artigo 2consagrava - o MPLA como fora dirigente na construo de um
Estado democrtico popular, tendo como ncleo do poder uma larga frente em
que se integravam todas as foras patriticas empenhadas na luta contra o
imperialismo: este preceito legal, combinado com o do artigo 13 da mesma lei
que consagrava o princpio do combate energtico contra o obscurantismo e o
analfabetismo, e o desenvolvimento da educao do povo e de uma verdadeira
cultura nacional, levam-nos a caracterizar a titularidade do poder constituinte
com base nas teorias monocrticas em que se vm as massas populares
incultas, e ignorantes, vivendo no obscurantismo 13 -, sendo por isso dirigidos
por um grupo minoritrio (Elite Poltica) detentora da moderna cultura e capaz de
implantar reformas exigidas pelo progresso da cincia - 2 da Lei Constitucional
de 1975.
Na actual Lei Constitucional Lei n23/92, de 16 de Setembro temos
caractersticas da teoria democrtica da soberania nacional a coabitarem com
caractersticas do poder popular.
Assim temos as seguintes caractersticas da teoria da soberania popular:
O artigo 3 que afirma a residncia da soberania no povo e o referendo e outras
formas de participao democrtica como formas de participao do povo na
vida poltica da nao;
Os artigos 57, 78, 79 n1 que consagram as formas de sufrgio universal,
directa, igual, secreta e peridica para a eleio dos representantes do povo.
Como tambm temos caractersticas da teoria da soberania nacional:
O artigo 73 n 2 limitado os referendos;
Os artigos 66 als. e), s), 69 n1 e 73 n 3 sobre o controlo da actividade do
poder legislativo pelo Presidente da Repblica;
O artigo 88 als. d, i, j, m, consagra o controlo da actividade do Presidente da
Repblica pelo Parlamento.
E a forma de exerccio de exerccio do poder constituinte foi a negociao entre
as maiores foras polticas e depois aprovada pela Assembleia do Povo rgo
composto por deputados eleitos de forma restrita dentro do comit central do
MPLA e que detinha o poder de reviso constitucional. uma constituio

provisria e este tem sido o procedimento para aprovao das constituies


provisrias - pacto entre as maiores foras polticas do momento, esta contou
com uma formalidade nica. Apesar de no contar com a participao do povo o
seu contedo tem uma concordncia com a vontade do povo.

3.3.
A.

TRANSIO DA MONOCRACIA A DEMOCRACIA


A Legitimidade e Validade do Poder Constituinte Em Angola

J falamos da legitimidade do poder constituinte de 1975, mas vale fazermos


uma nova digresso ao tema.
A revoluo um comportamento humano que tem como fim o derrube de uma
determinada ordem poltica e a criao de uma nova. a mudana do texto
constitucional ou dos actores polticos. A revoluo pode ser pacfica ou violenta
(mais frequente).
Em 1961, cansados da opresso colonial os angolanos reuniram-se em grupos e
comearam a luta para a independncia que implicava o derrube do colonialismo
e a criao de uma ordem jurdico-poltica novo. Em 1974 havia trs movimentos
de libertao que lutavam de forma desorganizada pela independncia,
tentaram organizar-se e em Janeiro de 1975 assinaram os acordos de alvor, que
serviria para criar condies para a criao de um novo Estado, isto ,
funcionaria como constituio provisria: deciso de criao de uma
constituio, eleio de uma assembleia constituinte e outras. Mas no tardaram
os problemas e cedo voltaram a desorganizao. Em Novembro de 1975, Angola
se tornou Independente e caiu o regime colonial, e os Acordos de Alvor j tinham
sido revogados. Angola ficaria sem constituio se no se proclamasse e assim
no seria possvel a independncia.Com a derrocada do colonialismo os
revolucionrios ganharam legitimidade para a criao de uma nova ordem
poltico-jurdica. O MPLA que estava na capital (Luanda) proclamou a
independncia de Angola e ps em vigor a constituio de 1975 que resultou do
exerccio do poder constituinte originrio uma vez que a sua aprovao no tinha
fundamento numa outra constituio (inicial). E o seu exerccio no foi
determinado por uma ordem externa a este. A UNITA, no se sentiu satisfeita
com a aprovao da constituio de 1975 pelo MPLA que realizou a sua
pretenso de criar uma nova ordem, por isso, comeou uma nova luta com o
intuito de derrubar a ordem constitucional imposta pelo MPLA. Esta luta
continuou e em 1991comeou a frutificar, com a Lei de Reviso Constitucional
n12|91, seguida pelos Acordos de Paz de Bicesse e consolidada pela Lei n 23|
92 de 16 de Setembro, que marcaram uma transio constitucional material uma
vez que h uma descontinuidade entre o texto constitucional de 1975 e o de
1991 uma vez que introduziram uma alterao radical ao texto constitucional
mudando radicalmente os sistemas polticos e econmico.
Esta reviso constitucional marca o comeo de um processo de criao de uma
nova constituio para Angola uma vez que a primeira foi energicamente
contestada: entendemos a aprovao da constituio de 1991 parte das
decises pr-constituintes tendente a regular a vida poltica durante o interregno
constitucional que ainda no terminou, e para traar os limites formais,

materiais, circunstanciais e temporais para a criao da constituio (158 a


160 doa Lei 23|92 de 16 Setembro, De Reviso Constitucional).
Em suma temos duas revolues na histria de Angola:
Uma que deu legitimidade aos movimentos de libertao para a criao do
Estado Angolano e que foi unilateralmente exercido pelo MPLA que criou uma
ordem poltica egosta, facto que desencantou os seus companheiros de luta
(FNLA e UNITA) e gerou uma nova guerra cujo objectivo era mudar os sistemas
poltico e econmico de Angola;
E a outra que tinha como fim o derrube do socialismo e centralismo polticoeconmico que norteava o sistema poltico consagrado na Lei Constitucional de
1975. tambm a manifestao do poder constituinte originrio, uma vez que a
sua legitimidade resulta do pacto entre as partes, inserido nas decises pr
constituintes tendentes a criao de uma constituio nova, uma vez que o texto
constitucional anterior foi deixou de existir pela sua desconformidade com a
vontade do povo.
3.4. CONCLUSO
Enfim, Angola sofreu uma transio do colonialismo ao socialismo em 1975 e em
1991 comeou o processo de criao de uma nova constituio para um estado
democrtico, processo que pelo irracional desejo de acesso, controlo e exerccio
do poder poltico, at agora no est concludo. Actualmente estamos no
processo de reviso estamos no momento de discusso do texto constitucional
por isso difcil fazer-se uma abordagem clara sobre o poder criador da
constituio de 1991 e 1992, entretanto o legislador constituinte no dever, em
princpio, ultrapassar os limites do art. 159 da Lei Constitucional, lei provisria
que tambm regula o processo de aprovao da nova constituio, sendo assim
o momento constituinte do poder constituinte originrio cujas bases foram
definidas pela Lei 23/ 92, no momento pr-constituinte.

Publicada por Macklion Waters Chimuco

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