TERMOMETRIA
Temperatura
Chamamos de Termologia a parte da fsica que estuda os fenmenos relativos
ao calor, aquecimento, resfriamento, mudanas de estado fsico, mudanas de
temperatura, etc.
Temperatura a grandeza que caracteriza o estado trmico de um corpo ou
sistema.
Fisicamente o conceito dado a quente e frio um pouco diferente do que
costumamos usar no nosso cotidiano. Podemos definir como quente um corpo
que tem suas molculas agitando-se muito, ou seja, com alta energia cintica.
Analogamente, um corpo frio, aquele que tem baixa agitao das suas
molculas.
Ao aumentar a temperatura de um corpo ou sistema pode-se dizer que est se
aumentando o estado de agitao de suas molculas.
Ao tirarmos uma garrafa de gua mineral da geladeira ou ao retirar um bolo de
um forno, percebemos que aps algum tempo, ambas tendem a chegar
temperatura do ambiente. Ou seja, a gua "esquenta" e o bolo "esfria". Quando
dois corpos ou sistemas atingem o mesma temperatura, dizemos que estes
corpos ou sistemas esto em equilbrio trmico.
Escalas Termomtricas
Para que seja possvel medir a temperatura de um corpo, foi desenvolvido um
aparelho chamado termmetro.
O termmetro mais comum o de mercrio, que consiste em um vidro
graduado com um bulbo de paredes finas que ligado a um tubo muito fino,
chamado tubo capilar.
Quando a temperatura do termmetro aumenta, as molculas de mercrio
aumentam sua agitao fazendo com que este se dilate, preenchendo o tubo
capilar. Para cada altura atingida pelo mercrio est associada uma
temperatura.
A escala de cada termmetro corresponde a este valor de altura atingida.
Escala Celsius
a escala usada no Brasil e na maior parte dos pases, oficializada em 1742
pelo astrnomo e fsico sueco Anders Celsius (1701-1744). Esta escala tem
como pontos de referncia a temperatura de congelamento da gua sob
presso normal (0C) e a temperatura de ebulio da gua sob presso normal
(100C).
Escala Fahrenheit
Outra escala bastante utilizada, principalmente nos pases de lngua inglesa,
criada em 1708 pelo fsico alemo Daniel Gabriel Fahrenheit (1686-1736),
tendo como referncia a temperatura de uma mistura de gelo e cloreto de
amnia (0F) e a temperatura do corpo humano (100F).
Em comparao com a escala Celsius:
0C=32F
100C=212F
Escala Kelvin
Tambm conhecida como escala absoluta, foi verificada pelo fsico ingls
William Thompson (1824-1907), tambm conhecido como Lorde Kelvin. Esta
escala tem como referncia a temperatura do menor estado de agitao de
qualquer molcula (0K) e calculada apartir da escala Celsius.
Por conveno, no se usa "grau" para esta escala, ou seja 0K, l-se zero
kelvin e no zero grau kelvin. Em comparao com a escala Celsius:
-273C=0K
0C=273K
100C=373K
Converses entre escalas
Para que seja possvel expressar temperaturas dadas em uma certa escala
para outra qualquer deve-se estabelecer uma conveno geomtrica de
semelhana.
Por exemplo, convertendo uma temperatura qualquer dada em escala
Fahrenheit para escala Celsius:
Pelo princpio de semelhana geomtrica:
Exemplo:
Qual a temperatura correspondente em escala Celsius para a temperatura
100F?
Da mesma forma, pode-se estabelecer uma converso Celsius-Fahrenheit:
E para escala Kelvin:
Algumas temperaturas:
Escala
Celsius (C)
Escala
Escala Kelvin
Fahrenheit
(K)
(F)
Ar liquefeito
-39
-38,2
243
Maior Temperatura na
superfcie da Terra
58
136
331
Menor Tempertura na
superfcie da Terra
-89
-128
184
Ponto de combusto da
madeira
250
482
523
Ponto de combusto do
papel
184
363
257
Ponto de fuso do chumbo
327
620
600
Ponto de fuso do ferro
1535
2795
1808
32
273,15
Ponto de solidificao do
mercrio
-39
-38,2
234
Ponto do vapor
100
212
373,15
Temperatura na chama do
gs natural
660
1220
933
Temperatura na superfcie
do Sol
5530
10000
5800
-273,15
-459,67
Ponto do gelo
Zero absoluto
CALORIMETRIA
Calor
Quando colocamos dois corpos com temperaturas diferentes em contato,
podemos observar que a temperatura do corpo "mais quente" diminui, e a do
corpo "mais frio" aumenta, at o momento em que ambos os corpos
apresentem temperatura igual. Esta reao causada pela passagem de
energia trmica do corpo "mais quente" para o corpo "mais frio", a transferncia
de energia o que chamamos calor.
Calor a transferncia de energia trmica entre corpos com temperaturas
diferentes.
A unidade mais utilizada para o calor caloria (cal), embora sua unidade no SI
seja o joule (J). Uma caloria equivale a quantidade de calor necessria para
aumentar a temperatura de um grama de gua pura, sob presso normal, de
14,5C para 15,5C.
A relao entre a caloria e o joule dada por:
1 cal = 4,186J
Partindo da, podem-se fazer converses entre as unidades usando regra de
trs simples.
Como 1 caloria uma unidade pequena, utilizamos muito o seu mltiplo, a
quilocaloria.
1 kcal = 10cal
Calor sensvel
denominado calor sensvel, a quantidade de calor que tem como efeito
apenas a alterao da temperatura de um corpo.
Este fenmeno regido pela lei fsica conhecida como Equao Fundamental
da Calorimetria, que diz que a quantidade de calor sensvel (Q) igual ao
produto de sua massa, da variao da temperatura e de uma constante de
proporcionalidade dependente da natureza de cada corpo denominada calor
especfico.
Assim:
Onde:
Q = quantidade de calor sensvel (cal ou J).
c = calor especfico da substncia que constitui o corpo (cal/gC ou J/kgC).
m = massa do corpo (g ou kg).
= variao de temperatura (C).
interessante conhecer alguns valores de calores especficos:
Substncia
c
(cal/gC)
Alumnio
0,219
gua
1,000
lcool
0,590
Cobre
0,093
Chumbo
0,031
Estanho
0,055
Ferro
0,119
Gelo
0,550
Mercrio
0,033
Ouro
0,031
Prata
0,056
Vapor d'gua
0,480
Zinco
0,093
Quando:
Q>0: o corpo ganha calor.
Q<0: o corpo perde calor.
Exemplo:
Qual a quantidade de calor sensvel necessria para aquecer uma barra de
ferro de 2kg de 20C para 200C? Dado: calor especfico do ferro =
0,119cal/gC.
2kg = 2000g
Calor latente
Nem toda a troca de calor existente na natureza se detm a modificar a
temperatura dos corpos. Em alguns casos h mudana de estado fsico destes
corpos. Neste caso, chamamos a quantidade de calor calculada de calor
latente.
A quantidade de calor latente (Q) igual ao produto da massa do corpo (m) e
de uma constante de proporcionalidade (L).
Assim:
A constante de proporcionalidade chamada calor latente de mudana de fase
e se refere a quantidade de calor que 1g da substncia calculada necessita
para mudar de uma fase para outra.
Alm de depender da natureza da substncia, este valor numrico depende de
cada mudana de estado fsico.
Por exemplo, para a gua:
Calor latente de fuso
80cal/g
Calor latente de vaporizao
540cal/g
Calor latente de solidificao
-80cal/g
Calor latente de condensao
-540cal/g
Quando:
Q>0: o corpo funde ou vaporiza.
Q<0: o corpo solidifica ou condensa.
Exemplo:
Qual a quantidade de calor necessria para que um litro de gua vaporize?
Dado: densidade da gua=1g/cm e calor latente de vaporizao da
gua=540cal/g.
Assim:
Curva de aquecimento
Ao estudarmos os valores de calor latente, observamos que estes no
dependem da variao de temperatura. Assim podemos elaborar um grfico de
temperatura em funo da quantidade de calor absorvida. Chamamos este
grfico de Curva de Aquecimento:
Trocas de calor
Para que o estudo de trocas de calor seja realizado com maior preciso, este
realizado dentro de um aparelho chamado calormetro, que consiste em um
recipiente fechado incapaz de trocar calor com o ambiente e com seu interior.
Dentro de um calormetro, os corpos colocados trocam calor at atingir o
equilbrio trmico. Como os corpos no trocam calor com o calormetro e nem
com o meio em que se encontram, toda a energia trmica passa de um corpo
ao outro.
Como, ao absorver calor Q>0 e ao transmitir calor Q<0, a soma de todas as
energias trmicas nula, ou seja:
Q=0
(l-se que somatrio de todas as quantidades de calor igual a zero)
Sendo que as quantidades de calor podem ser tanto sensvel como latente.
Exemplo:
Qual a temperatura de equilbrio entre uma bloco de alumnio de 200g 20C
mergulhado em um litro de gua 80C? Dados calor especfico:
gua=1cal/gC e alumnio = 0,219cal/gC.
Capacidade trmica
a quantidade de calor que um corpo necessita receber ou ceder para que sua
temperatura varie uma unidade.
Ento, pode-se expressar esta relao por:
Sua unidade usual cal/C.
A capacidade trmica de 1g de gua de 1cal/C j que seu calor especfico
1cal/g.C.
ransmisso de Calor
Em certas situaes, mesmo no havendo o contato fsico entre os corpos,
possvel sentir que algo est mais quente. Como quando chega-se perto do
fogo de uma lareira. Assim, conclumos que de alguma forma o calor emana
desses corpos "mais quentes" podendo se propagar de diversas maneiras.
Como j vimos anteriormente, o fluxo de calor acontece no sentido da maior
para a menor temperatura.
Este trnsito de energia trmica pode acontecer pelas seguintes maneiras:
conduo;
conveco;
irradiao.
Fluxo de Calor
Para que um corpo seja aquecido, normalmente, usa-se uma fonte trmica de
potncia constante, ou seja, uma fonte capaz de fornecer uma quantidade de
calor por unidade de tempo.
Definimos fluxo de calor () que a fonte fornece de maneira constante como o
quociente entre a quantidade de calor (Q) e o intervalo de tempo de exposio
(t):
Sendo a unidade adotada para fluxo de calor, no sistema internacional, o Watt
(W), que corresponde a Joule por segundo, embora tambm sejam muito
usada a unidade caloria/segundo (cal/s) e seus mltiplos: caloria/minuto
(cal/min) e quilocaloria/segundo (kcal/s).
Exemplo:
Uma fonte de potncia constante igual a 100W utilizada para aumentar a
temperatura 100g de mercrio 30C. Sendo o calor especfico do mercrio
0,033cal/g.C e 1cal=4,186J, quanto tempo a fonte demora para realizar este
aquecimento?
Aplicando a equao do fluxo de calor:
Conduo Trmica
a situao em que o calor se propaga atravs de um "condutor". Ou seja,
apesar de no estar em contato direto com a fonte de calor um corpo pode ser
modificar sua energia trmica se houver conduo de calor por outro corpo, ou
por outra parte do mesmo corpo.
Por exemplo, enquanto cozinha-se algo, se deixarmos uma colher encostada
na panela, que est sobre o fogo, depois de um tempo ela esquentar tambm.
Este fenmeno acontece, pois, ao aquecermos a panela, suas molculas
comeam a agitar-se mais, como a panela est em contato com a colher, as
molculas em agitao maior provocam uma agitao nas molculas da colher,
causando aumento de sua energia trmica, logo, o aquecimento dela.
Tambm por este motivo que, apesar de apenas a parte inferior da panela
estar diretamente em contato com o fogo, sua parte superior tambm esquenta.
Conveco Trmica
A conveco consiste no movimento dos fluidos, e o princpio fundamental da
compreenso do vento, por exemplo.
O ar que est nas plancies aquecido pelo sol e pelo solo, assim ficando mais
leve e subindo. Ento as massas de ar que esto nas montanhas, e que est
mais frio que o das plancies, toma o lugar vago pelo ar aquecido, e a massa
aquecida se desloca at os lugares mais altos, onde resfriam. Estes
movimentos causam, entre outros fenmenos naturais, o vento.
Formalmente, conveco o fenmeno no qual o calor se propaga por meio do
movimento de massas fluidas de densidades diferentes.
Irradiao Trmica
a propagao de energia trmica que no necessita de um meio material
para acontecer, pois o calor se propaga atravs de ondas eletromagnticas.
Imagine um forno microondas. Este aparelho aquece os alimentos sem haver
contato com eles, e ao contrrio do forno gs, no necessrio que ele
aquea o ar. Enquanto o alimento aquecido h uma emisso de microondas
que fazem sua energia trmica aumentar, aumentando a temperatura.
O corpo que emite a energia radiante chamado emissor ou radiador e o corpo
que recebe, o receptor.
1 Lei da Termodinmica
Chamamos de 1 Lei da Termodinmica, o princpio da conservao de energia
aplicada termodinmica, o que torna possvel prever o comportamento de um
sistema gasoso ao sofrer uma transformao termodinmica.
Analisando o princpio da conservao de energia ao contexto da
termodinmica:
Um sistema no pode criar ou consumir energia, mas apenas armazen-la ou
transferi-la ao meio onde se encontra, como trabalho, ou ambas as situaes
simultaneamente, ento, ao receber uma quantidade Q de calor, esta poder
realizar um trabalho e aumentar a energia interna do sistema U, ou seja,
expressando matematicamente:
Sendo todas as unidades medidas em Joule (J).
Conhecendo esta lei, podemos observar seu comportamento para cada uma
das grandezas apresentadas:
Calor
Trabalho
Energia Interna
Q/ /U
Recebe
Realiza
Aumenta
>0
Cede
Recebe
Diminui
<0
no troca
no realiza e nem
recebe
no varia
=0
Exemplo:
(1) Ao receber uma quantidade de calor Q=50J, um gs realiza um trabalho
igual a 12J, sabendo que a Energia interna do sistema antes de receber calor
era U=100J, qual ser esta energia aps o recebimento?
2 Lei da Termodinmica
Dentre as duas leis da termodinmica, a segunda a que tem maior aplicao
na construo de mquinas e utilizao na indstria, pois trata diretamente do
rendimento das mquinas trmicas.
Dois enunciados, aparentemente diferentes ilustram a 2 Lei da
Termodinmica, os enunciados de Clausius e Kelvin-Planck:
Enunciado de Clausius:
O calor no pode fluir, de forma espontnea, de um corpo de temperatura
menor, para um outro corpo de temperatura mais alta.
Tendo como consequncia que o sentido natural do fluxo de calor da
temperatura mais alta para a mais baixa, e que para que o fluxo seja inverso
necessrio que um agente externo realize um trabalho sobre este sistema.
Enunciado de Kelvin-Planck:
impossvel a construo de uma mquina que, operando em um ciclo
termodinmico, converta toda a quantidade de calor recebido em trabalho.
Este enunciado implica que, no possvel que um dispositivo trmico tenha
um rendimento de 100%, ou seja, por menor que seja, sempre h uma
quantidade de calor que no se transforma em trabalho efetivo.
Maquinas trmicas
As mquinas trmicas foram os primeiros dispositivos mecnicos a serem
utilizados em larga escala na indstria, por volta do sculo XVIII. Na forma mais
primitiva, era usado o aquecimento para transformar gua em vapor, capaz de
movimentar um pisto, que por sua vez, movimentava um eixo que tornava a
energia mecnica utilizvel para as indstrias da poca.
Chamamos mquina trmica o dispositivo que, utilizando duas fontes trmicas,
faz com que a energia trmica se converta em energia mecnica (trabalho).
A fonte trmica fornece uma quantidade de calor
que no dispositivo
transforma-se em trabalho
mais uma quantidade de calor que no capaz
de ser utilizado como trabalho
.
Assim vlido que:
Utiliza-se o valor absolutos das quantidade de calor pois, em uma mquina que
tem como objetivo o resfriamento, por exemplo, estes valores sero negativos.
Neste caso, o fluxo de calor acontece da temperatura menor para o a maior.
Mas conforme a 2 Lei da Termodinmica, este fluxo no acontece
espontaneamente, logo necessrio que haja um trabalho externo, assim:
Dilatao Linear
Aplica-se apenas para os corpos em estado slido, e consiste na variao
considervel de apenas uma dimenso. Como, por exemplo, em barras, cabos
e fios.
Ao considerarmos uma barra homognea, por exemplo, de comprimento a
uma temperatura inicial . Quando esta temperatura aumentada at uma
(> ), observa-se que esta barra passa a ter um comprimento (> ).
Com isso possvel concluir que a dilatao linear ocorre de maneira
proporcional variao de temperatura e ao comprimento inicial . Mas ao
serem analisadas barras de dimenses iguais, mas feitas de um material
diferente, sua variao de comprimento seria diferente, isto porque a dilatao
tambm leva em considerao as propriedades do material com que o objeto
feito, este a constante de proporcionalidade da expresso, chamada de
coeficiente de dilatao linear ().
Assim podemos expressar:
A unidade usada para o inverso da unidade de temperatura, como:
Alguns valores usuais de coeficientes de dilatao linear:
Substncia
Chumbo
Zinco
Alumnio
Prata
Cobre
Ouro
Ferro
Platina
Vidro (comum)
Tungstnio
Vidro (pyrex)
Lmina bimetlica
Uma das aplicaes da dilatao linear mais utilizadas no cotidiano para a
construo de lminas bimetlicas, que consistem em duas placas de materiais
diferentes, e portanto, coeficientes de dilatao linear diferentes, soldadas. Ao
serem aquecidas, as placas aumentam seu comprimento de forma desigual,
fazendo com que esta lmina soldada entorte.
As lminas bimetlicas so encontradas principalmente em dispositivos
eltricos e eletrnicos, j que a corrente eltrica causa aquecimento dos
condutores, que no podem sofrer um aquecimento maior do que foram
construdos para suportar.
Quando curvada a lmina tem o objetivo de interromper a corrente eltrica,
aps um tempo em repouso a temperatura do condutor diminui, fazendo com
que a lmina volte ao seu formato inicial e reabilitando a passagem de
eletricidade.
Representao grfica
Podemos expressar a dilatao linear de um corpo atravs de um grfico de
seu comprimento (L) em funo da temperatura (), desta forma:
O grfico deve ser um segmento de reta que no passa pela origem, j que o
comprimento inicial no igual a zero.
Considerando um ngulo como a inclinao da reta em relao ao eixo
horizontal. Podemos relacion-lo com:
Pois:
Dilatao Superficial
Esta forma de dilatao consiste em um caso onde h dilatao linear em duas
dimenses.
Considere, por exemplo, uma pea quadrada de lados que aquecida uma
temperatura , de forma que esta sofra um aumento em suas dimenses, mas
como h dilatao igual para os dois sentidos da pea, esta continua quadrada,
mas passa a ter lados .
Podemos estabelecer que:
assim como:
E relacionando com cada lado podemos utilizar:
Para que possamos analisar as superfcies, podemos elevar toda a expresso
ao quadrado, obtendo uma relao com suas reas:
Mas a ordem de grandeza do coeficiente de dilatao linear ()
, o que ao
ser elevado ao quadrado passa a ter grandeza
, sendo imensamente
menor que . Como a variao da temperatura () dificilmente ultrapassa um
valor de 10C para corpos no estado slido, podemos considerar o termo
desprezvel em comparao com 2, o que nos permite ignor-lo
durante o clculo, assim:
Mas, considerando-se:
Onde, o coeficiente de dilatao superficial de cada material, tm-se que:
Observe que esta equao aplicvel para qualquer superfcie geomtrica,
desde que as reas sejam obtidas atravs das relaes geomtricas para cada
uma, em particular (circular, retangular, trapezoidal, etc.).
Exemplo:
(1) Uma lmina de ferro tem dimenses 10m x 15m em temperatura normal. Ao
ser aquecida 500C, qual ser a rea desta superfcie? Dado
Dilatao Volumtrica
Assim como na dilatao superficial, este um caso da dilatao linear que
acontece em trs dimenses, portanto tem deduo anloga anterior.
Consideremos um slidos cbico de lados que aquecido uma temperatura
, de forma que este sofra um aumento em suas dimenses, mas como h
dilatao em trs dimenses o slido continua com o mesmo formato,
passando a ter lados .
Inicialmente o volume do cubo dado por:
Aps haver aquecimento, este passa a ser:
Ao relacionarmos com a equao de dilatao linear:
Pelos mesmos motivos do caso da dilatao superficial, podemos desprezar
3 e quando comparados a 3. Assim a relao pode ser dado
por:
Podemos estabelecer que o coeficiente de dilatao volumtrica ou cbica
dado por:
Assim:
Assim como para a dilatao superficial, esta equao pode ser utilizada para
qualquer slido, determinando seu volume conforme sua geometria.
Sendo =2 e =3, podemos estabelecer as seguintes relaes:
Exemplo:
O cilindro circular de ao do desenho abaixo se encontra em um laboratrio a
uma temperatura de -100C. Quando este chegar temperatura ambiente
(20C), quanto ele ter dilatado? Dado que
Sabendo que a rea do cilindro dada por:
Dilatao Volumtrica dos Lquidos
A dilatao dos lquidos tem algumas diferenas da dilatao dos slidos, a
comear pelos seus coeficientes de dilatao consideravelmente maiores e que
para que o volume de um lquido seja medido, necessrio que este esteja no
interior de um recipiente.
A lei que rege a dilatao de lquidos fundamentalmente igual dilatao
volumtrica de slidos, j que estes no podem dilatar-se linearmente e nem
superficialmente, ento:
Mas como o lquido precisa estar depositado em um recipiente slido,
necessrio que a dilatao deste tambm seja considerada, j que ocorre
simultaneamente.
Assim, a dilatao real do lquido a soma das dilataes aparente e do
recipiente.
Para medir a dilatao aparente costuma-se utilizar um recipiente cheio at a
borda. Ao aquecer este sistema (recipiente + lquido) ambos dilataro e, como
os lquidos costumam dilatar mais que os slidos, uma quantidade do lquido
ser derramada, esta quantidade mede a dilatao aparente do lquido.
Assim:
Utilizando-se a expresso da dilatao volumtrica,
,e
admitindo que os volumes iniciais do recipiente e do lquido so iguais,
podemos expressar:
Ou seja, o coeficiente de dilatao real de um lquido igual a soma de
dilatao aparente com o coeficiente de dilatao do frasco onde este se
encontra.
Exemplo:
(1) Um copo graduado de capacidade 10dm preenchido com lcool etlico,
ambos inicialmente mesma temperatura, e so aquecidos em 100C. Qual foi
a dilatao real do lcool?
Dados:
Dilatao da gua
Certamente voc j deve ter visto, em desenhos animados ou documentrios,
pessoas pescando em buracos feitos no gelo. Mas como vimos, os lquidos
sofrem dilatao da mesma forma que os slidos, ou seja, de maneira
uniforme, ento como possvel que haja gua em estado lquido sob as
camadas de gelo com temperatura igual ou inferior a 0C?
Este fenmeno ocorre devido ao que chamamos de dilatao anmala da
gua, pois em uma temperatura entre 0C e 4C h um fenmeno inverso ao
natural e esperado. Neste intervalo de temperatura a gua, ao ser resfriada,
sofre uma expanso no seu volume, e ao ser aquecida, uma reduo. isto
que permite a existncia de vida dentro da gua em lugares extremamente
gelados, como o Plo Norte.
A camada mais acima da gua dos lagos, mares e rios se resfria devido ao ar
gelado, aumentando sua massa especfica e tornando-o mais pesado, ento
ocorre um processo de conveco at que toda a gua atinja uma temperatura
igual a 4C, aps isso o congelamento ocorre no sentido da superfcie para o
fundo.
Podemos representar o comportamento do volume da gua em funo da
temperatura:
Como possvel perceber, o menor volume para a gua acontece em 4C.