UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE DIREITO DE ALAGOAS
PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM DIREITO
MESTRADO EM DIREITO
VIVIANE CERQUEIRA TORRES
FICHAMENTO DO LIVRO
O POSIVITIVISMO JURDICO. Lies de filosofia do direito.
Fichamento apresentado ao Programa de PsGraduao em Direito da Faculdade de Direito
de Alagoas, da Universidade Federal de
Alagoas, como requisito para o depsito da
Dissertao de Mestrado.
Macei
2014
Livro: O POSITIVISMO JURDICO. LIES DE FILOSOFIA DO DIREITO.
Autor/a: NORBERTO BOBBIO.
Ficha Bibliogrfica
BOBBIO, Norberto. positivismo Jurdico. Lies de Filosofia do Direito. So Paulo: Editora
cone. 1995.
Resumo do livro (At 15 linhas)
INTRODUO.
A expresso "positivismo jurdico" no necessariamente significa
1. Direito
natural e
direito
positivo no
pensamento
clssico.
"positivismo" em sentido filosfico. O fato de que alguns positivistas
jurdicos constiturem tambm a representao do positivismo em sentido
filosfico contribuiu para a fuso dos significados. Entendendo que, em
suas origens (que se encontram no incio do sculo XIX) nada tem a ver
com o positivismo filosfico. Enquanto o primeiro surge na Alemanha, o
segundo surge na Frana. A expresso "positivismo jurdico" deriva da
locuo direito positivo contraposta quela de direito natural. A
compreenso
do
significado
do
positivismo
jurdico
requer
esclarecimento a cerca da expresso direito positivo. P.15
A distino entre direito natural e positivo para Aristteles reside em dois
critrios: a eficcia atribuda ao direito natural, supostamente aplicvel em
qualquer lugar, e a valorao da bondade objetiva; que implicaria num
consenso sobre a bondade pertinente a determinadas aes, as quais
pertenceriam ao direito natural, enquanto as aes que careceriam de uma
prescrio legislativa pertenceriam ao direito positivo. P.17
3. Direito
Para Grcio, o direito natural um ditame da justa razo, com a finalidade
Natural e
de indicar que um ato moralmente reprovvel ou aceito conforme a
direito
prpria natureza racional do homem. Afirmando que os atos que possuem
positivo no
este ditame de justa razo seriam obrigatrios ou ilcitos por si mesmos.
pensamento
P.21
dos
jusnaturalistas Em Gluck, surge uma nova distino entre direito natural e positivo, a qual
dos sculos
aponta para o modo pelo qual os destinatrios tomam conhecimento das
XVII e XVIII.
normas. O direito natural seria conhecido atravs da razo, enquanto o
direito positivo torna-se conhecido a partir de uma declarao de vontade.
P.23.
Comentrios pessoais
O autor prope distines delimitando os conceitos de direito natural e positivo. Reunindo ao
final, critrios objetivos com base na universalidade, imutabilidade, nas respectivas fontes, o
receptor do direito, e aos objetos (os comportamentos regulados) por essas formas de direito.
Os conceitos trazidos solidificam a compreenso a cerca da fase inicial dos processos
evolutivos do direito nos sculos XVII e XVIII, constituindo contedo agregador para
discusso do direito em linhas gerais, em que pese neste momento, no apresentar vinculao
estreita com o contedo da dissertao.
Captulo I. OS PRESSUPOSTOS HISTRICOS.
6. Contexto
histrico do
positivismo
jurdico.
A passagem da concepo jusnaturalista positivista situa-se de modo
inerente formao do Estado moderno, constitudo no perodo de
dissoluo da sociedade medieval. Identifica-se a caracterstica de
pluralidade na sociedade medieval, uma vez que os agrupamentos sociais
possuam ordenamentos jurdicos prprios, caracterstica que sinalizava o
direito produzido como um fenmeno social marcadamente produzido pela
sociedade civil, e no pelo Estado. Caracterstica contrria ser verificada
no Estado Moderno, que assume uma estrutura monista, concentrando
todos os poderes da estrutura scio-poltica, inclusive, o de criar direito.
P.27.
Antes da constituio do estado moderno todas as regras encontravam-se
no mesmo nvel hierrquico de modo que o juiz poderia fazer uso tanto de
regras de direito natural, princpios equitativos, quanto de regras
preexistentes. Diferentemente, no estado moderno, o juiz atua sob as regras
do estado, e como um funcionrio deste. Sendo tambm o direito
determinado e aprovado pelo estado o nico direito vlido, por regra, o
nico aplicado. P. 28.
7. Os eventos
histricos do
direito
romano.
A influncia exercida pela compilao de Justiniano no processo
monopolizao da produo jurdica por parte dos estados pode ser
entendida a partir da reunio no Corpus juris civilis das normas em vigor
naquele momento. Segundo Bobbio o aspecto de direito social substitudo
pelo aspecto vontade do prncipe, presente na parte Codex, presente no
Corpus. Da a razo de se considerar o direito romano imposto pelo
imperador Justiniano. P.30
Por volta do perodo da alta idade mdia, o direito romano substitudo
pelos costumes locais de populaes germnicas (brbaras), sendo
posteriormente retomado com o aparecimento da escola jurdica de
Bolonha, alcanando inclusive territrio da Alemanha, no qual a partir do
fenmeno da recepo, ganhou espao no ordenamento jurdico da
sociedade alem. Destaca-se sobre este fato, que antes das grandes
codificaes do fim do sculo XIX, na Alemanha era aplicado o Corpus
juris sob o nome de Pandecta-rum, que lhe inseriam as adaptaes
necessrias realidade local. P.30.
Apesar dos juristas atriburem formalmente validade do direito romano ao
direito estabelecido na reconstruo do Imprio Romano por Carlos
Magno, sob o nome de Sacro Imprio Romano, a validade de fato
verificada no elemento racional do conjunto de regras institudo, o qual
exprimia a prpria essncia da razo jurdica. Durante a idade mdia o
direito romano difundiu-se sob a denominao de direito comum, relao
dada pela denominao dada pelo gregos de koni. P.31
8. Common
Law e
statute law
na Inglaterra:
sir Edward
Coke e
Thomas
Hobbes.
A common law no o direito comum de origem-romana, do qual falamos
no pargrafo anterior, mas um direito consuetudinrio tipicamente anglosaxnico que surge diretamente das relaes sociais e acolhido pelos
juzes nomeados pelo Rei; numa segunda fase, ele se torna um direito de
elaborao judiciria, visto que constitudo por regras adotadas pelos
juzes para resolver controvrsias individuais (regras que se tornam
obrigatrias para os sucessivos juzes, segundo o sistema do precedente
obrigatrio). O direito estatutrio se contrape common law, sendo ele
posto pelo poder soberano (isto , o Rei e, num segundo momento, pelo Rei
juntamente com o Parlamento). P.33.
Na Inglaterra permaneceu em vigor o principio de que o direito estatutrio
na poderia contrariar o direito comum. Dessa forma o poder parlamento
sempre esteve limitado pela common law. P.33
Hobbes combate a common law e afirma o poder exclusivo do soberano
de pr o direito, visto que isto indispensvel para assegurar o poder
absoluto do Estado; a polmica deste autor contra a common law
apenas um aspecto particular e de segundo plano (e por isto mesmo pouco
notado, embora muito interessante) da sua polmica contra tudo o que
limita o poder do Estado, primeiramente contra o poder eclesistico. P.34
A oposio de Hobbes ao direito comum marca exatamente a passagem
do estado de natureza ao estado civil da sociedade, entendendo segundo
Hobbes, que no estado de natureza vigorariam as leis do direito natural,
as quais, o filsofo questiona em que medida deveriam ser cumpridas. A
lgica hobesiana levada ao mbito do direito internacional esbarra no
conflito de que, se a ter como vlida a possibilidade de revidao a uma
ofensa, autoriza o Estado agressor a repelir agresses do outro Estado,
jamais violando normas, apenas se defendendo. Da a crtica a idia de
Hobbes quanto a possibilidade do uso fora para defender seus prprios
interesses. P.35.
O papel do Estado em Hobbes concentrar a legitimidade do uso da
fora em uma s instituio, o soberano, retirando a sociedade do estado
de natureza e sua condio anrquica. A monopolizao do poder
coercitivo, trs de modo inerente a monopolizao do poder normativo.
Eis a finalidade do Estado, razo pela qual Hobbes se ope ao common
law, frisando: no a sapincia, mas a autoridade que cria lei. P.35
Caracteres tpicos da concepo de direito positivo: formalismo e
imperativismo. Sobre o formalismo, define-se que o direito posto no
com referncia ao contedo ou as suas finalidades, nem sobre os
resultados que deseja alcanar. Mas dado com base na autoridade
presenciando-se como elemento formal. Sobre o imperativismo, o direito
instrumentaliza e legitima o poder de comandos. P.37
A relao estreita entre concepo absolutista e concepo liberal
relativamente teoria da monopolizao do direito por parte do Estado (e,
portanto, com vistas doutrina do positivismo jurdico) pode ser
demonstrada pelo fato de que freqentemente os antipositivistas moder nos
conduzem sua polmica no tanto contra os tericos do absolutismo quanto
nos
confrontos
de
pensadores
considerados responsveis
tipicamente
liberais.
Assim,
so
pela estatizao do direito Montesquieu e
Beccaria, que esto entre os maiores expoentes das concepes polticojurdicas de inspirao iluminista e que exerceram enorme influncia nos
ambientes poltico-culturais liberais. Montesquieu o terico da separao
dos poderes e Beccaria o precursor de uma concepo liberal do direito,
especialmente no que diz respeito ao direito penal. P. 41
10. A
sobrevivncia
do direito
natural nas
concepes
jusfilosoficas
Em que pesem as doutrinas do sculo XVIII tragam teorizaes sobre a
onipotncia do legislador no h ainda de positivismo jurdico de fato. No
pensamento do sculo XVIII tm ainda pleno valor os conceitos-base da
filosofia jusnaturalista, tais como o estado de natureza, a lei natural
(concebida como um complexo de normas que se coloca acima do
ordenamento positivo). No contexto da realidade do Estado ainda domina o
do
direito natural. O Estado, realmente, se constitui com base no estado de
racionalismo
natureza, como consequncia do contrato social, e mesmo na organizao
do sculo
do Estado os homens conservam ainda certos direitos naturais
XVIII.
fundamentais. Hobbes aponta como limitao onipotncia do legislador a
impossibilidade de previso de todas as circunstncias. P.42-43.
O direito natural como instrumento para colmatar as lacunas do direito
positivo sobrevive at o perodo das codificaes, e mais, tem uma extrema
propagao na prpria codificao. P.44
Comentrios pessoais
Em continuao a destinao da parte primeira da obra, o autor apresenta marcos tericos que
sinalizam o processo de monopolizao da produo jurdica e as inerentes modificaes na
estrutura poltica das sociedades medievais com a ascenso das monarquias absolutistas e
seus reflexos no contexto jurdico. Discute-se a onipotncia do legislador, processo
elucidatrio em linhas de compreenso histrica sobre o desenvolvimento do direito enquanto
.....................................
Captulo II. AS ORIGENS DO POSIVISMO JURDICO NA ALEMANHA.
11. A escola
histrica do
direito como
predecessora
do positivismo
jurdico.
A obra Tratado de Direito Natural de Gustavo Hugo pode ser considerada
uma obra que sinaliza a passagem da filosofia jusnaturalista para a
juspositivista. Nesta obra responde o que seria o direito positivo,
sustentando que seria o direito posto pelo estado. P.47.
Gustavo
Hugo.
12. As
caractersticas
do
O que caracteriza, portanto, o historicismo o fato de ele considerar o
homem na sua individualidade e em todas as variedades que tal
historicismo.
individualidade comporta, em oposio ao racionalismo que considera a
humanidade abstrata. P.48
Dentre as caractersticas do historicismo esto: 1.A variedade histrica
devida a variedade do prprio homem; 2. O sentido irracional da histria e
a considerao dos elementos passionais e emotivos do homem; 3.O
pessimismo antropolgico relacionado a ideia de tragicidade da histria.
Nestas poucas palavras est gravada a postura profundamente pessimista
dos historicistas: a histria uma contnua tragdia. Burke, pensador que
se destaca criticando o idealismo das posturas revolucionrias da
Revoluo Francesa acusa os "direitos do homem" de simples "pretexto",
pe em evidncia a matriz ideolgica e social do historicismo, que
estreitamente ligado a interesses e uma mentalidade conservadores; no
por acaso que se desenvolva principalmente na Alemanha, o pas da
Restaurao. Como quarta caracterstica havia o elogio ao amor pelo
passado, identificado como a descrena no futuro que produzia admirao
pelo passado idealizado. P. 49.50.
13. O
movimento
pela
codificao do
direito.
Thibaut.
Como j ressaltamos, a escola histrica do direito (e o historicismo em
geral) podem ser considerados precursores do positivismo jurdico em
razo da crtica radical direcionada ao direito natural, conforme o concebia
o iluminismo, isto , como um direito universal e imutvel deduzido pela
razo.
Ao direito natural, a escola histrica contrape o direito dos
costumes, considerado como a forma genuna do direito, enquanto
expresso imediata da realidade histrico social e do Volksgeist. P.53
Bobbio faz ressalva que a escola histrica do direito deve ser considerada
precursora no tanto do positivismo jurdico quanto de certas correntes
jusfilosficas, como a escola sociolgica e a realista que se desenvolveram
principalmente no mundo anglo-saxo, que; no fim do sculo XIX e no
incio do sculo XX, assumiram urna posio crtica frente ao
juspositivisrno. P.54
Situa-se como causa histrica imediata ao positivismo jurdico as grandes
codificaes ocorridas ao final do sculo XVIII e incio do XIX,
movimento ao qual a escola histrica coloca claro antagonismo. P.54.
Thibaut escreveu, em 1803, um Sistema do direito das Pandectas (System
des Pandektenrechts), que representa a primeira tentativa de ordenar
sistematicamente o direito positivo (especialmente o privado). Pouco
depois (1807) surgiu uma obra anloga de Heise: Fundamentos de um
sistema do direito civil comum. Essas duas obras so consideradas
representativas dos primrdios daquela escola alem que, na primeira
metade do sculo XIX, sistematizou cientificamente o direito comum
vigente na Alemanha e que leva o nome de "escola pandectista". P.57
Sob o olhar de Savigny, a Alemanha no incio do sculo XIX, encontravase numa poca de decadncia da cultura jurdica; por isto, a codificao, em
lugar de remediar os males universalmente lamentados, os teria agravado e
perpetuado. Segundo o autor o direito deveria ser desenvolvido sob bases
cientficas, isto , a elaborao do direito por obra da cincia jurdica. P.62.
Para Savigny, as fontes do direito so substancialmente trs: o direito
popular, o direito cientfico, o direito legislativo. O primeiro prprio
das sociedades na sua formao; o segundo das sociedades mais maduras;
o terceiro das sociedades em decadncia. Ele sustentava, portanto, que o
nico modo de reverter o plano inclinado da decadncia jurdica era
promover um direito cientfico mais vigoroso, atravs do trabalho dos
juristas, enquanto o mais certo efeito da codificao seria o de tornar ainda
mais grave a crise da cincia jurdica na Alemanha. P.62.
Comentrios pessoais
Nesse momento da obra o autor delineia a formao dos movimentos de codificao, a
repercusso das idias iluministas, trazendo o contexto da Alemanha, e inserindo no
nascedouro desse movimento a identificao das fontes do direito como base para elaborao
de uma tendncia cientfica da produo do direito. Neste, e nos prximos captulos, que
foram dedicados pelo autor parte histrica, a contribuio da obra diz respeito
compreenso dos processos histricos polticos de desenvolvimento da produo jurdica, os
quais, embora no dialoguem de modo direto com o contedo da dissertao ampliam a
compreenso de noes macro sobre direito, estado, e poder.
Captulo III. CDIGO DE NAPOLEO E AS ORIGENS DO POSITIVISMO
JURDICO NA FRANA.
16. O
significado
histrico do
Cdigo de
Napoleo. A
codificao
justiniana e
napolenica.
A codificao surgiu, por obra do pensamento iluminista, na segunda
metade do sculo XVIII e atuou no sculo passado: portanto, h apenas
dois sculos o direito se tornou direito codificado. Por outro lado, no se
trata de uma condio comum a todo o mundo e a todos os pases
civilizados. Basta pensar que a codificao no existe nos pases anglo
saxnicos. Na realidade, a codificao representa uma experincia jurdica
dos ltimos dois sculos tpica da Europa continental.
Podemos dizer que so duas as codificaes que tiveram uma influncia
fundamental no desenvolvimento de nossa cultura jurdica: a justiniana e a
napolenica. Na obra de Justiniano foi fundada a elaborao do direito
comum romano na Idade Mdia e na Moderna; o Cdigo de Napoleo teve
uma influncia fundamental na legislao e no pensamento jurdico dos
ltimos dois sculos, porque os cdigos de muitos pases foram modelados
com base nele. Basta recordar a codificao belga e as vrias codificaes
ocorridas na Itlia. (Na mesma poca em que aparece o Cdigo de
Napoleo houve
tambm codificaes
em outros pases, a saber, na
Prssia e na ustria. P.63.
20. Escola da
Exegese:
causas
histricas do
seu advento.
A primeira causa representada pelo prprio fato da codificao. Esta
serve, com efeito, como uma espcie de pronturio para resolver, se no
todas, ao menos as principais controvrsias. Como ps em evidncia
Ehrlich em seu trabalho j citado (A lgica dos juristas), os operadores do
direito (juzes, administradores pblicos, advogados) procuram sempre a
via mais simples e mais curta para resolver uma dada questo. Ora,
indubitvel que, existindo um Cdigo, a via mais simples e mais curta
consiste em procurar a soluo no prprio cdigo, desprezando as outras
fontes das quais se poderia deduzir uma norma de deciso (costume,
jurisprudncia, doutrina etc.), sendo o manuseio destas fontes mais
complexo e difcil do que o do direito codificado. A segunda causa
identificada na mentalidade dos juristas, pautada na noo de autoridade, o
que permitia inferir que a vontade do legislador seria expressa de modo
seguro e completo atravs de um ordenamento codificado. A terceira causa
pode ser entendida como causa de justificao jurdico-filosfica,
encontrada na doutrina das separao dos poderes, fundamento do estado
moderno, o que atribui ao Cdigo o sentido de firmar essa estrutura. Como
quarta causa identifica-se a certeza do direito assegurada atravs de um
corpo estvel de leis, por sua vez, codificado. P. 78-79.
Comentrios pessoais
Com nfase nos reflexos histricos exercidos pelo cdigo napolenico e pela escola da
exegese, identificam-se os contornos que a produo do direito e por sua vez, movimento
positivista desenvolvem firmando o movimento de codificao. Noes como a certeza
jurdica e separao dos poderes so compreendidas inseridas neste contexto.
PARTE II. A DOUTRINA DO POSITIVISMO JURDICO.
CAPTULO I. O POSITIVISMO JURDICO COMO ABORDAGEM VALORATIVA
DO DIREITO.
32. Os pontos
fundamentais
da doutrina
juspositivista.
Bobbio concatena sete carctersticas as quais considera fundamentais
compreenso do positivismo jurdico.
1) O primeiro problema diz respeito ao modo de abordar, de encarar
direito: o positivismo jurdico responde a este problema considerando o
direito como um fato e no como um valor. Da, a teoria do formalismo
jurdico na qual a validade do direito se d em critrios pertinentes a sua
estrutura formal. O que significa que a afirmao de validade de uma
norma jurdica no significa afirmao do seu valor. P.131.
2) O segundo
problema
diz respeito
definio do direito: o
juspositivismo define o direito em funo do elemento da coao, de
onde deriva a teoria da coatividade do direito.
3) O positivismo jurdico elabora toda uma complexa doutrina das
relaes entre a lei e o costume (excluindo-se o costume contra legem ou
costume ab-rogativo e admitindo somente o costume secundum legem e
eventualmente o praeter legem), das relaes entre lei e direito judicirio
e entre lei e direito consuetudinrio.
4) O quarto ponto diz respeito teoria da norma jurdica: o positivismo
jurdico considera a norma como um comando, formulando a teoria
imperativista
do direito, que se subdivide em numerosas "subteorias",
segundo as quais concebido este imperativo: como positivo ou
negativo, como autnomo ou heternomo, como tcnico ou tico. H, em
seguida, o problema das "normas permissivas", isto , se estas normas
fazem manifestar em menor grau a natureza imperativa do direito; e,
enfim, trata-se de estabelecer a quem so dirigidos os comandos jurdicos,
de onde deriva o problema dos destinatrios da norma.
5) O quinto ponto diz respeito teoria do ordenamento jurdico, que
considera a estrutura no mais da norma isoladamente tomada, mas do
conjunto de normas jurdicas vigentes numa sociedade. O positivismo
jurdico sustenta
a teoria da coerncia
e da completitude do
ordenamento jurdico.
6) Mtodo da cincia jurdica, e toda atividade interpretativa lato e strictu
sensu.
7) O stimo ponto diz respeito teoria da obedincia. Sobre este ponto
no se podem fazer generalizaes fceis. Contudo, h um conjun to de
posies no mbito do positivismo jurdico que encabea a teoria da
obedincia absoluta da lei enquanto tal, teoria sintetizada no aforismo:
Gesetz ist Gesetz (lei lei).
Com referncia a esta teoria, contudo, melhor do que de positivismo
jurdico, dever-se-ia falar de positivismo tico, visto que se trata de uma
afirmao de ordem no cientfica, mas moral ou ideolgica; e tambm
as origens histricas dessa doutrina so diferentes daquelas das outras
teorias juspositivistas: enquanto, de fato, estas ltimas concernem ao
pensamento racionalista do sculo XVIII, a primeira diz respeito ao
pensamento filosfico alemo da primeira metade do sculo XIX e, em
particular, a Hegel. P.132-133.
33. O
positivismo
jurdico como
postura
cientfica
frente ao
direito: juzo
de validade e
juzo de valor.
O positivismo jurdico nasce do esforo de transformar o estudo do direito
numa verdadeira e adequada cincia que tivesse as mesmas caractersticas
das cincias fsico-matemticas, naturais e sociais. Ora, a caracterstica
fundamental da cincia consiste em sua
avaloratividade, isto , na
distino entre juzos de fato e juzos de valor e na rigorosa excluso
destes ltimos do campo cientfico: a cincia consiste somente em juzos
de fato. P.135.
A validade para o positivismo jurdico significa dizer a norma condiz com
direito ideal. Distintamente, a posio jusnaturalista assevera que a
validade de uma norma deve ser vista pelo prisma da justia, do valor. De
modo uma norma vlida seria uma norma justa. H uma reduo do
primeiro instituto, (validade), ao segundo, justia. P.137.
34. Cincia do
direito e
filosofia do
direito:
definies
avalorativas c
definies
valorativas.
A distino entre juzo de validade e juzo de valor veio a assumir a
funo de delimitao das fronteiras entre cincia e filosofia do
direito. A atitude
do juspositivista,
prescindindo de seu valor, fez refluir
que
estuda
esfera
direito
da filosofia a
problemtica e as pesquisas relativas a isso. P.138.
Temos assim duas categorias diversas de definies do direito, que
podemos qualificar, respectivamente, como definies cientficas e
definies filosficas: as primeiras so
avalorativas, ou ainda
definies atuais,
ou
ontolgicas, isto , definem o direito tal
como ele . As segundas so definies ideolgicas, ou valorativas,
ou deontolgicas, isto , definem o direito tal como deve ser para
satisfazer um certo valor. Os positivistas jurdicos no aceitam
as
definies filosficas, porque estas (introduzindo uma qualificao
valorativa que distingue o direito em
segundo satisfaa ou
no
um
restringem arbitrariamente a rea
verdadeiro e aparente,
certo requisito deontolgico)
dos
fenmenos sociais que
emprica e fatualmente so direito. P.138.
O direito o conjunto das condies por meio das quais o arbtrio de um
pode entrar em acordo com o arbtrio do outro, segundo uma lei universal
da liberdade. (Metafsica
dos Costumes,
em Escritos Polticos, p.
407)''. Alguns consideraro essa definio ontolgica, mas ns
sustentamos que claramente deontolgica. No define, com
efeito, o direito assim como este em todos os casos, mas assim
como Kant queria que fosse, segundo suas prprias concepes
polticas. Ainda aqui o direito definido em funo de um valor que este
deve realizar, mesmo que este valor no seja nem a justia nem o bem
comum, mas a liberdade individual; a liberdade (mais precisamente
a liberdade
externa, como ausncia de impedimento) o valor que,
segundo a concepo liberal teorizada por Kant, o Estado deve garantir
atravs do ordenamento jurdico. Que a definio de Kant no
ontolgica mas deontolgica deflui com total evidncia do fato de que
bem poucos so os ordenamentos jurdicos que garantem
cidado
a cada
uma esfera igual de liberdade. Com base na formulao
kantiana, a todos os ordenamentos que no garantem este resultado
deveria ser negado o carter da juridicidade (assim no seria direito o
ordenamento normativo da Unio Sovitica, que se inspira na ideologia
socialista, segundo a qual o Estado
deve garantir aos cidados
segurana social. P. 139-140.
Conforme Piovani, o direito a atividade dirigida criao de meios
capazes de impedir atentados expanso da individualidade, que se realiza
no mundo histrico (Linee d'una filosofia dei diritto, Pdua, Cedam, 1958,
pp. 235-36). Mesmo esta uma definio deontolgica, porque define o
direito em funo de um certo valor (representado neste caso pela
individualidade humana). P.140
Para Marsilio: a) o que justo no de per si o prprio direito; b) o
justo no um requisito essencial da lei, visto que a ausncia da
justia
no exclui a juridicidade da norma; c) o justo serve para
distinguir no tanto a lei da no-lei, mas sim a lei perfeita da lei
imperfeita, isto , a justia incide no sobre a juridicidade mas sobre o
valor lei. Encontramos, ento, neste autor, pela primeira vez, uma
definio neutra! do direito, que o liga ao poder soberano e quela
expresso tpica desse poder, que a coero. P.141.
Em Kelsen: a tcnica social que consiste em obter a desejada conduta
social dos homens mediante a ameaa de uma medida de coero a ser
aplicada em caso de conduta contrria (Teoria geral do direito e do
estado, 1952, p. ll). P.142.
35.
"Positivismo
jurdico" e
"realismo
jurdico": a
definio do
direito como
norma vlida
ou como
norma eficaz.
O positivismo jurdico, definindo o direito como um conjunto de
comandos emanados pelo soberano, introduz na definio o elemento
nico da validade, considerando portanto como normas jurdicas todas as
normas emanadas num determinado modo estabelecido pelo prprio
ordenamento jurdico, prescindindo do fato de estas normas serem ou
no efetivamente aplicadas na sociedade: na definio do direito no se
introduz assim o requisito da eficcia. P.142.
Falando de eficcia, os realistas se referem ao comportamento dos juzes,
daqueles que devem fazer respeitar as regras de conduta impostas aos
cidados. Normas jurdicas so, pois, aquelas que os juzes aplicam no
exerccio de suas funes, vale dizer no dirimir as controvrsias. A
definio realista do direito no faz conseqentemente tanta referncia ao
legislador que estabelece a norma, mas sobretudo ao juiz que a aplica;
naturalmente no aplicar as normas legislativas possvel que o juiz lhes
modifique o contedo, e portanto possvel uma divergncia, uma
defasagem entre o ordenamento do legislador e o dos juzes. P.142.
36. O
O termo formalismo jurdico trazido por Bobbio pretende designar a
"formalismo"
concepo de direito que coloca nfase na estrutura formal da norma
como
retitando o foco do seu contedo, de modo que a preocupao se d em
caracterstica
da definio
juspositivista
do direito.
como o direito se produz e no o que ele estabelece. P.145.
Entende-se por formalismo cientfico a concepo da cincia jurdica que
d relevo predominante interpretao lgico-sistemtica, de preferncia
teleolgica; segundo a concepo formalista da inter pretao
(caracterstica, como j vimos, da escola da exegese), as concretas
regulae decidendi so extradas da norma legislativa, descon siderando a
finalidade perseguida por esta, o conflito de interesses que se deve dirimir
e assim por diante, mas essencialmente com base numa operao de
carter lgico.
Por formalismo tico entende-se a concepo prpria do positivismo
jurdico como Weltanschauung, segundo a qual a ao justa consiste pura e
simplesmente no cumprimento do dever imposto pela lei, qualquer que
seja esta, qualquer que seja seu contedo (neste sentido se fala tambm de
concepo legalista da moral). P.146.
Comentrios pessoais
Neste momento da obra o autor adentra analises iniciais sobre o positivismo como
movimento de fato. Ainda propondo uma analise de carter histrico, examina como se
sedimentou o aspecto avalorativo do positivismo jurdico concebendo importncia e crticas.
A contraposio do realismo jurdico enquanto pensamento antagnico permite pensar o
funcionamento da norma no apenas no contexto mencionado, mas transpor questionamentos
para contexto normativo atual.
Captulo II. A DEFINIO DO DIREITO EM FUNO DA COAO.
37. As origens
histricas da
concepo
coercitiva do
direito:
Thomasius.
[...] definir o direito em funo da coero significa considerar o
direito do ponto de vista do Estado. A definio coercitiva se funda,
portanto, numa concepo estatal do direito. Esta concepo ,
de fato, contemprnea da formao do Estado moderno, que foi
teorizado no sculo XVII por Hobbes, embora seja na poca do
positivismo jurdico que tal concepo celebrou seus triunfos
mximos (especialmente na obra de Jhering). P.147.
38.
Kant e coao em metafsica dos costumes: A resistncia que
teorizao
oposta quilo que impede um efeito, serve como auxiliar deste
da
efeito e se combina com este. Ora, tudo aquilo que injusto um
concepo
impedimento liberdade, enquanto esta submetida a leis
coercitiva:
universais, e a prpria resistncia um obstculo que se faz
Kant
liberdade. Por conseguinte, quando
Jhering.
Objees
teoria.
um certo uso da prpria
liberdade um impedimento liberdade, segundo leis universais
a
essa (quer dizer, injusto), ento a resistncia oposta a tal uso, na
medida em que serve
para impedir
liberdade, coincide com
a prpria
um obstculo feito
liberdade
segundo leis
universais, o que justo. Da que, ao direito se une, de acordo
com o princpio da contradio, a faculdade de obrigar quem o
ofende (Escritos Polticos, cit., p. 40S). P.151.
O meu ato ilcito representa um abuso da minha liberdade, com o
qual eu a esfera da liberdade do outro; com o propsito de
reconstituir em favor do outro a sua esfera de liberdade por
mim injustamente invadida, o nico remdio usar a coero, de
moda fazer-me desistir do meu abuso. A coao uma no-liberdade
(devida ao Estado), que repele minha no-liberdade. Coao como
idia compatvel com a noo kantiana do direito como fundamento da
liberdade externa. P.1 5 2
No sculo XIX, a doutrina da natureza coercitiva do direito se torna
patrimnio
comum do pensamento
jurdico. Est presente, por
exemplo, em Austin, que define o direito como um comando, mas
individualiza a caracterstica deste ltimo precisamente na sano. Mas
a teorizao mais importante e, por assim dizer, a celebrao desta
concepo se deve a Rudolf von Jhering, no seu trabalho intitulado
finalidade no direito (Der Zweck im Recht), em dois volumes, dos
quais o primeiro foi traduzido para o francs com o ttulo L'evolution
du droit e que representa uma obra capital na teoria geral do direito do
sculo passado e no qual encontramos colocados alguns problemas que
sero, depois, continuamente tratados na doutrina jurdica. Segundo
Jhering, a categoria fundamental para interpretar o mundo das aes
humanas a finalidade (e portanto a relao entre meio e fim), bem
como a causa a categoria fundamental para interpretar o mundo da
natureza. P.153.
Direito,
coao
Estado
so,
portanto,
trs
elementos
indissoluvelmente ligados. Em Jhering, a coao interpretada no
sentido mais amplo considerando alm da coao fsica, tambm a
coao psquica: Por coao, no sentido mais amplo, entendo a
realizao de uma finalidade mediante a subjugao de uma vontade
alheia. Sendo o estado a organizao definitiva do uso do poder para
as finalidades humanas. Grifo nosso. A ideia de coao ganha a opinio
comum no mbito da filosofia do direito c Jhering. P.154
39. A moderna
para a teoria clssica, a coero o meio mediante o qual se fazem
formulao da
valer as normas jurdicas, ou, em outras palavras, o direito um
teoria da coao:
conjunto de normas que se fazem valer coativamente; para a teoria
Kelsen e Ross.
moderna, a coero o objeto das normas jurdicas ou, em outros
termos, o direito um conjunto de normas que regulam o uso da
fora coativa. P.155.
Em Kelsen: Uma regra uma regra jurdica no por que a sua eficcia
assegurada por uma outra regra que dispe uma san o; uma regra
uma regra jurdica porque dispe uma sano. O problema da
coero (coao, sano) no o problema de assegurar a eficcia das
regras, mas sim o problema do contedo das regras (Teoria geral do
direito e do estado, op. cit., pp. 28-29). P.157.
Comentrios pessoais
O autor analisa a idia de coero da norma sob o prisma das noes positivistas em
desenvolvimento no contexto abordado, com destaque para Kant, Jhering, Kelsen e Ross. So
colocadas as relaes entre norma e coero e necessidade de estabelecer a legitimidade do
uso da fora e as esferas e circunstncias de alcance do uso da fora. Essa analise a respeito da
legitimidade e monoplio do uso da fora pode ser considerada presente na atualidade, com
nfase no mbito do direito penal, instituto de coero mxima, por natureza.
Captulo III. TEORIAS DA FONTE DI IREITO: A LEI COMO NICA FONTE DE
QUALIFICAO.
41.
Condies
necessrias
para que num
ordenamento
jurdico exista
A doutrina juspositivista das fontes baseada no princpio da prevalncia
de uma determinada fonte do direito (a lei) sobre todas as outras. Para
que tal situao seja possvel so necessrias duas condies: que num
dado ordenamento jurdico existam vrias fontes e que essas fontes no
estejam no mesmo plano. P.162.
uma fonte
predominante.
45. A chamada O conceito de natureza das coisas jamais foi examinado muito
natureza das
fundo
pelos juristas e nunca foi dada a ele uma definio que o
coisas como
subtraia das crticas que se possam fazer definio jusnaturalista. Se
fonte de
pensarmos que Radbruch, que escreveu um importante ensaio sobre
direito.
este assunto, se tornou posteriormente um jusnaturalista, perceberemos
como o conceito em questo se pe inevitavelmente numa ordem de
idias orientadas em sentido jusnaturalista. A tentativa de definir a
noo de natureza
das coisas sem se pr no plano inclinado que
conduz s solues jusnaturalistas, quando feita, leva a resultados
muito precrios. P.176.
A teoria da natureza das coisas experimentou nos ltimos tempos um
certo reviver. Surgiram numerosos ensaios em torno desse assunto na
Alemanha, na Frana, na Itlia e a ele foi dedicado uma Conveno
Internacional de Filosofia do Direito h alguns anos na Universidade
de Saarbrcken. Contudo, o conceito de natureza das coisas no possui
uma tradio cultural comparvel ao da equidade, no foi at agora
examinado a fundo e o seu estudo portanto muito mais difcil e
melindroso. O conceito de equidade e aquele de natureza das coisas so
dois conceitos paralelos e antitticos ao mesmo
tempo: paralelos
porque tm a mesma funo,
a de fornecer
uma soluo
controvrsia na ausncia de uma norma legislativa
a uma
preexistente;
antitticos porque enquanto no caso da equidade a deciso se funda
numa valorao subjetiva do juiz, no caso da natureza
afirma-se que a soluo extrada do prprio fato que
das coisas
se
deve
regular, visto que este traria em si mesmo a prpria disciplina.
P.177.
A natureza das coisas uma noo que nasce portanto da exigncia de
garantir a objetividade da regra jurdica. O problema saber se existe
efetivamente esta relao entre a natureza do fato e a regra. A nosso
ver, a noo de natureza das coisas negada por aquela que, em
filosofia moral,
chamada
de falcia naturalista, isto , pela
convico ilusria de poder extrair da constatao de uma certa
realidade (o que um juzo de fato) uma regra de conduta (que
implica num juzo de valor). O sofisma da doutrina da natureza das
coisas, como do jusnaturalismo, pretender extrair um juzo de valor
de um juzo de fato. P.177.
Comentrios pessoais
O autor tenta explana sobre as fontes do direito e a importncia de compreender as fontes
para uma formatao uniforme da legislao. Alguns conceitos, embora analisados pelo autor,
permanecem num plano de certa vaguidade, como a equidade ou o juzo de equidade como
fonte de direito, os quais pensados na prxis, no encontraro relevante distino, se no no
plano terico.
Entretanto, a discusso a cerca da natureza jurdica das coisas e sua
importncia proporciona anlise mais elucidatria. Por se tratar de elementos atuais analise
do direito, fontes e natureza jurdica, o contedo deste capitulo encontra dilogo com os
conflitos, ora examinados em pesquisa de dissertao, que verso sobre proibio e
permisso, licitude e ilicitude do comrcio de entorpecentes.
CAPITULO IV A TEORIA IMPERATIVISTA DA NORMA JURDICA.
46. A
A concepo imperativista do direito no surgiu com o positivismo
concepo da
jurdico, havendo uma longa tradio cultural precedente. Esta j se
norma
encontra no pensamento filosfico-jurdico romano. P.181.
jurdica como
comando.
Tambm em Hobbes a distino entre comando e conselho tem . uma
funo precisa e importante: serve para distinguir a natureza das
Distino
prescries do Estado da natureza das prescries da Igreja; o Estado
entre
d comandos, enquanto
comando e
justifica a subordinao da Igreja ao Estado e a afirmao de que no
conselho.
existe um outro poder a no ser o do Estado. P.183.
a Igreja s pode dar conselhos. Assim
Austin e Thon.
A tradio distinguiu comando de conselho atravs de aspectos os quais se
resumem nos seguintes elementos: a autoridade, a posio do destinatrio, a
razo de obedecer, finalidade, s consequncias do acatamento do
conselho e do comando, e em relao s consequncias do inadimplemento.
A teoria da norma jurdica como comando foi produzida e ampla
mente elaborada pelo positivismo jurdico. Como nos recordamos,
o primeiro
(ver 26),
juspositivista que teorizou essa concepo foi Austin
cujas
noes
de comando, obrigao e sano
permaneceram basilares no pensamento jurdico anglo-saxnico. Na
Europa continental (onde o pensamento de Austin exerceu muita
influncia), o principal terico dessa concepo foi August Thon, na
obra Norma jurdica e direito subjetivo, de 1878 . P.185
Comentrios pessoais
Este captulo se prope a examinar a teoria imperativista da norma jurdica. O autor tenta trs
como concluso duas categorias de imperativismo, as quais denomina de crtico e ingnuo,
sugerindo que o imperativismo crtico suplantaria o ingnuo, por conceber como destinatrios
os juzes. Posicionamento que pareceu limitado, se pensarmos que h uma parcela dos
indivduos que se submetem ao cumprimento do imperativo, antes mesmo da atuao dos
juzes faz-los vlidos. Discutir uma teoria imperativista da norma pareceu prolixo diante da
abordagem construda nos dois ltimos captulos.
CAPTULO V. A TEORIA DO ORDENAMENTO JURDICO.
50. A teoria
A teoria do ordenamento jurdico encontra a sua mais coerente expresso
do
no pensamento de Kelsen. Por isso podemos considerar este autor corno o
ordenamento
clmax do movimento juspositivista, depois do que comea sua decadncia,
jurdico como
isto (sem metfora), sua crise. Alis, que a vocao fundamental (embora
contribuio
em tal hora inconsciente) e o ponto de chegada do positivismo jurdico
original do
deve sem ser essa teoria se compreender perfeitamente se considerarmos
positivismo
sua origem; ela surge, entre o fim do sculo XVIII e o incio do sculo
jurdico
XIX, da exigncia de dar unidade a um conjunto de normas jurdicas
teoria geral do
fragmentrias, que constituam um risco permanente de incerteza e de
direito.
arbtrio (pode-se recordar, por exemplo, que o movimento francs pela
codificao
reclamava um direito simples, completo e unitrio, e que
Bentham colocava entre os requisitos fundamentais da codificao a
completitude. A teoria do ordenamento jurdico se baseia em trs caracteres
fundamentais: a unidade, a coerncia e a amplitude. P.198.
51. A
Unidade do sistema para o jusnaturalismo e para o juspositivismo: o modo
unidade do
no qual a entende o jusnaturalismo profundamente diferente daquele
ordenamento
no qual a entende o juspositivisrno. Para o primeiro, se trata de uma
jurdico. A
unidade substancial ou material, relativa ao contedo das normas; para o
teoria
segundo, trata-se de urna unidade formal, relativa ao modo pelo qual as
kelseniana da
normas so postas. P.199.
norma
fundamental.
A idia de fechar o sistema, implica em consideramos o poder
constituinte como autorizado por uma norma fundamental, a qual
estabelece que todos os cidados devem obedecer s normas emanadas de
tal poder, isto , daquela fora poltica capaz de pr normas para toda
a sociedade e de impor-lhes a observncia. esta ltima a alternativa
eleita por Kelsen, e que o conduziu concepo da norma fundamental.
P.201.
52.
entre
Relaes O carter da coerncia e o da completitude esto ligados estreitamente
entre si, mesmo que tal conexo no seja sempre evidente. Savigny
coerncia
e assim formula as relaes entre estes dois caracteres (notemos que ele usa
completitude
o termo "unidade" para indicar o que entendemos por "coerncia" e o
do
termo "sistema" para indicar um conceito anlogo, seno idntico, ao
ordenamento
indicado com o termo "ordenamento" visto que o sistema no bem o
jurdico.
ordenamento tal como estabelecido pelo legislador, mas como
elaborado pelo cientista do direito). P.202
Carnelutti, em sua Teoria
existente
entre
coerncia
geral do direito, exprime a relao
e
completitude
afirmando que o direito pode apresentar
do
ordenamento,
dois vcios: um vcio por
excesso (exuberncia), quando h mais normas do que deveria haver
(na incoerncia h duas normas contraditrias, das quais somente uma
pode estar contida no sistema); e um vcio por falta (deficincia),
quando h uma norma a menos,
no caso de lacuna.
No primeiro
caso, o trabalho do jurista consiste na purgao do ordenamento
jurdico (isto , no eliminar a norma em excesso); no segundo caso
consiste na integrao do prprio ordenamento. P.202.
53. A
coerncia do
ordenamento
jurdico. Os
critrios para
eliminar as
antinomias.
O princpio, sustentado pelo positivismo jurdico, da coerncia do
ordenamento jurdico, consiste em negar que nele possa haver antinomias,
isto , normas incompatveis entre si. Tal princpio garantido por uma
norma, implcita em todo ordenamento, segundo a qual duas normas
incompatveis (ou antinmicas) no podem ser ambas
vlidas,
mas
somente uma delas pode (mas no necessariamente deve) fazer parte do
referido ordenamento; ou, dito de outra forma, a compatibilidade de uma
norma com seu ordenamento (isto , com todas as outras normas)
condio necessria para a sua validade. P.203.
A dificuldade, porm, no consiste em individualizar os pares de normas
antinmicas, mas sim em estabelecer qual das duas normas incompatveis
a vlida e qual deve ser considerada como no fazendo parte do
ordenamento jurdico. A doutrina formulou trs critrios para a soluo das
antinomias: o critrio cronolgico, o critrio hierrquico, o critrio de
especialidade. P.204
54. A
A caracterstica da completitude estreitamente ligada ao princpio da
completude do certeza do direito, que a ideologia fundamental deste movimento
ordenamento
jurdico. Tal ligao, que particular mente evidente na escola da exegese,
jurdico. O
posta em evidncia por Radbruch na sua Propedutica filosofia do
problema das
direito (1959), onde ele observa que o princpio da completitude do direito
lacunas da lei.
se apresenta necessrio para conciliar entre si dois outros temas
juspositivistas fundamentais: aquele segundo o qual o juiz no pode criar o
direito e aquele segundo o qual o juiz no pode jamais recusar-se a resolver
uma controvrsia qualquer. P.207
A teoria do espao jurdico vazio foi sustentada na Itlia principalmente
por Santi Romano. Estes autores afirmam que no faz sentido falar de
lacunas do direito, porque, dado um fato qualquer, ou existe uma norma
que o regule e, neste caso, no h evidentemente lacuna alguma, ou no
existe nenhuma norma que o regule, e nem tambm neste caso se pode
falar de lacuna, visto que o fato no regulado
juridicamente
irrelevante, porque pertence ao "espao jurdico vazio" (isto , ao espao
que est alm da esfera jurdica). Em outros termos, o fato no previsto
por nenhuma norma um fato situado fora dos limites do direito. Para
esclarecer o conceito, podemos comparar o direito a um rio que flui
entre duas margens: corno no faz sentido dizer que alm das margens
h urna lacuna do rio (visto que na realidade h algo diverso do rio, a terra
firme), tambm no faz sentido dizer que onde cessa a disciplina jurdica h
urna lacuna do direito. Na realidade, onde a norma est ausente estamos
fora dos limites do direito, numa esfera diversa da jurdica. P.208.
O ordenamento jurdico
resulta do conjunto
de todas as normas
particulares e de todas as normas gerais exclusivas; estas ltimas podem ser
expressas numa nica norma
que diz: " permitido
tudo que no
proibido nem comandado". Tal norma dita norma de clausura, visto que
assegura a completitude do ordenamento, garantindo a atribuio de uma
qualificao jurdica a todos os fatos no previstos pelas outras normas.
Mesmo um sistema normativo constitudo por uma nica norma um
ordenamento completo, pois aquela nica norma acompanhada por uma
segunda
norma implcita que fecha o prprio sistema,
atribuindo a
qualificao de lcito a todos os fatos no previstos pela primeira norma.
P.209.
Os juristas falam de lacunas da lei tambm num outro sentido, para indicar
normas jurdicas nas quais se verifica um desajuste entre a letra e o
esprito
da lei (a mens legis), ou, em outros termos, entre a vontade
expressa e a vontade presumida do legislador, no sentido de que a
formulao da norma no abrange todos os casos que o legislador
pretendia disciplinar. O positivismo jurdico admite a existncia desses
casos, mas observa que no representam lacunas, visto que as normas
podem se completar a partir do interior do sistema (auto-integrao do
direito) mediante o recurso analogia e aos princpios gerais do direito,
recurso que no um ato criativo, mas puramente interpretativo e, mais
exatamente, integrativo do direito.p.210.
Comentrios pessoais
A teoria do ordenamento visa discutir a identificao e soluo das possveis lacunas de
regulamentao do ordenamento trazendo as formulaes propostas pela perspectiva
positivista.
CAPITULO VI. A FUNO INTERPRETATIVA DA JURISPRUDNCIA.
55. A tarefa da
Na atividade relativa ao direito podemos distinguir dois momentos: o
jurisprudncia. momento ativo ou criativo do direito e o momento terico
ou
A noo de
cognoscitivo do prprio direito; o primeiro momento encontra a sua
interpretao.
manifestao mais tpica na legislao, o segundo na cincia jurdica
ou (para usar um termo menos comprometedor) na jurisprudncia.
Esta pode ser definida como a atividade cognoscitiva do direito
visando sua aplicao. P.211.
Na realidade, a dissenso entre o juspositivisrno e os seus adversrios
comea propriamente quando se trata de precisar a natureza cog
noscitiva da jurisprudncia. Para o primeiro, esta consiste numa
atividade puramente declarativa ou reprodutiva de um direito
preexistente,
isto
no
conhecimento
puramente
passivo
contemplativo de um objeto j dado; para os segundos, a natureza
cognoscitiva consiste numa atividade que tambm criativa ou
produtiva de um novo direito, ou seja, no conhecimento ativo de um
objeto que o prprio sujeito cognoscente contribui para produzir.
P.211.
Deixando de lado suas implicaes filosficas, o positivismo jurdico
concebe a atividade da jurisprudncia como sendo voltada no para
produzir, mas para reproduzir o direito, isto , para explicitar com meios
puramente lgico-racionais o contedo de normas jurdicas j dadas.
Nisto, como indicamos, no se faz mais do que continuar uma concepo
da cincia jurdica que se encontra ao longo dos sculos de tradio
jurdica, particularmente a partir do momento em que o direito se
consolidou num corpo de normas posto por um legislador (a codificao
justiniana). J os juristas medievais, que se baseavam em tal codificao,
consideravam a sua atividade como voltada ao descobrimento nesta das
regras, j postas ao menos implicitamente pelo legislador, que discipli
navam todas as situaes e as relaes sociais. Concluindo, o positivismo
jurdico considera tarefa da jurisprudncia no a criao, mas a
interpretao do direito. P.212.
56. Os meios
hermenuticos
O positivismojurdico
pe um limite
intransponvel
atividade
do positivismo
interpretativa: a interpretao geralmente textual e, em certas circuns
jurdico.
tncias (quando ocorre integrar a lei), pode ser extratextual; mas nunca ser
antitextual, isto , nunca se colocar contra a vontade que o legislador
expressou na lei. Os meios de interpretao textual. Para reconstruir a
vontade que o legislador expressou na lei, o positivismo jurdico se serve
principalmente de quatro expedientes (ditos meios hermenuticos) que j
haviam sido elaborados pela precedente tradio jurdica. P.214.
Os meios de interpretao textual. Para reconstruir a vontade que o
legislador expressou na lei, o positivismo jurdico se serve principal mente
de quatro expedientes (ditos meios hermenuticas) que j haviam sido
elaborados pela precedente tradio jurdica: a) o meio lxico (chamado
com expresso pouco correta interpretao gramatical), que consiste na
definio do significado dos termos usados pelo legislador, mediante a
anlise e a comparao dos contextos lingusticos empregados; b) O meio
teleolgico, chamado
comumente
de
interpretao lgica, expresso
imprpria, visto que se trata de um meio interpretativo baseado na ratio
legis, isto , no motivo ou finalidade para os quais a norma foi posta; c) O
meio sistemtico, que implica no s no pressuposto da racionalidade do
legislador, como tambm no pressuposto de que a vontade do legislador
seja unitria e coerente. Com base em tal pressuposto podese procurar
esclarecer o contedo de uma norma, considerando-a em relao a todas as
outras; d) o meio histrico, que consiste na utilizao de documentos
histricos diferentes do texto legislativo, para reconstruir a vontade do
legislador; tal meio comporta essencialmente o estudo dos trabalhos
preparatrios, pelos quais se pode conhecer as vrias intenes para as
quais uma lei foi aprovada e qual delas prevalece sobre as outras. P.214215.
Como dissemos, a interpretao analgica se funda num racioc nio por
analogia. Mas para que tal raciocnio seja exato, necessrio que haja uma
semelhana relevante. No caso da interpretao analgica, quando que
entre o caso regulado por uma norma e o caso ao qual estendida a
disciplina de tal norma existe semelhana relevante? A doutrina responde
que tal semelhana existe quando os dois casos apresentam a mesma
ratio legis, isto , quando o elemento que induziu 0 legislador a dar ao
primeiro caso uma certa disciplina jurdia
se encontra tambm no
segundo caso (por exemplo, o elemento que induz um legislador a proibir
a venda de livros obscenos a obscenidade; tal norma no pode se
estender aos livros policiais porque estes no tm em comum com os
primeiros o elemento que a ratio legis; mas tal norma pode se estender
aos discos obscenos, porque estes tm em comum com os livros obscenos
o elemento que funda a ratio legis). P.218.
O processo de abstrao consiste em extrair os princpios gerais do
ordenamento jurdico: de um conjunto de regras que disciplinam uma
certa matria, o jurista abstrai indutivamente uma norma geral no
formulada
pelo legislador, mas da qual as normas singulares
expressamente estabelecidas so apenas aplicaes particulares: tal
norma geral precisamente aquilo que chamamos de um princpio do
ordenamento jurdico. Uma vez formulada esta norma geral, o jurista a
aplica
queles
casos que, no sendo disciplinados nas normas
singulares expressas, so no entanto abrangidos no mbito dos casos
previstos pela mesma
norma geral. Nessa segunda fase, o jurista
executa precisamente um trabalho de subsuno de uma espcies (os
casos no regulados pelas normas singulares) num genus (a categoria
dos casos aos quais se refere a norma geral). P.220.
Comentrios pessoais
- Possveis contribuies do captulo para a sua Dissertao;
- Divergncias doutrinrias;
- Informaes adicionais.
CAPTULO VII. O POSITIVISMO COMO IDEOLOGIA DO DIREITO.
O aspecto ideolgico da concepo juspositivista predomina em
absoluto no pensamento de Bentham, cuja finalidade no descrever
o direito (especialmente o ingls) tal qual , mas sim critic-lo, para
fazer com que seja modificado, de maneira a corresponder s suas
concepes tico-polticas. Em Austin, ao contrrio, o aspecto terico
mais evidente, pois que Austin se prope a descrever o direito como
ele e no como deveria ser; e mesmo nele no faltam aspectos
ideolgicos, ainda que mascarados. Assim, quando descreve o direito
como comando estabelecido pelo soberano, tem-se a impresso de que
ele no se limita simples observao de uma realidade, mas formula
implicitamente um juzo de valor, considerando positivo o fato de o
direito ser um comando e no uma regra consuetudinria. Deste
modo, considerar o direito internacional como simples
positiva
deixa
moralidade
subentendido o juzo de que o ordenamento
internacional possui um valor inferior ao do Estado. P.224
Esta distino entre teoria e ideologia do juspositivismo importante
porque
ajuda
a compreender o significado da
polmica
antipositivista. Os crticos do positivismo jurdico vm de duas
"praias" diferentes e se dirigem a dois aspectos diversos: de um lado,
a corrente do realismo
critica
jurdico
(ou
jurisprudncia sociolgica)
os seus aspectos tericos, afirmando que no representam
adequadamente a realidade efetiva do direito;
de outro lado, a
renascida (ou, melhor dizendo, revigorada) corrente do jusnaturalismo
critica os aspectos ideolgicos
do juspositivismo, destacando as
conseqncias prticas funestas que deles derivam. mister, portanto,
distinguir a crtica dos erros da crtica dos horrores do positivismo
jurdico. P.225.
59. O
contedo e o
significado da
verso
extremista da
ideologia
juspositivista:
as vrias
Pode-se dizer que a (suposta) ideologia
consiste em afirmar o dever
absoluto ou incondicional de obedecer lei enquanto tal. evidente que
com tal afirmao no estamos mais no plano terico mas no plano
ideolgico, visto que ela no se insere na problemtica (cognoscitiva) que
concerne
definio do direito, mas naquela (valorativa) relativa
determinao do nosso dever: no estamos mais diante de uma doutrina
cientfica, mas de uma doutrina tica do direito. Por isto sustentamos
justificaes
que seria mais correto falar de positivismo tico em relao ideologia
histrico-
juspositivista. P.225.
filosoficas.
O absolutismo ou incondicionalismo da obedincia lei significa para a
ideologia positivista tambm uma outra coisa: significa que a obrigao
de obedecer lei no apenas uma obrigao jurdica, mas tambm uma
obrigao moral. P.226.
Como se justifica a concepo da obedincia absoluta lei, prpria do
positivismo tico? Podemos tipificar quatro justificaes diferentes, cag
uma delas fundada numa concepo particular da justia ou do
Estado, das quais as primeiras trs no so peculiares dos juspositivismo,
mas tm uma longa tradio cultural. A concepo ctica aponta a
necessidade de obedincia lei compreender a lei como a expresso da
vontade do soberano ou grupo mais forte no tecido social, havendo
impossibilidade de fazer diferente. Concepo convencionalista da justia:
a justia o que homens concordaram em considerar justia. Esta
concepao, que Ja nasce no do ceticismo, mas do relativismo tico,
encontra sua expresso mais tpica no pensamento de Hobbes (que
impropriamente considerado por alguns como pertencente corrente ctica
ou realista; a concepo sagrada da autoridade, sobre a qual poder se funda
num carisma. P.228.
Nos estudos de Max Weber so apontados trs fundamentos para o poder:
a) fundamento racional do poder: o poder nasce uma valoraao racional
dos homens, que reconhecem como necessrio atibuir a algum o direito
de comandar, para ser possvel a existncia da sociedade; b) fundamento
tradicional do poder: o poder se funda na fora do costume, da tradio
histrica, obedecendo-se ao soberano porque pertence a uma dinastia
que governa h muito tempo; c) fundamento carismtico do poder: o
poder cabe a um homem que parece dotado de qualidades sobrehumanas, no qual o povo deposita (com base em valoraes emotivas,
irracionais) uma confiana absoluta e cega.
Comentrios pessoais
- Possveis contribuies do captulo para a sua Dissertao;
- Divergncias doutrinrias;
- Informaes adicionais.