Appcc
Appcc
Perigos e
Pontos Crticos
de Controle
Alcantaro Corra
Presidente da Federao das Indstrias do Estado de Santa Catarina
Srgio Roberto Arruda
Diretor Regional do SENAI/SC
Antnio Jos Carradore
Diretor de Educao e Tecnologia do SENAI/SC
Marco Antnio Dociatti
Diretor de Desenvolvimento Organizacional do SENAI/SC
Joo Roberto Lorenzett
Diretor do SENAI/SC Florianpolis
Sandro Volpato Faria
Diretor Adjunto do SENAI/SC Florianpolis
Florianpolis/SC
2009
proibida a reproduo total ou parcial deste material por qualquer meio ou sistema sem o prvio consentimento do editor. Material em conformidade com a nova ortografia da lngua portuguesa.
Ficha catalogrfica elaborada por Luciana Effting CRB14/937 - Biblioteca do SENAI/SC Florianpolis.
D158a
sumrio
Apresentao...................................................................... 9
Plano de estudos. ................................................................ 10
Orientaes. ..................................................................... 11
.
Aulas
apresentao
O curso
Seja bem-vindo ao curso de Anlise de Perigos e Pontos Crticos de Controle
(APPCC)!
Voc j deve ter ouvido falar deste Sistema de Segurana de Alimentos to importante e que revolucionou a rea da qualidade de muitas empresas no Brasil e no mundo.
Neste curso voc estudar todos os princpios do Sistema APPCC, mas antes far uma
reviso dos pr-requisitos e das etapas prvias sua implementao. Voc conhecer
vrios exemplos de implantaes e dicas teis para seu dia a dia na luta pela segurana
de alimentos.
Desejamos que voc aproveite bem o contedo deste curso e sempre que houver
dvida, no hesite em entrar em contato! Ser um prazer ajud-lo!
plano de estudos
Objetivos
GERAL
99 Reconhecer a importncia, conhecer os princpios e entender as etapas prvias
para a implantao do Sistema APPCC como ferramenta para a segurana de
alimentos.
ESPECFICOS
99 Reconhecer o Sistema de Anlise de Perigos e Pontos Crticos de Controle
(APPCC) e sua importncia no cenrio da segurana de alimentos no Brasil e
no mundo.
99 Conhecer a origem do Sistema APPCC, suas vantagens e legislao
relacionada.
99 Reconhecer a importncia dos pr-requisitos para a implantao do Sistema
APPCC.
99 Conhecer as etapas preliminares implantao do Sistema APPCC, de acordo
com o Codex Alimentarius.
99 Recordar os perigos em alimentos.
99 Reconhecer os princpios do Sistema APPCC.
Ementa
1. Conceitos.
2. Histrico, legislao e benefcios do Sistema APPCC.
3. O Sistema APPCC.
4. Pr-requisitos para implantao do Sistema APPCC.
5. Etapas preliminares para elaborao do Plano APPCC.
6. Princpios do Sistema APPCC.
10
orientaes
As aulas
Contedo
Aula 1
Tempo de
dedicao
2h
Aula 2
4h
Aula 3
3h
Aula 4
3h
Aula 5
24h
Data-chave
Minha agenda
Tema
Introduo ao
Sistema
de Anlise de Perigos e
Pontos Crticos de Controle
(APPCC)
Histria, benefcios e legislao relacionada ao Sistema
APPCC
Pr-requisitos para implantao do Sistema
Etapas preliminares para
elaborao
do
Plano
APPCC
Princpios
do
Sistema
APPCC
(8 sees de 3h)
11
orientaes
Elementos Instrucionais
Este material foi estruturado para lhe facilitar a construo de novos conhecimentos.
Ao desenvolv-lo, foram levados em considerao seu perfil e suas necessidades de
formao.
Este curso tem uma diviso de cinco aulas, conforme o quadro cima. No incio do
curso sero apresentados os objetivos da aprendizagem para que voc possa visualizar os
benefcios que ele trar para sua prtica diria e por que importante estud-lo.
Ao terminar uma aula, elimine todas as dvidas com seu tutor. Sempre resolva todas
as questes antes de passar para a prxima etapa.
Durante a leitura deste material, voc encontrar alguns smbolos para chamar sua
ateno sobre o contedo destacado. Acompanhe seus significados.
aula
CURSO
DE
QUALIFICAO
EM QUALIDADE
E SEGURANA
DE ALIMENTOS
Anlise de
Perigos e
Pontos Crticos
de Controle
aula 1
Ateno
Seja bem-vindo primeira aula deste mdulo! Aqui voc conhecer ou revisar o
Sistema de Anlise de Perigos e Pontos Crticos de Controle, que ser chamado pela
sigla APPCC de agora em diante. Voc far um passeio pelo Brasil e pelo mundo
conhecendo o cenrio da segurana de alimentos. E, para terminar a aula, ver alguns
conceitos importantes sobre este tema. Ento vamos l, mos obra!
Com certeza voc j deve pelo menos ter ouvido falar no Sistema de Anlise de
Perigos e Pontos Crticos de Controle, ou APPCC, e talvez seja um grande conhecedor
do assunto. Mas voc j parou para pensar no impacto que ele causou na segurana de
alimentos no mundo e no Brasil desde a dcada de 60? Muita coisa mudou at hoje, com
impactos na sua vida profissional e pessoal.
Ateno
O Sistema APPCC estabelece um controle rigoroso em todas as etapas de produo
com o objetivo de garantir a segurana deste alimento.
Mas lembre-se que esta garantia est relacionada ao modo de consumo habitual ou
esperado para cada produto. Quando o consumidor inova, inventado uma nova receita
ou forma de consumir esse produto, a garantia da segurana do alimento se perde.
como se voc comprasse um fogo que precisa ser instalado pelo tcnico autorizado pelo
fabricante e voc faz a instalao por conta prpria. Nesse caso, voc perde a garantia de
fbrica do produto.
Em se tratando dos alimentos, as empresa que fabricam precisam estar atentas e
adaptar seu sistema de garantia s inovaes dos consumidores. Afinal, alm da enorme
criatividade dos brasileiros, existem programas de culinria na televiso que ajudam a
difundir essas novidades. Um exemplo simples de mudana de forma de consumo a
sopa desidratada de cebola. Segundo o fabricante, voc deve diluir em gua e cozinhar
por determinado tempo, mas algum descobriu que misturar esse p com creme de leite
resulta num delicioso pat de cebola para ser consumido sem aquele cozimento que
estava previsto. A empresa fabricante tem que estar atenta a isso e atualizar seu Sistema
APPCC para estender a garantia ao produto sem tratamento trmico.
15
aula 1
Esse um exemplo da aplicao do Sistema APPCC, mas ele pode ser aplicado em
qualquer etapa da cadeia produtiva de alimentos, desde a produo primria at o preparo do alimento para consumo, passando por transporte, armazenamento, distribuio,
processamento e industrializao de todos os grupos de alimentos.
Reflita
Voc deve estar pensando que muito trabalho, mas o Sistema APPCC foca os
cuidados nas etapas crticas do processo, aquelas que, controladas, podem realmente garantir a segurana do produto.
Desse modo, voc ver que mesmo em alguns processos muito extensos, com vrias
etapas, o controle do Sistema APPCC, ou o Ponto Crtico de Controle (PCC), fica restrito
apenas a algumas etapas do processo. Mas essas etapas so muito importantes, crticas
mesmo!
Veja agora como est o cenrio da segurana de alimentos no Brasil e no mundo.
16
aula 1
Saiba mais
difcil afirmar com nmeros exatos, mas voc sabia que a OMS estima que, com
dados do ano de 2005, 1,8 milhes de pessoas morreram devido a doenas diarricas e que grande parte destas foi por alimentos e gua contaminados? Esse mesmo
estudo afirma que em pases industrializados as doenas transmitidas por alimentos
afetam 30% da populao todos os anos (WHO, 2007).
Como exemplo tem-se os Estados Unidos, com 76 milhes de casos de DTA, causando 325.000 hospitalizaes e 5.000 mortes por ano. Imagine o que no acontece em
pases subdesenvolvidos onde h mais problemas de infraestrutura sanitria, de educao
dos consumidores...
Curiosidade
Voc tem ideia do custo de todas essas DTAs para os pases?
17
aula 1
Saiba mais
No Estado de So Paulo, somente no ano de 2007, foram notificados 321 surtos
com 5.284 casos e sete bitos (CVE-SP, 2008). Na maioria dos surtos registrados no
foi possvel identificar o agente causador. Os bitos foram causados por Clostridium
botulinum, rotavrus, vrus da hepatite A e Salmonella. Entretanto, os casos notificados so poucos, na maioria das vezes o consumidor se trata em casa com chs e
repouso, sem notificar as autoridades.
Em 2000, o Estado de So Paulo registrou 79 surtos e 849 casos. Apesar da possibilidade de uma melhoria no sistema de gerenciamento e registro, os dados mostram
um crescimento no nmero de casos, ou seja, uma amostra do que ocorre no Brasil:
o pas segue a tendncia mundial de aumento dos casos de doenas transmitidas por
alimentos.
Voc deve estar se perguntando se esse aumento nos casos de doenas transmitidas
por alimentos no tem impacto no comrcio mundial de alimentos. Pois saiba que tem
sim, e muito. Como resultado desse problema crescente, os pases que compram passam
a exigir garantias da segurana do produto. Essa garantia se d por meio de auditorias e
certificaes dos alimentos exportados.
Em 2005 foi publicada a primeira norma internacional ISO sobre Sistema de Gesto
da Segurana de Alimentos, a ISO 22000. Esta norma foi elaborada por profissionais
das indstrias de alimentos e especialistas de organizaes internacionais como o Codex
Alimentarius.
Outras normas como o GLOBALGAP, British Retail Consortium (BRC) tambm existem com a mesma finalidade de garantir a segurana do alimento, mas tm foco em Boas
Prticas e em sistemas de gesto, respectivamente. O que se observa uma tendncia
cada vez maior de exigncia de certificaes ou auditorias de terceira parte que garantam
a segurana do produto.
E se mesmo com o advento do Sistema APPCC temos um cenrio de aumento das
DTA no mundo todo, j imaginou como seria sem ele?
18
aula 1
Ateno
Voc j percebeu que ter muito trabalho pela frente, certo? Coragem, quem sabe
com conhecimento e conscincia voc pode ajudar a mudar esse quadro... No
custa tentar.
A seguir, veja alguns conceitos importantes quando se fala em segurana de
alimentos.
19
aula 1
Segurana de alimentos
Este conceito indica que o alimento no causar dano ao consumidor quando preparado e/ou consumido de acordo com seu uso pretendido (o conceito est relacionado
com a ocorrncia de perigos segurana de alimentos e no inclui outros aspectos da
sade humana, como por exemplo, m nutrio) (ABNT, 2006, p. 2). O termo segurana alimentar usado como sinnimo, mas significa segurana no sentido de acesso ao
alimento, ou seja, est relacionado s questes da fome mundial.
Infeco transmitida por alimentos
uma doena que resulta da ingesto de alimentos contendo microrganismos vivos
prejudiciais, como Salmonella, Shigella, vrus da hepatite A e Trichinella spirallis.
Intoxicao causada por alimento
a doena que ocorre quando as toxinas ou os venenos de bactrias ou bolores esto
presentes no alimento ingerido. Essas toxinas geralmente no possuem odor ou sabor e so
capazes de causar doena mesmo depois que os microrganismos sejam eliminados. Algumas toxinas podem estar naturalmente presentes no alimento, como no caso de alguns
fungos e animais, como o baiacu. Alguns exemplos de toxinas so a toxina botulnica, a
enterotoxina do Staphylococcus, as micotoxinas, as saxitoxinas de dinoflagelados.
Toxi-infeco causada por alimento
uma doena que resulta da ingesto de alimento contendo uma determinada quantidade de microrganismos causadores de doenas, e capazes de produzir ou liberar toxinas quando ingeridos, como Vibrio cholerae e Clostridium perfringens, respectivamente.
Ateno
Outros conceitos voc ver durante o curso ou no Glossrio no final do material
didtico. Agora, prepare-se para rever ou conhecer um pouco mais sobre a origem
do Sistema APPCC, seus benefcios e a legislao brasileira relacionada a ele. Bons
estudos!
20
aula
CURSO
DE
QUALIFICAO
EM QUALIDADE
E SEGURANA
DE ALIMENTOS
Anlise de
Perigos e
Pontos Crticos
de Controle
aula 2
Ateno
Bem-vindo segunda aula! A partir de agora voc conhecer a origem do Sistema
APPCC e identificar as vantagens que a implantao desse sistema oferece para
empresas, governos e consumidores. Depois disso voc conhecer a legislao brasileira relacionada ao Sistema APPCC.
Imagine uma nave espacial, pequena por dentro, com alguns astronautas em seus trajes
grandes e pesados. Imagine essa nave solta no espao, ao redor da Terra, o planeta azul.
Agora imagine que os astronautas esto com uma doena transmitida por alimentos...
Que catstrofe... Imagine ainda que a quantidade de
alimentos e gua racionada
numa viagem desse tipo... Um
fracasso total!
Foi para evitar esse tipo de
problema que surgiu o Sistema
APPCC. Obviamente, o foco do
Sistema no so somente os astronautas, mas os consumidores em
geral.
Ateno
O objetivo do Sistema APPCC focar a ateno de quem fabrica alimentos nas
etapas importantes ou chamadas crticas para garantir a segurana do produto.
Siga para a etapa de estudo adiante e saiba mais detalhes.
23
aula 2
o principal fator de mudana na qualidade dos produtos japoneses, nos anos 50. Ele
tambm considerado o responsvel pela popularizao do Ciclo PDCA. Mas a ferramenta desenvolvida pelo Dr. Deming e outros profissionais que influenciou o Sistema APPCC
o sistema de gerenciamento da qualidade total (total quality management TQM). Esta
ferramenta se aplica em sistemas de produo com o objetivo de melhorar a qualidade e
reduzir os custos.
Os princpios do Sistema APPCC foram, ento, aplicados desde a dcada de 50 em
indstrias qumicas na Gr-Bretanha e passaram a ser bastante usados nas duas dcadas
seguintes nas usinas de energia nuclear.
O fato que culminou com o desenvolvimento do conceito do Sistema APPCC aconteceu na dcada de 60, quando a empresa norte-americana Pillsbury, o exrcito dos Estados
Unidos e a NASA desenvolveram um programa que garantisse a segurana dos alimentos
destinados ao programa espacial americano. Voc j teve uma noo da importncia
deste assunto no incio desta aula. Ento, a Pillsbury Company, responsvel pela produo
desses alimentos, introduziu e adotou o Sistema APPCC para garantir mais segurana, ao
mesmo tempo em que reduzia o nmero de testes e inspees no produto final.
A aplicao do Sistema APPCC permitiu o controle do processo por meio da adoo
de tcnicas de monitoramento e medidas de controle nas etapas consideradas mais importantes para a segurana do produto final, ou seja, nos pontos crticos de controle.
O Sistema APPCC foi apresentado comunidade cientfica pela Pillsbury Company
em 1971, em uma conferncia sobre segurana de alimentos, nos Estados Unidos. A partir
de ento, o sistema serviu de base para a Administrao de Alimentos e Medicamentos norte-americana (FDA) para desenvolver as normas e leis para
a produo de alimentos pouco cidos, que era o
grande desafio na poca.
O primeiro documento que detalhava a metodologia do Sistema APPCC foi publicado em 1973
pela Pillsbury, com o ttulo: Food Safety through the
Hazard Analysis and Critical Control Point System ou
Segurana de Alimentos atravs do Sistema de Anlise de Perigos e Pontos Crticos de Controle. A base
desse documento foi o treinamento dos inspetores
do FDA.
Uma dcada depois, em 1985, a Academia
Nacional de Cincias dos Estados Unidos (National
Academy of Sciences NAS) recomendou a adoo
do Sistema APPCC nos programas de segurana de
alimentos. Alguns anos depois, em 1988, a Comisso
Internacional para Especificaes Microbiolgicas
em Alimentos (International Commission on Microbiological Specifications for Foods ICMSF) publicou
24
aula 2
um livro no qual sugeria o Sistema APPCC como a base para o controle de qualidade, do
ponto de vista higinico e microbiolgico na produo de alimentos.
Nos Estados Unidos, o FDA e o Departamento de Agricultura (USDA) exigem que o
Sistema APPCC seja aplicado para produtos pesqueiros desde 1995 e para carnes e aves
desde o ano seguinte. Alm disso, desde 2001 o FDA exige que a produo de suco de
frutas, nacional ou importada, aplique os princpios do Sistema APPCC na industrializao
da frutas garantindo a segurana do produto final.
Nos pases da Unio Europeia, a adoo do Sistema APPCC foi regulamentada pela
Diretiva do Conselho 93/43/CEE relativa higiene dos gneros alimentcios. Em 2000
essa Diretiva foi incorporada ao Livro Branco sobre a Segurana dos Alimentos. Ainda em
1993, o Canad introduziu o programa Quality Management Program (QMP). Este foi, no
mundo, o primeiro programa obrigatrio de inspeo baseado no Sistema APPCC. O foco
desse programa eram os produtos pesqueiros. O pas expandiu seu programa de segurana de alimentos para o Agriculture Canadas Food Safety Enhancement Program (FSEP),
aplicado a todos os alimentos.
Todas essas normas e outras existentes tm em comum a fundamentao nas normas
internacionais da Comisso do Codex Alimentarius (CAC), que j havia publicado uma
recomendao internacional relacionada com Boas Prticas em 1969. Em 1993, em sua
vigsima reunio, em Genebra, na Sua, incorporou as Diretrizes para Aplicao do Sistema APPCC (ALINORM 93/13, Appendix II). E, em 1997, O Cdigo de Prticas Internacionais Recomendadas Princpios Gerais de Higiene Alimentar [CAC/RCP 1-1969, Rev.
3 (1997)], revisado e com o documento acima anexo foi adotado pela Comisso do Codex
Alimentarius (FAO, 1998).
Ateno
Voc estudou que o Sistema APPCC j faz parte da legislao de vrios pases e
requisito importante no comrcio internacional de alimentos. Em 1994, na rodada do
Acordo Geral de Tarifas e Comrcio (GATT) que deu origem Organizao Mundial
do Comrcio (OMC), foi aprovado o Acordo de Medidas Sanitrias e Fitossanitrias
(SPS). Este Acordo estabelece regras que garantem a segurana de alimentos, a sade
dos animais e dos vegetais. No que se refere segurana dos alimentos, o Acordo
adota as recomendaes do Codex Alimentarius como base para as decises. Tal fato
foi muito importante porque fortaleceu a atuao da Comisso do Codex Alimentarius e estabeleceu medidas cientficas para a imposio de barreiras.
Agora que voc j estudou como comeou o Sistema APPCC, veja quais so os benefcios que ele traz para as empresas, para os governos e para os consumidores em geral.
25
aula 2
Essas e outras perguntas sero respondidas aqui. Mas antes, veja a definio
do Sistema APPCC, de acordo com o Organismo para Alimentos e Agricultura das
Naes Unidas, a Food and Agriculture Organization (FAO, 1998, p. 109):O Sistema APPCC uma abordagem preventiva e sistemtica direcionada a perigos biolgicos,
qumicos e fsicos, atravs de antecipao e preveno, em vez de inspeo e testes em
produtos finais.
Ao fazer uma abordagem preventiva e sistemtica, voc pode ver a primeira vantagem do Sistema APPCC, ele inclui todas as operaes, desde a produo primria at o
consumo do alimento. Isso quer dizer que o estudo dos perigos no se limita a uma etapa
do processo produtivo, mas aplicado a todas as etapas, desde o incio da produo,
podendo chegar ao preparo do alimento pelo consumidor.
Outro aspecto favorvel do Sistema que, ao fazer um levantamento dos perigos
potenciais, tambm so identificadas as medidas preventivas e de controle dos mesmos.
Essa sistemtica baseia-se em um sistema de engenharia conhecido como Failure,
Mode and Effect Analysis (FMEA) ou como Anlise de Falhas, Modos e Efeitos. Neste, em
cada etapa do processo so observados os possveis erros, as provveis causas destes e o
seu efeito. A partir dessas informaes voc tem condies de estabelecer mecanismos
de controle. Note que o FMEA pode ser aplicado para qualquer processo, no apenas na
produo de alimentos.
Ateno
O Sistema APPCC garante um programa efetivo de controle de perigos, isso acontece
porque se baseia em informaes registradas e oficiais relacionadas ocorrncia das
DTAs.
26
aula 2
Por ser um sistema contnuo e que detecta os problemas antes que ocorram ou no
momento que surgem, possvel aplicar aes imediatas de correo e de controle. Pelas
caractersticas acima, voc j deve ter percebido que o Sistema APPCC compatvel com
outros sistemas de controle de qualidade. Com isso, a segurana do alimento ou inocuidade, a qualidade e a produtividade podem ser abordadas em conjunto, o que resulta
em benefcios para os consumidores, mais lucros para as empresas e uma melhor relao
entre os atores desta cadeia.
Com certeza voc j ouviu dizer que o Sistema APPCC reduz custos de anlises laboratoriais. Mas cuidado, isso verdade apenas para as empresas que fazem essas anlises!
A indstria de alimentos brasileira possui milhares de micro e pequenas empresas que
esto sem profissionais da rea tcnica e que nem sempre fazem testes em seus produtos. Quando essas empresas comeam a implementar o Sistema APPCC o que acontece
um aumento de custos, pois elas comeam a fazer ensaios e testes em seus produtos,
seja para a identificao de perigos ou para checar a eficincia de seus controles. No
incio essas anlises demandaram um investimento que depois diminui quando o Sistema
estiver implantado e controlado. Os benefcios, nesse caso, aparecero quando a empresa perceber que deixou de perder ou reprocessar produtos e o investimento inicial ser
compensado.
A empresa que implanta o Sistema APPCC tem mais facilidade para atender exigncias legais, utiliza de modo mais eficiente seus recursos e consegue uma resposta mais
imediata para as questes de segurana de alimentos. Outro aspecto a destacar que, de
acordo com a FAO (1998), quando o Sistema est implementado corretamente, h um
maior envolvimento dos colaboradores no processo e isso gera uma motivao das pessoas, que percebem a importncia de sua funo no processo como um todo.
Veja agora algumas legislaes brasileiras que esto relacionadas ao Sistema APPCC.
27
aula 2
Ateno
99 lei complementar: aprovada por maioria absoluta em cada casa do Congresso
Nacional e tem como objeto aquelas matrias expressamente previstas pela
Constituio Federal;
99 lei ordinria: aprovada por maioria simples em cada casa do Congresso
Nacional e tem como objeto as matrias no previstas como prprias de lei
complementar;
99 regulamentos: so atos administrativos com a funo de explicar a lei e/ou de
estabelecer as mincias no especificadas na mesma;
99 decretos: so atos administrativos de competncia exclusiva dos Chefes do
Poder Executivo, que dispe sobre a execuo da lei;
99 portaria: so atos administrativos internos emanados pelos chefes dos rgos
da Administrao Pblica, que tm como objeto procedimentos internos das
reparties, determinaes gerais ou especficas aos subordinados, designao
de servidores para o exerccio de funes, determinaes quanto abertura de
processos administrativos, etc.
Saiba mais
Saiba que os principais rgos do Governo envolvidos com a segurana dos alimentos so o Ministrio da Agricultura Pecuria e Abastecimento (MAPA) e a Agncia
Nacional de Vigilncia Sanitria (ANVISA).
Mas antes, veja o que a Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990, ou seja, o Cdigo de
Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990, p. 1), diz sobre produtos nocivos sade.
No Captulo IV, que trata da qualidade de produtos e servios, na Seo I, sobre a
proteo sade e segurana do consumidor, o Artigo 8 diz:
os produtos e servios colocados no mercado de consumo no acarretaro
riscos sade ou segurana dos consumidores, exceto os considerados normais
e previsveis em decorrncia de sua natureza e fruio, obrigando os fornecedores, em qualquer hiptese, a dar as informaes necessrias e adequadas a
seu respeito.
28
aula 2
Mais adiante, no Artigo 10, o CDC afirma que produtos ou servios que possam
apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade sade humana no podem ser
colocados no mercado.
Na Seo II, sobre a responsabilidade pelos produtos ou servios, no Artigo 12, o
CDC deixa claro que a responsabilidade por danos causados aos consumidores devido a defeitos em projeto, fabricao, construo, montagem, frmulas, manipulao,
apresentao ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informaes insuficientes ou inadequadas sobre sua utilizao e riscos cabem ao fabricante, produtor, ou
importador.
Veja que este Cdigo foi um avano no que se refere defesa do consumidor no
Brasil e os trechos acima se aplicam perfeitamente quando tratamos de segurana de
alimentos. E esta uma das razes pela qual a indstria de alimento deve estar atenta,
alm de garantir a segurana de alimentos, voc tambm garante a sade da empresa.
No Brasil j existe jurisprudncia de multas e indenizaes em incidentes de insegurana de alimentos, mesmo em casos em que o dano seja apenas moral, como um besouro encontrado no interior de uma lata de vegetal industrializado e tantos outros exemplos.
Acesse os endereos abaixo e veja alguns exemplos de condenaes s empresas, por
contaminao de alimentos:
<http://www.conjur.com.br/2007-jul-31/lanchonete_condenada_vender_comida_
contaminada>;
<http://www.jusbrasil.com.br/noticias/140630/pao-de-queijo-contaminado-geracondenacao>;
<http://www.jusbrasil.com.br/noticias/3852/coxinha-contaminada-obrigalanchonete-a-pagar-indenizacao>.
Em se tratando de normas mais tcnicas, para as indstrias e estabelecimentos produtores/manipuladores de alimentos, o Sistema APPCC apareceu pela primeira vez no Brasil
em 1993, com a Portaria 1428 do Ministrio da Sade. Este documento estabelece o
Regulamento Tcnico para Inspeo Sanitria de Alimentos, as Diretrizes para o Estabelecimento de Boas Prticas de Produo e de Prestao de Servios na rea de Alimentos e o Regulamento Tcnico para o Estabelecimento de Padro de Identidade e Qualidade (PIQs) para Servios e Produtos na rea de Alimentos.
Em 1998, a Portaria 40 do Ministrio a Agricultura e Abastecimento (MAA), como era
chamado o MAPA, estabelece um manual de procedimentos para as indstrias de bebidas
e vinagres baseado nos princpios do Sistema APPCC (BRASIL, 1998). No mesmo ano, a
Portaria 46 do MAA estabelece a obrigatoriedade da implantao gradativa do Sistema
APPCC nas indstrias de produtos de origem animal sob o controle do Servio de Inspeo Federal (SIF) (BRASIL, 1998).
29
aula 2
Ateno
Nesta aula voc conheceu um pouco mais sobre a legislao relacionada ao Sistema
APPCC. Na prxima aula voc estudar os pr-requisitos que devem ser adotados
antes da implantao do Sistema APPCC.
30
aula
CURSO
DE
QUALIFICAO
EM QUALIDADE
E SEGURANA
DE ALIMENTOS
Anlise de
Perigos e
Pontos Crticos
de Controle
aula 3
Ateno
Os pr-requisitos para implantao do Sistema APPCC so as Boas Prticas de
Fabricao e os Procedimentos Padro de Higiene Operacional (PPHO), tambm
conhecidos por Procedimentos Operacionais Padro (POP), dependendo do tipo de
produto. Mas nesta aula voc no ver com detalhes esses pr-requisitos, afinal esse
o tema para outro curso. O que se pretende mostrar aqui a importncia desses
pr-requisitos antes da implantao do Sistema APPCC.
33
aula 3
34
aula 3
Ateno
Voc percebeu que a definio de Programa de Pr-requisitos operacional diferente das anteriores. No o Manual de BPF que define os PPHO ou POP, e sim a
anlise de perigos.
35
aula 3
Alguns desses problemas voc pode controlar, como a manuteno preventiva do seu
carro, estudar o trajeto com antecedncia, informar-se sobre as condies das estradas,
dar preferncia para viajar durante o dia e praticar a direo defensiva.
Com essas medidas, mesmo sabendo que h condies mais difceis de serem controladas e mesmo imprevistas, voc far uma viagem mais tranquila e com muitas chances
de chegar ao destino conforme o planejado. Voc ter mais condies de lidar com as
situaes imprevistas, pois saber quais delas poderiam surgir.
Da mesma forma acontece com um Sistema de Segurana de Alimentos, voc deve
preparar a empresa para os problemas que possam acontecer, adotar cuidados bsicos e
implantar medidas de controle essenciais para que o Sistema APPCC seja implementado.
Esses cuidados bsicos e medidas essenciais so, respectivamente, as Boas Prticas e os
Procedimentos Operacionais, ou seja, o Programa de Pr-Requisitos.
Esses programas oferecem uma base ou suporte para a implantao do Plano e do
Sistema APPCC. Pode-se dizer que eles arrumam a casa antes da implantao e tornam
o Plano mais simples e fcil de ser gerenciado.
Alm dessas vantagens, Roberto, Brando e Silva (2006) realizaram um estudo sobre
os custos relacionados com a implantao e manuteno do Sistema APPCC em uma planta de produo de leite pasteurizado. Os autores avaliaram as BPF e os PPHO. Tambm
foram propostos dois Planos APPCC. Um deles foi elaborado de acordo com as condies atuais de operao, sem a implantao dos pr-requisitos (BPF e PPPHO); e o outro
foi elaborado considerando a implantao prvia dos pr-requisitos. O primeiro Plano
APPCC identificou oito Pontos Crticos de Controle (PCC) e o segundo identificou apenas
dois.
Ateno
A quantidade de PCCs interfere diretamente nos recursos necessrios para implementar, desenvolver e manter um Plano APPCC.
O Plano que considerou a implantao prvia dos pr-requisitos teve um custo estimado para a implementao e manuteno do Plano APPCC 24% menor que o outro.
Ateno
Voc j deve estar convencido da importncia dos Programas de Pr-Requisitos. Nesta
aula voc relembrou alguns conceitos relacionados s Boas Prticas e aos Procedimentos Operacionais e viu como eles interferem no Sistema APPCC. Na prxima aula
voc ver as etapas prvias implementao do Sistema APPCC em uma empresa.
36
aula
CURSO
DE
QUALIFICAO
EM QUALIDADE
E SEGURANA
DE ALIMENTOS
Anlise de
Perigos e
Pontos Crticos
de Controle
aula 4
Curiosidade
Voc j deve ter ouvido falar dela como comprometimento da direo. Mas o que
isso significa? Uma declarao assinada pelo diretor da empresa no incio do Plano
APPCC?
39
aula 4
Ateno
Os integrantes da equipe devem receber treinamentos e devem ter experincia suficiente para cumprir certas tarefas especficas como, por exemplo, realizar a anlise
de perigos; identificar os perigos potenciais e os que precisam ser controlados; recomendar controles, limites crticos, procedimentos de monitoramento e verificao e
aes corretivas adequadas; e validar o Plano APPCC.
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aula 4
Descrio do alimento
A equipe APPCC deve preparar uma descrio geral do alimento, dos ingredientes e dos mtodos de processamento. Essa descrio do produto deve ser por escrito e
incluir informaes relevantes para segurana, como composio, estrutura fsico-qumica (incluindo atividade de gua, pH, etc.), tipo de embalagem, validade do produto na
embalagem e depois de aberto, condies de armazenamento e mtodos de distribuio
(congelado, refrigerado ou em temperatura ambiente). Essas informaes so importantes
para a anlise de perigo e para a caracterizao dos tipos de perigos que podem estar
envolvidos com o alimento.
41
aula 4
42
aula 4
Veja que as etapas esto definidas e sua ordem no processo tambm. O fluxograma
pea fundamental para a elaborao do Plano APPCC, se estiver incorreto ou incompleto
poder comprometer todo o Sistema de Segurana de Alimentos j que a anlise de perigos e a definio dos Pontos Crticos de Controle se apoiam no fluxograma.
O fluxograma pode ser de um produto ou de um processo. Algumas empresas processam alimentos muito semelhantes que seguem as mesmas, ou pelo menos quase todas as
etapas. Nesse caso voc pode elaborar seu Plano APPCC para um processo.
Um exemplo uma fbrica de processamento de frutas que produz purs e polpas
de frutas. No necessrio elaborar um fluxograma para cada fruta processada, pois eles
sero muito semelhantes, ento voc pode trabalhar com o fluxograma de processo de
extrao de polpa ou pur de frutas.
43
aula 4
Verificar o fluxograma
Depois de elaborado o
fluxograma, voc deve fazer uma
validao do mesmo, ou seja,
conferir todas as etapas com o
processo real e checar se o que
foi desenhado corresponde
realidade. Em caso de alguma
divergncia, o fluxograma deve
ser refeito e validado novamente.
Nunca avance para a elaborao
do Plano APPCC sem checar o
fluxograma, pois isso pode gerar
um retrabalho desnecessrio.
Ateno
Nesta aula voc estudou as etapas prvias elaborao do Plano APPCC: comprometimento da direo, montagem da equipe, descrio do produto, descrio da
forma de consumo proposta, elaborao do fluxograma e validao deste.
Depois de cumpridas essas etapas e implantados os pr-requisitos, voc pode, finalmente, comear a elaborar o Plano APPCC. Veja como fazer isso na prxima aula.
Bom trabalho!
44
aula
CURSO
DE
QUALIFICAO
EM QUALIDADE
E SEGURANA
DE ALIMENTOS
Anlise de
Perigos e
Pontos Crticos
de Controle
aula 5
Finalmente chegamos aos princpios do Sistema APPCC. O Programa de Pr-Requisitos, as etapas prvias que voc estudou na aula anterior e os princpios que voc estudar
agora compem o Plano e o Sistema APPCC. Nesta aula voc recordar alguns perigos
em alimentos, ver os sete princpios do Sistema APPCC e conhecer metodologias de
implantao destes com exemplos prticos. Aproveite para aplicar no seu local de trabalho tudo que est aprendendo!
1 Princpio
Identificao de perigos e estabelecimento das
medidas de controle
Para comear o primeiro princpio do Plano APPCC, tenha com voc o fluxograma do
produto ou do processo j validado. A identificao dos perigos feita em todas as etapas
do fluxograma, estar com ele em mos facilita a visualizao do processo como um todo
e evita o esquecimento de alguma etapa.
Na identificao dos perigos, importante que voc estude sua matria-prima e seus
ingredientes, alm de conhecer bem o que acontece em cada etapa do processo. Aqui
fundamental a multidisciplinaridade na equipe e a presena de pessoas que conheam
bem a rotina de produo.
Normalmente, esta a etapa mais demorada, demanda muito estudo, pesquisa em
livros e artigos cientficos e reviso de registros da empresa. Dedique bastante tempo
para esta etapa. Analise todas as possibilidades, todas as etapas e possveis variaes. No
deixe de analisar as etapas opcionais, aquelas que nem sempre acontecem no dia a dia
da empresa.
Mas, antes de falar da anlise de perigos, faa uma rpida reviso sobre os perigos
em alimentos.
Curiosidade
A Comisso do Codex Alimentarius define perigo como uma propriedade biolgica,
fsica ou qumica que pode tornar um alimento prejudicial para o consumo humano.
Segundo o ICMSF (1988), perigo uma contaminao inaceitvel, crescimento ou
sobrevivncia de bactrias em alimentos que possam afetar a segurana ou qualidade
(deteriorao), ou ainda a produo ou persistncia de substncias como toxinas,
enzimas ou produtos do metabolismo bacteriano em alimentos.
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aula 5
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aula 5
MICRORGANISMO
Shigella dysenteriae
Shigella flexneri
Vibrio cholerae
Salmonella Typhi
Espcies de Salmonella (no Typhi)
Escherichia coli (tipos patognicos)
Clostridium perfringens
Yersinia enterocolitica
101 - 104
102 109
103 109
104 109
105 1010
106 1010
108 109
109
Quadro 1: Resposta clnica de adultos a diferentes doses de desafio com patgenos entricos.
Fonte: Scott e Moberg (1995).
Curiosidade
Um levantamento realizado nos Estados Unidos, entre 1973 e 1987, mostrou que os
alimentos envolvidos com mais frequncia nos surtos de DTA so aqueles de origem
animal. Entre os surtos nos quais foi possvel identificar o agente causador, 48% estavam associados ao consumo de carne bovina, frango, ovos, carne suna, pescados,
moluscos, peru ou produtos lcteos (SCOTT; MOBERG, 1995).
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aula 5
Veja que no to simples adquirir uma DTA, pois so vrios fatores envolvidos e que precisam estar presentes para que o os sintomas se
manifestem.
Depois de identificar os perigos relacionados ao seu produto ou
processo, importante classific-los.
A primeira classificao quanto sua natureza, e podem ser perigos biolgicos, qumicos ou fsicos (GUIA, 1999). Veja alguns exemplos
de cada um.
Severidade:
O grau de dano ou
leso causado no
consumidor.
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aula 5
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aula 5
A anlise de perigos especfica para cada produto e linha de produo, e deve ser
atualizada sempre que houver modificaes nas matrias-primas usadas, na formulao,
na tcnica de preparo, nas condies de processo, no material de embalagem ou no uso
esperado para o produto (GUIA, 1999).
Dica
Alm de analisar todo o processo de fabricao do alimento, considere tambm as
matrias-primas e os ingredientes, assim como o tipo e a durao do armazenamento, o mtodo de distribuio e o uso esperado do produto final pelo consumidor.
Observe que para um mesmo tipo de produto, os perigos e seus riscos podem variar
devido a fatores como fontes diferentes de ingredientes e matria-prima, pequenas
variaes na formulao, tipo de equipamento usado, tempo de durao do processo
ou armazenamento, alm da experincia e conhecimento dos funcionrios da linha de
produo.
Para facilitar a compreenso da anlise de perigos, tome como exemplo a enterotoxina do Staphylococcus aureus. Uma circunstncia que resulta na presena desse perigo
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aula 5
Ateno
Para simplificar a anlise de perigos, a FAO (1998) sugere que o procedimento de
anlise de perigo seja dividido em cinco etapas que voc conhecer a seguir. Aplique-as de uma maneira lgica e em sequncia para evitar qualquer omisso.
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aula 5
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aula 5
Realizar medies
Pode ser necessrio realizar medies de parmetros de processo importantes para
confirmar as condies operacionais reais. Antes de medir, assegure que todos os dispositivos sejam precisos e foram corretamente calibrados.
Os exemplos seguintes referem-se a algumas das medidas que podem ser tomadas,
dependendo do produto ou do tipo de processo.
99 Medida de temperaturas de produto, considerando o processamento com calor
e operaes de resfriamento: mea no ponto mais frio do produto, ao avaliar o
processo de aquecimento, e no ponto mais morno, ao analisar o resfriamento (em
geral, no centro do maior pedao).
99 Medida de tempo/temperatura para cozimento, pasteurizao, resfriamento de
enlatados (taxas), armazenamento, descongelamento, reconstituio, etc.
99 Dimenso dos recipientes usados para conservar alimentos sendo resfriados e a
profundidade da massa de alimento.
99 Medida de presso, espao superior, ventilao, adequao do fechamento do recipiente, temperaturas iniciais e qualquer outro fator crtico ao xito de um processo
programado.
99 Medida do pH do produto durante o processamento, e, tambm, do produto acabado, medindo o pH temperatura ambiente, sempre que possvel.
99 Medida de Aw do produto, tomando amostras em duplicata, sempre que possvel, e
lembrando de fazer correes para temperatura ambiente, se necessrio.
Dica
Coleta de amostras, estudos de inoculao em produtos embalados e estudos de
desafio microbianos podem ser necessrios quando no h informaes disponveis
sobre perigos, para produtos novos ou para avaliar a vida de prateleira esperada.
Analisar as medidas
Um profissional qualificado, com conhecimento cientfico adequado, deve analisar as
medidas para interpretar corretamente os dados coletados. Alguns exemplos desta atividade so: plotar medidas de tempo/temperatura utilizando computador ou papel milimetrado; interpretar os dados controlados com as temperaturas timas de crescimento
de microrganismos e a variao de temperatura em que podem se multiplicar; estimar
e avaliar os provveis valores de resfriamento e comparar as temperaturas medidas com
o intervalo de crescimento timo das bactrias importantes para o produto e processo;
determinar se so usadas tampas nos recipientes para resfriar os alimentos (o que pode
retardar o resfriamento, mas tambm evitar a contaminao); verificar se os recipientes
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aula 5
Ateno
As medidas de controle so qualquer ao e atividade que possam ser utilizadas para
evitar ou eliminar um perigo segurana do alimento ou que possam reduzi-lo a um
nvel aceitvel (ABNT, 2006).
Mais que uma medida pode ser necessria para controlar um determinado perigo, e
mais que um perigo pode ser controlado por uma medida especfica. O mtodo de anlise de riscos pode ajudar a determinar o nvel de controle que deve ser implementado para
controlar um perigo.
Saiba mais
Voc sabia que os perigos biolgicos podem ser controlados por meio de diferentes
mtodos? As medidas podem considerar a destruio, a eliminao, a reduo significativa, o impedimento ou a diminuio do crescimento microbiano e da produo
de toxinas. O controle geralmente se d pelo processo trmico (aquecimento ou
cozimento), congelamento, desidratao, acidificao ou por meio de aditivos.
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aula 5
99 a adio de sal ou de outros conservantes, em nveis aceitveis, pode inibir o crescimento de microrganismos;
99 a desidratao, que pode usar calor suficiente para matar microrganismos ou remover
bastante gua do alimento para evitar que certos microrganismos cresam, mesmo
quando a desidratao feita em temperaturas mais baixas;
99 as caractersticas da embalagem (pode-se utilizar embalagem a vcuo, por exemplo,
para inibir microrganismos aerbios);
99 controle de fornecedores, isto , controlar a presena e nvel de microrganismos
obtendo ingredientes de fornecedores que possam demonstrar controle adequado
(por exemplo, fornecedores que seguem um programa APPCC);
99 limpeza e sanitizao, que podem eliminar ou reduzir os nveis de contaminao
microbiana;
99 comportamento e prticas higinicas, que podem reduzir os nveis de contaminao
microbiana.
Considerando os vrus como perigos para os alimentos, as medidas de controle
incluem:
99 processamento trmico mtodos de aquecimento ou cozimento, como cozinhar
ao vapor, fritar ou assar, que podem destruir muitos, mas no todos os vrus (o tipo
de vrus determina o controle adequado);
99 prticas pessoais higinicas inclusive a excluso de funcionrios com determinadas doenas virais, como a hepatite.
Para os parasitas (vermes e protozorios), as medidas de controle incluem:
99 controle alimentar a infestao por Trichinella spiralis em sunos, por exemplo,
diminuiu como resultado de um melhor controle ambiental e da alimentao dos
porcos. Porm, este mtodo nem sempre prtico para todas as espcies animais
produtoras de alimento. A dieta e o ambiente de pescados capturados, por exemplo, no podem ser controlados;
99 aquecimento, desidratao ou congelamento;
99 salga ou salmoura;
99 inspeo visual pode ser utilizada em alguns alimentos para descobrir parasitas
visveis a olho nu (por exemplo, em certos pescados);
99 boas prticas de higiene pessoal por manipuladores de alimentos, eliminao
adequada de fezes humanas e tratamento apropriado de esgoto.
O controle de perigos qumicos geralmente est baseado na preveno da contaminao e na deteco de matrias-primas contaminadas. A seguir, veja alguns exemplos de
medidas de controle para perigos qumicos:
57
aula 5
99 controle de fornecedores, isto , especificaes para as matrias-primas e ingredientes, e declarao do fornecedor atestando que substncias qumicas prejudiciais no
estejam presentes;
99 controle do processo, ou seja, controle de formulao, uso e controle adequados de
aditivos alimentares e sua quantidade;
99 separao adequada das substncias qumicas no comestveis durante armazenamento e manipulao;
99 controle de contaminao acidental por substncias qumicas (por exemplo, graxas,
lubrificantes, gua e substncias qumicas de tratamento a vapor, tintas);
99 controle de rotulagem, assegurando que o produto acabado seja etiquetado com
preciso, incluindo ingredientes e alrgenos conhecidos.
O controle de perigos fsicos baseia-se na preveno e na eliminao dos mesmos.
So os seguintes os exemplos de medidas de controle para perigos fsicos:
99 controle do fornecedor, por meio de especificaes para matrias-primas e ingredientes, e declarao do fornecedor atestando que perigos fsicos inaceitveis no
estejam presentes;
99 controle de processo, por exemplo, uso de ims, detectores de metal, peneiras,
decantadores, clarificadores, tneis de ar;
99 controle ambiental, assegurando que as Boas Prticas de Fabricao sejam cumpridas e que no ocorra contaminao fsica do alimento por meio do edifcio, das
instalaes, das superfcies de trabalho ou dos equipamentos;
99 manuteno preventiva dos equipamentos para processamento ou produo do
alimento.
2 Princpio
Identificar os Pontos Crticos de Controle (PCC) no
processo
O Ponto Crtico de Controle (PCC) definido como: uma etapa em que se
pode aplicar um controle e que seja essencial para evitar ou eliminar um perigo segurana do alimento ou para reduzi-lo a um nvel aceitvel (CODEX,
1997, p. 21).
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aula 5
Voc j deve ter se deparado ou algum dia ainda vai se deparar com situaes em
que um perigo identificado em uma etapa na qual necessrio o controle, mas no h
nenhuma medida de controle nesta ou em etapa posterior. O que fazer nesse caso?
O produto ou o processo deve ser modificado na etapa em questo ou em outra
anterior ou posterior, mas de modo que seja possvel a adoo de uma medida de controle para esse perigo.
Curiosidade
Mas como determinar se a etapa que controla um certo perigo ou no um PCC?
A determinao do PCC no Sistema APPCC pode ser facilitada pela aplicao de uma
rvore decisria, como aquela sugerida pelo Codex (2003), que faz uma abordagem de
raciocnio lgico. A aplicao da rvore decisria deve ser flexvel, de acordo com o tipo
de operao (produo, abate, processamento, armazenamento, distribuio ou outro).
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aula 5
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aula 5
Dica
Antes de determinar o PCC, faa uma reviso dos perigos identificados (biolgicos,
qumicos e fsicos) e verifique se algum deles est completamente controlado pela
aplicao dos pr-requisitos. As etapas que contenham perigos que no estejam
completamente controlados pelos pr-requisitos devem ser analisadas para determinar se so ou no um PCC.
Cada perigo e a etapa na qual foi identificado devem ser aplicados rvore decisria
(vista anteriormente). Agora, veja como interpretar cada uma das perguntas.
Questo 1: Existem medidas de controle?
A primeira questo deve ser aplicada como se voc estivesse perguntando se o operador poderia ou no usar uma medida de controle para essa operao, ou qualquer outra,
no estabelecimento de alimento para controlar o perigo identificado. As medidas de
controle podem incluir, por exemplo, o controle de temperatura, exame visual ou uso de
um detector de metal.
Se a resposta para a Questo 1 for sim, descreva as medidas de controle que o
operador poderia usar e siga para a Questo 2 na rvore decisria.
Se a resposta for no, ou seja, no existe uma medida de controle, indique como
o perigo identificado ser controlado antes ou depois do processo de fabricao (fora da
rea de controle do operador). Por exemplo, Salmonella em aves cruas controlada pelo
consumidor final. Se for um perigo significativo e que deva ser controlado, ser necessrio
que voc modifique a operao, o processo ou o produto de forma que exista uma medida de controle, e ento siga para o prximo perigo identificado no processo. Esta modificao pode ser uma mudana de fornecedor, a incluso de uma nova etapa no processo
para filtrao ou peneiramento, implantao de um dispositivo de detector de metal ou
outra medida aplicvel ao perigo em questo.
Questo 2: Esta etapa foi projetada especificamente para eliminar ou reduzir o
perigo a nveis aceitveis?
Os nveis aceitveis e inaceitveis precisam ser definidos dentro dos objetivos globais
ao identificar o PCC.
Se o processo ou operao for projetado com o propsito especfico de eliminar a
possvel ocorrncia do perigo ou reduzi-la a um nvel aceitvel, a etapa automaticamente
61
aula 5
se torna um PCC e deve ser identificado como tal. o caso dos detectores de metal, cuja
nica finalidade detectar os perigos metlicos que possam estar presentes no produto.
Se a etapa no for especificamente projetada, responda no e passe prxima
pergunta. Um exemplo a etapa de seleo de mas de acordo com o tamanho.
Questo 3: A contaminao com o perigo poderia ocorrer em nveis inaceitveis
ou o perigo poderia aumentar a nveis inaceitveis?
Em outras palavras, possvel que o perigo tenha impacto na segurana do produto?
A questo 3 se refere probabilidade de ocorrncia e gravidade dos sintomas. A resposta
um julgamento que envolve a anlise de risco, que deve estar baseada em toda a informao coletada.
Quando responder sim ou no, vale a pena que voc justifique sua resposta, ela
servir para referncia futura. Isso especialmente til quando estiver lidando com alguns
perigos que podem ser controversos.
Se a pesquisa nos arquivos de reclamao da empresa ou se a literatura cientfica
sugerir que a contaminao com o perigo identificado pode aumentar at um nvel inaceitvel e resultar em um perigo sade, responda sim e passe para a prxima pergunta
na rvore decisria.
Se a contaminao no representa uma ameaa significativa para a sade do consumidor ou no h possibilidade de ocorrer, responda no (no um PCC) e passe para
o prximo perigo identificado no processo. Veja um exemplo prtico dessa situao: a
etapa de pasteurizao de um leite fluido. Essa etapa sempre constituir um PCC, pois
no h etapa anterior ou posterior que reduzir os microrganismos patognicos a um nvel
aceitvel e, o item a ser controlado (tempo/temperatura) no faz parte do programa de
pr-requisitos. J uma etapa de envasamento do leite pasteurizado pode ser tratada como
um PC, o controle dessa etapa depende basicamente do Programa de Boas Prticas como
manuteno preventiva de equipamentos, higienizao e santificao adequada de equipamentos e ambiente, alm de treinamento de pessoal.
Questo 4: Existe uma etapa posterior que elimine os perigos ou reduza os
mesmos a nveis aceitveis?
O objetivo desta pergunta identificar os perigos que representam uma ameaa
sade humana ou que poderiam aumentar at um nvel inaceitvel, e que sero controlados por uma etapa subsequente no processo.
Se no h uma operao subsequente no processo para controlar o perigo, responda
no. Essa etapa do processo se torna um PCC e deve ser identificada como tal.
Se h alguma etapa posterior no processo que eliminar o perigo identificado ou o
reduzir a um nvel aceitvel, responda sim. Essa etapa no um PCC, e sim a etapa
subsequente onde este perigo controlado. Este pode ser o caso da etapa de pasteurizao num processo de leite UHT onde o leite pasteurizado e depois passa pelo processo
de UHT. A pasteurizao no ser PCC, mas a etapa de UHT sim.
62
aula 5
Identificao do PCC
Depois de estabelecido o Ponto Crtico de Controle, voc dar um nome a ele, ou
seja, precisa identific-lo.
Um PCC pode ser identificado conforme sua categoria em:
99 B, se for biolgico;
99 F, se for fsico; ou
99 Q, se for qumico.
Alm disso, voc pode numer-lo de acordo com a ordem em que aparece no fluxograma. Por exemplo, se o primeiro PCC identificado controlar um perigo biolgico,
registrado como PCC-1 (B). Se o segundo PCC identificado controlar um perigo qumico,
registrado como PCC-2 (Q). Se o quinto PCC controlar um perigo biolgico e um qumico, na mesma operao do processo, registrado como CCP-5 (BQ), e assim por diante.
Esse protocolo de identificao identifica os PCC sequencialmente, independente
da numerao da operao de processo, e para indicar prontamente ao usurio do Plano
APPCC que tipo de perigo precisa ser controlado em uma operao especfica do processo (FAO, 1998).
Alm disso, existem ainda os perigos identificados, mas que no so controlados pela
organizao fabricante de alimentos. Esses perigos devem ser reavaliados para confirmar
se realmente no podem ser controlados pela organizao. Confirmada essa situao,
necessrio identificar a medida de controle apropriada ou como esse perigo deve ser
tratado fora do processo de fabricao. Um bom exemplo para esta situao o perigo
da Salmonella em um abatedouro de frango. O controle ser realizado pelo consumidor
no preparo do alimento, fora das instalaes da organizao. Como exemplo de medida
de controle, pode-se usar o rtulo para transmitir orientaes sobre o modo adequado de
preparo para o consumidor.
Agora que os PCC foram estabelecidos sero trabalhados os princpios 3 ao 7 do
Sistema APPCC que se referem especificamente aos PCC. Esses princpios so chamados
de corao do APPCC. Veja, ento, o prximo princpio.
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aula 5
3 Princpio
Estabelecer os limites crticos para cada Ponto Crtico de Controle (PCC)
Ateno
Os limites crticos so os parmetros usados para separar, num processo, o que
aceitvel do que no aceitvel.
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aula 5
Ateno
No confunda limites operacionais com limites crticos.
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aula 5
Perigo
Bactrias
patognicas (no formadoras de
esporos)
Fragmentos de metal
CCP
Limite crtico
Pasteurizao
Detector de metais
Fragmentos de metais
maiores que 0,5 mm
Aw<0,85 para controlar o crescimento em produtos desidratados
Mximo de 200 ppm de
nitrito de sdio no produto
acabado
pH mximo de 4,6
para controlar Clostridium
botulinum em alimentos
acidificados
Rtulo legvel, com
a relao completa dos
ingredientes
Nvel mximo de 25
ppm de histamina na avaliao de atuma
Bactrias patognicas
Desidratao
Nitrito em excesso
Sala de cura/salmoura
Bactrias patognicas
Etapa de acidificao
Alrgenos alimentares
Rotulagem
Histamina
Recepo
Um fabricante pode observar previamente um possvel defeito, que se no for resolvido pode indicar a perda de controle, como um defeito do fogo, no mantendo a temperatura desejada de maneira constante. Observar uma tendncia prematura de perda de
controle com a ao imediata pode-se evitar o reprocessamento do produto, ou pior
ainda, a destruio do produto. Quando se excede o limite crtico, necessria uma ao
corretiva. Por isso, um processador pode escolher operar um PCC em um limite mais
conservador que o limite crtico. Os limites operacionais podem ser escolhidos por vrias
razes.
99 Para evitar que o limite crtico seja ultrapassado, um exemplo disto usar uma
temperatura de cozimento mais alta que o limite crtico como um ponto de alarme
para advertir o operador que a temperatura est se aproximando do limite crtico e
precisa de ajustes.
66
aula 5
99 Para aceitar a variabilidade normal, podemos ilustrar como exemplo, determinando a temperatura de um fogo com 2C de variabilidade, pelo menos 2C (35,6F)
acima do limite crtico para evitar que seja violado.
O processo pode precisar de ajustes quando o limite operacional for excedido. Tais
aes so chamadas ajustes de processo. Um processador deve usar esses ajustes para
evitar a perda de controle e a necessidade de descarte de produtos. A Tabela 2 mostra
alguns exemplos de limites crticos e de limites operacionais.
Processo
Acidificao
Desidratao
Envase a quente
Fatiamento
Limite crtico
pH 4,6
0,84 Aw
80C (176F)
2 cm
Limite operacional
pH 4,3
0,80 Aw
85C (185F)
2,5 cm
4 Princpio:
Monitoramento do PCC
Neste princpio voc deve estabelecer uma sistemtica de monitoramento para cada
Ponto Crtico de Controle determinado.
As diretrizes para aplicao do Sistema de Anlise de Perigos e Pontos Crticos de
Controle (APPCC) do Codex definem monitoramento como o ato de realizar uma seqncia planejada de observaes ou medidas de parmetros de controle para avaliar se um
CCP est sob controle.
Monitorar a medida programada ou observao de um PCC para determinar se os
limites crticos estabelecidos esto sendo respeitados. Os procedimentos de monitoramento devem detectar perda de controle de um PCC a tempo de evitar a produo de
alimento inseguro ou de interromp-la. Deve-se especificar, de modo completo, como,
quando e por quem ser executado o monitoramento.
O monitoramento tem como objetivos:
1) medir o nvel de desempenho da operao do Sistema no PCC (anlise de
tendncia);
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aula 5
Monitoramento:
uma ferramenta
usada para
confirmar se o
Plano APPCC est
sendo seguido. O
produtor ter meios
para demonstrar
que as condies
de produo esto
de acordo com o
Plano APPCC, se
necessrio.
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aula 5
importante ressaltar que as aes corretivas devem ser realizadas por colaboradores
capacitados e que quando necessrio tenham
autonomia para revisar os dados do monitoramento e avali-los. Assim como o colaborador responsvel pelo monitoramento, que
tambm deve ser devidamente treinado nos
procedimentos de monitoramento do PCC
do qual encarregado. Esses colaboradores
devem tambm compreender o propsito e
a importncia do monitoramento, ter acesso
rpido atividade, ser imparcial ao exercer sua
funo e registrar sua atividade com preciso. Tudo isto com o intuito de fornecer dados
reais e condizentes com o monitoramento do processo em questo, para que os limites
crticos no sejam ultrapassados.
Dica
Lembre-se: quando ocorrer um desvio, ou um limite crtico for ultrapassado, pode
sugerir que o alimento no est mais seguro.
Procedimentos de monitoramento
Os procedimentos de monitoramento determinam se as medidas de controle esto
sendo implementadas, alm de assegurar que os limites crticos no sejam ultrapassados.
As medidas de controle podem controlam um ou mais perigos em cada PCC.
necessrio que as especificaes de monitoramento sejam descritas para cada PCC
contendo as seguintes informaes:
1) O que ser monitorado?
2) Como sero monitorados os limites crticos e as medidas preventivas?
3) Qual ser a frequncia de monitoramento?
4) Quem ir monitorar?
1) O que ser monitorado?
Monitoramento pode significar o controle por meio de medida de uma caracterstica
do produto ou do processo para determinar o cumprimento de um limite crtico, como:
69
aula 5
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aula 5
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aula 5
O colaborador responsvel pelo monitoramento deve estar atento a todas as ocorrncias raras e aos desvios dos limites crticos, registr-los e relat-los imediatamente, para
assegurar que os ajustes de processo e as aes corretivas sejam realizados em tempo hbil.
Todos os resultados de monitoramento devem ser assinados pelo colaborador responsvel
pelos monitoramentos e, posteriormente assinado por um ou mais colaborador revisores
nomeado da empresa.
5 Princpio:
Aes corretivas
Neste princpio preciso estabelecer aes corretivas a serem tomadas quando o
monitoramento indicar que h desvio em um limite estabelecido.
Estabelecer aes corretivas
As Diretrizes para Aplicao do Sistema de Anlise de Perigo e Ponto Crtico de
Controle (CODEX, 1997, p. 21) definem ao corretiva como qualquer ao a ser tomada
quando os resultados do monitoramento do PCC indicarem uma perda de controle.
A perda de controle do processo considerada um desvio do limite crtico de um
PCC. Os procedimentos de desvio consistem em um conjunto de aes documentadas
e predeterminadas e que deve ser implementado em caso de desvio. Todos os desvios
podem e devem ser controlados aplicando aes para retomar o controle do produto que
no est de acordo e imediatamente corrigir a causa da no conformidade. O controle
do produto inclui identificao adequada, controle e eliminao do produto afetado. As
aes corretivas tomadas devem ser registradas e arquivadas pelo colaborador responsvel
pela ao.
Os PCCs podem ter mais de uma ao corretiva descrita, isso se deve ao fato da variedade de provveis desvios, por isso a importncia do monitoramento de rotina do PCC,
no qual por meio dele pode se detectar os desvios.
Todas as aes corretivas, bem como seus procedimentos de execuo, estabelecidas
para cada PCC, devem estar descritas de forma a ser aplicvel pelo colaborador responsvel pelo monitoramento sem dificuldades. importante revisar sempre o processo e
realizar ajustes e atualizaes quando necessrio. Todos os procedimentos para desvio de
cada PCC devem ser devidamente registrados, bem como suas revises e atualizaes.
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aula 5
Desvios
As Diretrizes para a Aplicao do Sistema APPCC (CODEX, 1997, p. 22) definem
desvio como falha em atender um limite crtico. Devem existir procedimentos para
identificar, isolar e avaliar os produtos quando se excede os limites crticos. Os procedimentos de desvio inadequados podem resultar em produtos inseguros e na eventual
repetio do desvio. O produtor deve controlar os desvios conforme relatado a seguir.
1) O produtor deve ter um sistema para identificar os desvios quando ocorrerem.
2) O produtor deveria ter procedimentos eficientes para isolar, identificar claramente e controlar todo o produto elaborado durante o perodo de desvio. Ou seja,
todo produto afetado, isto , que foi processado desde o ltimo ponto em que o
CCP estava sob controle deve ser isolado. O produto isolado deve ser marcado de
maneira ntida, como por exemplo, com etiquetas bem fixadas contendo algumas
informaes, como nmero de apreenso, produto, quantidade, data e motivo da
apreenso, o nome da pessoa que apreendeu o produto. O produtor deve manter
controle do produto desde a data da apreenso at a data da disposio final. Em
algumas linhas automatizadas, como UHT (Ultra High Temperature), o equipamento
programado para descartar o produto e iniciar o procedimento de limpeza CIP se
os limites crticos (tempo e temperatura) no forem cumpridos.
3) O produto deve ser avaliado por uma pessoa qualificada. Por exemplo, os desvios
de processo trmico devem ser avaliados por uma autoridade de processo competente ou por algum centro de referncia. A avaliao do produto afetado deve ser
adequada para descobrir os perigos potenciais, isto , deve assegurar que a amostragem seja apropriada para identificar a extenso do problema, assim como os testes
apropriados, que o julgamento baseie-se em cincia lgica, e que o produto no seja
liberado at que a avaliao determine a no existncia de perigo potencial. Ou seja,
em alguns casos, o reprocesso do produto pode resolver o problema. Em outras situaes, o produto pode ser usado em outro tipo de processo de produto, como por
exemplo, para alimentao animal ou, em ltimo caso, incinerado ou eliminado. A
disposio final ir depender do produto/processo e do nvel de desvio.
Procedimentos de ao corretiva
Como a principal razo para implementar o Sistema APPCC evitar problemas e
assegurar a inocuidade do produto, devem-se tomar as aes corretivas para evitar o
desvio de um PCC ou que um produto no seguro seja consumido. A ao corretiva deve
ser tomada imediatamente aps qualquer desvio para garantir a segurana do produto e
evitar nova ocorrncia do desvio.
Os procedimentos de ao corretiva so necessrios para determinar a causa do
problema, tomar aes para evitar nova ocorrncia e acompanhar o problema por meio
de monitoramento e reavaliaes que garantam uma ao eficaz. O desvio pode ocorrer
novamente se a ao corretiva no tratar sua causa.
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2) Leite
Antibiticos em leite cru recebido so detectados por
um teste rpido e o nvel detectado excede o limite crtico
estabelecido. O funcionrio da recepo de leite consulta
o procedimento de desvio.
O procedimento estabelece que o leite deve permanecer no caminho e no ser descarregado, e descreve a
ao de acompanhamento. O operador acompanhar o
fornecedor de leite envolvido.
Todas as aes corretivas so registradas.
3) Salsichas cozidas
As salsichas cozidas so fatiadas em um equipamento que no foi limpo com a frequncia especificada. O supervisor nota que o cortador tem excesso de produto acumulado
e acredita que as salsichas estejam sujeitas contaminao bacteriana excessiva.
O procedimento de desvio estabelece que o supervisor tem que reter todo o produto elaborado desde
a ltima limpeza total registrada. O produto retido
enviado para anlise microbiolgica e no liberado at que os resultados retornem do laboratrio. O
procedimento de desvio tambm estabelece que o
empregado responsvel pela limpeza do equipamento
seja questionado sobre o motivo do desvio do procedimento especificado e deve ser treinado novamente,
se necessrio.
Ateno
Nesta aula voc teve a oportunidade de estudar o 5 princpio do Sistema APPCC.
Ainda faltam dois princpios que voc conhecer a seguir. Vamos continuar juntos?
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aula 5
6 Princpio
Verificao
Para este princpio preciso estabelecer procedimentos para a verificao do funcionamento correto do Sistema APPCC.
As diretrizes do Codex (1997, p. 22) definem verificao como a aplicao de mtodos, procedimentos, testes e outras avaliaes, alm do monitoramento, para determinar
o cumprimento do Plano APPCC. Verificao e mtodos de auditoria, procedimentos
e testes, inclusive amostras aleatrias e anlises, podem ser usados para determinar se o
Sistema APPCC est trabalhando corretamente.
Em um Plano APPCC, no basta a perfeita descrio do processo, bem como a contemplao de todos os itens necessrios exigidos pelas legislaes brasileiras para garantir a
eficincia do mesmo. Os procedimentos de verificao so necessrios para avaliar a
eficincia do Plano e confirmar se o Sistema APPCC atende ao Plano. A verificao permite ainda avaliar se o controle est sendo suficiente para evitar todas as possibilidades de
desvio.
A verificao deve ser feita por indivduos qualificados, capazes de detectar as deficincias no Plano ou em sua implementao. A verificao deve ser feita na concluso do
estudo de APPCC; sempre que houver uma mudana de produto, ingrediente, processo, etc.; quando ocorrer um desvio; no caso de perigos recentemente identificados; e a
intervalos predeterminados regulares. As atividades de monitoramento de rotina para os
limites crticos no devem ser confundidas com mtodos, procedimentos ou atividades
de verificao.
Quem pode realizar uma verificao:
99 funcionrios da planta;
99 pessoal externo;
99 organizaes governamentais;
99 servio de inspeo;
99 organizaes privadas;
99 laboratrios de controle de qualidade;
99 associaes de comerciantes;
99 associaes de consumidores;
99 compradores;
99 autoridade de um pas importador;
99 equipe APPCC.
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99 calibrao de equipamento;
99 coleta e anlise de amostras.
Ateno
Agora vamos falar um pouco sobre a validao do Plano APPCC.
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aula 5
necessrias. Exemplos desses fatores podem ser: mudanas nas matrias-primas, produto
ou processo; resultados adversos de auditoria; ocorrncia peridica de desvios; novas
informaes cientficas sobre perigos potenciais ou medidas de controle; e reclamaes
do consumidor e/ou rejeio do produto pelos clientes.
Auditoria do Sistema APPCC
Segundo Rippol, Costa Jr. e Avdalov (2000), a auditoria do Sistema APPCC serve para
avaliar se os resultados obtidos correspondem ao Plano que est sendo aplicado, respondendo assim aos seus objetivos.
Auditoria no deixa de ser uma verificao, e verificar significa certificar-se da verdade de acordo com algo preestabelecido, ou seja, as auditorias, como parte da verificao,
so realizadas para comparar as prticas reais e os procedimentos do Sistema APPCC com
aqueles escritos no Plano APPCC.
Auditorias so avaliaes sistemticas e independentes que compreendem observaes no local, entrevistas e reviso de registros para determinar se os procedimentos e as
atividades declarados no Plano APPCC esto implementados no Sistema APPCC. Essas
avaliaes so geralmente executadas por uma ou mais pessoas independentes, que no
esto envolvidas na implementao do Sistema APPCC, e podem feitas para cada PCC e/
ou para o Plano como um todo.
A observao no local pode incluir, por exemplo, inspeo visual para assegurar
que:
99 a descrio de produto e o fluxograma sejam precisos;
99 o monitoramento exigido pelo Plano APPCC para um PCC seja executado;
99 os processos estejam operando dentro de limites crticos estabelecidos;
99 os registros sejam preenchidos com preciso e no momento em que as observaes
sejam feitas;
Os registros a serem revisados durante uma auditoria do Plano APPCC incluem, por
exemplo, aqueles que demonstram que:
99 as atividades de monitoramento foram realizadas nos locais e frequncias especificadas no Plano APPCC;
99 os produtos afetados foram controlados e as aes corretivas foram tomadas sempre
que o monitoramento indicou a ocorrncia de um desvio dos limites crticos;
99 os equipamentos foram calibrados com a frequncia especificada no Plano APPCC.
As auditorias devem ocorrer com frequncia suficiente para garantir que o Plano
APPCC seja cumprido continuamente. Esta frequncia depende de vrias condies,
como a variabilidade do processo e do produto.
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Dica
Lembre-se: a verificao nem sempre uma auditoria, mas uma auditoria sempre
uma verificao.
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aula 5
INSPEO TRADICIONAL
AUDITORIA
Calibrao
A calibrao consiste na comparao de instrumentos ou equipamentos com um
padro de preciso garantida. A calibrao deve ser documentada e os registros devem
estar disponveis para reviso durante verificao. Esses registros de comprovao de calibrao so solicitados em auditorias.
A calibrao de equipamentos e instrumentos apropriados usados no desenvolvimento e na implementao do Plano APPCC deve ser realizada durante o monitoramento e/
ou verificao:
99 com uma frequncia suficiente para assegurar preciso contnua;
99 de acordo com procedimentos estabelecidos no Plano APPCC (que pode basear-se
no instrumento ou em especificaes do fabricante do equipamento);
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aula 5
Dica
importante realizar uma calibrao anual por equipamento/instrumento de medio, ou se houver muita variao dos resultados monitorados.
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aula 5
Ateno
Os limites estabelecidos para verificao podem ser diferentes dos limites estabelecidos para o monitoramento do PCC, levando em considerao que uma na verificao o que est sendo avaliado o produto final e no o processo.
Frequncia de verificao
A frequncia de verificao deve ser estabelecida previamente no Plano APPCC, ou
ainda ocorrer de acordo com a necessidade, em casos em que a inocuidade do alimento
possa estar comprometida ou ser afetada. Esses indcios incluem:
99 observaes na linha de produo de que o PCC no esteja operando dentro dos
limites crticos;
99 revises de registros que indicam um monitoramento incompatvel;
99 revises de registros que indicam que os PCC operam repetidamente fora de limites
crticos;
99 reclamaes de consumidores ou rejeio do produto por clientes;
99 novos dados cientficos.
A frequncia das atividades de verificao pode mudar com o passar do tempo. Um
histrico de atividades de verificao que indique que o processo est constantemente
sob controle pode justificar uma reduo segura da frequncia dessas atividades.
Registros de verificao
As atividades de verificao devem ser documentadas no Plano APPCC. Tais registros
devem conter todos os resultados de todas as atividades, incluindo mtodos, data, organizao e/ou indivduos responsveis, resultados ou achados e aes tomadas.
Os procedimentos de verificao para o Plano APPCC devem ser documentados no
prprio Plano.
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aula 5
Verificao regulamentar
A verificao faz parte da rotina das fiscalizaes regularmente programadas por
autoridades e geralmente os motivos para essas verificaes so, entre outros, exigncia
de proteo de consumidor por parte dos governos, apoio indstrias de alimento (particularmente pequenas e mdias empresas) e assistncia s indstrias que buscam oportunidades de comrcio onde se exige uma certificao.
O fiscal dessa verificao deve registrar a existncia e a implementao do Plano
APPCC. A verificao regulamentar tambm deve abordar a reviso e/ou a auditoria do
cumprimento do Sistema APPCC do produtor ao seu Plano APPCC. O fiscal deve enfocar
especialmente os seguintes pontos:
99 reviso da anlise de perigo;
99 reviso do PCC determinado;
99 verificao dos limites crticos, se baseados em dados cientficos e satisfazendo as
exigncias legais;
99 reviso de desvios e procedimentos de ao corretiva;
99 reviso dos procedimentos de verificao;
99 reviso de registros, para verificar se o Plano APPCC est sendo sempre efetivamente
cumprido;
99 verificao da preciso dos equipamentos de monitoramento do PCC.
Em caso de surtos de doenas ou de reclamaes de consumidores, a verificao
oficial tambm pode ser usada para testar o Plano APPCC. Para esses casos, a verificao
inclui a reviso dos registros da empresa referentes reclamao de consumidores. Inovaes tecnolgicas ou um pedido de consultoria pela indstria tambm podem resultar em
verificao por rgos oficiais.
Sempre que as verificaes oficiais indicarem deficincias ou falhas no Plano APPCC
ou no Sistema APPCC implementado que podem acarretar em perigo sade pela ingesto do alimento, as aes corretivas devem ser aplicadas imediatamente. Em alguns pases,
o lote s sai da indstria depois de verificado e, em alguns casos, o produtor que assina
o registro de verificao. Assim, o produtor assume a responsabilidade pela segurana
daquele lote. Mas no necessariamente deve ser assinado pelo produtor, outra pessoa
tambm pode assumir essa responsabilidade, desde que tenha poder para tal.
Ateno
Aqui finalizamos o penltimo princpio do Sistema APPCC. A seguir, voc estudar
o princpio que trata sobre os registros do Sistema APPCC. Falta pouco para voc
encerrar o curso, por isso, siga firme!
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aula 5
7 Princpio:
Documentao e manuteno de registros
Neste princpio preciso estabelecer procedimentos eficientes de
manuteno de registros que documentam o Sistema APPCC.
Perceba que o registro mostra o histrico do processo, o monitoramento, os desvios e as aes corretivas (inclusive descarte de produto)
aplicadas ao PCC identificado. Os registros podem ter diversos formatos,
como um quadro de processamento, um registro escrito ou eletrnico. A
importncia de registros para o Sistema de APPCC imprescindvel para
que o produtor mantenha registros completos, atualizados, corretamente
arquivados e precisos.
Registros:
Os registros so
provas escritas que
documentam um
ato. So essenciais
para revisar a
adequao do Plano
APPCC e a adeso
do Sistema APPCC
ao Plano.
Quatro tipos de registros devem ser mantidos como parte do programa APPCC:
99 documentao de apoio para o desenvolvimento do Plano APPCC;
99 registros gerados pelo Sistema APPCC;
99 documentao de mtodos e procedimentos usados;
99 registros de programas de treinamento dos funcionrios.
As revises de registro devem ser realizadas na empresa por colaboradores qualificados ou por especialistas em APPCC, como consultores externos, para assegurar o
cumprimento rgido dos critrios estabelecidos para os PCC. Uma reviso cuidadosa dos
documentos e registros mantidos uma ferramenta muito importante na indicao de
possveis problemas, permitindo que sejam tomadas aes corretivas antes que ocorra um
problema de sade pblica. sempre bom manter uma frequncia de reviso j preestabelecida, conforme j conversamos sobre isso.
As razes para se manter os registros de APPCC esto associadas evidncia de
segurana do produto relativa aos procedimentos e processos, e facilidade para rastrear
o produto e revisar os registros. Portanto, eles devem ser mantidos pelo menos por um
ano.
Certamente ficou evidente para voc que os registros bem arquivados so uma prova
incontestvel de que os procedimentos e processos esto sendo cumpridos de acordo
com as exigncias do APPCC. O cumprimento dos limites crticos especficos estabelecidos para cada PCC a melhor garantia de segurana de produto.
Em casos de auditoria oficial de conformidade, os registros da empresa podem fornecer informaes importantes para a reviso de dados, que acabam facilitando o trabalho
do avaliador na tentativa de averiguar a eficcia dos processos e procedimentos usados na
instalao em questo.
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aula 5
Ateno
Para garantir a segurana do produto e documentar os processos e procedimentos, os
registros de APPCC devem conter as seguintes informaes:
99 ttulo e data do registro;
99 identificao do produto (cdigo, inclusive dia e hora);
99 produtos e equipamento usados;
99 operaes realizadas;
99 critrios e limites crticos;
99 ao corretiva tomada e por quem;
99 identificao do operador;
99 dados (apresentados de forma ordenada);
99 a rubrica do revisor e a data de reviso.
Documentos de apoio
Os documentos de apoio do Plano APPCC incluem informaes e dados usados para
estabelecer o Plano APPCC, como a anlise de perigos e os registros que documentam
a base cientfica utilizada para determinar o PCC e os limites crticos. Alguns exemplos
desses documentos so:
99 dados usados para estabelecer as medidas de controle de modo a evitar o crescimento microbiolgico;
99 dados usados para definir a vida til do produto (se a validade do produto pode
afetar a segurana);
99 dados usados para estabelecer a adequao dos limites crticos para garantir a segurana do produto.
Os documentos de apoio do Plano APPCC tambm devem incluir uma lista dos
membros da equipe APPCC e suas responsabilidades, e todos os formulrios produzidos
durante a elaborao do Plano APPCC, mostrando:
99 descrio do produto e uso esperado;
99 fluxograma;
99 anlise de perigos;
99 identificao dos PCC;
99 identificao dos limites crticos para cada PCC, inclusive dados de estudos experimentais ou informao de apoio coletada para os limites crticos;
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aula 5
89
aula 5
Ateno
Agora que finalizamos o contedo, j podemos lhe considerar um expert em Sistema APPCC. Claro que importante praticar bastante para que cada vez mais voc
entenda a dinmica do APPCC. Mesmo assim, voc se apresentou muito bem na
dedicao aos estudos!
90
final
Relembrando
Finalizamos o nosso curso sobre Anlise de Perigos e Pontos Crticos de Controle. Esperamos que voc tenha ampliado o seu conhecimento sobre o assunto. Vamos
agora fazer um passeio pelas aulas e relembrar os assuntos estudados!
Na primeira aula, voc revisou o Sistema de Anlise de Perigos e Pontos Crticos de Controle, o famoso APPCC. Pde ver como est sendo tratada a questo de
segurana de alimentos no Brasil e no mundo. Alm de relembrar alguns conceitos
importantes como: doenas transmitidas por alimento (DTA), surto de DTA, infeces transmitidas por alimentos, toxi-infeces causadas por alimentos, intoxicaes causadas por alimentos, entre outros conceitos.
Segunda aula! Conhecemos um pouco da histria do APPCC, suas aplicaes e
vantagens de implantao. Vimos o quanto o APPCC importante para os empresrios, consumidores e tambm para o governo. E com isso buscamos as legislaes
referentes ao Sistema APPCC que so empregadas no Brasil.
A nossa terceira aula nos fez relembrar os pr-requisitos para implantao do
Sistema APPCC, que so as Boas Prticas de Fabricao e os Procedimentos Padro
de Higiene Operacional, tambm conhecidos por Procedimentos Operacionais
Padro, dependendo do tipo de produto. Estudamos a necessidade e a importncia
da implantao desses pr-requisitos antes da implantao do Sistema APPCC.
Na quarta aula conhecemos as etapas preliminares implantao do Sistema
APPCC, de acordo com o Codex Alimentarius, tais como a montagem da equipe
de APPCC, a descrio do alimento, a elaborao de fluxograma, entre outras no
menos importantes. Assim como os pr-requisitos para a implantao do Sistema
APPCC, essas etapas so importantes e devem ser cumpridas antes da implantao
do Sistema APPCC, pois faro uma diferena significativa no resultado final.
Finalmente chegamos nossa quinta aula, ou seja, aos princpios do Sistema
APPCC. Nessa aula pudemos fazer a compilao de tudo o que aprendemos nas
aulas anteriores, ou seja, o programa de pr-requisitos, o cumprimento das etapas
prvias e os princpios, que compem o Plano e o Sistema APPCC. Recordamos
alguns perigos em alimentos e a importncia de serem controlados, registrados e
verificados. E com o conhecimento adquirido atravs dos sete princpios do Sistema
APPCC, conseguimos entender as suas metodologias de implantao por meio de
alguns exemplos prticos.
91
final
Agora que voc j sabe bastante sobre o Sistema APPCC, aproveite para aplic-lo no
seu local de trabalho, considerando tudo que voc aprendeu!
Saiba mais
Para aprimorar seus estudos, foram selecionados alguns materiais de apoios aos contedos das aulas. Basta acessar as seguintes pginas na internet para tomar conhecimento
dos mesmos. Acesse!
99 Biografia de William Edward Deming: <http://www.pucrs.br/famat/statweb/historia/
daestatistica/biografias/Deming.htm>.
99 Ciclo PDCA:
htm>.
<http://paginas.terra.com.br/negocios/processos2002/ciclo_pdca.
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final
Minicurrculo das autoras
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final
SIMONE MORAES RASZL mdica veterinria formada pela Faculdade de Medicina
Veterinria da Universidade Federal de Uberlndia (UFU), mestra em Cincia de Alimentos pela Universidad Autnoma de Barcelona, Espanha (UAB).
Lead Assessor na ISO 9001. consultora e multiplicadora do Programa Alimentos
Seguros (PAS) Setor Indstria.
Atua como instrutora e consultora do SENAI/Florianpolis para implantao de Sistemas de Gesto para a Segurana de Alimentos e de Sistemas de Gesto da Qualidade.
Coordena o curso de Ps-Graduao MBA em Gesto para Segurana de Alimentos a
distncia. auditoria de Sistemas de Gesto de Segurana de Alimentos (certificaes
ISO, OCP SENAI/SC e programa FPA SAFE). Trabalhou como consultora da Organizao
Pan-Americana da Sade (OPAS). Organizou o livro Enfermidades transmissveis: situaes
emergentes e questes tericas, publicado em 1999, pela editora Grifos, autora do captulo Alimentos, no livro O Brasil e a OMC: os interesses brasileiros e as futuras negociaes
multilaterais, publicado pela editora Diploma Legal, em 2000. autora do livro HACCP:
Ferramenta essencial para a inocuidade de alimentos, publicado pela OPAS em 2001 em
portugus, espanhol e ingls. Tambm elaborou o material didtico padro adotado pela
OPAS nos cursos de capacitao em Boas Prticas de Fabricao e Anlise de Perigos e
Pontos Crticos de Controle, incluindo o roteiro do vdeo usado nos treinamentos. Possui
vrios artigos publicados no Brasil, na Europa e na Amrica Latina.
Autora do livro Auditoria e Certificao de Sistemas de Gesto de Segurana de Alimentos, publicado em 2008 pelo SENAI, e autora do livro Sistema de Qualidade em Segurana
de Alimentos: ABNT NBR ISO 22000:2006, Eurepgap e BRC, publicado em 2007 pelo
SENAI.
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referncias
ASSOCIAO BRASILEIRA DE NORMAS TCNICAS. NBR ISO 22000: sistemas de gesto
da segurana de alimentos: requisitos para qualquer organizao na cadeia produtiva de
alimentos. Rio de Janeiro: ABNT, 2006.
BRASIL. Lei n. 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispe sobre a proteo do consumidor e d outras providncias. Dirio Oficial [da] Repblica Federativa do Brasil, Poder
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das boas prticas para industrializao e comercializao de gua mineral natural e de
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(PPHO) e do Sistema de Anlise de Risco e Controle de Pontos Crticos (ARCPC) em
estabelecimentos envolvidos com o comrcio internacional de carnes e produtos crneos,
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System and Guidelines for its Application, Annex to CAC/RCP 1-1969, Rev.4- 2003
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MEIRELLES, H. L. Direito administrativo brasileiro. 27. ed. So Paulo: Malheiros,
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