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Democratização e Desafios em Moçambique

1) A democracia surgiu na Grécia antiga mas excluía escravos e mulheres, enquanto a moderna se baseia em igualdade, justiça e liberdade. 2) Moçambique segue um modelo democrático ocidental mas tem problemas de consolidação como elite desconectada e falta de alternância no poder. 3) Há três cenários possíveis para Moçambique: democratização incremental, regime autocrático ou estagnação num regime de partido dominante.

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1) A democracia surgiu na Grécia antiga mas excluía escravos e mulheres, enquanto a moderna se baseia em igualdade, justiça e liberdade. 2) Moçambique segue um modelo democrático ocidental mas tem problemas de consolidação como elite desconectada e falta de alternância no poder. 3) Há três cenários possíveis para Moçambique: democratização incremental, regime autocrático ou estagnação num regime de partido dominante.

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Democracia Democracia, palavra que provem do grego, como governo do povo, traduzindo-se, na pratica, como liberdade de expresso, igualdade

perante a lei e respeito (estas que so algumas condies para que haja democracia num Estado de direito). Porem, a democracia grega exclua os escravos e as mulheres, estes que no eram considerados como cidados. Na dimenso universal, a democracia passou a ser percebida como governo da maioria, baseado nos princpios de igualdade, justia social, liberdade, tolerncia e equidade (Abuya 2002:316). Esta dimenso que vai configurar o Estado de direito, de tal maneira que no basta reconhecer e respeitar esses princpios; necessrio, que eles sejam protegidos e assegurados pelo Estado e por outras instituies de governao. (Nzomo 1993). Dahl, como politlogo entende a democracia como, processo de governao. Ele identifica alguns critrios, refere-se as vantagens da democracia poliarquica e aponta as instituies politicas identificadoras dum Estado democrtico e duma sociedade governada

democraticamente. Os 5 critrios so: participao efectiva, igualdade de voto, obteno de informao esclarecida, exerccio do controle final sobre a agenda e a incluso dos adultos. Define assim a democracia real, de tal maneira que a violao de um dos critrios faz com que os membros deixem de ser politicamente iguais na sociedade. Numa ptica moambicana a democracia, uma capacidade e oportunidade de convivncia social-politica-economica, na diversidade de ideias, opinies e culturas, para a realizao de um desenvolvimento real, em cada tempo e lugar (Mazula 1995: 73). Processos de democratizao em Moambique A vida poltica moambicana fundamentalmente caracterizada por uma tensa e ntre a democratizao e gesto de conflitos. Esta democratizao que baseada em instituies e procedimentos formais, tal como as eleies. A histria impe uma necessidade continua de gesto de conflitos, baseada na construo informal. Esta tenso fundamental torna-se notria durante os processos eleitorais.

Numa perspectiva comparativa internacional, Moambique insere-se no que geralmente caracterizado como a terceira onda de democracia ( Huntington 1991). Elaborou-se um paradigma de transio para a democratizao, em parte com base na experiencia, mas particularmente com base nas expectativas gerais. Este paradigma indica duma forma geral que a transio de uma forma autocrtica de governao para a democracia atravessa trs fases: abertura, catalizao e consolidao. Em Moambique estas duas primeiras fases coincidiram com o processo de paz, e podemos considerar como a fase da abertura a aprovao de uma nova constituio (1990) e as negociaes de paz. A implementao do Acordo Geral de Paz e as primeiras eleies multipartidrias constituem, de acordo com a lgica de transio, a fase de catalizaao. O que restava era a consolidao da jovem democracia. Esta fase que no foi efectuada criando um fenmeno chamado sindromas politicas. Sindromas politicas que manifesta-se por um lado, em um certo pluralismo incipiente onde existe uma certa regularidade das eleies, existe uma certa alternncia, mas a participao popular apenas restrita aos momentos eleitorais e muitas vezes temos elites corruptas. Por outro, manifestam-se em poltica de poder dominante em que h eleies regulares uma certa institucionalidade, mas as instituies ainda no so muito fortes e muitas vezes temos um grupo que est no poder de forma indefinida e cria certos vcios das prprias instituies e no Estado. Em Moambique temos o caso do partido dominante e no temos alternncia politica, e onde no rege um multipartidarismo perfeito. Moambique tinha sido at ento um exemplo de transio democrtica, nos princpios de 1995, a comunidade internacional, que desempenhou um papel fundamental para concluso prspera das primeiras duas fases, fez, em colaborao com o governo, uma avaliao de reas de prioridade de democratizao. As prioridades identificadas eram: o parlamento, eleies, o sector da justia, a polcia e a identificao civil. Numa fase posterior acrescentouse a media. Moambique seguiu o modelo da democracia liberal do ocidente, seguiu o modelo durante o processo de paz, de uma maneira exemplar que pas quase ficou identificado com isso. O processo de democratizao em Moambique teve problemas na fase de consolidao como referido, estes problemas surgem tanto internamente com externamente. Internamente, a Renamo boicotou as eleies locais e rejeitou os resultados das segundas eleies gerais.

Para estes a pratica parlamentar no era democrtica, mas estava sujeita ditadura da maioria. Os acadmicos lamentam a ausncia de dialogo aberto, no s entre as forcas politicas mas tambm entre governantes e governados, alguns medias acusam a elite politica de administrar negcios pblicos de um modo neopatrimonial ou ate mesmo de uma maneira expressamente corrupta ( Mazula 2000: 231). Externamente, varias teorias da falha da democracia em Moambique tambm surgiram, Alden culpa a comunidade internacional por falta de um compromisso substancial, afirma que o facto de os doadores trocarem a sua influencia por uma identificao com o sucesso moambicano, isto , o desejo do doador pelo sucesso pelo sucesso colocou-o cada vez mais numa posio de cativo das exigncias da situao moambicana ( Alden 2001: 110). Para Weinstein, a ateno dada pelos doadores a processos eleitorais e capacitao institucional desviou a ateno das fraquezas estruturais do sistema poltico que surgiu do Acordo Geral de Paz de 1992 (Weinstein 2002: 155). Ostheimer, clama que Moambique se arrisca a ficar entrincheirado num minimalismo democrtico, notando pouco progresso em termos de democratizao desde 1995. Desta forma, Moambique j se encontra fora daquilo que so os processos para formao de Estado de direito democrtico, formando uma sociedade onde as pessoas no tem fe, ou no acreditam na dita separao de poderes vendo os todos como o de uma pessoa. Onde a relao governados e governantes esta cada vez mas deficitria, e no h uma sociedade civil forte e apartidria. Parece ser um sistema novo que se exprime em dois tipos de regimes: O pluralismo dbil neste a alternao de poder sem distrbios possvel, mas a elite poltica est completamente desligada do cidado. E a de politica do poder dominante neste um partido consegue ficar no poder mesmo depois da introduo de eleies multipartidrias e a linha de separao Estado e o partido difusa, para Carothers, estes sistemas so direces alternativas e no estgios no caminho para a democracia liberal, pelo que no podem ser classificadas como um ou outro tipo de democracia. Carothers indica trs razoes para que o resultado da transio tenha sido diferente do esperado. Primeiro, porque h uma discrepncia entre a democracia e desenvolvimento scioeconmico, isto , em Moambique no havia riquezas para serem distribudas. Em segundo lugar, porque o desafio da construo do Estado foi frequentemente sub-estimado. Isto em

relao no so construo de instituies e de capacidade, mas tambm ao facto obvio de o interesse fundamental dos detm o poder ser contrario aos requisitos de construo de uma democracia. Por ultimo, a terceira causa a no existncia de experiencia democrtica previa. Formando-se assim um multipartidarismo de partido dominante, onde este pode ate ter o controlo da comisso de eleies. O que no traz credibilidade as eleies dum Estado de direito que se pretende construir. Pode- se obter tres cenarios contudo: Cenrio 1: Democratizao Incremental neste h uma evoluo lenta e incremental para a democracia atravs da resoluo pacfica e inclusiva de conflitos, neste cenrio podemos ver alternaes do poder, um crescimento econmico alto e quase permanente, progresso exponencial da capacidade das instituies do Estado e uma diversificao do poder (Mazula2002: 243). Cenrio 2: Regime Autocrtico uma segunda possibilidade a evoluo para um regime autocrtico, isto acontece quando a oposio se dissolve em faces relativamente insignificantes, quando a convico democrtica dos protagonistas polticos de fundo uma preferncia falsa. Cenrio 3: Estagnao ou fortalecimento de um regime de poder dominante- neste cenrio temos uma oposio bem visvel e processos eleitorais aceitveis mas no completamente aceitveis. O desenvolvimento institucional est sujeito perpetuidade das relaes neopatrimoniais que no permitem as reformas necessrias para chegar a uma maior eficincia. Este acaba sendo um regime pragmtico em que os governantes ou o partido dominante capaz de fazer compromissos desde que isso parea ser melhor estratgia para continuar no poder.

Multipartidarismo
Segundo Sartori, multipartidarismo um sistema partidrio pulverizado no consolidado, em que nenhum dos partidos consegue conquistar percentagens consistentes de votas e onde nenhum deles d mostras de poder perdurar e crescer com o decurso do tempo.

O multipartidarismo divide-se em duas partes: sistema multipartidrio perfeito e sistema multipartidrio imperfeito. Sistema multipartidrio perfeito Neste h uma total disperso nos planos eleitoral e parlamentar, impossibilitando-se, assim, a formao de qualquer maioria sem que haja o recurso a uma coligao constituda, no por dois partidos mas por vrios. Este que foi usado na Holanda, Sua, Finlndia. Sistema multipartidrio imperfeito ou de Partido Dominante No sistema multipartidrio imperfeito ou de partido dominante, coexistem vrios partidos com forma eleitoral aproximada. Toda via, um deles salienta-se, com cerca de 35% da representao eleitoral, aproximadamente da maioria parlamentar, o que permite a formao de governos monopartidrios ou coligao assimtrica com clara preponderncia do partido dominante. Temos como exemplo Moambique, onde a Frelimo tem a maioria parlamentar. Neste sistema o partido politico confundido com om Governo, coexistem outros partidos politicos mas estes sao fracos, ineficazes devido talvez a diferentes formas de corrupcao, lies institucionais que intencionalmente prejudicam a capacidade de uma oposicao eficaz prosperar. Surgimento do multipartidarismo como processo de democratizao em Moambique O sistema multipartidrio em Moambique surge aps a guerra civil entre a Frelimo e a Renamo, onde a Renamo ainda era vista como movimento guerrilheiro e a Frelimo como libertadora da ptria. A guerra civil comeou em 1976 e terminou em 1992. Moambique estava j desestabilizada pois, sai da guerra de libertao, mas aps a independncia a situao no melhorou, pois, guerra de desestabilizao juntou-se aos problemas das calamidades, mergulhando Moambique numa crise sem precedentes. Aps 16 anos de intenso sofrimento, a guerra de desestabilizao termina em 1992. Com a assinatura dos acordos gerais de paz em, 4 de Outubro de 1992em Roma. Haviam vrias clausulas mas destacam-se os seguintes pontos: A frelimo tinha de reconhecer a existncia da Renamo como partido politico e no como movimento guerrilheiro como vinha sendo;

Desmobilizar os militares e organizar as primeiras eleies livres sob a superviso das Naes Unidas.

Mas antes o governo j tentava tomar medidas, aprovando uma constituicao em 1990, que consagrava o principio da liberdade de associacao e organizacao politica dos cidados num sistema multipartidrio, o principio da separacao de poderes (legislativo, executivo e judicirio). Reinando assim em Moambique uma democracia liberal, esta democracia que foi uma nova experiencia para os moambicanos. O multipartidarismo vem acompanhando a democracia, esta que veio ser implantada em Moambique com um erro num dos processos na democratizacao de Moambique.

Nao alternancia do poder em Moambique


Os estudos acima feitos revelam que nao ha uma democracia em mocambique pois, esta pressupoe a uma alternacia do poder politico, que esta monopolizado pelo partido dominante. Possveis fatores que influenciam a No Alternncia do Poder em Moambique sao: 1. A existncia de Partidos histricos: aqueles que lutaram pela independncia do pas enquanto este estava sob jugo colonial e so tidos pelo povo como heris. O povo perante estes partidos tem um sentimento de admirao e de divida e os v como melhores para o representar. No caso de Moambique, o movimento que lutou pela independncia, foi a Frelimo (resultado da unio dos movimentos MANU, UNAMO e UDENAMO) e alguma parte dos eleitores v neste partido a melhor representao dos seus interesses e desejos para o futuro. 2. A absteno ao voto: certo nmero de eleitores, mesmo atingindo a idade eleitoral e gozando de todos outros requisitos necessrios para se apresentar a mesa de votos, no o faz. Muitas das vezes esse nmero alega j prever os resultados das eleies e acredita que a realizao deste direito no alterara o resultado. 3. A ausncia da conscincia eleitoral: os indivduos com idade eleitoral no possuem conscincia eleitoral e possuem vrios conhecimentos sobre os benefcios que advm das eleies, o que leva a ausncia s votaes.

Eleitores, na voz de Dom Alexandre, crem que a alternncia do poder em Moambique apenas ser possvel com a cooperao e boa relao entre os partidos polticos, existncia de eleies livres, justas e a no sabotagem da campanha eleitoral dos partidos que no esto no poder ou tambm denominados da oposio. Enquanto a fase inicial de transio em Moambique (1990-1994) parecia indicar que o pas estava a caminho para a democracia e consolidao democrtica, fomentando o respeito mtuo entre os actores polticos, tolerncia e clima de confiana social, os anos subsequentes demonstraram claramente o ressurgir de estruturas patrimoniais e uma falta de confiana profundamente enraizada no seio das foras polticas.

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