Plantas Raras Do Brasil
Plantas Raras Do Brasil
Presidente
Roberto Brandão Cavalcanti
Vice-Presidente de Operações
Carlos Alberto Bouchardet
Diretores
Guilherme Fraga Dutra
Isabela Santos
Luiz Paulo Pinto
Patrícia Baião
Paulo Gustavo Prado
Ricardo Bomfim Machado
Reitor
José Carlos Barreto de Santana
Organizadores
Projeto Gráfico
Lúcia Nemer
Designer Assistente
Fábio de Assis
Fotografias da Capa
[Link]ó
A. Rapini
A. Chautems
P713 Plantas raras do Brasil / organizadores, Ana Maria Giulietti ... [et al.]. –
Belo Horizonte, MG : Conservação Internacional, 2009.
496 p. : il., fots. color., mapas; 26 cm.
Co-editora: Universidade Estadual de Feira de Santana.
Inclui referências.
ISBN: 978-85-98830-12-4.
CDU : 582
SumárioSumário
Prefácio 11 BALANOPHORACEAE 90
Agradecimentos 13 BEGONIACEAE 91
BERBERIDACEAE 95
Colaboradores e Instituições 15
BIGNONIACEAE 96
Introdução 23
BORAGINACEAE 101
Catálogo de Plantas Raras do Brasil 37
BRASSICACEAE 102
ACANTHACEAE 39
BROMELIACEAE 103
ACHARIACEAE 44
BURMANNIACEAE 115
ALISMATACEAE 45
BURSERACEAE 116
ALLIACEAE 46
CACTACEAE 118
ALSTROEMERIACEAE 47
CALYCERACEAE 127
AMARANTHACEAE 48
CAMPANULACEAE 128
AMARYLLIDACEAE 51
SANTALACEAE 364
Fanerógamas 433
SAPOTACEAE 366
SCHOEPFIACEAE 371
SCROPHULARIACEAE 372
SIMAROUBACEAE 374
SOLANACEAE 375
10
PrefácioPrefácio
11
O desenvolvimento sustentável de um país requer planejamento sistemático de conservação, com objetivos bem defini-
dos e métodos consistentes de análise. Para isso, informações precisas sobre a distribuição das espécies são fundamentais.
Nesse processo, nem todas as espécies são iguais. As espécies com distribuição restrita têm muito mais possibilidades de
serem extintas por um evento catastrófico qualquer ou simplesmente pela ocupação humana desordenada do que espécies
amplamente distribuídas. Por isso, elas recebem maior atenção por parte dos conservacionistas. O argumento é simples:
se protegermos as áreas onde estas espécies ocorrem, estaremos protegendo também populações de outras espécies que
possuem distribuições mais extensas e, assim, maximizando os esforços de conservação.
Este livro é uma contribuição fantástica para a conservação da biodiversidade no Brasil e no mundo. Produto de uma par-
ceria entre a Universidade Estadual de Feira de Santana e a Conservação Internacional, da qual orgulhosamente faço parte
do seu Conselho Global, ele sintetiza o trabalho intenso de mais de 170 cientistas de 55 instituições e nos revela o mundo
das plantas raras do Brasil. Plantas raras foram definidas como aquelas espécies que possuem distribuição menor do que
10.000 km2. O número final deste esforço impressiona. Foram reconhecidas 2.291 espécies de plantas raras brasileiras,
cerca de 4 a 6% de todas as espécies de plantas do país, muitas das quais se encontram à beira da extinção. As distribuições
das espécies de plantas raras ajudam também a delimitar 752 áreas que são chaves para garantir a conservação da diversi-
dade de plantas brasileiras. Essas áreas deveriam ser rapidamente reconhecidas por todos como prioridade imediata para
um trabalho intenso de preservação.
Conservar o capital natural brasileiro e promover o uso sustentável dos recursos é um dever de todos os setores da socie-
dade nacional. Sem o esforço conjunto dos cientistas e sem livros de síntese como este, às vezes torna-se difícil imaginar
a magnitude do desafio que ainda temos pela frente. Espero que esta obra sirva de inspiração para um pacto nacional mais
amplo que tenha como objetivo desenvolver ações concretas para evitar a extinção das espécies no Brasil.
André Esteves
Membro do Conselho Diretor
Conservação Internacional
Agradecimentos Agradecimentos
13
Comissão Organizadora
Colaboradores e InstituiçõesColaboradores e Instituições
15
A lista a seguir inclui as pessoas que colaboraram para a produção deste livro: autores
dos capítulos, pesquisadores que contribuíram com a revisão do conteúdo e também aqueles que analisaram determinadas famí-
lias e não encontraram espécies raras segundo os critérios adotados neste trabalho.
Alexa Araújo de Oliveira Paes Coelho - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil
Alexandre Quinet - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Ana Cláudia Araújo - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, RS, Brasil
Ana Luiza Andrade Côrtes - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil
Ana Maria Goulart Azevedo Tozzi - Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil
Anderson F. P. Machado - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, RJ, Brasil
Andrea Karla A. Santos - Universidade Estadual de Feira de Santana e Universidade Federal da Bahia, BA, Brasil
Ariane Luna Peixoto - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Cássio van den Berg - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil
Claudio Augusto Mondin - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, RS, Brasil
Claudio Nicoletti de Fraga - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Denise Monte Braz - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Domingos Benício Oliveira Silva Cardoso - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil
Eduardo Bezerra de Almeida Jr. - Universidade Federal Rural de Pernambuco, PE, Brasil
Eliane de Lima Jacques - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Elsie Franklin Guimarães – Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Fátima Regina Gonçalves Salimena - Universidade Federal de Juiz de Fora, MG, Brasil
Gleidineia Leite Campos - Colégio Estadual Luiz Pinto de Carvalho, BA, Brasil
Gustavo Heiden - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Hilda Maria Longhi-Wagner - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, RS, Brasil
Inês da Silva Santos - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
João Batista Baitello - Instituto Florestal do Estado de São Paulo, SP, Brasil
Jorge P. P. Carauta - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, RJ, Brasil
18 Colaboradores e Instituições
Josafá Carlos de Siqueira - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Laura Cristina Pires Lima - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil
Leandro Jorge Telles Cardoso - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Leilane Naiara Pedreira Sampaio - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil
Marcelo D. M. Vianna Filho - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, RJ, Brasil
Marcos Gonzalez - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Marcus A. N. Coelho - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Maria das Graças Lapa Wanderley - Instituto de Botânica de São Paulo, SP, Brasil
Maria de Fátima Freitas - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Maria Iracema Bezerra Loiola - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, RN, Brasil
Maria José Gomes de Andrade - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil
Maria Rita Cabral Sales de Melo - Universidade Federal Rural de Pernambuco, PE, Brasil
Mariana Saavedra - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Marla Ibrahim Uehbe de Oliveira - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil
Milene M. Silva-Castro - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil
Pedro Germano Filho - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Pedro Luís Rodrigues de Moraes - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil
Rafael A. Xavier Borges - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Rita de Cássia Araújo Pereira - Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária, PE, Brasil
Rita Fabiana de Souza Silva - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil
Sebastião José da Silva Neto - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Sheila R. Profice - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Tânia Regina Santos Silva - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil
Tarciso de Souza Filgueiras - União Pioneira de Integração Social Faculdades Integradas, DF, Brasil
Tatiana Tavares Carrijo - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Vidal de Freitas Mansano - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Alessandro Rapini, Maria José Gomes de Andrade, Ana Maria Giulietti, Luciano Paganucci de Queiroz
& José Maria Cardoso da Silva
Uma flora pouco conhecida e bastante ameaçada exigem atenção especial ao longo do ano todo. Para se ter
uma idéia, cerca de 40% da área de Caatinga nunca foi
Acredita-se que mais de 90% das espécies de angios- coletada e 80% dela é subamostrada (Tabarelli & Vicente,
permas já estejam descritas, mas a grande maioria delas 2004). Floristicamente, a Amazônia brasileira é especial-
continua praticamente desconhecida (Heywood, 2001) e mente subamostrada, possuindo uma intensidade de cole-
boa parte da flora tropical permanece subamostrada (e.g. tas menor do que nos países vizinhos. Suas coletas estão
Prance et al., 2000). Assim, diferente do que acontece concentradas basicamente nas proximidades de grandes
com grupos relativamente bem conhecidos, como aves e cidades, como Manaus e São Gabriel da Cachoeira, esten-
mamíferos, cujo número de espécies pode ser considera- dendo-se pelas principais rotas de acesso ao longo dos rios
do estável (Diamond, 1985; May, 1986), as estimativas mais importantes, de modo que uma porção considerável
para o número de espécies de fanerógamas ainda podem de sua área nunca foi coletada (Schulman et al., 2007).
variar consideravelmente. Baseados em extrapolações
a partir da taxa média de sinônimos em determinados Ainda assim, vale ilustrar a diversidade da flora brasileira
grupos, Govaerts (2001) e Scotland & Wortley (2003) a partir de um conhecimento que, apesar de incipiente,
chegaram a números discrepantes: 422.127 e 223.300 tem avançado consideravelmente desde a Flora Brasilien-
espécies, respectivamente. Wilson (1988) havia sugerido sis. Dada a fase exploratória que ainda domina os estudos
cerca de 290.000 espécies vegetais, sendo 248.500 só de taxonômicos no Brasil, qualquer estimativa para o nú-
angiospermas. Entre 130.000 e 155.000 dessas espécies mero de espécies brasileiras de angiospermas será ine-
são tropicais e quase metade delas estará ameaçada nas vitavelmente imprecisa e os números têm girado entre
próximas décadas, uma proporção bem maior do que os 35.000 e 55.000 (Groombridge, 1992; Govaerts, 2001;
10% estimados para a flora temperada (Prance, 1977; Ra- Shepherd, 2003; Lewinsohn & Prado, 2005; Giulietti et
ven, 1987). Os Neotrópicos, com 15,8 milhões de km2, al., 2005), o que deve corresponder a um índice em tor-
incluem seis dos 17 países considerados megadiversos no de 15% de toda a flora mundial. O Brasil é o quinto
(Mittermeier et al., 1997) e cerca de 90.000 espécies de maior país em extensão territorial, mas esses números
angiospermas (Prance & Campbell, 1988), 85.000 só na superam o de qualquer outro país: a China (o terceiro
América do Sul (Groombridge, 1992). país em extensão territorial) possui em torno de 30.000
espécies de angiospermas, duas vezes mais do que as
O Brasil é o país que abriga a flora mais rica do planeta, floras dos Estados Unidos (quarto país em extensão ter-
o que certamente está relacionado à sua extensão terri- ritorial) e do Canadá (segundo) juntas ([Link]
torial, mais de 8.500.000 km², associada à enorme di- [Link]/china/mss/[Link]); a Austrália (sexto país
versidade edáfica, climática e geomorfológica, levando a em extensão territorial) e a Rússia (primeiro) possuem
uma ampla gama de tipos vegetacionais. Como em outras em torno de 20.000 espécies cada, destacando-se a alta
partes do mundo, no Brasil as angiospermas também do- proporção (cerca de 90%) de endemismos na Austrália
minam praticamente todos os ambientes terrestres. Es- (Chapman, 2006); e a Índia, um país essencialmente tro-
timativas para o número de espécies de fanerógamas no pical e o sétimo em extensão territorial, possui cerca de
país, no entanto, ainda são deficientes. Isso se deve em 15.000 espécies de angiospermas (Molnar et al., 1995).
parte à falta de estudos taxonômicos e florísticos em esca-
la nacional, em vez de regional, e em parte à necessidade A falta de conhecimento da flora brasileira é especialmen-
de mais coletas intensivas, especialmente em áreas de difí- te preocupante frente à atual crise ambiental e estima-se
cil acesso, como regiões montanhosas, pontos remotos da que cerca de metade das espécies de plantas pode estar
Amazônia e ambientes com sazonalidade marcada, como ameaçada de extinção (Pitman & Jorgensen, 2002). Extin-
as caatingas, as florestas semideciduais e o pantanal, que ções são processos naturais, mas a superexploração dos re-
24 Introdução
cursos, eliminação e fragmentação dos ambientes naturais, que elas ainda são insuficientes para proteger a maior par-
introdução de espécies exóticas e liberação de poluentes te das espécies ameaçadas. Algumas dessas áreas não saí-
têm aumentado em mais de 1.000 vezes a taxa natural ram do papel ou não foram planejadas cuidadosamente, e
de extinção (Pimm et al., 1995; Gallagher & Carpenter, uma grande parcela delas está localizada em porções re-
1997). Em 2008, a lista vermelha da IUCN (http:// motas e pouco diversas, como regiões polares, tundras e
[Link]) apontou 87 espécies de plantas ex- desertos (Mulongoy & Chape, 2004). A seleção de novas
tintas (incluindo cinco espécies brasileiras) e 28 extintas áreas para a conservação, portanto, continua sendo foco
na natureza (uma delas do Brasil), além de indicar 8.457 de atenção especial. Mas, como eleger áreas relevantes
espécies de plantas ameaçadas (mais de 90% são angios- biologicamente a partir de um conhecimento tão incom-
permas), sendo 32 brasileiras. Esses números mostram-se pleto? E quais critérios devem ser considerados durante
alarmantes se considerarmos que apenas 3% das plantas uma tomada de decisão desse tipo? As respostas a estas
descritas foram avaliadas e que dessas, 70% foram consi- questões ainda são controversas (e.g. Vane-Wright et al.,
deradas ameaçadas. A lista oficial das espécies brasileiras 1991; Freitag & Jaarsveld, 1997; Prendergast et al. 1999;
ameaçadas de extinção, publicada em setembro de 2008 Szumik et al., 2002; Hortal & Lobo, 2006).
pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), no entanto,
considerou 472 espécies ameaçadas, um número quase 15 A seleção de áreas com base exclusivamente no número de
vezes maior do que aquele apresentado pela IUCN. Ele é espécies não necessariamente atingirá de maneira eficien-
bem maior do que aqueles indicados pelo MMA em maio te seus objetivos, já que a riqueza observada em algumas
de 1968 (13 espécies) e em janeiro de 1993 (108 espé- regiões pode denotar apenas a sobreposição de espécies
cies), mas ainda ficou muito abaixo do resultado do le- comuns e não ameaçadas (Reid, 1998). Biodiversidade
vantamento feito pelo consórcio de 300 especialistas, que também não deve ser encarada apenas como número de
apontou 1.472 espécies para a lista atual (2008), muitas espécies; a discrepância entre elas, seu patrimônio evolu-
das quais não foram reconhecidas pelo MMA. tivo, é um fator que precisa ser considerado (Vane-Wright
et al., 1991; Forest et al., 2007; Mooers, 2007). Quaisquer
Buscando evitar que espécies nativas sejam ameaçadas que sejam os critérios para o planejamento de unidades de
pelo comércio internacional, aproximadamente 29.000 conservação é imprescindível que se tenha um bom co-
espécies de plantas já estão sob a proteção da Convenção nhecimento sobre a distribuição das espécies e que se pos-
sobre o Comércio Internacional de Espécies Selvagens sa apontar aquelas com distribuição restrita a sítios pon-
da Fauna e da Flora, a CITES ([Link] tuais (Prance, 1994). É necessário que sejam realizadas,
eng/disc/[Link]). Cerca de 450 espécies brasilei- então, avaliações quantitativas sobre biodiversidade e que
ras foram incluídas em um dos três apêndices da CITES, essas medidas possam ser mapeadas de modo a apontar
porém essa lista se restringe basicamente a Orchidaceae, áreas que mereçam atenção especial e mais investimentos
Cactaceae e espécies de samambaias arbóreas (Cyathea para sua conservação (Margules & Pressey, 2000).
spp. e Dicksonia sellowiana, o xaxim). Além desses grupos,
apenas quatro espécies brasileiras de Euphorbia (Euphor- Uma das alternativas mais difundidas para a seleção de re-
biaceae), três de Tillandsia (Bromeliaceae), três de Zamia giões prioritárias biologicamente são os hotspots, áreas in-
(Zamiaceae), duas de Leguminosae e duas de Meliaceae substituíveis pela alta concentração de espécies exclusivas
foram incluídas nessa lista. e sob forte ameaça de desaparecerem por já terem perdi-
do uma grande proporção de sua área original. Myers et
A redução da biodiversidade está em grande parte rela- al. (2000) apontaram 25 hostpots espalhados pelo mundo,
cionada à eliminação dos habitats naturais. Unidades de áreas que abrigam pelo menos 0,5% de espécies de plantas
conservação são reconhecidas internacionalmente como endêmicas (cerca de 1.500 espécies de plantas exclusivas)
o instrumento mais poderoso de proteção da biodiversi- e com mais de 70% de sua área original devastada. Dois
dade (UNEP-WCMC, 2008). Atualmente, existem mais deles foram considerados para o Brasil: a Mata Atlântica,
de 102.000 áreas protegidas. Elas ocupam 18.764.958 com cerca de 20.000 espécies de plantas e 92,5% de sua
km2 (3,4% da superfície da Terra), abrangendo 11,57% área original perdida, e o Cerrado, com 10.000 espécies
da porção terrestre (pouco mais de 1.500.000 km2 no de plantas e 80% de sua área original modificada. Quase
Brasil) e 0,45% dos oceanos. Todavia, existe uma grande 3% das espécies de plantas do mundo todo estão restritas
desproporcionalidade de área protegida entre os biomas, à Mata Atlântica e 1,5% ao Cerrado. Proteger todos os
desde 4,6% a 26,3% (Hoekstra et al, 2005), de modo remanescentes desses dois biomas talvez ainda seja utópi-
Introdução 25
co e focar esforços exclusivamente neles deixaria desam- bastante restrita, as mais suscetíveis a distúrbios antró-
paradas formações também relevantes biologicamente, picos ou eventos estocásticos naturais. Por isso, devem
como áreas da Amazônia, da Caatinga ou do Pantanal. Por ser tratadas como vulneráveis. O mapeamento dessas
esta razão, foi sugerido também a adoção do conceito de espécies raras, portanto, revelará sítios que são biologi-
Regiões Naturais de Alta Biodiversidade (High Biodiversity camente insubstituíveis e, na maioria dos casos, com vá-
Wilderness Regions, em inglês) que são áreas grandes (mais rias espécies ameaçadas (Callamander et al., 2005). Com
de 750.000 km2), com alta concentração de espécies en- isso em mente, surgiu a idéia de se preparar um catálogo
dêmicas (pelo menos 1.500 espécies endêmicas) e com das espécies raras de fanerógamas do Brasil que pudesse
mais de 70% de sua área original ainda intacta. No Brasil, servir de base para a identificação de ACBs (Catálogo de
apenas a Amazônia, com 30.000 espécies endêmicas de Plantas, neste volume).
plantas e 80% de sua área intacta, foi classificada nesta
categoria (Mittermeier et al., 2002). Certamente, existem regiões que podem apresentar um
conjunto maior de espécies exclusivas de plantas em
decorrência da especialização em resposta a fatores edá-
E spécies raras como base para detecção de Áreas-
ficos ou topográficos particulares ou devido a restrições
à dispersão ou ainda associadas a processos recentes de
Chave para Biodiversidade (ACBs)
diversificação responsáveis pela ampliação do número de
Um dos objetivos da Convenção sobre Diversidade Bio- espécies neoendêmicas que ainda não ocuparam toda sua
lógica (Convention on Biological Diversity, CBD) é estabe- distribuição potencial (Lesica et al., 2006). Essas áreas
lecer e fortalecer sistemas regionais de áreas de proteção apresentam relevância biológica particular e devem ter sí-
dentro de um âmbito global, tendo como metas para tios de tamanho suficiente à manutenção das espécies con-
2010 a proteção de pelo menos 10% de cada uma das sideradas durante o planejamento de uma rede de áreas de
ecorregiões do mundo, que segundo Olson et al. (2001) proteção nacional. No entanto, a percepção dessas áreas
totalizam 867 unidades distribuídas em 14 biomas ter- com composição florística singular, como os refúgios na
restres, e proteger as áreas de relevância biológica. Nesse Amazônia, vem sendo questionada (Nelson et al., 1990).
sentido, a detecção de Áreas-Chave para Biodiversidade Elas freqüentemente denotam áreas mais exploradas pelos
(ACBs, mas Key Biodiversity Areas, KBAs, em inglês; Eken botânicos, estando geralmente associadas a centros urba-
et al., 2004; Langhammer et al., 2007) tem surgido como nos (Moerman & Estabrook, 2006), mas não necessaria-
uma estratégia prática em escalas menores do que aque- mente são diferenciadas biologicamente. Mapear as espé-
las delineadas pelos hotspots e compatível com implanta- cies raras em países megadiversos, amplos e heterogêneos
ção de unidades de conservação. Essas ACBs são sítios de como o Brasil, portanto, não é uma tarefa simples e seus
interesse global que devem ser identificados e protegidos resultados devem ser constantemente reavaliados.
em âmbito regional ou nacional através de uma rede de
áreas de proteção. Em se tratando de plantas, destacam- Uma espécie geralmente é considerada rara quando seus
se entre esses sítios aqueles que abrangem as populações representantes estão confinados a uma pequena área (área
de uma proporção relativamente alta de espécies amea- de ocorrência restrita), quando ocorrem sob condições
çadas e/ou com distribuição restrita e que por isso são específicas (área de ocupação restrita) e/ou quando são
insubstituíveis e estão vulneráveis à extinção, precisando escassos ao longo de sua distribuição (baixa densidade)
de proteção imediata. (Rabinowitz, 1981; Kruckeberg & Rabinowitz, 1985).
Cerca de 20% da flora mundial, no entanto, é caracteri-
A maioria das espécies de plantas pode ser considerada zada por dados deficientes, e os estudos em conservação
rara e são poucas as espécies cosmopolitas; um quarto dependem da complementação e da atualização constante
da Terra, no entanto, é ocupado por cerca de 200 espé- dos dados taxonômicos (Callamander et al., 2005). Diante
cies apenas (Kruckeberg & Rabinowitz, 1985). A maioria da atual lacuna no conhecimento da flora brasileira, a área
dos estudos indica que a preservação de algumas poucas de ocorrência é o critério mais objetivo para se classificar
espécies comuns pode ser suficiente para manter os prin- uma espécie como rara com base em materiais de herbá-
cipais processos biológicos de um ecossistema; porém, rio, na literatura e na experiência dos especialistas. Dessa
pouco se sabe sobre a funcionalidade das espécies raras maneira, foram estabelecidos limites de distribuição geo-
neste contexto (Lyons et al., 2005). Por outro lado, são gráfica restritivos para o enquadramento das espécies nes-
as espécies raras, especialmente aquelas com distribuição te levantamento e consultados mais de 170 especialistas
26 Introdução
de 55 instituições de pesquisa nacionais e internacionais. próximo, o que as enquadraria também na categoria Vul-
Com essa vultosa colaboração foi possível, então, aces- nerável (VU) de acordo com o critério D2. Muitas das
sar obras raras ou pouco conhecidas, teses e trabalhos no espécies mais ameaçadas, no entanto, não foram incluídas
prelo, bancos de dados pessoais, além de observações de no catálogo. São aquelas que ainda não foram descritas ou
campo de vários pesquisadores. cujo conhecimento parco impede que sua identidade seja
estabelecida com segurança. Desamparadas, várias delas
Neste catálogo, foram incluídas apenas espécies exclu- serão extintas antes mesmo de serem descobertas.
sivamente brasileiras e com distribuição pontual. A lista
se restringe às espécies com registros até 150 km distan- Os sítios de relevância biológica detectados a partir
tes entre si, o equivalente a cerca de 1º de latitude e 1º dessa flora de espécies raras não devem ser automati-
de longitude de diferença entre eles. Isso corresponde a camente igualados às IPAs (Important Plant Areas, IPAs;
uma área de ocorrência de até 10.000 km2. Espécies com Anderson, 2002), conforme definido para os países da
distribuição linear, ao longo da costa brasileira ou de ca- Europa a partir de fungos, algas, liquens e embriófitas.
deias montanhosas, por exemplo, estarão restritas a áreas Diferente daquela proposta, eles não abordam número
bem menores que essa, no entanto. Esse limite foi estabe- de espécies, nem espécies ameaçadas ou biomas únicos
lecido de maneira arbitrária, visando uma detecção práti- de maneira direta; além disso, para as IPAs, os endemis-
ca e objetiva das espécies raras. Ele é bem menor do que mos foram definidos com base em limites políticos. A
os 50.000 km2 sugerido com base na congruência global presença de espécies endêmicas com distribuição restri-
de centros de endemismos de aves, anfíbios e mamíferos ta é um dos vários critérios utilizados para a identifica-
(Eken et al., 2004), mas coincide com aquele utilizado ção de ACBs (Langhammer et al., 2007). Desse modo,
em outros levantamentos de espécies de plantas com dis- os 752 sítios detectados neste estudo como importan-
tribuição restrita, próximo a 100 milhas (e.g. Sivinki & tes para as plantas raras brasileiras (Kasecker et al., este
Knight, 1996). Na realidade, a definição dos limites para volume) representam um subconjunto das informações
endemismos pontuais em plantas e invertebrados ainda necessárias para a definição de todas as ACBs do país.
exige análises mais detalhadas, já que eles possuem, em Estes sítios têm um valor imenso por dois motivos. Pri-
sua maioria, áreas de distribuição relativamente menores meiro, eles devem servir de base tanto para análises de
e mais específicas (Langhammer et al., 2007). lacunas e complementaridade utilizadas na seleção de
novas áreas para conservação e, como muitos deles são
Como o catálogo refere-se exclusivamente às espécies definidos por espécies com áreas de ocorrência menores
endêmicas restritas de fanerógamas, extrapolações des- de 1.000 km2, eles devem ser protegidos em sua inte-
ses resultados para outros grupos taxonômicos ou para gridade (Rodrigues et al., 2004). Segundo, esses sítios
o número total de espécies devem ser vistas com reserva devem ser percebidos pelos órgãos ambientais como os
(Prendergast et al., 1993; Reid, 1998). Também não se setores mais frágeis do território brasileiro e que por
pode assumir que essas espécies estejam necessariamente isso exigem uma atenção maior no que diz respeito ao
ameaçadas. No entanto, com exceção de 2% das espé- licenciamento ambiental, dado que um planejamento
cies com dados deficientes (não contam com localidade inadequado poderá levar à perda de espécies únicas do
de coleta), as demais possuem limites restritos de ocor- patrimônio biológico brasileiro.
rência (<10.000 km2), se enquadrando no critério B1 da
IUCN (2001; IUCN Standards and PetitionsWorking Group, As espécies raras estão organizadas segundo a classifica-
2008), e poderão ser classificadas como ameaçadas de- ção proposta pela APG II (2003; Souza & Lorenzi, 2008)
pendendo do número de localidades ou fragmentação (a) e os registros estão sustentados em revisões taxonômicas
e se apresentarem declínio (b) e/ou flutuações extremas e floras recentes, mas dados de herbários e a experiência
(c) dos: limites de ocorrência (i), área de ocupação (ii), dos especialistas também foram considerados. Nem to-
condições ambientais (iii), número de localidades ou das as famílias foram avaliadas de maneira homogênea.
subpopulações (iv) e/ou número de indivíduos madu- Entretanto, a detecção de ACBs está baseada em valores
ros (v). A grande maioria das espécies é composta por individuais e não no seu significado comparativo (Lan-
até cinco subpopulações (e possivelmente apresentam ghammer et al., 2007) e portanto essas lacunas não de-
área de ocupação reduzida) e muitas poderão estar cri- verão prejudicar os resultados. Espécies novas continuam
ticamente ameaçadas ou mesmo extintas em um futuro sendo descritas a partir de coletas recentes, mesmo em
Introdução 27
Estados brasileiros relativamente bem amostrados como espécies brasileiras dessa família foram indicadas como
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em muitos raras, o que corresponde a praticamente um quarto das
casos, essas espécies apresentam distribuição pontual e espécies de Turneraceae. Além de 11 famílias com pou-
representarão acréscimos importantes ao catálogo. Estu- ca representatividade na flora brasileira (menos de 100
dos mais abrangentes e levantamentos em áreas pouco espécies), Lythraceae, Velloziaceae, Malpighiaceae, Cac-
exploradas botanicamente, por outro lado, poderão re- taceae e Verbenaceae se destacam por possuírem pelo
velar representantes de espécies atualmente consideradas menos um quinto de suas espécies brasileiras apontadas
raras, mas que então serão desenquadradas em relação como raras. No caso de Lythraceae, tal montante repre-
aos critérios utilizados aqui. Estes resultados, portanto, senta quase metade das espécies brasileiras e 11,5% da
não são absolutos; eles refletem um momento do conhe- família como um todo e, no de Velloziaceae, um pouco
cimento dessa combinação particular de especialistas que mais 21% da família. Por outro lado, sem ter sido avaliada
gentilmente se comprometeram com o projeto. por um especialista, Malvaceae se destaca negativamente,
com apenas uma das 400 espécies brasileiras (0,025%)
indicada como rara (Tabela 1). Entre as famílias avaliadas,
Espécies raras de fanerógamas do Brasil 69 não apresentaram espécies raras (Tabela 2).
A partir dos comentários de cada família, a estimativa para Existe, em média, uma espécie rara de angiosperma para
o número de fanerógamas estaria próxima daquela suge- cada 3.730 km2 do território brasileiro (1:3.730). Ob-
rida por Scotland & Wortley (2003), cerca de 225.000, viamente, elas não estão homogeneamente distribuídas
enquanto o total de espécies de angiospermas brasileiras – muito pelo contrário. Com mais de 1.000 espécies ra-
seria em torno de 30.000, mais próximo das 35.000 es- ras, a Região Sudeste apresenta a maior média (1:876),
pécies sugeridas por Govaerts (2001). De acordo com es- destacando-se os Estados do Rio de Janeiro (1:175) e
sas estimativas, portanto, o Brasil abriga cerca de 13,5% do Espírito Santo (1:342), com uma quantidade relati-
de toda a flora mundial. Esses dados, no entanto, estão vamente alta de espécies raras em relação às respectivas
baseados apenas nas famílias com espécies raras indicadas, extensões territoriais. A Região Norte, ocupando 45,3%
não incluindo dezenas de famílias de angiospermas que, do território nacional, por outro lado, apresenta a menor
apesar de pouco significativas individualmente, podem relação espécie rara: extensão territorial (1:16.466). No
alterar consideravelmente essa perspectiva quando inclu- Nordeste, estão os menores Estados brasileiros e tam-
ídas coletivamente nesse cálculo. Nove famílias apresen- bém aqueles com a menor quantidade de espécies raras;
tam pelo menos 1.000 espécies brasileiras e podem ser o Rio Grande do Norte foi o único Estado sem espécies
consideradas hiperdiversas no país: Leguminosae (3.200 raras indicadas, enquanto a Paraíba e o Sergipe apresen-
espécies), Orchidaceae (2.650), Bromeliaceae (2.150), taram apenas uma espécie rara cada. A Região Sul pos-
Asteraceae (2.000), Rubiaceae (2.000), Poaceae (1.368), sui o menor número de espécies raras, o que pode estar
Euphorbiaceae (1.000), Melastomataceae (1.000) e Myr- associado ao clima subtropical e a sua menor extensão
taceae (1.000). Apenas Bromeliaceae, com distribuição territorial (Tabelas 3 e 4).
essencialmente neotropical, não desponta entre as 11
maiores famílias de angiospermas, com pelo menos 5.000 Os Estados com maior quantidade de espécies raras fo-
espécies, ao passo que Lamiaceae é a única dentre elas que ram Minas Gerais (550) e Bahia (484), seguidos por Rio
não alcança 500 espécies brasileiras (Tabela 1). de Janeiro (250), Goiás (incluindo Distrito Federal, 202),
Amazonas (164), Espírito Santo (135) e São Paulo (123)
O Catálogo de Plantas Raras do Brasil inclui 2.291 espé- (Tabela 4). Essa ordem de representatividade reflete a
cies de fanerógamas. Elas representam 108 das 177 fa- grande quantidade de endemismos pontuais nos campos
mílias avaliadas e correspondem entre 4 e 6,5% da flora rupestres da Cadeia do Espinhaço, em Minas Gerais e
brasileira. Cinco famílias apresentaram mais de 100 espé- Bahia, e na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Uma gran-
cies raras: Leguminosae (190), Melastomataceae (120), de concentração de endemismos pontuais pode ser nota-
Asteraceae (109), Eriocaulaceae (109) e Bromeliaceae da também nas florestas úmidas da Mata Atlântica, desde
(107). Por outro lado, 21 famílias apresentaram apenas o Sul da Bahia até o Paraná – passando pela reserva da
uma espécie rara e 61 até 10 espécies raras. Turneraceae Companhia Vale do Rio Doce, no Espírito Santo, a Serra
se destaca pela alta proporção de espécies raras: 60% das dos Órgãos, no Rio de Janeiro, e a Serra do Mar, em São
28 Introdução
Paulo –, e da Amazônia Central. Apesar de apresentarem Giulietti, A.M., Harley, R.M., Queiroz, L.P., Wanderley,
fitofisionomias distintas, tanto os campos rupestres quan- M.G.L. & van den Berg, C. 2005. Biodiversity and con-
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Central, especialmente na região próxima a Manaus, Govaerts, R. 2001. How many species of seed plants are
compartilham condições que podem favorecer uma alta there? Taxon 50: 1085-1090.
biodiversidade com elevadas taxas de endemismos pontu- Groombridge, B. (ed.) 1992. Global biodiversity: Status of the
ais. Elas são áreas tropicais com alta incidência luminosa earth’s living resources. London, Chapman and Hall, 585p.
e sem restrições hídricas severas, geralmente associadas Heywood, V. 2001. Floristic and monography – an uncer-
a condições edáficas heterogêneas e barreiras geográficas tain future? Taxon 50: 361-380.
de diferentes ordens, associadas à topografia acidentada
Hoekstra, J.M., Boucher, T.M., Ricketts, T.H. & Roberts,
ou a uma rede hidrográfica profusa. Além disso, são áreas C. 2005. Confronting a biome crisis: global disparities
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naturalistas e botânicos desde o século XIX e algumas de-
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Tabela 1. Relação do número de espécies raras brasileiras e total de espécies por família.
Campanulaceae 3 53 2.319
Lentibulariaceae 3 60 280
Meliaceae 3 100 550
Myristicaceae 3 65 400
Oleaceae 3 42 400
Quiinaceae 3 26 52
Violaceae 3 70 900
Zingiberaceae 3 17 1.300
Apodanthaceae 2 10 25
Boraginaceae 2 150 2.740
Canellaceae 2 6 20
Caryophyllaceae 2 42 2.000
Cunoniaceae 2 20 300
Olacaceae 2 60 150
Picramniaceae 2 20 44
Urticaceae 2 80 1.200
Vitaceae 2 45 800
Achariaceae 1 15 150
Alliaceae 1 10 600
Balanophoraceae 1 11 44
Berberidaceae 1 5 670
Brassicaceae 1 50 4.000
Burmanniaceae 1 30 100
Calyceraceae 1 5 650
Combretaceae 1 60 600
Droseraceae 1 12 100
Ericaceae 1 100 3.000
Hypericaceae 1 30 600
Malvaceae 1 400 4.200
Molluginaceae 1 90 100
Podocarpaceae 1 8 105
Polygonaceae 1 100 1.100
Portulacaceae 1 15 450
Proteaceae 1 40 1.600
Rhabdodendraceae 1 3 3
Sabiaceae 1 10 80
Schoepfiaceae 1 3 150
Simaroubaceae 1 30 180
Thymelaeaceae 1 30 750
TOTAL 2.291 30.017 223.848
Introdução 33
Tabela 2. Famílias analisadas que não apresentaram espécies raras no Brasil e os respectivos autores das
análises.
Tabela 3. Número de espécies raras, extensão territorial e número de espécies raras por km2 em cada Região.
REGIÃO Nº de espécies raras Extensão territorial (km2) Espécie rara: área (km2)
Sudeste 1058 927.286 1:876,5
Nordeste 565 1.558.200 1:2.758
Centro-Oeste 273 1.612.088 1:5.905
Norte 235 3.869.638 1:16.466
Sul 125 577.214 1:4.618
Introdução 35
1
Cíntia Kameyama, 2Ana Luiza A. Côrtes, 3Sheila R. Profice, 4Denise Monte Braz & 5Douglas C. Daly
Acanthaceae compreende cerca de 250 gêneros e 3.200 espécies, possuindo distribuição pantropical, com centros de di-
versidade na região da Indo-Malásia, África (incluindo Madagascar), Brasil, Andes e América Central (Wasshausen, 2004).
Inclui várias espécies de valor ornamental e algumas espécies de Justicia também têm importância forrageira e ecológica
(Ezcurra, 2002). No Brasil, é representada por 44 gêneros, destacando-se Justicia e Ruellia, e cerca de 500 espécies (Souza
& Lorenzi et al., 2008), sendo pelo menos 40 raras.
fevereiro e com frutos em fevereiro. (Lindau, 1914; Daly Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Linhares, Reserva Na-
et al., no prelo) tural da CompanhiaVale do Rio Doce (19º10’S, 39º53’W).
Comentários: Erva com caule rasteiro. Inflorescência
Aphelandra bahiensis (Nees) Wassh. 3 com flores amarelas. Ocorre na Mata Atlântica do norte
do Espírito Santo. (Profice & Wasshausen, 1993)
Distribuição: BAHIA: Porto Seguro, Reserva Florestal
de Porto Seguro (16º26’S, 39º04’W).
Comentários: Subarbusto com até 1 m de altura. Espiga
Aphelandra grazielae Profice 2
com brácteas e flores amarelas. Espécie conhecida apenas Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Ibiraçu, Estação
pelo material-tipo e por uma coleta em floresta de tabu- Ecológica do Morro da Vargem (19º53’S, 40º23’W).
leiro, no sul da Bahia. (Profice, inéd.) Comentários: Subarbusto com até 1 m de altura. Inflo-
rescência com brácteas e flores róseas. Conhecida apenas
Aphelandra blanchetiana (Nees) Hook. 3 pelo material-tipo, coletado em Mata Atlântica, entre
300 e 400 m s.n.m. (Profice, 2005)
Distribuição: BAHIA: Ilhéus (14º47’S, 39º04’W).
Comentários: Subarbusto com até 60 cm de altura. In-
florescência com brácteas avermelhadas e flores amare-
Aphelandra hymenobracteata Profice 2
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: SantaTeresa (19º56’S, Distribuição: RIO DE JANEIRO: Macaé, Alto de Macaé
40º34’W). (22º22’S, 41º47’W); Nova Friburgo (22o28’S, 42o53’W).
Comentários: Subarbusto. Espiga com flores alaranjadas. Comentários: Arbusto ereto, com até 1 m de altura.
Ocorre em Mata Atlântica. (Profice & Wasshausen, 1993) Inflorescência com brácteas amarelo-pálidas e flores ver-
melhas. Ocorre na Serra do Mar, em florestas até 1.100
m s.n.m. (Wasshausen, 1975)
Aphelandra maximiliana (Nees) Benth. 3
altura. Inflorescência com brácteas vermelhas e flores Distribuição: RIO DE JANEIRO: Angra dos Reis
vermelhas com fauce amarela. Ocorre na Mata Atlântica. (23º00’S, 44º19’W); Parati (23º13’S, 44º43’W). SÃO
(Wasshausen, 1975) PAULO: Ubatuba (23º26’S, 45º04’W).
ACANTHACEAE 41
Alto Juruá. Floresce de maio a agosto. (Lindau, 1904; Distribuição: SANTA CATARINA: Florianópolis
Daly et al., no prelo) (27º34’S, 48º37’W).
Comentários: Erva com até 50 cm de altura. Flores
Mendoncia bahiensis Profice 3 alvas. Ocorre em lugares úmidos e abertos. (Ezcurra &
Wasshausen, 1992)
Distribuição: BAHIA: Una, Reserva Biológica do Mi-
co-leão (15º17’S, 39º04’W); Ilhéus (14º47’S, 39º02’W);
Porto Seguro (16º26’S, 39º04’W).
Ruellia reitzii Wassh. & [Link]. 2
Comentários: Trepadeira. Flores alvas, com anel lilás na fau- Distribuição: SANTA CATARINA: Luís Alves (26º43’S,
ce. Floresce em abril e frutifica de fevereiro a junho. Ocorre 48º55’W).
em floresta de tabuleiro, no sul da Bahia. (Profice, 1997b) Comentários: Subarbusto; ramos escandentes. Flores
vermelhas. Ocorre na Mata Atlântica, sobre solos úmidos,
Mendoncia blanchetiana Profice 3 a beira de regatos e estradas. (Wasshausen & Smith, 1969)
Comentários: Trepadeira. Inflorescências com bracté- Distribuição: MINAS GERAIS: Conceição do Mato
olas vilosas e flores alvas. Floresce e frutifica em abril. Dentro (19º02’S, 43º25’W); Santana do Riacho
Ocorre em remanescentes de mata higrófila do sul da (19º10’S, 43º42’W).
Bahia. (Profice, 1997b) Comentários: Subarbusto de 10 a 15 cm de altura, es-
parsamente ramificado. Ocorre em matas de galeria ou
Mendoncia multiflora Poepp. & Endl. 2 próximas a cursos d’água, na Serra do Cipó. Floresce e
frutifica de abril a julho. (Braz, inéd.)
Distribuição: AMAZONAS: Benjamin Constant, Alto
Solimões (04º22’S, 70º01’W); Esperança, rio Solimões
(04º25’S, 69º50’W).
Staurogyne itatiaiae (Wawra) Leonard 4
Comentários: Trepadeira. Flores alvas, maculadas de Distribuição: Rio de Janeiro: Itatiaia (22º29’S,
vermelho, de 5 a 10 por inflorescência. Ocorre em man- 44º33’W). São Paulo: Bananal, Serra da Bocaina, Es-
chas secundárias de mata de terra firme. (Profice,1988a) tação Ecológica Bananal (22º41’S, 44º19’W).
42 ACANTHACEAE
Comentários: Arbusto a subarbusto, de 1 a 1,5 m de do Itapemirim, Vargem Alta, Morro de Sal (20º50’S,
altura, pouco ramificado. Ocorre no sub-bosque de flo- 41º06’W); Castelo, Forno Grande (20º36’S, 41º11’W).
resta ombrófila densa. Encontrada com flores e frutos de Comentários: Erva ereta, de 10 a 90 cm de altura, rara-
março a julho e de outubro a dezembro. (Braz, inéd.) mente ramificada. Ocorre no interior de floresta atlânti-
ca ombrófila densa. Encontrada com flores em agosto e
outubro e com frutos imaturos em outubro. (Braz, inéd.)
Staurogyne minarum (Nees) Kuntze 4
Distribuição: Minas Gerais: Catas Altas, Parque Na- Staurogyne warmingiana (Hiern) Leonard 4
Staurogyne vauthieriana (Nees) Kuntze 4 Distribuição: GOIÁS: Chapada dos Veadeiros (14º04’S,
47º37’W).
Distribuição: Minas Gerais: Ouro Preto, Parque Es- Comentários: Erva. Folhas em roseta. Escapo com cer-
tadual do Itacolomi (20º17’S, 43º30’W). ca de 10,5 cm de comprimento. Flores com corola ma-
Comentários: Subarbusto com cerca de 50 cm de al- genta. Ocorre em encosta rochosa. (Wasshausen, 1990)
tura, ramificado principalmente na base. Ocorre no in-
terior de florestas e próximo a trilhas. Encontrada com
flores e frutos em maio e julho. (Braz, inéd.)
Stenandrium stenophyllum Kameyama 2
Achariaceae ACHARIACEAE
Alessandro Rapini
A circunscrição da família foi ampliada com a inclusão de alguns gêneros tradicionalmente classificados em Flacourtiaceae (= Sa-
licaceae). Atualmente, ela abrange cerca de 30 gêneros e 150 espécies e tem distribuição pantropical. No Brasil, são registrados
quatro gêneros e 15 espécies predominantemente amazônicas (Souza & Lorenzi, 2008), apenas uma delas indicada como rara.
Distribuição: AMAZONAS:Alto Içana, rio Aiari (01º21’S, Sleumer, H.O. 1980. Flacourtiaceae. Fl. Neotrop. Monogr.
68º31’W). 22: 1-499.
Comentários: Arbusto com cerca de 3 m de altura. Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
Folhas (sub)oblongas, glabrescentes ou com tricomas ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
esparsos. Flores estaminadas alvo-indumentadas, em ci- nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
meiras paucifloras; as pistiladas solitárias. Frutos (sub) Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
elipsóides, amarelo-esverdeados. Não é coletada desde a
década de 1940. (Sleumer, 1980)
Alismataceae ALISMATACEAE
45
Alismataceae está representada por 12 gêneros e cerca de 80 espécies de plantas aquáticas (Haynes et al., 1998), predo-
minando formas emergentes e com distribuição geográfica ampla, principalmente em regiões temperadas (Sculthorpe,
1967). Echinodorus (com três espécies brasileiras raras indicadas) e Sagittaria são os únicos gêneros neotropicais e englo-
bam a maior diversidade da família em número de espécies (Fasset, 1955; Rogers, 1983).
Distribuição: PERNAMBUCO: Tapera (08º23’S, Fasset, N.C. 1955. Echinodorus in the American tropics.
38º05’W). Rhodora 57: 133-156; 174-188; 202-212.
Comentários: Erva de 30 cm a 2,4 m de altura. Folhas Haynes, R.R. & Holm-Nielsen, L.B. 1994. Alismataceae.
emersas ovadas, sem folhas submersas. Frutos com sépalas Fl. Neotrop. Monogr. 64: 1-112.
alargadas ao seu redor. (Haynes & Holm-Nielsen, 1994) Haynes, R.R., Les, D.H. & Holm-Nielsen, L.B. 1998. Alis-
mataceae. In K. Kubitzki (ed.) The families and genera of
Echinodorus lanceolatus Rataj vascular plants. Flowering plants - Monocotyledons Alis-
matanae and Commelinanae (except Graminae). Berlim,
Springer-Verlag, vol. 4, p. 11-16.
Distribuição: SÃO PAULO: São Paulo (23º32’S, 46º38’W).
Comentários: Erva com cerca de 1,5 m de altura. Folhas Rogers, G.K. 1983. The genera of Alismataceae in the sou-
emersas ovado-lanceoladas, sem folhas submersas. Inflo- theastern United States. J. Arnold Arbor. 64: 383-420.
rescência ereta, sem proliferação vegetativa. Conhecida Sculthorpe, C.D. 1967. The biology of aquatic vascular
apenas pelo material-tipo. (Haynes & Holm-Nielsen, 1994) plants. London, Edward Arnold, 610p.
AlliaceaeALLIACEAE
Ervas bulbosas, perenes. Folhas alternas, sésseis, lineares a filiformes, perenes ou anuais.
Inflorescência umbeliforme, uni- a multiflora, com escapo cilíndrico ou anguloso, sólido ou fistuloso, com 2 ou mais brácte-
as. Flores actinomorfas, trímeras, diclamídeas, homoclamídeas, monoclinas, hipóginas, pediceladas, odoríferas e com antese
diurna; androceu com 6 estames eretos; gineceu com ovário trilocular e estigma capitado ou trilobado. Cápsulas loculicidas.
Alliaceae inclui de 12 a 15 gêneros e cerca de 600 espécies, estando amplamente distribuída no globo (Meerow, 2004). No Bra-
sil, está representada por cerca de 10 espécies do gênero Nothoscordum (Souza & Lorenzi, 2008), uma delas indicada como rara.
Distribuição: BAHIA: Maracás (13º26’S, 40º26’W). Alves-Araújo, A., Dutilh, J.H.A. & Alves, M. 2008. Ama-
Comentários: Folhas filiformes. Flores diminutas, alvas. ryllidaceae s.s. e Alliaceae s.s. no Nordeste brasileiro. Ro-
Diferencia-se de N. pernambucanum Ravenna, que possui driguésia 59 (no prelo).
distribuição geográfica mais ampla, por apresentar ová- Meerow, A. 2004. Alliaceae. In N. Smith, S.A. Mori, A.
rio com apenas um óvulo por lóculo. Conhecida apenas Henderson, [Link]. Stevenson & S.V. Heald (eds) Flo-
de uma população amostrada entre 1979 e 1983. Ocorre wering plants of the Neotropics. Princeton, Princeton
nos campos rupestres da Bahia, no bioma Caatinga. (Ra- University Press, p. 408-409.
venna, 1991; Alves-Araújo et al., 2008) Ravenna, P.F. 1991. New species of Nothoscordum (Alliaceae)
– 9. Onira 3: 19-21.
Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
Alstroemeriaceae ALSTROEMERIACEAE
47
Ervas eretas ou volúveis, com rizoma simpodial. Folhas alternas, geralmente ressupinadas,
glabras ou adaxialmente papilosas. Cimeiras umbeliformes, simples ou compostas, freqüentemente com brácteas foliáceas. Flores
actinomorfas ou zigomorfas, trímeras, monoclinas, epíginas; tépalas externas geralmente sem padrão de manchas, as internas pin-
talgadas, maculadas, listradas ou variegadas; androceu com 6 estames livres; gineceu com ovário trilocular (raramente unilocular),
placentação axilar ou parietal, estilete trígono e estigma trífido, com ramos papilosos. Cápsulas loculicidas, com sementes globosas.
Alstroemeriaceae tem distribuição neotropical, desde a região central do México até o Sul da América do Sul, com cerca de 180
espécies. Está dividida em três gêneros: Alstroemeria (incluindo Schickedantzia e Taltalia), Bomarea e Leontochir. No Brasil, ocorrem
os dois primeiros gêneros: Alstroemeria, com 41 espécies (cinco delas indicadas como raras), tem distribuição peri-amazônica, con-
centrada basicamente na porção leste do país e ocorrendo em quase todos os tipos de ambientes, e Bomarea, com apenas uma espé-
cie, B. edulis (Tussac.) Herb., tem ampla distribuição, ocorrendo de norte a sul do país, em borda e interior de matas semidecíduas.
Alstroemeria capixaba [Link] Comentários: Erva ereta, com até 80 cm de altura. Fo-
lhas cartáceas. Flores pêndulas, vermelhas. Ocorre em
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Santa Teresa, São afloramentos rochosos e cerrado. Floresce de janeiro a
João de Petrópolis (19º59’S, 40º39’W);Vitória (20º14’S, março e frutifica em janeiro. (Assis, 2002, inéd.)
40º15’W).
Comentários: Erva ereta, com até 40 cm de altura. Fo-
lhas membranáceas. Flores vermelhas. Ocorre no inte- Alstroemeria variegata [Link]
rior de florestas estacionais. Encontrada com flores em
junho. (Assis, 2003, inéd.) Distribuição: MINAS GERAIS: Caldas, Pedra Branca
(21º55’S, 46º23’W).
Comentários: Erva ereta, com até 80 cm altura. Folhas
Alstroemeria chapadensis Hoehne cartáceas, papilosas adaxialmente. Flores vermelhas a
amareladas. Ocorre em afloramentos rochosos, em al-
Distribuição: MATO GROSSO: Chapada dos Guima-
titudes elevadas. Encontrada com flores de novembro a
rães (15º29’S, 55º41’W).
Comentários: Erva ereta, com até 80 cm de altura. Fo- fevereiro e com frutos em janeiro. (Assis, 2002, inéd.)
lhas membranáceas. Flores amarelas. Ocorre em cerra-
do. Encontrada com flores em março. (Assis, inéd.)
Referências:
Alstroemeria paraensis [Link] Assis, M.C. 2002. Novas espécies de Alstroemeria L. (Alstro-
Distribuição: PARÁ: Conceição do Araguaia (08º14’S, emeriaceae) de Minas Gerais, Brasil. Revta Brasil. Bot.
49º18’W). 25: 177-182.
Comentários: Erva com até 1,4 m altura. Folhas cartá- Assis, M.C. 2003. Duas novas espécies de Alstroemeria L
ceas. Flores vermelho-alaranjadas. Ocorre nas florestas
(Alstroemeriaceae) para o Brasil. Acta Bot. Bras. 17:
estacionais semideciduais próximas ao rio Araguaia. En-
179-182.
contrada com flores em fevereiro. (Assis, 2006, inéd.)
Assis, M.C. 2006. A new species of Alstroemeria (Alstroeme-
riaceae) from Pará, Brazil. Brittonia 58: 267-269.
Alstroemeria penduliflora [Link] Assis, M.C. Inéd. Alstroemeria L. (Alstroemeriaceae) do Bra-
Distribuição: MINAS GERAIS: Joaquim Felício, Serra sil. Tese de doutorado. Universidade de São Paulo, São
do Cabral (17º45’S, 44º05’W). Paulo, 2001.
48
Amaranthaceae AMARANTHACEAE
Ervas, arbustos ou subarbustos. Folhas simples, sésseis ou pedunculadas, lisas nas margens,
inteiras ou fendidas e por vezes mucronadas no ápice. Flores pequenas, 3- ou 5-meras, monoclamídeas, monoclinas ou
diclinas (plantas monóicas, dióicas ou ginodióicas) isostêmones; tépalas escariosas ou suculentas, livres ou fundidas na base
ou mais raramente fundidas até a altura mediana; estames livres ou fundidos em um tubo estaminal, eventualmente com
projeções alternas aos filetes (pseudo-estaminódios), anteras com deiscência longitudinal, introrsa ou latrorsa; gineceu
2- ou 3-carpelar, unilocular geralmente com 1 (eventualmente muitos) óvulo por lóculo.
Amaranthaceae inclui 169 gêneros e 2.360 espécies e está amplamente distribuída em regiões temperadas e tropicais
do globo (APG, 1998; Judd, 1999). São encontradas principalmente em ambientes áridos, salinos, em áreas de restinga,
no contato de vegetação com a praia ou em áreas antropizadas; poucas espécies são referidas para áreas de florestas ou
ambientes montanhosos (Kuhn et al., 1993; Townsend, 1993). São referidas cerca de 100 espécies (Barroso, 1998) e 17
gêneros no Brasil; esse número, no entanto, é subestimado. O gênero mais representativo no país é Gomphrena, com 47
espécies (Siqueira, 1992; Pedersen, 2000), seguido por Alternanthera com 45 (Senna, dados não publicados) e Pffafia com
20 (Marchioretto, Inéd.). São encontradas principalmente em áreas de caatinga, cerrado e campos rupestres. São apon-
tadas 17 espécies raras, mas revisões taxonômicas em gêneros como Alternanthera e mais estudos florísticos para o Brasil
poderão indicar muitas outras espécies raras na família.
Comentários: Subarbusto com cerca de 1 m de compri- Marchioretto, M.S. Inéd. Os gêneros Hebanthe Mart. e Pfaffia
mento; ramos flexuosos. Folhas ovado-elípticas, com in- Mart. (Amaranthaceae) no Brasil. Tese de doutorado, Uni-
dumento gríseo-tomentoso. Inflorescências alvescentas. versidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.
Ocorre em campos rupestres e bordas de mata ciliar com Marchioretto, M.S., Windisch, P.G. & Siqueira, J.C. 2002.
afloramentos rochosos. Encontrada com flores e frutos Os gêneros Froelichia Moench e Froelichiella R.E. Fries
em janeiro e maio. (Pedersen, 1997) (Amaranthaceae) no Brasil. Pesquisas Bot. 52: 7-46.
Pedersen, T.M. 1997. Studies in South American Amaran-
thaceae 4. Adansonia, sér. 3, 19: 217-251.
Referências:
Pedersen, T.M. 2000. Studies in South American Amaran-
APG (Angiosperm Phylogeny Group). 1998. An ordinal thaceae 5. Bonplandia 10: 83-112.
classification for the families of flowering plants. Ann. Senna, L.R. Inéd. Amaranthoideae e Gomphrenoideae
Missouri Bot. Gard. 85: 531-553. (Amaranthaceae Juss.) do estado da Bahia. Dissertação
Barroso, G.M., Peixoto, A.L., Costa, C.G., Guimarães, E.F. de Mestrado, Universidade Estadual de Feira de Santana,
& Ichaso, C.L.F. 1978. Amaranthaceae. Sistemática de an- Feira de Santana, 2006.
giospermas do Brasil. São Paulo, EDUSP, vol. 1, p. 98-99 Siqueira, J.C. 1992. O gênero Gomphrena L. (Amaranthaceae)
Judd W.S., Campbell, C.S., Kellogg, E.A. & Stevens, P.F. no Brasil. Pesquisas Bot. 43: 5-197.
1999. Plant systematics – A phylogenetic approach. Sun-
derland, Sinauer Associates, 464p. Siqueira, J.C. 2004. Duas novas espécies de Alternanthera For-
sk. (Amaranthaceae) para o Brasil. Eugeniana 27: 11-17.
Kuhn, U., Birtch, V., Carolin, R., Freitag, H., Hedge, I.C.,
Uotila, P. & Wilson, G. 1993. Chenopodiaceae. In K. Ku- Townsend, C.C. 1993. Amaranthaceae. In K. Kubitzki, J. G.
bitzki, J. G. Rohwer, & V. Bittrich (eds) The families and Rohwer, & V. Bittrich (eds) The families and genera of
genera of vascular plants. Flowering plants. Dicotyle- vascular plants. Flowering plants. Dicotyledons: Magno-
dons: Magnoliid, Hamamelid and Caryophyllid families. liid, Hamamelid and Caryophyllid families. New York,
Berlin, Springer-Verlag, vol. 2, p. 253-281. Springer-Verlag, vol. 2, p. 70-91.
Amaryllidaceae AMARYLLIDACEAE
51
Amaryllidaceae inclui 60 gêneros e 850 espécies e está amplamente distribuída, sendo a América do Sul um de seus cen-
tros de diversidade (Meerow, 2004). No Brasil, ocorrem aproximadamente 15 gêneros e cerca de 150 espécies (Dutilh,
2005; Alves-Araújo et al., 2008), três delas indicadas como raras.
Distribuição: PERNAMBUCO: São Lourenço da Mata, Alves-Araújo, A., Dutilh, J.H.A. & Alves, M. 2008. Ama-
Reserva Ecológica de Tapacurá (07º58’S, 35º04’W). ryllidaceae s.s. e Alliaceae s.s. no Nordeste brasileiro.
Comentários: Flores brancas. Conhecida apenas pelo Rodriguésia 59 (no prelo).
material-tipo, coletado por Pickel na década de 1930, no Dutilh, J.H.A. 2005. Amaryllidaceae. In M.G.L. Wander-
sub-bosque da Mata Atlântica, com flores em novembro. ley, G.J. Shepherd, T.S. Mehlen & A.M. Giulietti (eds)
Flora fanerogâmica do Estado de São Paulo. São Paulo,
(Preuss & Meerow, 2000; Alves-Araújo et al., 2008)
FAPESP/RiMa, vol. 4, p. 244-256.
Meerow, A. 2004. Amaryllidaceae. In N. Smith, S.A. Mori,
Griffinia arifolia Ravenna A. Henderson, [Link]. Stevenson & S.V. Heald (eds)
Flowering plants of the Neotropics. Princeton, Prince-
Distribuição: BAHIA: Alcobaça, Santo Antônio ton Press, p. 410-412.
(17º31’S, 39º12’W). Oliveira, R.S. Inéd. Flora da Cadeia do Espinhaço: Ze-
Comentários: Folhas longipseudopecioladas, sagitadas, phyranthes Herb. e Habranthus Herb. (Amaryllidaceae).
similares às encontradas em Arum (Araceae). Flores lilás. Dissertação de mestrado, Universidade de São Paulo,
Apresenta potencial para utilização como ornamental. São Paulo, 2006.
Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado por San- Preuss, K.D. & Meerow, A.W. 2000. Griffinia alba (Ama-
tos na década de 1970, no sub-bosque da mata úmida do ryllidaceae), a new species from Northeastern Brazil.
litoral sul da Bahia, com flores em julho. (Ravenna, 2000; Novon 10: 230-233.
Alves-Araújo et al., 2008) Ravenna, P.F. 2000. Five new species in the genus Griffinia
(Amaryllidaceae). Onira 4: 19-22.
Annonaceae ANNONACEAE
Arbustos a árvores ou lianas; ramos fibrosos. Folhas dísticas; sem estípulas. Flores
actinomorfas, geralmente com perianto trímero, diclamídeas, monoclinas, polistêmones, hipóginas; estames numerosos,
espiraladamente dispostos; gineceu apocárpico, com muitos carpelos. Frutos geralmente compostos por carpelos bacá-
ceos, livres ou mais raramente fundidos.
Annonaceae é uma das famílias mais importantes de plantas lenhosas, incluindo cerca de 2.500 espécies e 135 gêneros
(Chatrou et al., 2004) e ocorrendo no mundo todo, especialmente nos trópicos. Destaca-se também pela produção de frutos
comestíveis, dentre eles a graviola e a pinha. No Brasil, são encontrados cerca de 250 espécies e 33 gêneros (Souza & Lorenzi,
2008), ocorrendo em diversos habitats, como florestas, cerrados, caatingas e restingas. São apontadas aqui nove espécies raras.
Apocynaceae APOCYNACEAE
Alessandro Rapini, Rita Fabiana de Souza Silva & Leilane Naiara Pedreira Sampaio
Ervas a árvores ou trepadeiras, lactescentes, geralmente com coléteres nos nós, na face
adaxial das folhas e na axila do cálice. Flores actinomorfas ou quase, pentâmeras, gamopétalas, monoclinas, isostêmones,
geralmente hipóginas; estames 4- ou 2-esporangiados, liberando grãos de pólen em mônades ou tétrades, livres ou reu-
nidos em polínios; ovário com 2 carpelos livres no nível do ovário, mas que se fundem próximo ao ápice em uma cabeça
estilar. Frutos esquizocárpicos na maioria dos grupos, geralmente 1 par de folicários produzindo várias sementes comosas,
eventualmente cápsulas ou mericarpos bacáceos ou drupáceos.
Apocynaceae inclui quase 5.000 espécies e 450 gêneros. Está distribuídas principalmente nas regiões (sub)tropicais do
mundo todo. No Brasil, são estimados 750 espécies e 60 gêneros, estando especialmente diversificadas nas Regiões Sudes-
te e Sul. São apontadas 85 espécies raras, mas revisões taxonômicas em gêneros complexos como Matelea e mais estudos
florísticos nas Regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste poderão indicar muitas outras espécies raras na família.
Comentários: Trepadeira; ramos pubescentes. Folhas Comentários: Subarbusto com cerca de 30 cm de altu-
(sub)lineares, com tricomas na margem e nas nervuras. ra. Folhas lineares, glabras. Conhecida apenas pelo mate-
Flores com corola castanho-arroxeada abaxialmente, rial-tipo, coletado em cerrado por Gardner, em 1839; a
creme adaxialmente, e corona alva. Ocorre em campos localidade, na época pertencente ao Estado de Goiás, atu-
rupestres acima de 1.500 m s.n.m. Floresce entre no- almente faz parte do Estado de Tocantins. (Konno, inéd.)
vembro e março. (Goyder, 1995)
Ditassa oberdanii Fontella & Marquete foi novamente encontrada, na serra cortada pela antiga
estrada que ligava Santana do Riacho a Congonhas do
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Santa Teresa Norte. (Rapini et al., 2001)
(19º56’S, 40º36’W).
Comentários: Trepadeira; ramos hirsuto-vilosos. Folhas Hemipogon furlanii Fontella
estreito-lanceoladas, quase glabras. Flores alvas. Ocorre
em Mata Atlântica, acima de 500 m s.n.m. (Konno, inéd.) Distribuição: MINAS GERAIS: Juramento (16º49’S,
43º34’W).
Comentários: Trepadeira ou subarbusto escandente, de
D itassa obscura ([Link].) Farinaccio & 30 a 50 cm de altura. Folhas filiformes, glabras ou quase.
[Link] Flores com corola alva ou rósea. Conhecida apenas por
três coletas, uma delas com localização imprecisa. (Rapi-
Distribuição: MINAS GERAIS: Araxá, Serra de Araxá ni et al., 2001)
(19º35’S, 46º56’W); São Roque de Minas, Serras da Ca-
nastra (20º14S, 46º22W).
Comentários: Trepadeira; ramos tomentosos. Folhas Hemipogon harleyi (Fontella) Goyder
obovadas a elípticas, tomentosas adaxialmente, pubes-
Distribuição: BAHIA: Abaíra (13º18’S, 41º48’W); Mu-
centes abaxialmente. Flores com corola creme a alva. cugê (12º58’S, 41º20’W).
Ocorre acima de 1.000 m s.n.m. (Konno, inéd.) Comentários: Trepadeira. Folhas lineares, glabras ou qua
se. Flores com corola alva a esverdeada externamente, roxa
Ditassa subumbellata Malme internamente, e apêndice do ginostégio vináceo, even
tualmente com tons verdes. Ocorre nos campos rupestres
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro do sul da Chapada Diamantina. (Fontella-Pereira, 1994)
(22º58’S, 43º18’W).
Comentários: Trepadeira; ramos unilateralmente pu- Hemipogon hatschbachii (Fontella) Rapini
bescentes. Folhas elípticas a oblongas, glabras. Flores
com corola alva. Encontrada em Mata Atlântica, a cerca Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser-
de 800 m s.n.m., e em restinga, não tendo sido coletada ra do Cipó (19º09’S, 43º39’W).
há mais de 40 anos. (Konno, inéd.) Comentários: Subarbusto com cerca de 60 cm de altu-
ra. Folhas filiformes ou quase. Flores com corola vinácea.
Ocorre em campos rupestres, sobre solo pedregoso. Não
Gonolobus dorothyanus Fontella & [Link] era coletada desde o início da década de 1980, tendo sido
novamente encontrada em 2008. (Rapini et al., 2001)
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Res-
tinga de Jacarepaguá (22º55’S, 43º23’W).
Comentários: Trepadeira. Folhas obovadas, elípticas ou Hemipogon piranii (Fontella) Rapini
oblongas, glabras. Flores esverdeadas, com venação cas-
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Pirapama
tanha. (Konno et al., 2001)
(18º57’S, 43º46’W).
Comentários: Erva escandente, glabra ou quase. Folhas line-
Hemipogon abietoides [Link]. ares. Flores com corola alva, urceolada. (Rapini et al., 2001)
Comentários: Trepadeira; ramos pubescentes. Folhas lan- Comentários: Trepadeira pilosa. Folhas ovadas a largo-
ceoladas, glabrescentes. Flores com corola amarela e coro- elípticas. Flores alvas. Ocorre em campos rupestres do
na vinácea. Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado sul da Chapada Diamantina. Encontrada com flores prati-
no início da década de 1970. (Fontella-Pereira, 1989) camente o ano todo. (Fontella-Pereira et al., 1989)
Distribuição: MINAS GERAIS: Delfinópolis, Serra da Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina (18º11’S,
Babilônia (20º30’S, 46º30’W). 43º34’W).
Comentários: Arbusto glabro. Folhas lanceoladas, sub- Comentários: Subarbusto escabro. Folhas elípticas, di-
cordadas. Conhecida apenas pelo material-tipo, coleta- minutas. Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado
do por Glaziou em 1869, nas proximidades de Passos. sobre solo pedregoso, no Planalto de Diamantina, no iní-
cio da década de 1970. (Rapini et al., 2001; Konno, inéd.)
(Fournier, 1885)
Distribuição: BAHIA: Mucugê (12º59’S, 41º20’W); Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina (18º15’S,
Rio de Contas (13º26’S, 41º45’W). 43º41’W).
60 Apocynaceae
Comentários: Subarbusto escabro formando touceiras en- Flores com corola alva ou creme-acastanhada. Ocorre
tre rochas. Folhas cordiformes, diminutas, reflexas. Flores sobre solos ferrugíneos, no sul da Cadeia do Espinhaço.
com corola alva ou creme. Ocorre nos campos rupestres Não é recoletada na Serra do Rola-Moça desde o início
do Planalto de Diamantina. Encontrada com flores pratica- da década de 1960 e, apesar de duas coletas relativamen-
mente o ano todo. (Rapini et al., 2001; Konno, inéd.) te recentes (1994 e 2004) em Itabirito, encontra-se pro-
vavelmente extinta naquela localidade devido à minera-
ção. (Rapini et al., 2001; Konno, inéd.)
M inaria hemipogonoides ([Link].) [Link]
& Rapini
Minaria polygaloides (Silveira) [Link] &
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser- Rapini
ra do Cipó (19º07’S, 43º40’W).
Comentários: Subarbusto glabro a escabro, com até 50 Distribuição: MINAS GERAIS: Caeté (19º49’S, 43º40’W);
cm de altura. Folhas diminutas, lanceoladas, patentes. Santana do Riacho, Serra do Cipó (19º09’S, 43º34’W).
Não era coletada havia quase 100 anos, tendo sido no- Comentários: Erva a subarbusto, com até 20 cm de
vamente encontrada em 2008, próximo à antiga estra- altura; ramos hirsutos. Folhas lanceoladas, geralmente
da que ligava Santana do Riacho a Congonhas do Norte. cimbiformes e eretas, glabras ou quase. Flores solitárias,
(Rapini et al., 2001; Konno, 2005) com corola rósea a lilás. Típica da Serra do Cipó, foi co-
letada uma única vez em Caeté, ainda na década de 1940.
Floresce de outubro a abril. (Rapini et al., 2001)
Minaria inconspicua (Rapini) Rapini
Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina (18º16’S, Minaria refractifolia ([Link].) [Link] &
43º50’W). Rapini
Comentários: Erva geralmente com até 15 cm de altu-
Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina (18º15’S,
ra. Folhas lanceoladas a lineares, glabras ou quase. Flores
43º50’W); Gouveia (18º27’S, 43º44’W); Serro
com corola creme ou amarelada. Ocorre nos campos ru-
(18º36’S, 43º22’W).
pestres do Planalto de Diamantina. (Rapini et al., 2001)
Comentários: Subarbusto com até 40 cm de altura, for-
mando touceiras entre rochas; ramos pubescentes. Fo-
Minaria magisteriana (Rapini) [Link] & lhas sublanceoladas, cimbiformes, diminutas, reflexas,
Rapini com tricomas esparsos adaxialmente. Flores com corola
creme-esverdeada. Ocorre nos campos rupestres do Pla-
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Pirapama nalto de Diamantina. Floresce principalmente de janeiro
(18º56’S, 43º44’W); Santana do Riacho (19º14’S, 43º33’W). a abril. (Rapini et al., 2001; Konno, inéd.)
Comentários: Subarbusto rupícola, cespitoso, escabro.
Folhas lineares a suboblongas, patentes. Flores com coro-
la alva, solitárias. Coletada pela primeira vez em 1998, é
Minaria semirii (Fontella) [Link] &
Rapini
conhecida apenas de duas localidades, nos campos rupes-
tres da Serra do Cipó. (Rapini et al., 2001; Konno, inéd.) Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser-
ra do Cipó (19º06’S, 43º39’W).
Minaria monocoronata (Rapini) [Link] & Comentários: Subarbusto rupícola, cespitoso, escabro,
com até 40 cm de altura. Folhas diminutas, cordiformes, re-
Rapini
volutas, patentes a reflexas. Flores com corola creme. Ocor-
Distribuição: MINAS GERAIS: Ibiritê, Serra do Rola- re em campos rupestres. (Rapini et al., 2001; Konno, inéd.)
Moça (20º04’S, 44º04’W); Itabirito, Pico do Itabirito
(20º13’S, 43º50’W).
Comentários: Erva com cerca de 10 cm de altura a su-
Nephradenia filipes Malme
barbusto decumbente, pubescente. Folhas ovadas a lan- Distribuição: MATO GROSSO: Chapada do Guima-
ceoladas, cimbiformes, patentes, esparsamente ciliadas. rães (‘Serra da Chapada’) (15º24’S, 55º44’W).
Apocynaceae 61
Comentários: Arbusto glabro. Folhas lineares. Conhe- Comentários: Trepadeira glabrescente. Folhas elípticas,
cida apenas pelo material-tipo, coletado por Malme em discolores. Flores com corola creme-esverdeada passan-
1894, próximo ao Morro São Gerônimo. (Malme, 1900) do a arroxeada para a base, corona e apêndice do ginosté-
gio alvos. Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado
Orthosia eichleri [Link]. recentemente em mata pluvial atântica. (Farinaccio &
Mello-Silva, 2006)
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Petrópolis (22º34’S,
43º15’W); Teresópolis (22º26’S, 42º56’W).
Comentários: Trepadeira hirsuta. Folhas elípticas. Co-
Oxypetalum habrogynum Farinaccio
nhecida apenas da Serra dos Órgãos. (Fournier, 1885) Distribuição: MINAS GERAIS: São Roque de Minas,
Serra da Canastra (20º11’S, 46º35’W).
Orthosia loandensis Fontella Comentários: Trepadeira; ramos tomentosos. Folhas
oblongas, pubescentes. Flores com corola roxa a verde
Distribuição: PARANÁ: São Pedro do Paraná (‘Loan- adaxialmente, alvas abaxialmente, corona alva e apêndice
da’), Porto São José (22º43’S, 53º10’W). do ginostégio alvo a rosado. Conhecida apenas por cole-
Comentários: Trepadeira. Flores com corola amarela. tas recentes, em campos sobre solos úmidos, próximo a
Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado em área capões. (Farinaccio, 2004)
perturbada de mata úmida, a cerca de 245 m s.n.m., em
1959. (Fontella-Pereira et al., 1985)
Oxypetalum helios Farinaccio
Oxypetalum costae Occhioni Distribuição: MINAS GERAIS: São Roque de Minas,
Serra da Canastra (20º10’S, 46º40’W).
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Itatiaia (22º26’S, Comentários: Trepadeira; ramos pubescentes. Folhas
44º34’W). elípticas, com tricomas ao longo das nervuras. Flores
Comentários: Trepadeira; ramos fulvo-tomentosos. Fo- com cálice amarelo a verde, vináceo para a base, corola
lhas ovado-cordadas, pubescentes adaxialmente, tomento- creme a amarela, corona verde-clara e apêndice do gi-
sas abaxialmente. Flores com sépalas vilosas e corola ama-
nostégio creme, rosado no ápice. Conhecida apenas por
relo-esverdeada. Conhecida apenas por duas coletas, acima
coletas recentes, ocorrendo em bordas de capões, sobre
de 2.000 m s.n.m. (Occhioni, 1952; Marquete et al., 2007)
solos úmidos. (Farinaccio, 2004)
Distribuição: MINAS GERAIS: Aiuruoca, Serra do Papa- Distribuição: SANTA CATARINA: Lauro Müller, Serra
gaio (22º02’S, 44º40’W). RIO JANEIRO: Itatiaia (22º26’S, do Rio do Rastro (28º26’S, 49º26’W).
44º34’W). SÃO PAULO: Cruzeiro (22º34’S, 44º56’W). Comentários: Trepadeira puberulenta. Folhas triangula-
Comentários: Trepadeira ou arbusto prostrado. Flores res. Ocorre nos paredões rochosos de Aparados da Serra,
com corola alva a esverdeada. Encontrada entre pedras, entre 800 e 1.300 m s.n.m. (Fontella-Pereira et al., 2004b)
a partir de 1.800 m s.n.m., na Serra da Mantiqueira,
divisa entre Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais,
especialmente em Itatiaia. Floresce de outubro a abril.
Oxypetalum leonii Fontella
(Marquete et al., 2007) Distribuição: MINAS GERAIS: Caparaó, Pico da Ban-
deira (20º25’S, 41º46’’W).
O xypetalum gyrophyllum Farinaccio & Mello- Comentários: Trepadeira; ramos glabrescentes. Folhas
Silva lanceoladas, glabras ou com tricomas esparsos. Flores
com cálice vináceo a castanho, corola alva, corona e
Distribuição: RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO: Para- apêndice do ginostégio vináceos, passando a esbranqui-
ti/Ubatuba, Pico do Cuscuzeiro (23º15’S, 45º15’W). çados para o ápice. (Fontella-Pereira, 1996)
62 Apocynaceae
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Apodanthaceae APODANTHACEAE
65
Flávio França
Estudos filogenéticos demontraram que Rafflesiaceae e Apodanthaceae não estão proximamente relacionadas; enquanto
a primeira está inserida em Malpighiales, a segunda está mais relacionada a Curcubitales (Barkman et al., 2007). Apodan-
thaceae inclui três gêneros e cerca de 25 espécies tropicais; no Brasil, ela está representada por dois gêneros e 10 espécies
(Souza & Lorenzi, 2008), duas delas raras.
Distribuição: MINAS GERAIS: Viçosa-São Miguel do Barkman, T.J., McNeal, J.R., Lim, S.-H., Coat, G., Croom,
Anta (20º43’S, 42º47’W). H.B.,Young, N.D. & dePamphilis C.W. 2007. Mitochon-
Comentários: Parasita de Casearia (Salicaceae). Brácteas drial DNA suggests at least 11 origins of parasitism in
inferiores com três lobos no ápice. Flores com pétalas angiosperms and reveals genomic chimerism in parasitic
plants. BMC Evol. Biol. 7: 248.
irregularmente orbiculares, com uma expansão na parte
inferior de um dos lados. Conhecido apenas pelo mate- Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
rial-tipo. (Vattimo, 1971, 1973) ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
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Pilostyles stawiarskii Vattimo Vattimo, I. 1971. Contribuição ao conhecimento da Tribo
Apodanthea [Link]. Parte 1: Conspecto das espécies (Ra-
Distribuição: PARANÁ: Palmas, Bituruna (26º10’S, fflesiaceae). Rodriguésia 26(38): 37-62.
51º33’W).
Vattimo, I. 1973. Notas sobre o gênero Apodanthes Poit. com
Comentários: Parasita de Mimosa scaberrima (Bracatin-
descrição de duas espécies novas (Rafflesiaceae). Revta
ga, Leguminosae). Flor estaminada com disco convexo; a Brasil. Biol. 33: 135-141.
pistilada com disco plano, nitidamente distinto do estile-
te. (Vattimo, 1971)
66
AquifoliaceaeAQUIFOLIACEAE
Milton Groppo
Aquifoliaceae inclui apenas o gênero Ilex, com cerca de 400 espécies, distribuídas preferencialmente em regiões tropicais, mas
presentes também em regiões temperadas. No Brasil, são encontradas cerca de 50 espécies, quatro delas consideradas raras.
1
Lívia G. Temponi, 2Marcus A. N. Coelho & 3Simon J. Mayo
Araceae está dividida em nove subfamílias, incluindo 107 gêneros e aproximadamente 3.750 espécies. Está distribuída nas Amé-
ricas Tropical e do Norte, na África Tropical Continental e Sul, Eurásia Temperada, Arquipélago Malaio, Madagascar e Seychel-
les (Mayo et al., 1997). No Brasil, ocorre em todo o território nacional, com 30 gêneros e aproximadamente 350 espécies,
sendo a Mata Atlântica um dos centros de diversidade da família (Govaerts & Fodin, 2002). São apontadas 27 espécies raras.
Anthurium ameliae Nadruz & Cath. Comentários: Erva terrestre. Folhas eretas, ovadas a
ovado-lanceoladas, com as nervuras laterais primárias e
Distribuição: SÃO PAULO: Bananal, Serra da Bocaina secundárias claramente visíveis em ambas as faces. Es-
pádice brevistipitada, com espata verde. (Coelho, 2006)
(22º41’S, 44º19’W).
Comentários: Erva terrestre ou rupícola. Folhas leve-
mente discolores, com as 2 nervuras basais e as laterais Anthurium fragae Nadruz
primárias levemente impressas a somente visíveis na face
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Castelo (20º36’S,
adaxial, levemente proeminentes a somente visíveis na 41º11’W).
abaxial. Espádice séssil, com espata reflexa. Ocorre em Comentários: Erva rupícola, heliófila. Folhas longipe-
floresta de altitude voltada para a face atlântica, no vale cioladas, com mais de 30 cm de comprimento, lanceo-
do rio Bracuhy. (Coelho & Catharino, 2005) ladas, agudas no ápice, cuneadas na base. Espádice séssil.
Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado em 2000,
numa floresta de altitude. (Coelho, 2006)
Anthurium bocainense Cath. & Nadruz
Distribuição: SÃO PAULO: Bananal (22º41’S, Anthurium gomesianum Nadruz
44º19’W); São José do Barreiro, (22º38’S, 44º34’W). Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Santa Teresa
Comentários: Erva terrestre. Folhas levemente pruino- (19º56’S, 40º36’W).
sas abaxialmente, com 3 nervuras basais fortemente im- Comentários: Erva terrestre ou rupícola. Folhas lan-
pressas adaxialmente. Espádice estipitada, com espata na- ceoladas, agudas ou algumas vezes curto-apiculadas no
vicular. Ocorre na Serra da Bocaina, nordeste do estado ápice, cuneadas na base. Frutos verdes. (Coelho, 2006)
de São Paulo, dentro e no entorno do Parque Nacional da
Bocaina. (Coelho & Catharino, 2005) Anthurium jureianum Catharino & Olaio
Distribuição: SÃO PAULO: Peruíbe, Estação Biológica
Anthurium bragae Nadruz da Juréia (24º24’S, 47º02’W).
Comentários: Erva terrestre ou rupícola. Folhas adultas
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Itatiaia, Parque Na- coriáceas, ovado-peltadas, deflexas, com nervuras basais.
cional Itatiaia (22º24’S, 44º38’W). (Catharino & Olaio, 1990)
68 Araceae
Comentários: Erva escandente. Folhas sagitadas, com 3 Coelho, M.A.N. 2006. New species of Anthurium (Araceae)
a 4 nervuras laterais primárias. Espádice com apêndice from Brazil. Aroideana 29: 91-103.
estéril longo e espata reflexa durante a antese, caracterís- Coelho, M.A.N. & Catharino, E.L.M. 2005. Duas espécies
ticas pouco comuns no gênero. (Sakuragui, 2001) novas de Anthurium Schott (Araceae) para o Brasil. Ro-
driguésia 56(88): 35-41.
Philodendron tenuispadix [Link]ç. Gonçalves, E.G. 2001. A new Anthurium (Araceae) from
Serra do Cipó, Brazil. Aroideana 24: 6-12.
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: São Gabriel da Palha Gonçalves, E.G. & Salviani, E.R. 2001. Anthurium xantho-
(19º01’S, 40º32’W); Santa Teresa (19º56’S, 40º36’W). phylloides [Link] (Araceae) re-found in Espírito
Comentários: Erva hemiepífita, ocasionalmente terres- Santo State, Eastern Brazil. Aroideana 24: 13-17.
tre. Folhas ovadas a ovado-triangulares, cordadas na base, Govaerts, R. & Frodin, D.G. 2002. World checklist and bi-
com 6 a 8 nervuras laterais primárias. Espádice delgada, bliography of Araceae (and Acoraceae). Kew, Royal Bo-
com apêndice estéril apical longo. (Sakuragui et al., 2005) tanic Gardens, 560p.
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rium (Araceae) seção Urospadix subseção Flavescentiviridia. Temponi, L.G. Inéd. Sistemática de Anthurium sect. Urospa-
Tese de doutorado, Universidade Federal do Rio Grande dix (Araceae). Tese de doutorado, Universidade de São
do Sul, Porto Alegre, 2004. Paulo, São Paulo, 2006.
AraliaceaeARALIACEAE
71
Pedro Fiaschi
Araliaceae inclui 37 gêneros e aproximadamente 1.900 espécies, a maioria das quais em áreas tropicais e subtropicais da
Ásia, Oceania, Américas Central e do Sul, e Madagascar. No Brasil, são encontrados quatro gêneros e cerca de 85 espécies
nativas (15 delas indicadas como rara): Aralia (3 espécies), Dendropanax (cerca de 25, 4 raras), Oreopanax (2) e Schefflera
(cerca de 55, 11 raras). A maioria das espécies brasileiras ocorre em regiões úmidas, geralmente acima de 600 m s.n.m.,
no Planalto Brasileiro, ou em áreas remanescentes do Planalto das Guianas, em áreas limítrofes com a Venezuela.
Arecaceae ARECACEAE
Alessandro Rapini
Arecaceae é uma das famílias mais características dentre as angiospermas, sendo um importante formador de paisagens
em desertos na África, mangues na Ásia, e veredas, babaçuais e carnaubais na América do Sul, além de ser de grande im-
portância para o ser humano, especialmente para as comunidades indígenas americanas. De representantes da família se
aproveitam o palmito, a tâmara, o açaí, a pupunha, além da água-de-coco, o óleo-de-dendê e o leite-de-coco; são também
utilizadas para construção de habitações indígenas, no artesanato e para ornamentação. A família inclui cerca de 200 gêne-
ros e 2.500 espécies e possui distribuição predominantemente pantropical. Aproximadamente 40 gêneros e cerca de 200
espécies são nativos do Brasil, cinco delas apontadas como raras.
AsteraceaeASTERACEAE
Jimi Naoki Nakajima, Aristônio M. Teles, Mara Ritter, Claudio Augusto Mondin, Massimilliano
Dematteis, Gustavo Heiden, Rafael A. Xavier Borges, Vanessa L. Rivera, João B. A. Bringel Jr., Mariana
Saavedra, Rita de Cássia Araújo Pereira & Maria Rita Cabral Sales de Melo
Asteraceae é a maior família dentre as angiospermas, com aproximadamente 1.600 gêneros e 23.000 espécies (Anderberg et
al., 2007), o que representa cerca de 10% da flora mundial (Pruski & Sancho, 2003). A maioria das espécies ocorre preferen-
ciamente em formações campestres e montanas nas regiões (sub)tropicais e temperadas do mundo, exceto na Antártica (Funk
et al., 2005). No Brasil, a família está representada por aproximadamente 2.000 espécies e 250 gêneros (Souza & Lorenzi,
2008), com um grande número de espécies endêmicas, especialmente no Cerrado, sendo 109 espécies apontadas como raras.
Aspilia pohlii ([Link]. ex Baker) Baker nutos, paucifloros, solitários, na axila das folhas. Ocorre
em campos rupestres. (Barroso, 1976)
Distribuição: GOIÁS: Engenho do Capitão Pires (loca-
lidade não identificada).
Comentários: Arbusto de 90 cm a 1,25 m de altura. Aqu-
Baccharis dubia Deble & [Link]
ênios com 5 ou 6 aristas no pápus. Conhecida apenas pelo Distribuição: MINAS GERAIS/ESPÍRITO SANTO:
material-tipo, coletado no início do séc. 19. (Santos, 2001) Parque Nacional do Caparaó, Pico da Bandeira (20º31’S,
41º54’W).
Aspilia pseudoyedaea [Link]. Comentários: Subarbusto a arbusto, com cerca de 50
cm de altura, polígamo; capítulos pistilados, estaminados
Distribuição: DISTRITO FEDERAL: Brasília (15º36’S, e radiados (com flores do raio pistiladas e do disco mo-
47º41’W); Fercal (15º36’S, 47º49’W); Sobradinho noclinas) em plantas distintas. (Deble & Oliveira, 2006)
(15º39’S, 47º51’W).
Comentários: Subarbusto de 1,5 a 2,5 m de altura. Fo-
lhas pecioladas. Conhecida apenas por dois registros, em
Baccharis elliptica Gardner
1956 e 1966, foi redescoberta em 2005 e 2006. Ocor- Distribuição: MINAS GERAIS: Couto de Magalhães
re em cerrados, campos úmidos, matas de galeria e em (18º04’S, 43º28’W); Diamantina (18º14’S, 43º36’W);
ambientes rupestres. Encontrada com flores e frutos em Gouveia (18º25’S, 43º42’W).
outubro, abril e maio. (Santos, 2001) Comentários: Arbusto com até 1,5 m de altura. Folhas
elípticas a orbiculares, denteadas na metade distal. Capí-
B accharis arassatubensis Malag. & Hatschb. ex
tulos longipedicelados, em capitulescências corimbifor-
mes terminais. Ocorre nos campos rupestres da porção
[Link]
central do Planalto de Diamantina, entre 1.100 e 1.300
Distribuição: PARANÁ/SANTA CATARINA: Guara- m s.n.m. (Barroso, 1976)
tuba/Garuva, Serra de Araçatuba (25º55’S, 48º40’W).
Comentários: Arbustos de 1 a 2 m de altura. Folhas Baccharis macrophylla Dusén
oblongas, inteiras a curtamente serreadas na margem.
Capítulos na axila das folhas e difusos ao longo dos ra- Distribuição: RIO DE JANEIRO: Itatiaia, Parque Na-
mos. (Barroso, 1976) cional do Itatiaia (22º29’S, 44º33’W).
Comentários: Arbustos com cerca de 1 m de altura. Fo-
lhas elípticas a obovadas, esparsamente denteadas no ápi-
Baccharis ciliata Gardner ce, cerosas, coriáceas. Capitulescências terminais corimbi-
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Teresópolis, Parque
formes. Ocorre a acima de 2.000 m s.n.m. (Dusén, 1913)
Nacional da Serra dos Órgãos (22º24’S, 42º57’W).
Comentários: Subarbusto com até 0,5 m de altura. Fo- Baccharis maxima Baker
lhas elípticas a obovadas, denteadas na metade superior
da lâmina, seríceas quando jovens. Capítulos em capitu- Distribuição: RIO DE JANEIRO: Itatiaia, Parque Na-
lescências corimbiformes. Ocorre em campos de altitu- cional do Itatiaia (22º29’S, 44º33’W).
de, acima de 2.000 m s.n.m., sendo registrada apenas na Comentários: Subarbusto de 0,5 a 1 m de altura. Folhas
Pedra dos Sinos. (Barroso, 1976) lanceoladas, membranáceas, tomentosas. Capítulos dispos-
tos em capitulescências paniculiformes amplas. Ocorre em
campos de altitude acima de 2.000 m s.n.m. (Barroso, 1976)
Baccharis concinna [Link]
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Par- Baccharis pseudovaccinioides Malag.
que Nacional da Serra do Cipó (19º17’S, 43º34’W).
Comentários: Subarbusto com cerca de 1 m de altura. Distribuição: RIO DE JANEIRO: Teresópolis, Parque
Folhas obovadas, denteadas na margem. Capítulos dimi- Nacional da Serra dos Órgãos, (22º24’S, 42º57’W).
78 Asteraceae
Comentários: Subarbusto com cerca 1 m de altura. Fo- Comentários: Arbusto ereto, de 15 a 40 cm de altura,
lhas oblongas, trinérveas, denteadas no ápice. Capítulos ramificado. Folhas obovadas, levemente revolutas na mar-
axilares, pedunculados. Ocorre em campos de altitude gem, densamente alvo-lanosas na face abaxial. Capítulos
do Campo das Antas e da Pedra do Frade. (Barroso, 1976) homógamos, em capitulescência corimbiforme. Ocorre
em fendas de rochas, entre 2.000 e 3.000 m s.n.m. Flo-
Bidens edentula [Link] resce entre fevereiro e dezembro. (Freire, 1993)
Distribuição: SÃO PAULO: Peruíbe, Estação Ecológica Graphistylis argyrotricha (Dusén) [Link].
Juréia-Itatins (24º19’S, 46º59’W).
Comentários: Ervas robustas, de 1 a 1,5 m de altura. Distribuição: MINAS GERAIS: Passa Quatro (22º23’S,
Folhas gríseo-tomentosas abaxialmente, as basais ovado- 44º58’W). RIO DE JANEIRO: Itatiaia (22º29’S, 44º33’W).
cordadas e pecioladas, as superiores oblongas e sésseis. Comentários: Arbusto a subarbusto, de 1 a 2 m de altu-
Ocorre em restinga. (Teles et al., 2006) ra. Caule, ramos e pecíolos avermelhados. Folhas (oblon-
80 Asteraceae
Ichthyothere matogrossensis [Link] & lescências glomerulosas; flores com a série externa do pápus
coroniforme. Ocorre em campos rupestres da Chapada Dia-
Semir
mantina. Encontrada com flores em janeiro. (Semir, inéd.)
Distribuição: MATO GROSSO DO SUL: Campo
Grande, Lagoa Rica (20º26’S, 54º38’W).
Comentários: Erva decumbente, com cerca de 60 cm
Lychnophora mello-barretoi [Link]
de altura; ramos sarmentosos. Folhas opostas, sésseis, Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser-
coriáceas. Ocorre em campos cerrados úmidos. Encon- ra do Cipó (19º09’S, 43º43’W).
trada com flores e frutos provavelmente de outubro a Comentários: Arbusto de 1 a 2 m de altura; ramos delica-
março. (Pereira, inéd.) dos. Folhas ovadas a elípticas, pecioladas. Capitulescência
em glomérulos compostos; flores com série externa do
pápus escamiforme. Ocorre em campos rupestres. Encon-
Ichthyothere petiolata [Link]. trada com flores entre novembro e abril. (Semir, inéd.)
Distribuição: RONDÔNIA: Ariquemes (09º54’S,
63º02’W); Porto Velho (08º45’S, 63º54’W). Lychnophora phylicifolia DC.
Comentários: Erva ereta, com cerca de 80 cm de altura.
Flores femininas com tricomas glândulosos pluricelula- Distribuição: BAHIA: Barra da Estiva, Serra do Sincorá
res na corola. Ocorre em manchas do cerrado amazônico (13º36’S, 41º19’W).
e em áreas de capoeiras. Encontrada com flores e frutos Comentários: Arbusto com cerca de 1,25 m altura. Fo-
de outubro a março. (Pereira, inéd.) lhas imbricadas, ovadas a ovado-lanceoladas, discolores.
Capitulescência em glomérulo simples; flores com a série
externa do pápus coroniforme. Ocorre em campos ru-
Leptostelma camposportoi (Cabrera) Teles & pestres. Encontrada com flores em março. (Semir, inéd.)
Sobral
Distribuição: BAHIA: Rio de Contas, Pico das Almas Lychnophora souzae [Link].
(13º32’S, 41º54’W).
Comentários: Arbusto com até 1 m altura. Folhas ovadas Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina (18º13’S,
a lanceoladas, discolores. Capítulo com 5 flores, em capitu- 43º36’W).
82 Asteraceae
Comentários: Arbusto de 1 a 1,3 m altura. Folhas con- Comentários: Erva escaposa. Folhas lineares a elípticas.
gestas no ápice da planta, (linear-)subuladas. Capitules- Capítulos pedunculados, com 21 a 43 flores. Ocorre em
cência espiciforme ou em glomérulo; flores com série ex- campos arenosos. Floresce entre junho e setembro. (Se-
terna do pápus aneliforme. Ocorre em campos rupestres. mir & Jesus, 2004)
Encontrada com flores entre março e junho. (Semir, inéd.)
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90
Balanophoraceae BALANOPHORACEAE
Balanophoraceae possui aproximadamente 44 espécies e 17 gêneros nas regiões (sub)tropicais (modificado de Hansen,
1980). Pode ser encontrada nos mais diferentes ambientes, exceto nos desertos. No Brasil, ocorrem seis gêneros e 11 espé-
cies (uma delas indicada como rara), não tendo sido registrada apenas na Caatinga. A Mata Atlântica possui o maior número
de espécies endêmicas e o Estado do Rio de Janeiro é a região mais diversa, com sete espécies e cinco gêneros de Balano-
phoraceae (Falcão, 1966, 1971). Os fragmentos florestais da cidade do Rio de Janeiro, da Serra do Mar e da Serra da Manti-
queira são refúgios dessas espécies, naturalmente escassas, e das interações ecológicas indispensáveis para sua sobrevivência.
Distribuição: GOIÁS: Goiânia, Ribeirão João Leite Delprete, P.G. 2004. A new species of Lophophytum and the
(16º40’S, 49º15’W), Pirenópolis, Serra dos Pireneus first report of Lathrophytum (Balanophoraceae) from the
(15º50’S, 48º55’W). state of Goiás, Central Brazil. Kew Bull. 59: 291-295.
Comentários: Folhas escamiformes, subpeltadas, cadu- Falcão, W.F de A. 1966. Balanophoraceae do Estado da Gua-
cas. Inflorescência rósea, vermelha ou ferrugínea, estro- nabara. Rodriguésia 37: 133-139.
biliforme, de 9,2 a 11 cm de comprimento, monóica, Falcão,W.F. de A. 1971. Balanophoraceae do Estado do Rio de
com flores pistiladas na porção apical e as estaminadas Janeiro. Atas Soc. Biol. Rio de Janeiro 14(5-6): 151-155.
na basal. Flores estaminadas em ramificações curtas, de Hansen, B. 1980. Balanophoraceae. Fl. Neotrop. Monogr.
0,5 a 1 mm de comprimento e com 5 ou 6 flores cada; 23: 1-79.
as pistiladas com estiletes longos, de 1,5 a 1,8 mm de
comprimento. Conhecida apenas por duas coletas, uma
em campos rupestres a cerca de 1.350 m s.n.m. e outra
em mata ciliar a cerca de 400 m s.n.m. (Delprete, 2004)
Begoniaceae BEGONIACEAE
91
Begoniaceae tem distribuição pantropical e possui dois gêneros: Hillebrandia, monotípico e restrito ao arquipélago do
Havaí, e o gênero Begonia, amplamente distribuído, com cerca de 1.400 espécies (excluindo os híbridos). A maioria das
espécies de Begonia apresenta potencial ornamental. No Brasil, a família está representada por aproximadamente 200 es-
pécies (27 raras), distribuídas em todas as formações vegetais (exceto manguezais) e tendo um dos seus principais centros
de diversidade na Mata Atlântica.
Morro Costa da Lagoa (27º32’S, 48º27’W); Lauro Mül- um porte mais robusto, folhas subcoriáceas, glabérrimas,
ler, Serra do Rio do Rastro (28º24’S, 49º23’W); Palhoça, estípulas grandes e papiráceas, placenta inteira e frutos
Teresópolis (27º39’S, 48º39’W). com alas desenvolvidas. Ocorre em locais de baixa decli-
Comentários: Erva híspida, coberta com escamas fili- vidade e maior acúmulo de matéria orgânica, tais como
formes e longas. Folhas pilosas. Flores com alas do hi- topos de morros e fendas de rochas. (Pompéia et al., 1993)
panto corniformes e ramos dos estigmas de grande es-
pessura, caráter pouco comum nas espécies brasileiras de
begônia. Ocorre nos paredões rochosos de arenito, em Referências:
locais sombrios, entre 490 e 1.100 m s.n.m. (Jacques &
Mamede, 2005; Jacques, inéd.) Gomes da Silva, S.J. Inéd. Begoniaceae da Mata Atlântica
na Serra do Mar do Estado de São Paulo, Brasil. Tese de
Begonia squamipes Irmsch. mestrado, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.
Gomes da Silva, S.J. & Mamede, M.C.H. 2001. Begoniace-
Distribuição: SANTA CATARINA: Bom Jardim da Ser- ae da Mata Atlântica na Serra do Mar do Estado de São
ra, Serra do Rio do Rastro (28º20’S, 49º38’W); Lauro Paulo, Brasil. Bol. Inst. Bot. 15: 1-61.
Müller, Serra do Oratório (28º24’S, 49º23’W). Jacques, E.L. 1996. Begoniaceae. In M.P.M. Lima & R.
Comentários: Erva recoberta por escamas macias. Flo- Guedes-Bruni (orgs) Reserva Ecológica de Macaé de
res com tépalas quase iguais entre si. Frutos com alas Cima, Nova Friburgo – RJ: aspectos florísticos das espé-
semelhantes entre si, estreito-triangulares, corniformes. cies vasculares. Rio de Janeiro, Jardim Botânico do Rio
de Janeiro, vol. 2, p. 93-103.
Ocorre em paredões rochosos ou basálticos ou no inte-
rior de mata nebular. (Jacques, inéd.) Jacques, E.L. 2008. Begonia lunaris [Link] (Begoniace-
ae), uma nova espécie para o Estado do Rio de Janeiro,
Brasil. Rodriguesia 59: 259-263.
Begonia toledoana Handro Jacques, E.L. Inéd. Estudos taxonômicos das espécies brasi-
leiras do gênero Begonia L. (Begoniaceae) com placenta
Distribuição: SÃO PAULO: Apiaí, Parque Estadual Tu- partida. Tese de doutorado, Universidade de São Paulo,
rístico do Alto da Ribeira (24º31’S, 48º46’W); Eldorado, São Paulo, 2002.
Parque Estadual de Jacupiranga, núcleo Caverna do Dia-
Jacques, E.L. & Mamede, M.C.H. 2004. Novelties in Be-
bo (24º34’S, 48º17’W); Iporanga (24º34’S, 48º36’W). gonia (Begoniaceae) from the coastal forests of Brazil.
Comentários: Erva castanho-vilosa, com tricomas Brittonia. 56: 75-81.
longos, finos e emaranhados. Folhas adaxialmente com
Jacques, E.L. & Mamede, M.C.H. 2005. Notas nomenclaturais
tricomas dendríticos, longos nas nervuras, curtos na lâ- em Begonia (Begoniaceae). Revta Brasil. Bot. 28: 579-588.
mina. Ocorre no sub-bosque de mata sobre rochas cal-
cárias, próximo de grutas, em áreas de transição entre Klein, R.M. 1997. Espécies raras ou ameaçadas de extinção:
Estado de Santa Catarina. Rio de Janeiro, Fundação Institu-
floresta atlântica e campo de altitude. (Gomes da Silva &
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Mamede, 2001; Gomes da Silva, inéd.)
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de Santa Lúcia, Município de Santa Tereza, Estado do
Begonia venosa Skank ex Hook. Espírito Santo, Brasil. Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (n.
sér.) 20: 7-25.
Distribuição: SÃO PAULO: Santos, Ilha dos Alcatrazes Pompéia, S.L., Pereira, A., Rossi, L., Aidar, M.P.M., Moraes,
(24º06’S, 45º42’W). R.P. & Santos, R.P. 1994. A vegetação da Ilha de Alcatrazes
Comentários: Erva lanosa, com tricomas estrelados. Es- - São Paulo. Anais do III Simpósio de Ecossistemas da Cos-
típulas venosas, paleáceas, translúcidas e persistentes. Fru- ta Brasileira, Serra Negra - SP, 1993, ACIESP 2: 54-67.
tos com alas rudimentares. Assemelha-se a Begonia curtii Smith, L.B. & Smith, R.C. 1971. Begoniáceas In R. Reitz
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Santo, pelas estípulas venosas, diferindo por esta apresentar sa Rodrigues, 128p.
BerberidaceaeBERBERIDACEAE
95
Berberidaceae inclui 15 gêneros e cerca de 670 espécies, a maioria em Berberis (500 espécies) e distribuídas nas regiões
temperadas do hemisfério norte e na Terra do Fogo (Campbell, 2004). No Brasil, ocorrem cerca de cinco espécies (Souza
& Lorenzi, 2008), do Rio Grande do Sul a São Paulo, uma delas rara.
Distribuição: Santa Catarina: Bom Retiro Ahrendt, L.W.A. 1961. Berberis and Mahonia. A taxonomic
(27º48’S, 49º32’W); São Joaquim (26º37’S, 51º35’W); revision. J. Linn. Soc., Bot. 57: 1-410.
Urubici (28º01’S, 49º38’W). Campbel, L.M. 2004. Berberidaceae. In N. Smith, S.A.
Comentários: Arbusto de 1 a 2 m de altura, com es- Mori, A. Henderson, [Link]. Stevenson & S.V. Heald
pinhos. Folhas fasciculadas, com uma flor por fascículo. (eds) Flowering plants of the Neotropics. Princeton,
Bagas negras. Ocorre em regiões altas, úmidas e pedre- Princeton University Press, p. 48-50.
gosas. (Ahrendt, 1961; Mattos, 1969) Mattos, J. R. 1969. Berberidáceas. In R. Reitz & R.M. Klein
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96
Bignoniaceae BIGNONIACEAE
Bignoniaceae inclui 120 gêneros e 800 espécies; ¾ dessa diversidade são encontrados no neotrópico (Lohmann, 2004),
especialmente em matas secas e cerrados. No Brasil, são encontrados 33 gêneros e cerca de 350 espécies (Souza & Loren-
zi, 2008), 33 delas são raras.
rapari (20º38’S, 40º31’W); Linhares (19º21’S, 40º03’W); minal modificado em gavinha simples. Flores com corola
Santa Teresa, São João de Petrópolis (19º51’S, 40º32’W). amarela, infundibuliforme, externamente pubescente.
Comentários: Liana. Folhas bifolioladas, com folíolos Cápsulas septicidas, lanceoladas, pubescentes. Conhecida
coriáceos, elíptico-lanceolados, o terminal modificado apenas pelo material-tipo, coletado em floresta úmida.
em gavinha simples. Flores com corola alaranjada, in- (Hauk, 1999; Lohmann, inéd., no prelo-a)
fundibuliforme, glandular externamente. Cápsulas sep-
ticidas, lanceoladas. Ocorre em florestas úmidas. (Loh-
mann, inéd., no prelo-a) Amphilophium perbracteatum [Link]
Distribuição: BAHIA: Caetité, Brejinhos das Ametistas,
Adenocalymma salzmannii DC. Serra Geral de Caitité (14º19’S, 42º27’W).
Comentários: Liana alcançando até 5 m de altura. Fo-
Distribuição: BAHIA: Manoel Vitorino (14º11’S, lhas 2- ou 3-folioladas, com folíolos elípticos, ocráceo-
40º17’W). pubescentes, o terminal modificado em gavinha trífida.
Comentários: Liana. Folhas 2- ou 3-folioladas, com Flores com cálice amarelo-claro, duplo, com a margem
folíolos oblongo-lanceolados, glabros adaxialmente, pi- ondulada, e corola roxo-intensa, coriácea, pseudocleis-
losos abaxialmente, o terminal modificado em gavinha tógama. Conhecida apenas pelo material-tipo. (Gentry,
simples. Flores com corola alaranjada, tubular, com lobos 1985; Lohmann, inéd., no prelo-b)
curtos (cerca de 5 mm de diâmetro). Cápsulas septicidas,
elíptico-lanceoladas. Ocorre em florestas úmidas. (Bure-
au & Schumann, 1896; Lohmann, inéd., no prelo-a) Anemopaegma mirabile (Sandwith) [Link]
Distribuição: PIAUÍ: São João dos Patos (06º28’S,
Adenocalymma subspicatum [Link] 43º43’W).
Comentários: Arbusto. Folhas 2- ou 3-folioladas, com
Distribuição: CEARÁ: Viçosa do Ceará (03º34’S, folíolos elípticos, pubescentes, sem gavinha. Flores com
41º04’W). cálice de lobos alongados, de 3 a 4 cm de comprimen-
Comentários: Liana. Folhas bifolioladas, com folíolos to, e corola amarela, tubular-campanulada. Ocorre em
elípticos, glabros, coriáceos, o terminal modificado em florestas secas. (Bureau & Schumann, 1896; Lohmann,
gavinha simples. Flores com corola amarela, campanu- inéd., no prelo-a)
lado-infundibuliforme. Cápsulas septicidas, lanceoladas.
Ocorre em carrascos e caatingas. (Gentry, 1993; Loh-
mann, inéd., no prelo-a) B ignonia costata (Bureau & [Link].)
[Link]
Adenocalymma ubatubense Assis & Semir Distribuição: RIO DE JANEIRO: Parati (23º17’S,
44º40’W); Rio de Janeiro, Tijuca (22º55’S, 43º13’W);
Distribuição: SÃO PAULO: Ubatuba, Picinguaba Volta Redonda, Reserva Florestal da Gianta (22º31’S,
(23º22’S, 44º49’W). 44º04’W).
Comentários: Liana. Folhas bifolioladas, com folíolos Comentários: Lianas; ramos tetragonais. Folhas 1- a
ovado-oblongos a subelítpicos, tomentosos, cartáceos, 3-folioladas, com folíolos oblongo-lanceolados, lepido-
o terminal modificado em gavinha simples. Flores com tos, glabros, com venação broquidódroma. Flores com
corola amarela, infundibuliforme, glabra. Ocorre no li- cálice campanulado, pentalobado, e corola rosada, cam-
toral norte do Estado de São Paulo. (Assis & Semir, 1999; panulada. Cápsulas septicidas, elípticas, com ornamenta-
Lohmann, inéd., no prelo-a) ções pontiagudas. Ocorre em florestas úmidas. (Bureau
& Schumann, 1896; Lohmann, inéd., no prelo-a)
Adenocalymma velutinum ([Link] ex Hauk)
[Link] F ridericia crassa (Bureau & [Link].)
[Link]
Distribuição: PARÁ: Altamira (03º13’S, 52º15’W).
Comentários: Liana lenhosa. Folhas pinadas a biterna- Distribuição: MARANHÃO: Barra do Corda (05º31’S,
das, com folíolos elípticos, pubescentes, coriáceos, o ter- 45º10’W); Buriti Bravo (05º49’S, 43º51’W).
98 Bignoniaceae
Comentários: Liana. Folhas 2- ou 3-folioladas, com folí- cartáceos. Flores com corola amarela. Cápsulas loculi-
olos elípticos, tomentosos abaxialmente, o terminal mo- cidas, lineares. Ocorre no Vale do Rio Doce. (Gentry,
dificado em gavinha simples. Flores com cálice cupular, 1992; Grose & Olmstead, 2007)
truncado, pubescente, e corola rosa, coriácea, cinéreo-
tomentosa. Cápsulas septicidas, lineares, pubescentes,
com glândulas esparsas. Ocorre em florestas secas. (Bu- Handroanthus catarinensis ([Link]) [Link]
reau & Schumann, 1896; Lohmann, inéd., no prelo-a)
Distribuição: PARANÁ: Campina Grande do Sul, Pico
Caratuva (25º18’S, 49º03’W); Guaratuba, Alto do Ser-
Fridericia elegans (Vell.) [Link] ra (25º52’S, 48º34’W). SANTA CATARINA: Garuva,
Monte Cristo (26º01’S, 48º51’W).
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Macaé (22º21’S,
Comentários: Arbusto com cerca de 3 m de altura. Folhas
41º47’W); Rio de Janeiro, Recreio dos Bandeirantes
palmadas, heptafolioladas (raramente hexafolioladas), com
(22º52’S, 43º16’W).
folíolos oblongo-elípticos a lanceolados. Flores com corola
Comentários: Lianas. Folhas 2- ou 3-folioladas, com
folíolos (ovados-)oblongos, coriáceos, glabros, com ga- amarela. Cápsulas loculicidas, lineares. Ocorre nos campos
vinha simples. Flores com corola alva, infundibuliforme, altos do Sul. (Gentry, 1992; Grose & Olmstead, 2007)
membranácea. Cápsulas septicidas, lanceoladas. Ocorre
na Mata Atlântica. (Bureau & Schumann, 1896; Loh-
mann, inéd., no prelo-a)
Handroanthus cristatus ([Link]) [Link]
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Linhares, Reserva Na-
Fridericia paradoxa (Sandwith) [Link] tural da CompanhiaVale do Rio Doce (19º24’S, 40º28’W).
Comentários: Árvore com até 40 m de altura. Folhas
Distribuição: BAHIA: Morro do Chapéu, Tamaburi palmadas, pentafolioladas (raramente hexafoliolada),
(11º24’S, 41º00’W). com folíolos (oblongo-)obovados ou rômbico-elíptico,
Comentários: Liana. Folhas trifolioladas, com folíolos cartáceos. Flores com corola amarela. Cápsulas loculi-
elíptico-lanceolados, vilosos, cartáceos, sem gavinha. cidas, lineares. Ocorre em floresta seca. (Gentry, 1992;
Flores com cálice tubular, membranáceo, de lobos alon- Grose & Olmstead, 2007)
gados, e corola rosa, membranácea. Ocorre nas caatin-
gas. (Lohmann, inéd., no prelo-a,b)
H androanthus selachidentatus ([Link])
[Link]
Fridericia trachyphylla (Bureau & [Link].)
[Link] Distribuição: BAHIA: Sento Sé (10º11’S, 41º25’W).
Comentários: Árvore com até 4 m de altura. Folhas 1- a
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Botafogo (22º58’S,
3-folioladas, com folíolos ovados, cartáceos. Flores com
43º12’W); Ilha do Governador (22º49’S, 43º10’W).
corola magenta. Cápsulas loculicidas, lineares. Ocor-
Comentários: Arbusto. Folhas 1- a 3-folioladas, com
folíolos elípticos, glabros, cartáceos, sem gavinha. Flo- re nas dunas do rio São Francisco, no interior da Bahia.
res com cálice campanulado, membranáceo, e corola (Gentry, 1992; Grose & Olmstead, 2007)
vinácea, esbranquiçada nos lobos, membranácea, glabra.
Ocorre na Mata Atlântica. (Bureau & Schumann, 1896;
Lohmann, inéd., no prelo-a)
Jacaranda bullata [Link]
Distribuição: AMAZONAS: Barcelos, rio Aracá
Handroanthus arianeae ([Link]) [Link] (00º23’N, 63º15’W).
Comentários: Árvore com até 10 m altura. Folhas bipi-
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Linhares, Reserva Na- nadas, com 17 a 31 pinas de folíolos assimétricos, elípti-
tural da CompanhiaVale do Rio Doce (19º24’S, 40º28’W). cos a elíptico-rômbicos. Flores com corola azul(-púrpu-
Comentários: Árvore com até 40 m altura. Folhas pal- ra) e anteras monotecas. Cápsulas loculicidas, elípticas.
madas, pentafolioladas, com folíolos (oblongo-)elípticos, (Gentry & Morawetz, 1992)
Bignoniaceae 99
Sparattosperma catingae [Link] Gentry, A.H. 1992. Bignoniaceae Part 2. Tribe Tecomeae.
Fl. Neotrop. Monogr. 25(2): 1-362.
Distribuição: BAHIA: Maracás (13º27’S, 40º27’W). Gentry, A.H. 1993. Six new species of Adenocalymma (Bigno-
Comentários: Árvore com até 10 m de altura. Folhas com niaceae) from Eastern South America. Novon 3: 137-141.
3 folíolos (oblongo-)elípticos, cartáceos. Flores com coro- Gentry, A.H. & Morawetz, W. 1992. Jacaranda. In A.H.
la alva, estriada de vermelho, e anteras bitecas. Cápsulas Gentry, Bignoniaceae Part 2, Tribe Tecomeae. Fl. Neo-
loculicidas, lineares. Ocorre em caatinga. (Gentry, 1992) trop. Monogr. 25(2): 51-105.
Gomes, B. Inéd. Revisão de Pleonotoma Miers (Bignonieae,
Tabebuia reticulata [Link] Bignoniaceae). Dissertação de mestrado, Universidade
de Brasília, Brasilia, 2006.
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Linhares, Reserva Na- Grose, S.O. & Olmstead, R.G. 2007. Taxonomic revisions
tural da CompanhiaVale do Rio Doce (19º24’S, 40º28’W). in the polyphyletic genus Tabebuia s.l. (Bignoniaceae).
Comentários: Árvore com cerca de 5 m altura. Folhas Syst. Bot. 32: 660-670.
simples, ovadas a ovado-oblongas, membranáceas. Flores Hauk, W.D. 1999. Four new species of Memora from South
com corola púrpura, alva na base do tubo. Cápsulas loculi- America. Novon 9: 48-54.
cidas, lineares. Ocorre em caatinga edáfica. (Gentry, 1992) Lohmann, L.G. 2004. Bignoniaceae. In N. Smith, S.A.
Mori, A. Henderson, [Link]. Stevenson & S.V. Heald
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and Tourrettieae). Fl. Neotrop. Monogr. 25(1): 1-131. ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
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Boraginaceae BORAGINACEAE
101
Simone Fiuza Conceição, Maria N. Sanchez de Stapf, José I. M. Melo & Tânia R. S. Silva
Boraginaceae inclui cerca de 148 gêneros e 2.740 espécies, destacando-se Cordia (cerca de 320 espécies), Heliotropium
(260) e Tournefortia (150) (Judd, 2002). Possui centros de diversidade na zona temperada do hemisfério norte e nos trópi-
cos (América Central e norte da América do Sul) (Al-Shehbaz, 1991). No Brasil, ocorrem 12 gêneros e aproximadamente
150 espécies, duas delas apontadas como raras.
Distribuição: AMAZONAS: Manicoré (05º48’S, Al-Shehbaz, I.A. 1991. The genera of Boraginaceae in the
61º42’W). southeastern United States. J. Arnold Arbor., Suppl. Ser.
Comentários: Árvore com cerca de 12 m de altura. Fo- 1: 1-169.
lhas elípticas a ovadas, com margem denteada na metade Judd, W.S., Campbell, C.S., Kellogg, E.A., Stevens, P.F. &
distal. Frutos ovóides, densamente estrigosos. Conhecida Donogue, M.J. 2002. Plant Systematics: a phylogenetic
apenas pelo material-tipo, coletado no início do séc. 20, approach. 2a ed. Sunderland, Sinauer Associates, 576p.
próximo a Santa Fé, na base do rio Madeira, com frutos Melo, J.I.M. 2007. Uma nova espécie de Tournefortia L. (Bo-
em setembro. (Stapf, inéd.) raginaceae s.l.) para o Nordeste do Brasil. Hoehnea 34:
155-158.
Tournefortia andrade-limae [Link] Stapf, M.N. Inéd. Filogenia de Cordia L. e revisão taxonômica
de Cordia sect. Coelococca Stapf. Tese de doutorado, Univer-
Distribuição: PARAÍBA: São José dos Cordeiros sidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, 2007.
(07º23’S, 36º48’W).
Comentários: Folhas arredondadas na base, com vena-
ção broquidódroma. Flores com anteras de cerca de 1
mm de comprimento, ovado-triangulares, e ovário la-
geniforme, em inflorescências densamente ramificadas.
Encontrada com flores em junho. (Melo, 2007)
102
BrassicaceaeBRASSICACEAE
Ervas ou arbustos, mais raramente árvores ou lianas. Folhas simples ou compostas. Flores
geralmente diclamídeas, tetrâmeras e monoclinas; androceu geralmente com numerosos estames ou 6 estames tetradí-
namos, freqüentemente inseridos em um disco; ovário súpero, bicarpelar, unilocular, pluriovulado, sobre um ginóforo.
Cápsula folicular, baga ou síliqua.
Brassicaceae (incluindo Capparaceae) abrange cerca de 400 gêneros e 4.000 espécies. Possui distribuição cosmopolita e,
no Brasil, está representada por 10 gêneros e cerca de 50 espécies (1 rara), ocorrendo de norte a sul. A grande maioria das
espécies habita preferencialmente áreas abertas, em ambiente ruderal, margens de rios, lugares úmidos ou sobre pedra,
ocorrendo em caatingas, restingas, cerrados e campos alagados, menos freqüentemente no entorno ou em clareiras das
florestas atlântica e amazônica (Souza & Lorenzi, 2008; Costa e Silva, inéd.).
Distribuição: BAHIA: Maracás (13º26’S, 40º26’W). Costa e Silva, M.B. 2002. Distribuição das espécies de Ca-
Comentários: Erva delicada, com cerca de 50 cm de altu pparaceae na caatinga. In E.V.S.B. Sampaio, A.M. Giu-
ra. Próxima de Dactylaena microphylla, diferencia-se apenas lietti, J. Virgínio & C.F.L. Gamarra-Rojas (eds) Vegeta-
pelos frutos síliquas que deixam o resto do replo após a que- ção e flora da caatinga. Recife, APNE/CNIP, 127p.
da, característica não encontrada em Dactylaena. Conhecida Costa e Silva, M.B. Inéd. O gênero Cleome L. (Capparaceae
apenas pelo material-tipo, coletado por Ule no início do Juss.) para o Brasil. Tese de doutorado, Universidade Fe-
séc. 20. (Pax & Hoffmann, 1936; Costa e Silva, 2002) deral Rural de Pernambuco, Recife, 2000.
Pax, F. & Hoffmann, K. 1936. Capparidaceae. In A. Engler
& K. Prantl (eds) Die natürlichen Pflanzenfamilien 2oed.,
Leipzig, Wilhelm Engelmann, vol. 17(b), 220p.
BromeliaceaeBROMELIACEAE
103
Maria das Graças Lapa Wanderley, Rafael Batista Louzada, Gardene Maria de Sousa, Thais Trindade de
Lima & Leonardo de Melo Versieux
Bromeliaceae inclui cerca de 57 gêneros e 3.100 espécies. Possui distribuição neotropical, exceto por uma espécie de Pitcair-
nia que ocorre no oeste do continente africano. Estima-se que 70% dos gêneros ocorram no Brasil, com maior diversidade na
Mata Atlântica e na Cadeia do Espinhaço. São apontadas 107 espécies raras, entretanto, devido ao número reduzido de revisões
genéricas na família, e com a descoberta contínua de novos táxons, além de lacunas de coleta em algumas regiões geográficas,
especialmente nas áreas montanhosas do nordeste, nas regiões do norte do país, na fronteira com a Venezuela, e em certas áre-
as do sudeste, como a Serra da Bocaina, em São Paulo, o número de espécies raras em Bromeliaceae poderá sofrer alteração.
Comentários: Erva curto-caulescente. Folhas largas, estrei- te secunda. Inflorescência com escapo delgado. Ocorre em
tando-se em direção à base, com margens inteiras em dire- campos rupestres, entre 800 e 1300 m s.n.m. Floresce
ção ao ápice. Brácteas vermelhas e flores com sépalas conspi- principalmente em fevereiro. (Versieux & Wendt, 2006)
cuamente marrom-lepidotas, em inflorescência subglobosa
no ápice. Ocorre em locais sombreados de pequenas monta-
nhas próximas a áreas costeiras. (Ramírez, inéd.)
Dyckia bracteata (Wittm.) Mez
Distribuição: MINAS GERAIS: Ouro Branco, Serra de
Cryptanthus colnagoi Rauh & Leme Ouro Branco (20º28’S, 43º43’W).
Comentários: Terrestre ou rupícola. Inflorescência com
Distribuição: BAHIA: Potiraguá (15º36’S, 39º51’W). raque e escapo pubescente-ferrugíneos e brácteas maio-
Comentários: Erva curto-caulescente. Folhas estreito- res que as flores. Ocorre em campos de altitude e cam-
triangulares, verdes ou marrons na margem, tornando- pos rupestres, entre 1.000 e 2.500 m s.n.m. Floresce
se esverdeadas, avermelhadas e amarronzadas em direção entre agosto e novembro. (Versieux & Wendt, 2006)
ao centro, respectivamente. Ocorre a cerca de 250 m
s.n.m. (Ramírez, inéd.) Dyckia delicata Larocca & Sobral
Cryptanthus leopoldo-horstii Rauh Distribuição: RIO GRANDE DO SUL: Barros Cassal,
Linha Pessegueiro (29º07’S, 52º35’W)
Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina (18º15’S, Comentários: Rupícola. Folhas suculentas, (vermelho-)
43º36’W); Gouveia (18º27’S, 43º44’W). cinéreas. Flores com sépalas verdes e pétalas amarelas,
Comentários: Erva acaulescente. Folhas estreito-trian- em inflorescência simples ou composta. Ocorre em aflo-
gulares. Flores longas, com dois calos na base de cada es- ramentos rochosos. (Larocca & Sobral, 2002)
tame. Ocorre em fendas de rochas ou sobre cupinzeiros,
nos campos rupestres do Planalto de Diamantina, acima Dyckia densiflora Schult.f.
de 1.000 m s.n.m. (Ramírez, inéd.)
Distribuição: MINAS GERAIS: Ouro Preto (20º19’S,
43º29’W).
Dyckia agudensis Irgang & Sobral Comentários: Rupícola. Inflorescência com escapo
pubescente-ferrugíneo. Ocorre nos campos rupestres do
Distribuição: RIO GRANDE DO SUL: Agudo, Cerro
Quadrilátero Ferrífero, entre 1.000 e 1.800 m s.n.m.,
Agudo (29º38’S, 53º17’W). estando ameaçada pela exploração de minério de ferro.
Comentários: Rupícola. Folhas suculentas, glabras, reco- Floresce de outubro a abril. (Versieux & Wendt, 2006)
bertas por cera. Inflorescência congesta, com escapo estriado
e brácteas maiores que os internós. (Irgang & Sobral, 1987)
Dyckia elongata Mez
Dyckia argentea Mez Distribuição: BAHIA: Milagres (12º51’S, 39º52’W).
Comentários: Rupícola. Folhas verdes, triangulares,
Distribuição: MINAS GERAIS: Tiradentes, Serra de densamente lepidotas. Inflorescência simples, laxa. (Smi-
São José (21º05’S, 44º10’W). th & Downs, 1974; Wanderley & Sousa, 2002; Sousa &
Comentários: Rupícola. Ocorre em campos rupestres, Wanderley, 2006)
entre 1.300 e 1.400 m s.n.m. Floresce em novembro.
(Versieux & Wendt, 2006)
Dyckia julianae Strehl
Dyckia brachyphylla [Link]. Distribuição: RIO GRANDE DO SUL: Barra do Ribei-
ro (30º18’S, 51º19’W).
Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina (18º11’S, Comentários: Rupícola. Flores numerosas, com sépalas
43º34’W). verdes, estreito-ovadas, em inflorescência às vezes rami-
Comentários: Terrestre ou rupícola. Folhas triangulares, ficada. Ocorre em afloramentos rochosos ou terrenos
em roseta pequena, com até 6 cm de altura, freqüentemen- pedregosos. (Strehl, 2004)
Bromeliaceae 107
Nidularium azureum ([Link].) Leme Comentários: Epífita. Ocorre nas encostas florestadas
de regiões serranas, especialmente em matas nebulares,
Distribuição: MINAS GERAIS: Coronel Pacheco, Água de 900 a 1000 m s.n.m. (Leme, 2000)
Limpa (21º37’S, 43º19’W).
Comentários: Epífita. Ocorre no sub-bosque de floresta
de várzea, próximo a cursos d’água. Floresce em feverei-
Nidularium mangaratibense Leme
ro e março e de agosto a outubro. (Leme, 2000) Distribuição: RIO DE JANEIRO: Mangaratiba
(22º57’S, 44º02’W).
Nidularium bocainense Leme Comentários: Epífita. Ocorre em regiões de difícil
acesso, nas partes mais íngremes e úmidas da Mata Atlân-
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Angra dos Reis tica, acima de 600 m s.n.m. (Leme, 2000)
(22º55’S, 44º34’W). SÃO PAULO: São José do Barrei-
ro, Serra da Bocaina (22º40’S, 44º35’W).
Comentários: Terrestre ou epífita. Brácteas purpúreo- Nidularium minutum Mez
vermelhas no ápice e flores alvas no tubo e azul-claras no
ápice. Ocorre no sub-bosque de floresta úmida de encos- Distribuição: SÃO PAULO: Santo André, Reserva Bio-
ta. Floresce de dezembro a março. (Leme, 2000) lógica de Paranapiacaba (23º48’S, 46º23’W).
Comentários: Terrestre. Brácteas verdes na base, verme-
lhas em direção ao ápice, e flores alvas. Ocorre na Mata
Nidularium catarinense Leme Atlântica, entre 700 e 1.000 m de altitude. Floresce de de-
zembro a fevereiro. (Smith & Downs, 1979; Leme, 2000)
Distribuição: SANTA CATARINA: Campo Alegre
(26º11’S, 49º16’W).
Comentários: Epífita. Ocorre em floresta úmida de en- Nidularium rosulatum Ule
costa. Em cultivo, floresce em dezembro. (Leme, 2000)
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Saquarema (22º51’S,
42º33’W); Casimiro de Abreu (22º29’S, 42º12’W)
Nidularium corallinum (Leme) Leme Comentários: Terrestre. Ocorre principalmente em
Distribuição: SÃO PAULO: Bananal, Sertão do Rio restinga arbórea próxima do nível do mar. Floresce de
Vermelho (22º40’S, 44º19’W). maio a julho. (Smith & Downs, 1979; Leme, 2000)
Comentários: Epífita. Ocorre no sub-bosque de floresta
de encosta, a cerca de 1.200 m s.n.m. Floresce de maio Nidularium utriculosum Ule
e agosto. (Leme, 2000)
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Baía
Nidularium itatiaiae [Link]. de Guanabara (22º56’S, 43º17’W).
Comentários: Brácteas vermelhas e flores azuis. Ocorre
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Itatiaia, Cachoeira do na restinga de Copacabana, atualmente urbanizada, e é en-
Maromba (22º26’S, 44º34’W). contrada também na Reserva Ecológica do Tinguá, próxi-
Comentários: Epífita ou rupícola. Ocorre no sub-bos- mo à Baía de Guanabara, em mata de final de baixada. Flo-
que, na Mata Atlântica da Serra da Mantiqueira. Floresce resce em novembro. (Smith & Downs, 1979; Leme, 2000)
em dezembro e janeiro e também por volta de agosto.
(Leme, 2000)
Nidularium viridipetalum Leme
Nidularium kautskyanum Leme Distribuição: RIO DE JANEIRO: Angra dos Reis
(22º59’S, 44º17’W); Parati (23º12’S, 44º44’W).
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Alfredo Chaves, Ma- Comentários: Rupícola ou epífita. Ocorre em floresta
ravilha (20º35’S, 40º46’W); Venda Nova do Imigrante, atlântica de encosta, entre 100 e 400 m s.n.m. Floresce
Alto Bananal (20º20’S, 41º08’W). em fevereiro e março. (Leme, 2000)
Bromeliaceae 111
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Burmanniaceae BURMANNIACEAE
115
Ervas geralmente anuais, saprófitas e aclorofiladas; caule aéreo geralmente não ramifi
cado; rizoma tuberoso. Folhas espiraladas, desenvolvidas ou reduzidas. Inflorescências terminais, cimosas, ou reduzidas a
flores isoladas. Flores trímeras, diclamídeas, heteroclamídeas ou homoclamídeas, ou monoclamídeas, monoclinas, hipó-
ginas, geralmente com nectários; perianto fundido; androceu com 6 estames; ovário com 1 ou 3 lóculos pluriovulados.
Cápsulas freqüentemente alada.
Inclui cerca de 100 espécies e nove gêneros, estando distribuída nas regiões tropicais (Heywood et al., 2007). No Brasil,
ocorrem oito gêneros e cerca de 30 espécies (1 rara), especialmente no interior das matas úmidas (Souza & Lorenzi, 2008).
Distribuição: AMAZONAS: São Gabriel da Cachoeira Heywood, V.H., Brummitt, R.K., Culham, A. & Seberg, O.
(00º27’S, 66º53’W). 2007. Flowering plants of the world. Kew, Royal Botanic
Comentários: Erva de 4 a 22 cm de altura. Folhas es- Gardens, 424p.
treitamente triangular-ovadas. Flores alvas, em inflores- Maas, P.J.M., Maas-van de Kamer, H., Benthem, J., Snel-
cência com 2 cincinos contraídos. Conhecida apenas por ders, H. C. M., & Rübsamen, T. 1986. Burmanniaceae.
duas coletas na margem de rios, entre o rio Uaupés e o Fl. Neotrop. Monogr. 42: 1-177.
rio Mariê, no noroeste do Amazonas. (Maas et al., 1986) Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
116
BurseraceaeBURSERACEAE
Douglas C. Daly
Burseraceae inclui 18 gêneros e 650 espécies, possuindo distribuição essencialmente tropical, desde desertos até florestas
úmidas (Daly, 2004). No Brasil, ocorrem oito gêneros e 60 espécies (cinco delas são raras), possuindo centro de diversi-
dade na Amazônia (Souza & Lorenzi, 2008).
wering plants of the Neotropics. Princeton, Princeton Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
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118
Cactaceae CACTACEAE
Marlon C. Machado
Plantas perenes, suculentas, geralmente áfilas e com aréolas – gemas axilares modi
ficadas em ramos curtos e comprimidos, cobertos com um indumento persistente de espinhos e/ou tricomas, de onde
se originam novos ramos ou botões florais; a base da folha subtendendo cada aréola é modificada em um tubérculo, os
quais podem se fundir verticalmente formando costelas. Flores geralmente solitárias, conspícuas, actinomorfas ou mais
raramente zigomorfas, monoclinas; receptáculo modificado em um pericarpelo incluindo a zona em torno do ovário e
prolongando-se entre o ovário e o perianto (hipanto perigínico), nu ou coberto por escamas tipo brácteas e/ou aréolas;
tépalas e estames numerosos; ovário via de regra ínfero, unilocular e com numerosos óvulos. Frutos suculentos ou secos,
nus ou com aréolas pilosas e/ou espinescentes, (in)deiscentes, com numerosas sementes.
Cactaceae possui cerca de 120 gêneros e mais de 1.400 espécies (Cronquist, 1981; Barthlott & Hunt, 1993; Hunt, 1999;
Hunt, 2006), sendo a segunda maior família de angiospermas endêmica da região neotropical (Taylor & Zappi, 2004). O
Brasil é o terceiro maior centro de diversidade da família, com aproximadamente 240 espécies e 35 gêneros, sendo que
mais de 80% das espécies e 50% dos gêneros são endêmicos, destacando-se a Bahia, Minas Gerais e o Rio Grande do Sul
em número de espécies. São apontadas 52 espécies raras.
Arrojadoa albicoronata (Van Heek et al.) Comentários: Subarbusto ramificado a partir da base,
com caules finos e porção subterrânea formando um
[Link] & Esteves
tubérculo; aréolas com bastante lanosidade alva. Flores
Distribuição: MINAS GERAIS: Grão Mogol (16º36’S, avermelhadas, tubulares, em cefálios apicais. Ocorre em
42º56’W). áreas de solos arenosos à leste de Mato Verde. (Taylor &
Comentários: Subarbusto ramificado a partir da base, Zappi, 2004; Braun & Esteves Pereira, 2007)
com caules finos e porção subterrânea formando tu-
bérculos; aréolas com bastante lanosidade alva. Flores
avermelhadas, tubulares, em cefálios apicais. Ocorre em
Arrojadoa marylanae Soares Filho & [Link]
áreas de solos arenosos à oeste de Grão Mogol. (Braun & Distribuição: BAHIA: Tanhaçu, Sussuarana (14º09’S,
Esteves Pereira, 2007) 41º12’W).
Comentários: Cacto colunar não ramificado, com muitas
Arrojadoa bahiensis ([Link] & Esteves) costelas e espinhos dourados. Região florífera formando
um cefálio apical, que com recorrência de crescimento
[Link] & Eggli
vegetativo forma anéis ao longo do caule. Flores rosadas,
Distribuição: BAHIA: Abaíra (13º18’S, 41º48’W); Mucu- tubulares, com perianto patente. Ocorre em afloramen-
gê (12º58’S, 41º20’W); Rio de Contas (13º32’S, 41º54’W). tos de quartzo leitoso. (Soares Filho & Machado, 2003)
Comentários: Cacto globular a colunar curto, ramificado
a partir da base. Flores róseas, com perianto alvo, tubula-
res, nascidas no ápice do caule. Encontrada em paredões
Arrojadoa multiflora [Link]
rochosos da Chapada Diamantina. (Taylor & Zappi, 2004) Distribuição: BAHIA: Caetité (14º07’S, 42º30’W).
Comentários: Subarbusto ramificado a partir da base,
Arrojadoa eriocaulis Buining & Brederoo com caules finos e aréolas com bastante lanosidade bran-
ca. Flores amarelo-alaranjadas, tubulares, em cefálios
Distribuição: MINAS GERAIS: Mato Verde (15º23’S, apicais. Ocorre em cerrado, sobre solos arenosos. (Rit-
42º46’W). ter, 1979; Braun & Esteves Pereira, 2007)
Cactaceae 119
Arthrocereus glaziovii ([Link].) [Link] & C ipocereus bradei (Backeb. & Voll) Zappi &
Zappi [Link]
Distribuição: MINAS GERAIS: Caeté (19º49’S, 43º40’W); Distribuição: MINAS GERAIS: Conselheiro Mata
Itabirito (20º13’S, 43º51’W); Nova Lima (19º58’S, 43º50’W). (18º17’S, 43º58’W); Diamantina (18º11’S, 43º34’W);
Comentários: Cacto com caules finos, ereto ou pro-
Francisco Dumont (17º20’S, 44º13’W); Joaquim Felício
(17º45’S, 44º12’W).
cumbente, segmentado; segmentos curtos, quase globo-
Comentários: Cacto colunar, com até 3 m de altura, ere-
sos. Flores alvas, infundibuliformes, com até 15 cm de to, azul-celeste nos ramos novos, pouco ramificado, com
comprimento e 8 cm de diâmetro, noturnas. Ocorre em espinhos negros. Flores com perianto alvo-esverdeado e
canga, nos campos rupestres da região centro-sul de Mi- tubo floral azul-escuro, com até 5 cm de comprimento e
nas Gerais. (Taylor & Zappi, 2004) 2 cm de diâmetro, noturnas. Frutos azul-escuros, ovói-
des. Ocorre nos campos rupestres da porção central da
Cadeia do Espinhaço, na Serra do Cabral e vertente oeste
Arthrocereus rondonianus Backeb. & Voll do Planalto de Diamantina. (Taylor & Zappi, 2004)
Distribuição: MINAS GERAIS: Joaquim Felício, Serra
do Cabral (17º42’S, 41º04’W); Diamantina (18º11’S, C ipocereus crassisepalus (Buining & Brederoo)
43º34’W); Monjolos (18º17’S, 44º04’W). Zappi & [Link]
Comentários: Cacto colunar, com até 1 m de altura,
Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina (18º11’S,
ramificado a partir da base, ereto, com espinhos doura- 43º34’W); Itamarandiba (17º55’S, 42º49’W); Rio Ver-
dos. Flores rosadas, infundibuliformes, com até 13 cm melho (18º17’S, 43º00’W).
de comprimento e 9 cm de diâmetro, noturnas. Ocorre Comentários: Cacto colunar, com até 3 m de altura,
em áreas rochosas dos campos rupestres da porção cen- ereto, verde-glauco, pouco ramificado, com 4 a 6 cos-
tral da Cadeia do Espinhaço de Minas Gerais. (Taylor & telas e aréolas com lanosidade acastanhada. Flores com
Zappi, 2004) perianto alvo-esverdeado e tubo floral azul-escuro, tubu-
lares, com até 5 cm de comprimento e 3 cm de diâmetro,
noturnas. Frutos azul-escuros, ovóides. Ocorre nas áreas
Brasilicereus markgrafii Backeb. & Voll rochosas dos campos rupestres da porção central da Ca-
deia do Espinhaço, na Serra do Cabral e vertente oeste
Distribuição: MINAS GERAIS: Grão Mogol, Serra do do Planalto de Diamantina. (Taylor & Zappi, 2004)
Barão (16º34’S, 42º56’W).
Comentários: Cacto colunar, com até 2,5 m de altura,
pouco ramificado a partir da base. Flores alvo-esverdea-
Cipocereus laniflorus [Link] & Zappi
das, infundibuliformes, com até 6 cm de comprimento Distribuição: MINAS GERAIS: Catas Altas, Serra do
e 9 cm de diâmetro, noturnas; pericarpelo com brácte- Caraça (20º02’S, 43º24’W).
as verdes, triangulares. Ocorre em campos rupestres. Comentários: Cacto colunar, com cerca de 1,5 metro
(Taylor & Zappi, 2004) de altura, ereto, azul-celeste nos ramos novos, pouco ra-
mificado, com 5 a 7 costelas e aréolas com lanosidade
acastanhada. Flores com perianto alvo-esverdeado e tubo
Cereus insularis Hemsl. azul-escuro, com até 7 cm de comprimento e 3,5 cm de
diâmetro, noturnas. Frutos azul-escuros, ovóides. Ocor-
Distribuição: PERNAMBUCO: Arquipélago de Fer- re em áreas rochosas de campos rupestres, na porção sul
nando de Noronha (03º50’S, 32º25’W). da Cadeia do Espinhaço. (Taylor & Zappi, 2004)
Comentários: Cacto colunar, com até 2 m de altura,
ramificado a partir da base, com muitos espinhos ama-
relados. Flores alvas, infundibuliformes, com até 13 cm
Cipocereus pleurocarpus [Link]
de comprimento e 8 cm de diâmetro, noturnas. (Taylor Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Pirapama
& Zappi, 2004) (18º57’S, 43º46’W); Santana do Riacho (19º03’S, 43º42’W).
120 Cactaceae
Comentários: Cacto colunar, com até 1,5 m de altura, ere- Comentários: Cacto colunar, com até 6 m de altura,
to, verde, pouco ramificado, com espinhos castanhos. Flores ramificado, com 18 a 20 costelas e com espinhos acasta-
com perianto amarelado e tubo avermelhado, tubulares, com nhados; cefálio lateral, com lanosidade cinzenta e cerdas
até 5 cm de comprimento e 1,5 cm de diâmetro, diurnas. marrons. Flores com perianto alvo e tubo floral e peri-
Frutos esbranquiçados, ovóides. Ocorre nas áreas rochosas carpelo vináceos, com até 5 cm de comprimento e 2 cm
dos campos rupestres da Serra do Cipó. (Ritter, 1979) de diâmetro, subtendidas por muitas brácteas pequenas
e tufos de tricomas avermelhados a castanho-dourados.
Ocorre sobre afloramentos rochosos, na caatinga da ver-
C oleocephalocereus purpureus (Buining &
tente noroeste da Chapada Diamantina e das Serras da
Brederoo) [Link]
Cana-Brava e de Santo Inácio. (Taylor & Zappi, 2004)
Distribuição: MINAS GERAIS: Itinga (16º35’S, 41º48’W).
Comentários: Cacto colunar, com até 80 cm de altura, Floribunda pusilliflora [Link]
verde, ramificado na base, com 12 a 18 costelas e com
espinhos avermelhados; cefálio lateral com lanosidade Distribuição: MINAS GERAIS: Monte Azul (15º08’S,
branca e cerdas vermelhas. Flores magenta, diurnas. Fru- 42º53’W).
tos vermelhos, turbiniformes. Ocorre em inselbergs de Comentários: Cacto colunar, com até 1 m de altura,
rocha granítica. (Taylor & Zappi, 2004) verde, ramificado a partir da base, ereto, com espinhos
castanho-avermelhados. Flores com perianto esbranqui-
Discocactus horstii Buining & Brederoo çado e tubo floral vermelho-rosado, tubulares, com até 4
cm de comprimento e 1 cm de diâmetro, diurnas. Frutos
Distribuição: MINAS GERAIS: Grão Mogol (16º34’S, avermelhados, ovóides. Ocorre em paredões rochosos de
42º56’W). campos rupestres, com menos de cinco indivíduos co-
Comentários: Cacto globular, com até 6 cm de diâmetro, nhecidos. (Ritter, 1979; Taylor & Zappi, 2004)
acastanhado a atropúrpureo, com 15 a 22 costelas e aréo-
las com espinhos curtos e acinzentados, pectinados; cefálio
terminal, com lanosidade branca e cerdas longas, acasta-
Frailea buenekeri W.R. Abraham
nhadas a negras. Flores alvas, infundibiliformes, noturnas. Distribuição: RIO GRANDE DO SUL:Vila Nova do Sul
Frutos alvos, deiscentes lateralmente. Ocorre em campos (30º20’S, 53º53’W); São Gabriel (30º22’S, 54º21’W).
com cascalho de quartzo leitoso. (Taylor & Zappi, 2004) Comentários: Cacto globular a elongado, com até 6 cm
de comprimento e 4 cm de diâmetro, verde a acastanha-
Discocactus pseudoinsignis [Link] & Zappi do, com até 23 costelas e uma marca violácea escura em
forma de crescente abaixo de cada aréola, com espinhos
Distribuição: MINAS GERAIS: Grão Mogol, Serra do curtos, alvos a amarelados, adpressos, ocasionalmente
Barão (16º34’S, 42º56’W). plumosos, pectinados. Flores amarelas, infundibulifor-
Comentários: Cacto globular-achatado, com até 20 cm mes, com até 3,5 cm de comprimento e 3,5 cm de di-
de diâmetro, verde, com 12 costelas e aréolas com espi- âmetro, diurnas; aréolas do tubo floral com lanosidade
nhos teretes, acinzentados; cefálio terminal, com lanosi- creme e espinhos esbranquiçados a amarronzados. Ocor-
dade alva e cerdas longas, acastanhadas a negras. Flores re em afloramentos rochosos. (Hunt, 2006)
alvas, infundibiliformes, noturnas. Frutos amarelados,
deiscentes lateralmente. Ocorre em campos arenosos.
(Taylor & Zappi, 2004)
Frailea mammifera Buining & Brederoo
Distribuição: RIO GRANDE DO SUL: Dom Pedrito
Facheiroa ulei (Gürke) Werderm. (30º57’S, 54º37’W).
Comentários: Cacto globular, com até 3 cm de diâme-
Distribuição: BAHIA: Barra dos Mendes (11º48’S, tro, verde a acastanhado, com uma marca violácea escura
42º01’W); Brotas de Macaúbas (12º01’S, 42º38’W); em forma de crescente abaixo de cada aréola, com até 20
Gentio do Ouro (11º25’S, 42º31’W); Itaguaçú da Bahia costelas, cada qual dividida em tubérculos com a aréola
(11º01’S, 42º24’W); Xique-Xique (10º48’S, 42º41’W). no ápice, com espinhos curtos e amarelados. Flores ama-
Cactaceae 121
relas, infundibuliformes, com até 3,5 cm de comprimen- Comentários: Cacto globular a ligeiramente alongado,
to e 3,5 cm de diâmetro, diurnas; aréolas do tubo floral com até 35 cm de altura e 25 cm de diâmetro, verde,
com lanosidade creme e espinhos amarelados a amarron- com 10 a 12 costelas e aréolas com espinhos curvos,
zados. Ocorre em afloramentos rochosos. (Hunt, 2006) longos, 4 a 7 espinhos centrais e até 14 espinhos radiais,
avermelhados quando novos, passando a acinzentados;
Melocactus azureus Buining & Brederoo cefálio terminal, com cerdas vermelhas densas e lanosi-
dade esbranquiçada. Flores rosadas. Frutos brancos a li-
Distribuição: BAHIA: Irecê (11º18’S, 41º51’W); Ita- geiramente rosados. Ocorre em afloramentos de granito
guaçu da Bahia (11º01’S, 42º24’W); Jussara (11º03’S, e áreas de canga. (Taylor & Zappi, 2004)
41º58’W); Presidente Dutra (11º18’S, 41º59’W).
Comentários: Cacto globular a elongado, com até 30 cm
de altura e 20 cm de diâmetro, azul-celeste, glauco, com Melocactus estevesii [Link]
cerca de 10 costelas e aréolas com espinhos negros a casta-
nho-escuros quando novos, passando a acinzentados; cefálio Distribuição: RORAIMA: Alto Alegre, Mucajaí
terminal, com cerdas vermelhas e lanosidade esbranquiça- (02º36’N, 62º15’W).
da. Flores rosadas. Frutos brancos. Ocorre em afloramen- Comentários: Cacto globular, com até 18 cm de diâme-
tos de calcário Bambuí, na drenagem dos rios Verde e Jaca- tro e 16 costelas, de 9 a 14 espinhos recurvados, averme-
ré, região centro-norte da Bahia. (Taylor & Zappi, 2004) lhados a negros, 1 a 4 centrais com 6 cm de comprimento
e 8 ou 9 radiais, o inferior mais longo; cefálio terminal,
com até 13 cm de comprimento e 6 cm de diâmetro,
Melocactus braunii Esteves com cerdas avermelhadas e lanosidade alva. Flores rosa-
Distribuição: BAHIA: Senhor do Bonfim (10º28’S, das, com até 3,7 cm de comprimento e 1,8 cm de diâme-
40º13’W). tro. Frutos vermelhos, com até 4 cm de comprimento e
Comentários: Cacto discóide, com até 8 cm de altura e 1 cm de diâmetro. Ocorre em afloramentos rochosos da
15 cm de diâmetro, glauco-esverdeado, com cerca de 13 porção oeste de Roraima, na área indígena dos Ianomâ-
costelas e aréolas com 1 espinho central e até 9 espinhos mis. (Hunt, 2006)
radiais, negros a castanho-escuros quando novos, passan-
do a acinzentados; cefálio terminal, com cerdas verme-
lhas e lanosidade esbranquiçada, com cerca de 4 cm de Melocactus ferreophilus Buining & Brederoo
altura e 6 cm de diâmetro. Flores rosadas. Ocorre nos
Distribuição: BAHIA: Barro Alto (11º46’S, 41º54’W);
campos rupestres da região sudoeste de Senhor do Bon-
fim, a leste do rio Salitre. (Esteves Pereira, 2003) Morro do Chapéu (11º33’S, 41º09’W); Mulungu do
Morro (11º58’S, 41º38’W); São Gabriel (30º22’S,
54º21’W).
Melocactus conoideus Buining & Brederoo Comentários: Cacto cilíndrico, com até 45 cm de al-
tura e 19 cm de diâmetro, verde-glauco, com cerca de
Distribuição: BAHIA: Vitória da Conquista, Serra do 10 costelas e aréolas com até 15 espinhos curvos, lon-
Periperi (14º47’S, 40º53’W). gos, negros a castanho-escuros quando novos, passando a
Comentários: cacto discóide, com até 10 cm de altura e
acinzentados; cefálio terminal com cerdas densas, aver-
17 cm de diâmetro, verde-lustroso, com 11 a 15 costelas
melhadas a acastanhadas. Flores rosadas. Frutos brancos.
e aréolas com 1 espinho central e até 11 espinhos radiais,
castanhos quando novos, passando a acinzentados; cefálio Ocorre em afloramentos de calcário Bambuí, na drena-
terminal, com cerdas vermelhas e lanosidade esbranqui- gem do rio Jacaré. (Taylor & Zappi, 2004)
çada. Flores rosadas. Frutos magenta, esbranquiçados
próximo à base. Ocorre no Morro do Cruzeiro, sobre
cascalho. (Taylor & Zappi, 2004)
Melocactus glaucescens Buining & Brederoo
Distribuição: BAHIA: Morro do Chapéu (11º33’S,
Melocactus deinacanthus Buining & Brederoo 41º09’W).
Comentários: Cacto globular, com até 18 cm de altura e
Distribuição: BAHIA: Bom Jesus da Lapa, Juá (13º26’S, 24 cm de diâmetro, glauco-azulado, com 7 a 15 costelas
43º10’W). e aréolas com 1 a 2 espinhos centrais e até 8 espinhos
122 Cactaceae
radiais, negros quando novos, passando a acinzentados; com 15 a 20 costelas e aréolas com espinhos amarelo-
cefálio terminal, com lanosidade esbranquiçada. Flores dourados a acastanhados e bastante lanosidade branca.
rosadas. Frutos vermelhos. Ocorre sobre solos arenosos. Flores com perianto esbranquiçado e tubo floral rosado,
(Taylor & Zappi, 2004) tubulares, com até 1,8 cm de comprimento e 8 mm de
diâmetro, nascidas na lateral do caule, próximo ao ápice,
diurnas. Frutos rosados, obovados. Ocorre nos campos
Melocactus lanssensianus [Link] rupestres. (Taylor & Zappi, 2004)
Distribuição: PERNAMBUCO: Caetés (08º46’S,
36º37’W). Micranthocereus streckeri Van Heek &Van Criek
Comentários: Cacto globular, com até 8 cm de altura e 14
cm de diâmetro, glauco-esverdeado, com cerca de 12 cos- Distribuição: BAHIA: Seabra (12º25’S, 41º46’W).
telas e aréolas com um espinho central curvado para cima e Comentários: Cacto colunar, com até 1 metro de altura,
até 8 espinhos radiais curvos, rosados-acinzentados a bege; ereto, ramificado a partir da base, glauco-azulado, com
cefálio terminal, com cerdas vermelho-claras a rosadas e 17 a 25 costelas e aréolas com espinhos amarelo-dou-
lanosidade esbranquiçada. Flores e frutos rosados. Ocorre rados; cefálio lateral, com cerdas douradas a castanho-
em afloramentos de granito. (Taylor & Zappi, 2004) avermelhadas e lanosidade castanha a esbranquiçada. Flo-
res rosadas, tubulares, com até 5 cm de comprimento e
Micranthocereus auriazureus Buining & Brederoo 2,2 cm de diâmetro, diurnas. Frutos magenta, obovados.
Ocorre nos campos rupestres. (Taylor & Zappi, 2004)
Distribuição: MINAS GERAIS: Grão Mogol, Serra do
Barão (16º34’S, 42º56’W).
Comentários: Cacto colunar, ereto, com até 1,5 m
Micranthocereus violaciflorus Buining
de altura, ramificado a partir da base, glauco-azulado, Distribuição: MINAS GERAIS: Grão Mogol (16º34’S,
com 15 a 19 costelas e aréolas com espinhos amarelo- 42º56’W); Porteirinha (15º45’S, 43º01’W).
dourados e lanosidade branca. Flores magenta-rosadas, Comentários: Cacto colunar, com até 1 metro de al-
tubulares, com até 2,5 cm de comprimento e 1 cm de tura, pouco ramificado, verde, com 14 a 17 costelas e
diâmetro, nascidas na lateral do caule, próximo ao ápice, aréolas com espinhos amarelo-dourados a avermelhados
diurnas. Frutos rosados, obovados. Ocorre nos campos e bastante lanosidade branca; zona florífera na lateral do
rupestres. (Taylor & Zappi, 2004) caule, com cerdas vermelhas longas. Flores com perianto
púrpura e tubo floral avermelhado, tubulares, com até
Micranthocereus hofackerianus ([Link] & 2,3 cm de comprimento e 7 mm de diâmetro, diurnas.
Frutos esverdeados, obovóides. Ocorre nos campos ru-
Esteves) [Link]
pestres. (Taylor & Zappi, 2004)
Distribuição: BAHIA: Piatã (13º09’S, 41º45’W).
Comentários: Cacto colunar, com até 1 metro de altu-
ra, ereto, pouco ramificado a partir da base, esverdeado,
Parodia arnostiana (Lisal & Kolarik) Hofacker
com tubérculos, raízes tuberosas e aréolas com espinhos Distribuição: RIO GRANDE DO SUL: Dom Pedri-
negros a castanho-escuros e lanosidade bege. Flores com to (30º57’S, 54º37’W); Vila Nova do Sul (30º20’S,
perianto amarelo-citrino e tubo floral avermelhado, tu- 53º53’W).
bulares, nascidas na lateral do caule, próximo ao ápice, Comentários: Cacto globular, com até 6 cm de altura e
diurnas. Frutos vináceo-glaucos, obovóides. Ocorre nos 8 cm de diâmetro, solitário, com 21 a 30 costelas ligeira-
campos arenosos. (Machado, 2006) mente tuberculadas e aréolas com espinhos acinzentados,
1 a 3 centrais e até 16 radiais. Flores amarelas, campanu-
Micranthocereus polyanthus (Werderm.) Backeb. ladas, com até 6 cm de comprimento e 7,5 cm de diâ-
metro, diurnas; aréolas do tubo floral providas de lano-
Distribuição: BAHIA: Caetité (14º07’S, 42º30’W). sidade creme e espinhos esbranquiçados a amarronzados
Comentários: Cacto colunar com até 1,5 m de altu- na parte externa; estigma púrpura. Ocorre em áreas de
ra, ereto, ramificado a partir da base, glauco-azulado, afloramentos rochosos. (Hunt, 2006)
Cactaceae 123
Distribuição: RIO GRANDE DO SUL: Caçapava do Distribuição: BAHIA: Ibotirama (12º15’S, 43º10’W);
Sul (30º29’S, 53º29’W). Oliveira dos Brejinhos (12º18’S, 42º56’W).
Comentários: Cacto globular a curto-cilíndrico, solitá- Comentários: Cacto colunar, ereto, com até 2 m de
rio, com até 10 cm de altura e 8 cm de diâmetro, com 18 altura, ramificado a partir da base, verde, com 18 a 24
a 26 costelas ligeiramente tuberculadas e aréolas com 1 a 6 costelas; aréolas densamente arranjadas ao longo das cos-
espinhos centrais negros e até 24 espinhos radiais esbran- telas, com espinhos amarelo-dourados a castanho-aver-
quiçados. Flores, amarelas, infundibuliformes, com até 4 melhados, 8 a 16 centrais e 14 a 16 radiais. Flores com
cm de comprimento e 3,5 cm de diâmetro, diurnas; estig- perianto rosado a esbranquiçado e tubo floral rosado,
ma vermelho; aréolas do tubo floral com lanosidade cre- tubulares, com até 5 cm de comprimento e 2,2 cm de
me e espinhos esbranquiçados a amarronzados externa- diâmetro, noturnas. Frutos globosos. Ocorre em aflora-
mente. Ocorre em afloramentos rochosos. (Hunt, 2006) mentos rochosos. (Taylor & Zappi, 2004)
124 Cactaceae
Rhipsalis hoelleri Barthlott & [Link] 22 costelas tuberculadas; aréolas com espinhos amarela-
dos, 4 centrais e até 4 radiais. Flores amarelas, infundibi-
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Domingos Martins liformes, com até 2,7 cm de comprimento e 2,5 cm de
(20º21’S, 40º40’W). diâmetro, diurnas; aréolas do tubo floral com lanosidade
Comentários: Cacto epífito, com até 1,5 m de compri alva e espinhos esbranquiçados a amarronzados exter-
mento; ramos pendentes, cilíndricos, de 3 a 4 mm de diâ namente. Ocorre em afloramentos rochosos. (Schulz &
Machado, 2000; Taylor & Zappi, 2004)
metro. Flores vermelho-carmim, com até 1 cm de diâmetro.
Frutos vermelhos quando maduros, globosos, com cerca de
8 mm de diâmetro. Conhecido apenas pelo material-tipo, U ebelmannia gummifera (Backeb. & Voll)
coletado na década de 1980. (Taylor & Zappi, 2004) Buining
Braun, P.J. & Esteves Pereira, E. 2007. Beautiful and Bizarre Machado, M.C. & Charles, G. 2004. Pilosocereus bohlei Ho-
Arrojadoa – The taxonomy of subgenus Albertbuiningia. facker - a remarkable new species from Brazil. British
Cactus Succ. J. 79(6): 254-263. Cact. Succ. J. 22:188-192.
Cronquist, A. 1981. An integrated system of classification of flo- Machado, M.C., Nyffeler, R., Eggli, U. & Larocca e Silva, J.F.
wering plants. NewYork, Columbia University Press, 1262p. 2008. A new species of Parodia (Cactaceae, Notocacteae)
Esteves Pereira, E. 2003. Melocactus braunii Esteves – a new from Rio Grande do Sul, Brazil. Novon 18: 214-219.
species of Cactaceae from Bahia, Brazil. British Cact. Ritter, F. 1979. Kakteen in Südamerika, Band 1. Spangen-
Succ. J. 21(3): 137-142. berg, F. Ritter Selbstverlag, 374p.
Hunt, D.R. 1999. CITES Cactaceae checklist, ed. 2. Kew, Schulz, R. & Machado, M.C. 2000. Uebelmannia and their
Royal Botanic Gardens, 315p. Environment. Teesdale, Schulz Publishing, 160p.
Hunt, D. R. 2006. The new cactus lexicon. Milborne Port, Soares Filho, A.O. & Machado, M.C. 2003. Arrojadoa ma-
DH Books, 899p. rylanae – a new Arrojadoa species from the state of Bahia,
Machado, M.C. 2006. Micranthocereus hofackerianus (Cacta- Brazil. British Cact. Succ. J. 21: 114-122.
ceae) – eine neue Kombination für ein bemerkenswertes Taylor, N.P. & Zappi, D.C. 2004. Cacti of Eastern Brazil.
Taxon. Kakt. Sukk. 57: 267-273. Kew, Royal Botanic Gardens, 498p.
CalyceraceaeCALYCERACEAE
127
Ervas. Folhas alternas, freqüentemente formando uma roseta na base, sem estípulas. Flores
em capítulos terminais subtendidos por brácteas involucrais, geralmente actinomorfas, pentâmeras, gamopétalas, mo-
noclinas, isostêmones, epíginas, com corpos glandulosos alternos aos estames; ovário unilocular, com 1 óvulo pêndulo.
Aquênios com cálice persistente.
Calyceraceae inclui seis gêneros e 60 espécies sul-americanas, apenas cinco espécies no Brasil (Souza & Lorenzi, 2008),
uma delas rara.
Distribuição: São Paulo: Itatiaia, Serra de Itatiaia Magenta, M.A.G. & Pirani, J.R. 2002. Callyceraceae. In
(22º24’S, 44º50’W). M.G.L. Wanderley, G.J. Shepherd & A.M. Giulietti (eds)
Flora fanerogâmica do Estado de São Paulo. São Paulo,
Comentários: Erva de 30 a 40 cm de altura, decumben- FAPESP, RiMa, vol 2, p. 67-69.
te, glabra. Capítulos terminais ou laterais com brácteas
Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
involucrais lineares e longas, de 2 a 5 cm de comprimen- ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
to. Ocorre em terrenos alagadiços de campos de altitude, nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
sobre turfeiras. (Magenta & Pirani, 2002) Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
128
Campanulaceae CAMPANULACEAE
Campanulaceae conta com 84 gêneros e 2.319 espécies, principalmente em regiões subtropicais e temperadas de todo
o mundo (Lammers, 2007). Apresenta formas de vida variadas, sendo notável a paquicaulia, desenvolvimento de caules
eretos em plantas herbáceas, que resulta em ervas com até 4 m de altura, característica de algumas espécies de Lobelioi-
deae. No Brasil, está representada por cinco gêneros: Centropogon, Hippobroma, Lobelia, Siphocampylus e Wahlenbergia, e 53
espécies (três indicadas como raras), especialmente nas Serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço.
Lobelia brasiliensis [Link] & [Link] los e anteras acinzentadas. Forma pequenas populações
com indivíduos isolados e relativamente dispersos no
Distribuição: DISTRITO FEDERAL: Brasília (15º50’S, sub-bosque da mata, principalmente em áreas úmi-
47º55’W). das, na beira de rios. (Wimmer, 1953; Renata Bacellar
Comentários: Erva de 1,5 a 4 m de altura, coberta por Mello, com. pess.)
indumento amarelado. Folhas sésseis, estreito-oblongas
ou elíptico-lanceoladas, levemente serreado-denteadas
na margem, com 14 a 26 pares de nervuras secundárias,
Siphocampylus lauroanus Handro & [Link].
cartáceas. Flores alvas ou creme-esverdeadas, em race- Distribuição: SÃO PAULO: Biritiba-Mirim (23º34’S,
mo terminal com até 1,5 m de comprimento. A única 46º01’W); Salesópolis (23º33’S, 45º51’W).
espécie do subgênero Tupa no Distrito Federal. Ocorre Comentários: Subarbusto subereto ou decumben-
preferencialmente em cerrado ou áreas perturbadas pela te, de 20 a 80 cm de altura, glabro; ramos cilíndricos,
ação antrópica, em brejos, campos ou locais úmidos na com protuberâncias esponjosas de cerca de 2 mm de
beira de matas secas, de galeria ou buritizais, acima de diâmetro. Folhas alternas, aglomeradas pelo encurta-
1.000 m s.n.m. (Vieira & Shepherd, 1998) mento dos entrenós, (estreito-)lanceoladas, suberetas
ou patentes, raramente subdeflexas; pecíolo de 5 mm
Siphocampylus humilis [Link]. a 1,6 cm de comprimento. Flores com corola tubulosa,
ventricosa, vermelha no tubo, amarela na base dos la-
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Teresópolis, Serra cínios e verde no ápice, e com anteras azuladas. Ocor-
dos Órgãos (22º23’S, 42º57’W). re em depressões ou fendas rochosas formadas pelo
Comentários: Erva delicada, profusamente ramificada; movimento das águas, nas formações florestais à beira
ramos rentes ao solo. Folhas alternas, ovadas, subcorda- de riachos da Serra do Mar, entre 700 e 900 m s.n.m.
das na base, com nervuras proeminentes; pecíolo de 6 Apresenta potencial para utilização como ornamental e
mm a 1,3 cm de comprimento. Flores tubulosas, com parece ser de fácil cultivo. (Handro & Kulhmann, 1962;
corola vermelha, fauce e lacínios internamente amare- Godoy, 2003)
Campanulaceae 129
CanellaceaeCANELLACEAE
Fábio de Barros
Árvores ou arbustos, com casca clara e aromática. Folhas alternas, inteiras, coriáceas,
geralmente com pontuações translúcidas, sem estípulas. Cimeiras ou racemos, às vezes flores solitárias. Flores actino-
morfas, cíclicas (raramente hemicíclicas, diclamídeas), monoclinas, hipóginas; cálice com 3 a 5 sépalas; corola com 4 a 12
pétalas imbricadas, geralmente livres; androceu com 5 a 20 estames monadelfos e com anteras rimosas, extrorsas; ovário
2- a 6-carpelar, unilocular, com 2 a muitos óvulos em placentas parietais. Bagas com 2 a muitas sementes de testa brilhante
e endosperma oleoso.
Canellaceae inclui 6 gêneros e cerca de 20 espécies. É encontrada nas Américas, sudeste da África e Madagascar. Seis es-
pécies e dois gêneros, Canella e Cinnamodendron, são encontrados na América do Sul. No Brasil, está representada apenas
por Cinnamodendron, do qual Capsicodendron é sinônimo. O gênero engloba seis espécies e sua distribuição estende-se do
Sul do Brasil até a Guiana Francesa, Suriname e Venezuela. O centro de diversidade do gênero é a Mata Atlântica do Sul e
Sudeste do Brasil, onde ocorrem quatro espécies, duas delas indicadas como raras.
Cinnamodendron occhionianum [Link] & no ápice, cuneadas na base. Flores com 10 pétalas, tubo
estaminal com cerca de 3,2 mm de comprimento, an-
[Link]
teras de 1 a 1,2 mm de comprimento e ovário com 2
Distribuição: SÃO PAULO: Cananéia, Parque Estadual placentas e 4 óvulos. Ocorre na Mata Atlântica da Serra
da Ilha do Cardoso (25º12’S, 48º00’W). dos Órgãos, a cerca de 1.000 m s.n.m. Não foi coletada
Comentários: Árvore de 15 a 20 m de altura. Flores recentemente. (Occhioni, 1947; Salazar, inéd.)
com 10 pétalas, 10 estames e ovário com 2 placentas.
Vegetativamente, é semelhante a Cinnamodendron dinisii
Schwacke. Ocorre na Mata Atlântica do litoral Sul do
Estado de São Paulo, entre 120 e 200 m s.n.m. (Salazar, Referências:
inéd.; Barros & Salazar, no prelo)
Barros, F. & Salazar, J. No prelo. A new species of Canella-
ceae from Brasil: Cinnamodendron occhionii F. Barros & J.
Cinnamodendron sampaioanum Occhioni Salazar. Novon.
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Petrópolis (22º30’S, Occhioni, P. 1947. Nova espécie de “Canellaceae”. Arch.
43º11’W); Teresópolis (22º26’S, 42º59’W). Jard. Bot. Rio de Janeiro 7: 157-163.
Comentários: Árvore com até 20 m de altura. Folhas Salazar, J. Inéd. Systematics of Neotropical Canellaceae.
oblongas a elíptico-lanceoladas, agudas e conduplicadas PhD Thesis, Cornell University, Ithaca, 2006.
CaryophyllaceaeCARYOPHYLLACEAE
131
Ervas anuais ou perenes; caule geralmente intumescido nos nós. Folhas simples, de
cussadas ou pseudoverticiladas, geralmente estreitas, às vezes suculentas, com ou sem estípulas. Flores solitárias ou em
cimeiras dicasiais, actinomorfas, pentâmeras (raramente tetrâmeras), monoclinas, hipóginas ou períginas; sépalas geral-
mente escariosas; pétalas ocasionalmente reduzidas, livres, inteiras, emarginadas, bífidas ou recortadas; androceu com 5 a
10 estames (raramente 1 a 4), filetes às vezes unidos às pétalas formando um tubo adnato a um ginóforo; ovário sincárpico
ou paracárpico, com placentação basal, central ou central-livre; estames e ovário às vezes sobre um antóforo. Cápsulas
loculicidas ou septicidas, ou utrículos indeiscentes; sementes 1 a muitas, geralmente com testa ornamentada, embrião
periférico, curvo sobre o perisperma.
Caryophyllaceae possui distribuição cosmopolita, ocorrendo principalmente em regiões temperadas ou temperadas quen-
tes do Hemisfério Norte, tendo como centro de diversidade a Europa Central e regiões limítrofes ao Mediterrâneo. Apre-
senta uma vasta amplitude ecológica sendo encontrada desde o nível do mar até elevações variando de 3.000 a 3.600 m
s.n.m., habitando campos gramados, cultivados, planícies arenosas, bordos de matas, barrancos, encostas rochosas, locais
de sombra, umidade e de sol, inclusive ambientes gelados. No Brasil, são reconhecidas 42 espécies (2 raras) e 17 gêneros,
dentre os quais, cinco são cultivados (Agrostemma, Dianthus, Gypsophila, Saponaria e Vaccaria), ocorrendo principalmente
nos campos sulinos, com algumas espécies de ampla distribuição.
Paronychia revoluta [Link] & [Link] Carneiro, C.E. Inéd. A família Caryophyllaceae no Brasil.
Tese de doutorado, Universidade Estadual Paulista, Rio
Distribuição: RIO GRANDE DO SUL: Bom Je-
Claro, 2004.
sus (28º41’S, 50º24’W); Cambará do Sul (29º08’S,
50º05’W); Farroupilha (29º15’S, 51º21’W); São Fran- Carneiro, C.E. & Furlan, A. 2004. Paronychia revoluta, a new
cisco de Paula (29º27’S, 50º32’W). species of Caryophyllaceae from Brazil. Novon 14: 33-35.
132
Celastraceae
CELASTRACEAE
1
Milton Groppo & 2Júlio Antonio Lombardi
Celastraceae foi ampliada de modo a incluir as Hippocrateaceae. De acordo com essa circunscrição, a família inclui cerca
de 50 gêneros e 1.000 espécies, distribuídas em diversos ambientes, com 17 gêneros e cerca de 100 espécies representa-
dos no Brasil (Souza & Lorenzi, 2008). São apontadas 11 espécies raras.
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Santa Teresa, Estação Distribuição: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro
Biológica de Santa Lúcia e Reserva Biológica Augusto (22º54’S, 43º10’W); Teresópolis, Serra dos Órgãos
Ruschi (19º56’S, 40º36’W). (22º24’S, 42º57’W).
Celastraceae 133
mata. Encontrada com flores em setembro. (Carvalho- Distribuição: BAHIA: Contendas do Sincorá (13º46’S,
Okano & Leitão Filho, 2005) 41º03’W); Jequié (13º51’S, 40º05’W).
Comentários: Arbusto com cerca de 2 m de altura. Fo-
lhas espinescentes, parcialmente pinatifidas. Denomina-
Maytenus opaca Reissek 1
da popularmente de todo-jeito, ocorre em matas secas.
Floresce e frutifica de setembro a dezembro. (Carvalho-
Distribuição: BAHIA: Mucugê (13º00’S, 41º24’W);
Okano & Leitão Filho, 2005)
Palmeiras, Caeté-Açu (12º36’S, 41º29’W); Rio de Con-
tas, Pico das Almas (13º32’S, 41º55’W).
Comentários: Arbusto de 1 a 3 m de altura. Ocorre nos
Referências:
campos rupestres e na margem arenosa de rios da Chapada
Diamantina. Floresce de setembro a dezembro, frutificando
Carvalho-Okano, R.M. 1995. Celastraceae. In B.L. Stannard
em maio. (Harley & Simmons, 1986; Carvalho-Okano, 1995)
(ed.) Flora of the Pico das Almas, Chapada Diamantina,
Bahia, Brazil. Kew, Royal Botanic Gardens, p. 171-172.
Maytenus radlkoferiana Loes 1 Carvalho-Okano, R.M. & Leitão Filho, H.F. 2005. O gêne-
ro Maytenus Mol. Emend. Mol. (Celastraceae) no Brasil
Distribuição: MINAS GERAIS: Barão de Cocais extra-amazônico. In M.S. Reis & S.R. Silva (eds) Conser-
(19º56’S, 43º28’W). vação e uso sustentado de plantas medicinais e aromáticas:
Comentários: Árvore com cerca de 5 m de altura. Co- Maytenus spp. Espinheira Santa. Brasília, IBAMA, p. 11-52.
nhecida apenas por duas coletas, apenas uma delas com Harley, R.M. & Simmons, N.A. 1986. Florula of Mucugê,
município indicado, coletada em 1971. Encontrada com Chapada Diamantina, Bahia, Brazil. Kew, Royal Botanic
Gardens, 228p.
flores e frutos imaturos em janeiro. (Carvalho-Okano &
Leitão Filho, 2005) Lombardi, J.A. 2002. A new species of Elachyptera (Ce-
lastraceae, Hippocrateoideae) from Bahia, Brazil. Kew
Bull. 57: 483-486.
Maytenus rupestris Pirani & Carvalho-Okano 1
Lombardi, J.A. 2004. Three new species of Celastraceae
(Hippocrateoideae) from southeastern Brazil, and a new
Distribuição: MINAS GERAIS: Conceição do Mato combination in Peritassa. Novon 14: 315-321.
Dentro (19º05’S, 43º35’W); Jaboticatubas (19º20’S,
Pirani, J.R. & Carvalho-Okano, R.M. 1999. Maytenus ru-
43º37’W); Santana do Riacho (19°08’S, 43°42’W). pestris (Celastraceae), a new species from Minas Gerais,
Comentários: Arbusto ou arvoreta, de 1 a 3 m de altu- southeastern Brazil. Novon 9: 95-97.
ra. Ocorre nos campos rupestres da Serra do Cipó, entre Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
rochas e suas fendas ou na margem de córregos e riachos. ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
Floresce de setembro a novembro, frutificando de no- nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
vembro a maio. (Pirani & Carvalho-Okano, 1999) Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
134
Chrysobalanaceae CHRYSOBALANACEAE
Ana Maria Giulietti, Adilva de Souza Conceição, Maria José Gomes de Andrade & William Antonio Rodrigues
Chrysobalanaceae inclui cerca de 500 espécies e 20 gêneros. Está distribuída principalmente na América Tropical e Cari-
be, mas também na África e Ásia (Hewood et al., 2007). No Brasil, ocorrem sete gêneros e cerca de 250 espécies (Souza
& Lorenzi, 2008) e foram exaustivamente estudadas por Prance (1972, 1976, 1989). São apontadas 41 espécies raras, a
maioria da Mata Atlântica e da Amazônia.
1
Volker Bittrich & 2William Antonio Rodrigues
Com a segregação de Hypericoideae em uma família a parte, Clusiaceae ficou reduzida a 30 gêneros e cerca de 1.000
espécies, estando distribuída em diversos ambientes, cerrados, florestas e restingas. No Brasil, são encontrados 18 gêneros
e cerca de 150 espécies (Souza & Lorenzi, 2008), 14 delas apontadas como raras.
Caraipa aracaensis Kubitzki 2 dos; porém, a separação entre elas precisa ser melhor
investigada. Ocorre em campos rupestres. (Saddi, inéd.)
Distribuição: AMAZONAS: Barcelos, Serra do Aracá
(00º54’N, 63º20’W).
Comentários: Arbusto de 25 cm a 1,5 m de altura. Flores
Kielmeyera divergens Saddi 1
alvas. Frutos pubescente-ferrugíneos. Ocorre às margens ala- Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Pedra Pintada (loca-
gáveis de um riacho de solo arenoso, entre 1.000 e 1.200 m lidade não identificada).
s.n.m. Encontrada com flores em dezembro e com frutos em Comentários: Árvore glabra. Folhas geralmente elíp-
fevereiro. (Kubitzki, 1986/1987; Prance & Johnson, 1992) ticas, com até 14 cm de comprimento, mais ou menos
arredondadas na base, membranáceas; pecíolo com até
3 cm de comprimento. Flores alvas, em racemos com
Caraipa longisepala Kubitzki 2
pedúnculo de até 15 cm de comprimento; sépalas ampla-
mente ovadas a ovado-elípticas, com até 6 mm de largu-
Distribuição: AMAZONAS: Barcelos, Serra do Aracá
ra; pétalas com até 4 cm de comprimento; anteras sem
(00º49’N, 63º19’W). glândulas apicais. Semelhante a K. rupestris, difere daquela
Comentários: Arbusto de 1 a 2,5 m de altura. Frutos espécie por caracteres quantitativos. Ocorre em borda
pubescente-ferrugíneos. Ocorre em campinarana de de floresta, provavelmente perto da fronteira entre Es-
areia branca, na base da serra. Encontrada com flores e pírito Santo e Rio de Janeiro, não tendo sido coletada
frutos em janeiro e fevereiro. (Kubitzki, 1986/1987) desde a década de 1910. (Saddi, inéd.)
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser- Distribuição: BAHIA: Itacaré (14º15’S, 39º01’W).
ra do Cipó (19º14’S, 43º33’W). Comentários: Árvore com até 10 m de altura, glabra.
Comentários: Arbusto ou subarbusto; ramos suberosos. Folhas com até 27 cm de comprimento, membranáceas
Folhas sésseis, com até 9 cm de comprimento, glabras, a subcoriáceas; pecíolo com até 4 cm de comprimento.
(sub)coriáceas. Flores róseas, em racemos; sépalas for- Flores, conhecidas apenas em botão, em inflorescência
temente desiguais, tomentosas; pétalas tomentosas, com ramificada corimbosa, com pedúnculo de até 15 cm
até 2,5 cm de comprimento; anteras lineares, com até 4 compr.; sépalas (sub)orbiculares ou obladas, com até 8
mm de comprimento, loceladas nas margens; estigmas mm de comprimento e 1 cm de largura. Ocorre na mata
cilíndricos. Semelhante a K. coriacea Mart., que difere de restinga perto do estuário do Rio de Contas, não ten-
desta espécie pelas sépalas (sub)iguais e estigmas clava- do sido coletada desde a década de 1960. (Saddi, inéd.)
140 Clusiaceae
Distribuição: MATO GROSSO: Chapada dos Guima- Ducke,A. 1922. Plantes nouvelles ou peu connues de la région
rães (‘Santa Anna da Chapada’) (15º25’S, 55º43’W). amazonniene. Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 3: 3-283.
Comentários: Subarbusto não ramificado, com até 50 Kubitzki, K. 1986/1987. Three new species of Caraipa
cm de altura. Folhas sésseis, de 5 a 7 cm de comprimen- (Guttiferae). Acta Amazon. 16/17: 157-160.
to, obtusas a arredondadas na base, glabras, coriáceas. Prance, G.T. & Johnson, D. 1992. Plant collections from the
Flores alvas, em racemos, às vezes paucifloros, com pe- plateau of Serra do Aracá (Amazonas, Brazil) and their
dúnculo de até 7 cm de comprimento; pedúnculo e pedi- phytogeographic affinities. Kew Bull. 47: 1-24.
celo tomentosos; pétalas de 1 a 1,5 cm de comprimento, Saddi, N. Inéd. A taxonomic revision of the genus Kielmeyera
glabras ou com tricomas esparsos. Ocorre em cerrado, Martius (Guttiferae). Ph.D. Thesis, University of Rea-
não tendo sido coletada desde 1902. (Saddi, inéd.) ding, Reading, 1982.
Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
Moronobea pulchra Ducke 2 ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
Distribuição: AMAZONAS: Manaus, Ponta Negra e Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
baixo rio Tarumã (03º03’N, 60º05’W).
Comentários: Árvore com até 10 m de altura. Flores
alvas, vistosas. Ocorre nas campinaranas de solo silicoso.
Apresenta potencial ornamental. Encontrada com flores
em novembro. (Ducke, 1922)
142
Combretaceae COMBRETACEAE
Combretaceae compreende 20 gêneros e 600 espécies. Tem distribuição pantropical, com representantes ocorrendo em
diferentes ambientes, como borda e interior de florestas, caatingas, manguezais, restingas e dunas litorâneas (Judd et al.,
1999; Souza & Lorenzi, 2005). Os gêneros mais representativos são Combretum (250 espécies) e Terminalia (200). No Bra-
sil, são encontrados seis gêneros e cerca de 60 espécies (Souza & Lorenzi, 2008), uma delas indicada como rara.
Distribuição: PERNAMBUCO: Fernando de Noronha Judd, W.S., Campbell, C.S., Kellogg, E.A. & Stevens, P.F.
(04º00’S, 33º10’W). 1999. Plant systematics – A phylogenetic approach. Sun-
derland, Sinauer Associates, 464p.
Comentários: Arbusto. Flores diclinas (planta dióica),
monoclamídeas. Ocorre preferencialmente em solos ba- Loiola, M.I.B. & Sales, M.F. 1996. Estudos taxonômicos do gê-
nero Combretum Loefl. (Combretaceae R. Br.) em Pernam-
sálticos pedregosos. (Ridley, 1890; Loiola & Sales, 1996)
buco – Brasil. Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 34: 173-190.
Ridley, H.N. 1890. Combretum rupicola. J. Linn. Soc., Bot.
27: 28.
Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
Commelinaceae COMMELINACEAE
143
Ervas com mucilagem. Folhas alternas, freqüentemente formando uma roseta na base,
eventualmente arroxeadas abaxialmente, com bainha fechada. Flores em cincinos subtendidos por 1 bráctea, actninomor-
fas ou zigomorfas, trímeras, dialipétalas, monoclinas, hipóginas; pétalas azuis, alvas ou violeta, marcescentes; estames 6,
alguns eventualmente reduzidos a estaminódios, freqüentemente com tricomas no filete; ovário trilocular, com 1 a vários
óvulos por lóculo. Cápsulas loculicidas, raramente indeiscentes.
Commelinaceae inclui 42 gêneros e cerca de 650 espécies, estando distribuída nas regiões tropicais e temperadas, com
exceção da Europa (Hardy & Faden, 2004). No Brasil, são reportados 14 gêneros e cerca de 60 espécies (Souza & Lorenzi,
2008), sete delas raras.
Connaraceae inclui cerca de 200 espécies e 10 gêneros, com distribuição pantropical (Heywood et al., 2007). No Brasil,
ocorrem quatro gêneros e cerca de 70 espécies (Souza & Lorenzi, 2008), 13 delas apontadas como raras.
1
Rosangela Simão Bianchini & 2Alessandro Silva do Rosário
Convolvulaceae inclui 55 gêneros e cerca de 1.650 espécies essencialmente tropicais, ocorrendo desde desertos e restin-
gas até florestas tropicais, especialmente na beira da mata (Austin, 2004). No Brasil, ocorrem 18 gêneros e cerca de 300
espécies (Souza & Lorenzi, 2008); 15 delas são indicadas como raras.
Distribuição: GOIÁS: Alto Paraíso de Goiás, Chapada Distribuição: MINAS GERAIS: Juiz de Fora (21º46’S,
dos Veadeiros (14º05’S, 47º40’W). 43º21’W). RIO DE JANEIRO: Miguel Pereira (22º28’S,
Comentários: Subarbusto cespitoso, de 10 a 15 cm de 43º28’W); Petrópolis (22º29’S, 43º11’W).
altura, densamente seríceo-viloso. Folhas sésseis, (estrei- Comentários: Trepadeira delicada; ramos fistulosos.
to-)ovadas, arredondadas na base, agudas no ápice, serí- Folhas cordiformes, obtusas a acuminadas no ápice, es-
ceo-vilosas, discolores. Flores solitárias, sésseis, axilares; parsamente seríceas; pecíolo de 7 a 16 cm de compri-
sépalas estreito-ovadas, acuminadas, vilosas, semelhantes mento. Flores em cimeiras 1- a 3-floras; sépalas ovadas a
entre si; corola hipocrateriforme, com cerca de 1,5 cm elípticas, agudas a acuminadas, esparsamente pilosas, as
de comprimento. (Ooststroom, 1934) internas iguais ou menores; corola infundibuliforme, de
7,5 a 9 cm de comprimento. Ocorre em capões e matas
úmidas. (Simão-Bianchini, inéd.)
Evolvulus gnaphalioides Moric. 1
42º04’W).
Comentários: Liana; ramos alvo-lanosos. Folhas cordi- Distribuição: MINAS GERAIS: Ituiutaba (18º45’S,
formes, obtusas a acuminadas no ápice, alvo-lanosas, mais 49º32’W).
densamente na face abaxial, com pecíolo de 2,2 a 2,8 cm Comentários: Erva prostrada ou trepadeira delicada. Fo-
de comprimento. Flores envoltas por brácteas grandes e lhas profundamente trilobadas, truncadas a subcordadas
persistentes, em cimeiras 1- a 3-floras; sépalas externas na base, os lobos lanceolados, inteiros a denteados, obtu-
elípticas, arredondadas no ápice, alvo-lanosas, subcoriá- sos a acuminados no ápice; pecíolo híspido, de 4 a 8 cm de
ceas, as internas pouco menores; corola infundibulifor- comprimento. Flores em cimeiras 1- ou 2-floras; sépalas
me, com cerca de 5,5 cm de comprimento. Conhecida externas ovadas a subtriangulares, cordadas na base, agu-
apenas pelo material-tipo. (Simão-Bianchini, inéd.) das a acuminadas no ápice, esparsamente pubescentes, as
internas menores, ovadas, agudas a aristadas; corola alva,
tubuloso-infundibuliforme, de 2 a 2,5 cm de comprimen-
Ipomoea cavalcantei [Link] 1,2
to. Apesar de contar com várias coletas, não é encontrada
desde 1961. (Hoehne, 1950; Simão-Bianchini, inéd.)
Distribuição: PARÁ: Marabá, Serra dos Carajás (05º53’S,
50º25’W).
Comentários: Subarbusto; ramos escandentes, pilosos. Ipomoea marabensis [Link] & [Link] 2
mos terminais a axilares. Frutos ovóides a arredondados, Austin, D.F. 2004. Convolvulaceae. In N. Smith, S.A. Mori,
com 4 valvas, glabros, marrons. (Austin & Secco, 1988) A. Henderson, [Link]. Stevenson & S.V. Heald (eds)
Flowering plants of the Neotropics. Princeton, Prince-
ton University Press, p. 113-115.
Jacquemontia revoluta Sim.-Bianch. 1
Austin, D.F. & Cavalcante, P.B. 1982. Convolvuláceas da
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser- Amazônia. Publ. Avulsas Mus. Emílio Goeldi 36: 1-134.
ra do Cipó (19º03’S, 43º42’W). Austin, D.F. & Secco, R.S. 1988. Ipomoea marabaensis, nova
Comentários: Subarbusto delicado; ramos eretos ou as- Convolvulaceae da Serra dos Carajás (PA). Bol. Mus.
cendentes. Folhas lineares, atenuadas na base, agudas no Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4: 187-194.
ápice, fortemente revolutas na margem, com tricomas Austin, D.F. & Staples, G.W. 1983. Additions and changes
estrelados esparsos; pecíolo com até 2 mm de compr. in the Neotropical Convolvulaceae – Notes on Merremia,
Flores solitárias, axilares; sépalas ovadas, agudas a obtusas Operculina, and Turbina. J. Arnold Arbor. 64: 484-486.
no ápice, glabras; corola azul-clara, campanulada, de 7 a
10 mm de comprimento. Ocorre em campos rupestres. Hoehne, F.C. 1950. Algumas novidades da Flora do Brasil
(Simão-Bianchini & Pirani, 1997; Simão-Bianchini, 1999) Austro Oriental entre Orchidáceas e Convolvuláceas.
Arch. Bot. Est. São Paulo 2: 110.
Junqueira, M.E.R & Simão-Bianchini, R. 2006. O gênero
Merremia repens [Link] & Staples 1
Evolvulus (Convolvulaceae) no município de Morro do
Chapéu, BA, Brasil. Acta Bot. Bras. 20: 157-172.
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser-
ra do Cipó (19º03’S, 43º42’W). Myint,T. & Ward, D.B. 1968. A taxonomic revision of the ge-
Comentários: Trepadeira lenhosa na base. Folhas digi- nus Bonamia (Convolvulaceae). Phytologia 17: 121-237.
tadas, com folíolos elípticos, cuneados na base, obtusos Ooststroom, S.J. 1934. A monograph of the genus Evolvulus.
a agudos no ápice, com tricomas simples, mais densos Meded. Bot. Mus. Herb. Rijks Univ. Utrecht. 14: 1-267.
abaxialmente; pecíolo de 1,3 a 3 cm de comprimento. Simão-Bianchini, R. 1999. Jacquemontia revoluta (Convolvu-
Flores em cimeiras 2- a 7-floras; sépalas glabras, mem- laceae), a new species from Minas Gerais, Brazil. Novon
branáceas, as 2 externas orbicular-ovadas, as 3 internas 9: 104-106.
maiores, estreito-ovadas, arredondadas no ápice; coro-
la lilás, campanulada, de 4,5 a 6,5 cm de comprimento. Simão-Bianchini, R. Inéd. Ipomoea L. (Convolvulaceae) no
Ocorre em orla de mata ciliar. (Austin & Staples, 1983; Sudeste do Brasil. Tese de doutorado, Universidade de
Simão-Bianchini & Pirani, 1997) São Paulo, São Paulo, 1998.
Simão-Bianchini, R. & Pirani, J.R. 1997. Flora da Serra do
Cipó, Minas Gerais: Convolvulaceae. Bol. Bot. Univ. São
Paulo 16: 125-149.
Referências:
Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
Austin, D.F. 1973. The american Erycibeae (Convolvulace- ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
ae): Maripa, Dicranostyles, and Lysiostyles I. Systematics. nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
Ann. Missouri Bot. Gard. 60: 306-412. Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
Austin, D.F. 1981. Novidades nas Convolvulaceae da flora Yunker, T.G. 1932. The genus Cuscuta. Mem. Torr. Bot.
amazônica. Acta Amazon. 11(2): 291-295. Club.18: 113-331.
150
CucurbitaceaeCUCURBITACEAE
Cucurbitaceae inclui cerca de 130 gêneros e 900 espécies, possuindo distribuição (sub)tropical (Nee, 2004). Destaca-se
pela produção de frutos comestíveis, como a melancia, o melão, a abóbora e o chuchu. No Brasil, são encontrados cerca
de 30 gêneros e 200 espécies (Souza & Lorenzi, 2008), das quais 19 são raras.
Comentários: Flores pequenas, campanuladas, longipe- Comentários: Espécie próxima a C. trifoliata Cogn., po-
diceladas; as pistiladas com hipanto liso. Frutos e semen- rém distinta por suas folhas menos profundamente parti-
tes glabros. Encontrada com flores estaminadas e pistila- das e folíolos inteiros. Ocorre sobre rochas basálticas na
das e frutos em agosto e setembro. (Jeffrey, 1971) porção oriental da ilha. (Ridley, 1890)
Comentários: Semelhante a G. spruceana Cogn., porém Cogniaux, A. 1881. Cucurbitaceae. In A.L.P.P. Candolle &
com folhas macias e acinzentadas. Conhecida apenas pelo A.C.P. Candolle (eds) Monographieae Phanerogamarum
material-tipo, coletado por Wallis, com flores estamina- Prodromi nunc continuation. Paris, G. Manson, vol. 3,
das. (Cogniaux, 1876) p. 325-964.
Cogniaux, A.1887. Wilbrandia glaziovii Cogn. In Descrip-
tions de quelques cucurbitacées nouvelles. Bull. Acad.
Gurania wawrei Cogn. Roy. Belgique 3(14): 346-364.
Cogniax, A. 1916. Cucurbitaceae : Fevillea et melothrieae. In
Distribuição: BAHIA: Porto Seguro (16º26’S, 39º04’W);
Das Pflanzenreich Regni Vegetabilis Conspectus. Lei-
Prado (17º08’S, 39º22’W). pzig, Verlag von Wilhelm Engelmann, vol. 4 275 I, Heft
Comentários: Folhas trilobadas. Flores com tubo do re- 66, p. 1-277.
ceptáculo glabro, menor que as sépalas em comprimento.
Gomes-Klein, V.L. & Pirani, J.R. 2005. Four new species of
Encontrada com flores em fevereiro. (Cogniaux, 1876)
Cayaponia (Cucurbitaceae) from Brazil and Bolivia. Brit-
tonia 57: 108-117.
Wilbrandia glaziovii Cogn. Jeffrey, C. 1971. Further notes on Cucurbitaceae 2. Kew Bull.
25: 191-236.
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Conceição de Ma-
Jeffrey, C. 1992. The genus Apodanthera (Cucurbitaceae) in
cabu (22º05’S, 41º52’W); Maricá, Pico do Alto Moirão Bahia state, Brazil. Kew Bull. 47: 517-528.
(22º55’S, 42º49’W); Rio de Janeiro, Pontal de Sernam-
betiba (23º02’S, 43º30’W). Martinez-Crovetto, R. 1954. Especies nuevas o críticas del
género Apodanthera (Cucurbitaceae). Notul. Syst. (Paris)
Comentários: Folhas robustas, verde-escuras e glabres-
15: 44-47.
centes na face adaxial, verde-claras, acinzentadas e den-
samente tomentosas na abaxial. Flores estaminadas em Nee, M. 2004. Cucurbitaceae. In N. Smith, S.A. Mori, A.
inflorescências congestas. Encontrada com flores esta- Henderson, [Link]. Stevenson & S.V. Heald (eds) Flo-
minadas e pistiladas e frutos de setembro a dezembro. wering plants of the Neotropics. Princeton, Princeton
(Cogniaux, 1887) University Press, p. 120-121.
Ridley, H.N. 1890. Notes on the botany of Fernando de No-
ronha. J. Linn. Soc., Bot. 27: 1-94.
Referências: Robinson, G.L. & Wunderlin, R.P. 2005. Revision of Fevillea
(Cucurbitaceae: Zanonieae). Sida 21: 1791-1996.
Cogniaux, A. 1876. Diagn. Cucurb. Nouv. Bruxelles, F. Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
Hayez, Imprimeur de l’Académie royale. ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
Cogniaux, A.1878. Cucurbitaceae. Bull. Soc. Bot. Belgique nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
17: 275-303. Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
Cunoniaceae CUNONIACEAE
153
Cunoniaceae inclui 26 gêneros e cerca de 300 espécies, a metade em Weinmannia. Ocupa preferencialmente florestas
montanas, estando distribuída principalmente nos trópicos, com centro de diversidade na Nova Caledônia (Bradford,
2004). No Brasil, são encontrados Weinmannia e Lamanonia, com cerca de 20 espécies (Souza & Lorenzi, 2008); duas es-
pécies de Lamanonia são apontadas como raras.
Distribuição: DISTRITO FEDERAL: Brasília (15º56’S, Bradford, J. 2004. Cunoniaceae. In N. Smith, S.A. Mori, A.
47º49’W). Henderson, [Link]. Stevenson & S.V. Heald (eds) Flo-
Comentários: Árvore de 6 a 10 m de altura. Frutos wering plants of the Neotropics. Princeton, Princeton
oblongos; sementes aladas, oblongo-elípticas. Ocorre em University Press, p. 121-124.
áreas ecotonais entre cerrado e mata ciliar. Floresce de Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
agosto a outubro. (Zickel & Leitão Filho, 1993) ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
Lamanonia chabertii (Pamp.) [Link]. Zickel, C.S. & Leitão Filho, H.F. 1993. Revisão taxonômica de
Distribuição: SÃO PAULO: São José de Barreiro, Serra LamanoniaVell. (Cunoniaceae). Revta Brasil. Bot. 16: 73-91.
da Bocaina (22º38’S, 44º34’W).
Comentários: Arbusto; caule cilíndrico, piloso. Flores
com os filete pilosos. Conhecida apenas pelo material-
tipo, coletado com flores em fevereiro. (Zickel & Leitão
Filho, 1993)
154
Cyperaceae CYPERACEAE
Ervas terrestres ou aquáticas, de pequeno a grande porte, anuais ou perenes. Folhas ex-
pandidas ou ausentes, lanceoladas a elípticas, parelinérveas, sésseis ou pseudopecioladas, com bainha fechada. Inflorescên-
cia laxa a congesta, com profilo bicarenado; escapo terminal ou lateral, anguloso a cilíndrico, por vezes fistuloso; bráctea
tectriz foliácea a glumiforme. Espigueta 1 a muitas; antóides mono- ou diclinos, com 1 gluma e de 1 a 6 cerdas periânticas
por vezes presentes; androceu com 1 a 3 estames; gineceu com ovário súpero, unilocular, uniovulado, e estigma 2- a
3-partido. Aquênios trígonos, globosos a lenticulares, lisos a ornamentados; estilopódio e hipopódio, por vezes presentes.
Cyperaceae está entre as 10 maiores famílias de angiospermas, com quase 5.000 espécies, ocorrendo em praticamente
todas as partes do mundo. No Brasil, ocorrem 41 gêneros e 664 espécies (200 endêmicas), com centro de diversidade nas
Regiões Sudeste e Norte (Alves et al., 2008), sendo apontadas 35 espécies raras.
Bulbostylis nesiotis (Helms.) [Link] Comentários: Erva perene, terrestre, cespitosa, com
cerca de 70 cm de altura. Encontrada com flores e frutos
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Vitória, Ilha de Trin- em fevereiro. (Simpson, 1993, 1995)
dade (20º30’S, 29º18’W).
Comentários: Erva com até 25 cm de altura. Conheci-
da apenas por duas coletas. Ocorre em campos arenosos
Cyperus brumadoi [Link]
e pedregoso, com registros de pequenas populações em Distribuição: BAHIA: Rio de Contas, Pico das Almas
ampla expansão. (Alves & Martins, 2004; Prata, inéd.) (13º31’S, 41º57’W).
Comentários: Erva perene, anfíbia, cespitosa, cerca de
Bulbostylis smithii Barros 20 cm de altura. Comum em solo úmido de campos ru-
pestres. Encontrada com flores e frutos de dezembro a
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Par- março. (Simpson, 1993, 1995; Araújo et al., inéd.)
que Nacional da Serra do Cipó (19º15’S, 43º40’W).
Comentários: Erva com até 60 cm de altura. Apresenta
potencial ornamental para o uso desidratado em artesa- Eleocharis almensis [Link]
nato. Ocorre em campos rupestres e campos cerrados,
Distribuição: BAHIA: Rio de Contas, Pico das Almas
sobre solo areno-pedregoso. Encontrada com flores e
(13º31’S, 41º57’W).
frutos maduros entre junho e agosto. (Prata, inéd.)
Comentários: Erva perene, anfíbia, cespitosa, com cer-
ca de 45 cm de altura; reprodução vegetativa por esto-
Cryptangium humile (Nees) Boeck. lões. Ocorre em cerrado de altitude, em ambientes aquá-
ticos temporários. (Simpson, 1993, 1995)
Distribuição: MINAS GERAIS: Congonhas do Norte
(18º51’S, 43º45’W); Santana do Riacho, Morro do Breu
(19º06’S, 43º37’W). Eleocharis bahiensis [Link]
Comentários: Erva perene, com até 15 cm de altura,
desprovida de roseta basal de folhas, formando toucei- Distribuição: BAHIA: Maracás (13º21’S, 40º20’W).
ras densas entre rochas. Ocorre nos campos rupestres da Comentários: Erva anual, cespitosa, com cerca de 10
porção norte da Serra do Cipó. (Vitta, inéd.) cm de altura. Ocorre em solos úmidos e ricos em miné-
rio. (Simpson, 1987a; Araújo et al., inéd.)
Fuirena lainzii Luceño & [Link] úmidos próximos ao litoral, entre 800 e 1.000 m s.n.m.
(Alves & Thomas, 2002; Alves, inéd.)
Distribuição: PERNAMBUCO: Capoeiras (08º44’S,
36º37’W).
Comentários: Erva aquática, fixa, com cerca de 70 cm
Hypolytrum jardimii [Link] & [Link]
de altura; ramos eretos e emersos. Conhecida apenas por
Distribuição: BAHIA: Camamu (13º55’S, 39º05’W);
coletas do inicio da década de 1970. Ocorre em ambien-
Itacaré (14º17’S, 39º02’W); Uruçuca, Serra Grande
tes aquáticos temporários da porção nordeste do Semi-
árido nordestino. Encontrada com flores e frutos em (14º28’S, 39º05’W).
agosto e outubro. (Luceño & Alves, 1996) Comentários: Erva perene, cespitosa, com cerca de
50 cm de altura e folhas pseudopecioladas. Ocorre no
sub-bosque de florestas úmidas litorâneas, em baixas
Hypolytrum amorimii [Link] & [Link] altitudes, geralmente associada a áreas de encosta com
afloramento rochoso evidente. (Alves et al., 2002; Al-
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Cariacica, Reserva ves, inéd.)
Biológica de Duas Bocas (20º16’S, 40º28’W).
Comentários: Erva perene, exuberante. Folhas forte-
mente vináceas abaxialmente. Ocorre no sub-bosque de Hypolytrum lucennoi [Link] & [Link]
florestas úmidas litorâneas, preferencialmente em en-
costas íngremes, entre 600 a 800 m s.n.m. (Alves et al., Distribuição: BAHIA: Jaguaquara (13º32’S, 39º57’W);
2002; Alves, inéd.) Ubaitaba, Parque da Torre (14º15’S, 39º20’W).
Comentários: Erva perene, robusta, com cerca de 1,7
H ypolytrum espiritosantense [Link] &
m de altura. Forma populações com poucos indivíduos
em áreas florestais úmidas próximas ao litoral, entre 500
[Link]
e 700 m s.n.m. Encontrada com frutos entre junho e ju-
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Cariacica, Reserva lho. (Alves & Thomas, 2002; Alves, inéd.)
Biológica de Duas Bocas (20º16’S, 40º28’W).
Comentários: Erva robusta, com cerca de 1,5 m de
altura. Forma populações com poucos indivíduos, em
Hypolytrum paraense [Link] & [Link]
ambientes florestais úmidos, sazonalmente alagados, na Distribuição: PARÁ: Marabá, Serra dos Carajás (05º57’S,
proximidade de pequenos riachos, entre 600 a 800 m 50º18’W).
s.n.m. Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado Comentários: Erva com cerca de 0,5 m de altura.
com frutos em julho de 2001. (Alves & Thomas, 2002;
Ocorre em canga, entre 600 e 700 m s.n.m., sobre solo
Alves, inéd.)
com altas concentrações de ferro. (Alves et al., 2002; Al-
ves, inéd.)
Hypolytrum glaziovii Boeck.
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Magé (22º34’S, Lagenocarpus adamantinus Nees
43º06’W); Rio de Janeiro, Parque Nacional da Floresta
da Tijuca (22º56’S, 43º14’W). Distribuição: MINAS GERAIS: Datas (18º22’S, 43º40’W);
Comentários: Erva perene, robusta, com cerca de 1,5 Diamantina (18º07’S, 43º35’W).
m de altura, formando pequenas touceiras. Apresenta Comentários: Erva perene, de 70 cm a 1,1 m de altura,
potencial paisagístico. Ocorre no sub-bosque de florestas formando pequenas touceiras laxas. Ocorre sobre aflo-
úmidas litorâneas, preferencialmente em áreas de encos- ramentos quártzicos do Planalto de Diamantina como
ta, entre 100 e 700 m s.n.m. (Alves, inéd.) colonizadora primária, sendo a única do gênero com esta
característica. (Vitta, inéd.)
Hypolytrum glomerulatum [Link] &[Link]
Lagenocarpus bracteosus [Link]
Distribuição: BAHIA: Boa Nova (14º23’S, 40º08’W).
Comentários: Erva perene, cespitosa, robusta, com cer- Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser-
ca de 1,5 m de altura. Ocorre em ambientes florestais ra do Cipó (19º08’S, 43º40’W).
Cyperaceae 157
Dilleniaceae possui distribuição pantropical, com cerca de 310 espécies e 12 gêneros, sendo reconhecidos seis gêneros e
69 espécies no Brasil: Davilla (29 espécies), Doliocarpus (20) e Tetracera (17), e os monotípicos Curatella, Neodillenia e Pinzo-
na. Apenas Tetracera possui representantes paleotropicais; os demais gêneros são neotropicais, mas nenhum é endêmico do
Brasil (Kubitzki, 1970, 1971; Aymard, 1997, 2002; Fraga & Aymard, 2007). A maior diversidade da família no Brasil está
na Mata Atlântica, com 35 espécies, 26 delas endêmica ao bioma, sendo Davilla o gênero mais expressivo. Na Amazônia,
ocorrem aproximadamente 30 espécies, concentradas no gênero Doliocarpus. O Cerrado, por sua vez, possui cerca de 15
espécies; a crença de ser esse o bioma típico da família está ligado à sua abundância e não à diversidade em número de
espécies. São apontadas quatro espécies raras.
Tânia R. S. Silva
Droseraceae inclui três gêneros e cerca de 100 espécies, possuindo distribuição cosmopolita. No Brasil, está representada
apenas pelo gênero Drosera, com 12 espécies. Com sete espécies, três delas endêmicas e uma apontada como rara, a Região
Sudeste concentra a maior diversidade da família no Brasil.
Distribuição: MINAS GERAIS: Grão Mogol (16º20’S, Correa, M.D. & Silva, T.R.S. 2005. Drosera (Droseraceae).
42º49’W). Fl. Neotrop. Monogr. 96: 1-65.
Comentários: Caule de 3 a 7 cm de comprimento. Fo-
lhas vináceas, sésseis, oblongas, tricomas glandulares. Co-
letada pela última vez em 1990. (Corrrea & Silva, 2005)
162
Ebenaceae EBENACEAE
Ebenaceae apresenta distribuição pantropical, contando com 500 a 600 espécies e três gêneros: Diospyros, pantropical,
Euclea., com 12 a 20 espécies, restrito à África e ao Oriente Médio, e Lissocarpa, com oito espécies restritas ao norte e
noroeste da América do Sul. Historicamente complexo, o estudo sistemático do grupo vem sendo incrementado pela pu-
blicação de diversas (35) novas espécies (Wallnöfer, 1999, 2000, 2003, 2005; Sothers, 2003), além da revisão de Lissocarpa
(Wallnöfer, 2004). No Brasil, estão presentes duas espécies de Lissocarpa, na Amazônia Ocidental, e cerca de 65 espécies
de Diospyros, com maior diversidade na região amazônica (cerca de 47 espécies), 16 delas apontadas como raras.
Comentários: Árvore com cerca de 20 m de altura. com os lobos do cálice indistintos no fruto. Ocorre nas
Folhas elíptico-oblongas, glabras, cartáceas. Flores geral- florestas de brejo. Encontrada com flores e frutos em de-
mente tetrâmeras, com cálice campanulado. Conhecida zembro. (Sothers, 2003)
apenas pelo material-tipo, coletado em 1933, com flores
em junho. (Cavalcante, 1963a)
Diospyros tarim [Link].
Diospyros landii Cavalcante Distribuição: AMAZONAS: Manaus (03º00’S, 59º58’W).
Comentários: Árvore de 3 a 15 m de altura; ramos com
Distribuição: ACRE: Brasiléia, Seringal Montevidéo córtex verrucoso. Folhas oblongas, cartáceas, indumento
(11º00’S, 68º44’W). brúneo. Flores tetrâmeras (raramente trímeras), com os
Comentários: Árvore com cerca de 8 m de altura. Fo-
lobos do cálice quilhados no fruto. Ocorre na mata de
lhas (estreito-)lanceoladas, esparsamente tomentosas
terra firme. Floresce em setembro e outubro, e frutifica
abaxialmente, cartáceas. Flores 4- ou 5-meras, com os
lobos do cálice triangulares. Conhecida apenas por duas de janeiro a dezembro. (Wallnöfer, 2000)
coletas em 1972, com flores em julho. (Cavalcante, 1977)
Diospyros trombetensis Sandwith
Diospyros manausensis Cavalcante Distribuição: PARÁ: Oriximiná, Lago do Salgado
Distribuição: AMAZONAS: Manaus (02º53’S, 59º58’W) (01º45’S, 55º51’W).
Comentários: Árvore de 5 a 15 m de altura. Folhas Comentários: Arvoreta; ramos delgados. Folhas oblon-
oblongas, glabras, cartáceas. Ocorre na mata de terra gas a oblongo-elípticas, glabras, subcoriáceas. Flores com
firme. Encontrada com frutos em março e junho. (Ca- os lobos do cálice deltóide-agudos. Conhecida apenas por
valcante, 1966) duas coletas, a última em 1919. Ocorre na mata de terra
firme. Encontrada com flores em outubro e novembro.
Diospyros mexiae Standl. (Cavalcante, 1963a)
Comentários: Árvore com até 18 m de altura. Folhas Cavalcante, P.B. 1977. Espécies novas da flora amazônica
elípticas a obovadas, seríceas a glabrescentes abaxialmen- (Ebenaceae). Acta Amazon. 7(2): 189-197.
te, coriáceas. Flores 5- ou 6-meras, com cálice campa- Sothers, C.A. 2003. New species of Diospyros (Ebenaceae)
nulado. Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado from Brazil. Kew Bull. 58: 473-477.
em 2000, em mata de galeria inundável, com flores em
Wallnöfer, B. 1999. Neue Diospyros-Arten (Ebenaceae) aus
junho. (Sothers, 2003)
Südamerika. Ann. Naturhist. Mus. Wien 101B: 565-592.
Wallnöfer, B. 2000. Neue Diospyros-Arten (Ebenaceae)
aus Südamerika – 2. Ann. Naturhist. Mus. Wien 102B:
Referências: 417-433.
Wallnöfer, B. 2003. A new species of Diospyros from sou-
Cavalcante, P.B. 1963a. Contribuição ao conhecimento do
thwestern Amazonia. Ann. Naturhist. Mus. Wien 104B:
gênero Diospyros Dalech. (Ebenaceae) na Amazônia. Bol.
Mus. Paraense Emílio Goeldi, N. S., Bot. 20: 1-53. 563-566.
Cavalcante, P.B. 1963b. Nova contribuição ao conhecimen- Wallnöfer, B. 2004. A revision of Lissocarpa Benth. (Ebena-
to do gênero Diospyros Dalech. (Ebenaceae) no Brasil. ceae subfam. Lissocarpoideae (Gilg in Engler) [Link].).
Bol. Mus. Paraense Emílio Goeldi, N. S., Bot. 21: 1-15. Ann. Naturhist. Mus. Wien 105B: 515-564.
Cavalcante, P.B. 1966. Duas novas espécies do gênero Dios- Wallnöfer, B. 2005. New species of Diospyros (Ebenaceae)
pyros Dalech. (Ebenaceae) da Amazônia. Bol. Mus. Para- from the Neotropics and additional information on D.
ense Emílio Goeldi, N. S., Bot. 22: 1-9. apeibacarpos. Ann. Naturhist. Mus. Wien 106B: 237-253.
EricaceaeERICACEAE
165
Ericaceae conta com cerca de 130 gêneros e 3.000 espécies. São, em geral, vistosas e características de grandes altitudes.
No Brasil, ocorrem 12 gêneros e cerca de 100 espécies, apenas uma é indicada como rara.
Distribuição: AMAZONAS: Barcelos, Serra do Aracá Luteyn, J.L. 1986. A new Vaccinium (Ericaceae) from Guaya-
(00º48’N, 63º19’W). nan Brazil. Brittonia 38: 101-103.
Comentários: Arbustos com até 1,5 m de altura. Co-
nhecida apenas por duas coletas, a cerca de 1.200 m
s.n.m., com flores e frutos em março. (Luteyn, 1986)
166
EriocaulaceaeERIOCAULACEAE
Ana Maria Giulietti, Maria José Gomes de Andrade, Marcelo Trovó & Paulo Takeo Sano
Ervas monóicas, acaulescentes com folhas em roseta ou caulescentes, com ou sem pa-
racládios. Folhas geralmente espiraladas, às vezes fasciculadas. Inflorescências em capítulos; escapos cilíndricos ou acha-
tados, solitários ou fundidos; envolvidos em sua base por espatas agudas ou truncadas no ápice. Flores 3- ou 2-meras,
diclamídeas, heteroclamídeas, diclinas, iso- ou diplostêmones, com tecas 4- ou 2-esporangiadas, grãos de pólen espiro-
aperturados, ovário súpero com 3 ou 2 lóculos uniovulados. Cápsulas loculicidas ou raramente aquênios, produzindo 1 a
3 sementes lisas ou com projeções da testa.
Inclui cerca de 1.200 espécies e 11 gêneros que se distribuem principalmente nas regiões tropicais; Eriocaulon é o único
gênero que ocorre também em áreas temperadas. No Brasil, ocorrem nove gêneros, exceto Mesanthemum, endêmico
do continente africano, e Lachnocaulon, endêmico dos Estados Unidos. Para o país, são estimadas cerca de 800 espécies,
especialmente diversificadas nas Regiões Sudeste e Nordeste, especialmente na Cadeia do Espinhaço, em Minas Gerais e
Bahia. São apontadas 109 espécies raras, mas revisões taxonômicas em gêneros complexos como Paepalanthus e Syngonan-
thus e estudos florísticos em áreas montanhosas pouco conhecidas poderão indicar muitas outras espécies raras na família.
Actinocephalus aggregatus [Link] Comentários: Erva; caule com cerca de 3,5 cm de al-
tura. Folhas em roseta basal relativamente pequena em
Distribuição: MINAS GERAIS: Congonhas do Norte, relação aos paracládios. Paracládios eretos, bastante de-
Serra Talhada (18º47’S, 43º43’W). senvolvidos, com brácteas foliáceas conspícuas; escapos
Comentários: Erva perene; caule curto. Folhas em rose- numerosos, com disposição esférica. Conhecida exclusi-
tas basais, eretas, com tricomas malpighiáceos. Presença vamente do holótipo, coletado por Álvaro da Silveira no
de paracládios; escapos de 30 a 42 cm de altura. Conhe- início do séc. 20. (Sano, 2004, inéd.)
cida apenas da porção norte da Serra do Cipó. Floresce
em junho. (Costa, 2006)
Actinocephalus ciliatus (Bong.) Sano
Actinocephalus cabralensis (Silveira) Sano Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina (18º14’S,
43º36’W); Serro (18º35’S, 43º23’W).
Distribuição: MINAS GERAIS: Joaquim Felício, Serra Comentários: Erva. Folhas em roseta, densamente ve-
do Cabral (27º45’S, 44º10’W). lutinas quando jovens, longamente ciliadas, com os cí-
Comentários: Erva ereta, com rizoma subterrâneo do lios persistentes mesmo quando senescentes. Paracládios
qual partem rosetas de folhas, ausentes nos indivíduos longos, geralmente eretos. Sobressai-se na vegetação
férteis. Folhas espiraladas, estreito-lanceoladas a line- herbácea e rasteira onde vivem. (Sano, 2004, inéd.)
ares, verde-claras, esparsamente pilosas adaxialmente,
glabras abaxialmente. Paracládios subverticilados, fre-
qüentemente adpressos ao eixo alongado; inflorescência
Actinocephalus cipoensis (Silveira) Sano
em umbelas com capítulos congestos. Forma populações Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser-
relativamente densas, ocupando amplas extensões. En- ra do Cipó (19º15’S, 43º38’W).
contrada com flores o ano todo. (Sano, 2004, inéd.) Comentários: Erva; caule com cerca de 3,5 cm de al-
tura. Folhas da roseta conspicuamente menores que os
Actinocephalus callophyllus (Silveira) Sano paracládios. Flores pistiladas com pedicelo piloso; tri-
comas longos, filamentosos. Conhecida apenas pelo ma-
Distribuição: MINAS GERAIS: Serro, Pico do Itambé terial-tipo, coletado por Álvaro da Silveira, no começo
(18º35’S, 43º23’W). do séc. 20, foi considerada extinta na Lista de Espécies
Eriocaulaceae 167
Brasileiras Ameaçadas de Extinção. (Sano, 2004, inéd.; Comentários: Erva; caule longo, escandente ou semi-
[Link]) decumbente, o que a diferencia das demais espécies do
gênero. Paracládios alongados. Brácteas involucrais dos
capítulos com dorso piloso e tricomas concentrados na
Actinocephalus claussenianus (Koern.) Sano porção mediana. Habita bordas de mata. Aparentemente,
floresce o ano todo. (Sano, 2004, inéd.)
Distribuição: MINAS GERAIS: São Roque de Minas,
Serra da Canastra (20º07’S, 46º39’W).
Comentários: Erva. Capítulo com receptáculo portan- Actinocephalus falcifolius (Koern.) Sano
do tricomas longos, visíveis a olho nu. Flores pistiladas
com sépalas bem menores que as pétalas e gineceu com Distribuição: MINAS GERAIS: Ouro Preto, Serra de
coluna desenvolvida, com cerca de 1 mm de comprimen- Lavras Novas (20º20’S, 43º28’W).
to, as maiores no gênero. (Sano, 2004, inéd.) Comentários: Erva com rizoma subterrâneo desenvolvi-
do. Eixo florífero alongado, ramificado a partir do centro
da roseta. Distribuição concentrada na Serra de Lavras
Actinocephalus compactus (Gardner) Sano Novas, próximo a Ouro Preto e arredores. Encontrada
com flores em várias épocas do ano. (Sano, 2004, inéd.)
Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina (18º14’S,
43º36’W).
Comentários: Erva; caule de 2 a 4 cm de altura. Folhas
Actinocephalus fimbriatus (Silveira) Sano
em roseta, densamente viloso-papilosas, caráter exclu- Distribuição: MINAS GERAIS: Couto de Magalhães de
sivo da espécie. Espata com ápice truncado, densamen- Minas, Chapada do Couto (18º04’S, 43º28’W).
te ciliado; tricomas também papilosos. Escapos curtos, Comentários: Erva; caule com cerca de 3 cm de com-
congestos, o que conferiu à espécie o epíteto específico. primento. Folhas em roseta, lanceoladas, pubescentes
Conhecida apenas pelo material-tipo. (Sano, 2004, inéd.) adaxialmente, glabrescentes abaxialmente. Paracládios
eretos; escapos com disposição esférica e indumento se-
Actinocephalus coutoensis (Moldenke) Sano ríceo. Conhecida apenas pelo holótipo, coletado por Ál-
varo da Silveira, no início do séc. 20. (Sano, 2004, inéd.)
Distribuição: MINAS GERAIS: Couto de Magalhães de
Minas, Chapada do Couto (18º04’S, 43º28’W). Actinocephalus glabrescens (Silveira) Sano
Comentários: Erva; caule de 1 a 2 cm de altura. Roseta de
folhas pouco desenvolvida. Paracládios com escapos em ar- Distribuição: MINAS GERAIS: Serro, Milho Verde
ranjo umbeliforme. Flores com até 1,6 mm de comprimen- (18º36’S, 43º23’W).
to. Conhecida apenas pelo material-tipo. (Sano, 2004, inéd.) Comentários: Erva; rizoma de 0,5 a 1 cm de compri-
mento. Folhas lanceoladas, glabrescentes. Conhecida ex-
clusivamente pelo holótipo, coletado por Álvaro da Sil-
Actinocephalus deflexus [Link] veira, no início do séc. 20. (Sano, 2004, inéd.)
Eriocaulon aquatile Koern. cida apenas pelo material-tipo, coletado em solo arenoso
por Martius, em maio de 1818. (Ruhland, 1903)
Distribuição: MINAS GERAIS: Morro do Pilar, Serra
de Santo Antônio (19º12’S, 43º22’W); Santana do Ria-
cho, Serra do Cipó (19º09’S, 43º43’W).
Eriocaulon majusculum Ruhland
Comentários: Erva; caule curto. Folhas em roseta basal, Distribuição: MINAS GERAIS: Aiuruoca, Serra do Pa-
lineares, glabras. Espata com ápice oblíquo. Escapos de pagaio (21º58’S, 44º36’W); RIO DE JANEIRO: Serra
9,5 a 54 cm de altura, glabros. Conhecida pelo material- de Itatiaia (22º29’S, 44º32’W).
tipo, coletado por Martius na Serra de Santo Antônio Comentários: Erva; caule curto. Folhas em roseta basal,
(Ruhland, 1903), e por coletas mais recentes na Serra do lanceoladas, glabras. Espata com ápice truncado. Esca-
Cipó. (Giulietti, 1978) pos de 30 a 35 cm de altura, glabros. Ocorre a partir de
2.000 m s.n.m.; as coletas recentes são poucas e restritas
a Itatiaia. Floresce em dezembro. (Ruhland, 1903)
Eriocaulon buchellii Ruhland
Distribuição: GOIÁS: Cavalcante (13º51’S, 47º34’W). Eriocaulon papillosum Koern.
Comentários: Erva; caule curto. Folhas em roseta ba-
sal, lineares, glabras. Espata com ápice oblíquo. Escapos Distribuição: GOIÁS: Salinas (18º14’S, 49º33’W).
de 8 a 16 cm de altura, glabros. Conhecida apenas pelo Comentários: Erva; caule curto. Folhas em roseta basal,
material-tipo, coletado por Burchell. (Ruhland, 1903) lanceoladas, papilosas adaxialmente, glabras abaxialmen-
te. Espata com ápice oblíquo. Escapos de 10 a 15 cm de
altura, glabros. Conhecida apenas pelo material-tipo, co-
Eriocaulon carajense Moldenke letado por Weddell. (Ruhland, 1903)
Comentários: Erva; caule curto. Folhas em roseta basal, se glabras. Espata com ápice oblíquo. Escapos de 50 a 70
lanceoladas, glabrescentes. Espata com ápice oblíquo. Esca- cm de altura, esparsamente pubescentes. Conhecida apenas
pos de 5 a 28 cm de altura, glabros. Ocorre em solos brejo- por duas coletas, somente o material-tipo com localidade
sos de campos rupestres, freqüentemente acima de 2.000 indicada. Encontrada com flores em abril. (Silveira, 1928)
m s.n.m. Floresce de abril a setembro. (Ruhland, 1903)
Comentários: Erva; caule com até 6 cm de comprimento. com ápice bidenteado. Escapos de 14 a 18 cm de altura,
Folhas lineares, pilosas, glabrescentes. Espata com ápice oblí- pubescentes, portando no ápice muitos capítulos unidos.
quo. Escapos de 14 a 24 cm de altura. Brácteas involucrais Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado com flo-
dos capítulos quase negras. Conhecida apenas do Morro do res em julho. (Silveira, 1928; Tissot-Squali, 1997)
Breu. Floresce de fevereiro a abril. (Hensold, 1988, 1998)
Comentários: Erva; caule curto. Folhas em roseta basal, Comentários: Erva; caule curto. Folhas em roseta ba-
linear-conduplicadas. Espata com ápice truncado. Esca- sal, lanceoladas, ciliadas, glabrescentes. Espata com ápi-
pos de 65 a 80 cm de altura, portando no ápice muitos ce oblíquo. Escapos de 30 a 35 cm de altura, glabros.
capítulos unidos. Característica pelas folhas conduplica- Ocorre nos campos rupestres da Chapada Diamantina.
das, a variedade típica possui folhas e escapos glabros, O material-tipo é referido como tendo sido coletado em
ocorrendo na região mais sul das montanhas de Minas Jacobina por Blanchet, em 1837. Os limites desse mu-
Gerais, enquanto P. conduplicatus var. pubescens Silvei- nicípio, no entanto, abrangiam uma área muitas vezes
ra possui folhas e escapos pubescentes, sendo endêmi- maior do que a atual. Floresce principalmente de julho a
ca da Serra do Cipó. Encontrada com flores em abril. dezembro. (Giulietti et al., 2003)
(Ruhland, 1903; Silveira, 1928; Tissot-Squali, 1997)
Comentários: Erva; caule ereto. Folhas ao longo do caule, Serra de Itatiaia (22º29’S, 44º43’W). SÃO PAULO: São
lanceoladas, pilosas, decíduas. Espata fendida. Escapos de 15 José do Barreiro, Serra da Bocaina (22º44’S, 44º34’W).
a 30 cm de altura. Ocorre em campos, sendo conspícua de- Comentários: Erva; caule curto. Folhas em roseta basal,
vido ao hábito. Floresce entre março e julho. (Silveira, 1928) lineares, pubérulo-hirsutas, ciliadas. Espata com ápice
truncado, oblíquo a bidenteado. Escapos com cerca de 35
cm de altura, glabrescentes, portando no ápice muitos ca-
Paepalanthus harleyi Moldenke pítulos unidos. Conhecida apenas das Serras do Itatiaia e da
Bocaina (com a sinonimização de P. batocephalus Ruhland).
Distribuição: BAHIA: Rio de Contas, Pico das Almas
Floresce o ano todo. (Ruhland, 1903; Tissot-Squali, 1997)
(13º34’S, 41º48’W).
Comentários: Erva; caule curto. Folhas em roseta basal,
muito estreitas, esparsamente pilosas. Espata com ápice Paepalanthus langsdorffii (Bong.) Koern.
oblíquo. Cerca de 10 escapos, de 24 a 28 cm de altura, al-
vo-vilosos. Ocorre em campos rupestres acima de 1.500 Distribuição: MINAS GERAIS: Ouro Preto (20º17’S,
m s.n.m., sobre solos de areia branca. Floresce principal- 43º29’W).
mente de dezembro a março. (Giulietti & Parra, 1995) Comentários: Erva; caule alongado, com até 25 cm de
comprimento. Folhas lanceolado-lineares, pubescentes.
Espata com ápice agudo. Escapos de 12 a 24 cm de altura.
Paepalanthus henriquei Silveira & Ruhland Brácteas involucrais dos capítulos castanhas, muito escu-
ras. Conhecida apenas pelo material-tipo, supostamente
Distribuição: MINAS GERAIS: Lima Duarte, Parque coletado no Pico do Itacolomi, em agosto, principalmen-
Estadual do Ibitipoca (21º50’S, 43º47’W). te em botões. (Hensold, 1988)
Comentários: Erva com cerca de 30 cm de altura. Fo-
lhas em roseta, pilosas, ciliadas. Espata com ápice trun-
cado, pilosa. Numerosos escapos, do tamanho das folhas. Paepalanthus lanuginosus Hensold
Ocorre em campos rupestres. (Ruhland, 1903)
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser-
ra das Mangabeiras (19º13’S, 43º40’W); Barbacena (?).
Paepalanthus homomallus (Bong.) Mart. ex Koern. Comentários: Erva; caule curto. Folhas lineares, lano-
sas. Espata com ápice agudo. Escapos de 11 a 19 cm de
Distribuição: MINAS GERAIS: Fechados (18º49’S, altura. Brácteas involucrais do capítulo castanhas e casta-
43º52’W); Congonhas do Norte (18º48’S, 43º40’W). nho-avermelhadas. Conhecida apenas pelo material-tipo,
Comentários: Erva; caule curto. Folhas lineares, pubes- coletado na Serra do Cipó, com botões em abril, porém
centes. Espata com ápice acuminado. Escapos de 13 a 31 cm conta com um registro duvidoso nas proximidades de
de altura. Brácteas involucrais dos capítulos castanho-claras Barbacena. (Hensold, 1988)
a douradas. Conhecida apenas da porção norte da Serra do
Cipó. Floresce de novembro a janeiro. (Hensold, 1988)
Paepalanthus lepidus Silveira
Paepalanthus inopinatus Moldenke Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Ricaho, Ser-
ra do Cipó (19º09’S, 43º43’W).
Distribuição: BAHIA: Rio de Contas (13º34’S, 41º48’W). Comentários: Erva; caule alongado, com até 12 cm de
Comentários: Erva; caule curto. Folhas em roseta basal, comprimento. Folhas lanceolado-lineares, esparsamente
lanceoladas, esparsamente pubescentes na face adaxial, pubescentes. Espata com ápice agudo. Escapos de 13 a 18
pubescentes na abaxial. Espata com ápice oblíquo. Escapos cm de altura. Brácteas involucrais do capítulo castanhas.
de 10 a 50 cm de altura, pubescentes. Conhecida apenas Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado no Capão
por duas coletas nas proximidades do rio Brumado. En- Redondo, com inflorescências quase no final da antese
contrada com flores em março e julho. (Moldenke, 1980b) em abril. (Hensold, 1988)
Syngonanthus amazonicus Moldenke espécimes coletados com flores jovens em março (Mol-
denke, 1973c). Inclui duas variedades, mas S. bracteosus
Distribuição: AMAZONAS: São Gabriel da Cachoeira, var. scrupulosus Moldenke, conhecida apenas pela cole-
rio Içana (00º07’N, 67º05’W). ção-tipo, coletada em Apuí, no Amazonas (Moldenke,
Comentários: Erva anual, diminutas; caule curto. Fo- 1982a), merece ser incluída em outra espécie, não sendo
lhas em roseta basal, lineares. Escapos com cerca de 2 cm aqui considerada parte de S. bracteosus.
de altura. Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado
nas margens do rio Içana, em local pedregoso, no pé de
uma serra. (Moldenke, 1948a)
Syngonanthus brasiliana Giul.
Distribuição: MINAS GERAIS: Rio Vermelho, Serra do
Syngonanthus bahiensis Moldenke Ambrósio (18º17’S, 43º00’W).
Comentários: Erva; caule curto. Folhas em roseta basal,
Distribuição: BAHIA: Morro do Chapéu (11º33’S, lanceolado-lineares, alvo-tomentosas. Espata com ápice
41º09’W). oblíquo. Escapos de 30 a 35 cm de altura, alvo-tomento-
Comentários: Erva anual; caule curto. Folhas em roseta ba-
sos. Ocorre sobre areia e pedras quartzosas brancas, nos
sal, lineares, diminutas, adpresso-pubescentes. Espata com campos rupestres até 1.000 m s.n.m. de Pedra Menina.
Está em perigo devido à coleta intensa para sua utilização
ápice truncado. Escapos de 3 a 6 cm de altura, alvo-vilosos.
como sempre-vivas na decoração de interiores. Floresce
Ocorre em campos rupestres, sobre solo arenoso. Floresce
entre abril e junho. (Pirani et al. 1994; Giulietti, 1996b;
entre fevereiro e outubro. (Moldenke, 1973b; Parra, inéd.)
Giulietti et al., 1996; Parra, inéd.)
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ErythroxylaceaeERYTHROXYLACEAE
181
1
Maria Iracema Bezerra Loiola & 2Alessandro Silva do Rosário
Árvores a subarbustos, glabros. Folhas geralmente alternas, simples, inteiras com estí-
pulas intrapeciolares persistentes ou caducas. Flores actinomorfas, pentâmeras, diplostêmones, hipóginas, freqüentemen-
te heterostílicas, solitárias ou fasciculadas, axilares; cálice persistente, com sépalas unidas na base; pétalas livres, geralmen-
te com apêndices na face adaxial; estames unidos na base formando um tubo curto; ovário trilocular (raramente bilocular
e geralmente apenas 1 lóculo ovulífero), com 1 óvulo por lóculo, axilar ou pêndulo, epítropo, e 3 estiletes (raramente 2),
livres ou parcialmente soldados na base. Drupas com 1 semente, raramente cápsulas.
Erythroxylaceae compreende 240 espécies e quatro gêneros, Aneulophus, Nectaropetalum e Pinacopodium restritos à África
tropical. Erythroxylum é o gênero mais representativo, com cerca de 230 espécies. Ele está amplamente distribuído nas
regiões tropicais da Austrália, Ásia, África e Américas, sendo a Venezuela e o Brasil os principais centros de diversidade.
No Brasil, ocorrem 114 espécies das 187 registradas para a América tropical. Destas, aproximadamente 74 possuem dis-
tribuição restrita (Plowman & Hensold, 2004; Loiola, inéd.) e sete delas são indicadas como raras.
flores em fevereiro e abril e com frutos em maio. (Plow- Distribuição: CEARÁ: Tianguá (03º43’S, 40º59’W);
man, 1983; Loiola, inéd.) São Benedito, Xique-Xique (04º02’S, 40º51’W); Ubaja-
ra, Jaburuna Sul (03º51’S, 40º55’W).
Erythroxylum nelson-rosae Plowman 2 Comentários: Arbusto com até 1,6 m de altura. Ocorre
em carrasco, nas porções mais elevadas do Planalto da
Distribuição: PARÁ: Marabá, Serra dos Carajás Ibiapaba. Encontrada com frutos em fevereiro e março.
(05º56’S, 50º20’W). (Plowman, 1986; Loiola, inéd.)
182 Erythroxylaceae
Árvores, arbustos, ervas ou lianas, monóicos ou dióicos; caules com resina ou látex.
Folhas alternas ou opostas, raramente verticiladas, simples ou raramente compostas, com tricomas simples, estrelados ou
lepidotos; estipula persistente a caduca. Espigas, racemos, panículas, tirsos ou pseudantos. Flores actinomorfas, geralmen-
te aclamídeas ou monoclamídeas, monoclinas; as estaminadas geralmente em maior quantidade, as pistiladas solitárias ou
agrupadas; androceu com 1 a numerosos estames livres ou concrescidos, de anteras biloculares, eventualmente com esta
minódios; gineceu com ovário geralmente trilocular, geralmente com 1 óvulo por lóculo, e estiletes livres ou concrescidos.
Cápsulas com mericarpos deiscentes, raramente bagas ou drupas; sementes pintalgadas, marmóreas ou sem ornamentação.
Euphorbiaceae apresenta cerca de 300 gêneros e mais de 6.000 espécies, com distribuição pantropical (Souza & Lorenzi, 2008).
Reúne algumas espécies de interesse econômico, destacando-se Hevea brasiliensis Müll. Arg. (seringueira), Manihot esculenta
Crantz (mandioca ou cassava), Ricinus comunis L. (mamona, óleo-de-rícino, castor oil) e Croton cajucara L. (sacaca, rica em linalol).
Sua morfologia é bastante diversificada e complexa, sendo representada por cerca de 70 gêneros e 1.000 espécies no Brasil
(Souza & Lorenzi, 2008), nos mais variados ecossistemas, com grande diversidade na Amazônia. São apontadas 10 espécies raras.
1
Maria Fernanda Calió & 2Elsie Franklin Guimarães
Ervas a arbustos, raramente árvores, geralmente glabras, autótrofas, algumas saprófitas. Folhas opostas, algumas vezes
verticiladas, simples, geralmente sésseis e com coléteres, sem estípulas, mas freqüentemente com linha interpeciolar,
venação acródroma ou pinada. Flores comumente vistosas, actinomorfas a zigomorfas, 4- a 6-meras, monoclinas, isostê-
mones, hipóginas, eventualmente com disco ou glândulas nectaríferas; cálice gamossépalo, com lobos carinados, alados
ou com área glandular dorsal, usualmente com coléteres; corola gamopétala, contorta; androceu com estames epipétalos,
alternipétalos, e anteras com deiscência longitudinal, raramente poricidas; gineceu bicarpelar, com ovário unilocular de
placentação parietal, 1 estilete e estigma capitado ou geralmente bilobado. Cápsulas septicidas ou raramente bagas.
Gentianaceae inclui 87 gêneros e cerca de 1.650 espécies. Possui distribuição cosmopolita, mas apresenta maior diver-
sidade na região neotropical (Struwe & Albert, 2002). No Brasil, estão presentes 28 gêneros com aproximadamente 90
espécies, ocorrendo em áreas brejosas ou terrenos alagadiços, em áreas de campos e cerrados (Cordeiro & Hoch, 2005).
São apontadas 13 espécies raras.
Distribuição: AMAZONAS: Novo Aripuanã (05º07’S, Distribuição: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo
60º22’W). (22º16’S, 42º32’W); Petrópolis (22º24’S, 43º09’W);
Comentários: Arbusto ou árvore, com até 3 m de altu- Teresópolis (22º26’S, 42º59’W).
ra. Flores com corola alva, longamente tubulosa. Ocorre Comentários: Erva com até 70 cm de altura. Folhas em
roseta basal, carnosas. Brácteas conatas, formando uma
em campinas. Encontrada com flores e frutos de abril a
bainha bilabiada. Flores com cálice rosado a avermelha-
agosto. (Struwe et al., 1997) do, membranáceo e inflado, e corola creme a rosada.
Ocorre nos campos de altitude da Serra dos Órgãos.
Deianira damazioi [Link]. 2 Encontrada com flores em janeiro, abril e de agosto a
outubro. (Calió et al., 2008)
Distribuição: MINAS GERAIS: Ouro Preto (20º17’S,
43º30’W). Prepusa montana Gardner 1
de altitude. Encontrada com flores em março, setembro Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Castelo (20º32’S,
e outubro. (Calió et al., 2008) 41º09’W); Domingos Martins (20º24’S, 40º38’W).
186 Gentianaceae
Comentários: Erva com até 70 cm de altura. Folhas em Comentários: Erva de 20 a 40 cm de altura. Folhas sésseis,
uma roseta basal, carnosas. Flores com cálice membra- patentes, membranáceas. Flores com corola amarela, de 3 a
náceo, alado, inflado e verde, e corola verde. Encontrada 4 cm de comprimento. Conhecida por um único indivíduo,
em campos rupestres. Encontrada com flores de feverei- coletado com flor e fruto em julho. (Guimarães, inéd.)
ro a outubro e com frutos em março. (Calió et al., 2008)
Schultesia sucreana [Link]. & Fontella 2
Distribuição: BAHIA: Barreiras, Rio das Ondas (12º09’S, Calió, M.F., Pirani, J.R. & Struwe, L. 2008. Morphology-
44º59’W). based phylogeny and revision of Prepusa and Senaea (Gen-
Comentários: Erva de 9 a 25 cm de altura. Folhas ad- tianaceae: Helieae) – rare endemics from eastern Brazil.
pressas a patentes, membranáceas. Flores com corola Kew Bull. 63: 169-191.
amarela, com cerca de 3,5 cm de comprimento. Encon- Cordeiro, I. & Hoch, A.M. 2005. Gentianaceae. In M.G.L.
trada com flores em março. (Guimarães, inéd.) Wanderley, G.J. Sheperd, T.S. Melhem, S.E. Martins, M.
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Schultesia pachyphylla Griseb. 2 vol. 4, p. 211-222.
Guimarães, E.F. 1977. Revisão taxonômica do gênero Deia-
Distribuição: BAHIA: Abaíra (13º19’S, 41º49’W); Pia- nira Cham. et Schltdl. (Gentianaceae). Arch. Jard. Bot.
tã (13º08’S, 41º50’W). Rio de Janeiro 21: 45-124.
Comentários: Erva papilosa, de 10 a 40 cm de altura.
Guimarães, E.F. Inéd. Schultesia Mart. (Gentianaceae) – Revi-
Folhas sésseis, semi-adpressas a patentes, avermelhadas, são taxonô[Link] de doutorado, Museu Nacional, Uni-
papiráceas. Flores com corola roxa a azul-arroxeada. Flo- versidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2002.
resce de fevereiro a julho e frutifica de fevereiro a outu-
Struwe, L. & Albert,V.A. (eds) 2002. Gentianaceae – Syste-
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versity Press, 625p.
Schultesia piresiana [Link]. & Fontella 2 Struwe, L, Maas, P.J.M. & Albert, V.A. 1997. Aripuana cull-
maniorum, a new genus and species of Gentianaceae from
Distribuição: BAHIA: Santa Maria da Vitória (13º23’S, white sands of Southeastern Amazonas, Brazil. Harvard
44º11’W). Pap. Bot. 2: 235-253.
GesneriaceaeGESNERIACEAE
187
Gesneriaceae tem distribuição pantropical, com cerca de 150 gêneros e 3.500 espécies, cerca de 60 gêneros e 1.800 es-
pécies na região neotropical. No Brasil, ocorrem 25 gêneros e cerca de 230 espécies, mais da metade na Região Sudeste e
23 apontadas como raras. O valor ornamental de muitas espécies é grande, o que poderia colocar em risco as populações
raras. No entanto, a grande facilidade de propagação vegetativa ou por sementes tornam o extrativismo na natureza eco-
nomicamente inviável. Atualmente, o cultivo ex situ em coleções devidamente documentadas representa uma contribuição
importante para a conservação das espécies.
Comentários: Subarbusto epífito. Flores com corola Comentários: Planta rupícola. Flores com corola ver-
alaranjada, glabra, com giba voltada para baixo, não pro- melha, bilabiada, de até 7 cm de comprimento, o que
jetada para frente. Ocorre na mata da Serra de Cubatão, torna esta espécie muito atraente. Ocorre nas pedras dos
entre 700 e 800 m s.n.m., e é cultivada no Brasil e no rios do alto da Serra da Bocaina e é cultivada no Brasil e
exterior. (Chautems & Matsuoka, 2003) no exterior. (Chautems & Matsuoka, 2003)
Comentários: Planta compacta, coberta por indumen- Comentários: Conhecida apenas pelo material-tipo, co-
to denso de tricomas longos. Folhas em pseudo-rosetas. letado nos anos de 1820, foi recentemente redescoberta.
Flores com corola roxa. Introduzida em cultivo no séc. Assemelha-se à Sinningia speciosa (Lodd.) Hiern (a popu-
19, ainda é apreciada pelos amadores nos Estados Uni-
lar gloxinia das floriculturas), mas as flores são sésseis no
dos. (Perret et al., 2006)
centro da pseudo-roseta de folhas. Cultivada no Brasil e
no exterior. (Perret et al., 2006)
Sinningia iarae Chautems
Distribuição: SÃO PAULO: Santos (23º57’S, 46º20’W); Sinningia micans (Fritsch) Chautems
São Sebastião, Ilha da Vitória (23º48’S, 45º08’W); São
Sebastião, praia de Guaeca (23º48’S, 45º25’W). Distribuição: SÃO PAULO: Iporanga, Vale do Ribeira
Comentários: Folhas verticiladas, 4 por nó. Flores com co- (24º35’S, 48º35’W); Peruíbe (24º19’S, 47º00’W).
rola rosa-viva, bilabiada, com até 6 cm de comprimento. Cul- Comentários: Folhas verticiladas, 4 por nó. Flores com
tivada no Brasil e no exterior. (Chautems & Matsuoka, 2003)
cálice verrucoso e corola vermelha, bilabiada, com até
6 cm de comprimento, em inflorescência pseudo-race-
Sinningia insularis (Hoehne) Chautems mosa. Cultivada no Brasil e no exterior. (Chautems &
Matsuoka, 2003)
Distribuição: SÃO PAULO: São Sebastião, Ilha dos Al-
catrazes (24º06’S, 45º43’W); São Sebastião, Morro do
Recife (23º48’S, 45º25’W).
Comentários: Folhas verticiladas, 4 ou 6 por nó. Flo-
Sinningia striata (Fritsch) Chautems
res com corola laranja-coral, tubulosa, com até 3 cm de Distribuição: MINAS GERAIS: Caldas, Pedra Branca
comprimento. Cultivada no Brasil e no exterior. (Chau-
(21º56’S, 46º23’W).
tems & Matsuoka, 2003)
Comentários: Folhas verticiladas, freqüentemente 3
por nó, ao longo do caule. Flores com corola rosa, sal-
Sinningia kautskyi Chautems picada de linhas vináceas, tubulosa, com cerca de 3 cm
de comprimento. Ocorre em ambiente rupestre, perto
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Domingos Martins
(20º20’S, 40º40’W). do topo da serra, e é cultivada no Brasil e no exterior.
Comentários: Planta de 1 a 10 cm de altura. Folhas em (Mendonça & Lins, 2000)
pseudo-rosetas. Flores com corola roxa. Cultivada no
Brasil e no exterior. (Chautems, 1991)
Vanhouttea fruticulosa (Glaz. ex Hoehne)
Chautems
Sinningia leucotricha (Hoehne) [Link]
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Ma-
Distribuição: PARANÁ: Londrina, Salto Apucarazinho
caé de Cima (22º23’S, 42º30’W).
(23º18’S, 51º09’W).
Comentários: Folhas verticiladas, 4 por nó, densamente Comentários: Planta com base perene, de 10 a 25 cm
tomentosas. Flores com corola vermelho-pálida, tubulosa. de altura. Flores com corola vermelha, tubulosa. Ocorre
Conhecida como rainha-do-abismo ou edelweiss do Brasil, sobre pedras, no leito de riachos. (Perret et al., 2006)
conta com um único registro comprovado, mas é comer-
cializada no Paraná e em São Paulo e também é cultivada no
exterior. Os amadores de plantas suculentas a mantêm qua- Vanhouttea leonii Chautems
se sem solo com o tubérculo exposto. (Perret et al., 2006)
Distribuição: MINAS GERAIS: Alto Caparaó, Parque
Nacional do Caparaó (20º31’S, 41º54’W); Araponga,
Sinningia macrophylla (Nees & Mart.) Benth. & Parque Estadual do Brigadeiro (20º40’S, 42º25’W).
Hook. ex Fritsch
Comentários: Flores alaranjadas, tubulosas. Ocorre nos
Distribuição: BAHIA: Ilhéus (14º48’S, 39º04’W); Jus- campos de altitude e é cultivada no Brasil e no exterior.
sari (15º12’S, 39º32’W). (Chautems, 2002)
190 Gesneriaceae
Volker Bittrich
Hypericaceae inclui nove gêneros e cerca de 600 espécies segregados de Clusiaceae; no Brasil, ocorrem Hypericum eVismia,
contando com cerca de 30 espécies nativas (Souza & Lorenzi, 2008), apenas uma delas é rara.
Distribuição: RIO GRANDE DO SUL: Arroio dos Ra- Robson, N.K.B. 1990. Studies in the genus Hypericum L.
tos, Faxinal (30º04’S, 51º43’W). (Guttiferae) 8. Sektions 29. Brathys (part 2) and 30. Tri-
Comentários: Subarbusto prostrado-ascendente, com gynobrathys. Bull. Brit. Mus. (Nat. Hist.), Bot. 20: 1-151.
até 20 cm de altura. Folhas sésseis subamplexicaule, de 3 Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
a 4 mm de comprimento, incurvadas, uninérveas, glau- ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
cas. Flores amarelas, de 8 a 9 mm de diâmetro, com sépa- nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
las de 2 a 2,5 mm de comprimento, 30 a 35 estames e 3 Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
estiletes. (Robson, 1990)
192
Lamiaceae LAMIACEAE
Lamiaceae inclui cerca de 7.180 espécies e 236 gêneros, com distribuição praticamente cosmopolita. No Brasil, ocorrem
28 gêneros nativos e cerca de 475 espécies, com muitas espécies introduzidas como ornamentais ou para usos na culinária
e até como madeira. São indicadas 69 espécies raras, mas esse é um número subestimado, uma vez que nem todos os
gêneros foram analisados por falta de especialistas e revisões recentes para vários grupos. Dois gêneros importantes pelo
número de espécies não foram analisados: Salvia e Scutellaria.
Hypenia crispata (Pohl ex Benth.) Harley Comentários: Arbusto a subarbusto, com até 1 m de
altura. Folhas coriáceas. Flores em cimeiras axilares. Co-
Distribuição: GOIÁS: Fazenda Nova, Serra Dourada letado em cerrado aberto, em área arenosa. Encontrado
(16º21’S, 50º42’W). com flores em maio. (Epling, 1949; Harley, 1988b)
Comentários: Arbusto com até 2 m de altura; ramos
simples, com entrenós superiores fistulosos, ligeiramen-
te engrossados, cobertos por camada de cera branca.
Hyptidendron claussenii (Benth.) Harley
Flores com corola creme-amarelada, relativamente gran- Distribuição: MINAS GERAIS: Catas Altas, Serra do
de, tubulosa, em inflorescências terminais. Ocorre em Caraça (20º04’S, 43º26’W).
campos rupestres, na transição para o cerrado, sobre solo Comentários: Arbusto. Folhas imbricadas, com perfume
arenoso. Floresce de abril a novembro. (Epling, 1949; forte de eucalipto. Ocorre entre rochas, nos campos ru-
Harley, 1988b) pestres da porção sul da Cadeia do Espinhaço. Encontra-
da com flores em janeiro. (Epling, 1949; Harley, 1988b)
Hypenia micrantha (Benth.) Harley
Hyptidendron conspersum (Benth.) Harley
Distribuição: MATO GROSSO: Chapada dos Guima-
rães (“Santa Ana da Chapada”) (15º27’S, 55º44’W). Distribuição: BAHIA: Formosa do Rio Preto (11º02’S,
Comentários: Subarbusto ou erva perene, ereto, com 45º10’W).
até 1 m de altura, ramificado; ramos delgados, com tri- Comentários: Arbusto a subarbusto, de 1 a 2 m de al-
comas glandulares. Ocorre em cerrado. Encontrada com tura. Folhas coriáceas. Flores em cimeiras axilares. Co-
flores de maio a julho. (Epling, 1949; Harley, 1988b) nhecida apenas pelo material-tipo, coletado em cerrado
aberto, sobre solo arenoso, com flores em setembro.
(Epling, 1949; Harley, 1988b)
Hypenia paradisi Harley
Distribuição: GOIÁS: Alto Paraíso de Goiás, Chapada Hyptis alpestris [Link]-Hil. ex Benth.
dos Veadeiros (14º08’S, 47º31’W).
Comentários: Arbusto ereto, esguio; ramos simples, Distribuição: MINAS GERAIS: Araxá, Barreiras
com entrenós superiores com intumescências e cama- (19º39’S, 46º54’W); São Roque de Minas, Serra da Canas-
da de cera branca. Conhecida apenas por duas coletas. tra (20º15’S, 46º21’W). SÃO PAULO: Franca (20º32’S,
Ocorre em campos rupestres. Encontrada com flores em 47º25’W).
fevereiro e março. (Harley, 1974, 1988b) Comentários: Erva prostrada. Folhas pequenas, sésseis.
Flores com corola roxo-azulada, em capítulos sustenta-
dos por pedúnculos curtos. O material-tipo foi coletado
Hypenia subrosea Harley em Franca, porém não foi encontrada lá apesar de muitas
buscas, estando provavelmente extinta no local. Ocor-
Distribuição: GOIÁS: Alto Paraíso de Goiás, Chapada re atualmente apenas nos campos rupestres da Serra da
dos Veadeiros (14º05’S, 47º31’W). Canastra, em lugares úmidos. Encontrada com flores de
Comentários: Subarbusto ereto, com até 1 m de altura; maio a junho. (Epling, 1949)
ramos alongados, com entrenós superiores com intumes-
cências conspícuas e camada de cera branca. Ocorre em
campos rupestres, nas áreas mais altas da Chapada. Flo- Hyptis angustifolia Pohl ex Benth.
resce de janeiro a maio. (Harley, 1974, 1988b)
Distribuição: GOIÁS: Fazenda Nova, Serra Dourada
(16º21’S, 50º42’W).
Hyptidendron dictiocalyx (Benth.) Harley Comentários: Erva perene a subarbusto, ereto, com
até 50 cm de altura, pouco ramificado. Folhas lineares a
Distribuição: GOIÁS: Guarani de Goiás (13º45’S, estreito-elípticas. Ramos e folhas mais ou menos pratea-
46º15’W); Mambaí (14º21’S, 46º05’W); Posse, Serra dos, com tricomas sedosos amarelo-acinzentados. Flores
Geral (14º09’S, 46º28’W). em capítulos. (Epling, 1949)
Lamiaceae 195
Comentários: Arbusto esguio, ereto, com até 1,5 m de coriáceas. Flores com corola magenta, em cimeiras axi-
altura, ramificado na base. Folhas pequenas, acinzenta- lares brevipedunculadas. Ocorre em campos rupestres.
das. Flores com corola roxo-azulada, reunidas em cimei- Floresce praticamente o ano todo. (Harley, 1986a)
ras paucifloras. Ocorre em campos rupestres, sobre solos
arenosos e mais ou menos secos, formando populações
isoladas. Floresce de abril a agosto. (Epling, 1947)
Hyptis halimifolia Mart. ex Benth.
Distribuição: BAHIA: Abaíra (13º18’S, 41º48’W); Éri-
Hyptis cymulosa Benth. co Cardoso (13º25’S, 42º08’W); Rio de Contas (13º35’S,
41º48’W).
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Teresópolis, Serra Comentários: Arbusto com até 1 m de altura, profusa-
dos Órgãos (22º24’S, 42º57’W). mente ramificado. Folhas arredondadas, prateadas. Flo-
Comentários: Erva ereta, com cerca de 40 cm de altura, res com corola lilás, em cimeiras pedunculadas na subsp.
ramificada. Folhas membranáceas. Flores em cimeiras pau- típica ou sésseis em H. halimifolia subsp. pauciflora Harley.
cifloras. Encontrada com flores em maio. (Epling, 1949) Ocorre entre pedras, nos campos rupestres; a subsp. pau-
ciflora em locais com altitudes mais elevadas. Floresce de
julho a março. (Harley, 1985a)
Hyptis delicatula Harley
Distribuição: BAHIA: Mucugê, rio Paraguaçu (13º04’S, Hyptis hamatidens Epling & Játiva
41º27’W); Piatã, Três Morros (13º09’S, 41º46’W).
Comentários: Erva decumbente, com até 30 cm de Distribuição: MATO GROSSO: Barra do Garças (15º53’S,
comprimento. Folhas lanceolado-elípticas, denteadas a 52º15’W). GOIÁS: Piranhas (16º24’S, 51º48’W).
trilobadas, perfumadas. Flores com corola lilás-clara, em Comentários: Subarbusto com até 40 cm de altura. Fo-
capítulos longipedunculados. Ocorre em áreas abertas, lhas pequenas, eretas, adpressas ao caule. Flores em ca-
sobre solo arenoso e úmido. Encontrado com flores em pitulos subglobosos, tomentosos. Ocorre na bacia do rio
janeiro. (Harley, 1985b) Araguaia. (Epling & Játiva, 1967)
foi coletado em Paranã, antes denominada São João de ra, reunidas em tirso congesto e folhoso. Ocorre em cam-
Palma. Encontrada com flores em abril. (Epling, 1949) pos rupestres. Floresce de janeiro a março. (Epling, 1949)
Flores em capítulos hemisféricos brevipedunculados. En- não seja no Maranhão e sim no Pará, pois o nome Pirucana
contrada com flores em julho. (Epling, 1949) é associado a uma das ilhas São João localizada entre Sa-
linas (Salinópolis, 00o36’S, 47º21’W) e o Cabo Gurupi
(00o55’S, 46º10’W) na costa paraense, próximo à divisa
Hyptis viatica Harley com Maranhão (cf. Penn, 1864). (Moldenke, 1940)
Distribuição: MINAS GERAIS: Pedra Azul (16º01’S,
41º16’W). Vitex odorata Huber
Comentários: Erva prostrada, com caules estoloníferos.
Folhas freqüentemente trifolioladas. Flores em capítulos Distribuição: PARÁ: Ilha de Marajó, Chaves (00º12’N,
pedunculados. Cresce sobre rochas gnáissicas, úmidas. 49º54’W).
Encontrada com flores em outubro. (Harley, 1985b) Comentários: Arbusto. Folhas pentafolioladas, com fo-
líolos obovados, membranáceos. Cimas multifloras laxas.
Hyptis villicaulis Epling Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado em cam-
po, com flores em dezembro. (Huber, 1908)
Distribuição: MATO GROSSO: Mun.(?) rio São Lou-
renço (16º38’S, 55º17’W). MATO GROSSO DO SUL:
Bonito, Serra do Bodoquena (21º07’S, 56º28’W).
Vitex snethlagiana Huber ex Moldenke
Comentários: Erva ereta; hábito semelhante à Hyptis Distribuição: PARÁ: sem indicação da localidade.
mutabilis (Rich.) Briq., mas com ramos e folhas pilosas, Comentários: Folhas unifolioladas, uma das únicas duas
com tricomas longos e lobos do cálice compridos, se- espécies do gênero com esse tipo de folha. Conhecida
táceos. Conhecida apenas por duas coletas do Pantanal. apenas pelo material-tipo. (Moldenke, 1958)
Encontrada com flores em abril e julho. (Epling, 1949)
Distribuição: AMAZONAS: Humaitá, Três Casas Cantino, P.D. 1999. New species of Monochilus (Lamiaceae)
(07º30’S, 63º01’W). from Brazil. Novon 9: 323-324.
Comentários: Árvore com cerca de 5 m de altura. Folhas Epling, C. 1935-1937. Synopsis of the South American La-
pentafolioladas, com folíolo elípticos ou obovados, membra- biatae. Rep. Spec. Nov. Beih. 85: 1-341.
náceos. Flores com corola azul, em cimas multifloras, con-
Epling, C. 1944. Supplementary notes on American Labia-
gestas. Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado em flo- tae 3. Bull. Torrey Bot. Club 71: 484-497.
resta de várzea, com frutos em setembro. (Moldenke, 1941)
Epling, C. 1947. Supplementary notes on American Labia-
tae 4. Bull. Torrey Bot. Club 74: 512-518.
Vitex laciniosa Turcz. Epling, C. 1949. Revisión del género Hyptis (Labiatae). Re-
vta Mus. La Plata 7: 153-497.
Distribuição: BAHIA: sem indicação da localidade.
Comentários: Árvore com indumento ferrugíneo. Fo- Epling, C. 1957. A new mint from Goiás, Hyptis machrisae.
lhas pentafolioladas. Conhecida apenas pelo material- Contrib. Sci. Nat. Hist. Los Angeles County Mus. 6: 1-4.
tipo. (Turczaninow, 1863) Epling, C. & Játiva. 1967. Botany of the Guyana Highland 7.
Mem. New York Bot. Gard. 17: 228-230.
Vitex maranhana Moldenke França, F. Inéd. Revisão do gênero Aegiphila e seu posiciona-
mento taxonômico. Tese de doutorado, Universidade de
São Paulo, São Paulo, 2003.
Distribuição: MARANHÃO (PARÁ?): Pirucana (loca-
lidade não identificada). Harley, R.M. 1974. Notes on New World Labiatae 3. New
Comentários: Árvore. Folhas pentafolioladas. Cimas axi- collections of Labiatae from Brazil. Kew Bull. 29: 125-140.
lares densas. Conhecida apenas pelo material-tipo, coleta- Harley, R.M. 1976. A review of Eriope and Eriopidion (Labia-
do com frutos em dezembro. Talvez a localidade da coleta tae). Hooker`s Icon. Pl. 38 (3): 1-107.
200 Lamiaceae
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Lauraceae LAURACEAE
201
João Batista Baitello, Alexandre Quinet, Pedro Luís Rodrigues de Moraes & William Antonio Rodrigues
Família pantropical, com poucos membros nas latitudes temperadas. Inclui cerca de 2.750 espécies e 52 gêneros, tendo seu
principal centro de diversidade nas terras baixas da Amazônia e América Central. Cerca de 700 a 800 espécies e 30 gêneros
ocorrem na região neotropical; a maior diversidade está concentrada no Brasil, onde 40 espécies foram apontadas como raras.
cida por cerca de quatro coletas. Encontrada com flores em biformes, esparsamente pilosas, com anteras biloceladas,
agosto e com frutos em agosto e setembro. (Nishida, 1999) em inflorescências axilares laxas. Ocorre em florestas
de terras baixas, entre 50 e 150 m s.n.m., sobre solos
arenosos bem drenados e latossolos. Floresce de julho a
Cryptocarya sellowiana P.L.R. de Moraes setembro, iniciando a frutificação em setembro. (Chan-
Distribuição: MINAS GERAIS: Rio Piracicaba (19º55’S, derbali, 2004)
43º10’W); São Gonçalo do Rio Abaixo (19º50’S, 43º23’W).
Comentários: Árvore mediana. Folhas alternas, lanceo-
ladas a obovadas, de 8 a 12,5 cm de comprimento e 3,3 a
Mezilaurus caatingae van der Werff
4,2 cm de largura, pubescentes abaxialmente, cartáceas. Distribuição: AMAZONAS: São Gabriel da Cachoeira,
Frutos globosos, negros quando maduros, com cerca de São Felipe, rio Negro (00º22’N, 67º19’W).
2,2 cm de comprimento e 1,8 cm de largura, lisos, coro- Comentários: Árvore com cerca de 15 m de altura.
ados pelos remanescentes da flor. Conhecida apenas por Folhas agrupadas no ápice dos ramos, obovadas, forte-
três coletas. Ocorre em floresta estacional semidecidual. mente revoluta na margem, quase enroladas, glabras,
Encontrada com frutos em junho e agosto. (Moraes, 2007) coriáceas. Flores monoclinas, sésseis, glabras, com file-
tes livres e anteras biloceladas. Ocorre em caatinga, so-
Cryptocarya wiedensis P.L.R. de Moraes bre solo arenoso. Encontrada com flores em setembro.
(Werff, 1987)
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Santa Maria de Jetibá
(20º01’S, 40º44’W); Santa Teresa (19º57’S, 40º35’W).
Comentários: Árvore de 6 a 25 m de altura. Folhas al- Mezilaurus decurrens (Ducke) Kostermans
ternas, elípticas a ovadas, de 3,7 a 11 cm de comprimen-
Distribuição: AMAZONAS: São Gabriel da Cachoeira,
to e 1,3 a 4,3 cm de largura, esparsamente pubescentes,
foz do rio Curicuriari (00º13’S, 66º46’W), São Felipe
coriáceas. Inflorescências amarelo-esverdeadas, pani-
(00º22’N, 67º19’W).
culadas, subterminais e paucifloras. Flores amareladas,
monoclinas, curtamente pubescentes. Frutos imaturos Comentários: Árvore de grande porte. Folhas agrupa-
ovado-elipsóides, costulados, coroados pelos remanes- das no ápice dos ramos, (estreito-)elípticas, glabras, co-
centes da flor. Ocorre em floresta ombrófila densa mon- riáceas, com reticulação laxa. Flores monoclinas, adpres-
tana, entre 700 e 850 m s.n.m. Encontrada com frutos so-pubescentes, com filetes conatos e 3 anteras férteis,
imaturos em julho. (Moraes, 2007) biloceladas, em inflorescências axilares, subterminais,
piramidais. Ocorre em floresta não inundável e em caa-
tinga de solo arenoso. Encontrada com flores em julho e
Dicypellium manausense [Link] novembro. (Werff, 1987)
Distribuição: AMAZONAS: Manaus, Reserva Florestal
Ducke (02º57’S, 59º55’W). Mezilaurus duckei van der Werff
Comentários: Árvore com até 10 m de altura. Folhas
elípticas, longo-acuminadas no ápice. Inflorescências cur- Distribuição: AMAZONAS: Manaus, Reserva Florestal
tas, com até 4 flores. Flores monoclinas, glabras, com 9 Ducke (02º57’S, 59º55’W).
tépalas (3 de origem estaminodial) e 6 estames férteis, com Comentários: Árvore, cerca de 20 m de altura. Folhas
anteras tetraloceladas. Frutos elipsóides, com cúpula rasa, agrupadas no ápice dos ramos, subobovadas, glabrescen-
margem dupla e tépalas persistentes. Ocorre em mata de tes, com cerca de 28 cm de comprimento e 8 cm de lar-
terra firme. Encontrada com flores em novembro e com gura. Inflorescências axilares, estreito-paniculadas, pu-
frutos no final de abril. (Rodrigues, 1968; Rohwer, 1988) bérulas. Flores monoclinas, glabras, com cerca de 1 mm
de comprimento e 1 mm de largura, com filetes livres e
Endlicheria coriacea Chanderbali 3 anteras férteis, biloceladas. Frutos elípticos, com cú-
pula pateriforme estreita. Ocorre em ambiente florestal
Distribuição: AMAZONAS: Manaus (03º09’S, 60º01’W). de platô e vertente, sobre solo argiloso. Encontrada com
Comentários: Árvore com até 30 m de altura. Folhas flores entre julho e setembro e com frutos entre julho e
alternas, obovadas, glabras, coriáceas. Flores diclinas, tu- outubro. (Werff, 1987; Ribeiro et al., 1999)
Lauraceae 203
LecythidaceaeLECYTHIDACEAE
Marcelo Trovó, Maria José Gomes de Andrade, Nathan Smith & Scott Mori
Árvores, às vezes arbustos; troncos com casca fibrosa. Folhas alterno-espiraladas, simples,
inteiras ou serreadas na margem; estípulas ausentes ou inconspícuas. Flores actinomórficas ou zigomórficas, monoclinas;
cálice normalmente gamossépalo, com 2 a 6 lobos; corola normalmente 4- a 8-mera, dialipétalas; androceu com nume-
rosos estames, fundidos na base em um anel que às vezes é expandido em um lado formando uma estrutura flabeliforme
(lígula); anteras normalmente basifixas, rimosas ou raramente poricidas; gineceu sincárpico, ovário ínfero ou raramente
sub-ínfero, com 2 a 6 lóculos (raramente até 10), de placentação axial ou às vezes parecendo basal, e estilete único ou
quase ausente. Cápsulas deiscentes através de um opérculo, às vezes frutos indeiscentes e lenhosos ou bacáceos, com 1 a
muitas sementes, às vezes aladas ou ariladas.
Lecythidaceae contém aproximadamente 20 gêneros e 300 espécies distribuídas em regiões tropicais e subtropicais. A
maioria da família (10 gêneros e mais de 200 espécies) é encontrada na América tropical, normalmente abaixo dos 1.000
m s.n.m. em mata de terra firme. Um dos maiores centros de diversidade está no Brasil, onde há aproximadamente 109
espécies (cerca de 50% das espécies neotropicais e 35% das espécies de todo o mundo). O único gênero do Novo Mundo
que não está representado no Brasil é Grias. Vinte (ca. 20%) das espécies brasileiras são classificadas como raras. Aproxi-
madamente metade das 20 espécies ocorre em regiões da Amazônia, enquanto o restante das espécies é encontrado em
fragmentos no leste, na Mata Atlântica.
Distribuição: AMAZONAS: Manaus (03º09’S, 60º01’W). Distribuição: AMAZONAS: Manaus (03º09’S, 60º01’W).
Comentários: Árvore com cerca de 30 m de altura. Comentários: Árvore com cerca de 25 m de altura. Folhas
Folhas ao longo dos ramos, obovado-elípticas a oblongo- dispostas ao longo dos ramos, elípticas, acuminadas no ápi-
elípticas, acuminadas no ápice, glabras. Inflorescência ce, glabras. Inflorescência terminal, paniculada, pouco rami-
terminal, panículada, glabra. Flores actinomorfas, com ficada, pubérula. Flores actinomorfas, com pétalas amarelas,
pétalas alvas, glabras; gineceu glabro. Pixídios cilíndri- glabras; gineceu glabro. Pixídios convexos, com cerca de 8
cos, com cerca de 11 cm de comprimento. (Prance & cm de comprimento,. Ocorre em mata de terra firme. En-
Mori, 1979) contrada com flores em setembro. (Prance & Mori, 1979)
Leguminosae LEGUMINOSAE
Luciano Paganucci de Queiroz, Domingos Benício Oliveira Silva Cardoso, Adilva de Souza Conceição,
Élvia Rodrigues de Souza, Ana Maria Goulart Azevedo Tozzi, Ana Paula Fortuna Pérez, Marcos José da
Silva, Marcelo Fragomeni Simon, Vidal de Freitas Mansano, Jorge Antônio Silva Costa, William Antonio
Rodrigues, Laura Cristina Pires Lima & Ana du Bocage
É a terceira maior família de angiospermas, com 727 gêneros e quase 20.000 espécies (Lewis et al., 2005). Ocorre em
todos os continentes, com exceção da Antártica. Graças à associação com bactérias fixadoras de nitrogênio elas conseguem
colonizar ambientes pobres nesse elemento, desempenhando importante papel na ciclagem de nutrientes de diferentes
ecossistemas terrestres. No Brasil, estima-se que ocorram cerca de 3.200 espécies em 176 gêneros. Destes, cerca de
2.144 espécies e 31 gêneros podem ser considerados endêmicos do Brasil (Giulietti et al., 2005), estando dentre as fa-
mílias mais diversas em todos os biomas brasileiros. São apontadas 190 espécies raras de leguminosas, apresentadas por
subfamília: 76 Caesalpinoideae, 59 Mimosoideae e 55 Papilionoideae.
Chamaecrista axilliflora [Link] & Barneby C hamaecrista catolesensis Conc., [Link] &
[Link]
Distribuição: BAHIA: Rio de Contas (13º34’S, 41º49’W).
Comentários: Arbusto com cerca de 2 m de altura. Distribuição: BAHIA:Abaíra, Catolés (13º17’S, 41º47’W).
Folhas paripinadas, com 3 ou 4 pares de folíolos oblon- Comentários: Arbusto com cerca de 1 m de altura.
gos a lanceolados. Flores solitárias, axilares. Ocorre em Folhas pêndulas, paripinadas, com 2 pares de folíolos
campos rupestres. Encontrada com flores e frutos em de- obovados a lanceolados, o par distal levemente falcado.
zembro. (Irwin & Barneby, 1987; Lewis, 1995) Ocorre em campos rupestres. Encontrada com flores em
abril e outubro. (Conceição et al., 2001)
folíolos (elíptico-)ovados. Conhecida apenas pelo mate- mos corimbosos terminais. Conhecida apenas pelo ma-
rial-tipo, coletado por Coradin e referido para a caatinga terial-tipo, coletado em campos rupestres do Salitreiro,
de Ibotirama, mas com longitude de 45º45’W, portanto, com flores e frutos em junho. (P.H. Silva, inéd.; Silva &
a oeste da cidade de Barreiras, na estrada para Brasília, Queiroz, 2004)
onde encontramos cerrado. (Barneby, 1992, 1996)
Chamaecrista cuprea [Link] & Barbeby C hamaecrista dumalis (Hoehne) [Link] &
Barneby
Distribuição: BAHIA: Xique-Xique (11º01’S, 42º46’W). Distribuição: MATO GROSSO:Tangará da Serra, Serra
Comentários: Erva a subarbusto, de 10 a 20 cm de altu-
dos Parecis (14º20’S, 58º41’W).
ra, formando pequenas moitas. Folhas com 1 nectário no
Comentários: Arbusto com cerca de 3 m de altura. Fo-
pecíolo, abaixo do par basal de folíolos, paripinadas, com
lhas paripinadas, com 8 a 14 pares de folíolos ovados a
3 ou 4 pares de folíolos. Flores com pétalas alaranjadas.
lanceolados. Ocorre em cerrado. Encontrada com flores
Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado em dunas
e frutos em maio. (Irwin & Barneby, 1978, 1982)
interiores da Lagoa de Itaparica, com flores e frutos em
fevereiro. (Irwin & Barneby, 1982; Queiroz, no prelo)
C hamaecrista ericifolia (Benth.) [Link] &
C hamaecrista cytisoides (Collad.) [Link] &
Barneby
Barneby Distribuição: MINAS GERAIS: Itambé, Serra de Itam-
Distribuição: MINAS GERAIS: Santa Bárbara do Mon- bé (18º48’S, 47º43’W).
te Verde (21º58’S, 43º49’W); Santa Rita da Jacutinga Comentários: Subarbusto com cerca de 20 cm de altura.
(22º07’S, 44º03’W). Folhas paripinadas, com 2 pares de folíolos aciculares, agu-
Comentários: Arbusto com cerca de 2 m de altura. Fo- dos e pungentes. Flores com perianto marcescente, em ra-
lhas com 1 ou 2 nectários extraflorais na raque, paripi- cemos terminais congestos. (Irwin & Barneby, 1978, 1982)
nadas, com 2 a 4 pares de folíolos orbiculares a oblon-
go-lanceolados. Ocorre em cerrado, na Serra Negra.
Floresce e frutifica de janeiro a julho. (Conceição, inéd.)
Chamaecrista fodinarum [Link] & Barneby
Distribuição: MINAS GERAIS: Grão Mogol (16º32’S,
C hamaecrista deltoidea Hervencio &
42º51’W).
Comentários: Arbusto com cerca de 2 m de altura; ra-
[Link]
mos com tricomas glandulosos, verrucosos. Folhas pari-
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser- pinadas, com 3 ou 4 pares de folíolos elípticos a oblon-
ra do Cipó (19º20’S, 43º37’W). gos. Flores com pétalas amarelas, em racemos terminais.
Comentários: Arbusto. Folhas sésseis, com 1 par de fo- Ocorre em cerrado. Encontrada com flores em março.
líolos deltóides. Flores com pétalas amarelas, em race- (Irwin & Barneby, 1982; Queiroz, 2004)
216 Leguminosae
Chamaecrista fuscescens (Benth.) [Link] & 1 par de folíolos ovados. Flores com pétalas amarelas, em
racemos opositifólios. Coletada em campos rupestres,
Barneby
de 900 a 1.000 m s.n.m., ao longo do rio Itacambiruçu.
Distribuição: MINAS GERAIS: Morro do Pilar/Con- Floresce em fevereiro e março. (Irwin & Barneby, 1979b;
ceição do Mato Dentro (19º15’S, 43º23’W). Queiroz, 2004)
Comentários: Arbusto. Folhas paripinadas, com 3 a 6
pares de folíolos elípticos a oblongo-lanceolados. Flo-
res em racemos densos. Ocorre em área de cerrado. C hamaecrista itabiritoana ([Link] & Barne-
Encontrada com frutos em maio. (Irwin & Barneby, by) [Link] & Barneby
1978, 1982)
Distribuição: MINAS GERAIS: Itabirito, Serra do Ita-
birito (20º12’S, 43º50’W).
Chamaecrista geraldii ([Link] & Barneby) Comentários: Arbusto com cerca de 2,5 m de altura.
[Link] & Barneby Folhas paripinadas, com 3 a 5 pares de folíolos ovados
a elípticos. Ocorre em campos rupestres. Encontradas
Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina/Gouveia
com flores e frutos em fevereiro. (Irwin & Barneby,
(18º25’S, 43º43’W).
1978, 1982)
Comentários: Arbusto com cerca de 1,5 m de altura.
Folhas paripinadas, com 2 pares de folíolos elípticos a
obovados. Flores em racemos densos. Ocorre provavel- C hamaecrista ixodes ([Link] & Barneby)
mente em campos rupestres. Encontrada com flores e [Link] & Barneby
frutos em agosto. (Irwin & Barneby, 1978, 1982)
Distribuição: MINAS GERAIS: Itamarandiba, Chapada
Chamaecrista gumminans [Link] & Barneby de Itamarandiba (17º50’S, 42º50’W).
Comentários: Arbusto com cerca de 1 m de altura. Fo-
Distribuição: MINAS GERAIS: Couto Magalhães, Me- lhas paripinadas, com 5 a 7 pares de folíolos elípticos a
danha (18º03’S, 43º32’W). oblongos. Ocorre em cerrado. Encontrada com flores e
Comentários: Subarbusto. Folhas paripinadas, com 3 frutos em julho. (Irwin & Barneby, 1978, 1982)
ou 4 pares de folíolos ovados a lanceolados, resinosos na
margem. Flores em inflorescências paucifloras. Ocorre
em campos rupestres. Encontrada com flores em setem- Chamaecrista lavradioides (Benth.) [Link] &
bro. (Irwin & Barneby, 1987) Barneby
C hamaecrista macedoi ([Link] & Barneby) C hamaecrista polymorpha (Harms) [Link] &
[Link] & Barneby Barneby
Distribuição: GOIÁS: Niquelândia (14º30’S, 48º30’W). Distribuição: GOIÁS: Alto Paraíso de Goiás, Chapada
Comentários: Subarbusto. Folhas paripinadas, com 8 a dos Veadeiros (14º04’S, 47º32’W).
20 pares de folíolos ovados a elípticos. Encontrada com Comentários: Subarbusto. Folhas paripinadas, com 1 a 3
flores em julho. (Irwin & Barneby, 1978, 1982) pares de folíolos (ob)ovados. Ocorre provavelmente em
cerrado. (Irwin & Barneby, 1978, 1982)
Chamaecrista simplifacta [Link] & Barneby C hamaecrista strictula ([Link] & Barneby)
[Link] & Barneby
Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina, Biribi-
ri (18º08’S, 43º36’W); Diamantina, Conselheiro Mata Distribuição: GOIÁS: Cristalina, Serra dos Cristais
(18º17’S, 43º58’W). (16º36’S, 47º37’W).
Comentários: Subarbusto. Folhas com 1 par de folíolos Comentários: Subarbusto. Folhas paripinadas, com 2 a
elípticos a oblongos. Fascículos com 1 a 3 flores amarelas. 12 pares de folíolos ovados, agudos a acuminados no ápi-
Ocorre nos campos rupestres do Planalto de Diamanti- ce. Racemo com 3 a 8 flores. Ocorre em cerrado. Encon-
na. Encontrada com flores em março e outubro. (Irwin trada com flores e frutos em agosto. (Irwin & Barneby,
& Barneby, 1982) 1978, 1982)
Comentários: Subarbusto. Folhas com 1 par de folíolos re em restinga, nas dunas litorâneas do norte de Salva-
oblongos a lanceolados, emarginados no ápice. Floresce dor. Floresce de novembro a janeiro e frutifica em abril.
em março. (Irwin & Barneby, 1978, 1982) (Queiroz et al., 1998)
olos por pina. Flores com estames brancos, em gloméru- em pseudo-racemos terminais. Conhecida apenas pelo
los agrupados em pseudo-racemos terminais. Ocorre em material-tipo, coletado nos campos rupestres da porção
campos de altitude, sobre solo arenoso profundo, na por- sudoeste da Chapada Diamantina, com flores em feverei-
ção sudoeste da Chapada Diamantina. Encontrada com ro. (Souza & Queiroz, 2004)
flores e frutos em novembro. (Souza & Queiroz, 2004)
Flores sésseis, com estames brancos, em glomérulos homo- pentâmeras, com estames vináceos, em umbelas homo-
mórficos. Ocorre nos campos rupestres na Cadeia do Espi- mórficas axilares. Ocorre nos campos rupestres da Serra
nhaço. Floresce de novembro a fevereiro. (Barneby, 1998) do Açuruá (Santo Inácio), no extremo norte da Chapa-
da Diamantina, limite entre os municípios de Gentio do
Ouro e Xique-Xique. Floresce e frutifica de setembro a
Calliandra lintea Barneby dezembro. (Barneby, 1998; Souza, inéd.)
Distribuição: BAHIA: Andaraí/Mucugê (12º56’S,
41º23’W); Lençóis (12º32’S, 41º21’W); Palmeiras Calliandra pubens Renvoize
(12º31’S, 41º34’W).
Comentários: Arbusto com ramos virgados. Folhas bipina- Distribuição: BAHIA: Umburanas, Serra do Curral
das, com 8 ou 9 pares de pinas e 16 a 21 pares de folíolos por Frio (10º22’S, 41º20’W).
pina. Flores com estames brancos, em glomérulos agrupa- Comentários: Arbusto. Folhas bipinadas, com 3 ou 4
dos em pseudo-racemos. Ocorre em campos rupestres e pares de pinas e 23 a 28 pares de folíolos por pina. Flores
campos arenosos (capitingas), na margem de rios ou entre subsésseis, tetrâmeras, com estames alvos, em gloméru-
pedras, na Serra do Sincorá, Chapada Diamantina. Encon- los homomórficos. Conhecida apenas pelo material-tipo,
trada com flores de setembro a novembro e em junho e coletado em campos rupestres, sobre solo arenoso, entre
com frutos em fevereiro. (Barneby, 1998; Souza, inéd.) Delfino e Minas do Mimoso, com flores em março. (Bar-
neby, 1998; Souza, inéd.)
Comentários: Subarbusto com xilopódio. Folhas bipina- Baixo-Médio São Francisco. Floresce e frutifica de de-
das basais, com 1 par de pinas e 5 a 10 pares de folíolos zembro a fevereiro. (Barneby, 1991; Queiroz, no prelo)
por pina. Flores tetrâmeras, em glomérulos agrupados
em um longo pedúnculo sem folhas. Ocorre em campos
rupestres, a cerca de 1.000 m s.n.m., na Chapada dos Mimosa hortensis Barneby
Veadeiros. Floresce na estação chuvosa, entre dezembro
Distribuição: BAHIA: Juazeiro (09º25’S, 40º29’W).
e março. (Barneby, 1991; Simon & Proença, 2000) Comentários: Subarbusto; ramos costados, não viscosos,
com acúleos em séries longitudinais sobre as costelas. Fo-
Mimosa decorticans Barneby lhas bipinadas, com 3 ou 4 pares de pinas e 6 ou 7 pares de
folíolos por pina. Flores com estames rosa, em glomérulos.
Distribuição: GOIÁS: Cristalina (16º44’S, 47º41’W). Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado por Zehnt-
Comentários: Arvoreta profusamente ramificada, po- ner em março de 1912. (Barneby, 1991; Queiroz, no prelo)
dendo atingir mais de 3 m de altura. Folhas bipinadas, com
17 a 28 pares de pinas e 30 a 47 pares de folíolos por pina.
Flores tetrâmeras, em glomérulos. Ocorre em terrenos
Mimosa humivagans Barneby
rochosos e arenosos. Floresce de março a julho e frutifica Distribuição: GOIÁS: São João d’Aliança, Serra Geral
de junho a setembro. (Barneby, 1991; Simon & Hay, 2003) do Paranã (14º44’S, 47º31’W).
Comentários: Subarbusto prostrado, com xilopódio.
Mimosa glaucula Barneby Folhas bipinadas, com 7 a 12 pares de pinas e 10 a 15
pares de folíolos por pina. Flores tetrâmeras, em glo-
Distribuição: BAHIA: Xique-Xique, Lagoa de Itaparica mérulos. Ocorre em cerrado aberto, sobre solo rochoso,
(10º54’S, 42º46’W). entre 1.030 e 1.100 m s.n.m. Encontrada com flores em
Comentários: Subarbusto ereto, com cerca de 1 m de março. (Barneby, 1991; Simon & Proença, 2000)
altura; ramos delgados, flexuosos, não viscosos e com
acúleos esparsos. Folhas bipinadas, com 2 pares de pinas e
7 a 11 pares de folíolos por pina. Flores tetrâmeras, com
Mimosa laniceps Barneby
estames rosa, em glomérulos globosos. Conhecida apenas Distribuição: GOIÁS: Alto Paraíso de Goiás, Chapada
pelo material-tipo, coletado em caatinga, sobre areia, com dos Veadeiros (14º13’S, 47º29’W).
flores em fevereiro. (Barneby, 1991; Queiroz, no prelo) Comentários: Arbusto profusamente ramificado, de copa
arredondada, com até 2 m de altura. Folhas bipinadas, com
Mimosa heringeri Barneby 14 a 25 pares de pinas e 20 a 35 pares de folíolos por pina.
Flores tetrâmeras, em glomérulos. Ocorre em afloramen-
Distribuição: DISTRITO FEDERAL: Gama (16º05’S, tos rochosos com solo arenoso e úmido. Floresce de se-
48º03’W). tembro a março. (Barneby, 1991; Simon & Proença, 2000)
Comentários: Arvoreta profusamente ramificada, com
até 4 m de altura. Folhas bipinadas, com 7 a 18 pares de
pinas e 31 a 57 pares de folíolos por pina. Flores tetrâme-
Mimosa lepidophora Rizzini
ras, em glomérulos. Ocorre em cerrado, sobre terrenos Distribuição: PIAUÍ: São Raimundo Nonato (09º01’S,
rochosos e úmidos. Floresce de março a julho e frutifica 42º41’W); BAHIA: Remanso (09º35’S, 42º07’W);
entre maio e agosto. (Barneby, 1991; Simon & Hay, 2003) Campo Alegre de Lourdes (09º30’S, 43º00’W).
Comentários: Arbusto a arvoreta, com até 5 m de altu-
Mimosa hirsuticaulis Harms ra; ramos não viscosos, inermes. Folhas bipinadas, com
2 a 9 pares de pinas e 6 a 9 pares de folíolos rombóides
Distribuição: BAHIA: Remanso (09º35’S, 42º07’W). por pina, com nectário discóide no pecíolo. Flores pen-
Comentários: Subarbusto prostrado a decumbente; ra- tâmeras, com estames alvos, em glomérulos. Conhecida
mos viscosos, inermes. Folhas bipinadas, com 3 ou 4 pares como angelim, ocorre em caatingas sobre solo arenoso do
de pinas e 12 a 16 pares de folíolos por pina. Flores tríme- Baixo-Médio São Francisco, no sul do Piauí e região limí-
ras, com estames rosa-choque, em glomérulos globosos. trofe no norte da Bahia. Floresce de dezembro a fevereiro
Ocorre em caatingas sujeitas a inundações sazonais, no e frutifica em julho. (Barneby, 1991; Queiroz, no prelo)
226 Leguminosae
inermes. Folhas bipinadas com 8 a 11 pares de pinas e um longo pedúnculo sem folhas. Duas variedades são re-
9 a 12 pares de folíolos por pina. Flores trímeras, com conhecidas, a típica e a M. ulei var. grallator Barneby, am-
estames rosa, em glomérulos. Ocorre em caatinga, sobre bas encontradas em campos rupestres, de 1.300 a 1.400
solo arenoso, a cerca de 400 m s.n.m., no Baixo-Mé- m s.n.m., na mesma localidade. Floresce entre março e
dio São Francisco. Floresce e frutifica de janeiro a maio. maio. (Barneby, 1991; Simon & Proença, 2000)
(Barneby, 1991; Queiroz, no prelo)
Mimosa virgula Barneby
Mimosa splendida Barneby Distribuição: GOIÁS: Cocalzinho (15º48’S, 48º50’W);
Distribuição: GOIÁS: Alto Paraíso de Goiás (14º10’S, Corumbá de Goiás (15º55’S, 48º48’W); Pirenópolis
47º35’W). (15º47’S, 48º53’W).
Comentários: Arbusto pouco ramificado, geralmente Comentários: Subarbusto delicado, com xilopódio, ere-
com menos de 2 m de altura; hábito semelhante ao de to, com até 1 m de altura. Ocorre nos campos rupestres da
uma samambaia arborescente devido às folhas grandes no Serra dos Pireneus, a cerca de 1.200 m s.n.m. Floresce de
ápice dos ramos; caule recoberto por estípulas persisten- janeiro a abril. (Barneby, 1991; Simon & Proença, 2000)
tes. Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado em
1895, foi recentemente redescoberta na fazenda São Ben-
to. Ocorre em cerrado aberto, sobre solo rochoso, a cerca
Senegalia kallunkiae ([Link] & Barneby)
Seigler & Ebinger
de 1.200 m s.n.m. (Barneby 1991; Simon & Amaral 2003)
Distribuição: BAHIA: Caatiba (14º57’S, 40º25’W).
Mimosa suburbana Barneby Comentários: Árvore com até 15 m de altura; ramos com
acúleos esparsos. Folhas bipinadas, com 2 ou 3 pares de pi-
nas e 4 ou 5 pares de folíolos rombóides por pina. Flores
Distribuição: DISTRITO FEDERAL: Gama (16º05’S,
com estames brancos, em glomérulos. Ocorre em floresta
48º03’W); Brasília (15º52’S, 47º49’W).
estacional semidecidual (mata de cipó). (Queiroz, no prelo)
Comentários: Subarbusto delicado, com ramos trígonos,
aculeados. Ocorre em borda de mata de galeria, em am-
bientes perturbados, a cerca de 1.100 m s.n.m. Floresce Senegalia santosii ([Link]) Siegler & Ebinger
de março a julho. (Barneby, 1991; Simon & Proença, 2000)
Distribuição: BAHIA: Vitória da Conquista/Anagé
(14º46’S, 41º00’W).
Mimosa ulbrichiana Harms Comentários: Árvore com cerca de 6 m de altura; ra-
mos inermes. Folhas bipinadas, com 5 pares de pinas e
Distribuição: BAHIA: Gentio do Ouro (11º26’S, 13 a 16 pares de folíolos por pina; pecíolo sem nectário
42º30’W); Brotas de Macaúbas (11º59’S, 42º37’W). extrafloral. Flores com estames brancos, em glomérulos
Comentários: Subarbusto prostrado a decumbente; globosos. Ocorre provavelmente em floresta estacional
ramos viscosos, inermes. Folhas bipinadas, com 6 ou 7 semidecidual (mata de cipó). Encontrada com flores em
pares de pinas e 18 a 23 pares de folíolos por pina. Flo- novembro. (Lewis, 1996; Queiroz, no prelo)
res trímeras, com estames rosa, em glomérulos globo-
sos. Ocorre em área de transição entre caatinga e campos
rupestres, sobre solo arenoso e pedregoso, entre 120 e Senegalia sp. (= Acacia ricoae [Link] & S.
400 m s.n.m., na região de Santo Inácio, limite norte da Miotto)
Chapada Diamantina. Floresce e frutifica de novembro a
Distribuição: BAHIA: Palmeiras (12º27’S, 41º28’W).
maio. (Barneby, 1991; Queiroz, no prelo) Comentários: Arbusto de 2 a 4 m de altura; ramos
4-angulosos. Folhas bipinadas, com glândula elíptica no
Mimosa ulei Taub. pecíolo e foliólos ciliados. Flores em glomérulos globo-
sos agrupados em fascículos axilares. Ocorre na Chapada
Distribuição: GOIÁS: Alto Paraíso de Goiás, Chapada Diamantina. Encontrada com flores em outubro. (Bocage
dos Veadeiros (14º05’S, 47º30’W). & Miotto, 2005)
Comentários: Subarbusto com xilopódio. Folhas bipina-
das, amplas, basais. Flores em glomérulos agrupados em
228 Leguminosae
20, foi redescoberta recentemente em Nova Friburgo, na compresso, indeiscente, coriáceo, com 1 a 4 sementes.
região de Três Picos. Ocorre em floresta ombrófila (alto) Ocorre em florestas de galeria e sazonalmente secas, en-
montana. Encontrada com flores em abril. (Tozzi, inéd.) tre 150 e 680 m s.n.m. Floresce de julho a novembro e
frutifica de outubro a fevereiro. (Silva & Tozzi, 2008)
Lonchocarpus grandiflorus [Link]
Luetzelburgia harleyi [Link], [Link] &
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Miguel Pereira [Link]
(22º27’S, 43º28’W); Petrópolis (22º30’S, 43º18’W).
Comentários: Árvore com cerca de 10 m de altura. Fo- Distribuição: BAHIA: Jussiape (13º30’S, 41º36’W);
lhas imparipinadas, com 11 a 13 folíolos opostos. Flores Rio de Contas (13º36’S, 41º45’W).
papilionóides, com pétalas róseas, em pseudo-racemos Comentários: Árvore com até 4 m de altura, flores-
congestos, axilares, com eixos de segunda ordem curtos cendo e frutificando completamente sem folhas. Folhas
e ferruginosos Conhecida por apenas duas coletas em Pe- imparipinadas com 1 a 5 folíolos. Inflorescências com-
trópolis, em 1876 e 1951, foi recentemente redescober- pactas, subglobosas. Flores papilionóides, de 1 a 1,3 cm
ta em Miguel Pereira, a cerca de 1.100 m s.n.m. Ocorre de comprimento, com pétalas esbranquiçadas e listra
em floresta ombrófila densa altomontana, na Mata Atlân- mediana rósea. Sâmaras com núcleo seminífero basal
tica. Encontrada com flores em janeiro. (Tozzi, 1995) e portando uma pequena ala em cada lado. Ocorre em
caatinga arbustivo-arbórea, atualmente bastante antropi-
zada, na região sul da Chapada Diamantina. Encontrada
Lonchocarpus peckoltii Wawra com flores em junho e com frutos em junho e outubro.
(Cardoso et al., 2008; Queiroz 2008)
Distribuição: MINAS GERAIS: Coronel Pacheco, Esta-
ção Experimental do Café (21º35’S, 43º15’W).
Comentários: Árvore de porte elevado, frondosa. Fo- L uetzelburgia neurocarpa [Link],
lhas imparipinadas, com 5 folíolos verde-escuros, bri- [Link] & [Link]
lhantes. Flores papilionóides, com pétalas lilás, em pa-
nículas multifloras laxas. Conhecida apenas por duas Distribuição: BAHIA: Morro do Chapéu (11º29’S,
coletas nas décadas de 1930 e 1940. Encontrada com 41º17’W).
flores em agosto e outubro. (Tozzi, inéd.) Comentários: Arbusto a arvoreta, com até 4 m de altura,
florescendo e frutificando completamente sem folhas. Folhas
imparipinadas, com 9 ou 11 folíolos. Inflorescências amplas,
Lonchocarpus praecox Benth. piramidais. Flores de 1,5 a 1,7 mm de comprimento, papi-
lionóides, com pétalas róseas. Sâmaras com núcleo seminí-
Distribuição: MINAS GERAIS: Contendas (21º53’S, fero basal e portando uma nervura pouco saliente em cada
45º00’W). lado. Conhecida apenas da região norte da Chapada Dia-
Comentários: Árvore com cerca de 6 m de altura. mantina. Ocorre em caatinga arbustivo-arbórea sobre aflo-
Folhas imparipinadas, com 9 a 11 folíolos. Flores papi- ramento calcáreo. Encontrada com flores em maio e com
lionóides, com pétalas púrpura, em panículas axilares, frutos em junho. (Cardoso et al., 2008; Queiroz, no prelo)
curtas e laxas, de racemos paucifloros. Conhecida apenas
pelo material-tipo, coletado no séc. 19. (Tozzi, inéd.)
Milletia occidentalis Ducke
Lonchocarpus variabilis [Link] & Distribuição: AMAZONAS: Santo Antônio do Iça, rio
[Link] Iça (03º06’S, 67º56’W)
Comentários: Arbusto com ramos lianescentes, rufo-
Distribuição: MATO GROSSO DO SUL: Corumbá tomentosos. Folhas imparipinadas, com 3 ou 5 folíolos
(19º00’S, 57º39’W); Ladário (19º00’S, 57º36’W). opostos. Flores papilionóides, com cálice rufo-tomen-
Comentários: Arbusto a árvore de 1,7 a 9 m de altura. telo e pétalas alvas, em pseudo-racemos com eixos de
Folhas imparipinadas, com 3 ou 5 folíolos opostos. Flores segunda ordem curtos e multifloros. Frutos com deis-
com cálice distintamente pentalobado e androceu dila- cência elástica. Conhecida apenas pelo material-tipo, co-
tado na base, dispostas em pseudo-racemos. Fruto seco, letado por Ducke em 1906. (Ducke, 1955; Tozzi, inéd.)
232 Leguminosae
Swartzia trimorphica Mansano & [Link] comprimento. Núcula. Ocorre na Mata Atlântica. En-
contrada com flores entre maio e junho. (Mansano & To-
Distribuição: AMAZONAS: Cucuí, rio Xié (00º58’N, zzi, 1999a; Mansano et al., 2004)
67º10’W).
Comentários: Árvore com cerca de 6 m de altura. Fo-
lhas imparipinadas, com 9 folíolos opostos. Inflorescên-
Zornia glaziovii Harms
cias Flores com cálice partindo-se em 3 ou 4 segmentos Distribuição: GOIÁS: Cristalina (16º36’S, 47º37’W).
desiguais, 1 pétala alva, glabra, e estames de três tama- Comentários: Subarbusto com cerca de 75 cm de altu-
nhos (único caso no gênero), em racemos agrupados em ra. Folhas com 4 folíolos obovados a oblanceolados. Brac-
fascículos surgindo em ramos áfilos. Encontrada com flo- téolas oblongas, com cerca de 1,2 cm de comprimento.
res em outubro. (Mansano & Souza, 2004) Lomento sem acúleos. Conhecida apenas pelo material-
tipo, coletado por Glaziou. (Mohlenbrock, 1961)
Swartzia velutina Spruce ex Benth.
Z ornia subssessilis Fortuna-Perez &
Distribuição: AMAZONAS: São Gabriel da Cachoeira [Link]
(00º07’N, 67º05’W).
Comentários: Arbusto a árvore, de 2 a 5 m de altura. Distribuição: MINAS GERAIS: Joaquim Felício
Folhas unifolioladas, alternas, estipeladas. Flores com (17º42’S, 44º18’W); Buenópolis (17º55’S, 44º14’W).
cálice inteiro partindo-se em 3 ou 4 segmentos, glabro Comentários: Subarbusto ereto. Folhas subsésseis, com
adaxialmente, densamente piloso abaxialmente, 1 pétala 4 folíolos filiformes a lineares. Bractéolas elípticas, com
alva, esparsamente pilosa abaxialmente e ovário glabro, até 9 mm de comprimento. Lomentos com artículos de
em racemos com eixo densamente piloso. Ocorre em 4 a 5 mm de comprimento. Ocorre nos cerrados e cam-
floresta secundária, no noroeste da Amazônia. Encontra- pos rupestres da Serra do Cabral. Floresce e frutifica de
da com flores e frutos em março. (Cowan, 1968) setembro a julho. (Fortuna-Perez & Tozzi, 2008)
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238
LentibulariaceaeLENTIBULARIACEAE
Lentibulariaceae tem distribuição cosmopolita e compreende cerca de 280 espécies e três gêneros: Genlisea, Pinguicula e
Utricularia (Taylor, 1999). O maior gênero é Utricularia, com mais de 200 espécies espalhadas por todo o mundo, embora
geralmente esteja ausente em regiões áridas e ilhas oceânicas. A maioria das espécies é encontrada nas regiões tropicais e
subtropicais, sendo seu centro de diversidade na América do Sul, particularmente nas montanhas da Venezuela, Guianas e
Brasil (Taylor, 1989). No Brasil, ocorrem os gêneros Genlisea e Utricularia, reunindo cerca de 60 espécies (Souza & Lorenzi,
2008), três delas indicadas como raras.
Distribuição: MINAS GERAIS: Alto do Caparaó, Serra Fromm-Trinta, E. 1988. O gênero Utricularia L. no Brasil.
do Caparaó (20º25’S, 41º50’W). 2. Espécies da Região Norte. Bradea 5: 125-135.
Comentários: Erva terrestre, com até 22 cm de altura. Fromm-Trinta, E. 1989. Genlisea lobata Fromm-Trinta –
Flores alvas, com esporão roxo, labelo lilás e fauce amare- uma nova espécie para o gênero Genlisea St. Hil. sect.
la. Encontrada com flor em março. (Fromm-Trinta, 1989) Tayloria (Lentibulariaceae). Bradea 5: 152-155.
Fromm-Trinta, E. 1991. O gênero Utricularia L. no Brasil.
Utricularia huntii [Link] 6. Espécies da Região Centro-Oeste. Bradea 5: 424-431.
Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
Distribuição: MATO GROSSO: Xavantina/Cachimbo ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
(14º40’S, 52º20’W). nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
Comentários: Erva terrestre, perene. Folhas rosula- Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
das. Flores malvo-pálidas, com a giba amarela. Coletada Taylor, P. 1989. The genus Utricularia – a taxonomic mono-
com flores em maio e junho, e com frutos em setembro. graph. Kew Bull. Add. Ser. 14: 1-724.
(Taylor, 1989; Fromm-Trinta, 1991) Taylor, P. G. 1999. Lentibulariaceae. In J.A. Steyermark,
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Utricularia physoceras [Link] the Venezuelan Guayana. Saint Louis, Missouri Botanical
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Distribuição: PARÁ: Marabá, Serra dos Carajás (05º57’S,
50º17’W).
Comentários: Erva terrestre, anual. Folhas obovadas,
poucas. Flores róseas ou lilás e alvas. Encontrada com flo-
res em abril e maio. (Fromm-Trinta, 1988; Taylor, 1989)
LoganiaceaeLOGANIACEAE
239
Ervas, arbustos, árvores ou lianas (eventualmente com gavinhas), com nós interpecio-
lares. Folhas opostas, geralmente com coléteres (e gavinhas nas trepadeiras) axilares. Flores actinomorfas, 4- ou 5-meras,
com coléteres calicinais, gamopétalas, monoclinas, isostêmones; ovário súpero ou semi-ínfero, bilocular, com numerosos
óvulos. Cápsulas ou bagas.
Loganiaceae inclui 10 gêneros e cerca de 400 espécies, ocorrendo em florestas e áreas abertas e perturbadas nos (sub)
trópicos (Struwe, 2004). No Brasil, ocorrem cinco gêneros e cerca de 100 espécies (Souza & Lorenzi, 2008); seis espécies
de Strychnos foram indicadas como raras.
Strychnos cerradoensis Krukoff & Barnaby Strychnos neglecta Krukoff & Barneby
Distribuição: MINAS GERAIS:Viçosa (20º45’S, 42º53’W). Distribuição: AMAZONAS: Japurá, rio Japurá
Comentários: Planta escandente, com espinhos e ga- (01º26’S, 69º24’W).
vinhas. Conhecida apenas por duas coletas em cerrado. Comentários: Conhecida apenas pelo material-tipo, cole-
(Krukoff, 1972) tado por Martius, em 1820. (Ducke, 1955; Krukoff, 1972)
Strychnos duckei Krukoff & Monachino Strychnos progeliana Krukoff & Barneby
Distribuição: AMAZONAS:Tabatinga (04º14’S, 69º55’W). Distribuição: AMAZONAS: Japurá, bacia do rio Japurá
Comentários: Cipó robusto. Flores alvas, com odor de (01º26’S, 69º24’W).
jasmim. Conhecida apenas por duas coletas de uma única Comentários: Conhecida apenas pelo material-tipo, cole-
planta, em floresta ombrófila densa de terra firme, pró- tado por Martius em 1820. (Ducke, 1955; Krukoff, 1972)
ximo à divisa entre Brasil, Colômbia e Peru. Encontrada
com flores em setembro. (Ducke, 1955; Krukoff, 1972)
Referências:
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Ducke, A. 1955. O gênero Strychnos no Brasil. Bol. Técn.
Distribuição: GOIÁS: localidade não indicada. Inst. Agron. Norte 30: 1-64.
Comentários: Planta escandente, lenhosa. Conhecida Krukoff, B. A. 1972. American species of Strychnos. Lloydia
apenas pelo material-tipo, coletado com flores por Gla- 35(3): 193-271.
ziou. (Krukoff, 1972)
Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
Strychnos krukoffiana Ducke nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
Distribuição: AMAZONAS: Manaus (03º03’N, 60º05’W). Struwe, L. 2004. Loganiaceae. In N. Smith, S.A. Mori, A.
Comentários: Planta escandente, alta, robusta e lenhosa. Henderson, [Link]. Stevenson & S.V. Heald (eds) Flo-
Conhecida apenas por duas coletas em floresta ombrófila wering plants of the Neotropics. Princeton, Princeton
densa de terra firme. (Ducke, 1955; Krukoff, 1972) University Press, p. 219-221.
240
Loranthaceae LORANTHACEAE
Maria José Gomes de Andrade, Claudenir Simões Caires, Juan Tun-Garrido, Carlos Henrique Reif de
Paula & Efigênia de Melo
Loranthaceae incluía tradicionalmente gêneros que atualmente estão posicionados em Santalaceae. Possui 70 gêneros
e cerca de 800 espécies, apresentando distribuição predominantemente pantropical. No Brasil, ocorrem dez gêneros e
aproximadamente 100 espécies (Souza & Lorenzi, 2008), 16 delas são apontadas como raras.
las, em umbelas axilares compostas de díades. Conhecida Comentários: Erva. Flores com perigônio pentâmero,
apenas pelo material-tipo. (Rizzini, 1975) enquanto a característica do grupo é hexâmero. Hemipa-
rasita sobre Compositae. (Reif & Andreata, 2006)
Psittacanthus nodosissimus Rizzini
Distribuição: PARÁ: Belém (01º27’S, 48º30’W).
Struthanthus planaltinae Rizzini
Comentários: Erva; ramos verticilados. Folhas opos- Distribuição: GOIÁS: Planaltina (15º27’S, 47º36’W).
tas, oblongo-lanceoladas. Flores laranja, em inflorescên- Comentários: Erva; ramos cilíndricos, escandentes. Fo-
cias terminais compostas por várias umbelas, cada qual lhas largo-ovadas, obtuso-arredondadas na base, agudas
formada por um par de tríades. Conhecida apenas pelo
ou acuminadas no ápice, membranáceas. Glomérulos
material-tipo. (Rizzini, 1956)
axilares de 2 a 6. (Rizzini, 1980)
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Rodriguesia 18/19(30/31): 87-234. Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
Rizzini, C.T. 1975. Loranthaceae Novae. Revta Fac. Agron. ilustrado para identificação de famílias de angiospermas
(Maracay) 8(3): 83-109 da flora brasileira, baseado em APG II. 2ª ed. Nova Odes-
sa, Instituto Plantarum, 704p.
Rizzini, C.T. 1975. Novitates florae brasiliensis. Leandra
5(6): 33-46.
LythraceaeLYTHRACEAE
243
Lythraceae inclui 32 gêneros e cerca de 600 espécies. Está representada por plantas lenhosas, (sub)arbustivas a arbóreas,
menos freqüentemente herbáceas, distribuídas pantropicalmente, com algumas ervas ocorrendo em regiões temperadas.
Ocupam diversos ambientes, como áreas brejosas, cerrados, campos áridos e pedregosos, mais raramente florestas tropicais.
Nove gêneros ocorrem no Brasil, sendo Cuphea e Diplusodon os mais diversos, com cerca de 120 e 85 espécies, respectivamen-
te. São apontadas 69 espécies raras, essencialmente vinculadas ao alto grau de endemismo encontrado em gêneros cujas espé-
cies estão isoladas por barreiras geográficas e climáticas nos campos rupestres das montanhas do leste e centro-oeste do país.
Comentários: Subarbusto com cerca de 40 cm de altura, Comentários: Subarbusto com até 1 m de altura. Folhas
viscoso. Folhas verticiladas, 3 por nó, estreitas. Conhecida arredondadas, com tricomas glandulares na margem.
apenas por duas coletas. Ocorre em beira de barranco, às Flores vistosas, com tubo floral esverdeado, passando a
margens do rio, a cerca de 610 m s.n.m. (Koehne, 1903) vermelho-vivo no ápice, e pétalas vermelhas. Ocorre nos
campos rupestres da porção norte da Cadeia do Espinha-
Cuphea hybogyna Koehne ço de Minas Gerais, a cerca de 1.200 m s.n.m. (Caval-
canti, 1989; Graham, 1990)
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser-
ra do Cipó (19º10’S, 43º38’W).
Comentários: Subarbusto. Flores com duas pétalas ro-
Cuphea sabulosa [Link]
xas e tubo floral de 2,8 a 3,2 cm de comprimento, giboso Distribuição: AMAZONAS: Manicoré (05º47’S,
na região mediana, com dois pequenos buracos na parte 61º21’W).
inferior da giba. (Graham, 1990) Comentários: Subarbusto com cerca de 40 cm de al-
tura. Folhas ovadas a arredondadas, com até 1,2 cm de
Cuphea loefgrenii Bacig. comprimento. Flores com tubo floral de 1,1 a 1,3 cm de
comprimento, amarelo, sem pétalas. Ocorre em campi-
Distribuição: CEARÁ: Pacoti, Alto da Serra (04º13’S, na, sobre solo arenoso branco. (Graham, 1990)
38º53’W).
Comentários: Subarbusto; caule com pilosidade densa,
arroxeada e glandular. Flores com 1 dos estames ventrais Cuphea santos-limae [Link]
excedendo o estilete em 1 mm de comprimento e as 2
pétalas dorsais subcordadas. (Graham, 1990) Distribuição: ESPÍRITO SANTO: São Roque do Canaã
(19º44’S, 40º39’W).
Comentários: Subarbusto. Folhas com até 4 cm de
Cuphea lucens [Link]. & [Link] comprimento. Flores com tubo floral de 2,5 cm de com-
primento, vermelho-intenso, e duas pétalas. Ocorre na
Distribuição: MINAS GERAIS: Indianópolis (19º03’S, margem de floresta estacional semidecidual com vegeta-
47º57’W). ção rupestre de afloramentos rochosos, entre 450 e 620
Comentários: Subarbusto de 1 a 1,5 m de altura. Fo-
m s.n.m. (Barroso, 1954; Graham, 1990)
lhas nítidas. Flores com tubo floral de cerca de 2 cm de
comprimento e pétalas vermelhas, muito reduzidas. Co-
nhecida apenas pelo material-tipo, coletado em borda de Cuphea sclerophylla Koehne
mata de galeria. (Cavalcanti & Graham, 2008)
Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina (18º17’S,
Cuphea potamophila [Link]. & [Link] 43º52’W); Gouveia (18º25’S, 43º43’W).
Comentários: Subarbusto de 30 cm a 1,7 m de altura.
Distribuição: GOIÁS: Cavalcante, rio Macacão (13º33’S, Folhas lineares, de 2 a 4 cm de comprimento, rígidas,
48º04’W). glaucas. Flores roxas a avermelhadas, com tubo floral de
Comentários: Subarbusto de 80 cm a 1 m de altura. Fo- até 1 cm de comprimento. Ocorre nos campos rupes-
lhas lanceoladas ou oblongas, de 3 a 10 cm de compri- tres, campos limpos e cerrados abertos do Planalto de
mento, membranáceas. Flores com tubo floral verde, com Diamantina, entre 850 e 1.350 m s.n.m. (Koehne, 1903)
ápice e pétalas vermelhas, de 1,9 a 2,1 cm de comprimen-
to. Ocorre em cerrado, às margens de mata de galeria e
campo úmido, em encosta de serra, sobre solo arenoso,
Cuphea sincorana [Link].
entre 300 e 380 m s.n.m. (Cavalcanti & Graham, 2005) Distribuição: BAHIA: Barra da Estiva, Morro do Ouro
(13º35’S, 41º18’W).
Cuphea rubro-virens [Link]. Comentários: Subarbusto ereto, de 15 a 40 cm de al-
tura, não ramificado. Folhas estreito-elípticas a linear-
Distribuição: MINAS GERAIS: Grão Mogol (16º34’S, lanceoladas, de 8 a 15 cm de comprimento. Flores ter-
42º56’W); Itacambira (17º04’S, 43º18’W). minais, com tubo floral de 8 a 9 mm de comprimento e
246 Lythraceae
pétalas rosa-magenta; pedicelo de 1 a 1,5 cm de com- Comentários: Subarbusto. Folhas agregadas, elípticas,
primento. Ocorre nos campos gerais sobre solo arenoso atenuadas na base, pubescentes. Flores rosa-magenta, com
e nos campos rupestres com afloramentos rochosos da 12 estames. Ocorre em campos rupestres e campos sujos,
Chapada Diamantina. (Cavalcanti, 1991) entre 830 e 1.200 m s.n.m. (Cavalcanti, 1998, 2004a)
Diplusodon gracilis Koehne Ocorre em campos sujos e cerrados abertos com solo la-
terítico, entre 990 e 1.100 m s.n.m. (Saint-Hilaire, 1833)
Distribuição: TOCANTINS: Dianópolis (11º35’S,
46º19’W).
Comentários: Subarbusto; ramos delicados. Folhas es-
Diplusodon leucocalycinus Lourteig
treito-elípticas, de 60 cm a 1 cm de comprimento. Flores Distribuição: GOIÁS: Água Fria de Goiás (14º53’S,
pequenas, róseas, com 12 a 18 estames. Ocorre em cer- 47º33’W); Alto Paraíso de Goiás (14º01’S, 47º23’W);
rado, entre 400 e 850 m s.n.m. (Cavalcanti et al., 2001; Cavalcante (13º51’S, 47º19’W).
Cavalcanti, inéd.) Comentários: Subarbusto de 40 cm a 1,5 m de altura.
Folhas de 1,2 a 4 cm de comprimento, ovadas a elípticas,
Diplusodon grahamae [Link]. agudas na base, com pilosidade simples, mesclada com pi-
losidade estrelada. Flores de 4 a 4,5 cm de diâmetro, com
Distribuição: GOIÁS: Água Fria de Goiás (14º53’S, tubo floral de pilosidade densa e notadamente branca,
47º33’W). com 12 a 15 estames. Ocorre nos campos sujos e campos
Comentários: Subarbusto com até 1 m de altura. Folhas rupestres da Chapada dos Veadeiros, entre 1.000 e 1.560
lineares, fortemente revolutas, com cerca de 1 cm de com- m s.n.m. (Cavalcanti et al., 2001; Cavalcanti, inéd.)
primento. Flores róseas, com 12 a 15 estames. Conhecida
apenas por duas coletas. Ocorre em campos rupestres, a
cerca de 1.200 m s.n.m. (Cavalcanti, 2007, inéd.)
Diplusodon longipes Koehne
Distribuição: GOIÁS: Cavalcante (13º41’S, 47º51’W);
Niquelândia (14º19’S, 48º07’W)
Diplusodon hatschbachii Lourteig Comentários: Subarbustos de 40 a 60 cm de altura, glabros,
Distribuição: GOIÁS: Água Fria de Goiás (14º53’S,
glaucos. Folhas ovadas, de 3 a 6,5 cm de comprimento. Flo-
47º33’W): Alto Paraíso de Goiás (14º01’S, 47º23’W). res roxas, de 5 a 6 cm de diâmetro, com tubo floral coberto
por bractéolas amplas e 13 a 18 estames; pedicelo de 2 a 4 cm
Comentários: Subarbusto. Folhas ovadas, com domáce-
de comprimento. Apresenta potencial ornamental. Ocorre
as. Flores róseas a lilás, com 10 a 15 estames. Ocorre em
em cerrados e campos sujos, sobre solos arenosos, entre 380
áreas úmidas sobre solo arenoso e em campos rupestres,
e 550 m s.n.m. (Cavalcanti et al., 2001; Cavalcanti, inéd.)
a cerca de 1.160 m s.n.m. (Lourteig, 1989)
Cavalcanti, T.B. 1998. New Species of Diplusodon (Lythrace- Graham, S.A. 1990. New species of Cuphea section Melvilla
ae) from Brazil. Novon 8: 337-351. (Lythraceae) and an annotated key to the section. Brit-
Cavalcanti, T.B. 2004. Flora de Grão Mogol, Minas Gerais: tonia 42: 12-32.
Lythraceae. Bol. Bot. Univ. São Paulo 22: 283-290. Graham, S.A. & Cavalcanti, T.B. 1999. The yellow-flowered
Cavalcanti, T.B. 2004. Novos táxons, novos status, nova si- species of Cuphea (Lythraceae) including three new taxa.
nonímia e lectotipificações em Diplusodon Pohl (Lythra- Brittonia 51: 24-30.
ceae). Bol. Bot. Univ. São Paulo 22: 1-13. Koehne, E. 1903. Lythraceae. In A. Engler (ed.). Das Pflan-
Cavalcanti, T.B. 2007. Novas espécies de Diplusodon Pohl zenreich. Leipzig, Verlag von Wilhelm Engelmann, vol.
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Cavalcanti, T.B. Inéd. Revisão do gênero Diplusodon Pohl et corrigenda. Sellowia 16: 119-162.
(Lythraceae). Tese de doutorado, Universidade de São Lourteig, A. 1987. Lythraceae Austroamericanae. Addenda
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Cavalcanti, T. B. & Graham, S. A. 2005. New taxa in Lythra- Lourteig, A. 1989. Lythraceae Austroamericanae. Addenda et
ceae from Latin America. Novon 15: 59-68. corrigenda 3. Bradea 5(19): 205-241.
Cavalcanti, T.B. & Graham, S.A. 2008. New species, varie- Pilger, R. 1937. Zwei neue Diplusodon Arten aus Brasilien. Fedde
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Cavalcanti, T.B., Graham, S.A. & Carvalho-Silva, M. 2001. dionalis. Paris, A. Belin, vol. 3, p. 94-169.
Lythraceae. In J.A. Rizzo (org.) Flora dos estados de
Goiás e Tocantins, Coleção Rizzo. Goiânia, Universidade
Federal de Goiás, 150p.
252
Malpighiaceae Malpighiaceae
Paula Dib de Carvalho & Alessandro Rapini (*também indicadas por William Antonio Rodrigues)
Malpighiaceae inclui 75 gêneros e cerca de 1.300 espécies. Possui distribuição pantropical, mas 90% das espécies são
neotropicais. O maior centro de diversidade da família está na América do Sul, ao norte do Trópico de Capricórnio (W.R.
Anderson et al., 2006). No Brasil, são registrados 35 gêneros e cerca de 300 espécies (pelo menos 71 raras), ocorrendo
em diversas formações vegetais, como florestas, cerrados, campos rupestres e caatingas (W.R. Anderson, 2004; W.R.
Anderson et al., 2006; Carvalho, inéd.).
Comentários: Árvore com cerca de 4 m de altura. Fo- Comentários: Arbusto com até 2 m de altura; ramos
lhas ovadas a elípticas, seríceas adaxialmente, tomentosas decumbentes. Folhas ovadas, glabrescentes, com 1 par de
e com glândulas nas nervuras laterais abaxialmente. Flo- glândulas na base da lâmina abaxialmente. Flores com pé-
res com elaióforos e pétalas rosados. Sâmaras grandes, talas rosadas a salmão. Sâmaras seríceas a glabras. Ocor-
seríceas. Ocorre em campos rupestres da Cadeia do Es- re em campos rupestres, entre 1.200 e 1.500 m s.n.m.
pinhaço. Encontrada com flores de janeiro a março e com Encontrada com flores de dezembro a maio e com frutos
frutos de janeiro a abril. (Gates, 1982) em maio. (Gates, 1982)
as, às vezes rugosas. Flores com pétalas alvas, tornando-se vos e pétalas vermelhas. Drupas amarelo-esverdeadas,
rosa ou vermelhas com a idade. Frutos verdes. Ocorre em passando a alaranjadas, azedas. (W.R. Anderson, 1982)
campos rupestres, a cerca de 1.225 m s.n.m. Encontrada
com flores e frutos em fevereiro. (W.R. Anderson, 1982)
Diplopterys bahiana [Link] & [Link]
Byrsonima hatschbachii [Link]* Distribuição: BAHIA: Macaúbas (13º00’S, 42º50’W).
Comentários: Liana. Folhas elípticas, glabrescentes, com
Distribuição: MATO GROSSO: Chapada dos Guima- várias glândulas inconspícuas ao longo da margem. Flores
rães (15º27’S, 55º44’W). com pétalas amarelas. Sâmaras densamente seríceas. Conhe-
Comentários: Arbusto de 20 cm a 1 m de altura. Folhas cida apenas pelo material-tipo, coletado em cerrado, com
estreito-elípticas, esparsamente seríceas. Flores com pé- flores e frutos em junho; existe, no entanto um registro du-
talas verdes ou amarelas. Ocorre em cerrado, associada a vidoso para Rio de Contas. (W.R. Anderson & Davis, 2006)
ambientes mais úmidos, a cerca de 660 m s.n.m. (W.R.
Anderson, 1982)
Diplopterys carvalhoi [Link] & [Link]
Byrsonima hirsuta [Link] Distribuição: BAHIA: Itacaré (14o16’S, 39o00’W).
Comentários: Liana. Folhas elípticas, glabras ou quase,
Distribuição: PARÁ: Alto Tapajós, Vila Novas (06º33’S, com várias glândulas inconspícuas ao longo da margem.
58º13’W). Flores com pétalas amarelas. Sâmaras com ala dorsal
Comentários: Arvoreta. Folhas obovadas a subelípticas, grande, as maiores e mais largas no gênero, vermelhas,
esparsamente hirsutas a glabrescentes. Flores com péta- glabras ou esparsamente seríceas. Ocorre na Mata Atlân-
las amarelas. (W.R. Anderson, 1999) tica. Encontrada com flores em dezembro e com frutos
em fevereiro. (W.R. Anderson & Davis, 2006)
Byrsonima onishiana [Link]
Distribuição: MINAS GERAIS: Patos de Minas/Patro-
E xcentradenia primaeva ([Link])
cínio, Serra dos Óculos (18º56’S, 46º48’W). [Link]
Comentários: Subarbusto com mais de 30 cm de altura. Distribuição: AMAZONAS: São Gabriel da Cachoeira
Folhas oblongas ou obovadas, adpresso-tomentosas a gla- (01º12’S, 68º00’W).
brescentes. Flores com pétalas rosa-pálidas. Encontrada Comentários: Liana. Folhas largo-ovadas, velutinas,
com flores em fevereiro e outubro e com frutos em feve- com várias glândulas inconspícuas ao longo da margem.
reiro. (W.R. Anderson, 1982) Flores com pétalas amarelas, em racemos de umbelas.
Sâmaras suborbiculares, puberulentas. Encontrada com
Byrsonima pedunculata [Link] flores e frutos em abril. (W.R. Anderson, 1997b)
Comentários: Trepadeira. Folhas lanceoladas a elípticas, Comentários: Trepadeira. Folhas ovadas, glabras ada-
quase glabras adaxialmente, densamente dourado-veluti- xialmente, tomentosas abaxialmente, com 1 par de glân-
nas abaxialmente, com glândulas estipitadas na margem e dulas no ápice do pecíolo. Flores com pétalas amarelas.
1 par de glândulas sésseis no ápice do pecíolo. Flores com Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado próximo
pétalas amarelas. Conhecida apenas pelo material-tipo, à divisa com a Bolívia, em meados de 1985, com flores
coletado em orla de mata, no início da década de 1980, em maio. (C.E. Anderson, 1997b)
com flores em outubro. (C.E. Anderson, 1997b)
Malvaceae MALVACEAE
Douglas C. Daly
Atualmente, Malvaceae inclui as Bombacaceae, Sterculiaceae e Tiliaceae. Segundo essa circunscrição, a família abrange
cerca de 250 (80, no Brasil) gêneros e 4.200 espécies (400, no Brasil) (Souza & Lorenzi, 2008) e, com base na flora do
Acre, foi apontada uma espécie rara.
Distribuição: ACRE: Cruzeiro do Sul, Igarapé Viseu, Daly, D.C., Silveira, M. et al. No prelo. First catalogue of
rio Juruá (08º18’S, 72º44’W); Marechal Thaumatur- the Flora of Acre, Brazil/Primeiro catálogo da Flora do
go, Igarapé Ceará, Reserva Extrativista do Alto Juruá Acre, Brasil. Rio Branco, PRINTAC/EDUFAC.
(09º12’S, 72º44’W). Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
Comentários: Arbusto ou árvore pequena, de 2,5 a 8 m ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
de altura. Flores com corola vermelha. Ocorre na bacia nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
do rio Juruá. Encontrada com flores entre março e maio. Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
(Daly et al., no prelo)
Melastomataceae MELASTOMATACEAE
263
Andrea Karla A. Santos, 2Angela Borges Martins, 3Rosana Romero, 4Ana Paula M. Santos, 5Frank
1
Almeda, 6Karina Fidanza Rodrigues Bernado, 7Cristiana Koschnitzke, 8Renato Goldenberg, 9Marcelo
Reginato, 10Rita Cristina Seco Lee & 11William Antonio Rodrigues
Árvores, arbustos, lianas ou ervas. Folhas opostas, geralmente curvinérveas, com uma
nervura central e nervuras laterais subparalelas levemente arqueadas da base em direção ao ápice. Flores actinomorfas, diali-
pétalas, monoclinas, diplostêmones, com hipanto desenvolvido; estames freqüentemente com anteras de deiscência poricida,
geralmente falciformes e/ou com o conectivo conspícuo. Frutos capsulares ou bacáceos, em geral com numerosas sementes.
Melastomataceae possui distribuição pantropical, com aproximadamente 200 gêneros e 5.000 espécies, das quais dois terços
são neotropicais. Constitui uma das principais famílias da flora brasileira, com cerca de 70 gêneros e 1.000 espécies, presente
nos mais variados ecossistemas. Alguns gêneros são abundantes em áreas de Mata Atlântica, como por exemplo, Miconia, Lean-
dra e Tibouchina, outros em áreas de cerrados e campos rupestres como Microlicia, Lavoisiera, Marcetia, Cambessedesia e Trembleya
(Souza & Lorenzi, 2008), onde são encontradas muitas espécies de distribuição restrita. São apontadas 120 espécies raras.
Aciotis wurdackiana Freire-Fierro 6,2 Comentários: Arbusto ereto, com até 2 m de altura,
com tricomas dendríticos esparsos. Folhas pseudofasci-
Distribuição: PARÁ: Cachoeira Porteira, rio Trombe- culadas, linear-oblongas, com 3 nervuras. Flores pentâ-
tas (01º05’S, 57º01’W). meras, bicolores, amarelas na base, intensamente verme-
Comentários: Ervas com cerca de 40 cm de altura. lhas no ápice; ovário 5- ou 6-locular. Ocorre nos campos
Folhas elípticas, com 3 a 5 nervuras. Flores tetrâmeras, rupestres da porção leste da Chapada Diamantina, próxi-
alvas; ovário bilocular. Ocorre em áreas perturbadas ao mo a afloramentos rochosos. (Martins, 1995a)
longo de rios e florestas secundárias, sobre solos úmidos
de areia branca. (Freire-Fierro, 2002)
Cambessedesia glaziovii [Link] 6,2
Cambessedesia atropurpurea [Link] 6,2 Distribuição: GOIÁS. Alto Paraíso de Goiás, Chapada
dos Veadeiros (13º59’S, 47º21’W).
Distribuição: GOIÁS: São João d’Aliança, Serra Geral Comentários: Subarbusto ereto, de 20 cm a 1 m de altu-
do Paranã (14º42’S, 47º26’W). ra. Folhas pseudofasciculadas, ovadas ou suborbiculares,
Comentários: Subarbusto de 25 cm a 1 m de altura. com 3 nervuras. Flores pentâmeras, vermelhas; ovário
Folhas ovadas a elípticas, púrpura abaxialmente, com 3
trilocular. Ocorre em campos rupestres, sobre solos are-
nervuras. Flores hexâmeras (raramente pentâmeras),
nosos. (Martins, 1985)
bicolores, a metade inferior amarela, a metade superior
vermelha; ovário 3- ou 4-locular. Conhecida apenas por
três coletas, não tendo sido coletada nos últimos 30 anos. Cambessedesia gracilis Wurdack 6,2
C ambessedesia pityrophylla (Mart. ex DC.) Distribuição: MINAS GERAIS: localidade não indicada.
A.B.Martins6,2 Comentários: Subarbusto ereto. Folhas ovado-elípticas,
com 3 nervuras. Flores com ovário pentalocular. Conhe-
Distribuição: MINAS GERAIS: Caeté, Serra da Pie- cida apenas pelo material-tipo, composto por fragmentos
dade (19º49’S, 43º40’W); Catas Altas, Serra do Caraça coletados no séc. 19. (Martins, 1995a)
(20º02’S, 43º24’W); Ouro Branco (20º28’S, 43º42’W);
Ouro Preto (20º19’S, 43º29’W).
Comentários: Subarbusto ereto, de 60 cm a 1 m de altu- C haetostoma cupressinum ([Link]) Koschnitzke
ra. Folhas oblongo-lanceoladas, com 3 nervuras, glabras & A.B.Martins2,7
adaxialmente, com tricomas ramificados abaxialmente.
Flores pentâmeras, amarelas; ovário 5- ou 6-locular. Distribuição: MINAS GERAIS: São João del Rei, Serra
Ocorre nos campos da região sul da Cadeia do Espinha- do Lenheiro (21º08’S, 44º17’W); Tiradentes, Serra de
ço. (Martins, 1995a) São José (21º05’S, 44º09’W).
Comentários: Subarbusto ereto, de 35 a 60 cm de altu-
ra, essencialmente glabro. Folhas triangular-lanceoladas,
Cambessedesia rupestris [Link] 6,2
com 5 nervuras. Flores pentâmeras, amarelas, com uma
coroa de tricomas no ápice do hipanto; ovário trilocular.
Distribuição: BAHIA: Rio de Contas, Pico das Almas Ocorre nos campos rupestres do Planalto Sul Mineiro.
(13º32’S, 41º57’W). (Koschnitzke & Martins, 1999, 2006)
Comentários: Subarbusto procumbente, com cerca de
30 cm de altura. Folhas vináceas, ovadas a elípticas, com
tricomas glandulares e 5 nervuras. Flores pentâmeras, C haetostoma flavum Koschnitzke &
bicolores, amarelas na base, vermelhas no ápice, com A.B.Martins2,7
hipanto vináceo; ovário trilocular. Ocorre em campos
rupestres. (Martins, 1993, 1995b; Santos & Silva, 2005) Distribuição: GOIÁS: Alto Paraíso de Goiás, Chapada
dos Veadeiros (14º07’S, 47º30’W).
Comentários: Subarbusto ereto, com cerca de 40 cm
Cambessedesia salviifolia (Cham.) [Link] 6,2
(raramente chegando a 1 m) de altura, essencialmente
glabro. Folhas triangular-lanceoladas, longamente pun-
Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina, Conse-
gentes, com 5 nervuras. Flores pentâmeras, com hipanto
lheiro Mata (18º17’S, 43º59’W); Gouveia (18º27’S,
finamente estriado; ovário 4- ou 5-locular. (Koschnitzke
43º44’W); Serro (18º36’S, 43º22’W).
& Martins, 1999, 2006)
Comentários: Subarbusto ereto, de 80 cm a 2,5 m de
altura; ramos com tricomas estrelados. Folhas ovadas a
ovado-lanceoladas. Flores pentâmeras, vermelhas, com Chaetostoma inerme Naudin 2,7
Distribuição: GOIÁS: Alto Paraíso de Goiás, Chapada Distribuição: MINAS GERAIS: Ouro Preto, Estação
dos Veadeiros (14º07’S, 47º30’W). Ecológica do Tripuí (20º19’S, 43º29’W).
Comentários: Subarbusto ereto, de 0,5 a 1,5 m de altu- Comentários: Erva prostrada, com cerca de 10 cm de
ra, essencialmente glabro. Folhas lanceoladas, longamen- altura. Folhas ovado-cordiformes, longipecioladas. Flo-
te glanduloso-ciliadas na margem, com 1 nervura. Flores res pentâmeras, alvas, em inflorescência com eixo híspi-
pentâmeras, púrpura; ovário trilocular. Ocorre em cam- do-glanduloso; ovário trilocular. Ocorre em ambientes
pos rupestres. (Koschnitzke & Martins, 2006) úmidos, na beira de riachos sombreados. (Cogniaux,
1883-1885; Andrade et al., 2007)
Distribuição: GOIÁS: Cristalina, Serra dos Cristais Distribuição: MINAS GERAIS: Nova Lima, Mata do
(16º45’S, 47º35’W). Jambreiro (19º58’S, 43º55’W); Ouro Preto (20º19’S,
Comentários: Subarbusto ereto, em torno de 0,5 m de 43º29’W); Sabará (19º53’S, 43º48’W).
altura, essencialmente glabro. Folhas triangular-lanceo- Comentários: Erva prostrada, com cerca de 20 cm de
ladas, com 7 nervuras. Flores pentâmeras, amarelas, ró- altura; ramos viloso-seríceos. Folhas ovado-cordiformes,
seas, alvas ou todas essas cores juntas; ovário trilocular. longipecioladas, com 9 nervuras. Flores pentâmeras,
Ocorre em campos rupestres, formando grandes popu- alvas, em inflorescência com eixo lanuginoso-vilosos;
lações. (Koschnitzke & Martins, 1999, 2006) ovário trilocular. Ocorre nos paredões rochosos de beira
de riachos sombreados por mata, no sul da Cadeia do
Espinhaço. (Cogniaux, 1883-1885; Andrade et al., 2007)
C haetostoma stenocladum (Naudin) Koschnitzke
& A.B.Martins2,7
Lavoisiera adamantium Barreto ex Pedersoli 2,5
esparsamente serruladas e com tricomas espinescentes melhadas adaxialmente, com 3 ou 5 nervuras. Flores
na margem, com 1 nervura. Flores pentâmeras, rosadas; hexâmeras (raramente pentâmeras), púrpura a magenta;
ovário pentalocular. Conhecida apenas por três coletas. ovário hexalocular. Ocorre em campos rupestres, sobre
Ocorre nos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço. solo arenoso e pedregoso. (Cogniaux, 1883-1885)
(Cogniaux, 1866-1888)
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser- Lavoisiera itambana Mart. & Schrank ex DC. 2,5
Lavoisiera firmula Mart. & Schrank ex DC. 2,5 Lavoisiera macrocarpa Naudin 2,5
Distribuição: MINAS GERAIS: Itambé do Mato Den- Distribuição: MINAS GERAIS: Congonhas do Norte
tro, Serra da Cabeça de Boi (19º22’S, 43º25’W); Santana (18º51’S, 43º45’W); Santana do Riacho (19º17’S, 43º35’W).
do Riacho, Serra do Cipó (19º20’S, 43º35’W). Comentários: Arbusto ereto, de 40 cm a 1,5 m (rara-
Comentários: Arbusto de 1 a 2 m de altura, glabro. mente chegando a 2 m) de altura, essencialmente glabro,
Folhas elíptico-oblongas, glaucas, ocasionalmente aver- algumas vezes glandular-hirsuto nos ramos basais. Folhas
Melastomataceae 267
oblongo-elípticas a ovadas, glaucas adaxialmente, com 3 Comentários: Subarbusto ereto, com cerca de 1 m de
nervuras (raramente 5 ou 7). Flores geralmente octômeras, altura, glabros ou com tricomas glandulares inconspícu-
magenta, com base alvo-esverdeada; ovário octolocular (ra- os. Folhas ovadas, rígido-cartáceas, com 5 nervuras. Flo-
ramente heptalocular). Comum na Serra do Cipó, é muito res 5- ou 6-meras, magenta; ovário hexalocular. Ocorre
coletada devido às flores vistosas. (Cogniaux, 1883-1885) em cerrado. (Wurdack, 1974)
Distribuição: MINAS GERAIS: Grão Mogol (16º34’S, Distribuição: MINAS GERAIS: Datas (18º19’S,
42º56’W). 43º39’W); Diamantina (18º13’S, 43º35’W).
Comentários: Arbusto ereto, de 0,5 a 2,5 m de altura, Comentários: Arbusto de 1,5 a 3 m de altura, glabro.
essencialmente glabro. Folhas oblongas, com 3 a 7 ner- Folhas oblongas a ovadas, com pontuações glandulares
vuras. Flores pentâmeras, róseas ou lavanda, freqüente- em ambas as faces e 3 nervuras (raramente 5). Flores
mente com a base amarela, em inflorescências glomeru- geralmente octômeras, lavanda a magenta; ovário penta-
liformes; ovário pentalocular (raramente hexalocular). locular. Ocorre sobre solos pedregosos dos campos ru-
Ocorre sobre solo arenoso, na beira de riacho, a cerca de pestres do Planalto de Diamantina, a cerca de 1.200 m
1.000 m s.n.m. (Cogniaux, 1883-1885) s.n.m. (Cogniaux, 1883-1885)
Lavoisiera mucorifera Mart. & Schrank ex DC. 2,5 Lavoisiera sampaioana Barreto 2,5
Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina (18º16’S, Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser-
43º42’W). ra do Cipó (19º20’S, 43º35’W).
Comentários: Subarbusto ereto, de 0,5 a 1,5 m de al-
Comentários: Subarbusto ou arbusto ereto, com até 1 m
tura, glabro, exceto nos nós e nervura abaxial. Folhas
(raramente 2 m) de altura, moderadamente glanduloso-
ovadas, margem pectinada, 3 nervuras (raramente 5).
hirtelo. Folhas oblongas a elíptico-lanceoladas, com 5 ou
Flores geralmente octômeras, róseas a magenta; ovário
7 nervuras inconspícuas. Flores hexâmeras (raramente
hexalocular. Ocorre sobre solos arenosos, secos ou alaga-
pentâmeras), róseas ou alvas; ovário hexalocular. Ocorre
dos, dos campos rupestres entre 1.300 e 1.500 m s.n.m.
em locais úmidos nos campos rupestres do Planalto de (Mello-Barreto, 1935)
Diamantina. (Cogniaux, 1883-1885)
Ocorre nos campos rupestres. (Cogniaux, 1883-1885) Distribuição: BAHIA:Abaíra, Catolés (13º15’S, 41º53’W);
Rio de Contas, Pico das Almas (13º31’S, 41º56’W).
Lavoisiera tetragona Mart. & Schrank ex DC. 2,5 Comentários: Arbusto de 0,5 a 1 m de altura, pro-
fusamente ramificado; ramos eretos. Folhas viscosas,
Distribuição: MINAS GERAIS: Serro, Milho Verde oblongas, com 9 nervuras (raramente 11), cartáceas.
(18º38’S, 43º22’W); Santo Antônio do Itambé, Pico do Flores tetrâmeras, com sépalas oblongas e pétalas ma-
Itambé (18º24’S, 43º19’W). genta ou vináceas; anteras oblongas, falciformes. En-
Comentários: Subarbusto procumbente, de 20 a 30 cm contrada com flores e frutos entre dezembro e feverei-
de altura, essencialmente glabro. Folhas (oblongo-)ovadas, ro. (Woodgyer et al., 2003; Santos & Silva, 2005; A.B.
com 1 nervura. Flores pentâmeras, alvas no botão, róseas na Martins, inéd.-1989)
antese; ovário pentalocular. Ocorre em campos rupestres,
sobre solos rochosos e arenosos. (Cogniaux, 1883-1885)
Marcetia grandiflora Wurdack 1,2
flores e frutos entre setembro e janeiro. (Woodgyer et al., Distribuição: MINAS GERAIS: São Roque de Minas,
2003; Santos & Silva, 2005; A.B. Martins, inéd.-1989) Parque Nacional da Serra da Canastra (20º15’S, 46º20’W).
270 Melastomataceae
Comentários: Arvoreta com cerca de 2 m de altura. Comentários: Arbusto de 1,5 a 2,5 m de altura, profu-
Folhas oblongo-lanceoladas, com 3 nervuras. Flores pen- samente ramificado; ramos jovens com tricomas averme-
tâmeras, sésseis, em inflorescências paniculadas; estames lhados. Folhas membranáceas, ovadas a elípticas, pilosas.
subisomórficos. Ocorre próximo a riachos. Encontrada Flores pentâmeras, com pétalas alvas, róseas na base e es-
com flores em novembro e com frutos em dezembro. tames amarelos, dimórficos. Ocorre nos cerrados e cam-
(Romero & Goldenberg, 1999) pos rupestres da Chapada Diamantina. Encontrada com
flores em dezembro e janeiro. (Woodgyer et al., 2003;
Woodgyer, 2005)
Miconia capixaba [Link]. 8
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Santa Teresa, Reser- Microlicia aurea Wurdack 3,4,1
(13º19’S, 41º46’W); Ibicoara, Serra do Sincorá (13º22’S, Distribuição: BAHIA: Jacobina, Serra da Jacobina
41º16’W); Piatã (13º08’S, 41º47’W). (11º11’S, 40º30’W).
Melastomataceae 271
Comentários: Arbustos com cerca de 1,5 m de altura. Comentários: Subarbusto com cerca de 0,5 m de altura.
Folhas ovado-elípticas, com 3 nervuras, crassas, ligeira- Folhas eretas, sésseis, distintamente orbiculares, discolo-
mente viscosas. Flores com pétalas lilás e estames ama- res, mais escuras adaxialmente. Flores pentâmeras, púr-
relos, dimórficos. Ocorre em vegetação mista entre ca- pura, com estames dimórficos. (Hoehne, 1938)
atinga e cerrado. Encontrada com flores em novembro e
junho. (Cogniaux, 1883-1885; Woodgyer, 2005)
Microlicia comparilis Wurdack 3,4,1
Microlicia carrasci Markgr. 3,4,1 Distribuição: BAHIA: Abaíra, Campo do Ouro Fino
(13º19’S, 41º51’W); Mucugê, Parque Municipal de
Distribuição: BAHIA: Rio de Contas, Serra das Almas Mucugê (13º03’S, 41º31’W); Rio de Contas, Serrinha
(13º32’S, 41º58’W). (13º29’S, 41º43’W).
Comentários: Arbusto pouco ramificado. Folhas ovadas, Comentários: Arbusto de 40 a 80 cm de altura, profu-
com ápice acuminado. Flores pentâmeras, com pétalas samente ramificado; ramos eretos. Folhas ovadas, dimi-
amarelas e estames dimórficos. Conhecida apenas por nutas. Flores com pétalas magenta e estames amarelos,
duas coletas, a última na década de 1980. (Woodgyer & isomórficos. Ocorre nos campos rupestres da Chapada
Lughadha, 1995; Santos & Silva, 2005; Woodgyer, 2005) Diamantina, sobre solo areno-pedregoso, entre 1.000
e 1.300 m s.n.m. Encontrada com flores e frutos entre
Microlicia catolensis Woodgyer & Zappi 3,4,1 agosto e março. (Wurdack, 1984; Woodgyer et al., 2003;
Santos & Silva, 2005; Woodgyer, 2005)
Distribuição: BAHIA:Abaíra, Riacho daTaquara (13º15’S,
41º55’W); Piatã, Quebrada da Serra do Atalho (13º13’S,
41º50’W). Microlicia crebropunctata Pilg. 3,4,1
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser- Distribuição: BAHIA: Érico Cardoso, Água Quen-
ra do Cipó (19º23’S, 43º33’W). te (13º25’S, 42º04’W); Rio de Contas, Pico das Almas
Comentários: Subarbusto fastigiado, com cerca de 30 (13º31’S, 41º57’W).
cm de altura. Folhas eretas, sésseis, lineares a lanceola- Comentários: Subarbustos de 40 cm a 1,2 m de altura;
das, concolores, com tricomas simples entremeados por ramos flexuosos. Folhas verdes a vináceas, ovadas a ova-
tricomas glandulares sésseis. Flores pentâmeras, púrpu- do-lanceoladas, serreadas na margem, com 3 ou 5 nervu-
ra, com estames dimórficos. (Cogniaux, 1883-1885) ras, membranáceas. Flores com pétalas magenta e esta-
mes dimórficos. Ocorre sobre solos brejosos dos campos
rupestres da porção sul da Chapada Diamantina, entre
Microlicia flava R. Romero 3,4,1
1.250 e 1.800 m s.n.m. Encontrada com flores e fru-
tos entre janeiro e maio. (Wurdack, 1981; Woodgyer &
Distribuição: MINAS GERAIS: Furnas (20º41’S,
Lughadha, 1995; Santos & Silva, 2005; Woodgyer, 2005)
46º19’W); São Roque de Minas, Serra da Canastra
(20º12’S, 46º30’W).
Comentários: Subarbusto com cerca de 0,5 m de altura, Microlicia hatschbachii Wurdack 3,4,1
outubro e fevereiro. (Wurdack, 1983; Woodgyer, 2005) Distribuição: BAHIA:Abaíra, Catolés (13º18’S, 41º52’W);
Rio de Contas, Pico das Almas (13º31’S, 41º56’W).
Microlicia luetzelburgii Markgr. 3,4,1 Comentários: Arbusto de 30 a 60 cm (raramente che-
gando a 1 m) de altura, profusamente ramificado. Folhas
Distribuição: BAHIA: Rio de Contas, Estrada Real ovadas a lanceoladas, com 1 arista no ápice e 1 única ner-
(13º36’S, 41º48’W). vura. Flores com pétalas amarelas e estames amarelos,
Comentários: Arbusto de 20 cm a 1,5 m de altura, pro- dimórficos Ocorre nos campos rupestres da porção sul
fusamente ramificado. Folhas com tricomas simples e 5 da Chapada Diamantina, sobre solo arenoso e com ro-
nervuras, membranáceas. Flores pentâmeras, com pé- chas. Encontrada com flores e frutos entre agosto e abril.
talas alvas e estames amarelos, dimórficos. Ocorre em (Wurdack, 1983;Woodgyer & Lughadha, 1995; Santos &
cerrado, na porção sul da Chapada Diamantina. Encon- Silva, 2005; Woodgyer, 2005)
trada com flores e frutos entre janeiro e março. (Santos
& Silva, 2005; Woodgyer, 2005)
Microlicia morii Wurdack 3,4,1
com flores e frutos entre junho e novembro. (Wurdack, Distribuição: BAHIA: Andaraí (12º52’S, 41º19’W);
1995; Almeda & Martins, 2001; Woodgyer, 2005) Mucugê (12º56’S, 41º20’W).
Comentários: Arbustos de 1,5 a 1,75 m de altura. Fo-
Microlicia obtusifolia Cogn. ex [Link] 3,4,1 lhas glandulosas, lanceolado-oblongas ou elíptico-oblon-
gas, com 1 nervura. Flores pentâmeras, com pétalas rosa
Distribuição: MINAS GERAIS: Diamantina (18º09’S, e estames amarelos, dimórficos. Ocorre na porção cen-
43º30’W); Gouveia (18º26’S, 43º42’W). tral da Chapada Diamantina, entre 500 e 1.050 m s.n.m.
Comentários: Subarbusto de 50 a 60 cm de altura, gluti- Coletada com flores e frutos em janeiro e fevereiro.
noso. Folhas sésseis, às vezes com pecíolo achatado, obova- (Wurdack, 1983; Woodgyer, 2005)
das. Flores magenta, com grande concentração de tricomas
glandulares pedicelados na porção superior do hipanto.
Ocorre no Planalto de Diamantina. (Romero, 2003)
Microlicia plumosa Woodgyer & Zappi 3,4,1
Distribuição: GOIÁS: Alto Paraíso de Goiás, Chapada Distribuição: GOIÁS: Alto Paraíso de Goiás, Chapada
dos Veadeiros (14º07’S, 47º30’W). dos Veadeiros (14º07’S, 47º30’W).
Comentários: Arbusto com cerca de 0,5 m de altura. Comentários: Subarbusto com cerca de 0,5 m de altura,
Folhas ovadas a orbiculares, com indumento glanduloso- profusamente ramificado. Folhas eretas, diminutas, com 1
pubérulo. Flores pentâmeras, púrpuras, com estames di- nervura central evidente e indumento com tricomas glan-
mórficos. Ocorre comumente em campo úmido e campos dulares sésseis e amarelados. Flores pentâmeras, púrpura,
rupestres. (Wurdack, 1974; Almeda & Martins, 2001) com estames dimórficos. Ocorre preferencialmente nos
campos úmidos. (Wurdack, 1959; Munhoz & Felfili, 2006)
Microlicia petasensis Wurdack 3,4,1
Microlicia scoparia DC. 3,4,1 3 nervuras. Flores pentâmeras, com pétalas púrpura a
magenta e estames amarelos, isomórficos. Ocorre nos
Distribuição: MINAS GERAIS: São Roque de Minas, campos rupestres da porção sul da Chapada Diamantina,
Serra da Canastra (20º11’S, 46º17’W). entre 1.000 e 1.600 m s.n.m., sobre solo arenoso e úmi-
Comentários: Subarbusto cespitoso e delicado, de 10 do, com muitas gramíneas. Encontrada com flores e fru-
a 40 cm de altura. Folhas sésseis, linear-subuladas, com tos entre janeiro e março. (Wurdack, 1983; Woodgyer &
indumento constituído por tricomas glandulares sésseis. Lughadha, 1995; Santos & Silva, 2005; Woodgyer, 2005)
Flores pentâmeras, púrpura, com estames dimórficos.
Ocorre em campos rupestres e campos hidromórficos.
Encontrada com flores de agosto a fevereiro e com frutos Microlicia suborbicularifolia Hoehne 3,4,1
Distribuição: BAHIA: Érico Cardoso, Água Quente Microlicia trichocalycina DC. 3,4,1
lo achatado, linear-lanceoladas, com indumento de tri- nervuras. Flores pentâmeras, com os dentes externos
comas glandulares sésseis. Flores pentâmeras, púrpura, do cálice cerca de duas vezes maiores que o hipanto, em
com estames dimórficos. Conhecida apenas pelo mate- cimeiras depauperadas, com brácteas linear-lanceoladas.
rial-tipo. (Cogniaux, 1883-1885) Conhecida apenas por uma coleta além do material-tipo.
Encontrada com frutos em julho. (Reginato, inéd.)
M icrolicia vernicosa (Gardner) [Link] &
Almeda3,4,1 Pleiochiton longipetiolatum Brade 9
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser- Distribuição: RIO DE JANEIRO: Santa Maria Madalena,
ra do Cipó (19º06’S, 43º41’W). Alto da República e Serra do Imbé (21º57’S, 42º00’W).
Comentários: Arbusto com cerca de 1 m de altura. Fo- Comentários: Arbusto epífito; ramos nodosos, glabres-
lhas sésseis, ovadas, glutinosas, com indumento de trico- centes. Folhas elíptico-lanceoladas, com 3 nervuras. Flo-
mas glandulares sésseis. Flores hexâmeras, púrpura, pe- res pentâmeras, com pétalas ovadas e anteras lineares, em
diceladas. Conhecida apenas pelo material-tipo. (Almeda cimeiras de glomérulos, com brácteas linear-lanceoladas.
& Martins, 2001) Conhecida por apenas uma coleta além do material-tipo,
a cerca de 1.100 e 1.500 m s.n.m., com botões em mar-
ço e flores em abril. (Reginato, inéd.)
Physeterostemon fiaschii Goldenb. & Amorim 8,1
Distribuição: BAHIA: Camamu (14º01’S, 39º08’W); Distribuição: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Ma-
Itacaré, fazenda Capitão (14º20’S, 39º05’W). caé de Cima (22º19’S, 42º34’W).
Comentários: Arbusto rizomatoso, de 20 a 40 cm de Comentários: Arbusto epífito; ramos nodosos, glabres-
altura; ramos estrigosos a híspidos. Folhas elípticas, elíp- centes. Folhas ovado-lanceoladas a elíptico-lanceoladas,
tico-lanceoladas a oblanceoladas, com 3 nervuras. Flores com 5 ou 7 nervuras. Flores pentâmeras, com pétalas
hexâmeras, com pétalas alvas e estames amarelos, subi- ovadas a oblongas e anteras falcadas, em cimeiras panicu-
somórficos, em inflorescências fasciculadas. Ocorre em ladas, com brácteas linear-lanceoladas. Coletada a cerca
áreas sombreadas próximas a córregos e riachos. Encon- de 1.100 m s.n.m., preferindo áreas bem preservadas,
trada com flores e frutos em novembro. (Goldenberg & sobretudo na proximidade de rios. Encontrada com flo-
Amorim, 2006) res entre julho e novembro e com frutos em abril e maio.
(Cogniaux, 1891; Reginato, inéd.)
Pleiochiton glaziovianum Cogn. 9
Comentários: Arbusto epífito; ramos nodosos, com tri- tâmeras, magenta, pediceladas, com hipanto glutinoso.
comas simples e esparsos. Folhas lanceoladas a elíptico- Ocorre em afloramentos rochosos, formando grandes
lanceoladas, com 5 nervuras. Flores pentâmeras, com populações. Encontrada com flores de setembro a abril
pétalas ovadas a oblongas e anteras falcadas, em cimeiras e com frutos de outubro a maio. (Romero & Martins,
de glomérulos, com brácteas ovadas. Coletada com flores 2003; Romero, inéd.)
em fevereiro e agosto. (Cogniaux, 1891; Reginato, inéd.)
Svitramia petiolata [Link] & [Link] 3
Distribuição: MINAS GERAIS: São Roque de Minas, Distribuição: MINAS GERAIS: Grão Mogol, Rio das
Parque Nacional da Serra da Canastra (20º12’S, 46º18’W). Mortes (16º34’S, 42º56’W).
Comentários: Arbusto de 30 cm a 1,5 m de altura. Comentários: Arbusto com até 2 m de altura, viscoso.
Folhas sésseis, eretas, coriáceas, glutinosas. Flores pen- Folhas elípticas, inteiras na margem, com 5 nervuras.
278 Melastomataceae
Flores pentâmeras, amarelas; ovário pentalocular. Ocor- Hoehne, F.C. 1922. Melastomatáceas. Anexos Mem. Inst.
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280
Meliaceae MELIACEAE
Alessandro Rapini
Meliaceae inclui cerca de 50 gêneros e 550 espécies e possui distribuição pantropical. Destaca-se especialmente pela
produção de madeiras de lei, como o mogno e o cedro, e algumas espécies utilizadas como ornamentais. No Brasil, são
registrados seis gêneros e 100 espécies (Souza & Lorenzi, 2008), três delas apontadas como raras.
Referências:
Trichilia discolor [Link].
Distribuição: PARÁ: localidade não indicada. Pennington, T.D. 1981. A monograph of Neotropical Melia-
Comentários: Ramos glabrescentes. Folhas opostas, im- ceae. Fl. Neotrop. Monogr. 28: 1-449.
paripinadas, glabras, com folíolos elípticos, glaucos aba- Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
xialmente. Flores em panículas supra-axilares paucifloras, ilustrado para identificação das famílias de fanerógmas
caracterizadas pela cabeça estilar nitidamente capitada. nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado no início Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
do séc. 19, sem indicação de coletor, nem localização pre-
cisa da coleta. (Pennington, 1981)
Molluginaceae MOLLUGINACEAE
281
Molluginaceae possui 11 gêneros e cerca de 90 espécies distribuídas nas regiões (sub)tropicais de ambos os hemisférios,
com centro primário de diversidade na África do Sul (Heywood et al., 2007). No Brasil, são registrados três gêneros
(Glischrothamnus, endêmico da caatinga nordestina; Giulietti et al., 2002) e cerca de 130 espécies (Souza & Lorenzi, 2008),
uma delas apontada como rara.
Glischrothamnus ulei Pilger Endress, M.E. & Bittrich, V. 1993. Molluginaceae. In K. Ku-
bitzki, J.B. Rhower & V. Bittrich (eds) The families and
Distribuição: BAHIA: Gentio do Ouro, Serra do Açuruá genera of vascular plants. Flowering plants – Dicotyle-
(11º25’S, 42º31’W); Santo Inácio (11º06’S, 42º43’W); dons. Berlin, Springer Verlag, vol. 2, p. 544-555.
Xique-Xique (10º49’S, 42º43’W). Giulietti, A.M., Harley, R.M., Queiroz, L.P., Barbosa,
Comentários: Arbusto ou subarbusto, dióico. Flores M.R.V., Neta, A.L.B. & Figueiredo, M.A. 2002. Espécies
com 2 tipos de sépalas, diferenciadas pela quantidade e endêmicas da Caatinga. In E.V.S.B. Sampaio, A.M. Giu-
localização de pontos glandulares, presentes em um mes- lietti, [Link]ínio & C.F.L. Gamarra-Rojas (eds) Vegetação
mo indivíduo. Ocorre na Caatinga. Encontrada com flo- e flora da caatinga. Recife, APNE/CNIP, p. 103-115.
res e frutos de fevereiro a julho. (Harley & Mayo, 1980;
Endress & Bittrich, 1993; Giulietti et al., 2002) Heywood, V.H., Brummit, R.K., Culham, A. & Seberg, O.
2007. Flowering plant families of the world. Ontario,
Firefly Books, 424p.
Referências: Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas
Harley, R.M. & Mayo. S.J. 1980. Towards a checklist of the nativas e exóticas no Brasil, baseado em APG II. 2a ed.
flora of Bahia. Kew, Royal Botanic Gardens, 250p. Nova Odessa, Editora Plantarum, 704p.
282
Monimiaceae MONIMIACEAE
1
Ariane Luna Peixoto, 2Inês da Silva Santos & 3Marcos Gonzalez
Árvores ou arbustos, monóicos ou dióicos, com células de óleo esféricas. Folhas opostas,
raramente ternadas, simples, inteiras ou denteadas, glabras ou pilosas, tricomas simples (espécies neotropicais) ou estre-
lados. Flores actinomorfas, monoclamídeas diclinas, raramente monoclinas, com receptáculo bem desenvolvido, subglo-
boso ou cupular, com 3 a 8 tépalas ou em caliptra; flores estaminadas com 1 a muitos estames livres, anteras deiscentes
por fendas; flores pistiladas com gineceu apocárpico, 1 a muitos carpelos uniovulados. Frutos múltiplos, com receptáculo
repando, expondo as drupéolas desde cedo ou fechado, acrescente até a maturação das drupéolas, abrindo-se então de
forma irregular, mesocarpo escasso, carnoso; sementes com testa membranácea.
Monimiaceae engloba 25 a 30 gêneros e cerca de 200 espécies. Está distribuída principalmente na América tropical, Madagas-
car e Oceania, com poucas espécies no oeste da Austrália e na Nova Zelândia e uma espécie no sul da África. No Brasil, ocor-
rem cinco gêneros: Hennecartia, Macrotorus e Grazielanthus são monotípicos, Macropeplus abrange quatro espécies e Mollinedia
Ruiz & Pav. cerca de 70. As espécies habitam, predominantemente, florestas úmidas, sendo a Mata Atlântica o bioma brasileiro
que concentra o maior número de espécies e também o maior número de táxons endêmicos. São apontadas oito espécies raras.
Grazielanthus arkeocarpus Peixoto & Pereira- te do Rio das Flores, em Nova Friburgo, provavelmente a
mesma população do material-tipo, coletado no séc. 19.
Moura 1
Sua distribuição é esparsa, tendo sido amostrado apenas
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Silva Jardim, Reserva um indivíduo em inventário realizado em uma parcela de 1
Biológica de Poço das Antas (22º34’S, 42º16’W). ha. Ocorre nas florestas altomontanas e campos de altitude
Comentários: Arbusto semi-escandente, de 2 a 4 m de da Serra do Mar, entre 1.000 e 2.150 m s.n.m. (Santos &
altura, dióico. Folhas opostas, nítidas, denteadas. Flores Peixoto, 2001; Gonzalez, inéd.)
com receptáculo urceolado. Receptáculo frutífero ex-
ternamente verde-amarelado e internamente alaranjado,
carnoso, abrindo-se irregularmente em 3 ou 4 partes
Macropeplus schwackeanus (Perkins) [Link] &
Peixoto1,2,3
na maturação dos frutíolos. Ocorre no sub-bosque de
florestas de baixada, sobre solos aluviais, alagadiços em Distribuição: MINAS GERAIS: Caparaó (20º31’S,
época de chuvas, na planície costeira central do estado do 41º54’W); Ouro Preto, Itacolomi (20º17’S, 43º28’W).
Rio de Janeiro. A população conhecida tem 21 indivíduos Comentários: Arvoreta de 3 a 7 m de altura. Folhas
adultos (reprodutivos) e diversos indivíduos jovens em opostas, glabras, denteadas, nítidas, cartáceas a subcori-
desenvolvimento. (Peixoto & Pereira Moura, 2008) áceas, verde-escuras, enegrescidas quando herborizadas.
Flores pequenas, alvas, em cimeiras trifloras simples.
Macropeplus friburgensis (Perkins) [Link] & Coletada principalmente em Ouro Preto, no final do
séc. 19, com uma coleta na Serra do Caparaó, em 1960.
Peixoto1,2,3
(Santos & Peixoto, 2001; Gonzalez, inéd.)
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Ma-
caé de Cima (22º21’S, 42º27’W); Teresópolis (22º24’S, Mollinedia corcovadensis Perkins 1
42º57’W).
Comentários: Árvore de 4 a 15 m de altura, folhas Distribuição: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro,
opostas, glabras, nítidas, cartáceas a subcoriáceas, den- Corcovado (22º54’S, 43º12’W); Teresópolis (22º24’S,
teadas. Flores pequenas, alvas, em cimeiras trifloras sim- 42º57’W).
ples. Várias coletas foram feitas nas últimas duas décadas, Comentários: Arvoreta ou árvore, com até 7 m de al-
todas oriundas de uma população estabelecida na nascen- tura. Folhas elípticas a oblongas, denteadas, papiráceas.
Monimiaceae 283
foi reencontrada na última década em trechos bem pre- Distribuição: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Macaé
servados de floresta entre 1.080 e 1.135 m s.n.m., em de Cima (22º21’S, 42º35’W).
Teresópolis, de onde provem três coletas representando
Comentários: Folhas oblongas, inteiras, glabrescentes
duas pequenas populações. (Peixoto, 2007)
adaxialmente e com pilosidade canescente e adpressa
abaxialmente, cartáceas. Inflorescências ramosas, em
Mollinedia eugeniifolia Perkins 1
tirsos com até 5 cm de comprimento, plurifloros, gri-
seo‑pilosos. Conhecida apenas pelo material-tipo, cole-
Distribuição: SANTA CATARINA: Blumenau (26º55’S,
tado por Glaziou em 1892. Apesar de esforços, não foi
49º03’W).
Comentários: Arbusto ou arvoreta. Folhas (ob)ovadas,
mais encontrada na região. (Peixoto, 1979; Peixoto &
inteiras ou parcialmente denteadas, glabrescentes. Flo- Pereira-Moura, 1996)
res pequenas, esverdeadas, em cimeiras trifloras simples.
Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado por Ule
no final do séc. 19, próximo ao ribeirão do Bom Retiro. Referências:
(Peixoto et al., 2001)
Gonzalez, M. Inéd. Distribuição geográfica conhecida e po-
Mollinedia glaziovii Perkins 1 tencial de Hennecartia omphalandra Poisson e Macropelus
ligustrinus (Tul.) Perkin. Dissertação de mestrado, Institu-
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Macaé to de Pesquisas Jadim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de
de Cima (22º16’S, 42º32’W); Petrópolis, Alto da Serra Janeiro, 2007.
(22º30’S, 43º10’W). Peixoto, A.L. 1979. Contribuição ao conhecimento da seção
Comentários: Árvore de 5 a 10 m de altura. Folhas ova- Exappendiculatae do gênero Mollinedia Ruiz & Pav. Rodri-
do-oblongas ou lanceoladas, inteiras, densamente rufas a guésia 50: 135-222.
ferrugíneo-pilosas abaxialmente, coriáceas. Flores flaves- Peixoto, A.L. 2007. Lista de espécies da Flora do Rio de Janei-
centes a ferrugineo-tomentosas, em inflorescências com ro: Monimiaceae. Disponível online em [Link]/jabot,
até 4 cm de comprimento. Coletada por Glaziou nas duas consultado em junho de 2007.
localidades, não tem sido mais encontrada em Petrópolis.
(Peixoto, 1979; Peixoto & Pereira-Moura, 1996) Peixoto, A.L. & Pereira-Moura, M.V.L. 1996. Monimiaceae.
In M.P.M. Lima & R.R. Guedes-Bruni (coords) Reserva
Ecológica de Macaé de Cima, Nova Friburgo, RJ – As-
Mollinedia longicuspidata Perkins 1 pectos florísticos das espécies vasculares. Rio de Janeiro,
Jardim Botânico do Rio de Janeiro, vol. 2, p. 300-331.
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Macaé
Peixoto, A.L. & Pereira-Moura, M.V.L. 2008. A new genus
de Cima (22º21’S, 42º35’W).
of Monimiaceae from the Atlantic coastal forest in Sou-
Comentários: Arbusto ou árvore, de 3 a 8 m de altura. Fo-
th-Eastern Brazil. Kew Bull. 63: 137-141.
lhas (obovado-)oblongas, inteiras ou com 1 ou 2 dentes in-
distintos, cuspidadas ou longamente acuminadas no ápice. Peixoto, A.L., Reitz, R. & Guimarães, E.F. 2001. Monimia-
Cimeiras trifloras simples, axilares, esparsamente pilosas. ceae. In A. Reis (ed.) Flora ilustrada catarinense. Itajaí,
Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado por Glaziou Herbário Barbosa Rodrigues, 64p.
no séc. 19. Ocorre na floresta pluvial atlântica montana, Santos, I.S. & Peixoto, A.L. 2001. Taxonomia do gênero
mas apesar de esforços não foi mais encontrada na região. Macropeplus Perkins (Monimiaceae, Monimioideae). Ro-
(Peixoto, 1979; Peixoto & Pereira-Moura, 1996) driguésia 52: 65-105.
284
Moraceae MORACEAE
Sergio Romaniuc Neto, Jorge P. P. Carauta, Marcelo D. M. Vianna Filho & Anderson F. P. Machado
Moraceae possui aproximadamente 1.100 espécies e 37 gêneros, a maioria dos gêneros pantropicais. Na região neotro-
pical, é constituída por 27 gêneros e cerca de 300 espécies. No Brasil, ocorrem 19 gêneros e cerca de 230 espécies com
distribuição predominante na região amazônica e na costa leste do país. São apontadas 17 espécies raras.
Distribuição: RORAIMA: Mucajaí, rio Mucajaí (02º25’N, Berg, C.C. 2001. Moreae, Artocarpae and Dorstenia (Mora-
ceae): with introductions to the family and Ficus and with
60º52’W). additions and corrections to Flora Neotropica monogra-
Comentários: Árvore com cerca de 7 m de altura; ra- ph n. 7. Fl. Neotrop. Monogr. 83: 1-220.
mos alvo-pubescentes. Folhas subovadas a oblongas. Si- Carauta, J.P.P. 1974a. Dorstenia conceptionis e Dorstenia sucrei
cônios de 6 a 10 mm de diâmetro, geminados na axila das (Moraceae), espécies novas do Estado de Espírito Santo.
folhas. (Vázquez-Ávila et al., 1984) Bol. Mus. Bot. Munic. 17: 1-4.
Carauta, J.P.P. 1974b. Dorstenia strangii (Moraceae), espécie
nova do Estado de Minas de Gerais. Bradea 42: 433-436.
Ficus ursina Standl. Carauta, J.P.P. 1978. Dorstenia L. (Moraceae) do Brasil e dos
países limítrofes. Rodriguésia 29(44): 5-233.
Distribuição: ACRE: Sena Madureira, rio Macauã
(09º13’S, 68º44’W). Carauta, J.P.P. 1986. Ficus (Moraceae) do Brasil: Conserva-
ção e taxonomia. Albertoa 2: 1-365.
Comentários: Árvore com cerca de 15 m de altura; ra-
Carauta, J.P.P. 1996. Moráceas do Estado do Rio de Janeiro.
mos fulvo-hirsutos. Folhas oblongo-lanceoladas, de 10 a Albertoa 4(13): 145-196.
18 cm de comprimento. Sicônios subsésseis, pubescen-
Neves, L.J. & Emygdio, L. 1992. Ficus carautiana n. sp. Bra-
tes, com indumento de tricomas avermelhados, gemina- dea 6(5): 37.
dos na axila das folhas. Conhecida apenas pelo material- Vázquez-Ávila, M; Berg, C.C. & Kooy, F. 1984 (1986). New
tipo, coletado na década de 1930. (Carauta, 1986) taxa of South American Ficus (Moraceae). Supl. Acta
Amazon. 14(1/2): 195-213.
Myristicaceae MYRISTICACEAE
287
Mysristicaceae tem distribuição pantropical, ocorrendo nas Américas, Ásia e África. Na América, o seu centro de diversi-
dade é na Amazônia Ocidental. Dos 18 gêneros e 400 espécies incluídos na família, cinco gêneros e 100 espécies são en-
dêmicos dos neotrópicos. No Brasil, ocorrem os gêneros Compsoneura, Iryanthera, Osteophloeum, Otoba e Virola, totalizando
cerca de 65 espécies, três delas apontadas com raras. Virola é o mais representativo e disperso no continente americano,
indo da Guatemala e Antilhas Menores à Bolívia e Brasil Meridional (Rio Grande do Sul) e da costa do Pacífico da Colôm-
bia e Equador à do Atlântico, no Brasil.
Myrsinaceae MYRSINACEAE
Myrsinaceae apresenta distribuição pantropical, com 49 gêneros e cerca de 1.500 espécies (Ståhl & Anderberg, 2004). No
Brasil, ocorrem os gêneros Anagallis (6 espécies), Ardisia (10), Cybianthus (48), Myrsine (34) e Stylogyne (25), somando cerca
de 100 espécies (Miquel, 1856; Mez, 1902; Taylor, 1955; Freitas & Kinoshita, 2005), quatro delas apontadas como raras.
Myrsine cipoensis [Link] & [Link] Comentários: Arbusto com cerca de 1,5 m de altura.
Flores esverdeadas, sem pontuações glandulares aparen-
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser- tes, em inflorescências racemosas reduzidas. Ocorre a
ra do Cipó (19º09’S, 43º36’W). cerca de 400 m s.n.m. Encontrada com flores em no-
Comentários: Arbusto com cerca de 70 cm de altura; vembro. (Mez, 1902; Carrijo & Freitas, 2008)
ramos contorcidos e lenhosos. Folhas congestas no ápi-
ce, com pontuações evidentes. Flores sésseis. Encontrada
com flores em dezembro. (Freitas & Kinoshita, 2005)
Referências:
Stylogyne lhotzkyana ([Link].) Mez Candolle, A. 1837. A review of the natural order Myrsine-
ae. Trans. Linn. Soc. London 12: 95-138.
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Cachoeiras de Ma-
cacu (22º27’S, 42º48’W). Carrijo, T.T. & Freitas, M.F. 2008. Stylogyne (Myrsinaceae)
Comentários: Arbusto com cerca de 1,5 m de altura. Flores no estado do Rio de Janeiro, Brasil. Rodriguésia 59(2):
amareladas, com pontuações lineares, brunas, em inflores- 343-360.
cências paniculadas, piramidais. Ocorre em mata de encosta, Freitas, M.F. & Kinoshita, L.S. 2005. Novas espécies de
sob pouca luminosidade. Encontrada com flores em outu-
Myrsine L. (Myrsinaceae) para o Brasil. Rodriguésia
bro. (Candolle, 1837; Mez, 1902; Carrijo & Freitas, 2008)
56(87): 67-72.
Stylogyne sellowiana Mez Mez, C. 1902. Myrsinaceae. In H.G.A. Engler (ed.) Das
Pflanzenreich. Berlin, Wilhelm Engelmann, vol. 9(IV,
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Gru- 236), p. 1-437.
mari (22º56’S, 43º17’W). Miquel, F.A.G. 1856. Myrsineae. In C.F.P. Martius, A.G.
Comentários: Arbusto de 1 a 1,5 m de altura. Flores Eichler, & I. Urban (eds) Flora brasiliensis. München,
alvas com pontuações vináceas, em inflorescências race- Typografia Regia, vol. 10, p. 269-338.
mosas reduzidas. Ocorre em mata de encosta, sob pouca
luminosidade, a cerca de 250 m s.n.m. Encontrada com Stahl, B. & Anderberg, A.A. 2004. Myrsinaceae. In K.
flores em novembro. (Mez, 1902; Carrijo & Freitas, 2008) Kubtski (ed.) The families and genera of vascular plants.
Flowering plants dicotyledons: Celastrales, Oxalidales,
Rosales, Cornales, Ericales. Berlin, Springer, vol. 4, p.
Stylogyne sordida Mez 266-281.
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Teresópolis, Serra Taylor, P. 1955. The genus Anagallis in tropical and South
dos Órgãos (22º26’S, 42º56’W). Africa. Kew Bull. 3:321-350.
Myrtaceae MYRTACEAE
289
Ligia S. Funch, Leslie R. Landrum, Marla Ibrahim U. de Oliveira, Carolyn E. B. Proença, Fiorella F.
Mazine & Alessandro Silva do Rosário (revisado por M. Sobral)
Arbustos ou árvores, com córtex geralmente esfoliante, glabras ou com tricomas sim-
ples ou dibraquiados, unicelulares, com numerosos canais oleíferos que aparecem como pontos translúcidos nas folhas,
flores, frutos e sementes. Folhas opostas, simples, inteiras, peninérveas, geralmente com nervura intramarginal. Panícu-
las, racemos ou dicásios. Flores alvas, raramente rosadas, actinomorfas, geralmente 4- ou 5-meras, monoclinas, freqüen-
temente com hipanto prolongado acima do ovário; cálice dialissépalo, às vezes formando caliptra ou opérculo; corola
dialipétala; androceu com numerosos estames vistosos, exsertos; ovário ínfero, 2- a 5-locular (raramente até 18 lóculos),
com parede glandular ou não, lóculos 2- ou pluriovulados. Frutos bacóides ou capsulares, com cor e textura diversas;
sementes 1 a várias, com testa fina a espessada.
Myrtaceae compreende cerca de 140 gêneros e entre 4.000 e 5.800 espécies (Wilson et al., 2001; Judd et al., 2002;
Heywood et al., 2007; Souza & Lorenzi, 2008), com dois centros principais de diversidade, a região paleotropical, espe-
cialmente Austrália, e a região neotropical. No Brasil, as Myrtaceae estão representadas por 25 gêneros da tribo Myrteae,
todas com frutos carnosos, distribuídas principalmente em Eugenia, Myrcia e Psidium. São apontadas 26 espécies raras.
to com protuberâncias verrucosas. Ocorre em restingas. Comentários: Árvore com cerca de 16 m de altura. Ra-
(Landrum, 2001) cemos com indumento flocoso e ferrugíneo. Conhecida
apenas por duas coletas. (Mazine, inéd.)
Campomanesia phaea ([Link]) Landrum
Marlierea ensiformis McVaugh
Distribuição: SÃO PAULO: São Paulo (23º33’S, 46º38’W).
RIO DE JANEIRO: Cambuci (21º34’S, 41º54’W). Distribuição: AMAZONAS: São Gabriel da Cachoeira,
Comentários: Árvore com até 10 m de altura. Frutos Serra da Neblina (00º40’N, 66º12’W).
ovóide-rombóides, comestíveis. O cambuci, que em Comentários: Árvore com cerca de 10 m de altura;
tupi-guarani significa “pote”, talvez esteja praticamente ramos glabros, levemente achatados, alargados pela pre-
extinto em seu habitat natural. (Landrum, 1986; Kawa- sença de alas que se estendem lateralmente, restritas à
saki & Landrum 1997) zona periférica. Flores em panículas pouco ramificadas,
terminais ou axilares nos 3 pares finais de folhas do ramo,
com raque achatada e lisa. Conhecida apenas pelo mate-
Campomanesia prosthecesepala Kiaersk. rial-tipo. (Rosário & Secco, 2006)
Distribuição: MINAS GERAIS: Rio Manso (20º16’S,
44º18’W). Marlierea sucrei [Link] & Peixoto
Comentários: Folhas coriáceas. Flores com hipanto pro-
longado, em dicásios. Conhecida apenas pelo material- Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Linhares, Reserva Na-
tipo, coletado por Glaziou no séc. 19. (Landrum, 1986) tural da CompanhiaVale do Rio Doce (19º23’S, 40º04’W).
Comentários: Árvore de 6 a 12 m de altura; catafilos
castanho-escuros. Folhas oblongas, grandes, discolores.
Eugenia blanda Sobral Botões florais abrindo-se em 5 lobos calicinais regulares.
Distribuição: MINAS GERAIS: Grão Mogol (16º33’S, (Barroso & Peixoto, 1990)
42º53’W).
Comentários: Arbusto com cerca de 1 m de altura.
Folhas ovadas a lanceoladas, com margens revolutas, to-
Myrceugenia brevipedicellata (Burret) [Link]
& Kausel
mentosas abaxialmente. Ocorre em campos rupestres e
cerrados. (Kawasaki, 2004) Distribuição: SÃO PAULO: Campos do Jordão
(22º44’S, 45º35’W).
Eugenia froesii McVaugh Comentários: Arbusto de 2 a 3 m de altura. Folhas (estrei-
to-)elípticas, de 2,5 a 5 cm de comprimento. Ocorre entre
Distribuição: PARÁ: Tucuruí, rio Tocantins (03º46’S, campos úmidos e florestas de araucária. (Landrum, 1981)
49º40’W).
Comentários: Arbusto de 1 a 3 m de altura. Flores de 2
a 5 pares em racemos. Floresce de agosto a novembro e
Myrceugenia foveolata ([Link]) Sobral
frutifica em dezembro. (Mazine, inéd.) Distribuição: RIO GRANDE DO SUL: Osório
(29º53’S, 50º16’W); Torres (29º20’S, 49º43’W); São
Eugenia grandifolia [Link] Francisco de Paula (29º27’S, 50º35’W); Cambará do Sul
(29º02’S, 50º08’W). SANTA CATARINA: Praia Gran-
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro de, Aparados da Serra (29º12’S, 49º57’W).
(22º54’S, 43º12’W). Comentários: Arbusto de 1 a 3 m de altura. Folhas elíp-
Comentários: Arbusto. Folhas brevipecioladas, corda- ticas, de 1 a 3,5 cm de comprimento. (Sobral, 1985)
das. Conhecida apenas por duas coletas. (Mazine, inéd.)
Myrceugenia hatschbachii Landrum
Eugenia villanovae Kiaersk. Distribuição: PARANÁ: Lapa, Gruta do Monge
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro (25º46’S, 49º42’W); Ponta Grossa/Palmeira, rio Tibagi
(22º54’S, 43º12’W). (25º20’S, 49º50’W).
Myrtaceae 291
Comentários: Arbusto com cerca de 1 m de altura. Fo- cambira (17º03’S, 43º18’W); São Gonçalo do Rio Preto
lhas estreito-elípticas a oblanceoladas. Ocorre em áreas (18º00’S, 43º23’W).
rochosas. (Landrum, 1981) Comentários: Arbusto de 0,5 a 1,5 m de altura. Folhas
sésseis, cordatas. Ocorre nos campos cerrados e campos
Myrceugenia smithii Landrum rupestres da Cadeia do Espinhaço. (Sobral, 2005)
Judd, W.S., Campbell, C.S., Kellog, E.A., Stevens, P.F. & Mazine, F.F. Inéd. Estudos Taxonômicos em Eugenia L., com
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ceae), a new species from Bahia, Brazil. Sida 22(2): 927-929. lial groups. Am. J. Bot. 88: 2013-2025.
Ochnaceae OCHNACEAE
293
Arbustos, árvores, ou raramente ervas. Folhas alternas, simples, raramente pinadas, ge-
ralmente serreadas na margem, às vezes ciliadas, com estípulas. Flores actinomorfas ou zigomorfas, pentâmeras (ocasio-
nalmente 4- ou 3-meras), monoclinas, isostêmones (ocasionalmente diplo- ou polistêmones), hipóginas; sépalas livres
ou às vezes conatas; pétalas livres, amarelas, alvas ou róseas; androceu com estames livres, freqüentemente com 1 ou 2
verticilos de estaminódios livres ou soldados formando uma corona; ovário com 2 a 10 carpelos uni- a pluriovulados, de
placentação axilar, ereta ou parietal. Cápsulas ou frutos drupáceos.
Ochnaceae possui distribuição pantropical, com 27 gêneros e cerca de 500 espécies, a maior parte na América do Sul
(Amaral, 1991). Tem sido tradicionalmente subdividida em duas subfamílias: Ochnoideae, sem estaminódios, e Sauvage-
sioideae, com estaminódios em diversos gêneros (Amaral & Bittrich, 1998). A maior parte dos gêneros é monotípica ou
possui de 2 a 40 espécies; Ouratea, com cerca de 250 espécies, é o gênero mais diverso (Yamamoto, inéd.). No Brasil,
estima-se que ocorram 13 gêneros e cerca de 120 espécies (Souza & Lorenzi, 2008), as quais estão distribuídas principal-
mente em áreas de cerrado ou nos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, mas podendo ser encontradas também nos
domínios da Mata Atlântica e da Amazônia. São apontadas 19 espécies raras.
Elvasia capixaba Fraga & Saavedra Comentários: Árvore com cerca de 9 m de altura. Flores
com pétalas alvas, as únicas no gênero com essa colora-
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Santa Teresa, Estação ção. Ocorre em um fragmento de floresta atlântica mon-
Biológica Santa Lúcia (19º57’S, 40º31’W). tana, a cerca de 1.030 m s.n.m. Encontradas com flores e
Comentários: Árvore com cerca de 13 m de altura. Flo- frutos em junho e agosto. (Fraga & Saavedra, 2006)
res com 5 pétalas amarelas e 7 estames. Ocorre em um
fragmento de floresta atlântica, a cerca de 750 m s.n.m.
Encontrada com flores em agosto e com frutos em feve-
Luxemburgia ciliatibracteata Sastre
reiro. (Fraga & Saavedra, 2006) Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser-
ra do Cipó (19º15’S, 43º33’W); Serro, Pico do Itambé
Elvasia gigantifolia Fraga & Saavedra (18º35’S, 43º23’W).
Comentários: Arbusto de 0,5 a 1 m de altura. Brácteas
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Cariacica, Reserva e bractéolas elípticas, distintamente ciliadas. Apesar do
Biológica Estadual Duas Bocas (20º16’S, 40º28’W). material-tipo ser do Pico do Itambé, as coletas recentes
Comentários: Árvore com cerca de 10 m de altura. Fo- estão restritas aos campos rupestres da Serra do Cipó.
lhas com mais de 24 cm de comprimento, as maiores do Floresce de outubro a fevereiro e frutifica de dezembro a
gênero. Ocorre em um fragmento de floresta atlântica. abril. (Sastre, 1981; Feres, inéd.)
Encontrada com flores em dezembro e com frutos em
maio. (Fraga & Saavedra, 2006)
Luxemburgia corymbosa [Link].-Hil.
Elvasia kollmannii Fraga & Saavedra Distribuição: MINAS GERAIS: Catas Altas, Serra do
Caraça (20º04’S, 43º29’W).
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Santa Teresa, cabe- Comentários: Arbusto de 2 a 3 m de altura. Folhas sésseis.
ceira do rio Bonito (19º57’S, 40º31’W). De 3 a 4 flores em inflorescências congestas. Conhecida
294 Ochnaceae
Comentários: Arbusto com cerca de 2 m de altura. Fo- sépalas, característica marcante da espécie. Conhecida
lhas oblongo-lanceoladas, de 20 a 30 cm de comprimen- apenas de uma população reduzida, nos afloramentos
to. Flores com pétalas amarelas e gineceu com carpófo- rochosos dos campos rupestres da Chapada Diamantina.
ro de cerca de 2 cm de comprimento. Ocorre na mata Encontrada com flores e frutos em janeiro, fevereiro e
costeira da região sul da Bahia. Encontrada apenas com setembro. (Harley et al., 2005)
flores em janeiro. (Sastre, 1981)
Sauvagesia ribeiroi Harley & Giul.
Ouratea platicaulis Sastre
Distribuição: BAHIA: Barra da Estiva, Morro do Ouro
Distribuição: BAHIA: Maraú (14º14’S, 39º00’W). (13º42’S, 41º18’W); Mucugê, Serra do Gobira (13º04’S,
Comentários: Arbusto de 2 a 3 m de altura; ramos e pe- 41º22’W).
cíolo distintamente achatados. Folhas oblongo-obovadas, Comentários: Arbusto ereto de 60 cm a 1 m de altura.
de 13 a 19 cm de comprimento, revolutas na margem Folhas aciculares, com margem ligeiramente crenada e
e denticuladas, coriáceas. Flores com pétalas amarelas e com glândulas. Ocorre nos campos gerais e campos ru-
gineceu subséssil. Ocorre na restinga arbustiva da região pestres das porções central e sul da Chapada Diamantina,
sul da Bahia. Encontrada com flores em fevereiro e com sobre solo arenoso temporariamente inundado. Encon-
frutos em julho. (Sastre, 1981) trada com flores e frutos em janeiro, fevereiro, agosto e
setembro. (Harley et al., 2005)
Sauvagesia lanceolata Sastre
Distribuição: GOIÁS: Alto Paraíso de Goiás, Parque Referências:
Nacional Chapada dos Veadeiros (14º08’S, 47º47’W).
Comentários: Erva ereta com cerca de 25 cm de altura. Amaral, M.C.E. 1991. Phylogenetische Systematik der
Folhas pequenas, sésseis, lanceoladas. Ocorre em campos Ochnaceae. Bot. Jahrb. Syst. 113: 105-196.
rupestres, sobre solo areno-pedregoso. Encontradas com Amaral, M.C.E. & Bittrich, V. 1998. Ontogenia inicial do
flores e frutos em novembro. (Sastre, 1997) androceu de espécies de Ochnaceae subfam. Sauvage-
sioideae através da análise em microscopia eletrônica de
Sauvagesia nitida Zappi & [Link] varredura. Revta Brasil. Bot. 21: 269-273.
Feres, F. Inéd. O gênero Luxemburgia [Link].-Hil. (Ochnace-
Distribuição: BAHIA:Abaíra, Catolés (13º16’S, 41º53’W); ae) – Revisão taxonômica e estudo cladístico. Disserta-
Mucugê, Serra do Esbarrancado (12º45’S, 41º30’W); Rio ção de Mestrado, Universidade Estadual de Campinas,
de Contas (13º28’S, 41º45’W). Campinas, 2001.
Comentários: Arbusto ou arvoreta, com até 2,5 m de Fraga, C.N. & Saavedra, M.M. 2006. Three new species of El-
altura. Folhas coriáceas, distintamente brilhantes, con- vasia (Ochnaceae) from the Brazilian Atlantic forest, with an
centradas no ápice dos râmulos. Flores com pétalas alvas emended key for subgenus Hostmannia. Novon 16: 483-489.
e estaminódios róseos. Ocorre nos campos rupestres das Fraga, C.N. & Feres, F. 2007. Luxemburgia mysteriosa (Ochna-
porções central e sul da Chapada Diamantina. Encontra- ceae), a new species from the Atlantic rain forest of Es-
da com flores entre maio e janeiro e com frutos entre pírito Santo, Brazil. Harvard Pap. Bot. 12(2): 405-408.
julho e setembro. (Zappi & Lucas, 2002) Harley, R.M., Giulietti, A.M. & Leite, K.R.B. 2005. Two
new species and a new record of Sauvagesia (Ochnaceae)
Sauvagesia oliveirae Harley & Giul. in the Chapada Diamantina of Bahia, Brazil. Kew Bull.
60: 571-580.
Distribuição: BAHIA: Mucugê, Serra do Gobira Sastre, C. 1981. Ochnacées nouvelles du Brésil. Bull. Jard.
(13º04’S, 41º22’W). Bot. Belg. 51: 397-413.
Comentários: Arbusto ereto com cerca de 1 m de al- Sastre, C. 1997. Uma espécie nova de Sauvagesia L. (Ochna-
tura. Folhas aciculares, com menos de 5 mm de com- ceae) do campo rupestre do Estado de Goiás. Bol. Bot.
primento, e com glândulas transparentes na margem das Univ. São Paulo 16: 71-73.
296 Ochnaceae
Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia Yamamoto, K., Chacon, R.G., Proença, C., Cavalcanti, T.B.
ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas & Graciano-Ribeiro, D. 2008. A distinctive new species
nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed. of Ouratea (Ochnaceae) from the Jalapão region, Tocan-
Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p. tins, Brazil. Novon 18: 397-404.
Yamamoto, K. 1995. Ouratea hatschbachii (Ochnaceae), uma Zappi, D.C. & Lucas, E. 2002. Sauvagesia nitida Zappi & E.
nova espécie de Grão Mogol, Estado de Minas Gerais, Lucas (Ochnaceae) – a new species from Catolés, Bahia,
Brasil. Bol. Bot. Univ. São Paulo 14: 33-37. NE Brazil, and notes on Sauvagesia in Bahia & Minas Ge-
Yamamoto, K. Inéd. Estudos taxonômicos sobre Ouratea rais. Kew Bull. 57: 711-717.
parviflora (DC.) Baill. (Ochnaceae) e espécies afins ocor-
rentes em Floresta Atlântica nas regiões Sudeste e Sul
do Brasil. Tese de doutorado, Universidade Estadual de
Campinas, Campinas, 1995.
Olacaceae OLACACEAE
297
Alessandro Rapini
Olacaceae inclui 24 gêneros (o gênero Schoepfia foi segregado em uma família à parte) e aproximadamente 150 espécies e
possui distribuição pantropical, geralmente em florestas e cerrados. No Brasil, ocorrem 12 gêneros e cerca de 60 espécies,
a maior diversidade concentrada na Amazônia (Souza & Lorenzi, 2008). Foram indicadas duas espécies raras.
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Serra Sleumer, H.O. 1984. Olacaceae. Fl. Neotrop. Monogr. 38:
de Macaé (22º19’S, 42º34’W). 1-159.
Comentários: Árvore; ramos delgados, estriados. Fo- Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica sistemática: guia
lhas oblongo-elípticas, glabras, rugulosas. Flores papilo- ilustrado para identificação das famílias de fanerógmas
sas externamente, em fascículos. Conhecida apenas pelo nativas e exóticas no Brasil, baseado na APG II. 2a ed.
material-tipo, coletado no séc. 19. (Sleumer, 1984) Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704p.
Oleaceae OLEACEAE
Árvores principalmente. Folhas opostas, simples ou compostas, sem estípulas. Flores acti
nomorfas, geralmente tetrâmeras, diclamídeas e monoclinas, hipóginas; corola gamopétala; androceu com 2 estames (menos
comumente 4) epipétalos; ovário bilocular, geralmente com 2 óvulos por lóculo. Frutos geralmente drupas com 1 semente.
Oleaceae tem distribuição cosmopolita, incluindo entre 22 e 23 gêneros e mais de 400 espécies (Green, 2004). Três gêne-
ros são nativos no Brasil: Chionanthus, com cerca de 60 espécies, das quais 10 no Brasil (três delas indicadas como raras),
Menodora, com uma espécie na Região Sul, e Priogymnanthus, com uma espécie no Brasil Central; Jasminum fluminense Vell.,
nativa da África, foi descrita para o Brasil e é aqui espontânea (Green, 1969, 1994, 2004).
Chionanthus greenii Lombardi Green, P.S. 1969. Studies in the genus Jasminum L.: 4. The
so-called New World species. Kew Bull. 23: 273-275.
Distribuição: MINAS GERAIS: São Gonçalo do Rio
Abaixo, Estação Ambiental de Peti/CEMIG (19º53’S, Green, P.S. 1994. A revision of Chionanthus (Oleaceae) in S.
America and the description of Priogymnanthus, gen. nov.
43º22’W). Kew Bull. 49: 261-286.
Comentários: Arvoreta com cerca de 4 m de altura. Green, P.S. 2004. Oleaceae. In J.W. Kadereit (ed.) The
Flores pequenas, creme, em inflorescências congestas. families and genera of vascular plants. Berlin, Springer
Coletada uma única vez e conhecida por um único indi- Verlag, vol. 7, p. 296-306.
víduo, o qual, apesar de florescer dois anos consecutivos Lombardi, J.A. 2006. Chionanthus greenii (Oleaceae), a new
em julho, não produziu frutos. (Lombardi, 2006) species from Minas Gerais, Brazil. Kew Bull. 61: 179-182.
Orchidaceae ORCHIDACEAE
299
Cássio van den Berg, Fábio de Barros, Rodrigo B. Singer, Cecília O. Azevedo, Guy R. Chiron, Eric C.
Smidt, Wellington Forster, Leonardo P. Felix, Geórgia R. G. Figueirêdo & Silvana H. N. Monteiro
Orchidaceae possui distribuição cosmopolita, porém predominantemente tropical, com cerca de 800 gêneros e 25.000
espécies (Dresssler, 1993). No Brasil, ocorrem cerca de 2.650 espécies (cerca de 1.800 endêmicas, 72 delas raras) e 205
gêneros (cerca de 35 endêmicos; Giulietti et al., 2005). A riqueza de espécies de Orchidaceae no Brasil se concentra so-
bretudo na Mata Atlântica (>50%), e secundariamente nos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço.
Acianthera adiri (Brade) Pridgeon & Adamantinia miltonioides Van den Berg &
[Link] [Link]ç.
Distribuição: PARANÁ: Curitiba (25º25’S, 49º15’W). Distribuição: BAHIA: Mucugê, Serra do Sincorá
Comentários: Epífita reptante, com cerca de 6 cm de al- (12º59’S, 41º25’W)
tura. Rizoma de 1 a 1,2 cm de comprimento, entre rami- Comentários: Epífita. Pseudobulbos ovóides a cilíndri-
caules; bainhas do rizoma e do ramicaule híspidas. Folhas cos, arroxeados, unifoliados (raramente bifoliados). In-
lanceoladas, de 2,5 a 3 cm de comprimento. Racemo suce- florescências longas, terminais aos pseudobulbos. Flores
dâneo, mais curto que a folha. Flores de 5 a 6 mm de com- róseas, produzidas sucessivamente. É a única espécie de
primento; sépalas laterais unidas entre si; labelo trilobado, um gênero recentemente descrito. Conhecida apenas
com os lobos laterais estreitamente oblongo-lineares, ci- pelo material-tipo, coletado na Chapada Diamantina, a
liados, e o central ovado, lacerado-ciliado. (Brade, 1946) cerca de 1.300 m s.n.m. (van den Berg & Gonçalves,
2004; van den Berg & Azevedo, 2005)
Acianthera murexoidea (Pabst) Pridgeon & Anathallis githaginea (Pabst & Garay) Pridgeon
[Link]
& [Link]
Distribuição: SANTA CATARINA: Palhoça (27º38’S,
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Serra
48º40’W); São José (27º38’S, 48º39’W).
da Carioca (22º56’S, 43º14’W).
Comentários: Epífita reptante, de 6 a 8 cm de altura. Comentários: Epífita cespitosa, de 5 a 7 cm de altura.
Rizoma de 2,5 a 3 cm compr, entre ramicaules; bainhas Bainhas do ramicaule hispídulas. Folhas lanceoladas, de 4
do ramicaule hispídulas. Folhas oblongas, de 3 a 4 cm a 6 cm de comprimento, longamente atenuadas na base.
de comprimento, atenuadas na base. Racemo geralmente Inflorescências, em Racemos sucedâneos, 2 ou 3 por fo-
mais curto que a folha. Flores com cerca de 5,5 mm de lha, densamente multifloros, mais curtos que as folhas.
comprimento; sépalas laterais unidas entre si até cerca da Flores com cerca de 3 mm de comprimento; sépalas late-
metade; labelo ungüiculado, trilobado, com os lobos la- rais livres entre si; labelo da corola com âmbito oblongo,
terais estreito-triangulares e o central sagitado, setáceo- subtrilobado, bipaelolada na base, região central ciliolada
piloso na margem e adaxialmente. Conhecida apenas por e a distal papilosa. Conhecida apenas pelo material-tipo,
duas coletas. (Pabst, 1956) coletado na Mata Atlântica. (Pabst, 1956)
300 Orchidaceae
Baptistonia leinigii (Pabst) [Link] & Chiron rescência longa, paniculada. Flores com cerca de 2 cm
de diâmetro, castanhas, com base amarela e coluna alva.
Distribuição: PARANÁ: Ortigueira, Serra do Mulato (Chiron & Castro Neto, 2004a, 2006)
(23º59’S, 51º06’W)
Comentários: Epífita com até 30 cm de altura. Pseudo-
bulbos fusiformes, alongados, bifoliados. Inflorescência Barbosella macaheensis (Cogn.) Luer
longa. Flores com cerca de 3 cm de diâmetro, numero-
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Alto
sas, amarelas ou amarelo-esverdeadas com manchas cas-
Macaé (22º23’S, 41º47’W).
tanhas. (Chiron & Castro Neto, 2004a, 2006)
Comentários: Epífita reptante, pequena. Rizoma de 2
a 4 mm entre ramicaules. Folhas elíptico-obovadas, de
Baptistonia pabstii (Campacci & [Link]) 1,5 a 2,5 cm de comprimento e de 3 a 4 mm de largura.
[Link] & Chiron Flores membranáceas, com cerca de 6,5 mm de com-
primento, solitárias em um pedúnculo de 2,5 a 3,5 cm
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Casimiro de Abreu,
de comprimento; labelo inteiro, obovado-panduriforme.
Serra dos Orgãos (22º25’S, 42º14’W).
Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado por Gla-
Comentários: Epífita com até 25 cm de altura. Pseudo-
ziou, no final do séc. 19. (Cogniaux, 1907; Luer, 2000a)
bulbos fusiformes, alongados, bifoliados. Inflorescência
longa, paniculada. Flores com cerca de 1,5 cm de diâme-
tro, numerosas, castanhas com manchas amarelas. (Chi- Barbosella spiritu-sanctensis (Pabst) [Link] &
ron & Castro Neto, 2004a, 2006) Toscano
Baptistonia pulchella (Regel) Chiron & Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Domingos Martins,
Pedra Azul (20º19’S, 40º37’W).
[Link]
Comentários: Epífita reptante de pequeno porte. Ri-
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Serra zoma de 1 a 4 mm de comprimento entre ramicaules.
dos Órgãos (22º20’S, 42º20’W). Folhas prostradas, elípticas a suborbiculares, de 3 a 4
Comentários: Epífita com até 10 cm de altura. Pseudo- mm de comprimento e de 2 a 4 mm de largura. Flores
bulbos fusiformes, alongados, unifoliados. Inflorescência membranáceas, com cerca de 6,5 mm de comprimento,
pendente, curta. Flores com cerca de 1,5 cm de diâme- solitárias sobre um pedúnculo de 1,5 a 1,8 cm de com-
tro, alvas com manchas púrpura. (Chiron & Castro Neto, primento; labelo trilobado, com âmbito ovado. Ocorre
2004a, 2006)
em florestas. (Pabst, 1975; Luer, 2000a)
Cattleya alaorii (Brieger & Bicalho)Van den Berg Distribuição: MINAS GERAIS: Conceição do Mato
Dentro, Parque Estadual de Cachoeira do Campo
Distribuição: BAHIA: Arataca (15º15’S, 39º24’W); (19º04’S, 43º34’W).
Buerarema (14º57’S, 39º18’W); Santa Luzia (15º26’S, Comentários: Rupícola pequena. Pseudobulbos ovói-
39º20’W). des, com uma única folha crassa. Inflorescência 1- ou
Comentários: Epífita de pequeno porte. Pseudobulbos 2-flora, com escapo pendente. Flores com sépalas e pé-
pequenos, cilíndricos, com uma única folha. Flores rosa- talas róseas, o labelo destacadamente mais claro. Ocorre
claras a salmão, com labelo muito carnoso (diferente do em paredões rochosos extremamente úmidos, nas proxi-
restante do gênero), sem espata, geralmente solitárias, midades da Cachoeira do Tabuleiro. (Mota et al., 2004;
raramente 2. Ocorre em florestas nebulares, entre 700 e van den Berg & Chase, 2005)
900 m s.n.m., no complexo de Serras da Arataca. (Brie-
ger & Bicalho, 1976; van den Berg & Chase, 2000)
Cattleya pfisteri (Pabst & Senghas)Van den Berg
Cattleya brevipedunculata (Fowlie) Van den Berg Distribuição: BAHIA: Barra da Estiva, Morro do Ouro
(13º42’S, 41º18’W); Palmeiras, Cachoeira da Fumaça
Distribuição: MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Ser- (12º36’S, 41º27’W).
ra do Cipó (19º17’S, 43º34’W). Comentários: Ocorre em campos gerais e campos ru-
Comentários: Epífita pequena, exclusivamente sobre pestres com afloramento rochoso, entre 1.100 e 1.300
velózias. Pseudobulbos pequenos, ovóide-esféricos, com m s.n.m., na Chapada Diamantina. Encontrada com
uma pequena folha crassa. Flores vermelho-escuras, 1 ou flores em outubro e novembro. (van den Berg & Chase,
2 por inflorescência. (Fowlie, 1972, 1987) 2000; van den Berg & Azevedo, 2005)
Cattleya dormaniana (Rchb.f.) Rchb.f. C attleya praestans (Linden & Rchb.f.) Van den
Berg
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo
(22º25’S, 42º21’W); Silva Jardim (22º39’S, 42º22’W). Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Santa Leopoldina
Comentários: Epífita de 25 a 30 cm de altura. Pseudo- (20º06’S, 40º31’W).
bulbos cilíndricos, bifoliolados. Flores nascendo no ápice Comentários: Epífita pequena. Pseudobulbos cilíndri-
dos pseudobulbos, dentro de uma espata estreita; pétalas cos, com uma única folha. Inflorescência sem espata, 1-
verde-oliva a marrom-oliva, o labelo magenta. Crescem ou 2-flora. Flores com sépalas e pétalas rosa-claras, o la-
em um único forófito, nos paredões rochosos da Serra belo mais escuro. Ocorre em florestas úmidas. (Bicalho,
dos Órgãos. (Fowlie, 1977; van den Berg, inéd.) 1976; van den Berg & Chase, 2000)
Orchidaceae 303
Cattleya sincorana (Schltr.) Van den Berg tamente caudadas, pubescentes internamente, e pétalas
oblongas, pubérulas, com um lóbulo voltado para baixo
Distribuição: BAHIA: Palmeiras (12º27’S, 41º28’W); Mu- próximo ao ápice. (Pabst, 1973a; Luer, 2000b)
cugê (12º59’S, 41º25’W); Ibicoara, (13º24’S, 41º17’W).
Comentários: Epífita sobre velózia ou rupícola, verdes
ou tingidas de púrpura. Pseudobulbos subovóides a esfé-
Dryadella gomes-ferreirae (Pabst) Luer
ricos, com uma única folha. Inflorescência terminal, sem Distribuição: PERNAMBUCO: localidade não indicada.
espata, 1- ou 2-flora. Flores róseas, com o labelo mais Comentários: Epífita cespitosa, de 3,5 a 4 cm de altu-
escuro. Ocorre nos campos rupestres da porção sul da ra, uma das menores do gênero. Inflorescência uniflora,
Serra do Sincorá, incluindo o Parque Nacional da Cha- sobre pedúnculo de 1 a 2 mm de comprimento. Flores
pada Diamantina, a cerca de 1.100 m s.n.m. Encontrada avermelhadas; sépalas curto-caudadas; labelo longamen-
com flores em novembro. (van den Berg & Chase. 2000; te ungüiculado. Conhecida apenas pelo material-tipo.
van den Berg & Azevedo, 2005) (Pabst, 1975; Luer, 2000b)
mento. Fascículo, 1- ou 2-flora. Flores com cerca de 6 Comentários: Rupícola grande. Pseudobulbos ovóides.
mm de diâmetro; sépalas e pétalas com ápice acuminado, Inflorescências terminais multifloras. Flores verde-ama-
as sépalas laterais coalescentes entre si até próximo ao reladas, sobre um tubo em forma de um cartucho for-
ápice, o labelo trilobado, com lobos laterais semicircu- mado pelo pecíolo, no ápice do pseudobulbo. (Ruschi,
lares e o central elíptico-oblongo ligeiramente ondula- 1946; Barros, 1994)
do. Conhecida apenas pelo material-tipo, ilustrado por
Barbosa-Rodrigues sob o binômio Octomeria pusilla Barb.
Rodr. (Sprunger, 1996; não Octomeria pusilla Lindl.).
Pseudolaelia maquijensis [Link]
Ocorre provavelmente em floresta ombrófila. (Barbosa- Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Baixo Guandu
Rodrigues, 1882; Sprunger, 1996; Forster, inéd.) (19º29’S, 40º38’W); Colatina (19º32’S, 40º37’W).
Comentários: Rupícola relativamente pequena. Pseu-
Octomeria multiflora [Link]. dobulbos ovóides, com várias folhas terminais. Inflo-
rescências longas, multifloras. Flores verde-amareladas,
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Serra amarelo mais intenso no labelo. Ocorre sobre rocha ex-
de Santana (22º30’S, 42º35’W). posta, em uma área de cerca de 1 ha. (Frey, 2005b)
Comentários: Epífita cespitosa, com cerca de 19 cm de
altura. Folhas linear-lanceoladas, com cerca de 8,5 cm de
comprimento. Fascículo com 6 ou mais flores simultâneas.
Pseudolaelia pavopolitana [Link]
Flores com cerca de 6 mm de diâmetro; sépalas e pétalas Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Vila Pavão (18º39’S,
com ápice acuminado, o labelo trilobado, com lobos late- 40º33’W)
rais semicirculares e o central com âmbito ovado, trunca- Comentários: Rupícola. Pseudobulbos ovóides, com vá-
do e apiculado no ápice, tenuemente crenado. Conhecida rias folhas terminais. Inflorescências longas, multifloras,
apenas pelo material-tipo, ilustrado por Barbosa-Rodri- com floração sucessiva. Flores verde-amareladas, com o
gues (1882; reproduzida em Sprunger, 1996). Ocorre labelo avermelhado na margem. Ocorre em penhascos
provavelmente em floresta ombrófila. (Forster, inéd.) de rocha exposta, em apenas dois locais, a menos de 5 km
de distância e restrita a uma área diminuta em cada um
Phymatidium geiselii Ruschi deles. (Frey, 2005a)
Comentários: Epífita cespitosa, de 3,5 a 5,5 cm de altu- Comentários: Epífita reptante. Rizoma relativamen-
ra. Bainhas do ramicaule lepantiformes. Folhas oblongas, te longo, com cerca de 1 cm entre pseudobulbos; ra-
de 1,5 a 2 cm de comprimento. Inflorescência fractifle- micaule curto, de 4 a 5 mm de comprimento. Folhas
xa, mais longa que a folha. Flores com cerca de 5,5 cm linear-lanceoladas, de 1 a 1,5 cm de comprimento. In-
de comprimento; sépalas laterais coalescentes até cerca florescência fractiflexa. Flores com cerca de 5 mm de
de ¾ do comprimento; labelo linear, estreito, com base comprimento; labelo caracteristicamente subtrilobado,
ungüiculada. Conhecida apenas pelo material-tipo, cole-
oblongo, levemente convexo. Conhecida apenas pelo
tado em floresta Atlântica. (Pabst, 1956)
material-tipo, coletado na Mata Atlântica. (Pabst, 1975;
Pabst & Dungs, 1975)
Specklinia castellensis (Brade) Luer
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Castelo (20º36’S, Specklinia heliconiscapa (Hoehne) Luer
41º12’W).
Comentários: Epífita cespitosa, de 4 a 6 cm de altura. Distribuição: SÃO PAULO: Campo Grande (23º58’S,
Bainhas do ramicaule infundibuladas, curtas. Folhas obo- 46º21’W).
vadas, de 2,5 a 3 cm de comprimento, longo-atenuadas Comentários: Epífita cespitosa, de 7 a 14 cm de altura.
na base. Inflorescência uniflora, mais curta que a folha. Bainhas híspidas. Folhas oblongo-lineares. Inflorescência
Flores de 1 a 1,3 cm de comprimento; sépalas laterais sucedânea, fractiflexa, muitas vezes aos pares ou trios na
coalescentes quase até o ápice; labelo de âmbito espatu- axila das folhas; brácteas hispídulas. Flores amareladas
lado, com duas carenas longitudinais, granulo-papiloso com riscos avermelhados, de 4 a 5 mm de comprimen-
na porção apical. Conhecida apenas pelo material-tipo, to; labelo com lobos laterais filiforme-falcados e lobo
coletado na Mata Atlântica. (Pabst, 1956) central denticulado na margem. Conhecida apenas pelo
material-tipo, coletado em 1916. (Hoehne, 1929)
Specklinia fluminensis (Pabst) Luer
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Ma-
Specklinia leucosepala (Loefgr.) Luer
caé de Cima (22º16’S, 42º32’W). Distribuição: SÃO PAULO: Guaratinguetá (22o49’S,
Comentários: Epífita cespitosa, com cerca de 5 cm de 45o13’W).
altura. Folhas lineares. Inflorescência uniflora. Flores Comentários: Epífita cespitosa, com cerca de 4,5 cm de
com cerca de 3,5 mm de comprimento; sépalas laterais
altura. Folhas obovadas a elípticas. Inflorescência uniflo-
coalescentes; labelo obscuramente trilobado, reflexo,
ra, mais longa que a folha. Flores alvas, com cerca de 1
com lobos laterais pequenos e o central sub-retangular.
Ocorre em floresta ombrófila. (Pabst, 1973a) cm de comprimento; sépalas laterais coalescentes, com
mento basal desenvolvido; labelo inteiro, com âmbito
oblongo, um pouco alargado transversalmente na região
Specklinia garayi (Pabst) Luer central. Conhecida apenas pelo material-tipo, coletado
em floresta. (Löfgren, 1917)
Distribuição: ESPÍRITO SANTO: Morro Forno Gran-
de (20º31’S, 41º06’W).
Comentários: Epífita cespitosa, de 4 a 6 cm de altura. Specklinia miniatolineolata (Hoehne) [Link]
Folhas lineares, conduplicadas. Inflorescência fractiflexa.
Flores com cerca de 7 mm de comprimento, amarelas; Distribuição: SÃO PAULO: São Paulo, Parque do Esta-
sépalas laterais coalescentes; labelo oblongo a sub-retan- do (23º39’S, 46º37’W).
gular, largamente ungüiculado na base. Ocorre em flo- Comentários: Epífita cespitosa, com cerca de 2 cm de
resta ombrófila. (Pabst, 1973b) altura. Folhas estreitamente elíptico-obovadas, de 6 a 10
mm de comprimento, longamente atenuadas na base. Ra-
Specklinia gomes-ferreirae (Pabst) Luer cemo mais longo que as folhas, 1- a 3-floro. Flores ama-
relas com linhas vermelhas; sépalas laterais coalescentes;
Distribuição: PERNAMBUCO: Ipojuca (08º24’S, labelo subtrilobado, ligeiramente recurvado. Ocorre em
35º04’W). floresta pluvial atlântica. (Hoehne, 1938)
Orchidaceae 307
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310
Orobanchaceae OROBANCHACEAE
Vinicius Castro Souza, Maria José Gomes de Andrade & Ana Maria Giulietti
Estudos recentes de filogenia molecular em Lamiales ampliaram o conceito tradicional de Orobanchaceae, que passou a
incluir gêneros e espécies tradicionalmente reconhecidos em Scrophulariaceae. Atualmente, a principal diferença entre
as duas famílias é que as Orobanchaceae são parasitas de raízes e as Scrophulariaceae não. Orobanchaceae inclui cerca de
1.700 espécies e 60 gêneros, possuindo distribuição cosmopolita. São registradas cerca de 50 espécies e 10 gêneros no
Brasil, ocorrendo exclusivamente em formações não florestais, sendo comuns nos campos rupestres (Souza & Lorenzi,
2008). São apontadas 10 espécies raras.
Magdalenaea limae Brade Souza, V.C. Inéd. Levantamento das espécies de Scrophula-
riaceae nativas do Brasil. Tese de doutorado, Universida-
de de São Paulo, São Paulo, 1996.
Distribuição: RIO DE JANEIRO: Santa Maria Magda-
lena, Serra dos Órgãos (22º23’S, 42º58’W). Souza,V.C., Elias, S.I. & Giulietti, A.M. 2001. Notes on Aga-
Comentários: Subarbusto ereto, com cerca de 1 m de linis (Scrophulariaceae) from Brazil. Novon. 11: 484-488.
altura, pouco ramificado. Folhas (sub)sésseis, ovadas a Souza, V.C. & Giulietti, A.M. 2003. Flora da Serra do Cipó:
ovado-lanceoladas, geralmente glabras. Flores com cálice Scrophulariaceae. Bol. Bot. Univ. São Paulo 21: 283-297.
cilíndrico, de lacínios triangulares desiguais e tricomas Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2008. Botânica Sistemática: Guia
curtos concentrados na base e nas nervuras, e corola com ilustrado para identificação das famílias de Fanerógamas
lacínios quadrangulares e tubo (sub)glabro externamen- nativas e exóticas no Brasil, baseado em APG II. 2a ed.
te. (Souza, inéd.) Nova Odessa, Instituto Plantarum, 704 p.
312
Oxalidaceae OXALIDACEAE
Oxalidaceae está amplamente distribuída, sendo mais abundante nas zonas tropical e temperada do hemisfério sul (Mi-
chell, 2004). Inclui seis gêneros e cerca de 950 espécies, 800 só em Oxalis, das quais cerca de 114 ocorrem no Brasil
(Lourteig, 1983, 1994, 2000), 10 delas apontadas como raras.
Oxalis hepatica Norlind nível dos folíolos. Conhecida apenas pelo material-tipo,
coletado a 1.000 m s.n.m., com flores e frutos em no-
Distribuição: PARANÁ: Araucária (25º35’S, 49º24’W); vembro. (Lourteig, 2000)
Curitiba (25º27’S, 49º16’W); Itaperuçu (25º20’S,
49º18’W).
Comentários: Erva rasteira, com até 40 cm de altura.
Oxalis veadeirosensis Lourteig
Folhas digitadas pequenas, com 3 foliolos obovado-cune- Distribuição: GOIÁS: Alto Paraíso de Goiás, Chapada
ados. Flores com pétalas amarelas, 1 a 5 em inflorescên- dos Veadeiros (14º09’S, 47º30’W).
cias cimosas. Ocorre nos campos úmidos e no interior
Comentários: Subarbusto com cerca de 75 cm de altura
das florestas semidevastadas do planalto. Floresce de ou-
e densa pubescência amarelada. Folha com raque visível
tubro a fevereiro. (Lourteig, 1983, 2000)
e 3 folíolos suborbiculados, cordados. Flores com péta-
las amarelas, 9 a 17 em inflorescências cimosas. Coletada
Oxalis odonellii Lourteig com flores em março e julho. (Lourteig, 1994)
Passifloraceae
PASSIFLORACEAE
Passifloraceae inclui 18 gêneros e 700 espécies essencialmente tropicais, ocupando principalmente florestas úmidas, es-
pecialmente clareiras e beira de matas (Feuillet, 2004). No Brasil, são registrados cinco gêneros e cerca de 120 espécies
(Souza & Lorenzi, 2008), 12 delas raras.
Picramniaceae PICRAMNIACEAE
Picramniaceae tem distribuição neotropical e inclui dois gêneros: Alvaradoa, com quatro espécies extra-brasileiras, e Picra-
mnia, com cerca de 40 espécies, distribuídas do México e sul da Flórida (EUA), Antilhas, América Central e América do
Sul até o sul do Brasil, nordeste da Argentina e Paraguai; no Brasil, com maior diversidade na região amazônica, incluindo
uma espécie rara, e na Mata Atlântica, incluindo outra espécie rara.
Distribuição: PARÁ: Marabá, Serra dos Carajás (05º55’S, Pirani, J.R. 1990. As espécies de Picramnia Sw. (Simarouba-
50º21’W). ceae) do Brasil: uma sinopse. Bol. Bot. Univ. São Paulo
Comentários: Arbusto ou arvoreta. Folhas pinadas, com 12: 115-180.
7 a 11 (raramente 4) folíolos lanceolados e de ápice agu- Pirani, J.R. & Thomas, W.W. 1988. Duas novas espécies de
do. Flores vináceas, em racemos terminais curtos. Bagas Picramnia (Simaroubaceae) para a flora do norte do Bra-
alaranjadas. Ocorre em vegetação de transição entre a sil. Bol. Mus. Par. Emilio Goeldi 4: 271-280.
rupestre e a mata de terra firme, sobre afloramentos de
canga. Floresce a partir de maio e frutifica entre agosto e
dezembro. (Pirani & Thomas, 1988; Pirani, 1990)
Reyjane Patrícia de Oliveira, Milena Ferreira Costa, Marcos da Costa Dórea, Fabrício Moreira Ferreira
& Elsie Franklin Guimarães
Piperaceae engloba cinco gêneros e cerca de 2.500 espécies. Possui distribuição pantropical, com um grande número
de espécies ocorrendo na região neotropical e centro de diversidade nas Américas Central e do Sul (Jaramillo & Manos,
2001; Nee, 2004). É característica das florestas brasileiras, ocorrendo especialmente na Amazônia e na Mata Atlântica, e
muitas espécies são endêmicas de pequenas áreas. No Brasil ocorrem os gêneros Piper, Peperomia e Manekia e aproximada-
mente 500 espécies (Souza & Lorenzi, 2008), 63 delas raras.