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Rugosidade e Acabamento Superficial

1) O documento discute rugosidade superficial, que são irregularidades na superfície de peças causadas por ferramentas de fabricação e são medidas em microns. 2) A rugosidade é importante para o desempenho de componentes mecânicos, afetando propriedades como deslizamento, desgaste e vedação. 3) A rugosidade é medida usando rugosímetros e filtros para separar rugosidade de outras irregularidades, com parâmetros como Ra (rugosidade média) e Rz (rugosidade média de cin
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Rugosidade e Acabamento Superficial

1) O documento discute rugosidade superficial, que são irregularidades na superfície de peças causadas por ferramentas de fabricação e são medidas em microns. 2) A rugosidade é importante para o desempenho de componentes mecânicos, afetando propriedades como deslizamento, desgaste e vedação. 3) A rugosidade é medida usando rugosímetros e filtros para separar rugosidade de outras irregularidades, com parâmetros como Ra (rugosidade média) e Rz (rugosidade média de cin
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RUGOSIDADE - TOLERNCIAS DE ACABAMENTO SUPERFICIAL

As superfcies de peas apresentam irregularidades quando observadas em detalhes. Estas irregularidades so provocadas por sulcos ou marcas deixadas pela ferramenta que atuou sobre a superfcie da pea. A importncia do estudo do acabamento superficial aumenta na medida em que cresce a preciso de ajuste entre as peas a serem acopladas, onde somente a preciso dimensional, de forma e de posio no suficiente para garantir a funcionabilidade do par acoplado. O acabamento superficial fundamental onde houver desgaste, atrito, corroso, aparncia, resistncia fadiga, transmisso de calor, propriedades ticas, escoamento de fluidos e superfcies de medio (blocos-padro, micrmetros, paqumetros, etc.). O acabamento superficial medido atravs da rugosidade superficial, a qual expresso em mcron (mm ou m). No Brasil, os conceitos de rugosidade superficial so definidos pela norma ABNT NBR 6405-1985. A rugosidade superficial funo do tipo de acabamento, da mquinaferramenta ou do processo de fabricao utilizado. Na anlise dos desvios da superfcie real em relao superfcie geomtrica (ideal, de projeto), pode-se distinguir os seguintes erros: Erros macro-geomtricos ou erros de forma: Podem ser medidos com instrumentos de medio convencionais. Foram estudados no captulo 3; Erros micro-geomtricos: Podem ser medidos somente com instrumentos especiais tais como rugosmetros, perfilgrafos. Estes instrumentos podem ser ticos, a laser ou eletromecnicos. A rugosidade desempenha um papel importante no comportamento dos componentes mecnicos. Ela influi na: qualidade de deslizamento; resistncia ao desgaste; possibilidade de ajuste do acoplamento forado; resistncia oferecida pela superfcie ao escoamento de fluidos e lubrificantes; qualidade de aderncia que a estrutura oferece s camadas protetoras; resistncia corroso e fadiga; vedao; aparncia. 1

A figura acima mostra a medio da rugosidade superficial atravs de um rugosmetro eletro-mecnico.

A figura acima mostra um resultado de uma medio real obtida atravs de um rugosmetro semelhante ao da figura 6.1.

Superfcie geomtrica
Superfcie ideal prescrita no projeto, na qual no existem erros de forma e acabamento. Por exemplo: superfcies plana, cilndrica etc., que sejam, por definio, perfeitas. Na realidade, isso no existe; trata-se apenas de uma referncia.

Superfcie real
Superfcie que limita o corpo e o separa do meio que o envolve. a superfcie que resulta do mtodo empregado na sua produo. Por exemplo: torneamento, retfica, ataque qumico etc. Superfcie que podemos ver e tocar.

Superfcie efetiva
Superfcie avaliada pela tcnica de medio, com forma aproximada da superfcie real de uma pea. a superfcie apresentada e analisada pelo aparelho de medio. importante esclarecer que existem diferentes sistemas e condies de medio que apresentam diferentes superfcies efetivas.

Perfil geomtrico
Interseo da superfcie geomtrica com um plano perpendicular. Por exemplo: uma superfcie plana perfeita, cortada por um plano perpendicular, originar um perfil geomtrico que ser uma linha reta.

Perfil real
Interseco da superfcie real com um plano perpendicular. Neste caso, o plano perpendicular (imaginrio) cortar a superfcie que resultou do mtodo de usinagem e originar uma linha irregular.

Perfil efetivo
Imagem aproximada do perfil real, obtido por um meio de avaliao ou medio. Por exemplo: o perfil apresentado por um registro grfico, sem qualquer filtragem e com as limitaes atuais da eletrnica.

Perfil de rugosidade
Obtido a partir do perfil efetivo, por um instrumento de avaliao, aps filtragem. o perfil apresentado por um registro grfico, depois de uma filtragem para eliminar a ondulao qual se sobrepe geralmente a rugosidade.

SISTEMAS DE MEDIO DE RUGOSIDADE: Existem basicamente dois sistemas de medio de rugosidade: O sistema da linha mdia M e O sistema da envolvente E. O sistema da linha mdia o mais utilizado. A norma ABNT NBR 6405-1985 adota no Brasil o sistema M. Alm do Brasil, os EUA, Inglaterra, Japo e Rssia adotam o sistema M. A Alemanha e Itlia adotam o sistema E. A Frana adota ambos os sistemas.

Rugosidade e Ondulaes: Filtragem


As superfcies reais distinguem-se das superfcies geomtricas (tericas ou ideais) atravs dos erros de forma, sejam eles macro ou micro-geomtricos. Quando se mede a rugosidade, o instrumento mostrar o perfil da pea composto da rugosidade e da ondulao: Ondulaes ou textura secundria: o conjunto das irregularidades repetidas em ondas de comprimento bem maior que sua amplitude. A freqncia destas ondas pequena. Rugosidade superficial ou textura primria: o conjunto das irregularidades repetidas em ondas de comprimento semelhantes sua amplitude. A freqncia destas ondas so bastantes elevadas. Quando se mede a rugosidade, o aparelho mostrar o perfil composto da rugosidade e das ondulaes, como mostra a Fig. 6.3.

Para a medio da rugosidade, esta deve ser separada da ondulao e dos desvios macro-geomtricos. Esta separao realizada atravs da filtragem. Um filtro de rugosidade separa o perfil de rugosidade dos demais desvios de forma. O comprimento de onda do filtro, chamado de "cutt-off", determina o que deve passar e o que no deve passar. O sinal da rugosidade apresenta altas freqncias (pequenos comprimentos de onda) e as ondulaes e demais erros de forma apresentam sinais com baixas freqncias (altos comprimentos de ondas). Os rugosmetros utilizam assim, filtros que deixam passar os sinais de altas freqncia e eliminam os sinais de baixa freqncias. (Fig. 6.4) Estes filtros so denominados Filtro Passa-alta.

Os rugosmetros utilizam filtros passa-alta: Somente freqncias maiores que

um valor pr-determinado so analisadas. Esta freqncia pr-determinada chamada de "cut-off". Sinais com freqncias inferiores freqncia de "cut-off"so eliminados. Sistemas de Medio da Rugosidade Superficial pelo Mtodo da Linha Mdia - M No sistema da linha Mdia, ou sistema M, todas as grandezas so definidas a partir de uma linha de referncia, a linha mdia. Linha Mdia: definida como uma linha disposta paralelamente direo geral do perfil, dentro do percurso de medio, de tal modo que a soma das reas superiores, compreendida entre ela e o perfil efetivo seja igual soma das reas inferiores. Conforme mostra a Fig. 6.5a A1+A2 = A3.

Durante o processo de medio da rugosidade, o rugosmetro apalpa a superfcie a ser medida. Pode-se definir vrios percursos e/ou comprimentos neste processo de medio (Fig. 6.6):

Percurso Inicial (lv): a extenso da primeira parte do primeiro trecho, projetado sobre a linha mdia. Ele no utilizado na avaliao da rugosidade. Este trecho inicial tem a finalidade de permitir o amortecimento das oscilaes mecnicas e eltricas iniciais do sistema de medio e a centragem do perfil de rugosidade. Percurso de Medio (lm): a extenso do trecho til do perfil de rugosidade usado diretamente na avaliao, projetado sobre a linha mdia. Percurso Final (ln): a extenso da ltima parte do trecho apalpado, projetado sobre a linha mdia e no utilizado na avaliao. O trecho final tem a finalidade de permitir o amortecimento das oscilaes mecnicas e eltricas finais dos sistema de medio. Percurso de Apalpamento (lt): o percurso total apalpado pelo sistema de medio, ou seja, a soma dos percursos inicial, de medio e final. lt = lv + lm + ln Comprimento de Amostragem (le): igual a um quinto do percurso de medio, ou seja, le = lm/5. O comprimento de amostragem deve ser o suficiente para avaliar a rugosidade, isto , deve conter todos os elementos representativos de rugosidade.

Parmetros de avaliao da rugosidade


Rugosidade Mdia (Ra): a mdia aritmtica dos valores absolutos das ordenadas dos afastamentos dos pontos do perfil de rugosidade, em relao linha mdia, dentro do percurso de medio lm. Ra na Inglaterra CLA: Center Line Average; Ra nos EUA AA: Aritmetical Average. Ambas em in. Ra um valor mdio, podendo s vezes, no d indicao direta do estado da superfcie. Em determinadas aplicaes especficas pode ser mais til utilizar outros parmetros de rugosidade.

Rugosidade Mdia (Rz): a mdia aritmtica dos 5 valores da rugosidade parcial Zi. A rugosidade parcial Zi definida como a soma dos valores absolutos das ordenadas dos pontos de maiores afastamentos (acima e abaixo da linha mdia) existentes dentro de um comprimento de amostragem le. Graficamente, este valor representa a altura entre os pontos mximo e mnimo do perfil, dentro do comprimento de amostragem le (Fig. 6.8).

Rugosidade mxima (Ry) 9

Est definido como o maior valor das rugosidades parciais (Zi) que se apresenta no percurso de medio 9 (lm). Por exemplo: na figura a seguir, o maior valor parcial o Z3, que est localizado no 3o cut off, e que corresponde rugosidade Ry.

O parmetro Ry pode ser empregado nos seguintes casos: Rugosidade total (Rt) Corresponde distncia vertical entre o pico mais alto e o vale mais profundo no comprimento de avaliao (lm), independentemente dos valores de rugosidade parcial (Zi). Na figura abaixo, pode-se observar que o pico mais alto est no retngulo Z1, e que o vale mais fundo encontra-se no retngulo Z3. Ambos configuram a profundidade total da rugosidade Rt. Superfcies de vedao; Assentos de anis de vedao; Superfcies dinamicamente carregadas; Tampes em geral; Parafusos altamente carregados; Superfcies de deslizamento em que o perfil efetivo peridico.

Representao de rugosidade
Simbologia: Norma ABNT - NBR 8404/1984 10

A Norma ABNT - NBR 8404 fixa os smbolos e indicaes complementares para a identificao do estado de superfcie em desenhos tcnicos.

Smbolos com indicao da caracterstica principal da rugosidade, RA Superfcie com rugosidade de valor mximo Ra = 6,3m e mnimo Ra = 1,6m.

Smbolo com indicaes complementares

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A indicao de acabamento superficial em desenhos sob a forma de tringulos est ultrapassada e no deve ser utilizada. s vezes, porm, devido s dificuldades em se medir os parmetros de rugosidade, a aplicao desta simbologia adotada como indicao meramente qualitativa. Recomenda-se todavia a medio da rugosidade e respectiva indicao por um parmetro especfico. A Tab. 6.4 mostra uma relao aproximada entre a simbologia antiga de tringulos e os parmetros de rugosidade superficial.

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Determinao do Comprimento de amostragem ("Cut-Off"):


Para perfis que resultam peridicos (torneamento, aplainamento, etc.), recomenda-se a utilizao da Tab. 6.1 para a escolha do comprimento de amostragem e demais parmetros. A distncia entre sulcos aproximadamente igual ao avano. Tab. 6.1: Determinao do comprimento de amostragem, de acordo da distncia entre sulcos.

Para perfis onde no se consegue ver a periodicidade da ondulao (suerfcies obtidas por retificao, conformao plstica, etc.) sugere-se a utilizao da Tab 6.2. Tab. 6.2: Determinao do comprimento de amostragem para perfis aperidicos baseados no parmetro Ra, Rzou Rmx.

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Sistemas de Medio da Rugosidade Superficial pelo Mtodo da Envolvente Este sistema baseia-se em linhas envoltrias descritas pelo centro de dois crculos de raios R e r, respectivamente, que rolam sobre o perfil real da pea. As linhas AA e CC assim geradas (Fig. 6.10) so deslocadas, paralelamente a si mesmas, em direo perpendicular ao perfil geomtrico at tocarem o perfil real da pea, ocupando ento as posies BB e DD.

A rugosidade definida como sendo o erro do perfil real da pea em relao linha DD; O erro da linha DD em relao linha BB considerado como ondulao.

Simbologia e Indicao em Desenhos Tcnicos


A caracterstica principal da rugosidade mdia Ra pode ser indicada pelos nmeros de classe de rugosidade correspondente conforme a Tab. 6.3. Para indicao da rugosidade superficial nos desenhos, deve-se indicar o smbolo da Fig. 14

6.11. A indicao da rugosidade, sempre expressa em m, deve ser colocada no interior do smbolo, conforme mostra a Fig. 6.11b. De acordo com a ABNT, a medida de rugosidade ser sempre indicada pelo valor de R a, a menos que haja indicao em contrrio. Para indicaes complementares, deve-se acrescentar uma linha horizontal ao trao maior do smbolo (Fig. 611c, 6.11d). Sobre esta linha ser indicado o tipo de usinagem ou acabamento (tornear, retificar, limpar com jato de areia, polir, etc.). Abaixo da linha horizontal, pode-se indicar a orientao preferencial dos sulcos de usinagem, conforme mostram as Fig. 6.11d e Fig. 6.12.

Tab. 6.3: Caracterstica da rugosidade mdia Ra Classe da Rugosidade N12 N11 N10 N9 N8 N7 N6 N5 N4 N3 N2 N1

Rugosidade mdia Ra (m) 50 25 12,5 6,3 3,2 1,6 0,8 0,4 0,2 0,1 0,05 0,03

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TOLERNCIA DIMENSIONAL
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muito difcil executar peas com as medidas rigorosamente exatas porque todo processo de fabricao est sujeito a imprecises. Sempre acontecem variaes ou desvios das cotas indicadas no desenho. Entretanto, necessrio que peas semelhantes, tomadas ao acaso, sejam intercambiveis, isto , possam ser substitudas entre si, sem que haja necessidade de reparos e ajustes. A prtica tem demonstrado que as medidas das peas podem variar, dentro de certos limites, para mais ou para menos, sem que isto prejudique a qualidade. Esses desvios aceitveis nas medidas das peas caracterizam o que chamamos de tolerncia dimensional. As tolerncias vm indicadas, nos desenhos tcnicos, por valores e smbolos apropriados. Por isso, voc deve identificar essa simbologia e tambm ser capaz de interpretar os grficos e as tabelas correspondentes. As peas, em geral, no funcionam isoladamente. Elas trabalham associadas a outras peas, formando conjuntos mecnicos que desempenham funes determinadas. Veja um exemplo abaixo:

Num conjunto, as peas se ajustam, isto , se encaixam umas nas outras de diferentes maneiras e voc tambm vai aprender a reconhecer os tipos de ajustes possveis entre peas de conjuntos mecnicos. No Brasil, o sistema de tolerncias recomendado pela ABNT segue as normas internacionais ISO (International Organization For Standardization ). A observncia dessas normas, tanto no planejamento do projeto como na execuo da pea, essencial para aumentar a produtividade da indstria nacional e para tornar o produto brasileiro competitivo em comparao com seus similares estrangeiros.

O que tolerncia dimensional 18

As cotas indicadas no desenho tcnico so chamadas de dimenses nominais. impossvel executar as peas com os valores exatos dessas dimenses porque vrios fatores interferem no processo de produo, tais como imperfeies dos instrumentos de medio e das mquinas, deformaes do material e falhas do operador. Ento, procura-se determinar desvios, dentro dos quais a pea possa funcionar corretamente. Esses desvios so chamados de afastamentos. Para definir a tolerncia de uma cota, alguns atributos so necessrios, os quais so: Ajuste, Qualidade de Trabalho, Afastamento Superior e Afastamento Inferior. O atributo tolerncia agregado a cota longitudinal ou diametral com os atributos definidos, sendo o valor da cota assumido como valor nominal para a tolerncia. No caso das cotas que no possuem tolerncias especficas, estas tem associadas as tolerncias de acordo com o grau de preciso mnimo requerido, que pode ser indicado ao final da cotagem da pea, assumindo um valor de tolerncia para elas definido pelo usurio. Automaticamente o sistema atualiza as informaes. A prtica tem demonstrado que as medidas das peas podem variar, dentro de certos limites, para mais ou para menos, sem que isso prejudique a qualidade

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