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Lngua Portuguesa 6

Produo e Interpretao de Textos

Captulo 1
01. Captulo CXXXIII / Uma idia Um dia, era uma sexta-feira, no pude mais. Certa idia, que negrejava em mim, abriu as asas e entrou a bat-las de um lado para outro, como fazem as idias que querem sair. O ser sexta-feira creio que foi acaso, mas tambm pode ter sido propsito; fui educado no terror daquele dia; ouvi cantar baladas, em casa, vindas da roa e da antiga metrpole, nas quais a sexta-feira era o dia do agouro. Entretanto, no havendo almanaques no crebro, provvel que a idia no batesse as asas seno pela necessidade que sentia de vir ao ar e vida. A vida to bela que a mesma idia da morte precisa de vir primeiro a ela, antes de se ver cumprida. J me vais entendendo; l agora outro captulo.
ASSIS, Machado de. D.Casmurro.In Obra completa. (v.I). Rio de Janeiro: Editora Jos Aguilar Ltda, 1959.

02. UFRR O teor do enunciado contido no subttulo do texto reproduzido anteriormente est corretamente apontado em qual das alternativas abaixo? a) Admite de modo irrestrito o uso de abreviaes. b) Combate veementemente o uso de abreviaes. c) neutro quanto ao uso de abreviaes. d) Admite o uso contextualizado de abreviaes. e) Nega a existncia do uso de abreviaes. 0 3. UFRR Considerando a estrutura, o modo de organizao da linguagem e o contedo expresso, o gnero do texto anterior est corretamente classicado na alternativa: a) potico d) narrativo b) informativo e) descritivo c) losco 04. Unicap-PE

Uma das funes da linguagem chamada de conativa ou apelativa. Nessa funo, a linguagem caracteriza-se por dirigir ao destinatrio uma mensagem de convencimento, tentativa de levar o receptor a realizar alguma ao. Marque a alternativa que indica corretamente o trecho em que podemos identicar essa funo de linguagem no texto. a) No 1o perodo do texto. b) No trecho ... ouvi cantar baladas... c) No trecho ... sexta-feira era o dia do agouro... d) No trecho ... a vida to bela... e) Na ltima orao do texto. Texto para as questes 02 e 03. Leia atentamente o trecho de texto abaixo, retirado de uma publicao de circulao semanal: Cdigo virtual A linguagem dos chats no to absurda quanto parece, desde que seja usada na hora e no lugar certo Para a gerao que cresceu em frente ao computador, escrever por cdigos to natural quanto falar. Abreviaes como vc (voc) e pq (porque) so usadas dezenas de vezes enquanto os internautas batem papo. As abreviaes assustam os puristas do idioma. E at entre os viciados em internet h quem abomine esse linguajar. Um grupo de fruns PCs, uma comunidade de discusso virtual, lanou a campanha Eu sei escrever, a m de moralizar a lngua portuguesa. A turma tem uma comunidade no Orkut destinada a combater o que ela chama de analfabetismo virtual(...).

0. O efeito de humor dessa tira decorre de um lxico tpico da oralidade nas zonas rurais. 1. Nos quadrinhos, o texto verbal facilita a compreenso dos sentidos, mas no indispensvel, como se pode observar nessa tira.
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2. A palavra fua tem valor pejorativo e no adequada situao comunicativa representada nesses quadrinhos. 3. Concorrem para criar o humor da tira: a expresso facial das personagens, sua postura corporal e a agrante contradio ditada pela ingenuidade de Z Lel. 4. Na lngua padro completamente inadequada situao comunicativa criada nessa tira , a fala do ltimo quadrinho seria: Por sorte, no! O pai acertou-lo com o remo na hora certa. Com o interessante ttulo Haja kba p/ tanta 9idade, foi publicada, na revista Isto (16/03/05), uma matria sobre a linguagem cifrada usada nas salas de bate-papo e nas mensagens de celular. Reproduzimos, a seguir, um trecho dessa reportagem que servir de base para as questes 05 e 06. 01 Se o leitor j passou dos 30 ou no tem adolescentes na famlia, pode achar que h algo errado com o ttulo acima. Essa apenas a forma enxuta e rpida de dizer: HAJA CABEA PARA TANTA NOVIDADE. 05 E assim que boa parte dos internautas se comunica. Os populares servios de troca de mensagens instantneas, como ICQ e MSN Messenger, e os torpedos enviados por celulares trouxeram tona uma mudana na escrita. Os internautas tm 10 pressa, por isso acharam uma maneira rpida, econmica e eciente de se comunicar. (...) bom os pais e educadores, que se descabelam com essas abreviaes da lngua portuguesa, irem se acostumando, pois a linguagem cifrada 15 acaba de chegar televiso. A Rede Telecine, do sistema de tev a cabo Net e Sky, estreou o Cyber Movie, em que a legenda dos lmes escrita no idioma ciberntico. As produes so exibidas s teras-feiras noite no canal pago Telecine 20 Premium e devem priorizar os lmes de ao e de aventura, que tm nos adolescentes seu pblico mais el. (...) Os idealizadores do programa esto preparados para as crticas. A mais contundente seria sobre o 25 desuso da lngua portuguesa. Enquanto essa graa cifrada for usada s em ambiente de internautas, tudo bem, mais uma modalidade grca de gria. Extrapolar isso ao grande pblico um assalto integridade do idioma, diz o llogo Evanildo Be30 chara, da Academia Brasileira de Letras.(...) Os lingistas concordam. Para eles, a escrita ciberntica mais uma forma de comunicao. Os jovens esto crescendo nessa linguagem funcional. Se eles usam um meio eletrnico 35 porque querem ser rpidos. No vejo perigo, diz a professora Eni Orlandi, do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade de Campinas (Unicamp). um cdigo a mais para os jovens conversarem. A lngua malevel e se constri com 40 as necessidades da histria. No para mim. Olho a tela do computador das minhas lhas e no entendo nada, diz Lcia Teixeira, lingista da Universidade Federal Fluminense. Fenmeno parecido aconteceu nos primrdios do videocassete. Bastava olhar 45 o mostrador. Se o relgio marcasse a hora certa, era sinal de que havia jovens na casa.
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05. UFMS De acordo com o texto, correto armar que a chamada linguagem ciberntica: 01. relaciona-se tanto modalidade oral quanto modalidade escrita da lngua. 02. constitui uma espcie de gria grca, ainda restrita a determinados ambientes. 04. reete, de forma gil e econmica, as necessidades de comunicao dos diversos segmentos da sociedade moderna. 08. encontra-se em processo de expanso, como mostra seu emprego recente nas legendas de certos lmes exibidos na tev. 16. um fenmeno tecnolgico comparvel ao surgimento do videocassete, por envolver especicamente o pblico jovem. Some os nmeros dos itens corretos. 06. UFMS Marque as opes que completam corretamente a frase a seguir. O novo cdigo dos internautas 01. mostra a exibilidade de uma lngua em adaptarse s diferentes situaes de uso. 02. veio para car, independentemente da vontade de pais e educadores. 04. corrompe a pureza do idioma, opinio compartilhada por llogos e lingistas. 08. pode revelar-se incompreensvel para pessoas acima de uma certa faixa etria. 16. revela o desconhecimento dos jovens de hoje sobre o emprego correto do portugus. Some os nmeros dos itens corretos. 07. Percebe-se na msica Metfora a presena da funo metalingstica o autor faz referncia ao seu prprio texto ou discurso. Na msica, Gilberto Gil usou sua poesia para transmitir aos leitores reexes sobre o seu prprio fazer potico. Sendo assim, assinale a opo em que o(s) texto(s) tambm apresenta(m) contedo metalingstico. I. Mais claro e no do que as nas pratas O som da tua voz deliciava... Na dolncia velada das sonatas Como um perfume a tudo perfumava.
Cruz e Sousa

II.

H poesia Na dor Na or No beija-or No elevador


Oswald de Andrade

III.

O funcionrio pblico no cabe no poema com seu salrio de fome sua vida fechada em arquivos.
Ferreira Gullar

a) I, II e III. b) I e II, apenas. c) I e III, apenas.

d) II e III, apenas. e) III, apenas.

08. UFG-GO Nhola dos Anjos e a cheia do Corumb Fo, fais um zoio de boi l fora pra nois. O menino saiu do rancho com um baixeiro na cabea, e no terreiro, debaixo da chuva mida e continuada, enfincou o calcanhar na lama, rodou sobre ele o p, riscando com o dedo uma circunferncia no cho mole outra e mais outra. 3 crculos entrelaados, cujos centros formavam um tringulo eqiltero. Isto era simpatia para fazer estiar. E o menino voltou: Pronto, v.
TELLES, Gilberto Mendona (Org.). Os melhores contos de Bernardo lis. So Paulo: Global, 2001, p. 27.

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Queriam-me casado, ftil, quotidiano e tributvel? Queriam-me o contrrio disto, o contrrio de qualquer [coisa? Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a [vontade. Assim, como sou, tenham pacincia! Vo para o diabo sem mim, Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que havemos de ir juntos? No me peguem no brao! No gosto que me peguem no brao. Quero ser [sozinho. J disse que sou sozinho! Ah, que maada quererem que eu seja da [companhia! cu azul o mesmo da minha infncia Eterna verdade vazia e perfeita! macio Tejo ancestral e mudo, Pequena verdade onde o cu se reete! mgoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje! Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu [me sinta. Deixem-me em paz! No tardo, que eu nunca [tardo... E enquanto tarda o Abismo e o Silncio quero estar [sozinho!
Fernando Pessoa, Fices do interldio/4: poesias de lvaro de Campos

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Quanto s modalidades de uso da lngua, pode-se observar no trecho acima: a) o preconceito lingstico do autor contra as pessoas menos escolarizadas. b) o exemplo de um falar errado e desprovido de regras. c) a diferena entre o falar rural e a escrita padro culta. d) a manuteno de traos da escrita arcaica favorecida pela temtica do texto. e) o predomnio de traos da fala rural na voz do narrador. As questes de nmeros 09 e 10 tomam por base o poema Lisbon Revisited, do heternimo lvaro de Campos do poeta modernista portugus Fernando Pessoa (1888-1932), e a letra da cano Metamorfose Ambulante, do cantor e compositor brasileiro Raul Seixas (1945-1989). Lisbon Revisited (1923) No: no quero nada. J disse que no quero nada. No me venham com concluses! A nica concluso morrer. 05 No me tragam estticas! No me falem em moral! Tirem-me daqui a metafsica! No me apregoem sistemas completos, no me [enleirem conquistas Das cincias (das cincias, Deus meu, das cincias!) 10 Das cincias, das artes, da civilizao moderna! Que mal z eu aos deuses todos? Se tm a verdade, guardem-na! Sou um tcnico, mas tenho tcnica s dentro da [tcnica.
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Metamorfose ambulante Prero ser essa metamorfose ambulante Eu prero ser essa metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinio formada sobre tudo Do que ter aquela velha opinio formada sobre tudo 05 Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes Eu prero ser essa metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinio formada sobre tudo Do que ter aquela velha opinio formada sobre tudo Sobre o que o amor! Sobre que eu nem sei quem sou Se hoje eu sou estrela amanh j se apagou Se hoje eu te odeio amanh lhe tenho amor Lhe tenho amor Lhe tenho horror Lhe fao amor eu sou um ator... chato chegar a um objetivo num instante Eu quero viver nessa metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinio formada sobre tudo Do que ter aquela velha opinio formada sobre tudo Sobre o que o amor! Sobre que eu nem sei quem sou Se hoje eu sou estrela amanh j se apagou Se hoje eu te odeio amanh lhe tenho amor Lhe tenho amor Lhe tenho horror Lhe fao amor
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Fora disso sou doido, com todo o direito a s-lo. 15 Com todo o direito a s-lo, ouviram? No me macem, por amor de Deus!

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Eu sou um ator... Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes Eu prero ser essa metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinio formada sobre tudo Do que ter aquela velha opinio formada sobre tudo Do que ter aquela velha opinio formada sobre tudo Do que ter aquela velha velha velha velha opinio [formada sobre tudo... Do que ter aquela velha velha opinio formada [sobre tudo... Do que ter aquela velha opinio formada sobre [tudo...
Raul Seixas, Os grandes sucessos de Raul Seixas

Nesse aspecto, embora as crticas de Goethe se revelassem posteriormente inconseqentes, o principal mrito de sua anlise ter mostrado que a cor tambm existe como fenmeno que escapa fsica. Assim, essas duas interpretaes diversas do fenmeno cromtico no devem ser pensadas como necessariamente incompativeis, mas como pontos de vista que se baseiam em criterios, ou mtodos de comparao, inteiramente distintos. Responda, agora, s seguintes questes, baseandose no texto. a) No que dz respeito ao fenmeno da cor, o que distingue basicamente a abordagem de Newton daquela de Goethe, mais tarde desenvolvida por Schopenhauer? b) Na opinio do autor, como devem ser compreendidos os diferentes caminhos tomados por Newton e Goethe no exame do fenmeno da cor? Texto para as questes 12 e 13. ATEMOYA um hbrido da fruta-do-conde (Annona squamosa) com outra variedade do mesmo gnero a cherimoya (Annona cherimolia), originria dos Andes. O primeiro cruzamento foi feito em 1908 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em Miami. As frutas resultantes receberam o nome de atemoya, uma combinao de ate, nome mexicano da fruta-do-conde, e moya de cherimoya. Passado quase um sculo, a atemoya ainda desconhecida da maioria dos brasileiros. No pas, as primeiras mudas foram plantadas em Taubat, nos anos 60. As variedades cultivadas aqui so em especial a Thompson, a Genifer e a African Pride. plantada em So Paulo, sul de Minas, norte do Paran, Esprito Santo e Rio de Janeiro. cultivada em grande escala no Chile. Tambm a produzem Estados Unidos, Israel, Austrlia e Nova Zelndia. [...] Os frutos, cnicos ou em forma de corao, em geral tm 10 centmetros de comprimento por 9,5 de largura. Sua casca continua verde mesmo depois de maduros. A polpa, dividida em segmentos e com poucas sementes, branca, perfumada, cremosa, macia, com textura na. [...] O sabor da atemoya lembra papaia, banana, manga, maracuj, limo e abacaxi, com consistncia de sorvete, o que faz dela uma sobremesa pronta. Com sua polpa se preparam os mesmos pratos feitos com cherimoya: musses, sorvetes, recheios para tortas, salada de frutas. Pode ser ingrediente de bebidas como coquetel de frutas e drinques.
Neide Rigo, nutricionista. Caras, 13 set. 2002.

09. Vunesp Tanto no poema de Fernando Pessoa como na cano de Raul Seixas se observa o recurso intenso das repeties. Ciente deste fato: a) localize o verso de Metamorfose ambulante que apresenta repetio insistente de uma mesma palavra e dena o efeito expressivo obtido pelo autor com essa repetio; b) considerando que o advrbio no uma das palavras mais repetidas ao longo de Lisbon revisited, estabelea a relao semntica que a repetio dessa palavra tem com a atitude do eu-poemtico ante os padres sociais. 10. Vunesp Atentando para o fato de que a funo conativa da linguagem orientada para o destinatrio da mensagem: a) identique o modo verbal que, insistentemente empregado pelo eu-poemtico, torna muito intensa a orientao para o destinatrio do poema de Fernando Pessoa; b) considerando que, no verso de nmero 12, Raul Seixas, adotando o uso popular, empregou os pronomes te e lhe para referir-se a uma mesma pessoa, apresente duas alternativas que teria o poeta para escrever esse verso segundo a norma culta. 11. PUC-RJ Goethe estava interessado nas condies necessrias para que o fenmeno das cores se manifeste. Para ele, no basta dizer que a cor surge da luz, mas como aparece junto luz. Na verdade j estava procurando distinguir as condies ou esferas mediante as quais o fenmeno da cor se apresenta. Schopenhauer, continuando o caminho de Goethe, o primeiro a distingui-las claramente: Do ponto de vista do sentido visual, luz e cores so fenmenos de conscincia (sensaes e percepes) cujas condies so ocorrncias siolgicas na retina e no sistema nervoso, sendo provocadas por sua vez por processos fsicos. A identidade da cor varia de acordo com os critrios estabelecidos para sua compreenso enquanto fenmenos de conscincia, fenmeno na retina ou fenmeno sco. Newton, ao contrrio de Goethe e Schopenhauer, preocupou-se somente em estabelecer os critrios para a produo da cor enquanto fenmeno fsico.
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12. PUC-SP A leitura atenta permite armar que o texto pertence ao gnero: a) reportagem, pois se desenvolve por meio da narrao que se caracteriza pela presena de enumeraes e por seqncias de aes. b) verbete de enciclopdia, pois se desenvolve por meio da descrio, apresentando enumeraes e verbos que indicam estado.

c) receita culinria, pois se desenvolve por meio da descrio e da narrao, apresentando poucas enumeraes e apenas verbos que indicam estado. d) receita culinria, pois se desenvolve por meio da descrio, apresentando enumeraes e muitos verbos que indicam estado. e) verbete de enciclopdia, pois se desenvolve por meio da descrio que se caracteriza tanto pela ausncia de verbos de ao quanto de verbos de estado. 13. PUC-SP A primeira parte do texto, que vai at ... e moya de cherimoya, fornece a denio da fruta; a segunda parte, at o seu nal, apresenta em blocos, especicamente, a) o incio do cultivo no Brasil, as variedades, os centros produtores nacionais e internacionais, a descrio interna, a descrio externa, o paladar, a utilizao. b) os centros produtores nacionais e internacionais, o incio do cultivo no Brasil, as variedades, a descrio externa, a descrio interna, o paladar, a utilizao. c) o incio do cultivo no Brasil, as variedades, os centros produtores nacionais e internacionais, a descrio externa, a descrio interna, o paladar, a utilizao. d) o incio do cultivo no Brasil, os centros produtores nacionais e internacionais, as variedades, a descrio interna, a descrio externa, a utilizao, o paladar. e) os centros internacionais, o incio do cultivo no Brasil, os centros produtores nacionais, a descrio interna, a descrio externa, a utilizao, o paladar. Texto para as questes de 14 a 18. A revista Cincia Hoje 28 teve como tema central o Projeto Genoma Humano. Abaixo esto alguns trechos da reportagem que servem de base para a prxima questo. Genoma decifrado, trabalho dobrado Cinco anos antes do previsto, foi anunciado o trmino do seqenciamento do genoma humano. A corrida atrs da identicao de todos os genes do Homo sapiens envolveu laboratrios de 18 pases, liderados por instituies dos Estados Unidos e do Reino Unido, e consumiu estimados US$ 3 bilhes, sem contar a injeo nal de recursos, necessria para apressar o m dessa primeira etapa e fazer frente a grupos privados que ameaavam terminar antes a faanha do sculo. Trata-se, sem dvida, de uma primeira etapa, porque o Projeto Genoma Humano representa, na verdade, apenas uma enorme base de dados, que os cientistas precisam entender em detalhe para um dia chegar a manipul-los. Para os geneticistas, h trabalho para mais de um sculo de pesquisa. O seqenciamento, a identicao e a interpretao de genes j vinham sendo feitos h mais de 10 anos, mas em ritmo considerado lento diante das possibilidades abertas com o desenvolvimento de equipamentos que amplicam o DNA e lem milhares de seqncias genticas ao mesmo tempo. A criao do Projeto Ge-

noma Humano visou nanciar o uso dessa tecnologia e acelerar e antecipar em dcadas os achados que, de um jeito ou de outro, seriam realizados, diz a geneticista Maria Rita Passo Bueno, da Universidade de So Paulo (USP). Muitos resultados so imprevisveis, mas os dados j obtidos, diz a pesquisadora, sem dvida permitiro um desenvolvimento extraordinrio, tanto na medicina e na biotecnologia quanto na bioinformtica essa nova rea vem se desenvolvendo em funo da necessidade de anlise de toda a informao biolgica que est sendo gerada. Vrios pesquisadores analisaram os possveis desdobramentos dessa descoberta. Destacamos, por exemplo, a seguinte declarao de Ronald M. Green, diretor de Dartmouth College (USA). So trs os principais benefcios trazidos pelo seqenciamento do genoma humano para a rea mdica: 1) aperfeioar o diagnstico de doenas, incluindo os distrbios hereditrios conhecidos e muitas condies geneticamente inuenciadas, como a hipertenso e diversos cnceres; 2) aprimorar o tratamento, com o desenvolvimento de drogas que seriam elaboradas sob medida (de acordo com as caractersticas genticas do paciente) para maximizar sua eccia e reduzir sua toxicidade; e 3) desenvolver intervenes diretas no DNA (terapias gnicas), para corrigir falhas genticas associadas s doenas.
Cincia Hoje, n 28, nov. 2000.

14. UEL-PR A faanha do sculo, mencionada no primeiro pargrafo do primeiro texto, : a) o trabalho conjunto de laboratrios de 18 pases. b) o investimento de US$ 3 bilhes em um nico projeto de pesquisa. c) a concorrncia entre instituies estatais e grupos privados. d) a identicao de todos os genes de Homo sapiens. e) a unio de instituies dos Estados Unidos e do Reino Unido num mesmo projeto. 15. UEL-PR No trecho e consumiu estimados US$ 3 bilhes, a palavra estimados poderia ser substituda, sem alterao do signicado do texto, por: a) declarados. d) com certeza. b) aproximadamente. e) apreciados. c) indispensveis 16. UEL-PR A coeso do primeiro texto se deve, em parte, ao uso de expresses que remetem a outras, algumas das quais foram assinaladas. A expresso qual o item assinalado se liga est indicada corretamente na alternativa: a) manipul-los os cientistas b) essa nova rea a biotecnologia c) o uso dessa tecnologia desenvolvimento de equipamentos que amplicam o DNA e lem milhares de seqncias genticas ao mesmo tempo d) dessa primeira etapa grupos privados que ameaavam terminar antes a faanha do sculo e) os dados j obtidos o Projeto Genoma Humano
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17. UEL-PR Muitos resultados so imprevisveis, mas os dados j obtidos, diz a pesquisadora, sem dvida permitiro um desenvolvimento extraordinrio, tanto na medicina e na biotecnologia quanto na bioinformtica. Os conectivos grifados podem ser substitudos, sem alterao do signicado, respectivamente, por: a) porm no s mas tambm. b) entretanto ora ora. c) portanto no s mas tambm. d) porque seja seja. e) contudo ora ora. 18. UEL-PR O comentrio de Ronald M. Green sobre o seqenciamento do genoma humano faz uma enumerao de benefcios. Se o primeiro item dessa enumerao fosse alterado para 1) aperfeioamento do diagnstico..., os demais deveriam ter a forma: a) 2) aprimorando o tratamento...; 3) desenvolvidas intervenes... b) 2) aprimorar o tratamento...; 3) desenvolvimento de intervenes... c) 2) prioridade para o tratamento...; 3) desenvolvimento para intervenes... d) 2) aprimoramento do tratamento...; 3) desenvolvimento de intervenes... e) 2) aprimoramento do tratamento...; 3) desenvolver intervenes... 19. UFG-GO Einstein com a lngua de fora uma das imagens mais exploradas pela publicidade. Essa foto produtiva como recurso persuasivo no discurso publicitrio porque:

d) sugere que os textos das propagandas devem ser to atuais quanto as inovaes tecnolgicas. e) concorre para a promoo do jogo com o inesperado, ao mostrar a irreverncia de um renomado cientista. 20. UEL-PR Lquido que no respinga O segredo para espalhar gua num mergulho a presso atmosfrica. Quando uma gota normalmente cai sobre uma superfcie, ela se espalha em uma poa ondulada que se parte em respingos. 5 Buscando controlar a ao, fsicos da Universidade de Chicago liberaram gotas de lcool em uma cmara de vcuo sobre uma superfcie de vidro lisa e seca e gravaram os resultados com uma cmera que fotografa 47 mil quadros por segundo. 10 Com cerca de um sexto da presso atmosfrica normal, o respingo praticamente desapareceu; as gotas simplesmente se dissolviam sem ondulaes visveis. Os pesquisadores suspeitam que as gotas respingam porque 15 a presso do gs as desestabiliza. A descoberta, apresentada na reunio de maro da Sociedade Americana de Fsica, poderia ajudar a controlar o respingo em combustveis e impressoras a tinta. 1 Ao tentar controlar a queda de uma gota sobre uma superfcie, os pesquisadores observaram que: a) o respingo praticamente desaparece quando a presso atmosfrica se aproxima de um sexto da normal. b) a gravao com uma cmera fotogrca de 47 mil quadros capta a quantidade de respingos. c) a descoberta soluciona o problema do respingo em combustveis e impressoras a tinta. d) a presso atmosfrica alterada pela liberao de gotas de lcool em uma superfcie. e) a gota se espalha em forma de uma poa ondulada que se parte em mltiplos respingos. 21. UFG-GO Observe o texto abaixo.

Veja. So Paulo, 27 de jul. 2005, p. 101.

a) instiga o leitor a recuperar valores emocionais despertados em um dos maiores fsicos da histria. b) vincula a credibilidade da propaganda ao princpio fsico de que a percepo da realidade relativa. c) estimula o pblico consumidor a questionar as verdades cienticas estabelecidas antes do sculo XX.
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ANGELI. Folha de S. Paulo, So Paulo, 15 abril 2005, p. A2.

O efeito de sentido criado pela charge faz aluso: a) ao descumprimento das promessas polticas relativas diminuio do desemprego. b) fantasia das pessoas comuns em relao s obrigaes da vida parlamentar. c) valorizao do jornalismo sensacionalista pelos meios de comunicao. d) ocupao de funes pblicas por parentes de polticos. e) ao papel scalizador da imprensa no combate ao trabalho infantil. 22. UniCOC-SP Leia e analise a pea publicitria a seguir para responder questo.

23. UniCOC-SP As tirinhas fazem uso da unio harmnica entre linguagem verbal e linguagem no verbal. Por meio dessa juno, os desenhistas conseguem o humor caracterstico desse estilo. A partir dessa armao e da anlise das tiras a seguir, da autoria de Fernando Gonsales, assinale o que for correto.

a) As palavras barata (3 quadrinho) e prende foram empregadas em sentido ambguo. b) Em histrias curtas como essas, o uso intenso de verbos agiliza a ao, tanto que todos os quadrinhos que tm fala de personagens apresentam explicitamente alguma forma verbal. c) Fica evidente a semelhana entre a personagem rabugenta da primeira tira e o homem da segunda. d) O humor das duas tirinhas s se evidencia pela presena de uma baratinha letrada e viciada em naftalina. e) Nas duas tiras, as imagens so dispensveis para o entendimento do texto. Textos para as questes de 24 a 26. Durante todo o sculo XX, a cultura brasileira oscilou entre a busca de uma identidade nacional e o desejo de integrao cosmopolita na ponta do mundo contemporneo. Essa busca de identidade no foi s um esforo de poetas e artistas, mas tambm de pensadores que centram nossa originalidade na idia de um brasileirismo afetivo e gentil, retrato construdo por ns mesmos e vendido l fora com muito sucesso, at recentemente. Essa idia de afetividade recorrente em quase todos os nossos melhores intelectuais do perodo, do luso-tropicalismo de Gilberto Freyre ao homem cordial de Srgio Buarque de Hollanda, do macunaismismo de Mrio de Andradre civilizao gozosa de Darcy Ribeiro, do populismo carinhoso de Jorge Amado aos malandros e heris de Roberto da Matta. Talvez devamos levantar a hiptese de que, embora essa afetividade nunca tenha se manifestado verdadeiramente em nossa histria social, pode ser que ela seja o mais belo, profundo e secreto projeto inconsciente do povo desse pas, sempre inviabilizado pelo Brasil dos infernos, mas detectado e textualizado por mestres medinicos. O mistrio do galo no est na iluso de que seja capaz de fazer nascer o sol, mas em que seu canto anuncia a existncia do sol, mesmo ainda por nascer.
Carlos Diegues. Reexes para o futuro. Veja 25 anos, 1993, p. 55.

Folha de S. Paulo, 17/09/05.

No contexto formado pela imagem e pelos dois primeiros perodos do texto da pea publicitria, ocorrem, intencionalmente, duas ambigidades. Aponte a alternativa que as localiza devidamente. a) Nas expresses + 1 amigo e por $ 2,90. b) Na pulseira sobre a cabea da menina e na expresso Apae de So Paulo. c) Nas expresses algum muito especial e por $ 2,90. d) Na pulseira sobre a cabea da menina e na expresso algum muito especial. e) Nas expresses Guia da Apae e + 1 amigo.

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24. Segundo o texto, as obras de Gilberto Freyre, Srgio Buarque de Hollanda, Mrio de Andrade, Darcy Ribeiro, Jorge Amado e Roberto da Matta tm em comum: a) a busca de integrao do Brasil com o mundo. b) a apresentao da histria social brasileira. c) a liao ao movimento cultural do luso-tropicalismo. d) a defesa do jeitinho brasileiro como trao marcante do povo. e) a representao da identidade nacional pelo mito brasileiro afetivo. 25. Na ltima frase do texto, o autor usa as metforas do galo e do nascer do sol para representar, respectivamente: a) um grupo de pensadores a manifestao da afetividade na histria social do Brasil. b) os mestres medinicos a integrao do Brasil com o mundo. c) poetas e artistas a revelao da identidade nacional. d) Jorge Amado e Mrio de Andrade o projeto inconsciente do povo brasileiro. e) a busca da identidade os textos intelectuais brasileiros do sculo XX. 26. Embora a afetividade do povo brasileiro nunca tenha se manifestado verdadeiramente em nossa histria social, talvez ela seja o mais belo projeto inconsciente do povo desse pas. Quais sentenas mantm as mesmas relaes lgicas do excerto? I. A afetividade do povo brasileiro nunca se manifestou verdadeiramente em nossa histria social, mas possvel que ela seja o mais belo projeto inconsciente do povo desse pas. II. A afetividade do povo brasileiro nunca se manifestou verdadeiramente em nossa histria social, portanto pode ser que ela seja o mais belo projeto inconsciente do povo desse pas. III. Apesar de a afetividade do povo brasileiro nunca ter se manifestado verdadeiramente em nossa histria social, talvez seja o mais belo projeto inconsciente do povo desse pas. a) b) c) Apenas I e II. Apenas I e III. Apenas II e III. d) e) Apenas I. Apenas III.

II. Predomina no texto o nvel elevado de linguagem por situar-se acima da linguagem padro. III. Na redao do texto, foi usada a linguagem de nvel tcnico, caracterizado por um lxico prprio das reas da cincia e da losoa, entre outras. IV. A palavra pois introduz orao que indica concluso, consequncia. Esto corretas as armaes dos itens: a) I e III d) III e IV b) I e II e) I e IV c) II e IV Texto para as questes de 28 a 30. Clonagem Parabenizo o jornalista Marcelo Leite pelo artigo O conto das clulas de cordo (Mais!, pag 18,18/7) A tecnologia de congelamento de clulas de cordo muito bem dominada por alguns servios mdicos no Brasil h vrios anos. Logo, seria natural que migrssemos para esse campo. Mas, mesmo sendo factvel a sua introduo, camos convencidos de que essa seria uma rea que s deveria ser implantada por instituies (preferencialmente pblicas) responsveis pelo tratamento de um grande contingente de pacientes, pois s com um cadastro nacional abrangente pederiam ser atendidos aqueles com indicao de transplante de medula ssea que no tivessem doadores relacionados disponveis. Infelizmente foi com muito pesar que vi a proliferao de bancos de cordo voltados ao possvel atendimento dos prprios doadores do cordo (crianas saudveis e provenientes de famlias com bons recursos nanceiros), uma prtica totalmente desnecessria com pouca repercusso do ponto de vista da sade pblica. Foi por esse motivo que nunca nos aventuramos nessa rea.
Silvano Wendel, diretor mdico do banco de sangue do Hospital SrioLibans (So Paulo-SP) Folha de S. Paulo, So Paulo, 23 jul. 2004

27. EFOA-MG O sistema circultorio sangneo um vasto e complexo circuito de vasos que tem como pea principal o corao, pois do seu trabalho que resulta a fora propulsora que impulsiona o sangue atravs de toda a rede vascular. Considere as seguintes afirmaes a respeito do excerto acima. I. A funo de linguagem predominante no excerto a referencial.
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28. UFG-GO A saudao inicial utilizada pelo mdico Silvano Wendel, alm de estabelecer a situao comunicativa, tem como objetivo: a) instaurar o jornalista Marcelo Leite como o interlocutor na carta. b) apresentar o artigo de Marcelo Leite como a motivao para a carta. c) fazer uma crtica ao artigo do caderno Mais!, utilizando o verbo parabenizar. d) Sugerir aos leitores que a carta ser uma proposta irnica ao artigo de Marcelo Leite. e) informar aos leitores que o mdico especialista em congelamento de clulas. 29. UFG-GO O titulo do artigo de Marcelo Leite O conto das clulas de cordo resume a tese de que a prtica de doao de cordo umbilical no tem favorecido aqueles que realmente necessitam de transplante de medula. O sentido construdo no ttulo alcanado pelo recurso de: a) inverso construda pelo emprego das palavras clulas e conto.

b) oposio, provocada pelo uso da palavra cordo, que tem duplo sentido. c) pardia, construda pela explicao do que vm a ser as clulas de cordo. d) intertextualidade, marcada pelo uso de termos que recuperam elementos dos contos de fadas. e) contradio, provocada pelo uso dos termos cordo e clulas, que remetem a domnios diferentes. 30. UFG-GO Na linguagem utilizada na carta clonagem predominam funes vinculadas ao assunto e ao convencimento do leitor. Essas funes so percebidas pelo emprego de: a) expresses, como infelizmente, referentes ao sentimento do autor e de denies dos termos cienticos empregados. b) marcas da oralidade para garantir a ateno do leitor e parfrases para evidenciar o modo como o texto foi organizado. c) termos referenciais para informar com preciso e objetividade e argumentos para garantir a adeso do leitor ao ponto de vista do autor. d) adjetivos para evidenciar os traos de subjetividade do autor e sinnimos para garantir a compreenso do leitor sobre o tema proposto. e) recursos da linguagem gurada para garantir a compreenso da mensagem e verbos no modo imperativo para marcar uma proximidade com o leitor. 31. Leia a cano abaixo. Al, al, marciano Aqui quem fala da Terra Pra variar estamos em guerra Voc no imagina a loucura O ser humano t na maior ssura porque T cada vez mais down o high society [...] Os versos em negrito so claras referncias das seguintes funes da linguagem: a) potica e ftica. b) metalingstica e potica. c) conativa e emotiva. d) ftica e conativa. e) emotiva e conativa. 32. De manh, bem cedinho, o pai bate na porta do lho: - Acorda, lho! Est na hora de voc ir para o colgio. E o lho, de mau humor, responde: - Hoje eu no vou ao colgio! E no vou por trs motivos: eu estou morto de sono, detesto aquele colgio e no agento mais os meninos. E o pai responde do corredor: - Voc tem que ir! E tem que ir exatamente por trs motivos: voc tem um dever a cumprir, voc tem 45 anos e voc o diretor da colgio. Assinale a alternativa que apresenta considerao inadequada sobre o texto.
Composio: Rita Lee/Roberto de Carvalho

a) Uma das razes para que, inicialmente, o leitor imagine que o lho seja uma criana o sentimento que ele apresenta ao referir-se ao colgio. b) Os argumentos utilizados pelo lho so rebatidos por argumentos mais fortes do pai. c) Se o lho no tivesse 45 anos, o argumento de que ele tem um dever a cumprir no teria qualquer valor. d) Uma das estratgias textuais que faz com que o leitor no identique imediatamente a funo do lho na escola a aparente relao de igualdade que ele estabelece entre si e os alunos. 33. Cunha e Cintra (1985: 266), ao discorrerem sobre a concordncia do adjetivo com o substantivo nos casos em que o adjetivo vem depois do substantivo, escrevem: Se os substantivos so do mesmo genro e do singular, o adjetivo toma o genro (masculino ou feminino) dos substantivos e, quanto ao nmero, vai: a) para o singular (concordncia mais comum); b) para o plural (concordncia mais rara); [...] Se os substantivos so de genros diferentes e do plural, o adjetivo vai: a) para o plural e para o gnero do substantivo mais prximo (concordncia mais comum); b) para o masculino plural (concordncia mais rara)... Assinale a alternativa que no possa gurar como exemplo para as regras dos gramticos. a) Por ele, agora tenho sentimentos ambguos, um misto de paixo e d extremas. b) Conheo bem a lngua e a literatura francesa. c) Jamais uso vestimentas e adornos escuros. d) A estrada estava com sinais e faixas estragadas. Para responder s questes de 34 a 38 assinale (F) para as proposies falsas e (V) para as proposies verdadeiras. Texto I Porque minhas tranas estavam macias e lustrosas, a pele de meu rosto sabia a fruta veludosa, fresca e furta-cor, deitei-me naquele dia sob a telha de vidro da gaiola, na longa rede cheirosa de sabo preto feito em casa mesmo. Foi esse o incio de um destino esquerdo, que me marcou a testa a fogo e me faz arrastar uma banda do corao como um toco de carne empedrado pela vida afora. Da mais um pouco fui embranquecendo os os do cabelo da fronte, e meus olhos acharam por bem esburacaremse parecendo por m a dois lagos meio verdes meio azuis, esfumaados pela neblina que saa da chamin daquela casa onde, beira do fogo, encostei meu umbigo temperando as sopas dos meninos e pondo o leite pra ferver, porque desde cedo me secaram as tetas e o jeito era recorrer ao leite das cabras do quintalo de pedras e, tambm, porque minha bisav, que ainda falava e orava com um o da voz e se cobria num canto do quarto escuro, como uma mancha no ermo, dizia e repetia que crianas de dentes fortes e olhos vivos devem beber leite de cabra j que as mes se secam muito cedo, por dentro e por fora de tanto arrancarem pedacinhos de carne e sustana do suco de ossos e sangue para sovar o dia do marido que evem chegando, levantando a voz como se nascesse rei e o bando de lhos seus primeiros sditos.
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34. UCG-GO 1. No texto, a personagem, ao mesmo tempo em que descreve suas mudanas fsicas, faz tambm um desabafo de uma mulher que teve sua vida destruda pelo casamento. 2. De acordo com o que se l no primeiro perodo do texto, a personagem deitou-se em uma rede preta e cheirosa. 3. Em a pele de meu rosto sabia a fruta veludosa, fresca e furta-cor..., o verbo saber foi usado no mesmo sentido que na frase seguinte: Naquele atropelo, nem sabia mais se seria eu aquela de tranas macias, com enormes riscos de ouro.... 4. Para expor a opinio da bisav da personagem, foram utilizados dois tipos de discursos: o indireto, marcado pelos verbos de elocuo e pelas oraes substantivas, e o indireto livre, marcado por expresses como ... sovar o dia do marido que e vem chegando, levantando a voz como se nascesse rei.... 5. Em ... levantando a voz como se nascesse rei, correto armar que a utilizao do verbo nascer no subjuntivo e do operador como se permite a leitura de uma crtica ao esteretipo do homem como senhor absoluto da casa, a quem todos deveriam se submeter e jamais questionar. 6. ... e o bando de lhos seus primeiros sditos. Percebe-se nessa frase, claramente, a elipse do verbo ser. Caso o verbo estivesse presente deveria, de acordo com as normas da lngua padro, estar no mais-que-perfeito do subjuntivo e, obrigatoriamente, na terceira pessoa do singular. 35. UCG-GO 1. Pela leitura do texto, correto armar que a personagem, embora incapaz de modicar uma situao socialmente imposta s mulheres, no se mostra to conformada como a av, que ainda demonstra sua submisso ao homem. 2. De acordo com o texto, a vida de sofrimento iniciou-se com o casamento, que ocorreu porque a personagem era jovem e bela. 3. A personagem demonstra que, apesar de trabalhar muito, cuidar dos lhos e dos afazeres domsticos, continuava a ser uma pessoa vaidosa, e que se preocupava em tingir os cabelos com tons mais claros, pois arma: Da mais um pouco fui embranquecendo os os do cabelo da fronte.... 4. Na frase ... porque me secaram as tetas.. considerando-se o contexto, o verbo secaram usado na terceira pessoa do plural pode estar relacionado e, portanto, ter como agentes tanto meninos como tetas. 5. Em relao linguagem utilizada no texto, correto armar que predominam o nvel padro e a denotao. 6. Em Foi esse o incio de um destino esquerdo, que me marcou a testa a fogo e me fez arrastar uma banda do corao como um toco de carne empedrado pela vida afora., destino esquerdo, que (= destino esquerdo) e como um toco de carne, so respectivamente: hiprbole, metfora e prosopopia.
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Texto II Cena IV Carlos entra pelo fundo, apressado; traz o hbito roto e sujo. Carlos No h grades que me prendam, nem muros que me retenham. Arrombei grades, saltei muros e eisme aqui de novo. E l deixei parte do hbito, esfolei os joelhos e as mos. Estou em belo estado! Ora, para que ateimam comigo? Por m lano fogo ao convento e morrem todos os frades assados, e depois queixemse. Estou no meu antigo quarto, nigum me viu entrar. Ah, que cama esta? a da tia... Estar... Ah, ela... e dorme... mudou de quarto? O que se ter passado nesta casa h oito dias? Estive preso, incomunicvel, a po e gua. Ah, frades! Nada sei. O que ser feito da primeira mulher do senhor meu tio, desse grande patife? Onde estar a prima? Como dorme! Ronca que um regalo! (Batem palmas) Batem! Sero eles, no tem dvida. Eu acabo por matar um frade... 36. UCG-GO 1. Em E l deixei parte do hbito, esfolei os joelhos e as mos. correto armar que o advrbio l introduz um sentido de espao referente a grades e muros, que, metonimicamente, representa o convento. 2. Pela leitura do texto, no possvel armar se o tio, a quem a personagem se refere, marido ou irmo da tia que est dormindo, pois no existe nenhum elemento que permita tal inferncia. 3. Estou em belo estado! Essa frase exclamativa indica que a personagem esta se sentindo bem, por estar de volta ao seu quarto e por haver conseguido arrombar grades e saltar muros. 4. De acordo com as normas propostas pela gramtica normativa para o uso dos pronomes oblquos, advrbios so palavras atrativas. Assim, ...e depois queixem-se, tal como aparece no texto, estaria correto, de acordo com a gramtica normativa, se fosse assim escrito: ...e depois se queixem. 5. O sujeito das frases Como dorme! e Ronca que um regalo! est expresso pela desinncia verbal que estabelece coerncia, textualmente, pela coeso referencial com a palavra tia. 6. O verbo ser, usado no futuro do presente do indicativo na frase Sero eles, no tem dvida., poderia, sem provocar alterao de sentido, ser usado no presente do indicativo. 37. UCG-GO 1. O espao numa pea de teatro estabelecido pela cenograa. No texto, h referncia a dois espaos diferentes. Observando-se o pronome demonstrativo e o advrbio nas frases: O que se ter passado nesta casa h oito dias?, ...eis-me aqui de novo., correto armar que, ao utilizar o advrbio aqui e o pronome nesta, Carlos introduz uma oposio entre dois espaos: o convento, onde se encontrava preso, e sua casa, em seu antigo quarto, local em que se encontra no momento da fala. 2. Em Ah, que cama esta? o uso do demonstrativo indica que a persongem encontrava-se prxima cama a que est se referindo.

3. Ao armar: Eu acabo por matar um frade... a personagem confessa o assassinato por ela cometido e que foi o motivo de haver fugido do convento, arrombando grades e saltando muros. 4. O uso dos parnteses no contexto de uma pea de teatro serve para introduzir comandos do autor do texto na composio da cena ou das atitudes a serem tomadas pelos atores. Em (Batem palmas) o autor pretendeu que Carlos batesse palmas. 5. Em Estar..., o uso das reticncias indica suspenso do pensamento. correto armar que ocorre uma gura de sintaxe denominada de anacoluto. 6. De acordo com o que se l no texto, Carlos encontrou a tia no quarto e na cama que eram dele. 38. UCG-GO

Muitos j viram esse lme, mas poucos sabem como ele termina. O desfecho dessa misteriosa trama muito mais simples do que parece. Voc vai acompanhar a partir dessa semana, na revista poca, uma srie que vai mostrar tudo que voc sempre quis saber sobre Home Theater mas no tinha pra quem perguntar. Sem mistrio, sem drama. E com muita ao, fantasia, romance... Enm, um nal feliz para as suas dvidas mais clssicas.
Revista poca

39. Mackenzie-SP O texto: a) esclarece dvidas do leitor sobre aquisio e uso de um eletrodomstico. b) promove apenas a srie informativa a ser publicada pela revista. c) divulga um produto eletrnico novo e desconhecido no mercado nacional. d) ressalta, simultaneamente, os predicados de dois produtos. e) sugere, em linguagem cientca, a excelncia da srie a ser publicada. 40. Mackenzie-SP Depreende-se do texto que: a) o Home Theater tem como principal atrativo o baixo custo, apesar de oferecer outras vantagens. b) o Home Theater um produto popular, cujas caractersticas tcnicas so sucientemente conhecidas. c) nunca houve diculdade nem para obter informaes, nem para ter em casa um Home Theater. d) a srie ter como uma de suas funes a tarefa de indicar programas de qualidade na TV a cabo. e) a srie fornecer ao leitor informaes sobre o Home Theater, como, por exemplo, preo e locais de venda. 41. Mackenzie-SP Sobre a linguagem utilizada no texto, correto armar que: a) informal em excesso, considerada a sosticao atribuda no texto aos produtos anunciados. b) recorre a grias para tratar do Home Theater e linguagem padro para tratar da srie usos que explicitam, respectivamente, o carter ldico e informativo dos produtos. c) caracterizada pelo recurso a termos cientcos, que traam um perl de alta qualidade para o Home Theater. d) explora a ambigidade de alguns termos para vincular os produtos anunciados a emoes cinematogrcas e comodidade do telespectador. e) est plenamente adequada s regras gramaticais, o que comprova a estrutura dissertativa do texto.

1. A gura acima trata-se de uma charge, cujo tema versa sempre sobre algum acontecimento que j foi veiculado na mdia. Dessa forma, a charge no responsvel por uma nova notcia, mas uma releitura de uma notcia ou de um fato. 2. Observando os elementos que compem a charge, correto armar que ela se refere a alguma notcia sobre aviao. Isso comprovado pelos elementos icnicos, pois nenhum elemento verbal faz referncia aviao. 3. O verbo ter, utilizado na fala do passageiro, poderia ser substitudo pelo verbo haver, o que conguraria o uso do nvel formal da linguagem. 4. A opo de reserva de um lugar na caixa-preta, que, em caso de sinistro com a aeronave, um instrumento que pode ajudar a identicar as causas, a responsvel pelo humor na charge e, ao mesmo tempo, permite inferir que a charge foi feita depois de algum desastre areo. 5. As palavras algum, lugar, vago e caixa-preta so, respectivamente, adjetivo, advrbio, adjetivo e substantivo. 6. Caixa-preta, sob o ponto de vista de sua estrutura, contm dois radicais, por isso, quanto ao processo de formao, considerada uma palavra derivada. Texto para as questes de 39 a 42. Voc quer um som de cinema e uma imagem de alta resoluo na sala da sua casa, mas no tem idia com quem falar, onde procurar ou quanto vai gastar?

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42. Mackenzie-SP Considere as seguintes armaes. I. Em som de cinema, tem-se uma caracterizao de som baseada em uma comparao implcita. II. Querer e ter, usados no presente e no passado, ajudam a veicular o contedo de que os problemas do receptor terminaram. III. As formas vai gastar e vai acompanhar explicitam incerteza do emissor em relao a essas aes do receptor do texto. Assinale: a) se apenas a armao I estiver correta. b) se apenas as armaes I e II estiverem corretas. c) se apenas as armaes II e III estiverem corretas. d) se apenas as armaes I e III estiverem corretas. e) se apenas a armao III estiver correta. 43. Escolha uma das propostas a seguir e desenvolva-a com o mnimo de 7 e o mximo de 15 linhas. a) Dirio O dirio um tipo de relato pessoal que narra fatos, aes, impresses e reexes relativos ao cotidianos e ao ambiente social de que faz parte o autor. no dirio que, muitas vezes, depositam-se segredos e emoes das mais ntimas. Imagine que voc um executivo na rea cientca, pai de famlia, desempregado h mais de trs anos. Voc e sua famila passam pelas diculdades prprias desses momentos: lhos indo estudar em escolas pblicas, emprstimos bancrios e outras contas vencidos h muito. Na procura por emprego, durante uma entrevista, voc confundido com um prossional da sua rea, durante anos fora assistente de renomado cientista. Voc silencia, no desfaz o engano e ca com o emprego. Alguns dias depois, reetindo sobre o fato, voc acrescenta mais uma pgina no seu velho dirio, tentando se justicar, luz de conceitos ticos e morais. (Abaixo seguem-se algumas citaes que podero ser teis na montagem do seu texto.) Os ns justicam os meios. (Maquiavel) Rouba, mas faz! (o eleitor, ao votar num candidatosabidamente desonesto) Quero ganhar por meio a zero, com um gol de mo! (o tcnico da seleo brasileira, Mario Lobo Zagallo)

b) Carta de leitor A carta de leitor um genro da mdia impressa; um espao destinado aos leitores que queiram emitir pareceres pessoais favorveis ou desfavorveis s matrias publicadas, ou sobre situaes comunitrias. Faa de conta que voc mora em um bairro em que sempre ocorrem enchentes na poca chuvosa. O problema existe h anos e jamais a prefeitura tomou qualquer providncia para amenizar o drama dos muitos moradores atingidos por vrias perdas, alm da conseqente diculdade em retornar a rotina, inclusive por culpa do prejuzo nanceiro. Considerando que a prefeitura inaugurou recentemente um moderno viaduto para facilitar o trnsito de um bairro classe mdia alta, prximo do seu, e que no mesmo dia um jornal anunciou que obras de conteno de enchentes j houveram sido construdas em seu bairro, voc resolve escrever para esse jornal impresso denunciando a injusta situao. Procure ser objetivo e consistente na sua argumentao, sem deixar de chamar a ateno para a responsabilidade da imprensa em relao verdade. c) Interpretao Aps a observao da imagem a seguir, interprete a mensagem que o autor pretendeu transmitir atravs dela.

Folha de S. Paulo, 29/11/05.

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Captulo 2
44. Fuvest-SP b) quebra de expectativa, ao se sobrepor um poder no-institucionalizado ao poder de Estado. c) intertextualidade, ao se apresentar no plano nacional a situao de pases em guerra. d) polifonia, pois se manifestam as vozes da fora pblica e do poder paralelo. e) situacionalidade, ao se caracterizar socioculturalmente o ambiente de conito. 46. UFG-GO Ao empregar o termo isso, o personagem faz referncia: a) ao estabelecimento dos papis enunciativos de locutor e de interlocutor. b) ao momento de ocorrncia da ao descrita na charge. c) a um elemento de natureza no-verbal componente do texto. d) identicao do interlocutor de um plano externo charge. e) ordenao dos elementos iconogrcos em um mesmo espao. 47. Ibmec-SP

BR. Contribuindo para o cinema brasileiro rodar cada vez melhor. A Petrobras Distribuidora sempre investiu na cultura do Pas e acreditou no potencial do cinema brasileiro. E a Mostra BR de Cinema um exemplo disso. Sucesso de pblico e crtica, hoje a Mostra j est na sua 26 edio e sua qualidade reconhecida por cineastas do mundo todo. E voc tem um papel muito importante nesta histria: toda vez que abastecer em um Posto BR estar contribuindo tambm para o cinema brasileiro rodar cada vez mais.
Adaptado do Catlogo da 26 Mostra BR de Cinema out/2002.

Considerando os elementos visuais e verbais que constituem este anncio, identique no texto: a) a palavra que estabelece de modo mais ecaz uma relao entre patrocinado e patrocinador. b) duas possveis leituras da frase E voc tem um papel muito importante nesta histria. Leia a charge para responder s questes 45 e 46.

Dik Browne O melhor de Hagar, o Horrvel. L&PM

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45. UFG-GO Na seqncia de quadros da charge acima, o efeito de sentido alcanado com o auxlio de: a) paralelismo, pois se destaca a simultaneidade das aes militares e aes marginais.

Levando-se em conta os aspectos textuais e visuais da tirinha, assinale a alternativa correta. a) A pergunta de Helga, no primeiro quadrinho, revela que ela quer pedir o divrcio. b) O humor da tira se constri a partir da possibilidade de Helga ter se casado por duas vezes. c) A pergunta de Eddie Sortudo, no segundo quadrinho, evidencia a idia de que Hagar um bom marido. d) A graa da tira est no fato de Eddie Sortudo partir da pressuposio de que Helga no estivesse se referindo a Hagar, seu nico marido. e) A sionomia de Hagar, nos dois quadrinhos, denota sua irritao com o fato de Helga ter se lembrado de seu ex-marido.
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48. UFMS Leia o texto que segue e responda questo a seguir. Da solido H muitas pessoas que sofrem do mal da solido. Basta que em redor delas se arme o silncio, que no se manifeste aos seus olhos nenhuma presena humana, para que delas se apodere imensa angstia: como se o peso dos cu desabasse sobre a sua cabea, como se dos horizontes se levantasse o anncio do m do mundo. No entanto, haver na terra verdadeira solido? No estamos todos cercados por inmeros objetos, por innitas formas da natureza e o nosso mundo particular no est cheio de lembranas, de sonhos, de raciocnios, de idias, que impedem uma total solido? Tudo vivo e tudo fala em redor de ns, embora com vida e voz que no so humanas, mas que podemos aprender a escutar, porque muitas vezes essa linguagem secreta ajuda a esclarecer o nosso prprio mistrio. Como aquele sulto Mamude, que entendia a fala dos pssaros, podemos aplicar toda a nossa sensibilidade a esse aparente vazio de solido: e pouco a pouco nos sentiremos enriquecidos. Assinale a(s) proposio(es) correta(s), de acordo com o texto. 01. Pelas marcas textuais da narrao, nota-se que Ceclia Meireles fala exclusivamente de sua experincia. 02. O sentimento de desesperana perpassa todo o texto, com enfoque maior no segundo pargrafo. 04. No primeiro pargrafo, a sintomatologia do mal da solido apresentada apenas como o estar sozinho. 08. Com o uso da forma interrogativa no segundo pargrafo, a autora sinaliza a articulao entre o mundo interior e o mundo exterior como algo antagnico solido. 16. A tese, defendida pela autora, a de que a verdadeira solido no existe. Some os nmeros dos itens corretos. 49. PUC-MG A questo seguinte refere-se piada abaixo, retirada de uma agenda estudantil publicada em 2003 (POSSENTI, Srio. Agenda estudantil 2003/Srio Possenti. Campinas: mercado de letras, 2003). Falante A: Conhece o Dr.Elias? Falante B: Conheo. Falante A: um mdico muito famoso. Falante B: mesmo. A fama dele vai daqui ao outro mundo... Sobre o texto, assinale a alternativa incorreta. a) No se pode dizer que o falante B conhea o Dr. Elias. b) Na ltima interveno do falante B, est presente a ironia. c) Os falantes A e B do sentido diferente palavra famoso.
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In: Escolha o seu sonho Ceclia Meireles

d) Com a sua segunda interveno, o falante A introduz uma informao que supe ser compartilhada com o falante B. 50. UFPE

A anlise dos quadrinhos nos revela que: 1. existe a esperana de que seja reconhecido o valor secundrio da riqueza material. 2. idias ingnuas so aquelas que, uma vez impressas, levam a monstruosidades. 3. em ltima anlise, acredita-se no poder que resulta da supremacia dos bens culturais. 4. as idias podem representar um risco, se elas pem em jogo certas garantias imediatas. Esto corretas: a) 1, 2 e 4 apenas. d) 2 e 4 apenas. b) 1, 3 e 4 apenas. e) 1, 2, 3 e 4. c) 2 e 3 apenas. 51. UFRJ Na contramo dos carros ela vem pela calada, solar e musical, pra diante de um pequeno jardim, uma folhagem, na entrada de um prdio, colhe uma or inesperada, inspira e ri, a prpria felicidade passando a cem por hora pela janela. Ainda tento v-la no espelho mas tarde, o eterno relance. Sua imagem quase embriaga, chego no trabalho e hesito, por que no posso conhecer aquilo? a plenitude, o perfume inusitado no meio do asfalto, oculto e bvio. Sempre minha cena favorita. Ela chegaria trazendo esquecimentos, a flor no cabelo. Eu estaria espera, no jardim. E haveria tempo.
CASTRO, Jorge Viveiros de. De todas as nicas maneiras & outras. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2002, p.113

Quino. Toda a Mafalda. So Paulo: Martins Fontes, 1993, p. 16.

A expresso eterno relance compe-se de dois vocbulos que implicam noes diferentes acerca do tempo. Explique o uso dos vocbulos combinados na expresso acima, em sua relao com a idia central do texto.

52. UFRJ Viver Vov ganhou mais um dia. Sentado na copa, de pijama e chinelas, enrola o primeiro cigarro e espera o gostoso caf com leite. Lili, matinal como um passarinho, tambm espera o caf com leite. Tal e qual vov. Pois s as crianas e os velhos conhecem a volpia de viver dia a dia, hora a hora, e suas esperas e desejos nunca se estendem alm de cinco minutos...
QUINTANA, Mrio. Sapato orido.1a reimpresso. Porto Alegre: Editora Globo, 2005

Explique a semelhana entre a caracterizao da vida na infncia e na velhice, expressa no texto acima, e identique um recurso lingstico que traduza essa semelhana. Texto para as questes de 53 a 56. Idia Mulher Nua Com aquela prodigiosa sem-cerimnia dos muito jovens formularem perguntas encardidas, pegam-me pelo rabo e me perguntam assim de bate-pronto: Como escrever todo santo dia? E o pior: Escrever do ponto de vista literrio, vem a ser o qu? Responde a, tio, e sem usar muito laarote, que a turma quer resposta sukita, quer dizer, sucinta. Vamos l: Escrever - tento - ter uma idia e dar-lhe uma forma. A turma hasteia no horizonte um olhar de quem continua boiando. Insisto: Imaginem, perdoado o jeito machista da comparao, que a idia uma mulher bonita. E nua. Cabe ao escritor vest-la. Sendo um estilista, fundar uma griffe. A forma, o invlucro, a sua roupa, feita de palavras colocadas nos lugares certos, para valorizar o busto, os quadris, o bumbum e deixar partes dessa idia de fora, as pernas, as costas, as coxas, em se tratando de uma mini-saia, minicrnica ou miniconto. Melhorou. A rapaziada j faz alguns sons de aprovao. No chegam a ser exatamente palmas. uma mistura de riso com rudos. Falou em mulher, tudo melhora. Sigo em frente: o que mais importante, o fundo ou a forma, a mulher ou a roupa? O leitor que o juiz do escritor - dir, como o poeta, que mulher fundamental. Ou seja, sem uma boa idia, nenhum texto prospera. Nua, uma bela mulher se basta e se candidata a uma arquibancada de admiradores. Vestir essa beldade requer cuidados. No se pode vest-la demais. Nem de menos. A m idia equivale a uma mulher muito feia: sendo perneta, caolha e usando bigode, uma mulher - a boa idia - poder se cobrir de ouro, como uma Clepatra, que jamais parecer atraente. Portanto, forma e fundo devem se completar. As meninas logo protestaram contra esse negcio de comparar boa idia com mulher nua. Antes que me processassem por coisicar a mulher e de transform-la num objeto, alternei a comparao. Aproveitei a mania da Frmula-1, e as nossas quase vs esperanas sempre postas em Rubinho Barrichello, para transferir a comparao para as pistas.

O motor de uma Ferrari a idia. Sua funcionalidade e resistncia constituem o fundo. J o design de sua carroceria e a aerodinmica sero a forma, ou a frmula. As palavras assumiro o papel do macaco que veste o conto, a crnica, ou at o romance. O que mais importante? O motor ou a aerodinmica? Os dois. A rapaziada gosta. As moas aceitam. Melhor assim, mas advirto: preciso saber dosar bem as duas coisas. Motor (fundo) ecarroceria (forma). Seno, escrito e escritor se esborracham no acostamento ou recolhem-se compulsoriamente aos boxes, estante esquecida onde o leitor os arquivar. Lembro que a arte de escrever no apenas um conjunto disciplinado de regras gramaticais, retricas ou poticas, mas um empenho expressivo. Uma forma de comunicao em que o escritor se coloca tambm na posio do leitor. Um escritor brasileiro proclamou certa vez a seguinte heresia: Quem escreve pensando no qu o leitor gostaria de ler e no assunto que poderia tornar agradvel a sua leitura, ento esse algum no um escritor, mas um redator de publicidade. Discordo veementemente. O escritor precisa ter no leitor um cmplice, um co-autor. Se ele no escreve pensando no outro lado do balco, no passa de um grande narcisista, um chato que s enxerga o prprio umbigo. Escrever bom asseguro garotada, mais chegada ao planeta eletrnico. Mas melhor ainda do que escrever - disse certa vez o torturado purista da lngua, Marques Rebelo - j ter escrito. O pingo nal sempre [e sempre bem-vindo, no mesmo?
Srgio da Costa Ramos. Dirio Catarinense, 24 de maro de 2000.

53. Acafe-SC Para explicar que Escrever ter uma idia e dar-lhe uma forma, o autor fez uso de comparaes. Assinale a comparao incorreta. a) Fundo a idia; forma o texto escrito. b) Uma boa idia corresponde a uma Clepatra vestida de ouro, de modo extravagante. c) A idia uma mulher bonita e nua; a forma corresponde sua roupa. d) A roupa corresponde s palavras usadas adequadamente. e) A idia como o motor de uma Ferrari. 54. Acafe-SC De acordo com o texto, sobre a passagem Nua, uma bela mulher se basta e se candidata a uma arquibancada de admiradores. Vestir essa beldade pelada requer cuidados. No se pode vesti-la demais. Nem de menos, correto armar que: a) belas mulheres devem mesmo car nuas. b) admirando belas mulheres, podemos escrever bons textos. c) uma boa idia se compara a uma bela mulher, todavia, se no estiver vestida adequadamente, perde o encanto. d) as mulheres somente so admiradas, se estiverem nuas. e) impossvel vestir belas mulheres.
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55. Acafe-SC Escritor tem que ter no leitor um cmplice. Se ele no escreve pensando no outro lado do balco, no passa de narcisista, um chato que s enxerga o prprio umbigo. Sobre o fragmento, incorreto armar que: a) no se deve pensar no leitor, escrever um ato de inspirao. b) escrever uma forma de se comunicar com o leitor, por isso o escritor deve, tambm, colocar-se na posio do leitor. c) quem no pensa no leitor escreve para si mesmo, acreditando que o melhor. d) o escritor deve pensar no que o leitor gostaria de ler. e) o autor do texto tem no leitor um cmplice. 56. Acafe-SC De acordo com o texto, assinale a relao incorreta. a) design desenho. b) boiando uma gria que signica no entender. c) coisicar forma verbal derivada de coisa. d) griffe marca, estilo. e) sukinta variante grca de sucinta. Textos para questes 57 e 58. Texto I Ento Macunama ps reparo numa criadinha com um vestido de linho amarelo pintado com extrato de tatajuba. Ela j ia atravessando o corgo pelo pau. Depois dela passar o heri gritou pra pinguela: Viu alguma coisa, pau? Vi a graa dela! Qu! qu! qu ququ!... Macunama deu uma grande gargalhada. Ento seguiu atrs do par. Eles j tinham brincado e descansavam na beira da lagoa. A moa estava sentada na borda duma igarit encalhada na praia. Toda nua inda do banho comia tambis vivos, se rindo pro rapaz. Ele deitara de bruos na gua rente dos ps da moa e tirava os lambarizinhos da lagoa pra ela comer. A crilada das ondas amontoava nas costas dele porm escorregando no corpo nu molhado caa de novo na lagoa com risadinhas de pingos. A moa batia com os ps ngua e era feito um repuxo roubado da Luna espirrando jeitoso, cegando o rapaz. Ento ele enava a cabea na lagoa e trazia a boca cheia de gua. A moa apertava com os ps as bochechas dele e recebia o jato em cheio na barriga, assim. A brisa ava a cabeleira da moa esticando de um em um os os lisos na cara dela. O moo ps reparo nisso. Firmando o queixo no joelho da companheira ergueu o busto da gua, estirou o brao pro alto e principiou tirando os cabelos da cara da moa para que ela pudesse comer sossegada os tambis. Ento pra agradecer ela enou trs lambarizinhos na boca dele e rindo muito fastou o joelho depressa. O busto do rapaz no teve apoio mais e ele no sufragante focinhou ngua at o fundo, a moa inda forando o pescoo dele com os ps. Ele ia escorregando sem perceber de tanta graa que achava na vida. Ia escorregando e anal a canoa virou. Pois deixai ela virar! A moa levou um tombo engraado por cima do rapaz e ele enrolou-se nela talqualmente um apuizeiro carinhoso. Todos os tambis fugiram enquanto os dois brincavam ngua outra vez.
Mrio de Andrade. Macunama O heri sem nenhum carter.

Texto II De outras e muitas grandezas vos poderamos ilustrar, senhoras Amazonas, no fora persignar demasiado esta epstola; todavia, com afirmar-vos que est , por sem dvida, a mais bela cidade terrquea, muito hemos feito em favor destes homens de prol. Mas cair-nos-iam as faces, si ocultramos no silncio, uma curiosidade original deste povo. Ora sabereis que a sua riqueza de expresso intelectual to prodigiosa, que falam numa lngua e escrevem noutra. Assim chegado a estas plagas hospitalares, nos demos ao trabalho de bem nos inteirarmos da etnologia da terra, e dentre muita surpresa e assombro que se nos deparou, por certo no foi das menores tal originalidade lingstica. Nas conversas, utilizam-se os paulistanos dum linguajar brbaro e multifrio, crasso de feio e impuro na vernaculidade, mas que no deixa de ter o seu sabor e fora nas apstrofes, e tambm nas vozes do brincar. Destas e daquelas nos inteiramos, solcito; e nos ser grata empresa vo-las ensinarmos a chegado. Mas si de tal desprezvel lngua se utilizam na conversao os naturais desta terra, logo que tomam da pena, se despojam de tanta asperidade, e surge o Homem Latino, de Lineu, exprimindo-se numa outra linguagem, mui prxima da vergiliana, no dizer dum panegirista, meigo idioma, que, com imperecvel galhardia, se intitula: lngua de Cames! De tal originalidade e riqueza vos h-de ser grato ter cincia, e mais ainda vos espantareis com saberdes, que grande e quase total maioria, nem essas duas lnguas bastam, seno que se enriquecem do mais ldimo italiano, por mais musical e gracioso, e que por todos os recantos da urbs versado.
Mrio de Andrade. Macunama O heri sem nenhum carter.

57. Fatec-SP A leitura do texto I torna possvel armar que essa passagem: a) caracteriza-se como descrio de aes, enfocando o encontro amoroso de um moo e uma criada, ressaltando a sensualidade de seu comportamento ( Eles j tinham brincado ). b) narra a exuberncia da fauna e da flora brasileiras ( Tirava os lambarizinhos da lagoa e A crilada das ondas ), afirmando antropofagicamente os valores nacionais. c) deve ser entendida de uma perspectiva psicanaltica, muito utilizada por Mrio de Andrade, fazendo entrever na gua da igarit um smbolo da sexualidade da cena descrita. d) explora oposies amorosas, em que gentilezas so retribudas com grosserias ( Ele [] tirava os lambarizinhos [] pra ela comer e A moa batia com os ps ngua [] cegando o rapaz ). e) insinua a futilidade das necessidades humanas mais elementares, tais como procriar, comer e repousar, resgatando influncias do realismo naturalismo, que precedeu o modernismo.

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58. Fatec-SP Assinale a alternativa que transcreve e converte, correta e respectivamente, a frase do registro coloquial da linguagem, extrada do texto I, em seu correspondente na modalidade culta. a) Pois deixai ela virar/ Pois deixa-a virar. b) Ele deitara de bruos na gua / Ele tinha deitado de bruos na gua. c) Depois dela passar / Depois de ela passar. d) ele enrolou-se nela talqualmente um apuizeiro carinhoso / ele enrolou-se nela mesmo sendo um apuizeiro carinhoso. e) Ia escorregando e anal a canoa virou / Ia escorregando e at que enm a canoa virou. 59. Ler ou no ler, eis a questo No existe estudo cientco que comprove, mas h uma percepo disseminada sobre a gerao atual: ela no gosta de ler. A constatao parte dos professores. Eles se queixam de que s com muito esforo conseguem obrigar seus alunos a ler os clssicos da literatura. Um dos argumentos mais utilizados recorrer ameaa do vestibular. Os pais endossam a percepo de repulsa dos jovens pelos livros. Reclamam freqentemente que os lhos padecem de falta de concentrao e, por isso, no so capazes de ler as obras bsicas para entender a matria. Por que isso acontece? O que faz com que uma gerao leia e outra fuja dos livros? H diversas explicaes, mas todas acabam convergindo para um mesmo ponto. Quando as pessoas recebem a informao mastigada na televiso, nos gibis, na internet , acabam tendo preguia de ler, um ato que exige esforo e reexo. Os canais pelos quais o jovem se informa nos dias de hoje so mltiplos. O livro apenas um deles. E o mais trabalhoso. Diante desse quadro, os educadores so unnimes num ponto: as armas de estmulo leitura precisam ser modernizadas.
Vivian Whiteman. Veja Jovens.

A or baixa se inculca por tulipa; Bengala hoje na mo, ontem garlopa. Mais isento se mostra o que mais chupa. Para a tropa do trapo vazo a tripa E mais no digo, porque a Musa topa Em apa, epa, ipa, opa, upa.
Gregrio de Matos Guerra, Seleo de obras poticas.

60. Fatec-SP Fica claro, no poema anterior, que a principal crtica do autor sociedade de sua poca feita por meio da: a) denncia da proteo que o mundo de ento dava queles que agiam de modo condenvel, embora sob a capa das leis da Igreja. b) enumerao de certos tipos que, por seus comportamentos, revelam um roteiro que identica e recomenda a ascenso social. c) elaborao de uma lista de atitudes que deviam ser evitadas, por no condizerem com as prticas morais encontradas na alta sociedade. d) comparao de valores e comportamentos da faixa mais humilde daquela sociedade com os da faixa mais nobre e aristocrtica. e) caracterizao de comportamentos que, embora sejam moralmente condenveis, so dissimulados em seus opostos. 61. Fatec-SP Em Para a tropa do trapo vazo a tripa, pode-se constatar que o poeta teve grande cuidado com a seleo e disposio das palavras que compem a sonoridade do verso, para salientar certos fonemas que se repetem (principalmente os ps e os ts), utilizando, ao mesmo tempo, palavras que se diferenciam por mudanas fonticas mnimas (tropa/trapo/tripa). Os recursos estilsticos empregados a foram: a) personicao e aluso. b) paralelismo e comparao. c) aliterao e paronomsia. d) assonncia e preterio. e) metfora e metonmia. 62. Fatec-SP Devido quer aos hbitos lingsticos, quer s preferncias literrias de sua poca, o autor vale-se de algumas palavras e expresses que poderiam ser traduzidas para uma forma contempornea e mais corrente. Assinale a alternativa em que aparece o equivalente de sentido adequado ao contexto. a) [] ao nobre o vil decepa = o nobre corta o mal pela raiz. b) [] mais rico o que mais rapa = tanto mais rico aquele que rouba mais. c) Quem mais limpo se faz, tem mais carepa = quem mais se limpa, mais perde cabelos. d) O velhaco maior sempre tem capa = idosos tm mais necessidade de agasalho. e) A or baixa se inculca por tulipa = a or rasteira teima em crescer mais alto.
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O principal argumento usado para justicar a pouca anidade do jovem com a leitura de livros est contido na idia de que: a) o vestibular uma ameaa aos jovens. b) os jovens so desconcentrados. c) o jovem pertence a uma gerao que foge dos livros. d) h meios mais facilitados de obter informaes. e) a escola no consegue obrigar os alunos a ler. Texto para as questes de 60 a 62. As cousas do mundo Neste mundo mais rico o que mais rapa: Quem mais limpo se faz, tem mais carepa; Com sua lngua, ao nobre o vil decepa: O velhaco maior sempre tem capa.
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Mostra o patife da nobreza o mapa: Quem tem mo de agarrar, ligeiro trepa; Quem menos falar pode, mais increpa; Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.

63. UFC-CE Proposta I O avano tecnolgico est possibilitando que haja, entre as pessoas, comunicao das mais diferentes formas. Por isso, os fabricantes esto investindo, constantemente, no aperfeioamento de seus produtos e na melhoria de seus servios. Assim, colocam no mercado equipamentos com modelos e recursos cada vez mais diversicados. Isso faz parecer que as prprias mquinas esto em eterna concorrncia.

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De acordo com a pesquisadora, o problema atinge pessoas cada vez mais jovens, principalmente por causa do estilo de vida atual. Basta observar os programas de TV voltados para o pblico jovem. A maioria tenta mostrar tudo ao mesmo tempo, deixando o espectador aturdido com o excesso de informaes, sem conseguir xar a ateno em nada.
Adaptado de Folha equilbrio

64. Assinale a alternativa que apresenta ttulo adequado para o texto, por expressar corretamente o que a notcia informa. a) Sistema auditivo: problemas do mau funcionamento. b) Desligados, na verdade, ouvem mal. c) Hereditariedade e problemas auditivos. d) Nova conquista da cincia. e) Surdez: questo de inteligncia. 65. Os programas de TV foram citados no texto: a) porque, com grande audincia, inuenciam cada vez mais os jovens. b) para comprovar que os jovens so, cada vez mais, alvo de interesse da mdia. c) como exemplo do que provoca baixo nvel de memria auditiva. d) como alerta contra o efeito negativo desse meio sobre a educao dos jovens. e) como meio, atual, de treinar a memria pela exposio a muitos dados informativos. 66. No contexto, estabelecem relao de causa e efeito, respectivamente, os segmentos do texto a seguir transcritos: a) vivem pedindo para que os outros repitam o que falaram (linhas 1 e 2); seu sistema auditivo no funciona bem (linha 3). b) podem sofrer de um problema (linhas 5 e 6); dcit de processamento auditivo e de ateno (linhas 7 e 8). c) pessoas simplesmente no sabem mais ouvir com ateno (linhas 9 e 10); diculta o processamento e o armazenamento das informaes (linhas 10 e 11). d) o problema atinge pessoas cada vez mais jovens (linhas 16 e 17); do estilo de vida atual (linha 18). e) Basta observar os programas de TV (linha 19); A maioria tenta mostrar tudo ao mesmo tempo (linhas 20 e 21). 67. Assinale a alternativa correta sobre o texto. a) Elas (linha 1) antecipa o que ser referido como pessoas com esse tipo de comportamento (linha 5). b) vivem pedindo para que os outros repitam o que falaram (linhas 1 e 2) signica: solicitam, algumas vezes, que os outros reforcem o que armavam. c) mesmo em indivduos que ouvem bem (linha 15) tem o mesmo sentido de: a no ser o que os indivduos ouam bem.

Veja

Produza um texto em primeira pessoa em que o telefone celular faz sua prpria descrio, na tentativa de mostrar sua superioridade em relao ao computador. Proposta II PROCURA-SE UM AMIGO No precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter corao. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, da madrugada, de pssaros, de sol, da luz, do canto dos ventos e das canes da brisa. No texto anterior, o anunciante procura um amigo. Imagine que o anncio seja PROCURA-SE UM PRESIDENTE e escreva um texo, descrevendo as caractersticas que deve ter um presidente para dirigir uma nao que enfrenta graves problemas sociais, polticos e econmicos. Texto referente s questes de 64 a 67. 1 Elas vivem pedindo para que os outros repitam o 2 que falaram e podem at passar a impresso de 3 que seu sistema auditivo no funciona bem. 4 Freqentemente chamadas de desligadas, pes5 soas com esse tipo de comportamento podem 6 sofrer de um problema que, nos meios cientcos, 7 chamado de dcit de processamento auditivo 8 e de ateno. 9 As pessoas simplesmente no sabem mais ouvir 10 com ateno, e isso diculta o processamento e 11 o armazenamento das informaes, arma uma 12 especialista. 13 Testes recentes mostraram que a capacidade de 14 memorizao auditiva pode comear a falhar cedo, 15 mesmo em indivduos que ouvem bem.
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Folha de S. Paulo

d) Em o problema atinge pessoas (linhas 16 e 17), o pronome que corresponde corretamente ao termo destacado : lhes. e) Est corretamente grafado, como excesso (linha 22), o vocbulo excesso. Texto para as questes de 68 a 70. 1 Delrio futebolstico no Parque Antrtica. 2 Camisas verdes e cales negros corriam, pu3 lavam, chocavam-se, embaralhavam-se, caiam, 4 contorcionavam-se, esfalfavam-se, brigavam. 5 Por causa da bola de couro amarelo que no 6 parava, que no parava um minuto, um segundo. 7 No parava 8 Neco! Neco! 9 Parecia um louco. Driblou. Escorregou. 10 Driblou. Correu. Parou. Chutou. 11 Gooool! Gooool!
Alcntara Machado

Texto para as questes 71 e 72. A liberdade A liberdade como problema a torneira seca (mas pior: a falta de sede) a luz apagada (mas pior: o gosto do escuro) a porta fechada (mas pior: a chave por dentro) 1. Este poema de Jos Paulo Paes nos fala, de forma extremamente concentrada e precisa, do ncleo da liberdade e de sua ausncia. O poeta lana um contraponto entre uma situao externa experimentada como um dado ou como um fato (a torneira seca, a luz apagada, a porta fechada) e a inrcia resignada no interior do sujeito (a falta de sede, o gosto do escuro, a chave por dentro). O contraponto feito pela expresso mas pior. Que signica ela? Que diante da adversidade, renunciamos a enfrent-la, fazemo-nos cmplices dela e isso o pior. Pior a renncia liberdade. Secura, escurido e priso deixam de estar fora de ns, para se tornarem ns mesmos, com nossa falta de sede, nosso gosto do escuro e nossa falta de vontade de girar a chave. 2. Um outro poema tambm oferece o contraponto entre ns e o mundo: Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, no seria uma soluo. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto meu corao. 3. Nesse poema, Carlos Drummond de Andrade, como Jos Paulo Paes, confronta-nos com a realidade exterior: o vasto mundo do qual somos uma pequena parcela e no qual estamos mergulhados. Todavia, os dois poemas diferem, pois, em vez da inrcia resignada, estamos agora diante da armao de que nosso ser mais vasto do que o mundo: pelo nosso corao sentimentos e imaginao somos maiores do que o mundo, criamos outros mundos possveis, inventamos outra realidade. Abrimos a torneira, acendemos a luz e giramos a chave. 4. Embora diferentes, os dois poemas apontam para o grande tema da tica, desde que esta se tornou questo losca: o que est e o que no est em nosso poder? At onde se estende o poder de nossa vontade, de nosso desejo, de nossa conscincia? Em outras palavras: at onde alcana o poder de nossa liberdade? Podemos mais do que o mundo ou este pode mais do que nossa liberdade? O que est inteiramente em nosso poder e o que depende inteiramente de causas e foras exteriores que agem sobre ns? Por que o pior a falta de sede e no a torneira seca, o gosto do escuro e no a luz apagada, a chave imobilizada e no a porta fechada? O que depende do vasto mundo e o que depende de nosso mais vasto corao?
Marilena Chau: Convite Filosoa. So Paulo : tica, p. 357. Fragmento

68. Sobre o texto, incorreto armar que: a) a frase nominal do primeiro pargrafo constitui uma sntese de todo o texto. b) as metonmias em negrito representam os times em disputa. c) a excitao da cena enfatizada pelo emprego da seqncia de oraes assindticas. d) a repetio de no parava (linhas 6 e 7) enfatiza o entusiasmo proposto na frase de abertura do texto. e) o emprego do pronome reexivo recproco se (linhas 3 e 4) atenua a idia de empurra-empurra. 69. Considere as seguintes armaes sobre as formas Gooool! Gooool! I. A repetio de uma letra sugere o modo como a palavra pronunciada.

II. O alongamento da vogal constitui uma tentativa de representar a entoao descendente do grito. III. A repetio das palavras e da pontuao busca representar a intensicao do grito. Assinale: a) se todas estiverem corretas. b) se apenas I e III estiverem corretas. c) se apenas II e III estiverem corretas. d) se apenas I e II estiverem corretas. e) se nenhuma estiver correta. 70. Reescrevendo-se o fragmento Por causa da bola de couro amarelo que no parava, a nova redao est de acordo com a norma culta em: a) Por causa que a bola de couro amarelo no parava. b) Por que a bola de couro amarelo que no parava. c) Pelo fato que a bola de couro amarelo que no parava. d) Devido que a bola de couro amarelo no parava. e) Pelo fato de que a bola de couro amarelo no parava.

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71. UFPE A pretenso maior da autora, no desenvolvimento do texto, questionar: a) a liberdade de que gozam os poetas, quando expressam a repercusso de situaes externas no interior do sujeito. b) a forma como a realidade exterior restringe a liberdade de uma pequena parcela da populao, mergulhada nos mistrios deste vasto mundo. c) a profundidade de nossos sentimentos e de nossa imaginao na compreenso dos problemas que nos deixam inertes e resignados. d) at que ponto somos senhores de nosso destino e podemos controlar, ns mesmos, nossos projetos de vida. e) a consistncia dos princpios ticos que se aplicam aos temas da literatura potica e das doutrinas loscas. 72. UFPE Analisando as estratgias da autora na composio do texto, podemos armar que: a) j no primeiro pargrafo, o autor sintetiza a idia geral do texto e antecipa elementos da concluso. b) o segundo e o terceiro pargrafos do continuidade temtica do primeiro, mantendo, inclusive, o mesmo foco de percepo da questo em anlise. c) as diferentes perspectivas dos poemas citados no texto serviram de base para se abordar a natureza complexa do problema proposto. d) o autor optou pela estratgia das armaes taxativas, em todos os pargrafos, prescindindo da capacidade de reexo do leitor. e) o ltimo pargrafo se restringe retomada do primeiro poema, articulando, assim, o incio com o nal do texto. Texto para as questes de 73 a 75. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 A violncia habitual como forma de comportamento ou meio de vida ocorre no Brasil atravs de diversos tipos sociais, de que o mais conhecido o cangaceiro da regio nordestina, devido a circunstncias muitas vezes j comentadas. Mas o valento armado, atuando isoladamente ou em bando, fenmeno geral em todas as reas onde a presso da lei no se faz sentir, e onde a ordem privada desempenha funes que em princpio caberiam ao poder pblico. Como essas reas so geralmente menos atingidas pela influncia imediata da civilizao urbana, natural que o regionalismo literrio, que as descreve, tenha abordado desde cedo o jaguno e o bandido. Com efeito, o nosso regionalismo nasceu ligado descrio da tropelia, da violncia grupal e individual, normais de certo modo nas sociedades rsticas do passado.
Antonio Candido

73. Mackenzie-SP De acordo com o primeiro pargrafo do texto: a) o uso da fora bruta caracteriza o brasileiro, em especial o habitante da regio nordestina. b) a forma como o brasileiro age ou o que faz para ganhar a vida conhecidamente representada pelo cangaceiro. c) a impunidade e a omisso do Estado so fatores relevantes para a manifestao do banditismo. d) aes marginais decorrem da coero da lei e de repasses que o governo faz, para o setor privado, de certas atividades pelas quais era responsvel. e) embora a atuao de valentes seja fenmeno geral no Brasil, em princpio tanto a lei como o poder pblico tm-se feito sentir, auxiliados inclusive pela ordem privada. 74. Mackenzie-SP Como essas reas so geralmente menos atingidas pela inuncia imediata da civilizao urbana, natural que o regionalismo literrio, que as descreve, tenha abordado desde cedo o jaguno e o bandido. Assinale a alternativa correta sobre o fragmento anterior, extrado do texto. a) A orao inicial parte da comparao estabelecida entre o jaguno e o homem urbano. b) Ao utilizar a expresso natural, o autor revela subjetividade, pois enuncia um julgamento. c) A orao que o regionalismo literrio tenha abordado desde cedo o jaguno e o bandido objeto direto da orao natural. d) A forma verbal tenha abordado pode ser substituda por abordara sem prejudicar o sentido original. e) Em civilizao urbana, urbana tem valor de advrbio, assim como tranqilo em Ele dorme tranqilo. 75. Mackenzie-SP O autor usa aspas em normais (linha 18, no texto): a) para acentuar que est empregando a palavra denotativamente, isto , para que seja entendida com o sentido de legais. b) para mostrar que essa caracterizao abrange tropelia e violncia grupal e individual. c) como recurso para indicar que usa o termo com certa restrio, aspecto reforado com a expresso de certo modo. d) como expediente para caracterizar as sociedades rsticas do passado sem ferir o conceito geral de que nada tinham de normal. e) para denotar que o adjetivo est caracterizando a violncia grupal e a violncia individual, no sendo extensivo a tropelia. 76. Mackenzie-SP 1 2 3 4 5 6 O Capito Antnio Silvino voltava a tomar conta de seus pensamentos. Admirava a vida errante daquele homem, dando tiroteios, protegendo os pobres, tomando dos ricos. Este era o homem que vivia na sua cabea. Este era o seu heri. Para ele s havia uma grandeza no mundo, era a

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7 grandeza do homem que no temia o governo, do 8 homem que enfrentava quatro estados, que dava 9 dor de cabea nos chefes de polcia, que matava 10 soldados, que furava cercos, que tinha poder para 11 adivinhar os perigos. Se um dia visse o Capito 12 Antnio Silvino seria um homem feliz. Assinale a alternativa correta sobre o texto. a) Evitando-se a repetio de grandeza (linhas 6 e 7) e mantendo-se o sentido original, a segunda orao estaria correta se fosse assim redigida: onde o homem. b) Substituindo-se uma grandeza no mundo (linha 6) por muitas fraquezas no mundo, a frase correta seria: Para ele s haviam muitas fraquezas no mundo. c) Em Admirava a vida errante daquele homem (linhas 2 e 3), a forma admirava denota ao concluda num certo momento do passado. d) Em Admirava a vida errante daquele homem (linha 2 e 3), substituindo-se daquele homem pelo pronome correspondente tem-se corretamente: Admirava-o a vida errante. e) A sucesso de oraes que caracterizam o homem (linhas de 7 a 11) produz um ritmo que sugere a intensa atividade atribuda ao Capito. 77. Assinale a alternativa que apresenta o fragmento de obra potica de temtica regionalista. a) E agora Jos? a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, Jos?
Carlos Drummond de Andrande Jos Lins do Rego Fogo morto.

Textos para as questes 78 e 79. Texto I Olha, Marlia, as autas dos pastores, Que bem que soam, como esto cadentes! Olha o Tejo, a sorrir-se! Olha, no sentes Os Zros brincar por entre as ores?
Bocage

Texto II Ah! No me roubou tudo a negra sorte: Inda tenho este abrigo, inda me resta O pranto, a queixa, a solido, e a morte.
Bocage

78. Sobre os textos I e II correto armar: a) ambos indicam, por meio do vocativo, a presena da mulher amada. b) em I, concretiza-se poeticamente a alegria por meio da personicao. c) ambos expressam um lamento frente quilo que a negra sorte pode roubar do ser humano. d) em II, o pranto, a queixa, a solido, e a morte apresentam-se como algo indesejvel. e) em I, a recorrncia de exclamao ndice de conteno emotiva. 79. Sobre os textos I e II correto armar: a) em ambos, a desinncia verbal predominante (3 pessoa) indica afastamento do eu com relao ao que dito. b) em ambos, os versos alexandrinos colaboram para um modo espontneo de dizer. c) em II, o adjunto adnominal presente em negra sorte refora a idia positiva do nome a que se refere. d) em II, os dois pontos depois de negra sorte introduzem a explicitao do que foi roubado. e) em I, a rima presente em pastores e ores recurso que enfatiza a proximidade de sentido entre as palavras. 80. Unicamp-SP Escolha uma das trs propostas para a redao (dissertao, narrao ou carta) e assinale sua escolha no alto da pgina de resposta. Cada proposta faz um recorte do tema geral da prova (CIDADE), que deve ser trabalhado de acordo com as instrues especcas. Coletnea: um conjunto de textos de natureza diversa que serve de subsdio para a sua redao. Sugerimos que voc leia toda a coletnea e selecione os elementos que julgar pertinentes para a realizao da proposta escolhida. Um bom aproveitamento da coletnea no signica referncia a todos os textos. Esperamos, isso sim, que os elementos selecionados sejam articulados com a sua experincia de leitura e reexo. Se desejar, voc pode valer-se tambm de elementos presentes nos enunciados das questes da prova. ATENO: a coletnea nica e vlida para as trs propostas.
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b) O anjo pousa de leve No quarto onde a moa pura Remenda a roupa dos pobres.
Murilo Mendes

c) No amo a terra do exlio, Sou bom lho, Quero a ptria, o meu pas, Quero a terra da mangueiras E as palmeiras, E as palmeiras to gentis!
Casimiro de Abreu

d) Severino, retirante, deixe agora que lhe diga: difcil defender, s com palavras, a vida, ainda mais quando ela esta que v, severina;
Joo Cabral de Melo Neto
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e) Anhag impiedoso nos trouxe de longe Os homens que o raio manejam cruentos, Que vivem sem ptria, que vagam sem tino Trs do ouro correndo, voraces, sedentes.
Gonalves Dias

ATENO Sua redao ser anulada se voc: a) fugir ao recorte do tema na proposta escolhida; b) desconsiderar a coletnea; c) no atender ao tipo de texto da proposta escolhida. Apresentao da coletnea A cidade um lugar signicativo da experincia humana. Ela tem sido objeto de reexo de gegrafos, urbanistas, historiadores, prossionais da sade, estudiosos da linguagem, lsofos, engenheiros, matemticos, artistas, enm, de muitos prossionais que procuram entender seu funcionamento. Ao atrair tantas e to variadas atenes, a cidade mostra-se complexa e multifacetada. 1 No primeiro sinal verde aps o relgio do canteiro central marcar 12h40min, cerca de cem pessoas atravessaram a Avenida Paulista, na altura da Rua Augusta. De repente, tiraram um sapato, bateram com o solado repetidas vezes no cho, calaram-no novamente e seguiram seu caminho. Um novo tipo de manifestao poltica? Longe disso. O que a Paulista viu foi a primeira ash mob (multido instantnea) brasileira. O fenmeno, mania na Europa e nos Estados Unidos, consiste em reunir o maior nmero de pessoas no menor tempo possvel - por e-mail e celular - para fazer alguma coisa estranha simultaneamente. Os nova-iorquinos j invadiram uma loja e gritaram em frente a um dinossauro de brinquedo. Na verso brasileira, cou decidido tirar o sapato e bat-lo no cho, como que para tirar areia de dentro.
(Adaptado de Anglica Freitas, 40 segundos de frenesi na Paulista. Flash Mob chega a So Paulo, Estado de S. Paulo, 14/08/03).

Coletnea

H tanta esquina esquisita, Tanta nuana de paredes, H tanta moa bonita, Nas ruas que no andei. (E h uma rua encantada Que nem em sonhos sonhei...) Quando eu for, um dia desses, Poeira ou folha levada No vento da madrugada, Serei um pouco do nada Invisvel, delicioso Que faz com que o teu ar Parea mais um olhar, Suave mistrio amoroso, Cidade de meu andar (Deste j to longo andar!) E talvez de meu repouso...
Mrio Quintana, Apontamentos de Histria Sobrenatural. Porto Alegre:

4 As favelas se constituem atravs de um processo arquitetnico e urbanstico singular que compe uma esttica prpria, uma esttica das favelas. (...) Um barraco de favela construdo pelo prprio morador, inicialmente, a partir de fragmentos de materiais encontrados por acaso. A construo cotidiana e continuamente inacabada. (...) O tecido urbano da favela malevel e exvel, o percurso que determina os caminhos. (...) As ruelas e becos so quase sempre extremamente estreitos e intrincados. Subir o morro uma experincia de percepo espacial singular, a partir das primeiras quebradas se descobre um ritmo de andar que o prprio percurso impe.
Adaptado de Paola Berenstein Jacques, Esttica das favelas, em

Globo, IEL, 1976.

2 No produtivo ano de 1979, o grupo encapuzou, com sacos de lixo, as esttuas da cidade, visando chamar a ateno das pessoas que nunca, ou quase nunca, reparavam em seu dia-a-dia as obras de arte em nossa cidade. Na manh seguinte, a imprensa registrou o fato. No mesmo ano vedaram as portas das principais galerias [de lojas] com um X em ta crepe, deixando um bilhete em cada uma: O que est dentro ca, o que est fora se expande. Em 1980, o grupo, em mais uma ao noturna, estendeu 100 metros de plstico vermelho pelos cruzamentos e entradas no anel virio da Avenida Paulista com rua Consolao. O Detran, porm, desmontava essa e outras aes do grupo, que realizou uma srie de 18 intervenes pela cidade at 1982, quando se dissolveu.
(Adaptado de Celso Gitahy, Grafteiros passo a passo rumo virada do milnio, Revista do Patrimnio Histrico, 2, n. 3, 1995, p. 30).

5 O dia-a-dia das sociedades gira em torno dos objetos xos, naturais ou criados, aos quais se aplica o trabalho. Fixos e uxos combinados caracterizam o modo de vida de cada formao social. Fixos e uxos inuem-se mutuamente. A grande cidade um xo enorme, cruzado por uxos enormes (homens, produtos, mercadorias, ordens, idias), diversos em volume, intensidade, ritmo, durao e sentido. Alis, as cidades se distinguem umas das outras por esses xos e uxos.
Milton Santos, Fixos e uxos cenrio para a cidade sem medo, em O pas distorcido. O Brasil, a globalizao e a cidadania. So Paulo: Publifolha, 2002.

www.anf.org.br.

3 O Mapa Olho o mapa da cidade Como quem examinasse A anatomia de um corpo ( nem que fosse o meu corpo.) Sinto uma dor innita Das ruas de Porto Alegre Onde jamais passarei.
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Cidades globais so aquelas que concentram percia e conhecimento em servios ligados globalizao, independente do tamanho de sua populao. (...) Megacidade outra categoria dos estudos urbanos. As megacidades so reas urbanas com mais de 10 milhes de habitantes. (...) Algumas so megacidades e cidades globais, simultaneamente, como Nova York e So Paulo. (...) As cidades mdias so outra categoria de classicao das cidades, com populao entre 50 mil e 800 mil habitantes. Abaixo de 50 mil so as pequenas cidades, ideal utpico de moradia feliz no imaginrio de milhares de pessoas.
Maria da Glria Gohn, O futuro das cidades, em www.lite.fae.unicamp.br/revista/art03.htm

7 A heterogeneidade de freqentadores dos shopping centers vem se ampliando e ntida numa cidade como So Paulo, uma vez que estes, outrora destinados somente a grupos com alto poder aquisitivo, vm abarcando, em sua expanso por outras regies, grupos que antes no faziam parte da clientela usual. A idia de um espao elitizado vai sendo substituda pela de um espao interclasses. Alm disso, uma centralidade ldica sobrepe-se centralidade do consumo, sobretudo na esfera do lazer: especialmente aos ns de semana, os shopping centers transformam-se em cenrios, onde ocorrem encontros, paqueras, derivas, cio, exibio, tdio, passeio, consumo simblico. Tornam-se uma espcie de praa interbairros que organiza a convivncia, nem sempre amena, de grupos e redes sociais, sobretudo jovens, de diversos locais da cidade.
Adaptado de Heitor Frgoli Jr., Os Shoppings de So Paulo e a trama do urbano: um olhar antropolgico, em Silvana Maria Pitaudi e Heitor Frgoli Jr. (orgs.), Shopping Centers espao, cultura e modernidade nas cidades brasileiras. So Paulo: Editora Unesp, s/d, p. 78.

inextrincvel de sinais, de traados aparentemente arbitrrios, de lamentos tortuosos, embaraados, que mil vezes se cruzam, se interrompem, recomeam e, depois de estranhas voltas, retornam ao ponto de onde partiram.
Giulio Carlo Argan, Histria da arte como histria da cidade. Trad. Pier Luigi Cabra. So Paulo: Martins Fontes, 1995, p. 231.

Jackson Pollock, Silver over Black

8 O tombamento de espaos como terreiros de candombl, stios remanescentes de quilombos, vilas operrias, edicaes tpicas de migrantes e outros dessa ordem, isto , ligados ao modo de vida (moradia, trabalho, religio) de grupos sociais e/ou etnicamente diferenciados j no causa muita estranheza: apesar de ainda pouco comum, a incluso de itens como esses na lista do patrimnio cultural ocial mostra a presena de outros valores que ampliam os critrios tradicionais imperantes nos rgos de preservao. Em 1994 ocorreu, entretanto, um tombamento em So Paulo que de certa maneira se diferencia at mesmo dos acima citados: trata-se do Parque do Povo, uma rea de 150.000 m2, localizada em regio nobre e das mais valorizadas da cidade. Dividida em vrios campos de futebol de terra, ocupada por times conhecidos como de vrzea.
Adaptado de Jos Guilherme Cantor Magnani e Naira Morgado, Futebol de vrzea tambm patrimnio, Revista do Patrimnio Histrico e Artstico Nacional, n. 24, 1996, p.175.

Proposta A Trabalhe sua dissertao a partir do seguinte recorte temtico: A cidade o lugar da vida, espao fsico no qual acontecem encontros, negociaes, tenses, num dinamismo permanente de criao e tranformao. Instrues: Discuta a cidade como um espao mltiplo; Argumente em favor de uma viso dinmica dessa multiplicidade; Explore os argumentos para mostrar que a cidade um espao que se congura a partir de relaes diversas. Proposta B Trabalhe sua narrativa a partir do seguinte recorte temtico: Hoje, mais do que nunca, podemos armar que a cidade no dorme. Alm de freqentarem bares, clubes, cinemas e bailes, h um crescente nmero de pessoas que circulam noite pela cidade, fsica ou virtualmente, trabalhando, consumindo, estudando, divertindo-se. Instrues: Imagine a histria de um(a) personagem que encontre um grupo que vivencia a noite e, identicando-se com ele, passe a ver a cidade a partir de uma nova perspectiva; Narre o encontro, o processo de descoberta e a transformao que o(a) personagem experimentou; Sua histria pode ser narrada em primeira ou em terceira pessoa. Proposta C Trabalhe sua carta partir do seguinte recorte temtico: As denies do que patrimnio histrico tm mudado, incorporando mbitos e aspectos que ampliam o alcance do conceito e, com isso, o raio de ao da legislao. Fala-se em patrimnio edicado, mas tambm em patrimnio afetivo. Tudo o que relevante para determinada comunidade pode ser considerado patrimnio. Instrues: Escolha um bem urbano, material ou no, que voc considere relevante para ser preservado em sua cidade; Argumente em favor da preservao desse bem; dirija a carta a uma pessoa que, na sua opnio, pode vir a se tornar um aliado na luta pelo tombamento desse bem.
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9 Na Rocinha no h quem no respeite o Doutor (cirurgio aposentado Waldir Jazbik, 75 anos). Morador h 19 anos da maior favela da zona sul do Rio de Janeiro, ele sabe que pode caminhar pelas ruas de l sem medo, mesmo morando em uma habitao fora dos padres locais. Sua casa, em estilo colonial, ca num terreno com mais de 10.000 m2. (...) Meus amigos da high society diziam que eu era maluco. Eu poderia ter escolhido uma casa num condomnio fechado aqui perto, mas preferi vir para c. (...) S vim para c porque quero viver a vida que eu mereo viver.
Adaptado de Antonio Gois e Gabriela Wolthers, Mdico busca vida

10 Se, por hiptese absurda, pudssemos levantar e traduzir gracamente o sentido da cidade resultante da experincia inconsciente de cada habitante e depois sobrepusssemos por transparncia todos esses grcos, obteramos uma imagem muito semelhante de uma pintura de Jackson Pollock, por volta de 1950: uma espcie de mapa imenso, formado de linhas e pontos coloridos, um emaranhado

tranqila na Rocinha, Folha de S. Paulo, 17 de agosto de 2003, p. C4.

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81. Ufla-MG Leia os textos a seguir. Idade no costuma ser problema em algumas categorias: a de professor, por exemplo. Anal, quanto mais velho, mais experincia e mais leitura. Logo, tem mais o que ensinar.
O Brasil na ponta da lngua

E enquanto eu cava meio sem jeito com o que zera, a ex-aluna ria e ria, se divertindo, e arrematava: O pior que era verdade. Comecei a ler aquelas anotaes e s ento, 15 anos depois, as entendi devidamente.
Fragmento - Affonso Romano de SantAnna

Meu Deus, que conforto a idade madura, e a velhice, quando a gente descobre a doura de ser pouca coisa.
Rachel de Queiroz

Memrias Pedaggicas Certa manh vinha eu andando por uma das ruas de Ipanema, quando avistei uma ex-aluna que, sorridentemente, caminhava em minha direo, e depois de dois beijinhos foi logo dizendo: Professor, voc no sabe de uma coisa! Imagine que ontem estava eu mexendo numas coisas antigas l em casa e, de repente, dei com um caderno de anotaes de suas aulas. Comecei a rel-lo e tinha l o relato de uma coisa que aconteceu numa de suas aulas. Eu olhava entre feliz de reencontrar uma ex-aluna e surpreso sobre o que ela ia me relatar. E ela contou: Numa certa aula em que voc estava nos dando Drummond, parece que notou que um ou outro aluno estava desatento e, ento, de repente, parou o que estava dizendo e anunciou: Abram o caderno para um ditado. A turma cou meio intrigada, o que era aquilo, escola primria? Ento voc ditou um texto que est l no meu caderno: Hoje, dia 7 de maio de 1982, eu (pedia para colocar seu nome, como se fosse um documento), CPF tal e tal, residente na rua tal e tal, devo declarar que sou ainda muito jovem e imaturo/a para aurir os sublimes ensinamentos que meu amado Mestre est tentando me incutir. Espero que daqui a alguns anos, depois de casar, viajar Europa, ter os primeiros lhos, separar-me, casar de novo, mudar vrias vezes de casa, fazer anlise e coisas que tais, ento, relendo um dia essas anotaes, compreenderei melhor o sentido daquilo que meu paciente Mestre tentava me dizer.

Os extremos apenas se aproximam H uns trs ou quatro anos, assisti a um lme que narrava a necessidade de se enviar uma equipe de astronautas para fora da atmosfera, a m de ser corrigido um problema com uma pesada estao espacial antiga que ameaava despencar sobre nossas cabeas, se no fosse consertada a tempo. A diculdade que a geringona fora lanada ao espao h pelo menos trinta anos e os novos prossionais da rea nada entendiam do seu funcionamento obsoleto. A soluo foi convocar alguns astronautas j aposentados que, quando jovens, tinham operado sistemas como o da nave em questo. E l foram eles para o espao - no bom sentido - cumprir a inesperada e ltima misso de sias vidas, carregando consigo artrites, m viso, lembranas distantes e at um cncer, sem falar nas piadinhas tpicas do cinema norte-americano, sempre oscilando entre o herico e o imbecil. A impresso que o lme causou em mim, que j dobrei a curva dos sessenta anos, foi de pena daqueles velhos, pela cinzenta melancolia que revestia a sua misso. Olhando ento para o meu innito passado, percebi o fato: o idoso s identicado com o velho e s atravs deste que ele pode viver como novo, ainda que por alguns momentos.
Paco Regueira - revista Tus ojos, dec. 2005, Espanha

Tendo os textos apresentados como motivao, desenvolva uma narrao em que voc contar uma histria pela qual que provado que a experincia adquirida pelos idosos faz parte da construo de uma sociedade, por mais moderna que ela seja.

Captulo 3
As questes de 82 a 84 baseiam-se no texto a seguir. Dize-me quem consultas... A falta de perspectiva histrica diculta a compreenso at da possibilidade de diferentes vises de mundo. Imagine-se ento a diculdade de compreender a idia mais ou menos bvia de que mesmo verdades podem mudar. Temos vontade de rir quando ouvimos que os antigos imaginaram que a Terra repousava sobre uma tartaruga, ns que aprendemos que a Terra gira ao redor do sol. Como podem ter pensado isso, os idiotas? pensamos. Voc sabia que esta histria dos quatro elementos nos quais hoje s acreditam os astrlogos foi um dia a verdadeira Fsica, a forma cientca de explicar fatos do mundo, suas mudanas, por que corpos caem ou sobem? Antes da gravidade, os elementos eram soberanos! Vou contar duas histrias fantsticas. A primeira: na pea A vida de Galileu, Brecht faz o fsico convidar
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os lsofos a sua casa para verem as luas de Jpiter com sua luneta. Mas, em vez de correrem logo para o sto para ver a maravilha, os lsofos propuseram antes uma discusso losca sobre a necessidade das luas... Quando Galileu lhes pergunta se no crem em seus olhos, um responde que acredita, e muito, tanto que releu Aristteles e viu que em nenhum momento ele fala de luas de Jpiter! A outra histria a de um botnico do incio da modernidade que pediu desculpas a seu mestre por incluir no livro espcies vegetais que o mestre no colocara no seu. Ou seja: mesmo vendo espcies diferentes das que constavam nos livros, esperava-se dos botnicos que se guiassem pelos livros, no pelas coisas do mundo. Era o tempo em que se lia e comentava, em vez de observar os fatos do mundo. Muita gente se engana, achando que esse perodo terminou, que isso so coisas dos ignaros sculos XVI e XVII. Quem tem perspectiva histrica sabe, alis, que no se trata de ignorncia pura e simples. Tratase de ocupar uma ou outra posio cientca. Mas

interessante observar que o esprito antigalileano continua vigorando. No que se refere s lnguas, no cansarei de insistir, devemos aprender a observar os fatos lingsticos, em vez de dizer simplesmente que alguns deles esto errados. Um botnico no diz que uma planta est errada: ele mostra que se trata de outra variedade. Os leigos pensam que a natureza muito repetitiva, mas os especialistas sabem que h milhes de tipos de qualquer coisa, borboletas, ores, formigas, mosquitos. S os gramticos pensam que uma lngua uniforme, sem variedades.
Srio Possenti. A cor da lngua. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2001, pp. 15-16. Adaptado.

82. UFPE Trazendo para o mbito das lnguas, podemos perceber que, com o paralelismo focalizado no texto, o autor pretendeu tocar no tema: a) da leitura e dos comentrios aos lsofos. b) dos erros devidos ignorncia de alguns. c) das mudanas que uma lngua pode sofrer. d) dos especialistas em gramticas histricas. e) da funo dos livros para o progresso cientco. 83. UFPE No texto, so contados dois pequenos episdios. Isso se justica pelo fato de: a) tratar-se de um texto eminentemente narrativo. b) o autor pretender reforar sua argumentao. c) o texto ser contrrio s discusses loscas. d) abordar noes de natureza interdisciplinar. e) os supostos leitores serem especialistas crticos. 84. UFPE Em ltima anlise, o autor do texto defende: a) a necessidade da compreenso histrica de idias mais ou menos bvias. b) a convenincia das discusses loscas para o tratamento da cincia. c) a soberania dos elementos tericos que explicavam as verdadeiras leis da Fsica. d) a observao dos fatos em vez da crena de que as verdades no mudam. e) a relevncia social dos gramticos que denem a lngua como sistema uniforme. Texto para as questes 85 e 86. O m da temida crase Finalmente estaremos livres da crase. Ela ser extirpada, cancelada, deletada, ejetada, expulsa por lei. O que tranqiliza aqueles que sofrem com a crase agora tero o amparo da lei. Porque o deputado Joo Hermann Neto elaborou o projeto lei 5.154 acabando com a crase, o que leio na revista Lngua Portuguesa, que est no segundo nmero, mas que eu no conhecia, deve ter cado sufocada nas milhares de publicaes que assolam as bancas. Claro que Lngua ca escondida, para dar lugar a coisas como Caras, que fundamental a (tem crase aqui?) informao, ao conhecimento, a (tem crase aqui?) sociologia e ao entendimento da mente humana.

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O deputado Hermann, preocupado com o bem escrever, decidiu contribuir para a evoluo da gramtica, comeando por extirpar a crase que tantas dores de cabea d. O curioso que a luta contra a crase no partiu da Academia Brasileira de Letras, a (tem crase aqui?) quem caberia a iniciativa, porque se imagina que a ABL entre outras coisas deva cuidar da lngua. Tambm no partiu dos gramticos, os homens que normalizam as questes fundamentais, permitindo que o portugus continue correto, ntegro, bem escrito e bem falado. Nada a ver com Maria Helena de Moura Neves ou com o Evanildo Bechara, que dedicaram suas vidas a (tem crase aqui?) nossa lngua. Nem mesmo com o popular Pasquale Cipro. Achando que eles so incompetentes, transferiuse a tarefa da mudana gramatical para as (tem crase aqui?) Cmaras Legislativas, conhecidas popularmente como Cmaras do Cambalacho. Sabemos todos que os deputados tm a respeito deles mesmos outra imagem. Para eles, no existe em nossas Cmaras, sejam municipais, estaduais, federais, o mnimo resqucio de ignorncia. No e no! So pessoas doutas, preocupadas com as leis e o cumprimento das leis, desde que sejam os outros que as cumpram, no eles. Quando olhamos os debates, a transmisso das CPIS, os resultados das investigaes, as devassas, percebemos que os deputados esto atentos as (crase?) leis, desde que no sejam atingidos por elas. Assim, como no precisam se preocupar com o caixa 2 das campanhas, porque ele continua a existir e legal. Como no precisam se preocupar em ser honestos, porque jamais sero julgados pelos seus pares. Como sabem que sero absolvidos de tudo, e por todos os que se sentam naquelas cadeiras onde j se sentou gente da melhor estirpe, gente digna e honrada. Como provavelmente sero reeleitos porque o eleitor desinformado e no tem memria (quanto querem apostar que guras execrveis como Joo Paulo Cunha e ngela Guadagnin voltaro aos cargos?), eles fazem e desfazem. Alguns, como Hermann Neto, esto tentando desfazer a lngua portuguesa (que desfeita em plenrio todos os dias, todas as horas), comeando por esta infmia que a crase. Martrio, agonia, tortura, padecimento, dissabor, desespero. A crase que a principal causadora dos distrbios que andam por a: os sem-terra invadindo, os lucros dos bancos, a queda da bolsa, o aumento do preo do lcool, o crescente poderio dos camels, o trnsito congestionado, as las no INSS, o PCC, os seqestros-relmpago, o caos do transporte pblico, a degradao do ensino, o mau atendimento dos convnios mdicos. A culpa de tudo? A existncia da crase. To mais fcil escrever, pensar, se comunicar sem ela. Sem crase tudo ca mais simples. Dia desses, encontrei na rua um homem que se dirigia as (tem crase?) pessoas falando sem crases. Foi espantoso, mas excelente experincia, todos o entendiam. Quando falamos sem crases, o portugus ca claro, objetivo. De confusa, complexa, catica e desordenada basta a vida. Simpliquemos a linguagem, as normas. Seria to bom se outros deputados (apesar de atarefadssimos, como sabemos muito ocupados
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com suas defesas no valerioduto) se dedicassem a outros aspectos gramaticais. Cada um deles, e so 500 e tantos, poderia cuidar de um aspecto. Um faria um projeto contra a polissemia, outro contra as locues conjuntivas, e teramos uma verdadeira constituio eliminando morfemas subtrativos (cando apenas os aditivos), paronmias, determinantes (e por conseqncia os pr e ps-determinantes), anexos predicativos, apostos (ateno deputados, no confundir com apstolos), oraes transpostas substantivas. Estudos rigorosos examinariam a questo dos pleonasmos, dos gerndios, das formas rizotnicas e das metafonias. Viriam em seguida o m do ponto de exclamao, do ponto-e-vrgula, do parnteses, do trema e da reticncia e do hfen. E uma nova lngua, que poder ser denominada de Parlamentar em lugar de Portuguesa, como homenagem a esse grupo que tanto faz pelo Brasil, por ns, pela sociedade, pela moralizao de usos e costumes. E se faltou alguma crase neste texto, que estou escrevendo regido pela lei Hermann Neto.
Igncio de Loyola Brando. O Estado de So Paulo 28/04/2006

87. UFG-GO Million DoIlar Baby (a menina de um milho de dlares) no entrega o ouro de cara: descreve a protagonista que tenta sair da sarjeta por meio do boxe. Emite a idia de um prmio a coroar a obstinao da herona, que vive sentimentos crus e sem afagos. O ttulo em ingls nos induz a uma expectativa que ser redenida. Menina de ouro esvazia a ambigidade original e confere uma afetuosidade personagem que no a tnica da histria.
Revista Lngua Portuguesa. So Paulo: Segmento, n. 5, 2006, pp. 31-32.

85. Ibmec-SP A partir da leitura do texto, pode-se inferir que o autor: a) ironiza a proposta do deputado Hermann Neto, que pretende extinguir a crase. b) defende que a legislao sobre as questes da lngua no deve partir dos membros da Academia Brasileira de Letras ou dos gramticos. c) confessa que no sabe empregar corretamente a crase, por isso indaga ao leitor sobre a ocorrncia ou no da crase. d) prope uma ampla reforma na lngua portuguesa a m de simplicar a norma gramatical. e) condena explicitamente o uso da crase por consider-la intil do ponto de vista da comunicao. 86. Ibmec-SP Considerando seu conhecimento de mundo e as idias veiculadas no texto, assinale a alternativa correta. a) A proposta de eliminao da crase representa um avano na linguagem, uma vez que ja h um excesso de acentos grcos. b) Ao atribuir crase a culpa pelos grandes problemas sociais do pas, o cronista pretende desprezar a funo exercida pelos deputados. c) A aluso ao projeto de lei que pe m crase serve, meramente, como pretexto para revelar toda a indignao do cronista contra os inmeros escndalos polticos do pas. d) O advrbio no, em No e no! (no quinto pargrafo), usado de maneira enftica, sem a carga semntica negativa que o caracteriza. e) Em Claro que Lngua ca escondida, para dar lugar a coisas como Caras (na introduo), o autor sugere que a sociedade brasileira no valoriza a cultura.

Com base na leitura do texto anterior, pode-se armar que Million Dollar Baby no entrega o ouro de cara porque o ttulo expressa: a) a ambigidade que induz a uma interpretao que ser reformulada. b) a idia de contraposio que sugere o carter obstinado da personagem. c) a ironia que remete ao estado de pobreza incorporado pela protagonista. d) o sentido de afetuosidade que revela um tipo complexo de personagem. e) o pressuposto que conduz a uma expectativa que ser comprovada. 88. UFPE Oralidade e escrita Sob o ponto de vista mais central da realidade humana, seria possvel denir o homem como um ser que fala e no como um ser que escreve. Entretanto, isto no signica que a oralidade seja superior escrita nem traduz a convico, hoje to generalizada quo equivocada, de que a escrita derivada, e a fala primria. A escrita no pode ser tida como uma representao da fala. Em parte, porque a escrita no consegue reproduzir muitos dos fenmenos da oralidade, tais como a prosdia, a gestualidade, os movimentos do corpo e dos olhos, entre outros. Em contrapartida, a escrita apresenta elementos signicativos prprios, ausentes na fala, tais como o tamanho e o tipo de letras, cores e formatos, elementos pictricos, que operam como gestos, mmica, e prosdia gracamente representada. Oralidade e escrita so prticas e usos da lngua com caractersticas prprias, mas no sucientemente opostas para caracterizar dois sistemas lingsticos nem uma dicotomia. Ambas permitem a construo de textos coesos e coerentes, ambas permitem a elaborao de raciocnios abstratos e exposies formais e informais (...). As limitaes e os alcances de cada uma esto dados pelo potencial do meio bsico de sua realizao: som de um lado e graa do outro, embora elas no se limitem a som e graa, como acabamos de ver. Em suma, eccia comunicativa e potencial cognitivo no so vetores relevantes para distinguir oralidade e escrita.
Luiz Antnio Marcuschi. Da fala para a escrita. So Paulo: Cortez, 2001, p. 17. Fragmento adaptado.

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Releia o trecho: Oralidade e escrita so prticas e usos da lngua com caractersticas prprias, mas no sucientemente opostas para caracterizar dois sistemas lingsticos nem uma dicotomia. Ambas permitem a construo de textos coesos e coerentes, ambas permitem a elaborao de raciocnios abstratos e exposies formais e informais. Nesse trecho, podemos nos apoiar para admitir as seguintes concluses: 0. Oralidade e escrita tm suas especicidades, suas idiossincrasias. 1. possvel reconhecer nas prticas de oralidade e de escrita algum tipo de primazia valorativa. 2. Os usos da lngua admitem mais de um modo de atualizao concreta. 3. Os usos orais e os usos escritos da lngua constituem dois sistemas dicotmicos. 4. A coeso e a coerncia so conseguidas mais ecazmente nas exposies formais escritas. 89. Retrato Eu no tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos to vazios, nem o lbio amargo. Eu no tinha estas mos sem fora, to paradas e frias e mortas; eu no tinha este corao que nem se mostra. Eu no dei por esta mudana, to simples, to certa, to fcil: Em que espelho cou perdida a minha face? Em relao ao texto de Ceclia Meireles, marque a nica interpretao correta. a) O ttulo Retrato, dado pela poeta para esse poema, justica-se porque o texto registra apenas impresses fsicas. b) Os segmentos olhos to vazios e lbio amargo so metforas relativas a estados da alma do eu potico. c) A referncia a um corao que nem se mostra (2a estrofe) remete insensibilidade adquirida pelas pessoas no processo natural de envelhecimento. d) O termo mudana deveria estar no plural, pois evidente que o eu potico se refere a todas as mudanas ocorridas ao longo da vida. e) A pergunta que encerra o poema signica que, envelhecida, a autora evita espelhos. 90. Ufla-MG Amor I love you Deixa eu dizer que te amo Deixa eu pensar em voc Isso me acalma me acolhe a alma Isso me ajuda a viver Hoje contei pras paredes Coisas do meu corao Passeei no tempo Caminhei nas horas.
Ceclia Meireles

Mais do que passo a paixo um espelho sem razo Quer amor que aqui Meu peito agora dispara Vivo em constante alegria o amor quem est aqui Amor I love you Amor I love you Amor I love you Amor I love you
Marisa Monte/Carlinhos Brown

De acordo com o entendimento do texto e de alguns aspectos lingsticos, as alternativas so corretas, exceto: a) No confronto de dizer que te amo com pensar em voc mantm-se a uniformidade de tratamento na pessoa gramatical. b) A funo da linguagem que predomina no texto a conativa, pois o emissor dirige-se ao receptor. c) No texto, a linguagem gurada; havendo predomnio de metforas. d) Os versos Vivo em constante alegria e o amor quem est aqui expressam, respectivamente, conseqncia e causa. e) A temtica do texto o amor, que se enfatiza nos versos nais em um jogo que mistura duas lnguas. Os textos abaixo referem-se s questes 91 e 92. Texto 1 At o m Quando eu nasci veio um anjo safado O chato dum querubim E decretou que eu tava predestinado A ser errado assim J de sada a minha estrada entortou Mas vou at o m. Texto 2
Chico Buarque

Poema de sete faces Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. (...)
Carlos Drummond de Andrade

91. UFSCar-SP Os dois textos no s se assemelham com relao ao tema de que tratam, como tambm estruturao. a) Que tema desenvolvido em ambos os textos? b) Qual a semelhana na estrutura entre eles? D um exemplo. 92. UFSCar-SP O anjo um elemento comum aos dois textos. a) De que forma so tratados os anjos nos textos? b) Nos versos de Chico Buarque, o querubim decretou; nos de Drummond, o anjo disse. Qual a diferena desses verbos na caracterizao do querubim e do anjo?

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93. Fuvest-SP O que di nem a frase (Quem paga seu salrio sou eu), mas a postura arrogante. Voc fala e o aluno nem presta ateno, como se voc fosse uma empregada.
Adaptado de entrevista dada por uma professora. Folha de S. Paulo, 03/06/01.

a) A quem se refere o pronome voc, tal como foi usado pela professora? Esse uso prprio de que variedade lingstica? b) No trecho como se voc fosse uma empregada, fica pressuposto algum tipo de discriminao social? Justique sua resposta. 94. Fuvest-SP Considere este trecho de um dilogo entre pai e lho (do romance Lavoura arcaica, de Raduan Nassar): Quero te entender, meu lho, mas j no entendo nada. Misturo coisas quando falo, no desconheo, so as palavras que me empurram, mas estou lcido, pai, sei onde me contradigo, piso quem sabe em falso, pode at parecer que exorbito, e se h farelo nisso tudo, posso assegurar, pai, que tem muito gro inteiro. Mesmo confundindo, nunca me perco, distingo para o meu uso os os do que estou dizendo. No trecho, ao qualicar o seu prprio discurso, o lho se vale tanto de linguagem denotativa quanto de linguagem conotativa. a) A frase estou lcido, pai, sei onde me contradigo um exemplo de linguagem de sentido denotativo ou conotativo? Justique sua resposta. b) Traduza em linguagem de sentido denotativo o que est dito de forma gurada na frase: se h farelo nisso tudo, posso assegurar, pai, que tem muito gro inteiro. 95. Fuvest-SP Estas duas estrofes encontram-se em O samba da minha terra, de Dorival Caymmi: Quem no gosta de samba bom sujeito no , ruim da cabea ou doente do p. Eu nasci com o samba, no samba me criei, do danado do samba nunca me separei. a) Reescreva a primeira estrofe, iniciando-a com a frase armativa Quem gosta de samba e fazendo as adaptaes necessrias para que se mantenha a coerncia do pensamento de Caymmi. No utilize formas negativas. b) Reescreva os dois primeiros versos da segunda estrofe, substituindo as formas nasci e me criei, respectivamente, pelas formas verbais correspondentes de provir e conviver e fazendo as alteraes necessrias.
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Texto para as questes 96 e 97. Brasil Seu destino crescer Nosso turismo j um produto de exportao com prestgio no mundo inteiro. Antes, para o resto do mundo, ramos apenas o pas do Carnaval e do futebol. Isso h muitos anos. Agora diferente, agora o pas tem rumo. Com o PNMT Programa Nacional de Municipalizao do Turismo , mais de 1.200 cidades tursticas esto sendo preparadas para que se tornem melhores para os turistas e para quem vive nelas. Treinamos e capacitamos mais de 500 mil prossionais, nas diversas reas ligadas ao turismo em todo o Brasil. Leis do tempo do Imprio foram atualizadas, abrindo novos horizontes, principalmente para o turismo martimo. S em 2001 tivemos 30 dos maiores transatlnticos do mundo navegando pelo nosso litoral. Com o cenrio brasileiro modernizado e mais atraente, de 2 milhes passamos para 5 milhes de turistas estrangeiros recebidos anualmente. O turismo traz os benefcios de um maravilhoso produto de exportao, ajudando a combater nossas diculdades sociais com a gerao de mais emprego, mais renda e divisas para o pas. Consulte seu agente de viagens.
Embratur, Ministrio do Esporte e Turismo, Governo do Brasil.

96. UFPE O texto, apesar de ser publicitrio, rearma a idia expressa nos seguintes versos: 1. O tempo a minha matria, o tempo presente, os homens presentes.
Drummond

2. Ser brasileiro me determina de modo emocionante e, nisto que posso chamar de destino, (...) descansa meu bem querer.
Adlia Prado

3. que o entusiasmo conserve vivas suas molas e possa enm o ferro comer a ferrugem, o sim comer o no.
Joo C. Melo Neto

4. quem sabe faz a hora, no espera acontecer.


Geraldo Vandr

5. Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.


Fernando Pessoa

Esto corretas apenas: a) 3, 4 e 5. b) 1, 2 e 4. c) 2, 3 e 5.

d) 1, 4 e 5. e) 1, 2 e 3.

97. UFPE Analisando as informaes apresentadas no texto e a forma como esto organizadas, podemos armar que: 1. o texto comea por estabelecer uma oposio entre diferentes momentos da histria do turismo no Brasil. 2. o discurso predominante visivelmente triunfalista e pretende ser altamente convincente. 3. na concepo do autor do texto, o Carnaval e o futebol possibilitaram novos rumos para o incremento da economia brasileira.

4. o vocbulo turismo e outros seus cognatos ocorrem vrias vezes e, assim, marcam o tpico principal que d unidade ao texto. 5. a voz que fala pelo texto se expressa na primeira pessoa do plural, do incio ao m, embora no apaream as marcas explcitas do pronome pessoal. Esto corretas apenas: a) 1, 2, 3 e 5. d) 3 e 4. b) 1, 2, 4 e 5. e) 1 e 2. c) 2, 3, 4 e 5. Texto para as questes de 98 a 101. Mandaram ler este livro Se o tal livro for fraquinho, o desprazer pode signicar um precipitado mas decisivo adeus literatura; se for estimulante, outros viro sem o peso da obrigao. As experincias com que o leitor se identica no so necessariamente as mais familiares, mas as que mostram o quanto vivo um repertrio de novas questes. Uma leitura proveitosa leva convico de que as palavras podem constituir um movimento profundamente revelador do prximo, do mundo, de ns mesmos. Tal convico faz caminhar para uma outra, mais ampla, que um antigo pensador romano assim formulou: Nada do que humano me alheio.
Cludio Ferraretti, indito

d) as palavras sempre caminham na direo do outro, do mundo, de cada um de ns. e) nenhuma palavra ser viva se no provocar o imediato prazer do leitor. 101. Fuvest-SP Mantm-se o sentido da frase se for estimulante em: a) conquanto seja estimulante. b) desde que seja estimulante. c) ainda que seja estimulante. d) porquanto estimulante. e) posto que estimulante 102. UFSCar-SP Proposta I As drogas preocupam os diversos segmentos da sociedade, quer seja pelos jovens cada vez mais cedo tomando parte do chamado mundo das drogas, quer seja pelo complexo sistema do narcotrco, que tem desaado, de forma acintosa, as autoridades. Elabore uma dissertao em prosa, expondo seu ponto de vista sobre a seguinte questo: As drogas devem ser liberadas? Textos auxiliares 1. Opinies de leitores, enviadas ao Frum dos Leitores do Jornal O Estado de S.Paulo, em janeiro de 2001 Descriminar e Legalizar Ao invs de car pregando contra as drogas, porque no agimos de forma positiva? Todos sabemos que as drogas, nas suas mais variadas formas, so consumidas desde a Antigidade. Como remdios, como anestsicos, como entorpecentes, como forma de se divertir, como forma de se esquecer da vida desgraada, etc. Portanto, sempre haver seres humanos dispostos a consumi-las, sempre. Na dcada de 20, os EUA tentaram proibir o consumo da mais famosa, o lcool. Deu no que deu. Trco, tiroteios, mortes. O consumo caiu? No, s aumentou, tiveram de legalizar. Com a legalizao, o governo passou a arrecadar e como! impostos com o consumo de lcool. A indstria de bebidas cresceu na legalidade, oferecendo empregos. As pessoas que consumiam escondidas, sem saber de onde vinha o produto, passaram a ter direitos de consumidor, para poder reclamar do produto. Imaginam isso acontecer com a maconha e a cocana, por exemplo? O governo poderia controlar a produo, taxar fortemente e arrecadar muito. Os consumidores estariam protegidos, pois haveria garantias do produto, o fabricante teria sua marca e tal, como as cervejas. E o melhor de tudo, milhares de vidas que se perdem hoje nos tiroteios entre tracantes e contra a polcia seriam preservadas. Na Europa os movimentos de descriminalizao da maconha ganham fora. Quando o Estado, em seus Editoriais, vai apoiar tal medida? S depois de atingirmos mais de um milho de mortos, ou quando nos EUA tomarem esta medida e vocs se virem obrigados a copiar? inegvel que o uso sistemtico de drogas leva degradao fsica, psquica e moral os indivduos, fato que se constitui em um desao a ser vencido pela sociedade como um todo, a comear na rbita familiar, onde os pais devem orientar os lhos, perceber suas reaes,
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98. Fuvest-SP De acordo com o texto, a identicao do leitor com o que l ocorre sobretudo quando: a) ele sabe reconhecer na obra o valor consagrado pela tradio da crtica literria. b) ele j conhece, com alguma intimidade, as experincias representadas numa obra. c) a obra expressa, em frmulas sintticas, a sabedoria dos antigos humanistas. d) a obra o introduz num campo de questes cuja vitalidade ele pode reconhecer. e) a obra expressa convices to verdadeiras que se furtam discusso. 99. Fuvest-SP O sentido da frase Nada do que humano me alheio equivalente ao desta outra construo: a) O que no diz respeito ao Homem no deixa de me interessar. b) Tudo o que se refere ao Homem diz respeito a mim. c) Como sou humano, no me alheio a nada. d) Para ser humano, mantenho interesse por tudo. e) A nada me sinto alheio que no seja humano. 100. Fuvest-SP De acordo com o texto, a convico despertada por uma leitura proveitosa , precisamente, a de que: a) sempre existe a possibilidade de as palavras serem profundamente reveladoras. b) as palavras constituem sempre um movimento de profunda revelao. c) muito fcil encontrar palavras que sejam profundamente reveladoras.

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identicar alteraes de comportamento, impedindo, sobretudo, que se viciem. Se, de um lado, as escolas tm, tambm, papel fundamental, com vista orientao dos jovens, assim como a polcia deve estar sucientemente aparelhada, ensejando a que haja maior ecincia no combate ao trco, de outro, cabe igualmente aos mdicos e sistemas de sade, numa ao multidisciplinar, grande responsabilidade, tanto na orientao preventiva, quanto na recuperao dos viciados. Est claro, todavia, que com tal iniqidade no se pode conviver, diante de uma atitude omissa e irresponsvel do poder pblico, cujo problema tem imposto fragorosa derrota a todas as naes, consoante o Programa das Naes Unidas para o Controle de Drogas (UNDCP) revela que o trco movimenta cerca de 400 bilhes por ano, o equivalente a 8% das exportaes mundiais, de sorte que a batalha contra os entorpecentes seja travada junto a seu elo que se reputa mais frgil e exposto: os pr-falados viciados. 2. Veja, 14 de novembro de 2001 Felipe um dentista de 53 anos. Como tantos outros de sua gerao, comeou a fumar maconha nos anos 60, quando a erva fazia parte do pacote bsico dos jovens que queriam contestar o sistema ou apenas curtir numa boa (...). Felipe acendia baseados escondido dos pais. Depois de adulto e casado, continuou a fumar os cigarrinhos enrolados em papel de seda, mas sem ocultar o hbito de seus dois meninos. Hoje, a maconha um item menos presente no cardpio de Felipe. Mas se tornou algo a ser compartilhado com os lhos. No ms passado, ele e Lcio, o primognito de 26 anos, introduziram o caula de 16 na rodinha de fumo caseira. Nessas ocasies, camos alegres, rimos bastante, diz Felipe. O fenmeno do baseado em famlia j apresenta propores sucientes para chamar a ateno dos especialistas no tratamento de dependentes qumicos. (...) Para esses pais, fumar maconha uma experincia incua, que serve inclusive para estreitar laos. uma viso equivocada. Assim como o lcool e o tabaco, a maconha faz mal, sim, sade. Com um agravante: droga ilegal. Esse fato, no caso do baseado em famlia, tem implicaes maiores do que a pena criminal. Uma das funes dos pais inculcar nos lhos a obedincia a determinados cdigos. Em muitos pontos, as guras paterna e materna encarnam as prprias regras sociais, o que essencial no s para a educao, como para a formao da personalidade da criana e do jovem. (...) Os especialistas so unnimes: se um adulto usurio de maconha (ou de qualquer outra droga), que a utilize longe da vista de seus lhos. A hipocrisia, aqui, mesmo um elogio que o vcio presta virtude. Proposta II Instrues Esta proposta constituda de apenas um texto. Com base nele: d um ttulo sugestivo sua redao. redija um texto a partir das idias apresentadas. Defenda os seus pontos de vista utilizando-se de argumentao lgica.
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Na avaliao de uma redao, so ponderados: a correta expresso em lngua portuguesa; a clareza, a conciso e a coerncia na exposio do pensamento; sua capacidade de argumentar logicamente em defesa de seus pontos de vista; seu nvel de atualizao e informao; a originalidade na abordagem do tema. A Banca aceitar qualquer posicionamento ideolgico do examinado. Evite fazer rascunho e passar a limpo para no perder tempo. A redao pode ser escrita a lpis. Ateno para escrever com caligraa bem legvel. Tema Cresce a conana depositada nas organizaes de um setor em constante e forte expanso no brasil e no mundo: o chamado terceiro setor. Nesse setor, as organizaes so privadas e sem ns lucrativos e complementam as iniciativas do setor governamental e do setor privado no atendimento de diversas necessidades da sociedade e na formao de um sistema econmico mais justo e democrtico. Nessas organizaes se encontram, em sua grande maioria, os indivduos que valorizam o ser humano de uma maneira intensa e que esto inconformados com as desigualdades sociais e econmicas que a lgica da economia de mercado acaba ignorando, e que o Estado do bem-estar social se mostrou incapaz de resolver. O crescimento da concincia comunitria encontra, nessas organizaes, um ambiente favorvel a sua aplicabilidade. Os valores predominantes, bastante adequados para o desenvolvimento dos que trabalham nessas organizaes, so: democracia, transparncia, coletividade, exibilidade e criatividade.
Luiz Rodovil Rossi Jr. A Gesto para resultados como Ferramenta Administrativa nas Organizaes do Terceiro Setor Integrao A Revista Eletrnica do Terceiro Setor. Ano IV n 2 maio/2001 http://200.224.250.199

As questes de nmeros 103 a 105 tomam por base as duas primeiras partes do conto Jeca Tatu, do escritor, editor e polemista Jos Bento Monteiro Lobato (1882-1948), e um fragmento do poema Juca Mulato, do jornalista e poeta modernista Paulo Menotti Del Picchia (1892-1988). Jeca Tatu Jeca Tatu era um pobre caboclo que morava no mato, numa casinha de sap. Vivia na maior pobreza, em companhia da mulher, muito magra e feia, e de vrios lhinhos plidos e tristes. Jeca Tatu passava os dias de ccoras, pitando enormes cigarres de palha, sem nimo de fazer coisa nenhuma. Ia ao mato caar, tirar palmitos, cortar cachos de brejava, mas no tinha a idia de plantar um p de couve atrs da casa. Perto corria um ribeiro, onde ele pescava de vez em quando uns lambaris e um ou outro bagre. E assim ia vivendo. Dava pena ver a misria do casebre. Nem mveis, nem roupas, nem nada que signicasse comodidade. Um banquinho de trs pernas, umas peneiras furadas, a espingardinha de carregar pela boca, muito ordinria, e s. Todos que passavam por ali murmuravam: Que grandissssimo preguioso! [...]

Jeca s queria beber pinga e espichar-se ao sol no terreiro. Ali cava horas, com o cachorrinho rente, cochilando. A vida que rodasse, o mato que crescesse na roa, a casa que casse. Jeca no queria saber de nada. Trabalhar no era com ele. Perto morava um italiano j bastante arranjado, mas que ainda assim trabalhava o dia inteiro. Por que Jeca no fazia o mesmo? Quando lhe perguntavam isso, ele dizia: No paga a pena plantar. A formiga come tudo. Mas como que o seu vizinho italiano no tem formiga no stio? que ele mata. E por que voc no faz o mesmo? Jeca coava a cabea, cuspia por entre os dentes e vinha sempre com a mesma histria: Qu! No paga a pena... Alm de preguioso, bbado; e alm de bbado, idiota, era o que todos diziam.
Monteiro Lobato. Jeca Tatu. In: Obras completas de Monteiro Lobato.

b) baseado no fato de que numa narrativa podem ser apresentados aspectos externos e aspectos internos do comportamento das personagens, estabelea a diferena essencial que h entre os dois textos no modo de focalizar as personagens Jeca Tatu e Juca Mulato pelos respectivos narradores. 104. Vunesp Com um discurso narrativo simples e objetivo, o narrador de Jeca Tatu nos fornece, no trecho citado, um retrato bem denido da situao vivida pela personagem em seu meio. Releia atentamente o trecho e, a seguir: a) levando em considerao as informaes do narrador, avalie a atuao de Jeca Tatu como proprietrio rural; b) indique dois adjetivos empregados no texto que sintetizam a opinio que as outras pessoas tinham sobre Jeca Tatu. 105. Vunesp Os escritores se valem, com freqncia, do recurso de atribuir caractersticas de seres animados a elementos do meio ambiente. Aps vericar a ocorrncia desse recurso no techo de Juca Mulato: a) cite uma seqncia de versos do poema em que elementos do ambiente parecem assumir caractersticas de seres animados; b) estabelea a relao existente entre as caractersticas do ambiente assim descrito e o estado de esprito do personagem Juca Mulato. 106. Unicap-PE As idias listadas a seguir foram pinadas de um texto publicado por Jos Paulo Cavalcante Filho, no Jornal do Commercio. Verique a adequao dos conectores e de outros recursos coesivos na reunio dos enunciados em um nico perodo. O TSE decidiu proibir, em televiso e rdio, opinio favorvel ou contrria a candidato, partido ou coligao. Mais de cem senadores e deputados tm rdio ou televiso. A regra lamentvel at na redao. ( ) Mais de cem senadores e deputados tm rdio ou televiso, por isso o TSE decidiu proibir, em televiso e rdio, opinio favorvel ou contrria a candidato, partido ou coligao, cuja regra lamentvel at na redao. ( ) Como mais de cem senadores e deputados tm rdio ou televiso, o TSE decidiu proibir, nesses meios de comunicao, opinio favorvel ou contrria a candidato, partido ou coligao, mas a regra lamentvel at na redao. ( ) O TSE decidiu proibir, em televiso e rdio, opinio favorvel ou contrria a candidato, partido ou coligao, porque mais de cem senadores e deputados tm esses meios, portanto a mesma lamentvel at na redao.

Juca Mulato Juca Mulato pensa: a vida era-lhe um nada... Uns alqueires de cho; o cabo de uma enxada; um cavalo pigaro; uma pinga da boa; o cafezal verdoengo; o sol quente e inclemente.. Nessa noite, porm, parece-lhe mais quente, o olhar indiferente, da lha da patroa... Vamos, Juca Mulato, ests doido? Entretanto, tem a noite lunar arrepios de susto; parece respirar a fronde de um arbusto, o ar como um bafo, a gua corrente, um pranto. Tudo cria uma vida espiritual, violenta. O ar morno lhe fala; o aroma suave o tenta... Que diabo! Volve aos cus as pupilas, toa, e v, na lua, o olhar da lha da patroa... Olha a mata; l est! o horizonte lho esboa; pressente-o em cada moita; enxerga-o em cada poa; e ele vibra, e ele sonha, e ele anseia, impotente, esse olhar que passou, longnquo e indiferente! Juca Mulato cisma. Olha a lua e estremece. Dentro dele um desejo abre-se em or e cresce e ele pensa, ao sentir esses sonhos ignotos, que a alma como uma planta, os sonhos, como brotos, vo rebentando nela e se abrindo em oradas... Franjam de ouro, o ocidente, as chamas das queimadas. Menotti Del Picchia, Poemas. 103. Vunesp Os trechos transcritos de Jeca Tatu e Juca Mulato exploram gneros e temas distintos, mas no deixam de apresentar algumas identidades. Depois de rel-los, buscando observar bem suas diferenas e semelhanas: a) mencione um ponto de contato entre os dois trechos, no que diz respeito ao ambiente descrito;

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( ) A regra lamentvel at na redao embora mais de cem senadores e deputados tenham rdio e televiso e o TSE tenha decidido proibir, nesses meios, opinio favorvel ou contrria a candidato, partido ou coligao. ( ) Com uma regra lamentvel at na redao, o TSE decidiu proibir, em televiso e rdio, opinio favorvel ou contrria a candidato, partido ou coligao, posto que mais de cem senadores e deputados tm esses meios de comunicao. 107. Unicap-PE No texto citado na questo anterior, o autor arma que a regra lamentvel at na redao. Para explicar por que a redao lamentvel, cabe dizer: ( ) opinio, at prova em contrrio, s pode ser a favor ou contra; ( ) no possvel determinar com preciso se em televiso e rdio refere-se a proibir ou a (dar) opinio. Por outro lado, a palavra at na armao do autor traz implcita a idia de que a regra no lamentvel apenas na redao. Na seqncia do texto, a coerncia seria mantida com os seguintes enunciados: ( ) preciso acabar com o vcio de eleies sem povo. ( ) Impor o silncio pela fora, como quer a Justia Eleitoral, vai muito alm do papel de uma Justia Eleitoral. ( ) Essas TVs e rdios partidrias poderiam estar a servio de seus candidatos. Texto para as questes 108 e 109. Sou um homem arrasado. Doena? No. Gozo perfeita sade. O que estou velho. (...) cinqenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado que endureci, calejei, e no um arranho que penetra esta casca espessa e vem ferir c dentro a sensibilidade embotada. Cinqenta anos! Quantas horas inteis! (...) Comer e dormir como um porco! (...) E depois guardar comida para os lhos, para os netos, para muitas geraes. Que estupidez! (...) Penso em Madalena com insistncia. Se fosse possvel recomearmos... Para que enganar-me? Se fosse possvel recomear-mos, aconteceria exatamente o que aconteceu. Graciliano Ramos. So Bernardo. 108. Mackenzie-SP Assinale a alternativa correta sobre o texto. a) Se fosse possvel recomearmos (linhas 13 e 14) introduz condio suciente para a reparao dos maus-tratos. b) O que estou velho (linha 3) constitui expresso menos enftica do que estou velho. c) Endureci, calejei (linha 5) explicitam, por meio da gradao, a conseqncia de uma vida considerada mal vivida.
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d) Casca espessa e sensibilidade embotada (linhas 6 e 7) representam idias contraditrias. e) Quantas horas inteis! (linha 8): o pronome recurso utilizado para atenuar o lamento. 109. Mackenzie-SP O resultado que endureci, calejei, e no um arranho que penetra esta casca espessa. A conjuno e do perodo acima pode ser corretamente substituda, sem prejuzo do sentido original, por: a) mas. d) por que. b) portanto. e) no entanto. c) pois. Texto referente s questes de 110 a 114. H um momento em que o homem maduro deixa de ser um membro ativo da sociedade, deixa de ser um propulsor da vida presente do seu grupo; neste momento de velhice social resta-lhe, no entanto, uma funo prpria: a de lembrar. A de ser a memria da famlia, do grupo, da instituio, da sociedade: Nas tribos primitivas, os velhos so os guardies das tradies, no s porque eles as receberam mais cedo que os outros, mas tambm por que s eles dispem do lazer necessrio para xar seus pormenores ao longo de conversaes com os outros velhos, e para ensin-los aos jovens a partir da iniciao. Em nossas sociedades tambm estimamos um velho porque, tendo vivido muito tempo, ele tem muita experincia e est carregado de lembranas. Como, ento, os homens idosos no se interessariam apaixonadamente por este passado, tesouro comum de que se constituram depositrios, e no se esforariam por preencher, em plena conscincia, a funo que lhes confere o nico prestgio que possam pretender da em diante?
Ecla Bosi

110. Mackenzie-SP No contexto, o emprego de no entanto (linha 4) justica-se porque: a) o comentrio feito anteriormente sobre a velhice social (linhas de 1 a 4) pode implicar a idia de falta de sentido para a vida do idoso. b) o homem maduro citado anteriormente tem funo que se dene por oposio ao homem velho. c) a sociedade divide seus membros entre sujeitos ativos e no-ativos e condiciona a velhice a um comportamento inativo. d) a velhice social considerada um momento de vida em que o homem nada mais deseja, nem mais atua sobre seu meio. e) o ato de lembrar visto como elemento alternativo discutvel para que o idoso continue a fazer parte da sociedade. 111. Mackenzie-SP Nas tribos primitivas, os velhos so os guardies das tradies, no s porque eles as receberam mais cedo que os outros mas tambm por que s eles dispem do lazer necessrio para xar seus pormenores ao longo de conversaes com os outros velhos, e para ensin-los aos jovens a partir da iniciao. Considere as seguintes armaes sobre o fragmento anterior, retirado do texto.

I.

Os fatos citados nas oraes em negrito so apresentados como causas igualmente importantes de os velhos serem considerados guardies das tradies. II. O lazer referido considerado condio para duas atividades: xar pormenores das tradies e ensin-los aos jovens. III. O uso de s em s eles dispem denota carter exclusivo, o que refora a idia de que, na velhice social, o homem maduro tem uma funo prpria. Assinale: a) se todas estiverem corretas. b) se nenhuma estiver correta. c) se apenas I e II estiverem corretas. d) se apenas I e III estiverem corretas. e) se apenas II e III estiverem corretas. 112. Mackenzie-SP Considerando o contexto, a frase a funo que lhes confere o nico prestgio que possam pretender da em diante (linhas 19 a 20) est corretamente entendida em: a) o tipo de atuao prossional que a eles concedido como forma nica de reconhecimento do mrito, que, da em diante, nunca lhes ser negado. b) a espcie de tarefa que d a eles o reconhecimento que no podem esperar obter de nenhuma outra forma da em diante. c) a funo inuente que pretendem desempenhar de maneira ecaz e nica para obter cada vez mais prestgio, da em diante. d) a obrigao que lhes oferecida pelo prestgio de que gozam e que, da em diante, ser sempre nico. e) o cargo de prestgio que receberam, sem necessidade, da em diante, de pretender outras funes. 113. Mackenzie-SP Est corretamente traduzida, considerando-se o contexto, a seguinte expresso do texto: a) velhice social (linha 4) = idade em que a debilidade fsica isola o indivduo da prtica social. b) propulsor da vida presente do seu grupo (linha 3) = crtico lcido do grupo e do momento em que vive. c) resta-lhe uma funo prpria (linhas 4 e 5) = -lhe oferecida, como consolao, uma atividade de menor importncia. d) lazer necessrio para xar seus pormenores (linha 10) = tempo disponvel essencial para que os detalhes sejam memorizados. e) ao longo de conversaes com os outros velhos (linha 11) = se h oportunidade de longamente expor seus pontos de vista aos contemporneos. 114. Mackenzie-SP Como, ento, os homens idosos no se interessariam apaixonadamente por esse passado, tesouro comum de que se constituram depositrios, e no se esforariam por preencher, em plena conscincia, a funo que lhes confere o nico prestgio que possam pretender da em diante? Assinale a armao correta sobre o perodo acima, retirado do texto.

a) Esse, em esse passado, refere-se parcela do tempo vivido que no tem valor para a vida da coletividade. b) Tesouro comum de que se constituram depositrios equivale a: tesouro comum de que os homens idosos, na qualidade de guardies, no podem usufruir. c) O que destacado no texto refere-se a os homens idosos. d) A indagao estratgia para enfatizar como so bvias as razes para os velhos se interessarem tanto pelo passado e tanto desejarem mant-lo vivo pela memria. e) Em no se esforariam, prefervel, de acordo com a norma culta, a nclise do pronome oblquo. Textos para as questes 115 e 116. A solido e sua porta Quando mais nada resistir que valha a pena de viver e a dor de amar e quando nada mais interessar, (nem o torpor do sono que se espalha) Quando, pelo desuso da navalha a barba livremente caminhar e at Deus em silncio se afastar deixando-te sozinho na batalha a arquitetar na sombra a despedida do mundo que te foi contraditrio lembra-te que anal te resta a vida com tudo que insolvente e provisrio e de que ainda tens uma sada; entrar no acaso e amar o transitrio

Carlos Pena Filho. Antologia Didtica de Poetas Pernambucanos.

115. UFPE Na simbologia do poema e sob a forma esttica de sua composio, o poeta nos prope como idia central as seguintes alternativas. ( ) O valor da vida, mesmo transitria, est acima de qualquer vicissitude. ( ) Os princpios que regem o mundo so contraditrios e efmeros. ( ) A interveno divina, mesmo em silncio, comparece para apaziguar a luta do homem frente sua solido. ( ) At as angstias extremas podem ser suavizadas pela lembrana de que a vida ainda perdura. ( ) Os momentos de infelicidade so obra do acaso e da transitoriedade do amor. 116. UFPE Analisando a construo do poema, podemos armar que: ( ) nos dez primeiros versos, o poeta enumera as circunstncias em que se instauram os aspectos sombrios da vida humana. ( ) nos quatro ltimos versos, o poeta apresenta os caminhos de uma reao positiva desconstruo humana implcita nos dez primeiros versos.
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( ) o ttulo do poema resume a idia de que existe sada para as aies do ser humano. ( ) no oitavo, nono e dcimo versos, o poeta sugere que o homem, obscura e solitariamente, se entrega espera da morte. ( ) o ltimo verso acena com a idia de que a porta de sada da solido a renncia ao que est racionalmente aceito. Texto referente s questes de 117 a 119. ... isto de mtodo, sendo, como , uma cousa indispensvel, todavia melhor t-lo sem gravata nem suspensrios, mas um pouco fresca e solta (...) como a eloqncia, que h uma genuna e vibrante, de uma arte natural e feiticeira, e outra tesa, engomada e chocha. Machado de Assis. Memrias pstumas de Brs Cubas. 117. Mackenzie-SP Assinale a armao correta sobre a passagem acima transcrita. a) Apresenta episdios entrelaados segundo relaes de causa e efeito, constituindo, portanto, exemplo de linguagem narrativa. b) Constitui fragmento dissertativo, pois o emissor argumenta para defender um certo ponto de vista. c) Exibe traos de subjetividade, pois o emissor expressa seu estado de esprito diante de um fato que o emocionou. d) Expe uma teoria mediante discurso tipicamente cientco e apresenta fatos da experincia que a comprovam. e) exemplo de discurso didtico em que o leitor, explicitamente referido, chamado a opinar. 118. Mackenzie-SP No contexto, gravata e suspensrios (linhas 2 e 3): a) expressam metaforicamente os aspectos positivos do mtodo do qual, segundo o narrador, toda obra depende. b) caracterizam metonimicamente o mtodo fresco e solto que o narrador reconhece como essencial. c) equivalem, em seu sentido denotativo, s qualidades do mtodo que o narrador julga indispensveis. d) correspondem, respectivamente, a possveis rigidez e vantagens do mtodo, defendidos por serem imprescindveis. e) adquirem sentido conotativo por representar a austeridade do mtodo, atributo que o narrador gostaria de ver minimizado. 119. Mackenzie-SP ...isto de mtodo, sendo, como , uma cousa indispensvel, todavia melhor t-lo sem gravata nem suspensrios, mas um pouco fresca e solta (...). Assinale a alternativa correta sobre o fragmento transcrito. a) Isto tem o mesmo valor da interjeio presente na frase: Isto! Voc superou brilhantemente o obstculo!
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b) A frase sendo uma cousa indispensvel expressa, no contexto, uma condio. c) Como constitui recurso para no deixar dvida sobre a armao que est sendo articulada. d) Todavia pode ser substitudo, sem prejuzo do sentido original, por porque. e) O acento indicativo da crase observado em solta ocorreria corretamente tambm em chegou escrever aos pais. 120. Quem escrevia e para quem se escreviam poemas no perodo antemodernista? O Parnasianismo o estilo das camadas dirigentes, da burocracia culta e semiculta, das prosses liberais habituadas a conceber a poesia como linguagem ornada, segundo padres j consagrados que garantam o bom gosto da imitao. H um academismo ntimo vinculado atitude espiritual do poeta parnasiano; atitude que tende a enrijecerse nos epgonos*, embora se dilua nas vozes mais originais. Os mesmos temas, as mesmas palavras, os mesmos ritmos conuem para criar uma tradio literria que age a priori ante a sensibilidade artstica, limitando-lhe ou mesmo abolindo-lhe a originalidade. * Epgonos: imitadores de um escritor. Assinale a alternativa correta sobre o texto.
Alfredo Bosi

a) O segmento segundo padres j consagrados (linhas 5 e 6) pode, sem prejuzo do sentido original, ser substitudo por tendo em vista atingir padres consagrados. b) Em que garantam o bom gosto da imitao (linha 6), da imitao pode ser substitudo por imitativo sem que o sentido original se altere. c) Se atitude (linha 7) fosse substitudo por atitudes, estaria correta a seqncia: que tende a enrijecerem-se nos epgonos. d) A frase embora se dilua nas vozes mais originais (linhas 9 e 10) equivale a ainda que se dilua nas vozes mais originais. e) Separam-se corretamente as slabas do vocbulo ritmos (linha 11) assim: ri-tmos. Textos para as questes de 121 a 123. Texto I

Texto II cio no falta do que fazer, mas possibilidade de fazer a escolha ldica do que se deseja, sem constrangimento ou obrigatoriedade.
Mrio Srgio Cortella

Texto III As pessoas alegres fazem mais loucuras do que as pessoas tristes, porm as loucuras das pessoas tristes so mais graves.
Mihail Eminescu

Texto IV Mos desocupadas, ocina do demnio. 121. Mackenzie-SP Sobre o texto I, correto armar que: a) o modo como se desenha a ltima janela indica a continuidade da ao proposta. b) o ttulo (Vida 3.0) sugere negao do controle tecnolgico sobre a vida do indivduo. c) a separao absoluta entre as janelas indica a pausa que revigora. d) nele est gloricado o trabalhador que se esgota para ganhar produtividade. e) a echa direita da tira, na parte inferior, indica o m do processo representado. 122. Mackenzie-SP Sobre os textos I, II, III e IV, correto armar que: a) I prope o trabalho como exteriorizao de nossa capacidade inventiva. b) em II, denuncia-se o perigo da perda de tempo com banalidades. c) em III, equipara-se a loucura de pessoas tristes de pessoas alegres. d) II e III propem a descontrao como um aspecto positivo do comportamento. e) II e IV apresentam um mesmo ponto de vista sobre a ociosidade humana. 123. Mackenzie-SP Assinale a alternativa correta sobre os textos I, II, III e IV. a) Em I, apresenta-se o trabalho como participao e transformao.

b) Em I, a seqncia de verbos no innitivo conrma a estaticidade de um trabalho alienante. c) Em IV, o trabalho apresentado como um mal necessrio. d) Em I e III, arma-se o efeito perverso da automao. e) Em I e II, o trabalho contnuo considerado como nica fonte de sade moral. 124. Proposta I Leia o texto a seguir e desenvolva o tema: Salvando a natureza, garantindo o futuro. Boas notcias At h pouco tempo, no Brasil, estar na lista dos animais em risco de extino equivalia a uma condenao morte. Num pas famoso por no cuidar de suas riquezas naturais, o mais provvel era sempre que o pior acontecesse. Mas, dos anos 80 para c alguns projetos comearam a reverter o que parecia irreversvel. Com solues que incluram conversas com pescadores e caadores para convenc-los a deixar os animais em paz e a criao de alternativas para tornar a matana desnecessria, os ambientalistas conseguiram salvar espcies que j estavam no bicodo-corvo. A populao dos micos-lees-dourados quintuplicou em trs dcadas, as tartarugas-marinhas soltas no oceano j se contam aos milhes, as araras-azuis e os peixes-boi esto garantidos pelo menos para a prxima gerao (veja o quadro a seguir). Verdade que cedo para comemorar ainda h no pas mais de 200 espcies animais em risco de extino. Mas h que se comear de algum lugar. Alessandro Meiguins. Superinteressante.

Sem Pagar Mico As principais ONGS que combatem a extino de animais e seus resultados

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Proposta II 1. Leia os textos dados a seguir e analise as idias neles apresentadas. Texto I Minha verdadeira identidade surge apenas quando estou com meus amigos. nessas horas de conversa, trocando idias e expondo os sentimentos, que consigo me revelar inteiramente, nessas horas que passo a me entender melhor. Quando estou s, meus pensamentos me confundem e no tenho clareza acerca de nada. Texto II Uma das convices de Machado de Assis a de que o homem, para viver bem com os outros,valese de uma mscara oportuna, buscando atender s expectativas alheias, desejando formar a melhor imagem de si mesmo, ainda que seja inteiramente falsa. o que se poderia chamar de necessidade de encenao, sem a qual no se aceita o semelhante. Tema O olhar dos outros a nossa bno ou o nosso inferno? 2. Apoiando-se nesses textos, redija uma dissertao em que voc desenvolva seu ponto de vista acerca do que questiona o tema apresentado anteriormente. 3. A dissertao deve ter a extenso mnima de 20 linhas e mxima de 30 linhas, considerando-se letra de tamanho regular. Leia com ateno o texto a seguir. Depois, responda s questes de 125 a 127. Um cachorro de maus bofes acusou uma pobre ovelhinha de lhe haver furtado um osso. Para que furtaria eu esse osso ela se sou herbvora e um osso para mim vale tanto quanto um pedao de pau? No quero saber de nada. Voc furtou o osso e vou lev-la aos tribunais. E assim fez. Queixou-se ao gavio-de-penacho e pediu-lhe justia. O gavio reuniu o tribunal para julgar a causa, sorteando para isso doze urubus de papo vazio. Comparece a ovelha. Fala. Defende-se de forma cabal, com razes muito irms das do cordeirinho que o lobo em tempos comeu. Mas o jri, composto de carnvoros gulosos, no quis saber de nada e deu a sentena: Ou entrega o osso j e j, ou condenamos voc morte! A r tremeu: no havia escapatria!... Osso no tinha e no podia, portanto, restituir; mas tinha vida e ia entreg-la em pagamento do que no furtara. Assim aconteceu. O cachorro sangrou-a, espostejou-a, reservou para si um quarto e dividiu o restante com os juzes famintos, a ttulo de custas...
Monteiro Lobato. Fbulas e Histrias Diversas.

126. FGV-SP Observe o perodo Para que furtaria eu esse osso ela se sou herbvora e um osso para mim vale tanto quanto um pedao de pau? A respeito dele, pede-se: a) O segmento para mim est prximo da palavra osso. Pelo sentido, porm, percebe-se que sua relao imediata no se faz com essa palavra, mas com outra. Diga com qual palavra ele se relaciona e explique. b) Explique a funo da palavra ela. 127. FGV-SP A sentena a que a ovelha condenada s se concretiza realmente no ltimo pargrafo. No entanto, ao longo do texto, o narrador vai, aos poucos, oferecendo indcios de que isso ocorreria. Aponte pelos menos dois desses indcios e explique-os. Texto referente s questes 128 e 129. O rpido e grande avano observado no ambiente da produo, por meio do surgimento de novas estratgias de manufatura, imps mudanas profundas na forma de produzir. Uma das tcnicas mais atingidas por essas mudanas a que se refere ao gerenciamento de custos. At os anos 70, as despesas diretas de mo-de-obra e material respondiam pela quase totalidade dos custos totais. Despesas indiretas, como qualidade, controle de produo, compras etc., representavam uma pequena proporo desses custos. Em decorrncia, os mtodos tradicionais de alocao das despesas indiretas recomendavam, por uma questo de simplicao, meramente ratear tais despesas, com base em critrios pouco complexos. Entretanto, a estrutura de custos dos produtos vem alterando-se muito nos ltimos tempos. Antes, as despesas indiretas representavam apenas algo em torno de 5% dos custos; hoje, j alcanam valores mdios superiores a 35%, havendo casos de empresas em que elas podem atingir 70%. Por outro lado, no passado, os custos de medio das despesas eram elevados, e a diversicao dos produtos, pequena. Hoje, com o avano tecnolgico, os custos de medio esto menores e permitem apurao mais precisa. Nos tempos atuais, tambm a diversidade de produtos e servios vem crescendo devido tendncia de se procurar atingir uma operao que atenda aos clientes com produtos e servios personalizados. Essas consideraes permitem armar que o sistema tradicional de levantamento de custos tornou-se inadequado.
Adaptado de COGAN, Samuel. Revista de Administrao de Empresas.

128. FGV-SP Entende-se do texto que: a) novas estratgias de manufatura provocaram rpido e grande avano no ambiente da produo, o que, por sua vez, levou a mudanas profundas na forma de produzir. b) grande avano no ambiente da produo levou a novas estratgias de manufatura, as quais, por sua vez, provocaram mudanas profundas na forma de produzir.

125. FGV-SP No texto, encontramos o seguinte perodo: Para que furtaria eu esse osso ela se sou herbvora e um osso para mim vale tanto quanto um pedao de pau? Nesse perodo, teria sido possvel escrever Por que em vez de Para que. Isso teria provocado sentido diferente frase? Explique.
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c) mudanas profundas na forma de produzir levaram a novas estratgias de manufatura, as quais, por sua vez, provocaram rpido e grande avano no ambiente da produo. d) mudanas profundas na forma de produzir foram alteradas pela nova forma de gerenciar os custos. e) a relao entre novas estratgias de manufatura, de um lado, e o avano no ambiente de produo, de outro, no de causa e efeito, mas cronolgica, j que uma posterior outra. 129. FGV-SP De acordo com o texto, pode-se armar que: a) a maneira de gerenciar os custos, nas empresas, sofreu profundas alteraes antes dos anos 70. b) a partir dos anos 70, as despesas diretas passaram a representar a maior parte dos custos totais. c) at os anos 70, a participao das despesas indiretas era pouco signicativa na composio dos custos totais. d) at 1970, a composio dos custos totais sofreu mais alteraes do que dos anos 70 em diante. e) a relao entre as despesas diretas e as despesas indiretas sofreu grande alterao em 1970. 130. PUC-SP Leia atentamente os textos abaixo. Texto 1 Massa diz que realizou um sonho ao ser pole em Interlagos Quinto brasileiro a conquistar uma pole no GP do Brasil de Frmula 1 - repetindo Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna e Rubens Barrichello -, Felipe Massa armou neste sbado que realizou um sonho em sua carreira ao garantir a primeira posio do grid de largada da corrida em Interlagos e ouvir o seu nome ser gritado pelo pblico que lotou o autdromo.
Milton Pazzi Jr. (www.estadao.com.br - acessado em 21 out. 2006.)

d) o primeiro mais subjetivo, porque indica com preciso no s o dia em que Felipe Massa fez a armao, como tambm se refere precisamente primeira posio. e) o segundo mais subjetivo, porque em seu ttulo apresenta de modo completo tanto o nome Felipe Massa quanto o nome Grande Prmio do Brasil. Textos referentes s questes de 131 a 133. Texto I Cuido haver dito, no captulo XIV, que Marcela morria de amores pelo Xavier. No morria, vivia. Viver no a mesma coisa que morrer; assim o armam todos os joalheiros deste mundo, gente muito vista na gramtica. Bons joalheiros, que seria do amor se no fossem os vossos dixes* e ados? Um tero ou um quinto do universal comrcio dos coraes. (...) O que eu quero dizer que a mais bela testa do mundo no ca menos bela, se a cingir um diadema de pedras nas; nem menos bela, nem menos amada. Marcela, por exemplo, que era bem bonita, Marcela amou-me (...) durante quinze meses e onze contos de ris; nada menos. * Dixes: jias, enfeites.
Machado de Assis. Memrias pstumas de Brs Cubas.

Te xto II Vocs mulheres tm isso de comum com as ores, que umas so lhas da sombra e abrem com a noite, e outras so lhas da luz e carecem do Sol. Aurlia como estas; nasceu para a riqueza. Quando admirava a sua formosura naquela salinha trrea de Santa Teresa, parecia-me que ela vivia ali exilada. Faltava o diadema, o trono, as galas, a multido submissa; mas a rainha ali estava em todo o seu esplendor. Deus a destinara opulncia.
Jos de Alencar. Senhora.

131. Mackenzie-SP No texto I acima, o narrador: a) faz crticas sutis sobre o carter de Marcela. b) condena explicitamente o universal comrcio dos coraes. c) afirma que as jias tornam as mulheres mais belas. d) conrma o sentido cristalizado da expresso morrer de amores. e) enaltece o esprito fraternal e humanitrio dos joalheiros. 132. Mackenzie-SP Considere as seguintes armaes sobre os textos I e II. I. Em II, a beleza da mulher depende das jias sosticadas feitas por bons joalheiros. II. Em I, o cronista considera sua resposta justa, depois de explicitar os argumentos que apoiaram seu raciocnio. III. Em I e II, so feitos comentrios sobre o comportamento da mulher sem que se considere o ponto de vista feminino. Assinale: a) se todas estiverem corretas. b) se apenas I e III estiverem corretas. c) se apenas II e III estiverem corretas. d) se apenas III estiver correta. e) se nenhuma estiver correta.
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Texto 2

Felipe Massa crava a pole position do Grande Prmio do Brasil O brasileiro Felipe Massa conrmou o favoritismo e conquistou a pole position do Grande Prmio do Brasil, ltima etapa da temporada 2006 da Frmula 1. Forte desde os treinos livres da sexta-feira, ele assumiu a primeira posio com o tempo de 1min10s842. Os dois textos referem-se ao mesmo tema: a primeira posio na largada do Grande Prmio de Frmula 1 do Brasil, conquistada por Felipe Massa, jovem piloto brasileiro. Acerca do modo como aparece no texto o aspecto pessoal, emocional e subjetivo, pode-se armar que: a) ambos so isentos de subjetividade, como deve ser todo texto jornalstico que prima sempre pela objetividade para que tenha maior credibilidade. b) o primeiro texto mais subjetivo, porque se refere ao sonho e s sensaes de Felipe Massa, alm de compar-lo a outros dolos do automobilismo brasileiro. c) o segundo mais subjetivo, porque indica precisamente que se trata de uma etapa especca da competio e porque indica o tempo exato da melhor volta de Felipe Massa.
(http://esporte.uol.com.br - acessado em 21 out. 2006.)

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133. Mackenzie-SP De acordo com o texto II: a) as mulheres feias so ores noturnas e as bonitas, ores diurnas. b) a armao de carter particular do primeiro perodo generalizada na seqncia do texto. c) a formosura da personagem (linha 4) contrasta com o espao caracterizado como salinha trrea (linha 5). d) para que a Aurlia fosse bela faltavam o diadema, o trono, as galas, a multido submissa. e) a beleza e a riqueza so elementos contraditrios no perl da mulher ideal. Textos referentes s questes 134 e 135. Texto I Libra (23 set. a 22 out.)

b) horscopos so escritos para leitores supostamente questionadores e incrdulos. c) o eu que faz as previses se apresenta como detentor de um saber maior. d) a crena do leitor no destino astral considerada dispensvel para que ele reoriente sua vida. e) iniciam-se por meio de um aconselhamento explcito ao leitor. 135. Mackenzie-SP Considere as seguintes armaes sobre os textos I e II. I. Ambos iniciam-se com vocativo, forma de apelo ao leitor. II . Os segmentos Para alguns, Para outros (texto I) e Mesmo assim (texto II) exemplicam o modo relativizador de argumentar. III. O emprego do verbo no imperativo No se perca, Apegue-se conrma o tom de aconselhamento, tpico desse gnero de texto. Assinale: a) se todas estiverem corretas. b) se apenas I e II estiverem corretas. c) se apenas II e III estiverem corretas. d) se apenas III estiver correta. e) se nenhuma estiver correta. Textos para questes de 136 a 138. Texto I Como uma onda Nada do que foi ser De novo do jeito Que j foi um dia Tudo passa, tudo sempre passar A vida vem em ondas Como mar Num indo e vindo innito Tudo que se v no Igual ao que a gente viu h um segundo Tudo muda o tempo todo No mundo No adianta fugir Nem mentir pra si mesmo Agora H tanta vida l fora Aqui dentro sempre Como uma onda no mar
Lulu Santos/Nelson Mota

Para alguns, o mundo um lugar em que imperam a desordem e a fratura. Para outros, como voc, h uma ordem, uma esttica subjacente a tudo que ocorre. Deixe os outros pensarem o que quiserem. No se perca por isso. Se o seu desejo resgatar essa harmonia, isso faz parte de sua natureza.
Folha de S. Paulo

Texto II Escorpio (23 out. a 21 nov.)

Ser implacvel consigo torna a vida mais lmpida, mas muito mais difcil. Mesmo assim, se h sinceridade, voc pode seguir, olhando as formas borradas do que deixou para trs. Em meio a alguns escombros, reluzem boas lembranas. Apegue-se a elas, para se manter inteiro(a) e rme.
Folha de S. Paulo

134. Mackenzie-SP Sobre os textos I e II, correto armar que: a) expresses como esttica subjacente e alguns escombros comprovam o carter cientco da linguagem do horscopo.
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Texto II Como nossos pais No quero lhe falar, meu grande amor Das coisas que aprendi nos discos Quero lhe contar como eu vivi E tudo o que aconteceu comigo (...) Minha dor perceber que Apesar de termos feito tudo que zemos Ainda somos os mesmos e vivemos Como nossos pais Nossos dolos ainda so os mesmos E as aparncias no enganam no (...)

Minha dor perceber que Apesar de termos feito tudo que zemos Ainda somos os mesmos e vivemos Como nossos pais Texto III Balada do amor atravs das idades Eu te gosto, voc me gosta desde tempos imemoriais. Eu era grego, voc troiana, troiana mas no Helena. Sa do cavalo de pau para matar seu irmo. Matei, brigamos, morremos. (...) Hoje sou moo moderno, remo, pulo, dano, boxo, tenho dinheiro no banco. Voc uma loura notvel, boxa, dana, pula, rema. Seu pai que no faz gosto. Mas depois de mil peripcias, eu, heri da Paramount, te abrao, beijo e casamos.
Drummond, Carlos. Alguma poesia, 1930. Antnio Carlos Belchior

Assinale a alternativa correta sobre o texto. a) No primeiro pargrafo, o cronista, a partir de uma situao vivida, tece comentrio geral sobre a instabilidade dos valores do seu tempo. b) No primeiro pargrafo, o cronista, aps ouvir a armao sobre a perplexidade do homem moderno, no soube responder ao diplomata se a gr-na era realmente bonita. c) De acordo com o cronista, a dvida sobre os valores do homem moderno advm do esprito losco e no da observao direta dos fatos. d) A resposta dada ao diplomata portugus (s vezes) contradiz a observao feita pela senhora (Tudo anda to confuso!). e) No ltimo pargrafo, o cronista conclui que a dvida sobre a beleza se deve apenas minuciosa montagem da gr-na. 140. Fuvest-SP Tentei rir, para mostrar que no tinha nada. Nem por isso permitiu adiar a condncia, pegou em mim, levou-me ao quarto dela, acendeu vela, e ordenou-me que lhe dissesse tudo. Ento eu perguntei-lhe, para principiar, quando que ia para o seminrio. Agora s para o ano, depois das frias.
Machado de Assis, Dom Casmurro.

136. UFRJ Os textos I e II abordam a questo da mudana a partir de diferentes perspectivas. De que maneira tratada a mudana em cada um desses textos? 137. UFRJ A norma culta no prev o emprego dos pronomes tal como aparecem no texto III. Levando em considerao a proposta de linguagem do movimento literrio em que o poema se insere, justique o uso dos pronomes no primeiro verso. 138. UFRJ Identique e explicite, no texto III, 2 (dois) usos lingsticos que caracterizem a evoluo cronolgica ocorrida da primeira para a ltima estrofe do poema. 139. Mackenzie-SP Na semana passada, ouvi uma senhora suspirar: Tudo anda to confuso!. E, de fato, o homem moderno um pobre ser dilacerado de perplexidades. Nunca se duvidou tanto. Outro dia, um diplomata portugus perguntou se a mulher bonita era realmente bonita. Respondi-lhe: s vezes. J escrevi umas cinqenta vezes que a gr-na a falsa bonita. Seu penteado, seus clios, seus vestidos, seu decote, sua maquiagem, suas jias tudo isso no passa de uma minuciosa montagem. E se olharmos bem, veremos que sua beleza uma fraude admirvel. Todos se iludem, menos a prpria. No terreno baldio, e sem testemunhas, ela h de reconhecer que apenas realiza uma imitao de beleza. Portanto, a pergunta do diplomata portugus tem seu cabimento. E minha resposta tambm foi justa. s vezes, a mulher bonita no bonita, como a grna. Mesmo as que so bem-dotadas sicamente tm suas dvidas.
Nelson Rodrigues

Neste excerto, que narra um fato ocorrido entre Bentinho e sua me, observa-se o emprego do discurso direto e discurso indireto. a) Transcreva os trechos em que empregado o discurso indireto. b) Transponha esses trechos para o discurso direto, efetuando as necessrias adaptaes. 141. Mackenzie-SP

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Jim Davis. Gareld.

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Assinale a alternativa incorreta quanto tira. a) O gato ironiza o humano. b) A voz do narrador se explicita. c) No pensamento de Gareld, est implcito o grande nmero de problemas de Jon. d) Um terceiro personagem participa da narrativa. e) Subentende-se um homem ansioso e um gato sarcstico. As questes de 142 a 144 referem-se ao texto Lngua, de Caetano Veloso. Gosto de sentir a minha lngua roar A lngua de Lus de Cames Gosto de ser e de estar E quero me dedicar A criar confuses de prosdia E uma profuso de pardias Que encurtem dores E furtem cores como camalees Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesia est para a prosa Assim como o amor est para a amizade E quem h de negar que esta lhe superior? E deixa os portugais morrerem mngua Minha ptria minha lngua Fala, Mangueira! Flor do Lcio, Sambdromo Lusamrica, latim em p O que quer O que pode Esta lngua? (...) 142. ITA-SP A idia central que: a) a lngua portuguesa est repleta de diculdades, principalmente prosdias e pardias, para os falantes brasileiros. b) autores de lngua portuguesa, como Fernando Pessoa, Guimares Rosa e Cames, tm estilos diferentes. c) a ptria dos falantes a lngua, superando as fronteiras geopolticas. d) na lngua portuguesa, fundamental a associao de palavras para criar efeitos sonoros. e) a escola de samba Mangueira uma legtima representante dos falantes da lngua portuguesa. 143. ITA-SP Caetano Veloso, em determinado ponto do texto, refere-se Lngua Portuguesa de modo geral, sem considerar as peculiaridades relativas ao uso do idioma no Brasil e em Portugal. Para fazer tal referncia, utiliza-se da seguinte expresso: a) lngua de Lus de Cames. b) Lusamrica. c) minha lngua. d) Flor do Lcio. e) latim em p.
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144. ITA-SP No texto, Caetano Veloso fala de pardias. Em qual das alternativas a seguir o segundo texto no parodia o primeiro? a) Penso, logo existo. / Penso, logo desisto. b) Quem v cara no v corao. / Quem v cara no v Aids. c) Nunca deixe para amanh o que pode fazer hoje. / Nunca deixe para amanh o que pode fazer depois de amanh. d) Em terra de cego, quem tem um olho rei. / Em terra de cego, quem tem um olho no abre cinema. e) Antes s do que mal acompanhado / Antes mal acompanhado do que s. 145. FGV-SP Proposta I Instrues: Esta proposta constituda de apenas um texto. Com base nele: D um ttulo sugestivo sua redao. Redija um texto a partir das idias apresentadas. Defenda os seus pontos de vista utilizando-se de argumentao lgica. Na avaliao da sua redao, sero ponderados: a correta expresso em lngua portuguesa; a clareza, a conciso e a coerncia na exposio do pensamento; sua capacidade de argumentar logicamente em defesa de seus pontos de vista; seu nvel de atualizao e informao; a originalidade na abordagem do tema. A Banca aceitar qualquer posicionamento ideolgico do examinado. Evite fazer rascunho e passar a limpo para no perder tempo. A redao pode ser escrita a lpis. Ateno para escrever com letra bem legvel. Tema Pobre nem sempre tem fome. Mas geralmente tem medo. A vulnerabilidade a companheira constante da privao material e humana, diz esta semana o Banco Mundial, em seu ltimo relatrio sobre o desenvolvimento do planeta. Os pobres vivem em aglomeraes urbanas superpovoadas onde chuvas fortes podem levar embora suas casas. Tm empregos precrios, no setor formal ou informal. Esto sob maior risco de doenas como malria e tuberculose. E sob ameaa de priso arbitrria ou maus-tratos pelas autoridades locais. E eles principalmente as mulheres esto sempre sob o perigo de serem vtimas de violncia ou de crime. A denio muito convincente. Sobretudo num dia que comeou com a conversa entre dois garis, ouvida por acaso nas ruas do Rio de Janeiro. Tem horas? perguntou um deles. No. Desisti de relgio. Cada vez que eu compro um, vem o cara de revlver

e leva, o outro respondeu, sem parar de varrer, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ele no sabia, mas era personagem de Criando Instituies para o Mercado, o recado dos economistas para 2002. Em seus estudos preliminares eles j recomendavam no ano passado que redes de segurana fossem concebidas para proteger a acumulao de bens pelas pessoas mais pobres.
O problema era poltico Marcos de S Corra

Proposta II A revista Veja traz, como matria principal, uma reportagem sobre a mentira. Da referida matria, foram retirados os fragmentos a seguir apresentados. O psiclogo americano Gerald Jellison, da Universidade do Sul da Califrnia, calcula que, no decorrer de um dia normal qualquer (fora de perodos eleitorais), uma pessoa escuta, v ou l duas centenas de mentiras uma inverdade a cada cinco minutos. A maioria delas so inocentes mentiras sociais que ajudam a harmonizar as relaes interpessoais no cotidiano. Em outras situaes, a mentira diminui e macula a alma. Mas ela permitida quando proferida no interesse do Estado.
(Filsofo grego Plato, sc. IV a.C.)

c) Que quer dizer o autor com a expresso deserto queimado? d) Por que Fabiano e Sinha Vitria caram envergonhados? e) D o signicado de alentava e amodorrando. f) Por que Sinha Vitria tirava proveito do beijo? g) Pelo texto, podemos armar que o pre um animal mesquinho? Sim ou no? Por qu? h) Cite a orao que explica o olhar resoluto de Fabiano. i) Qual a relao entre tampa anilada e luz dura? 147. Unicamp-SP L. F. Verssimo certamente caria satisfeito se voc, mesmo nessa situao um pouco tensa, achasse graa na tira a seguir. As Cobras Lus Fernando Verssimo

A mentira esteve a ponto de destruir a humanidade em diversas ocasies, mas pode-se dizer que foi ela que nos trouxe at aqui.
(Bilogo Alan Grafen, estudioso do comportamento humano.) Revista Veja, 2 de outubro de 2002.

Para achar graa, voc precisa perceber que a tira traz implcitas duas opinies opostas relativas a uma prtica institucional de nossa sociedade. a) Quais as duas opinies contidas na tira? b) Qual dessas duas opinies pode ser considerada um argumento favorvel manuteno dessa prtica institucional? 148. Leia o texto a seguir e responda ao que se pede. Catar feijo Catar feijo se limita com escrever: jogam-se os gros na gua do alguidar e as palavras na da folha de papel; e depois, joga-se fora o que boiar. Certo, toda palavra boiar no papel, gua congelada, por chumbo seu verbo: pois para catar esse feijo, soprar nele, e jogar fora o leve e oco, palha e eco. Ora, nesse catar feijo entra um risco: o de que entre os gros pesados entre um gro qualquer, pedra ou indigesto, um gro imastigvel, de quebrar dente. Certo no, quando ao catar palavras: a pedra d frase seu gro mais vivo: obstrui a leitura uviante, utual, aula a ateno, isca-a com o risco.
Joo Cabral de Melo Neto

E voc? O pensa acerca do assunto? Para expressar sua opinio sobre o tema Uso social da mentira, desenvolva um texto dissertativo no qual voc dever expor o que pensa sobre o assunto. 146. Entrava dia e saa dia. As noites cobriam a terra de chofre. A tampa anilada baixava, escurecia, quebrada apenas pelas vermelhides do poente. Miudinhos perdidos no deserto queimado, os fugitivos agarraram-se, somaram as suas desgraas e os seus pavores. O corao de Fabiano bateu junto do corao de Sinha Vitria, um abrao cansado aproximou os farrapos que os cobriam. Resistiram fraqueza, afastaram-se envergonhados, sem nimo de afrontar de novo a luz dura, receosos de perder a esperana que os alentava. Iam-se amodorrando e foram despertados por Baleia, que trazia nos dentes um pre. Levantaram-se todos gritando. O menino mais velho esfregou as plpebras, afastando pedaos de sonho. Sinha Vitria beijava o focinho de Baleia, e como o focinho estava ensangentado, lambia o sangue e tirava proveito do beijo. Aquilo era caa bem mesquinha, mas adiaria a morte do grupo. E Fabiano queria viver. Olhou o cu com resoluo. A nuvem tinha crescido, agora cobria o morro inteiro. Fabiano pisou com segurana, esquecendo as rachaduras que lhe estragavam os dedos e os calcanhares.
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a) De que ambiente ou situao fogem as personagens referidas no texto? b) Explique o sentido de As noites cobriam a terra de chofre.

a) Como o eu lrico do poema compreende o ato de escrever? b) A propsito da relao catar feijo / escrever, a que corresponde, no plano de escrever, a expresso leve e oco, palha? c) Em meio ao feijo, pode haver uma pedra, um gro imastigvel, de quebrar dente. No plano de escrever, a pedra traz as mesmas conseqncias? d) Que tipo de comportamento a pedra visa provocar no leitor? e) O poeta Joo Cabral de Melo Neto atingiu esse objetivo no poema Catar feijo? Justique.
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Texto referente s questes de 149 a 152. Crise do mercado ou crise do sujeito? (adaptado) Muitos dizem que a crise de Wall Street em 2001 e 2002 um efeito da ganncia. (...) Minha previso um pouco diferente. Desde o incio do sculo 19, deixamos de calcular o valor social de cada um com base no lugar, na classe e na famlia em que nasceu. Para denir o valor de uma pessoa, suas riquezas comearam a contar mais que sua origem. Passamos de uma poca que venerava o ser (nobre, burgus ou escravo) para uma poca que venerava o ter. A mudana foi democrtica: anal era difcil escapar do destino que nos reservavam as diferenas de nascena (s fora de casamentos), mas, no breve espao de uma vida, por ventura ou pelo trabalho, um indivduo podia transformar seu status, se esse dependesse apenas de sua riqueza. (...) No m do sculo 19, as riquezas tornaram-se conspcuas: diferenas de consumo, e no s de carteira. Essa nova ostentao era o primrdio de uma mudana da subjetividade que seria exigida poucas dcadas mais tarde, quando a poca do ter entrou em crise, em 1929.
Contardo Callgaris, Folha de S. Paulo, 08/08/2002.

149. Cefet-PR Assinale a alternativa incorreta sobre o texto. a) Todo o texto se organiza em torno da defesa do ponto de vista que acredita que, ao contrrio do que armam muitos, a crise de Wall Street no um efeito de ganncia e sim o m da poca do parecer. b) Para explicar a crise de Wall Street de 2001 e 2002, o autor analisa trs grandes maneiras de calcular o valor social do homem: o ser, o ter e o parecer. c) A primeira maneira ser era anterior ao sculo 19, quando o valor social do homem era calculado com base na classe social. d) Opondo-se ao ser a partir do sculo 19 , o parecer prope uma classicao mais democrtica, pois possibilitava a todos a ascenso social por meio do trabalho ou da sorte. e) O que, num primeiro momento, era algo democrtico a passagem do ser ao ter passou a ser tambm discriminatrio, pois mais importante do que ter era ostentar. 150. Cefet-PR Assinale a alternativa incorreta sobre o texto. a) A poca do ter entra em crise em 1929, quando deixamos a importncia do ter para adotarmos o parecer. b) A cada uma dessas maneiras de classicar o homem no sentido de encaix-lo em uma classe correspondem tambm profundas transformaes na economia. A poca do ter inicia-se com a burguesia e termina com a crise de 1929; a poca do parecer comea a e termina com a crise de Wall Street. c) A crise de Wall Street deve-se, segundo o autor, a uma transferncia para a economia de princpios de classe: mais importante que ter bom rendimento aparentar aos acionistas que se o tem. d) O autor arma que, da mesma maneira que a crise econmica de 1929 marcou o m da era do ter, a crise de 2001 e 2002 marcam o m da era do parecer. e) O autor explica a crise de Wall Street valorizao de aes por meio de embuste contbil, por exemplo, que resultou na falncia de muitas empresas por um apego essncia do parecer. 151. Cefet-PR Leia as seguintes armaes sobre o texto e, depois, assinale a alternativa correta. I. O autor prope um percurso histrico para comprovar sua tese: parte de um problema atual (crise de Wall Street em 2001 e 2002) e busca a origem desse problema atravs do tempo (incio do sculo 19, m do sculo 19, 1929) at chegar ao seu tema contemporneo.

(...) Passamos de uma sociedade organizada pelas diferenas de bens e posses para uma sociedade comandada pela aparncia. No se trata mais da necessidade de o rico mostrar sua riqueza. Parecer rico torna-se mais importante do que ser rico. Vale mais um pobreto chique do que um ricao maltrapilho. Essa nova hierarquia, fundada nos sinais exteriores de invejabilidade mais do que de riqueza, abre possibilidades insuspeitadas de consumo e de crescimento. (...) Para a subjetividade da poca do parecer, no devemos o que somos nem ao bero nem s posses, mas ao olhar dos outros. (...) Aconteceu o previsvel: a subjetividade dominante imps seu feitio sociedade inteira, inclusive economia. Na poca do ter (conspcuo ou no), valiam as empresas que produziam, acumulavam e trocavam riquezas reais. Na poca do parecer, a economia tambm preferiu o parecer: valiam as empresas que pareciam ricas, ou seja, que produziam sobretudo sua prpria imagem. (...) Obviamente, num mundo em que parecer mais importante do que ser, as aes da empresa fazem parte da fachada. Valoriz-las (mesmo por um embuste contbil) mais importante do que aumentar a produtividade ou equilibrar balanos. Essa bolha estourou. Talvez estoure tambm o tipo de subjetividade que foi a alma da bolha. Assim como 1929 anunciou o m da poca do ter, 2001 e 2002 anunciaram o m da poca do parecer. (...) Depois da subjetividade do ser, do ter e do parecer, quem sabe seja a hora de uma subjetividade do fazer e do fazer, se possvel, as coisas certas.
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II. Subentende-se que, para o autor, os problemas econmicos tm um substrato sociolgico. III. Pela evoluo apresentada pelo autor pode-se acreditar que a crise econmica atual leve ao m da subjetividade do parecer.

a) b) c) d) e)

Somente I est correta. Somente I e II esto corretas. As trs esto corretas. Somente I e III esto corretas. Somente II e III esto corretas.

b) Como Hagar interpreta a fala de Helga? c) Explique por que o comportamento lingstico de Hagar no corresponde ao de um falante comum. 154. Unicamp-SP (...) vejo na televiso e no rdio que o cujo bateu asas e voou. Virou ave migratria. O comentrio acima, do escritor Otto Lara Resende (Folha Ilustrada, de 8/11/92), refere-se ao fato de que o uso do pronome relativo cujo cada vez menos freqente. Isso faz com que os falantes, ao tentarem utilizar esse pronome na escrita, construam seqncias sintticas que levam a interpretaes estranhas. Veja o exemplo seguinte: O povo no s quer o impeachment desse aventureiro chamado Collor, como o consco dos bens nada honestos do sr. Paulo Csar Farias e companhia. E que a esse PFL e ao Brizola (cuja cha de liao ao PDT j rasguei) reste a vingana do povo...
L.A.N. Painel do Leitor. Folha de S. Paulo, 30/7/92.

152. Cefet-PR Assinale qual das alternativas a seguir reescreve da melhor maneira possvel o seguinte trecho do texto: Essa bolha estourou. Talvez estoure tambm o tipo de subjetividade que foi a alma da bolha. Assim como 1929 anunciou o m da poca do ter, 2001 e 2002 anunciaram o m da poca do parecer. a) Essa bolha estourou bem como estourar o tipo de subjetividade que foi a alma da bolha. Assim como 1929 anunciou o m da poca do ter, 2001 e 2002 anunciam o m da poca do parecer. b) Essa bolha estourou, estourar tambm o tipo de subjetividade que foi a alma da bolha. Assim como 1929 anunciou o m da poca do ter, 2001 e 2002 representam o m da poca do parecer. c) Essa bolha estourou, assim tambm estourar o tipo de subjetividade que foi a alma da bolha. 1929 anunciou o m da poca do ter, 2001 e 2002 sinalizam o m da poca do parecer. d) Essa bolha estourou, com certeza estourar tambm o tipo de subjetividade que foi a alma da bolha. Assim como 1929 anunciou o m da poca do ter, 2001 e 2002 marcam o m da poca do parecer. e) Essa bolha estourou. possvel que estoure o tipo de subjetividade que foi a alma da bolha. Assim como 1929 anunciou o m da poca do ter, 2001 e 2002 podem representar o m da poca do parecer. 153. Unicamp-SP Para entender a tira a seguir, necessrio dar-se conta de que a pergunta de Helga pode ter duas interpretaes.

a) O que L.A.N. pretendeu dizer com a orao entre parnteses? b) O que ele disse literalmente? c) Que tipo de conhecimento deve ter o leitor para entender o que L.A.N. quis dizer? 155. Unicap-PE Criminosos so versteis. O sujeito que assalta, seqestra ou rouba banco tambm avana sinal, leva seu cachorro praia cheia ou incomoda os vizinhos com decibis acima do permitido garante, em entrevista revista Veja, o especialista em criminologia John Laub. claro que a recproca no verdadeira. (...) O que essa corrente de socilogos sustenta que, se os pequenos delitos forem coibidos, os grandes diminuem. A tal histria da tolerncia zero. Atitude que, no fundo, se baseia na recusa da sociedade em ser complacente e dar seu aval a quem no respeita a legislao. Em no endossar o comportamento anticivilizado dessa gente que age de tal forma que como se estivesse mandando que os outros se danem. Em no transigir com o princpio democrtico de que a lei para todos e ningum est acima dela. O que permite que os homens possam viver em sociedade um acordo tcito, um pacto determinando que o direito de um termina onde comea o do outro. Sem excees. Para que isso que bem claro, fazem-se as leis e seguem-se costumes que devem ser respeitados. E se estabelecem sanes para quem no cumprir essas normas. No fundo, isso. E bem simples. Se as normas podem ser quebradas sem que se sofra qualquer sano, elas deixam de valer. Nesse ponto, instala-se o salve-se quem puder. Ou a sobrevivncia do mais forte outro nome para a lei da selva.
Ana Maria Machado. Revista Educao, junho/2002.

Julgue (V ou F) os itens. ( ) Como acontece em qualquer texto argumentativo, a autora defende uma tese muito clara: uma corrente de socilogos sustenta que os criminosos so versteis e cometem impunemente grandes e pequenos delitos.
Hagar Dick Browne

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a) No contexto, como deve ser interpretada a fala de Helga?

( ) A argumentao da autora se baseia no seguinte pressuposto: no coibir os pequenos delitos incentivar os grandes.
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( ) Citar uma autoridade no assunto tem grande fora argumentativa, pois confere maior credibilidade ao que a autora arma. ( ) Alguns dos argumentos utilizados no texto so pautados no consenso: a lei para todos, ningum est acima da lei, o direito de um termina onde comea o do outro. ( ) O quarto perodo do texto foi suprimido. Sem prejudicar a coerncia, poderia ser substitudo por: nem sempre os grandes delinqentes cometem pequenos delitos. 156. UFPE Antes de mais nada, preciso esclarecer que h uma diferena bastante signicativa entre responsabilidade social e ao social. Enquanto o primeiro compreende uma srie de itens nos quais a empresa deve ter comprometimento tico, com fornecedores, acionistas, empregados e o meio ambiente, por exemplo, o segundo se d exclusivamente na relao da empresa com a comunidade. Entender essas denies de fundamental importncia para as empresas que j desenvolveram, vm desenvolvendo ou querem desenvolver alguma atividade na rea social. (...) H vrias explicaes para esse processo de converso de pensamento das empresas. A mais difundida delas justamente a mais simples e tambm a mais lgica: com a redemocratizao, as relaes tornaram-se mais transparentes. E, na era das comunicaes, com a sociedade tomando conhecimento de movimentos, como Ao pela Cidadania Contra a Fome e a Misria, de eventos como a Rio 92 e com o crescimento de ONGs, ao redor do Brasil, nasceu uma cobrana de postura. Cobrana essa que de todos e recai na rea social, pela percepo dos problemas, como pobreza, fome, violncia. Logo, caria difcil criar ilhas de prosperidade no meio dos problemas.
Jornal do Commercio, 21/07/2002. Fragmento

157. Ufla-MG O Relgio Diante de coisa to doda Conservemo-nos serenos. Cada minuto de vida nunca mais, sempre menos. Ser apenas uma face do no ser, e no do ser. Desde o instante em que se nasce j se comea a morrer. Com base no signicado do poema, coloque falso (F) ou verdadeiro (V) nas proposies e, a seguir, marque a alternativa correta. ( ) O poeta aconselha-nos a lutar pela sobrevivncia. ( ) O relgio simboliza a efemeridade de nossa existncia. ( ) H uma anttese nos versos Desde o instante em que se nasce/ j se comea a morrer. ( ) Em todo o poema h uma lembrana constante da morte inevitvel. ( ) No poema, o relgio um antagonista do tempo. a) F, V, V, V, V b) F, V, V, F, V c) V, F, V, V, V d) F, V, F, F, V e) V, F, F, V, V 158. FCC-BA A posio do livro na sociedade brasileira ainda subalterna. Se um por cento da populao consumisse matria escrita, teramos edies de um milho e trezentos mil exemplares, o que parece um sonho! E matematicamente certo que o livro somente ser barato quando tivermos uma produo em grande escala. De acordo com o texto: a) a sociedade brasileira toma para si o encargo da difuso do maior nmero possvel de livros. b) a posio do livro no Brasil ainda subalterna, dada a falta de prestgio dos escritores. c) para o brasileiro, o hbito da leitura est ainda no plano ideal. d) h uma srie de variados fatores condicionantes do preo do livro. e) produzido em grande escala, o livro atrair mais o interesse dos leitores. As questes 159 e 160 referem-se ao texto a seguir. Busque Amor novas artes, novo engenho, para matar-me, e novas esquivanas; que no pode tirar-me as esperanas, que mal me tirar o que eu no tenho.
Cassiano Ricardo

A anlise global do texto nos leva a identicar como ponto central a idia de que: a) as empresas mantm compromissos ticos com todos aqueles que esto envolvidos em seus programas de funcionamento. b) o interesse das empresas pela elevao de sua responsabilidade social devido ao processo de redemocratizao das relaes sociais. c) a evoluo dos meios de comunicao resultou no crescimento de ONGs e de movimentos sociais de combate misria e violncia. d) a percepo dos problemas sociais diculta a ao das empresas na tentativa de criar e sedimentar os ncleos de prosperidade. e) segundo o conceito de ao social, no seria fcil o xito na busca pela prosperidade, em meio indiferena aos problemas sociais.

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Olhai de que esperanas me mantenho! Vede que perigosas seguranas! Que no temo contrastes nem mudanas, Andando em bravo mar perdido o lenho. Mas, conquanto no pode haver desgosto Onde esperana falta, l me esconde Amor um mal que mata e no se v; Que dias h que na alma me tem posto Um no sei qu, que nasce no sei onde, Vem no sei como e di no sei por qu.
Cames

159. Fuvest-SP Nesse poema, possvel reconhecer que uma dialtica amorosa trabalha a oposio entre: a) o bem e o mal. b) a proximidade e a distncia. c) o desejo e a idealizao. d) a razo e o sentimento. e) o mistrio e a realidade. 160. Fuvest-SP Uma imagem de forte expressividade deixa implcita uma comparao com o arriscado jogo do amor. Assinale a alternativa que contm essa imagem. a) O engenho do amor. b) O perigo da segurana. c) Naufrgio em bravo mar. d) Mar tempestuoso. e) Um no sei qu. Textos referentes s questes de 161 a 163. Texto 1 Ler chato. Ser? O tempo histrico no tem um compromisso muito grande com o tempo cronolgico, ou mesmo o tempo psicolgico: dcadas no Egito dos faras pode corresponder a anos no perodo da expanso ibrica ou meses do sculo XXI. A percepo da velocidade do tempo histrico decorre do ritmo dos acontecimentos, assim como da rapidez dos meios de transportes e comunicaes. Talvez por isso, sempre que estamos em algum local tranqilo, geralmente no interior, somos tentados a dizer que ali as coisas no acontecem e que como se estivssemos em pleno sculo XIX. possvel que, para evitar a idia de que possamos ser vistos como retrgrados, ou fora do nosso tempo, busquemos acelerar tudo: msicas no podem ser lentas, lmes buscam ritmos alucinantes e, se no tiverem dois mortos por minuto de projeo, em mdia, so considerados acadmicos. Propaga-se a idia idiota de que tudo que no muito veloz chato. Alunos trocaram a investigao bibliogrca por informaes superciais dos sites de pesquisa pasteurizados, textos bem cuidados cedem espao aos recados sem maisculas e acentos dos bilhetes nos correios eletrnicos. O importante no degustar, mas devorar; no usufruir, mas possuir apressadamente. O tempo, o tempo correndo atrs. Alm disso (e Charles Chaplin j percebia isso no incio do sculo XX, em Tempos Modernos), ser humano dominar a mquina e no ser por ela dominado. E a,

a meu ver, se estabelece uma das principais distines entre ler e ver televiso. Voc pega o livro, olha a capa, a contracapa, folheia sensualmente suas pginas e escolhe, livremente, aquela que quer ler. Pode pular pedaos, comear pelo m, reler vrias vezes trechos que amou, para decorar, ou que odiou, para criticar. J a telinha autoritria. Ela comea o assunto quando bem entende, faz as pausas que quer, inserindo as propagandas que deseja, determina o ritmo, diz quando e para onde devo olhar. Se no estou no poder, ento, pior ainda. Tenho que ver jogo de time de futebol de que no gosto, pedao de novela babaca, entrevistas sem sentido, assassinatos sem conta, tudo num volume superior ao que eu suporto, mas que no tenho como regular, pois estou sem o controle remoto nas mos. Mesmo quando vejo um vdeo ou um DVD, em que posso controlar algumas dessas variveis, lido com o personagem e a paisagem imaginados por outro, emboto a minha imaginao e me curvo diante de heris e mocinhas prontos e iguais para todos, enquanto, no livro, cada um sonha como quiser e puder. No por outra razo que dicilmente gostamos dum lme baseado em livro que j lemos, mesmo quando a pelcula de boa qualidade como O nome da Rosa ou Vidas secas. Antes que algum pense que sou contra o cinema, ou at a televiso, devo dizer que isso no acontece, mas que ando mesmo um pouco preocupado. J no h mais quase nenhum consultrio, laboratrio e at sala de espera em prontos-socorros de hospitais que no tenham a sua televiso. E, o que pior, ligada. O infeliz chega quebrado, estropiado, ou apenas dolorido e se lhe impinge humor chulo, falsas pegadinhas, loiras igualmente falsas, com sndrome de eternas adolescentes, de botinha e coxas de fora, animando crianas de olhares perdidos. A sala tem pouca iluminao, j nem sequer tem aquelas revistas semanais atrasadas. A luz que falta e o rudo que sobra impedem que aqueles que trouxeram seus livros possam ler. Com um livro na mo poderiam estar viajando, sonhando, apreendendo, conhecendo gente e lugares interessantes, idias fascinantes, desbravando, questionando, maravilhando-se. Contudo, continuam sentados olhando uns para os outros e para a telinha que cobra o tributo da dependncia, da elaborao de frases feitas e idias gastas. 60 A idia de que livro chato s pode partir de quem no sabe o prazer que a leitura proporciona. Assim, quero lanar aqui um pedido, ou vrios: aos mdicos, para que iluminem melhor suas salas de espera, o que, alm de deix-las menos lgubres, permitiria que as pessoas pudessem ler enquanto esperam. Aos hotis, para que no se esqueam de colocar luzes de leitura nos quartos. Uns e outros poderiam manter uma pequena biblioteca, ao alcance dos clientes. A concepo bastante corrente em nosso pas de que diverso est sempre e necessariamente ligada ao rudo e ao lcool s pode partir de algum que no gosta de fato do Brasil. E ele ainda merece uma oportunidade. Ou no?
Jaime Pinsky Correio Braziliense Com adaptaes

Texto 2 O ato de ler geralmente interpretado como a decodicao daquilo que est escrito. Dessa forma, saber ler consiste num conhecimento baseado principalmente na habilidade de memorizar sinais grcos (as letras). Uma vez adquirido tal conhecimento, a leitura passa a ser um processo mecnico, (...)
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Texto 3 ... Os livros que voc ama de fato do a impresso, quando so abertos pela primeira vez, de que voc esteve l. uma criao, quase uma cmera na memria. Lugares onde voc nunca esteve, coisas que nunca foram vistas nem ouvidas, mas de uma solidez que como se voc j estivesse estado l...
Os escritores. So Paulo. Companhia das Letras, 1991.

So o olho pintado escorrendo imvel; a mulher que se debrua nas varandas do sono. []
Joo Cabral de Melo Neto

161. Ufla-MG De acordo com o entendimento do texto, o fato de buscarmos acelerar tudo (texto1 - pargrafo 1) tem como causa: a) o fato de no gostarmos de viver em locais muito tranqilos. b) o receio de sermos vistos como ultrapassados. c) a preferncia por ritmos alucinantes. d) a necessidade de possuir tudo apressadamente. e) a disparidade existente entre tempo histrico e tempo cronolgico. 162. Ufla-MG Tendo em vista a compreenso das idias do texto, a distino que se estabelece entre ler e ver televiso no trecho Voc pega o livro... at ... onde devo olhar. pode ser expressa como: a) prazer e satisfao. b) cultura e poder. c) liberdade e dependncia. d) sonho e realidade. e) felicidade e sofrimento. 163. Ufla-MG De acordo com a denio de leitura expressa nos textos, marque a alternativa correta. a) Nos dois textos, a denio do ato de ler semelhante: consegue-se viajar mesmo com uma leitura mecnica. b) No texto 3, a linguagem denotativa: as palavras so empregadas em seu sentido real. c) A idia de que a leitura um ato mecnico de decodicao de smbolos vai de encontro idia de leitura expressa no texto 3. d) No texto 2, a linguagem conotativa: o autor faz uso de metforas. e) A denio de leitura como uma viagem a lugares diversos contradiz a idia expressa no texto 1 (Ler chato. Ser?) 164. PUC-SP As nuvens so cabelos crescendo como rios; so os gestos brancos da cantora muda; So esttuas em vo beira de um mar; a fauna e a ora leves de pases de vento;
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a) Este poema, de Joo Cabral, rico em imagens. O poeta descreve as nuvens salientando sua uidez e seus movimentos; capta num momento a fugacidade das formas e atribui signicado a elas; alcana o efeito potico atravs de guras de linguagem. Transcreva do texto: uma metfora; uma comparao. b) Escandir um verso dividi-lo em slabas poticas. Este procedimento ajuda a determinar o ritmo do poema. O fragmento mostrado apresenta versos de medidas diferentes. Transcreva um verso de sete slabas. Que nome se d a esse tipo de verso? 165. Proposta I UFOP-MG O Caderno EM Ecologia, enfatizando que 2002 o Ano Internacional das Montanhas, apresenta destaques que mostram causas dessa determinao da ONU. 1. Os resultados da insensatez e da ganncia do homem chegaram ao topo do mundo. Assim como vem minguando a vida, com a degradao da gua, do ar e do solo, o ser humano est ameaando tambm a sobrevivncia das montanhas. 2. A expanso das cidades e a presso das indstrias tm aumentado cada dia mais a destruio das montanhas. 3. O avano da degradao ambiental, representado pelos desmatamentos e explorao insustentvel e pelo turismo, a maior ameaa sobrevivncia dos ecossistemas e populaes das montanhas. 4. At hoje s foi pesquisada a aplicao medicinal de 11% das plantas tropicais. Uma em cada oito dessas espcies curativas, a maioria originada das montanhas, pode desaparecer. 5. A ao das madeireiras e a expanso agrcola destruram a vegetao das orestas e o local de reproduo de animais raros.
EM Ecologia. Estado de Minas, 17 de maio de 2002, n.9. Adaptado

No faltam, pois, causas que justiquem os apelos a favor da preservao das montanhas. Entretanto no se pode ignorar a importncia das atividades de explorao mineral. Com base nessas consideraes, redija um texto dissertativo-argumentativo para expor o que voc pensa a respeito da questo. Lembre-se de que a redao apresentada em rascunho ou a lpis no ser corrigida. Redija um texto de, pelo menos, 120 palavras. D um ttulo sua redao.

Unitau-SP

Proposta II

Redija um texto dissertativo (cerca de 30 linhas) a partir da seguinte declarao de lvaro de Campos/F.P.: O mundo para quem nasce para o conquistar/ E no para quem sonha que pode conquist-lo, ainda que tenha razo. Ateno: A correo do texto obedecer aos seguintes critrios: 1. Correspondncia ao tema: o texto dever apresentar correspondnia explcita, por isso, no escreva sobre assuntos alheios ao tema proposto. Lembre-se de que a no-correspondncia ao tema invalidar a prova. 2. Tipo de texto: o texto dever ser notadamente dissertativo, por isso no escreva cartas, histrias ou qualquer outra narrativa, bilhetes, poesias, tampouco utilize recursos criativos como desenhos, ou ilustraes de qualquer natureza etc. Lembrese de que a no-correspondncia ao tipo de texto solicitado tambm invalidar a prova. 3. Linguagem utilizada: no empregue palavras chulas, clichs ou grias. Lembre-se de que se trata de um texto formal, por isso escreva de acordo com a norma culta. 4. Coeso e coerncia: o texto dever apresentar unidade e coerncia. 5. Letra legvel. 166. ITA-SP Assinale o texto que estilstica e gramaticalmente expressa, com a necessria clareza, nfase e correo, a indicao de cada frase, dada nos parnteses. I. A Igreja viveu verdadeira Via Crucis no Mxico. (Orao principal) II. Noventa por cento da populao do Mxico ser catlica. (Oposio) III. A essa Via Crucis no faltou uma cruenta perseguio religiosa. (Atributo de I) a) Dado que 90% da populao do Mxico seja catlica, a Igreja mexicana viveu verdadeira Via Crucis qual no faltou cruenta perseguio religiosa. b) A Igreja viveu verdadeira Via Crucis no Mxico, mas 90% de sua populao so de catlicos, e a isso no faltou cruenta perseguio religiosa. c) Sendo 90% da populao catlica, a Igreja viveu no Mxico uma verdadeira Via Crucis, onde no faltou uma cruenta perseguio religiosa. d) No obstante 90% da populao seja catlica, a Igreja viveu no Mxico verdadeira Via Crucis, a que no faltou cruenta perseguio religiosa. e) Apesar de que uma cruenta perseguio religiosa no haja faltado, a Igreja viveu uma verdadeira Via Crucis no Mxico, cujo 90% por cento de sua populao catlica. 167. ITA-SP Assinale a opo que melhor reestrutura gramatical e estilisticamente o grupo de frases dado a seguir. Os Estados Unidos e a Unio Sovitica se revezam no primeiro lugar no quadro geral de medalhas. Isso desde os jogos de Londres, acontecidos em 1948.

Para esses pases, a hiptese de formao de uma nica equipe olmpica alem surge como uma ameaa. que no esporte, rea onde as negociaes tendem a ser mais amenas, essa hiptese tambm surge como uma possibilidade factvel. a) Os Estados Unidos e a Unio Sovitica se revezam no primeiro lugar, no quadro geral de medalhas, desde os jogos de Londres em 1948, e a hiptese da formao de uma nica equipe olmpica alem surge para os mesmos como possibilidade factvel e como ameaa, pois o esporte a rea em que as negociaes tendem a ser mais amenas. b) A hiptese da formao de uma nica equipe alem surge como uma possibilidade factvel e como uma clara ameaa para os Estados Unidos e a Unio Sovitica , no esporte, rea onde as negociaes tendem a ser mais amenas, embora aqueles pases se revezem no primeiro lugar no quadro geral de medalhas, desde os jogos de Londres, em 1948. c) Desde 1948, nos jogos de Londres, os Estados Unidos e a Unio Sovitica se revezam no primeiro lugar no quadro geral de medalhas, mas a hiptese da formao de uma nica equipe olmpica alem surge como forte possibilidade factvel e ameaa tambm para eles no esporte, rea na qual as negociaes tendem a ser mais amenas. d) No esporte, rea em que as negociaes tendem a ser mais amenas, a hiptese da formao de uma nica equipe olmpica alem surge como forte possibilidade e clara ameaa para os Estados Unidos e a Unio Sovitica, pases que se revezam no primeiro lugar no quadro geral de medalhas, desde os jogos de Londres, em 1948. e) Apesar de os Estados Unidos e a Unio Sovitica se revezarem no primeiro lugar no quadro geral de medalhas, desde os jogos de Londres, em 1948, a hiptese para eles da formao de uma nica equipe alem surge como uma ameaa, pois no esporte, rea onde as negociaes alems tendem a ser mais amenas, que essa hiptese surge como uma possibilidade fortemente factvel. As questes 168 e 169 apresentam cinco propostas diferentes de redao. 168. FCC-SP Assinale a letra correspondente melhor redao, considerando correo, clareza e conciso. a) O crebro e o computador so igualmente aptos a processar informaes, ainda que se comportem de maneira diferente. b) Semelhantemente, crebro e computador conseguem processar informaes e dessemelhantemente se comporta. c) A aptido do crebro e do computador so a mesma para processar informaes, conquanto comportem diferentemente. d) Se bem que comportem diferentemente, o crebro e o computador tm igualdade de aptides para processos de informaes. e) O crebro e o computador apresentam igualmente para processar informaes e posto que partem de comportamentos diferentes.
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169. FCC-SP Assinale a letra correspondente melhor redao, considerando correo, clareza e conciso. a) As convenincias parecem mais plausveis do que os inconvenientes o que dizem todos. b) Todos dizem ser mais plausvel do que os inconvenientes as convenincias. c) Comparando convenincias e inconvenincias, no dizer de todos, so mais plausvel, do que os segundos, as primeiras. d) Dizem todos: no tem comparao entre as convenincias e os inconvenientes: as primeiras parece mais plausvel. e) Segundo a opinio de todos, mais plausvel do que os inconvenientes h de ser as convenincias. Texto para as questes de 170 a 172. O marinheiro sueco, um loiro de quase dois metros, entrou no bar, soltou um bafo pesado de lcool na cara de Nacib e apontou com o dedo as garrafas de Cana de Ilhus. Um olhar suplicante, umas palavras em lngua impossvel. J cumprira Nacib, na vspera, seu dever de cidado, servira cachaa de graa aos marinheiros. Passou o dedo indicador no polegar, a perguntar pelo dinheiro. Vasculhou os bolsos o loiro sueco, nem sinal de dinheiro. Mas descobriu um broche engraado, uma sereia dourada. No balco colocou a nrdica me-dgua, Yemanj de Estocolmo. Os olhos do rabe tavam Gabriela a dobrar a esquina por detrs da Igreja. Mirou a sereia, seu rabo de peixe. Assim era a anca de Gabriela. Mulher to de fogo no mundo no havia, com aquele calor, aquela ternura, aqueles suspiros, aquele langor. Quanto mais dormia com ela, mais tinha vontade. Parecia feita de canto e dana, de sol e luar, era de cravo e canela. Nunca mais lhe dera um presente, uma tolice de feira. Tomou da garrafa de cachaa, encheu um copo grosso de vidro, o marinheiro suspendeu o brao, saudou em sueco, emborcou em dois tragos, cuspiu. Nacib guardou no bolso a sereia dourada, sorrindo. Gabriela riria contente, diria a gemer: precisava no, moo bonito... E aqui termina a histria de Nacib e Gabriela, quando renasce a chama do amor de uma brasa dormida nas cinzas do peito. 170. UFV-MG No texto, o autor relaciona a cultura nacional estrangeira, buscando, por meio da comparao estabelecer equivalncias entre elas. O trecho do texto que indica esse tipo de comparao : a) Passou o dedo indicador no polegar... b) ... servia cachaa de graa aos marinheiros. c) No balco colocou a nrdica me-dgua... d) ... e apontou com o dedo as garrafas de Cana de Ilhus. e) Um olhar suplicante, umas palavras em lngua impossvel. 171. UFV-MG A orao Vasculhou os bolsos o loiro sueco, com a substituio do complemento verbal por um pronome oblquo, equivale a:
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a) b) c) d) e)

Vasculhou-o os bolsos. Vasculhou-se o loiro sueco. Vasculhou-lhe os bolsos. Vasculhou-lhes o loiro sueco. Vasculhou-os o loiro sueco.

172. UFV-MG Assinale a alternativa que contm um trecho em que o autor apresenta as informaes em linguagem altamente conotativa. a) ... soltou um bafo pesado de lcool na cara de Nacib... b) Os olhos do rabe tavam Gabriela a dobrar a esquina... c) J cumprira Nacib, na vspera, seu dever de cidado... d) Mas descobriu um broche engraado, uma sereia dourada. e) Parecia feita de canto e dana, de sol e luar, era de cravo e canela. 173. Unicamp-SP Sem comentrios Do delegado regional do Ministrio da Educao no Rio, Antonio Carlos Reboredo, ao ler ontem um discurso de agradecimento ao seu chefe, o ministro Eraldo Tinoco: Os convnios assinados traduz (sic)* os esforos...
Painel, Folha de S. Paulo, 12/9/92.

* sic: palavra latina que signica assim; no caso, usada pelo jornal com o sentido de exatamente desta forma. O ttulo da nota acima, Sem comentrios, , na verdade, um comentrio que expressa o ponto de vista do jornal, motivado por um problema gramatical do discurso lido por A.C. Reboredo. a) Que problema gramatical provocou o comentrio do jornal? b) Explicite o comentrio que est sugerido, neste caso especco, pela expresso sem comentrios. 174. Unicamp-SP Os trechos que se seguem mostram que certas construes tpicas do portugus falado, consideradas incorretas pelas gramticas normativas da lngua, j esto sendo utilizadas na modalidade escrita. Concentre sua ateno nas matrias que voc tem maior diculdade
Fovest, 03/01/89

Uma casa, onde na frente funcionava um bar, foi totalmente destruda por um incndio, na madrugada de ontem.
O Liberal, Belm, 27/09/89

a) Transcreva as marcas tpicas da linguagem oral presentes nos trechos acima. b) Reescreva-as de modo a adequ-las s exigncias da gramtica normativa.

175. UFSC Antes de mais nada, acho que querer ser milionrio no um bom objetivo na vida. Meu nico conselho : ache aquilo que voc realmente ama fazer. Exera atividade pela qual voc tem paixo. dessa forma que temos as melhores chances de sucesso. Se voc faz algo de que no gosta, dicilmente ser bom. No h sentido em ter uma prosso somente pelo dinheiro.
DELL, Michael. O Mago do computador, Veja So Paulo, n 25, pp. 11-15, 26 jun. 2002. Entrevista concedida a Eduardo Salgado.

diacho!, e um mal-estar lhe tomava o corpo, chegava raiz da lngua, formigava, e desmanchava-se enm num resmungo e at mesmo neste ato de coragem: No se precisa de luz acesa pra rezar, minha velha.
CARDOZO, Flvio Jos. In: Zlica e outros. Zlica Tavares cuja lha, meu Deus, que malvadeza. So Paulo: FTD, 2001. pp. 44-45.

Sobre o texto, o conto e a obra aos quais ele pertence, verdadeiro armar que: 01. No texto, Zlica descrita minuciosamente, tanto em suas caractersticas fsicas como em traos de personalidade e conduta, com destaque para um elemento particular que caracteriza simultaneamente um atributo fsico e diferentes nuanas de comportamento. 02. Os personagens principais de Zlica e outros, com traos de carter e personalidade bem denidos, so sempre identicados pelo nome e protagonizam com intensidade acontecimentos que expem realisticamente a condio humana, em episdios que mostram: traio, egosmo, chantagem, preconceito, ingenuidade, paixo, defesa da honra, teimosia, religiosidade, entre outros aspectos. 04. No conto Loureno Roxadel, que integra a obra de Flvio Cardozo, o personagem Loureno, diante do fato de que seu lho estava invlido para o resto da vida, manda a nora Dilnia para um convento, para manter a honra do lho. 08. Zlica e outros um livro de contos representativo da literatura catarinense contempornea, que retrata situaes de conito vivenciadas entre nativos e turistas que freqentam a Ilha de Santa Catarina, especialmente no vero. Some os itens corretos. 177. Ufla-MG A americana estava h pouco tempo no Brasil. Queria aprender o portugus depressa, por isto prestava muita ateno em tudo que os outros diziam. Era daquelas americanas que prestam muita ateno. Achava curioso, por exemplo, o pois . Volta e meia, quando falava com brasileiros, ouvia o pois . Era uma maneira tipicamente brasileira de no car quieto e ao mesmo tempo no dizer nada. Quando no sabia o que dizer, ou sabia mas tinha preguia, o brasileiro dizia pois . Ela no agentava mais o pois . Tambm tinha diculdade com o pois sim e o pois no. Uma vez quis saber se podia me perguntar uma coisa. Pois no disse eu, polidamente. exatamente isso! O que quer dizer pois no? Bom. Voc me perguntou se podia fazer uma pergunta. Eu disse pois no. Quer dizer, pode, esteja vontade, estou ouvindo, estou s suas ordens... Em outras palavras, quer dizer sim. . Ento por que no se diz pois sim? Porque pois sim quer dizer no. O qu? Se voc disser alguma coisa que no verdade, com a qual eu no concordo, ou acho difcil de acreditar, eu digo pois sim. Que signica pois no?
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Sobre o texto, assinale o que for correto. 01. Depreende-se, pela leitura do texto, que querer ser milionrio ruim, pois este desejo incompatvel com o amor pelo trabalho. 02. Se voc faz algo de que no gosta, indica uma condio. Se essa idia for escrita seguindo a mesma forma de aconselhamento do autor, obteremos a seguinte construo: Faz algo que voc goste. 04. Para o autor, as chances de sucesso em uma prosso dependem da paixo com que ela exercida. 08. O vocbulo que exerce a mesma funo sinttica nos dois casos: a) acho que querer ser milionrio no um bom objetivo na vida; b) ache aquilo que voc realmente ama fazer. 16. Nas palavras paixo e acho, encontramos letras diferentes representando um mesmo fonema; j nas palavras paixo e exera h uma mesma letra para representar diferentes fonemas. Some os itens corretos. 176. UFSC Seu corpo: espigado, maljeitoso; o rosto: magro e um pouquinho verde-azulado, com alguma verruga sem maior gravidade; nas pernas e nos braos: cabelinhos compridos, joelhos e cotovelos em ponta. Era Zlica Tavares. Mas no olhar bem escuro que ela imperava mais olhar mando aquele seu, at queimante quando atiado, olhar que cortava gente, animais e coisas. E era mulher distinta, das que mais o podiam ser; s que tinha esses ares de disposio para crimes e violncias, que jamais fez ou faria, porque tudo era s um jeito, mais nada. Marivone, por exemplo: quantas vezes Marivone apanhou desde que foi adotada? Duas ou trs palmadas curtinhas, algum puxo de orelha muito leve. No pode nunca dizer, mesmo na pior raiva que ainda vier a ter, que no viveu em lar harmonioso, severo na lei, mas harmonioso. E o marido, de que se podia queixar aquele homem? Da repugnncia que ela teimava em sentir contra as bobices da moda, contra banhos de mar (essas mulheres peladas, que vergonha!), contra namoros por demais quietos, contra esses hereges que no vo igreja ou que comem carne, s por deboche, nas sextas-feiras da Quaresma? Creso Tavares pouco ligava. Chateava-se mais, isso sim, era com a demora dela em apagar a luz, quando deitavam, ou em se pr vontade para se juntarem como Deus to bem permite aos casais: Zlica aprendeu com a me, e a me com a av, que um rosrio no m do dia limpa a alma e semente bem plantada. Creso no discutia matria de f, quem era ele para tanto? mas ia sempre sentindo um sono e um cansao com tanta ave-maria, que

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Sim. Isto , no. Porque pois no signica sim. Por qu? Porque o pois, no caso, d o sentido contrrio, entende. Quando se diz pois no, est-se dizendo que seria impossvel, no caso, dizer no. Seria inconcebvel dizer no. (...) De acordo com o entendimento do texto, marque a alternativa correta. a) Em virtude de certas peculiaridades da lngua, muitas sentenas, se entendidas literalmente, tm sentido oposto do que signicam. b) O texto apresenta linguagem de carter apelativo, o que enfatiza a averso de alguns estrangeiros cultura brasileira por causa das diculdades lingsticas. c) A estrangeira considera deselegantes certas expresses, em razo da aparente incoernciada lngua portuguesa. d) O autor ridiculariza os aspectos subjetivos da lngua portuguesa, em contraposio objetividade e clareza atribudas lngua inglesa. e) A incompreenso de certas expresses se deve diferena no foco narrativo: 1 pessoa do singular (no incio do texto) e 3 pessoa do plural (no m). 178. Unicamp-SP O autor do texto a seguir conhece um tipo de raciocnio cuja estrutura lembra as propriedades de um crculo e tenta reproduzi-lo. No entanto, no bem sucedido. Gera-se, assim, o crculo vicioso do pessimismo. As coisas no andam porque ningum cona no governo. E porque ningum cona no governo as coisas no andam.
Gilberto Dimenstein, Folha de S. Paulo, 22.11.90. Comdias para se ler na Escola Lus F. Verssimo

ram a ensanduichar atividades. (...) Pressionados pelo tempo desde que nasceram, desenvolveram um ltro e separam aquilo que para eles o trigo, do joio; cam com o trigo e, naturalmente, deletam o joio. (p.26) a) Explique qual o sentido da palavra ensanduichar no texto e diga por que ela especialmente expressiva ou sugestiva aqui. b) O texto menciona um ditado corrente, embora no na ordem usual. Qual o ditado e o que signica? c) A palavra deletar confere um ar de atualidade ao texto. Explique por qu. 181. Ufla-MG Poema mais ou menos de amor Eu queria, senhora, ser o seu armrio e guardar seus tesouros como um corsrio. Que coisa louca: ser seu guarda-roupa! Alguma coisa slida, circunspecta e pesada nessa sua vida to estabanada. Um amigo de lei (de que madeira eu no sei). Um sentinela do seu leito com todo o respeito Ah, ter gavetinhas.
Comdias para se ler na escola. Lus Fernando Verssimo

a) Reescreva o trecho de maneira que ele passe a ter a estrutura de um verdadeiro crculo vicioso. b) Comparando o que voc fez com o que fez o autor, explique em que ele se equivocou. 179. Unicamp-SP A conhecida ironia de Machado de Assis ca evidente na seguinte passagem do romance Memrias pstumas de Brs Cubas: ... Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de ris (...). Nesse, como em muitos outros trechos de seus romances, o escritor usa com mestria as palavras, obtendo, atravs da sua combinao, o efeito irnico desejado. Diga qual a ironia presente na passagem citada e explique de que maneira Machado consegue obter o efeito irnico atravs das relaes de signicao que se estabelecem entre as palavras que ele escolheu. 180. Unicamp-SP A coluna marketing da revista Classe, ano XVII, n 94, 30/08 a 30/10, 2002, inclui as seguintes passagens (parcialmente adaptadas). Os jovens de classe mdia e alta, nascidos a partir de 1980, foram criados sob a presso de encaixarem innitas atividades dentro das 24 horas. E assim aprende-

O forte sentimento que predomina no texto revela um homem: a) obsceno e interesseiro. b) tmido e dissimulado. c) apaixonado e protetor. d) astuto e perseguidor. e) desequilibrado e enganador. 182. Ufla-MG A construo de um pas Existem algumas idias resistentes a respeito do Brasil. A primeira a de que no se trata de um nico pas, mas de dois, antagnicos, separados entre si pela barreira da prosperidade. Uma outra a de que o Brasil tem recursos naturais e um povo de alta criatividade e, por isso, est destinado a transformar-se, mais cedo ou mais tarde, em uma grande potncia. As duas idias so verdadeiras e transportam-se do sculo XX para o sculo XXI. Quem quiser interpretar o pas em sua trajetria entre 1900 e 2000 pode usar as duas constataes como instrumento. Na virada do milnio, o Brasil que se apresenta ao mundo tem uma perna rmemente ncada na modernidade. a maior economia industrial do hemisfrio sul e a nona maior no concerto mundial. O salto foi feito no sculo XX. A outra perna continua atolada no passado, pois o produto dessa economia vigorosa no foi entregue adequadamente sociedade.
Veja, 22/12/99, p.128 com adaptaes

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Tendo em vista o encadeamento das palavras no texto (Uma outra a de que o Brasil...), o pronome destacado refere-se: a) barreira da prosperidade. b) construo de um pas. c) s duas idias. d) a um nico pas. e) a uma das idias. Texto para as questes de 183 a 186. Gols de cocuruto O melhor momento do futebol para um ttico o minuto de silncio. quando os times cam perlados, cada jogador com as mos nas costas e mais ou menos no lugar que lhes foi designado no esquema e parados. Ento o ttico pode olhar o campo como se fosse um quadro-negro e pensar no futebol como alguma coisa lgica e diagramvel. Mas a comea o jogo e tudo desanda. Os jogadores se movimentam e o futebol passa a ser regido pelo impondervel, esse inimigo mortal de qualquer estrategista. O futebol brasileiro j teve grandes estrategistas cruelmente trados pela dinmica do jogo. O Tim, por exemplo. Ttico exemplar, planejava todo o jogo numa mesa de boto. Da entrada em campo at a troca das camisetas, incluindo o minuto de silncio. Foi um tcnico de sucesso mas nunca conseguiu uma reputao no campo altura de sua reputao de vestirio. Falava um jogo e o time jogava outro. O problema do Tim, diziam todos, era que seus botes eram mais inteligentes do que seus jogadores.
L. F. Verssimo, O Estado de S. Paulo, 23/08/93.

a) b) c) d) e)

os times cam perlados a. quando ento. a os jogadores se movimentam. o ttico pode olhar o campo a. quando comea o jogo.

186. Fuvest-SP Em... cada jogador com as mos nas costas e mais ou menos no lugar que lhes foi designado no esquema e parados, o autor usa o plural em lhes e parados porque: a) ambas as palavras referem-se a lugar, que est a por lugares (um para cada um). b) associou lhes a mos e parados a times. c) antecipou a concordncia com os jogadores se movimentavam. d) estabeleceu relao de concordncia entre lhes e mos e entre parados e jogadores. e) fez lhes concordar com o plural implcito em cada jogador (considerados todos um a um) e parados, com os times. 187. UFV-MG Proposta I Imagine a seguinte situao. O Brasil um pas de contrastes. Se de um lado temos a indstria de ponta, o shopping requintado, o hospital com a mais moderna tecnologia, de outro, temos multides de desempregados, favelas imundas, bolses de extrema pobreza. Voc foi solicitado a escrever um artigo para o jornal local, propondo ao prximo Governo Federal duas medidas para fazer diminuir a pobreza ainda existente em nosso pas. Escreva um texto, de cunho dissertativo, com um mnimo de 20 e um mximo de 25 linhas, externando seu ponto de vista sobre o assunto. D um ttulo a seu artigo. Proposta II Leia os textos seguintes. A cidadania plena, em um sociedade como a nossa, s possvel para os leitores. A leitura o meio de que dispomos para adquirir informaes e desenolver reexes crticas sobre a realidade. O mundo social permanentemente leitor e leitura dos seus indivduos. Nossa cultura nos transfere conhecimentos sobre a realidade e formas de pensar essa mesma realidade. Aprender a ler o mundo apropriar-se desses valores de nossa cultura. Inspirando-se nos textos da Proa de Lngua Portuguesa e nos desta pgina, redija o seu ponto de vista sobre o seguinte tema: Apostando na leitura.

183. Fuvest-SP A tese que o autor defende a de que, em futebol: a) o planejamento ttico est sujeito interferncia do acaso. b) a lgica rege as jogadas. c) a inteligncia dos jogadores que decide o jogo. d) os momentos iniciais decidem como ser o jogo. e) a dinmica do jogo depende do planejamento que o tcnico faz. 184. Fuvest-SP No texto, a comparao do campo com um quadronegro aponta: a) o pessimismo do ttico em relao ao futuro do jogo. b) um recurso utilizado no vestirio. c) a viso de jogo como movimento contnuo. d) o recurso didtico proferido pelo tcnico Tim. e) um meio de pensar o jogo como algo previsvel. 185. Fuvest-SP As expresses que retomam, no texto, o segmento o melhor momento do futebol so:
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Captulo 4
Leia atentamente todo o texto antes de responder s questes de 188 a 194. O contrato de casamento Na semana passada, comemorei trinta anos de casamento. Recebemos dezenas de congratulaes de nossos amigos, algumas com o seguinte adendo assustador: Coisa rara hoje em dia. De fato, 40% de meus amigos de infncia j se separaram, e o lme ainda nem terminou. Pelo jeito, estamos nos esquecendo da essncia do contrato de casamento, que a promessa de amar o outro para sempre. Muitos casais no altar acreditam que esto prometendo amar um ao outro enquanto o casamento durar. Mas isso no um contrato. Recentemente, vi um lme em que o mocinho terminava o namoro dizendo vou sempre amar voc, como se fosse um prmio de consolao. Banalizamos a frase mais importante do casamento. Hoje, promete-se amar o cnjuge at o dia em que algum mais interessante aparea. Eu amarei voc para sempre deixou de ser uma promessa social e passou a ser simplesmente uma frase dita para enganar o outro. Contratos, inclusive os de casamento, so realizados justamente porque o futuro incerto e imprevisvel. Antigamente, os casamentos eram feitos aos 20 anos de idade, depois de uns trs anos de namoro. A chance de voc encontrar sua alma gmea nesse curto perodo de pesquisa era de somente 10%, enquanto 90% das mulheres e homens de sua vida voc iria conhecer provavelmente j depois de casado. Estatisticamente, o homem ou a mulher ideal para voc aparecer somente, de fato, depois do casamento, no antes. Isso signica que provavelmente seu verdadeiro amor estar no grupo que voc ainda no conhece, e no no grupinho de cerca de noventa amigos da adolescncia, do qual saiu seu par. E a, o que fazer? Pedir divrcio, separar-se tambm dos lhos, s porque deu azar? O contrato de casamento foi feito para resolver justamente esse problema. Nunca temos na vida todas as informaes necessrias para tomar as decises corretas. As promessas e os contratos preenchem essa lacuna, preenchem essa incerteza, sem a qual caramos todos paralisados espera de mais informao. Quando voc promete amar algum para sempre, est prometendo o seguinte: Eu sei que ns dois somos jovens e que vamos viver at os 80 anos de idade. Sei que inexoravelmente encontrarei centenas de mulheres mais bonitas e mais inteligentes que voc ao longo de minha vida e que voc encontrar dezenas de homens mais bonitos e mais inteligentes que eu. justamente por isso que prometo amar voc para sempre e abrir mo desde j dessas dezenas de oportunidades conjugais que surgiro em meu futuro. No quero car morrendo de cime cada vez que 60 voc conversar com um homem sensual nem car preocupado com o futuro de nosso relacionamento. Nem voc vai querer car preocupada cada vez que eu conversar com uma mulher provocante. Prometo amar voc para sempre, para que possamos nos casar e viver em harmonia. Homens e mulheres que conheceram algum melhor e acham agora que cometeram enorme erro quando se casaram com o atual cnjuge esqueceram a premissa bsica e o esprito do contrato de casamento. O objetivo do casamento no escolher o melhor par possvel mundo afora, mas construir o melhor relacionamento possvel com quem voc prometeu amar para sempre. Um dia, vocs tero lhos e, ao coloc-los na cama, diro a mesma frase: que iro am-los para sempre. No conheo pais que pensam em trocar os lhos pelos lhos mais comportados do vizinho. No conheo lho que aceite, de incio, a separao dos pais e, quando estes se separam, no sonhe com a reconciliao da famlia. Nem conheo lho que queira trocar os pais por outros melhores. Eles aprendem a conviver com os pais que tm. Casamento o compromisso de aprender a resolver as brigas e as rusgas do dia-a-dia de forma construtiva, o que muitos casais no aprendem, e alguns nem tentam aprender. Obviamente, se sua esposa se transformou numa megera ou seu marido num monstro, ou se zeram propaganda enganosa, a situao muda. Para aqueles que querem ter vantagem em tudo na vida, talvez a sada seja postergar o casamento at os 80 anos. A, voc ter certeza de tudo.
KANITZ, Stephen. Ponto de Vista. VEJA, Rio de Janeiro, 29 set. 2004. p.22. Texto adaptado

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188. UFMG Com base na leitura do texto, correto armar que a noo de contrato nele defendida a de: a) documento formal e ocial resultante de um acordo entre duas ou mais pessoas que se associam. b) acordo entre pessoas que transferem uma outra algum direito e que se sujeitam a algumas obrigaes. c) pacto em que as partes revelam inabilidade e incapacidade de assumir obrigaes recprocas. d) compromisso assumido por duas pessoas, que depende do futuro para se rmar e aperfeioar. 189. UFMG Com base na leitura feita, correto armar que o objetivo principal do texto a) informar as vantagens de um casamento slido, de muitos anos. b) demonstrar as razes por que as pessoas devem se casar. c) provocar reexo sobre o compromisso rmado no casamento. d) denunciar alguns perigos gerados por casamentos precoces.

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190. UFMG Assinale a alternativa em que a palavra destacada no pode ser substituda pela palavra entre colchetes, porque essa substituio altera o sentido original. a) Recebemos dezenas de congratulaes de nossos amigos, algumas com o seguinte adendo assustador...(linhas 2-4) [acrscimo] b) Homens e mulheres que conheceram algum melhor [...] esqueceram a premissa bsica e o esprito do contrato de casamento. (linhas 61-65) [deduo] c) Sei que inexoravelmente encontrarei centenas de mulheres mais bonitas e mais inteligentes que voc ao longo de minha vida... (linhas 47-50) [fatalmente] d) Para aqueles que querem ter vantagem em tudo na vida, talvez a sada seja postergar o casamento at os 80 anos. (linhas 85-87) [adiar] 191. UFMG Assinale a alternativa em que o texto transcrito no apresenta uma opinio. a) Nunca temos na vida todas as informaes necessrias para tomar as decises corretas. (linhas 39-41) b) Antigamente, os casamentos eram feitos aos 20 anos de idade, depois de uns trs anos de namoro. (linhas 22-24) c) Obviamente, se sua esposa se transformou numa megera ou seu marido num monstro, [...] a situao muda. (linhas 82-85) d) Casamento o compromisso de aprender a resolver as brigas e as rusgas do dia-a-dia de forma construtiva... (linhas 78-80) 192. UFMG Considerando-se as informaes do texto, correto armar que a relao entre casamento e contrato apresentada com o objetivo de: a) dizer que o amor no mais to importante nos casamentos da atualidade. b) apontar a falta de sinceridade dos noivos ao jurar amor ao marido ou esposa. c) mostrar que o casamento contemporneo celebrado com prazo determinado. d) demonstrar que o casamento requer compromisso previamente denido. 193. UFMG correto armar que, entre os recursos empregados no desenvolvimento do texto, no se inclui: a) o emprego de marcas de interao com o leitor. b) a exposio de resultados dos contratos de casamento. c) o uso de argumentos baseados em dados numricos. d) a insero de perguntas sem respostas precisas.
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c) indicar a citao textual da fala de outra pessoa. d) demarcar a interrupo da argumentao do autor. 195. UFG-GO Leia o texto a seguir. Correio Agradeo a publicao da angstia sobre o trabalho de crianas/objetos/modelos, no artigo de Dulce Critelli publicado em 2/2. Trabalho com o ECA [Estatuto da Criana e do Adolescente] h cerca de uma dcada. Eu percebo essa questo do trabalho infantil como o calcanhar-de-aquiles do Estatuto. Passarela e palco, espaos de pseudoglamour, ainda so um tabu inclusive para quem se dedica questo, o que torna mais importante ainda o artigo. I.B.R. Salvador.
FOLHA DE S. PAULO, So Paulo, 9 fev. 2006, p.2.[Equilbrio]

A carta de leitor um gnero com nalidades diversas comunente veiculado em jornais e revistas. Observa-se que I.B.R. pretende: a) manifestar solidariedade ao jornal tocante preocupao com o trabalho infantil. b) representar a opinio dos leitores em geral acerca da participao de crianas no mercado de trabalho. c) divulgar alteraes recentemente publicadas no Estatuto da Criana e do Adolescente. d) quebrar o tabu que envolve a prosso de modelo, discriminada socialmente. e) convencer os leitores do jornal a mobilizarem-se contra a explorao infanto-juvenil. 196. Unicamp-SP No folheto intitulado Sade da mulher orientaes, distribudo em consultrios mdicos, encontramos estas informaes acerca de um produto que, aqui, chamaremos P: A liberdade da mulher pode car comprometida quando surge em sua vida o risco de uma gravidez indesejada. Para estas situaes, ela pode contar com P, um mtodo de Contracepo de Emergncia, ou ps-ato sexual, capaz de evitar a gestao com grande margem de segurana. O ginecologista poder orient-la sobre o uso correto desse mtodo. [...] P um mtodo indolor, bastante prtico e quase sem efeitos colaterais. Deve ser tomado num perodo de at 72 horas aps o ato sexual desprotegido, sendo mais efetivo nas primeiras 48 horas. Age inibindo ou retardando a ovulao e torna o tero um ambiente imprprio para que o vulo se implante. Dessa forma, no pode ser considerado um mtodo abortivo, j que, quando atua, ainda no houve implantao do vulo no tero. a) A posio assumida no texto se baseia em uma distino entre (medicamento) contraceptivo e (medicamento) abortivo. Explique o que vem a ser aborto para os fabricantes de P. b) A partir do trecho transcrito, pode-se dizer que o folheto toma posio numa polmica que tem um aspecto tico-religioso e um aspecto cientco. Qual a questo tico-religiosa da polmica? Qual a questo cientca?
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194. UFMG correto armar que, entre as funes do emprego de aspas no texto, no se inclui a de: a) explicar um ponto de vista mais detalhadamente. b) chamar a ateno do leitor para o termo destacado.

197. UFSC O melhor de Calvin / Bill Watterson

Tendo em vista o emprego no texto do verbete Recuperar [Do lat. recuperare] v.t.d. l. Recobrar (o perdido); adquirir novamente (...), a expresso recuperao da auto-estima signica que: a) se pode recuperar a auto-estima mesmo no sendo despertado para o sentimento de brasilidade. b) se criaram dois projetos para recuperar a autoestima do brasileiro, j que o primeiro no atingiu seus objetivos. c) usar a histria como instrumento de recuperao da auto-estima constitui uma tentativa frustrada. d) o brasileiro perdeu a auto-estima, mas poder adquirir novamente o sentimento de valorizao do prprio pas. e) intil tentar recuperar a auto-estima do brasileiro, pois h muitos motivos para o desnimo e a desiluso. Texto para as questes de 199 a 202. Questo de identidade Na formao nacional brasileira, usamos critrios e modelagens de origem europia, insatisfatrios para conter as peculiaridades de nossa cultura. A nao brasileira, que cedo se consolidou na luta contra os holandeses, foi seguidamente derrotada pelos polticos portugueses coloniais e pelos polticos do imprio luso-angllo que os sucederam. As grandes datas do Brasil seriam as da revoluo derrotada: 1789, 1817, 1824, 1831, 1889. A nao brasileira, de identidade clara e bem denida desde o sculo XVII, unida e solidria desde o incio, nunca pde se expressar plenamente, nunca pde vir luz, pois foi dominada e paralisada pelo modelo administrativo do estado bragantista. Os grandes povos defendem a prpria histria. Eles se servem da histria para exagerar a sua grandeza nacional. A expanso de um povo leva-o a enobrecer-se, ampliando os seus feitos, dando-lhes signicao e valor muito alm da realidade. Os franceses contam uma histria em que Luiz XIV central para o destino da humanidade. Os ingleses se acham mais gloriosos. Holandeses e alemes no menos. A histria universal tem como centro a histria desses povos. Cada povo engrandece o seu prprio esforo. Para isso, no hesitam em deturpar a histria. E criam uma histria universal sem nexo, incoerente, repleta de milagres ilgicos. Por exemplo, a Frana, talvez a mais presunosa. Tudo o que no tem inuncia francesa eliminado, sendo considerado brbaro, primitivo, no civilizado. O iluminismo e o positivismo no reconheciam o ndio. Com eles, no se sabe o quo importante o ndio foi para o Brasil. Por causa da inuncia francesa, denegrimos essa raa, que foi absorvida e est presente nos corpos e cultura brasileiros. No positivismo, no h lugar para o caboclo, para o mestio, indiferentes ao progresso, alheios s hierarquias, intuitivos e msticos. Por mais libertrios e civilizadores que sejam os critrios franceses, eles so exteriores nossa tra-

O Estado de S. Paulo, So Paulo, 12 julho de 2002, 2 cad.

Sobre os quadrinhos, assinale o que for correto. 01. Da fala do primeiro quadrinho, infere-se que a informao contida na primeira orao j era partilhada pelos personagens naquele momento, mas a informao presente na segunda orao foi nova para Calvin. 02. Considere o ltimo quadrinho. O pedido do pai um indcio de que o que a me de Calvin tinha falado no estava errado. 04. No segundo quadrinho, Calvin no est simplesmente indagando sobre o fato de o pai saber ou no cozinhar, mas tambm colocando em dvida a habilidade do pai, devido a informaes prvias de que o menino dispe. 08. O verbo saber aparece no segundo e no ltimo quadrinho com o signicado de ter habilidade ou capacidade para fazer algo. 16. No perodo J que a mame est doente, esta noite eu farei o jantar., existe uma relao semntica de casualidade entre as oraes. Some os nmeros dos itens corretos. 198. Ufla-MG Meta despertar a brasilidade O Projeto memria, criado em 1997, nasceu de parceria entre a Fundao do Banco do Brasil e a Organizao Odebrecht e inicialmente visava ao resgate de grandes personagens ou fatos da histria brasileira. Assim que foram homenageados o poeta Castro Alves, o escritor Monteiro Lobato, o jurista Rui Barbosa e o navegador Pedro lvares Cabral. O documentrio JK O menino que sonhou um pas inaugura uma nova fase do projeto, que agora pretende usar a histria como instrumento de recuperao da auto-estima, para que os brasileiros possam se orgulhar de seus dolos e lideranas, e desta forma terem despertado o seu sentimento de brasilidade.
Estado de Minas, agosto de 2002 com adaptaes

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dio e deturparam a nossa histria. Eles diminuem os valores brasileiros. Na hierarquia dos povos, o Brasil posto entre os menores e mais selvagens. Acham at irrisrio que o Brasil pretenda ter lugar na histria da humanidade! Eles nos afundam na depresso histrica. Falam do Brasil como uma simples e passiva matria plstica, produto de energias estranhas. A histria moderna faz o elogio das grandes naes europias e nos esquece arbitrariamente. Por isso, ela inconseqente e ilgica. Internamente, muitos brasileiros compartilham este ponto de vista negativo externo e negam o valor dos que zeram o Brasil, condenando herosmos, infamando brasileiros grandiosos, nobres e ecazes. Esta avaliao negativa do Brasil, feita por brasileiros, herdeira da inuncia de uma metrpole decada, sem energia, que instrumentalizava a vida brasileira para os seus ganhos egosticos. O Brasil passou grande parte de sua vida sob o domnio de uma metrpole decadente, domnio este que a Independncia e a Repblica vieram consolidar. O Brasil foi invadido pelas grandes potncias europias, nos sculos XVI e XVII. E constituiu-se como nao ao derrot-las! No Brasil, os poderosos exrcitos franceses s conheceram fracassos. Pernambuco foi o nico no mundo a expulsar piratas holandeses. Isto ocorreu porque a Holanda estava decadente? No. Foi o vigor da nova nao. No resto do mundo, o poder holands era incontestado. Os insurgentes brasileiros derrotaram a poderosa Holanda! Os brasileiros foram os primeiros a impor a derrota a holandeses e franceses. No sculo XVII, o Brasil j era uma ptria nova. A inuncia do negro na alma brasileira foi menos pronunciada do que parece, pois ele chegou tarde, apenas no sculo XVIII. No sculo XVII, portugueses e indgenas j tinham denido a identidade da nao brasileira, na reao ao holands e francs e na expanso pelo serto. A defesa de Pernambuco foi a de uma nova ptria. Foi uma vitria brasileira e no portuguesa. Enm, o Brasil teve um papel central na histria do mundo moderno e os historiadores precisam tratar disso e no de pequenices, mnguas de histria. A valentia e o patriotismo brasileiros contra os estrangeiros consolidaram a nao brasileira. A histria brasileira no inferior a nenhuma outra. O Brasil faz parte da histria da conquista do Atlntico e da Amrica. A interpretao do Brasil deve ser a favor da nao brasileira, defender os interesses populares contra os das elites, propor uma radicalizao democrtica contra a tradio secular de espoliao e excluso da populao brasileira do seu prprio pas e abrir o horizonte brasileiro para a integrao democrtica da nao.
Jos Carlos Reis Estado de Minas, agosto de 2002 com adaptaes

pressar deveu-se falta de unio e solidariedade. b) A expresso vir luz (1 pargrafo) usada de forma gurada associando a idia de nascimento nao brasileira. c) A conjuno pois (nal do 1 pargrafo), alm de ligar as partes do texto, estabelece uma relao semntica de explicao entre o que foi dito e o que se vai dizer. d) Na frase A nao brasileira... nunca pde se expressar... (1 pargrafo) h um recurso de estilo denominado metonmia. e) O termo bragantista classifica-se como um adjetivo ptrio referente ao estado de Bragana (Portugal). 200. Ufla-MG Com referncia interpretao e compreenso do texto, marque a idia principal. a) No se reconheceu o ndio na formao do Brasil; considerou-se apenas a inuncia do negro na alma brasileira. b) A identidade da nao brasileira resulta da composio de grandes povos, como franceses, ingleses, holandeses e alemes. c) A histria brasileira no inferior a nenhuma outra, pois o Brasil teve um papel central na histria do mundo moderno, embora isso no seja reconhecido pelas grandes naes. d) Os franceses diminuem os valores brasileiros, j que a eles s interessa o prprio sucesso, assim como os outros povos. e) Todos os brasileiros reconhecem o valor dos que zeram o Brasil, contrariando a opinio da histria moderna, que eleva as grandes naes europias. 201. Ufla-MG Relacionando o ttulo do texto Questo de identidade ao verso de Fernando Pessoa Minha ptria minha lngua, marque a alternativa que conrma essa relao entre lngua e identidade. a) Ptria so lembranas, experincias, anseios, expectativas comuns e tudo isso expresso pela lngua. b) A lngua no expressa os anseios de um povo, quando o Estado autoritrio. c) O papel de renovar e atualizar a lngua cabe mais ao Governo do que aos poetas e ao povo. d) No Brasil, as expresses de origem indgena, africana e europia no enriqueceram o idioma nacional. e) A sincretizao cultural brasileira no se reete na lngua, apesar da riqueza e potencialidade do idioma. 202. Ufla-MG Ser politicamente correta tambm fazer uso de expresses que no denotem preconceito contra raas e minorias, devendo-se evitar at o que antes parecia usual como: denegrimos essa raa. Relacione as colunas desfazendo a idia de precon215

199. Ufla-MG Considerando o trecho A nao brasileira (...) estado bragantista.(1 pargrafo), com relao ao emprego das palavras e organizao das idias, esto corretas todas as armativas, exceto: a) O fato de a nao brasileira nunca ter podido se ex-

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ceito existente nelas. A seguir, marque a alternativa que apresenta a seqncia numrica correspondente resposta correta. 1. 2. 3. 4. 5. 6. a) b) c) d) e) escurinha salrio-mnimo desmunhecado senil pintor de rodap judiar (de judeu) 346152 324156 451236 264153 532614 ( ( ( ( ( ) pobre ) idoso ) negra ) pessoa baixa ) maltratar

Texto para as questes de 203 a 206. Para alguns, os mais pragmticos, o tempo no tem nada de misterioso: ele passa, envelhecemos e um dia morremos, ponto nal. J para outros, o tempo um paradoxo, nosso grande amigo e inimigo. Amigo por nos ensinar a ser pacientes com a impacincia dos outros, por nos fazer esquecer as coisas que devem ser esquecidas e lembrar aquelas que devem ser lembradas. Inimigo por interromper vidas e relaes, por mudar coisas que no queremos que sejam mudadas, por nos fazer esquecer coisas que devem ser lembradas. Em termos psicolgicos, no temos dvidas: como ningum consegue se lembrar do futuro, o tempo anda sempre avante. Mas a situao no assim to simples. Em arte, podemos inventar o futuro no presente, visualizar o que vai ser e tentar dar vida a essa viso. O paradoxo, aqui, que toda criao depende apenas do passado: criamos o futuro reexperimentando e reintegrando o passado. Isso no signica que tudo j existe; signica apenas que existem innitos modos de olhar para trs.
Adaptao de artigo do fsico Marcelo Gleiser, publicado na Folha de So Paulo em 20 de maro de 2005.

205. PUC-RS Assinale a armativa incorreta quanto linguagem do texto. a) A palavra pragmticos est empregada no sentido de objetivos, prticos. b) A expresso ponto nal, referese no apenas ao m da frase, mas tambm ao m dos questionamentos sobre a passagem do tempo. c) A palavra j, (j pra outros), difere quanto funo e ao sentido do j (j existe). d) O nexo Mas (Mas a situao) estabelece um contraste entre o senso comum e o olhar do artista, em relao ao tempo. e) Quanto estrutura e graa, a palavra viso est para visualizar da mesma forma que a palavra paralisia est para o verbo correspondente. 206. PUC-RS A substituio da palavra por por porque acarretaria quantas mudanas nas formas verbais do segundo pargrafo. a) Quatro b) Cinco c) Seis d) Sete e) Oito 207. ITA-SP Diferente de cidades onde imveis de frente para o mar so mais valorizados, a escassez de verde faz a vez da vista para o Atlntico em So Paulo. Bairros que fazem fronteira ou que so vizinhos a grandes parques merecem destaque e seduzem por oferecer uma qualidade de vida bastante rara na cidade. Um desses parques, que passou algum tempo despercebido, o Parque do Piqueri, com uma freqncia relativamente baixa de visitantes e cheio de rvores frondosas, lago e patos, agora vira a bola da vez na regio Leste da cidade. [n.]
Propaganda para o lanamento de um prdio de apartamentos na cidade de So Paulo. In: Folha de S. Paulo, 12/02/2005.

203. PUC-RS A expresso que serviria de ttulo para o texto, por sintetizar as idias nele contidas, : a) O tempo passa para todos. b) A misteriosa e incontrolvel fora do tempo. c) O tempo como fator de insegurana na vida das pessoas. d) A arte como forma de inventar o tempo. e) Diferentes olhares sobre o tempo. 204. PUC-RS As pessoas menos pragmticas consideram a noo de tempo paradoxal porque ele: a) no pode ser facilmente denido. b) apesar de no ter nada de misterioso, deixanos intrigados. c) responde pelos esquecimentos e pelas lembranas que preenchem nossas vidas. d) embora siga sempre avante, submetese inveno do artista. e) mesmo provocando mudanas, no pode ser modicado.

Em relao ao texto, que se trata de uma propaganda para o lanamento de um prdio de apartamentos na cidade de So Paulo: a) identique o trecho que cria uma contradio; b) reescreva esse trecho de maneira a eliminar a contradio. 208. UFG-GO Uma luta de adjetivos. Touro indomvel foi uma soluo mais precisa de Raging Bull do que seria sua traduo literal, touro enraivecendo. A adaptao em portugus enfatiza o aspecto do termo, no a noo de tempo, como o original permitiria. Uma alternativa, Touro irado, tem igualmente menos fora que o adjetivo indomvel.
Revista Lngua Portuguesa. So Paulo: Segmento, n. 5, 2006, pp. 31-32.

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No texto, a adaptao do ttulo do lme em portugus, substituindo enraivecendo por indomvel, confere ao touro: a) uma habilidade provisria. b) um estado inconstante. c) um comportamento oscilante. d) uma caracterstica permanente. e) um carter aventureiro. 209. Proposta I UFMG No captulo Fabiano, de Vidas secas, de Graciliano Ramos, ocorrem, a breves intervalos, os seguintes trechos: Pisou com rmeza no cho gretado, puxou a faca de ponta, esgaravatou as unhas sujas. Tirou do ai um pedao de fumo, picou-o, fez um cigarro de palha de milho, acendeu-o ao binga, ps-se a fumar regalado. Fabiano, voc um homem, exclamou em voz alta. Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar s. .................................................................................... Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, algum tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando: Voc um bicho, Fabiano. .................................................................................... Agora Fabiano era vaqueiro, e ningum o tiraria dali. Aparecera como um bicho, entocara-se como um bicho, mas criara razes, estava plantado. Olhou as quips, os mandacarus e os xiquexiques. Era mais forte que tudo isso, era como as catingueiras e as baranas. Ele, Sinha Vitria, os dois lhos e a cachorra Baleia estavam agarrados terra. .................................................................................... Fabiano, uma coisa da fazenda, um traste, seria despedido quando menos esperasse.
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro:

210. Unicamp-SP Leia atentamente o seguinte trecho de uma entrevista. Pergunta O sr. fala em respeito Constituio. No contraditrio, ento, colocar a no-posse do vice Itamar em caso de impeachment? Resposta Voc no acha que um impeachment imposto no rasgar a Constituio?
Entrevista com o governador Antonio Carlos Magalhes, Isto Senhor

Se tomada literalmente, a fala de ACM tem um sentido que o oposto do pretendido. a) Qual o sentido literal da fala de ACM? b) Reescreva a fala de ACM de forma a eliminar o eventual mal-entendido. c) A forma da pergunta pode ter inuenciado a forma da resposta. Qual a caracterstica formal que torna a resposta de ACM semelhante pergunta do reprter? 211. ENEM A dana e a alma A dana? No movimento, sbito gesto musical. concentrao, num momento, da humana graa natural. No solo no, no ter pairamos, nele amaramos car. A dana no vento nos ramos: seiva, fora, perene estar. Um estar entre cu e cho novo domnio conquistado, onde busque nossa paixo libertarse por todo lado... Onde a alma possa descrever suas mais divinas parbolas sem fugir forma do ser, por sobre o mistrio das fbulas.
Carlos Drummond de Andrade. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964.p.366.

A partir da leitura de Vidas secas, de Graciliano Ramos, redija um texto, explicando por que a diculdade de expresso lingstica de Fabiano, o seu quase mutismo, contribui para caracteriz-lo como indivduo oprimido pelo sistema social em que se insere. Proposta II Unitau-SP Redija um texto dissertativo a partir da seguinte declarao: As mudanas econmicas e o avano das mulheres em todas as frentes implodiram o secular poder masculino. Diante de tempos to estranhos, muitos homens se renderam depresso e agora descobriram que tambm precisam de ajuda nesta readaptao social.
Jornal da Tarde

Record, 2002. pp. 17-25.

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A denio de dana, em linguagem de dicionrio, que mais se aproxima do que est expresso no poema : a) a mais antiga das artes, sevindo como elemento de comunicao e armao do homem em todos os momentos de sua existncia. b) a forma de expresso corporal que ultrapassa os limites fsicos, possibilitando ao homem a liberao de seu esprito. c) a manifestao do ser humano, formada por uma seqncia de gestos, passos e movimentos desconcertados. d) o conjunto organizado de movimentos do corpo, com ritmo determinado por instrumentos musicais, rudos, cantos, emoes etc. e) o movimento diretamente ligado ao psiquismo do indivduo e, por conseqncia, ao seu desenvolvimento intelectual e sua cultura.

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212. Fuvest-SP Modelo: Observou que a lenha verde agonizava. Observou a agonia da lenha verde. Seguindo o modelo acima, reescreva a seguinte frase: Ele se arrogava o direito de inventar leis que determinavam o comportamento do povo. 213. Fuvest-SP No perodo: Ainda que fosse bom jogador, no ganharia a partida, a orao destacada encerra a idia de: a) causa. d) condio. b) concesso. e) proporo. c) m. Texto para as questes de 214 a 218. Uma indignao, uma raiva cheia de desprezo crescia dentro do peito de Vicente Lemes proporo que ia lendo os autos. Um homem rico como Clemente Chapadense e sua mulher apresentando a inventrio to-somente a casinha do povoado! Veja se tinha cabimento! E as duzentas e tantas cabeas de gado, gente? E os dois stios do municpio onde caram? Ora bolas! Todo mundo sabia da existncia desses trens que estavam sendo ocultados. Ainda se fossem bens de pequeno valor, v l, que inventrio nunca arrola tudo. Tem muita coisa que ca por fora. Mas naquele caso, no. Eram dois stios, duzentas e tantas reses, cuja existncia andava no conhecimento dos habitantes da regio. A vila inteira, embora ningum nada dissesse claramente, estava de olhos abertos assuntando se tais bens entrariam ou no entrariam no inventrio. Lugar pequeno, ah, lugar pequeno, em que cada um vive vigiando o outro! Pela segunda vez Vicente Lemes lavrou seu despacho, exigindo que o inventariante completasse o rol de bens, sob pena de a Coletoria Estadual o fazer. A, como quem tira um peso da conscincia, levantou-se do tamborete e chegou janela que dava para o largo, lanando uma olhadela para a casa onde funcionava o Cartrio. Calma, a vila constituda pelo conjunto de casas do Largo.
Fragmento de O tronco, romance de Bernardo lis, 1956.

218. Fuvest-SP a) No texto, qual o sentido da expresso v l? b) Na passagem: A, como quem tira um peso da conscincia..., substitua o termo destacado por uma expresso equivalente. Texto para as questes de 219 a 223. As minhas primeiras letras em matria de romance foram uma coisa muito engraada: o primeiro volume das Minas de Prata, de Jos de Alencar, o primeiro volume da Famlia Agulha, creio que Bernardo Guimares. Por onde andariam os segundos volumes? Minas de Prata foi um mundo encantado, porque no era o mundo dessa poca. A Famlia Agulha at me dava dor do lado, de tanto rir. Ah! Aquela irresistvel personagem, a Dona Quininha Ciciosa... No, no vou dizer que, quando eu estiver para irme, quero que me arranjem os dois volumes completos dessa obra. Parece que, desde ento, compreendi que o enredo o pretexto, e o essencial a atmosfera. que a insatisfao faz parte do fascnio da leitura. Um verdadeiro livro de um senhor autor no um prato de comida, para matar a fome. Tratase de um outro po, mas que nunca sacia... E ainda bem!
Mario Quintana. A vaca e o hopogrifo. So Paulo: globo, 1995.61

219. Unifor-CE Infere-se corretamente do texto que: a) ler obras pela metade signica perder sua verdadeira essncia e desconhecer seu valor literrio. b) sempre necessria a leitura completa de uma obra, para aprenderlhe o real valor como obra de arte. c) uma leitura incompleta pode originar um sentimento de frustao, por no haver domnio de todo seu enredo. d) o valor da leitura est em despertar a sensibilidade do leitor, alimentando sua imaginao e sua criatividade. e) a leitura de uma obra s considerada completa no nal da vida, porque o leitor v nela coisas diferentes a cada momento. 220. Unifor-CE correto armar que se percebe, no texto: a) uma associao entre a fantasia originada de uma obra e os problemas que o homem vive na realidade. b) um paralelismo entre a morte e o trmino da leitura de uma obra de co. c) um exagero no valor literrio atribudo a algumas obras e a alguns autores. d) uma crtica velada a certas obras, cujos enredos parecem mal acabados. e) uma comparao entre a necessidade de uma boa alimentao e a leitura de obras bem feitas, literariamente. 221. Unifor-CE Ah! Aquela irresistvel personagem, a Dona Quininha Ciciosa... A maneira como o autor constri a frase acima resulta em: a) recurso estilstico com que o autor concretiza a presena de uma personagem, reproduzindo uma de suas falas.

214. Fuvest-SP Quem o inventariante? Comprove a resposta com uma passagem do texto. 215. Fuvest-SP Do trecho anterior, transcreva: a) dois termos que exempliquem o falar coloquial e popular; b) duas expresses tpicas da linguagem de cartrio. 216. Fuvest-SP No texto, a expresso Veja se tinha cabimento! tem sentido armativo ou negativo? Por qu? 217. Fuvest-SP Que sentimento de esprito o termo destacado est enfatizando na passagem: Lugar pequeno, ah, lugar pequeno...?
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b) pausa no interior do texto, propiciando um comentrio pessoal e melanclico do autor. c) intimidade com o leitor, que passa a compartilhar, como um velho conhecido, as emoes da leitura. d) distanciamento, pois a referncia pouco clara para o leitor, que desconhece a obra em questo. e) ruptura na construo da seqncia lgica do texto, sem relao com o que se segue. 222. Unifor-CE Ocorre metfora na frase: a) ... foram uma coisa muito engraada. b) ... porque no era o mundo da nossa poca. c) ... compreendi que o enredo o pretexto. d) ... a insatisfao faz parte do fascnio da leitura. e) ... trata-se de um outro po. 223. Unifor-CE Observe a colocao das palavras nas expresses. I. O primeiro volume o volume primeiro II. Aquela irresistvel personagem aquela personagem irresistvel. III. Um verdadeiro livro um livro verdadeiro Com a alterao na colocao das palavras, houve alterao de sentido somente em: a) I d) I e II b) II e) II e III c) III 224. Unicamp-SP Em duas passagens do texto a seguir, o articulista transmitiu informaes objetivamente diferentes das que pretendia transmitir. O que incomoda a populao (...) o piolho da cabea, que se hospeda geralmente em crianas de idade pr-escolar. No se sabe ao certo o porqu da maior incidncia em crianas, mas se acredita que seja provavelmente pelo contato ntimo entre elas. Anal, s pode ocorrer infestaes se a criana entrar em contato com outra, desmisticando assim que o piolho voa ou que uso em comum de pentes e escovas pode ser transmitido. Outro mito (...) a transmisso do piolho animal para o ser humano. Isto no existe porque cada espcie tem seu piolho e se o parasita picar outra espcie que no seja a sua, morre (...)
Gazeta de Baro, Campinas, agosto de 1993.

a) Identique e transcreva a passagem que, no texto, no deve ser interpretada literalmente. b) Explique por que a incluso dessa passagem deixa clara a posio crtica e irnica do jornal com relao aos prazos propostos pelo Ministrio da Sade para comear a resolver o problema da malria entre os ndios ianommis. 226. Unicamp-SP Defender a lngua , de modo geral, uma tarefa ambgua e at certo ponto intil. Mas tambm quase intil e ambguo dar conselhos aos jovens de uma perspectiva adulta e no entanto todo o adulto cumpre o que julga seu dever. (...) Ora, no que se refere lngua, o choque ou oposio situam-se normalmente na linha divisria do novo e do antigo. Mas xar no antigo a norma para o atual obrigaria este antigo a recorrer a um mais antigo, at o limite das origens da lngua. A prpria lngua, como ser vivo que , decidir o que lhe importa assimilar ou recusar. A lngua mastiga e joga fora inmeros arranjos de frases e vocbulos. Outros, ela absorve e integra a seu modo de ser.
Verglio Ferreira, Em defesa da lngua. In: Esto a assassinar o portugus! trecho adaptado.

a) Transcreva a tese de Verglio Ferreira, isto , a armao bsica que o autor aceita como verdadeira e defende nesse trecho. b) Transcreva o argumento no qual o autor se baseia para defender sua tese. Texto para as questes de 227 a 229. Alm de parecer no ter rotao, a Terra parece tambm estar imvel no meio do cu. Ptolomeu d argumentos astronmicos para tentar mostrar isso. Para entender esses argumentos, necessrio lembrar que, na antigidade, imaginava-se que todas as estrelas (mas no os planetas) estavam distribudas sobre uma superfcie esfrica, cujo raio no parecia ser muito superior distncia da Terra aos planetas. Suponhamos que a Terra esteja no centro da esfera das estrelas. Neste caso, o cu visvel noite deve abranger, de cada vez, exatamente a metade da esfera das estrelas. E assim parece realmente ocorrer: em qualquer noite, de horizonte a horizonte, possvel contemplar, a cada instante, a metade do zodaco. Se, no entanto, a Terra estivesse longe do centro da esfera estelar, ento o campo de viso noite no seria, em geral, a metade da esfera: algumas vezes poderamos ver mais da metade, outras vezes poderamos ver menos da metade do zodaco, de horizonte a horizonte. Portanto, a evidncia astronmica parece indicar que Terra est no centro da esfera das estrelas. E se ela est sempre nesse centro, ela no se move em relao s estrelas.
Roberto de A. Martins. Introduo geral ao Commentariolus de Nicolau Coprnico.

a) Transcreva as duas passagens. b) Redijaas de forma a evitar as interpretaes indesejadas. c) Justique uma das correes feitas por voc em resposta ao item b. 225. Unicamp-SP A notcia e o comentrio transcritos a seguir deixam claro que nem sempre podemos nos limitar interpretao literal (isto , ao p da letra) das palavras.
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Demora O Ministrio da Sade calcula que em janeiro j poder deagrar o programa emergencial de sade para os ianommis, em Rondnia. At l os mosquitos transmissores da malria esto proibidos de picar os ndios.
Folha de S.Paulo.

227. Fuvest-SP O terceiro perodo (Para entender esses... da Terra aos planetas.) representa, no texto: a) o principal argumento de Ptolomeu. b) o pressuposto da teoria de Ptolomeu.
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c) a base para as teorias posteriores de Ptolomeu. d) a hiptese suciente para Ptolomeu retomar as teorias anteriores. e) o fundamento para o desmentido da teoria de Ptolomeu. 228. Fuvest-SP Os termos alm de, no entanto, ento, portanto estabelecem, no texto, relaes, respectivamente, de: a) distanciamento objeo tempo efeito. b) adio objeo tempo concluso. c) distanciamento conseqncia concluso efeito. d) distanciamento oposio tempo conseqncia. e) adio oposio conseqncia concluso. 229. Fuvest-SP Expresses que, no texto, denunciam subjetividade na apresentao dos fatos so: a) parece tambm estar imvel d argumentos necessrio lembrar. b) necessrio lembrar imaginava-se suponhamos. c) imaginava-se esteja deve abranger. d) tentar mostrar suponhamos parece realmente ocorrer. e) parece realmente ocorrer possvel contemplar no se move. 230. Proposta I ITA-SP Leia os seguintes textos e, com base no que abordam,escreva uma dissertao em prosa, de aproximadamente 25 (vinte e cinco) linhas, sobre: A importncia da tica nas atividades e relaes humanas. 1.O que se deve fazer quando um concorrente est se afogando? Pegar uma mangueira e jogar gua em sua boca. (Ray Kroc, fundador doMcDonalds, em Tudo, n. 11, 15/04/2001, p. 23) 2. Temos de dar os parabns ao Rivaldo. A jogada dele foi a mais inteligente da partida contra os turcos. So lances como esses que te colocam na Copa do Mundo. Tem de ser malandro. S quem joga futebol sabe disso. (Roberto Carlos, jogador da seleo brasileira de futebol, comentando a atitude de Rivaldo, que ngiu ter sido atingido no rosto pela bola chutada por um adversrio. Folha de S. Paulo, 06/06/2002) 3. tica. s.f. Estudo dos juzos de apreciao que se referem conduta humana suscetvel de qualicao do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. (Dicionrio Aurlio Eletrnico. Verso 2.0 Rio de Janeiro: LexikonInformtica, Nova Fronteira, CD-ROM) 4. Como toda descoberta cientca exige que o pesquisador suspenda seus preconceitos, ela comporta riscos ticos. Mas a cincia no produz automaticamente efeitos nocivos no plano tico. A aplicao da cincia ao mundo prtico nunca mecnica ou automtica. Ela depende das escolhas humanas. (Renato Janine Ribeiro. In Pesquisa: clonagem. FAPESP, n. 73, maro 2002. Suplemento Especial)
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Proposta II Mackenzie-SP Redija uma dissertao a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo. Se necessrio, utilize o verso da folha para concluir seu trabalho Texto I Se um casamento no d certo, botam a culpa na rotina. Se algum vive sem motivao: a rotina. Se a criatividade de uma empresa cai, fala-se logo na rotina. Entretanto, algumas virtudes esto associadas rotina: segurana, harmonia, padro de qualidade, conabilidade. A rotina a batida que se repete. No corao, ela se chama ritmo; sem ela, pifamos.
Adaptado de Ivan Angelo

Texto II Hauser, em sua histria social da literatura e da arte, caracteriza a modernidade como o perodo dominado pela obsesso da mudana. Segundo o terico alemo, o mutvel se instaura nas relaes humanas, devido relatividade das modas e dos juzos estticos, provocado pelo recrudescimento da Revoluo Industrial, que imprimiu maior velocidade na produo de objetos de consumo. Texto III No a repetio que, necessariamente, faz o gesto perder seu sentido. Talvez seja o contrrio: porque o gesto perde o sentido, a rotina torna-se tediosa, insuportvel. Texto para as questes 231 e 232. Filosoa dos epitos Sa, afastando-me dos grupos e ngindo ler os epitos. E, alis, gosto dos epitos; eles so, entre a gente civilizada, uma expresso daquele pio e secreto egosmo que induz o homem a arrancar morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Da vem, talvez, a tristeza inconsolvel dos que sabem os seus mortos na vala comum; parece-lhes que a podrido annima os alcana a eles mesmos.
Machado de Assis. Memrias pstumas de Brs Cubas. Joseph Pinnus lvaro Cardoso Gomes

231. Fuvest-SP Do ponto de vista da composio, correto armar que o captulo Filosoa dos epitos: a) predominantemente dissertativo, servindo os dados do enredo e do ambiente como fundo para digresso. b) predominantemente descritivo, com a suspenso do curso da histria dando lugar construo do cenrio. c) equilibra em harmonia narrao e descrio, medida que faz avanar a histria e cria o cenrio de sua ambientao. d) predominantemente narrativo, visto que o narrador evoca os acontecimentos que marcaram sua sada. e) equilibra narrao e dissertao, com o uso do discurso indireto para registrar as impresses que o ambiente provoca no narrador.

232. Fuvest-SP Sa, afastando-me... epitos. Dando nova redao a essa frase, sem alterar as relaes sintticas e semnticas nela presentes, obtm-se: a) Quando me afastei dos grupos, ngi ler os epitos e ento sa. b) Enquanto me afastava dos grupos e ngia ler os epitos, fui saindo. c) Fingi ler os epitos, afastei-me dos grupos e sa. d) Ao afastar-me dos grupos, ngi ler os epitos, antes de sair. e) Ao sair, ngia ler os epitos e afastei-me dos grupos. Texto para as questes de 233 a 235. Zo Uma cascavel, nas encolhas*. Sua massa infame. Crime: prenderam, na gaiola da cascavel, um ratinho branco. O pobrinho se comprime num dos cantos do alto da parede da tela, no lugar mais longe que pde. Olha para fora, transido, arrepiado, no ousando choramingar. Periodicamente, treme. A cobra ainda dorme. Meu Deus, que pelo menos a morte do ratinho branco seja instantnea! Tenho de subornar um guarda, para que liberte o ratinho branco da jaula da cascavel. Talvez ainda no seja tarde. Mas, ainda que eu salve o ratinho branco, outro ter que morrer em seu lugar. E, deste outro, terei sido eu o culpado. ______________ * nas encolhas = retrada, imvel
Fragmentos extrados de Ave, palavra, de Guimares Rosa

235. Fuvest-SP O ltimo pargrafo permite inferir que a convico nal do narrador a de que: a) a culpa maior est na omisso permanente. b) os atos bem-intencionados so inocentes. c) nenhuma escolha isenta de responsabilidade. d) no h como discordar da lei do mais forte. e) no h culpa em quem aperfeioa as leis da natureza. 236. UFMG Leia esta estrofe, atentando para os segmentos nela destacados: Que o plen de ouro dos mais nos astros Fecunde e iname a rima clara e ardente... Que brilhe a correo dos alabastros Sonoramente, luminosamente. Cruz e Sousa. Missal e Broquis. So Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 138. Com base nessa leitura, redija um texto, identicando o recurso potico que resulta da associao dos segmentos destacados e explicando em que consiste tal recurso. 237. UERJ A Crise

Perdo, cavalheiro, este osso meu: fui eu quem o viu primeiro.


Raul, Revista Fon-Fon, 06/06/1914.

233. Fuvest-SP A situao do ratinho branco, preso na gaiola da cascavel, provocou no narrador: a) imediato sentimento de culpa, que o levou a declarar-se responsvel pela situao. b) desejo imediato de interveno, a m de antecipar o previsvel desfecho. c) reao espontnea e indignada, da qual veio a se arrepender mais tarde. d) compaixo e desejo de intervir, seguidos de uma reexo moral. e) curiosidade e repulsa, a que se seguiu a indiferena diante do inevitvel. 234. Fuvest-SP Por meio de frases como A cobra ainda dorme, Talvez ainda no seja tarde e ainda que eu salve o ratinho branco, o narrador: a) prolonga a tenso, alimentando expectativas. b) exprime a inevitabilidade dos fatos, ao empregar os verbos no presente. c) entrega-se a fantasias, desligando-se das circunstncias presentes. d) formula hipteses vagas, argumentando de modo abstrato. e) precipita a ao do tempo, apressando a narrao dos fatos.

Na charge de Raul, composta por ttulo, desenho e legenda, h vrios contrastes. O contraste que melhor refora o ttulo da charge : a) um senhor de fraque e chapu olha um mendigo. b) um homem e um co disputam o mesmo alimento. c) um mendigo com fome faz uma frase polida e formal. d) o co faminto olha para o mendigo e no para o osso. 238. UERJ A caricatura no tem por objeto principal fazer rir. Isto to certo que h caricaturas lgubres. Porque encontra o riso em seu caminho, a caricatura anal no tem nada duma arte do riso, como tm avanado muitos autores, e assim a considera o preconceito corrente. () Longe de ser um testemunho da alegria, o prprio exagero caricatural no seno um meio, nas mos do artista, para exprimir seu rancor. No h por que nos surpreendermos com isso. Como, realmente, fora de muito advertidos a respeito daquilo que mascara a mmica social, no cairmos em meditao cheia de desgosto? Como no nos deixarmos possuir por uma espcie de desencantamento, uma como que fadiga da alma, custa de muito vermos e de vermos muito bem?
Gaultier, Paul. In: Lima, Herman. Histria da caricatura no Brasil.

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Porque encontra o riso em seu caminho, a caricatura anal no tem nada duma arte do riso Nesse trecho, percebemos que o conectivo porque est sendo empregado com um signicado diferente do usual. A substituio do conectivo que preserva o sentido original do trecho : a) Se encontrar o riso em seu caminho, b) Ainda que encontra o riso em seu caminho, c) J tendo encontrado o riso em seu caminho, d) Em virtude de encontrar o riso em seu caminho, 239. UERJ Comenta-se, um pouco rpido demais, que a predileo que os leitores sentimos por um ou outro personagem vem da facilidade com que nos identicamos com eles. Esta formulao exige algumas pontuaes: no que nos identiquemos com o personagem, mas sim que este nos identica, nos aclara e dene frente a ns mesmos; algo em ns se identica com essa individualidade imaginria, algo contraditrio com outras identicaes semelhantes, algo que de outro modo apenas em sonhos haveria logrado estatuto de natureza. A paixo pela literatura tambm uma maneira de reconhecer que cada um somos muitos, e que dessa raiz, oposta ao senso comum em que vivemos, brota o prazer literrio.
Traduzido de Savater, Fernando. Criaturas del aire.

Texto para as questes de 241 a 244. Em defesa da razo Estou chegando aos 70 anos. Minha gerao assistiu a mais revolues cientcas, tecnolgicas e sociais do que todas as geraes anteriores. Com essa experincia de vida, preocupa-me o que estamos deixando para nossos netos: um mundo onde as pessoas desconam dos cientistas e se entregam s crendices. Um mundo de violncia, injustia e desencanto, que abre espao para a explorao do desespero da populao. Durante dcadas, lutei desesperadamente para trazer racionalidade s geraes que me sucederiam, acreditando na cincia e em suas conquistas. A caminhada do homem na Lua, as fotos dos planetas distantes, os computadores, a televiso direta dos satlites, as vacinas que eliminaram da face da Terra a varola e a poliomielite, os remdios desenhados em computadores que curam o cncer quando detectado a tempo, os transplantes de corao e rins, a biotecnologia gerando plantas mais resistentes e mais produtivas, que liquidaram com a profecia de Malthus, afastando o perigo da fome universal. E, apesar disso, o que colhemos? Uma gerao de crdulos sem capacidade crtica. At mesmo as pessoas que seguiram carreira tcnico-cientca no entendem a racionalidade da cincia. Consomem toneladas de pseudomedicamentos sem nenhum efeito positivo para o organismo. Engolem comprimidos de vitaminas que sero eliminadas na urina. Consomem extratos de plantas com substncias txicas e abandonam o tratamento mdico. Gastam fortunas com diferentes marcas de xampu que contm sempre o mesmo detergente, mas anunciam alimentos para os cabelos, quando estes recebem nutrientes diretamente do sangue que irriga suas razes. H os que untam o rosto com colgeno gelia de mocot e ovos e acham que esto rejuvenescendo. Fui professor de colgio e de faculdade de medicina. Fiz pesquisas, formei uma dzia de discpulos que hoje pesquisam, so professores universitrios e j criaram meia centena de meus netos intelectuais. Na universidade, desenvolvi um novo modelo de Ensino Mdio. Revolucionei o ensino das cincias nas escolas e improvisei na televiso o primeiro programa de ensino de cincia. Produzimos novos livros substituindo totalmente o contedo do ensino. Por tudo isso, co pasmado ao ver que, s portas do ano 2000, as pessoas lem horscopos sem jamais comparar as previses da vspera com o que realmente aconteceu. Desconam dos cientistas, mas acreditam nas cartomantes, que prevem o bvio. Formamos uma gerao de pseudo-educados, que querem ser enganados nas farmcias, pelos curandeiros que enam agulhas em seus ps e manipulam sua coluna, pelos ufologistas, que vem extraterrestres chegar e sair sem ser detectados pelos radares. Uma gerao que se deixa levar por benzedeiras e charlates com suas poes, por anncios desonestos na televiso e por pregadores a quem entregam parte do salrio. Saem as descobertas e as experincias cientcas e entram os duendes, anjos e bruxos. Mas nem tudo est perdido. Ainda h quem encontre motivao para se guiar pelo racionalismo e pela cincia e para mudar. E h muito que fazer. preciso combater o irracionalismo e as misticaes, onde quer que eles se manifestem: na televiso, nos locais de trabalho, nas faculdades. Podemos comear

Esse texto trata de um conceito importante na teoria da literatura: o conceito de catarse. De acordo com o autor, pode-se denir catarse como o processo que afeta o leitor no sentido de: a) b) c) d) valorizar o imaginrio. superar o senso comum. construir a personalidade. liberar emoes reprimidas.

240. UERJ Observe atentamente os dois trechos transcritos a seguir. o objetivo da poesia (e da arte literria em geral) no o real concreto, o verdadeiro, aquilo que de fato aconteceu, mas sim o verossmil, o que pode acontecer, considerado na sua universalidade. Verossmil. 1. Semelhante verdade; que parece verdadeiro. 2.Que no repugna verdade, provvel.
Ferreira, A. B. de Holanda. Novo dicionrio Aurlio da lngua Silva, Vtor M. de A. Teoria da literatura.

A partir da leitura de ambos os fragmentos, pode-se deduzir que a obra literria tem o seguinte objetivo: a) opor-se ao real para armar a imaginao criadora. b) anular a realidade concreta para superar contradies aparentes. c) construir uma aparncia de realidade para expressar dado sentido. d) buscar uma parcela representativa do real para contestar sua validade.

portuguesa.

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pela educao. Hoje, as pessoas passam um tero da vida nas salas de aula sem aprender e ningum se importa. Criamos robs que nos permitem ter uma produo cada vez maior de bens, mas camos prisioneiros de uma sociedade cada vez menos justa. Numa sociedade em que a cincia expandiu a longevidade do homem, no oferecemos maioria da populao segurana fsica nem acesso ao que a medicina moderna pode oferecer nem mesmo a garantia de teto e comida. Enm, criamos um campo propcio para a proliferao dos enganadores. Est na hora de quebrar a insensibilidade dos governos e das lideranas para tentar corrigir isso. No ser nos entregando irracionalidade que sairemos desse buraco e construiremos um futuro melhor para os nossos netos.
Isaas Raw. Veja.

243. UERJ O primeiro pargrafo constitui uma das formas clssicas de fazer a introduo de um texto argumentativo, porque contm resumidamente elementos essenciais ao desenvolvimento das idias do autor. Tais elementos, no caso deste texto, podem ser denidos como: a) declarao de natureza subjetiva enumerao de subtemas. b) registro de testemunho histrico exemplicao do problema. c) questionamento de conceito preestabelecido delimitao do tema. d) armao da autoridade do enunciador apresentao do problema. 244. UERJ No penltimo pargrafo do texto preciso combater (linhas 63 e 64) os perodos no se iniciam por conectivos ou palavras de ligao. No entanto, possvel compreender sua unidade como partes de um mesmo pargrafo. Neste caso, a unidade interna do pargrafo dada por uma relao de sentido entre suas partes. Tal relao pode ser identicada porque cada perodo assume a funo de: a) representar um desenvolvimento da idia E h muito o que fazer. b) constituir uma exemplicao da idia Mas nem tudo est perdido. c) contestar a generalizao da idia Podemos comear pela educao. d) apresentar uma negao da idia preciso combater o irracionalismo. 245. UFPE Cidade prevista Irmos, cantai esse mundo que no verei, mas vir um dia, dentro em mil anos, talvez mais... no tenho pressa. Um mundo enm ordenado, uma ptria sem fronteiras, sem leis e regulamentos, uma terra sem bandeiras, sem igrejas nem quartis, sem dor, sem febre, sem ouro, um jeito s de viver, mas nesse jeito a variedade, a multiplicidade toda que h dentro de cada um. Uma cidade sem portas, de casas sem armadilha, um pas de riso e glria como nunca houve nenhum. Este pas no meu nem vosso ainda, poetas. Mas ele ser um dia o pas de todo homem.
Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992, pp. 158-159

241. UERJ Para criticar o comportamento da nova gerao, o autor utiliza, na construo do texto, uma estratgia que demonstra seu distanciamento em relao ao misticismo e ao irracionalismo. Pode-se armar que essa estratgia constri-se fundamentalmente a partir do seguinte dado fornecido pelo texto: a) crtica insensibilidade dos governos. b) constatao da crendice das pessoas. c) vivncia prossional do autor. d) avano do ensino da cincia. 242. UERJ Em suma: toda declarao (ou juzo) que expresse opinio pessoal ou pretenda estabelecer a verdade s ter validade se devidamente demonstrada, isto , se apoiada ou fundamentada na evidncia dos fatos, quer dizer, se acompanhada de prova. Em sua crtica ao que caracteriza como crendice ou irracionalismo, o autor do texto Em defesa da razo faz diversas declaraes. O exemplo de declarao feita no texto que mais se aproxima do critrio de validade, conforme o enunciado transcrito, : a) um mundo onde as pessoas desconfiam dos cientistas e se entregam s crendices. Um mundo de violncia, injustia e desencanto, que abre espao para a explorao do desespero da populao. b) Gastam fortunas com diferentes marcas de xampu que contm sempre o mesmo detergente, mas anunciam alimentos para os cabelos, quando estes recebem nutrientes diretamente do sangue que irriga suas razes. c) Uma gerao que se deixa levar por benzedeiras e charlates com suas poes, por anncios desonestos na televiso e por pregadores a quem entregam parte do salrio. d) Enm, criamos um campo propcio para a proliferao dos enganadores. Est na hora de quebrar a insensibilidade dos governos e das lideranas para tentar corrigir isso.

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O texto ressalta, poeticamente: a) o ritmo sem pressa com que anda o tempo na fantasia dos poetas e daqueles que desejam um mundo sem limites. b) o sonho de um mundo mpar, sem restries, sem donos e fronteiras; mas que respeite o jeito diferente de cada um ser. c) o sentimento de desamparo do poeta, por saber que nunca ver o mundo de seus desejos e de sua esperana. d) o desejo da liberdade para os homens dos centros urbanos, onde seja possvel viver, afortunada e gloriosamente, sem limites e sem ameaas. e) a esperana de que os poetas ainda tero um mundo ideal, que seja o mundo deles e de todo homem. 246. UFSC Ainda que viva cem, mil anos, no esquecerei aquele dia em que, deitado no leito miservel da cela B 17, a porta se abriu e dois soldados empurraram um corpo que logo se estatelou no cho de ladrilhos. De incio, nem parecia um corpo mas um saco, enorme e comprido, que desabou e, estranhamente, no fez nenhum rudo quando caiu. Ou, quem sabe, o espanto seria melhor dizer: o medo no me deixou ouvir nada. Todos os meus sentidos caram resumidos no olhar um olhar que procurava entender no o que estava vendo mas o que ainda poderia ver. Sempre que aquela porta se abria, alguma coisa poderia acontecer comigo. As duas refeies dirias eram colocadas numa pequena bandeja giratria na parede ao lado, e nos quinze dias em que ali estava, a porta s se abria noite, para mais um interrogatrio. J tudo havia respondido, o que sabia e no sabia, minhas informaes estavam sendo checadas, se elas no zessem sentido ou fossem julgadas insucientes, eu comearia a ser torturado. Das celas vizinhas, sobretudo durante a madrugada, eu ouvia os gemidos daqueles que voltavam do poro do quartel que o regime poltico transformara em priso. No eram gritos, eram gemidos mesmo, que duravam horas. Mesmo assim, em certas noites, apesar de distantes, eu ouvia os gritos e ainda que viva cem, mil anos, jamais me esquecerei deles. (...) Que seria aquilo?, foi a pergunta que me z, logo reconhecendo que devia t-la formulado de outra forma: Quem seria aquilo? O aquilo se justicava: no era mais um corpo ali tombado, mas um troo de carne ferida e, dentro dela, um enigma que eu nunca decifraria, nem mesmo agora, tantos anos passados.
CONY, Carlos Heitor. Romance sem palavras. So Paulo: Companhia das Letras, 1999. pp. 11-13.

pelos soldados, para dentro da cela. Essa forma expressiva corresponde gura de linguagem chamada eufemismo. 04. No texto, foram empregados travesses como recurso de nfase. Os primeiros e o ltimo para separar uma expresso que ratica o enunciado anterior; o segundo, para realce. Todos esses travesses poderiam ter sido substitudos por pontos-e-vrgulas, sem que o sentido do texto se alterasse. 08. Ou quem sabe, o espanto seria melhor dizer: o medo no me deixou ouvir nada. Nessa frase, os dois-pontos ressaltam o sentimento de medo do narrador diante da cena presenciada. 16. As passagens um corpo / nem parecia um corpo mas um saco e aquilo reetem a banalizao a que cou reduzido o companheiro de cela do narrador, a perda de sua individualidade como ser humano. Some os itens corretos. 247. UFSC Eram mil degraus irregulares de pedra, numa picada abrupta e estafante, que ele (Isaas) mesmo construra, dia aps dia, at o alto, uma clareira de vista magnca para os quatro pontos cardeais, onde soprava um vento eterno. Subia devagar, cada vez mais devagar, ajeitando matos e ores, podando ramagens, e sempre monologando, um resmungo sussurrado que ia dando sentido aos gestos e parecia criar, s pela fora da voz, um outro mundo. s vezes parava, sentada num degrau, tirava o cachimbo e o fumo e os fsforos de um bolso da tnica surrada, e fumava, pensativo; entre uma baforada e outra, redesenhava as linhas, as cores, os sons e as curvas das extenses da ilha s com um olho e a ponta do cachimbo riscando o espao, a mo estendida. E pensava tambm na tarefa difcil que teria nos prximos dois meses, uma tarefa que exigia, como todos os anos, protees maiores que simplesmente a fora do desejo. Distrado entre o desenho e o pensamento, batia o cachimbo na pedra, limpava-o com carinho, guardava-o e prosseguia a subida.
TEZZA, Cristvo. Ensaio da paixo. 2a.ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p.10.

Considerando o texto, assinale a(s) proposio (es) correta (s). 01. As formas verbais em Ainda que viva e se elas no zessem esto exionadas, respectivamente, no presente e no futuro do subjuntivo, modo que retrata fatos incertos, hipotticos. 02. Ainda que viva cem, mil anos, no esquecerei aquele dia.... Cony inicia o romance lanando mo de um recurso semntico com que explora o impacto causado pela presena do corpo empurrado
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Considerando o texto, assinale a(s) proposio (es) correta (s). 01. O romance do qual este texto faz parte difere do romance do texto anterior, quanto ao enfoque narrativo: Ensaio da paixo apresenta narrador em terceira pessoa, onisciente; Romance sem palavras, narrador em primeira pessoa. Quanto temtica, no entanto, esses romances apresentam um ponto em comum: a poca em que o pas viveu sob o regime militar. 02. No primeiro captulo do romance, Isaas sobe montanha, para adorar e exaltar a Deus, com quem tem um dilogo respeitoso sobre a encenao da Paixo. 04. Substituindo os termos sublinhados, em ajeitando matos e ores, podando ramagens, pelos pronomes oblquos correspondentes, obtm-se: ajeitando-os, podando-os. 08. O acento indicador de crase em s vezes, permaneceria, se a locuo adverbial fosse substituda por Algumas vezes.

16. Predominam, nesse texto, formas verbais do pretrito imperfeito do indicativo (como eram, soprava e subia), tempo que marca ao habitual ou contnua, no passado. H tambm formas no gerndio (como ajeitando, podando, monologando), que indicam uma ao em curso. Some os itens corretos. Com base no texto a seguir, responda s questes de 248 a 251. Um boi v os homens To delicados (mais que um arbusto) e correm e correm de um para outro lado, sempre esquecidos de alguma coisa. Certamente, falta-lhes no sei que atributo essencial, posto se apresentem [nobres e graves, por vezes. Ah, espantosamente graves, at sinistros. Coitados, dir-se-ia que no escutam nem o canto do ar nem os segredos do feno, como tambm parecem no enxergar o que visvel e comum a cada um de ns, no espao. E cam [tristes e no rasto da tristeza chegam crueldade. Toda a expresso deles mora nos olhos e perde-se a um simples baixar de clios, a uma sombra. Nada nos plos, nos extremos de inconcebvel [fragilidade, e como neles h pouca montanha, e que secura e que reentrncias e que impossibilidade de se organizarem em formas [calmas, permanentes e necessrias. Tm, talvez, certa graa melanclica (um minuto) e com isto se [fazem perdoar a agitao incmoda e o translcido vazio interior que os torna to pobres e carecidos de emitir sons absurdos e agnicos: desejo, amor, [cime (que sabemos ns?), sons que se despedaam e [tombam no campo como pedras aitas e queimam a erva e a [gua, e difcil, depois disto, ruminarmos nossa verdade.
Carlos Drummond de Andrade. Reunio: 10 livros de poesia.

c) Tm, talvez,/ certa graa melanclica. d) o translcido/vazio interior que os torna to pobres. 250. UERJ To delicados (mais que um arbusto) e correm/ e correm de um para outro lado, (v. 01-02) Pela leitura dos versos acima, pode-se armar que a repetio estilstica do conectivo e assume o seguinte sentido na caracterizao dos homens: a) revela uma gravidade pessoal. b) enfatiza uma atitude obsessiva. c) aponta uma inquietude interior. d) insinua uma crueldade escondida. 251. UERJ comum encontrar nos livros escolares a denio de predicado como aquilo que se declara sobre o sujeito de uma orao. Essa denio de predicado, entretanto, no suciente para identic-lo em todas as suas ocorrncias. O exemplo em que no se poderia identicar o predicado pela denio dada : a) falta-lhes/ no sei que atributo essencial, (v. 3-4) b) Toda a expresso deles mora nos olhos (v. 11) c) neles h pouca montanha, (v.14) d) sons que se despedaam (v. 22) 252. Proposta I Tema Bonnie nasceu nesses dias em que a morte rondounos com sua brutal e irredutvel presena. Em sua ovina, alva e simblica inocncia, ela surgiu na TV e nos jornais, ao lado da me, Dolly. Nenhuma das duas suspeita de onde veio e pra onde ir. No se indagam, no formulam, no tm angstias: so apenas ovelhas, vivero e morrero. Para os humanos, contudo, Dolly e Bonnie so mais do que dois lmpidos e paccos animais. So um novo episdio do ancestral duelo que a humanidade trava contra a natureza. Um ensaio divino da razo, uma esperana, possivelmente v, de que um dia o destino humano complete-se e triunfe sobre a me criadora. At l, porm, continuar a conviver com a morte, esse defeito irrevogvel da criao.
Gonalves M.A., Domingueira, Folha de S. Paulo, 26/4/98, pp. 1-9.

248. UERJ O poema de Drummond procura ver os seres humanos de um ponto de vista no-humano. Se zermos uma correlao entre a construo deste texto e a prpria literatura, podemos perceber na literatura a capacidade fundamental de: a) espelhar a realidade do homem. b) deslocar a perspectiva do leitor. c) estabelecer uma negao do cotidiano. d) promover a raticao do senso comum. 249. UERJ O boi o eu potico declarado no ttulo apresenta sua viso sobre os homens e a eles se refere como coitados, expressando uma atitude de superioridade que enfatiza, ao longo do texto, a fragilidade humana. O fragmento em que essa fragilidade dos homens est explicitamente demonstrada pelo eu potico : a) Ah, espantosamente graves, /at sinistros. b) E cam tristes/ e no rasto da tristeza chegam crueldade.

Procedimentos a) Destaque as idias principais. b) Extraia um tema. c) Desenvolva a dissertao a partir do tema extrado. Proposta II Texto 1 Entre os Maoris, um povo polinsio, existe uma dana destinada a proteger as sementeiras de batatas, que quando novas so muito vulnerveis aos ventos do leste: as mulheres executam a dana, entre os batatais, simulando com movimentos dos corpos o vento, a chuva, o desenvolvimento e o orescimento do batatal, sendo esta dana acompanhada de uma cano que um apelo para que o batatal siga o exemplo do bailado. As mulheres interpretam em fantasia a realizao prtica de um desejo. nisto que consiste a magia: uma tcnica ilusria destinada a suplementar a tcnica real.
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Mas essa tcnica ilusria no v. A dana no pode exercer qualquer efeito direto sobre as batatas, mas pode ter (como de fato tem) um efeito aprecivel sobre as mulheres. Inspiradas pela convico de que a dana protege a colheita, entregam-se ao trabalho com mais conana e mais energia. E, deste modo, a dana acaba, anal, por ter um efeito sobre a colheita. Texto 2 A cincia livra-nos do medo, combatendo com respostas objetivas esse veneno subjetivo. com um bom pra-raios, quem em casa teme as tempestades? Todo ritual mstico est condenado a desaparecer; a funo dos mitos se estreita a cada inveno, e todo vazio em que o pensamento mgico imperava est sendo preenchido pelo efeito de uma operao racional. Quanto arte, continuar a fazer o que pode: entreter o homem nas pausas de seu trabalho, desembaraada agora de qualquer outra misso, que no mais preciso lhe atribuir. Procedimentos a) Leia atentamente os textos dados, procurando identicar a questo neles tratada. b) Escreva uma dissertao em prosa, relacionando os dois textos e expondo argumentos que sustentem seu prprio ponto de vista. Com base no texto a seguir, responda s questes de 253 a 255. Sonata (trecho) A histria que vou contar no tem a rigor um princpio, um meio e um m. O Tempo um rio sem nascentes a correr incessantemente para a Eternidade, mas bem se pode dar que em inesperados trechos de seu curso o nosso barco se afaste da correnteza, derivando para algum brao morto, feito de antigas guas cadas, e s Deus sabe o que ento nos poder acontecer. No entanto, para facilitar a narrativa, vamos supor que tudo tenha comeado naquela tarde de abril. Era o primeiro ano da Guerra e eu evitava ler os jornais ou dar ouvidos s pessoas que falavam em combates, bombardeios e movimento de tropas. Os alemes rompero facilmente a linha Maginot, assegurou-me um dia o desconhecido que se sentara ao meu lado num banco de praa. Em poucas semanas estaro senhores de Paris. Sacudi a cabea e repliquei: Impossvel. Paris no uma cidade do espao, mas do tempo. um estado de alma e como tal inacessvel s Panzerdividionen. O homem lanoume um olhar enviesado, misto de estranheza e alarma. Ora, estou habituado a ser olhado desse modo. Um luntico! o que murmuram de mim os inquilinos da casa de cmodos onde tenho um quarto alugado, com direito mesa parca e ao banheiro coletivo. E natural que pensem assim. Sou um sujeito um tanto esquisito, um tmido, um solitrio que s vezes passa horas inteiras a conversar consigo mesmo em voz alta. Bicho-de-concha! j disseram de mim. Sim, mas a esta apagada ostra no resta nem o consolo de ter produzido em sua solido alguma prola rara, a no ser Mas no devo antecipar nem julgar. Homem de necessidades modestas, o que ganho, dando lies de piano a domiclio, basta para o meu sustento e ainda me permite comprar discos de gramofone e ir de vez em quando a concertos. Quase todas as noites, depois de vaguear sozinho pelas ruas, recolho-me ao quarto, ponho a eletrola a funcionar e,
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Hercule Granville George Thompson

estendido na cama, cerro os olhos e co a escutar os ltimos quartetos de Beethoven, tentando descobrir o que teria querido dizer o Velho com esta ou aquela frase. Tenho no quarto um piano no qual costumo tocar as minhas prprias composies, que nunca tive a coragem nem a necessidade de mostrar a ningum. Disse um poeta que Entre a idia E a realidade Entre o movimento E o ato Cai a Sombra. Pois entre essa Sombra e a mal-entrevista claridade duma esperana vivia eu, aparentemente sem outra ambio que a de manter a paz e a solitude. No Inverno, na Primavera e no Vero sinto-me como que exilado, s encontrando o meu clima nativo, o meu reino e o meu nicho no Outono a estao que envolve as pessoas e as coisas numa surdina lils. como se Deus armasse e iluminasse o palco do mundo especialmente para seus mistrios prediletos, de modo que a qualquer minuto um milagre pode acontecer.
rico Verssimo. Contos.

253. Esse trecho faz parte do incio de um conto. Seu narrador alerta o leitor para o carter ccional do relato que passar a ler. Isso se d por meio do seguinte recurso: a) assumir uma histria sem princpio, meio e m. b) construir uma frase longa com ritmo uente de narrativa. c) usar o verbo supor como marca de incio dos acontecimentos. d) sugerir o Tempo e a Eternidade como metforas humanizadas. 254. O incio do conto Sonata estabelece as referncias para categorias importantes da narrativa. As categorias de tempo, espao e o carter do personagem narrador so delimitados, respectivamente, pelos seguintes elementos do texto: a) outono, ruas, piano. b) tempo, rio sem nascentes, barco. c) Segunda Guerra, Paris, Beethoven. d) gramofone, cmodos, bicho-de-concha. 255. como se Deus armasse e iluminasse o palco do mundo especialmente para seus mistrios prediletos, de modo que a qualquer minuto um milagre pode acontecer. (ltimo perodo do texto) O perodo acima, por meio da expresso como se, estabelece relao de sentido com a orao anterior. A reescritura que explicita melhor essa relao, mantendo o sentido do perodo, : a) como se Deus armasse e iluminasse o palco do mundo especialmente para seus mistrios prediletos, numa surdina lils, b) O outono como Deus, armando e iluminando o palco do mundo, numa surdina lils, especialmente para seus mistrios prediletos,

c) Deus, no outono, envolve as coisas e as pessoas numa surdina lils, armando e iluminando o palco do mundo especialmente para seus mistrios prediletos, d) O outono envolve as coisas e as pessoas numa surdina lils, como se Deus armasse e iluminasse o palco do mundo especialmente para seus mistrios prediletos, 256. Digamos que um poltico em campanha eleitoral arme: Se um partido mais organizado, devemos votar nele; ora, o meu partido mais organizado; logo, vocs devem votar nos candidatos do meu partido; como um destes candidatos sou eu mesmo, no lhes parece bastante razovel que vocs votem em mim? Para apoiar sua tese, ele recorre a um professor de Lgica que, consultado, concorda que o argumento vlido. Entretanto, o argumento do candidato pode ser questionado. Este questionamento, segundo os mesmos princpios da Lgica, deve defender que: a) quando se admite a validade de um argumento, no se admite ao mesmo tempo a sua verdade. b) uma vez que o professor de Lgica humano, ele pode estar to errado quanto o candidato. c) j que o exerccio da democracia exige compromisso poltico, no se pode pautar o voto apenas pela lgica. d) como o argumento do candidato benecia todos os candidatos do seu partido, tanto faz votar nele como nos outros. Leia o texto a seguir para responder s questes de 257 a 261. Colquio das esttuas 1 Sobre o vale profundo, onde ui o rio Maranho, 2 sobre os campos de congonha, sobre a ta da 3 estrada de ferro, na paz das minas exauridas, 4 conversam entre si os profetas. 5 A onde os ps a mo genial de Antnio Francis6 co, em perfeita comunho com o adro, o santurio, 7 a paisagem toda magncos, terrveis, graves e 8 eternos , eles falam de coisas do mundo que, na 9 linguagem das Escrituras, se vo transformando 10 em smbolo. 11 As barbas barrocas de uns, planejadas pelo 12 vento que corre as gerais, lembram serpentes vin13 gativas, a se enovelarem; no rostoglabro de outros, 14 a sabedoria ganha nova majestade; e os doze, em 15 assemblia meditativa, robustos, no obstante a 16 fragilidade do saponito em que se moldaram e que 17 os devotos vo cobiosamente lanhando os doze 18 consideram o estado dos negcios do homem, 19 a turbao crescente das almas, e reprovam, e 20 advertem. 21 Uma brasa foi colada a meus lbios por um 22 Seram diz Isaas, ao p da grade. E Jeremias, 23 cavado de angstias, desola-se: 24 Pois eu choro a derrota da Judia, e a runa 25 de Jerusalm... 26 Esse choro, atravs dos sculos, vem escorrer 27 nos dias de hoje, e no cessa nem mesmo quando

28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82

Israel volta a reunir seus membros esparsos, pois s outra Jerusalm, a celeste, no se corrompe nem se arruna. Na sua intemporalidade, so sempre atuais os profetas. Em qualquer tempo, em qualquer situao da histria, h que recolher-lhes a lio: Eu explico Judia o mal que traro terra a lagarta, o gafanhoto, o bruco e a alforra Joel quem fala. Ao passo que Habacuque, brao esquerdo levantado, investe contra os tiranos e os dissolutos: A ti, Babilnia, te acuso, e a ti, tirano caldeu... Numa viso apocalptica, Ezequiel descreve os quatro animais no meio das chamas e as horrveis rodas, e o trono etreo. Osias d uma lio de doura, mandando que se receba a mulher adltera, e dela se hajam novos lhos. Mas Nahum, o pessimista, no cr na reconverso de valores caducos: Toda a Assria deve ser destruda digo eu. Contudo, h esperana, mesmo para os que forem atirados jaula dos lees conta-nos Daniel (e em numerosas partes do mundo eles continuam a ser atirados; apenas os lees se disfaram); esperana mesmo para os que, por trs noites, habitarem o ventre de uma baleia a experincia de Jonas, a caminho de Nnive. Assim confabulam os profetas, numa reunio fantstica, batida pelos ares de Minas. Onde mais poderamos conceber reunio igual, seno em terra mineira, que o paradoxo mesmo, to mstica que transforma em alfaias e plpitos e genuexrios a febre grosseira do diamante, do ouro e das pedras de cor? No seio de uma gente que est ilhada entre cones de hematita, e contudo mantm com o universo uma larga e losca intercomunicao, preocupando-se, como nenhuma outra, com as dores do mundo, no desejo de interpret-las e leni-las? Um povo que pastoril e sbio, amante das virtudes simples, da misericrdia, da liberdade um povo sempre contra os tiranos, e levando o sentimento do bom e do justo a uma espcie de loucura organizada, explosiva e contagiosa, como o revelam suas revelaes liberais? So mineiros esses profetas. Mineiros na pattica e concentrada postura em que os armou o mineiro Aleijadinho; mineiros na viso ampla da terra, seus males, guerras, crimes, tristezas e anseios; mineiros no julgar friamente e no curar com blsamo; no pessimismo; na iluminao ntima; sim, mineiros de cento e cinqenta anos atrs e de agora, taciturnos, crepusculares, messinicos e melanclicos.
Carlos Drummond de Andrade

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257. Ufla-MG Na frase (...) em perfeita comunho com o adro (...) , (linha 6), a palavra destacada indica: a) o lado exterior esquerdo da igreja. b) o lado exterior direito da igreja. c) a parte central, interna, da igreja. d) a parte que ca junto torre da igreja. e) o ptio que ca em frente igreja.
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258. Ufla-MG No trecho (...) eles falam de coisas do mundo que, na linguagem das Escrituras, se vo transformando em smbolo. (linhas 08, 09 e 10), a palavra grifada refere-se a: a) mundo. b) smbolo. c) linguagem. d) coisas. e) Escrituras. 259. Ufla-MG Relacione a coluna da direita com a da esquerda. Depois assinale a alternativa que apresenta a seqncia numrica correspondente resposta correta. 1. Osias ( ) condenao 2. Nahum ( ) puricao 3. Joel ( ) tolerncia 4. Habacuque ( ) lamentao 5. Jeremias ( ) pessimismo 6. Isaas ( ) calamidade a) 4 6 1 5 2 3 b) 3 2 5 1 6 4 c) 4 6 1 5 3 2 d) 3 2 5 1 4 6 e) 4 3 1 6 5 2

260. Ufla-MG No trecho (...) seno em terra mineira, que o paradoxo mesmo (...) (linhas 58 e 59), assinale a alternativa em que o par de adjetivos no comprova a idia contida na palavra acima grifada. a) Rstica e sbia b) Religiosa e mundana c) Virtuosa e mstica d) Isolada e expansiva e) Pacca e revolucionria 261. Ufla-MG Segundo o cronista, o mineiro dual em seus sentimentos, ou seja, age com a razo e o corao. Essa armao est conrmada em: a) (...) no pessimismo; na iluminao ntima (...) (linha 79). b) (...) mineiros no julgar friamente e no curar com blsamo (...) (linhas 78 e 79). c) Mineiros na pattica e concentrada postura (...) (linhas 74 e 75). d) (...) mineiros de cento e cinqenta anos atrs e de agora (...) (linhas 80 e 81). e) (...) mineiros na viso ampla da terra, seus males, guerras, crimes, tristezas e anelos (...) (linhas 76 a 78).

262. UFMS O texto apresentado abaixo foi publicado na capa da revista Veja. Leia-o com ateno para responder questo que segue.

Marque a(s) proposio(es) verdadeira(s). 01. O artigo indenido em um jovem indica generalizao e no quanticao. 02. Ocorre dgrafo quando duas letras so usadas para representar um nico fonema, como em que das palavras questo e quando. 04. O advrbio mais instaura o pressuposto de que antes a questo era saber se um jovem ia (ou no) experimentar a maconha. 08. Em A questo no mais saber se um jovem vai experimentar a erva, temos um perodo composto de trs oraes, sendo uma delas reduzida de innitivo com valor predicativo. 16. A orao quando ele far isso uma subordinada adverbial com valor temporal. 32. Tanto em a erva quanto em a pergunta, a retomada de elementos citados anteriormente (coeso referencial) se d pelo uso de hipernimos. Some os itens corretos. 263. O romance tem de rmar sua durao em alguma espcie de utilidade, tal como o estudo da alma, ou a pureza do dizer. Eu dou mais pelo segundo merecimento; que a alma est sobejamente estudada e desvelada nas literaturas clssicas.
Camilo Castelo Branco

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Assinale a(s) opo(es) verdadeira(s) de acordo com o texto. 01. O romance deve ser til, estudando a alma com linguagem castia. 02. A alma foi estudada pelos clssicos, motivo por que eles perduram. 04. A utilidade do romance est na durao com que estuda a alma. 08. Romance duradouro o que estuda a alma em linguagem purista, como ocorre nas literaturas clssicas. 16. O romance deve sobreviver antes pela linguagem castia, que por aspectos psicolgicos, que destes h o suciente nos clssicos. 32. A expresso rmar sua durao (linha 1) equivale a garantir sua perdurabilidade. Texto para as questes 264 e 265. 264. Fazer exerccio fsico bom para a sade, diz o senso comum. Fazer muito exerccio, portanto, seria excelente. O raciocnio equivocado. Depois de passar os ltimos 30 anos apregoando o culto ao corpo, malhao sem limite e transpirao desenfreada, os especialistas em medicina do esporte chegaram a uma concluso. Um mnimo de esforo feito com regularidade no prepara ningum para ganhar a Corrida de So Silvestre, mas suciente para garantir uma vida saudvel. Nem todo mundo tem tempo, disposio ou dinheiro para freqentar academias, diz o mdico do esporte Victor Matsudo. Mas pequenas aes incorporadas ao cotidiano evitam problemas com o corpo. (...) Na medida certa, a atividade fsica reduz o risco de morte por doenas cardacas, hipertenso e diabetes. Ajuda no controle do peso e promove o bem-estar. Em contrapartida, o excesso pode provocar problemas hormonais, rupturas, leses, tores e inamaes de msculos, tendes e articulaes. Em casos extremos, o impacto repetitivo do p contra o solo leva a fraturas sseas, a chamada fratura por estresse (...) Assinale a(s) alternativa(s) que, de acordo com o texto, completa(m) corretamente a frase abaixo. Fazer exerccios fsicos, com regularidade e moderao, importante porque: 01. traz benefcios para o corpo, garantindo uma vida saudvel. 02. prepara o indivduo para participar de competies, como a Corrida de So Silvestre. 04. impede a morte por doenas, como diabetes e hipertenso. 08. mantm o peso sob controle, ainda que o atleta se exceda na alimentao. 16. permite o culto ao corpo e valoriza a malhao como meio de manter a forma.
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265. Marque a(s) opo(es) verdadeira(s). 01. A fala de Victor Matsudo, no nal de 1o pargrafo, funciona como um argumento de autoridade, para validar as informaes fornecidas pelo texto. 02. Na frase Fazer muito exerccio, portanto, seria excelente. (linhas 2 e 3), o uso do futuro do pretrito, associado ao conectivo portanto, indica uma concluso hipottica a partir do que foi armado antes. 04. Como a palavra concluso feminina, o correto seria especialistas em medicina do esporte chegaram uma concluso, com o emprego da crase. 08. Todos os substantivos terminados em o que aparecem no texto formam o plural da mesma maneira, ou seja, com a terminao es, exceto disposio. 16. As oraes reduzidas de innitivo Fazer exerccio fsico (linha 1) e Fazer muito exerccio (linha 2) exercem diferentes funes sintticas nos perodos em que aparecem. 32. As palavras fsico, mdico, saudvel e cardacas so proparoxtonas. Some os itens corretos. 266. Ambigidade o duplo sentido, causado por m construo da frase. Reconhea, entre os exemplos apresentados abaixo, aquele(s) em que esse problema ocorre. 01. O PT entrou em desacordo com o PFL por causa da sua posio na CPI da corrupo. 02. O fato ocorrido ontem culminou com a demisso do funcionrio. 04. Polcia prende bandido com arma de fogo. 08. Maria e Lcia, apesar de irms, so muito diferentes. Esta sempre sabe o que quer, enquanto aquela bastante indecisa. 16. Se voc perdeu os primeiros fascculos da coleo, pea-os a seu jornaleiro. 32. Joo, v buscar a coleira do cachorro do seu pai. Some os nmeros dos itens corretos. 267. ESPM-SP Sobre a frase de propaganda A pressa inimiga da Bohemia, assinale a armao que no condiz.

poca.

32. gera uma sensao prazerosa, alm de reduzir o risco de problemas, como fraturas e leses, que a prtica excessiva pode provocar. Some os itens corretos.
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a) Permite-se inferir que a cerveja Bohemia perfeita, quando se associa a frase ao provrbio A pressa inimiga da perfeio. b) Entende-se tambm que a cerveja deve ser consumida com vagar, sem precipitao, j que a Bohemia inimiga da pressa.

c) A frase dessa propaganda possui um carter sentencioso, que procura expressar de forma breve uma idia popular. d) Essa frase cujo contedo remete a um provrbio um exemplo da modalidade dissertativa de texto. e) Ao conceituar a cerveja, a frase da propaganda tambm caracterizou a modalidade descritiva de texto.

268. Baseando-se na tirinha abaixo, a armao descabida (errada) : HAGAR Dik Browne

a) Helga, mulher de Hagar, no 1 balo, usa uma fala com sentido conotativo, ou seja, gurado, ao avaliar positivamente a fase inicial do casamento. b) A resposta de Hagar, no ltimo quadrinho, revela uma interpretao referencial (literal) da fala de Helga, quando confessa sobre as conseqncias negativas do seu gesto. c) A resposta de Hagar verdade, no 2 balo, revela plena concordncia ideolgica com a esposa a respeito do casamento. d) A expresso que gerou duplo sentido foi colocar num pedestal. e) Pela fala de Helga, entende-se que no incio o homem valoriza a esposa, e subentende-se que, com o passar dos anos, essa considerao se desfaz. 269. Das frases seguintes, extradas do jornal Folha de S. Paulo, assinale a nica que permite dupla interpretao, ou seja, que apresenta ambigidade. a) O servio de inteligncia da Polcia Militar de So Paulo fez escutas telefnicas por um ano, autorizadas pela Justia, sem avisar o Ministrio Pblico... b) PM escondeu grampos da Promotoria (manchete). Para o Ministrio Pblico, servio de inteligncia deveria prestar informaes das investigaes sobre o PCC (subttulo). c) Para a Procuradoria Geral da Justia de So Paulo, a polcia tem que dar cincia a um promotor de que far a interceptao autorizada por ordem judicial. d) A interceptao um instrumento til. Nada justica que seja feita margem da lei, sob pena de instalar um vale tudo investigativo, armou o procurador-geral de Justia do Estado, Luiz Antnio Guimares Marrey, 46. e) O governador de So Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu ontem as aes do servio de inteligncia da Polcia Militar contra o PCC... 270. A nica frase correta, ou seja, a recomendada pela norma culta : a) Do ponto de vista da democracia e, sobretudo da sociedade, o resultado dos dois turnos das eleies no poderiam ter sido melhores. b) Se recomporem o poder aquisitivo da populao brasileira, estaro dando um passo para minimizar as desigualdades sociais. c) Com as atuais presses sobre o dlar e a crise econmica do Pas, aumentam a responsabilidade do prximo presidente. d) Mesmo havendo conitos raciais, os Estados Unidos so um pas democrtico (segundo os norte-americanos). e) O poltico possui mais chances de reeleio, se seu discurso satisfazer o pblico.
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271. Fuvest-SP Tudo vale a pena se a alma no pequena.


Fernando Pessoa

Proposta I

Desenvolva uma dissertao sobre o texto do poeta portugus. Proposta II ENEM

O encontro Vem ser cidado reuniu 380 jovens de 13 Estados, em Faxinal do Cu (PR). Eles foram trocar experincias sobre o chamado protagonismo juvenil. O termo pode at parecer feio, mas essas duas palavras signicam que o jovem no precisa de adulto para encontrar o seu lugar e a sua forma de intervir na sociedade. Ele pode ser protagonista.
[Adaptado de] Para quem se revolta e quer agir, Folha de S. Paulo.

Depoimentos de jovens participantes do encontro: Eu no sinto vergonha de ser brasileiro. Eu sinto muito orgulho. Mas eu sinto vergonha por existirem muitas pessoas acomodadas. A realidade est nua e crua. (...) Tem de parar com o comodismo. No d para passar e ver uma criana na rua e achar que no problema seu.
E.M.O.S., 18 anos, Minas Gerais.

A maior dica querer fazer. Se voc acomodado, ca esperando cair no colo, no vai acontecer nada. Existe muita coisa para fazer. Mas primeiro voc precisa se interessar.
C.S. Jr., 16 anos, Paran.

Ser cidado no s conhecer os seus direitos. participar, ser dinmico na sua escola, no seu bairro.
H.A., 19 anos, Amazonas. Depoimentos extrados de Para quem se revolta e quer agir, Folha de S. Paulo.

Com base na leitura dos quadrinhos e depoimentos, redija uma texto em prosa, do tipo dissertativoargumentativo, sobre o tema: Cidadania e participao social. Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos ao longo de sua formao. Depois de selecionar, organizar e relacionar os argumentos, fatos e opinies apresentados em defesa de seu ponto de vista, elabore uma proposta de ao social. A redao dever ser apresentada a tinta na cor azul ou preta.
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Captulo 5
272. Unicap-PE Vrus que curam Um grupo de micrbios pouco conhecidos pela medicina ocidental pode assumir papel crucial na guerra entre mdicos e bactrias infecciosas. Eles so vrus encontrados em esgotos, mas so inofensivos aos humanos. E vo lutar do nosso lado. Chamados de bacterifagos, ou apenas fagos, essas criaturas minsculas invadem as clulas de bactrias, usam o metabolismo de suas inimigas para se reproduzir e depois as destroem. Na opinio de alguns pesquisadores, esses vrus podem ser a salvao contra as bactrias resistentes a antibiticos ameaa que cresce a cada ano e preocupa a OMS (Organizao Mundial de Sade). Durante algumas dcadas, os antibiticos alimentaram uma iluso de vitria contra as bactrias. Num famoso discurso em 1969, o ento ministro da Sade dos EUA, William Stewart, chegou a declarar que era hora de fechar o livro das doenas infecciosas. Retomar referncias j postas no texto uma forma de assegurar a coeso e a unidade. No texto, por exemplo, a idia de grupos de micrbios pouco conhecidos retomada por vrias outras expresses, como: 0. bactrias infecciosas. 1. vrus. 2. bacterifagos. 3. fagos. 4. ameaa. Leia a seguir o fragmento da mensagem do papa Joo Paulo II no Dia Mundial da Paz (1o de janeiro de 1980) e responda s questes 273 e 274. 01 Para se passar de uma situao menos humana para uma situao mais humana, quer na vida nacional quer na vida internacional, longo o caminho a percorrer e nele se h de avanar por fases.(...) Jamais haver paz sem uma disponibilidade para o dilogo sincero e contnuo. A verdade desenvolve-se, tambm ela, no dilogo e, por outro lado, fortica este meio indispensvel para a paz. A verdade tambm no tem receio dos entendimentos honestos, porque traz consigo as luzes que permitem comprometer-se neles, sem ter de sacricar convices e valores essenciais. A verdade aproxima entre si os espritos; faz ver aquilo que j une as partes at aqui opostas umas s outras; faz retroceder as desconanas de ontem e prepara o terreno para novos progressos na justia e na fraternidade, na coabitao pacca de todos os homens .(...) Sim, eu tenho para mim esta convico: a verdade fortica a paz a partir de dentro; e um clima de sinceridade maior h-de permitir mobilizar as energias humanas para a nica causa que digna
(Rafael Garcia Galileu julho,03)

delas: o pleno respeito da verdade sobre a natu25 reza e o destino do homem, fonte da verdadeira paz na justia e na amizade.
http://vatican.va.holy father/john paul ii/messages/peace/documents (acessado em 26/04/2006)

273. PUC-RS Quanto relao entre termos do segundo pargrafo, correto dizer que _________ retoma ________. a) ela (linha 08) uma disponibilidade para o dilogo sincero e contnuo (linhas 06 e 07) b) este meio (linha 09) A verdade (linha 07) c) neles (linha 12) os entendimentos honestos (linhas 10 e 11) d) aquilo (linha 15) o dilogo (linha 07) e) umas s outras (linhas 15 e 16) as luzes (linhas 11 e 12) e convices (linha 13) 274. PUC-RS A estrutura que poder substituir sem uma disponibilidade para o dilogo sincero e contnuo (linhas 06 e 07) sem alterar o sentido da frase : a) caso no haja disposio para o dilogo sincero e contnuo. b) se no houver total disposio para o dilogo e para a sinceridade. c) inexistindo uma certa disponibilidade para dialogar sinceramente. d) uma vez que no h disposio para dialogar sincera e continuamente. e) contanto que exija uma boa disposio para o dilogo sincero e contnuo. Leia a tira e responda s questes 275 e 276.

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GALHARDO, Caco. Folha de S. Paulo, 4 mar. 2006, p. E7.

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275. UFG-GO Na tira Os pescoudos, a objetividade na organizao das informaes ajuda a compor o efeito de humor. Essa objetividade garantida a partir do uso de: a) marcas de interlocuo. b) emprstimo lingstico. c) palavras pluralizadas. d) expresses qualicadoras. e) construes ambguas. 276. UFG-GO O processo que favorece a composio do sentido pretendido no texto constri-se por meio da: a) comporao entre tipos de cabelo mais comuns nas pessoas.

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b) substituio de tipos de cabelo por estados psicolgicos. c) contraposio de imagens e expresses verbais relativas ao produto. d) representao esttica da palavra shampoo por meio de diferentes graas. e) criao de neologismos referentes a tratamentos alternativos para os cabelos. 277. Unicap-PE Os enunciados desta questo foram transcritos de um flder no qual se propaga a realizao de cursos de aperfeioamento para educadores. I. Objetivos Oferecer um aprofundamento nas teorias dos grandes educadores(...) O curso capacita prossionais e futuros prossionais para usar e levar as teorias destes educadores para a realidade de suas salas de aula, fazendo com que esses prossionais possam reetir sobre sua prtica pedaggica e melhor-la baseada nos ensinamentos desses Grandes Educadores e suas teorias. 0. Se o autor est enumerando mais um objetivo, a estrutura deveria ser a mesma: * oferecer um aprofundamento... * capacitar prossionais... 1. O emprego dos pronomes em destes educadores e desses educadores justica-se pela maior proximidade do primeiro em relao a educadores e pelo distanciamento do segundo. Est perfeitamente de acordo com a orientao da gramtica normativa. 2. baseada concorda com prtica, mesmo tendo funo adverbial, como determinam as regras de concordncia. II. Diretora pedaggica das 4 unidades (...) e tem 20 anos de experincia como professora e orientadora pedaggica, onde prepara e capacita professores... 3. O primeiro conectivo e marca a relao de adio existente entre as duas primeiras oraes. 4. O relativo onde no tem antecedente indicativo de lugar, o que implica desvio da norma. 278. UFPE A origem da linguagem Durante muito tempo a Filosoa preocupou-se em denir a origem e as causas da linguagem. Uma primeira divergncia sobre o assunto surgiu na Grcia: a linguagem natural aos homens (existe por natureza) ou uma conveno social? Se a linguagem for natural, as palavras possuem um sentido prprio e necessrio; se for convencional, so decises consensuais da sociedade e, nesse caso, so arbitrrias, isto , a sociedade poderia ter escolhido outras palavras para designar as coisas. Essa discusso levou, sculos mais tarde, seguinte concluso: a linguagem como capacidade de expresso dos seres humanos natural, isto , os humanos nascem com uma aparelhagem fsica, anatmica e siolgica que lhes permite expressarem-se pela palavra; mas as lnguas so convencionais, isto , surgem de condies histricas,

geogrcas, econmicas e polticas determinadas, ou, em outros termos, so fatos culturais. Uma vez constituda uma lngua, ela se torna uma estrutura ou um sistema dotado de necessidade interna, passando a funcionar como se fosse algo natural, isto , como algo que possui suas leis e princpios prprios, independentes dos sujeitos falantes que a empregam. Perguntar pela origem da linguagem levou a quatro tipos de respostas: 1. a linguagem nasce por imitao, isto , os humanos imitam, pela voz, os sons da natureza; 2. a linguagem nasce por imitao dos gestos, isto , nasce como uma espcie de pantomima ou encenao, na qual o gesto indica um sentido; 3. a linguagem nasce da necessidade a fome, a sede, a busca de abrigo e de proteo; ou seja, a necessidade de reunir-se em grupo, para defender-se das intempries, dos animais e de outros homens mais fortes, levou criao de palavras; 4. a linguagem nasce das emoes, particularmente do grito, do choro e do riso. Essas teorias no so excludentes. muito possvel que a linguagem tenha nascido de todas essas fontes ou modos de expresso, e os estudos de psicologia gentica mostram que uma criana se vale de todos esses meios para comear a exprimir-se.
(Marilena Chau, Convite losoa, 2003, pp. 150-151. Adaptado).

Diferentes relaes semnticas so estabelecidas entre oraes, perodos e pargrafos. Analise algumas dessas relaes e suas marcas. ( ) Em a linguagem natural aos homens (existe por natureza) ou uma conveno social?, a relao expressa de alternncia. Neste caso, caberia tambm o conectivo e. ( ) Em Se a linguagem for natural, a relao expressa de condicionalidade; uma relao que tem algo de hipottico. ( ) Em mas as lnguas so convencionais, a relao expressa de oposio. Supe um fragmento anterior com o qual se contrape. ( ) Em a linguagem nasce por imitao dos gestos (...) uma espcie de (...) encenao, na qual o gesto indica um sentido, a relao expressa um tipo de localizao. Da o uso da preposio antes do relativo. ( ) Em uma criana se vale de todos esses meios para comear a exprimir-se, a relao expressa de nalidade. O conectivo poderia ter sido tambm a expresso por conta de. 279. UFPE Oralidade e escrita Sob o ponto de vista mais central da realidade humana, seria possvel denir o homem como um ser que fala e no como um ser que escreve. Entretanto, isto no signica que a oralidade seja superior escrita nem traduz a convico, hoje to generalizada quanto equivocada, de que a escrita derivada, e a fala primria. A escrita no pode ser tida como uma representao da fala. Em parte, porque a escrita no consegue reproduzir muitos dos fenmenos da oralidade, tais como a prosdia, a gestualidade, os movimentos do corpo e dos olhos, entre outros. Em
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contrapartida, a escrita apresenta elementos signicativos prprios, ausentes na fala, tais como o tamanho e o tipo de letras, cores e formatos, elementos pictricos, que operam como gestos, mmica, e prosdia gracamente representada. Oralidade e escrita so prticas e usos da lngua com caractersticas prprias, mas no sucientemente opostas para caracterizar dois sistemas lingsticos nem uma dicotomia. Ambas permitem a construo de textos coesos e coerentes, ambas permitem a elaborao de raciocnios abstratos e exposies formais e informais (...). As limitaes e os alcances de cada uma esto dados pelo potencial do meio bsico de sua realizao: som de um lado e graa do outro, embora elas no se limitem a som e graa, como acabamos de ver. Em suma, eccia comunicativa e potencial cognitivo no so vetores relevantes para distinguir oralidade e escrita.
Luiz Antnio Marcuschi. Da fala para a escrita. So

Nesse texto, em que predomina a linguagem culta, ocorre tambm a seguinte marca de linguagem coloquial: a) emprego de hei no lugar de tenho. b) falta de concordncia quanto pessoa nas formas verbais ests, tomares e conta. c) emprego de verbos predominantemente na segunda pessoa do singular. d) redundncia semntica, pelo emprego repetido da palavra conta na ltima estrofe. e) emprego das palavras baguna e cara. Com base no trecho a seguir, responda s questes de 281 a 284. O Brasil ainda no propriamente uma nao. Pode ser um Estado nacional, no sentido de um aparelho estatal organizado, abrangente e forte, que acomoda, controla ou dinamiza tanto estados e regies como grupos raciais e classes sociais. Mas as desigualdades entre as unidades administrativas e os segmentos sociais, que compem a sociedade, so de tal monta que seria difcil dizer que o todo uma expresso razovel das partes se admitirmos que o todo pode ser uma expresso na qual as partes tambm se realizam e desenvolvem. Os estados e as regies, por um lado, e os grupos e as classes, por outro, vistos em conjunto e em suas relaes mtuas reais, apresentam-se como um conglomerado heterogneo, contraditrio, disparatado. O que tem sido um dilema brasileiro fundamental, ao longo do Imprio e da Repblica, continua a ser um dilema do presente: o Brasil se revela uma vasta desarticulao. O todo parece uma expresso diversa, estranha, alheia s partes. E estas permanecem fragmentadas, dissociadas, reiterando-se aqui ou l, ontem ou hoje, como que extraviadas, em busca de seu lugar. verdade que o Brasil est simbolizado na lngua, hino, bandeira, moeda, mercado, Constituio, histria, santos, heris, monumentos, runas. H momentos em que o pas parece uma nao compreendida como um todo em movimento e transformao. Mas so freqentes as conjunturas em que se revelam as disparidades inerentes s diversidades dos estados e regies, dos grupos raciais e classes sociais. Acontece que as foras da disperso freqentemente se impem quelas que atuam no sentido da integrao. As mesmas foras que predominam no mbito do Estado, conferindo-lhe a capacidade de controlar, acomodar e dinamizar, reiteram continuamente as desigualdades e os desencontros que promovem a desarticulao.
Octvio Ianni. A idia de Brasil moderno.

Considerando aspectos mais lingsticos do texto, avalie o que se comenta abaixo. ( ) Em Sob o ponto de vista mais central da realidade humana, a preposio em destaque expressa um sentido locativo, assim como em sob a pele. ( ) Em Entretanto, isto no signica que a oralidade seja superior escrita, a conjuno em destaque tem um valor opositivo. ( ) Em Em parte, porque a escrita no consegue reproduzir muitos dos fenmenos da oralidade, a expresso destacada confere ao enunciado um valor de relativizao. ( ) Em Ambas permitem a construo de textos coesos e coerentes, ambas permitem a elaborao de raciocnios abstratos e exposies formais e informais, as duas oraes seguiram a mesma estrutura sinttica. ( ) Em Em suma, eccia comunicativa e potencial cognitivo no so vetores relevantes para distinguir oralidade e escrita, a expresso destacada sinaliza a disposio de se sintetizarem idias anteriores. 280. Fuvest-SP Eu te amo Ah, se j perdemos a noo da hora, Se juntos j jogamos tudo fora, Me conta agora como hei de partir. Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, z tantos desvarios, Rompi com o mundo, queimei meus navios, Me diz pra onde que inda posso ir... (...) Se entornaste a nossa sorte pelo cho, Se na baguna do teu corao Meu sangue errou de veia e se perdeu... (...) Como, se na desordem do armrio embutido, Meu palet enlaa o teu vestido, E o meu sapato inda pisa no teu... Como, se nos amamos feito dois pagos, teus seios inda esto nas minhas mos, Me explica com que cara eu vou sair... No, acho que ests te fazendo de tonta, Te dei meus olhos pra tomares conta, Agora conta como hei de partir...
Tom Jobim Chico Buarque

Paulo: Cortez, 2001, p. 17. Fragmento adaptado.

281. UERJ O todo parece uma expresso diversa, estranha, alheia s partes. Esta sentena indica a base do argumento de Octvio Ianni, que dialtica, ao explorar uma relao contraditria entre o todo e as partes. Pode-se reformular a sentena, mantendo o aspecto dialtico, da seguinte maneira:

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a) A soma das partes do pas no produz necessariamente um todo coerente. b) O fato de o Brasil conter vrios pases diferentes no transmite uma idia global de pas. c) A compreenso das diferenas sociais do pas no signica compreend-lo como um todo. d) O fato de haver uma lngua nacional no implica a existncia de um todo poltico e social. 282. UERJ Acontece que as foras da disperso freqentemente se impem quelas que atuam no sentido da integrao. A anlise isolada deste perodo, do ltimo pargrafo, mostra o verbo acontece como orao principal, deixando todo o restante como uma orao subordinada com funo de sujeito. A leitura de todo o texto, no entanto, nos permite perceber a expresso acontece que com uma funo adicional. Essa funo seria a de: a) rearmar um conceito. b) desenvolver uma armao. c) estabelecer um paralelismo. d) enfatizar uma contraposio. 283. UERJ O Brasil se revela uma vasta desarticulao A organizao do trecho acima disfara a condio sintaticamente passiva do termo sujeito. Para remover o disfarce e manter o sentido, deve-se reescrever a sentena da seguinte forma: a) O Brasil percebido de maneira desarticulada. b) O Brasil indica sua desarticulao aos brasileiros. c) O Brasil desarticulado em fragmentos dissociados. d) O Brasil mostrado como uma vasta desarticulao. 284. UERJ As mesmas foras que predominam no mbito do Estado, conferindo-lhe a capacidade de controlar, acomodar e dinamizar, reiteram continuamente as desigualdades e os desencontros que promovem a desarticulao. Este ltimo perodo retoma trs verbos em seqncia que haviam aparecido logo no incio do texto, no segundo perodo. O autor, ao fazer esta retomada, mostra as foras do Estado fundamentalmente como: a) imparciais. c) subversivas. b) paradoxais. d) conseqentes. Texto para as questes 285 e 286. 01 O pai telefona para casa: Al? Reconhece o silncio da tipinha. Voc liga? Quem 05 fala voc. Al, fonha. Nem um som. Criana no , para ser chamada de fonha. Cinco anos, j viu. Oi lha. Sabe que eu te amo? 10 Eu tambm. Puxa, ela nunca disse que me amava. Tambm o qu? Eu tambm amo eu.
111 Ais (antologia). So Paulo: L & PM Editores, 2000.

285. UFMT Em relao aos sentidos do texto, julgue os itens. 0. A incomunicabilidade entre crianas e adultos o tema do texto. 1. O texto caracteriza a infncia semelhana do modelo romntico: idealizada e fonte de nostalgia. 2. Os diferentes sentidos criados pelo uso de tambm (l. 10 e 12) produzem efeito de humor. 3. O diminutivo de tipinha (l. 4) revela juzo sobre a moral e a classe social da personagem assim identicada. 286. UFMT Sobre a construo do texto, julgue os itens. 0. O texto pertence ao gnero narrativo com uso predominante de discurso direto. 1. As aspas e o travesso distinguem a representao do pensamento e da fala. 2. Com a frase Reconhece o silncio da tipinha. (l. 4), o narrador comenta a ao indicada pelas reticncias. 3. O cunho intimista, voltado para uma reexo sobre o ser/estar no mundo, permeia a obra de Dalton Trevisan, inclusive o texto. 287. UFMT

Veja, 5 de setembro de 2001.

Sobre os recursos expressivos utilizados na propaganda, julgue os itens. 0. A expresso Tem gente que acha prpria da oralidade, corresponde, na escrita, a H pessoas que pensam. 1. Na quarta linha, as ocorrncias da palavra gente apresentam o mesmo sentido. 2. A quebra da estrutura frasal da 2 para a 3 linha foi um dos recursos utilizados para sugerir um tom oral para a propaganda.
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288. UFMT Para o Everest, sim, admito a possibilidade de um dia voltar. A maior montanha do mundo exerce ainda um grande fascnio sobre mim. Tive em suas encostas experincias superenvolventes.(...) Mas naquele 29 de julho do ano passado Deus estava ao meu lado. s 18:30, eu nalmente conquistei a Montanha da Morte! O pior de toda a escalada, porm, aconteceu depois que eu atingi o cume.
Waldemar Niclevicz. Subi, vi e venci. Viagem.

2. Em No cabelo o metal mais reluzente, de Gregrio, e em tinha os cabelos mais negros que a asa da grana, de Jos de Alencar, comprova-se a utilizao da hiprbole como recurso expressivo. 3. O soneto apresenta versos em redondilha maior e esquema rmico irregular. 291. Proposta I Unicamp-SP Orientao Geral Escolha do tema: Escolha um dos trs temas propostos para redao. Voc deve desenvolver o tema conforme o tipo de texto indicado, segundo as instrues que se encontram na orientao dada ao tema escolhido. Coletnea de textos: Os textos que acompanham cada tema foram tirados de fontes diversas e apresentam fatos, dados, opinies e argumentos relacionados com o tema geral EVOLUO/ PROGRESSO. So textos como aqueles a que voc est exposto na sua vida diria de leitor de jornais, revistas ou livros, e que voc deve saber ler e comentar. Leia a coletnea e utilize-a segundo as instrues especcas dadas para o tema escolhido. Se quiser, pode valer-se tambm de informaes que julgar importantes, mesmo que tenham sido includas nas propostas dos outros temas ou nos enunciados das questes desta prova. Tema A Ateno: Se voc no seguir as instrues relativas a este tema, sua redao ser anulada. A palavra evoluo tem sido usada em vrios sentidos, especialmente de mudana e de progresso, seja no campo da biologia, seja nas cincias humanas. Tendo em mente esses diversos sentidos, e considerando a coletnea abaixo, escreva uma dissertao em torno da seguinte armao do lsofo Bertrand Russel (Unpopular Essays, 1959): A mudana indubitvel, mas o progresso uma questo controversa. 1. Evoluo signica um desenvolvimento ordenado. Podemos dizer, por exemplo, que os automveis modernos evoluram a partir das carruagens. Freqentemente, os cientistas usam palavras num sentido especial, mas quando falam de evoluo de climas, continentes, planetas ou estrelas, esto falando de desenvolvimento ordenado. Na maioria dos livros cientcos, entretanto, a palavra se refere evoluo orgnica, ou seja, teoria da evoluo aplicada a seres vivos. Essa teoria diz que as plantas e animais se modicaram gerao aps gerao, e que ainda esto se modicando hoje em dia. Uma vez que essa mudana tem-se prolongado atravs das eras, tudo o que vive atualmente na Terra descende, com muitas alteraes, de outros seres que viveram h milhares e at milhes de anos atrs.
Enciclopdia Delta Universal , vol. 6, p. 3134.

Considerando que os adjetivos ampliam, limitam, precisam, ou seja, caracterizam o substantivo, julgue os itens. 0. Os adjetivos maior (l. 2) e pior (l. 7) expressam o superlativo de pequeno e bom, respectivamente. 1. O prexo super junto ao adjetivo envolventes (l. 4) sugere a idia de superlativo, recurso comum na linguagem coloquial. 2. Na expresso Montanha da Morte (l. 6), a locuo da Morte, constituda por preposio + artigo e substantivo, uma locuo substantiva. Leia o poema e responda s questes 289 e 290. Discreta e formosssima Maria, Enquanto estamos vendo claramente Na vossa ardente vista o sol ardente E na rosada face a aurora fria: Enquanto pois produz, enquanto cria Essa esfera gentil, mina excelente, No cabelo o metal mais reluzente, E na boca a mais na pedraria: Gozai, gozai da or da formosura, Antes que o frio da madura idade Tronco deixe despido, o que verdura. Que, passado o znite da mocidade, Sem a noite encontrar da sepultura, cada dia ocaso de beldade.
Gregrio de Matos. Poemas escolhidos.

289. UFMT Em relao aos sentidos do texto, julgue os itens. 0. O poema exemplica um dos temas constantes na obra lrico-amorosa de Gregrio de Matos: a transitoriedade e a instabilidade da vida. 1. O poema prega o comedimento de atitude e a conteno amorosa. 2. Entre or da formosura e madura idade h o mesmo jogo de oposio que entre znite da mocidade e ocaso da beldade. 3. As estrofes esto em ordem antittica, a segunda contrape-se primeira e a quarta terceira. 4. Na ltima estrofe, o eu lrico apresenta a justicativa para a exortao feita anteriormente. 290. UFMT Quanto linguagem do texto, julgue os itens. 0. O Barroco caracteriza-se pela linguagem linear e sinttica, explorando aspectos distintivos de um mesmo assunto. 1. Os procedimentos metafricos utilizados na composio da gura feminina recorrem a imagens de mesma natureza.
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2. Quando se focalizou a lngua, historicamente, no sculo XIX, as mudanas que ela sofre atravs do tempo foram concebidas dentro da idia geral de evoluo. A evoluo, como sabemos, foi um conceito tpico daquela poca. Surgiu ele nas cincias da natureza, e depois, por analog ia, se estendeu s cincias do homem. (...) Do ponto de vista das cincias do homem em geral, a plenitude era entendida como o advento de um estado de civilizao superior, e os povos eram vistos como seguindo fases evolutivas at chegar a uma nal, superior, que seria o pice de sua evoluo.
Mattoso Cmara, 1977. Introduo s lnguas indgenas brasileiras. Rio de Janeiro, Ao Livro Tcnico. p. 66.

6. O homem pode ser desculpado por sentir algum orgulho por ter subido, ainda que no por seus prprios esforos, ao topo da escala orgnica; e o fato de ter subido assim, em vez de ter sido primitivamente colocado l, pode dar-lhe esperanas de ter um destino ainda mais alto em um futuro distante.
Charles Darwin, A descendncia do homem. www.gutenbergnet.

3. Progresso, portanto, no um acidente, mas uma necessidade... uma parte da natureza.


Herbert Spencer, Social Statics, 1850, cap. 2, seo 4.

4. Ator 1 - Com o passar dos sculos - o homem sempre foi muito lento - tendo desgastado um quadrado de pedra e desenvolvido uma coisa que acabou chamando de roda, o homem chegou, porm, a uma concluso decepcionante a roda s servia para rodar. Portanto, deixemos claro que a roda no teve a menor importncia na Histria. Que interessa uma roda rodando? A idia verdadeiramente genial foi a de colocar uma carga em cima da roda e, na frente, puxando a carga, um homem pobre. Pois uma coisa denitiva: a maior conquista do homem foi outro homem. O outro homem virou escravo e, durante sculos, foi usado como transporte (liteira), ar refrigerado (abano), lavanderia, e at esgoto, carregando os tonis de coc da gente na.
Millr Fernandes. A Histria uma histria. Porto Alegre, LP&M, 1978.

7. ... por causa de nossas aes, os ecossistemas do planeta esto visivelmente evoluindo de formas no previstas pelos seres humanos. Algumas vezes, as mudanas parecem pequenas. Tomemos o caso das rs e das salamandras nas Ilhas Britnicas. Os invernos esto mais quentes nessa regio, devido a mudanas de clima causadas pelos seres humanos. Isso signica que as lagoas onde aqueles animais se reproduzem esto mais quentes. Assim, as salamandras (Triturus) comearam a se acasalar mais cedo. Mas as rs (Rana temporaria) no. De modo que a desova das rs est virando almoo das salamandras. possvel que as lagoas britnicas em que h salamandras continuem por dezenas e dezenas de anos cada vez com menos rs. E ento, um dia, o ecossistema da lagoa desmorona...
Adaptado de Alanna Mitchell, Bad Evolution, The Globe and Mail Saturday, 4/5/2002.

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5. Na histria evolucionria, relativamente curta, documentada pelos restos fsseis, o homem no aperfeioou seu equipamento hereditrio atravs de modicaes corporais perceptveis em seu esqueleto. No obstante, pde ajustar-se a um nmero maior de ambientes do que qualquer outra criatura, multiplicar-se innitamente mais depressa do que qualquer parente prximo entre os mamferos superiores, e derrotar o urso polar, a lebre, o gavio, o tigre, em seus recursos especiais. Pelo controle do fogo e pela habilidade de fazer roupas e casas, o homem pode viver, e vive e viceja, desde o Crculo rtico at o Equador. Nos trens e carros que constri, pode superar a mais rpida lebre ou avestruz. Nos avies, pode subir mais alto que a guia, e, com os telescpios, ver mais longe que o gavio. Com armas de fogo, pode derrubar animais que nem o tigre ousa atacar. Mas fogo, roupas, casas, trens, avies, telescpios e revlveres no so, devemos repetir, parte do corpo do homem. Pode coloc-los de lado sua vontade. Eles no so herdados no sentido biolgico, mas o conhecimento necessrio para sua produo e uso parte do nosso legado social, resultado de uma tradio acumulada por muitas geraes, e transmitida, no pelo sangue, mas atravs da fala e da escrita.
Gordon Childe. A evoluo cultural do homem. Rio de Janeiro, Zahar, 1966. p. 39-40.

8. Em que consiste, em ltima anlise, o progresso social? No desenvolvimento do melhor modo possvel dos recursos havidos da natureza, da qual tiramos a subsistncia, e no apuro dos sentimentos altrusticos, que tornam a vida cada vez mais suave, permitindo uma cordialidade maior entre os homens, uma solidariedade mais perfeita, um interesse maior pela felicidade comum, um horror crescente pelas injustias e iniqidades...
Manuel Bonm, A Amrica Latina: Males de origem. Rio de Janeiro/ Paris, H. Garnier, s/d.

Proposta II ENEM

ANGELI, Folha de S. Paulo.

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dever da famlia, da sociedade e do Estado assegurar criana e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito sade, alimentao, cultura, dignidade, ao respeito, liberdade e convivncia familiar e comunitria, alm de coloc-los a salvo de toda forma de negligncia, discriminao, explorao, crueldade e opresso.
Artigo 227, Constituio da Repblica Federativa do Brasil.

(...) Esquina da Avenida Desembargador Santos Neves com Rua Jos Teixeira, na Praia do Canto, rea nobre de Vitria. A.J., 13 anos, morador de Cariacica, tenta ganhar algum trocado vendendo balas para os motoristas. (...) Venho para a rua desde os 12 anos. No gosto de trabalhar aqui, mas no tem outro jeito. Quero ser mecnico.
A Gazeta, Vitria (ES).

Entender a infncia marginal signica entender porque um menino vai para a rua e no escola. Essa , em essncia, a diferena entre o garoto que est dentro do carro, de vidros fechados, e aquele que se aproxima do carro para vender chiclete ou pedir esmola. E essa a diferena entre um pas desenvolvido e um pas de Terceiro Mundo.
Gilberto Dimenstein. O cidado de papel. So Paulo, tica, 2000. 19a. edio.

toda criana se comporta como um escritor criativo, pois cria um mundo prprio, ou melhor, reajusta os elementos de seu mundo de uma nova forma que lhe agrade? Seria errado supor que a criana no leva esse mundo a srio; ao contrrio, leva muito a srio a sua brincadeira e nela despende muita emoo. A anttese do jogo no o que srio, mas o que real. Apesar de toda a emoo com que a criana vivencia seu mundo de brinquedo, ela distingue perfeitamente da realidade. Ao crescer, as pessoas param de brincar e parecem renunciar ao prazer que obtinham do brincar. Contudo, quem compreende a mente humana sabe que nada to difcil para o homem quanto abdicar de um prazer que j experimentou. Na realidade, nunca renunciamos a nada, apenas trocamos uma coisa por outra. O que parece ser uma renncia , na verdade, a formao de um substituto. Da mesma forma, a criana em crescimento, quando pra de brincar, s abdica do elo com os objetos reais; em vez de brincar, ela agora fantasia. Constri castelos no ar e cria o que chamamos de devaneios. O adulto pode reetir sobre a intensa seriedade com que realizava seus jogos de infncia; e, equiparando suas ocupaes do presente, aparentemente to srias, aos seus jogos de criana, pode livrar-se da pesada carga imposta pela vida e conquistar o intenso prazer proporcionado pelo humor. 292. PUCCamp-SP Assinale a alternativa correspondente ao tema em torno do qual se organiza o discurso acima. a) Brinquedos e jogos infantis. b) A criana e o adulto c) O escritor criativo. d) A seriedade e o humor. e) A atividade imaginativa. 293. PUCCamp-SP De acordo com o texto: a) as pessoas s aparentemente renunciam ao prazer das brincadeiras infantis, pois o que ocorre, na realidade, a substituio do brincar pelo fantasiar. b) h situaes em que o ser humano se v diante de um dilema: brincar ou assumir com seriedade a vida real. c) a criana leva muito a srio suas brincadeiras porque ela confunde os castelos que constri no ar com a verdadeira realidade. d) o nico modo que o homem tem para livrar-se do peso imposto pelas responsabilidades da vida assumir o esprito humorstico. e) difcil abdicar de um prazer que j experimentou, mas o homem, para assumir-se como adulto, deixa de lado as fantasias e devaneios.

Com base na leitura da charge, do artigo da Constituio, do depoimento de A.J. e do trecho do livro O cidado de papel, redija um texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo, sobre o tema: Direitos da criana e do adolescente: como enfrentar esse desao nacional? Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reexes feitas ao longo de sua formao. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opinies para defender o seu ponto de vista, elaborando propostas para a soluo do problema discutido em seu texto. Orientao Geral Lembre-se de que a situao de produo de seu texto requer o uso da modalidade escrita culta da lngua. Espera-se que o seu texto tenha mais do que 15 (quinze) linhas. A redao dever ser apresentada a tinta na cor preta e desenvolvida na folha prpria. As questes de nmeros 292 a 296 referem-se ao texto a seguir. Ser que deveramos procurar j na infncia os primeiros traos de atividade imaginativa? A ocupao favorita e mais intensa da criana o brinquedo ou os jogos. Acaso no poderamos dizer que ao brincar

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294. PUCCamp-SP O texto arma que: a) brincadeira implica seriedade, assim como toda forma de prazer passa pelo humor. b) a formao de substitutivos o mecanismo que o homem tem para abdicar de sua capacidade de devanear. c) criar signica dar uma nova ordem aos elementos que esto disposio de cada um em seu mundo. d) a falta de seriedade da criana, ao lidar com o real, mostra que ela v como anttese a seriedade e a brincadeira. e) escritor criativo aquele que se comporta como criana, emocionando-se com sua criao e estabelecendo elos com os objetos reais. 295. PUCCamp-SP Observando o tipo de composio do texto, conclui-se que ele : a) narrativo com elementos dissertativos b) descritivo com elementos narrativos. c) narrativo. d) descritivo. e) dissertativo. 296. PUCCamp-SP Seria errado supor que a criana no leva esse mundo a srio; ao contrrio, leva muito a srio a sua brincadeira e nela despende muita emoo. Assinale a alternativa correspondente s palavras que poderiam substituir, sem alterao de sentido, as que esto destacadas no excerto acima. a) presumir goza b) imaginar gasta c) conjeturar desfruta d) armar consome e) deduzir pe Texto para as questes de 297 a 299. Vivia longe dos homens, s se dava bem com animais. Os seus ps quebravam espinhos e no sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, guardava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilbica e gutural, que o companheiro entendia. A p, no se agentava bem. Pendia para um lado, para outro lado, cambaio, torto e feio. s vezes utilizava nas relaes com as pessoas a mesma lngua com que se dirigia aos brutos exclamaes, onomatopias. Na verdade falava pouco. Admirava as palavras compridas e difceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vo, mas sabia que elas eram inteis e talvez perigosas.
Graciliano Ramos Vidas secas

298. Fuvest-SP No texto, a referncia aos ps: a) destoa completamente da frase seguinte. b) justica-se como preparao para o fato de que (Fabiano) a p, no se agentava bem. c) acentua a rudeza da personagem, a nvel fsico. d) constitui um jogo de contrastes entre o mundo cultural e o mundo fsico da personagem. e) serve para demonstrar a capacidade de ao da personagem, atravs da metfora quebrar espinhos. 299. Fuvest-SP A tentativa de reproduzir algumas palavras difceis pode entender-se como: a) respeito cultura literria e alfabetizao. b) busca da expresso de idias. c) diculdade de expresso dos valores de seu mundo cultural. d) conscincia do valor da palavra como meio de comunicao. e) atrao por formas alheias a seu universo cultural. As questes de 300 a 304 referem-se ao texto a seguir. Sete Quedas por ns passaram E no soubemos am-las E todas sete foram mortas E todas sete somem no ar, Sete fantasmas, sete crimes Dos vivos golpeando a vida Que nunca mais renascer.
Carlos Drummond de Andrade

300. UCP-PR Por fantasmas, no texto, h de entender-se: a) entes sobrenaturais que aparecem aos vivos. b) imagens dos que j no existem. c) imagens da culpa que iremos carregar. d) imagens que assombram e causam medo. e) frutos da imaginao doentia do homem. 301. UCP-PR A repetio do conectivo e tem o efeito de marcar: a) que existe uma seqncia cronolgica de fatos. b) uma insistncia exagerada no conectivo. c) que existe uma continuidade de fatos, el aos acontecimentos. d) que existe uma implicao natural de conseqncia dos dois ltimos fatos em relao ao primeiro. e) que existe uma coordenao entre as trs oraes.

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297. Fuvest-SP O texto, no seu conjunto, enfatiza: a) a pobreza fsica de Fabiano. b) a falta de escolaridade de Fabiano. c) a identicao de Fabiano com o mundo animal. d) a misria moral de Fabiano. e) a brutalidade e grosseria de Fabiano.

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302. UCP-PR A armao Sete Quedas por ns passaram E no soubemos am-las faz-nos entender que: a) os brasileiros no costumam amar a natureza. b) Sete Quedas pertencem agora ao passado. c) enquanto era possvel, ns no passvamos por Sete Quedas. d) todos antigamente podiam apreciar o espetculo, agora no. e) s agora nos damos conta do valor daquilo que perdemos. 303. UCP-PR Quando o poeta diz: ...sete crimes / Dos vivos golpeando a vida / Que nunca mais renascer. percebe-se que sua mgoa se dirige principalmente: a) insensata violao do princpio de continuidade natural da vida pelos representantes vivos de uma espcie. b) ao m das Sete Quedas, deciso impensada dos vivos. c) impossibilidade de substituir, no futuro, o espetculo de beleza da vida presente. d) perda cada vez maior dos bens naturais pelos brasileiros. e) aos verdadeiros crimes que o homem comete em nome do progresso. 304. UCP-PR Na passagem: E todas sete foram mortas, E todas sete somem no ar o uso de todas sete se justica: a) como referncia ao nmero das quedas existentes no rio Paran. b) para representar todo o conjunto das quedas que desaparece. c) para destacar o valor individual de cada uma das quedas. d) para conrmar que a perda foi parcial. e) pela necessidade de concordncia nominal. O texto a seguir refere-se s questes 305 e 306. Levado pelo sonho, Cabral permitiu que a frota sob seu comando se afastasse da costa africana. Os conhecimentos nuticos avolumados ao longo do sculo XV eram sucientes para orientar os navegadores com segurana nos salgados caminhos do mar. O sonho, mais atrativo que a cincia, mais forte que o sopro do vento, no deteve as velas alinhadas na rota do sol. No sonhava apenas Cabral, sonhava tambm o rei que o nomeara capito, sonhavam os portugueses, povo messinico incumbido de levar para terras estranhas a cruz de Cristo. A fora unida de muitos sonhadores empurrou a frota de Cabral mar adentro contra a propalada alegao de que rumava s com
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ns comerciais para a ndia pela via divulgada. A aproximao da carta de Caminha aos documentos de Colombo fortalece essa suposio. As semelhanas no so apenas devidas natureza do objeto mas tambm ao espao cultural de que ambos partiram. Ambos declaram inocentes e paccos os nativos, ambos exaltam a qualidade do clima e a fecundidade do solo, ambos mencionam ouro, embora o territrio brasileiro retivesse por mais de um sculo os tesouros em serranias inexploradas.
Donald Schlers www.schulers.com

305. UFR-PE Observe, a partir do texto, os enunciados abaixo. 1. A frota de Cabral tinha uma nica alegao para seu empreendimento: a de que rumava s ndias com propsitos comerciais. 2. Sonho, cincia e vento: trs foras em nveis iguais para os navegadores portugueses. 3. Caminha e Colombo, em seus relatos sobre as terras descobertas, deixam transparecer aspectos anlogos de seu universo cultural de origem. 4. O solo brasileiro, por mais de um sculo, frustrou, em serranias inexploradas, o sonho messinico dos portugueses. 5. Os versos mar salgado, quanto do teu sal / So lgrimas de Portugal evocam a contrapartida dolorosa do sonho lusada. Esto corretas apenas: a) 3 e 5. b) 2, 4 e 5. c) 1, 3 e 5. d) 2 e 4. e) 1, 3 e 4. 306. UFR-PE A seqncia do texto evidencia que: 1. o sonho, que era da frota, do rei e do povo portugus, tpico explcito do 1 e 2 pargrafo, apenas. 2. no segundo pargrafo, a continuidade do tpico desenvolvido no primeiro indicada apenas a partir do segundo perodo. 3. a conexo entre o primeiro e o segundo pargrafo e entre o segundo e o terceiro tem valor aditivo. 4. no segundo pargrafo, o autor retica o tpico desenvolvido no primeiro. 5. no terceiro pargrafo, estabelece-se um antagonismo entre as percepes de Caminha e as de Colombo, relevadas em seus relatos histricos. Esto corretas apenas: a) 1 e 3. b) 1, 3, 4 e 5. c) 1 e 5. d) 2, 4 e 5. e) 2, 3 e 5.

307. UFPE Texto 1

Escapava-lhes que naquelas linhas estivesse inscrita hierarquia, funo, nacionalidade. Advertidos de que impropriamente restringimos a escrita ao alfabeto, devemos considerar aquelas cores e traos signos de um sistema de escrita pictrica, exigido pela organizao social. Se os descobridores viessem menos impressionados com a revoluo operada pela imprensa, teriam visto nas epidermes coloridas cartas no traadas em pergaminho, cartas pintadas na pele viva dos homens. Se tivessem adivinhado a mensagem desses documentos ambulantes, podiam ter revisto o juzo negativo que faziam da civilizao estranha. Leia os enunciados a seguir. 1. O texto prioriza o argumento de que os descobridores portugueses no entenderam a fala e os gestos dos habitantes nativos. 2. Os europeus captaram, j no incio, a funo simblica dos signos pictricos exibidos na pele dos ndios. 3. As expresses descritivas cartas no traadas em pergaminho, cartas pintadas na pele viva dos homens so recursos lingsticos de substituio, que contriburam para a coeso do texto. 4. Em naquelas linhas estivesse inscrita , o termo destacado equivale a registrada ou sinalizada. Esto corretos apenas: a) 1 e 2. b) 1, 2 e 3. c) 1, 3 e 4. d) 2 e 3. e) 3 e 4. Texto para as questes de 309 a 311. Anncio de Joo Alves Figura o anncio no jornal que o amigo me mandou, e est assim redigido: procura de uma besta. A partir de 6 de outubro do ano cadente, sumiu-me uma besta vermelho-escura com os seguintes caractersticos: calada e ferrada de todos os membros locomotores, um pequeno quisto na base da orelha direita e crina dividida em duas sees em conseqncia de um golpe, cuja extenso pode alcanar de 4 a 6 centmetros, produzido por jumento. Essa besta, muito domiciliada nas cercanias deste comrcio, muito mansa e boa de sela, e tudo me induz ao clculo de que foi roubada, assim que ho sido falhas todas as indagaes. Quem, pois, apreend-la em qualquer parte e a zer entregue aqui ou, pelo menos, notcia exata ministrar, ser razoavelmente remunerado. Itamb do Mato Dentro, 19 de novembro de 1899. (a) Joo Alves Jnior. 55 anos depois, prezado Joo Alves Jnior, tua besta vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, j p no p. E tu mesmo, se no estou enganado, repousas suavemente no pequeno cemitrio do Itamb. Mas teu anncio continua modelo no gnero, seno para ser imitado, ao menos como objeto de admirao literria.
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Donald Schlers www.schulers.com

Dirio de Pernambuco, 11/08/1999.

Texto 2 Erro de Portugus Quando o Portugus chegou Debaixo de uma bruta chuva Vestiu o ndio, Que pena! Fosse uma manh de sol O ndio tinha Despido o Portugus.
Oswald de Andrade

Sobre os textos retrocitados, analise os seguintes enunciados. 1. Os dois textos argumentam a favor da parcialidade da Histria. Na verdade, os indivduos, os grupos sociais vem os fatos desde suas prprias perspectivas culturais. 2. Na charge do DP, as observaes dos dois tripulantes coincidem quanto natureza dos objetos percebidos. 3. No poema de Oswald de Andrade, a oposio entre vestir e despir sugere a relao de poder entre povo dominante e povo dominado. 4. O poema est dividido em dois blocos. No primeiro, consta uma relao de valor temporal e, no segundo, uma relao de valor condicional. No segundo caso, o conectivo vem explcito. 5. A forma verbal que d incio ao 5 verso do poema tem um valor hipottico. Esto corretos apenas: a) 1, 2 e 3. b) 1, 3 e 5. c) 2, 3, 4 e 5. d) 3 e 4. e) 3, 4 e 5. 308. UFR-PE Os portugueses incorrem em muitos equvocos nos primeiros contatos com os ndios. A desigualdade no se restringe fala e aos gestos. Qual era o sentido das pinturas que revestiam o corpo dos silvcolas? Os descobridores estavam longe de imaginar que a nalidade daquelas formas coloridas, resistentes ao contato da gua, era mais que esttica.

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Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem. No escreveste apressada e toscamente, como seria de esperar de tua condio rural. Pressa, no a tiveste, pois o animal desapareceu a 6 de outubro, e s a 19 de novembro recorreste cidade de Itabira. Antes, procedeste a indagaes. Falharam. Formulaste depois o raciocnio: houve roubo. S ento pegaste da pena e traaste um belo e ntido retrato da besta. No disseste que todos os seus cascos estavam ferrados; preferiste diz-lo de todos os seus membros locomotores. Nem esqueceste esse pequeno quisto na orelha e essa diviso da crina em duas sees. Que teu zelo naturalista e histrico atribuiu com segurana a um jumento. Por ser muito domiciliada nas cercanias deste comrcio, isto , do povoado e sua feirinha semanal, inferiste que no teria fugido, mas antes foi roubada. Contudo, no o armas em tom peremptrio: tudo me induz a esse clculo. Revelas a prudncia mineira, que no avana (ou no avanava) aquilo que no seja a evidncia mesma. clculo, raciocnio, operao mental e desapaixonada como qualquer outra, e no denncia formal. Finalmente deixando de lado outras excelncias de tua prosa til a declarao positiva: quem a apreender ou pelo menos notcia exata ministrar, ser razoavelmente remunerado. No prometes recompensa tentadora; no fazes praa de generosidade ou largueza; acenas com o razovel, com a justa medida das coisas, que deve prevalecer mesmo no caso de bestas perdidas e entregues. J muito tarde para sairmos procura de tua besta, meu caro Joo Alves do Itamb; entretanto essa criao volta a existir, porque soubeste descrev-la com decoro e propriedade, num dia remoto, e o jornal a guardou e algum hoje a descobre, e muitos outros so informados da ocorrncia. Se lesses os anncios de objetos e animais perdidos, na imprensa de hoje, carias triste. J no h essa preciso de termos e essa graa no dizer, nem essa moderao nem essa atitude crtica. No h, sobretudo, esse amor tarefa bem feita, que se pode manifestar at mesmo num anncio de besta sumida.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Anncio de Joo Alves. In: Quadrante 2, 3 ed. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963, p. 9-11.

312. Proposta I PUC-SP Leia atentamente os textos que vm a seguir como subsdio para sua reexo. Texto 1 O domin que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem no era e no [desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a mscara Estava pegada cara.
lvaro de Campos

Texto 2 Durmo. Regresso ou espero? No sei. Um outro ui Entre o que sou e o que quero Entre o que sou e o que fui.
Fernando Pessoa

Texto 3 No um mero acidente histrico que a palavra pessoa, em sua acepo primeira, queira dizer mscara. Mas, antes, o reconhecimento do fato de que todo homem est sempre e em todo lugar, mais ou menos conscientemente, representando um papel... nesses papis que nos conhecemos uns aos outros; nesses papis que nos conhecemos a ns mesmos. Em certo sentido, e na medida em que esta mscara representa a concepo que formamos de ns mesmos o papel que nos esforamos por chegar a viver esta mscara o nosso mais verdadeiro eu, aquilo que gostaramos de ser. Ao nal, a concepo que temos de nosso papel torna-se uma segunda natureza e parte integral de nossa personalidade. Entramos no mundo como indivduos, adquirimos um carter e nos tornamos pessoa.
Robert Ezra Park, Race and Culture.

309. Vunesp De acordo com as variaes de seu contedo, a crnica acima pode ser dividida em trs sesses principais. a) Indique essas partes, delimitando-as por linhas e pargrafos. b) D um nome para cada uma. 310. Vunesp Em muitos momentos do texto, o autor exalta a boa linguagem do anncio; entretanto, o que lhe causa maior admirao o ter sido escrito por um homem do campo. Em que passagem ele o admite claramente? 311. Vunesp Segundo o que se depreende da leitura da crnica, o valor literrio de uma produo escrita no est exatamente em seu gnero ou em seu contedo, mas em outra coisa. Voc poderia identic-la?
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Estabelea relaes entre os textos, a m de desenvolver seu pensamento. Com base nas reexes, escolha um tema e, em seguida, redija uma dissertao coesa e coerente. D um ttulo signicativo para sua redao. Proposta II Texto 1 Democracia 1. Datao 1671 cf. RB Acepes * substantivo feminino Rubrica: poltica. 1 governo do povo; governo em que o povo exerce a soberania 2 sistema poltico cujas aes atendem aos interesses populares 3 governo no qual o povo toma as decises importantes a respeito das polticas pblicas, no de forma ocasional ou circunstancial, mas segundo princpios permanentes de legalidade

4 sistema poltico comprometido com a igualdade ou com a distribuio equitativa de poder entre todos os cidados 5 governo que acata a vontade da maioria da populao, embora respeitando os direitos e a livre expresso das minorias 6 Derivao: por extenso de sentido. pas em que prevalece um governo democrtico Ex.: ele cidado de uma autntica d. 7 Derivao: por extenso de sentido. fora poltica comprometida com os ideais democrticos Ex.: a d. venceu as eleies naquele pas 8 Derivao: sentido gurado. pensamento que preconiza a soberania popular Ex.: a d. ganhou espao na teoria poltica
Dicionrio Houaiss da Lngua Portuguesa

puder explicar a origem das coisas e o seu sentido, haver lugar para o pensamento mtico. Ser que esse ideal se tornar realidade um dia? Dicilmente. Como se dar conta dos novos anseios, dos novos desejos do ser humano? Precisamos das utopias, que, sendo uma espcie de mito pr-construdo, tm a funo de organizar e de orientar o futuro.
Fiorin, Jos Luiz, As astcias da enunciao, So Paulo, tica, 1999.

Texto 2 O Brasil tem uma enorme segregao social. Quem ainda no percebeu isso porque no tirou os olhos da TV e os colocou nas janelas, para ver a realidade l fora. Olhar para a TV mais seguro, pois se algum olhar pela janela pode receber uma bala perdida.
Miguel Arcanjo Soares Neto - Revoltas internas

313. Ibmec-SP Levando em conta o que o texto diz sobre o mito, correto armar que: a) ele a nica explicao possvel para as origens do Universo. b) ao explicar a condio humana, ele substitui o pensamento cientco. c) assim como as utopias, ele tem a funo de prever totalmente o futuro. d) a angstia do desconhecido contribui para a sobrevivncia do mito. e) ele d sentido quilo que j foi explicado pela linguagem. 314. Ibmec-SP Tomando por base as relaes que o texto estabelece entre cincia e mito, assinale a alternativa correta. a) Apesar de tanto o mito quanto a cincia procurarem explicar os mesmos acontecimentos, apenas a cincia consegue responder satisfatoriamente angstia do desconhecido. b) O pensamento mtico nasce da diculdade que a cincia tem de dar conta dos novos desejos do ser humano. Por isso, improvvel que a cincia faa com que o mito deixe de existir. c) Como o mito tem a capacidade de antecipar o futuro, ele sempre vai existir. J a cincia, por no poder explicar a origem do mundo, dicilmente poder sobreviver. d) A falta de explicaes cientcas para o sentido e a origem das coisas no implica, necessariamente, que o homem tenha necessidade do pensamento mtico. e) O mito, ao procurar dar sentido ao inexplicvel, entra em choque com os princpios da cincia, cuja principal funo organizar e orientar o futuro. 315. A gramtica dever, primeiro, colocar em seu devido lugar as armaes de cunho normativo: no necessariamente suprimindo-as, mas apresentando o dialeto padro como uma das possveis variedades da lngua, adequada em certas circunstncias e inadequada em outras ( to incorreto escrever o tratado de losoa no dialeto coloquial quanto namorar usando o dialeto padro). Depois, a gramtica dever pelo menos descrever as principais variantes (regionais, sociais e situacionais) do portugus brasileiro, abandonando a co, cara a alguns, de que o portugus no Brasil uma entidade simples e homognea. Finalmente, e acima de tudo, a gramtica dever ser sistemtica, teoricamente consistente e livre de contradies.
Perini, M.A. Para uma nova gramtica do portugus, 7. ed. So Paulo, tica.

Texto 3 Como regra geral as pessoas buscam individualmente uma sada qualquer para a escravido, a misria, a loucura em que o sculo XX se enou. Em sua luta individual pela libertao, o homem se esquece de fatores fundamentais, como o fato de haver mais gente em igual situao e a ao coletiva tenderia a ser muito mais ecaz que a busca solitria.
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Texto 4 O golpe dado pelos militares em 31 de maro de 1964 atingiu em cheio a democracia. A intromisso dos militares no governo j acontecia desde o Imprio, mas, em 1964, a interveno foi mais longe e incorporou perseguio, tortura e morte ao dia-a-dia dos brasileiros. Durante 21 anos, a Presidncia do pas foi ocupada por militares, os partidos polticos limitaram-se a apoiar o governo e a fazer uma oposio consentida, e toda contestao ao regime era reprimida. Mesmo assim, a luta pelo restabelecimento da democracia foi uma constante nesse perodo.
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Com base nos textos acima, desenvolva uma dissertao na qual voc apresentar argumentos que sustentem a sua opinio sobre o seguinte tema: O Brasil e a democracia Lembre-se de que seu texto dever ter no mnimo 20 linhas e um ttulo coerente. Procure estabelecer uma argumentao pautada nos exemplos vistos hoje. D um ttulo sugestivo ao seu texto. Texto para as questes 313 e 314.
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fundamental/historia_brasil/0,5387,730-historia_brasil-54,00.jhtm

O mito uma explicao das origens do homem, do mundo, da linguagem; explica o sentido da vida, a morte, a dor, a condio humana. Vive porque responde angstia do desconhecido, do inexplicvel; d sentido quilo que no tem sentido. Enquanto a cincia no

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I.

As regras gramaticais no podem prescrever um s padro lingstico para todas as situaes, pois existem variantes lingsticas distintas. II. A descrio lingstica deve abandonar a literatura de co, cujo custo inacessvel para grande parte da populao. III. A descrio das principais variantes deve demonstrar a heterogeneidade e a complexidade do portugus no Brasil. Assinale a alternativa correta, relacionando o texto s armaes. a) Todas esto corretas. b) Apenas I e II esto corretas. c) Apenas I e III esto corretas. d) Apenas II e III esto corretas. e) Todas esto incorretas. Texto para as questes 316 e 317. Tem gente que s pensa em dinheiro. Ns, por exemplo. Tem agncia de propaganda que s pensa no dinheiro do cliente. A WG uma dessas. Pode perguntar para o pessoal do Dirio Catarinense, Editora Globo, Frangos Macedo, Makenji, RBS TV, Revista Gente, Telefones Intelbras. A WG atende todos eles com a mesma obsesso: fazer o cliente ganhar mais dinheiro, fazer crescer o faturamento, fazer uma marca acontecer at chegar na liderana. Foi isso que aconteceu com cada um deles. E pode acontecer com voc tambm. s entregar a comunicao da sua empresa pra quem s pensa no dinheiro que voc vai ganhar. 316. Sobre a frase Tem gente que s pensa no seu dinheiro, correto armar que: a) a agncia WG, pelo contexto, est interessada apenas em ganhar o dinheiro dos seus clientes. b) lida isoladamente, a frase possui apenas sentido positivo. c) a frase, mesmo descontextualizada, j possui uma evidente impreciso. d) lida isoladamente, a frase possui dominantemente sentido negativo; no contexto, porm, ela adquire valor positivo. e) a frase isolada tem o mesmo sentido daquele que ela adquire no contexto. 317. Ainda sobre a frase Tem gente que s pensa no seu dinheiro, assinale a alternativa que traduza o sentido da frase mais compatvel com o contexto em que ela est inserida. a) Tem agncia de propaganda que s pensa no dinheiro do cliente. b) Pode perguntar para o pessoal do Dirio Catarinense. c) A WG atende a todos eles com a mesma obsesso. d) Foi isso que aconteceu com cada um deles. e) s entregar a comunicao da sua empresa pra quem s pensa no dinheiro que voc vai ganhar.
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318. No cabe ao analista do texto identicar este ou aquele autor pelo estilo de poca a que est ligado. Um autor tanto menos original quanto mais se identicar com determinado gosto esttico. E ser original na medida em que suplantar a forma dominante de pensar e escrever em determinada fase. De acordo com o texto: a) a originalidade do autor implica sua maior ou menor aceitao por parte do analista do texto. b) convm distinguir, na anlise do texto, apenas o estilo de poca a que se vincula o autor. c) a identicao de determinado autor com o estilo de sua poca pouco relevante como indicador do valor esttico de sua obra. d) a maneira de pensar e de escrever reete sempre o ponto de vista dominante numa dada poca. e) o mrito do autor est em sublinhar em seu texto as marcas do estilo de poca em que vive. 319. Mesmo que isso no conste nas poticas e estticas de Aristteles ou de Hegel, a televiso tornou-se a dominante no atual sistema das artes dos pases industrializados. Esta uma situao nova, que precisa ser pensada fora dos parmetros clssicos (que no poderiam prev-la), mas que no pode mais ser recebida com o entusiasmo fcil dos modernistas vanguardeiros (que tinham ante si mais o sonho do que a realidade). O fato de a televiso ter-se tornado a dominante no novo sistema das artes no signica que qualquer programa seja artstico: signica apenas que a televiso uma linguagem que tem condies de produzir obras de nvel artstico. Signica tambm que, por ser ela a nova dominante, reorganiza-se todo o sistema das artes atuais, afetando o modo de ser de cada uma delas De acordo com o texto: a) os pases industrializados tornaram a televiso a forma mais importante de arte, o que j era previsto nas poticas e estticas de Aristteles e Hegel. b) modernistas e homens de vanguarda receberam com entusiasmo o fato de a televiso ter-se tornado dominante no atual sistema das artes, e essa reao determinou uma reorganizao de todas elas. c) o modo especco de ser de todas as formas de arte atuais sofre o reexo do fato de uma delas, a televiso, ter-se tornado to importante. d) embora nem todo programa possa ser considerado artstico, a televiso, por ser uma linguagem que provoca entusiasmo fcil, tornou-se a mais importante das artes atuais. e) sendo uma linguagem que tem condies para produzir obras de nvel artstico, a televiso impese como forma de arte e obriga as demais artes a tentarem ser mais modernas e vanguardeiras.

Texto para as questes de 320 a 323. Podemos gostar de Castro Alves ou Gonalves Dias, poetas superiores a ele; mas ele s nos dado amar ou repelir. Sentiu e concebeu demais, escreveu em tumulto, sem exercer devidamente o senso crtico, que possua no obstante mais vivo do que qualquer poeta romntico, excetuado Gonalves Dias. Mareiam a sua obra poemas sem relevo nem msculo, versalhada que escorre desprovida de necessidade artstica. O que resta, porm, basta no s para lhe dar categoria, mas, ainda, revelar a personalidade mais rica da gerao.
Antnio Candido Formao da literatura brasileira.

320. Com relao a gostar e amar ou repelir, podemos depreender que: a) gostar de no pressupe, no texto, nenhuma diferena quanto a amar. b) possvel gostar de Castro Alves ou Gonalves Dias, mas no se pode apreciar o autor no nomeado. c) amor ou repulsa implicam envolvimento mais afetivo que racional. d) se gosta de Castro Alves ou Gonalves Dias porque so superiores ao autor em questo. e) se ama ou se repele ao autor no citado por ele ser inferior aos dois citados. 321. Assinale a expresso que melhor denota o juzo pejorativo de Antonio Candido acerca de boa parte da poesia do autor no nomeado. a) a ele s nos dado (...) repelir b) sentiu e concebeu demais c) escreveu em tumulto d) versalhada e) o que resta 322. Com respeito ao senso crtico de que fala o texto, pode-se dizer que: a) o poeta no citado no possua o menor senso crtico, a julgar pelas suas poesias. b) Castro Alves possua pouco senso crtico. c) o poeta no nomeado no exercia, na realizao de suas poesias, o senso crtico manifesto fora delas. d) entre Gonalves Dias, Castro Alves e o autor subentendido, o que possuiria maior senso crtico este ltimo. e) dos trs poetas referidos Gonalves Dias quem possui o senso crtico mais vivo. 323. Podemos concluir que o poeta subentendido: a) tambm um poeta romntico. b) um autor secundrio, sem qualidades relevantes. c) um escritor disciplinado, a despeito do tumulto interior. d) escreveu maior quantidade de bons que de maus poemas. e) deve ser posterior ao movimento romntico.

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As questes de nmeros 324 a 326 baseiam-se no texto abaixo. Os segmentos grifados sero objeto de algumas questes. Liderana um atributo nato ou pode ser ensinada? Essa velha e surrada questo tem atormentado lderes e liderados h vrias dcadas. Warren Bennis, ainda considerado um dos maiores gurus sobre o tema, deu uma resposta iluminadora ao ser convidado para decifrar esse enigma. A questo relevante, armou, no se lderes j nascem feitos ou se podem ser treinados, mas, sim, por que as organizaes no so mais ecazes em criar lderes? Essa provocao provavelmente inspirou Noel Tichy, professor da University of Michigan Business School, a escrever seu novo livro, The Leadership Engine (A fbrica de lderes), em parceria com Eli Cohen. A inspirao chegou a tal ponto que o subttulo de seu livro (Como as empresas vencedoras constroem lderes em todos os nveis) a verso positiva da mesma questo de fundo formulada por Bennis. Tichy lana mais uma saudvel dose de ar fresco sobre o tema da liderana, justamente o que melhor simboliza a necessidade de um novo paradigma para a administrao. Como identicar, desenvolver e reter, mais que gerentes, uma nova safra de lderes competentes? Ser que as empresas que continuarem presas ao obsoleto paradigma do lder carismtico sero vencedoras no ambiente hipercompetitivo em que vivemos? Como montar uma verdadeira fbrica de lderes? The Leadership Engine responde a algumas dessas questes de forma pragmtica. A tese principal de Tichy que as empresas vencedoras devem seu sucesso ao fato de terem lderes que fomentam outros lderes em todos os nveis. Tichy demonstra como, em organizaes vencedoras, os lderes trabalham para desenvolver outros lderes. Empresas vencedoras sabem o valor de ter pessoas capazes e despendem tempo e esforo para fazer com que todos desenvolvam habilidades de liderana. Tichy arma que o maior legado que os lderes bem-sucedidos podem deixar so os outros lderes bem-sucedidos que ajudaram a desenvolver. Prope que os melhores lderes sabem a hora certa de sair de cena. Por sinal, uma postura que requer um nvel de segurana interior que permita ao lder manter em sua equipe talentos que sejam melhores que ele prprio. A leitura de The Leadership Engine muito apropriada para o momento de transio que vivemos no Brasil. As dramticas transformaes no ambiente empresarial brasileiro exigem uma nova maneira de pensar o papel do lder competente e como cultivar uma nova safra de lderes. Uma nova gerao de empresrios e executivos est assumindo o comando das empresas brasileiras, substituindo os fundadores que ensaiaram os primeiros passos do capitalismo nacional nas dcadas de 30 e 40. Esses sucessores, mais sosticados e mais bem preparados, defrontamse, contudo, com um mundo crescentemente voltil. Isso ocorre tanto na esfera externa pelo impacto da globalizao e da tecnologia que trazem embutida a hipercompetitividade quanto na interna, onde parecem desmoronar conhecidas verdades sobre temas como motivao no trabalho, lealdade, comprometimento e... liderana.
Csar Souza in Exame, abril/99 pp. 82-3 adap.

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324. ESPM-SP De acordo com o texto: a) ningum, at o momento atual, consegue denir com propriedade o conceito de liderana em empresas. b) a organizao atual das empresas deixa evidente uma viso extremamente negativa do tema da liderana. c) torna-se necessrio, atualmente, considerar de um novo ponto de vista o aspecto da liderana nas empresas. d) a grande diculdade das empresas, atualmente, encontrar lderes que sejam aceitos e respeitados por seus liderados. e) liderana , atualmente, um conceito pouco estudado porque h falta de lderes nos vrios nveis de deciso em empresas. 325. ESPM-SP Ainda de acordo com o texto, a necessidade de repensar a liderana se justica devido: a) ao desenvolvimento de novas estratgias de treinamento para provveis lderes nas empresas. b) s divergncias surgidas, atualmente, entre empresrios, a respeito do novo perl de lderes competentes. c) crescente diculdade enfrentada pelas empresas em identicar lderes natos. d) s mudanas ocorridas em empresas em que houve troca de comando, especialmente as brasileiras. e) globalizao e aos avanos da tecnologia, que estimulam a competio entre as empresas. 326. ESPM-SP A proposio central do texto : a) liderana como exerccio de autoridade: a palavrachave na atual gesto empresarial. b) o lder competente: aquele que capaz de criar condies para o desenvolvimento de outros lderes. c) a acirrada competio em que se situam as empresas de hoje, em decorrncia de novos mtodos gerenciais. d) a oposio, sempre crescente, entre lderes que nascem feitos e aqueles que so treinados para exercer funes de liderana. e) a apresentao de solues para os problemas criados por lderes em empresas, com uma discusso esclarecedora. 327. Unicamp-SP Leia com ateno os dois fragmentos a seguir, extrados do poema de Carlos Drummond de Andrade cujo ttulo, Procura da poesia, tambm indica seu tema. Compare-os e explique como o tema desenvolvido em cada um deles. Fragmento 1 No faas versos sobre acontecimentos. No h criao nem morte perante a poesia. Diante dela, a vida um sol esttico, no aquece nem ilumina.
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As anidades, os aniversrios, os incidentes pessoais no contam. No faas poesia com o corpo, esse excelente, completo e confortvel corpo, to [infenso efuso lrica. Fragmento 2 Penetra surdamente no reino das palavras. L esto os poemas que esperam ser escritos. Esto paralisados, mas no h desespero, h calma e frescura na superfcie intata. Ei-los, ss e mudos, em estado de dicionrio. Texto referente s questes de 328 a 332. Um homem leal Apaguemos a lanterna de Digenes: achei um homem! No prncipe, nem eclesistico, nem lsofo, no pintou uma grande tela, no escreveu um belo livro, no descobriu nenhuma lei cientca. No, o homem que achei no nada disso. um barbeiro, mas tal barbeiro que, sendo barbeiro, no exatamente barbeiro. Perdoai esta logomaquia; o estilo ressente-se da exaltao da minha alma. Achei um homem! Se aquele cnico Digenes pode ouvir, do lugar onde est, as vozes c de cima, deve cobrir-se de vergonha e de tristeza: achei um homem! E importa notar que no andei atrs dele. Estava em casa muito sossegado, com os olhos nos jornais e pensamento nas estrelas, quando um pequenino anncio me deu rebate ao pensamento, e este desceu mais rpido que o raio at o papel. Ento li isto: Vende-se uma casa de barbeiro fora da cidade, o ponto bom e o capital diminuto; o dono vende por no entender. Eis a o homem! No lhe ponho o nome, por no vir no anncio, mas a prpria falta dele faz crescer a pessoa. O ato sobra. Essa nobre consso de ignorncia um modelo nico de lealdade, de veracidade, de humanidade. No penseis que vendo a loja (parece dizer naquelas poucas palavras do anncio) por estar rico, para ir passear Europa ou por qualquer outro motivo que vista se dir, como uso escrever em convites destes. No, senhor; vendo a minha loja de barbeiro por no entender do ofcio. Parecia-me fcil a princpio: sabo, uma navalha, uma cara; cuidei que no era preciso mais escola que o uso, e foi a minha iluso, a minha grande iluso. Vivi nela barbeando os homens. Pela sua parte, os homens vieram vindo, ajudando o meu erro; entravam mansos e saam paccos. Agora, porm, reconheo que no sou absolutamente barbeiro, e a vista do sangue que derramei faz-me recuar. Basta, Carvalho (este nome necessrio prosopopia), basta, Carvalho! tempo de abandonar o que no sabes. Que outros mais capazes tomem a tua freguesia... A grandeza deste homem (escusado diz-lo) est em ser nico. Se outros barbeiros vendessem as lojas por falta de vocao, o merecimento seria pouco ou nenhum. Assim os dentistas. Assim os farmacuticos. Assim toda casta de ociais deste mundo, que preferem ir cavando as caras, as bocas, as covas, a vir dizer chmente que no entendem do ofcio. Este ato seria a reticao da sociedade. Um mau barbeiro pode dar um bom guardalivros, um excelente piloto, um banqueiro, um magistrado, um qumico, um telogo. Cada homem seria, assim, devolvido ao lugar prprio e determinado.
Machado de Assis. A semana

328. UEM-PR O sentido da palavra homem, no primeiro pargrafo do texto, : a) um homem famoso. b) um homem intelectual. c) um homem pretensioso. d) um homem honesto. e) um homem perdido. 329. UEM-PR Perdoai esta logomaquia. Com essas palavras, o autor pede perdo ao leitor: a) pela ofensa ao barbeiro. b) pela mania de criticar. c) pelo auto-elogio. d) pela insensatez do barbeiro. e) pelo palavreado que usou. 330. UEM-PR ...o estilo ressente-se da exaltao da minha alma. Com essas palavras, o autor d a entender que houve: a) predomnio da imaginao sobre a razo. b) predomnio da razo sobre a imaginao. c) predomnio da emoo sobre a razo. d) predomnio da razo sobre a emoo. e) predomnio da gramtica sobre o estilo. 331. UEM-PR Se aquele cnico Digenes pode ouvir, do lugar onde est, as vozes c de cima, deve cobrir-se de vergonha e de tristeza; achei um homem! As palavras em destaque revelam: a) que foi vergonhoso o que Digenes fez. b) que Digenes no sabia o que estava fazendo. c) que o autor foi mais feliz que Digenes. d) que Digenes foi mais feliz que o autor. e) que Digenes menosprezou o ser humano. 332. UEM-PR As aspas, no quarto pargrafo, indicam: a) b) c) d) e) uma citao. a fala do barbeiro na imaginao do autor. a transcrio do anncio do jornal. a fala do barbeiro na notcia do jornal. a transcrio das palavras de Digenes. Proposta I Leia o texto abaixo. Ele ser a base de sua redao. Um artista do trapzio como se sabe, esta arte que se pratica no alto da cpula dos grandes teatros de variedades uma das mais difceis entre todas as acessveis ao homem tinha organizado sua vida de tal maneira, primeiro pelo esforo de perfeio, mais tarde pelo hbito que se tornou tirnico, que em quanto trabalhava na mesma empresa permanecia

dia e noite no trapzio. Todas as suas necessidades, alis, bem ntimas, eram atendidas por criados que se revezavam, vigiavam embaixo e faziam subir e descer, em recipientes construdos especicamente para esses ns, tudo o que era preciso l em cima. Esse modo de viver no causava aos outros diculdades especiais; era apenas um pouco incmodo que durante os demais nmeros do programa ele casse l no alto, o que no se podia ocultar; apesar de, nesses momentos, na maioria das vezes se conservar quieto, de quando em quando um olhar do pblico se desviava para ele. Mas os diretores o perdoavam por isso porque era um artista extraordinrio e insubstituvel. Alm do que admitia-se com naturalidade que ele no vivia assim por capricho e que s podia conservar a perfeio de sua arte mantendo-se em exerccio constante.
KAFKA, Franz. Um artista da fome. So Paulo: Brasiliense, pp. 9-10.

Desenvolva uma dissertao, em prosa, a qual versar sobre o tema que depreendeu em sua leitura. Sua redao dever ser escrita com caneta azul ou preta, obedecer norma culta da lngua portuguesa, conter 25 e 30 linhas como parmetros mnimo e mximo, respectivamente, e ter um ttulo sugestivo. O uso de corretivo proibido e o rascunho no ser levado em considerao. Como vimos nesta aula, os sentidos de um texto utuam entre circunstncias distintas: a denotao, ou sentido real, e a conotao, ou sentido gurado. Deste que nascem as chamadas guras de linguagem, as quais sero estudadas em aulas futuras do curso de Redao e Gramtica. Proposta II Unifesp Amor (). S. m. 1. Sentimento que predispe algum a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa. 2. Sentimento de dedicao absoluta de um ser a outro ser ou a uma coisa; devoo, culto; adorao. ()
Dicionrio Aurlio da Lngua Portuguesa

No recorrendo ao dicionrio que se pode chegar melhor denio para o Amor. Pelo menos da forma como ele est presente no cotidiano das pessoas. Cames, em sua lrica, j vislumbrava os efeitos contraditrios desse sentimento: Mas como causar pode seu favor Nos coraes humanos amizade, Se to contrrio a si o mesmo Amor? As relaes sentimentais e o prprio Amor constituem um eixo que perpassa a vida de todos os seres humanos que, em maior ou menor intensidade, dedicam momentos de sua existncia a amar. O Amor motiva as pessoas ou as leva depresso; extrai delas lgrimas de alegria ou tristeza. O Amor est nas reexes dos lsofos, na mdia, na literatura, na msica, enm, o Amor est na vida. Valendo-se dos seus conhecimentos e dos textos a seguir, elabore uma dissertao em prosa, na qual exponha e fundamente seu ponto de vista sobre o tema:

333.

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O amor e a busca da felicidade: prs e contras. Texto 1

Texto 2 Voc assim Um sonho pra mim E quando eu no te vejo Eu penso em voc Desde o amanhecer At quando eu me deito Eu gosto de voc E gosto de car com voc Meu riso to feliz contigo O meu melhor amigo o meu amor.
Tribalistas

Assim como o aumento da flexibilidade romntica, valores como estabilidade e maior camaradagem sero mais importantes. A natureza catica e dinmica do ciberespao nunca ir substituir a natureza mais estvel do espao real, pois no podemos viver em um caos completo: do mesmo modo que outros tipos de significado, o significado emocional pressupe algum tipo de base estvel contra a qual ele gerado. Apesar disso, o domnio romntico se tornar mais dinmico, e ser mais difcil perfazer as vantagens emocionais de uma estrutura romntica estvel. FOLHA: Do ponto de vista dos efeitos psicolgicos, quais as diferenas entre o amor convencional e o on-line? AARON: Em ambos os tipos de amor existem emoes reais, como desejo e cime. Mas existem muitas diferenas no que diz respeito prevalncia de vrios aspectos em cada tipo de amor. No amor on-line, o papel da imaginao muito maior. O ciberespao revolucionou o papel da imaginao nos relacionamentos pessoais e elevou a imaginao de seu papel de ferramenta perifrica utilizada sobretudo por artistas e, no pior dos casos, por sonhadores e aqueles que, por assim dizer, no tm nada para fazer a um meio central de relacionamento pessoal para muitas pessoas, que tm ocupaes ou envolvimentos, mas preferem interagir on-line. A internet encoraja outros tipos de trocas em relacionamentos romnticos. Assim, a proeminncia da comunicao verbal em comunicaes on-line provavelmente ir aumentar a importncia das habilidades intelectuais nas interaes romnticas.
Marcos Flamnio Peres. Folha de S. Paulo, Caderno Mais!, 18/07/2004.

Texto 3 Mais do que um fenmeno circunscrito a teens ou a adultos solitrios, os relacionamentos romnticos via internet tendem a se expandir em um futuro prximo e devem, como conseqncia, provocar um relaxamento das normas sociais e morais tais como as entendemos hoje. No limite, elas devem impor um novo padro de tica sociedade off-line, como defende o lsofo Aaron Ben-Zeev em seu livro Love Online () FOLHA: O sr. diz em seu livro que a natureza interativa do ciberespao exerce um profundo impacto sobre a estrutura social. Que tipo de impacto? AARON: A internet modicou dramaticamente o domnio do romntico e esse processo ir se acelerar no futuro. Tais alteraes mudaro inevitavelmente as formas sociais atuais, como o casamento, a coabitao, as prticas romnticas correntes relacionadas seduo, sexo casual, namoros e a noo de exclusividade romntica. Podemos esperar um relaxamento das normas sociais e morais; esse processo no deveria ser considerado uma ameaa, pois no so as modicaes on-line que pem em perigo os relacionamentos romnticos, mas nossa falta de habilidade para nos adaptarmos a elas. O relaxamento dessas normas car particularmente evidente em questes que dizem respeito exclusividade romntica. Ser difcil evitar inteiramente as alternativas disponveis. A noo de traio ser menos comum no que diz respeito aos casos romnticos.
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Texto 4 A americana Laura Kipnis, professora de comunicaes na Universidade Northwestern, em Illinois, nos Estados Unidos, contesta alguns dos conceitos mais sagrados da sociedade, como o amor, o casamento e a monogamia. Em Against Love A Polemic (Contra o Amor Uma Polmica, que ser publicado neste

ano no Brasil), livro de grande repercusso lanado em 2003 nos Estados Unidos, ela diz que, no mundo moderno, o amor passou a ser visto como a soluo para as dvidas existenciais do ser humano e que isso uma tremenda encrenca. A expectativa quanto felicidade que o amor deve proporcionar complicou o casamento e outros tipos de relao estvel, pois exige do casal um esforo indito para que as coisas dem certo. Para a professora, essa nova realidade uma enorme fonte de stress e depresso. () VEJA: O amor traz felicidade? LAURA: No exatamente. A idia de que o amor leva felicidade uma inveno moderna. A gente aprende a acreditar que o amor deve durar para sempre e que o casamento o melhor lugar para exerc-lo. No passado no havia tanto otimismo quanto longevidade da paixo. Romeu e Julieta no uma histria feliz, uma tragdia. O mito do amor romntico que leva ao casamento e felicidade uma inveno do m do sculo XVIII. Nas ltimas dcadas, a expectativa quanto ao casamento como o caminho para a realizao pessoal cresceu muito. A decepo e a insatisfao cresceram junto. VEJA: Ou seja, enquanto antes as pessoas sofriam porque os casamentos eram arranjados, hoje sofrem porque acham que devem encontrar a pessoa ideal? LAURA: Exato. Imagine algum dizer que contra o amor. considerado um herege. As propagandas, as novelas, os lmes, os conselhos dos parentes, tudo contribui para promover os benefcios do amor. Deixar de amar signica no alcanar o que mais essencialmente humano. O casamento envolto pelo mesmo tipo de cobrana. E, quando cai por terra a expectativa do romance e da atrao sexual eternos, surge a pergunta: O que h de errado comigo? ().
Diogo Schelp. Contra o Amor. Veja, 19/05/2004.

c) Apesar de algumas preocupaes do poder central com o nordeste, ainda as duas regies nordeste e sul, so como se fossem dois mundos, de costas um para o outro. d) Apesar de algumas preocupaes do poder central pelo nordeste, ainda as duas regies nordeste e sul, so como se fossem dois mundos, de costas um para o outro. e) Apesar de algumas preocupaes do poder central com o nordeste, ainda as duas regies, nordeste e sul so como se fossem dois mundos, de costas um para o outro. 335. UEPB Oferecer terras a essas pessoas que no tiveram oportunidades, sem dar os meios de produzir, vai to somente minimizar a misria no campo. Este homem vai permanecer na plantao e na cultura de subsistncia, sem o uso da mquina, sem recurso disponvel, com energia cara, ele vai permanecer utilizando o velho e ultrapassado instrumento de trabalho, a enxada.
Correio da Paraba, 24/05/05

Tambm neste exemplo encontramos uma falha na pontuao, que causa prejuzo ao sentido do texto. Marque, entre as alternativas abaixo, aquela que desfaz totalmente a confuso: a) Oferecer terras a essas pessoas que no tiveram oportunidades, sem dar os meios de produzir, vai to somente minimizar a misria no campo. Este homem, vai permanecer na plantao e na cultura de subsistncia, sem o uso da mquina, sem recurso disponvel, com energia cara. Ele vai permanecer utilizando o velho e ultrapassado instrumento de trabalho, a enxada. b) Oferecer terras a essas pessoas que no tiveram oportunidades, sem dar os meios de produzir, vai to somente minimizar a misria no campo. Este homem vai permanecer na plantao e na cultura de subsistncia. Sem o uso da mquina, sem recurso disponvel, com energia cara, ele vai permanecer utilizando o velho e ultrapassado instrumento de trabalho, a enxada. c) Oferecer terras a essas pessoas que no tiveram oportunidades, sem dar os meios de produzir, vai to somente minimizar a misria no campo. Este homem, vai permanecer na plantao e na cultura de subsistncia, sem o uso da mquina. Sem recurso disponvel, com energia cara, ele vai permanecer utilizando o velho e ultrapassado instrumento de trabalho, a enxada. d) Oferecer terras a essas pessoas que no tiveram oportunidades, sem dar os meios de produzir, vai to somente minimizar a misria no campo. Este homem, vai permanecer na plantao e na cultura de subsistncia, sem o uso da mquina, sem recurso disponvel. Com energia cara. Ele vai permanecer utilizando o velho e ultrapassado instrumento de Trabalho. A enxada.
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Texto 5 () Para mim era um xtase divino, uma espcie de sonho em ao, uma transfuso absoluta de alma para alma; para ele o amor era um sentimento moderado, regrado, um pretexto conjugal, sem ardores, sem asas, sem iluses Erraramos ambos, quem sabe?
LOPES, Lucia Leite Ribeiro Prado. Machado de A a Z. So Paulo: Editora 34, 2001.

334. UEPB Apesar de algumas preocupaes do poder central pelo nordeste, ainda as duas regies, nordeste e sul so como se fossem dois mundos, de costas um para o outro.
Correio da Paraba, 24/05/05

Neste trecho, ocorrem duas falhas graves: uma de regncia e outra de pontuao. Marque, entre as propostas abaixo, a nica alternativa que atende norma-padro: a) Apesar de algumas preocupaes do poder central com o nordeste, ainda as duas regies, nordeste e sul, so como se fossem dois mundos, de costas um para o outro. b) Apesar de algumas preocupaes do poder central pelo nordeste, ainda as duas regies, nordeste e sul, so como se fossem dois mundos, de costas um para o outro.

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e) Oferecer terras a essas pessoas que no tiveram oportunidades, sem dar os meios de produzir, vai to somente minimizar a misria no campo. Este homem, vai permanecer na plantao e na cultura de subsistncia. Sem o uso da mquina, sem recurso disponvel, com energia cara. Ele vai permanecer utilizando o velho e ultrapassado instrumento de trabalho, a enxada. 336. UEPB Como agravante temos nessa regio pobre uma taxa de crescimento demogrco mais rpido do pas e dicilmente igualada.
Correio da Paraba, 24/05/05

a) correto armar que o verbo dormia tem uma conotao positiva, tendo em vista o contexto em que ele ocorre? Justique sua resposta. b) Identique, nos trs ltimos versos, um recurso expressivo sonoro e indique o efeito de sentido que ele produz. (No considere a rima distrada/ subtrada.) 338.