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Conselho Federal de Educao Fsica

2010

Direitos reservados para o cONSELHO FEDERAL DE EDUcAO FSIcA - cONFEF


Qualquer parte desta obra poder ser reproduzida, desde que citada a fonte.

Recomendaes sobre Condutas e Procedimentos do Profissional de Educao Fsica/ Silva, Francisco Martins da (organizador), Luciene Ferreira Azevedo, Antonio Csar Cabral de Oliveira, Jorge Roberto Perrout de Lima, Marcelo Ferreira Miranda (autores).

Rio de Janeiro: CONFEF, 2010.


48p. ISBN. 978-85-61892-03-6 1. Sade. 2. Educao Fsica. 3. Profissional de Educao Fsica. 4. Interveno Profissional

SEDE: Rua do Ouvidor, 121, 7 andar Centro Rio de Janeiro RJ CEP 20040-030 Tel.: (21) 2526-7179 (21) 2252-6275 (21) 2242-3670 (21) 2242-4228 www.confef.org.br

CONSELHO FEDERAL DE EDUCAO FSICA - CONFEF


Presidente Jorge Stenhilber

Comisso de Ensino Superior e Preparao Profissional Iguatemy Maria de Lucena Martins - Presidente Margareth Anderos - Secretria Marino Tessari Emerson Silami Garcia Georgios Stylianos Hatzidakis Srgio Kudsi Sartori

AUtORES
Luciene Ferreira Azevedo Universidade de So Paulo/Hospital das Clnicas - InCor HC/FMUSP Antonio Csar Cabral de Oliveira Universidade Federal de Sergipe - UFS Jorge Roberto Perrout de Lima Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF Marcelo Ferreira Miranda Universidade Catlica Dom Bosco/UCDB

ORgANIzAO
Francisco Martins da Silva - Universidade Catlica de Braslia/UCB

SUMRIO
Apresentao .......................................................................... 09 Prefcio .................................................................................... 13 Contextos e Perspectivas ........................................................ 17 reas e nveis de interveno ................................................. 21 Competncias gerais e especficas Interveno Profissional: Conduta geral e procedimentos tcnicos .......................................................................................... 27 Anamnese: histrico do indivduo, caracterizao do problema, preferncias e disponibilidades individuais Fatores de Risco para desenvolvimento de doenas cardiovasculares Estratificao de Risco para a prtica de exerccio fsico Principais sinais e sintomas sugestivos de doenas cardiovascular, pulmonar ou metablica Interveno Profissional: Condutas especficas ..................... 37 Ateno primria e secundria Sade Ateno terciria Sade Responsabilidade tico-Profissional ...................................... 45 Referncias Bibliogrficas ....................................................... 47

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APRESENtAO
As informaes consubstanciadas nesta publicao foram elaboradas com o objetivo de orientar condutas e procedimentos do profissional de Educao Fsica no uso de exerccios/atividades fsicas como elementos principais ou complementares na ateno sade, nos nveis primrio, secundrio e tercirio, especialmente no que concerne s doenas crnicas no transmissveis. A Comisso responsvel pelo trabalho ora apresentado, constituda por docentes e pesquisadores convidados pelo CONFEF, orientou a sua ao na perspectiva de sistematizar e socializar os conhecimentos relacionados ao tema, de forma a criar um ambiente de convergncia e unidade em torno dos assuntos tratados, favorecendo o aprimoramento do exerccio profissional e do atendimento sociedade. Dessa forma, as recomendaes expressas neste documento estaro permanentemente sujeitas s necessrias adequaes, identificadas pelos profissionais a partir da realidade e da especificidade de cada situao, tanto nas suas intervenes individuais quanto nas aes como membro de equipe multidisciplinar de sade.

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Considere-se, ainda, que a rpida evoluo cientfica na rea da sade, possibilitada pelo avano da cincia e pelo desenvolvimento de novos recursos tecnolgicos, pode tornar obsoletas algumas das recomendaes aqui contidas. Sendo assim, obrigao do profissional de Educao Fsica, manter-se atualizado por meio da leitura de novas publicaes tcnico-cientficas e participar de eventos cientficos da rea. As recomendaes sobre condutas e procedimentos do profissional de Educao Fsica na ateno bsica Sade esto fundamentadas na produo cientfica relacionada s temticas abordadas, nos documentos oficiais que tratam do assunto e na experincia profissional dos responsveis pela sua elaborao. A abordagem priorizada neste trabalho se encerra no objetivo definido pelo CONFEF para a sua elaborao que foi o de situar, de modo abrangente, o exerccio profissional da Educao Fsica nos vrios nveis de ateno sade, estabelecendo um dilogo efetivo com o conjunto da categoria. O CONFEF reconhece o avano das instituies de ensino superior e dos organismos de pesquisa na produo cientfica da rea. Por essa razo, entende que esta publicao no limita, engessa ou esgota o conhecimento dos temas tratados. Antes, reafirma que os ensinamentos provenientes deste trabalho devem ser complementados e enriquecidos por meio das investigaes cientficas nacionais e internacionais, realizadas na prpria rea e em reas correlatas. Com a divulgao deste estudo, registra-se tambm o agradecimento do CONFEF aos docentes envolvidos na sua elaborao, assim como aos integrantes da sua Comisso de Ensino Superior e Preparao Profissional, pelo empenho na consecuo desta iniciativa. Por fim, o CONFEF reafirma a sua misso de contribuir para elevar a qualidade da interveno profissional e desenvolver a Educao Fsica, o que implica atuar na busca incessante de respostas para as suas possibilidades, necessidades e interesses. Jorge Stenhilber
Presidente do CONFEF

PREFCIO
O Brasil escreveu na sua Constituio Federal de 1988 que a sade um direito de todos e um dever do estado, garantido mediante polticas sociais e econmicas que visem reduo do risco de doenas e agravos e ao acesso universal e igualitrio s aes e servios para a sua promoo, proteo e recuperao. Os profissionais de Educao Fsica foram reconhecidos pelo Conselho Nacional de Sade, em sua Resoluo n 218 /1997 como profissionais de sade. A construo da integralidade da ateno sade, preceito constitucional do Sistema nico de Sade (SUS), requer a atuao em equipes multiprofissionais e nesse sentido, a Educao Fsica reconhecida como rea de conhecimento e de interveno acadmico-profissional envolvida com a promoo, preveno, proteo e reabilitao da sade. Vrios so os refernciais que sustentam cientificamente a relao positiva entre atividade fsica e sade. Tambm so reconhecidos estudos e pesquisas que ratificam esse entendimento e demonstram que a falta de sade est associada, em muito, a inatividade fsica. As doenas degenerativas, agravadas ou decorrentes da inatividade fsica, j se manifestam em vrios grupos etrios e, em muitos pases,

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esto sendo enfrentadas como questo de sade pblica. Essa constatao tem induzido um movimento social no sentido de priorizar iniciativas que visem melhoria do bem-estar dos indivduos e reduo de casos de doenas, por meio do incremento da prtica de atividade fsica centrada na aquisio de hbitos e estilos de vida ativos. Nesse contexto, os rgos responsveis pelas polticas pblicas de Sade comearam a ter um olhar mais atento sobre a importncia da atividade fsica no conjunto dos programas e das aes sob a sua gesto. Particularmente no Brasil, a Sade da Famlia, como estratgia estruturante da ateno primria, provocou um movimento de reordenao da ateno sade no mbito do SUS. A busca por maior racionalidade na utilizao dos demais nveis assistenciais tem produzido resultados positivos nos principais indicadores de sade das populaes assistidas. Em contraponto ao modelo biomdico, centrado na doena e no paciente, a preocupao amplia-se na direo de realizar o diagnstico integral, observando os aspectos biolgicos, sociais, ambientais, relacionais, culturais e pactuar as mudanas necessrias em todos estes aspectos para o restabelecimento da sade, atravs do cuidado e do acompanhamento. A Estratgia de Sade da Famlia est presente atualmente em aproximadamente 84% dos 5.563 municpios brasileiros, alcanando o patamar de quase 30 mil equipes. A criao dos Ncleos de Apoio Sade da Famlia (NASF) teve por objetivo ampliar a abrangncia, o escopo e a resolubilidade das aes da ateno bsica. Os NASF so distribudos de forma a oferecer apoio matricial a um conjunto de Equipes e Unidades de Sade da Famlia, na abrangncia de territrios vinculados s redes de ateno sade. Entre os profissionais que podem integrar os NASF, esto includos os Profissionais de Educao Fsica. Os NASF devem desenvolver coletivamente, com vistas intersetorialidade, aes que se integrem a outras polticas sociais: educao, esporte, trabalho, lazer, entre outras. Entre as aes previstas esto as de atividade fsica/prticas corporais e aes que propiciem a melhoria da qualidade de vida da populao, a reduo dos agravos e dos danos decorrentes das doenas no-transmissveis. Com a responsabilidade de definir e desenvolver polticas relacionadas formao de pessoal da sade, tanto no nvel superior como no nvel

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tcnico-profissional, o Departamento de Gesto da Educao na Sade DEGES/MS tem realizado iniciativas no sentido de qualificar tcnica e cientificamente os profissionais da sade. A poltica nacional de formao e desenvolvimento de recursos humanos em sade encontra seu espao institucional de construo intersetorial da sade com a educao a partir da instituio, por meio de Decreto Presidencial, da Comisso Interministerial de Gesto da Educao na Sade. Destaca-se a insero da Educao Fsica no Programa Nacional de Reorientao da Formao em Sade Pr-Sade, com 19 cursos de graduao, e no Programa de Educao pelo Trabalho em Sade PET Sade, com 44 cursos. Na ps-graduao, no apoio que o Ministrio da Sade aporta por meio do financiamento das Residncias Multiprofissionais em Sade, o Profissional de Educao Fsica est inserido e foram formados, at o momento, 63 Profissionais de Educao Fsica nessa modalidade de formao multiprofissional, com nfase na Estratgia de Sade da Famlia, mas envolvendo tambm a Sade Mental. Um dos grandes desafios do trabalho em equipe multiprofissional est em estabelecer o campo de interface da atuao dos diversos profissionais e, ao mesmo tempo, resguardar o ncleo de saberes e de atuao de cada profisso, tendo por objetivo oferecer a ateno integral e resolutiva sade da populao. No atual contexto de desenvolvimento e implementao das polticas pblicas de educao e sade, o documento produzido pelo Conselho Federal de Educao Fsica, denominado Recomendaes sobre condutas e procedimentos do profissional de Educao Fsica na ateno bsica Sade, chega em boa hora e ir incentivar o dilogo entre os profissionais da rea. Pela sua natureza objetiva, prtica e esclarecedora, este documento tem potencial para ser assimilado pelos profissionais, que nem sempre esto atuando nos grandes centros populacionais, permitindo que eles possam utiliz-lo como referncia para embasar cientfica e tecnicamente os procedimentos e atitudes inerentes ao exerccio da sua profisso. Anna Estela Haddad
Diretora do Departamento de Gesto da Educao na Sade do Ministrio da Sade DEGES/MS

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CONtEXtOS E PERSPECtIVAS
As profundas e relevantes mudanas scio-econmicas, demogrficas, tecnolgicas e epidemiolgicas observadas ao longo dos ltimos 60 anos produziram alteraes significativas na vida individual e comunitria das populaes dos pases desenvolvidos e em desenvolvimento. O processo de transformao da sociedade tambm um processo de transformao da sade e dos problemas sanitrios, exigindo da populao maiores cuidados com a vida e com a exposio s doenas da era contempornea, notadamente as de carter crnico- degenerativas, associadas, em geral, ao estilo de vida individual e aos hbitos sociais. Entre os profissionais da sade consensual a associao entre estilo de vida ativo, melhores condies de sade e melhor qualidade de vida. A probabilidade de surgimento de doenas crnico-degenerativas advindas do sedentarismo amplamente conhecida. Portanto, a disseminao da prtica habitual de atividades fsicas orientadas por profissionais de Educao Fsica contribui decisivamente para a sade pblica, levando reduo dos gastos com tratamentos e internaes hospitalares. Uma realidade igualmente consagrada a de que a sade pblica incorporou os conceitos e prticas da promoo da sade, tanto por questes de efetividade das aes, quanto por determinantes econmicos.

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No Brasil, as reflexes acerca da promoo da sade resultaram na criao do Sistema nico de Sade - SUS, que tem por objetivo central assegurar o direito sade com base nos princpios da universalidade, integralidade, equidade, descentralizao e participao social (Brasil, 1988). Desde ento, a Ateno Bsica Sade - ABS passou a ser a porta de entrada e principal estratgia para alcanar a meta de Sade para Todos, at o ano 2000. (OMS, 1978). Contudo, mesmo com os avanos identificados, ainda so relatados pelos usurios do sistema srios problemas relacionados escassez de recursos humanos, garantia de acesso, utilizao do servio e equidade no atendimento (SIQUEIRA et al 2009). Ao longo dos anos, o SUS passou, inegavelmente, por transformaes importantes, centradas na ampliao do acesso da populao aos servios de sade (BRASIL, 2003). Em 1994, o Ministrio da Sade criou o Programa Sade da Famlia PSF, inicialmente formulado como um programa e passando, a partir de 1997, a ser definido como Estratgia de Sade da Famlia, tendo como desafio promover e reorientar as prticas e aes de sade de forma integral e contnua, levando-as para mais perto do ambiente familiar e, com isso, favorecendo a melhoria da qualidade de vida da populao (BRASIL, 2001). Na sua formao inicial, uma equipe de sade da famlia deveria ser composta por, no mnimo, um mdico generalista (com conhecimento de clnica geral), um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e quatro a seis agentes comunitrios de sade (BRASIL, 2001). Esta formao foi aprimorada com a criao dos Ncleos de Apoio Sade da Famlia (NASF) e a consequente incluso de outros profissionais envolvidos com a promoo da sade, tendo como objetivo a ampliao da abrangncia e do escopo das aes da ateno bsica. (Brasil 2008) De acordo com a Portaria 154/2008, as profisses que podero compor os NASF so: Mdico, Acupunturista, Assistente Social, Profissional de Educao Fsica, Farmacutico, Fisioterapeuta, Fonoaudilogo, Mdico Ginecologista, Mdico Homeopata, Nutricionista, Mdico Pediatra, Psiclogo, Mdico Psiquiatra e Terapeuta Ocupacional. Uma composio que refora a importncia do trabalho multiprofissional nas aes e programas relacionados sade.

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Iniciativas como os NASF tendem a mobilizar fortemente as diferentes categorias profissionais da sade, alm de provocar reflexes e estudos sobre as formas de atuao desses profissionais nesses campos especficos de interveno. A Poltica Nacional de Promoo da Sade, (Brasil 2006) conceitua as Prticas Corporais (atividades fsicas) como expresses individuais e coletivas do movimento corporal advindo do conhecimento e da experincia em torno do jogo, da dana, do esporte, da luta e da ginstica. So possibilidades de organizao, escolhas nos modos de relacionar-se com o corpo e de movimentar-se, que sejam compreendidas como benficas sade de indivduos e de coletividades, incluindo caminhadas e prticas ldicas, esportivas e teraputicas. Historicamente a Educao Fsica brasileira esteve associada qualidade de vida por meio da preveno e manuteno da sade e registra experincias bem sucedidas de atuao na rea de Sade, em geral vinculadas a programas de instituies de ensino superior e hospitais universitrios. Essa associao resultou no reconhecimento por parte do Ministrio da Sade que instituiu no mbito do Conselho Nacional de Sade a Resoluo n 218, de 6 de maro de 1997, a qual insere os profissionais de Educao Fsica na rea da Sade, e a Resoluo n 287, de 8 de outubro de 1998 que relaciona a Educao Fsica entre as categorias profissionais de sade de nvel superior para fins de atuao do Conselho. Neste contexto de desenvolvimento de recursos humanos na sade, tem-se, ainda a institucionalizao das Residncias Multiprofissionais e em rea Profissional da Sade, em nvel de ps-graduao lato sensu, alm do Programa Nacional de Reorientao da Formao em Sade - o Pr-Sade e o Programa de Educao pelo Trabalho em Sade - PET Sade. No estgio atual de desenvolvimento da Educao Fsica, a relao atividade fsica e sade tambm avana apoiada no estudo de pesquisadores da rea e tambm na produo cientfica oriunda de reas correlatas, sendo reconhecido o volume e a importncia das pesquisas realizadas sobre o tema. A configurao da Educao Fsica como uma profisso regulamentada, com seus respectivos direitos e deveres e as suas delimitaes no mbito das demais profisses da sade, determina pr-requisitos pessoais, tcnicos e ticos para aqueles que a exercem.

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Nesse sentido, e mesmo assumindo o necessrio detalhamento e o tratamento de algumas especificidades, as recomendaes aqui enunciadas se referenciaram nas aes realizadas pelos profissionais de Educao Fsica no mbito de diferentes programas de atividade fsica e sade, assim como nas responsabilidades e consequncias da sua interveno neste campo.

REAS E NVEIS DE INtERVENO


De acordo com a Resoluo n 046/2002/CONFEF, que dispe sobre a interveno do profissional de Educao Fsica e define suas competncias e campos de atuao profissional, a interveno plena nos servios sociedade no mbito das atividades fsicas, incluindo a prtica de exerccios fsicos e esportes, nas suas diversas manifestaes e diferentes objetivos. O profissional de Educao Fsica pode atuar como autnomo e em instituies e rgos pblicos e privados de prestao de servios que envolvam a atividade fsica ou o exerccio fsico, incluindo aquelas responsveis pela ateno bsica sade, onde poder atuar nos trs nveis de interveno (primria, secundria e terciria), dependendo das necessidades do indivduo e do grau de competncia do profissional. Entende-se por interveno primria qualquer ato destinado a diminuir a incidncia de uma doena numa populao, reduzindo o risco de surgimento de casos novos. A interveno secundria busca diminuir a prevalncia de uma doena numa populao reduzindo sua evoluo e durao, exigindo diagnstico precoce e tratamento imediato.

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A interveno terciria visa diminuir a prevalncia das incapacidades crnicas numa populao, reduzindo ao mnimo as deficincias funcionais consecutivas doena j existente, permitindo uma rpida e melhor reintegrao do individuo na sociedade, com aproveitamento das capacidades remanescentes. O profissional de Educao Fsica, inserido na ateno bsica sade dever ser capaz de desenvolver aes compatveis com as metas traadas pelos rgos responsveis. Este profissional atuar avaliando o estado funcional e morfolgico dos beneficirios, estratificando e diagnosticando fatores de risco sade, prescrevendo, orientando e acompanhando exerccios fsicos, tanto para pessoas consideradas saudveis, objetivando a promoo da sade e a preveno de doenas, quanto para grupos de portadores de doenas e agravos, atuando diretamente no tratamento no farmacolgico e intervindo nos fatores de risco. Cabe-lhe, tambm, disseminar no indivduo e na comunidade a importncia da prtica de atividades fsicas com base em conhecimentos cientficos, desmistificando concepes equivocadas. Competncias Gerais e Especficas A competncia profissional envolve conhecimentos, habilidades e atitudes - tanto gerais, quanto especficas a cada rea de atuao (Feitosa e Nascimento, 2003). Na ateno bsica sade, essas dimenses da competncia do profissional de Educao Fsica esto em fase de consolidao, o que exige posicionamentos e definies permanentes dos rgos gestores, pblicos e privados, que atuam nas diferentes esferas da sociedade e da entidade representativa desses profissionais. No entanto, para os profissionais da rea imprescindvel conhecer em profundidade os benefcios e os riscos potenciais que a prtica de exerccios fsicos pode trazer s pessoas de diferentes idades e as limitaes inerentes aos diversos grupos de risco. Considerando a caracterstica multiprofissional da ateno bsica sade, as competncias dos profissionais de Educao Fsica devem ser estabelecidas luz das competncias das demais reas envolvidas.

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Atribui-se ao profissional de Educao Fsica as competncias e habilidades para diagnosticar, planejar, organizar, supervisionar, coordenar, executar, dirigir, assessorar, dinamizar, programar, desenvolver, prescrever, orientar, avaliar, aplicar mtodos e tcnicas motoras diversas, aperfeioar, orientar e ministrar sesses especficas de exerccios fsicos ou prticas corporais diversas (CONFEF 2002). O profissional de Educao Fsica pode intervir no Programa Sade da Famlia (PSF) tanto para orientar sobre a importncia de hbitos de vida ativa, quanto para promover e estimular a adoo de um estilo de vida ativo, contribuindo para minimizar os riscos de doenas crnicas no transmissveis e os agravos delas decorrentes. Partindo desse pressuposto, cabe ao profissional de Educao Fsica, junto ao NASF e em outros espaos de interveno, desenvolver aes que propiciem a melhoria da qualidade de vida da populao, a reduo dos agravos e danos decorrentes das doenas no-transmissveis, que favoream a reduo do consumo de medicamentos, objetivando a preveno e promoo da sade por meio de prticas corporais, cabendo-lhe, especificamente: Proporcionar educao permanente por meio de aes prprias do seu campo de interveno, juntamente com as Equipes de Sade da Famlia (ESF), sob a forma de co-participao, acompanhamento e superviso, discusso de casos e mtodos da aprendizagem em servio; Incentivar a criao de espaos de incluso social, com aes que ampliem o sentimento de pertencimento social nas comunidades, por meio da atividade fsica regular, do esporte, das prticas corporais de qualquer natureza e do lazer ativo; Promover aes ligadas aos exerccios/atividades fsicas prprias do seu campo de interveno junto aos rgos pblicos e na comunidade; Articular parcerias com setores da rea administrativa, junto com a ESF e a populao, visando ao melhor uso dos espaos pblicos existentes e a ampliao das reas disponveis para a prtica de exerccios/atividades fsicas prprias do seu campo de interveno; Promover eventos que estimulem e valorizem a prtica de exerccios/atividades fsicas prprias do seu campo de interveno, objetivando a sade da populao.

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As atividades ou exerccios fsicos e prticas corporais devem ser desenvolvidas priorizando-se a incluso de toda a comunidade, envolvendo no s as populaes saudveis, mas tambm aquelas com agravos manifestos da sade ou mesmo em situao de maior vulnerabilidade. Os profissionais de cada ncleo, em conjunto com a ESF e a comunidade, devem identificar as atividades, as aes e as prticas a serem adotadas com cada rea contemplada no programa. Considerando as exigncias de qualidade para intervir na rea da sade, desenvolvendo programas de exerccios/atividades fsicas prprias do seu campo de atuao, o profissional de Educao Fsica deve estar apto para as seguintes intervenes, dentre outras: Aferir e interpretar os resultados de respostas fisiolgicas durante o repouso e durante o exerccio; Coletar dados e interpretar informaes relacionadas com prontido para a atividade fsica, fatores de risco, qualidade de vida e nvel de atividade fsica; Aplicar escalas de percepo subjetiva do esforo; Manusear ergmetros (esteira, cicloergmetro, etc) e equipamentos utilizados em programas de exerccio fsico; Manusear equipamentos usados para avaliao de parmetros fisiolgicos especficos; Conhecer, aplicar e interpretar testes de laboratrio e de campo utilizados em avaliao fsica; Realizar testes de avaliao postural e de avaliao antropomtrica; Prescrever exerccios fsicos baseados em testes de aptido fsica, desempenho motor especfico, avaliao postural, ndices antropomtricos e na percepo subjetiva de esforo; Trabalhar em equipe multiprofissional. Para aplicao de avaliao fsica o profissional de Educao Fsica deve apresentar domnio de conhecimento em protocolos de testes e suas adequaes de acordo com: aptido cardiorrespiratria do avaliado; indicaes e contra-indicaes para realizao de testes; indicaes de interrupo de testes; preparo de pacientes para a realizao de testes; funcio-

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namento de equipamentos; fisiologia do exerccio e das respostas hemodinmicas e respiratrias ao exerccio fsico; princpios e detalhes da avaliao, bem como os objetivos a serem atingidos. Como todos os demais profissionais de uma equipe multidisciplinar de sade, o profissional de Educao Fsica dever conhecer a legislao especfica da sua rea de competncia, para que no incorra em condutas e procedimentos que caracterizem prticas especficas de outras profisses da rea da sade.

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INtERVENO PROFISSIONAL: CONDUtA gERAL E PROCEDIMENtOS tCNICOS


Ao profissional de Educao Fsica cabe conhecer detalhadamente as condies gerais do indivduo ou do grupo de indivduos que estar submetido a sua interveno, sendo a avaliao um procedimento insubstituvel para identificar essas condies e que objetiva reunir elementos para fundamentar decises sobre o mtodo, tipo de exerccio e demais procedimentos a serem adotados. O tipo de exerccio fsico, a freqncia e durao da sesso devem ser adaptados ao indivduo ou ao grupo, considerando no somente o estado de sade e o nvel de risco ou doena, mas tambm a capacidade fsica, as limitaes individuais, os objetivos pessoais e as preferncias, visando otimizar os benefcios e obter uma adeso duradoura das pessoas ao programa de exerccios fsicos. Somente com todas as informaes sobre o indivduo e pleno conhecimento da situao, poder o profissional adequar o exerccio fsico aos objetivos, caractersticas e necessidades pessoais. Para tanto, antes de comear o programa de exerccios, necessrio uma avaliao ampla e sistemtica, iniciada com anamnese completa e coleta de informaes relativas a testes realizados pelo indivduo.

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Sobre este tema, apresenta-se a seguir uma referncia de anamnese e de variveis fisiolgicas que devem ser conhecidas e registradas para a realizao da prescrio de exerccios. Anamnese
Informao Dados pessoais Dados cadastrais Dados trabalho Pergunta Nome, Data nascimento, Sexo Endereo, Telefones, E-mail Profisso, Horas de trabalho dirio
Realizou consulta clnica recentemente (ltimos 6 meses) para a prtica de atividade fsica? Sente dor no peito, tontura ou falta de ar durante o esforo? Faz uso de medicamento(s) Presena de fatores de risco para desenvolvimento de doena cardiovascular Dados de sade Tipo e dosagem diria Sexo, idade, hereditariedade, colesterol, hipertenso, obesidade, diabetes, fumo, sedentarismo, dislipidemia, hipertenso arterial sistmica Qual; Tempo; Tratamento Realizou ou ir realizar alguma cirurgia? Leses prvias? Fratura prvia? Leses prvias? Est grvida? Tempo da ltima gravidez N de gestaes Qualidade do sono e Horas de sono por noite

Especificao

Turno

Presena de doena(s) Cirurgia prvia Limitaes steo-articulares? Limitaes msculo-articulares? Gravidez

Sono

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Prtica regular de exerccio fsico Objetivos Preferncias Tempo disponvel Observaes:

Experincia prvia Experincia atual

Praticou atividade fsica regular? Sedentrio; praticante de atividade fsica regular ou atleta. Tipo de exerccio? Freqncia semanal? Durao da sesso?

Qual o objetivo com a prtica regular do exerccio fsico? Tipo de exerccio que mais gosta. Tipo de exerccio que no gosta Dias da semana, Turno e horas

Variveis obtidas a partir de Testes e Medidas


testes/Medidas Variveis Massa corporal, altura, ndice massa corporal, circunferncia da cintura e outros permetros corporais, percentual de gordura. Presso arterial, frequncia cardaca, frequncia cardaca mxima predita para a idade. Frequncia cardaca mxima, frequncia cardaca nos limiares ventilatrios, consumo mximo de oxignio, consumo de oxignio nos limiares ventilatrios, tolerncia ao esforo (tempo de teste). Comportamento da PA e da FC. Indicao de isquemia do miocrdio (Segmento ST).

Antropomtrico

Respostas cardiovasculares de repouso

Respostas cardiorrespiratrias ao teste de esforo

Na realizao de programas pblicos e/ou privados com grande nmero de participantes indispensvel uma triagem inicial dos praticantes, o que permite, inclusive, identificar indivduos que necessitam de acompanhamento mdico.

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Esse procedimento, alm de garantir maior segurana a todos os segmentos envolvidos com o programa, de suma importncia na conscientizao dos praticantes sobre a necessidade de realizarem exames peridicos, principalmente indivduos que apresentarem sintomas ou fatores de risco. Recomenda-se a utilizao do Questionrio de Prontido para Atividade Fsica (Q-PAF), como padro mnimo para incluso num programa com exerccios de intensidade moderada. Este questionrio foi desenvolvido para aplicao entre indivduos de 15 a 69 anos de idade com o objetivo de identificar quem deveria ser submetido avaliao mdica antes de iniciar o programa ou aumentar significativamente sua atividade fsica. Questionrio de Prontido para Atividade Fsica (Q-PAF)
N 01 02 03 04 05 06 07 Questo Seu mdico j mencionou alguma vez que voc possui um problema do corao e lhe recomendou que s fizesse atividade fsica sob superviso mdica? Voc sente dor no trax quando realiza atividade fsica? Voc sentiu dor no trax quando estava realizando atividade fsica no ltimo ms? Voc j perdeu o equilbrio por causa de tontura ou alguma vez perdeu a conscincia? Voc tem algum problema sseo ou articular que poderia ser agravado com a prtica de atividade fsica? Seu mdico est prescrevendo uso de medicamentos para a sua presso arterial ou corao? Voc conhece alguma outra razo pela qual voc no deveria praticar atividade fsica? SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM Resposta NO NO NO NO NO NO NO

OBSERVAO: Se voc respondeu SIM para uma ou mais questes do questionrio acima recomendvel uma avaliao mdica antes de iniciar a prtica de exerccios fsicos.

Fatores de risco para desenvolvimento de doena cardiovascular Trata-se de um conjunto de fatores, modificveis ou no, relacionados com o risco de um indivduo vir a desenvolver doenas cardiovasculares. Entre esses fatores destacam-se:

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Idade e sexo; Histrico familiar de enfarte do miocrdio, revascularizao coronariana, ou morte sbita antes dos 55 anos de idade do pai ou de outro parente de primeiro grau do sexo masculino (irmo ou filho) e/ou antes dos 65 anos de idade da me ou de outro parente do primeiro grau do sexo feminino (irm ou filha); Hipertenso arterial sistmica - quando presso arterial sistlica for 140 mmHg e/ou a diastlica se apresentar 90 mmHg, confirmadas por mensuraes feitas pelo menos em 2 ocasies diferentes, alm de indivduos com quadro de hipertenso confirmada e que fazem uso de medicao anti-hipertensiva; Dislipidemia lipoprotena de baixa densidade (LDL colesterol) 130 mg/ dL ou lipoprotena de alta densidade (HDL colesterol) < 40 mg/dL, incluindo-se, tambm, aqueles indivduos que fazem uso regular de medicao para reduzir o nvel do colesterol. Em casos em que se dispe apenas dos nveis de colesterol total, considerar valores 200 mg/dL. Glicose sangunea em jejum alterada - 100 mg/dL, confirmada em pelo menos 2 ocasies diferentes; Obesidade ndice de massa corporal (IMC) 30 Kg/m ; Distribuio anatmica da gordura: circunferncia da cintura > 102 para homens e > 88 cm para mulheres ou, ainda, razo cintura/quadril 0,95 para homens e 0,86 para mulheres; Sedentarismo Tambm denominado inatividade fsica, refere-se ao estado das pessoas que no praticam exerccio fsico regular ou no realizam pelo menos 30 minutos de atividade fsica moderada na maioria dos dias da semana. Hbitos alimentares inadequados em proporo e composio que no seguem a proporo de 55-65% de carboidratos; 10-15% de protenas e 20-30% de lipdios, e que a composio no assegura a presena equilibrada dos oito grupos de alimentos que compem a pirmide alimentar: pes, cereais e tubrculos; hortalias; frutas; carnes; leite e derivados; leguminosas; leos e gorduras; acares e doces) (PHILIPPI, et al, 1999) Fumante habitual de cigarros ou aqueles que deixaram de fumar nos ltimos 6 meses;

Estratificao de Risco para prtica de exerccios fsicos O American College of Sports Medicine (ACSM, 2006) estabeleceu definies relacionadas ao risco para a realizao de exerccio fsico, conforme registrado na tabela apresentada a seguir.

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Categorias da Estratificao de Risco


Baixo risco Homens com menos de 45 anos e mulheres com menos de 55 anos assintomticos e que apresentem no mximo um fator de risco para desenvolvimento de doena cardiovascular. Homens com 45 anos ou mais, e mulheres com 55 anos ou mais ou aqueles que apresentem 2 ou mais fatores de risco para desenvolvimento de doena cardiovascular. Indivduos com um ou mais sinais ou sintomas sugestivos de doena cardiovascular e pulmonar ou com doena cardiovascular, pulmonar ou metablica conhecida.

Risco moderado

Alto risco

As diretrizes do ACMS estabelecem recomendaes considerando a intensidade do exerccio fsico / teste de esforo a ser realizado e as condies do indivduo, conforme enunciadas a seguir. A. Encaminhamento ao mdico especialista antes de se iniciar um programa de exerccios fsicos nas seguintes situaes:
Nvel de Esforo Exerccio moderado Exerccios intensos Indivduos de baixo risco Desnecessrio Desnecessrio Indivduos de risco moderado Desnecessrio Recomendado Indivduos de alto risco Recomendado Recomendado

B. Presena de um mdico especialista durante a aplicao de testes de esforo:


Nvel de esforo Teste submximo Teste mximo Indivduos de baixo risco Desnecessrio Desnecessrio/ Recomendado * Indivduos de risco moderado Desnecessrio Recomendado Indivduos de alto risco Recomendado Recomendado

* Vale salientar que a presena de superviso mdica, quando da realizao de teste de esforo mximo em indivduos de baixo risco pode depender da poltica local da instituio e da experincia dos profissionais que o realizam. (Colgio Americano de Medicina Esportiva/2006). Entretanto, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2002) preconiza a necessidade da presena de mdico quando da realizao de teste de esforo mximo.

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Na continuidade ressaltam-se as diferentes intensidades de exerccio fsico que podero ser prescritas em um programa. Nesse sentido, o controle da intensidade de exerccio poder ser feito pelo percentual do consumo mximo de oxignio ou ainda, de forma mais prtica, pela medida da resposta da frequncia cardaca durante o exerccio, conforme apresentado na tabela a seguir. Definies de Intensidades de Exerccio Fsico
Entre 40 - 60 % do VO2mx; entre 55%/65% - 90 % da FC mxima ou entre 40%/50% - 85 % da FC de reserva*. Intensidade moderada Para a maioria dos indivduos, exerccios nesta intensidade sero mantidos confortavelmente e so suficientes para aumentar a aptido cardiorrespiratria quando combinados com apropriada frequncia e durao das sesses de treinamento. Acima de 60 % do VO2mx; acima de 90 % da FC mxima; ou acima de 85 % da FC de reserva. Intensidade Alta Exerccios nesta intensidade so geralmente trabalhados na forma de exerccio intervalado (que mescla sries de exerccio de intensidade moderada e de intensidade alta). O uso desta intensidade de exerccio prefervel para indivduos sem fatores de risco ou doena estabelecida, pois a segurana em sua prtica ainda no est claramente estabelecida.

* FC de reserva definida pela diferena entre a FC mxima (calculada ou atingida em teste de esforo) e a FC de repouso.

Principais sinais ou sintomas sugestivos de doena cardiovascular, pulmonar ou metablica Outro aspecto importante que o profissional de Educao Fsica deve ter ateno durante a realizao das sesses de exerccios/atividades fsicas prprias do seu campo de interveno, so os sinais ou sintomas que os beneficirios podem apresentar, tais como: dor ou desconforto no torx, pescoo, queixo, braos; falta de ar em repouso ou com exerccio leve; vertigem ou desmaio; falta de ar em repouso ou durante o sono; edema de tornozelos; palpitao ou taquicardia; claudicao intermitente; sopro cardaco conhecido e fadiga incomum. A deteco de algum destes sinais ou sintomas implicar na modificao da carga do exerccio em uma ou mais sesses do treinamento fsico, ou mesmo na interrupo imediata do exerccio e na procura por assistncia mdica de urgncia, dependendo de cada caso.

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Ao profissional de Educao Fsica caber, alm de realizar uma prescrio de exerccio fsico coerente com as necessidades, capacidades e objetivos dos beneficirios, conhecer os procedimentos e variveis fornecidos em testes, conforme se explica a seguir. Procedimentos e Equipamentos para Testes
Testes e Aferies Antropometria: peso, estatura, permetros, composio corporal. Testes neuromotores: fora muscular, resistncia muscular, potencia muscular, flexibilidade, equilbrio, coordenao motora, velocidade, agilidade, Avaliao metablica: concentrao de lactato, glicemia, VO2mximo, limiares ventilatrios. Avaliao cardiorrespiratria: VO2 mximo, limiares ventilatrios; presso arterial, FC. Avaliao postural Equipamentos Balana (digital ou analgica), estadimetro, paqumetro, compasso de dobras cutneas, fita mtrica, bioimpedncia eltrica. Aparelhos de musculao, dinammetro, banco de Wells, gonimetro, pista, cronmetro, trena, plataforma de fora, aparelhos isocinticos. Frequencmetros (monitores de FC), estetoscpio, bicicleta ou esteira ergomtrica, ergmetro de brao, lactmetros, monitores de glicemia. Frequencmetros (monitores de FC), esfignomanmetro, estetoscpio, bicicleta ou esteira ergomtrica, ergmetro de brao, ventilmetro, ergoespirmetro. Posturgrafo filmadoras. (simetgrafo), cmaras e

fundamental que algumas premissas sejam respeitadas para oferecer um servio de qualidade aos beneficirios, tais como: ambiente adequado, equipamento bsico, pessoal treinado, preparo e orientao do avaliado de acordo com o objetivo do exame. Competncia prtica em primeiros socorros ocupa lugar de destaque em todas as atividades do profissional de Educao Fsica. Observao quanto s condies de trabalho referem-se infra-estrutura disponvel, s condies dos equipamentos (qualidade, manuteno, etc.), capacitao e experincia do profissional, do pessoal auxiliar e correlao desta infra estrutura com a proposta e objetivos de trabalho e seus possveis resultados.

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Sobre o registro de informaes imprescindvel que sejam registradas, do modo o mais pormenorizado possvel, em pronturio, ficha de controle ou equivalente, o histrico do beneficirio, incluindo dados sobre avaliao fsica, idade, condio de fumante, prtica regular de atividade fsica, condies fisiocorporais, uso de medicamentos, tratamentos, programa proposto e desenvolvido, entre outros. Tais informaes devem ser mantidas sob guarda e sigilo do profissional e o beneficirio deve ser notificado da importncia da veracidade dessas informaes, tanto do ponto de vista profissional quanto institucional. Quando necessrio, ou existindo a participao de outro(s) profissional(is), na avaliao inicial, peridica ou permanente, as informaes desses profissionais devem ser registradas no mesmo pronturio. No atendimento a indivduos com caractersticas especiais e diferentes necessidades, o profissional de Educao Fsica precisar utilizar mtodos e tcnicas especficas que se concretizem em sesses de atividades fsicas capazes de atingir as finalidades propostas, devidamente respaldadas por sistemticos processos de avaliao e diagnstico.

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INtERVENO PROFISSIONAL: CONDUtAS ESPECFICAS


Ateno Primria e Secundria Sade A Ateno Primria Sade (APS), tambm denominada ateno bsica, definida pela Organizao Mundial da Sade (1978) como a ateno essencial sade baseada em tecnologias e mtodos prticos, cientificamente comprovados, acessveis aos indivduos e seus famliares, a um custo que tanto a comunidade como o pas possam arcar em cada estgio de seu desenvolvimento. Como parte integrante do sistema de sade, a teno primria o primeiro nvel de contato dos indivduos, da famlia e da comunidade com o sistema nacional de sade, constituindo o inico de um processo de ateno continuada sade. As aes do profissional de sade podem ser exercidas em todos os nveis de preveno e tratamento, vinculados ao SUS ou no. Mesmo desvinculados do sistema de sade, programas desenvolvidos em academias de ginstica ou outros espaos de aplicao e orientao de atividades fsicas, podem oferecer possibilidades de conhecimento e vivncias corporais que ao privilegiarem a interao dos domnios motor, cognitivo e afetivo, contribuem, de forma decisiva, para minimizar as chances de aparecimento de doenas crnicas no

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transmssiveis, melhorando a sade dos beneficirios, prolongando o perodo de vida ativa e contribuindo para uma melhor qualidade de vida. No plano especfico, a atividade fsica regular, orientada e adequada s condies individuais do beneficirio, pode proporcionar os seguintes resultados: Melhora na capacidade cardiorrespiratria com consequncias positivas sobre os sistemas circulatrio e respiratrio; Desenvolvimento da fora, da resistncia muscular e da flexibilidade articular com reflexos positivos sobre a locomoo, a capacidade de trabalho e o sistema imunolgico; Desenvolvimento do equilbrio e da coordenao com contribuies importantes para o desenvolvimento das habilidades motoras e da autoconfiana. Embora os usurios dos sistemas pblicos e privados, onde se oferece a prtica regular do exerccio/ atividade fsica sejam primordialmente direcionados preveno primria, muito provvel que apresentem fatores de risco para o desenvolvimento de doenas crnicas no transmissveis, principalmente em populaes idosas ou previamente identificadas como grupo de risco. Na interveno inicial, para a preveno de problemas de sade, mesmo no manifestados, o profissional de Educao Fsica dever agir com cautela, observando, entre outras, as seguintes etapas: analisar o pronturio, identificar a presena de fatores de risco, definir as variveis e padres de atividades adequados para os indivduos: tipo, intensidade, durao e freqncia dos exerccios; minimizando riscos associados prtica de exerccios fsicos e contribuindo para potencializar seus resultados positivos. Para a consecuo dessas etapas e potencializao dos resultados do seu trabalho, o profissional de Educao Fsica dever adotar a seguinte conduta: Na primeira semana os exerccios devem ser simples e agradveis para que o aluno desperte interesse pela modalidade escolhida (adaptao neuro-muscular). Nas semanas seguintes deve-se aumentar a carga gradualmente. Todos os exerccios (alongamento, aerbios, resistidos, etc) devem ser executados com cargas leves a moderadas de forma que, no dia seguinte, o praticante no sinta desconforto ou dor muscular. A prescrio deve ser individualizada ou no mximo para grupos homogneos, considerando as condies de sade e a capacidade fsica

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apresentada por cada indivduo ou grupo. Deve ser claramente definido na prescrio, alm do tipo e natureza do exerccio a ser executado, a sua carga (volume, durao e intensidade) e os meios de controle da intensidade do exerccio (frequncia cardaca, percepo subjetiva de esforo ou outro) orientando o praticante sobre o seu acompanhamento e evoluo por meio de avaliaes peridicas; Nas atividades em grupo, os praticantes devem ser orientados para o auto-monitoramento da intensidade do esforo por meio da frequncia cardaca ou da percepo subjetiva de esforo; Periodicamente a prescrio deve ser revista com troca de exerccios e adequao das cargas (intensidade) para proporcionar ganhos efetivos e evitar que o praticante no se desmotive pela monotonia da repetio; O profissional de Educao Fsica dever trabalhar em perfeita interao com a equipe multidisciplinar de sade; Orientar e acompanhar de forma tcnica a execuo das atividades planejadas, observando as condies de segurana e usando terminologia adequada; Atualizar periodicamente as fichas individuais de acompanhamento e avaliao; Aferir e acompanhar a frequncia cardaca dos beneficirios, antes, durante e aps as atividades, para verificao da intensidade do exerccio e respectivas respostas fisiolgicas; Aferir a presso arterial, pelo menos daqueles que apresentam hipertenso arterial sistmica (preveno secundria), no incio de cada sesso, durante e aps os exerccios aerbios e identificar o estado geral de cansao que o praticante alcanou (cansado, muito cansado, alguma dor, etc.); Manter-se atento aos sinais e sintomas de cansao excessivo apresentados pelos beneficirios; Reunir-se regularmente com o beneficirio ou com o grupo para conversar sobre os sentimentos deles acerca das atividades realizadas. Na ateno secundria sade, o profissional de Educao Fsica, aps a anamnese, dever identificar os indivduos que referiram presena de alguma doena encaminhando-os, se for o caso, para consulta mdica antes da prescrio e aplicao de exerccios/atividades fsicas. Deve-se prestar ateno especial para os beneficirios que fazem uso de betabloqueadores ou que apresentem alteraes glicmicas,

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hipertenso arterial sistmica, histrico de trombose e de acidente vascular cerebral (AVC). Mesmo diante desses casos e na dependncia da anlise mdica, o exerccio fsico orientado e sistematizado pode contribuir para minimizar os efeitos deletrios dessas doenas sobre o organismo humano e reduzir a utilizao e dependncia de medicamentos. Ateno Terciria Sade Na ateno terciria sade, o profissional de Educao Fsica poder atuar em diferentes ambientes, tais como, hospitais (fase II da reabilitao cardaca), clnicas para programa de exerccio fsico supervisionado (fase III da reabilitao cardaca) ou mesmo na residncia do beneficirio para atendimento individualizado. Para que o profissional de Educao Fsica atue com segurana nesta fase de ateno sade fundamental: Possuir formao que o capacite para prescrever exerccios fsicos e acompanhar beneficirios doentes. Interagir com o mdico, uma vez que nesta fase o beneficirio deve estar em acompanhamento mdico contnuo e eventualmente pode ter, por exemplo, sua medicao alterada, modificando suas respostas cardiovasculares durante a prtica do exerccio fsico ou mesmo o nvel de glicemia no caso de beneficirio com diabetes mellitus. Atentar para o fato de que alguns pacientes podero ser indicados para a realizao de exerccio fsico supervisionado e tal recomendao dever vir do mdico. Possuir o encaminhamento mdico (por escrito) da liberao do beneficirio para a prtica regular do exerccio fsico. Em muitos casos, o profissional de Educao Fsica orientar e acompanhar beneficirios sem o hbito da prtica regular do exerccio fsico ou mesmo sem nenhuma experincia com a referida prtica. Assim, de fundamental importncia o entendimento do profissional sobre as consequncias das doenas e da ao do exerccio fsico no organismo, melhorando o quadro de sade previamente encontrado. O papel do profissional tambm fundamental na educao do beneficirio para a prtica consciente do exerccio fsico, levando-o a perceber suas capacidades e limitaes, compreender melhor sua doena, aderindo prtica do exerccio/atividade fsica como uma das mais eficazes estratgias no farmacolgicas para melhora da sade.

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Para que a prtica regular do exerccio fsico seja eficaz e se traduza em benefcios para a sade do indivduo importante que o profissional de Educao Fsica controle o formato da sesso de exerccio fsico por meio de uma adequada prescrio, considerando a intensidade (carga/nvel de esforo), a durao (tempo) e a frequncia (regularidade) das sesses e considerando o objetivo a ser atingido e as condies dos beneficirios. A intensidade do exerccio fsico poder ser leve, moderada ou moderada conjugada com alta. Para o controle da intensidade do exerccio aerbio, poder ser utilizada a resposta da frequncia cardaca durante o exerccio, de forma que a mesma permanea dentro da zona alvo de treinamento proposta. No caso de indivduos hipertensos, a medida da resposta da presso arterial durante o exerccio aerbio ser fundamental para avaliar o seu comportamento em relao sobrecarga de esforo realizada. Toda sesso dever constar de exerccios aerbios e os exerccios resistidos devero ser implementados de acordo com as necessidades dos beneficirios, visando o fortalecimento muscular, com aumento de massa muscular e melhora da qualidade ssea e a preveno da diminuio da massa muscular associada com a idade. Para definir a intensidade do exerccio resistido, ser necessria a realizao de testes especficos de fora (teste de carga mxima 1 repetio mxima) ou teste de repeties conforme as condies de cada beneficirio. Toda sesso de exerccio fsico dever iniciar com exerccios de aquecimento, visando aumentar a temperatura do msculo esqueltico e sua eficcia na contrao, bem como proporcionar um aumento gradativo dos batimentos cardacos e, consequentemente, do trabalho cardaco. Logo aps o aquecimento a sesso seguir com a execuo dos exerccios aerbios ou resistidos e sugere-se finalizar a sesso com exerccios de alongamento, com o objetivo de aumentar ou manter o nvel de flexibilidade e auxiliar na recuperao muscular. Exerccios de equilbrio, dentre outros para desenvolvimento de capacidades coordenativas, so tambm sugeridos. Recomenda-se realizar este tipo de exerccio antes da sesso de exerccio aerbio, uma vez que o cansao pode comprometer a execuo dos mesmos. A reposio hdrica e a no realizao de exerccios fsicos em jejum tambm devem ser includas nas orientaes dadas pelos profissionais de Educao Fsica.

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A seguir so descritas as principais condutas profissionais para melhor acompanhamento da prtica regular do exerccio fsico em portadores de fatores de risco para desenvolvimento de doenas cardiovasculares ou portadores de doenas crnicas:

Certificar-se de que o beneficirio tomou as medicaes dirias. Estar atento a possveis mudanas na dosagem ou tipo de medicamento. Reconhecer que alguns medicamentos para reduo ponderal podem aumentar o metabolismo e a frequncia cardaca. Evitar a prtica de exerccios que promovam impacto articular (caminhada, corrida) e optar por exerccios em piscina e bicicleta. Propor modificaes na prescrio para encorajar maior gasto energtico total. Nesse caso, o treinamento intervalado poder ser utilizado, de forma progressiva, paralelamente ao treinamento contnuo. Obesidade No caso de obesidade grau II (ndice de massa corporal entre 35 e 39,9 kg/ m2) a preferncia deve ser por exerccios em piscina e bicicleta. Caso no haja a disponibilidade de piscina ou bicicleta, a caminhada deve ser incentivada e poder ser realizada em sries de 10 minutos, sempre visando aumentar o nmero de sries e, posteriormente, o tempo de realizao contnua do exerccio aerbio, ou seja, 15 minutos, 20 minutos, 30 minutos. Propor modificaes na prescrio para encorajar maior gasto energtico total. O treinamento intervalado poder ser utilizado, de forma progressiva, em dias no consecutivos. Incentivar o acompanhamento nutricional para iniciar reeducao alimentar com o objetivo de reduo ponderal.

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Aps o inicio da prtica regular de exerccio fsico, o nvel de glicemia poder se alterar e assim, o mdico dever ser comunicado para ajustes de medicao, principalmente em usurio(s) portador(es) de diabetes mellitus tipo 1. Nos beneficirios com diabetes tipo 2 a variao glicmica menos comum. Desta forma, o monitoramente glicmico antes do exerccio recomendvel. Nos beneficirios com diabetes tipo 1 deve-se monitorar o nvel de glicemia antes, durante (> 30minutos) e aps a sesso de exerccio fsico. Evitar comear a sesso de exerccio se a glicemia estiver > 250 mg/dL com a presena de cetose. Ateno se a glicemia estiver > 300 mg/dL sem a presena de cetose. Ajustar a ingesto de carboidrato ou injees de insulina antes do incio do exerccio, de acordo com o nvel glicmico e intensidade de exerccio, para prevenir hipoglicemia. Ingerir de 20 a 30g de carboidrato antes de comear o exerccio se a glicemia estiver < 100 mg/dL. Evitar aplicar insulina em membros exercitados. Preferir a regio abdominal. Evitar exerccios aerbios e resistidos de alta intensidade.No paciente com diabetes tipo 2 a variao glicmica menos comum, desta forma, o monitoramente glicmico antes do exerccio suficiente. Estar atento aos principais sintomas tanto da hiperglicemia (>300 mg/dL fraqueza, sede, boca seca, nusea, vmito, respirao cetnica, edema nas plpebras, diurese freqentemente, quanto da hipoglicemia (<80 mg/dL sonolncia, desmaio, tonturas, tremores mos, suor, fome excessiva, fadiga, irritabilidade, apatia, viso turva, dor de cabea, dificuldade de concentrao). Ter ateno possibilidade de hipoglicemia noturna. Reconhecer a necessidade de cuidados especficos para os beneficirios com maiores complicaes decorrentes do diabetes mellitus (retinopatia, nefropatia e/ ou neuropatia perifrica). Certificar-se de que o beneficirio tomou as medicaes dirias. Estar atento a possveis mudanas na dosagem ou tipo de medicamento. Prescrever, preferencialmente, exerccio aerbio de intensidade moderada e controlada por meio da FC ou de escala de percepo subjetiva do esforo. Hipertenso Arterial Sistmica Evitar exerccios aerbios e resistidos de alta intensidade, bem como exerccios isomtricos. Observar o intervalo de recuperao entre um exerccio resistido e outro. Evitar manobra de valsalva durante a realizao dos exerccios resistidos. Aferir a presso arterial (PA): antes, durante e no final da sesso de exerccio aerbio. No comear o exerccio aerbio ou resistido caso a PA esteja acima de 200 mmHg (PA sistlica) e 110 mmHg (PA diastlica).

Diabetes mellitus

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Certificar-se de que o beneficirio tomou as medicaes dirias. Estar atendo a possveis mudanas na dosagem ou tipo de medicamento. Caso o beneficirio tenha isquemia, conversar com o mdico para identificar a intensidade de esforo na qual o usurio apresentou a isquemia. A intensidade de exerccio deve ser prescrita abaixo do limiar de isquemia. Interromper o exerccio caso a PA sistlica diminua mais que 10mmHg. Estar atento aos sinais e sintomas de intolerncia ao exerccio, como angina, dispnia intensa e alterao eletrocardiograficas sugestiva de isquemia ou arritmias (aluno na fase II de reabilitao cardaca). Informar ao beneficirio as caractersticas da angina clssica, para que o mesmo possa reconhecer os sintomas durante a prtica do exerccio fsico. Caso os sintomas de angina no cessem aps a interrupo do exerccio fsico ou aps a administrao de trinitrina (nitroglicerina) sublingual, o beneficirio dever ser socorrido imediatamente. Em pacientes submetidos cirurgia cardaca, deve-se introduzir exerccios resistidos com movimento de trax somente aps 3 meses da cirurgia. Qualquer mudana ou aumento nos sintomas de angina deve ser comunicado ao mdico, pois pode significar mudana no estado das coronrias. Certificar-se de que o beneficirio tomou as medicaes dirias. Estar atendo a possveis mudanas na dosagem ou tipo de medicamento. O beneficirio s poder realizar exerccio fsico se estiver estvel com terapia medicamentosa adequada e com indicao mdica. O mesmo dever ter capacidade funcional maior que 3 METS (se possvel com medida direta de oxignio). Insuficincia cardaca Estar atento aos sintomas de descompensao, como a dispnia aos pequenos esforos ou arritmias. Possvel risco de hipocalemia (potssio srico < 3.5 mmol/L), por uso de diurticos. Evitar exerccios isomtricos. Em pacientes que apresentem arritmias em repouso e que, por essa razo, o controle da intensidade do exerccio aerbio pela contagem dos batimentos cardacos seja difcil, poder ser feito este controle com o uso da escala de percepo subjetiva do esforo.

Doena arterial coronariana

RESPONSABILIDADE tICO-PROFISSIONAL
O conhecimento tcnico-cientfico condio necessria, mas no suficiente, para o bom exerccio profissional, pois aquilo que do ponto de vista tcnico correto pode ser avaliado de maneira diversa sob o prisma tico. Assim, necessrio que cada profissional compreenda que sobre ele recaem dois nveis de responsabilidade: a tcnica e a tica. Os Cdigos de tica apareceram na histria das profisses representando a substituio da tica individual por uma tica coletiva. Esses documentos registram princpios e normas de conduta apropriadas e sua funo bsica pautar o comportamento do profissional. O Cdigo de tica dos Profissionais de Educao Fsica, institudo pela Resoluo CONFEF n. 056/2003 define-se como um instrumento legitimador do exerccio da profisso e articula as dimenses tcnica e social com a dimenso tica, de forma a garantir, no desempenho da profisso, a unio de conhecimento cientfico, atitudes e comportamentos que referendem o saber prprio da rea de Educao Fsica de modo a traduzir um saber bem e um saber fazer bem. Em geral, a escolha por uma profisso um passo de total eleio pessoal, mas ao escolh-la, o conjunto de deveres profissionais passa a ser obrigatrio. imprescindvel para um bom desempenho profissional ser bem informado, acompanhar no apenas as mudanas nos conhecimentos tcnicos, mas tambm nos aspectos legais e normativos do exerccio da profisso.

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Dessa forma, competncia tcnica e aprimoramento permanente, confidencialidade, tolerncia, flexibilidade, urbanidade e relaes genunas com os beneficirios, so comportamentos eticamente adequados e moralmente indissociveis no exerccio profissional. O Cdigo de tica tem por objetivo nortear as atitudes do profissional de Educao Fsica e elucidar direitos, deveres e responsabilidades tico-profissionais. Merece destaque aspectos citados nesse Cdigo que dizem respeito ao exerccio da profisso em geral, mas que se enquadram nas especificidades da ateno bsica sade. Nesse sentido, o dever fundamental do profissional de Educao Fsica o de preservar a sade de seus beneficirios nas diferentes intervenes ou abordagens conceituais ao lidar com questes tcnicas, cientficas e educacionais, tpicas de sua profisso e da sua formao intelectual. O dever fundamental da preservao da sade dos beneficirios implica em responsabilidade social do profissional de Educao Fsica, cabendo-lhe assegurar uma interveno segura, competente e atualizada, livre de danos decorrentes de impercia, negligncia ou imprudncia, utilizando para isso, todo conhecimento, habilidade e experincia proporcionada pela sua formao acadmica inicial e continuada. Dessa forma, a interveno do profissional de Educao Fsica s deve ser compartilhada com profissionais devidamente habilitados e registrados junto aos seus respectivos Conselhos Profissionais. Uma vez que a profisso de Educao Fsica comprometida com o desenvolvimento corporal, intelectual e cultural, bem como com a sade global do ser humano e da comunidade, devendo ser exercida sem discriminao e preconceito de qualquer natureza, o profissional da rea deve respeitar a vida, a dignidade, a integridade e os direitos do ser humano. Prestar sempre o melhor servio a um nmero cada vez maior de pessoas, com competncia, responsabilidade e honestidade e, ainda, garantir que as relaes inter-profissionais sejam fundadas no respeito, na liberdade e independncia, na busca do interesse e do bem estar dos beneficirios. Alm disso, cabe ao profissional de Educao Fsica, quando assim for necessrio, emitir publicamente parecer tcnico sobre questes pertinentes ao seu campo profissional, respeitando os princpios do Cdigo de tica, os preceitos legais e o interesse pblico. Em suma, ao intervir na sade o profissional de Educao Fsica deve atuar em reas/funes para as quais possua conhecimento tcnico e capacidades especficas. Precisa conhecer normas e legislao pertinentes, ter atitudes pessoais que denotem respeito s pessoas, manter-se atualizado e adquirir competncias pessoais para atuao em equipes multiprofissionais.

REFERNCIAS BIBLIOgRFICAS
ACSMs Guidelines for exercise testing and prescription / American College of Sports Medicine; [senior editor, Whaley MH; associate editor clinical, Brubaker PH, associate editor fitness, Otto RM; authors, Armstrong L, et al.]. 7th ed. Lippincott Williams & Wilkins; 2006. BRASIL, Ministrio da Educao. Diretrizes curriculares de cursos de graduao em Educao Fsica, 2009. http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_ content&view=article&id=12991. Acesso em 17/05/2009. BRASIL, Ministrio da Sade, Secretaria de Ateno Sade. Portaria n 154, 2008. --------- Ministrio da Sade, Secretaria de Vigilncia em Sade. Poltica Nacional de Sade. Braslia: Ministrio da Sade, 2006. --------- Ministrio da Sade, Secretaria de Ateno Sade, Programa Sade da Famlia: ampliando a cobertura para consolidar a mudana do modelo de Ateno Bsica. Revista Brasileira de Sade Materno-Infantil, 3(1):113-25, 2003. --------- Ministrio da Sade. Guia prtico do Programa Sade da Famlia. Braslia, 2001. --------- Ministrio da Sade. Sade da Famlia: uma estratgia para a reorientao do modelo assistencial. In: Braslia, ed.: Governo Federal: Ministrio da Sade, Braslia, 1994. --------- Constituio da Republica Federativa do Brasil. Braslia, 1988.

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48 | Recomendaes Sobre Condutas e Procedimentos do Profissional de Educao Fsica na Ateno Bsica Sade

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