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Yeshua no Talmude: Referências e Polêmicas

Este documento discute uma passagem do Talmude Babilônico que menciona Jesus. A passagem descreve o processo legal judaico de anunciar publicamente os crimes, testemunhas e localização de um crime antes de uma execução. A passagem afirma que, diferentemente do processo normal, um arauto anunciou por 40 dias os crimes de Jesus antes de sua execução na véspera da Páscoa. Rabinos posteriores debateram esta história e suas implicações.

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Nelson Filho
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Yeshua no Talmude: Referências e Polêmicas

Este documento discute uma passagem do Talmude Babilônico que menciona Jesus. A passagem descreve o processo legal judaico de anunciar publicamente os crimes, testemunhas e localização de um crime antes de uma execução. A passagem afirma que, diferentemente do processo normal, um arauto anunciou por 40 dias os crimes de Jesus antes de sua execução na véspera da Páscoa. Rabinos posteriores debateram esta história e suas implicações.

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Yeshua no Talmude*

Rabino Joseph Shulam

Lio 2

Na primeira lio fizemos uma introduo e definimos, em linhas gerais, o que o Talmude. Entretanto, h algo sobre o Talmude que poder surpreender a muitos cristo. Essa coleo de escritos rabnicos, datando do terceiro, quarto e quinto sculos, possui, em seus textos mais antigos, referncias e mesmo citaes nominais a Yeshua, Jesus. Dentre as interessantes histrias que falam de Jesus, e at mesmo mencionam sua execuo, separamos uma, que se encontra no Talmude Babilnico, no Tratado Sanhedrin (Sindrio), pgina 43a. Essa passagem est localizada em meio a uma discusso sobre como um criminoso sentenciado deveria ser executado. Citaremos aqui, a partir da verso em ingls da edio Sonsino do Talmude, o que a Mishn diz;

Se, ento, o julgarem inocente, o liberam; caso contrrio, ele sair para ser apedrejado, e um arauto o proceder [bradando]: fulano, filho de beltrano sair para ser apedrejado por ter cometido tal e tal transgresso da qual sicrano testemunha, quem quer que saiba algo a seu favor, deixe-o vir e declare o que sabe.

Interessante notar que, mesmo depois da declarao de culpa e da corte pronunciar a sentena, era dada a oportunidade, at o ltimo momento antes da execuo, para que uma testemunha se apresentasse e mudasse o veredito. Outro ponto importante que o nome de quem testemunhasse contra o acusado era anunciado publicamente nas ruas da cidade antes que a execuo comeasse.
* Originalmente publicado como: Yeshua in the Talmud, por Joseph http://netivyah.org.il/English%20Web/MidrashaArticles/yeshua_talmud2.html Traduzido para a lingua portuguesa por Andr Tavares Silva Santos. Todos os direitos em portugus reservados Associao Ministrio Ensinando de Sio. SHULAM, em

Em outras palavras, uma testemunha cujo depoimento estabelecesse a culpa de algum no poderia ter sua identidade ocultada, no havia o recurso da testemunha annima. As fontes das informaes que condenaram algum deveriam ser pblicas para evitar que uma pessoa envolvida num plano secreto ou conspirao ou uma falsa testemunha fossem aceitas como kosher1. Sim, pois na lei judaica nem todos servem como uma testemunha vlida. No contexto histrico do Talmude, somente um homem piedoso, reto, ntegro, honesto e j respeitado pela comunidade poderia apresentar um testemunho admissvel. Por isso, muitas vezes, o testemunho de uma mulher no era aceito, uma vez que se considerava que uma mulher no poderia ser uma testemunha confivel. Portanto, como dizamos, a testemunha de acusao era anunciada publicamente, e se, aps isso, algum provasse que ela no era kosher ou trouxesse nova evidncia que devesse ser considerada, ento a execuo que estava a caminho era suspendida.

A respeito desse tema, os rabinos do perodo Talmdico debateram; e um dos rabinos, de nome Abaye, que viveu na Babilnia no quarto sculo, disse: Tambm necessrio ser anunciado que em tal e tal dia, em tal e tal hora, em tal e tal lugar [o crime foi cometido]. Dito de outro modo, no houve um crime abstrato; o crime aconteceu num dado local num dado momento, e por esse motivo a condenao deve se dar por uma testemunha especfica, num lugar especfico, numa hora especfica. Abaye continua dizendo que no caso de haver algum que tenha provas do contrrio, ento deve apresentar-se e provar que a testemunha um jomemim. Jomemim, nesse caso, designa algum que cometeu perjrio, ou seja, que prestou falso testemunho, ou que tramou planos para a condenao de algum.

O Talmude prossegue com a discusso e apresenta os regulamentos da Mishn a respeito do arauto. Segundo o trecho citado, ele precedia o condenado bradando: fulano cometeu tal e tal crime. Esse procedimento (o anncio pblico feito pelo arauto) tomava lugar apenas imediatamente antes da execuo, e nunca antes disso. Mas outra passagem cita um fato que contraria essa regra, e foi dito: Na vspera da Pscoa, Yeshu (ou seja, Jesus) foi enforcado. Pelos quarenta dias que antecederam sua execuo, um arauto saiu e anunciou: Ele ser apedrejado porque praticou feitiaria e induziu Israel apostasia.

Vamos rever as etapas do procedimento: o Talmude diz que, normalmente, quando uma pessoa era condenada execuo, o arauto saia adiante e anunciava seus crimes, quando e onde aconteceram,
1 N.T.: Literalmete, kasher ou kosher refere-se ao que ritualmente puro, e usado aqui no sentido de ilibado, insuspeito.

quem so as testemunhas e qual a execuo, imediatamente antes que esta comeasse. Entretanto, Jesus foi uma exceo de acordo com essa histria do Talmude. Por quarenta dias antes de sua execuo um arauto saiu e proclamou pelas ruas da cidade dizendo: Ele ser apedrejado porque praticou feitiaria e conduziu Israel apostasia; qualquer um que possa dizer algo em seu favor, deixe-o vir adiante e o defenda. Essas eram as palavras que o Talmude afirma que o arauto disse por quarenta dias, todos os dias, antes da execuo de Jesus.

E o Talmude continua, dizendo: Porm, uma vez que nada foi alegado em seu favor, ele foi enforcado na vspera da Pscoa. Esse relato muito interessante, por dois motivos: primeiramente, aqui temos uma fonte rabnica, uma fonte judaica, que admite que Jesus foi enforcado por uma deciso de um tribunal judaico, e, segundo, tambm admite que Jesus foi enforcado na vspera da Pscoa. Esses dois fatos so muito importantes porque atravs dos sculos a comunidade judaica negou que Jesus foi crucificado por deciso de um tribunal judaico, e, por sculos, rabinos e eruditos judeus negaram at mesmo que Jesus existira. E aqui temos, dentro de suas prprias fontes, nas fontes rabnicas, uma clara admisso desses dois pontos: Jesus existiu, ele foi julgado por um tribunal judaico e foi executado na vspera da Pscoa.

Encontrar o reconhecimento desses fatos em fontes judaicas muito importante, mas como podemos ver, esse relato muito polmico, visto que no estabelece um fato histrico, mas aparece como um exemplo de propaganda contra o Cristianismo e contra Jesus, e ns examinaremos isso na continuao dessa passagem. A histria no coincide com as fontes bblicas, com o relato que nos d o Novo Testamento. Primeiramente, Jesus foi julgado na noite anterior sua execuo, de acordo com os evangelistas, e no quarenta dias antes. Segundo, a frase ele foi apedrejado [ou executado] por praticar feitiaria e levar Israel apostasia freqente e emblemtica no Talmude, sendo empregada a quase todos os hereges. Embora essas no sejam precisamente as acusaes levantadas contra Jesus, essas so as palavras ditas sobre todo herege: que atraiu Israel para a apostasia e praticou feitiaria. Ser interessante, nas prximas lies, perguntar por que esta frase vinculada tambm a Jesus caracterizando-o como herege.

H outra polmica interessante presente nessa passagem, ao afirmar que durante todos os quarenta dias o arauto saiu, anunciou, perguntou se havia algum que tivesse algo a alegar em favor de Jesus, e que ningum se apresentou em todo esse tempo. Em outras palavras, isso levantado para justificar a execuo de Jesus, para dizer que foram lenientes com ele, que foi dada ao pblico a

chance de vir e defend-lo, mas ningum se apresentou naqueles quarenta dias, ou seja; para dizer que foram alm de sua obrigao de serem justos no julgamento de Jesus. Esse , de alto a baixo, o propsito polmico dessa histria.

Ento, um outro rabino do quarto sculo, chama Ulla, contesta as afirmaes que foram feitas no nome de Abaye. Ulla replica: Voc supe que ele era algum de quem alguma defesa pudesse ser feita? De outro modo: de acordo com Ulla, que tambm viveu na Babilnia no quarto sculo, por que o arauto foi enviado por quarenta dias se deviam saber que para um homem como Jesus nenhuma defesa poderia ser apresentada? E Ulla pergunta: Ele no era um Mesith (instigador), a respeito de quem as Escrituras dizem: tu no o poupars, nem o ocultars?. Esta uma citao de Deuteronmio, captulo 18, verso 9, relacionado ao que fazer com o falso profeta e ao feiticeiro.

O Talmude responde questo de Ulla: com Yeshu (Jesus), contudo, foi diferente porque ele era ligado realeza (em hebraico mekurav le'malchut). Essa uma declarao muito estranha e lacnica. O que o Talmude sugere com essa afirmao pode ser entendido de diversas maneiras. Os tradicionais rabinos medievais, por exemplo, disseram que ele era influente, que tinha relaes com o governo romano e com Herodes Antipas, nos dias de quem foi executado. Ento, porque era uma pessoa importante, de acordo com essa interpretao, tiveram que proceder cuidadosamente quando o executaram. Tiveram que levar as supostas relaes de Yeshu com os poderosos em considerao, e se certificaram de que ningum os acusaria de t-lo executado injustamente. Foi por isso que deram tantas chances e por quarenta dias enviaram o arauto adiante de Jesus, perguntando por algum que levantasse alguma defesa a seu favor.

Entretanto, essa afirmao no Talmude talvez tenha um significado diferente. O que significa isso, que com Yeshu era diferente porque ele era ligado realeza, mecurav lemalchut em hebraico? Literalmente, isso significa que ele era prximo do Reino, muito embora no esclarea que reino esse. Rabinos medievais, que j haviam se deparado com o Cristianismo em sua forma mais terrvel, no podiam imaginar que algum no quarto sculo tivesse dito que Jesus era ligado famlia real. No entanto, penso que h mais coisas escondidas do que percebemos primeira vista quando o Talmude diz que Jesus era relacionado com o Reino. Alguns rabinos pensam que o real significado dessa frase (mecurav lemalchut) diz respeito a Jesus pertencer Casa Real de David, ou seja, que Jesus era descendente do Rei David. Quer dizer que, nesse caso, estar ligado ao reino diz respeito a ser pertencente linhagem davdica, realeza de Israel, e por isso que no poderiam

se apressar em execut-lo sem esses quarenta dias, que serviram de salvaguarda e para procurar por algum que pudesse apresentar alguma defesa a favor dele. No h somente um propsito polmico ocultado atrs dessa declarao, mas h tambm uma tradio que diz que Jesus era da Casa de David e que por isso ele seria ligado ao Reino. nossa opinio que essa interpretao faz mais sentido do que a anterior (que coloca Jesus simplesmente como algum prximo ao governo de Roma ou de Herodes Antipas), visto que no encontramos outra fonte histrica que indique tal proximidade.

Joseph Klausner em seu livro Jesus de Nazar, publicado por volta do incio do sculo XX, fala sobre essa passagem do Talmude, que menciona Jesus e sua relao com a realeza (p. 27):

As autoridades do Talmude no negam que Jesus realizou sinais e maravilhas, mas os consideraram como atos de feitiaria. Ns encontramos a mesma acusao nos Evangelhos: E os escribas que desceram de Jerusalm disseram, Ele tem Belzebu, e, pelo prncipe dos demnios expulsa os demnios (Mc 3:22 e Mt 9:34; 12:24, onde os fariseus se valem de termos similares). Que foi como um sedutor e enganador que Jesus foi morto, est claro para os tannaim, em cujos dias os discpulos de Jesus se tornaram uma seita judaica separada negando muitos dos principais princpios religiosos do Judasmo; portanto, o mestre dos discpulos, Jesus, pelo menos de acordo com esses rabinos, os iludiu e os fez se desviarem da f judaica. Mas notvel que a Barita enfatize o fato que eles no se apressaram em conduzir Jesus morte mesmo ele sendo um enganador, e que adiaram a execuo de sua sentena por quarenta dias, para o caso de algum vir e argumentar em seu favor (uma questo surpreendente para o amor Ulla). Isso exatamente o oposto do relato do Evangelho, de acordo com o qual o julgamento de Jesus perante o Sanhedrin (sindrio) foi encerrado precipitadamente e a sentena apressadamente levada ao Procurador Romano. Na opinio do presente escritor, a declarao sobre o arauto tinha uma tendenciosidade bvia, e difcil pensar que seja historicamente factual.

Ento, Klausner, muito diplomaticamente, afirma que difcil para ele imaginar que essa afirmao

no Talmude seja uma afirmao historicamente vlida, e ns j afirmamos que trata-se de uma fala propagandstica encontrada nessa fonte talmdica. Queremos retornar a essa questo, do Talmude alegar que Jesus no somente foi executado na vspera da Pscoa por deciso de uma corte judaica, o Sanhedrin, e tambm ao fato de ter conhecimento de que ele era parte da realeza, da Casa de David, da os cuidados redobrados em sua execuo (ainda que essa parte do relato seja inverdica, sendo, na verdade, propaganda contra o Cristianismo). Temos aqui uma tradio transmitida dentro do Judasmo que reconhece Jesus no como um qualquer, mas como algum da realeza. Fica evidenciado, ento, que Judasmo e Cristianismo apresentam proximidades e certa concordncia quanto a Jesus: que foi crucificado como o rei dos judeus, para os cristos, e como algem da Casa de David, para os judeus e segundo o Talmude.

O texto talmdico continua a tratar sobre Jesus e seus discpulos, e h muitas questes importantes aqui que merecem ser tratadas parte. Mas queremos retornar e reiterar ainda aqui algo sobre a importncia de olhar para essas fontes externas que falam de Jesus. Naturalmente, para ns, quanto mais prximos elas esto do primeiro sculo, mais importante so. Uma Baraita que est incorporada quela passagem que ns tratamos, remonta, provavelmente, a algum momento do segundo ou terceiro sculo, mas trazida a ns pela boca dos rabinos do quarto sculo. Ela guarda em si uma importante tradio repleta de pontos de contato com o relato bblico, e deve fortalecer e reafirmar algumas verdades bblicas, sobretudo para ns. bem verdade que no precisamos da afirmao de fontes rabnicas para fortalecer nossa f, pois esta sustentada por Dus e pela Palavra de Dus to somente. O Talmude no parte das Escrituras, da Bblia, mas os debates dos rabinos guardados nele contm importantes referncias cruzadas que mostram duas coisas: como o povo judeu aborda o Evangelho; e porque, ocasionalmente, mostram que os fatos bsicos do Evangelho no podem ser negados nem mesmo pelos rabinos judeus que viveram nos momentos mais sombrios do Cristianismo.

A idia de que Jesus foi acusado ou condenado por praticar feitiaria e conduzir Israel apostasia traz em si mesma algo muito interessante: tambm no Novo Testamento os fariseus tentaram acusar Jesus de expelir demnios no nome de Belzebu, no nome do diabo, como vimos acima na citao de Klausner. No foi possvel negar que esses fatos realmente aconteceram, que os milagres aconteceram, que Jesus expulsava demnios, mas era preciso explicar isso de outra maneira, e o fizeram dizendo que Jesus fazia isso por meio de poderes de feitiaria. Ento, tentaram dizer que aqueles sinais eram atos do diabo, mas isso refutado pelo Novo Testamento. Durante o perodo

talmdico, os prprios sbios reconhecem que esse argumento no se sustenta, e ento criaram todos os tipos de fbulas para explicar como Jesus conseguiu aqueles poderes. Trataremos de algumas dessas fbulas nas lies posteriores, mas deixe-nos apenas recuperar esse reconhecimento, dentro do prprio Talmude, de que Jesus realmente realizou milagres e sinais pelo poder do Nome do Altssimo, o tetragrama, as quatro letras que formam o nome que transliterado, freqentemente, em portugus por Jehovah, ou Yaveh.

Uma fbula que se encontra, tal como est descrita aqui, num livro chamado Toldot Yeshu, ou A Historia de Jesus, diz que Jesus, quando era um menino em seu bar mitzva, foi a Jerusalm com seus pais e debateu com os rabinos e sacerdotes do templo, e que sorrateiramente entrou no Santo dos Santos, e ouviu os anjos pronunciando e usando o nome de Dus. Como ele era um garoto precoce e esperto, sabia que, caso sobrevivesse, os anjos apagariam sua memria. Ento ele escutou e riscou a pronncia do Nome de Dus em um pedao de couro, cortou a si mesmo e colocou esse pedao de couro sob sua pele, logo aps usou o nome de Dus para curar o ferimento. Depois, quando saiu do Santo dos Santos, de acordo com essa fantstica e inacreditvel histria, os anjos apagaram sua memria, e no se lembrava mais do Nome de Dus, nem como pronunci-lo, mas se lembrava que havia cortado a si mesmo e inserido alguma coisa sob sua pele, e, claro, abriu o local do corte outra vez, e tinha, ento, outra vez, o poder do Nome de Dus.

Essa histria interessante salienta duas coisas: reconhece que Jesus realmente fez milagres, e nem os sbios puderam negar isso. Segundo, porque Jesus fez coisas boas, ele no poderia t-las feito por outro poder, como por feitiaria, que no pelo Nome do Senhor. Ele curou pessoas, ressuscitou os mortos, abriu os olhos dos cegos, purificou os leprosos, etc. Quem fez todas essas coisas poderia ser algum mau, praticante de feitiaria e apstata? Portanto, se aquelas foram aes boas, poderiam ter sido feitas unicamente pelo Nome de Dus, e essa fbula uma tentativa de explicar como Jesus conseguiu aprender o Nome de Dus.

Os sbios do Talmude no puderam negar essas coisas, e na histria eles precisaram explic-las por meio dessas fbulas fantsticas, e esse fato deve ser para ns encorajador: saber que mesmo hoje ns no podemos negar o poder de Dus em Jesus Cristo.

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O Talmude afirma que um arauto anunciou o caso contra Jesus durante quarenta dias, permitindo a apresentação de defesa antes de sua execução na véspera da Páscoa . Em contraste, o Novo Testamento descreve que Jesus foi julgado na noite anterior à sua execução, sem menção a um período de quarenta dias . Além disso, o Novo Testamento relata a acusação de Jesus como herevação contra os ensinamentos religiosos, enquanto o Talmude alega feitiçaria e apostasia .

Ambos o Talmude e o Novo Testamento reconhecem que Jesus realizou milagres. O Talmude admite que Jesus fez sinais e maravilhas, embora atribua suas habilidades à feitiçaria e discuta métodos, como usar o Nome de D’us, para explicar seus atos . O Novo Testamento, por outro lado, afirma que Jesus usou o poder divino sem questionar a legitimidade dos milagres e refuta acusações de feitiçaria .

De acordo com o Talmude, normalmente, quando uma pessoa era condenada à execução, um arauto saia adiante e anunciava os crimes, quando e onde aconteceram, quem são as testemunhas e qual a execução, imediatamente antes que esta começasse . No entanto, no caso de Jesus, houve uma exceção: durante quarenta dias que antecederam sua execução, um arauto foi enviado para anunciar os crimes dele publicamente e convidar a defesa, o que indica um procedimento alterado possivelmente devido à sua importância ou status .

Os relatos talmúdicos são significativos porque, mesmo sendo uma fonte judaica, eles confirmam a existência de Jesus e sua execução por um tribunal judaico, um ponto negado por séculos dentro da comunidade judaica . O relato de sua crucificação, apesar das diferenças narrativas com o Novo Testamento, proporciona uma perspectiva judaica valiosa sobre os eventos relacionados a Jesus .

No Talmude, o termo 'mecurav le'malchut' é usado para indicar que Jesus era próximo à realeza. Tradicionalmente, sugeriu-se que ele tinha relações com o governo romano e Herodes Antipas, o que exigiria um cuidado extra em seu julgamento . Outra interpretação mais aceita é que ele pertenceria à Casa Real de David, ligada ao Reino de Israel, o que justificaria a extensão do julgamento de quarenta dias para permitir defesas adequadas .

O Talmude narra uma fábula na qual Jesus ganha poder ao ouvir e inscrever o nome de D’us, YHVH, ao entrar secretamente no Santo dos Santos e usá-lo em seus milagres . Esta narrativa não aparece nos evangelhos, que não mencionam esse tipo de obtenção secreta de poder divino, mas afirmam que Jesus operava milagres pelo poder inerente a seu papel divino .

O Talmude reflete uma mistura de influências externas e preconceitos, como é evidente na acusação recorrente de feitiçaria e a narrativa de fábulas sobre o poder de Jesus, que visavam desafiar a origem divina dos seus milagres, tradicional em interpretações cristãs . O esforço para explicar os milagres de Jesus como atos de feitiçaria usando histórias extraordinárias sugere uma posição defensiva contra o crescente impacto do cristianismo na época .

O Talmude revela que as atividades de Jesus foram vistas como uma ameaça ao Judaísmo tradicional. Ele foi acusado de praticar feitiçaria e apostasia, levando o povo de Israel a se desviar da fé, ponto de vista que é também refletido pela designação de Jesus como 'Mesith' . As tentativas de explicação para seus milagres, como atribuí-los ao uso indevido do nome de D’us, ilustram a necessidade de proteger os princípios judaicos contra as crescentes seitas religiosas .

O ceticismo em relação ao relato talmúdico está ligado à falta de evidências históricas que corroborem a proximidade de Jesus com autoridades romanas ou Herodes Antipas como sugere uma das interpretações de 'mecurav le’malchut' . Além disso, o uso do relato no Talmude pode ter uma intenção propagandística contrária ao cristianismo, afetando sua credibilidade histórica .

O Talmude parece justificar as chances de defesa dadas a Jesus ao destacar que, mesmo considerado um 'Mesith' (instigador), que não deveria ser poupado, o caso de Jesus era diferente por ele estar ligado à realeza ('mecurav le'malchut'), o que demandava precaução extra para evitar acusações de injustiça em sua execução .

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