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FACULDADE SANTO AGOSTINHO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA CLÍNICA
DISCIPLINA: SEMINÁRIO TEMÁTICO – PSICOTERAPIAS CORPORAIS
APOSTILA BÁSICA PARA CONSULTA
(TRANSPARÊNCIAS COM CONTEÚDOS MINISTRADOS)
AUTOR/MINISTRANTE:
Prof. Ms. Périsson Dantas do Nascimento
Mestre em Psicologia pela UFRN, Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC/SP
Psicólogo Clínico, Psicoterapeuta Corporal em Análise Bioenergética
Supervisor de Psicologia Clínica da FSA e UESPI
TERESINA, dezembro de 2006
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AULA 01: PSICOTERAPIAS CORPORAIS: ASPECTOS GERAIS
BREVE HISTÓRICO
Sigmund Freud: Fenômenos histéricos – somatização Inaugura a visão
psicanalítica – conceitos de libido, inconsciente e sexualidade infantil,
transferência e resistência
Wilhelm Reich: Análise do caráter – visão psicossomática da resistência
no processo analítico – Função do orgasmo – Sistema nervoso simpático e
parassimpático - Vegetoterapia Caracteroanalítica – Orgonomia
Ola Raknes e Federico Navarro: Somatopsicodinâmica e sistematização
da vegetoterapia caracteroanalítica – actings
Alexander Lowen: Análise Bioenergética – Trabalho com o grounding,
revisão da análise do caráter, ênfase na expressão das emoções, exercícios
e grupos de movimento
David Boadella: Biossíntese – Influência da psicologia pré-natal – visão
embriológica da personalidade, teoria das relações objetais, reformulação
dos princípios terapêuticos de acordo com o sentido integrador dos
clientes
Gerda Boyesen: Psicologia Biodinâmica – Trabalho com a digestão
psicossomática da vida, trabalho com massagens, hipótese das couraças
viscerais e dos tecidos – Limpeza das toxinas emocionais
Stanley Keleman: Educação Somática e Psicologia Formativa – Trabalho
com o aspecto emocional da formação dos tecidos, numa perspectiva
somática-existencial, estudos sobre a anatomia emocional e os padrões de
distresse somático
CONCEITOS E HIPOTESES
A psicoterapia corporal pode ser definida como uma modalidade
terapêutica de cunho holístico e psicossomático, ou seja, o ser humano. É
um corpo que possui um potencial de energia direcionado para o amor, o
trabalho e o conhecimento, pilares básicos da vida
Trabalha com a hipótese central de que a história de vida de cada pessoa
está inscrita no corpo, na forma de tensões, fluxos energéticos e formas
específicas de expressão e constituição, para além da genética
Dificuldades nas relações objetais e no desenvolvimento infantil
repercutem em fixações psíquicas – defesas – que são somatizadas na
forma de couraças no corpo. O trabalho visa flexibilizar, de maneira
integrada, psiquismo e corporeidade
Visa proporcionar uma melhor auto-consciência, por meio de diferentes
intervenções, reconhecendo o limite de cada pessoa e o seu fluxo
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energético, de forma a entrar em contato com as emoções, a sexualidade e
a vivacidade/espiritualidade
Caráter como sistema de defesas psíquico – rigidez das defesas repercute
em rigidez muscular da couraça – leitura e diagnóstico mente/corpo
Transferência e contratransferência trabalhadas continuamente como
movimentos emocionais e energéticos – aliança com a resistência e o
sistema de defesas infantis e psicossomáticos dos clientes, que ajudam a
se proteger de ameaças sentidas na infância
Regressão para a progressão
Toque como ferramenta terapêutica
Neurose: resultante da energia estásica, acumulada devido a repressão de
demandas infantis que precisavam ser descarregadas – fórmula do
orgasmo – tensão/carga/descarga/relaxamento
Setting terapêutico como espaço de cuidado, vínculo e restabelecimento
do fluxo energético saudável
Pode incluir procedimentos como massagens, actings, visualizações,
grounding, meditação, imaginação, trabalho sistemático de liberação da
tensão psicossomática
Diagnóstico e plano de tratamento específico para cada caráter, vinculado
a questões do desenvolvimento psicossexual infantil – esquizóide, oral,
narcisista, masoquista e rígido – fixações pré-genitais que impedem o
curso adulto do encontro amoroso e da descarga sexual.
Emoções básicas - MEDO: a emoção que paralisa
RAIVA: a emoção que liberta
TRISTEZA: a emoção que alivia
AMOR: a emoção que satisfaz
Grounding: sustentação e segurança – mesoderma
Facing, sounding: Olhar, contato, comunicação, vocalização – ectoderma
Centering: Respiração, relaxamento, centramento, sentimento –
endoderma
Surrender – A entrega ao corpo e aos sentimentos
Acting: Desbloqueio caracterial dos níveis de couraça
Toque água, fogo, terra e ar
Vibração energética – função do orgasmo – pulsação plasmática –
expansão/contração
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AULA 02: Reich e a Vegetoterapia
Pensamento de base para todas as Psicoterapias Corporais
Notas biográficas
• História inicial: relação conflituosa com o pai – suicídio da mãe – morte
do pai – assume a família;
• Alista-se – trabalha na guerra – curso de Medicina
• Encontro com a psicanálise e necessidade de estudar a sexualidade
humana
• Torna-se um dos discípulos mais influentes de Freud – Clínica
psicanalítica para a população
• Desenvolvimento da análise do caráter
• Envolve-se com o marxismo – complicações com a instituição
psicanalítica
• Forma de ser polêmica e engajada socialmente
• Complicações com o marxismo
• Guerra – viaja pela Europa – desenvolve estudos sobre a função do
orgasmo
• Vai para os EUA e aprofunda a orgonomia
• Experimento Oranum - Denúncias de fraude – prisão - morte
Análise do Caráter
• O que faz uma análise ser eficiente?
• Seminários sobre a técnica psicanalítica: discutia-se a eficácia da cura, por
meio de casos clínicos. Reich questionava os resultados da associação
livre e da interpretação na análise.
• Dificuldade dos analistas em lidarem com a relação de transferência e
com a resistência ao tratamento.
• Crítica ao método de análise em que se enfatiza os conteúdos das idéias
por meio da linguagem, mas sem associa-las a uma expressão emocional.
Freud, estudando a histeria, já concluía que a cura do sintoma advém da
representação traumática integrada ao afeto libidinal correspondente.
Reich reconhecia que grande parte das situações de tratamento à medida
que normalmente transcorriam, degeneravam em uma “situação caótica”
na qual uma grande riqueza de memórias, sonhos e idéias inconscientes
eram desenterradas a fim de que o paciente os colocasse para fora, mas os
sentimentos fortes não eram liberados e o paciente recebia pouco
benefício e não melhorava.
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• Ênfase no trabalho contínuo de dissolução da RESISTÊNCIA no processo
analítico – todo cliente apega-se ao seu equilíbrio neurótico de forma a
impossibilitar a análise como forma de defesa. Com a análise do
comportamento, facilitando a consciência do COMO a defesa acontece, o
cliente recordará os afetos.
• CARÁTER: maneira defensiva e rígida como a pessoa se relaciona no
mundo. Advém de frustrações contínuas que impedem o curso do fluxo
libidinal, do prazer e sexualidade. Serve para evitar a angústia ou os fortes
sentimentos de prazer. O caráter é a soma total funcional de todas as
experiências de vida da pessoa, é sua história solidificada.
• O caráter é uma defesa narcísica do ego, vivido pela pessoa de maneira
inconsciente, é o “jeito” que a pessoa tem de estar no mundo
neuroticamente. O cliente é incapaz, no início da terapia, de perceber o
seu caráter como prejudicial, um impedimento no seu modo de viver. É
importante tratar na análise a forma que o cliente expressa seus
conteúdos, de maneira a perceber o quanto tenso, difícil está o seu modo
de viver e de se expressar
• Para Reich havia três estratos no desenvolvimento do caráter com os quais
se deparava em seus pacientes. Havia o superior (a aparência que a pessoa
escolhia apresentar ao mundo) que fazia com que o processo de análise
fracassasse se tomasse como base segura para a interpretação de sintomas
e sonhos. Abaixo desta havia uma camada secundária de impulsos e
fantasias perigosas, grotescas e irracionais. O sucesso do método da
análise do caráter reside na capacidade de penetrar por baixo dessa
camada em direção a uma outra fundamental onde os impulsos não são
mais distorcidos e patológicos, mas de forma espontânea, decente.
• A caracterologia de Reich envolvia três pontos principais: a) Uma técnica
sistemática de interpretar as atitudes do caráter a fim de fazer sair as
emoções reprimidas subjacentes a elas; b) Uma formulação clara do
objetivo da terapia, uma distinção econômico-sexual entre saúde e
comportamento neurótico; c) Uma descrição sistemática de vários tipos
diferentes de caráter e de situações conflitantes típica na infância que os
produzisse.
• O caráter é expresso somaticamente na forma de couraças (tensões)
musculares, as quais devem ser relaxadas, liberando o conteúdo e a
energia existente, transformando a estase em energia agressiva, libidinal,
sexual, própria do caráter genital.
• O caráter consiste em uma série complexa de defesas e formas substitutas
de alcançar um prazer, uma descarga da energia (impulso) original.
Protegendo-se contra a angústia, o cliente limita a sua capacidade de
sentir prazer na vida.
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• Reich admitiu seis fatores como decisivos na determinação do tipo de
defesa do caráter que uma criança adquiria: o momento em que um
impulso é frustrado; a extensão e intensidade das frustrações; os impulsos
contra os quais a frustração central é dirigida; a razão entre a permissão e
a frustração; o sexo da principal pessoa frustradora e as condições das
frustrações em si.
• Todas as formas de inter-relações entre todos os fatores acima, resultam
nas complexas diferenças individuais no desenvolvimento do
cará[Link] distinguiu nesta época basicamente as seguintes: caráter
fálico-narcisista; passivo feminino; agressivo-masculino; histérico;
compulsivo e masoquista.
Função do Orgasmo
• Qual a etiologia da neurose?
• Inicialmente a psicanálise diferenciava as neuroses atuais (perturbações
presentes na vida sexual) das psiconeuroses (advindas de conflitos
infantis). Reich argumenta que as duas formas de neurose estão
intimamente relacionadas, pois todos os psiconeuróticos têm problemas
com a sexualidade atual e os problemas sexuais dos clientes apareciam
sempre com núcleos de conflitos infantis.
• A estase advinda de experiências e traumas infantis limita a descarga
sexual. Estase é definida como a inibição da expansão vegetativa, um
bloqueio da atividade e motilidade do organismo. A estase seria uma
perturbação da economia sexual onde há inibição e represamento da
energia orgone do individuo. Esta se origina na diferença entre o acúmulo
e a descarga de energia sexual, sendo assim, o sintoma da neurose.
• Princípio da remoção de energia – o conflito é curado com a liberação da
energia que o alimenta – a estase aumenta a neurose e vice-versa.
• Os sintomas consistem em formas anormais, substitutivas de descarga da
excitação libidinal.
• Objetivo da terapia: facilitar no cliente a expressão da POTÊNCIA
ORGÁSTICA, definida como a capacidade de abandonar-se, livre de
quaisquer inibições, ao fluxo de energia biológica, a capacidade de
descarregar a excitação sexual reprimida, por meio de involuntárias e
agradáveis sensações do corpo.
• ORGASMO: capacidade plena de relação com o parceiro, sem bloqueios
no ato sexual. É a descarga completa, do fluxo vital, que antecede o
relaxamento, e possui características específicas no âmbito energético,
físico e psicológico.
• O ato sexual processa-se de um momento inicial de tensão mecânica,
carga energética, descarga energética e relaxamento mecânico. Essa é a
fórmula do orgasmo, que Reich transpôs para o funcionamento de toda a
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natureza viva. Busca-se uma entrega aos sentimentos involuntários do
corpo, que geralmente são inibidos pelas tensões advindas dos músculos
voluntários.
• A incapacidade de descarregar orgasticamente os impulsos gera um estado
de angústia, opressão interna, um retraimento para o eu, distante do
mundo. O fluxo de energia normal do centro para a superfície é
bloqueado, voltando para o centro, sentido como uma sensação de
desprazer, desconforto, geralmente no peito, no coração.
• O organismo humano possui um princípio de antítese e unicidade nos
processos corporais e psicológicos, os quais integram-se em momentos
como o orgasmo, em que o sexo e o amor fundem-se.
• Energia da pulsão: libido – bioenergia – orgone.
Vegetoterapia Caracteroanalítica
O que é a vida?
• Reich passou toda a sua vida tentando compreender como os processos
orgânicos funcionam na natureza e como a realidade subjetiva configura-
se a partir dos mesmos
• Durante a prática da análise do caráter, percebeu que os clientes exibiam
fortes reações somáticas a intervenções sobre o seu comportamento.
Inicialmente o trabalho consistia em descrever, imitar ou intensificar a
expressão corporal do paciente, posteriormente as observações
transformaram-se em intervenções no corpo, resultando na vegetoterapia.
Com isso, Reich começou a usar suas mãos diretamente sobre os corpos
de seus pacientes para trabalhar de forma incisiva sobre os módulos de
tensões musculares. Esse tipo de intervenção colaborou para o
rompimento definitivo de Reich com a prática ortodoxa da psicanálise.
• O ser vivo era imaginado como uma bexiga viva, que possui uma
membrana que serve de comunicação entre ele e o mundo exterior. Essa
membrana consiste na couraça, que, quando muito rígida, impede a
realização plena do fluxo vital e da pulsação plasmática.
• A couraça muscular corresponde à encarnação da neurose psíquica. A
expressão corporal de uma pessoa correspondia à sua atitude mental.
Reich argumenta que a couraça muscular corresponde à blindagem
inconsciente do caráter.
• Com a dissolução das couraças, percebe-se a presença de uma onda
energética circulando pelo corpo, condição para o surgimento da potência
orgástica e o reflexo do orgasmo.
• As pulsações consistem nos movimentos naturais da vida, de contração e
expansão coordenadas pelos sistemas vegetativos simpático e
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parassimpático, os quais regem todas as funções vitais, involuntárias e
emocionais.
• É importantíssimo o trabalho com a respiração. A neurose consiste em um
exagerado potencial inspiratório, com pouca expiração. Tal padrão
corporal inibe a vivência plena dos sentimentos e propicia um terreno
fértil para o desenvolvimento de biopatias.
• O desbloqueio das couraças acontece no sentido céfalo-caudal de
desenvolvimento, trabalhando com os seguintes anéis de couraça
segmentados no corpo: olhos – boca – pescoço – peito – diafragma –
abdômen – pélvis. O trabalho de desbloqueio muscular de cada segmento
desperta uma gama diversa de sensações somáticas, com o subseqüente
lembrar de situações e representações infantis traumáticas.
• Há uma preocupação com segmentos que possam estar mais ou menos
carregados energeticamente, o princípio da terapia é a redistribuição
energética de modo a facilitar a sensação de potência orgástica. As tensões
corporais podem ser vistas como uma série de constrições, com a função
de limitar o movimento, a respiração e a emoção.
• A vegetoterapia é considerada como a análise somática do caráter,
dissolvendo as resistências corporais (couraças) que foram geradas por
situações estressantes vividas pelo cliente desde a gestação, até a
completa aquisição da identidade, advinda da situação edipiana.
• Reich percebeu que mudanças fundamentais ocorriam quando as emoções
presas pelas expressões corporais pudessem ser liberadas, e que, por
exemplo, na área da face, os impulsos a serem liberados consistiam em
morder ou sugar, de chorar ou de fazer caretas. As principais emoções
reprimidas ligadas à ameaça caracterológica são as expressões de gritar,
soluçar e berrar.
• A técnica da analise do caráter tinha como objetivo terapêutico restaurar a
potencia orgástica e o estabelecimento de uma capacidade auto-
regulatória no amor e trabalho. O objetivo terapêutico da vegetoterapia
complementava isso num nível orgânico. Os movimentos involuntários do
corpo no orgasmo eram, apenas uma expressão desta capacidade
fundamental do corpo de pulsação biológica.
SEGMENTOS CORPORAIS EM REICH
OCULAR E TELERRECEPTORES: Olhos, ouvidos, nariz – Vinculação
primária na relação com a mãe
ORAL: Boca – Amamentação, introjeção, agressividade
CERVICAL: Pescoço – Narcisismo primário, ponte entre cabeça e corpo
– pensamento, movimento e expressão na garganta
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TORÁCICO: Peito, ombros e braços – Narcisismo secundário – sede do
coração e do EU, como também da angústia
DIAFRAGMÁTICO: Diafragma – Controle da respiração e ansiedade
ABDOMINAL: Barriga – Digestão – questões de retenção – produção
energética
PÉLVICO: Pélvis, pernas e pés – Sexualidade
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AULA 03: Análise Bioenergética
DEFINIÇÃO:
É uma maneira de compreender a personalidade em função do corpo e de seus
processos energéticos. Também é uma forma de terapia que combina o trabalho
corporal com o analítico (incluindo tanto procedimentos de manipulação como
exercícios especiais), para ajudar as pessoas a compreenderem seus problemas
emocionais e concretizarem, o mais que puderem, seu potencial para o prazer e
alegria de viver.
Objetivos terapêuticos
• Integrar o ego ao corpo e sua busca de prazer e realização sexual
• Ajudar o indivíduo a retomar sua natureza primária, que se constitui na
condição de ser livre e belo
• Ajudar o indivíduo a abrir seu coração para vida e o amor.
Pressupostos básicos
• A Bioenergética se apóia na simples proposição de que cada ser é o seu
corpo, que se enraiza na sua própria biografia. Ninguém existe fora deste
corpo vivo através do qual se expressa e se relaciona com o mundo. A
mente, o espírito e a alma são aspectos de um corpo vivo, diferentes do
corpo morto. O corpo indica sua intensidade e vitalidade, possui um
quantum de energia.
• Expansão: saúde / Retraimento: doença
• É preciso energia para movimentar a máquina vital. Energia elétrica,
molecular, orgonótica. Lowen não acha que é preciso determinar nesse
momento com precisão o caráter real da energia da vida. No entanto,
aceita a proposta fundamental de que a energia está presente em todos os
processos vitais, tais como movimento, sentimento e pensamento. Esses
processos chegariam ao fim se a fonte de energia do organismo se
esgotasse.
• Pulsação – Expansão e contração – ondas de energia e vibração
• Se a pulsaão é bloqueada, causa dor, sofrimento, depressão. A pulsação
representa a ordem da vida. O corpo humano não é uma máquina, mas
sim um organismo pulsante.
• Todos os aspectos da vida são determinados por processos energéticos. A
saúde depende da qualidade e quantidade de energia que a pessoa tem.
Com seu sistema energético pleno, a pesso é vital, vibrante, leve. Tensões
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estruturais no corpo não podem ser eliminadas completamente, varrendo o
passado.
• Respiração profunda + realização da emoção = nível energético criado =
funções vitais equilibradas
• Stress produz estados de tensão muscular – couraças
• Toda contratura muscular está bloqueando algum movimento
• Trabalho bioenergético inclui toques e exercícios, que podem ser feitos na
terapia, nas classes e em casa.
• Objetivos dos exercícios: aumentar o estado vibratório do corpo;
grounding; aprofundar respiração; auto consciência e auto expressão.
Diferenças entre a Bioenergética e as psicoterapias tradicionais
• O analista bioenergético além de analisar o problema psicológico do
cliente, também analisa a expressão física do problema à medida em que é
manifesto em sua estrutura corporal e movimento;
• A técnica envolve uma tentativa sistemática de liberar a tensão física;
• Transferência e contratransferência reconhecidas e trabalhadas no
contexto terapêutico corporal a todo o tempo, facilitando o lado afetivo
pelo contato corporal;
• Contato de olhar, reconhecimento da existência somática do paciente.
Análise bioenergética
• Componente analítico: inconsciente, Édipo, interpretação, transferência,
sonhos, sexualidade, narcisismo
• Componente corporal: trabalho nos bloqueios musculares
• Componente energético: não se trabalha direto com a energia, mas sim
com a musculatura que muda a energia – Focar/ver/observar/perceber
• Componente sexual: o objetivo da bioenergética –princípio do prazer.
CORRENTE ORGONÓTICA
• Correntes plasmáticas e excitações emocionais que nós produzimos ao
longo do eixo do corpo.
• Os encouraçamentos são segmentais, em anéis de ângulos corretos com a
espinha.
• O reflexo do orgasmo não pode se estabelecer por si só até depois da
dissolução de todos os anéis segmentais da couraça.
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CARACTEROLOGIA
• Na terapia bioenergética, o conceito de estrutura do caráter é
continuamente enfatizado.
• O tratamento dos sintomas requer uma compreensão do caráter. Se
trabalharmos apenas a nível do sintoma, sem o conhecimento básico do
caráter do cliente, e de como os sintomas são gerados pelo caráter para
manter a homeostase, o plano de tratamento será inadequado.
• Analiticamente, o caráter pode ser definido como aquele aspecto da
personalidade que reflete o modo habitual do indivíduo manter a
harmonia entres suas necessidades interiores e as exigências externas do
mundo. É um conjunto de procedimentos, relativamente estáveis e
constantes para conciliar os conflitos entre as várias partes do aparelho
psíquico para conquistar um ajustamento em relação ao ambiente.
• Terapeuticamente a análise do caráter tem como objetivo básico fazer o
paciente sentir que seu caráter possui uma formação neurótica que limita e
interfere nas funções vitais do ego.
Caráter esquizóide
ETIOLOGIA
• Útero frio (ódio inconsciente da mãe pelo feto);
• Rejeição e hostilidade da mãe pela criança nos primeiros meses de vida;
• Frieza e indiferença;
• Depressão, melancolia e apatia da mãe, sentidos pela criança como desejo
de não existência;
• Experiências de terror (guerra);
• Falta de sentimentos ternos para com o bebê
ESTRUTURA CORPORAL
• Tensão na base do crânio e pescoço;
• Cisão cabeça x corpo; a cabeça não parece estar conectada com firmeza
no pescoço, parece estar fora da linha central de fluxo energético do
corpo;
• Movimentos mecânicos, o indivíduo não sente que as partes que se
movem são suas;
• Cisão na cintura (parte inferior x parte superior);
• Tensão nas articulações;
• Tensão na pélvis e espinha;
• Olhar frio, vazio ou distante;
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PADRÃO DE RESPOSTAS
• Ódio inconsciente pela mãe;
• Sentimento de não direito à vida;
• Medo de existir; do aniquilamento; do contato e da intimidade; de sua
carga energética;
• Sentimento de inadequação;
• O que está congelada é a musculatura, não o coração;
• Sensibilidade e criatividade;
• Fraco contato com a realidade; Baixa defesa egóica;
• Sentimentos de amor e ternura sem expressão.
TRATAMENTO
• O mais importante no tratamento está na qualidade do vínculo construído
entre o cliente e o terapeuta;
• O terapeuta precisa ser especialmente disponível, caloroso e afetuoso,
para dar suporte e grounding ao cliente;
• Permitir que o cliente sinta que seu corpo é ele e ele é seu corpo;
• Inicialmente os trabalhos corporais deverão ser em pé. A medida que se
perceber que o cliente tem grounding, pode-se iniciar os trabalhos no
colchão, trabalhando a energia da cabeça, pescoço, diafragma, olhos e
pélvis.
Caráter Oral
ETIOLOGIA
- Origina-se de uma mãe que tem dificuldade de contato e ainda uma
sensação interna de ser cuidada, apoiada, e carregada, de forma que, por não
possuir uma sensação interna de satisfação de suas necessidades, acaba por não
sintonizar-se com as do seu bebê;
- Geralmente o pai está ausente e não dá o suporte que a mãe precisa para
cuidar do bebê;
- Ausência ou deficiência na amamentação e desmame feito de forma
insegura e/ou brusca;
- Dificuldade de vínculo, toque e cuidados maternos, deixando no bebê
uma sensação de privação e abandono.
ESTRUTURA CORPORAL
- Musculatura subdesenvolvida, principalmente braços e pernas, com isso o
corpo tem uma tendência a escorregar, com coordenação motora pobre e
inadequada;
- A privação aparece por uma aparência delgada e subnutrida: aparência de
fome, que retrata fisicamente o trauma de seu caráter;
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- Peito mal formado, com profundas reentrâncias, conjugado com a má
formação das costelas, clavículas vazias, externo para dentro;
- Freqüentemente há na postura uma barriga pendurada, como se não
houvesse força vital suficiente para mantê-la erguida – abdômen sem vitalidade;
- A voz e o rosto geralmente um apelo que clama por contato e alimento. A
boca tem forma de bico, como se estivesse chupando. A voz desmente a
aparência física. Seu olhar é suplicante.
PADRÃO DE RESPOSTAS
- Defesa contra a ameaça do abandono, porque o medo de perder o objeto
amado não é falado e se mantém intocado, para não reviver a dor da perda
infantil;
- Inabilidade em ser agressivo – falta de coluna, a hostilidade é passiva
(amargura do fruto verde, imaturo);
- Seduz pela comunicação, mas nunca falam de sua real emoção e
necessidades;
- Negação das necessidades como forma de não contactar o medo do vazio
interno;
- Sensação interna de que as pessoas e o mundo lhe devem, causando
ressentimento e raiva nos outros;
TRATAMENTO
- Um dos caráteres mais difíceis de tratar na terapia, pois não se pode
prometer o amor da mãe, ou substituí-lo. Apesar da demanda infantil de amor, o
terapeuta não pode substituir a mãe, deve acompanhar a dor da perda do cliente
e estimular um padrão adulto de funcionamento;
- Construir mais carga energética;
- Trabalhar exaustivamente todos os tipos de grounding, principalmente nas
pernas e pés;
- Trabalhar e frustrar a ilusão “Não posso viver sem você” e “o mundo me
deve”;
- Reconhecer e aceitar a solidão infantil e a perda do contato da mãe,
trabalhando a tristeza e a raiva por ter sido abandonado;
- Ajudar na capacidade de manter um relacionamento amoroso de trocas,
sem manipulações ou dependências simbióticas;
Caráter psicopático/narcisista
- Fator etiológico: presença de um pai sexualmente sedutor (sedução encoberta e
realizada para satisfazer as necessidades narcísicas do mesmo)
- Objetivo é vincular a criança ao pai sedutor
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- Pai sedutor: rejeita a criança a nível de suas necessidades de apoio e contato
físico
- Ausência de preenchimento das necessidades básicas (traço ORAL)
- Relacionamento sedutor cria triângulo onde a criança está em posição de
desafio frente ao pai do mesmo sexo
- Cria-se barreira de identificação com o genitor do mesmo sexo, portanto
aprofunda mais a identificação com o genitor sedutor
- Qualquer tentativa de sair em busca de contato deixa a criança em posição de
extrema vulnerabilidade e por isso a criança desprezou a necessidade ou a
satisfez através da manipulação dos pais (sedução)
CONDICÕES BIOENERGÉTICAS
ENERGIA: Deslocada para a cabeça e redução da carga na parte inferior do
corpo
DESPROPORÇAO CORPORAL: Parte corporal superior mais larga.
Constricção ao redor do diafragma e da cintura - bloqueio da energia e do
sentimento (fluxo de descida)
CABEÇA: Aumento de energia, existe unia hiperexcitação da capacidade
mental. Contínua atenção aos meios de controle e domínio da situação. Fica a
cabeça muito erguida (não é possível perder a cabeça)
OLHOS: Atentos e desconfiados. Não abertos para ver os inter-relacionamentos.
Fechamento em relação a compreensão e percepção da natureza das coisas.
Existe o controle dele para com ele também.
CORPO: É rijo e mantido nos limites de seu controle.
CORRELATOS PSICOLÓGICOS
- Precisa de alguém para controlar, se isto ocorre, depende dele neste fato
(deixar ser controlado)
- Necessidade de controle vinculado ao medo de ser controlado, ser usado
- História pode observar disputa pelo domínio entre pais e filho
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- Motivação de ter êxito é forte. O individuo não permite ou admite um fracasso,
que fica logo na posição de vítima (vitorioso sempre)
- Ele é sedutor com ares de comando ou impele a vítima de modo insidioso e
amaneirado
- Prioriza o seu próprio desempenho ou conquista, e dá importância secundária
ao prazer nas atividades
- Nega os sentimentos e assim nega as necessidades
- Estratégia: fazer os outros precisarem dele para não expressar sua necessidade
e portanto fica sempre por cima
TRATAMENTO
- Trabalhar os limites, transmitindo segurança e confiança no
relacionamento terapêutico
- Trabalhar ectodermicamente a percepção consciente dos sentidos do
corpo; Contactar com os sentimentos e respiração
- Propiciar maior contato com as emoções interiores de tristeza, ódio,
suavidade, empatia e prazer sexual no relacionamento amoroso
- Trabalhar na contínua desilusão do falso self, de forma a acessar a criança
interior humilhada e horrorizada
- Trabalhar a transferência positiva idealizada, a transferência negativa, a
frustração e pontuar todas as tentativas de manipulação
- Estar disponível e conectado com os próprios sentimentos e comunica-los
sempre ao cliente, de forma a reconhecer no terapeuta uma pessoa humana
- Nunca realizar promessas ou seduções que não possam ser cumpridas.
Caráter Masoquista
DESCRIÇÃO
- Sofre por não ser capaz de alterar a situação (deseja permanecer)
- Sofre e lamenta-se. Queixa-se e permanece submisso
- Atitude exibida é a submissão, mas internamente ocorre o contrário
- Medo de explodir se contrapõe ao padrão muscular de contenção
- Músculos densos e poderosos restringem qualquer asserção direta de si – por
isso só lhe é permitido queixas e lamentos
- Tendências a: autodepreciação, autodestruição, sofrimento, torturar – fazer o
outro sofrer, provocação
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- Reich explica essa tortura, sofrimento, queixa, provocação, com base numa
frustração real ou fantasiada de uma exigência de amor excessiva que não pode
ser gratificada.
- Lowen estudou o masoquismo também como caráter pré-genital, referindo-se
ao mesmo como sendo um sadismo voltado contra si mesmo.
ETIOLOGIA
- Repressão de todas as tentativas de auto-expressão e auto-afirmação feitas,
em geral, por uma mãe asfixiante. Atenção demais na hora de “comer” e
“defecar” resulta numa pressão de cima para baixo.
- Um pouco antes dos 02 anos, quando uma criança quer se auto-afirmar e
se opor aos pais, esta expressão é esmagada. Há uma interferência da mãe nas
funções orais e anais que em nome do amor exige que o filho se alimente, seja
limpo, faça cocô na hora que ela quer, controle os esfíncteres, fique quieto e seja
bonzinho
- A alimentação forçada e a exigência do controle dos esfíncteres (ficar no
pinico), limpeza, além de ser humilhante ocasiona a idéia de que a descarga
anal, uretral são sujas. A criança contrai e fecha as aberturas, garganta, ânus,
para impedir a expressão.
- Na garganta fica a tensão comer – vomitar. Só sai lamúrias. No ânus fica a
tensão – medo de sujar introdução supositório. Como a mãe o usou e o
humilhou, desconfia do amor dos outros. Os sentimentos ternos são sufocados e
a agressividade volta-se para si, é dirigida para dentro.
- Isto gera um sentimento de insegurança e de incapacidade na criança pois o
outro (a mãe) sabe mais dela do que ela própria.
- A criança sente-se no atoleiro entre atender a mãe (que exige amor) e as suas
próprias necessidades. Ela fica insegura quanto aos seus sentimentos.
- Todas as tentativas de expressão e liberdade como resistência, oposição,
birra, raiva, são reprimidas e a saída é tornar submisso, bonzinho para ser
aprovado e amado. Subjacentemente fica hostilidade, rancor, negatividade
encoberta. A oposição e o ressentimento aparecem pela atitude provocativa.
- O masoquista não se sente necessariamente desamado, mas a expressão de
amor é que foi inadequada.
ESTRUTURA CORPORAL
- Carregado energicamente (pouca carga, apenas na periferia por causa de
contração). O movimento natural é substituído pela RETENÇÃO.
- Pele – tom escuro, devido a estagnação de energia
- Estrutura pesada – atarracado: musculatura superdesenvolvida,
- Pescoço curto e grosso para proteger a garganta contraída
- Tensão nos maxilares
- Pelos com crescimentos acentuado pelo corpo
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- Dobra na cintura, devido ao encurtamento e enrugamento para cima das
nádegas mais o peso da tensão logo acima
- Tensão na região lombar
- Sensação da falta de espinha dorsal – contração das vísceras dão sensação
de apoio
TERAPIA
- Pacientes difíceis pelo padrão de fracasso, desconfiança no terapeuta –
oposição.
- O masoquista busca no terapeuta aprovação e amor e repete o
comportamento de agradar, submissão, ser bonzinho, mas sem sair do lugar.
- É necessário estimular a auto-expressão – uso do “não”.
- Desenvolver a confiança.
- Transferência negativa – colocar suas raivas com o terapeuta e não contra
a terapia.
- Corporalmente, alongar pescoço, costas.
- Trabalhar as tensões das nádegas, soalho pélvico, períneo.
- Vomitar.
- Oposição direta – sair do atoleiro.
- Relaxar o sadismo anal e “cagar em você”.
Caráter Rígido
DESCRIÇÃO
- O conceito rigidez vem do fato destas pessoas se manterem eretas de orgulho.
Cabeça erguida e coluna ereta, seria positivo se essa rigidez não fosse inflexível
e a postura orgulhosa defensiva (depressão).
- O medo de ceder deve-se ao fato de que para este caráter submeter-se é
igualado a perder-se.
- Suas estratégias defensivas assumem uma forma de contenção de todos os
impulsos, de sair em busca do exterior. Segura-se nas costas para não se abrir,
daí a rigidez.
- Está sempre em alerta contra situações em que possa ser usado, enganado ou
aproveitado pelas pessoas.
- Ênfase na realidade que é um meio de defesa contra busca do prazer VERSUS
ceder; que é o conflito básico deste caráter.
- Caráter que mais possui energia sexual, porque a atuação dele é na sexualidade
(sedução).
ETIOLOGIA
- Não forneceu situações severamente traumáticas que pudessem dar margem a
posições defensivas mais complexas.
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- Trauma relevante – experiência de uma frustração na busca da gratificação
erótica, principalmente a nível genital. Frustração ocorrida através da proibição
do desejo erótico infantil em relação ao pai do sexo oposto.
- A rejeição das buscas de prazer erótico e sexual da criança é sentida como
traição de sua ânsia de amar, pois na mente da criança estes termos são
sinônimos; prazer erótico sexualidade e amor. Trazendo confusão entre
sensações eróticas e sexuais.
- Devido ao forte desenvolvimento egoico ele não abandona a consciência
portanto o coração não está isolado da periferia. Esse indivíduo age com o
coração porém sob restrições e controle do ego.
ESTRUTURA CORPORAL
- Vivacidade do corpo
- Olhos vibrantes e fortes
- Boa cor de pele e sensibilidade grande
- Leveza de gestos e movimentos
- Atos sexualizados, condutas sedutoras
- Pelves muito energitizada, solta
- Pescoço comprido
- Cintura fina
- Queixo para frente (orgulho e raiva)
- Quadril largo
- Corpo ágil com movimentação nervosa
- Tem muita rigidez nas pernas, tem medo de cair
TERAPIA
O objetivo da terapia nessa personalidade - problema é ter o coração aberto a
permitir a fluência livre dos sentimentos amorosos pela cabeça e genitais.
A análise deve expor os sentimentos de ser sexualmente traído. Isso pode ser
encorajado pelo trabalho do choro e da penetração na frustração e na dor.
Física e analiticamente o paciente deve ser orientado a aceitar a derrota e a falha
como parte da vida. A frustração não irá necessariamente quebrar o coração do
indivíduo, como foi quebrado alguma vez no passado.
O encorajamento de maior abertura e direção na expressão deve ocorrer,
permitindo assim mais suavidade e vulnerabilidade.
Eles devem aprender a descarregar uma sobrecarga energética de uma forma
mais criativa e produtiva no trabalho da vida, com uma confiança mais plena na
sexualidade amorosa.
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Aula 04: PSICOTERAPIA SOMÁTICA BIOSSÍNTESE
A busca pela integração da vida
DAVID BOADELLA
- David Boadella é o criador da Biossíntese, método psicoterapêutico
somático desenvolvido a partir da década de 70;
- Nasceu em 1931, na Inglaterra. Foi casado com a poetisa Elsa Rornbluth com
quem teve dois filhos: um rapaz e uma moça (esta falecida em um incêndio
em 1980). Atualmente vive com Sylvia Boadella, doutora em Filosofia e
psicoterapeuta em Biossíntese, com quem teve um filho e também dirige o
Centre For Biosynthesis International em Zurique, na Suíça;
- Educador e psicoterapeuta, estudou nas Universidades de Londres e
Nottingham, tendo se dedicado inicialmente ao estudo dos distúrbios
emocionais em crianças. Foi diretor do Abbotsbury Primary School por quase
vinte anos a partir de 1963.
- Recebeu sua terapia pessoal de Paul Ritter em Nottingham entre 1952 e 1957
e posteriormente obteve instruções adicionais em Vegetoterapia com Ola
Raknes, principal terapeuta reichiano na Noruega.
- No fim dos anos sessenta, teve contato com duas importantes linhas
terapêuticas pós-reichianas: a Psicologia Biodinâmica de Gerda Boyesen e a
Bioenergética de Alexander Lowen. Contribuiu organizando treinamentos,
publicando trabalhos e treinando terapeutas nessas duas escolas.
- Em 1970 fundou a revista "Energy and Character - The Journal of
Bioenergetic Research", atualmente intitulada "Energy and Character - The
Journal of Biosynthesis".
- Recebeu forte influência de Stanley Keleman no que tange à importância da
Embriologia e da vida intra-uterina na formação do indivíduo. Esse contato
contribuiu na sua aprendizagem das qualidades expressivas da pessoa e na
compreensão da Anatomia Emocional. Dedica a ele seu livro "Correntes da
Vida" afirmando: "A Stanley Keleman que me ensinou a orientar e
acompanhar o processo formativo".
- Apresentou a integração dessas abordagens pela primeira vez numa
conferência intitulada "Stress and Character-Structure - a synthesis of
concepts" no The Tavistock Institute of Human Relations, em Londres, em
1974.
- Boadella adaptou o termo Biossíntese, criado por Francis Mott, para sua
metodologia de trabalho. Biossíntese, segundo Boadella, significa integração
à vida. Indica a importância fundamental de integrar em todo trabalho
terapêutico as três dimensões do ser: somático-emocional, psicossocial e
essencial-espiritual.
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- Como professor foi convidado a dirigir, em 1976, o Institute for the
Development of Human Potential,em Londres, onde ensinou, durante seis
anos, os princípios da integração terapêutica. Viajou treinando terapeutas em
vários países da Europa, Ásia e América do Sul, tendo vindo algumas vezes
ao Brasil por volta da primeira metade da década de oitenta.
- Como teórico Boadella se propõe a trabalhar com um sistema aberto, com
uma rede de conceitos e práticas sempre em desenvolvimento, traçada a
partir de diferentes fontes. Além dos autores da Psicologia, ele se utiliza de
conceitos de Hamed Ali, sufi, sobre os estágios do ego e qualidades da
essência; faz referência ao conhecimento de Robert Moore sobre a circulação
energética do Core; e integra a Física de David Bohm, a Biologia de Ruppert
Sheldrake e a Psicofísica de Hernani de Andrade.
- Como psicoterapeuta, David Boadella impressiona pelo respeito à
individualidade e pela capacidade de facilitar a expressão emocional do
cliente. Sua obra e seu trabalho primam pela atenção aos movimentos em
direção à saúde e à busca da expressão do "self" mais puro.
- Em 1981, fundou o Centre For Biosynthesis International em Londres, hoje
instalado em Zurique, com objetivos educacionais, reunindo treinadores e
psicoterapeutas da Europa, Ásia e Américas. Ajudou a fundar a European
Association For Body Psychotherapy e foi seu primeiro presidente no
período de 1989 a 1993.
HISTÓRICO E INFLUÊNCIAS TEÓRICAS DA BIOSSÍNTESE
1) Teoria das Relações Objetais
- Freud: primeiros estudos sobre o inconsciente e a relação mãe – criança –
sexualidade infantil e complexo de Édipo;
- Otto Rank: primeiras reflexões sobre a formação de sintomas oriundos de
traumas no nascimento e na vida peri-natal;
- Melanie Klein e Anna Freud: primeiras analistas a dedicarem-se ao estudo
e prática da psicanálise com crianças. Klein elaborou uma teoria da
configuração do mundo interno da criança, de como a mãe estabelece um
contato contínuo e profundo com o bebê, o qual a partir dessa relação vai
configurando a sua relação com o mundo interno (internalizações) e
externo (projeções). Já Anna Freud realizou intervenções e estudos de
cunho mais pedagógico e adaptativo, e não acreditava ser possível realizar
uma análise com crianças de menos de 5 anos. Essas posturas entraram
em conflito durante anos no circuito psicanalítico da época;
- Donald W. Winnicott: pediatra e psicanalista, desenvolve toda a sua
prática e teoria voltada para uma análise da psicodinâmica infantil,
estudando todo o processo de construção do mundo interno (self) da
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criança, que se inicia indiferenciado pela simbiose com a mãe, e ganha
continuamente uma independência, percebendo e diferenciando o mundo
externo do interno. Estudou a função do brincar do desenvolvimento
infantil e a presença de fenômenos e objetos transicionais como fatores
importantes para a transição da criança rumo a independência materna;
- Margareth Mahler: psicanalista naturalizada americana, desenvolveu uma
série de estudos sobre o processo de simbiose/individuação da criança
com a mãe, e seus efeitos no desenvolvimento de psicopatologias infantis;
- Renée Spitz e John Bowlby: psicanalistas, estudaram profundamente o
tipo de vínculo que as crianças estabelecem com a mãe, desde tenra idade,
e como a sua privação, ou abandono repercute em traumas;
- Harry Guntrip: teórico psicanalista contemporâneo, tenta estabelecer um
entendimento dos fenômenos esquizóides e outros caráteres, dentro das
diversas contribuições elaboradas pelos teóricos anteriormente citados.
2) Tradição Reichiana e Pós-Reichiana
- Vegetoterapia: Boadella chegou a ser treinado por Ola Raknes, também
sendo cliente em vegetoterapia alguns anos;
- Análise Bioenergética: teve experiências com Lowen, chegando a ser
treiner internacional de Análise Bioenergética na Europa, a partir desse
contato surgiu a idéia de publicar artigos na área de psicoterapia corporal,
assim como a fundação da revista Energia e Caráter;
- Psicologia Biodinâmica: com Gerda Boyensen, Boadella pode entrar em
contato com a teoria da psicoperistalse e da couraça visceral;
- Educação Somática: Keleman influenciou a biossíntese com os conceitos
de processos formativos, polaridades e contínuos de estresse.
3) Psicologia Peri-Natal
- Essa corrente de pensamento preocupava-se em estudar os efeitos que a
vida intra-uterina, até o momento do nascimento, podem potencializar no
indivíduo.
- Pierre Janet e Henri Laborit: desenvolveram os primeiros estudos sobre a
visão holística mente/corpo na psicoterapia, assim como as influências da
vida fetal na formação de sintomas;
- Francis Mott: elabora um procedimento terapêutico corporal que está
sensível a vivência pré-verbais dos pacientes, decorrentes da vida uterina,
e utiliza pela primeira vez o termo Biossíntese;
- Frank Lake: desenvolve um estudo profundo sobre as polaridades
caracteriológicas e a influência nos períodos peri-natais na potencialidade
de determinadas defesas.
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4) Algumas influências atuais
- Psicologia Biossistêmica (Jerome Liss);
- Abordagem Sistêmica Familiar (Bert Hellinger);
- Psicoterapeutas contemporâneos: Stephen Johnson, Albert Pesso, Peter
Levine, etc.
- Neurolinguistica;
- Abordagem ecológica dos sistemas humanos;
- Psicologia transpessoal e de orientação jungiana.
PRINCIPAIS CONCEITOS DA BIOSSÍNTESE
1. DEFINIÇÃO
- Biossíntese significa INTEGRAÇÃO DA VIDA, em três campos
fundamentais:
Crescimento orgânico Desenvolvimento Espiritualidade
pessoal
Corporeidade Experiência psicológica Essência
2. FLUXO ENERGÉTICO
CARGA ENRAIZAMENTO FRONTEIRA
ENDODERMA MESODERMA ECTODERMA
Emoções Movimento Cognição
Sentimento Trabalho Percepção
Metabolismo Ação Contato
Nutrição Atitude Pensamento
Vitalidade Locomoção Discernimento
Vísceras Postura Integração
Respiração Circulação Controle
Músculos Limite
Coluna Pele
SISTEMA NERVOSO SISTEMA NERVOSO SISTEMA NERVOSO
AUTÔNOMO EXTRAPIRAMIDAL CENTRAL
Centro somático: Centro somático: Centro somático:
INTESTINOS CORAÇÃO CÉREBRO
COURAÇA VISCERAL COURAÇA MUSCULAR COURAÇA CEREBRAL
Procedimento terapêutico: Procedimento terapêutico: Procedimento terapêutico:
CENTERING GROUNDING FACING / SOUNDING
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PADRÓES DE FLUXO:
PENSAMENTO
COGNIÇÃO
SENTIMENTO MOVIMENTO
EMOÇÃO AÇÃO
PONTES SOMÁTICAS DOS PADRÕES DE FLUXO: DIAGNÓSTICO
PULSÁTIL
1. Nuca: Ponte entre o pensamento (ectoderma) e o movimento
(mesoderma) – verificar pessoas que pensam muito e não agem, ou vice-
versa, que agem somente pelo impulso;
2. Garganta: Ponte entre o pensamento (ectoderma) e sentimento
(endoderma) – verificar dificuldades no “engolir” experiências na vida, e
de expressar sentimentos (o que está preso na garganta?);
3. Diafragma: Ponte entre o sentimento (endoderma) e o movimento
(mesoderma) – verificar o processo de alta e baixa energia no organismo,
assim como dificuldades e rompimentos com a parte de cima e de baixo
do corpo.
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3. POLARIDADES
- Respeito ao ritmo pulsátil do organismo vivo;
- Respeito a variabilidade da existência;
- Extensão e gradação dos procedimentos terapêuticos, das formas do fluxo
corporal e da postura da alma – levar o cliente a experimentar novas
formas gradativas na vida, e não se congelar nas posturas obsoletas
caracteriais.
- Alguns exemplos:
Aumento x queda de energia Comunicação verbal x não verbal
Procedimento ativo x receptivo Contato x retraimento
Regressão x progressão Contração x expansão
4. VIDA EMBRIONÁRIA E PROCESSO FORMATIVO
CAMADAS GERMINATIVAS
AFETOS INTRA-UTERINOS
1. PELE-FETAL – Ectodérmico – sentimentos libidinais provenientes do
contato da lanugem com o líquido amniótico e da pele do bebê com a
placenta e as paredes do útero;
2. CINESTÉSICOS – Mesodérmico – movimentos de natação e de chutes,
assim como a sensação de contínuo grounding uterino e sensações de
movimentos na espinha (pulsações para o nascimento);
3. UMBILICAL – Endodérmico – sentimentos provenientes da nutrição,
comunicação emocional, respiração e trocas simbióticas da mãe com o
feto pelo cordão umbilical.
5. LINHAS DE VIDA EM BIOSSÍNTESE E TRABALHOS TERAPÊUTICOS
• trabalho motor no tônus muscular e expressão de movimento
• trabalho energético nos ritmos sutis e vitais da respiração
• trabalho nas interferências e ressonâncias nos campos bipessoais da
relação
• trabalho na expressão emocional em contenção e relaxamento
• trabalho transformador nas imagens restritas que limitam a visão
• trabalho para limpar e clarificar a linguagem de sua distorções de
comunicação
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• na parte central fica o trabalho que nos conecta através de meditações
somáticas com a voz do coração.
6. ALGUNS OBJETIVOS DA BIOSSÍNTESE
- Recuperar pulsação e estabelecer integração entre as linhas de vida;
- Ênfase no PROCESSO antes das técnicas, e nas necessidades do cliente,
fazendo nascer do mesmo os movimentos sutis e auto-curativos;
- Integrar a dimensão verbal e não-verbal das experiências;
- Propiciar regressão para a progressão;
- Terapia dotada de um ambiente e relação facilitadores para nutrir, cuidar e
sarar bloqueios, feridas e traumas que impedem o curso fluido da vida
energética, desencadeando os diversos tipos de neuroses;
- Contato/ressonância: o corpo do terapeuta como sintonizador e
instrumento de crescimento do cliente – sistemas de energia e campos de
ação interagindo – identificação vegetativa;
- Bases internas: respiração, movimento e linguagem – conectar presença e
ser/ mundo interno e mundo externo;
- Tipos de toque:
- Terra: suporte, solidez, confiança, limites;
- Água: liquidez, fluxo, corrente, superfície;
- Ar: diafragmático, bombas de ar, respiração, pulsação;
- Fogo: aquecimento, termoregulação;
- Respeito as defesas como forma de sobrevivência e crenças nas
potencialidades internas do cliente (intencionalidade do fluxo vital);
- Espiritualidade: contato com a essência, os sentimentos, a fonte trans-
somática de criação e regulação do mundo, do universo.