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Álvaro de Campos

Álvaro de Campos é um heterónimo de Fernando Pessoa que representa o "filho indisciplinado da sensação". Sua poesia passa por três fases, celebrando a modernidade na primeira, exaltando máquinas na segunda, e expressando cansaço e solidão na terceira. Seu estilo é marcado por versos livres longos e linguagem transgressora.

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Álvaro de Campos

Álvaro de Campos é um heterónimo de Fernando Pessoa que representa o "filho indisciplinado da sensação". Sua poesia passa por três fases, celebrando a modernidade na primeira, exaltando máquinas na segunda, e expressando cansaço e solidão na terceira. Seu estilo é marcado por versos livres longos e linguagem transgressora.

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Álvaro de Campos

Álvaro de Campos surge quando Fernando Pessoa sente “um impulso para
escrever”. O próprio Pessoa considera que Campos se encontra no «extremo oposto,
inteiramente oposto, a Ricardo Reis”, apesar de ser como este um discípulo de Caeiro.
Campos é o “filho indisciplinado da sensação e para ele a sensação é tudo. O
sensacionismo faz da sensação a realidade da vida e a base da arte. O eu do poeta tenta
integrar e unificar tudo o que tem ou teve existência ou possibilidade de existir.
Este heterónimo aprende de Caeiro a urgência de sentir, mas não lhe basta a «sensação
das coisas como são»: procura a totalização das sensações e das percepções conforme as
sente, ou como ele próprio afirma “sentir tudo de todas as maneiras”.
Engenheiro naval e viajante, Álvaro de Campos é figurado “biograficamente” por
Pessoa como vanguardista e cosmopolita, espelhando-se este seu perfil particularmente
nos poemas em que exalta, em tom futurista, a civilização moderna e os valores do
progresso.
Cantor do mundo moderno, o poeta procura incessantemente “sentir tudo de todas as
maneiras”, seja a força explosiva dos mecanismos, seja a velocidade, seja o próprio
desejo de partir. “Poeta da modernidade”, Campos tanto celebra, em poemas de estilo
torrencial, amplo, delirante e até violento, a civilização industrial e mecânica, como
expressa o desencanto do quotidiano citadino, adoptando sempre o ponto de vista do
homem da cidade.
O drama de Álvaro Campos concretiza-se num apelo dilacerante entre o amor do
mundo e da humanidade; é uma espécie de frustração total feita de incapacidade de
unificar em si pensamento e sentimento, mundo exterior e mundo interior. Revela, como
Pessoa, a mesma inadaptação à existência e a mesma demissão da personalidade
íntegra., o cepticismo, a dor de pensar e a nostalgia da infância.

Biografia
• Nasce em Tavira, em 1890
• Estuda engenharia mecânica e naval na Escócia
• “Filho indisciplinado da sensação e para ele a sensação é tudo. O sensacionismo
faz da sensação a realidade da vida e a base da arte.”
• “Sentir tudo de todas as maneiras”
• Vanguardista e cosmopolita
• Único heterónimo que comparticipa da vida extra literária de Fernando Pessoa
heterónimo

Fases
Primeira – decadentismo (1914)
Eprime o tédio, o cansaço e a necessidade de novas sensações (“Opiário”); o
decadentismo surge como uma atitude estética finissecular que exprime o tédio, o
enfado, a náusea, o cansaço, o abatimento e a necessidade de novas sensações. Traduz a
falta de um sentido para a vida e a necessidade de fuga à monotonia. Com
rebuscamento, preciosismo, símbolos e imagens apresenta-se marcado pelo
Romantismo e pelo Simbolismo.
• Tédio, cansaço, necessidade de novas sensações
• Falta de um sentido para a vida
• Romantismo e simbolismo
• Nostalgia
• Saturação
• Embriaguez do ópio
• Horror à vida
• Realismo satírico
• Vocabulário precioso e vulgar
• Imagens
• Símbolos
• Estilo confessional brusco
• Decassílabos agrupados em quadras
• “Opiário “

Segunda – Futurismo (1914 a 1916)


Nesta fase, Álvaro de Campos celebra o triunfo da máquina, da energia
mecânica e da civilização moderna. Sente-se nos poemas uma atracção quase erótica
pelas máquinas, símbolo da vida moderna. Campos apresenta a beleza dos
“maquinismos em fúria” e da força da máquina por oposição à beleza tradicionalmente
concebida. Exalta o progresso técnico, essa “nova revelação metálica e dinâmica de
Deus”. A “Ode Triunfal” ou a “Ode Marítima” são bem o exemplo desta intensidade e
totalização das sensações. A par da paixão pela máquina, há a náusea, a neurastenia
provocada pela poluição física e moral da vida moderna.
• Elogio da civilização industrial e da técnica
• Triunfo da máquina, beleza dos “maquinistas em fúria”
• Intelectualização das sensações, delírio sensorial
• Não aristotélica
• Sado masoquismo
• Cantar lúcido do mundo moderno
• Influência de Walt Whitman
• Vertigem das sensações modernas
• Volúpia da imaginação
• Hipertrofia ilimitada do eu
• Energia explosiva
• Impulsos inconscientes
• Verso livre, longo
• Estilo esfuziante, torrencial
• Anáforas, exclamações, interjeições, apóstrofes e enumerações
• Fantasia verbal
• Volúpia de ser objecto
• Vítima
• Dispersão
• “Ode triunfal”
Terceira fase – pessoal ou intimista (1916 a 1935)
Perante a incapacidade das realizações, traz de volta o abatimento, que provoca
“Um supremíssimo cansaço, /íssimo, íssimo, íssimo, /Cansaço…”. Nesta fase, Campos
sente-se vazio, um marginal, um incompreendido. Sofre fechado em si mesmo,
angustiado e cansado. (“Esta velha angústia”; “Apontamento”; “Lisbon revisited”).
• Melancolia
• Devaneio
• Cosmopolitismo
• Cepticismo
• Dor de pensar
• Saudades da Infância ou do Irreal
• Dissolução do eu
• Conflito entre a realidade e o poeta
• Cansaço, tédio e abulia
• Angustia existencial
• Solidão
• “Aniversário” e a “Tabacaria”

Traços da sua poesia


• Poeta modernista
• Poeta sensacionista
• Cultor das sensações sem limite
• Poeta de verso livre
• Poeta de angustia existencial e da auto ironia

Traços estilísticos
• Verso livre em geral muito longo
• Assonâncias, onomatopeias, aliterações
• Grafismos expressivos
• Mistura de níveis de língua
• Enumerações excessivas, exclamações, interjeições e pontuação emotiva
• Desvios sintácticos
• Estrangeirismos e neologismos
• Subordinação de fonemas
• Construções nominais, infinitivas e gerundivas
• Metáforas ousadas, oximoros, personificações, hipérboles
• Estética não aristélica na fase futurista.
Quadro-Síntese:
Estilísticas
Temáticas

- Apologia da civilização mecânica, - Exclamação, apóstrofe repetida,


da indústria, da técnica (futurismo e interjeição, gradação (ascendente e
sensacionismo): tentativa de romper com descendente)
o subjectivismo da lírica tradicional - Repetição, simetria de construção,
- Atitude escandalosa, chocante: assonância, aliteração, rima interior,
trangressão de uma atitude moral enumeração desordenada, polissíndeto
estabeleciada - Construções nominais e infinitivas
- Traços de anti-filosofia e anti- - Verso livre e, em geral, muito longo (
poesia duas ou três linhas) e com encavalgamento
- Sadismo e masoquismo - Onomatopeia
- Ilusão: sonho; retorno impossível à - Grafismo inovador
infância; viagem - Oxímoro
- Mais evolutivo que qualquer dos - Uso expressivo da pontuação:
outros heterónimos (três fases) exclamação, interrogação, reticências
- Última fase: conflito - Estrangeirismos, neologismos e
realidade/poeta: cansaço existencial, susbstantivação de fonemas
náusea, tédio, abulia; estranheza da - Metáfora, personificação e hipérbole
realidade solidão; isolamento; dissolução
do “eu”; ritmo lento

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