Aruanda PDF
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ARUANDA
ECA Espao Comunitrio Aruanda Grupo de Estudos Aruanda Nmero 1
5a. Edio eletrnica 201 ! Editora Aruanda Assis"#$
UMBANDA
u m a h i s t r i a
Palavras do editor
Irmo de f, elaborei este caderno, o primeiro de uma
coleo, a fim de esclarecer nossos amigos sobre os
fundamentos da nossa religio, a umbanda, que
assiste, com compreenso exemplar, os princpios
que a norteiam, distorcidos pelos preconceitos e pela
intolerncia religiosa.
Mas informar o pblico no meu nico objetio.
!uero contribuir para a formao dos nossos irmos
atras de textos que esclaream suas didas em
relao " pr#tica umbandista e as quest$es morais
que a tarefa assistencial suscita.
%ei que ainda no posso satisfa&er muitos dos questionamentos dos irmos mais
experientes na umbanda, nem corresponder aos rigores de estudiosos, muito menos as
exig'ncias dos intelectuais, mas posso estimular a reflexo. (omo gostaria de saber que
os temas desenolidos neste caderno suscitaram conersas, estudos, debates... que eles
contribuiram para a comun)o entre assistidos e mdiuns de terreiro... que cooperaram
para a dignidade da nossa religio to incompreendida, to sofrida, to querida, to bela*
!ue os +rix#s me abenoem neste intento, sara#*
Marcelo de Ossain
[Link]
ecaruanda@[Link]
Rua Jos Rodrigues Leme, 295
Nova Assis Assis !"
#$"% &9'()*++(
Este livro tem direitos protegidos por lei,
de modo que no recomendamos explorar
comercialmente o seu contedo seja na
orma impressa, digital ou em eventos de
qualquer nature!a sem pr"via autori!a#o
do autor$ %omos partid&rios do 'Dai de
gra#a o que de gra#a rece(estes),
entende*
+ %omos gratos ,
-omunidade .inux,
sem a qual este livro
digital no seria poss/vel
e , imensa -omunidade
An0nima que acredita 1e
luta2 por contedo
livre na internet 3
Grupo de estudos?
Para qu?
Como?
A Editora Aruanda
Digital edita livros
eletrnicos para
grupos umbandistas.
Eles so feitos com
amor e so gratuitos
ou se!a esto em
perfeita comun"o com
os ideais da #mbanda.
$e o terreiro que voc
frequenta ainda no
tem um grupo de
estudos fale com o seu
dirigente sobre a
import%ncia de
promov&lo !unto ' sua
comunidade religiosa
ou reuna voc mesmo
os seus amigos para
estudar a nossa
religio querida(
Agora baseados em nossa e)perincia
vamos dar algumas dicas para que suas reuni*es
se!am bem orientadas e proveitosas.
Sabemos que h dirigentes de terreiro que se sentem inseguros quando percebem no grupo aquele
mdium estudioso, curioso, inquiridor, por outro lado, parte dos umbandistas acreditam, pura e
simplemente, que ser mdium meramente cooperar na assistncia espiritual. Esse panorama
comum na Umbanda e dessa ignorncia e comodismo resulta o trabalho espiritual de baixa
qualidade, a perda de adeptos, entre outras lamentveis consequncias.
Precisamos mudar isso, pois se verdade que estamos nos servios de caridade porque !
despertamos, uns mais outros menos, para a realidade do esp"rito e ! admitimos que devemos
doar algo de n#s pr#prios em bene$"cio do nosso pr#ximo, assim, que estamos umbandistas% por
descobrimos que o amor magia divina que d vida a tudo.
&as para compreendermos a rela'o do amor com a prtica medi(nica na umbanda preciso
ampliar a conscincia e isto s# conseguimos atravs do estudo, da re$lex'o e da percep'o da
necessidade do outro. )emos que $a*er isso por n#s mesmos. + isto que !usti$ica os grupos de
estudo na Umbanda.
Um grupo de estudos representa uma oportunidade para a uni'o $raterna entre trabalhadores do
terreiro e $requentadores. + um vetor para o aper$eioamento moral do corpo medi(nico com
#timas repercuss,es nos trabalhos espirituais, ou se!a, constitui-se num "ndice de qualidade do
terreiro em sintonia com a Umbanda do terceiro milnio.
.uando reali*ado no terreiro producente o encontro semanal em dia e horrio $ixo. Em nosso
caso, optamos por nos reunirmos, ora na residncia de um membro, ora na de outro, em dia e
horrio varivel, previamente determinado pelos componentes do grupo.
Elabore uma programa'o. + preciso que todos saibam os temas que ser'o desenvolvidos, de
modo a preparar a sua participa'o com antecedncia, segundo a pr#pria voca'o, pois h
sempre aquele que dese!a contribuir para enriquecer a reuni'o, de acordo com sua voca'o, por
exemplo, declamando bonita poesia, cantando uma can'o ou exibindo um bom $ilme. Em outras
palavras, no permita que o dinamismo de um grupo de estudos se transforme numa
esp+cie de curso onde aos demais caiba apenas o direito ' passividade.
/etermine a dura'o das reuni,es. 0 1E2 optou por 345 minutos, sendo os 36 iniciais destinados
7 abertura da reuni'o, reali*ada atravs da leitura de um texto de cunho evanglico e uma ora'o
e os 36 minutos $inais destinados ao encerramento da reuni'o com uma prece coletiva. 0 restante
do tempo o grupo utili*a para o estudo propriamente dito.
0 ambiente da reuni'o deve ser limpo, silencioso e, de pre$erncia, reservado. Em nosso caso,
sempre evitamos ser surpreendidos por visitas durante o encontro, mas quando ela ocorre
explicamos ao visitante o ob!etivo de nossa reuni'o e convidamo-lo a tomar parte nela, ou a
aguardar em silncio o seu trmino, ou retornar em outro momento.
/urante as reuni,es de estudo os mdiuns n'o devem dar passividade aos esp"ritos. ,o
devemos transformar as reuni*es de estudo em sesso medi-nica, por isso, o mdium
com di$iculdade de controlar a mani$esta'o medi(nica por seu intermdio deve ser orientado a
procurar assistncia espiritual.
8inalmente, diremos que antes, durante e depois da reuni'o, devemos evitar as conversas in(teis,
as participa,es longas demais ou indevidas. Se n'o sabe o que $alar $ique em silncio. 9ontribua
com o prop#sito da reuni'o que o de ser sempre elevada, cooperando para o nosso crescimento
espiritual em sintonia com os 1uias de 2ruanda. )odo o tempo o$erea o melhor de si, no gesto, no
olhar, na palavra.
:sto tudo. .ue 0lorum vos condu*a, sarav;
GEA . Grupo de Estudos Aruanda
#ma mistura de ra/as
A identidade cultural do povo brasileiro + fruto de um
lento e longo processo em que trs culturas distintas se
entrela/aram. Desse 0caldo cultural1 surgiu uma forma
original de ver o mundo e de nele se e)pressar que
nos diferencia de outros povos.
Um dos aspectos distintivos da cultura brasileira sua $orte expressividade religiosa, a$inal,
somos a s"ntese de trs raas marcadamente ligadas ao simb#lico que, estreitando rela,es no
tempo, permearam-se de caracter"sticas culturais uns dos outros.
0 processo hist#rico que culminar com a anuncia'o da Umbanda pelo 9aboclo das Sete
Encru*ilhadas, atravs do mdium <lio de &oraes, comea com o "ndio, elemento nativo, se
amplia com a chegada do coloni*ador europeu e se enriquece com a presena do a$ricano, desse
modo, ao analisarmos a contribui'o de cada grupo tnico 7 Umbanda notamos que a in$luncia
da cultura ind"gena $oi $undamental= a do branco notvel= e a da cultura negra, importante.
2 Umbanda uma religi'o genuinamente brasileira, por isso re$lete as ra"*es religiosas dos
povos que est'o em nossa $orma'o hist#rica e esse carter multicultural lhe con$ere um
dilatado sentimento de $raternidade que a $a* reconhecida por acolher as pessoas mais pobres e
discriminadas da sociedade.
Ao visitarmos um terreiro de #mbanda facilmente perceberemos
a diversidade cultural do povo brasileiro esta caracter2stica
comunica uma religio fraterna aberta ' todos.
>a Umbanda, a in$luncia a$ricana ser marcante, especialmente atravs da m(sica e das
danas ?3@= a europeia, atravs das imagens de santos de devo'o cat#lica ?4@= e, 7 medida que
dirigirmos nosso olhar as regi,es onde a presena de descendentes ind"genas $or mais
expressiva, perceberemos a maior in$luncia da Aurema ?B@. A, nos centros urbanos, onde h
maior concentra'o de espiritualistas e esp"ritas, perceberemos, n'o raro, um vis oriental ou
Cardecista ?D@.
(1) A influncia africana irradiou-se pelo Brasil e nos legou o Catimb, no nordeste; o Xang, em
ernambuco; o Candombl!, na Ba"ia, #io de $aneiro e %&o aulo; e o Batu'ue, no #io (rande do %ul)
*ssa rica cultura de+emos aos negros $e,, +indos do -aom!; aos .ag (/orub0s), +indos da .ig!ria;
aos 1al, negros islami2ados; aos Banto, escra+os tra2idos de Angola, do Congo e de 1o3ambi'ue; e
os 1ina, termo 'ue designa os grupos africanos 4anti e As"anti)
(5) A utili2a3&o de imagens de de+o3&o catlica trou6e maior comple6idade aos cultos africanos 'ue
na 7frica eram bastante simples e r8sticos)
(9) $urema denomina um con,unto de pr0ticas religiosas de rai2 ind:gena)
(;) < +i!s oriental de+e-se a teosofia de =elena etro+na Bla+ats>i e ? tradi3&o espiritual "indu:sta
tra2ida para a umbanda, principalmente, por @) @) da 1ata e %il+a) < +i!s >ardecista de+e-se ? obra
monumental da -outrina *sp:rita, codificada por Allan Aardec, educador francs 'ue orienta e inspira
muitos m!diuns e sacerdotes umbandistas)
9aro leitor, voc percebeu que a Umbanda se erigiu como $enEmeno da
cultura brasileira recebendo diversas in$luncias. Essa abertura con$ere um
grande dinamismo ao movimento umbandista que ent'o se reali*a atravs
de suas muitas vertentes. 2o longo de nossos cadernos apresentarei outros
dados sobre a hist#ria da Umbanda, relatos do que li e ouvi ao longo de
minha dedica'o e que contribuir'o para $ormar a sua pr#pria concep'o sobre o que se!a
a FumbandaG, mas v alm, h muitos livros interessantes escritos por estudiosos que
contam a essa hist#ria sob #ticas di$erentes.
/entre os livros que recomendo 7queles que dese!am conhecer melhor
a cultura brasileira est'o os do antrop#logo, ! desencarnado, /arcH
Iibeiro. /entre seus livros geniais, destaco o (ltimo% F0 povo
brasileiroG, de 3JJ6, que trata da $orma'o do nosso povo, pois o tema
que desenvolvemos est em sintonia com ele. 0 livro do /arcH pode ser
encontrado $acilmente nas livrarias, mas poss"vel baix-lo na rede, ou
simplesmente assistir o documentrio produ*ido pela )K 9ultura sobre o
livro no Houtube. 2proveite;
)ema 553 L Uma mistura de raas, in Meleno, Nui* &arcelo dos
Santos L Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos 2ruada L
n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L 453B
3iteratura #mbandista
Durante d+cadas os umbandistas valeram&se das boas obras
espiritualistas e esp2ritas em busca de orienta/o. $omente
agora disp*em de um acervo liter4rio com bom n-mero de
autores e obras prol2ficas em discuss*es te5ricas e orienta/*es
pr4ticas que tradu6em as e)perincias pr5prias dos
umbandistas.
/entre os gneros literrios mais apreciados pelos umbandistas
destacam-se os romances. 2lguns escritores se consagraram neste
gnero, tais como, 7ubens $araceni, por suas obras% F0 guardi'o da
meia-noiteG, F0 9avaleiro da Estrela-guiaG, F2 lenda dos 0rixsG e F2 lenda
do Sabre /ouradoG= $ilvio da Costa 8attos, autor de romances leves e
in$ormativos como O0 2rraial dos PenitentesO e O2 )ra!et#ria de um
1uardi'o KiCingO e ,ilton de Almeida 9-nior com o seu F+ preciso saber
viverG e FIe$lexos de um passadoG, ambos da Editora &adras. 7obson
Pin"eiro, escritor e mdium esp"rita, tornou-se muito apreciado pelos
umbandistas por seus romances que tratam das rela,es entre Espiritismo
e Umbanda, tais como, O2ruandaO, O)ambores de 2ngolaO, FNegi'oG, entre
outros que merecem nossa aten'o.
2lm de romances, h boas obras de carter te#rico, tcnico e in$ormativo. 2lgumas, publicadas
nas dcadas de 65 e P5, merecem ser citadas% de Aos 2ntEnio Qarbosa, o F8anual dos C"efes
de :erreiros e 8+diuns de #mbandaG= de 2ntEnio 2lva, FComo Desmanc"ar :rabal"os de
;uimbandaG, da Editora E90= da 2cademia Ecltica Espiritualista Universal, o FEvangel"o de
#mbandaG.
>a dcada de R5, veio 7 lu* a FCartil"a da #mbandaG, do estimado 9ndido Emanuel 8lix, da
Editora E90 e o seu FCatecismo de #mbandaG, pela Edi,es 9arinto.
>a dcada de S5, 9oo Edson <rp"ana=e destinou obras de carter
in$ormativo a leigos e $oi muito bem recebido pelo p(blico. Mo!e
0rphanaCe conta com mais de vinte obras publicadas, vrias edi,es e
re-edi,es. /entre suas obras mais conhecidas est'o F9onhea a
UmbandaG, F2 Umbanda 7s suas ordensG, FPreces para todos os
momentosG e o F2lmanaque UmbandistaG. >a mesma dcada a dupla
>?ron :rres de @reitas e Aladimir Cardoso de @reitas produ*iram
o excelente F0s 0rixs e a Nei da Umbanda - 9#digo Sacerdotal
Umbandista e 2$ro-QrasileiroG, da Editora E90. 2lm destes, 7ivas ,eto,
disc"pulo do &estre T. T. da &atta e Silva e reitor da 8)U - 8aculdade de
)eologia de Umbanda, lana, em 3JSJ, o seu FUmbanda, a Proto-Sintese
9#smicaG pela Editora Pensamento.
>os anos J5 Iivas publicou FNi,es bsicas de UmbandaG, pela Editora Ucone que L n'o posso
deixar de di*er - ao longo da dcada, relanou as obras de Aoodrom Ailson da 8atta e $ilva,
que exp,e princ"pios $ilos#$icos e meta$"sicos no es$oro de o$erecer aos umbandistas uma base
ritual"stica onde os elementos $ossem mais ordenados, apropriados a uma mentalidade inicitica.
/entre as obras de /a &atta destaco FUmbanda e o poder da mediunidadeG.
Em 4556 vem 7 lu* O0 livro bsico dos og'sO, escrito por $andro da Costa 8attos atravs da
E90 com muito sucesso.
Em 455S, 8anoel 3opes, que muito contribui para a digni$ica'o e divulga'o da umbanda, nos
apresenta o seu OUmbanda, os sete reinos sagradosO, um livro excelente por tra*er uma nova e
interessante vis'o sobre a umbanda.
2tualmente o esp"rito 7amat2s que sempre nos o$ertou livros pro$undos, dentre os quais
destacamos F2 vida alm da sepulturaG, F0 Sublime PeregrinoG, F8isiologia da 2lmaG, F&agia de
Ieden'oG, depois de uma prolongada ausncia parece ter se voltado especi$icamente para o
p(blico umbandista e nos honrado com novas obras pela inspira'o do mdium ,orberto
Pei)oto.
>'o poderia deixar de citar o trabalho de editores
independentes. Nui* &arcelo dos Santos Meleno lanou o
in$ormativo FCole/o Cadernos AruandaG no prop#sito de
inspirar a $orma'o de grupos de estudo nos terreiros por
meio de temas de discuss'o pertencentes ao universo
umbandista. Uma cole'o digital dispon"vel no site do E92 L
Espao 9omunitrio 2ruanda e no DShared. 0utro editor
independente Claudio Beus, com o seu interessante
FUmbanda sem medoG cu!os volumes est'o tambm
dispon"veis para doVnload gratuito no DShared.
2lm de livros, poss"vel encontrar pela internet textos
cient"$icos sobre a umbanda, dentre eles destaco, de N"sias
>ogueira >egr'o, FEntre a cru6 e a encru6il"adaG, Edusp, e
de /iana QroVn, F#ma "ist5ria da #mbanda no 7ioG.
Nivros que gostaria muito de ler, clssicos entre os
umbandistas, s'o% FPrimeiro Congresso do Espiritismo de
#mbanda & :rabal"os apresentados ao CD Congresso >rasileiro de Espiritismo de
#mbanda reunidos no 7io de 9aneiro de CE a FG de <utubro de CEHCG, publicado pela
8edera'o Esp"rita de Umbanda= o $amoso F<= Caboclo(G, do grande Qen!amim 8igueiredo,
editora E90= F8agias da #mbandaG, de Aota 2lves de 0liveira, editora E90= de /ecelso,
F#mbanda de CaboclosG, tambm da E90= e de /iamantino 8ernandes )rindade, o F#mbanda e
sua Iist5riaG, da Ucone Editora.
>os (ltimos anos o Qrasil tem se $ortalecido social e economicamente, assim
que os umbandistas, tradicionalmente oriundos das camadas mais
des$avorecidas da popula'o, passaram a ter maior acesso a educa'o e aos
livros. 2proveitando-se, cada ve* mais editoras voltam-se a esse p(blico, de
modo que, ano a ano, cresce o n(mero de autores e obras dirigidas aos
umbandistas. >esse contexto, natural que alguns autores se consagrem perante o
p(blico ao lado de outros que $racassam. 0 momento de consolida'o neste mercado,
portanto, nunca demais alertar para a necessidade de separarmos o !oio do trigo na
literatura umbandista, em outras palavras, nem sempre o autor mais $amoso ou livro mais
vendido representa o melhor op'o. + preciso estar atento% pensarmos as consequncias
das in$orma,es que recebemos, combinadoW
)ema 554 L 2 literatura umbandista, in Meleno, Nui* &arcelo dos
Santos L Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos 2ruada L
n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP - 453B
< momento "ist5rico da
anuncia/o na #mbanda
A umbanda se propagou rapidamente por todo o pa2s
num momento 2mpar da condi/o do negro no brasil.
0 per"odo da escravid'o negra bem conhecido por n#s, brasileiros. + um cap"tulo lamentvel da
nossa hist#ria, ainda n'o superado, contudo, os negros, que so$reram priva,es morais e $"sicas
de todo o tipo est'o a", resistiram, s'o vencedores. 2 contribui'o do negro est por toda 7 parte%
na pol"tica, na m(sica, na culinria, na literatura...
>a hist#ria pol"tica brasileira destacamos o abolicionista Aos do Patroc"nio e Ao'o 9ndido, o
F&estre-sala dos &aresG, comandante da Ievolta da 9hibata. >os esportes, Edson 2rantes do
>ascimento, o FPelG e Ao'o do Pulo. >as artes, o 2lei!adinho, com suas esculturas em madeira e
pedra-sab'o= 2gnaldo &anoel dos Santos, com suas esculturas de 0rixs= Aos da Paix'o Silva,
com suas gravuras que retratam a vida dura dos sub(rbios= e o artista plstico Emanoel 2ra(!o,
ex-diretor da Pinacoteca de S'o Paulo. >a literatura, 9ru* e Sou*a, o mais expressivo poeta
simbolista e os mestios &achado de 2ssis e Nima Qarreto. >a m(sica, o compositor e
instrumentista Pixinguinha, um dos maiores $lautistas de todos os tempos, responsvel pela
populari*a'o de instrumentos musicais a$ros no Qrasil e 2ntEnio 9arlos 1omes, criador da #pera
F0 1uaraniG, baseada no romance homEnimo de Aos de 2lencar. >a geogra$ia, o pro$essor &ilton
Santos, reconhecido internacionalmente pelo seu carter humanitrio e seu trabalho inovador. >a
medicina, o mdico Auliano &oreira, um dos maiores psiquiatras brasileiros, $amoso por seu
empenho na aprova'o de leis de assistncia a doentes mentais. >a engenharia, 2ndr Pinto
Iebouas, por sua participa'o na constru'o do porto da cidade do Iio de Aaneiro e das
principais docas dos Estados de Pernambuco, &aranh'o, Para"ba e Qahia. Seu irm'o, 2ntEnio
Pereira Iebouas, tambm se destaca como construtor da estrada de $erro ParanaguL9uritiba.
2s mulheres negras tambm se destacam. /andara, como l"der do .uilombo dos Palmares ao
lado de <umbi. >a pol"tica, )heodosina Iosrio Iibeiro, a primeira deputada negra da 2ssembleia
Negislativa de S'o Paulo, em luta pelos interesses da comunidade. >as artes, Iuth de Sou*a,
$undadora do )eatro Experimental do >egro e <e* &otta, consagrada no cinema no papel de
9hica da Silva, incansvel na coloca'o de atores negros no mercado art"stico e publicitrio. >a
literatura, 9arolina &aria de Aesus, conhecida internacionalmente com o livro [Link] de
/espe!oG. >a m(sica, a mestia 9hiquinha 1on*aga e )ia 9iata, em cu!a casa se reuniram os
maiores m(sicos cariocas dos prim#rdios do sculo XX. S'o tantas as personalidades negras na
hist#ria, que calcar nos estere#tipos da mulata e do !ogador de $utebol a contribui'o do negro
para a vida brasileira , sem d(vida, uma op'o marcada pela $orma mais vil de preconceito.
/entro da hist#ria do Qrasil, a das casas de 9andombl
um cap"tulo 7 parte, que merece ser conhecido, pois
$oram verdadeiros centros de resistncia da cultura
negra, onde muitos homens e mulheres se destacaram
em luta pelo direito 7 express'o religiosa e cultural, e se
uniram contra persegui,es sociais, pol"ticas e policiais
em nome da religi'o, de modo que estranhamos quando
$alam da relevncia do negro na cultura brasileira sem
re$erir a importncia das casas de 9andombl, a$inal,
sem elas, o legado a$ricano n'o chegaria com tamanha
express'o aos nossos dias.
2 Umbanda, particularmente, deve muito ao negro brasileiro, que com seu tempero, ginga e
musicalidade tornou-a ainda mais rica e bela, por isso, vamos escrever um pouco sobre a
condi'o do negro na hist#ria aproveitando para marcar o momento em que se d a anuncia'o
da Umbanda, um momento di$"cil para as religi,es de origem a$ricana.
Kamos em $renteW
9om o $im da escravatura muitos negros continuaram nas $a*endas servindo aos seus senhores,
outros migraram para as cidades, sobrevivendo de pequenos FbicosG ou quando a sorte lhes
$altava, de pequenos $urtos ?3@ e $oi assim que a $igura do negro $oi se tornando mais e mais
comum nas cidades, que cresciam.
(1) -a: originou-se o pr!-conceito, 'ue perdura at! nossos dias, de 'ue Bpreto tem inclina3&o para
+adiagem, para a malandragemC)
/cadas mais tarde, com a decadncia do modelo econEmico baseado na agricultura,
paulatinamente comearam a surgir no entorno dos centros urbanos as ind(strias e com elas, os
operrios europeus, FimportadosG, devido a experincia no trabalho com mquinas.
2 ind(stria despre*ou o contingente negro e a expans'o imobiliria os expulsou dos cortios da
cidade em dire'o 7 peri$eria. E $oi ali, nos $und,es das cidades, onde acabariam se $ixando e
edi$icando os barrac,es de 9andombl, embri,es dessas imensas casas religiosas que ho!e vemos
nos antigos bairros das cidades metropolitanas.
Essas casas se constitu"ram verdadeiros centros de resistncia cultural= novas sen*alas onde os
a$ro-descendentes se encontravam para re*ar, $este!ar, dividir o escasso p'o e as dores,
resistindo aos mecanismos da sociedade branca e crist' que marginali*ava os negros e mestios,
mesmo ap#s a aboli'o da escravatura.
2daptando-se 7s novas condi,es sociais e culturais, os a$ro-descendentes $oram constituindo um
candombl mais aberto 7 participa'o da sociedade, o$erecendo a todos sua rica e instigante
interpreta'o do mundo.
+ do 9andombl a ideia de que podemos e devemos ser n#s mesmos= de que n'o devemos
esconder ou reprimir nossos sentimentos e atitudes, nem em rela'o a n#s mesmos, nem em
rela'o aos outros, pois aceitar o que somos a!uda-nos a viver melhor. Em sua prtica, en$ati*a a
no'o de que a competi'o na sociedade , embora dissimulada, intensa e que o conhecimento
religioso e mgico nos a!uda a resolver os problemas cotidianos.
2 partir dessa l#gica, o 9andombl passa a se con$igurar atrativa agncia de servios mgicos
para a sociedade, o$erecendo-lhe possibilidade de solu'o para seus desa$ios sem maiores
envolvimentos com a religi'o. 2 classe mdia, o operrio, o homem comum das cidades vai,
ent'o, 7 peri$eria, atrs do !ogo de b(*ios e dos eb#s do 9andombl, que rapidamente se
populari*am por todo o Qrasil, sobremaneira pelos Estados do Iio de Aaneiro e Qahia e a :gre!a
9at#lica, religi'o o$icial, dominante, incomodada com essa expans'o, sopra as chamas dos
preconceitos, aviva o calor das cr"ticas no seio da sociedade brasileira que passa a enxergar o
9andombl como Fculto demon"acoG e seus devotos, como se ! n'o bastasse a condi'o social
de ser negro, como pessoas que devessem ser evitadas, temidas, perseguidas.
+ nesse contexto de desprest"gio crescente do 9andombl que iria surgir a Umbanda, uma religi'o
$undada e dirigida por brancos, exprimindo-se numa $orma de culto mais ao gosto crist'o. 2
Umbanda, Fa religi'o brasileira por excelnciaG, se propagaria rapidamente por todo o pa"s,
!untando ao catolicismo europeu a tradi'o dos 0rixs a$ricanos e os s"mbolos, esp"ritos e rituais
de re$erncia ind"gena, remetendo-nos 7s trs raas $ormadoras de nossa identidade, alcanando
signi$icativa popularidade.
0 9andombl s# conseguiria maior legitimidade social graas a uma nova esttica $ormulada pela
classe mdia intelectuali*ada do Iio de Aaneiro e de S'o Paulo, que nas dcadas de P5 e R5
adotou e valori*ou aspectos a$ros da nossa cultura. Mo!e, h um retorno deliberado 7 tradi'o
a$ricana= estamos reaprendendo a l"ngua, os ritos e mitos que $oram deturpados e perdidos na
adversidade atravs do 9andombl e da Umbanda. M um es$oro em se recuperar um
patrimEnio, cu!a presena no Qrasil motivo de orgulho, sabedoria e reconhecimento p(blico. +
inegvel que h uma volta 7 Y$rica n'o para ser a$ricano, nem para ser negro, mas para ser
brasileiro.
Estou certo de que o leitor percebeu, um tanto mais, a contribui'o do negro
para a sociedade brasileira, bem como, a importncia das casas de
9andombl como guardi's do patrimEnio cultural a$ricano. .uer"amos,
tambm, que o leitor dedu*isse o momento de absoluto menospre*o pela
cultura e capacidade do negro, preterido pelo europeu na nova organi*a'o
do trabalho que a ind(stria nascente empreendia e, de certo modo, pela pr#pria
Umbanda, uma religi'o $undada por brancos que s#, pouco a pouco, iria absorver a
in$luncia a$ricana, graas a doce in$luncia de Pai 2ntEnio e dos argumentos do
estudioso )ancredo da Silva Pinto.
Uma boa dica para ampliar os seus conhecimentos sobre o contexto hist#rico em que as
casas de 9andombl se desenvolveram explorar na rede a $unda'o dos primeiros Hls
do Qrasil, ho!e casas imensas, muito conceituadas, quer pelo imenso legado cultural que
souberam preservar, quer pelo trabalho espiritual e social que promovem.
)ema 55B L 0 momento hist#rico da anuncia'o da Umbanda, in
Meleno, Nui* &arcelo dos Santos L Umbanda, uma hist#ria L
9ole'o 9adernos 2ruada L n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora
2ruanda /igital L 2ssis L SP L 453B
9 < 7 G E A 8 A D <(
9<7GE A8AD< conviveu com ialorixs, babalaEs, com a
gente humilde e trabalhadora da Qahia e os viu espancados e presos.
)estemunhou a violncia com que eram atacadas todas as $ormas
de express'o cultural vinda da Y$rica. 2 elite branca, a igre!a cat#lica
e o poder p(blico pareciam ter constitu"do uma cru*ada de exterm"nio
7s tradi,es, costumes e crenas a$ro-brasileiras no Qrasil.
Em 3JDP, durante viagem ao 9ear, testemunhou um templo protestante ser
saqueado por um grupo de $anticos cat#licos, tal como, nos dias de ho!e,
$a*em alguns evanglicos em rela'o 7 Umbanda. 8oi a gota dZgua;
:ndignado, decidiu escrever aquela que $icaria conhecida como a FEmenda
da Niberdade IeligiosaG. 0 primeiro a assin-la $oi 1ilberto 8reire, autor do
F9asa 1rande e Sen*alaG. /epois dele a emenda obteve mais de oitenta
assinaturas, graas a ast(cia e perseverana de Aorge.
9om a aprova'o da emenda, a liberdade religiosa tornara-se lei no Qrasil,
integrada a 9onstitui'o /emocrtica de 3JDP. >'o seria mais poss"vel aos
intolerantes da elite e $anticos religiosos perseguirem protestantes, nem
manterem 7 margem da legalidade os centros esp"ritas, nem ao poder
p(blico violentar os templos a$ro-brasileiros e prender seus adeptos.
8oi Aorge 2mado, $ilho dileto do 9andombl, amante dos ils
da Qahia, que deu vo* ao sentimento de liberdade $raterna
que pulsa nas religi,es a$ro-brasileiras%
3iberdade( 3iberdade( 3iberdade(... para todos(
)ema 55D L Aorge, 2mado;, in Meleno, Nui* &arcelo dos Santos L Umbanda, uma hist#ria
9ole'o 9adernos 2ruada L n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L 453B
#m certo B+lio
A umbanda surgiu num momento "ist5rico
delicado para o candombl+ atrav+s de um !ovem
e ine)periente m+dium carioca considerado por muitos
estudiosos e personalidades umbandistas
o fundador da #mbanda. Jamos con"ecer
um pouco da sua "ist5ria?
<lio 8ernandino de &oraes nasceu de uma $am"lia
tradicional do distrito de >eves, em S'o 1onalo, no Estado
do Iio de Aaneiro, no dia 35 de abril de 3SJ3. Em $ins de
3J5S, ent'o com de*essete anos de idade, quando se
preparava para ingressar na &arinha do Qrasil, $oi
acometido por uma inexplicvel paralisia dos membros, que
a medicina n'o $oi capa* de diagnosticar. Seu padecimento
durou algum tempo e era entrecortado por alguns surtos
estranhos em que sua vo* e tre!eitos de !ovem, dava lugar
aos de um idoso.
Um dia, <lio ergueu-se do leito e num tom de vo* que n'o
lhe era pr#prio, declarou aos que o velavam, que no dia
seguinte estaria curado. &omentos depois, passado o que
consideraram um del"rio, negaria ter $eito tal a$irma'o, realmente n'o se recordava de t-la
$eito... mas na manh' seguinte, <lio, percebendo-se melhor, tentou erguer-se do leito e,
lentamente e sem di$iculdades, pEs-se em p voltando a caminhar com naturalidade. )odos
$icaram surpresos com a sua s(bita melhora e comentavam o dia anterior, quando FalgumG, por
intermdio de <lio, havia $alado.
Passada a eu$oria, os pais de <lio perceberam-se incomodados% qual seria a ra*'o de sua s(bita
recupera'o, misteriosamente anunciada na vsperaW 9om essa indaga'o, seus pais decidiram
procurar um dos mdicos, membro da $am"lia, que acompanhara o caso. Este, surpreso, n'o
encontrou uma explica'o para o ocorrido e uma ve* que a cincia n'o explicava os $atos,
dirigiram-se ao padre que os assistira naqueles dias angustiosos. 0 sacerdote, por sua ve*,
revelou-se incapa* de esclarecer o $enEmeno de modo satis$at#rio.
0s dias se passavam tranquilos com um <lio animado, entregue 7s atividades quotidianas e,
desse modo, as apreens,es de seus pais se esva"am, at que numa noite calma de reuni'o
$amiliar, <lio, em geral comunicativo, adotou uma postura pro$undamente re$lexiva, ent'o, tal
como na noite que precedeu sua cura, alterou o tom de vo* e declarou que era o esp"rito de 8rei
1abriel de &alagrida quem lhes $alava, um sacerdote cat#lico que houvera padecido os tormentos
da $ogueira inquisitorial. Uma longa conversa $oi encetada. 0 Esp"rito de 8rei &alagrida contou-
lhes que havia reencarnado vrias ve*es e que uma de suas mais signi$icativas experincias na
)erra, deu-se na roupagem $"sica de um "ndio brasileiro, de modo que lhe agradaria ser
identi$icado, daquele momento em diante, como F9aboclo das Sete Encru*ilhadasG. 2o $inal,
prometeu que viria outras ve*es para tra*er os $undamentos de uma nova religi'o, cu!a Figre!aG
seria nomeada F>ossa Senhora da PiedadeG, pois Fcom o mesmo amor com que &aria acolheu
Aesus, esta nova religi'o acolher os $ilhos seusG.
Surpresos diante daquele $enEmeno, comentaram o ocorrido com um vi*inho, esp"rita Cardecista,
que recomendou aos pais de <lio ?3@ uma visita 7 8edera'o Esp"rita do Estado do Iio de Aaneiro,
em busca de esclarecimento. /ias depois, na poca, na pequena sede da 8EEIA sediada em
>iter#i, $oram recebidos pelo seu presidente, Sr. Aos de Sou*a, que convidou <lio e seu pai a
participarem da sess'o medi(nica que ali iria ocorrer.
(1) %egundo -ona Dilm!ia de 1oraes o pai de D!lio foi leitor de li+ros esp:ritas e +ia a -outrina *sp:rita
com simpatia)
[ certa altura dos trabalhos medi(nicos, mani$estou-se o 9aboclo das R Encru*ilhadas que, pela
primeira ve*, anunciou o advento da Umbanda, Fuma mani$esta'o do esp"rito para a caridadeG,
uma religi'o onde os esp"ritos que um dia envergaram na )erra a roupagem de ind"genas e preto-
velhos Fteriam vo* e ve*G e $alariam aos humildes e so$redores ?4@.
(5) ara ns, ! significati+a a anuncia3&o da Embanda em meio esp:rita, pois embora o *spiritismo e a
Embanda ten"am ra2Fes diferentes na Gerra, no astral se complementam no ideal de um mundo onde
o amor se,a a ordem) H o 'ue supomos atra+!s da nossa e6perincia medi8nica e, principalmente, de
in8meras obras liter0rias esp:ritas e umbandistas 'ue nos permitiram a+aliar o 'uanto "0 de
coopera3&o entre os esp:ritos esp:ritas e umbandistas)
>aquela sess'o, 9aboclo das R Encru*ilhadas, anunciou que no dia seguinte Festarei na casa de
meu aparelho, para dar in"cio a um culto em que esses irm'os ?B@ poder'o transmitir suas
mensagens e cumprir a miss'o espiritual que lhes $oi con$iada. Ser uma religi'o que $alar aos
humildes, simboli*ando a igualdade que deve haver entre todos, encarnados e desencarnados,
pois /eus, em Sua in$inita bondade, estabeleceu na morte o grande nivelador universal. rico ou
pobre, poderoso ou humilde, todos se tornam iguais no desenlace, mas os preconceituosos, n'o
contentes em estabelecer di$erenas entre os vivos, procuram levar essas di$erenas para alm
da morte.G
(9) or Bem 'ue esses irm&osC entenda a'ueles esp:ritos "umildes, gente do po+o, 'ue n&o tin"am
+o2, nem +e2 nos centros esp:ritas cardecistas, nem se locupleta+am com as pr0ticas medi8nicas
degeneradas de feiticeiros, macumbas e terreiros onde o +erdadeiro Candombl! "a+ia sido
deturpado)
>o dia seguinte, na residncia dos &oraes, 7 rua 8loriano Peixoto, n(mero B5, por volta das 45h,
parentes, amigos e vi*inhos da $am"lia &oraes aguardam os acontecimentos anunciados na
vspera. >o lado de $ora da casa, pouco a pouco, $orma-se uma aglomera'o de curiosos.
<lio vinha de uma $am"lia cat#lica. Em sua casa, onde havia um pequeno altar, teve in"cio as
primeiras sess,es medi(nicas com os mensageiros de 2ruanda. 2li, alm da mani$esta'o do
9aboclo das R Encru*ilhadas, mani$estou-se Pai 2ntEnio, esp"rito que um dia experimentara a
condi'o de escravo em terras brasileiras e que traria a <lio o conhecimento dos 0rixs
associados aos santos cat#licos.
>a primeira engira de Umbanda do mundo, o 9aboclo das R Encru*ilhadas, anuncia que a religi'o
que estava nascendo trabalharia com amor $raterno em bene$"cio dos irm'os encarnados e que o
culto umbandista teria por base o Evangelho de Aesus e estabeleceu normas em que ocorreriam as
sess,es% os mdiuns estariam uni$ormi*ados de branco, o atendimento seria dirio e gratuito. 2
casa que ora se $undava $oi por ele denominada )enda Esp"rita ?D@ F>ossa Senhora da PiedadeG,
pois, disse ele, Fassim como &aria acolheu o $ilho nos braos, ali tambm seriam acolhidos todos
os que necessitassem de a!uda e con$orto.
(;) < termo B*sp:ritaC foi empregado nas tendas por'ue na !poca ainda n&o se podia obter o
registro como BEmbandaC)
/ito isto, respondeu a perguntas de alguns sacerdotes cat#licos, amigos da $am"lia, em latim e em
alem'o. 8inalmente passou 7 cura de um paral"tico e a prestar a!uda $raterna a outras pessoas
presentes.
>aquele mesma noite incorporou o humil"ssimo Pai 2ntEnio, que negou-se a sentar numa cadeira
em volta da mesa onde ocorria o culto. Pre$eria $icar de lado% F>go num senta n'o, meu sinhE.
>go $ica no toco que lugar de ngoG, di*ia ele bem humorado. Nhe deram uma banqueta para
sentar e ao lhe perguntarem se ele queria mais alguma coisa, o bondoso cacurucaia respondeu%
F&inha caximba. >ego qu o pito que deixou no toco. &anda mureque busc.G 2 caximba $oi o
primeiro elemento de trabalho na recm $undada Umbanda. 8oi, tambm, Pai 2ntEnio, a primeira
entidade a solicitar uma guia, at ho!e usada pelos membros da )enda, carinhosamente chamada
de F1uia de Pai 2ntEnioG.
0 evento na casa da $am"lia &oraes repercutiu.
>o dia seguinte, uma verdadeira romaria $ormou-se na rua 8loriano Peixoto% gente do povo,
en$ermos, cegos, coxos. >aquele dia, os que estiveram presentes na sess'o, viram alguns se
mani$estarem mediunicamente e atenderem ao p(blico sob a segura orienta'o do 9aboclo das R
Encru*ilhadas.
/esde ent'o, os esp"ritos que $ormam a egrgora da Umbanda tem se mostrado incansveis
servidores do bem. >o impulso irresist"vel de evolu'o, orientam, curam, protegem os irm'os de $
e prestam valorosos servios 7s entidades espirituais abnegadas, tanto no plano $"sico como nos
recantos do astral onde estagiam as almas mais necessitadas da &iseric#rdia /ivina.
2tendendo aos des"gnios dos planos
superiores da vida, no dia 36 de novembro
de 3J5S, $oi $undada, con$orme registro em
cart#rio, a primeira casa de Umbanda do
mundo, a )enda Esp"rita F>ossa Senhora da
PiedadeG ?:magem ao lado@ ?6@, dirigida pelo
mdium <lio 8ernandino de &oraes.
(I) BGendaC designa toda a casa de Embanda
estabelecida no pa+imento superior de um
sobrado ou pr!dio ou nos altos de uma regi&o,
por sua +e2, BGerreiroC designa a casa de
Embanda estabelecida em casa t!rrea ou bai6os de uma regi&o, +0r2ea)
2 )enda de <lio desenvolveu-se muito bem. 8oram in(meras as consultas e curas produ*idas ali.
Eram tantos os $iis, que em apenas de* anos, seguindo a orienta'o dos dirigentes espirituais da
casa, <lio $undou outras sete tendas, matri*es de tantas outras, que se denominariam FtendaG,
FcentroG, FcasaG ou FterreiroG de Umbanda, nas quais os $undamentos da primeira tenda do Qrasil
est'o presentes.
2s primeiras sete tendas $undadas por <lio $oram% )enda Esp"rita F>ossa Senhora da 1uiaG, )enda
Esp"rita F>ossa Senhora da 9oncei'oG, )enda Esp"rita FSanta QrbaraG, )enda Esp"rita FS'o
PedroG, )enda Esp"rita F0xalG, )enda Esp"rita FS'o AorgeG, )enda Esp"rita FS'o 1erEnimoG.
2os 66 anos, <lio passou a dire'o da )enda Esp"rita F>ossa Senhora da PiedadeG para as suas
$ilhas, <lia de &oraes Nacerda e <ilmia de &oraes 9unha ?! $alecidas@ e $undou a F9abana de
Pai 2ntEnioG, em Qoca do &ato, distrito de 9achoeiras de &acacu, no Estado do Iio de Aaneiro que
passou a dirigir com aux"lio de sua esposa, :sabel, mdium que incorporava 9aboclo Ioxo, no
atendimento $raterno, particularmente, aos portadores de doenas ps"quicas.
<lio nunca $e* de sua religi'o um meio para ganhar. Sempre trabalhou para garantir o seu
sustento e o de seus $amiliares. 0s parentes e amigos que conviveram com <lio, garantem ele
n'o aceitava a!uda monetria de ningum, cumprindo $ielmente a orienta'o de seu guia-che$e e,
saiba o leitor, n'o $oram poucos os &inistros de Estado, militares de alta patente e industriais
que lhe quiseram retribuir 7s curas e ben'os recebidas preenchendo cheques vultosos, sob
protestos de <lio que os recusava. 2ntes, era visto a!udando aos outros, hospedando via!antes
em busca de aux"lio espiritual em sua pr#pria casa, em certos per"odos de sua vida, trans$ormava
sua casa num verdadeiro albergue para necessitados, alm de a!udar $inanceiramente os templos
que o 9aboclo das R Encru*ilhadas $undou.
<lio $aleceu serenamente, na cidade onde nasceu, aos SD anos de idade enquanto dormia, em B
de outubro de 3JR6. Sua vida constituiu um exemplo de $ e caridade para com os so$redores. Um
exemplo que precisa estar na mem#ria e no cora'o dos irm'os umbandistas.
Segundo o :nstituto Qrasileiro de 1eogra$ia e Estat"stica, a Umbanda congrega
cerca de DB4.553 adeptos no Qrasil ?9enso 4555@. Por outro lado, pesquisas que
utili*am metodologias mais adequadas sempre apontam n(meros bem superiores,
que ainda assim, a mantm como religi'o minoritria na sociedade brasileira. E
s'o in(meras as ra*,es apontadas pelos pesquisadores para tentar esclarecer
esta condi'o minoritria. S'o ra*,es hist#ricas, culturais, sociais, entre outras. 2
nossa opini'o concorda com aqueles que atribuem 7s persegui,es religiosas por parte daqueles
que pretendem alcanar o reino dos cus atravs da violncia, como obstculo para a
popularidade da Umbanda, mas cremos que a maior ra*'o est mesmo em sua pr#pria estrutura,
uma ve* que a Umbanda uma religi'o de carter $amiliar e $echada, com uma dinmica
di$erente das religi,es de Fsalva'oG cu!a nature*a as predisp,em a concorrer no mercado
religioso. &as apesar do sentimento anti-$raterno, as pesquisas e estudos demonstram o grande
interesse da sociedade pela Umbanda e s'o muito valiosos para nossa anlise, ! que s#
recentemente a Umbanda ultrapassou um sculo de existncia, constituindo uma religi'o em
$orma'o, e como todo sistema de crenas, uma obra humana das quais os esp"ritos participam,
com virtudes e de$eitos a superar. Se!a como $or, a Umbanda est a"% valori*a a prtica da $, do
amor e da caridade bem compreendidas para que nos sintamos $eli*es aqui e agora, com o que
somos e temos e n'o amanh', quando nossa situa'o material mudar, ou numa pr#xima
existncia, ou num outro mundo. + assim que a Umbanda bem praticada se apresenta 7
sociedade e ainda que permanea pequenina em n(meros, s'o grandes os seus prop#sitos
espirituais.
)ema 556 L Um certo <lio, in Meleno, Nui* &arcelo dos Santos L
Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos 2ruada L n(mero 3 L
6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L 453B
,avegue neste mar(
pod7ADK<cast
A7#A,DA
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<u/a( Divulgue(
Participe(
ARUANDA
,-./,0I%.1
#mbanda antes de B+lio?
< assunto + polmico. Alguns autores afirmam que antes
da anuncia/o da #mbanda pelo Caboclo das L Encru6il"adas
ela !4 e)istia com ra26es no Catimb5 no Candombl+ de Caboclos
e nas 8acumbas MCN Cariocas constituindo as diversas vertentes
que orientam muitas casas por todo o >rasil. Para esses autores
B+lio de 8oraes no pode ser considerado o fundador da
#mbanda seno como um s2mbolo. $er4?
< nosso entrevistado + 8arcelo de <ssain editor da Cole/o de
Cadernos Aruanda respons4vel pelo [Link]
e dirigente do ECA . Espa/o Comunit4rio Aruanda.
A7#A,DA Joc concorda com os autores que afirmam a e)istncia da umbanda antes
de B+lio de 8oraes?
8A7CE3< ,o concordo. < que acontece + que a forte e)pressividade que a cultura
negra assumiu em muitos terreiros parece dar ra6o a esses autores mas a vivncia
na #mbanda e o estudo nos previne desse engano.
A7#A,DA Ento esses autores esto mal informados?
8A7CE3< $im esto mal informados pois no so poucas as fontes "ist5ricas
documentais que demonstram que em seus prim5rdios a #mbanda foi uma religio
fundada e dirigida por brancos cu!o discurso e pr4tica opun"a&se veementemente ao
com+rcio com a espiritualidade comum 's religi*es de origem africana. Conv+m
lembrar a estas pessoas que o primeiro terreiro de #mbanda foi registrado em
cart5rio por B+lio de 8oraes por determina/o do Caboclo das $ete Encru6il"adas.
A7#A,DA ;ual a origem dessa polmica?
8A7CE3< Eu acredito que a confuso sobre a origem da #mbanda come/a no momento
em que ela se torna recon"ecida pelo Estado. ,essa +poca no foram poucos os
terreiros de macumba Catimb5 e Candombl+ que passaram a designar&se por
empr+stimo como 0#mbanda1. Desse modo os profitentes dessas religi*es
intentavam se precaver da represso manifestada pelos 5rgos de seguran/a p-blica '
servi/o do governo Jargas.
A7#A,DA Iouve uma 0onda1 de legali6a/o das casas de macumba Catimb5 e
Candombl+ de Caboclo como 0#mbanda1?
8A7CE3< E)ato e foi nesse processo que alguns terreiros passaram a absorver
gradativamente uns mais outros menos os princ2pios +ticos que norteavam a
#mbanda e a #mbanda passou cada ve6 mais a assumir a rica influncia africana
discretamente manifestada em seu seio desde sua anuncia/o por Pai Antnio
entidade que na :erra fora escravo e secundava os trabal"os na :enda 0,ossa $en"ora
da Piedade1 ou se!a a influncia africana na #mbanda se deu por via espiritual.
A7#A,DA Por via espiritual?
8A7CE3< Ksto mesmo por via espiritual. < advento da #mbanda foi plane!ado "4
milnios pela Espiritualidade 8aior para ser branca negra ind2gena uma religio
aberta a todos conforme demonstram os e)celentes trabal"os de A. A. da 8atta e
$ilva mas alguns umbandistas se pudessem apagariam o fato de ela ter sido fundada
e dirigida por brancos esquecendo&se de que sem eles a #mbanda seria "o!e mera
forma 0lig"t1 de Candombl+ como so alguns terreiros ditos de #mbanda por a2. P
preciso preservar a "ist5ria daqueles que negam e distorcem os fatos para
favorecerem o seu partidarismo.
(1) Popularmente, a palavra macumba utilizada de forma pejorativa para
designar genericamente os cultos sincrticos afro-brasileiros derivados de prticas
religiosas e divindades africanas trazidas pelos negros ao rasil!
)ema 55P L Umbanda antes de <lioW, in Meleno, Nui* &arcelo dos
Santos L Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos 2ruada L
n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP - 453B
3iteratura
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ESPECIAL
>ate&papo com
Bilm+ia de 8oraes
A fil"a de B+lio de 8oraes fundador da #mbanda fala
de seu pai de discrimina/o e de como v o movimento
umbandista depois de um s+culo de sua anuncia/o
pelo Caboclo das L Encru6il"adas.
)ema 55R L Qate-papo com <ilmia de &oraes, in Meleno, Nui* &arcelo dos Santos L
Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos 2ruada L n(mero 3 L 6a. Edi'o -
Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP - 453B
#8>A,DA
e a luta por seu
recon"ecimento
Contar a "ist5ria da #mbanda no + apenas falar
de B+lio de 8oraes e das elevadas entidades que o orientaram.
Para narrar esta "ist5ria precisar2amos falar de muitos "omens
e esp2ritos que se constitu2ram e)emplos edificantes de amor ao pr5)imo e
de luta pela dignidade do culto umbandista. :al narrativa no caberia nas
p4ginas deste caderno desse modo nosso ob!etivo ser4 meramente
introdu6i&lo neste tema apai)onante.
Em um momento hist#rico-cultural di$"cil para a Umbanda, <lio de &oraes uniu-se a
incansveis guerreiros dos primeiros anos da nossa querida religi'o para tir-la da
marginalidade a que esteve relegada no seio da sociedade brasileira em seus prim#rdios
at meados do sculo passado.
<lio 8ernandino de &oraes, Qen!amim 8igueiredo, /omingos dos Santos, Ao'o 9arneiro de 2lmeida,
Aos Ylvares Pessoa, &anoel >ogueira 2ranha, Ao'o de 8reitas, 9avalcanti Qandeira, 9"cero
Qernardino de &elo, >arciso 9avalcanti, 8lix >ascente Pinto, AerEnimo de Sou*a, Menrique Nandi
A(nior, T. T. da &atta e Silva, )ancredo da Silva Pinto, Ytilla >unes ?pai@, 0molub, 8lavio da 1uin,
dentre outros, s'o alguns nomes que destacamos no movimento pela evolu'o do culto e pelo
reconhecimento das casas umbandistas !unto 7s autoridades de seu tempo.
Esses primeiros umbandistas se mostraram "ntegros e detentores de ideais que em muito
superaram os seus dias. Eles engrandeceram a Umbanda com sua $ e determina'o pelo bem,
tra*endo at os dias de ho!e ecos de uma bela mensagem que nos permite entender a miss'o da
Umbanda na )erra.
Considera/*es sobre os te)tos de $ergio ,avarro
.uerido leitor, a partir destas linhas voc tomar contato com textos de autoria de Srgio >avarro
)eixeira, sacerdote da 8raternidade Umbandista FNu* de 2ruandaG, $ormado no )emplo Esp"rita
&irim ?IA@.
>avarro ir nos contar a hist#ria da Umbanda atravs da contribui'o do grande &estre Qen!amim
8igueiredo, a quem conheceu. Estenda a todas as personalidades anteriormente citadas neste
t#pico, o mesmo esp"rito e ideal que digni$icou a vida e a obra de Qen!amim. Eles estiveram unidos
na mesma miss'o de $a*er a Umbanda digna e reconhecida sobre os alicerces da 8, do 2mor e da
9aridade, erguidos por seus guias, segundo os des"gnios da /ivina Providncia.
A anuncia/o da #mbanda
)exto de Srgio >avarro )eixeira
8raternidade Umbandista FNu* de 2ruandaG
Qarra &ansa L IA
9erca de 45 anos ap#s a Proclama'o da Iep(blica a sociedade brasileira vivia pro$undas
trans$orma,es, ainda em busca de sua identidade, de sua FbrasilidadeG. >o mundo das artes, por
exemplo, um grupo de artistas revolucionava a esttica e a linguagem na FSemana de 2rte
&odernaG de 3J44. Esse sentimento nacionalista viria tambm a se mani$estar na pol"tica, com a
ascens'o de 1et(lio Kargas ao poder, ! na dcada de 3JB5. Era o $im da hegemonia da elite
agrria e a implanta'o do Estado >ovo.
2 caracter"stica mestia da popula'o brasileira passava a ser valori*ada como $orma de uni'o da
na'o. Por essa vis'o, os vrios grupos raciais ganhavam igual importncia na $orma'o da
civili*a'o brasileira. Esta ideologia a!udou na crena de que o preconceito racial n'o existia no
Qrasil. 1ilberto 8reHre, em seu livro O9asa 1rande e Sen*alaO ?3JBB@, $oi um dos intelectuais que
deram suporte a tal tese. 2t o samba, mani$esta'o cultural oriunda da cultura negra brasileira,
era redescoberto e re$ormatado, levado a um universo mais amplo% brilhava a estrela de 9armem
&iranda.
+ dentro deste contexto nacional, um $ato marcante para aqueles
que se prop,em a estudar as origens da Umbanda, veio a
consolidar-se como o marco inicial da religi'o% a $amosa
mani$esta'o do 9aboclo das R Encru*ilhadas ?imagem ao lado@,
em 3J5S, atravs do seu mdium, <lio 8ernandino de &oraes
?3SJ3-3JR6@, na cidade de >iter#i, ent'o capital do antigo estado
do Iio de Aaneiro, onde diante de uma respeitada e organi*ada
8edera'o Esp"rita Qrasileira, 9aboclo das R Encru*ilhadas pEde
deixar registrada a de$ini'o do novo movimento religioso% OUma
mani$esta'o do esp"rito para a caridadeG. 9aridade, a principal lei
da Umbanda, religi'o do amor $raterno em bene$"cio dos irm'os
encarnados, qualquer que $osse a cor, a raa, o credo e a condi'o
social.
Sabe-se que aquela n'o $oi a primeira mani$esta'o medi(nica de um esp"rito com per$il de um
"ndio brasileiro, uma ve* que desde o $inal do sculo X:X h registro da presena destes em
pequenos terreiros, espalhados 7 margem da sociedade daqueles dias, as ditas Fmacumbas
cariocasG. &as o advento do 9aboclo das R Encru*ilhadas $oi realmente especial por diversos
aspectos.
>o in"cio do sculo XX, FmacumbaG podia $acilmente de$inir toda e qualquer rela'o medi(nica,
geralmente prom"scua, de curandeiros, pais-de-santo, $eiticeiros, charlat,es, e todos aqueles que
se dispunham a intervir !unto 7s $oras invis"veis do alm em troca de dinheiro e poder, como bem
descreve Paulo Qarreto em 3J5D, sob o pseudEnimo de FAo'o do IioG, no livro F2s Ieligi,es no IioG%
0Jivemos na dependncia do feiti/o dessa caterva de negros e negras de
babalo)4s e ?aus somos n5s que l"es asseguramos a e)istncia com o
carin"o de um negociante por uma amante atri6. < @eiti/o + o nosso v2cio
o nosso go6o a degenera/o. E)ige damos&l"eQ e)plora dei)amo&nos
e)plorar e se!a ele maitre&c"anteur MEN assassino lar4pio fica sempre
impune e forte pela vida que l"e empresta o nosso din"eiro.1
(J) 1estre-c"arlat&o)
/a" percebe-se a grande*a da miss'o do 9aboclo das R Encru*ilhadas como mensageiro das
diretri*es das mais altas es$eras da espiritualidade. Sua presena e sua mensagem eram muito
claras% uma nova legi'o de entidades iluminadas trabalharia pela eleva'o moral e espiritual do
nosso povo, sob a inspira'o de 9risto-0xal. Era o nascimento da Umbanda;
Em 34 de maro de 3J45, outro !ovem mdium viria a ser o ve"culo de mais um iluminado &estre,
que tambm se utili*ando da roupagem $lu"dica de um "ndio brasileiro, veio rati$icar a mensagem
de humildade e caridade da Umbanda. Kinha ensinar a prtica da mediunidade em sintonia e
respeito 7 nature*a e ao livre-arb"trio do praticante, na plenitude da FEscola da KidaG. 2ssim,
9aboclo &irim se mani$estava pela primeira ve* naquele que seria seu companheiro de uma vida%
Qen!amin 1onalves 8igueiredo ?4P\34\3J54 L 5B\34\3JSP@.
>en!amim @igueiredo
)exto de Srgio >avarro )eixeira
8raternidade Umbandista FNu* de 2ruandaG
Qarra &ansa L IA
Qen!amin 1onalves 8igueiredo ?imagem ao lado@, ent'o com de*essete
anos, participava com sua $am"lia de sess,es esp"ritas Cardecistas at que,
em maro de 3J45, em uma dessas reuni,es, 9aboclo &irim incorporou no
!ovem mdium e anunciou que aquela seria a (ltima sess'o de ]ardec
reali*ada por sua $am"lia, pois as pr#ximas passariam a ser de umbanda,
religi'o apresentada h pouco mais de de* anos. 2 partir de ent'o, toda a
$am"lia 8igueiredo viu-se envolvida na $orma'o daquele que seria um dos
mais importantes n(cleos umbandistas do Qrasil. 2os 3B dias do ms de
maro do ano de 3J4D considerou-se $undada a )enda Esp"rita &irim.
/esde o in"cio 9aboclo &irim advertiu que aquela seria uma organi*a'o (nica no gnero em todo
o Qrasil, cu!o mtodo seria adotado por outras tendas, at mesmo em outros Estados da 8edera'o
e, de $ato, o ritual da )enda &irim sempre se destacou no meio umbandista por tra*er in$luncias
de correntes $ilos#$icas que v'o desde o 0cultismo e a )eoso$ia ao Espiritismo de 2llan ]ardec.
9aboclo &irim aboliu do seu culto diversos elementos que estavam intimamente ligados 7 no'o de
que se tinha das FmacumbasG e $eitiarias reinantes naqueles tempos, bem como alguns outros
tambm relacionados ao culto cat#lico e 7 cultura a$ricana. 2inda como parte da ruptura com
outras religi,es, nos terreiros orientados por 9aboclo &irim n'o se encontravam altares com as
imagens cat#licas, apenas a de Aesus 9risto situado acima da altura da cabea dos mdiuns, onde
se lia a inscri'o F0 &dium SupremoG.
/entre as inova,es de Qen!amim 8igueiredo estavam os
grandes tambores pra serem tocados sentado ao invs dos
tradicionais atabaques, comuns nas FmacumbasG. 2s toalhas-
de-guarda e as vestes rendadas coloridas, t"picas da Qahia,
deram lugar aos brancos uni$ormes e calados, sempre s#brios,
como a lembrar a seus mdiuns que todos eram apenas
operrios da $, ou melhor, FSoldados de 0xalG, como na letra
de um belo hino da )enda &irim. >enhum ornamento, nem
guias, colares ou qualquer tipo de ostenta'o pessoal era
aceita. 2ntes da abertura dos trabalhos, era at di$"cil ao
visitante distinguir os dirigentes dos demais mdiuns da casa.
8oi um primeiro passo em busca de uma identidade pr#pria para a Umbanda, buscando-se
digni$icar o culto e seus participantes, tendo como base a organi*a'o e a disciplina do con!unto do
corpo medi(nico da casa umbandista. Percebe-se ainda a n"tida in$luncia do movimento positivista
daqueles tempos, atravs de uma certa rigide* hierrquica e disciplinar no terreiro, o que, alis,
atraiu muitos mdiuns militares para as $ileiras das casas sob a orienta'o de Qen!amin 1onalves
8igueiredo.
9aboclo &irim introdu*iu tambm o conceito de gradua'o aos seus mdiuns em desenvolvimento,
com uma classi$ica'o pr#pria para cada um nos trabalhos de atendimento p(blico. 8oi a primeira
escola de $orma'o inicitica umbandista. 0 novo adepto da religi'o iniciava seu desenvolvimento
medi(nico na base da pirmide hierrquica do terreiro, e ia ascendendo nela con$orme seu pr#prio
ritmo, levando-se em conta a seriedade e a dedica'o do ne#$ito, e sempre de acordo com a
intensidade e a qualidade com que seus pr#prios guias trabalhavam !unto ao mdium. 9om isso,
durante seu desenvolvimento, o mdium exercitaria vrias $un,es dentro dos trabalhos de
caridade.
2 nomenclatura dos sete graus $oi baseada na terminologia da l"ngua >hengat(, da antiga raa
dos "ndios )upH. 2ssim $icaram classi$icados% 3^ 1rau% Qo!mirins, entidades dos mdiuns :niciantes
?:@= 4^ 1rau% Qo!as, entidades dos mdiuns de Qanco ?Q@= B^ 1rau% Qo!guass(s, entidades dos
mdiuns de )erreiro ?)@= D^ 1rau% 2barmirins, entidades dos Sub-9he$es de )erreiros ?S9)@= 6^
1rau% 2bares, entidades dos 9he$es de )erreiros ?9)@= P^ 1rau% 2barguass(s, entidades dos Sub
9omandantes 9he$es de )erreiros ?S99)@= R^ 1rau% &orubixabas, entidades dos 9omandantes
9he$es de )erreiros ?99)@.
2 liturgia aplicada nos terreiros tambm introdu*ia novos conceitos 7 $ umbandista. 9aboclo &irim
sinteti*ou o tradicional pante'o a$ricano em algumas linhas de trabalho sob a gide de )up', o
Senhor da 9ria'o na cultura )upi-1uarani. 0s 0rixs evocados nos trabalhos da )enda &irim eram%
0xal, 0gum, XangE, 0xossi ?e Aurema@, :eman!, 0xum, >an' e :ans'. Sempre se evitando o
sincretismo com os santos cat#licos, principalmente nas curimbas cantadas. 2s mani$esta,es
medi(nicas davam-se sempre atravs dos 9aboclos, Pretos-Kelhos e as :bei!adas ?crianas@, e n'o
havia sequer uma sauda'o aos Ex(s e Pombagiras, muito menos uma gira ou sess'o pr#pria para
o trabalho destes. 9ertamente uma atitude que visava rati$icar a ruptura da Umbanda com as
populares FmacumbasG. Para muitos, Qen!amin 8igueiredo parecia ignorar completamente a
existncia do FPovo da IuaG, bem como a extens'o e a importncia dos trabalhos pr#prios dessa
linha. Qen!amin parecia ignorar, perante os olhares menos atentos...
Iealmente, nos tempos de Qen!amin 8igueiredo, as casas ligadas 7 )enda &irim n'o $a*iam giras
pr#prias de Ex( e Pombagira, mas sua participa'o sempre $oi $undamental na corrente astral da
9asa. 9om um olhar mais apurado observava-se a presena do FPovo da IuaG auxiliando desde o
desenvolvimento dos mdiuns iniciantes, bem como, trabalhando pesado no descarrego de
mdiuns e consulentes. &as sempre de uma $orma extremamente discreta, $osse !unto aos
9aboclos e Preto-velhos, $osse !unto 7 parte do corpo medi(nico denominados Fmdiuns de bancoG.
Essa categoria de mdiuns tinha como principal caracter"stica operar sentado e de $orma receptiva
?ou passiva@, em contraponto aos mdiuns de terreiro incorporados com seus 9aboclos, que
ministravam o passe no consulente, de $orma ativa. 0s mdiuns de banco se doavam $ornecendo
ectoplasma e tambm auxiliando na dispers'o de energias mal$icas e\ou miasmas, bem como na
condu'o de almas so$redoras ou esp"ritos trevosos. Este era o trabalho $undamental das sess,es
de caridade sob a orienta'o de 9aboclo &irim. /a" percebe-se que s# com a segurana dos
sempre alertas Ex(s e Pombagiras, em total sintonia e coopera'o com as demais entidades
presentes, se alcanava o pleno xito em cada sess'o.
2lm das sess,es de caridade, outro evento importante sob a dire'o de 9aboclo &irim eram as
magn"$icas giras mensais. Em seu enorme terreiro ?45 x 65 metros@, inaugurado em 3JD4, cerca de
4555 ?dois mil;@ mdiuns da )enda &irim, suas $iliais e casas coirm's, con$raterni*avam com seus
9aboclos e Pretos-Kelhos em uma s# poderosa vibra'o de amor aos 0rixs e 7 Umbanda.
2 partir dos anos 65, com um trabalho ! bem consolidado na sua matri* no Iio de Aaneiro, 9aboclo
&irim responsabili*ou vrios mdiuns a levar as tendas de Umbanda ao longo de todo territ#rio
nacional. 2 primeira casa descendente da )enda &irim $oi criada em B5\5P\3J63, como $ilial, em
.ueimados, cidade de >ova :guau. /epois desta, novas casas $oram abertas em 2ustin, Iealengo,
9olgio, Aacarepagu, :tabora" e Petr#polis. 2 primeira casa descendente do 9aboclo &irim aberta
$ora do Iio de Aaneiro $oi na cidade de 2ssa", no Paran. 2t 3JR5, ! tinham sido abertas B4 casas
sob a orienta'o de 9aboclo &irim.
A umbanda fora da marginalidade
)exto de Srgio >avarro )eixeira
8raternidade Umbandista FNu* de 2ruandaG
Qarra &ansa L IA
>os primeiros anos da Umbanda, ainda no in"cio do sculo XX, a repress'o ao dito baixo espiritismo
era bastante intensa. 2 &aonaria, a Umbanda, o Espiritismo de ]ardec e principalmente os cultos
a$ro-brasileiros eram reprimidos com vigor. Pior ainda durante o per"odo da ditadura Kargas,
quando a pol"cia agia violentamente, com a !usti$icativa de que a macumba tinha liga,es com a
subvers'o, servindo at para dar cobertura a grupos comunistas, segundo relatos da poca. Uma
lei datada de 3JBD colocou todos esses grupos sob a !urisdi'o do /epartamento de )#xicos e
&isti$ica,es da Pol"cia do Iio de Aaneiro, na se'o especial de 9ostumes e /ivers,es, que lidava
com problemas relacionados com lcool, drogas, !ogo ilegal e prostitui'o. Praticar a Umbanda era,
ent'o, uma atividade marginal e tal classi$ica'o perdurou at a reorgani*a'o do /epartamento
de Pol"cia do Iio, em 3JPD.
Essa mesma lei de 3JBD gerou uma situa'o d(bia% se o registro na pol"cia permitia aos terreiros a
prtica legal, por outro lado $acilitava a a'o das autoridades que passaram a ter uma lista de
terreiros e isto parece ter aumentado a possibilidade de intimida'o e extors'o. Iegistrados ou
n'o, os umbandistas e demais praticantes de cultos a$ro-brasileiros $icavam expostos 7 severa
persegui'o policial do Iio. >'o era di$"cil ver a pol"cia invadir e $echar terreiros, con$iscando
ob!etos rituais, muitas ve*es prendendo seus participantes. Qen!amin 8igueiredo, <lio 8ernandino
de &oraes e muitos outros $oram presos diversas ve*es nesse per"odo.
&as havia um FmodeloG que vinha conquistando seu espao na sociedade brasileira% a 8edera'o
Esp"rita Qrasileira ?8EQ@, $undada desde 3^ de !aneiro de 3SSD. >os anos B5, esta ! conseguira se
$irmar como leg"tima representante do Espiritismo no Qrasil, uni$icando, $ortalecendo e tornando
coesas as casas esp"ritas. 0 simbolismo que carrega o vocbulo F$edera'oG, como ideia de
unidade nacional, servia ao discurso da Era Kargas, que naqueles tempos ! via com bons olhos a
religi'o esp"rita, como mais uma $onte de paci$ica'o e, principalmente, controle das massas pela
Felite brancaG da sociedade. )entando se livrar do estigma marginal dos $eiticeiros, iniciou-se um
claro movimento por uma auto-identi$ica'o dos umbandistas com o Cardecismo. 0 pr#prio termo
Fesp"ritaO $oi usado para esconder nomes e para dis$arar os praticantes da Umbanda de sua
ascendncia a$ro-brasileira, quase como uma nova $orma de sincretismo, tal qual a mscara
cat#lica que as religi,es a$ro-brasileiras se utili*aram nos tempos do cativeiro. /a" a denomina'o
de tantas casas umbandistas tradicionais como Fcasas esp"ritasG% )enda Esp"rita &irim, )enda
Esp"rita 8raternidade da Nu*, )enda Esp"rita Estrela 1uia da Umbanda, etc..
0s n(meros de S'o Paulo, apresentados pelo pro$essor de Sociologia da Ieligi'o, N"sias >ogueira
>egr'o, em seu livro FEntre a 9ru* e a Encru*ilhadaG ?Edusp, S'o Paulo, 3JJP@, s'o um #timo
exemplo% de 3J4J a 3JDD o n(mero de centros esp"ritas Cardecistas registrados em cart#rios
representava JD_ do total de unidades religiosas registradas, contra apenas P_ das casas
declaradas de Umbanda. 2lguns anos depois, no per"odo de 3J6B a 3J6J ?ap#s a
descriminali*a'o@, este n(mero ! havia se invertido, com PS_ de casas de Umbanda contra B3_
de casas Cardecistas.
0 movimento umbandista ganhava corpo e estruturava-se a $im de obter o status de religi'o
brasileira. 0 exemplo da 8EQ deve ter parecido a melhor op'o para as lideranas umbandistas
daqueles tempos. 9riar uma $edera'o para negociar com o Estado a regulamenta'o da Umbanda
e consequentemente o $im da repress'o ao culto, inserindo assim a Umbanda na estrutura do
Estado pela via institucional, este $oi o caminho escolhido.
Em 3JBJ $undou-se a 8edera'o Esp"rita de Umbanda, atual Uni'o Esp"rita de Umbanda do Qrasil.
<lio de &oraes, Qen!amin 8igueiredo, )ancredo da Silva Pinto e outros se uniram em torno de um
s# ideal% tirar a Umbanda da marginalidade, organi*ando-a como uma religi'o coerente e
hegemEnica assim obtendo sua legitima'o social e seus es$oros levaram ao FPrimeiro 9ongresso
Qrasileiro do Espiritismo de UmbandaG ?3@, em 3JD3.
(1) .esse congresso discutiu-se a origem da Embanda, neste conte6to, a Genda *sp:rita 1irim, foi 'uem, pela
primeira +e2 a e6press&o AE1-BA.-=A, do sKnscrito BaumC e Bb"andaL como termo designador de nossa
religi&o, tese at! "o,e, aceita por di+ersas correntes umbandistas)
Mo!e, h quem acuse, malandramente, este primeiro congresso de
querer Fdesa$ricani*arG ou FembranquecerG a Umbanda, uma ve* que
n'o tomaram parte nele representantes de religi,es a$ro-brasileiras.
>a realidade o primeiro congresso teve a $inalidade de uni$icar o
movimento umbandista sendo, portanto, contraproducente a
participa'o de representantes de outras denomina,es religiosas no
evento. E, de $ato, houve um $ortalecimento do movimento
umbandista desde aquele epis#dio, pois em 3JDD, as mesmas
lideranas presentes ao primeiro congresso, diga-se, <lio de &oraes,
Qen!amim 8igueiredo e )ata )ancredo, apresentaram ao ent'o
Presidente 1et(lio Kargas um documento intitulado O0 9ulto da
Umbanda em 8ace da NeiO, conseguindo que o governo brasileiro
aprovasse a descriminali*a'o da nossa querida religi'o.
:ata e codifica/*es
)exto de Srgio >avarro )eixeira
8raternidade Umbandista FNu* de 2ruandaG
Qarra &ansa L IA
2pesar de constituir uma grande vit#ria, a descriminali*a'o da Umbanda n'o $oi su$iciente para
manter unidas as lideranas do movimento, !untas at ent'o pela legitima'o da religi'o. Por volta
de 3J65, essas mesmas lideranas passaram a se entrincheirar em torno de seus pontos-de-vista
pessoais, cada qual de$endido com ardor e paix'o, abrindo-se assim um enorme $osso dentre as
diversas correntes umbandistas. >esta poca diversas 8edera,es s'o $undadas no Qrasil, s# no Iio
de Aaneiro $oram seis;
9om o $im da persegui'o das autoridades p(blicas, a Umbanda passou por um rpido per"odo de
crescimento, pois suas portas abriram-se de ve* a diversos grupos religiosos marginali*ados.
)erreiros a$ro-brasileiros, assim como a Umbanda houvera $eito com o espiritismo, inclu"ram em
seus nomes a palavra FUmbandaG como $orma de $ugir 7 marginalidade, por outro lado, n'o $oram
poucos os terreiros a$ro-brasileiros que, gradativamente, absorveram elementos pr#prios da
Umbanda, constituindo uma umbanda F7 moda da casaG, mas $oi assim que a corrente que de$ende
a in$luncia da cultura a$ricana sobre o culto umbandista cresceu, concedendo destaque a um dos
seus principais expoentes% )ancredo da Silva Pinto ?3J5D-3JRJ@, considerado o organi*ador do culto
0moloCE no Qrasil, um homem inteligente, erudito, pro$undo conhecedor dos cultos a$ricanos.
2inda em 3J65, )ancredo rompe com a 8edera'o Esp"rita de
Umbanda e $unda a 9on$edera'o Esp"rita Umbandista do
Qrasil. Qastante atuante, via!a por quase todo o pa"s,
$undando $edera,es estaduais no Iio de Aaneiro, S'o Paulo,
Iio 1rande do Sul, &inas 1erais, Pernambuco, dentre outras,
sempre com o ob!etivo de organi*ar e dar personalidade ao
culto.
:nspirado pela tese do mdico, etn#logo e pro$essor
Iaimundo >ina Iodrigues ?3SP4-3J5P@, )ancredo de$endeu
com ardor sua vis'o da Umbanda, que via na pure*a racial
negra a legitimidade das prticas umbandistas. )ancredo
Pinto lanou mais de B5 livros, e passaria 46 anos
escrevendo uma coluna semanal no !ornal F0 /iaG, o que
$aria com que seus ideais tivessem grande ascendncia
sobre os setores mais humildes da Umbanda, chegando
inclusive a receber o t"tulo de O)ata de UmbandaO ?OPapa da UmbandaO@ L imagem ao lado.
9omo um dos maiores representantes da corrente umbandista que liderara o primeiro congresso de
umbanda, Qen!amin 1onalves 8igueiredo, Presidente da )enda Esp"rita &irim, tambm sabia que
aquele era o momento de levar a Umbanda pelo Qrasil a$ora, por isso, em 3J63, ! com diversas
$iliais da )enda &irim no Estado do Iio, visou a expans'o nacional. :nspirado por seu mentor,
9aboclo &irim convoca diversos dirigentes umbandistas a $im de se unirem em torno de um ideal
maior% a codi$ica'o da Umbanda. Auntas, essas casas umbandistas $undam em 5B de outubro de
3J64, no Iio de Aaneiro, o FPrimado de UmbandaG.
:deali*ado como uma institui'o $ederativa, o Primado
visava o $ortalecimento da Umbanda e a maior uni'o e
entendimento entre seus responsveis e adeptos,
procurando estabelecer, o quanto poss"vel, maior
uni$ormidade nos trabalhos e prticas umbandistas.
/estacando-se pela organi*a'o, disciplina e seriedade, e
sob a condu'o de Qen!amin, eleito primeiro Prima*, o
Primado de Umbanda cresceu rapidamente, contando com
de*enas de casas $iliadas em poucos anos. 0 Primado ainda congregaria outros segmentos
umbandistas e apoiaria a organi*a'o de um novo congresso de Umbanda. >este segundo
congresso ?imagem acimao lado@, reali*ado em 3JP3, sob a presidncia do Sr. Menrique Nandi
Aunior, novamente debateu-se a codi$ica'o da religi'o e aprovou-se o FMino da UmbandaG, de
autoria de A. &. 2lves. 2inda haveria um B^ 9ongresso, e$etivamente reali*ado em 3JRB. Qen!amin
8igueiredo ainda incentivou a cria'o do F9olegiado Espiritualista do 9ru*eiro do SulG, do F9"rculo
de Escritores e Aornalistas de UmbandaG, e seria o principal $undador da FEscola Superior :nicitica
de UmbandaG do Qrasil, da qual $oi o conselheiro.
)ambm nos anos 65\P5, muitos autores apresentam obras literrias sobre a Umbanda. 2lm de
Qen!amin 8igueiredo ?0C 9aboclo L 3JP4@ e )ancredo da Silva Pinto, lanaram livros, 2lu"*io
8ontenele, QHron )orres, /ecelso, Emanuel <espo, Aota 2lves de 0liveira, Ao'o Karela, Noureno
Qraga, 0liveira &agno, Samuel Pon*e, Silvio Pereira &aciel, dentre outros.
Em 3J6P, surge um novo personagem que merece destaque% T.T. da &atta e Silva ?3J3R-3JSS@
com o seu livro OUmbanda de )odos >#sO. Sua pesquisa apresenta a religi'o como cincia e
$iloso$ia, em uma linha pr#xima ao que ! apresentara o Primado de Umbanda e 0liveira &agno em
seu livro O2 Umbanda Esotrica e :niciticaG ?3J65@. 9om grande repercuss'o no meio umbandista,
o livro de /a &atta visto como mais uma tentativa de codi$ica'o da religi'o.
&atta e Silva ainda lanaria mais oito livros, apresentando sua
$orma particular de praticar Umbanda, que viria a ser conhecida
como FUmbanda esotricaG, criando assim mais uma segmenta'o
dentro da religi'o.
Sempre lutando contra o uso comercial da Umbanda, contra as
prticas que alimentam o Fbaixo espiritismoG e, principalmente,
contra a ignorncia do corpo medi(nico, &atta e Silva ?&estre
`apacani@ iniciou em seu terreiro centenas de mdiuns na sua
corrente astral do F2umbhandanG e preparou muitos outros para
liderarem agrupamentos religiosos que ho!e se distribuem por todo
territ#rio nacional. )alve* o mais $amosos deles, tido como seu
sucessor, se!a o Sr. 8rancisco Iivas >eto ?&estre 2rhapiagha@,
Presidente da 0rdem :nicitica do 9ru*eiro /ivino, ho!e, reitor geral
da 8aculdade de )eologia Umbandista, em S'o Paulo.
0 antagonismo dessas principais correntes gera debates que a$etam os umbandistas at os dias de
ho!e. E tal qual naqueles tempos, ainda se observa que cada grupo ou organi*a'o implanta sua
pr#pria Fcodi$ica'oG, tentando in$luenciar o movimento umbandista com sua vis'o e seus ideais,
atravs dos meios de comunica'o. &as vale ressaltar que n'o h verdade absoluta, portanto, n'o
existe corrente umbandista mais Fevolu"daG do que outra. Ser sempre seguindo princ"pios bsicos
de amor e, principalmente, de respeito ao pr#ximo, que conseguir o umbandista ver que, abaixo
das pequenas di$erenas de culto exterior, somos todos :rm'os de $;
#mbanda um legado
)exto de Srgio >avarro )eixeira
8raternidade Umbandista FNu* de 2ruandaG
Qarra &ansa L IA
2 Umbanda, 355 anos ap#s a $amosa apresenta'o p(blica do 9aboclo das Sete Encru*ilhadas,
ainda uma !ovem religi'o em busca de sua a$irma'o. E merecem o nosso respeito e admira'o
todos os incansveis guerreiros que abriram as primeiras trilhas, que seguiram em caminhos nunca
antes percorridos e que criaram as bases para que, um sculo depois, pudessem os umbandistas
ter orgulho dos nossos terreiros e de nossos 1uias. Essa $oi a grande luta de diversas
personalidades, que pelo carter breve de nosso artigo n'o pudemos esposar aqui. 2 luta dos
primeiros Umbandistas anunciava que era chegado um novo tempo aos verdadeiros pro$itentes,
era hora de abandonar os excessos lit(rgicos, e de cada um despertar para sua !ornada de
crescimento "ntimo, sob a lu* dos 1uias de 2ruanda.
0s nomes dos homens que relacionamos em nossa narrativa, souberam estar 7 altura de uma obra
maior, orientada pela leg"tima c(pula espiritual do movimento umbandista. Sabiam que em seu
tempo, seriam conhecidos como radicais, pela intransigncia com que precisaram de$ender uma
Umbanda livre dos grilh,es de $eiticeiros e exploradores da $, das supersti,es que polu"am as
mentes imaturas de alguns $iis, da marginalidade que a sociedade relegava 7 nossa religi'o,
provando que a Umbanda tinha vida pr#pria $ora da cultura a$ro-brasileira.
2lguns $oram acusados de FembranqueceremG a Umbanda, mas esses homens respeitavam a
cultura negra que tanto enriquece nossa religi'o, mas achavam dispensvel ao culto alguns dos
rituais a$ricanos mais r(sticos. Para eles, a Umbanda nunca seria lugar para matanas de animais,
F$undangosG, raspagens de cabea, camarinhas, recolhimentos e obriga,es aos 0rixs. 0
radicalismo de <lio de &oraes, Qen!amin 8igueiredo e tantos outros companheiros, permitiu que
n'o predominasse na Umbanda apenas a matri* a$ricana e a avassaladora cultura `orub, da
mesma $orma que se observa sua $orte presena nos cultos de na'o. )alve*, sem esses homens, a
Umbanda ho!e n'o pasasse de uma $orma FlightG do 9andombl. &as, respeitando-se como
religi,es irm's, cada qual vem aprendendo a consolidar sua pr#pria vis'o do universo, com seus
pr#prios $undamentos, rituais e, principalmente, sacerdotes. 2ssim, a Umbanda pEde consolidar-se
como religi'o universalista, com espao para diversas in$luncias que enriqueceram e $ortaleceram
o movimento umbandista, permitindo que observemos em nossos terreiros a presena da matri*
cat#lica, da matri* esp"rita, da matri* orientalista, etc.
2 conclus'o que chegamos que ser na busca do equil"brio, do F9aminho do &eioG, que a
Umbanda crescer. 0s gregos antigos ! nos ensinavam que a temperana, a prudncia e a
modstia, aliadas 7 modera'o e ao bom senso, comp,e as condi,es indispensveis a se alcanar
um estado de esp"rito s'o e calmo ?SophrosHne@. &as trilhar pelo meio n'o signi$ica ignorar a
energia dos extremos, com sua $ora e sua vitalidade. 0 melhor caminho ser encontrado na
polari*a'o correta dessas $oras, n'o na sua anula'o. >o caminho do meio todos os extremos se
encontram e nele todos os extremos se ap#iam e se $ortalecem. .ue os $ilhos da nossa querida
Umbanda reconheam o con!unto das $oras presentes em sua religi'o e possam encontrar em seu
equil"brio a verdadeira Nu* de 2ruanda;
)enho pro$unda admira'o pelo trabalho de Qen!amim 8igueiredo, particularmente,
por ter organi*ado o culto atravs de uma autntica escola inicitica. >a minha
opini'o os terreiros precisam desenvolver-se atravs de escolas ou grupos de estudo,
de modo a o$erecer 7 sociedade mdiuns melhor orientados e assistncia espiritual
mais a$etiva.
)ema 55S L 2 Umbanda e sua luta por reconhecimento, in Meleno, Nui*
&arcelo dos Santos L Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos
2ruada L n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L
453B
Considera/*es
sobre o feiti/o
A magia branca da #mbanda combate
incansavelmente os trabal"os desenvolvidos
pelos magos negros do astral inferior.
2 cincia terrena ! pode comprovar que muitas das crendices populares possuem algo de
cient"$ico, a$inal, s'o muitos os trabalhos desenvolvidos na rea da paranormalidade humana, do
chamado FsobrenaturalG. 0 problema que ao lado de pesquisadores srios, que agem com
isen'o e liberdade de a'o, grande o n(mero dos que se movem no intuito exclusivo de
combater as doutrinas espiritualistas e daqueles que recusam Fa prioriG qualquer coisa que n'o se
coadune absolutamente com a sua $orma'o acadmica, doutrinria ou religiosa. Por isso,
admiramos a perseverana e coragem quando notamos pesquisadores srios que adentram o
terreno dos $enEmenos sobrenaturais, terreno sobe!amente eivado de preconceitos religiosos,
cient"$icos e morais.
&as enquanto perduram os preconceitos na terra, no astral in$erior, pr#ximo ao nosso plano, as
inteligncias desvirtuadas no mal ! descobriram, h tempos, as leis naturais, universais, que
disciplinam a magia. )al como tal demonstram os trabalhos de Einstein sobre a nature*a da
matria, eles descobriram que seres e ob!etos materiais constituem n(cleos de energia
condensada e que podem $irmar determinadas energias nestes n(cleos e depois enderea-las 7s
suas v"timas, segundo as mesmas leis de a$inidade conhecidas por nossos qu"micos e $"sicos, leis
estas que disciplinam as rela,es e propriedades dos corpos entre si. 0s magos negros que
governam o astral in$erior s'o conhecedores das leis universais e s'o donos de uma vontade
poderosa, que utili*am para condenveis $ins. Namentamos os eg#latras, os consumistas, os
alco#latras, os tabagistas, os carn"voros, os sex#latras, os violentos e $eiticeiros da )erra que com
eles se associam tornando a $eitiaria uma triste realidade na )erra. 2 atua'o dessas inteligncias
desencarnadas em nosso orbe nos adverte da necessidade da trans$orma'o interior do homem.
2creditamos que o estudo, a re$lex'o sobre n#s mesmos e o es$oro no bem contribuir para que
nosso planeta se torne um desses mundos que vibram harmonia no universo. .ue esse dia n'o
tarde, mas, at l, con$iemos na hierarquia espiritual da Umbanda a qual estamos sintoni*ados
pelos laos de amor e roguemos ao Pai 9eleste $oras aos nossos capangueiros e exus no servio
redentor de socorrer esp"ritos em diversas $aixas de evolu'o sob o !ugo de en$eitiamentos a
plasmar-se em complexos e dolorosos casos de obsess'o espiritual.
9incia e magia... indicamos a leitura do excelente F&agia de Ieden'oG, do &estre
Iamat"s, psicogra$ado por Merc"lio &aes, editado pela Nivraria 8reitas Qastos. &agos
negros, organi*a,es do astral in$erior... indicamos o livro FNegi'oG, do mdium
esp"rita Iobson Pinheiro, da 9asa dos Esp"ritos Editora.
)ema 55J L 9onsidera,es sobre o $eitio, in Meleno, Nui* &arcelo dos
Santos L Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos 2ruada L n(mero
3 L 6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L 453B
JK$K:E < >3<G D< ECA(
[Link]
Considera/*es sobre
mediunidade na
#mbanda
< que + medium? Do que precisamos
para sermos bons m+diuns umbandistas?
9on$orme ]ardec, o &estre lions, Fmdium toda pessoa que sente em algum grau a in$luncia
dos Esp"ritosG ou, mais propriamente, aquele que consegue comunicar-se com eles, se!a pela
mecnica da incorpora'o, pela vidncia, pela audincia, atravs da psicogra$ia, etc. &as para
tornar-se um bom mdium, n'o basta sentir, em algum grau, a in$luncia dos esp"ritos, mas
interessar-se vivamente por sua edi$ica'o moral e pelo estudo da mediunidade, pois esp"ritos
moralmente atrasados est'o sempre prontos para aproveitar as oportunidades que os
encarnados lhes o$eream para misti$ic-los, desviarem-nos dos bons prop#sitos e explorarem
suas energias.
Participamos de alguns casos dolorosos em que alguns mdiuns comearam sua vida religiosa
com entusiasmo, mas talve* por $alta de estudo, orienta'o e es$oro moral, deixaram-se $ascinar
por entidades que exploraram sua $aculdade medi(nica trans$ormando-a numa ponte para a
satis$a'o de suas paix,es materiais. Parte desses mdiuns reconheceu sua derrocada moral e
com humildade, encetaram es$oros em seu pr#prio rea!ustamento conseguindo superar as
di$iculdades, graas tambm 7 /ivina &iseric#rdia que nunca nos $alta quando dese!amos
sinceramente nos reti$icar, por isso, gostar"amos de $a*er algumas considera,es aos mdiuns,
que contribuir'o para a sua harmonia interior no exerc"cio da mediunidade.
>a es$era religiosa, ele!a um terreiro para trabalhar segundo princ"pios morais os mais elevados.
>'o d passagem a entidades $ora do terreiro em que trabalha= lembre-se de que no seu grupo
religioso reside a sua segurana. Ievele-se um trabalhador ass"duo, compromissado com o
terreiro, ou se!a, este!a presente 7s engiras na hora certa, com a roupa sempre limpa e tome,
sempre que necessrio, os banhos de seus 0rixs e os preconi*ados por seus guias e protetores.
9on$ie aos seus guias, ao dirigente de culto e colegas de grupo os seus problemas existenciais e
desa$ios, em busca de orienta'o e a!uda. 8inalmente, lembre-se que a sintonia com entidades de
lu* depender do modo como o mdium pensa e se condu* na vida quotidiana.
>a es$era pessoal, este!a certo de que antes de encarnar compreendeu a importncia da
mediunidade para a sua evolu'o. 2 mediunidade uma $aculdade que uns recebem para
resgatar seu Carma= outros, para sair do comodismo espiritual a que se entregaram a sculos=
outros para aprender a servir ao pr#ximo com desinteresse= raros, para cumprir tare$as de alta
envergadura espiritual. Se!a como $or, a mediunidade oportunidade abenoada para a
evolu'o, sendo assim, no seu desenvolvimento compreenda suas pr#prias imper$ei,es,
aprendendo com elas= aceite com humildade e resigna'o as limita,es que a vida material lhe
imponha= perdoe aos que de algum modo lhe $iram e pre!udique e rea!a 7s di$iculdades de
qualquer tipo com compreens'o e sereno otimismo. 0s Pretos-Kelhos n'o cansam de nos lembrar
que Fa vida terrena s# um momento de uma vida muito maior, por isso, querido mdium, ha!a o
que houver, visuali*e no pasto um !ardim, tal como um !ardineiro dedicado o $aria e coloque todo
o seu amor e dedica'o no trabalho, logo, o pntano ceder lugar 7s $lores;
2 mediunidade bem condu*ida express'o de agradecimento a 0lorum, aos 0rixs, aos seus
guias, aos seus protetores e guardi,es e aos seus semelhantes pela oportunidade de reden'o
que a vida nos o$erece, entretanto, exige de n#s re$orma moral cont"nua e muito estudo.
Aos dos Ieis ?Esp"rito@
Utili*ando a rede como $erramenta de pesquisa procure saber mais sobre a Fmiss'o
dos mdiuns no mundoG, Fmediunidade e obsess'oG, en$im, sobre os riscos que a
prtica medi(nica o$erece 7queles que n'o se preocupam em estud-la e
aper$eioar-se moralmente. /epois debata com os seus irm'os de $ acerca dos
resultados que obteve.
)ema 535 L 9onsidera,es sobre a mediunidade na Umbanda, in
Meleno, Nui* &arcelo dos Santos L Umbanda, uma hist#ria L
9ole'o 9adernos 2ruada L n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora
2ruanda /igital L 2ssis L SP L 453B
De irmo para irmo. De mo em mo.
Nivros eletrEnicos gratuitos. Por amor pela Umbanda.
Polmicas na #mbanda
Em fun/o das diversas influncias que a #mbanda
recebeu ao longo do tempo "4 divergncias em rela/o
ao sacrif2cio de animais ao uso de fumo e bebidas alco5licas
nos terreiros e aos tipos de paramentos utili6ados pelos
trabal"adores nas engiras.
$acrif2cio de animais
9ada casa re$lete a sua rai* no trato com as quest,es espirituais.
.uanto maior in$luncia das religi,es a$ro-brasileiras num terreiro,
maior ser o uso de animais em rituais de sacri$"cio.
2 Umbanda que utili*a animais em rituais denominada FtraadaG,
numa alus'o ao sincretismo com o 9andombl, onde, bom que se
diga, percebi um estreito conv"vio entre homens e animais, numa
rela'o de pro$undo respeito. Em nenhum dos terreiros que visitei
observei despre*o pela vida animal, de modo que, na minha opini'o, o
uso de animais em rituais, tanto no 9andombl quanto na Umbanda-
traada, s# pode ser compreendido por aquele que disp,e-se a
conhecer a tradi'o cultural herdada por esses grupos religiosos, pois
s# assim ele se !usti$ica.
&as a verdade que a cr"tica sobre o uso de animais em rituais quase sempre denota preconceito
cultural, muitas ve*es, nada mais do que um pretexto para atacar as religi,es de rai* a$ricana,
associando suas prticas 7 ignorncia dos $iis e a cultos demon"acos. Por outro lado, tais cr"ticos
se calam diante dos enormes $rigor"$icos que criam milh,es de animais atravs de processos que
denotam $rie*a assombrosa para a alegria dos FreligiososG, dos FmoralistasG, dos Fpoliticamente
corretosG, com seus estEmagos vidos, convertidos em verdadeiros cemitrios onde a carne se
decomp,e em vibra,es deletrias durante alegres celebra,es regadas a bebidas alco#licas, das
quais, $reqaentemente, crianas participam. 2 compreens'o do uso sacri$icial de animais em
rituais, en$ati*o, reside no estudo da cultura a$ricana e brasileira e no respeito 7s di$erenas e isto,
irm'os de $, parece custar muito aos cr"ticos.
2 polmica permanece sobre a utilidade desse expediente na Umbanda como um todo, pois
algumas vertentes n'o utili*am o ritual de sacri$"cio de animais porque Fo tipo de trabalho que
desenvolvem n'o prescinde de sangueG= outras, Fporque acreditam que os animais, em agonia
diante da morte, produ*em vibra,es geradoras de um campo energtico prop"cio ao
desenvolvimento de v"rus, bactrias e larvas astrais, causadoras de desequil"brios ps"quicos e
$"sicos, principalmente nos mdiuns mais sens"veisG... s'o vrias as !usti$icativas que cada corrente
apresenta. )odas elas aliceradas em bases te#ricas, doutrinrias, culturais que lhe di*em
respeito. /e minha parte, compreendo e respeito o uso !usti$icado dos animais no 9andombl e na
Umbanda-traada e me oponho 7 hipocrisia e intolerncia religiosa.
#so de fumo
0 uso do $umo est associado 7 in$luncia ind"gena e
constitui o mais tradicional elemento da teraputica
espiritual praticada na Umbanda, mas para compreender
o porqu de seu emprego preciso saber que durante o
per"odo em que o $umo germina, cresce e se desenvolve,
arregimenta as mais variadas energias do solo e do meio
ambiente% calor, magnetismo solar e lunar, etc. + desse
modo que as $olhas de $umo condensam $orte carga
energtica, que liberada pela queima, emana energias
que atuam desintegrando $lu"dos que se congregam a
contextura $lu"dica de um ambiente.
Porm ao ser utili*ado pelas entidades $iliadas ao trabalho dos 0rixs, o $umo $unciona como
de$umadores individuais que eles impregnam com sua pr#pria $ora magntica associada 7 do
mdium, trans$ormando o tradicional OpitoO num e$iciente desagregador de energias negativas,
que lanam e direcionam atravs de seu pensamento ?vontade@ em dire'o aos centros de $ora,
chacras, aura, #rg'os doentes e $eridas, bene$iciando aqueles que os procuram.
0s 9aboclos utili*am os cigarros de palha, os Preto-velhos, os cachimbos onde queimam ervas
!unto com o tabaco. A os Ex(s pre$erem os charutos, elaborados com $umo mais $orte, enquanto
as Pombagiras elegem as cigarrilhas, os cigarros longos ou mesmo os cigarros curtos, desde que
acompanhados de piteira.
K se, pois, que o $umo importante instrumento para o trabalho das entidades, que n'o tra*em
nenhum v"cio tabagista, como alguns podem sugerir.
#so de bebidas
/e rai* ind"gena e a$ricana, o uso de bebidas alco#licas $a* parte dos
$undamentos da Umbanda devido a sua grande importncia simb#lica
?3@ e teraputica e, a par dos bene$"cios, resulta numa polmica !
bastante antiga.
(1) < 0lcool simboli2a a passagem do plano material para o et!reo,
pois tem sua origem na cana-de-a38car 'ue +em da terra (terra), !
l:'uido (0gua), inflama (fogo) e ! e6tremamente +ol0til (ar))
Para compreendermos a importncia teraputica do lcool,
consideremos o que di*em os esp"ritos. Eles in$ormam que parte
notvel do lcool ingerido pelas pessoas eliminada atravs dos
pulm,es, sendo assim, eles d'o pequenos tragos ou molham os lbios
e depois sopram ou d'o ba$oradas em dire'o aos centros de $ora, chacras, aura e partes doentes
do corpo do assistido. >esse momento, o lcool volati*ado est impregnado de $luido magntico
animal do corpo do mdium associado a energias da nature*a, graas 7 participa'o de
elementais, eliminando miasmas e larvas astrais, destruindo os campos magnticos deletrios,
geralmente vinculados 7 $eitiaria.
9abe ainda ressaltar a importncia do sopro.
>a mitologia a$ricana >an' deu barro para 0batal ?4@ moldar os seres humanos. 0batal assistido
por Ex( moldou o barro, ent'o, 0lorum soprou ar nas narinas do molde concedendo-lhe vida. >o
livro do 1nesis, veremos que do barro /eus $e* o homem e com o sopro lhe deu a vida. 0s
alquimistas, assim como muitos cientistas do passado, acreditavam que o sopro era a $onte de
vida. 0s pa!s, em seus rituais de cura, sempre $a*em uso do sopro, da mesma $orma que as m'es
quando sopram a rea dolorida quando o $ilho se machuca. M muito para se di*er sobre o sopro,
mas o importante saber que atravs dele, sob o impulso de nossa vontade, transmitimos nossa
energia vital produ*indo energias curativas.
(5) <batal0, B< #ei do ano BrancoC, di+indade africana ! assim c"amado por ser considerado rai2
de todos os <6al0s) -i2-se na Ba"ia 'ue "0 de2esseis tipos de +ibra3&o de <6al0)
2 polmica, no entanto, permanece devido 7 ingest'o das bebidas alco#licas pelos mdiuns.
M mdiuns predispostos ao alcoolismo e h aqueles que so$reram com a doena. Para esses
mdiuns o uso da bebida nas engiras n'o se !usti$ica, pois pode avivar o dese!o do mdium, por
isso, as entidades que trabalham com ele, compreensivas, sempre adotam outros procedimentos.
Por outro lado, h mdiuns que n'o so$rem de alcoolismo, mas em sua vida privada apreciam o
estado de embriague*. S'o mdiuns desequilibrados, necessitados de orienta'o e a!uda para se
rea!ustarem, a$inal, o uso abusivo de bebidas alco#licas atrai entidades de pouca lu*, dese!osas de
satis$a*erem seus apetites materiais, predispondo o mdium a graves desequil"brios. /evido ao
perigo que o abuso do lcool representa que mentores espirituais e dirigentes encarnados
restringem ou pro"bem seu uso, especialmente durante a $ase de desenvolvimento dos mdiuns.
.uem $reqaenta engiras de Umbanda, sabe que o uso do lcool pelas entidades serve a outros
prop#sitos que n'o a embriague*. >as engiras o lcool consumido em quantidades "n$imas. >a
realidade esta polmica gerada mais pelo uso perigoso que as pessoas $a*em das bebidas
alco#licas na vida diria do que pelo seu uso ritual. 0 mesmo acontece com o $umo.
Paramentos
>a Umbanda, normalmente os mdiuns usam roupas brancas, como simbolo de pure*a e em
homenagem a 0xal, F0 Iei do Pano QrancoG= os ps descalos como s"mbolo de humildade e
guias ?colares@ de prote'o. 2 polmica reside na personali*a'o imposta por alguns 1uias
espirituais e dirigentes de terreiro, pois h quem exi!a o uso de roupas coloridas, por exemplo,
vermelha e branca nas engiras de 0gum e verde e branca nas engiras de 0xossi durante as
engiras. M tambm 1uias espirituais que recomendam aos seus mdiuns utili*arem peas de
vesturio e apetrechos que lhes assemelhem.
>o primeiro caso, minha opini'o de que em datas $estivas em homenagem aos 0rixs, o uso de
roupas coloridas se !usti$ica do mesmo modo quando nos preparamos, de modo especial, para um
evento social relevante, mas em dias normais de trabalho n'o h necessidade desse expediente,
inclusive, por ser expendioso para o mdium umbandista, geralmente pessoa humilde, trabalhador
comum. >o segundo caso, uma tolice. Este tipo de exigncia um "ndice seguro de misti$ica'o
por parte da entidade e de $ascina'o por parte do mdium, a$inal, qual a utilidade de tal
procedimento nas tare$as de caridadeW >enhuma.
.uanto ao uso de guias e apetrechos h dirigentes e mdiuns vaidosos que as ostentam como se
$ossem insignias de modo a se distinguirem dos demais, esquecidos de que tais ob!etos se
!usti$icam somente em casos muito particulares, por sua utilidade na terapia espiritual ?B@
desenvolvida pelas entidades e dentro da maior discri'o poss"vel. Se!amos $iis 7 divina
mensagem da Umbanda que nos recomenda a modstia e a naturalidade poss"vel. 8ora com tais
procedimentos;
(9) (uias e apetrec"os ao serem manipulados pelas entidades contribuem para a
prote3&o do m!dium ser+indo como acumuladores e condensadores de energias, 'ue
depois s&o dissipadas em elementos apropriados)
2tualmente, alguns dirigentes de terreiro eliminaram o uso de bebidas e $umo de suas
engiras de modo a corresponder 7 parcela do seu p(blico, partidria do Fpoliticamente
corretoG que n'o veem tais elementos de culto com Fbons olhosG. >'o me preocupo
com eles. 0s partidrios do politicamente correto, se voc pensar bem, s'o daqueles
que nunca pensaram em nada, mas que a ter maior acesso a bens de consumo
passam a absorver conceitos que con$iguram verdadeira $orma de controle social por parte da
elite. Por que agem assimW Porque s'o !ustamente os hbitos de consumo e os conceitos que
exposam o que mais os distingue em sociedades consumistas como a nossa. >a rai* disto tudo%
vaidade, orgulho. 1raas a 0lorum, dirigentes mais esclarecidos, lutam para manter as nossas
tradi,es, a$inal, o pito do preto-velho, o $umo do pa!, a aguardente do malandro parte do
legado cultural da Umbanda e deve perpetuar-se, dentro claro, das normas de comedimento que
o uso ritual imp,e. )odos os umbandistas sabem que esp"ritos n'o $umam, n'o bebem, nem
comem. + preciso resistir 7s press,es desta FordemG que dese!a substituir a tica pelo
politicamente correto. + preciso resistir 7 press'o desta FordemG que dese!a padroni*ar
comportamentos. + como disse Nvi-Strauss em sua (ltima visita ao Qrasil% Fpercebo que um poder
inv"sivel petende trans$ormar a humanidade numa planta'o de beterrabasG, ou se!a, todos
iguai*inhos, vestindo terno e a b"blia debaixo do suvaco...
)ema 533 L Polmicas na Umbanda, in Meleno, Nui* &arcelo dos
Santos L Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos 2ruada L
n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L 453B
< terreiro e seus
trabal"adores
Como se organi6a um terreiro
atrav+s de seus trabal"adores?
2 Umbanda tem como lugar de culto o terreiro, quando estabelecido em casa trrea, baixos de
uma regi'o ou vr*ea ou tenda, quando estabelecido no pavimento superior de um sobrado ou
prdio ou nos altos de uma regi'o. &as o local onde os umbandistas reali*am suas engiras podem
tambm ser denominados templo ou centro.
0 che$e do culto na casa de Umbanda , geralmente, denominado dirigente de terreiro, mas
con$orme a vertente pode ser chamado de sacerdote ou sacerdotisa, *elador ou mestre ?3@. 0
dirigente de terreiro aquele mdium mais experiente, com maior vivncia na Umbanda,
$requentemente, o $undador do terreiro. + ele que coordena as engiras, que incorpora o guia-
che$e do terreiro e quem representa a casa diante do poder p(blico. 0 dirigente de terreiro tem
como Fbrao direitoG o pai ou m'e pequena, mdium capa* de substitu"-lo quando necessrio e
responsvel por diversas tare$as no terreiro.
(1) <s termos Bpai-de-santoC ou Bm&e-de-santoC, babalori60C ou Bialori60C s&o mais apropriados ao
Candombl!)
9omo comum nas religi,es espiritualistas, a liga'o entre encarnados e desencarnados se reali*a
por meio de mdiuns. >a Umbanda existem vrios tipos de mdiuns, os mais comuns s'o os de
incorpora'o, que mani$estam o ax ?$ora@ dos 0rixs e recebem os esp"ritos que $ormam a
equipe espiritual de atendimento.
M tambm os atabaqueiros e corimbas, tambm denominados og's. S'o eles mdiuns inspirados
e intuitivos que recebem a vibra'o da espiritualidade e transmitem-na por meio dos atabaques
?atabaqueiros@ e dos cnticos ?corimbas@, criando um campo energtico $avorvel 7 atra'o de
determinados esp"ritos e energias. S'o, em grande parte, responsveis pela $ora e harmonia das
engiras.
0s cambones ?homens@ e sambas ?mulheres@ geralmente s'o mdiuns em desenvolvimento, mas
podem ser $iis cu!a $, sensibilidade e dedica'o 7 Umbanda os $i*eram dignos de atender as
entidades mani$estadas no terreiro provisionando-as de todo o material necessrio 7 reali*a'o dos
trabalhos, alm de auxiliar o consulente. 2 educa'o e a cordialidade deles s'o imprescind"veis
para manuten'o do ambiente positivo e $raterno que sustenta as engiras.
0 trabalho coletivo na Umbanda constitui um sistema de aliana $raterna cu!os valores s'o, em
grande parte, inacess"veis ao visitante comum, muitas ve*es mero interessado na solu'o dos
problemas que o a$lige. 8eli*mente, alguns dirigentes umbandistas tm se preocupado em divulgar
a bela mensagem da Umbanda, contribuindo de $orma mais e$etiva para a edi$ica'o e bem-estar
do assistido.
)ema 534 L 0 terreiro e seus trabalhadores, in Meleno, Nui* &arcelo
dos Santos L Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos 2ruada L
n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L 453B
:rabal"o de Esquerda
E)- e Pombagira na #mbanda
Para a populacha a Umbanda uma religi'o demon"aca. :sto ocorre, em grande parte, por causa
da associa'o os religiosos $a*em entre Ex( e o /iabo que a mitologia crist' inventou no intuito de
dominar seus $iis pelo medo. >o 9andombl, Ex( um 0rix cu!a principal virtude servir de
mensageiro entre os homens e os /euses. >a Umbanda Ex( n'o o diabo dos crist'os, nem o
0rix dos candomblecistas, mas uma entidade FExecutora da Nei de 9ausa e E$eitoG, ou se!a, uma
espcie de cobrador de d"vidas crmicas. Por outro lado desempenha as $un,es de protetor dos
irm'os de $, guardi'o do terreiro, alm de militar em organi*a,es no astral que agem 7 moda da
Fpol"cia de choqueG cumprindo determina,es da espiritualidade superior. >a )erra, os dom"nios
de Ex( ou Pombagira s'o as encru*ilhadas, os cemitrios, as matas, as pedreiras, os rios... /i*em
que qualquer local oculto, sombrio, tenebroso, assim se torna pela vibra'o dessas entidades.
Essas entidades, dotados de $orte magnetismo, podem ser machos ou $bmeas. .uando dotadas
de psiquismo masculino, apresentado-se 7 vista como homens, s'o chamadas Ex(s= quando
dotadas de psiquismo $eminino, apresentando-se como mulheres, s'o chamadas Pombagiras. )odo
Ex( tem seu par energtico $eminino, o que equivale di*er que toda Pombagira tem seu Ex(.
0s Ex(s e Pombagiras s'o $reqaentemente con$undidos com os ]iumbas, estes sim, esp"ritos
perversos, $rancamente maus, que tem pra*er em indu*ir esp"ritos ao erro, que obsedam os
encarnados e se associam a $eiticeiros. 0s Ex(s que militam na Umbanda ! $oram ]iumbas, mas
saciadas todas as sensa,es, escravos dos pr#prios instintos, viram a sombra que os envolviam e
vislumbraram a lu* redentora. 2ngustiados, reconheceram em posi'o mais $eli* aqueles a quem
pre!udicaram e arrependidos $oram tocados pela &iseric#rdia /ivina. Mo!e, cheios de vitalidade e
coragem, embora n'o possam alar planos mais elevados da vida, permanecem nas trevas
trabalhando pelo pr#prio reerguimento.
+ grande o meu reconhecimento e amor a essas criaturas singulares, por isso, respeito suas novas
determina,es sem !amais tent-los ao mal, pois podem se arrepender do que $i*eram e
acabarem se voltando, violentos, contra os que o incitaram para o devido a!uste de contas.
Para melhor entendimento sobre o trabalho desenvolvido por Ex( e Pombagira na Umbanda
apresentaremos o relato de Pombagira &aria Padilha das R Encru*ilhadas, que trabalha na
egrgora do 9E9P - 9entro Esp"rita F9aboclo PerHG, cu!o prop#sito nos o$erecer uma ideia do
trabalho dos Ex(s na Umbanda, atravs de um texto por n#s adaptado ?3@.
(1) Ge6to do li+ro BEmbanda , mitos e realidadeC, de /asaan AMpore erM, dispon:+el para
donNload na internet)
#m e)emplo do trabal"o de E)- na #mbanda
Pombagira &aria Padilha das R Encru*ilhadas
2 vida de 9arlos est um caos. Sua m'e est doente e
tem peregrinado por consult#rios mdicos sem
encontrar solu'o para o problema de sa(de que lhe
a$lige. Seu pai encontra-se desempregado e deprimido.
0 pr#prio 9arlos est desempregado e sua esposa,
&aria, a (nica empregada na casa, ! apresenta "ndicios
de $adiga $"sica e mental.
2conselhado por um amigo, 9arlos se dirige a um
terreiro. /urante o tra!eto, animado com sua companhia,
seu amigo $ala sobre a Umbanda, explica sobre a rotina
do terreiro e o orienta sobre como agir no momento da
consulta. Embora demonstre alguma disposi'o, no
"ntimo 9arlos est triste. Sente que chegou ao $undo do
poo. FAamais imaginei ter de recorrer a macumba para
solucionar meus problemasG, pensa.
2o chegar ao terreiro in$ormado de que o dia ser de consulta aos Pretos-Kelhos. 9arlos tem seu
cora'o cheio de d(vidas sobre o seu $uturo e o de sua $am"lia e est bastante apreensivo, pois
sente que logo chegar a sua ve* de ser atendido.
/iante de um tranquilo Preto-Kelho, 9arlos demonstra-se pouco 7 vontade, mas a entidade,
atravs de conversa $raterna, pouco a pouco, vai irradiando pa* e con$iana ao rapa*. 9arlos n'o
entende o porqu, mas enquanto conversam, nota o Preto-Kelho estalar os dedos 7 sua volta.
0bserva que o mesmo olha para um copo dZgua ao lado de uma vela acesa e ba$ora para cima a
$umaa de seu cachimbo. 9arlos n'o entende, mas assim que a entidade vai $irmando seu
trabalho, enquanto pede, mentalmente, que os Ex(s de trabalho se diri!am, com a velocidade do
pensamento, 7 casa do !ovem, para um reconhecimento da situa'o espiritual de seu lar.
2p#s tais determina,es o Preto-Kelho utili*a de elementos mag"sticos para al"vio de 9arlos
atravs de um bom passe magntico, ap#s o qual d algumas orienta,es, tais como, re*ar
diariamente e elevar o pensamento a /eus sempre que sentir-se a$lito, e promete% ainda naquela
noite, ap#s o encerramento da engira iria trabalhar em $avor dele e de sua $am"lia. 9arlos retira-
se. Segue com o amigo at a rua onde moram. 9arlos agradece ao amigo% Fsinto-me aliviado e
esperanoso, 1ilberto, ser que meus problemas ser'o resolvidos pela bondosa entidadeWG
.uando os amigos adentram suas casas, o sarav termina e os mdiuns, por sua ve*, v'o
embora. + hora de descansar. >o terreiro reina o silncio, mas para a equipe espiritual da casa o
trabalho est apenas comeando, pois os esp"ritos reunidos no ambiente se organi*am para dar
cumprimento a assistncia daquela noite. 0s Ex(s e Pombagiras, um a um, retornam com
in$orma,es sobre cada caso atendido. 2 partir dessas in$orma,es que o &entor do grupo ir
deliberar providncias 7 cada equipe que, por sua ve*, ir estabelecer o $amoso Fquem vai $a*er o
quG para s#, ent'o, partir em servio. &as, voltemos ao nosso caso, quando o Ex( de )rabalho
retorna com as in$orma,es a respeito de 9arlos e sua $am"lia%
E)- de :rabal"oR 2 situa'o na casa do rapa* est bem complicada. M vrios esp"ritos
perturbados por l.
Preto&Jel"oR 0 que pode adiantarW
E)- de :rabal"oR 2 casa do moo $oi tomada por entidades perversas, que mantm uma rede
energtica, geradora de $luidos deletrios, muito deprimentes no local. Procurei a origem dessa
rede e descobri-a num recinto de onde uma inteligncia saga* parecia comand-la. Em seguida
notei uma mulher, pelo aspecto, dementada, prostrada num leito !unto 7 parede. 2$inei minha
vis'o um pouco mais e percebi que a in$eli* conectava-se 7 rede por um aparelho acoplado 7 sua
nuca. Pude FlerG seus pensamentos e FsentirG seus dese!os de vingana contra o pai de 9arlos.
Preto&Jel"oR 9ontra o pai do rapa*... e a entidade que operava o sistema, ligada 7 $am"liaW
E)- de :rabal"oR 2 inteligncia que comandava a rede magntica n'o parece ligada diretamente
7 $am"lia de 9arlos, mas sim 7 pobre mulher, de quem se aproveita das emana,es de #dio para
diversos $ins. Sinto que h um acordo entre eles. 9reio que a entidade sombria prometeu o pai do
moo 7 mulher, em troca dos servios prestados.
Preto&Jel"oR tramam a morte dele, issoW
E)- de trabal"oR + o que senti. 0 #dio da mulher $ero*, ao que parece resultante de uma
desastrosa aventura amorosa entre os dois, mas n'o procurei saber se nesta ou em outra vida,
pois achei que os dados que ! tinha eram su$icientes para comear o nosso trabalho.
Preto&vel"oR algum o percebeu na casaW
E)- de :rabal"oR n'o.
Preto&Jel"oR eles sabem que o !ovem nos procurou no terreiroW
E)- de trabal"oR creio que n'o, sentiam-se bastante seguros.
Preto&Jel"oR Qem, os dados que trouxe parecem, de $ato, su$icientes. Penso que para a!udarmos
o moo teremos, em primeiro lugar, que destruir essa rede magntica. Precisamos tambm
socorrer a in$eli* dementada. )alve* precisemos de mais recursos...
0 Preto-Kelho dirige-se ao 9aboclo 8lecha /ourada, responsvel pela corrente de desobsess'o do
terreiro e exp,e o caso. 0 9aboclo, ent'o, $a* algumas considera,es e determina que uma
Pombagira de sua equipe coopere naquele caso. 2 equipe $ormada, orientada e as tare$as s'o,
en$im, distribu"das. 0 grupo parte em dire'o 7 casa de 9arlos.
2dentrando a residncia, todos assumem uma con$igura'o espiritual mais etrea. &embros da
equipe se distribuem pelos cEmodos da casa onde os encarnados repousam. 0utros partem com a
Pombagira em dire'o ao recinto onde a moa dementada e a criatura sinistra se encontram. Ela
adentra o local ao mesmo tempo em que um $umo esbanquiado sai de sua boca tomando conta
do ambiente. 2 substncia $a* aqueles seres adormecerem, quando, ent'o, s'o resgatados e
encaminhados para tratamento pelas m'os $irmes dos caboclos. 2 a'o deles rpida. 2
Pombagira encarrega-se do instrumental da rede, enquanto o Preto-Kelho em companhia de
alguns Ex(s se ocupam com alguns esp"ritos perversos que ali estagiam.
>os dias que se sucederam, a casa de 9arlos ainda recebeu a visita de esp"ritos perturbados que
os Ex(s souberam a$astar e que, 7s ve*es, os Preto-velhos e 9aboclos procuraram esclarecer e
encaminhar. 0s Ex(s e Pombagiras trabalharam duro na limpe*a e descarrego de $luidos densos
acumulados ali.
9aboclos, pretos-velhos, ex(s, pombagiras... a equipe est ali para possibilitar aos amigos
espirituais da $am"lia um ambiente seguro, melhorado, para que possam inspirar aos seus amados
novas diretri*es para a evolu'o. Enquanto isso, todos na casa de 9arlos ! sentem um per$ume
espiritual no ambiente, uma disposi'o na alma, uma melhora de nimo, prenuncio de mudanas
providenciais, signi$icativas... 0lorum se!a louvado, sarav;
Entender o trabalho da esquerda indispensvel ao estudioso da Umbanda, pois alm
de $iguras simb#licas, os Ex(s, Pombagiras e &alandros assumem $un,es reais,
important"ssimas, na dinmica de um terreiro e !ustamente este o tema do 9aderno
2IU2>/2 n(mero D, FEx(s, Pombagiras c &alandros% a Esquerda na UmbandaG,
escrito e editado com esmero, dispon"vel gratuitamente no blogE92.
)ema 53B L )rabalho de Esquerda, in Meleno, Nui* &arcelo dos Santos L
Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos 2ruada L n(mero 3 L 6a.
Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L 453B
A assistncia
espiritual na #mbanda
A #mbanda est4 preparada para atender o irmo que sofre.
>a Umbanda, os dias e horrios de atendimento espiritual variam de casa em casa, de acordo com
a linha doutrinria e orienta'o dos dirigentes espirituais, apesar disto, a $orma como se d a
assistncia espiritual permanece inalterada desde os seus prim#rdios.
Em todos os terreiros encontraremos dois tipos de sess,es% as de DE$E,J<3JK8E,:<
8EDKS,KC<, de carter reservado, em que tomam parte somente o dirigente de culto, mdiuns
experimentados e ne#$itos e as $E$$TE$ DE C<,$#3:A PS>3KCA.
>as sess,es de consulta p(blica, as engiras podem ser de 0rixs, de 9aboclos, de Pretos-Kelhos, de
2lmas ?eguns@, de Ers, de Qaianos, Qoiadeiros, &arinheiros, do Povo /Zgua e de Ex(s.
2s E,GK7A$ DE <7KUV$ ocorrem na passagem das datas $estivas em que homenageamos
determinado 0rix representados no terreiro por seus che$es de linha e auxiliares. Essas engiras
tem uma nature*a vibrat#ria distintas das demais e constituem as $estividades mais lindas da
Umbanda.
2s E,GK7A$ DE CA><C3<$ re(nem entidades que um dia viveram como "ndios nas matas
brasileiras. 9onsiderados o Fbrao $orteG da Umbanda, s'o reconhecidamente enrgicos e um tanto
autoritrios e suas engiras se destinam aos trabalhos de cura, desenvolvimento medi(nico,
demandas, descargas, transportes e de$uma'o, onde s'o utili*ados charutos, pemba, entre outros
elementos de rito.
2s E,GK7A$ DE P7E:<&JE3I<$ s'o muito populares, constituindo ao lado das de caboclo e de
Ex(s, a base de toda a Umbanda. Elas s'o constituidas por $raternidades de esp"ritos que um dia
serviram como escravos no Qrasil. S'o esp"ritos humildes, bondosos e, n'o raro, portadores de um
sutil bom humor revelador de sua sabedoria. 0s Pretos e preta-velhas s'o mandigueiros, aplicam
passes magnticos e de descarga, $a*em a de$uma'o dos $iis e do terreiro, para tanto, utili*am-se
de cachimbos, $umo, vela, gua, $lEres, entre outros elementos.
2s E,GK7A$ DE A38A$ constituem trabalhos de desobsess'o onde os guias auxiliam aqueles que
se sentem sob o !ugo de esp"ritos e o$ertam preces aos eguns ?almas desencarnadas@. Elas s'o
relativamente perigosas para os mdiuns iniciantes, por isso, delas s# tomam parte mdiuns os que
se destacam por sua experincia e boa conduta na vida cotidiana.
2s E,GK7A$ DE E7W$ re(nem esp"ritos que $ormam no astral uma organi*a'o especiali*ada no
atendimento espiritual 7 criana e 7 $am"lia. Podemos sentir as energias harmonicas destas engiras
em meio ao ambiente $estivo que as caracteri*a, onde brinquedos, guloseimas e re$rigerantes s'o
distribu"dos. )ais engiras s'o muito procuradas pelos umbandistas para assistncia aos mais !ovens,
mas n'o s'o poucos os que as procuram no intuito de con$idenciar segredos e obter conselhos,
a$inal, os Ers, com seu ar ingnuo, sabem de cada uma; Em geral, seguindo a tradi'o, as
consultas com Ers resultam em pedidos de brinquedos, moedas, doces e re$rigerantes como
o$erendas, que devem ser depositadas em !ardins, parques e logradouros $loridos.
2s E,GK7A$ DE >AKA,<$, segundo estudos, comearam a surgir nos anos setetenta por todo o
Qrasil. Ieginaldo Prandi, pesquisador que visitou PR terreiros pelo Qrasil, sugere que as engiras de
baiano s'o uma $orma dis$arada de engira de Ex(s, ou se!a, uma $orma que encontraram para
trabalhar nas engiras de direita L 2h, esses Ex(s, sempre d'o um !eitinho; 2s engiras de Qaianos,
como o pr#prio nome sugere, se destinam 7 passagem de entidades que nasceram e viveram na
Qahia, embora encontremos FQaianosG, que relatam ter vivido em outras regi,es do nordeste
brasileiro. 0s Qaianos s'o muito ativos, alegres e $alantes e se destacam por serem bons
protetores. 9onhecem como ningum as mandingas, os trabalhos dos quiumbas e eguns, por isso,
s'o muito procurados pelos $iis.
>as E,GK7A$ DE ><KADEK7<$, esp"ritos que um dia viveram nos sert,es do Qrasil. S'o um tanto
diretos no modo de se expressarem, o que algumas ve*es os $a* parecer rudes, mas s'o bons e
muito $irmes em seus trabalhos. /'o consultas, $a*em pequenos trabalhos e participam ativamente
da segurana de todos durante os cultos no terreiro e dos mdiuns, particularmente quando em
desenvolvimento de suas potencialidades mediunicas.
2s E,GK7A$ DE 8A7K,IEK7<$ d passagem a entidades que, um dia, sobreviveram do mar. S'o
marinheiros da armada, da marinha mercante, mestres, arrais, pescadores. Embora muitos
&arinheiros se!am esp"ritos ! bastante esclarecidos, alguns deles est'o ainda sob a assistncia da
Umbanda. 0s mais esclarecidos, alguns deles verdadeiros mestres espirituais, d'o boas consultas e
desenvolvem trabalhos espirituais signi$icativos. 0s menos esclarecidos raramente se prestam a
outra $inalidade que n'o se!am consultas, pois gostam de contar hist#rias, de dar conselhos, assim
que as suas conversas sempre revelam alguma boa orienta'o, entretanto, sempre prudente
pensar o que di*em. 0s marinheiros se caracteri*am por serem alegres e $olga*,es, apresentando-
se nos terreiros como se estivessem embriagados ou mesmo para beber, no que s'o coibidos pelos
dirigentes responsveis.
2s E,GK7A$ D< P<J< DXVG#A reunem, entre outros seres, as sereias e os elementais da gua,
especialistas na limpe*a astral e ps"quica dos $ilhos de $ e dos terreiros. .uando se apresentam
s'o muito discretas e se $a*em reconhecidas por entoar um canto triste e mavioso que deixam os
mdiuns com os olhos mare!ados. .uando atuam, o ambiente denota um qu de calma e
melancolia.
2s E,GK7A$ DE EUS$ s'o destinadas a consultas e trabalhos de alta magia. Popularmente
chamadas de Ftrabalho da esquerdaG, s'o sess,es perigos"ssimas, de carter restrito, das quais
participam apenas mdiuns capacitados e alguns convidados. 0s Ex(s e Pombagiras s'o
especialistas no atendimento a demandas pesadas, descargas, desobsess,es e anula'o de
trabalhos de magia reali*ados por $eiticeiros daqui e do alm, $reqaentemente associados a
Ciumbas e eguns perversos. 0s Ex(s e Pombagiras utili*am em seus trabalhos de $undango
?p#lvora@, mara$o ?aguardente@, ponteiros ?punhais@, tridentes, enxo$re, velas pretas e vermelhas,
entre outros elementos de magia.
Se!a qual $or o tipo de engira, a pessoa obtm a!uda, basicamente, atravs de passes magnticos e
descarregos, teraputicas que atendem a problemas espirituais diversos.
>o passe, a entidade incorporada remove $luidos negativos e reorgani*a o campo energtico da
pessoa propiciando equilibrio e bem-estar, algumas ve*es, no entanto, necessrio uma srie de
sess,es at que o ob!etivo teraputico se!a alcanado.
0 descarrego se !usti$ica quando h grande carga de miasmas e $luidos deletrios in$luindo sobre o
assistido. >o descarrego a entidade incorporada $reqaentemente convoca a a!uda de outro mdium,
cu!a entidade, aproxima-se do assistido, capta a energia negativa que o envolve, trans$erindo-a
para assentamentos ou $undamentos do terreiro que contenham elementos dissipadores destas
energias. >o caso de pessoas sob o !ugo de esp"ritos perversos, durante o descarrego pode
acontecer que a pr#pria entidade perturbadora se!a envolvida pela tremenda $ora magntica das
entidades de Umbanda quando, ent'o, condu*ida 7s m'os de esp"ritos ben$eitores ou 7s es$eras
de conten'o no astral, casos esses em que os Ex(s participam ativamente.
Utili*e a rede para pesquisar sobre o desenvolvimento medi(nico na Umbanda e
compartilhe suas descobertas com seus irm'os de $. 0utra pesquisa interessante
acontece ao entrevistar um membro mais velho do grupo medi(nico do terreiro que
$requenta de modo a descobrir as di$erenas entre o desenvolvimento medi(nico no
passado e no presente.
)ema 53D L 2 assistncia espiritual na Umbanda, in Meleno, Nui*
&arcelo dos Santos L Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos
2ruada L n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L
453B
:rabal"os
de #mbanda
Algumas considera/*es
Segundo os dicionrios, matria qualquer substncia s#lida, l"quida ou gasosa, que ocupa lugar
no espao. Segundo a $"sica, matria energia condensada. Segundo os esp"ritos essa energia
condensada tem a sua parte astralina.
2s materiali*a,es e desmateriali*a,es de ob!etos, as apari,es tang"veis e tantos outros
$enEmenos conhecidos por n#s, estudiosos, esp"ritas e espiritualistas, provam a habilidade com
que os esp"ritos manipulam energias.
9omprendidos os enunciados acima podemos di*er que os trabalhos de Umbanda o$erecem aos
esp"ritos a matria de que se servem para o $im a que nos propomos e que quando os esp"ritos nos
solicitam $a*er determinado trabalho neste ou naquele s"tio natural empregando velas, $umo,
bebidas e alimentos, n'o quer di*er que ir'o comer, beber ou $umar tais elementos, muito menos
que se trata de moeda de troca com a espiritualidade. >a realidade, os elementos que comp,em
um trabalho visam $ornecer energias e $luidos que a espiritualidade manipula em bene$"cio de
quem propomos a!udar, pois apesar de nos auxiliarem constantemente sem que percebamos, 7s
ve*es, os trabalhos se $a*em necessrios para uma a!uda mais e$etiva.
&as tudo seria mais $cil se nos edi$icssemos segundo as diretri*es de Aesus, ent'o, ao invs de
vibra,es de raiva, ego"smo, impacincia, dar"amos lugar 7s doces vibra,es do amor, 7 suavidade
da pa* e nossa vida seria cada ve* mais uma ben'o, capa* de bene$iciar a n#s e aos seres ao
nosso redor, at mesmo aqueles cora,es mais endurecidos. /ar"amos menos trabalho aos
esp"ritos, n'o achaW
)ema 536 L 9onsidera,es sobre os trabalhos de Umbanda, in
Meleno, Nui* &arcelo dos Santos L Umbanda, uma hist#ria L
9ole'o 9adernos 2ruada L n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora
2ruanda /igital L 2ssis L SP L 453B.
< Iino da #mbanda
Cantado em quase em todas as casas no in2cio dos cultos
o 0Iino da #mbanda1 + con"ecido por todos os irmos de f+
mas sua origem + praticamente descon"ecida ento
decidimos contar essa "ist5ria.
<lio de &oraes $oi um extraordinrio mdium de cura. Enquanto viveu tornou-se mais conhecido
pelo grande n(mero de curas que a espiritualidade promoveu por seu intermdio do que, por ter
sido ele, o $undador da Umbanda. Seu nome cru*ou as $ronteiras de >iter#i onde morava e $oi
assim que, em 3JP5, o 9aboclo das R Encru*ilhadas recebeu a visita de um homem quase cego,
recm-chegado de S'o Paulo, dese!oso de obter a cura para seus olhos, cu!a origem crmica da
doena, impediu a cura. Iesignado o homem voltou a S'o Paulo, mas para a surpresa de todos,
tempos depois, voltou 7 F)enda Esp"rita >ossa Senhora da PiedadeG para apresentar ao 9aboclo
uma m(sica que $i*era em homenagem a Umbanda. 2 reverncia e o carinho com que ele a
entoou, tocou as $ibras do cora'o do 9aboclo das R Encru*ilhadas que a tomou, desde ent'o,
como o FMino da UmbandaG.
Este homem era o compositor Aos &anuel 2lves ?imagem% de
p, 7 esquerda@, nascido em 6 de agosto de 3J5R em &on'o,
uma pequena cidade portuguesa. /esde os 34 anos Aos &anuel
integrara a FQanda )angilenseG como clarinetista e dela somente
se a$astou em 3J4J, para vir ao Qrasil, residir no interior do
Estado de S'o Paulo. 2os 44 anos, so*inho e sem trabalho,
decidiu-se pela vida na capital onde passou a integrar a Qanda
da 8ora P(blica, ocupando vrios postos at aposentar-se como
capit'o.
&anuel 2lves, ao longo de sua carreira, compEs de*enas de m(sicas, algumas gravadas por
grandes interpretes daquele tempo% 9arlos 1on*aga, :rm's 1alv'o, 0sni Silva, dnio Santos, 9arlos
2ntunes e o 1rupo Piratininga. 2lgumas grava,es tornaram-se sucessos, tais como, FPombinha
brancaG, marcha gravada em 3J66, por Auanita 9avalcanti e o dobrado [Link] centenrioG,
composi'o em parceria com &rio <an, gravada em 3J6P por <acarias e sua 0rquestra. Em
3JP3, aos 6R anos, soube, emocionado, que seu hino de amor 7 Umbanda, $ora o$iciali*ado
durante o F:: 9ongresso de UmbandaG.
Koc sabia que o Mino da Umbanda deve ser cantado por uma ou mais vo*es sem
acompanhamentoW /e $ato, 7 capela $ica mais solene, mais bonito, n'o achaW
)ema 53P L 0 Mino da Umbanda, in Meleno, Nui* &arcelo dos
Santos L Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos 2ruada L
n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L
453B.
As v4rias #mbandas
A "ierarquia espiritual que forma a egreg5ra da #mbanda
representada pelo Caboclo das $ete Encru6il"adas Pai Antnio
e B+lio de 8oraes promoveram uma forma de culto b4sico muito
simples capa6 de manter&se aberto a diversas influncias
culturais e religiosas sem desfigurar&se.
2s lideranas espirituais umbandistas sempre seguiram a tradi'o de suas vertentes, abertos 7s
in$luncias regionais, sem se importarem com a uni$ormidade de culto. 0s cr"ticos sempre
a$irmaram tais caracter"stica como um "ndice de desuni'o, de desorgani*a'o do movimento
umbandista. &as estudiosos garantem que, h muito tempo, vem ocorrendo uma acomoda'o
ritual"stica no culto umbandista, com as di$erentes vertentes esposando os mesmos princ"pios e
$undamentos bsicos.
Kamos conhecer as mais comuns vertentes da UmbandaW
2 #8>A,DA P<P#3A7 aquela que melhor re$lete a diversidade na Umbanda denotando
in$luncias regionais. 0 ambiente, em geral, simples e $amiliar. M equil"brio entre a in$luncia
ind"gena e a$ricana e o sincretismo com santos cat#licos $lagrante. 2 Umbanda popular procura
reali*ar os ideais de$endidos pelos $undadores da Umbanda, ou se!a, n'o h comrcio de qualquer
tipo, nem sacri$"cio de animais.
2 #8>A,DA E$<:P7KCA a vertente que resultou dos estudos de 0liveira &agno, Emanuel
<espo e T. T. da &atta e Silva, grandes pesquisadores das tradi,es espiritualistas. 2 Umbanda
Esotrica eminentemente te#rica e se vale do esoterismo europeu e das prticas e simbolismos
orientais para constituir uma $orma re$inada de culto.
2 #8>A,DA >7A,CA resultou da in$luncia da /outrina Esp"rita, codi$icada por 2llan ]ardec. 0s
adeptos da Umbanda Qranca se orientam atravs dos livros esp"ritas, especialmente daqueles que
comp,em o pentateuco esp"rita. 0 culto se reali*a numa dinmica de atendimento muito
semelhante 7quela que vemos nos centros esp"ritas Cardecistas em ambiente ?quase@ sem
re$erncias sincrticas, de modo que alguns estudiosos conceituam-na como uma transi'o entre a
Umbanda e o Espiritismo.
2 #8>A,DA :7AYADA popularmente conhecida como FUmbandomblG e se caracteri*a pela
proximidade com as tradi,es a$ricanas, especialmente, o 9andombl. + muito musical, riqu"ssima.
>ela o sacri$"cio de animais e o comrcio com a espiritualidade, ainda que dissimulado, n'o
surpreendente.
Essas quatro vertentes s'o ma!oritrias na Umbanda, mas h outras trs que devem ser citadas,
embora minoritrias dentro do movimento umbandista% a Umbanda de 9aboclos, a Umbanda de
Pretos-Kelhos e o 0moloCE. >as duas primeiras h apenas, respectivamente, engiras de 9aboclos
ou de Pretos-Kelhos, as demais s'o suprimidas. 0 0moloCE denomina o culto que )ata )ancredo
trouxe da Y$rica para a Umbanda.
9ada terreiro, ainda que siga uma mesma linha doutrinria, exibir caracteres particulares
con$orme a regi'o geogr$ica onde este!a estabelecida e re$letir'o a vis'o de mundo, o n"vel
cultural, econEmico e social de seus praticantes, assim que podem ser mais ou menos re$inadas e
denotar um n(mero incontvel de in$luncias etnicas-culturais. 0 importante que estamos !untos,
como pssaros, visando o alto, rumando em dire'o ao Sol.
8aa uma pesquisa na internet para saber mais sobre as vertentes na Umbanda e
responda% com qual delas mais se a$ini*ouW Por quW
)ema 53R L 2s vrias Umbandas, in Meleno, Nui* &arcelo dos
Santos L Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos 2ruada L
n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L 453B.
0#mbanda1
;ual a origem e o significado desta palavra?
Particularmente, n'o sei avaliar o quanto h de verdade em cada uma das vrias teorias que
pretendem explicar a origem da palavra FUmbandaG. /i*em que a mais antiga re$erncia literria
ao termo de Meli 9haterlain, em F9ontos Populares de 2ngolaG, de 3SSJ. N aparece a re$erncia
7 palavra FUmbandaG, como FcuradorG, Fmagia que curaG e FsinEnimo de .uimbandaG. /e concreto
mesmo registro a participa'o da )enda Esp"rita &irim no FPrimeiro 9ongresso Qrasileiro do
Espiritismo de UmbandaG, em 3JD3, que propEs uma origem mais remota ao termo FUmbandaG.
)ese que $oi se $undamentando atravs de estudos reali*ados, principalmente, pelos estudiosos da
corrente esotrica da Umbanda.
Iesumidamente, di* a corrente esotrica que a origem do termo FUmbandaG espiritual e que uma
tradu'o poss"vel estaria em F2U&G, uma express'o laudat#ria ou glori$icadora com que comeam
os Kedas e todos os livros sagrados na Undia. 2 eminente estudiosa russa, Melena Petrovna
QlavatsCH, em seu F1lossrio )eos#$icoG denomina F2U&G como Fa unidade de trs letrasG, pois ao
serem pronunciadas $ormam um (nico som, F0&G, um mantra dos mais sagrados entre os hindus,
pronunciado com grande reverncia, tal como se pronunciassem o nome de /eus e repetido
incansavelmente at que atin!am um estado alterado de conscincia que possibilitaria penetrar os
mistrios divinos em bene$"cio da pr#pria sa(de, pa*, amor e sabedoria. Segundo a mesma
corrente, a palavra FQhandaG tambm proveniente do snscrito e con$orme o mesmo F1losrio
)eos#$icoG de QlavatsCH, signi$icaria FlaoG, FligaduraG, Fsu!ei'oG, Fescravid'oG, tal como os hindus
entendem esta nossa vida no plano carnal, repleta de vicissitudes. 2ssim, de$inem os estudiosos da
corrente esotrica que a palavra FUmbandaG nada mais do que a !un'o entre dois termos
provenientes do snscrito, F2umG e FQandhaG, que exprimiria a uni'o entre o plano divino e o
terreno.
2 corrente esotrica cr que as religi,es tm origem remota, $ruto do plane!amento das altas
es$eras espirituais para bene$"cio do homem na terra. 2 Umbanda, acreditam eles, tem seu
embri'o nas tradi,es orientais e tem como mestres os avatares ]rishna, Quda e Aesus.
)ema 53S L 0 signi$icado da palavra Umbanda, Nui* &arcelo dos
Santos L Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos 2ruada L
n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L 453B.
#mbanda + comun"o(
Em decorrncia de suas diversas ra26es e vertentes
a #mbanda revela um car4ter pluralista que fa6 com que
no ten"a uma liturgia universal. Esta condi/o permite
aos seus praticantes manifestarem com ampla liberdade
suas cren/as e formas de culto no obstante comungam
determinados princ2pios de f+ que voc ir4 con"ecer.
9remos em /eus, a quem denominamos, na vertente nagE, 0lorum, e na vertente Qanto e demais
correntes sincrticas, <ambi. Ieconhecemo-lo inconceb"vel 7 mente humana, embora
reconheamos ser poss"vel, atravs da observa'o da nature*a e da ra*'o aberta aos impulsos da
$, compreender alguns de seus atributos% /eus por n#s concebido como um ser incriado, (nico,
eterno, imutvel, imaterial, onipresente, onipotente, $onte criadora incessante e universal.
9remos em Aesus, como Esp"rito ascenso, governador do nosso sistema planetrio, que por amor
$e*-se homem para nos legar, atravs de seus ensinamentos e exemplos, um c#digo sublime e
seguro para a nossa ascens'o espiritual.
9remos nos 0rixs como seres anglicos construtores do mundo, cu!as vibra,es presidem as
$oras em a'o na nature*a segundo os des"gnios do 9riador, in$luenciando a vida dos seres e a
pr#pria personalidade humana.
Sabemos da reencarna'o como processo natural de evolu'o das 2lmas.
Sabemos da existncia dos Esp"ritos e seres $ora da matria e da possibilidade de nos
comunicarmos com eles atravs dos processos medi(nicos.
Sabemos que nenhuma criatura est destinada ao mal, pois o mal uma condi'o passageira na
)erra, que como todo orbe, est destinado 7 evolu'o.
Ieconhecemos a terceira lei de >eVton, FNei da a'o e rea'oG, como lei universal reguladora da
vida em todo o universo, em prol da ascens'o espiritual humana.
Sabemos que as dores inevitveis que nos visitam s'o express,es da Austia /ivina e que, por isso,
n'o devemos re!eit-la, nem nos rebelarmos contra ela, mas a assimilarmos serenamente,
reconhecendo-as como $oras trans$ormadoras de nosso ser, tbuas que salvam, b(ssolas que
norteiam, pois F2$li'o sem revolta, pa* que redimeG ?33@.
(11) 4rase de 4rancisco Candido Xa+ier, m!dium esp:rita)
Sabemos que a mente humana capa* de produ*ir in(meros males que s# o enriquecimento
e$etivo da personalidade atravs do $, do estudo e da re$lex'o podem prevenir ou vencer.
Sabemos do poder da ora'o como $ora de expans'o do sentimento humano, $io de comunh'o
com os planos mais elevados da vida.
9remos na solidariedade como uma lei moral cu!a per$eita express'o est na $raternidade, porque
$undamentada menos no interesse pessoal e mais no amor e que a nossa capacidade de amar,
servir e renunciar em bene$"cio do pr#ximo o que nos torna, de $ato, superiores uns aos outros.
2 compreens'o destes princ"pios caracteri*a a Umbanda bem praticada, aquela pela qual lutaram
os esp"ritos e pioneiros do movimento umbandista e pelos quais ainda lutam os verdadeiros
umbandistas.
)ema 53J L Umbanda comunh'o;, Nui* &arcelo dos Santos L
Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos 2ruada L n(mero 3 L
6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L 453B.
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<ri)4s e inicia/o
Para que serve a incia/o na #mbanda?
/i$erente do 9andombl, a Umbanda uma religi'o monote"sta. 0s 0rixs se vincularam 7
Umbanda graas a doce in$luncia de Pai 2ntEnio, preto-velho que secundou o 9aboclo das R
Encru*ilhadas, na )enda Esp"rita >ossa Senhora da Piedade. 0s 0rixs s'o reconhecidos na
Umbanda como seres angelicais que dirigem $oras c#smicas que atuam em nosso mundo para
atender os design"os do 9riador.
2 mitologia a$ricana in$orma que cada 0rix tem as suas peculiaridades
?sauda,es, dias da semana, cores...@ e seus dom"nios no planeta ?matas,
pedreiras, mares...@. S'o muitos os 0rixs. >a Y$rica contam-se centenas. >o
Qrasil, o 9andombl cultua de*enas e a Umbanda poucos% 0gum, 0x#ssi, Xapan'
?0balua\0mul(@, XangE e 0xal, :ans', :eman!, >an', 0xum e cada um deles
sincreti*ado com um santo da devo'o cat#lica.
0 conhecimento sobre os 0rixs na Umbanda $undamental, pois atravs desse saber o culto
se organi*a em R Ninhas vibrat#rias por onde tra$egam as entidades que sustentam os
trabalhos de caridade !unto aos encarnados. Umbandista aquele que, antes de tudo, tem $
em 0lorum ?9riador Supremo@ e nos 0rixs ?express,es da divindade@.
0s 0rixs nos a!udam a compreender a nature*a do 9riador, o mundo em que vivemos e a
nossa pr#pria essncia, pois estamos ligados, desde o nascimento, a alguns 0rixs de $orma
especial. Essa liga'o, entre 0rixs e homens t'o expressiva, que poss"vel reconhecer, a
partir da anlise do tipo $"sico e psicol#gico de uma pessoa, os 0rixs aos quais ela est
vinculada. >o entanto, bom que se diga, somente no processo inicitico que essa rela'o
ir se con$irmar e estreitar, proporcionando ao ne#$ito harmonia interior e equil"brio na vida=
mas, c entre n#s, pra que serve o processo iniciticoW
/esde a sua origem, ainda misteriosa, o ser humano anseia pela plenitude, a$inal, ao longo de
seu desenvolvimento trava con$litos em seu mundo interior, identi$icveis pelos sentimentos
de ang(stia, ansiedade, incon$ormismo e at desespero que provocam $ace ao desconhecido
ou ao irremedivel representado pelas incerte*as do amanh' e $atalidades da existncia.
/iante dos con$litos humanos coloca-se o processo inicitico como vetor para a amplia'o da
conscincia do indiv"duo acerca de sua nature*a espiritual, alm de instrumentali*-lo para que
en$rente suas batalhas interiores ante os desa$ios do mundo exterior com crescente harmonia
e equil"brio, ascendendo atravs do amor.
>ingum $oge a esse processo% evoluir. Evoluir uma con!untura imposta pela nature*a ou, em
outras palavras, 0lodumar ?3@ assim o determinou e ainda que n'o possamos supor o motivo,
sentimos que para a nossa pr#pria $elicidade e para a harmonia universal. /issemos que a
$elicidade , pois, um prop#sito da nature*a. 2lgo t'o natural o dese!o de ser $eli* que, mesmo
sem perceber, em meio 7s crises estamos, no $undo, no $undo, sempre nos perguntando%
quem sou euW de onde venhoW para onde vouW Perguntinhas mgicas que nos levam 7
$elicidade...
(1) %egundo a mitologia africana, <lodumar! ! a pala+ra 'ue designa -eus como Criador em sua
e6press&o suprema) %eus atributos o "omem ! incapa2 de conceber)
2 $elicidade um tesouro perseguido por todas as almas. Um dese!o alimentado por todos os
homens. &as o homem que desconhece sua nature*a espiritual , como di*ia Plat'o, como um
ser que vive numa caverna, num mundo de sombras, de ilus,es. Um ser para o qual a
$elicidade tem estreita rela'o com dinheiro, FstatusG social, $ama ou pessoas, quando na
realidade tem rela'o direta com as express,es do amor sublimado% perd'o, ren(ncia,
caridade...
M milhares de anos, o a$ricano ! tinha o anseio pela $elicidade, claro; 2s lendas in$ormam
que ele queria conhecer a nature*a do 9riador, os mistrios do Universo e a origem da Kida,
ent'o, 0lodumar, em sua Qondade, permitiu-lhes conhecer a sabedoria do :$ ?4@, ou se!a, a
9ria'o do Universo e dos seres humanos, os princ"pios que regulam as rela,es entre :l( 2iH
?a )erra@ e o 0r(n ?mundo espiritual@ e o conhecimento dos 0rixs, divindades intermedirias
entre 0lodumar e os homens ?B@, ent'o deu ao homem, pelo conhecimento das rela,es entre
mundo espiritual e terreno a possibilidade de conhecer a si mesmo, em toda a sua plenitude,
por isso que a Umbanda e religi,es a$ro-brasileiras entendem que o processo de inicia'o s#
se !usti$ica pela necessidade que sentimos de conhecer a n#s pr#prios, pressuposto essencial
da $elicidade para o esp"rito.
(5) /f0 'uer di2er B#e+ela3&oC)
(9) Gais lendas remontam a mais remota antiguidade, algumas podem ter mais de I)OOO anos)
>a Umbanda o ne#$ito submeter-se-a a rituais que lhe permitir'o a reali*a'o do sagrado em si
mesmo, ou se!a, que o /eus :nterior, na $igura de um 0rix, desperte em seu interior e
estabelea a ponte com a espiritualidade superior, t'o necessria 7 sua reali*a'o, tornando-o
capa* de $a*er escolhas mais acertadas em rela'o 7 pr#pria vida na constru'o da pr#pria
$elicidade.
0 momento do FchamadoG di$erente para cada pessoa. Para uns, a doena di$"cil de ser
curada, para outros, as di$iculdades materiais= para outros tantos, $ugir 7s religi,es tradicionais
pela percep'o de que est'o mais voltadas para os interesses humanos do que divinos. M
ainda aqueles que provm de outras religi,es ou $iloso$ias, que observam, que estudam a
Umbanda, vencem os preconceitos e se decidem, e uma minoria, representada por aqueles
que simplesmente $oram tocados pro$undamente por seu 0rix, $undo, na pr#pria alma. Se!a
como $or ningum $oge ao encontro consigo mesmo. Maver sempre um momento, nesta ou
em outra existncia, em que despertaremos para as realidades do esp"rito.
2 Umbanda tem ritos pr#prios de inicia'o, apesar disso, semelhanas com os de outras
denomina,es religiosas ir'o ocorrer. 0s terreiros de umbanda ligados 7 vertente
a$ricana ir'o exibir elementos do 9andombl= os da vertente esotrica exibir'o
semelhanas com as tradi,es orientalistas. &as voc poderia di*er como , de modo
geral, a inicia'o na UmbandaW Kou dar uma dica bem humorada% F tudo !unto e misturadoG.
Procure na rede e, se puder, discuta com os seus colegas sobre os resultados de suas pesquisas.
0 estudo do que se!am os 0rixs e de suas caracter"sticas, bem como, das
peculiaridades que assumem no culto umbandista algo complexo e extenso se
quisermos, claro, compreend-los em toda a sua importncia e consequncias. >'o
tentamos neste texto introdu*"-lo neste estudo, prop#sito do segundo caderno de nossa
cole'o, F0rixsG, um livro $eito com esmero e carinho, dispon"vel gratuitamente no blogE92.
)ema 55S L 2 Umbanda e sua luta por reconhecimento, in Meleno, Nui*
&arcelo dos Santos L Umbanda, uma hist#ria L 9ole'o 9adernos
2ruada L n(mero 3 L 6a. Edi'o - Editora 2ruanda /igital L 2ssis L SP L
453B
C"egou o livro que voc
no estava esperando(
<7KUV$ >E,YZ< E8 ,<$$A$ JKDA$(
@orme seu grupo de estudos e solicite
G7A:#K:A8E,:E o seu materialR
ecaruanda[[Link]
< atabaque soaR
+ "ora + "oraaa...
8eu nome + 8arcelo nasci em \H]\^]GL em $o Paulo.
@il"o de 3aurindo um comerciante portugus e de _a?ti
contadora brasileira. Cresci participando das aulas de
evangeli6a/o na sede da @EE$P & @edera/o Esp2rita de
$o Paulo. :erminada a !uventude esp2rita iniciei&me nos
e)celentes cursos da @EE$P. Conclui o curso preparat5rio
de espiritismo o b4sico de espiritismo o curso de
m+diuns e o de passe. Ento servi como m+dium
passista no Departamento de Passes MDEPA$$EN e depois
de um curso espec2fico como entrevistador no
Departamento de <rienta/o Espiritual MDEP<EN al+m de
contribuir no atendimento do grupo da sopa fraterna. @oi
nesse 2nterim que con"eci a :enda de #mbanda do
Caboclo M>aianoN 8arco Antonio na rua Jolunt4rios da
P4tria em $antana $P do dirigente Albino onde integrei
o grupo de terapeutas "ol2sticos como cromoterapeuta Mformado pelo $E,AC]$a-deN.
8as foi no Kle Ala=etu Ase Kbualamo do babalori)4 9os+ Carlos $antana onde con"eci a
cultura afro&brasileira em toda a sua bele6a e for/a. 8ais tarde sem notar que
esp2ritos umbandistas me inspiravam passei a frequentar o Centro de #mbanda 3od
<?a de 8e 8arisa na avenida Kna!ar de $ou6a na @reguesia do ` $P +poca em que
pela primeira ve6 foram se apresentando as entidades de #mbanda com as quais me
vinculo para os trabal"os de caridade e onde recebi orienta/*es valiosas para a min"a
vida espiritual na #mbanda.
9amais dei)ei de ser o estudioso esp2rita cardecista que fui. 9amais dei)ei de ser o
interessado ?a do il ala=etu ase Kbualamo. 9amais dei)ei de ser o ass2duo 0fil"o1 do
terreiro de Dona 8arisa. 8in"a religiosidade + o resultado de muitas influncias que
nada valeriam se no me a!udassem a seguir os passos do Cristo. ,o desse Cristo
aprisionado pelas religi*es dissimuladamente orgul"osas e anti&fraternas que ve!o por
a2. 8as a do Cristo livre da cru6 alegre simples e bom que canta no cora/o de todos
os "omens de boa vontade.
Desde que c"eguei em Assis ] $P . e no fa6 muito tempo & manten"o no blog
[Link] o pod7ADK<cast Aruanda a 3ivraria Jirtual Aruanda e a
Aruanda digital editora independente que funciona num cantin"o de casa onde
escrevo e produ6o livros eletrnicos 's ve6es impressos. ,esta cidade ainda estran"a
para mim sempre que posso frequento a Casa de caridade 08ame aeman!4 e Pai
<gum1 terreiro dos amigos 8adalena e Germano onde min"a esposa est4 se iniciando.
:udo o que gostaria agora era reunir&me a outros umbandistas num grupo de estudos e
que ele fosse o embrio de um son"o maior de amor ' #mbanda pois o atabaque est4
soando. EscutaR + "oraaa... + "oraaa... + "oraaa... vem participar(