Na CRES 2018 (Conferencia Regional de Educación Superior de América Latina y el Caribe), que ocorreu em Córdoba, em junho passado, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos proferiu a conferência de abertura na qual tratou sobre o papel da universidade hoje e os desafios da universidade. O local e a data, marcando o centenário do levante estudantil de Córdoba de 1918, permearam sua fala, lembrando também outra comemoração de um levante estudantil, o Maio de 1968 (este, por sinal, mais lembrado no Brasil do que aquele).
O interessante é que ao falar de ambos, 1918 e 1968, enunciou que os desafios e adversários da universidade hoje, frente ao neoliberalismo, são muito maiores do que eram então. Nesse sentido, fez uma reflexão, similar à realizada ano passado na Unifesp, como a universidade pode se repensar não só para enfrentar mas para sobreviver à mercantilização e à precarização criada pelos novos sistemas de gestão e avaliação impostos a (ou por vezes criados por) ela. Mais do que isso, defendeu que a universidade precisa se reinventar num ponto central, a sua própria produção de conhecimento, para recuperar um sentido (não só social) que se perdeu com a quebra dos pactos das universidades com as classes médias e as elites dirigentes. A pertinente e (provocadora) fala pode ser vista inteira no YouTube da conferência e um resumo pode ser lido em matéria do jornal argentino Página 12, “Bajo lo asedio neoliberal”.
OpenEdition sugere que esta publicação seja citada da seguinte forma:
Luís Filipe Silvério Lima (24 de Julho de 2018). Boaventura sobre a universidade hoje, 100 anos após Córdoba. Observatório da História. Recuperado em 25 de Julho de 2026 de https://doi.org/10.58079/plxk