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Texto 2 Gelta

Este artigo analisa a influência do capital nas políticas educacionais no Brasil, destacando como a formação de professores e jovens é moldada por interesses capitalistas, especialmente em tempos de crise. A pesquisa evidencia que a reforma do Novo Ensino Médio limita as opções educacionais e perpetua a exploração da classe trabalhadora, enquanto o controle sobre a educação é uma estratégia histórica para manter a ordem social. O documento conclui que é urgente a mobilização da classe trabalhadora para promover mudanças que priorizem seus interesses coletivos.
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Texto 2 Gelta

Este artigo analisa a influência do capital nas políticas educacionais no Brasil, destacando como a formação de professores e jovens é moldada por interesses capitalistas, especialmente em tempos de crise. A pesquisa evidencia que a reforma do Novo Ensino Médio limita as opções educacionais e perpetua a exploração da classe trabalhadora, enquanto o controle sobre a educação é uma estratégia histórica para manter a ordem social. O documento conclui que é urgente a mobilização da classe trabalhadora para promover mudanças que priorizem seus interesses coletivos.
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Implicagées da conjuntura macroeconémica na formagao humana no Ensino Médio Lara Guedes Nunes* Marcia Femanda Luscena Marino Portella? Tatiana Gongalves Chaves? Resumo: O objetivo deste artigo é procurar entender como os representantes do capital atuam nas resolugdes sobre eduicagao tentando fortalecer a concepoao de sociedade que representam, A partir de um levantamento bibliogréfico e alguns documentérios mostraremos as tenses que perpassam a formagao de professores € a formago dos jovens no Brasil, evidenciando como 0 capital exerce um grande dominio sobre as politicas publicas educacionais que afetam diretamente o futuro da classe trabalhadora. Ademais, procuramos compreender a necessidade do capitalismo promover reformas, principalmente em momentos de crise, para manter intactos seus interesses, moldando as subjetividades dos individuos de forma a atender os interesses do capital, ao invés de contemplar os interesses da coletividade a qual a classe trabalhadora pertence. Mostra-se urgente a necessidade de aluagao da classe trabalhadora para que sejam realizadas as mudangas que permitam sobrepor sua exploracao, Palavras-chave: conjuntura politica-econémica-social; curso normal; ensino médio; formagao de professores Introdugao Vivenciamos, atualmente, uma grande batalha no campo educacional no que diz respeito & educagao que se almeja ver estabelecida em nosso pais. Em especial, quanto a formagao dos jovens no Ensino Médio, concretiza-se a chamada Reforma do “Novo Ensino Médio - NEM", desdobrando-se em outras reformas com implicages diversas, inclusive e especialmente na formago dos professores (BNC - formagao). (Gradvanda de Pedagooa na Focldado do EducarSo a Facuade Federal uminense(UFF) “Graduada om Cidnaos Conlabeis pla Faculdade Gay Lussac ~ GLIESP e Grodvanda de Pedagogia na Faculdade de dscagd da Faculdade Federal Fluminense (UFF), "raduada em Citas Ezandmicas pela Universidade Federal Faminense (UF) e Gradvancs de Pedagogia na Faculdede e Educago da Faculdade Federal Fuminence (FF) Digitalizado com CamScanner Mesmo com a alelgde de um governo que representa 0 campo prograssigt,, 8 correlagtio de forgas existentes no pals indica que a revogacéo do NEM néo ests ‘em um horizonte préximo, nem distante, Observamos, inclusive, uma espécie de apatia por parte dos jovens que chegaram a ocupar suas escolas em 2016, ainda antes da lei n® 13.415/2017 ser promulgada, por perceberem que esta decretava a impossibilidade de um futuro desejavel, limitando sua formagao e possibilidade de escolhas. Ao contrario do que tentam “vender” aos jovens, o NEM nao traz escolhas e, sim, impossibilita percursos, pois as altemativas propostas excluem tematicas relevantes para a formagdo do ser integral. De acordo com Luiz Carlos de Freitas (2023), atualmente, as Fundagées e Institutos privados esto no controle majoritario da educagao brasileira, disputando nao apenas os fundos piblicos, mas Principalmente 0 projeto de formagao da juventude que precisa ser conformada por viver em um sistema (capitalista) instavel, produtor de inmeras crises. Portanto, 0 que esta em disputa é 0 tipo de sociedade que se almeja construir e/ou conservar. Este movimento, pode ter refluxos, mas ele permanecera pois é fruto da propria crise estrutural do capital. E a adocao do rojeto neoliberal na atual politica do MEC, em interface com ONGs © Fundagdes como a Lemann e 0 Todos pela Educagéo, mostra que ele é uma demanda desta crise estrutural e nao apenas uma questo de troca de governo. (Freitas, Luiz Carlos de, 2023, p. 3) Para tentarmos entender o avango dos grupos empresariais quanto a interferéncia nas politicas publicas educacionais brasileiras, traremos uma andlise do contexto macroeconémico mundial, evidenciando 0 acirramento do neoliberalismo inclusive nos paises centrais, utiizando documentérios e filmes produzidos internacionalmente. A reflexdo que precisa ser feita 6: se nos paises de capitalismo central, a situagao da classe trabalhadora vem se deteriorando, imagina nos paises de capitalismo dependente como o Brasil? Como o empresariado conseguir conformar a massa sobre a sua siluacdo de peniria e exclusio dos meios materiais produzidos coletivamente pela classe trabalhadora? Em seguida, mostraremos que a tentativa de controle da classe trabalhadora através da educacao vem de longa data, mostrando como sempre foi tratada a Digitalizado com CamScanner formagéo de professores, especialmente, no nivel da educagdo bésica, as chamadas Escolas Normais. Ao final, trataremos sobre a reforma do Novo Ensino Médio e os retrocessos trazidos por ela, evidenciando que a politica educacional brasileira basela-se em finalidades educativas diversas em relagdo a formagao da juventude e do magistério, um campo em etema disputa, por se tratar de uma sociedade de classes, com interesses antagénicos, conforme nos afirma Luiz Carlos de Freitas (2023). 1) Contexto politico-econémico-social Em seu texto “A Nova Morfologia do Trabalho - e 0 desenho multifacetado das ages coletiva Ricardo Antunes faz uma analise sobre a mudanga ocorrida no mercado de trabalho apés a crise do modelo de produgo fordista/taylorista e com 0 maior uso da tecnologia de forma intensiva, acarretando um maior nimero de desempregados. O autor aponta para a insercao no mundo do trabalho pelo desemprego como um fator de dissociabilidade contemporanea, j4 que a classe trabalhadora, ou seja, a “classe-que-vive-do-trabalho" est desprovida dos meios de produgo, passando a ter que se sujeitar a qualquer forma de trabalho, sendo cada vez mais explorada. trabalhador que antes tinha uma profissdo, que era especializado e que recebia por seu saber e conhecimento passa a nao ter tanta importancia, devendo se adequar a miltiplas fungdes, e tomando-se um trabalhador polivalente, multifacetado, conforme a exigéncia do mundo do trabalho contemporéneo que pressupée flexibilidade. Com 0 avango da tecnologia e a necessidade de o trabalhador realizar multiplas fungdes, 0 capital percebe a chance de “enxugar’ suas fabricas, dispensando grande parte da forca de trabalho. O aumento do exército industrial de reserva‘ provoca uma maior exploragao do trabalhador que, em meio ao caos do desemprego, tem dificuldade de se entender como ser coletivo, como classe, “Entendendo exército industrial de reserva, como “Mas se uma populagao trabalhadora excedente & produto necessério da acumulagdo ou do desenvolvimento da riqueza com base no capitalismo, essa ‘superpopulagao toma-se, por sua vez, a alavanca da acumulapdo capitalista, alé uma condicao de fexisténcia do modo de produgo capitalista, Ela constitui um exército industrial de reserva disponivel, ‘que pertence ao capital de maneira to absoluta, como se ele o tivesse criado a sua propria custa. Ela proporciona s suas mutaveis necessidades de valorizagdo 0 material humano sempre pronto para ser explorado, independente dos limites do verdadeiro acréscimo populacional’. (Marx, Kart, p. 262 e 263, 1996) Digitalizado com CamScanner Ye, dificultando a luta por direitos. Essa fragmentacao da classe trabalhadora co,,, oS He a, me; §%. ng para a sua alienago e seu enfraquecimento. Para ilustrar como as sociedades capitalistas tem se organizado apés . substituigao do modelo de produgdo fordista/taylorista pelo modelo toyotista, que pressupde maior flexibilizagao, trazemos o filme “A parte dos Anjos” de Ken Loach, © personagem principal, Robbie, vive na’ periferia de Londres, num bairro extremamente violento, onde parte dos jovens ndo frequenta a escola e nao possuem perspectiva de insercao no mercado de trabalho. Seriam como os “NEM- NEM" aqui do Brasil (jovens que nem estudam nem trabalham, por falta de oportunidades e estimulos). Melhor definidos se fossem chamados de os SEM- ‘SEM, sem estudo e sem trabalho, j4 que tal condigo nao ocorre por opgao. No meio dessa convulsao social, com brigas e rixas entre facgbes, Robbie vive na corda bamba, entrando em situagdes complicadas para sobreviver. Por seu comportamento “reprovavel’, do ponto de vista da sociedade que o exclui, é obrigado a frequentar uma instituigdo sécio-educativa, afinal a culpa de morrer de fome, na sociedade capitalista, é do individuo e nao da forma de organizacao desta sociedade. Nesse convivio, seu mentor Harry abre uma “janela” de oportunidade jamais pensada por Robbie, apresentando a possibilidade dele ser degustador de whisky. No mundo globalizado, dentro de um sistema capitalista, onde o que manda é © capital, a exploragao da classe trabalhadora é cada vez mais intensificada. Portanto, ter uma oportunidade de insergao no mercado de trabalho é algo raro, & isto é motivo de grande euforia e comemoragao. Assim, Robbie se agarra a essa possibilidade, mas ndo sem antes escancarar a hipocrisia da elite econémica, a partir do fetiche da mercadoria, fazendo com que um “burgués” compre um whisky comum como se fosse raridade. Como no dito popular, faz com que ele “compre gato por lebre”. Com o neoliberalismo e o acirramento das desigualdades sociais, os que estdo “no topo", os mega-empresdrios, tém seu capital multiplicado de forma exponencial, e nao tendo com o que gastar seus bilhdes, forjam um mercado cujas (...) 0 termo “nemnem” é a variagdo da sigla Neet (Not in Education, Employment, or Training), que surgi na Inglaterra, nos anos 1990, durante as primeiras discussées sobre os jovens que nao trabalhavam e nem estudavam. ([Link] [Link]. br/agencia-noticias/2012-agencia- de-noticias/noticias/25801-ner nem#f:~ text=%E2%80%93% 20explica%20que%200%20termo%20%E2%B0%9Cnemnem,n%C3%AS ‘0%20trabalhavam%20e%20nem%20estudavam) Digitalizado com CamScanner mercadorias so supérfluas, possuindo valor em sua raridade, marca, etiqueta, exclusividade nao no seu valor de uso. E 0 fetiche da mercadoria’, Esse fosso entre uma classe e outra, ou seja, entre a classe detentora dos meios de produgéo e a classe desprovida dos meios de produgdo (a classe trabalhadora), vem se tomando cada vez maior. E conforme mostra o filme existe uma gama enorme de pessoas a margem na sociedade capitalista que acaba integrando 0 mundo do trabalho pelo desemprego, questéo também retratada no texto de Ricardo Antunes. 1.1) As crises financeiras produzidas pelo Capital No texto “O Feitigo do tempo: A e financeira de 2007/2008 nas telas do cinema, Marcelo Dias Carcanholo Joao Leonardo Medeiros ulllzam trés obras cinematogréficas para ajudar na compreensdo do movimento do capital em busca de sua valorizagéo, sem nada produzir, ou seja, atrés do lucro e da rentabilidade que ocorrem sem lastro produtivo deixando um rastro de miséria e desespero. Os autores destacam 0 fato de o sistema capitalista ser produtor de crises, tendo como sua maior contradicao promover essas crises justamente a partir da tentativa de valorizagéo do capital que ocorre na esfera da circulagdo de mercadorias. Nesse contexto, eles trazem um conceito bastante abordado nos filmes escolhidos que ¢ 0 “capital ficticio’, ou seja, um capital sem lastro material, que nada produz, a nao ser especulagao, como uma forma de abocanhar ainda mais a riqueza produzida pelos trabalhadores, através de suas crises constantes e da “necessidade de ser socorrido" pelo Estado, que no sistema capitalista contemporaneo, pés Guerra Fria, deixou de ter um papel de servir & maioria da populagao que compée a sociedade, passando a servir quase que exclusivamente aos donos do capital e dos seus interesses. Dos filmes mencionados no texto, dois so documentarios - “Insidejob" “Capitalismo: uma histéria de amor’ - que mostram além da questo desumana do capitalismo @ 0 ciclo de crises que the parte integrante, todo o rastro de ‘0 “Fetichismo da Mercadaria" caracteriza-se pelo fato das mercadotias, dentro do_ sistema capitalista, ocultarem as relagdes —sociais de —exploraggo.—do._—trabalho. 3ra-entender-de-uma-vez-por-todas-o-conceito-de-fetichismo-da- ~ Digitalizado com CamScanner ‘manipulagdo e corrupgio para que a valorizagao do capital ocorra a qualquer. ‘ou melhor, ao custo da miséria e superexploragao da classe trabalhadora. Ainda em “Capltalismo - uma histéria de amor’, o diretor Michael Moore também expGe a crisg \ de 2008, reforgando a capacidade de o Capital produzir tragédias. Outro filme citado é "Wall Street: o dinheiro nunca dorme” que diferentemente dos outros dois, que so documentitios, é uma obra de ficgao langada como sequéncia do filme "Wall Street: poder e cobiga". O novo filme mostra como os ccapitalistas se beneficiam das crises, enriquecendo, enquanto muitos trabalhadores perdem tudo que conquistaram ao longo da vida. Percebendo como o capitalismo opera na produgéo de crises que acarreta uma piora na vida das pessoas como a produgao de desemprego, miséria e perda de direitos, como podemos pensar a educagdo e o seu papel na formagao dos Jovens? Teria a educagdo uma fungao apenas uilitarista?’ Qual ¢ o papel da educago nas sociedades capitaistas e como essa forma de organizagao da Sociedade pensa a formagio de professores e a educagdo escolar? Como as ‘eformas educacionais foram pensadas ao longo dos anos diante desses cenarios? 2) A Formacao de professores e o controle do fazer pedagégico Apple e Teitelbaun no artigo “Esta 0 professorado perdendo 0 controle de ‘suas qualificagdes e do curriculo?", chamam atengao para as transformagées que visam 0 controle do curriculo em uma época de “restauragéo conservadora” (Apple ¢ Teitelbaun, 1991, p. 62), ou seja, em uma histéria que se repete sempre que as sociedades capitalistas se encontram em crise, responsabilizando @ escola pelo problema criado, pela forma de produgdo e organizagao dessa sociedade e também pela solugdo deste problema. A ideia central trazida pelos autores & a de que, em momentos de crise, ecessério um maior controle em determinados setores da sociedade como a cultura, @ politica e a economia. Sendo a escola um ponto central para a elaboraco, manifestago, criagdo e reproducdo desses setores, seu controle € imprescindivel para o controle de seus trabalhadores, os professores, “constituldo em sua maioria por mulheres” (Apple e Teitelbaun, 1991, p. 62) Para mostrar que 0 controle sobre 0s professores nao 6 algo novo, os autores trazem um contrato de trabalho de 1923 que deveria ser assinado pelas Digitalizado com CamScanner professoras contratadas, Neste contrato, ¢ evidente o controle que se quer exercer sobre a professora e a sua moral, tendo sido incluidos entre os itens, questées de foro intimo e pessoal, como regras sobre suas roupas, cabelos, hordrios de lazer, além de questées sobre seus habitos e companhias. © contrato de trabalho, de 1923, ao qual uma professora precisava se submeter parece absurdo, Mas, ainda hoje, vemos professores e, principalmente, professoras tendo suas escolhas privadas tolhidas. E um exemplo, a demissao de uma professora, ocorrida no estado de Goids, por estar utiizando uma camisa com uma das obras de arte do artista plastico Hélio Oiticica, conforme noticiado na grande imprensa’. A dentincia foi feita em forma de linchamento nas redes sociais da intemet, por um deputado da extrema direita que considerou 2 blusa da professora inadequada, pela frase exposta e pela cor vermelha. De acordo com o deputado, a professora estava fazendo "apologia a esquerda’. Os representantes da escola concordaram com o deputado, deciarando que de fato a escola é um local de pluralidade e nao de um pensamento tinico. Nota extremamente contraditéria com a postura da escola, afinal onde estava o respeito a pluralidade de ideias nessa situagdo? O fato ocorreu em maio deste ano (2023), sendo noticiado em varios jomais de grande circulagdo na intemet e nos faz refletir sobre os retrocessos que temos enfrentado. Conforme os autores: “A histéria tem o habito de nao permanecer no pasado" (Apple e Teitelbaun, 1991, p.64). ‘Além do controle exercido diretamente nos profissionals da educacdo, os autores ressaltam para o controle do curriculo @ do ensino através dos contetidos métodos, ou seja, pelo poder exercido por grandes empresas para “determinar os objetivos de nossas instituigdes politicas e educacionais", além do poder crescente dos movimentos de direita que pressionam editoras e comissdes (secretarias) de educagao em relagao ao contetido dos livros didaticos com 0 claro objetivo de limitar © conhecimento, esvaziando os livros de parte dos conteuidos essenciais para a aprendizagem do mundo em sua totalidade. Apple e Teitelbaun citam, por exemplo, “objetivos e conteudos curriculares determinados por decreto’, uma semelhanga impressionante com 0 que ocorreu no Brasil com a Contrarreforma do Ensino Médio que pregava ser uma proposta em que 0 adolescente teria escolhas sobre seu préprio futuro. Mas, na verdade, tem o " hits Jona ok com brflsrada/2023)S/professea-e-demids-spos-deputadocritcar-camisa-comase-deheo- citi shit Digitalizado com CamScanner objetivo de esvaziar totalmente o curriculo dessa fase tao importante da eq basica, limitando 0 acesso desses jovens ao conhecimento, diminuindy Perspectiva de futuro. ‘Nao existe ensino nem processo de ensino-aprendizagem sem contetidos de cultura, @ estes adotam uma forma determinada em determinado cumiculo, Todo modelo ou proposta de educagdo tem e deve tratar ‘explcitamente 0 referente curricular, porque todo modelo educativo é uma ‘opod0 cultural determinada. Parece necessério também que se enfatize cada vez mais este aspecto porque uma espécie de "pedagogia vazia de contedidos culturais adonou-se, de alguma forma, do que se reconhece ‘como pensamento pedagégico progressista e clentifico na atualidade, muito marcado pelo dominio que © psicologismo tem tido sobre 0 discurso pedagégico contempordneo. O certo 6 que, por diferentes raz teorizagao pedagégica dominante existem mals preocupag5es pelo como tensinar que pelo que se deve ensinar. Se é evidente que ambas as Perguntas devem ser questionadas simuttaneamente em educagao, a primeira fica vazia sem a segunda. Um vazio que & ainda muito mais tevidente em toda a tecnocracia pseudocientifica que dominou e domina boa parte dos esquemas pedagdgicos. A conseqdéncia desta critica ¢ importante néo apenas para reconsiderar as linhas de investigagao ddominantes em educagéo, mas também, e especialmente, a formagao de professores. (Sacristén, 2000, p. 30) 4J4 houve um tempo em que a autonomia dos professores era limitada, sendo a selegéo dos textos e do curriculo feitas sob a responsabilidade da area administrativa da escola. Foi através da luta que professores e professoras garantiram 0 direito de poder decidir como seriam as suas aulas e que materiais seriam utilizados. Mas essa vitéria ndo esté garantida, ja que existem interesses ‘antagénicos para a educagao e 0 campo do curriculo permanece em disputa. ‘Além do controle do curriculo, que acarreta em um controle do trabalho do professor, outra questao é levantada por Apple e Teitelbaun que produz o mesmo efeito, que sao as avaliagées simplistas em relagao aos problemas educacionais, com relatérios que demonstram claramente a pretensdo real dessas avaliagdes que € 0 controle do fazer do professor, camuflada por uma suposta busca por um “controle de qualidade” da educago, fazendo com que os professores tenham que se submeter a pressdo da realizagao desses testes. Destacam também o controle do trabalho dos professores a partir de mecanismos que impactam sobre como eles realizam os seus trabalhos e quem decide se eles estéo o realizando bem ou ndo. “A mudanga das estruturas de controle do trabalho dos professores em areas algo distantes dos corredores e das salas de aula das escolas terd importantes implicagdes em relagdo a saber se 0 Digitalizado com CamScanner i ‘objetivo de esvaziar totalmente o curriculo dessa fase to importante da educacay, basica, limitando 0 acesso desses jovens ao conhecimento, diminuindo sua perspectiva de futuro, Nao existo ensino nem procosso de ensino-aprendizagem sem contetidos de cultura, e estes adotam uma forma determinada em determinado curriculo. Todo modelo ou proposta de educacao tem e deve tratar explicitamente o referente curricular, porque todo modelo educativo é uma opcdo cultural determinada. Parece necessario também que se enfatize cada vez mais este aspecto porque uma espécie de "pedagogia vazia" de conteddos culturais adonou-se, de alguma forma, do que-se reconhece ‘como pensamento pedagégico progressista e cientifico na atualidade, muito marcado pelo dominio que psicologismo tem tido sobre o discurso ‘pedagégico contempordneo. © certo é que, por diferentes raz6es, na teorizagao pedagégica dominante existem mais preacupagées pelo como ensinar que pelo que se deve ensinar. Se é evidente que ambas as Perguntas devem ser questionadas simultaneamente em educagdo, a Primeira fica vazia sem a segunda. Um vazio que & ainda muito mais evidente em toda a tecnocracia pseudocientifica que dominou e domina boa parte dos esquemas pedagégicos. A conseqiéncia desta critica & importante néo apenas para reconsiderar as linhas de investigagao dominantes em educagdo, mas também, e especialmente, a formagao de professores. (Sacristan, 2000, p. 30) 4J4 houve um tempo em que a autonomia dos professores era limitada, sendo a selegéo dos textos e do curriculo feitas sob a responsabilidade da area administrativa da escola, Foi através da luta que professores e professoras, garantiram 0 direito de poder decidir como seriam as suas aulas e que materiais seriam utilizados. Mas essa vitéria ndo esta garantida, j4 que existem interesses antagénicos para a educagao e o campo do curriculo permanece em disputa. ‘Além do controle do curriculo, que acarreta em um controle do trabalho do professor, outra questéo levantada por Apple e Teitelbaun que produz o mesmo efeito, que sao as avaliagées simplistas em relagdo aos problemas educacionais, ‘com relatorios que demonstram claramente a pretensao real dessas avaliagdes que € 0 controle do fazer do professor, camuflada por uma suposta busca por um “controle de qualidade” da educagdo, fazendo com que os professores tenham que se submeter a pressao da realizacao desses testes. Destacam também o controle do trabalho dos professores a partir de mecanismos que impactam sobre como eles realizam os seus trabalhos e quem decide se eles estéo 0 realizando bem ou nao. “A mudanga das estruturas de Controle do trabalho dos professores em areas algo distantes dos corredores ¢ das salas de aula das escolas terd importantes implicagdes em relacdo a saber se 0 Digitalizado com CamScanner contetido e a pedagogia de nossas escolas terdo, afinal, qualquer efeito critico” (Apple e Teitelbaun, 1991, p. 64). Eles chamam atengéo também para, a partir dessa interferéncia no fazer pedagégico do professor, a degradagao do trabalho docente. Como aconteceu com o trabalho na indistria, a separagao entre concepgao e execugdo, ou seja, quando o trabalhador perde “a viséio do processo global e perde 0 controle sobre o seu préprio trabalho" (Apple e Teitelbaun, 1991, p. 65), gera consequéncias profundas, e caminha junto com 0 processo de desqualificagao, que ocore quando suas habilidades se atrofiam pela “falta de uso’. Em outras palavras, 0 controle do trabalho fica mais facil quando o trabalhador deixa de ser capaz de planejar e controlar a sua propria atividade. Sendo assim, as habilidades que os professores construiram ao longo de décadas de trabalho arduo, estabelecendo objetivos curriculares relevantes, determinando contetidos, planejando ligdes._e estratégias _instrucionais, individualizando a instrugdo com base num conhecimento intimo dos desejos e necessidades dos estudantes, e assim por diante, sao perdidas (Apple e Teitelbaun, 1991, p. 66 @ 67). E a desqualficagao do trabalho docente. E, conforme os autores, ndo ha nada mais eficiente para a alienagao dos trabalhadores do que a perda de controle do seu proprio trabalho. Portanto, é necessario estarmos atentos a “tendéncia para © curriculo se tomar crescentemente planejado, sistematizado e padronizado a partir de um nivel central’, acarretando numa troca de professores que sabem o que fazem e 0 porqué fazem por ‘executores alienados de planos alheios” (Apple Teitelbaun, 1991, p. 67). © dano a partir desse controle nas maos de burocratas educacionais, intervindo no fazer pedagégico dos professores, nao acarreta uma alienagao do professorado apenas, como também dos estudantes, tendo um curriculo esvaziado de conhecimentos que nao permite aos alunos a construgao de um senso critico. Com o controle do conteido, passam a importar mais, os conhecimentos que ndo contribuem para a emancipagao e autonomia dos individuos, reduzindo 0 universo de conhecimento destinado aos grupos historicamente excluidos como as mulheres, 08 trabalhadores e as pessoas racializadas. Com o controle do método, se enfatiza ‘© como se ensina ao invés do porque se ensina. Digitalizado com CamScanner 3) A isputa pola educagio a pati da formagao dos jovens no Ensino Meg. Para exemplificar como atuam as forgas na disputa pelo campo da educaca, ‘com 0 objetivo de conservagao dos privilégios da classe burguesa, ou seja, dos que defendem a educagéio que atende aos anseios do empresariado brasileiro, intervindo inclusive diretamente nas mudangas das leis que regulamentam a educagao do pals, traremos um pouco da disputa histérica na formacéo de professores no ensino médio e a recente reforma do ensino médio. Com um viés de preocupagao com os jovens e 0 futuro do pais, o que se esconde ¢ o real interesse de manutencao das desigualdades e do lucro. 3.1) Histéria da formagao de professores no ensino médio Em seu texto, “Formagao de professores: aspects histéricos e tedricos do problema no contexto brasileiro’, Dermeval Saviani (2009), ressalta a tensdo que ‘sempre fez parte da disputa entre visdes dualistas na formagao de professores que separava bacharéis e licenciados, ou seja, uma formago mais voltada para os contevidos e outra mais voltada para a questéo didatico-pedagégica. Segundo 0 autor, a formagao de professores sé passou a ser uma preocupagao apés a independéncia, momento em que a instrugao popular comegou a ser cogitada. Antes do século XIX, 0 professor “se formava” como nas corporagées de oficio, onde se aprendia fazendo. Junto com a preocupagao sobre a formagao de professores iniciou-se a tensdo entre as varias isOes existentes no pais em relagdo a essa formagdo, Enquanto para uns, essa formagao poderia se dar diretamente na escola, pelo método do “aprender-fazendo” como em tempos passados, reduzindo assim os gastos, outros lutavam pela Escola Normal com énfase no ensino dos processos pedagégicos, incluindo as escolas-modelo onde o aluno poderia ter uma formago teérico-pratica do seu novo “oficio". Ainda hoje, a discusséo sobre a melhor maneira de se formar professores esté em disputa, pois essa tem a ver com 0 tipo de sociedade que se pretende constituir, com quais individuos, se queremos uma sociedade cada vez mais desigual ou buscamos uma sociedade igualitaria. Na época da ditadura, por ‘exemplo, como aponta Saviani, a formagao de professores foi reduzida a simples Digitalizado com CamScanner habilitagdo, no existindo o interesse por uma educacdo que formasse sujeitos criticos e emancipados. Da independéncia do Brasil até os dias atuais aconteceram muitas reformas, mas a precariedade na formagao dos profissionais da educago persistiu. O dilema existente entre as escolhas sobre uma formagéo mais conteudista ou mais “pedagégica’ (forma X contetido) tornou-se um embate infrutifero por néo conseguir perceber que o que estava realmente em jogo, era a manutengao de uma sociedade dividida em classes sociais. Afinal, @ pergunta sobre o que se deve esperar de uma formagao profissional = 0 dominio dos contetidos ou 0 preparo didatico-pedagégico - néo deveria ser a pergunta chave para o debate sobre a decisdo do modelo ideal de formagao de professores. E importante destacar que o autor ressalta a importancia da aprendizagem dos contetdos pois ele percebe que ndo podemos abrir mao do conhecimento produzido pela humanidade ao longo da histéria, e podemos perceber isso, a0 identificar na sociedade uma divisdo de classes entre os que detém o conhecimento @ 08 que nao o possuem, ou seja, utilizam o conhecimento como forma de exclusio. Outra questo importante nesse debate que o autor ndo deixa de mencionar 6 sobre a valorizagdo dos profissionais da educago, pois ndo ha formagao que possa acontecer de forma “dissociada do problema das condigdes de trabalho que envolvem a carreira docente, em cujo ambit devem ser equacionadas as questées do salério e da jornada de trabalho” (Saviani, 2009, p. 153). E preciso acabar com a duplicidade pela qual, a0 mesmo tempo em que se proclamam aos quatro ventos as virludes da educagao exaltando sua importéncia decisiva num tipo de sociedade como esta em que vivemos, classificada como ‘sociedade do conhecimento’, as politicas predominantes se pautam pela busca da reducéo de custos, cortando investimentos. Faz-se necessério ajustar as decisées politicas ‘ao discurso imperante” (Saviani, 2009, p. 153). A autora Leonor Maria Tanuri, em seu texto “Histéria da formagao de professores”, destaca também a tensdo sobre as discussées realizadas nas ultimas décadas relacionadas a formagdo de professores, desde o questionamento sobre a necessidade de sua existéncia até a revitalizagao das escolas normais. Digitalizado com CamScanner Segundo # autora, com a aprovagao da nova LDB (Lei 93394/96), a formacag de professores passou a ser elevada ao nivel superior, deixando as antigas escolas normais apenas como formagéo minima, por um periodo estipulado de tempo para a sua extingdo e substituigdo, acirrando ainda mais os debates sobre a carreira docente, Seria a formagio em nivel superior a melhor solugao para a formagao de professores, em um pals de grande desigualdade como o Brasil? Resgatando a histéria dos cursos normais para uma melhor compreensao do debate, a autora destaca que “o estabelecimento das escolas destinadas ao preparo especifico dos professores para o exercicio de suas fungées esta institucionalizagao da instrugao publica no mundo modemo” (Tanuri, 2000, p. 62). ‘Antes que se fundassem instituigdes de formagdo de professores, estes igado a deveriam se submeter a processos seletivos para darem aula. Outra forma estabelecida para a formagao de professores foi a instituigao das escolas de ensino mUtuo (1820) como op¢do para essa formacdo, em que até mesmo as despesas eram pagas com recursos dos préprios professores. Ainda, de acordo com Tanuri, em 1835, na provincia do Rio de Janeiro, é criada a primeira escola normal do Brasil (conhecida hoje em dia como IEPIC — Instituto Estadual Professor Ismael Coutinho) que tinha como objetivo contemplar as pessoas que queriam se formar no magistério para lecionarem nas séries i iais e para os docentes que néo tiveram base tedrica de formagdo nas escolas de ensino considerado mituo. Ela ressalta 0 fato de que “as primeiras iniciativas pertinentes & ctiagdo de escolas norm: coincidem com a hegemonia do grupo conservador, resultando das ages por ele desenvolvidas para consolidar sua supremacia e impor seu projeto politico’ (Tanuri, 2000, p. 63). ‘A questéo sobre 0 grupo que tinha a hegemonia sobre as decisées em relacdo a formagao dos professores é de extrema importancia e inclusive permeia os debates até os dias atuais, pois as escolhas sao feitas de acordo com o tipo de sociedade que se almeja construir. Sendo assi , precisamos nos questionar sempre: Qual é 0 papel da escola? Para que ou para quem a escola serve? Por qual formacao lutamos? Quem propée as politicas publicas na drea da educagao? As primeiras escolas normais tinham como principais caracteristicas um contetido extremamente limitado, uma pobre metodologia didética e curriculo demasiadamente simples. Mesmo assim, nesse periodo, muitas dessas escolas tinham uma vida curta, ja que pouco depois de inauguradas, eram fechadas, tendo Digitalizado com CamScanner ow um funcionamento atribulado, E esse movimento de escolas: sendo abertas e fechadas se tomou constante, por diversas razées, tornando seu funcionamento incerto em todas as provinciais, Muitas foram as questées que levaram ao insucesso das primeiras escolas normais, mas 0 principal motivo foi a remuneragao nada atraente oferecida ao magistério primario, além da incompreensao sobre a necessidade de uma formagao especializada para os professores das primeiras letras. De qualquer forma, 6 importante ressaltar que a partir de 1868/70, as mudangas ocorridas na politica, cultura, além de transformagées de ordem ideolégica, fizeram com que a educagdo passasse a ser vista como um pilar no desenvolvimento do pais, momento em que a necessidade da existéncia das escolas normais comegou a ser evidenciada (Tanuri, p.66, 2000). Segundo Tanuri, com a valorizagéo das escolas normais houve uma mudanga no curriculo que deixou de ser esvaziado, passou a se exigir maiores qualificagGes para o seu ingresso e se estendeu o acesso as mulheres. Importante destacar que a insergao das mulheres no magistério s6 ocorreu no final do Império, {4 que as primeiras escolas normais foram destinadas apenas aos homens, mas progressivamente elas foram se tomando maioria. Com o avangar do tempo e da necessidade de ampliagdo no nimero de vagas disponiveis, o magistério passou a ser visto como uma profissao ideal para as mulheres, principalmente a educagdo que se destinava a infancia, pois associavam © perfil profissional da mulher a sua condigao de mae, cuidadora e educadora “por natureza”. O incentivo a entrada da mulher no magistério também foi alicercado pela possibilidade de conciliar seus afazeres domésticos com a sua vida profissional, além de resolver o problema da falta de mao de obra na escola priméria devido aos baixos salarios. “A feminizagado precoce do magistério tem sido responsabilizada pelo desprestigio social e pelos baixos salérios da profissao” (Tanuri apud Tambara, 2000, p.67). ‘Ao longo de varias décadas, muitas transformages ocorreram na formagao dos docentes que atuariam no ensino basico, de acordo com a mudanga de viséo sobre 0 objetivo da educacao e com o tipo de sociedade que se pretendia formar. Aparentemente, parecia existir um empenho para que os professores tivessem uma especializagao para ministrar as aulas nos anos iniciais, mas na pratica essas Digitalizado com CamScanner re mudangas tenderam ao esvaziamento do curriculo, descaracterizando a ¢, normal, conforme explicitado no Parecer CFE 349/72 que previa a “possibilidade go tracionamento do curso em habilltagées especificas” (Tanuri, 2000, p.81). Ja na década de 1980, com 0 actimulo de produgdes académicas sobre o tema, 0 agravamento nas condigdes de formagdo dos professores e com a crescente desvalorizagao da profissdo, foram elaboradas diversas propostas para a revitalizagao do ensino normal. Diversas iniciativas se estenderam nas décadas subsequentes, mas nao tiveram continuidade. De qualquer forma, algo de novo e consistente se materializava na formagao dos professores que era a nogao da forga de uma coletividade, conforme sinaliza Villela: ‘A emergéncia desse ator corporativo constitui a ultima etapa do processo de profissionalizago da atividade docente, pois significa uma tomada de consciéncia dos professores de seus proprios interesses como grupo profissional e a criagao dessas corporagées esté relacionada a existéncia prévia de um trabalho coletivo de constituigéo dos docentes em corpo solidario e da elaboragao de uma mentalidade e de uma ideologia comuns. (Villela, 2000, p. 127) Apesar das mudangas ocorridas nos Ui 10s anos, a tensdo existente entre as concepgées para a formagao docente permanece, e apesar do empenho de parte da sociedade na luta pelo direito 4 educagao, a expansio da educagao basica no foi acompanhada pelo aumento de sua qualidade nem da valorizagao da carreira docente. A discussao sobre a possibilidade dessa formacao de professores ser em nivel do ensino médio ou superior esbarra em deficiéncias criticas do nosso sistema educacional, sendo uma discussdo distante do real objetivo de se ofertar educagao de qualidade para todos. Afinal, 0 que se mostrou mais impactante em toda a discussdo foram as incorregdes (propositais?) nas politicas de formagéo docente que acompanhavam as ages de governo no sentido da carreira e do saldrio desses Profissionais, que impactavam na desvalorizagdo da profissdo de professor, e acarretava em um ensino de qualidade duvidosa de um modo geral. Digitalizado com CamScanner aw 3.2) A Nova Reforma do Ensino Médio (NEM) Estamos atravessando um periodo de retrocessos considerando todos os direitos conquistados com muita luta pela classe trabalhadora, Conforme presenciamos atualmente através do ataque ao direito & educagdo, mais especificamente com a proposta de Reforma do Ensino Médio que acabou sendo implementada no Brasil, em plena crise politica, econémica e social, por Medida Proviséria, Uma reforma que ao contrério do-que diz propor, reforga a dualidade da educagio existente no pais, E importante ressaltar que uma Medida Proviséria é um ato reservado ao presidente da repiblica para utlizagdo em carter de emergéncia ou urgéncia, como por exemplo, uma situacdo de calamidade publica, como uma pandemia. Além disso, cabe salientar que antes da Reforma do Ensino Médio ser institulda pela Lei 13.415/2017, cuja suposta intengdo era a de flexibilizar o curriculo com o objetivo de contemplar as *miltiplas juventudes’, tinha sido sancionada a PEC 95, mais conhecida como a PEC do teto de gastos que retirava a possibilidade de um aumento no investimento na educagao (Ferreti, 2018). De acordo com Ferreti (2018) a proposta do Novo Ensino Médio (NEM) se apoia na justificativa da necessidade de mudanga devido 8 baixa qualidade do ensino médio oferecida no pais, além da necessidade de torné-lo mais atrativo para ‘08 jovens como forma de conter a evaséio. Mas serd que o que afasta os jovens da escola no Ensino Médio é apenas a sua organizacao curricular? A Reforma do Ensino Médio alterou a LDB de 1996 em aspectos como a ampliagdo progressiva de carga horaria total chegando a 3.000 horas (somando os contetidos complementares). No entanto, as disciplinas que compéem a formagao geral da Base Nacional Comum Curricular (BNC) contabilizarao 1.800 horas, o que significa uma redugdo de 600 horas em relagao ao antigo formato. Importante lembrar que antes da reforma eram 13 (treze) disciplinas obrigatérias, incluindo disciplinas como Artes, Sociologia, Filosofia, mas atualmente esas disciplinas se tomardo optativas ou teréo sua carga horéria extremamente reduzida, de acordo com o percurso “escolhido” pelo aluno. Outra novidade € que 0 curriculo passou a ser definido por areas de conhecimento que sdo um conjunto de disciplinas, cursos, trilhas e oficinas Digitalizado com CamScanner agrupadas em cinco percursos formativos que os estudantes poderao eg, desde que sua rede estadual possua a possibilidade de oferté-los*. A oferta de um ensino em tempo integral, portanto, néo esté acompanhada ) de uma melhora na aprendizagem ou em um aumento na carga hordria das disciplinas obrigatérias, j4 que entre as disciplinas que compunham o antigo Ensino Médio, apenas portugués e matematica continuam como disciplinas obrigatérias. Aqui cabe fazer uma reflexdo, se 0 intuito da reforma era realmente contemplar as miltiplas juventudes, como nao levar em considerago os jovens inseridos no mercado de trabalho formal, impossibilitando sua permanéncia na escola com a extensao do tempo que precisardo ficar na escola? Vale ressaltar que para aumentar a carga hordria e oferecer miltiplos inerarios € necessario mexer na estrutura e na organizago educacional, assim como no quadro funcional, para que tais mudangas acompanhem a demanda da Instituigao fazendo-se necessario um maior volume de recursos financeiros. Mas como aumentar o investimento se existe uma PEC que o limita? ‘Obviamente, a educagao no Brasil passa por muitos problemas e diversos professores e estu: sos acreditam que é importante uma reforma do Ensino Médio, mas nao a que foi promulgada, sem o debate necessario incluindo os principais interessados nas decisdes, professores e alunos. Precisamos entender a fundo o que esta sendo proposte para néo aceitar algo que no discurso se diferencia da Pratica. O que os jovens irdo escolher, caso sua rede nao oferte todos os itinerarios formativos? Os chamados itinerarios formativos sao formados exatamente de quais conhecimentos? O que fundamenta as escolhas desses itinerdrios e os contetidos escolhidos que os compéem? De que curriculo estamos falando? Pelo que se tem pul ido @ estudado, 0 abismo entre escolas publicas e particulares tende a aumentar ainda mais com a implementagao do NEM, afinal, 6 certo que as escolas particulares nao substituirao uma aula de fisica, por exemplo, Por uma aula de Brigadeiro Gourmet, conforme exemplifica Femando Cassi pesquisador e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) na Revista Radis (julho/2023). Afinal, o que ganha um jovem ao aprender a fazer brigadeiros, dentro da escola? “Para entender manor, acesse: hips:/ww eps cruz bipor-que-somos-cona-2-mp-da-efoma-do-ensino- medio Digitalizado com CamScanner wen" Nessa légica de “escolha’, como ficard o jovem que deseja entrar na universidade se a ele foi negado o direito ao conhecimento de diversas disciplinas ‘ou teve uma redugéo significativa de seus conteidos? Na Revista Radis, Jade Beatriz, presidente da Unido Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), vai direto ao ponto sobre essa contrarreforma: Afasta o estudante de escola publica da universidade aproxima do mercado de trabalho. Do subemprego, no caso, porque 0 novo ensino médio com esses itinerarios nada mais faz do que ensinar os estudantes a vender bala no sinal e no ¢ isso que a gente quer para nossa geragdo. Nao é isso que o Brasil precisa’ (Revista Radis, 2023). A reforma do Ensino Médio também aumentou a precarizagao do trabalho do professor. Com os itinerdrios formativos, muitos professores esto dando aula em ‘outras disciplinas que nao séio de sua formagao de origem. Essa situagao também contribui no fortalecimento da ideia do notério saber (termo usado para qualificar um individuo que possui conhecimento em determinada area, mas no possui formagao para se licenciar). Com tudo isso, percebe-se que a reforma do Ensino Médio é um projeto para decretar a faléncia da escola. Cria-se uma iluséo para os jovens que estéo desenvolvendo um ensino profissionalizante de alta qualidade, mas na realidade o novo Ensino Médio tem como objetivo formar mao-obra barata para o mercado de trabalho conformar os jovens sobre sua prépria condi¢ao de precarizagéo. Digitalizado com CamScanner Consideragées finais A partir do estudo apresentado, pudemos constatar que © capitalismo, produtor de crises constantes, procura retirar 0 maximo dos direitos conquistados pela classe trabalhadora, quando seus lucros esto sendo ameacados. Em sua versao atual, o neoliberalismo procura limitar a classe trabalhadora na busca de solugdes para a sua precarizacao, estrangulando seu campo de atuagdo, através na implantago de uma infinidade de reformas nas leis vigentes ‘com 0 Unico intuito de se manter os privilégios da classe burguesa. Entre o pacote de maldades contra o trabalhador esto as Reformas Educacionais. Areforma do Ensino Médio, por exemplo, nos traz multiplas reflexes, afinal: Qual seria o objetivo ao tentar transformar a Educagao Basica, especialmente, o ensino médio, em um local de “formagio de empreendedores", deixando de lado a construgao de cidadaos criticos a realidade desigual? Qual é a explicagao racional de se trocar 0 ensino de Historia e Sociologia pelo ensino de como fazer bolo de Pote ou brigadeiro gourmet, além, & obvio, de impossibilitar a formagao de individuos criticos e conscientes de sua propria condi¢éo? Percebemos como a reforma também afeta a propria formagéo dos Professores. Que tipo de formacao seria necessaria para atender os anseios da burguesia? Quais sero os rumos que a formagao de professores de nivel superior iré tomar, j4 que muitas disciplinas estéo sendo desmerecidas com essa contrarreforma? Importante também pensar na formagao de professores que atuam no en: médio, curso normal, que foi seriamente afetada, principalmente em relacdo a 10 mudanga na carga hordria do curso que passou a ser em tempo integral, impossibilitando a permanéncia de intimeros jovens que ja atuam no mercado de trabalho formal. Outros custos para essa formacdo merecem ser estudados mais detalhadamente em futuras pesquisas. Nao que seja novidade para essa formacdo um ataque a sua forma e existéncia. Afinal, a historia da escola normal esta completamente imbricada com a historia da educagéo no Brasil. Sua idealizaco, sua implantagdo, seu formato e sua importancia atravessam muitos momentos histéricos, acompanhados de visdes diversificadas sobre o papel da educago que vigorava em dado momento histérico. Digitalizado com CamScanner A pressdo exercida através de controles externo (por exemplo, avaliagies tipo SAEB) e interno (como a cobranga feita pelos diretores e supervisores) do fazer pedagégico vem se movimentando @ avangando, e o objetivo desse avango, nos leva a reflexdo sobre a necessidade de termos formas alternativas de organizagao social e econémica, em que o lucro privado néo se sobreponha aos direitos fundamentais dos individuos, fortalecendo a importancia da luta coletiva por uma sociedade que seja democratica de fato, onde todos estejam incluidos nos ganhos produzidos pelos trabalhadores e isso inclui o acesso a um ensino piblico de qualidade, laico e gratuito, Portanto, é urgente e necessério sobrepor a viséo dualista presente nao somente na formagio dos professores, mas inclusive na diferenga da educagao ofertada para a classe trabalhadora e para a classe detentora dos meios de produgo, ou seja, frear o aprofundamento da existéncia de uma educagao que oferece para a classe trabalhadora uma educagao mais tecnicista, “pratica’ @ esvaziada e para a “elte’, uma educacao propedéutica, que amplia os horizontes. Digitalizado com CamScanner Referéncias bibliograficas A PARTE DOS ANJOS, Diregdo: Ken Loach. Reino Unido e Irlanda do Norte. 2013. (105 minutos), ANTUNES, Ricardo. A nova morfologia do trabalho e 0 desenho multifacetado das agdes coletivas. In: O caracol e sua concha. Sao Paulo: Boitempo, 2005. APPLE, Michael W. e TEITELBAUN, Kenneth. Esté 0 professorado perdendo o controle de suas qualificagdes e do curriculo? Teoria e educacao. 1991. CARCANHOLO, Marcelo Dias e MEDEIROS, Jodo Leonardo. 0 Feitigo do Tempo: A crise financsira de 2007/2008 nas telas do cinema. 2015, FERRETI, Celso Jodo. A reforma do Ensino Médio e sua questiondvel concep¢ao de qualidade da educagao. 2018, FREITAS, Luiz Carlos de. Conjunturas e impactos na formagao de educadores: andlises € perspectivas. 2023 KARL, Marx. Capitulo XXIII - O capital: a lei geral da acumulagao capitalista, (p.245- 337) in: O Capital, tomo 2. Colegdo - Os Economistas. Editora Nova Cultural, So Paulo, 1996. 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Segundo Novoa (1991) (apud Costa, 1995), o modelo escolar de educagdo surgiu em detrimento a novas necessidades para a menutengio e desenvolvimento de um modelo social, com base em uma nova forma de relagao entre a sociedade € 0 trabalho € 0 novo modelo socioecondmico; a uma regulagio exercida por essa sociedade emergente no que diz respeito aos costumes ¢ comportamentos de seus membros & diferenciagio, agora existente, entre as criangas € 0s adultos, sendo necessério ensinar as eriangas a conviverem bem no mundo dos adultos; & disciplina como sendo condigSo sine qua non para o desenvolvimento social ~ & através da disciplina que existe a possibilidade de se submeter 0s individuos 20 cumprimento das normas sociais (Costa, 1995). Do século XV até a metade do século XVII, a escola ¢ de responsabilidade da Igreja, € © predominante na educago sio os dogmas da Igreja e 0 atendimento comunitirio. Podemos dai a condigéo vocacional/saverdotal do professor, como sendo alguém que perceber a parti professa que atua por vocapio, por sacerdéci ‘Ao final do século XVIII, com 0 aumento da necessidade da produgdo capitalista, o Estado passa a ser 0 responsével pela educagio da populagio, agora no mais uma educagdo religiosa, ‘mas uma instrugo voltada para o desenvolvimento produtivo, uma edueago que preparava para o trabalho, baseada na nogio de propriedade privada capitalista, Foi a partir desta mudanga que © magistério se configurou como profissio burocratica e os professores passaram a ser funcionérios, em sua maioria, do Estado. Digitalizado com CamScanner f No século XIX, a escola passa a fer a confianga da sociedade, como sendo instrumento que tard a igualdade dos cidadaios, através da libertagio destes de sua condigio de ignorantes. Com isso 0 profissional docente adqui iu grande prestigio diante da sociedade, esse prestigio atravessou 0 séeulo XIX até meados do século XX. Ser professor era motivo de orgulho e admiragio por parte de toda a sociedade, pois a escola era considerada como responsdvel pelo progresso da nagio, ¢ 0 professor principal coadjuvante nesse processo. A Proletarizagio do professor Com a ocorréncia da primeira e segunda guerra mundial, o prestigio € a confianga na escola, ‘como sendo necessiria e principal responsével pelo desenvolvimento ¢ manutengdo da sociedade se perde. A sociedade comesa a se perguntar se é mesmo de suma importincia a “ ‘educagao, pois as guerras se iniciaram a partir de paises com alto nivel de civilidade e educagao v escolar. Junto com a derrocada da escola o prestigio € a consideragdo que a populagdo atribuia 2 aos professores também foram se perdendo. “Em crise de identidade profissional, os docente ~ so levados a redefinir seus papéis e fungdes em uma sociedade em transformacdo que 9g questionava seus valores” (Costa, 1995, p. 82). ‘A partir desse resume histérico do surgimento da profissio docente como a conhecemos hoje, podemos observar o inicio da perda do profissionalismo da classe de docentes. Como estio hoje os profissionais educadores? AA partir das reformas educacionais ocorridas no Brasil ¢ em toda a América Latina e Caribe, decorrentes da globalizagio € do neoliberalismo, 0 professor vem perdendo ainda mais sua ‘autonomia, Segundo Azzi (1994), a profissdo docente, em toda sua trajetéria, que nao é curt foi influenciada, seja pela Igreja ou pelo Estado, “desde a elaboracdio de conjuntos de normas e valores & constituicao de um corpo especifico de saberes” (p. 54). SPOSCPSS VOI VV ew vywe ound Digitalizado com CamScanner r= ‘Aza, afirma ainda que a docéncin vem acompanhando as transformagdes mais amplas da sociedade, uma vez que incorpora algumas caracteristicas bésicas da organizagHo capitalista do / trabalho, quais sejam: divisto do trabalho, controle hierirquico e fragmentagio do trabalho. Essa formatagio da divisio do trabalho ¢ parte fundamental no processo de proletarizasio, Contreras (2002) diz que 0 trabalho docente sofreu uma subtragdo progressiva de uma série de qualidades que levaram os professores & perda de controle e sentido sobre © proprio trabalhoisto&, perda de autonomia (p. 33). Isto posto, podemos assemelhar o trabalhador docentelprofessor a0 operirio de fabrica, veja bem: assemelhar. Segundo Enguita (1991), v og a a J a a a a a 2 a a 2 a 0 a 2 2 o a ° a ° a 2 a > 0 2 2 y Para Enguita (1991), 0 processo de trabalho a que esti atrelado o trabalhador docente/professor leva-o a proletarizagdo, & perda de autonomia na realizagdo de seu trabalho, pois “wm profetdrio 4 uma pessoa que se vé obrigado a vender sua forga de trabalho — ndo o resultado de seu trabalho, mas sua capacidade de trabalho” (p. 46). A proletarizagao do trabalho docente vem ‘ocorrendo gradativamente, desde o surgimento das primeiras escolas controladas pelo Estado, que sempre ditou as regras do que o professor deve ensinar e até de como esse professor deve ‘ensinar 0s contetidos indicados. Tais regras so inspiradas, ou elaboradas para atender 0 mercado capitalist, portanto pode-se dizer que a escola atua como propagadora da produgdo do capital Um fator que acentua a percepeio do trabalhador docente/professor como um proletirio, € que ‘em sua grande maioria, os professores slo assalariados, ou do poder piblico ou da privada Segundo Enguita (1991), um importante fator que influencia na proletarizago do trabalhador docente & a heterogeneidade existente na classe de professores. Existem diferengas desde salariais até de prestigio, tanto na rede estatal quanto na rede privada, havendo diferengas marcantes de uma rede para outra. ssa fragmentagio na classe dos trabalhadores docentes ¢ 0 que complica no momento de reivindicagGes, por nio haver interesse dinico, cada membro , ou cada bloco hierérquico tem ‘seus proprios interesses. Em sua maioria de ordem econémica/salarial Digitalizado com CamScanner naeeeee sso esse SSSI r Cinco caractersticas extraldas de Enguita (1991) - “competéncia, vocagdo, cena, independéncia, auto-regulagdo” ~ ¢ realizar uma comparagiio com a realidade da “profissto” dcentes '* os professores tem sua “competéncia” reconhecida oficialmente, porém de valor inferior perante a sociedade, pois sua formagio é menos extensa, portanto de menor prest No campo da educagio qualquer pessoa se sente conhecedora, acredita na ndo complexidade do ser professor; ‘© atualmente, devido a realidade capitalista que toma o homem cada vez mais docente nao é mais tao individualista e consumista, o componente “vocagdo” na prit valorizado, Um grande nimero de professores esti em campo por que fizeram um curso superior, universitério, buscando uma profissio quando se formassem, porém ‘encontraram 0 caminho da licenciatura como forma de sobrevivéncia, nem sempre por vocaso; 0 campo de trabalho do docente & demarcado parcialmente, nao existe um regulamentagdo especifica para a profissio docente, além do ensino regular, existe liberdade também para o ensino informal; © 0s docentes nfo realizam seu trabalho independentemente, sio em sua grande maioria assalariados. Sua autonomia, “independéncia” & parcial. A legislagdo educacional permite & comunidade escolar partcipar da gestio da escola, da educagdo. O mesmo no ocorre em profissdes regulamentadas como a medicina e 0 dieito. Apesar disto, 05 docentes ainda exercem autonomia nas escolas, pois sao submetidos, em sua maioria, a autoridades superiores que, regularmente, sdo também docentes;, ‘© 0 corpo docente nio possui um cédigo de ética regulamentado por um conselho, ¢ nem dispoe de mecanismos préprios para julgamento de suas agBes na pritica docente, na tmaioria das vezes sio julgados pelas Secretarias Municipais ou Estaduais de Edueagao. Diante do exposto, podemos afirmar que o trabalho docente esti inserido atualmente na classe das semiprofissbes, porém o trabalhador docente nao pode ser igualado ao operirio da fabrica , ppois mesmo perdendo a autonomia do todo em seu trabalho, © professor ainda exerce certa utonomia em seu proceso de trabalho, Digitalizado com CamScanner yy Uma queda na qualidade do ensino, tendo em vista o fato do professor no dispor de tempo saficiente para a elaboragio de um plano de aulas condizente com a realidade sécio-hstérca de seus alunos © utilizar prioritariamente 0 que vem orientado pelo livro didatico, Com a queda da qualidade no ensino, principalmente nas redes piblicas, hd um maior descontentamento ¢ Aeserédito por parte da populagdo, que coloca maior peso de culpa nos professores. Os professores tém perdido gradativamente » confianga da populagdo em seu trabalho, 1 1 acaretando perda de autonomia eautoridade na sua pti docent. ‘ ‘ A precarizagio do trabalho docente & hisérca. A escola que funcionava a 30 anos passados, " uma escola de disciplina rigida, que priorizava a transmissio do conhecimento, de hierarquia 2 vertical pratcamente militar, jé nto existe mais. O piblicoatendido pela escola atual é outro, fi muito mais heterogéneo, de relaes mais complexas, Segundo Oliveira (2004). c € c « € c © ° © < Aa2anceaaeeaaanan Digitalizado com CamScanner , s 6 6 aocoocceceseoceaecoc ooo eo coe e ees ¥ [ Bevo ADISTANCIA (0 fendmeno de disseminagdo da Educagio a Distincia na perspectiva de seus impactos sobre 0 trabalho docente, principalmente no que se refere as condigdes de seu exercicio e nas suas relagdes com 0 tempo e 0 espago de trabalho. Dessa forma, a premissa da qual se parte que a Educagio a Distincia tem promovido uma crescente precarizagao no trabalho docente tendo em vista a sobrecarga de atividades que ela traz ao professor associada a falta de regulamentas0 das relagdes trabalhistas em ambientes vitais ‘A Bducagio a Distincia (EaD) se disseminow no Brasil somente nas iltimas duas décadas. Talvez, por esse crescimento ainda ser recente, 0s programas em EaD tém suscitado diversas controvérsias e temores entre aqueles sujeitos que se dedicam ao trabalho ¢ reflexdo sobre 0 ‘campo educacional. Dentre os temas em debate atualmente, o impacto das atividades de EAD sobre 0 trabalho docente é um dos que mais tém merecido atengdo. Inimeros so os elementos assinalados, nesse aspecto, especialmente quanto aos riscos trabalhistas que 0s programas em EaD envolvem: 0 aumento da carga de trabalho dos docentes, as novas exigéncias impostas pelo uso das tecnologias digitais, o “empobrecimento” da mediagdo pedagégica por meio da atuagio da tutoria, precarizagdo do trabalho em termos de condigdes de trabalho, entre outros, Alguns ceducadores mais criticos ~ ou mais pessimistas ~ chegam a temer pelo futuro da profissio docente, indicando a possibilidade de reduso das funges do professor por meio de sua subst igo pelastecnologias de informagio e comunicagao. Considerando o forte cardter de flexibilidade espago-temporal das atividades pedagégicas da ceducagio a distincia, parece crucial que este sejao centro da anilise, Os espagos e tempos de trabalho da educagao (presencial) passam por um completo redimensionamento com o advento do trabalho docente na EaD (especialmente na EaD virtual). E fundamental partirmos da ‘compreenstio de que os tempos e espagos escolares consttuem fatores fundamentals para a compreensio do processo de trabalho pedagégico, inclusive para o seu desenvolvimento. Digitalizado com CamScanner DBOSOSSHOOSNHSHOHODDCOCCHOOCOCDCOSCBODODOOOEC ORAS nprvendet 0 significado do espago tempo na vida escolar o su sentido para o trabalho tem ~ ganhado progressiva relevancia, Isso implica reflexdo sobre a ldgica espagotemporal que orienta a organizagio do trabalho escolar. Hé muito a er pensado entre o secular espago da sala de aula (ugar privilegiado para o ensino-aprendizagem e para a atuago docente)e 0 esparo simulado dos ambientes virtuais de aprendizagem (“novo espago” de trabalho docente). Hé muito por entender entre os fragmentados tempos educacionais em momentos para a aula, para orecreio, para a disciplina de histéria, de matemitica tc. os flexiveis tempos da educagdo na ccontemporaneidade — em especial, na educagao a distincia (EaD). ‘As tecnologias de informagao e comunicagio — tipicas do nosso tempo e mais presentes no processo de trabalho docente disténcia do que na educagao presencial ~interferem na experigncia com o espago-tempo de determinado grupo sociale passam a condicionar o sentido do tempo e espago. A rigor, as formas de medigiotornam-se meios de exploragio do trabalho (Thompson, 1998). Iso quer dizer que otrabalhador docente & distincia, tendo suas atividades intensamente mediadas por tecnologias digits, poderdestabelecer relagdes diferenciadas com 0 tempo e com 0 espago em relagdo a0 trabalhador docente presencia, implicando necessariamente um outro patamar de exploragdo da mais-valia pelo capital no émbito ‘educacional, Como hé muito postulou Karl Marx, as formas de exploragao da forga de trabalho ‘passam pelo dominio dos meios de produgio; ou seja, a detengo e manipulagdo das tecnologias pelas quais o trabalhador realiza seu trabalho constituem uma importante estratégia de cexploragdo capitalista da mais-valia, Digitalizado com CamScanner x, POSMSHSHCHOKCCHOOOOOGCOODOSDGCOGGCCCCE Ta @e000 cyaseragbes Finals (0s professores trabalhiam muitas vezes em uma estrutura de organizagio escolar nas redes piblicas, que no permite um trabalho compartlhado com os colegas, mas te disponibilidade de tempo para dar aos alunos a atengio necesséria, nem para pensar erefletr sobre o trabalho que realizam. Observa-se uma multiplicidade de fungdes, sendo os professores obrigados a desempenhar atribuigdes para as quais, muitas vezes, no estio preparados. S20 também ‘escassas as oportunidades de desempenho profissional. As condigées salariais os levam, na maior parte dos casos, a exercer outras fungdes, ou amplia a jornada de trabalho como forma de aumentar 0s seus rendimentos ‘Ao se falar de escola piiblica hoje no se pode esquecer as suas precérias condigdes de funcionamento e a situagdo insustentivel de trabalho, a que os docentes se véem submetidos. Apesar da ampliaglo do acesso a escolarizagio na educagio, pode-se afirmar que os alunos das escolas piblicas sofrem os efeitos do que se pode chamar de incluso precéria. (0 Estado nao pode deixar de ser considerado como elemento chave na andlise das po ir em direito publico, ‘educago mas 0 proprio fato de a educagdo fundamental se consti subjetivo, a propria obrigatoriedade do ensino pode conduzir ao fato do governo oferecé-la as populagdes em patamares considerados instisfatrios, onde a qualidade dos servigos deixa @ desejar. De acordo com Enguita “ a instituigdo escolar conta com um piblica cativo, pois a escolarizagao ¢ obrigatéria 0 processo de trabalho docente nio pode ser considerado de um ponto de vista meramente téenico, como um conjunto de procedimentos para realizar uma fungi. Precisa ser entendida como relagao entre lasses sociais que se opdem no sistema capitaista ‘A luta dos professores pela profissionalizagio de seu trabalho, deve permear muito além do que ‘a busea pela autonomia em sua pritica docente, O trabalhador docente/professor deve buscar © respeito perante 0 Estado que regula o seu trabalho, deve reivindicar a criago de um currculo para os cursos de formagio de professores que o permita atuar como um profissional. Plitear ‘melhores condigbes de trabalho ¢ uma remuneragio que seja condizente com a responsabilidad que Ihe € aribuida como educador. Mas acima de tudo, lutar pelo reconhecimento de seu valor como agente da construgio do conhecimento, no como mero reprodutor ou transmissor de um ‘conhecimento que nao foi construido por ele. Digitalizado com CamScanner © © ° e e eo e e @ e @ ° e @ © e@ @ e © © ° © ° e © ° 8 9 9 = sna do professorado pela profissionalizaglo deve iniciar-se pela exigéncia de uma formaglo rior de qualidade, baseada no sé em técnicas, mas principalmente na pesquisa cientfica dn aos processos educacionais. Os professores devem lutar por obter uma formagio critica e reflexiva, que 0s tornam capazes de refletir sobre a prépria pritica docente, com vistas a “encontrar, na prética, melhores solugdes para a resolugio de problemas do cotidiano da instituigdo escolar. Essa formagdo ainda se acha na Universidade. A inadequagdo das condigdes de trabalho revela o grande distanciamento sobre © que se propugna nas reformas educacionais e 0 que & de fato vivenciado no contexto escolar. Constituem também em motivo de grande insatisfagio dos docentes com a falta de reconhecimento profissional por parte do sistema e causa de conflito nas relagdes de trabalho ‘No cotidiano escolar, hé intensa rotatividade de local de trabalho, pois a maioria dos docentes se vé na contingéncia de ter de trabalhar em 2 ou 3 escolas sempre com grande nimero de alunos. As mudangas que esto ocorrendo em educaglo nas escolas estaduais, a avaliagdo de dos professores acabam se desempenho em implementaglo aliadas aos baixos sal tos que ingressam apés 05 tiltimos concuros constituindo em fator de pouco atratividade © m realizados, jé pediram afastamento. (© governo sabe que ha grande indice de desemprego no Estado grande contingente de forga de trabalho reserva apta para 0 caso de desisténcia. Este pode ser um dos fatores que acaba se constituindo em motivo para permanéncia da situagao atual. Digitalizado com CamScanner B2ASOOOSCOGOG OHO OHO HOGG OHHHHOHDS OTC U VII”, Refortnelas Bibliogriifiens AZZ\, SANDRA; PIMENTA, SELMA GARRIDO; UNIVERSIDADE DE SAO PAULO. Da autonomia negada a autonomia possivel; trabalho docente na escola publica capitalista: ‘um estudo a partir da sala de aula, 1994, 156p Tese (Doutorado) - Universidade de Sao Paulo. BRASIL. Lei n, 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes © Bases da Educagao Nacional, CONTRERAS, José. Autonomia de professores. Tradugao de Sandra Trabueco Valenzuela. ‘Sao Paulo, Cortez, 2002. COSTA, Marisa C. Vorraber. Trabalho docente profissionalismo, Porto Alegre, Sulina, 1995. ENGUITA, Mariano Femandez. A ambigiidade da docéncia: entre 0 profissionalismo © a proletarizagao. Teoria e Educagio, N°. 4, 1991, p. 41-61 MELO, Kat ‘educago basica no Brasil, Ja: MERCADO, Luis Paulo Leopoldo & KULLOK, Maisa Brandio Maria Silva de. As politicas recentes para a formagao dos professores da Gomes (orgs.). 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