DIREITO PENAL
Princípios do Direito Penal
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[email protected] PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL
Os princípios são essenciais para a resolução de diversas questões. Os princípios podem
ser implícitos ou explícitos, sendo extraídos do CP e da CF.
Os casos hipotéticos tratados no exame da ordem são baseados em muitos casos práti-
cos que são observados pelos profissionais cotidianamente.
Direito Penal como meio de controle formalizado, que atua quando a violação a direitos
e interesses torna-se especialmente grave, sendo insuficiente a atuação de outros ramos do
Direito para apaziguar o convívio social.
Objetivo declarado do Direito Penal: proteção de bens jurídicos, isto é, valores relevan-
tes para a vida humana individual e coletiva (Juarez Cirino dos Santos)
Seleção dos bens jurídicos: varia de acordo com o momento histórico, momento polí-
tico, características da sociedade, seleção dos bens jurídicos que serão tutelados pelo Direito
Penal, constando no CP, de acordo com critérios político-criminais (CF).
Quando o CP foi editado na década de 1940 a sociedade brasileira dispunha de um perfil
que não condiz mais com as características hodiernas. Por conta disso, alguns tipos penais
são revogados, por não refletirem mais o pensamento da sociedade.
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O crime do adultério, por exemplo, não é mais considerado pelo ordenamento. Com o
passar do tempo essa violação deixou de ser considerada como grave do ponto de vista jurí-
dica, ainda que permaneça sendo uma questão moral e ética, bem como familiar e religiosa.
O principal ponto de diferenciação entre o Direito Penal e os demais ramos do direito está
na ultima ratio, isto é, na consideração de que o Direito Penal deve ser o ramo do direito res-
ponsável pela imposição das sanções mais graves, restringindo o gozo de direitos e privando
o indivíduo de sua liberdade.
Com isso, entende-se que o Direito Penal só deve ser acionado em última instância,
quando os demais ramos do direito se revelarem insuficientes. A essa característica do Direito
Penal dá-se o nome de fragmentariedade.
Diversas condutas consideradas graves do ponto de vista da convivência social não são
consideradas crimes, o que leva a punições no âmbito administrativo, com a imposição de
multas, pontuações negativas em CNH etc.
Contudo, a embriaguez seguida por condução de automóvel é considerada como con-
duta que arrisca a vida do indivíduo e das demais pessoas ao seu redor.
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Com isso, a conduta é levada para a esfera do Direito Penal, sendo tratado como crime a
condução sob influência de álcool e substâncias que afetam negativamente e consideravel-
mente as capacidades psicomotoras.
Criminalização Primária (Ou Abstrata): Definição Legal Dos Crimes E Das Penas
As penas são instrumentos da política criminal do Estado e podem ser:
• Privativas de liberdade;
• Restritivas de direitos;
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• Multa.
Medidas De Segurança (Ou De Proteção): destina-se às pessoas consideradas como
inimputáveis ou semi-imputáveis dotadas de periculosidade, isto é, pessoas que no momento
da ação criminosa não têm capacidade de compreender o caráter ilícito de sua conduta ou
de se comportar de acordo com essa compreensão.
Tratam-se de pessoas que padecem de enfermidades ou distúrbios mentais; ou ainda,
pessoas acometidas de surtos.
Embora não tenham consciência de estarem praticando um crime, essas pessoas preci-
sam ser submetidas a uma medida, sobretudo terapêutica.
Por conta disso, apesar de não se tratar de uma pena, a medida de segurança é uma
espécie de sanção penal, pois envolve a submissão de indivíduos à custódia do Estado para
que não haja risco à sociedade. A essas pessoas reservam-se as seguintes medidas:
• Internação hospitalar (exceção);
• Tratamento ambulatorial;
Criminalização Secundária (Ou Concreta) – Realizada Pelo Sistema De Justiça Criminal
Trata-se da aplicação e execução da pena.
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Definição de Princípios
Princípios são garantias do cidadão perante o poder punitivo estatal e estão albergados
pela CF/88, em seu art. 5º. Tais princípios orientam o legislador ordinário, no sentido de se
promover um Direito Penal da culpabilidade, mínimo e garantista, voltado ao respeito dos
direitos humanos e da dignidade da pessoa (BITENCOURT, 2017).
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Princípio Da Estrita Legalidade Ou Da Reserva Legal
• Art. 5º, inc. XXXIX, da CF/88: “Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena
sem prévia cominação legal.” Cláusula pétrea.
• Nullum crimen, nulla poena sine lege
• Mais importante instrumento de proteção individual
• Art. 1º do CP: “Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia
cominação legal”.
• A elaboração de normas incriminadoras é função exclusiva da lei, em sentido estrito. A
lei deve definir com precisão a conduta proibida e a sanção respectiva.
Não existe crime no Direito Penal brasileiro que seja criado por jurisprudência, doutrina,
medida provisória ou atoa administrativo. Em suma, não há crime sem lei prévia que o defina,
lei que deve ser emanada do Congresso Nacional.
Também não existe crime em Legislações Estaduais, pois o Direito Penal brasileiro é
um direito federal, aplicado de forma uníssona para todo o território. Dessa forma, o Código
Penal vale para todo o Brasil
• Princípio da Reserva legal: lei em sentido formal e material (lei ordinária ou comple-
mentar). Compete privativamente à União legislar sobre Direito Penal.
• Matéria penal incriminadora não pode ser tratada por medida provisória (MP não é
lei, e sim ato do executivo).
• Contravenções penais e medidas de segurança também estão abrangidas pelo princí-
pio da legalidade.
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• Segurança jurídica e respeito ao sistema político democrático.
As contravenções são abordadas pelo Direito Penal, mas não são consideradas como
parte do mesmo nível dos crimes propriamente ditos.
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As contravenções penais foram estabelecidas em 1941 e muitas contravenções penais já
foram abolidas e não mais fazem parte do ordenamento jurídico.
As vias de fato, por exemplo, que não acarreta em agressão é uma espécie de contra-
venção penal.
A lei penal deve ser:
• Certa
• Escrita
• Estrita: não é permitida interpretação extensiva e analógica.
• Prévia: respeitando o Princípio da Anterioridade, isto é, o fato para ser punido como
criminoso somente pode ocorrer depois da existência da lei.
Mandados de criminalização
São matérias que levam o legislador ordinário a atuar no caso concreto por meio deter-
minação de elaboração de lei que criminalize determinada conduta.
A CF não criminaliza, mas estipula temas importantes que devem ser impostos ao legisla-
dor ordinário para que esse elabore lei que criminalize a conduta que contraria ou fere deter-
minado valor estabelecido na Carta Magna.
São matérias elencadas pela CF e em relação às quais é obrigatória a atuação do legis-
lador ordinário. Necessidade premente de proteção a determinados bens jurídicos, muito
valiosos ao convívio social pacífico.
Exemplos de Mandados de Criminalização:
• Art. 5º, XLI: “a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades
fundamentais.” (Lei n. 7.716/1989);
• Art. 5º, XLII: “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito
à pena de reclusão, nos termos da lei.” (Lei n. 7.716/1989);
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• Art. 5º, XLIII: “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia
a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os
definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores
e os que, podendo evitá-los, se omitirem;” (Lei n. 9.455/1997, Lei n. 11.343/2006, Lei
n. 8.072/1990);
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Obs. 1: trata-se da determinação que contempla a criminalização dos crimes hediondos.
Dessa forma, para crimes que não são considerados ordinários, estabelece-se tra-
tamento mais gravoso e para tais crimes não há suscetibilidade de graça, anistia,
induto, progressão facilitada, livramento condicional mais fácil de se obter, etc.
Obs. 2: atualmente, equiparam-se crimes hediondos o tráfico ilícito de entorpecentes e
drogas afins; a tortura e o terrorismo.
Obs. 3: a equiparação significa que a lei ordinária não pode retirar a hediondez desses crimes.
• Art. 5º, XLIV: “constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados,
civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático”. (CP);
• Art. 227, § 4º: “a lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da
criança e do adolescente”. (CP e ECA).
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Obs.: pode-se citar como exemplo a Lei Henry Borel, que estabelece como hediondo o
crime de homicídio praticado contra pessoa menor de 14 anos.
�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula
preparada e ministrada pela professora Michelle Tonon.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva deste material.
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