SAÚDE COLETIVA
Territorialização em Saúde III
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Observação de campo:
Anotações e tomada de imagens fotográficas para reconhecimento de singularidades
locais – lugares com poder de interação, de encontro da população e de ações comunicativas
(praças, igrejas, associação de moradores, quadras esportivas, campos de futebol, bares).
Caracterização do território e da população
Demográficos
• População absoluta, por faixa etária, por gênero, por níveis educacionais;
Epidemiológicos
• Doenças e mortes;
Geomorfológicos
• Clima, temperatura, relevo, hidrografia;
Estrutura sanitária e produtiva
• Oferta de água, de esgoto, de coleta de lixo; distribuição e tipo de domicílios; quan-
tidade e tipo de serviços público e privado (de saúde, de transporte, de segurança,
de finanças, de comunicação, de educação); quantidade e tipo de estabelecimentos
(indústrias, comércio, serviços).
Documentos gerenciais (do município, do estado)
• Planos, projetos, programas relatórios.
Conforme Gondim e Monken (2017), a territorialização de informação em saúde é estrutu-
rante na organização do processo de trabalho da vigilância em saúde e estratégia educativa
que qualifica trabalhadores pela utilização de conhecimentos da geografia, da cartografia,
ANOTAÇÕES
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da metodologia científica, do planejamento, da comunicação e da informação no processo
de trabalho.
Ainda conforme os autores, a territorialização em saúde é método de identificação de
expressões geográficas das ações humanas. É saber e prática que, operacionalizados, per-
mitem aos gestores, às instituições, aos profissionais e à população atendida pelo SUS com-
preender os conflitos gerados na dinâmica socioespacial dos lugares, os múltiplos fluxos que
animam os territórios e os diversos espaços da vida cotidiana, revelando como os sujeitos
(individual e coletivo) produzem e reproduzem, socialmente, suas condições de existência.
• Chamado de território vivo.
DIRETO DO CONCURSO
1. (2016/REIS & REIS /PREFEIURA DE CIPOTÂNEA - MG) São objetivos da territorializa-
ção em saúde, exceto:
a. Definir a população favorecida.
b. Levantar problemas e necessidades.
c. Questionar o espaço sócio ocupacional.
d. Identificar o perfil demográfico e epidemiológico.
COMENTÁRIO
Não é objetivo da territorialização questionar o espaço sócio ocupacional.
2. (2018/FUNDEP (GESTÃO DE CONCURSOS)/PREFEITURA DE ITATIAIUÇU – MG)
“O ponto de partida para a organização do trabalho voltado para as ações de vigilância
em saúde é a territorialização do sistema local de saúde, ou seja, o reconhecimento e o
esquadrinhamento do território de acordo com a lógica das relações vigentes entre os
aspectos e condições de vida, ambiente e o acesso às ações e aos serviços de saúde.”
5m
MONKEN, Mauricio; BARCELLOS, Christovam. O Território na Promoção e Vigilância
em Saúde. (Adaptado)
Considerando esse contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta
entre elas.
ANOTAÇÕES
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I – A análise territorial consiste em uma coleta metódica de dados que buscam informar
sobre as situações-problema naquela população e naquele território, indicando suas
inter-relações espaciais, bem como a identificação das vulnerabilidades, das popula-
ções expostas e da seleção de problemas prioritários para as intervenções.
PORQUE
II – O processo de territorialização compõe uma das ferramentas básicas da vigilância
em saúde, que é o planejamento estratégico situacional (PES), cujo enfoque estraté-
gico-situacional possibilita a formulação de políticas, o planejamento e a programa-
ção dentro de um esquema teóricometodológico de planificação situacional para o
desenvolvimento dos sistemas locais de saúde.
A respeito dessas asserções, é correto afirmar que
a. as asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
b. as asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
c. a asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d. a asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
COMENTÁRIO
As afirmativas tratam-se de dois conceitos separados, ou seja, a afirmativa II não justifica
a primeira.
3. (SES-DF-2020) Os riscos materializam-se no território e afetam a saúde das pessoas
de diferentes maneiras, por meio de processos (políticos, sociais, econômicos e tecno-
lógicos), de produtos (químicos, biológicos), de agentes etiológicos (vírus, bactérias,
entre outros) ou mesmo mediante eventos naturais (catástrofes).
COMENTÁRIO
A questão traz o texto exato da UFSC visto em aula.
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4. (SES-DF-2020) A saúde e a doença decorrem tanto das chamadas situações de risco
moderno – como a contaminação das águas e dos alimentos, a ausência de saneamen-
to, a maior exposição aos vetores e às condições precárias de moradia – quanto do que
são denominados riscos tradicionais – como o cultivo intensivo de alimentos em mono-
culturas, as mudanças climáticas globais e o manejo inadequado de fontes energéticas,
por exemplo.
COMENTÁRIO
A banca trocou as condições de riscos modernos e as condições de riscos tradicionais.
5. (SES-DF-2020) Cada território tem as próprias particularidades, que configuram dife-
rentes perfis demográficos, epidemiológicos, econômicos, sociais, culturais e políticos,
os quais se encontram em constante transformação. Assim, a atuação das equipes de
saúde sobre esse território tem de considerar esses perfis. Os profissionais de saúde
que atuam na Atenção Básica devem se apropriar dessas características e precisam
dialogar com os atores, para que tenham poder de atuação sobre a realidade em que
atuam e à qual também pertencem. Disponível em:. Acesso em: 3 nov. 2020 com
adaptações.
10m
Quanto à territorialização e aos processos que a envolvem no âmbito da Atenção Bási-
ca de Saúde, julgue os itens a seguir.
Território em saúde pode ser conceituado como lugar de entendimento do processo de
adoecimento, em que as representações sociais do processo saúde-doença não envol-
vem as relações sociais e as significações.
COMENTÁRIO
O território é um espaço de vida, não é apenas uma planta baixa. Dessa forma, estarão
envolvidas as relações sociais e as significações.
6. (RESIDÊNCIA SES-DF/IADES) A territorialização em saúde é o método de identificação
de expressões geográficas das ações humanas.
COMENTÁRIO
De fato, na territorialização em saúde observa-se a expressão geográfica resultante da
ação humana.
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Referências:
Almeida, Eurivaldo Sampaio de Distritos Sanitários: Concepção e Organização, volume 1
/ Eurivaldo Sampaio de Almeida, Cláudio Gastão Junqueira de Castro, Carlos Alberto Lisboa
Vieira. – – São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, 1998. – –
(Série Saúde & Cidadania)
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Editora do Senado, 1988.
CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa; DOMITTI, Ana Carla. Apoio Matricial e equipe de
referência: uma metodologia para gestão do trabalho interdisciplinar em saúde. Cad. Saúde
Pública, v. 23, n. 2, p. 399- 407, 2007. Disponível em:. Acesso em: 20 jan.2022.
GONÇALVES, D. A. et al. Guia prático de matriciamento em saúde mental. Brasília: Minis-
tério da Saúde: Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde Coletiva, 2011.
GONDIM, Grácia Maria de Miranda; MONKEN, Maurício. Território e territorializa-
ção. In: GONDIM, Grácia Maria de Miranda; CHRISTÓFARO, Maria Auxiliadora Córdova;
MIYASHIRO, Gladys Miyashiro (Org.). Técnico de vigilância em saúde: contexto e identi-
dade. Rio de Janeiro: EPSJV, 2017. p. 21-44.
Gondim, Grácia Maria de Miranda; Monken, Mauricio; Iñiguez Rojas, Luisa; Barcellos,
Christovam; Peiter, Paulo; Navarro, Marli B. M de Albuquerque; Gracie, Renata. O território
da saúde: a organização do sistema de saúde e a territorialização. In: Miranda, Ary Carvalho
de; Barcellos, Christovam; Moreira, Josino Costa; Monken, Mauricio. Território, ambiente e
saúde. Rio de Janeiro, Editora Fiocruz, 2008. p.237-255.
MERHY, E. E. Em busca do tempo perdido: a micro política do trabalho vivo em saúde.
In: MERHY, E.; ONOCKO, R. (Orgs.). Agir em saúde: um desafio para o público. São Paulo:
Hucitec, 1997. p. 71-112. (Saúde em Debate, 108; Série Didática, 6).
MONKEN, Maurício. GONDIM, Grácia Maria de Miranda. Território: lugar onde a vida
acontece. In: BORNSTEIN, Vera Joana et al (Org.). Curso de Aperfeiçoamento em Educação
Popular em Saúde: textos de apoio. Rio de Janeiro: EPSJV, 2016. p. 109-112.
MONKEN, Maurício; BARCELLOS, Christovam. O território na promoção e vigilância em
saúde. In: FONSECA, Angélica Ferreira; CORBO, Ana Maria D’Andrea (Org.). O território e o
processo saúde-doença. Rio de Janeiro: EPSJV/FIOCRUZ, 2007. p. 177-224.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Centro de Ciências da Saúde.
Departamento de Saúde Pública. Territorialização como instrumento do planejamento local
na Atenção Básica [Recurso eletrônico] / Universidade Federal de Santa Catarina. Organi-
zadoras: Claudia Flemming Colussi; Katiuscia Graziela Pereira. - Florianópolis: UFSC, 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Centro de Ciências da Saúde. Curso
de Especialização Multiprofissional na Atenção Básica – Modalidade a Distância. Processo
de trabalho na atenção básica [recurso eletrônico] / Universidade Federal de Santa Catarina.
Josimari Telino de Lacerda, Rodrigo Otávio Moretti-Pires (Organizadores). 2. ed. — Florianó-
polis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2016.
GABARITO
1. c
2. b
3. C
4. E
5. E
6. C
�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula
preparada e ministrada pela professora Natale Oliveira de Souza.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva deste material.
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Territorialização em Saúde
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TERRITORIALIZAÇÃO EM SAÚDE
Para a área da saúde, território é um espaço que além de ser geográfico, representa o
espaço em que as pessoas vivem, se reproduzem e se movimentam.
OBJETIVOS DA TERRITORIALIZAÇÃO EM SAÚDE
A territorialização faz parte do processo de aproximação de ação, serviço e poder de
decisão da população.
• Delimitar um território de abrangência;
– Para que a equipe de referência possa reconhecer as características do território e
das pessoas que nele residem.
• Definir a população e apropriar-se do perfil da área e da comunidade;
– Conhecendo o território, é possível conhecer o perfil das pessoas que nele residem,
consequentemente, será possível construir agendas, processos de trabalho, definir
quantitativo de vagas para cada profissional.
• Reconhecer dentro da área de abrangência barreiras e acessibilidade;
5m
– Exemplo: distâncias entre unidades, avenidas perigosas, ladeiras, entre outros.
• Conhecer a infraestrutura e recursos sociais;
– Identificação de escolas, igrejas, mercados.
– Nesses locais, podem ser encontradas parcerias para melhorar a atuação das equi-
pes de referência.
• Levantar problemas e necessidades;
– À medida em que são levantados problemas e as necessidades, será possível ofer-
tar ação e serviço de acordo com as necessidades das pessoas que lá residem.
• Identificar o perfil demográfico, epidemiológico, socioeconômico e ambiental;
• Identificar e dialogar/parcerias com lideranças formais e informais;
– Pastores, padres, lideranças de comunidades, associações, entre outros.
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• Potencializar os resultados e os recursos presentes nesse território.
TERRITORIALIZAÇÃO COMO INSTRUMENTO DO PLANEJAMENTO LOCAL
NA ATENÇÃO BÁSICA
Para Godin et. al.(2008), o processo de territorialização é um dos elementos do tripé
operacional da vigilância em saúde junto com as práticas e os problemas sanitários se cons-
tituindo como uma das ferramentas básicas para o planejamento estratégico situacional.
• A vigilância em saúde representa o olhar, o “estar atento”.
• A territorialização constitui o tripé que faz a vigilância em saúde acontecer.
10m
Conforme a Universidade Federal de Santa Catarina (2016), a concepção mais comum
de território é a de um espaço geográfico delimitado por divisões administrativas, que hoje
dão origem a bairros, cidades, estados e países.
Ainda de acordo com a referência acima citada, o território, não se restringe às fronteiras
entre diferentes estados ou países, mas é caracterizado pela ideia de posse, domínio e poder,
correspondendo ao espaço geográfico socializado, independentemente da extensão territorial.
A palavra território vem do latim territorium, que significa “terra que pertence a alguém”.
Qualquer espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder se caracteriza
como território.
De acordo com a Universidade Federal de Santa Catarina (2016), a ocupação de um ter-
ritório traz modificações de toda ordem. A ação humana vai modificando não apenas a paisa-
gem, mas também, e principalmente, o modo de vida das pessoas.
• Ao passar pelo mesmo lugar em diferentes anos é possível perceber a modificação
humana ocorrida nesse espaço (novos comércios, bancos, etc)
A construção de ruas, estradas, casas, prédios, indústrias e usinas torna o ambiente mais
adaptado ao atendimento das necessidades da vida humana, que, quanto mais é urbani-
zado, mais necessidades apresenta.
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• A população da zona urbana possui necessidades maiores em comparação à popula-
ção da zona rural, a qual, por não ter tanta modificação no meio ambiente, consegue
resolver as situações no local onde mora.
Cada território tem as suas particularidades, que configuram diferentes perfis os quais se
encontram em constante transformação.
15m
Para entender melhor, é necessário extrapolar o muro do sistema de saúde específico.
Para a Universidade Federal de Santa Catarina, há diferentes concepções de território,
que estarão relacionadas com as diferentes concepções do processo saúde-doença e do
modelo de atenção adotado.
• O território impacta na forma como as pessoas adoecem.
Ex.: uma comunidade que não possui água encanada e mora próximo a uma represa,
lagoa ou barragem poderá ser impactada pelo adoecimento por esquistossomose. Por outro
lado, uma comunidade que habite um local em que há duas facções criminosas rivais, o risco
de violência nesse local será alto.
Conceituação de território em saúde numa concepção ampliada:
Lugar de entendimento do processo de adoecimento, em que as representações sociais do
processo saúde-doença envolvem as relações sociais e as significações culturais (Minayo, 2006).
É o resultado de uma acumulação de situações históricas, ambientais e sociais que pro-
movem condições particulares para a produção de doenças (Barcellos et al, 2002).
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• Dois territórios diferentes dentro de uma mesma cidade terão perfis de morbidade
diferentes.
Muito mais que uma extensão geométrica, apresenta um perfil demográfico, epidemioló-
gico, administrativo, tecnológico, político, social e cultural, que o caracteriza e se expressa
num território em permanente construção (Mendes, 1993).
Com suas singularidades, é um espaço com limites que podem ser político-administrati-
vos ou de ação de um grupo de atores sociais. Internamente, é relativamente homogêneo,
identificado pela história de sua construção e, sobretudo, é um local de poder, uma vez
que nele se exercitam e se constroem os poderes de atuação do Estado, das organizações
sociais e institucionais e de sua população (Gondim et al, 2002).
• A tendência de um território é ter alguma homogeneidade, no entanto, por conta das
cidades não serem planejadas, é possível haver heterogeneidade.
TERRITÓRIO E RISCO EM SAÚDE
20m
Conforme Colussi e Pereira (2016), risco é uma ameaça ou perigo de determinada ocor-
rência. O conceito mais utilizado de risco em saúde é de probabilidade de ocorrência de um
evento desfavorável.
A palavra risco é empregada em diversos contextos. Por exemplo,
Os riscos são inerentes à condição humana, ou seja, fazem parte da nossa vida. Estão
por toda parte, em todo lugar, porém distribuídos de maneira heterogênea no território. As
áreas que concentram determinados riscos são denominadas áreas de risco.
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• Há territórios com áreas que apresentam maior risco de violência, desnutrição infantil,
entre outros.
• O risco não se distribui igualmente pelo território.
Colussi e Pereira (2016), afirmam que as áreas de risco, portanto, são partes de um
determinado território que, por suas características, apresentam mais chances de que algo
indesejado aconteça.
Alguns exemplos de condições que definem uma área como sendo de risco são:
• Acesso precário a bens e serviços (tratamento da água, tratamento de esgoto, coleta
de lixo etc.);
• Poluição;
• Violência;
• Consumo de drogas;
• Desemprego;
• Analfabetismo
De acordo com Batistella (2007) apud Colussi e Pereira (2016), a saúde e a doença decor-
rem tanto das chamadas situações de risco tradicionais – como a contaminação das águas
e dos alimentos, a ausência de saneamento, a maior exposição aos vetores e às condições
precárias de moradia – quanto do que o autor denomina riscos modernos – como os riscos
discutidos na situação anterior, além do cultivo intensivo de alimentos em monoculturas, das
mudanças climáticas globais, do manejo inadequado de fontes energéticas, entre outros.
Riscos tradicionais: aqueles que são perpetuados;
Riscos modernos: aqueles que vão aparecendo à medida que os avanços tecnológicos e
outras mudanças vão acontecendo.
É importante que as equipes de saúde trabalhem com a comunidade na perspectiva de
identificar os riscos a que as pessoas estão expostas e os riscos a que estão expondo outras
pessoas, que poderiam, de alguma maneira, ser evitados.
Por exemplo, talvez uma família que tenha um cachorro que fica solto na rua não consi-
dere que essa situação pode oferecer algum risco a quem caminha nos arredores.
25m
Os riscos se materializam no território e afetam a saúde das pessoas de diferen-
tes maneiras:
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• Por meio de processos (políticos, sociais, econômicos e tecnológicos)
• produtos (químicos, biológicos)
• Agentes etiológicos (vírus, bactérias, outros) ou mesmo eventos naturais (catástrofes).
Assim sendo, as equipes precisam atuar não apenas de modo paliativo, mas principal-
mente de maneira preventiva.
É possível afirmar que a doença é uma manifestação do indivíduo e a situação de saúde
é uma manifestação do lugar, pois os lugares e seus diversos contextos sociais, dentro de
uma cidade ou região, resultam de uma acumulação de situações históricas, ambientais e
sociais que promovem condições particulares para a produção de doenças (BARCELLOS,
2000 apud COLUSSI; PEREIRA, 2016).
O PROCESSO DE TERRITORIALIZAÇÃO
Conforme a Universidade Federal de Santa Catarina (2016), denomina-se territorializa-
ção, em saúde, o processo de reconhecimento do território. Pode ser visto como uma prática,
um modo de fazer, uma técnica que possibilita o reconhecimento do ambiente, das condições
de vida e da situação de saúde da população de determinado território, assim como o acesso
dessa população a ações e serviços de saúde, viabilizando o desenvolvimento de práticas de
saúde voltadas à realidade cotidiana das pessoas.
Para Gondim e Monken (2017), as pessoas vivem em constante processo de territoriali-
zação, na busca de demarcar territórios que propiciem construir identidade, regras e víncu-
los. Quando a pessoa se estabelece em determinado lugar, carrega consigo história, hábitos,
costumes, pertences, projetos, desejos e dúvidas ao mesmo tempo que encontra e recebe
elementos semelhantes e diversos que, em interação, vão contribuir (positiva ou negativa-
mente) para a territorialização.
30m
• Territorializar é entender que as pessoas estão em harmonia ou ainda se encontrando
dentro do espaço territorial.
Com relação ao conceito de territorialização, Gondim e Monken afirmam se tratar de um
processo pelo qual populações, pessoas, grupos, organizações e instituições se fixam em
um espaço, em determinado tempo (espaço temporal), e no qual organizam e estabelecem
relações sociais que possibilitam criar identidade, vínculo e pertencimento ao lugar.
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Territorialização em Saúde
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Haesbaert (2004) apud Gondim e Munken (2017), traz que contrariamente à territorializa-
ção, há situações em que pessoas e grupos são desterritorializados. Processos advindos e
consequentes de desigualdades social, econômica, cultural e política, a desterritorialização
gera a perda do território por dinâmicas socioespaciais singulares nas quais alguns são alija-
dos do acesso a bens e serviços.
• Seriam as pessoas que vivem em situação de rua, desalojadas ou desabrigadas.
• Os processos impostos pela vida fazem com que a pessoa não se identifique com o
território em que ela está.
Ainda de acordo com os autores, a territorialização em saúde pressupõe análise de con-
textos, o que impõe desenvolvimento de estratégias de investigação e elaboração de instru-
mentos de coleta de dados para a realização de diagnóstico, de planejamento, de interven-
ções sanitárias e consiste em:
• Coleta e análise sistemática de dados e produção de informações (social, econômica,
política, cultural, epidemiológica, sanitária e do sistema de saúde);
• Localização e distribuição de riscos, vulnerabilidade e potencialidades de territórios.
35m
Para Gondim e Munken (2017), esses elementos acima, permitem compreender a dinâ-
mica da população (como vive, circula, trabalha, adoece e morre), possibilitando a gestores
e equipes de saúde tomar decisão e agir na perspectiva de melhorar as condições de vida e
o estado de saúde no âmbito individual e coletivo.
Ainda nesse sentido, Godin et al., afirmam que a análise territorial implica em uma coleta
sistemática de dados que vão informar sobre situações-problemas e necessidades em saúde
de uma dada população de um território específico, indicando suas inter-relações espaciais.
Possibilita ainda, identificar vulnerabilidades, populações expostas e a seleção de pro-
blemas prioritários para as intervenções. O uso da epidemiologia como ferramenta poderosa
para o planejamento através da microlocalização dos problemas de saúde permite a escolha
de ações mais adequadas, apontando estratégias e atores que foram identificados no pro-
cesso de diagnóstico, para melhor as operacionalizarem e viabilizarem no território
�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula
preparada e ministrada pela professora Natale Oliveira de Souza.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
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Territorialização em Saúde II
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TERRITORIALIZAÇÃO EM SAÚDE II
Para Gondim e Munken (2017), esses elementos acima, permitem compreender a dinâ-
mica da população (como vive, circula, trabalha, adoece e morre), possibilitando a gestores
e equipes de saúde tomar decisão e agir na perspectiva de melhorar as condições de vida e
o estado de saúde no âmbito individual e coletivo.
Ainda nesse sentido, Godin et al., afirmam que a análise territorial implica em uma coleta
sistemática de dados que vão informar sobre situações-problemas e necessidades em saúde
de uma dada população de um território específico, indicando suas inter-relações espaciais.
Possibilita ainda, identificar vulnerabilidades, populações expostas e a seleção de pro-
blemas prioritários para as intervenções. O uso da epidemiologia como ferramenta poderosa
para o planejamento através da microlocalização dos problemas de saúde permite a escolha
de ações mais adequadas, apontando estratégias e atores que foram identificados no pro-
cesso de diagnóstico, para melhor as operacionalizarem e viabilizarem no território
• Não existe ação no SUS que não utilize a epidemiologia.
• Quanto mais conhecido for o território, maiores serão as chances de ofertar serviços
adequados às necessidades da população.
Ainda de acordo com os autores, o reconhecimento territorial resulta em diagnósticos de
situação de saúde e de condições de vida (evidências epidemiológicas e sócio sanitárias)
que subsidiam o sistema de saúde para o desenvolvimento de ações e para a definição de
estratégias e arranjos institucionais a fim de vigiar, controlar e prevenir riscos e agravos à
saúde, decorrentes das condições gerais da produção, da circulação e do consumo, manifes-
tos nos espaços de vida das pessoas.
De acordo com a Universidade Federal de Santa Catarina (2016), o processo de territo-
rialização será capaz de induzir as transformações desejadas quando concebido e praticado
de maneira ampla.
Processo de territorialização
• Um processo de habitar e vivenciar um território
• Uma técnica e um método de obtenção e análise de informações sobre as condições
de vida e saúde de populações
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Territorialização em Saúde II
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• Um instrumento para se entender os contextos de uso do território em todos os níveis
das atividades humanas (econômicos, sociais, culturais, políticos etc.)
• “Um caminho metodológico de aproximação e análise sucessivas da realidade para a
produção social da saúde” (GODIM, 2011, p.199)
Conforme a Universidade Federal de Santa Catarina (2016), a territorialização da saúde
é um processo que se cumpre regularmente:
• Na construção da integralidade;
• Na humanização e na qualidade da atenção e da gestão em saúde;
• No sistema de serviços que acolhe o outro;
• Na responsabilidade para com os impactos das práticas adotadas;
5m
– Todos que atuam são chamados de responsáveis sanitários.
• Na efetividade dos projetos terapêuticos e na afirmação da vida pelo desenvolvimento
da autodeterminação dos sujeitos (usuários, população e profissionais de saúde).
A territorialização não se restringe à dimensão técnico-científica do diagnóstico e da tera-
pêutica ou do trabalho em saúde, mas se expande à reorientação de saberes e práticas no
campo da saúde, que envolve desterritorializar os atuais saberes cristalizados e hegemôni-
cos (CECCIM, 2005 apud UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. 2016).
• O fato de olhar o território com outros olhos descontrói o olhar trazido enraizado de que
todo os serviços devem ser iguais em todas as localidades.
AS FASES DA TERRITORIALIZAÇÃO
Conforme a Universidade Federal de Santa Catarina, a territorialização, trata-se de um
processo porque deve ocorrer de modo contínuo e com a possibilidade de inclusão de ques-
tões cujas respostas a equipe considere importante conhecer.
O processo de territorialização, portanto, pode ter início, mas não tem fim, pois deve estar
sempre permeando as discussões das equipes de saúde.
• Territorializar é estar observando as mudanças constantes no ambiente, por isso, é um
processo que não tem fim.
Ainda de acordo com a referência anteriormente citada, o processo de territorialização
ocorre misturado com as demais atividades das equipes, ou seja, deve ser incorporado na
sua rotina.
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Territorialização em Saúde II
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• Quando já está implantada a territorialização vai acontecendo dentro do processo
de trabalho.
Muitas vezes, as equipes já se deparam com informações prontas acerca do território.
Outras vezes, precisarão buscar os dados necessários para sua compreensão. De todo
modo, compete às equipes administrar como organizar as informações do seu território (UNI-
VERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, 2016).
10m
Didaticamente, foram estabelecidas três fases para o processo de territorialização,
embora elas não ocorram, necessariamente, de modo linear
As três fases para o processo de territorialização
• A informação descoberta deve ser o raio-x da realidade.
Diagnóstico da situação de saúde e condições de vida
O processo de elaboração de diagnóstico de condições de vida e situação de saúde está
relacionado ao trinômio estratégico informação-decisão-ação do planejamento (TEIXEIRA et
al., 1998 apud GONDIM e MONKEN, 2017).
• Não existe nenhuma ação que não seja precedida de informação.
A fase de informação é caracterizada pela obtenção de dados primários e secundários,
com objetivo descritivo e interpretativo das condições de vida e da situação de saúde de um
dado território. Nessa fase, é importante definir categorias de análise e variáveis (indicado-
res) que devem ser contempladas nos instrumentos de pesquisa com vistas à interpretação
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Territorialização em Saúde II
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dos dados. As categorias e as variáveis escolhidas, após os resultados das análises, devem
orientar e facilitar o processo de tomada de decisão (GONDIM; MONKEN, 2017).
No processo de territorialização, são utilizadas técnicas de pesquisa para identificar,
conhecer, analisar e intervir em problemas e necessidades em saúde.
Conforme Gondim e Monken (2017), os instrumentos de pesquisa utilizados para coleta
de dados e para produção e análise de informações são:
• Elaboração de mapas para identificação e localização de: Riscos, vulnerabilidades
(poluição, resíduos, esgoto a céu aberto, violência), doenças e agravos;
• Famílias, grupos sociais e instituições (redes de apoio social, Igrejas, templos, esco-
las, serviços de saúde);
• Meios de comunicação (jornais de bairro, rádio comunitária, redes sociais), delimi-
tando a extensão físico-espacial;
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• Objetos da geografia física, naturais (relevo, rios, clima) e construídos (edifícios, estra-
das, escolas, comercio, ruas, pontes, equipamentos públicos).
Entrevistas com atores do território para conhecer:
• História de ocupação do território;
• Problemas e necessidades percebidas e potencialidades que podem ser acionadas
para resolução de problemas;
• Organizações locais e capacidade de ação do poder público, em especial do setor
saúde e de entidades civis (ONGs, templos religiosos, associações culturais, cuidado-
res informais, como parteiras, rezadeiras, ervateiros);
• Projetos sociais (esportivos, geração de emprego e renda, apoio social);
• Movimentos sociais (grupos de rap, funk, sem teto, usuários de drogas, mulheres,
associações e lideranças comunitárias).
Observação de campo:
Anotações e tomada de imagens fotográficas para reconhecimento de singularidades
locais – lugares com poder de interação, de encontro da população e de ações comunicativas
(praças, igrejas, associação de moradores, quadras esportivas, campos de futebol, bares).
�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula
preparada e ministrada pela professora Natale Oliveira de Souza.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva deste material.
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