PASOS39
PASOS39
Revista de Turismo
y Patrimonio Cultural
[Link]
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Edita / Publisher:
Instituto Universitario de Ciencias Políticas y Sociales
Universidad de La Laguna (Tenerife, España)
Periodicidad / Publication:
Cuatrimestral / Three times annualy
Imprimir / Print:
Clásica
ISSN 1695‑7121
D. L. TF 2059‑2002
PASOS. Revista de Turismo y Patrimonio Cultural es una traducción a inglés), Introducción, los apartados que se estimen
publicación en web que se especializa en el análisis académico oportunos, Conclusión, Agradecimientos (si fuera pertinente) y
y empresarial de los distintos procesos que se desarrollan Bibliografía.
en el sistema turístico, con especial interés a los usos de la Cuadros, Gráficos e Imágenes: Los artículos pueden
cultura, la naturaleza y el territorio, la gente, los pueblos y sus incluir cualquier grafismo que se estime necesario. Deberán
espacios, el patrimonio integral. Desde una perspectiva inter estar referidos en el textos y/o situados convenientemente y
y transdisciplinar solicita y alienta escritos venidos desde las acompañados por un pie que los identifique. Pueden utilizarse
ciencias y la práctica administrativo‑empresarial. Su objetivo colores, pero ha de tenerse en consideración la posibilidad de
es cumplir con el papel de foro de exposición y discusión de una publicación en soporte papel en blanco y negro.
metodologías y teorías, además de la divulgación de estudios y Abreviaturas y acrónimos: Deberán ser bien deletreados y
experiencias. Pretende contribuir a otros esfuerzos encaminados claramente definidos en su primer uso en el texto.
a entender el turismo y progresar en las diversas formas de Citas y Bibliografía: En el texto las referencias bibliográficas
prevención de efectos no deseados, pero también perfeccionar la harán referencia al autor y el año de publicación de la obra
manera en que el turismo sirva de complemento a la mejora y citada. Por ejemplo: (Smith, 2001) o (Nash, 1990; Smith, 2001).
desarrollo de la calidad de vida de los residentes en las áreas Cuando se considere necesaria una cita más precisa se indicará
de destino. el número de página (Smith, 2001: 34). La lista bibliográfica al
final del texto seguirá el orden alfabético de autores, siguiendo
PERIODICIDAD (números de carácter ordinario): ENERO; el formato:
ABRIL; OCTUBRE Smith, Valene L. y Brent, Maryann
Para simplificar el proceso de revisión y publicación se pide a 2001 “Introduction to Hosts and guests revisited: Tourism issues
los colaboradores que se ajusten estrictamente a las normas of the 21st century”. En Smith, Valene L. y Brent, Maryann
editoriales que a continuación se indican. (Eds.), Hosts and guests revisited: Tourism issues of the 21st
Entrega de originales: Los trabajos deberán ser incorporados century (pp. 1‑14). New York: Cognizant Communication.
a la plataforma de gestión de la revista, previo registro del Smith, Valene L.
autor principal, en [Link]/ojs 1998 “War and tourism. An American Ethnography”. Annals of
Metadatos: Deben incorporarse todos los metadatos solicitados Tourism Research, 25(1): 202‑227.
en el registro del trabajo incorporado, incluyendo los datos Urry, J.
referentes a los autores y en el apartado Resumen el realizado 1990 The tourist gaze. Leisure and travel in contemporary
en el idioma original y, seguido, en inglés. societies. London: Sage.
PASOS. Revista de Turismo e Património Cultural é Quadros, gráficos e imagens: Os artigos podem incluir
uma publicação web especializada na análise académica e qualquer grafismo que se ache necessário. Deverão estar
empresarial dos destintos processos que se desenvolvem no referenciados com o número correspondente no texto e
sistema turístico, com especial incidência nos usos da cul- acompanhados por um título que os identifique. Podem
tura, da natureza e do território, nas gentes, nos povos e nos utilizar‑se cores; porém, a considerar‑se a possibilidade de
seus espaços, no património integral. A partir de uma pers‑ uma publicação em suporte de papel serão usadas apenas a
pectiva inter e transdisciplinar solicita e encoraja escritos preto e branco.
provenientes desde as ciências sociais à prática administra- Abreviaturas e acrónimos: Deverão ser bem definidos na
tiva empresarial. Tem como escopo cumprir o papel de foro primeira vez que forem usados no texto.
de exposição e discussão de metodologias e teorias, além da Citações e bibliografia: No texto as referencias
divulgação de estudos e experiências. Pretende ainda contribuir bibliográficas terão que reportar o autor e o ano da publicação
para a compreensão do turismo e o progresso das diversas da obra citada. Por exemplo: (Smith, 2001) ou (Nash, 1990;
formas de prevenção de impactes não desejados, mas Smith, 2001). Quando se considere necessário uma referencia
também contribuir para que o turismo sirva de complemento mais precisa deve incluir‑se o número da página (Smith,
à melhoria e desenvolvimento da qualidade de vida dos residentes 2001: 34). O aparato bibliográfico do final do texto surge
nas áreas de destino. consoante a ordem alfabetizada dos autores, respeitando o
Periodicidade de números ordinários: Janeiro; Abril; seguinte formato:
Outubro Smith, Valene L. y Brent, Maryann
Para simplificar o processo e revisão de publicação pede‑se 2001 “Introduction to Host and guest revisited: Tourism
aos colaboradores que se ajustem estritamente ás normas issues of the 21st century”. En Smith, Valene L. y Brent,
editoriais que a seguir se indicam. Maryann (Eds.), Host and guest revisited: Tourism
Metadados: Devem ser indicados todos os metadados issues of the 21st century (pp.‑14). New York: Cognizant
solicitados no registo do trabalho incorporado, incluindo os Communication.
dados referentes aos autores e, em separado, o resumo no Smith, Valene L.
idioma original seguido de uma versão em inglês. 1998 “War and tourism. An American Ethnography”. Annals
of Tourism Research, 25(1): 2002‑227.
TEXTO A INCORPORAR Urry, J.
1990 The tourist gaze. Leisure and travel in contemporary
Formato do arquivo: O arquivo a incorporar deverá estar em
societies. London: Sage.
formato MSWord (*.doc; *.docx) ou OpenOffice Writer (*.odt)
Para outro tipo de publicação terá que ser sempre referenciado
Idioma: Os trabalhos serão publicados no idioma em que
o autor, ano, título e lugar do evento ou publicação e um
sejam entregues (espanhol, português, inglês ou francês).
standard para documentos electrónicos, indicando endereço
Margens: Três centímetros em todos os lados da página.
e data de acesso.
Grafia: Deverá utilizar no texto a letra Times New Roman ou
Originalidade: Requere‑se o compromisso. tanto da
Arial, tamanho 10, ou similar. Nas notas utiliza‑se o mesmo tipo
originalidade do trabalho, como o de o texto não ter sido
de letra em tamanho 9. Não utilizar diversidade de fontes nem
remetido simultaneamente para outros suportes para
de tamanhos. Se desejar destacar alguma palavra ou parágrafo
publicação.
dentro do texto deve utilizar a mesma fonte em cursiva.
Direitos e Responsabilidade: É importante ler a secção
Notas: Serão sempre colocadas no final, utilizando o mesmo
“Declaração Ética” no sítio da web da revista. Os autores
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serão os únicos responsáveis pelas afirmações e declarações
Título: O trabalho deve ser encabeçado pelo seu título em
proferidas no seu texto. À equipa editorial da PASOS reserva‑
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‑se o direito de utilizar em edições compilatórias sucessivas os
Não devem incluir‑se no documento dados do autor. Por
artigos editados. Os textos são publicado ao abrigo da licença
baixo deve ser inscrito o título em inglês. É aconselhável que
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o título não ultrapasse os 100 caracteres (incluindo espaços)
arquivo pdf sem alterações, integralmente e citando a fonte
Resumo: Deve constar um resumo do artigo (120 a 150
PASOS Revista de Turismo e Património Cultural (www.
palavras) no idioma em que está escrito e a sua tradução em
[Link]). A integração em publicações que implique
inglês. Para os artigos escritos em inglês deve incluir‑se a sua
a alteração do arquivo original requererão a autorização
tradução em espanhol.
expressa do autor e da Comissão Editorial PASOS.
Palavras‑chave: Incluem‑se 5‑7 palavras‑chave sobre o
Uma vez comunicada a ACEITAÇÃO do texto para
tema principal e a sua correspondente tradução para inglês.
publicação, os autores devem completar o formulário
Texto: Este deve apresentar o espaçamento de 1,5 ter uma
disponível na secção “Declaração de direitos” e remetê‑lo
extensão de cerca de 5 000 a 9 000 palavras paraartigos e
pelo correio electrónico da revista.
3 000 a 5 000, tanto para opiniões e ensaios como para notas
Processo de revisão: É importante ler a secção “Processo
de investigação, incluindo título (e a sua correspondente
de revisão” no sítio web da revista. Todos os trabalhos serão
tradução para inglês), Palavras‑chave (e a sua correspondente
submetidos e avaliados por pares anónimos externos à
tradução para inglês), Introdução, as notas que se entendam
revista. Os autores serão notificados dos resultados da revisão
oportunas, Conclusão, Agradecimentos (se se justificarem) e
realizada mediante uma ficha‑ resumo da arbitragem.
Bibliografia.
[Link]
Índice
Artículos
Eduardo Fayos‑Solá Astrotourism: No Requiem for Meaningful Travel 663
Cipriano Marín
Jafar Jafari
Natanael Reis Bomfim A Territorialidade junto aos turistas jovens: uma 749
contribuição do turismo à educação
[Link]
Lourdes Royo Naranjo Turismo en la Costa del Sol. Un patrimonio en revisión 847
Alberto E. García Moreno
José Ramón Cardona Historia del turismo en Ibiza: Aplicación del 899
Antoni Serra Cantallops Ciclo de Vida del Destino Turístico en un destino
maduro del Mediterráneo
Nota de investigación
Hassan Aboutayeb La réserve de biosphère de l’arganeraie: un 915
nouvel Eco‑territoire touristique au sud du Maroc
Reseña de publicaciones
Maximiliano E Korstanje Writing the Dark Side of travel 923
Jonathan Skinner (Ed.), New York: Berghan
Books (2012)
Bruno Arteaga Robinson El Último Tren (Corazón de Fuego): patrimonio 927
cultural y globalización
Diego Arsuaga, Acuarela de Joseph Mallord
William Turner (1884)
Vol. 12 N.o 4. Págs. 663-671. 2014
[Link]
Cipriano Marín**
Starlight Initiative
Jafar Jafari***
The Tourism Intelligence Forum
Abstract: Astrotourism is an activity of travelers wishing to use the natural resource of well‑kept night-
scapes for astronomy‑related leisure and knowledge. This practice has increased in popularity during the
past few years, adding value to offbeat tourism destinations offering high quality night skies and astronomi-
cal or archaeoastronomical heritage. Astrotourism initiatives contribute to the dissemination of knowledge
and human capital formation, both among the visitors and within the host community. Therefore, it can
act as a potential instrument for development. The best destinations for astrotourism have very special
characteristics, which makes for a likely favorable strategic positioning in domestic and even international
markets. However, astrotourism consumers demand high knowledge content and excellent quality in their
visits. This requires a professional approach to resource use and conservation, product development, and
adequate provision of ancillary services in the destination. A sophisticated tourism policy and governance is
a must for successful launch and operation of astrotourism.
Keywords: Astrotourism, scientific tourism, human capital, natural and cultural heritage, tourism policy,
governance.
*
Ulysses Foundation; E‑mail: president@[Link]
**
Starlight Initiative, E‑mail: [Link]@[Link]
***
The Tourism Intelligence Forum, E‑mail: jafari@[Link]
mankind’s activities, tourism included, take place From a demand perspective, astrotourism clien-
in the midst of nature, and do impact on natural teles are quite varied, ranging from the general
resources and ecosystems. The question is whether public to amateur and even professional astrono-
tourism can contribute both to the long‑term equi- mers. Of course this ample spectrum of customers
librium of these ecosystems and simultaneously to requires competent provisions from both destina-
community development, and how this process can tions and entrepreneurial initiatives. In parallel,
be guided with proper mobilization of institutions, the scientific community has also been interested in
policies, and human capital. astrotourism, as a way to appeal to young scientists
It is at this point when the concept and practice and amateurs, a means to disseminate knowledge,
of astrotourism can become extremely relevant. and a vehicle to engage the understanding and
Astrotourism is probably one of the most effective approval of taxpayers, donors, and investors. In a
ways to bring tourism and tourists closer to nature historical perspective, amateur astronomy has its
for a comprehension of the physical world systems origins in the late 19th century, at a time when in-
and dynamics. It serves both the purpose of mea- creased professionalization of astronomers required
ningful tourism (contributing to the dissemination a differentiation of practitioners’ types, while “hard
of scientific values and human capital formation) core” astronomy could still continue to benefit from
and to the conservation of essential resources, non‑professional contributors widespread around
such as unpolluted nightscapes, as well as to host the globe. Actually, amateurs and “astronomical
communities’ appreciation of conservation policies societies” have pre‑dated the concept and practice
(institutional capital development). Astrotourism of astrotourism, and greatly assisted in its recent
can hence become a key constituent of tourism consolidation. The popularity of amateur astronomy
as an instrument for development (Fayos‑Solà, and increasingly affordable equipment provide a
Alvarez, and Cooper, 2014). best case and scenario for the dissemination of
scientific ethic and method beyond the laboratory
or observatory walls (Kannappan, 2001). Interest
2. New resources and meanings in astronomy increased with the success of sci
‑fi literature (from Jules Verne and H.G. Wells
Astrotourism epitomizes the tendencies towards onwards), the popular appeal of scientific pioneers,
more meaningful tourism experiences, based on such as Percival Lowell, and then with the rapid
conservation of natural resources, knowledge, and advances of space exploration technology from
science, potentially enriching the traveler and the the 1950s. It reached a high with the first human
host communities. In the recent years, astrotourism space flights in the 1960s, culminating with the
has gained its pace in the list of tourism motivations successful landing on the moon in 1969. Then, as
and thus it should not be taken lightly. However, its the rationalist values and scientific progress vision
progress will continue to depend on its professional of the post‑war era began to vanish in US society
integration into advanced destination management by the 1970s, so did passion for the space program
and governance systems. in general and space exploration in particular.
Astrotourism had to wait for a new generation
of citizens, concerned with the great dilemmas of
Figure 2 the 21st century, and interested afresh in scientific
answers to progress and development.
Additionally, when adopting a supply view-
point, not all locations are apt to become a player
in astrotourism’s growing offer, similar to other
natural resource‑based tourism destinations and
experiences, The main resource for astrotourism
is a high quality night sky, but this is very sensi-
tive to atmospheric conditions and light pollution.
Atmospheric conditions are not controllable, and
depend on the site chosen and weather develpment
during the night. The astronomical term “seeing”
refers to absence of turbulence. Good seeing, with
little or no blurring and twinkling of astronomical
objects, means that a magnification of 400‑500x will
be possible with a good 10 inch (25 cm) aperture
telescope. “Extinction” (lack of air “transparency”)
© Richard Wainscoat. refers to other causes of light degradation when
passing through the atmosphere and colliding with and the United States, as well as specific regions
atoms, molecules, droplets of water, dust, and more. like La Palma, Alqueva, Baja California, La Serena,
It is hence clear that astrotourism locations with Antofagasta, Tekapo, Western Australia or Hawaii,
best “seeing” and “transparency” are to be preferred, have invested in protected “StarLight” and “Dark Sky”
which constitutes a primary filter for potential sites. areas, often through astronomical associations and
This is an advantage for locations with unpolluted astrotourism startups (Rashidi, 2012; Collison and
and diaphanous night skies, having specific resour- Kevin, 2013; Fayos‑Solà et al, 2015). Light pollution
ce, service, and product offerings. These include in cities has essentially given rise to the modern
national/regional parks, unique astronomical or phenomenon of astrotourism. In order to experience
archaeoastronomical sites and events, as well as the night sky and to be able to see the fainter celes-
astronomical observatories. As it turns out, many of tial objects, the vast majority of urbanized people
these astrotourism potential sites of excellence are in developed countries have to travel to locations
at high elevation, away from sources of atmospheric sufficiently far away from the built‑up areas.
contamination, and in rather dry areas. This often All in all, harnessing this resource depends on
puts them geographically apart from traditional the ability to abate light pollution. The combination
destinations, and provides unheard‑of opportunities of increased awareness of the need to minimize
for out‑of‑the‑beaten‑track host communities. impacts of light pollution, a growing urgency to
However, availability of primary resources promote energy efficiency, and a better appreciation
does not imply that the tourism activity will be by tourists and residents of the associated benefits,
successful. It has been shown (Fayos‑Solà, and are premises for the development of astrotourism
Alvarez, 2014) that measures must be taken to destinations. Reducing light pollution and adopting
preserve the resources from undesirable impacts intelligent lighting options are not only sine‑qua
affecting sustainability, as well as ensuring that ‑non conditions to recover the starry sky dimension
additional supporting services contribute to the as a landscape for tourism; they also suppose a
tourism products’ marketability, competitiveness,
smart choice, bringing energy savings, improved
and improvement of community development in the
health, and other social and economic benefits.
destination. In this context, light pollution is perhaps
Nevertheless, a cloudless, transparent, “good
the main impediment when considering resource
seeing”, and light pollution free night sky is but the
conservation policies at an astrotourism site.
main resource of astrotourism. Astronomical heritage
As already discussed, astrotourism entails
‑‑including both cultural heritage and cultural lands-
stargazing locations, and often heritage sites,
capes relating to the sky— is another, and it must be
observatories, or natural dark‑sky areas of
recognized as a vital component of heritage in general,
outstanding beauty. The common condition is to
have a clear dark sky to see astronomical objects. as well as an important resource for astrotourism and
However, dark skies are becoming a scarce re- archaeoastrotourism. For societies in the past, the
source as light pollution increases. Humankind nightscape was a prominent and immutable part of
has for millennia admired the spectacle of the the observed surroundings, its repeated cycles helping
night skies, speculated, dreamed, and on occasion to regulate human activity as people strove to make
built scientific theories and actual practice such sense of their world and keep their actions in harmony
as agriculture on these theories. Yet, today, for the with the cosmos as they perceived it (Ruggles, 2009).
first time in human history, a majority of celestial Along this line, UNESCO’s (2014) thematic initiative,
objects can no longer be seen from cities and wide “Astronomy and World Heritage”, shows the close
surrounding areas. Up to the 1970s, many major relationship between the observation of the firmament
cities in Europe, North America, and the rest of and many existing heritage tourism sites, cultural
the globe had an observatory. These observatories landscapes, and monuments which were reference
conducted research on various scales, but were in coordinates of past civilisations. They are places of
general also open regularly for visits, thus actively mystery and wisdom based on the “knowledge of the
engaging the public. Good examples, still existing, stars” (Marin, 2009). The relevance of these sites, the
of these·historical astronomic sites in urban areas commemoration of key dates in ancient calendars, and
are the Royal Observatory in Greenwich (UK), and other intangible and oral manifestations are a still
the Griffith and Lowell Observatories (USA) among largely untapped resource for cultural‑scientific event
many other. However, this practice has ended in astrotourism. Thus, the cultural heritage associated
most sites, partly because of lesser interest from the with astronomy is also an important resource for
public, but mainly due to increased light pollution astrotourism. Great opportunities arise for many
in and around urban locations (Spennemann, 2008). destinations where heritage is connected with astro-
Nowadays, countries such as Chile, South Africa, nomy, often with intangible and oral manifestations
Portugal, Canada, Namibia, New Zealand, Spain, (Cotte and Ruggles, 2010).
However, pristine nightscapes and cultural the opposite has also occurred: small, medium and
heritage sites do not exhaust the list of potential large tourism entrepreneurs, aiming for different
resources for astrotourism. The fact is that scientific and “exciting” new products, setting their intents
and cultural knowledge is the ultimate resource. on astrotourism with scanty scientific groundwork.
Hence, to the list of worldclass possible sites for The fact is that for astrotourism to thrive, it needs
amateur astronomical observation, and for inter- a solid professional approach to both destination and
pretation of archaeological remains, other tangible product management. Gone are the times when the
and intangible, natural, cultural, and built resources positioning of a destination could be improvised, and
must also be considered. In the tangible category products “invented” by private concerns or public
belong the facilities for visits to the existing large bodies. Destination management, as well as tourism
observatories, including those in Hawaii, northern policy and governance, have developed solid strategic
Chile, and the Canary Islands, as well as some and operational procedures. These can only be ignored
specialized themeparks, such as NASA’s Kennedy at great risk for community development and business
Space Center in the United States, Space World in success (Muñoz, Fuentes and Fayos‑Solà, 2013; Fayos,
Japan, or Space City and Futuroscope in France. Solà, Alvarez, and Cooper, 2014).
Then, in the intangible category there is a growing An astrotourism destination can be positioned as
number of astronomical events and celebrations, such in the markets only after careful consideration
of all options. The right mix of resources, support
not to forget the myriad of smaller activities for the
services, and high quality astrotourism products
dissemination of astronomical knowledge organized,
must be there or be developed in time. A three step
both outdoors and indoors, by universities, cultural
analysis and policy process consisting of a Green Book
groups, and even travel entrepreneurs.
of the destination, a White Paper of strategic deci-
sionmaking, and a Tourism Policy Plan delineating
different actions is recommended (UNWTO, 2010;
Figure 3
Fayos‑Solà and Alvarez, 2014) in order to systematize
the stages of a tourism policy and governance plan..
In the Green Paper stage, a detailed inventory of the
destination resources is prepared to study the feasi-
bility of a positioning based on astrotourism capacity.
This inventory may be preliminarily extended to
cover existing astrotourism products and support
services as well, following a “FAS model methodology”
(Fayos‑Solà, Fuentes, and Muñoz, 2014). Relevant
destination stakeholders are identified and called
upon to examine the possibilities. An astrotourism
main postioning is feasible if some astrotourism
products and support services are already operating,
and the astrotourism resources discussed above
(quality of the night skies and nocturnal landscapes,
archaeoastrotourism heritage, scientific facilities,
knowledge dissemination capabilities, etc.) exist
© Fuerteventura Starlight Biospehere Reserve and clearly predominate over other resources. If this
is not the case, there is still the prospect of simply
having astrotourism as a substantial product in
3. Astrotourism destinations: Policy and the destination’s portfolio, with the possibility of
governance consolidating a stronger positioning further into the
future. In any case, the compatibility of astrotourism
Somehow mimicking initial entrepreneurial initiatives with other tourism products in the des-
behaviour in the 1950s and 60s, elementary tination must be carefully evaluated at this stage.
astrotourism products and experiences have After a first governance agreement is established
certainly proliferated in the last few years, often among stakeholders favouring an astrotourism
in a spontaneous manner. Amateurs, and even positioning and/or operations, a White Paper stage
professional astronomers, sometimes jointly with may follow, with focus on the right mix of resources,
tourism operators, have launched astrotourism support services, and products necessary to launch
ventures. Frequently, these scientific‑led initiatives this proposal. This stage must be used to analyse
have been based on a solid knowledge foundation, the competitiveness and robustness of the destina-
although with little grasp of tourism markets. But tion regarding astrotourism, as well as the trends
affecting its positioning, following the classic SWOT processes, encompassing most of the other pro-
(strengths, weaknesses, opportunities, and threats) grammes in the tourism policy plan. Its actions
and PESTEL (political, economic, sociocultural, reach not only the final astrotourism products
technological, environmental, and legal scenarios) on offer, but also matters of resource quality and
analyses to complete both an internal and external conservation, as well as the availability and level
evaluation of the area for astrotourism activity. of support services.
The comparative and competitive advantages, the Product and Promotion. This programme
policy actions needed, and thus the advisability of groups all processes relating to the product and
an astrotourism positioning (or simply of developing promotion mix for the attraction of visitors and
a range of products in this category) should be expectative creation, perception management,
apparent by the end of this stage. and final satisfaction, being closely linked to the
When a final decision has been reached to de- quality and excellence programme. It includes the
velop an astrotourism destination and/or launch production, communication, support, distribution,
important products and experiences of this type, a pricing, and ex‑post assistance of the astrotourism
destination’s Tourism Policy Plan must be prepared experiences offered at the destination, as well as
(or adapted if already existing) to advance towards other ancillary products and services. It is a key
actual performance. Such a plan is a structured programme both in respect of expectative creation
set of programmes to analyse market conditions, and subsequent satisfaction, and impinges directly
attract visitors, and satisfy their and the resident’s on perceived quality.
needs. It must also produce crucial feedback for Innovation. This is a key tourism policy pro-
further strategic and operational developments. gramme for astrotourism destinations. It refers to
The usual framework for the Tourism Policy Plan not only innovation in the delivery of the tourism
consists of several programmes: experience, but also actual stakeholder involve-
Data. This programme is designed to produce a ment. The purpose of the experience itself is to
vital and continuous flow of information regarding
commit to the dissemination and application of
all the components of the destination’s astrotourism
knowledge, contributing to readiness for innovation
operations. This information concerns both demand
in the tourism audiences themselves. Thus, policy
and supply factors, as well as dynamic elements
action in this area must address the content of
respecting trends and innovation.
the astrotourism products and make sure they
Sustainability. Actions within this programme’s
keep in pace with scientific, technological, and
reach refer to the conservation of resources, such
governance advances.
as the quality of the nightscapes and the rest of
Cooperation and Governance. Tourism gover-
natural and cultural factors of the destination. They
concern both an analytical stage, including impact nance goes beyond a mere programme in a policy
appraisal, and policy formulations. These latter plan, but it is still important to make explicit the
involve establishing carrying capacity indicators, provisions for collaboration among the agents in
and enacting corrective provisions for light pollution the destination and with those external. These
abatement. Policy measures must also address include scientific and technological institutions in
other negative impacts, as well as establish norms general, astronomy research centres in particular,
to control and curb other threats to the quality of and also the stakeholders and intermediaries in
the resources. tourism markets. There is a quite broad misunders-
Knowledge. This refers to the set of actions tanding, especially in European, South American,
fostering the creation and enhancement of human and African tourism destinations, that governance
capital. This programme concerns the needs of the invokes specifically governments. But this is not
supply side (scientific content and interpretation of the case, especially when referring to common pool
astrotourism resources and products, education and resources (Ostrom, 1990, 2009; Poteete, Janssen,
training of providers and guides, appropriateness of and Ostrom, 2010), as it is very often the case in the
facilities, etc.). It also involves the actual delivery instance of astrotourism. While governments have
of tangible experiences and interpreted knowledge played a large role in the tourism of these areas,
to tourists, maximizing the intended scientific it is widely admitted nowadays that the time has
content, and dissemination of the astrotourism come for inclusive governance of the destinations,
experiences. with ample involvement of stakeholders from the
Quality and Excellence. Actions in this program- public and private sector as well as from civil
me concern the satisfaction of the stakeholders society (De Bruyn, and Fernández, 2012). This
in the astrotourism destination, involving both is especially relevant in the case of astrotourism,
tourists and providers. It implies the creation of because of the need for broad participation in the
quality standards and subsequent certification upkeep of resources, and the far‑reaching benefits
in knowledge dissemination for both visitors and Finally, for astronomy and the general scientific
residents. community, it brings a unique chance to come
near ample publics, and to gain support regarding
science objectives, values, and financial needs. It
Figure 4 also supposes an excellent opportunity to make
these publics aware of the scientific viewpoints
regarding strategic issues, such as human capital
formation, good governance, and environmental
conservation (including the need to control light
pollution). These possibilities set astrotourism in
the realm of new and more meaningful forms of
tourism, and opens up expectations of a tourism
industry contributing to progress in the 21st century.
However, these new forms of tourism require
sophisticated policy and governance approaches,
well above the spontaneous and improvised ways
and means of many nascent initiatives. Few des-
tinations can opt for astrotourism as their main
strategic positioning, and only selected astrotou-
© Babak Tafreshi rism entrepreneurships respond to real consumer
preferences and need of quality tourism. The urge
for fast profits, or even for well‑intended goals, does
4. Conclusion not suffice to guarantee successful astrotourism
destinations and businesses.
Astrotourism has expanded over the last few Perhaps the most important starting requirement
years, as the scientific community disseminates its for an astrotourism quest is applying state‑of‑the‑art
objectives, knowledge, and ethics through society at know‑how to an inventory and analysis of the resour-
large, and tourism entrepreneurs respond to incre- ces available. The key resources for astrotourism have
asing demand for meaningful tourism experiences. been reviewed in this paper, as well as the need to
The specific resources and factors decisive for systematize their appraisal. This done, conservation
astrotourism experiences are often quite different of these resources becomes a central issue, which must
from those in other tourism subsectors and niches. be tackled through the establishment of voluntary
or compulsory standards and norms, followed by
The most important resource for astrotourism is
adequate programmes and actions.
clear night skies with astronomical high “seeing”
Adequate governance proposals and decisions
and low “extinction”. Other relevant resources are
from the outset are also important. It is erroneously
low light pollution, and scientific knowledge and
believed that tourism governance setups must
facilities. This often sets astrotourism optimal
always be organized and conducted by government,
destinations apart from other committed to mass
but this is not the case. Neither is the fundamen-
tourism. It supposes an opportunity for offbeat talist free‑market doctrine that a left‑alone private
host communities, geographically outside more sector will do. Astrotourism resources are usually a
traditional tourism havens. clear‑cut case of a common pool resource, and it is
Similarly, astrotourism diverges from more tailor‑made governance solutions which can be the
conventional forms of tourism both from the de- most effective and efficient to optimize resource use.
mand and supply perspectives..For tourists, it Finally, adoption of a Tourism Policy Plan, with
entails a knowledge‑rich experience, combining the specific provisions for astrotourism is highly recom-
pleasures of unspoiled sites, enlightened company, mended. This plan will usually include programmes
and personal tangible experiences with learning, and actions for (i) data production and mining, (ii)
knowing, and understanding the observable sustainability provisions, (iii) knowledge creation,
surroundings at large. This can be an excellent dissemination, and application, (iv) supervision of
investment for the time and money dedicated to quality and excellence of operations, (vi) product
tourism. For the host communities, it signifies a formulation, promotion, and follow‑up, and (vii)
positive reputation, often beyond local reaches, explicit arrangements for institutional cooperation
additional edutainment and scientific facilities, and governance.
motivation and implication of many stakeholders, Astrotourism is an emerging and promising
and a notorious positioning, optimizing appeal field for enjoyable and meaningful experiences
chances in very competitive tourism markets. in contemporary tourism. It can enrich human
capital both among the visiting publics and wi- Fayos‑Solà, E. and Alvarez, M. (2014). “Tourism
thin the host communities, while simultaneously Policy and Governance for Development”, in
fostering the quest for scientific, technological, E. Fayos‑Solà, M. Alvarez, and C. Cooper, eds.:
and governance innovation in the institutional Tourism as an Instrument for Development: A
fabric. Many of big ideas behind tourism as an Theoretical and Practical Study, pp. 101‑124.
instrument for conservation, sustainability, and Bingley: Emerald Group Publishing.
development, among others, can be both studied Fayos‑Solà, E., Alvarez, M., and Cooper, C. eds.
and implemented where astrotourism is foste- (2014).Tourism as an Instrument for Deve‑
red and practiced. It should be welcomed and lopment: A Theoretical and Practical Study.
embraced as a harbinger of intelligent futures Bingley: Emerald Group Publishing.
for mankind. Fayos‑Solà, E., Marín, C., and Rashidi, M.R. (2015)
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Recibido: 12/05/2014
Reenviado: 18/07/2014
Aceptado: 27/08/2014
Sometido a evaluación por pares anónimos
Co-financiamento
Vol. 12 N.o 4. Págs. 673-684. 2014
[Link]
Cristiane Nascimento Brandão, José Carlos Barbieri, Edgar Reyes Junior, Cristina de Moura João
Resumo: O turismo indígena é um segmento que vem crescendo no mundo todo. Este artigo apresenta
um estudo bibliométrico que analisa a produção científica sobre o campo de estudo do turismo indígena em
periódicos internacionais entre 1990 e 2013. Este estudo faz‑se relevante dada à tendência crescente em im-
plantar o turismo para possibilitar o desenvolvimento econômico em comunidades indígenas, utilizando seu
território, cultura e história como atrativos potenciais. Ao analisar os artigos publicados, foram identificados
temas centrais, como ecoturismo e turismo sustentável, bem como temas periféricos, como governança e
política pública de turismo. Além disso, a presente pesquisa mostra a centralidade do tema desenvolvimento
sustentável no conjunto dos artigos analisados. O artigo esboça uma agenda de pesquisa, com indicações de
lacunas e sugestões para incentivar pesquisas nesse campo de estudo e assim contribuir para o desenvolvi-
mento sustentável das comunidades indígenas.
Palavras‑chave: Turismo indígena, desenvolvimento sustentável, turismo sustentável, ecoturismo, produção
científica.
Analysis of the Scientific Production International Indigenous Tourism 1990 to 2013: A bibliomet‑
ric study and proposal of a research agenda
Abstract: Indigenous tourism is a growing segment worldwide. This paper presents a bibliometric study
that analyzes the scientific literature on the field of study of indigenous tourism in international journals
between 1990 and 2013. This study is relevant given the growing trend in tourism deploy to enable economic
development in indigenous communities, using their territory, culture and history as potential attractions.
While parsing published articles central themes such as ecotourism and sustainable tourism were identified
as well as peripheral issues such as governance and public tourism policy. Furthermore, this research shows
the centrality of the issue of sustainable development in all analyzed articles. The article outlines a research
agenda, with indications of gaps and suggestions to encourage research in this field of study and contribute
to the sustainable development of indigenous communities.
Key Words: Indigenous tourism, sustainable development, sustainable tourism, ecotourism, scientific pro-
duction.
*
Doutoranda em Administração de Empresas – Fundação Getulio Vargas/EAESP/FGV, e‑mail: [Link]@[Link]
**
Doutor em Administração de Empresas EAESP/FGV e‑mail: [Link]@[Link]
***
Doutor em Administração de Empresas/UFRR, e‑mail: edgarreyes2000@[Link]
****
Mestre em Administração de Empresas – EAESP/FGV, e‑mail: crismoura81@[Link]
específicas para essa modalidade. Muitas dessas acordo com os fatores que considera críticos; e (2)
áreas dispõem de atrativos naturais, culturais cultura indígena como atrativo. A ausência da
e históricos próprios que favorecem a atividade cultura descaracteriza o turismo indígena que passa
turística e pode proporcionar benefícios econômicos considerado turismo étnico ou outra modalidade
significativos a toda comunidade local (OMT, 2001). turística. Nesse contexto, Butler (1999) ressalta
a importância do desenvolvimento de um turismo
sustentável, monitorado por indicadores precisos
2.1. Turismo indígena e confiáveis, de modo que se possam minimizar os
O turismo indígena, como campo de estudo riscos de que a atividade turística não seja benéfica
científico, teve início nas pesquisas em antropologia para os povos indígenas.
na década de 1970 (HINCH; BUTLER, 1996) e
apenas em 1990 foi inserido no contexto do desen-
volvimento econômico e estratégico por meio do 2.2. Turismo Sustentável
estudo da relação entre comunidades indígenas, O conceito de turismo sustentável surgiu ao final
áreas protegidas e ecoturismo (SMITH, 2006). da década de 1960, com a explosão das viagens
Para a ONU, mais precisamente para o Fórum e do turismo em massa. Em 1970, começa uma
Permanente das Nações Unidas sobre Questões preocupação com os impactos negativos causados
Indígenas de 2009, comunidades, povos e nações in- por esta atividade e então, na década de 1980, com
dígenas são aqueles que se reconhecem a si mesmos a influência do conceito de desenvolvimento susten-
como pertencentes a um setor distinto da sociedade tável, o turismo de massa começa a ser questionado
e preocupam‑se em perpetuar às gerações futuras e a expressão “turismo sustentável” passa a ser
sua identidade, padrões culturais, territórios an- utilizada. Dez anos depois, esta expressão torna‑se
cestrais, identidade étnica, instituições sociais e frequente, bem como, o papel das comunidades
sistemas jurídicos. Assim, o indígena é aquele que locais e indígenas começa a ser reconhecido como
se identifica como tal e, para sua comunidade, a facilitadoras deste processo (SWARBROOKE, 2000)
continuação de sua cultura e sociedade depende Diferente das outras modalidades classificadas
da manutenção de aspectos importantes, como por pelo Ministério do Turismo, o turismo sustentável
exemplo, o território. pode ser aplicado a todos os outros tipos, ou seja,
A Agenda 21 ressalta o relacionamento histórico esta não é uma forma básica de turismo ou modali-
entre as comunidades indígenas e suas terras. dade de turismo como seria, por exemplo, turismo
Segundo a Seção III, Capítulo 26 da Agenda 21, cultural, de esporte ou de pesca, mas uma maneira
os indígenas vivem no mesmo território que seus de realizar qualquer uma das existentes (NETO,
habitantes originais, garantindo a manutenção e 2003). Essa ideia é central entre as entidades da
a continuação do desenvolvimento de um conheci- ONU como a UNESCO, o Programa das Nações
mento tradicional e holístico dos recursos naturais Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) e a Organi-
e do meio ambiente que já vinha sendo aperfeiçoado zação Mundial do Turismo (OMT). Alguns autores
por seus antecedentes. da área defendem que não há definição exata para
A Convenção da Biodiversidade (CDB) estabelece o conceito de turismo sustentável e que muitas
que cada Estado signatário deve na medida do pos- vezes ele é entendido como uma ideologia ou ponto
sível respeitar, preservar e manter o conhecimento, de vista, e não como uma definição operacional
inovações e práticas das comunidades locais e exata (SAARINEN, 2006). Swarbrooke (2000)
populações indígenas com estilo de vida tradicionais corrobora com este ponto de vista, ressaltando
relevantes à conservação e á utilização sustentável que a interpretação do termo permanece vaga e
da diversidade biológica (art. 8º). Ou seja, a CDB sem definição de métodos para sua implementação.
reconhece que as comunidades indígenas estabe- O entendimento mais utilizado e aceito na
lecem uma relação importante com o território. literatura de turismo sustentável foi desenvol-
Conforme Swarbrooke (2000) a cultura e o modo vido pela OMT, para quem o turismo sustentável
de vida dos pode contribuir para a conservação do favorece uma gestão na qual conserva os recursos
meio ambiente e da biodiversidade local. de maneira a satisfazer as necessidades econômicas,
Segundo Hinch e Butler (1996), turismo indígena sociais e estéticas mantendo, simultaneamente, a
é uma atividade onde a comunidade indígena está cultura, o meio ambiente e seus processos vitais e
diretamente envolvida por meio do controle desta a biodiversidade. O objetivo deste tipo de turismo
atividade ou por meio da cultura como essência é atender as necessidades atuais dos turistas e
da atração turística. Assim, os autores destacam das comunidades receptoras, sem comprometer a
dois conceitos chave para a identificação deste tipo capacidade de atender igualmente as necessidades
de turismo: (1) controle pela própria comunidade das gerações futuras (WTO, 2005). Como se vê esse
que monitora o desenvolvimento da atividade de entendimento faz eco da amplamente conhecida
definição de desenvolvimento constante no Relatório sos. Dessa maneira, o turismo de base comunitária
Brundtland ou também denominado Nosso Futuro contribui para o desenvolvimento sustentável no
Comum (CMMAD, 1987), assunto que voltará a longo prazo, além de trazer benefícios imediatos
ser tratado mais adiante. para as comunidades e para os visitantes (KAL-
Douglas (2006), Ruhanen (2006), Lim e Coo- SON, 2009). O TBC ainda pode ser considerado
per (2009) defendem que os processos de gestão um instrumento potencial de inclusão social e de
dos destinos turísticos devem estar sobre uma promoção do desenvolvimento sustentável por
estrutura que englobe política, planejamento e meio de uma participação ativa da população local,
desenvolvimento, para assegurar a distribuição como afirmam Cordioli (2001) e Coriolano (2003).
equitativa dos benefícios do turismo para todas O TBC, segundo Simpson (2008), difere dos
as partes interessadas, ou seja, os resultados do outras modalidades de turismo principalmente
turismo sustentável devem satisfazer ambiental, pelo princípio da transferência de benefícios para
social e economicamente a todos os stakeholders, a comunidade receptora, que é a preocupação e o
de maneira a encontrar um ponto de equilíbrio objetivo central deste tipo de turismo. Segundo o
entre as partes envolvidas. Byrd (2007) ressalta autor, o TBC está centrado no forncecimento de
que o turismo possui a natureza intrínseca de gerar meios de subsistência e outros benefícios para
efeitos tanto positivos quanto negativos sobre a a comunidade como um todo. Lopez‑Guzmán et
comunidade receptora, sua economia e ao meio al (2011) salientam que a decisão de explorar os
ambiente na localidade. Deste modo, a OMT (2004) recursos naturais e culturais da localidade por meio
declara que para possibilitar o desenvolvimento de da elaboração de políticas de desenvolvimento,
um turismo sustentável, é necessário monitorar deve vir da própria comunidade. Assim, segundo
constantemente os impactos, inserindo medidas Maldonado (2009) a atividade turística entra como
preventivas ou corretivas sempre que necessário, um complemento a qualquer atividade tradicional,
visando à diminuição dos impactos negativos e a fazendo com que esta seja potencializada, ao invés
valorização dos positivos. de ser suprimida. Dessa maneira, o TBC não só
Dessa maneira, percebe‑se que as diretrizes preserva a cultura e os costumes locais por meio
de desenvolvimento e das práticas de gestão do da capacitação e incentivos, mas também desen-
turismo sustentável podem ser aplicadas a todas volve novas oportunidades de emprego, reforça
as modalidades de turismo e para qualquer destino a economia local e proporciona a perpetuação do
em que as dimensões ambientais, sociais e econômi- conhecimento tradicional, das práticas tradicionais
cos da sustentabilidade devem estar equilibradas e, principalmente, incentiva a conscientização
para permitir que a atividade turística em uma pública (CORDIOLI, 2001; CORIOLANO, 2003;
localidade permaneça gerando fatores positivos e BUTTS, 2010).
por um longo prazo (OMT, 2002). Dessa maneira, observa‑se a importância do
TBC para o turismo indígena, onde a conservação
e o uso sustentável do meio ambiente e da cultura
2.3. Turismo de Base Comunitária são as engrenagens para o desenvolvimento desta
Lopez‑Guszmán et al (2011) observam que no atividade. Assim, para as comunidades indígenas
início do século XXI, ocorreu uma mudança no em particular é indispensável que a importância
gosto dos turistas, que passaram a buscar por da cultura seja reconhecida. Neste contexto, Fuller
novas modalidades de turismo. Tal fato pode ter et al, (2007) recomenda que no turismo indígena
sido impulsionado pela descoberta de destinos sejam incluídos: os componentes natural e cultural;
desconhecidos e inexplorados pela maioria dos a sustentabilidade e a educação. Maldonado (2009)
turistas ou até pela vontade de conhecer locais e ressalta que o TBC é uma forma de organização
comunidades com diferentes costumes, cultura e empresarial que tem como base a propriedade e a
história. As comunidades, por sua vez, perceberam autogestão dos recursos das comunidades, sejam
neste interesse uma fonte alternativa de renda e, eles ambientais ou culturais. Esta constatação
portanto, uma possibilidade de diminuir a pobre- também converge com a atividade do turismo
za. Estes dois fatores juntos possibilitaram que indígena, que só é caracterizado como tal quando
o turismo em comunidades permanecesse até os possui a participação efetiva da comunidade local
dias atuais. na sua gestão, como destacado anteriormente.
Butts e Singh (2010) definem o turismo de base Snow (1998) destaca que, por meio de um pla-
comunitária (TBC), como uma maneira de fazer nejamento claro e orientado pelos próprios líderes
com que as comunidades se envolvam e participem (fato que incentiva a comunidade a reconhecer o
ativamente da gestão dos recursos ambientais e planejamento vindo dela própria e não imposto por
culturais de sua localidade, além de desenvolverem atores externos), é menos provável que o turismo
práticas que incentivem a conservação destes recur- cause impactos negativos. Neste sentido, o TBC é
um grande aliado, pois incentiva a comunidade a ele, a eliminação da pobreza e da degradação am-
se apropriar dos recursos endógenos e da atividade biental não seria apenas por meio do crescimento
turística. econômico, pois a ocorrência delas é motivada
também por causas estruturais, tecnológicas e
culturais. Assim, ele ressalta que a sustentabi-
2.4. Desenvolvimento Sustentável lidade possui múltiplas dimensões e que devem
A ideia de preservar o meio natural e social sem ser desenvolvidos critérios, padrões, princípios
prejudicar o desenvolvimento econômico tomou for- compatíveis com níveis de sustentabilidade que,
ma a partir da década de 1970, quando numerosos por sua vez, seriam baseados nas diferentes noções
informes abordando o tema foram publicados. Um de equidade e justiça social.
dos primeiros e mais relevantes documentos até os Sachs (1993), diante desta complexidade,
dias atuais é a declaração final da Conferência das desdobra a sustentabilidade do desenvolvimento
Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em dimensões que devem ser operacionalizadas
realizada em 1972 em Estocolmo. A declaração simultaneamente. A dimensão ambiental tem
ressalta a necessidade de unir a humanidade no por objetivo a redução do consumo de recursos
esforço da preservação e melhoria do ambiente naturais, de emissões de poluentes e de produção
humano e traz a preocupação com a manutenção de resíduos; a dimensão social visa a melhoria
deste ambiente para as gerações futuras (UNEP, das condições de vida das populações por meio
1972). da redução das diferenças sociais e garantia dos
A preocupação com as próximas gerações foi direitos humanos; a dimensão econômica busca
também citada em 1987, no lançamento do Re- alcançar uma gestão eficiente dos e a manutenção
latório Brundtland, comentado anteriormente, de fluxos de regulares de investimentos públicos
que ressaltou a necessidade de um novo modelo e privados; a dimensão cultural refere‑se á busca
de desenvolvimento, mais efetivo no sentido de de concepções endógenas de desenvolvimento que
integrar o crescimento econômico, a distribuição respeitem as peculiaridades de cada ecossistema,
mais igualitária de riquezas e a conservação do meio de cada cultura e cada local; a dimensão especial
ambiente, de modo a satisfazer as necessidades do visa a obtenção de um equilíbrio espacial basea-
presente sem comprometer as gerações futuras, do em uma melhor distribuição rural e urbana
conforme a famosa definição de desenvolvimento do território. A Comissão Mundial de Cultura e
sustentável (CMMAD, 1991). Contudo, foi em 1992 Desenvolvimento criada pela UNESCO mostra
na Conferência das Nações Unidas para o Meio que as formas de desenvolvimento também são
ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), também determinadas por fatores culturais e não devem ser
conhecida como “Rio‑92” ou “Cúpula da Terra”, que considerados como conceitos separados e estanques,
a expressão desenvolvimento sustentável passou pois o desenvolvimento e a economia fazem parte ou
a ser mais conhecida e utilizada. Foi também constituem aspectos da própria cultura de um povo.
nesta Conferência que foi aprovada a Agenda 21, Passado mais de 40 anos, os entendimentos sobre
a Convenção da Mudança do Clima, a Convenção desenvolvimento sustentável continuam gerando
da Biodiversidade e a Declaração do Rio de Janeiro polêmicas intermináveis, as críticas são muitas
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento contendo e variadas, como as que sublinham o seu caráter
27 princípios para orientar as nações a buscar um propositadamente vago com vistas a alcançar uma
desenvolvimento eqüitativo que respeite o meio ampla adesão. Apesar disso, segundo a opinião de
ambiente. O princípio 22 da Declaração estabelece Barbieri et al (2010) o desenvolvimento sustentável
que: ensejou um dos movimentos sociais mais importan-
tes deste início de século como pode ser atestado por
“... as populações indígenas e suas comunidades, incontáveis iniciativas em todo mundo conduzidas
bem como outras comunidades locais, têm papel por empresas, governos, entidades da sociedade
fundamental na gestão do meio ambiente e no de- civil, comunidades de todo tipo e tamanho, inclusive
senvolvimento, em virtude de seus conhecimentos e as tradicionais e indígenas. As questões centrais do
práticas tradicionais. Os Estados devem reconhecer desenvolvimento sustentável, como aquecimento
a identidade, cultura e interesses dessas populações global, segurança alimentar, redução da miséria em
e comunidades, bem como habilitá‑las a participar todo o mundo, educação para todos durante toda
efetivamente da promoção do desenvolvimento a vida, estão entre as principais preocupações dos
sustentável.”
seres humanos na atualidade. Outro fato que atesta
a importância desse movimento é a incorporação dos
Lelé (1991) afirma que movimento do desenvol- seus princípios e objetivos em todas as atividades
vimento sustentável não configurou um conjunto importantes como é caso do turismo sustentável
de conceitos, políticas critérios robustos. Segundo comentado anteriormente.
Classificação Descrição
Ano Ano em que o artigo foi publicado.
Periódico Periódico em que o artigo foi publicado.
Tipo de artigo Teórico, empírico ou revisão de literatura.
Abordagem teórica Quais teorias ou tópicos obtiveram maior relevância no escopo do artigo.
Continente ou região em que o artigo foi realizado (Europa, África, Ásia,
Procedência geográfica
Oceania, América do Sul, América Central, América do Norte).
Atores sociais considerados nos estudos: comunidade local, setor privado
Unidade de análise
ONGs, Governo, turistas, parque nacional, outros.
PASOS. Revista de Turismo y Patrimonio Cultural. 12 (4). 2014 ISSN 1695-7121
Cristiane Nascimento Brandão, José Carlos Barbieri, Edgar Reyes Junior, Cristina de Moura João 679
Tourism Research com 25,60% dos artigos. Seguido Figura 2. Evolução e tendência da
pelo Journal of Sustainable Tourism com 12% (am- produção científica do campo (1990 – 2013)
bos do Reino Unido) e pelo Tourism Management que
apresentou 10,40% do total de artigos analisados,
conforme se observa na Figura 1.
Na sequência, com 5,60% está o Worldwide
Hospitality and Tourism; com 4% o International
Journal of Contemporary Hospitality Management;
com 3,2% o Sustainable Development e, por fim,
com 2,4% o Journal of Enterprising Communities.
Juntos, os periódicos mencionados são responsáveis
por mais de 60% de toda a publicação do campo de
pesquisa do turismo indígena.
18%
16% 15%
14% 13%
12% 11%
10%
9%
8%
8% 7%
6% 5% 5% 4% 4% 4%
4% 3%
2% 2% 2%
2% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1%
0%
Outros 36,8% das publicações são provenientes A análise dos artigos identificou 24 tópicos de
de periódicos diversos que contabilizaram apenas relevância (teorias), conforme Figura 3. As abor-
um artigo cada. A maioria desses periódicos não está dagens teóricas que apresentaram os maiores
diretamente relacionada ao estudo do turismo, como percentuais foram: turismo (presente em 15% dos
por exemplo, o Human Rights Quartely, Pacific artigos), seguida por turismo sustentável com 13%.
Affairs, Journal of the Southwest, Social & Cul‑ O tema Desenvolvimento sustentável está presen-
tural Geography, American Geographical Society, te em 12% das publicações, etnoturismo e turismo
Geographycal Review. Exceto os três últimos, que indígena apareceram em 9% e 8%, respectivamente,
por serem da área de geografia, facilmente abordam e turismo de base comunitária esteve presente
o turismo. em 7% dos artigos analisados. Por meio da ampla
Quanto à evolução da produção científica do gama de artigos que abordaram as temáticas tu‑
rismo sustentável e desenvolvimento sustentável,
campo de estudo do turismo indígena, a Figura
verifica‑se que, apesar do conceito turismo ser o
2 mostra que o número de artigos publicados
grande campo de pesquisa, existe uma precupação
manteve‑se baixo durante a primeira metade da
crescente com a sustentabilidade dessa atividade.
década de 1990, tendo aumentado rapidamente A análise seguinte refere‑se ao poder relacional
a partir de 1995. Nos anos seguintes, a produção das abordagens teóricas, ou seja, mapear e identifi-
manteve‑se com uma de três artigos por ano. car as relações de poder entre as diferentes teorias
A partir de 2000 a produção de estudos na área que permeiam o campo de estudos do turismo
volta a aumentar e, se manteve crescente até os indígena. A teoria com maior grau de centralidade
dias atuais, fato que demonstra um interesse reno- é a de desenvolvimento sustentável com 0,783,
vado entre autores internacionais em disseminar seguida pelo turismo sustentável com 0,739, o
conhecimento nesse campo de estudo. Esses dados que significa que essas duas temáticas são as que
estão de acordo com as observações de Hinch; Butler mais influenciam as demais teorias do subcampo.
(1996) e Smith (2006), comentadas na seção 1.1 De outra maneira, são abordagens teóricas que
deste artigo. possuem a maioria dos laços e são, portanto, as
Medidas de Centralidade
Temas abordados
Grau Geodésica Intermediação
Desenvolvimento Sustentável 0,783 0,448 0,135
Turismo Sustentável 0,739 0,445 0,137
Turismo Indígena 0,696 0,398 0,141
Turismo 0,696 0,441 0,052
Turismo de Base Comunitária 0,696 0,428 0,096
Ecoturismo 0,609 0,364 0,08
Ecoturismo Indígena 0,609 0,406 0,032
Sustentabilidade 0,533 0,353 0,015
Empoderamento 0,478 0,328 0,012
Planejamento Participativo do Turismo 0,435 0,300 0,008
Stakeholder 0,435 0,302 0,011
Gestão do Turismo 0,391 0,264 0,012
Etnoturismo 0,348 0,183 0,022
Parceria Público Privada 0,304 0,209 0,000
Impactos do Turismo 0,304 0,194 0,002
Indicadores de Sustentabilidade do Turismo 0,261 0,192 0,000
Empreendedorismo 0,261 0,194 0,000
Política Pública de Turismo 0,261 0,188 0,001
Outros temas 0,261 0,177 0,002
Governança 0,217 0,105 0,005
Ecoturismo de Base Comunitária 0,174 0,08 0,002
Marketing 0,130 0,054 0,001
Redução da Pobreza 0,130 0,081 0,000
Pegada Ecológica 0,087 0,041 0,000
mais ativas na rede, conforme mostra a Tabela 1. abordagens teóricas apresentam‑se como elos
Em seguida, estão presentes o turismo indígena; entre outros atores dispostos na rede, ou seja,
turismo e turismo de base comunitária, todas são capazes de conectar outros temas que não
com 0,696. Na sequência, com 0,609, ecoturismo estejam diretamente ligados. Por exemplo, o tema
e ecoturismo indígena, respectivamente. turismo sustentável é um elo entre a temática
Observa‑se que turismo indígena; turismo e pegada ecológica do turismo e desenvolvimento
turismo de base comunitária (TBC) também são sustentável (Tabela 1).
atores conectados a um grande número de outras A Figura 4 é representação do conjunto de
abordagens teóricas, bem como, as temáticas ecotu‑ relações desta análise. Nesse contexto, foram
rismo e ecoturismo indígena. Quanto à centralidade identificadas cinco facções, ou seja, cinco diferen-
geodésica, os temas desenvolvimento sustentável tes grupos. Sendo um grupo central (cor preta)
(0,448); turismo sustentável (0,445); turismo (0,441); formado por desenvolvimento sustentável, parceria
TBC (0,428) e ecoturismo indígena (0,406) são público‑privada, indicadores de sustentabilidade
considerados pontes teóricas, ou seja, estão ligadas do turismo e redução da pobreza. Uma segunda
a um grande número de outras teorias. São temas facção (azul) é formada por turismo sustentável,
centrais, dado seu contato com outros atores na turismo, turismo de base comunitária, ecoturismo
rede, como é possível observar na Tabela 1. indígena, planejamento participativo do turismo,
Quanto à centralidade de intermediação, apre- stakeholder, empoderamento, sustentabilidade e
sentaram os maiores valores o turismo sustentável pegada ecológica do turismo.
(0,175); turismo indígena (0,141) e desenvolvimento O terceiro grupo (vermelho) envolve os temas
sustentável (0,135). O resultado indica que estas turismo indígena, empreendedorismo e política
Figura 4. Mapa relacional e facções das teorias
pública de turismo; a quarta facção (cinza) é re- (23,44%), especificamente da Austrália e Nova
presentado por ecoturismo, ecoturismo de base Zelândia onde o turismo indígena se apresenta
comunitária, governança e gestão do turismo e, por como um segmento consolidado, com forte apoio go-
fim, o quinto grupo (rosa), onde estão presentes as vernamental e investimentos vultosos da iniciativa
discussões acerca do etnoturismo indígena, marke‑ privada. Em seguida, se destaca a Ásia (20,31%)
ting, impactos do turismo, dentre outros temas. e as demais publicações estão representadas pela
Vale ressaltar que alguns temas mais periféricos, América do Norte (14,06%), seguida pela América
que são os mais distantes dos centrais (por exemplo: do Sul (13,28%).
gestão do turismo, planejamento participativo do
turismo, parceria público‑privado e indicadores de
sustentabilidade) apareceram com diversos laços e, Figura 5. Tipo de artigo, distribuição
ainda que intermediados por teorias mais centrais, geográfica e objeto de analise das
acabam se relacionando com turismo sustentável e publicações do campo
desenvolvimento sustentável. Esse resultado está
de acordo com diversos autores ligados à pratica do
turismo que afirmam ser de fundamental impor-
tância o planejamento do turismo, a elaboração e
utilização de indicadores de sustentabilidade para
melhorar a gestão do turismo, a participação da
comunidade local no planejamento e monitoramento
das atividade, e as parcerias que reúnam governo,
iniciativa privada e comunidades (Douglas, 2006;
Ruhanen, 2006; Lim e Cooper, 2009).
Quanto ao tipo de artigo, verificou‑se que os
esforços de publicação são maiores em termos empí-
ricos (66,4%), o que pode indicar uma preocupação Nota‑se também a participação da América do
em conhecer a realidade do turismo indígena como Sul, especificamente Chile, Colômbia e Guiana,
parte da um campo de estudo. Já as revisões de cujas comunidades indígenas foram objeto de estudo
literatura totalizaram 18,4% e os estudos teóricos de diversos artigos. No entanto, o percentual de
compreenderam 14% dos artigos, conforme Figura publicações desses países não faz jus a importância
5 (cor azul). das suas comunidades indígenas com iniciativas
A Figura 5 destaca na cor verde a distribui- em turismo. O Brasil não aparece representado.
ção geográfica das publicações. Parte expressiva A África, apesar de apresentar diversos casos de
dos artigos publicados é proveniente da Oceania etnoturismo, foi mencionada em apenas 4,69% dos
artigos; a América Central em 3,91% dos casos, mencionado como sinônimo de turismo indígena,
com destaque para o Panamá e, por fim, a Europa quando na verdade, este último é uma modalidade
com 2,34%. de etnoturismo (Smith, 1989). Tais esclarecimentos
Quanto aos objetos de análise considerados nos precisam ser desfeitos com o objetivo de alcançar
artigos pesquisados, a Figura 5 mostra destacado na um melhor entendimento sobre estes conceitos.
cor laranja, que grande parte dos estudos envolveu O tema pegada ecológica no turismo é utilizado
o termo comunidade local (indígena) onde o turismo como indicador para comparar diferentes opções
é praticado (57,79%). Em seguida, com menos de de hospedagem, transportes, lazer e alimentação,
10% cada, estão governo, turistas, setor privado, esclarecendo ao turista qual das opções é a mais
ONGs e parques nacionais. Por fim, 18,83% não sustentável ou ecológica, pode ser mais adequa-
especificaram (NE). damente explorado. Outro tema relevante e que
tem recebido pouca atenção (no caso das pesquisas
sobre turismo indígena), refere‑se aos impactos
5. Discussão do turismo, pois para desenvolver um turismo
sustentável, é necessário monitorar constantemente
A análise da produção científica acerca da os impactos, por meio de medidas preventivas e/
temática sobre o turismo indígena possibilitou ou corretivas visando à diminuição dos impactos
diversas reflexões que reforçam a importância e negativos e a valorização dos positivos (OMT, 2004).
permitem a proposição de uma Agenda de Pesquisa Por fim, o ecoturismo de base comunitária, que
para este campo de estudo. A necessidade de uma para Butts e Singh (2010) é uma forma de fazer
agenda de pesquisa se deve em primeiro lugar ao com que as comunidades se envolvam e participem
nível incipiente desta área de estudo. Apesar das ativamente da gestão dos seus recursos ambientais
diversas iniciativas de turismo indígena espalha- e culturais e desenvolverem o ecoturismo como
das, poucas foram estudadas do ponto de vista da forma de incentivar a preservação destes recursos,
ciência da administração. Os estudos que abordam da mesma forma, permanece pouco estudado.
a questão são, em sua maioria, provenientes da área
de antropologia, influenciados pelas atividades de
órgãos governamentais responsáveis pela execução 6. Conclusões
de políticas indigenistas. Dessa maneira, o turis-
mo indígena como negócio capaz de possibilitar o Essa pesquisa teve como objetivo analisar a
desenvolvimento endógeno das comunidades, como produção científica sobre o turismo indígena per-
colocam Lopez‑Guzmán et al (2011), Butts; Singh mitindo a compreensão do conhecimento da área
(2010) e Kalson (2009), tem sido pouco explorado. de estudo do turismo indígena. Foram analisados
Outro motivo para a agenda de pesquisa é neces- os tipos de artigo, os periódicos, sua localização
sidade de interagir com pesquisadores dessa área geográfica, bem como temas de maior relevância
em diferentes países para atuação conjunta, no nos estudos.
intuito de identificarem‑se similaridades históricas, A pesquisa explicita as relações entre os temas
culturais e ambientais. turismo, povos indígenas e o desenvolvimento
O campo parece explorar o tema desenvolvimento sustentável. Verificou‑se que na maior parte dos
sustentável, entretanto, a subárea desenvolvimento trabalhos, o conceito de desenvolvimento sustentá-
local permanece pouco mencionada. Alguns temas vel está presente, assim como turismo sustentável,
como empoderamento e redução da pobreza foram o que mostra uma constante preocupação com a
abordados em poucos artigos, cabendo um maior sustentabilidade indígena.
aprofundamento, tendo em vista sua relação com Com relação à agenda de pesquisa, a mesma se
o desenvolvimento local sustentável. Já a área do propõe a preencher algumas lacunas observadas
turismo, foi desdobrada em três subáreas: gestão na produção científica da área de turismo indígena.
do turismo, segmentação do turismo e turismo Ressalta‑se que esses gaps indicam a possibilidade
sustentável. de expansão do campo de estudo de forma a ampliar
Diversos temas com abordagem periférica nos e disseminar conhecimento, bem como caracte-
estudos revisados foram alocados dentro das su- rizam oportunidades de pesquisas e publicações
báreas acima mencionadas, assim, recomenda‑se o futuras. Tais estudos poderiam ainda, subsidiar
aprofundamento das pesquisas nesses temas. Por a elaboração de projetos e políticas públicas para
exemplo, políticas públicas de turismo é um tema a consolidação do turismo indígena como uma
que merece atenção dada à urgência de se criar modalidade reconhecida pelo governo brasileiro.
uma política de turismo que contemple o turismo Quanto às limitações deste estudo, pode‑se
indígena como uma modalidade reconhecida; ou- ressaltar que não foram analisados os métodos
tro exemplo é o caso do etnoturismo, geralmente de pesquisa, autores e afiliação. Como esperado,
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Resumen: En la literatura sobre gestión de destinos turísticos es cada vez más utilizado el término gober-
nanza. La creciente complejidad de las relaciones entre los diferentes tipos de actores implicados en la
gestión de un destino exige generar un marco consistente que facilite la negociación, discusión y cooperación
de todos ellos para la consecución de los objetivos establecidos.
Con la misma velocidad que se genera literatura científica sobre gobernanza turística, han ido apareciendo
destinos turísticos que se reconocen, o son reconocidos, como casos de éxito en la aplicación de la gobernanza.
Sin embargo, en este artículo se demuestra que, en la mayor parte, se trata más de una declaración de in-
tenciones que de un hecho real, pues no se cumplen todos los principios que aseguran la buena gobernanza.
Para ello, se utiliza la metodología del estudio de casos, que permite combinar información de distinta na-
turaleza –cualitativa y cuantitativa, subjetiva y objetiva, interna y externa‑ para comprender el fenómeno
estudiado y obtener conclusiones.
Palabras clave: gobernanza, gestión de destinos, sostenibilidad, estudio de casos.
*
Laboratorio de Análisis e Innovación Turística (LAInnTUR). Universidad de Jaén. E‑mail: macupulido@[Link]
**
Laboratorio de Análisis e Innovación Turística (LAInnTUR). Universidad de Jaén. E‑mail: jipulido@[Link]
Como ocurre con otros conceptos –sostenibilidad, a tal fin, cumplen muchos de los principios de la
innovación y otros tantos‑, el de gobernanza se suele buena gobernanza; en cualquier caso, más que los
utilizar muy a la ligera, incluso en alguna literatura que no se plantean cuestiones de sostenibilidad.
científica, asumiéndose como una suerte de coope-
ración público‑privada para la implementación de
acciones que favorecen el desarrollo turístico del 2. La gobernanza como instrumento clave para
territorio. Pero, como se verá en este artículo, es la gestión de los destinos turísticos
mucho más, y su aplicación rigurosa y eficaz exige
la configuración de un marco consistente que, a la El uso del concepto de gobernanza en diferente
vez, dé legitimidad a las actuaciones desarrolladas ámbitos, se ha ido extendiendo desde mediados
y permita exigir compromisos firmes a los agentes de los años noventa y su utilización ha ido ge-
turísticos comprometidos. neralizándose en instituciones supranacionales,
En este artículo se plantea como hipótesis sectores público y privado e, incluso, en organismos
que, en lo que respecta a la gestión de destinos gubernamentales (Duran, 2013; OMT, 2010).
turísticos, la gobernanza se mantiene aún más Clarificar el significado de este concepto conlleva
como una declaración de intenciones –incluso como cierta dificultad, puesto que es polisémico, tiene
una excusa irracional e hipócrita para legitimar numerosos significados, y además, sobre él no
procesos de desarrollo turístico controvertidos‑ que existe una única definición. Este término puede ser
como una verdadera herramienta útil al servicio utilizado para conceptualizar, investigar, analizar
de los actores implicados en la gestión del destino. o referirse a una forma de gobernar diferente a la
Este hecho se demuestra fácilmente al comprobar jerarquizada y centrada en el poder gubernamental,
que, en la mayor parte de los destinos en los que que surge debido a los límites que esta última tiene
se asegura que existen procesos de gobernanza, en para controlar las variables claves del bienestar y
realidad, no se cumplen muchos de los principios prosperidad social, lo que supone una insuficiencia
que caracterizan su existencia. para gobernar a las sociedades contemporáneas
Para validar esta hipótesis, se realiza un análisis (Duran, 2013; OMT, 2010).
de diversos destinos turísticos, con el objetivo de Barbini et al. (2011) entienden que gobernanza
estudiar si en su gestión se aplican los planteamien- es un modelo innovador de gobierno, diferente al
tos de la gobernanza. Para ello, en primer lugar, se modelo tradicional y cuya estructura está com-
expone el significado de gobernanza, así como sus puesta por las organizaciones involucradas y las
implicaciones, y especialmente los requisitos que
relaciones que se generan entre ellas. Así, en la
exige una buena gobernanza. Seguidamente, se hará
gobernanza los actores públicos y privados cooperan
una aproximación a la metodología de estudio de caso
en la formulación y aplicación de políticas públicas;
(su concepto, pasos para su aplicación, tipos, etc.),
a través de la existencia de organizaciones formales
con el fin de tener una visión global sobre el método
y redes entre organizaciones (Cerrillo, 2005; Duran,
de investigación que se va a utilizar en este análisis.
2013; Mayntz, 2001; OMT, 2010; Vera et al., 2011).
En tercer lugar, se expondrán algunos de los
Por tanto, la función del gobierno cambia, pasando
casos, nacionales e internacionales, identificados
en la revisión de la literatura científica como des- a facilitar la creación de espacios de acuerdo entre
tinos turísticos en los que es posible que se esté los actores implicados acerca de los problemas a
aplicando la gobernanza y ésta está siendo una los que se enfrentan en los procesos de gestión de
herramienta eficaz para la gestión de los destinos. los destinos turísticos y cómo afrontar los mismos.
Para ello, se estudiará la situación del destino, su El PNUD, en su documento de política Gobernanza
estructura económica y la forma de gestión del para el Desarrollo Humano Sostenible, establece una
mismo, para finalizar con la aplicación de cada uno serie de principios, cuya existencia es clave para
de los principios de gobernanza en dicho destino, hablar de buena gobernanza: participación, imperio
con la finalidad de determinar si en su gestión, se de la Ley, transparencia, capacidad de respuesta,
tienen o no en cuenta dichos principios. orientación al consenso, equidad, eficacia y eficiencia,
Por último, se realizará una síntesis de todos los rendición de cuentas y visión estratégica (Cuadro 1).
destinos analizados para tener una visión global (y No es suficiente con que estén presentes algunos de
siempre teniendo en cuenta las limitaciones propias ellos, sino que deben de estar presentes todos ellos, y
de un estudio de estas características) sobre la apli- no puede haber discrepancia entre los mismos (Edgar
cación de la gobernanza, hoy en día, en la gestión et al., 2006; Pulido y Pulido, 2013; Pulido et al., 2013).
de los destinos turísticos. Entre otras, se obtiene Además, todos estos principios han de ser reconocidos
una conclusión muy interesante: los destinos que se de forma universal. En particular, los vinculados a
plantean entre sus objetivos avanzar en materia de los derechos humanos, como la participación y la
sostenibilidad, y que adoptan estrategias dirigidas orientación al consenso y la equidad y el imperio de
la Ley que se reflejan en la Declaración Universal de los destinos turísticos (Pulido y Pulido, 2013).
de los Derechos Humanos. Este es, de hecho, el planteamiento de este artí-
El interés y la importancia del concepto de gober- culo. Así, la colaboración público‑privada es una
nanza aumenta cuando se afirma que este es fun- elección a llevar a cabo cuyo éxito se encuentra
damental para promover y garantizar el desarrollo en dos componentes básicos (Madrid, 2009): la
sostenible (Vera et al., 2011; Whittingham, 2002). El confianza entre los participantes y el hecho de
PNUD (1994) se encuentra al frente del creciente que quien aporta información tiene garantizada la
consenso internacional respecto al planteamiento confidencialidad de la misma y, además, a cambio
de que la buena gobernanza y el desarrollo humano obtiene un beneficio concreto, que puede ser la
sostenible son inseparables. La Red de Soluciones adquisición de información con valor agregado.
para el Desarrollo Sostenible (Sustainable Develop- Por tanto, podría definirse gobernanza turística
ment Solutions Network, 2013) señala que la buena como “una práctica de gobierno que se puede medir,
gobernanza es un importante medio para alcanzar que tiene como objetivo dirigir efectivamente el
las otras tres dimensiones del desarrollo sostenible: turismo en los diferentes niveles de gobierno, a
económico, social y ambiental, pero también es un través de las formas de coordinación, colaboración y/o
fin; ya que el desarrollo sostenible es fruto de la cooperación, que sean eficaces, transparentes y suje-
suma de las acciones de todas las personas, todas tas a rendición de cuentas, que ayudará a alcanzar
las partes interesadas han de poder participar en los objetivos de interés colectivo que comparten redes
la toma de decisiones a todos los niveles. de actores involucrados en el sector, con el objetivo
En los últimos años, ha sido cada vez más fre- de desarrollar soluciones y oportunidades a través
cuente la utilización del término gobernanza en el de acuerdos basados en el reconocimiento de las
ámbito turístico, hasta el punto de que comienza a interdependencias y responsabilidades compartidas”
considerarse como una opción eficaz para la gestión (Duran, 2013: 14; OMT, 2010: 22).
Principios de Buena
Contenido
Gobernanza
Todos los hombres y las mujeres deben intervenir en la toma de decisiones, ya sea
directamente o por medio de legítimas instituciones intermedias que representan
Participación
sus intereses. Esta amplia participación se basa en la libertad de asociación y
expresión, así como las capacidades para participar de manera constructiva.
Los marcos legales deben ser justos y aplicados de manera imparcial, en
Imperio de la Ley
particular las leyes sobre los derechos humanos.
La transparencia se basa en el libre flujo de información. Procesos, las
Transparencia instituciones y la información son directamente accesibles a los interesados
y se proporciona suficiente para comprender y vigilar.
Capacidad de respuesta Instituciones y procesos que tratan de servir a todos los interesados.
El buen gobierno interviene para lograr llegar a un consenso amplio sobre lo
Orientación al consenso que es el mejor interés para el grupo y, cuando sea posible, sobre las políticas
y procedimientos.
Todos los hombres y las mujeres tienen oportunidades de mejorar o mantener
Equidad
su bienestar.
Los procesos y las instituciones han de producir resultados que satisfagan las
Eficacia y eficiencia
necesidades, y al mismo tiempo, hagan el mejor uso de los recursos.
Quienes toman las decisiones en el gobierno, el sector privado y las
organizaciones de la sociedad civil, son responsables ante el público, así como
Rendición de cuentas
ante las instituciones interesadas. Esta responsabilidad varía en función de
la organización y si la decisión es interna o externa a la organización.
Los líderes y el público tienen una perspectiva amplia y a largo plazo en
la buena gobernanza y en el desarrollo humano, junto con un sentido de lo
Visión estratégica
que se necesita para dicho desarrollo. Hay también una comprensión de las
complejidades históricas, culturales y sociales en que se basa esa perspectiva.
Fuente: Elaboración propia, a partir de PNUD (1994) y Edgar et al. (2006: 6).
teoría permite saber el porqué, es decir, describir, dicha metodología crea una enorme cantidad de
explicar y predecir el fenómeno a estudiar. información que puede que no sea manejable para
2) Para analizar procesos de cambio organizativo. su sistematización.
Permite determinar el cómo y el por qué de un Frente a la primera crítica, Bonache (1999) señala,
cambio ocurrido durante un proceso. como réplica, la establecida por los críticos de los es-
3) En los estudios interculturales. El estudio de tudios cuantitativos, que indican que dichos estudios
caso permite conocer los diferentes significados no se centran en la causación, sino en la correlación
que un mismo concepto tiene para personas de empírica. Ambas, se diferencian en tres aspectos
distinta cultura. fundamentales. Así, la relación entre variables cor-
4) Análisis de fenómenos inusuales o secretos. Las relacionadas es simétrica, mientras que la relación
relaciones a largo plazo son las que dan lugar a causal no lo es. Por otro lado, las hipótesis causales
la confianza, que puede proporcionar información tienen una mayor capacidad explicativa. Por otro lado,
“secreta” que no puede obtenerse mediante otros se indica que la metodología cuantitativa no es tan
procedimientos. imparcial y objetiva como se pretende; no controla,
por tanto, el sesgo del investigador. Por el contrario,
Yacuzzi (2005: 6) señala que, en la decisión el procedimiento informal, típico de los estudios de
de qué método elegir, se han de tener en cuenta caso, permite que el investigador descubra que una
una serie de cuestiones: i) el tipo de pregunta de misma pregunta tiene diferentes significados para
investigación que se busca responder; ii) el control distintas personas. Por tanto, el estudio de caso lleva
que tiene el investigador sobre los acontecimientos a cabo un análisis con mayor autenticidad.
que estudia; y iii) la “edad del problema”, es decir, si En respuesta a la segunda crítica, Yin1 indica que
es un asunto contemporáneo o un asunto histórico. la cuestión de la generalización no radica en una
Este mismo autor, siguiendo a Yin (1994) y a muestra probabilística extraída de una población a
Georgey Bennett (2005), establece que el estudio de la que se pueda extender los resultados, sino en el
casos debe de seguir los siguientes pasos (Yacuzzi, desarrollo de una teoría que puede ser aplicada a
2005: 23): otros casos. Y, respecto a la tercera crítica, Villareal
1) Diseño del estudio. En este paso, se establecen los y Landeta (2010) señalan que el uso de la cantidad
objetivos del estudio, se realiza propiamente el di- de información que genere esta metodología depen-
seño y se elabora la estructura de la investigación. derá, en gran medida, de la capacidad y método del
2) Realización del estudio. En este paso, se prepara investigador y de su habilidad para transformar esa
la actividad de recolección de datos y se recoge la gran cantidad de información en múltiples formatos,
evidencia en todas las fuentes del caso. en información sintética, que sirva como contraste
3) Análisis y conclusiones. En este último paso, se del modelo propuesto en la investigación.
analiza la evidencia. Hay numerosas formas de En definitiva, a pesar de las críticas, esta me-
relacionar los datos con las proposiciones. Ade- todología es cada vez más utilizada (Villareal y
más, los criterios para interpretar los hallazgos Landeta, 2010), también en las investigaciones en
de un estudio no son únicos. Esta etapa finaliza turismo (Bramwell, 2011), y es adecuada para aten-
con la preparación del informe del trabajo y la der cuestiones como: explicar relaciones causales
difusión de sus resultados. que son demasiado complejas para ser explicadas
mediante las estrategias de investigación de en-
Por último, reconocer que la utilización de esta cuestas o experimentos, detallar el contexto real
metodología conlleva una serie de críticas (Arzaluz, en el que se ha producido un evento o intervención,
2005; Bonache, 1999; Villareal y Landeta, 2010). valorar los resultados de una intervención y exa-
La primera es que los resultados obtenidos son minar situaciones en las cuales la intervención
sesgados, ya que el investigador elige el fenómeno valorada no tiene un resultado claro y singular.
a estudiar y el marco teórico, pondera la relevancia Como afirman King, Keohane y Verba (2000:
de las distintas fuentes y analiza la conexión causal 62), en relación con los estudios cualitativos de
entre los hechos, lo que lo aparta de ser el investiga- investigación social, “la regla más importante para
dor “objetivo” que intenta eliminar cualquier sello toda recogida de datos es dejar claro cómo se han
personal en la disposición de los datos. Por ello, sus creado y de qué manera hemos accedido a ellos”.
estudios son acusados de ser poco objetivos y fiables. Para esta investigación, los casos analizados a con-
En segundo lugar, se afirma que la ciencia es tinuación no han sido escogidos al azar, sino que se
universal. Con la aplicación de esta metodología, no han seleccionado tras una profunda revisión de la
se garantiza que el caso que se analiza es realmente literatura científica sobre gobernanza y gestión de
representativo o una representación particular. Por destinos turísticos. Tras dicho examen, se consideró
tanto, un estudio de caso no permitiría generalizar oportuno realizar el análisis más pormenorizado
los resultados. Y una tercera crítica sostiene que de los casos recogidos en este artículo, que en la
Estructura económica
La economía de la zona se basa, principalmente, en la agricultura y ganadería, sectores en los que trabaja
la mayor parte de la población, seguidos del sector servicios, industria y construcción (C.E.D.I.R., 2007;
Fundación para el Desarrollo de los Pueblos de las Tierras de José María Tempranillo, 2013), con tasas de
desempleo del 24%.
El turismo rural se plantea como un instrumento de diversificación de la economía de estos municipios,
de promoción de su territorio y de freno de su despoblación. La actividad turística ha experimentado un
incremento durante los últimos años, disponiendo de numerosos puntos visitables e importante oferta
complementaria, sobre todo en el ámbito de la restauración, que cuenta con 15 establecimientos.
Fuente Caso de estudio Razones que fundamentan su análisis Principios que se cumplen
y medidas acordes con la situación de partida, mediante foros, aportación de opiniones a través
dándole el uso más eficiente posible a los recursos de páginas web, etc.
de los que se dispone. 5) Se han de crear mecanismos de consenso para
3) Es necesaria la participación activa de todas el establecimiento de medidas que favorezcan a
las partes interesadas, con la intervención de todos los interesados.
forma equitativa de sector público y privado. Esta 6) Se ha de tener en cuenta que, en el proceso de
participación debe garantizar que, en el proceso gestión del destino, debe de haber libre flujo
de gestión, se “oigan todas las voces” y se tengan de información para que todos los interesados
en cuenta todos los intereses, no solamente los puedan beneficiarse de las actuaciones desar-
de quienes dispongan de una posición ventajosa rolladas.
en el destino.
4) Deben establecerse mecanismos que permitan
la participación de los ciudadanos en el proceso, Por último, señalar que, en el futuro, se abrirá
de los que carecen actualmente la mayor parte una línea de investigación en la que se confrontarán
de los destinos. Hay que tener en cuenta que los logros y aciertos de la gestión de los destinos
no solamente es importante que los ciudadanos turísticos en los que se cumplen un mayor número
del destino acepten las medidas a adoptar en el de principios de gobernanza, con los fracasos y
desarrollo del mismo, sino que, además, se ha errores de la gestión de los destinos turísticos
de asimilar que los ciudadanos deben de parti- que no tienen en cuenta ninguno, o solo alguno,
cipar en el establecimiento de dichas medidas: de dichos principios.
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16
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17
Las últimas incorporaciones se realizaron los días 22 y 23
de marzo y 14 de junio de 2012. Ver boletines de prensa
53, 55 y 111 de la SECTUR, disponibles en: [Link]
[Link]/es/sectur/sect_Boletines_ de_Prensa
18
[Link]
(Último acceso: 31/12/2013).
Recibido: 04/04/2014
Reenviado: 10/05/2014
Aceptado: 11/05/2014
Sometido a evaluación por pares anónimos
INSTITUTO
UNIVERSITÁRIO
DA MAIA CEDTUR
Centro de Estudos de Desenvolvimento Turístico
Apoios
Design e Produção
[Link]
Resumen: En las dos últimas décadas la ciudad de Valencia ha transfigurado su imagen de manera radi-
cal, cambiando su perfil urbano y presentándose al mundo con una nueva cara. En la apuesta por concurrir
a los mapas globales de la excelencia turística, la nueva marca de ciudad lanzada al mercado, a través de
tecnologías del marketing, ha eclipsado los referentes de identificación locales y ha puesto en jaque la sos-
tenibilidad de la urbe. El giro ha sido notorio: de la Ciudad de las Flores hemos pasado a la Ciudad de las
Artes y las Ciencias. En este contexto, este artículo explora cómo los ciudadanos perciben los cambios y los
nuevos imaginarios de la capital valenciana a la luz de la crisis actual.
Palabras Clave: Valencia, turismo, ciudad, marca, imaginarios, percepciones.
One city replaced by another. Perceptions on the new imagined visions (touristic) of the city of
Valencia
Summary: Over the past two decades, the city of Valencia (Eastern Spain) has undergone a radical change
of image: its urban profile has been modified and it now faces the world with a new countenance. Moved by
the race to leave its mark on the new global atlas of touristic excellence, the city has rebranded itself and has
appealed to the markets using an array of new technological marketing tools and techniques; in the process,
it has eclipsed the local distinguishing features and even posed a threat to urban sustainability. The move
has been intense, with a shift from the City of Flowers to the City of Arts and Science. This article sets out
to look at how people perceive the changes and the new imagined visions of the capital of the Valencia region
in the light of the current crisis.
Key Words: Valencia, tourism, city, brand, imagined visions, perceptions.
*
Departamento de Sociología y Antropología Social. Universitat de València (España). [Link]@[Link]
novelada, trazando puentes inverosímiles entre en esa jugada, tanto el gobierno municipal como
el pasado más lejano (la Valencia gótica, capital el autonómico, se ha decantado por la economía
del mediterráneo) y el futuro más vanguardista de los intangibles (Rausell, 2006). La apuesta por
(la Valencia cósmica, de la Ciudad de la Artes y monumentales proyectos urbanos de arquitectos
las Ciencias). estrella (archistar) y la obsesión por ser sede de
En cierta medida ambos imaginarios nos hablan grandes eventos (mega‑events), en su mayoría
del trabajo practicado en la urbe, del despliegue deportivos, han dado como resultado una nueva
de las tecnologías del marketing, que ha permitido Valencia edificada a partir de un descomunal gasto
mudar los elementos centrales del imaginario de público maridado con capital privado (Gaja, 2008;
la ciudad hasta transformar su skyline. Las torres Díaz Orueta, 2009; Cucó, 2013; Santamarina y
góticas del Miquelet o Santa Catalina, junto con Moncusí, 2013b). El modelo adoptado no deja de
las puertas medievales de Serrano y Quart, han ser una redefinición del paradigma del urbanismo
dejado paso al puente del Assut de l’Or, a la cúpula empresarial (Harvey, 1989) que responde al nue-
del Hemisfèric, al escenario inerte del Palau de vo modelo de urbanismo neoliberal denominado
les Arts Reina Sofía o al caparazón del Ágora, en lengua anglosajona como New Urban Policy
todos ellos situados en el complejo de la Ciudad (NUP) (Rodríguez y Vicario, 2005). Dicho modelo
de las Artes y las Ciencias (CAC). Y es que, de se resume en una sencilla fórmula: proyectos
hecho, la CAC se ha tornado en la nueva marca arquitectónicos+eventos+promoción.
de Valencia y representa el éxito institucional Los resultados de este programa son notables
del brand management, es decir, de la política de en la ciudad levantina que ha visto cómo ha crecido
gestión de marca llevada a cabo en los últimos años. en superficie, cómo ha cambiado su estructura y
Dicho éxito se refleja en su adopción como icono cómo ha mudado en sus imaginarios. En poco años
indiscutible de la ciudad (Rausell, 2010; Puche y Valencia se ha dotado de complejos y proyectos
Obiol, 2011). Nótese, por ejemplo, que todas las monumentales (CAC, Marina Real Juan Carlos I,
guías turísticas de la ciudad, sin excepción, llevan Palacio de Congresos, Veles e Vents, etcétera), ha
en la portada la CAC, siendo la portada el encap- sido sede de las competiciones o encuentros más
sulador por excelencia de la imagen de la ciudad exclusivos (America´s Cup, Global Champions
que se quiere mostrar al mundo (Santamarina y Tour, Valencia Street Circuit, Valencia Open 500,
Moncusí, 2013a). La CAC representa el triunfo de la MTV Winter Festival, V Encuentro Mundial de
mercantilización de, tan sencillas como complejas, la Familia) y ha triplicado su oferta museística
estructuras simbólico‑clónicas. (Martí, 2010). En este sentido, la apuesta por un
La creación de la marca CAC, bajo los paráme- turismo de contenedores se ha consolidado en la
tros de ser tan creativa como vendible, ha pasado proyección de la urbe.
a ocupar la centralidad de la agenda política de A día de hoy, nadie pone en duda que el des-
la ciudad (Seisdedos, 2006). Y recordemos que la pliegue de efectos, arquitectónicos y mediáticos,
marca o imagen, trabaja tanto para la identifica- efectuado en la capital del Turia ha transformado
ción como para la diferenciación (Sáez, Mediano su imagen de manera considerable en el mundo.
y De Eligarate, 2011), de ahí su importancia en De hecho, esta metamorfosis explica que Valencia
la planificación estratégica. El objetivo, según sea reconocida por la European Cities Marketing
apuntan algunos autores, era recuperar el viejo “como una de las 5 ciudades con turismo más de-
movimiento centrífugo que antes tenía Valencia sestacionalizado”, mientras que la International
como imán de atracción de la producción industrial Congress & Convention Association “la sitúa entre
(Prytherch, 2009; Prytherch y Boira, 2009). Así, las 30 primeras ciudades en número de eventos,
la gestión de marcas y la creación de una imagen encontrándose por encima de Toronto, Dublín,
(city branding) se han convertido en el eje de la Milán o Estrasburgo según la UIA (Union of Inter-
actuación urbana produciendo nuevas ficciones national Association)” (Puche y Obiol, 2011:199).
urbanas para entrar en un mercado turístico y En este ranking, también podríamos añadir, como
financiero cada vez más competitivo (Bélanger, un termómetro muy significativo, que, en el 2011,
2005; Bennet, 2005; Kavaratzis y Ashworth, 2005). la Lonely Planet, una de las mayores fábricas de
En el caso valenciano, la aparición de organis- conceptualizaciones en destinos turísticos, la colocó
mos especializados en la investigación, la difusión en el ‘top 5’ de las diez ciudades que no puedes
y la promoción de la ciudad, como el Centro de Es‑ dejar de visitar en el mundo.
trategias y Desarrollo de Valencia y VCL Turismo Ahora bien, ¿Cómo han articulado los ciuda-
Valencia, ambos con capital mixto público‑privado, danos estas transformaciones urbanas en busca
responde a la política de conquista exhibida por de catapultar su capital? ¿Cómo construyen los
sus administradores para colocar en la topografía nuevos imaginarios puestos en circulación para
global de la excelencia a la capital del Turia. Y, la atracción turística? Algunos científicos sociales
señalan que el trabajo emprendido busca no solo esperada, en gran medida por la inestabilidad
situar a la ciudad en la geopolítica del mercado, política del momento (Obiol, 1999) y por la falta
sino que los ciudadanos apoyen y se reconozcan de estructuras para hacer llegar y acoger a los
con el programa y la proyección (Kavaratzis, 2004; visitantes6, pero cimentó parte del perfil de la
Kavaratzis y Ashworth, 2005; Bélanger, 2005; ciudad al vincularse con la “tierra de las flores y
Bennet, 2005; Rausell, 2006). En este artículo, de la alegría” (Martínez Gallego, 2010:176) y puede
trataremos de acercarnos precisamente a ello, ser considerado el primer intento de promoción
atendiendo a la forma en cómo se percibe la ciudad turística de la ciudad (Puche y Obiol, 2011). En
y la nueva vocación turística. Y, en esa aproxi- cualquier caso, nos interesa señalar que la Ex‑
mación, veremos cómo se han ido transfigurando posición Regional fue un experimento novedoso,
las lógicas y los elementos identitarios de la urbe al intentar impulsar el turismo urbano a través
y cómo las nuevas activaciones patrimoniales de la publicidad y al ambicionar captar público y
provocan fracturas identitarias. El patrimonio capitales con estrategias atractivas. Eventos, es-
urbano reducido a ‘consumo’ e insertado en las pectáculos deportivos (hípica, vela, automovilismo,
redes globales de producción mercantil impone etcétera), parque de atracciones, foros, promoción
nuevas versiones de identidad rentables. Tras esta y construcción de imagen7 y voluntad de situarse
introducción, realizamos una breve contextualiza- con nombre propio entre las ciudades europeas,
ción, desde una perspectiva diacrónica, sobre las según prensa de la época, fueron elementos que
transformaciones de las empresas e imaginario estuvieron presentes en la Exposición de 1909
turístico de Valencia. Más tarde nos acercamos a (Martínez Gallego, 2010). Y que, cien años después,
cómo se analiza la construcción de la ciudad como salvando las distancias, siguen vigentes, con otro
objeto turístico. Para ello, en esta ocasión, nos cariz e intensidad.
aproximamos a las narrativas extraídas de cuatro En 1997 el geógrafo Obiol alertaba sobre la
grupos de discusión2. A través de ellos queremos falta de turismo urbano en la ciudad de Valencia
acercarnos a la forma en que nuestros informantes y la necesidad de activarlo dado los problemas
nos presentan sus figuraciones en torno a la urbe estructurales del modelo de turismo de “sol y
esperada, demandada e imaginada. Con esta técnica playa” tan consolidado en la región levantina.
se buscaba una primera aproximación a las diferen- En su artículo analizaba tanto los potenciales
tes percepciones, expectativas y representaciones recursos turísticos de la urbe como sus debilidades
colectivas. Lógicamente tiene limitaciones y con ella realizando una radiografía sobre la misma. En él
no se pretendía una representatividad estadística, apuntaba que no había políticas para la promoción
sino dibujar configuraciones sociales, teniendo turística de Valencia, siendo una ciudad más de
en cuenta que el discurso de los informantes está trabajo que de destino turístico y sólo rompiéndose
moldeado socialmente. Por último, cabe reseñar esta tendencia en Fallas con la llegada de una
que la realización de los grupos se inserta en una horda de visitantes. La falta de infraestructuras
investigación más amplia sobre las transforma- y equipamientos, la escasez de un tejido comercial
ciones de la ciudad de Valencia3 y el resultado de y poco competitivo y las deficiencias en los aloja-
los mismos se contrastó con la realización de 36 mientos, pese al crecimiento experimentado, eran
entrevistas. La comparación de las narrativas señaladas como las principales dificultades para
extraídas, de ambas técnicas, puso en evidencia el despliegue turístico de la capital. En una breve
un discurso bastante cristalizado en cuanto a la síntesis, el autor indicaba que tras la celebración
percepción de la ciudad y a las transformaciones de la Exposición Regional se siguió con la inquietud
sufridas en ésta durante los últimos años4. por promocionar turísticamente la ciudad, pero no
se consiguió el objetivo, en parte, por su posición de
marginalidad en el estado español (Obiol, 1997)8.
2. Referentes turísticos en la promoción de la Durante el franquismo, se fomentó el turismo
ciudad: de la Ciudad de las Flores a la Ciudad fallero por sus lazos con el ruralismo tradicional y
de las Artes y las Ciencias como propaganda del régimen (Obiol, 2009)9. Y en la
década de 1960, el turismo de ‘sol y playa’ caló con
A principios de siglo XX, la promoción turística fuerza en las costas valencianas, dejando de lado
pasó a estar en la agenda política del estado español la potencialidad de la urbe como espacio turístico.
(Cal, 2007). En este contexto, la celebración de la Hay que esperar a la llegada de la democracia, como
Exposición Regional Valenciana en 1909 buscó la señala Obiol, para ver un viraje hacia políticas
proyección turística de Valencia5 (Obiol, 2009) a turísticas que fueran más allá del carácter rural
través de un gran evento que generara nuevas y festivo acuñado en el periodo anterior. En esta
infraestructuras, negocios e imágenes. El aconte- dirección se consiguieron pequeños avances “de
cimiento no consiguió la atracción de los forasteros ser almizcle y ramillete fragante de España se
paso a estar a la lluna de València, la mar de bé” El otro se centró en las expectativas concretas de
(1997:13). Aún con todo, el autor señalaba que la comerciantes y restauradores. En este caso, las
ciudad en 1997 no había superado sus deficiencias conclusiones fueron que respecto al impacto general
y seguía imbuida en tópicos e imágenes de antaño. en la ciudad, se evaluaba positivamente en el mismo
En su análisis, concluía que Valencia tenía una sentido que el estudio anterior (revitalizaría la urbe
gran potencialidad como destino turístico, aunque con desarrollo de infraestructuras, se produciría
sus recursos turísticos estaban infrautilizados. Su una mejora económica con un incremento de la
propuesta pasaba por promocionar, de un lado, las riqueza y el empleo y las expectativas más altas se
estancias cortas asociadas al ya turismo de sol y correspondían con la creencia de que se produciría
playa, y de otro, eventos internacionales para que un alto desarrollo del turismo) (Llopis, Calderón y
Valencia fuera percibida como ciudad turística Gil, 2009)11. Por tanto, vemos como la valoración del
y dual “como centro de negocios y lugar de ocio” evento fue positiva obteniendo así el apoyo social a
(1997:18). la política iniciada. Del mismo modo si atendemos
Un año después de estas palabras comenzaba a la Encuesta sobre Percepción de Calidad de Vida
una carrera de vértigo hacía el título de ciudad y Futuro de la Ciudad, la satisfacción ciudadana
espectacular y espectacularizada10. En 1998 se inau- en el 2005 era muy alta, el 83% de los ciudadanos
guraba el Palau de Congressos de Norman Foster, estaban muy (48%) o bastante satisfechos (35%)
el Hemisfèric de la CAC y el Institut Valencià d’Art con su ciudad, había un alto grado de identificación
con la urbe y el 65% mostraba su confianza en que
Modern (IVAM); en 1999 lo hacía el Circuito de la
la ciudad mejoraría en los siguientes años (CEyD,
Comunitat Valenciana Ricardo Tormo MotoGP y
2005). Por último, si reparamos en los resultados de
el Museu de Ciències Naturals; en el 2000 se abría
las elecciones municipales y autonómicas podemos
Museu de les Ciències Príncip Felip; en el 2001 el
ver como los ciudadanos han respaldado las políti-
Museu Valencià de la [Link]ó i de la Moderni‑
cas desplegadas ya que en las sucesivos plebiscitos
tat (MUVIM); en el 2002 se aprobaba el proyecto
el partido gobernante ha salido reforzado12.
Balcón al Mar y se estrenaba L’Oceanogràfic del
Pero, veamos a continuación, cómo los ciuda-
complejo CAC; y, por fin, en el 2003, Valencia era
danos perciben hoy las transformaciones de la
elegida como sede de la regata con más prestigio
ciudad, resaltando tanto sus grandezas y como sus
en el ámbito internacional: la Copa América, a
miserias, a la luz de la crisis económica. La posición
la vez que se inauguraba el Museu d’Història de
discursiva de los informantes hace que su discurso
València y el reconvertido Mercado modernista
sea dual: lo mismo le atribuyen espectacularidad,
de Colón. Es decir, cinco años después de que Obiol
que le responsabilizan de la precariedad; lo mismo
realizará la radiografía de una Valencia turística
subrayan el protagonismo de la CAC que reclaman
raquítica, se emprendía una mutación, tan radical sus señas de identidad características. En cualquier
como veloz, y se apostaba por la “arquitectura de caso, la narrativa referida a la urbe y el turismo,
espectáculo” (Zamudio Vega, 2011), sintetizada nos permite observar cómo se articula este binomio
ejemplarmente en la obra de de CAC de Calatrava, complejo en el contexto de crisis actual.
y por los eventos de gran proyección internacional.
Así, como apuntan por algunos autores, se iniciaba
el camino en el que “el Ayuntamiento, y por ende la 3. Valencia: del ostracismo a la Lonely Planet
Generalitat Valenciana intentaban distanciarse del
folclore más reconocible y estereotipado referido a En todos los grupos realizados la imagen de una
la cultura ‘del sol y la playa’ y la celebración más nueva ciudad turística y la llegada del turismo ha
popular, las fallas” (Molla, 2011:8). sido reconocido como uno de los grandes cambios
La Copa América, más conocida y publicitada que ha sufrido Valencia. El proceso de turistización
como America’s Cup, fue, de facto, la primera urbana se relaciona con la fuerte mudanza que ha
‘puesta de largo’ para la ciudad de Valencia. Con la experimentado la ciudad a todos los niveles, “ha
Copa, la capital del Turia ansiaba lanzar su marca habido una transformación integral” (G.1)13. Y
y colocarse en el mercado, a la vez que buscaba el esa “transformación integral” ha sido la principal
apoyo ciudadano a su nuevo proyecto. En este sen- responsable de la llegada masiva de visitantes,
tido, son interesantes los estudios sobre percepción “un mogollón de gente” (G.2).
y expectativas que se generaron en torno a este La vocación turística de Valencia se vive como
evento. Dos de ellos fueron realizados en el 2006, algo novedoso y, en este sentido, la comparación
uno se focalizo en población general y apuntaba que temporal permite explicar la trasmutación. El
las expectativas sobre el evento eran muy positivas pasado y el presente se construyen como dos
en cuanto al turismo, desarrollo de infraestructuras mundos antagónicos siguiendo, en gran medida,
y generación de riqueza (Sancho y García, 2007). el discurso institucionalizado (salto milenario) y el
análisis académico antes visto (turismo raquítico). de la America´s Cup, y fuera de aquí ya nos conocen.
En las narrativas el presente urbano se aleja de La Ciudad de las Ciencias y eso está muy cambiao,
forma radical del ayer de la ciudad. La Valencia porque estaba…” (G.3).
actual se caracteriza por la promoción de flujos
turísticos de mercados globalizados y por la dotación Todos los grupos parecen apuntar a dos motivos
de equipamientos y acontecimientos atractivos en el análisis del porqué Valencia quedo al margen
para visitantes. Al respecto, hay un claro consen- de los destinos turísticos en el pasado. El primero
so: la nueva ciudad ha colocado en la lanzadera tendría que ver con la competencia desleal de otras
turística a Valencia. Los logros de este giro, leído ciudades en el Estado Español, o bien con un peso
como histórico, se subrayan en todos los grupos. y una tradición mucho mayor en el sector turístico
Por un lado, la apuesta ha servido para colocar a (ciudades intermedias turísticas como Sevilla), o
la capital del Turia en la cartografía geopolítica bien con dotaciones e infraestructuras turísticas
de la economía terciarizada y, por otro, para estar mucho mayores por su condición de ser epicentros
presente en las topografías del imaginario de la administrativos o financieros (grandes metrópolis
excelencia. Afirmaciones como “la importancia como Barcelona o Madrid). Esta suerte de subordi-
internacional que tiene” (G.1) o “Valencia se conoce nación o marginación dentro del Estado explicaría
mucho, mucho en el extranjero en los últimos años” que la ciudad haya sido un espacio olvidado durante
(G.4) sustentan esta lectura. El reconocimiento décadas “dejada de la mano de Dios”.
de ser hoy referente internacional se acompaña El segundo motivo se relaciona con la propia
también de un salto cualitativo y cuantitativo en política local llevada a cabo en la urbe. En esta
la propia esfera nacional. Dicho salto ha permitido dirección se afirma que la propia Valencia daba
hacerse un hueco en el mercado propio y distin- la espalda a Valencia. Hasta el punto que los
guirse dentro del estado español, “en las últimas informantes adoptan el lenguaje económico para
décadas, ha avanzado muchísimo en relación con hablar de su ciudad de forma contundente: “no se
ciudades como, o sea en comparación con ciudades ha sabido vender”. La invisibilidad de la ciudad
como Sevilla, como Bilbao…” (G.2). El rasgo dife- dentro de la geografía nacional, y resta decir de
renciador señalado con respecto a otras urbes, es la internacional, era lógica por la ausencia de una
que “Valencia ha cambiado muchísimo más” (G.3). agenda y una voluntad política turística. La falta
Mientras el pasado es leído como una oportunidad de inversión y de una promoción adecuada en el
perdida, hasta el punto que los informantes hablan sector turístico dejó a la ciudad, durante muchos
una relación histórica injusta que ha llevado a la años, fuera del circuito.
ciudad a un inmerecido ostracismo. La Valencia
de antes, era una Valencia a la que no se le hacía
justicia en términos turísticos. No estaba en ningún “‑ Valencia no sabe venderse como ciudad, en Valen-
mapa (ni nacional ni internacional) y era la gran cia la Lonja, por ejemplo que la hemos mencionado
al principio, la Lonja es el sitio que si tu preguntas
desconocida: “antes casi no había turismo dentro
en la mayoría de España…
de la ciudad” (G.1). La falta de reconocimiento de
‑ Nadie
los atractivos intrínsecos son expresados en tópicos ‑ No se conoce
muy arraigados (“la luz”, “el clima”, “la playa”, ‑ Todo el mundo conoce Barcelona, conoce el otro
etcétera) y en lugares icónicos identitarios (Lonja, sitio y esto no lo conoce, Valencia no se ha sabido
Albufera…). Así, para nuestros informantes en el vender, no sabe vender, la Albufera de Valencia
pasado, la ciudad monumental, la de sus joyas suena por ahí, pero la gente viene a Valencia y no
arquitectónicas góticas, renacentistas o barrocas, visita la Albufera y si tu vas por otros sitios tu sí
era ignorada; la de sus barrios históricos negada; que visitas esos alrededores… esos alrededores
la de la huerta, el mar y el puerto olvidada; y la de bonitos, Valencia históricamente no se ha sabido
la Albufera, la ‘alhaja de la corona’, inexplorada. vender” (G.1).
realidad de la ciudad vivida. Aparece entonces la Ahora bien, las descomunales inversiones en
doble cara de Valencia, o si se prefiere, la ciudad conjuntos arquitectónicos y los grandes eventos
polarizada o dualizada la que es, al mismo tiempo, son sólo una cara de lo percibido por nuestros
tan amablemente turística como problemática. informantes como derroche y exceso (“¡Cuesta
Esta doble representación se escenifica en los dis- un pastón!”). La otra cara responde a la forma de
cursos en el juego constante entre los visitantes gobierno, se denuncia que la política desarrollada
y los anfitriones, los de fuera y los de dentro, que en la ciudad respondería a “intereses de tipo econó-
busca acentuar las incoherencias de una ciudad micos” y “particulares” (G.4), de ahí la obscenidad
pensada para el consumo y sometida al mercado. o la doble obscenidad, la del costo y el sobrecosto.
La narrativa, en este caso, sorprende porque la En cualquier caso, el modelo implementado de
polaridad llega incluso a ser entre la propia ciudad ciudad, apuntan, da como resultado que los lugares
(la del pasado, la vivida) con la nueva ciudad ‑la comunes estén subordinados a los intereses forá-
CAC‑ construida como algo separado que se va neos y a los espacios faraónicos. Los discursos van
a visitar. Su propia denominación así lo sugiere, en dos direcciones. En primer lugar, en todos los
Ciudad de las Artes y las Ciencias, una ciudad grupos se percibe la pérdida de espacios públicos,
aparte o un objeto con carácter suficiente para con privatizaciones encubiertas, y lo más grave se
mostrarse con una entidad propia14. lee que la inversión del dinero público (el de los
ciudadanos) prioriza a los de fuera (turistas) y no
“primero hacemos la Ciudad de las Ciencias, cosas a los de dentro (ciudadanos). Lo que da entrada a
preciosas para atraer el turismo, de acuerdo, de la reivindicación “que no sea solo para unos pocos”
acuerdo, muy bien. Pero es que, por otra parte, lo (G.3). La queja se repite en todos los grupos: “Que
fastidiamos no cuidando Valencia” (G.3). se invierta también en turismo, que está muy bien,
pero que hagan un poco más por nosotros” (G.2).
De este modo, en los grupos se inicia una crítica Aquí se deja claro que los intereses públicos y
sobre la pérdida de los espacios y servicios públi- privados se entremezclan y que lo público responde
cos, el desmán de las actividades inmobiliarias, la a otra lógica.
hipoteca que suponen las grandes inversiones para
los ciudadanos y la pérdida de referentes locales. “‑ Lo que es público, una cosa es un cine que es
Hasta tal punto que una de las ideas más repetidas privado, bueno, pues tendrá que tener su beneficio
es que la Valencia de hoy parece fabricada a merced pero que paguen con nuestro dinero un gran teatro
de los imperativos turísticos. Los visitantes, los que nos cuesta una pasta a todos y [hablan todos]
‘otros’, parecen ganar la partida a los de casa. El ‑ A disfrutarlo nosotros” (G.4).
‘nos‑otros’ se percibe que se borra o queda en un
segundo plano por las exigencias del guión: se está Esta exigencia de nuestros entrevistados se
“cuidando para el turismo, para atraer a gente, pero sustenta en los deberes, léase impuestos, lo que
en realidad para nosotros…” (G.2). Incluso llega a da entrada a los derechos: “yo creo que porque
cuestionarse que las nuevas dotaciones turísticas vivimos, pagamos impuestos, tendríamos derecho
sean propias: “¿eso es de los valencianos?” (G.1). a tener un poco más de, de, a todos los niveles”
El juego retórico identitario, los otros/nosotros, (G.3). De ahí que el modelo sea cuestionado dando
sirve como tropo para explicar una ciudad que entrada a un debate sobre lo público y lo privado
presenta dos caras antagónicas. La más ostentosa, (y sus límites), sobre el interés‑bien general y
la que se presenta como un gran teatro mediático el económico (y su manipulación en el discurso
a consumir15, y la más realista la que se muestra hegemónico), sobre la equidad y la sostenibilidad
con claras deficiencias en el día a día. de la urbe (y su contrapartida) y sobre el precio de
una metrópoli que aspira a estar en los circuitos
“Pero yo pienso que se deberían cuidar otras cosas globalizados de la excelencia. Y al hacerlo se vuelve
que son para mí muy importantes. No es sólo cons-
a la reivindicación del ciudadano y del espacio de
truir edificios y calles también se debería pensar en
la ciudad vivido: “no se vive de cara al ciudadano,
los barrios, en hacer cómoda la vida en los barrios,
en proveerles de aquello de ambulatorio, de colegios se vive de cara a la galería y eso en el fondo es
de centros para mayores. Debería cuidarse porque muy triste” (G.3). La demanda es clara, si los de
es muy importante. Queremos traer el turismo y fuera pueden disfrutar de la ciudad es necesario
eso está muy bien porque España principalmente que los de dentro, la mayoría, también lo hagan.
es turística, se vive del turismo, pero qué pasa con
el ciudadano, qué pasa con la gente de a pie, qué “sí es verdad que ha ganado en atractivo turístico
pasa con las necesidades… Eso es importante y se para gente que viene de fuera, pero no para la gente
debería tener en cuenta” (G.3). que vive en la ciudad, quiero decir, no sé cuántos
de nosotros hemos usado, utilizado, disfrutado la “‑ También yo creo que se está potenciando el
Ciudad de las Ciencias, yo aquí presente no he turismo con la Formula 1 y la America´s Cup
estado nunca” (G.1). también un turismo un poco de [gesticula con la
mano indicando nivel alto]
‑ Claro, antes era más de playa y sol y playa y ahora
De nuevo los relatos vuelven a colocar a los es más de calidad por la Fórmula uno
visitantes y anfitriones en el punto de mira, apa- ‑ De caché.
reciendo la oratoria sobre lo mostrado y lo vivido. ‑ Sí” (G.2).
En ese juego el ciudadano se diluye, deja de ser
el protagonista de su propia realidad, porque la
En todos los grupos se acepta como necesidad
ciudad proyectada es simplemente una ficción, un
la terciarización de la ciudad, aunque el modelo
decorado, ajeno a la cotidianidad.
practicado debería cambiar en al menos dos sen-
tidos. Primero, cabe replantear el turismo VIP,
“‑ Yo tengo la sensación que el ciudadano en Valen- que excluye y beneficia solo a unos pocos, además
cia no es importante, yo he ido a otras ciudades en de cambiar los espacios turísticos hacia lugares
las que he visto que el ciudadano o sea se hacían democráticos donde haya cabida para todos los
cosas para el ciudadano, el turismo también era ciudadanos. Segundo, y más importante y reivin-
importante, pero el ciudadano, se notaba que estaba dicativo, exigiendo que las inversiones para los
a gusto… ¿os imagináis una piscina en el Museo de fuera se correspondan con inversiones para los
de las Ciencias, pública? de dentro. Volvemos a una demanda parecida a la
‑ Estupendo.
de antes, que no prime “sólo el punto de vista del
‑ ¿Dónde la gente pudiera ir con sus hijos a la
turista”, pero ahora centrada en las inversiones y
piscina por el módico precio de un euro o que se
no en el disfrute. En síntesis, nuestros informantes
pudiera sacar un carnet?
hablan de dos claras visiones sobre la capital del
‑ Estupendo.
Turia. Dos miradas, resta decir ideales, que se
‑ Eso es impensable en esta ciudad (…)
‑ Es un ejemplo que he puesto corresponde con la construcción de dos realidades
‑ Es un ejemplo que se construye para verlo elaboradas, estratégicamente, como opuestas para
‑ Por ejemplo, te vas a ciertas ciudades y ves que el definir bien las posiciones. En consecuencia, aparece
ciudadano es importante, que tiene derechos, tiene la doble lectura dependiendo de la óptica de quien
obligaciones y tiene derechos, hay un civismo y hay lee la ciudad: “de fuera se ve de una manera y
un respeto y los políticos serán como serán pero de dentro de otra” (G.4). En todos los grupos se
tienes la sensación que tú como ciudadano eres produce un articulación similar: los de fueran
importante y que puedes ejercer y yo aquí no me ven (“la mirada desde fuera no deja de ser una
siento importante, para nada, para nada… en esta mirada sobre lo que más se ve”), los de dentro
ciudad me da la sensación que es un escaparate” viven (“nosotros la vivimos”). Por tanto, las lógicas
(G.1). en las representaciones políticas de los imagina-
rios difieren de manera forzosa. El ver y el vivir
configuran expectativas, intereses y necesidades
En segundo lugar, existe consenso en considerar
distantes e incluso a veces encontradas. Como se
que se ha apuntado a la caza de los turistas “con
puede apreciar, la dicotomía practicada entre los
más dinero” (G.1), buscando un perfil de urbe
de dentro y los de afuera se corresponde con una
caracterizada por la exclusividad y la distinción,
experiencia paradójica: “está bonita” y “no se puede
“para que vayan determinada gente a verlo” (G.3).
vivir”. La ciudad espectacular es presentada para
Esta percepción se sustenta, por un lado, por el tipo
ser vista por los foráneos, durante un espacio de
de citas promovidas (regatas, carreras de coches,
tiempo acotado y un trazado delimitado que dirige
caballos, tenis). Y, por otro, por el impulso a lugares la vista a lo que se quiere enseñar y oculta lo que
que, se percibe, dejan fuera a la mayoría (espacios precisa16. La realidad de la urbe es vivida por los
de distinción). Deportes y espectáculos culturales anfitriones, en un tiempo localizado, pero abierto,
todos ellos vinculados a una elite determinada y donde es imposible controlar la mirada para no
que, por tanto, encapsulan la exclusión y la desi- ver, porque lo no mostrado se vive.
gualdad a través de la apropiación no sólo de un
lenguaje determinado (uso del inglés) sino también “hay que crear una ciudad lo más habitable posi-
de los espacios reservados (control de accesos). De ble, lo más posible para los que vivimos aquí los
forma que se lee cómo se ha virado no sólo en los trescientos sesenta y cinco días del año, porque en
activos turísticos puestos en valor, sino en el tipo realidad el que viene a pasar ¿qué viene a pasar?
de público al que van dirigidos. ¿un día? ¿tres días? ¿mediodía? ¿unas horas?” (G.1).
4. La ruptura del espejo: la imagen resque‑ es tan simple como contundente: la proyección
brajada turística desarrollada (exhibida) hacia el futuro
se hace diluyendo el pasado, vetando su historia
El debate de nuestros informantes pasa, como y sacrificando el presente. De tal manera, para
acabamos de ver, por el modelo de ciudad (dual) nuestros entrevistados el paradigma urbano desple-
turística vendida en la actualidad y relacionada, gado conlleva dos movimientos interrelacionados:
además, con la imagen construida y arrastrada del el que obliga a mirarse de nuevo a los de dentro,
pasado. En este sentido, sorprende el giro discursivo para mostrarse a los de fuera, y el que desplaza
y la mirada, entre romántica y bucólica, hacia el las necesidades de los de dentro por los de fuera. A
pasado de la ciudad. Desde esta posición, reivin- pesar de ello se reconoce la necesidad y dependencia
dicando y reinventando una Valencia de postal, del turismo en la economía de la ciudad, por eso
pero con el porte suficiente para ponerse en valor, se exige, como acabamos de ver, una respuesta
se entiende que se inicie una reprobación hacia la equitativa que contemple las distintas necesidades
versión única de la ciudad turística hipermoderna (las de anfitriones y las de visitantes). El problema
y volcada al futuro, que se presenta a sí misma se detecta cuando se ‘vende’ todo al exterior y a
como “Esta ciudad es otro mundo”17. Esta estrategia cualquier precio: “imagen, imagen, imagen, mucha
sería la responsable de desnudar ‑‘desnudaría’‑ los imagen y luego la dificultad la pasamos todos” (G.4).
rasgos propios ‑‘la imagen anterior’‑.
“‑ las ciudades tienen que tener atractivo y por lo
“¿Por qué vamos por ahí? Pues vamos por el turismo, tanto eso es algo que todas las ciudades buscan,
vamos por el turismo, pues vamos a por todas, a por el tener algo, algún proyecto que les de fuerza
el turismo (…) a mi me sabe mal que nos estamos para estar en el mundo, para que venga gente y
desnudando de nuestra imagen anterior” (G.3). etcétera, etcétera, el problema es cuando todo se
hace girar en torno a eso
Al fin y al cabo, las cosas parecen no haber cambia- ‑ están pensando más en venderlo fuera y lo hace
do en demasía, el discurso del presente sigue siendo mal, y lo hace mal y lo han hecho mal unos y otros”
(G.1).
el mismo de antaño: se articula en la ignorancia y
en la inexistencia de los recursos y potenciales de la
ciudad. Y esta negación, vinculada al pasado local, En definitiva, la crisis del paradigma de la
supone para nuestros informantes borrar las señas ciudad vendría dada por la crítica contundente a
de identidad propias. La crítica a la necesidad de la socialización de las pérdidas y la privatización
construir nuevos espacios y referentes (ciudades de ganancias. Además, el modelo de crecimiento
dentro de ciudades), más allá de sus costes ecosociales, y desarrollo impulsado por las instancias políticas
para poner en el mapa (global y nacional) a Valencia se ha visto quebrado por la crisis. El derrumbe
es contundente. La ciudad ya disponía, antes de los económico e inmobiliario ha puesto sobre la mesa
megaproyectos, de lugares emblemáticos con una los mentís del sistema. Lo que da pie a la ciudad
entidad suficiente para ser puestos en circulación. En problemática, la que falla en los pronósticos de
este sentido, no hay duda sobre el atractivo intrínseco producción de riqueza por contagio, “¿Y el trabajo
de Valencia y hay una unanimidad compartida al que dicen que iba a salir?” (G.4), la que niega el pre-
respecto en todos los grupos. sente y el futuro al hipotecarlo o la que es capaz de
vender su alma al diablo, para lograr un tan ansiado
“En verdad, Valencia tiene mucho más que eso como equivoco progreso. Nuestros informantes son
(referido a la CAC). Tu paseas por el casco histórico explícitos al cuestionar tanto el proyecto político
de Valencia y es súper bonito y, sobre todo, por la de desarrollo como los discursos grandilocuentes.
noche, es súper bonito” (G.2). De ahí los múltiples cuestionamientos.
Por tanto, el reproche de las políticas turísticas “Yo creo que al final la pregunta, la pregunta que
en el fondo nos estamos haciendo… ¿qué es estar
circula tanto para el presente (no se han activado
bonita? Si usted me está preguntando si ve esta
referentes tradicionales e identitarios potencial-
postal y es bonita, o me está preguntando lo que hay
mente atractivos para el turismo por sí mismos) detrás… quiero decir, para mí una ciudad bonita
como para el pasado (Valencia nunca ha estado tiene que ver con mi ética personal… es decir, no
en el lugar que se merece por su belleza natural). me quedo con la postal, que bonita ‘mírala con mis
El resultado de ambas políticas es reduccionista ojos’ hombre… vienen mis amigos y no me los llevo
y queda sintetizado en la siguiente afirmación a ver la degradación de la ciudad, evidentemente,
lapidaria: “(hoy) básicamente Valencia es Ciudad tampoco está la cosa para eso, pero lo que quiero
de las Artes y las Ciencias”. La lectura realizada decir es precisamente hay un tópico detrás de
cada ‘qué bonita esta la ciudad’ y a partir de ahí y En segundo lugar, el mito del turismo como
parece que después no hubiera ética personal y no generador de una riqueza sin límites, temporales
entraríamos en qué pasa con los ochocientos mil y espaciales, se ha diluido. Si bien es cierto que el
ciudadanos que hay en la ciudad y a mí la ciudad número de turistas se han incrementado, de forma
dice ‘¿qué es un puente? Una persona que pasa por considerable en la ciudad y muy por encima de la
un puente’ es decir, al final son las personas” (G.1) media del resto de ciudades europeas (Rausell,
2010), también es cierto que no han reportado los
beneficios que se esperaban (generación de mano de
5. Conclusiones
obra, atracción de capitales y, en general, riqueza).
En un corto periodo de tiempo, Valencia se Por otro lado, el hecho de focalizar todo la atención
ha hecho con complejos monumentales y con un en la promoción de la CAC ha desactivado otros
considerable parque museístico; con eventos y recursos turísticos. El efecto crowding out en los
competiciones de elite ampliamente difundidos museos, por el monopolio ejercido por la CAC, fue
en los mass media internacionales; ha crecido en pronto señalado sin mucho éxito (Rausell, 2004). El
número de plazas hoteleras, de pernoctaciones y resultado es que han quedado fuera de la promoción
de visitantes; ha multiplicado la publicación de sus de la ciudad siendo un potencial recurso estratégico
guías turísticas y sus ediciones en diferentes idiomas para el turismo (Martín, 2010). Del mismo modo
y ha conseguido entrar en la exclusiva lista de la este desplazamiento también se ha producido con
Lonely Planet. Viéndolo de este modo, ¿Por qué se los recursos patrimoniales históricos de la ciudad
pone en duda el modelo? ¿Por qué los ciudadanos (Catedral, Basílica de la Virgen, Lonja, Albufera,
vierten críticas sobre el mismo? Probablemente, Museo de Bellas Artes, Mercado Central, Mercado
porque esta forma de mirar a Valencia es engañosa de Colón, antigua universidad, Torres de Serra-
y sólo responde a los intereses de unos pocos que nos, Torres de Quart, Miquelet, Santa Catalina,
aún siguen blandiendo la bandera del éxito ¿Cuál ha etcétera) que si bien aparecen en la propaganda
sido el alcance de esta política urbanística centrada de la ciudad lo hacen de forma muy secundaria
en la atracción del mercado turístico y financiero? o complementaria. El discurso hegemónico ha
Nuestros informantes los han desgranado con cierto conseguido que los ciudadanos se identifiquen, en
y podrían resumirse en tres puntos. parte, con el nuevo imaginario propuesto, mutando
En primer lugar, los complejos y eventos han si- las representaciones que se tenían de la vieja capital
tuado al ayuntamiento y la Generalitat Valenciana del Turia23, pero al mismo tiempo los ciudadanos
al borde de la quiebra. Según los datos publicados reclaman sus señas de identidad propias. En este
por el Banco de España, en el 2013, es la comunidad sentido, “Valencia es ya hoy una ciudad turística
más endeudada en porcentaje18. La falta de plani- para sus propios habitantes y esta dualidad co-
ficación y la gestión privada de los fondos públicos tidiana –dialéctica entre recursos emblemáticos
ha llevado a poner en jaque el sistema de bienestar. de siempre e identitarios por una parte, y de hoy,
El paradigma de la NUP en el caso valenciano grandilocuentes y volumétricos por otra‑, repercute
deja un panorama desolador: las arcas vacías para en la construcción de su personalidad y en la escasa
cubrir necesidades básicas, proyectos inacabados plasmación de esta en sus marcas” (Puche y Obiol,
por falta de liquidez19 y eventos cancelados por 2011:193). Hasta el punto que la identidad empieza
su nula rentabilidad20. Pero, además, esa falta “a resentirse de esta mercantilización tan parcial
de planificación hace que muchos de los museos o como indiscriminada” (Puche y Obiol, 2011:200).
edificios proyectados sean viables. Hasta el punto Además, el modelo turístico implantado no sólo
que esa política de los contenedores turísticos ha ignora el potencial cultural, sino que da la espalda
convertido obras emblemáticas en escenarios pri- al conocimiento y a la gobernanza. En palabras
vados. Piénsese en la nueva utilización del Palau de Rausell, “hoy Valencia es una ciudad cuya
de les Arts como recinto para celebrar bodas. O en emergencia se ha construido a partir de atributos
el peor de los casos la enorme inversión pública se culturales pero que han quedado diluidos en un
pierde por la falta de previsión o por la inutilidad magma más amplio relacionado con el ocio, los
de las instalaciones (política de contenedores)21. eventos deportivos, la calidad de vida el buen clima,
En el caso valenciano, la espectacularización de etc.…Valencia ha conseguido, con notable éxito,
la ciudad ha sido paralela a su precarización22. posicionarse en aquella dimensión de la ciudad que
Ambas, espectacularización y precarización, son tiene que ver con la diversión, la recreación, sin
caras de una misma moneda de la Valencia vacía del embargo éste mismo éxito le ha llevado a renunciar
siglo XXI. El pretendido imán de la CAC, y de los a la ciudad culta y a prestar poca atención ni por
eventos que allí se han ubicando, muestran que la la ciudad del conocimiento ni por la gobernanza
rentabilidad económica y social nunca ha existido. como atributo” (2010:98).
Notes 12
El gobierno municipal y autonómico lleva en manos del PP
desde las elecciones de 1991 y de1995 respectivamente.
1
“Esta Valencia que vive el siglo XXI con pasión e
13
Detrás las citas aparece un número que indica el grupo
intensidad, en un periodo de la historia que rememora de donde fueron sustraídas. Como verá se ha respetado
su más brillante pasado; que evoca, con su recuperada la literalidad de los informantes, ayudando cuando es
vitalidad y su continuado protagonismo internacional, la necesario a su comprensión.
condición de capital del Mediterráneo que tuvo durante
14
En este sentido, vale la pena señalar que las propias
los siglos XIV y XV” (Valencia. Paseos y recorridos guías turísticas hablan al presentar la CAC como “de
2007:3). una ciudad dentro de una ciudad”.
2
Los grupos buscaban reflejar la población general de la
15
No podemos dejar de llamar la atención que desde
ciudad. Fueron realizados los siguientes: G.1 (Varones/ los discursos hegemónicos las políticas ostentosas se
mujeres, adultos, profesiones liberales), G.2 (Varones/ presenten y conformen no sólo como lo prescrito sino como
mujeres, jóvenes, estudiantes universitarios), G.3 lo normalizado. En este sentido, se puede leer en Best in
(Mujeres, adultas, amas de casa) y G.4 (Varones, jóvenes, travel (2011), que Valencia se ha situado en el top ten por
asalariados). Todos los grupos se efectuaron en el 2011, su proyección gracias a los grandes eventos deportivos y
en el aula de Laboratorio de la Facultad de Ciencias obras como la CAC, respaldando precisamente lo que en
Sociales de la Universitat de València y fueron dirigidos los grupos se tacha como ostentoso y opulento.
por Beatriz Santamarina. Para el análisis de los grupos
16
En este sentido, las guías turísticas juegan un papel
se ha seguido la teoría fundamentada (Grounded Theory) fundamental en las directrices a seguir, estableciendo
con el fin de identificar los procesos sociales básicos a rutas y paradas de obligado cumplimiento para el turista
través de la codificación y la categorización y el método (Santamarina y Moncusí, 2013a).
comparativo (Trinidad, Carrero y Soriano, 2006).
17
Bajo este titular se presento un spot para promocionar
3
Este trabajo está realizado dentro del Proyecto de la CAC. Hoy en la página web con ese mismo nombre se
Investigación “Metrópolis glocalizadas: el caso de accede a la CAC. [Link]
Valencia. Espectacularización y precarización urbana en
18
El Banco de España publica los datos en su página web:
las ciudades medianas”. Plan Nacional I‑D+i. MICIN Rf. [Link]
CSO2009‑10715. En el mismo se realizaron 36 entrevistas,
19
Solo por dar un ejemplo pensemos en la cubierta inacabada
observación participante en barrios y espacios clave de del Ágora dentro del complejo de la CAC.
la ciudad y análisis de contenido de diverso material,
20
La Formula 1 de los caballos (Global Champions Tour), el
como guías turísticas, prensa, documentos oficiales, etc., Premio de Europa de Formula 1 o MTV Winter Festival.
relacionados con la construcción social de Valencia.
21
El Ágora vuelve a ser un buen ejemplo, sólo se utiliza para
4
Si bien es cierto que se pueden encontrar pequeñas el Open 500 de tenis y para la semana de la moda (Valencia
diferencias, de clase, género, edad y nivel de educación, Fashion Week). O el circuito construido de Fórmula 1 ha
ninguna de ellas parece ser especialmente significativa. sido abandonado lo que ha provocado un saqueo de sus
Por ejemplo, el estatus social y la formación académica instalaciones. En este sentido, una noticia de prensa era
recibida diferencia los distintos discursos a la hora de elocuente con este titular “del glamour al vandalismo”
manejar ciertos conceptos o articularlos pero el fondo es (AS, 27 de enero 2013).
el mismo.
22
Para un análisis sobre las fracturas económicas, sociales
5
Esta sería la agenda expresa del evento; la oculta, siguiendo e identitarias en la ciudad de Valencia se puede acudir a
a Martínez Gallego (2010), tenía como fin favorecer los Santamarina y Moncusí (2013b).
intereses monárquicos en una ciudad donde prevalecían
23
Para ver cómo han variado las percepciones sobre la
los republicanos. imagen de la ciudad se puede acudir a Boira (1992, 2005).
6
Judd señala además que estas ferias y exposiciones “no
24
En palabras de Soja “los nuevos procesos de urbanización
fueron suficientes para transformar a las ciudades en han producido la magnificación de las desigualdades
destinos turísticos” porque las urbes eran asociadas a económicas y extra‑económicas (raciales, de género,
“barriadas miserables y problemas sociales” (2003:54). étnicas) con consecuencias destructivas tanto en los
7
“El conservadurismo ensayaba nuevas estrategias entornos urbanos como en los naturales” (2008:564).
discursivas que pretendían crear identidad, valenciana
25
En este sentido, Prats (1997) entiende que existen dos
y conservadora, solapándose con el nuevo “negocio de los procesos de construcción patrimonial de la identidad:
forasteros. En la práctica totalidad de actos desarrollados el primero se correspondería con la activación clásica
durante la Exposición sonó su Himno oficial, creación del del patrimonio y se trataría del ‘nosotros del nosotros’,
maestro Serrano que, auque devendrá en Himno Regional mientras que el segundo respondería a la activación de
a finales de la década de 1920, ya por entonces era referido la demanda turística y se definiría como el ‘nosotros de
por la prensa como Himno de Valencia” (Martinez Gallego, los otros’. Desde nuestra consideración habría que añadir
2010:178). un tercer proceso que responde también al fenómeno
8
De todas formas, Hernández (2002) señala que durante turístico. En este caso, atañería a la demanda y consumo
las primeras décadas del XX se consolido “la imagen de cada vez mayor de un turismo cultural, que obliga a una
Valencia como una ciudad festiva” (2002:25), hasta el escenificación esteriotipada que bien podría condensarse
punto que el carácter valenciano fue relacionado con la con la obligación contractual de un ‘vosotros para nosotros’.
determinación del clima.
9
En este sentido, el trabajo de Hernández (1996) pone
sobre la mesa como el franquismo utilizó las fallas para
cimentar sus políticas nacionales.
10
En realidad el despegue había sido años antes con la
puesta en marcha de los distintos proyectos. Recibido: 27/06/2013
11
Ahora bien, con respecto al impacto en el sector concluía Reenviado: 17/03/2014
que estos empresas no esperan un crecimiento derivado
de la celebración de la regatas (Llopis, Calderón y Gil, Aceptado: 17/03/2014
2009). Sometido a evaluación por pares anónimos
[Link]
Abstract: The end of the 1980s witnessed the revival of the pilgrimage route to Santiago de Compostela,
popularly known as “el camino”, a fact that brought with it the development of tourism in the city. However,
pilgrims have not been the only source of such growth as there have been cultural tourists too. Flows par-
ticularly increase during the Compostela Holy Years, i.e., when the 25th of July, St. James’ festivity, falls on a
Sunday. The increased track record of visitors in the city since the holy year of 1993 already foresaw a high
volume of visitors for the 2010 Holy Year. In order to avoid excessive overcrowding of the cathedral and all
its negative effects, a study was developed for proposals to manage tourist flows. This article explains the
methodology used for this study and analyses the results of its implementation. We highlight the problems
encountered, not only due to the partial implementation of the measures proposed, but also due to the con-
centration of actions in the cathedral and not in the destination as a whole.
Key Words: Santiago de Compostela, Cathedral, Carrying Capacity, Tourism, Tourist Flows.
*
E‑mail: [Link]@[Link]
**
E‑mail: laurapcab@[Link]
1998;...). However, this does not mean to say that numents, as in the case of Santiago de Compostela
tourism in Spanish cities did not exist, in whatever where the cathedral was, and to some extent still
marginal extent, if we compare with other alternati- is, undeniably the focal point. This would be the
ves. At the end of the 1980s several factors brought raw material that is conveniently transformed into
towns back under the tourist gaze. Some of these the backbone for tourist development (Ashworth
factors included the decentralisation of regional 1990, 1994, 1995; de la Calle, 2002; Jansen‑Verbeke,
governments’ tourism policies, the alleged crisis 1997). The vision of tourism as being linked to
of the sun and beach model, and the transition heritage and the historic centre in general is still
to new forms of capitalism, favouring processes very much seen today in spite of growing trends
of industrial restructuring and urban renewal in towards more comprehensive approaches (Prats,
areas which had, in general, suffered high degra- 2003). Proof of this trend can be clearly found in
dation. Troitiño Vinuesa & Troitiño Torralba (2010) the posters fostering tourism in Spain during the
highlight that since the mid 1990s until 2005, the first part of the 20th century ‑ few focused on city
number of visitors in Spanish historic towns had tourism, and those that did only showed individual
increased at a rate of 6% per annum. heritage elements. In the years following the Civil
However, such recent interest in urban tourism War (1936‑39) this trend became the norm, together
in Spain, and more particular, in town centres, is with the developing importance of sun and beach
not far from what has happened in other European tourism, the ever‑growing importance of religious
countries. This matter has already been addressed by and folkloric attractions (Ministerio de Industria,
authors such as Edwards et al. (2008), Pearce (2001), Turismo y Comercio, 2005). Gali and Donaire (2005)
Ashworth (1989, 2003), Page (1995) or Ashworth confirm that: Most places are ‘prisoners’ of their
& Page (2011). Page (1995), in his reference study images.... in such a way that the changes in the
regarding urban tourism delved deeper into this management models, the kind of visitors or the
situation. In particular, he referred to the scarce changes in physical area itself only partially modify
attention that research on tourism had ever devoted the old topics (p. 784), often created from influences
to urban spaces, something he first dated in his dating back to the Romantic period.
bibliography at the end of the 1980s. Furthermore, he A word of caution, however, must be said regar-
insisted that, in any case, his interest was triggered ding the presence of urban elements in promotional
by processes of urban regeneration that looked at tourism posters. Despite their printed presence,
tourism as an engine for the town’s development. such elements did not mean that tourism in historic
One of the arguments used by Page (1995), centres developed at that time. Several reasons can
taking Ashworth’s words, is that tourism was not be found for this. Firstly, visitor flows during this
valued as an urban attribute – the attraction of historic period were significantly minimal, and,
visitors could be a consequence of other urban therefore, so were their impact on the destinations.
functions such as trade, culture or business. Page In this respect Silberberg (1995) reminds us of the
(1995) also reminds us that tourism, a temporary changes in preference undergone by American
and transient activity, was not considered a serious tourists and which can be prevalent, with certain
field and therefore research focused on topics such nuances, in other countries. Secondly, there were no
as urban regeneration. All these aspects led to active tourism policies, inexistent at local level, and
the invisibility of urban tourism in the academia. were little more than that of promotion. We must
Industrial growth was also behind the desertion bear in mind, around 1963, when the sun and beach
and/or degradation of Spanish historic centres, as model was becoming a stable mass phenomenon,
they increasingly lost their traditional role within there were still strong voices, such as the World
the city. Therefore, as Ferrer (2003) points out in Bank, claiming that this was just a passing fancy
his truly interesting study on such urban spaces, prompted by extraordinary circumstances (Barrado
“by the mid and end of the 19th century, almost & Galiana, 2006); even more if we look at spaces
all European countries had issued legislation to with significantly lower visitor frequency rate.
protect historic towns” (Ferrer, 2003: 59). Spain Despite the fact that over 300 historic centres
was no exception with its Heritage Act of 1933. In had some level of protection after the Civil War
spite of this, the deterioration process failed to be (Ferrer, 2003), there were many cases in which
stopped, at least in Spain. degradation or deterioration became irreversible.
Some Spanish regions, such as the whole Mediter-
ranean coast, were deeply affected by this trend, as
2. Tourism and Historical Cities urban growth coincided with the expansion of mass
sun and beach tourism. Besides, the solution for the
From the point of view of tourism, although not increasing city growth, based on high birth rates
exclusively, focus at that time was mainly on mo- and intensive migration from the countryside was
the widespread construction of high‑rise buildings As we have seen so far, historic centres had
(Precedo, 1996). already been deserted by the population, who
It was not until the 1980s that changes started preferred to move elsewhere to live. It should be
to be seen in trends observed in Spain. The reasons borne in mind that many historic centres had begun
behind these changes are many, so we would like a process of abandonment and marginalisation
to outline but a few. Firstly, the 1970s oil crisis (Ferrer, 2003; Precedo, 1996). Once tourism became
did not affect Spain until the 1980s, a time when a shaping force in towns, this trend was further
many reforms were introduced for the country’s aggravated as buildings were indeed rehabili-
access into the European Union in 1986. This tated but not in a way that attracted people to
meant that traditional industrial sectors had to resettle in them. Even in places such as Santiago
undergo forced restructuring, something that also de Compostela, where measures in this direction
had an impact on city landscapes. The third sector were taken, the outcome was not as expected.
was the easy way out for much of this workforce, Tourism further contributed to the disappearance
so tourism became the preferred option for the of convenience stores, while increased restrictions
renewal of urban spaces. At the same time, the were imposed due to the symbolic value of such
sun and beach tourism model was becoming pro- spaces; for example, restricted access for cars, strict
blematic therefore a White Paper on Tourism in regulations on renovating or rebuilding houses, a
Spain was drafted (Secretaría General de Turismo, lack of facilities due to old structures, etc. (González
1990). This, in turn, led to the implementation of & Santos, 2007).
destination plans (Secretaría General de Turismo, Conflicting uses and the problem of sustainabi-
1992). The need to diversify supply through the lity due to an excessive tourist load become central
creation of new products was a new opportunity questions that have not always been properly
for cities. Mass cultural consumption, including addressed (Li et al., 2008). This is particularly true
shows and exhibitions (Urry, 2002), also increased for public instances which are often under pressure
in importance during this period and cities became
from sector‑based interests that advocate an idea of
their natural environment. Culture thus becomes
unlimited growth. Studies on hosting capacity are
one more business for the urban economy (Hamnett
common for monuments (García Hernández, 2001,
& Shoval, 2003).
2004), but due to their complexity they are scarcer
A final element completing the picture actually
for outdoor spaces, such as historic centres, even if
came from outside the country: the concept of World
we have some remarkable examples from Venice,
Heritage Sites developed by UNESCO in 1972. This
Bruges or Oxford, which are subsequently partly
gave explicit recognition to the universality of some
enriched by numerous case studies. Therefore, it
monuments and urban or natural spaces, and was
increasingly used in tourism marketing campaigns is often extremely difficult to reconcile tourism
(Li et al., 2008; Yang et al., 2010). Historic centres and the preservation of the historic, artistic and
could enjoy greater visibility thanks to this focus symbolic values of town centres. However, as Russo
on heritage. With the other factors mentioned, this and Van der Borg (2002) claim, the mere presence
measure was the final push in making historic of heritage is not enough to guarantee success of a
centres attractive for tourism. The former WTO Se- tourist destination. Lack of attention, for example,
cretary General indicated the demarcation line that to intangible elements, these authors claim, can
UNESCO recognition implies in relation to the visit render all efforts to create destinations based only
of these places (Frangialli, 2003). In their research, on monumental wealth pointless. In Spain, as
Yang et al. (2010) clearly point out that, at least Troitiño Vinuesa and Troitiño Torralba (2010)
in China, UNESCO designated cultural heritage claim, architecture and museums have been the
sites, including historic sites, are more relevant in two focal points.
terms of tourist attractions than UNESCO listed Keeping a historic appearance is undoubtedly
natural spaces in terms of attracting international very important (Naoi et al., 2011), and this explains
visitors. Spain has become the second country in the the efforts to rehabilitate heritage and eliminate
world with more sites declared as World Heritage all that, regardless of other factors, may mean
and its relationship with the tourist offer is more modernity, such as cars or electrical cables. Naoi
than evident (Troitiño Vinuesa, 2009; de la Calle, et al. (2011) also mention that a pedestrian envi-
2002) as shown, for instance, in the fact that there ronment introduces a certain feeling of discovery
is a Tourism Observatory within the group of world that is not just temporal but spatial too. However,
heritage city sites in Spain (Trotiño Vinuesa, de this value of the ancient has come face to face with
la Calle Vaquero, García Hernández and Troitiño the demands of the visitors themselves, who expect
Torralba, 2009). Furthermore, one of the group’s some services that may lead to a loss in singularity
two objectives is: ‘...to promote cultural tourism...’. (Russo & van der Borg, 2002).
In whichever case, historic centres in general If we only focus on the modern period, the Ca-
and historic‑artistic heritage in particular have thedral of Santiago had already been the target
become the main object of the tourist gaze. This of the tourist gaze from the first part of the 20th
happens in countries such as the United Kingdom, century onwards, something that was to be further
the United States or China (Li et al., 2008) and intensified during the Franco regime. It is interes-
has led authors such as Williams (2010) to claim ting that the religious character of this destination
that “The challenge of tourism in historic cities is, slowly changed into a tourism‑based approach. The
in many instances, the challenge of mass tourism” real transformation happened in the 1980s in the
(p.9), with all the implications this has on the light of two interrelated circumstances. Firstly, the
experiences of each visitor, and on the management designation of the city as the regional capital of
of each destination. Literature on the relationships Galicia, which reinforced its symbolic value and,
between tourism, heritage and historic cities leaves secondly, the St. James’ Way was fostered into
us many interesting reflections. Perhaps the work a unique attraction throughout most of Europe.
by Russo (2002) on the formation of the vicious Coinciding with this, the historic centre was listed
circle and its application to the case of Venice as World Heritage Site and urban and tourism
deserves special attention. It is true that, despite policies had obvious effects on this piece of urban
some similarities, Santiago de Compostela cannot structure (Santos, 2006, 2010). So far the latest
be compared to the Italian city. There is indeed intervention has been the construction, at least
a problem of overcrowding and an attempt was in part, of the City of Culture. This is a site of
an architectural project on the urban periphery
made to solve it with a flow management plan.
which, nevertheless, can have a direct impact on
However, the plan was only partially applied to a
the historic centre; the proposed access of cable
monument and, in which case, the problem was
cars travelling from one end of the historic city
not solved and even new ones were created. In
could increase pressure on this space rather than
short, it came down to giving a satisfactory answer
reduce it. Both the economic crisis and a negative
to one of the critical issues in the historic city’s
report from ICOMOS (2008) have paralysed this
development and the balance between the needs of
proposal, thus adding one more problem to the
the host community (social, cultural and economic), difficult management of the City of Culture.
visitors and heritage conservation (Stuart‑Hoyle Urban policies were implemented in a Special
& Lovell, 2006). Plan for the Protection and Rehabilitation of the
historic town, through the first draft of 1990 and
its final approval of 1997. It was implemented by
3. Santiago de Compostela in Perspective. the city’s Consortium, a body that brought together
Problems and Tourism Management the three public administrations (state, regional
and local). An intensive rehabilitation and renewal
Santiago de Compostela is part of a broader
programme was launched with the aim of going
context of mass cultural and religious tourism.
beyond mere physical regeneration and trying to
This means devaluation in the meaning of the
address issues such as functional rehabilitation,
destination in favour of the signifier. In other words, both for shops and housing. Furthermore, it ge-
and according to the classification established nerated cultural centres and content for the city
by Poria et al (2003), it is the increasing loss of as a whole. Regarding aspects strictly related to
importance of visitors whose motivation reflects tourism, a municipal tourism company was created
a feeling of identity with heritage. It is true that in 1999 and a destination plan was developed and
a study on this topic has not been done. However, funded by the three public administrations in
the data from the Tourism Observatory of Santiago question. These were the pillars for a large share
de Compostela (information consulted but not of the interventions undertaken.
yet publicly available) allow us to see that this The outcomes both of this tourism promotion
behaviour, even among pilgrims for whom Santiago policy, and urban development policies were dra-
is not the destination but the end of the way, is not matic. For example, between 1992 and 2006, the
the main one besides that of the religious reason Consortium invested 195€ million, of which 33.9%
(Santos & Lois, 2011). Therefore, they would be were destined to the town centre and 25.7% to
cultural tourists or even religious tourists with large facilities (Santos, 2010; Consorcio de San-
partial or accidental motivation, according to tiago and Grupo USC‑PsiCOM, 2007). In practical
the Lord classification (Timothy, 2011). Richards terms, many houses and shops benefited from
(2002) also states that surveys carried out among such funding, new parks were developed, unique
tourists visiting cultural sites showed that cultural buildings recovered, especially religious ones, and
motivation was relatively low. prestigious architects were employed for the design
and construction of author buildings for different achieve compatibility and the approach between
purposes (such as social or cultural centres), etc. its sacred vision and the secular viewpoint of many
However, all these efforts did not put a stop to the cultural tourists.
demographic decline of the old walled town, with With regard to the Cathedral of Santiago de
some 3,000 inhabitants today, compared with nearly Compostela, the problems derived from mass
9,000 in 1965 or 4,300 in 1995, not to mention the tourism became so obvious that it was necessary
20,000 in the early twentieth century (Aldrey, 1999, to design and implement a plan of use in order
2006); neither have these efforts been able stop to combine its twin objective: a religious and a
the alarming disappearance of convenience stores, cultural/tourist one. According to the studies
key for daily life and now massively replaced by characterising tourist demand developed by the
premises for tourism or symbolic uses. Tourism Observatory of Santiago de Compostela
If we focus on tourism, two parallel pheno- from 2005, around 92% of visitors to the city claim
mena took place. Firstly, hotel supply increased they wish to visit the cathedral, which often meant
through the introduction of large Spanish urban seeing the temple crowded with visitors, without
hotel chains, especially on the periphery; and also following any order or taking any consideration
through the appearance of small lodgings in the during their visit. The need for a plan that would
city centre. In quantitative terms, there was an allow compatibility of uses was a view shared by
increase from 2,000 hotel beds in the mid 1990s to both the religious authorities, who are responsible
more than 5,000 at present, excluding other forms for managing the cathedral, and by the local and
of accommodation. Of this total, 55% correspond to regional public tourist officials.
4 and 5 star [Link] the other hand, the second Thus, in 2007, it was decided to conduct a stu-
phenomenon was the increase in flows. Offering dy on the conditions in which visits to the entire
exact figures proves difficult. If we look at the historic centre of Santiago took place. The aim
statistics from the Spanish Statistics Institute was also to see how the pressure of tourism had
(Instituto Nacional de Estadística ‑ INE) for 2012 an impact on the town’s most significant resource.
we can speak of some 540,000 travellers and around The fact that a Holy Year was to be held in 2010
1 million overnight stays in hotels. To these figures with the subsequent arrival of visitors en masse,
must be added the tourists who use alternative finally pushed, although slowly, the initiative
accommodation and day trippers. What is clear is forward. The above mentioned study was made
that flows have increased significantly in recent possible by the signing of an agreement between
years. Further insights into this development the University of Santiago de Compostela and
include an increase in the international market, the regional government, with the participation
which is already between 35 and 40% of the total, of the cathedral’s Chapter. In connection with
and a very high concentration of the visit is in a the religious authorities, the initial reluctance
reduced space, especially around the cathedral arising, prior to the study, from some members
area even if the tourist gaze is currently expanding of the Chapter, because of their eminently eccle-
towards the whole historic centre. The cathedral siastical use of the enclosure, were soon overcome
as an attraction was the highest ranking in visitor due to the clear objective of the study being that
numbers for the whole of Spain (over 3 million) in of making suggestions for improvement. It should
2010, a Holy Year, surpassing even the Alhambra be noted that until now, however, only the first
in Granada. part of the work has been undertaken, i.e. the
Similar to other Spanish destinations, in Santia- study of tourist pressure on the cathedral and the
go, heritage‑based mass tourism has presented new creation of measures to enable compatibility of use
challenges in terms of management and appropriate (religious and tourism‑cultural), which are the most
tourism use. New problems arise from the unique important details of this work and are shown below
nature of the resource (Millar, 1989). An added (1st phase). An analysis of the tourist visit and its
difficulty lies in the need to incorporate actors with impact on the spatial framework throughout the
differing perspectives of tourism (Garrod & Fyall, whole historic centre in Santiago remains pending.
2000; McKercher et al., 2005). This requires the
use of new tools. In the Spanish case, the Catholic
Church, as the owner of a huge number of highly 4. The Cathedral of Santiago’s Carrying Ca‑
and culturally valued estates (cathedrals, churches, pacity. Methodology and Main Results
artwork,...) has become an important agent to
be considered in designing policies and relevant The theoretical concept underlying the design of
tourist value. For its part, and as Shackley (2005) the study is that of carrying capacity, first coined
claims, the most important challenge to be faced in the United States in the 1960s (Getz, 1983;
by managers in the case of religious heritage is to O´Reilly, 1986; Coccossis & Parpairis, 2000, among
others). According to Mexa & Collovini (2004), the Universidad Complutense de Madrid. The authors
most important objectives when developing a study of this article, as members of Cetur, contributed
on carrying capacity at present are related to the their gathered knowledge on the destination and
prevention of environmental pressure caused by local tourist system in the Observatory for Tourism
tourism, increasing visitor satisfaction and, at of Santiago, all belonging to the same centre. The
the same time, ensuring the economic feasibility methodology used was that designed by professors
of tourism in the long run. The use of this term in Miguel Ángel Troitiño Vinuesa and María García
the field of tourism has therefore been linked to Hernández, at the Universidad Complutense de
that of sustainable management and it is one of Madrid, and developed thanks to the knowledge
the most widely quoted tools in the academia as gathered in previous studies on tourist use, carrying
a way to move towards environmentally friendly capacity levels and visitor flow management at
tourism in its widest sense. This tool implies, ge- other Spanish heritage sites of great relevance in
nerically speaking, that tourism has to be looked tourism, for example the monumental ensemble of
at in a way in which some thresholds are never the Alhambra in Granada (García Hernández, 2001).
surpassed. Those thresholds must take various The main objective of this first phase, as has
considerations into account such as the ecological, already been mentioned, was the analysis of the
physical, economic, social and political dimensions, conditions in which tourist visits in the cathedral
as well as the visitor experience (García Hernández, take place, as this is an enclosed location where
2004). Estimating the carrying capacity implies, saturation problems at particular times of the year
therefore, a definition of flow thresholds over which required priority attention. The two axes around
tourism does not only cause the deterioration of which this research was developed were, on the
resources in physical or environmental terms, but one hand, the study of the physical features of
also rejection by the community that should benefit the cathedral and its equipment for public visits,
from it. In this sense, stakeholders in tourism must and, on the other hand, the distinctive traces of its
not be reduced to public managers and the private users and what each user type did in this space.
tourism industry at destination point, but also As Shackley (2002) noted, there are different types
include both locals and visitors. The latter should of users among cathedral goers, establishing the
have the chance to enjoy their tourist experience in primary distinction between those motivated by re-
optimum conditions (O´Really, 1986). Estimating ligious sentiment and those who fall within that of
the carrying capacity of a destination or resource cultural or heritage tourism. These two motivations
is therefore formulae to minimise the negative fall into the categories of viewpoints and different
impact caused by tourism. The case studies deve- behaviours in relation to the same resource, and,
loped, despite the difficulties of making the concept in the case of Santiago de Compostela, threatened
operational, have contributed to situating this tool the very character of its sacred space.
as an added asset in the process of designing and The first aspect was analysed using the infor-
implementing integrated policies for the planning of mation provided by the Chapter, basically the
tourism spaces (Getz, 1983). This was precisely the cartographic data included in the Master plan for
objective initially set for Santiago de Compostela: the Cathedral of Santiago de Compostela and its
to develop a study on the carrying capacity of the surroundings, as well as the relevant information
whole historic centre and the cathedral as its main gathered from field visits. The physical dimension
resource. After the diagnosis from this study, a of the carrying capacity enabled us to estimate
system of measures to guarantee the development the maximum number of people who could gather
of tourism was possible to be implemented, taking at the same time in the cathedral by using the
adequate management of visitor flows and sustai- relationship between the total available surface
nability criteria into account. Thus, we tried to for movement and the minimum necessary space
follow the example of other historic towns suffering for a person to move freely around the cathedral.
from the same kind of severe saturation problems Although the standards of optimal pedestrian
caused by mass tourism such as Oxford (Glasson, mobility are 4m2 (García Hernandez et al., 2011)
1994) or Venice (Cannestrelli & Costa, 1991), and due to the limited available space, less restrictive
making the concept work in practice. criteria were used to establish a minimum area
Research, of which the results are presented of 2m2 per person.
below, began in March 2008 and lasted for appro- The cartography study show that the available
ximately a year, was undertaken by the Centre for surface for movement within the temple was only
Studies and Research on Tourism at the Univer- 1.990m2 approximately, in which case, the physical
sidad de Santiago de Compostela (Cetur), under loading capacity was established in 995 people,
the guidance of experts belonging to the research as a maximum number of visitors who should be
group “Tourism, heritage and development” at the able to be inside at the same time. With regard to
the adequacy of the site for the public, the test’s doors at fifteen minute intervals during the time
results revealed the clear absence of a policy for the the site was open to the public. Electronic counting
cathedral’s cultural tourist role. This is something mechanisms were discarded in order to obtain
that damaged the already complicated compatibility specific information on visitor groups accessing the
of uses due to its limited space. Some of the evidence cathedral (number of groups and number of people
revealing the absence of tourism management in each group). The result of the visitor counts show
measures is: a higher than expected influx as no other study
The use, until then, of the four existing doors had previously achieved approximation of the daily
as exit and entry routes for visitors, together with visitor numbers. The average time spent inside the
long opening hours throughout the day. This fact cathedral was estimated at around 20‑30 minutes.
favoured fast visitor access from any point of the As mentioned above, the visitor counts took
historic centre, given the centre’s small size and the into account the distinction between individual
temple’s central location within the historic area. visitors and visitor groups. This distinction was
The lack of information that would ease the necessary in order to accurately measure the impact
visit and the visitors’ spatial orientation in order of group visits. Their characteristics (composition,
to avoid crowding at busy times, and the lack of behaviour, use and space occupation patterns,
itinerary recommendations which would make the etc.) suggested that specific measures may need
tour around the temple easier, with quick access to be taken to manage their visits, especially at
to the most attractive elements. times when other groups or individual visitors are
The absence of dissuasive measures that would present. In the case of Santiago, many organised
avoid the tourists’ negative impact on other cathe- groups visiting the cathedral correspond to coach
dral goers experience and which would tie in with day trippers who spend a few hours in the city, so
the religious nature of the site. available statistics on the number of daily coach
The methodology used to study the profile and arrivals at the coach park close to the town centre
behaviour of cathedral visitors included techni- (established as the mandatory drop off and pick up
ques to find out both quantitative and qualitative point for all tourist coaches) went towards helping
data. Thus, analysis was performed to estimate programme specific visitor counts for studying the
the approximate number of people who enter the use they made of the site. The parameters studied
cathedral, with special focus on tackling which for organised groups were the length and itinerary
periods or particular days show higher figures. In of the visit, most frequent entry times, places where
terms of qualitative assessment, the characteristics they listened to the guide’s explanations, entry and
and behaviours of different types of users inside exit doors, etc. This information was obtained from
the cathedral were also analysed. In order for us monitoring and observing the behaviour of these
to reach a quantitative figure, six visitor counts visitor types throughout their visit, from the very
were performed on particular days. The days were moment the group entered the temple.
selected according to forecasts of visit levels (very The results of the cathedral visitor counts
high, average and low). The general cathedral entry showed a higher than expected influx because,
counts were done manually by a team of eleven until then, no other study had hinted at even an
people, recording all entries and exits at the four approximation. This has allowed us to set the
Total
% Average
Number % Visitor Estimated
Date Weekday individual time of
of inflow Groups inflow
visitors stay
counted
Saturday
1 22/03/2008 16,381 97,8% 2,2% High 31 min.
(Holy Week)
2 26/05/2008 Monday 6,069 81,4% 18,6% Low 26 min.
3 20/06/2008 Friday 8,942 82,0% 18,7% Medium 24 min.
4 16/08/2008 Saturday 23,377 97,3% 2,7% High 18 min.
5 11/10/2008 Saturday 16,181 93,3% 6,7% High 31 min.
6 14/10/2008 Tuesday 6,332 79,6% 20,4% Low 29 min.
minimum number at about 6,000 visitors entering surface available. According to our estimates, and
the cathedral, with the weight of group visitors using the data from the day counts conducted, at
being higher on the days of low influx. For its the highest peaks of visitor numbers inside the
part, the study led us to discover that in days of cathedral, the space available per person was never
peak influx up to 23,000 people may visit the site. over 3 m2/person, and it even came down to 0.68 m2/
Tracking the groups, whose visit lasts about 45 person (the daily average was, however, between
minutes, also confirmed the impact free use and 2.82 and 8.97 m2/person). These figures clearly
no space restrictions on their tour generated on reveal the need to create measures to achieve a
the temple. This impact was greater on the days better redistribution of tourist flows throughout
when there was also a large number of individual the whole day, as the visitor figures and the crowd
visitors whose transit was constantly conditioned levels were far lower in the afternoon and evening.
by the movements of group visitors. These measures were needed, not just to preserve
Likewise, the registration of entry at 15‑minute the religious function of the cathedral, but also to
intervals, from 9am to 9pm, allowed for the precise improve the quality of the tourist visit and contri-
measurement of the rate at which visitors go into bute to a preservation of heritage and, needless to
the cathedral, and the times in which the visitor say, prevent public safety problems.
numbers were higher. In all cases, the mornings To complement the count information, the
were the most popular for cathedral visitors, both study included a survey carried out among the
individually and in groups, while at 15 hours be- cathedral goers. Two questionnaires were used:
tween 55 and 65 % of the total daily visits had one aimed at visitors who enter the cathedral for
already been completed. Maximum crowd levels cultural reasons and another was for residents
corresponded with the time in which the religious who came to the temple for religious or spiritual
ceremony known as “the Pilgrim’s mass” is conduc- reasons. The aim was to find out the use that the
ted, between 12 and 13 hours and reaching some two main types of visitors made and emphasise the
3,000 people on some specific days. Furthermore, social dimension of load capacity study (the one
it is during this mass that the Botafumeiro (the that referred to local people’s ability to accept the
incense burner) can be seen. Another rite that has
prejudices derived from tourism activity) and, also,
become a tourist attraction in itself as it is quite
to make an assessment of their experience in the
spectacular (Murray & Graham, 1997). This often
temple by taking into account the attendance level
means that visitors and visiting groups enter the
on site at the time. In total there were 612 valid
cathedral only at the moment when the Botafumeiro
questionnaires, of which about one‑fifth belonged
is used, as the registers prove.
to city residents. The ratio was determined by the
results of a pilot survey conducted in cathedral
some several months beforehand.
Figure 1. Frequency of visitors
entering the cathedral The information provided by visitors in Santiago
and entering the cathedral (a total of 495) helped
us to gather some information regarding the use
they made of the site, apart from the demographic
features of interest and others related to the journey
to the city. They confirmed, in general, the data
gathered by the Tourism Observatory of Santiago.
The response analysis led to an identification of
those must‑see spots, and especially those where
situations of incompatibility of use were common,
situations derived from the different needs of
tourists and those looking for some time to the-
mselves or looking to attend mass. As expected,
the resources highlighted as greater interest were
the Pórtico da Gloria, the main altar, the Porta
Santa or Holy Gate (only open in holy years), the
Apostle’s crypt and the image of the saint, which is
In order to have an idea of the extent of the pro- traditionally embraced by visitors. Except for the
blems derived from the visitor crowds at particular Portico, all other points are around the ambulatory,
times, we also have to analyse the relationship where the available space is considerably reduced
between the number of visitors inside the cathedral and in which, therefore, crowds were frequent.
at any given point in time and the circulatory
Residents Visitors
Listen to Mass 41% 33,1%
Stroll and take a visual tour and so on 41,9% 84,2%
Visit the Pórtico de la Gloria 12% 47,9%
Hug the Apostle 12% 49,9%
Visit the tomb of the Apostle 15,4% 59,2%
Visit the cathedral museum 3,4% 21,2%
Participate in a guided tour 1,7% 9,3%
Visit the cathedral rooftops 5,1% 9,9%
Show the cathedral to family or friends 29,1% ‑
Others (pray, confess, visit shrines and so on) 28,2% 12,7%
In connection with the activities conducted became an obstacle for the flow of the rest of the
within the temple it must be noted that in the res- visitors. This analysis allowed us to truly identify
ponses given by both sets of visitors the majority’s the visiting patterns of the groups that contributed
choice was: “to walk and take a visual tour around to an increase in congestion problems. Finally,
the cathedral”, at 84% of all answers. This fact is in we were able to estimate that 30‑35 minutes is
line with the estimated average time of 30 minutes the average time that tourist guides spend giving
spent visiting. Given the size of the cathedral this explanations to their groups.
time is enough to take a tour of the points of greater Finally, thanks to a series of specific questions
interest. A relevant detail to be highlighted is the included both in questionnaires for visitors and
reduced role that the cathedral’s museum has for for residents, we were able to come closer to an
tourism. In this sense, although around 20% of res-
assessment of their visit to the cathedral by taking
pondents claimed to have the intention of visiting
the perception expressed by the goers themselves
it, in the days we checked, there were no more than
as a basis. In general terms, both groups gave
5.6% of cathedral visitors who finally did enter the
museum. Thus, completing the survey data with the a very high score when they were asked for a
follow‑up through direct observation of individual general assessment of their visit: 60% of visitors
and group visitors, we prepared a catalogue of the and 49.6% of residents graded it as “very good”,
different “critical”, “sensitive” and “less conflictive” while those grading it as “good” reached 35.6%
areas, according to the impact of visitors on the and 43.6% respectively. Furthermore, they were
original religious function of the cathedral. We also exposed to six statements in order to know their
identified the most frequent tours undertaken by level of agreement or disagreement (1 for “strongly
organised groups as well as the spots chosen by disagree’ and 4 for “strongly agree”). These opinions
guides to provide their explanations and where attempted to go deeper into the assessment that
their prolonged presence acted as a “barrier” and the church‑goers made of their cathedral visit
and their support for the possible introduction of implementation was in the hands of the Chapter
measures to control visitor flow inside the site. and it was the Chapter who had given approval.
The results obtained were not as conclusive as Regardless of the final implemented action, and
had been expected. The differences between the before taking any further steps, the study team
views of residents and visitors cannot be considered issued a recommendation to set up a communication
clear on issues which should be more evident. In campaign to disseminate the study, diagnosis and
general, there is consensus on stating that the the plan of corrective measures. This campaign
cultural tourist visit produces unwanted effects (too should address stakeholders of all kinds, with
many visitors, noise, etc.). However, respondents the aim of creating awareness around existing
are not in favour of extreme measures to regulate problems and try to avoid hypothetical rejection
cathedral entry. Disincentives such as the requi- of the plan, due to the regulatory nature of the
rement to pay a nominal fee or the requirement proposal. In fact, some concerns had already been
of a guided visit obtain a low degree of acceptance shown during the organisation of the field work
among both groups, and even, somewhat surprisin- by some groups. In particular, the group of guides
gly, visitors seem to show a better understanding feared that the introduction of measures to arrange
of these kinds of constraints. organised group visits (such as the need to arrange
As explanatory reasons for this lack of conclusive an appointment and the imposition of a maximum
statements, we need to quote some things already number of groups per day) would decrease the
highlighted by Gigirey in his 2003 study. There was need for their services. The remaining proposals
evidence that many residents who are frequent were the following:
users of the cathedral have had to modify their 1) The establishment of an information and inter-
behaviour in order to avoid the negative effects pretation centre as a prior step to any visits to the
that the tourist visit caused on their own use of the cathedral in the Palacio de Xelmírez, a building
temple. Thus, they tend to avoid it in peak tourist annexed to the cathedral, where historic and
hours, when the arrival of visitors in the city is heritage information about the temple would
greater. Likewise, among those who come to pray, be provided and tourist‑related services that
the usual practice is to take refuge in the chapels allowed for a better redistribution of tourist
where tourist access is prohibited. This allows them flows will be given: information on visiting times,
to achieve the desired atmosphere for meditation. recommended itineraries, usage norms, and
The observance of these practices results in the an audio‑guide service in order to reduce noise
maintenance of separate places for residents and inside the cathedral, etc.
visitors. This fact could explain the lack of a more 2) The rearrangement of mass times. The times
emphatic viewpoint from the residents. of mass and other religious rituals inside di-
Those surveyed were asked about charging fferent chapels should be reorganised so that
an entrance fee for cathedral access, although there are clear time spans dedicated to only
this measure has been rejected by ecclesiastical religious activities and some others specifically
authorities for reasons of a different nature quoted for tourism. Another recommendation was to
by Shackley (2005). The justification for this refusal have more masses during the day at particular
was that as it is a pilgrimage cathedral it is not periods, so that a better redistribution of visitors
appropriate to establish such a restrictive measure. throughout the day would be possible. Access
They also consider that it would cause rejection to the temple during mass would be absolutely
among visitors who have already had to pay a prohibited to tourists.
small fee for museum access. 3) A recommendation to have itineraries to visit the
cathedral. The implementation of this measure
would imply permanently closing the main gate
5. Management of Visitor Flows in the Cathe‑ on the façade of O Obradoiro (except, of course,
dral of Santiago de Compostela on especially significant days) and using the
side doors as exclusive access or exit points for
The analysis undertaken led to the development visitors. This measure would try to ensure that
of a diagnosis and a related set of measures to be tourists did not “invade” the spaces for religious
introduced in an integrated implementation plan rituals.
so that the significant problems identified could be 4) Specific management of organised tours. This
solved. Such measures included both short‑term would just be done through the setting up of a
and long‑term interventions, as the latter required system of prior bookings through which their
much time and effort due to the complexity of step‑by‑step entry could be organised, taking
their implementation, both from a logistics as well into account the average time these visits tend
as from an economic point of view. In any case, to last and the agreement with the policies
designed for this, which could be more or less free access to the cathedral during the 2010 Holy
restrictive depending on the time of the year Year. The implementation of an electronic system
and even depending on the number of visits on to register entry and exit made concentration
particular days. These planning tasks would levels known at all times, and the company staff
help attenuate the impact of the groups going employed to this effect were able to control the
through the cathedral on days where individual doors and stop entry when a particular level was
visitors are expected en masse. At the same time, reached. A maximum gathering of 1,300 people was
groups would have clearly set itineraries for their initially established, although this number was
visit, as well as spots where tourist guides would modified on special days due to the long queues
have to compulsorily give their explanations. A formed around the cathedral. Specific doors were
requirement for their access to the cathedral also established for entry and exit, together with
would be that they use radio guides to lessen specific routes for cathedral visits. Despite all these
their noise pollution. changes, images of crowds of visitors invading the
5) The setting up of e‑counters for visitors. These neighbouring streets and squares eagerly waiting
tools could help us get to know the number of to enter the cathedral became habitual and meant
visitors in the cathedral at all times. This would disturbances and a significant nuisance, especially
help to temporarily stop entry once the establi- for residents and also for shops in the historic
shed physical carrying capacity threshold was
centre. The latter claimed that these queues not
surpassed. According to the threshold set (1,000
only hindered access to their shops, but also that
people), the average duration of the tourist visit
the time visitors used in waiting to access the
(some 30 minutes maximum), and considering
cathedral was time lost for other activities, such
that there were eight available hours for public
as visiting souvenir shops and restaurants, which
visits, accessing the cathedral could not surpass
meant lower expenditure by tourists at destination.
16,000 visitors per day.
6) The refurbishing of temple areas that are not From the point of view of residents, going for a
currently open to the public and the redesign of walk or simply crossing the old town to reach other
other areas of interest and museum artifacts, areas in the city became a hard and often stressful
after paying a fee could contribute to stopping task. Even if the bodies responsible did not make
the overcrowding of the central nave and improve a public statement regarding the total number of
the use of spaces. Such itineraries should include visitors accessing the cathedral throughout 2010,
the Palacio de Xelmírez, the Crypt, the Portico according to the estimates of an article published
da Gloria, the upper tribune and the current in the local newspaper, the annual figure could be
museum cloister area. placed at around 3.7 million.
7) The creation of an office or specific unit in charge In regard to the development of the visit inside
of managing the public’s visits in the cathedral. the temple, from this study the problems of lack of
This unit, is specifically designed to coordinate information for the visitor were effectively resolved.
and plan all aspects related to this secondary This has been achieved through the launch of a
use of the temple and could be inserted into visitor reception centre and the installation of
the structure of the cathedral’s Foundation, information panels that give guidance on timeta-
founded in 2008 by the Chapter. This would bles for religious acts and warn about inadequate
act as a preferential link with the rest of the behaviours. Similarly, the Cathedral’s Foundation
tourist agents. has been chosen to be in charge of managing all
the issues related to the tourist visit. Its latest act,
The political change in the regional government surprising due to the reluctance initially shown
in 2009 and the replacement of the heads of tourism to the proposals of ‘the nature of the material’ has
brought with it a stop to all matters corresponding been the creation of a set of itineraries upon request
to the second phase of the study which would have and with the payment of the corresponding fee.
looked at the area space for the whole historic This allows the visitor to see spaces which are not
centre of Compostela. However, at the insistence available free of charge. With regard to the visitors’
of the cathedral’s Chapter, the new government organised groups, their staggered entry now offers
finally agreed to fund the implementation of some minimised impact on the temple. Their route is
of the proposed measures that have been gradually now defined and audio guide use is requested.
implemented, although in some cases not in the As expected, these measures were not positively
same way as suggested by the researchers. accepted by the group of tour guides who, in their
The first measure that had the largest impact on opinion, were not responsible for the overcrowding
public opinion was the imposition of restrictions of in the cathedral.
6. Discussion and Conclussions– Santiago, of the destination and the participation of all sectors
More than a Cathedral involved, including the Church. The dialogue betwe-
en the public administrations and this institution
There is no doubt that the initiative aimed at are not always smooth, at least from the point of
regulating visitor flows in the Cathedral of Santiago view of tourism. We must not forget that, at least
de Compostela was interesting even if the results in Santiago, it is religious heritage that becomes
were not as expected. According to us, the most the focus of the tourist offer and that the promotion
significant problem is that we cannot just act on an of the city revolves around it, for example, with
element, however important that may be. Having the 2010 Holy Year or the 800th anniversary of the
a vision of the destination as a whole is the key to consecration of the temple in 2011.
successful management. Moreover, as we have al- The three problems mentioned in the para-
ready seen, partial implementation of the measures graph above must be addressed together and not
proposed may generate more conflict than it solves. as isolated matters. In fact, the behaviour of day
Santiago as a destination is characterised by a trippers, which make up around 30% of visits, is
reduced space for tourism which is basically located very much linked to the activity of the cathedral
around the cathedral and the surrounding squares itself, especially during holy years, when over-
and streets. Therefore, and knowing that over 90% crowding is more obvious. The operation of the
of visitors go to see this monument, according to huge incense burner called botafumeiro during
data from the Tourism Observatory of Santiago, it the pilgrim’s mass attracts groups that crowd the
is only logical that efforts should focus on trying to temple. It is because of this that the proposal to
take physical and perceptual pressure away from it. regulate flows foresaw not just a system of prior
As measures cannot be of direct economic character, booking, but also a change in the timings of mass
flow management becomes the only solution. in order to prolong the stay of tourists for the whole
We are convinced of the fact that the proposals day, especially as they would have to stay for lunch,
presented by the study group and analysed in and thus increase their expenditure in restaurants.
previous sections could have solved a significant But the problem of day trippers is also present
part of the problems. We believe, however, that in the most important entry gate in the city. This is
there was no will to really confront the complexity of located some 200m away from the cathedral where
the matter from an integrated approach. Basically, buses have to park and leave their passengers. For
what was done was to organise entry to different individual day trippers, different locations around
parts of the temple and prevent surpassing the the old town can help locate the visitors very close
maximum number of people inside with a figure to the central attraction point. All this means that
that was not set according to the proposal made, in a highly reduced period of time they can see the
but chosen according to the Chapter’s criteria. cathedral, buy souvenirs in various shops on the
As a consequence thereof, the external scenario street leading to the cathedral square and even
significantly changed and gave way to a panorama walk around the monument’s nearby streets where,
where never‑ending queues of visitors became the no doubt, the most important material heritage of
norm. All in all, pressure was maintained both historic‑artistic value is concentrated.
inside and outside, with human barriers hindering The document Plan de Marketing Estratégico
free circulation through squares and streets. del Turismo de Santiago de Compostela (2004) does
Nevertheless, as we have already mentioned, the not refer to changing this access point but it does,
problem does not only lie in the management of the however, refer to the creation of a new tourism node
monument but in the city as a whole. The measures to help stop overcrowding the cathedral. Neverthe-
proposed for the cathedral were merely circums- less, this objective seems difficult to accomplish if
tantial in order to overcome the overcrowding we do not act on the other one. The proposal of a
expected for the 2010 Holy Year; after this critical new spot is based on the presence of two important
period, everything has gone back to normal until cultural centres, the Galician Modern Art Centre
the new 2021 Holy Year. We believe that a great and the Galician Museum. Failure of this plan is
opportunity has been missed for the presentation shown in the decrease in visits to both museums
of deeper solutions that might have favoured an in recent years, despite the fact that they are on
integrated vision of the destination. the urban track of the Way to Santiago.
The most significant problems the destination In recent years, this secondary node has been
has to face are the pressure on the cathedral and redesigned with the intention of establishing a cable
its surroundings, day trippers and the loss of the car station connecting the town with the City of
traditional residential and shopping functions. Culture, an architectural macro‑project designed by
Obviously, these are no easily solved immaterial the prestigious architect Peter Eisenman. Despite
matters but they require appropriate management the overwhelming negative report of ICOMOS,
Figure 1 Santiago de Compostela: bus terminal and car parks around the historical city
local authorities still insist on the pertinence of the case, the example of Santiago has not paved the
proposal and that it would help revitalise the sector way to a tool for urban regeneration (Hamnett &
in the historic centre and solve, in part, the question Shoval, 2003) and in fact it is physically separated
of the entry point as the vast number of parking from the city.
spaces at the City of Culture could work as a car Therefore, the success of the Guggenheim Mu-
park for any visitors who want to access the centre. seum does not just rely on the spectacular character
The City of Culture (Fique, 2012; Dempsey, of the building unlike the City of Culture, which
2012) is also an opportunity to enlarge the tourism relies on appearance rather than the content,
space in Santiago. At the beginning of 2011, the first which seems to be a secondary matter. In fact, the
buildings were officially opened in this ensemble buildings are not thought of in terms of tourism,
and it has been designated by some local and re- at least those already opened: the Library and the
gional politicians as the new cathedral of the 21st
Galician Archives. In several phases of develop-
century. It is expected to become a new node with
ment, some even at the outset, are the Museum
a high attraction capacity for visitors. This is a
of Galicia, the Centre for Music and Stage Arts,
proposal based on the success of the Guggenheim
museum in Bilbao, which has generated much and the International Art Centre. In any case, we
literature on the “Guggenheim effect” (Plaza, will have to observe how this is integrated in the
1999, 2000; McNeill, 2000; Gómez & González, consolidated tourism landscape. This is not just
2001; Esteban, 2007;...). This describes how a a physical matter of linking both nodes, but also,
building becomes a central element, and it was and especially, of supply compatibility between the
later replicated in other Spanish cities. However, historic centre that specifically attracts pilgrims,
the difference between both examples is significant religious tourists and cultural visitors, and a second
– the Guggenheim museum was opened in 1997 and focus of exclusively architectural interest. The
became an innovative formula, of urban renewal, at meeting point may be mass cultural tourism being
least in Spain; the project in Bilbao was associated triggered more by shape than by content, more by
to a globally known brand name. Unlike, in this superficial consumption than matter.
One of the central debates that must be had on across the public administrations and the Church,
the topic of tourism in Santiago is the progressive owner of the item that generates an activity of
physical expansion that this phenomenon is rea- obvious economic, social and cultural impact.
ching. The measurement established by Glasson,
Godfrey and Goodey in 1995 (van der Borg et al.,
1996) on the impact of tourism on a destination has, References
in the case of Santiago, moved from an individual
attraction (the cathedral and its surroundings) to Aldrey, José A.
the whole old town. In terms of land use, this is 1999. Análise da poboación na área urbana de
translated into an alarming disappearance of local Santiago de Compostela. Santiago de Compos-
shops and the multiplication of tourist shops, which tela: Consorcio de Santiago.
reduces the locals usage needs of this space. Even in 2006. “Demographic sustainability of the histo-
rical quarters. A proposal based on the case
a place as significant for locals as the food market
of Santiago de Compostela”. In Lois Rubén
place, located in the historic centre, visits have (Ed.), Urban changes in different scales: sys‑
started increasing, which has led to an increase tems and structures (pp. 651‑663). Santiago
in the number of shops for visitors, although this de Compostela: Universidad de Santiago de
is an incipient phenomenon that may accelerate Compostela.
over the coming years. Antón Clavé, Salvador and González Reverté,
The relevant matter is whether visitor flows Francesc (Coords.).
should be concentrated in a particular space, 2005. Planificación territorial del turismo. Bar-
such as in Bruges (Beernaert & Desimpelaere, celona: UOC.
2001), where the local authorities stimulated this Ashworth, Gregory
concentration around the Golden Triangle to ease 1989. “Urban Tourism: an imbalance in attention”.
pressure on the local population (Bryon & Neuts, In Cooper, Christopher (Ed.), Progress in Tou‑
2008). Santiago’s clear option is the redistribution rism, Recreation and Hospitality Management.
of visitors. In fact, the proposal of a second node Vol. 1 (pp. 33‑54). London: Belhaven.
had this in mind, the same as offering the market 1990. “The historic city of Groningen: which is sold
as a place for visitors. However, few efforts have to whom?”. In Ashworth, Gregory and Goodall,
been made to incorporate the 20th century city, there Brian (Eds.), Marketing tourism places (pp.
138‑155). London‑New York: Routledge.
have only been proposals that have marginalised
1994. “From history to heritage‑from heritage to
these sectors of the city. For example, an itinerary
identity. In search of concepts and models”.
of parks and gardens is offered in the surroundings In Ashworth, Gregory and Larkham, Peter J.
of town but this avoids exploring new developments; (Eds.), Building a new heritage: tourism, culture
modern author architecture is another reference and identity in the new Europe (pp. 13‑30).
but looks again towards monuments. It is true that London‑New York: Routledge.
the neighbourhoods in the new development area 1995. “Managing the cultural tourist”. In Ashworth,
(ensanche) are basically the fruit of the accelerated Gregory and Dietvorst, A. (Eds.), Tourism and
growth after 1960 and they do not offer much to spatial transformations. Implications for policy
see. Nevertheless, it is also true that there are and planning (pp. 265‑283). Wallingford: CAB
some material and non material elements that, if International.
value is attached to them, may become interesting, 2003. “Urban Tourism: still an imbalance in atten-
such as the university environment or alternative tion?”. In Cooper , Christopher (Ed.). Classic
cultural movements. It is at least interesting to see Reviews in Tourism (pp. 143‑163). Clevedon:
how the no longer existing walls surrounding the Channel View.
historic centre still act physically and mentally: Ashworth, Gregory and Page, Stephen J.
traffic filled streets set the boundaries that many 2011. “Urban tourism research: Recent progress
visitors do not dare to cross. and current paradoxes”. Tourism Management,
32 (1): 1‑15.
To summarise, tourism in the City of Santiago
Ashworth, Gregory and Tunbridge, John E.
de Compostela, as in many other heritage desti-
1990. The tourist historic‑city. London: Belhaven.
nations, has to cope with many problems. Maybe Barrado, Diego A. and Galiana Martín, Luis
the most important one is to release the tension 2006. “Ideas y modelos de planificación territorial
on its most important attraction. However, the en los orígenes del turismo de masas español”.
measures adopted can neither be circumstantial Revista de Estudios Turísticos, 167: 7‑36.
nor isolated for the whole destination. Everything Beernaert, Brigitte and Desimpelaere, Werner
that happens in relation to a visit to the cathedral 2001. “Bruges, Belgium”. In Pickard, Robert, Ma‑
has some significant impact on the whole space for nagement of Historic Centres (pp. 8‑30). London:
tourism. That is why cooperation is also needed Spon Press.
[Link]
Résumé: L’étude suggère que deux perspectives analytiques doivent être considérés lorsqu’on cherche à
comprendre les dynamiques socio‑spatiales promues par l’État dans le domaine du tourisme: l’une est gé-
néraliste et souligne qui le povoir de l’Etat se identifie avec le pouvoir de la classe; et l’autre se concentre sur
les aspects conjonctureles, où le pouvoir exercé par voie de la structure de l’Etat peut détenir une certaine
autonomie opérationnelle. A partir de cas concrets en France et au Brésil, l’intention est signaler que les
études sur les politiques publiques de tourisme doivent contempler, au‑delà de l’appareil de l’Etat, les che-
mins institués par des groupes qui exercent le pouvoir de facto dans l’Etat et, ainsi, clarifier les contenus des
politiques, leurs répercussions et les relations de production qui sont par eux engendrées ou sauvegardés.
Mots‑clés: tourisme, politiques publiques, pouvoir de l’Etat, pouvoir de classe, fond public, appareil de l’Etat.
*
Professeur et chercheur dans l’Université Fédérale d’Ouro Preto ‑ Département de Tourisme. Ouro Preto, Minas Gerais, Brésil.
Doctorat (en cours) en Géographie dans l’Université Fédérale du Paraná avec la période de recherche à l’Institut de Recherche
et d’Études Superieures du Tourisme ‑ Univesité Paris I ‑ Panthéon Sorbonne. E‑mail: rodrigomartoni@[Link]
**
Professeur Dr. et chercheur dans l’Université Fédérale du Paraná ‑ Département de Géographie. Curitiba, Paraná, Brésil.
E‑mail: [Link]@[Link]
consommation par des actions de conservation, les futures études sur les politiques publiques en
de préservation, d’incitations, de restrictions, de matière de tourisme.
structurations, de réglementations et de dérégle-
mentations. Ainsi, toute analyse concernant la
production de l’espace touristique serait incomplète 2. Différentes approches et les inter‑relations
si ne tenait pas compte de l’élément qui vise à dans les études concernant l’Etat et les poli‑
encourager et à donner de la légitimité à ce pro- tiques publiques
cessus: l’Etat.
Nous partons du principe que ce n’est pas l’Etat Dans sa recherche sur les politiques publiques,
qui fonde la societé civile et l’organise par ses Klaus Frey (2000, p 216, 217) mentionne que les
actions, mais, contrairement, c’est la societé civile études sur les politiques doivent englober les di-
qui le forme. Cependant, deux points de vue analyti- mensions suivantes, qui “sont étroitement liées et
ques doivent être considérés en ce qui concerne s’influencent les uns les autres”: 1) la dimension
le rôle de l’Etat: l’un le contemple d’une façon institutionnelle (polity), qui comprend la structure
plus généraliste et le comprend comme quelque politico‑administrative, 2) la dimension des pro-
chose qui ne fonctionne pas découplé des relations cessus politiques (politics) à laquelle s’ajoutent les
sociales de production, étant l’Etat une structure décisions sur les moyens et les fins des politiques,
et 3) la dimension qui fait référence au contenu
pour servir aux intérêts des groupes qui exercent
des politiques (policy) et exprime le profil d’un
la domination économique dans la société. L’autre
gouvernement par ses actions concrètes dans les
se concentre sur les aspects conjoncturels où de
divers domaines où l’Etat exerce ses activités. Face
différentes classes sociales vont chercher à dominer
à ces éléments, Frey se réfère à l’approche de la
les institutions étatiques qui peuvent leur donner
“Policy Analysis” qui vise à étudier les problèmes
les moyens de contrôle, et, dans cette perspective,
concernant les actions de l’Etat sur les acteurs et
on peut “penser le ‘pouvoir d’Etat’ comme distinct
les structures bureaucratiques impliquées dans la
du ‘pouvoir de classe’ et en relation conflictuelle
formulation, la structuration et la mise en œuvre
avec lui» (CODATO et PERISSINOTO 2001, p. 17).
des politiques. Les dimensions indiquées seraient
Une investigation sur le rôle de l’Etat dans le
celles à prendre en considération dans la recherche
domaine du tourisme devrait partir d’une méthode à propos de l’action publique, cependant, Frey note
considérant les relations dynamiques et contra- que ce ne serait pas suffisant pour une enquête ap-
dictoires entreprises dans le mouvement social et profondie, car la plupart des études “classiques sur
de le situer comme résultat de cette interaction, les politiques publiques ‑ basées sur des méthodes
ainsi que demander des éclaircissements relatifs quantitatives ‑ sont souvent obligées à se limiter à
aux relations sociales que les politiques publiques un petit nombre de variables explicatives».
contribuent à construire et/ou à préserver. Sur la Afin de vérifier les possibilités et les limitations
base de cet axe‑référentiel, se prétend démontrer, des recherches qui comprennent les dimensions
dans la première partie de l’étude, les différences indiquées, Frey (2000, p. 215) reconnaît que “les
entre l’analyse généraliste et conjoncturelle, ainsi particularités socio‑économiques et politiques des
que mettre en évidence leurs inter‑relations et les sociétés en voie de développement ne peuvent pas
limites analytiques qui mettent l’accent sur l’un être traitées comme de simples facteurs spécifiques
aspect ou l’autre. Dans la deuxième partie, nous de ‘polity’ et ‘politics’”, vu précisément les particu-
soulignons que les différentes formes de l’Etat larités socio‑spatiales de chaque pays, et aussi, que
(libéral, du bien‑être et néolibéral) sont liées aux “les conflits politiques et les relations de pouvoir
directions du fond public, soit en augmentant laisseront toujours leurs marques sur les program-
“l’anti‑valeur” et “l’anti‑marchandise» (OLIVEIRA, mes et projets élaborés et mis en œuvre” (2000, p.
1998), soit en favorisant de la production de valeur 219). Toutefois, lors de la déclaration des lacunes,
et de marchandises à partir de l’amoindrissement l’auteur place le néo‑institutionnalisme comme
de l’Etat dans le domaine social. À cet égard, nous courant théorique qui serait atteint pour compléter
soulignons que les aménitées qui pourraient être gé- les résultats analytiques. Ce serait justifié, selon
nérées par l’Etat dans le processus d’accumulation lui, par le fait que l’analyse politique traditionnelle
sont étroitement liées aux possibilités d’avancement donnerait une importance plus significative aux
du capital qui imposerait ses restrictions. À partir processus et des contenus des politiques, et moins
de quelques exemples d’actions de l’Etat dans le aux questions institutionnelles. En faisant référen-
domaine du tourisme, en considérant l’inter‑relation ce aux pays en développement, Frey (2000, p. 231)
des deux points de vue analytiques, ainsi que le affirme que “si nous nous appliquons à l’analyse
rôle joué par l’Etat à travers les redirections du des systèmes politiques en transformation et avec
fond public, nous proposons un cadre qui oriente des institutions non consolidées [...] on augmente
la tentation d’attribuer aux institutions ‘stables ou le niveau décisionnel et les rôles que les divers
fragiles’ le fait primordial pour expliquer le succès centres de pouvoir accomplissent [...]» (CODA-
ou l’échec des politiques adoptées”. TO et PERISSINOTO, 2001, p.10,11). À partir
Deux questions traitées par l’auteur doivent de sa dialectique, Marx procède à un examen de
passer par une analyse critique: la première se l’Etat capitaliste dans ses relations et dynamiques
rapporte au néo‑institutionnalisme, une orientation contradictoires qui sont réalisées non seulement
théorique qui prédomine actuellement dans la entre la société et l’Etat, mais aussi dans l’appareil
science politique; et la seconde comprend les soi d’Etat. On peut comprendre, alors, que la portée
‑disant institutions “non consolidées” des pays en limitée des recherches sur les politiques, celles
développement, désignées par Frey comme “démo- qui justifieraient l’investigation de Frey (2000)
craties non consolidées”. Le néo‑institutionnalisme, pour les différents éléments à considerer dans les
en général, prend en charge l’analyse des insti- actions de l’Etat, ont une faiblesse qui n’est pas
tutions presque comme des organismes officiels liée uniquement aux dimensions impliquées, mais
autonomes pour créer et orienter les politiques il s’agirait d’une lacune de base ou, en d’autres
publiques et, en même temps, déprécie les relations termes, épistémologique.
établies dans la dynamique actuelle des processus Il faut s’attarder un peu plus sur les possibilités
de production, de distribution et de consommation, et les limitations de l’approche institutionnelle.
c’est‑à‑dire, les relations sociales de production Comprise comme une institution constituée par
gérées par les différentes classes sociales et leur beaucoup de querelles politiques, l’Etat est un
capacité d’influencer ou de déterminer les actions moyen de faire valoir les intérêts des groupes qui
de l’Etat. Au‑delà de cet écart analytique, où le se- assument le commandement, cependant, si ces
condaire est considéré comme primaire, tel courant groupes ont un pouvoir effectif pour obtenir ce qu’ils
théorique ne comprend pas que dans la théorie souhaitent, cela est une autre affaire. Quant à ce
marxiste de l’Etat les institutions ne laissent pas rapport, Codato et Perissinoto (2001) suggèrent que
d’être considérées comme des éléments d’analyse deux points de vue analytiques sur l’Etat doivent
des politiques, malgré son bon degré d’autonomie être pris en compte: le premier comprend l’Etat plus
et sans négliger les différentes classes sociales. largement et l’entend, tel que mentionné, comme
Codato et Perissinoto (2001, p.12), à partir de une institution qui n’agit pas indépendamment de
l’étude des œuvres historiques de Marx, éclair- la société qui le forme, étant disposé et dimensionné
cissent la question: en fonction des souhaits de la classe dirigeante.
Ainsi, même si l’Etat conquiert l’indépendance
[Marx] a une conception de l’Etat qui prend en fonctionnelle, dénommé par Frey (2000) “Etat con-
compte sa dynamique institutionelle interne sans, solidé” ou “démocratie consolidée”, il ne permet pas
toutefois, sacrifier la perspective classiste. Ainsi, que telle institution soit déconnectée des intérêts
en introduisant dans ses analyses politiques les qui reproduisent les relations sociales capitalistes:
aspects institutionnels de l’appareil d’Etat capita- “de ce point de vue ‘reproductif ’, l’Etat est la ‘forme
liste, Marx présentait une conception de l’Etat, en politique’ de la société bourgeoise et le ‘pouvoir de
même temps plus sophistiquée que celle préconisée l’Etat’ s’identifie pleinement avec le ‘pouvoir de la
par la perspective “instrumentaliste” présente dans classe’” (CODATO et PERISSINOTO, 2001, p.17).
le travail de certains marxistes, comme, aussi, de Le second point de vue analytique se réfère à
certains critiques du marxisme, et moins formaliste l’approche d’une conjoncture historique particu-
que les interprétations “institutionnalistes”.
lière et de l’espace, où il y a de la pertinence des
possibilités qui peuvent être réalisées à partir
L’analyse “instrumentaliste” serait celle qui met des institutions et des ressources de l’Etat, ce
l’accent sur la puissance de la classe, où aucune qui explique des relations conflictuelles entre les
distinction n’est faite entre le pouvoir de classe groupes politiques contradictoires pour dominer ou
et le pouvoir de l’Etat. Comme l’a montré Marx chercher à dominer les parties de cette structure.
et Engels (2007, p.89), “l’Etat est la forme par Pour cette approche, “[...] l’Etat est beaucoup plus
laquelle les individus d’une classe dirigeante font qu’un exercice de pouvoir par un gouvernement,
valoir leurs intérêts communs”, étant les détermi- et toutes les possibilités par lesquelles le pouvoir
nations de cette classe l’axe d’orientation pour se peut être exercé doivent y être incluses. Ainsi, la
comprendre les actions de l’Etat. Cependant, Marx structure des institutions est importante (quoique
reconnaît à la fois que les différentes institutions pas indispensable)” (HARVEY, 2005, p. 90). C’est à
et leurs sous‑divisions qui forment l’Etat ont un partir de cette perspective que l’on se rend comp-
mouvement particularisé et seule la perspective te des diverses institutions comme moyens pour
“instrumentaliste” n’engloberait pas les éléments l’exercice du pouvoir et qui peuvent “admettre
nécessaires à “comprendre sa configuration interne, l’Etat d’une part, et la classe d’une outre, en tant
que des réalités autonomes et distinctes ; [où] il est garantir leur reproduction, l’absence de lien entre
possible de penser donc le ‘pouvoir de l’Etat’ distinct la classe dirigeante et les orientations de l’Etat est
du ‘pouvoir de la classe’ et en relation conflictuelle une possibilité réelle, mais conjoncturelle et datée,
avec lui” (CODATO et PERISSINOTO 2001, p. 17). ou qui ne peut joindre que quelques institutions qui
La distinction entre “pouvoir de l’Etat” et le composent dans une certaine période historique
“l’appareil de l’Etat” est vérifiée dans les études et géographiquement limitée. Les cas spécifiques
politiques de Marx, selon Codato et Perissinoto dépendent d’enquêtes particulières, mais il est
(2001). “L’appareil d’Etat” fait référence aux ins- possible de citer, par exemple, les réformes fonda-
titutions étatiques qui comprennent “le pouvoir mentales qui seraient mises en œuvre au Brésil par
judiciaire, le pouvoir exécutif du gouvernement, de le gouverneur João Goulart au début des années
l’administration et de la bureaucratie, le législatif, 60, et qui ont �