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V

BIBUOTECA CLÁSICA.

OBRAS COMPLETAS
DE

MARCO TULIO CICERÓN


VERSIÓN CASTELLANA DE

D. MARCELINO MENENDEZ Y PELAYO

TOMO V.

OBRAS FILOSÓFICAS.

C U E S T I O N E S T U S C U L A N A S .
DE LA ADIVINACIÓN.
DEL HADO.

MADRID
LUIS N A V A R R O , EDITOR

COLEGIATA, NUJÍ. 6

I 884
BIBLIOTECA CLASICA.
L a B I B L I O T E C A C L Á S I C A , s e p u b l i c a e n t o m o s e n 8." e l e g a n t e -
m e n t e i m p r e s o s e n p a p e l s a t i n a d o , d e 400 á 5u0 p á g i n a s .
Las traducciones están hechas directamente del idioma en que
fueron escritos los originales y por las personas inás c o m p e t e n t e s .
E l p r e c i o d e c a d a t o m o e n r ú s t i c a e s d e tres pesetas, comprán-
dolo a los libreros corresponsales.
H a c i e n d o el p e d i d o d i r e c t a m e n t e a l e d i t o r I). Luis Navarro, calle
de Isabel la Católica, 25, Madrid, y r e m i t i e n d o e l i m p o r t e al h a -
c e r l o , d o s péselas y cincuenta céntimos.
Los t o m o s e n c u a d e r n a d o s en tela i n g l e s a con l o m o s y l a p a s do-
r a d a s y l e t r a s e n m o s a i c o , cuatro péselas y cincuenta céntimos
c a d a u n o , c o m p r á n d o l o s e n l a s l i b r e r í a s , y cuatro pesetas haciendo
e l p e d i d o al e d i t o r y r e m i t i e n d o e l i m p o r t e al h a c e r l o .
Los tomos encuadernados en tela i n g l e s a con lomos dorados y
t a p a s g r a b a d a s e n n e g r o , c u e s t a n á cuatro pesetas e n l a s l i b r e r í a s ,
y tres pesetas cincuenta céntimos haciendo el pedido al editor y
r e m i t i e n d o al hacerlo el i m p o r t e .
He p u b l i c a u n t o m o c a d a m e s .
Vuede hacerse la suscrición recibiendo el suscritor m e n s u a l -
m e n t e los tomos que desee.
El suscritor no e s t á obligado á adquirir m á s t o m o s de los publi-
cados ó que on adelante se p u b l i q u e n , q u e los que s e a n de s u
agrado.
L o s s u s c r i t o r e s de p r o v i n c i a s r e c i b i r á n l o s t o m o s p o r e l c o r r e o
y con l a s g a r a n t í a s necesarias para evitar e x t r a v í o s .
Todos los tomos se venden separadamente.
OBRAS PUBLICADAS.
Clásicos griegos. Tl
""" -
s

H O M E R O . — ¿ a ¡liada, traducción directa del g r i e g o en


verso y con n o t a s de D . J o s é Gómez Hermosilla 3
H E R O D O T O . — Los nueve libros <¡« la historia, traducción
d i r e c t a d e l g r i e g o , del p a d r e B a r t o l o m é P o u 2
P L U T A R C O . — L a s vidas paralelas, traducción directa del
g r i e g o por D . A n t o n i o R a n z R o m a n i l l o s 5
A R I S T Ó F A N E S . — T e a t r o completo, traducción directa del
g r i e g o p o r D . F e d e r i c o Baráibnr 3
P O E T A S B U C Ó L I C O S G R I E G O S Teócrito, Bióu y MoscoJ.
T r a d u c c i ó n directa del g r i e g o , e n verso, por D. I g n a c i o
M o n t e s de O c a . O b i s p o de L i n a r e s (Méjico) 1
O D A S D E PIND ARO,—Traducción en verso del mismo 1
E S Q U I L O . — Teatro competo traducción directa del g r i e g o
por D. Fernando Brieva Salvatierra 1
X E N O F O N T E . — Historia de la entrada de Cyro el Menor
en Asia, t r a d u c c i ó n d i r e c t a d e l g r i e g o p o r D . D i e g o
Gracián, corregida por Flórez Canseco 1
— La Cyropeiia ó Historia de Cyro el Mayor, traducción
del m i s m o 1
L U C I A N O . — O b r a s completas, traducción directa del g r i e g o
de D . C r i s t ó b a l V i d a l . S e h a p u b l i c a d o e l t o m o I . . . . . . 4
A R R I A N O . — E x p e d i c i o n e s de Alejandro, traducción directa
d e l g r i e g o d e D. F e d e r i c o B a r á i b a r 1
P O E T A S LÍRICOS G R I E G O S . — Traducción directa del
g r i e g o por l o s s e ñ o r e s B a r á i b a r , M e n é n d e z P e l a y o ,
Conde. C a n g a A r g u e l l e s y Castillo y A y e n s a \
P O L I B I O . - í f t a í o i - i a Universal, t r a d u c c i ó n d e D. A m b r o s i o
Rui Bamba %
Clásicos latinos. T o n
"
V I R G I L I O . — L a Eneida, t r 6 d u c c i ó n d i r e c t a del l a t í n , e n v e r -
s o y c o n n o t a s d e l>. M i g u e l A n t o n i o Caro 2
~ Las tgloqat. t r a d u c c i ó n en v e r s o , d e H i d a l g o . — Lo»
oeór'icu*, t r a d u c c i ó n e u v e r s o , d e Caro; i m b a s t r a d u c -
c i o n e s directas del latín, con un e s t u d i o del S r . Me-
nendez Pelayo 1
CICEKOIN. 7 retarlos didácticos ae In elocuencia, t! a i l u c c i ó n
d i r e c t a del l a t í n d e D . M a r c e l i n o M e n é n d e z P e l a y o . . . 2
— Tratados filosóficos, t r a d u c c i ó n d e l m i s m o 3
T Á C I T O . — L o s anales, traducción directa del latín de don
Carlos Coloma 2
— Las historias, traducción del mismo / 1
S A L U S T I O . — C o n j u r a c i ó n de Catilina.—Gueria de Jugurta,
t r a d u c c i ó n del I n f a n t e D . G a b r i e l . — F r a g m e n t o s de la
g-ande historia, t r a d u c c i ó n del Sr. Menéndez P e l a y o ,
ambas directas del latín
J U L I O C E á A R . — I os Coméntanos, t r a d u c c i ó n directa del
l a t í n por D . J o s é G o y a y M u n i ? i n 2
S U E T O N I O . — Vidas de lo.i doce Césares, t r a d u c c i ó n d i r e c t a
del latín de D . F. Norberto Castilla I
S É N E C A . — Epístola» moróles; t r a d u c c i ó n d i r e c t a del l a t í n
p o r D. F r a n c i s c o N a v a r r o y C a l v o 1
— Tratado* /ilosó/icos; t r a d u c c i ó n d i l e c t a d e l l a t í n yinr e l
l i c e n c i a d o O. i e d r o F e r n á n d e z d e N a v a r r e t e y D . F r a n -
cisco Navarro y Calvo, C a n ó n i g o de Granada 2
Clásicos españoles.
C E R V A N T E S —dovelas ei mplaret y viaje del Parnaso 2
C A L U K R Ü N D E L A B A R C A . — Teatro selecto c o n u n e s t u -
dio p r e l i m i n a r d e l S r . M e n é n d o z P e l a y o 4
H U R T A D O D E M E N D O Z A .-Obras en prosa 1
Q U E V E D O . - Obras satíricas y festtvis 1
V c l N T A N A . — Vidas d» españoles célebres 2
D U Q U E D E R I V A t í . — S u b l e v a c i ó n de Ñapóles 1
A L C A L Á G A L I A N O . — Recuerdos de un ancano 1
M A N U E L D E M E L Ó . — G u e r r a de Calaluñay Política Militar. 1
Clásicos ingleses.
M A C A U L A Y . — E s t u d i o s literarios.— Estudios históricos.— Es-
tudios político-*.— Estudios biografieos.— Estudio* críticos.
T r a d u c c i ó n d i r e c t a d e l i n g l é s de M . J u d e r í a s B é n d e r . 5
— HUioria«e la Revolución, de Inglaterra, traducción di-
r e c t a del i n g l é s d e M. J u d e r í a s B é n d e r y D a n i e l L ó p e z . 4
M I L T O N . — P a r a í s o perdido, traducción directa del i n g l é s
e n verso castellano por D. Juan Escoiquiz 2
Clásicos italianos.
M A N Z O N I . — L o s iranias, t r a d u c c i ó n d i l e c t a d e l i t a l i a n o p o r
D. Juan Nicasin Gallego , 1
— La Moí al Católica, tradu ción directa del italiano por
D. Francisco Navarro y Calvo 1
Clásicos alemanes.
S C H I L L E R . — Teatro completo, t r a d u c c i ó n d i r e c t a d e l a l e -
m á n por D . E d u a r d o Mier 3
H E I N E . — P o e m a s y fantasías, traducción en verso castella-
n o por D . J o s é J. H e r r e r o 1
Clásicos franceses.
L A M A R T I N E . — C i v i l i z a d o r e s y conquistadores, versión es-
p a ñ o l a d e D . N o b e r t o C a s t i l l a y D. M. J u d e r í a s B é n d e r . 2
OBRAS COMPLETAS
DE

MARCO TULIO CICERÓN.


..tle IMPRENTA CENTRAL Y ESTEREOTIPIA A CARGO DE V. SAIZ

* Colegiata, 6, Madrid.
B I B L I O T E C A C L Á S I C A
T O M O LXX1II

OBRAS COMPLETAS
DE

MARCO TUMO CICERÓN


VERSIÓN CASTELLANA DE

D. MARCELINO MENENDEZ Y PELAYO ,

TOMO V.

MADRID
LUIS NAVARRO, EDITOR

CALLE DE LA COLEGIATA, 6

I884
CUESTIONES TUSCULANAS.

LIBRO PRIMERO.

Del desprecio de la muerte.

A p e n a s m e e n c o n t r é , si n o t o t a l m e n t e , á l o m e n o s en
g r a n p a r t e , d e s e m b a r a z a d o d e los t r a b a j o s f o r e n s e s y d e los
oficios s e n a t o r i a l e s , m e d e d i q u é (movido principalmente
p o r e x h o r t a c i o n e s t a y a s , oh B r u t o ) á a q u e l l o s e s t u d i o s q u e
siempre amé, pero que había tenido que suspender por
l a r g o i n t e r v a l o . Y c o m o el f u n d a m e n t o d e t o d a s l a s a r t e s
q u e s e e n c a m i n a n al p e r f e c t o m o d o d e v i v i r ' c o n s i s t e e n el
e s t u d i o d e la filosofía, é s t a e s la q u e m e p r o p u s e i l u s t r a r e n
l e n g u a l a t i n a . N o p o r q u e la filosofía n o p u d i e r a a p r e n d e r s e
p o r m e d i o de las letras y p r e c e p t o r e s g r i e g o s , sino p o r q u e
fué s i e m p r e o p i n i ó n m í a q u e l o s n u e s t r o s , ó l o h a b í a n i n -
v e n t a d o t o d o p o r sí m á s s a b i a m e n t e q u e l o s G r i e g o s , ó e n
las a r t e s q u e r e c i b i e r o n de ellos habían m e j o r a d o c u a n t o
c r e y e r o n d i g n o d e s u s t r a b a j o s . En c u a n t o á l a s costum-
b r e s y h á b i t o s d e . la v i d a y á l o s n e g o c i o s domésticos
y familiares, es cierto que nosotros los a d m i n i s t r a m o s y
conservamos mejor q u e e l l o s ; y p o r lo q u e h a c e á la R e -
p ú b l i c a , e s e v i d e n t e q u e n u e s t r o s m a y o r e s la g o b e r n a r o n
c o n m e j o r e s i n s t i t u c i o n e s y l e y e s q u e l a s s u y a s . Y ¿para
TOMO V. 1
2 MARCO TULIO CICERÓN.

q u é h e d e h a b l a r d e la m i l i c i a , e n la c u a l l o s n u e s t r o s s e
a v e n t a j a r o n p o r la d i s c i p l i n a , t a n t o ó m á s q u e p o r el v a -
lor? Lo q u e e n l a s c i e n c i a s c o n s i g u i e r o n , g u i a d o s p o r la
n a t u r a l e z a y n o p o r las l e t r a s , a v e n t a j a c o n m u c h o á t o d o
a q u e l l o d e q u e p u e d e g l o r i a r s e la G r e c i a ó c u a l q u i e r a o t r a
n a c i ó n . ¿Dónde e n c o n t r a r e m o s t a n t a g r a v e d a d , t a n t a c o n s -
t a n c i a , m a g n a n i m i d a d , p r o b i d a d y b u e n a fe, d ó n d e v i r t u d
tan e x c e l e n t e , d e c u a l q u i e r g é n e r o , q u e p u e d a s e r c o m p a -
r a d a s c o n la d e n u e s t r o s m a y o r e s ? La Grecia n o s aven-
tajaba a n t i g u a m e n t e en doctrina y en t o d o género de
l e t r a s , y fácil e r a q u e n o s v e n c i e s e e n esl¿, puesto que
n o s o t r o s n o r e s i s t i m o s el d e j a r n o s v e n c e r / En G r e c i a e s
a n t i q u í s i m a la p o e s í a , p u e s t o q u e H o m e r o y H e s i o d o flore-
c i e r o n a n t e s d e la f u n d a c i ó n d e R o m a , y A r q u í l o c o bajo e l
reinado de Rómula; nosotros hemos aprendido mucho
m á s t a r d e la p o é t i c a : C a s i h a b í a n p a s a d o c u a t r o c i e n t o s d i e z
a ñ o s d e s p u é s d e \í f u n d a c i ó n d e R o m a , c u a n d o Livio A n -
d r ó n i c o h i z o r e p r e s e n t a r s u p r i m e r a f á b u l a , e n el consu-
l a d o d e M a r c o T u d i t a n o y d e Cayo C l a u d i o , hijo d e l C i e g o ,
un a ñ o a n t e s d e l n a c i m i e n t o d e E n n i o , q u e fué m a y o r e n
edad que Plauto y Nevio.
T a r d e , p u e s , fueron conocidos ó admitidos entre nos-
o t r o s l o s p o e t a s , p o r m á s q u e d i g a Catón e n s u s Orígenes
q u e e r a c o s t u m b r e e n l o s c o n v i t e s c e l e b r a r al s o n d e la
flauta las glorias de los v a r o n e s esclarecidos. Pero q u e no
se tributaba honor alguno á esta a r t e , bien c l a r o n o s lo
indica aquél d i s c u r s o d e Marco Catón, en q u e echa en c a r a
c o m o u n a a f r e n t a a Marco N o b i l i o r e l h a b e r l l e v a d o p o e t a s
á su provincia, porque, c o m o s a b e m o s , aquel Cónsul h a -
bía c o n d u c i d o á la Etolia á E a n i o . S i e n d o p e q u e ñ o el h o n o r
q u e s e t r i b u t a b a á l o s p o e t a s , n o d e b í a s e r g r a n d e l a afi-
c i ó n á tal e s t u d i o . P e r o si a l g u n o s g r a n d e s i n g e n i o s se
ejercitaron en él, no dejaron de competir bastante con
!a g l o r i a d e l o s G r i e g o s . ¿Por q u é n o h e m o s d e c r e e r q u e
si en F a b i o , h o m b r e n o b i l í s i m o , s e h u b i e s e e s t i m a d o p o r
CUESTIONES TUSCULANAS. " 3

c o s a g l o r i o s a el p i n t a r , n o h u b i e s e n florecido entre n o s -
o t r o s m u c h o s P o l y c l e t o s y P a r r h a s i o s ? El h o n o r alimenta
l a s a r t e s , y c o n él s e e n c i e n d e n t o d o s e n a n s i a d e g l o r i a ; y ,
p o r e l c o n t r a r i o , d e c a e n t o d o s los e s t u d i o s q u e s o n d e s e s -
timados. Los Griegos hacían consistir gran parte de su
c u l t u r a e n el c a n t o y e n la m ú s i c a . P o r e s o s e d i c e q u e
E p a m i n o n d a s , q u e fué, á m i j u i c i o , el h o m b r e m á s ilustre
de Grecia, tocaba admirablemente la flauta. Y algunos
años antes, Temístocles pasó por rudo é indocto porque
en u n c o n v i t e r e h u s ó t o e a r la l i r a . E n G r e c i a , p u e s , flore-
cía la m ú s i c a , y t o d o s la a p r e n d í a n , y n o p a s a b a p o r v a r ó n
i l u s t r a d o q u i e n la i g n o r a s e . T a m b i é n estaba en sumo h o -
nor entre los G r i e g o s la g e o m e t r í a , y n a d i e h a b í a más
ilustre q u e los m a t e m á t i c o s . P e r o nosotros h e m o s r e d u c i d o
e s t a s c i e n c i a s al a r t e d e m e d i r y al a r t e d e c a l c u l a r .
P o r el c o n t r a r i o , o r a d o r e s los t u v i m o s p r o n t o , y a u n -
q u e al p r i n c i p i o no eran e r u d i t o s , t e n í a n facilidad para
h a b l a r ; c o n el t i e m p o n o l e s falló t a m p o c o e r u d i c i ó n . S a -
bemos que Galba, Scipión el A f r i c a n o y Lelio fueron
doctos; sabemos q u e fué m u y e s t u d i o s o Catón, que era
m á s viejo q u e e l l o s , y e n t i e m p o s p o s t e r i o r e s L é p i d o , C a r -
bón, los Gracos, y d e s p u é s otros v a r o n e s ilustres, hasta
nuestra edad, en términos que nada ó muy poco nos
d e j a r o n q u e e n v i d i a r á l o s G r i e g o s . P e r o la filosofía yació
a b a n d o n a d a hasta n u e s t r a e d a d , sin r e c i b i r luz alguna de
las letras latinas. Por eso y o m e h e p r o p u e s t o elevarla y
¡ d e s p e r t a r l a , p a r a q u e si e n la v i d a p ú b l i c a f u i m o s d e a l g ú n
¡ provecho á nuestros c o n c i u d a d a n o s , les s e a m o s también
' ú t i l e s e n el o c i o . Y e n e s t o h e m o s d e t r a b a j a r t a n t o m á s ,
c u a n t o q u e s e d i c e q u e e x i s t e n ya m u c h o s l i b r o s latinos
compuestos por v a r o n e s e x c e l e n t e s , pero no m u y e r u d i -
t o s . Bien p u e d e s u c e d e r q u e p e n s a n d o b i e n no se a c i e r t e
á e x p r e s a r c o n e l e g a n c i a y c u l t u r a lo q u e s e p i e n s a . P e r o
el e n t r e g a r c u a l q u i e r a á la e s c r i t u r a sus pensamientos,
sin s a b e r d i s p o n e r l o s ni i l u s t r a r l o s , ni a t r a e r c o n n i n g ú n
4 MARCO TULIO CICERÓN.

g é n e r o d e deleite a los l e e t o r e s , es p r o p i o de h o m b r e s q u e
a b u s a n d e s t e m p l a d a m e n t e d e la o c i o s i d a d y d e l a s l e t r a s .
Así e s q u e t a l e s l i b r o s s ó l o l o s l e e n l o s a u t o r e s e n t r e sus
a m i g o s , y n a d i e s e a t r e v e á h o j e a r l o s , fuera d e a q u e l l o s q u e
quieren que se les permita i g u a l l i c e n c i a en el e s c r i b i r .
P o r lo c u a l , si n u e s t r a e l o c u e n c i a h a t r a í d o a l g u n a u t i l i d a d
á la o r a t o r i a , c o n t a n t o ó m a y o r e s t u d i o a b r i r e m o s y m o s -
t r a r e m o s la f u e n t e d e la filosofía, de d o n d e toda aquella
d o c t r i n a civil e m a n a b a .
P e r o así c o m o A r i s t ó t e l e s , v a r ó n d e s u m o i n g e n i o , c i e n -
cia y a b u n d a n c i a e n el d e c i r , m o v i d o p o r la fama del o r a d o r
Jsócrates, e m p e z ó á e x h o r t a r á los j ó v e n e s á q u e u n i e s e n
la filosofía con la e l o c u e n c i a , así y o n o q u i e r o abandonar-
a q u e l a n t i g u o a m o r m í o á la p a l a b r a , al m i s m o t i e m p o q u e
m e e j e r c i t o en e s t a c i e n c i a m a y o r y m á s c o m p l e j a . Siem-
p r e e s t i m é q u e el p e r f e c t o filósofo e r a el q u e p o d í a t r a t a r
c o n a b u n d a n c i a y o r n a t o las m á s a l t a s c u e s t i o n e s . Y c o n
t a n t o a h i n c o m e h e e j e r c i t a d o en e s t o , q u e h e l l e g a d o á
t e n e r e s c u e l a al m o d o d e l o s G r i e g o s , y así lo i n t e n t é e n
el T u s c u l a n o , d e s p u é s d e tu p a r t i d a , e s t a n d o allí m u c h o s
a m i g o s m í o s . P u e s así c o m o h e s o l i d o d e c l a m a r e n las
c a u s a s , lo c u a l n a d i e h a c í a a n t e s q u e y o , así m e ocupo
ahora en esta especie d e declamación senil. A c o s t u m b r a b a ,
p u e s , p o n e r alguna c u e s t i ó n y djsputar s o b r e ella, s e n t a d o
ó andando.
Las c o n t r o v e r s i a s , ó e s c u e l a s c o m o los Griegos dicen,
las reduje á otros tantos l i b r o s ^ u c e d e también que, des-
p u é s d e h a b e r e x p u e s t o a l g u i e n s u p a r e c e r , y o d e f i e n d o el
p a r e c e r c o n t r a r i o . E s t e e s , c o m o s a b e s , el a n t i g u o m é t o d o
s o c r á t i c o , d e d i s p u t a r c o n t r a la o p i n i ó n d e o t r o . Sócrates
c r e í a q u e e s t e e r a el m o d o m á s fácil y b r e v e d e e n c o n t r a r
lo verosímil. P e r o para q u e se entienda mejor nuestra
d i s p u t a , la e x p o n d r é e n a c c i ó n y n o e n n a r r a c i ó n . C o m e n -
z a r e m o s p o r el e x o r d i o .
O Y E N T E . — M e p a r e c e q u e la m u e r t e e s u n m a l .
CUESTIONES TUSCULANAS. 5

M A R C O . — ¿ U n m a l p a r a los m u e r t o s , ó p a r a los q u e h a n
de morir?
OYENTE.—Para unos y otros.
M A R C O . — S e r á una desdicha, puesto que es un mal.
OYENTE.—Ciertamente.
M A R C O . — P o r t a n t o , l o s q u e h a n m u e r t o ya y l o s q u e h a n
de morir son d e s d i c h a d o s .
O Y E N T E . — A s í lo c r e o .
MARCO.—¿Ninguno, pues, deja de ser desdichado?
O Y E N T E . — N i n g u n o , en v e r d a d .
MARCO.—Si quieres ser consecuente, tendrás que decir
q u e t o d o s los nacidos n o sólo son d e s d i c h a d o s , sino que
han de serlo s i e m p r e . Si s ó l o l l a m a r a s desdichados á los
que han de morir, no exceptuarías á ninguno de los
v i v o s , p u e s t o q u e t o d o s h a n d e m o r i r , y el fin d e s u m i -
s e r i a s ó l o s e e n c o n t r a r í a e n la m u e r t e . Pero siendo tam-
bién infelices los m u e r t o s , es claro q u e n a c e m o s c o n d e -
nados á miseria sempiterna. Necesario es, p u e s , que sean
i n f e l i c e s t o d o s los q u e h a n m u e r t o d u r a n t e cien m i l a n o s ,
ó m á s bien todos los q u e han n a c i d o .
O Y E N T E . — A s í lo c r e o .
M A R C O . — D i m e , ¿acaso te llenan d e t e r r o r e s a s fábulas
que se cuentan del Cerbero de tres cabezas que está á las
p u e r t a s d e l i n f i e r n o , d e l e s t r u e n d o d e l C o c i t o , d e la t r a -
vesía del Aqueronte, de Tántalo sediento y sin poder
a c e r c a r el a g u a á la b o c a ? ¿ P o r v e n t u r a t e c a u s a espanto
aquel peñasco que Sísifo e s t á empujando siempre con
s u d o r y sin a r r i b a r á la c u m b r e ? ¿ T e m e s q u i z á á l o s i n e x o -
r a b l e s j u e c e s Minos y R a d a m a n t o , c o n t r a los c u a l e s n o t e
p o d r á d e f e n d e r ni L u c i o C r a s o , ni M a r c o A n t o n i o , ni e l m i s -
m o Demóslenes, sino que tendrás tú mismo que defenderte
e n u n f o r o a m p l í s i m o ? Sin duda temes todas estas estas
c o s a s , y p o r e s o h a s d i c h o quejjla m u e r t e e s u n m a l e t e r n o .
OYENTE.—¿Tan delirante m e juzgas, que crea yo todas
e s a s fábulas?
6 MARCO TULIO CICERÓN.

M A R C O . — ¿ N o las c r e e s ?
OYENTE.—No, absolutamente.
M A R C O . — H a c e s m a l en d e c i r l o .
O Y E N T E . — Y ¿por q u é ?
M A R C O . — P o r q u e podría yo mostrar elocuencia comba-
tiendo esas fábulas.
O Y E N T E . — Y ¿ q u i é n n o h a d e s e r e l o c u e n t e e n tal asun-
to, ó qué necesidad h a y d e d e m o s t r a r q u e s o n falsas l a s
invenciones de los poetas y de los pintores?
M A R C O . — L l e n o s e s t á n l o s l i b r o s d e l o s filósofos d e di-
sertaciones contra esas fábulas.
OYENTE.—Necedad grande me parece impugnarlas. ¿Pues
quién es tan insensato q u e se deje persuadir semejantes
cuentos?
M A R C O . — S i en los infiernos no h a y d e s d i c h a s , n o h a b r á
nadie en los infiernos.
O Y E N T E . — A s í lo c r e o .
M A R C O . — ¿ D ó n d e e s t á n , p u e s , los q u e llamas infelices, ó
q u é l u g a r h a b i t a n , p o r q u e , si e x i s t e n , e n a l g u n a p a r t e h a n
de estar?
^ O Y E N T E . — Y o creo que no están en ninguna p a r t e .
"MARCO.—Por consiguiente no existirán.
O Y E N T E . — C i e r t a m e n t e q u e no e x i s t e n ; y sin embargo,
s o n i n f e l i c e s p o r lo m i s m o q u e n o e x i s t e n .
M A R C O . — M á s q u i s i e r a y o q u e t e m i e s e s al C e r b e r o q u e n o
q u e dijeses cosas tan i n c o n s i d e r a d a s .
O Y E N T E . — Y ¿por q u é ?
M A R C O . — ¿Te p a r e c e poco absurdo decir á un mismo
t i e m p o q u e u n s e r e x i s t e y n o existe? ¿Dónde e s t á tu a g u -
d e z a ? Al l l a m a r l e d e s d i c h a d o , c o n f i e s a s q u e e x i s t e el m i s m o
cuya existencia niegas.
O Y E N T E . — N d soy tan necio que diga s e m e j a n t e c o s a .
MARCO.—¿Qué q u i e r e s decir, pues? •
O Y E N T E . — Q u e e s infeliz, p o r e j e m p l o , Marco C r a s o , q u e
p e r d i ó toda su fortuna c o n s u m u e r t e ; infeliz Cneo P o m -
CUESTIONES TUSCULANAS. 7

p e y ó , q u e s e vio p r i v a d o d e t a n t a d i g n i d a d y t a n t a g l o r i a
c o m o tenía; infelices, finalmente, todos los q u e carecen d e
la l u z d e e s t a v i d a .
M A R C O . — S i e m p r e v u e l v e s á lo m i s m o . P e r o t ú n e g a b a s
hace un momento q u e existiesen de ningún m o d o los q u e
h a b í a n m u e r t o . Si n o e x i s t e n , n a d a p u e d e n s e r , y p o r c o n -
siguiente tampoco pueden ser infelices.
OYENTE.—No m e explico acaso con bastante claridad.
Y o t e n g o p o r la f e l i c i d a d s u p r e m a el d e j a r d e e x i s t i r d e s -
pués de haber existido.
M A R C O . — ¿ Y q u é c o s a m á s infeliz que no haber exis-
tido nunca? Por consiguiente, los q u e no h a n nacido s o n
ya infelices porque no e x i s t e n , y nosotros m i s m o s , si
d e s p u é s d e la m u e r t e h e m o s d e s e r i n f e l i c e s , desdichados
fuimos a n t e s q u e n a c i d o s . P e r o yo no m e a c u e r d o d e h a b e r
s i d o infeliz a n t e s d e h a b e r n a c i d o . Q u i s i e r a q u e m e d i j e s e s
tú s i t e a c u e r d a s a l g o d e e s t o , p u e s t o q u e t i e n e s m e j o r m e -
moria.
O Y E N T E . — T e b u r l a s d e m í , c o m o si y o h u b i e r a dicho
q u e eran infelices los q u e n o han n a c i d o . Yo afirmaba q u e
lo e r a n l o s m u e r t o s , á q u i e n p o r lo m i s m o q u e e x i s t i e r o n
y no existen ya, los tengo por infelices.
MARCO.— ¿No v e s q u e d i c e s COSES c o n t r a d i c t o r i a s ? ¿Y
c u á l p u e d e s e r l o m á s q u e el a p l i c a r e l c a l i f i c a t i v o d e d e s -
d i c h a d o ú o t r o c u a l q u i e r a al q u e n o e x i s t e ? ¿ A c a s o c u a n d o
s a l e s p o r la p u e r t a C a p e n a y v e s l o s s e p u l c r o s d e C a l a t i n o ,
de los Scipiones, de los Servilios, d e los Mételos, los t i e -
n e s p o r infelices?
O Y E N T E . — Y a q u e tanto m e apuras, no te diré d e aquí
e n a d e l a n t e q u e son i n f e l i c e s , s i n o q u e m e c o n t e n t a r é c o n
l l a m a r l o s a s í , p o r lo m i s m o q u e n o e x i s t e n .
M A R C O . — N o d i r á s , p u e s , infeliz á M a r c o C r a s o , s i n o q u e
d i r á s : Marco Craso infeliz.
OYENTE.—Así es.
M A R C O . — C o m o si n o f u e s e n e c e s a r i o e l v e r b o ser, o r a
8 MARCO TULIO CICERÓN.

lo p r o n u n c i e s , o r a lo o m i t a s . ¿Acaso n o h a s a p r e n d i d o la
dialéctica? Uno d e s u s primeros p r e c e p t o s es que todo
axioma envuelve una declaración d e verdad ó d e falsedad.
C u a n d o d i c e s , p u e s , ¡infeliz Marco Craso! ó q u i e r e s d e c i r
Marco Craso es infeliz, p a r a q u e p o d a m o s j u z g a r si e s t a
p r o p o s i c i ó n e s v e r d a d e r a ó falsa, ó n o q u i e r e s d e c i r a b s o -
lutamente nada.
OYENTE.—Bueno: te c o n c e d o q u e n o s o n i n f e l i c e s l o s
que han muerto, ya que m e has obligado á confesar q u e
l o s q u e n o e x i s t e n n o p u e d e n s e r ni s i q u i e r a i n f e l i c e s . P e r o
¿no s o m o s d e s d i c h a d o s l o s q u e v i v i m o s s a b i e n d o q u e h e -
m o s d e m o r i r ? ¿Qué a l e g r í a p u e d e h a b e r e n la v i d a c u a n d o
t e n e m o s q u e p e n s a r d e día y d e n o c h e e n la m u e r t e ?
M A R C O . — N o c o m p r e n d e s q u é m a l h a s q u i t a d o d e la c o n -
dición h u m a n a .
OYENTE.—¿De q u é modo?
M A R C O . — P o r q u e si m o r i r fuese u n a desdicha para los
muertos, tendríamos u n infinito y s e m p i t e r n o m a l e n l a
vida.
O Y E N T E . — A h o r a ya v e o el p u e r t o , y c u a n d o l l e g u e m o s á
él, n a d a p u e d e i n f u n d i r n o s y a t e m o r .
M A R C O . — P a r é c e m e q u e s i g u e s la s e n t e n c i a d e E p i c a r m o ,
h o m b r e agudo y donoso como buen siciliano.
OYENTE.—¿Qué opinión es esa?
M A R C O . — T e la d i r é e n l a t í n , si p u e d o . P o r q u e y a s a b e s
que yo no suelo usar palabras latinas cuando hablo e n
g r i e g o , ni p a l a b r a s g r i e g a s c u a n d o h a b l o e n l a t í n .
O Y E N T E . — Y haces bien en e s o . Pero-¿cuál e s esa opi-
nión d e Epicarmo?
MARCO.—Dice a s í : «No q u i e r a s m o r i r , p e r o n o e s t i m e s
e n n a d a la m u e r t e . »
OYENTE.—Ya comprendo lo q u e dirá en griego. Pero
puesto que me has obligado á conceder q u e los muertos no
s o n i n f e l i c e s , v e a m o s si m e p r u e b a s q u e la m u e r t e m i s m a
no es una infelicidad.
CUESTIONES TUSCULANAS. 9

MARCO.—No me costera mucho trabajo e s o . Pero ahora


quiero esclarecer antes otra cuestión más importante.
O Y E N T E . — ¿ Y cuál p u e d e serlo más?
MARCO.—La s i g u i e n t e : Si d e s p u é s d e la m u e r t e n o h a y
m a l a l g u n o , la muerte misma no es tampoco un mal,
puesto que está cercana á un tiempo en que tú mismo
c o n c e d e s q u e n o se da mal a l g u n o . T e n d r e m o s , p u e s , q u e
confesar que no es un mal.
OYENTE.—Quisiera que m e lo e x p l i c a s e s más, porque
esto es más espinoso, y antes me obligarás á confesarlo
q u e á asentir á ello. ¿Cuáles s o n las c o s a s de m á s impor-
t a n c i a d e q u e lú h a b l a b a s ?
MARCO.—Quiero p r o b a r t e n o s ó l o q u e la m u e r t e no es
un mal, sino q u e es un b i e n .
O Y E N T E . — N o te pido esto, pero me alegraré de oirlo.
Por mucho que hagas, no p r o b a r á s q u e la m u e r t e n o s e a
un mal. Pero no te i n t e r r u m p i r é ; prefiero q u e h a b l e s en
un razonamiento seguido.
M A R C O . — Y q u é , si t e p r e g u n t o a l g u n a c o s a , ¿ n o m e r e s -
ponderás?
O Y E N T E . — E s t o sería indicio de soberbia, pero te suplico
q u e n o m e p r e g u n t e s m á s d e lo q u e s e a n e c e s a r i o .
M A R C O . — P r o c u r a r é c o m p l a c e r t e y t e r e s p o n d e r é á lo q u é
me preguntes lo m e j o r q u e yo pueda. Pero no hablaré
c o m o el o r á c u l o P i t i o , ni t e d i r é l a s c o s a s c o m o c i e r t a s y
evidentes, sino como probables conjeturas que expone un
hombre s e m e j a n t e á tantos y tantos o t r o s . No t e n g o fun-
d a m e n t o ni r a z o n e s p a r a p a s a r m á s allá d é l o verosímil.
La c e r t e z a s ó l o la h a l l a r á n a q u e l l o s q u e d i c e n c o n o c e r la
e s e n c i a d e l a s c o s a s y q u e s e a r r o g a n el n o m b r e d e sa-
bios.
OYENTE.—Di lo q u e q u i e r a s ; estoy dispuesto á escu-
charte.
M A R C O . — L o primero que h e m o s de considerar es en qué
c o n s i s t e la m u e r t e , la c u a l á p r i m e r a v i s t a p a r e c e u n a c o s a
10 MARCO TULIO CICERÓN.

t a n c o n o c i d a . Hay a l g u n o s q u e c r e e n q u e la m u e r t e e s la
separación del alma y del c u e r p o . Otros opinan q u e no h a y
separación alguna, sino q u e m u e r e n j u n t a s el alma y el
c u e r p o y q u e el a l m a s e e x t i n g u e e n e l c u e r p o . De l o s q u e
c r e e n q u e el alma se retira, unos opinan q u e s e disipa,
otros que permanece largo tiempo, otros que dura siempre.
Hay l u e g o g r a n d i v i s i ó n s o b r e e l a l m a m i s m a , s o b r e s u o r i -
g e n y s o b r e s e í l u g a r q u e o c u p a . U n o s c o n f u n d e n el a l m a
c o n e l c o r a z ó n , y d e a h í l a s p a l a b r a s excordes, vecordes,
concordes, e t c . , y p o r e s o S c i p i ó n N a s i c a , q u e fué d o s v e -
c e s c ó n s u l , l l a m a b a á Elio S e x t o : «Egregie cordatus komo.»
E m p e d o c l e s c r e í a q u e e l a l m a e r a i n s e p a r a b l e d e la s a n g r e .
O t r o s h a n c r e í d o q u e a l g u n a s p a r t e s d e l c e r e b r o e r a n el
asiento d e las principales facultades del alma. A ' o t r o s no
l e s p a r e c e b i e n q u e ni el c o r a z ó n ni u n a p a r t e d e l c e r e b r o
sean el alma misma; pero u n o s colocan e n el c o r a z ó n y
o t r o s e n el c e r e b r o el a s i e n t o p r o p i o y l u g a r d e l a l m a . A l -
g u n o s c r e e n q u e e l a l m a y e l a l i e n t o vital s o n la m i s m a
cosa. Zenón estoico c o n f u n d i ó el a l m a c o n e l f u e g o . E s
t a s o p i n i o n e s q u e h e d i c h o d e l c o r a z ó n , d e l c e r e b r o , d e la
respiración y del fuego, son las vulgares. Hay o t r a s o p i -
n i o n e s s i n g u l a r e s , p r o f e s a d a s p o r m u c h o s filósofos anti-
g u o s . En t i e m p o s n o m u y r e m o t o s A r i s t o x e n o , müsicTr y
i n ó s o t o , e n s e n ó q u e h a o l a en la n a t u r a l e z a y' d i s p o s i c i ó n
d e l c u e r p o c i e r t o m o v i m i e n t o a r m ó n i c o , c o m o el d e l o s s o -
n i d o s e n el c a n t o y e n la m ú s i c a . Casi t o d o lo q u e é l dijo
había sido explanado m u c h o tiempo antes por Platón.
X e n ó c r a t e s n e g ó q u e el a l m a t u v i e r a f i g u r a s e m e j a n t e al
c u e r p o , y la c o n s i d e r ó c o m o u n v e r d a d e r o n ú m e r o , c u y o
p o d e r e r a g r a n d e e n la n a t u r a l e z a , c o m o y a a n t e s habla
a d v e r t i d o P i t á g o r a s . Su m a e s t r o P l a t ó n fingió u n a l m a t r i -
p l e , c u y o p r i n c i p a d o , e s d e c i r , la r a z ó n , p u s o e n la c a b e z a
c o m o e n s u a l c á z a r , y s e p a r ó d e ella o t r a s d o s p a r t e s : la
ira y e l a p e t i t o , a l o j a n d o l a i r a e n el p e c h o y e l a p e t i t o
bajo las e n t r a ñ a s . D i c e a r c o , e n a q u e l r a z o n a m i e n t o q u e
CUESTIONES TUSCULANAS. 11

hizo en Corinto y q u e desarrolló e n tres diálogos, intro-


d u c e e n el p r i m e r l i b r o á u n c i e r t o P h e r e c r a t e s , a n c i a n o d e
Phtía, á quien s u p o n e d e s c e n d i e n t e d e Deucalión, el eual
s o s t i e n e q u e el alma n o e x i s t e y q u e e s un n o m b r e total-
m e n t e vacío, lo m i s m o q u e el d e animal y a n i m a d o , y q u e
n i e n e l h o m b r e ni e n la b e s t i a h a y a l m a , y q u e la f u e r z a ,
p o r m e d i o d e la c u a l n o s m o v e m o s y s e n t i m o s , o b r a c o n
igual energía en todos los cuerpos vivos, y no s e separa d e !
c u e r p o , c o m o q u e p o r sí m i s m a n o e s n a d a , ni e x i s t e otra
c o s a q u e e l c u e r p o u n o y s i m p l e , d i s p u e s t o d e tal m o d o
q u e v e g e t a y s i e n t e o b e d e c i e n d o á la f u e r z a d e la n a t u -
raleza.
Aristóteles, m u y superior á todos los otros, exceptuando
á Platón, en ingenio y elocuencia, después de haber s e ñ a -
l a d o a q u e l l o s c u a t r o p r i n c i p i o s d e l a s c o s a s n a t u r a l e s tan
conocidos de todo el m u n d o , pone por quinto principio
c i e r t o g é n e r o d e n a t u r a l e z a d e la c u a l p r o c e d e el a l m a . El
p e n s a r , el p r e v e r , el a p r e n d e r , el e n s e ñ a r , e l i n v e n t a r a l g o ,
y t a m b i é n e l a c o r d a r s e , el a m a r , e l a b o r r e c e r , el d e s e a r ,
el t e m e r , e l a n g u s t i a r s e , e l a l e g r a r s e : e s t a s y otras cosas
semejantes n o las deriva d e n i n g u n o d e los c u a t r o princi-
pios q u e p r i m e r o establece. Añade u n quinto principio sin
nombre, aunque alguna v e z le l l a m a entelechia, c o m o si
. q u i s i e r a d e c i r movimiento continuo y perenne.
Sino me engaño, estas son las principales opiniones
a c e r c a del alma. Omitiré las d e Demócrito, v a r ó n ilustre
c i e r t a m e n t e , p e r o q u e s u p u s o formada el alma p o r el c o n -
c u r s o d e leves y r o t u n d o s á t o m o s . No h a y cosa alguna q u e
l o s E p i c ú r e o s n o e x p l i q u e n p o r m e d i o d e l o s á t o m o s . ¿Cuál
d e e s t a s o p i n i o n e s e s la v e r d a d e r a ? S ó l o u n Dios podrá
d e c i r l o . ¿Cuál e s la m á s v e r o s í m i l ? P u e d e disputarse mu-
c h o . ¿Qué q u i e r e s m á s , q u e s e n t e n c i e m o s e n t r e e l l a s ó q u e
v o l v a m o s á nuestro propósito?
OYENTE.—Desearía, ciertamente, e n t r a m b a s c o s a s si
f u e s e p o s i b l e ; p e r o m e p a r e c e difícil q u e n o n o s c o n f u n -
•12 MARCO TULIO CICERÓN.

d a m o s . Lo e s e n c i a l s e r í a l i b r a r n o s d e l m i e d o d e la m u e r t e ,
si p u d i é r a m o s . P e r o si n o h a y otro medio que dilucidar
a n t e s e s t a c u e s t i ó n d e l a l m a , t r a t é m o s l a a h o r a si t e p a r e c e .
M A R C O . — P a r a m í s e r á s i e m p r e lo m á s c ó m o d o lo q u e t ú
p r e f i e r a s . No i m p o r t a q u e s e a v e r d a d e r a u n a ú o t r a d e e s -
tas o p i n i o n e s . La r a z ó n p r o b a r á q u e la m u e r t e n o e s u n
m a l , ó, p o r m e j o r d e c i r , q u e e s u n b i e n . Si el a l m a e s el
c o r a z ó n , ó la s a n g r e , ó el c e r e b r o , c o m o e s c u e r p o m o r i r á
c o n el r e s t o d e l c u e r p o ; si e s e s p í r i t u , q u i z á s e d i s i p a r á ;
si e s f u e g o , s e a p a g a r á ; si e s la a r m o n í a d e A r i s t o x e n o , s e
disolverá. ¿Qué d i r á s d e Dicearco, que negaba absoluta-
m e n t e la e x i s t e n c i a d e l a l m a ?
Según todos estos pareceres, nada puede temerse des-
p u é s d e la m u e r t e , p u e s t o que juntamente c o n la vida s e
p i e r d e el s e n t i d o . Y el n o s e n t i r n o e s c o s a a l g u n a . L a s
o p i n i o n e s d e l o s d e m á s , si a c a s o l a s p r e f i e r e s , n o s d a n la
• e s p e r a n z a d e q u e p u e d e el a l m a , cuando se separa del
c u e r p o , s u b i r al c i e l o , c o m o á d o m i c i l i o s u y o .
O Y E N T E . — E n v e r d a d q u e las prefiero: en p r i m e r lugar,
p o r q u e así e s la v e r d a d , y d e s p u é s p o r q u e , a u n n o s i é n -
dolo, quisiera p e r s u a d i r m e d e ella.
MARCO.—¿Para qué me necesitas? ¿Puedo yo vencer en
e l o c u e n c i a á P l a t ó n ? R e g i s t r a c o n c u i d a d o s u l i b r o s o b r e el
a l m a , y n a d a te q u e d a r á q u e d e s e a r .
OYENTE.—Ciertamente q u e le h e r e c o r r i d o m u c h a s ve-
c e s , p e r o n o sé lo q u e m e p a s a : m i e n t r a s l e l e o m e con-
v e n z o ; p e r o c u a n d o d e j o el l i b r o y e m p i e z o á p e n s a r en
mi i n t e r i o r s o b r e la i n m o r t a l i d a d del a l m a , t o d o e s t e a s e n -
so se destruye y desaparece.
M A R C O . — ¿ Q u é q u i e r e s d e c i r c o n eso? ¿ C o n c e d e s q u e el
a l m a d u r a d e s p u é s d e m u e r t a , ó q u e p e r e c e c o n la misma
muerte?
OYENTE.—Lo primero.
M A R C O . — Y ¿qué s u c e d e r á si el a l m a p e r s i s t e ?
O Y K N T E . — S e r á feliz.
CUESTIONES TUSCULANA.S. 43

M A R C O . — ¿ Y si p e r e c e ?
OYENTE.—No s e r á feliz, p o r q u e n o e x i s t i r á . Ya m e o b l i -
gaste antes á conceder esto.
MARCO.—¿Qué r a z ó n t e m u e v e á c o n s i d e r a r la muerte
c o m o u n m a l , p u e s t o q u e la m u e r t e n o s h a c e felices sí e l
alma persiste, ó n o n o s h a c e infelices si c a r e c e m o s d e
sentido?
OYENTE. — Expónme, si n o t e e s m o l e s t o , en primer
l u g a r si el a l m a p u e d e v i v i r d e s p u é s d e la m u e r t e : e n s e -
g u n d o l u g a r , y si n o c o n s i g u e s esto, porque es difícil,
p r u é b a m e , á lo m e n o s , q u e la m u e r t e e s t á e x e n t a de do-
l o r . Yo t e m o m u c h o q u e s e a u n m a l , n o el c a r e c e r d e s e n -
t i d o , s i n o el h a b e r d e c a r e c e r .
MARCO.—Ciertamente que para comprobar esta opinión
p u e d o v a l e r m e d e l o s m e j o r e s a u t o r e s , lo c u a l e n t o d o s l o s
c a s o s d e b e y s u e l e influir m u c h o . Y p r i m e r a m e n t e , puedo
i n v o c a r el t e s t i m o n i o d e t o d a la a n t i g ü e d a d , q u e cuanto
m á s s e a c e r c a b a á su o r i g e n y divina p r o g e n i e , tanto m e *
j o r c o n o c í a lo q u e e r a v e r d a d e r o . Y a s í , la o p i n i i n d e i o d o s
a q u e l l o s a n t i g u o s , q u e E n n i o l l a m a Cascos, e r a q u e e n la
m u e r t e c a b e s e n t i d o , y q u e al s a l i r d e la v i d a n o desapa-
r e c e t o t a l m e n t e el h o m b r e . Y e s t o p u e d e c o l e g i r s e , entre
o t r a s m u c h a s c o s a s , del d e r e c h o pontificio y d e las cere-
m o n i a s d e l o s s e p u l c r o s , q u e n o h u b i e s e n s i d o tan respe-
t a d o s p o r v a r o n e s d e tan p r e c l a r o i n g e n i o , ni h u b i e s e n é s -
t o s c a s t i g a d o con tan inexplicable r i g o r su violación, si
h u b i e s e n d u d a d o , ni p o r u n m o m e n t o , q u e la m u e r t e era
una a n i q u i l a c i ó n q u e lo d e s t r u y e y b o r r a t o d o , y n o m á s
b i e n u n a e s p e c i e d e e m i g r a c i ó n y c a m b i o d e v i d a , el cual
s i r v e p a r a g u i a r al c i e l o á l o s i l u s t r e s v a r o n e s y mujeres,
y p a r a r e t e n e r á l o s d e m á s e n la t i e r r a , sin q u e d e s a p a r e z -
c a n d e l t o d o . P o r e s o , s e g ú n la o p i n i ó n d e l o s nuestros,
R ó m u l o v i v e c o n l o s d i o s e s e n el c i e l o , s e g ú n dijo Ennio,
s i g u i e n d o la f a m a ; y e n t r e los G r i e g o s , q u e n o s comunica,
ron e s t e culto, y hasta los ú l t i m o s límites del O c é a n o , Hér-
14 MARGO TULIO CICERÓN.

cules es v e n e r a d o siempre como presente y como dios.


La m i s m a g l o r i a o b t u v i e r o n e l d i o s B a c o , hijo d e S e m e l e ,
y los d o s h e r m a n o s T i n d á r i d a s , d e q u i e n e s s e d i c e q u e n o
sólo a y u d a r o n e n la b a t a l l a al p u e b l o r o m a n o , s i n o q u e
t a m b i é n f u e r o n n u n c i o s d e su v i c t o r i a . Y q u é , á I n o , hija
d e C a d m o , ¿ n o la l l a m a i o n l o s G r i e g o s Leucothea, y l o s
n u e s t r o s Malula? Y q u é m á s : t o d o el c i e l o ¿ n o e s t á hen-
chido p o r el g e n e r o humano?
Y si q u i e r e s e s c u d r i ñ a r los escritos d e los antiguos, y
principalmente d e los Griegos, tendrás q u e confesar q u e
a q u e l l o s m i s m o s d i o s e s q u e s e l l a m a n majorum gentium,
p a s a r o n d e s d e la t i e r r a al c i e l o . P r e g u n t a p o r l o s s e p u l -
cros suyos q u e h a y en Grecia; a c u é r d a t e d e las historias
en q u e h a s s i d o i n i c i a d o ; c o n s u l t a la t r a d i c i ó n u n i v e r s a l .
L o s q u e t o d a v í a n o a l c a n z a b a n n i n g u n a n o t i c i a d e la f í s i c a ,
que sólo m u c h o s a ñ o s d e s p u é s e m p e z ó á e n s e ñ a r s e , n o
l l e g a b a n á p e r s u a d i r s e s i n o d e a q u e l l o q u e la n a t u r a l e z a
les indicaba; n o ' c o m p r e n d í a n las c a u s a s y r a z o n e s d e los
dioses, y s e dejaban g u i a r p r i n c i p a l m e n t e p o r las visiones
n o c t u r n a s q u e les indicaban q u e a u n vivían los q u e habían
pasado de esta vida.
Y es razón m u y firme p a r a c r e e r q u e e x i s t e n d i o s e s el
q u e n o h a y n i n g ú n p u e b l o t a n s a l v a j e ni t a n b á r b a r o en
cuyo entendimiento no haya p e n e t r a d o esta opinión d e los
d i o s e s . M u c h o s t i e n e n d e e l l o s falsas y v i c i o s a s i d e a s , y
s u e l e s e r v i c i o s o el c u l t o q u e s e l e s tributa; pero todos
confiesan q u e hay u n a fuerza y naturaleza divina. Y esta
creencia n o e s n a c i d a d e la s o c i e d a d d e l o s h o m b r e s ó
d e l c o n s e n t i m i e n t o c o m ú n . No h a s i d o c o n f i r m a d a por las
i n s t i t u c i o n e s ni p o r l a s l e y e s , y e s o , q u e e n t o d o c a s o v a l e
m u c h o el c o n s e n t i m i e n t o u n i v e r s a l y s e d e b e t e n e r p o r
l e y d e la n a t u r a l e z a . ¿Quién e s el q u e n o l l o r a la m u e r t e
de los suyos, p e r q u é los cree privados de las c o m o d i d a d e s
d e esta vida? Quita e s t a o p i n i ó n y q u i t a r á s e l l u t o . N a d i e s e
entristece por su calamidad propia; y cuando nos dolemos
CUESTIONES TUSCULANAS. . 1S

y a n g u s t i a m o s , aquella l ú g u b r e lamentación y aquel llanto


procede d e q u e c r e e m o s q u e los amigos queridos yacen
p r i v a d o s d e las c o m o d i d a d e s d e la v i d a y q u e l o s i e n t e n .
Y e s t e s e n t i m i e n t o n o s l e i n s p i r a la n a t u r a l e z a , s i n c i e n c i a
ni d o c t r i n a a l g u n a .
Grande argumento es también d e la i n m o r t a l i d a d d e l
a l m a el q u e la n a t u r a l e z a n o s d a t á c i t a m e n t e p o r el c u i d a d o
que todos tienen de las cosas q u e han de suceder después
d e su m u e r t e . L o s q u e s i e m b r a n á r b o l e s q u e sólo en otro
siglo h a n d e florecer, c o m o d i c e S t a c i o en s u s Synephébos,
¿ c ó m o h a b í a n d e h a c e r l o si n o c r e y e r a n q u e también los
s i g l o s f u t u r o s l e s p e r t e n e c e n ? ¿Cómo h a b í a d e s e m b r a r á r -
b o l e s el d i l i g e n t e l a b r a d o r q u e n o h a b í a d e v e r d e e l l o s
flor ni fruto a l g u n o ? ¿Cómo h a b í a d e s e m b r a r el g r a n ciu-
d a d a n o l e y e s ni i n s t i t u c i o n e s e n la r e p ú b l i c a ? ¿Qué s i g n i f i -
c a n la p r o c r e a c i ó n d e l o s h i j o s , la p r o p a g a c i ó n d e l n o m b r e ,
la a d o p c i ó n , l o s t e s t a m e n t o s , l o s m i s m o s m o n u m e n t o s s e -
pulcrales y los elogios, sino q u e e s n a t u r a l en n o s o t r o s el
p e n s a m i e n t o d e l o f u t u r o ? ¿Dudas a c a s o q u e la m u e s t r a y
el dechado y e j e m p l o d e la n a t u r a l e z a h u m a n a debe t o -
m a r s e d e las n a t u r a l e z a s m á s e x c e l e n t e s ? Y ¿cuál h a l l a r á s
m e j o r e n t r e l o s h o m b r e s q u e la d e a q u e l l o s q u e s e c r e e n
nacidos para ayudar, defender y conservar á sus semejan-
tes? Hércules e n t r ó en el n ú m e r o d e los d i o s e s . N u n c a h u -
b i e r a l l e g a d o si n o s e h u b i e s e a b i e r t o él m i s m o e l c a m i n o
m i e n t r a s vivía e n t r e l o s h o m b r e s . T o d o e s t o e s y a a n t i g u o
y c o n s a g r a d o p o r la r e l i g i ó n u n i v e r s a l .
Y e n e s t a n u e s t r a r e p ú b l i c a , ¿qué e s lo q u e p e n s a r o n
tantos y tan excelentes varones como se sacrificaron p o r
ella? ¿ I m a g i n a r o n acaso q u e su n o m b r e se e n c e r r a b a en
l o s m i s m o s t é r m i n o s q u e s u v i d a ? N a d i e , j a m á s , sin g r a n d e
e s p e r a n z a d e l a i n m o r t a l i d a d , s e o f r e c e r í a á la m u e r t e p o r
su patria. ¿Pudo estar ocioso Temístocles, p u d o Epaminon-
das, pude yo m i s m o , para n o ir á b u s c a r ejemplos anti-
guos y extraños? Pero no sé d e q u é suerte vive siempre en
16 MARGO TULIO CICERÓN.

el a l m a u n a e s p e c i e d e a g ü e r o ó p r e s a g i o d e l o s siglos
: futuros; y esta sed de inmortalidad existe y a p a r e c e más
e n l o s g r a n d e s i n g e n i o s y e n las a l m a s e l e v a d a s . Y si q u i -
t a s e s t o , ¿ q u i é n h a d e s e r lan l o c o q u e viva s i e m p r e en
trabajos y peligros?
Hablamos ahora de los g r a n d e s ciudadanos; pero ¿qué
p i e n s a s d e los p o e t a s ? ¿No c r e e s t ú q u e d e s p u é s d e la
m u e r t e d e s e a n e n n o b l e c e r s e ? ¿Qué e s lo q u e i n s p i r ó a q u e l
epitafio?

Mirad la i m a g e n del a n t i g u o Knnio,


Que los h e c h o s c a n t ó d e v u e s t r o s p a d r e s .

Pedía premio de gloria á aquellos cuyos p a d r e s había


c e l e b r a d o . Y el m i s m o E n n i o a ñ a d e :

Nadie r i e g u e con l l a n t o mi s e p u l c r o ,
Que v i v o s i e m p r e en boca de l o s h o m b r e s .

P e r o ¿ p a r a q u é h a b l a r d e l o s p o e t a s ? T a m b i é n los a r t í f i -
\ e e s q u i e r e n e n n o b l e c e r s e d e s p u é s d e la m u e r t e . ¿ P o r q u é
i p u s o F i d i a s su i m a g e n e n el e s c u d o d e M i n e r v a , d o n d e n o
i e r a l í c i t o e s c r i b i r ? ¿Y q u é h a c e n nuestros filósofos? ¿Por
| v e n t u r a n o e s c r i b e n su n o m b r e en e s o s m i s m o s l i b r o s q u e
: c o m p o n e n s o b r e el d e s p r e c i o d e la g l o r i a ?
P o r t a n t o , si el c o n s e n t i m i e n t o u n i v e r s a l e s v o z d e la
n a t u r a l e z a y t o d o s l o s h o m b r e s q u e en c u a l q u i e r a p a r t e
existen convienen que hay algo q u e p u e d e i m p o r t a r á los
q u e ya h a n s a l i d o d e e s t a v i d a , c l a r o e s q u e n o s o t r o s d e -
b e m o s c r e e r lo m i s m o .
Y si j u z g a m o s q u e a q u e l l o s h o m b r e s q u e s e a v e n t a j a n e n
i n g e n i o ó en v a l o r , c o m o q u e s o n d e c o n d i c i ó n m á s e x c e -
d e n t e , c o n o c e n mejor las fuerzas d é l a naturaleza, vero-
s í m i l es q u e s i e n d o los m e j o r e s los q u e m á s atienden al
c u i d a d o d e la p o s t e r i d a d , d e b e h a b e r a l g o q u e e l l o s p u e d a n
s e n t i r d e s p u é s d e la m u e r t e . Y así c o m o n a t u r a l m e n t e o p i -
n a m o s que existen los dioses y c o n o c e m o s por razón c u á l e s
' CUESTIONES TUSCULANAS. 17

s e a n , así afirmamos, por el consentimiento universal de


t o d a s l a s n a c i o n e s , q u e el a l m a s u b s i s t e , a u n q u e s ó l o la r a -
z ó n p u e d e d e c i r n o s en q u é m o r a d a h a b i t a ó c u á l e s s u p a r a -
d e r o d e s p u é s d e la m u e r t e . La i g n o r a n c i a d e e s t o p r o d u j o
la i n v e n c i ó n d e l o s i n f i e r n o s , y a q u e l l o s t e r r o r e s q u e t ú
p a r e c e s d e s p r e c i a r , n o sin c a u s a . Creían l o s a n t i g u o s q u e
c u a n d o el c u e r p o c a í a en la t i e r r a y e r a c u b i e r t o p o r ella é
inhumado, p a s a b a bajo t i e r r a el r e s t o d e la v i d a d e l o s
m u e r t o s . De e s t a o p i n i ó n nacieron grandes errores, que
luego acrecentaron los p o e t a s . Siempre hace grande
e f e c t o e n el t e a t r o , en c u y o a u d i t o r i o a b u n d a n l a s m u j e -
r e s y los n i ñ o s , a q u e l l o s tan r e s o n a n t e s v e r s o s :
V e n g o del A q u e r o n t e , por c a m i n o
Á s p e r o y duro, por h o r r e n d a s g r u t a s ,
De peñas e s c a r p a d a s y p e n d i e n t e s ,
Do o c u l t a d e n s a n o c h e los infiernos.

Y tanto prevaleció este error q u e ya me p a r e c e d e s t e -


r r a d o , q u e s a b i e n d o q u e los c u e r p o s se q u e m a b a n , fingie-
r o n , sin e m b a r g o , q u e o c u p a b a n l u g a r e n el i n f i e r n o , lo
cual no p u e d e entenderse si s u p r i m i m o s el c u e r p o . No
podían comprender que el a l m a v i v i e r a p o r sí misma;
b u s c a b a n s i e m p r e a l g u n a f o r m a ó figura. De a q u í n a c i e r o n
las e v o c a c i o n e s f ú n e b r e s q u e H o m e r o l l a m a v£*uia, a q u e l l a
ciencia nigromántica que mi a m i g o Apio e j e r c i t a b a , la
fama q u e e n e s t a s c e r c a n í a s a l c a n z ó el l a g o A v e r n o ,

Donde en l a s p u e r t a s d e A q u e r o n t e a b i e r t a s ,
Andan l a s a l m a s en o s c u r a s o m b r a ,
Con falsa s a n g r e y e n g a ñ o s a i m a g e n .

Y suponen q u e e s t a s i m á g e n e s h a b l a n , lo c u a l e s i m p o -
s i b l e sin l e n g u a , s i n p a l a d a r y sin f u e r z a y figura d e las
fauces y de los p u l m o n e s .
Los p r i m e r o s h o m b r e s no podían entender cosa alguna
e s p i r i t u a l : t o d o lo r e f e r í a n á l o s o j o s . I n d i c i o e s d e g r a n d e
e n t e n d i m i e n t o a p a r t a r la m e n t e d e l o s s e n t i d o s y el p e n -
TOMO v. 2
18 MARCO TULIO CICERÓN.

Sarniento d e la c o s t u m b r e . C r e o c i e r t a m e n t e q u e e n t a n t o s
s i g l o s , o t r o s m u c h o s d i s p u t a r í a n sobre e l a l m a ; p e r o d e lo
q u e y o h e l e í d o r e s u l t a q u e P h e r e c i d e s Sirio fué e l p r i m e r o
q u e dijo q u e l a s a l m a s d e l o s h o m b r e s e r a n sempiternas;
p o r q u e floreció r e i n a n d o mi a n t e p a s a d o N u m a .
Acreditó esta opinión e n t r e s u s discípulos Pitágoras, el
cual vino á Italia reinando Tarquino el S o b e r b i o , y a d m i -
n i s t r ó la m a g n a G r e c i a , c o n g r a n d e h o n o r , a u t o r i d a d y
disciplina, floreciendo l u e g o p o r m u c h o s s i g l o s el n o m b r e
d e l o s p i t a g ó r i c o s , d e tal m o d o , q u e n i n g u n o p a r e c í a m á s
docto q u e ellos.
P e r o vuelvo á los a n t i g u o s . No solían d a r r a z ó n alguna
d e su o p i n i ó n , s i n o q u e la e x p l i c a b a n p o r m e d i o d e n ú m e -
ros ó figuras. C u e n t a n q u e P l a t ó n v i n o á Italia p a r a c o n o -
c e r á l o s p i t a g ó r i c o s , y q u e e n ella t r a t ó , e n t r e o t r o s m u -
chos, á Architas y á Timeo, y q u e aprendió todos los d o g -
m a s d e P i l á g o r a s , y q u e n o s ó l o c r e y ó lo m i s m o q u e é l
a c e r c a d e la i n m o r t a l i d a d d e l a l m a , s i n o q u e fué e l p r i m e r o
e n d a r la r a z ó n , la c u a l o m i t i r e m o s , si n o s e te o c u r r e a l g o
m á s , y d e j a r e m o s t u d a e s t a e s p e r a n z a d e la i n m o r t a l i d a d .
OYENTE.—¡Y ahora me abandonas, después de haberme
d a d o tan g r a n d e s e s p e r a n z a s ! P r e f i e r o e q u i v o c a r m e c o n
Platón, á quien yo sé cuánto estimas y á quien p o r causa
tuya admiro tanto, m á s bien q u e s e g u i r lo v e r d a d e r o c o n
todos esos que me has nombrado.
M A R C O . — T e n valor. También yo m e resignaría á e q u i v o -
carme con Platón. Aunque en esto creo que no m e equi-
voco, p o r q u e los m a t e m á t i c o s n o s p e r s u a d e n q u e situada
la t i e r r a e n m e d i o d e l m u n d o , e s c o m o el p u n t o c é n t r i c o
de t o d o el c i e l o , y q u e e s t a l la n a t u r a l e z a d e l o s c u a t r o
e l e m e n t o s e n g e n d r a d o r e s d e t o d o s l o s c u e r p o s , q u e lo t e -
r r e n o y lo h u m a n o p o r s u p r o p i o p e s o se d i r i g e e n á n g u l o
r e c t o á la t i e r r a y al m a r ; l a s o t r a s d o s p a r t e s s o n : la p r i -
m e r a í g n e a , y la o t r a a n i m a l ; y a s í c o m o a q u e l l o s d o s e l e -
mentos s u p e r i o r e s s e i n c l i n a b a n p o r su g r a v e d a d y p o r s u
CUESTIONES TUSCULANAS. 19

p e s o al c e n t r o d e l m u n d o , así e s t o s o t r o s d o s ascienden
p o r l í n e a r e c t a al c i e l o , o r a s e a q u e p o r s u n a t u r a l e z a a p e -
t e c e n lo s u p e r i o r , o r a q u e u n a f u e r z a n a t u r a l r e p e l a lo
g r a v e d e lo l e v e . S i e n d o e s t o a v e r i g u a d o , s e d e d u c e q u e
el a l m a , c u a n d o s a l e d e l c u e r p o , o r a s e a un e s p í r i t u a n i -
mal, ora r e s p i r a b l e , o r a í g n e o , t i e n d e h a c i a lo a l t o . Y si
el a l m a e s u n n ú m e r o (opinión m á s s u t i l q u e c l a r a ) , ó b i e n
aquella quinta naturaleza d e tan pocos e n t e n d i d a , y que no
t i e n e n o m b r e , t a n t o m a y o r s e r á su i n t e g r i d a d y p u r e z a , y
t a n t o m á s s e alejará d e la t i e r r a . El a l m a e s , p u e s , a l g u n a
d e e s t a s c o s a s , p o r q u e un e n t e n d i m i e n t o t a n e n é r g i c o no
p u e d e y a c e r s u m e r g i d o e n el c o r a z ó n , e n el c e r e b r o ó e n
la s a n g r e , c o m o p r e t e n d í a E m p e d o c l e s .
O m i t a m o s la o p i n i ó n d e D i c e a r c o y d e s u condiscípulo
A r i s t o x e n o , h o m b r e s d o c t o s , sin d u d a , d e l o s c u a l e s e l
u n o ni s i q u i e r a parece haberse lamentado de no tener
alma, según s u o p i n i ó n , y el o t r o d e tal m a n e r a s e d e -
leita c o n s u c a n t o , q u e q u i e r e r e f e r i r l o t o d o á la m ú s i c a .
P o d e m o s c o n o c e r la a r m o n í a p o r e l i n t e r v a l o d e l o s s o n i -
dos, cuya varia composición p r o d u c e un efecto a r m ó n i c o ;
p e r o n o s é c ó m o la p o s i c i ó n d e l o s m i e m b r o s y !a f i g u r a
del cuerpo inanimado puede producir ningún género de
a r m o n í a . P e r o A r i s t o x e n o , a u n q u e s e a e r u d i t o , c o m o lo e s ,
t i e n e q u e c o n c e d e r la p a l m a en e s t a m a t e r i a d e la filosofía
á su m a e s t r o Aristóteles. En cuanto á él, d e b e limitarse á
e n s e ñ a r la m ú s i c a . Bien d i c e el p r o v e r b i o d e l o s G r i e g o s :
«Ejercítese cada cual en aquella a r t e q u e c o n o c e . »
Lo q u e d e b e m o s r e c h a z a r t o t a l m e n t e e s el c o n c u r s o f o r -
tuito d e los á t o m o s l e v e s y r e d o n d o s q u e D e m ó c r i t o , sin
e m b a r g o , s u p u s o dotados d e calor y de r e s p i r a c i ó n , y por
consiguiente, animados. Este espíritu a n i m a d o , q u e ha de
p e r t e n e c e r á alguno d e los c u a t r o e l e m e n t o s d e quienes
todas las c o s a s p r o c e d e n , es n e c e s a r i o q u e c o m p r e n d a t o -
d a s las c o s a s s u p e r i o r e s , c o m o le p a r e c i ó á P a n e c i o . Ni e l
fuego ni el a i r e t i e n e n i n c l i n a c i ó n a l g u n a h a c i a lo i n f e r i o r ,
20 MARCO TUUO CICERÓN.

y ai c o n t r a r i o , t i e n d e n s i e m p r e hacia a r r i b a . P o r e s o , si s e
d i s i p a n , p a s a e s t o lejos d e la t i e r r a , y si p e r m a n e c e n y c o n
s e r v a n s u m o d o d e s e r , e s n e c e s a r i o q u e s e dirijan al cielo
y que rompan y d i v i d a n esta a t m ó s f e r a gruesa y pesada
p r ó x i m a á la t i e r r a . Es m u c h o m á s cálida y m á s a r d i e n t e
el a l m a q u e e s t e a i r e q u e h e l l a m a d o c r a s o y e s p e s o . Y a s !
puede entenderse cómo nuestro c u e r p o , formado de ele-
m e n t o s t e r r e n o s , s e c a l i e n i a c o n el a r d o r d e l a l m a . Para
q u e el a l m a m á s f á c i l m e n t e t r a s p a s e y r o m p a e s t e a i r e q u e
llamo craso, hemos de tener en cuenta q u e nada es. más
v e l o z q u e el a l m a y q u e no h a y r a p i d e z a l g u n a q u e p u e d a
c o m p a r a r s e con la s u y a . Y si el a l m a p e r m a n e c e inco-
r r u p t a é i d é n t i c a á sí m i s m a , e s n e c e s a r i o que penetre y
d i v i d a t o d o e s t e cielo en q u e se c o n g r e g a n las nubes,
las l l u v i a s y los v i e n t o s , el c u a l e s h ú m e d o y c a l i g i n o s o
p o r l a s e x h a l a c i o n e s d e la t i e r r a . Y c u a n d o el a l m a ha i r a s -
p a s a d o e s t a r e g i ó n y ha a l c a n z a d o y c o n o c i d o u n a natura-
l e z a s e m e j a n t e á la s u y a , j ú n t a s e c o n u n e s p í r i t u t e n u e y
t e m p l a d o p o r ei a r d o r d e l s o l , d o m i n a el fuego y c u m p l e
s u fin, e l e v á n d o s e t o d a v í a m á s . C u a n d o h a a l c a n z a d o u n a
l i g e r e z a y un c a l o r s e m e j a n t e al s u y o , s e e n c u e n t r a c o m o
e n b a l a n z a y n o s e m u e v e ni á u n a p a r t e ni á o t r a . Enton-
c e s e s s u n a t u r a l a s i e n t o c u a n d o p e n e t r a en u n a a t m ó s f e r a
s e m e j a n t e á la s u y a , en la c u a l , n o c a r e c i e n d o d e c o s a a l -
guna, se alimentará y s e s u s t e n t a r á c o n los m i s m o s ele-
m e n t o s c o n q u e se n u t r e n y s u s t e n t a n las a l m a s .
Y así c o m o el a r d o r del c u e r p o s u e l e i n f l a m a r n o s p a r a
todo género de apetitos y nos m u e v e á emulación contra
los que poseen las cosas que nosotros deseamos, así
n u e s t r a felicidad será completa c u a n d o , a b a n d o n a n d o el
c u e r p o , n o s v e a m o s l i b r e s d e e s t o s a p e t i t o s y d e s e o s , y lo
que ahora alguna vez hacemos cuando estamos libres de
c u i d a d o s , e s decir;, el d e d i c a r n o s á la c o n t e m p l a c i ó n , e n -
t o n c e s lo p o d r e m o s h a c e r m u c h o m á s l i b r e m e n t e , y p o n -
d r e m o s t o d o n u e s t r o e m p e ñ o en e x a m i n a r y p e n e t r a r de
CUESTIONES TUSCULANAS. *2{

c e r c a t o d a s las c o s a s , ya q u e p o r n a t u r a l e z a h a y en n u e s -
tros entendimientos u n i n s a c i a b l e a m o r á la v e r d a d ; y
l o s m i s m o s l u g a r e s á d o n d e l l e g a r e m o s , al d a r n o s m á s fácil
el c o n o c i m i e n t o d e las c o s a s c e l e s t i a l e s , t a n t a m a y o r c o d i -
cia n o s i n f u n d i r á n de c o n o c e r l a s . Esta misma h e r m o s u r a
h i z o n a c e r e p la t i e r r a a q u e l l a filosofía patria y antigua d e
que habla Teofrasto, encendida p o r el a m o r d e l c o n o c i -
miento. Y principalmente gozaron d e ella l o s q u e , aun
cuando habitaban esta tierra, cercados como estaban de
o p a c a s n i e b l a s , sin e m b a r g o deseaban por alteza de e n -
t e n d i m i e n t o a b a n d o n a r y d e s p r e c i a r lo t e r r e n o .
P o r lo c u a l , si a h o r a j u z g a n h a b e r c o n s e g u i d o a l g o l o s
que vieron las bocas del Ponto y aquellos estrechos por
d o n d e p e n e t r ó la n a v e q u e l l a m a r o n Argos, porque e m -
b a r c a d o s en ella l o s v a r o n e s e s c o g i d o s d e A r g o s , b u s c a r o n
la d o r a d a piel d e l V e l l o c i n o ; ó l o s q u e h a n v i s t o a q u e l e s -
t r e c h o , d e l O c é a n o , d o n d e la o n d a r a p a z d i v i d e á E u r o p a d e
la Libia, ¿ q u é e s p e c t á c u l o s e r á el n u e s t r o c u a n d o p o d a m o s
c o n t e m p l a r t o d a la t i e r r a y su s i t u a c i ó n , f o r m a y l í m i t e s , y
l a s r e g i o n e s h a b i t a b l e s y las q u e c a r e c e n d e t o d a c u l t u r a ,
p o r e x c e s o d e l c a l o r ó d e l frío?
N o s o t r o s a h o r a ni s i q u i e r a v e m o s c o n los ojos lo que
t e n e m o s d e l a n t e d e e l l o s . P o r q u e el c u e r p o m i s m o n o t i e -
ne sentido, y como n o s e n s e ñ a n n o s ó l o l o s físicos, s i n o
t a m b i é n los m é d i c o s , q u e v e n t o d o s l o s ó r g a n o s m a n i f i e s -
tos y p a t e n t e s , hay c i e r t o s c a m i n o s q u e , perforados d e s d e
el c e r e b r o ó a s i e n t o del a l m a , v a n á d a r á los o j o s , á l o s
o í d o s , á las n a n c e s . P o r e s o c u a n d o el p e n s a m i e n t o ó a l -
g u n a e n f e r m e d a d n o s lo i m p i d e n , a u n q u e t e n g a m o s a b i e r -
t o s é í n t e g r o s l o s o j o s y l o s o í d o s , ni v e m o s ni o i m o s ; p e r
d o n d e f á c i m e n l e p u e d e e n t e n d e r s e q u e e s el a l m a la que
v e y la q u e o y e , y n o a q u e l l o s ó r g a n o s q u e s o n como las
v e n t a n a s del a l m a , p o r las c u a l e s , sin e m b a r g o , n a d a p u e -
d e l l e g a r al e n t e n d i m i e n t o , si el e n t e n d i m i e n t o m i s m o no
a s i s t e á su o b r a .
22 MARCO TULIO CICERÓN.

Y ¿no v e m o s q u e c o n el m i s m o e n t e n d i m i e n t o c o m p r e n -
demos cosas tan desemejantes c o m o el c o l o r , el sabor,
el c a l o r , el o l o r , e l s o n i d o , q u e el a l m a n o p o d r í a c o n o c e r
p o r i n t e r m e d i o d e l o s c i n c o s e n t i d o s , si t o d o ello n o s e r e -
l i e r i e s e á la c o n c i e n c i a , q u e e s el ú n i c o j u e z d e t o d a s l a s
sensaciones? Y estas cosas se verán más puras y claras
c u a n d o , l i b r e el a l m a , l l e g u e á d o n d e la n a t u r a l e z a la g u í a .
P u e s a h o r a , a u n q u e la n a t u r a l e z a h a y a f a b r i c a d o c o n s u -
t i l í s i m o artificio a q u e l l a s v e n t a n a s d e l c u e r p o h a c i a el a l m a ,
sin e m b a r g o están en cierto m o d o i n t e r c e p t a d a s por c u e r -
pos terrenos y e s p e s o s . Pero cuando nada quede sino el
a l m a , n o h a b r á n i n g ú n o b j e t o q u e la i m p i d a percibirlas
cosas tales como son en sí.
Si el a s u n t o lo r e c l a m a s e , fácil n o s s e r í a d e c l a r a r c o p i o -
s a m e n t e cuántos, cuan varios y cuáles e s p e c t á c u l o s ha de
d i s f r u t a r e l a l m a e n las r e g i o n e s celestiales. Pensando en
e s t o , s u e l o a d m i r a r m e m u c h o d e la j a c t a n c i a de algunos
filósofos q u e t a n t o s e e x t a s í a n c o n el c o n o c i m i e n t o d e la
n a t u r a l e z a , y á s u i n v e n t o r y p r i n c i p e le v e n e r a n tanto,
que llegan á considerarle como dios, puesto que se dicen
l i b e r t a d o s p o r él d e d o s p e s a d í s i m o s tiranos: un t e r r o r
s e m p i t e r n o , y u n m i e d o c o n t i n u o d e n o c h e y d e d í a . ¿De
q u é t e r r o r y d e q u é m i e d o ? ¿Qué vieja hay tan delirante
q u e t e m a e s t a s c o s a s q u e v o s o t r o s m i s m o s t e m e r í a i s si n o
h u b i e s e i s a p r e n d i d o física: l o s t e m p l o s d e l A q u e r o n t e , las
p r o f u n d i d a d e s d e l O r c o , la p á l i d a m u e r t e y las m a n s i o n e s
c a l i g i n o s a s y c e r c a d a s d e e t e r n a niebla? ¿No e s v e r g ü e n z a
p a r a u n filósofo g l o r i a r s e d e q u e n o t e m e e s t a s c o s a s y d e
q u e h a c o n o c i d o q u e s o n falsas? De d o n d e p u e d e inferirse
cuan s a g a c e s son por naturaleza los q u e c r e e n estas c o s a s
s i n d o c t r i n a . No p i e n s o q u e s e a g r a n d e s c u b r i m i e n t o el
h a b e r a p r e n d i d o q u e c u a n d o el t i e m p o d e la m u e r t e l l e g a ,
el h o m b r e ha de p e r e c e r t o t a l m e n t e .

Y a u n c u a n d o e s t o s e a v e r d a d , lo c u a l n o afirmo ni t a m -
p o c o n i e g o , ¿qué h a y e n e l l o d e a l e g r e ni d e g l o r i o s o ? Así
CUESTIONES TUSCULANAS. 23

q u e y o n o v e o r a z ó n a l g u n a q u e p r u e b e s e r falsa la s e n t e n -
cia d e Pitágoras y de Platón. Y a u n q u e Platón n o a l e g a r a
r a z ó n a l g u n a , su m i s m a a u t o r i d a d , q u e y o r e s p e t o t a n t o , m e
haría mucha fuerza. P e r o tantas r a z o n e s da, q u e me p a r e c e
q u e d e s e a p e r s u a d i r á l o s d e m á s d e a q u e l l o d e q u e él n o s e
había persuadido con certeza.
M u c h o s lo c o m b a t e n , é i m p o n e n al a l m a pena capital;
y no tienen otra razón para q u e les parezca increíble
la e t e r n i d a d del a l m a , s i n o la d e n o p o d e r e x p l i c a r cómo
el a l m a , p r i v a d a del c u e r p o , p u e d e e n t e n d e r y p e n s a r .
C o m o si s u p i e r a n lo q u e e s el m i s m o c u e r p o , y c u á l e s s u
f o r m a , su m a g n i t u d y el l u g a r q u e o c u p a ; c o m o si p u d i e -
r a n e n un h o m b r e v e r s e l o d o s l o s ó r g a n o s q u e a h o r a e s t á n
o c u l t o s , ó c o m o si f u e s e tal s u d e l i c a d e z a que escapase
del análisis.
En b u e n h o r a c r e a n e s t o l o s q u e n i e g a n q u e el a l m a , sin
el c u e r p o , p u e d a c o n o c e r s e á sí m i s m a . Ellos v e r á n c ó m o
la c o n c i b e n o b r a n d o d e n t r o d e l m i s m o c u e r p o . A m í , c u a n -
d o c o n s i d e r o la n a t u r a l e z a del a l m a , m u c h o m á s difícil y
i m u c h o m á s o s c u r a m e p a r e c e la c o n s i d e r a c i ó n d e cómo
el a l m a p u e d e e x i s t i r e n el c u e r p o , m a n s i ó n t a n a j e n a de
, e l l a , q u e el p e n s a r c ó m o h a d e e x i s t i r c u a n d o s a l g a del
c u e r p o y v u e l e al l i b r e c i e l o c o m o á su p r o p i a c a s a . Si n o
p o d e m o s e n t e n d e r c ó m o e s lo q u e n u n c a v i m o s , cierta-
mente q u e no p o d r e m o s a b r a z a r con el p e n s a m i e n t o al
m i s m o Dios y al a l m a d i v i n a l i b e r t a d a d e l c u e r p o . Dicear-
c o y A r i s t o x e n o , p o r s e r l e s difícil d e e n t e n d e r la e s e n c i a
ó la c u a l i d a d d e l a l m a , d e c l a r a r o n que absolutamente no
existía.
G r a n c o s a e s , sin d u d a , c o n t e m p l a r el a l m a c o n el a l m a
m i s m a ; y e s t a fuerza t i e n e el p r e c e p t o d e A p o l o , q u e n o s
exhorta á que cada cual se conozca á sí m i s m o . No n o s
manda, según creo, que conozcamos nuestros miembros,
e s t a t u r a ó figura, ni n o s o t r o s s o m o s c u e r p o s ; y c u a n d o y o te
h a b l o á t í , n o h a b l o á tu c u e r p o . C u a n d o s e n o s d i c e , p u e s ,
24 MARCO TULIO CICERÓN.

c o n ó c e t e á tí m i s m o , lo q u e s e q u i e r e d e c i r e s : c o n o c e á
tu a l m a . P o r q u e el c u e r p o e s c o m o u n v a s o ó receptáculo
d e l a l m a . L o q u e tu a l m a h a c e , a q u e l l o h a c e s t ú . E s t e c o -
n o c i m i e n t o si n o fuese d i v i n o n o s e r i a precepto de altí-
s i m a s a b i d u r í a , d e tal m a n e r a q u e p u d i e r a a t r i b u i r s e á u n
dios.
G r a n c o s a e s c o n o c e r s e á sí m i s m o . P e r o s i el a l m a m i s -
ma i g n o r a lo q u e e l a l m a e s , d í m e , t e l o r u e g o : ¿ni s i q u i e r a
s a b r á q u e e x i s t e , n i s i q u i e r a s a b r á q u e s e m u e v e ? De a q u í
nació a q u e l l a r a z ó n p l a t ó n i c a q u e S ó c r a t e s e x p l i c a e n el
Fedro, y q u e y o h e p u e s t o en e l l i b r o vi De República:
¡,\ « L o q u e s i e m p r e s e m u e v e e s e t e r n o . L o q u e i m p r i m e
m o v i m i e n t o á o t r a c o s a y lo q u e se m u e v e p o r sí m i s m o
c u a n d o e s t e m o v i m i e n t o a c a b a , es n e e e s a r i o q u e t e n g a u n
fin d e v i d a . P o r c o n s i g u i e n t e , s ó l o lo q u e s e m u e v e á s¡
m i s m o , c o m o n u n c a e s t á a b a n d o n a d o p o r sí m i s m o , n u n c a
deja t a m p o c o d e m o v e r s e , y e s f u e n t e y p r i n c i p i o d e m o -
v i m i e n t o p a r a t o d a s l a s d e i r á s c o s a s q u e s e m u e v e n . El
p r i n c i p i o n o t i e n e o r i g e n a l g u n o , p o r q u e del p r i n c i p i o n a c e
t o d o ; p e r o él m i s m o n o p u e d e n a c e r d e o t r a c o s a , porque
n o s e r í a p r i n c i p i o si s e e n g e n d r a s e de otra p a r t e . Si n o
n a c e n u n c a , t a m p o c o p u e d e m o r i r j a m á s . Extinguido el
p r i n c i p i o , n o p u e d e r e n a c e r d e o t r o , ni c r e a r d e sí p r o p i a
o t r o principio, siendo así q u e e s n e c e s a r i o q u e del princi-
pio n a z c a t o d o . De a q u í s e infiere q u e e s p r i n c i p i o d e l m o -
v i m i e n t o p o r q u e se m u e v e á sí m i s m o . No p u e d e n a c e r n i
m o r i r , ó s e r á n e c e s a r i o q u e t o d o el c i e l o s e p a r e ó q u e s e
d e t e n g a el c u r s o d e la n a t u r a l e z a , sin q u e o b t e n g a fuerza
alguna para m o v e r s e como a n t e s . Siendo evidente que es
e t e r n o lo q u e s e m u e v e á sí m i s m o , ¿quién h a b r á q u e d e j e
de conceder esta naturaleza á las almas? Inanimado es
t o d o lo q u e s e a g i t a p o r i m p u l s o e x t e r i o r . L o q u e e s a n i -
mal s e m u e v e p o r m o v i m i e n t o i n t e r i o r y p r o p i o s u y o , p o r -
q u e e s t a e s la fuerza y naturaleza propia del alma. Y si
h a y u n o e n t r e t o d o s l o s s e r e s q u e s e m u e v a s i e m p r e á sí
CUESTIONES TUSCULANAS. 25

m i s m o , n o h a y q u e d u d a r q u e j a m á s ha nacido y que es

f * A u n q u e s e n o s o p o n g a n t o d o s los filósofos p l e b e y o s (lla-


m o así y así d e b e s e r l l a m a d o el q u e s e s e p a r a d e Platón!
de Sócrates y d e su escuela), n u n c a podrán explicar con
t a n t a e l o c u e n c i a la r a z ó n ni e n t e n d e r s i q u i e r a la sutileza
d e e s t a c o n c l u s i ó n . S i e n t e el a l m a q u e s e m u e v e , y c u a n d o
lo s i e n t e , s i e n t e al m i s m o t i e m p o q u e s e m u e v e p o r f u e r z a
p r o p i a y n o a j e n a , y n o p u e d e s u c e d e r q u e el a l m a s e
a b a n d o n e á sí m i s m a . De a q u í n a c e la e t e r n i d a d , si esta
c o n c l u s i ó n n o te p a r e c e v i o l e n t a .
O Y E N T E . — A m í , en v e r d a d , no s e m e o c u r r e c o s a n i n -
guna en contra, y a s í , m e i n c l i n o d e t o d a v o l u n t a d á tu
razón.
MARCO.—¿Y á qué viene eso?¿Crees t u q u e son de m e n o s
fuerza las o p i n i o n e s q u e d e c l a r a n q u e h a y en el a l m a del
h o m b r e u n a i n t e l i g e n c i a d i v i n a ? Y si yo p u d i e s e v e r c ó m o
n a c e , p o d r í a d e c l a r a r t a m b i é n c ó m o m u e r e . Me p a r e c e q u e
p u e d o d e c i r c ó m o s e h a n f o r m a d o la s a n g r e , la b i l i s , la
p i t u i t a , los h u e s o s , los n e r v i o s , l a s v e n a s y t o d a la d i s p o -
sición y figura d e l o s m i e m b r o s y d e t o d o el c u e r p o . En
c u a n t o al a l m a m i s m a , si n i n g u n a o t r a c u a l i d a d tuviese
s i n o el q u e v i v i m o s p o r e l l a , c r e e r í a yo que tan posible
e r a á la n a t u r a l e z a s u s t e n t a r la v i d a d e l h o m b r e como la
d e la vid ó la del á r b o l , d e l o s c u a l e s t a m b i é n decimos
q u e v i v e n . Y si n i n g u n a o t r a c u a l i d a d t u v i e s e el a l m a d e l
h o m b r e s i n o la d e a p e t e c e r ó r e c h a z a r , t a m b i é n é s t a le
s e r í a c o m ú n c o n las b e s t i a s . P e r o , e n p r i m e r l u g a r , el h o m -
b r e t i e n e m e m o r i a infinita d e i n n u m e r a b l e s c o s a s ; la c u a l
P l a t ó n t i e n e p o r r e m i n i s c e n c i a d e u n a v i d a a n t e r i o r . E n el
d i á l o g o q u e l l a m a Menón, introduce á Sócrates pregun-
t a n d o á un m u c h a c h o s o b r e la d i m e n s i ó n geométrica de
un c u a d r a d o . Le r e s p o n d e c o m o niño que es, pero tan fá-
c i l e s s o n las i n t e r r o g a c i o n e s , q u e r e s p o n d i e n d o gradual-
m e n t e l l e g a al m i s m o r e s u l t a d o q u e si h u b i e s e aprendido
26 MARCO TULIO CICERÓN.

la geometría. De d o n d e q u i e r e i n f e r i r S ó c r a t e s q u e el
a p r e n d e r n o e s o t r a c o s a s i n o r e c o r d a r . Y e s t o lo e x p l i c a
m u c h o mejor en aquel r a z o n a m i e n t o q u e t u v o el m i s m o
d í a q u e salió d e e s t a v i d a : p u e s e n él e n s e ñ a q u e c u a l q u i e r
h o m b r e q u e n o s e a d e l t o d o r u d o y r e s p o n d a á q u i e n l e in •
terrogue bien, declarará q u e no aprende entonces las cosas,
sino que las conoce p o r reminiscencia, y n o podría s u c e -
der en m o d o alguno q u e los niños adquiriesen tantas n o -
c i o n e s si el a l m a , a n t e s d e e n t r a r e n el c u e r p o , n o h u b i e s e
alcanzado algún c o n o c i m i e n t o en otra existencia. Y no
s i e n d o el c u e r p o n a d a , como en muchos lugares enseña
P l a t ó n , p u e s t o q u e él n o c o n s i d e r a c o m o v e r d a d e r o s e r a l
q u e n a c e y m u e r e , ni a d m i t e o t r a e x i s t e n c i a q u e la d e la
idea ó especie q u e p e r m a n e c e s i e m p r e i d é n t i c a á sí m i s m a ,
no puede el alma, e n c e r r a d a e n el c u e r p o , c o n o c e r estas
c o s a s : c o n o c i d a s l a s t r a j o , y así s e d e s t i e r r a la a d m i r a c i ó n
d e t a l c o n o c i m i e n t o . Y t o d o e s t o n o l o v e el a l m a c u a n d o
d e r e p e n t e e m i g r a á u n d o m i c i l i o t a n i n s ó l i t o y tan p e r t u r -
b a d o , s i n o q u e lo r e c o n o c e y r e c u e r d a c u a n d o s e r e c o g e
d e n t r o d e s í . El a p r e n d e r , p u e s , n o e s c o s a d i s t i n t a d e l r e -
cordar.

P e r o y o a d m i r o t o d a v í a m á s la m e m o r i a . ¿Qué instinto
e s e s t e c o n el c u a l n o s a c o r d a m o s , ó q u é fuerza t i e n e , ó
d e d ó n d e h a n a c i d o ? No h a b l o d e a q u e l l a m e m o r i a asom-
brosa que tuvo Simónides, ó Theodectes, ó aquel Cineas
que fué e n v i a d o por Pirro de embajador al S e n a d o , ó
Carneades, ó Scepsio Metrodoro, que murió hace poco,
ó la q u e t i e n e a h o r a n u e s t r o H o r t e n s i o ; h a b l o d e la m e m o -
ria c o m ú n d e t o d o s , y p r i n c i p a l m e n t e d e la d e a q u e l l o s q u e
se ejercitan en algún e s t u d i o y a r t e , c u y a m e m o r i a e s tan
h o n d a q u e e s difícil d e t e r m i n a r h a s t a d ó n d e l l e g a .
¿A d o n d e v a á p a r a r e s t e r a z o n a m i e n t o ? F á c i l m e p a r e c e
d e c l a r a r q u é f u e r z a e s e s a y d e d ó n d e v i e n e . No e s c i e r t a -
m e n t e d e l c o r a z ó n , ni d e la s a n g r e , ni d e l c e r e b r o , ni d e
l o s á t o m o s . No s é si e l a l m a e s a i r e ó f u e g o , y n o m e a v e r
CUESTIONES TUSCULANAS. 27

güenzo como esos filósofos d e c o n f e s a r q u e lo i g n o r o .


P e r o si p u d i e s e a f i r m a r a l g u n a c o s a e n n e g o c i o t a n o s c u r o ,
juraría q u e el alma e s divina, y a la c o n s i d e r e m o s como
a i r e , ya c o m o f u e g o .
Y q u é o p i n a s t ú , ¿que el p o d e r m a r a v i l l o s o d e la m e m o -
r i a h a s i d o e n g e n d r a d o , ó n a c i d o en la t i e r r a , ó e n e s e n e -
b u l o s o y caliginoso cielo? A u n q u e n o c o n o z c a s s u e s e n c i a ,
v e s s u s e f e c t o s . Y si n o p u e d e s j u z g a r d e la c u a l i d a d , á l o
m e n o s j u z g a r á s d e la c a n t i d a d . ¿ H e m o s d e c r e e r q u e h a y
en nuestra alma una capacidad e n la c u a l s e derraman
c o m o e n u n v a s o l a s c o s a s q u e s o n o b j e t o d e la m e m o r i a ?
Absurdo me parece esto, porque ¿cómo entiendes ese
f o n d o , ó e s a figura d e l a l m a , ó e s a c a p a c i d a d ? ¿ C r e e s . q u e
e n el a l m a s e i m p r i m e c o m o e n c e r a , y q u e la m e m o r i a
g u a r d a l a s h u e l l a s d e l o s c a s o s p a s a d o s e n la m e n t e ? ¿Qué
huellas pueden dejar las palabras en las cosas mismas? Y
¿dónde tan inmenso n ú m e r o d e objetos ha d e dejar tan
i n m e n s o n ú m e r o d e huellas? Y ¿qué d i r e m o s de aque-
llas facultades q u e investigan lo oculto y q u e l l a m a m o s
invención y cogitaciónl ¿Te p a r e c e n de naturaleza terre-
n a , m o r t a l y c a d u c a ? ¿Qué te parece del primero q u e
i m p u s o n o m b r e s á t o d a s las c e s a s , lo cual á P i t á g o r a s le
p a r e c í a e l t é r m i n o d e la s a b i d u r í a , ó d e l p r i m e r o q u e c o n -
gregó en sociedad á los hombres dispersos, ó del que r e -
d u j o á p o c a s l e t r a s l o s s o n i d o s d e la. v o z , q u e p a r e c í a n i n -
finitos, ó del que notó el curso y la p r o g r e s i ó n d e las
e r r a n t e s estrellas? T o d o s estos fueron g r a n d e s h o m b r e s , y
t o d a v í a m a y o r e s l o s q u e i n v e n t a r o n el a r t e d e c u l t i v a r l o s
c a m p o s , los v e s t i d o s , las edificaciones d e l a s c a s a s , la
c u l t u r a d e la v i d a , p a d e f e n s a contra las fieras, los q u e
amansaron y c i v i l i z a r o n la e s p e c i e h u m a n a , llevándola
desde las artes necesarias hasta Jas artes más agradables.
E n t o n c e s s e i n v e n t ó e l a r t e d e a g r a d a r á l o s o í d o s p o r la
n a t u r a l e z a d e l o s s o n i d o s y su a r m ó n i c a variedad, y el
conocimiento d e l o s a s t r o s , ya d e los que p e r m a n e c e n
28 MARCO TUMO CICERÓN.

fijos, ya d e l o s q u e l l a m a m o s e r r a n t e s , a u n q u e n o lo s e a n .
El q u e p u d o e n t e n d e r s u s c o n v e r s i o n e s y s u s movimien-
t o s , b i e n c l a r o p r o b ó q u e su alma e r a s e m e j a n t e á la de
a q u e l q u e h a b í a f a b r i c a d o ei m i s m o c i e l o . C u a n d o Arquí-
m e d e s a p r i s i o n ó e n su e s f e r a ei m o v i m i e n t o d e la L u n a , d e l
Sol y d e l o s c i n c o p l a n e t a s , h i z o lo m i s m o q u e a q u e l d i o s
d e P l a t ó n en el Timeo, al c r e a r el m u n d o y r e g i r por una
m i s m a ley d e t a r d a n z a y de celeridad movimientos tan
d e s e m e j a n t e s . Y así c o m o e s t e m u n d o no h u b i e r a podido
h a c e r s e sin i n t e r v e n c i ó n d e u n d i o s , así Arquímedes no
h u b i e r a p o d i d o i m i t a r a q u e l m o v i m i e n t o en ¡a e s f e r a sin s u
ingenio divino.
Ni a u n l a s c o s a s m á s c o n o c i d a s y s e n c i l l a s m e parecen
posibles sin esta fuerza d i v i n a ; y a s í , yo n o c o n c i b o el
c a n t o g r a v e y n u m e r o s o d e l p o e t a , sin a l g ú n celeste ar-
d o r d e s u m e n t e , ni e n t i e n d o q u e la e l o c u e n c i a pueda sin
este divino i m p u l s o c o r r e r a b u n d a n t e en p a l a b r a s y co-
piosa en s e n t e n c i a s . La filosofía m i s m a , m a d r e d e t o d a s l » »
a r t e s , ¿ q u é e s , s e g ú n el p a r e c e r d e P l a t ó n , s i n o un d o n , ó
p o r m e j o r d e c i r , u n a i n v e n c i ó n d e l o s d i o s e s ? Esta n o s e n -
s e ñ ó p r i m e r o á v e n e r a r l o s , y n o s e d u c ó d e s p u é s e n el d e -
r e c h o h u m a n o , b a s e del v í n c u l o s o c i a l , y e n la modestia
y m a g n a n i m i d a d , y d i s i p ó las t i n i e b l a s d e l a l m a , c o m o l a s
d e los o j o s , p a r a q u e c o n o c i é s e m o s t o d o lo c r e a d o , lo su*>
p e r i o r y lo i n f e r i o r , l o - p r i m e r o , lo ú l t i m o y lo m e d i o .
Ciertamente me p a r e c e divina esta fuerza q u e produce
t a n t o s y tan e x c e l e n t e s r e s u l t a d o s . ¿Qué e s la memoria
d e las c o s a s y d e las p a l a b r a s ? ¿Qué e s la i n v e n c i ó n ? Sin
d u d a e s c o s a tan e x c e l e n t e , q u e ni s i q u i e r a en Dios la p o -
d e m o s i m a g i n a r m a y o r . Yo c r e o q u e los d i o s e s n o s e a l e -
g r a n ni c o n la a m b r o s í a , ni con el n é c t a r , ni c o n la J u -
v e n t u d q u e les a d m i n i s t r a la c o p a . Ni h a g o caso d e Ho-
mero el c u a l r e f i e r e q u e Ganimedes por su e x t r a o r d i n a -
ria h e r m o s u r a fué a r r e b a t a d o p o r l o s d i o s e s p a r a servir á
J o v e el n é c t a r . No m e p a r e c e b a s t a n t e causa esta para
CUESTIONES TUSCULANAS. ' 29

que se hiciese á Laomedonte tal i n j u r i a . Tales e r a n las


ficciones d e H o m e r o , t r a s l a d a n d o lo h u m a n o á lo d i v i n o .
Más valía q u e lo d i v i n o s e trasladase á nosotros. Y ¿qué
entendemos por cosas divinas? Vivir, saber, inventar,
a c o r d a r s e . P o r c o n s i g u i e n t e , el a l m a e s d i v i n a , y E u r í p i d e s
s e a t r e v e á l l a m a r l a Dios; y si Dios e s e s p í r i t u , ó f u e g o ,
t a m b i é n lo e s el a l m a d e l h o m b r e . P u e s a s í c o m o la n a -
turaleza celeste carece de tierra y d e a g u a , así también
el a l m a . P e r o si h a y u n a q u i n t a n a t u r a l e z a , i n t r o d u c i d a p o r
A r i s t ó t e l e s , e s c o m ú n á l o s d i o s e s y al a l m a .
S i g u i e n d o n o s o t r o s e s t e p a r e c e r , h e m o s d i c h o lo m i s m o
en nuestra Consolación: «No p o d e m o s encontrar e n la
t i e r r a el o r i g e n del alma.» P o r q u e nada h a y e n el alma
m i x t o ni c o n c r e t o , ni q u e p a r e z c a f o r m a d o y n a c i d o d e la
t i e r r a ; n a d a h ú m e d o , e s t a b l e ó í g n e o . N a d a h a y e n la n a -
t u r a l e z a q u e t e n g a la facultad d e la m e m o r i a , d e la r a z ó n ,
d e l p e n s a m i e n t o ; n a d a q u e c o n s e r v e lo p a s a d o y p r e v e a lo
futuro y pueda a b r a z a r lo p r e s e n t e ^ t o d o lo c u a l e s o b r a
d i v i n a . N a d i e e n c o n t r a r á jamá3 el o r i g e n d e e s t a s c o s a s , si
no l a s r e f e r i m o s á u n d¡o&
E s , p u e s , s i n g u l a r la n a t u r a l e z a y f a c u l t a d e s del alma,
m u y distintas de esas otras naturalezas conocidas y vul-
g a r e s . Cualquiera q u e sea este principio, q u e siente, q u e
s a b e , q u e q u i e r e , q u e vive, n e c e s a r i a m e n t e e s celestial
y divino, y así e s p r e c i s o que_. s e a e t e r n o . Ni e l dios
mismo que nosotros entendemos puede ser concebido
de otro modo que como un e n t e n d i m i e n t o s e p a r a d o y l i -
bre, segregado de toda concreción mortal, sintiéndolo'
todo y dotado d e un movimiento s e m p i t e r n o . Esto e n g e -
n e r a l ; y d e la m i s m a n a t u r a l e z a e s el e n t e n d i m i e n t o h u -
m a n o . Dónde reside, pues, ó cómo es este entendimiento
¿puedes decirlo tú? Si n o t e n g o p a r a e n t e n d e r t o d o s l o s
i n s t r u m e n t o s q u e yo q u i s i e r a , n o m e s e r á licito u s a r d e l o s
q u e t e n g o . No t i e n e l a n t a fuerza el a l m a q u e p u e d a c o n t e m -
p l a r s e á sí m i s m a ; p e r o el a l m a , l o m i s m o q u e l o s o j o s , n o
30 MARCO TULIO CICERÓN.

s e v e á sí m i s m a y v e o t r a s c o s a s d i s t i n U s . Me d i r á s q u e
n o v e s u f o r m a , lo c u a l i m p o r t a p o c o . Quizá s e a verdad,
a u n q u e yo c r e o q u e t a m b i é n la v e ; p e r o c o n o c e s u f u e r z a ,
su s a g a c i d a d , su m e m o r i a , su m o v i m i e n t o , s u r a p i d e z .
G r a n d e s , d i v i n a s , s e m p i t e r n a s son e s t a s c o s a s . Q u é r o s t r o
tiene ó dónde habita, no es punto que debe p r e o c u p a r n o s .
P e r o c u a n d o v e m o s el a z u l d e l c i e l o ; la r a p i d e z d e s u
conversión, que es m a y o r que cuanto nosotros p o d e m o s
i m a g i n a r ; la s u c e s i ó n d e l o s d í a s y d e las n o c h e s ; l a s c u a -
t r o e s t a c i o n e s , t a n a d m i r a b l e m e n t e o r d e n a d a s p a r a la m a -
d u r e z d e l o s frutos y p a r a la t e m p l a n z a d e l o s c u e r p o s ; e l
S o l , q u e es g u í a y m o d e r a d o r de todos e s t o s movimien-
t o s ; y la L u n a , c o n el c r e c i m i e n t o y d e c r e c i m i e n t o d e su
luz, c o m o n o t a n d o y significando la sucesión d e los días; y
el m o v i m i e n t o a r r e g l a d o y c o n s t a n t e d e l o s c i n c o p ' a n e t a s
del z o d i a c o , d i v i d i d o e n d o c e p a r t e s , p e r o t e n i e n d o c a d a
c u a l d e los p l a n e t a s m o v i m i e n t o s t a n d i v e r s o s e n t r e sí; y
las nocturnas apariencias del cielo, o r n a d o por donde
q u i e r a d e estrella.-"; y el g l o b o d e la t i e r r a , d o m i n a n d o e l
m a r y fijo e n m e d i o d e l u n i v e r s o , h a b i t a b l e y c u l t i v a d o e n
d o s z o n a s , u n a d e l a s c u a l e s , la q u e n o s o t r o s habitamos,
e s t á p u e s t a bajo el eje y d o m i n a d a p o r las s i e t e estre-
llas, de d o n d e el h o r r i b l e a q u i l ó n c o n g e l a c o n estruendo
s u s h i e l o s y s u s n i e v e s , y la o t r a , la r e g i ó n a u s t r a l , d e s c o -
n o c i d a p a r a n o s o t r o s , la q u e l o s G r i e g o s l l a m a n a n t i e t h o n a ;
y l a s d e m á s p a r t e s i n c u l t a s p o r el e x c e s o d e frío ó d e c a -
l o r , y v e m o s q u e e n esta tierra donde habitamos jamás
d e j a e n s u d e b i d o t i e m p o d e b r i l l a r el c i e l o , d e f l o r e c e r l o s
á r b o l e s , d e v e g e t a r la vid, a l e g r e c o n el p e s o d e l o s p á m -
panos, de e n c o r v a r s e las r a m a s de los árboles cargadas
d e f r u t o , d e d e r r a m a r s e a b u n d a n t e m e n t e las n i e v e s , d e flo-
r e c e r todas las cosas, de c o r r e r las fuentes, de cubrirse
d e h i e r b a l o s p r a d o s ( c o m o dijo E n n i o ) , y v e m o s l u e g o la
m u l t i t u d d e b e s t i a s ú t i l e s , u n a s p a r a el. a l i m e n t o , o t r a s
p a r a el c u l t i v o d e l o s c a m p o s , o t r a s p a r a t i r a r d e l c a r r o ,
CUESTIONES TUSCULANAS. 31

otras para vestir los c u e r p o s ; y, finalmente, consideramos


al h o m b r e m i s m o c o n t e m p l a d o r d e l c i e l o y d e l o s d i o s e s y
v e n e r a d o r d e e l l o s , y t e n d e m o s la v i s t a á l o s c a m p o s y á
l o s m a r e s , q u e o b e d e c e n t o d o s á la u t i l i d a d d e l hombre:
cuando vemos todas estas y otras innumerables cosas, ¿po-
demos dudar q u e p r e s i d e A e l l a s a l g ú n artífice s u p r e m o ,
h a c e d o r y m o d e r a d o r , o r a h a y a n t e n i d o las c o s a s p r i n c i p i o »
como Platón j u z g ó , ora hayan sido e t e r n a s , c o m o opina
A r i s t ó t e l e s ? Asi al e n t e n d i m i e n t o h u m a n o , a u n q u e n o lo v e s
e n sí m i s m o , c o m o n o v e s a D i o s , sin e m b a r g o le conoces
c o m o D i o s ; y a s í , p o r la m e m o r i a d e l a s c o s a s , p o r la i n -
v e n c i ó n , p o r la c e l e r i d a d d e l m o v i m i e n t o y p o r la h e r m o -
s u r a d e la v i r t u d , t i e n e s q u e r e c o n o c e r la fuerza d i v i n a d e l
entendimiento.
¿En q u é l u g a r r e s i d e el a l m a ? C r e o q u e en la c a b e z a , y
puedo dar razones para ello; p e r o de esto más adelante
t r a t a r e m o s . Ahora sólo d e b o decir que d o n d e quiera q u e
e s t é el a l m a , c i e r t a m e n t e e s t á en tí. Y ¿cuál e s s u n a t u r a -
leza? La p r o p i a y p e c u l i a r s u y a . A u n q u e la s u p o n g a s í g n e a ,
a u n q u e la s u p o n g a s a é r e a , n a d a t i e n e q u e v e r e s t o c o n lo
q u e t r a t a m o s . A h o r a s ó l o d e b e s c o n s i d e r a r q u e así como
c o n o c e s á Dios, a u n q u e i g n o r e s el l u g a r q u e o c u p a y s u
f o r m a , así d e b e s c o n o c e r el a l m a , a u n q u e i g n o r e s s u f o r m a
y su l u g a r . Y e n el c o n o c i m i e n t o d e l a l m a n o p o d e m o s d u -
d a r , á n o s e r q u e st a m o s t o t a l m e n t e r u d o s en la física, q u e
n a d a h a y en el a l m a m e z c l a d o , n a d a c o n c r e t o , n a d a c o m -
puesto, nada aglomerado, nada doble. Siendo esto así, es
e v i d e n t e q u e el a l m a n o p u e d e s e p a r a r s e , ni d i v i d i r s e , ni
d i s g r e g r a r s e , ni m o r i r p o r c o n s i g u i e n t e . P o r q u e la m u e r t e
es c o m o u n a d i v i s i ó n y s e p a r a c i ó n d e a q u e l l a s p a r t e s q u e
a n t e s d e ella t e n í a n e n t r e sí a l g u n a u n i ó n .
Movido p o r e s t a y s e m e j a n t e s r a z o n e s , S ó c r a t e s ni b u s c ó
a b o g a d o p a r a s u j u i c i o c a p i t a l ni s u p l i c ó á l o s j u e c e s , s i n o
q u e , al c o n t r a r i o , m o s t r ó l i b r e c o n t u m a c i a , n a c i d a d e m a g -
nanimidad y no de soberbia, y e n el ú l t i m o día d e s u v i d a
32 MARCO TULIO CICERÓN.

disertó largamente sobre estas mismas cosas; y pocos dias


antes de morir, pudiendo fácilmente h a b e r s e escapado de
la c á r c e l , no q u i s o , y t e n i e n d o ya e n la m a n o la c o p a m o r
tífera, h a b i ó d e tal m a n e r a q u e n o p a r e c i ó q u e c a m i n a b a
h a c í a l a m u e r t e , s i n o q u e q u e r í a s u b i r al c i e l o .
C r e í a , p u e s , y e n s e ñ ó q u e h a y d o s c a m i n o s p a r a el a l m a
c u a n d o s a l e del c u e r p o . L o s q u e s e han contaminado
c o n los v i c i o s h u m a n o s y s e h a n e n t r e g a d o d e t o d o p u n t o
a la l i v i a n d a d , e n c e n a g á n d o s e e n l o s v i c i o s d o m é s t i c o s y
e n las a f r e n t a s , ó l o s q u e h a n c o m e t i d o f r a u d e s inexpia
b l e s c o n t r a su r e p ú b l i c a , s i g u e n u n c a m i n o t o r c i d o y q u e
l o s l l e v a m á s lejos d e l c o n c i l i o d e l o s d i o s e s . P e r o l o s q u e
s e h a n m a n t e n i d o í n t e g r o s y c a s t o s , y ios q u e no h a n t e -
d i d o c o n t a g i o a l g u n o c o n el c u e r p o , y l o s q u e s e h a n a p a r -
t a d o s i e m p r e d e e l l o s y h a n i m i t a d o en l o s c u e r p o s h ú m a -
n o s l a v i d a d e D i o s e s , t i e n e n fácil la v u e l t a á a q u e l p u n t o
de donde han p r o c e d i d o . Y así, advierte q u e t o d o s los
b u e n o s y l o s d o c t o s d e b e n h a c e r lo m i s m o q u e los c i s -
n e s , q u e no sin c a u s a s o n d e d i c a d o s á A p o l o , ya p o r q u e
p a r e c e q u e h a n r e c i b i d o d e él el d o n . d e la a d i v i n a c i ó n , ya
p o r q u e , p r e v i e n d o el b i e n q u e v a n a r e c i b i r c o n la m u e r t e ,
m u e r e n e n t r e c a n t o s y a l e g r í a s . Y d e e s t o no p o d r í a d u d a r
n a d i e si n o n o s a c o n t e c i e s e , c u a n d o p e n s a m o s c o n m u c h o
a h i n c o s o b r e el a l m a , lo m i s m o q u e s u e l e s u c e d e r á l o s
q u e fijan s u s ojos e n el sol m o r i b u n d o , p e r d i e n d o á v e c e s
t o t a l m e n t e la v i s t a . Así la vista del a l m a , q u e s e c o n t e m -
pla á sí m i s m a , s e fatiga á v e c e s , y p o r e s t a c a u s a p e r d e -
m o s la d i l i g e n c i a d e la c o n t e m p l a c i ó n . Y así n u e s t r o r a z o -
namiento, dudando, mirando hacia una parte y otra, vaci-
l a n d o , c o n s i d e r a n d o l a s r a z o n e s en u r o y e n c o n t r a , fluctúa
como una nave en medio del i n m e n s o Océano.
Pero todos estos ejemplos son a n t i g u o s y t o m a d o s d e los
G r i e g o s . Catón salió d e esta vida d e tal m o d o q u e s e a l e -
g r á b a l e haber alcanzado justa causa de morir.
El Dios q u e d o m i n a e n n o s o t r o s n o s p r o h i b e s a l i r d e e s t a
CUESTIONES TUSCULANAS. 33

v i d a sin v o l u n t a d s u y a . P e r o c u a n d o e s t e Dios n o s h a d a d o
c a u s a j u s t a , c o m o s e la dio e n t o n c e s á S ó c r a t e s , y a h o r a á
Catón, y d e s p u é s á o t r o s m u c h o s , c i e r t a m e n t e q u e el v a r ó n
s a b i o s a l d r á a l e g r e d e s d e e s t a s t i n i e b l a s á la l u z . No r o m -
p e r á las c a d e n a s d e s u c á r c e l , p o r q u e las l e y e s se lo prohi-
b e n ; p e r o s a l d r á l l a m a d o p o r el D i o s , c o m o si a l g ú n m a g i s -
trado ó potestad legítima le llamase. «Toda la v i d a d e l o s
filósofos, dice él m i s m o , es una preparación para la
muerte.»
¿Y q u é o t r a cosa hacemos cuando apartamos nuestra
alma d e l d e l e i t e c o r p o r a l , ó d e l c u i d a d o d e la hacienda,
que es ministra d e l c u e r p o , ó d e la r e p ú b l i c a , ó d e t o d o
n e g o c i o y o c u p a c i ó n ? ¿Qué h a c e m o s c u a n d o l l a m a m o s al
a l m a á sí m i s m a y la o b l i g a m o s á e s t a r c o n s i g o y la a p a r -
t a m o s d e l c u e r p o ? S e p a r a r el a l m a d e l c u e r p o n o e s o t r a
cosa que aprender á morir. Acordémonos, pues, de esto,
amigo mío, y separémonos del c u e r p o , y a c o s t u m b r é m o -
n o s á la i d e a d e la m u e r t e . Este m o d o d e vivir mientras
e s t a m o s e n la t i e r r a , s e r á s e m e j a n t e á l a v i d a c e l e s t i a l , y
c u a n d o h a y a m o s roto estas c a d e n a s , m e n o s s e r e t a r d a r á el
curso de nuestra alma. Los que han estado mucho tiempo
en grillos, hasta cuando los sueltan, caminan con tardío
paso. Cuando llegamos á soltarlos del todo, entonces s e
p u e d e d e c i r q u e v i v i m o s . Esta m i s m a vida q u e h o y v i v i -
mos es verdadera m u e r t e y digna de l a m e n t a r s e .
O Y E N T E . — B a s t a n t e la h a s l a m e n t a d o e n t u Consolación.
Cuando la l e o , nada deseo tanto como abandonar el
mundo; y ahora, después d e o i r t é , lo d e s e o muchísi-
mo más.
M A R C O . — T i e m p o v e n d r á , y m u y p r o n t o , e n q u e lo d e s e e s
d e v e r a s , ó e n q u e t e a r r e p i e n t a s d e h a b e r l o d e s e a d o . El
tiempo v u e l a . T a n lejos está d e s e r la m u e r t e u n m a l , c o m o -
a n t e s te p a r e c í a , q u e y o t e m o q u e n o h a y a n i n g ú n otro
b i e n p a r a el h o m b r e , si e s c i e r t o q u e h e m o s d e s e r d i o s e s
ó h e m o s d e vivir c o n los d i o s e s .
TOMO V. 3
34 MARCO TÜLIO CICERÓN.

OYENTE.—Yjgué i m p o r t a ! n o falta q u i e n d e j e d e a p r o b a r
estas opiniones.
' " M A R C O . — P e r o yo no dejaré e s t e r a z o n a m i e n t o sin h a b e r t e
p r o b a d o q u e d e n i n g ú n m o d o p u e d e s e r la m u e r t e u n m a l .
O Y E N T E . — Y ¿ c ó m o p u e d o c r e e r l o ya d e s p u é s d e haberte
oído?
MARCO.—¡Cómo p u e d e s ! ¿y m e lo p r e g u n t a s ? Hay l e g i o -
nes de filósofos q u e s o s t i e n e n lo c o n t r a r i o ; y n o s ó l o los
E p i c ú r e o s , á q u i e n e s yo no d e s p r e c i o , p e r o á q u i e n e s n o s é
por qué razón casi t o d o s los doctos estiman poco, sino
q u e también mi amigo Dicearco disertó v i g o r o s a m e n t e c o n -
t r a la i n m o r t a l i d a d , escribiendo tres libros, q u e llamó los
Lesbiacos, p o r q u e p a s a la e s c e n a e n M i t y l e n e , e n l o s c u a -
l e s q u i e r e p r o b a r q u e el a l m a e s m o r t a l . L o s E s t o i c o s n o s
c o n c e d e n el u s o d e la v i d a c o m o á las c o r n e j a s : afirman
q u e el a l m a p e r m a n e c e r á l a r g o t i e m p o , p e r o niegan que
dure siempre.
¿Quieres que te p r u e b e que, aunque esto sea así, la
m u e r t e n o d e b e c o n s i d e r a r s e c o m o u n mal?
O Y E N T E . — A s í me parece; pero nadie p u e d e c o n v e n c e r m e
d e q u e n o e s v e r d a d e r a la i n m o r t a l i d a d .
M A R C O . — T e alabo este propósito, aunque no conviene
confiar demasiado. Siempre persuade alguna conclusión
aguda: vacilamos y m u d a m o s de p a r e c e r a u n en las c o s a s
más claras, p o r q u e aun en ellas c a b e o s c u r i d a d . D e b e m o s ,
pues, estar preparados para todo evento.
O Y E N T E . — A s í e s ; p e r o y o p r o c u r o q u e tal d e f e n s a n o s e a
necesaria.
MARCO.—¿Por qué h e m o s de abandonar á nuestros ami-
gos los Estoicos, los c u a l e s c o n c e d e n q u e el a l m a vive
d e s p u é s de h a b e r s e s e p a r a d o del c u e r p o , p e r o q u e n o vive
e t e r n a m e n t e ? C o n c e d e n lo m á s difícil, e s t o e s , q u e el a l m a
p u e d e vivir s e p a r a d a del c u e r p o , y no c o n c e d e n q u e s e a
i n m o r t a l , lo c u a l e s m u c h o m á s fácil d e c r e e r y e s c o n s e -
c u e n c i a forzosa d e lo q u e c o n c e d e n .
CUESTIONES TUSCULANAS. 35

OYENTE.—Bien haces en reprenderlos; pero de este modo


v a n las c o s a s .
MARCO.—¿Creeremos, pues, á Panecio, que disiente d e su
maestro Platón, á quien en todas p a r t e s llama divino^
s a p i e n t í s i m o , s a n t í s i m o , H o m e r o d e los filósofos, p e r o e n el
c u a l r e p r u e b a s ó l o s u o p i n i ó n a c e r c a d e la i n m o r t a l i d a d d e l
a l m a ? S o s t i e n e lo q u e n a d i e n i e g a : q u e t o d o s e r nacido
m u e r e . Es a s í q u e el a l m a n a c e , c o m o lo d e c l a r a la s e m e -
j a n z a d e la p r o c r e a c i ó n , la c u a l e s n o s ó l o d e l o s c u e r p o s ,
sino del e n t e n d i m i e n t o ; luego el a l m a n o e s inmortal.
Otra r a z ó n d a , e s á s a b e r : q u e n o h a y d o l o r a l g u n o q u e n o
s u p o n g a a l g u n a e n f e r m e d a d . Es a s í q u e t o d o el q u e p a d e c e
alguna enfermedad ha d e m o r i r ; l u e g o el a l m a , q u e t i e n e
dolor, ha de morir forzosamente.
T o d o e s t o p u e d e r e f u t a r s e . Es u n a i g n o r a n c i a , c u a n d o s e
h a b l a d e la e t e r n i d a d del a l m a , no entenderla del e n t e n -
d i m i e n t o , que está libre d e todo m o v i m i e n t o d e s o r d e n a d o ,
sino de aquellas partes q u e e s t á n s u j e t a s á la enferme-
d a d , á la ira y al a p e t i t o , l a s c u a l e s el m i s m o filósofo con-
tra quien disputamos supone separadas y distintas del
alma. Y esta semejanza se ve todavía más en las b e s t i a s ,
q u e carecen de razón.
La s e m e j a n z a d e l o s h o m b r e s c o n s i s t e p r i n c i p a l m e n t e e n
s u f i g u r a c o r p o r a l , é i m p o r t a m u c h o , p a r a c o n o e e r el a l m a
misma, saber en qué c u e r p o está colocada. Mucho c o n t r i -
b u y e e l c u e r p o á a g u z a r el e n t e n d i m i e n t o ; m u c h o á e n t o r -
p e c e r l e . Aristóteles dice q u e t o d o s los i n g e n i o s o s s o n m e -
lancólicos, y as! no m e d e s c o n t e n t a el s e r r u d o . Después
d e e n u m e r a r m u c h o s e j e m p l o s , q u i e r e d a r la r a z ó n d e e s t e
f e n ó m e n o . Y si t a n t a f u e r z a p a r a el h á b i t o mental tienen
las facultades c o r p o r a l e s , nada p r u e b a esta s e m e j a n z a p a r a
q u e c r e a m o s q u e el a l m a ha n a c i d o .
Dejo a p a r t e m u c h o s e j e m p l o s . Q u i s i e r a d i r i g i r u n a p r e -
g u n t a á P a n e c i o , q u e v i v i ó c o n S c i p i ó n el A f r i c a n o . Yo l e
p r e g u n t a r í a á c u á l d e l o s s u y o s s e p a r e c i ó el n i e t o d e S c i -
36 NARCO TULIO CICERÓN.

p i ó n el Africano: e n el r o s t r o á s u p a d r e ; e n la v i d a á t o -
d o s l o s p e r d i d o s , d e t a l m o d o q u e p o d í a p a s a r p o r el p e o r
d e t o d o s e l l o s . ¿A q u i é n s e p a r e c i ó el sobrino de Publio
Craso, h o m b r e s a b i o y e l o c u e n t e , ó l o s hijos y l o s n i e t o s
de muchos otros varones esclarecidos á quienes no es
preciso n o m b r a r ahora? Pero ¡á q u é hemos de tratar de
e s t o ! ¿Nos h e m o s o l v i d a d o d e q u e n u e s t r o propósito era,
d e s p u é s d e h a b e r d i s e r t a d o b a s t a n t e s o b r e la eternidad,
p r o b a r q u e a u n q u e el a l m a p e r e z c a , n o h a y m a l a l g u n o e n
la m u e r t e ?
OYENTE.—Yo me acordaba de esto; pero fácilmente c o n -
s e n t í q u e , t r a t a n d o d e la e t e r n i d a d , t e a p a r t a s e s a l g o d e tu.
propósito.
MARCO.—Veo que tus miras son altas, y que quieres r e -
m o n t a r t e al c i e l o .
O Y E N T E . — E s p e r o q u e así n o s s u c e d e r á á todos. Pero
supongamos, como éstos quieren, que las almas no persis-
t e n d e s p u é s d e la m u e r t e . Si e s t o e s a s í , q u e d a m o s p r i v a -
d o s d e la e s p e r a n z a d e m e j o r v i d a .
M A R C O . — P e r o ¿ q u é m a l hay e n e s t a o p i n i ó n ? S u p o n tú
q u e e l a l m a m u e r e j u n t a m e n t e c o n el c u e r p o . ¿Por v e n t u r a
c a b e d e s p u é s d e la m u e r t e a l g ú n d o l o r ó a l f ú n sentido en
el c u e r p o ? N a d i e s e a t r e v e á d e c i r l o , y a u n q u e Epicuro
a c u s a á D e m ó c r i t o , l o s d i s c í p u l o s d e D e m ó c r i t o lo n i e g a n .
T a m p o c o e n el a l m a q u e d a s e n t i d o a l g u n o , p u e s t o q u e l a s
a l m a s n o e x i s t e n e n n i n g u n a p a r t e . ¿Dónde e s t á , p u e s , el
m a l , y a q u e n o h a y u n a t e r c e r a s u s t a n c i a e n la c u a l p u e d a
r e c a e r ? Me d i r á s q u e la s e p a r a c i ó n m i s m a d e l a l m a y d e l
c u e r p o n o s e v e r i f i c a s i n d o l o r . A u n q u e y o lo c r e a a s í , ¡ c u a n
pequeño será este dolor! Y a u n c r e o q u e e s t o sea falso,
p o r q u e la m a y o r p a r t e d e l a s v e c e s s e v e r i f i c a s i n s e n t i d o ,
y algunas hasta con deleite, y de todas m a n e r a s es cosa d e .
poco momento, puesto que dura un instante solo.
O Y E N T E . — E s t o m i s m o m e a n g u s t i a y a t o r m e n t a , el d e j a r
t o d o s los b i e n e s d e la v i d a .
CUESTIONES TUSCULANAS. 37

M A R C O . — Y ¿por q u é n o d i c e s m e j o r el a p a r t a r t e d e t o d o s
l o s m a l e s ? ¿Cuántas r a z o n e s h a y p a r a d e p l o r a r l a v i d a h u -
m a n a ? Con v e r d a d y j u s t i c i a p u e d e s h a c e r l o . P e r o ¿ q u é n e -
c e s i d a d h a y d e h a c e r m á s m i s e r a b l e la v i d a c o n e l p e n s a -
m i e n t o d e q u e h e m o s d e s e r i n f e l i c e s d e s p u é s d e la m u e r -
te? Lo c o n t r a r i o h i c i m o s en a q u e l l i b r o e n el c u a l m e h e
consolado á mí mismo c u a n t o h e p o d i d o . Si q u e r e m o s
a p u r a r la v e r d a d , e s lo c i e r t o q u e la m u e r t e n o s s e p a r a d e
l o s m a l e s , n o d e l o s b i e n e s . E s t o lo d i s p u t a b a tan c o p i o s a -
m e n t e el C i r e n a i c o H e g e s i a s , q u e el r e y P t o l o m e o le p r o h i -
b i ó e n s e ñ a r l o e n l a s e s c u e l a s , p o r q u e m u c h o s , en o y é n d o -
l e , s e d a b a n á sí p r o p i o s la m u e r t e . He l e í d o t a m b i é n c i e r t t
e p i g r a m a de Calimaco contra Cleombroto de Ambracia,
del cual dice q u e , sin otra r a z ó n a l g u n a q u e h a b e r leído los
l i b r o s d e P l a t ó n , s e a r r o j ó d e s d e la m u r a l l a al m a r . Del
m i s m o Hegesias queda un libro l l a m a d o AiroxapTsptúv, e n
el cual un personaje q u e q u i e r e m o r i r s e p o r h a m b r e , r e s -
ponde á sus amigos que quieren disuadirle, enumerando
t o d o s l o s i n c o n v e n i e n t e s d e la v i d a h u m a n a . Quizá y o p o -
dría h a c e r lo m i s m o , a u n q u e n o e x t r e m a r í a las c o s a s tanto
como él, que a b s o l u t a m e n t e p r e t e n d e q u e á nadie le con-
v i e n e v i v i r . O m i t o á o t r o s . ¿Y p o r v e n t u r a la m u e r t e n o n o s
r

conviene á nosotros m i s m o s , que privados d e los negocios


f o r e n s e s y d o m é s t i c o s , si h u b i é s e m o s m u e r t o a n t e s , n o s
h u b i é r a m o s s a l v a d o c o n la m u e r t e , d e l o s m a l e s y n o d e
los bienes?
Supongamos uno que no tenga mal alguno, que no haya
r e c i b i d o n i n g ú n r e v é s d e la f o r t u n a : s e a ; v . g r . , a q u e l M é -
telo tan honrado por sus cuatro hijos, ó aquel Príamo q u e
tuvo cincuenta, de ellos diez y siete legítimos. En uno y
o t r o t u v o la f o r t u n a i g u a l p o d e r , p e r o e n u n o y o t r o u s ó d e
s u s d e r e c h o s . A Mételo le l l e v a r o n á la h o g u e r a muchos,
h i j o s , h i j a s , n i e t o s , n i e t a s ; á P r í a m o , p r i v a d o d e su n u m e -
r o s a p r o g e n i e , le i n m o l ó u n a m a n o e n e m i g a c u a n d o se r e -
f u g i a b a a n t e l a s a r a s . Si é s t e h u b i e s e m u e r t o c u a n d o sus
38 MARCO TULIO CICERÓN.

h i j o s v i v í a n y s u r e i n o e s t a b a i n c ó l u m e e n t o d o el e s p l e n d o r
de su bárbara opulencia, y cuando brillaban sus cincelados
a r t e s o n e s , c o m o dijo el p o e t a , ¿ h u b i e r a s a l i d o d e l o s b i e -
n e s ó d e los males? P a r e c e á p r i m e r a vista q u e de los b i e -
n e s . P e r o e s c i e r t o q u e p a r a él h u b i e r a s i d o m e j o r q u e n o
s e h u b i e r a p o d i d o c a n t a r t a n t r i s t e m e n t e : «Vi á T r o y a in-
flamada; vi á P r í a m o r e n d i r la vida al h i e r r o e n e m i g o ; v i
el ara de J o v e profanada con sangre.» Aun e n t o n c e s n o le
pudo acontecer cosa mejor que e s t a m u e r t e v i o l e n t a . Si
hubiera m u e r t o antes, habría evitado tales desgracias; pero
m u r i e n d o p e r d i ó el s e n t i d o d e l o s m a l e s .
Mejor fué la s u e r t e d e n u e s t r o familiar P o m p e y o , c u a n d o
estuvo gravemente enfermo en Ñ a p ó l e s . L o s N a p o l i t a n o s
c o r o n a d o s h a c í a n s a c r i f i c i o s p a r a o b t e n e r s u s a l u d , y los d e
Puzol rogativas en sus ciudades. Manifestaciones cierta-
mente pueriles honrosas para él.
Si e n t o n c e s h u b i e r a m u e r t o ? ¿ p o d r í a m o s d e c i r d e él q u e h a -
bía d e j a d o en el m u n d o s u felicidad ó s u d e s d i c h a ? Cierta-
m e n t e s u d e s d i c h a . No h a b r í a t e n i d o q u e h a c e r la g u e r r a
á su s u e g r o ; no h a b r í a tenido q u e t o m a r las a r m a s c u a n d o
no estaba p r e p a r a d o ; no se hubiera visto obligado á a b a n -
d o n a r s u c a s a , ni á h u i r d e I t a l i a , ni p e r d i d o s u e j é r c i t o y
d e s p o j a d o d e t o d o , h u b i e r a c a í d o bajo el h i e r r o y l a s m a -
n o s d e s u s s i e r v o s , ni h a b r í a t e n i d o q u e l l o r a r la p é r d i d a
d e s u s h i j o s , ni h a b r í a d e j a d o t o d a su f o r t u n a e n poder
d e los v e n c e d o r e s . De h a b e r m u e r t o e n t o n c e s , hubiera
m u e r t o en el e s p l e n d o r d e s u f o r t u n a , y , p o r el c o n t r a r i o ,
c o n a l a r g á r s e l e la v i d a , ¡ c u á n t a s y c u a n i n c r e í b l e s c a l a m i -
d a d e s t u v o q u e d e v o r a r ! T o d o e s t o s e e v i t a c o n la m u e r t e ;
pues aunque no haya s u c e d i d o todo ello, p u e d e s u c e d e r ,
s i q u i e r a los h o m b r e s lo t e n g a n s i e m p r e p o r i m p o s i b l e ó p o r
r e m o t o . Cada c u a l e s p e r a p a r a sí la f o r t u n a d e Mételo, c o m o
si fuesen m á s los a f o r t u n a d o s q u e l o s i n f e l i c e s , ó c o m o s i
h u b i e r a a l g o s e g u r o en l a s c o s a s h u m a n a s , ó c o m o si e l
e s p e r a r fuese m á s p r u d e n t e q u e el t e m e r . i P e r o c o n c e d a -
CUESTIONES TUSCVLANAS. 39

naos q u e la m u e r t e p r i v a á l o s h o m b r e s d e t o d o s los b i e n e s
d e la v i d a . ¿Por v e n t u r a e s e s t o u n a infelicidad? Lo q u e n o
e x i s t e y a , ¿ p u e d e c a r e c e r d e . c o s a a l g u n a ? T r i s t e e s la p a -
l a b r a m i s m a carecer, p o r q u e l l e v a c o n s i g o e s t a a f i r m a c i ó n :
tuvo y ya no tiene; desea, busca, necesita. Estas son las
i n c o m o d i d a d e s d e l q u e c a r e c e . La c a r e n c i a d e l o s ojos s e
l l a m a c e g u e r a , la c a r e n c i a d e l o s hijos s e l l a m a o r f a n d a d .
Esto sólo p u e d e aplicarse á los vivos: en c u a n t o á los
m u e r t o s , n o s ó l o c a r e c e n d e l o s b i e n e s d e la v i d a , s i n o d e
la v i d a m i s m a . ¿Quién d i r á q u e l o s h o m b r e s s o n i n f e l i c e s
p o r q u e c a r e c e n de c u e r n o s ó de plumas? Ciertamente q u e
n o lo d i r á n a d i e . El n o t e n e r lo q u e n o s i r v e p a r a n a d a ni
e s p r o p i o d e la n a t u r a l e z a , n o e s c a r e c e r , a u n c u a n d o s e
sienta no tenerlo.
Todavía h e m o s de confirmar más y más este argumento,
q u e e s i r r e c u s a b l e p a r a los q u e a f i r m a n q u e el a l m a es
m o r t a l . Q u i e r o p r o b a r q u e si e s t o e s a s í , d e tal m a n e r a s e
extingue t o d o c o n la m u e r t e , q u e n o q u e d a ni el m e n o r
v i s l u m b r e d e s e n t i d o . Si e s t o e s v e r d a d i n n e g a b l e , sólo
nos resta determinar qué quiere d e c i r la p a l a b r a care-
c e r , p a r a q u e n o q u e d e n i n g ú n e r r o r e n el v o c a b l o . Ca-
r e c e r , significa e s t a r p r i v a d o d e a l g u n a c o s a q u e q u i s i e r a
uno tener. En el c a r e c e r interviene s i e m p r e voluntad.
T a m b i é n s e llama i m p r o p i a m e n t e c a r e c e r el n o t e n e r a l -
guna cosa y sentir no tenerla, a u n q u e fácilmente se tolere
s u a u s e n c i a . N a d i e d i c e q u e c a r e c e d e m a l , ni n a d i e s e l a -
m e n t a de e s t o . Se dice sólo c a r e c e r del b i e n , y esto es u n
m a l . P e r o ni s i q u i e r a l o s v i v o s c a r e c e n d e l b i e n c u a n d o n o
l o n e c e s i t a n . C u a n d o s e d i c e : c a r e c e d e l r e i n o , no p u e d e
d e c i r s e con propiedad de tí: podía d e c i r s e d e Tarquino
c u a n d o fué e x p u l s a d o d e s u r e i n o . A u n m u e r t o n o p u e d e
a p l i c á r s e l e sin e v i d e n t e a b s u r d o . El c a r e c e r e s p r o p i o d e l
q u e s i e n t e : en un m u e r t o n o h a y s e n t i d o ; l u e g o el c a r e c e r
n o e s p r o p i o d e un m u e r t o . P e r o ¿á q u é c o n d u c e filosofar
s o b r e e s t o c u a n d o s e m e j a n t e v e r d a d p a r a n a d a r e q u i e r e el
40 MARCO TULIO CICERÓN.

a s e n s o d e la filosofía? ¿ C u á n t a s v e c e s , n o s ó l o nuestros
capitanes, sino ejércitos e n t e r o s han corrido á una m u e r t e
n o d u d o s a ? Si h u b i e s e n t e m i d o la m u e r t e , ni L u c i o B r u t o
h a b r í a p e r e c i d o e n la b a t a l l a p a r a e v i t a r la v u e l t a d e a q u e l
t i r a n o á q u i e n él m i s m o h a b í a d e s t e r r a d o , ni l o s t r e s D e c i o s
s e h u b i e s e n o f r e c i d o al g o l p e d e l a s a r m a s e n e m i g a s , p e -
l e a n d o el p a d r e c o n l o s l a t i n o s , el hijo c o n l o s E t r u s c o s , e l
n i e t o con P i r r o ; ni en una sola g u e r r a se h u b i e r a visto
perecer p o r la p a t r i a e n E s p a ñ a á l o s d o s S c i p i o n e s , en
Cannas á Paulo y á Gemino, en Venusia á Marcelo, en el
Lacio á A l v i n o , en la L u c a n i a á G r a c o .
¿Quién d e é s t o s p u e d e l l a m a r s e infeliz hoy? Ni e n t o n c e s
s i q u i e r a , d e s p u é s d e h a b e r e x h a l a d o el ú l t i m o a l i e n t o ; p o r -
q u e n a d i e p u e d e s e r infeliz d e s p u é s ' d e la p é r d i d a d e l o s
s e n t i d o s . Me d i r á s q u e e s t o m i s m o e s o d i o s o , el c a r e c e r d e
s e n t i d o . Lo s e r í a si e s t o p u d i e r a l l a m a r s e c a r e c e r . Pero
siendo cosa evidente que ningún accidente p u e d e r e c a e r
en u n s u j e t o q u e n o e x i s t e , ¿ q u é p u e d e h a b e r d e o d i o s o e n
un s e r q u e ni c a r e c e ni s i e n t e ? S ó l o n o s d e t i e n e el m i e d o
d e la m u e r t e ; p e r o el q u e h a y a v i s t o m á s c l a r o q u e el sol
q u e , d e s p u é s d e c o n s u m i d a el a l m a y e l c u e r p o y d e s t r u i d o
t o d o el a n i m a l , a q u e l s e r q u e a n t e s e x i s t i ó s e ha c o n v e r -
tido en n a d a , ' c o m p r e n d e r á sin d u d a q u e no h a y d i f e r e n -
cia a l g u n a e n t r e el H i p p o c e n t a u r o , q u e n u n c a e x i s t i ó , y e l
r e y A g a m e n ó n , y que Marco Camilo no t i e n e h o y m á s cui-
d a d o d e e s t a g u e r r a civil q u e el q u e t e n d r í a y o d e la c o n -
q u i s t a d e R o m a p o r l o s G a l o s e n s u t i e m p o . ¿Cómo h a b í a
d e c u i d a r s e Camilo d e lo q u e no había de suceder sino
trescientos cincuenta años d e s p u é s de él, y por qué m e he
d e l a m e n t a r yo d e q u e c u a l q u i e r a nación extraña se haya
apoderado de nuestra c i u d a d ? ¿Es t a n t o el a m o r d e la
p a t r i a , q u e n o le m i d a m o s p o r n u e s t r o s s e n t i d o s , s i n o a t e n -
diendo sólo á su salvación?
Y así al s a b i o n o le a t e r r a n u n c a la m u e r t e , la c u a l p o r
la i n c e r t i d u m b r e d e l o s s u c e s o s le a m e n a z a siempre, y
CUESTIONES TUSCULANAS. 41

p o r la b r e v e d a d d e la v i d a n u n c a p u e d e e s t a r m u y l e j a n a ,
y n o le a p a r t a e s t a c o n s i d e r a c i ó n d e á i o r i r en todo t i e m p o
p o r la r e p ú b l i c a y p o r los s u y o s , y d e m i r a r c o m o c o s a
p r o p i a , á la p o s t e r i d a d q u e él n o h a d e c o n o c e r n u n c a . P o r
lo c u a l , a u n q u e el a l m a s e a m o r t a l , t i e n d e á lo e t e r n o y s e
m u e v e no por codicia d e la g l o r i a q u e n o ha d e s e n t i r ,
sino p o r a m o r á la v i r t u d , á la c u a l n e c e s a r i a m e n t e h a d e
s e g u i r la g l o r i a . La n a t u r a l e z a ha dispuesto las cosas d e
t a l m o d o , q u e así c o m o el n a c i m i e n t o e s p a r a n o s o t r o s e l
p r i n c i p i o d e t o d a s las c o s a s , así la m u e r t e e s el t é r m i n o d e
t o d o ; y así c o m o n a d a nos pertenece antes del nacimien-
t o , así n a d a n o s p e r t e n e c e r á d e s p u é s d e la m u e r t e . Y e n
e s t o ¿ q u é m a l p u e d e h a b e r , c u a n d o la m u e r t e n o d i c e r e l a -
c i ó n ni á l o s v i v o s ni á l o s m u e r t o s ? L o s u n o s n o s o n n a d a , á
l o s o t r o s n a d a l e s a l c a n z a . El q u s la h a c e m á s l e v e la s u p o n e
m u y p a r e c i d a al s u e ñ o , c o m o si n a d i e c o n s i n t i e r a e n v i v i r
n o v e n t a a ñ o s , v i v i e n d o d o r m i d o d e s p u é s d e l o s s e s e n t a . Ni
los cerdos consentirían e n e s t o . E n d i m i ó n , si h e m o s d e
c r e e r á la f á b u l a , n o s é c u á n d o se quedó d o r m i d o e n el
m o n t e Latmo de Caria, y todavía no se h a despertado.
Y ¿ c r e e s tú q u e le i m p o r t a n l o s b e s o s q u e le da la L u n a e n
s u e ñ o s d e s p u é s de h a b e r l e a d o r m e c i d o ? ¿Cómo s e ha d e
c u i d a r d e e s t o si n o s i e n t e n a d a ? T i e n e s e l s u e ñ o p o r u n a
i m a g e n d e la m u e r t e , y c a d a día t e e n t r e g a s á é l . Y d u d a s
q u e e n la m u e r t e n o h a y a s e n t i d o a l g u n o , s i e n d o a s í q u e
e n s u s i m u l a c r o n o le e n c u e n t r a s .
A b a n d o n e m o s esas inepcias de viejas, como es el d e c i r
que la m u e r t e a n t e s d e t i e m p o es una desgracia. ¿Qué
t i e m p o e s ese? ¿El d e l a n a t u r a l e z a ? La n a t u r a l e z a te dio el
u s u f r u c t o d e la v i d a - c o m o s e d a el d e l d i n e r o , s i n s e ñ a l a r
d í a p a r a el p a g o . ¿ P o r q u é te q u e j a s c u a n d o te r e c l a m a l o
q u e e s s u y o ? Con e s a c o n d i c i ó n lo h a b í a s r e c i b i d o . Y e s o s
m i s m o s , si u n n i ñ o p e q u e ñ o m u e r e , lo l l e v a n c o n p a c i e n c i a ,
y si e s t á e n la c u n a , ni s i q u i e r a s e l a m e n t a n d e e l l o ; y s i n
e m b a r g o , á é s t o s l e s e x i g e la n a t u r a l e z a con mucha más
42 MARCO TUL10 CICERÓN.

c r u e l d a d el t r í b u l o <jue la d e b e n . Dicen q u e a u n no habla


g u s t a d o la s u a v i d a d d e la v i d a . Y sin e m b a r g o , ya h a b í a
e m p e z a d o á g o z a r d e e l l a . De t o d a s las c o s a s s e t i e n e p o r
mejor alcanzar alguna p a r t e q u e n i n g u n a ; ¿por q u é n o
s u c e d e asi e n la vida? No d i c e m a l C a l i m a c o , q u e m u c h a s
m á s v e c e s l l o r ó P r í a m o q u e T r o i l o . Se a l a b a s i n r a z ó n la
fortuna del q u e m u e r e en e d a d a v a n z a d a . ¿Por qué? A n i n -
g u n o le p a r e c e r í a m u y a g r a d a b l e la v i d a si f u e s e m á s l a r -
g a . N a d a h a y t a n d u l c e p a r a el h o m b r e c o m o la p r u d e n c i a ,
y é s t a la t r a e c o n s i g o la v e j e z , a u n q u e q u i t e o t r a s c o s a s .
P e r o ¿ q u é e d a d p u e d e l l a m a r s e l a r g a ? ¿ó q u é c o s a e s l a r g a
p a r a el h o m b r e ? ¿No a l c a n z a la m u e r t e en s u r á p i d a c a r r e r a
á l o s n i ñ o s y á l o s a d o l e s c e n t e s , s i g u i é n d o l o s p o r la es-
palda y acometiéndolos de súbito? P e r o c o m o d e s p u é s de
e s t e b r e v e e s p a c i o n a d a m á s t e n e m o s , la consideramos
l a r g a . T o d o e s t o s e l l a m a l a r g o ó b r e v e s e g ú n la parte
q u e h a l o c a d o á c a d a u n o . Dice A r i s t ó t e l e s q u e en l a s o r i -
llas d e l r í o H i p a n i s , q u e d e s e m b o c a e n el P o n t o , n a c e n
c i e r t a s b e s t e z u e l a s q u e viven u n s o l o d í a . E n t r e e l l a s , l a
q u e m u e r e á las o c h o h o r a s e s t e n i d a p o r m u y a n c i a n a ; la
q u e m u e r e c o n el sol p a s a p o r d e c r é p i t a , y m u c h o m á s si
a l c a n z a u n día c o m p l e t o . C o m p a r a t ú la v i d a humana eon
la e t e r n i d a d , y la e n c o n t r a r á s tan b r e v e c o m o la d e a q u e -
llas b e s t e z u e l a s .
D e s p r e c i e m o s t o d a s e s t a s i n e p c i a s (ya q u e c o s a s t a n l e -
ves no merecen otro nombre), y hagamos consistir toda
la fuerza d e l r e c t o v i v i r e n la f o r t a l e z a d e l a l m a , e n el
d e s p r e c i o d e las c o s a s h u m a n a s y e n toda v i r t u d . Pero
ahora nos afeminamos con molestísimos pensamientos, d e
tal m a n e r a q u e si la m u e r t e l l e g a a n t e s d e h a b e r a l c a n z a d o
lo q u e n o s p r o m e t e el a s t r ó l o g o c a l d e o , n o s c r e e m o s d e s -
pojados d e algún bien m u y g r a n d e y e n g a ñ a d o s y frustra-
d o s e n n u e s t r a s e s p e r a n z a s . Y si c o n e s t a s e s p e r a n z a s y
d e s e o s v i v i m o s a n g u s t i a d o s y a t o r m e n t a d o s , ¡oh dioses
inmortales, cuan agradable d e b e ser aquel camino tras
CUESTIONES TUSCULANAS. 43

d e l c u a l n o r e s t a ni c u i d a d o ni s o l i c i t u d a l g u n a ! ¡ C u á n t o
me deleita T h e r a m e n e s ; cuánta fué l a e l e v a c i ó n d e su
ánimo! Pues aunque lloramos cuando leemos su muerte,
n o m u r i ó m i s e r a b l e m e n t e a q u e l v a r ó n e s c l a r e c i d o , el c u a l ,
e n c e r r a d o e n la c á r c e l p o r decreto de los treinta tiranos,
d e s p u é s d e h a b e r b e b i d o e l v e n e n o , a r r o j ó d e la c o p a lo
q u e q u e d a b a , h a c i é n d o l o r e s o n a r c o n t r a el p a v i m e n t o , y
dijo al m i s m o t i e m p o , s o n r i é n d o s e : «Ofrezco e s t a c o p a al
hermoso C r i t i a s , » q u e h a b í a s i d o el m á s feroz c o n é l . Es
c o s t u m b r e d e los Griegos pronunciar en los convites el
n o m b r e d e a q u e l á q u i e n h a c e n p a s a r la c o p a . Todavía
jugaba ingeniosamente con las palabras aquel v a r ó n e g r e -
g i o , p r ó x i m o á d a r el ú l t i m o a l i e n t o , c u a n d o ya la m u e r t e
estaba apoderada de sus entrañas, y fatídicamente a n u n -
c i a b a á q u i e n l e dio el v e n e n o , la m u e r t e q u e m u y e n b r e v e
l e a l c a n z ó . ¿Quién a l a b a r í a e s t a m a g n a n i m i d a d e n la m u e r -
t e , si j u z g á s e m o s la m u e r t e m i s m a u n mal? Va á la m i s m a
c á r c e l , y a l g u n o s a n o s d e s p u é s a c e r c a s u s l a b i o s á la m i s -
ma copa, S ó c r a t e s , c o n d e n a d o con igual iniquidad p o r s u s
j u e c e s q u e T h e r e m e n e s p o r l o s t i r a n o s . ¿Qué d i s c u r s o e s el
que pone en sus labios Platón, c u a n d o , después de c o n d e -
nado á m u e r t e , se dirige á sus jueces?
«Grandes e s p e r a n z a s t e n g o , oh j u e c e s , q u e ha d e s e r
p a r a mí u n b i e n el c a m i n a r h a c i a la m u e r t e . N e c e s a r i o e s
q u e s u c e d a u n a d e d o s c o s a s : ó q u e la m u e r t e m e q u i t e
t o d o s e n t i d o , ó q u e m e t r a s l a d e d e e s t e m u n d o á o t r o . Si el
s e n t i d o s e e x t i n g u e y la m u e r t e e s s e m e j a n t e á un s u e ñ o
p l a c e n t e r o y sin v i s i o n e s , ¡ q u é ventnja e s m o r i r ! ¡Oh! ¿ c u á n -
tos días se pueden contar que deban anteponerse á s e m e -
j a n t e n o c h e , la c u a l h a d e d u r a r p o r t o d a u n a eternidad?
¿Quién m á s feliz q u e yo? Si e s v e r d a d lo q u e s e dice,
q u e la m u e r t e e s u n a e m i g r a c i ó n á los p a í s e s q u e ha-
b i t a n l o s q u e s a l i e r o n d e e s t a v i d a , e s m u c h a m a y o r felici-
d a d p a r a tí a b a n d o n a r el t r i b u n a l d e l o s q u e s e l l a m a n t u s
j u e c e s y p r e s e n t a r t e a n t e a q u e l l o s j u e c e s v e r d a d e r o s , Mi-
44 MARCO TULIO CICERÓN.

n o s , R a d a m a n t o , E a c o , T r i p l o l e m o , é ir á e n c o n t r a r las
a l m a s d e l o s q u e h a n v i v i d o c o n j u s t i c i a y b u e n a fe. ¿Os
parece poco a g r a d a b l e esta peregrinación? ¿Estimáis en
p o c o el h a b l a r c o n Orfeo, c o n M u s e o , c o n H o m e r o , c o n
H e s i o d o ? Cien v e c e s q u i s i e r a m o r i r , si f u e r a p o s i b l e , p o r
v e r t o d a s e s t a s c o s a s . ¡ C u á n t o d e l e i t e s e r í a p a r a mí el i r
á encontrar á Palamedes, á Ayax y á tantos otros inicua-
m e n t e s e n t e n c i a d o s . T e n t a r í a la p r u d e n c i a del s u m o r e y
q u e l l e v ó n u m e r o s o s e j é r c i t o s c o n t r a T r o y a , y la d e U l i s e s ,
y l a d e Sísifo, y n o m e c o n d e n a r í a n c a p i t a l m e n t e , como
a q u í e n la t i e r r a h a s u c e d i d o . Ni v o s o t r o s , j u e c e s q u e m e
a b s o l v i s t e i s , t e m e r í a i s allí la m u e r t e . A n i n g ú n b u e n o le
p u e d e s u c e d e r m a l a l g u n o , e n v i d a ni e n m u e r t e , p o r q u e
n u n c a le o l v i d a n los d i o s e s i n m o r t a l e s . Ni e s t a s c o s a s h a n
acontecido fortuitamente. No t e n g o razón a l g u n a p a r a e s -
t a r enojado con los q u e m e a c u s a r o n ni c o n l o s q u e m e
condenaron, aunque creyeron perderme.» Así d i j o , p e r o
t o d a v í a e s m e j o r el fin d e s u r a z o n a m i e n t o : «Ya e s t i e m p o
de que salgamos de aquí: yo, para morir; vosotros, para
v i v i r . ¿Cuál d e las d o s c o s a s e s la m e j o r ? L o s d i o s e s i n -
m o r t a l e s lo s a b e n , p e r o c r e o q u e t o d o h o m b r e lo i g n o r a . »
"Ciertamente que yo eslimaría m u c h o m á s el v a l o r d e
e s t o s h o m b r e s q u e la f o r t u n a de todos aquellos que le
sentenciaron. Y aunque Sócrates niega que nadie sepa
c u á l e s el m e j o r , s i n o l o s d i o s e s , la v e r d a d e s q u e él lo
s a b í a , p o r q u e lo dijo a n t e s ; p e r o q u i s o c o n s e r v a r h a s t a e l
t é r m i n o de su vida aquella c o s t u m b r e s u y a d e n o afirmar
nada resueltamente. T e n g a m o s nosotros por cosa estable-
c i d a q u e n o e s m a l a n i n g u n a d e l a s c o n d i c i o n e s q u e la n a -
turaleza ha impuesto á toda vida h u m a n a , y e n t e n d a m o s
q u e si la m u e r t e e s u n m a l , ha d e t e n e r s e p o r u n mal
e t e r n o . P o r q u e la m u e r t e p a r e c e s e r el fin d e u n a v i d a m i -
s e r a b l e ; p e r o si la m u e r t e e s u n a i n f e l i c i d a d , t i e n e q u e s e r
u n a infelicidad e t e r n a . ¿Para q u é h e d e r e c o r d a r á S ó c r a -
tes ó á Theramenes, varones excelentes en virtud y sa-
CUESTIONES TUSCULANAS. 45

biduría, cuando un Lacederaonio, cuyo n o m b r e ni siquiera


c o n s t a , d e s p r e c i ó d e tal m a n e r a la m u e r t e , q u e c u a n d o l e
l l e v a b a n á e l l a , p o r s e n t e n c i a d e l o s e p h o r o s , iba c o n r o s -
tro alegre y contento, y diciéndole un enemigo suyo:
« ¿ D e s p r e c i a s l a s l e y e s d e L i c u r g o ? » él le r e s p o n d i ó : «Al
c o n t r a r i o , le a g r a d e z c o m u c h o el h a b e r m e c a s t i g a d o c o n
esta p e n a , q u e p u e d o sufrir sin alteración ni trastorno.»
¡Oh v a r ó n d i g n o d e E s p a r t a ! m e p a r e c e q u e q u i e n c o n t a n
g r a n d e á n i m o iba al s u p l i c i o d e b í a s e r ¡ n o c e n t e .
H o m b r e s s e m e j a n t e s los t u v o i n n u m e r a b l e s n u e s t r a c i u -
dad. Pero ¡para qué he de nombrar á los jefes y a los
capitanes, cuando Catón escribió q u e las l e g i o n e s iban
m u c h a s v e c e s l l e n a s d e a n i m o s i d a d á u n sitio d e d o n d e
s a b í a n q u e n o h a b í a n d e v o l v e r ! Con i g u a l v a l o r m u r i e r o n
los Lacedemonios e n las T e r m o p i l a s , y e n h o n o r suyo
eantó Simónides:
« H u é s p e d , di á E s p a r t a q u e n o s h a s v i s t o c a e r a q u í , o b e -
d e c i e n d o las s a n t a s l e y e s de la p a t r i a . » Y ¿qué les dijo
su capitán Leónidas? «Combatid con v a l o r , o h L a c e d e m o -
nios; quizás h o y i r e m o s á c e n a r en los infiernos.» Fortí-
s i m a fué e s t a g e n t e m i e n t r a s e s t u v i e r o n e n v i g o r l a s l e y e s
d e L i c u r g o . G l o r i á n d o s e u n P e r s a d e q u e la m u l t i t u d d e l a s
s a e t a s d e los s u y o s e r a n c a p a c e s de o s c u r e c e r el s o l , le
r e s p o n d i ó u n E s p a r t a n o : « E n t o n c e s p e l e a r e m o s á la s o m -
bra.» Y no fueron sólo los h o m b r e s . A c u é r d a t e de aquella
E s p a r t a n a q u e , h a b i e n d o e n v i a d o s u hijo á la p e l e a y s a b e -
d o r a d e q u e en ella había m u e r t o , r e s p o n d i ó : « P a r a eso le
había e n g e n d r a d o , para que hubiese alguien que no d u d a r a
en morir por su patria.»
Me d i r á s q u e e r a f u e r t e y d u r a la r a z a e s p a r t a n a y q u e
tenía g r a n fuerza la d i s c i p l i n a d e a q u e l l a r e p ú b l i c a . P e r o
q u é , ¿no te a d m i r a s d e T e o d o r o d e C i r e n e , filósofo n a d a
o s c u r o , á q u i e n el r e y L y s i m a c o a m e n a z ó c o n la c r u z , y
le r e s p o n d i ó : « P u e d e s a m e n a z a r c o n e s e s u p l i c i o á t u s c o r -
t e s a n o s , cubiertos d e p ú r p u r a ; en cuanto á T e o d o r o , nada
46 MARCO TÜLIO CICERÓN.

le i m p o r t a p u d r i r s e en la t i e r r a ó en la h o r c a » . E s t a o b s e r -
v a c i ó n m e m u e v e á d e c i r a l g o d e l e n t i e r r o y d e la s e p u l -
t u r a , m a t e r i a n o difícil, en e s p e c i a l c o n o c i d a la t e o r í a q u e
a n t e s e x p u s e s o b r e la falta d e s e n t i m i e n t o d e s p u é s d e la
muerte.
Lo q u e Sócrates pensó sobre e s t o , bien claro aparece
d e l Fedón, d e l c u a l y a h e m o s h a b l a d o a n t e s . D e s p u é s d e
h a b e r d i s c u r r i d o s o b r e la i n m o r t a l i d a d d e l a l m a , y c u a n d o
y a s e a c e r c a b a el t i e m p o d e la m u e r t e , le p r e g u n t ó C r i t ó n
d e q u é m a n e r a q u e r í a s e r e n t e r r a d o , y él r e s p o n d i ó : « A m i -
g o s , h e p e r d i d o en b a l d e m i t r a b a j o , p u e s t o q u e n o h e p o -
d i d o p e r s u a d i r á n u e s t r o Critón q u e y o v o y á s a l i r d e e s t e
m u n d o y q u e n a d a mío va á q u e d a r a q u í . C r i t ó n , si p u e d e s
conservar algo de mí, como tú c r e e s , s e p ú l t a m e . Pero
créeme, ninguno de vosotros me seguirá cuando salga de
a q u í . » A d m i r a b l e r e s p u e s t a , p o r q u e c o n s i n t i ó c o n la p i e d a d
d e s u a m i g o , y al m i s m o t i e m p o dio á e n t e n d e r q u e n o s e
c u i d a b a d e e s t o . Más d u r o a n d u v o D i ó g e n e s , c o m o b u e n
c í n i c o , a u n q u e e n el fondo s e n t í a lo m i s m o , c u a n d o p r o h i -
b i ó q u e s e le e n t e r r a s e . D i j é r o n l e s u s a m i g o s : « ¿ H e m o s d e
d e j a r t e e x p u e s t o á las a v e s y á l a s fieras?—Nada d e e s o ,
r e s p o n d i ó , p o n e d c e r c a d e mí u n b á c u l o p a r a q u e las a h u -
y e n t e . — Y ¿cómo h a s de p o d e r a h u y e n t a r l a s , le p r e g u n t a -
r o n , si n o t e n d r á s s e n t i d o ? — Y si n o s i e n t o n a d a , r e s p o n d i ó ,
¿qué m e i m p o r t a q u e m e d e v o r e n l a s fieras?» Mejor fué la
r e s p u e s t a d e A n a x á g o r a s , al c u a l , m o r i b u n d o e n L a m p s a c o ,
le p r e g u n t a r o n s u s a m i g o s si q u e r í a q u e l l e v a s e n su c u e r p o
á C l a z o m e n e , y él r e s p o n d i ó : «No e s n e c e s a r i o ; d e s d e c u a l -
q u i e r a p a r t e s e p u e d e v i a j a r á las r e g i o n e s i n f e r n a l e s . » En
s u m a , s o b r e la s e p u l t u r a lo q u e d e b e p e n s a r s e e s u n a c o s a
s o l a , á s a b e r : q u e s o l a m e n t e el c u e r p o p u e d e s e r ente-
r r a d o , o r a m u e r a el a l m a c o n é l , o r a s i g a v i v i e n d o , p o r q u e
e s e v i d e n t e q u e e n el c u e r p o , d e s p u é s d e la s e p a r a c i ó n d e l
alma, no queda sentido alguno.
P e r o el m u n d o e s t á lleno d e e r r o r e s . A q u i l e s a r r a s t r ó á
CUESTIONES TUSCULANAS. 47

Héctor atado á su c a r r o , p e n s a n d o sin d u d a que Héctor


s e n t í a q u e d e s t r o z a s e n s u s m i e m b r o s . ¡Sin d u d a le p a r e -
cía que con e s t o se v e n g a b a ! Y A n d r ó m a c a con tristísimas
v o c e s s e l a m e n t a b a a s í : «Vi la c o s a m á s h o r r e n d a d e t o d a s ;
v i á H é c t o r a r r a s t r a d o p o r la c u a d r i g a . » ¿Cómo h a b í a d e
v e r á H é c t o r , ni d ó n d e e s t a b a e n t o n c e s H é e t o r ? Mejor lo
dijo A c c i o , c u a n d o p u s o e n b o c a d e A q u i l e s , q u e e n t o n c e s
á lo m e n o s t u v o b u e n s e n t i d o : « M a t é á H é c t o r y e n t r e g u é
s u c u e r p o á P r í a m o . » No a r r a s t r a s t e , p u e s , á H é c t o r , s i n o
el c u e r p o q u e h a b í a s i d o d e H é c t o r . Mira á o t r o personaje
t r á g i c o l e v a n t a r s e d e la t i e r r a y no d e j a r d o r m i r á s u m a d r e
c o n e s t a q u e r e l l a : «A tí i n v o c o , o h m a d r e , q u e c o n e l
s u e ñ o s u s p e n d e s l o s c u i d a d o s . ¿Por q u é n o t i e n e s p i e d a d
d e mí? L e v á n t a t e y s e p u l t a á tu hijo.» C u a n d o e s t a s pala-
bras resuenan con aquel tono triste y lamentable que hace
d e r r a m a r l á g r i m a s á los e s p e c t a d o r e s de un t e a t r o , es d i -
fícil q u e l o s h o m b r e s n o t e n g a n p o r i n f e l i c e s á l o s q u e o s -
lan e n t e r r a d o s . Y c u a n d o prosigue d i c i e n d o : «Entiérrame
a n t e s q u e las fieras y las a v e s m e d e v o r e n , » e s m u y s i n -
gular que tema que sus miembros sean devorados, y no
t e n g a r e p a r o e n q u e s e a n q u e m a d o s . «¡Ay! las r e l i q u i a s d e l
Rey medio sbrasadas, sus huesos descarnados, serán d e s -
p a r r a m a d o s y c o n f u n d i d o s f e a m e n t e p o r la t i e r r a . » No e n -
tiendo cómo este héroe de tragedia se lamenta tanto, cuan-
d o al m i s m o t i e m p o p r o n u n c i a tan e l e g a n t e s s e p t e n a r i o s a l
son d e la flauta. D i g a m o s , p u e s , q u e n o h a y c u i d a d o a l g u n o
d e s p u é s d e la m u e r t e , a u n q u e h a y e n e m i g o s q u e ni á l o s
muefrtos p e r d o n a n . En e l o c u e n t e s v e r s o s e x e c r a el T y e s t e s
de Ennio á A t r e o , d e s e á n d o l e q u e p e r e z c a en un naufragio.
Duro e s esto, porque semejante m u e r t e va s i e m p r e a c o m -
pañada de grave dolor. P e r o es cosa buena decir: «Él,
s u s p e n d i d o de un e s c a r p a d o p e ñ a s c o , d e s g a r r a d a s s u s e n -
t r a ñ a s , tiñendo las piedras con su negra s a n g r e , y con los
r o t o s p e d a z o s d e s u c a r n e . » No s e r í a n m á s insensibles
aquellos peñascos que el h o m b r e pendiente de ellos,
48 MARCO TULIO CICERÓN.

muerto ya, y cuyos tormentos se describen. Cuando no


hay sentido, no cabe t o r m e n t o alguno, por duro que sea.
Y t o d a v í a e s m a y o r v a n i d a d el d e c i r : «Ni t e n d r á s e p u l c r o
que sirva de puerto á su c u e r p o , d o n d e d e s c a n s e de los
m a l e s d e la v i d a h u m a n a . » Mira c u a n g r a n d e e s e s t e e r r o r .
I m a g i n a el p o e t a q u e el s e p u l c r o e s el p u e r t o d e l cuerpo,
y q u e e n él d e s c a n s a el q u e m u r i ó . Gran c u l p a e s la d e
P e l o p s , q u e n o i n s t r u y ó á s u h i j o , ni le e n s e ñ ó c u a n p o c a
c u e n t a h a b í a d e h a c e r d e t o d a s e s t a s v a n i d a d e s . P e r o ¿á q u é
h e de referir opiniones singulares cuando t e n e m o s á la
vista l o s v a r i o s e r r o r e s d e c a d a n a e i ó n ?
L o s E g i p c i o s e n t i e r r a n á s u s m u e r t o s y los g u a r d a n en
su casa. Los P e r s a s l o s r o d e a n d e c e r a p a r a q u e d u r e n
m á s ; los Magos no a c o s t u m b r a n á e n t e r r a r los c u e r p o s d e
l o s s u y o s si n o h a n s i d o a n t e s d e s t r o z a d o s p o r l a s fie-
r a s . En H y r c a n i a , la p l e b e a l i m e n t a p e r r o s p ú b l i c o s : l o s
grandes y nobles perros d o m é s t i c o s . Ya sabes que en
aquellas tierras se da una de las m e j o r e s castas de p e r r o s .
Y e s t o s p e r r o s los c r í a n , c a d a u n o s e g ú n s u s facultades,
p a r a q u e d e s p u é s d e la m u e r t e l o s d e v o r e n , y c r e e n que
e s t a e s la m e j o r s e p u l t u r a . O t r o s m u c h o s e j e m p l o s r e c o g i ó
Crisipo, c o m o curioso q u e era en todo g é n e r o de historias.
P e r o a l g u n o s e j e m p l o s s o n t a n h o r r i b l e s q u e s e r e s i s t e la
palabra á referirlos.
T o d o e s t e c u i d a d o d e la s e p u l t u r a d e b e m o s abandonarlo
en c u a n t o á n o s o t r o s m i s m o s , p e r o n o en c u a n t o á los n u e s -
tros, partiendo siempre del principio de q u e los cuerpos
m u e r t o s n a d a s i e n t e n d e lo q u e s e n t í a n c u a n d o v i v o s . \ C u i -
d e n l o s v i v o s d e lo q u e s e d e b e á la c o s t u m b r e y á la f a m a ,
p e r o d e t a l m o d o q u e e n t i e n d a n q u e n a d a d e e s t o t o c a ni
d i c e r e l a c i ó n á l o s m u e r t o s . Sólo s e a r r o s t r a c o n v a l o r la
m u e r t e c u a n d o la v i d a , al c a e r , p u e d e c o n s o l a r s e c o n s u
p r o p i a g l o r i a . No s e p u e d e d e c i r q u e v i v i ó p o c o el q u e
c u m p l i ó c o n el oficio d e la v i r t u d p e r f e c t a . M u c h a s o c a s i o -
n e s h e t e n i d o d e m o r i r ; ¡ojalá h u b i e r a p o d i d o s u c u m b i r e n
CUESTIONES TUSCULANAS. 49

c u a l q u i e r a d e e l l a s ! Nada t e n í a ya q u e g a n a r : c u m p l i d o s e s -
t a b a n t o d o s los d e b e r e s d e mi v i d a : \ l a f o r t u n a s ó l o p o d ' í a
t r a e r m e g u e r r a . ^ S i la r a z ó n n o p u e d e p e r s u a d i r n o s á q u e
d e s p r e c i e m o s la m u e r t e , á lo m e n o s q u e la v i d a b i e n v i -
vida haga que j u z g u e m o s haber vivido bastante. Pues
a u n q u e falte el s e n t i d o , n o c a r e c e n p o r e s o l o s m u e r t o s
d e l j u s t o g a l a r d ó n d e la g l o r i a y d e l a s a l a b a n z a s . Y a u n -
q u e la g l o r i a n a d a t e n g a d e a p e t e c i b l e , sin e m b a r g o e s
c o m o una s o m b r a q u e sigue c o n s t a n t e m e n t e á la virtud^
Con i o d o , m á s d e b e m o s e l o g i a r el j u i c i o d e la multitud
c u a n d o a l a b a á los b u e n o s , q u e l l a m a r l o s á é s t o s felices
p o r tal a l a b a n z a .
P e r o d e c u a l q u i e r a m a n e r a q u e lo e n t e n d a m o s , n o p u e -
do decir que Licurgo y Solón c a r e c i e r a n d e la g l o r i a d e
l a s l e y e s y d e 'a d i s c i p l i n a pública, y Temístocles y Epa-
m i n o n d a s d e la g l o r i a d e l a s a r m a s y d e la v i r t u d bélica.
A n t e s N e p t u n o s e p u l t a r á la m i s m a S a l a m i n a q u e la m e m o -
ria d e l trofeo s a l a m i n i o s e b o r r e , y a n t e s desaparecerá
L e u c t r a d e l s u e l o d e Beocia q u e la g ' o r i a d e la b a t a l l a d e
L e u c t r a . M u c h o m á s t a r d a r á la fama en a b a n d o n a r á C u r i o ,
á Fabricio, á Calatino, á los dos Scipiones, á los dos Afri-
c a n o s , á M á x i m o , á M a r c e l d , á P a u l o , á C a t ó n , á Lelio j á
o t r o s i n n u m e r a b l e s . T o d o s los q u e s i g a n s u e j e m p l o , g u i á n -
d o s e no p o r la fama p o p u l a r , s i n o p o r el v e r d a d e r o crite-
rio d e lo j u s t o , i r á n á la m u e r t e , si e s p r e c i s o , c o n fe, v a -
l o r y c o n s t a n c i a ^ y e n c o n t r a r á n e n ella el s u m o b i e n , ó n o
e n e o n t r a r á n mal a l g u n o . Y e n la c u m b r e d e la m a y o r p r o s -
peridad q u e r r á n m o r i r , p o r q u e n u n c a p u e d e ser tan dulce
la a c u m u l a c i ó n d e l o s b i e n e s , c o m o t r i s t e y m o l e s t a su
pérdida.
Esto p a r e c e q u e quiso significar aquella voz de un L a c e -
d e m o n i o , q u e c u a n d o D i á g o r a s d e R o d a s vio e n u n día á
s u s d o s hijos v e n c e d o r e s en O i m p í a , se a c e r c ó al a n c i a n o ,
y d á n d o l e la enhorabuena, le d i j o : « P u e d e s m o r i r , oh
D i á g o r a s , p o r q u e ya n o h a s d e s u b i r al c i e l o . » G r a n c o s a
TOMO v. 4
50 MARCO TULIO CICERÓN.

e r a e s t e t r i u n f o s e g ú n la e s t i m a c i ó n d e l o s G r i e g o s , ó m á s
bien s e g ú n la q u e tenian e n t o n c e s ; y e l q u e dijo e s t o á
D i á g o r a s , e s t i m a n d o p o r la m a y o r g l o r i a d e l m u n d o haber
visto salir de una sola casa t r e s t r i u n f a d o r e s en los j u e g o s
o l í m p i c o s , t e n i a p o r c o s a i n ú t i l el q u e s e d i l a t a s e m á s su
vida.
Creo h a b e r respondido en pocas palabras á todo lo que
m e p r e g u n t a b a s . Ya m e h a b í a s c o n c e d i d o q u e l o s m u e r t o s
no estaban sujetos á mal alguno, pero he querido d e s a r r o -
l l a r e s t a v e r d a d , p o r q u e e s el m a y o r c o n s u e l o e n la p é r d i d a
d e u n a p e r s o n a q u e r i d a . N u e s t r o d o l o r y el q u e otros su-
fren p o r c a u s a n u e s t r a d e b e m o s t o l e r a r l e c o n resignación,
para que no parezca que nos amamos demasiadamente á
n o s o t r o s m i s m o s . H o r r i b l e d o l o r n o s a t o r m e n t a r á , si c r e e -
mos que aquellos seres de quienes estamos privados con-
s e r v a n algún s e n t i d o d e los q u e el vulgo llama m a l e s . He
q u e r i d o a r r a n c a r de raíz esta opinión, y quizá me he dila-
tado excesivamente en ello.
O Y E N T E . — ¿ L a r g o tú? De n i n g ú n m o d o . La p r i m e r a p a r t e
d e tu d i s c u r s o m e i n f u n d í a el d e s e o d e la m u e r t e . L a s e -
gunda m e obligaba u n a s veces á aceptarla, otras veces á
n o t r a b a j a r p o r e l l a . El r e s u l t a d o d e t o d o el r a z o n a m i e n t o
e s q u e n o c u e n t o la m u e r t e e n e l n ú m e r o d e l o s m a l e s .
MARCO.—¿Y no desea3 el e p í l o g o r e t ó r i c o , ó e s q u e h a s
olvidado e n t e r a m e n t e e s t e arte?
OYENTE.—Tú haces bien en no abandonar ese arte que
has cultivado siempre y que ha sido tu gloria. P e r o ¿qué
e p í l o g o e s ese? D e s e o o i r l o , s e a c u a l f u e r e .
M A R C O . — S u e l e n c i t a r s e en l a s e s q u e l a s algunas senten-
c i a s d e l o s d i o s e s i n m o r t a l e s a c e r c a d e la m u e r t e , y no
todas ungidas, sino fundadas en la a u t o r i d a d d e H e r o d o t o
y d e o t r o s . C u é n t a s e p r i m e r o la h i s t o r i a d e C l e o b i s y B i t ó n ,
h i j o s d e la s a c e r d o t i s a A r g í a . Es u n a f á b u l a b i e n c o n o c i d a .
I b a la s a c e r d o t i s a e n c a r r o , s e g ú n c o s t u m b r e , á u n s o l e m -
ne sacrificio e n u n templo bastante lejos d é l a ciudad:
CUESTIONES TUSCULAKAS. 5t

d e t u v i é r o n s e las bestias q u e le c o n d u c í a n , y e n t o n c e s l o s
jóvenes que antes nombré, deponiendo s u s vestiduras»
u n g i e r o n s u s c u e r p o s c o n el ó l e o y s e s u j e t a r o n al y u g o . Y
a s í la s a c e r d o t i s a , a p e n a s l l e g ó a l t e m p l o e n e l c a r r o t i r a d o
p o r s u s h i j o s , r o g ó á la d i o s a q u e l e s d i e s e p o r s u p i e d a d
el premio m a y o r q u e pudiese d a r á u n h o m b r e ; y así, d e s -
p u é s q u e los adolescentes comieron con su m a d r e , s e e n -
t r e g a r o n al s u e ñ o , y p o r la m a ñ a n a l o s e n c o n t r ó m u e r t o s -
La misma plegaria hicieron T r o p h o n i o y A g a m e d e s , l o s
c u a l e s , h a b i e n d o e d i f i c a d o u n t e m p l o á A p o l o Deifico, p i -
d i e r o n al d i o s l e s c o n c e d i e s e u n a m e r c e d n o p e q u e ñ a p o r
su trabajo, y no le pidieron ninguna m e r c e d determinada,
s i n o la q u e m á s c o n v i n i e s e al h o m b r e . A p o l o l e s p r o m e t i ó
q u e s e la c o n c e d e r í a á l o s t r e s d í a s ; y c u a n d o e l d í a t e r -
c e r o a m a n e c i ó , l o s d o s a p a r e c i e r o n m u e r t o s . J u i c i o fué d e
un dios, y de un dios tal, q u e los d e m á s le c o n c e d e n á él
s o l o e l p o d e r d e la a d i v i n a c i ó n .
T a m b i é n s e c u e n t a c i e r t a fábula d e S i l e n o , e l c u a l , s o r -
p r e n d i d o p o r el r e y Midas, le c o n c e d i ó un g r a n favor para
q u e l e p u s i e s e e n l i b e r t a d , y fué e n s e ñ a r e l r e y q u e p a r a
el h o m b r e lo mejor d e todo sería n o n a c e r , y c a s o d e n a -
c e r , m o r i r c u a n t o a n t e s . Y e n la m i s m a o p i n i ó n e s t a b a E u -
r í p i d e s , p u e s t o q u e n o s d i c e e n e l Cresphonle q u e c o n v i e n e
e n u n a c a s a f e s t e j a r c o n l l a n t o la v e n i d a d e u n h o m b r e á
la v i d a , s i c o n s i d e r a m o s l o s i n f i n i t o s m a l e s d e e l l a ; y q u e ,
p o r e l c o n t r a r i o , al q u e s e h a b í a l i b r a d o c o n la m u e r t e d e
tan á s p e r o d o l o r , d e b í a n a c o m p a ñ a r l e s u s a m i g o s c o n f e s -
tejos y alegrías.
Algo s e m e j a n t e s e l e e e n la Consolación d e C r a n t o r , p u e s
cuenta q u e un cierto T e r e n e o Elysio, lamentando mucho
l a m u e r t e d e s u h i j o , fué á u n e v o c a d o r d e e s p í r i t u s pre-
g u n t á n d o l e cuál sería el r e m e d i o d e su c a l a m i d a d , y los
espíritus le dieron por única respuesta estos tres versos
escritos e n una tabla:
«Vano e s el p e n s a m i e n t o d e los h o m b r e s . E u t h y n o o h a
52 MASCO TUL10 CICERÓN.

a l c a n z a d o el d o n m á s p r e c i o s o d e l o s h a d o s , la muerte
P a r a él y p a r a tí fué u n a g r a n d i c h a el m o r i r . »
Con e s t a s y o t r a s a u t o r i d a d e s s e p r u e b a q u e l o s dioses
inmortales han sentenciado ya esta c a u s a .
Alcidamas, retórico antiguo y muy ilustre, escribió t a m -
b i é n u n p a n e g í r i c o d e la m u e r t e , e n u m e r a n d o t o d o s l o s
males h u m a n o s . Faltáronle las exquisitas razones que los
filósofos d a n , p e r o n o le faltó a b u n d a n c i a e n el d i s c u r s o .
L a s g l o r i o s a s m u e r t e s p o r la p a t r i a n o s u e l e n ensalzarlas
los retóricos como gloriosas, sino también c o m o felices.'
R e c u e r d a n el e j e m p l o d e E r e c t e o , c u y a s hijas s e a r r o j a r o n
á l a m u e r t e p o r la v i d a d e s u s c o n c i u d a d a n o s ; d e C o d r o , q u e
s e l a n z ó en m e d i o d e s u s e n e m i g o s , v e s t i d o c o n el t r a j e d e
un s i e r v o , p a r a q u e n o le p u d i e r a n c o n o c e r p o r s u s v e s t i -
d u r a s r e a l e s , p o r q u e el o r á c u l o h a b í a d i c h o q u e si el R e y
e r a m u e r t o , l o s A t e n i e n s e s s e r í a n v e n c e d o r e s . No o m i t o á
M e n e c e o , q u e o í d a la s e n t e n c i a d e l o r á c u l o o f r e c i ó á la p a -
t r i a s u s a n g r e . I n g e n i a s e ofreció al s a c r i f i c i o en Aulide,
p o r c o m p r a r con su p r o p i a s a n g r e la d e l o s e n e m i g o s .
Y l l e g a n d o á e j e m p l o s m á s c e r c a n o s , t o d o el m u n d o t i e -
n e en la b o c a l o s n o m b r e s d e H a r m o d i o y A r i s t o g i t ó n , d e
L e ó n i d a s el L a c e d e m o n i o y d e l T e b a n o E p a m i n o n d a s . Y n o
recuerdan á los n u e s t r o s , á los cuales sería largo enu-
m e r a r , p o r q u e s o n infinitos l o s q u e a l c a n z a r o n m u e r t e e n -
v i d i a b l e y llena d e g l o r i a . Con s e r e s t o a s í , t o d a v í a hay
que emplear grande elocuencia y hablar como d e s d e una
c á t e d r a , p a r a q u e l o s h o m b r e s e m p i e c e n á d e s e a r la m u e r -
J e , ó á l o m e n o s á n o t e m e r l a . P o i q u e si el ú l t i m o d í a t r a -
e s e , n o la e x t i n c i ó n , s i n o u n c a m b i o d e l u g a r , ¿ q u é c o s a
h a b r í a m á s a p e t e c i b l e ? Y si del t o d o d e s t r u y e y aniquila,
¿ q u é c o s a m e j o r p u e d e h a b e r q u e d o r m i r s e en m e d i o de
l o s t r a b a j o s d e la v i d a , y s e p u l t a r s e así e n u n s u e ñ o s e m -
p i t e r n o ? Si e s t o e s . a s í , m e j o r e s el p a r e c e r d e E n n i o que
el d e S o l ó n . Dijo n u e s t r o E n n i o : «Nadie a c o m p a ñ e m i fu-
n e r a l c o n l á g r i m a s . » Y dijo a q u e l s a b i o a t e n i e n s e : « N o e a -
CUESTIONES TUSCULAMAS. 53

r e z c a m i m u e r t e d e l á g r i m a s : d e j e m o s á l o s a m i g o s la t r i s -
teza para que celebren mis funerales con gemidos.»
Nosotros, pues, c u a n d o los dioses n o s o r d e n e n salir d e
esta vida, démosles las gracias con entera alegría, y p e n -
s e m o s q u e v a m o s á s a l i r d e la c á r c e l y á r o m p e r nuestras
cadenas, e m i g r a n d o á una casa eterna, y que con todo
rigor podemos llamar nuestra, donde careceremos de todo
s e n t i d o y m o l e s t i a . Y a u n q u e los d i o s e s n o n o s d e n nin-
g ú n a v i s o ni p r e v e n c i ó n a n t e r i o r , e s t e m o s s i e m p r e e n la
persuasión de que aquel día, horrible para otros, debe ser
f a u s t o y a l e g r e p a r a n o s o t r o s ; y n o c o n t e m o s e n el n ú m e r o
d e l o s m a l e s n a d a q u e p r o c e d a d e l o s d i o s e s ó d e la n a t u -
raleza, m a d r e común. Porque no hemos sido nacidos ni
e n g e n d r a d o s p o r la c a s u a l i d a d , s i n o q u e h a y c i e r t a fuerza
q u e v e l a p o r el g é n e r o h u m a n o , y q u e n o l e h u b i e r a e n -
g e n d r a d o , ni a l i m e n t a d o , ni h e c h o sufrir t a n t o s t r a b a j o s ,
para sepultarlo luego en los males sempiternos de la
m u e r t e . Considerémosla más bien como un puerto y refu-
g i o p r e p a r a d o p a r a n o s o t r o s , y ¡ojalá q u e n o s s e a lícito
l l e g a r á él á v e l a s l l e n a s ! P e r o si n o s a p a r t a d e allí la
fuerza d e los v i e n t o s , c o n t o d o e s o s e r á n e c e s a r i o l l e g a r ,
aunque t a r d e . Y lo q u e e s n e c e s a r i o para todos, ¿hemos
d e c o n s i d e r a r l o d e s g r a c i a d o p a r a u n o solo?
E s t e e s el e p í l o g o , p a r a q u e v e a s q u e n a d a h e m o s o m i -
t i d o ni o l v i d a d o .
OYENTE.—Ciertamente que este epílogo m e ha dado m á s
fortaleza.
M A R C O . — E s t á m u y b i e n , p e r o c o n c e d a m o s a l g o al d e s -
canso.
Mañana y todos los días que e s t e m o s en el T u s c u l a n o
t r a t a r e m o s principalmente de las r a z o n e s q u e p u e d e n d e s -
t e r r a r e l d o l o r , el t e m o r y e l a p e t i t o , lo c u a l e s el fruto
s a l u d a b l e d e t o d a la filosofía.
LIBRO SEGUNDO.

Sobre el modo de tolerar el dolor.

Dice N e o p t o l e m o , e n u n p o e m a d e E n n i o , q u e t i e n e p o r
eosa necesaria filosofar, pero en pocas palabras, y que
no le a g r a d a filosofar siempre. Yo, amigo Bruto, tengo por
c o s a n e c e s a r i a el filosofar. Y ¿qué otra ocupación podría
e s c o g e r ahora que no puedo tratar de los negocios p ú b l i -
cos? P e r o no filosofaré t a n b r e v e m e n t e c o m o él a c o n s e j a ,
p o r q u e e s difícil e n filosofía conocer pocas cosas, cuando
no s e c o n o c e n m u c h a s ó t o d a s . P a r a e l e g i r u n a s p o c a s , e s
p r e c i s o e n t r e s a c a r l a s d e m u c h a s , y el q u e h a y a compren-
dido tan sólo unas pocas, no p e r s e g u i r á las restantes con
e l m i s m o a h i n c o . P e r o e n u n a v i d a o c u p a d a , v. g r . , e n v i d a
m i l i t a r c o m o la d e N e o p t o l e m o , e s a s m i s m a s n o c i o n e s , p o r
e s c a s a s q u e s e a n , a p r o v e c h a n m u c h o y d a n f r u t o , si n o t a n
g r a n d e c o m o el q u e p u e d e p e r c i b i r s e d e t o d a la filosofía,
á lo m e n o s tal q u e e n a l g ú n m o d o p u e d a l i b r a r n o s d e la
c o d i c i a , d e l d o l o r ó d e l m i e d o . A s í , p o r e j e m p l o , d e la
disputa q u e yo hace pocos días tuve en el T u s c u l a n o , p a -
r e c í a d e d u c i r s e el d e s p r e c i o d e la m u e r t e , q u e s i r v e n o
p o c o p a r a l i b r a r el a l m a d e v a n o s t e r r o r e s ; p u e s el q u e
t e m e lo q u e n o p u e d e e v i t a r s e , d e n i n g u n a m a n e r a puede
vivir c o n el á n i m o t r a n q u i l o ; p e r o el q u e n o t e m e la m u e r -
56 MARCO TULIO CICERO*.

t e , no sólo p o r q u e e s necesario m o r i r , sino porque nada


d e h o r r e n d o t i e n e la m u e r t e , g r a n d e f e n s a ha e n c o n t r a d o
p a r a p a s a r u n a v i d a feliz.
No i g n o r o q u e m u c h o s h a n d e e s c r i b i r e n c o n t r a y c o n
e m p e ñ o grande, y esto en ninguna manera puedo evitarlo,
á n o s e r n o e s c r i b i e n d o y o n u n c a . P u e s si a u n t r a t á n d o s e
de aquellas oraciones q u e escribimos para s o m e t e r l a s al
j u i c i o d e la m u l t i t u d , ya q u e la o r a t o r i a e s f a c u l t a d p o p u l a r
y el e f e c t o d e la e l o c u e n c i a e s la a p r o b a c i ó n d e l o s o y e n t e s ,
s e e n c o n t r a b a n a l g u n o s q u e n o a l a b a b a n n a d a s i n o lo q u e
esperaban poder imitar ellos, y cuando más los d e s l u m h r a b a
la c o p i a d e l a s s e n t e n c i a s y d e l a s p a l a b r a s , preferíais la e s -
c a s e z y el h a m b r e á la a b u n d a n c i a y á la r i q u e z a , n a c i e n d o
d e a q u í la s e c t a d e l o s a d m i r a d o r e s d e l e s t i l o á t i c o , t a n
d e s c o n o c i d o d e los m i s m o s q u e hacían nrofesión d e i m i -
t a r l e ; s e c t a q u e ya a f o r t u n a d a m e n t e h a e n m u d e c i d o p o r la
i r r i s i ó n d e l m i s m o f o r o , ¿ q u é c r e e r e m o s q u e ha d e s u c e d e r
c u a n d o n o s falta la a y u d a d e l p u e b l o , q u e a n t e s t a n t o m e
f a v o r e c í a ? La filosofía s e c o n t e n t a c o n p o c o s j u e c e s , y
h u y e d e la m u l t i t u d y p a r a ella e s s o s p e c h o s a y h a s t a
aborrecible, d e tal m a n e r a q u e si a l g u i e n q u i s i e r a v i -
t u p e r a r l a e n g e n e r a l , p o d r í a h a c e r l o c o n la aprobación
d e l v u l g o , y si q u i s i e r a a t a c a r la d o c t r i n a q u e nosotros
principalmente s e g u i m o s , encontraría g r a n d e auxilio e n
l a s d e m á s e s c u e l a s filosóficas. P e r o á l o s d e t r a c t o r e s d e
t o d a filosofía ya h e m o s r e s p o n d i d o e n el Hortensio. Y en
defensa d e la A c a d e m i a y a h e m o s h a b l a d o l a r g a m e n t e e n
los c u a t r o l i b r o s d e l o s Académicos. Y sin e m b a r g o , t a n
lejos estoy d e d e s e a r q u e no se escriba c o n t r a mí, q u e al
c o n t r a r i o lo d e s e o e n g r a n m a n e r a ; p u e s e n la m i s m a G r e -
c i a n o h a b r í a e s t a d o e n t a n t o h o n o r la filosofía, si n o s e
hubiese r a b u s t e c i d o c o n ¡as d i s p u t a s y las c u e s t i o n e s d e
los v a r o n e s d o c t o s . P o r lo c u a l e x h o r t o á todos l o s q u e
p u e d e n h a c e r l o , á q u e a r r e b a t e n e s t a g l o r i a á la G r e c i a ,
q u e h o y e s t á t a n d e c a í d a , y t r a i g a n la filosofía á n u e s t r a
CUESTIONES TUSCULANAS. 57

c i u d a d , asi c o m o n u e s t r o s m a y o r e s t r a s l a d a r o n todas las


a r t e s d i g n a s d e h o n o r e n G r e c i a . Así, p o r e j e m p l o , la g l o r i a
de los o r a d o r e s , desde principio muy humilde, subió a
t a n t a a l t u r a , q u e ya p o r ley u n i v e r s a l d e la n a t u r a l e z a v a
e n v e j e c i e n d o , y en poco tiempo parece h a b e r s e m e n o s c a -
b a d o y e m p o b r e c i d o . N a z c a t a m b i é n la filosofía latina en
nuestro tiempo, y ayudémosla nosotros á nacer, yllevemos
c o n p a c i e n c i a el s e r r e f u t a d o s y r e p r e n d i d o s . Solamente
lleven á mal e s t o los q u e estén c o m o a d h e r i d o s y sujetos
á c i e r t a s d o c t r i n a s y s e n t s n c i a s , y o b l i g a d o s d e tal m o d o ,
q u e p o r interés d e su causa defiendan las m i s m a s p r o p o -
s i c i o n e s q u e en s u i n t e r i o r no aprueban. Nosotros, que
s e g u i m o s la o p i n i ó n m á s p r o b a b l e y n o p o d e m o s p a s a r m á s
a l l á d e lo q u e n o s p a r e c e v e r o s í m i l , e s t a m o s d i s p u e s t o s á
r e f u t a r sin p e r t i n a c i a , y á s e r r e f u t a d o s s i n e r r o r .
Y si e s t o s e s t u ' d i o s h u b i e r a n n a c i d o e n t r e n o s o t r o s , n i
siquiera tendríamos necesidad de las bibliotecas de los
G r i e g o s , e n las c h a l e s h a y m u l t i t u d infinita d e l i b r o s p o r
la m u l t i t u d d e los q u e e s c r i b i e r o n , p o r q u e d i c e n t o d o s l a s
m i s m a s c o s a s y h a n tejido asi i n n u m e r a b l e s e s c r i t o s . L o
c u a l t a m b i é n a c o n t e c e r á á l o s n u e s t r o s , si h a y m u c h o s q u e
se dedican á estos estudios. P e r o n o s o t r o s , si esposible,
debemos estimular á aquellos que educados en las a r t e s
l i b e r a l e s , y s o b r e t o d o e n el a r t e d e b i e n d e c i r , filosofan
por método y sistema.
Hay c i e r t o g é n e r o d e h o m b r e s q u e q u i e r e n s e r l l a m a d o s
filósofos, y q u e , s e g ú n d i c e n , h a n e s c r i t o e n latín m u c h o s
l i b r o s , los c u a l e s y o c i e r t a m e n t e n o d e s p r e c i o , a u n q u e n o
l o s h e l e í d o n u n c a , si b i e n n o e c h o d e m e n o s s u l e c t u r a ,
p u e s t o q u e los q u e l o s e s c r i b i e r o n p r o m e t e n d e s d e el p r i n -
cipio no e x p r e s a r s e c o n c l a r i d a d , ni c o n o r d e n , ni c o n e l e -
g a n c i a , ni c o n o r n a t o . Yo d e t e s t o t o d a l e c t u r a e n q u e no
h a y p l a c e r a l g u n o . Lo q u e p u e d e n d e c i r y p e n s a r l e s filó-
s o f o s d e tal e s c u e l a , n o lo i g n o r a n a d i e , p o r p o c o d o c t o
que sea.
58 MARCO TULIO CICERÓN.

Pero diciendo, como dicen, que no se cuidan del m o d o


de decir las c o s a s , no sé por qué han d e leerlos otros q u e
aquellos q u e profesan las m i s m a s o p i n i o n e s . P u e s así c o m o
á P l a t ó n y á los demás socráticos y á los que se han d e -
rivado de osta escuela los leen todos, aun los q u e no a p r u e -
ban sus dogmas ó n o los siguen con pertinacia, asi por
el c o n t r a r i o á E p i c u r o y á M e t r o d o r o n a d i e , f u e r a d e l o s
s u y o s , l o s t o m a e n la m a n o , y á l o s filósofos l a t i n o s n a d i e
l o s l e e m á s q u e l o s afiliados á s u e s c u e l a .
Pero á mí m e parece que t o d o lo q u e se escribe se
d i r i g e á la i n s t r u c c i ó n de todos los doctos. Y a u n q u e no
pudiéramos c o n s e g u i r e s t o , p o r lo m e n o s d e b í a m o s pro-
c u r a r l o . Así m e h a a g r a d a d o s i e m p r e la c o s t u m b r e d e l o s
peripatéticos y de los académicos, de defender en toda
causa las dos partes contrarias, no sólo p o r q u e de otra
m a n e r a n o s e r í a p o s i b l e e n c o n t r a r lo v e r o s í m i l e n cada
c u e s t i ó n , s i n o t a m b i é n p o r s e r e s t e el m e j o r e j e r c i c i o d e
d e c i r , del cual usó p r i m e r o Aristóteles, y d e s p u é s los q u e
siguieron. Aun en n u e s t r o t i e m p o Filón, á quien y o m u c h a s
v e c e s oí, estableció la c o s t u m b r e d e e n s e ñ a r separada-
m e n t e los p r e c e p t o s d e los r e t ó r i c o s y los d e los filósofos.
S i g u i e n d o yo e s t a c o s t u m b r e p o r c o n s e j o d e m i s familia-
r e s , e m p l e é e n e l l a el t i e m p o d e q u e p o d í a d i s p o n e r e n m i
granja Tusculana; y así, habiéndome dedicado antes del
m e d i o d í a á los ejercicios o r a t o r i o s , como s i e m p r e h e tenido
la c o s t u m b r e d e h a c e r , p o r la t a r d e p a s a m o s á l o s e j e r -
cicios a c a d é m i c o s , c u y o resultado te voy á e x p o n e r , n o
c o m o n a r r a d o r , s i n o c a s i c o n las m i s m a s p a l a b r a s c o n q u e
fué s o s t e n i d a y e x p l a n a d a la c u e s t i ó n . T u v i m o s e s t e r a z o -
namiento en paseo, y empezamos con este exordio:
O Y E N T E . — N o te p u e d o encarecer cuánto m e ha d e l e i -
t a d o la p l á t i c a d e a y e r , ó m á s b i e n , c u á n t o h e a p r e n d i d o e n
e l l a . P u e s a u n q u e t e n g o la c o n c i e n c i a d e q u e n u n c a he
s i d o m u y c o d i c i o s o d e la v i d a , s i n e m b a r g o h e s e n t i d o
cierto miedo y dolor, p e n s a n d o que alguna vez había d e
CUESTIONES TUSCULANAS. 59

l l e g a r el fia d e la v i d a y la p é r d i d a d e t o d o s l o s b i e n e s d e
e l l a ; p e r o y a rae h e l i b r a d o d e e s t e g é n e r o d e m o l e s t i a s ,
d e tal m o d o , q u e a b s o l u t a m e n t e n o m e c u i d o d e e l l a s .
M A R C O . — N a d a t i e n e e s t o d e a d m i r a b l e . P o r q u e la filoso-
fía p r o d u c e e s t o s e f e c t o s : c u r a el a l m a , d e s t i e r r a l o s v a -
nos cuidados, libra del apetito, ahuyenta el t e m o r . Pero
e s t e poder suyo no se ejerce por igual en todos los h o m -
bres, y sólo tiene toda su fuerza cuando s e aplica á
una naturaleza idónea. A los fuertes no sólo los ayuda
la f o r t u n a , c o m o d i e e e l p r o v e r b i o a n t i g u o , s i n o m u c h o
m á s la r a z ó n , c o n c i e r t a d i s c i p l i n a y m e d i d a c o n f o r m e lo
p i d e la f o r t a l e z a . A tí t e e n g e n d r ó la n a t u r a l e z a e x c e l s o y
a l t o y d e s p r e c i a d o r d e t o d o lo h u m a n o , y a s í fácilmente
e n ánimo esforzado c a b e el v a l o r d e r e s i s t i r la m u e r t e ;
p e r o ¿ c r e e s tú q u e é s t a s m i s m a s r a z o n e s t e n g a n la m i s m a
fuerza r e s p e c t o d e t o d o s l o s h o m b r e s , si q u i t a s u n o s p o -
cos, para los cuales han sido inventadas, disputadas y e s -
c r i t a s ? ¿Cuántos filósofos encontrarás que sean tan mori-
g e r a d o s , tan a r r e g l a d o s e n v i d a y c o s t u m b r e s como la
r a z ó n lo p i d e , q u e c o n s i d e r e n s u d o c t r i n a n o c o m o o s t e n -
t a c i ó n d e c i e n c i a s i n o c o m o ley d e v i d a , q u e s e a n s e ñ o -
r e s d e sí m i s m o s y o b e d e z c a n á s u s p r o p i o s d o g m a s ? V e r á s
algunos de tanta ligereza y vanagloria, que les estaría
mejor no haber aprendido nada; á otros codiciosos de d i -
n e r o , á a l g u n o s d e g l o r i a , á m u c h o s e s c l a v o s d e la p a s i ó n ,
d e tal m a n e r a que sus doctrinas pugnan miserablemente
c o n s u vida, lo cual m e p a r e c e cosa t o r p í s i m a . P u e s así
c o m o e l q u e e s p r o f e s o r d e g r a m á t i c a si h a b l a bárbara-
m e n t e , ó el q u e q u i e r e p a s a r p o r m ú s i c o si c a n t a m a l , i n -
c u r r e n en tanta m a y o r afrenta cuanto que pecan en la
m i s m a ciencia que dicen profesar, así e s t a n t a m a y o r v e r -
g ü e n z a p a r a u n filósofo el p e c a r e n la d i s c i p l i n a d e la v i d a ,
c u a n t o q u e f l a q u e a e n el m i s m o oficio d e l c u a l d i c e ser
m a e s t r o , y a b a n d o n a e n la v i d a el a r t e d e la v i d a q u e él
enseña.
60 MARCO TULIO CICERÓN.
O Y E N T E . — ¿ P e r o n o e s d e t e m e r , si e s v e r d a d lo que
d i c e s , q u e e x o r n e s á la filosofía c o n u n a g l o r i a falsa y q u e
n o l e p e r t e n e c e ? ¿Qué m a y o r a r g u m e n t o c o n t r a su u t i l i d a d ,
q u e el h e c h o d e q u e m u c h o s filósofos perfectos vivan mal?
MARCO.—De ninguna m a n e r a es a r g u m e n t o ese. Pues
a s í c o m o n o e s fructífero t o d o c a m p o q u e s e c u l t i v a , y e s
falso a q u e l d i c h o d e q u e a u n q u e l a s s e m i l l a s s e c o n f í e n á
un mal terreno, florecen por su propia n a t u r a l e z a , así
t a m b i é n t o d o s l o s e s p í r i t u s c u l t i v a d o s n o d a n el mismo
f r u t o . Y p a r a s e g u i r c o n la m i s m a c o m p a r a c i ó n , a s í c o m o
el c a m p o , p o r fértil q u e s e a , n o p u e d e s e r f r u c t u o s o s i n
c u l t i v o , t a m p o c o el a l m a s i n la d o c t r i n a . U n a d e l a s d o s
cosas tiene que flaquear s i e m p r e sin la o t r a . La c u l t u r a d e l
a l m a e s la filosofía; é s t a a r r a n c a d e r a í z l o s v i c i o s y p r e -
para el á n i m o p a r a r e c i b i r la s e m i l l a y enterrar en él
los g é r m e n e s que, d e s a r r o l l á n d o s e , han de producir fruto
abundantísimo. Sigamos, pues, el intento comenzado.
D í m e , si q u i e r e s , la m a t e r i a s o b r e q u e h e m o s d e d i s p u t a r .
OYENTE.—Creo q u e el d o l o r e s e l m a y o r mal de los
males.
M A R C O . — ¿ L e t i e n e s p o r m a l m a y o r q u e la d e s h o n r a ?
O Y E N T E . — N o me a t r e v o á decirlo así, y m e avergüenzo
d e a b a n d o n a r mi p a r e c e r t a n p r o n t o .
MARCO.—Más te deberías avergonzar de conservarle.
¿Qué c o s a h a y m á s i n d i g n a q u e m i r a r a l g o c o m o p e o r que
la d e s h o n r a , la a f r e n t a y la t o r p e z a ? Y p o r h u i r d e e l l a s ,
¿ n o d e b e r í a s , n o ya r e c h a z a r , s i n o al c o n t r a r i o , a p e t e c e r ,
b u s c a r y sufrir c u a l q u i e r dolor?
OYENTE.—Así lo c r e o . P e r o a u n q u e el d o l o r n o s e a e l
s u m o mal, c i e r t a m e n t e es un mal.
M A R C O . — Y a ves con cuan breve razonamiento has t e -
n i d o q u e a m e n g u a r m u c h o el m i e d o d e l d o l o r .
OYEÍNTE.—Lo veo, pero deseo otra razón m á s fuerte.
M A R C O . — P r o c u r a r é dártela; pero es negocio dificultoso,
y n e c e s i t o q u e tu i n t e l i g e n c i a n o s e m e r e s i s t a .
CUESTIONES TUSCULANAS. 61

O Y E N T E . — L a tendrás dispuesta á o i r t e . H o y , lo mis-


m o q u e a y e r , s e g u i r é á la r a z ó n a d o n d e q u i e r a q u e me
conduzca.
M A R C O . — H a b l a r é p r i m e r o d e la i m b e c i l i d a d d e m u c h o s
y de las v a r i a s e s c u e l a s filosóficas, e n t r e l a s c u a l e s u n o
de los maestros m á s r e s p e t a b l e s p o r su a u t o r i d a d y a n t i -
g ü e d a d , Aristipo, discípulo de Sócrates, no dudó en decir
q u e el d o l o r e r a el s u m o mal. A esta enervada y m u -
jeril opinión se acostó también con excesiva docilidad
E p i c u r o ; d e s p u é s d e él J e r ó n i m o d e R o d a s dijo q u e el s u m o
b i e n c o n s i s t í a e n la c a r e n c i a d e d o l o r : t a n g r a n m a l e r a e l
dolor para él. Los d e m á s filósofos, á excepción de Zenón,
A r i s t ó n y P i r r ó n , d i j e r o n c a s i lo m i s m o q u e t ú , q u e el d o -
l o r e r a u n m a l , p e r o q u e h a b í a o t r o s p e o r e s . Es d e c i r , q u e
lo q u e la m i s m a n a t u r a l e z a h a c e y c i e r t a generosa virtud
inmediatamente r e c h a z a , e s t o e s , el c o n s i d e r a r el d o l o r
c o m o el s u m o m a l , a u n p u e s t o e n c o t e j o c o n la d e s h o n r a ,
t o d a v í a lo s o s t i e n e d e s p u é s d e t a n t o s s i g l o s , c o m o v e r d a d
i n c o n c u s a , la filosofía q u e s e da p o r m a e s t r a d e la v i d a .
¿Qué o b l i g a c i ó n , q u é g l o r i a , q u é a c c i ó n h o n r o s a q u e n o
pueda e m p r e n d e r s e sino con dolor del cuerpo podrá a c o -
m e t e r el q u e s e h a l l a persuadido d e q u e el d o l o r e s e l
s u m o mal? ¿Qué i g n o m i n i a , q u é t o r p e z a d e j a r á d e sufrir,
p o r h u i r d e l d o l o r , el q u e le t e n g a p o r el m a l s u m o ? ¿Cuan
infeliz n o s e r á , n o ya a q u e l q u e e s t é o p r i m i d o p o r s u m o s
d o l o r e s , si c r e e q u e el m a l s u m o c o n s i s t e en ellos, sino
t a m b i é n el q u e s e p a ó t e m a q u e e s t o le p u e d e s u c e d e r ?
¿Y q u i é n e s t a r á l i b r e d e s e m e j a n t e t e m o r ? D e e s t a manera
ninguno podrá ser feliz. M e t r o d o r o t i e n e por hombre d i -
choso á aquel cuyo cuerpo está bien constituido y que
tiene certidumbre de su salud. Pero esta certidumbre,
¿quién p u e d e a l c a n z a r l a ?
Epicuro dice t a l e s c o s a s , q u e á mi m o d o de v e r p a r e c e n
imaginadas p a r a e x c i t a r la r i s a . En c i e r t o l u g a r escribe:
«Si al s a b i o s e l e a b r a s a , si s e l e a t o r m e n t a . . . » ¿ E s p e r a -
62 MARCO TULIO CICERÓN.

r a s q u i z á q u e d i g a d e s p u é s : lo s u f r i r á c o n p a c i e n c i a y n o
s u c u m b i r á ? Gloria g r a n d e y c i e r t a m e n t e d i g n a d e a q u e l
m i s m o Hércules, por quien antes j u r é ; pero á Epicuro,
h o m b r e á s p e r o y d u r o , n o le b a s t a e s t o . Si e s t u v i e r a e n e l
T o r o d e F a l a r i s c l a m a r í a a s í : «¡Cuan s u a v e e s e s t o ; n o m e
i m p o r t a n a d a ! » ¿ S u a v e ? ¿No t e c o n t e n t a s c o n q u e n o s e a
a m a r g o ? L o s m i s m o s q u e n i e g a n q u e el d o l o r s e a u n m a l ,
n o s u e l e n d e c i r q u e s e a c o s a d u l c e p a r a n a d i e el s e r a t o r -
m e n t a d o : lo t i e n e n p o r c o s a á s p e r a , difícil, o d i o s a , c o n t r a
n a t u r a l e z a , p e r o q u e n o es un m a l . P e r o Epicuro, q u e tiene
el d o l o r p o r ú n i c o m a l y p o r el m a y o r d e los m a l e s , e s el
ú n i c o q u e d i c e q u e el s a b i o t e n d r á el d o l o r p o r c o s a a g r a -
dable.
Y o n o te p i d o q u e califiques el d o l o r c o n l a s mismas
palabras con que calificó el deleite Epicuro, hombre,
c o m o s a b e s , s u m a m e n t e v o l u p t u o s o . Lo h a r í a lo m i s m o
e n el T o r o d e F a l a r i s q u e e n el l e c h o . P e r o y o n o a t r i b u y o
al s a b i o t a n t a v i r t u d c o n t r a el d o l o r . Basta q u e s e a f u e r t e
e n s u f r i r l o : n o p i d o q u e s e a l e g r e a d e m á s . P o r q u e el d o l o r
e s , s i n d u d a , c o s a t r i s t e , á s p e r a , a m a r g a , e n e m i g a d e la
n a t u r a l e z a y difícil d e s u f r i r y d e t o l e r a r .
Mira á F i l o c t e t e s , á q u i e n e s l í c i t o c o n c e d e r el d e r e c h o
de quejarse, puesto que había visto en el m o n t e Eta al
m i s m o H é r c u l e s a u l l p n d o p o r la m u l t i t u d d e l o s d o l o r e s .
De n i n g ú n c o n s u e l o le s e r v í a n las s a e t a s q u e h a b í a r e c i b i d o
d e H é r c u l e s c u a n d o , h i n c h a d a s s u s v i s c e r a s p o r el v e n e n o
d e las víboras, lanzaba tristes aullidos y dolientes voces.
Y asi e x c l a m a , p i d i e n d o a u x i l i o y d e s e a n d o la m u e r t e :
¡Ay, quién d e s d e la c u m b r e d e e s t a peña
Me arrojaría á l a s s a l o b r e s ondas!
Una llaga t e r r i b l e m e c o n s u m e ,
Y s e enconan mis úlceras ardientes.

Difícil p a r e c e n o c r e e r q u e e s v í c t i m a d e u n m a l v e r d a -
d e r o y g r a n d e el q u e c o n tan t r i s t e s v o c e s s e l a m e n t a .
P e r o v e a m o s al m i s m o H é r c u l e s , q u e s e n t í a l o s e f e c t o s
CUESTIONES TUSCULANAS. 63

d e l d o l o r al m i s m o t i e m p o q u e b u s c a b a la i n m o r t a l i d a d e n
la m u e r t e . ¿ Q u é v o c e s s o n l a s q u e d a e n l a s Traquinias de
Sófocles, cuando después de h a b e r v e s t i d o la t ú n i c a q u e
le había e n v i a d o D e y a n i r a , t e ñ i d a con la s a n g r e d e l C e n -
tauro, y abrasándole aquel dolor las entrañas, exclama así:

¡Oh, c u a n t e r r i b l e s y á s p e r o s d o l o r e s
He sufrido e n el alma y e n e l c u e r p o ,
Pues ni el terror d e la i m p l a c a b l e Juno
Ni la e n v i d i a p e r p e t u a d e E u r i s t h e o
Tanto m a l m e trajeron c o m o e l l o c o
Furor d e la infeliz hija d e Éneo!
Ella el fatal v e s t i d o m e ha donado
Que m u e r d e y d i l a c e r a m i s e n t r a ñ a s ,
Y el a l i e n t o v i t a l e x t i n g u e y m a t a .
Ya la s a n g r e s e turba y d e s c o l o r a ,
Y horrible p l a g a el c u e r p o v a i n f e s t a n d o
Y corroe y d e s t r u y e los tejidos.
No trajo t a n t o m a l al c u e r p o m í o
La d i e s t r a s i n piedad del e n e m i g o ,
Ni l o s g i g a n t e s hijos de la T i e r r a ,
Ni e n d u p l i c a d a s f u e r z a s el Centauro,
Ni el v a l o r g r i e g o ó bárbara Rerezo,
Ni la g e n t e q u e habita l o s e x t r e m o s
Conlines d e la fierra, l i b e r t a d a
Por mí de la fiereza de los m o n s t r u o s .
Es m a n o femenil la q u e m e h i e r e . —
Hijo, m u é s t r a t e d i g n o de e s t e n o m b r e
En a y u d a r al moribundo p a d r e .
Ni el amor d e tu madre v e n z a al m í o .
Tráela hacia m í , c o n t u s p i a d o s a s m a n o s :
Quiero s a b e r s i m á s q u e á mí la q u i e r e s .
Ten p i e d a d , hijo mío, de tu padre:
El m u n d o llorará n u e s t r a m i s e r i a .
¡Llorando y o c o n v i r g i n a l e s l á g r i m a s ,
Yo, q u e nunca lloré por mal a l g u n o !
¡Llorando y o c o m o mujer rendida!
V e n , hijo m í o , a s í s t e m e ; c o n t e m p l a
El d e s g a r r a d o c u e r p o d e tu padre.
Miradme todos: t ú , c e l e s t e J o v e ,
Lanza, t e r u e g o , c o n t r a mí t u s r a y o s .
Ya s u a r d i e n t e dolor, c u a l s i e r p e , v a g a
Por m i s m i e m b r o s h e r i d o s . ¡Manos m í a s ,
64 MARCO TULIO CCERÓN.

Pecho y espalda, v e n c e d o r e s brazos,


Entre l o s c u a l e s el león Ñ e m e o
Oprimido lanzó el p o s t r e r a l i e n t o !
E s t a m a n o inmoló la b e s t i a brava
De Lerna, y e n o b s e q u i o á l a s d e i d a d e s
El t r i p l e c u e r p o do Geryón d i s f o r m e .
Esta d e s h i z o al m o n s t r u o de f i r y m a n l h o ,
D e v a s t q d o r d e su afligida tierra;
Esta d e l a s t i n i e b l a s i n f e r n a l e s
Condujo al c a n de t r í p l i c e c;ibeza,
De la hidra v o r a z parto [Link].
Esta al dragón d e i n n u m e r a b l e s v u e l t a s ,
Fiel guardador de a u r í f e r o s v e r j e l e s ,
V e n c i ó y d o m ó , sin q u e otra g l o r i a h u m a n a ,
Arrancarnos pudiera l o s d e s p o j o s .

¿Podemos dejar de despreciar el d o l o r c u a n d o v e m o s al


m i s m o H é r c u l e s t o l e r a r l e c o n tan p o c a fortaleza?
Vengamos ahora á Esquilo, q u e n o s ó l o fué p o e t a , s i n o
también filósofo pitagórico, según dicen. ¡Cómo expresa
P r o m e t e o el d o l o r q u e sufre p o r el h u r t o d e L e m n o s !

De donde trajo el fuego á l o s m o r t a l e s


A pesar de los dioses Prometeo,
A quien J o v e c a s t i g a e t e r n a m e n t e .

Sufriendo, p u e s , e s t a s p e n a s , y c l a v a d o e n e! C a u c a s o ,
p r o r r u m p e en t a l e s v e r s o s :

¡Oh prole d e T i t a n e s , e n g e n d r a d a
De n u e s t r a s a n g r e y d e c e l e s t e o r i g e n !
Miradme e n c a d e n a d o en la urdu'a peña.
Como la n a v e q u e e n horrenda n o c h e
Ligan l o s p a v o r o s o s m a r i n e r o s
A la roca q u e e l p i é l a g o domina.
Aquí m e a t ó la v o l u n t a d d e J o v e
Y la m a n o i n g e n i o s a de v'ulcano,
Que traspasa m i s miembros c o n l o s c l a v o s
Que en s u forja c r u e l labra y a g u z a .
Por s u a r t e s i n piedad habito ahora
Esta mansión d e las crueles Furias.
Tres días ha q u e c o a f u n e s t o v u e l o
CUESTIONES TUSCULANAS. 65

• D e s t r o z a c o n s u s uñas e n c o r v a d a s
El águila d e J o v e m i s e n t r a ñ a s ;
Y e n m i hígado n e g r o a p a c e n t a d a ,
Lanza v a s t o c l a m o r , y c o n la s a n g r e
Tiñe s u cola y p o r l o s a i r e s v u e l a .
Cuando e l hígado s e hincha y s e r e n u e v a ,
Ávida v u e l v e al c o n o c i d o p a s t o .
A s í a l i m e n t o e n vida al e n e m i g o
Que p e r e n n e m e guarda y m e a t o r m e n t a ,
y y a m e v e s por fuerza e n c a d e n a d o ;
Ni puedo s e p a r a r del p e c h o herido
El á g u i l a c r u e l , y ni e n la m u e r t e
Puedo l o g r a r e l t é r m i n o á m i s m a l e s ,
Porque la v o l u n t a d del s u m o J o v e
De la m u e r t e m e a l e j a . E s t e s u p l i c i o ,
por e d a d e s sin c u e n t o dilatado,
Mi-cuerpo oprimirá, m i e n t r a s l a s g o t a s
Que de mi c u e r p o m a n e n , l i q u i d a d a s
Por el ardor del s o l e t e r n a m e n t e ,
Destilarán sobre el pendiente Cáucaso.

Difícil nos es imaginar que quien se queja e n estos t é r -


m i n o s n o s e a infeliz, y c u e n t a q u e si l o e s , e l d o l o r d e b e
t e n e r s e p o r un m a l .
OYENTE.—Defiendes, pues, mi opinión. Pero esto lo v e -
remos después. Entretanto, díme de dónde son esos ver-
sos, p o r q u e no los c o n o z c o .
M A R C O . — T e lo d i r é , á fe m í a . H a c e s b i e n e n p r e g u n t á r -
m e l o . ¿Ves q u e t e n g o t i e m p o d e s o b r a ?
OYENTE.—¿Qué m e quieres decir con eso?l
MARCO.—Creo que muchas veces, cuando residías en
Atenas, estuviste en las escuelas de los filósofos.
O Y E N T E . — V e r d a d e s , y tuve m u c h o gusto en ello.
MARCO.—Advertirías, pues, aunque entonces no había
nadie m u y elocuente, que era costumbre de todos mezclar
a l g u n o s v e r s o s e n la o r a c i ó n .
O Y E N T E . — D i o n i s i o el E s t o i c o solía m e z c l a r muchos.
M A R C O . — B i e n d i c e s . P e r o l o s d e c í a c o m o si s e l o s d i c t a -
r a n , sin ningún gusto ni elegancia. Nuestro Filón solía
TOMO V. 5
66 MARCO TULIO CICERÓN.

i n t e r c a l a r , c u a n d o le c o n v e n í a , composiciones propias y
otras escogidas de los p o e t a s a n t i g u o s . Y yo, d e s p u é s q u e
me he dedicado á este modo de declamar, propio de los
viejos, suelo hacer g r a n d e uso de nuestros poetas. Pero
cuando m e faltan autoridades suyas, traduzco muchas
c o s a s d e l o s G r i e g o s , p a r a q u e la l e n g u a l a t i n a n o c a r e z c a
de este género de o r n a m e n t o , cuando ampliamente se tra-
tan s e m e j a n t e s c u e s t i o n e s .
Ya v e s c u á n t o mal hacen los poetas. Ponen lamenta-
ciones en boca 'de los v a r o n e s m á s fuertes, y con esto
e n m u e l l e c e n n u e s t r o s á n i m o s . Y c o m o s o n tan d u l c e s , n o
sólo los l e e m o s , sino q u e los a p r e n d e m o s de memoria.
Y a s í , c u a n d o l o s p o e t a s l l e g a n á t r a t a r d e la v i d a d o m é s -
t i c a , p e r s u a d e n á u n g é n e r o d e c o s t u m b r e s d é b i l e s y afe-
m i n a d a s , y c o n e s t o d e s t r u y e n t o d o el n e r v i o d e la v i r t u d .
Con j u s t i c i a , p u e s , l o s d e s t e r r a b a P l a t ó n d e a q u e l l a c i u d a d
i d e a l q u e é l forjó, c u a n d o fingía las m e j o r e s costumbres
y el m á s perfecto régimen de la república. Nosotros,
instruidos por los Griegos d e s d e la i n f a n c i a , leemos y
aprendemos estas cosas y tenemos esta doctrina por cien-
cia liberal.
P e r o ¿ p o r q u é n o s e n o j a m o s c o n l o s p o e t a s ? No h a n f a l -
tado filósofos q u e , d á n d o s e p o r m a e s t r o s d e la virtud,
h a n a f i r m a d o q u e el d o l o r e r a el s u m o m a l . T ú , q u e e r e s
joven, d e s p u é s d e h a b e r l o afirmado desististe de tu p a r e c e r
e n "cuanto y o t e p r e g u n t é si e l d o l o r e r a m a y o r m a l q u e la
d e s h o n r a . E s t o m i s m o p r e g u n t o á E p i c u r o : él n o s d i r á q u e
es mayor mal un dolor pequeño que una deshonra grande,
p o r q u e e n la d e s h o n r a n o h a y mal a l g u n o si n o le s i g u e e l
d o l o r . Y ¿qué d o l o r e x p e r i m e n t a E p i c u r o al a f i r m a r que
e l d o l o r e s el s u m o m a l , lo c u a l y o t e n g o p o r la o p i n i ó n
m á s a f r e n t o s a q u e ha p o d i d o salir d e l o s labios d e filósofo
a l g u n o ? B a s t a n t e m e c o n c e d i s t e al r e s p o n d e r m e q u e t e p a -
r e c í a m a y o r m a l la infamia q u e el d o l o r . Si p e r s i s t e s e n
esta opinión, e n t e n d e r á s de qué manera d e b e resistirse e l
CUESTIONES TUSCULANAS. 67

dolor. No nos h e m o s de cuidar tanto de investigar si


el dolor es un mal, c o m o de fortalecer el á n i m o para tole-
rarle.
Emplean m u c h o s sofismas los Estoicos para p r o b a r q u e
n o e x i s t e el m a l , c o m o si la c u e s t i ó n f u e s e d e p a l a b r a s y n o
d e c o s a s . ¿Crees e n g a ñ a r m e , ¡oh Zenón! Cuando m e dices
q u e lo q u e á mí m e p a r e c e t a n h o r r i b l e n o e s u n m a l , m e e n -
gañas, y en seguida deseo s a b e r d e q u é m o d o lo q u e y o
tengo p o r tanta infelicidad ni siquiera d e b e l l a m a r s e m a l .
Afirma Z e n ó n q u e n a d a es m a l o s i n o lo q u e e s t o r p e y
vicioso. Esta es otra inepcia, p o r q u e no m e libra del te-
r r o r q u e m e o p r i m í a . Sé q u e el d o l o r n o e s u n c r i m e n : n o
te c a n s e s en e n s e ñ a r m e e s t o ; lo q u e h a s d e e n s e ñ a r m e e s
q u e n a d a i m p o r t a el t e n e r d o l o r ó c a r e c e r d e é l . Me dirás
q u e n o i m p o r t a n a d a p a r a la v i d a feliz, la c u a l c o n s i s t e s ó l o
e n la v i r t u d , p e r o q u e sin e m b a r g o e l d o l o r d e b e s e r r e c h a -
z a d o . Y ¿por qué? P o r q u e e s á s p e r o , c o n t r a r i o á la n a t u r a -
l e z a , difícil d e s u f r i r , t r i s t e y d u r o .
Lastimosa abundancia de palabras, poder decir de tantos
m o d o s lo q u e n o s o t r o s con una sola llamamos el m a l .
Define el d o l o r ; no lo d e s t i e r r a , c u a n d o d i c e q u e e s á s p e r o ,
q u e e s c o n t r a r i o á la n a t u r a l e z a , t a n t o q u e a p e n a s s e p u e d e
sufrir ni t o l e r a r : y n o m i e n t e . P e r o ¿ n o c o n v e n í a c e d e r e n
la s u s t a n c i a , d e s p u é s d e h a b e r u s a d o p a l a b r a s t a n j a c t a n -
ciosas, diciendo q u e n a d a es b u e n o sino lo h o n e s t o , y nada
m a l o s i n o lo t o r p e ? E s t o s s o n b u e n o s d e s e o s , p e r o e s t o n o
e s e n s e ñ a r . Mejor y m á s v e r d a d e r o e s d e c i r q u e t o d o l o q u e
la n a t u r a l e z a r e c h a z a d e b e t e n e r s e p o r m a l o , y t o d o lo q u e
la n a t u r a l e z a b u s c a d e b e t e n e r s e p o r b u e n o . A c e p t a d o esto»
y p r e s c i n d i e n d o d e la e u e s t i ó n d e p a l a b r a s , t a n t a e x c e l e n -
c i a t e n d r á n l o s q u e r e c t a m e n t e b u s e a n t o d o lo q u e l l a m a -
m o s h o n e s t o , r e c t o y d e c o r o s o , t o d o lo q u e s e c o m p r e n d e
bajo el n o m b r e g e n e r a l d e v i r t u d , q u e á s u s o j o s t o d o s l o s
d e m á s que g e n e r a l m e n t e se llgman b i e n e s de c u e r p o ó d e
fortuna, parecerán cosa baladí y de poca importancia, y n o
68 MARCO TULIO CICERÓN.

h a b r á mal a l g u n o , a u n q u e los j u n t e m o s t o d o s , q u e p u e d a
s e r c o m p a r a d o c o n el m a l d e la t o r p e z a .
P o r lo c u a l , si c o m o h a s c o n c e d i d o al p r i n c i p i o , la a f r e n -
t a e s p e o r q u e el dolor, el dolor no será nada en sí
mismo.
Y si t e p a r e c e t o r p e é i n d i g n o d e u n h o m b r e el g e m i r ,
g r i t a r , l a m e n t a r s e , a n g u s t i a r s e y d o l e r s e ; y p o r el c o n t r a -
r i o , e s h o n r a d o , e s d i g n o , e s g l o r i o s o el r e s i s t i r el dolor,
considerando bien estas cosas puedes no rendirte á él, y
s u e u m b i r á el d o l o r á la v i r t u d , p u e s ó no e x i s t e v i r t u d a l -
g u n a , ó l l e v a c o n s i g o el d e s p r e c i o d e t o d o d o l o r . ¿ Q u i e r e s
q u e e x i s t a la p r u d e n c i a , sin la c u a l ni s i q u i e r a p u e d e c o n -
c e b i r s e n i n g u n a v i r t u d ? Y ¿ q u é h a r á la p r u d e n c i a ? ¿ C o n -
s e n t i r á q u e t ú t r a b a j e s s i n c o n s e g u i r ni a p r o v e c h a r c o s a
a l g u n a ? ¿ C o n s e n t i r á la t e m p l a n z a q u e p r o c e d a s c o n falta d e
consideración e n n e g o c i o a l g u n o ? ¿ P u e d e c u m p l i r c o n la
j u s t i c i a el h o m b r e q u e p o r la f u e r z a d e l d o l o r d e c l a r a lo
q u e no ha c o m e t i d o , d e n u n c i a á s u s cómplices faltando á
t o d o s s u s d e b e r e s ? ¿Cómo h a s d e c u m p l i r lo q u e e x i g e la
fortaleza, y las virtudes q u e son compañeras d e e l l a , la
m a g n a n i m i d a d , la g r a v e d a d , la p a c i e n c i a , el d e s p r e c i o d e
l a s c o s a s h u m a n a s ? C u a n d o e s t á s afligido y te l a m e n t a s
c o n a m a r g a s v o c e s , ¿ o i r á s q u e a l g u n o te l l a m e v a r ó n fuer-
te? ¿Podrá l l a m a r t e n a d i e ni siquiera h o m b r e ? Hay q u e
r e n u n c i a r , p u e s , á la f o r t a l e z a , ó a h o g a r el d o l o r .
T ú b i e n s a b e s q u e si p i e r d e s a l g o d e t u s v a s o s c o r i n t i o s ,
p u e d e s s a l v a r el r e s t o d e t u a j u a r ; p e r o c u a n d o l l e g a s á p e r -
d e r u n a v i r t u d (si e s q u e la v i r t u d p u e d e p e r d e r s e ) , ¿ r e n u n -
ciarás absolutamente á todas las demás? ¿Llamarás fuerte,
magnánimo, paciente, grave, despreciador de las cosas h u -
m a n a s , á P r o m e t e o ó Filoctetes? Mucho m e j o r m e p a r e c e n
q u e tú. Pero en v e r d a d que no p u e d e l l a m a r s e f u e r t e al
q u e y a c e e n h ú m e d o l e c h o , p r o r r u m p i e n d o en gemidos,
q u e j a s y l a m e n t a c i o n e s y flébiles v o c e s q u e l l e n a n el e s p a -
c i o . No n i e g o y o q u e el d o l o r s e a d o l o r . P e r o ¿por qué
CUESTIONES TUSCULANAS. 69

e c h a m o s d e m e n o s la fortaleza? Lo q u e a f i r m o e s q u e si l a
p a c i e n c i a e x i s t e , la s a b i d u r í a p u e d e d o m i n a r el d o l e r ; y si
la p a c i e n c i a n o e x i s t e , ¿ p a r a q u é e n s a l z a m o s l a filosofía, ó
p o r q u é n o s g l o r i a m o s c o n s u n o m b r e ? Me d i r á s q u e el d o -
l o r p u n z a . P o c o m e i m p o r t a c o n c e d e r q u e t r a s p a s e . Si e s -
t á s d e s a r m a d o , i n c l i n a el c u e l l o ; p e r o si e s t á s c u b i e r t o c o n
las armas d e V u l c a n o , e s t o e s , c o n la f o r t a l e z a , r e s i s t e .
P o r q u e si n o lo h a c e s a s í , la m i s m a fortaleza d e f e n s o r a de
t u d i g n i d a d t e a b a n d o n a r á y te d e j a r á s o l o .
L a s l e y e s d e los C r e t e n s e s , o r a las h a y a s a n c i o n a d o J ú -
piter, ora Minos, p o r p a r e c e r de J ú p i t e r , s e g ú n los p o e t a s
d i c e n , y t a m b i é n l a s l e y e s d e L i c u r g o , e d u c a n á la j u v e n t u d
en el t r a b a j o , c a z a n d o , c o r r i e n d o , t e n i e n d o h a m b r e y s e d ,
c a l o r y frío. En E s p a r t a a z o t a n á l o s m u c h a c h o s a n t e el
a l t a r c o n tal v i o l e n c i a , q u e m u c h a s v e c e s m a n a s a n g r e d e
s u s v i s c e r a s : y h e o í d o q u e e n o c a s i o n e s s o n tan f u e r t e s l o s
d o l o r e s , q u e esto los p o n e á p u n t o de m u e r t e , y q u e sin
e m b a r g o , n i n g u n o d e e l l o s lia g r i t a d o n u n c a ni h a llo-
r a d o s i q u i e r a . Y , ¿lo q u e p u e d e n s u f r i r l o s n i ñ o s , n o h a n
d e p o d e r l o s u f r i r l o s h o m b r e s , y lo q u e a l c a n z a la c o s t u m -
b r e n o h a d e c o n s e g u i r l o la r a z ó n ?
A l g u n a d i f e r e n c i a h a y e n t r e el t r a b a j o y el d o l o r . T i e n e n
relación e n t r e sí, p e r o difieren e n a l g o . El t r a b a j o e s a l -
g u n a p e s a d a f u n c i ó n d e l a l m a ó d e l c u e r p o ; p e r o el d o l o r
e s un movimiento á s p e r o e n el c u e r p o , a j e n o al s e n t i d o .
A u n q u e la l e n g u a d e l o s G r i e g o s e s m á s c o p i o s a q u e l a
n u e s t r a , dan á estas dos c o s a s un solo n o m b r e , y las llaman
7tovoí. Y a s í , á l o s h o m b r e s e s t u d i o s o s l o s l l a m a n aman-
tes del dolor, y nosotros, con más propiedad, podemos
l l a m a r l o s l a b o r i o s o s . Una c o s a e s t r a b a j a r y otra tener
dolor.
¡Oh G r e c i a , á v e c e s t a n e s c a s a d e p a l a b r a s , a u n q u e t i e -
n e s la p r e t e n s i ó n d e p o s e e r t a n t a s ! U n a c o s a e s t e n e r d o l o r
.y o t r a t r a b a j o s . Cayo Mario s e dolía c u a n d o le c o r t a b a n l a s
-piernas; p e r o c u a n d o e n el rigor del v e r a n o m a n d a b a u n
70 MARCO TULIO CICERÓN.

e j é r c i t o , s e n t í a fatiga, n o d o l o r . Sin e m b a r g o , a l g u n a s e -
m e j a n z a h a y e n t r e las d o s c o s a s . La c o s t u m b r e d e l o s t r a b a -
j o s h a c e m á s fáeil el s u f r i m i e n t o d e l d o l o r . Y así l o s q u e d i e .
r o n á G r e c i a la f o r m a d e r e p ú b l i c a s , q u i s i e r o n fortificar Ios-
c u e r p o s d e l o s j ó v e n e s c o n el t r a b a j o , y l o s E s p a r t a n o s
a p l i c a r o n e s t o m i s m o á l a s m u j e r e s , las c u a l e s e n l a s d e -
m á s c i u d a d e s s e e d u c a n á la s o m b r a d e l a s p a r e d e s , c o n
muelle y femenil c r i a n z a . Ellos q u i s i e r o n ( c o m o d i c e e l
poeta) q u e nada de e s o h u b i e r a entre las v í r g e n e s Lace-
d é m o n i a s , á l a s c u a l e s a g r a d a m á s la p a l e s t r a , el E u r o t a s ,
el sol, el p o l v o , el t r a b a j o y la m i l i c i a , q u e la fecun-
didad b á r b a r a . Aun en estos l a b o r i o s o s ejercicios se e n -
t r e m e z c l a a l g u n a s v e c e s el d o l o r . L o s q u e e n e l l o s s e o c u -
pan son empujados, heridos, derribados, y m u c h a s veces
c a e n , y el m i s m o t r a b a j o l o s e n c a l l e c e , p o r d e c i r l o a s í , p a r a
s u f r i r el d o l o r . P e r o a h o r a h a b l o d e n u e s t r a m i l i c i a , n o d e
la de los Espartanos, que proceden s i e m p r e al s o n d e la
flauta, s i n q u e h a y a m o v i m i e n t o a l g u n o q u e n o s e rija p o r
el m e t r o a n a p é s t i c o .
Ya c o m p r e n d e r á s de dónde han tomado su nombre
n u e s t r o s ejércitos y cuántos trabajos han de pasar: t r a e r
provisiones para m á s de medio m e s ; llevar consigo todo lo
' q u e n e c e s i t e n ; l l e v a r á c u e s t a s l a s m a d e r a s p a r a l a s fortifi-
c a c i o n e s . P u e s , p o r lo q u e t o c a al e s c u d o , á la e s p a d a ,
al c a s c o , n u e s t r o s s o l d a d o s n o lo c u e n t a n per parte de
c a r g a , c o m o t a m p o c o c u e n t a n los h o m b r o s , los b r a z o s , las
m a n o s ; a n t e s d i c e n q u e las a r m a s s o n l o s m i e m b r o s del
s o l d a d o , y r e a l m e n t e l o s u s a n d e tal s u e r t e , q u e , si fuera
n e c e s a r i o , a r r o j a n d o t o d a la c a r g a , p o d r í a n l i d i a r c o n l a s
a r m a s tan expeditas como los miembros.'
Y ¡ c u a n g r a n d e n o e s el e j e r c i c i o d e las l e g i o n e s , c u a n
g r a n trabajo no llevan consigo aquellas c a r r e r a s , aquel c o n -
c u r s o , a q u e l c l a m o r ! Así el a l m a s e f o r t a l e c e p a r a la b a -
t a l l a y p a r a las h e r i d a s . S u p o n u n s o l d a d o d e i g u a l v a l o r ,
p e r o c o n falta d e e j e r c i c i o : t e p a r e c e r á u n a m u j e r . Y ¿por
CUESTIONES TU3CULANA5. 71

q u é ? Bien s a b e m o s p o r e x p e r i e n c i a c u á n t a d i f e r e n c i a h a y
e n t r e u n e j é r c i t o n u e v o y u n o v i e j o . La e d a d d e l s o l d a d o
b i s o ñ o p a r e c e p r e f e r i b l e la m a y o r p a r t e d e l a s v e c e s ; p e r o
el s u f r i r los t r a b a j o s , el d e s p r e c i a r l a s h e r i d a s s ó l o lo e n s e -
ña la c o s t u m b r e . M u c h a s v e c e s v e m o s q u e c u a n d o s e p a r a n
del ejército á los h e r i d o s , los q u e son r u d o s y p o c o ejercita-
d o s , a u n q u e la h e r i d a s e a l e v e , l a n z a n v e r g o n z o s o s g r i t o s .
P e r o el s o l d a d o v e t e r a n o y e j e r c i t a d o , y por esto mismo
m á s f u e r t e , l l a m a al m é d i c o p a r a q u e le v e n d e l a s h e r i d a s ,
y exclama c o m o e n H o m e r o : «¡Oh P a t r o c l o ! v i n i e n d o á
v o s o t r o s , i m p l o r o v u e s t r o a u x i l i o y v u e s t r a s m a n o s . Más
bien q u e p a d e c e r e s t e dolor, quisiera sucumbir bajo el
golpe de dardo lanzado por e n e m i g a m a n o : no h a y m o d o
a l g u n o d e r e s t a ñ a r m i s a n g r e , si e s q u e v u e s t r a s a b i d u r í a
n o p u e d e e v i t a r m e la m u e r t e : l l e n a n l o s h e r i d o s el p ó r t i c o
d e l o s h i j o s d e E s c u l a p i o : no e s p o s i b l e a c e r c a r s e . »
E s t o lo dijo c i e r t a m e n t e Euripilo, varón ejercitado en
la g u e r r a . Y ¿á d ó n d e va á p a r a r t o d o e s t e llanto? Mira
c ó m o r e s p o n d e sin l á g r i m a s , y da la r a z ó n p a r a s u f r i r t o d a s
estas calamidades c o n á n i m o s e r e n o : «El q u e p r e p a r a á
o t r o la m u e r t e d e b e s a b e r q u e s e p r e p a r a á sí m i s m o p a r a
igual d e s a s t r e . » Hubiera llamado á Patroclo para q u e le
c o l o c a s e e n el l e c h o , p a r a q u e l e v e n d a s e las h e r i d a s , si
h u b i e r a s i d o h o m b r e ; p e r o n u n c a vi n a d a q u e s e p a r e c i e s e
m e n o s á u n h o m b r e . P r e g u n t a , p u e s , q u é ha s u c e d i d o : « H a -
b l a , d í m e c ó m o s e s o s t i e n e n l o s A r g i v o s en la p e l e a . » N o
puede expresar con p a l a b r a s toda la c r u d e z a del dolor:
« D e s c a n s a , p u e s , y liga mis heridas.» A u n q u e Euripilo p u -
d i e r a , n o p o d r í a E n o p o : « C u a n d o la f o r t u n a d e H é c t o r t e n í a
c a s i d e s b a r a t a d o n u e s t r o v a l e r o s o e j é r c i t o ..» Y lo d e m á s
que en su dolor explica, p o r q u e tan i n t e m p e r a n t e es en un
v a r ó n e s f o r z a d o la v a n a g l o r i a m i l i t a r . ¿ P o d r á h a c e r e s t o
u n soldado v e t e r a n o , y no p o d r á h a c e r l o un v a r ó n docto y
sabio?
P e r o h a s t a a h o r a h e h a b l a d o d e la f o r t a l e z a m i l i t a r ; n o
72 MARCO TULIO CICERÓN.

d e la r a z ó n y d e la s a b i d u r í a . Hay viejas q u e s o p o r t a n d o s
ó j t r e s d í a s el h a m b r e . P e r o q u i t a d á u n a t l e t a el c o m e r u n
solo día, é i m p l o r a r á á Júpiter Olímpico, en c u y o honor
ejercita sus miembros, y clamará que no puede sufrirla.
¡ G r a n d e e s la f u e r z a d e la c o s t u m b r e ! P e r n o c t a n l o s c a z a -
d o r e s e n la n i e v e : s e r e s i g n a n á a b r a s a r s e e n el m o n t e .
L o s p ú g i l e s m a g u l l a d o s p o r el c e s t o ni s i q u i e r a l a n z a n u n
g e m i d o . ¿A [ q u é h e m o s d e r e c o r d a r á e s t o s triunfadores
a n t i g u o s , p a r a q u i e n e s la v i c t o r i a olímpica e r a un ho-
nor no menos g r a n d e q u e el c o n s u l a d o ? ¿No v e m o s q u é
h e r i d a s sufrían los g l a d i a d o r e s , h o m b r e s p e r d i d o s ó b á r -
b a r o s ? ¿No v e s c ó m o l o s q u e h a n s i d o b i e n e d u c a d o s pre-
f i e r e n r e c i b i r h e r i d a s a n t e s q u e vivir c o n afrenta? ¿ C u á n t a s
veces v e m o s que nada quieren tanto como satisfacer á su
s e ñ o r ó al p u e b l o ? A v e c e s , c u a n d o e s t á n c u b i e r t o s d e h e -
ridas, mandan á preguntar á sus señores qué más quieren
d e e l l o s ; y si n o l e s h a n s a t i s f e c h o , p r e f i e r e n m o r i r . ¿ Q u é
g l a d i a d o r , a u n q u e s e a m e d i a n o , llora? ¿Quién d e e l l o s h a
c a m b i a d o j a m á s d e r o s t r o ? ¿Quién n o ha r e s i s t i d o e n p i e ,
ó q u i é n ha c a í d o t o r p e m e n t e ? ¿ Q u i é n , d e s p u é s d e h a b e r
c a í d o , c o n t r a j o s u c u e l l o p a r a n o r e c i b i r el h i e r r o ? T a n t o
p u e d e el e j e r c i c i o , la m e d i t a c i ó n , la c o s t u m b r e . ¿Y p o d r á
c o n s e g u i r e s t o u n v a r ó n S a m n i t a , h o m b r e sin h o n r a , d i g n o
d e a q u e l l a v i d a y d e a q u e l l u g a r ? Y, p o r el c o n t r a r i o , un
ciudadano r o m a n o , n a c i d o p a r a la g l o r i a , ¿ t e n d r á e n s u
c o r a z ó n p a r l e t a n flaca q u e n o p u e d a r o b u s t e c e r s e c o n la
m e d i t a c i ó n y c o n el e j e r c i c i o r a c i o n a l ? [A a l g u n o s l e s p a -
r e c e cruel é i n h u m a n o el'espectáculo de los gladiadores, y
q u i z á ' m e r e z c a e s t e c a l i f i c a t i v o , tal c o m o s e p r a c t i c a hoy.
Pero cuando exponían gratuitamente su vida, pudo haber
mejor disciplina para los oídos, pero n i n g u n a más fuerte
p a r a l o s o j o s , c o n t r a e l d o l o r y la m u e r t e .
B a s t a n t e h e d i c h o d e l e j e r c i c i o y d e las c o s t u m b r e s : t r a -
t e m o s a h o r a d e la r a z ó n .
O Y E N T E . — ¿ Y y o h e d e i n t e r r o g a r t e s o b r e e s t o ? Ni s i -
CUESTIONES TUSCULANAS. 73

q u i e r a lo i n t e n t a r é : t a n t o m e h a c o n v e n c i d o t u r a z o n a -
miento.
M A R C O . — S i el d o l o r e s ó n o u n m a l , d í g a n l o l o s E s t o i c o s ,
q u e con torcidas y pueriles conclusiones, que son a d e m á s
contradictorias, quieren p e r s u a d i r n o s de q u e el dolor no
e s u n m a l . P e r o y o c r e o q u e el d o l o r n o e s t a n g r a n m a l
c o m o p a r e c e , y q u e e n r e a l i d a d lo q u e m á s d a ñ o h a c e e s
s u falsa a p r e n s i ó n , p o r q u e e n el fondo t o d o d o l o r e s t o l e -
r a b l e . ¿Por d ó n d e he d e c o m e n z a r , pues? T r a t a r é breve-
m e n t e d e lo q u e a n t e s i n d i q u é , p a r a q u e c o n m á s facilidad
p u e d a p r o s e g u i r mi d i s c u r s o .
Es c o s a - a v e r i g u a d a e n t r e t o d o s , y n o s ó l o e n t r e l o s d o c -
t o s , sino también e n t r e los i g n o r a n t e s , q u e es propio de
los v a r o n e s fuertes, m a g n á n i m o s , pacientes y q u e v e n c e n
l a s f l a q u e z a s h u m a n a s , el t o l e r a r c o n p a c i e n c i a e l d o l o r , y
n o ha h a b i d o nadie que no haya juzgado digno de ala-
b a n z a al q u e ha t e n i d o e s t e s u f r i m i e n t o . ¿No e s v e r g o n -
z o s o , p u e s , t e m e r c u a n d o v i e n e , ó no s u f r i r c u a n d o está
p r e s e n t e , e s t e d o l o r , q u e e s gala d e l o s f u e r t e s el d e s p r e -
c i a r ? Me c o n c e d e r á s tú q u e l l a m á n d o s e v i r t u d e s t o d o s l o s
a f e c t o s del a l m a , no p o r e s t o e s e s t e n o m b r e el p r o p i o d e
todos ellos, sino que se han llamado así por aquella virtud
que sobresale entre t o d a s las d e m á s . Llámase virtud de
viro p o r q u e e s p r o p i a d e l v a r ó n la f o r t a l e z a , c u y o s d o n e s
s o n p r i n c i p a l m e n t e d o s : el d e s p r e c i o d e la m u e r t e y d e l
d o l o r . H e m o s d e v a l e m o s , p u e s , d e la u n a y d e la o t r a , si
queremos p a r t i c i p a r d e la v i r t u d , ó m á s b i e n si q u e r e m o s
s e r h o m b r e s , p u e s t o q u e el n o m b r e d e v i r t u d s e t o m ó d e l
n o m b r e de varón.
Me d i r á s : ¿ c ó m o p u e d e s e r e s t o ? y t e n d r á s r a z ó n para
p r e g u n t a r l o . La filosofía pretende dar medicina para todo.
O i g a m o s e n p r i m e r l u g a r á E p i c u r o , q u e no e r a m a l o , ó
q u e m á s bien era e x c e l e n t e v a r ó n . Toda su ciencia s e r e -
d u c e á d e c i r : « D e s p r e c i a el d o l o r . » ¿Y q u i é n d i c e e s t o ? El
m i s m o a u e afirma q u e el d o l o r e s e l m a l s u m o . ¡Qué falta
74 MARCO TULIO CICERÓN.

d e c o n s t a n c i a ! S i g a m o s o y é n d o l e . «Si e x i s t e el d o l o r s u m o
( d i c e ) , n e c e s a r i o es q u e s e a b r e v e . » Lo m i s m o d e b o r e p e t i r
y o . P e r o n o a c a b o d e c o m p r e n d e r q u é e s !o q u e entiende
p o r s u m o y q u é e s lo q u e e n t i e n d e p o r b r e v e . Q u i e r e e x -
p l i c a r l o d e e s t e m o d o : « S u m o e s lo q u e n o t i e n e superior
a l g u n o : b r e v e , a q u e l l o d e s p u é s d e lo c u a l n o h a y o t r a c o s a
más breve.»
D e s p r e c i o la m a g n i t u d d e l d o l o r , d e l c u a l m e l i b r a r á la
b r e v e d a d d e l t i e m p o , c a s i a n t e s q u e el d o l o r h a y a v e n i d o .
P e r o si e l d o l o r e s e x t r a o r d i n a r i a m e n t e c r u e l , c o m o el
d e F i l o c t e t e s , con razón p o d e m o s llamarle grande, a u n q u e
n o s e a s u m o , p u e s t o q u e n o le d u e l e n m á s q u e l o s p i e s , y
t i e n e e n s u i n t e g r i d a d l o s o j o s , la c a b e z a , el c o r a z ó n , l o s
p u l m o n e s ; t o d o , e n s u m a . Muy d i s t a n t e e s t á , p u e s , d e l d o -
l o r s u m o , y s i n e m b a r g o , ¡cuan falsa e s la d o c t r i n a d e E p i -
c u r o c u a n d o d i c e : «El l a r g o d o l o r t i e n e m á s d e a l e g r e q u e
de molesto.»
Yo n o m e a t r e v e r é á d e c i r q u e u n v a r ó n tan g r a n d e n o
s a b í a lo q u e s e d e c í a , p e r o c r e o q u e q u i s o b u r l a r s e d e n o s -
o t r o s . Yo el d o l o r s u m o (y le l l a m o s u m o , a u n q u e t a n s o l o
sea e n diez átomos m a y o r que otro) no digo p o r eso que
sea breve, y p u e d o n o m b r a r m u c h o s h o m b r e s de bien que
largos años estuvieron atormentados por grandes do-
lores de gota. Pero Epicuro, como h o m b r e cauto, nunca
d e t e r m i n a la m a g n i t u d ó la d u r a c i ó n d e l d o l o r , d e tal m a -
nera que no podemos e n t e n d e r lo q u e él t i e n e p o r s u m o ,
n i lo q u e él t i e n e p o r b r e v e . D e j e m o s , p u e s , á e s t e filósofo,
que en realidad no dice n a d a , y o b l i g u é m o s l e á confesar
q u e no h e m o s de b u s c a r en su d o c t r i n a r e m e d i o c o n t r a el
d o l o r , p u e s t o q u e él m i s m o ha e n s e ñ a d o q u e el d o l o r e s el
m á s g r a n d e d e t o d o s l o s m a l e s . En o t r a p a r l e h e m o s d e
b u s c a r la m e d i c i n a , y s o b r e t o d o (si q u e r e m o s buscar lo
m á s c o n v e n i e n t e ) e n a q u e l l o s p a r a q u i e n e s la h o n e s t i d a d
e s el s u m o b i e n y la t o r p e z a el s u m o m a l .
C u a n d o v e a s á l o s n i ñ o s en L a c e d e m o n i a , á l o s adoles-
CUESTIONES TUSCULANAS. 7:>

c e n t e s e n O l i m p i a , á l o s b á r b a r o s en la a r e n a , recibiendo
g r a v í s i m a s h e r i d a s y t o l e r á n d o l a s en s i l e n c i o ; c u a n d o e s t o
v e a s y a l g ú n d o l o r t e p u n c e , ¿te a t r e v e r á s á c l a m a r c o m o
u n a m u j e r ? ¿No lo s u f r i r á s c o n c o n s t a n c i a y firmeza? Me
d i r á s q u e n o e s p o s i b l e q u e la n a t u r a l e z a lo c o n s i e n t a . Y a
t e e n t i e n d o . L o s n i ñ o s lo s u f r e n g u i a d o s p o r la v a n a g l o r i a ,
lo sufren otros por v e r g ü e n z a , m u c h o s por m i e d o ; y sin
e m b a r g o , r e c e l a m o s q u e esto q u e sufren tantos y en tan di-
v e r s o s l u g a r e s n o lo s u f r a la n a t u r a l e z a . No s ó l o lo s u f r e ,
s i n o q u e t a m b i é n lo p i d e . N a d a e s m á s excelente para
ella; nada d e s e a m á s q u e la h o n e s t i d a d , la g l o r i a , la d i g -
nidad, el d e c o r o . Con t o d o s e s t o s n o m b r e s q u i e r o de-
c l a r a r u n a sola c o s a ; p e r o m e v a l g o de m u c h a s palabras,
p a r a significarla mejor. Q u i e r o d e c i r t e q u e lo m á s e x c e -
l e n t e p a r a e l h o m b r e e s lo q u e e s a p e t e c i b l e p o r sí m i s m o ,
l o q u e n a c e d e la v i r t u d ó c o n s i s t e e n la m i s m a v i r t u d , l o
q u e e s l a u d a b l e p o r sí m i s m o ; á lo c u a l y o m á s b i e n l l a m a ,
r í a el b i e n ú n i c o , que n o el s u m o bien. Y como digo
e s t o d e lo h o n e s t o , d i g o t o d o lo c o n t r a r i o d e lo t o r p e .
N a d a h a y tan feo ni t a n d e s p r e c i a b l e , n a d a t a n i n d i g n o d e l
h o m b r e . Y si e s t á s p e r s u a d i d o d e e s t o ( p u e s t o q u e y a d i -
j i s t e al p r i n c i p i o q u e te p a r e c í a m á s d e s h o n r o s a la a f r e n t a
q u e el d o l o r ) , s ó l o te r e s t a el s a b e r d o m i n a r t e á tí m i s m o .
P a r e c e e x t r a ñ o q u e s e d u d e e s t o , c o m o si e n n o s o t r o s h u -
b i e r a d o s h o m b r e s , d e l o s c u a l e s el u n o m a n d a y el o t r o
o b e d e c e ; p e r o lo c i e r t o e s q u e n a d i e p e c a p o r i g n o r a n c i a .
En r e a l i d a d , el a l m a s e d i v i d e e n d o s p a r t e s , d e l a s c u a -
l e s la u n a p a r t i c i p a d e r a z ó n , la o t r a c a r e c e d e e l l a . C u a n d o
s e m a n d a , p u e s , q u e n o s d o m i n e m o s á n o s o t r o s m i s m o s , lo
q u e s e p r e t e n d e e s q u e la r a z ó n d o m i n e á la t e m e r i d a d .
Hay, p o r n a t u r a l e z a , e n los ánimos de casi todos los h o m -
b r e s algo de muelle, de e n c o r v a d o , de h u m i l d e , d e l á n -
g u i d o y d e s e n i l . Si n o h u b i e r a o t r a c o s a , n a d a h a b r í a m á s
d e f o r m e q u e l o s h o m b r e s . P e r o p a r a r e m e d i a r l o e s t á la r a -
z ó n , r e i n a y s e ñ o r a d e t o d a s l a s c o s a s , la c u a l , apoyada.
76 MARCO TULIO CICERÓN.

e n s u p r o p i a fuerza y d e s a r r o l l á n d o s e m e t ó d i c a m e n t e , s e
t r u e c a e n p e r f e c t a v i r t u d . La o b r a d e l h o m b r e c o n s i s t e e n
q u e la r a z ó n i m p e r e s o b r e a q u e l l a p a r t e d e l a l m a q u e d e b e
o b e d e c e r . ¿De q u é m o d o ? m e p r e g u n t a r á s . C o m o m a n d a el
s e ñ o r al s i e r v o , el g e n e r a l al s o l d a d o , el p a d r e al h i j o . P e r o
si a q u e l l a p a r t e del á n i m o q u e dije a n t e s q u e e r a m u e l l e
y h u m i l d e s e m u e v e t o r p e m e n t e , si s e e n t r e g a á l a m e n t o s
y lágrimas femeniles, es necesario que sea d o m e ñ a d a y
constreñida por las demás facultades amigas y vecinas de
ella. Muchas v e c e s v e m o s q u e la v e r g ü e n z a c o n s i g u e lo
que no podría conseguir razón alguna. A los que se hallan
e n tal c a s o e s p r e c i s o s o m e t e r l o s , c o m o á e s c l a v o s r e b e l -
d e s q u e s o n , á las c a d e n a s y á la c á r c e l . A los q u e s e a n
más firmes, pero no robustísinios, conviene a m o n e s t a r l o s
p a r a q u e , c o m o b u e n o s s o l d a d o s , al v o l v e r al c o m b a t e s e -
p a n d e f e n d e r s u d i g n i d a d . No s e l a m e n t a c o n e x c e s o , s i n o
m á s b i e n c o n s i n g u l a r m o d e r a c i ó n , e n la t r a g e d i a Niplris,
a q u e l U l i s e s , v a r ó n el m á s s a b i o d e l o s G r i e g o s : « C a m i n a r é
despacio y paso á paso, para que del movimiento no nazca
mayor dolor.»
Mejor e x p r e s a e s t o P a c u v i o q u e S ó f o c l e s . En a q u é l s e
l a m e n t a U l i s e s d e s u h e r i d a ; p e r o l o s m i s m o s q u e le c o n -
d u c e n , c o n s i d e r a n d o la g r a v e d a d d e s u p e r s o n a , n o d u d a n
e n d e c i r l e : «¡Oh U l i s e s ! a u n q u e v e m o s q u e e s t a n g r a v e t u
h e r i d a , n o s p a r e c e p e q u e ñ a la f o r t a l e z a d e tu á n i m o , e j e r -
citado en las a r m a s d e s d e tu edad t e m p r a n a . » Bien e n t e n -
d í a el d i s c r e t o p o e t a q u e la c o s t u m b r e d e s u f r i r el d o l o r
era una maestra no d e s p r e c i a b l e . Y por eso no puso en
boca d e Ulises p a l a b r a s i n m o d e r a d a s , a u n en m e d i o d e l
mayor dolor: «Retenedme, sujetadme, oprimidme, d e s n u -
d a d la l l a g a . ¡Ay d e s d i c h a d o d e m í , q u é t o r m e n t o el m í o ! »
Empieza á flaquear su ánimo, pero luego e x c l a m a : «Cu-
b r i d m e , r e t i r a o s , a b a n d o n a d y a la c u r a c i ó n , p o r q u e el
c r u e l d o l o r s e a c r e c i e n t a c o n el t a c t o y c o n e l s a c u d i -
m i e n t o . » ¿No v e i s c ó m o e n m u d e c e el d o l o r d e l a l m a , r e -
CUESTIONES TUSCULANAS. 77

f r e n a d o p o r la v o l u n t a d , h a s t a c u a n d o n o s e p u e d e d o m i -
n a r e l d e l c u e r p o ? Y p o r e s o , al fin d e la m i s m a t r a g e d i a ,
m o r i b u n d o y a el h é r o e , r e p r e n d e á o t r o s , e x c l a m a n d o : « E n
la f o r t u n a a d v e r s a d e b e u n o q u e j a r s e , n o l a m e n t a r s e ; e s t e
e s oficio d e v a r ó n ; el l l a n t o c o n v i e n e s ó l o á l a s m u j e r e s . »
En él la p a r t e m á s flaca d e l a l m a e s t a b a s i e m p r e s u j e t a á la
r a z ó n , c o m o al s e v e r o g e n e r a l e l s o l d a d o p u n d o n o r o s o .
A q u e l v a r ó n e n q u i e n h a y a p e r f e c t a s a b i d u r í a (yo t o d a -
v í a n o h e c o n o c i d o n i n g u n o , si b i e n l o s filósofos quieren
explicarme el modelo ideal del sabio, a u n q u e no haya
parecido todavía entre los mortales), aquél varón, p u e s , ó ,
l o q u e e s lo m i s m o , la r a z ó n , q u e s e r á e n él p e r f e c t a y a b -
s o l u t a , d o m i n a r á d e tal m o d o á la p a r t e i n f e r i o r c o m o u n
p a d r e j u s t o á sus b u e n o s hijos, y c o n s e g u i r á c o n s o l o el
g e s t o lo q u e q u i e r a , s i n n i n g u n a fatiga. Y s e l e v a n t a r á ,
s e f o r t a l e c e r á , s e i n s t r u i r á , s e a p e r c i b i r á p a r a el c o m b a t e ,
s e a r m a r á p a r a r e s i s t i r al d o l o r c o m o á u n e n e m i g o . ¿ Q u é
a r m a s s o n l a s s u y a s ? la c o n t i n e n c i a y la r e f l e x i ó n i n t e r i o r ,
el c o l o q u i o í n t i m o , e n q u e u n o s e d i c e á sí m i s m o : g u á r -
date d e lodo lo q u e sea t o r p e , c o b a r d e y no v a r o n i l . Fije-
m o s e n lo m á s í n t i m o d e l a l m a , las i m á g e n e s d e l o s v a -
r o n e s fuertes. Recordemos á Zenón el E l e a t a , q u e s u f r i ó
t o d o g é n e r o de t o r m e n t o s antes q u e delatar á los q u e h a -
b í a n s i d o c ó m p l i c e s s u y o s p a r a d e r r o c a r la t i r a n í a . P e n -
semos en Anaxarco, discípulo de Demócrito, que ha-
biendo caído en manos d e Nicocreón, rey d e Chipre, no
p i d i ó ni r e h u s ó n i n g ú n g é n e r o d e s u p l i c i o . G a l a n o d e la
India, h o m b r e indocto y b á r b a r o , n a c i d o en las raíces del
Cáucaso, p o r su voluntad se dejó q u e m a r vivo. N o s o t r o s no
p o d e m o s sufrir el d o l o r d e u n p i e , d e u n d i e n t e , cuanto
m á s el de todo el c u e r p o . Nace todo esto de una o p i -
n i ó n a f e m i n a d a y l e v e , q u e s e e x t i e n d e al d o l o r lo m i s m o
q u e al d e l e i t e , p u e s t o q u e e n la s u m a v o l u p t u o s i d a d , c u a n -
d o , por decirlo así, nos liquidamos y d e r r e t i m o s , no pode-
m o s s u f r i r , sin g r i t a r , el a g u i j ó n d e u n a a b e j a .
78 MARCO TULIO CICERÓN.

Al c o n t r a r i o , Cayo M a r i o , v a r ó n rústico, pero verdade-


ramente hombre, c u a n d o le c o r t a b a n la pierna, como
al principio dije, no quiso dejarse ligar; y no hubo otro
a n t e s q u e Mario q u e c o n s i n t i e r a e n s u f r i r e s t a o p e r a c i ó n s i n
l i g a d u r a s . Y ¿por q u é c o n s i n t i e r o n o t r o s d e s p u é s ? P o r la
fuerza de su autoridad. ¿No c o n o c e s , p u e s , q u e el m a l
n a c e e n g r a n p a r t e d e la o p i n i ó n y n o d e la n a t u r a l e z a ?
S i n e m b a r g o , el m i s m o Mario c o n o c i ó q u e e r a muy acre
l a m o r d e d u r a d e l d o l o r , p u e s t o q u e n o p r e s e n t ó la otra
p i e r n a . Sufrió, p u e s , el d o l o r e o m o v a r ó n e s f o r z a d o , p e r o
al fin e r a h o m b r e , y n o q u i s o s i n n e c e s i d a d sufrir o t r o
m a y o r . T o d o c o n s i s t e e n s a b e r d o m i n a r s e á sí m i s m o . Y a
m o s t r é a n t e s e n q u é c o n s i s t í a e s t e d o m i n i o . La c o n s i d e r a -
c i ó n d e á c u á n t o a l c a n z a el e x t r a o r d i n a r i o p o d e r d e la p a -
c i e n c i a , d e la f o r t a l e z a y d e la d i g n i d a d , n o s ó l o t i e n e á
r a y a las pasiones del alma, sino q u e p o s e e n o sé cuál
o c u l t a v i r t u d p a r a m i t i g a r el d o l o r m i s m o .
Y a s í c o m o s u c e d e e n la b a t a l l a q u e el s o l d a d o c o b a r d e
y t í m i d o , e n v i e n d o al e n e m i g o , h u y e c u a n t o p u e d e , a r r o -
jando el e s c u d o , y p o r e s t o m i s m o m u e r e a l g u n a s v e c e s ,
a u n sin h e r i d a e n el c u e r p o , al p a s o q u e á q u i e n r e s i s t e
n o le a c o n t e c e n a d a ; así e l q u e n o p u e d e s u f r i r la a p a r i e n -
cia d e l d o l o r s e a b a t e y y a c e r e n d i d o y e x á n i m e , y , p o r el
c o n t r a r i o , los q u e r e s i s t e n , s u e l e n h a c e r s e s u p e r i o r e s á él.
H a y e n el a l m a c i e r t a s e m e j a n z a c o n el c u e r p o . Así c o m o
el c u e r p o d i s p u e s t o á la fatiga s u f r e c o n m á s facilidad el
p e s o q u e l e o p r i m e q u e el c u e r p o flojo y r e m i s o , a s í el
alma dispuesta á sufrir resiste t o d o p e s o , al p a s o que
cuando está remisa y desalentada apenas puede levan-
t a r s e . Y si b u s c a m o s la v e r d a d , p a r a c u m p l i r todo de -
ber es p r e c i s o m a n t e n e r el ánimo enhiesto y no r e n d i d o .
Esta e s ' l a úuica d e f e n s a d e l d e b e r . Lo p r i m e r o q u e h e -
m o s d e p r o c u r a r e n el d o l o r e s n o d e c i r n i n g u n a c o s a ab-
y e c t a , ni t í m i d a , ni c o b a r d e , ni s e r v i l , ni m u j e r i l , y , s o b r e
t o d o , r e c h a z a r m u y lejos a q u e l c l a m o r d e F i l o c t e t e s . Al
CUESTIONES TUSCULANAS. 79

varón s e le c o n c e d e a l g u n a s v e c e s el g e m i r , a u n q u e m u y
r a r a s ; p e r o el a l a r i d o ni s i q u i e r a s e c o n s i e n t e á las m u j e -
r e s . Este es aquel llanto q u e las Doce Tablas p r o h i b i e r o n
h a s t a e n l o s f u n e r a l e s . Y n u n c a s e l a m e n t a el v a r ó n fuerte
y sabio, como no sea por adquirir mayor f o r t a l e z a , así
c o m o e n el e s t a d i o l o s c o r r e d o r e s g r i t a n c u a n t o pueden.
Lo m i s m o h a c e n l o s a t l e t a s c u a n d o s e e j e r c i t a n ; p e r o l o s
p ú g i l e s , c u a n d o h i e r e n al a d v e r s a r i o , g r i t a n al a r r o j a r el
c e s t o , n o p o r q u e s e d u e l a n ni p o r q u e s u á n i m o s u c u m b a ,
s i n o p o r q u e al e m i t i r la v o z t o d o el c u e r p o s e p o n e en
t e n s i ó n y e s m á s v e h e m e n t e la h e r i d a que hacen. Y los
q u e q u i e r e n g r i t a r m á s , n o s e s a t i s f a c e n c o n la a g i t a c i ó n
d e l p e c h o , d e l a s f a u c e s y d e la l e n g u a , p o r d o n d e s a l e y
s e d i f u n d e la v o z , s i n o q u e c o n t o d o el c u e r p o y t o d a s l a s
uñas, como se dice, quieren dar resonancia á sus cla-
mores.
Y o vi á M a r c o A n t o n i o c u a n d o s e d e f e n d í a á sí mismo,
á p r o p ó s i t o d e la l e y V a r i a , t o c a r la t i e r r a c o n la r o d i l l a .
P u e s así c o m o ¡as b a l i s t a s q u e a r r o j a n p i e d r a s y las d e m á s
m á q u i n a s d e g u e r r a n l a n z a n el t i r o t a n t o m á s l e j o s c u a n t o
m a y o r h a s i d o la fuerza i n i c i a l , así l a v o z q u e h i e r e c o n
el g o l p e e s tanto m á s grave cuanto con m á s intensidad se
a r r o j a . Y siendo esta intensidad tan g r a n d e , lícito n o s s e r á
u s a r del g e m i d o p a r a f o r t a l e c e r el á n i m o e n el d o l o r ; p e r o
si e s t e g e m i d o e s l a m e n t a b l e , femenil, abatido y débil,
apenas podemos llamar h o m b r e á aquel que se entrega á
t a l e s l l a n t o s . Aun c u a n d o e s t e g e m i d o s i r v i e r a d e a l g ú n
a l i v i o , t o d a v í a p o d r í a m o s d u d a r si e r a d i g n o d e u n h o m b r e
fuerte y a n i m o s o . P e r o si e n n a d a disminuye el dolor,
¿por q u é queremos en balde soportar tal afrenta? ¿Qué
cosa hay más vergonzosa en u n h o m b r e q u e el llanto
mujeril?
Y e s t e precepto que se da acerca del dolor, a u n tiene
m a y o r e x t e n s i ó n . En t o d o s l o s c a s o s , n o s ó l o e n e l d o l o r ,
s e ha d e r e s i s t i r c o n i g u a l e n e r g í a d e a l m a . ¿Se inflama l a
80 MARCO TUXIO CICERÓN.

ira? ¿se e n c i e n d e el a p e t i t o ? Al m i s m o a l c á z a r h e m o s d e r e -
fugiarnos; las m i s m a s a r m a s h e m o s de e m p u ñ a r .
P e r o ya q u e h a b l a m o s del d o l o r , o m i t a m o s t o d o lo d e -
m á s . P a r a sufrirle plácida y s e r e n a m e n t e , i m p o r t a mucho
p e n s a r c o n t o d a e l a l m a c u a n h o n e s t a c o s a s e a la r e s i g n a -
ción. Los h o m b r e s s o m o s n a t u r a l m e n t e , como antes dije,
y conviene repetir muchas veces, extraordinariamente
ávidos de gloria; y así q u e v e m o s alguna luz de ella,
no hay cosa que no e s t e m o s dispuestos á sufrir y tolerar
por gozarla. Por este ímpetu y buena inclinación del
a l m a n o s a r r o j a m o s al p e l i g r o e n la p e l e a ; así l o s varones
f u e r t e s n o s i e n t e n l a s h e r i d a s e n el c o m b a l e ; y si las s i e n -
ten, prefieren morir antes que c o m p r o m e t e r en m o d o a l -
g u n o s u d i g n i d a d . Veían l o s D e c i o s l a s e s p a d a s r e s p l a n -
d e c i e n t e s de sus e n e m i g o s , c u a n d o se arrojaban en medio
d e sus e s c u a d r o n e s , pero les quitaba todo miedo de las
h e r i d a s la n o b l e z a y g l o r i a d e s u m u e r t e . ¿Crees t ú q u e
l l o r a b a E p a m i n o n d a s , c u a n d o s e n t í a q u e s e le e s c a p a b a l a
v i d a j u n t a m e n t e c o n la s a n g r e ? ¡Cómo h a b í a d e l l o r a r si
dejaba á su patria imperando s o b r e los L a c e d e m o n i o s , de
q u i e n e s la h a b í a e n c o n t r a d o s i e r v a ! T a l e s s o n l o s c o n s u e -
l o s a u n en el s u m o d o l o r .
P e r o m e d i r á s : ¿Cómo p u e d e h a b e r tal c o n s u e l o e n la
p a z , e n s u c a s a , en el l e c h o ? Y y o te c i t a r é m u c h o s filóso-
fos q u e t a m b i é n á v e c e s , y á s u m o d o , s a l e n á l a s b a t a l l a s .
Un h o m b r e , p o r c i e r t o b a s t a n t e l i g e r o , Dionisio de H e r a -
c l e a , n o a p r e n d i ó d e Z e n ó n la f o r t a l e z a . T e n í a u n padeci-
m i e n t o d e l o s r í ñ o n e s , y e n la fuerza m i s m a d e l d o l o r de-
c l a r a b a q u e e r a falso c u a n t o a n t e s h a b í a a f i r m a d o s o b r e e l
mismo dolor. Y p r e g u n t á n d o l e su condiscípulo Cleantes
q u é r a z ó n le h a b í a a p a r t a d o d e s u p a r e c e r p r i m i t i v o , r e s -
p o n d i ó : « H a b i é n d o m e d e d i c a d o p o r t a n t o t i e m p o á la filo-
sofía, y n o p u d i e n d o s u f r i r el d o l o r , e s t o y p l e n a m e n t e c o n -
v e n c i d o d e q u e el d o l o r es un mal. Muchos a ñ o s gastó
e n la filosofía, y n o p u e d o sufrir el d o l o r : l u e g o el d o l o r
CUESTIONES TUSCULANAS. 81

es un m a l . » Y d í c e s e q u e O l e a n t e s , s a c u d i e n d o la t i e r r a
c o n el p i e , r e p i t i ó e s t o s v e r s o s d e la t r a g e d i a d e Los Epí-
mones: « ¡ O y e s t ú e s t o , o h A m p h i a r a o , q u e e s t á s sepultado
bajo la t i e r r a ! » Con e s t o q u e r í a a l u d i r á Z e n ó n , d e quien
s e dolía q u e Dionisio h u b i e r a d e g e n e r a d o .
P e r o n o fué así n u e s t r o P o s i d o n i o , á q u i e n y o m u c h a s
v e c e s vi y d e q u i e n solía c o n t a r P o m p e y o que habiendo
ido él á R o d a s , p r o c e d e n t e d e Siria, y q u e r i e n d o c o n o c e r á
Posidonio, supo que estaba gravemente enfermo del p e -
c h o ; p e r o q u i s o c o n o c e r , sin e m b a r g o , á a q u e l i l u s t r e filó-
sofo, y d e s p u é s d e h a b e r l e s a l u d a d o c o n p a l a b r a s m u y h o -
noríficas, diciéndole q u e sentía m u c h o no h a b e r podido oir
s u s l e c c i o n e s , le r e p l i e ó P o s i d o n i o : « P u e d e s o i r í a s sin e m -
b a r g o , y n o p o d r á el d o l o r c o n m i g o t a n t o q u e c o n s i g a q u e
tan ilustre varón haya venido á mí en balde.» Y m e con-
taba Pompeyo que Posidonio había disputado muy grave
y copiosamente sobre esta cuestión: que nada es bueno
s i n o lo q u e e s h o n e s t o , y q u e c u a n t o m á s le m o r t i f i c a b a
el d o l o r , solía e x c l a m a r : « N a d a p o d r á s c o n m i g o , o h do-
lor, pues aunque seas molesto, nunca confesaré que seas
un m a l . »
Y en realidad, t o d o s los trabajos claros y e n n o b l e c i d o s
s e h a c e n m á s t o l e r a b l e s c o n el d e s p r e c i o . ¿No v e m o s q u e
entre los que se dedican á los juegos gímnicos, es un
g r a n d e h o n o r el q u e n i n g u n o d e l o s q u e d e s c i e n d e n al c e r -
tamen evite ningún g é n e r o de dolor? Entre aquellos que
c u l t i v a n el a r l e d e la c a z a y de la e q u i t a c i ó n , ¿ h a y a l g u i e n
q u e e v i t e la fatiga? Y ¡para q u é h e d e h a b l a r d e n u e s t r a s
a m b i c i o n e s y d e la c o d i c i a d e los h o n o r e s !
Así S c i p i ó n el Africano t e n í a s i e m p r e en l a s m a n o s al
socrático Xenofonte, y entre sus sentencias alababa prin-
c i p a l m e n t e esta: «Que los m i s m o s trabajos no eran i g u a l -
m e n t e g r a v e s p a r a el s o l d a d o q u e p a r a el g e n e r a l , p o r q u e
el m i s m o h o n o r h a c e m á s l e v e el t r a b a j o d e l general.»
P e r o s u c e d e , s i n e m b a r g o , q u e e n t r e el v u l g o d e l o s
TOMO V. 6
82 MARCO TÜLIO CICERÓN.

i g n o r a n t e s p r e v a l e c e la a p a r i e n c i a d e lo h o n e s t o , cuando
n o p u e d e n c o n s e g u i r la h o n e s t i d a d m i s m a . Y así s e mue-
v e n p o r la fama y p o r el j u i c i o d e l a m u l t i t u d , y t i e n e n p o r
h o n e s t o l o q u e la m a y o r p a r t e d e l a g e n t e a l a b a . P e r o n o
q u i s i e r a q u e t ú , a u n q u e e s t é s á los o j o s d e la m u l t i t u d , t e
d e j a r a s g u i a r p o r s u j u i c i o , n i t u v i e r a s p o r h o n r o s o lo q u e
e l l a j u z g a t a l . P o r t u p r o p i o j u i c i o d e b e s g o b e r n a r t e . Si t e
a g r a d a la r e c t i t u d , n o s ó l o t e h a b r á s v e n c i d o á tí mismo,
como antes te encarecí, sino q u e habrás vencido á todos
los h o m b r e s y á todas las cosas. P e r s u á d e t e bien de q u e
c i e r t a e l e v a c i ó n y g r a n d e z a d e a l m a , la c u a l p r i n c i p a l m e n -
t e b r i l l a en el d e s p r e c i o d e l d o l o r , e s la c o s a m á s a d m i r a -
ble de todas, y tanto más h e r m o s a , cuanto que sin buscar
el aplauso del p u e b l o , se deleita consigo m i s m a . Y por e s o
m e p a r e c e n tanto m á s laudables las acciones q u e se ejecu-
t a n s i n a p a r a t o y sin q u e e l p u e b l o s e a t e s t i g o d e e l l a s , n o
p o r q u e deba huirse del pueblo, antes todos les beneficios
d e b e n verse e n clara luz, sino p o r q u e ningún teatro es
m a y o r p a r a la v i r t u d q u e la c o n c i e n c i a .
Y p e n s e m o s sobre todo que esta paciencia de los dolo-
r e s , q u e d e b e a r r a i g a r s e i n t e n s a m e n t e e n el á n i m o , ha
d e mostrarse igual en todas las ocasiones. Muchas ve-
c e s , l o s q u e p o r c o d i c i a d e l triunfo ó d e la g l o r i a , ó p o r
c o n s e r v a r su virtud y s u d e r e c h o , han sufrido y t o l e r a d o
l a s h e r i d a s , e s t o s m i s m o s , c u a n d o l e s falta e l a g u i j ó n de
la l u c h a , n o p u e d e n s u f r i r n i el d o l o r d e u n a e n f e r m e d a d .
Y a q u e l m i s m o d o l o r q u e t a n f á c i l m e n t e s u f r i e r o n , n o fué
p o r r a z ó n ni p o r s a b i d u r í a , s i n o p o r g l o r i a y a n h e l o de
f a m a . Así, l o s b á r b a r o s y las g e n t e s m e n o s c u l t a s p u e d e n
lidiar f e r o z m e n t e c o n el h i e r r o , y n o s a b e n sufrir viril-
m e n t e el d o l o r . Y p o r el c o n t r a r i o , l o s G r i e g o s , varones
n o t a n a n i m o s o s c o m o p r u d e n t e s , q u i z á no s u f r i e r a n la
v i s t a d e l e n e m i g o , p e r o r e s i s t e n con t o l e r a n c i a y h u m a n a -
m e n t e la e n f e r m e d a d . Los Cimbrios y los Celtíberos se
alegran en la b a t a l l a , y s e l a m e n t a n en la enfermedad;
CUESTIONES TUSCULANAS. 83

p e r o n o p u e d e l l a m a r s e i g u a l d a d d e á n i m o la q u e n o n a c e
s i e m p r e d e la r e c t a r a z ó n .
P e r o c u a n d o v e s á l o s q u e s e g u í a n p o r el d e s e o ó p o r
la o p i n i ó n n o r e n d i r s e al d o l o r , s i e m p r e q u e s e t r a t a d e
persuadirlos y halagarlos, debes c r e e r , ó q u e no es un mal
el d o l o r , ó q u e , si te p l a c e l l a m a r así t o d o lo q u e e s á s p e r o
y ajeno d e la n a t u r a l e z a , e s d e tan p o c a i m p o r t a n c i a y la
razón p u e d e o s c u r e c e r l o y b o r r a r l o d e tal m o d o q u e n o
a p a r e z c a ni s e c o n o z c a . T e r u e g o q u e m e d i t e s t o d o e s t o
d e día y d e n o c h e ; p o r q u e t a n t o m á s e s t i m a r á s e s t a ra-
z ó n , y te s e r v i r á p a r a m a y o r e s c o s a s q u e p a r a defenderte
d e u n s o l o d o l o r . P o r q u e si t o d a s las c o s a s l a s h a c e m o s p o r
h u i r d e la t o r p e z a ó p a r a c o n s e g u i r la h o n e s t i d a d , n o s ó l o
nos será lícito resistir á los obstáculos del dolor, sino t a m -
b i é n á l o s r a y o s d e la f o r t u n a , s o b r e t o d o c u a n d o y a e s t a -
m o s d e f e n d i d o s c o n t r a el t e m o r d e la m u e r t e p o r la d i s p u t a
d e a y e r . P u e s así c o m o á un n a v e g a n t e á quien p e r s i g u e n
l o s p i r a t a s , si u n d i o s le d i c e : « A r r ó j a t e d e la n a v e : q u e e n
el m a r h a b r á q u i e n t e r e c i b a , y a s e a a q u e l delfín q u e r e c i -
bió á Arión de Mitylene, ya los caballos de aquel P e l o p s ,
hijo d e N e p t u n o , » p e r d e r á t o d o t e m o r y n o d e j a r á d e a r r o -
j a r s e á l a s a g u a s ; a s í , c u a n d o a p r i e t e el d o l o r á s p e r o y
odioso, y llegue á hacerse intolerable, abierto tienes el
puerto donde refugiarte.
E s t o e s lo q u e p o r a h o r a s e m e o c u r r e . P e r o t ú quizá
p e r s i s t a s e n tu p a r e c e r .
O Y E N T E . — N a d a d e e s o : a n t e s m e felicito p o r haberme
l i b e r t a d o e n d o s d í a s d e l m i e d o d e las d o s c o s a s q u e m á s
temía.
M A R C O . — V e n m a ñ a n a , p u e s , á la h o r a fijada p o r la C i e p -
s y d r a . Así h e m o s c o n v e n i d o .
O Y E N T E . — V e n d r é a n t e s d e l m e d i o d í a , q u e e s el t i e m p o
mejor.
MARCO.—Así lo h a r e m o s , y te c o m p l a c e r é e n t u s e x c e -
lentes deseos.
LIBRO TERCERO.

Del modo de hacer llevaderos los dolores.

¿En q u é c o n s i s t i r á , o h a m i g o B r u t o , q u e c o m p o n i é n d o s e
e l h o m b r e d e a l m a y c u e r p o , s e h a y a i n v e n t a d o el a r t e d e
c u r a r y c o n s e r v a r el c u e r p o , y p o r s u utilidad s e h a y a
atribuido su invención á los dioses inmortales, y q u e , por
el c o n t r a r i o , la m e d i c i n a d e l a l m a n o h a y a s i d o t a n d e s e a d a
a n t e s d e i n v e n t a r s e , ni t a n c u l t i v a d a d e s p u é s q u e s e c o n o -
c i ó , a n t e s al c o n t r a r i o , h a y a s i d o a g r a d a b l e á m u y p o c o s y
o d i a d a y a b o r r e c i d a p o r la m a y o r p a r t e ? ¿ C o n s i s t i r á e n q u e
j u z g a m o s c o n e l a l m a d e la g r a v e d a d d e l d o l o r d e l c u e r p o ,
y no sentimos con el euerpo las enfermedades del ánimo?
L o c i e r t o e s q u e el a l m a t i e n e q u e j u z g a r d e sí m i s m a ,
c u a n d o e s t á e n f e r m o el m i s m o i n s t r u m e n t o c o n q u e j u z g a .
Si la n a t u r a l e z a n o s h u b i e r a e n g e n d r a d o d e t a l m o d o q u e
pudiéramos mirarla frente á frente y seguirla c o m o regla
infalible e n t o d a s l a s c i r c u n s t a n c i a s d e la v i d a , n o h u b i e r a
habido necesidad de que buscásemos razón ni d o c t r i n a .
Pero ahora, p o r el c o n t r a r i o , á n u e s t r o s h i j o s d e s d e p e -
q u e ñ o s l e s a p a g a m o s d e tal m a n e r a e l a r d o r c o n el c o n t a -
gio d e n u e s t r a s c o s t u m b r e s y opiniones, q u e n u n c a llega á
b r i l l a r e n e l l o s la l u z d e la n a t u r a l e z a . Hay e n n u e s t r o i n -
86 MARCO TULIO CICERÓN.

g e n i o , semilla i n n a t a d e v i r t u d e s q u e , s i n o s f u e r a l í c i t o
cultivar, podría, llevarnos naturalmente a u n a v i d a feliz.
P e r o a h o r a , así q u e h e m o s n a c i d o á la l u z , n o s e j e r c i t a m o s
continuamente en toda iniquidad y en suma perversión de
o p i n i o n e s , d e tal m o d o , q u e p a r e c e q u e m a m a m o s el e r r o r
d e l o s m i s m o s p e c h o s d e la n o d r i z a . Y c u a n d o p a s a m o s d e
manos de nuestros padres á las d e nuestros maestros, nos
i m b u i m o s en t a l e s e r r o r e s q u e c e d e la v e r d a d á la v a n i -
d a d , y la n a t u r a l e z a m i s m a á la o p i n i ó n a u t o r i z a d a .
A ñ á d a s e á e s t o el c o n t a g i o d e l o s p o e t a s , q u e t r a y e n d o
c o n s i g o g r a n fama d e d o c t r i n a y s a b i d u r í a , s o n o í d o s , l e í d o s
y a p r e n d i d o s d e m e m o r i a , y s e p e g a n , p o r d e c i r l o a s í , al
e n t e n d i m i e n t o . C u a n d o á e s t o s e a ñ a d e el p u e b l o , q u e e s el
m a y o r m a e s t r o , y el c o n s e n t i m i e n t o u n i v e r s a l d e la m u -
c h e d u m b r e , propensa siempre á los vicios, nos llenamos
d e o p i n i o n e s e r r ó n e a s y n o s a p a r t a m o s d e la n a t u r a l e z a
d e tal m a n e r a , q u e p a r e c e q u e n o s n e g a r o n la e x c e l e n c i a
de n u e s t r a naturaleza los q u e afirmaron q u e n o había c o s a
m e j o r ni m á s a p e t e c i b l e n i e x c e l e n t e p a r a el h o m b r e q u e
l o s h o n o r e s , el m a n d o y la g l o r i a p o p u l a r , la c u a l b u s c a n
a u n los m e j o r e s , a ñ a d i e n d o q u e los q u e p e r s i g u e n aquella
v e r d a d e r a h o n e s t i d a d , ú n i c o fin d e la n a t u r a l e z a , c o r r e n
e n p o s d e u n fin v a n o y n a a l c a n z a r á n n i n g u n a i m a g e n d e
v i r t u d , s i n o c i e r t a falsa a p a r i e n c i a d e v a n a g l o r i a , p o r q u e
la g l o r i a s ó l i d a e s a l g o r e a l y v i v o , n o a p a r e n t e y falso. Es
la a l a b a n z a d e l o s b u e n o s q u e p r e d i c a n c o n i n c o r r u p t a v o z
l a s a l a b a n z a s d e l a v i r t u d , y c o r r e s p o n d e á ella c o m o su
i m a g e n . La c u a l , p o r lo m i s m o q u e e s c o m p a ñ e r a la m a y o r
p a r t e de las veces de las acciones rectas, no d e b e s e r r e -
pudiada por los h o m b r e s de bien. P e r o la q u e s e p r e s e n t a
como imitadora suya, temeraria é inconsiderada y la ma-
y o r p a r t e d e las v e c e s e n c o m i a d o r a de los vicios y p e c a -
d o s ; e n s u m a , la fama p o p u l a r , c o n a p a r i e n c i a s d e h o -
n e s t a , c o r r o m p e su forma y h e r m o s u r a . P o r esta c e g u e d a d
l o s h o m b r e s , t e n d i e n d o á v e c e s á lo e x c e l e n t e , p e r o n a
CUESTIONES TUSCULANAS. 87

s a b i e n d o d ó n d e s e e n c o n t r a b a ni e n q u é c o n s i s t í a , allana-
r o n los u n o s d e s d e los cimientos sus ciudades, otros se
m a t a r o n á sí m i s m o s , y t o d o s é s t o s , b u s c a n d o lo m e j o r , n o
s e e n g a ñ a r o n t a n t o p o r e r r o r d e la v o l u n t a d c o m o p o r v i c i o
de ejecución. Y ¿qué d i r á s d e los q u e s e d e j a n a r r a s t r a r
p o r la c o d i c i a d e l d i n e r o ó p o r la l i v i a n d a d d e l d e l e i t e , y
c u y o á n i m o e s t á s u j e t o á tal p e r t u r b a c i ó n q u e n o le falta
mucho para c a e r e n la l o c u r a ? ¿No h e m o s d e a p l i c a r a l -
g u n a c u r a c i ó n á e s t o s i n s e n s a t o s ? ¿Acaso s o n m e n o s n o c i -
vas las e n f e r m e d a d e s del alma que las del cuerpo? ¿Habrá
- m e d i c i n a p a r a el c u e r p o y n o la h a b r á p a r a el a l m a ?
Y en realidad son m u c h a s y m á s perniciosas las enfer-
m e d a d e s d e l a l m a q u e las d e l c u e r p o . Aun l o s d o l o r e s c o r -
p o r a l e s s o n m á s o d i o s o s , p o r q u e t o c a n al a l m a y la s o l i c i -
t a n ; y el a l m a e n f e r m a , c o m o E n n i o e s c r i b e , a n d a errante
s i e m p r e , y ni p u e d e sufrir ni r e s i s t i r y n u n c a deja d e d e -
s e a r . ¿Qué d o l o r d e l c u e r p o p u e d e ser m á s g r a v e q u e la
t r i s t e z a y la c o d i c i a , p o r n o n o m b r a r o t r o s ? Y ¿quién c r e e r á
q u e el a l m a n o e s s u s c e p t i b l e d e m e d i c i n a , c u a n d o sepa
q u e el a l m a h a i n v e n t a d o la m e d i c i n a del c u e r p o , á la c u a l
a y u d ó m u c h o la m i s m a n a t u r a l e z a ? S i e n d o c i e r t o , p o r o t r a
p a r t e , q u e n o t o d o s los q u e s e han sujetado á c u r a c i ó n h a n
c o n v a l e c i d o en s e g u i d a , al p a s o q u e t o d o s l o s e s p í r i t u s q u e
h a n q u e r i d o s a n a r y g u i a r s e p o r l o s p r e c e p t o s d e la s a b i -
d u r í a h a n s a n a d o s i n d u d a a l g u n a . Y e n r e a l i d a d , la f i l o s o -
sofía e s m e d i c i n a d e l a l m a , y s u a u x i l i o n o s e h a d e b u s c a r
d e f u e r a , c o m o en l a s m e d i c i n a s c o r p o r a l e s , sino q u e h e -
mos de procurar con todo esfuerzo curarnos á nosotros
mismos.
De la u t i l i d a d d e t o d a la filosofía y de cómo h e m o s de
c u l t i v a r l a , y a c r e o q u e h e m o s d i c h o b a s t a n t e en el Horten-
sia. A u n q u e s o b r e l a s c u e s t i o n e s filosóficas de mayor im-
portancia no h e m o s dejado de disputar y de escribir d e s d e
e n t o n c e s . P e r o e n e s t o s l i b r o s sólo m e p r o p o n g o e x p o n e r
l o q u e d i s p u t é c o n m i s a m i g o s e n e l T u s c u l a n o . En l o s d o s
88 MARCO TÜLIO CICERÓN.

l i b r o s a n t e r i o r e s t r a t é d e l a m u e r t e y d e l d o l o r : el t e r c e r
día d a r á m a t e r i a á e s t o s t r e s l i b r o s . E r a p o c o d e s p u é s d e l
mediodía cuando, bajando á n u e s t r a academia, interrogué
á u n o d e l o s q u e allí e s t a b a n , p a r a e n c o n t r a r ocasión d e
disputa. Y el diálogo pasó d e e s t e m o d o :
OYENTE.—Me parece q u e e n el sabio cabe la enfer-
medad.
M A R C O . — Y ¿por q u é n o todas l a s p e r t u r b a c i o n e s - d e l
á n i m o , el t e m o r , la l i v i a n d a d , la i r a c u n d i a ? A todas estas
llaman los Griegos pasiones, y yo podría, traduciendo lite-
r a l m e n t e la p a l a b r a , l l a m a r l a s e n f e r m e d a d e s ; p e r o e s t e s e n -
tido n o está a d o p t a d o e n t r e n o s o t r o s . Los Griegos llaman
e n f e r m e d a d e s á la c o m p a s i ó n , á la e n v i d i a , á la a l e g r í a , á
t o d o s l o s m o v i m i e n t o s d e l a l m a q u e n o o b e d e c e n á la r a z ó n ;
pero nosotros, á todos estos movimientos del alma agitada
y fuera d e s í , l o s l l a m a m o s p e r t u r b a c i ó n y nunca enfer-
m e d a d , porque esta v o z tiene entre nosotros un sentido
distinto.
OYENTE.—Lo mismo m e parece.
MARCO. —¿Crees tú q u e t o d o e s t o p u e d e r e c a e r e n e l
sabio?
O Y E N N E . — A s í lo creo.

M A R C O . — En poco h e m o s d e e s t i m a r , p u e s , e s a g l o r i o s a
s a b i d u r í a , si e s q u e n o s e d i f e r e n c i a m u c h o d e la i n s e n -
satez.
OYENTE.—Y q u é , ¿toda c o n m o c i ó n del alma te parece
locura?
M A R C O . — Y no m e l ó p a r e c e á mí s o l o . P o r el c o n t r a r i o ,
suelo admirarme d e q u e á nuestros mayores les hubiera
p a r e c i d o lo m i s m o m u c h o s s i g l o s a n t e s d e S ó c r a t e s , d e l
cual se derivó toda la filosofía d e la vida y d e las c o s -
tumbres.
O Y E N T E . — Y ¿de q u é modo?

M A R C O . — P o r q u e el n o m b r e d e l o c u r a significa enferme-
m e d a d d e la m e n t e , e s t o e s , insania, tristeza d e l alma, lo
CUESTIONES TUSCULANAS. 89

q u e c o m ú n m e n t e l l a m a m o s i n s e n s a t e z . T o d o s l o s filósofos
llaman á estas p e r t u r b a c i o n e s del alma enfermedades, y
n i e g a n q u e n i n g ú n n e c i o c a r e z c a d e e l l a s : e s así q u e el q u e
e s t á e n f e r m o n o e s t á s a n o , y q u e t o d a s las g e n t e s a p a s i o -
nadas padecen una enfermedad ó pasión de ánimo; luego
t o d o s los h o m b r e s a p a s i o n a d o s e s t á n l o c o s . C r e í a n n u e s t r o s
m a y o r e s q u e la s a l u d d e l a l m a c o n s i s t e e n c i e r t a t r a n q u i -
lidad y c o n s t a n c i a : c u a n d o el e n t e n d i m i e n t o c a r e c í a d e
e s t a s e r e n i d a d le l l a m a b a n i n s a n o , p o r q u e en el a l m a per-
t u r b a d a , lo m i s m o q u e en el c u e r p o , n o c a b e la s a l u d .
Y no procedieron con m e n o s agudeza los q u e á la pa-
sión d e l a l m a d e s t i t u i d a d e la luz d e la m e n t e la l l a m a r o n
d e m e n c i a . De d o n d e p o d e m o s d e d u c i r q u e l o s q u e p u s i e -
r o n n o m b r e á e s t a s c o s a s , p e n s a b a n lo m i s m o q u e a p r e n -
d i e r o n d e S ó c r a t e s los Estoicos; es á s a b e r , q u e los insi-
p i e n t e s n o e s t á n s a n o s , p o r q u e el a l m a q u e p a d e c e a l g u n a
pasión no e s t á m á s s a n a q u e el c u e r p o e n f e r m o . De a q u í
s e infiere q u e la s a b i d u r í a e s la s a l u d d e l a l m a , y q u e la
pasión es como una l o c u r a y d e m e n c i a . Mejor s e e x p r e s a
e s t o c o n p a l a b r a s l a t i n a s q u e c o n p a l a b r a s g r i e g a s ; lo m i s -
mo que sucede en otras muchas cosas. Pero de esto trata-
r e m o s o t r a v e z ; a h o r a v a m o s á lo q u e i m p o r t a .
La f u e r z a m i s m a d e las p a l a b r a s e x p l i c a y d e c l a r a lo q u e
v e m o s . Llamamos sanos á aquellos cuyo entendimiento no
está perturbado por ninguna pasión ó enfermedad. A los
q u e s e e n c u e n t r a n e n el c a s o c o n t r a r i o , n e c e s a r i a m e n t e h e -
m o s d e l l a m a r l e s i n s a n o s . Y así n o h a y frase m e j o r q u e l a
q u e c o m ú n m e n t e se usa e n t r e los l a t i n o s , c u a n d o d e c i m o s
q u e h a n salido de su propio dominio aquellos que s e dejan
a r r a s t r a r p o r la l i v i a n d a d , ó p o r la i r a c u n d i a , a u n q u e la
m i s m a i r a c u n d i a e s u n a p a r t e d e la l i v i a n d a d , p u e s t o q u e s e
define d e s e o i n m o d e r a d o d e v e n g a n z a . A q u e l l o s , p u e s , d e
quienes se dice que han salido de su propio dominio m e r e -
cen este juicio, p o r q u e no están sujetos á su entendimien-
t o , a l c u a l la n a t u r a l e z a c o n c e d i ó el r e i n o y s e ñ o r í o d e t o d a
O MARGO TULIO CICERÓN.

el a l m a . N o s é p o r q u é l o s G r i e g o s l l a m a n á e s t o m a n í a : l o
cierto es que nosotros no tenemos palabras para distin-
guirlo. Distingamos del furor p r o p i a m e n t e dicho esta in-
s a n i a q u e s u e l e ir u n i d a á la n e c e d a d . "Los G r i e g o s q u i e r e n
decir esto mismo, pero con palabra no m u y expresiva,
puesto q u e l l a m a n m e l a n c o l í a á lo q u e n o s o t r o s apelli-
d a m o s furor, como si q u i s i e r a n i n d i c a r c o n e s t o q u e el
ánimo sufre sólo los afectos d e la a t r á b i l i s , s i e n d o así
que m u c h a s v e c e s o b e d e c e m á s bien á los impulses de
la i r a , ó d e l d o l o r , ó d e l temor. En este sentido deci-
mos de Atañíante, Alcmeón, Ayax, Orestes, que estaban
furiosos. A los q u e están afectados de e s t e m o d o les p r o -
h i b e n las Doce Tablas d i s p o n e r de su h a c i e n d a . Y p o r e s o
está escrito allí: «cuando empieza á estar furioso,» y n o
c u a n d o empieza á e s t a r i n s a n o , p o r q u e c r e y e r o n q u e la in-
sania, esto e s , la i n c o n s t a n c i a d e u n a l m a que carece de
salud puede cumplir m e d i a n a m e n t e l a s o b l i g a s i o n e s d e la
v i d a y s u j e t a r s e al u s o c o m ú n . Y p o r el c o n t r a r i o , o p i n a r o n
que el f u r o r llevaba consigo toda c e g u e d a d del enten-
dimiento. La c u a l , a u n q u e p a r e z c a m a y o r q u e la locura,
puede recaer, sin e m b a r g o , en v a r ó n s a b i o , y la i n s a n i a
no. Pero esta e s otra c u e s t i ó n . Ahora volvamos á n u e s t r o
propósito. Creo que h a s d i c h o q u e s e g ú n tu p a r e c e r p o d í a
e s t a r s u j e t o el s a b i o á l a s e n f e r m e d a d e s .
O Y E N T E . — A s í lo creo.
MARCO.—Humano e s lo q u e h a s d i c h o , p o r q u e al fin n o
h e m o s n a c i d o d e n i n g u n a p i e d r a . P e r o h a y en el a l m a a l g o
de tierno y de muelle que está combatido y sacudido por
las enfermedades como por una t o r m e n t a . Y ¿no a n d a b a
f u e r a d e r a z ó n C r a n t o r , u n o d e los m á s l a m o s o s maestros
de nuestra Academia, c u a n d o dijo n o e s t a r conforme con
l o s q u e a l a b a n t a n t o e s a i n d o l e n c i a q u e ni p u e d e ni d e b e
e x i s t i r ? No d e s e o estar enfermo; pero p o r lo m i s m o n o
quisiera que m e faltase el s e n t i d o , c u a n d o m e cortaran
a l g o ó m e s u p r i m i e s e n u n a p a r t e d e l c u e r p o . P o r q u e la c a -
CUESTIONES TUSCULANAS. 91

r e n c i a d e d o l o r n o p o d r í a a c o n t e c e r m e s i n u n g r a v e dafio
d e i n s e n s i b i l i d a d e n el a l m a y d e e s t u p o r en el c u e r p o .
Pero procuremos que este discurso no sea acomodado á
los oídos de aquellos h o m b r e s que adulan nuestra debili-
dad y consienten en ella: atrevámonos no sólo á cortar
d e r a í z l o s r a m o s d e la m i s e r i a , sino también á a r r a n -
car s u s r a í c e s . Algo d e j a r e m o s , sin e m b a r g o , p o r q u e son
m u y p r o f u n d a s l a s r a í c e s d e la n e c e d a d , p e r o d e j a r e m o s
sólo aquello q u e s e a n e c e s a r i o . Ten p r e s e n t e q u e si el
a l m a n o e s t á s a n a , lo c u a l s ó l o s e p u e d e c o n s e g u i r p o r
m e d i o d e la filosofía, n u n c a h a b r á fin p a r a l a s m i s e r i a s h u -
m a n a s . P o r lo e u a l , ya q u e h e m o s e m p e z a d o , e n t r e g u é -
m o n o s á él p a r a n u e s t r a c u r a c i ó n : s a n a r e m o s si lo q u i e r e s ,
y e x t e n d e r é mi r a z o n a m i e n t o aun más, porque no tra-
taré sólo de las e n f e r m e d a d e s (aunque d e éstas p r i m e r o ) ,
sino también de toda p e r t u r b a c i ó n del a l m a , q u e los G r i e g o s
l l a m a n a s i m i s m o e n f e r m e d a d . Y e n p r i m e r l u g a r , si así lo
q u i e r e s , p r o c e d e r é á la m a n e r a d e l o s E s t o i c o s , q u e s u e l e n
poner argumentos breves; después l o s a m p l i f i c a r é á mi^-í
m o d o o r a t o r i o . El q u e e s f u e r t e e s c o n f i a d o , a u n q u e e s t a J.
voz suele tomarse en mala parte, aplicándose á los v a n a -
gloriosos y á los que están d e m a s i a d o persuadidos de sus
p r o p i a s f u e r z a s . El q u e e s t á c o n f i a d o nunca teme, porque
el t e m o r e s t o d o lo o p u e s t o á la c o n f i a n z a . Aquel varón
e n q u i e n c a b e la e n f e r m e d a d e s t á s u j e t o al t e m o r , p u e s
las mismas cosas que e n p r e s e n c i a nos atormentan, nos
i n f u n d e n t e m o r a n t e s d e s u v e n i d a . De a q u í s e infiere q u e
la e n f e r m e d a d r e p u g n a á la n a t u r a l e z a . E s v e r o s í m i l , p u e s ,
q u e a q u e l e n q u i e n r e c a e la e n f e r m e d a d e s t á s u j e t o t a m -
b i é n al t e m o r y á c i e r t a f l a q u e z a y flojedad d e a l m a . C u a n d o
tal d i s p o s i c i ó n d e á n i m o s e d a e n u n i n d i v i d u o , le h a c e e s -
c l a v o , y, p o r d e c i r l o a s í , l e o b l i g a á c o n f e s a r s e v e n c i d o .
El q u e t a l e s a f e c t o s r e c i b e e n s u p e c h o , n e c e s a r i a m e n t e h a
de r e c i b i r t a m b i é n la t i m i d e z y la c o b a r d í a . N o c a b e n e s -
t a s f l a q u e z a s e n el v a r ó n f u e r t e ; p o r c o n s i g u i e n t e , t a m p o c o
92 MARCO TULIO CICERÓN.

la e n f e r m e d a d . E s a s í q u e n i n g ú n h o m b r e p u e d e l l a m a r s e
s a b i o , si n o [es f u e r t e ; l u e g o e n e l s a b i o n o c a b e la e n f e r -
medad.
A d e m á s e s necesario q u e el q u e es fuerte sea también
m a g n á n i m o , y el q u e s e a m a g n á n i m o q u e s e a i n v i c t o ; q u e
el q u e s e a invicto desprecie los deseos h u m a n o s y los
juzgue inferiores á é l . Es así q u e nadie p u e d e despre-'
c i a r a q u e l l a s m i s m a s c o s a s q u e l e p r o d u c e n m o l e s t i a . De
d o n d e s e infiere q u e e l v a r ó n f u e r t e nunca puede sentir
molestia. Todos los sabios s o n fuertes; luego e n el sabio
n o c a b e la m o l e s t i a . Y a s í c o m o el ojo p e r t u r b a d o n o p u e d e
c u m p l i r s u oficio, n i t a m p o c o las d e m á s p a r t e s d e l c u e r p o ,
ni t o d o é l c u a n d o p i e r d e s u n a t u r a l e s t a d o ; a s í el a l m a ,
c u a n d o e s t á fuera d e s í , n o e s a p t a p a r a c u m p l i r s u m i s i ó n .
El oficio d e l a l m a e s u s a r b i e n d e la r a z ó n , y el a l m a d e l
s a b i o e s t á d i s p u e s t a s i e m p r e á u s a r p e r f e c t a m e n t e d e la
r a z ó n . P o r consiguiente nunca está p e r t u r b a d a . Es así q u e
la m o l e s t i a e s u n a p e r t u r b a c i ó n d e l a l m a ; l u e g o e l s a b i o
c a r e c e r á s i e m p r e d e ella.
También e s verosímil que sea templada con aquella v i r -
t u d q u e l o s G r i e g o s l l a m a n sophrosyne, la c u a l y o u n a s
veces suelo llamar templanza, otras moderación y algunas
m o d e s t i a , y a u n n o s é si m á s r e c t a m e n t e p u e d e llamarse
frugalidad, a u n q u e esta palabra tiene un sentido m á s e s -
t r e c h o e n t r e l o s G r i e g o s ; a l p a s o q u e la p a l a b r a sophrosyne
a b r a z a t o d a a b s t i n e n c i a , t o d a i n o c e n c i a , la c u a l e n t r e l o s
G r i e g o s ñ o t i e n e n o m b r e p a r t i c u l a r , si b i e n p u e d e l l a m a r s e
oSAaSsia, p o r q u e e s la i n o c e n c i a u n a f e c t o d e l a l m a q u e
c o n s i s t e e n n o h a c e r d a ñ o á n a d i e . La frugalidad a b r a z a
en sí t o d a s l a s d e m á s v i r t u d e s . La c u a l , si n o b r i l l a s e t a n t o
y estuviese encerrada en tan angostos límites, c o m o m u -
c h o s c r e e n , n o h u b i e r a h e c h o i n m o r t a l el n o m b r e d e L u c i o
Pisón. Pero como aquel hombre que por miedo no a b a n -
d o n ó e n la g u e r r a el p u e s t o q u e l e h a b í a n c o n f i a d o , lo
c u a l s e r í a c o b a r d í a , ni p o r a v a r i c i a e n t r e g a e l d e p ó s i t o , l o
CUESTIONES TUSCULANAS. 93

cual fuera i n j u s t i c i a , ni p o r t e m e r i d a d g o b i e r n a mal sus


n e g o c i o s , lo c u a l fuera necedad, suele llamarse frugal;
p o r e s o la f r u g a l i d a d a b r a z a t r e s v i r t u d e s : la f o r t a l e z a , la
j u s t i c i a , la p r u d e n c i a , y a u n p u e d e d e c i r s e q u e e s c o m ú n
á todas las v i r t u d e s , p o r q u e todas están unidas y e n l a z a -
d a s e n t r e s í . N e c e s a r i o e s q u e la c u a r t a y ú l t i m a d e t o d a s
e l l a s s e a la m i s m a f r u g a l i d a d , c u y o oficio p r o p i o parece
s e r r e g i r y m o d e r a r el m o v i m i e n t o d e l á n i m o , y o p o n i é n -
d o s e á la l i v i a n d a d , g u a r d a r e n t o d a s l a s c o s a s m o d e r a c i ó n
y c o n s t a n c i a . El vicio c o n t r a r i o á é s t e s e l l a m a nequitia.
La f r u g a l i d a d s e l l a m ó a s í , s e g ú n c r e o , p o r l o s f r u t o s , q u e
s o n la c o s a m e j o r d e la t i e r r a . L a neguitia p o d r á l l a m a r s e
a s í ( a u n q u e la e t i m o l o g í a p a r e z c a d u r a y p u e d a p a s a r p o r
juego) porque no h a y ninguna cualidad en tales h o m b r e s ,
p o r l o c u a l p u e d e d e c i r s e q u e e l l o s s o n n a d a . El q u e s e a
f r u g a l , ó , si l o q u i e r e s m e j o r , m o d e r a d o y t e m p l a d o , n e c e -
sario e s q u e s e a c o n s t a n t e ; el q u e es c o n s t a n t e ha d e s e r
q u i e t o ; el q u e s e a q u i e t o h a d e c a r e c e r d e t o d a perturba-
ción. Estas son cualidades propias del sabio; luego el s a -
p b i o estará exento de toda molestia.
P o r e s o Dionisio d e Heraclea c o n t e s t a , no sin d i s c r e -
ción, á las quejas d e Aquiles en Homero, cuando dice d e
e s t e m o d o : «Inflama m i c o r a z ó n la t r i s t e i r a c u n d i a , y m e
a v e r g ü e n z o d e estar privado d e toda gloria.» ¿Por v e n t u r a
e s t á b i e n la m a n o c u a n d o e s t á h i n c h a d a ? ¿No e s v i c i o s o e l
estado d e cualquier mierrbro cuando se hincha? Por consi-
g u i e n t e , t a m b i é n s e r á v i c i o s o el á n i m o h i n c h a d o y r e d u n -
d a n t e . Al c o n t r a r i o , e l a l m a d e l s a b i o c a r e c e d e t o d o v i c i o ,
nunca s e hincha, nunca padece escasez. Nunca el sabio
p u e d e e n o j a r s e . P o r q u e si s e e n o j a , también será sus-
ceptible de codicia, y es propio d e l enojado d e s e a r el
mayor dolor posible á aquellos d e quienes cree haber r e -
c i b i d o o f e n s a . Y e l q u e e s t o d e s e a , n e c e s a r i a m e n t e , si l o
c o n s i g u e , h a d e a l e g r a r s e m u c h o y g o z a r s e e n el m a l
ajeno. Y c o m o esto n o p u e d e r e c a e r e n el s a b i o , forzoso
94 MARCO TULIO CICERÓN.

será que tampoco pueda enojarse n u n c a . P e r o si e n el


s a b i o p u d i e r a r e c a e r la m o l e s t i a , p o d r í a recaer también
la i r a , y al c o n t r a r i o , si c a r e c e d e lo u n o , f o r z o s a m e n t e h a
d e c a r e c e r d e lo o t r o .
- Si el s a b i o p u d i e r a ser atormentado p o r la molestia,
t a m b i é n p o d r í a s e r l o p o r la m i s e r i c o r d i a ó p o r la e n v i d i a .
En u n a m i s m a p e r s o n a r e c a e n , p u e s , el c o m p a d e c e r s e y la
e n v i d i a . L o s q u e s e d u e l e n d e la a d v e r s i d a d d e o t r o , s e
d u e l e n t a m b i é n d e s u f o r t u n a f a v o r a b l e ; y así, Teofrasto,
l l o r a n d o la m u e r t e d e C a l i s t e n e s , a m i g o s u y o , s e l a m e n t a
también d e la p r o s p e r i d a d de Alejandro, y por eso dice
q u e Calistenes cayó e n p o d e r de un h o m b r e de s u m a for-
tuna, p e r o que no sabía de qué m o d o debía u s a r s e d e la
prosperidad. Así c o m o la m i s e r i c o r d i a es una molestia
p o r la a d v e r s i d a d d e o t r o , a s í la e n v i d i a es una molestia
n a c i d a d e la p r o s p e r i d a d d e o t r o . En u n a m i s m a persona
r e c a e n , p u e s , la c o m p a s i ó n y la e n v i d i a . Si el s a b i o n o
puede envidiar, tampoco puede c o m p a d e c e r s e . Y si el
s a b i o p u d i e r a s e r s u s c e p t i b l e d e d o l o r , lo s e r í a t a m b i é n d e
c o m p a s i ó n . P o r c o n s i g u i e n t e , n o c a b e m o l e s t i a e n el s a b i o .
T o d o e s t o lo d i c e n l o s e s t o i c o s p o r r a z o n a m i e n t o s muy
s e c o s y d e s c a r n a d o s , p e r o conviene amplificarlos y e x t e n -
derlos m á s , aunque valiéndonos principalmente de sus opi-
n i o n e s , p u e s t o q u e ellos h a n sido los q u e se han valido
siempre de razones más fuertes, y, por decirlo así, más
viriles. Los peripatéticos amigos nuestros, y superiores á
l o s e s t o i c o s en a b u n d a n c i a d e p a l a b r a s , e n e r u d i c i ó n y e n
g r a v e d a d , n o l l e g a n á p e r s u a d i r n o s c o n s u d o c t r i n a d e la
m o d e r a c i ó n e n l a s p e r t u r b a c i o n e s ó e n las enfermedades
del a l m a . Todo mal, a u n q u e p a r e z c a m e d i a n o , es g r a n d e .
P e r o n o s o t r o s lo que p r o c u r a m o s es q u e en el sabio no
quepa absolutamente mal a l g u n o . Así c o m o el cuerpo,
aunque su e n f e r m e d a d s e a p e q u e ñ a , n o s e p u e d e decir
s a n o , así el a l m a q u e n o p a s a d e e s t a m e d i a n í a d e salud
t a m p o c o p u e d e decirse perfectamente sana é í n t e g r a .
CUESTIONES TUSCULANAS. 95

Así t u v i e r o n g r a n r a z ó n los n u e s t r o s en e s t a c o m o en
otras m u c h a s c o s a s , c u a n d o á la m o l e s t i a , á la i n q u i e t u d ,
á la a n g u s l i a , l a s l l a m a r o n e n f e r m e d a d e s , p o r la m u c h a
semejanza que tienen con los cuerpos enfermos. Este es
el n o m b r e q u e s u e l e n aplicar los Griegos á toda p e r t u r b a -
c i ó n d e l a l m a : pasión, esto es, enfermedad, como que es
u n a a g i t a c i ó n t u r b u l e n t a del á n i m o . N o s o t r o s lo d e c i m o s
m e j o r , p o r q u e la e n f e r m e d a d d e l á n i m o e s m u y s e m e j a n t e
á la d e l c u e r p o . P e r o n o e s s e m e j a n t e á la e n f e r m e d a d e l
d e s e o a t r o p e l l a d o ni la a l e g r í a i n m o d e r a d a , que es un d e -
l e i t e d e á n i m o l e v a n t a d o y t u r b u l e n t o . El m i e d o m i s m o n o
e s a n á l o g o á la enfermedad, por más que se parezca á
e l l a . D e b e m o s e x p l i c a r , p u e s , la c a u s a d e e s t e d o l o r , es
d e c i r , la c a u s a q u e p r o d u c e la a n g u s l i a en el á n i m o , c o m o
la e n f e r m e d a d en e l c u e r p o . Así c o m o l o s m é d i c o s c r e e n
h a b e r d e s c u b i e r t o la c u r a c i ó n e n c u a n t o h a n descubierto
la c a u s a d e la e n f e r m e d a d , a s í n o s o t r o s , en h a b i e n d o c o n o -
c i d o la c a u s a d e la a n g u s t i a , c r e e r e m o s h a b e r c o n o c i d o el
modo de curarla.
...Consiste, p u e s , e n n u e s t r a falsa o p i n i ó n , la c a u s a n o s ó l o
''"del d o l o r , s i n o t a m b i é n de todas las p e r t u r b a c i o n e s del
alma, que son en general c u a t r o , a u n q u e luego se subdivi-
den en m u c h a s p a r t e s . P o r q u e siendo toda perturbación
m o v i m i e n t o d e l á n i m o q u e c a r e c e d e r a z ó n , ó q u e la d e s -
precia, ó que no o b e d e c e á ella, y siendo causado este m o -
v i m i e n t o p o r la o p i n i ó n del b i e n ó d e l m a l , h a n s i d o sub-
d i v i d i d a s l a s c u a t r o p a s i o n e s e n d o s g r u p o s . Dos d e e l l a s
p r o c e d e n d e la a p a r i e n c i a d e l b i e n : la u n a , e s la espe-
r a n z a d e l d e l e i t e , la a l e g r í a q u e n a c e d e la i m a g e n d e a l -
g ú n g r a n b i e n p r e s e n t e ; la o t r a p u e d e l l a m a r s e c o d i c i a ó
liviandad, y es un i n m o d e r a d o apetito de algún gran bien
e s p e r a d o , apetito no sujeto á razón. Estas dos pasiones,
e s d e c i r , l a a l e g r í a y el i n m o d e r a d o a p e t i t o , s e mueven
p o r la o p i n i ó n d e l b i e n ; así c o m o l a s o t r a s d o s , el m i e d o y
e l d o l o r , p o r la o p i n i ó n d e l m a l . El m i e d o e s la o p i n i ó n d e
96 MARCO TULIO CICERÓN.

a l g ú n g r a n m a l q u e n o s a m e n a z a , y el d o l o r e s la o p i n i ó n
de algún gran mal presente, y opinión que ha de ser i n m e -
d i a t a , p o r q u e e s n e c e s a r i o q u e el q u e s i e n t a d o l o r j u z g u e
q u e lo s i e n t e . A e s t a s p a s i o n e s , q u e s o n c o m o furias con
l a s c u a l e s n u e s t r a i n s e n s a t e z a t o r m e n t a la v i d a humana,
h a y q u e r e s i s t i r c o n t o d a s n u e s t r a s f u e r z a s , si queremos
p a s a r con s e r e n i d a d y r e p o s o lo q u e n o s q u e d e d e vida.
De e s t o t r a t a r e m o s e n o t r a p a r t e : a h o r a h e m o s d e p r o c u -
r a r d e f e n d e r n o s d e l d o l o r , si e s p o s i b l e . Y tú d e b e s pro-
c u r a r l o t a n t o m á s , c u a n t o q u e o p i n a s q u e el s a b i o e s s u s -
c e p t i b l e d e t a l e s p a s i o n e s . Y o d e n i n g ú n m o d o lo creo,
p o r q u e el d o l o r e s c o s a t r i s t e , m í s e r a y d e t e s t a b l e , q u e e s
p r e c i s o h u i r c o n t o d o e m p e ñ o , v e n c i e n d o la p a s i ó n , p o r
decirlo así.
¿Qué t e p a r e c e d e a q u e l n i e t o d e T á n t a l o , hijo d e P é l o p e ,
q u e en otro tiempo alcanzó por esposa á Hippodamia, a r r e -
b a t á n d o s e l a á s u s u e g r o E n o m a o ? ¿Cómo u n b i z n i e t o de
J o v e s e presenta tan abatido y q u e b r a n t a d o ? «Huéspedes
(dice él), no os acerquéis á mí, n o llegue á los b u e n o s el
c o n t a g i o d e la s o m b r a d e m i c u e r p o : p o d r í a i n f e s t a r o s e l
c r i m e n q u e h a y e n é l . » Y t ú , o h T i e s t e s , te c o n d e n a r á s ó
t e p r i v a r á s d e la l u z p o r u n d e l i t o a j e n o ? ¿No c r e e s i n d i g n o
d e l a l u z d e s u m i s m o p a d r e á a q u e l hijo d e l sol? « S u s o j o s
ya no a l u m b r a n ; su c u e r p o está lánguido y e x t e n u a d o ; las
lágrimas han s e c a d o y d e v o r a d o s u s mejillas; su b a r b a in-
culta y h ó r r i d a c u b r e su p e c h o hirsuto y escabroso.» Y
¿ q u i é n , si n o t ú , le h a p r o c u r a d o t o d o s e s t o s m a l e s ? No e r a n
d e l n ú m e r o d e a q u e l l o s q u e la c a s u a l i d a d h a b í a t r a í d o s o -
b r e tí, y q u e habían llegado á h a c e r s e inveterados por tu
s o b e r b i a . P o r q u e la a n g u s t i a , c o m o en o t r a p a r t e t e e n s e -
ñ a r é , c o n s i s t e en la o p i n i ó n d e l m a l p r e s e n t e . T e l a m e n t a s
sin d u d a p o r la p é r d i d a d e l r e i n o , n o d e tu hija, p o r q u e á
a q u e l l a la a b o r r e c e s , y q u i z á c o n r a z ó n , al p a s o q u e del
reino ño te resignas á carecer. Pero es vergonzoso el
llanto de quien se c o n s u m e p o r q u e n o le e s lícito imperar
CUESTIONES TUSCULANAS. 97

á h o m b r e s l i b r e s . Él t i r a n o D i o n i s i o , e x p u l s a d o d e Sira-
c u s a , e d u c a b a á l o s n i ñ o s en C o r i n t o . Ni a u n allí p o d í a r e -
signarse á c a r e c e r de imperio. Y ¿qué cosa m á s vergon-
zosa para Tarquino que el h a c e r la g u e r r a á l o s q u e n o
habían podido tolerar su soberbia? Cuando se convenció
d e que no podía ser restituido á su r e i n o p o r las a r m a s de
los V e y e n t e s y d e los Latinos, dicen q u e se r e t i r ó á Cu-
m a s , y q u e en a q u e l l a c i u d a d s e d e j ó c o n s u m i r p o r el t e - v

dio y p o r la v e j e z . ¿Crees tú q u e al s a b i o le p u e d e a c a e c e r
n u n c a el s e r o p r i m i d o p o r el d o l o r n i p o r la m i s e r i a ? T o d a
p a s i ó n e s m i s e r i a , p e r o n i n g u n a tan m i s e r a b l e c o m o el
d o l o r . T i e n e su a r d o r la l i v i a n d a d : la i n m o d e r a d a alegría
l l e v a c o n s i g o la l i g e r e z a . El m i e d o humilla; pero [Link]-
l o r l l e v a c o n s i g o m a y o r e s m a l e s ; la e x t e n u a c i ó n , el a b a t i -
m i e n t o , la aflicción; a t o r m e n t a y d e v o r a el á n i m o , y d e
t o d o p u n t o le a b a l e y r i n d e . Si n o n o s l i b r a m o s d e é l , si
no conseguimos ahuyentarle, jamás podremos estar e x e n -
t o s d e la m i s e r i a . E s c o s a e v i d e n t e que sólo existe el
d o l o r , c u a n d o n o s p a r e c e q u e e s t a m o s bajo la i n f l u e n c i a d e
un g r a n mal p r e s e n t e ó q u e nos a m e n a z a . Epicuro cree
q u e la o p i n i ó n d e l mal e s p o r s u n a t u r a l e z a u n d o l o r , de
tal m a n e r a , q u e q u i e n i m a g i n a q u e a l g u n a g r a n calamidad
l e o p r i m e , s u f r e ya t a n t o c o m o si r e a l m e n t e le h u b i e r a a c a e -
cido. Los Cirenaicos no creen q u e t o d o mal p r o d u c e d o -
l o r , s i n o s o l a m e n t e el m a l i n e s p e r a d o . El n o esperarle
c o n t r i b u y e , sin d u d a , m u c h o á a u m e n t a r la a n g u s t i a . T o d o
lo q u e e s r e p e n t i n o p a r e c e m á s g r a v e . P o r e s o s e a l a b a n
c o n t a n t a j u s t i c i a a q u e l l a s p a l a b r a s : « C u a n d o le e n g e n d r é ,
y a s a b í a q u e iba á s e r m o r t a l . Y c u a n d o l e e n v i é á T r o y a
p a r a d e f e n d e r á l o s G r i e g o s , y a s u p e q u e le e n v i a b a á u n a
"i g u e r r a m o r t í f e r a y n o á u n c o n v i t e . »
\' Esta p r e m e d i t a c i ó n d e los males futuros a t e n ú a los e f e c -
tos de su llegada c u a n d o se han previsto de m u c h o t i e m p o
a n t e s . Y p o r e s o s e a l a b a n l a s p a l a b r a s d e T e s e o en Eurí-
pides. Lícito n o s s e r á traducirlas, c o m o m u c h a s v e c e s h e -
T0M0 v. 7
98 MARCO TULIO CICERÓN.

m o s h e c h o : « O b e d e c i e n d o al c o n s e j o d e un v a r ó n m u y
docto, recapacitaba y o c o n m i g o m i s m o t o d a s las m i s e r i a s
m á s d u r a s ; m e i m a g i n a b a s i e m p r e la m u e r t e a c e r b a , la
fuga, ó él d e s t i e r r o , ó algún otro mal m u y g r a v e , para q u e ,
s i p o r c a s u a l i d a d la f o r t u n a le h a c e c a e r s o b r e m í , n o m e
e n c u e n t r e d e s p r e v e n i d o . » Lo q u e T e s e o d i c e h a b e r a p r e n -
d i d o d e u n v a r ó n d o c t o , lo h a b í a a p r e n d i d o ciertamente
E u r í p i d e s , el c u a l h a b í a s i d o d i s c í p u l o d e A n a x á g o r a s , d e
q u i e n c u e n t a n q u e , c u a n d o le a n u n c i a r o n la m u e r t e d e s u
h i j o , r e s p o n d i ó : «Ya s a b í a q u e lo h a b í a e n g e n d r a d o m o r -
tal.» Estas palabras d e c l a r a n q u e parece más acerbo lo
q u e a n t e s n o h a b l a s i d o i m a g i n a d o . Y así n o e s d u d o s o
q u e , t o d o s los q u e se tienen por m a l e s , c u a n d o r e c a e n d e
improviso, parecen más graves. Aunque no es esta causa
s o l a la q u e p r o d u c e m a y o r d o l o r , sin e m b a r g o , como
p u e d e m u c h o , p a r a d i s m i n u i r l e , la p r e v i s i ó n y la p r e p a r a -
c i ó n d e l a l m a , p o r e s o d e b e e s t a r p r e v e n i d o s i e m p r e el
h o m b r e p a r a t o d o s l o s c a s o s h u m a n o s . Y en e s t o c o n s i s t e
la m á s e x c e l e n t e y divina sabiduría; es decir, en tener
a p e r c i b i d a s y c o n o c i d a s t o d a s l a s c o s a s h u m a n a s , no a d m i -
rándose c u a n d o acontezcan, y en no c r e e r que nada pueda
dejar de suceder, aunque no haya sucedido todavía. Por
e s o , c u a n d o la f o r t u n a e s m á s f a v o r a b l e , c o n v i e n e q u e t o d o s
m e d i t e n el m o d o d e t o l e r a r l a a d v e r s i d a d , l o s p e l i g r o s , l o s
d a ñ o s , el d e s t i e r r o . P e n s a r c a d a c u a l e n la p o s i b i l i d a d d e
la i n g r a t i t u d d e s u hijo, d e la m u e r t e d e su m u j e r ó d e la
enfermedad d e s u hija; p e n s a r q u e t o d o s e s t o s m a l e s s o n
c o m u n e s , q u e p u e d e n a c a e c e r s i e m p r e . De e s t e m o d o n a d a
le c o g e r á d e n u e v a s , y j u z g a r á q u e e s g a n a n c i a t o d o b i e n
q u e no se esperaba.
Si T e r e n c i o dijo tan s a b i a m e n t e e s t a s c o s a s , t o m á n d o l a s
d e la filosofía, n o s o t r o s , q u e c o n o c e m o s la f u e n t e d e d o n d e
l a s t o m ó , ¿no lo p o d r e m o s d e c i r m e j o r y s e n t i r c o n m á s
firmeza? De a q u í n a c í a a q u e l r o s t r o i g u a l y s e r e n o que,
s e g ú n afirma J a n t i p p a , solía t e n e r s u m a r i d o Sócrates,
CUESTIONES TUSCULANAS. 99

q u e s i e m p r e c o n s e r v a b a la m i s m a c a r a al e n t r a r y s a l i r d e
s u c a s a . No e r a s u r o s t r o c o m o el d e a q u e l a n t i g u o M a r c o
Craso, d e quien c u e n t a Lucilio q u e sólo u n a vez en su vida
le vio r e i r ; p e r o e r a t r a n q u i l o y s e r e n o , s e g ú n h e m o s o í d o .
Su s e m b l a n t e e r a s i e m p r e el m i s m o , c o m o q u e n o había
alteración alguna en su entendimiento, del cual era imagen
su s e m b l a n t e . T o m o , p u e s , de los Cirenaicos estas armas
c o n t r a el a c a s o y la f o r t u n a , a r m a s b a s t a n t e s á d e t e n e r y
q u e b r a n t a r con diaria p r e m e d i t a c i ó n s u s í m p e t u s y a t a -
q u e s , y al m i s m o t i e m p o j u z g o q u e el m a l n a c e d e la o p i -
n i ó n , n o d e la n a t u r a l e z a , p o r q u e si e s t u v i e s e e n la r e a l i -
d a d , ¿ c ó m o lo p r e v e n i d o h a b í a d e s e r m á s l l e v a d e r o ? P e r o
todavía p o d e m o s sutilizar más este p u n t e , e x a m i n a n d o el
p a r e c e r d e E p i c u r o , el c u a l o p i n a q u e n e c e s a r i a m e n t e h a n
d e t e n e r s u m o dolor los que j u z g a n que padecen algún
m a l , ora lo h a y a n p r e v i s t o y e s p e r a d o a n t e s , o r a s e h a y a n
acostumbrado á su repetición inveterada. En realidad,
ni c o n la d u r a c i ó n se disminuyen l o s m a l e s , ni c o n la
premeditación se hacen más leves, y por otra parte es necia
la m e d i t a c i ó n d e l m a l f u t u r o , q u e q u i z á n o h a d e s u c e d e r .
H a r t o o d i o s o e s el m a l c u a n d o s u c e d e , y el q u e s i e m p r e
p i e n s a q u e le p u e d e a c a e c e r a l g u n a a d v e r s i d a d , t i e n e c o n
s o l o e s t o u n m a l s e m p i t e r n o ; y si e s a a d v e r s a f o r t u n a n o
s e c u m p l e , s u f r e en v a n o u n a m i s e r i a v o l u n t a r i a . De d o n d e
r e s u l t a q u e d e t o d a s m a n e r a s s e a n g u s t i a , y a c o n el m a l
recibido, ya con los males p e n s a d o s y e s p e r a d o s . Hace
consistir Epicuro el alivio del dolor en dos cosas: en
a p a r t a r s e d e p e n s a r e n las m o l e s t i a s f u t u r a s , y e n fijar el
á n i m o e n la c o n t e m p l a c i ó n d e l d e l e i t e . C r e e q u e el a l m a
p u e d e o b e d e c e r á la r a z ó n y s e g u i r l a p o r d o n d e la con-
d u z c a . La r a z ó n p r o h i b e c o n t e m p l a r l a s m o l e s t i a s a j e n a s ,
a b s t r a e d e l o s a m a r g o s p e n s a m i e n t o s el á n i m o t o r p e p o r la
c o n t e m p l a c i ó n d e las m i s e r i a s , y l u e g o le i m p e l e á p e n s a r
y r e c o r r e r c o n el e n t e n d i m i e n t o v a r i a s a g r a d a b l e s i d e a s ,
c o n las c u a l e s , p o r la m e m o r i a d e lo p a s a d o y p o r la e s -
100 MARCO TUUO CICERÓN.

p e r a n z a d e lo f u t u r o , c r e e p o d e r l l e n a r la v i d a d e l s a b i o -
E s t o lo d e c i m o s n o s o t r o s á n u e s t r o m o d o ; l o s E p i c ú r e o s al
s u y o ; p e r o a t e n d a m o s á lo q u e d i c e n y o l v i d é m o n o s del
modo.
En p r i m e r l u g a r n o t i e n e n r a z ó n e n r e p r e n d e r la p r e m e -
d i t a c i ó n d e las c o s a s f u t u r a s , p u e s n a d a h a y q u e e n e r v e
t a n t o el d o l o r c o m o p e n s a r e t e r n a m e n t e en él p o r t o d a u n a
vida, y persuadirnos de que no hay accidente que no nos
pueda s u c e d e r ; nada hay q u e pueda v e n c e r tanto el temor
c o m o el m e d i t a r e n la c o n d i c i ó n h u m a n a , en la l e y d e la
v i d a y e n la n e c e s i d a d d e o b e d e c e r l a , lo c u a l p r o d u c e n o
d o l o r p e r p e t u o , s i n o la c a r e n c i a d e d o l o r e n t o d o c a s o . El
q u e c o n o c e la n a t u r a l e z a d e las c o s a s , la v a r i e d a d d e la
v i d a , las f l a q u e z a s d e l g é n e r o h u m a n o , s e e n t r i s t e c e c u a n d o
p i e n s a e n e s t o , p e r o e n t o n c e s e s c u a n d o c u m p l e m e j o r el
oficio d e la s a b i d u r í a . Y así l o g r a d o s c o s a s : la primera,
q u e v i e n d o l a s c o s a s h u m a n a s c o m o s o n en s í , c u m p l e c o n
e l oficio p r o p i o d e la filosofía; y e n el c a s o a d v e r s o a l c a n z a
t r e s g é n e r o s d e c o n s u e l o s : el p r i m e r o p e n s a r e n la p o s i b i -
d a d d e la m u e r t e , p e n s a m i e n t o q u e p o r sí s o l o a t e n ú a y
d e b i l i t a t o d o s l o s d o l o r e s ; el s e g u n d o c o m p r e n d e r q u e e s
p r e c i s o s u f r i r l o s a c c i d e n t e s h u m a n o s ; el t e r c e r o e n t e n d e r
q u e n o h a y n i n g ú n m a l , s i n o la c u l p a , y q u e n o h a y c u l p a
e n l o s a c o n t e c i m i e n t o s q u e el h o m b r e n o h a p o d i d o e v i t a r
ni p r e v e r . La fuerza c o n que Epicuro nos aparta de la
c o n s i d e r a c i ó n d e l o s m a l e s e s n i n g u n a ; ya q u e n o e s t á
en nuestro p o d e r el d i s i m u l a r ú o l v i d a r a q u e l l a s cosas
que juzgamos malas, dado que ellas nos atormentan,
nos aquejan, nos estimulan, nos ponen, por decirlo así,
h a c h a s e n c e n d i d a s y n o n o s d e j a n r e s p i r a r . ¿ Q u e r r á s tú
q u e n o s o l v i d e m o s d e lo q u e e s c o n t r a n a t u r a l e z a ? ¿Nos
q u i t a s el a u x i l i a r q u e la n a t u r a l e z a n o s d a c o n t r a el d o l o r
i n v e t e r a d o ? E s t a m e d i c i n a s e r á t a r d í a , p e r o sin d u d a s e r á
g r a n d e ; hablo d e aquella medicina q u e t r a e c o n s i g o el
l a r g o t i e m p o . D i r á s q u e y o p i e n s o e n el b i e n y m e olvido
CUESTIONES TUSCULANAS. 101

d e l m a l . H a r í a s a l g o d i g n o d e u n g r a n filósofo, si t u v i e r a s
p o r b i e n e s las cosas q u e son m á s dignas del h o m b r e .
. Si m e d i j e s e n P i t á g o r a s ó S ó c r a t e s ó P l a t ó n : — ¿ P o r qué
t e a b a t e s , p o r q u é te e n t r i s t e c e s , p o r q u é s u c u m b e s y
c e d e s a l a f o r t u n a , la c u a l p u e d e p u n z a r t e , a t o r m e n t a r t e y
q u e b r a n t a r t u s fuerzas? Gran defensa hay e n las v i r t u d e s :
d e s p i é r t a l a s e n tu a l m a , si e s q u e d u e r m e n : ya t e a s i s t i r á
la f o r t a l e z a , la p r i m e r a y c a p i t a l d e t o d a s l a s v i r t u d e s , la
c u a l e s f o r z a r á t a n t o tu á n i m o , q u e d e s p r e c i a r á s y t e n d r á s
por de ninguna cuantía todas las desgracias q u e p u e d e n
a c a e c e r al h o m b r e : te a s i s t i r á la t e m p l a n z a , q u e e s la m i s -
m a m o d e r a c i ó n ; la m i s m a q u e y o a n t e s l l a m a b a f r u g a l i d a d ;
la c u a l n o te p e r m i t i r á obrar t o r p e ni a f r e n t o s a m e n t e e a
o c a s i ó n a l g u n a . ¿Qué c o s a h a y m á s a f r e n t o s a ni m á s t o r p e
q u e u n v a r ó n a f e m i n a d o ? Ni s i q u i e r a la j u s t i c i a te p e r m i -
tirá o b r a r a s ! , a u n q u e su papel parezca m e n o s importante
e n e s t e o r d e n ; p o r q u e te d i r á q u e e r e s d o b l e m e n t e i n j u s t o
a p e t e c i e n d o lo a j e n o , tú q u e , n a c i d o m o r t a l , p i d e s c o n d i -
c i o n e s d e i n m o r t a l , y al m i s m o t i e m p o n o p u e d e s c o n s e n t i r
e n d e v o l v e r lo q u e s ó l o h a s r e c i b i d o e n u s u f r u c t o . Y ¿qué
c o n t e s t a r á s á la p r u d e n c i a , c u a n d o t e d i g a q u e la v i r t u d
e s t á c o n t e n t a c o n s i g o m i s m a , lo m i s m o p a r a la v i d a h o -
n e s t a q u e p a r a la v i d a feliz? Y si la v i r t u d p e n d e d e a l g u n a
c o s a e x t r í n s e c a , y n o n a c e d e sí m i s m a , y n o v u e l v e á s í
propia c o m o en c í r c u l o , y a b r a z á n d o l o todo d e n t r o d e sí
n o b u s c a n a d a fuera, n o c o m p r e n d o p o r q u é h a d e s e r t a n
e n s a l z a d a c o n p a l a b r a s , ni t a n a p e t e c i d a en la r e a l i d a d . — ¡ O h
E p i c u r o ! si l l a m a s á é s t o s b i e n e s , t e o b e d e z c o , t e s i g o , t e
t e n g o por guía y m a e s t r o y olvido los m a l e s , y con tanta
m á s facilidad, c u a n t o q u e e s t a s c o s a s n o l a s t e n g o y o p o r
m a l e s . P e r o q u i e r e s llevarme á q u e piense e n el d e l e i t e .
Y ¿en q u é d e l e i t e ? Sin d u d a e n el d e l c u e r p o ó e n l o s q u e
p o r causa del c u e r p o son materia de e s p e r a n z a ó d e r e -
c u e r d o . ¿Es o t r a c o s a lo q u e q u i e r e s d e c i r ? ¿ I n t e r p r e t o b i e n
t u p a r e c e r ? ¿Cuál d e los d i s c í p u l o s d e E p i c u r o d i c e q u e n o
102 MARCO TUUOp-CJCERÓN.

e n t e n d e m o s b i e n á s u m a e s t r o ? Me a c u e r d o q u e c u a n d o y o
e s t a b a e n A t e n a s , solía d e c i r e s t o e n d i s p u t a y á g r a n d e s
v o c e s el a n c i a n o Z e n ó n , e l m á s a g u d o d e l o s E p i c ú r e o s ,
el c u a l e n s e ñ a b a q u e e r a feliz el q u e g o z a d e u n d e l e i t e
presente y confía q u e d i s f r u t a r á d e él t o d a s u v i d a ó la
m a y o r p a r t e d e ella s i n d o l o r a l g u n o , y q u e c u a n d o al-
g ú n d o l o r le a c a e z c a , si e s s u m o , s e r á b r e v e , si e s l a r g o ,
tendrá m á s de tolerable q u e de a m a r g o . Y añadía q u e el
q u e p e n s a r a e n e s t a s c o s a s s e r i a feliz si s e c o n t e n t a b a c o n
l o s b i e n e s q u e p o s e í a y d e s e c h a b a t o d o t e m o r á la m u e r t e
ó á los d i o s e s . Aquí t i e n e s la f ó r m u l a d e la vida feliz, s e -
gún Epicuro, expresada con palabras de Zenón, de tal
m o d o q u e n o e s l í c i t o p o n e r l a s e n d u d a . ¿Qué d i r e m o s ,
pues? Este pensamiento y propósitos d e vida, ¿pueden s e r -
v i r d e a l g ú n alivio á T i e s t e s ó á E t a , d e q u i e n e s a n t e s h a -
blé, ó á Telamón, expulsado de su patria, desterrado y p o -
bre? aquel d e quien con admiración exclamaban todos:
« E s t e e s a q u e l T e l a m ó n c u y a g l o r i a s e l e v a n t a b a al c i e l o ,
á quien t o d o s m i r a b a n , ante q u i e n t o d o s los Griegos se
inclinaban de hinojos.» Y e n v e r d a d q u e si en a l g u n o d e
n o s o t r o s d e c a e el á n i m o j u n t a m e n t e c o n la f o r t u n a , t e n -
d r e m o s q u e b u s c a r el r e m e d i o en aquellos antiguos y gra •
ves filósofos, y no en e s t o s otros ligeros y voluptuosos.
¿Qué e n t i e n d e n é s t o s p o r a b u n d a n c i a d e b i e n e s ? S u p o n g a -
m o s q u e e l s u m o b i e n s e a la c a r e n c i a d e d o l o r , a u n q u e e s t o
propiamente no s e llame deleite; pero no es necesario
a h o r a r e c o r r e r l o t o d o . C o n c e d a m o s q u e el s u m o m a l e s el
d o l o r . ¿ B a s t a r á c a r e c e r d e él p a r a g o z a r c o n t i n u a m e n t e d e
un bien sumo? ¿Por q u é a n d a m o s con tergiversaciones,
oh Epicuro, y no confesamos e n t e n d e r p o r d e l e i t e lo q u e
t ú mismo sueles llamar así, cuando te e x p r e s a s con más
d e s c a r o ? ¿Son p a l a b r a s t u y a s , ó n o , las q u e voy á c i t a r
ahora? Las traduciré d e aquel libro tuyo que contiene toda
tu enseñanza, para que nadie pueda acusarme de fingirlas.
D i c e s , p u e s , lo s i g u i e n t e : «Y n a d i e c r e a q u e c u a n d o h a b l o
CUESTIONES TUSCULANAS. 403

d e l b i e n , s e p a r o d e él el d e l e i t e d e l g u s t o , ni l o s q u e c o n -
s i s t e n e n el o í d o y e n l o s c á n t i c o s , ni en las f o r m a s q u e s e
p e r c i b e n p o r l o s o j o s , ni el s u a v e m o v i m i e n t o , n i l o s d e -
más placeres que por cualquiera sentido corporal se e x c i -
t e n e n el h o m b r e . Ni p o d e m o s d e c i r q u e s o l a m e n t e la a l e -
g r í a d e l e s p í r i t u d e b e c o n t a r s e e n t r e l o s b i e n e s , p u e s la
alegría del e n t e n d i m i e n t o c o n s i s t e en la e s p e r a n z a d e t o -
d o s esos b i e n e s que antes e n u m e r é , y sólo cuando los
p o s e e , p u e d e d e c i r s e q u e la n a t u r a l e z a c a r e c e d e d o l o r . »
Estas palabras bastan para darnos á entender qué deleite
conocía Epicuro. Poco después añade: «Muchas veces p r e -
g u n t é á l o s q u e p a s a n p o r s a b i o s q u é les q u e d a b a p o r c o l o -
c a r e n t r e l o s b i e n e s , si p r e s c i n d í a n d e l o s d e l e i t e s c o r p o -
rales y no querían reducirse á vanas y estériles palabras.
Y n u n c a p u d e e n t e n d e r d e e l l o s c o s a a l g u n a , p o r q u e si e n -
t i e n d e n h a b l a r d e l a s v i r t u d e s y d e la s a b i d u r í a , n o b u s -
c a n o t r a c o s a s i n o el c a m i n o para adquirir aquellos de-
l e i t e s d e q u a a n t e s h a b l é . » T o d o l o q u e s i g u e e s t á e n el
m i s m o t o n o , y t o d o s l o s l i b r o s d e E p i c u r o s o b r e el s u m o
bien, aparecen llenos de estas palabras y sentencias.
¿Aconsejarás esta vida á T e l a m ó n para q u e alivie su dolor?
Y si v e s afligido á a l g u n o d e l o s t u y o s , ¿le d a r á s u n á n s a r
m á s b i e n q u e u n l i b r o s o c r á t i c o ? ¿Le a c o n s e j a r á s q u e o i g a
c á n t i e o s d e a m o r m á s b i e n q u e la v o z d e Platón? ¿Le p o n -
d r á s á la v i s t a o b j e t o s floridos y varios? ¿Acercarás á su
olfato u n r a m o d e flores? ¿Le m a n d a r á s c o r o n a r s e d e r o s a s ?
Y d e s p u é s q u e h a y a s h e c h o e s t o , ¿le c r e e r á s l i b r e d e t o d o
dolor?
Todo esto tendrá q u e confesarlo E p i c u r o , ó d e lo c o n -
trario t e n d r á que b o r r a r de su libro las palabras que cité,
y mejor h a r í a en r e c h a z a r t o d o el l i b r o , q u e e s t á l l e n o d e
deleites y voluptuosidades.
¿Cómo h e m o s d e v e n c e r l a s a n g u s t i a s d e a q u e l q u e e x -
c l a m a : «¡Ay d e m í ! la f o r t u n a h a s i d o t a n t o m á s d u r a c o n -
migo cuanto m á s a l t o e r a m i linaje. El h a b e r tenido el
104 MARGO T U L I O C I C E R Ó N .

reino sólo m e enseña á considerar d e cuan excelsa altura


m e h a h e c h o caer la fortuna.»
A q u i e n s e q u e j a a s í , ¿le d a r e m o s a l g ú n cáliz d e v i n o , ó
c o s a s e m e j a n t e , p a r a q u e d e j e d e l l o r a r ? El m i s m o p o e t a
e x c l a m a e n o t r a p a r t e : «¡Oh H é c t o r , q u e d e s p u é s d e t a n t a
f o r t a l e z a t i e n e s q u e i n v o c a r a h o r a el a u x i l i o a j e n o ! » A é s t e
d e b e m o s s o c o r r e r , p u e s t o q u e p i d e a u x i l i o . «¿Qué d e f e n s a
b u s c a r é ? ¿ h e d e c o n f i a r e n el a u x i l i o ó en la fuga? E s t o y
d e s t e r r a d a d e l a l c á z a r y d e la c i u d a d . ¿A q u i é n m e a c e r c a r é
c u a n d o ni el a r a p e r m a n e c e firme e n mi p a t r i a , s i n o q u e
yace rota y q u e b r a n t a d a , y los templos son devorados por
l a s l l a m a s , y las a l t a s p a r e d e s s e t u e s t a n y r e s q u e b r a j a n , y
p i e r d e n s u t r a b a z ó n las v i g a s d e f o r m a d a s ? » Ya r e c o r d a r á s el
r e s t o d e s u s q u e j a s , p e r o p r i n c i p a l m e n t e a q u e l p a s a j e : «¡Oh
p a d r e , oh p a t r i a , o h c a s a d e P r í a m o , o h t e m p l o c u y o q u i c i o
r e s o n a b a t a n s o l e m n e m e n t e ! y o t e vi c o n o p u l e n c i a b á r b a -
r a , c o n t e c h o c i n c e l a d o y a r t e s o n a d o d e o r o y d e marfil y
magnificencia r e g i a . » ¡Oh e g r e g i o p o e t a , por más que te
d e s p r e c i e n l o s c a n t o r e s d e E u f o r i ó n ! Él c o n o c i ó q u e t o d o s
los m a l e s r e p e n t i n o s y n o e s p e r a d o s e r a n más g r a v e s . E x a -
g e r a d a s las r i q u e z a s del Rey, q u e parecían sempiternas,
a ñ a d e : «¡Vi i n f l a m a r s e t o d o ; vi q u e á P r í a m o le q u i t a b a n
p o r f u e r z a la v i d a ; vi el a r a d e J o v e t e ñ i d a e n s a n g r e ! »
E x c e l e n t e p o e m a , t a n l ú g u b r e e n las c o s a s e o m o en l a s p a -
l a b r a s y e n l o s v e r s o s . Q u i t e m o s á e s t e v a r ó n la t r i s t e z a .
¿De q u é m o d o ? C o l o q u é m o s l e en u n c o l c h ó n d e p l u m a s ;
encendamos antorchas; quememos perfumes; traigamos
cantores; démosle una escudilla de dulce bebida; pongá-
m o s l e e n la m e s a sabrosísimos m a n j a r e s . ¿Estos son los
b i e n e s c o n l o s c u a l e s e s p e r a v e n c e r el m á s a g r i o d o l o r ?
H a c e p o c o d e c í a s q u e tú n o e n t e n d í a s d e o t r o s b i e n e s . Yo
convendría con Epicuro en que para v e n c e r la t r i s t e z a
c o n v i e n e fijar el p e n s a m i e n t o e n l o s v e r d a d e r o s b i e n e s , si
a n t e s n o s h u b i é s e m o s c o n v e n i d o e n la definición d e l b i e n .
P e r o m e d i r á n a l g u n o s : — ¡ Y q u é ! ¿ p i e n s a s tú q u e E p i c u r o
CUESTIONES TUSCULANAS. 105

fué h o m b r e i n c o n t i n e n t e , ó q u e s u s o p i n i o n e s fueron l i c e n -
ciosas?—Yo no c r e o n a d a , p u e s t o q u e le o i g o muchas
sentencias severas y profundas. Aquí t r a t o , c o m o mu-
c h a s v e c e s te h e d i c h o , d e s u s a g u d e z a s d e i n g e n i o , n o d e
s u s c o s t u m b r e s . Y p o r m á s q u e él d e s p r e c i e el d e l e i t e q u e
a n t e s a l a b é , yo r e c o r d a r é s i e m p r e q u e el d e l e i t e , y n o o t r a
c o s a , le p a r e c í a el s u m o b i e n . Y no s e c o n t e n t ó c o n d e c i r l o
a s í , s i n o q u e l u e g o lo e x p l a n ó d e otra m a n e r a , a d v i r t i e n d o
que entendía p o r d e l e i t e e l s a b o r y ia forma d e l o s c u e r -
p o s , y el j u e g o y el c a n t o , y a q u e l l a s f o r m a s q u e m u e v e n
a g r a d a b l e m e n t e el á n i m o . ¿Por v e n t u r a finjo y o ? ¿ p o r v e n -
tura miento? Si e s a s í , c o n s i e n t o e n s e r r e f u t a d o . ¿ P u e s
q u é o t r a c o s a b u s c o y o s i n o la v e r d a d e n t o d a c u e s t i ó n ?
P e r o él a ñ a d e q u e n o c r e c e el p l a c e r c u a n d o s e h u y e d e l
d o l o r , y q u e el s u m o p l a c e r c o n s i s t e e n la a b s o l u t a c a r e n -
c i a d e é l . En e s t a s p o c a s p a l a b r a s h a y t r e s g r a n d e s e r r o r e s .
C o n s i s t e el p r i m e r o e n p o n e r s e e n c o n t r a d i c c i ó n consigo
m i s m o ; el s e g u n d o e n d a r á e n t e n d e r q u e n o c o n o c e n i n g ú n
o t r o b i e n s i n o la titilación s e n s u a l p o r m e d i o d e l d e l e i t e ;
é l t e r c e r e e n afirmar q u e el s u m o d e l e i t e e s t r i b a e n la c a -
r e n c i a d e d o l o r . ¿ P u e d e s e r m a y o r la c o n t r a d i c c i ó n c o n s i g o
m i s m o ? Y a d e m á s , p u d i e n d o d a r s e e n la n a t u r a l e z a t r e s e s -
t a d o s , el p r i m e r o d e g o z o , el s e g u n d o d e d o l o r , e l t e r c e r o
e n q u e ni s e g o z a ni s e p a d e c e , c o n f u n d e el p r i m e r o c o n
e l t e r c e r o , y n o d i s t i n g u e el p l a c e r d e la c a r e n c i a d e d o -
l o r . El t e r c e r p e c a d o , q u e le e s c e m ú n c o n m u c h o s o t r o s ,
c o n s i s t e e n s e p a r a r d e la v i r t u d e l b i e n , s i e n d o así q u e la
v i r t u d e s la q u e p r i n c i p a l m e n t e s e a p e t e c e , y q u e p o r c o n -
s e g u i r l a c u l t i v a m o s la filosofía. Me d i r á s q u e E p i c u r o a l a b a
m u c h a s v e c e s la v i r t u d . P e r o t a m b i é n e s c i e r t o q u e Cayo
G r a c o , al m i s m o t i e m p o q u e a r r u i n a b a el E r a r i o c o n s u s
prodigalidades, fingía d e f e n d e r l e de palabra. ¿Quién ha
de h a c e r caso de las palabras, c u a n d o tiene delante los
h e c h o s ? A q u e l P i s ó n , l l a m a d o el F r u g a l , h a b l a b a siempre
c o n t r a la l e y f r u m e n t a r i a , p e r o d e s p u é s q u e s e h i z o la l e y ,
106 MARCO TULIO CICERÓN.

él, varón consular, v e n í a á r e c i b i r el t r i g o . Vio Graco á


P i s ó n e n el F o r o , y le p r e g u n t ó , á v i s t a d e t o d o el p u e b l o
r o m a n o , c ó m o s e a t r e v í a á p e d i r el t r i g o , a m p a r á n d o s e d e
a q u e l l a ley d e la c u a l él h a b í a q u e r i d o d i s u a d i r al p u e b l o .
«Ño q u i s i e r a , r e s p o n d i ó , o h G r a c o , q u e l e fuera l í c i t o h a -
c e r la p a r t i c i ó n d e m i s b i e n e s ; p e r o si la h i c i e r a s , r e c l a m a -
r í a y o a l g u n a p a r t e . » ¿No d e c l a r ó b a s t a n t e c l a r o c o n e s t o
a q u e l p r u d e n t e v a r ó n q u e la l e y S e m p r o n i a era una disipa-
c i ó n d e l e r a r i o p ú b l i c o ? L e e la o r a c i ó n d e G r a c o : le t e n d r á s
p o r u n g r a n p a t r o n o d e l t e s o r o d e la R e p ú b l i c a .
N i e g a E p i c u r o q u e s e a p o s i b l e la v i d a feliz si n o s e j u n t a
c o n la v i r t u d . N i e g a q u e e n el s a b i o t e n g a p o d e r a l g u n o la
f o r t u n a : a n t e p o n e la m o d e r a c i ó n en el I r a t o á la a b u n d a n -
cia y r i q u e z a : n i e g a q u e h a y a t i e m p o a l g u n o e n q u e el
s a b i o n o p u e d a s e r feliz. T o d a s e s t a s c o s a s s o n d i g n a s d e
u n filósofo, p e r o c o n t r a d i c e n el p r i n c i p i o d e l d e l e i t e . No e s
e s t e el p l a c e r d e q u e h a b l a b a a n t e s . ¿Ni c ó m o h a d e s e r l o , ,
cuando h a n e g a d o E p i c u r o q u e en el d e l e i t e intervenga
p a r t e a l g u n a d e v i r t u d ? Y si n o e n t i e n d e el p l a c e r , ¿ c ó m o
h a d e e n t e n d e r el d o l o r ? A q u i e n le c o n f u n d e c o n el s u m o
m a l , n o le e s l í c i t o t o m a r e n b o c a el n o m b r e d e l a v i r t u d .
Q u é j a n s e l o s E p i c ú r e o s , v a r o n e s e x c e l e n t e s (y n o h a y e n
realidad ningún g é n e r o de h o m b r e s menos maliciosos), del
e m p e ñ o q u e pongo en hablar contra Epicuro. Pero en r e a -
l i d a d , la c u e s t i ó n q u e t r a e m o s c o n él e s d e h o n o r y de
d i g n i d a d . Y o p o n g o el s u m o b i e n e n el a l m a ; él e n el c u e r -
p o : yo e n la v i r t u d ; él e n e l d e l e i t e . C u a n d o e l l o s pelean
i m p l o r a n el f a v o r d e s u s a l i a d o s , y m u c h o s s o n l o s que
a c u d e n á s o c o r r e r l o s . Yo no m e tomo ese trabajo, y d o y
p o r b i e n h e c h o t o d o lo q u e e l l o s h a c e n .
Y q u é , ¿no v e m o s q u e e n la t e r c e r a g u e r r a P ú n i c a , á p e -
s a r d e diferir l o s p a r e c e r e s d e M a r c o Catón y d e L u c i o L é n -
t u l o , nunca h u b o e n t r e ellos cuestión alguna? Los Epicú-
r e o s defienden su c a u s a c o n d e m a s i a d a iracundia, por lo
mismo que defienden u n a causa demasiado viciosa que
CUESTIONES TUSCULANAS. 107

n o s e a t r e v e r í a n á s o s t e n e r e n e l S e n a d o , e n el F o r o , n i
a n t e el e j é r c i t o , ni a n t e l o s c e n s o r e s . P e r o d e e s t o t r a t a r e -
m o s en o t r a o c a s i ó n , y n o c i e r t a m e n t e p a r a t r a b a r n i n g u n a
polémica: por ahora sólo diré q u e fácilmente m e rindo á
l o s q u e d i c e n la v e r d a d . S o l a m e n t e a d v e r t i r é á l o s Epicú-
r e o s u n a c o s a : q u e d a d o c a s o q u e s e a v e r d a d q u e el s a b i o
d e b a referirlo todo á su c u e r p o , ó, para hablar m á s h o n e s -
t a m e n t e , q u e n o d e b a h a c e r m á s q u e lo q u e le c o n v i e n e ,
ó, lo q u e e s lo m i s m o , q u e d e b a r e f e r i r l o t o d o á utilidad
propia; como quiera que estas cosas no son dignas de
a p l a u s o ni d e v a n a g l o r i a , h a c e n m a l l o s E p i c ú r e o s e n ha-
b l a r d e e l l a s c o n t a n t a s o b e r b i a . R e s t a la s e n t e n c i a d e l o s
C i r e n a i c o s , q u e c r e e n q u e e x i s t e el d o l o r c u a n d o sucede
a l g ú n mal n o e s p e r a d o . E s t e e s e n v e r d a d u n d o l o r muy
g r a n d e , c o m o a n t e s dije. Y t a n t o lo e s , q u e e n o p i n i ó n de
Crisipo el d o l o r n o e s p e r a d o e s el m á s v e h e m e n t e . Pero
no todos los dolores se r e d u c e n á é s t e , p o r más que sea
v e r d a d q u e la l l e g a d a r e p e n t i n a d e l o s e n e m i g o s c o n t u r b a
á v e c e s m á s que su llegada c u a n d o se los e s p e r a b a , y que
la s ú b i t a t e m p e s t a d aterra m á s á l o s n a v e g a n t e s q u e la
t o r m e n t a p r e v i s t a ; y á e s t e m o d o o t r o s infinitos ejemplos.
Pero cuando se considera atentamente la naturaleza de
los s u c e s o s inopinados, no se e n c u e n t r a en ellos n i n g ú n
c a r á c t e r e s p e c i a l , s i n o el q u e t o d a s l a s c o s a s s ú b i t a s p a r e -
c e n m a y o r e s , y e s t o p o r d o s c a u s a s : la p r i m e r a , p o r q u e s e a
c u a l f u e r e la g r a v e d a d d e lo q u e a c o n t e c e , n o d a t i e m p o
p a r a c o n s i d e r a r l o ; y a d e m á s , c o m o p a r e c e el m a l q u e po-
día p r e c a v e r s e a u n q u e no se haya previsto, resulta mayor
el d i s g u s t o p o r la c o n s i d e r a c i ó n d e q u e q u i z á hubiéramos
podido evitarlo. Lo cual pone de manifiesto el tiempo, q u e
d e tal m a n e r a l l e g a á m i t i g a r l a s c o s a s , q u e p e r m a n e c i e n d o
e n s u s t a n c i a e l m i s m o m a ! , n o s ó l o s e alivia el d o l o r , sino
que en gran parte se destierra. Muchos Cartagineses fue-
r o n e s c l a v o s e n R o m a ; l o s M a c e d o n i o s lo f u e r o n después
del cautiverio del r e y P e r s e o . Yo m i s m o , s i e n d o adoles-
108 MARCO T U L I O CICERÓN.

c e n t e , vi a l g u n o s C o r i n t i o s e n el P e l o p o n e s o . T o d o s e l l o s
p o d í a n d e c i r lo m i s m o q u e dijo A n d r ó m a c a : « T o d a s estas
c o s a s v i . . . » P e r o s e dirá q u e e s o s m a l e s l o s h a b í a n s e n t i d o
y a . Tal e r a s u s e m b l a n t e , tal s u m o d o d e h a b l a r , tal s u a c .
titud y e s t a d o , q u e los h u b i e r a s tenido por Argivos ó S i -
cionios; y más m e hubieran movido á compasión las pa-
r e d e s del pueblo d e Corinto, cuando por primera vez le
vi, q u e los Corintios m i s m o s , p o r q u e sus ánimos se habían
e n c a l l e c i d o c o n el h á b i t o d e la d i a r i a c o n s i d e r a c i ó n de
s u m i s e r i a . L e e m o s h o y el l i b r o d e C i i t o m a c o q u e é l , d e s -
p u é s d e la d e s t r u c c i ó n d e C a r t a g o , e n v i ó á s u s conciuda-
d a n o s c a u t i v o s p a r a c o n s o l a r l o s . En e s t e l i b r o h a y c o p i a d a
una sentencia d e Carneades, que Clitómaco dice h a b e r r e -
ducido á c o m p e n d i o . Carneades c o m b á t e l a opinión d e Cii-
t o m a c o , d e q u e el d o l o r d e l c a u t i v e r i o d e la p a t r i a a l c a n -
za al s a b i o . La m e d i c i n a q u e el filósofo aplica s i r v e p a r a
e l p a d e c e r i n m e d i a t o , p e r o p a r a el i n v e t e r a d o n i s i q u i e r a
s e d e s e a . Y si a q u e l l o s l i b r o s h u b i e r a n s i d o e n v i a d o s a l g u -
nos a ñ o s d e s p u é s á los c a u t i v o s , no habrían c u r a d o h e r i -
d a s , s i n o c i c a t r i c e s . P o r q u e el d o l o r p a u l a t i n a m e n t e y sin
s e n t i r s e va a t e n u a n d o . No p o r q u e en sí m i s m o s e c a m b i e
ó s e e x t i n g a , sino p o r q u e así n o s lo e n s e ñ a q u i e n lo d e b e
e n s e ñ a r , la r a z ó n ; e s d e c i r , q u e s o n m e n o r e s l a s c o s a s q u e
nos parecían mayores.
Y a q u í d i r á n a l g u n o s : ¿de q u é s i r v e v a l e m o s d e a q u e l l a s
razones ó de aquellos consuelos que procuramos aplicar
c u a n d o q u e r e m o s a l i v i a r el d o l o r d e a l g u i e n ? S i e m p r e t e -
n e m o s e n la b o c a e s t a s e n t e n c i a : « Q u e n a d a n o s d e b e p a -
recer inopinado.» ¿Sufrirán a l g u n o s c o n m á s resignación
las molestias, euando conozcan que son patrimonio ne-
cesario de todo hombre? Estos razonamientos no quitan
n a d a d e la g r a v e d a d d e l d o l o r : lo ú n i c o q u e e n s e ñ a n Q S
que no sucede nada que no hubiera podido s e r previsto.
Y n o d i r é yo q u e e s t e g é n e r o d e c o n s u e l o s n a d a valga,
pero también es cierto que no consiguen mucho. Estos
CUESTIONES TUSCULANAS. 109

m a l e s inopinados no tienen b a s t a n t e fuerza p a r a que t o d o


dolor nazca n e c e s a r i a m e n t e d e e l l o s . Quizá h i e r a n con
más gravedad, pero no consiguen que parezcan más gra-
v e s l o s d o l o r e s . N o s o f e n d e n p o r q u e son r e c i e n t e s , no
p o r q u e s o n r e p e n t i n o s . D o b l e e s , p u e s , el m é t o d o p a r a
e n c o n t r a r la v e r d a d , n o s ó l o e n el q u e p a d e c e m a l e s , s i n o
t a m b i é n e n el q u e d i s f r u t a b i e n e s . P o r q u e ó b i e n quere-
m o s a v e r i g u a r la n a t u r a l e z a , c u a n t i d a d ó c u a l i d a d d e la
c o s a m i s m a ; ó b i e n d i s c u r r i m o s s o b r e la p o b r e z a , y e n s e -
ñ a m o s á h a c e r l a m á s l l e v a d e r a , fijándonos e n c u a n p o c a s
y l i v i a n a s c o s a s s o n l a s q u e la n a t u r a l e z a d e s e a ; ó d e s d e
la d i s p u t a s u t i l d e s c e n d e m o s á l o s e j e m p l o s p a l p a b l e s , r e -
c o m e n d a n d o ya á S ó c r a t e s , y a á Diógenes, ya aquella
s e n t e n c i a d e Cecilio: « m u c h a s v e c e s b a j o u n m a n t o s ó r -
d i d o s e e s c o n d e el filósofo.»
S i e n d o , p u e s , u n a y la m i s m a e n s u s e f e c t o s la p o b r e z a ,
¿ q u é r a z ó n h a y p a r a q u e , h a b i é n d o l a t o l e r a d o Cayo F a b r i -
c i o , la t e n g a n o t r o s p o r i n t o l e r a b l e ? A e s t e g é n e r o d e c o n -
suelos se parece mucho otro que nos enseña que todos
los males que pueden s u c e d e m o s son h u m a n o s .
No s ó l o s i r v e e s t e a r g u m e n t o p a r a p e r f e c c i o n a r n o s e n el
c o n o c i m i e n t o del g é n e r o h u m a n o , sino para d a r n o s á e n -
t e n d e r q u e d e b e n ser t o l e r a d o s los m a l e s q u e sufren y
t o l e r a n l o s d e m á s h o m b r e s . Si s e t r a t a d e la p o b r e z a , el
c o n s u e l o está en r e c o r d a r á m u c h o s p o b r e s q u e llevan con
r e s i g n a c i ó n s u s u e r t e ; si s e t r a t a d e d e s p r e c i a r los h o n o -
r e s , en r e c o r d a r á m u c h o s q u e n o los han o b t e n i d o , y
que por esto m i s m o son quizá m á s felices. Y s e alaba es-
p e c i a l m e n t e la v i d a d e los q u e a n t e p u s i e r o n el o c i o y r e -
poso privados á los negocios públicos, y n o se pasa en
silencio aquel anapesto de un r e y potentísimo que alabó á
u n a n c i a n o y le l l a m ó a f o r t u n a d o por haber carecido de
g l o r i a y p o r h a b e r l l e g a d o , sin q u e n a d i e le c o n o c i e s e , al
día p o s t r e r o d e s u v i d a . De i g u a l m o d o y c o n o t r o s e j e m -
plos se r e c u e r d a á los q u e q u e d a r o n p r i v a d o s d e sus hijos,
H O MARCO TULIO CICERÓN.

y s e a l a b a c o n e s t o el l l a n t o d e l o s p a d r e s q u e n o p u e d e n
r e s i g n a r s e á tal p é r d i d a . De e s t a m a n e r a el dolor de los
demás hace que parezcan mucho m a y o r e s los a c c i d e n t e s
humanos que antes se estimaban por de mayor considera-
c i ó n . Y así p e n s a n d o e n ello s e v e c u a n falsa y d e s c o n c e r -
t a d a e r a la p r i m e r a o p i n i ó n . De i g u a l m a n e r a lo d e c l a r a n
a q u e l l a s p a l a b r a s d e T e l a m ó n : « Y o , c u a n d o le e n g e n d r é ,
ya sabía q u e era mortal.» Y aquellas palabras de T e s e o :
« R e v o l v í a e n m i á n i m o las m i s e r i a s f u t u r a s . » Y a q u e l l a s
d e A n a x á g o r a s : « C u a n d o le e n g e n d r é , y a s a b í a q u e e s t a b a
s u j e t o á la m u e r t e . » T o d o s e s t o s v a r o n e s , h a b i e n d o pen-
sado largo t i e m p o s o b r e las c o s a s h u m a n a s , l l e g a r o n á
deducir que de ninguna manera eran temibles, c o m o las
h a c e la o p i n i ó n d e l v u l g o . Y á m í m e p a r e c e q u e la m i s m a
s u e r t e a m e n a z a á los q u e meditan los m a l e s q u e p u e d e n
sucederles, que á aquellos otros cuyos dolores eura el
t i e m p o ; y q u e t o d a la d i f e r e n c i a e s t á e n q u e la r a z ó n s a n a
á los u n o s , y á los o t r o s la n a t u r a l e z a , p a r t i e n d o siempre
d e un p r i n c i p i o q u e e s á s u v e z el f u n d a m e n t o de todo
r e m e d i o : que todo mal que p u e d e h a b e r sido previsto,
n u n c a t i e n e p o d e r b a s t a n t e p a r a d e s t r u i r la felicidad d e la
v i d a . Con e s t o c o n s i g u e n u n a s o l a c o s a , e s d e c i r , q u e s e a
m a y o r el s e n t i m i e n t o d e l d o l o r n o e s p e r a d o ni i m a g i n a d o ,
y n o c o m o ellos c r e e n , q u e c u a n d o u n a m i s m a c o s a acon-
t e c e á d o s h o m b r e s , s e a m a y o r la p e n a d e a q u e l q u e n o la
e s p e r a b a . Y así s e c u e n t a q u e a l g u n o s e n s u s t r i s t e z a s e x -
p e r i m e n t a r o n más bien a u m e n t o q u e lenitivo d e dolor,
c u a n d o a p r e n d i e r o n q u e e r a ley d e la c o n d i c i ó n h u m a n a ,
bajo la c u a l h e m o s nacido, que ninguno pueda carecer
eternamente de dolor.

Y p o r e s o C a r n e a d e s , s e g ú n e s c r i b e en el Antíoco, solía
r e p r e n d e r á Crisipo p o r q u e a l a b a b a a q u e l l o s v e r s o s de
E u r í p i d e s : «No h a y m o r t a l n i n g u n o á q u i e n n o a l c a n c e el
d o l o r y la e n f e r m e d a d . M u c h o s s o n los h o m b r e s q u e han
d e s e r e n t e r r a d o s , m u c h o s los q u e h a n d e s e r c r e a d o s d e
c u e s t i o n e s TUSCÜLANAS. 111

n u e v o , y n i n g u n o s e l i b r a d e la m u e r t e : la t i e r r a h a de
v o l v e r á la t i e r r a : la v i d a d e t o d o s ha d e s e r s e g a d a c o m o
l a s m i e s e s . Así lo m a n d a la n e c e s i d a d . » N e g a b a Carneades
q u e a q u e l d i s c u r s o p u d i e r a a l i v i a r e n n a d i e el d o l o r , a n t e s
al c o n t r a r i o , decía que era mayor tormento el saber
que habíamos nacido bajo la l e y de tan cruel nece-
sidad. Y añadía que aquel razonamiento fundado en la
•consideración del mal ajeno, h a b í a sido i n v e n t a d o para
c o n s o l a r á l o s h o m b r e s d e m a l a v o l u n t a d . P e r o á mí m e
parece todo lo c o n t r a r i o . P o r q u e la n e c e s i d a d de su-
frir la c o n d i c i ó n h u m a n a nos obliga, por decirlo así, á
p e l e a r con los d i o s e s , y n o s r e c u e r d a y a m o n e s t a que
somos hombres, y este pensamiento a t e n ú a en g r a n m a -
n e r a el d o l o r y la t r i s t e z a ; y la e n u m e r a c i ó n d e l o s ejem-
p l o s s e t r a e , no p a r a d e l e i t a r el á n i m o d e l o s h o m b r e s m a l
i n c l i n a d o s , s i n o p a r a q u e a q u e l q u e s i e n t e el d o l o r s e c r e a
o b l i g a d o á s u f r i r l e , p o r lo m i s m o q u e v e q u e m u c h o s le
h a n p a d e c i d o m o d e r a d a y t r a n q u i l a m e n t e . De t o d o s m o d o s
s e h a d e s o s t e n e r á l o s q u e c a e n y á l o s q u e p i e r d e n el
t e m p l e d e s u á n i m o p o r la v e h e m e n c i a d e l d o l o r . A e s t e
d o l o r le l l a m ó Crisipo Xúirnv, c u a s i Xúotjv, e s t o e s , d i s o l u c i ó n
d e t o d o el h o m b r e . Y la r a í z d e e s t e m a l p o d r á a r r a n c a r s e ,
c o m o al p r i n c i p i o d i j e , si e x p l i c a m o s el p r i n c i p i o d e l d o l o r ,
el cual no es otro n i n g u n o s i n o la o p i n i ó n y el j u i c i o d e
q u e n o s a m e n a z a ó e s t á p r e s e n t e a l g ú n m a l . Y a s í al d o l o r
d e l c u e r p o , c u y a m o r d e d u r a e s a c é r r i m a , a n t e p o n e m o s la
e s p e r a n z a d e a l g ú n b i e n , y la v i d a vivida h o n e s t a y e s p l é n -
didamente trae consigo tanto consuelo, que á los que han
vivido d e este m o d o , ó no les toca molestia a l g u n a , ó sólo
l e v e m e n t e p u n z a s u a n i m o el d o l o r .
P e r o h a b i é n d o s e a ñ a d i d o á e s t a o p i n i ó n d e s e r el m a l
cosa intolerable, otra opinión todavía m á s perniciosa, e s á
saber, que conviene y es cosa recta y debida no tolerar con
r e s i g n a c i ó n los m a l o s s u c e s o s q u e a c a e c e n , r e s u l t a d e a q u í
una grave é intolerable perturbación d e l a l m a . De e s t a
112 MARCO TULiO CICERÓN.

creencia han nacido aquellos varios y detestables g é n e r o s


de lamentación, aquel d e s g a r r a r s e el r o s t r o y el p e c h o
c o m o las m u j e r e s , a q u e l g o l p e a r s e la c a b e z a . E s t o e s l o
q u e h a c e A g a m e n ó n en H o m e r o , y t a m b i é n e n una t r a g e d i a
d e A e c i o : « A r r a n c á n d o s e con el d o l o r la i n t o n s a c a b e l l e r a . »
Muy g r a c i o s o e s el d i c h o d e Bión, q u e l l a m a b a m u y n e c i o
á a q u e l r e y q u e e n u n g r a n d o l o r se a r r a n c a b a los c a b e -
l l o s , c o m o si c o n la c a l v i c i e d e s t e r r a r a la t r i s t e z a . P e r o l o s
que h a c e n todas estas c o s a s , las ejecutan porque las c r e e n
d e a l g ú n p r o v e c h o . Así E s q u i n e s e c h a e n c a r a á Demós-
t e n e s el h a b e r i n m o l a d o v í c t i m a s s i e t e días d e s p u é s d e la
m u e r t e d e s u h i j o . ¡Y c o n q u é a b u n d a n c i a r e t ó r i c a e x p l a n a
e s t o , c o n q u é s e n t e n c i a s t a n r u i n e s , q u é t o r m e n t o da á l a s
p a l a b r a s ! Yo i m a g i n o q u e á u n r e t ó r i c o le e s permitido
c u a l q u i e r c o s a . P e r o n a d i e a p r o b a r í a e s t o si n o hubiese
a r r a i g a d o e n n u e s t r o á n i m o la p e r s u a s i ó n d e q u e t o d o s i o s
b u e n o s s i e n t e n g r a v í s i m o d o l o r p o r la m u e r t e d e s u s a m i -
g o s . De a q u í p r o c e d e q u e a l g u n o s en l o s d o l o r e s d e l á n i m o
b u s c a n la s o l e d a d , c o m o d i c e H o m e r o h a b l a n d o d e B e l e r o -
f o n t e , el c u a l a n d a b a e r r a n t e p o r l o s c a m p o s d e Elea d e v o -
r a n d o s u p r o p i o c o r a z ó n y h u y e n d o d e las p i s a d a s d e l o s
h o m b r e s . Y los poetas fingen q u e N í o b e s e c o n v i r t i ó en
p i e d r a , q u e r i e n d o d a r á e n t e n d e r c o n e s t o , s e g ú n c r e o , el
interno silencio que guardaba en su l u t o . Y los m i s m o s
p o e t a s i m a g i n a r o n q u e H é c u b a s e c o n v i r t i ó en p e r r a , q u e -
r i e n d o d a r á e n t e n d e r c o n e s t o la r a b i a y d e s e s p e r a c i ó n q u e
se apoderó de su ánimo. Hay también algunos á quienes
d e l e i t a el d i r i g i r s u v o z á la s o l e d a d , c o m o h a c e e n E n n i o
a q u e l l a n o d r i z a : « E m p i e z a á c o n t a r la d e s d i c h a d a á los
c i e l o s y á la t i e r r a l a s m i s e r i a s d e M e d e a . » L o s q u e p r o r r u m •
penen tales l a m e n t a c i o n e s es p o r q u e las juzgan rectas,
c o n v e n i e n t e s y d e b i d a s á su dolor, y hasta se ve bien claro
q u e lo h a c e n c o m o p o r o b l i g a c i ó n , p u e s t o q u e si a l g u n a
vez estando de duelo se les ocurre hacer algo más h u m a n o
ó h a b l a r c o n m á s a l e g r í a , v u e l v e n p r o n t o á la t r i s t e z a y
CUESTIONES TUSCULANAS. 113

juzgan por grave pecado el haber puesto alguna intermi-


s i ó n en s u s q u e j a s . Y á l o s n i ñ o s s u e l e n c a s t i g a r l o s s u s
m a d r e s y s u s m a e s t r o s , no sólo con palabras, sino también
con a z o t e s , si e n u n llanto d o m é s t i c o han hecho ó dicho
a l g u n a c o s a q u e d e m u e s t r e a l e g r í a . De e s t a m a n e r a l o s o b l i -
gan á llorar, aun cuando no quieran. Y cuando d e pronto
i n t e r r u m p e n el llanto, ¿no declara b a s t a n t e esto q u e todo
lo a n t e r i o r h a sido voluntario?
C u a n d o a q u e l Heaniontimorumenos de Tereneio, casti-
g á n d o s e á sí m i s m o , d i c e : « D e t e r m i n é , o h C r e m e s , s e r
d e s d i c h a d o , p o r q u e así h a r é m e n o s injuria á mi hijo,» e s
c l a r o q u e s e h a c e infeliz p o r d e t e r m i n a c i ó n p r o p i a . Y ¿ h a y
alguien q u e contra su voluntad d e t e r m i n e ninguna cosa?
Y a ñ a d e : «Si n o l o h i c i e r a , m e j u z g a r í a d i g n o d e t o d o m a l . »
Se j u z g a , p u e s , d i g n o d e t o d o m a l si e s d e s d i c h a d o . Ya c o -
n o c e s , p u e s , q u e el m a l p r o c e d e d e la o p i n i ó n , y n o d e la
n a t u r a l e z a . Y ¿qué d i r e m o s d e aquellos á q u i e n e s el placer
mismo prohibe atormentarse? Así, v. g r . , en H o m e r o , la
m u e r t e cuotidiana y el p r ó x i m o llanto traen cierto alivio
en el dolor, y por e s o dice el poeta: « H e m o s v i s t o á rau-
e h o s m o r i r y p e r d e r la l u z d e l d í a . N a d i e t i e n e t i e m p o p a r a
o c u p a r s e d e l dolor. P o r lo cual d e b e m o s c o n á n i m o firme
e n t e r r a r á n u e s t r o s m u e r t o s y d a r p u n t o á e s t e l l a n t o cuor-
tidiano.»
Luego está en poder del hombre rechazar el dolor
c u a n d o q u i e r e , a c o m o d á n d o s e al t i e m p o , y p u e s t o q u e t a n
difícil c o s a c a e d e b a j o d e n u e s t r o p o d e r , ¿ h a y a l g ú n t i e m p o
e n q u e n o d e b a m o s p r o c u r a r h u i r d e la t r i s t e z a ? Referían
aquellos q u e vieron caer á Cnco P o m p e y o , lleno d e heri-
d a s , q u e c u a n d o ellos temían en aquel a c e r b o y m i s e r a b l e
espectáculo v e r s e c e r c a d o s p o r el ejército enemigo, no
trataron d e otra cosa sino de e x h o r t a r á los r e m e r o s y d e
b u s c a r s u s a l v a c i ó n e n la fuga, y q u e s ó l o d e s p u é s q u e
llegaron á t i e r r a e m p e z a r o n á afligirse y l a m e n t a r s e . ¿Será
c i e r t o q u e el m i e d o p u d o l i b r a r l o s d e l d o l o r , y q u e la r a -
TOMO v . 8
114 MARCO TULIO CICERÓN.

z ó n y la s a b i d u r í a v e r d a d e r a n o p u d i e r o n ? ¿Hay a l g o q u e
v a l g a m á s p a r a d e s t e r r a r el d o l o r q u e el c o m p r e n d e r q u e
n a d a a p r o v e c h a y q u e e s c o s a inútil y v a n a ? Si p u e d e d e s -
t e r r a r s e , t a m b i é n p o d r e m o s dejar d e s o m e t e r n o s á él. H e -
mos de confesar, p u e s , q u e el d o l o r s e r e c i b e p o r vo-
luntad y opinión propias. Esto p o d e m o s juzgarlo por la
paciencia de aquellos q u e , d e s p u é s d e h a b e r sufrido m u -
c h o , t o l e r a n c o n m á s facilidad c u a n t o l e s a c o n t e c e y c r e e n
h a b e r s e fortificado c o n t r a la f o r t u n a , como hace aquel
p e r s o n a j e d e E u r í p i d e s : «Si a h o r a m e h u b i e s e amanecido
e l p r i m e r día t r i s t e , y n o h u b i e s e n a v e g a d o ya p o r m a r t a n
l l e n o d e e s c o l l o s , t e n d r í a c a u s a p a r a a l e g r a r m e , así c o m o
el c a b a l l o s e a l b o r o t a c u a n d o le t o c a d e r e p e n t e el f r e n o
n u e v o ; p e r o ya a c o s t u m b r a d o á l a s m i s e r i a s , m e h e e n d u -
recido y aun entorpecido p a r a el d o l o r . » Si e s verdad
q u e la c o s t u m b r e d e s e r m i s e r a b l e n o s h a c e t o l e r a r m e j o r
los dolores, también será necesario e n t e n d e r que no son
l a s c o s a s m i s m a s l o s f u n d a m e n t o s y r a í c e s d e la t r i s t e z a .
Los grandes filósofos, cuando no han c o n s e g u i d o la s a b i -
d u r í a , ¿no e n t i e n d e n q u e p a d e c e n un m a l s u m o ? S o n c i e r -
t a m e n t e i g n o r a n t e s , y n o p u e d e h a b e r m a y o r m a l q u e la
ignorancia, y , sin e m b a r g o , n o la s i e n t e n . Y ¿ p o r q u é ?
P o r q u e á este g é n e r o de males no a c o m p a ñ a aquella opi-
n i ó n d e q u e e s c o s a r e c t a , j u s t a y d e b i d a el n o tolerar
c o n p a c i e n c i a la falta d e s a b i d u r í a ^ o p i n i ó n q u e a c o m p a ñ a
s i e m p r e al d o l o r físico, q u e e s el m á s grave de todos.
Y así A r i s t ó t e l e s , c e n s u r a n d o á l o s a n t i g u o s filósofos q u e
c r e í a n h a b e r l l e v a d o á la p e r f e c c i ó n la c i e n c i a , dice de
ellos que e r a n ó m u y necios ó m u y v a n a g l o r i o s o s , pero
q u e él v e í a q u e en p o c o s a ñ o s s e h a b í a h e c h o g r a n p r o -
g r e s o , y q u e e n b r e v e t i e m p o la filosofía a l c a n z a r í a c a s i su
perfección. Teofrasto, al m o r i r , a c u s ó , según cuentan,
á la n a t u r a l e z a p o r q u e h a b í a d a d o l a r g a v i d a á l o s c i e r v o s
y á las cornejas, que para nada la n e c e s i t a b a n , y , p o r
el c o n t r a r i o , la h a b í a d a d o tan c o r t a á l o s h o m b r e s , á q u i e n
CUESTIONES TUSCULANAS. 115

t a n t o l e s i n t e r e s a , p u e s t o q u e si s u v i d a s e h u b i e s e p r o -
longado habría sucedido q u e , perfeccionándose todas las
a r t e s d e la v i d a h u m a n a , h u b i e s e n s i d o i l u s t r a d o s y m e j o -
rados por todo género de doctrinas. Lamentábase, pues,
d e m o r i r s e c u a n d o e m p e z a b a á c o n o c e r la v e r d a d . ¡Y q u é !
antes, otros filósofos m e j o r e s y m á s g r a v e s ¿no confiesan
q u e ignoran m u c h o y q u e cada día tienen que aprender
más? Y sin e m b a r g o , n o s e angustian d e tener q u e c a m i n a r
en m e d i o d e l a s t i n i e b l a s d e la i g n o r a n c i a , la c u a l e s p e o r
que todos los m a l e s , a u n q u e no se mezcla con ningún ofi-
cioso dolor. Y ¿qué d i r e m o s d e los q u e opinan q u e n o e s
l í c i t o al v a r ó n l a m e n t a r s e , á c u y o n ú m e r o p e r t e n e c í a a q u e l
Quinto Máximo q u e p e r d i ó á s u hijo c ó n s u l , y aquel Lucio
Paulo q u e e n d o s días sufrió la p é r d i d a d e s u s d o s h i j o s ,
ó aquel Marco Catón, á q u i e n s e le m u r i ó s u hijo cuando
estaba designado p a r a la p r e t u r a , ó tantos otros cuyos
ejemplos r e u n í e n mi Consolación? ¿Qué c o s a p u d o a l i v i a r
e l d o l o r d e é s t o s , s i n o el p e n s a r q u e el l l a n t o y la t r i s t e z a
no s o n cosa varonil? Lo q u e o t r o s por recta opinión
suelen conceder al d o l o r , é s t o s s e lo n e g a r o n , t e n i é n d o l o
p o r v e r g o n z o s o . . De d o n d e s e i n f i e r e q u e n o e n la n a t u r a -
l e z a , s i n o e n la o p i n i ó n , e s t á el f u n d a m e n t o d e l d o l o r .
P e r o s e m e r e s p o n d e r á q u e ¿quién e s t a n l o c o q u e p o r s u
p r o p i a v o l u n t a d s e a t o r m e n t e ? La n a t u r a l e z a t r a e el d o l o r ,
al c u a l e l m i s m o e s t o i c o C l e a n t e s c r e e q u e e s p r e c i s o c e -
der, porque el dolor oprime y aqueja, y no e s posible
resistirle. Por e s o , en una tragedia d e Sófocles, aquel
A y a x Oileo, q u e a n t e s h a b í a c o n s o l a d o á T e l a m ó n e n la
muerte d e s u h i j o , c u a n d o o y ó la p é r d i d a d e l s u y o , n o
pudo contener sus quejas. Aludiendo á este cambio de
v o l u n t a d , d i c e el p o e t a : « N i n g u n o d é l o s h u m a n o s t i e n e
tanta s a b i d u r í a q u e , a u n q u e alivie con p a l a b r a s las m o -
lestias de o t r o , deje d e sentir sus propias c a l a m i d a d e s ,
c u a n d o u n c a m b i o d e f o r t u n a le a c o n t e c e d e r e p e n t e , d e t a l
modo que pone todos sus actos y preceptos e n olvido.»
116 MARCO T C L 1 0 CICERÓN.

Los que esto defienden procuran persuadirnos de que no


e s h a c e d e r o r e s i s t i r d e n i n g ú n m o d o á la n a t u r a l e z a ; p e r o
no confiesan, sin e m b a r g o , q u e p u e d e n sufrirse dolores
m á s g r a v e s q u e l o s q u e la n a t u r a l e z a t r a e . ¡Qué l o c u r a la
q u e n o s o b l i g a á p e d i r á o t r o s lo q u e n o s o t r o s m i s m o s n o
ejecutamos! Muchas son las causas p a r a sufrir el d o l o r .
E s la p r i m e r a la o p i n i ó n d e l m a l , á c u y a v i s t a y p e r s u a -
sión sigúese necesariamente la tristeza. Creen además
la m a y o r p a r t e d e l o s h o m b r e s q u e h a c e n c o s a g r a t a á l o s
m u e r t o s c u a n d o los lloran p o r largo tiempo. A esto se
añade cierta superstición mujeril, p o r q u e p i e n s a n que más
f á c i l m e n t e s a t i s f a r á n á l o s d i o s e s i n m o r t a l e s , si c u a n d o l o s
h i e r e s e m e j a n t e a z o t e , s e c o n f i e s a n afligidos y p o s t r a d o s .
Y n o v e n la m a y o r p a r t e d e los m o r t a l e s c u á n t a c o n t r a d i c -
c i ó n t i e n e n e n t r e sí e s t a s c o s a s . P o r u n a p a r t e a l a b a n á l o s
que m u e r e n con fortaleza, y juzgan dignos de vituperio á
l o s q u e t o l e r a n c o n la m i s m a r e s i g n a c i ó n la m u e r t e d e
o t r o s , c o m o si fuera p o s i b l e d e n i n g ú n m o d o le q u e s u e -
len decir los a m a n t e s , es á s a b e r , q u e cada cual d e ellos
a m a al o t r o m á s q u e á sí m i s m o . Es a d m i r a b l e c o s a , y
si s e q u i e r e r e c t a t a m b i é n y v e r d a d e r a , q u e a m e m o s al
igual de n o s o t r o s m i s m o s á los q u e n o s d e b e n ser c a r í s i -
m o s ; p e r o d e n i n g u n a s u e r t e es posible q u e los a m e m o s
m á s q u e á n o s o t r o s m i s m o s , ni s i q u i e r a e s d e d e s e a r e n la
a m i s t a d q u e el a m i g o m e a m e m á s q u e á sí p r o p i o , y y o á
él m á s q u e á m í . Si tal p u d i e r a s u c e d e r , s e g u i r í a s e gran
p e r t u r b a c i ó n en la vida y en todas las o b l i g a c i o n e s . P e r o
de esto trataremos en distinto lugar.
Por ahora basta decir que no atribuimos nuestra miseria
á la p é r d i d a d e l o s a m i g o s , h a s t a el p u n t o d e a m a r l o s m á s
q u o á n o s o t r o s m i s m o s , ni m á s q u e lo q u e e l l o s m i s m o s
quisieran. Y á los q u e esto dicen fácilmente se les r e s -
p o n d e q u e e s t o s s o n v i c i o s n o d e la n a t u r a l e z a , s i n o d e la
culpa.
L í c i t o e s a c u s a r la i n j u s t i c i a d e t o d o s . El q u e n o e x -
CUESTIONES TUSCULANAS. 117

p e r i m e n t a alivio i n v i t a á o t r o s á la m i s e r i a , y l o s q u e no
s a b e n tolerar males s e m e j a n t e s á los q u e ellos m i s m o s h a n
c a u s a d o á otros no son m á s viciosos q u e los q u e , s i e n d o
a v a r o s , r e p r e n d e n la a v a r i c i a , y s i e n d o s o b e r b i o s repren-
d e n al c o d i c i o s o d e a l a b a n z a s . Es c o s a p r o p i a d e la n e c e -
d a d v e r los v i c i o s a j e n o s y o l v i d a r s e d e l o s p r o p i o s . P e r o
s i e n d o c o s a a v e r i g u a d a q u e el t i e m p o a t e n ú a el d o l o r , p o -
demos afirmar c o n b a s t a n t e s p r u e b a s q u e s u fuerza n o
c o n s i s t e t a n t o e n el día e n q u e n o s a c o m e t e , c o m o en
el p e n s a m i e n t o d i l a t a d o . Si l a s c a u s a s s o n idénticas y
el h o m b r e e s el m i s m o , ¿ q u i é n p u e d e c a m b i a r a l g o d e l
d o l o r , c u a n d o e n n a d a v a r í a la o c a s i ó n d e él y e n n a d a la
p e r s o n a m i s m a q u e s e d u e l e ? El p e n s a m i e n t o d i l a t a d o ,
p u e s , d e q u e n o e x i s t e en r e a l i d a d s e m e j a n t e m a l , e s la
v e r d a d e r a m e d i c i n a d e l d o l o r ; p e r o n o lo e s la l a r g a d u r a -
ción d e él.
A e s t o s e m e r e s p o n d e c o n la m e d i a n í a d e la f o r t u n a ; y
si e l l a e s n a t u r a l , ¿ q u é n e c e s i d a d h a y d e c o n s u e l o ? L a n a -
turaleza misma pondrá u n t é r m i n o ; p e r o si el d o l o r d e -
p e n d e d e la o p i n i ó n , la o p i n i ó n e n t e r a d e b e desterrarse.
B a s t a n t e s v e c e s s e ha d i c h o , s e g ú n c r e o , q u e el d o l o r e s la
opinión de un mal p r e s e n t e , á la c u a l o p i n i ó n s e mezcla
e l c o n s i d e r a r q u e e s n e c e s a r i o s u f r i r el d o l o r . Z e n ó n a ñ a d e
á esta definición que aquella opinión de un mal presente
debe ser actual. Y estas palabras las i n t e r p r e t a de tal
m o d o , q u e n o s ó l o t i e n e p o r r e c i e n t e lo q u e p o c o a n t e s h a
a c a e c i d o , s i n o q u e c o n s i d e r a c o m o r e c i e n t e t o d o lo q u e
aún ejerce su vigor y fuerza, y conserva, por decirlo así,
c i e r t a f r e s c u r a . Así, v . g r . , A r t e m i s a , m u j e r de Mausolo,
r e y d e C a r i a , la c u a l h i z o e n H a l i c a r n a s o a q u e l i l u s t r e s e -
pulcro, mientras vivió, estuvo lamentándose, y espiró á
i m p u l s o s d e l d o l o r . La p e n a q u e ella t e n í a e r a , p o r d e c i r l o
así, n u e v a t o d o s los días, a u n q u e no se llamase n u e v a d e s -
p u é s q u e e l t i e m p o la h a b í a e n v e j e c i d o . Estos son, pues,
los deberes de quien consuela: desterrar de todo punto el
-118 MARCO TULIO CICERÓN.

dolor, ó mitigarle, ó suprimir la m a y o r parte d e él, ó n o


consentirle q u e d u r e , ó trasladarle á otra cosa.
Hay a l g u n o s q u e o p i n a n q u e el ú n i c o oficio d e l q u e c o n -
suela e s e n s e ñ a r q u e el mal no e x i s t e e n a b s o l u t o , c o m o
s o s t u v o C l e a n t e s . O t r o s o p i n a n q u e el m a l n o e s g r a n -
d e , v . g r . , los Pitagóricos. Hay algunos q u e separan e n t e -
ramente el mal, del tiempo, por ejemplo, los Epicúreos.
Otros q u e j u z g a n h a b e r h e c h o b a s t a n t e con probar q u e
n a d a d e lo q u e n o s s u c e d e p u e d e ser inopinado ó nuevo.
C r i s i p o , a l c o n t r a r i o , t i e n e p o r e l p r i n c i p i o d e la c o n -
s o l a c i ó n e l q u i t a r á q u i e n s e e n t r i s t e c e la o p i n i ó n d e q u e
c u m p l e c o n u n d e b e r i n e l u d i b l e . Hay a l g u n o s q u e r e ú n e n
t o d o s e s t o s g é n e r o s d e c o n s u e l o d e la m a n e r a q u e l o h i c e
y o e n m i Consolación, p o r q u e e n e l l a b u s q u é t o d o g é n e r o
de r e m e d i o s para mi ánimo, q u e s e hallaba e n extrema
a n g u s t i a . P e r o la v e r d a d e s q u e p a r a l a s e n f e r m e d a d e s d e l
alma, como para las del c u e r p o , h a y q u e mirar al t i e m p o ,
c o m o h a c e e l Prometeo d e E s q u i l o , á q u i e n h a b i é n d o l e d i -
c h o e l O e é a n o : «¿Crees tú, oh P r o m e t e o , q u e un á n i m o
irritado p u e d e c u r a r s e c o n palabras?,» r e s p o n d e él q u e sí,
c u a n d o s e a p l i c a á t i e m p o la m e d i c i n a , p e r o n o c u a n d o s e
o p r i m e c o n v i o l e n c i a la l l a g a i r r i t a d a . S e r á , p u e s , la p r i -
mera medicina e n las consolaciones enseñar q u e no h a y
n i n g ú n m a l ó q u e el m a l e s p e q u e ñ o ; s e r á e l s e g u n d o c o n -
s u e l o t r a t a r d e la c o n d i c i ó n c o m ú n d e la v i d a , y c o n e s p e -
c i a l i d a d d e la d e a q u e l l o s q u e s e e n t r i s t e c e n ; s e r á e l t e r c e r
consuelo, mostrar que es suma insensatez consumirse en
vana tristeza, cuando e n t e n d e m o s que es enteramente
inútil. Consuela Cleantes á un sabio q u e n o necesita d e c o n -
s u e l e . Si p e r s u a d e s á q u i e n s e | l a m e n t a , q u e n o h a y n i n g ú n
mal q u e sea afrentoso, n o le h a b r á s q u i t a d o e l l u t o , sin©
la i n s e n s a t e z .

La ocasión no e s para e n s e ñ a r otra c o s a . Sin e m b a r g o ,


m e parece q u e no entendió esto bien Cleantes, e s á saber:
q u e a l g u n a v e z p u e d e n a c e r e l d o l o r d e a q u e l q u e el m i s -
CUESTIONES TUSCULANAS. 4 19

m o O l e a n t e s c o n f i e s a s e r el s u m o m a l . ¿Qué d i r e m o s c u a n -
do Sócrates persuadió á Alcibiades, según se lee en Platón,
q u e n o h a b í a e n él c o s a a l g u n a d e h u m a n o , y q u e n o m e -
diaba diferencia ninguna e n t r e Alcibiades, nacido de ilustre
l i n a j e , y el ú l t i m o p l e b e y o ; y h a b i é n d o s e afligido A l c i b i a -
des, supiicó con lágrimas á Sócrates que le e n s e ñ a s e la
v i r t u d y a p a r t a s e d e é l la t o r p e z a ? ¿Qué d i r e m o s d e estas
c o s a s , oh Oleantes! ¿Diremos q u e Alcibiades no tenía nin-
g ú n m o t i v o d e afligirse p o r las p a l a b r a s d e S ó c r a t e s ? Y ¿ q u é
d i r e m o s d e L y c ó n , q u e p a r a a t e n u a r e l d o l o r afirma que
n a c e s i e m p r e d e c o s a s p e q u e ñ a s , e s d e c i r , d e las i n c o m o -
d i d a d e s d e la f o r t u n a y d e l c u e r p o , y n o d e l m a l d e l a l m a ?
¡Y q u é ! a q u e l l o d e q u e s e d o l í a A l c i b i a d e s , ¿no n a c í a d e l o s
m a l e s y d e los v i c i o s d e l a l m a ? B a s t a n t e h e m o s d i c h o a n t e s
p a r a r e s p o n d e r á l o s c o n s u e l o s d e E p i c u r o . Ni t i e n e tam-
poco mucho valor aquel m o d o d e consolación tan u s a d o y
q u e a l g u n a s v e c e s a p r o v e c h a , e s á s a b e r : el c o n s i d e r a r q u e
l o s m a l e s no t e h a n a c a e c i d o á tí s o l o . E s t e m e d i o d e c o n -
s o l a r a p r o v e c h a , r e p i t o , p e r o n o s i e m p r e , ni e n t o d a s c i r -
c u s t a n c i a s . H a y a l g u n o s q u e le r e c h a z a n , é i m p o r t a v e r d e
qué modo s e aplica. Lo q u e conviene poner de manifiesto
e s c ó m o t o l e r a r o n el d o l o r l o s q u e s a b i a m e n t e l l e g a r o n á
r e s i s t i r l e y c u á l fué el d o l o r q u e t o l e r a r o n . El m é t o d o d e
Crisipo es m u y valedero p a r a c o n f i r m a r la v e r d a d , p e r o
p a r a t e m p l a r el d o l o r e s difciil. Obra a r d u a e s p r o b a r á
quien se entristece, que se entristece únicamente por su
g u s t o y p o r q u e c r e e q u e d e b e e n t r i s t e c e r s e . Y así c o m o e n
las c a u s a s n o u s a m o s s i e m p r e l o s m i s m o s a r g u m e n t o s , y
d e aquí n a c e n los d i v e r s o s g é n e r o s d e c o n t r o v e r s i a s , sino
q u e n o s a c o m o d a m o s al t i e m p o , á las p e r s o n a s y á la n a t u -
r a l e z a do l a s c u e s t i o n e s , lo m i s m o h a c e m o s c u a n d o s e t r a t a
d e a l i v i a i \ e l d o l o r . Lo q u e c o n v i e n e s a b e r e s q u é g é n e r o
de curación puede recibir cada uno.
P e r o n o sé d e q u é m a n e r a se ha ido a p a r t a n d o tu r a z o n a -
m i e n t o del propósito que llevaba. Tú p r e g u n t a b a s acerca
420 MARCO TULIO CICERÓN.

d e l s a b i o , p a r a q u i e n no p u e d e h a b e r m a l a l g u n o , e x c e p t o
la t o r p e z a , ó q u e á lo s u m o s ó l o e s s u s c e p t i b l e d e m a l e s tan
p e q u e ñ o s , q u e la s a b i d u r í a b a s t a p a r a o s c u r e c e r l o s y p a r a
hacer q u e a p e n a s s e c o n o z c a n , p o r q u e el s a b i o al m i s -
m o t i e m p o n o j u z g a n a d a p o r la o p i n i ó n , ni t i e n e p o r c o s a
r e c t a el a t o r m e n t a r s e y l a m e n t a r s e , s i n o q u e lo t i e n e p o r
c o s a a b s u r d a y d e t e s t a b l e . N o s e n s e ñ ó la r a z ó n , a u n e n l o s
t i e m p o s e n q u e n o s e p r e g u n t a b a lo q u e e r a m a l o , s i n o lo
q u é e r a t o r p e , á e s t i m a r el d o l o r c o m o c o s a n o n a t u r a l ,
sino nacida de juicio voluntario con opinión errada.
Hemos tratado hasta ahora de aquel género de dolor
q u e e s e l p r i n c i p a l d e t o d o s . D e s t e r r a d o é s t e , fácil nos
será encontrar el remedio de todos los restantes. Hay
u n o s q u e n a c e n d e l a t r i s t e z a , o t r o s d e la v i d a sin h o n r a y
sin gloria. Algunas escuelas t r a t a n s e p a r a d a m e n t e de los
m a l e s d e l d e s t i e r r o , d e la p é r d i d a d e la p a t r i a , d e la s e r -
v i d u m b r e , d e la d e b i l i d a d , d e la c e g u e r a y d e t o d o a c c i -
d e n t e fortuito, á los cuales solemos llamar calamidades.
T o d o s estos los tratan los Griegos p o r e s c u e l a s distintas
y en varios libros, complaciéndose en dilatar estas c u e s -
t i o n e s l l e n a s d e v e r d a d e r o a g r a d o . Y así c o m o l o s m é d i -
c o s q u e t i e n e n á su c a r g o el c u i d a d o d e t o d o el c u e r p o s
c u r a n t a m b i é n la m e n o r d e s u s p a r t e s si e x p e r i m e n t a do-
l o r , así lo h a c e la m i s m a filosofía, después de haber re-
m e d i a d o la e n f e r m e d a d t o t a l , p o r si q u e d a a l g ú n error
p a r t i c u l a r . Si la p o b r e z a n o s m u e r d e , si la i g n o m i n i a nos
p u n z a , si el d e s t i e r r o extiende sobre nosotros sus tinie-
b l a s , ó si n o s a q u e j a c u a l q u i e r o t r o d e l o s m a l e s q u e a n t e s
a p u n t é , aplica á cada u n a de e s t a s cosas su propio con-
s u e l o q u e tú t a m b i é n c o n o c e r á s cuando quieras; pero
a h o r a d e b e m o s v o l v e r á la m i s m a f u e n t e , probando que
t o d o d o l o r e s t á m u y lejos d e l s a b i o , p o r q u e t o d o d o l o r e s
v a n o é i n ú t i l y n o p r o c e d e d e . la n a t u r a l e z a , s i n o d e la
opinión y de cierta invitación que nosotros mismos nos h a -
c e m o s p a r a el d o l o r , c u a n d o c r e e m o s q u e e s t o c o n v i e n e .
CUESTIONES TUSCULANAS. 121

Quitado este e r r o r voluntario, h a b r e m o s desterrado toda


tristeza, dejando sólo cierta m o r d e d u r a y contracción p e -
q u e ñ a s d e l á n i m o . P o c o i m p o r t a q u e la d e c l a r e n natural
c o n tal q u e s e le q u i t e el n o m b r e g r a v e y f u n e s t o d e d o l o r ,
que n u n c a p u e d e c o e x i s t i r ni h a b i t a r j u n t a m e n t e c o n l a
sabiduría. ¡Cuántas y cuan a m a r g a s son las raíces del d o -
lor, las cuales es preciso a r r a n c a r d e s p u é s de h a b e r cor-
t a d o el m i s m o t r o n c o ! Si e s p r e c i s o , d e d i c a r e m o s á c a d a
una de ellas un razonamiento distinto. Aunque en realidad
la e s e n c i a d e t o d o s e s t o s d o l o r e s e s la m i s m a , p o r más
q u e l o s n o m b r e s s e a n v a r i o s . P a r t e s d e la t r i s t e z a son
l a e n v i d i a , y la e m u l a c i ó n , y la m i s e r i a , y la a n g u s t i a , y
e l l l a n t o , y la t r i s t e z a , y el l a m e n t a r s e y el d o l e r s e , y e l
p a d e c e r m o l e s t i a s y s o l i c i t u d , y el afligirse y el d e s e s p e -
r a r s e . Todas estas divisiones h a c e n los Estoicos, no d e s i g -
n a n d o en realidad cosa distinta, a u n q u e en algo difieren,
c o m o en o t r a p a r t e p r o b a r e m o s . Estas son aquellas t e n u í -
s i m a s fibras y r a í c e s q u e , c o m o dije al p r i n c i p i o , h a y q u e
p e r s e g u i r y a r r a n c a r . O b r a g r a n d e y difícil ¿ q u i é n lo n i e g a ? ;
p e r o ¿ q u é o b r a g r a n d e h a y q u e no s e a difícil? A p e s a r d e
e s o , la filosofía n o s p r o m e t e c o n s e g u i r l o , c o n tal q u e n o s
s u j e t e m o s al m é t o d o d e c u r a c i ó n q u e ella p r e s c r i b e .
LIBRO CUARTO.

De las demás perturbaciones del alma.

Muchas v e c e s suelo a d m i r a r m e , oh B r u t o , del ingenio y


d e la v i r t u d d e l o s h o m b r e s d e n u e s t r a r a z a , p r i n c i p a l m e n -
t e en a q u e l l o s e s t u d i o s q u e , d e s p u é s d e h a b e r s i d o d e s e a -
dos por tanto tiempo, pasaron desde Grecia á nuestra
ciudad. Habiendo sido constituida c o m o p o r disposición
divina nuestra república desde sus primeros orígenes,
con sus leyes, auspicios, ceremonias, comieios, apela-
ciones, Senado, orden ecuestre y pueblo, cumplióse en
todo un a d m i r a b l e p r o g r e s o , d e s p u é s q u e la república
s e vio l i b e r t a d a d e la d o m i n a c i ó n d e l o s r e y e s . Mas n o e s
ocasión esta para t r a t a r de las c o s t u m b r e s é institutos de
n u e s t r o s m a y o r e s y d e la d i s c i p l i n a y g o b i e r n o d e n u e s t r a
c i u d a d : d e t o d o ello h e h a b l a d o l a r g a m e n t e en o t r a p a r t e ,
y s o b r e t o d o en los seis libros q u e c o m p u s e a c e r c a d e la
república. Ahora sólo trato de aquellos estudios científicos
que trasladados de otras partes, no sólo han sido recibi-
dos, sino conservados y acrecentados entre nosotros. T e -
n í a n n u e s t r o s p a d r e s c a s i á la v i s t a la a d m i r a b l e sabiduría
d e P i t á g o r a s , q u e f l o r e c i ó e n Italia p o r a q u e l m i s m o t i e m -
p o en q u e Lucio B r u t o , p r e c l a r o a u t o r de tu linaje, libertó
124 MARGO TULIO CICERÓN.

á s u p a t r i a d e l a s e r v i d u m b r e . Difundida la d o c t r i n a d e P i -
t á g o r a s p o r v a r i a s r e g i o n e s , l l e g ó al fin á n u e s t r a ciudad;
y esto que ya s e adivinaba por plausibles conjeturas,
todavía puede confirmarse p o r a l g u n o s i n d i c i o s . ¿Quién
c r e e r á q u e c u a n d o florecía e n Italia la M a p a Grecia con
todas sus poderosas y espléndidas c i u d a d e s , y era tan cele -
b r a d o en ellas p r i m e r o el n o m b r e d e P i t á g o r a s y l u e g o el d e
los Pitagóricos, estuviesen c e r r a d o s los oídos'de nuestros
m a y o r e s á las d o c t í s i m a s v o c e s d e a q u e l l o s filósofos? Yo
c r e o q u e p o r la a d m i r a c i ó n q u e t e n í a á l o s P i t a g ó r i c o s , s e
h a c r e í d o p o s t e r i o r m e n t e q u e el r e y N u m a h a b í a s i d o e d u -
c a d o por ellos. Los q u e esto juzgaron, conociendo sin
d u d a la d i s c i p l i n a é i n s t i t u c i o n e s p i t a g ó r i c a s , y h a b i e n d o
a p r e n d i d o p o r t r a d i c i ó n d e s u s m a y o r e s la s a b i d u r í a d e
a q u e l R e y , p e r o i g n o r a n d o la e d a d y el t i e m p o p o r s e r t a n
r e m o t o s , c r e y e r o n q u e un v a r ó n tan e x c e l e n t e en s a b i d u r í a
no podía m e n o s de haber sido discípulo de Pitágoras.
Y e s t o basta c o m o conjetura. En c u a n t o á los vestigios
d e los Pitagóricos, a u n q u e pueden recogerse muchos, yo
c i t a r é m u y p o c o s , p u e s n o p e r m i t e o t r a c o s a la m a t e r i a
p r e s e n t e . Cuentan d e ellos q u e solían e n s e ñ a r por modo
indirecto sus principios y ceremonias, por medio del
c a n t o y d e la m ú s i c a , t r a y e n d o así l o s e n t e n d i m i e n t o s á la
s e r e n i d a d . Y d e la m i s m a m a n e r a n u e s t r o g r a v í s i m o C a t ó n ,
e n s u s Orígenes, n o s c u e n t a q u e e r a c o s t u m b r e e n l o s c o n -
v i t e s d e n u e s t r o s m a y o r e s c e l e b r a r al s o n d e la flauta las
a l a b a n z a s y v i r t u d e s d e l o s v a r o n e s e s c l a r e c i d o s . De d o n d e
s e infiere c o n c l a r i d a d q u e l o s v e r s o s s e e s c r i b í a n e n t o n -
c e s ' p a r a a c o m o d a r l o s al c a n t o y á la m ú s i c a . De la e x i s -
t e n c i a d e la p o e s í a e n a q u e l l a e d a d t a m b i é n n o s d a n r a z ó n
las Doce Tablas, cuando prohiben hacer composiciones en
i n j u r i a d e o t r o . Lo c o n f i r m a también la c o s t u m b r e , que
a u n d u r a , d e t o c a r la flauta e n c i e r t a s fiestas y e n l o s c o n -
v i t e s d e l o s m a g i s t r a d o s , lo c u a l p a r e c e p r o p i o d e la e s -
cuela de que antes hablé. Y también m e parece obra pita-
CUESTIONES TUSCULANAS. 125

g ó r i c a a q u e l p o e m a d e A p i o el c i e g o , q u e P a n e c i o alaba
tanto en cierta epístola á Quinto Tuberón. Muchas cosas
hay en n u e s t r a s instituciones q u e p a r e c e n t o m a d a s d e allí,
a u n q u e las paso en silencio, p o r q u e no parezca que h e m o s
aprendido d e o t r a p a r t e lo q u e n o s o t r o s m i s m o s hemos
i n v e n t a d o . Y v o l v i e n d o al p r o p ó s i t o d e n u e s t r o discurso,
¡en cuan p o c o tiempo florecieron tantos y tan excelentes
p o e t a s , tantos y tan egregios o r a d o r e s ! d e d o n d e se infie-
r e fácilmente q u e los n u e s t r o s h u b i e r a n podido c o n s e g u i r -
lo t o d o a p e n a s lo i n t e n t a s e n . . P e r o d e l o s d e m á s estudios
h a b l a r e m o s e n o t r o l u g a r , si e s n e c e s a r i o , y y a o t r a s v e -
ces h e m o s hablado.
El e s t u d i o d e la filosofía fué c i e r t a m e n t e a n t i g u o entre
l o s n u e s t r o s ; sin e m b a r g o , a n t e s d e la e d a d d e L e l i o y
de Scipión no e n c u e n t r o n i n g u n o á quien pueda llamar
c o n e x a c t i t u d filósofo. C u a n d o e s o s d o s i l u s t r e s varones
e r a n j ó v e n e s , D i ó g e n e s el e s t o i c o , y C a r n e a d e s el a c a d é -
m i c o , fueron e n v i a d o s p o r los A t e n i e n s e s d e embajadores
a n t e el S e n a d o ; y c o m o ni el u n o ni el o t r o h a b í a n t o m a d o
p a r t e en los n e g o c i o s d e su república y h a s t a e r a n e x t r a n -
j e r o s e n ella, p u e s t o q u e el u n o h a b í a n a c i d o e n C y r e n e y
el o t r o en B a b i l o n i a , n u n c a h u b i e s e n s i d o l l a m a d o s d e la
e s c u e l a ni e l e g i d o s p a r a tal oficio, si e n a l g u n o s v a r o n e s
principales de aquellos tiempos no hubiese habido inclina-
c i ó n á los e s t u d i o s d e la filosofía. Pero habiendo ellos en-
c o m e n d a d o á la e s c r i t u r a , u n o s el d e r e c h o civil, o t r o s s u s
d i s c u r s o s , otros las m e m o r i a s de s u s m a y o r e s , solamente
e s t a d i s c i p l i n a d e b i e n v i v i r , la m á s a m p l i a é i l u s t r e d e t o -
d a s , la c u l t i v a r o n c o n la v i d a m u c h o m á s q u e c o n las
letras.
Por eso, de aquella verdadera y elegante filosofía que,
derivada de Sócrates, p e r m a n e c e todavía en los P i t a g ó -
r i c o s y también en los Estoicos, los cuales dicen las m i s m a s
c o s a s c o n d i s t i n l a s p a l a b r a s , d e s p u é s d e las c o n t r o v e r s i a s
p l a n t e a d a s p o r los A c a d é m i c o s , n o queda e n t r e los L a t i n o s
126 MARCO T U U O CICERÓN.

monumento a l g u n o , ó q u e d a n m u y p o c o s , ya p o r la m a g -
nitud de las c o s a s y por las o c u p a c i o n e s de los h o m b r e s ,
ya porque juzgaban que tales materias no podían agradar
á hombres i n d o c t o s , si b i e n e s v e r d a d q u e m i e n t r a s e l l o s
callaban se levantó Cayo A m a f i n i o , que con sus libros
c o n m o v i ó á la m u l t i t u d , induciéndola á dedicarse á a q u e -
l l a e s c u e l a , ya p o r q u e l e s p a r e c í a d e m á s fácil compren-
s i ó n , ya p o r q u e l o s i n v i t a b a c o n el b l a n d o aguijón del d e -
l e i t e , ya p o r q u e no presentándose n i n g u n a otra doctrina
m e j o r , s e a t e n í a n á la ú n i c a e n t o n c e s c o n o c i d a . Habiendo
escrito después de Amafinio m u c h o s émulos suyos, ocu-
p a r o n c o n s u s l i b r o s t o d a I t a l i a , t e n i e n d o p o r el m á s eficaz
fundamento de su e s c u e l a lo q u e debiera ser el m a y o r
indicio d e e r r o r , e s á s a b e r , el q u e e l l o s lo comprenden
y el q u e lo a p r u e b a n los i g n o r a n t e s ,
P e r o d e f i e n d a c a d a c u a l lo q u e piense: t o d o s los juicios
son libres: nosotros s e g u i r e m o s el n u e s t r o , y s i n s u j e t a r -
n o s á l a s l e y e s e s t r e c h a s d e n i n g u n a e s c u e l a , ni a d o p t a r e n
filosofía s e r v i l m e n t e el p a r e c e r d e n a d i e , b u s c a r e m o s e n
c a d a m a t e r i a lo m á s p r o b a b l e . E s t o l o h e m o s h e c h o e n m u -
c h a s p a r t e s , y a h o r a r e c i e n t e m e n t e e n el T u s c u l a n o .
Y a s í , p r e s e n t a d a la d i s p u t a d e l o s t r e s d í a s p r i m e r o s , d e -
d i c a r e m o s e s t e l i b r o al c u a r t o d í a . L u e g o q u e l l e g a m o s al
paseo donde habíamos tenido el r a z o n a m i e n t o anterior
comenzó d e e s t a m a n e r a la c o n v e r s a c i ó n :
M A R C O . — Dígame uno de vosotros sobre qué materia
queréis disputar.
O Y E N T E . — P a r e c e q u e el sabio no puede estar libre d e
toda perturbación de alma.
M A R C O . — Ayer te p a r e c í a q u e estaba e x e n t o de d o l o r , á
n o s e r q u e c o n s i n t i e r a s e n ello p a r a n e g a r l o después.
OYENTE.—De ninguna m a n e r a : tu oración m e c o n v e n c i ó
plenamente.
MARCO.—¿No c r e e s , p o r t a n t o , q u e en el s a b i o p u e d e r e -
c a e r el d o l o r ?
CUESTIONES TUSCULANAS. 127

OYENTE.—De n i n g u n a m a n e r a lo c r e o .
M A R C O . — ¿ L u e g o si e s t a p e r t u r b a c i ó n n o p u e d e a t o r m e n -
t a r el á n i m o d e l s a b i o , t a m p o c o l o c o n s e g u i r á otra causa
n i n g u n a ? ¿ C r e e s t ú q u e l e c o n t u r b a r á e l m i e d o ? El m i e d o
n o es m á s q u e el t e m o r d e las cosas a u s e n t e s , q u e p r e s e n -
tes causan dolor. D e s t e r r a d o , p u e s , el dolor, está d e s t e -
rrado el m i e d o . Quedan o t r a s d o s p e r t u r b a c i o n e s : la a l e -
g r í a i n m o d e r a d a y e l a p e t i t o . Si e s t a s d o s n o r e c a e n e n e l
sabio, siempre estará tranquilo y sereno su ánimo.
O Y E N T E . — A s í lo e n t i e n d o .
MARGO. — ¿Qué p r e f i e r e s , p u e s ? ¿ q u e n o s o t r o s s o l t e m o s
velas desde luego, ó que vayamos remando poco á poco,
c o m o al s a l i r d e l p u e r t o ?
OYENTE.—Y ¿qué quieres decir con esto? No l o e n -
tiendo.
M A R C O . — Q u i e r o decir q u e Crisipo y l o s Estoicos, c u a n -
d o d i s p u t a n s o b r e las p e r t u r b a c i o n e s d e l a l m a , o c u p a n la
m a y o r parte do su discurso en separarlas y definirlas, y
emplean m u y p e q u e ñ a parte de su oración en dar medicina
al a l m a y d e f e n d e r l a d e l a s p a s i o n e s . L o s P i t a g ó r i c o s , p o r
el c o n t r a r i o , a p a r e j a n muchos remedios para sosegar el
a l m a , y h u y e n d e la división y la definición. L o q u e t e p r e -
g u n t o e s si s o l t a r é d e s d e l u e g o l a s v e l a s d e l d i s c u r s o , ó si
i r é e m p u j a n d o s u a v e m e n t e l o s r e m o s d e la d i a l é c t i c a .
O Y E N T E . — Más b i e n esto, porque así resultará e n t e r a -
m e n t e p e r f e c t a la c o n c l u s i ó n q u e y o d e s e o .
MARCO — T a m b i é n á m í m e p a r e c e m e j o r ; p e r o l u e g o m e
preguntarás lo que encuentres m á s oscuro.
OYENTE.—Así lo h a r é . Tú s a b r á s e x p l i c a r lo m i s m o q u e
llamas oscuro, con mucha m á s claridad que los Griegos.
MARCO.—Yo lo p r o c u r a r é ; pero necesito p a r a ello apli-
c a r toda la fuerza d e mi á n i m o , p a r a q u e n o s e b o r r e e n t e -
r a m e n t e d e mi pensamiento c o n sólo b o r r a r s e alguna cosa.
C o m o á l a s q u e l l a m a n l o s G r i e g o s pasiones yo las llamo
perturbaciones m á s b i e n q u e enfermedades, s e g u i r é , al e x -
128 MARCO TULIO CICERÓN.

p l i c a r l a s , la a n t i g u a d e s c r i p c i ó n d e P i t á g o r a s , reproducida
p o r P l a t ó n . U n o y o t r o d i v i d e n e l a l m a e n d o s p a r t e s : la u n a
participa d e r a z ó n ; la otra carece d e ella. E n la q u e p a r t i -
c i p a d e r a z ó n p o n e n la t r a n q u i l i d a d , e s t o e s , u n a p l á c i d a
y sosegada c o n s t a n c i a : e n la o t r a ponen el m o v i m i e n t o
f u r i o s o , y a d e i r a , y a d e a p e t i t o , y e n e m i g o d e la r a z ó n . S e r á
esta la fuente. P e r o , al describir estas p a s i o n e s , hagamos
u s o d e la definición y d i v i s i ó n d e l o s E s t o i c o s , q u e m e p a -
recen los m á s agudos en tal cuestión. A Zenón perte-
n e c e e s t a d e f i n i c i ó n : q u e la p a s i ó n e s u n m o v i m i e n t o d e l
á n i m o , el c u a l c o n t r a d i c e á la n a t u r a l e z a y s e a p a r t a d e la
r e c t a r a z ó n . O t r o s h a n d i c h o c o n m á s b r e v e d a d q u e la p e r -
turbación es un apetito v e h e m e n t e , pero tienen por m á s
vehemente a q u e l q u e m á s s e aleja d e la s e r e n i d a d . C r e e n
t a m b i é n q u e la p a s i ó n n a c e d e d o s b i e n e s opinados, y d e
dos males opinados, y que p o r consiguiente sus orígenes
s o n c u a t r o . De l o s b i e n e s n a c e el a p e t i t o y la a l e g r í a , s i e n -
d o la a l e g r í a p o r l o s b i e n e s p r e s e n t e s y e l a p e t i t o p o r l o s
b i e n e s f u t u r o s . D e l o s m a l e s n a c e el m i e d o y la t r i s t e z a ; e l
m i e d o p o r l a s c o s a s f u t u r a s ; la t r i s t e z a p o r las cosas p r e -
sentes. Las cosas cuya pérdida tememos son las que
c u a n d o n o s a c a e c e n e n g e n d r a n la t r i s t e z a .
La a l e g r í a y e l a p e t i t o s e f u n d a n e n la o p i n i ó n d e l o s
b i e n e s , p o r q u e el a p e t i t o i n f l a m a d o y v i o l e n t o s e arroja
á t o d o a q u e l l o q u e p a r e c e b i e n ; y la a l e g r í a , a s í q u e c o n s i -
g u e l o q u e h a d e s e a d o , s a l e fuera d e sí, loca y d e s a l e n -
tada. Todos los h o m b r e s siguen naturalmente lo q u e les
parece bien y h u y e n d e lo contrario. Y p o r e s o , luego q u e
s e p r e s e n t a la i m a g e n d e a l g u n a c o s a q u e l e s p a r e c e b i e n ,
la m i s m a n a t u r a l e z a los i m p e l e á b u s c a r l a . Cuando estose
h a c e con constancia y paciencia, llaman los Estoicos á este
a p e t i t o volición, y n o s o t r o s voluntad. E l l o s c r e e n q u e esta
v o l u n t a d s e d a e n el s a b i o , y la definen a s í : « v o l u n t a d e s l a
f a c u l t a d d e l a l m a q u e d e s e a a l g o r a c i o n a l m e n t e . » P o r el
c o n t r a r i o , al d e s e o v e h e m e n t e q u e c o n t r a d i c e n á la razóB
CUESTIONES TUSCULANAS. • i 29

le llaman apetito ó codicia d e s e n f r e n a d a , y'se e n c u e n t r a e n


todos los necios. Cuando nos m o v e m o s para conseguir
algún bien, p u e d e acaecer esto de d o s maneras. Cuando
el á n i m o s e m u e v e p l á c i d a y s o s e g a d a m e n t e y c o n f o r m e á
r a z ó n , s e l l a m a e s t o g o c e ; c u a n d o el á n i m o s e m u e v e v a n a
y desapoderadamente, puede llamarse esto alegría i n s e n -
s a t a ó n e c i a , y s e d e f i n e a s í : elación del ánimo contra razón.
Y así c o m o a p e t e c e m o s p o r naturaleza lo b u e n o , así por
n a t u r a l e z a n o s a p a r t a m o s d e lo m a l o , y e s t e a p a r t a m i e n t o ,
si s e h a c e c o n r a z ó n , s e l l a m a c a u t e l a , la c u a l sólo p u e d e
d a r s e e n el s a b i o ; p e r o c u a n d o s e h a c e d e u n m o d o s i n
r a z ó n , h u m i l d e y a b a t i d o , h a d e l l a m a r s e m i e d o . Es p o r
c o n s i g u i e n t e el m i e d o u n a c a u t e l a c o n t r a r i a á la r a z ó n . El
c o n o c i m i e n t o d e l m a l a c t u a l n o e s p a s i ó n n i n g u n a . Es d e
necios el a n g u s t i a r s e p o r el mal q u e esperan y dejar a b a -
t i r s e el á n i m o , n o o b e d e c i e n d o á la r a z ó n . De a q u í s e d e s -
p r e n d e e s t a d e f i n i c i ó n : « q u e la t r i s t e z a e s u n a c o n t r a c c i ó n
irracional del ánimo.» Cuatro s o n , p u e s , las pasiones, y
t r e s l a s v i r t u d e s , p o r q u e á la t r i s t e z a n o s e o p o n e v i r t u d
alguna.
C r e e n l o s E s t o i c o s q u e t o d a s l a s p a s i o n e s n a c e n d e la
o p i n i ó n y e r r o r p r o p i o . Y p o r e s o d a n d e ellas o t r a s d e f i -
niciones que muestran, n o sólo cuan viciosas s o n , sino
hasta q u é punto se hallan sujetas á n u e s t r o dominio. Es,
p u e s , l a t r i s t e z a la o p i n i ó n a c t u a l d e u n m a l p r e s e n t e , e n
el c u a l n o s p a r e c e c o s a lícita y r e c t a a b a t i r y a n g u s t i a r el
ánimo L a a l e g r í a e s la o p i n i ó n a c t u a l d e u n b i e n p r e s e n t e ,
e n e l c u a l n o s p a r e c e l í c i t o e n s a n c h a r el e s p í r i t u . El m i e d o
e s la o p i n i ó n a c t u a l d e u n m a l q u e n o s a m e n a z a y q u e n o s
p a r e c e i n t o l e r a b l e . El a p e t i t o e s la o p i n i ó n d e a l g ú n bien
venidero que nos parece que se encuentra ya m u y c e r c a
de caer en nuestra mano.
Y d e e s t e falso j u i c i o q u e h a y e n t o d a p a s i ó n , n a c e n , n o
s ó l o la p a s i ó n m i s m a , sino también s u s efectos, d e tal
m o d o q u e la t r i s t e z a p r o d u c e u n a c i e r t a m o r d e d u r a d e d o -
TOMO v . 9
130 MARCO TULIO CICERÓN.

l o r , y el m i e d o u n a e s p e c i e d e r e t r o c e s o y f u g a , y la a l e -
g r í a un g o c e p r o f u s o , y la l i v i a n d a d u n a p e t i t o d e s o r d e -
n a d o . En c u a n t o á la o p i n i ó n q u e va i n c l u i d a e n t o d a s l a s
a f e c c i o n e s a n t e r i o r e s , la definen e l l o s u n a s e n s o imbécil.
Y c a d a u n a d e e s t a s p a s i o n e s la d i v i d e n l u e g o e n varias
p a r t e s , y a s í , v . g r . , al d o l o r a c o m p a ñ a n la e n v i d i a , la
e m u l a c i ó n , la a n g u s t i a , el l l a n t o , la t r i s t e z a , la l a m e n t a -
c i ó n , la s o l i c i t u d , la m o l e s t i a , la aflicción, la d e s e s p e r a c i ó n
y o t r a s m u c h a s c o s a s d e e s t e g é n e r o . El m i e d o le d i v i d e n
en desidia, pudor, t e r r o r , t e m o r , p a v o r , falta d e á n i m o ,
c o n t u r b a c i ó n . Al d e l e i t e a c o m p a ñ a la m a l e v o l e n c i a q u e s e
a l e g r a c o n el mal a j e n o , la d e l e c t a c i ó n , la j a c t a n c i a y o t r a s
c o s a s s e m e j a n t e s . Á la l i v i a n d a d , la i r a , la i n c a n d e s c e n c i a ,
el o d i o , la d i s c o r d i a , la i n d i g e n c i a y o t r a s c o s a s á este
t e n o r . Y los van definiendo de este m o d o :
Dicen q u e la e n v i d i a e s u n p e s a r n a c i d o d e la p r o s p e r i -
dad ajena, a u n q u e en n a d a p e r j u d i q u e al e n v i d i o s o , p o r -
q u e si a l g u i e n s e d u e l e d e la a j e n a p r o s p e r i d a d q u e á él
m i s m o le o f e n d e , n o s e d i c e c o n propiedad que es envi-
d i o s o , c o m o n o lo e r a Agamenón de Héctor. Pero aquel
que se duele de que o t r o g o c e d e b i e n e s q u e á él n o le
ofenden en nada, se dice con propiedad que es envidioso.
La e m u l a c i ó n e s n o m b r e a m b i g u o , q u e lo m i s m o puede
a p l i c a r s e á v i r t u d q u e á v i c i o . La i m i t a c i ó n d e la v i r t u d s e
l l a m a e m u l a c i ó n , p e r o d e e s t o n o t r a t a m o s a h o r a . La ú n i c a
e m u l a c i ó n d e q u e a q u í h a b l a m o s e s el p e s a r d e q u e o t r o
h a y a c o n s e g u i d o lo q u e d e s e a b a . L l a m a m o s o b t r e c t a c i ó n ó
celotipia á la t r i s t e z a d e q u e o t r o t a m b i é n s e h a y a a p o d e r a d o
d e los b i e n e s q u e n o s o t r o s d e s e á b a m o s . L a m i s e r i c o r d i a
e s a n a t r i s t e z a n a c i d a d e la c o m p a s i ó n p o r a l g u i e n que
p a d e c e sin c u l p a , p u e s t o q u e n a d i e s i e n t e misericordia
p o r el s u p l i c i o d e un p a r r i c i d a ni d e u n t r a i d o r . La a n g u s -
tia e s u n a t r i s t e z a q u e o p r i m e . El l u t o e s un p e s a r n a c i d o
d e la m u e r t e d e a l g u i e n q u e n o s e r a m u y q u e r i d o . El
l l a n t o e s u n a t r i s t e z a flébil. La c a l a m i d a d e s u n a t r i s t e z a
CUESTIONES TUSCULANAS. 131

laboriosa. El d o l o r e s u n a t r i s t e z a q u e a t o r m e n t a . La l a -
m e n t a c i ó n e s u n a t r i s t e z a c o n g e m i d o . La s o l i c i t u d e s u n a
t r i s t e z a a c o m p a ñ a d a d e p e n s a m i e n t o s . La m o l e s t i a e s u n a
t r i s t e z a p e r m a n e n t e . La aflicción e s u n a t r i s t e z a a c o m p a -
ñada de algún dolor c o r p o r a l . La d e s e s p e r a c i ó n e s una
t r i s t e z a sin e s p e r a n z a a l g u n a d e m e j o r í a .
Las pasiones q u e se derivan del miedo las definen así:
La p e r e z a e s u n m i e d o d e l t r a b a j o q u e s e h a d e s e g u i r . El
t e r r o r e s u n m i e d o q u e c o n m u e v e t o d a la n a t u r a l e z a h u m a -
n a , d e d o n d e n a c e q u e al p u d o r le a c o m p a ñ e el p a v o r y e l
t e r r o r , el t e m b l a r y el r e c h i n a r d e d i e n t e s . El t e m o r e s e l
m i e d o d e u n m a l q u e s e a c e r c a . El p a v o r e s u n m i e d o q u e
c a s i t r a s t o r n a la m e n t e y la a r r a n c a d e s u l u g a r , p o r l o
c u a l dijo E n n i o : «El p a v o r d e s l i e r r a d e mi á n i m o t o d a s a -
b i d u r í a . » El d e c a i m i e n t o d e á n i m o e s a q u e l m i e d o q u e s u b -
s i g u e y a c o m p a ñ a al d a ñ o . La c o n t u r b a c i ó n e s el miedo
q u e a h u y e n t a t o d o s l o s p e n s a m i e n t o s a n t e r i o r e s . El p á n i c o
e s u n m i e d o p e r m a n e n t e . L a s p a r t e s d e l d e l e i t e las d e s c r i -
ben de este m o d o : La m a l e v o l e n c i a e s la a l e g r í a d e l m a l
t i j e n o , sin p r o v e c h o p r o p i o . La d e l e c t a c i ó n e s u n placer
q u e s u a v i z a el a l m a , y e s t e p l a c e r n o s ó l o e s d e l o s o í d o s ,
s i n o t a m b i é n d e l o s o j o s , d e l t a c t o , d e l olfato y d e l g u s t o ,
t o d o s l o s c u a l e s s e n t i d o s son d e l m i s m o g é n e r o y s i r v e n
p a r a b a ñ a r n u e s t r a a l m a e n u n o c é a n o d e d e l e i t e s . La j a c -
t a n c i a e s u n d e l e i t e q u e s e d i s t i n g u e p o r la p e t u l a n c i a y
p o r la i n s o l e n c i a . L a s d i s t i n t a s e s p e c i e s d e l i v i a n d a d l a s
definen a s í : La i r a e s e l a p e t i t o d e c a s t i g a r á a l g u i e n d e
quien j u z g a m o s q u e nos ha ofendido ó h e c h o injuria. La
i n c a n d e s c e n c i a e s la i r a c u a n d o a p e n a s n a c e . El o d i o e s l a
ira i n v e t e r a d a . La e n e m i s t a d , la ira q u e b u s c a t i e m p o d e
v e n g a r s e . La d i s c o r d i a e s la ira m á s a c e r b a , c o n s e r v a d a e n
lo m á s í n t i m o d e l a l m a . La i n d i g e n c i a e s u n a p e t i t o i n s a -
c i a b l e . El d e s e o e s el a p e t i t o d e v e r a l g o q u e no e s t á p r e -
s e n t e . E s t a s d o s ú l t i m a s p a s i o n e s las d i s t i n g u e n , a f i r m a n d o
-crue la l i v i a n d a d v e r s a s o b r e a q u e l l a s c o s a s q u e los d i a l é c -
132 MARCO T ü l I O CICERÓN.
ticos llaman c a t e g ó r i c a s , v. gr., t e n e r riquezas ó alcanzar
honores. La i n d i g e n c i a s e r e f i e r e á l a s c o s a s p a r t i c u l a r e s ,
v e r b i g r a c i a , t a l h o n o r ó tal d i n e r o . L a f u e n t e d e t o d a s e s -
t a s p a s i o n e s e s , s e g ú n d i c e n l o s E s t o i c o s , la i n t e m p e r a n c i a ,
q u e e l l o s d e f i n e n u n a p a r t a m i e n t o t o t a l d e la r e c t a razón,
tan adverso á sus prescripciones, que de ningún modo pue •
d e n r e g i r s e ni c o n t e n e r s e l o s a p e t i t o s d e l a l m a . Y así c o m o
la templanza sosiega las pasiones, h a c e que o b e d e z c a n á
la r e c t a r a z ó n , y afirma y v i g o r i z a l a s r e s o l u c i o n e s d e la
v o l u n t a d , a s í s u e n e m i g a la i n t e m p e r a n c i a i n f l a m a , c o n -
t u r b a y t r a s t o r n a t o d o e l e s t a d o d e l a l m a . L o s d o l o r e s y el
m i e d o , y t o d a s l a s d e m á s p a s i o n e s , n a c e n d e e l l a . A la
m a n e r a q u e c u a n d o la s a n g r e e s t á c o r r o m p i d a , ó r e d u n d a
la p i t u i t a ó la b i l i s , n a c e n e n el c u e r p o e n f e r m e d a d e s y
a c h a q u e s , así la i n v a s i ó n d e la ira y d e las p a s i o n e s , que
l u c h a n e n t r e s í , d e s p o j a n al á n i m o d e t o d a s a l u d y le e n t r e -
g a n e n b r a z o s d e la e n f e r m e d a d . De la p e r t u r b a c i ó n n a c e n
e n p r i m e r l u g a r las e n f e r m e d a d e s q u e l l a m a n l o s Griegos
vocFijiiaxa, y l o s afectos c o n t r a r i o s á e s t a s enfermedades,
e s d e c i r , la a v e r s i ó n y el fastidio á c i e r t a s c o s a s , y d e s p u é s
l a s d o l e n c i a s q u e l l a m a n l o s E s t o i c o s appcüiYi¡[Link], y s u s
contrarias. Mucho trabajo gastan los Estoicos, -principal-
m e n t e Crisipo, en c o m p a r a r las e n f e r m e d a d e s del alma con
las del c u e r p o . Omitiendo esta lucubración nada n e c e s a r i a ,
t r a t a r e m o s lo q u e v e r d a d e r a m e n t e i m p o r t a en el a s u n t o .
Entiéndase, p u e s , q u e las pasiones están en movimiento
s i e m p r e q u e se agitan las opiniones de una m a n e r a incons-
t a n t e y t u r b u l e n t a . P e r o c u a n d o se h a i n v e t e r a d o e s t e fer-
vor y agitación del alma y, por decirlo así, se ha a p o s e n -
t a d o e n l a s v e n a s y e n la m é d u l a , s i g ú e s e e n t o n c e s la e n -
f e r m e d a d y la p a s i ó n y l o s a f e c t o s q u e s o n c o n t r a r i o s á e l l a .
Todos estos afectos se diferencian racionalmente, pero
e n realidad están u n i d o s , y n a c e n t o d o s del apetito y del
g o z o . C u a n d o d e s e a m o s e l d i n e r o y n o d o m i n a la r a z ó n
como medicina socrática que sane este deseo, penetra
CUESTIONES TUSCULANAS. 133

el m a l h a s t a l a s v e n a s y s e a d h i e r e á l a s e n t r a ñ a s . S i -
gúese d e aquí una enfermedad inveterada y que no es
posible arrancar; y esta enfermedad se llama avaricia.
De i g u a l m o d o n a c e n o t r a s e n f e r m e d a d e s , v . g r . , e l a p e -
tito de gloria, la i n c l i n a c i ó n á l a s m u j e r e s q u e l l a m a n l o s
G r i e g o s philoginia, y otras dolencias parecidas á esta. Los
afectos c o n t r a r i o s n a c e n , en opinión de estos filósofos,
del m i e d o , v . g r . , e l o d i o á las m u j e r e s , q u e e l l o s l l a m a n
misoffuinia, y e l o d i o al g é n e r o h u m a n o , q u e l l a m a m o s , s i -
g u i e n d o á T i m ó n , misantropía. De e s t e g é n e r o e s la falta
de hospitalidad. Todos estos afectos del alma nacen d e
cierto miedo á aquellas cosas d e las cuales h u í m o s y á las
cuales odiamos. A l a dolencia de alma la d e f i n e n : opi-
nión v e h e m e n t e d e u n a cosa no a p e t e c i b l e , p e r o q u e s e
a r r a i g a e n n u e s t r o á n i m o c o m o si f u e s e m u y d i g n a d e s e r
a p e t e c i d a . Y al a f e c t o c o n t r a r i o l e d e f i n e n : o p i n i ó n v e h e -
m e n t e d e u n a c o s a q u e en r e a l i d a d n o d e b e s e r e v i t a d a ,
p e r o q u e s e fija e n n u e s t r o á n i m o c o m o si fuese d i g n a d e
e v i t a r s e . Esta opinión c o n s i s t e e n c r e e r q u e s a b e u n o lo
que realmente ignora.
E s t a s d o l e n c i a s t i e n e n c o m o s i e r v a s é i n f e r i o r e s la a v a -
r i c i a , la a m b i c i ó n , el a m o r á las m u j e r e s , la t e r q u e d a d , e l
a m o r al v i n a , y o t r a s c o s a s s e m e j a n t e s . Es la a v a r i c i a un
e x t r e m a d o a m o r al d i n e r o , c o n s i d e r á n d o l o c o m o c o s a m u y
apetecible. Y d e e s t a m a n e r a p u e d e n definirse todos los
a p e t i t o s r e s t a n t e s . La p a s i ó n c o n t r a r i a s e d e f i n e d e u n
m o d o s e m e j a n t e , v . g r . , la falta d e h o s p i t a l i d a d e s u n a o p i -
nión v e h e m e n t e de q u e debe h u i r s e del h u é s p e d . De la
m i s m a m a n e r a s e d e f i n e e l o d i o á l a s m u j e r e s , v . g r . , el d e
H i p ó l i t o , y el o d i o al g é n e r o h u m a n o , v . g r . , e l q u e t u v o
Timón. Y por usar de alguna comparación tomada d e la
s a l u d , a u n q u e s i n e x t r e m a r e l símil t a n t o c o m o h a c e n l o s
Estoicos, diré q u e así c o m o algunos s o n m á s inclinados á
c i e r t o g é n e r o d e e n f e r m e d a d e s , a s í s o n i n c l i n a d o s o t r o s al
m i e d o , ó á c u a l q u i e r a o t r a p e r t u r b a c i ó n . De d o n d e n a c e e n
134 MARCO TULIO CICERÓN.

u n o s la a n s i e d a d , e n o t r o s la i r a c u n d i a , y n o p o r e s o h e -
mos de creer que todos los que alguna vez se angustian
p u e d e n llamarse ansiosos, como también hay alguna dife-
r e n c i a e n t r e la e m b r i a g u e z y la e b r i o s i d a d , y h a y d i f e r e n -
cia e n t r é s e r a m a d o r y s e r a m a n t e . E s t a s i n c l i n a c i o n e s s e
extienden también á otras enfermedades y tocan á todas
las perturbaciones del alma, a u n q u e en muchos casos
estas inclinaciones no tengan n o m b r e distinto. Así, p u e s ,
los envidiosos, los malévolos, los libidinosos, los tímidos
y los misericordiosos s e llaman así porque son inclinados á
estas p e r t u r b a c i o n e s , n o p o r q u e siempre estén sujetos á
ellas. Estas inclinaciones, por semejanza del c u e r p o , se
apellidan e n f e r m e d a d e s , a u n q u e m u c h a s v e c e s d e b e n c o n -
siderarse sólo c o m o una p r o p e n s i ó n á las dolencias.
No d e o t r o m o d o q u e e l c u e r p o e s s u s c e p t i b l e d e e n f e r -
m e d a d e s y d e d i s p o s i c i o n e s v i c i o s a s , lo e s e l a l m a . L l a m a -
m o s morbus á la c o r r u p c i ó n d e t o d o e l c u e r p o ; aegrotatio,
al morbus a c o m p a ñ a d o d e d e b i l i d a d , vicio y d e s e q u i l i b r i o
d e l a s p a r t e s d e l c u e r p o e n t r e s í , d e d o n d e n a c e n la p r a v i -
d a d d e l o s m i e m b r o s y la d e f o r m i d a d . P o r c o n s i g u i e n t e , el
morbus y la aegrotatio s e e n g e n d r a n d e l a s p e r t u r b a c i o n e s
y d o l e n c i a g e n e r a l d e l c u e r p o , al p a s o q u e e l v i c i o p u e d e
e x i s t i r p o r sí a u n e n el e s t a d o d e s a l u d í n t e g r a . Pero
cuando racionalmente p o d e m o s s e p a r a r e l morbus d e la
aegrotatio, l l a m a m o s h á b i t o ó d i s p o s i c i ó n viciosa l o q u e
e j e r c e e n t o d a la v i d a s u i n f l u e n c i a , i n c o n s t a n t e y d i s c o r d e
c o n s i g o m i s m a . N a c e d e a q u í q u e e n u n o s c a s o s la e n f e r -
medad mental d e p e n d e d e la duración d e las opiniones, y
en o t r o s c a s o s d e s u i n c o n s t a n c i a y r e p u g n a n c i a . No todo
vicio t i e n e s u s p a r t e s d i s c o r d e s , y a s í , v . g r . , el e s t a d o d e
l o s q u e n o s e h a l l a n lejos d e l a s a b i d u r í a e s d i s c r e p a n t e
c o n s i g o m i s m o , e n c u a n t o n o p o s e e la c i e n c i a , p e r o n o e s
una disposición d e ánimo torcida y mala.
Es indudable q u e las enfermedades son parte d e u n a
disposición viciosa, p e r o p u e d e c u e s t i o n a r s e si también l a s
CUESTIONES TUSCULANAS. 135

pasiones pertenecen á e l l a . L a s v i c i o s son u n o s afectos


permanentes, y la p a s i ó n , p o r el c o n t r a r i o , e s u n m o v i -
miento súbito. Por tanto, no p a r e c e q u e las pasiones p u e -
d a n s e r p a r t e d e n i n g ú n a f e c t o d u r a d e r o . Así c o m o po-
d e m o s c o m p a r a r los m a l e s del alma con los del cuerpo,
así también á los b i e n e s s e e x t i e n d e esta similitud. Son en
el c u e r p o l o s b i e n e s p r i n c i p a l e s : la h e r m o s u r a , la fuerza,
la s a l u d , la firmeza, la v e l o c i d a d ; y lo m i s m o e n e l á n i m o .
Y así c o m o s e d i c e q u e el c u e r p o e s t á b i e n templado
c u a n d o s e o r d e n a n a r m ó n i c a m e n t e e n t r e sí t o d a s las p a r -
t e s d e q u e d e b e m o s u s a r , así s e d i c e q u e el á n i m o s e
halla en e s t a d o d e s a l u d c u a n d o s u s j u i c i o s y opiniones
c o n c u e r d a n . Esta e s la v i r t u d d e l a l m a , q u e a l g u n o s c o n -
funden c o n la m i s m a templanza, y otros suponen que
o b e d e c e c i e g a m e n t e á l o s p r e c e p t o s d e la t e m p l a n z a . P e r o
en cualquiera de los dos casos es propia esencialmente
del s a b i o . Hay también cierta sanidad d e á n i m o q u e cabe
hasta e n el n e c i o , y así c o m o e n el c u e r p o la dispo-
sición armónica de los m i e m b r o s , unida á cierta suavi-
d a d d e c o l o r , s e l l a m a h e r m o s u r a , así e n el a l m a s e l l a m a
h e r m o s u r a la i g u a l d a d y c o n s t a n c i a d e l a s o p i n i o n e s y d e
los juicios que siguen de una m a n e r a e s t a b l e y firme á la
v i r t u d , ó c o n t i e n e n en sí la eficacia d e la m i s m a v i r t u d .
T o d o lo q u e s e p a r e c e e n s u v i r t u d á las fuerzas del
c u e r p o y á los n e r v i o s , se llama p o r s e m e j a n z a facultades,
p o d e r e s ó fuerzas d e l a l m a . La v e l o c i d a d d e l c u e r p o s e
l l a m a c e l e r i d a d , la c u a l s e aplica t a m b i é n c o m o alabanza
g r a n d e de los ingenios c u a n d o abarcan en b r e v e tiempo
muchas y variadas cosas.
E n t r e el a l m a y el c u e r p o hay esta diferencia: que el
alma en su e s t a d o de salud n o p u e d e s e r tentada p o r la
e n f e r m e d a d , y el c u e r p o s í . P e r o l o s d o l o r e s d e l cuerpo
p u e d e n a c a e c e r sin c u l p a n u e s t r a ; l o s d e l a l m a n o , porque
todas sus enfermedades y p e r t u r b a c i o n e s se derivan del
d e s p r e c i o d e la r a z ó n , y así s ó l o en l o s h o m b r e s s e d a n ,
136 MARCO TULIO CICERÓN.

porque en las bestias hay algo s e m e j a n t e , p e r o que nunca


p u e d e l l a m a r s e p a s i ó n . Y la d i f e r e n c i a que hay entre los
h o m b r e s d e a g u d o ingenio y los t o r p e s , consiste en que
los ingeniosos, á la m a n e r a q u e los b r o n c e s d e Corintho
t a r d a n e n p o n e r s e r u g i n o s o s , así e l l o s d i f í c i l m e n t e c a e n en
enfermedad y muy pronto s e a l i v i a n d e e l l a , al r e v é s d e
l o s i g n o r a n t e s . Ni el a l m a d e l v a r ó n i n g e n i o s o e s s u s c e p t i -
ble de caer en toda enfermedad y pasión. Están muy le-
j a n a s d e él t o d a s las q u e s o n v i o l e n t a s y desapoderadas,
por más que sea susceptible de aquellos afectos propios de
la v a n i d a d , c o m o la m i s e r i c o r d i a , el d o l o r , el m i e d o .
Se c r e e g e n e r a l m e n t e q u e las e n f e r m e d a d e s del alma
s o n m á s difíciles d e a r r a n c a r q u e a q u e l l o s e x t r e m o s v i c i o s
contrarios á las virtudes. Pueden d e s t r u i r s e l o s v i c i o s sin
que la r a í z d e l a s e n f e r m e d a d e s desaparezca, pero es
mucho más fácil s a n a r alma con extirpar las raíces del
pecado.
T a l e s el t r a t a d o d e las p a s i o n e s s e g ú n los Estoicos,
g r a n d e s c u l t i v a d o r e s d e la q u e l l a m a n l ó g i c a , y e s u n a r t e
d e d i s c u t i r c o n s u t i l e z a . Y ya q u e mi d i s c u r s o ha i d o s a -
l i e n d o d e tan e n m a r a ñ a d o laberinto, prosigamos el c u r s o
de nuestro razonamiento, procurando c o m o siempre expli •
c a r n o s c o n la m a y o r c l a r i d a d q u e la m a t e r i a c o n s i e n t a .
OYENTE.—Con bastante claridad t e h a s e x p l i c a d o ; y si
algo me-queda por a v e r i g u a r , p r o c u r a r é satisfacer mis d u -
d a s e n o t r a p a r l e . A h o r a d i r i j a m o s el v u e l o y el c u r s o de
n u e s t r a n a v e h a c i a el p u n t o q u e a n t e s m e s e ñ a l a b a s .
M A R C O . — Y a e n o t r a s o c a s i o n e s h e m o s d a d o el c o n c e p t o
d e la v i r t u d , y tendremos que recordarlo otras muchas,
p o r q u e c a s i t o d a s l a s c u e s t i o n e s q u e p e r t e n e c e n á la vida
y á las costumbres se derivan de esta consideración.
Y d a n d o p o r s u p u e s t o q u e e s la v i r t u d u n afecto d e l á n i m o
constante y ordenado, que hace laudables á aquellos h o m -
b r e s en q u i e n e s e x i s t e , y que es laudable ella m i s m a p o r
s u p r o p i a n a t u r a l e z a s e p a r a d a m e n t e d e la u t i l i d a d , e s e v i -
CUESTIONES TUSCULANAS. 137

d e n t e q u e d e e l l a n a c e n la v o l u n t a d h o n e s t a , l a s s e n t e n c i a s
y l a s a c c i o n e s r e c t a s , d e t a l m a n e r a q u e p o d r í a m o s definir
justamente la m i s m a v i r t u d una recta razón. A e s t a v i r t u d
es contraria aquella disposición viciosa q u e los Griegos
llaman xaxla, á cuyo n o m b r e sólo imperfectamente corres-
p o n d e el n u e s t r o d e m a l i c i a . De e s t a d i s p o s i c i ó n n a c e n l a s
pasiones q u e antes indiqué, es decir, el movimiento d e l
ánimo tumultuoso, desordenado, c o n t r a r i o á la r a z ó n y
e n e m i g o d e l e n t e n d i m i e n t o y d e la v i d a t r a n q u i l a ; la c u a l
l l e v a c o n s i g o a n g u s t i a é i n q u i e t u d a c e r b a y aflige e l a l m a
y la e n e r v a y d e b i l i t a c o n el m i e d o , ó b i e n la inflama c o n
el d e s o r d e n a d o a p e t i t o , q u e u n a s v e c e s l l a m a m o s c o d i c i a ,
o t r a s l i v i a n d a d , y e s s i e m p r e u n d e s o r d e n ó falta d e m o d e •
r a c i ó n e n e l á n i m o , a p a r t á n d o s e m u c h o d e la m o d e r a c i ó n y
d e la t e m p l a n z a . Y s i a l g u r r . v e z e s t e a p e t i t o l o g r a l o q u e
por tanto tiempo ha deseado, siente una alegría igualmen-
t e i n m o d e r a d a , s i n g u a r d a r o r d e n ni c o n v e n i e n c i a a l g u n a
e n s u s a f e c t o s , s e m e j a n t e á a q u e l q u e c u a n d o le a c o n t e c e
una g r a n felicidad apenas acierta á c r e e r e n ella. El r e -
m e d i o d e t o d o s e s t o s m a l e s c o n s i s t e s ó l o e n la v i r t u d .
¿Qué c o s a h a y m á s m i s e r a b l e , ó , p o r m e j o r d e c i r , m á s
t o r p e , m á s fea y m á s d e f o r m e q u e c a e r afligido, d e r r o t a d o
y r e n d i d o p o r el dolor, á cuya miseria está m u y p r ó x i m o
t o d o el q u e t e m e a l g ú n m a l q u e s e l e a c e r c a , y v i v e pen-
d i e n t e d e e s t e c o n t i n u o t e r r o r ? La fuerza d e e s t e m a l q u i -
[Link] los poetas c u a n d o nos p r e s e n t a n en el
i n f i e r n o á T á n t a l o , a m e n a z a d o c o n t i n u a m e n t e p o r la r o c a ,
e n castigo d e su soberbia y d e s t e m p l a n z a d e á n i m o . Esta
e s la p e n a c o m ú n d e la n e c e d a d . Á todos aquellos cuya
m e n t e s e a p a r t a d e la r e c t a r a z ó n , siempre les aqueja
algún t e r r o r d e esta especie. Y así c o m o estas d e s a p o d e r a -
d a s p e r t u r b a c i o n e s d e l á n i m o , q u i e r o d e c i r , el d o l o r y e l
m i e d o , e s t á n p r ó x i m a s á la l o c u r a , no menos lo están
a q u e l l a s o t r a s p a s i o n e s y a l e g r í a s , e s d e c i r , el a p e t i t o d e
desear siempre ávidamente a l g u n a c o s a , y la v a n a y d e s -
138 MARCO TULIO CICERÓN.

apoderada alegría. Por donde fácilmente se entiende cuál


e s la i d e a q u e nos formamos d e aquel varón perfecto á
quien unas veces llamamos moderado, otras modesto y
temperante, otras constante y firme; si b i e n todos estos
v o c a b l o s p u e d e n r e d u c i r s e e n r i g o r al n o m b r e d e f r u g a l i -
d a d , el c u a l , p o r d e c i r l o a s í , e s la c a b e z a y r a í z d e t o d a s
l a s v i r t u d e s . Si t o d a s n o s e c o n t u v i e s e n b a j o e s t e n o m -
b r e , nunca hubiera llegado á e x t e n d e r s e tanto aquel pro-
v e r b i o q u e afirma q u e el h o m b r e frugal p r o c e d e e n t o d a s
l a s c o s a s r e c t a m e n t e . Y e s lo m i s m o q u e los E s t o i c o s d i c e n
d e l s a b i o , q u e ellos d e s c r i b e n con palabras magníficas y
propias para causar grande admiración; por consiguiente,
t o d o el q u e r i g e s u á n i m o s e r e n o c o n m o d e r a c i ó n y c o n s -
t a n c i a , y v i v e e n p a z c o n s i g o m i s m o , d e t a l m o d o q u e ni
l a m o l e s t i a le r i n d a , n i l e q u e b r a n t e el t e m o r , ni t e n g a s e d
y d e s e o s v e h e m e n t í s i m o s , ni s e r e s u e l v a e n fútiles gozos,
é s t e y n o o t r o es el s a b i o q u e b u s c a m o s ; é s t e e s aquel
h o m b r e feliz p a r a q u i e n ninguna de las c o s a s humanas
p u e d e s e r tan i n t o l e r a b l e q u e v e n z a á s u á n i m o , ni tan
a l e g r e q u e le e x a l t e s o b r e su p r o p i a c o n d i c i ó n . P u e s ¿ c ó m o
ha de h a b e r cosa alguna e n t r e las cosas m o r t a l e s q u e le
parezca g r a n d e á un entendimiento que abarca toda e t e r -
nidad y todas las g r a n d e z a s del m u n d o ? ó ¿qué cosa h a y
e n l o s d e s e o s h u m a n o s , ó en t a n c o r t o p l a z o d e v i d a , q u e
pueda parecer grande al s a b i o , c u y o á n i m o e s t á siempre
p r e v e n i d o p a r a q u e n a d a le p u e d a a c o n t e c e r d e improviso
ni n a d a le coja d e n u e v a s , s i n o q u e d i r i g i e n d o s u vista á
todos lados, encuentra siempre un'lugar donde vivir sin
a n g u s t i a s ni d o l o r e s , t o l e r a n d o quieta y sosegadamente
c u a l q u i e r a c o s a f a v o r a b l e ó a d v e r s a q u e la f o r t u n a traiga
s o b r e él? El q u e l l e g a á t a l s e r e n i d a d d e a l m a n o s ó l o s e
l i b r a r á del d o l o r , s i n o d e t o d a s l a s d e m á s p a s i o n e s . C u a n d o
el á n i m o e s t á v a c í o d e t o d a s e l l a s , s e p u e d e decir que un
hombre es perfecto y absolutamente feliz, al p a s o que
c u a n d o e s t á a r r a s t r a d o p o r e l l a s y s e s e p a r a d e la í n t i m a
CUESTIONES TUSCULANAS- 139

y r e c t a r a z ó n , n o s ó l o p i e r d e la c o n s t a n c i a , s i n o t a m b i é n
la salud.
Así, d e b e m o s t e n e r por mala y e n e r v a d a opinión a q u e -
lla d e l o s P e r i p a t é t i c o s q u e a f i r m a q u e l a s p a s i o n e s son n e -
c e s a r i a s al a l m a , c o n tal q u e h a y a e n e l l a s c i e r t a m o d e r a -
ción y se les i m p o n g a cierto límite q u e no le sea lícito
t r a s p a s a r . ¿Quieres t ú p o n e r m o d e r a c i ó n e n l o s v i c i o s , ó
n o t i e n e s p o r v i c i o el d e j a r d e o b e d e c e r á la r a z ó n ? ¿Y n o t e
d i c e la r a z ó n b a s t a n t e c l a r o q u e n o e s u n b i e n lo q u e t a n
a r d i e n t e m e n t e d e s e a s , ó lo q u e d e s p u é s d e alcanzado te
p r o d u c e u n a a l e g r í a t a n a n h e l a n t e ? ¿Y n o t e e n s e ñ a que
t a m p o c o e s mal el q u e te o p r i m e , ó lo q u e c o n t a n t a a n s i e -
d a d t e m e s q u e t e o p r i m a a l g u n a vez? ¿No h a s aprendido
q u e e s tu p r o p i o e r r o r el q u e h a c e l a s c o s a s m á s t r i s t e s 6
m á s a l e g r e s d e lo q u e s o n e n r e a l i d a d ? Y si e s t e e r r o r e n
l o s m i s m o s n e c i o s s e va d e s t r u y e n d o c o n el t i e m p o , q u e
h a c e m á s l l e v a d e r o s l o s m a l e s i n v e t e r a d o s , ¿no e s e v i d e n t e
q u e e l s a b i o no d e b e a b r i g a r l e n u n c a ?
Y ¿qué término medio es este que quieres buscar en la
pasión? Huyamos primero del dolor, que es de t o d o s los
a f e c t o s el q u e m á s i m p o r t a c o m b a t i r . E s t á e s c r i t o e n la
h i s t o r i a d e F a n n i o , q u e P u b l i o Rutilio l l e v ó m u y á m a l la
r e p u l s a d e s u h e r m a n o en la pretensión del consulado,
pero extremó demasiado este sentimiento suyo, puesto
q u e fué c a u s a d e q u e a b a n d o n a r a e s t a v i d a . Con m á s m o -
d e r a c i ó n d e b i ó t o l e r a r l o . Y ¿qué h u b i e r a s i d o d e él si l l e -
vando con más resignación este contratiempo, se hubiera
a ñ a d i d o á él la m u e r t e d e s u s hijos? ¿No d i r í a q u e a q u e l
d o l o r q u e le p a r e c í a a n t e s i n t o l e r a b l e s e h a b í a a c r e c e n t a d o
c o n o t r o m u c h o m a y o r ? Y si á e s t o s s e h u b i e r a n añadido
d o l o r e s g r a n d e s d e l c u e r p o , la c e g u e r a , ó e l d e s t i e r r o , ¿le
h a b r í a p a r e c i d o tan g r a v e el mal q u e a n t e s n o p o d í a sufrir?
El q u e b u s c a m o d e r a c i ó n e n l o s v i c i o s s e a s e m e j a al que
p r e c i p i t á n d o s e d e la r o c a d e L e u c a d e s , d i j e r a q u e podía
d e t e n e r s e c u a n d o él q u i s i e r a ; y así c o m o e s t o n o e s posi-
140 MARCO TULIO CICERÓN.

ble, t a m p o c o lo e s q u e el alma p e r t u r b a d a y arrastrada


por las pasiones pueda refrenarse, ni d e t e n e r s e donde
quiera, y todos los afectos q u e cuando crecen son perni-
c i o s o s , s o n t a m b i é n v i c i o s o s c u a n d o n a c e n . Si el d o l o r y
las d e m á s pasiones cuando se desarrollan son pestífe-
ras, deben tener ya no poca parte de mal cuando apenas
a p u n t a n . Ellas m i s m a s s e e m p u j a n c u a n d o u n a v e z n o s a p a r -
t a m o s d e la r a z ó n , y la m i s m a f l a q u e z a y debilidad del
consejo, condescendiendo consigo m i s m a , s e deja llevar
i m p r u d e n t e m e n t e á alta m a r y n o e n c u e n t r a p u e r t o ni r e -
fugio. P o r lo c u a l n o h a y d i f e r e n c i a a l g u n a e n q u e l o s P e -
r i p a t é t i c o s a p r u e b e n l a s q u e l l a m a n perturbaciones mode-
radas, ó en que se declaren partidarios d e 'a injusticia
moderada, d e la c o b a r d í a m o d e r a d a , d e la d e s t e m p l a n z a
m o d e r a d a . El q u e p o n e m o d e r a c i ó n e n los vicios s e h a c e
solidario d e u n a p a r t e d e ellos, y siendo éstos odiosos p o r
sí m i s m o s , s o n tanto m á s m o l e s t o s cuanto q u e las pasiones
son resbaladizas y se deslizan c ó m o por un plano inclinado
y no p u e d e n p a r a r s e en punto alguno: Y ¿qué añadiré de
otra afirmación de los P e r i p a t é t i c o s , c u a n d o n o s dicen q u e
las pasiones q u e n o s o t r o s c r e e m o s q u e deben extirparse no
s ó l o s o n n a t u r a l e s e n los h o m b r e s , s i n o q u e h a s i d o g r a n -
d e m e n t e útil e l q u e la n a t u r a l e z a n o s las c o n c e d i e r a ? Y d i s -
c u r r e n de este m o d o . Empiezan por alabar con abundancia
d e p a l a b r a s la i r a , q u e l l a m a n a g u z a d o r a d e la f o r t a l e z a , y
e n s a l z a n la v e h e m e n c i a d e l v a r ó n j u s t o i n d i g n a d o c o n t r a e l
enemigo y contra el c i u d a d a n o p e r v e r s o , y tienen p o r l e -
v e s y d e p o c a fuerza l a s r a z o n e s d e l q u e d i j e r e : « e s c o s a
recta que esta batalla se d é : conviene pelear por las leyes,
p o r la l i b e r t a d , p o r la p a t r i a . » N i n g u n a d e e s t a s r a z o n e s
t i e n e f u e r z a , si la i r a n o h a c a l e n t a d o la f o r t a l e z a . Y no
s ó l o a p l i c a n e s t o á la g u e r r a , s i n o q u e n o c r e e n q u e n i n •
g ú n i m p e r i o e s b a s t a n t e s e v e r o si n o s e m e z c l a e n é l a l -
guna acerbidad é iracundia. Y siguen probando q u e no
p u e d e h a b e r o r a d o r e n e l a t a q u e ni e n la d e f e n s a sin el
CUESTIONES TUSCULANAS. 141

a g u i j ó n d e la i r a , d e tal m o d o q u e si r e a l m e n t e n o e s t á i n -
dignado, debe ungirlo con palabras y con movimientos,
p a r a q u e la p a s i ó n d e l o r a d o r inflame el á n i m o d e l a u d i t o -
rio. Y finalmente l l e g a n á d e c i r q u e n o m e r e c e el nombre
d e v a r ó n el q u e n o s a b e i n d i g n a r s e ; y á lo q u e nosotros
l l a m a m o s m a n s e d u m b r e , la l l a m a n e l l o s c o n v i c i o s o n o m -
b r e codicia.
Y no sólo alaban este g é n e r o de liviandad, puesto que
y a d e f i n e n a n t e s la ira c o m o u n apetito d e s o r d e n a d o de
v e n g a r s e , s i n o q u e el o t r o g é n e r o de apetito ó de codicia
s u p o n e n t a m b i é n q u e n o s fué c o n c e d i d o c o n s u m a u t i l i d a d
p o r la n a t u r a l e z a , p o r q u e n a d i e p u e d e h a c e r c o n e x c e l e n -
cia c o s a a l g u n a s i n o a q u e l l o q u e le a g r a d a .
De n o c h e andaba por las plazas públicas Temístocles
p o r q u e n o p o d í a c o g e r el s u e ñ o , y r e s p o n d í a á l o s q u e l e
e n c o n t r a b a n , que los trofeos de Milcíades eran los que l e
d e s v e l a b a n . Y ¿de q u i é n no son conocidas las vigilias de
D e m ó s t e n e s , q u e d e c í a s e n t i r g r a n d o l o r c u a n d o la i n d u s -
t r i a d e o t r o artífice le a v e n t a j a b a ? Los mismos príncipes
d e la filosofía n u n c a h u b i e r a n p o d i d o h a c e r tal p r o g r e s o e n
s u s estudios sin un a r d i e n t e é i n m o d e r a d o d e s e o de c o n o -
cer. Sabemos que Pitágoras, Demócrito y Platón llegaron
h a s t a l o s e x t r e m o s d e la t i e r r a , p o r q u e c r e í a n d e s u o b l i -
gación ir á todo país donde pudiesen aprender algo.
Y ¿ c r e e m o s q u e esto lo h u b i e r a n intentado y llevado á
t é r m i n o sin s u m o a r d o r y c o d i c i a g r a n d e ? A u n el mismo
dolor, del cual n o s o t r o s h u i m o s c o m o de una bestia feroz y
a b o r r e c i b l e , e l l o s le s u p o n e n d o n ú t i l í s i m o d e la n a t u r a -
l e z a , p a r a q u e el t e m o r d e l o s c a s t i g o s l o s r e t r a i g a de
las ignominias y aparte á los h o m b r e s del d e l e i t e . P a r e c e
c o n c e d i d a la i m p u n i d a d d e l o s p e c a d o s á l o s q u e sufren
s i n d o l o r la i g n o m i n i a y la i n f a m i a . Mejor m e d i c i n a e s
la c o n c i e n c i a , y p o r e s o dijo m u y b i e n Afranio c u a n d o i n -
t r o d u c e á u n hijo d i s o l u t o e x c l a m a n d o : « ¡ A y , d e s d i c h a d o
de mí!» y le r e s p o n d e s u p a d r e : «Con tal q u e t e duela
142 MARCO TULIO CICERÓN.

a l g o , q u e t e d u e l a lo q u e q u i e r a . » T a m b i é n l l a m a n ú t i l e s á
l o s d e m á s m o d o s d e l d o l o r , v . g r . , á la m i s e r i c o r d i a p o r -
que nos induce á ayudar á otros hombres y á aliviar las
c a l a m i d a d e s d e l o s i n d i g e n t e s . A la m i s m a e m u l a c i ó n y e n -
vidia no las tienen por inútiles c u a n d o n o s h a c e n v e r q u e
n o h e m o s c o n s e g u i d o lo q u e h a n l o g r a d o o t r o s , ó q u e o t r o s
h a n c o n s e g u i d o lo m i s m o q u e n o s o t r o s .
Y si a l g u i e n q u i t a s e d e la v i d a h u m a n a el m i e d o , q u i t a r í a
c o n él t r e s p a r t e s d e la a c t i v i d a d d e la v i d a , la c u a l es
grande en todos aquellos que temen á las l e y e s , á los
m a g i s t r a d o s , á la p o b r e z a , á la i g n o m i n i a , á la muerte,
al d o l o r . T o d o e s t o lo r a z o n a n bajo el s u p u e s t o d e q u e l a
pasión debe destruirse, p e r o afirman que es imposible
arranearla de raíz, y que por otra parte no es n e c e s a r i o ;
y así, en casi t o d a s las c o s a s t i e n e n por m e j o r el t é r m i n o
m e d i o . E s t a s r a z o n e s , ¿te h a c e n a l g u n a f u e r z a ó t e p a r e c e n
d e j i i n g ú n valor?
O Y E N T E . — A mí m e h a c e n a l g u n a f u e r z a : e s p e r o q u e m e
d i g a s las r a z o n e s e n c o n t r a .
MARCO.—Quizás podría encontrarlas, pero antes quiero
n o t a r u n a c o s a . ¿Has v i s t o c u á n t a e s la m o d e s t i a d e los
A c a d é m i c o s ? Dicen c l a r a y l l a n a m e n t e lo q u e p e r t e n e c e al
a s u n t o . A los P e r i p a t é t i c o s r e s p o n d e n l o s E s t o i c o s . P o r m í
puedes combatir cuanto g u s t e s , p o r q u e yo n o b u s c o s i n o
la o p i n i ó n m á s v e r o s í m i l . ¿Qué p r i n c i p i o s e h a s e n t a d o e n
esta cuestión, del cual p u e d a s a c a r s e algo verosímil, q u e
sirva como de punto de partida para los razonamientos
u l t e r i o r e s ? Sin d u d a la d e f i n i c i ó n de las p a s i o n e s es p e r -
fecta en Z e n ó n . Él d i c e q u e la p a s i ó n e s u n m o v i m i e n t o d e l
a l m a c o n t r a r i o á la n a t u r a l e z a y a p a r t a d o d e la r a z ó n . Y e n
otras partes la define un a p e t i t o v e h e m e n t e , e n t e n d i e n d o
por más v e h e m e n t e aquel que- m á s s e a p a r t a d e la c o n s -
t a n c i a d e la n a t u r a l e z a . ¿Qué p u e d o o b j e t a r á e s t a s d e f i n i -
ción? Ciertamente que todas ellas indican prudencia y
a g u d e z a , a u n q u e s e r e s i e n t a n m u c h o d e la p o m p a retórica
CUE»II©MES TUSCULAKAS. 143

tocias a q u e l l a s frases d e ardor del alma y p i e d r a a g u z a d o r a


d e las v i r t u d e s . ¿Por v e n t u r a el v a r ó n fuerte n o p u e d e serlo
a u n q u e n o h a g a v a n o a l a r d e d e s u fortaleza? E s t o e s p r o -
pio d e l o s g l a d i a d o r e s , a u n q u e m u c h a s Veces admiramos
en ellos constancia v e r d a d e r a . Ellos hablan, s e pasean, s e
quejan, piden algo, d e tal m a n e r a q u e parecen m á s aplaca-
d o s q u e a i r a d o s . Del g é n e r o c o n t r a r i o e s a q u e l P a c i d i a n o ,
en cuya beca pone estas palabras Lucilio: «Le mataré y le
v e n c e r é , dijo, y o o s lo j u r o : le g o l p e a r é e n e l r o s t r o : n o
p a r a r é h a s t a s e p u l t a r l e la e s p a d a e n el e s t ó m a g o y e n l o s
p u l m o n e s : a b o r r e z c o á e s e h o m b r e : la i r a m e a r r a s t r a á
p e l e a r c o n é l . » ¡De q u é m a n e r a tan contraria á esta ira-
cundia d e gladiador vemos en Homero salir á Ayax á p e -
lear c o n Héctor! Aun en el m o m e n t o d e t o m a r las a r m a s
infunde con su presencia alegría á s u s c o m p a ñ e r o s y t e r r o r
á s u s e n e m i g o s , d e t a l s u e r t e q u e el m i s m o H é c t o r l l e g a á
a r r e p e n t i r s e d e h a b e r l e p r o v o c a d o al c o m b a t e . Y c u a n d o
los d o s g u e r r e r o s s e e n c u e n t r a n antes d e venir á las m a -
nos, les v e m o s hablar quieta y s o s e g a d a m e n t e , sin m o s -
t r a r i r a c u n d i a ni p a v o r a u n e n lo m á s t r a b a d o d e l c o m b a t e .
Y y o c r e o q u e a q u e l T o r c u a t o , el p r i m e r o q u e m e r e c i ó
este renombre, n o e s t a b a d o m i n a d o p o r la. i r a c u a n d o
a r r a n c ó e l c o l l a r al G a l o , ni c r e o q u e M a r c e l o s e m o s t r ó
tan fuerte en Clastidio porque estuviese airado. Y en
c u a n t o á Scipión el Africano, c o m o e s m u c h o m á s conocido
de nosotros p o r haber vivido en tiempos m á s cercanos,
b i e n p u e d o j u r a r q u e n o l e i n f l a m a b a la i r a c u a n d o e n la
batalla cubrió c o n su e s c u d o á Marco Halieno d e Peligno y
s e p u l t ó s u e s p a d a e n e l p e c h o d e l e n e m i g o . En c u a n t o á
L u c i o B r u t o , q u i z á s p o d r í a d u d a r s e si p o r e l infinito o d i o
q u e tenía c o n t r a e l t i r a n o s e a r r o j ó t a n d e s a p o d e r a d a -
m e n t e c o n t r a A r u n t e , p u e s t o q u e l e e m o s e n la h i s t o r i a q u e
los d o s cayeron' á un m i s m o tiempo con r e c í p r o c a s h e r i d a s .
P e r o ¿por q u é h e m o s d e e x p l i c a r l o t o d o p o r la ira? ¿ n o s e
s i r v e d e t a l í m p e t u la m i s m a f o r t a l e z a , a u n c u a n d o está
144 MARCO TULIO CICERÓN.

libre de toda pasión? Y q u é , ¿crees tú que Hércules, á


q u i e n l e v a n t ó á l o s c i e l o s e s a m i s m a fortaleza q u e v o s o t r o s
llamáis iracundia, c r e e s tú q u e estaba a p a s i o n a d o c u a n d o
l u c h ó c o n el j a b a l í d e E r y m a n t o ó c o n el l e ó n Ñemeo?
¿ó c r e e s l o m i s m o d e T e s e o c u a n d o a g a r r ó p o r l o s c u e r -
n o s a l t o r o d e M a r a t ó n ? D e b e s c o n s i d e r a r q u e la f o r t a l e z a
n o e s r a b i o s a n u n c a , y q u e la ira e s c o s a v a n a y l i g e r a , s i n
que pueda llamarse verdaderamente tortísimo al q u e c a r e c e
d e razón. ¿Deben d e s p r e c i a r s e las cosas h u m a n a s , d e s p r e -
c i a r s e la m u e r t e , c o n s i d e r a r s e c o m o t o l e r a b l e s l o s d o l o r e s
y l o s t r a b a j o s ? C u a n d o h a y a m o s a r r a i g a d o e n el á n i m o e s t a
consideración, n a c e u n a robusta y estable fortaleza, á n o
s e r q u e a t r i b u y a m o s á la i r a t o d o l o q u e s e c u m p l e c o n
vehemencia, acritud y animosidad. Yo creo q u e ni siquiera
a q u e l S c i p i ó n , p o n t í f i c e m á x i m o , q u e d e c l a r ó v e r d a d e r a la
s e n t e n c i a d e l o s E s t c i c o s d e q u e ningún hombre privado era
verdaderamente sabio, e s t a b a enojado con Tiberio Graco,
c u a n d o d e j ó al C ó n s u l q u e fluctuaba entre dudas y vacila-
c i o n e s , y é l , h o m b r e p r i v a d o , c o m o si fuese c ó n s u l , y p e n -
s a n d o s ó l o e n la s a l v a c i ó n d e la r e p ú b l i c a , dijo á l o s d e m á s
q u e l e s i g u i e r a n . Y o n o s é si a l g u n a v e z h e p r o c e d i d o c o n
t a n t a f o r t a l e z a e n l o s n e g o c i o s d e la r e p ú b l i c a , p e r o s é q u e
l a s c o s a s q u e h e h e c h o , nunc3 l a s h i c e c o n i r a .
Y ¿ h a y a l g o m á s s e m e j a n t e a l a i n s a n i a q u e la ira? B i e n
dijo E n n i o q u e la i r a e r a u n p r i n c i p i o d e l o c u r a . El c o l o r ,
la v o z , l o s o j o s , la falta d e m o d e r a c i ó n en las palabras y
en l a s a c c i o n e s , t o d o e s t o ¿ q u é t i e n e q u e v e r c o n la s a l u d ?
¿Quién h a y m á s e n f e r m o q u e el A q u i l e s d e H o m e r o , ó q u e
A g a m e n ó n e n la d i s p u t a c o n A q u i l e s ? Y e n c u a n t o á A y a x ,
s e c u e n t a q u e la i r a l e l l e v ó a l f u r o r y á la m u e r t e . N o
d e s e a , p u e s , la f o r t a l e z a q u e la i r a c u n d i a l e p r e s t e c o m o
abogada sus auxilios. Bastante armada y dispuesta para
el c o m b a t e e s t á c o n s u s p r o p i a s f u e r z a s . Si fuera ver-
d a d l o q u e e l l o s d i c e n , s e r í a útil p a r a la f o r t a l e z a la e m -
b r i a g u e z , y s e r í a ú t i l la m i s m a d e m e n c i a , p o r q u e e l e b r i o y
CUESTIONES TUSCULANAS. 145

el d e m e n t e o b r a n á v e c e s con mayor energía. Siempre


fué m u y v a l e r o s o A y a x ; p e r o e n su furor s e m o s t r ó f o r t í -
s i m o , é hizo una maravillosa hazaña, cuando estando los
Griegos á p u n t o d e ser v e n c i d o s , él, en un a r r e b a t o de
l o c u r a , h i z o c a m b i a r la s u e r t e d e la p e l e a . ¿Y d i r e m o s p o r
e s o q u e la l o c u r a s e a útil? Medita b i e n la definición d e la
fortaleza, y comprenderás que no necesita de violencia.
La f o r t a l e z a e s u n a f e c t o d e l a l m a q u e o b e d e c e á la l e y
s u m a d e t o l e r a r el d o l o r , ó u n a conservación d e la t e m -
planza de ánimo en sufrir y r e p e l e r aquellas cosas que
p a r e c e n temibles, ó una ciencia que nos enseña á tolerar
ó á despreciar del todo las cosas temibles y c o n t r a r i a s ,
c o n s e r v a n d o el j u i c i o í n t e g r o y sereno acerca de ellas; ó
si n o te p l a c e n e s t a s d e f i n i c i o n e s , q u e son todas de Sfero,
el c u a l p a s a e n t r e ¡os E s t o i c o s p o r el m e j o r d e f i n i d o r , to-
m a r é o t r a m á s b r e v e d e C r i s i p o . La f o r t a l e z a , d i c e C r i s i -
po, es una ciencia que enseña á sufrir todas las c o s a s , ó
u n a f e c t o del a l m a en el p a d e c e r , o b e d e c i e n d o sin temor
á la ley s u m a . P o r m u c h o q u e a t a q u e m o s á l o s Estoicos,
c o m o solía h a c e r C a n i e a d e s , m u c h o me temo que ellos
s o l o s s e a n los v e r d a d e r o s filósofos. ¿Cuál d e e s t a s d e f i n i -
c i o n e s n o l l e v a e n v u e l t a la n o c i ó n que todos nosotros
t e n e m o s a c e r c a d e la f o r t a l e z a ? Y u n a v e z c o n o c i d a e s t a
definición, ¿quién h i y que busque otra para el g u e r r e r o ,
p a r a el g e n e r a ' , p a r a el o r a d o r ? Y o s u p o n g o q u e s i n a l g ú n
g é n e r o d e r a b i a no p o d r í a n a c o m e t e r n i n g ú n h e c h o g r a n d e .
¿Y q u é ? l o s E s t o i c o s , q u e t i e n e n á t o d o s l o s n e c i o s p o r l o -
c o s , ¿ n o p r o f e s a n la m i s m a o p i n i ó n ? Si a p a r t a s la p a s i ó n , y
p r i n c i p a l m e n t e la i r a , te p a r e c e r á n m o n s t r u o s . D i c e n l o s
E s t o i c o s q u e c u a n d o afirman q u e t o d o s l o s n e c i o s s o n l o -
c o s , e s lo m i s m o q u e si d i j e r a n q u e t o d o c i e n o h u e l e m a l .
Me d i r á s q u e no huele mal siempre. Es v e r d a d ; pero
o l e r á e n c u a n t o le r e m u e v a n . La i r a c u n d i a n o s i e m p r e
e s a i r a d a ; p e r o p r o v ó c a l a , y la v e r á s f u r i o s a . ¿Y q u é m á s ?
esta iracundia g u e r r e r a , c u a n d o vuelve á su casa ¿cómo s e
TOMO v . 10
446 MARCO TULIO CICERÓN.

p o r t a c o n s u m u j e r , c o n s u s h i j o s , c o n s u familia? ¿Por'
v e n t u r a t a m b i é n e s ú t i l e n t o n c e s ? ¿Hay a l g u n a c o s a q u e la
m e n t e p e r t u r b a d a p u e d a h a c e r m e j o r q u e el á n i m o c o n s -
t a n t e ? Y ¿hay a l g u i e n q u e p u e d a e n o j a r s e s i n p r o b a d a p e r -
t u r b a c i ó n d e la m e n t e ? Con r a z ó n , l o s n u e s t r o s , c o n s i d e -
r a n d o q u e no había e n f e r m e d a d m á s r e p u g n a n t e q u e la i r a ,
s ó l o á l a i r a c u n d i a la l l a m a r o n morbosa.
No conviene q u e el o r a d o r se enoje, pero p u e d e c o n v e -
n i r q u e l o finja. ¿Te p a r e c e q u e n o s e n o j a m o s de veras
c u a n d o en las c a u s a s d e c i m o s algo con acritud y v e h e -
m e n c i a ? ¿Te p a r e c e q u e c u a n d o e s c r i b i m o s l o s d i s c u r s o s ,
d e s p u é s q u e la c a u s a h a p a s a d o , l o s e s c r i b i m o s c o n ira?
¿ C r e e s tú q u e E s o p o r e p r e s e n t a b a a l g u n a v e z i r r i t a d o , ó
q u e escribió irritado Accio ?
T o d o e s t o lo h a c e el o r a d o r ,
si es o r a d o r , r e a l m e n t e mejor q u e el h i s t r i ó n ; p e r o lo
h a c e Gon s e r e n i d a d y m e n t e t r a n q u i l a . ¡Cuan g r a n d e lige-
r e z a e s a p l a u d i r la l i v i a n d a d ! Me c i t á i s á T e m í s t o c l e s y á
B e m ó s t e n e s : a ñ a d i d , si q u e r é i s , á P i t á g o r a s , á D e m ó c r i t o ,
á P l a t ó n . L o s e s t u d i o s , y m á s si s o n d e m a t e r i a t a n e x c e -
lente como esa, no ignoráis que deben ser sosegados y
tranquilos. Por ventura, ¿es c o s a d i g n a de un filósofo
a l a b a r las d o l e n c i a s d e l a l m a , q u e s o n l a s más detesta-
b l e s d e t o d a s ? R a z ó n t u v o Afranio p a r a e s c r i b i r : «Dué-
l a t e l o q u e q u i e r a , c o n tal q u e t e d u e l a a l g o . » Él l o dijo d e
un adolescente perdido y disoluto: nosotros buscamos un
varón constante y sabio. Y ciertamente que esa misma ira
la t i e n e u n c e n t u r i ó n , ó u n a l f é r e z , ú o t r o s d e q u i e n e s n o
e s p r e c i s o h a b l a r , p a r a n o d e s c u b r i r l o s m i s t e r i o s d e la r e -
t ó r i c a . Útil e s á v e c e s u s a r d e l a s p a s i o n e s , c u a n d o n o e s
l í c i t o u s a r d e la r a z ó n ; p e r o n o s o t r o s ( u n a y o t r a v e z l o
testifico) queremos t r a z a r la i m a g e n i d e a l d e u n v e r d a -
dero sabio.
Me d i r á s q u e t a m b i é n e s útil á v e c e s la e m u l a c i ó n , l a
•envidia, la m i s e r i c o r d i a . Y ¿por q u é c o m p a d e c e r t e d e u n
h o m b r e , m á s b i e n q u e a y u d a r l e si p u e d e s h a c e r l o ? ¿ó e s
CUESTIONES TUSCULANAS. 447

q u e n o p o d e m o s s e r l i b e r a l e s sin m i s e r i c o r d i a ? No d e b e m o s
a c o n g o j a r n o s p o r el m a l de o t r o , sino aliviarle de este
m a l si p o d e m o s . P e r o el o f e n d e r á o t r o , ó e l e n v i d i a r l e ,
c o n a q u e l l a v i c i o s a e m u l a c i ó n q u e e s s e m e j a n t e á la r i v a -
l i d a d , ¿ q u é u t i l i d a d t i e n e , s i e n d o así q u e e s c o n d i c i ó n p r o -
pia d e q u i e n e m u l a t e n e r p e s a r del b i e n a j e n o q u e é l no
p o s e e , y e s c o n d i c i ó n d e l e n v i d i o s o a n g u s t i a r s e p o r el b i e n
q u e p o s e e o t r o ? ¿Quién p u e d e a p r o b a r e s t o , si s ó l o e l h a -
cerlo es m u e s t r a ya de gran demencia?
Y ¿quién p u e d e a l a b a r r e c t a m e n t e la m e d i a n í a en el m a l ?
¿Cómo p u e d e d e j a r d e s e r l i v i a n o y c o d i c i o s o a q u e l en q u i e n
i m p e r a n la c o d i c i a y el a p e t i t o ? ¿Cómo p u e d e d e j a r d e s e r
i r a c u n d o a q u e l á q u i e n d o m i n a la ira? ¿Cómo p o d r á n o v i -
v i r en a n g u s t i a a q u e l á q u i e n la a n g u s t i a d o m i n a , ni d e j a r
d e llorar aquel que p o r naturaleza es llorón? Y ¿creemos
q u e alguna vez pueda s e r liviano é i r a c u n d o ó ansioso y
t í m i d o el s a b i o , d e c u y a e x c e l e n c i a podríamos hablar lar-
g a m e n t e , pero p o d e m o s c o m p r e n d e r l o en brevísimas pala-
b r a s , d i c i e n d o q u e la s a b i d u r í a e s la c i e n c i a d e l a s c o s a s
d i v i n a s y h u m a n a s , y el c o n o c i m i e n t o d e l a s c a u s a s y r a -
z o n e s d e t o d a s las c o s a s ? De d o n d e r e s u l t a q u e el s a b i o
i m i t a al s e r d i v i n o y e x c e d e c o n su v i r t u d á t o d a s l a s c o s a s
humanas é inferiores. ¿Crees tú que e n tal n a t u r a l e z a
p u e d e r e c a e r la p a s i ó n , c o m o si fuera u n m a r s u j e t o al i m -
p u l s o d e l o s v i e n t o s ? ¿Qué c o s a h a b r á q u e p u e d a p e r t u r b a r
t a n t a g r a v e d a d y c o n s t a n c i a ? ¿Por v e n t u r a a l g ú n c a s o i n o -
p i n a d o ó repentino? Y ¿qué a c c i d e n t e repentino p u e d e sor-
p r e n d e r á aquien está prevenido contra todas las fortu-
n a s h u m a n a s ? Y c u a n d o dicen los Peripatéticos q u e es p r e -
ciso a r r a n c a r las cosas superfluas y d e j a r las naturales,
¿cómo es posible que haya alguna cosa natural que p u e d a
s e r superflua? T o d o s estos e r r o r e s han nacido d e u n a mis-
m a r a í z , la c u a l e s p r e c i s o a r r a n c a r d e l t o d o , n o c i r c u n c i -
d a r l a ni a m p u t a r l a .
P e r o c o m o s o s p e c h o q u e tu p r e g u n t a n o s e r e f e r í a al
448 MARCO TULIO CICERÓN.

s a b i o , á quien tú crees libre de toda p e r t u r b a c i ó n , v e a m o s


c u á n t o s s o n l o s r e m e d i o s q u e la filosofía aplica á l a s e n f e r -
m e d a d e s del alma. P o r q u e c i e r t a m e n t e h a y alguna m e d i -
c i n a , y n o fué t a n e n e m i g a del g é n e r o h u m a n o la n a t u r a -
leza, que habiendo inventado tantas cosas agradables para
el c u e r p o , n o h ? y a e n c o n t r a d o n i n g u n a p a r a el a l m a . En
e s t o s e h a m o s t r a d o t a n t o m á s g e n e r o s a la n a t u r a l e z a c o n
n o s o t r o s , c u a n t o q u e l o s r e m e d i o s p a r a el c u e r p o s e b u s -
c a n e n lo e x t e r i o r , al p a s o q u e la s a l u d d e l a l m a e s t á i n -
c l u i d a en e l a l m a m i s m a . P e r o c u a n t o m a y o r y m á s ex-
celente y más divina es e s t a p a r t e n u e s t r a , tanta m a y o r
d i l i g e n c i a e x i g e . La r a z ó a b i e n e n c a m i n a d a v e c u á l e s l o
m e j o r , p e r o c u a n d o s e la a b a n d o n a , c a e y s e e n v u e l v e e n
muchos errores.
A tí q u i s i e r a y o a h o r a c o n v e r t i r m i d i s c u r s o . T ú finges
preguntar acerca del sabio, pero e n realidad preguntas
a c e r c a d e tí m i s m o . V a r i a s s o n l a s m e d i c i n a s q u e pueden
a p l i c a r s e á e s a s p a s i o n e s q u e a n t e s e x p u s e . No t o d o s l o s
m a l e s s e c u r a n c o n l o s m i s m o s r e m e d i o s . Una e s la q u e
s e h a d e a p l i c a r al q u e l l o r a ; o t r a al q u e s e compadece,
o t r a al q u e e n v i d i a , y e n todas estas cuatro principales
pasiones hay que hacer una distinción, según que nos
r e f i r a m o s , ó á la p a s i ó n e n g e n e r a l , q u e e s u n v e h e m e n t e
a p e t i t o y d e s p r e c i o d e la r a z ó n , ó á c a d a u n a d e e l l a s en
p a r t i c u l a r , c o m o s o n e l m i e d o , la l i v i a n d a d y t o d a s las
r e s t a n t e s , según que nos c o n t e n t e m o s con hacer desapa-
r e c e r el e f e c t o d e l a d o l e n c i a ó q u e r a m o s a r r a n c a r l a d e
r a í z . Así, v . g r . , c u a n d o u n h o m b r e lleva á m a l el s e r p o b r e ,
¿ p o d r á s p e r s u a d i r l e q u e la p o b r e z a n o e s u n m a l , ó b i e n te
c o n t e n t a r á s c o n p r o b a r l e q u e el h o m b r e d e b e t o l e r a r c o n
r e s i g n a c i ó n la p o b r e z a ? E s t e ú l t i m o c a m i n o e s el m e j o r , n o
s e a q u e i n t e n t a n d o p e r s u a d i r l e e n v a n o d e q u e la p o b r e z a
n o es un m a l , le d e j e s e n t r e g a d o al d o l o r , al p a s o q u e si d e s -
t r u y e r a s el dolor con aquellas r a z o n e s q u e ayer u s á b a m o s ,
e n c i e r t o m o d o d e s t r u i r í a s t a m b i é n el m a l d e la p o b r e z a .
CUESTIONES TUSCULANAS. 149

Pero toda pasión de este género se d i s i p a en cierto


m o d o , en c u a n t o p r u e b e s q u e n o e s u n b i e n a q u e l princi-
pio d e d o n d e n a c e n la a l e g r í a i n m o d e r a d a y el a p e t i t o i n -
m o d e r a d o ; q u e n o es u n m a l a q u e l o t r o de donde nacen
e l m i e d o y el d o l o r . P o r el c o n t r a r i o , e s u n a c i e r t a y pro-
pia c u r a c i ó n el e n s e ñ a r q u e t o d a s l a s p a s i o n e s p o r sí s o n
viciosas y que no tienen nada de naturales, nada de n e c e -
s a r i a s , y así v e m o s q u e el m i s m o d o l o r s e a p a g a cuando
a l o s t r i s t e s l e s e c h a m o s e n c a r a s u flaqueza y a f e m i n a c i ó n ,
y c u a n d o p o r el c o n t r a r i o a l a b a m o s la g r a v e d a d y c o n s t a n -
cia d e l o s q u e s u f r e n , sin t o r c e r el r o s t r o , l a s c a l a m i d a d e s
h u m a n a s . Lo c u a l c i e r t a m e n t e suele suceder á aquellos
q u e , t e n i e n d o tales c o s a s por m a l a s , c r e e n , sin e m b a r g o ,
q u e s e d e b e n sufrir c o n á n i m o s e r e n o . P i e n s a n a l g u n o s q u e
el d e l e i t e e s u n b i e n : c r e e n o t r o s q u e lo e s el d i n e r o ; p e r o
el p r i m e r o d e e s t o s b i e n e s p u e d e p e r d e r s e p o r la intem-
p e r a n c i a , y el s e g u n d o p o r la a v a r i c i a . A q u e l o t r o r a z o n a -
m i e n t o q u e d e s t r u y e á u n t i e m p o la o p i n i ó n falsa d e l d o -
l o r y el d o l o r m i s m o , e s el m á s ú t i l d e t o d o s ; p e r o rara
v e z a p r o v e c h a , y n o e s p a r a la c o m p r e n s i ó n d e l v u l g o .

Hay a l g u n o s o t r o s d o l o r e s q u e d e n i n g ú n m o d o pueden
h a l l a r m e d i c i n a , v. g r . , el d e a q u e l q u e s e l a m e n t a d e q u e
n a d a h a y en él d e v i r t u d , d e v a l o r , d e h o n e s t i d a d y c u m -
p l i m i e n t o del d e b e r . Este se a n g u s t i a c i e r t a m e n t e p o r un
m a l ficticio, p e r o h a y q u e a p l i c a r l e o t r o g é n e r o de cura-
c i ó n , y tal q u e p u e d e n e m p l e a r l o t o d o s l o s filósofos, a u n -
que en las demás cosas discrepen. Todos ellos deben
c o n v e n i r e n q u e los m o v i m i e n t o s del ánimo a p a r t a d o de
la r e c t a r a z ó n s o n v i c i o s o s , d e tal m o d o q u e a u n q u e no
s e a n v e r d a d e r o s m a l e s l o s q u e p r o d u c e n el m i e d o y el d o -
l o r , n i v e r d a d e r o s b i e n e s l o s q u e d a n o r i g e n al a p e t i t o y á
la a l e g r í a , e s v i c i o s o , n o o b s t a n t e , e s t e movimiento del
a l m a . Q u e r e m o s , p u e s , q u e el v a r ó n m a g n á n i m o y fuerte
q u e b u s c a m o s sea c o n s t a n t e y s o s e g a d o y g r a v e , y tal que
m i r e todas las c o s a s h u m a n a s como inferiores á él. Tales
150 MARCO TUL1Ó CICERÓN.

h o m b r e s n o p u e d e n s e r n u n c a ni t r i s t e s , ni t e m e r o s o s , n i
l i v i a n o s , ni c o d i c i o s o s , p o r q u e e s t o s a f e c t o s s ó l o p u e d e n
ser propios d e aquellos q u e creen los acontecimientos h u -
manos superiores á su alma.
Por lo cual, como a n t e s dije, t o d o s los filósofos tienen
que emplear aquí un mismo m é t o d o de curación, no i m -
portándoles t a n t o la c a u s a q u e p e r t u r b a el á n i m o , como
la p e r t u r b a c i ó n m i s m a . A s í , v . g r . , e n la m i s m a c o d i c i a ,
c u a n d o s e trata sólo de destruirla, n o se ha d e p r e g u n t a r
si e s un b i e n ó n o l o q u e m u e v e el a p e t i t o , s i n o q u e s e h a
d e p e r s e g u i r e n s u r a í z el a p e t i t o m i s m o , d e tal m o d o q u e
cualquiera opinión q u e s e a d o p t e s o b r e el s u m o bien, y a
s e le haga c o n s i s t i r e n lo h o n e s t o , ya en el deleite, y a
en entrambas cosas unidas, siempre q u e el apetito sea
m á s v e h e m e n t e q u e la v i r t u d , d e b e u s a r s e el mismo r a -
zonamiento para s o s e g a r el apetito. Este g é n e r o d e s o -
s i e g o l o t r a e la m i s m a naturaleza humana cuando cara á
c a r a s e la c o n t e m p l a , y p a r a c o m p r e n d e r l o m e j o r s e h a d e
e x p l i c a r d e l m o d o m á s c l a r o p o s i b l e la c o m ú n c o n d i c i ó n y
l e y d e la v i d a . A s í , n o s i n c a u s a , cuando Eurípides e s -
c r i b i ó e l ürestes, dícese q u e Sócrates aplaudió tanto aque-
l l o s t r e s p r i m e r o s v e r s o s : «No h a y d i s c u r s o t a n t e r r i b l e ,
ni r e v é s d é l a s u e r t e , ni m a l t r a í d o p o r la i n d i g n a c i ó n c e -
lestial, q u e no pueda sufrirlo la naturaleza humana.»
T a m b i é n e s útil p a r a p e r s u a d i r n o s q u e l a s c o s a s a d v e r s a s
q u e h a n a c a e c i d o e r a n t o l e r a b l e s y c o n v e n í a t o l e r a r l a s , la
e n u m e r a c i ó n d e los q u e h a n sufrido otros m a l e s mayores.
El m o d o d e c o m b a t i r e l d o l o r y a lo e x p l i q u é e n la c o n v e r -
s a c i ó n d e a y e r . Y t a m b i é n e n m i l i b r o d e la Consolación,
a u n q u e le escribí e n medio del dolor y d e la tristeza,
cuando yo todavía no era filósofo, y a u n q u e prohiba Cri-
sipo aplicar el r e m e d i o cuando todavía es reciente la
l l a g a , y o lo h i c e p a r a q u e la i n t e n s i d a d d e l d o l o r cediera
á la i n t e n s i d a d d e la m e d i c i n a .
C e r c a d e l d o l o r e s t á el m i e d o . D i r é m u y p o c o d e é l . A s í
CUESTIONES TUSCULANAS. 151

c o m o el d o l o r n a c e d e l mal p r e s e n t e , a s í el m i e d o t e m e e l
mal futuro. Por eso algunos consideran el m i e d o como
u n a p a r t e d e l d o l o r . Y o t r o s h a n l l a m a d o al m i e d o a n t e -
m o l e s t i a , p o r q u e va s i e m p r e d e l a n t e d e e l l a . L a s r a z o n e s
q u e d e s t r u y e n el principio d e b e n d e s t r u i r la c o n s e c u e n -
cia, y en una y otra ocasión h e m o s de p r o c u r a r no s e r e n
n a d a h u m i l d e s , a b a t i d o s , - m u e l l e s , a f e m i n a d o s , ni c o b a r -
d e s . Y a u n q u e s e ha d e i n s i s t i r e n la i n c o n s t a n c i a , l i g e r e z a
y debilidad que a r g u y e e l ' m i e d o , es todavía de más i m -
p o r t a n c i a el d e s p r e c i a r l a s c o s a s m i s m a s q u e s e t e m e n .
Así h a s i d o u n a f o r t u n a , o r a c a s u a l , o r a p r o c u r a d a , q u e
y a e n el p r i m e r o y e n el s e g u n d o día h a y a m o s b u s c a d o d e -
fensa c o n t r a la m u e r t e y el d o l o r , q u e s o n e n t r e t o d a s l a s
c a l a m i d a d e s las q u e m á s s e t e m e n . Si l a s r a z o n e s q u e e n -
t o n c e s d i m o s h a n a h i n c a d o b a s t a n t e e n t u á n i m o , en g r a n
p a r t e e s t a m o s ya l i b r e s d e l m i e d o . P e r o d e la o p i n i ó n d e
l o s m a l e s t r a t a r e m o s en o t r a p a r t e .
H a b l e m o s a h o r a d e l o s b i e n e s , e s d e c i r , d e la a l e g r í a y
d e l d e s e o . A mí m e p a r e c e que todo este tratado de las
p a s i o n e s se r e d u c e á u n a s o l a p r o p o s i c i ó n , e s á s a b e r : q u e
t o d a s e s t á n en n u e s t r a p o t e s t a d , q u e t o d a s s o n v o l u n t a r i a s
y libremente a c e p t a d a s . El e r r o r c o n t r a r i o e s e l q u e h a y
q u e a r r a n c a r , la o p i n i ó n c o n t r a r i a e s la q u e h a y q u e d e s -
t e r r a r ; y así c o m o i m p o r t a h a c e r t o l e r a b l e s l o s m a l e s , así
en los b i e n e s conviene s o s e g a r el á n i m o , m o s t r á n d o l e q u e
n o s o n t a n g r a n d e s ni t a n d e l e i t a b l e s l a s c o s a s q u e lo
parecen. Este procedimiento es c o m ú n á los males y á
l o s b i e n e s ; p e r o c o m o e s difícil p e r s u a d i r al h o m b r e de
que no deben c o n t a r s e e n t r e los b i e n e s y e n t r e los m a l e s
las cosas que perturban su ánimo, debe aplicarse curación
distinta á cada pasión, c o r r i g i e n d o de una m a n e r a al m a -
l é v o l o , d e o t r a al a m a n t e ; d e u n a m a n e r a e l á n i m o a n g u s -
t i a d o , y d e o t r a al t í m i d o .
Fácil serla á quien siguiese el sistema de los Estoicos
p r o b a r que no c a b e alegría en el necio, p o r q u e nunca:
452 MARCO LULIO CICERÓN.

p o s e e ningún bien r e a l . P e r o a h o r a h a b l a m o s s e g ú n el
sistema común. Concedamos que sean bienes los q u e p a -
san p o r tales; los h o n o r e s , las r i q u e z a s , el deleite, e t c . :
c o n t o d o e s o , s i e m p r e s e r á v e r g o n z o s a y t o r p e la i n m o d e -
r a d a alegría e n el p o s e e r l a s y g o z a r l a s , d e tal m o d o , q u e
a u n q u e s e a lícita la r i s a , s e r á s i e m p r e d i g n a d e v i t u p e r i o
la c a r c a j a d a . Lo m i s m o e s vicio la e f u s i ó n d e l á n i m o e n la
alegría, q u e la c o n t r a c c i ó n e n e l d o l o r ; ó i g u a l ligereza
muestra q u i e n s e e x a l t a e n el a p e t i t o , q u e q u i e n c e d e al
g o c e d e s o r d e n a d o d e l p l a c e r ; y lo m i s m o p a s a n p o r l i v i a -
n o s l o s q u e s e afligen d e m a s i a d o con las molestias, q u e
l o s q u e s a l e n d e sí c o n la a l e g r í a . S i e n d o d o l o r o s o e l
envidiar y a l e g r e el g o z a r s e e n los males ajenos, u n a y
otra cosa deben considerarse igualmente como bárbaras y
f e r o c e s . A s í c o m o e s lícito d e s c o n f i a r y n o lo e s temer,
así conviene gozar, pero n o conviene alegrarse sin tasa, y
p o r e s o d i s t i n g u i m o s la a l e g r í a d e l g o z o .
Ya d i j i m o s a n t e s q u e n u n c a podía s e r lícita la con-
tracción del alma, pero q u e alguna vez podía serlo el
g o z o . D e u n a m a n e r a s e a l e g r a e n Necio Héctor, cuando
exclama: «¡Mucho m e p l a c e q u e m e a l a b e s t ú , oh p a d r e
mío, varón tan digno d e alabanza!» y de otro m o d o aquel
personaje d e Tmheas que exclama: «La t e r c e r a d e mi
amor, ganada con dinero, observará mis gestos, procurará
c o m p l a c e r m i s d e s e o s ; l l e g a r á , y c o n el d e d o e m p u j a r á la
p u e r t a ; se abrirán s u s hojas, y d e i m p r o v i s o Crisis, e n
cuanto me haya v i s t o , v e n d r á á mí c o m o d e s e a n d o m i s
abrazos, y se me entregará.» Y para mostrar cuánto esti-
maba semejante d i c h a , a ñ a d e : «A la f o r t u n a m i s m a v e n -
c e r é con mi fortuna.»
A q u i e n c o n a t e n c i ó n lo c o n s i d e r e , fácil le s e r á com-
p r e n d e r cuan torpe es este género de alegría. Y así c o m o
son torpes los q u e se llenan de desenfrenado gozo c u a n d o
disfrutan d e los deleites v e n é r e o s , así lo s o n los h o m b r e s
lascivos q u e los buscan c o n ánimo inflamado. Ciertamente
CUESTIONES TUSCULANAS. 153

iodo este apetito carnal, que vulgarmente se llama amor,


y no encuentro á fe mía otro nombre que darle, es cosa
tan baladí y liviana, que nada encuentro comparable con
él. Y, sin embargo, de ese amor dice Cecilio que «quien
no le tenga por uno de los mayores impulsos humanos,
dará muestras de ser necio ó ignorante, puesto que tiene
en su mano el volver demente á quien quiere, y restituirle
el juicio y sanarle, y hacerle caer en enfermedades.»
¡Olí poesía, excelente maestra de la vida! tú que quieres
ser colocada en el concilio de los dioses, madre y autora
de toda liviandad y desenfreno. Hablo de la comedia, que
no existiría si no tolerásemos esta relajación. Pero ¿qué
dice en la tragedia el príncipe de los Argonautas?'«Tú me
salvaste más bien por amor que por honor.» Y ¿qué más?
el amor de Medea, ¡de cuántos incendios y de cuántas m i -
serias fué causa! Y esa misma Medea, en otro poeta, se
atreve á decir á su padre: «que se ha casado con aquel
varón que el amor le había señalado, el amor, aún más
poderoso que su madre.»
Pero dejemos juguetear á los poetas, en cuyas fábulas
se achacan estas flaquezas al mismo Jove. Vengamos á los
filósofos maestros de la virtud, los cuales niegan que el
amor tenga por objeto el estupro, y eso lo sostienen con-
tra Epicuro, que no va muy descaminado, en mi opinión.
Pero ¿qué quiere decir ese amor de amistad? ¿Por qué no
ama nadie á un adolescente deforme ó á un viejo h e r -
moso? Paréceme que esta mala costumbre nació en los
gimnasios de los Griegos, en los cuales son libres y conce-
didos estos amores. Asi dijo con razón Ennio: «El princi-
pio de la lujuria consiste en desnudar el cuerpo delante de
los ciudadanos.» Aunque imaginemos que sean castos,
siempre estarán solícitos y aquejados por el d e s e o , y tanto
más cuanto más se contengan y repriman.
Y, dejando aparte los amores de las mujeres, á los c u a -
es la naturaleza concedió mayor licencia, ¿quién duda
154 MARCO TULIO CICERÓN.

l o q u e l o s p o e t a s q u i e r e n d a r á e n t e n d e r c o n el r a p t o de
G a n i m e d e s , ó q u i é n n o e n t i e n d e lo q u e e n E u r í p i d e s d e s e a
y p i d e L a y o , ó lo q u e t a n t o s h o m b r e s d o c t o s y p o e t a s s u -
m o s h a n e s c r i t o d e sí m i s m o s e n s u s v e r s o s ? A q u e l A l c e o ,
v a r ó n tan f u e r t e y t a n c o n o c i d o en s u r e p ú b l i c a , ¿ q u é c o s a s
n o e s c r i b i ó s o b r e l o s a m o r e s d e los j ó v e n e s ? Y la p o e s í a
de A n a c r e o n t e es e n t e r a m e n t e amatoria. P e r o quien ar-
d i ó m á s q u e t o d o s e l l o s en a m o r fué I b y c o d e Rhegio,
como vemos por sus escritos.
Bien v e m o s que todos estos a m o r e s fueron libidinosos.
L o s filósofos s o m o s (y el p r i m e r o P l a t ó n , á q u i e n e n e s t e
punto acusa Dicearco no sin fundamento) los que h e m o s
atribuido a u t o r i d a d al a m o r . L o s E s t o i c o s d i c e n q u e e l
s a b i o d e b e a m a r , y d e f i n e n el a m o r c o n a t o d e a m i s t a d c o n
a p a r i e n c i a d e h e r m o s u r a . Si e s p o s i b l e q u e h a y a e n la n a -
turaleza h u m a n a algún a m o r q u e e s t é e x e n t o d e solicitud,
de cuidados y de suspiros, háyalo en buen hora, porque
estará exento de toda liviandad. P e r o aquí sólo t r a t a m o s
del a m o r libidinoso y d e s o r d e n a d o . Es indudable que exite
a l g ú n a m o r q u e d i s t a p o c o ó n a d a d e la l o c u r a , c o m o e s
el d e a q u e l p e r s o n a j e d e la Leucadia q u e p r e g u n t a : «¿Hay
a l g ú n Dios q u e t e n g a c u i d a d o d e mí?» Y en v e r d a d q u e e r a
c u i d a d o d i g n o d e t o d o s los d i o s e s el q u e é s t e g o z a s e d e
su placer a m a t o r i o . Y añadía: «¡Ay infeliz d e m í ! » Y t i e n e
r a z ó n sin d u d a . Y la t i e n e t a m b i é n c u a n d o p r e g u n t a : « ¿ E s t á
s a n o el q u e s e l a m e n t a d e e s t a s u e r t e ? » Así e s q u e p a r e c e
loco á los suyos m i s m o s . Y l u e g o , con e x p r e s i ó n trágica,
p r o r r u m p e : « A y ú d a m e , o h s a n t o A p o l o ; á tí i n v o c o , o h N e p -
t u n o ; á v o s o t r o s , a i r a d o s v i e n t o s ! » C r e e q u e t o d o el m u n d o
debe conmoverse para ayudarle en su a m o r : solamente ex-
cluye á Venus, tachándola de-injusta y e x c l a m a n d o : «¿Por
q u é te h e d e llamar, oh Venus?» Y a ñ a d e q u e e s t a diosa n o
s e c u i d a m á s q u e d e su a p e t i t o . C o m o si él p r o p i o p o r s u
a p e t i t o n o h u b i e s e l l e g a d o al e x t r e m o de hacer y decir
tantas locuras.
CUESTIONES TUSCULANAS. 155

La c u r a c i ó n q u e ha de aplicarse á e s t e afecto c o n s i s t e
en mostrar cuan pequeño, cuan baladí, cuan despreciable,
c u a n a b s o l u t a m e n t e n u l o e s lo q u e s e d e s e a , y c u a n f á c i l -
m e n t e puede procurarse por otro camino ó abandonarse
d e l t o d o . C o n v i e n e a p l i c a r el á n i m o á o t r o s e s t u d i o s , c u i -
d a d o s , g o c e s y s o l i c i t u d e s . La m u t a c i ó n del lugar basta
m u c h a s v e c e s para c u r a r l o s . A v e c e s un n u e v o a m o r d e s -
t r u i r á el a m o r a n t i g u o , c o m o u n clavo saca otro clavo.
Debe fijarse la a t e n c i ó n s o b r e t o d o e n l o s f u r o r e s del
amor, y cuan grandes son. Entre todas las p e r t u r b a -
ciones del alma no hay ninguna más v e h e m e n t e , pues
aun prescindiendo de los e s t u p r o s , c o r r u p c i o n e s , a d u l t e -
rios é incestos, de los cuales es siempre acusable e s t e g é -
n e r o d e t o r p e z a s , la m i s m a p a s i ó n d e l a m o r e s fea p o r s í .
O m i t i e n d o l o s r i e s g o s y f u r o r e s , ¿te p a r e c e n p e q u e ñ a m o -
l e s t i a las i n j u r i a s , las s o s p e c h a s , l a s e n e m i s t a d e s , l a s t r e -
g u a s , l a s g u e r r a s , la p a z d e n u e v o ? Si e n c o s a t a n i n c i e r t a
buscas razón firme y s e g u r a , c o n s e g u i r á s t a n t o c o m o si
pretendieras casar la r a z ó n c o n la l o c u r a . ¿A q u i é n n o
aterra esta inconstancia y t r a s t o r n o d e la m e n t e ? C o n -
viene insistir en aquel principio capital contra toda p a -
sión, es á saber, que no hay ninguna q u e no sea v o l u n -
taria y libremente aceptada. Si el a m o r fuese natural,
a m a r í a n t o d o s y a m a r í a n s i e m p r e , y a m a r í a n lo m i s m o , y
s ó l o l o s a p a r t a r í a á u n o s e l p u d o r , y á o t r o s la reflexión,
y á o t r o s la s a c i e d a d . P e r o la i r a , q u e p e r t u r b a el a l m a s i n
d u d a a l g u n a , es cierta e s p e c i e de l o c u r a , c o m o q u e de ella
h a n n a c i d o t a l e s d i s e n s i o n e s e n t r e h e r m a n o s : «¿Qué h o m -
b r e te e x c e d i ó n u n c a e n i m p u d e n c i a n i e n malicia?» y t o d o
l o d e m á s q u e s i g u e en la t r a g e d i a . En v e r s o s alternados
s e lanzan el un h e r m a n o al o t r o g r a v í s i m a s a f r e n t a s , d e
m o d o que bien fácilmente se c o m p r e n d e que son hijos de
Atreo, aquel que inventó una nueva pena contra su h e r -
m a n o : «Mayor la h e i m a g i n a d o c o n t r a él p a r a c o n t u n d i r y
d e s g a r r a r s u a c e r b o c o r a z ó n . » ¿Y q u é m a l e s s o n é s t o s ?
456 MARCO TULIO CICERÓN.

O y e al m i s m o T i e s t e s : «Mi h e r m a n o ¡implo! m e e x h o r t a á
c o m e r á mis propios hijos.» Le p u s o las e n t r a ñ a s de ellos
e n la m e s a : ¡á tal e x t r e m o l l e g a n la ira y el furor! Así
d e c i m o s q u e l o s a i r a d o s s a l e n d e sí p r o p i o s , e s d e c i r , d e l
c o n s e j o d e la r a z ó n y d e l e n t e n d i m i e n t o ; p o r q u e el d o m i -
nio del h o m b r e debe ejercerse p o r i g u a l e n t o d a s s u s fa-
c u l t a d e s . Cuando tales p a s i o n e s dominan á un h o m b r e es
preciso apartar de su vista á aquellos á quienes quiere
a c o m e t e r , h a s t a q u e él v u e l v a e n sí y s e r e c o j a e n si p r o -
p i o , ó h a y q u e r o g a r l e y s u p l i c a r l e , si t i e n e f u e r z a para
ofender, q u e dilate su venganza para otro tiempo, cuando
se vaya aplacando su ira.
¿Dónde están, p u e s , l o s q u e d i c e n q u e la i r a c u n d i a e s
útil? ¿ P u e d e s e r a l g u n a v e z útil la l o c u r a ? Me d i r á s q u e
e s n a t u r a l . ¿ P u e d e h a b e r a l g o c o n f o r m e á la naturaleza
y q u e al m i s m o t i e m p o la n a t u r a l e z a r e p u g n e ? Si la i r a
fuese natural ¿cómo había de s e r posible q u e u n o s fuesen
m á s i r a c u n d o s q u e o t r o s , ó q u e c e s a s e la i r a a n t e s d e c o n -
s e g u i r la v e n g a n z a , ó q u e s e a r r e p i n t i e s e n a d i e d e lo q u e
h a b í a c o m e t i d o a i r a d o , c o m o v e m o s q u e h i z o el r e y Ale-
j a n d r o , q u e h a b i e n d o m u e r t o á Clito, familiar s u y o , a p e n a s
p u d o c o n t e n e r la m a n o p a r a n o m a t a r s e á sí m i s m o ? T a n t o
fué el p o d e r d e l a r r e p e n t i m i e n t o . S e n t a d o esto, ¿quién
hay que d u d e q u e también este movimiento del alma e s del
t o d o o p i n a b l e y v o l u n t a r i o ? Y ¿quién d u d a r á q u e l a s p a s i o -
n e s d e l a l m a , c o m o s o n la a v a r i c i a y la a m b i c i ó n , nacen
de estimar demasiado las c o s a s que el á n i m o desea?
De d o n d e h e m o s d e i n f e r i r que toda pasión nace de u n
juicio falso.
Y si la c o n f i a n z a e s l a A r m e s e g u r i d a d d e l á n i m o , y u n a
c i e n c i a y o p i n i ó n g r a v e el n o a s e n t i r c o n t e m e r i d a d á c o s a
a l g u n a , la d e s c o n f i a n z a , p o r e l c o n t r a r i o , e s el t e m o r d e
un mal esperado y amenazante. Si la esperanza es de
a l g ú n b i e n , n e c e s a r i o e s q u e e l m i e d o s e a la expectación
d e a l g ú n m a l . Y lo q u e a c o n t e c e c o n e l m i e d o , acontece
CUESTIONES TUSCULANAS. 157

con las d e m á s pasiones, todas las cuales son intrínseca-


m e n t e m a l a s . L u e g o si la c o n s t a n c i a e s s a b i d u r í a , la p a -
sión será e r r o r . Los que se dice q u e por naturaleza son
iracundos, ó misericordiosos, ó envidiosos, ó algo s e m e -
j a n t e , lo s o n p o r a l g u n a e n f e r m e d a d y m a l a p r o p e n s i ó n d e
su á n i m o , y por tanto son susceptibles de salud, c o m o de
Sócrates se escribe. Habiendo enumerado Zopyro los v i -
cios que Sócrates debía t e n e r , á j u z g a r por sus rasgos
flsionómicos, r i é r o n s e t o d o s los q u e le o í a n y q u e n o c o n o -
c í a n e n S ó c r a t e s s e m e j a n t e s v i c i o s ; p e r o r e p l i c ó el m i s m o
Sócrates q u e él los h a b í a t e n i d o en g e r m e n , s i n o q u e h a -
b í a l l e g a d o á d o m i n a r l o s p o r m e d i o d e la r a z ó n . A la m a n e -
ra que una p e r s o n a sana p u e d e , no obstante, tener p r o p e n -
sión n a t u r a l á a l g u n a e n f e r m e d a d , así el á n i m o p u e d e ser
n a t u r a l m e n t e propenso á uno ú otro vicio. Pero c u a n d o se
dice de alguien que es vicioso, no por naturaleza, sino por
s u c u l p a , e s t o s v i c i o s s u y o s n a c e n d e u n a falsa o p i n i ó n d e
l a s c o s a s b u e n a s y m a l a s , y p o r ella e s i n c l i n a d o á é s t e ó
á l o s o t r o s a f e c t o s y p a s i o n e s t u m u l t u o s a s . M i s difícil e s
d e d e s t r u i r , así e n el a l m a c o m o e n el c u e r p o , el m a l i n v e
t e r a d o q u e la p e r t u r b a c i ó n , y m á s p r o n t o se curará un
h u m o r r e p e n t i n o d e l o s ojos q u e u n a l é g a ñ a i n v e t e r a d a .
P e r o c o n o c i d a s ya las c a u s a s d e l a s p a s i o n e s , t o d a s l a s
c u a l e s n a c e n d e l o s falsos j u i c i o s y o p i n i o n e s d e la v o l u n -
t a d , es ya tiempo de acabar esta disputa. Y nos conviene
s a b e r , u n a v e z c o n o c i d o el s u m o b i e n y el s u m o m a l , e n
c u a n t o e s d a d o á l o s h o m b r e s a l c a n z a r l e , q u e n o h a y en la
filosofía c o s a m á s útil y d e m a y o r i m p o r t a n c i a q u e la q u e
h e m o s d i s p u t a d o e n e s t o s c u a t r o d í a s . Al d e s p r e c i o d e la
m u e r t e h e m o s a ñ a d i d o el d e l d o l o r , q u e e s el m a y o r m a l
d e l o s h o m b r e s . P u e s a u n q u e toda p e r t u r b a c i ó n d e l a l m a
s e a g r a v e y no se diferencie m u c h o d e la l o c u r a , sin e m -
b a r g o , así c o m o á l o s q u e p a d e c e n c u a l q u i e r o t r o afecto
d e m i e d o , de alegría ó de codicia, los d e c i m o s s o l a m e n t e
a p a s i o n a d o s , así á l o s q u e s e e n t r e g a n al d o l o r l o s a p e l l i -
l58 NARCO TDLIO CICERÓN,

d a m o s m i s e r a b l e s , afligidos, c a l a m i t o s o s . P o r tanto, no m e
p a r e c e c o s a f o r t u i t a s i n o m u y r a c i o n a l la q u e t ú p r o p u s i s t e
de que disputáramos separadamente del dolor y de las
d e m á s p a s i o n e s , p u e s t o q u e é l e s el f u n d a m e n t o y c a b e z a
d e t o d a s e s t a s m i s e r i a s . La c u r a c i ó n d e t o d a s e s t a s e n f e r -
medades del áninio es u n a m i s m a , es á s a b e r , conven-
c e r n o s d e q u e t o d a s s o n o p i n a b l e s y v o l u n t a r i a s . El e r r o r
c o n t r a r i o , q u e e s c o m o la r a í z d e t o d o s l o s m a l e s , e s e l
q u e la filosofía d e b e a r r a n c a r d e c u a j o . P e r m i t a m o s , p u e s ,
q u e la filosofía n o s c u r e , p o r q u e m i e n t r a s n o s d o m i n e e s t e
m a l , n o p o d e m o s s e r n i f e l i c e s , ni s a n o s s i q u i e r a . Ó n e g u e -
m o s el p o d e r d e la r a z ó n , ó p i d a m o s á ella ( p u e s t o q u e la
filosofía e n la r a z ó n s e a p o y a ) , si q u e r e m o s s e r b u e n o s y
f e l i c e s , t o d o a u x i l i o p a r a la v i d a feliz y b u e n a .
LIBRO QUINTO.

Que la virtud está contenta consigo misma para la vida feliz.

/ E n e s t e q u i n t o d í a , o h B r u t o , p o n d r e m o s fin á l a s c u e s -
t i o n e s T u s c u l a n a s . Hoy n o s toca d i s p u t a r aquella c u e s t i ó n
q u e t ú p r e f i e r e s e n t r e t o d a s . P u e s h e j u z g a d o p o r el l i b r o
elocuentísimo que me enviaste, y por muchas conversa-
c i o n e s t u y a s , c u á n t o t e a g r a d a la d o c t r i n a d e q u e la v i r t u d
e s t á c o n t e n t a c o n s i g o m i s m a p a r a la v i d a feliz. Y a u n q u e
e s difícil d e p r o b a r , p o r s e r t a n t o s y t a n v a r i a d o s l o s a c c i -
d e n t e s d e la fortuna, e s , sin e m b a r g o , de tal i m p o r t a n c i a ,
q u e debemos trabajar sin d e s c a n s o p a r a p r o b a r l a , h a s t a
no dejar sombra d e d u d a . No h a y doctrina más grave
y magnífica entre todas las que trata la filosofía. Ni
fué o t r a c a u s a la q u e impulsó á los p r i m e r o s q u e se
d e d i c a r o n al e s t u d i o d e la filosofía para que, posponiendo
todas las cosas h u m a n a s , se c o n s a g r a s e n e n t e r a m e n t e á
b u s c a r e l m e j o r m é t o d o d e v i d a , si n o l a e s p e r a n z a d e v i -
v i r f e l i c e s . Y si e l l o s encontraron y perfeccionaron la
v i r t u d , y si e n l a v i r t u d h a y b a s t a n t e a y u d a p a r a l a v i d a
feliz, ¿ q u i é n h a b r á q u e n o j u z g u e q u e fué e x c e l e n t e d e t e r -
m i n a c i ó n la s u y a d e p o n e r t a n t o trabajo y diligencia en
filosofar? P e r o si l a v i r t u d está sujeta á los varios é i n -
160 MARCO TULIO CICER ÓN.

ciertos casos de fortuna, y es, por decirlo así, sierva s u y a ,


y n o t i e n e f u e r z a b a s t a n t e p a r a e n c e n d e r s e p o r sí m i s m a ,
m u c h o t e m o q u e s e a u n d e s e o e s t é r i l y v a n o el q u e nos
h a c e c o n c e b i r la e s p e r a n z a d e v i v i r f e l i z m e n t e .
Y c o n s i d e r a n d o y o , en v e r d a d , las tribulaciones en q u e
m e h a e j e r c i t a d o la f o r t u n a , e m p i e z o á veces á dudar de
e s t e p a r e c e r m í o y á t e m e r la d e b i l i d a d y la f l a q u e z a del
género h u m a n o . R e c e l o q u e la n a t u r a l e z a , habiéndonos
dado un cuerpo deleznable y a t o r m e n t a d o a d e m á s por e n -
fermedades y deseos incurables, nos haya dado también un
alma aquejada de los m i s m o s males del c u e r p o , y a t o r -
mentada además por angustias y molestias propias suyas.
P e r o ni e s t o m i s m o m e h a c e a r r e p e n t i r d e m i o p i n i ó n , al
c o n s i d e r a r q u e ' h e m e d i d o la v i r t u d , n o p o r la v i r t u d m i s -
m a , s i n o p o r la flaqueza,de o t r o s h o m b r e s , y q u i z á p o r la
m í a p r o p i a . Si e s c i e r t o q u e e x i s t e la v i r t u d (y p a r a m í
desterró toda d u d a t u t í o , o h B r u t o ) , e l l a h a d e s e r tal
que se sobreponga á t o d o s los accidentes que pueden
a q u e j a r al h o m b r e , y d e s p r e c i e t o d o s l o s c a s o s h u m a n o s ,
y exenta d e t o d a c u l p a , n o c r e a q u e n a d a la pertenece
s i n o e s ella m i s m a . P e r o n o s o t r o s , a c r e c e n t a n d o t o d a s l a s
a d v e r s i d a d e s futuras con el miedo y t o d a s las a d v e r s i d a -
d e s p r e s e n t e s c o n la t r i s t e z a , q u e r e m o s c o n d e n a r á la n a -
? turaleza, m á s bien que c o n d e n a r n u e s t r o s propios e r r o r e s .
/ Pero contra esta culpa y c o n t r a los d e m á s v i c i o s y p e -
c a d o s n u e s t r o s h e m o s d e b u s c a r en la filosofía s e g u r a c u -
r a c i ó n , Y h a b i é n d o n o s l l e v a d o al s e n o d e la filosofía desde
los primeros años de n u e s t r a j u v e n t u d n u e s t r a voluntad
y afición, á e s e m i s m o p u e r t o d e d o n d e y o a n t e s h a b í a sa-
lido, me refugio a h o r a , aquejado por esta grave tempes-
t a d . ¡Oh fi o s o f í a , s e ñ o r a d e la v i d a ! ¡oh filosofía, indaga-
d o r a d e la v i r t u d y a h u y e n t a d o r a d e l o s v i c i o s ! ¿Qué h u b i é -
r a m o s p o d i d o c o n s e g u i r s i n tí n o s o t r o s , y a u n el g é n e r o
h u m a n o e n a b s o l u t o ? Tú f u n d a s t e las c i u d a d e s , tú j u n t a s t e
e n s o c i e d a d á l o s h o m b r e s d i s p e r s o s , tú l o s e n l a z a s t e e n -
CUESTIONES TUSCULANES. 161

t r e s í , p r i m e r o c o n el d o m i c i l i o y l u e g o c o n e l m a t r i m o n i o ,
finalmente c o n la c o m u n i c a c i ó n d e l e t r a s y d e p a l a b r a s .
T ú fuiste i n v e n t o r a d e l a s l e y e s , t ú m a e s t r a d e l a s c o s -
t u m b r e s y d e la d i s c i p l i n a . A tí n o s r e f u g i a m o s , t u a u x i l i o
p e d i m o s , á tí n o s e n t r e g a m o s totalmente, ya que antes
n o s h a b í a m o s e n t r e g a d o s ó l o e n p a r t e . Un s o l o día v i v i d o
bien y conforme á tus preceptos debe ser antepuesto á
u n a e t e r n i d a d d e p e c a d o s . ¿Qué r i q u e z a s a n t e p o n d r e m o s á
las tuyas? Tú nos comunicaste la s e r e n i d a d d e la v i d a y
d e s t e r r a s t e l o s t e r r o r e s d e la m u e r t e .
P e r o m u c h o l e s falta á l o s h o m b r e s p a r a r e c o n o c e r t o -
d o s l o s s e r v i c i o s q u e d e b e n á la filosofía, la c u a l , d e s p r e -
ciada por los m á s , e s vituperada p o r o t r o s m u c h o s . Y ¿hay
a l g u n o q u e s e a t r e v a á c o m e t e r el p a r r i c i d i o d e v i t u p e r a r á
la m a d r e d e s u v i d a ? ¿ H a b r á a l g u i e n t a n i m p í o y t a n i n -
grato q u e se atreva á a c u s a r á aquellos á los c u a l e s d e b e -
ría r e s p e t a r , a u n q u e no pudiera c o m p r e n d e r l o s ? P e r o , s e -
g ú n c r e o , e s t e e r r o r y esta confusión ha p r e v a l e c i d o e n el
á n i m o d e los i n d o c t o s , p o r q u e n o p u e d e n e x t e n d e r m á s
allá s u s m i r a d a s , ni c r e e n q u e f u e r o n filósofos l o s q u e p o r
p r i m e r a v e z c i v i l i z a r o n la v i d a humana.
Y o c o n f i e s o q u e el n o m b r e e s m o d e r n o , p e r o a f i r m o q u e
l a c o s a es a n t i g u a . Y e n c u a n t o á la s a b i d u r í a m i s m a , ¿ q u i é n
se a t r e v e r á á negar no sólo que es r e a l m e n t e antigua, sino
q u e t a m b i é n lo e s s u n o m b r e ? Y ¿á q u é c o s a c o n c e d í a n
antes los antiguos este n o m b r e hermosísimo de sabiduría,
s i n o al c o n o c i m i e n t o d e la v i d a h u m a n a y d e l p r i n c i p i o y
d e la c a u s a d e t o d o s e r ? Asi florecieron aquellos siete v a r o -
n e s que los Griegos llamaron sabios, y m u c h o s siglos a n t e s
había florecido L i c u r g o , en cuyo tiempo dicen q u e vivió
Homero antes de fundarse nuestra ciudad. Sabemos que en
la e d a d h e r o i c a e x i s t i e r o n Ulises y N é c t o r , y que fueron
t e n i d o s p o r s a b i o s . Y n o s e h u b i e r a d i c h o q u e Atlas s u b i ó a l
c i e l o , ni q u e P r o m e t e o e s t u v o e n c l a v a d o e n el C á u e a s o , n i
q u e C e p h e o fué c o n v e r t i d o e n e s t r e l l a c o n s u m u j e r , c o n s u
TOMO V . 11
162 MARCO TULIO. CICERÓN.

h i j o , c o n s u y e r n o y c o n s u hija, si l o s c o n o c i m i e n t o s d i v i -
n o s que estos h o m b r e s tuvieron de las c o s a s celestiales no
h u b i e s e n d a d o n a c i m i e n t o á la f á b u l a . Desde e n t o n c e s los
q u e d e d i c a r o n s u s e s t u d i o s á la c o n t e m p l a c i ó n d e la n a t u r a -
l e z a f u e r o n l l a m a d o s s a b i o s , y s u n o m b r e l l e g ó h a s t a la e d a d
d e P i t á g o r a s , del cual e s c r i b e Heráclides P o n t i c o , discípulo
de Platón y varón doctísimo, q u e vino á Phliunte y que d i s -
p u t ó allí d o c t a y c o p i o s a m e n t e c o n L e o n t e , p r í n c i p e d e l o s
Thiasios. Y habiéndose admirado Leonte de su ingenio y
d e s u e l o c u e n c i a , l e p r e g u n t ó q u é a r t e p r o f e s a b a . Él r e s -
p o n d i ó q u e n o s a b í a c i e n c i a n i n g u n a , p e r o q u e e r a filó-
s o f o . A d m i r a d o L e o n t e c o n la n o v e d a d del n o m b r e , le p r e -
g u n t ó q u i é n e s e r a n l o s filósofos y q u é d i f e r e n c i a h a b í a e n -
t r e ellos y los d e m á s h o m b r e s . Respondióle Pitágoras que
la v i d a h u m a n a s e p a r e c í a á u n m e r c a d o d e l o s q u e s e c e -
l e b r a b a n e n la t e m p o r a d a d e l o s j u e g o s , c o n g r a n d e a p a -
r a t o y c o n c u r r e n c i a d e t o d o s l o s H e l e n o s . P u e s d e la m i s -
m a s u e r t e q u e allí b u s c a b a n a l g u n o s c o n l o s e j e i c i c i o s d e
s u s c u e r p o s la g l o r i a y la n o b l e z a , y o t r o s v e n í a n e n b u s c a
d e las ganancias y del lucro q u e se a d q u i e r e por medio de
l a s c o m p r a s y d e las v e n t a s , h a b í a o t r o linaje de hom-
b r e s , el m á s n o b l e y m á s g e n e r o s o d e t o d o s , l o s c u a l e s n o
b u s c a b a n ni e l a p l a u s o ni el l u c r o , s i n o q u e v e n í a n á v e r y
c o n s i d e r a r lo q u e s e h a c í a y d e q u é m o d o . De la m i s m a
m a n e r a n o s o t r o s , s e m e j a n t e s á los q u e v i e n e n d e u n a c i u -
dad á un célebre mercado, nosotros también, venidos á
esta vida, d e s c e n d i e n d o d e otra naturaleza s u p e r i o r , u n o s
s e r v i m o s á la g l o r i a , o t r o s al d i n e r o , y s o n m u y r a r o s e n -
t r e los h o m b r e s los q u e , d e s p r e c i a n d o t o d a s las c o s a s h u -
m a n a s , aplican s u s fuerzas al e s t u d i o d e la naturaleza.
E s t o s s e l l a m a n e s t u d i o s o s d e la s a b i d u r í a , ó, lo q u e e s lo
m i s m o , filósofos. Y así c o m o e n u n m e r c a d o e s m á s n o -
b l e y l i b e r a l la c o n t e m p l a c i ó n e x e n t a d e l u c r o , a s í e n la
v i d a a v e n t a j a m u c h o á t o d o s l o s d e m á s e m p l e o s d e la a c -
t i v i d a d la c o n t e m p l a c i ó n y el c o n o c i m i e n t o d e las c o s a s .
/ CUESTIONES TUSCULANAS. 163
/
Y n o s ó l o fué P i t á g o r a s i n v e n t o r d e l n o m b r e , s i n o a m -
p l i f i c a d o r d e la c o s a misma, porque habiendo venido á
I t a l i a d e s p u é s d e e s t a c o n v e r s a c i ó n c o n L e o n t e , c i v i l i z ó la
Magna Grecia por m e d i o del d e r e c h o público y privado y
con las i n s t i t u c i s n e s y con las a r t e s , de las c u a l e s quizá
h a b l a r e m o s en o t r o t i e m p o . E n t r e los antiguos filósofos
h a s t a el t i e m p o de S ó c r a t e s , que había oído á A r q u e l a o ,
-discípulo d e A n a x á g o r a s , se trataba d e los n ú m e r o s y d e
l o s m o v i m i e n t o s , y en d ó n d e n a c í a n y e n d ó n d e a c a b a b a n »
y s e inquirían e s t u d i o s a m e n t e las m a g n i t u d e s d e las e s t r e -
l l a s , y el i n t e r v a l o y el c u r s o de los cuerpos celestes. S ó -
c r a t e s fué el p r i m e r o q u e t r a j o d e l c i e l o la filosofía, y la
c o l o c ó en l a s c i u d a d e s , y la i n t r o d u j o e n l a s m o r a d a s d e
l o s h o m b r e s , y la o b l i g ó á d i s p u t a r s o b r e la v i d a y l a s c o s -
t u m b r e s y l a s c o s a s b u e n a s y m a l a s . Su m ú l t i p l e sistema
d e d i s p u t a r , y la v a r i e d a d d e c o s a s q u e h a e s c r i t o , y la
m a g n i t u d d e su i n g e n i o , c o n s a g r a d o p o r la h i s t o r i a y p o r
las letras de Platón, produjo muchas escuelas de filosofía
opuestas e n t r e s í . De l a s c u a l e s el fruto m a y o r ha sido
a p l i c a r el m é t o d o s o c r á t i c o p a r a s a c a r á o t r o s d e s u e r r o r ,
ocultando nosotros nuestro parecer, conformándonos en
t o d a c u e s t i ó n c o n lo m á s v e r o s í m i l . E s t e m é t o d o s e g u í a e l
a g u d í s i m o y e l o c u e n t í s i m o C a r n e a d e s , y yo t a m b i é n le he
practicado muchas veces y ahora mismo e n el T u s c u l a n o .
L a s d i s p u t a s d e l o s c u a t r o d í a s a n t e r i o r e s ya t e l a s h e e n -
v i a d o e n o t r o s t a n t o s l i b r o s . El q u i n t o d í a , s e n t a d o s e n e l
mismo lugar, hablamos de esta m a n e r a :
OYENTE. — No m e parece que la virtud baste para la
vida feliz.
M A R C O . — A mi a m i g o B r u t o sí q u e s e lo p a r e c í a ; y yo,
c o n p a z t u y a , t e d i r é q u e e s t i m o su p a r e c e r en más que
el tuyo.
O Y E N T E . — N o lo d u d o ; p e r o a h o r a no se trata d e s a b e r
c u á n t o le a m a s , s i n o q u e q u i e r o q u e t e h a g a s c a r g o d e la
proposición que yo he sentado.
i 64 MARCO TULIO CICERÓN.

M A R C O . — ¿ N i e g a s t ú q u e la v i r t u d b a s t e p a r a l a v i d a feliz?
O Y E N T E . — R o t u n d a m e n t e lo n i e g o .
M A R C O . — Y ¿ q u é q u i e r e s d e c i r c o n e s o ? ¿Te p a r e c e á tí
q u e para vivir recta, honesta y g l o r i o s a m e n t e , en u n a p a -
l a b r a , p a r a v i v i r b i e n , h a y b a s t a n t e a y u d a e n la v i r t u d ?
OYENTE.—Ciertamente q u e m e lo p a r e c e .
MARCO.—¿Puedes, por consiguiente, no llamar infeliz al
q u e v i v e m a l , ó n i e g a s q u e v i v a f e l i z m e n t e el q u e c o n f i e s a s
q u e vive bien?
OYENTE.—¡Cómo lo h e d e negar! pues aun en el t o r -
m e n t o se p u e d e vivir recta, h o n e s t a y l a u d a b l e m e n t e , es
decir, con constancia, sabiduría y fortaleza. Todas estas
c u a l i d a d e s p u e d e n m o s t r a r s e h a s t a en e l p o t r o d e l s u p l i c i o ,
al c u a l c i e r t a m e n t e n o a s p i r a la v i d a feliz.
M A R C O . — ¿ Q u i e r e s d a r á e n t e n d e r q u e la v i d a feliz q u e d a
f u e r a d e la p u e r t a y d e l o s u m b r a l e s d e la c á r c e l , cuando
l a c o n s t a n c i a , la g r a v e d a d , la f o r t a l e z a , la s a b i d u r í a y las
demás virtudes s o n a r r e b a t a d a s al s u p l i c i o y n o rehuyen
n i n g ú n dolor?
OYENTE.—Si p r o c u r a s c o n v e n c e r m e , h a s de b u s c a r al-
gún argumento nuevo. Estos otros no me convencen, no
sólo porque son vulgares, sino mucho más porque á la
m a n e r a q u e el v i n o flojo n a d a p u e d e e n el a g u a , así e s t o s
d o g m a s d e los Estoicos a g r a d a n m á s g u s t a d o s q u e b e b i d o s .
Así d i r é q u e l a s v i r t u d e s p u e s t a s e n e l e c ú l e o o f r e c e n una
imagen d e tanta dignidad ante les ojos, que parece que
n i n g u n a felicidad p u e d e a b a n d o n a r á las v i r t u d e s en tal
o c a s i ó n . Si n i n g u n a v i r t u d c a r e c e d e p r u d e n c i a , la p r u d e n -
cia m i s m a b a s t a p a r a e n t e n d e r q u e no todos los b u e n o s
s o n f e l i c e s , y t o d o el m u n d o r e c u e r d a á e s t e p r o p ó s i t o la
historia de Marco Atilio, de Quinto Cepión, d e Marco A q u i -
l i o , y c u a n d o la v i d a feliz, arrastrada más bien por ese
f a n t a s m a q u e p o r la r e a l i d a d m i s m a , i n t e n t a i r al e c ú l e o ,
l a m i s m a p r u d e n c i a la r e t i e n e , n e g a n d o q u e el s u m o b i e n
t e n g a n a d a q u e v e r c o n l o s d o l o r e s y el t o r m e n t o .
CUESTIONES TUSCULANAS. 165

MARCO.—Fácilmente te consiento que procedas de ese


m o d o , a u n q u e me p a r e c e injusto q u e tú s e ñ a l e s el orden
d e m i s r a z o n a m i e n t o s . P e r o a h o r a te p r e g u n t o : ¿crees q u e
h e m o s l l e g a d o á a l g u n a c o n c l u s i ó n e n los d í a s anteriores,
ó n o lo c r e e s ?
OYENTE.—Creo que v e r d a d e r a m e n t e hemos hecho algo.
MARCO.—Si es así, esta cuestión ha llegado ya á su
término.
O Y E N T E . — Y ¿de q u é m o d o ?
M A R C O . — P o r q u e las pasiones t u r b u l e n t a s , y los movi-
m i e n t o s a r r e b a t a d o s , y el í m p e t u i n c o n s i d e r a d o d e l á n i m o
q u e r e c h a z a toda r a z ó n , no dejan n i n g u n a parte libre p a r a
la v i d a feliz. ¿Quién p u e d e n o s e r d e s d i c h a d o c u a n d o t e m e
la m u e r t e y el d o l o r , d e l a s c u a l e s c o s a s u n a le amenaza
s i e m p r e y la o t r a es inevitable? ¿Y q u é d i r e m o s cuando
t e m e la p o b r e z a , la i g n o m i n i a , la i n f a m i a , la d e b i l i d a d , la
ceguera, y finalmente la s e r v i d u m b r e , q u e e s u n m a l que
a m e n a z a n o solo á cada h o m b r e , sino á los p u e b l o s m á s p o -
d e r o s o s ? El q u e t e m e e s t o ¿ p u e d e s e r feliz? Y ¿ q u é d i r e m o s
del q u e no t e m e estas cosas s o l a m e n t e c o m o futuras, sino
que las padece reales y presentes? Añade á esto el llanto
y la o r f a n d a d . ¿Quién q u e b r a n t a d o p o r e s t o s males puede
dejar de ser infelicísimo? Y ¿qué pensaremos de aquél
á q u i e n v e m o s i n f l a m a d o y f u r i o s o p o r la l i v i a n d a d , a p e t e -
ciéndolo todo con rabioso é insaciable apetito, y tanto más
s e d i e n t o c u a n d o m á s a f l u y e n á él l o s deleites y más vive
y s e s u m e r g e e n e l l o s ? No le l l a m a r á s con r a z ó n ¡infelicí-
s i m o ? Y ¿qué d e c i r d e a q u e l o t r o inflamado en su livian-
dad, vanamente temerario y jactancioso en estériles ale-
g r í a s ? ¿ P o r v e n t u r a n o s e r á t a n t o m á s infeliz cuanto mas
-él s e j u z g u e d i c h o s o ? Y así como estos son desdichados,
p o r el c o n t r a r i o s o n felices a q u e l l o s á los cuales ningún
m i e d o aterra, ninguna codicia d e v o r a , ninguna liviandad
estimula, ninguna estéril alegría los h a c e derramarse en
lánguido deleite: y como decimos que el mar está tran-
•166 MARCO TULIO CICERÓN.

q u i l o c u a n d o el a u r a m á s l e v e c o n m u e v e s u s o l a s , a s í eí
ánimo parece quieto y tranquilo, cuando no hay pasión a l -
guna que pueda m o v e r l e . Y si e x i s t e algún hombre quo
h a y a c o n s e g u i d o h a c e r t o l e r a b l e la v i o l e n c i a d e la f o r t u n a
y todos los accidentes humanos que puedan acaecerle, de
t a l m a n e r a q u e ni el t e m o r n i la a n g u s t i a p u e d a n l l e g a r á
él, y si e s t e h o m b r e a d e m á s no desea nada, ni s e d e j a
a r r a s t r a r por ningún g é n e r o de turbación del espíritu, ¿qué
r a z ó n h a b r á p a r a q u e á e s t e h o m b r e n o le l l a m e m o s feliz?
Y si t o d o e s t o s e c o n s i g n e p o r m e d i o d e la v i r t u d , ¿ c ó m o
h e m o s d e d e c i r q u e la v i r t u d p o r sí s o l a n o p u e d e h a c e r al
h o m b r e dichoso?
OYENTE.—No se puede negar que los que nada t e m e n ,
y nada les angustia, y nada desean, y por ninguna alegría
desapoderada son conmovidos, sean felices, y esto te l o
c o n c e d o . P e r o lo otro no es tan claro, p o r q u e ya hemos
p r o b a d o e n d i s p u t a s a n t e r i o r e s q u e el s a b i o e s t á e x e n t o d e
toda pasión.
MARCO.—Me p a r e c e que esta cuestión está enteramente
resuelta.
O Y E N T E . —0 p o c o m e n o s .
MARCO.—Pero este método más bien es de matemáticos
que de filósofos. Los geómetras, cuando quieren ense-
ñar algo, se valen de alguna cosa q u e antes han demos-
trado y dan ya por concedida y probada, y explican sólo
aquellas p r o p o s i c i o n e s de q u e no h a n e s c r i t o a n t e s . Pero
los filósofos, sea cualquiera el asunto que traen e n t r e m a -
n o s , p o n e n e n él t o d o lo q u e s a b e n , a u n q u e e n otro lugar
lo h a y a n d i s p u t a d o y a . Y si e s t o n o f u e s e , ¿ c ó m o p o d r í a n
h a b l a r t a n t o l o s E s t o i c o s c u a n d o l e s p r e g u n t a n si la v i r t u d
b a s t a p a r a la v i d a d i c h o s a ? B a s t a n t e t e n d r í a n c o n respon-
d e r q u e ya h a n p r o b a d o a n t e s q u e no h a y o t r o b i e n sino la
h o n e s t i d a d , y q u e p o r c o n s e c u e n c i a p a r a ia vida feliz b a s t a
l a v i r t u d , y q u e s i e n d o e s t a c o n s e c u e n c i a l e g i t i m a , lo e s
también otra, e s á s a b e r , q u e la v i d a feliz n o requiere
CUESTIONES TUSCULANAS. 167

o t r a c o n d i c i ó n q u e la v i r t u d , p o r d o n d e n e c e s a r i a m e n t e n o
h a y o t r o b i e n s i n o la h o n e s t i d a d . Pero no proceden asi.
D e la honestidad y del sumo bien hacen libros sepa-
rados, y aunque de ellos se d e d u c e c l a r a m e n t e q u e la
virtud tiene gran fuerza para vivir felizmente, sin em-
b a r g o la t r a t a n p o r s e p a r a d o . Cada c o s a d e b e p r o b a r s e c o n
sus argumentos y razones propias, y más cuando es de
t a n t a i m p o r t a n c i a c o m o e s t a . No c r e a s tú q u e la filosofía
ha hablado nunca más claramente que por boca de ellos,
ni q u e s e e n c i e r r e e n ella u n a p r o m e s a m a y o r n i m á s e s -
p l é n d i d a . ¿ Q u é e s lo q u e p r o m e t e , d i o s e s i n m o r t a l e s ! P r o -
m e t e c o n c e d e r á los q u e o b e d e z c a n s u s l e y e s y e s t é n s i e m -
p r e a r m a d o s c o n t r a la f o r t u n a el t e n e r e n sí m i s m o s t o d o
g é n e r o d e r e c u r s o s p a r a la v i d a b u e n a y feliz; finalmente,
el s e r d i c h o s o s s i e m p r e . Y p r e s c i n d i e n d o d e lo q u e c o n s i g a ,
siempre será muy digno de estimación lo q u e promete.
Cuentan q u e J e r j e s , c o l m a d o d e todos los p r e m i o s y d i g n o
d e la f o r t u n a , p e r o n o s a t i s f e c h o c o n s u c a b a l l e r í a , n i c o n
el e j é r c i t o d e á p i e , ni c o n la m u l t i t u d d e las n a v e s , n i c o n
e l infinito p e s o d e l o r o , p r o p u s o u n p r e m i o á q u i e n i n v e n -
tara un nuevo placer, porque él n o estaba contento, ni
e n c o n t r a r á n u n c a t é r m i n o la l i v i a n d a d . N o s o t r o s debería-
mos dar un premio á quien nos trajese alguna razón nueva
para creer con más firmeza lo q u e s u s t e n t a la filosofía.
OYENTE.—Yo también lo quisiera; p e r o tengo algo q u e
replicar. Concedo que son consecuencia la u n a de la
otra las d o s proposiciones que sentaste, es decir, que
s i e n d o la h o n e s t i d a d e l ú n i c o b i e n , la v i d a feliz h a d e c o n -
s i s t i r e n la v i r t u d ; y al c o n t r a r i o , q u e c o n s i s t i e n d o la v i d a
feliz e n la v i r t u d , n o h a y o t r o b i e n s i n o la v i r t u d misma.
P e r o tu a m i g o B r u t o , s i g u i e n d o á A r i s t ó n y á A n t í o c o , no
c r e e e s t o p o r q u e imagina q u e h a y a l g ú n o t r o bien fuera
d e la v i r t u d .
MARCO. — Y ¿crees tú que yo voy á hablar contra
Bruto?
168 MARCO TUXIO CICERÓN.

O Y E N T E . — H a z lo q u e q u i e r a s , p o r q u e n o m e t o c a á m í
fijar el o r d e n d e la d i s c u s i ó n . R e s e r v a r e m o s este punto
p a r a m á s a d e l a n t e . E s t a fué c u e s t i ó n q u e y o t r a t é muchas
veces con Antíoco, y ahora poco con Aristón, cuando es-
tuve en Atenas, siendo general. A mí no m e parecía que
nadie pudiera s e r feliz c u a n d o sufría algún mal, y es evi-
d e n t e q u e el s a b i o e s t á s u j e t o á t o d o s l o s m a l e s d e l c u e r p o
y d e la f o r t u n a . A e s t o m e c o n t e s t a b a n c o n m u c h o s a r g u -
m e n t o s d e los q u e Antíoco ha escrito en varios lugares.
D e c í a n q u e la v i r t u d m i s m a p u e d e h a c e r p o r sí s o l a la v i d a
feliz, p e r o n o f e l i c í s i m a , y l u e g o e n u m e r a b a n o t r a s m u c h a s
c o s a s , c o m o la f u e r z a , la s a l u d , la r i q u e z a , e l h o n o r , la
g l o r i a , l a s c u a l e s s e d i s t i n g u e n en e s p e c i e , n o e n n ú m e r o ,
y d e c í a n q u e c u a n d o t o d a s e s t a s c o s a s s e a g r e g a n á la v i r -
t u d , l a v i d a feliz merece con mucha más propiedad su
n o m b r e . No es n e c e s a r i o a p u r a r e s t o , a u n q u e esta doctrina
n o m e p a r e c e m u y e l e v a d a , p u e s e l q u e e s feliz no se en-
t i e n d e q u é e s lo q u e p u e d e n e c e s i t a r p a r a s e r m á s d i c h o s o .
S i l e falta a l g o , n o p u e d e s e r y a feliz, y c u a n d o d i c e n q u e
l a m a y o r p a r t e d e la felicidad c o n s i s t e e n la v i r t u d y q u e
c a d a c o s a la d e s i g n a m o s p o r sus cualidades principales,
pueden hacerse sobre esto algunas no leves observacio-
n e s . H a b i e n d o t r e s g é n e r o s d e m a l e s , s e g ú n la opinión d e
e s t o s filósofos, al q u e t e n g a m a l e s de todos géneros, de
t a l m a n e r a q u e la f o r t u n a le s e a a d v e r s a e n t o d o s l o s c a s o s
y q u e s u c u e r p o e s t é o p r i m i d o p o r t o d o s los d o l o r e s , d i r é -
u n o s q u e l e falta m u y p o c o p a r a la v i d a feliz, a u n q u e le
falte m u c h o p a r a la f e l i c í s i m a . E s t o e s lo q u e n o s e a t r e v e
á s o s t e n e r ni e l m i s m o T e o f r a s t o , p u e s h a b i e n d o d i c h o q u e
l o s a z o t e s , el t o r m e n t o , e l d e s t i e r r o , la o r f a n d a d tienen
g r a n f u e r z a p a r a h a e e r la v i d a m a l a é i n f e l i z , n o s e a t r e v e
á hablar con solemnidad y grandeza, por lo m i s m o que
pensaba humilde y bajamente.
Yo b u s c o , s o b r e t o d o , c o n s e c u e n c i a en las opiniones,
y así no m e a g r a d a que se nieguen las consecuencias
CUESTIONES TUSCULANAS. 169

cuando se han a d m i t i d o los p r i n c i p i o s . P o r e s o n o re-


prendemos al m á s diligente y erudito de los filósofos
e u a n d o dice que hay tres g é n e r o s de bienes, pero todos
l e r e p r e n d e n p o r su l i b r o d e la v i d a feliz, e n el c u a l trae
t a n t a s r a z o n e s p a r a p r o b a r q u e n o p u e d e s e r d i c h o s o el q u e
es gravísimamente a t o r m e n t a d o . Y aun parece afirmar
q u e l a v i d a feliz n u n c a puede descender á la r u e d a del
t o r m e n t o . No lo d i c e t a n c l a r o , p e r o e n s u s t a n c i a á e s t o
s e r e d u c e su parecer.
D e s p u é s d e h a b e r c o n c e d i d o e s t e filósofo q u e e n t r e l o s
m a l e s d e b e n c o n t a r s e los d o l o r e s del c u e r p o y los naufra-
g i o s d e la f o r t u n a , ¿ c ó m o m e h e d e e n o j a r c o n él c u a n d o
d i c e q u e n o t o d o s l o s b u e n o s s o n f e l i c e s , s i e n d o asi q u e
t o d o s l o s b u e n o s e s t á n s u j e t o s á a q u e l l a a d v e r s i d a d q u e él
c u e n t a e n t r e l o s m a l e s ? En t o d o s los l i b r o s y e s c u e l a s d e
los filósofos s e r e p r e n d e al m i s m o T e o f r a s t o por haber
a l a b a d o en su Calístenes aquella s e n t e n c i a : « R i g i ó la v i d a
p o r la f o r t u n a , n o p o r la s a b i d u r í a . » Dicen q u e n i n g ú n filó-
sofo o s ó p r o r r u m p i r en s e n t e n c i a tan abatida. Y tienen
razón, pero creo que nada pudo decir con más constan-
c i a , p o r q u e si s o n t a n t o s l o s b i e n e s d e l c u e r p o y t a n t o s l o s
b i e n e s e x t r í n s e c o s á él y q u e d e p e n d e n d e la c a s u a l i d a d y
la f o r t u n a , ¿no e s j u s t o q u e v a l g a la f o r t u n a , q u e e s s e ñ o r a
d e l a s c o s a s e x t e r n a s y l a s q u e p e r t e n e c e n al c u e r p o , m á s
q u e la p r u d e n c i a ?
¿Ó p r e f e r i r e m o s i m i t a r á E p i c u r o , q u e á v e c e s t i e n e s e n -
t e n c i a s e x c e l e n t e s , p o r lo m i s m o q u e n o s e c u i d a d e la
constancia y firmeza e n sus opiniones? Alaba E p i c u r o la
f r u g a l i d a d . S e n t e n c i a e s e s t a p r o p i a d e la filosofía, aunque
más propia de Sócrates ó de Antístenes que de un h o m b r e
q u e t i e n e el d e l e i t e p o r el s u m o b i e n . N i e g a E p i c u r o q u e
n a d i e p u e d a vivir a g r a d a b l e m e n t e , s i n o v i v e c o n honesti-
d a d , s a b i d u r í a y j u s t i c i a . N a d a h a b r í a m á s g r a v e ni m á s
d i g n o d e la filosofía, si n o r e f i r i e r a E p i c u r o al d e l e i t e e s a
m i s m a honestidad, sabiduría y justicia. Y ¿qué cosa hay
170 MARCO TULIO CICERÓN.

m e j o r q u e v i v i r el s a b i o en h o n e s t a m e d i a n í a ? P e r o ¿cómo
u n filósofo q u e s e h a a t r e v i d o á l l a m a r al d o l o r no s o l a m e n t e
el m a y o r d e t o d o s l o s m a l e s , s i n o el ú n i c o m a l , s e a t r e v e
á s o s t e n e r q u e p u e d e s e r o p r i m i d o el c u e r p o por dolores
a c é r r i m o s y q u e p u e d e r e s i s t i r á la f o r t u n a ? E s t o mismo
dice con mejores palabras Metrodoro, cuando exclama:
«¡Oh f o r t u n a , ya t e h e v e n c i d o , ya t e t e n g o e n m i p o d e r ,
y a te h e c e r r a d o t o d a s a l i d a , p n r a q u e n o p u e d a s d o m i n a r -
m e ! » Mejor d i c h o e s t a r í a e s t o p o r A r i s t ó n d e Chío ó p o r e l
estoico Zenón, que no tenían por t o r p e ninguna otra cosa
s i n o el v i c i o . P e r o t ú , M e t r o d o r o , q u e p o n e s t o d o el b i e n
e n l a s v í s e e r a s y en l a s e n t r a ñ a s , y a f i r m a s que depende
d e la b u e n a constitución d e l c u e r p o , ¿ c ó m o te j a c t a s de
h a b e r q u e r i d o d o m i n a r á la f o r t u n a ? ¿ C ó m o , si d e e s e ú n i c o
bien que tú reconoces puedes ser despojado tan fácil-
mente?
En e s t e l a z o c a e n m u c h o s i g n o r a n t e s , y p o r t a l e s s e n t e n -
c i a s s i g u e n n o p o c o s la s e c t a d e l o s E p i c ú r e o s . P e r o es
c o n d i c i ó n p r o p i a del q u e d i s p u t a c o n a g u d e z a n o c o n s i d e -
r a r lo q u e d i c e c a d a c u a l , s i n o lo q u e d e b e d e c i r . E s t o l o
p o d e m o s a p l i c a r á la m i s m a c u e s t i ó n q u e a h o r a d e b a t i m o s ,
es á saber, q u e t o d o s los h o m b r e s b u e n o s son s i e m p r e
f e l i c e s . B i e n c l a r o e s lo q u e q u i e r o d a r á e n t e n d e r c o n la
palabra b u e n o s . Llamo indistintamente sabios y v a r o n e s
b u e n o s á los que están a d o r n a d o s con todas las v i r t u d e s .
V e a m o s ahora quiénes son los que m e r e c e n ser llamados
f e l i c e s . Y o c r e o , s i n d u d a , q u e lo s o n l o s q u e g o z a n t o d o
b i e n sin n i n g u n a i n t e r v e n c i ó n d e m a l . Y c u a n d o digo q u e
u n h o m b r e e s feliz, n o q u i e r o d a r n i n g u n a o t r a s i g n i f i c a c i ó n
á e s t a p a l a b r a , s i n o q u e e n t i e n d o p o r felicidad la a c u m u l a -
c i ó n d e t o d o s l o s b i e n e s c o n s e p a r a c i ó n d e t o d o s los ma-
l e s . La v i r t u d n o p o d r í a c o n s e g u i r e s t o si h u b i e r a algún
bien fuera d e la m i s m a v i r t u d . A ñ a d i d l a u n a m u l t i t u d d e
m a l e s (si e s q u e l e s d a m o s e s t e n o m b r e ) , tales c o m o la
p o b r e z a , l a o s c u r i d a d , l a h u m i l d a d , la s o l e d a d , la p é r d i d a
CUESTIONES TUSCULANAS. 171

d e s u s p r o p i o s b i e n e s , los g r a v e s d o l o r e s d e l c u e r p o , la
p é r d i d a d e l a s a l u d , la d e b i l i d a d , la c e g u e r a , el d e s t i e r r o ,
y finalmente la e s c l a v i t u d . A t a n t o s y t a n g r a n d e s males
(y a u n p u e d e n a c a e c e r m u c h o s m á s ) e s t á e x p u e s t o e l s a -
b i o , p o r q u e todas e s t a s c o s a s t r a e c o n s i g o la fortuna, d e
l a c u a l ni el m i s m o s a b i o e s t á e x e n t o . Y si e s t o s s o n m a -
l e s , ¿ q u i é n p u e d e c o n s e g u i r q u e el s a b i o s e a feliz s i e m p r e ,
s i e n d o así q u e todas estas d e s d i c h a s p u e d e n a q u e j a r l e á u n
mismo tiempo?
N o c o n v e n g o , p u e s , f á c i l m e n t e ni c o n m i a m i g o Bruto,
n i c o n n u e s t r o s m a e s t r o s c o m u n e s , ni c o n l o s antiguos
filósofos Aristóteles, Speusipo, Xenócrates, Polemón, en
q u e d e b a n c o n t a r s e e n t r e los m a l e s los q u e a n t e s e n u m e -
ré, puesto que esos mismos filósofos dicen que el sabio e s
s i e m p r e feliz. Y si e s t e t í t u l o i n s i g n e y g l o r i o s o l e s a g r a d a ,
como agradó á Pitágoras, á Sócrates, á Platón, deben acos-
t u m b r a r su ánimo á despreciar todas las cosas cuya e s -
plendidez los deslumbre, es d e c i r , la f u e r z a , la s a l u d , la
h e r m o s u r a , las r i q u e z a s , los h o n o r e s , y á t e n e r p o r d e
ningún valor las cosas contrarias á esta. E n t o n c e s p o d r á n
e x c l a m a r con v e r d a d e r a convicción que ellos no se a t e r r a n
ni por los í m p e t u s d e la f o r t u n a , n i p o r la o p i n i ó n de la
m u l t i t u d , n i p o r el d o l o r , ni p o r la p o b r e z a , y q u e t o d o s
s u s b i e n e s d e p e n d e n d e ellos m i s m o s , y q u e no h a y n i n g u n a
q u e e s t é fuera d e s u p o t e s t a d y q u e e l l o s c u e n t e n e n el
n ú m e r o de los bienes.
De n i n g u n a manera puede concederse que un mismo
h o m b r e s e e x p r e s e u n a s v e c e s e n el estilo d e u n varón
g r a n d e y m a g n á n i m o , y o t r a s s i g a la o p i n i ó n d e l v u l g o en
la d i s t i n c i ó n d e l o s m a l e s y d e l o s b i e n e s . Esa singulari-
d a d p r e t e n d i ó E p i c u r o , el c u a l m u c h a s v e c e s a f i r m a que
el s a b i o e s e l ú n i c o h o m b r e verdaderamente feliz. Sin
d u d a le d e s l u m h r ó la d i g n i d a d d e e s t a o p i n i ó n , p e r o nun-
c a la h u b i e r a dicho, siguiendo fielmente su propia doc-
t r i n a . ¿Qué c o s a h a y m e n o s c o n v e n i e n t e q u e t e n e r el d o l o r
472 MARCO TULIO CICERÓN.

p o r e l m a l s u m o , ó q u i z á p o r el m a l ú n i c o , c u a n d o e n s e ñ a
a l m i s m o t i e m p o q u e el s a b i o d e b e e x c l a m a r al s e r a t o r -
m e n t a d o : oh cuan s u a v e es el dolor! No se d e b e j u z g a r á
l o s filósofos p o r s e n t e n c i a s a i s l a d a s , s i n o p o r t o d o el en-
lace y trabazón de su doctrina.
OYENTE.—Mucho me m u e v e s á s e g u i r tu p a r e c e r , p e r o
t e m o q u e t a m b i é n e n tí s e e c h e d e m e n o s la c o n s t a n c i a y
firmeza de opiniones.
M A R C O . — Y ¿de q u é m o d o ?
O Y E N T E . — P o r q u e ¡ h e l e í d o h a c e p o c o t u l i b r o iv sobre
el s u m o mal y el s u m o b i e n , y m e p a r e c e q u e q u e r í a s p r o -
bar contra Catón, y conforme á lo q u e y o p i e n s o , que
e n t r e Zenón y los Pitagóricos n o había más diferencia q u e
l a d e l a s p a l a b r a s . Y si e s t o e s a s í , ¿ c u á l e s la c a u s a d e q u e ,
s i e n d o t a n g r a n d e el p o d e r d e la v i r t u d p a r a h a c e r la v i d a
feliz s e g ú n la o p i n i ó n d e Z e n ó n , n o l e s s e a l í c i t o d e c i r lo
m i s m o á l o s P i t a g ó r i c o s ? Yo c r e o q u e d e b e a t e n d e r s e á la
realidad de las c o s a s y no á las p a l a b r a s .
MARCO.—Me atacas con mis propios escritos y o r a c i o n e s .
Este modo de controversia es c o n v e n i e n t e para los que
d i s p u t a n a p o y á n d o s e e n la l e y e s c r i t a , p e r o n o s o t r o s v i v i -
m o s al d í a , d e c i m o s t o d o a q u e l l o q u e e n u n m o m e n t o d a d o
n o s p a r e c e p r o b a b l e , y así s o m o s l o s ú n i c o s h o m b r e s l i b r e s .
Y o e n e s t e l u g a r n o t r a t o d e p o n e r e n c l a r o si e s v e r d a d l o
q u e a f i r m a b a Z e n ó n , y d e s p u é s d e él s u d i s c í p u l o Aristón,
e s d e c i r , q u e e l ú n i c o b i e n e s la h o n e s t i d a d , n i s i q u i e r a si
t o d a la f e l i c i d a d d e la v i d a c o n s i s t e e n la v i r t u d s o l a . C o n c e -
d á m o s l e s q u e el h o m b r e feliz e s s i e m p r e e l s a b i o : tú v e r á s
si e s t a doctrina conviene con las d e m á s q u e él profesa-
b a . De t o d a s m a n e r a s , ¿ q u i é n e s m á s d i g n o q u e e s t e v a r ó n
de profesar tales doctrinas? J u z g u e m o s , p u e s , q u e él solo
e s e l h o m b r e m á s feliz d e t o d o s . A u n q u e Z e n ó n d e C i z i c o ,
e x t r a n j e r o y artífice b a s t a n t e i n d o c t o d e p a l a b r a s , parece
q u e d e s l i z ó e n la filosofía d e u n m o d o s u b r e p t i c i o e s t a s e n -
t e n c i a , la c u a l t i e n e m u y g r a v e a p o y o n a d a m e n o s q u e e n
c u e s t i o n e s TUSCULANAS. 173

P l a t ó n , en cuyos escritos m u c h a s v e c e s se e n c u e n t r a la
d o c t r i n a d e q u e n a d a s i n o la v i r t u d m e r e c e l l a m a r s e b u e n o :
y a s í e n el Gorgias, S ó c r a t e s , c u a n d o l e p r e g u n t a n si t i e n e
p o r h o m b r e feliz á A r c h e l a o , hijo d e P e r d i c a s , q u e p a s a b a
e n s u t i e m p o p o r a f o r t u n a d í s i m o , r e s p o n d e : «No lo s é , p o r -
q u e n u n c a h e h a b l a d o c o n é l . — ¿ Y n o lo p o d r í a s s a b e r d e
otro modo?—De ninguna suerte.—¿Y tampoco podrías sa-
b e r si el g r a n r e y d e P e r s i a e s feliz?—¿Y p o d r í a d e c i r l o y o ,
c u a n d o i g n o r o si e s h o m b r e d o c t o y d e bien?—¿Y c r e e s t ú
q u e e n e s t o c o n s i s t e la v i d a feliz?—Lo q u e y o j u z g o e s q u e
los b u e n o s son felicísimos, y q u e los malvados son mise-
r a b l e s . — L u e g o ¿ s e r á infeliz A r c h e l a o ? — C i e r t a m e n t e si e s
h o m b r e i n j u s t o . » Bien s e v e q u e h a c e c o n s i s t i r t o d a v i d a
d i c h o s a e n la v i r t u d . ¿Y q u é d i r e m o s d e s u e p i t a f i o , c u -
y a s p a l a b r a s s u e n a n d e este m o d o : «Sólo aquel v a r ó n q u e
encuentre e n sí m i s m o t o d o s los elementos necesarios
p a r a la f e l i c i d a d , y q u e n o e s t é p e n d i e n t e d e l a d i c h a , ni
d e la d e s v e n t u r a , n i a n d e e r r a n t e ni á m e r c e d d e otro,
podrá llamarse p e r f e c t a m e n t e d i c h o s o . Este será el v a r ó n
m o d e r a d o y fuerte y sabio, y hasta cuando m u e r a n todas
las g r a n d e z a s del m u n d o , se m a n t e n d r á o b e d i e n t e á a q u e -
llos p r e c e p t o s íntegros, y no se a l e g r a r á ni entristecerá
nunca demasiado, porque s i e m p r e t e n d r á e n sí m i s m o l a
esperanza de reparar su f o r t u n a . »
De e s t a s a g r a d a y augusta f u e n t e d e la d o c t r i n a pla-
tónica emanará todo nuestro d i s c u r s o , p u e s ¿de d ó n d e
podremos comenzar mejor q u e d e la n a t u r a l e z a , m a d r e
común, la c u a l e n t o d o lo q u e e n g e n d r ó , n o solamente
en los animales, sino también en t o d o lo q u e n a c e d e
tierra, quiso que todo fuese perfecto según su género?
Y así, los árboles y las vides, y las plantas que son m u y
h u m i l d e s y q u e a p e n a s p u e d e n l e v a n t a r s e d e la t i e r r a , l a s
u n a s r e v e r d e c e n , y l a s o t r a s , c u a n d o h u y e el i n v i e r n o y la
n a t u r a l e z a r e c o b r a s u v i g o r e n e l t i e m p o d e la p r i m a v e r a ,
florecen, y no hay ninguna que no tenga cierto movimiento
•174 MARCO TULIO CICERÓN.

interior y q u e p o r v i r t u d de su propia semilla n o p r o d u z c a


6 llores, ó frutos, ó b a y a s , siendo todo perfecto s e g ú n s u
g é n e r o , sin q u e h a y a fuerza a l g u n a que pueda oponerse
á esto.
Y t o d a v í a s e p u e d e c o n o c e r m e j o r el p o d e r d e la n a t u r a -
l e z a e n l a s b e s t i a s á q u i e n e s dio s e n t i d o . P o r q u e á u n a s l a s
hizo capaces de nadar y de habitar en las aguas, y á otras,
q u e s o n l a s a v e s , l a s p e r m i t i ó g o z a r d e la l i b e r t a d d e l c i e l o ;
y á l a s s e r p i e n t e s l a s h i z o a r r a s t r a r s e p o r la t i e r r a ; y á u n a s
b e s t i a s l a s dejó v a g a r s o l a s , y á o t r a s l a s c o n g r e g ó e n s o -
ciedad; y á unas las hizo feroces, y á otras m a n s a s y pací-
ficas, y á n o p o c a s l a s o c u l t ó bajo t i e r r a . Y g u a r d a n d o c a d a
c u a l s u p r o p i o oficio, sin p o d e r a d o p t a r l a s c o s t u m b r e s d e
otra especie, todas p e r m a n e c e n s u j e t a s a la l e y natural.
E s t o q u e la n a t u r a l e z a c o n c e d e á l a s b e s t i a s , lo c o n c e d i ó
t o d a v í a c o n m á s e x c e l e n c i a á l o s h o m b r e s . El a l m a h u m a -
na d e r i v a d a d e la m e n t e divina, con ninguna otra cosa
s i n o c o n el m i s m o D i o s p u e d e s e r c o m p a r a d a .
E s t a a l m a h u m a n a , si e s c u l t i v a d a , s e c o n v i e r t e e n e n -
t e n d i m i e n t o p e r f e c t o , e s t o e s , en a b s o l u t a r a z ó n , ó lo q u e
e s lo m i s m o , e n v i r t u d . Y si d e c i m o s q u e e s feliz aquella
n a t u r a l e z a á la c u a l n a d a falta y e n la c u a l t o d o e s p e r f e c t o
y absoluto, según su g é n e r o , siendo esta condición propia
de la virtud, sigúese que todos los h o m b r e s que participan
d e la v i r t u d s e r á n f e l i c e s . E n e s t a o p i n i ó n c o n v i e n e c o n -
migo Bruto, y convienen también Xenócrates, Speusippo
y P o l e m ó n . A mí m e p a r e c e n tales h o m b r e s felicísimos.
¿ Q u é l e falta p a r a la v i d a feliz al q u e confía m á s e n sus
propios b i e n e s , ó p o r q u é ha de desconfiar el q u e puede
s e r feliz? Me d i r á s q u e e s c o s a n e c e s a r i a q u e d e s c o n f í e e l
q u e d i v i d e l o s b i e n e s e n t r e s p a r t e s . ¿Quién p o d r á confiar
e n la firmgza d e s u c u e r p o , ó e n la e s t a b i l i d a d d e la f o r -
t u n a ? Y el q u e n o d e s c a n s e e n t o d o b i e n e s t a b l e , perma-
nente y seguero, de ninguna m a n e r a p u e d e s e r f e l i z . Me
p a r e c e a p l i c a b l e á e s t o el d i c h o d e a q u e l E s p a r t a n o que
CUESTIONES TUSCULANAS. 47S

contestó á un m e r c a d e r que se gloriaba de haber enviado


m u c h a s n a v e s al m a r : «No e s l i m o m u c h o e s t a f o r t u n a q u e
d e p e n d e d e los v i e n t o s . » ¿Es c o s a d u d o s a q u e n o puede
c o n t a r s e e n t r e los b i e n e s lo q u e p u e d e p e r d e r s e ? N i n g u n o
d e a q u e l l o s p r i n c i p i o s e n q u e la v i d a feliz c o n s i s t e , debe
s e r c a p a z d e m a r c h i t a r s e ni d e e x t i n g u i r s e ó d e c a e r . El
h o m b r e q u e tema p e r d e r alguno d e los b i e n e s q u e posea,
d e ninguna m a n e r a puede ser dichoso. Quiero q u e el hom-
b r e á q u i e n y o d e c l a r e feliz e s t é s e g u r o , inexpugnable,
fortificado p o r t o d a s p a r t e s , y l i b r e no y a d e u n m a l p e -
q u e ñ o , s i n o d e t o d o m a l . Así c o m o l l a m a m o s inofensivo
n o á q u i e n l e v e m e n t e o f e n d e s i n o al q u e n o o f e n d e n u n c a ,
así no d e b e m o s considerar libre de todo miedo á quien
t e m e p o c o , s i n o al q u e c a r e c e a b s o l u t a m e n t e d e t e m o r .
¿Qué o t r a f o r t a l e z a h a y s i n o la q u e c o n s i s t e e n afrontar
la pelea, y en sufrir el trabajo y el d o l o r , l i b r e d e t o d o
m i e d o ? Me d i r á s que nada de esto sucedería si todo
e l b i e n c o n s i s t i e s e e n ¡a s o l a h o n e s t i d a d . ¿Quién podrá
t e n e r aquella tan deseada seguridad, ó carencia de todo
d o l o r , e n la c u a l la v i d a feliz c o n s i s t e , y q u e no p u e d e s e r
t u r b a d a p o r e s t a m u l t i t u d d e m a l e s q u e a q u e j a n al linaje
h u m a n o ? ¿Quién p o d r á ser de ánimo excelso y recto y
despreciado!' de todos los a c c i d e n t e s h u m a n o s , c o m o t o d o s
q u e r e m o s q u e lo s e a el s a b i o , si n o h a c e d e p e n d e r d e sí
m i s m o t o d a s l a s c o s a s ? ¿No r e s p o n d i e r o n l o s L a c e d e m o n i o s
& F i l i p o c u a n d o l o s a m e n a z ó p o r s u s c a r t a s q u e los c e r c a r í a
p o r t o d a s p a r t e s , n o le r e s p o n d i e r o n , d i g o , «¿y n o s p r o h i -
b i r á s t a m b i é n e l m o r i r ? » ¿No e n c o n t r a r e m o s u n v a r ó n de
t a l f o r t a l e z a c o m o la q u e t u v o u n a c i u d a d e n t e r a ? Y si á e s t a
f o r t a l e z a d e q u e h a b l a m o s s e a ñ a d e la t e m p l a n z a modera-
d o r a d e t o d a s las p a s i o n e s , ¿ q u é p u e d e faltarle p a r a la v i d a
feliz á a q u e l á q u i e n la f o r t a l e z a le l i b r a d e l d o l o r y d e l
m i e d o , y á q u i e n la t e m p l a n z a le a p a r t a d e l a p e t i t o y d e la
p e t u l a n c i a ? Yo p r o b a r í a q u e la v i r t u d produce todos estos
176 MABCO T U L I O C I C E R Ó N .

e f e c t o s , si n o lo h u b i e s e d e j a d o f u e r a d e t o d a d u d a e n Ios-
días a n t e r i o r e s .
S i e n d o c o s a a v e r i g u a d a q u e l a s p a s i o n e s h a c e n la v i d a
infeliz, y q u e la t r a n q u i l i d a d d e l á n i m o la h a c e d i c h o s a , ,
y n a c i e n d o de dos r a í c e s distintas las p a s i o n e s s e g ú n q u e
e l d o l o r y el m i e d o s e r e f i e r a n al m a l q u e s e e s p e r a , ó la
a l e g r í a y el a p e t i t o s e r e f i e r a n á l o s b i e n e s p a s a d o s , y
s i e n d o t o d a s e s t a s c o s a s c o n t r a r i a s á la r a z ó n y al o r d e n ,
¿ d u d a r á s t ú e n l l a m a r feliz al h o m b r e q u e e s t á s u e l t o y
l i b r e d e e s t a s t a n g r a v e s p e r t u r b a c i o n e s , y tan r e ñ i d a s y
c o n t r a d i c t o r i a s e n t r e si? Es así q u e el s a b i o s e h a l l a e n t a l
s i t u a c i ó n ; l u e g o s i e m p r e el s a b i o e s d i c h o s o . Es e v i d e n t e
q u e t o d o b i e n m e r e c e a l e g r í a , y q u e t o d o lo q u e e s d i g n o
d e a l e g r í a lo e s t a m b i é n d e a l a b a n z a , y q u e t o d o lo q u e e s
d i g n o d e a l a b a n z a m e r e c e g l o r i a , y q u e t o d o lo q u e me-
r e c e gloria es también h o n e s t o ; l u e g o lo q u e sea bueno
n o p u e d e m e n o s d e s e r h o n e s t o . Sin e m b a r g o h a y filóso-
fos q u e al c e l e b r a r lo b u e n o no lo l l a m a n h o n e s t o . Pero
y o afirmo q u e s ó l o e s h o n e s t o lo b u e n o ; d e d o n d e s e i n -
fiere q u e ni la s o l a h o n e s t i d a d e s t á s e p a r a d a d e la v i d a
feliz, n i h e m o s d e t e n e r p o r b i e n e s l o s q u e p u e d e d i s f r u t a r
amplísimamente un h o m b r e infelicísimo.
¿ D u d a s t ú e n l l a m a r infeliz á u n h o m b r e d e e x c e l e n l e s a -
lud y fuerza, notable p o r su h e r m o s u r a , y q u e tenga í n t e -
g r o s s u s s e n t i d o s , y a u n p u e d e s a ñ a d i r l e , si q u i e r e s , l i g e -
r e z a , v e l o c i d a d , r i q u e z a s , h o n o r e s , p o d e r y g l o r i a , si al
mismo tiempo es injusto, destemplado, tímido y de torpe y
p e r e z o s o i n g e n i o ? ¿Qué b i e n e s s o n e s t o s q u e n o impiden
l l a m a r d e s d i c h a d o á q u i e n l o s p o s e e ? Así c o m o el m o n t ó n
r e c i b e el n o m b r e d e l o s g r a n o s q u e c o n t i e n e , así la v i d a
feliz r e c i b e el n o m b r e d e l a s p a r t e s d e q u e s e c o m p o n e .
Si e s t o e s a s í , d e l o s b i e n e s q u e s o n la ú n i c a c o s a ho-
n e s t a , d e e l l o s h a d e c o m p o n e r s e la f e l i c i d a d . Si e s t á n
mezclados con otras cosas de distinta especie, nunca p o -
d r á g o z a r d e e l l o s la h o n e s t i d a d . Y si q u i t a m o s é s t o s , ¿ e n
CUESTIONES TUSCULANAS. 177

q u é p o d e m o s h a c e r c o n s i s t i r la d i c h a ? T o d o l o q u e e x i s t e
h a d e d e s e a r s e e n c u a n t o e s b u e n o : y lo q u e e s d i g n o d e
s e r d e s e a d o h a d e s e r a p r o b a d o , y lo q u e es a p r o b a d o
ha d e s e r tenido p o r cosa grata y apetecible, y hay q u e
a p l i c a r l e la c a t e g o r í a d e d i g n i d a d ; y s i e n d o e s t o a s í , n e c e -
s a r i a m e n t e ha d e s e r d i g n o d e a l a b a n z a . E s a s í q u e t o d o
b i e n e s d i g n o d e a l a b a n z a ; l u e g o t o d o lo q u e e s h o n e s t o
p u e d e t e n e r s e p o r b u e n o . Si n o a d m i t i m o s é s t o s , t e n d r e -
m o s q u e multiplicar e x t r a o r d i n a r i a m e n t e los b i e n e s . Dejo
aparte las riquezas y no las c u e n t o e n t r e los b i e n e s , y a
que las puede t e n e r cualquiera por indigno q u e s e a . P e r o
los bienes v e r d a d e r o s no los puede tener cualquiera. Dejo
también a p a r t e la n o b l e z a y la fama popular, que nacen
d e la v o z d e l o s n e c i o s y d e l o s m a l v a d o s . S e g ú n el s i s -
tema de estos filósofos, á todas e s t a s cosas d e tan infame
ralea tendremos que llamarlas bienes, y tendremos q u e
l l a m a r b i e n e s á los d i e n t e s b l a n c o s , á los ojos hermosos,
al b u e n c o l o r y a q u e l l a s c o n d i c i o n e s q u e E u r i c l e a a l a b a e n
U l i s e s , la d u l z u r a d e la o r a c i ó n y el b l a n d o c u e r p o . Y si t e -
n e m o s t o d o s e s t o s p o r b i e n e s , ¿qué c o s a h a b r á e n la g r a v e -
d a d d e l filósofo m á s d i g n a d e a l a b a n z a ó m á s g r a n d e , p u e s t a
e n c o t e j o c o n la o p i n i ó n d e l v u l g o y d e l o s n e c i o s ?
Los filósofos c r e e n salir d e la dificultad l l a m a n d o cosas
principales á lo q u e e s t o s llaman b i e n e s ; p e r o ellos m i s m o s
niegan q u e d e t a l e s c o s a s p u e d a r e s u l t a r la v i d a feliz,
m i e n t r a s q u e l o s o t r o s filósofos la c r e e n n u l a s i n la a g r e g a -
c i ó n d e e s o s b i e n e s , y a u n c o n c e d i é n d o l a q u e s e a feliz, l a
n i e g a n el título d e f e l i c í s i m a . P e r o n o s o t r o s la t e n e m o s p o r
m u y d i c h o s a , y lo c o n f i r m a m o s c o n u n a s e n t e n c i a d e S ó -
c r a t e s . A q u e l p r í n c i p e d e la filosofía e n s e ñ a b a q u e e l h o m -
b r e e r a lo q u e son s u s afectos, y q u e c o m o e r a e l h o m b r e ,
t a l e s e r a s u s d i s c u r s o s , d e tal m o d o q u e l o s h e c h o s c o r r e s -
p o n d í a n á l a s p a l a b r a s y la v i d a á l o s h e c h o s . L o s a f e c t o s
del alma en un h o m b r e de bien son laudables, y p o r consi-
g u i e n t e e s l a u d a b l e la v i d a d e u n h o m b r e feliz, y e s h o n e s t a
TOMO V. 12
178 MARCO T U L I O CICERÓN.

p o r q u e es l a u d a b l e ; d e d o n d e s e infiere q u e la v i d a d e l o s
h o m b r e s de bien es dichosa.
¡Por los dioses y los h o m b r e s ! ¿Acaso no h e m o s d e m o s -
t r a d o b a s t a n t e e n n u e s t r a s a n t e r i o r e s d i s p u t a s (¿ó las h e m o s
tenido por causa de deleite y ociosidad?) que el sabio está
libre de toda pasión y que siempre reina en su alma placi-
d í s i m a s e r e n i d a d ? ¿No s e r á feliz u n h o m b r e t e m p l a d o , c o n s -
t a n t e , s i n m i e d o , s i n d o l o r , sin a p e t i t o a l g u n o ? Es así que
e l s a b i o r e ú n e t o d a s e s t a s c u a l i d a d e s ; l u e g o el s a b i o s e r á
s i e m p r e feliz. Y u n h o m b r e d e b i e n ¿ c ó m o n o h a d e r e f e r i r
á l o q u e e s l a u d a b l e c u a n t o él h a c e y s i e n t e ? T o d o lo r e -
f i e r e , p u e s , á la felicidad d e la v i d a , l u e g o la vida feliz e s
l a u d a b l e . Es a s í q u e n o h a y n a d a l a u d a b l e s i n v i r t u d ; l u e g o
la v i d a d i c h o s a s e funda e n la v i r t u d .
E s t o t a m b i é n s e d e m u e s t r a d e o t r o m o d o . No h a y e n la
v i d a infeliz n a d a d i g n o d e a l a b a n z a , n a d a g l o r i o s o , ni lo
h a y t a m p o c o e n a q u e l l a v i d a q u e n o es ni infeliz ni d i c h o -
s o . Es así q u e h a y e n la v i d a a l g o d i g n o d e a l a b a n z a , c o m o
l o p r u e b a el d i c h o d e E p a m i n o n d a s : « P o r n u e s t r a p r u d e n -
c i a fué a b a t i d a la g l o r i a d e l o s L a c e d e m o n i o s , » y a q u e l l a s
o t r a s palabras de Scipión el Africano: «Tras del nacimiento
d e l s o l , m á s allá d e l a l a g u n a Meotis, no hay nadie que
p u e d a i g u a l a r la g l o r i a d e m i s h e c h o s . » S i e n d o e s t o a s í , la
v i d a feliz e s d i g n a d e a l a b a n z a y e n c o m i o , y n o h a y n i n -
guna otra cosa que merezca ser elegida. Supuestos estos
p r i n c i p i o s , fácil e s e n t e n d e r l a s c o n s e c u e n c i a s . En pri-
m e r l u g a r , si la v i d a d i c h o s a n o e s lo m i s m o q u e la v i d a
h o n e s t a , ¿será h o n e s t o q u e h a y a algo preferible á la vida
feliz? T o d o el m u n d o c o n o c e r á q u e lo q u e e s h o n e s t o es
s i e m p r e m e j o r . ¿ H a b r á , p u e s , a l g o m e j o r q u e la v i d a feliz?
Y ¿ q u i é n p u e d e t o l e r a r tal c o n t r a d i c c i ó n ? ¿Cómo s e h a de
c o m p r e n d e r e s t o , c u a n d o p o r o t r a p a r t e s e confiesa q u e l o s
v i c i o s influyen m u c h o e n l a s d e s g r a c i a s d e la v i d a ? ¿No h e -
m o s d e a f i r m a r t a m b i é n q u e l a s v i r t u d e s t i e n e n u n a fuerza
s i n g u l a r p a r a h a c e r la v i d a d i c h o s a ? De l a s p r o p o s i c i o n e s
CUESTIONES TUSCULANAS. 179

contrarias se d e d u c e n contrarias consecuencias. Y ahora


te p r e g u n t o : ¿qué v a l o r t i e n e a q u e l l a b a l a n z a d e C r i t o l a o ,
q u e coloca en u n o de los platillos todos los b i e n e s del
alma y en otro todos los b i e n e s c o r p o r a l e s y e x t e r n o s , y
o p i n a q u e el p l a t i l l o del b i e n p e s a t a n t o q u e b a s t a á , d e p r i -
m i r la t i e r r a y el m a r ?
¿Qué e s lo q u e i m p e d i r á á e s t o s filósofos, ó á X e n ó c r a t e s ,
•que t a n t o ensalzáis el v a l o r d e la v i r t u d , q u e l l e g u e n á m e -
n o s p r e c i a r t o d a s l a s d e m á s c o s a s h a s t a el p u n t o d e h a c e r
c o n s i s t i r e n la v i r t u d s o l a , n o ya la v i d a feliz s i n o la v i d a
felicísima? Si e s t o n o fuera así, fácilmente se seguiría
la m u e r t e d e t o d a s l a s v i r t u d e s . Es n e c e s a r i o que quien
e s t á s u j e t o al d o l o r e s t é s u j e t o t a m b i é n al m i e d o , s i e n d o
el m i e d o la s o l í c i t a e x p e c t a c i ó n de un mal futuro, y que
q u i e n e s t é s u j e t o al m i e d o lo e s t é t a m b i é n al t e m o r , al p a -
v o r y á la c o b a r d í a , d e tal m o d o q u e s e d e j e v e n c e r por
e s t e a f e c t o a l g u n a v e z y n o s e a p l i q u e á sí m i s m o aquel
p r e c e p t o d e A t r e o : « F o r t i f i q ú e n s e d e tal m a n e r a e n la v i d a
q u e n o l l e g u e n n u n c a á s e r v e n c i d o s . » P e r o los h o m b r e s
a p a s i o n a d o s no sólo serán v e n c i d o s sino sujetos a d e m á s á
s e r v i d u m b r e . Nosotros q u e r e m o s una virtud s i e m p r e libre,
siempre i n v i c t a . Si d e s t e r r á i s e s t a s c u a l i d a d e s , quitáis
t a m b i é n d e e n m e d i o la v i r t u d .
P e r o si e n la v i r t u d h a y b a s t a n t e d e f e n s a p a r a v i v i r bien>
d e b e h a b e r l a t a m b i é n p a r a la v i d a d i c h o s a . Ciertamente
q u e la v i r t u d n o s d a h a r t o a u x i l i o p a r a vivir c o n f o r t a l e z a -
El vivir con fortaleza l l e v a c o n s i g o el m o s t r a r m a g n a n i -
m i d a d , y el n o d e j a i s e a t e r r a r p o r c o s a a l g u n a y p e r m a n e -
c e r s i e m p r e i n v i c t o . S i g ú e s e d e a q u í el n o a r r e p e n t i r s e d e
n a d a , y no sentir ningún obstáculo, y no (laquear en nin-
g ú n d e b e r . T o d o s e h a r á , p u e s , fácil y p r ó s p e r o , y p o r c o n -
s i g u i e n t e c o n f e l i c i d a d . Si la v i r t u d b a s t a p a r a v i v i r c o n
fortaleza, basta también para ser feliz. Así c o m o la n e c e -
d a d a u n d e s p u é s d e h a b e r c o n s e g u i d o lo q u e q u i s o , n u n c a
se juzga satisfecha, así la s a b i d u r í a se contenta siem-
180 MARCO TULIO CICERÓN.

p r e con lo q u e tiene y n u n c a está p e s a r o s a d e sí m i s m a . .


Si e s t u v i e r a e n t u p o t e s t a d e s c o g e r e n t r e el c o n s u l a d o
único de Lelio ó los cuatro c o n s u l a d o s de Cinna, ¿dudarías
e n p r e f e r i r el d e L e l i o , a u n q u e f u e s e ú n i c o y h u b i e s e s u -
frido e n é l r e p u l s a , si e s q u e c u a n d o u n h o m b r e s a b i o y
h o n r a d o , c o m o él lo fué, e s v e n c i d o p o r l o s s u f r a g i o s , no
e s el p u e b l o q u i e n r e c i b e la o f e n s a v i é n d o s e p r i v a d o de
u n b u e n c ó n s u l ? No d u d o l o q u e r e s p o n d e r í a s ; y en v e r d a d
q u e á otro no m e atrevería yo á hacerle tal pregunta-
Otro m e r e s p o n d e r í a , q u i z á , q u e él n o s ó l o a n t e p o n e Ios-
c u a t r o c o n s u l a d o s á u n o s o l o , s i n o un s o l o día d e C i n n a
á t o d a la v i d a d e m u c h o s é i l u s t r e s v a r o n e s . Si Lelio h u -
b i e r a t o c a d o c o n el d e d o á a l g u i e n , sin d u d a h a b r í a sido
c a s t i g a d o ; p e r o Cinna m a n d ó c o r t a r la c a b e z a al c ó n s u l
Cneo Octavio, y á Publio Craso, y á Lucio César, hombre
nobilísimo y a c r e d i t a d o en paz y en g u e r r a , y á Marco An-
t o n i o , el m á s e l o c u e n t e d e t o d o s l o s h o m b r e s á q u i e n e s yo-
h e o í d o , y á C a y o C é s a r , q u e m e p a r e c i ó s i e m p r e el m a y o r
dechado de humanidad, de sal, de gracia y de donaire.
Y ¿le l l a m a r e m o s feliz p o r q u e l o s m a t ó ? A m í , al c o n t r a r i o , ,
m e p a r e c e i n f e l i c í s i m o , n o s ó l o p o r q u e lo h i z o , s i n o por
h a b e r t e n i d o tal f o r t u n a q u e le fué l í c i t o h a c e r l o , si e s q u e
el o b r a r m a l e s l í c i t o á a l g u n a p e r s o n a . P e r o e s t e e s r e a l -
m e n t e un abuso de palabras. Porque también llamamos lí-
c i t o lo q u e e s p o s i b l e á c a d a c u a l .
Pero ¿á q u i é n llamaremos más feliz, á Cayo Mario,,
c u a n d o c o m p a r t i ó la g l o r i a d e la v i c t o r i a c í m b r i c a c o n su
colega Catulo, tan semejante á Lelio que p o d r í a m o s lla-
m a r l e o t r o L e l i o , ó c u a n d o , v e n c e d o r e n la g u e r r a c i v i l ;
r e s p o n d i ó a i r a d o á l o s p a r i e n t e s d e C a t u l o q u e le p e d í a n
s u p e r d ó n : « M u e r a , u u a y mil v e c e s ? » P o r m u c h o m á s f e -
liz t e n g o á quien obedece á esta voz nefanda que al
q u e la p r o n u n c i ó d e u n a m a n e r a tan i n d i g n a . Así como
e s m á s h o n r a d o r e c i b i r q u e c a u s a r la i n j u r i a , a s í c o n s i d e r ó
muy preferible presentarse con frente serena ante la
CUESTIONES TUSCULANAS. 181

m u e r t e c u a n d o se a c e r c a , c o m o hizo Catulo, q u e lo que


h i z o M a r i o , a f r e n t a n d o c o n la m u e r t e d e t a n g r a n varón
s u s seis consulados, y d e s h o n r a n d o p a r a siempre los últi-
m o s años d e su vida.
P o r e s p a c i o d e c u a r e n t a y d o s a ñ o s ejerció Dionisio la
tiranía en Siracusa, y á los veinticinco h a b í a llegado á la
d o m i n a c i ó n . ¡Cuan h e r m o s a y o p u l e n t a c i u d a d t u v o s o m e t i -
d a á s e r v i d u m b r e ! Sin e m b a r g o , l e e m o s d e e s t e h o m b r e ,
en muy buenos y autorizados escritores, que tuvo gran
t e m p l a n z a de vida, y que se m o s t r ó en los negocios varón
agudo é industrioso, aunque por naturaleza era maléfico
é i n j u s t o . Lo cual á quien examine p r o f u n d a m e n t e las
cosas debe parecerle mayor razón para considerarle como
desdichado. Porque las m i s m a s cosas que tanto había
d e s e a d o , ni s i q u i e r a l a s g o z ó c u a n d o le parecía q u e las
tenía e n su p o d e r t o d a s . Habiendo n a c i d o d e b u e n o s p a -
d r e s y d e h o n r a d a familia (si b i e n v a r í a n m u c h o s escri-
t o r e s en c u a n t o á su linaje), y h a b i e n d o tenido m u c h a c o -
municación con sus amigos y deudos, y además, según
la c o s t u m b r e d e los Griegos, a l g u n o s a d o l e s c e n t e s u n i d o s
á él p o r el v í n c u l o d e l a m o r , sin e m b a r g o n o s e fiaba d e
n a d i e , y s ó l o s e a t r e v í a á confiar la c u s t o d i a d e s u p e r s o n a
á algunos extranjeros y b á r b a r o s , á quienes había elegido
d e e n t r e los siervos d e las familias ricas d e Siracusa,
q u i t á n d o l e s el n o m b r e d e e s c l a v i t u d . A s í , p o r s u injusto
apetito de dominación, se había encerrado dentro de una
• e s t r e c h a c á r c e l , y p o r no e n t r e g a r s u c u e l l o al barbero
h a c í a q u e s u s m i s m a s h i j a s le a f e i t a s e n .
De e s t a m a n e r a , a q u e l l a s r e g i a s p r i n c e s a s , c o n artificio
s ó r d i d o y p r o p i o d e e s c l a v o s , c o r t a b a n la b a r b a y el c a b e l l o
á su p a d r e . P e r o , c u a n d o ya fueron a d u l t a s , quitó d e s u s
m a n o s el h i e r r o y l a s e n s e ñ ó á r i z a r l e l a s b a r b a s y el
cabello con un hierro candente. Y teniendo dos mujeres,
Aristomacha, conciudadana suya, y Doris, Locrense, no
se atrevía á visitarlas de noche, sin h a b e r examinado
182 .MARCO T U L I O C I C E R Ó N .

a n t e s y r e g i s t r a d o t o d o el p a l a c i o . Y h a b i e n d o r o d e a d o s u
l e c h o d e u n a m p l i o f o s o , e c h a n d o s o b r e él u n puenteeillo
de m a d e r a , levantaba este puente después de h a b e r c e r r a d o
la p u e r t a d e s u a l c o b a . No s e a t r e v í a á a r e n g a r al p u e b l o
s i n o d e s d e u n a t o r r e m u y a l t a . Un día q u e s e e n t r e g a b a
á su a c o s t u m b r a d o ejercicio del j u e g o de pelota, e n t r e g ó a
u n a d o l e s c e n t e , á q u i e n a m a b a m u c h o , su túnica y s u e s p a -
da. Y habiendo dicho, sonriéndose, uno de sus familiares:
«A e s e m u c h a c h o le h a s confiado tu v i d a » , a lo c u a l con-
t e s t ó el j o v e n c o n o t r a s o n r i s a , m a n d ó el t i r a n o d e g o l l a r l o s
á l o s d o s : al u n o p o r q u e h a b í a d e s c u b i e r t o u n c a m i n o p a r a
m a t a r l e , y al o t r o p o r q u e h a b í a a p r o b a d o l a s p a l a b r a s d e l
a n t e r i o r c o n s u r i s a . E s t o le ofendió t a n t o , q u e n a d a le
p a r e c i ó m á s g r a v e e n s u v i d a , p u e s t o q u e l l e g ó á m a t a r al
m i s m o á quien tan v e h e m e n t e m e n t e a m a b a .
Asi s e m u e v e e n l a s d i r e c c i o n e s m á s c o n t r a r i a s el a p e -
tito de los t i r a n o s , d a n d o á e n t e n d e r c o n ello cuan lejanos
e s t á n d e la felicidad. Bien lo p r o b ó el m i s m o Dionisio c u a n -
do Damocles, u n o de s u s aduladores, alababa con largos
r a z o n a m i e n t o s s u f a u s t o , la m a j e s t a d d e s u d o m i n a c i ó n , l a
a b u n d a n c i a d e s u s r i q u e z a s , la m a g n i f i c e n c i a d e s u s p a l a -
c i o s , y n e g a b a q u e h u b i e s e n a d i e m á s d i c h o s o q u e é l . «¿Que-
r r á s , o h D a m o c l e s , le r e p l i c ó , y a q u e t a n t o te d e l e i t a e s t a
v i d a , g o z a r l a tú m i s m o y e x p e r i m e n t a r m i f o r t u n a ? » H a -
b i e n d o D a m o c l e s d i c h o q u e la d e s e a b a , m a n d ó D i o n i s i o c o -
l o c a r l e e n u n l e c h o d e o r o , e n un e s t r a d o b e l l í s i m o , c o n
ricas almohadas y magníficas pinturas, é hizo poner
t o r n o d e él a b u n d a n c i a de plata y oro c i n c e l a d o . Mandó
q u e le a s i s t i e s e n á la m e s a e s c l a v a s s e l e c t a s y d e n o t a b l e
h e r m o s u r a , y q u e le s i r v i e s e n c o n f o r m e á su capricho.
Añadió á esto u n g ü e n t o s y coronas, m a n d ó q u e m a r delei-
t o s o s p e r f u m e s y c u b r i r la m e s a d e m a n j a r e s exquisitos.
C r e í a s e íeliz D a m o c l e s , c u a n d o en m e d i o do t o d o e s t e a p a -
r a t o vio q u e p e n d í a d e l a r t e s o n a d o t e c h o u n a e s p a d a fúl-
gida, pendiente de una crin de caballo, y amenazando
CUESTIONES TUSCULANAS. 183

continuamente á las cervices de aquel varón que se creía


tan d i c h o s o . Y fué tal s u t e r r o r , q u e ni m i r a b a á l a s h e r m o -
s a s e s c l a v a s , ni á la p l a t a c i n c e l a d a , ni a l a r g a b a la m a n o á
la m e s a , y d e la f r e n t e s e le c a í a n l a s c o r o n a s , h a s t a q u e al
fin r o g ó al t i r a n o q u e le p e r m i t i e r a r e t i r a r s e , p o r q u e ya n o
q u e r í a s e r d i c h o s o . «¿Te p a r e c e , dijo D i o n i s i o , q u e nadie
p u e d e l l a m a r s e feliz c u a n d o a l g ú n p e l i g r o l e a m e n a z a s i e m -
pre?» Ni s i q u i e r a l e h u b i e r a b a s t a d o el o b s e r v a r la j u s t i c i a y
d e v o l v e r á s u s c o n c i u d a d a n o s la l i b e r t a d y^el d e r e c h o , p o r -
q u e y a d e s d e m u y j o v e n s e h a b í a a c o s t u m b r a d o á la t i r a n í a ,
cometiendo tales maldades que no hubiera podido librarse
d e l c a s t i g o . P e r o c u á n t o d e s e a b a la a m i s t a d y c u á n t o t e m í a
la i n f i d e l i d a d d e l o s h o m b r e s , b i e n lo d e c l a r ó e n el c a s o d e
a q u e l l o s d o s a m i g o s p i t a g ó r i c o s , d e l o s c u a l e s el u n o s e
h a b í a d a d o p o r fiador d e la m u e r t e d e l o t r o , y Dionisio e s -
c l a m ó : «Ojalá m e c o n t a r a i s p o r el t e r c e r o e n v u e s t r a a m i s -
t a d . » ¡Cuan g r a n d e s d i c h a e r a p a r a él c a r e c e r d e l t r a t o
a m i s t o s o , d e la s o c i e d a d y d e l a s a l e g r í a s f a m i l i a r e s ! Y d e -
bía s e n t i r l o t a n t o m á s , c u a n t o q u e e r a h o m b r e docto y
e d u c a d o d e s d e niño en las a r t e s liberales. S a b e m o s q u e
e r a m u y a f i c i o n a d o á la m ú s i c a , y t a m b i é n p o e t a t r á g i c o :
si b u e n o ó m a l o , n a d a i m p o r t a p a r a el c a s o ; a u n q u e e n la
p o e s í a , m á s q u e e n o t r a a r t e a l g u n a , á c a d a c u a l le p a r e e n
las mejores s u s o b r a s p r o p i a s . Todavía no h e conocido á
ningún poeta, y eso que tuve amistad con Aquinio, q u e no
s e c r e y e r a el m e j o r d e l m u n d o . Así s o m o s l o s h o m b r e s . A tí
t e deleitan t u s c o s a s , á mí las mías. P e r o volviendo á Dio-
nisio: vivía y v e g e t a b a con facinerosos y b á r b a r o s , y n o
q u e r í a p o r amigo s u y o á n i n g u n o q u e fuese d i g n o d e l i b e r -
t a d , ó que t u v i e r a el m e n o r d e s e o d e ella. No m e a t r e v e r é
y o á c o m p a r a r la v i d a d e e s t e h o m b r e , q u e fué la más
t r i s t e , m í s e r a y d e t e s t a b l e , c o n la v i d a d e P l a t ó n ó d e A r -
chitas, hombres doctos y verdaderamente sabios.
P e r o e n la m i s m a c i u d a d d e Siracusa levantaremos del
p o l v o á u n h o m b r e h u m i l d e q u e floreció m u c h o s a ñ o s d e s -
184 MARGO T U L I O CICERÓN.

pué[Link]ímedes, cuyo s e p u l c r o , ignorado por los Sira-


eusanbs y rodeado de zarzas y espesos matorrales hasta
el p u n t o d e h a b e r s e p e r d i d o t o d o r a s t r o d e él, descubrí
y o s i e n d o c u e s t o r d e S i r a c u s a . Yo t e n í a c i e r t o s v e r s o s se-
narios, c o p i a d e o t r o s q u e h a b í a n s i d o i n s c r i p t o s e n su
monumento, los cuales d e c l a r a b a n q u e había en su s e -
p u l c r o una esfera con u n cilindro. D e s p u é s d e h a b e r r e -
c o r r i d o t o d o s los i n n u m e r a b l e s sepulcros que hay cerca
d e la p u e r t a d e A g r i g e n t o , vi u n a p e q u e ñ a c o l u m n a q u e n o
s e l e v a n t a b a m u c h o d e l o s m a t o r r a l e s , e n la c u a l estaba
¡a figura d e la e s f e r a y d e l c i l i n d r o . Y o dije e n t o n c e s á
los principales Siracusanos que estaban c o n m i g o , que creía
h a b e r e n c o n t r a d o lo q u e t a n t o b u s c a b a . Comenzaron m u -
c h o s c o n h o c e s á a b r i r el c a m i n o h a s t a d e s c u b r i r el s e p u l -
- e r o . De e s t e m o d o p u d i m o s p e n e t r a r h a s i a el o t r o l a d o d e
la b a s e . A p a r e c i ó un e p i g r a m a , medio borradas las últi-
m a s p a l a b r a s d e l o s v e r s o s . De e s t a m a n e r a u n a c i u d a d d e
las más ilustres de Grecia, y en otro tiempo la más d o c t a ,
h u b i e r a i g n o r a d o el m o n u m e n t o s e p u l c r a l d e u n c i u d a d a n o
s u y o tan i l u s t r e , si n o lo h u b i e s e a p r e n d i d o d e u n h o m b r e
de Arpiño. Pero volvamos nuestro discurso al p u n t o de
d o n d e s e h a a p a r t a d o . ¿Qué h o m b r e h a y q u e t e n g a algún
t r a t o y c o m e r c i o c o n l a s m u s a s , e s t o e s , c o n la h u m a n i d a d
y c o n la d o c t r i n a , y n o p r e f i e r a s e r m á s b i e n e s t e mate-
mático que a q u e l t i r a n o ? Si a t e n d e m o s al m é t o d o d e v i d a
y á l a s a c c i o n e s d e c a d a c u a l , v e r e m o s q u e la m e n t e del
u n o s e a l i m e n t a b a c o n la i n d a g a c i ó n d e la v e r d a d , que es
s u a v í s i m o p a s t o d e l a l m a , al p a s o q u e la d e l o t r o no te-
n í a m á s o c u p a c i ó n q u e la m u e r t e y la i n j u r i a , y estaba
agitado por un c o n t i n u o m i e d o d e n o c h e y d e d í a . Com-
paradle con Demócrito, con Pitágoras, con Anaxágoras.
¿Qué r e i n o s , q u é r i q u e z a s p o d é i s a n t e p o n e r á s u s e s t u d i o s
y d e l e i t e s ? Yo c r e o q u e el b i e n m a y o r del h o m b r e debe
b u s c a r s e e n a q u e l l a p a r t e q u e e s m á s e x c e l e n t e e n é l . ¿Y
.qué h a y e n el h o m b r e m e j o r q u e el e n t e n d i m i e n t o s a g a z y
CUESTIONES TUSCULANAS. 185

firme? De tal b i e n d e b e m o s g o z a r , si q u e r e m o s s e r f e l i c e s .
E s así q u e el b i e n m a y o r d e l a l m a e s la v i r t u d ; luego es
n e c e s a r i o q u e e n la v i r t u d c o n s i s t a la v i d a feliz. Por eso
t o d o lo q u e e s h o n r a d o , g l o r i o s o y e x c e l e n t e v i e n e lle-
no de goces, como antes d i j e y lo e x p l a n a r é t o d a v í a m á s .
Y s i e n d o c l a r o y e v i d e n t e q u e la v i d a feliz s e c o m p o n e de
g o c e s c o n t i n u o s y p l e n o s , s i g ú e s e q u e c o n s i s t e e n la ho-
n e s t i d a d . P e r o para q u e no los r e d u z c a m o s todo á una
cuestión de palabras, h e m o s de poner ciertos móviles y
r a z o n e s q u e n o s g u í e n al c o n o c i m i m i e n t o é i n t e l i g e n c i a d e
esta v e r d a d . I m a g i n e m o s un varón e x c e l e n t e en t o d a s las
a r t e s del espíritu; s u p o n g á m o s l e , a n t e t o d o , d o t a d o de ex-
celente ingenio, p o r q u e la v i r t u d n o s u e l e a l b e r g a r s e en
los entendimientos tardíos. Concedámosle, a d e m á s , u n a r -
d o r i n c r e í b l e p o r la i n v e s t i g a c i ó n d e la v e r d a d , de donde
n a c e u n t r i p l e fruto d e l a l m a : c o n s i s t e el u n o e n e l c o n o -
c i m i e n t o d e l a s c a u s a s y e n la e x p l i c a c i ó n d e la n a t u r a l e z a ;
•el o t r o e n h u i r d e l a s c o s a s , ó e n a p e t e c e r l a s ; el tercero
e n j u z g a r d e la c o n v e n i e n c i a , ó d e la r e p u g n a n c i a . En e s t o
c o n s i s t e t o d a la s u t i l e z a d e l d i s c u r r i r y t o d a l a v e r d a d d e l
j u i c i o . Y ¡ q u é g o c e l l e n a r á el a l m a d e l s a b i o q u e h a b i t e y
p e r n o c t e con tales cuidados, c u a n d o c o n s i d e r e el movi-
m i e n t o y revolución del m u n d o , y las i n n u m e r a b l e s e s t r e -
l a s d e l c i e l o , fijas e n s u s m a n s i o n e s d e t e r m i n a d a s , y v e a á
los siete p l a n e t a s cumplir su c u r s o , sujetos á una ley c o n s -
t a n t e y firme! La c o n t e m p l a c i ó n d e e l l o s m o v i ó á los sa-
b i o s a n t i g u o s á m á s alta i n v e s t i g a c i ó n . De a q u í n a c i ó la
indagación de los principios de las c o s a s y de las semillas
de d o n d e habían nacido, y c ó m o habían sido e n g e n d r a d a s ,
y cuál e r a el origen de cada u n a de las especies anima-
das ó inanimadas, mudas ó con voz, y cuál era su vida
y cuál su m u e r t e , y cuáles las vicisitudes y mutaciones de
u n a e s p e c i e e n o t r a , y c u á l el o r i g e n d e la t i e r r a , y qué
p e s o e l q u e la s o s t i e n e , y q u é c a v e r n a s e q u i l i b r a n el m a r ,
y d e q u é m a n e r a t o d a s las c o s a s c r e a d a s b u s c a n , p o r la
186 MARCO T U L 1 0 CICERÓN.

l e y d e la g r a v e d a d , el c e n t r o d e l m u n d o . D e s p u é s q u e los:
s a b i o s h u b i e r o n p a s a d o m u c h a s n o c h e s y m u c h o s d í a s e n tal
p e n s a m i e n t o , n a c i ó , d i c t a d o p o r el o r á c u l o d e D e l f o s , a q u e l
o t r o p r e c e p t o d e c o n o c e r s e el e n t e n d i m i e n t o á sí m i s m o ,
y r e c o n o c e r s e c o m o e n l a z a d o c o n el e n t e n d i m i e n t o d i v i n o .
Y d e a q u í i n s a c i a b l e g o z o . El m i s m o p e n s a m i e n t o s o b r e la
naturaleza y poder de los dioses encendió el d e s e o de
i m i t a r su e t e r n i d a d , y n o m e p a r e c e tan b r e v e la vida
cuando la v e o o c u p a d a en i n v e s t i g a r l o s p r i n c i p i o s d e l a s
cosas y enlazarlos e n t r e sí. Pues a u n q u e sea e t e r n o y c o n -
t i n u o s u m o v i m i e n t o , e s e t e r n a la fuerza m o d e r a d o r a d e l a
r a z ó n . El á n i m o q u e t o d a s e s t a s c o s a s v e a y c o n s i d e r e c o n
tranquilidad, mirará las cosas h u m a n a s c o m o pequeñas é
i n f e r i o r e s . D B a q u í n a c i ó el c o n o c i m i e n t o d e la v i r t u d : p o r
e s o f l o r e c i e r o n las v i r t u d e s t o d a s , y s e e n t e n d i ó c u á l e s e n
l a n a t u r a l e z a el b i e n s u m o , c u á l e s el m a l e x t r e m o , y á
q u é p r i n c i p i o s e h a n d e r e f e r i r las o b l i g a c i o n e s humanas,
y c u á l e s el m o d o m á s d i g n o d e e j e r c i t a r la v i d a . Con c u y a
a v e r i g u a c i ó n l ó g r a s e el m a y o r bj,en q u e en esta disputa
b u s c a m o s , e s á s a b e r , q u e la v i t u d s e contente consigo-
m i s m a p a r a la v i d a d i c h o s a .
Á estos dos géneros de filosofía natural y moral se
a g r e g a o t r o t e r c e r o , el c u a l s e d i f u n d e y e x t i e n d e p o r t o -
d a s l a s p a r t e s d e la s a b i d u r í a , y consiste en definir las
c o s a s , y d i s t i n g u i r el g é n e r o , y a ñ a d i r las c o n s e c u e n c i a s ,
y s a c a r las conclusiones, y distinguir lo v e r d a d e r o de
o falso: c i e n c i a , e n v e r d a d , m u y útil p a r a la r e c t a esti-
m a c i ó n d e las c o s a s . Eso mismo a g r a n d a y ennoblece
os deleites y les h a c e m á s d i g n o s del s a b i o . P e r o todas
e s t a s c o s a s s o n c o m p a t i b l e s c o n el r e t i r o y a u n c o n la
o c i o s i d a d . I m a g i n e m o s q u e e s t e s a b i o p a s a al g o b i e r n o d e
la r e p ú b l i c a : ¿ q u i é n p o d r á haber más excelente q u e él,,
p u e s c o n la p r u d e n c i a p o d r á c o n o c e r l o q u e es más útil
p a r a s u s c o n c i u d a d a n o s , y c o n la j u s t i c i a s e g u a r d a r á m u -
c h o d e c o m e t e r n i n g u n a i n i q u i d a d en p r o v e c h o p r o p i o , y
CUESTIONES TUSCULANAS. 187

p o n d r á , a d e m á s , en práctica todas las otras tan n u m e r o s a s


v i r t u d e s ? A ñ a d e á e s t o el fruto grande d e la a m i s t a d , e n
la cual hace consistir el s a b i o n o s ó l o la p r u d e n c i a y
r é g i m e n d i s c r e t o d e t o d a la v i d a s i n o u n a g r a d o extraor-
dinario que nace d e l t r a t o c o t i d i a n o . ¿Qué c o s a puede
d e s e a r la v i d a p a r a s e r m á s feliz? La m i s m a f o r t u n a e s p r e -
ciso q u e se r e c o n o z c a v e n c i d a a n t e tantos y tan excelen-
t e s b i e n e s . Y si e n g o z a r d e t a l e s v i r t u d e s c o n s i s t e la fe-
licidad, y todos los sabios a b u n d a n en estos g o c e s , n e c e s a -
rio es confesar q u e todos los sabios son felicísimos.
O Y E N T E . — ¿ A u n e n el t o r m e n t o ?
M A R C O . — Y ¿ c r e e s q u e c u a n d o yo h a b l a b a d e la f e l i c i d a d ,
quise decir que sólo podía g o z a r s e e n t r e las rosas ó e n t r e
l a s v i o l e t a s ? ¿Le s e r á l í c i t o á E p i c u r o , q u e a l g u n a v e z t o m a
la m á s c a r a d e filósofo y s e a p r o p i a tal n o m b r e , q u i z á con
p a l a b r a s m u y d i g n a s d e a p l a u s o , e n m i c o n c e p t o , si no
f u e r a él q u i e n l a s d i j e s e , q u e n o h a y p a r a el s a b i o tiempo
a l g u n o ( a u n q u e él s e a a b r a s a d o , a t o r m e n t a d o y d e s c u a r t i -
z a d o ) e n q u e n o p u e d a e x c l a m a r : « t o d o e s t o n o lo estimo
e n n a d a ? » Si b i e n e s v e r d a d q u e el m i s m o E p i c u r o hace
c o n s i s t i r t o d o m a l e n e l d o l o r , y t o d o b i e n e n el deleite,
y s e b u r l a d e la d i f e r e n c i a q u e n o s o t r o s e s t a b l e c e m o s en-
t r e lo h o n e s t o y lo t o r p e . Él d i c e q u e n o s o t r o s , o c u p a d o s
con las p a l a b r a s , proferimos solo vanos s o n i d o s , y q u e en
realidad nada p u e d e afectar á nadie m á s que los objetos
b l a n d o s ó á s p e r o s q u e s e a c e r c a n á s u c u e r p o . ¿Le será
l í c i t o á u n filósofo q u e n o difiere m u c h o e n s u j u i c i o del
d e las b e s t i a s , o c u p a r s e h a s t a tal p u n t o e n s u p a r e c e r y
d e s p r e c i a r la f o r t u n a , s i e n d o así q u e p a r a él t o d o b i e n y
t o d o m a l e s t á s u j e t o á e l l a , y d e c i r q u e el s a b i o es feliz
aun en medio del t o r m e n t o , c u a n d o antes ha afirmado q u e
el d o l o r e s n o s ó l o el s u m o m a l , s i n o t a m b i é n el mal
único?

Y sin e m b a r g o n o h a j u n t a d o p a r a r e s i s t i r al d o l o r a q u e l
r e m e d i o q u e o t r o s filósofos i n q u i r í a n , e s d e c i r , la firmeza
488 MARCO TULIO CICERÓN.

d e a l m a , el t e m o r d e t o d a a f r e n t a , el e j e r c i c i o y la cos-
t u m b r e d e s u f r i r l o s p r e c e p t o s d e la f o r t a l e z a , la dureza
v i r i l , s i n o q u e d i c e q u e él s e a q u i e t a c o n el s o l o r e c u e r d o
d e l o s d e l e i t e s p a s a d o s , c o m o si a l g u n o , encontrándose
a b r a s a d o y n o p u d i e n d o r e s i s t i r la fuerza d e l c a l o r , s e a c o r -
dara de que alguna vez se había visto r o d e a d o de a g u a e n
n u e s t r o A r p i ñ o . Yo n o c o m p r e n d o d e q u é m a n e r a e l de-
l e i t e p a s a d o p u e d e s o s e g a r el m a l p r e s e n t e .
Y s i el m i s m o E p i c u r o d i c e q u e el s a b i o s i e m p r e e s feliz,
a u n q u e tal a f i r m a c i ó n sea contraria de todo en todo al
resto de sus opiniones, ¿qué h e m o s de hacer con aquellos
que nada juzgan apetecible, ni digno de ponerse en
e l n ú m e r o d e l o s b i e n e s , s i n o la h o n e s t i d a d ? En m i c o n -
c e p t o , a u n los P e r i p a t é t i c o s y los a n t i g u o s Académicos
dejan alguna vez de balbucir, y abiertamente y con clara
v o z s e a t r e v e n á a s e g u r a r q u e la v i d a d i c h o s a p u e d e des-
c e n d e r h a s t a el t o r o d e F a l a r i s .
Admitamos que son tres los g é n e r o s de bienes, para no
d e t e n e r n o s m á s en las sutilezas d e los E s t o i c o s , de las c u a -
l e s c o n f i e s o h a b e r u s a d o m á s d e lo q u e a c o s t u m b r o . S e a n
t r e s los g é n e r o s d e b i e n e s , con tal que los bienes c o r p o r a -
l e s y e x t e r n o s s e a n t e n i d o s p o r í n f i m o s , y s ó l o p u e d a n lla-
m a r s e bienes en cuanto son dignos de preferirse á los
males c o n t r a r i o s . Solamente los otros bienes, q u e p o d e m o s
llamar divinos, son los que ampliamente se dilatan hasta
t o c a r el c i e l o ; y á q u i e n h a y a l l e g a d o á t o c a r l e ¿ p o r q u é n o
l e l l a m a r e m o s , n o s ó l o feliz, s i n o t a m b i é n felicísimo? E s t a
e s la m a y o r d e f e n s a q u e p u e d e e n c o n t r a r n u e s t r a d o c t r i n a .
C o n t r a la m u e r t e p r o p i a y la d e las p e r s o n a s q u e r i d a s , y
c o n t r a el d o l o r y l a s d e m á s p e r t u r b a i i o n e s d e l a l m a , b a s -
tante nos h e m o s a r m a d o y prevenido en los r a z o n a m i e n t o s
d e l o s d í a s p a s a d o s . P e r o el d o l o r p a r e c e s e r e l m á s a c é -
r r i m o a d v e r s a r i o d e la v i r t u d , y l a n z a c o n t r a n o s o t r o s a n -
t o r c h a s e n c e n d i d a s q u e a m e n a z a n d e b i l i t a r la f o r t a l e z a , la
m a g n a n i m i d a d y la p r u d e n c i a . ¿ S u c u m b i r á a n t e él la v i r t u d ?
CUESTIONES TUSCULANAS. 189

¿ c e d e r á á él la v i d a d e l v a r ó n s a b i o y c o n s t a n t e ? ¡Cuan
t o r p e cosa s e r í a , oh d i o s e s inmortales! Los n i ñ o s e s p a r t a -
n o s n o g i m e n a ú n e n t r e el d o l o r d e l o s a z o t e s . V e m o s e n
Lacedemonia á escuadrones enteros de adolescentes pe-
lear con increíble valor, con los p u ñ o s , con los p i e s ,
c o n las u ñ a s y c o n l o s d i e n t e s , y q u e d a r e x á n i m e s antes
q u e c o n f e s a r s e v e n c i d o s . ¿Qué p a í s h a y m á s v a s t o ni m á s
a g r e s t e q u e la b á r b a r a India? Y sin e m b a r g o , e n t r e a q u e -
llas g e n t e s l o s q u e s o n t e n i d o s p o r s a b i o s p a s a n la v i d a
d e s n u d o s y s u f r e n sin d o l o r l a s n i e v e s d e l C á u c a s o y el
r i g o r d e l i n v i e r n o , y c u a n d o s o a c e r c a n á la l l a m a , s e d e j a n
a b r a s a r sin d o l o r . Y las m u j e r e s e n la I n d i a , c u a n d o m u e r e
el m a r i d o d e c u a l q u i e r a d e e l l a s , s e s o m e t e n á u n a e s p e c i e
de c e r t a m e n ó de juicio, para que se declare á cuál de ellas
amaba más el difunto. P o r q u e cada cual de ellos suele
t e n e r m u c h a s e s p o s a s . Y Ja q u e e s v e n c e d o r a , s e g u i d a p o r
l o s s u y o s , s u b e á la h o g u e r a d e s u m a r i d o y s e d e j a q u e -
m a r c o n é l , al p a s o q u e la q u e e s v e n c i d a s e r e t i r a t r i s t e .
N u n c a la c o s t u m b r e l o g r a r í a v e n c e r á la n a t u r a l e z a , ya q u e
é s t a e s p o r sí m i s m a i n v i c t a . P e r o n o s o t r o s g a s t a m o s el
a l m a e n el d e l e i t e , e n la o c i o s i d a d , e n la l a n g u i d e z , e n l a
d e s i d i a , y c o n falsas o p i n i o n e s y m a l a s c o s t u m b r e s e n e r -
v a m o s el v i g o r d e l e s p í r i t u . ¿Quién i g n o r a la c o s t u m b r e d e
los Egipcios, los c u a l e s , i m b u i d o s en los e r r o r e s d e la m á s
crasa idolatría, a n t e s sufrirían mil v e c e s la m u e r t e q u e
profanar un ibis, un áspid, u n gato, un p e r r o , ó un co-
c o d r i l o , d e tal m o d o q u e si i m p r u d e n t e m e n t e s e l l e g a n á
é l , n o r e h u y e n l u e g o el sufrir n i n g u n a p e n a ? A h o r a hablo
s ó l o d e l o s h o m b r e s . P e r o ¿ q u é d i r á s d e las b e s t i a s , q u e
s u f r e n c o n tal c o n s t a n c i a e l frío, el h a m b r e y l a continua
c a r r e r a por m o n t e s y selvas? Y en defensa de s u s hijuelos,
¿no lo r e s i s t e n l o d o , s u f r i e n d o h e r i d a s , sin t e m e r í m p e t u ni
a t a q u e a l g u n o ? P a s o e n s i l e n c i o lo m u c h o q u e s u f r e n los
h o m b r e s a m b i c i o s o s p o r l o s h o n o r e s y la c o d i c i a d e g l o r i a ,
ó i n f l a m a d o s p o r el a m o r , ó f u r i o s o s c o n el a p e t i t o . La v i d a
490 MARCO TULIO CICERÓN.

h u m a n a está llena de estos ejemplos. Pero volvamos n u e s -


t r o d i s c u r s o al p u n t o d e d o n d e n o s h e m o s a l e j a d o . La v i d a
feliz s e s u j e t a r á g u s t o s a á los t o r m e n t o s ; y q u i e n h a y a c u l -
t i v a d o la j u s t i c i a , la t e m p l a n z a y s o b r e t o d o la m a g n a n i m i -
d a d y la c o n s t a n c i a , n o t e m b l a r á d e l a n t e del v e r d u g o , y
s i n n i n g ú n t e r r o r d e a l m a m a n d a r á l a s v i r t u d e s al s u p l i c i o ,
y s e q u e d a r á fuera d e la p u e r t a y a n t e l o s u m b r a l e s d e la
c á r c e l . ¿Qué c o s a h a b r á m á s fea y m á s d e f o r m e q u e la v i d a
feliz, si l a s e p a r a m o s d e l h e r m o s í s i m o c e r t a m e n d e l a s v i r -
tudes? Aunque en realidad, esto no es posible, p o r q u e ni
l a s v i r t u d e s p u e d e n e x i s t i r sin la v i d a feliz, n i é s t a sin las
v i r t u d e s . Así n o l a s c o n s e n t i r á r e t i r a r s e , y l a s l l e v a r á c o n -
s i g o p a r a s u f r i r c o n ella c u a l q u i e r a d o l o r y t o r m e n t o . Es
cosa propia del sabio no h a c e r nada de que pueda a r r e -
p e n t i r s e ; n o h a c e r n a d a c o n t r a su v o l u n t a d ; e j e c u t a r l o t o d o
con constancia, gravedad y honestidad; n o c o n f i a r en l o
f u t u r o ; n o a d m i r a r s e d e n a d a c u a n d o a c a e z c a , ni t e n e r l o
por inopinado y n u e v o ; referirlo todo á su arbitrio y v o -
l u n t a d p r o p i a , y no s o m e t e r s e á o t r o s juicios q u e los s u -
yos: yo n o c o n o z c o o t r o e s t a d o q u e p u e d a s e r m á s d i c h o s o .
F á c i l e s la c o n c l u s i ó n d e l o s E s t o i c o s , l o s c u a l e s , c o m o
p i e n s a n q u e el s u m o b i e n e s t á en v i v i r c o n f o r m e á la n a -
turaleza, y que ésta dependo d e la v o l u n t a d deLsabio,
c r e e n n e c e s a r i o q u e la v i d a feliz d e p e n d a d e a q u e l m i s m o
e n c u y o p o d e r e s t á el s u m o b i e n , y p o r e s o la v i d a d e l
sabio m e r e c e siempre para e l l o s el n o m b r e d e d i c h o s a .
Esto e s lo m á s n o b l e q u e en mi c o n c e p t o puede decirse
a c e r c a d e la v i d a feliz, y si t ú no t i e n e s o t r a c o s a m e j o r q u e
i n d i c a r m e , la t e n g o t a m b i é n p o r la o p i n i ó n m á s v e r d a d e r a .
OYKNTE.—Cosa mejor no puedo decir ciertamente; p e r o
q u i s i e r a p r e g u n t a r t e , si n o t e p a r e c e m o l e s t o , y a q u e n o
te detienen los vínculos de ninguna escuela señalada, sino
q u e v a s t o m a n d o d e t o d a s lo q u e te p a r e c e q u e t i e n e m á s
a p a r i e n c i a d e v e r d a d : ¿por q u é a n t e s e x h o r t a b a s á l o s P e -
ripatéticos y á los Académicos á decir claramente y sin
CUESTIONES TUSCULANAS. 191

arribajes q u e el s a b i o e r a felicísimo? Q u i s i e r a s a b e r d e q u é
manera pones de acuerdo esta d o c t r i n a con las d e m á s de
ellos. P o r q u e tú has hablado m u c h o c o n t r a e s e parecer,
siguiendo las r a z o n e s d e los E s t o i c o s .
M A R C O . — U s e m o s , p u e s , d e la l i b e r t a d q u e n o s o t r o s s o l o s
p o d e m o s u s a r e n la fi osofía, p u e s t o q u e el m é t o d o que
seguimos nada juzga p o r sí m i s m o , s i n o q u e e x a m i n a i m -
parcialmente las r a z o n e s que hay por una y otra parte sin
a t e n d e r á l a s a u t o r i d a d e s . Y c o m o m e p a r e c e q u e lo q u e
d e s e a s es dejar bien demostrado que cualquiera que sea
la opinión q u e s i g a m o s e n t r e las m u c h a s de los filósofos
a c e r c a d e l s u m o b i e n , h a y s i e m p r e e n la v i r t u d recursos
b a s t a n t e s p a r a la v i d a feliz, lo cual t a m b i é n solía d i s p u t a r
C a r n e a d e s , si b i e n é s t e h a b í a h a b l a d o s i e m p r e p o r aver-
sión á los Estoicos, á q u i e n e s a c é r r i m a m e n t e c o m b a t í a , y
contra cuya doctrina se había levantado su ingenio, n o s -
o t r o s lo v o l v e r e m o s á h a c e r , c o n p a z s u y a . Si l o s E s t o i c o s
h u b i e r a n a c e r t a d o e n la c u e s t i ó n d e l s u m o b i e n , n a d a h a -
b r í a q u e a ñ a d i r , y forzosa y n e c e s a r i a m e n t e confesaríamos
q u e el s a b i o e s s i e m p r e feliz; pero b u s q u e m o s en cada
u n o d e l o s r e s t a n t e s s i s t e m a s (á s e r p o s i b l e ) si e s t a g e n e -
rosa o p i n i ó n a c e r c a d e la v i d a feliz p u e d e p o n e r s e de
a c u e r d o con t o d a s las d e m á s c o n t r a r i a s o p i n i o n e s y d i s c i -
plinas.

y' Los pareceres que c o n o z c o acerca del s u m o bien p u e -


d e n r e d u c i r s e á l o s s i g u i e n t e s . Hay e n p r i m e r l u g a r c u a t r o
o p i n i o n e s q u e l l a m a r é s e n c i l l a s : la p r i m e r a , q u e n a d a h a y
b u e n o s i n o lo h o n e s t o , c o m o d i c e n los E s t o i c o s ; la s e g u n -
d a , q u e n a d a e s b u e n o s i n o el d e l e i t e , c o m o d i c e E p i c u r o ;
l a t e r c e r a , q u e n a d a e s b u e n o s i n o la c a r e n c i a d e d o l o r ,
como dice Jerónimo; la c u a r t a , q u e n a d a e s b u e n o s i n o
g o z a r d e l o s p r i m e r o s b i e n e s d e la n a t u r a l e z a , ya s e a d e
t o d o s , y a d e la m a y o r p a r t e , como defiende Carneades
c o n t r a el p a r e c e r d e l o s E s t o i c o s . E s t a s s o n las opiniones
que podemos llamar simples; hay otras que llamaremos
192 MARCO TULIO CICERÓN.

c o m p u e s t a s y m i x t a s . Tres g é n e r o s h a y de b i e n e s : los p r i -
m e r o s d e alma; los s e g u n d o s de c u e r p o ; los t e r c e r o s e x -
t e r n o s , s e g ú n el p a r e c e r d e l o s P e r i p a t é t i c o s , del c u a l n o
s e a p a r t a m u c h o el d e l o s A c a d é m i c o s a n t i g u o s . D i n o m a -
.cho y Califón j u n t a r o n el d e l e i t e c o n la h o n e s t i d a d . D i o -
d o r o , e l p e r i p a t é t i c o , a ñ a d i ó la i n d o l e n c i a á la h o n e s t i d a d .
Estos son los p a r e c e r e s q u e c o n s e r v a n alguna estabilidad,
p o r q u e l o s d e A r i s t ó n , P i r r ó n y Herillo f á c i l m e n t e se han
desvanecido.
Omitiendo á los Estoicos, cuyas sentencias me parece'
h a b e r defendido b a s t a n t e , e x a m i n e m o s las opiniones r e s -
t a n t e s . T a m b i é n h e e x p l i c a d o ya la d e l o s Peripatéticos,
e x c e p t u a d a la d e T e o f r a s t o y a l g u n o s d i s c í p u l o s s u y o s , l o s .
cuales débil y mujerilmente t e m e n y r e h u y e n el dolor..
A l o s d e m á s l í c i t o l e s e s h a c e r lo q u e la m a y o r p a r t e d e
l a s v e c e s h a c e n , e s t o e s , e n s a l z a r la g r a v e d a d , d i g n i d a d y
v i r t u d , y d e s p u é s d e h a b e r l a levantado á los cielos, c o m o
suelen h a c e r los h o m b r e s elocuentes, despreciarla en
c o m p a r a c i ó n con todas las d e m á s c o s a s . Y n o e s lícito á
aquellos que declaran a p e t e c i b l e la g l o r í a , a u n q u e vaya
m e z c l a d a con e l d o l o r , n e g a r q u e s o n felices l o s q u e la
c o n s i g u e n . P u e s a u n q u e p a d e z c a n algún m a l , sin e m b a r g o
e s t e n o m b r e de felicidad se e x t i e n d e l a r g a m e n t e . •
Así c o m o el c o m e r c i o s e l l a m a l u c r a t i v o y la o r a c i ó n
fructuosa, aunque el u n o n o c a r e z c a siempre de todo
d a ñ o y la o t r a e s t é . s u j e t a á tanta calamidad, porque en
g r a n p a r t e la felicidad d e la v i d a c o n s i s t e e n e l l o s ; a s í
l a v i d a p u e d e c o n r a z ó n l l a m a r s e feliz, a u n q u e n o s i e m p r e
e s t é l l e n a d e b i e n e s , c o n tal q u e l o s b i e n e s e x c e d a n e n
p a r t e m u y c o n s i d e r a b l e á l o s m a l e s . S e g ú n la o p i n i ó n d e
é s t o s , la v i r t u d a c o m p a ñ a r á á la v i d a feliz h a s t a el s e p u l c r o
mismo, y descenderá c o n ella al T o r o d e F a l a r i s . Así l o
afirman Aristóteles, Xenócrates, Speusippo, Polemón, y
n o se a p a r t a r á n d e tal c a m i n o p o r h a l a g o ni c a r i c i a a l g u n a .
L o m i s m o p i e n s a n Califón y D i o d o r o , l o s c u a l e s estiman
CUESTIONES TUSCULANAS. 195

t a n t o la h o n e s t i d a d , q u e c r e e n q u e d e b e n p o s p o n e r s e y d e -
j a r s e á un lado todas las cosas q u e no participan de ella.
Los d e m á s filósofos, a u n q u e tropiezan en más dificultades,
p r o c u r a n v e n c e r l a s . Así l o s m i s m o s E p i c ú r e o s , y J e r ó n i m o
y algunos otros han t o m a d o á s u c a r g o d e f e n d e r al e l o -
c u e n t e é i n g e n i o s o C a r n e a d e s . No h a y n a d i e q u e n o e s t i m e
q u e el a l m a e s el ú n i c o j u e z d e l o s b i e n e s y q u e él p u e d e
d e s p r e c i a r l a s q u e el v u l g o t i e n e p o r c o s a s b u e n a s ó m a -
l a s . La o p i n i ó n q u e á tí t e p a r e c e d e E p i c u r o e s la m i s m a
de Jerónimo y Carneades y de todos los r e s t a n t e s .
¿Quién e s t á p o c o p r e p a r a d o c o n t r a la m u e r t e y el d o l o r ?
E m p e c e m o s por aquel á quien malamente llamamos muelle
y v o l u p t u o s o . ¿Te p a r e c e q u e t e m e la m u e r t e ó el d o l o r el
h o m b r e q u e l l a m a feliz al día e n q u e m u e r e , y q u e afligido
p o r g r a n d e s d o l o r e s l o g r a t r i u n f a r d e t o d o s c o n la m e m o -
r i a y el r e c u e r d o d e s u s a c e i o n e s , y n o d i c e t a l e s s e n t e n -
cias como improvisadas, sino que opina acerca de la
m u e r t e q u e , s e p a r a d a e l a l m a , s e e x t i n g u e c o n e l l a el s e n -
tido, y que ninguna cosa que carece de sentido puede im-
p o r t a r n o s ? Y t a m b i é n t i e n e s o b r e el d o l o r o p i n i o n e s cier-
t a s q u e s e g u i r , p u e s t o q u e s e c o n s u e l a d e la m a g n i t u d d e l
d o l o r c o n s u b r e v e d a d , y d e la l a r g a d u r a c i ó n d e l dolor
con su lenidad. Por ventura, esos filósofos q u e tan altas
p r e t e n s i o n e s m u e s t r a n , ¿tienen mejor defensa q u e Epicuro
c o n t r a esta3 d o s , q u e s o n l a s m a y o r e s c a l a m i d a d e s d e l a
v i d a ? Y p a r a r e s i s t i r á los o t r o s m a l e s , ¿por v e n t u r a E p i -
c u r o y los d e m á s filósofos n o p a r e c e n b a s t a n t e p r e v e n i d o s ?
¿Quién n o t e m e la p o b r e z a ? y s i n e m b a r g o n o e s ningún
filósofo el q u e la t e m e . E s t e m i s m o E p i c u r o ¡con cuan
poca cosa se contentaba! Nadie habla con tanto acierto d e
la frugalidad. Y r e a l m e n t e , un h o m b r e q u e estaba tan lejos
d e t o d a s a q u e l l a s c o s a s q u e t r a e n c o n s i g o la c o d i c i a d e
d i n e r o , c o m o el a m o r , la a m b i c i ó n y p r o d i g a l i d a d conti-
n u a d a , ¿ p a r a q u é h a b í a d e d e s e a r el d i n e r o ni c u i d a r s e d e
él? ¿ P o d r á d e s p r e c i a r l o el S c y t a A n a c a r s i s y n o podrán
TOMO v. 13
194 MARCO TULIO CICERÓN.

nuestros filósofos? Una e p í s t o l a suya hay donde se leen


e s t a s p a l a b r a s : « A n a c a r s i s á H á n n ó n , s a l u d . Mi v e s t i d o e s
u n a m a n t a d e S c y t h i a ; m i l e c h o la t i e r r a ; m i a l i m e n t o l e -
c h e , q u e s o , c a r n e . Guarda esos bienes que tanto te delei-
tan p a r a t u s c i u d a d a n o s ó para los dioses inmortales.»
Casi t o d o s l o s filósofos, á no ser aquellos á q u i e n e s una
n a t u r a l e z a v i c i o s a a p a r t a d e la r e c t a r a z ó n , p u d i e r o n d e c i r
esto mismo sin distinción d e escuelas.
V i e n d o S ó c r a t e s e n u n a fiesta g r a n c a n t i d a d d e o r o y d e
p l a t a , e x c l a m ó : «¡Cuánta c o s a hay q u e no deseo!» Y X e n ó -
crates, habiéndole t r a í d o los e m b a j a d o r e s de Alejandro
cincuenta talentos de oro, mucho dinero para aquellos
t i e m p o s , s o b r e todo e n A t e n a s , llevó á los e m b a j a d o r e s á
c e n a r c o n s i g o á la A c a d e m i a , y l e s dio s ó l o lo m á s i n d i s -
p e n s a b l e , sin n i n g ú n a p a r a t o . P i d i é r o n l e al día s i g u i e n t e
q u e m a n d a s e c o n t a r el d i n e r o , y l e s r e s p o n d i ó : «¿No e n -
t e n d i s t e i s p o r la p o b r e c e n a d e a y e r q u e y o n o necesito
dinero?» P e r o viéndolos muy tristes, aceptó treinta minas,
p a r a q u e n o p a r e c i e s e q u e d e s p r e c i a b a la l i b e r a l i d a d d e l
R e y . Con m á s l i b e r t a d r e s p o n d i ó t o d a v í a D i ó g e n e s el c í n i c o
á A l e j a n d r o , q u e le p r e g u n t a b a si t e n í a n e c e s i d a d d e a l g o .
«No necesito otra cosa, dijo, sino q u e te a p a r t e s un poco
d e l s o l . » Y el m i s m o D i ó g e n e s s o l í a d e c i r q u e él e x c e d í a
e n m u c h o al R e y d e l o s P e r s a s e n f e l i c i d a d ; p o r q u e n o l e
faltaba n a d a , m i e n t r a s q u e el R e y d e l o s P e r s a s n u n c a t e n í a
g a s t a n t e , y q u e él n o d e s e a b a d e l e i t e s , d e l o s c u a l e s n u n c a
p o d r í a s a c i a r s e , al p a s o q u e el R e y j a m á s p o d r í a c o n s e g u i r
Jlo.s q u e él d i s f r u t a b a .
/ Ya c o n o c e s a q u e l l a d i v i s i ó n q u e E p i c u r o h a c e d e l a s p a -
c i o n e s ; división no m u y sutil, pero de alguna utilidad
p r á c t i c a . Dijo, p u e s , q u e u n a s e r a n n a t u r a l e s y n e c e s a r i a s ;
q u e o t r a s e r a n n a t u r a l e s y n o n e c e s a r i a s , y a l g u n a s ni n e -
c e s a r i a s ni n a t u r a l e s . Q u e l a s n a t u r a l e s p o d í a n saciarse
c a s i c o n n a d a , p o r q u e fácil e r a d e o b t e n e r el t e s o r o d e l a
n a t u r a l e z a . En c u a n t o al s e g u n d o género de apetitos, no
CUESTIONES TUSCULANAS. 195

Jos j u z g a b a difíciles d e c o n s e g u i r , p e r o t a m p o c o juzgaba


i n t o l e r a b l e el c a r e c e r d e e l l o s . Y e n c u a n t o á l o s t e r c e r o s ,
los d e c l a r a b a totalmente inútiles y vanos, como que no
n a c í a n ni s i q u i e r a d e la n a t u r a l e z a , c u a n t o m á s d e la n e -
c e s i d a d . En e s t e l u g a r d i s p u t a n m u c h o l o s E p i c ú r e o s , p r o -
curando d i s m i n u i r el v a l o r del d e l e i t e , q u e e n g e n e r a l n o
desprecian, y cuya abundancia buscan. Porque aun los
mismos d e l e i t e s o b s c e n o s , d e los c u a l e s d e m a s i a d a m e n t e
h a b l a n , d i c e n q u e s o n fáciles, c o m u n e s y m u y a s e q u i b l e s ,
y si la n a t u r a l e z a l o s p i d e , c r e e n e l l o s q u e n o d e b e n r e g u -
l a r s e p o r el g é n e r o , ó p o r el l u g a r , ó p o r el o r d e n , sino
p o r la f o r m a , la e d a d y la figura; y añaden que no sería
difícil a b s t e n e r s e d e ellos si lo p i d i e s e n la e n f e r m e d a d , ó
el d e b e r , ó la b u e n a fama, y que de todas maneras este
g é n e r o d e p l a c e r e s s e r í a a p e t e c i b l e si n o s i r v i e s e d e e s -
torbo ó inconveniente, pero que aprovechar, no aprovecha
nunca.
Y sin e m b a r g o , Epicuro e n s e ñ ó , acerca del placer, que
t o d o d e l e i t e , p o r el m e r o h e c h o d e s e r l o , d e b e s e r b u s c a d o
y a p e t e c i d o , y q u e p o r la m i s m a r a z ó n d e b e h u i r s e todo
d o l o r , s o l o en c u a n t o e s d o l o r : y q u e solo d e una m a n e r a
p o d r í a el s a b i o o b t e n e r compensación, es decir, huyendo
el p l a c e r , si le h a b í a d e t r a e r m a y o r d o l o r , ó r e s i g n á n d o s e
al d o l o r , si le h a b í a d e p r o d u c i r m a y o r p l a c e r . Y e n s e ñ ó
también E p i c u r o q u e t o d a s las s e n s a c i o n e s agradables,
aunque se experimenten por los sentidos corporales,
deben, no obstante, r e f e r i r s e al a l m a . De d o n d e s e infiere
q u e el c u e r p o g o z a s ó l o m i e n t r a s s i e n t e el p l a c e r a c t u a l ,
al p a s o q u e e l a l m a s i e n t e el a c t u a l j u n t a m e n t e con el
c u e r p o , y al m i s m o t i e m p o v i s l u m b r a el p l a c e r f u t u r o y n o
d e j a q u e s e b o r r e la h u e l l a d e l p a s a d o . De a q u í s e infiere
q u e e n el s a b i o h a y s i e m p r e u n a c o n t i n u i d a d d e d e l e i t e s ,
enlazados u n o s c o n o t r o s , j u n t á n d o s e á la e s p e r a n z a de
l o s d e l e i t e s f u t u r o s la m e m o r i a d e l o s q u e ya s e h a n g o -
z a d o . E s t a s m i s m a s c o n s i d e r a c i o n e s s e a p l i c a n al p l a c e r
496 MARCO TULIO CICERÓN.

d e l a c o m i d a , e s t i m á n d o s e así e n p o c o l a m a g n i f i c e n c i a d e
l o s c o n v i t e s , p u e s t o q u e la n a t u r a l e z a c o n m u y p o c o s e
contenta.
P e r o ¿ q u i é n n o v e q u e el a g r a d o m a y o r c o n s i s t e e n e l
d e s e o ? C u a n d o D a r í o en s u fuga b e b i ó el a g u a t u r b i a y
m a n c h a d a c o n la s a n g r e d e l o s c a d á v e r e s , dijo q u e n u n c a
había bebido cosa más agradable. Y es que nunca había
b e b i d o con tanta sed; y nunca había comido P t o l o m e o con
t a n t a h a m b r e c o m o c u a n d o , r e c o r r i e n d o el E g i p t o s i n c o m -
pañía, le dieron en una casa un pan s u m a m e n t e g r o s e r o , y
afirmó q u e n a d a le h a b í a p a r e c i d o t a n a g r a d a b l e como
a q u e l p a n . De S ó c r a t e s c u e n t a n , q u e h a b i e n d o p a s e a d o s i n
c e s a r h a s t a la t a r d e , p r e g u n t á n d o l e p o r q u é lo h a c i a , r e s -
p o n d i ó q u e a l i m e n t a b a c o n el p a s e o s u h a m b r e p a r a c e n a r
mejor.
Y ¿qué diremos de las comidas públicas d e los L a c e d e -
m o n i o s ? Comió allí u n a v e z e l t i r a n o D i o n i s i o , y n e g ó h a -
b e r s e d e l e i t a d o c o n a q u e l l a s a l s a n e g r a q u e e r a lo p r i n c i -
p a l d e la c o m i d a . Y díjole el c o c i n e r o : «No e s e x t r a ñ o , p o r -
q u e le faltaba el c o n d i m e n t o . — Y ¿ q u é c o n d i m e n t o e s e s e ?
r e p l i c ó D i o n i s i o . — L a fatiga d e la c a z a , el s u d o r d e la c a -
r r e r a á o r i l l a s d e l E u r o t a s , el h a m b r e , la s e d : d e e s t a ma-
n e r a se confeccionan los manjares de los L a c e d e m o n i o s . »
E s t o s e p u e d e c o n o c e r n o s ó l o en l o s h o m b r e s , s i n o t a m -
b i é n e n l a s b e s t i a s , l a s c u a l e s , así q u e se l e s o f r e c e d e l a n t e
l o q u e e s c o n f o r m e á s u n a t u r a l e z a , s e c o n t e n t a n c o n ello
y n o p i d e n m á s . Hay c i u d a d e s e n t e r a s q u e s e d e l e i t a n c o n
l a p a r s i m o n i a , v . g r . , la L a c e d e m o n i a . Algo m u y seme-
j a n t e á e s t o r e f i e r e d e l o s P e r s a s X e n o p h o n t e ; y si la n a t u -
raleza desea algo m á s dulce y s u a v e , ¡cuántas cosas n o s
o f r e c e n la t i e r r a y l o s á r b o l e s e n a b u n d a n t e c o p i a ! Añade
á e s t o la f o r t u n a q u e s i g u e á e s t a c o n t i n e n c i a e n la c o m i d a .
A ñ a d e lo í n t e g r o y f u e r t e d e la s a l u d . C o m p a r a á l o s que
se n u t r e n de este m o d o con los que están rellenos de m a n -
jares, sudando como bueyes opimos, y entonces entende-
CUESTIONES TUSCULANAS. 197

r a s q u e los q u e m á s b u s c a n el p l a c e r son los q u e m e n o s le


I e n c u e n t r a n ; p o r q u e el d e l e i t e d e la c o m i d a e s t á e n e l d e -
j s e o , y n o e s t á e n la s a c i e d a d .
C u e n t a n q u e T i m o t e o , v a r ó n e s c l a r e c i d o en A t e n a s , y
u n o de los principales d e su ciudad, h a b i e n d o cenado en
c a s a d e P l a t ó n y d e l e i l á d o s e m u c h o en el c o n v i t e , le vio
al día s i g u i e n t e , y l e d i j o : « V u e s t r a s c e n a s , n o s ó l o s o n
a g r a d a b l e s a q u e l d í a , s i n o t a m b i é n al s i g u i e n t e . » Y e s la
v e r d a d , q u e ni s i q u i e r a p o d e m o s h a c e r u s o d e l entendi-
m i e n t o , c u a n d o e s t a m o s l l e n o s d e c o m i d a y d e b e b i d a . Hay
una e x c e l e n t e epístola de Platón á los parientes de Dión,
e n la c u a l l e e m o s e s t a s p a l a b r a s : « C u a n d o l l e g u é á esta
c i u d a d , a q u e l l a v i d a t a n feliz q u e m e p r e p a r a b a n la m e s a
italiana y siracusana no m e agradó de n i n g ú n m o d o : no
m e p a r e c i ó b i e n el h a r t a r m e d o s v e c e s e n u n d í a . y e l n o
p e r n o c t a r n u n c a solo, y las d e m á s cosas q u e a c o m p a ñ a n á
e s t a v i d a , e n la c u a l n a d i e s e h a r á j a m á s s a b i o , ni mucho
m e n o s m o d e r a d o . » Y ¿cómo p u e d e s e r agradable una vida
e n la c u a l falta la p r u d e n c i a y falta la m o d e r a c i ó n ? A s í
s e c o n v e n c e el e r r o r d e a q u e l S a r d a n á p a l o , r e y opulentí-
simo de Siria, el cual m a n d ó g r a b a r estas palabras en s u
b u s t o : « T e n g o lo q u e c o m í y lo q u e d e v o r ó m i a p e t i t o n o
s a c i a d o ; p e r o a u n dejo e n el m u n d o m u c h a s y a g r a d a b l e s
c o s a s q u e n o h e g o z a d o . » Con r a z ó n p r e g u n t a A r i s t ó t e l e s
si e s t a i n s c r i p c i ó n n o e s m á s p r o p i a p a r a el s e p u l c r o d e u n
b u e y , q u e p a r a el d e u n r e y . Dice q u e c o n s e r v a m u e r t o lo
q u e ni a u n c u a n d o v i v o t u v o p o r m á s t i e m p o q u e a q u e l e n
que gozaba de las cosas mismas.
¿Por q u é h a n d e d e s e a r s e , p u e s , las r i q u e z a s , ó e n q u é
s e o p o n e la p o b r e z a á la felicidad? Me d i r á n q u e e s muy
a g r a d a b l e el p o s e e r c u a d r o s y e s t a t u a s , y el d i s f r u t a r d e
l o s j u e g o s y d e l o s r e g o c i j o s . P e r o si h a y a l g u i e n á quien
t a l e s c o s a s d e l e i t e n , ¿no g o z a m u c h o m e j o r d e ellas el
h o m b r e de pequeña fortuna q u e l o s q u e la p o s e e n muy
considerable? En nuestra ciudad hay abundancia de tales
•198 MARCO T U L 1 0 CICERÓN.

o b r a s artísticas á disposición del p ú b l i c o . Las q u e u n p a r -


ticular p u e d e p o s e e r son pocas en comparación, y m u y
raras v e c e s las v e n , c u a n d o visitan sus c a m p o s , y e s o
aquellos pocos que alguna vez se acuerdan ds que las
p o s e e n y d e l sitio d o n d e l a s t i e n e n . Me faltaría el t i e m p o
s i q u i s i e r a d e f e n d e r la c a u s a d e la p o b r e z a . P o r q u e e s c o s a
c l a r a y q u e c a d a día n o s e n s e ñ a la n a t u r a l e z a , c u a n p o c a s
c o s a s y c u a n v i l e s s o n las q u e n e c e s i t a .
Y ¿por v e n t u r a la o s c u r i d a d , ó la h u m i l d a d , ó la o f e n s a
d e l p u e b l o p u e d e n i m p e d i r al s a b i o s e r feliz? Yo c r e o q u e
esa gloria y aura popular, mucho más tienen de molestia
q u e d e p l a c e r . L i v i a n d a d m e p a r e c e la d e n u e s t r o D e m ó s -
t e n e s , el c u a l d e c í a q u e s e a l e g r a b a c o n a q u e l s u s u r r o d e
las m u j e r z u e l a s q u e l l e v a b a n el a g u a , c o m o e s c o s t u m b r e
de los Griegos, y d e c í a n al o í d o d e l o s G r i e g o s : « E s e es
a q u e l D e m ó s t e n e s . » ¡Qué c o s a m á s i n d i g n a d e tan g r a n d e
orador! Pero se conoce q u e , a c o s t u m b r a d o á hablar ante
otros, no tenía mucha c o s t u m b r e d e hablar consigo mis-
m o . Se h a d e e n t e n d e r , p u e s , q u e ni la g l o r i a popular es
a p e t e c i b l e p o r sí m i s m a , ni t e m i b l e la d e s h o n r a . « V i n e á
A t e n a s , d i c e D e m ó c r i t o , y no e n c o n t r ó allí n a d i e q u e m e
c o n o c i e s e . » ¡Varón c o n s t a n t e y g r a v e el q u e s e g l o r í a d e
h a b e r v i v i d o s i n la gloria! ¿Acaso l o s f l a u t i s t a s y los q u e
t o c a n la lira r i g e n s u c a n t o y n ú m e r o p o r el a r b i t r i o d e la
m u l t i t u d , ó p o r el s u y o p r o p i o ? Y u n v a r ó n s a b i o , c u l t i v a -
d o r d e u n a r t e m u c h o m á s e x c e l e n t e , ¿ b u s c a r á n o lo m á s
v e r d a d e r o , s i n o lo q u e m á s a p e t e c e al v u l g o ? ¿Hay c o s a
más necia que juzgar de algún valor, cuando están r e u n i -
d o s , á l@s m i s m o s q u e s e p a r a d o s y d e u n o en u n o l o s j u z -
g a r í a s d i g n o s d e d e s p r e c i o , y los l l a m a r í a s g r o s e r o s y b á r -
b a r o s ? El v e r d a d e r o s a b i o d e s p r e c i a r á n u e s t r a s i n v e n c i o n e s
y l i g e r e z a s , y r e c h a z a r á los h o n o r e s del p u e b l o a u n q u e s e
l o s o f r e z c a n , y n o s o t r o s , p o r el c o n t r a r i o , n o a c e r t a m o s
á despreciarlos a n t e s q u e nos l l e g u e la h o r a de a r r e p e n t i r -
nos de haberlos tenido.
CUESTIONES TUSCULANAS. 199

H a b l a e l físico H e r á c l i t o d e H e r m o d o r o , p r í n c i p e e f e s o ,
y afirma q u e t o d o s l o s E f e s í o s e r a n d i g n o s d e m u e r t e p o r -
q u e al e x p u l s a r d e s u c i u d a d á H e r m o d o r o , h a b í a n dicho:
« N a d i e s o b r e s a l g a e n t r e n o s o t r o s , y si a l g u i e n s o b r e s a l e ,
v a y a s e á vivir e n t r e o t r a g e n t e . » P e r o ¿no h a c e lo m i s m o
todo pueblo? Y ¿hay a l g u n a nación que no h a y a a b o r r e c i d o
la virLud d e q u i e n s o b r e s a l e ? B u s c a n d o el e j e m p l o de los
G r i e g o s m á s b i e n q u e el d e l o s n u e s t r o s , ¿ n o fué e x p u l s a d o
A r í s t i d e s d e s u p a t r i a , sólo p o r q u e era m á s j u s t o d e lo q u e
se a c o s t u m b r a b a ? ¡De c u á n t a s m o l e s t i a s c a r e c e el q u e no
t i e n e r e l a c i ó n a l g u n a con s u p u e b l o , y c u a n dulce es el
ocio literario, entendiendo por literatos á aquellos que nos
d a n á c o n o c e r el c o n j u n t o d e las c o s a s , y la infinitud d e la
n a t u r a l e z a en el m u n d o , el c i e l o , la t i e r r a y el m a r !
D e s p r e c i a d o s , p u e s , los h o n o r e s , d e s p r e c i a d o el d i n e r o ,
¿ q u é c o s a s q u e d a n d i g n a s d e s e r t e m i d a s ? Quizá el d e s t i e -
r r o , q u e a l g u n o s c u e n t a n e n t r e l o s m a y o r e s m a l e s . P e r o si
le j u z g a m o s u n m a l p o r q u e el d e s t e r r a d o s e e n a j e n a la v o -
l u n t a d d e su p u e b l o , ya h e m o s d i c h o a n t e s c u a n despre-
c i a b l e s e a e s t a v o l u n t a d . Y si la m i s e r i a c o n s i s t e e n e s t a r
fuera d e s u p a t r i a , l l e n a e s t á d e i n f e l i c e s la p r o v i n c i a , d e la
c u a l m u y p o c o s v u e l v e n á su p a t r i a . Me d i r é i s q u e l o s d e s -
t e r r a d o s s u f r e n en s u s b i e n e s . Y p r e g u n t o : ¿ c u á n t o s c o n s e -
j o s n o d a la filosofía p a r a t o l e r a r la p o b r e z a ? El d e s t i e r r o
m i s m o , si a t e n d e m o s á la n a t u r a l e z a d e las c o s a s y n o á l a
ignominia del n o m b r e , ¡cuan poco se diferencia de aquella
perpetua peregrinación en l a c u a l c o n s u m i e r o n su v i d a
aquellos nobilísimos filósofos Xenócrates, Crantor, Arce-
silao, Lacydes, Aristóteles, Teofrasto, Zenón, Oleantes,
Crisipo, Antípatro, Carneades, Panecio, Critomaco, Filón,
A n t í o c o , P o s i d o n i o y o t r o s i n n u m e r a b l e s , los c u a l e s n u n c a
volvieron á su patria!
P e r o m e d i r é i s q u e el d e s t i e r r o n u n c a c a r e c e d e i g n o m i -
n i a . ¿Acaso la i g n o m i n i a p u e d e a l c a n z a r al s a b i o ? P o r q u e a l
s a b i o s e r e f i e r e l o d o lo q u e t r a t a m o s , y s u d e s t i e r r o n u n c a
200 MARCO TULIO CICERÓH.

p u e d e s e r j u s t o . En c u a n t o al q u e h a s i d o j u s t a m e n t e d e s -
t e r r a d o , no t o c a á la filosofía la o b r a d e c o n s o l a r l e .
Y, finalmente, e n t o d a c o s a e s t á m u y á la m a n o el r e -
m e d i o p a r a a q u e l q u e lo r e f i e r e t o d o al d e l e i t e y afirma
q u e s e p u e d e v i v i r b i e n e n c u a l q u i e r a p a r t e . Así á t o d a s
las cosas pueden acomodarse aquellas palabras d e Teucro:
«La p a t r i a e s t á d o n d e q u i e r a q u e v i v i m o s b i e n . » Pregun-
t á n d o l e u n o á S ó c r a t e s q u é p a t r i a t e n í a , r e s p o n d i ó q u e el
m u n d o . P o r q u e la d i c h a e s r e a l m e n t e h a b i t a d o r a y c i u d a -
d a n a d e t o d o el u n i v e r s o . ¿Y q u é d i r e m o s d e Tito A l b u c i o ,
el cual e s t a n d o d e s t e r r a d o en Atenas, conspiraba con tanta
t r a n q u i l i d a d y r e s i g n a c i ó n d e á n i m o ? Lo c u a l n o hubiera
podido h a c e r si, viviendo en su república, hubiera o b e d e -
c i d o á las l e y e s d e E p i c u r o . ¿ P o r q u é h u b í a d e s e r m á s
feliz E p i c u r o v i v i e n d o e n s u p a t r i a q u e M e t r o d o r o v i v i e n d o
e n A t e n a s ? ¿.Por v e n t u r a P l a t ó n e r a m á s d i c h o s o q u e X e n ó -
c r a t e s , ó P o l e m ó n m á s q u e A r c e s i l a o ? ¿Y c ó m o h e m o s d e
e s t i m a r u n a c i u d a d d e la c u a l s o n a r r o j a d o s l o s b u e n o s y
los sabios? D e m a r a t o , p a d r e d e n u e s t r o r e y T a r q u i n o , h u y ó
d e s u p a t r i a p o r n o p o d e r sufrir al t i r a n o C i p s e l o , y e s t a -
b l e c i é n d o s e en Corinto, a c r e c e n t ó m u c h o su fortuna y tuvo
h i j o s allí. ¿ H e d i r á s a c a s o q u e hizo m a l e n a n t e p o n e r la
l i b e r t a d d e l d e s t i e r r o á la s e r v i d u m b r e d o m é s t i c a ?
E n c u a n t o á l o s m o v i m i e n t o s d e l a l m a y á las s o l i c i t u d e s
y á l o s c u i d a d o s , m u c h a fuerza t i e n e el o l v i d o p a r a b o r r a r -
l o s . No sin c a u s a s e a t r e v i ó , p u e s , á d e c i r Epicuro q u e el
sabio abundaba siempre en m u c h o s b i e n e s , p o r q u e s i e m -
p r e g o z a b a d e p l a c e r e s ; d e d o n d e s e infiere lo q u e b u s c a -
m o s : q u e el s a b i o e s s i e m p r e f e l i z . — ¿ A u n q u e c a r e z c a d e l
s e n t i d o d e la v i s t a ó d e l o í d o ? — A u n q u e c a r e z c a , porque
d e s p r e c i a los p l a c e r e s d e los s e n t i d o s . Y en p r i m e r l u g a r
e s a m i s m a h o r r i b l e c e g u e r a , ¿de q u é d e l e i t e s e s t á p r i v a d a ?
Muchos disputan que los d e m á s placeres habitan en los
m i s m o s s e n t i d o s , p e r o e n c u a n t o á l o s d e la v i s t a n o l o s
p o n e n e n l o s ojos m i s m o s , d e tal m o d o q u e la sensación
CUESTIONES TUSCULANAS. 201

d e l g u s t o , d e l olfato, d e l t a c t o y d e l o í d o r a d i c a n e n a q u e -
lla p a r t e d o n d e l o s s e n t i m o s , p e r o e n l o s ojos no a c o n t e c e
a s í . El a l m a e s la q u e r e c i b e las i m á g e n e s d e las c o s a s q u e
v e m o s . Y el a l m a p u e d e d e l e i t a r s e d e m u c h o s y v a r i o s
m o d o s , a u n q u e n o d i s f r u t e d e la v i s t a . H a b l o d e l h o m b r e
d o c t o y e r u d i t o , p a r a q u i e n la v i d a c o n s i s t e e n el p e n s a -
m i e n t o . Y el p e n s a m i e n t o d e l s a b i o n o n e c e s i t a l o s o j o s
c o m o i n s t r u m e n t o p a r a la i n v e s t i g a c i ó n . Si la n o c h e n o
q u i t a la felicidad d e la v i d a , ¿por q u é n o s h a d e privar
d e ella u n día s e m e j a n t e á la n o c h e ? El d i c h o d e A n t í p a t r o
Cirenaico es un poco obsceno, pero no a b s u r d o . Se la-
m e n t a b a n a l g u n a s m u j e r e s d e s u c e g u e r a , y les d i j o : «¿Qué
os importa? ¿creéis acaso que no hay ningún placer n o c -
t u r n o ? De Apio el v i e j o s a b e m o s q u e e s t u v o c i e g o muchos
a ñ o s , y s i n e m b a r g o p o r las m a g i s t r a t u r a s q u e d e s e m p e ñ ó
y p o r l a s g r a n d e s h a z a ñ a s q u e llevó á c a b o entendemos
q u e n o faltó á s u s d e b e r e s d e c i u d a d a n o e n n i n g u n a oca-
s i ó n , ni p ú b l i c a ni p r i v a d a . Y s a b e m o s q u e la c a s a d e C a y o
D r u s o e s t a b a s i e m p r e llena d e c o n s u l t o r e s , e s d e c i r , q u e
los q u e no podían ver con claridad su i n t e r é s a c u d í a n á
c o n s u l t a r á u n c i e g o . S i e n d o y o n i ñ o , Cneo Anfldio, q u e ' '
,-líabía s i d o p r e t o r , h a b l a b a c o n f r e c u e n c i a en el S e n a d o , y
n o d e j a b a d e d a r c o n s e j o s á s u s a m i g o s ni d e d e f e n d e r l e s
e n e l f o r o , y escribía en griego su historia, á pesar de e s -
t a r c i e g o . Y c i e g o vivió m u c h o s a ñ o s e n n u e s t r a c a s a e l
e s t o i c o Diodoro, del cual refieren, por s e r cosa increíble,
q u e s e o c u p a b a e n el e s t a d i o d e la filosofía c o n m u c h a m á s
asiduidad q u e a n t e s , y t o c a b a la l i r a s e g ú n costumbre
d e l o s P i t a g ó r i c o s , y oía l e e r l i b r o s d e día y d e n o c h e .
Y lo q u e e s m á s , p o r q u e p a r e c e i m p o s i b l e h a c e r l o s i n el
a u x i l i o d e l o s o j o s , s e d e d i c a b a á la g e o m e t r í a , e n s e ñ a n d o
de palabra á sus discípulos cómo y dónde habían de t r a -
zar cada línea.
Cuentan que Asclepiades, filósofo de Eretria, nada o s -
curo, preguntándole a l g u i e n q u é mal le h a b í a t r a í d o la
202 MARCO TULIO CICERÓN.

c e g u e r a , r e s p o n d i ó : « S ó l o el t e n e r q u e a n d a r a c o m p a ñ a d o
d e u n m u c h a c h o . » Así c o m o la s u m a p o b r e z a e s t o l e r a b l e
si n o s b a s t a c o n lo q u e b a s t a á m u c h o s G r i e g o s d i a r i a m e n -
t e , así la c e g u e r a p u e d e c o n facilidad t o l e r a r s e si n o n o s
falta la c o m p a ñ í a y el a p o y o d e a l g u i e n .
D e m ó c r i t o , c u a n d o p e r d i ó la v i s t a , n o p o d í a distinguir
lo b l a n c o d e lo n e g r o , p e r o p o d í a d i s t i n g u i r lo b u e n o d e
l o m a l o , lo j u s t o d e lo i n j u s t o , lo h o n e s t o d e lo t o r p e , lo
útil d e lo i n ú t i l , lo g r a n d e d e lo p e q u e ñ o . Sin la v a r i e d a d
d e c o l o r e s e s lícito vivir c o n felicidad, p e r o sin la n o -
c i ó n d e l a s c o s a s n o e s licito. O p i n a b a e s t e g r a n varón
q u e la v i s t a d e l o s o j o s d e l c u e r p o , e r a un e s t o r b o p a r a l o s
d e l a l m a ; y a s í , m i e n t r a s los d e m á s h o m b r e s n o v e í a n lo
q u e e s t a b a á s u s p i e s , él r e c o r r í a c o n s u p e n s a m i e n t o lo
infinito, sin e n c o n t r a r m u r a l l a s en p a r t e a l g u n a . Se c u e n t a
t a m b i é n q u e H o m e r o fué c i e g o , y sin e m b a r g o su p o e s í a
m á s b i e n d e b i e r a l l a m a r s e p i n t u r a . ¿Qué r e g i ó n h a y , q u é
costa, qué gracia, qué hermosura humana, qué ejércitos,
qué batallas, qué movimiento de r e m e r o s , qué embestida
de fieras q u e él n o n o s h a y a p i n t a d o d e tal m o d o que
n o s o t r o s v e m o s e n s u s v e r s o s lo q u e él m i s m o no veía?
¿Creeremos que á Homero ó á cualquiera otro varón
d o c t o le faltó a l g u n a c o s a p a r a e l d e l e i t e y s a t i s f a c c i ó n d e
su alma?
Y si n o fuera a s í , ¿ p o r v e n t u r a A n a x s g o r a s ó el m i s m o
D e m ó c r i t o h u b i e r a n a b a n d o n a d o s u s c a m p o s y su p a t r i m o -
nio y se hubiesen dedicado con todas las fuerzas de su
alma á este i n m e n s o a m o r de a p r e n d e r y de investigar?
Así l o s p o e t a s q u e fingen c i e g o al a u g u r T e r e s i a s , n u n c a
le introducen deplorando su ceguera. P o r el c o n t r a r i o ,
H o m e r o , p i n t a n d o al b á r b a r o y f^roz g i g a n t e P o l i f c m o , le
h a c e d i r i g i r la p a l a b r a á un c a r n e r o y e n v i d i a r l e porque
t i e n e vista p a r a e n t r a r d o n d e q u i e r e y t o c a r lo q u e q u i e r e .
Y en verdad que aquel cíclope no era más p r u d e n t e q u e
un carnero.
CUESTIONES TUSCULANAS. 203

Y e n la s o r d e r a ¿ q u é mal h a y ? Era a l g o s o r d o Marco


Craso, pero g u a r d á b a s e con esto d e oir m u c h a s cosas m o -
l e s t a s . N u e s t r o s E p i c ú r e o s no s o l í a n s a b e r el g r i e g o , ni l o s
G r i e g o s el l a t i n . P o r c o n s i g u i e n t e , l o s u n o s s o n s o r d o s e n
u n a l e n g u a y los o t r o s e n o t r a , y n o s o t r o s s o m o s v e r d a d e -
r a m e n t e s o r d o s en a q u e l l a s l e n g u a s q u e n o e n t e n d e m o s , l a s
c u a l e s s o n i n n u m e r a b l e s . Es c i e r t o q u e l o s s o r d o s n o o y e n
la v o z d e l q u e t o c a la c í t a r a , p e r o t a m p o c o o y e n el e s t r i d o r
d é l a s i e r r a c u a n d o s e a g u z a , ni el g r u ñ i r d e l c e r d o c u a n d o
le d e g ü e l l a n , ni c u a n d o q u i e r e n d e s c a n s a r , o y e n el r u i d o y
e l m u r m u l l o del m a r . Y si a c a s o l e s d e l e i t a el c a n t o , d e b e n
pensar ante todo que muchos sabios vivieron felizmente
a n t e s d e i n v e n t a r s e la m ú s i c a , y q u e m u c h o m á s placer
p u e d e s a c a r s e d é l a l e c t u r a q u e d e o i r í a . Y así c o m o p o c o
a n t e s c o n v i d a m o s á los c i e g o s al p l a c e r d e l o s o í d o s , a s í
p o d e m o s c o n v i d a r á l o s s o r d o s al p l a c e r d e los o j o s . El q u e
pueda hablar consigo m i s m o , n o b u s c a r á la c o n v e r s a c i ó n
d e o t r o . Y s u p o n g a m o s e n u n m i s m o h o m b r e la carencia
d e ojos y d e o í d o s : s u p o n g á m o s l e a g o b i a d o p o r l o s d o l o r e s
m á s á s p e r o s d e l c u e r p o , l o s c u a l e s p o r sí m i s m o s b a s t a n
p a r a a c a b a r c o n el c u e r p o : s u p o n g a m o s q u e p o r la l a r g a
d u r a c i ó n d e e s t o s t o r m e n t o s n o s e a t e n ú a en n a d a s u c r u -
d e z a ; a u n a s í , oh d i o s e s i n m o r t a l e s , ¿qué e s lo q u e h e m o s
d e t e m e r ? C e r c a t e n e m o s la p u e r t a , p u e s t o q u e n o s a g u a r d a
la m u e r t e , e t e r n o r e c e p t á c u l o d o n d e nada s e s i e n t e . T e o -
d o r o r e s p o n d i ó á L i s i m a c o , q u e le a m e n a z a b a c o n la m u e r -
t e : « G r a n c o s a h a r á s s i c o n s i g u e s la fuerza d e u n a c a n t á r i -
d a » P a u l o Emilio r e s p o n d i ó á P e r s e o , q u e le r o g a b a q u e
n o le l l e v a s e e n s u t r i u n f o : «En tu p o d e r e s t á . » Muchas
c o s a s d i j i m o s d e la m u e r t e el p r i m e r d í a , m u c h a s también
el s e g u n d o , al t r a t a r d e l d o l o r . Quien las r e c u e r d e , n o h a y
p e l i g r o d e q u e d e j e d e t e n e r la m u e r t e p o r a p e t e c i b l e , ó á
lo m e n o s p o r nada terrible.
A mí en la v i d a m e p a r e c e q u e d e b e o b s e r v a r s e a q u e l l a
l e y q u e s e o b s e r v a b a e n l o s c o n v i t e s d e ios G r i e g o s : ó b e -
204 MARCO TULIO CICERÓN.

ber ó retirarse. Y con razón, porque debe uno, ó gozar jun-


t a m e n t e c o n l o s d e m á s d e l p l a c e r d e la b e b i d a , ó r e t i r a r s e
c o n t i e m p o , p a r a no e x p o n e r s e los q u e están sobrios á la
v i o l e n c i a d e l o s q u e b e b e n . De e s t a m a n e r a se p u e d e e v i t a r
c o n la fuga la injuria d e la f o r t u n a , q u e q u i z á n o p o d r í a m o s
tolerar. Estas m i s m a s cosas q u e dice Epicuro, las repite
c o n p a l a b r a s casi i g u a l e s J e r ó n i m o . Y si tal e s la d o c t r i n a
de aquellos filósofos, q u e p o r o t r a p a r t e e n s e ñ a n q u e la
v i r t u d p o r sí m i s m a n o t i e n e v a l o r a l g u n o , y q u e t o d o lo
que nosotros llamamos h o n e s t o y laudable es un vano s o -
nido, ¿qué crees que e n s e ñ a r á n Sócrates y Platón, los cua-
l e s c o n c e d e n t a n t a e x c e l e n c i a á los b i e n e s d e l a l m a , q u e d e
t o d o p u n t o d e j a n e n la s o m b r a l o s b i e n e s d e l c u e r p o y l o s
b i e n e s e x t e r i o r e s ? A l g u n o s ni s i q u i e r a l o s t i e n e n p o r bie-
n e s , ni r e c o n o c e n o t r a v i d a q u e la d e l a l m a . C a r n e a d e s s o -
lía fijar c o m o a r b i t r o e s t a c o n t r o v e r s i a , p o r q u e c o m o los
E s t o i c o s l l a m a n c o m o d i d a d e s á lo q u e l o s P e r i p a t é t i c o s l l a -
m a n b i e n e s , y sin e m b a r g o los Peripatéticos n o c o n c e d e n
á l a s r i q u e z a s , á la s a l u d y á las d e m á s c o s a s d e e s t e g é -
n e r o , m a y o r e x c e l e n c i a q u e los E s t o i c o s , d e c í a C a r n e a d e s
q u e la c u e s t i ó n e n t r e e l l o s e r a d e p a l a b r a s y n o d e c o s a s .
En c u a n t o á l o s d e m á s filósofos, ellos verán c ó m o puede
encontrarse en su doctrina medicina para estos males.
A m í m e a g r a d a el q u e t o d o s u n á n i m e s r e c o n o z c a n que
h a y e n el s a b i o f a c u l t a d de vivir perfectamente dichoso.
Pero como mañana hemos de irnos, conviene conservar
e n la m e m o r i a la d i s p u t a d e e s t o s c i n c o d í a s . P i e n s o e s c r i -
birla ( ¿ d e q u e m a n e r a mejor podría emplear este ocio?), y
pienso enviar á nuestro Bruto estos cinco libros, puesto
q u e él m e h a i m p u l s a d o y h a s t a o b l i g a d o á e s c r i b i r d e filo-
sofía. No m e t o c a á mí d e c i r si c o n é s t e h e a p r o v e c h a d o
m u c h o á los d e m á s : lo único que sé es que en mis más
a c e r b o s d o l o r e s , y en l a s v a r i a s m o l e s t i a s q u e m e c i r c u n -
dan, nunca he podido encontrar otra mejor medicina.
TRATADO

DE LA ADIVINACIÓN
TRADUCIDO DEL LATÍN

POR

D. FRANCISCO N A V A R R O Y C A L V O
Canónigo de la M e t r o p o l i t a n a de Granada.
DE L A ADIYIÍ^AOIÓIsr.

LIBRO PRIMERO.

I. Opinión antigua es, cuyo origen se remonta á los


tiempos heroicos, confirmada por el consentimiento del
pueblo romano y d e t o d a s las g e n t e s , q u e e x i s t e entre
los h o m b r e s cierta adivinación, q u e los Griegos llaman
([Link]Ív, e s d e c i r , presentimiento y c i e n c i a d e las c o -
s a s f u t u r a s . C o n d i c i ó n m a g n í f i c a y útil c i e r t a m e n t e , si e s
q u e e x i s t e , p o r c u y o m e d i o la n a t u r a l e z a mortal puede
a c e r c a r s e m u c h í s i m o al p o d e r d e l o s D i o s e s . Así e s q u e e n
e s t a o c a s i ó n , c o m o en t a n t a s o t r a s , h e m o s s i d o m u c h o m á s
e x a c t o s q u e los G r i e g o s , d a n d o á esta i m p o r t a n t í s i m a fa-
c u l t a d n o m b r e d e r i v a d o d e l o s D i o s e s , c u a n d o a q u e l l o s le
dieron uno que, según Platón, procede de furor. Cierto e s
q u e n o c o n o z c o g e n t e tan i l u s t r a d a y d o c t a , ó t a n bárbara
y f e r o z , q u e no a d m i t a s e ñ a l e s d e lo futuro y la f a c u l t a d e n
algunos de comprenderlas é interpretarlas. Vemos prime-
r a m e n t e , p o r r e m o n t a r á las a u t o r i d a d e s m á s a n t i g u a s , q u e
los Asirios, habitantes de i n m e n s a s l l a n u r a s , d e s d e las q u e
c o n t e m p l a b a n t o d a s las r e g i o n e s d e l c i e l o , o b s e r v a r o n el
curso y movimiento de los astros, y una vez conocidos,
208 MARGO T U L I O C I C E R Ó N .

t r a s m i t i e r o n á la p o s t e r i d a d lo q u e s i g n i f i c a b a n . E n t r e es-
t o s p u e b l o s , l o s C a l d e o s , l l a m a d o s así p o r s u o r i g e n y n o
por su arte, considéranse c o m o c r e a d o r e s , por efecto de
a s i d u a o b s e r v a c i ó n d e l a s e s t r e l l a s , d e la c i e n c i a e n v i r t u d
d e la c u a l p u e d e v a t i c i n a r s e lo q u e ha d e a c o n t e c e r á c a d a
u n o s e g ú n el hado bajo q u e n a c e . Créese q u e los E g i p -
c i o s a l c a n z a r o n el m i s m o a r t e e n el t r a n s c u r s o d e l o s t i e m -
p o s y d e s p u é s d e s e r i e c a s i i n n u m e r a b l e d e s i g l o s . L o s Ci-
l i c i o s , l o s h a b i t a n t e s d e la P i s i d i a y s u s v e c i n o s d e P a m f i -
l i a , p u e b l o s q u e h e a d m i n i s t r a d o , c r e e n q u e las señales
m á s s e g u r a s del p o r v e n i r s o n el v u e l o y el c a n t o d e l a s
a v e s . ¿Qué c o l o n i a e n v i ó j a m á s la G r e c i a á Eolia, J o n i a ,
A s i a , Sicilia ó Italia s i n c o n s u l t a r p r i m e r o al o r á c u l o P y -
thón, D o d o n i o ó A m m ó n ? ¿ó q u é g u e r r a s e a t r e v i ó á e m -
p r e n d e r s i n el c o n s e j o d e los D i o s e s ?
II. N o s o n i g u a l e s la a d i v i n a c i ó n p ú b l i c a y la p r i v a d a ; y
omitiendo otros muchos pueblos, ¿cuántos géneros ha
a d o p t a d o el n u e s t r o ? P r i m e r a m e n t e , s e g ú n la tradición,
R ó m u l o , p a d r e d e e s t a c i u d a d , n o s o l a m e n t e n o la f u n d ó
a n t e s d e c o n s u l t a r l o s a u s p i c i o s , s i n o q u e él m i s m o fué
excelente augur. También los consultaron los que le
sucedieron, y una vez expulsados los r e y e s , n o s e e m -
p r e n d i ó n e g o c i o p ú b l i c o d e p a z ó g u e r r a sin o b s e r v a r l o s
a u s p i c i o s . \ C o n s i d e r á n d o s e g r a n d e m e n t e i m p o r t a n t e el a r t e
d e los a r ú s p i c e s , ora para c o n s e g u i r algo de los Dioses,
ora para consultarlos, ó bien para i n t e r p r e t a r los p r o d i -
g i o s y c o n j u r a r l o s , t o m ó s e d e la E t r u r i a t o d a s u ciencia,
para que no pareciese que se descuidaba ningún género
d e adivinación. Y c o m o los á n i m o s , en virtud de movi-
m i e n t o l i b r e y a b s o l u t o , p o r sí m i s m o s , s i n r a c i o c i n i o ni
ciencia, pueden agitarse de dos maneras, por s u e ñ o ó por
m e d i o d e furor, c r e y é n d o s e que esta inspiración furiosa
h a b í a d i c t a d o los v e r s o s S i b i l i n o s , e l i g i é r o n s e e n la c i u d a d
d i e z i n t é r p r e t e s d e e s t o s l i b r o s . P o r la m i s m a razón se
a t e n d i e r o n con frecuencia las p r e d i c c i o n e s d e adivinos fu-
D E LA A D I V I N A C I Ó N . 209

riosos, c o m o C o r n e l i o C u l e o l o , e n la é p o c a d e la guerra
O c t a v i a n a . T a m p o c o d e s p r e c i ó el C o n s e j o S u p r e m o l o s s u e -
ñ o s si se c r e í a n r e l a c i o n a d o s c o n l o s a s u n t o s p ú b l i c o s . E n
n u e s t r o mismo tiempo h e m o s visto á Lucio Julio, c ó n s u l
c o n P . R u t i l i o , e n c a r g a d o d e r e c o n s t r u i r el t e m p l o d e J u n o
T u t e l a r , p o r d e c r e t o q u e dio el S e n a d o á c o n s e c u e n c i a de
u n s u e ñ o d e Cecilia, hija d e B a l e á r i c o .
III. Creo y o , s i n e m b a r g o , q u e l o s a n t i g u o s adoptaron
e s t a s p r á c t i c a s i m p u l s a d o s a n t e s p o r los h e c h o s q u e p o r
la r a z ó n . De l o s filósofos se han recogido algunos argu-
mentos bastante fuertes, que nos demuestran que existe
e n v e r d a d la a d i v i n a c i ó n . E n t r e é s t o s , y c i t a n d o al m á s
antigno, solamente Colophonio Xenophanes, sosteniendo
la e x i s t e n c i a d e l o s D i o s e s , c o m b a t e c o n e n e r g í a la a d i v i -
nación. Los d e m á s , e x c e p t u a n d o á Epicuro que balbucea
al h a b l a r d e la n a t u r a l e z a d e l o s D i o s e s , h a n a d m i t i d o la
a d i v i n a c i ó n , a u n q u e n o d e la m i s m a m a n e r a . S ó c r a t e s y
todos los socráticos, Zenón y todos sus discípulos, en c o n -
f o r m i d a d c o n l o s filósofos a n t i g u o s , c o n la vieja Academia
y l o s P e r i p a t é t i c o s , a d o p t a n la o p i n i ó n q u e P i t á g o r a s , que
quería pasar también por augur, dio grande autoridad.
D e n i ó c r i t o , a u t o r tan g r a v e , r e c o n o c e e n m u c h o s parajes
q u e p u e d e n p r e d e c i r s e l a s c o s a s f u t u r a s ; p e r o el P e r i p a t é -
tico D i c e a r c o , c o m b a t i e n d o t o d o s l o s g é n e r o s d e a d i v i n a -
c i ó n , s o l a m e n t e p r e s t a fe á l o s s u e ñ o s y al f u r o r : C r á t i p p c ,
nuestro a m i g o , en opinión mía, igual á los Peripatéticos
más famosos, sólo admite e s t o s dos g é n e r o s de adivina-
ción, r e c h a z a n d o todos los d e m á s . Pero c o m o los Estoicos
las admitían casi t o d a s , en conformidad c o n la d o c t r i n a ,
c u y o g e r m e n d e p o s i t ó Z e n ó n e n s u s c o m e n t a r i o s y des-
arrolló Cleanto, s u r g i ó un h o m b r e de sutil i n g e n i o , . C r i s i -
p o , q u e t r a t ó e x t e n s a m e n t e d e la a d i v i n a c i ó n e n d o s l i b r o s ,
y además escribió dos tratados, uno de los eráculos y otro
d e los s u e ñ o s . Su discípulo Diógenes Babilonio publico
d e s p u é s u n l i b r o s o b r e el m i s m o a s u n t o ; d o s A n t i p a t e r , y
TOMO v. 14
210 MARCO TULIO CICERÓN.

c i n c o n u e s t r o a m i g o P o s i d o n i o . P e r o el p r í n c i p e d e la e s -
c u e l a , el m a e s t r o d e P o s i d o n i o , el d i s c í p u l o d e A n t i p a t e r ,
P a n e c i o , s e s e p a r ó d e la d o c t r i n a d e l o s E s t o i c o s , aunque
s i n a t r e v e r s e á n e g a r d e c i d i d a m e n t e la a d i v i n a c i ó n y l i m i -
t á n d o s e á e x p r e s a r d u d a s . A h o r a b i e n : lo q u e u n Estoico
s e p e r m i t i ó e n u n p u n t o , á p e s a r d e la o p i n i ó n d e t o d a s u
e s c u e l a , ¿nos lo p r o h i b i r á n á n o s o t r o s e n m u c h a s cuestio-
nes, principalmente cuando este asunto, oscuro para Pa-
n e c i o , l e s p a r e c í a á l o s d e m á s t a n c l a r o c o m o la luz d e l
sol? S e a c o m o q u i e r a , m u c h o h o n r a á la A c a d e m i a t e n e r
e n s u a p o y o la o p i n i ó n d e filósofo tan eminente.
IV. P u e s t o q u e n o s o t r o s t a m b i é n b u s c a m o s lo q u e d e b a
o p i n a r s e a c e r c a d e la a d i v i n a c i ó n , a s u n t o tan d i s c u t i d o p o r
C a r n e a d e s c o n los E s t o i c o s , c o n t a n t a p e n e t r a c i ó n y t a n
copiosas razones, para evitar e r r o r y precipitación, parece
q u e d e b e m o s c o m p a r a r a r g u m e n t o s c o n a r g u m e n t o s , d e la
m i s m a m a n e r a q u e lo h e m o s h e c h o e n n u e s t r o s t r e s l i b r o s
a c e r c a d e la n a t u r a l e z a d e l o s D i o s e s . P o r q u e si e n t o d a s
las c o s a s s o n t o r p e s la c r e d u l i d a d t e m e r a r i a y el e r r o r , m u -
c h o m á s lo s e r á n c u a n d o s e t r a t a d e d e c i d i r h a s t a qué
punto d e b e m o s asentir á los auspicios, a l a s cosas divinas
y á la r e l i g i ó n : e x i s t e , p u e s , el p e l i g r o d e c a e r e n la i m -
p i e d a d s i las d e s p r e c i a m o s , ó d e e n t r e g a r n o s á p u e r i l su-
p e r s t i c i ó n si las a d m i t i m o s .
V. No ha m u c h o q u e d i s c u t í e x t e n s a m e n t e e n Tuscu-
l o , con mi h e r m a n o Quinto, esta m a t e r i a q u e ya en mu-
chas ocasiones había dado motivo á nuestros coloquios.
H a b i e n d o l l e g a d o p a s e a n d o al L i c e o ( e s t e e s e l n o m b r e d e l
G i m n a s i o s u p e r i o r ) : A c a b o d e l e e r , m e d i j o , tu l i b r o t e r c e -
r o a c e r c a d e la n a t u r a l e z a d e los D i o s e s ; y a u n q u e la d i s e r -
tación d e Cotta ha q u e b r a n t a d o mi c o n v e n c i m i e n t o , con
t o d o , n o lo h a d e s t r u i d o p o r c o m p l e t o . — R e c t a m e n t e ha-
b l a s , c o n t e s t é , p o r q u e el o b j e t o d e C o t t a a n t e s e s c o m b a -
tir los a r g u m e n t o s d e los E s t o i c o s q u e d e s t r u i r la r e l i g i ó n
e n t r e los hombres.—Bien sé, replicó Quinto, que Cotta
D E LA A D I V I N A C I Ó N . 211

repite y asegura eso mismo varias veces, quizá porque


n o se c r e a q u e se s e p a r a del culto público; mas por e x c e s o
d e celo c o n t r a los Estoicos, p a r é c e m e q u e r e c h a z a por
c o m p l e t o á l o s D i o s e s . No c r e o , sin e m b a r g o , q u e s e a n e -
cesario c o n t e s t a r á 3 U d i s c u r s o , p o r q u e Lucilio, en su s e -
g u n d o libro, defiende victoriosamente la r e l i g i ó n , y tú
m i s m o d e c l a r a s al final d e l t e r c e r o q u e t e p a r e c e m á s c e r -
c a n a d e la v e r d a d la o p i n i ó n d e é s t e . P e r o c o m o h a s o m i -
t i d o e n e s t o s l i b r o s t r a t a r d e la a d i v i n a c i ó n , es decir, del
anuncio y p r e s e n t i m i e n t o de las cosas c o n s i d e r a d a s fortui-
t a s , p o r q u e sin d u d a h a s c r e í d o m á s c o n v e n i e n t e exa-
m i n a r y d i s c u t i r a p a r t e e s t a s m a t e r i a s , v e a m o s , p u e s , si
t e p l a c e , c u á l s e a la n a t u r a l e z a y valor de esta adivina-
c i ó n . P o r mi p a r t e c r e o q u e si l o s d i f e r e n t e s g é n e r o s de
adivinación que admitimos y practicamos son verdaderos,
e x i s t e n D i o s e s ; y v i c e v e r s a , si e x i s t e n D i o s e s , la adivina-
ción existe t a m b i é n .
VI. - D e f i e n d e s la fortificación misma de los Estoicos,
d i j e á Q u i n t o , al a d m i t i r el d o b l e a r g u m e n t o d e q u e l a a d i -
v i n a c i ó n d e m u e s t r a la e x i s t e n c i a d e l o s D i o s e s , y r e c í p r o -
c a m e n t e l o s D i o s e s la e x i s t e n c i a d e la a d i v i n a c i ó n . P e r o
n i n g u n o d e e s t o s dos a r g u m e n t o s p u e d e a d m i t i r s e con tan-
ta facilidad c o m o c r e e s ; p o r q u e la n a t u r a l e z a p u e d e r e v e -
l a r el p o r v e n i r s i n la i n t e r c e s i ó n d e u n D i o s , y p u e d e a c o n -
t e c e r también q u e e x i s t a n los Dioses sin h a b e r concedido
n i n g u n a a d i v i n a c i ó n al g é n e r o h u m a n o . A e s t o r e p l i c ó : Me
b a s t a t e n e r p r u e b a s c l a r a s y c i e r t a s d e la a d i v i n a c i ó n p a r a
q u e d a r c o n v e n c i d o d e q u e e x i s t e n Dioses y q u e v e l a n s o -
b r e l o s h o m b r e s : e x p o n d r é , si q u i e r e s , mi o p i n i ó n si e s q u e
puedes escucharla y no tienes cosa mejor que hacer.
— S i e m p r e e s t o y a t e n t o á la filosofía d e Q u i n t o , contesté,
y en e s t e m o m e n t o e n q u e n i n g u n a o t r a o c u p a c i ó n p o d r í a
serme más agradable, deseo vivamente o i r l o que piensas
a c e r c a d e la a d i v i n a c i ó n . — N a d a n u e v o , e n v e r d a d ; na-
d a q u e m e s e a p r o p i o ; p r o f e s o la o p i n i ó n m á s a n t i g u a , r o -
212 MARCO TULIO CICERÓN.

b a s t e c i d a c o a el c o n s e n t i m i e n t o d e t o d o s l o s p u e b l o s y
t o d a s las r a z a s . E x i s t e n d o s g é n e r o s d e a d i v i n a c i ó n : uno
artificial, y o t r o m a t e r i a l . ¿Qué p u e b l o , q u é c i u d a d h a y q u e
n o a d m i t a , bien las adivinaciones artificiales q u e consisten
e n e l e x a m e n d e las e n t r a ñ a s d e las v í c t i m a s , e n la i n t e r -
p r e t a c i ó n de los p r o d i g i o s , d e los r a y o s , d e los a u g u r i o s ,
d e la a s t r o l o g í a , ó b i e n la a d i v i n a c i ó n n a t u r a l q u e com-
p r e n d e l o s s u e ñ o s y v a t i c i n i o s ? Opino yo q u e e n e s t e a s u n -
t o d e b e n h a c e r s e constar l o s h e c h o s sin investigar las c a u -
sas, porque es indudable que existe en nosotros cierta vir-
t u d n a t u r a l q u e a u x i l i a d a p o r el e s t u d i o d e l a r g a s e r i e d e
observaciones, ó impulsada por una manera de instinto é
i n s p i r a c i ó n d i v i n a , n o s a n u n c i a lo v e n i d e r o .
VIL C e s e n , p u e s , C a r n e a d e s y d e s p u é s d e él P a n e c i o d e
i n v e s t i g a r c o n t a n t o c u i d a d o si J ú p i t e r m a n d ó á la c o r n e -
j a g r a z n a r á la i z q u i e r d a y a i c u e r v o á la d e r e c h a , cosas
observadas desde remotos tiempos y consideradas como
significativas del p o r v e n i r . Nada hay en v e r d a d q u e n o p u e -
da llegarse á c o n o c e r por medio del tiempo y larga serie
de observaciones fielmente trasmitidas. Admíranos de
cuántas hierbas y raíces han'descubierto l o s m é d i c o s la
eficacia p a r a l a s m o r d e d u r a s p e l i g r o s a s , e n f e r m e d a d e s d e
l a v i s t a y l a s h e r i d a s ; n u n c a h a e x p l i c a d o la r a z ó n la f u e r -
za y naturaleza d e estos r e m e d i o s , p e r o su utilidad justifi-
c a s u e m p l e o y a p r u e b a al i n v e n t o r . V e r e m o s q u é d i c e s d e
ciertos pronósticos, que siendo d i f e r e n t e s d e la a d i v i n a -
ción, se parecen mucho á ella.
« P r e v e m o s u n a t e m p e s t a d c e r c a n a , c u a n d o el p r o f u n d o
m a r p a r e c e agitado de pronto por los vientos; c u a n d o los
peñascos blanqueando con nevada e s p u m a contestan con
tristes gemidos á las voces de Neptuno; ó cuando estri-
d e n t e v i e n t o q u e p a r t e d e las c u m b r e s d e l o s m o n t e s , m u g e
r e c h a z a d o por los i n q u e b r a n t a b l e s escollos.»
VIII. Todos tus Pronósticos están llenos de p r e s e n t i -
m i e n t o s d e e s t a c l a s e . ¿Y q u i é n p u e d e e x p l i c a r l a s c a u s a s
D E LA A D I V I N A C I Ó N . 24 3

d e t a l e s p r e s e n t i m i e n t o s ? Veo q u e el e s t o i c o B o e t h o lo i n -
t e n t ó , c o n s i g u i e n d o a l g u n a s v e c e s e n c o n t r a r la r a z ó n d e
los fenómenos del m a r y del cielo. P e r o ¿quién nos expli-
c a r á d e u n a m a n e r a p r o b a b l e los s i g u i e n t e s ?
« C u a n d o la b l a n c a g a v i o t a , h u y e n d o d e las o l a s , l a n z a n d o
estridentes y entrecortados gritos, anuncia terrible é in-
minente tempestad. También con frecuencia el vigilante
mochuelo entona plañidero y triste cante, q u e prolonga y
a u m e n t a c u a n d o la a u r o r a d i s i p a el r o c í o . Algunas veces
la n e g r a c o r n e j a c o r r i e n d o p o r las p l a y a s s u m e r g e la c a -
beza en las olas.»
IX. S a b e m o s q u e estas s e ñ a l e s son poco m e n o s q u e in-
falibles, pero ignoramos por q u é .
«Y v o s o t r o s t a m b i é n , h a b i t a n t e s d e l a s a g u a s t r a n q u i l a s ,
p r e s a g i á i s el t i e m p o , c u a n d o d i s p u e s t o s s i e m p r e á l a n z a r
inútiles gritos, llenáis los pantanos y las fuentes de m o n o -
tonos graznidos.»
¿Quién p o d í a s o s p e c h a r q u e las r a n a s t u v i e s e n la f a c u l -
c u l t a d d e p r e v e r ? N e c e s a r i o e s , sin e m b a r g o , q u e e n la
c o n d i c i ó n d e las r a n a s y e n i o s p a n t a n o s q u e h a b i t a n e x i s t a
a l g u n a v i r t u d n a t u r a l , c a s i infalible p a r a e l l a s é i m p e n e t r a -
b l e p a r a el h o m b r e .
«El b u e y d e l e n t o p a s o , l e v a n t a n d o la c a b e z a h a c i a el
c i e l o , a s p i r a con las n a r i c e s la h u m e d a d c o n t e n i d a e n el
aire.»
N o p r e g u n t o p o r q u é ; c o m p r e n d o lo q u e e s t e h e c h o s i g -
nifica.
«El l e n t i s c o , c a r g a d o s i e m p r e d e h o j a s y d e f r u t o s , s e -
ñ a l a las t r e s e s t a c i o n e s d e la l a b r a n z a p o r su t r i p l e flores-
cencia, seguida cada una de a b u n d a n t e s frutos.»
Tampoco pregunto por qué este árbol sólo florece tres
v e c e s al a ñ o , y p o r q u é s u f l o r e s c e n c i a c o i n c i d e c o n las t r e s
é p o c a s d e l a b r a r . B á s t a m e q u e así s u c e d a , a u n q u e i g n o r e
la r a z ó n ; y lo q u e c o n t e s t o e n c u a n t o á e s t o s h e c h o s , m e
servirá de respuesta para todos los g é n e r o s de adivinación.
214 MARCO TULIO CICERÓN.

X. Sin p r e g u n t a r la c a u s a , v e o , y e s t o m e b a s t a , la
•virtud p u r g a t i v a d e la r a í z d e e s c a m o n e a ; c u á n t o puede
c o n t r a la m o r d e d u r a d e las s e r p i e n t e s la a r i s t o l o q u i a : llá-
mase así esta planta p o r q u e sus efectos se descubrieron
p r i m e r a m e n t e en virtud d e un s u e ñ o . Veo también los efec-
t o s q u e s i g u e n á l o s p r o n ó s t i c o s d e l v i e n t o y d e la l l u v i a ;
c o n o z c o y c o n s i g n o l o s h e c h o s , p e r o i g n o r o la c a u s a . De
la m i s m a m a n e r a c o n o z c o lo q u e significa e n las v í c t i m a s
la d i s p o s i c i ó n d e l a s e n t r a ñ a s , p e r o la c a u s a m e e s d e s c o -
n o c i d a . La v i d a e s t á l l e n a d e e s t a s o b s e r v a c i o n e s , porque
el uso de e x a m i n a r las e n t r a ñ a s de las víctimas es casi
u n i v e r s a l . ¡Cómo! ¿ p o d e m o s d u d a r de los p r o n ó s t i c o s d e los
r a y o s ? ¿No e s a c a s o el p r i n c i p a l d e t o d o s l o s prodigios?
C o l o c a d a la e s t a t u a d e S u m m a n o en la c o r n i s a del t e m p l o
d e J ú p i t e r Ó p t i m o M á x i m o , la d e r r i b ó u n r a y o ; la c a b e z a
de aquella estatua, que era de barro entonces, no pudo
e n c o n t r a r s e , y los a r ú s p i c e s dijeron q u e había sido lanzada
h a s t a el T í b e r , h a l l á n d o l a e n el m i s m o sitio q u e s e ñ a l a r o n .
XI. ¿Mas q u é a u t o r ó t e s t i g o h e d e p r e f e r i r á tí m i s m o ,
c u a n d o con tanto placer he aprendido de memoria los v e r -
s o s q u e p o n e s e n b o c a d e la m u s a U r a n i a e n el s e g u n d o
l i b r o d e l Consulado?
« E n el p r i n c i p i o J ú p i t e r , r a d i a n d o e n e t é r e a l l a m a , s e
m u e v e i n u n d a n d o el u n i v e r s o e n t e r o c o n su l u z ; el c i e l o y
la t i e r r a a p a r e c e n p r e c o n c e b i d o s por este espíritu divino
q u e , o c u l t o en el a b i s m o y e n v u e l t o e n t o d o s l o s tiempos
p o r el é t e r , c o n t e n í a e n sí la v i d a y la i n t e l i g e n c i a huma-
na. ¿ Q u i e r e s s a b e r bajo q u é s i g n o g i r a n las e s t r e l l a s q u e
los Griegos llaman, con tanta i m p r o p i e d a d , e r r a n t e s , s i e n -
d o p o r el c o n t r a r i o m u y o r d e n a d o s s u c u r s o y movimien-
to? El e s p í r i t u d i v i n o l e s h a s e ñ a l a d o y a s u l u g a r . T ú m i s -
mo, cuando recorrías l a s n e v a d a s c u m b r e s d e la A l b a n i a ,
d e r r a m a n d o l e c h e p u r a e n l a s fiestas L a t i n a s , o b s e r v a s t e
l a s r á p i d a s r e v o l u c i o n e s , el c o n c u r s o d e l a s constelacio-
n e s , su inusitado r e s p l a n d o r , los i r r e g u l a r e s fuegos d e l o s
DE LA ADIVINACIÓN . 215

cometas, y previste que muy pronto ocurrirían sangrien-


tos estragos. ¡Triste presagio trajeron las fiestas Latinas,
c u a n d o l a l u n a t r o c ó d e p r o n t o su luz en t i n i e b l a s , d e s a p a -
r e c i e n d o en m e d i o de cielo estrellado; c u a n d o después,
d e t e n i é n d o s e el sol e n s u i n f l a m a d a c a r r e r a , s e e x t i n g u i ó
en oscuro horizonte; cuando un ciudadano r o m a n o pereció
e n m e d i o d e un día s e r e n o , h e r i d o p o r t e r r i b l e r a y o ; ó en
fin, c u a n d o s e c o n m o v i ó la p e s a d a m a s a d e la t i e r r a ! E s -
p a n t o s o s f a n t a s m a s m o s t r a r o n e n t o n c e s en la o s c u r i d a d d e
la n o c h e s u s v a r i a d a s formas anunciando la g u e r r a y l a s
disensiones; adivinos furiosos s e m b r a r o n por do quiera
s u s o r á c u l o s y l ú g u b r e s a m e n a z a s . De e s t a m a n e r a , c u a n t o
h a s u c e d i d o a q u í , t r a í d o p o r el e t e r n o c u r s o d e l d e s l i n o , el
p a d r e d e los D i o s e s lo a n u n c i ó al c i e l o y á la t i e r r a c o n r e -
petidas y clarísimas s e ñ a l e s .
XII. « T o d a s e s t a s c o s a s q u e en o t r o t i e m p o a n u n c i ó el
a r ú s p i c e lidio d e g e n t e T i r r e n a , b a j o el c o n s u l a d o d e T o r -
c u a t o y C o t t a , e s t a l l a r o n á la v e z b a j o tu p r o p i o c o n s u l a d o .
D e s d e lo a l t o d e l e s t r e l l a d o O l i m p o , el s e ñ o r d e l r a y o h i r i ó
los m o n t e s sagrados s o b r e que se alzaban sus templos,
a b r a s a n d o c o n su l u m b r e el C a p i t o l i o , a s i e n t o d e l I m p e r i o ;
e n t o n c e s d e v o r ó el r a y o la a n t i g u a e s t a t u a d e N a t í a , des-
t r u y e n d o las i m á g e n e s d e los Dioses y las l e y e s q u e ellos
d i c t a r o n en o l i o t i e m p o . V e í a s e allí la l o b a s a l v a j e , c u y a s
h e n c h i d a s m a m a s rociaban con nutritiva leche los labios de
l o s r e c i é n n a c i d o s h i j o s d e M a r t e . D e r r i b a d a p o r el rayo
c a y ó a r r a n e a d a d e su p e d e s t a l , d o n d e s o l a m e n t e q u e d a r o n
l a s h u e l l a s d e s u s p i e s . ¿No c o n s u l t a r o n l o d o s e n t o n c e s l o s
e s c r i t o s y m o n u m e n t o s d e la c i e n c i a , e n c o n t r a n d o l ú g u -
bres predicciones e n los a r c h i v o s d e la E l r u r i a ? T o d o s
aquellos libros aconsejaban e v i t a r las d i s c o r d i a s q u e fo-
m e n t a b a n l o s n o b l e s , t r a m a n d o e s p a n t o s o s a t e n t a d o s . Con
f r e c u e n c i a h a b l a b a n d e la i n m e d i a t a d e s t r u c c i ó n d e l a s l e -
yes que mandaban p r e s e r v a r de las llamas los templos y
c i u d a d e s , y p r o t e g e r á los c i u d a d a n o s contra los a s e s i n o s
216 MARCO TULIO CICERÓN.

conjurados. Tales eran los decretos del inmutable d e s t i -


n o , á m e n o s q u e s e c o l o c a s e en lo a l t o d e u n a c o l u m n a la
i m a g e n s a g r a d a d e J ú p i t e r d e c a r a al O r i e n t e ; p o r q u e el
p u e b l o y el a u g u s t o S e n a d o no p o d r í a n d e s c u b r i r las s e c r e -
t a s t r a m a s , s i n o c u a n d o la e s t a t u a , v u e l t a h a c i a el sol s a -
l i e n t e , v i e s e la Curia y el F o r o . Hasta tu c o n s u l a d o , des-
pués de m u c h a s dilaciones, no se colocó esta imagen en
lo a l t o d e u n a c o l u m n a ; y e n el m o m e n t o m i s m o q u e J ú p i -
t e r , e m p u ñ a n d o un c e t r o , t r i l l a b a s o b r e a q u e l e l e v a d o p e -
d e s t a l , l o s A l o b r o g e s r e v e l a r o n al S e n a d o y al p u e b l o l a s
t r a m a s q u e u r d í a n en s e c r e t o los a s e s i n o s é incendarios.
XII. «Con r a z ó n , p u e s , los a n t i g u o s , c u y o s monumen-
tos c o n s e r v á i s , y q u e g o b e r n a r o n los p u e b l o s y ciudades á
n o m b r e d e la v i r t u d y m o d e r a c i ó n , s e d i s t i n g u i e r o n p o r su
a r d i e n t e celo p a r a con los Dioses, sirviendo en e s t o d e
m o d e l o á v u e s t r o s p a d r e s , t a n n o t a b l e s ya p o r s u p i e d a d é
i n c o m p a r a b l e s a b i d u r í a . No s e o c u l t a r o n e s t a s v e r d a d e s á
la s a g a c i d a d d e a q u e l l o s filósofos q u e , en l a s s o m b r a s d e
la A c a d e m i a ó e n el b r i l l a n t e L i c e o , c o n s a g r a r o n al e s t u d i o
las r i q u e z a s d e su i n g e n i o . T ú te h a s visto a r r a n c a d o d e
e n t r e aquellos sabios desde tu m á s t i e r n a j u v e n t u d , l l a -
mándote tu p a t r i a p a r a la d e f e n s a d e t o d o lo q u e t e n í a d e
noble y santo. Pero dando tregua á tus g r a v e s o c u p a c i o -
n e s , v i e n e s a l g u n a s v e c e s á d e s c a n s a r e n el e s t a d i o d e l a s
letras patrias y á dedicarnos tus trabajos.»
XIII. ¿ P o d r á s a r g ü i r en c o n t r a d e lo q u e s o s t e n g o r e l a t i -
v a m e n t e á la a d i v i n a c i ó n , h a b i e n d o h e c h o lo q u e h i c i s t e y
habiendo e s c r i t o los e l e g a n t í s i m o s v e r s o s q u e a c a b o d e
citar? ¿Cómo? ¿ p r e g u n t a s , o h C a r n e a d e s , p o r q u é s u c e d e n
así l a s c o s a s y p o r q u é a r l e p u e d e n preverse? Confieso
q u e lo i g n o r o , y s o l a m e n t e d i g o q u e r e c o n o c e s lo m i s m o
q u e y o s u r e a l i z a c i ó n . D i r á s e m e q u e p o r la casualidad.
¿Cómo? ¿la c a s u a l i d a d p o d r í a r e u n i r t o d o s los e l e m e n t o s d e
lo v e r d a d e r o ? C u a t r o d a d o s f o r m a n p o r c a s u a l i d a d el p u n t o
úe V e n u s ; ¿ c r e e s q u e c u a t r o c i e n t o s d a d o s lo f o r m a r í a n d e
DE LA A D I V I N A C I Ó N . 217

l a m i s m a m a n e r a cien v e c e s ? C o l o r e s a r r o j a d o s al a z a r s o -
bre una mesa p u e d e n f o r m a r las l í n e a s g e n e r a l e s d e u n
r o s t r o ; ¿crees acaso que p o r e l mismo procedimiento p u e d e
representarse la b e l l e z a d e la V e n u s Coea? Si u n cerdo
h o c i c a n d o e n el s u e l o t r a z a la l e t r a A, ¿ p o d r á s s o s p e c h a r
s i q u i e r a q u e e s c r i b i r á la Andrómaca d e Ennio? Suponía
C a r n e a d e s q u e al p a r t i r u n a p i e d r a d e la c a n t e r a d e Chío
se había encontrado la c a b e z a d e u n f a u n o ; c r e o q u e p o -
d r í a e n c o n t r a r s e algo s e m e j a n t e , p e r o n o t a n t o q u e d i j e r a s
e r a o b r a d e S c o p a s , p o r q u e n u n c a s u c e d e q u e la c a s u a l i -
d a d i m i t e p e r f e c t a m e n t e la v e r d a d .
XIV. P e r o a l g u n a s v e c e s n o se realizan los a c o n t e c i -
m i e n t o s p r e d i c h o s . ¿A q u é a r t e n o o c u r r e e s t o ? m e r e f i e r o
á aquellos que se fundan e n c o n j e t u r a s y o p i n i o n e s . ¿No
se considera c o m o a r t e la m e d i c i n a ? y sin e m b a r g o , s e
e n g a ñ a m u c h a s v e c e s . ¿Acaso n o s e e n g a ñ a n t a m b i é n l o s
pilotos? el e j é r c i t o d e l o s G r i e g o s y l o s p i l o t o s q u e g o b e r -
n a b a n s u s n u m e r o s a s n a v e s , al s a l i r d e T r o y a :
«En s u a l e g r í a , ¿no s e e n t r e t e n í a n e n c o n t e m p l a r ( c o m o
dice Pacuvio) los saltos de los p e c e s , e s p e c t á c u l o q u e no
les cansaba? Mas m u y p r o n t o , p o r el l a d o d e Poniente,
d e n s a s t i n i e b l a s , p r o d u c i d a s á la v e z p o r e l v i e n t o y la
t e m p e s t a d , e x t e n d i é r o n s e s o b r e el m a r e m b r a v e c i d o . »
¿Por v e n t u r a a q u e l n a u f r a g i o d e t a n t o s r e y e s y e s c l a r e -
cidos c a p i t a n e s d e s t r u y ó el a r t e d e dirigir las naves? ¿liase
d e n e g a r e l a r t e d e la g u e r r a p o r q u e h e m o s visto poco ha
huir un general d e s p u é s d e p e r d e r su ejército? 0, en úl-
t i m o c a s o , ¿la r a z ó n y la p r u d e n c i a n o h a n d e intervenir
e n el g o b i e r n o d e la R e p ú b l i c a p o r q u e Cn. P o m p e y o se
equivocó m u c h o d e t i e m p o e n t i e m p o , M. Calón y tú m i s -
m o a l g u n a s v e c e s ? P u e s lo m i s m o s u c e d e c o n l a s r e s p u e s -
tas d e los a r ú s p i c e s y con t o d a adivinación o p i n a b l e , por-
q u e s e funda en conjeturas y no p u e d e pasarse m á s allá.
Tal v e z e n g a ñ a en o c a s i o n e s ; s i n e m b a r g o , c o n frecuencia
lleva á la v e r d a d . Esta ciencia remonta á los tiempos
218 MARCO T U L I O C I C E R Ó N .

más lejanos, siendo resultado de multitud de observacio-


n e s r e c o g i d a s p o r e f e c t o d e infinitos acontecimientos'se-
mejantes, precedidos por señales iguales.
XV. ¿En q u é s e f u n d a n vuestros auspicios? Verdad es
q u e l o s a u g u r e s r o m a n o s (lo d i r é c o n tu p e r m i s o ) i g n o r a n
l o q u e t a n p e r f e c t a m e n t e s a b e n l o s Cilicios, P a m f i l i o s , P i s i -
dianos y Licios. ¿Habré d e r e c o r d a r t e el e x c e l e n t e y e s c l a -
recido varón, nuestro ilustre huésped el r e y ü e y a t o r o ?
N u n c a hizo n a d a s i n c o n s u l t a r l o s a u s p i c i o s ; a d v e r t i d o u n
día p o r e l v u e l o d e ü n á g u i l a , s u s p e n d i ó la m a r c h a d e c i -
d i d a y c o m e n z a d a , y la h a b i t a c i ó n en q u e , d e h a b e r c o n t i -
n u a d o el c a m i n o , d e b e r í a h a b e r s e d e t e n i d o , s e d e r r u m b ó
á la n o c h e s i g u i e n t e . Oíle d e c i r q u e c o n f r e c u e n c i a h a b í a
retrocedido en caminos por los q u e marchaba ya algunos
días. Pero lo m á s p r e c l a r o d e su vida e s q u e , despojado
por César d e su t e t r a r q u í a , de su reino y riquezas, p e r -
siste en no arrepentirse de haber seguido los auspicios
q u e l e i m p u l s a r o n á s e g u i r á P o m p e y o ; fiel á s u d e b e r y á
la fe j u r a d a , c r e e q u e l e a c o n s e j a r o n b i e n a q u e l l a s a v e s ,
p u e s t o q u e d e f e n d i ó c o n l a s a r m a s la a u t o r i d a d d e l S e n a d o ,
la l i b e r t a d d e l p u e b l o r o m a n o y la d i g n i d a d d e l i m p e r i o ,
n o p a r e c i é n d o l e c a r a la g l o r i a q u e c o m p r ó al p r e c i o d e s u
r e i n o . P a r é c e m e q u e e s t o e s v e r d a d e r a m e n t e a u g u r i o . Mas
para nuestros magistrados emplean augurios incompletos,
p o r q u e d e la m a n e r a q u e p r e s e n t a n el p a s t o á l o s p o l l o s ,
n e c e s a r i a m e n t e h a n d e d e j a r c a e r a l g o al s u e l o . E s t e a u s -
picio, q u e llamo incompleto, le llamáis v o s o t r o s tripudinm
solistimv.m, n o m b r e q u e , según las reglas, solamente c o n -
v i e n e al a u s p i c i o q u e s e o b t i e n e s i n q u e h a y a c a í d o n a d a
al s u e l o . D e e s t a m a n e r a s e h a n p e r d i d o y a b a n d o n a d o c o n -
siderable número de auspicios y augurios, como se q u e -
j a b a y a el s a b i o C a t ó n , p o r la n e g l i g e n c i a d e l c o l e g i o d e I03
augures.
XVI. Nada importante se emprendía a n t e s , hasta p o r
los particulares, sin consultar los a u g u r e s ; h o y mismo en
DE LA ADIVINACIÓN. 219

t o d o s los m a t r i m o n i o s h a y a u s p i c i o s , a u n q u e s o l a m e n t e d e
n o m b r e . A c t u a l m e n t e ( a u n q u e el u s o v a p e r d i é n d o s e ) se
c o n s u l t a n l a s e n t r a ñ a s d e la v í c t i m a s , m i e n t r a s q u e l o s a n -
tiguos confiaban m á s e n el v u e l o d e l a s a v e s : c a r a h e m o s
p a g a d o la c u l p a b l e n e g l i g e n c i a q u e n o s h a c e d e s c u i d a r l o s
m a l o s p r e s a g i o s . Así, p o r e j e m p l o , C l a u d i o , hijo d e Appio
Cceco, y L u c i o J u n i o p e r d i e r o n importantes armadas por
h a b e r s e h e c h o á la v e l a i n o p o r t u n a m e n t e . I g u a l falta c o -
metió A g a m e n ó n , que oyendo á los Griegos.
« M u r m u r a r y d e s p r e c i a r a b i e r t a m e n t e el a r t e d e a u g u r a r
p o r el e x a m e n d e l a s e n t r a ñ a s , dio, á p e s a r d e l a s a v e s , la
o r d e n , q u e t o d o s a p l a u d i e r o n , d e h a c e r s e á la m a r . »
¿Mas á q u é r e m o n t a r t a n t o ? S a b e m o s lo q u e o c u r r i ó á
M . Crasso por h a b e r descuidado las i m p r e c a c i o n e s . Recor-
d a r é q u e t u c o l e g a A p p i o , b u e n a u g u r , s e g ú n te h e o í d o
decir muchas veces, notó d u r a n t e su c e n s u r a , con d e m a -
siada ligereza, á un varón excelente y distinguido ciuda-
d a n o , C. A t e y o , c o m o c u l p a b l e d e h a b e r s i m u l a d o l o s a u s -
p i c i o s . T e n i e n d o c o m p l e t o c o n o c i m i e n t o , á e l l o le a u t o r i -
z a b a sin d u d a s u a u t o r i d a d d e c e n s o r ; p e r o n o o b r ó c o m o
a u g u r al a t r i b u i r á a q u e l l a s i m p r e c a c i o n e s las c a l a m i d a d e s
q u e c a y e r o n s o b r e el p u e b l o r o m a n o . Si e s t a fué la c a u s a ,
la c u l p a n ó fué d e q u i e n l a s p r o n u n c i ó , s i n o d e q u i e n l a s
despreció. Pero, c o m o dijo el m i s m o a u g u r y c e n s o r , el
h e c h o d e m o s t r ó que eran v e r d a d e r a s ; que, de ser falsas,
no hubiesen producido ningún resultado funesto. P o r q u e
l a s i m p r e c a c i o n e s , d e la m i s m a m a n e r a q u e l o s o t r o s a u s -
p i c i o s , l o s p r e s a g i o s y s e ñ a l e s , n o s o n c a u s a p a r a q u e el
h e c h o se realice, sino que solamente anuncian que se r e a -
l i z a r á si n o s e a t i e n d e á e v i t a r l o . No p u e d e , p u e s , a t r i b u i r s e
la c a l a m i d a d á las i m p r e c a c i o n e s d e A t e y o , q u e s o l a m e n t e
f u e r o n a d v e r t e n c i a d e lo q u e d e b í a o c u r r i r á C r a s s o si n o
s e p r e v e n í a . Asi, p u e s , ó la i m p r e c a c i ó n d e A t e y o n o t u v o
e f e c t o a l g u n o , ó si lo t u v o , c o m o j u z g ó A p p i o , el c u l p a b l e
fué el q u e d e s p r e c i ó el c o n s e j o , y n o el c o n s e j e r o .
220 MARCO T U L I O C I C E R Ó N .

XVII. ¿Pero de quién habéis recibido e s e bastón s a g r a -


do, preclara insignia d e vuestra dignidad augural? Del
m i s m o R ó m u l o , q u e l o e m p l e ó p a r a d i v i d i r e n r e g i o n e s la
ciudad que acababa d e f u n d a r . El Mutis d e q u e s e s i r v i ó
( l l a m a d o a s í p o r la l i g e r a c u r v a t u r a q u e l e d a a l g u n a s e -
m e j a n z a c o n el c l a r í n ) s e e n c o n t r ó i n t a c t o e n l a s r u i n a s
d e la c u r i a d e l o s S a l i o s , q u e e s t á e n P a l a c i o , d o n d e e s -
taba depositado y q u e había sido presa de las llamas-
¿Y q u é a u t o r n o h a h a b l a d o d e l o q u e a c o n t e c i ó mucho
tiempo después, bajo e l r e i n a d o d e l p r i m e r Tarquino,
c u a n d o Á c c i o N a v i o e m p l e ó e l lituus p a r a d i v i d i r l a s r e -
giones? Este, p o r razón de su pobreza, había sido en s u
niñez guardián d e p u e r c o s , y h a b i e n d o perdido u n o , hizo
v o t o , si lo e n c o n t r a b a , d e o f r e c e r á D i o s e l r a c i m o m á s
g r a n d e d e la viña d o n d e se hallaba. Encontrado el p u e r c o ,
d í c e s e q u e A c c i o s e c o l o c ó e n m e d i o d e la v i ñ a , d e c a r a
al M e d i o d í a , y la d i v i d i ó e n c u a t r o p a r t e s . H a b i e n d o s i d o
c o n t r a r i o para t r e s d e ellas el presagio d e l a s a v e s , e n c o n -
t r ó e h la c u a r t a , según hemos visto escrito, u n racimo
prodigiosamente grande. Habiéndose propagado la noticia,
l o s v e c i n o s a c u d í a n á c o n s u l t a r al p a s t o r , o b t e n i e n d o m u y
pronto tanta gloria y autoridad q u e le llamó el r e y P r i s -
c u s (1), q u i e n , p a r a p r o b a r la c i e n c i a d e l a u g u r , l e p r e -
g u n t ó si p o d í a h a c e r s e lo q u e e n a q u e l m o m e n t o p e n s a b a !
Contestóle éste afirmativamente d e s p u é s d e e x a m i n a r los
a u g u r i o s . T a r q u i n o d e c l a r ó e n t o n c e s q u e p e n s a b a si p o d r í a
c o r t a r s e u n a piedra con u n c u c h i l l o , y m a n d ó q u e lo i n -
t e n t a s e A c c i o . L l e v a d o á la p l a z a p ú b l i c a , c o r t ó la p i e d r a
c o n el c u c h i l l o e n p r e s e n c i a d e l R e y y d e l p u e b l o ; p o r l o
cual, desde aquel m o m e n t o , Tarquino y el pueblo confia-
r o n c o m p l e t a m e n t e e n los augurios d e Accio Navio. R e -
fiere l a t r a d i c i ó n q u e e n t e r r a r o n e n la p l a z a p ú b l i c a l a
p i e d r a y el c u c h i l l o , e l e v a n d o en aquel punto un pu-

(1) Tarquino e l v i e j o .
DE LA ADIVINACIÓN. 221

teal (1). N e g u e m o s t o d o e s t o , q u e m e m o s n u e s t r o s a n a l e s ,
t r a t e m o s d e f á b u l a s t o d a s e s t a s c o s a s , si así lo q u i e r e s , y
a d m i t a m o s c u a l q u i e r d o c t r i n a a n t e s q u e confesar q u e los
D i o s e s a t i e n d e n á l a s c o s a s h u m a n a s . ¿Mas c ó m o ? ¿ n o h a s
a p r o b a d o tú m i s m o la c i e n c i a d e l o s a u g u r i o s y a u s p i c i o s
en l o que has escrito de Tiberio Gracco, q u e celebró comi-
c i o s p a r a la e l e c c i ó n d e c ó n s u l e s , d e s p u é s d e l e v a n t a r m a l
la t i e n d a a u g u r a l y h a b e r a t r a v e s a d o la e x p l a n a d a s i n a u s -
picios? He £quí u n h e c h o c o n o c i d o y q u e t ú m i s m o t r a s m i -
t e s á la p o s t e r i d a d . A d e m á s , el a u g u r T i b e r i o G r a c c o r o -
b u s t e c i ó , c o n la c o n f e s i ó n d e s u e r r o r , la a u t o r i d a d d e l o s
a u s p i c i o s y la c i e n c i a de los a r ú s p i e e s , q u i e n e s , i n t r o d u -
c i d o s e n el S e n a d o p o c o d e s p u é s d e e s t o s s u c e s o s , n e g a r o n
q u e h u b i e s e s i d o e x a c t o e n s u s a u g u r i o s el q u e h a b í a p r e -
sidido los comicios.
XVIII. A d o p t o la o p i n i ó n d e a q u e l l o s q u e d i v i d e n la
a d i v i n a c i ó n en d o s c l a s e s : u n a artificial y otra natural. Es
a r t e e n a q u e l l o s q u e a p o y a n s u s c o n g e t u r a s , e n c u a n t o á lo
venidero, en antiguas observaciones; pero no es arte en
los q u e p r e s i e n t e n l a s cosas futuras, no p o r medio d e la
razón ó de congeturas fundadas en o b s e r v a c i o n e s cuida-
d o s a m e n t e r e c o g i d a s , sino p o r cierta agitación del ánimo,
ó por movimiento libre y desordenado (como s u c e d e fre-
c u e n t e m e n t e e n l o s s u e ñ o s y á l o s v a t i c i n a d o r e s p o r fu-
r o r ) , c o m o B a c i s B e o c i o , E p i m á n i d e s C r e t e n s e y la Sibila
Crythrea. Tales son también los oráculos, no aquellos que
s e o b t i e n e n á la s u e r t e , s i n o c u a n d o s o n r e s u l t a d o d e u n a
m a n e r a d e e n t u s i a s m o é i n s p i r a c i ó n d i v i n a . No q u i e r e d e -
c i r e s t o q u e d e b a n d e s p r e c i a r s e l a s s u e r t e s , si t i e n e n e n s u
a p o y o la a u t o r i d a d antigua, c o m o aquellas que se dicen
s a l i d a s d e la t i e r r a . C o n s u l t a d a s d e m o d o q u e contesten
e x a c t a m e n t e á la p r e g u n t a , c r e o q u e p u e d e n t e n e r c a r á c t e r

(1) Cobertura d e p o z o fatídico con u n ara e n c i m a , donde s e c o l o c a -


ban l o s j u e c e s para q u e la d i o s a T e m i s l e s i n s p i r a s e l a s s e n t e n c i a s .
222 MARCO T U L I O CICERÓN.

divino; y en cuanto á aquellos que se ocupan de interpre-


tarlas, paréceme q u e se a p r o x i m a n tanto á los adivinos
c o m o los g r a m á t i c o s á los p o e t a s c u y a s o b r a s i n t e r p r e t a n .
¿A q u é , p u e s , a t a c a r p o r m e d i o d e la c a l u m n i a y e m p l e a n -
do sutilezas, instituciones tan [Link] por su antigüedad?
No c o n o z c o la c a u s a : tal v e z s e e n c u e n t r a e n t r e las o s -
c u r i d a d e s d e la n a t u r a l e z a . No q u i s o Dios q u e la cono-
c i e s e , s i n o ú n i c a m e n t e q u e la u s a s e . La a p r o v e c h a r é , p u e s ,
y j a m á s se m e podrá h a c e r c r e e r q u e t o d a la E t r u r i a d e -
lira s o b r e las e n t r a ñ a s d e las v í c t i m a s , q u e u n p u e b l o e n -
t e r o s e e n g a ñ a s o b r e los r e l á m p a g o s y l o s r a y o s , q u e i n -
t e r p r e t e mal l o s p r o d i g i o s c u a n d o los t e r r e m o t o s , l o s r u -
m o r e s s u b t e r r á n e o s , han anunciado tantas veces á n u e s t r a
república y á las d e m á s c i u d a d e s tantos y tan l a m e n t a b l e s
e s t r a g o s . ¡Cómo! ¿no s e b u r l a n t o d o s h o y d e l p a r t o d e u n a
m u í a , c u a n d o e s t e c a s o tan c o n t r a r i o al o r d e n d e la n a t u -
raleza presagiaba á l o s ojos d e los a r ú s p i c e s increíbles
d e s g r a c i a s p ú b l i c a s ? T i b e r i o G r a c c o , hijo d e P u b l i o , c ó n s u l
dos veces, dos veces censor, a u g u r sumo, varón sabio y
c i u d a d a n o e m i n e n t e ( c o m o d e j ó e s c r i t o s u h i j o Cayo G r a c -
c o ) , ¿no c o n v o c ó á los a i ú s p i c e s p o r q u e e n c o n t r ó d o s s e r -
p i e n t e s en s u c a s a ? H a b i é n d o l e r e s p o n d i d o l o s augures-
q u e si a r r o j a b a el m a c h o s u e s p o s a m o r i r í a al p o c o t i e m p o ,
y q u e si a r r o j a b a la h e m b r a moriría él, consideró más
j u s t o p r e s e r v a r á s u e s p o s a , q u e e r a j o v e n é hija d e S c i -
pión el A f r i c a n o , y s a l i r él m i s m o al e n c u e n t r o de una
muerte que nada tenía de p r e m a t u r a . Arrojó, pues, la
h e m b r a , y m u r i ó á los pocos días.
XIX. B u r l é m o n o s a h o r a de los a r ú s p i c e s ; llamémosles
i n ú t i l e s y v a n o s ; d e s p r e c i e m o s las p r á c t i c a s a p r o b a d a s p o r
aquel varón sapientísimo y autorizadas por los hechos;
d e s p r e c i e m o s t a m b i é n á los babilonios y aquellos q u e , d e s -
d e el C á u c a s o , e s t u d i a n l o s s i g n o s c e l e s t e s y el n ú m e r o ,
m a r c h a y m o v i m i e n t o s d e las e s t r e l l a s : t a c h e m o s a d e m á s
d e v a n i d a d , d e m e n c i a y t e m e r i d a d á los p u e b l o s q u e c o n -
DE LA ADIVINACIÓN. 223

s e r v a n , c o m o ellos m i s m o s a s e g u r a n , anales que r e m o n t a n


á c u a t r o c i e n t o s s e t e n t a mil a ñ o s : d i g á m o s l e s q u e m i e n t e n
y que no se preocupan del juicio que formulará sobre ellos
la e d a d v e n i d e r a . Bien e s t á : g e n t e s b á r b a r a s y falaces s o n ;
pero ¿será mentirosa t a m b i é n la h i s t o r i a d e l o s G r i e g o s ?
En c u a n t o á la a d i v i n a c i ó n n a t u r a l , ¿quién i g n o r a l a s c o n -
t e s t a c i o n e s d e Apolo P y t h ó n á los A t e n i e n s e s , á l o s L a c e -
d e m o n i o s , á l o s T e g e a t o s , á los A r g i v o s y C o r i n t i o s ? C r i -
sippo recogió considerable número de oráculos, confir-
m a d o s c o n el t e s t i m o n i o d e p o d e r o s a a u t o r i d a d , prescin-
d i e n d o y o d e e l l o s p o r q u e te s o n c o n o c i d o s . Lo ú n i c o que
d e f i e n d o e s q u e n u n c a h u b i e s e a l c a n z a d o el o r á c u l o d e
Delfos t a n t a c e l e b r i d a d , tan u n i v e r s a l fama, ni s e h u b i e s e
enriquecido con los d o n e s de tantos pueblos y r e y e s , á no
r e c o n o c e r t o d a s las e d a d e s la v e r d a d d e s u s v a t i c i n i o s .
Confieso q u e y a n o s u c e d e lo m i s m o ; p e r o a s í c o m o h o y
h a d i s m i n u i d o s u g l o r i a e n p r o p o r c i ó n d e la v e r d a d d e s u s
respuestas, decirse puede que en otro tiempo s o l a m e n t e
por su infalibilidad absoluta consiguió tan esplendente
f a m a . P u e d e s u c e d e r q u i z á q u e la f u e r z a s u b t e r r á n e a d e
la q u e r e c i b í a la m e n t e d e la P i t o n i s a i n s p i r a c i ó n d i v i n a , s e
h a y a d i s i p a d o c o n el t i e m p o , c o m o e s o s r í o s q u e v e m o s
secarse ó cambiar de cauce, tomando sus aguas otra di-
r e c c i ó n . D e c i d e c o m o te p l a z c a e s t a i m p o r t a n t e cuestión,
c o n tal q u e m e c o n c e d a s lo q u e no e s p o s i b l e n e g a r sin
d e s t r u i r t o d a ia h i s t o r i a ; e s d e c i r , la infalibilidad d e e s t e
oráculo durante muchos siglos.
X X . . Dejemos los oráculos y v e n g a m o s á los sueños.
Tratando de ellos Crisippo, recogió considerable n ú m e r o y
muy minuciosos, imitando á Antipáter, que solamente tuvo
en cuenta aquellos que habían sido explicados por An-
tiphón; explicaciones que acreditan sin d u d a la pene-
tración de su autor, pero cuya importancia no basta para
q u e l o s c i t e m o s . P h i l i s t o , h i s t o r i a d o r tan d o c t o c o m o d i l i -
g e n t e , y a d e m á s c o n t e m p o r á n e o de los h e c h o s que refiere,
224 MARCO TULIO CICERÓN.

n o s d i c e q u e la m a d r e d e Dionisio, t i r a n o d e Siracusa,
sofíó, c u a n d o le l l e v a b a e n su s e n o , q u e d a b a á l u z u n s á -
tiro. Los Galeotos, n o m b r e con que se designaba e n t o n c e s
e n Sicilia á l o s i n t é r p r e t e s de p r e s a g i o s , dijeron (según
P h i l i s t o ) q u e el n i ñ o q u e n a c e r í a s e r í a p o r m u c h o t i e m p o
el h o m b r e más preclaro y dichoso de t o d a la Grecia.
¿Te c i t a r é t a m b i é n l o s s u e ñ o s q u e r e f i e r a n u e s t r o s poetas
y los p o e t a s g r i e g o s ? He a q u í lo q u e d i c e la V e s t a l , s e g ú n
Ennio:
«La a n c i a n a , d e s p e r t a d a c o n s o b r e s a l t o , l l e v a c o n m a n o
temblorosa u n a l á m p a r a , y la V e s t a l le r e f i e r e l l o r a n d o el
s u e ñ o c u y o r e c u e r d o la e s t r e m e c e todavía. E u r í d i c e , h e r -
mana mía, á quien tanto amaba n u e s t r o p a d r e , todas mis
f u e r z a s y la v i d a m e a b a n d o n a n ; p a r e c í a m e que un h o m -
b r e d e h e r m o s o s e m b l a n t e m e c o g í a y d e t e n í a e n la orilla
del río, e n t r e bosques de s a u c e s , en una comarca e n c a n -
tadora y desconocida. Después, oh h e r m a n a q u e r i d a , he
vagado m u c h o tiempo por aquellos parajes, b u s c á n d o t e y
y s i n p o d e r a b r a z a r t e ; el s u e l o s e h u n d í a bajo m i s p i e s . Al
fin e s c u c h é la v o z d e m i p a d r e , q u e m e d e c í a : «Hija m í a ,
n o p u e d e s s u s t r a e r t e á t u d e s t i n o ; p e r o d e l r í o b r o t a r á el
t é r m i n o , el fin d e t u s d e s g r a c i a s . » S i g u i ó s i l e n c i o á e s t a s
p a l a b r a s , y n o p u d e v e r á m i p a d r e á p e s a r d e mi a r d i e n t e
d e s e o , á p e s a r d e m i s l á g r i m a s y r u e g o s . En v a n o a l c é l o s
b r a z o s al c i e l o , l l a m á n d o l e c o n c a r i ñ o s a v o z : e n t o n c e s m e
a b a n d o n ó este fatigoso s u e ñ o . »
XXI. A u n q u e ficción d e p o e t a , p a r é c e s e m u c h o á u n
s u e ñ o v e r d a d e r o . El q u e a g i t ó á P r í a m o e s sin d u d a fin-
gido también.
«Pareció á Hécuba e m b a r a z a d a , q u e daba á luz u n a an-
t o r c h a . A t e r r a d o el r e y P r í a m o p o r a q u e l s u e ñ o , n o c e s a b a
d e s a c r i f i c a r c o r d e r o s á l o s D i o s e s . C o n s u l t ó al o r á c u l o d e
Apolo, p r e g u n t á n d o l e qué significaban aquellos p r e s a g i o s ,
y A p o l o m i s m o r e s p o n d i ó p o r la v o z d e l o r á c u l o q u e si
P r í a m o c r i a b a el p r i m e r hijo q u e le n a c i e r a , a q u e l h i j o s e -
DE LA ADIVINACIÓN. 223

ría c a u s a d e la d e s t r u c c i ó n d e T r o y a y d e l r e i n o d e P o r -
ga m o . »
Repito que estes son s u e ñ o s poéticos, á los q u e se d e b e
u n i r e l d e E n e a s , tal c o m o s e r e f i e r e en los a n a l e s g r i e g o s
de Numerio Fabio Pielor, en los que están comprendidos
d e a n t e m a n o t o d o s l o s h e c h o s , t o d a s las a v e n t u r a s y la v i d a
entera de aquel héroe.
XXII. P e r o c i t e m o s e j e m p l o s m á s r e c i e n t e s . ¿Cómo de-
b e m o s c o n s i d e r a r el s u e ñ o q u e T a r q u i n o el S o b e r b i o r e f i e r e
e n el Bruto d e Accio?
« C u a n d o i n v i t a d o p o r la n o c h e y r e n d i d o d e c a n s a n c i o
m e e n t r e g u é p o r c o m p l e t o á las d u l z u r a s d e s u e ñ o r e p a -
r a d o r , vi u n p a s t o r q u e m e traía d o s c a r n e r o s d e la m i s m a
r a z a , n o t a b l e s p o r la h e r m o s u r a d e s u s b e l l o n e s . i n m o l é e l
m á s h e r m o s o ; su c o m p a ñ e r o m e atacó e n t o n c e s con los
c u e r n o s , y e m p u j a n d o con violencia m e arrojó del primer
g o l p e al s u e l o . D e r r i b a d o , h e r i d o , m e a l c é c o n t r a b a j o ,
v i e n d o en s e g u i d a e n el c i e l o o t r o p r o d i g i o : el inflamado
g l o b o d e l s o l , c a m b i a n d o d e c u r s o , s e d i r i g í a h a c i a la
derecha.»
V e a m o s la i n t e r p r e t a c i ó n que dieron á este sueño los
adivinos:
«Oh R e y , n o e s e x t r a ñ o q u e l o s c u i d a d o s , o c u p a c i o n e s ,
p e n s a m i e n t o s y h e c h o s q u e l l e n a n la v i d a o r d i n a r i a d e l o s
h o m b r e s s e a n o b j e t o d e s u s s u e ñ o s ; p e r o los t u y o s t i e n e n
m a y o r i m p o r t a n c i a : d e s c o n f í a d e t u e n e m i g o ; ten c u i d a d o
n o s e a q u e o c u l t e bajo a p a r i e n c i a s i n o f e n s i v a s a s t u c i a y
v a l o r , y c o n s i g a d e e s t a m a n e r a a r r o j a r t e d e tu r e i n o . L o
q u e h a s v i s t o e n el sol a n u n c i a p r ó x i m o c a m b i o e n el p u e -
b l o . ¡Ojalá a s e g u r e s u p r o s p e r i d a d ! Ese c a m b i o d e c a r r e r a
e n el a s t r o e s s e ñ a l d i c h o s a y m a g n í f i c o p r e s a g i o d e l o s a l -
t o s d e s t i n o s p r o m e t i d o s á la R e p ú b l i c a r o m a n a . »
XXIU. Veamos ahora los ejemplos e x t r a ñ o s á nuestra
historia. Heráclides Pontico, varón muy docto, discípulo
d e P l a t ó n , d i c e q u e la m a d r e d e P h a l a r i s v i o e n s u e ñ o s l a s
T O M O v. 15
226 MARCO T U L I O CICERÓN.

e s t a t u a s d e l o s Dioses q u e el m i s m o P h a l a r i s h a b i a c o n s a -
g r a d o e n s u c a s a ; q u e le p a r e c i ó q u e M e r c u r i o v e r t í a s a n -
g r e d e u n a c o p a q u e t e n í a e n la m a n o d e r e c h a , y que
a q u e l l a s a n g r e , al t o c a r al s u e l o , d e t a l m a n e r a h e r v í a q u e
s e l l e n a b a d e ella t o d a la c a s a . La t e r r i b l e c r u e l d a d d e l
hijo c o m p r o b ó s o b r a d a m e n t e el s u e ñ o d e la m a d r e . ¿ H a b r é
d e c i t a r t e t a m b i é n la h i s t o r i a d e Dinón d e P e r s i a , y la i n -
t e r p r e t a c i ó n q u e d i e r o n l o s m a g o s d e l r e y Cyro á u n s u e ñ o
q u e é s t e t u v o ? R e f i e r e e s t e e s c r i t o r q u e C y r o vio e n u n
s u e ñ o el s o l á s u s p i e s ; t r e s v e c e s e x t e n d i ó la m a n o p a r a
c o g e r l o y l a s t r e s e n v a n o , p o r q u e , r o d a n d o el s o l , e s c a -
p a b a á su a l c a n c e ; los m a g o s (que forman e n Persia un c o -
legio de d o c t o r e s y sabios) dijeron q u e los tres c o n a t o s
p a r a c o g e r el sol p r e s a g i a b a n q u e r e i n a r í a Cyro t r e i n t a
a ñ o s . Así s u c e d i ó e n r e a l i d a d , p o r q u e h a b i e n d o s u b i d o a!
t r o n o á los c u a r e n t a a ñ o s , murió á los s e t e n t a . Hasta las
n a c i o n e s b á r b a r a s conocían p a r c i a l m e n t e los p r e s e n t i m i e n -
t o s y a d i v i n a c i o n e s ; así fué q u e , al m a r c h a r á la m u e r t e el
i n d i o C a l a n o , al s u b i r á u n a pira a r d i e n t e , e x c l a m ó : «¡Oh
preclara despedida d e la e x i s t e n c i a ! C u a n d o q u e d e q u e -
m a d o c o m o el d e H é r c u l e s e s t e c u e r p o m o r t a l , mi a l m a a s -
c e n d e r á al foco d e la l u z . » H a b i é n d o l e p r e g u n t a d o A l e j a n -
d r o si t e n í a a l g o m á s q u e d e c i r : « S í , c o n t e s t ó ; q u e te v e r é
m u y p r o n t o . » Como e n e f e c t o s u c e d i ó ; p o r q u e p o c o s d í a s
después murió Alejandro en B a b i l o n i a . P r e s c i n d o p o r el
m o m e n t o d e l o s s u e ñ o s , á los q u e v o l v e r e m o s en s e g u i d a .
S a b i d o e s q u e la m i s m a n o c h e q u e o c u r r i ó el i n c e n d i o d e l
t e m p l o d e D i a n a e n Efeso n a c i ó d e Olimpia A l e j a n d r o , y al
amanecer el día siguiente exclamaron los magos que
a q u e l l a n o c h e h a b í a n a c i d o la d e s g r a c i a y el a z o t e del
Asia. Esto tenía q u e d e c i r de los Indios y m a g o s . Volva-
m o s á los s u e ñ o s .
XXIV. Celio e s c r i b e q u e A n n í b á l , q u e r i e n d o a r r e b a t a r
una columna de oro que adornaba el templo de Juno Laci-
n i a , d u d a n d o si s e r í a m a c i z a ó s o l a m e n t e d o r a d a , m a n d ó
D E LA A D I V I N A C I Ó N . 227

r e c o n o c e r l a ; s e g u r o ya de q u e era del precioso m e t a l , d e -


c i d i ó a r r e b a t a r l a ; p e r o J u n o s e l e p r e s e n t ó en s u e ñ o s , p r o -
hibiéndole r e a l i z a r el p r o p ó s i t o , a m e n a z á n d o l e en caso
c o n t r a r i o c o n h a c e r l e p e r d e r el ojo q u e le q u e d a b a . Aquel
h o m b r e tan sutil n o d e s p r e c i ó el a v i s o , y m a n d ó h a c e r d e l
oro e x t r a í d o en el reconocimiento una t e r n e r i t a , que c o -
l o c ó en lo a l t o d e la c o l u m n a . He a q u í lo q u e s e l e e e n la
historia griega d e Sileno, que consignó cuidadosamente
t o d o s los h e c h o s d e Anníbal y q u e sirvió d e a u t o r i d a d á
Celio. A n n í b a l , d e s p u é s d e la t o m a d e S a g u n t o , s o ñ ó q u e
h a b i é n d o l e l l a m a d o J ú p i t e r al c o n s e j o d e los Dioses, le
m a n d ó l l e v a r la g u e r r a á I t a l i a , d á n d o l e p o r g u i a á u n o d e l
consejo; parecióle q u e , habiéndose puesto en m a r c h a c o n
su ejército, el g u í a le p r o h i b i ó m i r a r á la e s p a l d a , p e r o
q u e , a r r a s t r a d o p o r la c u r i o s i d a d , violó e l m a n d a t o ; en-
t o n c e s s e le p r e s e n t ó u n a fiera monstruosa, rodeada de
serpientes, derribándolo todo á su paso, árboles, m a t o r r a -
l e s , c a s a s ; l l e n o d e a d m i r a c i ó n , h a b i e n d o p r e g u n t a d o al
Dios q u é m o n s t r u o e r a a q u e l , le c o n t e s t ó q u e e r a el a z o t e
devastador d e I t a l i a , p e r o q u e s i g u i e s e a d e l a n t e , sin c u i •
d a r s e d e lo q u e a c o n t e c i e r a á su e s p a l d a . L e e m o s t a m b i é n
e n el h i s t o r i a d o r A g a t o c l e s q u e el c a r t a g i n é s A m í l c a r c r e y ó
o i r u n a v o z a n u n c i á n d o l e q u e c o m e r í a al día s i g u i e n t e e n
la c i u d a d d e S i r a c u s a , q u e t e n í a s i t u a d a á la s a z ó n . A h o r a
b i e n : h a b i e n d o s a b i d o á la m a ñ a n a s i g u i e n t e l o s S i r a c u s a -
n o s q u e h a b í a e s t a l l a d o v i o l e n t a s e d i c i ó n e n el c a m p a m e n t o
entre Cartagineses y Sicilianos, atacaron d e improviso á los
s i t i a d o r e s y a r r e b a t a r o n á A m í l c a r v i v o . De e s t a manera
c o m p r o b ó el h e c h o al s u e ñ o . L l e n a s e s t á n d e i g u a l e s e j e m -
p l o s las h i s t o r i a s d e l o s p u e b l o s y l a s v i d a s d e l o s h o m b r e s .
Bajo el c o n s u l a d o d e M. V a l e r i o y d e A. C o r n e l i o , P . D e -
c i o , hijo d e Q u i n t o y p r i m e r c ó n s u l d e la familia d e l o s
Decios, q u e por e n t o n c e s era t r i b u n o en el ejército r o m a -
n o , e s t r e c h a m e n t e b l o q u e a d o p o r los S a m n i t a s , n o escu-
c h a n d o más que á su audacia, se exponía á los m a y o r e s
228 MARCO T U L 1 0 CICERÓN.

p e l i g r o s ; c o n t e s t a n d o á l o s q u e le a c o n s e j a b a n p r u d e n c i a , ,
s e g ú n c o n s t a e n n u e s t r o s a n a l e s , q u e s e le h a b í a p r e d i c h o
e n un s u e ñ o q u e m o r i r í a g l o r i o s a m e n t e e n m e d i o d e l o s
e n e m i g o s d e s u p a t r i a . En a q u e l l a o c a s i ó n c o n s i g u i ó s a l v a r
el e j é r c i t o sin p e r d e r la v i d a . P e r o t r e s a ñ o s después,
siendo cónsul, se sacrificó, precipitándose armado en m e -
d i o d e l a s f a l a n g e s l a t i n a s . L a d e r r o t a d e l e n e m i g o fué el
p r e c i o d e la m u e r t e d e D e c i o , m u e r t e tan g l o r i o s a , q u e fué-
p a r a s u hijo e j e m p l o q u e a r d i e n t e m e n t e deseaba imitar.
M a s , si te p l a c e , p a s e m o s a h o r a á l o s s u e ñ o s d e los f i l ó -
sofos.
XXV. Refiere Platón q u e , e n c e r r a d o Sócrates en una
c á r c e l p ú b l i c a , dijo á s u a m i g o C r i t ó n q u e m o r i r í a á l o s
t r e s días, p o r q u e había visto en s u e ñ o s una mujer de d e s -
l u m b r a d o r a h e r m o s u r a q u e , llamándole por su n o m b r e , le
citó e s t e v e r s o d e H o m e r o :

«Al t e r c e r día d e buen v i e n t o l l e g a r á s á Phth¡a.>

Y a s í s u c e d i ó , c o m o e s s a b i d o . X e n o f o n t e el s o c r á t i c o ,
¡ q u é v a r ó n y q u é a u t o r i d a d ! c o n s i g n ó tan c u i d a d o s a m e n t e
s u s s u e ñ o s c o m o los maravillosos h e c h o s q u e los confir-
m a r o n d u r a n t e s u c é l e b r e e x p e d i c i ó n c o n Cyro e l j o v e n .
¿Diremos que Xenofonte m i e n t e ó d e l i r a ? ¿Y A r i s t ó t e l e s ,
a q u e l v a r ó n d o t a d o d e ingenio tan e x c e p c i o n a l y casi d i -
v i n o , se e n g a ñ ó ó quiso e n g a ñ a r á los d e m á s c u a n d o re-
fiere q u e s u a m i g o E u d e m o d e C h i p r e , d i r i g i é n d o s e á Ma-
cedonia, tocó en P h e r a s , notabilísima ciudad d e Tesalia,
s o m e t i d a e n t o n c e s á la c r u e l d o m i n a c i ó n d e l t i r a n o Alejan-
d r o ; y q u e h a b i e n d o c a í d o allí t a n g r a v e m e n t e e n f e r m o ,
q u e l o s m é d i c o s d e s e s p e r a r o n d e s a l v a r l e , vio en s u e ñ o s
u n joven de noble semblante, que le anunció pronta c o n -
v a l e c e n c i a , a ñ a d i e n d o q u e el m i s m o E u d e m o v o l v e r l a á s u
p a t r i a p a s a d o s c i n c o a ñ o s ? A r i s t ó t e l e s e s c r i b e q u e la p r i -
m e r a p a r t e d e e s t a p r e d i c c i ó n s e c u m p l i ó en s e g u i d a . E u d e -
m o c u r ó , y al t i r a n o le m a t a r o n l o s h e r m a n o s d e s u e s p o s a .
D E LA ADIVINACIÓN. 229

P e r o d u r a n t e el quinto año, c u a n d o se e s p e r a b a , según el


s u e ñ o , q u e E u d e m o iba á v o l v e r d e Sicilia á la isla d e C h i -
p r e , se supo que había s u c u m b i d o combatiendo cerca de
S i r a c u s a , d a n d o l u g a r e s t o á q u e s e i n t e r p r e t a s e el s u e ñ o
d e o t r a m a n e r a y s e d i j e s e q u e , al salir d e l c u e r p o el e s p í -
ritu de E u d e m o , había vuelto á su v e r d a d e r a patria. Aña-
d a m o s á l o s filósofos u n v a r ó n d o c t í s i m o , u n p o e t a d i v i n o ,
Sófocles, que vio e n s u e ñ o á H é r c u l e s d e n u n c i á n d o l e el
l a d r ó n q u e h a b í a a r r e b a t a d o d e su t e m p l o u n a c o p a d e o r o
m u y p e s a d a . Dos v e c e s s e g u i d a s d e s p r e c i ó el p o e t a a q u e l
a v i s o , p e r o a d v e r t i d o d e n u e v o , s u b i ó al A r e o p a g o y r e f i r i ó
lo q u e le h a b í a s u c e d i d o . Los a r e o p a g i t a s h i c i e r o n e n t r a r
e n el a c t o al d e s i g n a d o p o r S ó f o c l e s , y p u e s t o e n el t o r -
m e n t o , c o n f e s ó y r e s t i t u y ó la c o p a . De e s t e s u c e s o v i e n e
el n o m b r e del t e m p l o d e H é r c u l e s A c u s a d o r .
XXVI. Mas ¿á q u é c o n t i n u a r c o n l o s Griegos? Ignoto
atractivo me trae á n u e s t r a propia historia. Sobre el h e c h o
s i g u i e n t e e s t á n d e a c u e r d o t o d o s los h i s t o r i a d o r e s , F a b i o ,
Gelio y m á s r e c i e n t e m e n t e C e l i o . En la é p o c a d e la g u e r r a
L a t i n a , d u r a n t e la c e l e b r a c i ó n de los primeros grandes
j u e g o s v o t i v o s , la c i u d a d fué l l a m a d a r e p e n t i n a m e n t e a l a s
a r m a s . Más a d e l a n t e s e o r d e n a r o n otros grandes juegos
p a r a r e e m p l a z a r á los i n t e r r u m p i d o s . A n t e s d e c o m e n z a r -
l o s y c u a n d o el p u e b l o o c u p a b a ya s u s a s i e n t o s , u n e s c l a v o
á quien azotaban con varas a t r a v e s ó el c i r c o l l e v a n d o la
h o r c a . Un c a m p e s i n o r o m a n o t u v o p o c o d e s p u é s u n s u e ñ o
e n el q u e le dijo u n o q u e n o le h a b í a a g r a d a d o el p r i n c i -
p a l a c t o r d e l o s j u e g o s y q u e lo a n u n c i a s e así al S e n a d o ; á
lo c u a l n o s e a t r e v í a . O t r a v e z t u v o el m i s m o s u e ñ o a c o m -
pañado con idéntico mandato, y ahora con a m e n a z a s . Tam-
b i é n le c o n t u v o el t e m o r , y m u r i ó un hijo s u y o . P o r t e r c e r a
v e z r e c i b i ó la m i s m a a d v e r t e n c i a y t a m b i é n e n s u e ñ o s ; y
q u e d a n d o al fin p a r a l í t i c o c o m u n i c ó á s u s a m i g o s lo q u e
le h a b í a a c o n t e c i d o : c o l o c á r o n l e é s t o s e n u n a l i t e r a y l e
•llevaron al S e n a d o , d e d o n d e v o l v i ó á s u c a s a p o r s u pie,
230 MARCO TULIO CICERÓN.

d e s p u é s de h a b e r referido su sueño. Dícese q u e , con-


v e n c i d o el S e n a d o d e la r e a l i d a d d e l s u e ñ o , o r d e n ó nueva
celebración de juegos. Según escribe el m i s m o Celio,
c u a n d o C. G r a c c o s o l i c i t a b a la c u e s t u r a , refirió á muchos
que se le había presentado en s u e ñ o s su h e r m a n o Tiberio
diciéndole que tarde ó temprano moriría d e la misma
m u e r t e q u e é l . Celio a ñ a d e q u e o y ó e s t o a n t e s d e q u e f u e s e
n o m b r a d o C. G r a c c o t r i b u n o d e la p l e b e y q u e l o c o m u n i c ó
á m u c h a s p e r s o n a s . ¿Y e x i s t e a l g o m á s c i e r t o q u e este
sueño?
XXVII. A d e m á s ¿ q u i é n p o d r í a n e g a r los d o s s u e ñ o s q u e
c o n t a n t a f r e c u e n c i a c i t a n l o s E s t o i c o s ? El p r i m e r o e s de
Simónides, que viendo abandonado el c a d á v e r de un
d e s c o n o c i d o , lo e n t e r r ó ; y c o m o t e n í a e n m i e n t e s u n v i a j e
p o r mar, parecióle q u e el mismo á quien había enterrado
le aconsejaba desistiera de su p r o y e c t o , anunciándole q u e ,
si p e r s i s t í a e n e m b a r c a r s e , n a u f r a g a r í a . S i m ó n i d e s d e s i s t i ó
y la n a v e en que debía e m b a r c a r s e pereció con todos los
q u e l l e v a b a . El s e g u n d o e s e v i d e n t e . Dos á r c a d e s , ligados
con amistad, caminaban juntos, y habiendo llegado á ale-
g a r a , p a r ó u n o e n c a s a d e u n a m i g o y el o t r o en una p o -
s a d a . Habiéndose acostado los dos después de cenar, el
q u e s e h o s p e d a b a e n c a s a d e l a m i g o vio e n s u e ñ o s al que
q u e d ó e n la p o s a d a i m p l o r a r s u a u x i l i o p o r q u e el p o s a d e r o
quería matarlo. Asustado por este sueño se levantó, pero
h a b i é n d o s e c o n v e n c i d o de q u e la visión no tenía n a d a de
real, se acostó otra vez y se durmió, presentándosele la
misma visión y r o g á n d o l e que no h a b i e n d o acudido á s o c o -
r r e r l e v i v o , q u e al m e n o s v e n g a r a s u m u e r t e . R e f i r i ó l e q u e
el p o s a d e r o le h a b í a a s e s i n a d o , q n e h a b í a p u e s t o s u c u e r p o
en una carreta cubriéndole con estiércol, y le rogó q u e s e
e n c o n t r a s e al a m a n e c e r e n l a p u e r t a . d e la c i u d a d , a n t e s d e
q u e s a l i e r a la c a r r e t a . I m p r e s i o n a d o p o r el s u e ñ o , m a r c h ó -
m u y t e m p r a n o á la p u e r t a ; p r e g u n t ó al b o y e r o q u é l l e v a b a
e n el v e h í c u l o ; a s u s t a d o a q u e l h o m b r e , h u y o ; d e s c u b r i ó s e
DE LA ADIVINACIÓN. 231

e l c a d á v e r , y p o c o d e s p u é s , c o n v i c t o él p o s a d e r o , fué c a s -
t i g a d o . ¿ P u e d e e n c o n t r a r s e aviso m á s c l a r a m e n t e divino
que este sueño?
XXVIH. P e r o ¿á q u é c i t a r t a n t o s e j e m p l o s antiguos?
Muchas v e c e s t e h e referido mi sueño y muchas veces
t a m b i é n m e h a s r e f e r i d o el t u y o . S a b e s q u e , e n c o n t r á n d o m e
de p r o c ó n s u l en Asia, p a r e c i ó m e , estando dormido, que
l l e g a b a s á c a b a l l o á la orilla d e u n r í o m u y c a u d a l o s o , c a í a s
al a g u a y d e s a p a r e c í a s e n e l l a , d e j á n d o m e a t e r r a d o ; des-
pués, apareciste de pronto muy alegre para subir con el
m i s m o c a b a l l o la o t r a o r i l l a , d o n d e te r e c i b í e n m i s b r a z o s .
F á c i l e r a la e x p l i c a c i ó n d e e s t e s u e ñ o , y l o s s a b i o s i n t é r -
p r e t e s d e l Asia m e a n u n c i a r o n t o d o lo q u e h a ocurrido
d e s p u é s . P a s e m o s a h o r a á tu s u e ñ o , q u e t ú m i s m o m e h a s
referido y del q u e n u e s t r o Salustio m e ha hablado con ma-
y o r f r e c u e n c i a t o d a v í a . D u r a n t e a q u e l l a fuga tan gloriosa
p a r a n o s o t r o s , t a n c a l a m i t o s a p a r a la p a t r i a , t e detuviste
en una quinta en las c e r c a n í a s de Atina, d o n d e d e s p u é s de
v e l a r m u c h a p a r t e d e la n o c h e , te d o r m i s t e p r o f u n d a y p e -
s a d a m e n t e al a m a n e c e r . A u n q u e u r g í a c a m i n a r , mandaste
g u a r d a r s i l e n c i o y q u e n a d i e i n t e r r u m p i e s e tu s u e ñ o . Ha-
b i e n d o d e s p e r t a d o á la s e g u n d a h o r a d e l d í a , referiste á
S a l u s t i o el s i g u i e n t e s u e ñ o . V a g a b a s t r i s t e m e n t e e n s o l i t a -
rio b o s q u e , c u a n d o t e p r e g u n t ó la c a u s a d e t u tristeza
C. M a r i o , p r e c e d i d o d e l o s h a c e s l a u r e a d o s : respondístelej
q u e la fuerza te a r r o j a b a d e la patria;) y c o g i é n d o t e e n t o n -
c e s d e la m a n o , t e e x c i t ó á t e n e r á n i m o , m a n d a n d o al l i c t o r
m á s c e r c a n o q u e te l l e v a s e á s u monumento, añadiendo
q u e allí e n c o n t r a r í a s la s a l v a c i ó n . S a l u s t i o m e dijo que
e n t o n c e s e x c l a m ó q u e tu r e g r e s o sería tan pronto como
g l o r i o s o y q u e le p a r e c i ó q u e el s u e ñ o t e h a b í a a g r a d a d o .
Al m e n o s l o q u e s é e s , q u e á la n o t i c i a d e q u e el m a g n í f i c o
senatusconsulto que d e c l a r a b a tu r e g r e s o s e h a b í a d a d o
e n el m o n u m e n t o d e M a r i o , p o r i n f o r m e d e l c ó n s u l mejor
y m á s i l u s t r e , y d e q u e i n m e n s a m u l t i t u d le h a b í a r e c i b i d o
232 MARCO T U H O CICERÓN.

e n el t e a t r o c o n a p l a u s o s y a l e g r e s e x c l a m a c i o n e s , d i j i s t e ,
q u e n a d a p o d í a o c u r r i r t e t a n m a r a v i l l o s o c o m o el s u e ñ e d e
Atina.
XXIX. P e r o hay m u c h o s falsos, ó m á s bien, oscuros
p a r a n o s o t r o s . A d m i t a m o s q u e e x i s t e n m u c h o s falsos; ¿ q u é
p o d e m o s decir contra los verdaderos? y estos serían harto
m á s n u m e r o s o s si n o s d u r m i é s e m o s m á s s a n o s . P e r o re-
pletos de vino y comida, solamente t e n e m o s visiones tur-
b a d a s y c o n f u s a s . Oye lo q u e d i c e S ó c r a t e s e n la República
d e P l a t ó n : « M i e n t r a s q u e , d u r a n t e el s u e ñ o , e s a parte del
a l m a q u e e s a s i e n t o d e la i n t e l i g e n c i a y d e la razón lan-
g u i d e c e a l e t a r g a d a , la o t r a parte formada de elementos
más materiales y groseros, embrutecida por el exceso de
c o m i d a y b e b i d a , s e e n c u e n t r a en e s t a d o d e e x c i t a c i ó n y
d e d e l i r i o . En e s t a a u s e n c i a d e la r a z ó n y d e la i n t e l i g e n c i a ,
a s á l t a n l a n u m e r o s a s v i s i o n e s , y así s e c r e e v e r v e r g o n z o s o
c o m e r c i o c o n la p r o p i a m a d r e , ó c o n un h o m b r e , ó c o n u n
Dios y h a s t a c o n u n a fiera. I m a g í n a s e q u e s e a s e s i n a á a l -
g u n o y b a ñ a r s e en s a n g r e i n o c e n t e , sin q u e el t e m o r ni el
r e m o r d i m i e n t o d e t e n g a n en e s t a c a r r e r a d e infamia. P e r o
si el q u e s e e n t r e g a al d e s c a n s o tiene costumbre de so-
b r i e d a d y t e m p l a n z a ; si e s a p a r t e d e l a l m a q u e e s asiento
d e la r a z ó n y d e la i n t e l i g e n c i a s e m a n t i e n e en cierto
grado de elevación y actividad, saturada de buenos pen-
s a m i e n t o s ; si al m i s m o t i e m p o la o t r a p a r t e q u e s e a l i -
m e n t a d e la v o l u p t u o s i d a d n o s e e n c u e n t r a exhausta por
la n e c e s i d a d ni r e p l e t a p o r la s a c i e d a d ( p o r q u e la n e c e s i -
d a d y la s a c i e d a d e x c e s i v a s son d o s e x t r e m o s q u e q u i t a n a l
espíritu su vigor y penetración), y además, esa tercera
p a r t e del a l m a en q u e se e n c i e n d e n las i r a s permane-
ce tranquila y plácida, sucederá que estando comprimidas
l a s d o s p a r t e s i n f e r i o r e s , la p r i m e r a , a q u e l l a e n q u e r e s i d e
la r a z ó n , se m o s t r a r á viva, p u r a y b r i l l a n t e , p r e s e n t á n d o s e
también e n t o n c e s s u e ñ o s , tranquilos, y verídicos.» Estas
s o n las p a l a b r a s m i s m a s d e P l a t ó n .
DE LA ADIVINACIÓN. 233

XXX. ¿Daremos preferencia á Epicuro? Verdad es que


C a r n e a d e s , a r r a s t r a d o p o r el a r d o r d e la d i s c u s i ó n , e n t a n .
t o d i c e u n a c o s a y e n t a n t o o t r a . ¿Mas q u é p i e n s a aquél?
Seguramente nada n o b l e y l e v a n t a d o ; ¿y c ó m o colocarle
por encima de Sócrates y Platón, cuyas opiniones, hasta
sin d e m o s t r a c i ó n , v e n c e r í a n con su propia autoridad las
d e t o d o s e s o s p e q u e ñ o s filósofos? M a n d a , p u e s , P l a t ó n q u e
n o s p r e p a r e m o s al r e p o s o c o n r é g i m e n q u e p o n g a n u e s t r o s
e s p í r i t u s al a b r i g o d e t u r b a c i ó n y e r r o r . H a s t a s e c r e e q u e
s e p r o h i b i ó á l o s P i t a g ó r i c o s el u s o d e l a s h a b a s , porque
e s t a c o m i d a f l a t u l e n i a e s c o n t r a r i a a la t r a n q u i l i d a d d e l
e s p í r i t u y á la i n v e s t i g a c i ó n do la v e r d a d . Así, p u e s , c u a n -
d o p o r el s u e ñ o q u e d a s e p a r a d o el e s p í r i t u del c o m e r c i o
y c o n t a g i o d e l c u e r p o , r e c u e r d a el p a s a d o , v e c o n c l a r i d a d
el p r e s e n t e y p r e v é el p o r v e n i r . D u r a n t e el s u e ñ o , n u e s t r o
c u e r p o y a c e i n e r t e c o m o m u e r t o ; el e s p í r i t u , p o r el c o n -
t r a r i o , e s t á l l e n o d e fuerza y d e v i d a , m e n o s s i n embargo
q u e d e s p u é s d e la m u e r t e , c u a n d o q u e d a r á c o m p l e t a m e n t e
d e s p o j a d o d e s u e n v o l t u r a . Así e s q u e , c u a n t o m á s s e a c e r -
ca e s t e m o m e n t o , e s m u c h o m á s d i v i n o . Los a t a c a d o s d e
enfermedad g r a v e y m o r t a l , p r e v é n el i n s t a n t e d e m o r i r .
Con f r e c u e n c i a e n e s t e t r a n c e s u p r e m o v e n las i m á g e n e s
d e los q u e f u e r o n ; e s f u é r z a n s e e n h a c e r s e d i g n o s d e ala-
banza, y en e s t o s i n s t a n t e s también los q u e no vivieron
como debían, arrepiéntense profundamente de sus faltas.
Para demostrar que los m o r i b u n d o s adivinan, recuerda
Posidonio el e j e m p l o d e a q u e l R o d i a n o q u e en la a g o n í a
c i t ó á s e i s c o n t e m p o r á n e o s , y dijo c u á l s e r í a el p r i m e r o ,
c u á l e l s e g u n d o , y así s u c e s i v a m e n t e c ó m o irían m u r i e n d o .
El m i s m o filósofo c r e e q u e l o s h o m b r e s r e c i b e n d e l o s D i o -
s e s los s u e ñ o s d e t r e s m a n e r a s d i f e r e n t e s : p r i m e r a , c u a n d o
el e s p í r i t u p r e v é p o r sí m i s m o , e n v i r t u d d e s u afinidad
c o n los Dioses; s e g u n d a , c u a n d o c o m u n i c a con las a l m a s
i n m o r t a l e s , q u e l l e n a n el a i r e y q u e l l e v a n , por decirlo
a s í , el s e l l o d e la v e r d a d ; t e r c e r a , c u a n d o l o s Diose3 s e
234 MARCO TULIO CICERÓN.

dignan c o n v e r s a r con n o s o t r o s d u r a n t e el s u e ñ o . Como h á


p o c o h e d i c h o , la p r o x i m i d a d d e la m u e r t e facilita el c o n o -
c i m i e n t o del p o r v e n i r . De a q u í la p r e d i c c i ó n de Calano,
que antes cité, y aquella d e Héctor q u e , según Homero,
a n u n c i a , a l m o r i r , la m u e r t e d e A q u i l e s .
Si n a d a d e e s t o e x i s t i e s e , e l u s o n o h a b r í a a p r o b a d o e s -
tas locuciones:
«Cuando salía d e casa presentía q u e salía e n v a n o . »
Sagire, e s s e n t i r c o n p e n e t r a c i ó n , p o r lo q u e s e l l a m a
sagce á las v i e j a s q u e q u i e r e n s a b e r l o t o d o , y t a m b i é n s e
d i c e s a g a c e s á l o s p e r r o s . Al q u e p r e v é (sagü) un a c o n t e -
c i m i e n t o a n t e s d e q u e s e r e a l i c e , l l á m a s e l e presager, es
d e c i r , q u e siente lo v e n i d e r o .
XXXI. E x i s t e , p u e s , e n n u e s t r o s á n i m o s facultad de
presentir, que recibimos del exterior y que nos han con-
c e d i d o l o s D i o s e s . C u a n d o , s e p a r a d o n u e s t r o e s p í r i t u d e la
materia, s e abrasa en divino entusiasmo, excitada viva-
m e n t e esta facultad, llámase furor.
« ¡ C ó m o ! ¿esa j o v e n a n t e s t a n p r u d e n t e , e s a v i r g e n t a a
modesta, lanza de pronto miradas ardientes y extravia-
d a s ? — ¡ O h m a d r e e x c e l e n t e , e x c l a m a , o h la m e j o r d e l a s
e s p o s a s , c o n d e n a d a e s t o y al d e l i r i o y á l o s f u r o r e s p r o f é t i -
c o s ! A p o l o , el Dios s i n p i e d a d , m e r e v e l a e l p o r v e n i r pri-
v á n d o m e d e l a r a z ó n . ¡Oh v í r g e n e s m i s c o m p a ñ e r a s , o h
p a d r e m í o , c u a n d e p l o r a b l e e s m i s u e r t e ! ¡y á t í , m a d r e
m í a , c u á n t o t e c o m p a d e z c o p o r mi c a u s a ! E x c e p t o y o , t o -
d o s t u s hijos h a n s i d o fieles á P r í a m o ; d u é l e m e q u e e l l o s
le sirvan y o b e d e z c a n con abnegación, y yo sola m e a t r e v a
á oponerme y desobedecer.»
¡Cuánta t e r n u r a , delicadeza y v e r d a d ! p e r o esto es lo
q u e m e n o s i m p o r t a . B u s c a m o s la e x p r e s i ó n d e l f u r o r p r o -
fótico.
«Mira, m i r a la a n t o r c h a i n c e n d i a r i a y s a n g r i e n t a : p o r
m u c h o t i e m p o o c u l t a , b r i l l a a l fin. A c u d i d á e x t i n g u i r l a ,
ciudadanos.»
se l a adivinación. 235*
Un Dios r e v e s t i d o c o n la f o r m a h u m a n a , y n o C a s a n d r o ,
es quien habla:
«Ya s u r c a l o s m a r e s la flota fatal, t r a y e n d o la muche-
dumbre de nuestras desgracias; viene á velas desplegadas
y e c h a en la p l a y a á n u e s t r o s i m p l a c a b l e s e n e m i g o s . »
XXXII. P a r é c e m e que se dirá que todo esto son t r a g e -
dias y fábulas. P e r o te he oído referir un hecho bien c o m -
p r o b r a d o y d e l m i s m o g é n e r o : C. C o m p o n i o , v a r ó n pru-
d e n t e é i n s t r u i d o , c u a n d o m a n d a b a c o m o p r o p r e t o r la flota
d e l o s R o d i a n o s , fué á v e r t e en D y r r h a q u i o p a r a d e c i r t e q u e
u n r e m e r o d e u n a q u i n q u e r r e m e d e R o d a s le h a b í a p r o f e -
t i z a d o q u e a n t e s d e t r e i n t a d í a s n a d a r í a e n s a n g r e la G r e -
cia, que Dyrrhaquio sería saqueada, que se correría apre-
s u r a d a m e n t e á l a s n a v e s , y q u e e n la fuga s e experimen-
t a r í a el d o l o r d e v e r l o t o d o i n c e n d i a d o á la e s p a l d a ; pero
q u e l a flota r o d i a n a e n c o n t r a r í a m u y p r o n t o a b r i g o e n l o s
p u e r t o s d e s u p a t r i a . No o c u l t a s t e tú l o s t e m o r e s que te
i n v a d í a n c u a n d o los d o c t o s v a r o n e s M. Y a r r ó n y M. C a t ó n ,
que se encontraban presentes, experimentaron profunda
e m o c i ó n . P o c o s días d e s p u é s , L a b i e n o , fugitivo, anunció
la d e r r o t a d e F a r s a l i a y la p é r d i d a d e l e j é r c i t o , realizán-
d o s e m u y p r o n t o el r e s t o d e la p r e d i c c i ó n . S a q u e a r o n los
graneros, derramando e n l a s c a l l e s y p l a z a s p ú b l i c a s el
t r i g o a r r e b a t a d o . D o m i n a d o s p o r el t e r r o r , c o r r i s t e i s á l a s
n a v e s , y á la n o c h e s i g u i e n t e , al m i r a r h a c i a la ciudad,
v i s t e i s a r d e r t o d o s los b a r c o s d e c a r g a , á l o s q u e l o s s o l d a -
d o s h a b í a n p r e n d i d o fuego p o r q u e n o q u e r í a n s e g u i r ; en
fin, a b a n d o n a d o s p o r la flota r o d i a n a , r e c o n o c i s t e i s la v e r -
d a d d e la p r e d i c c i ó n .

Con la b r e v e d a d p o s i b l e h e e x p u e s t o l o s o r á c u l o s p r o c e -
d e n t e s d e l sueflo y d e l f u r o r , e n l o s q u e n o i n t e r v i e n e e l
a r t e , s e g ú n dije. Estos d o s g é n e r o s de adivinización t i e n e n
el m i s m o o r i g e n ; p o r c u y a r a z ó n s o l í a d e c i r n u e s t r o Cra-
t i p p o q u e el a l m a h u m a n a e s e n p a r t e i n d e p e n d i e n t e del
cuerpo y tiene origen exterior, entendiendo por esto que
236 MARCO T U L I 0 CICERÓN.

e x i s t e u n e s p í r i t u d i v i n o d e l q u e el n u e s t r o e s e m a n a c i ó n ,
p e r o q u e u n a p a r t e d e l a l m a h u m a n a , a s i e n t o d e la s e n s a -
ción, del movimiento y del apetito, es inseparable del
c u e r p o ; m i e n t r a s q u e la o t r a p a r t e , r a c i o n a l é i n t e l i g e n t e ,
s ó l o p o r el a i s l a m i e n t o c o m p l e t o d e la p a r t e m a t e r i a l de
n u e s t r o ser llega á su grado m á x i m o de vigor. Después d e
citar ejemplos de vaticinios y sueños v e r d a d e r o s , concluye
C r a t i p p o c o n e s t e r a c i o c i n i o : Así c o m o sin ojos n o p u e d e n
e x i s t i r el u s o y f u n c i o n e s d e e s t o s ó r g a n o s , así t a m b i é n
p u e d e a c o n t e c e r m u c h a s v e c e s q u e l o s ojos n o desem-
peñen sus funciones, p e r o el q u e u n a v e z s e ha servido
de los ojos para ver un objeto real, está completamente
d o t a d o d e l s e n t i d o d e la v i s t a ; d e la m i s m a m a n e r a , s i n la
a d i v i n a c i ó n no p u e d e e x i s t i r el uso y l a s f u n c i o n e s d e la
a d i v i n a c i ó n . P e r o c o m o a q u e l q u e la t i e n e p u e d e e n g a ñ a r s e
a l g u n a s v e c e s , y no a d i v i n a r b i e n , b a s t a p a r a h a c e r c o n s -
t a r la v e r d a d d e la a d i v i n a c i ó n , q u e h a y a a d i v i n a d o u n a
v e z d e tal m a n e r a q u e n o p u e d a a t r i b u i r s e á la c a s u a l i d a d .
Ahora bien, c o n t a m o s multitud de h e c h o s de este g é n e r o ;
luego d e b e m o s confesar que existe adivinación.
XXXlil. En c u a n t o á las a d i v i n a c i o n e s p o r conjeturas^ ó
f u n d a d a s e n l a r g a o b s e r v a c i ó n d e a c o n t e c i m i e n t o s , y a dije
q u e n o s o n p r o p i a s d e la n a t u r a l e z a s i n o d e l a r t e , p e r t e n e -
c i e n d o á los a u g u r e s , a r ú s p i c e s y á c u a n t o s t i e n e n p o r o f i -
cio conjeturar. Los Peripatéticos r e p r u e b a n e s t a s adivi-
n a c i o n e s , y l o s E s t o i c o s las p r o h i b e n . D e s c a n s a n u n a s de
e l l a s en r e g l a s r e u n i d a s e n c u e r p o d e d o c t r i n a , c o m o lo
d e m u e s t r a n l o s e s c r i t o s d e los E t r u s c o s a c e r c a d e las e n t r a -
ñ a s d e las v í c t i m a s , l o s r e l á m p a g o s y r a y o s , así c o m o t a m -
bién nuestros propios libros augúrales. Fúndanse otras en
alguna conjetura r e p e n t i n a , c o m o la d e Calcas q u e ve-
m o s en la Ilíada p r e d e c i r , p o r el n ú m e r o d e a v e s , la d u r a -
c i ó n d e l sitio d e T r o y a : tal e s t a m b i é n la q u e l e e m o s e n e l
h i s t o r i a d o r S i s e n n a , y d e la q u e fuiste t e s t i g o . Encontrán-
d o s e Sila, d i c e , e n las c e r c a n í a s d e Ñola, s a c r i f i c a b a de-
D E LA A D I V I N A C I Ó N . 237

lante del p r e t o r i o , cuando salió de p r o n t o una serpiente d e


d e b a j o d e l a r a ; el a r ú s p i c e C. P o s t u m i o le e x h o r t ó e n t o n -
c e s á q u e m a n d a s e m a r c h a r al e j ó r e i t o , c o m o lo hizo S i l a ,
a p o d e r á n d o s e del formidable c a m p a m e n t o que habían for-
m a d o l o s S a m n i l a s a l r e d e d o r d e Ñ o l a . T a m b i é n fué objeto
d e u n a c o n j e t u r a D i o n i s i o , p o c o a n t e s d e su usurpación.
Caminando por los c a m p o s L e o n t i n o s , h a b i e n d o e c h a d o pie
á t i e r r a , m e t i ó e n el río al c a b a l l o , q u e d e s a p a r e c i ó bajo
el a g u a . No h a b i e n d o p e d i d o Dionisio s a c a r l o , á p e s a r de
sus g r a n d e s esfuerzos, se marchaba m u y contristado, dice
F i l i s t u s , c u a n d o p o c o m á s lejos o y ó d e p r o n t o u n r e l i n c h o ;
v o l v i é n d o s e , vio c o n r e g o c i j o á s u c a b a l l o v i v o , e n c u y a s
c r i n e s s e h a b í a p o s a d o un e n j a m b r e a e abejas. Confirma-
c i ó n d e e s t e p r o d i g i o fué q u e á l o s p o c o s d í a s comenzó
Dionisio á r e i n a r .
XXXIV. ¿Cuántas señales anunciaron á los L a c e d e m o -
n i o s la d e r r o t a d e L e u c t r a ? L a s a r m a s d e p o s i t a d a s e n el
t e m p l o d e H é r c u l e s c h a c a r o n u n a s c o n o t r a s , y la e s t a t u a
d e e s t e Dios s e c u b r i ó d e s u d o r . Al m i s m o tiempo, según
r e f i e r e C a l i s t e n e s , s e a b r i e r o n en T e b a s l a s p u e r t a s d e l t e m -
p l o d e H é r c u l e s c e r r a d a s c o n b a r r a s t r a s v e r s a l e s , y las a r -
m a s , c o l g a d a s a n t e s e n l a s p a r e d e s , s e e n c o n t r a r o n e n el
s u e l o . En el m i s m o d í a , en L i v a d i a , d u r a n t e el sacrificio á
T r o p h o n i o , c o m e n z a r o n á c a n t a r l o s g i l l o s , sin q u e nadie
p u d i e s e a c a l l a r l o s , p o r lo c u a l d i j e r o n l o s a u g u r e s b e o c i o s
q u e la v i c t o r i a e r a d e los T e b a n o s ; p o r q u e e s t a s a v e s c a -
llan c u a n d o s o n v e n c i d a s y c a n t a n c u a n d o t r i u n f a n . N u -
m e r o s a s s e ñ a l e s a n u n c i a b a n en la m i s m a é p o c a á los L a -
c e d e m o n i o s la d e r r o t a de L e u c t r a . Vióse en Delfos una
corona de hierbas rudas y silvestres sobre la c a b e z a de
L i s a n d r o , u n o d e los L a c e d e m o n i o s m á s e s c l a r e c i d o s . E s t o s
m i s m o s h a b í a n c o n s a g r a d o e n el t e m p l o d e Delfos estre-
llas d e o r o , c o m o símbolo d e Castor y Pólux ( p o r q u e p r e -
t e n d í a n h a b e r l o s t e n i d o á s u l a d o e n el c o m b a t e n a v a l e n
q u e Lisandro d e r r o t ó á los Atenienses), estrellas que ca-
238 MARCO TULIO CICERÓN.

y e r o n p o c o a n t e s d e la b a t a l l a d e L e u c t r a s i n q u e v o l v i e -
r a n á e n c o n t r a r s e . P e r o s o b r e t o d o , fué m a l p r e s a g i o p a r a
l o s E s p a r t a n o s , c u a n d o los q u e h a b í a n e n v i a d o á c o n s u l t a r
e l o r á c u l o d e J ú p i t e r D o d o n e o a c e r c a d e la v i c t o r i a , h a b i e n -
d o c o l o c a d o y a d e l a n t e d e e l l o s la u r n a q u e e n c e r r a b a l a s
s u e r t e s , un m o n o q u e f o r m á b a l a s delicias del r e y de los
M o l o s o s , la d e r r i b ó d e s p a r r a m a n d o l a s s u e r t e s y t u r b a n d o
l o s p r e p a r a t i v o s d e la c e r e m o n i a . La s a c e r d o t i s a q u e p r e -
s i d í a e s t o s o r á c u l o s dijo e n t o n c e s , s e g ú n s e a s e g u r a , q u e
los Lacedemonios d e b í a n p e n s a r e n su s a l v a c i ó n y n o e n
la v i c t o r i a .
XXXV. ¿Y qué? ¿ d u r a n t e la s e g u n d a guerra púnica,
C. Flaminio, cónsul por segunda vez, no despreció los
p r e s a g i o s c o n p r o f u n d o d a ñ o d e la R e p ú b l i c a ? C u a n d o d e s -
p u é s d e r e v i s t a r el e j é r c i t o y d é l o s a c o s t u m b r a d o s s a c r i -
ficios m a r c h a b a s o b r e Arrecio para atacar á Anníbal, d e
p r o n t o , sin c a u s a a p a r e n t e , c a y ó c o n s u c a b a l l o d e l a n t e d e
la e s t a t u a d e J ú p i t e r S t a t o r , y c o n m e n o s p r e c i o d e la o p i -
nión de los p e r i t o s , q u e veían en aquello u n a advertencia
d e l o s D i o s e s , p e r s i s t i ó e n l i b r a r la b a t a l l a . T a m b i é n a c o n -
sejó el a r ú s p i c e , c u a n d o s e c o n s u l t ó l o s g a l l o s s a g r a d o s ,
q u e s e d e m o r a s e el día d e l c o m b a t e . E n t o n c e s preguntó
F l a m i n i o q u é h a r í a n si s e o b s t i n a b a n los gallos en no co-
mer; y habiendo contestado que p e r m a n e c e r en r e p o s o ,
e x c l a m ó F l a m i n i o : «¡Magníficos a u s p i c i o s q u e n o s man-
dan o b r a r ó d e s c a n s a r , según que los gallos tienen ó no
apetito!» Y en seguida m a n d ó l e v a n t a r las e n s e ñ a s y s e -
g u i r l e . En a q u e l m o m e n t o , n o h a b i e n d o p o d i d o el porta-
e n s e ñ a d e la p r i m e r a línea, á pesar del auxilio de varios
s o l d a d o s , a r r a n c a r el a s t a c l a v a d a e n e l s u e l o , a d v e r t i -
do del caso Flaminio, s e g ú n su c o s t u m b r e , despreció este
n u e v o p r e s a g i o . T r e s h o r a s d e s p u é s el e j é r c i t o e s t a b a d e s -
t r u i d o y él m i s m o m u e r t o . D u r a n t e a q u e l d e s a s t r o s o c o r a -
b a t e , a ñ a d e C e l i o , s i n t i é r o n s e e n la L i g u r i a , e n la Galia, e n
m u c h a s i s l a s y e n t o d a Italia,' t a n v i o l e n t o s terremotos,
DE LA ADIVINACIÓN. ^39

q u e s e d e r r u m b a r o n c i u d a d e s , s e a b r i ó el s u e l o , c a y e r o n
montañas y retrocedieron las corrientes de los ríos re-
c h a z a d a s p o r las o l a s d e l m a r .
XXXVI. Los peritos adivinan con s e g u r i d a d por m e -
dio d e c o n j e t u r a s . S i e n d o n i ñ o el frigio Midas, las h o r -
migas reunieron en su b o c a , estando dormido, granos
de trigo. Predíjose que adquiriría i n m e n s a s riquezas y
a s í s u c e d i ó . D u r m i e n d o P l a t ó n e n la c u n a , s e p o s a r o n a b e -
j a s e n s u s t i e r n o s l a b i o s , y s e p r e d i j o q u e su o r a t o r i a s e -
ría e x t r a o r d i n a r i a m e n t e dulce: de esta manera se anunció
s u e l o c u e n c i a a n t e s d e q u e p u d i e s e h a b l a r . ¿Qué más? R o s -
tió, t u a m o r y d e l i c i a s , ¿es u n i m p o s t o r ó m i e n t e por
él t o d a la c i u d a d d e L a n u v i o ? En S o l o n a , p u e b l o c e r c a n o á
L a n u v i o , d o n d e p a s ó s u infancia, h a b i e n d o d e s p e r t a d o su
n o d r i z a d u r a n t e la n o c h e , y h a b i e n d o a c e r c a d o u n a luz,
vio al n i ñ o d o r m i d o y r o d e a d o p o r l o s n u m e r o s o s p l i e g u e s
de una s e r p i e n t e . A t e r r a d a al v e r a q u e l l o , l a n z ó u n g r i t o .
E l p a d r e d e R o s c i o c o n s u l t ó á l o s a r ú s p i c e s , q u i e n e s le
c o n t e s t a r o n q u e n o t e n d r í a n i g u a l e s la g l o r i a y c e l e b r i d a d
d e a q u e l n i ñ o . P r a x i t e l e s c i n c e l ó en p l a t a e s t e a c o n t e c i -
m i e n t o , y n u e s t r o a m i g o A r c h i a s lo c e l e b r ó e n v e r s o .
¿Qué m á s q u e r e m o s ? ¿que l o s D i o s e s i n m o r t a l e s v e n g a n
á c o n v e r s a r c o n n o s o t r o s en el F o r o , e n l a s c a l l e s y e n l a s
c a s a s ? Si n o s e p r e s e n t a n á n u e s t r a v i s t a , ¿no e x t i e n d e n s u
p o d e r p o r t o d a s p a r t e s , p e n e t r a n d o , t a n t o en las p r o f u n d i -
d a d e s d e la t i e r r a , c o m o en n u e s t r a p r o p i a n a t u r a l e z a ? P o r -
q u e la P i t o n i s a d e Delfos r e c i b í a s u s i n s p i r a c i o n e s d e u n a
f u e r z a s u b t e r r á n e a y la Sibila d e sí m i s m a , ¿ n o v e m o s c u a n
v a r i a d a s y d i f e r e n t e s s o n las p r o p i e d a d e s d e la t i e r r a ? U n a s
partes de ésta son m o r t a l e s , como Ampsancta e n Hirpinis,
y P l u t o n i a e n Asia, r e g i o n e s q u e h e m o s v i s t o . E s t a c o m a r c a
e s p e s t i l e n c i a l , a q u e l l a s a l u d a b l e ; a q u í e s a g u d o el i n g e n i o
d e l o s h a b i t a n t e s , allá o b t u s o . E s t a s c o s a s p r o v i e n e n d é l a
diferencia de clima y d e las diferentes e m a n a c i o n e s del
suelo.
240 MARCO T U L I O CICERÓN.

XXXVII. Ocurre algunas veces también que se excite


el e s p í r i t u p o r a l g u n o s e s p e c t á c u l o s , a c e n t o s , c á n t i c o s ; y
e n m u c h a s o c a s i o n e s p r o d u c e n i g u a l e f e c t o el d o l o r y e l
t e m o r ; c o m o aquella q u e :
«Fuera de si, como una bacante, llora entre las tumbas
á su Teucro.»
Pero esta misma excitación del espíritu a t e s t i g u a in-
fluencia divina. Por esta razón asegura Demócrito que n a -
die p u e d e s e r g r a n p o e t a sin e x p e r i m e n t a r e s t e d e l i r i o . L o
m i s m o p i e n s a P l a t ó n , q u e si le p l a c e l l a m a r f u r o r á e s t e
estado del espíritu, e s indudable q u e habla de él en su
Fedro e n t é r m i n o s m a g n í f i c o s , p e r o ¿ q u é d i g o ? ¿tu elo-
c u e n c i a e n el F o r o , tu a c c i ó n o r a t o r i a p o d r í a s e r v e h e -
mente, grave y fecunda si tu e s p í r i t u no s e e x c i t a s e c o n
v i v e z a ? Así e s la v e r d a d , y lo h e v i s t o r e p e t i d a s veces
e n tí, y h a s t a ( d e s c e n d i e n d o á c o s a s m á s p e q u e ñ a s ) e n tu
amigo Esopo, c u y a s facciones revelaban tanta animación,
t a n t a e n e r g í a s u s a d e m a n e s , q u e p a r e c í a q u e fuerza s u p e -
r i o r le s u s t r a í a al i m p e r i o d e s u p r o p i o e s p í r i t u . F r e c u e n -
temente también v e m o s apariciones que nada tienen de
r e a l e s . E s t o e s , s e g ú n d i c e n , lo q u e o c u r r i ó á B r e n o y á
su ejército d e Galos, c u a n d o su jefe se atrevió á volver a r -
m a s s a c r i l e g a s c o n t r a el t e m p l o d e Apolo b e l f o . Refiérese
q u e la P i t o n i s a p r o n u n c i ó e n t o n c e s e s t e o r á c u l o :
«Las vírgenes blancas y yo p r o v e e r e m o s . »
P o r lo q u e c u a n d o c r e í a n q u e i b a n á c o m b a t i r c o n e l l o s
v í r g e n e s a r m a d a s s u c u m b i ó bajo la n i e v e el e j é r c i t o d e l o s
Galos.
Aristóteles p r e t e n d e que los enfermos en delirio y los
m e l a n c ó l i c o s t i e n e n e n el á n i m o a l g o d i v i n o que presagia
lo f u t u r o . P o r m i p a r t e c r e o q u e ni á l o s c a r d i a c o s ni á los
frenéticos p u e d e a t r i b u i r s e e s t a f a c u l t a d , p o r q u e la a d i -
v i n a c i ó n p e r t e n e c e á la m e n t e s a n a y n o al c u e r p o en-
fermo.
XXXVIII. Q u e la a d i v i n a c i ó n e x i s t e r e a l m e n t e , s e d e -
S E LA ADIVINACIÓN. 24Í

duce p o r e s t e r a c i o c i n i o d e l o s E s t o i c o s . Si h a y D i o s e s y
é s t o s n o h a c e n c o n o c e r lo v e n i d e r o á l o s h o m b r e s , ó n o
a m a n , á los h o m b r e s , ó e l l o s m i s m o s i g n o r a n lo f u t u r o , ó
c o n s i d e r a n q u e el c o n o c i m i e n t o d e lo v e n i d e r o n o nos
interesa, ó creen q u e n o e s p r o p i o d e la m a j e s t a d di-
v i n a a n u n c i a r n o s las c o s a s que han de suceder, ó, en ú l -
t i m o c a s o , los mismos Dioses no pueden comunicarnos
este c o n o c i m i e n t o . Pero nos aman, son benéficos y g e n e -
r o s o s c o n n o s o t r o s ; no p u e d e n i g n o r a r lo q u e e s t á d e c r e -
tado según sus propios designios; saben que nos interesa
el p o r v e n i r , y q u e n u e s t r a p r u d e n c i a aumenta en p r o p o r -
ción de este c o n o c i m i e n t o ; no pueden considerar estas a d -
v e r t e n c i a s i m p r o p i a s de su majestad, p o r q u e n a d a h a y s u -
p e r i o r á la b e n e v o l e n c i a , ni t a m p o c o pueden i g n o r a r lo
v e n i d e r o . Si no e x i s t e n D i o s e s , no h a y s e ñ a l e s d e lo f u t u -
r o : pero e x i s t e n Dioses; luego n o s i n s t r u y e n de lo v e n i d e -
r o . Siendo e s t o así, n o s dan m e d i o para c o m p r e n d e r las
señales, que de otra m a n e r a serían inútiles: este m e d i o es
la a d i v i n a c i ó n ; l u e g o la a d i v i n a c i ó n e x i s t e .
XXXIX. Este raciocinio emplearon Crisippo, Diógenes
y A n t i p á t e r . ¿Qué a r g u m e n t o p o d r á d e s t r u i r esta verdad
tan b i e n d e m o s t r a d a ? Si e s t á d e mi p a r t e la r a z ó n ; si l o s
acontecimientos, los pueblos, las naciones, los Griegos y
l o s b á r b a r o s ; si n u e s t r o s a n t e p a s a d o s mismos pensaron
d e e s t a m a n e r a ; si l o s filósofos m á s e m i n e n t e s , si l o s p o e -
tas y l o s v a r o n e s más f a m o s o s p o r su c i e n c i a , si l o s q u e
f u n d a r o n r e p ú b l i c a s y c i u d a d e s e n t o d o t i e m p o c r e y e r o n lo
m i s m o , ¿ e s p e r a r e m o s á q u e hablen los a n i m a l e s y n o p o -
d r e m o s c o n t e n t a r n o s c o n e l consentimiento u n á n i m e de los
hombres?
Contra los diferentes géneros de adivinación que he
m e n c i o n a d o , s o l a m e n t e p u e d e o b j e t a r s e q u e e s difícil d e -
c i r c u á l s e a la c a u s a y r a z ó n d e c a d a u n o d e e l l o s . ¿ P u e d e
e x p l i c a r u n a r ú s p i c e p o r q u é u n a i n c i s i ó n e n el p u l m ó n f

h a s t a c u a n d o las e n t r a ñ a s s o n f a v o r a b l e s , significa p r o r r o -
TOMO v. 16
242 MARCO TULIO CICERÓN.

gación y aplazamiento? ¿Puede decir un a u g u r por qué v o -


l a n d o e l c u e r v o á la d e r e c h a y la c o r n e j a á la izquierda
r a t i f i c a n lo q u e s e i n t e n t a h a c e r ? ¿y el a s t r ó l o g o , p o r q u é
la c o n j u n c i ó n d e J ú p i t e r y V e n u s c o n la L u n a e s f a v o r a b l e
al n i ñ o q u e n a c e , y c o n t r a r i a la d e S a t u r n o y Marte? ¿ P o r
q u é n o s a d v i e r t e n s i e m p r e los Dioses c u a n d o d o r m i m o s , y
n o lo h a c e n c u a n d o e s t a m o s d e s p i e r t o s ? ¿ P o r q u é C a s a n d r a
d e l i r a n t e p r e d í c e l o f u t u r o , m i e n t r a s q u e el p r u d e n t e P r í a -
m o no p u e d e h a c e r l o ? ¿Me p r e g u n t a s la r a z ó n d e t o d a s e s -
t a s c o s a s ? Muy b i e n . P e r o n o e s e s t a la c u e s t i ó n . ¿Existen
ó n o e x i s t e n ? De e s t o t r a t a m o s . S e r í a c o m o si d i j e s e q u e
e l i m á n e s u n a p i e d r a m a g n é t i c a q u e a t r a e el h i e r r o , y q u e
no pudiendo darte cuenta de este h e c h o , c r e y e s e s que p o -
d í a s n e g a r l o . E s t o m i s m o h a c e s c o n r e s p e c t o á la a d i v i n a -
ción que v e m o s , q u e h e m o s , oído, q u e h e m o s leído y q u e
n o s t r a s m i t i e r o n n u e s t r o s p a d r e s . A n t e s d e la filosofía na-
cida poco ha, nadie se h u b i e s e atrevido á dudar de estas
c o s a s . D e s d e el c o n o c i m i e n t o y p r o g r e s o d e la filosofía,
n i n g ú n filósofo r e v e s t i d o d e a u t o r i d a d opinó de otra ma-
nera. He c i t a d o á P i t á g o r a s , D e m ó c r i t o , S ó c r a t e s , no e x -
c e p t u a n d o d e l o s a n t i g u o s m á s q u e á X e n ó f a n e s , y al t e s t i -
monio de todos éstos h e a ñ a d i d o el d e la a n t i g u a A c a d e -
m i a , el d é l o s P e r i p á t i c o s y E s t o i c o s . El ú n i c o q u e d i s i e n t e
e s E p i c u r o ; ¿ p e r o n o p r o c l a m ó él la torpe máxima de que
no e x i s t e virtud desinteresada?
XL. ¿A q u i é n n o c o n v e n c e r á c r e e n c i a tan a n t i g u a , c o n -
firmada p o r tan esclarecidas autoridades? Homero escribe
q u e Calcas, jefe d e la flota d e l o s G r i e g o s , fué e x c e l e n t e
augur. Creo q u e d e b i ó s u g l o r i a á s u c o n o c i m i e n t o d e l o s
a u s p i c i o s , a n t e s q u e al d e los l u g a r e s . Anfíloco y M o p s o ,
r e y e s d e los Argivos, también fueron a u g u r e s y c o n s t r u -
y e r o n c i u d a d e s g r i e g a s e n el l i t o r a l d e Cilicia. Más a n t i -
g u a m e n t e a ú n Amfiarao y T i r e s i a s , q u e n o d e b e n c o n t a r s e
e n t r e los vulgares y o s c u r o s impostores que, según dice
E n n i o , « i n v e n t a n falsas r e s p u e s t a s p o r d e s e o d e lucro,»
DE LA ADIVINACIÓN. 243

sino q u e fueron v a r o n e s e m i n e n t e s y c é l e b r e s , predijeron


lo f u t u r o , i n s t r u i d o s p o r s e ñ a l e s y v u e l o d e las a v e s . El
m i s m o H o m e r o d i c e , h a b l a n d o d o T i r e s i a s , q u e e s el ú n i c o
q u e ha s a b i d o c o n s e r v a r l a r a z ó n e n t r e las e r r a n l e s s o m -
bras d e los infiernos. T o d a l a Grecia h o n r a á A m f i a r a o ,
h a b i é n d o l e c o l o c a d o e n el r a n g o d e l o s D i o s e s , y e n d o á p e -
d i r l e o r á c u l o s al sitio e n q u e e s t á s e p u l t a d o . ¿Qué m á s ? ¿el
r e y d e l Asia, P r í a m o , ¿no vio á s u hijo H e l e n o y á s u hija
C a s a n d r a p r o f e t i z a n d o u n o p o r a u g u r i o s , la o t r a p o r agi-
t a c i ó n d e la m e n t e é i n s p i r a c i ó n divina? En n u e s t r a histo-
ria l e e m o s q u e l o s h e r m a n o s M a r c i o , n a c i d o s d e i l u s t r e fa-
m i l i a , f u e r o n c é l e b r e s a n t i g u a m e n t e p o r i g u a l e s d o n e s . ¿No
n o s d i c e t a m b i é n H o m e r o q u e P o l y d i o el C o r i n t i o p r e d i j o
m u c h a s c o s a s á los q u e m a r c h a b a n á T r o y a , e n t r e e l l a s la
muerte de su p r o p i o hijo? Entre los a n t i g u o s , los que
regían los n e g o c i o s públicos desempeñaban también el
c a r g o d e a u g u r e s ; p o r q u e e n t o n c e s s e c r e í a q u e la a d i v i -
n a c i ó n , a s í c o m o la s a b i d u r í a , e r a a t r i b u t o r e a l . Así v e m o s
en nuestra historia q u e los r e y e s eran a u g u r e s ; y m á s a d e -
l a n t e los p a r t i c u l a r e s , r e v e s t i d o s del m i s m o sacerdocio,
g o b e r n a r o n la r e p ú b l i c a p o r . l a a u t o r i d a d d e la r e l i g i ó n .
XLI. Ni las n a c i o n e s b á r b a r a s a b a n d o n a r o n l o s d i f e r e n -
t e s g é n e r o s d e a d i v i n a c i ó n : así e s q u e la Galia t i e n e s u s
d r u i d a s , e n t r e l o s q u e h e c o n o c i d o á D i v i c i a c o .¿Eduum, tu
h u é s p e d y panegirista, quien pretendía c o n o c e r las c a u s a s
n a t u r a l e s , ciencia q u e l o s Griegos llamaban fisiología, y pre-
d e c i r lo f u t u r o , p a r t e p o r a u g u r i o s y p a r t e p o r c o n j e t u r a s .
En P e r s i a s o n l o s m a g o s a u g u r e s y a d i v i n o s ; y d e la m i s -
ma manera que hacíais v o s o t r o s en otro tiempo en las n o -
nas, se reúnen en un templo para departir y consultar
u n o s c o n o t r o s . N a d i e p u e d e s e r r e y de. P e r s i a si n o e s t u d i a
la c i e n c i a y d o c t r i n a d e l o s m a g o s . E n c u é n t r a n s e familias
y naciones dedicadas enteramente á este estudio. Telmes-
s o , c i u d a d d e C a r i a , e s n o t a b l e p o r la c i e n c i a d e s u 3 a r ú s -
p i c e s . E l i s , en el P e l o p o n e s o , t i e n e d o s f a m i l i a s , u n a d e Y a -
244 MARCO TULIO CICERÓN.

m i d e s y o t r a d e C l i t i d e s , e n l a s q u e s e p e r p e t ú a la n o b l e z a
a u g u r a ! . L o s C a l d e o s , e n A s i r í a , c é l e b r e s p o r la sagacidad
d e su i n g e n i o , d e s c u e l l a n en el c o n o c i m i e n t o d e l o s a s t r o s .
La E t r u r i a ha h e c h o s a b i a s o b s e r v a c i o n e s a c e r c a d e las f u l -
g u r a c i o n e s y s o b r e e l a r t e d e i n t e r p r e t a r los m o n s t r u o s y
p o r t e n t o s . Así e s q u e e n la é p o c a d e n u e s t r o s mayores
y cuando florecía e s t e i m p e r i o , el S e n a d o d e c r e t ó q u e s e
c o n f i a s e á c a d a p u e b l o d e la E t r u r i a s e i s hijos d e l a s m e j o -
r e s familias p a r a q u e e s t u d i a s e n c u i d a d o s a m e n t e e s t a d o c -
t r i n a , p o r t e m o r d e q u e a r t e tan i m p o r t a n t e , si lo e j e r c í a n
g e n t e s d e baja estofa, p e r d i e s e d e s u a u t o r i d a d r e l i g i o s a y
d e g e n e r a r a en profesión m e r c e n a r i a . Los F r i g i o s , los Psi-
d i a n o s , l o s Cilicios, los Á r a b e s t i e n e n e s p e c i a l fe e n l o s
presagios que suministra el v u e l o d e las a v e s : d í c e s e q u e
e n la U m b r í a s e h a c e lo m i s m o .
XLII. P a r é c e m e q u e d e la d i v e r s i d a d d e l u g a r e s s e d e -
d u c e el o r i g e n d e l a s d i f e r e n t e s a d i v i n a c i o n e s p r a c t i c a d a s
p o r l o s h a b i t a n t e s . Así, p u e s , l o s E g i p c i o s y Babilonios,
residiendo en e x t e n s a s llanuras, en las q u e ninguna e m i -
n e n c i a s e o p o n e á la o b s e r v a c i ó n del cielo, se han d e d i -
c a d o p o r c o m p l e t o al e s t u d i o d e l a s e s t r e l l a s ; l o s E t r u s -
cos, por su parte, dominados más profundamente por el
espíritu religioso, se dedicaron c o n e s p e c i a l i d a d á la i n s -
p e c c i ó n d e las e n t r a ñ a s d e l a s n u m e r o s a s v í c t i m a s q u e s a -
c r i f i c a b a n ; a d e m á s , c o m o la d e n s i d a d d e l a i r e d e la E t r u r i a
da con frecuencia ocasión á fenómenos i n e s p e r a d o s , tanto
d e l c i e l o c o m o d e la t i e r r a , c o n c e p c i o n e s m o n s t r u o s a s e n -
t r e los h o m b r e s y e n t r e l o s a n i m a l e s , a d q u i r i e r o n grande
e x p e r i e n c i a e n la i n t e r p r e t a c i ó n d e l o s p r o d i g i o s . L a s pa-
labras tan p r u d e n t e m e n t e a d o p t a d a s por n u e s t r o s p a d r e s ,
c o m o tú mismo h a s o b s e r v a d o , expresan con exactitud
e s t a s d i f e r e n t e s i d e a s , y d e la s i g n i f i c a c i ó n d e ostentar,
anunciar, mostrar, predecir, procedieron anuncio, por-
t e n t o , m o n s t r u o , p r o d i g i o . L o s Á r a b e s , los F r i g i o s , los
Cilicios, p u e b l o s p a s t o r e s q u e t a n t o e n i n v i e r n o c o m o e n
DE LA ADIVINACIÓN. 245

verano vagan con s u s r e b a ñ o s en las llanuras y las m o n -


t a ñ a s , por razón de s u s c o s t u m b r e s han o b s e r v a d o mejor
e l v u e l o y el c a n t o d e las a v e s . La m i s m a c a u s a influyó e n
l o s h a b i t a n t e s d e la P i s s i d i a y e n l o s d e n u e s t r a Umbría.
T o d o s los C a r i o s , y e s p e c i a l m e n t e l o s T e l m e s e s , q u e a n t e s
m e n c i o n é , d e d i c a d o s al c u l t i v o d e r i c o s y f é r t i l e s c a m p o s ,
cuya fecundidad frecuentemente da o c a s i ó n á p r o d u c t o s
extraordinarios, desde muy antiguo se mostraron hábiles
e n la i n t e r p r e t a c i ó n d e l o s p r o d i g i o s .
XLI1I. ¿Quién i g n o r a q u e e n t o d a r e p ú b l i c a b i e n orde-
nada se respetan profundamente los auspicios y d e m á s
g é n e r o s d e a d i v i n a c i ó n ? ¿Qué p u e b l o , q u é r e y despreció
j a m á s las a d v e r t e n c i a s d e los Dioses, y no s o l a m e n t e en
tiempo de paz, sino de m a n e r a más especial en tiempo de
g u e r r a , c u a n d o el p e l i g r o e s m á s g r a n d e y m á s i n c i e r t a l a
salvación? Omito nuestros jefes, que n a d a emprendieron
e n c u a n t o á la g u e r r a sin c o n s u l t a r l a s e n t r a ñ a s d e las
v í c t i m a s , y n a d a d u r a n t e la p a z sin a u s p i c i o s . V e a m o s qué
hicieron los e x t r a ñ o s . Los A t e n i e n s e s unieron en lodo
tiempo á sus consejos públicos algunos adivinos revesti-
d o s de c a r á c t e r s a c e r d o t a l , á los q u e llamaban \¡.Avten; y
l o s L a c e d e m o n i o s d i e r o n un a u g u r p o r a s e s o r á s u s r e y e s .
En s u S e n a d o , f o r m a d o p o r a n c i a n o s , t i e n e a s i e n t o tam-
b i é n u n a u g u r ; y en l a s c i r c u n s t a n c i a s i m p o r t a n t e s jamás
dejaron de consultar al o r á c u l o d e Delfos, al d e J ú p i t e r
A m m ó n ó al d e D o d o n a . L i c u r g o , f u n d a d o r d e la R e p ú b l i c a
d e l o s L a c e d e m o n i o s , p i d i ó á Apolo d e Delfos la s a n c i ó n d e
s u s l e y e s , y c u a n d o q u i s o i n n o v a r l a s L i s a n d r o , s e vio o b l i -
g a d o á r e s p e t a r l a s p o r s u a u t o r i d a d r e l i g i o s a . Más a ú n ; l o s
j e f e s d e la R e p ú b l i c a L a c e d e m o n i a , n o c o n t e n t o s c o n v e -
l a r a t e n t a m e n t e p o r l o s i n t e r e s e s p ú b l i c o s , d o r m í a n e n el
t e m p l o d e P a s i f a e , c e r c a d e la c i u d a d , e s p e r a n d o c o n s e g u i r
d u r a n t e el s u e ñ o oráculos verdaderos. Pero volvamos á
n u e s t r a s c o s t u m b r e s . ¿ C u á n t a s v e c e s m a n d ó el S e n a d o á
los d e c e n v i r o s c o n s u l t a r los libros sibilinos? ¿Cuántas v e -
246 MARCO TULIO CICERÓN.

ees y en cuántas circunstancias importantes obedeció esie


c u e r p o las d e c i s i o n e s d e l o s a r ú s p i c e s ? A s í , p u e s , c u a n d o
se vieron dos soles y después tres lunas, cuando se o b s e r -
varon fuegos e n el c i e l o , c u a n d o s e o y e r o n estremeci-
m i e n t o s c e l e s t e s , y c u a n d o s e e n t r e a b r i ó el c i e l o a p a r e -
c i e n d o g l o b o s d e f u e g o ; e n fin, c u a n d o a n u n c i a r o n al S e -
nado que habían desaparecido en insondable abismo los
campos privernatos y que tremendos terremotos habían
q u e b r a n t a d o la A p u l i a , p r e s a g i o s q u e a n u n c i a b a n al p u e -
blo romano grandes guerras y desastrosas sediciones, en
t o d a s e s t a s c i r c u n s t a n c i a s , l a s r e s p u e s t a s d e los a r ú s p i c e s
c o n c o r d a r o n c o n l o s v e r s o s d e la S i b i l a . ¡Cómo! ¿el s u d o r
d e la e s t a t u a d e A p o l o d e C u m a s y el d e la V i c t o r i a de
C a p u a , el n a c i m i e n t o d e u n h e r m a f r o d i t a , no ofrecerán
n a d a m o n s t r u o s o y fatal? ¡Cómo! ¿ c u a n d o u n r í o arrastra
aguas e n s a n g r e n t a d a s , cuando llueven piedras y hasta s a n -
g r e , y algunas v e c e s tierra y hasta leche; c u a n d o hirió el
r a y o al c e n t a u r o d e l C a p i t o l i o , l a s p u e r t a s d e l A v e n t i n o , y
mató h o m b r e s , no r e s p e t a n d o t a m p o c o el t e m p l o d e Cas-
t o r y P ó l u x , en T ú s c u l o , ni el d e la P i e d a d , e n Roma,
h a b i é n d o s e c o n s u l t a d o á los a r ú s p i c e s , n o a n u n c i a r o n lo
que había de suceder, y sus predicciones no se encontraron
t a m b i é n e n l o s l i b r o s d e la Sibila?
XLIV. D u r a n t e la g u e r r a M á r s i c a , á consecuencia de
u n s u e ñ o d e Cecilia, hija d e Q u i n t o M é t e l o , el S e n a d o m a n -
d ó r e c o n s t r u i r el t e m p l o d e J u n o C o n s e r v a d o r a . Después
d e c o n s i g n a r la m a r a v i l l o s a conformidad de este sueño
c o n el h e c h o m i s m o , S i s e n a , i n s t i g a d o sin d u d a p o r algún
Epicúreo, trata audazmente d e p r o b a r q u e no d e b e p r e s -
t a r s e fe á l o s s u e ñ o s . Sin e m b a r g o , e s t e m i s m o h i s t o r i a d o r
nada dice en c o n t r a d e los p r o d i g i o s , y refiere q u e en los
c o m i e n z o s d e la g u e r r a Mársica s u d a r o n l a s e s t a t u a s d e l o s
Dioses, cayó s a n g r e del cielo y corrió en a r r o y o s , voces
secretas anunciaron peligros públicos, y las r a t a s r o y e -
r o n los escudos de Lanuvio, presagio que los a r ú s p i c e s
DE LA ADIVINACIÓN. 247

c o n s i d e r a r o n m u y f u n e s t o . ¿Y q u é ? e n n u e s t r o s A n a l e s v e -
m o s q u e d u r a n t e la g u e r r a d e V e i a s , h a b i e n d o aumen-
t a d o c o n s i d e r a b l e m e n t e las a g u a s d e l l a g o d e A l b a n o , u n o
d e los p r i n c i p a l e s h a b i t a n t e s d e la c i u d a d v i n o á n o s o t r o s
y n o s dijo q u e e s t a b a e s c r i t o e n el l i b r o d e l o s d e s t i n o s d e
Veyas que no podría tomarse la c i u d a d mientras estu-
viesen d e s b o r d a d a s l a s a g u a s d e l l a g o ; q u e si a q u e l l a s
a g u a s c o r r í a n h a c i a el m a r , el p u e b l o r o m a n o e x p e r i m e n -
t a r í a d e s a s t r o s o s e f e c t o s , y q u e s i , p o r el c o n t r a r i o , s e l a s
d a b a o t r a s a l i d a , o b t e n d r í a m o s g r a n d e s v e n t a j a s . T a l e s la
causa de los admirables trabajos que realizaron nuestros
a n t e p a s a d o s p a r a d e s v i a r las a g u a s d e l l a g o . Mas c u a n d o
los Veyanos, e x t e n u a d o s p o r la g u e r r a , e n v i a r o n l e g a d o s
al S e n a d o , s e g ú n s e r e f i e r e , u n o d e e l l o s d e c l a r ó q u e el
desertor no se atrevió á decirlo todo, y que también estaba
e s c r i t o e n el l i b r o d e l o s d e s t i n o s d e V e y a s « q u e l o s G a l o s
tomarían muy pronto á Roma;» como efectivamente acon-
t e c i ó s e i s a ñ o s d e s p u é s d e la c a p t u r a d e V e y a s .
XLV. Con f r e c u e n c i a también se han oído voces de
f a u n o s e n m e d i o d e l a s b a t a l l a s ; y en c i r c u n s t a n c i a s a p u -
radas hase creído escuchar voces ocultas y proféticas.
Entre multitud d e ejemplos semejantes, son muy impor-
t a n t e s l o s d o s s i g u i e n t e s . P o c o t i e m p o a n t e s d e la c a p t u r a
d e R o m a , u n a v o z q u e s a l í a del b o s q u e d e V e s t a , q u e se
e x t i e n d e d e s d e el p i e d e l P a l a t i n o h a c i a la c a l l e N u e v a ,
dijo q u e s e r e p a r a s e n l a s m u r a l l a s y las p u e r t a s ; y que
si n o s e c u i d a b a d e ello, R o m a s e r í a t o m a d a . » D e s p r e c i a d o
este aviso cuando era tiempo aún, apareció muy claro
d e s p u é s del d e s a s t r e que anunciaba. Entonces se levantó
e n f r e n t e d e a q u e l p a r a j e á Aio L o c u e n t e el a l t a r q u e to-
d a v í a v e m o s r o d e a d o p o r un v a l l a d o . M u c h o s h i s t o r i a d o r e s
refieren también q u e , á c o n s e c u e n c i a de un terremoto,
u n a v o z q u e salió del t e m p l o d e J u n o , en la fortaleza, pi-
d i ó el sacrificio « d e u n a c e r d a p r e ñ a d a . » De a q u í el n o m -
b r e d e C o n s e j e r a q u e s e dio á a q u e l l a J u n o . ¿ D e s p r e c i a r e -
348 MARCO TULIO C I C E R Ó N .

m o s estas a d v e r t e n c i a s d e los Dioses y estos juicios d e


nuestros antepasados?
No s o l a m e n t e o b s e r v a r o n l o s P i t a g ó r i c o s l a s p a l a b r a s d e
l o s D i o s e s , s i n o q u e t a m b i é n las d e l o s h o m b r e s , á lo q u e
l l a m a b a n omina (1). P o r e f e c t s d e la v i r t u d q u e n u e s t r o s
padres les atribuían, hacían preceder á todos sus actos de
esta fórmula: «Que todo sea aquí b u e n o , favorable y afor-
t u n a d o ; » á l o s sacrificios d i v i n o s , d e e s t a o t r a : «Guardad
s i l e n c i o ; » y e n las fiestas p ú b l i c a s m a n d a b a n : «Absteneos
d e p l e i t o s y d i s p u t a s . » Así t a m b i é n , c u a n d o l o s j e f e s re-
v i s t a b a n u n a c o l o n i a , el g e n e r a l s u e j é r c i t o , e n la e n u m e -
r a c i ó n d e l p u e b l o p o r el c e n s o r , s e e l e g í a p a r a l l e v a r las
víctimas h o m b r e s que t u v i e s e n b u e n o s n o m b r e s . En l o s
a l i s t a m i e n t o s c u i d a n l o s c ó n s u l e s d e i n s c r i b i r á la c a b e z a
algún soldado que tenga nombre de buen agüero, regla
q u e h a s o b s e r v a d o r e l i g i o s a m e n t e c o m o c ó n s u l y jefe d e l
e j é r c i t o . La t r i b u p r e r r o g a t i v a la c o n s i d e r a b a n nuestros
antepasados como presagio de comicios tranquilos.-
XLVI. Citaré e j e m p l o s m u y c o n o c i d o s d e e s t o s presa-
g i o s . L. P a u l o , cónsul p o r s e g u n d a v e z , acababa de s e r e n -
c a r g a d o d e la g u e r r a c o n t r a el r e y P e r s i o , c u a n d o e n t r a n -
d o e n s u c a s a a q u e l l a m i s m a n o c h e , o b s e r v ó al a b r a z a r á
s u hija T e r c i a , m u y p e q u e ñ a e n t o n c e s , q u e e s t a b a pro-
fundamente t r i s t e : «¿Qué t i e n e s , T e r c i a m í a ? la dijo.—
P a d r e , contestó, Persio ha muerto.» Abrazando entonces
e s t r e c h a m e n t e á la n i ñ a : « A c e p t o e l a u g u r i o , hija mía,»
r e p u s o . El m u e r t o e r a u n p e r r i l l o q u e l l e v a b a e s t e nom-
b r e . He o í d o r e f e r i r á L . F l a c o , flamín d e M a r t e , q u e C e -
c i l i a , hija d e l í e t e l o , q u e r i e n d o c a s a r á la hija d e s u h e r -
m a n a , la l l e v ó , s e g ú n la c o s t u m b r e a n t i g u a , á la capilla
p a r a r e c i b i r el a u g u r i o . Hacía l a r g o r a t o q u e la j o v e n e s t a b a
d e p i e y Cecilia s e n t a d a s i n q u e s e e s c u c h a s e n i n g u n a v o z ,
cuando cansada aquélla, preguntó á s u tía si la p e r m i t í a

(1) Agüeros, presagios.


DE LA A D I V I N A C I Ó N . 249

s e n t a r s e u n m o m e n t o e n s u silla, c o n t e s t a n d o C e c i l i a : « T e
c e d o m i p u e s t o c o n m u c h o g u s t o , hija m í a . » Muy p r o n t o
c o n f i r m a r o n los a c o n t e c i m i e n t o s el a u g u r i o : la tía m u r i ó á
p o c o , y la d o n c e l l a c a s ó c o n el v i u d o . C o m p r e n d o desde
luego que puedan despreciarse estas cosas, hasta ser o b -
j e t o d e b u r l a s ; p e r o i g u a l e s d u d a r d e la e x i s t e n c i a d e l o s
Dioses, que despreciar sus advertencias.
XLVI1. ¿Qué d i r é d e los a u g u r i o s ? E s t e a s u n t o t e p e r t e -
n e c e , y á tí i n c u m b e d e f e n d e r los a u s p i c i o s . D u r a n t e tu
c o n s u l a d o , el a u g u r A p p . Claudio te dijo q u e , habiendo
s i d o d u d o s o el a u g u r i o d e s a l u d , no t a r d a r í a en e n c e n d e r s e
una guerra civil t a n d e p l o r a b l e como funesta. Algunos
meses después estalló aquella g u e r r a que terminaste en
pocos días. Nunca a l a b a r í a d e m a s i a d o á a q u e l a u g u r , el
único que después de muchos a ñ o s , no contento con las
fórmulas augúrales, practicó el a r t e d e la ' a d i v i n a c i ó n ;
aquel de quien se burlaban tus colegas llamándole, en
t a n t o a u g u r P i s i d i a n o , en t a n t o S o r a n o , p o r q u e pertene-
c í a n al n ú m e r o d e l o s q u e n o r e c o n o c í a n en l o s augurios
ni e n l o s a u s p i c i o s n i n g ú n p r e s e n t i m i e n t o , n i n g u n a c i e n c i a
d e la v e r d a d f u t u r a , c o n s i d e r á n d o l o s solamente como su-
p e r s t i c i o n e s i n v e n t a d a s p a r a a g r a d a r á la i g n o r a n c i a d e l
v u l g o . N a d a , sin e m b a r g o , m á s l e j a n o d e la v e r d a d , p o r q u e
•no p u e d e s u p o n e r s e en los p a s t o r e s q u e r o d e a b a n á R ó -
m u l o , ni e n el m i s m o R ó m u l o , a s t u c i a b a s t a n t e p a r a i n v e n -
t a r u n s i m u l a c r o d e r e l i g i ó n á p r o p ó s i t o p a r a e n g a ñ a r á la
m u l t i t u d . P e r o la dificultad d e a p r e n d e r u n a r t e c o m p l i c a d o
ha hecho p e r s p i c a z á la n e g l i g e n c i a , y s e p r e f i e r e soste-
n e r q u e l o s a u s p i c i o s no s o n n a d a , á e s t u d i a r p a r a s a b e r lo
q u e s o n . ¿Qué h a y m á s d i v i n o q u e el a u s p i c i o d e Mario q u e
t ú r e f i e r e s ? Helo a q u í , p o r q u e m e a g r a d a c i t a r t e :
«El a l a d o s a t é l i t e d e J ú p i t e r t o n a n t e < h e r i d o d e i m p r o -
v i s o p o r la m o r d e d u r a d e u n a s e r p i e n t e q u e s e l a n z ó d e l
t r o n c o d e u n á r b o l , r a s g a c o n s u s f u e r t e s u ñ a s al r e p t i l
medio muerto, cuya pintada cabeza a m e n a z a todavía. La
250 MARCO T U L I O C I C E R Ó N .

s e r p i e n t e s e r e t u e r c e bajo l o s g o l p e s d e l ensangrentado
p i c o . El á g u i l a , v e n g a d a d e s u s a g u d o s d o l o r e s , lanza al
agua los r e s t o s palpitantes de su e n e m i g o , y d i r i g e su v u e l o
h a c i a la r e s p l a n d e c i e n t e m o r a d a d e l S o l . Ve Mario al a v e
d i v i n a , d e r á p i d a s a l a s , y e n ella el a u g u r i o q u e mandan
l o s D i o s e s , el d i c h o s o a n u n c i o d e su g l o r i a y s u r e g r e s o á
la p a t r i a . El s e ñ o r d e l c i e l o t r u e n a á la i z q u i e r d a , c o n f i r -
m a n d o así el m i s m o J ú p i t e r el a u g u r i o d e l á g u i l a . »
XLVIII. En c u a n t o al a u g u r a d o d e R ó m u l o , p e r t e n e c e
á su v i d a p a s t o r i l y n o á la u r b a n a : n o e r a u n a ficción d e s -
t i n a d a á e n g a ñ a r á la m u l t i t u d i g n o r a n t e , s i n o a r t e ense-
ñ a d o p o r s a b i o s , y t r a s m i t i d o á la p o s t e r i d a d . C o m o d i c e
E n n i o , Rómulo y su h e r m a n o , a m b o s a u g u r e s ,
«Deseando vivamente reinar, o b s e r v a n con igual aten-
c i ó n l o s a u s p i c i o s y a u g u r i o s . R e m o a t i e n d e p o r su p a r t e á
l o s a u s p i c i o s f e l i c e s , y c o n t e m p l a el v u e l o f a v o r a b l e d e u n
a v e . P e r o el h e r m o s o R ó m u l o s e c o l o c a e n lo a l t o del
Aventino para o b s e r v a r las q u e se c i e r n e n en los c i e l o s .
¿Cómo s e l l a m a r á la c i u d a d , R o m a ó R e m o r a ? ¿Cuál d e l o s
d o s h e r m a n o s c o n s e g u i r á el m a n d o s u p r e m o ? E s t e e s e l
o b j e t o d e la l u c h a . El p u e b l o e s p e r a i m p a c i e n t e la d e c i -
s i ó n , y s e p a r e c e á la m u l t i t u d c u r i o s a q u e s e a g r u p a á la
e n t r a d a d e la a r e n a , a l r e d e d o r d e l c ó n s u l d i s p u e s t o á d a r
la s e ñ a l q u e p e r m i t i r á á l o s c a b a l l o s f r a n q u e a r la p i n t a d a
b a r r e r a . De la m i s m a m a n e r a s e a g ü i t a el p u e b l o , p r e g u n -
tándose c o n ansiedad á cuál d e los dos h e r m a n o s c o r o n a r á
la [ v i c t o r i a . E n t r e t a n t o el s o l p a l i d e c e y h u y e ante las
s o m b r a s d e la n o c h e ; p e r o m u y p r o n t o b r i l l a p u r a luz e n
el h o r i z o n t e , y e n el m i s m o m o m e n t o s e l a n z a á la i z -
q u i e r d a u n a v e t a n h e r m o s a c o m o r á p i d a . El s o l a p a r e c e
e n t o n c e s radiante, y en seguida tres v e c e s cuatro aves d i -
vinas d e s c i e n d e n r á p i d a m e n t e del cielo y se posan en l o s
p a r a j e s e l e g i d o s . R ó m u l o c o m p r e n d e al fin q u e e s t e a u s p i -
cio le da e l p o d e r y q u e e n a d e l a n t e d e s c a n s a r á s u t r o n o
en sólidos fundamentos.»
DE LA ADIVINACIÓN. 2S1

XLIX. P e r o v o l v a m o s al p u n t o d e d o n d e n o s separa-
m o s . Si, n o p u d i e n d o d e m o s t r a r por qué suceden estas
c o s a s , p r u e b o q u e e s c i e r t a s u e x i s t e n c i a , ¿no h a b r é c o n -
t e s t a d o v i c t o r i o s a m e n t e á E p i c u r o y C a r n e a d e s ? Hasta m e
a t r e v o á d e c i r , c o n f e s a n d o d e s d e l u e g o q u e la c a u s a d e la
adivinación n a t u r a l e s m á s o s c u r a , q u e s e e x p l i c a fácil-
m e n t e la artificial. P o r m e d i o d e o b s e r v a c i o n e s continuas
s e h a c o n s i g n a d o lo q u e p r e s a g i a n las e n t r a ñ a s , l o s fulgo-
r e s , l o s p r o d i g i o s y los a s t r o s . T o d a o b s e r v a c i ó n conti-
nuada durante siglos consigue resultados maravillosos,
q u e p u e d e n a l c a n z a r s e sin el a u x i l i o é i n s p i r a c i ó n d e l o s
D i o s e s , si s e e x a m i n a c u i d a d o s a m e n t e lo q u e significa c a d a
c o s a , c o n s i g n a n d o el a c o n t e c i m i e n t o q u e la s i g u e . V i e n e
d e s p u é s la a d i v i n a c i ó n n a t u r a l , c o m o ya h e d i c h o , que
p u e d e , p o r r a z o n e s f í s i c a s , r e f e r i r s e á la n a t u r a l e z a d e l o s
D i o s e s ; y c o m o , s e g ú n la o p i n i ó n d e l o s h o m b r e s m á s p r u -
d e n t e s y d o c t o s , n u e s t r a s almas no son otra cosa que e m a -
n a c i o n e s d e e s t a n a t u r a l e z a d i v i n a , y, p o r o t r a p a r t e , t o d o
está lleno de este espíritu divino y e t e r n o , n e c e s a r i a m e n t e
h e m o s d e e x p e r i m e n t a r el e f e c t o d e e s t e p a r e n t e s c o c o n l o s
D i o s e s . P e r o d u r a n t e la v i g i l i a , s u b y u g a d a s n u e s t r a s a l m a s
p o r las n e c e s i d a d e s d e la v i d a , s e s e p a r a n d e e s t a s o c i e d a d
divina, encontrándose sujetas por los lazos del cuerpo.
Pocos son los q u e se s e p a r a n , por decirlo así, de s u s c u e r -
p o s y d e d i c a n t o d o s s u s c u i d a d o s al c o n o c i m i e n t o d e las
c o s a s d i v i n a s . La c i e n c i a a u g u r a l d e é s t o s n o e s r e s u l t a d o
d e i n s p i r a c i ó n s u p e r i o r , s i n o e s f u e r z o d e la r a z ó n h u m a n a :
la n a t u r a l e z a e s la q u e l e s d e s c u b r e el p o r v e n i r y l e s h a c e
prever las i n u n d a c i o n e s y f u t u r o s incendios del cielo y
d e la t i e r r a . D e d i c a d o s o t r o s al g o b i e r n o d e repúblicas,
p r e s i e n t e n m u y d e a n t e m a n o , c o m o el a t e n i e n s e S o l ó n , el
n a c i m i e n t o d e la t i r a n í a . C o l o q u e m o s e s t o s ú l t i m o s e n el
n ú m e r o d e los h o m b r e s p r u e d e n t e s , e s d e c i r , previsores,
p e r o no les d e m o s el t i t u l o d e a d i v i n o s , ni m á s ni m e n o s
q u e á Thales de Mileto, q u i e n para hacer callar á sus de-
282 MARGO T U L I O C I C E R Ó N .

t r a c t o r e s y d e m o s t r a r l e s q u e , a u n q u e filósofo, p o d r í a e n r i -
q u e c e r s e si q u e r í a , c o m p r ó t o d a la c o s e c h a d e l o s o l i v o s
d e l c a m p o m i l e s i o a n t e s d e q u e e s t u v i e s e n e n flor. G r a c i a s
á s u s c o n o c i m i e n t o s , h a b í a p r e v i s t o , s i n d u d a , la a b u n d a n -
c i a d e la r e c o l e c c i ó n . T a m b i é n s e d i c e q u e fué el p r i m e r o
q u e a n u n c i ó el e c l i p s e d e sol q u e t u v o l u g a r b a j o e l r e i -
nado de Astyages.
L. Los m é d i c o s , los pilotos, los l a b r a d o r e s prevén t a m -
bién m u c h a s c o s a s ; p e r o á nada d e esto llamo a d i v i n a c i ó n ,
c o m o t a m p o c o á la p r e d i c c i ó n d e l físico A n a x i m a n d r o , q u e
advirtió á los L a c e d e m o n i o s para q u e a b a n d o n a s e n s u s ca-
s a s y la c i u d a d , y a c o s t a r s e a r m a d o s e n el c a m p o , porque
e r a i n m i n e n t e un t e r r e m o t o , c o m o así s u c e d i ó , d e r r u m b á n -
d o s e t o d a la c i u d a d y d e s p r e n d i é n d o s e , c o m o la p o p a d e
u n b a r c o , la c u m b r e d e l T a i g e t o . P h e r e c i d e s , el m a e s t r o d e
P i t á g o r a s , m e r e c e m e n o s a ú n el t í t u l o d e a d i v i n o q u e el d e
físico, c u a n d o , al o b s e r v a r el a g u a v i v a s a c a d a d e u n p o z o ,
a n u n c i ó la p r o x i m i d a d d e u n t e r r e m o t o . El e s p í r i t u h u m a n o
s ó l o e s a p t o p a r a la a d i v i n a c i ó n n a t u r a l c u a n d o s e e n c u e n -
t r a c o m p l e t a m e n t e l i b r e y d e s l i g a d o d e l c u e r p o . E s t o e s lo
q u e o c u r r e en los vaticinios y los s u e ñ o s ; dos g é n e r o s d e
adivinación que, c o m o digo, admiten Disearco y nuestro
amigo Cratippo; y pase que los coloquen en p r i m e r lugar
p o r q u e s o n n a t u r a l e s , c o n tal d e q u e n o s e a n ú n i c o s . Si
d e s p r e c i a n y n i e g a n la o b s e r v a c i ó n , s u p r i m e n m u c h a s c o -
s a s e n q u e d e s c a n s a la r a z ó n d e la v i d a . P e r o m u c h o n o s
otorgan c o n c e d i é n d o n o s los vaticinios y los s u e ñ o s , por
lo c u a l n o d e b e m o s e s f o r z a r n o s e n c o m b a t i r c o n e l l o s , e s -
pecialmente c u a n d o e x i s t e n otros q u e rechazan toda e s p e -
cie d e a d i v i n a c i ó n . A s í , p u e s , l o s e s p í r i t u s q u e despre-
c i a n d o s u e n v o l t u r a m a t e r i a l s e l a n z a n fuera d e ella c o m o
inflamados y e x c i t a d o s por una m a n e r a de a r d o r , ven e n -
t o n c e s c o n m á s c l a r i d a d lo q u e p r e d i c e n . P o r m u c h a s c a u -
s a s s e inflaman e s t o s e s p í r i t u s a i s l a d o s d e l c u e r p o : u n a a r -
m o n í a , l o s c a n t o s f r i g i o s , el s i l e n c i o d e l o s b o s q u e s y d e
DE LA ADIVINACIÓN. 2S3-

s e l v a s , la v i s t a d e u n r í o , la i n m e n s i d a d d e l o s m a r e s les
c o n m u e v e n , y e n t o n c e s , d e l i r a n t e s , p e n e t r a n m u y l e j o s en
lo v e n i d e r o . A e s t a a d i v i n a c i ó n p e r t e n e c e a q u é l l a :
«¡Mirad, m i r a d ! E n t r e t r e s D i o s a s p r o n u n c i a m e m o r a b l e
juicio, y este juicio trae en medio de nosotros una m u j e r
l a c e d e m o n i a , u n a d e las f u r i a s . »
Muchos acontecimientos se han predicho de esta m a n e -
r a , n o s o l a m e n t e e n el l e n g u a j e común, sino que tam-
bién
«En l o s v e r s o s q u e c a n t a b a n e n o t r o t i e m p o l o s v a t e s y
Jos f a u n o s . »
A e s t e n ú m e r o p e r t e n e c e n los c a n t a d o s por Marcio y P u -
blicio, y también p o d e m o s unirles las misteriosas r e s p u e s -
tas del oráculo de Apolo. Creo a d e m á s q u e existían c i e r -
t a s e m a n a c i o n e s t e r r e s t r e s á p r o p ó s i t o p a r a e n a r d e c e r la
mente y que pronunciase oráculos.
Lí. Esta e s c i e r t a m e n t e la r a z ó n d e l o s v a t i c i n i o s , q u e
s i n d u d a e s la m i s m a d e l o s s u e ñ o s ; p o r q u e e s t a n d o d o r -
m i d o s n o s o c u r r e lo m i s m o q u e á los a d i v i n o s d e s p i e r t o s .
Nuestra alma se e n c u e n t r a e n t o n c e s libre de c u i d a d o , e s -
t a n d o el c u e r p o y a c e n t e y c o m o m u e r t o . V i v i e n d o d e s d e
t o d a la e t e r n i d a d y a c o s t u m b r a d a al c o m e r c i o c o n multi-
t u d d e a l m a s , v e t o d o lo q u e e n c i e r r a el o r d e n e n t e r o d e l
u n i v e r s o , s i e m p r e q u e la t e m p l a n z a y s o b r i e d a d la p e r m i -
t a n v e l a r d u r a n t e el l e t a r g o d e l c u e r p o . E s t a e s la a d i v i n a -
c i ó n p o r l o s s u e ñ o s . A q u í e m p i e z a la i n t e r p r e t a c i ó n , n o
n a t u r a l , s i n o artificial, d e los s u e ñ o s , s e g ú n el m é t o d o d e
Antiphón, aplicable t a m b i é n á los o r á c u l o s y v a t i c i n i o s ,
q u e t i e n e n i n t é r p r e t e s c o m o l o s g r a m á t i c o s lo s o n d e l o s
p o e t a s . Así c o m o la n a t u r a l e z a d i v i n a h a b r í a c r i a d o i n ú t i l -
m e n t e el o r o , la p l a t a , el c o b r e y el h i e r r o , si al m i s m o
t i e m p o n o n o s h u b i e s e n e n s e ñ a d o el m o d o d e l l e g a r h a s t a
s u s v e n a s ; así c o m o l o s f r u t o s d e la t i e r r a y d e l o s á r b o l e s
s e r í a n i n ú t i l e s al g é n e r o h u m a n o si n o c o n o c i é s e m o s s u s
condiciones y cultivo, y t o d o s los m a t e r i a l e s q u e d a r í a n sin
254 MARCO T U L I O C I C E R Ó N .

e m p l e o si s e n o s h u b i e s e o c u l t a d o el a r t e d e c o n s t r u i r ; a s í ,
e n fin, c o m o t o d o lo ú t i l q u e l o s D i o s e s h a n " d a d o á l o s
h o m b r e s va a c o m p a ñ a d o d e a l g u n a i n d u s t r i a p a r a p o n e r
e n p r á c t i c a la u t i l i d a d , así t a m b i é n l a s o s c u r i d a d e s y a m -
b i g ü e d a d e s de los s u e ñ o s , vaticinios y o r á c u l o s han d a d o
l u g a r á las e x p l i c a c i o n e s de los i n t é r p r e t e s .
Mas ¿ c ó m o v e n l o s a d i v i n o s y s o ñ a d o r e s lo q u e j a m á s h a
existido? Cuestión importantísima es ésta, cuya solución
s e r á t a n t o m á s fácil c u a n t o m e j o r s e e s t u d i e n l a s q u e d e -
b e n p r e c e d e r l e . La n a t u r a l e z a d e l o s D i o s e s , q u e c o n t a n t a
lucidez has explicado en tu s e g u n d o libro, c o n t i e n e t o d o s
los datos necesarios para esta solución. Sencilla e s , en
verdad, la c u e s t i ó n q u e s e t r a t a , si s e n o s c o n c e d e q u e
e x i s t e n D i o s e s , q u e su p r o v i d e n c i a g o b i e r n a el m u n d o y
que vela por t o d o s los i n t e r e s e s , tanto g e n e r a l e s c o m o
p a r t i c u l a r e s . Sí n o s c o n v e n c e m o s d e e s t o , q u e m e p a r e c e
i n c o n t r o v e r t i b l e , d e d ú c e s e n e c e s a r i a m e n t e q u e los Dioses
r e v e l a n lo f u t u r o . P e r o d e b e d i s t i n g u i r s e la m a n e r a d e h a -
cerlo.
LII. No a d m i t e n l o s E s t o i c o s q u e l o s D i o s e s i n t e r v e n g a n
en cada h e n d i d u r a del hígado ó en cada canto de las a v e s ,
c o s a i n d i g n a , d i c e n , d e la m a j e s t a d d i v i n a é i n a d m i s i b l e d e
t o d o p u n t o ; s o s t e n i e n d o , p o r el c o n t r a r i o , q u e d e tal m a -
n e r a s e e n c u e n t r a o r d e n a d o el m u n d o d e s d e el p r i n c i p i o ,
que á determinados acontecimientos preceden determina-
das señales que suministran las e n t r a ñ a s de las a v e s , los
r a y o s , los p r o d i g i o s , los a s t r o s , los s u e ñ o s y los furores
profóticos. Los q u e saben o b s e r v a r estas s e ñ a l e s no s e e n -
g a ñ a n fácilmente. Las c o n j e t u r a s falsas, las i n t e r p r e t a c i o -
n e s e r r ó n e a s , n o p r o c e d e n d e d e f e c t o n a t u r a l , s i n o d e la
ignorancia del intérprete. Establecido y admitido que
e x i s t e v i r t u d d i v i n a e n v o l v i e n d o t o d a la v i d a d e l o s h o m -
b r e s , fácil e s e n t r e v e r la r a z ó n d e t o d o lo q u e o c u r r e a n t e
n u e s t r o s o j o s , p o r q u e e s t a influencia r e p a r t i d a p o r t o d o el
m u n d o p u e d e l l e v a r n o s á la e l e c c i ó n d e la v í c t i m a , y en el
D E LA A D I V I N A C I Ó N . 255

m o m e n t o del sacrificio p u e d e c a m b i a r las e n t r a ñ a s d e m a -


n e r a q u e se e n c u e n t r e en ellas algo d e más ó d e m e n o s .
P o c o s m o m e n t o s n e c e s i t a la n a t u r a l e z a p a r a a ñ a d i r , q u i t a r
ó cambiar, encontrando n o s o t r o s p r u e b a s d e e s t o e n lo
q u e o c u r r i ó p o c o a n t e s d e la m u e r t e d e C é s a r . C u a n d o p o r
p r i m e r a vez s e s e n t ó e n silla á u r e a y s e p r e s e n t ó c o n t r a j e
d e p ú r p u r a , el b u e y c e b a d o q u e s e sacrificó n o t e n í a c o r a -
z ó n . ¿Crees a c a s o q u e a l g ú n a n i m a l q u e t e n g a s a n g r e p u e d a
v i v i r sin c o r a z ó n ? I m p r e s i o n a d o por aquel extraño caso,
oyó con sobresalto declarar á Spurinna q u e podía t e m e r s e
l e f a l t a s e d e p r o n t o fuerza y j u i c i o , p u e s t o q u e la u n a y el
o t r o p r o c e d e n d e l c o r a z ó n ; al día s i g u i e n t e e l h i g a d o d e la
v í c t i m a s e e n c o n t r ó s i n c a b e z a . Sin d u d a le m a n d a b a n e s -
t a s s e ñ a l e s l o s Dioses i n m o r t a l e s p a r a a n u n c i a r l e la m u e r t e
y n o p a r a q u e s e p r e s e r v a s e d e e l l a . Si, p u e s , n o s e e n -
c u e n t r a n e n las e n t r a ñ a s p a r t e s sin l a s c u a l e s l o s a n i m a l e s
no podrían vivir, p u e d e c r e e r s e que han sido aniquiladas
e n e l m o m e n t o m i s m o d e la i n m o l a c i ó n .
LUÍ. El m i s m o e s p í r i t u d i v i n o o b r a e n las a v e s , y p o r
él vuelan hacia un l a d o ó h a c i a o t r o , s e o c u l t a n a q u í ó
a l l á , c a n t a n e n t a n t o á la d e r e c h a , e n t a n t o á la i z q u i e r -
d a . P o r q u e si t o d o a n i m a l s e m u e v e s e g ú n le a g r a d a , o b l i -
c u a m e n t e , hacia adelante ó h a c i a a t r á s ; si r e c o g e , in-
clina, extiende ó contrae sus miembros á voluntad y casi
a n t e s d e h a b e r p e n s a d o en e l l o , ¿ c u á n t o m á s fácil d e b e s e r
e s t o á D i o s , á c u y o p o d e r t o d o o b e d e c e ? Él e s , p u e s , q u i e n
n o s m a n d a las d i f e r e n t e s s e ñ a l e s d e q u e h a b l a n t o d a s l a s
h i s t o r i a s , e n l a s q u e v e m o s q u e si la L u n a d e s a p a r e c e p o c o
a n t e s d e q u e s a l g a el S o l , en la c o n s t e l a c i ó n d e l L e ó n , e r a
s e ñ a l d e q u e Darío y l o s P e r s a s s e r í a n v e n c i d o s p o r A l e j a n -
d r o y los M a c e d o n i o s , y h a s t a d e q u e m o r i r í a D a r í o : ó b i e n
s i n a c í a e n a l g u n a p a r t e u n a n i ñ a c o n d o s c a b e z a s , el p u e -
b l o e s t a b a a m e n a z a d o d e s e d i c i ó n y la familia d e m a n c h a y
a d u l t e r i o . Si u n a m u j e r s o ñ a b a q u e d a b a á luz u n l e ó n , la
r e p ú b l i c a e n q u e e s t o o c u r r í a d e b í a c a e r bajo el d o m i n i o
256 MARCO T U L I O CICERÓN.

e x t r a n j e r o . D e e s t e g é n e r o e s lo q u e n o s refiere H e r o d o t o :
e l hijo d e C r e s o , n i ñ o m u d o , h a b í a h a b l a d o , y el p r o d i g i o
a n u n c i a b a la t o t a l r u i n a d e l r e i n o d e s u p a d r e y d e s u fa-
m i l i a . ¿ Q u é h i s t o r i a n o h a b l a d e la c a b e z a d e S e r v i o T u l i o ,
coronada d e l l a m a s d u r a n t e s u s u e ñ o ? P e r o así c o m o el
q u e s e e n t r e g a al d e s c a n s o d i s t i n g u e c l a r a m e n t e la v e r d a d
d e s u s s u e ñ o s si su e s p í r i t u e s t á t r a n q u i l o y si le h a n u -
t r i d o c o n b u e n o s p e n s a m i e n t o s , así t a m b i é n la p u r e z a é
i n o c e n c i a d e l a l m a e s la m e j o r preparación para o b s e r v a r
l o s a s t r o s , las a v e s y d e m á s s e ñ a l e s , c o m o p a r a el d e s c u -
b r i m i e n t o d e la v e r d a d .
LIV. De e s t a m a n e r a d e b e e x p l i c a r s e lo q u e n o s r e f i e r e
Sócrates, y que frecuentemente r e p i t e e n los l i b r o s S o -
cráticos, referente al e s p í r i t u d i v i n o , q u e l l a m a d e m o n i o ,
q u e le r e t e n í a s i e m p r e , n o le e x c i t a b a n u n c a y al q u e o b e -
decía fielmente. Y el m i s m o S ó c r a t e s , ¿ d ó n d e encontrar
mejor autoridad? después de exponer sus razones á Xeno-
f o n t e , q u e le c o n s u l t a b a a c e r c a d e si a c o m p a ñ a r í a á C i r o ,
e x c l a m a : «En ú l t i m o c a s o , mi o p i n i ó n n o p a s a d e s e r la d e
un h o m b r e ; por lo q u e pienso q u e , en los a s u n t o s o s c u r o s
y d u d o s o s , se d e b e acudir á Apolo, á quien los mismos
Atenienses no han dejado de consultar en las circunstan -
cias i m p o r t a n t e s . » Refiérese t a m b i é n que, habiendo en-
c o n t r a d o á su a m i g o Citrón c o n u n ojo v e n d a d o , y p r e g u n -
t á n d o l e la c a u s a , l e c o n t e s t ó q u e p a s e a n d o en el c a m p o ,
u n a r a m a q u e h a b í a d o b l a d o , al e n d e r e z a r s e , l e h a b í a h e -
r i d o e n el ojo. A lo q u e dijo S ó c r a t e s : «No m e h a s o b e d e -
cido c u a n d o advertido, según c o s t u m b r e , por un instinto
d i v i n o , t e h e l l a m a d o . » El m i s m o S ó c r a t e s , d e s p u é s d e la
d e r r o t a d e l o s A t e n i e n s e s en D e l i o , bajo el m a n d o d e La
q u e t o , h u í a c o n é s t e , y h a b i e n d o l l e g a d o á la e n c r u c i j a d a
de varios caminos se negó á seguir á sus compañeros y
tomó otra dirección. Preguntáronle éstos por qué no se-
g u í a el m i s m o c a m i n o q u e t o d o s , y c o n t e s t ó q u e u n Dios le
s e p a r a b a . L o s q u e s i g u i e r o n a q u e l l a r u t a c a y e r o n en m a n o s
DE LA ABIVINACIÓN. 257

d e la c a b a l l e r í a e n e m i g a . O m i t o m u l t i t u d d e h e c h o s s e m e -
jantes recogidos por Antipáter y que demuestran maravi-
llosa facultad de adivinación en Sócrates, y que siéndote
c o n o c i d o s , no necesito r e c o r d a r . P e r o sí c i t a r é c o m o ú l -
t i m o r a s g o d e a q u e l filósofo é s t e q u e m e p a r e c e s u b l i m e y
c a s i d i v i n o . C o n d e n a d o p o r s e n t e n c i a i m p l a , dijo q u e m o -
ría s i n n i n g ú n t e m o r , p o r q u e ni al salir d e su c a s a ni e n el
m o m e n t o e n q u e s e a l z a b a p a r a d e f e n d e r s e , el Dios q u e
a c o s t u m b r a b a á a d v e r t i r l e le h a b í a a m e n a z a d o c o n n i n g ú n
peligro inminente.
LV. C o n s i d e r o p o r mi p a r t e q u e , á p e s a r d e l a s p r o b a -
b i l i d a d e s d e e r r a r , i n h e r e n t e s á la a d i v i n a c i ó n artificial y
c o n j e t u r a l , e x i s t e sin e m b a r g o a d i v i n a c i ó n ; p e r o e n e s t e
arte, como en t o d o s , los h o m b r e s están sujetos á e r r o r .
S u c e d e r p u e d e q u e u n a s e ñ a l q u e s e ha d a d o c o m o d u d o s a
s e c o n s i d e r e c o m o c i e r t a , q u e o t r a e s c a p e al o b s e r v a d o r ó
q u e no v e a la s e ñ a l c o n t r a r i a . B a s l a r á m e , sin embargo,
p a r a p r o b a r lo q u e s o s t e n g o , e n c o n t r a r , n o d i r é c o n s i d e r a -
ble n ú m e r o , sino uno m u y corto de acontecimientos divi-
namente presentidos y predichos. Y hasta me atreveré á
d e c i r : si u n a c o n t e c i m i e n t o se ha presentido y predicho
e x a c t a m e n t e c o m o h a o c u r r i d o , y p o r n a d a ha e n t r a d o la
c a s u a l i d a d e n la r e a l i z a c i ó n d e l o p r e d i c h o , e x i 3 t e a d i v i n a -
ción, y todos deben confesarlo.
P a r é c e m e , pues, que, á ejemplo de Posidonio, debemos
a t r i b u i r la fuerza y t o d a la v i r t u d d e la a d i v i n a c i ó n , p r i -
m e r a m e n t e á D i o s , c o m o y a d i j i m o s , d e s p u é s al d e s t i n o , y
e n ú l t i m o l u g a r á la n a t u r a l e z a . La r a z ó n n o s o b l i g a á c o n -
f e s a r q u e t o d o s e r e a l i z a p o r el h a d o . L l a m o h a d o á lo q u e
l o s G r i e g o s l l a m a n elpLcrppivTiv, e s d e c i r , u n a s e r i e o r d e n a d a
d e c a u s a s l i g a d a s e n t r e sí y n a c i e n d o u n a s d e o t r a s . Tal e s
el m a n a n t i a l p r i m e r o d e la v e r d a d e t e r n a ; p o r e s t a r a z ó n
no ha sucedido nada que no debiera s u c e d e r , y nada s u c e -
d e r á c u y a s c a u s a s e f i c i e n t e s n o c o n t e n g a y a la n a t u r a l e z a .
No e s , p u e s , el h a d o lo q u e e n t i e n d e la s u p e r s t i c i ó n , s i n o
TOMO V. 17
258 MARCO TULIO CICERÓN.

l o q u e e n s e ñ a la física, e s á s a b e r , la c a u s a e t e r n a d e t o d o ,
la c a u s a d e l p a s a d o , d e l p r e s e n t e y d e l p o r v e n i r m á s r e -
m o t o . De a q u í n a c e la p o s i b i l i d a d d e o b s e r v a r y d e n o t a r
qué acontecimiento sigue inmediatamente á tal ó c u a l
c a u s a , y n o d i r é s i e m p r e , p o r q u e e s t o e s sin d u d a difícil
d e a f i r m a r ; e s t o e s lo q u e v e r o s í m i l m e n t e concede á los
f u r i o s o s y á los d o r m i d o s la f a c u l t a d d e d e s c u b r i r l a s c a u -
s a s d e las c o s a s f u t u r a s .
LVI. C o m o t o d o s u c e d e p o r el h a d o ( c o m o s e d e m o s -
t r a r á e n o t r o l u g a r ) , si e x i s t i e s e u n m o r t a l c u y o e s p í r i t u
p u d i e r a a b a r c a r el e n c a d e n a m i e n t o general de las c a u -
s a s , s e r í a infalible; p u e s el q u e c o n o c e l a s c a u s a s d e t o -
d o s los a c o n t e c i m i e n t o s futuros, p r e v é n e c e s a r i a m e n t e el
p o r v e n i r . P e r o ya q u e n a d i e p u e d e h a c e r e s t o s i n o D i o s ,
d e j e m o s al m e n o s á l o s h o m b r e s la f a c u l t a d d e presentir
l o v e n i d e r o p o r m e d i o d e l a s s e ñ a l e s q u e lo a n u n c i a n . L a s
c o s a s f u t u r a s n o b r o t a n d e r e p e n t e ; s u c e d e c o n la s u c e s i ó n
d e l t i e m p o c o m o c o n la c u e r d a q u e s e d e s a r r o l l a ; n a d a h a y
n u e v o , sino q u e todo es repetición continua de los m i s m o s
a c o n t e c i m i e n t o s , c o m o s a b e n l o s q u e s e d e d i c a n á la a d i -
v i n a c i ó n n a t u r a l y al c o n o c i m i e n t o d e lo f u t u r o p o r la o b -
s e r v a c i ó n d e las s e ñ a l e s . A u n q u e é s t o s n o v e n las c a u s a s
m i s m a s , o b s e r v a n , sin e m b a r g o , s u s m u e s t r a s y s e ñ a l e s , y
c o n el a u x i l i o d e la m e d i t a c i ó n y d e la m e m o r i a crean,
a p o y á n d o s e e n l o s m o n u m e n t o s d e l p a s a d o , la a d i v i n a c i ó n
l l a m a d a artificial, la q u e s e e j e r c e s o b r e l a s e n t r a ñ a s , l o s
fulgores, los prodigios y f e n ó m e n o s c e l e s t e s . No debe,
p u e s , e x t r a ñ a r q u e l o s a d i v i n o s p r e s i e n t a n lo q u e n o e x i s t e
todavía en ninguna p a r t e , p o r q u e todo existe simultánea-
m e n t e , p e r o s e r e a l i z a e n e l t i e m p o . De la m i s m a m a n e r a
q u e la s e m i l l a e n c i e r r a ya lo q u e ha d e n a c e r , así las c a u -
s a s c o n t i e n e n el p o r v e n i r e n t e r o . E s t e e s el p o r v e n i r q u e
v e el e s p í r i t u i n s p i r a d o ó a i s l a d o d u r a n t e el s u e ñ o y q u e
p r e s e n t a n la r a z ó n ó l a s c o n j e t u r a s . A e j e m p l o d e l o s q u e
conocen y predicen con mucha anticipación la salida,
&E' LA ADlVINACIÓS!. 259

o c a s o y r e v o l u c i o n e s d e l s o l , d e la l u n a y d e l o s d e m á s
a s t r o s , los o b s e r v a d o r e s del c u r s o de las c o s a s , los q u e ,
m e r c e d á p r o l o n g a d o e s t u d i o , h a n c o m p r e n d i d o el o r d e n y
e n c a d e n a m i e n t o d e l o s s u c e s o s , p r e v é n s i e m p r e , y si e s t o
parece muy aventurado, con m u c h a frecuencia, y si esto
n o s e c o n c e d e t a m p o c o , a l g u n a s v e c e s al m e n o s , l a q u e h a
d e s u c e d e r . Estos son los a r g u m e n t o s principales q u e se
o b t i e n e n d e l h a d o y q u e p r u e b a n la e x i s t e n c i a d e l a a d i v i -
nación.
L^yil. La n a t u r a l e z a n o s s u m i n i s t r a o t r a p r u e b a , f u n -
d a d a e n la fuerza y v i g o r d e l a l m a , l i b r e d e l o s s e n t i d o s ,
c o m o s e e n c u e n t r a e s p e c i a l m e n t e e n el s u e ñ o y e n l o s é x -
t a s i s . Así c o m o l o s D i o s e s , sin e l a u x i l i o d e l o s o j o s , l e s
o í d o s ó la l e n g u a , p e n e t r a n e n lo q u e c a d a c u a l p i e n s a , d e
lo q u e r e s u l t a q u e c u a n d o l o s h o m b r e s h a c e n v o t o s ó p r o -
m e s a s en s e c r e t o , n o duden que los Dioses les oyen; así
t a m b i é n n u e s t r a i n t e l i g e n c i a , l i b r e d e ¡os s e n t i d o s p o r el
s u e ñ o , ó e n t r e g a d a , por consecuencia d e fuerte excitación,
á su propio m o v i m i e n t o , d e s c u b r e lo q u e su c o m e r c i o c o n
el c u e r p o l e i m p i d e e n o t r a s c i r c u n s t a n c i a s c o n o c e r . E s t a s
a d v e r t e n c i a s d e la n a t u r a l e z a n o p u e d e n e n c o n t r a r s e e n el
g é n e r o de adivinación que h e m o s dicho ser producto del
a r t e : sin e m b a r g o , P o s i d o n i o lo i n t e n t a e n c u a n t o puede,
c o n s i d e r a n d o e n la n a t u r a l e z a a l g u n a s s e ñ a l e s d e l o f u t u -
r o . Así e s q u e H e r á c l i d e s P o n t i c o e s c r i b e q u e l o s h a b i t a n -
t e s d e C e o s o b s e r v a n t o d o s l o s a ñ o s c o n a t e n c i ó n s u m a la
s a l i d a d e la C a n í c u l a , y e n t o n c e s c o n j e t u r a n si el a ñ o s e r á
saludable ó pestilencial. Cuando esta estrella se presenta
o s c u r a y n e b u l o s a , anuncia, según c r e e n , aire d e n s o , pe-
s a d o y p e l i g r o s o p a r a la r e s p i r a c i ó n ; s i , p o r el c o n t r a r i o ;
a p a r e c e p u r a y b r i l l a n t e , significa a i r e p u r o , l i g e r o , y p o r
consiguiente saludable. Demócrito considera que los anti-
g u o s e s t a b l e c i e r o n s a b i a m e n t e el e x a m e n d e las entrañas
d é l a s v í c t i m a s , p o r q u e el e s t a d o y c o l o r d e e s t a s e n t r a ñ a s
suministran señales que no se refieren solamente á las
260 MARCO T U L I O C I C E R Ó N .

condiciones saludables ó nocivas del aire, sino que se r e -


l a c i o n a n t a m b i é n c o n la fertilidad ó a r i d e z d e l o s c a m p o s .
A e s t a s o b s e r v a c i o n e s f u n d a d a s e n la n a t u r a l e z a , la e x p e -
r i e n c i a y el e s t u d i o a ñ a d e n d i a r i a m e n t e n u e v o s e s c l a r e c i -
m i e n t o s . P a r e c e q u e c o n o c í a p o c o la n a t u r a l e z a a q u e l p r e -
t e n d i d o físico d e l Criseas d e P a c u v i o .
« E s e u c h a d , si o s p l a c e ; p e r o n o c r e á i s á l o s q u e com-
prenden el l e n g u a j e de las a v e s , y no sabiendo nada
por sí m i s m o s , lo v e n t o d o e n el h í g a d o d e l a s víc-
timas.»
¿Y p o r q u é ? p r e g u n t o y o . N o d i c e s tú m i s m o p o c o s ver-
sos después:
«Ese ser, quienquiera que sea, forma, alimenta, des-
a r r o l l a , c r e a y a b s o r b e e n s í t o d a s l a s c o s a s . Él e s el p a d r e
d e t o d o ; n a c i d o t o d o d e é l , e n él d e s a p a r e c e . »
¿ C ó m o , p u e s , si t e n e m o s t o d o s e l m i s m o o r i g e n , una
p a t r i a c o m ú n , si n u e s t r a s a l m a s h a n e x i s t i d o siempre y
s i e m p r e h a n d e e x i s t i r , e s t a s a l m a s no p o d r á n discernir
las c a u s a s y significación de las cosas?
LVIII. Esto e s lo q u e t e n í a q u e d e c i r a c e r c a d e la a d i -
vinación. Ahora declaro que rechazo los sortilegios, los
v e n d e d o r e s d e la b u e n a v e n t u r a y los p s i c o m á n t i c o s , á
q u i e n e s tu a m i g o Appio solía c o n s u l t a r .
«Desprecio los a u g u r e s de los Marsos, c o m o también
los arúspices de aldea, los astrólogos de p l a z u e l a , los
vaticinadores de Isis y los intérpretes de sueños. A
todos ellos hemos de considerarlos como holgazanes,
h o m b r e s sin a r t e , sin e s t u d i o , tan s u p e r s t i c i o s o s como
i m p u d e n t e s . No s a b e n dónde ir, y quieren guiar á los
demás. Piden una d r a c m a en pago de los t e s o r o s que
nos prometen. Deduzcan la d r a c m a y que n o s den lo
demás.»
Esto dice Ennio, que pocos versos antes reconoce la
existencia de los Dioses, pero añadiendo que no se cuidan
d e l o q u e h a c e el g é n e r o h u m a n o . C o n v e n c i d o yo de que
DE LA ADIVINACIÓN. 261

a i se cuidan, que nos advierten, que nos predicen muchas


cosas, admito la adivinación, rechazando sin embargo la
ligereza, vanidad y malicia.
Habiendo hablado así Quinto, le dije: Bien preparado
ciertamente
(Aquí existe una laguna no muy extensa.)
LIBRO SEGUNDO.

I. Cuantas veces he p e n s a d o — y estos pensamientos m e


preocupan con frecuencia y l a r g a m e n t e — e n los mejores
m e d i o s d e s e r útil á m i p a t r i a , d e s e r v i r s i n i n t e r r u p c i ó n
l o s i n t e r e s e s d e la R e p ú b l i c a , n a d a m e ha parecido más
c o n d u c e n t e á este propósito q u e abrir á mis conciudada-
n o s el c a m i n o d e l o s n o b l e s e s t u d i o s , c o m o c r e o h a b e r l o
h e c h o ya e n m u c h o s l i b r o s . L e s h e m o s e x h o r t a d o c u a n t o
h e m o s p o d i d o á d e d i c a r s e al e s t u d i o d e la filosofía, e n e l
q u e i n t i t u l a m o s Hortensias, y hemos mostrado q u é clase de
filosofía c o n s i d e r á b a m o s m e n o s a r r o g a n t e , m á s p r á c t i c a y á
propósito para formar b u e n gusto en los cuatro Académi-
cos. S i e n d o el f u n d a m e n t o d e t o d a filosofía el c o n o c i m i e n t o
de los v e r d a d e r o s bienes y de los v e r d a d e r o s males, h e m o s
agotado e s t e i m p o r t a n t e asunto en los cinco libros d e d i c a -
d o s á facilitar la i n t e l i g e n c i a d e t o d o lo q u e s e h a d i c h o
en favor y e n c o n t r a d e c a d a s i s t e m a . En l o s s i g u i e n t e s
l i b r o s d e d i s e r t a c i o n e s , l a s Tusculanas, e x p u s e l a s c o n d i -
ciones principales p a r a v i v i r b i e n . T r a t a el p r i m e r o d e l
d e s p r e c i o d e la m u e r t e ; el s e g u n d o d e l v a l o r p a r a s o p o r t a r
el d o l o r ; e l t e r c e r o d e l o s m e d i o s p a r a d u l c i l í c a r la t r i s -
teza; el c u a r t o d e las d e m á s p e r t u r b a c i o n e s del alma, y el
q u i n t o d e s a r r o l l a la m á x i m a q u e t a n t a c l a r i d a d derrama
s o b r e t o d a la filosofía, q u e la v i r t u d s o l a b a s t a p a r a la feli-
264 MARCO TULIO CICERÓN.

c i d a d . T e r m i n a d o s e s t o s t r a b a j o s , h e e s c r i t o s o b r e la Natu-
raleza délos Dioses, t r e s l i b r o s q u e c o n t i e n e n t o d o l o q u e
s e refiere á e s t a c u e s t i ó n ; y para c o m p l e t a r mi t a r e a e n
todas s u s partes, hemos comenzado á escribir estos libros
a c e r c a d e la Adivinación; y cuando ( s e g ú n mi p r o p ó s i t o )
h a y a a ñ a d i d o o t r o a c e r c a d e l Hado, h a b r é a g o t a d o la m a -
t e r i a . A e s t o s l i b r o s h a y q u e a ñ a d i r s e i s d e la República,
e s c r i t o s e n é p o c a e n q u e e m p u ñ á b a m o s el t i m ó n d e l g o -
bierno; cuestión importantísima, profundamente enlazada
c o n la filosofía, y c o n a m p l i t u d t r a t a d a p o r P l a t ó n , A r i s t ó •
t e l e s , T e o f r a s t o y t o d a la familia d e l o s P e r i p a t é t i c o s . ¿Qué
d i r é d e la Consolación? q u e d e s p u é s d e p o n e r remedio á
m i p r o p i a t r i s t e z a , c o n s i d e r o q u e lo p o n d r á m á s a b u n d a n t e
t o d a v í a á la d e l o s d e m á s . E n t r e e s t o s d i f e r e n t e s e s c r i t o s
s e e n c u e n t r a el l i b r o d e la Senectud, que dedicamos á
n u e s t r o a m i g o Á t i c o . Y c o m o p o r la filosofía s e h a c e el
h o m b r e b u e n o y fuerte, entre estos libros d e b e e n u m e r a r s e
n u e s t r o Catón. C o m o A r i s t ó t e l e s y T e o f r a s t o , varones tan
eminentes por su penetración y fecundidad, unieron l o s
p r e c e p t o s d e la e l o c u e n c i a á los d e la filosofía, creemos
que d e b e m o s contar aquí n u e s t r o s libros oratorios; es d e -
c i r , t r e s Diálogos; e l c u a r t o , Bruto; q u i n t o , e l Orador.
II. H a s t a a h o r a e s t o s h a n sido m i s t r a b a j o s : c o n a c t i v i -
dad d e ánimo m e propongo completarlos, y, á menos
q u e se oponga grave obstáculo, no dejar cuestión alguna
d e la filosofía q u e n o e s c l a r e z c a y h a g a a s e q u i b l e á t o d o s
e n l e n g u a l a t i n a . ¿Qué oficio m á s a l t o p o d r í a m o s e j e r c e r y
m á s útil á la R e p ú b l i c a q u e el d e e n s e ñ a r é i n s t r u i r á la j u -
v e n t u d , e s p e c i a l m e n t e e n u n a é p o c a e n q u e d e tal m a n e r a
se encuentran relajadas las c o s t u m b r e s , q u e todos esta-
mos obligados á refrenarlas y corregirlas? Y no e s q u e e s -
p e r e l o q u e ni s i q u i e r a e s d e p e d i r , q u e l o d o s l o s j ó v e n e s
s e dediquen á e s t e e s t u d i o . ¡Ojalá lo h a g a n algunos! su
ejemplo será m u y útil á la R e p ú b l i c a . R e c o g i e n d o estoy
y a , e n v e r d a d , el fruto d e m i t r a b a j o , p u e s t o q u e v e o h o m -
DB LA ADIVINACIÓN. 265

« r e s d e e d a d a v a n z a d a , y en m a y o r n ú m e r o q u e p o d í a e s -
p e r a r , d e l e i t a r s e con la l e c t u r a d e n u e s t r o s l i b r o s , s i r v i é n -
d o m e s u afán c o n t i n u o p o r e s t u d i a r l o s d e e s t í m u l o para
e s c r i b i r l o s . Magnífico s e r á y m u y g l o r i o s o p a r a l o s R o m a -
n o s n o n e c e s i t a r d e l o s G r i e g o s p a r a el e s t u d i o d e la filo-
sofía, y e s t o s e c o n s e g u i r á si r e a l i z o m i s p r o p ó s i t o s . E s t e
d e s e o d e e x p l i c a r la filosofía lo c o n c e b í e n m e d i o d e l a s
d e s g r a c i a s y g u e r r a s civiles de R o m a , c u a n d o nada podía
h a c e r p a r a d e f e n d e r l a , s e g ú n mi c o s t u m b r e , ni p e r m a n e c e r
o c i o s o ni e n c o n t r a r o c u p a c i ó n m á s c o n v e n i e n t e y d i g n a d e
m í . Mis c o n c i u d a d a n o s m e a p r o b a r á n , ó m á s b i e n m e a g r a -
d e c e r á n a l g o , s i , c u a n d o la R e p ú b l i c a h a e s t a d o á m e r c e d
d e u n o s o l o , n o m e h e o c u l t a d o , ni h e h u i d o , ni d e s a l e n -
t a d o , ni c o n d u c i d o c o m o h o m b r e i n ú t i l m e n t e i r r i t a d o c o n -
t r a las c i r c u n s t a n c i a s ; así c o m o t a m p o c o m e m o s t r é l i s o n -
jero y adulador d e la f o r t u n a ajena, hasta el p u n t o de
a v e r g o n z a r m e d e la m í a . P l a t ó n y la filosofía me habían
enseñado desde mucho antes que las cosas públicas están
s u j e t a s á c i e r t a s r e v o l u c i o n e s n a t u r a l e s , q u e d a n el p o d e r
u n a s v e c e s á los g r a n d e s , o t r a s al p u e b l o , y en o c a s i o n e s
á uno solo. Cuando nuestra República cayó tan bajo, d e s -
pojado de mis a n t i g u a s funciones, reanudé estos estudios
q u e , á la v e z q u e c a l m a b a n mis p e s a r e s , ofrecíanme el
único medio q u e me quedaba d e ser útil á mis conciuda-
danos. P o r q u e en mis libros exponía opiniones, a r e n g a b a ,
c o n s i d e r a n d o la filosofía c o m o s u s t i t u c i ó n p a r a mí d e l g o -
b i e r n o d e la R e p ú b l i c a . A h o r a q u e h a n c o m e n z a d o á c o n -
s u l t a r m e a c e r c a de los n e g o c i o s p ú b l i c o s , á é s t o s p e r t e n e -
c e n mi t i e m p o , m i s p e n s a m i e n t o s y c u i d a d o s , y s o l a m e n t e
d e d i c a r é á la filosofía lo q u e no s e a n e c e s a r i o á m i oficio
público. Pero en otra coyuntura t r a t a r e m o s de esto; ahora
volvamos á nuestra discusión.
III. C u a n d o mi h e r m a n o Q u i n t o h u b o d i c h o d e l a a d i -
vinación lo q u e q u e d a e s c r i t o e n el l i b r o a n t e r i o r , y h a -
b i e n d o p a s e a d o ya b a s t a n t e , n o s s e n t a m o s e n la b i b l i o t e c a
266 MARGO T U L I O CICERÓN.

d e m i L i c e o . M u y b i e n , o h Q u i n t o , le d i j e , h a s defendido
c o m o e s t o i c o la d o c t r i n a d e l o s E s t o i c o s , a g r a d á n d o m e e s -
pecialmente que te hayas apoyado en acontecimientos
notables y m e m o r a b l e s . Ahora debo r e s p o n d e r á lo que
h a s d i c h o . Así lo h a r é , p e r o sin a f i r m a r nada, investi-
g a n d o la v e r d a d , d u d a n d o c o n f r e c u e n c i a y desconfiando
d e mí m i s m o , p o r q u e si p r e s i n t i e s e a l g o c o m o c i e r t o , m e
presentaría como adivino, cuando n i e g o la adivinación.
P r e g u n t ó m e desde luego aquello q u e , ante todo, investi-
g a b a C a r n e a d e s : ¿ s o b r e q u é s e e j e r c e la a d i v i n a c i ó n ? ¿ s o b r e
l a s c o s a s s e n s i b l e s ? é s t a s las v e m o s , las o i m o s , g u s t a m o s ,
sentimos y t o c a m o s . ¿Existe en estas sensaciones algo e x -
t r a o r d i n a r i o , a l g ú n e f e c t o d e la p r e v i s i ó n ó i n s p i r a c i ó n d e l
alma? ¿ p u e d e a l g ú n a d i v i n o , si c a r e c e d e v i s t a c o m o T i r e -
s i a s , d i s t i n g u i r lo b l a n c o d e lo n e g r o , y si e s s o r d o n o t a r
l a s d i f e r e n c i a s d e l a s v o c e s y s o n i d o s ? La adivinación,
p u e s , n o s e e j e r c e s o b r e n a d a d e lo q u e e s o b j e t o d e n u e s -
t r o s s e n t i d o s y ni t a m p o c o s e n e c e s i t a p a r a a q u e l l a s c o s a s
q u e t r a t a m o s p o r m e d i o d e l a r t e . No a c o s t u m b r a m o s á
l l a m a r al l a d o d e l e n f e r m o adivinos, sino médicos; y los
q u e q u i e r e n a p r e n d e r á t o c a r la l i r a ó la flauta, no r e c i b e n
l e c c i ó n d e l o s a r ú s p i c e s , s i n o d e l o s m ú s i c o s . Lo m i s m o
a c o n t e c e c o n l a s l e t r a s y las c i e n c i a s . ¿Crees a c a s o q u e l o s
que pretenden adivinar pueden d e c i r t e si el sol e s m á s
g r a n d e q u e la t i e r r a ? ¿si e s tal c o m o a p a r e c e ? ¿si la l u n a
t i e n e luz p r o p i a , ó refleja la d e l sol? ¿ q u é m o v i m i e n t o t i e n e n
e l sol y la l u n a ? ¿cuál e s el d e las c i n c o e s t r e l l a s q u e s e l l a -
man errantes? Ninguno de los q u e se tienen por adivinos
osa p r e t e n d e r e n s e ñ a r n o s algo en este p u n t o , c o m o tam-
p o c o e n c u a n t o á la v e r d a d ó f a l s e d a d de los problemas
g e o m é t r i c o s : esto p e r t e n e c e á los matemáticos y no á los
augures. '
IV. En c u a n t o á l a s c u e s t i o n e s q u e s e a g i t a n e n filoso-
fía, ¿se h a p e n s a d o j a m á s e n p r e g u n t a r á l o s a r ú s p i c e s q u é
es b u e n o , malo ó indiferente? Esto p e r t e n e c e á los filósofos.
DE LA ADIVINACIÓN. 26T

¿Y e n c u a n t o á l o s d e b e r e s ? ¿Quién c o n s u l t ó j a m á s á l o s
arúspices c ó m o debe comportarse con los p a d r e s , los h e r -
m a n o s ó l o s a m i g o s ? ¿Quién e l u s o d e l a s r i q u e z a s , d e l o s
h o n o r e s ó d e l m a n d o ? En e s t o s c a s o s n o s d i r i g i m o s á l o s
s a b i o s y n o á l o s a d i v i n o s . T a m p o c o s e p e d i r á al a d i v i n o
q u e r e s u e l v a l a s c u e s t i o n e s q u e a g i t a n l o s físicos y d i a l é c -
t i c o s , a c e r c a d e si e l m o d o e s m ú l t i p l e ó ú n i c o y c u á l s e a
el p r i n c i p i o d e l a s c o s a s q u e d a o r i g e n á t o d a s . Esto p e r t e -
n e c e á la c i e n c i a d e l o s físicos. T a m p o c o p o d r á c o n t e s t a r
si l e p o n e s e l a r g u m e n t o falacia, q u e l l a m a n <J/su8ó|«voi;,
ni r e s o l v e r á u n sorites ( a r g u m e n t o q u e p o d r í a m o s l l a m a r
c o n l a p a l a b r a l a t i n a acervalis, a m o n t o n a d o , si n o f u e s e
i n ú t i l , p o r q u e t a n t o sorites, c o m o filosofía, c o m o o t r a s
m u c h a s palabras griegas h a n pasado á n u e s t r o idioma)»
luego esto p e r t e n e c e á los dialécticos y no á los adivinos.
E n fin, si s e q u i e r e e x a m i n a r c u á l e s la m e j o r f o r m a d e
república, q u é leyes, q u é c o s t u m b r e s serán útiles ó inúti-
l e s , ¿ l l a m a r e m o s a r ú s p i c e s d e la E t r u r i a , ó s e a p e l a r á á l o s
v a r o n e s m á s notables y expertos en los negocios públicos?
A h o r a b i e n , si la a d i v i n a c i ó n n o a t a ñ e á l a s c o s a s q u e c a e n
b a j o el i m p e r i o d e l o s s e n t i d o s , ni á l a s q u e e l a r t e e n s e ñ a ,
ni á l a s q u e s e a g i t a n e n filosofía, ni á l a s c o n c e r n i e n t e s a l
g o b i e r n o d e la r e p ú b l i c a , n o c o m p r e n d o c u á l e s su o b j e t o .
P o r q u e necesariamente h a de o c u p a r s e ó d e todo en g e n e -
r a l ó d e algo e n p a r t i c u l a r ; p e r o la r a z ó n n o s e n s e ñ a q u e
no p e r t e n e c e t o d o á s u d o m i n i o , y p o r o t r a p a r t e n o v e m o s
empleo particular que poder asignarle. Considera, pues, á
q u é q u e d a r e d u c i d a la a d i v i n a c i ó n .
V. E x i s t e un v e r s o g r i e g o m u y c o n o c i d o r e f e r e n t e á
e s t e a s u n t o . « C o n s i d e r o p r o f e t a e x c e l e n t e al q u e c o n j e t u r a
b i e n . » ¿Y a c a s o el a d i v i n o c o n j e t u r a r á m e j o r q u e el p i l o t o
la p r o x i m i d a d d e la t e m p e s t a d , c o n m á s s e g u r i d a d q u e e l
m é d i c o la n a t u r a l e z a d e l m a l ; ó e n el a r t e d e la g u e r r a s e
s o b r e p o n d r á á la p e r i c i a d e e x p e r i m e n t a d o g e n e r a l ?
P e r o h e observado, oh Quinto, que has cuidado d e s e p a -
268 MARCO T U L I O C I C E R Ó N .

r a r d e la a d i v i n a c i ó n t o d o a q u e l l o q u e e x i g e e s t u d i o y r a -
c i o c i n i o , t o d o lo q u e c a e bajo l o s s e n t i d o s y t o d o lo que
p r o c e d e d e l a r t e , y la d e f i n e s d i c i e n d o : a d i v i n a c i ó n e s p r e -
sagio y presentimiento d e cosas fortuitas. Pero volvemos
á la m i s m a dificultad, p o r q u e el p i l o t o , el m é d i c o y el g e -
n e r a l p r e s i e n t e n t a m b i é n c o s a s f o r t u i t a s . ¿Y c r e e s p o r v e n -
tura que un arúspice, un augur, un adivino sea el que
q u i e r a , u n s o ñ a d o r p u e d e p r e v e r m e j o r si c u r a r á el e n -
f e r m o , si la n a v e l l e g a r á á b u e n p u e r t o , si el e j é r c i t o s e li-
b r a r á d e e m b o s c a d a s , q u e el m é d i c o , el p i l o t o y el g e n e r a l ?
T a m b i é n h a s d i c h o q u e n o p e r t e n e c e al a d i v i n o predecir
por ciertas señales las t e m p e s t a d e s y huracanes, y COD
esta ocasión m e has citado de memoria algo de nuestra
Aratea. Pero también son fortuitas estas cosas, porque no
o c u r r e n s i e m p r e , a u n q u e o c u r r a n m u c h a s v e c e s . ¿Cuál e s ,
p u e s , y en qué se ejerce el p r e s e n t i m i e n t o de las cosas
f u t u r a s q u e l l a m a s a d i v i n a c i ó n ? Confiesas q u e n o p e r t e n e c e
á la a d i v i n a c i ó n s i n o á la p r u d e n c i a h u m a n a lo q u e p u e d e
p r e d e c i r s e p o r el a r t e , p o r el r a c i o c i n i o , la e x p e r i e n c i a ó
l a s c o n j e t u r a s . Q u e d a n , p o r c o n s i g u i e n t e , á la a d i v i n a c i ó n
l a s c o s a s f o r t u i t a s q u e ni el a r t e ni la s a b i d u r í a pueden
p r e v e r . Si m u c h o s a ñ o s a n t e s d e l a c o n t e c i m i e n t o hubiese
p r e d i c h o a l g u i e n q u e a q u e l M. M a r c e l o , q u e fué c ó n s u l t r e s
v e c e s , p e r e c e r í a en un naufragio, verdadero adivino hu-
b i e r a s i d o , p o r q u e ni e l a r t e n i la s a b i d u r í a podían reve-
l á r s e l o . P o r c o n s i g u i e n t e la a d i v i n a c i ó n e s presentimiento
d e c o s a s s u j e t a s á la f o r t u n a .
VI. Mas ¿ p u e d e e x i s t i r p r e s e n t i m i e n t o d e a q u e l l o que
n o tiene razón ninguna p a r a existir? ¿Qué s e entiende
c u a n d o s e d i c e q u e u n a c o s a ha s u c e d i d o p o r c a s u a l i d a d ,
por fortuna, por accidente, por acaso, sino es q u e pudo no
o c u r r i r ú o c u r r i r d e o t r a m a n e r a ? ¿ C ó m o , p u e s , ha d e p r e -
v e r s e lo q u e s e d e b e á la c a p r i c h o s a fortuna ó ciega ca-
sualidad? El m é d i c o p r e v é p o r r a c i o c i n i o el p e l i g r o del
e n f e r m o , el g e n e r a l , l a s e m b o s c a d a s d e l e n e m i g o , el p i l o t o ,
DE LA ADIVINACIÓN. 269

Ja t e m p e s t a d ; y sin e m b a r g o , se e n g a ñ a n muchas veces,


a u n q u e fundan su opinión en r a z o n e s . También se a p o y a
en la r a z ó n el l a b r a d o r c u a n d o c r e e v e r u n fruto e n c a d a
flor d e l o l i v o , y sin e m b a r g o s u e l e e n g a ñ a r s e . A h o r a b i e n ,
si á l a s v e c e s s e e q u i v o c a n a q u e l l o s q u e s o l o j u z g a n por
c o n j e t u r a s p r o b a b l e s y c o n f o r m e s c o n la r a z ó n , ¿ q u é d e b e -
m o s c r e e r d e l o s q u e b u s c a n el c o n o c i m i e n t o délo veni-
d e r o e n las e n t r a ñ a s d e las v í c t i m a s , e n el v u e l o y canto
d e l a s a v e s , p r e s a g i o s , o r á c u l o s y s u e ñ o s ? En o t r a p a r t e , y
s e p a r a d a m e n t e , te diré cuan vanas señales son á mis ojos
las h e n d i d u r a s d e l h í g a d o , los g r a z n i d o s del c u e r v o , ei
v u e l o d e l á g u i l a , la c a r r e r a d e los a s t r o s , l o s g r i t o s del
f u r i o s o , las s u e r t e s y l o s s u e ñ o s ; a h o r a s ó l o h a b l o en g e -
n e r a l . ¿Quién p u e d e p r e v e r q u e u n a c o s a s u c e d e r á , c u a n d o
no e x i s t e ni e s p o s i b l e a s i g n a r c a u s a a l g u n a á s u e x i s t e n -
cia? L o s q u e o b s e r v a n y c a l c u l a n la m a r c h a d e los astros
p r e d i c e n c o n m u c h a a n t i c i p a c i ó n l o s e c l i p s e s d e l Sol y d e
la L u n a ; p e r o a n u n c i a n lo q u e ha d e r e s u l t a r del o r d e n in
v a r i a b l e d e la naturaleza. Sus observaciones sobre la
m a r c h a c o n s t a n t e d e la L u n a les h a n e n s e ñ a d o q u e , c u a n d o
s e e n c u e n t r a e n o p o s i c i ó n c o n el Sol en la s o m b r a d e la
T i e r r a , q u e e s m e t a d e la n o c h e , n e c e s a r i a m e n t e h a d e o s -
c u r e c e r s e ; saben también q u e , c u a n d o está visible é inter-
p u e s t a e n t r e el Sol y n o s o t r o s , n o s o c u l t a una parte de
e s t e a s t r o : t a m b i é n p r e d i c e n el p a s o d e las e s t r e l l a s e r r a n -
t e s p o r c a d a s i g n o , y la a p a r i c i ó n y o c a s o d e c a d a u n o d e
é s t o s . Tú sabes qué raciocinios emplean para estas p r e -
dicciones.
VIL ¿Qué r e g l a s s i g u e n los q u e n o s a n u n c a n el h a l l a z -
;

g o d e u n t e s o r o ó la a d q u i s i c i ó n d e u n a h e r e n c i a ? ¿En q u é
orden natural se fundan estos acontecimientos? Porque si
éstos, y otros semejantes, proceden de orden necesario,
¿ q u é q u e d a p a r a e l - h a d o , y q u é h e m o s d e a t r i b u i r á la for-
t u n a ? Nada h a y m á s c o n t r a r i o al o r d e n r a c i o n a l y á lo c o n s -
t a n t e c o m o la c a s u a l i d a d , y d u d o q u e el m i s m o Dios sepa
$70 MARCO TULIO CICERÓN.

l o q u e h a d e o c u r r i r f o r t u i t a m e n t e ; p o r q u e si lo s u p i e s e ,
el acontecimiento se realizaría infaliblemente, y admitida
e s t a n e c e s i d a d , n o e x i s t i r í a f o r t u n a . Sin e m b a r g o , la f o r t u -
na existe; luego no puede admitirse presentimiento de las
c o s a s f o r t u i t a s . P e r o si n i e g a s la e x i s t e n c i a d e la f o r t u n a y
p r e t e n d e s q u e todo cuanto s u c e d e está fatalmente deter-
m i n a d o d e s d e la e t e r n i d a d , c a m b i a la definición d e la a d i -
vinación que llamas presentimiento de las cosas fortuitas.
P o r q u e si n a d a p u e d e o c u r r i r ni s u c e d e r q u e n o e s t é d e -
t e r m i n a d o d e s d e la e t e r n i d a d p a r a q u e s e r e a l i c e e n el
t i e m p o , ¿á q u é q u e d a r e d u c i d a la f o r t u n a ? Y sin e l l a , ¿ q u é
e s la a d i v i n a c i ó n , á la q u e l l a m a s p r e s e n t i m i e n t o de las
e o s a s fortuitas? P e r o al m i s m o t i e m p o d i c e s q u e el hado
e n c i e r r a t o d o lo q u e s u c e d e y d e b e s u c e d e r . Deja p a r a l a s
viejas esa palabra tan supersticiosa. Mucho dicen del h a d o
l o s E s t o i c o s , y en o t r o l u g a r h a b l a r e m o s d e é l ; a h o r a a t e n -
d a m o s á lo n e c e s a r i o .
VIH. Si t o d o d e p e n d e d e l h a d o , ¿ p a r a q u é m e s i r v e la
a d i v i n a c i ó n ? Lo q u e p r e d i c e el a d i v i n o , d e b e s u c e d e r i n f a -
l i b l e m e n t e : a s í e s q u e n o e n t i e n d o lo q u e quiere decirse
c u a n d o se refiere q u e un águila hizo r e t r o c e d e r á nuestro
amigo Deyotaro, y que este rey evitó dormir en una habi-
tación q u e , d e r r u m b á n d o s e á la n o c h e s i g u i e n t e , l e h u -
b i e s e a p l a s t a d o e n s u c a í d a . Si e s t o e r a d e c r e t o del d e s -
t i n o , no h a b r í a e s c a p a d o al p e l i g r o ; y si n o e s t a b a d e c r e -
tado, no podía s u c u m b i r . ¿Para q u é s i r v e , p u e s , la a d i v i -
n a c i ó n ? ¿Qué a d v e r t e n c i a s p u e d e n d a r m e las s u e r t e s , las
e n t r a ñ a s ú o t r a c u a l q u i e r a p r e d i c c i ó n ? Si e r a decreto del
h a d o q u e d e las d o s e s c u a d r a s d e l p u e b l o r o m a n o , e n l a
primera guerra púnica, naufragase una y destruyesen los
C a r t a g i n e s e s la o t r a , e s t a s d e s g r a c i a s n o h u b i e s e n dejado
de acontecer aunque los g a l l o s sagrados hubiesen su-
ministrado buenos auspicios á los cónsules L. Junio y
P . C l a u d i o . Si s e d i c e q u e , a t e n d i e n d o á l o s a u s p i c i o s , s e
habrían salvado las e s c u a d r a s , se deducirá q u e no e s t a b a n
DE L A ADIVINACIÓN . 271

c o n d e n a d a s p o r el h a d o . Queréis q u e todo d e p e n d a d e l
h a d o : e n e s e c a s o n o e x i s t e a d i v i n a c i ó n . De la m i s m a m a -
n e r a , si e n la s e g u n d a g u e r r a púnica había d e c r e t a d o el
h a d o q u e el e j e r c i t o d e l p u e b l o r o m a n o q u e d a s e d e s t r u i d o
e n el T r a s i m e n o , ¿ h a b r í a e v i t a d o la d e r r o t a e l c ó n s u l F i a •
minio obedeciendo á los auspicios q u e le prohibían c o m -
batir? N o , c i e r t a m e n t e . 0 el h a d o , c u y o s d e c r e t o s son i n -
m u t a b l e s , había c o n d e n a d o el ejército á perecer, ó si lo
e s t a b a ( c o m o n o p o d é i s m e n o s d e d e c i r ) el r e s p e t o á l o s
a u s p i c i o s e n n a d a p o d í a c a m b i a r e l a c o n t e c i m i e n t o . ¿En
q u é v i e n e á q u e d a r la a d i v i n a c i ó n d e l o s E s t o i c o s ? Si t o d o
o c u r r e por el h a d o , nada puede p r e v e n i r n o s para que nos
preservemos; porque de cualquiera manera que obremos
no p o d r e m o s i m p e d i r q u e s u c e d a lo q u e fatalmente h a d e
s u c e d e r . Si p o d e m o s c o n s e g u i r l o , e l h a d o n o e x i s t e , y p o r
c o n s i g u i e n t e ni la a d i v i n a c i ó n tampoco, puesto q u e ésta
a n u n c i a lo q u e h a d e s u c e d e r , y n o p u e d e d e c i r s e q u e c o n
seguridad una cosa ha de suceder, cuando por medio de
alguna precaución puede conseguirse que no se realice.
IX. A ñ a d i r é a d e m á s q u e n o c r e o ni s i q u i e r a ú t i l el c o -
n o c i m i e n t o d e l a s c o s a s f u t u r a s . ¿Cuál h a b r í a s i d o la v i d a
d e P r í a m o , si d e s d e la infancia h u b i e s e c o n o c i d o la s u e r t e
q u e le e s p e r a b a e n la vejez? P e r o d e j e m o s l a s f á b u l a s y
v e n g a m o s á hechos m á s c e r c a n o s á n o s o t r o s . En el libro
d e la Consolación h e c i t a d o la m u e r t e d e n u e s t r o s h o m b r e s
más eminentes. Y omitiendo los antiguos, ¿crees q u e hu-
b i e s e s i d o útil á M a r c o C r a s s o , c u a n d o s e h a l l a b a e n t o d o
el e s p l e n d o r d e s u f o r t u n a y p o d e r í o , s a b e r q u e u n d í a ,
d e s p u é s d e p r e s e n c i a r la m u e r t e d e s u hijo P u b l i o y la d e -
rrota de su ejército, encontraría ignominiosa m u e r t e al
o t r o l a d o d e l E u f r a t e s ? ¿Crees q u e C n . P o m p e y o h u b i e s e
s a b o r e a d o las delicias d e s u s tres consulados, de sus tres
t r i u n f o s , d e s u i n m e n s a g l o r i a , si h u b i e s e s a b i d o q u e , d e s -
p u é s d e p e r d e r su e j é r c i t o , d e b í a s e r a s e s i n a d o e n u n a s o -
ledad del Egipto, y q u e á su muerte sucederían desgracias
272 MARCO T U L I O CICERÓN.

de las que no podemos h a b l a r sin l á g r i m a s ? Y el mismo


C é s a r , si h u b i e s e p o d i d o p r e v e r q u e un d í a , en m e d i o d e
a q u e l l o s s e n a d o r e s c u y a m a y o r p a r t e h a b í a e l e g i d o él m i s -
m o , en la Sala P o m p e y a n a , al p i e d e la e s t a t u a del mismo
Pompeyo, en presencia de tantos centuriones adictos,
c a e r í a a s e s i n a d o p o r lo m á s e s c o g i d o d e la n o b l e z a r o m a -
n a , e n t r e los q u e h a b í a m u c h o s f a v o r e c i d o s por él, y que
q u e d a r í a allí sin q u e n a d i e , n o s o l a m e n t e de sus amigos,
sino también de sus esclavos, se atreviese á a c e r c a r s e á su
c a d á v e r , ¿su v i d a n o h a b r í a s i d o c o n t i n u o t o r m e n t o ? I n d u -
d a b l e m e n t e e s m u c h o m e j o r i g n o r a r los m a l e s q u e n o s r e -
s e r v a el p o r v e n i r , p o r q u e n a d i e p u e d e d e c i r , y m e n o s el
Estoico: Pompeyo no habría e m p u ñ a d o las a r m a s , [Link]
no habría p a s a d o el E u f r a t e s , y C é s a r n o h a b r í a e m p r e n d i -
d o la g u e r r a c i v i l . E s t o equivaldría á manifestar q u e él
h a d o no h a b r í a d e c r e t a d o s u muerte, y queréis que todo
d e p e n d a d e l h a d o . La a d i v i n a c i ó n , p u e s , n o h a b r í a s e r v i d o
de nada á aquellos g r a n d e s h o m b r e s , consiguiendo única-
m e n t e e m p o n z o ñ a r su v i d a . ¿Qué p u e d e s e r a g r a d a b l e á
quien á todas horas contempla su desastrosa muerte? Así >

p u e s , á c u a l q u i e r lado q u e a c u d a n los Estoicos, sus suti-


l e z a s c a e n p o r sí m i s m a s ; p o r q u e si lo q u e ha d e suceder
puede suceder de una ú otra m a n e r a , la f o r t u n a t i e n e sin
d u d a m u c h a p a r t e e n e l l o , y lo q u e d e p e n d e d e la f o r t u n a
n u n c a e s c i e r t o . S i , p o r el c o n t r a r i o , c a d a c o s a h a d e su-
c e d e r i n f a l i b l e m e n t e en s u t i e m p o , ¿de q u é m e s e r v i r á n l o s
a r ú s p i c e s al p r e d e c i r m e l a s d e s g r a c i a s m á s t r e m e n d a s ?
X. E s t r e c h a d o s d e c e r c a , p r e t e n d e n q u e las d e s g r a c i a s
s e r á n m á s l l e v a d e r a s si r e c u r r i m o s á l a s p r á c t i c a s religio-
s a s : p u e s si t o d o s u c e d e p o r el h a d o , d e n a d a p u e d e n s e r -
v i r e s i a s p r á c t i c a s . Así p i e n s a H o m e r o c u a n d o n o s p r e s e n -
ta á Júpiter q u e j á n d o s e d e no p o d e r , c o n t r a e l h a d o , s a l v a r
la v i d a d e s u hijo S a r p e d ó n . E s t o m i s m o d i c e a q u e l verso
g r i e g o , q u e p u e d e t r a d u c i r s e : «Lo q u e e s t á decretado su-
p e r a al p o d e r de Júpiter.» Por esta razón creo que está
DE LA ADIVINACIÓN. 273

j u s t i f i c a d a la b u r l a q u e s e h a c e d e l d e s t i n o e n u n v e r s o de
las Atelanas. Pero no debemos hablar ligeramente en
a s u n t o tan g r a v e . C o n c l u y o , p u e s , d i c i e n d o : si n o puede
p r e v e r s e n a d a d e lo q u e o c u r r e p o r c a s o f o r t u i t o , porque
lo q u e o c u r r e d e esta m a n e r a es incierto, no e x i s t e adivi"
n a c i ó n ; y si p o r el c o n t r a r i o , p u e d e p r e v e r s e el p o r v e n i r
p o r q u e está sujeto á inflexible fatalidad, tampoco existe
adivinación, puesto que dices que solamente se refiere á
las c o s a s f o r t u i t a s . Mas h a s t a a h o r a s o l a m e n t e h e m o s c o m -
b a t i d o á la l i g e r a ; e m p l e e m o s ya mayor esfuerzo, y vea-
m o s si p u e d o d e s t r u i r d e f r e n t e tu a r g u m e n t a c i ó n .
XI. D i c e s q u e e x i s t e n d o s g é n e r o s d e a d i v i n a c i ó n , la
artificial y la n a t u r a l ; la p r i m e r a que descansa parte en
c o n j e t u r a s y p a r t e e n c o n t i n u a s o b s e r v a c i o n e s ; la s e g u n d a
q u e r e s u l t a d e los e s f u e r z o s y p e n e t r a c i ó n d e l a l m a en c o -
m u n i c a c i ó n c o n la d i v i n i d a d , d e la q u e e l l a m i s m a es
emanación y procedencia. Entre las a d i v i n a c i o n e s artifi-
c i a l e s e n u m e r a b a s la i n s p e c c i ó n d e l a s e n t r a ñ a s , las ob-
s e r v a c i o n e s d e l o s r a y o s y p r o d i g i o s , las p r e d i c c i o n e s p o r
medio de augurios, señales y presagios, refiriendo en fin
á e s t e g é n e r o t o d o lo c o n j e t u r a l . La n a t u r a l la c o n s i d e r a b a s
c o m o i n s p i r a c i ó n ó a r r o b a m i e n t o del e s p í r i t u fuertemente
e x c i t a d o , ó previsión del a l m a , l i b r e d u r a n t e el sueño
d e la i n f l u e n c i a d e l o s s e n t i d o s . Hacías d e p e n d e r toda la
a d i v i n a c i ó n d e t r e s f u e n t e s , D i e s , el h a d o y la naturaleza.
Pero como no podías d e m o s t r a r nada, te apoyaste en m u -
chos sucesos discutibles. Acerca de esto he de d e c i r t e ,
a n t e l o d o , q u e m e p a r e c e indigno de un filósofo citar he-
chos verdaderos por casualidad, ó desfigurados ó i n v e n t a -
d o s p o r la m a l a fe. La v e r d a d d e b e d e m o s t r a r s e con a r -
gumentos y razones fuertes y no con h e c h o s , especial-
mente c u a n d o s o n d e a q u e l l o s q u e m e e s lícito n o c r e e r .
XII. C o m e n z a n d o por los a r ú s p i c e s , c r e o q u e por i n t e r é s
d e la r e p ú b l i c a y d e la r e l i g i ó n d e b e n r e s p e t a r s e ( p e r o a q u í
e s t a m o s s o l o s y p o d e m o s i n v e s t i g a r sin p e l i g r o la verdad,
TOMO v . 18
274 MARCO TULIO CICERÓN.

especialmente yo que dudo de m u c h a s cosas): e x a m i n e m o s


p r i m e r a m e n t e , si q u i e r e s , lo r e f e r e n t e á l a s e n t r a ñ a s d e las
v í c t i m a s . ¿Á q u i é n s e c o n v e n c e r á d e q u e l o s a r ú s p i c e s h a n
a d q u i r i d o el c o n o c i m i e n t o d e e s t a s s e ñ a l e s m e r c e d á l a r g a
serie de o b s e r v a c i o n e s ? ¿Cuándo c o m e n z a r o n e s t a s o b s e r -
v a c i o n e s ? ¿ p o r c u á n t o t i e m p o c o n t i n u a r o n ? ¿Cómo s e pu-
sieron de a c u e r d o los a r ú s p i c e s para c o n s i d e r a r tal p a r t e
c o m o a d v e r s a , tal o t r a c o m o f a v o r a b l e ; tal h e n d i d u r a d e l
hígado como indicadora de u n p e l i g r o , y tal o t r a como
a n u n c i o d e a c o n t e c i m i e n t o feliz? ¿Acaso s e c o m u n i c a r o n s u
e x p e r i e n c i a los a r ú s p i c e s d e la E t r u r i a , d e E l i d a , d e E g i p t o
y d e C a r t a g o ? P e r o e s t o , q u e n o s u c e d i ó , ni s i q u i e r a p u e d e
suponerse; porque cada uno interpreta las e n t r a ñ a s á s u
manera; cada uno tiene doctrina diferente. Es indudable
q u e , si e n las e n t r a ñ a s d e l a s v í c t i m a s e x i s t e a l g u n a v i r t u d
s e c r e t a á p r o p ó s i t o p a r a d a r á c o n o c e r lo v e n i d e r o , p o r n e -
c e s i d a d h a d e e s t a r r e l a c i o n a d a c o n el o r d e n u n i v e r s a l d e
las cosas, ó se manifiesta por disposición de los Dioses.
P e r o e s t a a d m i r a b l e n a t u r a l e z a , t a n d i l a t a d a , tan p o d e r o s a
y a c t i v a e n t o d a s p a r t o s , ¿qué p u e d e t e n e r d e c o m ú n c o n la
hiél de un gallo ( e n t r a ñ a , s e g ú n a l g u n o s , m u y significativa)
ó q u é p u e d e h a b e r d e n a t u r a l y á p r o p ó s i t o p a r a el c o n o c i -
m i e n t o d e lo f u t u r o e n e l h í g a d o , el p u l m ó n ó el corazón
de un buey cebado?
XIII. D e m ó c r i t o , á i m i t a c i ó n d e los f í s i c o s , c u y a s a r r o -
g a n c i a s s o n c o n o c i d a s , da e n c u a n t o á e s t o sutiles expli-
caciones.
«No v e m o s l o q u e t e n e m o s á l o s p i e s , y q u e r e m o s l e e r e n
los cielos.»
D í c e n o s é s t e q u e el c o l o r y e s t a d o d e las e n t r a ñ a s de
u n a v í c t i m a d e s i g n a n la c a l i d a d d e l p a s t o , la a b u n d a n c i a ó
e s c a s e z d e l o s f r u t o s d e la t i e r r a , y h a s t a la s a l u b r i d a d ó
pestilencia d e l a i r e . ¡Oh d i c h o s o m o r t a l ! ¡ c o n o z c o su i n -
a g o t a b l e b u e n h u m o r ! ¿ P e r o el d e s e o d e d e c i r u n a a g u d e z a
le i m p i d i ó v e r q u e n o t e n d r í a n i n g u n a a p a r i e n c i a de ver-
DE LA ADIVINACIÓN. 275

•dad si n o s e e n c o n t r a b a n t o d a s l a s e n t r a ñ a s d e l o s a n i m a -
l e s en el m i s m o i n s t a n t e e n i g u a l e s t a d o y c o n el m i s m o
color? P o r q u e si e n la m i s m a h o r a el h í g a d o d e u n a n i m a l
s e e n c u e n t r a fresco y e n t e r o , y el d e o t r o d e c o l o r a d o y
m a r c h i t o , ¿qué i n d u c c i ó n p u e d e c o n s e g u i r s e del e s t a d o y
c o l o r d e s u s e n t r a ñ a s ? ¿No s e p a r e c e m u c h o e s t o á lo q u e
h a s r e f e r i d o d e F e r e c i d e s , q u e al v e r el a g u a q u e s a c a r o n
d e un p o z o a n u n c i ó un t e r r e m o t o ? ¡Qué i m p u d e n c i a ! O c u -
r r i d o el t e r r e m o t o , p u e d e n a s i g n a r s e a u d a z m e n t e l a s c a u -
s a s ; ¿ m a s p u e d e p r e d e c i r s e p o r el c o l o r del a g u a d e u n
pozo? Muchas c o s a s d e éstas se n o s refieren en las e s c u e -
l a s : p o r f o r t u n a no e s t a m o s o b l i g a d o s á c r e e r l o t o d o . P e r o
s u p o n g a m o s c i e r t o lo q u e a s e g u r a D e m ó c r i t o : ¿es e s t o lo
q u e b u s c a m o s en l a s e n t r a ñ a s de las v í c t i m a s ? ¿Hemos
oído alguna v e z á los a r ú s p i c e s c o n t e s t a r n o s d e esta ma-
n e r a ? A m e n á z a n n o s c o n el f u e g o ó el a g u a ; n o s anuncian
en t a n t o u n a h e r e n c i a , en t a n t o g r a n d e s p é r d i d a s ; v e n en
las h e n d i d u r a s del hígado p r e s a g i o s d o m é s t i c o s ó señales
d e longevidad; examinan sobre todo con especial cuidado
la c a b e z a d e l h í g a d o , y si n o la e n c u e n t r a n , c r e e n que no
p u e d e a c o n t e c e r nada peor.

XIV. No p u d i e r o n h a c e r e s t a s o b s e r v a c i o n e s , c o m o dejo
demostrado, reduciéndose por consiguiente todo á inven-
c i o n e s d e l a r t e , si e s q u e e x i s t e a l g ú n a r t e d e lo d e s c o n o -
c i d o . ¿Qué r e l a c i ó n pueden tener estas predicciones con
el o r d e n d e la n a t u r a l e z a ? A d m i t i e n d o , c o m o quieren los
físicos, e s p e c i a l m e n t e a q u e l l o s q u e s o s t i e n e n q u e t o d o lo
q u e e x i s t e e s u n o , la u n i ó n í n t i m a y a r m ó n i c a d e l u n i v e r s o
..¿qué r e l a c i ó n p u e d e e s t a b l e c e r s e e n t r e el m u n d o y el ha-
l l a z g o d e u n t e s o r o ? Si las e n t r a ñ a s d e u n a v i c t i m a p u e d e n
a n u n c i a r m e el a u m e n t o d e m i c a u d a l , y la n a t u r a l e z a l o
dispone así, las entrañas estarán relacionadas con el
m u n d o , y m i c a u d a l d e p e n d e d e la naturaleza universal.
¿No s e a v e r g ü e n z a n l o s físicos d e d e c i r e s t a s c o s a s ? Con-
c e d o e n c i e r t a m a n e r a q u e t o d o s e c o n t i e n e e n la natura-
276 MARCO TULIO CICERÓN.

l e z a (los E s t o i c o s i n t e n t a n p r o b a r l o c o n m u c h o s e j e m p l o s :
a s i , d i c e n q u e e l h í g a d o d e l o s r a t o n e s a u m e n t a en i n v i e r n o ,
q u e el p o l e o florece e n el día mismo del solsticio de in-
v i e r n o , y l a s v e s í c u l a s q u e c o n t i e n e n la s e m i l l a d e s ú s f r u -
tos, hinchándose entonces y separándose unas de otras, se
c o l o c a n e n o t r a d i r e c c i ó n ; q u e al t o c a r c i e r t a s c u e r d a s d e
u n a l i r a s e h a c e r e s o n a r o t r a s ; q u e las o s t r a s y o t r o s m a r i s -
c o s c r e c e n y d e c r e c e n c o n la l u n a ; q u e el m e n g u a n t e d e la
l u n a e n i n v i e r n o e s el t i e m p o á p r o p ó s i t o p a r a la p o d a d e
los á r b o l e s , p o r q u e e n t o n c e s están s e c o s . ¿Habré d e ha-
b l a r t a m b i é n d e l flujo y reflujo de los mares? su movi-
m i e n t o o b e d e c e á l a s fases d e la l u n a . M u c h í s i m o s ejem-
p l o s p a r e c i d o s d e m u e s t r a n la r e l a c i ó n n a t u r a l q u e existe
entre cosas muy distantes): concedámoslo; nada tengo que
o p o n e r á e s t o ; ¿pero se d e d u c e q u e ciertas h e n d i d u r a s del
h í g a d o a n u n c i e n r i q u e z a s ? ¿Por q u é r e l a c i ó n natural, por
q u é í n t i m o a c u e r d o , p o r q u é [Link]«Oeiav, c o m o d i c e n los
Griegos, las h e n d i d u r a s de ese hígado c o n c u e r d a n con mis
c o r t a s g a n a n c i a s , y e s t a s g a n a n c i a s c o n el c i e l o , la tierra
y t o d a la n a t u r a l e z a ?
XV. T e c o n c e d e r é t a m b i é n , si q u i e r e s , a u n q u e c o n m u -
c h o p e r j u i c i o d e la c a u s a q u e d e f i e n d o , q u e e x i s t e cierta
r e l a c i ó n e n t r e la n a t u r a l e z a y l a s e n t r a ñ a s d e u n a v í c t i m a .
P e r o s u p u e s t o a s í , ¿ c ó m o s e e x p l i c a q u e el q u e t i e n e algo
q u e i m p e t r a r e n c u e n t r e p r e c i s a m e n t e la víctima q u e con-
v i e n e á s u s d e s e o s ? Creía y o q u e e s t a o b j e c i ó n n o tenía
r é p l i c a , ¡y q u é m a r a v i l l o s a m e n t e la c o n t e s t a n ! Avergüén-
z o m e e n v e r d a d , n o p o r tí, c u y a m e m o r i a admiro, sino
por Crisippo, Antipater y Posidonio, que sostienen contigo
que cierta virtud inteligente y divina, extendida por todo
e l u n i v e r s o , d e t e r m i n a la e l e c c i ó n d e las v í c t i m a s . Mucho
m á s a ñ a d e n , y tú lo repites a t e n i é n d o t e á ellos, q u e en
el m o m e n t o d e l sacrificio s e verifica tal e a m b i o e n l a s e n -
t r a ñ a s d e la v í c t i m a , q u e d e s a p a r e c e ó a u m e n t a alguna
p a r t e , s e g ú n la o m n i p o t e n t e v o l u n t a d d e l o s D i o s e s . He
B E LA A D I V I N A C I Ó N . 277

a q u í d o s p r o d i g i o s e n l o s q u e te a s e g u r o n o c r e e n y a ni
las viejas: ¿crees que el m i s m o toro tendrá ó no tendrá
c a b e z a en el h í g a d o s e g ú n q u e le i n m o l e é s t e ó a q u é l ?
Esta disminución ó adición ¿puede h a c e r s e tan r e p e n t i n a -
mente y de manera que concuerde c o n la f o r t u n a del
s a c r i f i e a d o r ? ¿No n o s e n s e ñ a la e x p e r i e n c i a q u e la c a s u a l i -
d a d p r e s i d e á la e l e c c i ó n d e las v í c t i m a s ? F r e c u e n t e m e n t e
o f r e c e la p r i m e r a el t e r r i b l e p r e s a g i o d e u n h í g a d o s i n c a -
b e z a , y la s e g u n d a p r e s e n t a h e r m o s í s i m a s e n t r a ñ a s . ¿A. q u é
q u e d a n r e d u c i d a s e n t o n c e s l a s a m e n a z a s d e la p r i m e r a ?
¿y c ó m o s e h a v e r i f i c a d o este repentino aplacamiento de
l o s Dioses?
XVI. P e r o a d u c e s q u e el ú l t i m o t o r o c e b a d o q u e i n -
moló César no tenía corazón, y pretendes que, como es
i m p o s i b l e q u e a q u e l a n i m a l v i v i e s e sin e s t a v i s c e r a , n e c e -
s a r i a m e n t e d e b i ó d e s a p a r e c e r e n el m o m e n t o d e l s a c r i f i c i o .
¿Cómo e s p o s i b l e q u e c o m p r e n d a s q u e u n b u e y n o pudo
vivir sin c o r a z ó n , y q u e c o m p r e n d a s q u e e s t e corazón
p u d o v o l a r d e p r o n t o n o s é á d ó n d e ? P o r mi p a r t e , p u e d o ,
ó i g n o r a r c ó m o e s n e c e s a r i o á la v i d a el c o r a z ó n , ó s u p o -
n e r q u e el d e a q u e l b u e y s e e n c o n t r a b a p o r e f e c t o d e a l -
guna enfermedad contraído, exiguo, arrugado é imposible
d e r e c o n o c e r . P e r o t ú , ¿en q u é te f u n d a s p a r a s u p o n e r q u e
si e x i s t í a el c o r a z ó n d e a q u e l t o r o c e b a d o d e s a p a r e c i ó d e
p r o n t o en el m o m e n t o d e l sacrificio? ¿Acaso al v e r á C é s a r
vestido de púrpura y privado de su buen juicio perdió el
t o r o el c o r a z ó n ? C r é e m e , m i e n t r a s d e f e n d é i s t o r r e s a v a n z a -
d a s , e n t r e g á i s al e n e m i g o la f o r t a l e z a d e la filosofía. Para
s o s t e n e r la v e r d a d d e l o s a u s p i c i o s , t r a s t o r n á i s t o d a la filo-
sofía. E x i s t e c a b e z a en el h í g a d o d e la v í c t i m a , y c o r a z ó n e n
s u s e n t r a ñ a s : d e r r a m a d un p o c o d e h a r i n a y d e v i n o , y u n
Dios, ó u n a p o t e n c i a d e s c o n o c i d a , los h a c e desaparecer.
Ya no s e r á la n a t u r a l e z a la q u e p r e s i d a al o r i g e n y fin d e
t o d a s l a s c o s a s ; c u e r p o s h a b r á q u e , p r o d u c i d o s d e la n a d a ,
s o l v e r á n r e p e n t i n a m e n t e á la n a d a . ¿Qué físico dijo jamás
278 MARCO TULIO CICERÓN.

e s t a s c o s a s ? L o s a r ú s p i c e s las a f i r m a n . ¿Crees q u e s o n más-


d i g n o s d e fe q u e l o s físicos?
XVII. Más a ú n : c u a n d o s e sacrifica á m u c h o s D i o s e s ,
¿en q u é c o n s i s t e q u e u n o s s e p r e s e n t a n f a v o r a b l e s y o t r o s
a d v e r s o s ? ¿Por q u é s u i n c o n s t a n c i a , c u a n d o n o s amenazan
p o r l a s p r i m e r a s e n t r a ñ a s y n o s p r o m e t e n p o r las s e g u n -
das? ¿por q u é tanta disensión e n t r e ellos, á v e c e s entre
p a r i e n t e s , para q u e Apolo se nos manifieste propicio y
c o n t r a r i a Diana? ¿No e s c o s a c l a r a q u e h a b i e n d o decidido
la c a s u a l i d a d la e l e c c i ó n d e las v í c t i m a s s e d e b e t a m b i é n
á la c a s u a l i d a d e l e s t a d o d e l a s e n t r a ñ a s ? P e r o , r e p l i c a r á s :
e n l a s v í c t i m a s , c o m o e n las s u e r t e s , u n a v i r t u d d i v i n a o r -
d e n a la e l e c c i ó n . P r o n t o h a b l a r e m o s d e las s u e r t e s , aun-
q u e m e p a r e c e q u e n o r o b u s t e c e s tu o p i n i ó n a c e r c a d e l a s
v í c t i m a s al c o m p a r a r l a s c o n l a s s u e r t e s , s i n o q u e p o r el
c o n t r a r i o , d e b i l i t a s la a u t o r i d a d d e l a s s u e r t e s comparán-
d o l a s c o n l a s v í c t i m a s . ¡Cómo! c u a n d o m a n d a m o s al m e r -
c a d o d e Equimelium á b u s c a r un c o r d e r o para sacrificarlo,
¿es p r e c i s a m e n t e el c o r d e r o c u y a s e n t r a ñ a s s e a d a p t a n á
nuestros d e s e o s el q u e n o s t r a e el e s c l a v o , g u i a d o n o p o r
l a c a s u a l i d a d , s i n o p o r a l g ú n Dios? Si d i c s s q u e e n e s t e
c a s o la c a s u a l i d a d y la v o l u n t a d d e l o s D i o s e s s e encuen-
t r a n r e u n i d a s c o m o en l a s s u e r t e s , m e d u e l e q u e nuestros
Estoicos proporcionen de esta m a n e r a á los Epicúreos o c a -
siones de burlarse de ellos, y no ignoras c ó m o las a p r o -
v e c h a n . Y fácilmente pueden hacerlo: porque Epicuro,
p a r a b u r l a r s e d e los D i o s e s m i s m o s , n o s l o s p r e s e n t a l i -
geros y trasparentes, buscando entre dos m u n d o s , como
e n t r e dos b o s q u e s s a g r a d o s , asilo s e g u r o para caso de p e -
ligro, a s i g n á n d o l e s m i e m b r o s s e m e j a n t e s á los n u e s t r o s ,
p e r o d e los qHe n o p u e d e n servirse. Después de negar de
e s t a m a n e r a indirecta los Dioses, n o p u e d e vacilar en n e -
g a r la a d i v i n a c i ó n . E s t e filósofo e s l ó g i c o ; los E s t o i c o s n o
l o s o n : s u D i o s , n o o c u p á n d o s e d e sí m i s m o ni d e l o s d e -
m á s , n o p u e d e c o n c e d e r la a d i v i n a c i ó n á l o s h o m b r e s ;
DE LA ADIVINACIÓN. 279

m i e n t r a s q u e el v u e s t r o p u e d e m u y b i e n n o concedérosla,
s i n d e j a r p o r ello d e r e g i r el m u n d o y g o b e r n a r á l o s h o m -
b r e s . ¿Por q u é os e n r e d á i s v o s o t r o s m i s m o s en e s o s a r g u -
m e n t o s c a p c i o s o s d e q u e n o p o d é i s d e s p r e n d e r o s ? He a q u í
c ó m o p r o c e d e n los E s t o i c o s c u a n d o q u i e r e n l l e g a r pronto
al t é r m i n o : si e x i s t e n D i o s e s , e x i s t e adivinación; e s así
que existen Dioses, luego existe adivinación. Mucho m á s
f á c i l e s d e c i r : e s así q u e n o e x i s t e a d i v i n a c i ó n , l u e g o t a m -
p o c o e x i s t e n D i o s e s . C o n s i d e r a á lo q u e s e e x p o n e n r e l a -
c i o n a n d o í n t i m a m e n t e la a d i v i n a c i ó n c o n l a e x i s t e n c i a d e
l o s D i o s e s . Es c o s a c l a r a q u e la a d i v i n a c i ó n no existe,
p e r o d e b e c r e e r s e e n la e x i s t e n c i a d e l o s D i o s e s .
XVIII. D e s t r u i d a d e e s t a m a n e r a la a d i v i n a c i ó n p o r la
i n s p e c c i ó n d e las e n t r a ñ a s , c a e p o r t i e r r a t o d a la c i e n c i a d e
los a r ú s p i c e s . A p a r e c e n e n s e g u i d a l o s p r o d i g i o s y l o s r a -
y o s . S e g ú n d i c e s , la e x p l i c a c i ó n d e l e s r a y o s s e funda en
l a r g a s o b s e r v a c i o n e s , y la d e l o s p r o d i g i o s e n raciocinios
y c o n j e t u r a s . ¿Qué e s , p u e s , l o q u e s e h a o b s e r v a d o e n l o s
r a y o s ? Los E t r u s c o s d i v i d i e r o n el cielo e n d i e z y s e i s p a r -
t e s . Fácil e r a sin d u d a d u p l i c a r las cuatro que nosotros
c o n o c e m o s , y en s e g u i d a d u p l i c a r las o c h o , p a r a decir de
c u á l d e e l l a s p a r t í a el r a y o . En p r i m e r l u g a r ¿ q u é i m p o r t a
e s t o ? En s e g u n d o l u g a r ¿qué significa? ¿No e s c o s a sabida
q u e d e s d e el p r i n c i p i o , a t e r r a d o s l o s h o m b r e s y t e m e r o s o s ,
hicieron del r e l á m p a g o y del rayo los a t r i b u t o s de Júpiter
o m n i p o t e n t e ? De a q u í q u e e s t é e s c r i t o en n u e s t r o s c o m e n -
tarios: «Cuando Júpiter truena y relampaguea no pueden
c e l e b r a r s e los c o m i c i o s d e l p u e b l o . » Tal v e z s e e s t a b l e c i ó
esta prohibición p o r i n t e r é s d e la r e p ú b l i c a , existiendo
r a z o n e s p a r a p r o r r o g a r l o s c o m i c i o s . Así e s q u e el rayo
s o l a m e n t e se considera obstáculo para los c o m i c i o s : en
c u a l q u i e r a o t r a o c a s i ó n , c u a n d o b r i l l a á la i z q u i e r d a , e s e l
auspicio más favorable de todos. Pero trataremos de los
auspicios en o t r o lugar: ahora nos o c u p a m o s de los r a y o s .
XIX. ¿Qué h a y m e n o s p r o p i o d e l o s físicos q u e a t r i b u i r
280 MARCO T Ü L I O CICERÓN.

significación cierta á cosa incierta? P o r q u e n o te consi-


d e r o e n t r e aquellos que c r e e n que los Cíclopes del monte
E t n a forjan l o s r a y o s d e J ú p i t e r . Cosa m a r a v i l l o s a s e r í a q u e
n o t e n i e n d o J ú p i t e r m á s q u e u n o , lo l a n z a s e c o n t a n t a fre-
c u e n c i a , sin c o n s e g u i r p o r e s t o a d v e r t i r á los h o m b r e s lo
q u e d e b e n h a c e r ó e v i t a r . C r e e n l o s E s t o i c o s q u e las e m a -
n a c i o n e s d e la t i e r r a , c u a n d o e n f r i á n d o s e comienzan á es-
c a p a r , f o r m a n los v i e n t o s , y q u e u n a v e z c o n d e n s a d a s en
n u b e s , si s e r o m p e n y d i v i d e n en p a r t e s p e q u e ñ a s c o n v i o -
l e n c i a y m u c h a s v e c e s , d a n o r i g e n al t r u e n o y el relám-
p a g o ; y e n fin, q u e si e s c a p a el fuego q u e s e e n c i e n d e al
c h o q u e v i o l e n t o d e las n u b e s , e s t e fuego forma el rayo.
E s t o q u e r e c o n o c e m o s c o m o e f e c t o n a t u r a l , s i n r e g l a , sin
m o m e n t o fijo, ¿ p u e d e r e v e l a r n o s el p o r v e n i r ? Si tal fuera
la v o l u n t a d d e J ú p i t e r , ¿ p o r q u é l a n z a r í a t a n t o r a y o s i n ú t i -
les? ¿De q u é le s e r v i r í a h e r i r , c o m o t a n t a s v e c e s sucede,
l a s c u m b r e s d e las m o n t a ñ a s , los d e s i e r t o s ó e s a s comar-
cas habitadas por pueblos que nada de estas cosas o b s e r -
v a n ? P e r o s e h a e n c o n t r a d o la c a b e z a d e tal e s t a t u a en el
T i b e r . No n i e g o la h a b i l i d a d d e l o s a r ú s p i c e s ; n i e g o sola-
m e n t e la a d i v i n a c i ó n . La d i v i s i ó n d e l c i e l o d e q u e acabo
•de h a b l a r , a c o m p a ñ a d a de ciertas observaciones, puede
s i n d u d a e n s e ñ a r d e d ó n d e p a r t e el r a y o y d ó n d e c a e ; p e r o
n a d a p u e d e e n s e ñ a r lo q u e s i g n i f i c a .
XX. P e r o m e o p o n e s m i s p r o p i o s v e r s o s : «El s e ñ o r d e
i o s r a y o s , a p o y a d o e n el e s t r e l l a d o O l i m p o , h i r i ó p o r su
m a n o la c o i i n a c o r o n a d a c o n s u t e m p l o , y s u r c ó el Capito
lio c o n s u s f u e g o s . » R e c u e r d a s t a m b i é n la e s t a t u a d e N a t t a ,
los simulacros de los Dioses,-las de Rómulo y R e m o ma-
m a n d o d e la l o b a , d e r r i b a d a s p o r el r a y o , y c i t a s t a m b i é n
-la e x a c t i t u d d e las r e p u e s t a s d e l o s a r ú s p i c e s consultados
•en a q u e l l a s c i r c u n s t a n c i a s . T e a d m i r a q u e s e descubriese
e n el S e n a d o la c o n s p i r a c i ó n en el m o m e n t o m i s m o e n q u e
s e i n a u g u r a b a e n el Capitolio la e s t a t u a de Júpiter, en-
c o m e n d a d a d o s a ñ o s a n t e s . ¿Y s e r á s t ú (así m e decías)
DE LA ADIVINACIÓN. 281

q u i e n o s a r í a c o m b a t i r la a d i v i n a c i ó n d e s p u é s d e lo q u e h a s
p r a c t i c a d o y escrito? E r e s u n h e r m a n o y te respeto. Pero
¿k q u i é n te d i r i g e s ? ¿á la c o s a m i s m a , q u e e s a s í , ó á mí
q u e i n v e s t i g o la v e r d a d ? No c o m b a t o la ciencia de los
a r ú s p i c e s ; s o l a m e n t e te p i d o s u r a z ó n . A d m i r a b l e s u b t e r f u -
g i o h a s b u s c a d o . P r e v i e n d o q u e te i n s t a r í a p a r a q u e me
d i j e s e s la c a u s a d e c a d a adivinación, has hablado larga-
m e n t e , r e p i t i e n d o q u e te b a s t a b a v e r los e f e c t o s , s i n i n v e s -
t i g a r s u r a z ó n ú o r i g e n ; q u e d e s d e el m o m e n t o en q u e se
estaba seguro d e la e x i s t e n c i a d e u n h e c h o , importaba
p o c o c o n o c e r la c a u s a : y t o d o e s t o c o m o si te h u b i e s e c o n -
c e d i d o los h e c h o s ó c o m o si no fuese p r o p i o del filósofo
r e m o n t a r al o r i g e n d e las c a u s a s . En el m i s m o l u g a r h a s
c i t a d o m i s p r o n ó s t i c o s , y a l g u n a s h i e r b a s , la e s c a m o n e a ,
la r a í z a r i s t o l o q u i a y o t r a s e u y a v i r t u d y e f e c t o s ves sin
c o n o c e r la c a u s a .
XXI. La c o m p a r a c i ó n es inexacta: porque el estoico
Boetho y nuestro amigo Posidonio han investigado las c a u -
s a s d e l o s p r o n ó s t i c o s ; y si l a s c a u s a s s e i g n o r a n , al m e
n o s h a n p o d i d o s e r o b s e r v a d o s y d i s c u t i d o s los efectos.
Mas e n c u a n t o á la e s t a t u a d e N a t t a y á las a n t i g u a s t a b l a s
d e la ley h e r i d a s p o r el r a y o , ¿ q u é o b s e r v a c i ó n antigua
p u e d e guiarnos? Los Pinarios Natta son nobles, luego el
p e l i g r o v e n d r á d é l a n o b l e z a . ¡Cuan a s t u t o s e m o s t r ó Jú-
p i t e r ! Cae el r a y o s o b r e R ó m u l o q u e m a m a d e la l o b a ; e s t o
significa q u e la c i u d a d q u e fundó s e e n c u e n t r a en peligro.
¡ A d m i r a b l e e s la d e s t r e z a c o n q u e n o s a d v i e r t e J ú p i t e r c o n
s u s s e ñ a l e s ! En el m i s m o t i e m p o en q u e se colocaba la
e s t a t u a d e J ú p i t e r s e d e s c u b r e la c o n j u r a c i ó n ; y prefieres
c r e e r q u e e s t o a c o n t e c e p o r la providencia de los Dioses
a n t e s q u e p o r la c a s u a l i d a d ; p r e t e n d e s q u e el a r t í f i c e que
• c o n t r a t ó c o n T o r c u a t o y C o t t a la c o n s t r u c c i ó n d e la c o l u m -
n a no a p l a z a s e la t e r m i n a c i ó n p o r p e r e z a ó falta d e d i n e r o ,
s i n o p o r q u e los D i o s e s i n m o r t a l e s h a b í a n d e c r e t a d o q u e e s -
p e r a r a n h a s t a a q u e l m o m e n t o . No d e s e s p e r o a b s o l u t a m e n t e
282 MARCO T U L I O C I C E R Ó N .

d e q u e e s t o s e a v e r d a d , p e r o n o lo c o m p r e n d o y d e s e o q u e
m e lo e x p l i q u e s .
C o m o m e p a r e c í a q u e la c a s u a l i d a d h a b í a comprobado
algunas predicciones de los adivinos, te h a s extendido
mucho en este punto, y entre otras cosas has dicho que
c u a t r o d a d o s a r r o j a d o s al a c a s o p u e d e n f o r m a r el punto
d e V e n u s , p e r o q u e c u a t r o c i e n t o s a r r o j a d o s d e la misma
m a n e r a n o p o d r í a n f o r m a r l o c i e n v e c e s . En p r i m e r lugar,
n o s é p o r q u é no p o d r í a n ; p e r o no i n s i s t o en e s t o , p o r q u e
a b u n d a s en ejemplos. Citas l o s colores arrojados sobre
u n a t a b l a , el h o c i c o d e l c e r d o y o t r o s p a r e c i d o s . Recuer-
das también aquella cabeza de Fanno que imaginó Carnea-
d e s , c o m o si n o p u d i e s e s e r e f e c t o d e la c a s u a l i d a d , c o m o
si e n cualquier pedazo de mármol no hubiese una ca-
beza digna de Praxiteles. Porque no s e hace una ca-
b e z a s i n o q u i t a n d o p o c o á p o c o , y e s t o e s t o d o lo q u e h a c e
P r a x i t e l e s ; y c u a n d o a f u e r z a d e q u i t a r s e ha l l e g a d o h a s t a
las l í n e a s d e l s e m b l a n t e , n o p u e d e n e g a r s e q u e la o b r a n o
e s t u v i e s e e n el m i s m o m á r m o l . P u e d e , p u e s , h a b e r s e en-
c o n t r a d o a l g o p a r e c i d o en l a s c a n t e r a s d e C h í o . P e r o t o d o
e s t o e s fábula. ¡Cómc! ¿no h a s o b s e r v a d o a l g u n a s v e c e s e n
l a s n u b e s la figura d e un l e ó n ó d e un h i p o c e n l a u r o ? La
c a s u a l i d a d , q u e p o c o h a n e g a b a s , p u e d e , p u e s , i m i t a r á la
naturaleza.

XXII. P e r o h a b i e n d o d i s c u t i d o b a s t a n t e la c u e s t i ó n d e
las e n t r a ñ a s d e las v í c t i m a s y la d e los r a y o s , o c u p é m o n o s
d e l o s p r o d i g i o s , p a r a n o o m i t i r n a d a d e la c i e n c i a d e l o s
a r ú s p i c e s . Una m u í a ha p a r i d o : c o s a a d m i r a b l e , d i c e s , p o r -
que rara vez sucede; ¿pero habría sucedido si n o fuese
p o s i b l e ? Lo m i s m o p o d e m o s d e c i r d e t o d o s los p r o d i g i o s :
s i s o n i m p o s i b l e s , no s e r e a l i z a n ; si s o n p o s i b l e s , n o d e b e n
a d m i r a r n o s . Nuestro a s o m b r o ante las c o s a s n u e v a s nace
d e la i g n o r a n c i a d e l a s c a u s a s ; p e r o e n l o s c a s o s o r d i n a r i o s
l a m i s m a i g n o r a n c i a n o n o s p r o d u c e a d m i r a c i ó n . El q u e s e
asombra del parto de u n a m u í a i g n o r a c ó m o e n g e n d r a la
DE LA ADIVINACIÓN. 283

y e g u a y c ó m o la n a t u r a l e z a p r e p a r a el p a r t o ; p e r o n o se
a s o m b r a de l o q u e ve f r e c u e n t e m e n t e , a u n q u e ignore su
c a u s a . C u a n d o o c u r r e a l g o q u e a n t e s n o h a b í a v i s t o , lo l l a -
m a p r o d i g i o . En el c a s o p r e s e n t e , ¿ d ó n d e e s t á el p r o d i g i o ,
e n la c o n c e p c i ó n ó e n el p a r t o ? La c o n c e p c i ó n puede ser
c o n t r a n a t u r a l e z a , m a s el p a r t o e s u n a c o n s e c u e n c i a casi
n e c e s a r i a . P e r o ¿á q u é i n s i s t i r ? v e a m o s el o r i g e n d e la c i e n -
cia d e l o s a r ú s p i c e s , y f á c i l m e n t e c o m p r e n d e r e m o s e l g r a -
do de autoridad que merece.
XXIII. Cuéntase que arando un día un labrador en
c a m p o T a r q u i n e n s e , e n el m o m e n t o en q u e a h o n d a b a m á s
el s u r c o , salió d e él c i e r t o T a g e s y le h a b l ó . E s t e Tages,
s e g ú n los l i b r o s d e l o s E t r u s c o s , t e n í a a s p e c t o d e n i ñ o y
p r u d e n c i a d e a n c i a n o . Al v e r l o , l a n z ó u n g r i t o d e a d m i r a -
c i ó n el a s o m b r a d o labrador; acudió gente, y muy pronto
s e r e u n i ó en a q u e l p a r a j e t o d a la E t r u r i a . E n t o n c e s el a p a -
r e c i d o h a b l ó l a r g a m e n t e a n t e la m u l t i t u d , q u e r e c o g i ó s u s
p a l a b r a s y las c o n s i g n ó por escrito, constituyendo este
d i s c u r s o el f u n d a m e n t o d e la c i e n c i a d e l o s arúspices,
c u y o s p r i n c i p i o s s e a u m e n t a r o n d e s p u é s c o n la a d i c i ó n d e
muchas cosas nuevas relacionadas con los p r i m e r o s ele-
m e n t o s . Esto h e m o s sabido por los m i s m o s a r ú s p i c e s ; esto
c o n t i e n e n s u s a r c h i v o s , y e s t a es la f u e n t e d e s u s c o n o c i -
m i e n t o s . ¿ N e c e s i t a m o s a q u í á C a r n e a d e s o á E p i c u r o ? ¿Será
alguien tan loco q u e c r e a que puede hacerse brotar del
s u e l o n o s é si u n Dios ó u n h o m b r e ? Si D i o s , ¿ p o r q u é ,
c o n t r a el o r d e n n a t u r a l , s e h a b í a s e p u l t a d o b a j o t i e r r a e s -
p e r a n d o q u e la reja d e u n a r a d o le s a c a s e á luz? ¿No p o d í a
encontrar u n Dios p a r a j e eminente para revelar á los
h o m b r e s s u d o c t r i n a ? Si e r a h o m b r e , ¿cómo pudo vivir
d e b a j o d e la t i e r r a , y d ó n d e a p r e n d i ó lo q u e e n s e ñ a b a á l o s
d e m á s ? P e r o s e r l a m á s loco yo q u e los q u e c r e e n tales
c o s a s si m e d e t u v i e s e p o r m á s t i e m p o á r e f u t a r l a s .

XXIV. Conócese aquel antiguo dicho de Catón, que se


a d m i r a b a d e q u e u n a r ú s p i c e al v e r o t r o a r ú s p i c e n o l a n z a -
284 MARCO TULIO CICERÓN.

s e la c a r c a j a d a . ¿ C u á n d o d i e r o n r a z ó n l o s a c o n t e c i m i e n t o s
á s u s p r e d i c c i o n e s ? y si s u c e d i ó a l g u n a v e z , ¿quién p u e d e
d e c i r q u e n o s e d e b e á la c a s u a l i d a d ? R e f u g i a d o Anníbal
j u n t o al r e y P r u s i a s , l e a c o n s e j a b a t r a b a r c o m b a t e á p e s a r
d e los a u s p i c i o s c o n t r a r i o s q u e o f r e c í a n l a s e n t r a ñ a s d e l a s
v í c t i m a s . N e g á b a s o el R e y á s e g u i r el c o n s e j o , y Anníbal
e x c l a m ó : «¡Cómo! ¿ p r e f i e r e s g u i a r t e p o r l a s e n t r a ñ a s d e u n
b e c e r r o á c r e e r á u n g e n e r a l v e t e r a n o ? » ¿El m i s m o C é s a r
n o m a r c h ó á África á p e s a r d e q u e el g r a n a r ú s p i e e le
a c o n s e j a b a n o h a c e r l o a n t e s d e l i n v i e r n o ? De n o r e a l i z a r l o
e n t o n c e s , h a b r í a e n c o n t r a d o r e u n i d a s t o d a s las t r o p a s d e
s u s e n e m i g o s . ¿A q u é e n u m e r a r ( c o s a q u e m e s e r í a muy
fácil) l a s r e s p u e s t a s d e l o s a r ú s p i c e s , q u e n o t u v i e r o n é x i t o
a l g u n o ó q u e le t u v i e r o n c o n t r a r i o ? ¡Dioses inmortales!
¿ C u á n t a s v e c e s n o s e n g a ñ a r o n en la g u e r r a civil? ¿ C u á n t a s
n o n o s h a n e n v i a d o d e R o m a á Grecia? ¿Qué a n u n c i a r o n á
P o m p e y o , q u e t a n t o c r e í a en l o s p r o d i g i o s y e n l a s e n t r a -
ñ a s d e las v í c t i m a s ? Mas ¿ á q u é r e c o r d a r l o ? n o e s n e c e s a -
rio, en verdad, puesto que estabas con nosotros. Por tí
m i s m o v e s q u e t o d o s u c e d i ó al c o n t r a r i o q u e habían p r e -
d i c h o . Pero basta de esto: volvamos á los prodigios.
XXV. M u c h o s h e c h o s h a s c i t a d o d e la é p o c a d e un
c o n s u l a d o y q u e yo m i s m o c o n s i g n é en m i s e s c r i t o s ; o t r o s
o c u r r i d o s a n t e s d e la g u e r r a M á r s i c a , r e c o g i d o s p o r S i s e -
n a , y m u c h o s , e n fin, q u e p r e c e d i e r o n á la d e r r o t a d e los
L a c e d e m o n i o s en Leuctra, y que r e c u e r d a Calistenes. Ha-
blaré particularmente de ellos, pero antes he de hacer al-
g u n a s o b s e r v a c i o n e s g e n e r a l e s . ¿Qué s i g n i f i c a n e s a s a d v e r -
t e n c i a s d e l o s D i o s e s , ó m á s b i e n t e r r i b l e s a m e n a z a s ? ¿Qué
q u i e r e n d e c i r n o s al e n v i a r n o s s e ñ a l e s q u e n o podemos
c o m p r e n d e r sin i n t é r p r e t e s , a n u n c i á n d o n o s d e s g r a c i a s q u e
no podemos evitar? Las personas prudentes se guar-
dan mucho de anunciar á sus amigos reveses inevitables,
o b r a n d o en e s t o c o m o l o s m é d i c o s , q u e n o d i c e n j a m á s á
l o s e n f e r m o s q u e m o r i r á n d e tal e n f e r m e d a d , a u n q u e c o n
DE LA ADIVINACIÓN. 285

f r e c u e n c i a l o p r e v e a n . S o l a m e n t e p u e d e a p r o b a r s e la p r e -
d i c c i ó n d e un m a l c u a n d o s e a ñ a d e i n m e d i a t a m e n t e la i n -
d i c a c i ó n d e l r e m e d i o . ¿De q u é s i r v i e r o n en o t r o t i e m p o á
los L a c e d e m o n i o s , y más recientemente á nosotros, los
p r o d i g i o s y los i n t é r p r e t e s ? Si e r a n s e ñ a l e s q u e m a n d a b a n
l o s D i o s e s , ¿ p o r q u é e r a n tan o s c u r a s ? Si q u e r í a n r e v e l a r n o s
lo f u t u r o , d e b í a n h a c e r l o c o n c l a r i d a d , y si q u e r í a n o c u l -
tárnoslo, no emplear siquiera este oscuro lenguaje.
XXVI. En c u a n t o á las c o n j e t u r a s , ú n i c o a p o y o d e la
a d i v i n a c i ó n , p r e s é n t a n s e a l e s p í r i t u del h o m b r e bajo f o r m a s
m ú l t i p l e s , d i v e r s a s y f r e c u e n t e m e n t e o p u e s t a s . De la m i s -
m a m a n e r a q u e e n las c a u s a s c o n j e t u r a l e s el a c u s a d o r y e l
defensor establecen sobre la m i s m a b a s e r a z o n a m i e n t o s
c o n t r a r i o s , y s i n e m b a r g o p r o b a b l e s , así t a m b i é n e n t o d o
lo q u e e s t á s u j e t o á la c o n j e t u r a ha de esperarse incerti-
d u m b r e . C u a n d o l o s e f e c t o s p u e d e n n a c e r t a n t o d e la ca-
s u a l i d a d c o m o d e la n a t u r a l e z a (y s u m i s m a semejanza
puede inducir á e r r o r ) , insigne locura es renunciar á inves-
t i g a r la c a u s a y a t r i b u i r l o s á los D i o s e s . T ú , a d i v i n o , c r e e s
q u e l o s B e o c i o s d e L i v a d i a s u p i e r o n p o r el c a n t o d e los
g a l l o s la v i c t o r i a d e l o s T e b a n o s , p o r q u e los g a l l o s c a l l a n
cuando quedan vencidos y cantan cuando son vencedores.
¿Por m e d i o d e g a l l o s a n u n c i a b a J ú p i t e r la v i c t o r i a á a q u e -
lla g r a n c i u d a d ? ¿ P e r o e s a s a v e s s o l a m e n t e c a n t a n c u a n d o
v e n c e n ? P u e s a q u e l día c a n t a b a n s i n h a b e r p e l e a d o . Ahí
e s t á el p r o d i g i o , d i r á s . ¡Y g r a n d e , e n v e r d a d , c o m o si f u e -
s e n p e c e s y n o g a l l o s los q u e c a n t a b a n ! ¿En q u é h o r a d e l
d í a ó d e la n o c h e no c a n t a n ? Si c a n t a n p o r a l e g r í a des-
pués de v e n c e r , otra causa cualquiera que excite su a l e -
gría puede hacerles cantar. Demócrito explica admirable-
mente por qué cantan los g a l l o s a n t e s d e a m a n e c e r . No
t e n i e n d o ya el e s t ó m a g o c a r g a d o d e a l i m e n t o s , q u e por
m e d i o d e la d i g e s t i ó n s e h a n r e p a r t i d o p o r t o d o el c u e r p o ,
s a c i a d o s d e r e p o s o , c o m i e n z a n á c a n t a r : s o l a m e n t e e n el
s i l e n c i o d e la n o c h e , d i c e E n n i o , « d e j a n e n p a z la v o z y las
286 MARCO TULIO CICERÓN.

a l a s . » S i e n d o e s t e a n i m a l tan c a n t o r n a t u r a l m e n t e , ¿ p o r q u é
p r e t e n d e C a l i s t e n e s q u e l o s Dioses los d i e r o n c o m o s e ñ a l ,
c u a n d o s u c a n t o podía s e r e f e c t o d e la n a t u r a l e z a ó d e la
casualidad?
XXVII. C u a n d o s e a n u n c i ó al S e n a d o q u e h a b í a l l o v i d o
s a n g r e , q u e un río había a r r a s t r a d o a g u a s e n s a n g r e n t a d a s ,
q u e las e s t a t u a s d e l o s D i o s e s s e h a b í a n c u b i e r t o d e s u d o r ,
¿crees que hubiesen creído estas cosas Thales, Anaxágoras
ó c u a l q u i e r o t r o físico? La s a n g r e y el s u d o r solamente
p u e d e n s a l i r d e l c u e r p o . A g u a filtrada á t r a v é s d e la t i e r r a
y c o l o r e a d a p u e d e p a r e c e r s a n g r e , y la e x u d a c i ó n d e l a s
p a r e d e s en días h ú m e d o s imita el s u d o r natural. Pero
e s t o s e f e c t o s , q u e ni s i q u i e r a s e o b s e r v a n en tiempo de
paz, se aumentan y a b u l t a n , g r a c i a s al m i e d o , e n tiempo
d e g u e r r a . A c o n t e c e t a m b i é n q u e e l t e r r o r y el p e l i g r o q u e
p r e p a r a n l o s á n i m o s á c r e e r l o s , a s e g u r a n al m i s m o t i e m p o
la i m p u n i d a d á l o s q u e los i n v e n t a n . N o s m o s t r a m o s en
e s t o s c a s o s tan l i g e r o s é i n c o n s i d e r a d o s , q u e si l a s r a t a s ,
cuya única ocupación es roer, royesen algo, veríamos un
p r o d i g i o e n e l l o . Así a n t e s d e la g u e r r a M á r s i c a , c o m o tú
r e f i e r e s , h a b i e n d o r o í d o las r a t a s l o s e s c u d o s e n L a n u v i o ,
l o s a r ú s p i d e s v i e r o n en e l l o p r o d i g i o e s p a n t o s o , c o m o si
f u e s e c o s a m u y r a r a q u e l a s r a t a s q u e r o e n día y n o c h e ,
royesen escudos ó cribas. Según esto, habiendo roído poco
b a l a s r a t a s en mi c a s a la República d e P l a t ó n , d e b í t e m b l a r
p o r la r e p ú b l i c a ; y si h u b i e s e n r o í d o el l i b r o d e Epicuro
s o b r e la V o l u p t u o s i d a d , d e b e r í a p r e v e r la c a r e s t í a d e v í -
veres.

XXVIII. ¿Deberemos también a t e r r a r n o s cuando n a c e al-


g ú n m o n s t r u o , b i e n d e a n i m a l e s ó b i e n d e l h o m b r e ? He a q u í
b r e v e m e n t e la r a z ó n c o m ú n á l o s d o s c a s o s . T o d o lo q u e
nace es necesariamente producto de una causa natural, y
lo q u e p a r e c e fuera d e l a s l e y e s o r d i n a r i a s no p u e d e e s -
t a r l o n u n c a d e la n a t u r a l e z a . I n v e s t i g a , si p u e d e s , la c a u s a
úe l o q u e t e a s o m b r a y s o r p r e n d e : si n o c o n s i g u e s d e s c u -
D E LA A D I V I N A C I Ó N . 287

brirla, no p o r ello dejes de t e n e r p o r cierto q u e n a d a o c u -


r r e sin c a u s a n a t u r a l , y d e e s t a m a n e r a d i s i p a r á s el e r r o r á
q u e te h a y a i n d u c i d o la s o r p r e s a . C u a n d o lo h a y a s h e c h o
a s í , n o te e s t r e m e c e r á n l o s t e r r e m o t o s , ni el c i e l o e n t r e -
a b i e r t o , ni la lluvia d e p i e d r a s y d e s a n g r e , ni l a s e s t r e l l a s
e r r a n t e s , ni l o s f u e g o s a é r e o s . Si p r e g u n t o á C r i s i p p o la
c a u s a d e e s t o s f e n ó m e n o s , a q u e l d e f e n s o r d e la c i v i l i z a c i ó n
n o l o s a t r i b u i r á á la c a s u a l i d a d , p e r o m e d a r á e x p l i c a c i o -
n e s n a t u r a l e s . Nada puede h a c e r s e sin c a u s a , ni s e h a c e
nada que no puede hacerse. No p u e d e , p o r c o n s i g u i e n t e ,
c o n s i d e r a r s e p r o d i g i o q u e s u c e d a lo q u e puede suceder.
No e x i s t e n , p u e s , p r o d i g i o s . Si lo r a r o e s p r o d i g i o , u n s a -
b i o e s p r o d i g i o : p a r é c e m e m á s fácil el p a r t o d e u n a m u í a
q u e e n c o n t r a r u n s a b i o . D e d ú c e s e d e t o d o e s t o , q u e lo q u e
n o ha p o d i d o h a c e r s e n o s e h a h e c h o j a m á s ; lo q u e h a p e -
d i d o h a c e r s e no e s p r o d i g i o , l u e g o n o existen prodigios.
C o n s u l t a d o un i n t é r p r e t e p o r u n o q u e le r e f e r í a c o m o g r a n
prodigio haber e n c o n t r a d o en su c a s a u n a serpiente en-
r o s c a d a e n u n a p a l a n c a , le c o n t e s t ó i n g e n i o s a m e n t e : «El
p r o d i g i o c o n s i s t i r í a en q u e la p a l a n c a s e h u b i e s e e n r o s c a d o
e n la s e r p i e n t e . » Esta c o n t e s t a c i ó n manifestaba con bas-
tante claridad que no d e b e c o n s i d e r a r s e como prodigio
n a d a d e lo q u e p u e d e s u c e d e r .
XXIX. C. G r a c o e s c r i b í a á M. P o m p o n i o q u e h a b i e n d o
e n c o n t r a d o su p a d r e d o s c u l e b r a s e n su c a s a l l a m ó á l o s
a r ú s p i c e s . ¿Por q u é por c u l e b r a s y no p o r l a g a r t o s ó ratas?
Porque éstas se e n c u e n t r a n con frecuencia y aquellas rara
v e z . ¡Cómo si fuese c o s a i m p o r t a n t e q u e lo q u e p u e d e s u -
c e d e r suceda rara vez! P e r o me admira que siTiberio Graco
d e j a n d o e s c a p a r á la h e m b r a h a b í a d e m o r i r , y l i b e r t a n d o
al m a c h o m o r i r í a C o r n e l i a , d e j a s e en l i b e r t a d á n i n g u n a d e
las d o s . P o r q u e n a d a s e d i c e d e la c o n t e s t a c i ó n d e l o s
a r ú s p i c e s p a r a el c a s o en q u e s e r e t u v i e s e á las d o s c u l e -
b r a s . La m u e r t e d e Graco ocurrió poco d e s p u é s p o r efecto
d e a l g u n a e n f e r m e d a d g r a v e , s e g ú n c r e o , y n o p o r la l i b e -
288 MARCO TULIO CICERÓN.

r a c i ó n d e la c u l e b r a . Ni t a m p o c o e s t a n t a la desgracia de
los a r ú s p i c e s , q u e no les sirva a l g u n a v e z la c a s u a l i d a d .
P e r o s e r í a m a r a v i l l o s a , si la c r e y e s e , a q u e l l a p r e d i c c i ó n de
Calcas, s e g ú n Homero, que conjeturó la duración de la
guerra de Troya p o r el n ú m e r o d e p á j a r o s . A g a m e n ó n la
r e f i e r e a s í , s e g ú n la t r a d u c c i ó n q u e e n n u e s t r o s o c i o s he-
m o s h e c h o de los v e r s o s de H o m e r o :

XXX. «Tolerad, p u e s , a m i g o s , y m á s días


p e r m a n e c e d aquí, p o r q u e v e a m o s
si s o n c i e r t a s , ó n o , las p r e d i c c i o n e s
del a d i v i n o C a l c a s . En m e m o r i a
aun t e n e m o s ( y t o d o s s o i s t e s t i g o s
sino l o s que la Parca s e ha l l e v a d o )
q u e un d í a c u a n d o e n A u l i d e l a s n a v e s
s e r e u n í a n d e la Grecia toda
para traer á Príamo y á l o s s u y o s
m u e r t e y a s o l a c i ó n , y de una f u e n t e
c e r c a n o s o t r o s , e n d i v e r s a s aras
humildes á los Dioses inmortales
solemnes hecatombes ofrecimos
bajo un h e r m o s o p l á t a n o q u e e l a g u a
r e g a b a d e una f u e n t e c r i s t a l i n a ;
s a b é i s , d i g o , q u e allí raro p o r t e n t o
s e ofreció á n u e s t r a v i s t a . Un e s p a n t o s o
dragón, c u y a s espaldas matizaban
h ó r r i d a s m a n c h a s d e color d e s a n g r e ,
lanzado fué á l a luz por el Saturnio;
y por bajo de un ara i m p e t u o s o
s a l i d o habiendo, por el tronco arriba
del p l á t a n o t r e p ó . Y e n lo m á s a l t o ,
hallando d e una rama e n t r o l a s hojas,
o c u l t o s y t e m b l a n d o con la m a d r e ,
ocho recién nacidos pajarillos,
allí m i s m o el d r a g ó n d e s a p i a d a d o
l o s ocho d e v o r ó . Chillaban e l l o s ,
y la d o l i e n t e m a d r e l o s p l a ñ í a ,
en t o r n o ' r e v o l a n d o ; m a s la s i e r p e
la c o g i ó e n t r e s u s r o s c a s por el a l a ,
y en medio s u s quejidos lastimeros,
la d e v o r ó t a m b i é n . Y a p e n a s hubo
d o v o r a d o l o s hijos y la m a d r e ,
DE LA ADIVINACIÓN. 289'

el m i s m o Dios que a p a r e c e r le h i c i e r a
m o s t r ó en é l un prodigio; p u e s en d u r a
piedra le transformó el S a t u r n i o J o v e .
Inmobles admirábamos nosotros
c a s o tan p e r e g r i n o ; pero C u i c a s ,
v i e n d o de mié manera p r o d i g i o s a
i n t e r r u m p i d a s por el m o n s t r u o horrible
fueran l a s h e c a t o m b e s de los D i o s e s
r e v e l ó del d e s t i n o los a r c a n o s .
«¿Por qué (decía) e n m u d e c é i s , oh G r i e g o s ?
« E s t e prodigio del potente J o v e
»la v o l u n t a d nos m u e s t r a , que c u m p l i d a ,
« a u n q u e t a r d e , s e r á ; pero la fuma
»del triunfo q u e los had -s nos r e s e r v a n
»no acabara j a m á s . Como la s i e r p e
» s e ha t r a g a d o lo ocho p a j a r i l l o s ,
» y la m a d r e t a m b i é n ; así n o s o t r o s
« n u e v e c u m p l i d o s años á la v i s t a
«de T r o y a p a s a r e m o s p e l e a n d o ,
« y al d é c i m o por lin l a - t o m a r e m o s . »
A s í C a l c a s h a b l a b a , y ya se a c e r c a
el tiempo de c u m p l i r s e e l v a t i c i n i o (1)

¿Y p o r q u é s i g n i f i c a b a n e s t o s p á j a r o s a ñ o s , y n o m e s e s ó
d í a s ? ¿ P o r q u é s e o c u p a el a u g u r d e p a j í r o s á l o s q u e n a d a
maravilloso ocurre, mientras guarda silencio acerca del
d r a g ó n , q u e s e dice trocado en piedra contra todas las l e -
y e s d e la n a t u r a l e z a ? En fin, ¿ q u é r e l a c i ó n e x i s t e e n t r e el
p á j a r o y l o s a ñ o s ? En c u a n t o á la s e r p i e n t e q u e s e a p a r e c i ó
á Sila en u n s a c r i f i c i o , r e c u e r d o , en e f e c t o , q u e Sila, e n el
m o m e n t o d e p a r t i r p a r a u n a e x p e d i c i ó n , vio s a l i r u n a s e r -
p i e n t e d e d e b a j o d e l a r a en q u e i n m o l a b a ; p e r o r e c u e r d o
t a m b i é n q u e la v i c t o r i a a l c a n z a d a a q u e l d í a n o s e d e b i ó a l
c o n s e j o d e l o s a r ú s p i c e s , s i n o al g e n e r a l .
XXXI. N a d a m a r a v i l l o s o e x i s t e en e s o s p r o d i g i o s , q u e , ,
d e s p u é s de ocurridos los acontecimientos, se interpretan
c o m o p l a c e : a s i , l o s g r a n o s d e t r i g o a m a s a d o s e n la b o c a d e

(1) Iliada. lib. n . T r a d u c c i ó n d e D. J o s é G ó m e z H e r m o s i l l a , pu-


b l i c a d a e n e s t a BIBLIOTECA.
T O M O V. d9
290 MARCO TULIO CICERÓN.

Midas n i ñ o ; l a s a b e j a s q u e d i c e s s e p o s a r o n e n l o s l a b i o s d e
Platón, dieron lugar á interpretaciones más maravillosas
q u e los mismos hechos: hechos que, por otra parte, p u e -
den ponerse entela d e j u i c i o , y q u e en t o d o c a s o , s o l a -
mente precedieron á s u c e s o s d e b i d o s á la c a s u a l i d a d . En
c u a n t o á R o s c i o , tal v e z e s falso q u e lo r o d e a s e u n a s e r -
p i e n t e ; p e r o que se e n c o n t r a s e u n a serpiente en su cuna,
no debe admirar, sobre todo en Solonia, d o n d e suelen
r e u n i r s e c u l e b r a s en d e r r e d o r d e l h o g a r . P o r lo q u e se
r e f i e r e á las r e s p u e s t a s d e los a r ú s p i c e s , q u e n a d a sobre-
p u j a r í a á la g l o r i a d e a q u e l n i ñ o , a d m í r a m e q u e l o s D i o s e s
i n m o r t a l e s a n u n c i a s e n la futura fama d e u n h i s t r i ó n , y q u e
nada predijeran d e S c i p i ó n el A f r i c a n o . T a m b i é n h a s ci-
t a d o l o s p r o d i g i o s q u e s e r e f i e r e n á F l a m i n i o . Cae d e p r o n t o
c o n él s u c a b a l l o , lo c u a l n o es muy e x t r a ñ o ; no puede
a r r a n c a r s e la e n s e ñ a d e l p r i m e r c e n t u r i ó n ; t a l v e z quería
a r r a n c a r l a t í m i d a m e n t e el s i g n í f e r o , c u a n d o s e e n c o n t r a b a
c l a v a d a c o n f u e r z a . ¿Qué h a y d e a d m i r a b l e e n q u e el ca-
b a l l o d e Dionisio s a l g a á n a d o d e l río? ¿ q u é h a y d e e x t r a ñ o
e n q u e las a b e j a s s e p o s e n e n s u c r i n ? P e r o Dionisio sube
p o c o d e s p u é s al t r o n o , y el e f e c t o d e la c a s u a l i d a d s e c o n -
vierte en prodigio. En L a c e d e m o n i a resuenan las a r m a s
e n el t e m p l o d e H é r c u l e s ; e n T e b a s s e abren de pronto
las p u e r t a s del templo del m i s m o Dios, y los e s c u d o s s u s -
p e n d i d o s e n la p a r t e s u p e r i o r s e e n c u e n t r a n e n el s u e l o .
No habiendo podido s u c e d e r nada de esto sin algún m o v i -
m i e n t o , ¿ p o r q u é h e m o s d e a t r i b u i r l o á la divinidad antes
q u e al a c a s o ?
XXXII. En l a c a b e z a d e la e s t a t u a d e L i s a n d r o , e n D e l -
íos, brota una corona de hierbas s i l v e s t r e s . ¿Crees q u e
-existió la c o r o n a a n t e s d e q u e g e r m i n a r a n l a s s e m i l l a s d e
aquellas hierbas? Creo q u e aquellas semillas las llevarían
l a s a v e s y n o l o s h o m b r e s ; y a d e m á s , t o d o lo q u e s e e n -
c u e n t r a s o b r e l a c a b e z a p u e d e p a r e c e r c o r o n a . En c u a n t o
á l a s e s t r e l l a s d e o r o c o l o c a d a s e n el t e m p l o d e C a s t o r y
D E LA A D I V I N A C I Ó N . 291

P ó l u x , e n Delfos, c a y e n d o á la v e z y n o encontrándose,
lance me p a r e c e m á s propio de ladrones que d e Dioses.
A d m i r o á los h i s t o r i a d o r e s g r i e g o s c o n s i g n a n d o c o n t a n t o
c u i d a d o la m a l i g n i d a d d e l m o n o d e D o d o n a . ¿ A c a s o e s p r o -
d i g i o s o q u e a n i m a l tan m a l i g n o d e r r i b a s e l a s u r n a s y d e s -
p a r r a m a s e l a s s u e r t e s ? ¡Y d i c e n l o s h i s t o r i a d o r e s q u e ja-
m á s a m e n a z ó á los Lacedemonios p r e s a g i o t a n t r i s t e ! En
c u a n t o á la p r e d i c c i ó n d e l o s V e y o s d i c i e n d o q u e si el l a g o
de Albano s e d e s b o r d a y c o r r e hacia el m a r s e r á d e s t r u i d a
R o m a , y q u e si el l a g o q u e d a e n c e r r a d o e n s u s o r i l l a s , lo
s e r á V a y a s , c o n t e s t a r é q u e n o s e dio s a l i d a á l a s a g u a s d e l
lago Albano por interés d e Roma, sino para utilidad de los
c a m p o s inmediatos. Pero poco después se oye una voz que
a d v i e r t e que se t o m e n p r e c a u c i o n e s para q u e los Galos n o
s e a p o d e r e n d e R o m a , y e s t e e s el o r i g e n d e l a r a q u e s e
c o n s a g r ó á Aio L o c u e n t e e n la Vía N u e v a . ¡ C ó m o ! C u a n d o
n a d i e e o n o c í a á e s t e Aio L o c u e n t e h a b l a b a , y d e e s t o t o -
m a b a n o m b r e , ¿y a h o r a q u e t i e n e a s i e n t o , a l t a r y n o m b r e ,
calla? Otro t a n t o p u e d e d e c i r s e d e J u n o M o n i t o r a , p o r q u e
d e s p u é s d e su c e r d a p r e ñ a d a , ¿de q u é n o s ha advertido
jamás?
XXXIII. Basta ya e n c u a n t o á los prodigios. Quedan
l o s a u s p i c i o s y las s u e r t e s , l a s q u e s e s a c a n al a z a r y n o
las inspiraciones llamadas más propiamente oráculos, de
l a s q u e h a b l a r é c u a n d o m e o c u p e d e la a d i v i n a c i ó n n a t u -
ral: r ó s t a n n o s a d e m á s los Caldeos. Veamos primeramente
lo q u e se refiere á los auspicios. P u e d e creerse que es
difícil á u n a u g u r c o m b a t i r l o s : p a r a u n M a r s o tal v e z , p e r o
n o p a r a u n R o m a n o . No s o m o s n o s o t r o s d e a q u e l l o s a u g u -
r e s q u e p r e d i c e n lo f u t u r o p o r la o b s e r v a c i ó n d e l v u e l o d e
las a v e s y o t r a s s e ñ a l e s s e m e j a n t e s . A d m i t o , sin e m b a r g o ,
q u e R ó m u l o , q u e f u n d ó la c i u d a d d e s p u é s d e c o n s u l t a r l o s
a u s p i c i o s , c r e í a e n la u t i l i d a d d e la c i e n c i a a u g u r a l p a r a la
d i r e c c i ó n d e l o s n e g o c i o s . P e r o la a n t i g ü e d a d s e e n g a ñ a b a
en otras m u c h a s cosas que después h e m o s visto reforma-
192 MARCO TULIO CICERÓN.

d a s m e r c e d al e s t u d i o , al u s o y a l t i e m p o . P o r u t i l i d a d d e -
la r e p ú b l i c a y e n c o n s i d e r a c i ó n á l a s c r e e n c i a s vulgares,
s e c o n s e r v a n a ú n l a s c o s t u m b r e s , la r e l i g i ó n , la d i s c i p l i n a ,
el d e r e c h o d e l o s a u g u r e s y la u t i l i d a d d e su c o l e g i o . Con-
s i d e r o d i g n o s d e l m a y o r c a s t i g o á l o s c ó n s u l e s P . Clodio y
L. J u n i o , q u e s e e m b a r c a r o n e n c o n t r a d e l o s a u s p i c i o s .
D e b í a n o b e d e c e r á la r e l i g i ó n , y n o r e c h a z a r obstinada-
m e n t e l a s c r e e n c i a s p a t r i a s . Así fué q u e el p u e b l o c o n d e n ó
j u s t a m e n t e al u n o , y el o t r o h i z o b i e n e n d a r s e la m u e r t e .
Flaminio n o o b e d e c i ó á l o s a u s p i c i o s , y p o r ello p e r e c i ó
c o n s u e j é r c i t o . P e r o al a ñ o s i g u i e n t e o b e d e c i ó P a u l o , ¿y
n o c a y ó c o u s u e j é r c i t o e n la b a t a n a d e C a n n a s ? Además,
aunque existiesen realmente auspicios, que no existen, los
que empleamos h o y , c o m o l o s g a l l o s y el v u e l o d e l a s
aves, solamente son simulacros de auspicios, y no auspi-
cios v e r d a d e r o s .
XXXIV. G. FABIANO, QUIERO guE ME ACOMPAÑES EN LOS

A U S P I C I O S . C o n t e s t a : H E o í n o . En t i e m p o d e n u e s t r o s m a y o -
res se dirigían estas palabras á un perito; hoy á cualquiera..
Pero s e necesita mucha pericia para saber cuándo hay s i -
lencio en los auspicios: entiéndese p o r s i l e n c i o la a u s e n -
cia d e t o d o d e f e c t o , y e s t o s o l a m e n t e lo c o m p r e n d e el
a u g u r p e r f e c t o . Así s u c e d e q u e c u a n d o e l q u e q u i e r e t o -
m a r l o s a u s p i c i o s h a d i c h o al q u e h a e l e g i d o p a r a q u e l e
a y u d e : Df si TE PARECE QUE h \ V SILENCIO; é s t e , sin mirar
h a c i a a r r i b a ni e n d e r r e d o r , c o n t e s t a e n el a c t o : PAKÉCEMS

QUE HAY SILENCIO. A ñ a d e e n t o n c e s e l o t r o : Di si COMEN LAS

AVES. COMEN, c o n t e s t a é s t e . Pero ¿qué aves? ¿dónde están?


D i r á s e : l o s p o l l o s s a g r a d o s q u e t r a e e n s u j a u l a el p o l l e r o .
¡Estas s o n las aves m e n s a j e r a s de Júpiter! ¿qué i m p o r t a
q u e c o m a n ó no? Nada i n t e r e s a e s t o para l o s a u s p i c i o s ;
p e r o c o m o al c o m e r , por necesidad dejan c a e r del pico
a l g o q u e c h o c a c o n el s u e l o , l l a m ó s e p r i m e r a m e n t e á e s t o
terrípavium, y a h o r a iripudium. Y cuando de esta manera
cae a l g ú n p e d a z o d e torta del pico d e los pollos, s e a n u n -
DE LA ADIVINACIÓN. 293

c i a e n t o n c e s al q u e t o m a l o s a u s p i c i o s el tripvdium solis-
timum (1).
XXXV. ¿Acaso p u e d e h a b e r a l g o d e d i v i n o e n u n a u s .
p i c i o t a n p o c o n a t u r a l y forzado? L o s p r i m e r o s a u g u r e s n o
lo u s a b a n , c o m o lo p r u e b a u n a n t i g u o d e c r e t o del colegio
que declara q u e c u a l q u i e r a v e p u e d e h a c e r el tripudium.
H a b r í a a u s p i c i o c u a n d o e l a v e fuese l i b r e p a r a m o s t r a r s e ,
pudiendo considerársela como intérprete y mensajera de
Júpiter. P e r o h o y , q u e e x t e n u a d a d e h a m b r e la t r a e n e n
u n a j a u l a , ¿ c r e e s q u e si s e l a n z a s o b r e la t o r t a y d e j a c a e r
un pedazo d e l p i c o , s e r á e s t o u n a g ü e r o , y á la m a n e r a
que los tomaba R ó m u l o ? ¿Crees q u e l o s q u e t o m a b a n l o s
a g ü e r o s e n o t r o t i e m p o n o o b s e r v a b a n p o r sí m i s m o s e l
cielo? Hoy e s t á e n c a r g a d o el p o l l e r o d e a n u n c i a r la v o l u n -
t a d de los Dioses. Consideramos como e x c e l e n t e auspicio
u n t r u e n o á la i z q u i e r d a , e x c e p t u a n d o c u a n d o s e t r a t a d e
los c o m i c i o s , habiéndose establecido esto e n interés d e la
r e p ú b l i c a , á fin d e q u e l o s p r i n c i p a l e s magistrados fuesen
s i e m p r e a r b i t r o s d e la o p o r t u n i d a d d e I03 c o m i c i o s , b i e n
para juzgar, bien para sancionar las leyes, ó bien para la
elección d e c a r g o s públicos. P e r o d i c e s : Scipión y F í g u l o
abdicaron e l c o n s u l a d o d e s p u é s d e la c a r t a d e T i b e r i o
Graco confirmando el aviso de los a u g u r e s y d e c l a r a n d o
que se habían tomado mal los a g ü e r o s . ¿Acaso niega a l -
g u i e n l a s r e g l a s d e l o s a u g u r e s ? Lo q u e n i e g o e s la a d i v i -
n a c i ó n . P e r o los a r ú s p i c e s son a d i v i n o s , r e p l i c a s . Habién-
doles llamado Tiberio Graco al S e n a d o con ocasión d e la
repentina m u e r t e d e l q u e r e c o g í a l o s v o t o s d e la p r i m e r a
centuria, dijeron q u e el q u e h a b í a r e c o g i d o l o s v o t o s n o
había sido j u s t o . Considera ante todo q u e esta c e n s u r a s e
d i r i g í a t a m b i é n a l q u e h a b í a r e c o g i d o l o s v o t o s d e la p r i -
m e r a c e n t u r i a , y q u e h a b í a m u e r t o . En e s t o s o l a m e n t e v e o
una conjetura y n o una adivinación; una aserción atrevida.

(1) El m e j o r a g ü e r o .
294 MARCO TULIO CICERÓN.

p o r q u e e n t a l e s c a s o s n o d e b e e x c l u i r s e n u n c a á la c a s u a -
l i d a d . A d e m á s , ¿qué p o d í a n s a b e r de cierto los a r ú s p i c e s
e t r u s c o s a c e r c a d e la t i e n d a a u g u r a l ó d e l a s r e g l a s del
P o m e r i u m ? (1) P o r m i p a r t e p r e f i e r o la o p i n i ó n d e C. M a r -
c e l o á la d e A. Claudio ( a m b o s c o l e g a s míos), y creo que
l a i n s t i t u c i ó n d e l o s a u g u r e s , f u n d a d a al p r i n c i p i o e n la
c r e e n c i a d e la a d i v i n a c i ó n , s e c o n s e r v ó d e s p u é s p o r r a z o -
n e s políticas.
XXXVI. Baste por ahora de este asunto, del que nos
ocuparemos más extensamente en otro lugar. Pasemos
á los augurios d e o t r o s pueblos, en los que interviene
m á s la s u p e r s t i c i ó n q u e el a r t e . É s t o s s e s i r v e n d e toda
clase de aves, n o s o t r o s de m u y pocas. Lo que es siniestro
p a r a e l l o s , n o lo e s p a r a n o s o t r o s . D e y o t a u r o s o l í a pre-
g u n t a r m e a c e r c a d e las r e g l a s d e n u e s t r o s a u g u r e s , y y o
m e i n f o r m a b a d e l a s q u e e l l o s s e g u í a n . ¡Oh D i o s e s i n m o r -
t a l e s ! ¡Qué d i f e r e n c i a s , y f r e c u e n t e m e n t e c u á n t a o p o s i c i ó n !
Aquél recurría á los a g ü e r o s en toda ocasión, m i e n t r a s q u e
nosotros los empleamos rara vez y solamente cuando el
p u e b l o n o s c o n f i e r e el d e r e c h o d e h a c e r l o . N u e s t r o s ma-
y o r e s n o q u e r í a n q u e s e e m p r e n d i e s e u n a g u e r r a sin c o n -
sultar los auspicios: y ¡cuántos años h a c e que emprenden
g u e r r a s los c ó n s u l e s y p r o p r e t o r e s q u e n o tienen d e r e c h o
p a r a h a c e r la c o n s u l t a ! P r e s c í n d e s e d e e l l o s e n el p a s o d e
l o s r í o s , ni s e h a e e c a s o d e l tripudium. En c u a n t o al p r e s a -
g i o q u e s e o b t e n í a d e la p u n t a d e l a s a r m a s , M. M a r c e l o ,
cinco veces cónsul, tan excelente a u g u r c o m o general, ha-
b í a r e n u n c i a d o á é l . ¿Qué s e h a h e c h o d e la a d i v i n a c i ó n
p o r las aves? Abandonada por los g e n e r a l e s , q u e no tienen
d e r e c h o para r e c u r r i r á ella, ha q u e d a d o para los m a g i s -
t r a d o s d e la c i u d a d . El m i s m o M a r c e l o d e c í a q u e , cuando
m e d i t a b a a l g u n a e x p e d i c i ó n , c e r r a b a la l i t e r a p a r a q u e n o

(i) Explanada: espacio fuera de la ciudad en el que no se habi-


taba.
B E LA ADIVINACIÓN. 295

le d e t u v i e s e n l o s a u s p i c i o s . P r e c a u c i ó n i g u a l á la q u e t o -
maban n u e s t r o s a u g u r e s , q u e , para evitar los auspicios
c o n j u n t o s , m a n d a b a n e n g a n c h a r s e p a r a d a m e n t e los caba-
l l o s . A h o r a b i e n , i m p e d i r el a u s p i c i o ó n e g a r s e á v e r l o ,
¿qué otra cosa es que r e c h a z a r las advertencias de Jú-
piter?
XXXVII. Te decía Deyotaro que no lamentaba haber
creído en los auspicios que a c o m p a ñ a r o n s u m a r c h a al
ejército de Pompeyo, porque consecuente c o n s u fe y
a m i s t a d al p u e b l o r o m a n o , h a b í a c u m p l i d o s u d e b e r , g l o -
ria q u e e s l i m a b a muy preferible á su reino y á s u s b i e n e s .
Lo m i s m o pienso yo; pero esto nada tiene q u e ver con los
a u s p i c i o s . Una c o r n e j a n o p o d í a c a n t a r l e q u e h a c í a bien
e n p r e p a r a r s e á d e f e n d e r la l i b e r t a d del pueblo romano.
E s t o lo s e n t i r í a él c o m o lo s i n t i ó . L a s a v e s solamente
a n u n c i a n a c o n t e c i m i e n t o s felices ó d e s g r a c i a d o s ; y D e y o -
t a r o s i g u i ó , s e g ú n c r e o , l o s a u s p i c i o s d e la v i r t u d , que
n o s m a n d a s a c r i f i c a r la f o r t u n a al d e b e r . Si l a s a v e s l e
a n u n c i a r o n t r i u n f o s , le e n g a ñ a r o n s e g u r a m e n t e . H u y ó d e l
c a m p o de batalla con P o m p e y o : grave contratiempo. Se
separó de él: acontecimiento deplorable. Recibió á César,
c o m o h u é s p e d y e n e m i g o á la v e z . ¿Qué c o s a m á s triste?
César, en fin, d e s p u é s d e q u i t a r l e la T e t r a r q u í a de los
T r o g m o s , para darla á no sé qué P e r g a m e n o de su comiti-
va; d e s p u é s de a r r e b a t a r l e a d e m á s la A r m e n i a , q u e s e la
dio el S e n a d o , d e s p o j ó d e t o d o s s u s b i e n e s á e s t e P r í n c i p e ,
q u e c o m o h u é s p e d le r e c i b i ó c o n m a g n i f i c e n c i a verdade-
ramente regia. Pero queda algo que decir: volvamos al
a s u n t o . Si c o n s i d e r a m o s l o s a c o n t e c i m i e n t o s q u e podían
anunciarlas aves á Deyotaro, todos fueron funestos: si
c o n s i d e r a m o s la g l o r i a d e s u a b n e g a c i ó n , s u v i r t u d fué l a
q u e le i n s p i r ó y n o l o s a u s p i c i o s .
XXXVIII. O m i t e d e s d e l u e g o el c a y a d o d e R ó m u l o , q u e
a s e g u r a s n o pudo q u e d a r c o n s u m i d o en u n vasto incendio;,
d e s p r e c i a t a m b i é n la p i e d r a d e A t l i o N a v i o ; l a s f á b u l a s y
296 MARCO TULIO CICERÓN.

c u e n t o s n o t i e n e n c a b i d a e n la filosofía. Lo q u e el filósofo
d e b í a h a c e r e r a e x a m i n a r p r i m e r a m e n t e la n a t u r a l e z a de
la c i e n c i a a u g u r a l y e n s e g u i d a s u o r i g e n y d e s t i n o . ¿ P e r o
c u á l e s la n a t u r a l e z a d e u n a c i e n c i a q u e p r e t e n d e q u e las
a v e s n o s dan a d v e r t e n c i a s volando hacia aquí ó hacia allá,
y q u e con s u v u e l o ó s u c a n t o n o s p r o h i b e n ó n o s m a n d a n
o b r a r ? ¿Por q u é , u n a s á d e r e c h a y o t r a s á la i z q u i e r d a , p u e -
d e n confirmar u n auspicio? ¿Cómo, c u á n d o y p o r q u i é n se
i n v e n t a r o n e s t a s r e g l a s ? Los E t r u s c o s al m e n o s t i e n e n p o r
a u t o r de su ciencia á un niño d e s e n t e r r a d o por un arado.
P e r o n o s o t r o s ¿á q u i é n ? ¿iHtio Navio? S a b e m o s q u e R ó m u l o
y R e m o , m u c h o m á s antiguos q u e él, eran a u g u r e s . ¿Atri-
b u i r e m o s el i n v e n t o á los P s i d i o s , Cilicios ó á l o s F r i g i o s ?
¿Serán p e r i t o s en eosas divinas los i g n o r a n t e s d e las c o s a s
h u m : ñas?
XXXIX. Pero todos los r e y e s , pueblos y naciones u s a n
l o s a u s p i c i o s . ¡Como si h u b i e s e a l g o m á s e x t e n d i d o q u e la
v u l g a r i d a d , ó c o m o si el n ú m e r o h u b i e s e d e s e r v i r d e re-
g l a á n u e s t r o j u i c i o ! ¡Qué p o c o s n i e g a n q u e la voluptuosi-
d a d s e a u n b i e n ! La m u e h e d u m b r e la c o n s i d e r a c o m o el
bien s u p r e m o . ¿Cambian por e s t o d e opinión los Estoicos,
ó c e d e el v u l g o a n t e s u a u t o r i d a d ? No e s , p u e s , d e extra-
ñ a r si en a c h a q u e de auspicios y d e toda e s p e c i e d e a d i v i -
n a c i ó n , l o s á n i m o s d é b i l e s s e e n t r e g a n á la s u p e r s t i c i ó n
y n o p u e d e n d i s c e r n i r la v e r d a d .
¿Qué conformidad existe entre los augures, ni qué
a c u e r d o entre sus prácticas? En consonancia con nuestros
a u g u r e s , dice Ennio:
« C u a n d o t r u e n a á la i z q u i e r d a e s a g ü e r o f a v o r a b l e . »
P o r el c o n t r a r i o , A y a x , s e g ú n H o m e r o , h a b l a n d o d e la
fiereza d e l o s T r o y a n o s , d i c e á A q u i l e s :
« J ú p i t e r h a t r o n a d o á la d e r e c h a e n s u f a v o r . »
L u e g o p a r a n o s o t r o s e s f a v o r a b l e la i z q u i e r d a , m i e n t r a s
q u e lo e s la d e r e c h a p a r a l o s G r i e g o s y b á r b a r o s . Bien s í
q u e c o n f r e c u e n c i a c o n f u n d i m o s la u n a c o n la o t r a ; p e r o
DE L A A D I V I N A C I Ó N . 297

no es m e n o s cierto q u e no estamos en esto de a c u e r d o c o n


l o s e x t r a ñ o s . ¿No e s m u y i m p o r t a n t e esta diferencia? ¿no
lo e s t a m b i é n q u e e m p l e e n d i s t i n t a s c o s a s y d i s t i n t a s s e ñ a -
l e s q u e n o s o t r o s ? N e c e s a r i o e s c o n f e s a r q u e la a d i v i n a c i ó n
ha n a c i d o d e l e r r o r , la s u p e r s t i c i ó n y la i m p o s t u r a .
XL. A todas e s t a s s u p e r s t i c i o n e s has a ñ a d i d o sin vaci-
l a r l o s p r e s a g i o s . Emilia d i c e á P a u l o , q u e a c e p t a el p r e s a -
gio: «Persio ha muerto:» Cecilia d i c e á s u s o b r i n a : « T e
c e d o mi p u e s t o . » Citas l a s p a l a b r a s « G u a r d a d s i l e n c i o , » y
el p r e s a g i o d e la t r i b u p r e r r o g a t i v a e n l o s c o m i c i o s : e s t o
e s s e r i n g e n i o s o y e l o c u e n t e c o n t r a sí m i s m o ; p o r q u e si t e
dedicas á tales observaciones, ¿cómo podrás conservar
bastante libertad y tranquilidad de espíritu para e s c u c h a r
á la r a z ó n e n l o s n e g o c i o s y n o á la s u p e r s t i c i ó n ? ¡Cómo!
si a l g u n o l l e g a p a r a d e c i r , á p r o p ó s i t o d e lo q u e t e i n t e -
resa, algo q u e se relaciona con tus acciones ó propósitos,
¿ s e r á e s t o p a r a tí m o t i v o d e t e m o r ó c o n f i a n z a ? En el m o -
m e n t o e n q u e M. C r a s s o s e e m b a r c a b a en Brindis con s u
ejército, un mercader q u e v e n d í a e n el p u e r t o h i g o s d e
C a u n o , g r i t a b a Carneas. A d m i t a m o s , si q u i e r e s , q u e e s t e
g r i t o , p o r s u s e m e j a n z a c o n Cavene eas (1), e r a p a r a C r a s s o
advertencia para no m a r c h a r , y q u e si h u b i e s e o b e d e c i d o
á aquel presagio no hubiera perecido; pero admitamos al
mismo tiempo que será necesario anotar cuidadosamente
en adelante los tropiezos, correas rotas y e s t o r n u d o s .
XLI. Nos q u e d a n las s u e r t e s y los Caldeos, antes d e
p a s a r á los vaticinios y los s u e ñ o s . ¿Crees q u e d e b e m o s
h a b l a r a l g o d e l a s s u e r t e s ? ¿Qué e s , p u e s , la s u e r t e ? Algo
c o m o el j u e g o d e la m o r r a , l o s t e j o s ó l o s d a d o s , e n l o s
q u e t o d o s e h a c e p o r la c a s u a l i d a d y n a d a p o r r a z ó n y c o n -
s e j o . Su i n v e n c i ó n s e d e b e e n t e r a m e n t e á la c o d i c i a , la
i m p o s t u r a , la s u p e r s t i c i ó n y e l e r r o r . P e r o p r o c e d a m o s e n
e s t o c o m o en l o s a u s p i c i o s : b u s q u e m o s el origen d e las

(1) Ten cuidado, no v a y a s .


298 MARCO TULIO CICERÓN.

suertes más famosas. Los anales de los Prenestinos d i -


cen que Numerio Suffucio, v a r ó n respetable y de noble
linaje, fué a d v e r t i d o m u c h a s v e c e s e n s u e ñ o s , h a s t a c o n
a m e n a z a s , p a r a q u e fuese á cierto paraje y partiese una
piedra; que asustado por aquellas visiones, se propuso
o b e d e c e r , á p e s a r de las b u r l a s de s u s c o n c i u d a d a n o s , y
q u e d e la p i e d r a p a r t i d a s a l i e r o n las s u e r t e s g r a b a d a s e n
encina, con c a r a c t e r e s a n t i g u o s . Aquel paraje, r o d e a d o hoy
por barrera sagrada, está cercano al t e m p l o d e J ú p i t e r
n i ñ o , s e n t a d o c o n J u n o s o b r e l a s r o d i l l a s d e la Fortuna,
a m a m a n t a d o p o r ella y c o n t a n t a p i e d a d r e v e r e n c i a d o p o r
l a s m a d r e s d e familia. Al m i s m o t i e m p o , en el m i s m o s i t i o ,
e n d o n d e s e e n c u e n t r a el t e m p l o d e la F o r t u n a , b r o t ó m i e l ,
s e g ú n d i c e n , d e u n olivo: c o n s u l t a d o s los a r ú s p i c e s , c o n -
t e s t a r o n q u e algún día llegarían á s e r c é l e b r e s aquellas
s u e r t e s , y q u e , por s u m a n d a t o , se hizo d e aquel olivo un
a r c a e n la q u e e n c e r r a r o n las s u e r t e s q u e t o d a v í a h o y s e
s a c a n c u a n d o lo a c o n s e j a la F o r t u n a . P e r o ¿ q u é fe mere-
c e n u n a s s u e r t e s q u e s e s a c a n á u n a s e ñ a l d a d a p o r la F o r -
t u n a y q u e u n n i ñ o c o g e al a z a r d e s p u é s d e m e z c l a r l a s ?
¿Cómo hablan sido d e p o s i t a d a s en aquella piedra? ¿Quién
l a b r ó , pulió y g r a b ó aquellas tablillas d e e n c i n a ' Nada h a y ,
d i c e n l o s E s t o i c o s , q u e n o p u e d a h a c e r D i o s . ¡Ojalá h i c i e s e
s a b i o s á l o s E s t o i c o s p a r a q u e n o lo c r e y e s e n t o d o p o r s u -
perstición y debilidad! Pero este género de adivinación
e s t á ya m u y d e s a c r e d i t a d o . Si la b e l l e z a y a n t i g ü e d a d d e l
t e m p l o h a n s a l v a d o d e l o l v i d o á las s u e r t e s d e P r e n e s t o , á
n o s e r l a s g e n t e s d e l v u l g o , ¿ q u é m a g i s t r a d o ni q u é v a r ó n
i l u s t r e r e c u r r e á ellos? En l o s d e m á s p a r a j e s l a s suertes
h a n p e r d i d o t o d a la f a m a ; y p o r e s t o d i c e C a r n e a d e s , s e g ú n
r e f i e r e C l i t o m a c o , q u e n u n c a h a b í a v i s t o á la F o r t u n a m á s
afortunada que en Prenesto. Omitamos, pues, este género
de adivinaciones.
XL1I. V e n g a m o s á los prodigios de los Caldeos. E u -
d o x i o , d i s c í p u l o d e P l a t ó n , p r í n c i p e d e l o s a s t r ó n o m o s al
DE LA ADIVINACIÓN. 299

s e n t i r d e l o s v a r o n e s m á s d o c t o s , dijo e n s u s e s c r i t o s q u e
las p r e d i c c i o n e s y horóscopos d e los Caldeos no m e r e c e n
n i n g u n a fe: P a n e c i o , el ú n i c o e s t o i c o q u e r e c h a z a l a s p r e -
d i c c i o n e s d e los a s t r ó l o g o s , n o s d i c e q u e A r q u e l a o y C a s -
s a n d r o , a s t r ó n o m o s f a m o s o s d e su é p o c a , n o u s a b a n p a r a
n a d a e3te a r t e . S c y l a x d e H a l i c a r n a s o , a m i g o d e P a n e c i o ,
s a b i o e n a s t r o l o g í a y el p r i m e r o e n e l g o b i e r n o d e s u
ciudad, rechaza también este género de predicción de los
C a l d e o s . P e r o d e j e m o s la a u t o r i d a d d e e s t o s t e s t i g o s y
a c u d a m o s á la r a z ó n . L o s q u e d e f i e n d e n á l o s C a l d e o s y
s u s h o r ó s c o p o s a s e g u r a n q u e e x i s t e e n la z o n a figurada
q u e l o s G r i e g o s l l a m a n ¡¡ü)8!ax.oí, u n a fuerza m o t r i z q u e
h a c e varíen las disposiciones del cielo s e g ú n q u e los
diferentes astros se encuentran en una parte determinada
d e e s t a z o n a , ó al a c e r c a r s e e n é p o c a s r e g u l a r e s ; y q u e
e s t a m i s m a f u e r z a m o t r i z s e e n c u e n t r a bajo la influencia
d e l o s a s t r o s q u e l l a m a m o s e s t r e l l a s e r r a n t e s . En el m o -
m e n t o en q u e n a c e el niño, según q u e los astros s e m u e s -
t r a n e n e s t a ó a q u e l l a p a r t e d e l c i e l o , ó e n la q u e t i e n e p r o -
x i m i d a d ó relación, r e s u l t a el triángulo ó el c u a d r a d o .
C o m o e n c a d a e s t a c i ó n d e l a ñ o s e verifica t a n t a r e v o l u c i ó n
e n el c i e l o p o r la p r o x i m i d a d ó p o r el a l e j a m i e n t o d e l o s
a s t r o s , c o m o v e m o s t a n t o s e f e c t o s d e la i n f l u e n c i a d e l s o l ,
c r e e n n o s o l a m e n t e v e r o s í m i l , s i n o c i e r t o , q u e la i n f l u e n -
cia bajo la c u a l n a e e n l o s n i ñ o s d e t e r m i n a s u n a t u r a l e z a ,
dependiendo de esto sus aptitudes, gustos, disposiciones
del c u e r p o y del á n i m o , acciones, accidentes y c i r c u n s t a n -
cias d e su vida.
XLIII. ¡Oh d e l i r i o i n c r e í b l e ! p o r q u e n o s e h a d e d a r e l
n o m b r e d e n e c e d a d á t o d o e r r o r . D i ó g e n e s el e s t o i c o c o n -
c e d e á l o s C a l d e o s la f a c u l t a d d e p r e d e c i r a l g u n a s c o s a s ,
c o m o la n a t u r a l e z a y e s p e c i a l e s a p t i t u d e s d e a l g u n o ; p e r o
l e s n i e g a t o d o lo d e m á s ; p o r q u e d o s g e m e l o s e n t e r a m e n t e
semejantes en la forma, tienen con frecuencia vida y fortu-
na m u y diferentes. Proeles y Eurístenes, reyes los dos d e
300 MARCO TULIO CICERÓN.

L a c e d e m o n i a , e r a n g e m e l o s , y sin e m b a r g o , n o v i v i e r o n lo
m i s m o e l u n o y el o l r o : P r o e l e s m u r i ó u n a ñ o a n t e s q u e s u
h e r m a n o y le s o b r e p u j ó m u c h o en sus gloriosos hechos.
P e r o lo q u e el e x c e l e n t e D i ó g e n e s c o n c e d e á l o s C a l d e o s
por censurable indulgencia, niego yo que se les pueda
o t o r g a r . P o r q u e c o m o la L u n a ^ s e g ú n e l l o s , p r e s i d e al n a c i -
m i e n t o d e l o s n i ñ o s , y las n o t a s d e los C a l d e o s d e s c a n s a n e n
la o b s e r v a c i ó n d e l o s a s t r o s c o n q u e la L u n a s e e n c u e n t r a
e n c o n j u n c i ó n e n el i n s t a n t e d e l n a c i m i e n t o , j u z g a n p o r el
engañoso s e n t i d o d e la v i s t a lo q u e s e r í a necesario ver
p o r el e s p í r i t u y la r a z ó n . L o s m a t e m á t i c o s e n s e ñ a n lo q u e
l o s C a l d e o s d e b e r í a n s a b e r : q u e la L u n a e s t á tan p r ó x i m a á
l a T i e r r a q u e c a s i la t o c a ; q u e e s t á m u y l e j a n a d e l p l a n e t a ,
Mercurio, mucho más de Venus, mucho más todavía del
Sol, del q u e se c r e e r e c i b e la l u z ; y q u e d e l Sol á M a r t e ,
d e é s t e á J ú p i t e r , d e J ú p i t e r á S a t u r n o , y d e é s t e al c i e l o ,
q u e t e r m i n a y r o d e a t o d o el u n i v e r s o , e x i s t e n e s p a c i o s i n -
m e n s o s é infinitos. ¿Qué i n f l u e n c i a p u e d e r e c i b i r la L u n a é
m e j o r d i c h o , la T i e r r a á t r a v é s d e t a l e s d i s t a n c i a s ?
XL1V. ¡Cómo! ¿cuando los astrólogos dicen, c o m o n e -
cesitan decir, que c u a n t o s n a c e n e n t o d a la t i e r r a bajo
el m i s m o e s t a d o d e l c i e l o y d e las estrellas t e n d r á n igual
destino, igual existencia, no hablan estos i n t é r p r e t e s del
cielo c o m o los q u e n o c o n o c e n la n a t u r a l e z a ? En efec-
t o , s i é n d o n o s e s o s c í r c u l o s q u e d i v i d e n el c i e l o c o m o p o r
m i t a d , q u e l o s G r i e g o s l l a m a n opcfrime;, y q u e n o s o t r o s p o -
d r í a m o s llamar con mucha propiedad terminantes, porque
en ellos termina n u e s t r a visita, tan diferentes para los d i -
v e r s o s p a í s e s , s i g ú e s e n e c e s a r i a m e n t e q u e la s a l i d a y o c a -
s o d e las e s t r e l l a s n o s o n i g u a l e s e n t o d a s p a r t e s . Si p u e s
los diferentes estados del cielo d e p e n d e n de e s t a s varia-
c i o n e s , ¿ c ó m o p u e d e n e s t a r s o m e t i d o s á la m i s m a i n f l u e n -
c i a l o s q u e n a c e n e n e l m i s m o d í a , s i e n d o tan d e s e m e j a n t e
el cielo en las diferentes r e g i o n e s ? En el p a í s q u e h a b i t a -
m o s , la c a n í c u l a a p a r e c e algunos días después del solsti-
DE LA ADIVINACIÓN. 301

c i ó d e e s t í o , e n el d e l o s T r o g l o d i t a s a p a r e c e , s e g ú n d i c e n ,
a n t e s d e l s o l s t i c i o : d e lo q u e r e s u l t a q u e , si c o n c e d i é s e -
m o s la i n f l u e n c i a c e l e s t e s o b r e l o s n a c i m i e n t o s , n o s v e r í a -
mos obligados á confesar q u e los q u e n a c e n al mismo
tiempo pueden t e n e r n a t u r a l e z a d i f e r e n t e p o r la d e s e m e -
j a n z a d e l c i e l o . E s t o no lo c o n c e d e n l o s C a l d e o s , s i n o q u e
a f i r m a n , p o r el c o n t r a r i o , q u e t o d o s l o s q u e n a c e n al m i s m o
t i e m p o , d o q u i e r a q u e s e a , n a c e n c o n el m i s m o d e s t i n o .
XLV. P e r o ¡ q u é d e m e n c i a tan g r a n d e n o t e n e r e n c u e n -
ta e n e s o s r á p i d o s c a m b i o s y m u t a c i o n e s d e l c i e l o la i n -
fluencia de los vientos, las l u v i a s y las estaciones; dife-
r i e c c i a s tan g r a n d e s , h a s t a e n p a r a j e s m u y próximos, que
m u c h a s v e c e s h a c e un t i e m p o en T ú s c u l o y o t r o e n R o m a !
Los navegantes observan que d e s p u é s de doblar un p r o -
montorio se e n c u e n t r a con frecuencia g r a n d e s c a m b i o s de
viento. Ahora bien, encontrándose el aire e n tanto t r a n -
q u i l o , e n t a n t o a g i t a d o , ¿es d e h o m b r e s s e n s a t o s no c o n -
ceder q u e esto afecte al n a c i m i e n t o (y verdaderamente
no afecta) y p r e t e n d e r que un no sé que sutil que no
puede sentirse, que apenas puede entenderse, y que pro-
c e d e d e la i n f l u e n c i a d e la L u n a y d e l a s o t r a s e s t r e l l a s , d e -
t e r m i n e las c o n d i c i o n e s del recién n a c i d o ? ¡ C ó m o ! ¿No e s
g r a n d e e r r o r e l i m i n a r d e e s t a m a n e r a la p o t e n c i a g e n e r a -
d o r a q u e d e t e r m i n a la p o c r e a c i ó n d e l h o m b r e ? ¿No v e m o s
d i a r i a m e n t e h i j o s q u e r e c u e r d a n la figura, las c o s t u m b r e s ,
l o s g e s t o s y m o v i m i e n t o s d e s u s p a d r e s , lo c u a l s ó l o p u e -
d e d e p e n d e r d e la f u e r z a g e n e r a d o r a y n o d e la influencia
d e l a L u n a y d e las d i s p o s i c i o n e s d e l c i e l o ? ¡ C ó m o ! ¿ t a n t o s
n i ñ o s n a c i d o s e n el m i s m o i n s t a n t e , y q u e sin e m b a r g o s e
p a r e c e n tan p o c o p o r temperamento, acciones y destino,
n o p r u e b a n q u e en n a d a influye el m o m e n t o d e l n a c i m i e n t o
e n el r e s t o d e la vida? ¿ D i r e m o s a c a s o q u e n ó s e e n g e n d r ó
ni n a c i ó otro niño en el m i s m o instante que Seipión el
A f r i c a n o ? ¿Y q u i é n fué i g u a l á él?
XLVI. ¡Cómo ! ¿ a c a s o e s d u d o s o q u e m u c h o s n a c i d o s
302 MARCO TULIO CICERÓN.

con defectos y deformidades naturales fueron c u r a d o s p o r


la n a t u r a l e z a misma ó p o r el a r t e y la m e d i c i n a ? L o s q u e
t i e n e n la l e n g u a t a n a d h e r e n t e q u e n o p u e d e n h a b l a r , ¿no
s e c u r a n p o r la r e s e c c i ó n d e l frenillo? O t r o s m u c h o s c o r r i -
g e n p o r sí m i s m o s s u s d e f e c t o s e m p l e a n d o el e j e r c i c i o y el
e s t u d i o . Así lo h i z o D e m ó s t e n e s , q u e , s e g ú n r e f i e r e F a l e -
rio, no pudiendo pronunciar Bo, consiguió á fuerza de
e j e r c i c i o p r o n u n c i a r l o c o n s u m a c l a r i d a d . Si e s t o s d e f e c t o s
p r o c e d i e s e n d e la i n f l u e n c i a d e l o s a s t r o s , n a d a p o d r í a c o -
rregirlos. ¡ C ó m o ! ¿la d i f e r e n c i a d e r e g i o n e s n o produce
m u l t i t u d d e v a r i e d a d e s e n la e s p e c i e h u m a n a ? Fácil sería
e n u m e r a r a q u í las d i f e r e n c i a s físicas y m o r a l e s q u e d i s t i n -
g u e n al I n d i o d e l P e r s a , al E t i o p e d e l S i r i o , y a n o t a r la i n -
creíble variedad de razas. Esto d e m u e s t r a cuan s u p e r i o r es
la i n f l u e n c i a d e l c l i m a á la d e la L u n a s o b r e l o s n a c i m i e n -
t o s . Cuando se dice q u e los Babilonios c u e n t a n c u a t r o c i e n -
tos setenta años de experiencia y observaciones sobre los
n a c i m i e n t o s d e l o s n i ñ o s , s e n o s e n g a ñ a . Si s e h u b i e s e n c o -
menzado estas o b s e r v a c i o n e s , no se habrían a b a n d o n a d o ;
y ningún testimonio tenemos que acredite que se hagan hoy
ni q u e p r u e b e q u e s e h a y a n h e c h o a l g u n a v e z .
XLVII. ¿No v e s q u e h a b l o c o m o P a n e c i o , el p r í n c i p e d e
los E s t o i c o s , y no c o m o Carneades? Ahora te pregunto:
.¿todos l o s q u e m u r i e r o n en la b a t a l l a d e C a n n a s h a b í a n n a -
c i d o bajo la influencia d e l m i s m o a s t r o ? Sin e m b a r g o , t o -
d o s t u v i e r o n el m i s m o fin. ¿Y a q u e l l o s q u e t i e n e n t a l e n t o
é i n g e n i o s i n g u l a r e s , n a c e n t a m b i é n bajo la i n f l u e n c i a d e
una estrella singular? ¿Existe algún m o m e n t o en que no
o c u r r a n i n n u m e r a b l e s n a c i m i e n t o s ? Y sin e m b a r g o n a d i e
s e h a . i g u a l a d o á H o m e r o . Si el e s t a d o d e l c i e l o y la d i s p o -
sición d e los a s t r o s influyen s o b r e el n a c i m i e n t o d e c a d a
a n i m a l , ¿no h a b r á d e s u c e d e r l o m i s m o r e l a t i v a m e n t e á l a s
cosas i n a n i m a d a s ? ¿Y p u e d e decirse algo más absurdo?
V e r d a d es q u e n u e s t r o a m i g o L. T a r u c i o F i r m a n o , v e r s a d í -
simo en los cálculos de los Caldeos, r e m o n t a n d o hasta los
DE LA ADIVINACIÓN. 303

días de las fiestas de P a l a s , en q u e , s e g ú n la tradición


f u n d ó R ó m u l o la c i u d a d , d e c í a q u e la L u n a e s t a b a e n t o n -
c e s e n L i b r a , y n o v a c i l a b a en s a c a r el h o r ó s c o p o d e R o m a .
¡Oh p o t e n t e f u e r z a d e l e r r o r ! ¡el n a t a l i c i o d e u n a ciudad,
b a j o la i n f l u e n c i a d e la L u n a y d e l a s e s t r e l l a s ! Tenga in-
fluencia, si q u i e r e s , s o b r e e l n i ñ o el a s t r o bajo q u e c o m e n -
z ó á r e s p i r a r ; ¿ s o m e t e r á s á la m i s m a i n f l u e n c i a el l a d r i l l o ó
e l c e m e n t o c o n q u e e s t á c o n s t r u i d a u n a c i u d a d ? Mas ¿á q u é
continuar? Esta ciencia está c a d a día más desacredi-
t a d a . ¡Cuántas p r e d i c c i o n e s r e c u e r d o hicieron á Crasso, á
P o m p e y o y al m i s m o C é s a r l o s C a l d e o s ! ¡ T o d o s e l l o s h a b í a n
d e m o r i r m u y viejos, en su lecho y colmados de gloria!
Después de esto, a d m í r a m e que aun existan gentes b a s t a n -
t e c r é d u l a s p a r a p r e s t a r fe á a q u e l l o s cuyas predicciones
se ven desmentidas d i a r i a m e n t e por los h e c h o s y aconte-
cimientos.
XLVIII. Quedan los d o s g é n e r o s de adivinación natural
e x t r a ñ o s al a r t e : v a t i c i n i o s y s u e ñ o s ; d e los c u a l e s h a b l a -
r e m o s , o h Q u i n t o , si te p l a c e . — S í , m e a g r a d a , r e s p o n d i ó ,
p o r q u e h a s t a a h o r a a s i e n t o c a s i p o r c o m p l e t o á t o d o lo q u e
h a s d i c h o ; y h a b l a n d o e n v e r d a d , si tus raciocinios m e h a n
f o r t a l e c i d o , p a r e c í a m e y a p o r m í m i s m o q u e la o p i n i ó n d e
l o s E s t o i c o s , e n c u a n t o á la a d i v i n a c i ó n , e s d e m a s i a d o s u -
persticiosa, moviéndome mucho más los a r g u m e n t o s de los
P e r i p a t é t i c o s , d e D i c e a r c o el viejo y d e C r a t i p p o , q u e t o d a -
v í a v i v e , l o s c u a l e s s u p o n e n e n la m e n t e d e l h o m b r e u n o á
manera de oráculo íntimo, q u e nos anuncia el porvenir;
ora cuando n u e s t r o e s p í r i t u s e e n c u e n t r a a g i t a d o p o r fu-
ror divino, ora cuando a b a n d o n a d o al s u e ñ o , g o z a d e a b -
soluta libertad. Q u i s i e r a s a b e r lo q u e o p i n a s a c e r c a d e e s -
tos dos géneros de adivinación y con q u é r a z o n e s los
combates.
XLIX. Habiendo hablado de esta m a n e r a , e n t r a n d o yo
como en nueva discusión, c o m e n c é d i c i e n d o : No i g n o r o .
Quinto, que s i e m p r e has tenido duda acerca de los g é n e r o s
304 MARCO TULIO CICERÓN.

d e a d i v i n a c i ó n d e q u e h e m o s h a b l a d o , al p a s o q u e a d m i -
tías por c o m p l e t o los vaticinios y los s u e ñ o s , q u e p a r e c e n
e m a n a c i ó n del alma q u e goza d e c o m p l e t a l i b e r t a d .
Mas a n t e s d e d e c i r t e mi o p i n i ó n , e x a m i n e m o s el a r g u -
m e n t o p r i n c i p a l d e los E s t o i c o s y d e n u e s t r o a m i g o C r a -
t i p p o . Has d i c h o q u e C n s i p p o , D i ó g e n e s y A n t i p a t e r r a c i o -
c i n a b a n d e e s t e m o d o : «Si e x i s t e n Dioses y no dan á c o -
n o c e r á los h o m b r e s las c o s a s f u t u r a s , ó no amánalos
h o m b r e s , ó i g n o r a n lo f u t u r o , ó creen que los h o m b r e s
n o tienen interés en c o n o c e r l o , ó consideran q u e no e s t á
c o n f o r m e c o n la m a j e s t a d d i v i n a tal r e v e l a c i ó n , ó e n fin,
carecen de medios para hacerla. Pero no p u e d e decirse
q u e no n o s a m a n , p o r q u e los D i o s e s son b e n é f i c o s y a m i -
gos del género h u m a n o ; t a m p o c o i g n o r a n las c o s a s q u e
ellos mismos han establecido ó d e c r e t a d o ; no p u e d e ser-
n o s i n d i f e r e n t e el c o n o c i m i e n t o d e lo f u t u r o , c u a n d o tal
c o n o c i m i e n t o n o s h a c e m á s p r u d e n t e s : no p u e d e n c o n s i -
d e r a r esta revelación c o m o i m p r o p i a de su majestad, p o r -
que nada tan e x c e l e n t e como hacer b i e n ; y , en fin, no
p u e d e n i g n o r a r lo f u t u r o . L u e g o si e x i s t e n D i o s e s , n o s r e -
v e l a n lo v e n i d e r o . Es a s í q u e e x i s t e n D i o s e s ; l u e g o n o s r e -
v e l a n lo f u t u r o . S i e n d o d e e s t a manera, nos dan medios
p a r a i n t e r p r e t a r las s e ñ a l e s q u e n o s e n v í a n ; d e lo c o n t r a -
rio, estas señales serían i n ú t i l e s : si n o s d a n los medios,
e s t o s m e d i o s s o n la a d i v i n a c i ó n : l u e g o e x i s t e la a d i v i n a -
c i ó n . » Oa g e n t e s s u t i l e s ! ¡ C r e e n h a b e r l o p r o b a d o t o d o c o n
t a n p o c a s p a l a b r a s ! ¡ D e d u c e n la c o n s e c u e n c i a d e a n t e c e -
d e n t e s q u e n o s e l e s h a n c o n c e d i d o ! La c o n s e c u e n c i a s o -
lamente es verdadera cuando de proposiciones ciertas se
d e d u c e lo q u e s e i n t e n t a b a p r o b a r .
L. ¿Has v i s t o c ó m o E p i c u r o , al q u e c o n s i d e r a n r u d o y
obtuso l o s E s t o i c o s , l l e g a á d e m o s t r a r q u e la n a t u r a l e z a
u n i v e r s a l e s infinita? « L o q u e e s finito, d i c e , t i e n e extre-
m o s . » ¿ Q u i é n n o lo c o n c e d e r í a ? « T o d o l o q u e t i e n e e x t r e -
m o p u e d e s e r visto d e s d e fuera p o r a l g u n o . » También h a y
DE LA ADIVINACIÓN. ' 305

q u e c o n c e d e r e s t o . «Es así q u e lo q u e lo c o m p r e n d e t o d o
no puede verlo nadie desde fuera.» Tampoco puede ne-
g a r s e e s t a v e r d a d . « L u e g o lo q u e lo c o m p r e n d e t o d o y n o
tiene ningún e x t r e m o es necesariamente infinito.» ¿Ves
c ó m o llega á d e m o s t r a r lo d u d o s o p o r m e d i o d e p r e m i s a s
v e r d a d e r a s ? E s t o e s lo q u e v o s o t r o s , q u e s o i s d i a l é c t i c o s ,
n o h a c é i s : p o r q u e n o s o l a m e n t e s e o s n i e g a n las p r e m i s a s ,
sino q u e aun c u a n d o se os c o n c e d i e r a n , la consecuencia
q u e p r e t e n d é i s d e d u c i r no s e r í a l e g í t i m a . Decís primera-
mente: «Si e x i s t e n D i o s e s , s o n b e n é v o l o s con los h o m -
b r e s . » ¿Quién o s c o n c e d e r á esto? ¿ a c a s o E p i c u r o , q u e a s e -
g u r a q u e los D i o s e s no s e o c u p a n d e n o s o t r o s ni d e e l l o s
m i s m o s ? ¿ a c a s o nuesLro E n n i o , q u e con aplauso popular
exclama:
«Siempre he dicho y siempre diré que existen Dioses;
. m a s c r e o q u e n o s e o c u p a n d e lo q u e h a c e el h o m b r e ? »
En s e g u i d a e x p o n e las r a z o n e s en q u e a p o y a s u o p i n i ó n -
p e r o n o e s n e c e s a r i o c i t a r lo q u e s i g u e . Basta lo d i c h o p a r a
d e m o s t r a r q u e l o s E s t o i c o s s i e n t a n c o m o c i e r t o lo q u e e s
dudoso y controvertible.
LI. A ñ a d e n en s e g u i d a : «Que los Dioses nada i g n o r a n ,
p u e s t o q u e t o d o lo h a n e s t a b l e c i d o e l l o s . » Pero acerca de
esto ¡qué diferencia de opiniones! ¡cuántos h o m b r e s d o c t o s
n i e g a n q u e lo h a y a n cstab'ecilo todo los Dioses i n m o r -
t a l e s ! «Nos i m p o r t a m u c h o c o n o c e r lo f u t u r o . » En e x t e n s o
libro sostiene Dicearco que es mucho mejor ignorarlo.
«No r e p u g n a á la m a j e s t a d d e los Dioses revelárnoslo.»
Será necesario que inspeccionen nuestras casas para c o -
n o c e r nuestras necesidades. «Es imposible que ignoren lo
f u t u r o . » E s t o e s lo q u e n i e g a n a q u e l l o s q u e a s e g u r a n q u e
el p o r v e n i r n o p u e d e s e r c i e r t o . ¿Ves c ó m o consideran
c o m o v e r d a d e r o y a d m i t i d o p o r t o d o s lo q u e e s o b j e t o d e
d i s c u s i ó n ? En s e g u i d a r e s u m e n y d e d u c e n : « L u e g o si e x i s -
ten D i o s e s n o s r e v e l a n lo f u t u r o , » c o n s i d e r a n d o e s t o c o m o
probado. A continuación añaden: «Es a s í q u e e x i s t e n D i o -
T O M O v. 20
306 MARCO TULIO CICERÓN.

s e s , » l o c u a l n o lo c o n c e d e n t o d o s ; «.luego n o s lo r e v e l a n . »
C o n s e c u e n c i a falsa, p o r q u e p u e d e n e x i s t i r Dioses y n o r e -
v e l a r n o s lo f u t u r o . «Si n o s i n s t r u y e n d e lo v e n i d e r o , n o s
dan m e d i o s para c o n o c e r las s e ñ a l e s q u e n o s envían.»
T a m b i é n es posible q u e , t e n i e n d o ellos este c o n o c i m i e n t o ,
n o lo c o n c e d a n á l o s h o m b r e s . ¿ P o r q u é h a b í a n d e o t o r -
garlo á los Toscanos con preferencia á l o s R o m a n o s ? «Si
n o s c o n c e d e n l o s m e d i o s , e s t o s m e d i o s s o n la r e v e l a c i ó n . »
Supon que los conceden l o s D i o s e s , lo c u a l e s a b s u r d o ;
¿ q u é i m p o r t a , si n o s o t r o s n o p o d e m o s r e c i b i r l o s ? Conse-
c u e n c i a : « L u e g o e x i s t e a d i v i n a c i ó n . » E s t e e s el fin, p e r o
n o la c o n c l u s i ó n l e g í t i m a d e l a r g u m e n t o , p o r q u e d e e l l o s
h e m o s a p r e n d i d o q u e lo v e r d a d e r o no p u e d e d e d u c i r s e d e
l o falso. Cae p o r t i e r r a , p u e s , la c o n s e c u e n c i a .
L1I. P a s e m o s a h o r a á la r a z ó n del e x c e l e n t e Cratippo,
n u e s t r o a m i g o : «Así c o m o sin o j o s , d i c e , n o p u e d e n e x i s t i r
e l oficio y f u n c i o n e s de los ojos, a u n q u e los ojos p u e d e n
a l g u n a s v e c e s no ejercer sus funciones, y quien una vez
s e ha s e r v i d o d e l o s o j o s p a r a v e r r e a l m e n t e l o s o b j e t o s ,
e s t á r e a l m e n t e d o t a d o d e l s e n t i d o d e la v i s t a ; así t a m b i é n
s i n la a d i v i n a c i ó n n o p u e d e n e x i s t i r el u s o y f u n c i o n e s d e
la a d i v i n a c i ó n , a u n q u e c o n la m i s m a a d i v i n a c i ó n s e p u e d e
e r r a r á v e c e s y no ver con exactitud; p e r o basta para dejar
s e n t a d a la v e r d a d d e la a d i v i n a c i ó n , q u e u n a v e z s e h a y a
a d i v i n a d o b i e n , q u e n o s e p u e d a d e c i r q u e fué p o r c a s u a l i -
d a d . Es a s í q u e t e n e m o s i n n u m e r a b l e s e j e m p l o s ; l u e g o h a
d e c o n f e s a r s e q u e e x i s t e a d i v i n a c i ó n . «El a r g u m e n t o e s s u -
til y t e r m i n a n t e ; p e r o c o m o s i e n t a d o s p r e m i s a s á su c a p r i -
cho, aunque me mostrase tolerante con ellas, no podría
c o n c e d e r la c o n s e c u e n c i a . «Si l o s o j o s s e e n g a ñ a n a l g u n a
vez, dice, basta q u e h a y a n visto bien a l g u n a s v e c e s p a r a
c o n c e d e r l e s la facultad d e v e r ; a s í , p u e s , si a l g u i e n a d i -
vinó con exactitud alguna v e z , a u n q u e en otras yerre,
•debe r e c o n o c é r s e l e l a f a c u l t a d d e a d i v i n a r . »
LIO. C o n s i d e r a , t e r u e g o , q u e r i d o C r a t i p p o , si e x i s t e a l -
t>E LA ADIVINACIÓN. 307

g u n a p a r i d a d e n e l s í m i l ; p o r mi p a r t e n o la e n c u e n t r o . L o s
ojos q u e v e n bien, usan d e u n a facultad natural; p e r o si e l
a l m a h a v i s t o a l g u n a v e z lo f u t u r o e n v a t i c i n i o s y s u e ñ o s ,
ha sido p o r casualidad: á m e n o s q u e e s p e r e s te c o n c e d a n
los q u e sólo c o m o s u e ñ o s c o n s i d e r a n los s u e ñ o s , q u e c u a n -
do resulta alguno c o m o v e r d a d e r o , p o r nada entra en él
la c a s u a l i d a d . P e r o c o n c e d i é n d o t e las dos proposiciones
q u e l o s d i a l é c t i c o s l l a m a n X-n^jiaxa, y q u e y o p r e f i e r o l l a -
m a r e n latín sumtiones, n o p u e d o c o n c e d e r t e la o t r a asun-
ción ( i ) l l a m a d a irpócXijiJ/tv. Dice C r a t i p p o d e e s t e m o d o : « E s
así q u e existen i n n u m e r a b l e s p r e s e n t i m i e n t o s q u e n o s o n
f o r t u i t o s . » Y y o c o n t e s t o : n i n g u n o . Ya v e s c u a n p o c o c o n -
formes estamos. N e g a d a la m e n o r , la c o n s e c u e n c i a es
nula. ¿Pero s e r e m o s i m p u d e n t e s al n e g a r c o s a t a n c l a r a ?
¿Qué e s c l a r o ? ¿que h a n r e s u l t a d o v e r d a d e r a s m u c h a s pre-
s u n c i o n e s ? ¿y c u á n t a s o t r a s , y en n ú m e r o m u c h o m á s c o n s i -
d e r a b l e , h a n r e s u l t a d o falsas? Esta m i s m a v a r i e d a d , q u e t a n
p r o p i a e s d e la f o r t u n a , ¿ n o e n s e ñ a q u e el r e s u l t a d o e s o b r a
d e la f o r t u n a y n o d e la n a t u r a l e z a ? A d e m á s , si t u c o n s e -
cuencia es v e r d a d e r a , oh Cratippo (pues contigo discuto),
¿no c o m p r e n d e s q u e p u e d e n u s a r e l m i s m o a r g u m e n t o l o s
arúspices, los intérpretes de rayos y prodigios, los augu-
r e s , los s o r t í l e g o s y los Caldeos? P o r q u e ni u n o d e é s t o s
existe cuyas predicciones no se hayan visto confirmadas
alguna vez por l o s acontecimientos. Luego has de admitir
todos estos géneros de advinación que con razón rechazas,
ó si n o e x i s t e n , n o s é c ó m o p u e d e n e x i s t i r í a s d o s q u e c o n -
s e r v a s . La p r u e b a q u e a l e g a s e s i g u a l m e n t e a p l i c a b l e á l a s
que rechazas.
LIV. Y ¿ c u á l e s e l p r i v i l e g i o d e e s e furor que llamáis
divino, p o r m e d i o d e l c u a l lo q u e e l s a b i o n o v e l o v e e l
d e m e n t e , y a q u e l q u e p e r d i ó el s e n t i d o h u m a n o a d q u i e r e e l
divino? Conservamos los versos q u e dicen i m p r o v i s ó la

(1) Proposición menor del silogismo.


308 MARCO TULIO CICERÓN.

Sibila f u r i o s a . Su i n t é r p r e t e , s e g ú n falso r u m o r , d e b í a d e -
clarar poco h a e n el S e n a d o , q u e si q u e r í a m o s s a l v a r á
R o m a e r a n e c e s a r i o p r o c l a m a r r e y al q u e r e a l m e n t e t e n í a -
m o s p o r r e y . Si e n e s o s l i b r o s s e e n c u e n t r a tal predic-
c i ó n , ¿á q u é h o m b r e y á q u e é p o c a s e r e f i e r e ? B u e n cuida-
d o t u v o el a u t o r al no d e s i g n a r n o m b r e s ni l i e m n o s , d e
a c o m o d a r s u s profecías á todos los a c o n t e j i m i e n t o s posi-
bles. Además de é s t o , se ha r o d e a d o d e tal o s c u r i d a d , q u e
los mismos v e r s o s s e p r e s t a n á las i n t e r p r e t a c i o n e s más
diferentes. P o r o t r a p a r t e , n a d a m e n o s p a r e c i d o á la i n s -
p i r a c i ó n d e u n furioso que esos p o e m a s , bien porque en
ellos se ve m á s a r t e q u e excitación y m o v i m i e n t o , bien p o r
esos áxposxi^íí que forman s e n t i d o c o n las l e t r a s p r i m e r a s
de los v e r s o s , como en algunas poesías de Ennio, en las
que se encuentra q u e f o r m a n c o n las i n i c i a l e s «Q_. E n n i u s
fecit» Existe en e l l o s s i n d u d a más trabajo de ingenio
q u e e n t u s i a s m o . T o d a s las s e n t e n c i a s d e l o s l i b r o s s i b i l i n o s
e s t á n c o m p u e s t a s d e m a n e r a q u e c o n las l e t r a s i n i c i a l e s d e
los v e r s o s , s e f o r m a el p r i m e r o d e la s e n t e n c i a . E s t o r e v e l a
al e s c r i t o r , y n o al f u r i o s o ; al h o m b r e q u e t r a b a j a c u i d a d o -
s a m e n t e , y no al i n s e n s a t o . O c u l t e m o s , p u e s , c u i d a d o s a -
m e n t e l o s l i b r o s d é l a Sibila; p e r m a n e z c a p r o h i b i d a s u l e c -
tura sin p e r m i s o del S e n a d o , c o m o establecieron n u e s t r o s
m a y o r e s ; que antes sirvan para destruir que para fomentar
la s u p e r s t i c i ó n , y q u e los i n t é r p r e t e s d e d u z c a n c u a l q u i e r a
o t r a c o s a q u e u n r e y ; p o r q u e ni l o s D i o s e s ni l o s h o m b r e s
lo s o p o r t a r í a n j a m á s e n R o m a .
LV. P e r o m u c h a s v e c e s e x i s t e n vaticinios v e r d a d e r o s ,
c o m o el d e C a s a n d r a :

Ya s o b r e el i n m e n s o m a r . . .

Y d e la m i s m a m a n e r a - p o c o m á s a d e l a n t e :

¡Ay! m i r a d . . .

¿ P r e t e n d e s q u e c r e a h a s t a e n l a s fábulas? C u a l q u i e r a q u e
DE LA ADIVINACIÓN. 309

•sea el a s u n t o , p o r m u c h a b e l l e z a q u e le a ñ a d a el e s t i l o , l a
a r m o n í a y el c a n t o , n o p u e d e n t e n e r a u t o r i d a d , ni p o d e -
mos considerarlas más que como ficciones. Lo m i s m o h e -
m o s de decir de no sé qué adivinos que llamáis Publicio y
Marcio, como t a m b i é n d e las r e s p u e s t a s d e A p o l o , d e l a s
q u e u n a s a p a r e c e n e v i d e n t e m e n t e falsas, y o t r a s a v e n t u r a -
d a s c o n o s a d í a : los h o m b r e s medianamente instruidos no
creyeron jamás en ellas, y mucho menos aún las per-
s o n a s i l u s t r a d a s . ¡ C ó m o ! d i r á s , ¿el r e m e r o d e la a r m a d a d e
C o p o n i o n o p r e d i j o lo q u e s u c e d i ó ? Sí; y lo que todos te-
míamos entonces. Sabíamos que los d o s ejércitos estaban
frente á f r e n t e e n T e s a l i a , y n o s p a r e c í a q u e el d e C é s a r
e r a más audaz, como de h o m b r e que hace guerra á su pa-
t r i a , y m á s a g u e r r i d o , p u e s t o q u e le f o r m a b a n t r o p a s v e t e -
ranas. N i n g u n o d e n o s o t r o s d e j a b a d e t e m e r el resultado
d é l a batalla, pero como conviene á h o m b r e s fuertes, ocul-
t á n d o l o . ¿ P u e d e s o r p r e n d e r , en c u a n t o al m a r i n e r o g r i e g o ,
q u e si el m i e d o l e t u r b ó el e s p í r i t u , c o m o f r e c u e n t e m e n t e
sucede, comenzase á publicar una catástrofe que había
• t e m i d o c u a n d o g o z a b a d e r a z ó n ? Mas ¡ p o r l o s D i o s e s y l o s
h o m b r e s ! ¿es m á s p r o b a b l e que un marinero demente ó
•uno d e n o s o t r o s , C a t ó n , V a r r ó n , Coponio, yo m i s m o , q u e
n o s e n c o n t r á b a m o s allí (1) r e u n i d o s , p e n e t r a s e e n e l s e c r e -
to d e los Dioses inmortales?
LVI. P e r o v e n g o y a á tí:
«Oh d i v i n o A p o l o , e n c u y o t e m p l o , c o l o c a d o e n el c e n t r o
• d e la t i e r r a , r e s o n a r o n p o r primera vez supersticiosas y
-crueles palabras.»
Crisippo llenó un v o l u m e n e n t e r o con tus oráculos, falsos
u n o s , en mi opinión; o t r o s comprobados por casualidad,
-como frecuentemente sucede con todo lo q u e s e d i c e ;
o t r o s tan v a g o s y tan o s c u r o s q u e el i n t é r p r e t e n e c e s i t a
intérprete, y basta sería necesario recurrir á las suertes

H) En Dirraquio.
310 MARCO TULIO CICERÓN.

p a r a c o m p r e n d e r l a s s u e r t e s m i s m a s ; a l g u n o s , e n fin, tan-
ambiguos que habrían de s o m e t e r s e á los dialécticos.
Así, p u e s , cuando un poderoso r e y d e l Asia r e c i b i ó esta
respuesta:
« C r e s s o , p a s a n d o el H a l y s , d e s t r u y e u n g r a n d e i m p e r i o , »
c r e y ó q u e d e s t r u i r í a el d e s u e n e m i g o , y d e s t r u y ó el s u y o .
E n u n o y o t r o c a s o h u b i e s e s i d o v e r d a d e r o el o r á c u l o . Mas
¿ p o r q u é h e c r e e r q u e s e dijo tal c o s a j a m á s d e C r e s s o ? ¿Ha
d e s e r m á s v e r í d i c o H e r o d o t o q u e E n n i o ? ¿No p u d o i n v e n t a r
este o r á c u l o c o m o i n v e n t ó E n n i o el d e P i r r o ? ¿Quién p u e -
d e c r e e r q u e el o r á c u l o d e A p o l o d i j e s e á P i r r o :
« Y o te lo d i g o , E a c i d a , ¿el r o m a n o p o d r á v e n c e r ? En p r e -
m e r l u g a r , A p o l o n o h a b l ó n u n c a e n l a t í n ; en segundo lu-
gar, los Griegos no c o n o c e n este oráculo; a d e m á s , en t i e m -
po d e P i r r o , A p o l o n o h a c í a ya v e r s o s ; y en ú l t i m o c a s o ,
como dice Ennio, á pesar de que
«La raza estúpida de los Eacidas sea más poderosa por
l a s a r m a s q u e p o r la s a b i d u r í a , »
Pirro habría tenido bastante sutileza para comprender
q u e a q u e l v e r s o t a n a n f i b o l ó g i c o lo m i s m o p o d r í a i n t e r p r e -
t a r s e c o n t r a él q u e c o n t r a l o s R o m a n o s . En c u a n t o á la a n -
fibología que engañó á Cresso, también habría engañado á
C r i s i p p o , p e r o é s t a , ni s i q u i e r a á E p i c u r o .
LVII. P e r o , y e s t o e s e s e n c i a l , ¿por q u é n o s e p r o n u n -
cian hoy tales oráculos en Belfos, y d e s d e hace mucho
tiempo c a y e r o n en profundo descrédito? Cuando se os e s -
t r e c h a en e s t e p u n t o , c o n t e s t á i s q u e la v i r t u d q u e brotaba
d e la t i e r r a y e x c i t a b a la m e n t e d e la P i t o n i s a s e ha d e s -
v a n e c i d o . P a r e c e que habláis d e vino ó de alguna salazón
q u e s e d i s i p a n c o n el t i e m p o . P e r o s e t r a t a d e la v i r t u d d e
aquel paraje, de una virtud no solamente natural, sino casi
d i v i n a . ¿Cómo s e h a e v a p o r a d o ? P o r e f e c t o d e l t i e m p o , d i -
c e s . P e r o ¿qué serie d e siglos p u e d e destruir u n a virtud
divina como ésta, que e x h a l a d a d e la t i e r r a , o b r a b a t a n
p o d e r o s a m e n t e s o b r e el á n i m o , d á n d o l e n o s ó l o el c o n o c í -
DE L A A D I V I N A C I Ó N . 3 1 4

m i e n t o d e lo f u t u r o , s i n o q u e t a m b i é n la f a c u l t a d d e p r e -
d e c i r en v e r s o ? ¿Y d e s d e c u á n d o ha d e s a p a r e c i d o e s t a fuer-
za s e c r e t a ? ¿ a c a s o d e s d e que los hombres comenzaron á
ser menos crédulos? ü e m ó s t e n e s , que vivía hace unos
trescientos años, llamaba e n s u t i e m p o <piAMi«l£etv á la P i -
t o n i s a (es d e c i r , q u e s e e n t e n d í a c o n F i l i p o ) ; i n d i c a n d o a s !
q u e Filipo la c o r r o m p í a . D e d u c i r s e p u e d e , p o r c o n s i g u i e n -
t e , q u e n o e r a n m á s s i n c e r o s los d e m á s o r á c u l o s d e D e l -
fos. Mas i g n o r o p o r q u é v u e s t r o s filósofos, s u p e r s t i c i o s o s y
c a s i f a n á t i c o s , no p e r d o n a n m e d i o p a r a m o s t r a r s e i n e p t o s .
P r e f e r í s c r e e r lo q u e h u b i e s e s i d o e t e r n o , si a l g u n a vez
h u b i e s e e x i s t i d o , á n o c r e e r lo q u e n o e s c r e í b l e .
LVIII. Igual es su e r r o r en c u a n t o á l o s s u e ñ o s ; ¡ q u é
esfuerzos hacen para defenderlos! Consideran divinas n u e s -
tras almas y procedentes d e o r i g e n s u p e r i o r , y el m u n d o
lleno de multitud de espíritus en c o m u n i c a c i ó n c o n el
n u e s t r o ; siendo esta naturaleza divina y esta comunicación
q u e n u e s t r a a l m a s o s t i e n e c o n tan n u m e r o s o s e s p í r i t u s lo
q u e la d a el p r i v i l e g i o d e v e r lo f u t u r o . Z e n ó n , p o r el c o n -
t r a r i o , c o n s i d e r a el s u e ñ o c o m o c o n t r a c c i ó n , p o s t r a c i ó n y
d e b i l i t a c i ó n d e l a l m a . Dos filósofos tan e m i n e n t e s c o m o
P i t á g o r a s y P l a t ó n n o s r e c o m i e n d a n p r e p a r a r n o s al s u e ñ o
c o n la t e m p e r a n c i a y la s o b r i e d a d si q u e r e m o s v e r la v e r -
dad en ellos. Los Pitagóricos llegaban hasta a b s t e n e r s e de
l a s h a b a s , c o m o si e s t e a l i m e n t o c a r g a s e el a l m a y n o el
e s t ó m a g o . En fin, n o s é q u é a b s u r d d o tan g r a n d e podría
d e c i r s e q u e n o lo h a y a d i c h o a l g ú n filósofo. En ú l t i m o c a s o ,
ora a d m i t a m o s que los movimientos del alma en los s u e ñ o s
son espontáneos, ora creamos c o n D e m ó c r i t o q u e la i m -
presiona una visión exterior y accidental, de una ú otra
m a n e r a , lo falso p u e d e p r e s e n t á r s e n o s c o n a p a r i e n c i a s d e
verdad. Los n a v e g a n t e s creen ver moverse lo q u e e s t á
i n m ó v i l , y c o n c i e r t a d i s p o s i c i ó n d e los o j o s v e m o s d o s l u -
c e s d o n d e n o h a y m á s q u e u n a . ¿Qué d i r é d e lo q u e v e n e n
s u s i l u s i o n e s l o s d e m e n t e s y l o s e b r i o s ? Y si e n e s t a s v i -
312 MARCO TULIO CICERÓN.

s i o n e s n o h a d e c r e e r s e , i g n o r o p o r q u é ha d e p r e s t a r s e fe
á l o s s u e ñ o s ; p o r q u e , e n ú l t i m o c a s o , ¿no p u e d e s e x p l i c a r
e s t a s v i s i o n e s d e la m i s m a m a n e r a q u e los s u e ñ o s ? P o d r í a s
d e c i r q u e el m o v i m i e n t o a p a r e n t e d e lo q u e e s t á inmóvil
significa la p r o x i m i d a d de un terremoto ó de repentina
f u g a ; la d o b l e l u z d e u n a l á m p a r a , d i s c o r d i a y sedición.
LIX. L a s v i s i o n e s d e la l o c u r a y d e la e m b r i a g u e z p o -
drían proporcionar innumerables conjeturas relativamente
a l o futuro. ¿Quién, e j e r c i t á n d o s e t o d o el día e n lanzar
d a r d o s , n o t o c a a l g u n a s v e c e s el b l a n c o ? T o d a s las n o c h e s
s o ñ a m o s y casi n i n g u n a p a s a m o s sin dormir. ¿Y n o s a d -
m i r a q u e a l g o d e lo q u e s o ñ a m o s s e r e a l i c e ? ¿Hay a l g o m á s
i n s e g u r o q u e l o s d a d o s ? Y sin e m b a r g o , n o h a y n a d i e q u e ,
a r r o j á n d o l o s f r e c u e n t e m e n t e , n o s a q u e el p u n t o d e V e n u s ,
quizá hasta dos y tres veces seguidas. ¿Seremos tan inep-
t o s q u e lo a t r i b u y a m o s á V e n u s y n o á la c a s u a l i d a d ? Si en
los d e m á s m o m e n t o s no d e b e c r e e r s e en falsas a p a r i e n -
c i a s , no v e o p o r q u é h a d e t e n e r el s u e ñ o el p r i v i l e g i o d e
h a c e r p a s a r lo falso p o r v e r d a d e r o . Si la n a t u r a l e z a h u b i e s e
q u e r i d o q u e h i c i é s e m o s en s u e ñ o s t o d o lo q u e p e n s a m o s
h a c e r , n e c e s a r i o sería alar á los q u e van á acostarse, por-
q u e h a r í a n m á s e x t r a v a g a n c i a s q u e l o s l o c o s . Si n o d e b e
p r e s t a r s e fe á l a s v i s i o n e s d e los i n s e n s a t o s p o r q u e son
falsas, no v e o por q u é ha de c r e e r s e e n aquellas, m u c h o
m á s a b s u r d a s t o d a v í a , q u e p r o d u c e el s u e ñ o . ¿ A c a s o p o r -
q u e los locos no van á referir s u s visiones c o m o los s o ñ a -
d o r e s á l o s i n t é r p r e t e s ? P r e g u n t o y o : si d e s e o e s c r i b i r ó
leer algo, cantar ó pulsar un i n s t r u m e n t o , dedicarme á
a l g ú n e s t u d i o d e g e o m e t r í a , d e física ó d e d i a l é c t i c a , ¿ h a b r é
de esperar algunos años, ó me dedicaré al a r t e , sin el
cual no podría satisfacer ningún deseo de éstos? S e g u r o es
q u e si n a v e g a s e n o g u i a r í a la n a v e s e g ú n los s u e ñ o s , por-
q u e m u y p r o n t o r e c i b i r í a el c a s t i g o . ¿Quién s o s t e n d r á q u e
el e n f e r m o d e b e p e d i r la c u r a c i ó n al i n t é r p r e t e d e s u e ñ o s
a n t e s q u e al m é d i c o ? Si E s c u l a p i o y S é r a p i s p u e d e n p r e s -
DE LA ADIVINACIÓN. 313

cribirnos en s u e ñ o r e m e d i o s propios para n u e s t r a s dolen-


c i a s , ¿no p u e d e N c p t u n o h a c e r u n b u e n p i l o t o d e la m i s m a
m a n e r a ? Y si M i n e r v a p u e d e c u r a r n o s sin m é d i c o , ¿no p o -
d r á n las Musas e n s e ñ a r n o s en sueños á escribir, leer y
t o d a s las d e m á s a r t e s ? Si e n s u e ñ o s s e pudiese curar la
enfermedad, posible sería también t o d o lo q u e a c a b o d e
d e c i r . Es así q u e n o e s p o s i b l e ; l u e g o t a m p o c o la medi-
cina. Quitada ésta, d e s a p a r e c e t o d a la a u t o r i d a d de los
sueños.
LX. Vistas estas consideraciones preliminares, pase-
m o s al fondo d e la c u e s t i ó n . 0 c i e r t a v i r t u d d i v i n a , v e l a n d o
por n o s o t r o s , nos advierte en s u e ñ o s , ó los q u e los expli-
can, partiendo d e una relación, de un e n c a d e n a m i e n t o que
l l a m a n oupmá8E¡av ( s i m p a t í a ) , a d i v i n a n lo q u e c a d a sueño
significa y l o s a c o n t e c i m i e n t o s que anuncia: ó bien, si-
guiendo otro orden, observaciones constantes y diarias han
demostrado q u e tal v i s i ó n precede ordinariamente á tal
a c o n t e c i m i e n t o . En p r i m e r l u g a r , f á c i l m e n t e s e c o m p r e n d e
•que n o p r o d u c e n u e s t r o s s u e ñ o s n i n g u n a v i r t u d divina,
y q u e n o p r o c e d e n d e l o s D i o s e s las v i s i o n e s q u e l o s a c o m -
p a ñ a n . Si l o s D i o s e s n o s e n v i a s e n l o s s u e ñ o s , s e r í a p a r a
i n s t r u i r n o s d e lo f u t u r o . Mas ¡qué p o c o s s o n l o s q u e c r e e n
en los s u e ñ o s , los q u e los c o m p r e n d e n y r e c u e r d a n ! Y por
el c o n t r a r i o , ¡ c u á n t o s l o s d e s p r e c i a n y d e j a n e s t a s u p e r s -
tición para las viejas y m e n t e s e n f e r m a s ! ¿Por q u é un Dios
a m a n t e de los hombres les advertiría por medio de s u e ñ o s
d e l o s q u e n o s e c u i d a n ni s i q u i e r a r e c u e r d a n ? D i o s n o p u e -
d e i g n o r a r las disposiciones de ánimo de cada u n o , y sería
i n d i g n o d e Él o b r a r i n ú t i l m e n t e y sin o b j e t o , p u e s t o q u e t a l
c o s a r e p u g n a r í a á l o s h o m b r e s p r u d e n t e s . P e r o si la m a -
y o r parte d e los s u e ñ o s quedan i g n o r a d o s ó d e s p r e c i a d o s ,
ó Dios n o lo s a b e ó n o s d a a v i s o s i n ú t i l e s . P e r o ni lo u n o n i
lo otro es propio de Dios; l u e g o n e c e s a r i a m e n t e h e m o s d e
c o n f e s a r q u e Dios n o significa n a d a á l o s h o m b r e s p o r m e -
dio de los s u e ñ o s .
314 MARCO TULIO C I C E R Ó N .

LXI. P r e g u n t a r é , a d e m á s : si Dios n o s m a n d a estas v i -


siones para instruirnos d e lo f u t u r o , ¿por q u é n o l a s m a n -
da m á s bien á l o s despiertos que á los dormidos? Sea que
impulso exterior y accidental obre sobre nuestra alma d u -
r a n t e el s u e ñ o , s e a q u e n u e s t r o s e s p í r i t u s s e r e n u e v a n p o r
sí m i s m o s , s e a q u e p o r c u a l q u i e r a o t r a c a u s a c r e a m o s v e r ,
oir ó h a c e r a l g o d o r m i d o s , la m i s m a causa podría obrar
d u r a n t e la v i g i l i a ; y si e s t o fuera f a v o r d e los Dioses d i s -
p e n s a d o á los h o m b r e s , preferirían otorgárnoslo á los d e s -
piertos, p u e s t o ' q u e Crisippo, refutando á los A c a d é m i c o s ,
s o s t i e n e q u e l a s v i s i o n e s son m u c h o m á s c l a r a s d u r a n t e la
v i g i l i a q u e e n el s u e ñ o . Más d i g n o h a b r í a s i d o d e l o s D i o -
s e s p r o t e c t o r e s m a n d a r n o s v i s i o n e s c l a r a s en l a s v i g i l i a s ,
q u e o s c u r a s e n el s u e ñ o . No s u c e d i e n d o a s í , n o deben
considerarse los sueños como divinos. Por otra parte,
¿á q u é e s o s a m b a j e s y r o d e o s q u e o b l i g a n á r e c u r r i r á i n -
térpretes? Si u n D i o s q u i s i e r a a c o n s e j a r n o s , ¿ p o r q u é no-
nos había de decir directamente y encontrándonos des-
p i e r t o s : «Haz e s t o , n o h a g a s a q u é l l o ? » ¿Y q u i é n s e a t r e v e -
ría á d e c i r q u e t o d o s los s u e ñ o s s o n verdaderos? «Hay a l -
g u n o s s u e ñ o s v e r d a d e r o s , dice Ennio, pero no es n e c e s a -
rio q u e todos los sean.»
LXII. ¿Cómo s e d i s t i n g u e n ? ¿Cuáles s o n l o s v e r d a d e r o s
y c u á l e s l o s falsos? Si Dios n o s e n v í a l o s v e r d a d e r o s , ¿ d e
d ó n d e p r o c e d e n los falsos? P o r q u e si é s t o s s o n d i v i n o s t a m -
b i é n , ¿qué h a y m á s inconstante q u e Dios? ¿á q u é e s a l i g e -
r e z a d e p e r t u r b a r el á n i m o d e l o s m o r t a l e s c o n v i s i o n e s fal-
s a s y m e n t i r o s a s ? P e r o si l o s v e r d a d e r o s s o n d i v i n o s y l o s
falsos p u r a m e n t e h u m a n o s , ¿no s e e s t a b l e c e u n a d i v i s i ó n
a r b i t r a r i a e n t r e la d i v i n i d a d y la n a t u r a l e z a ? ¿ P o r q u é no-
h a n d e p r o c e d e r t o d o s l o s s u e ñ o s d e D i o s , lo c u a l n e g á i s ,
ó t o d o s d e la n a t u r a l e z a , c o m o t e n é i s q u e c o n f e s a r al r e -
c h a z a r lo p r i m e r o ? E n t i e n d o a q u í p o r n a t u r a l e z a lo q u e h a c e
q u e el á n i m o n o p u e d a e n c o n t r a r s e n u n c a sin a g i t a c i ó n ni
m o v i m i e n t o . El a l m a , d u r a n t e la l a n g u i d e z d e l c u e r p o , p r i -
DE LA ADIVINACIÓN. 315>

v a a a d e l u s o d e los m i e m b r o s y d e l o s s e n t i d o s , c a e en
sueños vagos é inciertos que, como dice Aristóteles, no
s o n otra cosa q u e las huellas de los p e n s a m i e n t o s y a c c i o -
n e s d e la vigilia, r a s t r o s confusos d e los q u e n a c e n ex-
t r a ñ a s v i s i o n e s . Si a l g u n a s d e é s t a s s o n f a l s a s , q u i s i e r a s a -
b e r p o r q u é c a r á c t e r s e d i s t i n g u e n . Si no e s p o s i b l e distin-
g u i r l a s , ¿á q u é e s c u c h a r á l o s i n t é r p r e t e s ? Si e x i s t e a l g ú n
c a r á c t e r distintivo., d e s e o c o n o c e r l o ; p e r o no c o n t e s t a r á n .
LXUI. L a c u e s t i ó n q u e d a r e d u c i d a á s a b e r si l o s D i o s e s
i n m o r t a l e s , s o b e r a n o s s e ñ o r e s d e t o d a s las ' c o s a s , corren
e n p o s d e t o d o s los m o r t a l e s , d o n d e q u i e r a q u e estén, no
s o l a m e n t e á los l e c h o s , sino q u e también á las c a m a s t r o s ,
para encontrar alguno roncando y presentarle visiones o s -
c u r a s y t o r t u o s a s q u e á la m a ñ a n a s i g u i e n t e r e f e r i r á a s u s -
t a d o al a d i v i n o ; ó q u e l o s s u e ñ o s s e a n ú n i c a m e n t e r e s u l -
t a d o n a t u r a l d e la a g i t a c i ó n d e l á n i m o , q u e i m a g i n a ver
d o r m i d o lo q u e le i m p r e s i o n ó d u r a n t e la vigilia. ¿Qué e s t á
m á s c o n f o r m e c o n la filosofía, d e s c a n s a r en las s u p e r s t i -
ciosas i n t e r p r e t a c i o n e s d e las v i e j a s , ó e n u n a e x p l i c a c i ó n
c o n f o r m e c o n l a s l e y e s d e la n a t u r a l e z a ? En ú l t i m o c a s o ,
si fuese p o s i b l e i n t e r p r e t a r l o s s u e ñ o s , l o s q u e h o y s e de-
dican á hacerlo, serían incapaces de ello, porque son
hombres muy despreciables é ignorantes. Tus Estoicos
dicen que s o l a m e n t e el s a b i o puede ser adivino; por lo
q u e C r i s i p p o definía la a d i v i n a c i ó n : v i r t u d q u e c o n o c e , v e y
explica las s e ñ a l e s q u e los Dioses e n v í a n á los hombres.
Virtud cuya operación consiste en presentir las disposi-
ciones d e los Dioses p a r a c o n los h o m b r e s , lo q u e les p r o -
n o s t i c a n , y lo q u e d e b e n h a c e r para aplacarles y tenerles
propicios. T a m b i é n d e f i n e el a r t e d e i n t e r p r e t a r los s u e -
ñ o s : v i r t u d q u e v e y e x p l i c a l o q u e los D i o s e s r e v e l a n á l o s
h o m b r e s e n l o s s u e ñ o s . ¿Qué d e d u c i r e m o s ? ¿ b a s t a r á p a r a
e s t e trabajo p r u d e n c i a vulgar, ó será indispensable talento
superior y vasta erudición? Jamás hemos conocido á nadie
q u e r e ú n a tales condiciones.
•316 MARCO TULIO CICERÓN.

LXIV. Considera también que, concediéndote que e x i s -


te adivinación, cosa que no haré j a m á s , no podremos en-
c o n t r a r n i n g ú n a d i v i n o . ¿Qué propósito pueden tener los
D i o s e s al e n v i a r n o s e n sueños s e ñ a l e s q u e no p o d e m o s
c o m p r e n d e r y para las q u e no h e m o s de e n c o n t r a r i n t é r p r e -
tes? S e m e j a n t e s s o n l o s D i o s e s , si n o s presentan visiones
•cuya i n t e l i g e n c i a y e x p l i c a c i ó n n o a l c a n z a m o s , á C a r t a g i -
n e s e s ó E s p a ñ o l e s q u e h a b l a s e n e n el S e n a d o sin i n t é r p r e -
t e . ¿Para q u é s i r v e n , p u e s , las oscuridades y enigmas de
los sueños? Los D i o s e s h a b í a n d e q u e r e r q u e e n t e n d i é s e -
m o s aquello de q u e nos advierten por nuestro propio i n -
t e r é s . ¡Cómo! e x c l a m a r á s , ¿no e x i s t e p o e t a ni físico o s c u -
ro? Demasiado lo e s E u f o r i ó n ; p e r o no s u c e d e lo mismo
c o n H o m e r o . ¿Cuál d e e l l o s te p a r e c e m e j o r ? H e r á c l i t o lo e s
m u c h o t a m b i é n , y e n n a d a lo e s D e m ó c r i t o . ¿ P u e d e c o m -
parárselos? Me a d v i e r t e s p o r i n t e r é s mío, pero si n o t e
c o m p r e n d o ¿para q u é m e a d v i e r t e s ? E s t o e s lo m i s m o q u e s i
u n m é d i c o m a n d a s e al e n f e r m o q u e t o m a r a
«Un hijo d e la t i e r r a , h e r b í v o r o , sin h u e s o s ni s a n g r e y
llevando á cuestas su casa,»
En v e z d e decir u n c a r a c o l , c o m o s e d i c e s i e m p r e . El
Amfión d e P a c u v i o , h a b i e n d o h a b l a d o d e
«Un c u a d r ú p e d o l e n t o , a g r e s t e , tímido, cubierto de a s -
perezas, con la c a b e z a c o r t a y a g u d a c o m o la d e la s e r -
piente, de repugnante a s p e c t o , sin v i s c e r a s , sin aliento,
p e r o con sonido,»
E n c o n t r á n d o l o o s c u r o los A t e n i e n s e s , e x c l a m a r e n : «No
t e c o m p r e n d e m o s ; habla con claridad.» A lo que c o n t e s t ó
c o n u n a p a l a b r a : «La t o r t u g a . » ¿No p o d í a s d e c i r l o d e s d e e l
principio, citarista?
LXV. R e f i e r e u n o al i n t é r p r e t e q u e s o ñ ó q u e u n h u e v o
«staba colgado de las cortinas de su lecho (esto se e n c u e n -
t r a e n el l i b r o d e Crisippo sobre los s u e ñ o s ) , y el i n t é r -
p r e t e le c o n t e s t a , q u e e x i s t e u n t e s o r o e n t e r r a d o d e b a j o d e
aquel lecho. Excava, encuentra un poco d e oro y de plata
DE LA AB1V1NACI0N. 317

y m a n d a lo m e n o s q u e p u e d e d e la p l a t a al a d i v i n o . ¿Y n a d a
d e la y e m a ? d i e e é s t e , p o r q u e ; s e g ú n é l , la y e m a d e l h u e v o
r e p r e s e n t a b a el o r o , y la c l a r a la p l a t a . ¿ P e r o n a d i e h a s t a
e n t o n c e s h a b í a s o ñ a d o c o n el h u e v o ? ¿Por q u é é s t e s o l a -
m e n t e e n c u e n t r a el t e s o r o ? ¿ C u á n t o s d e s g r a c i a d o s , d i g n o s
d e favor d e l o s D i o s e s , n a d a s o ñ a r o n j a m á s q u e l e s p r o p o r -
c i o n a s e el h a l l a z g o d e un t e s o r o ? ¿Por q u é , e n fin, s e le
advierte á e s t e h o m b r e p o r la lejana s e m e j a n z a d e un
huevo con un tesoro, en vez de mandarlo terminantemente
que desentierre el t e s o r o , c o m o s e p r o h i b i ó c o n claridad
á Simónides que se e m b a r c a s e ? Luego los s u e ñ o s oscuros
no e s t á n c o n f o r m e s en m a n e r a a l g u n a c o n la m a j e s t a d d e
los Dioses.
LXV1. P a s e m o s a h o r a á los s u e ñ o s claros y e v i d e n t e s ,
c o m o el q u e s e r e f i e r e al a s e s i n a d o p o r el p o s a d e r o d e M e -
g a r i s ; el d e S i m ó n i d e s , á q u i e n prohibe embarcarse el
m i s m o á q u i e n h a b í a e n t e r r a d o ; el d e A l e j a n d r o , q u e , c o n
a d m i r a c i ó n m í a , n o h a s c i t a d o . Su a m i g o l ' t o l o m e o , h e r i d o
e n u n c o m b a t e p o r u n a ( l u d i a e n v e n e n a d a , sufría t e r r i b l e s
d o l o r e s : Alejandro, s e n t a d o j u n t o á su l e c h o , se q u e d ó d o r -
m i d o . D í c e s c q u e e n t o n c e s vio al d r a g ó n q u e a m a m a n t a b a
s u m a d r e O l i m p i a , y le i n d i c ó u n p a r a j e p r ó x i m o d o n d e s e
encontraba una r a í z q u e l l e v a b a en la b o c a y c u y a v i r t u d
e r a tal q u e s a n a r í a f á c i l m e n t e P t o l o m e o . C u a n d o despertó
A l e j a n d r o , refirió á su a m i g o el s u e ñ o , y m a n d ó bus-
car aquella raíz. Encontráronla, y se dice que no sola-
m e n t e sirvió para curar á Ptolomeo, sino que también á
m u c h o s soldados heridos por Hechas de aquella c l a s e . Has
citado m u c h o s s u e ñ o s t o m a d o s de los h i s t o r i a d o r e s , como
l o s d e la m a d r e d e F a l a r i s , d e l p r i m e r C i r o , d e la m a d r e d e
Dionisio, de Amílcar, de Anníbal, de P . Decio, aquel o t r o
tan c o n o c i d o d e l p r i m e r m í m i c o d e l o s j u e g o s , el d e G r a c o
y el m á s r e c i e n t e d e C e c i l i a , hija d e B a l e á r i c o . P e r o t o d o s
e s t o s s u e ñ o s l o s h a n t e n i d o o t r o s , y p o r lo t a n t o n o p o d e -
m o s c o n o c e r l o s . Acaso serán m u c h o s de ellos i n v e n t a d o s :
318 MARCO TULIO CICERÓN.

¿ q u i é n s e r á s u a u t o r ? Y en c u a n t o á los n u e s t r o s , ¿ q u é h a -
b r e m o s de decir? ¿Qué .he d e d e c i r d e a q u e l en queme
v i s t e c a e r al r í o y r e a p a r e c e r c o n el c a b a l l o en la o t r a o r i -
lla? ¿Y d e a q u e l e n q u e s e m e a p a r e c i ó Mario c o n l o s h a c e s
l a u r e a d o s y m a n d ó m e llevasen á su m o n u m e n t o ?
LXVII. T o d o s l o s s u e ñ o s , oh Q u i n t o , t i e n e n la m i s m a
r a z ó n ; y ¡ p o r l o s Dioses i n m o r t a l e s ! c u i d e m o s d e q u e la
superstición no se s o b r e p o n g a á la r a z ó n . ¿Qué Mario
c r e e s q u e v i y o ? s u s e m e j a n z a , su i m a g e n , s e g ú n la o p i n i ó n
d e D e m ó c r i t o . ¿De d ó n d e p r o c e d í a a q u e l l a i m a g e n ? p o r q u e
sostiene que las imágenes p r o c e d e n de cuerpos sólidos
que tienen forma determinada. ¿Qué c u e r p o t e n í a Mario
e n t o n c e s ? El m i s m o q u e t u v o , s e d i r á , p o r q u e t o d o está
l l e n o d e i m á g e n e s . L u e g o e s t a i m a g e n d e Mario m e s i g u i ó
al c a m p a m e n t o d e A t i n a , p o r q u e n o s e p u e d e t e n e r idea
s i n o p o r la i m p r e s i ó n de las i m á g e n e s . ¡Cómo! ¿ d e tal
m a n e r a n o s o b e d e c e n e s t a s i m á g e n e s , q u e hasta las d e lo
q u e n o e x i s t e s e n o s p r e s e n t a n e n c u a n t o q u e r e m o s ? ¿Qué
f o r m a tan i n u s i t a d a h a y , tan q u i m é r i c a , q u e n o p u e d a fin-
g i r l a el á n i m o ? n o s r e p r e s e n t a m o s lo q u e n o h e m o s visto
j a m á s , l a s i t u a c i ó n d e u n a c i u d a d , la figura d e u n h o m b r e .
C u a n d o i m a g i n o las m u r a l l a s d e B a b i l o n i a ó la figura d e
H o m e r o , ¿me i m p r e s i o n a alguna imagen que s e les p a -
r e z c a ? En e s t e c a s o n a d a hay que no podamos conocer
cuando queramos, porque nada hay que no podamos ima-
ginarlo. Pero ninguna imagen exterior se nos presenta
d u r a n t e el s u e ñ o , ni e x i s t e n a d a d e lo q u e a s e g u r a D e m ó -
c r i t o , ni j a m á s c o n o c í q u i e n d i j e r a v a c i e d a d e s con más
a u t o r i d a d . El a l m a t i e n e p o d e r o s o v i g o r n a t u r a l q u e e j e r -
cita d u r a n t e la vigilia sin el a u x i l i o d e n i n g ú n i m p u l s o
e x t e r i o r , por su propio movimiento y con increíble c e l e r i -
d a d . S e r v i d a p o r l o s m i e m b r o s , el c u e r p o y l o s s e n t i d o s ,
ve, piensa y siente con mayor 'certeza. Privada de estos
instrumentos, abandonada p o r el c u e r p o aletargado, se
a g i t a p o r sí m i s m a , imagina formas y acciones y c r e e h a -
DE LA A D I V I N A C I Ó N . 319

b l a r y o i r m u c h a s c o s a s . En e s t o s m o m e n t o s d e d e b i l i d a d
y a b a n d o n o s e la o f r e c e n ideas confusas y variadas, na-
ciendo principalmente de algunas reliquias de cosas en
q u e h e m o s p e n s a d o ó q u e h e m o s h e c h o d u r a n t e la v i g i l i a .
En a q u e l t i e m p o p e n s a b a yo m u c h o e n M a r i o , y p l a c í a m e
r e c o r d a r c o n c u á n t o v a l o r y f i r m e z a s o p o r t ó la a d v e r s i d a d .
•Creo q u e e s t a fué la c a u s a d e q u e s o ñ a s e c o n é l .
LXV1II. En c u a n t o á t í , c o m o p e n s a b a s e n m í c o n i n -
q u i e t u d , m e v i s t e s a l i r r e p e n t i n a m e n t e d e u n r í o . En n u e s -
tros ánimos quedaban r e s t o s de las z o z o b r a s de las vigi-
lias, y á estos p e n s a m i e n t o s s e u n i ó e n mí l a i d e a del
m o n u m e n t o d e M a r i o , y e n tí la d e l c a b a l l o q u e , cayendo
c o n m i g o e n el r í o , r e a p a r e c e c o n m i g o en la o t r a orilla.
¿Y c r e e s q u e h a b r í a vieja b a s t a n t e i n s e n s a t a p a r a prestar
fe á l o s s u e ñ o s , si la c a s u a l i d a d no realizase algunos?
Alejandro c r e y ó ver y oir hablar á un d r a g ó n . Esto p u e d e
s e r v e r d a d e r o ó falso, p e r o e n t o d o c a s o n o e s m a r a v i F o s o ;
n o o y ó , c r e y ó oir al d r a g ó n , y lo q u e e s m á s a ú n , e l d r a -
g ó n h a b l a b a c o n u n a r a í z en la b o c a . Pero nada es impo-
s i b l e e n un s u e ñ o . Sin e m b a r g o , p r e g u n t o : ¿ p o r q u é A l e -
j a n d r o , que tuvo e n t o n c e s aquel s u e ñ o tan n o t a b l e , t a n
claro, no t u v o j a m á s u n o s e m e j a n t e , ni o t r o s tampoco?
P o r mi p a r t e , f u e r a del de Mario, no puedo citar o t r o ,
habiendo dormido en vano durante una vida que ya es
l a r g a . D e s d e que i n t e r r u m p í los trabajos del foro, hasta
h e a b r e v i a d o mis vigilias, y d u e r m o siesta, c o n t r a lo q u e
a c o s t u m b r a b a a n t e s . Mas d u e r m o e n v a n o , p o r q u e ningún
s u e ñ o ha venido á r e v e l a r m e los g r a n d e s a c o n t e c i m i e n t o s
que se han realizado, y nunca me parece que sueño como
c u a n d o veo todavía en el foro l o s m a g i s t r a d o s ó e n la
c u r i a el S e n a d o .
LX1X. ¿Cuál e s (y p a s o á la s e g u n d a p a r t e d e la d i v i -
sión) esa relación (que c o m o dije llaman los Griegos
<[Link]Í9eiav) p o r la c u a l u n h u e v o significa u n t e s o r o ? L o s
m é d i c o s c o n o c e n p o r c i e r t a s s e ñ a l e s el o r i g e n ó a g r a v a -
320 MARCO TULIO CICERÓN.

c i ó n d e l a s e n f e r m e d a d e s , y Hasta p r e t e n d e n obtener por


d e t e r m i n a d o s s u e ñ o s i n d i c a c i o n e s a c e r c a d e l e s t a d o d e la
salud, por ejemplo de plenitud ó extenuación. Mas un
tesoro, una h e r e n c i a , una dignidad, una victoria y otras
cosas s e m e j a n t e s , ¿qué relación natural p u e d e n t e n e r c o n
los sueños? Dícese q u e un h o m b r e en un s u e ñ o venéreo
arrojó c á l c u l o s . V e o q u e la r e l a c i ó n y el e f e c t o de ese
sueño d e b e a t r i b u i r s e á la f u e r z a d e la n a t u r a l e z a y n o á
la i l u s i ó n q u e lo a c o m p a ñ a b a . Pero ¿cómo explicar n a t u -
r a l m e n t e el f a n t a s m a que prohibió á Simónidcs embar-
c a r s e ? ¿ q u é r e l a c i ó n n a t u r a l p u e d e a t r i b u i r s e al s u e ñ o d e
Alcibiades, que poco a n t e s de m o r i r s o ñ ó , s e g ú n se d i c e ,
q u e e s t a b a v e s t i d o c o n las r o p a s d e s u a m a n t e ? V e r d a d e s
que c u a n d o le a s e s i n a r o n , le arrojaron insepulto y le
abandonaron t o d o s , s u a m a n t e c u b r i ó el c a d á v e r con su
manto. Pero este suceso, ¿dependía de causas naturales, ó
la c a s u a l i d a d q u e s u s c i t ó el s u e ñ o n o h i z o t a m b i é n lo
demás?
LXX. ¡ C ó m o ! ¿las m i s m a s c o n j e t u r a s d e l o s i n t é r p r e t e s
n o r e v e l a n m e j o r la s u t i l e z a d e s u i n g e n i o q u e la f u e r z a y
c o n c u r s o d e la n a t u r a l e z a ? Un c o r r e d o r q u e p e n s a b a dis-
p u t a r el p r e m i o e n l o s j u e g o s o l í m p i c o s , s o ñ ó q u e le lle-
vaban en un carro con cuatro c a b a ü o s . A la mañana
s i g u i e n t e fué al i n t é r p r e t e . « V e n c e r á s , le dijo é s t e ; eso
a n u n c i a n el v i g o r y l i g e r e z a d e l o s e a b a í l o s . » E n s e g u i d a fué
á A n t i f ó n . « N e c e s a r i a m e n t e s e r á s v e n c i d o , le c o n t e s t ó ; ¿ n o
v e s q u e h a n c o r r i d o c u a t r o a n t e s q u e tú?» He a q u í o t r o
c o r r e d o r ( p o r q u e d e e s t o s s u e ñ o s e s t á n llenos los i i b r o s
d e Crisippo y d e Antipater); h e aquí otro c o r r e d o r q u e r e -
fiere á un intérprete que había soñado que se había con-
v e r t i d o e n á g u i l a . « V e n c e r á s , le d i c e , p o r q u e n i n g ú n ave
v u e l a c o n t a n t a r a p i d e z c o m o ei á g u i l a . — ¡ C ó m o ! ¿ n o v e s
q u e s e r á s vencido? dice Antifón, porque el á g u i l a , q u e
persigue a l a s demás aves, vuela siempre detrás de ellas.»
Una mujer que deseaba ardientemente tener u n hijo, y
D E LA A D I V I N A C I Ó N . 321

q u e n o s a b í a si e s t a b a ó n o e n c i n t a , s o ñ ó q u e le h a b í a n
c e r r a d o los ó r g a n o s s e x u a l e s . Consulta: un intérprete le
d i c e q u e no h a concebido, puesto que está c e r r a d a ; el
o t r o , que se e n c u e n t r a en cinta, p o r q u e no se suele c e r r a r
lo q u e e s t á v a c í o . ¿Qué a r t e d e i n t e r p r e t a r e s e s t e por
m e d i o d e a g u d e z a s ? ¿Qué o t r a cosa h e m o s de encontrar
en e s t o s e j e m p l o s y e n o t r o s m u c h o s reunidos por los
Estoicos, sino sutilezas y conjeturas contrarias, fundadas
en alguna semejanza vaga? L o s m é d i c o s consideran el
p u l s o , la r e s p i r a c i ó n d e l e n f e r m o , y en e s t a s y o t r a s o b -
s e r v a c i o n e s n a t u r a l e s fundan s u s p r e v i s i o n e s . C u a n d o l o s
pilotos v e n los c a l a m a r e s saltando del agua, y refugiarse
l o s delfines e n l o s p u e r t o s , p r e v é n la t e m p e s t a d . La r a z ó n
de estos pronósticos puede explicarse y colocarse entre
l a s l e y e s d e la n a t u r a l e z a ; p e r o e n lo q u e a n t e s c i t é n o
p u e d e h a c e r s e lo m i s m o .
LXXI. Pero observación c o n t i n u a (y e s t a e s la ú l t i m a
p a r t e ) , c u i d a d o s a m e n t e a n o t a d a , ha c r e a d o el a r t e . ¡Cómo!
¿se h a n o b s e r v a d o l o s s u e ñ o » ? ¿por q u é m e d i o ? L o s s u e ñ o s
v a r í a n h a s t a lo infinito, y n a d a p u e d e i m a g i n a r s e t a n ex-
travagante, e x t r a ñ o y m o n s t r u o s o que no pueda soñarse.
¿ C ó m o , p u e s , r e t e n e r e n la m e m o r i a ó c o n s e r v a r p o r a n o -
taciones cosas tan innumerables y tan variadas q u e siem-
p r e s o n n u e v a s ? L o s a s t r ó n o m o s h a n c a l c u l a d o la m a r c h a
d e l a s e s t r e l l a s , y c o n t r a la o p i n i ó n d e l v u l g o , h a n r e c o -
nocido o r d e n i n v a r i a b l e en los m o v i m i e n t o s d e los a s t r o s .
Y y o p r e g u n t o : ¿á q u é o r d e n , á q u é r e g l a s e s t á n s o m e t i d o s
l o s s u e ñ o s ? ¿Cómo d i s t i n g u i r l o s v e r d a d e r o s d e l o s f a l s o s ,
cuando á sueños i g u a l e s , o c u r r i d o s á la m i s m a p e r s o n a ó
á m u c h a s , s i g u e n a c o n t e c i m i e n t o s d i f e r e n t e s ? No m e a d -
m i r a q u e n o s e c r e a al m e n t i r o s o si a l g u n a v e z d i c e v e r -
d a d , p e r o sí e s d e a d m i r a r q u e e s t o s filósofos, apoyándose
e n una excepción en v e z de hacerlo en n u m e r o s o s he-
c h o s , d e n fe á t o d o s l o s s u e ñ o s i n d i s t i n t a m e n t e porque
uno resultó verdadero.
TOMO v. 21
322 MARCO T U L I O CICERÓN.

Si p u e s l o s s u e ñ o s n o p r o c e d e n d e D i o s , s i n o t i e n e n c o -
n e x i ó n n i n g u n a c o n la n a t u r a l e z a , si e l a r t e d e i n t e r p r e t a r -
l o s n o p u d o n a c e r d e la o b s e r v a c i ó n , d e m o s t r a d o e s t á q u e
n o m e r e c e n n i n g u n a fe, p r i n c i p a l m e n t e p o r q u e l o s q u e l o s
t i e n e n n o l o s c o m p r e n d e n , l o s q u e l o s i n t e r p r e t a n s e fun-
d a n e n c o n j e t u r a s y n o e n l a n a t u r a l e z a , p o r q u e la c a s u a -
lidad q u e los ocasiona ha producido en tantos siglos otros
muchos efectos más m a r a v i l l o s o s a ú n ; y , e n fin, porque
n a d a h a y m á s i n c i e r t o q u e u n a r t e c o n j e t u r a l q u e lleva á i n -
terpretaciones diferentes y muchas veces contradictorias.
LXXII. R e c h a c e m o s , p u e s , la a d i v i n a c i ó n p o r l o s s u e ñ o s
d e la m i s m a m a n e r a q u e t o d a s l a s o t r a s . A d e c i r v e r d a d ,
la s u p e r s t i c i ó n , d i f u n d i d a u m v e r s a l m e n t e , ha s u b y u g a d o
t o d o s l o s á n i m o s y d o m i n a d o p o r t o d a s p a r t e s la d e b i l i d a d
h u m a n a . Ya lo dije e n l o s l i b r o s s o b r e l a N a t u r a l e z a d e l o s
Dioses, y acabo de demostrarlo con mayor claridad toda-
v í a , q u e r e a l i z a r í a m o s o b r a m u y útil p a r a n o s o t r o s m i s m o s
y p a r a l o s d e m á s si a r r a n c á s e m o s d e r a í z e s t a s c r e e n c i a s .
P o r q u e (y d e s e o q u e e s t o s e e n t i e n d a b i e n ) d e s t r u i r la s u -
p e r s t i c i ó n n o e s d e s t r u i r la religión. P r o p i o del sabio es
respetar las instituciones religiosas y ceremonias d e nues-
t r o s m a y o r e s : la b e l l e z a d e l u n i v e r s o , e l o r d e n d e l a s c o s a s
c e l e s t e s n o s o b l i g a n á c o n f e s a r la e x i s t e n c i a d e u n a n a t u -
raleza superior, excelente y eterna, m e r e c e d o r a d e la a d -
m i r a c i ó n y r e s p e t o d e l g é n e r o h u m a n o . Así, p u e s , d e b e -
mos trabajar c o n i g u a l a r d o r e n p r o p a g a r la r e l i g i ó n que
va unida c o n el c o n o c i m i e n t o d e la n a t u r a l e z a , c o m o en
a r r a n c a r h a s t a las ú l t i m a s r a í c e s d e la s u p e r s t i c i ó n . La s u -
perstición nos amenaza, nos estrecha y nos persigue por
todos lados: las palabras de un adivino, un presagio, una
víctima inmolada, un ave que vuela, el e n c u e n t r o d e u n
Caldeo, u n a r ú s p i c e , un r e l á m p a g o , un t r u e n o , u n o b j e t o
h e r i d o p o r el r a y o , u n fenómeno que tenga algo d e p r o -
digioso, cosas todas que deben ocurrir con frecuencia,
n o s inquietan y p e r t u r b a n n u e s t r o reposo. Hasta el s u e ñ o ,
DE LA ADIVINACIÓN. 323

e n el q u e d e b e r í a m o s e n c o n t r a r o l v i d o d e l a s f a t i g a s y c u i -
d a d o s d e la vida, se c o n v i e r t e p a r a n o s o t r o s en m a n a n t i a l
d e n u e v o s t e r r o r e s . Mas v a n o s y d e s p r e c i a b l e s a p a r e c e r í a n
s i n d u d a e s t o s t e m o r e s , si el p a t r o c i n i o d é l o s s u e ñ o s n o l o
hubiesen proclamado altamente filósofos dignos de consi-
deración, dialécticos hábiles, argumentadores agudos y á
los q u e s e c o n s i d e r a casi c o m o s a b i o s perfectos, y tal vez
se les tendría por m e r e c e d o r e s de esta calificación si
Carneades no hubiese resistido sus e x a g e r a c i o n e s . Con
éstos principalmente tenemos que discutir, pelear, porque
lejos de c o n t e m p l a r l e s como e n e m i g o s d e s p r e c i a b l e s , les
v e m o s defender sus opiniones con más sutileza y arte que
l o s d e m á s . Sin e m b a r g o , s i e n d o p r o p i o d e la A c a d e m i a n o
r e s o l v e r d e p l a n o la c u e s t i ó n , s i n o a p r o b a r lo q u e l e p a -
rece verdadero, c o m p a r a r l o s s i s t e m a s , e x p o n e r lo que
puede decirse en apoyo de cada opinión, y sin i m p o n e r
su autoridad dejar libertad completa á los o y e n t e s para
juzgar, permaneceremos fieles á la c o s t u m b r e que nos
t r a s m i t i ó S ó c r a t e s , c o n e l q u e , si t e p a r e c e b i e n , q u e r i d o
hermano Quinto, nos conformaremos frecuentemente.
Nada puede s e r m e m á s a g r a d a b l e , m e c o n t e s t ó . Dicho
esto, nos levantamos.
D E L H A D O
TRADUCIDO D E L L A T Í N

POE

D. FRANCISCO NAVARRO Y CALVO

Canónigo de la Metropolitana de Granada.


D E L HADO.

(Falta el principio.)
I P o r q u e s e r e f i e r e á las c o s t u m b r e s , q u e l o s G r i e -
g o s llaman-tjOOÍ, s o l e m o s l l a m a r d o c t r i n a d e l a s c o s t u m b r e s
á esta p a r l e d e la filosofía; m a s a t e n d i e n d o al e n r i q u e c i -
m i e n t o d e la l e n g u a latina, p u e d e d e n o m i n á r s e l a m o r a l .
N e c e s a r i o e s e x p l i c a r t a m b i é n la r a z ó n d e las enunciacio-
n e s q u e los Griegos llaman a£iúj¡xa-a, cuyo valor difícil-
mente puede a p r e c i a r s e c u a n d o t r a t a n d e lo f u t u r o , d e lo
q u e p u e d e s e r ó n o s e r , s i e n d o e s t o lo q u e l o s filósofos de-
nominan itspi Suvaicóv, perteneciendo completamente á la
l ó g i c a , á la q u e l l a m o a r t e d e r a c i o c i n a r .
Una circunstancia casual m e impide seguir en esta d i -
s e r t a c i ó n s o b r e el H a d o , el m é t o d o q u e h e s e g u i d o en l o s
l i b r o s a c e r c a de la N a t u r a l e z a de los Dioses y d e la A d i v i -
n a c i ó n , e s t o e s , e x p o n e r las o p i n i o n e s c o n t r a r i a s e n t o d o
s u v i g o r y sin i n t e r r u p c i ó n , p a r a q u e c a d a c u a l p u e d a a p r e -
c i a r la q u e c r e a más p r o b a b l e y d e c l a r a r s e por ella. E n -
c o n t r á b a m e e n P u z z o l a al m i s m o t i e m p o q u e H i r c i o , c ó n s u l
designado, nuestro amigo intimo, entregado entonces á los
estudios en que nos hemos ocupado d e s d e la n i ñ e z . Con
frecuencia nos reuníamos, y departíamos preferentemente
328 MARCO TUtIO CICERÓN.

a c e r c a de los m e d i o s p a r a t r a e r á la p a z y c o n c o r d i a l o s
c i u d a d a n o s . Había m u e r t o César, y p a r e c í a n o s d e s c u b r i r por
todos lados g é r m e n e s de nuevas disensiones, y creíamos
que debían apresurarse á sofocarlos, ocupando por com-
pleto este g r a v e a s u n t o casi todas n u e s t r a s c o n v e r s a c i o n e s .
De e l l o h a b í a m o s h a b l a d o m u c h a s v e c e s y a , c u a n d o un día
en que nos e n c o n t r á b a m o s algo más libres y m e n o s a s e -
diados por los o r d i n a r i o s visitadores, vino á mí, y d e s p u é s
d e d e d i c a r la p r i m e r a p a r t e d e n u e s t r a e n t r e v i s t a á la c o n -
v e r s a c i ó n d i a r i a , á l o s a s u n t o s d e la p a z y s o s i e g o p ú b l i c o
II. ¡Y b i e n ! m e dijo c u a n d o t e r m i n a m o s , s e g ú n e s p e r o
n o h a b r á s a b a n d o n a d o los ejercicios o r a t o r i o s , p e r o c o m o
l o s p o s p o n e s sin d u d a á la filosofía, ¿podré oirte disertar
s o b r e a l g ú n p u n t o ? — D i s p u e s t o e s t o y , le c o n t e s t é , á h a b l a r
ó á e s c u c h a r t e . Con r a z ó n s u p o n e s q u e n o h e a b a n d o n a d o
la o r a t o r i a , q u e h a r e d o b l a d o tu a r d o r c u a n d o ya e r a s tan
fogoso; y a d e m á s , los asuntos que actualmente m e ocupan
n e s o n p a r t e p a r a d e b i l i t a r , s i n o a n t e s al c o n t r a r i o , p a r a
a u m e n t a r la e l o c u e n c i a . í n t i m a r e l a c i ó n e n c u e n t r o e n t r e el
género de filosofía q u e c u l t i v o y la o r a t o r i a : el orador
t o m a d e la A c a d e m i a la s u t i l e z a y fuerza d e l p e n s a m i e n t o ,
d e v o l v i é n d o l a e n c a m b i o la exuberancia y galanura del
lenguaje. Creo p o s e e r s u f i c i e n t e m e n t e los s e c r e t o s de e s -
tas dos artes, y espero que me digas por cuál te decides
hoy. — Nada más grato p o d í a s o f r e c e r m e , dijo e n t o n c e s
H i r c i o , y e n ello r e c o n o z c o t u b o n d a d , d i s p u e s t a s i e m p r e á
satisfacer mis d e s e o s . P e r o c o m o c o n o z c o tu e l o c u e n c i a ,
d e la q u e h e g o z a d o y a u n g o z a r é m u c h a s v e c e s , m i e n t r a s
q u e las disertaciones Tusculanas acaban' de d e m o s t r a r m e
q u e h a s a d o p t a d o la c o s t u m b r e d e los A c a d é m i c o s d e d i s -
cutir y refutar cualquier proposición que se establezca,
d e s e a r í a p r o p o n e r t e u n a s u n t o , si n o h e d e s e r t e m o l e s t o . —
¿Podrá molestarme nunca n a d a q u e s e a d e tu a g r a d o ? le
c o n t e s t é . P e r o t e n e n c u e n t a q u e v a s á o i r á un R o m a n o q u e
aborda con desconfianza e s t o s difíciles ejercicios y que
DEL H A D O . 329

hace mucho tiempo está separado de tales estudios.—Te


e s c u c h a r é d i s e r t a n d o , c o n t e s t ó , c o m o h e leído t u s escritos.
Comienza, pues (Aquíexiste una laguna muy extensa.)
III E x a m i n e m o s e s t o s d a t o s : e n a l g u n o s , c o m o el
p o e t a A n t i p a t e r , la i n f l u e n c i a d e l s o l s t i c i o d e i n v i e r n o e n e l
n a c i m i e n t o , la e n f e r m e d a d c o m ú n d e d o s h e r m a n o s , la o r i -
na, las uñas, y en otras suñales del m i s m o g é n e r o , e n c u é n -
trase cierta relación natural, q u e no niego, pero sin i n d i -
cios d e f u e r z a fatal: en los o t r o s p u e d e n ser fortuitos,
c o m o e n las a v e n t u r a s d e l n á u f r a g o , d e I c a d i o y d e D a n t a .
El m i s m o P o s i d o n i o ( p i d o p e r d ó n al m a e s t r o ) m e p a r e c e q u e
inventa algunos; porque no puedo ocultar q u e los h a y in-
d u d a b l e m e n t e a b s u r d o s . ¡ C ó m o ! si e r a e l d e s t i n o d e Dafita
c a e r d e l c a b a l l o y m o r i r d e la c a í d a , ¿ h a b r á d e e n t e n d e r s e
por caballo lo q u e s o l a m e n t e tenía d e caballo el n o m -
b r e ? El o r á c u l o a d v i r t i ó á Filipo q u e desconfiase de una
c u a d r i g a ; ¿ d e b í a e n t e n d e r s e e s t o d e la c u a d r i g a g r a b a d a
e n la e m p u ñ a d u r a d e la e s p a d a d e s u a s e s i n o ? ¿Fué la e m -
p u ñ a d u r a la q u e l e m a t ó ? ¿Es c o s a m a r a v i l l o s a que aquel
náufrago c u y o n o m b r e n o s e n o s dice cayese en un a r r o -
yo? Y , sin e m b a r g o , el e s c r i t o r d i c e q u e e l o r á c u l o le h a b í a
c o n d e n a d o á m o r i r e n e l a g u a . No v e o n i n g ú n d e c r e t o d e l
H a d o e n la h i s t o r i a d e l b a n d i d o I c a d i o , ni P o s i d o n i o d i c e
q u e s e l e p r e d i j e s e n a d a . ¿Qué t i e n e d e e x t r a ñ o q u e s e
d e s p r e n d i e s e u n a p i e d r a d e la b ó v e d a d e la c a v e r n a y le
c a y e s e s o b r e l a s p i e r n a s ? Creo q u e a u n q u e I c a d i o n o s e h u -
b i e s e e n c o n t r a d o e n la c a v e r n a , n o h a b r í a d e j a d o d e c a e r
la p i e d r a ; p o r q u e , ó n a d a e s a b s o l u t a m e n t e f o r t u i t o , ó p u d o
o c u r r i r el d e s p r e n d i m i e n t o p o r c a s u a l i d a d . P r e g u n t o , pues
(y e s t o a l c a n z a r á m u c h a e x t e n s i ó n ) , s i el H a d o n o t u v i e s e
i n f l u e n c i a a l g u n a , si n o e x i s t i e s e , si ni s i q u i e r a tuviera
n o m b r e ; si t o d o s ó casi t o d o s l o s a c o n t e c i m i e n t o s o c u r r i e -
s e n p o r c a s u a l i d a d , f o r t u i t a m e n t e y sin c a u s a d e t e r m i n a d a ,
¿ocurrirían de otra manera q u e o c u r r e n hoy? ¿para q u é
a c u d i r al H a d o c u a n d o , p r e s c i n d i e n d o d e é l , p u e d e n e x p l i -
330 MARCO TCLIO CICERÓN.

c a r s e t o d a s l a s c o s a s p o r la n a t u r a l e z a ó p o r la c a s u a l i d a d ?
IV. Pero abandonemos de buen grado y como es justo
á P o s i d o n i o , y Tengamos á l o s l a z o s d e C r i s s i p p o . P r i m e -
r a m e n t e refutaré la conexión de l a s c o s a s , y d e s p u é s e x a -
minaré lo d e m á s . V e m o s c u á n t a d i f e r e n c i a e x i s t e e n t r e l o s
climas de regiones diversas: unos son saludables, otros
p e s t i l e n t e s ; a q u í s e e n c u e n t r a n l o s t e m p e r a m e n t o s linfá-
ticos y a b u n d a n t e s e n h u m o r e s ; allá a r i d e z y s e q u e d a d , y
m u c h a s más son todavía las diferencias e n t r e las c o m a r -
c a s . En A t e n a s e s t e n u e e l a i r e , y c r é e s e q u e e s t o d a t a n t o
ingenio á los Atenienses; en Tebas es pesado, y los Teba-
nos s o n f u e r t e s y r o b u s t o s . Sin e m b a r g o , e s t e aire t e n u e
n o l l e v a r á o y e n t e s á Z e n ó n , A r c e s i l a o ó T e o f r a s t r o ; ni a q u e l
o t r o a i r e d e n s o i m p u l s a r á á u n a t l e t a á d i s p u t a r la v i c t o r i a
en N e m e a m á s b i e n q u e e n l o s j u e g o s í s t m i c o s . ¿Qué m á s ?
por m u c h o q u e d i s c u r r a s , ¿ p o d r á s d e m o s t r a r m e q u e la i n -
fluencia d e l c l i m a m e l l e v a á p a s e a r e n el p ó r t i c o d e P o m -
peyo con preferencia al campo? ¿contigo antes q u e con
otro? ¿en l o s i d u s y n o e n l a s k a l e n d a s ? L a n a t u r a l e z a d e
los l u g a r e s tiene influencia en algunas cosas, en otras
ninguna: o t r o t a n t o a c o n t e c e c o n la d e l o s a s t r o s , y t e
c o n c e d e r é , si q u i e r e s , q u e s e o b s e r v a n algunos efectos,
pero que no se extiende á todo. P e r o d i c e e l filósofo: si
los g u s t o s y c a r a c t e r e s d e l o s h o m b r e s presentan tanta
v a r i e d a d , a g r a d a n d o á u n o s lo d u l c e , á o t r o s l o q u e a m a r -
g a un p o c o ; s i e n d o é s t o s v o l u p t u o s o s , i r a c u n d o s , c r u e l e s ,
orgullosos; rechazando aquéllos naturalmente estos vicios,
diferenciándose tanto u n carácter d e otro c a r á c t e r , ¿no e s
natural atribuir estas diferencias á causas desemejantes?
V. E s t e r a z o n a m i e n t o d e m u e s t r a q u e Crisippo n o c o m -
p r e n d e d e qué s e t r a t a , ni en q u é e s t r i b a la cuestión.
P o r q u e d e q u e los h o m b r e s e x p e r i m e n t e n propensiones
determinadas por causas naturales y preexistentes, no
sé deduce que causas semejantes, determinen nuestros
impulsos y v o l i c i o n e s . Si a s í f u e s e , no g o z a r í a m o s de
DEL HADO. 331

libertad. Confesamos desde luego que no depende de


nosotros ser i n g e n i o s o s ni o b t u s o s , d é b i l e s ó fuertes;
p e r o el q u e q u i s i e r a d e d u c i r d e e s t o q u e ni s i q u i e r a e s t á
en nuestro poder sentarnos ó pasear, demostraría que i g -
noraba lo q u e es deducir c o n s e c u e n c i a s . P o r q u e si es
cierto que causas naturales nos hacen ingeniosos ó rudos,
fuertes ó débiles, no se d u d e en manera alguna que c a u s a s
irresistibles nos lleven á pasear ó á sentarnos, y d e t e r m i -
n e n p r e v i a m e n t e t o d a s n u e s t r a s a c c i o n e s . S t i l p ó n , filósofo
megárico, ingenioso y muy reputado e n su é p o c a , fué,
según escribieron sus mismos amigos, muy inclinado al
v i n o y á las m u j e r e s ; y n o h a b l a n así p a r a desacreditarle,
s i n o q u e , a n t e s al c o n t r a r i o , p a r a a l a b a r l e ; p o r q u e a ñ a d e n
q u e d e tal m a n e r a h a b í a d o m a d o y s u b y u g a d o s u v i c i o s a
n a t u r a l e z a p o r m e d i o d e la s a b i d u r í a , q u e j a m á s s e vio e n
él v e s t i g i o a l g u n o d e e m b r i a g u e z ó l i v i a n d a d . ¿Qué m á s ?
¿ n o c o n o c e m o s el j u i c i o q u e f o r m ó d e S ó c r a t e s el f i s o n o -
mista Zopyro, que pretendía conocer las c o s t u m b r e s y
c a r á c t e r d e l o s h o m b r e s p o r la i n s p e c c i ó n d e l c u e r p o , d e
l o s o j o s , d e l r o s t r o ó d e la f r e n t e ? É s t e d e c l a r ó q u e S ó c r a -
tes era estúpido ó imbécil, porque no t e n í a la g a r g a n t a
cóncava, porque todos sus órganos eran robustos y cerra-
d o s : añadió también q u e era aficionado á m u j e r e s , lo q u e ,
según dicen, hizo lanzar carcajadas á Alcibiades. Causas
naturales pueden producir las inclinaciones viciosas; pero
destruirlas y a r r a n c a r l a s de raíz hasta el p u n t o de q u e el
ánimo en que antes dominaban q u e d e por completo y p e r -
petuamente l i b r e d e e l l a s , n o e s o b r a d e la n a t u r a l e z a ,
s i n o d e la v o l u n t a d , d e la e n e r g í a y d e c o n s t a n t e d i s c i -
p l i n a , c o s a s t o d a s q u e q u e d a r í a n d e s t r u i d a s si s e e s t a b l e c e
el i m p e r i o d e l H a d o s o b r e la b a s e d e la a d i v i n a c i ó n .
VI. Si e x i s t e a d i v i n a c i ó n , ¿en q u é o b s e r v a c i o n e s c i e r -
tas descansa? Llamo observaciones c i e r t a s á lo q u e los
Griegos denominan flecüpr^axa. No c r e o q u e s i n p r e c e p t o s
p u e d a n i n g ú n artífice e j e r c e r su a r t e , y m e n o s a ú n l o s q u e
332 MARCO TULIO CICERÓN.

s e d e d i c a n á la a d i v i n a c i ó n p r e d e c i r lo f u t u r o . L o s a s t r ó -
l o g o s t i e n e n c i e r t a s r e g l a s c o m o e s t a : «El q u e n a c e al a p a -
r e c e r la C a n í c u l a n o m o r i r á e n el m a r . » Cuida m u c h o ,
C r i s i p p o , d e n o p e r d e r tu p l e i t o , q u e h a s d e s o s t e n e r c o n t r a
l o s a t a q u e s d e l e s f o r z a d o d i a l é c t i c o D i o d o r o . Si e s c i e r t a
e s t a p r e m i s a : «El q u e n a c e al a p a r e c e r la C a n í c u l a n o m o -
r i r á e n el m a r , » v e r d a d e r o s e r á t a m b i é n esto otro: «Si
F a b i o n a c i ó al a p a r e c e r la C a n í c u l a , n o m o r i r á e n el m a r . »
Seria contradictorio, por consiguiente, decir: «Fabio nació
al a p a r e c e r la C a n í c u l a , y F a b i o m o r i r á e n e l m a r : » y c o m o
s e s u p o n e c o m o c i e r t o q u e F a b i o n a c i ó al a p a r e c e r la Ca-
nícula, también implicaría contradicción decir: «Fabio
e x i s t e , y m o r i r á e n el m a r . » L u e g o este último aserto:
«Fabio e x i s t e , y morirá en el m a r , » e n c i e r r a contradic-
c i ó n é i m p o s i b i l i d a d . Así, p u e s , c u a n d o d i c e s : « F a b i o m o -
r i r á e n el m a r , » a s e g u r a s u n i m p o s i b l e . L u e g o e s i m p o s i -
b l e t o d o lo falso q u e s e d i c e d e lo f u t u r o .
Vil. Pero esto, Crisippo, no lo a d m i t e s de ningún
modo, y sobre ello combate esforzadamente Diodoro.
S e g ú n é s t e , s ó l o e s p o s i b l e lo q u e e s v e r d a d e r o a c t u a l -
m e n t e ó h a d e s e r l o en lo f u t u r o ; y sostiene que todo
lo q u e h a d e s e r , s e r á n e c e s a r i a m e n t e , y q u e lo q u e n o h a
d e e x i s t i r , e s i m p o s i b l e . T ú d i c e s q u e lo q u e n o h a de
existir e s , sin e m b a r g o , posible; que es p o s i b l e , por e j e m -
plo, romper esta joya, aunque no se haya de romper
j a m á s ; y s o s t i e n e s q u e n o e r a n e c e s a r i o q u e [Link] r e i n a s e
e n C o r i n t o , a u n q u e lo v a t i c i n a s e mil a ñ o s a n t e s el o r á c u l o
d e A p o l o . P e r o si a s i e n t e s p o r c o m p l e t o á e s t a s p r e d i c c i o -
n e s d i v i n a s , v e r á s t e o b l i g a d o á c o n f e s a r q u e t o d o lo q u e
s e d i c e d e lo f u t u r o , c o n t r a r i o á la v e r d a d , e s i m p o s i b l e ;
c o m o si s e d i j e s e : « S c i p i ó n el Africano s e r á d u e ñ o d e C a r -
tago;» y tendrás que conceder también que cuando se
p r e d i c e lo f u t u r o c o m o c i e r t o , el a c o n t e c i m i e n t o sobre-
v e n d r á n e c e s a r i a m e n t e . P e r o en e s t o c o n s i s t e el p r i n c i p i o
d e D i o d o r o c o n t r a r i o al t u y o . Así, p u e s , si h a d e c o n s i d e -
DEL HADO. 533

r a r s e c i e r t a e s t a p r e m i s a : «Si n a c e s al a p a r e c e r la C a n í c u l a
n o m o r i r á s e n el m a r , » y si lo q u e s e afirma e n la p r i m e r a
p a r t e e s n e c e s a r i o ( t o d o lo v e r d a d e r o e n el p a s a d o e s n e -
c e s a r i o ; C r i s i p p o lo c o n c e d e , n o o b s t a n t e el d i v e r s o s e n t i r
de su maestro C l e a n t o ; p o r q u e lo q u e ya ha existido es
i n m u t a b l e , y l o v e r d a d e r o e n el p a s a d o n o p u e d e c o n v e r -
t i r s e e n falso); si p u e s lo q u e s e afirma e n la primera
p a r t e e s n e c e s a r i o , la c o n s e c u e n c i a e s i g u a l m e n t e necesa-
ria. Crisippo no admite esta necesidad en todos los casos.
Sin e m b a r g o , si p o r c a u s a n a t u r a l n o h a d e m o r i r F a b i o e n
e l m a r , en el m a r n o p u e d e m o r i r F a b i o .
VIII. Esto a p u r a m u c h o á C r i s i p p o , y sin d u d a a c u d e á
q u e l o s C a l d e o s y d e m á s a d i v i n o s s e e n g a ñ a n al e m p l e a r
estos términos de proposición y que no d e b e n decir: «El
q u e n a c e al a p a r e c e r la C a n í c u l a n o m o r i r á e n el m a r , » s i n o
m á s b i e n : «No h a y q u i e n h a b i e n d o n a c i d o al a p a r e c e r í a
C a n í c u l a , d e b a m o r i r e n el m a r . » ¡Oh j o c o s o atrevimiento!
por n o c a e r bajo Diodoro, enseña á los Caldeos cómo
d e b e n e n u n c i a r s u s p r i n c i p i o s . P e r o si l o s C a l d e o s h a b í a n
d e i n t r o d u c i r e n s u l e n g u a j e la n e g a c i ó n a b s o l u t a d e c i e r -
tas relaciones de cosas, en vez de afirmar absolutamente
la r e l a c i ó n d e c i e r t a s c o s a s , ¿ p o r q u é n o h a b í a n d e h a c e r
otro tanto los médicos, los g e ó m e t r a s y los q u e s e dedi-
c a n á l a s d e m á s a r t e s ? El m é d i c o , e n p r i m e r l u g a r , n o e x -
p r e s a r á e n e s t a f o r m a lo q u e d e b e á la e x p e r i e n c i a d e s u
a r t e : «Aquel c u y o pulso late d e tal m a n e r a , tiene fiebre,»
s i n o q u e d i r á : «A n a d i e l a t e d e tal m a n e r a e l p u l s o sin q u e
tenga fiebre.» Tampoco p o d r á decir el g e ó m e t r a : «Los
c i r c u i o s m á x i m o s d e la e s f e r a s e c o r t a n p o r la m i t a d , »
s i n o : «No e x i s t e n c í r c u l o s m á x i m o s e n la e s f e r a q u e n o
s e c o r t e n p o r la m i t a d . » ¿ E x i s t e a l g u n a p r o p o s i c i ó n q u e n o
p u e d a t r a s f o r m a r s e d e tal m o d o , q u e e n v e z d e afirmar
una conexión niegue una relación? Podemos enunciar una
misma proposición de diferentes m a n e r a s . He d i c h o p o c o
a n t e s : « L o s c í r c u l o s m á x i m o s d e la e s f e r a s e c o r t a n p o r la
334 MARCO TULIO CICERÓN.

m i t a d ; » p u e d o d e c i r : «Si e x i s t e n c í r c u l o s m á x i m o s e n la
esfera;» ó bien: «Supuesto que existen círculos máximos
e n la e s f e r a . » M u c h a s f o r m a s d i f e r e n t e s p u e d e n d a r s e á u n
e n u n c i a d o , p e r o la m á s e x t r a ñ a e s la q u e e s p e r a C r i s i p p o
a g r a d a r á á los Caldeos en favor de los Estoicos. P e r o n i n -
g u n o d e e l l o s h a b l a d e e s a m a n e r a , p o r q u e e s m á s difícil
a p r e n d e r e s o s g i r o s d e o r a c i ó n q u e o b s e r v a r el n a c i m i e n t o
y o c a s o de los a s t r o s .
IX. P e r o v o l v a m o s á l a c u e s t i ó n q u e l l a m a n TOpt Suva-
xfflv, t a n d e b a t i d a p o r D i o d o r o , é i n v e s t i g u e m o s q u é v a l o r
h a d e atribuirse á lo posible. Sostiene Diodoro q u e s o l a -
m e n t e e s p o s i b l e lo v e r d a d e r o e n la a c t u a l i d a d ó e n lo fu-
turo. Asegurar esto es afirmar que no se realizará más
q u e lo n e c e s a r i o , y q u e t o d o l o p o s i b l e e s r e a l e n e l m o -
m e n t o ó lo s e r á e n lo f u t u r o ; l o c u a l i m p l i c a q u e n o p u e d e
c a m b i a r s e lo q u e h a d e s e r , c o m o n o p u e d e c a m b i a r s e lo
q u e ha s i d o . La diferencia c o n s i s t e en q u e se v e c l a r a m e n -
t e la i n m u t a b i l i d a d d e lo p a s a d o , al p a s o q u e s e c r e e s i e m -
p r e lo m i s m o c o n r e l a c i ó n á lo f u t u r o q u e n o a p a r e c e á
n u e s t r o s o j o s . Si v e m o s u n h o m b r e a t a c a d o d e e n f e r m e d a d
mortal, consideramos verdadero que «Aquel hombre m o -
r i r á d e a q u e l l a e n f e r m e d a d ; » y si c o n r a z ó n s e d i j e s e lo m i s -
m o d e otro en quien no apareciese con tanta gravedad el
mal, no por eso dejaría d e sobrevenir con m e n o s c e r t e z a
la m u e r t e . C u a n d o d i g o : «Scipión morirá,» a s e g u r o una
cosa q u e , si bien futura, no p u e d e m e n o s de s e r v e r d a d e -
r a . P e r o si s e d i j e s e : « S c i p i ó n m o r i r á d e n o c h e , e n s u a l -
coba, de muerte violenta,» habríase dicho verdad, porque
se afirmaría una cosa q u e había de s u c e d e r , siendo prue-
b a d e q u e h a b í a d e s u c e d e r el h e c h o d e q u e o c u r r i ó . El
aserto de que «Scipión morirá,» no era más verdadero
q u e e s t e o t r o : «Scipión morirá d e tal m a n e r a . » Scipión h a -
bía de morir n e c e s a r i a m e n t e , y necesariamente también
había d e m o r i r d e tal m a n e r a ; n o siendo m á s d u d o s o el
a n u n c i o « S c i p i ó n s e r á m u e r t o , » q u e lo e s h o y el h e c h o
DEL HADO. 335

« S c i p i ó n fué m u e r t o . » S i e n d o e s t o a s í , n o h a y r a z ó n p a r a
q u e E p i c u r o t e m a el H a d o , p i d a á s u s á t o m o s l i b e r t a r el
m u n d o , l o s s e p a r e d e s u c a m i n o , y c a i g a al m i s m o t i e m p o
e n d o s d i f i c u l t a d e s i n s e p a r a b l e s : p r i m e r a , la d e suponer
h e c h o s s i n c a u s a , lo c u a l e s c o n t r a r i o al p r i n c i p i o d e q u e
n a d a s e h a c e d e la n a d a , d e f e n d i d o p o r él m i s m o y p o r
t o d o s l o s f í s i c o s ; y la s e g u n d a , a d m i t i r q u e d e d o s á t o m o s
l l e v a d o s al v a c í o , u n o s i g u e la l í n e a > e c t a , y e l o t r o s e s e -
p a r a d e e l l a p o r sí m i s m o . A u n q u e c o n c e d a E p i c u r o q u e
t o d a p r o p o s i c i ó n e s v e r d a d e r a ó falsa, n o d e b e t e m e r p o r
esto q u e todo o c u r r a n e c e s a r i a m e n t e p o r efecto del H a d o .
No p o r c a u s a s e x t e r n a s l i g a d a s c o n el o r d e n necesario
d e la n a t u r a l e z a e s v e r d a d e r o lo q u e se enuncia de esta
m a n e r a : « C a r n e a d e s d e s c i e n d e á la A c a d e m i a , » y s i n em-
bargo, no carece de causas; pero existe una diferencia
e n t r e las f o r t u i t a s q u e i n f l u y e n e n la r e a l i z a c i ó n d e u n h e -
c h o , y l a s e f i c i e n t e s q u e lo d e t e r m i n a n e n v i r t u d d e l o r -
d e n d e la n a t u r a l e z a . S i e m p r e fué v e r d a d e r o q u e « E p i c u r o
moriría á los s e t e n t a . y dos a ñ o s , siendo arconte P i t h a r a -
to (1);» s i n e m b a r g o , n o e x i s t í a n c a u s a s f a t a l m e n t e nece-
sarias p a r a q u e a s í s u c e d i e s e : p e r o h a b i e n d o o c u r r i d o el
h e c h o , e n t o d o t i e m p o fué v e r d a d e r o . L o s q u e s o s t i e n e n
q u e lo f u t u r o e s i n m u t a b l e y q u e lo q u e h a d e s e r n o p u e d e
d e j a r d e s e r , e s t á n m u y lejos d e d e d u c i r c o m o c o n s e c u e n c i a
la n e c e s i d a d d e l H a d o , s i n o q u e e x p l i c a n la f u e r z a de las
p a l a b r a s . P e r o los q u e a d m i t e n una s e r i e de c a u s a s e t e r n a -
m e n t e e n l a z a d a s , d e s p o j a n al h o m b r e d e s u v o l u n t a d l i b r e
y lo s u j e t a n á l a n e c e s i d a d d e l H a d o . P e r o b a s t a d e e s t o :
pasemos á otras cosas.
X. Crisippo raciocina d e esta m a n e r a : «Si e x i s t e al-
gún m o v i m i e n t o sin c a u s a , no p u e d e decirse que toda

(1) A r c o n t e , el p r e s i d e n t e d e l o s n u e v e m a g i s t r a d o s q u e g o b e r -
n a b a n el E s t a d o de A t e n a s d e s p u é s de la m u e r t e d e s u ú l t i m o r e y
Codro.
336 MARCO TULIO CICERÓN.

p r o p o s i c i ó n , á¡¡lio¡xa, c o m o d i c e n l o s d i a l é c t i c o s , s e a v e r -
d a d e r a ó falsa. L o q u e n o t i e n e c a u s a s e f i c i e n t e s , n o e s v e r -
d a d e r o ni f a l s o . P e r o t o d a p r o p o s i c i ó n e s v e r d a d e r a ó f a l s a ,
luego no h a y movimiento sin c a u s a . Siendo esto así, t o d o
lo q u e s u c e d e e s e f e c t o d e c a u s a s p r e c e d e n t e s ; y si a s í e s ,
todo ocurre fatalmente. Luego todos los a c o n t e c i m i e n t o s
d e p e n d e n del Hado. Contestaré en primer lugar, q u e a u n
c u a n d o tuviese q u e n e g a r c o n Epicuro q u e toda proposición
• s e a v e r d a d e r a ó falsa, p r e f e r i r í a c a e r e n e s t e e x t r e m o , a n t e s
q u e a c e p t a r q u e todas las c o s a s s e realizan p o r el Hado. La
o p i n i ó n d e E p i c u r o p u e d e d i s c u t i r s e ; p e r o la d e C r i s i p p o
e s d e t o d o p u n t o i n t o l e r a b l e . Así e s q u e e s t e filósofo e m -
p l e a t o d o s s u s e s f u e r z o s p a r a c o n v e n c e r d e q u e t o d a ¿£¡co-
(AOC e s v e r d a d e r a ó f a l s a . D e u n a p a r t e E p i c u r o t e m e q u e ,
concediendo este principio, tenga que conceder también,
q u e t o d o o c u r r e p o r e l H a d o ( p o r q u e l e p a r e c e q u e si u n a
d e l a s d o s d i s y u n t i v a s e s v e r d a d e r a d e t o d a la e t e r n i d a d ;
e s p o r c o n s i g u i e n t e c i e r t a ; si e s c i e r t a , e s n e c e s a r i a , y a s i
q u e d a r e c o n o c i d o el Hado); p o r otra, Crisippo se v e m u y
a p u r a d o si n o s e c o n c e d e q u e toda p r o p o s i c i ó n es v e r d a -
d e r a ó falsa, p a r a d e m o s t r a r q u e e l Hado l o d i r i g e t o d o , y
que los acontecimientos futuros están determinados en s u s
c a u s a s d e s d e la e t e r n i d a d . P e r o E p i c u r o c r e e q u e e s c a p a á
la n e c e s i d a d p o r l a d e c l i n a c i ó n d e l o s á t o m o s . Y d e a q u í
nace un tercer movimiento que hay que añadir á los q u e
p r o d u c e n la g r a v e d a d y el c h o q u e , declinación infinita-
m e n t e p e q u e ñ a , á la q u e l l a m a éXá^iuxov. P e r o e s t e m o v i -
m i e n t o c a r e c e d e c a u s a , y si n o l o c o n f i e s a abiertamente
e l filósofo, e n e l f o n d o t i e n e q u e c o n v e n i r e n e l l o . Porque
si u n á t o m o s e d e s v í a , n o e s p o r q u e o t r o le h a y a e m p u j a d o :
¿cómo p o d r á n c h o c a r l o s á t o m o s s i , s e g ú n el m i s m o Epi-
c u r o , t o d o s v a n a r r a s t r a d o s p o r la g r a v e d a d , s i g u i e n d o la
línea recta y p e r p e n d i c u l a r ? No s o l a m e n t e n o c h o c a n , s i n o
que jamás s e t o c a n . Así, p u e s , admitir los átomos y s u s
declinaciones, es admitir u n movimiento sin causa. Epi-
BEL HADO. 337

curo imaginó esta declinación, porque temía q u e si l a


gravedad sola a r r a s t r a b a á los átomos con movimiento
natural y necesario, nada q u e d a s e libre en nosotros, m o -
v i é n d o s e el á n i m o s e g ú n el i m p u l s o d e l o s á t o m o s . Así e s
q u e D e m ó c r i t o , el i n v e n t o r d e los á t o m o s , prefirió suje-
t a r l o t o d o á la n e c e s i d a d , á s e p a r a r e s t o s c o r p ú s c u l o s d e
sus movimientos naturales.
XI. El a g u d o C a r n e a d e s e n s e ñ ó c ó m o p o d í a n defender
su* o p i n i ó n l o s E p i c ú r e o s , s i n r e c u r r i r á e s t a quimérica
d e c l i n a c i ó n . Al d e c i r q u e el á n i m o p u e d e t e n e r algunos
m o v i m i e n t o s v o l u n t a r i o s , d e f e n d i ó m e j o r la d o c t r i n a e p i -
cúrea que acudiendo á esa d e c l i n a c i ó n , á la q u e , en ú l t i -
m o e x t r e m o , n o p u e d e a s i g n a r s e c a u s a . Con e s t a opinión
p u e d e r e s i s t i r s e f á c i l m e n t e á C r i s i p p o . Se l e c o n c e d e que
n o existe m o v i m i e n t o sin causa; p e r o se niega q u e todo lo
que ocurre debe explicarse por causas antecedentes, por-
q u e n o s e n e c e s i t a b u s c a r l a s c a u s a s d e la v o l u n t a d f u e r a
de ella. Por general abuso de lenguaje d e c i m o s , que uno
q u i e r e ó n o q u i e r e s i n c a u s a ; c u a n d o así h a b l a m o s , ex-
cluimos las causas externas y a n t e c e d e n t e s , pero no t o d a s
l a s c a u s a s . Al d e c i r q u e u n v a s o e s t á v a c í o , n o expresa-
m o s la m i s m a i d e a q u e e l físico q u e a f i r m a n o e x i s t i r v a -
c í o e n la n a t u r a l e z a , s i n o q u e s i g n i f i c a m o s q u e el v a s o
n o c o n t i e n e a g u a , ni v i n o , ni a c e i t e . Así, p u e s , c u a n d o d e -
c i m o s q u e e l á n i m o o b r a s i n c a u s a , e n t e n d e m o s sin c a u s a
e x t e r n a y a n t e c e d e n t e , pero no sin causa en absoluto.
En este concepto podría decirse del á t o m o a r r a s t r a d o p o r
s u p r o p i o p e s o e n el v a c í o , q u e s e m u e v e s i n c a u s a , p u e s t o
que no determina su movimiento ninguna causa externa.
Mas p a r a q u e l o s f í s i c o s n o s e b u r l e n d e n o s o t r o s al o i r n o s
d e c i r q u e s e r e a l i z a algo s i n c a u s a , d i s t i n g a m o s y d i g a m o s
que es propio d e la n a t u r a l e z a misma del átomo que le
a r r a s t r e s u p e s o , s i e n d o e s t a p r o p i e d a d la c a u s a d e s u m o -
v i m i e n t o . De la m i s m a m a n e r a n o d e b e b u s c a r s e c a u s a e x -
t e r n a al m o v i m i e n t o v o l u n t a r i o d e l á n i m o , p o r q u e l a n a t u -
TOMO V . 2?
838 MARCO T U L I O C I C E R Ó N .

raleza del movimiento voluntario lleva consigo que esté


en nuestro poder y dependa de nosotros: no carece por
consiguiente de causa, pero la causa está en su naturaleza
misma. Siendo esto asi, ¿no puede concederse que toda
proposición es verdadera ó falsa sin admitir que todo
cuanto se realiza, se realiza por el Hado?
XII. »Imposible, replica Crisippo, porque no puede rea-
lizarse ningún acontecimiento futuro sin que en el pre-
sente tenga causas por las cuales se realice alguna vez;
todo acontecimiento ha de tener causas con las que se
encuentra necesariamente ligado, y todo lo que es verda-
dero de antemano se realiza fatalmente.» La cuestión des-
aparecería si se te concediese que el Hado lo gobierna
todo ó que puede realizarse algo sin causa. Pero esta pro-
posición: «Scipión tomará á Numancia,» ¿no puede ser
verdadera sino á condición de que desde la eternidad una
serie de causas haya producido este acontecimiento? ¿ha-
bría sido falsa si se hubiese enunciado seiscientos siglos
antes? Si entonces no era verdadero decir: «Scipión to-
mará á Numancia,» no es verdadero decir hoy, después de
la ruina de aquella ciudad: «Scipión tomó á Numancia,» por-
que ¿acaso es posible que un hecho se realice, del cual no
haya podido decirse con verdad que se realizará? Llama-
mos verdadero en el pasado á lo que ha sido real en de-
terminada época; y de la misma manera llamamos v e r d a -
dero al acontecimiento futuro que será real en algún
t i e m p o . Así, pues, aunque se diga que toda proposición
es verdadera ó falsa, no se deduce que tenga su origen
cuanto sucede en causas eternas é inmutables, y que cada
acontecimiento ocurra precisamente como debe ocurrir.
Existen causas fortuitas que hacen sea verdadero lo que
se dice de esta manera: «Catón vendrá al Senado,» y que
no están comprendidas en la naturaleza de las cosas, ni en
el orden universal. Y , sin embargo, tan inmutable es lo
futuro como lo pasado, pero esta inmutabilidad no entraña
DEL HADO. 339

necesidad ni Hado. Necesario es confesar que si esta pro-


posición: «Hortensio vendrá.á Tuseulum,» no es verdadera,
es falsa; pero los Epicúreos quieren que sea neutra, esto
es, ni verdadera ni falsa, lo cual es imposible.
No nos dejaremos influir por esa perezosa razón que los
filósofos llaman flipYo? X ó y o c , porque si atendiésemos á ella
permaneceríamos en completa inacción. Considera cómo la
presentan: «Si es tu destino curar de esa enfermedad, acu-
das ó no acudas al médico, curarás. Por la misma razón, si
tu destino es no curar de esa enfermedad, acudas ó no
acudas al médico, no curarás. Es así que lo uno ó lo otro ha
de ser necesariamente; luego es inútil acudir al médico.»
XIII. Rectamente se ha llamado á este argumento inerte
ó perezoso, porque en virtud de una razón misma se s u -
prime toda acción de la vida. Sin acudir al Hado y sin
quitar fuerza al argumento, se puede proponer de esta
manera: «Si desde la eternidad es verdadero que has de
curar de esa enfermedad, llames ó no llames al médico,
curarás; y de la misma suerte, si es verdadero desde la
eternidad que no curarás de esa enfermedad, llames ó no
llames al médico, no curarás;» y después la consecuen-
cia. Crisipo lo combate de este modo: Existen, diGe,
cosas simples y otras naturalmente conexas. Si digo: «Só-
crates morirá en su día,» hablo de un hecho simple, y
haga ó no haga lo que quiera Sócrates, le llegará el día de
morir. Pero si se dice: «Edipo nacerá de Layo,» no puede
añadirse: «Tenga ó no tenga Layo comercio con su e s -
posa,» porque las dos cosas están necesariamente ligadas,
siendo confatales, según las llama este filósofo, porque á
la vez se declara que Layo tendrá comercio con su esposa
y que de este comercio nacerá Edipo. Lo mismo sería si
se dijera: «Milón luchará en los juegos olímpicos,» y a l -
guno replicará: «Luego tenga ó no tenga adversario, l u -
chará Milón » Este incurrirá en error: esta proposición es
conexa, porque sin adversario no hay lucha. De la misma
340 MARCO TULIO CICERÓN. .

m a n e r a se d e s h a c e n t o d o s los sofismas de esta especie.


L l a m e s ó n o l l a m e s al m é d i c o , c u r a r á s : s o f i s m a ; p o r q u e e l
l l a m a m i e n t o d e l m é d i c o e s l o m i s m o q u e la c u r a c i ó n e n el
o r d e n del Hado. Estas r e l a c i o n e s , c o m o ya he dicho, l a s
llama Crisippo confatales. "
XIV. Carneades no aprobaba esta clase de argumentos,.
califieándolos de muy inconsiderados. Atacaba de otra
m a n e r a , sin r e c u r r i r á n i n g u n a sutileza, r a c i o c i n a n d o d e
e s t e m o d o : «Si t o d o o c u r r e p o r c a u s a s a n t e c e d e n t e s , t o -
dos los acontecimientos están naturalmente e n l a z a d o s . Si
esto e s a s í , t o d o l o h a c e la n e c e s i d a d ; y si así e s , nada
depende de nuestra libertad. Pero es indudable que hay
a l g o e n n u e s t r o p o d e r : e s a s í q u e t o d o lo determinarían
l a s c a u s a s e x t e r n a s , si l a s c o s a s o c u r r i e s e n p o r e l Hado;,
l u e g o n o s u c e d e p o r el H a d o t o d o lo q u e s u c e d e . » N o e s
p o s i b l e c e ñ i r m á s el a r g u m e n t o . Si a l g u n o q u i s i e r a r e t o r -
c e r l o y d i j e s e : «Si t o d o a c o n t e c i m i e n t o futuro e s v e r d a -
d e r o d e s d e la e t e r n i d a d , d e m a n e r a que ocurra cierta
m e n t e como d e b e ocurrir, necesario es c o n c e d e r que todo
l o q u e o c u r r e e s r e s u l t a d o fatal de una serie de causas
naturalmente enlazadas,» nada probaría en verdad. P r o -
unda diferencia existe entre una serie de causas naturales
q u e d e s d e la e t e r n i d a d h a c e n c i e r t o u n acontecimiento
f u t u r o , y el c o n o c i m i e n t o f o r t u i t o q u e p u s d e t e n e r s e a n t i -
c i p a d a m e n t e d e la v e r d a d d e u n h e c h o s i n q u e p o r e s t o s e
f e n c u e n t r e e n l a z a d o c o n infinita s e r i e d e c a u s a s n a t u r a l e s .
P o r e s t a r a z ó n d e c í a C a r n e a d e s q u e n i el m i s m o Apolo
podía predecir otros acontecimientos que aquellos cuyas-
c a u s a s e s t á n c o m p r e n d i d a s e n el o r d e n d e la n a t u r a l e z a , ,
d e b i e n d o s e r s u r e s u l t a d o n e c e s a r i o . ¿En q u é s e ñ a l e s po-
día h a b e r r e c o n o c i d o e s t e Dios q u e M a r c e l o , q u e fué c ó n -
s u l t r e s v e c e s , h a b í a d e p e r e c e r e n el m a r ? E s t e a c o n t e c i -
m i e n t o e r a v e r d a d e r o d e s d e la e t e r n i d a d , p e r o no tenía
causas e f i c i e n t e s . El m i s m o filósofo llegaba á decir que
A p o l o n o p o d í a c o n o c e r el p a s a d o c u a n d o n o quedaban
DEL HADO. 341

h u e l l a s , y m u c h o m e n o s lo f u t u r o . I m p o s i b l e e s c o n o c e r
lo v e n i d e r o si n o s e c o n o c e n l a s c a u s a s e f i c i e n t e s q u e l o
p r e p a r a n . A p o l o , p u e s , n o p u d o p r e d e c i r el p a r r i c i d i o d e
E d i p o , p o r q u e n o h a b í a en la n a t u r a l e z a d e l a s c o s a s n i n -
g u n a c a u s a e s e n c i a l e n v i r t u d d e la c u a l h u b i e s e n e c e s a
r i a m e n t e d e m a t a r á s u p a d r e : ni t a m p o c o p u d o e l Dios
haeer ninguna predicción de este género.
XV. Así, p u e s , si los E s t o i c o s , q u e a d m i t e n q u e t o d o
s u c e d e p o r el H a d o , t i e n e n q u e a d m i t i r , p a r a n o faltar á la
lógica, los oráculos y todas las d e m á s adivinaciones,
mientras que aquellos para quienes los acontecimien-
t o s f u t u r o s s o n v e r d a d e r o s d e s d e la e t e r n i d a d n o s e v e n
obligados á admitir tales c o n s e c u e n c i a s , e v i d e n t e es que
no s e hallan éstos en el m i s m o caso q u e los Estoicos.
Éstos se e n c u e n t r a n encerrados, aquéllos pueden discu-
r r i r y e n c o n t r a r s a l i d a . Si c o n c e d e n q u e n a d a s u c e d e s i n
c a u s a a n t e c e d e n t e , ¿ q u é g a n a el H a d o si e s t a c a u s a n o e s t á
e n l a z a d a c o n l a s e t e r n a s ? La c a u s a e s a q u e l l a q u e v e r d a -
deramente produce s u e f e c t o , c o m o la h e r i d a e s d e la
m u e r t e ; la i n d i g e s t i ó n , d e la e n f e r m e d a d ; el f u e g o , del
c a l o r . No d e b e e n t e n d e r s e c o m o c a u s a t o d o lo q u e p r e -
c e d e al h e c h o , s i n o s o l a m e n t e lo q u e l e p r e c e d e p o r m a -
n e r a eficiente: b a j a r al c a m p o n o e s c a u s a d e q u e juegue
á la p e l o t a ; H é c u b a n o fué c a u s a d e la d e s t r u c c i ó n d e
Troya por haber dado á luz á Páris; Tíndaro no es causa
d e la m u e r t e d e A g a m e n ó n p o r h a b e r e n g e n d r a d o á C l i -
t e m n e s t r a . De o t r a m a n e r a , el v i a j e r o b i e n v e s t i d o sería
c a u s a d e q u e le d e s p o j a s e el l a d r ó n . A e s t e o r d e n d e i d e a s
pertenecen aquellos versos de Ennio:
«¡Ojalá q u e s o b r e el m o n t e P e l i ó n n o h u b i e s e d e r r i b a d o
j a m á s el h a c h a el p i n o n a v e g a d o r ! »
P u d o r e m o n t a r m á s y d e c i r : ¡Ojalá n o h u b i e s e n n a c i d o
j a m á s á r b o l e s e n e l m o n t e P e l i ó n ! Y m á s t o d a v í a : ¡Ojalá n o
h u b i e s e e x i s t i d o n u n c a el m o n t e P e l i ó n ! Y d e e s t a m a n e r a
p o d í a ir s u b i e n d o h a s t a lo infinito.
342 MARCO TULIO CICERÓN.

«Y q u e la p r i m e r a n a v e s a l i d a d e s u s b o s q u e s n o h u -
biese s u r c a d o j a m á s los mares...»
¿A q u é recordar estas cosas pasadas? porque siguen
aquellas otras:
«Sin e l l a s , M e d e a , m i t r i s t e d u e ñ a , n o h u b i e s e h u i d o d e
la c a s a p a t e r n a , c o n t r i s t a d o el á n i m o y h e r i d a p o r c r u e l
amor.»
P e r o n o e r a n é s t a s las c a u s a s de aquel a m o r .
XVI. Los partidarios de Diodoro dicen que debe distin-
g u i r s e e n t r e a q u e l l o s i n lo c u a l n o p u e d e e x i s t i r u n h e c h o -
y aquello otro que p r o d u c e n e c e s a r i a m e n t e la e x i s t e n c i a
d e l h e c h o , No p u e d e l l a m a r s e c a u s a lo q u e n o produce
p o r v i r t u d p r o p i a el e f e c t o d e q u e s e c o n s i d e r a c a u s a , ni
por consiguiente puede llamarse de esta m a n e r a lo que
s o l a m e n t e e s c o n d i c i ó n d e la e x i s t e n c i a d e l h e c h o , y sí á
aquello que produce por n e c e s i d a d el h e c h o d e q u e es
c a u s a . A n t e s d e q u e m o r d i e s e la s e r p i e n t e á F i l o c t e t e s ,
¿ q u é c a u s a e x i s t í a en el o r d e n d e la n a t u r a l e z a p a r a q u e
s e l e a b a n d o n a s e e n L é m n o s ? P e r o d e s p u é s d e la m o r d e -
d u r a su a b a n d o n o t u v o causa inmediata y m u y enlazada
c o n el h e c h o . La n a t u r a l e z a d e l h e c h o n o s d e s c u b r e la
c a u s a . Sin e m b a r g o , d e s d e la e t e r n i d a d e s v e r d a d e r a e s t a
proposición: «Filoctetes s e r á a b a n d o n a d o en una isla,» y
s i e m p r e fué i m p o s i b l e que de v e r d a d e r a se trocase en
falsa. P o r q u e e s n e c e s a r i o q u e e n t r e d o s t é r m i n o s c o n t r a -
rios (llamo aquí c o n t r a r i o s dos t é r m i n o s de los q u e u n o
a f i r m a lo q u e el o t r o n i e g a ) , e s n e c e s a r i o , r e p i t o , á p e s a r
d e la o p i n i ó n d e E p i c u r o , q u e d e d o s t é r m i n o s c o n t r a r i o s ,
el u n o s e a v e r d a d e r o y el o t r o falso; a s í , p u e s , d e s d e la
eternidad era verdadera esta proposición: «Filoctetes sa-
n a r á ; » y e r a falsa e s t a o t r a : «No s a n a r á . » A n o s e r q u e
q u e r a m o s s e g u i r la o p i n i ó n d e l o s E p i c ú r e o s , q u e s o s t i e -
n e n q u e t a l e s p r o p o s i c i o n e s n o s o n v e r d a d e r a s ni f a l s a s ; á
p e s a r d e q u e , a v e r g o n z á n d o s e , l l e g a n á d e c i r lo q u e a v e r -
güenza más, esto es, que oponiendo dos términos contra-
DEL HADO. 343

dictorios, necesario es convenir en q u e u n o d e e l l o s e s


verdadero; pero que considerándolos aisladamente, nin-
g u n o d e l o s d o s e s v e r d a d e r o . ¡Oh a d m i r a b l e a t r e v i m i e n t o
y m i s e r a b l e i g n o r a n c i a e n d i s c u r r i r ! Si u n a p r o p o s i c i ó n n o
e s v e r d a d e r a n i falsa, c i e r t a m e n t e n o e s v e r d a d e r a . Y l o
q u e n o e s v e r d a d e r o , ¿ q u é o t r a c o s a p u e d e s e r s i n o falso?
\ lo q u e n o e s f a l s o , ¿qué o t r a c o s a p u e d e s e r s i n o v e r d a -
d e r o ? Q u e d a , p u e s , en p i e la d o c t r i n a d e C r i s i p p o , q u e t o d a
p r o p o s i c i ó n e s v e r d a d e r a ó falsa, y d e b e d e d u c i r s e que
c i e r t a s c o s a s s o n v e r d a d e r a s d e s d e la e t e r n i d a d , sin e s t a r
e n l a z a d a s c o n l a s c a u s a s e t e r n a s , ni s u j e t a s á la n e c e s i d a d
del Hado.
XVII. Paréceme que de las dos doctrinas opuestas d e
l o s filósofos a n t i g u o s , u n a q u e a s i e n t a q u e t o d o l o h a c e
p o r el H a d o , e s t a b l e c i e n d o p o r c o n s i g u i e n t e e l i m p e r i o d e
la n e c e s i d a d , o p i n i ó n q u e s i g u i e r o n D e m ó c r i t o , H e r á c l i t o ,
E m p e d o c l e s y A r i s t ó t e l e s , y la o t r a q u e e x i m e d e e s t a n e -
cesidad los movimientos voluntarios del á n i m o , Crisippo,
c o m o a r b i t r o c o m p o n e d o r , q u i s o p a r t i r p o r m i t a d l a dife-
r e n c i a , si b i e n i n c l i n á n d o s e á l o s q u e l i b e r t a n l o s m o v i -
m i e n t o s d e l o s l a z o s d e la n e c e s i d a d . P e r o e n r e d á n d o s e e n
su propio lenguaje, en tales dificultades c a y ó , que á p e s a r
s u y o c o n f e s ó la n e c e s i d a d d e l H a d o . E l i j a m o s , p a r a c o n v e n -
c e r n o s de e s t o , u n a de las p r i m e r a s c u e s t i o n e s q u e h e m o s
t r a t a d o : la d e l c o n s e n t i m i e n t o . L o s a n t i g u o s filósofos que
a d m i t í a n la u n i v e r s a l i d a d d e l H a d o , d e c í a n q u e el c o n s e n -
timiento era necesario y forzoso. Los que sostenían la
opinión contraria n e g a b a n el i m p e r i o d e l H a d o s o b r e el
c o n s e n t i m i e n t o , y p r e t e n d í a n q u e si s u j e t a b a n al H a d o el
c o n s e n t i m i e n t o , s e le h a c í a i n e v i t a b l e m e n t e necesario; y
d e e s t a m a n e r a d i s c u r r í a n : — S i t o d o s e h a c e p o r el H a d o ,
t o d o s e h a c e p o r c a u s a a n t e c e d e n t e ; si n u e s t r o p r o p i o i m -
pulso se e n c u e n t r a e n esta condición, todo lo q u e v i e n e
d e t r á s d e n u e s t r o p r o p i o i m p u l s o lo e s t á d e i g u a l m a n e r a ;
l u e g o t a m b i é n el c o n s e n t i m i e n t o . P e r o si la c a u s a d e n ú e s -
344 MARCO TULIO CICERÓN.

tro propio impulso n o está e n n o s o t r o s , t a m p o c o lo e s t á


n u e s t r o i m p u l s o . S i e n d o e s t o a s í , n a d a d e lo q u e s i g u e al
i m p u l s o d e p e n d e d e n o s o t r o s . L u e g o ni n u e s t r o c o n s e n t i -
m i e n t o n i n u e s t r a s a c c i o n e s e s t á n e n n u e s t r o p o d e r . De lo
q u e s e d e d u c e q u e ni las a l a b a n z a s s o n j u s t a s , ni las c e n -
s u r a s , ni l o s h o n o r e s , ni l o s c a s t i g o s . — C o m o t o d o e s t o e s
absurdo, consideran que pueden deducir como probable
q u e n o t o d o lo q u e s e r e a l i z a d e p e n d e d e l H a d o .
XVIII. C r i s i p p o , q u e r e c h a z a la n e c e s i d a d y q u i e r e q u e
no o c u r r a nada sin c a u s a s a n t e r i o r e s , d i s t i n g u e e n t r e é s t a s
p a r a h u i r la n e c e s i d a d y c o n s e r v a r el H a d o . «De l a s c a u s a s ,
dice, unas son perfectas y principales, o t r a s auxiliares y
p r ó x i m a s . Por esta razón, c u a n d o digo que todo o c u r r e
por causas anteriores, no entiendo que sean causas per-
f e c t a s y p r i n c i p a l e s , y sí s o l a m e n t e a u x i l i a r e s y p r ó x i -
m a s . » Al a r g u m e n t o que expuso poco antes, contesta de
e s t a s u e r t e : «Si t o d o s e h a c e p o r el H a d o , d e d ú c e s e que
todo se hace en virtud de causas antecedentes, pero no
que estas causas sean principales y perfectas, bastando
que sean auxiliares y p r ó x i m a s . De q u e estas causas
no se encuentren en nuestro poder, no se deduce que
t a m p o c o lo e s t é n n u e s t r o s i m p u l s o s . E s t a d e d u c c i ó n s o l a -
m e n t e tendría fuerza si d i j é s e m o s q u e t o d o s e h a c e p o r
c a u s a s perfectas y principales, p o r q u e no estando estas
causas en nuestro poder tampoco lo e s t a r í a n n u e s t r o s i m -
p u l s o s . » A s í , p u e s , el a r g u m e n t o s o l a m e n t e t i e n e f u e r z a
c o n t r a a q u e l l o s q u e a d m i t e n á la v e z el H a d o y la e f i c a c i a
necesaria de las c a u s a s ; pero nada p r u e b a contra aquellos
q u e , a d m i t i e n d o las c a u s a s a n t e c e d e n t e s , no las d e c l a r a n
p r i n c i p a l e s ni p e r f e c t a s . L a d i f i c u l t a d q u e r e s u l t a cuando
s e enlaza el c o n s e n t i m i e n t o con causas anteriores, cree
q u e s e r e s u e l v e f á c i l m e n t e . P o r q u e si b i e n n o p u e d e e x i s -
t i r c o n s e n t i m i e n t o ni p e r c e p c i ó n q u e n o s c o n m u e v a , sin
e m b a r g o ( d i c e C r i s i p p o ) , la p e r c e p c i ó n s o l a m e n t e e s c a u s a
p r ó x i m a y no principal del consentimiento, que se enciren-
DEL HADO. 345

t r a e n t o n c e s e n la c o n d i c i ó n d e q u e ya h e m o s h a b l a d o : n o
p u e d e producirse sino por excitación d e fuerza extraña
(porque no hay consentimiento sin p e r c e p c i ó n ) , p e r o se
p r o d u e e c o m o s e m u e v e u n c i l i n d r o ó u n a p e o n z a , s u com-?
p a r a c i ó n f a m i l i a r , q u e n o p u e d e n g i r a r si n o s e l e s impul-
sa, p e r o q u e una vez lanzados, tanto el cilindro c o m o l a
peonza, continúan girando por su propio impulso.
XIX. Así c o m o e l q u e a g i t a el c i l i n d r o le d a el p r i n c i p i o
del m o v i m i e n t o , p e r o no s u propia volubilidad, así tam-
b i é n , s e g ú n e s t e filósofo, el o b j e t o d e la p e r c e p c i ó n i m p r i -
me y graba en cierta manera su imagen en n u e s t r o á n i m o ,
p e r o el c o n s e n t i m i e n t o q u e d a en n u e s t r o poder; nuestra
voluntad r e c i b e , c o m o el cilindro, un i m p u l s o externo,
pero en virtud de su propia naturaleza y e s p o n t á n e a m e n t e
s i g u e e l i m p u l s o . Si o c u r r i e s e a l g ú n h e c h o sin c a u s a a n t e -
c e d e n t e , s e r í a falso q u e t o d o lo o r d e n a el H a d o ; p e r o si e s
r a z o n a b l e c o n c e d e r q u e t o d o h e c h o t i e n e c a u s a q u e le p r e -
c e d e , ¿cómo rechazar la d e d u c c i ó n d e q u e t o d o s e hace
p o r el Hado? c o n t a l , s i n e m b a r g o , d e n o o l v i d a r n u n c a l a
d i s t i n c i ó n e s t a b l e c i d a e n t r e las c a u s a s . E s t a e s l a e x p l i c a -
c i ó n d e C r i s i p p o , s i e n d o d i f e r e n t e la d o c t r i n a d e aquellos
q u e s o s t i e n e n q u e el H a d o n o d e t e r m i n a n u e s t r o c o n s e n t i -
m i e n t o , y n i e g a n al m i s m o t i e m p o q n e n o p u e d a p r o d u c i r s e
sino provocado por causa exterior; mas los que conceden
q u e lo p r o v o c a s i e m p r e la p e r c e p c i ó n , y q u i e r e n sin e m -
b a r g o s u s t r a e r l e al H a d o , p a r é c e m e q u e d i c e n lo mismo
q u e C r i s i p p o . C o n c e d i e n d o é s t e q u e la c a u s a p r ó x i m a y d e -
t e r m i n a n t e d e l c o n s e n t i m i e n t o e s t r i b a e n la p e r c e p c i ó n , n o
c o n v i e n e e n q u e s e a la c a u s a n e c e s a r i a ; y c u a n d o p r e t e n d e
q u e todo s e h a c e por el Hado, no c o n c e d e q u e o c u r r a t o d o
por causas antecedentes y n e c e s a r i a s : así, p u e s , los q u e
d e e s t o d i s i e n t e n , y sin admitir el Hado c o n c e d e n q u e no
hay consentimiento sino mediante percepción anterior,
c o n v e n d r á n s i n dificultad e n q u e si s e e n t i e n d e p o r H a d o
s o l a m e n t e la p r e e x i s t e n c i a d e u n a c a u s a c o m o c o n d i c i ó n
246 MARCO TÜX10 CICERÓN.

i n d i s p e n s a b l e d e l h e c h o , el H a d o l o h a c e t o d o : d e e s t o r e -
sulta claramente que las dos opiniones, c u a n d o se expli-
can, llevan á iguales c o n s e c u e n c i a s , diferenciándose en
p a l a b r a s m á s q u e e n p e n s a m i e n t o . T o d a la c u e s t i ó n s e r e -
s u m e así: e x i s t e , en primer lugar, distinción e n t r e las c a u -
s a s , y e n algunos casos p u e d e decirse q u e las causas a n t e -
cedentes no dejan nada en nuestro poder y producen
n e c e s a r i a m e n t e sus efectos; mientras que en otros, á p e s a r
d e la i n f l u e n c i a d e las c a u s a s e x t e r n a s , q u e d a e n nuestro
p o d e r s e g u i r la d i r e c c i ó n q u e n o s p l a z c a . E s t a d i s t i n c i ó n
la a c e p t a n t o d o s ; p e r o l o s u n o s c r e e n q u e t o d o l o q u e s e
realiza e n n o s o t r o s , en virtud d e c a u s a s a n t e c e d e n t e s y sin
que p o d a m o s cambiar nada, e s obra del Hado, mientras
q u e a q u e l l o q u e e s t á e n n u e s t r o p o d e r e s c a p a al H a d o . . .
XX. D e e s t a m a n e r a d e b e r e s o l v e r s e l a d i f i c u l t a d , sin 1

a c u d i r al a u x i l i o d e á t o m o s e r r a n t e s y s e p a r a d o s d e s u d i -
r e c c i ó n . D e c l i n a el á t o m o , d i c e E p i c u r o . E n p r i m e r l u g a r ,
¿por q u é ? T i e n e n c i e r t a f u e r z a d e i m p u l s i ó n , s e g ú n D e m ó -
c r i t o , á la q u e l l a m a e n g r i e g o plaga, y tú, Epicuro, g r a v e -
d a d , p e s o . ¿Cuál e s , p u e s , la n u e v a c a u s a n a t u r a l q u e i m -
p r i m e á l o s á t o m o s m o v i m i e n t o d e d e c l i n a c i ó n ? ¿Acaso s e
sortean para declinar unos y no declinar o t r o s ? ¿Por q u é
d e c l i n a n t a n p o c o y n o más? ¿Y p o r q u é u n g r a d o d e d e c l i -
n a c i ó n y n o d o s ó t r e s ? E ^ t & % « o r t a r la c u e s t i ó n y n o d i s -
c u t i r l a ; p o r q u e n o expMcaj5J>lat£declinación del á t o m o , ni
por impulso que reciba d'eLíexterior, ni p o r la influencia
q u e e n él e j e r z a el v a c í o . ¿ n c u y a ' i h m e n s i d a d v a a r r a s t r a d o ,
ni p o r c a m b i o ocurrido';fen, el*mfsmo á t o m o q u e le s e p a r e
r

d e s u d i r e c c i ó n p r i m e r a . No-da r a z ó n n i n g u n a d e e s t e c a m -
b i o , y sin e m b a r g o c r e e q u e h a d i c h o a l g o i m p o r t a n t e a l
e x p o n e r e s t a i n v e n c i ó n , q u e d e s p r e c i a y r e c h a z a el s e n t i d o
c o m ú n . P a r é c e m e q u e el H a d o , ó m e j o r a ú n la n e c e s i d a d
y fuerza irresistible d e las c o s a s q u e d e s t r u y e n los m o v i -
mientos voluntarios del ánimo, no tienen mejor defensor
q u e e s t e filósofo q u e m u e s t r a n o h a b e r p o d i d o e s c a p a r á la
BEL BASO. 347
fatalidad sino recurriendo á tan quimérica declinación.
Aunque concediese que existen átomos, lo cual no se me
podrá demostrar jamás, no por ello se explicarán tales d e -
clinaciones. Porque si los átomos son arrastrados por su
gravedad, se mueven por necesidad, porque es ley indecli-
nable que todo lo que es pesado se mueva y caiga cuando
no lo impide algún obstáculo: indispensable es también
que algunos átomos, ó todos, si quieren, declinen natu-
ralmente.
(Palia xma parte considerable.}

FIN.
ÍNDICE.

Págs.

CUESTIONES TUSCULANAS:
LIBRO PRIMERO.—Del desprecio de la muerte 1
LIBRO SEGUNDO. — Sobre el modo de tolerar el
dolor 55
LIBRO TERCERO.—Del modo de hacer llevaderos los
dolores 85
LIBRO COARTO.—De las demás perturbaciones del
alma 123
LIBRO QUINTO.—Que la virtud está contenta con-
sigo misma para la vida feliz 159
DE LA ADIVINACIÓN:
LIBRO PRIMERO 207

LIBRO SEGUNDO 263

DEL HADO , i Sfg-


B I B L I O T E C A C L A S I C A .
CADA TOMO EN RÚSTICA tres pesetas Y E N C U A D E R N A D O EN T E L A cuatro pesetas.
Los p e d i d o s al a d m i n i s t r a d o r , D . J o s é S a n l a l ó , Colegiata, tí, bajo, Madrid.

OBRAS PUB L I C A D A S .
Tomoi. Tomos.

HOMERO. — La ¡liada, traducción ESCHYLO.— Teatro completo, tra-


e n v e r s o de Hermosura, c o n n o - d u c c i ó n d e D. Fernando llrieva
tas y estudio critico 3 S a l v a t i e r r a , con e s t u d i o c r í t i c o
C E R V A N T E S . - Novelas ejempla- y notas i
res y Viaje del Parnaso 2 CALDERÓN.— Tt atro selecto, con
H E R 0 D O T O . - ¿ o s « « e u e libros de e s t u d i o c r i t i c o de M e n é n d e z P e -
la Historia, t r a d u c c i ó n del P a - layo 4
dre Pou 2 HURTADO DE MENDÜZA.-OfcrüS
ALCALÁ G A L l A N O . - ü e c t i e r d o s de en prosa 1
un anciano 1 S C H I L I . E I I . - T e a t i o complelo, tra-
VIRGILIO. - La Eneida, traduc- d u c c i ó n d i r e c t a del a l e m á n d e
ción en v e r s o de C a r o . . . 2 Eduardo Mier 3
— Las Églogas, t r a d u c c i ó n en JULIO CESAR.—Los comentarios,
v e r s o de Hidalgo. — Las Geórgi- traducción de tlova Mmiiaín 2
cas, t r a d u c c i ó n e n v e r s o de Caro. XENOKONTE.— Historia de La en-
MACAULAY—Estudios literarios trada deCyro el Menor en Asia,
— Estudios históricos traducid;! del g r i e g o al c a s t e l l a -
— Estudios políticos no por Diego Graeián 1
— Estudios biografieos — La Cyiope'dia ó Historia de Cyro
— Estudios críticos el Mayor, traducida del g r i e g o
— Historia de la Revolución de al c a s t e l l a n o ror Die god'racián.
Inglaterra 4 M 1 L T 0 N . — Paraíso j-erdido, tra-
Traducción de Juderías Bénder. d u c i d o en v e r s o c a s t e l l a n o por
QUINTANA.— Vidas de españoles D. J. E s c o i q u i z 2
LAMARTINE. — Civilizadores y
CICERÓN.— Obras completas, tra- Conquistadores 2
ducción de Menéndez P e l a y o — 5 L U C I A N O . - O b r a s completas, tra-
S A L U S T I 0 . — C o n j u r a c i ó n de Cati- d u c c i ó n de D. Cristóbal V i d a l . . i
Una.- Guerra de Jugurla, tra- ODAS DE PINDARO, t r a d u c i d a s en
d u c c i ó n del i n f a n t e D. Gabriel.— v e r s o por D. Ignacio M o n t e s d e
Fragmentos de la grande his- Oca. Obispo d e Linares i
toria, traducción de Menéndez A R R1Á N 0.— Exp ed i c iIon es de Ale-
Pelayo i jandro, t r a d u c c i ó n de Baraibar. 1
TÁCITO.—Los anales, traducción HEINH. — Poemas y fantasías,
d e D. Carlos Coloma 2 traducción en verso castellano
— ¿ a s historias, t r a d u c c i ó n del de I). J o s é J. l l e n e r o 1
mismo i SUETONIO. - Los doce Césares:
POETAS BUCÓLICOS. - T e ó c r i í o , t r a d u c c i ó n de N o r b e r t o C a s t i l l a .
Biony ¡Hosco, t r a d u c c i ó n e n v e r - MANUEL DE MELÓ. — Guerra de
s o de M o n t e s d e Oca, obispo d e .Cataluña 1
Linares (Méjico) 4 SEN ECA .—Fpist olas Morales, tra-
•PLUTARCO.—Las vidas paralelas, d u c c i ó n d i r e c t a del latín de don
t r a d u c c i ó n d e Ranz R o m a n i l l o s . 5 F r a n c i s c o Navarro y Calvo 1
ARISTÓFANES. - Teütro comple- —Tratados filosóficos, traducción
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P O L I B I O . - f f t s t ó r i a Universal. T o m o 111 y ú l t i m o .

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