0% fanden dieses Dokument nützlich (0 Abstimmungen)
46 Ansichten26 Seiten

Mankiw Cap2

Mankiw_cap2

Hochgeladen von

lauramathiasr
Copyright
© © All Rights Reserved
Wir nehmen die Rechte an Inhalten ernst. Wenn Sie vermuten, dass dies Ihr Inhalt ist, beanspruchen Sie ihn hier.
Verfügbare Formate
Als PDF herunterladen oder online auf Scribd lesen
0% fanden dieses Dokument nützlich (0 Abstimmungen)
46 Ansichten26 Seiten

Mankiw Cap2

Mankiw_cap2

Hochgeladen von

lauramathiasr
Copyright
© © All Rights Reserved
Wir nehmen die Rechte an Inhalten ernst. Wenn Sie vermuten, dass dies Ihr Inhalt ist, beanspruchen Sie ihn hier.
Verfügbare Formate
Als PDF herunterladen oder online auf Scribd lesen
CAPITULO 2 Pensando como um economista Cada campo de estudos tem sua prépria linguagem e sua prépria maneira de pensar: Os mateméticos falam de axiomas, integrais e espagos vetoriais. Os psicélogos falam de ego, id e dissonéncia cognitiva. Os advo- gados falasn de comarcas, delitus contratuais e enibargos promisssrios. A economia nao é diferente. Oferta, demanda, elasticidade, vantagem comparativa, excedente do consu- ‘midor, peso morto — esses termos so parte da linguagem dos economistas. Nos préximos capftulos, vocé encontrara muttos termos novos e algumas palavras comuns que os economistas empregam de maneira especializada. A primeira vista, essa nova linguagem pode parecer desnecessariamente enigmatica, mas, como vocé veré, tem valor por proporcionar uma maneira nova e titil de pensar sobre o mundo em que vivemos. principal objetivo deste livro é ajudar vocé a aprender a maneira de pensar do economista. F claro que, assim como ninguém sc torna um matemético, poieSlogo ou advogado da noite para 6 dia, aprender a pen sar como um economista leva algum tempo. Mas, com uma combinacéo de teoria, estudos de caso e exem- plos de economia nas noticias, este ivro oferece uma excelente oportunidade para o desenvolvimento e para a prética dessa habilidade. 22 PARTE1 INTRODUCAO Antes de entrarmos na substdncia e nos detalhes da teoria econdmica, seré bom ter uma visdo geral de como 0s economistas encaram o mundo. Este capitulo, portanto, discute a metodologia utilizada no campo da economia. O que distingue a maneira como os economistas enfrentam um problema qualquer? O que significa pensar como um economista? O ECONOMISTA COMO CIENTISTA (Os economistas procuram abordar seu campo de estudo com a objetividade dos cientistas. Estudam a eco- nomia da mesma forma como um fisico estuda a matéria e um bidlogo estuda a vida: eles desenvolvem teorias, colhem dados e os analisam na tentativa de confirmar ou refutar suas teorias. ara 0s iniciantes, pode parecer estranho afirmar que a economia é uma ciéneia. Afinal de contas, os feconnmisias nin tahatham crm thos de eneain nem telesrfping Mas a escBnria da cincia & 0 métnda entifico 0 desenvolvimento e o teste imparcial de teorias sobre como funciona o mundo, Esse método de investigagdo aplica-se tanto ao estudo da economia de um pais quanto ao estudo da gravidade da Terra ou da evolugio das expécicn. Como disee Albert Einstein “A ciéncia nada maia & do que o refinamento do pen samento cotidiano”, Embora o comentario de Einstein seja verdadeiro tanto para as ciéncias sociais, como a economia, quan- Wo pata as etnias naturals, comu a fisiva, « maiotia das pessoas 1vio esd Iabituada a enxergar a sutiedadke com os olhos de um cientista. Assim sendo, verificaremos aqui como os economistas aplicam a légica da iéncia com o objetivo de examinar o funcionamento de uma economia. O método cientifico: observacao, teoria e mais observacéo Segundo a lenda, Isaac Newton, o famoso cientista e matemético do século XVI, ficou intrigado um dia ao ver uma maga cait da drvore. Hssa observacao 0 levou a desenvolver uma teona da gravidade que se aplica info sf a ma magi que cai na cha, mas também a qualquer abjetn na tiniverso Testes posteriares da teo- ria de Newton demonstraram que ela funciona muito bem em diversas circunstancias (embora, como mais, tarde observaria Einstein, néo em todas). Por ter sido muito bem-sucedida para explicar observagies, a teoria de Newton é até hoje ensinada em cursos de fisica em todo o mundo. Essa interagdo entre teoria e observagio também ocorre no campo da economia. Um economista pode- ria viver em um pafs que passa por répidos aumentos de precos e ser levado por essa observagao a desen- volver ui tevria da inflayao. A teuria poder afironar que a inflayd elevada surge quando 0 goversiv emite ‘muita moeda. Para testar essa teoria, o economista poderia coletar e analisar dados sobre precos e moedas em diferentes paises. Se o aumento na quantidade de moeda nao estivesse relacionado com a taxa de cres- ‘imento dos pregos, 0 economista comecaria a duvidar da validade de sua teoria da intlagao. Se o aumento nna quantidade de moeda e a inflagao estivessem fortemente cotrelacionados nos dados internacionais, como de fato ocorre, o economista passaria a confiar mais em sua teoria. Embora os economistas usem a teoria e a observagdo da mesma maneira que os outros cientistas, eles cenfrentam um obstéculo que torna sua tarcfa especialmente dificil: na economia, conduzir experimentos é Aificil e, 8s vezes, impossivel. Os fisicos que estudam a gravidade podem deixar cair quantos objetos quise- rem em seus laboratérios para gerar dados a fim de testar suas teorias. Em comparagao, os economistas que estudam a inflagéo nao podem mantpular a politica monerérta de um pafs simplesmente para gerar dados ‘iteis. Os economistas, assim como os astrOnomos e bidlogos que estudam a evolugéo, em geral t#m de se satisfazer com quaisquer dados que o mundo possa hes dar, ‘Para encontrar um substituto para os experimentos em laboratério, os economistas prestam muita aten- fo 0s experimentos naturais que a histéria oferece. Por exemplo, quando uma guerra no Oriente Médio interrompe o fluxo de petréleo, os pregos dessa mercadoria“explodem” em todo o mundo. Para os consumi- dores de petréleo e derivados, isso diminui o padrao de vida. Para os formuladores de politicas econémicas, CAPITULO 2 PENSANDO COMO UM ECONOMISTA 23 representa uma escolha dificil quanto & melhor forma de reagir. Mas, para os cientistas econdmicos, oferece ‘uma oportunidade para estudar os impactos de um recurso natural essencial sobre as economias do mundo. Neste livro, portanto, trataremos de muitos episédios histéticos, os quais sio importantes para o estudo porque permitem verificar como a economia funcionou no passado e, 0 que é mais importante, ilustrar € avaliar as teorias econémicas do presente. 0 papel das hipéteses Se voc® perguntar a uma fisica quanto tempo levaria para uma bolinha de gude cair do alto de um editicio de dez andares, ela provavelmente responders & questio supondo que a bolinha cai no vécuo. Naturalmente, essa suposigdo é falsa. Na verdade, o ediffcio esté cercado de ar, cujo atrito sobre a bolinha em queda reduz sua velocidade. Mas a fisica esclarecer4, corretamente, que o atrito sobre a bolinha é tao pequeno que seu feito é insignifcante. Admitir que a bolinha cai no vécuo simplifica em muito o probleme sem afetar subs- tancialmente a resposta. (Os economistas adotam hipéteses pelo mesmo motivo: elas podem simplificar 0 mundo complexo em. que vivemos e torné-1o mais facil de entender. Para estudarmos os efeitos do comércio internacional, por exemplo, podemos supor que o mundo consiste em apenas dois paises e que cada um produz apenas dois bens. £ claro que o mundo real é composto de varios paises, e cada um deles produz milhares de diferentes tipos de bens. Entretanto, quando adotamos a hipétese de dois paises e dois bens, podemos concentrar mais, rosso pensamento na eeeéncia do problems. Uma vex que tenhamor entendido o comércio internacional em um mundo imaginério com dois paises e dois bens, estareos em melhores condigdes de entender 0 comércio intemacional no mundo mais complexo em que vivemos. A arte do pensamento cientifico ~ em fisica, biologia ow economia ~ esté em decidir quais hipGteses adotar. Vamos supor que deixaremos cair uma bola de praia do alto do edificio em vez de uma bolinha de ude. Noss0s fisicos perceberiam que a suposigao de nao fricgdo é menos precisa nesse caso: a fricgdo exer- ce uma forga maior sobre a bola de praia do que sobre a bolinha de gude pelo fato de a bola ser mutto maior. AA hipdtese de que a gravidadle opera no véewo 6 raznivel para estudar a queda de suma holinha de gude, ‘mas no de uma bola de praia. Da mesma forma, 05 economistas usam diferentes hipsteses para responder a diferentes questdes. ‘Vamos supor que queremos estudar 0 que acontece com a economia quando o governo muda a quantidade de délares em circulagao. Uma parte importante dessa andlise, como veremos, é a maneira como os pregos reagem. Muitos dos pregos da economia s6 mudam raramente; o prego das revistas, por exemplo, leva vérios, anus para niudar. © coahecinento dese faty pode ios Ievar a forsnular Uiferentes hipoteses ao estudani0s 0s efeitos da mudanca da politica em diferentes horizontes de tempo. Para estudarmos os efeitos de curto ptazo da politica, podemos supor que os precos mudam pouco, Podemos até formular uma hipstese extre- ‘ma e artifical de que todos os pregos sao completamente constantes, Yara estudarmos os efeitos de longo prazo da politica, entretanto, pademos supor que todos os precos sejam completamente varidveis. Assim como um fisico usa diferentes hipsteses para estudar a queda de bolinhas de gude e de bolas de praia, 0s economistas utilizam diferentes hipdteses para estudar os efeitos de curto e longo prazo de uma mudanca zna quontidade de moeda. Modelos econémicos s professores de biologia do ensino médio ensinam anatomia bésica com réplicas plésticas do compo huma- no, Esses modelos apresentam todos os principais Grgios - 0 coracio, 0 figado, os rins, e assim por diante-e permitem que 0s professores mostrem para seus alunos, de uma maneira simples, como as principais partes, dy conpy eiainaurse unas nay Gulies. Cony emer nicxlelus Ue plésticu sé estilizadus © uuiteun unuites detalhes, ninguém os confundiria com uma pessoa. Mas, apesar dessa falta de realismo — e, na verdade, por causa dessa falta de realismo -, estudar os modelos é itl para aprender como funciona o corpo humano. 24 PARTE1 INTRODUCAO (Os economistas também usam modelos para aprender sobre o mundo, mas, em vez de serem feitos de pléstico, os modelos econémicos so compostos de diagramas e equagdes. Como o modelo de pléstico dos professores de biologia, os modelos econémicos omitem muitos detalhes para permitir que vejamos 0 que realmente importa. Assim como o modelo do professor de biologia nao mostra tocios os mtisculos e vasos capilares do corpo, os modelos dos economistas nao incluem todas as caracteristicas da economia. ‘Ao usarmos modelos para examinar diversar questec econémicas ao longo do livro, vocé vers que todos eles so construidos com hipéteses. Da mesma maneira que um fisico inicia a andlise de uma bolinha de gue em queda supondo que nao haja atrito, os economistas adotam hipéteses para muitos dos detalhes da economia que sao irrelevantes para 0 estudo da questio analisada. Todos os modelos — em fisica, biclogia (ou economia - simplificam a realidade para que possamos compreendé-la melhor. Nosso primeiro modelo: o diagrama do fluxo circular ‘A-economia consiste em milhdes de pessoas envolvidas em muitas atividades ~ comprar, vender, trabalhar, contratar, fabricar ete. Para entendermos como a economia funciona, precisamos encontrar alguma maneira de simplifcar nosso pensamento sobre todas essas atividades. Em outras palavras, precisamos de um mode- lo que explique, em termos gerais, como a economia esté organizada e como seus participantes interagem uns com 0s outros. agrama dofiuxo ‘A Figura 1 apresenta um modelo visual da economia chamado diagrama do fluxo cdreular circular, Nesee modelo, a economia é simplificada para incluir apenae dois tipos de ummodelovisualda _tomadores de decisées: familias e empresas. As empresas produzem bens e servigos economia quemosta usando insumos, como trabalho, terra e capital (prédios e mAquinas), os quais s40 «como os lates chamados fatores de producao. As familias s80 proprietétias dos fatores de produgao € Teme representagao esquematica da senvigos nee sees in ie tees es EMPRESAS FAMILIAS: (bens e sendcns fonde 2s “+ Produzem e vendem ‘= Compram e consomem macmecrnes | “Summer omens Stress ae Se ‘produsao {onde as empresas pa oe ; reports of ecto fworesde _ wencavos 2.0 conjunto interno de Be etrea aoe =e eee insumos eorods. acts eS me - nse secane e produtos A = Fine de abtoree CAPITULO 2 PENSANDO COMO UM ECONOMISTA 2s as familias compram os bens e servigos que as empresas produzem. Nos mercados de fatores de produc, as familias s8o vendedoras, e as empresas, compradoras. Nesses mercados, as familias fornecem os insumos que as empresas usam para produzir bens e servicos. O diagrama do fluxo circular oferece uma maneira simples de organizar todas as transagGes econémicas que ocorrem entre as familias e as empresas na economia. (Os dois conjuntos de flechas do diagrama de fluxo circular sio distintos, mas esto relacionados. O con- junto intemo representa o Gixo de ineumos e produtos. As familias vendem 0 ueo de seu trabalho, terra @ capital para as empresas nos mercados de fatores de produgio. As empresas, ent, utiizam esses fatores para produzir bens € servigos, os quais, por sua vez, sio vendidos para as familias no mercado de bens € servigos. O conjunto externo do diagrama representa o fluxo correspondente de délares. As familias gastam dinheiro para comprar bens e servicos das empresas. As empresas usam parte da receita dessas vendas para pagar pelos fatores de produgao, como 0 salério de seus trabalhadores. O que sobra é o hucro dos proprie- ténos da empresa, que sao também membros das familias. ‘Vamos dar tama volta pela fiwn circular, acompanhanda 0 caminha que fax sma nota aa passar de pes- soa para pessoa na economia. Vamos imaginar que a nota comece em uma familia; dentro da sua carteira, digamos. Se vocé quer comprar uma xicara de café, deve levar sua nota a um dos mercados de bens e ser- viigos da economia, por exemplo, a Starbucks mais préxima. Ali, vocé a gasta em sua bebida predileta. Ao passar pela caixa registradora da Ioja, a nota toma-se receita da empresa. Entretanto, o dinheiro nao fica ‘muito tempo na Starbucks porque a empresa o utiliza para comprar insumos nos mercados de fatores de produydo. Por exemplo, a Starbucks pode usar a nota para pagar aluguel av Tocador ent toca do espayo ‘ue utiliza ou para pagar o salério de seus funcionétios. Seja como for, o dinheito entra para a renda de alguma familia volta & cartera de alguém. Nesse ponto, a hist6ria do fluxo circular da economia recomeca. (U diagrama do fluxo circular da Figura 1 é um modelo bem simples da economia. Hle desconsidera deta- Thes que So importantes em alguns casos. Um modelo de fluxo circular mais complexo e realista inclu por exemplo, os papéis representados pelo governo e pelo comércio internacional. (Uma parte daquele délar que vocé deu a Starbucks pode ser usada para pagar impostos ou para comprar gréos de café de um produ- tor no Brasil.) No entanto, easce detalhes no a0 eruciais para uma comprecnado bésica de como a econo mia é organizada. Por causa de sua simplicidade, ¢ itil ter em mente o diagrama do fluxo circular ao pensar sobre como os componentes da economia se encaixam. Nosso segundo modelo: a fronteira de possibilidades de producéo Diferentemente do que ocorre com o diagrama do fluxo circular, a maioria dos modelos econémicos se consitGi com as ferramentas da matemética, Tataremos agora do inais simples deles, chamad fronteira dass possibilidades de produgdo, e veremos como ele ilustra algumas ideias econémicas bésices. Embora as economias reais produzam milhares de bens e servigos, vamos imaginar uma economia que ptoduza apenas dots bens: carros e computadores. juntas, a indtistna automobilistica e a de computadores tusam todos os fatores de producio da economia. A fronteira de possibilidades de produgdo é um grafico que mostra as diversas combinagGes de produgo ~ nesse c2S0, fronterade entre carros e computadores ~ que a economia pode procuzir dados os fatores de pro- pesiblidades de duo ¢ a tecnologia produtiva disponiveis que as empresas podem usar para transfor produto ‘mar esses fatores em produto. tum arco ave masta A Figura 2 mostra essa fronteira de possibilidades de produgio. Se a economia _ascombinagbesde emprega todos os recursus na indistra automobilisica, produz 1.000 carves, mas pulbloqes nenhum computador, Se emprega todos os recursos na indtistria de computadores, ela economia tem produz 3,000 computadores, mas nenhum carro. Os dois pontos finais da fronteira _pesiblidade de representam essas possibilidades extremas. [produzirdados os Maie provavelmente, a economia divide ceue recursos entre ac duaeindiistriss, com _fettesdeproducioe © objetivo de produzir alguns carros e alguns computadores. Por exemplo, ela pode ¥nslosiade produzir 600 carros e 2.200 computadores, representados na figura pelo ponto A. Ou, _Produsedsponiveis 26 PARTE1 INTRODUCAO = eau ene Amin paints eas de produgao* ‘Atrontirs do pssbiidades do - producdo mostra as combinacbes 3,000 F ec dle rocbos ee cas cares computador ~ que a economia ‘tem a possibiidade de proguzr. Br 8 ‘economia pode produzir ——$fraenanan es qualquer combina na fontra possbiidades ou dentio dela. Pontes fra da — de producto frontera nae so vides aos cot recurso da economia : aroma de Posstbildsdes de Roduto o 300600700 1.000 Quantidade (FP ether chamada Curae de carres Passiidades be Prodicio (CP. NRT) produzidos pe ao transferir alguns dos fatores de producio da inctistria de informatica para a automobilistica, consegue produzir 700 carros e 2.000 computadores, representados pelo ponto B. ‘Como oa recursos ao eseass0s, nem todo resultado caperado é vidvel. Por exemplo, independents mente de como os recursos so alocados entre as duas indiistrias, a economia no pode produzir a quanti- dade de carros e computadores representada pelo ponto C. Se nao houver tecnologia dispontvel para a {abricagao de carros e computadores, a economia nao terd fatores de produgao suficientes para suportar esse nivel de produtos. Com os recursos que possu, consegue produzir em qualquer ponto na fronteira de pos- sibilidades de produgio, ou dentro dela, mas ndo consegue produzir em um ponto fora dela. ‘Yodemos afirmar que um resultado € efciente quando a economia consegue obter 0 maximo dos escassos smeursos disponiveis. Os pontas na feonteira de possibilidades de produgio (em ver de dentro dela) repee sentam niveis eficientes. Quando a economia esta produzindo em um ponto, por exemplo, no ponto A, ndo existe possibilidade de produzir maior quantidade de um bem sem diminuir a produgao de outro. O ponto D representa um resultado ineficiente. Por algum motivo, talvez.o alto desemprego, a economia esté produ- Zindo menos do que poderia com os recursos disponfveis: apenas 300 carros e 1.000 computadores. Se a fonte de ineficiéncia for eliminada, conseguiré aumentar a produgdo dos dois produtos. Por exemplo, se a economia se mover do ponto D para 0 ponto A, a produgio de carros aumentara de 300 para 600, ¢ a de computadores. de 1.000 para 2.200. ‘Um dos Dez Principios de Economia discutidos no Capitulo 1 é 0 de que as pessoas enfrentam tradeof. A fronteira de possibilidades de produgéo mostra um tradeoff que a sociedade enfrenta, Uma vez que tenha- ‘mos atingido os pontos de eficiéncia na fronteita, a tnica maneira de produzir mais de um bem é produzit ‘menos de outro. Quando a economia se move do ponto A para 0 B, por exemplo, a sociedade produz mais 1100 carros, & custa de uma producio menor de 200 computadores. Esse ideoffsjuda.a entender outro dos Des Princfpios de Lzonomia: 0 custo de uma coisa é aquilo de que voce desiste para obté-Ia. Isso se chama custo de oportunidad. A fronteira de possibilidaces de produgo mostra que c-custo de oportunidade de um bem & medido em termos de outro. Quando a sociedade se move do ponto A para 0B, detxa de produzir 200 computadores para produzir 100 cartos adicionals. Ou seja, no ponto A, 0 custo de oportunidade de 100 carros é de 200 computadores. isto de outra forma, o custo de oportunidade de cada carro é de dois computadores. Observe que o custo de oportunidade de um carro se iguala a inclinagio da fron- teira de possibilidades de produglo. (Se voc? nao lembra o que é inclinaco, veja os apéndices deste capitulo) (© custo de oportunidade de um carro em relagio a0 mimero de computadores no é constante necea ‘economia, depende de quantos desses bens ela produz, o que se reflete no formato da fronteira de possibi- lidades de produgdo. Como na Figura 2 a inclinagao é para fora, o custo de oportunidade de um carro é CAPITULO 2 PENSANDO COMO UM ECONOMISTA 27 ‘maior quando a economia produz mais carros e menos computadores, como acontece no ponto E, onde a inclinagdo é acentuada. Quando a economia produz menos cartos e mais computadores, como no ponto F, la no € tdo acentuada e o custo de oportunidade de um carro é menor. Os economistas acreditam que a fronteira de possibilidades de produgao, geralmente, apresenta esse formato. Quando a economia usa a maior parte de seus recursos para produzit computadores, como no ponto F, os recursos mais adequados para produsir carros, como mio de obra qualificada, esto sendo ‘empregados na inctistria de computadores. Como esses trabalhadores provavelmente nao tm habilidade para isso, a economia nao vai perder muito na produgo de computadores para aumentar a produgéo de carros em apenas uma tinidade. O custo de oportunidade de um carro em relagao a computadores € peque- no, € a fronteira fica relativamente plana, Em contrapartida, quando a economia emprega a maior parte de seus recursos para produzir carros, como no ponto E, 0s recursos mais adequados para isso jé esto na incistria automobilistica. Fara produzir um carro a mais, € preciso retirar alguns dos melhores técnicos da indiistria da informatica e transformé-los em téenicos da indristria automohilistica. Desse mada, a produigao de um carro adicional implicaré perda substancial na produgéo de computadores. O custo de oportunidade de um carro € alto, ¢ a fronteira fica bem inclinada. A fronteira de possibilidades de produgio mostra o tradeoff entre a saida de bens diferentes em determi- nado periodo, mas ele pode se modificar com 0 tempo. For exemplo, imagine que um avango tecnol6gico na indistria da informética aumente o néimero de computadores que um trabalhador consegue produzir por semana, Fase avanyo aumenta 0 conjunto de uportunidades da suciedadle, Para cada ndimery determined de carros, a economia pode produzir mais computadores. Mesmo que ndo produza nenhum computador, la ainda pode produzir 1.000 carros, entéo um ponto da fronteira permanece igual. O restante, porém, se altera, como demonstra a Figura 3. ssa figura ilustra o crescimento econdmico. A sociedade pode mover a produgio de um ponto da fron- teira antiga para um ponto na nova. O ponto escolhido depende da preferéncia pelos dois bens. Nesse exemplo, a sociedade se move do ponto A para 0 G, produzindo mais computadores (2.300 em vez. de 2.200) ce mais carroo (es. em vez de 600), (imran eet Soa SS SD A medida que avangarmos no estudo de economla, essas idelas surgiido novamente de diversas formas. AA fronteira de possibilidades de produgao nos oferece uma maneia simples de pensar nelas. um desiocamento da fronteira de possibildades de produgso Um avango tecnologico na indastria da informatica possbilita& economia produc mais computadores para qualquer ntmero de crea. Come resultado, a front das possibiidades te produyay se desea para fora, Sea economia se move {0 ponto A para o ponto G, 8 producto de carros © computadores aumenta Quantidade de cnmpuitadorae roduzidos 4.000 3.000 2.00 2200 6 ° 600 650 1.000 Quantidade 28 PARTE1 INTRODUCAO Microeconomia e macroeconomia “Muitos assuntos sao estudados em diferentes niveis. Vamos considerar a biclogia, por exemplo. Os bidlogos ‘moteculares estudam os compostos quimicos que compdem os seres vivos. Os bidlogos celulares estudam as células que sao feitas de muttos compostos quimicos e sao, ao mesmo tempo, os elementos que compoem fs arganismos vives Os hidlagns euniitiuns echidam as mitas variedades de plantas # animais @ rama a espécies mudam gradualmente com o passar dos séculos. ‘Aeconomia também é estudada em diversos niveis. Podemos estudar as decisGes de familias ou empre- sas, tomadas individualmente. Ou a interagio entre familias e empresas nos mercados de bens e servicos especificos. Ou a operacao da economia como um todo, que é a soma das atividades de todos os tomadores de decisdes em todos os mercados. © campy da economia divide-se tradicionalmente ent duis anplos subvampus. A ee microeconomia é o estudo de como as familias e empresas tomam decisbes e de como ends cme) elas interagem em mercados especificos. A macroeconomia é o estudo de fendmenos familias empresas que englobam toda a economia. Um microeconomista pode estudar os efeitos do con- tomam dedidesede _—_trole de aluguéis sobre os imaveis residenciais na cidace de Nova York, o impacto da como nteagemnos -—-competico estrangeira sobre a indistria automobilistica dos Estados Unidos ou os rmercados efeitos da frequéncia escolar obrigatéria sobre os ganhos dos trabalhadores. Uin -macroeconomista pode estudar 09 efeitos de empréstimos feitos pelo governo federal, as mudangas da taxa de desemprego ao longo do tempo ou as politicas alternatives maqoeconomia para promover a elevacéo do padrdo de vida nacional. estudio dos ‘A microeconomia ¢ a macrueconomia estdo intimamente ligadas. Como as fendmenosd ‘mudangas na economia como um todo resultam das decisées de milhdes de pessoas, economia [Link] € impossfvel entender os desdobramentos macroeconémicos sem considerar as todo Inno decisies microeconémicas a eles associadas. Yor exemplo, um mactoeconomista infcdo,detemoreaoe pode estudar o¢ efeitos de um corte no imposto de renda sobre a pradugo geral de ‘rescimento bens e servios. Para analisar a questo, ele precisa levar em consideragio de que soon maneira o corte de impostos afeta as decisdes das familias sobre quanto gastar em bens € servigos. ‘Apesar da ligacio inerente entre microeconomia e macroeconomia, os dois campos sao distintos. Como tratam de questées diferentes, cada um deles tem seu proprio campo de atuacio e frequentemente s30 censinadas em cursos separados. TESTERAPIDO Em que sentido a economia é uma ciéncia? « Desenhe uma fronteira de possibilidades de pro- As ideias dos economistas e dos fildsofos politicos, tanto quando eles estdo certos como quando eles esto errados, sio mais poderosas do que geralmente se entende. Na verdade, o mundo é regido por pouca coisa a ‘mais, Homens priticos que acreditam ser isentoa de influéncias intelectuaia aio geralmente cacravos de algum economista defunto. Os loucos em posigdes de comando, que ouvem vozes no ar, destilam seu frenesi a parti de algum escriba académico de pouces anos atrés. 32 PARTE1 INTRODUCAO Embora essas palavras tenham sido escritas em 1935, ainda hoje sio verdadeiras, Na realidade, o“escri- ba académico” que hoje influencia a politica pablica é quase sempre o proprio Keynes. Por que nem sempre os conselhos dos economistas s40 seguidos Qualquer economista que atua como conselheiro de presidentes ou outros lideres sabe que nem sempre _nos livros de economia, ‘Neste livro, sempre que abordamos politica econdmica, o foco principal seré uma questo: qual é a melhor politica a ser soguida pelo governo? Agimas como ze az poitcas fossem determinadas por um rei benevolan- te, Depois que esse rei determina as politicas corretas, nao ha problemas para colocé-las em prética. ‘No mundo real, encontrar as politcas corretas é apenas parte do trabalho de um lider, vezes, a mais Depois que o presidente ouve as ideias dos conselheiros econdmicos sobre as melhores politicas, ele também ‘ouve outros consultores. Os conselheiros de comunicagéo o instruem como explicar as politicas ao piiblico e tentam antecipar qualquer dificuldade que possa tomar o desafio mais difcl. Os conselheiros de imprensa informam como a midia reproduzird as propostas e que opinides provavelmente serdo divulgadas nos edito- tiais em toda a nagdo. Os conselheitos sobre assuntos legislatives mostram a viso do Congresso sobre as propostas, quais emendas serdo sugeridas e a probabilidade de transformar uma versdo das propostas em lei, s conselheiros politicos apresentam os grupos que podem apoiar ou se opor a elas, como tais propostas afetacio sua imagem porante diferentes grupos de eleitoros o 69 elas afetario 0 apoio para quaisquer outras iniciativas do presidente. Apés analisar todas as informagGes, ele ento decide como proceder. Fazer politica econémica em uma democracia representativa é uma tarefa érdua -e sempre ha boas razes pelas quais os presidentes (¢ outros politicos) no levam adiante as politcas que os economistas defendem. Os economistas apresentam informagées cruciais ao processo politico, mas suas consideracdes so apenas um dos ingredientes de uma receita complexa. TESTE RAPIDO _Né Lm exemnic de declaracéo nostva @ um de ceclaracéo narmativa que. de algum moda, enka relagdo com sua rotina. + Aponte tr8s 6rgos do governo que sejam regularmente assessorados por economistas POR QUE OS ECONOMISTAS DIVERGEM "Se ods os economia ose eoocdos ado aad, ro chegariam a nenhumaconlusotsegacjo de George Bernard Shaw 6 revalador. Os economistas, como um grupo, so eriticados por dar conselhos conflitantes aos formuladores de politicas. O presidente Ronald Reagan uma vez brincou ao dizer que, se 0 {jogo Trivial Pursuit? tivesse sido criado por economistas, teria cem perguntas e trés mil respostas. or que 03 economistas aparecem de modo tdo frequente dando conselhos conflitantes aos formuladores| de politicas? Ha dois motivos basicos: ‘Vamos discutir cada um desses motivos. 2 Trata-se de um jogo de perguntas e respostas, emelhante a nosso Master. (NE) CAPITULO 2 PENSANDO COMO UM ECONOMISTA, 33 Divergéncias quanto ao julgamento cientifico Hé muitos séculos, os astrnomos debatiam se a'Terra ou o Sol seriam o centro do sistema solar. Mais recente- ‘mente, os meteorologistas t8m discutido se a Terra esté passando por um aquecimento global e, em caso posi- tivo, porque. A ciencia € a busca pela compreensao do mundo que nos cerca. Nao € de surpreender que, & medida que a husea continia, as ciantistns podem divergie quanta diregin em que a verdad ga encnmta (Os economistas frequentemente divergem pelo mesmo motivo. A economia é uma ciéncia jovem e ainda __némicas estdo relacionadas. Por exemplo, os economistas divergem quanto a se 0 governo deveria cobrar impostos sobre a renda das familias ou sobre seu consumo Mlespeses). Os que deferidem a mudanya do atual impusto de rend paras ‘um imposto sobre o consumo acreditam que a mudanga incentivaré as familias a poupar mais porque a renda poupada seria isenta de impostos. Poupancas maiores, por sua vez, liberariam os recursos para 0 actimulo de capital e levariam a um répido crescimento da produtividade e dos padrdes de vida. Os que defendema tributagio sobre a renda corrente acreditam que a poupanga das familias nao responderia muito ‘a mudangas nas leis tributérias. Esses dois grupos de economistas tém diferentes opiniGes normativas sobre © sistema tributério porque tém diferentes opinides positivas a respeito do grau de resposta da poupanga 209 incentivos tributirios. Divergéncias quanto a valores Vamos supor que Pedro e Paulo retirem a mesma quantidade de agua do pogo de sua cidade. Para pagar pela ‘manuutengao do pogo, a cidade cobra um imposto de seus moradores. Pedro tem uma renda de $ 100.000 € €taxado em $ 10.000, ou 10% de sua renda. Paulo tem uma renda de $ 20.000 e é taxado em $ 4.000, ou 20% de sua rena, Essa politica juste? Se no 6, quem paga muito e quem page pouco? Faz alguma diferenca se a baixa renda de Paulo decorre de algum problema médico ou da sua decisio de seguir a carreira de ator? Faz dife- renga se aalta renda de Hedro se deve a uma grande heranga ou a sua cisposigao para trabalhar muitas horas em uma atividade fatigante? Essas so questdes dificeis sobre as quais as pessoas provavelmente discordam. Se a cidade contratasse dois especialistas para estudar como deveria taxar os moradores para pagar pelo poco, nao seria surpreen- dente que eles oferecesaem consclhos conflitantes, Esse exemplo simples mostra por que 0s economistas as vezes divergem a respeito de politcas piiblicas. Como vimos anteriormente, durante a discussio sobre andlise positiva e anélise normativa, as politicas nao podem ser julgadas somente com base na ciéncia, Algumas vezes, os economistas podem dar conselhos conflitantes porque tém valores diferentes. Aperfeioar a ciéncia econémica ndo vai nos dizer se é Pedro ou Paulo quem esta pagando demais. Percepcao e realidade Como existem diferencas de julgamento cientifico e de valores, é inevitivel que haja divergéncia entre os sconsses Main teens agar pa Gem vege Se eT mito mis rena do que se imagin, ‘ATabela 1 contém 20 proposig6es de politica econémica. Em pesquisas com economistas profissionais, esas proposigdes foram endossadas pela esmagadora maioria dos entrevistados. A maior parte delas no eee pes gel om cats ERE cpl Aprimeira proposigdo da tabela é sobre controle de aluguéis, uma politica que estabelece o valor méximo legal no total que os proprietérios podem cobrar. Quase todos os economistas acreditam que controle dos PARTE1 INTRODUCAO ‘TABELA 1 Proposigdes com as quais ‘amaloria dos economistas ‘concorda Proposigées e porcentagem de economistas que concordam com elas) 1. Btabeleces um teto para os aluguéisreduz a quantidade ea qualidade das moradas dspo- ris, (939) 2. Tals cates de importagiocestumam reduriro bem estar econémice geal (38) 3. Teas de cimbio flexes futuantes permitem um arenjo monetério internacional ef 22, (08) 4A poli fiscal por exerplo, cores de impostose/Ou aumento dos gastos do Gover) tem efetosestimulantes significativos sobre uma economia que estelaabaito do pleno ‘emprego 0 50s Estados Unidos no devel resvngjia texceirzayo de outos pales (0%) 6.0 cezcimento econdmico em pats dezenvohidos como o Estads Unidos leva nia mais elevados de bem esta (8%) 7. 0s Estados Unidos deveram einer os subsicios agricola (5%) 8. Un politica fiscal apropriadamente deserwohids pode aera a taxa de formaao de ‘pit no fg prazo (85%) 90s goveros municipal esteduals deveram elminr os subsiios para rani de espr tes profisinas 85%) 10. © opamerto federal deve ser equitrado dante cio de region no anvalmont. (5%) 11. Adfferenca ent os fundos d Seguridad Sociale os gastos se tomar isustentavel nos rims 50 anos se as polices atuas permanecerem inakeradas (5%) 12, Ospayaimentos em dinheiw aumeniam v benrestar dos bevels mais do que es rans feréncias em mercadorias de qual valor monet. (4) 13, Um garde dct rcamentiio federal tem eft adversos sobre a economia, (83) 14, Aredtbuicgo de end nos stds Uncos € um papel etimo co govemo. 3 1, Ainflgdo 6 causadapincipalmente po crscimanto ercesve da oferta de maeda (3) 16, Os Estados Unidos ro devem banc safas genetcamente mocicadas. (826) 17. Osalriominimo aumerta o desempreg ene ebahadoresjovens endo qualiicads 7%) 10.0 govemo deveria restturaro sister de esistnca soil nos mos de um impesto de renda negativ’ (798) 19, Osimpostos sobre eluntes es pemissbes para pogo negocels So ua abordagern ‘elhr no corivole da poluiea do que a imposiao de eos & plu. 78) 20 cubs a gvaenn sein tana nc Ftade Inn eve se eid ox ii rnados, (78%) Fonte: itr A Asn. R Koa Michal Vaughn, Tee Cenc aon Fromm inthe 1800 “Ansan FcoromcReew, mio 1992, p. 20:20; Dan Flr € Dots GedeStvenson ‘Consensus arorg Econom Rested Jura of ronan Exton outro 2008. 3837; aber Whales Do Economists ‘gee on Anthing Vest cna’ oe, no. 206 p. 1 Fe Wap, "The Pic ews of Ameen fcr scan eres: The ess of New Suey Econ oul Wet, 2008, 37-8 aluguéis afeta de modo negativo a disponibilidade e a qualidade da moradia e que essa 6 uma forma muito dispendiosa de ajudar os membros mais necessitados da sociedade. Ainda assim, muitos governos munici- pais optam por ignorar as adverténcias das economistas e estabelecem tetos para os aluguéis que os pro- prietérios podem cobrar de seus inquilinos. ‘A segunda proposigao da tabela refere-se a tarifas e cotas de importacao, duas politcas que restringem. © comércio entre as nagSes. Por motivos que discutiremos em outros capitulos, quaae todos oa economistaa se opGem a essas barreiras ao livre comércio. Todavia, ao longo dos anos, o presidente e o Congresso opta- ram por restringir a importagao de determinados bens. ECONOMIA AMBIENTAL CAPITULO 2 PENSANDO COMO UM ECONOMISTA - Noticias ‘Aiguns economist exo ojudando a salvar o Planeta. Grupos ecol6gicos consideram ‘a economia uma ferramenta poderosa Por Jessica E. Wascellaro Muitos economistas sonham com altos salérios em Wall Steet, em insttugdes corganizadas para pesquisa intersvaesolu- io ce problemas, em universidades ou agErcas goveramentas podeross, como oF seve Um némero cade ver maior, entretanta pref usa suas habilidades noparaacom- patie «eyo ou 2 ose uc, mas are recuperer os eloestas.SS0 os scano- mists ecclgios, aisformalmenteconhe- ‘dos como exonomias ambierras, que (am os temas earaumenteseconbicos para convenceras empresas aacabar coma Poluxaoe ajar aconservar areas natures, Tabalhando em dezenas de esitrios de advocaia em uma imensa vaiedade ce agéncias ambienas estaduaefedera, les esto ajudand a formula a esta intelectual ports das abordagens de pro- teqio as expices ameacadas ce etincz0, recivindn a paige eesitandna mudanga clita. Também esto se tomando uma Tigacao nie escrtris de acocaca com tendéncias esquerdtas & 0s Setores pibi- coe ptvado “Antigamente, pare muitos advogads, econemia sigifieava produait Ivers cu mavimizar a tends, i Lawrence Goulde, professor de Economia Ambiental ede Re- cos na Stanford Universty, em Stanford, Calfomia, “Mais economists esto perce- bendo que est sendoofrecida uma est ture pare a alocagio de recusos, em que estes ndo so apenas canta emo de obra, mas também os naturist (0s economists ambienasfazem parte ta folha de pagamento de érgs do go vere (a Agércie de Potegéo Ambientl ~ Evironmental Protection Agency (PA) — tina aproimadamente 164 economists em 2004, 6% 9 mais que em 1985) € de grupos de conseracdo ambiental como 2 ‘Wideress Society, em Washington, que ter quavo env pots teal ei projets deseo de impacto ecndrico na construgso de tras ofoad fora de stad O gupo Ervine Deere, também em ashngton, foi um dosprime- (0s grupos de advogacos ambientatas 2 contatar economists (ualmente conta com oto par desenvoher incentvos de mercado para chamar a atengSo pa pro- bemasambienas coro mudanga cimat- cae escasser de Sua (1 “aia @ dela de que nfo deveramos ar alr monetéo ao meio ambiente pois ele rao tem preo dz Caoine Ake, que. em 191, passoua fazer parte da Wideress Socey de Washington, como uma das pr mes acacemitas dese grin de ako gados. "Mas, se vamos disci no The Fl! Sobre pesurarou nono Aten precsamos conseguir combster os arguments finan cefos Temos de fazer lance ago, ou vamos perder ess jogo" ‘dread ezonemia arbiantaleomagau a tomar forma na década de 1960 quando ‘0s acadimicos comegaram a aplic as fer ‘amentas da ecnemia 30 movimento eco lego, que nacia, A discpina tomouse mas popular na décad de 1980, quando 2 PA adotou um sistema delcencascomer- calziveis para eliminat, em estégios, a . NT} Fonte The Srest mal 78 agp 2005 36 PARTE1 INTRODUCAO Por que politicas como o controle de aluguéis e as barreiras comerciais persistem se os especialistas esto ‘unidos contra elas? Talvez a realidade dos processos politicos permanega sendo um obstéculo que ndo pode ser removido. Talvez porque os economistas ainda ndo tenham convencido o péblico em geral de que elas, io indesejéveis. Um dos objetivos deste livro ¢ fazer com que vocé entenda a visio que os economistas tém. destes e de outros temas e,talvez, convencé-lo de que essa é a visio correta. TESTERAPIDO Por que os conselheiros econémicos da presidéncia podem divergir quanto a questées de polr- tica econdmica? VAMOS EM FRENTE Os dois primefins eapthlos da livres apresentaram 2 voeé as ideias # as métncne da econamia Agora asta- ‘mos prontos para trabalhar. No préximo capitulo, vamos comecar a aprender em mais detalhes os principios do comportamento e ca politica econémicos. ‘Ao avangar pelo livro, voe8 precisaré explorar miitas das suas hebilidades intelectuaia. Pode ser itil que vocé tenha em mente um conselho do grande economista John Maynard Keynes: © estudo da economia nao pareve exigir talents especializados de grau mais elevado do que o normal, Nao 6... um assunto facil, se comparado com a filosofia ou a ciéncia pura? Uma disciplina fécil em que bem ppoucos se sobressaem! © paradoxo pode ser explicado talvez pelo fato de que o especialista em economia deve possuir uma combinacdo rara de dons. Deve ser matematico, historiador, estadista, ildsoto — em certa ‘medida, Deve compreender simbolos ¢ falar por meio de palavras. Deve contemplar o particular em termos, do geral e abordar 0 abstrato e o concreto em uma s6 linha de pensamento. Deve estudar o presente & luz. do passado, com a intengéo de compreender o futuro, Nenhhuma parte da natureza do homem ou das suas inotituigdes deve ficar inteiramente fora de sua atengio. Deve ser ao mesmo tempo determinado e desinte- ressado, tio distante e incoruptivel quanto um artista, mas, por vezes, tfo préximo da terra quanto um. politico, um grande encargo, mas, com prética, vocé se sentiré cada ver mais habituado a pensar como um, economista. RESUMO * Oc economistas tentam abordar cua dizciplina com a bjetividade dos cientistas. Como todos os centistas, cles formulam hipéteses apropriadas e constroem modelos simplificados para entender o mundo que 0s cerca, Dois modelos econémicos simples sio 0 diagrama do fuxo circular e a fronteira de possibili- ades de prodncio. '* O campo da economia se divide em dois subcampos: rmucroeconottua € macroeconomia, Us microecono- mistas estudam a tomada de decisdes pelas familias e pelas empresas, ¢ a interagio entre elas no merca- do, Os macroeconomistas estudam as forgas e ten- déncias que afetam a economia como um todo. = Uma declaragio positiva & uma afirmagio sobre como o mundo é, Uma declaragéo normativa é uma declaragdo sobre como o mundo deveria ser. Quando 0s econamistas fazem declaragées normativas, es- to agindo mais como assessores politicos que ‘como cientistas. 1 Ds ecnnamistas que assessoram os farmuladares de politicas oferecem conselhos conflitantes por causa de diferenas de yulgamento cientifico ou de diteren- as de valores. Em outras situacdes, os economistas esto unidos em torno dos conselhos que oferecem, ‘mas 0s formuladores de politicas podem optar por ignorar tais conselhos, CONCEITOS-CHAVE diagrama do fluxo circular, p.24 fronteira de possibilidades de producto, p.25 microeconomia, p. 28 CAPITULO 2 PENSANDO COMO UM ECONOMISTA macroeconomia, p.28 deciaragdes postivas, p. 29 deciaracdes normativas,p. 29 QUESTOES PARA REVISAO 1, Por que a economia é considerada uma ciéncia? 2. Por que os economistas formulam hipéteses? 3. Um modelo econémico deveria descrever exata- mente a realidade? 4. Cite un fanaa cone suc fauiiaiteraye cado de fatores e uma forma como interage no mercado de produtos. 5. Cite uma interagio econémica que o diagrama de ffuxo circular nao abrange. 6. Desenhe e explique uma fronteira de possibilida- des de procgia para uma ecanamia que prodz PROBLEMAS E APLICACOES 1, Desenhe um diagrama do fluxo circular. Identifique as partes do modelo que correspondem ao fiuxo de bons e servigos e ao fluxo de délares em cada uma das atividades abaixo. a. Selena paga $ 1 por um litro de lete. b, Stuart ganha $ 4.50 por hora trabalhando em ‘um restaurante. © Sarah paga $ 30 por um corte de cabelo, 4, Sally recebe $ 10,000 referentes aos 10% que possui da Acme Industrial 2. Imagine uma sociedade que produza bens milita res e bens de consumo, aos quais chamaremos, respectivamente, de“armas" e“manteiga”. 1. Desenhe um gréfica de uma fronteira de possi bilidades de producio para armas e manteiga. xplique por que ela provavelmente se curvara para fora b. Indique um ponto que a economia no seja capaz de atingir. Indique um ponto possivel de ser atingido, mas ineficente. . Imagine que na sociedade haja dois partidos politicos, 09 FaleBea (que querem forgao arma das poderosas) e as Fombas (que querem forcas armadas menos poderosas). Indique um ponto fem sua fronteira de possibildades de produgin que os Falodes desejariam escolher e um ponto que as Pombas gostariam de escolher. d. Imagine que um pais vizinho agressivo decida reduzir o tamanho das suas forgas armadas. ‘Como resultado, tanto os Teledes quanto as Pombas reduzem a produgio desejada de 10, leite e biscoitos. © que acontecerd a essa fronteira ‘se uma doenga matar metade das vacas dessa eco- . Use uma fronteira de possibilidades de produgio para descrever a idela de“eficiéncia”. 3. Quais sdo alguns dos tépicos abordados na macro- ‘economia? 1. Qual 6a diferenga entre as declaragies positivas e ‘as normativas? Dé um exemplo de cada. Por que os economistas &s vezes oferecem conse- Thos eonflitantes ans formuladones de paliticas? armas na mesma quantidade. Que partido obteria 0 maior “dividendo de paz”, medido pelo aumento da produgio de manteiga? Explique. |. O primeiro principio econdmico que discutimos no Capitulo 1 é 0 de que as pessoas se deparam ‘com tradeoff. Use a fronteira de possbilidades de proxtuydo para lustraro tradeyff da sociedade entre ‘um meio ambiente no polufdo e a quantidade de produto industrial. O que, em sua opinigo, deter- ‘mina 0 formato e a posigio da fronteira? Mostre 0 ‘que acontece com a fronteita se engenheiros desenvolvem um motor para carro praticamente livre de emissdes de poluentes |. Uma economia é composta de trés trabalhadores: Lamy, Moe e Curly. Cada um delestrabalha 10 ho- ras por dia e consegue produzir dois servicos: cor- tar grama e lavar carros. Em uma hora, Larry ‘consegue ou cortar um gramado ou lavar um carro; Moe consegue cortar um gramado ou lavar dois carros; Curly consegue cortar dois gramados ou lovar um carro, ‘a. Caleule quanto de cada servico é produzido nas seguintes circunstancias, classificadas como A, RCoD * Os trés passam o tempo todo cortando jgrama. (A) * Os trés passam 0 tempo todo lavando car- ros. (B) + Os Le passant mnetade dy tempo eu vada atividade. (C) 37 PARTE1 INTRODUCAO * Lamy passa a metade do tempo em cada atividade, Moe apenas lava carros © Curly apenas corta grama. (D) b. Represente graficamente a fronteira de possibi- lidades de produgio para essa economia. Com base em suas respostas para a parte (2), identi- fique os pontos A, B, Ce D em seu grafic. & Faplique par que a franteira de possibilidaces de produgao tem esse formato. 4, Alguma das alocagdes calculadas no item (@) € ineficiente? Explique. 5. Classifique os seguintes t6picos como pertencen- tes 8 microeconomia ou & macroeconomia. a. A decisdo de Susan referente a quanto deve oupar. ». O impacto de uma redugéo na poupanga nacio- nal sobre o crescimento econémico de um pais . O impacto de um aumento no prego de chips sobre o mercado para os computadores pessoais. 4. O impacto de um aumento nas compras do ‘govern sobre a taxa de desemprego. ‘eA decisio do McDonald's de contratar menos trabalhadores em razio de um aumento no calério minimo. 5. Classifique cada uma das declaragdes apresenta- dasa seguir como positiva ou normativa. Explique. Tim aumento da inflagi redhuz temporaria mente o desemprego. 'b, O govemo deveria aumentar a taxa da inflagdo a fim de reduzir 0 indice de desemprego. ‘c. O governo deveria aurnentar os impostos a fim de pagar pela assisténcia médica universal. 4. Um aumento nos impostos leva as pessoas @ trabalhar menos horas. ‘e. O prego de um carro novo é muito alto. . Se vost fosse o presidente, estaria mais interessa~ do nas opinides positivas ou notmativas de seus assessores econémicos? For qué? APENDICE GRAFICOS: UMA BREVE REVISAO Muitos dos conceitos que os economistas estudam podem ser expressos por meio de niimeros ~ 0 prego da banana, a quantidade de bananas vendidas, o custo do cultivo da banana, e assim por diante. Essas variéveis ‘econémicas muitas vezes estio relacionadas umas com as outras. Quando o prego das bananas sobe, as pes- sas compram menos bananas. Uma forma de expressat as relagSes entre vavidveis € por meio de gréficos. Os graficos servem para duas coisas. Primeito, quando se desenvolvem teorias econdmicas, os gréficos proporcionam uma maneira de expressar visualmente ideias que nao ficariam tao claras se fossem descritas com equagdes ou palavras. Segundo, durante a andlise de dados econdmicos, os gréficos oferecem uma forma poderosa de descobrir e interpretar padries. Independentemente de estarmos trabalhando com teo- tas ou dados, os gréficos fornecem uma lente através da qual é possivel reconhecer uma floresta a partir de uma grande quantidade de érvores. ‘A informagio numérica pode cer exprecea graficamente de viriae formas, ascim como um pencamento pode set expresso de varias maneiras por meio de palavras. Um bom escritor escolhe palavras que tornarao ‘um argumento claro, uma descrigéo agradavel ou uma cena dramética. Um economista eficaz escolhe o tipo de grafico mais adequado &s suas finalidades. Neste apndice, abordaremos como os economistas usam gréficos para estudar as relacdes mateméticas centre variéveis, além de algumas armadilhas que podem surgir no uso de métodos gréficos. Graficos de uma s6 varidvel ‘Ts gréficos comuns so mostrados na Figura A-1. O gréfico de pizea no painel (a) mostra como se divide a tenda total nos Estados Unidos entre as fontes de renda, incluindo a remuneragio dos empregados (salétio), Iucros corporativos etc. Cada fatia da pizza representa a participago de uma fonte no total. © grande harras NEG 5 tks ea pled fc cs re noni ee hn il barras no painel (2) comparaarenda mécia de 2008 em quatro pases. O rsfco de série temporal no painel (©) mosta a produtividade do wabalho nas empresas dos Estas Unidos entre 1950 2000, (2) Gtifico de pizza (0) Graco de barras (€ Grafico de série temporal ues fend 2) oe dae empresas (1186) petcos om 2008) Renda dos Ssaovo} satan sao Bropretiros ¥) an ogg Renda de ures (6%) 30.000 fend de 20.000 alugués(2%) 10.00] mn > fH MR ss. 19501960 1970 13801980 2000 PARTE1 INTRODUCAO do painel (b) compara a renda em quatro pafses. A altura de cada barra representa a renda média em cada pais. O grfico de série temporal do painel (c) traca.a crescente produtividade no setor de negécios dos Estados Unidos ao longo do tempo. A altura da linha mostra o produto por hora a cada ano. Vocé, provavelmente jé ‘viu graficos semelhantes em jomais e revistas. Graficos de duas variaveis: o sistema de coordenadas Embora os trés gréficos da Figura A-1 sejam titeis para mostrar como uma variavel muda ao longo do tempo ou de um individuo para outro, eles séo bastante limitados no que se refere a quanto podem nos dizer. les apresentam informagées sobre uma s6 variével. Os economistas muitas vezes estio interessados nas rela- Bes entre as variéveis, por isso precisam apresentar duas varidveis em um tinico grafico. O uso do sistema de coordenadas torna isso possivel Suponhamos que voc? queiza examinar a relago entre o tempo de estudo ¢ a nota média dos alunos. Para cada aluno de sua classe, vocé pode registrar um par de niimeros: niimero de horas semanais de estu- do e nota média obtida. Esses nimeros podem, entéo, ser colocados entre parénteses, formando um par ordenado, e representados como tum tinico ponto no grafico. Albert E., por exemplo, é representado pelo par ordenado (25 horas/semana, nota 3,5), enquanto seu despreocupado colega Alfred B. é representado pelo par ordenado (6 horasisemana, nota 2,0). Podemos fazer um grafico desses pares ordenados em uma grade bidimensional. O primeiro mimero de cada par ordenado, chamado coordenada x, mostra a localizagio horizontal do ponto. O segundo niimero, chamado coordenada y, mostra a localizagao vertical do ponto. © ponto que tem coordenadas x e y iguais a zero é chamado origem. As duas coordenadas de cada par ordenado nos dizem onde o ponto esta localizado em relagio a origem: unidades x & direita da origem e unidades y acima dela. A Figura A-2 representa graficamente as notas médias em relacio ao tempo de estudo de Albert E, Alfred E. e seus colegas. Esse tipo de grafico é chamado grifico de disperso porque representa pontos dispersos. ‘Ao olhar para esse grafico, percebemos imediatamente que os pontos mais @ direita (que indicam mator tempo de estudla) tendem a oeupar pasigées mais elevadas Gndicanda melhores natas). Como a tempo de estudo e as notas costumam mover-se na mesma dirego, dizemos que hd uma correlagdo postion entre essas duas varidveis. No entanto, se fizéssemos um grafico do tempo gasto em festas e um das notas, provavelmen- te concluirfamos que mais tempo dedicado a festas esté associado com notas menotes; poderfamos dizer, centio, que existe uma correlacio negatiog, jé que as duas variaveis se movem em diregSes opostas. Em ambos (0 casos, 0 sistema de coordenadas permite ver com faclidade a correlagao entre as Guas varidveis. ——— Usando o sistema de coordenadas Anota mésia é medida no exo vera, €0 tempo de estudo, no exo horizontal Albert, AlredE.e seus colegas de classe s80 representados por diversos pontos. ademas ver pelo dgréfico que os alunos que cestudam mais tendem 2 tar melhores nots. o 5 10 15 2 25 30 35 40 Tempo do eetude, (horas por semana) CAPITULO 2 PENSANDO COMO UM ECONOMISTA a Curvas no sistema de coordenadas ‘Alunos que estudam mais tendem a ter notas mais altas, mas hé outros fatores que influenciam as notas, Preparar-se com antecedéncia, por exemplo, é um fator importante, como também talento, atengao dos professores e até comer bem no café da manha. Um grafico de dispersao como o da Figura A-2 nao procu- ra isalara afpita que a echide tem sobre as natas dos efpitas de anitras variéunie Mas, em muitos cans, as ceconomistas preferem ver como uma varidvel afeta outra mantendo tudo o mais constante.* Para vermos como isso é feito, vamos considerar um dos graficos mais importantes em economia: a curaa da demanda. A curva de demanda representa 0 efeito do prego de um bem sobre a quantidade do bem que os consumidores desejam comprar. Antes de ver uma curva de demanda, contudo, considere a Tabela A-1, que ‘mostra como 0 nimero de romances que Emma compra depende de sua renda e do prego desses livros. ‘Quando os romances estév baratus, Bruna us compra em grande quartidade. A smedida que fica utais €a10s, cla pega emprestado livros da biblioteca em vez de compré-los ou opta por ir ao cinema em vez. de ler. De ‘maneira semelhante, para qualquer prego dado, ela compra mais romances quando sua renda 6 mais alta, ou seja, quando sua renda aumenta, Emma gasta parte da renda adicional em romances e parte em outros bens. TTemmos agora trés variéveis — 0 prego dos romances, a renda e 0 ntimero de livros campradas ~ mais de «que podemos representar em um grafico bidimensional. Para representarmos graficamente as informagbes da Tabela A-1, precisamos manter constante uma das trés varidveis e tracar a relaco entre as outras duas. ‘Como a curva de demande representa a relagio entre prego ¢ quantidade demandada, mantemos constan- te a renda de Emma e mostramos como o niimero de livros que ela compra varia com o prego. Suponhamos que a renda de Emma seja de $ 30 mil por ano, Se colocarmos 0 nimero de romances comprados no exo x € 0 prego destes no elxo y, poderemos representar graficamente a coluna do melo da Tabela A-1. Quando os pontos que representam esses dados da tabela - ( romances, $ 10), (9 romances, $ 9), ¢ assim por diante — sio ligados, eles formam uma linha. Essa linha, representada na Figura A-3, € conhecida como a curva da demanda por romances e nos diz quantos romances Emma compra por qualquer proce dada. A curva da demanda é descendenta, indicando que um prego maior reduz a quantidade de romances demandados. Como a quantidade demandada de romances e 0 prego se movem em diregSes opostas, dizemos que as duas varidveis estdo negaticamente relacionadas ou inversamente relacionadas. (Na situagdo inversa, quando das variéveis movem-se na mesma diregio, a curva que as representa ¢ aacendente c dizemos que as variéveis so positioamente relacionadas ou direiamente relacionadas) TABELAa1 ey Patumarends ——Parsumarenda —_Paraum rend de 20m: de 30m: Romances comprados $10.__Zrorances romances porEmme re a o Esalabeh mos ontimero deromerces que Enmacorpa el| ie 2 ic para dereresrives de rend ess Pa pkg ee 7 ” 2» rena 0 dads be opp € a cl % cqaiade demandada podem 5 2 % 8 ve repeated yotcare resutand ra cuva de eanda Cun dademanda,D, Curva dademanda,D, Curva dademanda,0, | de mmaportomances como mosramasiguie AB eM. 3 Para “mantendo tudo mais constante” também é usual a expresso latina ceteris paribus ou coeteris paribus. (NRT) PARTE1 INTRODUCAO Cuma da demanda Alinha D, mostra como a fqusntlade de romances Emma compra depende do prego destes quando 200 ‘enda permanece constante, ‘como. preco ea quaniidede sdemandada esto negativamente relacionados, ‘a cuna da demanda é descendent. o 5 10 15 20. 25 30 Quantidade de romances ‘comprados SSS ‘Suponhamos agora que a renda de Emma aumente para $ 40 mil por ano. Para qualquer prego dado, ela ‘comprard mais romances do que comprava quando genhova menos. Aasim como tragamoa anteriormente a curva cde demanda de Emma por romances com dados da coluna do meio da Tabela A-1, tragamos agora uma nova curva de demanda com os dados da coluna da direita da tabela. Representamos essa nova curva de demanda (curva D,) ao lado da curva anterior (curva D,) na Figura A-4; a nova curva é semelhante & que tragamos antes, ‘mas situa-se mais & direita. Dizemos, assim. que a curva de demanda de Emma por romances desloca-se para a direta quando sua renda aumenta. Da mesma forma, se a renda de Emma cafsse para $ 20 mil por ano, ela com- praria menos livros para qualquer prego dado e sua curva de demand se deslocaria para a esquerda (curva Deslocamento das curvas de demanda A lcalizagto da cuva de cdemanda de Emma por romances depende da renda quel recebe. Quanto mais {22 gana, mais romances pouerd wompear a uaa prego determinado e mais para a iret sua cuna de demand se deslocara. Acuna D, representa a cuna de demand avignal de Fema ‘quando sua renda é '$30 mil por ano, Se sua renda ‘aumentar para $40 mil por ‘a0, sua curva de demanca se deslocard para D, Se sua 0 131516 20 renda car para $20 mil por ‘ano, sva curva de demanca se deslocard par D, CAPITULO 2 PENSANDO COMO UM ECONOMISTA Em economia, é importante distinguir entre movimentos ao longo de uma curoa e deslocamentos de uma curva, Como vemos na Figura A-3, se Emma ganhar $ 30 mil por ano e os romances custarem $ 8 cada, ela compraré 13 romances por ano. Se o preco cair para $ 7, ntimero de romances comprados aumentaré para 17 porano. A curva de demanda, entretanto, se mantera fixa no mesmo lugar. Ela ainda comprard o mesmo riimero de romances a cada prego, mas, com a queda do prego, ela se moverd da esquerda para a direta a0 longo da cua curva de demands. No entanto, se 0 prego dor romances permanecer fixo em § 8, mas sua renda aumentar para $ 40 mil por ano, Emma aumentaré suas compras de romances de 13 para 16 por ano. ‘Como ela compra mais romances a cada preg, sua curva de demanda desloca-se para fora (para a direita), como mostra a Figura A-4 Hé uma maneira simples de dizer quando é necessério deslocar uma curva: quando uma varidoel que ndo est representada nos eixos muda, a curoa se desloca. A renda néo esta nem no eixo x nem no y do grafico, portanto, quando a renda de Emma muda, sua curva de demanda deve deslocar-se. Isso também é verdade para qualquer mudanca que afote as hahitos de campen de Emma, além da alteragio das pregos das raman- ces, Se, por exemplo, a biblioteca piblica fechar e Emma precisar comprar todos os livros que quiser ler, ela demandaré mais romances a cada prego e sua curva de demanda se deslocaré para a direita. Se o prego do {ngresso do cinema cair e Emma passar mais tempo assstindo a filmes e menos tempo lendo, ela i deman- dar menos romances a cada prego e sua curva de demanda se deslocaré para a esquerda. Mas, quando muda ‘uma varidvel de um dos dois eixos do gréfico, a curva nao se desloca. Interpretamos essa mudanca como um movimento ao longo da cusva. Inclinagao Uma pergunta que poderiamos fazer sobre Emma & em que medida seus hébitos de compra reagem a0 prego. Olhe para a curva de demanda representada na Figura A-5. Se essa curva é muito inclinada, Emma compra quase 0 mesmo niimero de romances, estejam eles mais caros ou mais baratos. Se essa curva é ‘muito plana, o mimero de romances que Emma adquire é mais sensivel a alteragoes no preco. Fara respon der a pergsintas sobre em que medida wma variével responce a mudangas em omtra varidvel, pademas tsar co conceito de inctinagao, Licckool NERUAWAMEREOURESBEOSEC! co. 6 bearer] Seeds e see se ster seeseere EE Code act de tums linha: Para caleular a indinacso da tr curva de deranda, poderos t obsenvar as varagbes das cwordenadas xe y 8 medida que nos desocarnos do penta (21 romances, $ 6) para o i Ponto (14 romances, $8) So A indinagéo da inka é 2 ee razto entre a variacao da a coordenada y(-2) e a vaiacto - da coordenada x (+8), que é igual 2-1/4 PARTE1 INTRODUCAO Aiindlinagio de uma linha é a razio entre a distancia vertical percortida e a disténcia horizontal percor- rida & medida que nos movemos ao longo da linha. Essa definigdo costuma ser escrita matematicamente da seguinte forma: Inclinagéo = onde que a letra grega 4 (delta) representa a variagio de uma varidvel. Em outras palavras, a inclinagio de ‘uma linha é igual ao “aumento” (variagdo de y) dividido pela“disténcia”(variagio de a). A inclinagdo seré tum pequeno nimero positive no caso de linhas ascendentes com pouea inclinago, um grande ndmero positivo no caso de linhas com forte inclinagio ascendente e um nximero negativo para linhas com inclina- ao descendente. Uma linha horizontal teré inclinagéo zero porque, nesse caso, a varidvel y nunca muda; izcuus yur as lilies veiicais Gu inclinayau infil prxque « variivel y pure assuunis qualquer vals seu que a varifvel x mude. ‘Qual é a inclinago da curva de demanda de Emma por romances? Em primeiro lugar, como a inclinagdo da curva é descendente, sabemos que sera negativa. Para calcularmos um valor numérico da inclina- io, precisamos escalher dois pontos da linha. Com a tenda de Emma em $30 mil, ela compraré 21 romances a$ 6 ou 13 romances a $8 (Quando aplicamos a férmula da inclinagio, estamos interessados em saber a variagio entre esses dois pontos, Em outras palavras, 0 que noe interezea 6 a diferenga entre cle, 0 que nos permite coneluir que pre cisamos subtrair um conjunto de valores do outro, como se segue: __ Ay _ primeira coordenada y - segunda coordenada y © Ax ~ primeira coordenada x— segunda coordenada x Inclinagagao m1-13° 8 4 ‘A Figura A-5 representa graficamente o funcionamento desse cé[Link] calcular a inctinagao da curva de denanida de Buna usando dois pontos diferentes. © resultady deve ser exatamente v onesiny, 1/4. Una das propriedades das linhas retas € que elas t8m a mesma inclinago em todes os pontos. Iss0 no se aplica a outros tipos de curvas que tém inclinago maior em alguns pontos que em outros. A inclinago da curva de demanda de Emma nos diz algo sobre 0 quanto suas compras respondem a ‘mudangas de prego, Lima inclinagdo pequena (um niimero préximo de zero) significa que a curva de demanda de Emma é quase horizontal. Nesse caso, 0 néimero de romances que ela compra muda substancialmente em resposta a mudan¢as de prego. Uma inclinagéo maior (niimero bem maior que zero) significa que a curva de demanda de Emma é quase vertical. Nesae ca20, 0 niimero de romances comprades muda pouco quan do os pregos varia. Causa e efeito Os economistas frequentemente usam gréficos para propor argumentos sobre como a economia funciona, Bin outtas palavray, eles usaun grdficos para explicar Cotto win to de eventos. Com um gréfico como a curva de demanda, nao hé diivida quanto ao que é causa e o que é feito. Como estamos variando o prego e mantendo constantes todas as demais varidveis, sabemos que as alteragoes de prego cos romances causam alteragoes na quantidace destes demandada por Emma, é preci- so recordar, entretanto, que nossa curva de demand provém de um exemplo hipotético. Quando se fazem ‘dfs com dados da vida real, muitas vezes € mais dfcl determinar como uma varidvel afeta a outra. ( primeiro problema é que ¢ dificil manter todo o restante constante quando se estuda a relagdo entre das varidveis, Sendo conseguimos manter constantes as outras variéveis, podemos conehuir que wma varié- vel de nosso gréfico esté causando variagSes na outra quando, na verdade, essas variagdes sio causadas por ‘uma terceira varidoel omitida que no consta do grafico, Além disso, ainda que tenhamos identificado as vonjuiity de eventos cause un outro conjurt- CAPITULO 2 PENSANDO COMO UM ECONOMISTA as tie Gréfico com uma varivel omitida ‘Acura stcondonte moda ‘que os membros de femlas propensos a desenvolver Cancer. No entanta, nao ddeveros condluir que possuir isqueiros causa cance, é que © arifico no considera 0 ‘mero de cigaros fumados. Nimero de isqueiros em casa duas variéveis corretas para nossa andlise, podemos nos deparar com um segundo problema: a eausalidade reversa. Him outras palavras, poderiamos conciuir que A causa quando, na verdade, b é que causa A. AS armadilhas da variavel omitida e da causalidade reversa exigem que tenhamos cautela ao usar gréficos para cchegar a conclusdes sobre causas ¢ efeitos. Variéveis omitidas Yamos usar um exemplo para ver como a omisso de uma variével pode levar a um sxfico enganoso. Imaginemos que o governo, pressionado pela preocupagio ptiblica com o grande ntime- ro de mortes por cAncer, contrate a Big Brother Servigos Estatisticos Ltda. para realizar um estudo exaustivo. ‘A Big Brother examina muitos itens encontrados na casa das pessoas para ver quais estdo associados aorisco de céncer e relata uma forte relacio entre duas varidveis: 0 nimero de isqueiros que uma familia tem e a probabilidade de que alguém da familia venha a ter cAncer. A Figura A-6 mostra essa relagéo. © que devemos conciuir desse resultado? A Big Brother propGe uma resposta politica imediata. Recomenda que 0 governo desencoraje 6 uso de isquoiros, instituindo um imposto sobre sua venda, @ que exija que sejam fixadas etiquetas de adverténcia nos isqueiros dizendo:“A Big Brother concluiu que este isqueito faz mal 8 satide". (Quando se julga a validade da andlise da Big Brother, uma questdo é fundamental: a Big Brother man- teve constante cada variével relevante com excegio daquela sob consideragdo? Se a resposta for negativa, 0s resultados serdo suspeitos. Uma explicacdo simples para a Figura A-6 & que as pessoas que tém mais isquei- 10s tém maior probabilidade de serem fumantes e que ¢ 0 fumo, ndo os isqueiros, que causa 0 cancer. Se a Figura A-6 no mantém constante a quantidade de fumo, no nos diz.o real efeito de ter um isqueita, ssa hist6ria ilustra um principio importante: quando um gréfico é usado para dar sustentagéo a um argumento de causa e efeito, é importante perguntar se os movimentos de alguna variével omitida podem cexplicar os resultados observados. Causalidade reversa Os economistas também poderdo se enganar quanto & causalidade se interpretarem ‘mal sua diteyo, Tara saber come isso pode aconlecer, suponha que aAssoviagio dos Anarquistas da Amésica encomende um estuclo sobre a criminalidade e chegue a Figura A-7, que representa o ntimero de crimes ‘violentos por mil habitantes nas grandes cidades em relagio ao niimero de policiais por mil habitantes. Os anarquistas observam que a curva tem inclinagao postiva e afirmam que, como o policiamento aumenta a violéncia urbana em vez de diminu(-la, a polcia deveria ser abolida Se pudéssemos realizar um experimento controlado, evitarfamos 0 petigo da causalidade reversa. Para fazermos tal experimento, determinarfamos aleatoriamente o niimero de policiais em diferentes cidades e, centdo, examinariamos a corrslagio entre policiamento ¢ eriminalidade. A Figura A 7, contudo, no se baceia em um experimento como esse. Ela simplesmente nos permite observar que as cidades mais violentas tém ‘mais policiais. A explicagio para isso pode estar no fato de que cidades mais violentas empregam mais policiais. PARTE1 INTRODUCAO cies violentos Gréfico que sugere (Por 1.000 causalidade reversa pessoas) ‘curva ascendente mostra que cidades com cnncontracin main Aa policies sE0 mais perigosas. No entanta, o gifice née nos diz sea poliia causa 0 crime ou se cidades flageladas pelo crime contratam mais pois. ° Poliiais (por 1.000 pessoas) eee Em outras palavras, em vez de ser o niimero de policiais que determina a criminalidade, 6a criminalidade que determina o niimero de policiais. Nada do grafico por si s6 nos permite determinar a direglo da causalidade. Pode parecer que uma maneira simples de determinar a diregéo da causalidade seja observar qual das variveis se move primeiro, Se o crime aumentar e entio houver uma expansio da forga policial, chegaremos uma contlusdv. Se verifivansnus que a forya pulicial ve expaiule © punteriouuente @ wininalidade aunen- ta, chegaremos a outra conclusio, Contudo, ha sempre uma falha nessa abordagem: as pessoas por vezes ‘mudam seu comportamento ndo por causa de uma alteragdo nas citcunsténcias atuais, mas em tazéo de ‘uma mudanga nas suas expectatioas quanto as condigoes futuras. Lima cidade que esteja esperando por uma grande onda de crime no futuro, por exemplo, poderia muito bem contratar imediatamente mais policiais. Esse problema é ainda mais fécil de perceber no caso de bebés e minivans. Os casais muitas vezes compram minivans antes do nascimento do bebé. A minivan vern antes da crianga, mas iss0 nao nos leva a concluir que a venda desse tipo de vefculo cause ercacimento populacional. [Nao hé um conjunto completo de regras que nos diga com exatido quando é correto extrair conclusies causais de gréficos. Mas ter em mente que isqueiros ndo causam céncer (variével omitida) e que minivans nd face aumentar 0 tamanto das fanias (causalidade reverse) impedird que voce se deixe enyganar por ‘muitos argumentos econdmicos falhos.

Das könnte Ihnen auch gefallen