João Lopes, Universidade Autónoma de Lisboa

Estamos no ano de 1994, ano de Lisboa Capital Europeia da Cultura, e quatro anos separam-nos da abertura da Expo 98. Neste artigo, os autores dão-nos um ponto de situação da criminalidade no país, destacando os maiores focos de criminalidade. O artigo analisa e elabora uma compilação de atos criminosos e violência, com base em denúncias, relatos e estatísticas criminais. Através de uma análise geográfica e estatística, aferimos uma maior criminalidade na zona litoral do que no interior, com as zonas interiores relativamente incólumes a estas ameaça dos atos criminosos, devidos em parte aos grupos mais marginalizados e em muitos casos segregados para zonas periféricas da cidade. O que não significa que sejam nas zonas periféricas onde há mais incidência de criminalidade. O panorama nesta década é de uma grande criminalidade nas grandes cidades de Portugal, Porto e Lisboa, particularmente nesta cidade, onde se assinala maior número de homicídios, roubos, assaltos, consumo de droga, prostituição. Aqui se afirma a maior facilidade em assaltar uma casa em comparação com as zonas periféricas normalmente consideradas mais perigosas. Na elaboração deste “Atlas”, os autores retiram testemunhos e relatos de profissionais que mais estão expostos a estes ambientes perigosos: polícias, seguranças, bombeiros, funcionários públicos, técnicos de saúde, assistência social, motoristas de transportes públicos e taxistas.

Neste estudo, a zona mais referida foi Almada. No entanto, segundo as estatísticas, um dos locais mais perigosos e onde a probabilidade de alguém ser alvo de um roubo era a zona do Marquês e Parque Eduardo VII, especialmente durante a noite. E aqui temos uma imagem da zona urbana do centro de Lisboa durante um grande evento desportivo europeu e um grande evento de exposição mundial: um dos locais com maior criminalidade em Portugal, o que tem efeitos a nível económico e social no turismo, na projeção no exterior e na qualidade de vida da população que visita e vive nesta área. Tal está mencionado no próprio artigo “desde o alto do Parque Eduardo VII até aos Restauradores”, sendo inclusivamente mencionado: “mais perigoso passar no Marquês de Pombal do que no Casal Ventoso”. Podemos assim comparar este período de alta criminalidade e delinear uma linha de evolução negativa ou positiva até aos dias de hoje: aumento do turismo, mais receitas a nível económico e fatores qualitativos mais relacionados com o modo como a população interage no território, se é agradável passear no local, se participa em atividades que aí decorrem e a imagem que tem do local onde vive.
OpenEdition sugere que esta publicação seja citada da seguinte forma:
alunos (12 de Dezembro de 2022). O Grande Atlas do Portugal Perigoso. Cidade (In)visível. Recuperado em 21 de Julho de 2026 de https://doi.org/10.58079/mus1