Saber fazer não pára! A Alice e sua equipa fazem um trabalho FANTÁSTICO

https://www.saberfazer.org/research/las-transmontanas – vale a pena ver!

Vejam o resultado do trabalho, desde 2022, só sobre as lãs transmontanas

Jeffrey Sachs em Lisboa

Hoje no jornal Público: uma entrevista com Jeffrey Sachs :… “No início da semana, Jeffrey Sachs estará
em Lisboa (com personalidades menos
controversas) na conferência Paving the
Way to the Pact of the Future, um encontro
que antecede a grande Cimeira do Futuro,
convocada por António Guterres para 22 e
23 Setembro em Nova Iorque”…[procurar no google “Paving the Way to the Pact of the Future” dias 17 e 18 de Junho, 2024″

O dia em que um vencedor da II Guerra foi apagado da fotografia

(Ana Sá Lopes, in Público, 09/06/2024)

(Alguém tinha que escrever este artigo para desmontar a grande patranha do Ocidente àcerca da Segunda Guerra Mundial. Reescrever a História é o que os fascismos de todos os matizes sempre fizeram. Macron, Biden e companhia, a propósito do desembarque na Normandia, juntaram-se agora à cáfila, aspergidos pelo hissope dos comentadores arregimentados do mainstream. Obrigado Ana Sá Lopes e um elogio pela coragem, que é preciso tê-la para enfrentar tão tenebrosa gente.

Estátua de Sal, 09/06/2024)


O sangue dos jovens das várias repúblicas soviéticas não foi derramado nas praias da Normandia, mas foi efectivamente a Frente Leste que derrotou Hitler.


Opassado é uma coisa esquisita. Quando o que as fontes históricas contam nos perturba minimamente, inventamos um outro passado, mitificado. A natureza humana tenta riscar da memória tudo o que a incomoda – um mecanismo de sobrevivência, provavelmente. Estaline apagava os inimigos das fotografias, hoje é a vez de o Ocidente lhe fazer o mesmo.

A História não é uma linha recta, está cheia de sombras, de incongruências, de realpolitik, de cinzentos, de alianças ditas espúrias, de horrores e algumas grandezas. Para alegria do povo (vemos o que se passa ainda em Portugal com o império), precisamos de a simplificar.

Ao assistir às cerimónias dos 80 anos do desembarque da Normandia, é difícil não conter as lágrimas ao lembrar a coragem daqueles jovens que vieram de muitos lugares do planeta para salvar a Europa do nazismo.

O que ficou esquecido é que o sangue dos soldados soviéticos foi determinante para combater o regime nazi. Antes e durante a guerra, Churchill sempre considerou Estaline “um homem abominável” – e foi contra o “inimigo soviético” que centrou a sua campanha eleitoral de 1945, depois da guerra. Aliás, não foi reeleito por várias razões, incluindo porque o eleitorado britânico não compreendia os discursos de Churchill contra o comunismo: a URSS, aliada dos ingleses e dos americanos no combate a Hitler, era olhada com simpatia pelo povo britânico.

O sangue dos jovens das várias repúblicas soviéticas não foi derramado nas praias da Normandia, mas foi efectivamente a Frente Leste que derrotou Hitler. Max Hastings, um historiador totalmente insuspeito de simpatias comunistas, escreve em Os Melhores Anos – Churchill 1940-1945: “Os aliados ocidentais nunca derrotaram os principais exércitos alemães – apenas auxiliaram os russos a destruí-los.”

E mais perturbador ainda: “Não obstante todo o entusiasmo de George Marshall e dos seus colegas com a invasão da Europa, continua a ser impossível acreditar que os Estados Unidos estariam dispostos – como a Grã-Bretanha não estava – a aceitar milhões de baixas para desempenhar o papel de desgaste do Exército Vermelho em Estalinegrado, em Kursk, e em 100 outros banhos de sangue de menores dimensões entre 1942 e 1945.”

E, por fim, “Roosevelt e Churchill tinham a satisfação da superioridade moral sobre Estaline mas é difícil contestar a pretensão do senhor da guerra soviético a ser chamado arquitecto da vitória”.

Uma das explicações para esta superioridade no combate dos soviéticos é que não havia opinião pública na URSS para contestar a morte de soldados em massa, ao contrário do que se passava nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha.

O presente – a invasão da Ucrânia pela Rússia – intrometeu-se na homenagem ao passado, transformando as comemorações do Dia D num dia de combate à Rússia. Sem deixar de concordar que todos os dias devem ser de combate à Rússia e apoio a Kiev, o apagar da União Soviética da fotografia da vitória na II Guerra é replicar no Ocidente os métodos de Estaline.

A França, que organizou a comemoração dos 80 anos do Dia D, decidiu não convidar Putin (que, por acaso, esteve presente nos 70 anos, já depois de anexada a Crimeia). Mas queria convidar alguns representantes russos, herdeiros dos homens que ajudaram a combater o nazismo. A Casa Branca e o Reino Unido fizeram saber a sua discordância. A França recuou.

A organização das comemorações, Mission Libération, chegou a escrever em comunicado: “Contrariamente ao Kremlin, a França não faz revisionismo político da história.” Também um deputado conservador britânico chamado Tobias Ellwood, que chegou a ser ministro da Defesa do Reino Unido – não obstante ser um dos maiores defensores do apoio ocidental à Ucrânia e de um maior investimento na defesa para auxiliar Kiev –, dizia ao jornal Politico em Maio que, se a Rússia não fosse convidada, corria-se o risco de “confundir a geopolítica de hoje com a união de objectivos para derrotar o nazismo no passado”.

Confundiu-se tudo. Procedeu-se ao revisionismo da história. Talvez o Dia D não seja história. Talvez nunca tenha existido. Talvez Estaline não tenha derrotado Hitler. As comemorações desta semana revelaram apenas a geopolítica do presente condimentada com geopsicologia política.