{"id":97342,"date":"2022-05-12T09:01:31","date_gmt":"2022-05-12T13:01:31","guid":{"rendered":"https:\/\/amazoniareal.com.br\/?page_id=97342"},"modified":"2022-10-05T11:18:42","modified_gmt":"2022-10-05T15:18:42","slug":"rondonia-devastada","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/amazoniareal.com.br\/rondonia-devastada\/","title":{"rendered":"Rond\u00f4nia devastada"},"content":{"rendered":" <section class=\"co-authors-bg\" > <div class=\"container-fluid p-0\"> <div class=\"row no-gutters d-xl-flex flex-xl-column justify-content-lg-center align-items-lg-center \"> <div class=\"col-xl-7 pl-3 pt-3 pr-3 pl-lg-0 pr-lg-0 d-flex justify-content-between align-items-center flex-column flex-lg-row\"> <div class=\"co-authors font-weight-light mb-2 ml-1\" > Por <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/author\/fabio-pontes\/\" title=\"Posts por Fabio Pontes\" class=\"author url fn\" rel=\"author\">Fabio Pontes<\/a>, <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/author\/elaize-farias\/\" title=\"Posts por Ela\u00edze Farias\" class=\"author url fn\" rel=\"author\">Ela\u00edze Farias<\/a> e <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/author\/karladoval\/\" title=\"Posts por Karla do Val\" class=\"author url fn\" rel=\"author\">Karla do Val<\/a> <\/div> <div class=\"co-author-share\" > <span> compartilhe <\/span> <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https%3A%2F%2Famazoniareal.com.br%2Frondonia-devastada%2F&src=sdkpreparse\"> <i class=\"fab fa-facebook\"><\/i> <\/a> <a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https%3A%2F%2Famazoniareal.com.br%2Frondonia-devastada%2F&text=Rond%C3%B4nia+devastada\"> <i class=\"fab fa-twitter\"><\/i> <\/a> <a href=\"whatsapp:\/\/send?text=https%3A%2F%2Famazoniareal.com.br%2Frondonia-devastada%2F\"> <i class=\"fab fa-whatsapp\"><\/i> <\/a> <\/div> <\/div> <\/div> <\/div> <\/section>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Porto Velho (RO), Manaus (AM) e S\u00e3o Paulo (SP)<\/strong> &#8211; Uma pequena ponte de madeira sobre o igarap\u00e9 Fortaleza separa a Terra Ind\u00edgena (TI) Karipuna da \u00e1rea de reserva legal de uma fazenda em Porto Velho, a capital de Rond\u00f4nia. E basta avan\u00e7ar um pouco pela estrada de terra que vem a seguir para avistar os primeiros troncos de \u00e1rvores carbonizadas. Eles s\u00e3o o sinal de que uma queimada aconteceu ali e n\u00e3o faz muito tempo. Onde antes havia floresta, os desmatadores espalharam sementes para cultivar um ro\u00e7ado com planta\u00e7\u00f5es de ab\u00f3boras, mandioca e milho. E, n\u00e3o satisfeitos, donos de fazendas vizinhas exibem placas de identifica\u00e7\u00e3o \u00e0 margem do rio Formoso, no limite da TI. \u00c9 dif\u00edcil dizer onde termina uma \u00e1rea e come\u00e7a a outra. Essa confus\u00e3o facilita a vida dos invasores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00e1rea invadida logo na entrada da TI \u00e9 apenas uma de muitas frentes de press\u00e3o que os Karipuna v\u00eam sofrendo. Eles est\u00e3o cercados por gado e soja, e ainda v\u00eaem o roubo de madeira de dentro de suas \u00e1reas acontecer \u00e0 luz do dia. Madeireiros e grileiros se sentem \u00e0 vontade para invadir terras p\u00fablicas e praticar seus crimes na certeza de que nada lhes acontecer\u00e1. A lei pode n\u00e3o proteg\u00ea-los, mas os governantes fazem de tudo para garantir a eles um neg\u00f3cio lucrativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A TI Karipuna faz divisa, a leste, com a Reserva Extrativista (Resex) Jaci-Paran\u00e1. Uma est\u00e1 de frente para a outra, separadas pelo rio Jaci-Paran\u00e1. Mais ao sul a fronteira \u00e9 com o Parque Estadual de Guajar\u00e1-Mirim. As duas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o serviriam, em tese, como zona de amortecimento para press\u00f5es da grilagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com uma \u00e1rea de 153 mil hectares, a terra ind\u00edgena est\u00e1 na margem esquerda do rio Jaci-Paran\u00e1. Ap\u00f3s os Karipuna quase serem exterminados pelo contato com o homem branco durante o processo de ocupa\u00e7\u00e3o do que hoje \u00e9 Rond\u00f4nia, nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado, eles conseguiram se reorganizar. Dos 8 ind\u00edgenas sobreviventes da \u00e9poca do contato, hoje s\u00e3o pouco mais de 60.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Falantes do <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Karipuna_de_Rond%C3%B4nia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tupi-Guarani e autodenominados<\/a> de <em>Ah\u00e9<\/em>, \u201cgente verdadeira\u201d em portugu\u00eas, os Karipuna residem hoje nas casas da \u00fanica aldeia do territ\u00f3rio e alguns tamb\u00e9m na capital Porto Velho, onde estudam e trabalham. Na aldeia, que leva o nome da etnia, a principal lideran\u00e7a \u00e9 o cacique Andr\u00e9 Karipuna, que recebe a reportagem da <strong>Amaz\u00f4nia Real<\/strong> na ponte do igarap\u00e9 Fortaleza. Aos 29 anos, ele j\u00e1 enfrentou amea\u00e7as de morte e teve a cabe\u00e7a colocada a pr\u00eamio por denunciar as invas\u00f5es dentro do territ\u00f3rio. Ele est\u00e1 prestes a embarcar em mais uma miss\u00e3o, que \u00e9 a de monitorar novas \u00e1reas invadidas dentro da TI, nas cercanias das fazendas vizinhas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Karip-e-jaci-6-03-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"721\" src=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Karip-e-jaci-6-03-1024x721.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-99968\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Karip-e-jaci-6-03-1024x721.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Karip-e-jaci-6-03-300x211.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Karip-e-jaci-6-03-768x540.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Karip-e-jaci-6-03-1536x1081.jpg 1536w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Karip-e-jaci-6-03-2048x1441.jpg 2048w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Karip-e-jaci-6-03-150x106.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Vest\u00edgios da destrui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-15.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-15-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-93201\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-15-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-15-300x169.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-15-768x432.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-15-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-15-150x84.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-15.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption><em><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-white-color\">Marca de pneus em novo acesso feito pelos invasores na TI Karipuna<br> (Foto: Alexandre Cruz Noronha\/Amaz\u00f4nia Real)<\/mark><\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era o m\u00eas de novembro, e as primeiras chuvas do \u201cinverno amaz\u00f4nico\u201d j\u00e1 davam as caras. Ap\u00f3s uma hora descendo o Jaci-Paran\u00e1, Andr\u00e9 chega ao novo ponto de invas\u00e3o detectado por imagens de sat\u00e9lite. N\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil chegar ao local pelo rio, por\u00e9m \u00e9 a op\u00e7\u00e3o mais segura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa miss\u00e3o em busca de vest\u00edgios da destrui\u00e7\u00e3o, o primeiro desafio \u00e9 \u201cescalar\u201d um barranco \u00edngreme segurando em troncos e ra\u00edzes de \u00e1rvores. Nos dias chuvosos, \u00e9 quase imposs\u00edvel ficar em p\u00e9 sobre o terreno escorregadio. Mas Andr\u00e9 Karipuna sobe sem nenhuma dificuldade os mais de 10 metros do elevado barranco. Nas costas, ele carrega a espingarda que usa para se defender dos animais da floresta, e, se for preciso, tamb\u00e9m dos invasores. O aparelho GPS \u00e9 outro item de sobreviv\u00eancia. H\u00e1 alguns anos, quando ainda n\u00e3o tinha o dispositivo, ele ficou quase uma semana perdido na floresta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para chegar at\u00e9 o ponto da nova invas\u00e3o, ser\u00e3o pelo menos um quil\u00f4metro por uma mata fechada, desde a margem do rio. No caminho, Andr\u00e9 chama a aten\u00e7\u00e3o da reportagem para pontos feitos nos troncos das \u00e1rvores. As marca\u00e7\u00f5es servem para indicar as \u00e1reas que ser\u00e3o derrubadas e invadidas j\u00e1 na pr\u00f3xima temporada de seca. \u00c9 um claro sinal da aud\u00e1cia e certeza da impunidade em Rond\u00f4nia. \u201cAqui \u00e9 uma picada dos caras que est\u00e3o grilando a terra. Eles j\u00e1 deixam tudo marcado para invadir no pr\u00f3ximo ver\u00e3o. Cada um j\u00e1 vai definindo qual lote \u00e9 de quem\u201d, explica a lideran\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de chegar \u00e0 \u00e1rea desmatada, a equipe da <strong>Amaz\u00f4nia Real<\/strong> se depara com um tapiri que pode ter sido utilizado por ind\u00edgenas que n\u00e3o s\u00e3o os Karipuna, provavelmente n\u00e3o-contatados. O local serve como esconderijo para a pr\u00e1tica da ca\u00e7a. Surpreende, mas preocupa saber da presen\u00e7a de ind\u00edgenas isolados numa \u00e1rea de floresta t\u00e3o pressionada pelas fazendas de gado e de soja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marcas de pneus de motos e tratores surgem, ent\u00e3o, numa picada (trilha) mais aberta. Os invasores passaram pelo local h\u00e1 pouco tempo. E basta prosseguir por um caminho sombreado para se chegar a uma grande clareira metros \u00e0 frente. Ap\u00f3s o roubo da madeira nobre e a queimada do terreno para fazer a limpeza, os invasores jogaram sementes de capim. Isso \u00e9 vis\u00edvel nas folhas de braqui\u00e1rias, uma esp\u00e9cie de capim que brota e cresce r\u00e1pido. \u201cLogo, logo eles v\u00e3o trazer o gado e colocar aqui. A\u00ed depois v\u00e3o aumentando a invas\u00e3o\u201d, diz o cacique Andr\u00e9 Karipuna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longe, \u00e9 poss\u00edvel ouvir roncos de motores de tratores e caminh\u00f5es. Eles est\u00e3o no sentido oposto ao que seria o limite territorial dos Karipuna. Andr\u00e9 decide arriscar para saber se n\u00e3o est\u00e3o dentro da TI. O cacique n\u00e3o se aproxima demais, mas percebe que o barulho vem de fora. Eles est\u00e3o trabalhando na fazenda vizinha.<\/p>\n\n\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cercada de gado e soja<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-8-6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-8-6-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-93233\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-8-6-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-8-6-300x169.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-8-6-768x432.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-8-6-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-8-6-150x84.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-8-6.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption><em><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-white-color\">Planta\u00e7\u00e3o de soja e celeiro de gr\u00e3os em Rond\u00f4nia<br> (Foto: Alexandre Cruz Noronha\/Amaz\u00f4nia Real)<\/mark><\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O territ\u00f3rio hist\u00f3rico dos Karipuna, <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Karipuna_de_Rond%C3%B4nia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">segundo fontes do Instituto Socioambiental<\/a> \u2013 compreendia o rio Mutum-Paran\u00e1 e seus afluentes da margem esquerda (a oeste), igarap\u00e9 Contra e rio S\u00e3o Francisco (ao norte) e os rios Capivari, Formoso e Jaci-Paran\u00e1 (ao sul e leste). \u201cEste territ\u00f3rio em parte convergia com a \u00e1rea de ocupa\u00e7\u00e3o dos Uru-Eu-Wau-Wau e Amondawa (ao sul), Paca\u00e1-Nova (a oeste) e <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Karitiana\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Karitiana<\/a> (ao norte e leste)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A TI <a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/3723\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Karipuna<\/a> est\u00e1 localizada nos munic\u00edpios de Porto Velho e Nova Mamor\u00e9. \u201cAli os Karipuna est\u00e3o reunidos na aldeia Panorama. A TI tem como limites naturais os rios Jaci-Paran\u00e1 e seu afluente pela margem esquerda, o rio Formoso (a leste); os igarap\u00e9s Fortaleza (ao norte), do Juiz e \u00c1gua Azul (a oeste) e uma linha seca ao sul, ligando este \u00faltimo igarap\u00e9 \u00e0s cabeceiras do Formoso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, a Terra Ind\u00edgena Karipuna est\u00e1 quase toda cercada por fazendas de gado e de soja. Apenas as \u00e1reas que margeiam o Jaci-Paran\u00e1 est\u00e3o preservadas. Preservadas, mas n\u00e3o livres da entrada de intrusos e invasores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cacique Andr\u00e9 Karipuna n\u00e3o est\u00e1 sozinho na sua luta para escapar da extin\u00e7\u00e3o. Adriano e Eric s\u00e3o seus irm\u00e3os e cunhado, respectivamente. Os tr\u00eas s\u00e3o as principais lideran\u00e7as de um povo que luta teimosamente pela sobreviv\u00eancia. Eles j\u00e1 perderam as contas de quantas den\u00fancias fizeram em cartas, a\u00e7\u00f5es judiciais e quantos foram os apelos na m\u00eddia, em entrevistas para jornalistas. Em abril de 2021, Adriano Karipuna denunciou as invas\u00f5es na<a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2021\/04\/governo-brasileiro-busca-legalizar-invasao-terras-indigenas-adriano-karipuna-forum-onu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> 20\u00aa Sess\u00e3o<\/a> do F\u00f3rum Permanente da ONU sobre Assuntos Ind\u00edgenas, e novamente no \u00faltimo dia <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2022\/03\/adriano-karipuna-onu-cdh49\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">10 de abril<\/a>, quando falou, de forma remota, na 49\u00aa sess\u00e3o do Conselho de Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). \u201cEstamos cercados pelos invasores do nosso territ\u00f3rio. Tememos ser assassinados dentro de nossa pr\u00f3pria aldeia\u201d, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=qCyPhBE19ec\">disse ele<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 10 de dezembro de 2021, a Associa\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas Karipuna (Apoika) encaminhou \u00e0 Pol\u00edcia Federal (PF) e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) documento relatando o novo flanco aberto pelos invasores, na regi\u00e3o do rio Formoso. O rio vem da regi\u00e3o do Parque do Guajar\u00e1-Mirim e vai se encontrar com o Jaci-Paran\u00e1, fazendo o limite Sul da Terra Ind\u00edgena. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho de fiscaliza\u00e7\u00e3o do cacique Andr\u00e9 e dos demais Karipuna tem produzido abrangentes relatos da g\u00eanese do desmatamento contempor\u00e2neo no Brasil. Esses registros trazem informa\u00e7\u00f5es detalhadas, com coordenadas geogr\u00e1ficas, de roubo de rodas de madeira na regi\u00e3o do rio Formoso e da constru\u00e7\u00e3o de pontes clandestinas pelos invasores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201c<\/strong>No ano de 2021, se intensificaram as invas\u00f5es, j\u00e1 foram feitas v\u00e1rias den\u00fancias e at\u00e9 o momento n\u00e3o houve uma opera\u00e7\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o com resultado satisfat\u00f3rio. Com isso, a comunidade ficou impossibilitada de coletar castanha pela presen\u00e7a amea\u00e7adora dos invasores, que transitam livremente pelo local\u201d, diz um trecho da den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma c\u00f3pia desse documento foi parar nas m\u00e3os da procuradora da Rep\u00fablica Tatiana de Noronha Versian Ribeiro e outra nas da delegada da Pol\u00edcia Federal Larissa Brenda. A procuradora afirma que o MPF instaurou uma nova investiga\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 em curso, e n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o para uma nova opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>SOS Karipuna<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-24.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-24-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-93210\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-24-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-24-300x169.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-24-768x432.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-24-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-24-150x84.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-24.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption><em><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-white-color\">Cacique Andr\u00e9 Karipuna (Foto: Alexandre Cruz Noronha\/Amaz\u00f4nia Real)<\/mark><\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00faltima grande opera\u00e7\u00e3o policial e de combate ao crime ambiental foi em 2020. Era o ano da pandemia e, segundo a procuradora, isso alterou bastante o cronograma das a\u00e7\u00f5es. \u201cDescobrimos que o grupo que atuava com o loteamento na TI Karipuna estava se rearticulando e fizemos outra opera\u00e7\u00e3o contra Ediney Holanda dos Santos. O processo j\u00e1 \u00e9 p\u00fablico, j\u00e1 teve den\u00fancia. Ele era exatamente o mesmo l\u00edder da opera\u00e7\u00e3o anterior (SOS Karipuna, de 2019)\u201d, lembra ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ediney Holanda dos Santos foi um dos nove denunciados pelo MPF pelos crimes de organiza\u00e7\u00e3o criminosa, estelionato, invas\u00e3o para ocupa\u00e7\u00e3o de terras da Uni\u00e3o, desmatamento sem autoriza\u00e7\u00e3o e lavagem de dinheiro, em 2019. Ela \u00e9 resultado da Opera\u00e7\u00e3o Kawyra (desdobramento da SOS Karipuna), na qual a PF constatou invas\u00f5es,&nbsp; destrui\u00e7\u00e3o ambiental e loteamento de \u00e1reas dentro da TI Karipuna. Tamb\u00e9m foram denunciados Cristiane Gomes da Silva, Antonio Machajecki, Sebasti\u00e3o Quintino Alves, Margarethi Alves de Morais, Z\u00e9 Barbudo, Jos\u00e9 Pinheiro, Aparecido Quintino Alves e Abra\u00e3o de Oliveira Brito. As empresas Amazon Gel e Asprube &#8211; Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores Rurais Boa Esperan\u00e7a tamb\u00e9m estavam envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As investiga\u00e7\u00f5es constataram que o<a href=\"https:\/\/trf-1.jusbrasil.com.br\/jurisprudencia\/890112113\/habeas-corpus-hc-hc-10208624320194010000\/inteiro-teor-890112225\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> loteamento ilegal<\/a> dentro da TI Karipuna era promovido pela associa\u00e7\u00e3o Azote, que prometia a regulariza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea no Distrito de Uni\u00e3o Bandeirantes. A Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores Rurais Boa Esperan\u00e7a (Asprube) seria a respons\u00e1vel pela assist\u00eancia jur\u00eddica para regularizar a terra e retirar os invasores da pris\u00e3o. J\u00e1 a empresa Amazon Gel, localizada no mesmo Distrito de Uni\u00e3o Bandeirantes, registrada em nome de Cristiane Gomes da Silva, era respons\u00e1vel pelo georreferenciamento dos lotes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A procuradora Tatiana Ribeiro lembra que chegou no MPF de Rond\u00f4nia em 2018 e logo depois foi constitu\u00edda a For\u00e7a Tarefa Amaz\u00f4nia que atuou em alguns Estados da regi\u00e3o Norte. A primeira opera\u00e7\u00e3o aconteceu na TI Karipuna, em setembro de 2019, visando justamente desmantelar um grupo que loteava terras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA Pol\u00edcia Federal foi l\u00e1 e fez a destrui\u00e7\u00e3o das pontes. Eram umas sete pontes, quando deflagraram a (opera\u00e7\u00e3o) Karipuna I, em 2019. J\u00e1 tinha esse mapeamento porque era objetivo nosso destruir. S\u00f3 que conseguimos destruir s\u00f3 duas em 2019. O mapeamento foi feito com o aux\u00edlio da Associa\u00e7\u00e3o Karipuna e do Greenpeace. E essa foi a \u00faltima a\u00e7\u00e3o concreta que fizemos l\u00e1. Desde ent\u00e3o continuamos em contato\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fazendas com placas<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-9-4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-9-4-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-93237\" width=\"840\" height=\"472\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-9-4-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-9-4-300x169.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-9-4-768x432.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-9-4-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-9-4-150x84.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rodonia-Destruida_Amazonia-Real_Alexandre-Cruz-Noronha-9-4.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><\/a><figcaption><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-white-color\"><em>An\u00fancio de venda de terra na Resex Jaci-Paran\u00e1 <\/em><br><em>(Foto: Alexandre Cruz Noronha\/Amaz\u00f4nia Real)<\/em><\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A TI Karipuna foi homologada em 1998, mas o hist\u00f3rico de invas\u00f5es remonta h\u00e1 quase dez anos. Laura Vicu\u00f1a, do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi), lembra que as invas\u00f5es aumentaram em 2011, mas somente seis anos depois \u00e9 que os ind\u00edgenas conseguiram dar visibilidade \u00e0s amea\u00e7as que sofriam. Naquele ano de 2017, eles iniciaram uma s\u00e9rie de den\u00fancias p\u00fablicas em v\u00e1rios f\u00f3runs nacionais, internacionais e na m\u00eddia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2019 e 2020, a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) e a PF iniciaram opera\u00e7\u00f5es de combate \u00e0s invas\u00f5es e retirada de madeira. Para Laura Vicu\u00f1a, essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u201cenxuga-gelo\u201d e pontuais, isto \u00e9, n\u00e3o trazem resultado efetivo. Segundo ela, n\u00e3o h\u00e1 plano de prote\u00e7\u00e3o permanente para os Karipuna. E o fato \u00e9 que as invas\u00f5es n\u00e3o apenas n\u00e3o cessaram como aumentaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA Pol\u00edcia Federal precisa fazer uma investiga\u00e7\u00e3o s\u00e9ria. A gente passa alguns nomes e algumas quest\u00f5es. A PF pergunta: \u2018Sim, mas o que t\u00eam de concreto\u2019? A gente responde: \u2018Voc\u00eas querem que a gente v\u00e1 prender a pessoa? Cabe a voc\u00eas fazer a investiga\u00e7\u00e3o\u2019. N\u00e3o temos provas concretas. Existem ind\u00edcios. N\u00e3o existe materialidade para a gente opinar. \u00c9 a PF que tem que investigar\u201d, afirma a indigenista do Cimi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pris\u00e3o de Ediney Holanda dos Santos, em 2019, s\u00f3 ocorreu pelo trabalho de investiga\u00e7\u00e3o que pr\u00f3prio  Cimi fez. No Youtube, a organiza\u00e7\u00e3o encontrou v\u00eddeos em que ele vendia lotes na TI Karipuna. Dias depois, o v\u00eddeo foi exclu\u00eddo pelos autores. \u201cO crime organizado est\u00e1 t\u00e3o sem vergonha que eles, al\u00e9m de fazer a ilegalidade, publicam na internet\u201d, diz Laura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a indigenista, n\u00e3o basta fazer opera\u00e7\u00f5es pontuais sem que se chegue \u00e0 cadeia do crime que, segundo ela, envolve nomes poderosos do setor econ\u00f4mico e da pol\u00edtica. \u201cA gente encontra uma ro\u00e7a formada de pessoas que entram todos os dias dentro da terra ind\u00edgena. Os Karipuna conseguem identificar, passam as coordenadas para a Pol\u00edcia Federal, para as demais autoridades, dizendo que em tal lugar tem retirada de madeira. Quando a fiscaliza\u00e7\u00e3o vem, s\u00f3 chega depois que retiraram toda a madeira. Alguma coisa tem a\u00ed\u201d, questiona a indigenista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAt\u00e9 2019, essas fazendas (vizinhas \u00e0 TI Karipuna) n\u00e3o existiam. Eram \u00e1reas de floresta. Hoje n\u00e3o tem mais floresta. Tem placas de fazenda, coisa rara de encontrar antes\u201d, conta Laura Vicu\u00f1a \u00e0 <strong>Amaz\u00f4nia Real<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u00c0 luz do dia<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/br-319-mchael-dantas-wwf.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/br-319-mchael-dantas-wwf-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-49751\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/br-319-mchael-dantas-wwf-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/br-319-mchael-dantas-wwf-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/br-319-mchael-dantas-wwf-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/br-319-mchael-dantas-wwf.jpg 1995w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption><em>Caminh\u00f5es com madeira ilegal na BR 319<\/em><br><em> (Foto: Michael Dantas\/WWF-Brasil)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro indicador de que os invasores perderam o medo de serem flagrados em sua pr\u00e1tica ilegal \u00e9 que eles j\u00e1 n\u00e3o se sentem mais intimidados em transportar madeira \u00e0 luz do dia. \u201cOs criminosos se sentem legitimados pelo discurso do atual presidente [Jair Bolsonaro]. Eles n\u00e3o t\u00eam medo de sair com um caminh\u00e3o cheio de madeira em plena luz do dia. Coisa que no passado eles faziam \u00e0 noite ou de madrugada\u201d, afirma a indigenista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 se agravou depois que o governo de Marcos Rocha (PSL), apoiador de Bolsonaro, aprovou projeto de lei que desafeta duas \u00e1reas protegidas: a Reserva Extrativista (Resex) Jaci-Paran\u00e1 e o Parque Estadual de Guajar\u00e1-Mirim. Elas atuavam como uma esp\u00e9cie de anteparo para a TI Karipuna. Fruto de sucessivas invas\u00f5es desde meados dos anos 2000, a Resex Jaci-Paran\u00e1 \u00e9 o s\u00edmbolo da engrenagem da ind\u00fastria da grilagem em Rond\u00f4nia e sua destrui\u00e7\u00e3o se tornou uma dor de cabe\u00e7a para os Karipuna. Em novembro de 2021, o Tribunal de Justi\u00e7a de Rond\u00f4nia decidiu pela inconstitucionalidade da lei que desafetou as duas UCs.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente sempre vinha dizendo que isso [a desafeta\u00e7\u00e3o da Resex] ia fortalecer as invas\u00f5es de nosso territ\u00f3rio, e isso fortaleceu mesmo\u201d, diz Andr\u00e9 Karipuna. \u201cDepois que o governo cortou os parques estaduais e a Resex a situa\u00e7\u00e3o piorou. N\u00f3s n\u00e3o fomos chamados para nos ouvir. Eu sei que simplesmente eles cortaram\u201d, desabafa o cacique durante a viagem da <strong>Amaz\u00f4nia Real<\/strong> na TI Karipuna.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Grande parte das press\u00f5es ocorre com o incentivo do pr\u00f3prio governo de Rond\u00f4nia, acusado de ser omisso sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR), instrumento que, na pr\u00e1tica, tem legitimado o crime de invas\u00e3o de terras p\u00fablicas no Estado e em outras partes da Amaz\u00f4nia &#8211; e n\u00e3o importa se elas est\u00e3o dentro de unidades de conserva\u00e7\u00e3o ou terra ind\u00edgena. De acordo com o cacique Andr\u00e9 Karipuna, ao menos 87 CARs emitidos pela Sedam foram identificados em \u00e1reas sobrepostas ao territ\u00f3rio Karipuna. \u00c9 o crime de papel passado.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/8871650\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><\/div>\n\n\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia as reportagens da s\u00e9rie &#8220;A destrui\u00e7\u00e3o de Rond\u00f4nia&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madeireiros, grileiros e empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio se apossaram do Estado rondoniense. Pela vontade deles, j\u00e1 n\u00e3o haveria mais florestas. Mas elas resistem gra\u00e7as aos povos ind\u00edgenas e \u00e0s Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. 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